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17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo
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Objetivos
Módulo 1
A estética parnasiana
Identificar a estética parnasiana a partir dos poemas mais
representativos de Olavo Bilac e Francisca Júlia.
Acessar módulo
Módulo 2
O Simbolismo em Cruz e Sousa
Reconhecer o Simbolismo em Cruz e Sousa a partir de seus
poemas mais representativos.
Acessar módulo
Parnasianismo e
Simbolismo
Prof. Rodrigo Jorge Ribeiro Neves
Descrição
Você vai conhecer o Parnasianismo e o
Simbolismo na literatura brasileira a partir de
seu contexto cultural e de seus autores
representativos, como Olavo Bilac, Francisca
Júlia, Cruz e Sousa, e Augusto dos Anjos.
Propósito
Ao compreender as escolas parnasiana e
simbolista, você poderá identificar as
principais tendências estéticas do período e
ampliar as competências literárias para o
exercício profissional do ensino de literatura
brasileira.
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17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo
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Módulo 3
O Simbolismo em Augusto dos Anjos
Reconhecer o Simbolismo em Augusto dos Anjos a partir de
seus poemas mais representativos.
Acessar módulo
Introdução
A história da poesia brasileira é marcada por rupturas e
continuidades reveladoras da formação da nossa sociedade e,
também, das disputas que constituem nossa visão de mundo.
O Parnasianismo, atualmente, costuma ser lido pela lente dos
modernistas da primeira geração, mas a verdade é que a estética
“passadista”, chamada assim pelos intelectuais de 1922, trouxe
grandes contribuições para a arte de fazer versos, como a
consciência da forma, com seu rigor e objetividade.
No caso do Simbolismo, as conquistas se deram pela exploração
da capacidade da palavra em produzir sentidos a partir da
musicalidade e das imagens de suas figuras de linguagem, além
da dimensão expressionista de seu caráter subjetivo.
Você vai conhecer autores representativos do Parnasianismo e
do Simbolismo na literatura brasileira, a partir de alguns de seus
principais poemas.
Entre os parnasianos, analisaremos as poesias de Olavo Bilac e
de Francisca Júlia, compreendendo de que maneira cada um
retomou aspectos da tradição e transformou em uma linguagem
poética moderna.
Em relação ao Simbolismo, vamos acompanhar a produção de
Cruz e Sousa, que, em seus livros Missal e Broquéis, traz uma
nova maneira de explorar as dimensões da palavra escrita na
poesia. Por fim, sentiremos na morbidez ácida do Simbolismo de
Augusto de Anjos a realização de uma nova expressão poética
em nossa literatura.
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
17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo
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1
A estética parnasiana
Ao final deste módulo, você será capaz de identificar a estética parnasiana a partir dos poemas mais representativos de Olavo Bilac e Francisca Júlia.
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De volta ao Parnaso
O que vem à sua mente quando algo é classificado como clássico? São
várias as possibilidades, não é? Como estamos tratando de literatura,
você naturalmente vai pensar nos livros de autores canônicos, como
José de Alencar, Machado de Assis, Clarice Lispector, ou mesmo Olavo
Bilac, um dos poetas estudados neste conteúdo. Ou seja, inicialmente,
associamos a palavra “clássico” a uma obra artística de grande
relevância.
Também costumamos datar o que é clássico. Tudo o que é muito antigo
e que ainda é apreciado nos dias atuais recebe essa alcunha. Além
disso, acontece de darmos o nome de “clássico” a algo novo que tem
tudo para influenciar outras obras e permanecer por muito tempo.
O que todas essas definições têm em comum? São modelos ideais.
E toda aplicação de um modelo deve obedecer a regras específicas que,
naturalmente, podem variar de um tempo para outro, até porque as
sociedades mudam ao longo da história. O surgimento do
Parnasianismo seguiu, mais ou menos, esses pressupostos.
Os parnasianos surgem como reação aos românticos,
com seus mergulhos profundos na subjetividade e nas
“impurezas” dos gêneros literários, e aos realistas e
naturalistas, com suas faces voltadas para os
subterrâneos sociais e suas determinações biológicas.
Claro que há aspectos em comum, mas falaremos deles mais adiante.
Parnasianismo vem de “Parnaso”, uma região sagrada, na mitologia
grega, onde habitavam Apolo e as musas. Por essa razão, os poetas se
sentiam estimulados, estando naquele lugar, a compor os mais belos
versos. É como escrever no parque ou na praia de que você tanto gosta.
É outra coisa, não é? Aliás, o tema da tradição greco-romana é uma das
principais características da estética parnasiana quanto ao plano do
conteúdo.
El Parnaso, de Rafael Sanzio, 1509-1511, pintura em Roma na Estancia del Sello.
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Há também uma busca pela racionalidade, concretude e contenção dos
sentimentos.
Ainda em relação à forma, os parnasianos eram obcecados pela
perfeição do verso. A métrica era rigorosa; as rimas, ricas (ou seja, com
palavras de classes gramaticais diferentes) e as figuras de linguagem
tornavam-se mais reduzidas.
Por isso, a estética parnasiana é caracterizada pelo seu culto à forma,
ou por alcançar a Arte pela Arte, isto é, a poesia tem o seu valor pelo que
é, não precisa estar engajada a qualquer tema fora de sua estrutura.
O Parnasianismo surgiu na França, em 1866, com a publicação de uma
antologia intitulada Parnasse contemporain (em tradução literal, Parnaso
contemporâneo), que conta com autores como Théophile Gautier,
Leconte de Lisle e Théodore de Banville.
No Brasil, que sofreu alguma influência do movimento literário em
Portugal, a estética parnasiana também se filiou às tendências
cientificistas da época, principalmente o positivismo. A data de
inauguração da estética nestas terras tanto pode ser o ano de 1886,
quando, nos periódicos, os poetas se autoidentificaram como
“parnasianos” (STEGAGNO-PICCHIO, 2004, p. 307), quanto o ano de
1882, com a publicação de Fanfarras, de Teófilo Dias (BOSI, 2015, p.
354).
Atenção!
A estética parnasiana, especialmente no
Brasil, não recusa a expressão dos
sentimentos, como alguns podem pensar. A
diferença, em relação à romântica, é que os
parnasianos são mais comedidos nessa
expressão, que parte da apreciação visual
dos objetos. Ou seja, de que maneira a
contemplação de um vaso ou de uma
paisagem pode despertar os sentimentos, e
não o contrário. Nesse sentido, eles
buscavam alcançar uma objetividade e uma
impassibilidade.

