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ACIONAMENTO DE DISPOSITIVOS ATUADORES série AUTOMAÇÃO iNDUsTriAL Volume 2 série AUTOMAÇÃO iNDUsTriAL ACIONAMENTO DE DISPOSITIVOS ATUADORES Volume 2 CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – CNI Robson Braga de Andrade Presidente DIRETORIA DE EDuCAÇÃO E TECNOLOgIA Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti Diretor de Educação e Tecnologia SENAI-DN – SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAgEM INDuSTRIAL Conselho Nacional Robson Braga de Andrade Presidente SENAI – DEPARTAMENTO NACIONAL Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti Diretor-Geral Gustavo Leal Sales Filho Diretor de Operações Série AUTOMAÇÃO iNDUSTriAL ACIONAMENTO DE DISPOSITIVOS ATUADORES VOLUME 2 SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial Departamento Nacional Sede Setor Bancário Norte . Quadra 1 . Bloco C . Edifício Roberto Simonsen . 70040-903 . Brasília – DF . Tel.: (0xx61)3317-9190 http://www.senai.br © 2012. SENAI – Departamento Nacional © 2012. SENAI – Departamento Regional do Rio Grande do Sul A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios, seja eletrônico, mecânico, fotocópia, de gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização, por escrito, do SENAI – Departamento Regional do Rio Grande do Sul. Esta publicação foi elaborada pela equipe da Unidade Estratégica de Desenvolvimento Educacional – UEDE/Núcleo de Educação a Distância – NEAD, do SENAI do Rio Grande do Sul, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional, para ser utilizada por todos os Departamentos Regionais do SENAI nos cursos presenciais e a distância. SENAI Departamento Nacional Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP SENAI Departamento Regional do Rio Grande do Sul Unidade Estratégica de Desenvolvimento Educacional – UEDE/Núcleo de Educação a Distância – NEAD FICHA CATALOGRÁFICA S491a Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional Acionamento de dispositivos atuadores: volume 2/ Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial Departamento Nacional, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Regional do Rio Grande do Sul. Brasília: SENAI/DN, 2012. 260 p. : il. (Série Automação Industrial) ISBN 978-85-7519-523-9 1. Geração. 2. Abastecimento. 3. Controle da eletricidade. I. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Regional do Rio Grande do Sul. II. Titulo. III. Série. CDU 621.31 Bibliotecário Responsável: Enilda Hack- CRB 599/10 Lista de ilustrações Figura 1 - Elevação de plataforma por ar comprimido .......................................................................................21 Figura 2 - Usos do ar ambiente e ar comprimido .................................................................................................23 Figura 3 - Exemplo prático de pressão .....................................................................................................................23 Figura 4 - Manômetro .....................................................................................................................................................24 Figura 5 - Experimento da coluna de mercúrio .....................................................................................................24 Figura 6 - Lei geral do gases .........................................................................................................................................27 Figura 7 - Comparativo entre as escalas de temperatura em Celsius, Fahrenheit e Kelvin ...................29 Figura 8 - Blaise Pascal ....................................................................................................................................................31 Figura 9 - Experimento de Pascal ...............................................................................................................................31 Figura 10 - Boyle-Mariotte ............................................................................................................................................31 Figura 11 - Experimento de Boyle-Mariotte ...........................................................................................................31 Figura 12 - Gay-Lussac ....................................................................................................................................................32 Figura 13 - Experimento de Gay-Lussac ...................................................................................................................32 Figura 14 - Charles ...........................................................................................................................................................32 Figura 15 - Experimento de Charles ..........................................................................................................................32 Figura 16 - Produção, preparação e distribuição do ar comprimido .............................................................35 Figura 17 - Compressor tipo pistão (amarelo), com reservatório de 25L (preto). .....................................36 Figura 18 - Divisão dos compressores conforme a sua funcionalidade .......................................................37 Figura 19 - Compressor por pistão ............................................................................................................................37 Figura 20 - Compressor por diafragma ....................................................................................................................38 Figura 21 - Compressor tipo palheta ........................................................................................................................38 Figura 22 - Compressor tipo parafuso ......................................................................................................................39 Figura 23 - Compressor de lóbulo ou roots ............................................................................................................39 Figura 24 - Compressor de anel líquido ...................................................................................................................39 Figura 25 - Compressor radial ......................................................................................................................................40 Figura 26 - Compressor axial ........................................................................................................................................40 Figura 27 - Resfriador posterior com a sua simbologia ......................................................................................47 