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17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 1/38 Objetivos Módulo 1 A estética parnasiana Identificar a estética parnasiana a partir dos poemas mais representativos de Olavo Bilac e Francisca Júlia. Acessar módulo Módulo 2 O Simbolismo em Cruz e Sousa Reconhecer o Simbolismo em Cruz e Sousa a partir de seus poemas mais representativos. Acessar módulo Parnasianismo e Simbolismo Prof. Rodrigo Jorge Ribeiro Neves Descrição Você vai conhecer o Parnasianismo e o Simbolismo na literatura brasileira a partir de seu contexto cultural e de seus autores representativos, como Olavo Bilac, Francisca Júlia, Cruz e Sousa, e Augusto dos Anjos. Propósito Ao compreender as escolas parnasiana e simbolista, você poderá identificar as principais tendências estéticas do período e ampliar as competências literárias para o exercício profissional do ensino de literatura brasileira. Buscar Baixar conteúdo em PDF Vídeos Menu 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 2/38 Módulo 3 O Simbolismo em Augusto dos Anjos Reconhecer o Simbolismo em Augusto dos Anjos a partir de seus poemas mais representativos. Acessar módulo Introdução A história da poesia brasileira é marcada por rupturas e continuidades reveladoras da formação da nossa sociedade e, também, das disputas que constituem nossa visão de mundo. O Parnasianismo, atualmente, costuma ser lido pela lente dos modernistas da primeira geração, mas a verdade é que a estética “passadista”, chamada assim pelos intelectuais de 1922, trouxe grandes contribuições para a arte de fazer versos, como a consciência da forma, com seu rigor e objetividade. No caso do Simbolismo, as conquistas se deram pela exploração da capacidade da palavra em produzir sentidos a partir da musicalidade e das imagens de suas figuras de linguagem, além da dimensão expressionista de seu caráter subjetivo. Você vai conhecer autores representativos do Parnasianismo e do Simbolismo na literatura brasileira, a partir de alguns de seus principais poemas. Entre os parnasianos, analisaremos as poesias de Olavo Bilac e de Francisca Júlia, compreendendo de que maneira cada um retomou aspectos da tradição e transformou em uma linguagem poética moderna. Em relação ao Simbolismo, vamos acompanhar a produção de Cruz e Sousa, que, em seus livros Missal e Broquéis, traz uma nova maneira de explorar as dimensões da palavra escrita na poesia. Por fim, sentiremos na morbidez ácida do Simbolismo de Augusto de Anjos a realização de uma nova expressão poética em nossa literatura. Material para download 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 3/38 Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF. Download material 1 A estética parnasiana Ao final deste módulo, você será capaz de identificar a estética parnasiana a partir dos poemas mais representativos de Olavo Bilac e Francisca Júlia. javascript:CriaPDF() 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 4/38 De volta ao Parnaso O que vem à sua mente quando algo é classificado como clássico? São várias as possibilidades, não é? Como estamos tratando de literatura, você naturalmente vai pensar nos livros de autores canônicos, como José de Alencar, Machado de Assis, Clarice Lispector, ou mesmo Olavo Bilac, um dos poetas estudados neste conteúdo. Ou seja, inicialmente, associamos a palavra “clássico” a uma obra artística de grande relevância. Também costumamos datar o que é clássico. Tudo o que é muito antigo e que ainda é apreciado nos dias atuais recebe essa alcunha. Além disso, acontece de darmos o nome de “clássico” a algo novo que tem tudo para influenciar outras obras e permanecer por muito tempo. O que todas essas definições têm em comum? São modelos ideais. E toda aplicação de um modelo deve obedecer a regras específicas que, naturalmente, podem variar de um tempo para outro, até porque as sociedades mudam ao longo da história. O surgimento do Parnasianismo seguiu, mais ou menos, esses pressupostos. Os parnasianos surgem como reação aos românticos, com seus mergulhos profundos na subjetividade e nas “impurezas” dos gêneros literários, e aos realistas e naturalistas, com suas faces voltadas para os subterrâneos sociais e suas determinações biológicas. Claro que há aspectos em comum, mas falaremos deles mais adiante. Parnasianismo vem de “Parnaso”, uma região sagrada, na mitologia grega, onde habitavam Apolo e as musas. Por essa razão, os poetas se sentiam estimulados, estando naquele lugar, a compor os mais belos versos. É como escrever no parque ou na praia de que você tanto gosta. É outra coisa, não é? Aliás, o tema da tradição greco-romana é uma das principais características da estética parnasiana quanto ao plano do conteúdo. El Parnaso, de Rafael Sanzio, 1509-1511, pintura em Roma na Estancia del Sello. 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 5/38 Há também uma busca pela racionalidade, concretude e contenção dos sentimentos. Ainda em relação à forma, os parnasianos eram obcecados pela perfeição do verso. A métrica era rigorosa; as rimas, ricas (ou seja, com palavras de classes gramaticais diferentes) e as figuras de linguagem tornavam-se mais reduzidas. Por isso, a estética parnasiana é caracterizada pelo seu culto à forma, ou por alcançar a Arte pela Arte, isto é, a poesia tem o seu valor pelo que é, não precisa estar engajada a qualquer tema fora de sua estrutura. O Parnasianismo surgiu na França, em 1866, com a publicação de uma antologia intitulada Parnasse contemporain (em tradução literal, Parnaso contemporâneo), que conta com autores como Théophile Gautier, Leconte de Lisle e Théodore de Banville. No Brasil, que sofreu alguma influência do movimento literário em Portugal, a estética parnasiana também se filiou às tendências cientificistas da época, principalmente o positivismo. A data de inauguração da estética nestas terras tanto pode ser o ano de 1886, quando, nos periódicos, os poetas se autoidentificaram como “parnasianos” (STEGAGNO-PICCHIO, 2004, p. 307), quanto o ano de 1882, com a publicação de Fanfarras, de Teófilo Dias (BOSI, 2015, p. 354). Atenção! A estética parnasiana, especialmente no Brasil, não recusa a expressão dos sentimentos, como alguns podem pensar. A diferença, em relação à romântica, é que os parnasianos são mais comedidos nessa expressão, que parte da apreciação visual dos objetos. Ou seja, de que maneira a contemplação de um vaso ou de uma paisagem pode despertar os sentimentos, e não o contrário. Nesse sentido, eles buscavam alcançar uma objetividade e uma impassibilidade. 