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Capa do livro Parnasse contemporain.
Teófilo Dias.
Entre os principais poetas dessa estética, destacam-se aqueles que
formam a chamada Trindade Parnasiana, confira!
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A estética parnasiana foi, por muito tempo, no Brasil, a escola literária
oficial. No século XX, com o advento do Modernismo, os parnasianos
foram rejeitados como representantes de uma expressão literária do
passado, ou “passadista”.
O poema Os sapos, de Manuel Bandeira, lido na Semana de Arte
Moderna de 1922 por Ronald de Carvalho, é exemplar nesse sentido,
embora o próprio Bandeira tenha reconhecido a importância da estética
parnasiana para o poeta que ele se tornou. Até porque, tanto na
literatura quanto na vida, não dá para jogartodas as influências fora, não
é? Não há como seguir adiante sem olhar, mesmo que eventualmente,
para trás.
De volta ao Parnaso
Acompanhe esta deliciosa conversa sobre o conceito de parnasianismo,
as principais marcas de sua estética e acerca do contexto de seu
surgimento na França e no Brasil.
O príncipe dos poetas
Alberto de Oliveira
Foi um poeta, professor e
farmacêutico brasileiro.
Olavo Bilac
Foi um jornalista, contista,
cronista e poeta brasileiro.

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Vimos que há um trio de poetas da estética parnasiana. Ou melhor
dizendo, uma trindade. E quando falamos em trindade, somos levados a
pensar em uma dimensão religiosa, sagrada e superior, não é?
Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, ou apenas Olavo Bilac, era uma
espécie de centroavante nessa trindade. Não porque fosse
necessariamente o mais importante, mas porque se destacou nas
goleadas no campo da literatura. Algumas delas com passes de Alberto
de Oliveira, certamente o armador dessa trinca parnasiana.
O prestígio de Bilac era tal que recebeu a alcunha de “príncipe dos
poetas brasileiros”, bem ao estilo dos grandes craques quando caem
nas graças das torcidas. A escolha foi feita pela prestigiada revista Fon-
Fon, em 1907, indicando a popularidade desse praticante da “poesia-
arte”.
O verso, em suas mãos, se tornava um objeto a ser trabalhado e
apreciado pela sua beleza e expressão. Não por acaso, no poema
Profissão de fé, ele revela: “Invejo o ourives quando escrevo:/ Imito o
amor/ Com que ele, em ouro, o alto relevo/ Faz de uma flor.” (BILAC,
1997).
Olavo Bilac.
Nascido no Rio de Janeiro, no dia 16 de dezembro de 1865, Olavo Bilac
foi jornalista, contista, cronista e poeta. Ao lado de Machado de Assis,
foi um dos principais membros fundadores da Academia Brasileira de
Comentário
A ideia de trindade nos dá uma noção de
unidade, considerando seu uso no
cristianismo, por exemplo. Mas também nos
remete a três figuras que exercem um papel
dentro da consolidação dessa unidade. Cada
um tem suas características e funções, mas,
quando unidos, são um só. É como um trio
de atacantes em um time. Você tem um
meio-campista (responsável pela armação
das jogadas), um ponta (atacante pelos
lados do campo), e o centroavante
(finalizador e referência do ataque). E todos
são fundamentais para a bola entrar no gol e
garantir a vitória de seu time, ainda que um
acabe se destacando mais do que outro.
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Letras, ocupando a cadeira nº 15 e tendo como patrono o poeta
Gonçalves Dias. Frequentou os cursos de medicina e direito, mas não se
formou em nenhum. Estava mais interessado em literatura, jornalismo e
na boemia carioca da Belle Époque.
Aliás, Bilac era uma figura muito presente na vida pública. Chegou a
estrelar campanhas publicitárias e suas declamações de poemas
costumavam encher os salões. Era praticamente uma celebridade!
Um de seus livros mais importantes é a coletânea Poesias, publicada
em 1888 e reeditada em 1902. Além de Profissão de fé, que citamos há
pouco, a obra contém uma variedade de poemas que influenciariam e
ainda influenciam diversas figuras do cenário cultural brasileiro.
Seu poema Língua portuguesa é não apenas uma declaração de amor ao
idioma, mas uma concepção em torno da linguagem muito própria do
Parnasianismo. Leiamos o poema!
Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…
Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
(BILAC, 1997)
Talvez algumas palavras não lhe soem familiar em uma primeira leitura.
Não tem problema! Não se esqueça de que é um poema de mais de cem
anos. Além da especificidade da linguagem poética, temos um uso
muito particular do idioma.
Tente ler o poema, inicialmente, sem se preocupar com o significado
das palavras, sentindo o ritmo e a sonoridade de cada verso, como uma
música. Afinal de contas, é um soneto, poema constituído por dois
quartetos (estrofes com quatro versos) e dois tercetos (estrofes de três
versos).
Dica
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O príncipe dos poetas: Olavo
Bilac
Acompanhe neste vídeo alguns comentários sobre a relevância de Olavo
Bilac no contexto do Parnasianismo, com destaque para seu soneto
sobre a língua portuguesa.
Musa impassível
Quando falamos na estética parnasiana, é comum lembrarmos apenas
dos nomes da tríade, ou, no máximo, Olavo Bilac.
No entanto, outra figura fundamental dessa escola é a poeta Francisca
Julia César da Silva Münster, ou apenas Francisca Júlia, nascida em 31
de agosto de 1871 em Xiririca, atual Eldorado, em São Paulo. Além de
não fazer parte da lista dos três grandes poetas, há outro fator ainda
mais decisivo para que a poeta paulista não seja lembrada: ser mulher.
Sabemos que nunca foi fácil, para uma mulher, se inserir nas rodas da
intelectualidade da época. Poucas tinham sequer acesso à instrução,
mesmo nascidas em uma família de classe média. Mesmo assim,
Francisca Júlia conseguiu romper com essa limitação, entrando nesse
time e se destacando como um dos principais nomes da literatura
brasileira de sua geração.
Compare o poema acima com a canção
Língua, de Caetano Veloso, inspirada nesse
poema parnasiano: “Flor do Lácio/
Sambódromo/ Lusamérica/ Latim em pó/ O
que quer/ O que pode esta língua?”. Afinal, o
que pode a poesia? A de Bilac,
parafraseando outro de seus versos, pode
até mesmo nos fazer “ouvir e [...] entender
estrelas” (BILAC, 1997).