Figura 28 - Reservatório de ar comprimido com a sua simbologia ...............................................................47 Figura 29 - Secagem por refrigeração ......................................................................................................................51 Figura 30 - Secagem por absorção ............................................................................................................................51 Figura 31 - Secagem por adsorção ............................................................................................................................52 Figura 32 - Esquema da produção, armazenamento e limpeza do ar comprimido.................................53 Figura 33 - a) Rede de ar comprimido com circuito aberto; b) Circuito fechado e circuito misto ......54 Figura 34 - Colocação de dreno e inclinação das tubulações ..........................................................................55 Figura 35 - a) Tubo de polietileno; b) Tubo de nylon ...........................................................................................57 Figura 36 - Conexão instantânea ................................................................................................................................57Figura 37 - Unidade de conservação com as suas simbologias ......................................................................59 Figura 38 - Distribuição dos componentes de acordo com o tipo de elemento ......................................61 Figura 39 - Atuadores de simples ação com suas respectivas simbologias ................................................62 Figura 40 - Atuador de dupla ação ............................................................................................................................63 Figura 41 - Composição interna de um cilindro de dupla ação ......................................................................63 Figura 42 - a) Atuador com giro controlado; b) Atuador tipo motor (motor tipo palheta), com suas respectivas simbologias ..................................................................................................................................................63 Figura 43 - a) Atuadores com haste passante; b) Tandem; c) Sem haste; d) Com garra; e) Com músculos .64 Figura 44 - Válvula direcional 5/2 vias com duplo piloto e acionamento manual, com a sua simbologia ...64 Figura 45 - Válvula direcional com três direções...................................................................................................65 Figura 46 - Válvula direcional com cinco vias ........................................................................................................65 Figura 47 - Utilização de simbologias de leitura ...................................................................................................66 Figura 48 - Representação dos orifícios de uma válvula direcional ...............................................................67 Figura 49 - Válvula 3/2 vias com duplo piloto ........................................................................................................68 Figura 50 - Válvula de controle de fluxo variável unidirecional .......................................................................69 Figura 51 - Válvula de controle de fluxo variável bidirecional .........................................................................69 Figura 52 - Válvula alternadora ...................................................................................................................................70 Figura 53 - Válvula de simultaneidade .....................................................................................................................70 Figura 54 - Válvula de controle de fluxo com escape rápido............................................................................71 Figura 55 - Temporizador com suas simbologias .................................................................................................71 Figura 56 - Contador pneumático com a sua simbologia .................................................................................72 Figura 57 - a) Acionamento direto; b) Acionamento indireto ..........................................................................73 Figura 58 - Tipos de acionamentos musculares ....................................................................................................74 Figura 59 - Acionamento por pino .............................................................................................................................74 Figura 60 - Acionamento por rolete ..........................................................................................................................75 Figura 61 - Acionamento por rolete escamoteável .............................................................................................75 Figura 62 - Posicionamento dos acionamentos mecânicos. a) por pino; b) por rolete; c) por rolete escamoteável ......................................................................................................................................................................75 Figura 63 - Acionamentos pneumáticos: piloto negativo .................................................................................76 Figura 64 - Acionamentos pneumáticos: piloto positivo ...................................................................................76 Figura 65 - Acionamento combinado por eletroímã e válvula de pré-comando interno .....................77 Figura 66 - Acionamento combinado por eletroímã e válvula de pré-comando externo ....................77 Figura 67 - Acionamento combinado por solenoide e piloto ou botão ......................................................77 Figura 68 - Válvula direcional 2/2 vias NF com acionamento por rolete e retorno por mola ...............81 Figura 69 - Princípio de funcionamento de um vácuo .......................................................................................83 Figura 70 - Princípio do efeito de Venturi e ventosas..........................................................................................84 Figura 71 - Simbologias das ventosas de acordo com a sua aplicação ........................................................85 Figura 72 - Exemplo para aplicação da representação dos movimentos ....................................................87 Figura 73 - Diagrama trajeto-passo ...........................................................................................................................89 Figura 74 - Exemplo de diagrama trajeto-passo ...................................................................................................89 Figura 75 - Diagrama trajeto-tempo .........................................................................................................................89 Figura 76 - Diagrama de comando ............................................................................................................................90 Figura 77 - Divisão de um circuito pneumático, utilizando uma representação numérica e por letras ...92 Figura 78 - Exemplo para utilizar o método intuitivo: transporte de produtos ........................................92 Figura 79 - Sequência de funcionamento pelo método intuitivo ..................................................................94 Figura 80 - Acionamento indireto para avanço e retorno dos cilindros A e B............................................94 Figura 81 - Circuito pneumático com a representação em forma de letras e numérica ........................94 Figura 82 - Circuito 1 .......................................................................................................................................................95 Figura 83 - Circuito 2 .......................................................................................................................................................95 Figura 84 - Circuito 3 .......................................................................................................................................................96 Figura 85 - Circuito 4 .......................................................................................................................................................96 Figura 86 - Circuito 5 .......................................................................................................................................................97 Figura 87 - Circuito 6 .......................................................................................................................................................98 Figura 88 - Circuito 7 .......................................................................................................................................................98 Figura 89 - Circuito 8 .......................................................................................................................................................99 Figura 90 - Roda d’água .............................................................................................................................................. 101 Figura 91 - Princípio de uma prensa hidráulica ..................................................................................................103 Figura 92 - Aplicação da lei de Stevin .................................................................................................................... 104 Figura 93 - Força exercida sobre um objeto com sólido e sobre objeto com líquido .......................... 105 Figura 94 - Exemplo de um intensificador de pressão .................................................................................... 106 Figura 95 - Reservatórios de água ........................................................................................................................... 106 Figura 96 - Reservatório de água com três furos ............................................................................................... 106 Figura 97 - Aplicação do princípio de Bernouli .................................................................................................. 107 Figura 98 - Exemplo de fluxo laminar e turbulento .......................................................................................... 108 Figura 99 - a) Reservatório; b) Filtros ...................................................................................................................... 111 Figura 100 - Esquema de um reservatório ........................................................................................................... 112 Figura 101 - Tipos de reservatórios ......................................................................................................................... 113 Figura 102 - Resfriadores ............................................................................................................................................ 113 Figura 103 - Válvula direcional de centro aberto ............................................................................................... 115 Figura 104 - Válvula direcional de centro fechado ............................................................................................ 116 Figura 105 - Válvula direcional de centro em tandem ..................................................................................... 116 Figura 106 - Válvula direcional de centro aberto negativo ............................................................................ 117 Figura 107 - a) Válvula de desaceleração; b) Simbologia ................................................................................ 118 Figura 108 - a) Válvula reguladora de pressão; b) Um circuito utilizando uma válvula regu- ladora de pressão ......................................................................................................................................................... 118 Figura 109 - a) Válvula controladora de vazão com pressão compensada; b) Simbologia ............... 119 Figura 110 - Tipos de válvulas redutoras de pressão ........................................................................................ 119 Figura 111 - Acumulador ............................................................................................................................................ 120 Figura 112 - a) Atuador telescópico; b) Simbologia ......................................................................................... 122 Figura 113 - Circuito de descarga ............................................................................................................................ 123 Figura 114 - Circuito regenerativo .......................................................................................................................... 124 Figura 115 - Válvula limitadora de pressão de descarga diferencial ........................................................... 125 Figura 116 - Circuito de descarga de um acumulador .................................................................................... 126 Figura 117 - Circuito com aproximação rápida e avanço controlado ........................................................ 