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 6/38 Capa do livro Parnasse contemporain. Teófilo Dias. Entre os principais poetas dessa estética, destacam-se aqueles que formam a chamada Trindade Parnasiana, confira! 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 7/38 A estética parnasiana foi, por muito tempo, no Brasil, a escola literária oficial. No século XX, com o advento do Modernismo, os parnasianos foram rejeitados como representantes de uma expressão literária do passado, ou “passadista”. O poema Os sapos, de Manuel Bandeira, lido na Semana de Arte Moderna de 1922 por Ronald de Carvalho, é exemplar nesse sentido, embora o próprio Bandeira tenha reconhecido a importância da estética parnasiana para o poeta que ele se tornou. Até porque, tanto na literatura quanto na vida, não dá para jogartodas as influências fora, não é? Não há como seguir adiante sem olhar, mesmo que eventualmente, para trás. De volta ao Parnaso Acompanhe esta deliciosa conversa sobre o conceito de parnasianismo, as principais marcas de sua estética e acerca do contexto de seu surgimento na França e no Brasil. O príncipe dos poetas Alberto de Oliveira Foi um poeta, professor e farmacêutico brasileiro. Olavo Bilac Foi um jornalista, contista, cronista e poeta brasileiro. 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 8/38 Vimos que há um trio de poetas da estética parnasiana. Ou melhor dizendo, uma trindade. E quando falamos em trindade, somos levados a pensar em uma dimensão religiosa, sagrada e superior, não é? Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, ou apenas Olavo Bilac, era uma espécie de centroavante nessa trindade. Não porque fosse necessariamente o mais importante, mas porque se destacou nas goleadas no campo da literatura. Algumas delas com passes de Alberto de Oliveira, certamente o armador dessa trinca parnasiana. O prestígio de Bilac era tal que recebeu a alcunha de “príncipe dos poetas brasileiros”, bem ao estilo dos grandes craques quando caem nas graças das torcidas. A escolha foi feita pela prestigiada revista Fon- Fon, em 1907, indicando a popularidade desse praticante da “poesia- arte”. O verso, em suas mãos, se tornava um objeto a ser trabalhado e apreciado pela sua beleza e expressão. Não por acaso, no poema Profissão de fé, ele revela: “Invejo o ourives quando escrevo:/ Imito o amor/ Com que ele, em ouro, o alto relevo/ Faz de uma flor.” (BILAC, 1997). Olavo Bilac. Nascido no Rio de Janeiro, no dia 16 de dezembro de 1865, Olavo Bilac foi jornalista, contista, cronista e poeta. Ao lado de Machado de Assis, foi um dos principais membros fundadores da Academia Brasileira de Comentário A ideia de trindade nos dá uma noção de unidade, considerando seu uso no cristianismo, por exemplo. Mas também nos remete a três figuras que exercem um papel dentro da consolidação dessa unidade. Cada um tem suas características e funções, mas, quando unidos, são um só. É como um trio de atacantes em um time. Você tem um meio-campista (responsável pela armação das jogadas), um ponta (atacante pelos lados do campo), e o centroavante (finalizador e referência do ataque). E todos são fundamentais para a bola entrar no gol e garantir a vitória de seu time, ainda que um acabe se destacando mais do que outro. 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 9/38 Letras, ocupando a cadeira nº 15 e tendo como patrono o poeta Gonçalves Dias. Frequentou os cursos de medicina e direito, mas não se formou em nenhum. Estava mais interessado em literatura, jornalismo e na boemia carioca da Belle Époque. Aliás, Bilac era uma figura muito presente na vida pública. Chegou a estrelar campanhas publicitárias e suas declamações de poemas costumavam encher os salões. Era praticamente uma celebridade! Um de seus livros mais importantes é a coletânea Poesias, publicada em 1888 e reeditada em 1902. Além de Profissão de fé, que citamos há pouco, a obra contém uma variedade de poemas que influenciariam e ainda influenciam diversas figuras do cenário cultural brasileiro. Seu poema Língua portuguesa é não apenas uma declaração de amor ao idioma, mas uma concepção em torno da linguagem muito própria do Parnasianismo. Leiamos o poema! Última flor do Lácio, inculta e bela, És, a um tempo, esplendor e sepultura: Ouro nativo, que na ganga impura A bruta mina entre os cascalhos vela… Amo-te assim, desconhecida e obscura, Tuba de alto clangor, lira singela, Que tens o trom e o silvo da procela E o arrolo da saudade e da ternura! Amo o teu viço agreste e o teu aroma De virgens selvas e de oceano largo! Amo-te, ó rude e doloroso idioma, Em que da voz materna ouvi: "meu filho!" E em que Camões chorou, no exílio amargo, O gênio sem ventura e o amor sem brilho! (BILAC, 1997) Talvez algumas palavras não lhe soem familiar em uma primeira leitura. Não tem problema! Não se esqueça de que é um poema de mais de cem anos. Além da especificidade da linguagem poética, temos um uso muito particular do idioma. Tente ler o poema, inicialmente, sem se preocupar com o significado das palavras, sentindo o ritmo e a sonoridade de cada verso, como uma música. Afinal de contas, é um soneto, poema constituído por dois quartetos (estrofes com quatro versos) e dois tercetos (estrofes de três versos). Dica 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 10/38 O príncipe dos poetas: Olavo Bilac Acompanhe neste vídeo alguns comentários sobre a relevância de Olavo Bilac no contexto do Parnasianismo, com