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Francisca Júlia da Silva.
Filha de um advogado e de uma professora, Francisca teve apoio em
casa para estudar. Desde nova, revelava gosto pelas letras. Publicou seu
primeiro poema aos 20 anos, no jornal O Estado de S. Paulo, mas
recebeu uma crítica bastante dura e preconceituosa de Severiano de
Rezende, que chegou a dizer que ela deveria parar de escrever poesia e
se dedicar a “trabalhos de agulha”.
Veja só! Ainda bem que Francisca Júlia não se deu por vencida e seguiu
escrevendo seus versos. Publicou-os em diversos periódicos da época,
como Correio Paulistano e Diário Popular, o que a levou a colaborar com
os prestigiados periódicos O Álbum, de Artur Azevedo, e A Semana, de
Valentim Magalhães, no Rio.
E as dificuldades enfrentadas por Francisca Júlia, pelo fato de ser
mulher, não acabaram.
Francisca Júlia.
Nessa época, ninguém acreditava que quem assinava aqueles poemas
era, de fato, alguém do sexo feminino. Para você ter ideia da confusão,
um crítico renomado como João Ribeiro estava crente de que se tratava
de um pseudônimo de Raimundo Correia, então, decidiu cair em cima
dele usando um nome inventado de mulher.
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Depois, quando descobriu que se tratava de uma pessoa real, ele faz de
tudo para ajudá-la a publicar seu primeiro livro.
Assim, com a ajuda de João Ribeiro, saiu Mármores, em 1895, pela
editora Horácio Belfort Sabino. O livro se tornou uma obra emblemática
da estética parnasiana no Brasil, o que se nota já pelo título.
A ideia do mármore nos remete tanto à dureza e volume da rocha
quanto à necessidadedo trabalho sobre ela e de sua utilização em
obras plásticas da tradição clássica. Quando pensamos, em termos
artísticos, em algo feito de mármore, é inevitável não pensar nas
esculturas renascentistas, neoclássicas e da Antiguidade greco-romana.
Ao mesmo tempo que elas nos oferecem uma noção de beleza e
harmonia, também somos levados a observar a descrição das ações,
como nos versos de A florista: “Suspensa ao braço a grávida corbelha,/
Segue a passo, tranquila... O sol faísca.../ Os seus carmíneos lábios de
mourisca/ Se abrem, sorrindo, numa flor vermelha” (JÚLIA, 1961).
Porém, um dos poemas mais importantes de sua vinculação com a
estética parnasiana é Musa impassível, dividido em duas partes. Confira
uma delas!
Assim como no poema de Bilac, não se apresse em entender o
significado de todas as palavras. Sinta, inicialmente, o ritmo e o som de
cada verso. Depois, observe como a poeta evoca personagens e
ambientes da tradição clássica, já que são modelos de perfeição.
A musa impassível do título é esculpida diante dos nossos olhos, verso
a verso, como se acompanhássemos o trabalho da própria artista em
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seu “ateliê”. Ao compararmos com a escultura do modernista Victor
Brecheret, em homenagem à poeta, podemos notar que Francisca Júlia
não foi apenas uma artesã das palavras, mas também da nossa
imaginação.
Musa impassível: Francisca
Júlia
Assista agora à apresentação da biografia e obra de Francisca Júlia, e à
análise de seu poema Musa impassível a partir da estética parnasiana.
Questão 1
O Parnasianismo foi uma das mais importantes escolas literárias
do século XIX, tendo no Brasil grande repercussão. Assinale a
alternativa que indique duas características da estética parnasiana.