127 Figura 118 - Descarga automática da bomba..................................................................................................... 128 Figura 119 - Sistema alta-baixa ................................................................................................................................ 129 Figura 120 - Circuito de controle de entrada do fluxo ..................................................................................... 130 Figura 121 - Circuito de controle de saída de fluxo .......................................................................................... 131 Figura 122 - Controle de vazão por desvio do fluxo ......................................................................................... 132 Figura 123 - Válvula de contrabalanço .................................................................................................................. 133 Figura 124 - Circuito com redução de pressão ................................................................................................... 134 Figura 125 - Válvula de contrabalanço diferencial ............................................................................................ 135 Figura 126 - Válvula de retenção pilotada ............................................................................................................ 136 Figura 127 - Gráfico para estabelecer o diâmetro interno de uma mangueira ...................................... 158 Figura 128 - a) Funcionamento de uma botoeira; b) Botão pulsador; c) Botão giratório com trava; d) Botão cogumelo com trava. As imagens estão acompanhadas de suas simbologias ..................... 168 Figura 129 - a) Chave fim de curso tipo rolete; b) Chave fim de curso do tipo rolete escamoteável (gatilho) .............................................................................................................................................................................. 168 Figura 130 - a) Sensor capacitivo; b) Sensor indutivo; c) Sensor óptico. As imagens estão acompan- hadas de suas simbologias ......................................................................................................................................... 169 Figura 131 - Sensor magnético acoplado a um atuador com êmbolo magnético ............................... 169 Figura 132 - Pressostato com a sua simbologia ................................................................................................. 170 Figura 133 - a) Temporizador TON; b) Temporizador TOF. As imagens estão acompanhadas de suas simbologias ...................................................................................................................................................................... 171 Figura 134 - Contador com a sua simbologia ..................................................................................................... 171 Figura 135 - Válvula direcional 3/2 vias NF. a) Acionamento por solenoide; b) Retorno por mola com a sua simbologia ............................................................................................................................................................. 171 Figura 136 - Funcionamento de um solenoide com a sua simbologia ...................................................... 172 Figura 137 - Resolução do circuito 1 ...................................................................................................................... 172 Figura 138 - Resolução do circuito 2 ...................................................................................................................... 173 Figura 139 - Resolução do circuito 3 ...................................................................................................................... 174 Figura 140 - a) Circuito A; b) Circuito B; c) Circuito C; d) Circuito D ............................................................. 174 Figura 141 - a) Circuito A; b) Circuito B .................................................................................................................. 176 Figura142 - a) Circuito A; b) Circuito B .................................................................................................................. 177 Figura 143 - a) Circuito A; b) Circuito B .................................................................................................................. 179 Figura 144 - Diagrama trajeto-passo do circuito proposto ............................................................................ 180 Figura 145 - Sequência de funcionamento pelo método intuitivo ............................................................ 181 Figura 146 - Resolução do circuito 8 ...................................................................................................................... 181 Figura 147 - Diagrama trajeto-passo do circuito proposto ............................................................................ 182 Figura 148 - Sequência de funcionamento pelo método intuitivo ............................................................ 182 Figura 149 - Circuito 9 ................................................................................................................................................. 183 Figura 150 - Circuito de dois setores ...................................................................................................................... 184 Figura 151 - Circuito de três setores ....................................................................................................................... 185 Figura 152 - Circuito de quatro setores ................................................................................................................. 185 Figura 153 - Circuito de cinco setores.................................................................................................................... 186 Figura 154 - Circuito pelo método intuitivo ........................................................................................................ 187 Figura 155 - Circuito com a divisão em setores .................................................................................................. 187 Figura 156 - Fazendo a “transição” de um setor para outro ........................................................................... 187 Figura 157 - Fazendo a ativação ou desativação do contator K1 ................................................................ 188 Figura 158 - Fazendo a transição de um setor para outro .............................................................................. 