destaque para seu soneto sobre a língua portuguesa. Musa impassível Quando falamos na estética parnasiana, é comum lembrarmos apenas dos nomes da tríade, ou, no máximo, Olavo Bilac. No entanto, outra figura fundamental dessa escola é a poeta Francisca Julia César da Silva Münster, ou apenas Francisca Júlia, nascida em 31 de agosto de 1871 em Xiririca, atual Eldorado, em São Paulo. Além de não fazer parte da lista dos três grandes poetas, há outro fator ainda mais decisivo para que a poeta paulista não seja lembrada: ser mulher. Sabemos que nunca foi fácil, para uma mulher, se inserir nas rodas da intelectualidade da época. Poucas tinham sequer acesso à instrução, mesmo nascidas em uma família de classe média. Mesmo assim, Francisca Júlia conseguiu romper com essa limitação, entrando nesse time e se destacando como um dos principais nomes da literatura brasileira de sua geração. Compare o poema acima com a canção Língua, de Caetano Veloso, inspirada nesse poema parnasiano: “Flor do Lácio/ Sambódromo/ Lusamérica/ Latim em pó/ O que quer/ O que pode esta língua?”. Afinal, o que pode a poesia? A de Bilac, parafraseando outro de seus versos, pode até mesmo nos fazer “ouvir e [...] entender estrelas” (BILAC, 1997). 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 11/38 Francisca Júlia da Silva. Filha de um advogado e de uma professora, Francisca teve apoio em casa para estudar. Desde nova, revelava gosto pelas letras. Publicou seu primeiro poema aos 20 anos, no jornal O Estado de S. Paulo, mas recebeu uma crítica bastante dura e preconceituosa de Severiano de Rezende, que chegou a dizer que ela deveria parar de escrever poesia e se dedicar a “trabalhos de agulha”. Veja só! Ainda bem que Francisca Júlia não se deu por vencida e seguiu escrevendo seus versos. Publicou-os em diversos periódicos da época, como Correio Paulistano e Diário Popular, o que a levou a colaborar com os prestigiados periódicos O Álbum, de Artur Azevedo, e A Semana, de Valentim Magalhães, no Rio. E as dificuldades enfrentadas por Francisca Júlia, pelo fato de ser mulher, não acabaram. Francisca Júlia. Nessa época, ninguém acreditava que quem assinava aqueles poemas era, de fato, alguém do sexo feminino. Para você ter ideia da confusão, um crítico renomado como João Ribeiro estava crente de que se tratava de um pseudônimo de Raimundo Correia, então, decidiu cair em cima dele usando um nome inventado de mulher. 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 12/38 Depois, quando descobriu que se tratava de uma pessoa real, ele faz de tudo para ajudá-la a publicar seu primeiro livro. Assim, com a ajuda de João Ribeiro, saiu Mármores, em 1895, pela editora Horácio Belfort Sabino. O livro se tornou uma obra emblemática da estética parnasiana no Brasil, o que se nota já pelo título. A ideia do mármore nos remete tanto à dureza e volume da rocha quanto à necessidadedo trabalho sobre ela e de sua utilização em obras plásticas da tradição clássica. Quando pensamos, em termos artísticos, em algo feito de mármore, é inevitável não pensar nas esculturas renascentistas, neoclássicas e da Antiguidade greco-romana. Ao mesmo tempo que elas nos oferecem uma noção de beleza e harmonia, também somos levados a observar a descrição das ações, como nos versos de A florista: “Suspensa ao braço a grávida corbelha,/ Segue a passo, tranquila... O sol faísca.../ Os seus carmíneos lábios de mourisca/ Se abrem, sorrindo, numa flor vermelha” (JÚLIA, 1961). Porém, um dos poemas mais importantes de sua vinculação com a estética parnasiana é Musa impassível, dividido em duas partes. Confira uma delas! Assim como no poema de Bilac, não se apresse em entender o significado de todas as palavras. Sinta, inicialmente, o ritmo e o som de cada verso. Depois, observe como a poeta evoca personagens e ambientes da tradição clássica, já que são modelos de perfeição. A musa impassível do título é esculpida diante dos nossos olhos, verso a verso, como se acompanhássemos o trabalho da própria artista em 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 13/38 seu “ateliê”. Ao compararmos com a escultura do modernista Victor Brecheret, em homenagem à poeta, podemos notar que Francisca Júlia não foi apenas uma artesã das palavras, mas também da nossa imaginação. Musa impassível: Francisca Júlia Assista agora à apresentação da biografia e obra de Francisca Júlia, e à análise de seu poema Musa impassível a partir da estética parnasiana. Questão 1 O Parnasianismo foi uma das mais importantes escolas literárias do século XIX, tendo no Brasil grande repercussão. Assinale a alternativa que indique duas características da estética parnasiana. Vamos praticar alguns conceitos? Falta pouco para atingir seus objetivos. 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 14/38 Questão 2 Olavo Bilac foi um dos principais poetas da chamada Trindade Parnasiana. Assim como os demais poetas da escola literária da qual fez parte, ele se dedicou a aspectos formais na construção de seus versos, como podemos perceber em seu 2 A Retorno à tradição clássica e objetividade. B Objetividade e sentimentalismo. C Idealização e valorização da tradição clássica. D Indianismo e nacionalismo. E Espirituralismo e cientificismo. Responder A discurso emotivo nos versos. B culto à língua portuguesa. C posicionamento a favor da estética realista. D modo de idealizar as mulheres. E culto aos sentimentos exacerbados. Responder 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 15/38 O Simbolismo em Cruz e Sousa Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer o Simbolismo em Cruz e Sousa a partir de seus poemas mais representativos. Dante negro O que você entende por símbolo? Um símbolo é a representação de algo, pode ser uma ideia, um sentimento, um lugar, um grupo de pessoas etc. Ou seja, ele aponta para o que não é. Uma aliança de casamento não é o amor nem a união, que são elementos abstratos, mas ela os simboliza. Quando você faz um coração com as mãos, é a mesma coisa. Não se trata de um coração, 