Vamos praticar alguns
conceitos?
Falta pouco
para atingir
seus objetivos.
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Questão 2
Olavo Bilac foi um dos principais poetas da chamada Trindade
Parnasiana. Assim como os demais poetas da escola literária da
qual fez parte, ele se dedicou a aspectos formais na construção de
seus versos, como podemos perceber em seu
2
A Retorno à tradição clássica e objetividade.
B Objetividade e sentimentalismo.
C Idealização e valorização da tradição clássica.
D Indianismo e nacionalismo.
E Espirituralismo e cientificismo.
Responder
A discurso emotivo nos versos.
B culto à língua portuguesa.
C posicionamento a favor da estética realista.
D modo de idealizar as mulheres.
E culto aos sentimentos exacerbados.
Responder
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O Simbolismo em Cruz e Sousa
Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer o Simbolismo em Cruz e Sousa a partir de seus poemas mais representativos.
Dante negro
O que você entende por símbolo?
Um símbolo é a representação de algo, pode ser uma ideia, um
sentimento, um lugar, um grupo de pessoas etc. Ou seja, ele aponta para
o que não é. Uma aliança de casamento não é o amor nem a união, que
são elementos abstratos, mas ela os simboliza. Quando você faz um
coração com as mãos, é a mesma coisa. Não se trata de um coração,
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mas de uma representação simbólica dele. No caso da literatura, as
palavras vão exercer esse papel.
Aliança de casamento, símbolo de união.
O Simbolismo foi uma escola literária do final do século XIX, que tem no
poeta francês Charles Baudelaire um de seus principais representantes.
Essa escola surge como oposição ao Parnasianismo e ao Realismo,
visando “instalar um credo estético baseado no subjetivo, no vago, no
pessoal, na sugestão, no ilógico, no misterioso, na expressão direta e
simbólica” (COUTINHO; SOUZA, 2001, v. 2, p. 1505).
É como um “romantismo indireto”, em que a expressão do eu toma uma
dimensão mística e religiosa, já que ela se dá em um plano construído
por meio de símbolos. Cruz e Sousa, o Dante negro (referência ao poeta
italiano Dante Alighieri), é um dos principais representantes dessa
escola.
Cruz e Sousa.
Nascido em Desterro, atual Florianópolis, Santa Catarina, em 21 de
novembro de 1861, João da Cruz e Sousa é filho de negros escravizados
e alforriados, um mestre de obras e uma lavadeira. O sobrenome
recebeu do senhor de escravos que o apadrinhou, o coronel Xavier de
Sousa, como era comum na sociedade da época. Estudou em uma
instituição educacional da elite catarinense e se destacou como aluno
desde muito novo.
Era brilhante! Apaixonado por poesia, leu todos os principais autores de
seu tempo, como Baudelaire, Leopardi e Antero de Quental. Ainda assim,
nada disso o impediu de ser vítima de racismo, tema que abordou em
artigos na imprensa periódica e em poemas.
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Cruz e Sousa viajou por diversas cidades, como Porto Alegre, São Luís,
Salvador e Rio de Janeiro. Dessa experiência, conheceu as
consequências da escravidão na vida de outras pessoas negras, como
ele e seus pais, o que contribuiu para que ele se engajasse na causa
abolicionista.
Na Bahia, por exemplo, leu um poema em homenagem a Castro Alves
em um discurso. No Rio, em 1890, se aproximou de escritores como
Olavo Bilac e Raul Pompeia. Pouco depois, publicou seus dois principais
livros, Missal e Broquéis, sobre os quais falaremos mais adiante.
Cruz e Sousa também colocou em seus versos a difícil situação que
viveu como intelectual negro em uma sociedade marcada pelas
consequências da escravidão. A loucura também é um tema presente,
por conta da experiência trágica que teve. Sua esposa, a jovem Gavita
Rosa Gonçalves, com quem teve três filhos, desenvolveu problemas
mentais depois de dar à luz o segundo filho do casal. Cruz e Sousa
morreu muito jovem, aos 36 anos, vítima de tuberculose.
O poeta paranaense Paulo Leminski escreveu uma pequena biografia
sobre o seu colega catarinense, em que ele sugere a possibilidade de
Cruz e Sousa ter inventado o blues se tivesse nascido norte-americano
(LEMINSKI, 2013, p. 14).
Soneto Coração, de Cruz e Sousa, na primeira edição d’O Clarim da Alvorada, em 1924.
Em uma sociedade como a nossa, o poeta negro catarinense lançou
mão de uma figura de linguagem muito peculiar para lidar com os
conflitos e oposições que encontrou ao longo da vida. Veja o que
registrou Leminski sobre o assunto.
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Cada vida é regida pelo astro de uma figura
de retórica. Certas vidas são hiperbólicas. Há
vidas-pleonasmo. Elipses. Sarcasmos.
Anacolutos. Paráfrases.
A figura de retórica mais adequada para a
vida de Cruz e Sousa é o oximoro, a figura da
ironia, que diz uma coisa dizendo o contrário.
Que outra figura calharia a este negro retinto,
filho de escravos do Brasil imperial, mas
nutrido de toda a mais aguda cultura
internacional de sua época, lida no original?
Quais formas exprimiriam a radicalidade com
que Cruz e Sousa assumiu a via poética,
como destino de sofrimento e carência a
transformar em beleza e significado?
(LEMINSKI, 2013, p. 13)
Na sua obra, encontramos as afirmações para essas perguntas, ao som
de cordas vibrando gemidos harmônicos de dor, beleza e mistério.
Dante negro: o Simbolismo
de Cruz e Sousa
Confira neste vídeo um pouco sobre a estética simbolista no Brasil, a
biografia de Cruz e Sousa e a condição de intelectual e poeta negro de
Cruz e Sousa.
Missal e Broquéis

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Como vimos, o Simbolismo surge em oposição ao Parnasianismo e ao
Realismo, no final do século XIX. Embora possamos encontrar alguns
pontos em comum, por exemplo, o uso do soneto, essas escolas se
opõem em vários aspectos.
O Simbolismo é menos rígido quanto à forma em relação ao
Parnasianismo e privilegia o subjetivo, as figuras de linguagem e uma
visão de mundo antirracionalista.
Quando publicou seus primeiros dois livros, Cruz e Sousa se lançou, de
vez, como um dos nomes mais representativos da estética simbolista e
também da modernidade, antecipando, inclusive, alguns aspectos que
mais tarde seriam explorados pelos modernistas.
Os livros foram publicados em 1893, pela editora Magalhães e
Companhia, em um esforço de dar destaque a um jovem poeta negro,
representante do Simbolismo no Brasil. Mas a crítica não recebeu tão
bem a estreia de Cruz e Sousa, como José Veríssimo e Araripe Júnior.
Ainda assim, as duas obras marcam a consolidação da estética
simbolista por aqui e influenciaram diversas gerações que vieram em
seguida. A seguir, nos aprofundaremos em detalhes dessas obras.
17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo
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Para Ivan Teixeira (2001, p. XI), Cruz e Sousa é o inventor do chamado
“verso harmônico”, teorizado pelo modernista Mário de Andrade em seu
Prefácio interessantíssimo, do livro Pauliceia desvairada. Como assim?
Leia com atenção as três primeiras estrofes do poema Antífona, que
abre o livro Broquéis.
Ó Formas alvas, brancas, Formas claras
De luares, de neves, de neblinas!...
Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas...
Incensos dos turíbulos das aras...
Formas do Amor, constelarmente puras,
De Virgens e de Santas vaporosas...
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Brilhos errantes, mádidas frescuras
E dolências de lírios e de rosas...
Indefiníveis músicas supremas,
Harmonias da Cor e do Perfume...
Horas do Ocaso, trêmulas, extremas,
Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume...
(SOUSA, 2001)
Um verso harmônico é a combinação de sons simultâneos de palavras
isoladas, sem uma relação sintática.
O virtuosismo fonético da poesia de Cruz e Sousa é uma de suas
principais características. Para você ter uma ideia da importância disso,
até mesmo no Modernismo, muitos anos depois, é possível encontrar
influência desse trabalho com a sonoridade das palavras no verso.
Compreender um poema simbolista pode não ser uma tarefa simples, é
verdade. Mas nisso também reside sua beleza. Ele nos propõe outras
maneiras de explorar a linguagem e seus símbolos.
Além disso, em um mundo acelerado e de obsessão pelo que é
instantâneo, a poesia, de um modo geral, assume um caráter
transgressor, porque ela não apenas nos impõe outra forma de nos
Dica
Como nas outras vezes, tente ler observando
a sonoridade dessas palavras, seja de forma
isolada ou quando se encontram entre um
verso e outro. Mas não só. Não espere
compreendê-los como em um texto lógico,
com uma relação de causa e efeito. Procure
se ater às imagens e aos sentidos que cada
um traz e de que maneira elas se combinam.