188 Figura 159 - Esquema do circuito ............................................................................................................................ 189 Figura 160 - Sistema de controle utilizando um CLP ....................................................................................... 196 Figura 161 - Dispositivos de entrada e saída que podem ser conectados ao CLP ................................ 196 Figura 162 - Estrutura interna de um CLP ............................................................................................................ 199 Figura 163 - a) Entrada CC; b) Entrada CA ............................................................................................................ 201 Figura 164 - Saídas digitais: a) Relé; b) Transistor; c) Triac .............................................................................. 202 Figura 165 - Saída analógica ..................................................................................................................................... 203 Figura 166 - CLP compacto........................................................................................................................................ 208 Figura 167 - Arquitetura de um CLP modular ..................................................................................................... 208 Figura 168 - CLP modular ........................................................................................................................................... 208 Figura 169 - Diagrama em blocos do princípio de funcionamento de um CLP ..................................... 209 Figura 170 - Representação dos contatos: a) NA; b) NF .................................................................................. 216 Figura 171 - Estrutura de um diagrama Ladder ................................................................................................. 218 Figura 172 - Possíveis combinações das entradas para habilitar uma saída ........................................... 218 Figura 173 - Repetibilidade de entradas e saídas .............................................................................................. 219 Figura 174 - Representação de um circuito com relés eletromecânicos .................................................. 220 Figura 175 - a) Lógica Ladder simplificada; b) Lógica Ladder do circuito elétrico da figura 174 ..... 220 Figura 176 - Ligação das entradas e saídas do CLP........................................................................................... 221 Figura 177 - Leitura de um programa de CLP ..................................................................................................... 222 Figura 178 - Entradas dependente da energização dessa entrada ............................................................. 223 Figura 179 - Contato selo de um circuito em um diagrama Ladder ........................................................... 224 Figura 180 - Instruções SET e RESET ....................................................................................................................... 224 Figura 181 - Representação da porta lógica AND com o diagrama Ladder ............................................ 226 Figura 182 - Representação da porta lógica OR com o diagrama Ladder ................................................ 226 Figura 183 - Representação da porta lógica NOT com o diagrama Ladder ............................................. 226 Figura 184 - Representação da porta lógica XOR com o diagrama Ladder ............................................. 227 Figura 185 - Simplificação da tabela verdade pelo mapa de Karnaugh ................................................... 228 Tabela 1: Técnico em Automação Industrial ............................................................................................................18 Tabela 2: Conversão de pressão e vazão volumétrica ..........................................................................................30 Tabela 3: Consumo de potência de acordo com furos em tubulações de pneumática .........................56 Tabela 4: Comparação entre as normas ....................................................................................................................68 Tabela 5: Tamanho relativo das partículas ............................................................................................................. 111 Tabela 6: Comprimento de tubo equivalente à perda de carga por singularidades em metros ....... 140 Tabela 7: Comprimento de tubo equivalente à perda de carga por singularidades em metros ....... 141 Tabela 8: Tubo de aço para condução de fluidos e outros fins ...................................................................... 142 Tabela 9: Catálogo de cilindros FESTO .................................................................................................................... 147 Tabela 10: Catálogo de cilindros PARKER – forças (N) ....................................................................................... 148 Tabela 11: Tabela de velocidades.............................................................................................................................. 156 Quadro 1 - Propriedades físicas do ar comprimido ..............................................................................................26 Quadro 2 - Tipos de compressores ..............................................................................................................................36Quadro 3 - Tipo de Compressores ...............................................................................................................................41 Quadro 4 - Critérios para escolha de compressores .............................................................................................42 Quadro 5 - Consequências da presença de água condensada nas linhas de ar .........................................46 Quadro 6 - Secagem por refrigeração........................................................................................................................51 Quadro 7 - Secagem por absorção .............................................................................................................................51 Quadro 8 - Secagem por adsorção .............................................................................................................................52 Quadro 9 - Principais funções dos componentes da unidade de conservação ..........................................58 Quadro 10 - Identificação dos orifícios da válvula direcional ............................................................................67 Quadro 11 - Representação simbólica dos componentes .................................................................................82 Quadro 12 - Anotação em forma de quadro ...........................................................................................................88 Quadro 13 - Principais unidades utilizadas na hidráulica ................................................................................ 