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 16/38 mas de uma representação simbólica dele. No caso da literatura, as palavras vão exercer esse papel. Aliança de casamento, símbolo de união. O Simbolismo foi uma escola literária do final do século XIX, que tem no poeta francês Charles Baudelaire um de seus principais representantes. Essa escola surge como oposição ao Parnasianismo e ao Realismo, visando “instalar um credo estético baseado no subjetivo, no vago, no pessoal, na sugestão, no ilógico, no misterioso, na expressão direta e simbólica” (COUTINHO; SOUZA, 2001, v. 2, p. 1505). É como um “romantismo indireto”, em que a expressão do eu toma uma dimensão mística e religiosa, já que ela se dá em um plano construído por meio de símbolos. Cruz e Sousa, o Dante negro (referência ao poeta italiano Dante Alighieri), é um dos principais representantes dessa escola. Cruz e Sousa. Nascido em Desterro, atual Florianópolis, Santa Catarina, em 21 de novembro de 1861, João da Cruz e Sousa é filho de negros escravizados e alforriados, um mestre de obras e uma lavadeira. O sobrenome recebeu do senhor de escravos que o apadrinhou, o coronel Xavier de Sousa, como era comum na sociedade da época. Estudou em uma instituição educacional da elite catarinense e se destacou como aluno desde muito novo. Era brilhante! Apaixonado por poesia, leu todos os principais autores de seu tempo, como Baudelaire, Leopardi e Antero de Quental. Ainda assim, nada disso o impediu de ser vítima de racismo, tema que abordou em artigos na imprensa periódica e em poemas. 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 17/38 Cruz e Sousa viajou por diversas cidades, como Porto Alegre, São Luís, Salvador e Rio de Janeiro. Dessa experiência, conheceu as consequências da escravidão na vida de outras pessoas negras, como ele e seus pais, o que contribuiu para que ele se engajasse na causa abolicionista. Na Bahia, por exemplo, leu um poema em homenagem a Castro Alves em um discurso. No Rio, em 1890, se aproximou de escritores como Olavo Bilac e Raul Pompeia. Pouco depois, publicou seus dois principais livros, Missal e Broquéis, sobre os quais falaremos mais adiante. Cruz e Sousa também colocou em seus versos a difícil situação que viveu como intelectual negro em uma sociedade marcada pelas consequências da escravidão. A loucura também é um tema presente, por conta da experiência trágica que teve. Sua esposa, a jovem Gavita Rosa Gonçalves, com quem teve três filhos, desenvolveu problemas mentais depois de dar à luz o segundo filho do casal. Cruz e Sousa morreu muito jovem, aos 36 anos, vítima de tuberculose. O poeta paranaense Paulo Leminski escreveu uma pequena biografia sobre o seu colega catarinense, em que ele sugere a possibilidade de Cruz e Sousa ter inventado o blues se tivesse nascido norte-americano (LEMINSKI, 2013, p. 14). Soneto Coração, de Cruz e Sousa, na primeira edição d’O Clarim da Alvorada, em 1924. Em uma sociedade como a nossa, o poeta negro catarinense lançou mão de uma figura de linguagem muito peculiar para lidar com os conflitos e oposições que encontrou ao longo da vida. Veja o que registrou Leminski sobre o assunto. 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 18/38 Cada vida é regida pelo astro de uma figura de retórica. Certas vidas são hiperbólicas. Há vidas-pleonasmo. Elipses. Sarcasmos. Anacolutos. Paráfrases. A figura de retórica mais adequada para a vida de Cruz e Sousa é o oximoro, a figura da ironia, que diz uma coisa dizendo o contrário. Que outra figura calharia a este negro retinto, filho de escravos do Brasil imperial, mas nutrido de toda a mais aguda cultura internacional de sua época, lida no original? Quais formas exprimiriam a radicalidade com que Cruz e Sousa assumiu a via poética, como destino de sofrimento e carência a transformar em beleza e significado? (LEMINSKI, 2013, p. 13) Na sua obra, encontramos as afirmações para essas perguntas, ao som de cordas vibrando gemidos harmônicos de dor, beleza e mistério. Dante negro: o Simbolismo de Cruz e Sousa Confira neste vídeo um pouco sobre a estética simbolista no Brasil, a biografia de Cruz e Sousa e a condição de intelectual e poeta negro de Cruz e Sousa. Missal e Broquéis 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio#19/38 Como vimos, o Simbolismo surge em oposição ao Parnasianismo e ao Realismo, no final do século XIX. Embora possamos encontrar alguns pontos em comum, por exemplo, o uso do soneto, essas escolas se opõem em vários aspectos. O Simbolismo é menos rígido quanto à forma em relação ao Parnasianismo e privilegia o subjetivo, as figuras de linguagem e uma visão de mundo antirracionalista. Quando publicou seus primeiros dois livros, Cruz e Sousa se lançou, de vez, como um dos nomes mais representativos da estética simbolista e também da modernidade, antecipando, inclusive, alguns aspectos que mais tarde seriam explorados pelos modernistas. Os livros foram publicados em 1893, pela editora Magalhães e Companhia, em um esforço de dar destaque a um jovem poeta negro, representante do Simbolismo no Brasil. Mas a crítica não recebeu tão bem a estreia de Cruz e Sousa, como José Veríssimo e Araripe Júnior. Ainda assim, as duas obras marcam a consolidação da estética simbolista por aqui e influenciaram diversas gerações que vieram em seguida. A seguir, nos aprofundaremos em detalhes dessas obras. 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 20/38 Para Ivan Teixeira (2001, p. XI), Cruz e Sousa é o inventor do chamado “verso harmônico”, teorizado pelo modernista Mário de Andrade em seu Prefácio interessantíssimo, do livro Pauliceia desvairada. Como assim? Leia com atenção as três primeiras estrofes do poema Antífona, que abre o livro Broquéis. Ó Formas alvas, brancas, Formas claras De luares, de neves, de neblinas!... Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas... Incensos dos turíbulos das aras... Formas do Amor, constelarmente puras, De Virgens e de Santas vaporosas... 