Curiosidade
Cecília Meireles faz parte de uma vertente do
Modernismo que é chamada, por alguns
críticos, de neossimbolista, justamente por
utilizar esse recurso, como nos dois versos
de Murmúrio: “Traze-me um pouco das
sombras serenas/ que as nuvens
transportam por cima do dia!”

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relacionarmos com o tempo, mas também porque ela nos faz exercitar
outras maneiras de dar sentido ao mundo ao redor.
Missal e Broquéis
Assista a este vídeo sobre as principais características das obras Missal
e Broquéis, com destaque para sua estética simbolista e análise das três
primeiras estrofes do poema Antífona.
Emparedado
Cruz e Sousa, como vimos há pouco, era um poeta negro, filho de negros
escravizados. Também comentamos que ele se envolveu no movimento
abolicionista e não deixou de falar sobre a condição do negro na
sociedade brasileira, marcada pela exclusão e pelo preconceito racial.
Mesmo após a abolição da escravatura, a população negra ainda sofria,
pois foram jogados à sua própria sorte, sem qualquer tipo de reparação
pelo mal que lhes fizeram durante séculos.
O poeta colaborou na imprensa periódica, especialmente no jornal
Tribuna Popular, em defesa do fim do regime escravista. A discussão em
torno do papel do negro na sociedade e as consequências do racismo
aparecem em muitos desses artigos, mas também em poemas,
inclusive de publicações póstumas. Vejamos alguns escritos de Cruz e
Sousa relacionados ao tema!

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É importante lembrar que essas questões colocadas nos poemas de
Cruz e Sousa inserem sua obra em um aspecto muito comum no
Simbolismo: a expressão do sofrimento humano.
Em um dos trechos de Emparedado, o eu lírico, de maneira irônica,
questiona o seu ofício considerando a sua origem étnico-racial: “Artista!
pode lá isso ser se tu és d'África, tórrida e bárbara, devorada
insaciavelmente pelo deserto, tumultuando de matas bravias, arrastada
sangrando no lodo das Civilizações despóticas, torvamente
amamentada com o leite amargo e venenoso da Angústia!” (SOUSA,
1995).
O poeta descreve a sua ascendência africana por meio
de metáforas que reconstituem, no plano simbólico,
toda a história da colonização e do tráfico
transatlântico. O eu lírico é colocado em seu “devido
lugar”, considerando que ser artista, se dedicar à arte e
à cultura, é algo para quem não veio dessa região
“tórrida e bárbara”.
O poema em prosa, nesse sentido, foi a escolha ideal, pois confere uma
dimensão poética a elementos prosaicos da vida comum.
É, sem dúvida, um dos textos mais contundentes sobre o legado da
escravidão no aprofundamento das desigualdades e no desnudamento
da segregação racial que caracteriza este país.
Cruz e Sousa tomou o símbolo como seu instrumento de denúncia e de
interpretação de nossa realidade social, sem deixar de refletir sobre
suas dores particulares. Ao mesmo tempo que elevava o gênero poético
a um patamar ainda mais elevado em nossa literatura, o poeta de
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Desterro nos lança a difíceis e dolorosos estados da alma e do corpo,
que só mesmo por meio do símbolo era capaz de expressar.
Emparedado: a escravidão na
poética de Cruz e Sousa
Confira agora a análise de alguns poemas de Cruz e Sousa a partir do
legado da escravidão e da condição do negro e do artista, destacando
seu poema Emparedado.
Questão 1
O Simbolismo é uma escola literária nascida no século XIX que se
opõe a duas outras contemporâneas a ela. Assinale a alternativa
que indique o nome correto dessas duas escolas.