109 Quadro 14 - Composição de um sistema hidráulico ......................................................................................... 110 Quadro 15 - Composição de um sistema hidráulico ......................................................................................... 111 Quadro 16 - Comparação entre os tipos filtrantes hidráulicos ...................................................................... 112 Quadro 17 - Quadro comparativo entre os centros das válvulas direcionais ........................................... 117 Quadro 18 - Elementos construtivos das mangueiras ...................................................................................... 121 Quadro 19 - Dicas para instalação de mangueiras ............................................................................................. 122 Quadro 20 - Dicas para instalação de mangueiras ............................................................................................. 123 Quadro 21 - Fator de correção ................................................................................................................................... 146 Quadro 22 - Aplicações de cargas de Euler ........................................................................................................... 147 Quadro 23 - Comparação entre os sistemas elétrico, pneumático e hidráulico ..................................... 162 Quadro 24 - Comparação entre os sistemas pneumáticos, eletro-mecanico e eletrônicos ................ 163 Quadro 25 - Vantagens da utilização do sistema pneumático ...................................................................... 163 Quadro 26 - Vantagens da utilização do sistema hidráulico ........................................................................... 164 Quadro 27 - Mapeamento de posições de memória de um CLP .................................................................. 215 Quadro 28 - Símbolos Ladder para contatos NA e NF para diferentes tipos de fabricantes ............... 217 Quadro 29 - Símbolos Ladder para saídas de diferentes tipos de fabricantes ......................................... 217 Quadro 30 - Representação das entradas e saídas de acordo com a função mostrada na figura 174 .... 220 Quadro 31 - Letras para utilização nas entradas e saídas ................................................................................ 221 Quadro 32 - Funcionamento do SET e RESET ....................................................................................................... 225 Quadro 33 - Representação de portas lógicas ..................................................................................................... 225 Figura 186 - Representação do circuito simplificado (pelo mapa de Karnaugh) com o diagrama em Ladder ........................................................................................................................................................................ 228 Tabela 12: Tabela de valores ....................................................................................................................................... 157 Tabela 13: Tabela verdade da lógica AND .............................................................................................................. 225 Tabela 14: Tabela verdade da lógica OR ................................................................................................................. 226 Tabela 15: Tabela verdade da lógica NOT .............................................................................................................. 226 Tabela 16: Tabela verdade da lógica XOR .............................................................................................................. 227 Tabela 17: Tabela verdade ........................................................................................................................................... 227 1 Introdução ......................................................................................................................................................................17 2 Características da pneumática e do ar comprimido ........................................................................................21 2.1 Pneumática: características do ar comprimido ................................................................................22 2.2 Propriedades físicas do ar comprimido ..............................................................................................25 2.2.1 As leis utilizadas na pneumática ..........................................................................................26 3 Produção, preparação e distribuição do ar comprimido ...............................................................................35 3.1 Produção do ar comprimido ...................................................................................................................35 3.1.1 Compressores .............................................................................................................................36 3.1.2 Sistema de refrigeração ..........................................................................................................43 3.2 Preparação do ar comprimido ...............................................................................................................44 3.2.1 Umidade .......................................................................................................................................45 3.2.2 Resfriador posterior..................................................................................................................46 3.2.3 Reservatório de ar comprimido ...........................................................................................47 3.2.4 Filtros de ar comprimido ........................................................................................................48 3.2.5 Secadores de ar..........................................................................................................................49 3.2.6 Esquema completo de produção, armazenamento e limpeza do ar comprimido .....53 3.3 Distribuição do ar comprimido ..............................................................................................................54 3.3.1 Rede de distribuição ................................................................................................................543.3.2 Materiais utilizados nas redes de pressão ........................................................................56 4 Elementos pneumáticos ............................................................................................................................................61 4.1 Elementos pneumáticos de trabalho ..................................................................................................61 4.1.1 Atuadores pneumáticos .........................................................................................................62 4.2 Elementos de comando ............................................................................................................................64 4.2.1 Válvulas direcionais ..................................................................................................................64 4.3 Elementos de processamento de sinais..............................................................................................68 4.3.1 Temporizadores .........................................................................................................................71 4.3.2 Contadores ..................................................................................................................................72 4.4 Elementos de sinais ...................................................................................................................................72 4.4.1 Comandos diretos e indiretos ..............................................................................................73 4.4.2 Acionadores ................................................................................................................................73 5 Simbologias da pneumática e tecnologia do vácuo .......................................................................................81 5.1 Representação simbólica de acordo com o tipo de acionamento ...........................................81 5.1.1 Definição das posições (conforme VDI 3260) .................................................................81 5.1.2 Simbologia gráfica de circuitos pneumáticos conforme norma ISO 1219 (NBR 8896) ............................................................................................................................................82 5.2 Tecnologia do vácuo ..................................................................................................................................83 5.2.1 Efeito Venturi ..............................................................................................................................84 Sumário 6 Comandos pneumáticos sequenciais e circuitos práticos .............................................................................87 6.1 Formas de representação .........................................................................................................................88 6.1.1 Diagramas de movimentos ...................................................................................................89 6.1.2 Diagrama de comando ...........................................................................................................90 6.2 Representação da numeração das simbologias de um circuito pneumático ......................90 6.2.1 Elementos de produção, tratamento e distribuição ....................................................91 6.3 Método intuitivo de construção de circuitos pneumáticos ........................................................92 6.4 Circuitos pneumáticos práticos .............................................................................................................95 7 Hidráulica: características, componentes e circuitos práticos ................................................................... 101 7.1 Hidrostática ................................................................................................................................................ 102 7.1.1 Leis aplicadas à hidráulica .................................................................................................. 102 7.1.2 Outras características da hidráulica ................................................................................ 104 7.2 Hidrodinâmica .......................................................................................................................................... 107 7.2.1 Velocidade x vazão ................................................................................................................ 107 7.3 Composição de um sistema hidráulico ............................................................................................ 110 7.3.1 Filtros .......................................................................................................................................... 111 7.3.2 Reservatórios hidráulicos .................................................................................................... 112 7.3.3 Resfriadores (trocadores de calor) ................................................................................... 113 7.3.4 Bombas hidráulicas ............................................................................................................... 113 7.3.5 Válvulas direcionais ............................................................................................................... 115 7.3.6 Válvula de desaceleração .................................................................................................... 118 7.3.7 Acumuladores ......................................................................................................................... 120 7.3.8 Mangueiras ............................................................................................................................... 120 7.3.9 Atuadores hidráulicos .......................................................................................................... 122 7.4 Circuitos hidráulicos práticos............................................................................................................... 123 8 Dimensionamento de sistemas pneumáticos e hidráulicos ...................................................................... 139 8.1 Dimensionamento de sistemas pneumáticos ............................................................................... 139 8.2 Dimensionamento de sistemas hidráulicos ................................................................................... 