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 21/38 Brilhos errantes, mádidas frescuras E dolências de lírios e de rosas... Indefiníveis músicas supremas, Harmonias da Cor e do Perfume... Horas do Ocaso, trêmulas, extremas, Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume... (SOUSA, 2001) Um verso harmônico é a combinação de sons simultâneos de palavras isoladas, sem uma relação sintática. O virtuosismo fonético da poesia de Cruz e Sousa é uma de suas principais características. Para você ter uma ideia da importância disso, até mesmo no Modernismo, muitos anos depois, é possível encontrar influência desse trabalho com a sonoridade das palavras no verso. Compreender um poema simbolista pode não ser uma tarefa simples, é verdade. Mas nisso também reside sua beleza. Ele nos propõe outras maneiras de explorar a linguagem e seus símbolos. Além disso, em um mundo acelerado e de obsessão pelo que é instantâneo, a poesia, de um modo geral, assume um caráter transgressor, porque ela não apenas nos impõe outra forma de nos Dica Como nas outras vezes, tente ler observando a sonoridade dessas palavras, seja de forma isolada ou quando se encontram entre um verso e outro. Mas não só. Não espere compreendê-los como em um texto lógico, com uma relação de causa e efeito. Procure se ater às imagens e aos sentidos que cada um traz e de que maneira elas se combinam. Curiosidade Cecília Meireles faz parte de uma vertente do Modernismo que é chamada, por alguns críticos, de neossimbolista, justamente por utilizar esse recurso, como nos dois versos de Murmúrio: “Traze-me um pouco das sombras serenas/ que as nuvens transportam por cima do dia!” 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 22/38 relacionarmos com o tempo, mas também porque ela nos faz exercitar outras maneiras de dar sentido ao mundo ao redor. Missal e Broquéis Assista a este vídeo sobre as principais características das obras Missal e Broquéis, com destaque para sua estética simbolista e análise das três primeiras estrofes do poema Antífona. Emparedado Cruz e Sousa, como vimos há pouco, era um poeta negro, filho de negros escravizados. Também comentamos que ele se envolveu no movimento abolicionista e não deixou de falar sobre a condição do negro na sociedade brasileira, marcada pela exclusão e pelo preconceito racial. Mesmo após a abolição da escravatura, a população negra ainda sofria, pois foram jogados à sua própria sorte, sem qualquer tipo de reparação pelo mal que lhes fizeram durante séculos. O poeta colaborou na imprensa periódica, especialmente no jornal Tribuna Popular, em defesa do fim do regime escravista. A discussão em torno do papel do negro na sociedade e as consequências do racismo aparecem em muitos desses artigos, mas também em poemas, inclusive de publicações póstumas. Vejamos alguns escritos de Cruz e Sousa relacionados ao tema! 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 23/38 É importante lembrar que essas questões colocadas nos poemas de Cruz e Sousa inserem sua obra em um aspecto muito comum no Simbolismo: a expressão do sofrimento humano. Em um dos trechos de Emparedado, o eu lírico, de maneira irônica, questiona o seu ofício considerando a sua origem étnico-racial: “Artista! pode lá isso ser se tu és d'África, tórrida e bárbara, devorada insaciavelmente pelo deserto, tumultuando de matas bravias, arrastada sangrando no lodo das Civilizações despóticas, torvamente amamentada com o leite amargo e venenoso da Angústia!” (SOUSA, 1995). O poeta descreve a sua ascendência africana por meio de metáforas que reconstituem, no plano simbólico, toda a história da colonização e do tráfico transatlântico. O eu lírico é colocado em seu “devido lugar”, considerando que ser artista, se dedicar à arte e à cultura, é algo para quem não veio dessa região “tórrida e bárbara”. O poema em prosa, nesse sentido, foi a escolha ideal, pois confere uma dimensão poética a elementos prosaicos da vida comum. É, sem dúvida, um dos textos mais contundentes sobre o legado da escravidão no aprofundamento das desigualdades e no desnudamento da segregação racial que caracteriza este país. Cruz e Sousa tomou o símbolo como seu instrumento de denúncia e de interpretação de nossa realidade social, sem deixar de refletir sobre suas dores particulares. Ao mesmo tempo que elevava o gênero poético a um patamar ainda mais elevado em nossa literatura, o poeta de 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 24/38 Desterro nos lança a difíceis e dolorosos estados da alma e do corpo, que só mesmo por meio do símbolo era capaz de expressar. Emparedado: a escravidão na poética de Cruz e Sousa Confira agora a análise de alguns poemas de Cruz e Sousa a partir do legado da escravidão e da condição do negro e do artista, destacando seu poema Emparedado. Questão 1 O Simbolismo é uma escola literária nascida no século XIX que se opõe a duas outras contemporâneas a ela. Assinale a alternativa que indique o nome correto dessas duas escolas. Vamos praticar alguns conceitos? Falta pouco para atingir seus objetivos. 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 25/38 Questão 2 Os livros Missal e Broquéis, de Cruz e Sousa, consolidam a chegada do Simbolismo no Brasil. Entre as características presentes em seus poemas, em especial do segundo livro, podemos ressaltar 3 O Simbolismo em Augusto dos Anjos A Parnasianismo e Realismo. B Parnasianismo e Romantismo. C Realismo e Romantismo. D Naturalismo e Positivismo. E Romantismo e Modernismo. Responder A concisão e formalismo. B musicalidade e cientificismo. C musicalidade e mistério. D racionalismo e vagação. E objetividade e mistério. Responder 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio#26/38 Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer o Simbolismo em Augusto dos Anjos a partir de seus poemas mais representativos. Poeta da morte Poucos poetas da virada do século XIX para o XX são mais fascinantes que Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, conhecido como Augusto dos Anjos. Aliás, raros. Mesmo quem não é lá muito chegado na linguagem poética se vê movido pelos versos desse poeta paraibano, nascido em 20 de abril de 1884 e que viveu apenas até os 30 anos. Ainda que estejamos aqui falando da presença do Simbolismo na obra de Augusto dos Anjos, a verdade é que sua poesia esbarra em uma dificuldade de classificação, em um tempo de simbolistas, parnasianos e naturalistas. Era dos Anjos e de demônios, pois sua poesia nos leva a subterrâneos da linguagem que são, na verdade, reveladores do que recusamos enxergar na superfície. 