Vamos praticar alguns
conceitos?
Falta pouco
para atingir
seus objetivos.
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Questão 2
Os livros Missal e Broquéis, de Cruz e Sousa, consolidam a chegada
do Simbolismo no Brasil. Entre as características presentes em
seus poemas, em especial do segundo livro, podemos ressaltar
3
O Simbolismo em Augusto dos Anjos
A Parnasianismo e Realismo.
B Parnasianismo e Romantismo.
C Realismo e Romantismo.
D Naturalismo e Positivismo.
E Romantismo e Modernismo.
Responder
A concisão e formalismo.
B musicalidade e cientificismo.
C musicalidade e mistério.
D racionalismo e vagação.
E objetividade e mistério.
Responder
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Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer o Simbolismo em Augusto dos Anjos a partir de seus poemas mais representativos.
Poeta da morte
Poucos poetas da virada do século XIX para o XX são mais fascinantes
que Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, conhecido como
Augusto dos Anjos. Aliás, raros. Mesmo quem não é lá muito chegado
na linguagem poética se vê movido pelos versos desse poeta paraibano,
nascido em 20 de abril de 1884 e que viveu apenas até os 30 anos.
Ainda que estejamos aqui falando da presença do Simbolismo na obra
de Augusto dos Anjos, a verdade é que sua poesia esbarra em uma
dificuldade de classificação, em um tempo de simbolistas, parnasianos
e naturalistas. Era dos Anjos e de demônios, pois sua poesia nos leva a
subterrâneos da linguagem que são, na verdade, reveladores do que
recusamos enxergar na superfície.
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Augusto dos Anjos.
Augusto começou cedo a escrever poesia. Aos 7 anos, já esboçava seus
primeiros versos. Estudou no Liceu Paraibano, onde se tornou professor
pouco depois de se formar em Direito na prestigiada Faculdade do
Recife. Desde então, se dedicou ao magistério, tendo a experiência em
outras instituições, principalmente no Rio de Janeiro, para onde havia se
mudado depois de se casar com Ester Fialho. Deu aulas de literatura em
vários locais. Em 1911, ingressou no Colégio Pedro II como professor de
geografia. Poucos anos depois, parte para Minas Gerais, entregando-se
ainda mais ao ensino, mas falece quase em seguida. Em suas próprias
palavras, Augusto dos Anjos era um cantor “da poesia de tudo que é
morto”.
Seu pessimismo ácido e melancólico possui ecos do pensamento de
Arthur Schopenhauer, na obra O mundo como vontade e representação
(1819), em que o fenômeno da nossa existência resulta de uma vontade
metafísica cega. Daí, vem a nossa postura egoísta e mesquinha que faz
do mundo o que ele é.
Além de Schopenhauer, o poeta também teve influência de Herbert
Spencer, quanto à natureza biológica do comportamento humano e da
impossibilidade da ciência de captar a essência das coisas.
Recebeu ainda influência de Ernst Haeckel, para quem a vida e a morte
são fenômenos físico-químicos, portanto, o corpo é apenas um
amontoado de sangue e carne, aguardando sua total desintegração.
Essas e outras ideias vieram de sua passagem pela Faculdade de Direito
do Recife.
Augusto dos Anjos era um indivíduo complexo, o que se reflete em sua
poesia. Embora aplique elementos da estética parnasiana e simbolista
em seus poemas, como comentamos no início, ele não se encaixava
categoricamente em nenhuma dessas tendências de seu tempo.
Essa impossibilidade de encaixe é talvez uma das razões que faz de sua
obra tão interessante ao leitor dos dias de hoje, pois consegue superar
as questões da época e conferir uma dimensão mais ampla, como se
nos falasse atualmente. É por isso que ele é considerado um dos poetas
mais originais da literatura brasileira.
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Augusto dos Anjos.
E em que consiste a inovação de Augusto dos Anjos? Afinal, onde está o
Simbolismo em sua obra?
Bem, você viu, anteriormente, o papel de Cruz e Sousa na consolidação
da estética simbolista no Brasil, com a publicação de Missal e Broquéis.
E você lembra quais características dessas duas obras a tornam
simbolistas? Além da rejeição ao rigor excessivo dos parnasianos e de
sua objetividade, os simbolistas imprimiam às palavras uma relação
inovadora. Isso percebemos na obtenção de significados tanto a partir
do choque de imagens quanto da musicalidade que se produz no
encontro de seus fonemas.
E o que isso quer dizer? O som da palavra também produz sentido.
Compreender isso é também compreender a poesia moderna e
contemporânea.
Sua obra é marcada pelo sincretismo de diversas correntes filosóficas e
científicas predominantes na virada do século XIX para o XX, que
culmina no chamado Pré-modernismo. Na verdade, Augusto dos Anjos
está para além dessas categorias, que só fazem de sua poesia um dos
maiores acontecimentos de nossas letras.
Atenção!
A poesia de Augusto dos Anjos não
representa a rejeição ao Parnasianismo pela
relação entre as palavras e pela sonoridade,
embora ela não seja propriamente
parnasiana. Isso porque há, sim, uma
objetividade e um rigor formal em sua
composição, assim como uma busca pela
expressão do subjetivo e a valorização do
símbolo.

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Poeta da morte: Augusto dos
Anjos
Assista a este vídeo e confira uma apresentação da vida e obra de
Augusto dos Anjos, destacando a inovação e o Simbolismo em sua
poética.
A poesia do Eu
Se você precisar dar uma aula de poesia para uma turma de
adolescentes, daquela bem barulhenta e que você sofre para conseguir
um pouquinho de atenção, há um remédio eficaz. Vá de Augusto dos
Anjos! Não há contraindicações! Acompanhe a nossa sugestão de como
você pode aplicar essa “medicação”.

As doses iniciais devem ser pequenas, com uns dois ou três
sonetos, no máximo. São adolescentes, não se esqueça.

Poesia não é algo tão simples para trabalhar em classe.
Mesmo assim, não podemos desistir. Acredite! Augusto dos
Anjos, uma dose de dois a três poemas.

Em poucos minutos (ou até segundos), você vai perceber o
efeito na turma. Pode ser que não cure, mas certamente vai