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 27/38 Augusto dos Anjos. Augusto começou cedo a escrever poesia. Aos 7 anos, já esboçava seus primeiros versos. Estudou no Liceu Paraibano, onde se tornou professor pouco depois de se formar em Direito na prestigiada Faculdade do Recife. Desde então, se dedicou ao magistério, tendo a experiência em outras instituições, principalmente no Rio de Janeiro, para onde havia se mudado depois de se casar com Ester Fialho. Deu aulas de literatura em vários locais. Em 1911, ingressou no Colégio Pedro II como professor de geografia. Poucos anos depois, parte para Minas Gerais, entregando-se ainda mais ao ensino, mas falece quase em seguida. Em suas próprias palavras, Augusto dos Anjos era um cantor “da poesia de tudo que é morto”. Seu pessimismo ácido e melancólico possui ecos do pensamento de Arthur Schopenhauer, na obra O mundo como vontade e representação (1819), em que o fenômeno da nossa existência resulta de uma vontade metafísica cega. Daí, vem a nossa postura egoísta e mesquinha que faz do mundo o que ele é. Além de Schopenhauer, o poeta também teve influência de Herbert Spencer, quanto à natureza biológica do comportamento humano e da impossibilidade da ciência de captar a essência das coisas. Recebeu ainda influência de Ernst Haeckel, para quem a vida e a morte são fenômenos físico-químicos, portanto, o corpo é apenas um amontoado de sangue e carne, aguardando sua total desintegração. Essas e outras ideias vieram de sua passagem pela Faculdade de Direito do Recife. Augusto dos Anjos era um indivíduo complexo, o que se reflete em sua poesia. Embora aplique elementos da estética parnasiana e simbolista em seus poemas, como comentamos no início, ele não se encaixava categoricamente em nenhuma dessas tendências de seu tempo. Essa impossibilidade de encaixe é talvez uma das razões que faz de sua obra tão interessante ao leitor dos dias de hoje, pois consegue superar as questões da época e conferir uma dimensão mais ampla, como se nos falasse atualmente. É por isso que ele é considerado um dos poetas mais originais da literatura brasileira. 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 28/38 Augusto dos Anjos. E em que consiste a inovação de Augusto dos Anjos? Afinal, onde está o Simbolismo em sua obra? Bem, você viu, anteriormente, o papel de Cruz e Sousa na consolidação da estética simbolista no Brasil, com a publicação de Missal e Broquéis. E você lembra quais características dessas duas obras a tornam simbolistas? Além da rejeição ao rigor excessivo dos parnasianos e de sua objetividade, os simbolistas imprimiam às palavras uma relação inovadora. Isso percebemos na obtenção de significados tanto a partir do choque de imagens quanto da musicalidade que se produz no encontro de seus fonemas. E o que isso quer dizer? O som da palavra também produz sentido. Compreender isso é também compreender a poesia moderna e contemporânea. Sua obra é marcada pelo sincretismo de diversas correntes filosóficas e científicas predominantes na virada do século XIX para o XX, que culmina no chamado Pré-modernismo. Na verdade, Augusto dos Anjos está para além dessas categorias, que só fazem de sua poesia um dos maiores acontecimentos de nossas letras. Atenção! A poesia de Augusto dos Anjos não representa a rejeição ao Parnasianismo pela relação entre as palavras e pela sonoridade, embora ela não seja propriamente parnasiana. Isso porque há, sim, uma objetividade e um rigor formal em sua composição, assim como uma busca pela expressão do subjetivo e a valorização do símbolo. 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 29/38 Poeta da morte: Augusto dos Anjos Assista a este vídeo e confira uma apresentação da vida e obra de Augusto dos Anjos, destacando a inovação e o Simbolismo em sua poética. A poesia do Eu Se você precisar dar uma aula de poesia para uma turma de adolescentes, daquela bem barulhenta e que você sofre para conseguir um pouquinho de atenção, há um remédio eficaz. Vá de Augusto dos Anjos! Não há contraindicações! Acompanhe a nossa sugestão de como você pode aplicar essa “medicação”. As doses iniciais devem ser pequenas, com uns dois ou três sonetos, no máximo. São adolescentes, não se esqueça. Poesia não é algo tão simples para trabalhar em classe. Mesmo assim, não podemos desistir. Acredite! Augusto dos Anjos, uma dose de dois a três poemas. Em poucos minutos (ou até segundos), você vai perceber o efeito na turma. Pode ser que não cure, mas certamente vai 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 30/38 mexer com eles de uma forma única. Você vai encontrar as doses mencionadas anteriormente na obra chamada Eu, publicada em 1912. Augusto dos Anjos lançou o livro com a ajuda financeira do irmão, Odilon dos Anjos, e não teve uma boa recepção da crítica. Já era de se imaginar, em um tempo em que a estética parnasiana ainda era predominante, uma proposta como aquela só poderia mesmo causar estranheza. O caráter inovador daqueles versos já notamos pela própria capa do livro. Veja! Capa do livro Eu por Augusto dos Anjos. É sempre bom discutir com os alunos esses outros elementos na composição de uma obra literária, como a capa, a folha de rosto, a dedicatória, a epígrafe etc. Os chamados paratextos são fundamentais. Agora, vamos a um dos poemas! 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 31/38 Eu, filho do carbono e do amoníaco, Monstro de escuridão e rutilância, Sofro, desde a epigênese da infância, A influência má dos signos do zodíaco. Profundíssimamente hipocondríaco, Este ambiente me causa repugnância... Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia Que se escapa da boca de um cardíaco. Já o verme – este operário das ruínas – Que o sangue podre das carnificinas Come, e à vida em geral declara guerra, Anda a espreitar meus olhos para roê-los, E há de deixar-me apenas os cabelos, Na frialdade inorgânica da terra! (ANJOS, 2004) Intitulado Psicologia de um vencido, o texto é carregado de ironia, morbidez e pessimismo. É um soneto decassílabo (versos de dez sílabas poéticas), com esquema de rimas ABBA-BAAB-CCD-EED. Desde o título até o último verso, somos jogados a uma das condições inevitáveis da vida, que é a morte. O vocabulário de termos ligados ao conhecimento científico, como carbono, amoníaco, epigênese, cardíaco e inorgânico, se liga a referências esotéricas e abstratas, assim como monstro, signos do zodíaco e frialdade. O resultado são versos de um senso crítico profundamente original e incisivo. A coleção de imagens e terminologia científica causou estranheza aos parnasianos e aos realistas, o que talvez explique as suas ressalvas. Para Augusto dos Anjos,em Eu, a vida era essa combinação de fenômenos físicos, químicos e biológicos com as leis que regem uma dimensão cósmica, tudo isso na disputa da matéria contra o seu inevitável fim. E esse “materialismo só lhe podia trazer a angústia, o pessimismo cruel”, por isso, Augusto dos Anjos é “o poeta da morte, dos Dica No dia em que você estiver em uma sala de aula, como um professor, declame o texto! Depois proponha que seus alunos façam a mesma coisa. Note ainda que o poema tem um caráter teatral muito presente, o que contribui ainda mais para essa leitura em voz alta, como se fosse um monólogo. 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 32/38 vermes e cemitérios, de uma morbidez e niilismo sem remissão” (COUTINHO; SOUZA, 2001, v. 1, p. 240). O Simbolismo em Augusto dos Anjos se revela na construção de novos sentidos com palavras e expressões incomuns na linguagem poética. Tudo serve de matéria à poesia, inclusive os termos que designam a matéria bruta da própria vida. Portanto, a poesia não é reservada apenas aos temas e pessoas elevadas, mas também ao decadente, ordinário e horrendo, afinal de contas, a vida também é feita daquilo que não nos agrada. A poesia do Eu em Augusto dos Anjos Assista, neste vídeo, à análise da obra Eu, de Augusto dos Anjos, com destaque para suas características e temáticas, além da leitura do poema Psicologia de um vencido. Modernidade em decomposição Como pudemos perceber, a poética simbolista de Augusto dos Anjos trata, em síntese, de uma modernidade em decomposição, de um projeto de civilização que fracassou em seu esforço de dar centralidade ao indivíduo e suas realizações, mas, paradoxalmente, o jogou diante da consciência de sua derrota, consumada pela sua morte e pelo apodrecimento de sua carne. Ferreira Gullar (2008) recorda que as correntes filosóficas que influenciaram a obra do poeta paraibano refletiam a reação da sociedade europeia ao desenvolvimento da ciência e da técnica, uma realidade bem diferente do Nordeste de Augusto dos Anjos, que nada sabia dessas conquistas. Porém, “na dialética da cultura dependente, elas se tornam para o poeta, a expressão do desmoronamento do seu mundo pré-industrial” (GULLAR, 2008, p. 1017). O símbolo na poesia de Augusto dos Anjos aponta para uma sociedade em transformação, mas, de forma 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 33/38 irônica e ácida, não confere a ela nenhuma possibilidade de salvação. O projeto de modernidade evapora e arde como amoníaco quando somos despertados pela consciência não apenas de nosso fim, mas de que não há saída. Se pensarmos no Brasil do início do século XX, estávamos nos primeiros anos da República, em que aparentemente nada mudava, mas diversos acontecimentos apontavam para instabilidades sociais e políticas, resultantes das insatisfações quanto aos rumos tomados pela troca de regime. Continuávamos atrasados e dependentes. Entre tantos poemas, podemos ressaltar um dos sonetos em que essas questões podem ser destacadas. Tome, Dr., esta tesoura, e... corte Minha singularíssima pessoa. Que importa a mim que a bicharia roa Todo o meu coração, depois da morte?! Ah! Um urubu pousou na minha sorte! Também, das diatomáceas da lagoa A criptógama cápsula se esbroa Ao contato de bronca destra forte! Dissolva-se, portanto, minha vida Igualmente a uma célula caída Na aberração de um óvulo infecundo Mas o agregado abstrato das saudades Fique batendo nas perpétuas grades Do último verso que eu fizer no mundo! (ANJOS, 2004) O poema se chama Budismo moderno e já nos traz, no título, alguns elementos que realçam os aspectos da poesia ácida e debochada de Augusto. É um soneto decassílabo com rimas de acordo com o esquema ABBA-ABBA-CCD-EED. Compare com o quadro A lição de anatomia do Dr. Tulp (1632), de Rembrandt. A dramaticidade barroca e o realismo da cena expõem uma situação tensa, mas de dedicada busca pelo conhecimento através da ciência. O corpo deitado, pálido e gélido, contrasta com a movimentação do professor e de seus alunos. 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 34/38 A lição de anatomia do Dr. Tulp, Rembrandt, 1632. A seriedade de uma aula de anatomia entra em choque com a expressão irônica e pessimista do eu lírico diante da consciência do material orgânico de que é feita a vida humana. Perceba a utilização de um vocabulário pouco convencional em poesia, tomado de empréstimo da biologia, como diatomáceas, célula, óvulo etc. Aqui é o próprio indivíduo que pede ao doutor que corte sua carne, ou seja, ela ainda mantém, mesmo diante da possibilidade da degradação, a realização de sua própria vontade, diferentemente do cadáver no quadro de Rembrandt. A manipulação dos vários sentidos que uma mesma palavra pode assumir é outro traço da genialidade de Augusto dos Anjos em seu domínio da linguagem poética. O coração, por exemplo, se torna tanto uma metáfora do sentimento do indivíduo, convenção da poética clássica por excelência, quanto do órgão feito de sangue e músculos, prestes a ser devorado pelos vermes após a morte. Que importa? Essa amarga consciência de seu fim é também resultante de seu lugar em uma sociedade moderna que avança, mas que também se decompõe. A poesia, no entanto, é ainda a única possibilidade de que algo permaneça. Modernidade em decomposição Veja neste vídeo uma discussão da poética simbolista de Augusto dos Anjos a partir da ideia da modernidade em decomposição, destacando a análise do soneto Budismo moderno. 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 35/38 Questão 1 A poesia simbolista de Augusto dos Anjos teve grande influência de diversas correntes científicas e filosóficas que predominaram no Brasil na virada do século XIX para o XX. Entre os pensadores lidos pelo poeta paraibano, podemos destacar Questão 2 O livro Eu, de Augusto dos Anjos, é um marco na poesia moderna brasileira. Embora seja de feição simbolista, é uma obra complexa demais para ser situada em apenas uma categoria. Entre as principais características de sua poesia, podemos citar Vamos praticar alguns conceitos? Falta pouco para atingir seus objetivos. A Arthur Schopenhauer e Ernst Haeckel. B Arthur Schopenhauer e Sócrates. C Karl Marx e Santo Agostinho. D Gregor Mendel e Galileu Galilei. E Herbert Spencer e Roland Barthes. Responder 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 36/38 Considerações �nais O Parnasianismo e o Simbolismo foram duas escolas fundamentais no desenvolvimento da poesia moderna no Brasil. Embora os modernistas tenham se voltado contra os autores desses dois movimentos, é possível notar o quanto muitas de suas conquistas contribuíram para o desenvolvimento da linguagem poética entre nós. A estética parnasiana, em seu rigor formal, resgatou aspectos da tradição clássica que elevaram a linguagem poética e, ao mesmo tempo, reordenou o olhar do poeta diante do mundo ao seu redor. Olavo Bilac e Francisca Júlia são dois dos nomes que contribuíram para isso, tanto em uma dimensão musical, no primeiro, quanto plástica, na segunda. O Simbolismo, no Brasil, se viu no desafio de ocupar um espaço dominado pelos parnasianos e pelos realistas, propondo novas relações com a palavra e seus múltiplos sentidos. Cruz e Sousa foi um dos maiores responsáveis pela consolidação da estética simbolista entre nós, ampliando a capacidade da poesia em produzir significados com sons e imagens, além de ter sido uma voz importante na luta contra o sistema escravista e o racismo. Já Augusto dos Anjos, em sua poética da podridão e damorte, expressa seu pessimismo diante da tragédia que é a existência humana e inova ao demonstrar outras possibilidades para a poesia, mesmo diante da consciência de nosso fim. A idealização do indígena e temas regionais. B uso de vocabulário médico e relação com a tradição grega. C linguagem coloquial e versos livres. D uso de termos científicos e temas mórbidos. E versos sem rima e temas da tradição clássica. Responder Explore + 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 37/38 Vamos expandir os conhecimentos vistos aqui! Veja o curta Di Cavalcanti Di Glauber, de 1977, dirigido por ninguém menos que Glauber Rocha. O diretor misturou, em seu documentário, elementos biográficos da vida do pintor Di Cavalcanti com poemas de autoria de Augusto dos Anjos, criando um diálogo interessante entre as artes. Vale destacar o subtítulo escolhido pelo diretor, que é inspirado no poema Versos íntimos, de Augusto dos Anjos. Ainda no contexto do cinema, também vale a pena conferir o filme O poeta do Desterro, de 1998, dirigido por Sylvio Back, que narra a história de Cruz e Sousa. Como indicação de leitura, sugerimos o texto Introdução ao Parnasianismo brasileiro, de Péricles Eugênio Ramos, disponível no Google Acadêmico. Leia também o artigo Um momento decisivo do Simbolismo brasileiro: a publicação de Missal e Broquéis (1893), de Álvaro Simões Junior, publicado na revista Navegações e disponível no Google Acadêmico. Por fim, recomendamos a leitura dos poemas dos seguintes livros: Poesias, de Olavo Bilac. Mármores, de Francisca Júlia. Missal e Broquéis, de Cruz e Sousa. Eu, de Augusto dos Anjos. Referências ANJOS, A. dos. Eu e outras poesias. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004. ANJOS, A. dos. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995. BILAC, O. Poesias. São Paulo: Martins Fontes, 1997. BOSI, A. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 2015. BROCA, B. A vida literária no Brasil – 1900. Rio de Janeiro: José Olympio: ABL, 2005. COUTINHO, A.; SOUZA, J. G. de. Enciclopédia de literatura brasileira. São Paulo: Global; Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional: ABL, 2001. 2 v. CRUZ E SOUSA. Emparedados. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995. CRUZ E SOUSA. Missal/Broquéis. São Paulo: Martins Fontes, 2001. GULLAR, F. Augusto dos Anjos ou vida e morte nordestina. In: SECCHIN, A. C. (Org.) Poesia completa, teatro e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008. JÚLIA, F. Poesias. São Paulo: Conselho Estadual de Cultura, 1961. LEMINSKI, P. Cruz e Sousa. In: LEMINSKI, P. Vida: 4 biografias. São Paulo: Companhia das Letras, 2013. SECCHIN, A. C. Percursos da poesia brasileira: do século XVIII ou XXI. Belo Horizonte: Autêntica: Editora UFMG, 2018. 17/04/2024, 11:11 Parnasianismo e Simbolismo https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05634/index.html?brand=estacio# 38/38 STEGAGNO-PICCHIO, L. História da literatura brasileira. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2004. TEIXEIRA, I. Cem anos de Simbolismo: Broquéis e os fatores de sua modernidade. In: CRUZ E SOUSA. Missal/Broquéis. São Paulo: Martins Fontes, 2001. Material para download Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF. Download material O que você achou do conteúdo? 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