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mexer com eles de uma forma única.
Você vai encontrar as doses mencionadas anteriormente na obra
chamada Eu, publicada em 1912. Augusto dos Anjos lançou o livro com
a ajuda financeira do irmão, Odilon dos Anjos, e não teve uma boa
recepção da crítica. Já era de se imaginar, em um tempo em que a
estética parnasiana ainda era predominante, uma proposta como aquela
só poderia mesmo causar estranheza. O caráter inovador daqueles
versos já notamos pela própria capa do livro. Veja!
Capa do livro Eu por Augusto dos Anjos.
É sempre bom discutir com os alunos esses outros elementos na
composição de uma obra literária, como a capa, a folha de rosto, a
dedicatória, a epígrafe etc. Os chamados paratextos são fundamentais.
Agora, vamos a um dos poemas!
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Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Profundíssimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme – este operário das ruínas –
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
(ANJOS, 2004)
Intitulado Psicologia de um vencido, o texto é carregado de ironia,
morbidez e pessimismo. É um soneto decassílabo (versos de dez
sílabas poéticas), com esquema de rimas ABBA-BAAB-CCD-EED.
Desde o título até o último verso, somos jogados a uma das condições
inevitáveis da vida, que é a morte. O vocabulário de termos ligados ao
conhecimento científico, como carbono, amoníaco, epigênese, cardíaco
e inorgânico, se liga a referências esotéricas e abstratas, assim como
monstro, signos do zodíaco e frialdade. O resultado são versos de um
senso crítico profundamente original e incisivo.
A coleção de imagens e terminologia científica causou estranheza aos
parnasianos e aos realistas, o que talvez explique as suas ressalvas.
Para Augusto dos Anjos,em Eu, a vida era essa combinação de
fenômenos físicos, químicos e biológicos com as leis que regem uma
dimensão cósmica, tudo isso na disputa da matéria contra o seu
inevitável fim. E esse “materialismo só lhe podia trazer a angústia, o
pessimismo cruel”, por isso, Augusto dos Anjos é “o poeta da morte, dos
Dica
No dia em que você estiver em uma sala de
aula, como um professor, declame o texto!
Depois proponha que seus alunos façam a
mesma coisa. Note ainda que o poema tem
um caráter teatral muito presente, o que
contribui ainda mais para essa leitura em voz
alta, como se fosse um monólogo.

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vermes e cemitérios, de uma morbidez e niilismo sem remissão”
(COUTINHO; SOUZA, 2001, v. 1, p. 240).
O Simbolismo em Augusto dos Anjos se revela na construção de novos
sentidos com palavras e expressões incomuns na linguagem poética.
Tudo serve de matéria à poesia, inclusive os termos que designam a
matéria bruta da própria vida. Portanto, a poesia não é reservada apenas
aos temas e pessoas elevadas, mas também ao decadente, ordinário e
horrendo, afinal de contas, a vida também é feita daquilo que não nos
agrada.
A poesia do Eu em Augusto
dos Anjos
Assista, neste vídeo, à análise da obra Eu, de Augusto dos Anjos, com
destaque para suas características e temáticas, além da leitura do
poema Psicologia de um vencido.
Modernidade em
decomposição
Como pudemos perceber, a poética simbolista de Augusto dos Anjos
trata, em síntese, de uma modernidade em decomposição, de um
projeto de civilização que fracassou em seu esforço de dar centralidade
ao indivíduo e suas realizações, mas, paradoxalmente, o jogou diante da
consciência de sua derrota, consumada pela sua morte e pelo
apodrecimento de sua carne.
Ferreira Gullar (2008) recorda que as correntes filosóficas que
influenciaram a obra do poeta paraibano refletiam a reação da
sociedade europeia ao desenvolvimento da ciência e da técnica, uma
realidade bem diferente do Nordeste de Augusto dos Anjos, que nada
sabia dessas conquistas. Porém, “na dialética da cultura dependente,
elas se tornam para o poeta, a expressão do desmoronamento do seu
mundo pré-industrial” (GULLAR, 2008, p. 1017).
O símbolo na poesia de Augusto dos Anjos aponta para
uma sociedade em transformação, mas, de forma

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irônica e ácida, não confere a ela nenhuma
possibilidade de salvação. O projeto de modernidade
evapora e arde como amoníaco quando somos
despertados pela consciência não apenas de nosso
fim, mas de que não há saída.
Se pensarmos no Brasil do início do século XX, estávamos nos primeiros
anos da República, em que aparentemente nada mudava, mas diversos
acontecimentos apontavam para instabilidades sociais e políticas,
resultantes das insatisfações quanto aos rumos tomados pela troca de
regime. Continuávamos atrasados e dependentes.
Entre tantos poemas, podemos ressaltar um dos sonetos em que essas
questões podem ser destacadas.
Tome, Dr., esta tesoura, e... corte
Minha singularíssima pessoa.
Que importa a mim que a bicharia roa
Todo o meu coração, depois da morte?!
Ah! Um urubu pousou na minha sorte!
Também, das diatomáceas da lagoa
A criptógama cápsula se esbroa
Ao contato de bronca destra forte!
Dissolva-se, portanto, minha vida
Igualmente a uma célula caída
Na aberração de um óvulo infecundo
Mas o agregado abstrato das saudades
Fique batendo nas perpétuas grades
Do último verso que eu fizer no mundo!
(ANJOS, 2004)
O poema se chama Budismo moderno e já nos traz, no título, alguns
elementos que realçam os aspectos da poesia ácida e debochada de
Augusto. É um soneto decassílabo com rimas de acordo com o
esquema ABBA-ABBA-CCD-EED.
Compare com o quadro A lição de anatomia do Dr. Tulp (1632), de
Rembrandt. A dramaticidade barroca e o realismo da cena expõem uma
situação tensa, mas de dedicada busca pelo conhecimento através da
ciência. O corpo deitado, pálido e gélido, contrasta com a movimentação
do professor e de seus alunos.
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A lição de anatomia do Dr. Tulp, Rembrandt, 1632.
A seriedade de uma aula de anatomia entra em choque com a
expressão irônica e pessimista do eu lírico diante da consciência do
material orgânico de que é feita a vida humana. Perceba a utilização de
um vocabulário pouco convencional em poesia, tomado de empréstimo
da biologia, como diatomáceas, célula, óvulo etc. Aqui é o próprio
indivíduo que pede ao doutor que corte sua carne, ou seja, ela ainda
mantém, mesmo diante da possibilidade da degradação, a realização de
sua própria vontade, diferentemente do cadáver no quadro de
Rembrandt.
A manipulação dos vários sentidos que uma mesma palavra pode
assumir é outro traço da genialidade de Augusto dos Anjos em seu
domínio da linguagem poética. O coração, por exemplo, se torna tanto
uma metáfora do sentimento do indivíduo, convenção da poética
clássica por excelência, quanto do órgão feito de sangue e músculos,
prestes a ser devorado pelos vermes após a morte. Que importa? Essa
amarga consciência de seu fim é também resultante de seu lugar em
uma sociedade moderna que avança, mas que também se decompõe. A
poesia, no entanto, é ainda a única possibilidade de que algo
permaneça.
Modernidade em
decomposição
Veja neste vídeo uma discussão da poética simbolista de Augusto dos
Anjos a partir da ideia da modernidade em decomposição, destacando a
análise do soneto Budismo moderno.

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Questão 1
A poesia simbolista de Augusto dos Anjos teve grande influência de
diversas correntes científicas e filosóficas que predominaram no
Brasil na virada do século XIX para o XX. Entre os pensadores lidos
pelo poeta paraibano, podemos destacar
Questão 2
O livro Eu, de Augusto dos Anjos, é um marco na poesia moderna
brasileira. Embora seja de feição simbolista, é uma obra complexa
demais para ser situada em apenas uma categoria. Entre as
principais características de sua poesia, podemos citar

Vamos praticar alguns
conceitos?
Falta pouco
para atingir
seus objetivos.
A Arthur Schopenhauer e Ernst Haeckel.
B Arthur Schopenhauer e Sócrates.
C Karl Marx e Santo Agostinho.
D Gregor Mendel e Galileu Galilei.
E Herbert Spencer e Roland Barthes.
Responder
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Considerações �nais
O Parnasianismo e o Simbolismo foram duas escolas fundamentais no
desenvolvimento da poesia moderna no Brasil. Embora os modernistas
tenham se voltado contra os autores desses dois movimentos, é
possível notar o quanto muitas de suas conquistas contribuíram para o
desenvolvimento da linguagem poética entre nós.
A estética parnasiana, em seu rigor formal, resgatou aspectos da
tradição clássica que elevaram a linguagem poética e, ao mesmo tempo,
reordenou o olhar do poeta diante do mundo ao seu redor. Olavo Bilac e
Francisca Júlia são dois dos nomes que contribuíram para isso, tanto
em uma dimensão musical, no primeiro, quanto plástica, na segunda.
O Simbolismo, no Brasil, se viu no desafio de ocupar um espaço
dominado pelos parnasianos e pelos realistas, propondo novas relações
com a palavra e seus múltiplos sentidos. Cruz e Sousa foi um dos
maiores responsáveis pela consolidação da estética simbolista entre
nós, ampliando a capacidade da poesia em produzir significados com
sons e imagens, além de ter sido uma voz importante na luta contra o
sistema escravista e o racismo.
Já Augusto dos Anjos, em sua poética da podridão e damorte, expressa
seu pessimismo diante da tragédia que é a existência humana e inova
ao demonstrar outras possibilidades para a poesia, mesmo diante da
consciência de nosso fim.
A idealização do indígena e temas regionais.
B
uso de vocabulário médico e relação com a tradição
grega.
C linguagem coloquial e versos livres.
D uso de termos científicos e temas mórbidos.
E versos sem rima e temas da tradição clássica.
Responder
Explore +
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Vamos expandir os conhecimentos vistos aqui!
Veja o curta Di Cavalcanti Di Glauber, de 1977, dirigido por ninguém
menos que Glauber Rocha. O diretor misturou, em seu documentário,
elementos biográficos da vida do pintor Di Cavalcanti com poemas de
autoria de Augusto dos Anjos, criando um diálogo interessante entre as
artes. Vale destacar o subtítulo escolhido pelo diretor, que é inspirado no
poema Versos íntimos, de Augusto dos Anjos.
Ainda no contexto do cinema, também vale a pena conferir o filme O
poeta do Desterro, de 1998, dirigido por Sylvio Back, que narra a história
de Cruz e Sousa.
Como indicação de leitura, sugerimos o texto Introdução ao
Parnasianismo brasileiro, de Péricles Eugênio Ramos, disponível no
Google Acadêmico.
Leia também o artigo Um momento decisivo do Simbolismo brasileiro:
a publicação de Missal e Broquéis (1893), de Álvaro Simões Junior,
publicado na revista Navegações e disponível no Google Acadêmico.
Por fim, recomendamos a leitura dos poemas dos seguintes livros:
Poesias, de Olavo Bilac.
Mármores, de Francisca Júlia.
Missal e Broquéis, de Cruz e Sousa.
Eu, de Augusto dos Anjos.
Referências
ANJOS, A. dos. Eu e outras poesias. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil,
2004.
ANJOS, A. dos. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995.
BILAC, O. Poesias. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
BOSI, A. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix,
2015.
BROCA, B. A vida literária no Brasil – 1900. Rio de Janeiro: José
Olympio: ABL, 2005.
COUTINHO, A.; SOUZA, J. G. de. Enciclopédia de literatura brasileira.
São Paulo: Global; Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional: ABL, 2001. 2 v.
CRUZ E SOUSA. Emparedados. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995.
CRUZ E SOUSA. Missal/Broquéis. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
GULLAR, F. Augusto dos Anjos ou vida e morte nordestina. In: SECCHIN,
A. C. (Org.) Poesia completa, teatro e prosa. Rio de Janeiro: Nova
Aguilar, 2008.
JÚLIA, F. Poesias. São Paulo: Conselho Estadual de Cultura, 1961.
LEMINSKI, P. Cruz e Sousa. In: LEMINSKI, P. Vida: 4 biografias. São
Paulo: Companhia das Letras, 2013.
SECCHIN, A. C. Percursos da poesia brasileira: do século XVIII ou XXI.
Belo Horizonte: Autêntica: Editora UFMG, 2018.
17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 38/38
STEGAGNO-PICCHIO, L. História da literatura brasileira. Rio de Janeiro:
Nova Aguilar, 2004.
TEIXEIRA, I. Cem anos de Simbolismo: Broquéis e os fatores de sua
modernidade. In: CRUZ E SOUSA. Missal/Broquéis. São Paulo: Martins
Fontes, 2001.
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