152 9 Comparação entre os sistemas elétricos, pneumáticos e hidráulicos .................................................... 161 10 Eletropneumática e eletro-hidráulica .............................................................................................................. 167 10.1 Principais componentes dos sistemas eletropneumáticos e eletro-hidráulicos ........... 167 10.1.1 Equipamento de saída de sinal ...................................................................................... 171 10.2 Circuitos eletropneumáticos práticos ............................................................................................ 172 10.3 Método cascata elétrica ...................................................................................................................... 183 10.3.1 Etapas da cascata elétrica ................................................................................................. 184 11 História dos sistemas de controle, conceito e utilização do CLP ........................................................... 193 11.1 A era dos controladores de lógica programável ........................................................................ 195 11.2 Utilização de um CLP ........................................................................................................................... 196 11.3 Estrutura interna do CLP ..................................................................................................................... 199 12 Capacidade e tiposde CLP .................................................................................................................................. 207 12.1 Classificação dos CLPS ........................................................................................................................ 207 12.2 Modos de operação de um CLP ....................................................................................................... 208 12.2.1 Princípio de funcionamento: diagrama em blocos ................................................. 209 12.2.2 Modos para verificar se o programa está certo e limpar o CLP .......................... 210 12.3 Comparação do CLP com outros sistemas de controle ........................................................... 210 13 Linguagens de programação ............................................................................................................................. 213 13.1 Norma IEC 61131-3 ............................................................................................................................... 213 13.2 Lógica de contatos ................................................................................................................................ 216 13.2.1 Símbolos básicos ................................................................................................................. 216 13.3 Diagrama de contatos em Ladder ................................................................................................... 217 13.3.1 Ligação de um CLP .............................................................................................................. 221 13.3.2 Representação de portas lógicas com o diagrama Ladder .................................. 225 13.3.3 Utilização do mapa de Karnaugh para a simplificação de circuitos em Ladder ...... 227 Referências ........................................................................................................................................................................ 231 Anexos ................................................................................................................................................................................ 236 Minicurrículo do Autor ................................................................................................................................................. 254 Índice .................................................................................................................................................................................. 255 Esta unidade curricular “Acionamento de Dispositivos Atuadores” tem o objetivo de familiarizar o aluno com as características e o funcionamento de dispositivos atuadores em sistemas de controle e automação. Considera conhecimentos relativos à Eletricidade Industrial, Pneumática, Hidráulica e Controladores Lógicos Programáveis – CLPs (DCN-DN). Estudaremos as principais características da pneumática e do ar comprimido, e os processos relacionados a sua utilização em um sistema industrial. Conheceremos a produção, a preparação e a distribuição do ar comprimido, mostrando as etapas e características de geração do ar comprimido até seu estágio final. Abordaremos os principais elementos pneumáticos, suas diferenças e aplicações para o funcionamento em um circuito pneumático. Estudaremos as principais simbologias da pneumática utilizadas em um diagrama esquemático de um circuito pneumático real, além de mostrarmos o funcionamento da tecnologia do vácuo. Conheceremos, também, os comandos sequenciais pneumáticos e os circuitos práticos que podem ser utilizados na indústria, detalhando seu funcionamento, e apresentaremos as principais características da hidráulica, da hidrostática e da hidrodinâmica, mostrando os principais componentes e alguns circuitos práticos hidráulicos que podem ser utilizados na indústria. Estudaremos os conceitos e cálculos necessários para o dimensionamento dos componentes hidráulicos e pneumáticos, e faremos a comparação dos sistemas elétricos, pneumáticos e hidráulicos, suas semelhanças e diferenças e suas aplicações na indústria. Estudaremos, ainda, a eletropneumática e a eletro-hidráulica, mostrando suas principais vantagens com relação à pneumática e à hidráulica, bem como a simplificação dos circuitos, o método cascata elétrica e os principais circuitos que podem ser feitos com a elétrica. Em relação aos CLPs, conheceremos o histórico dos sistemas de controle, o conceito e a utilização do CLP, mostrando as gerações dos CLPs, conceitos e suas principais utilizações. Estudaremos os tipos de CLPs que existem, os seus modos de operação, a comparação do CLP com outros sistemas de controle, além do princípio de funcionamento do CLP. Aprenderemos as linguagens de programação utilizadas na indústria abordando as características de cada uma e especificando a lógica Ladder. Finalizando, entenderemos a transformação de uma cascata elétrica em um programa de CLP, mostrando as etapas dessa transformação. A seguir são descritos na matriz curricular os módulos e as unidades curriculares previstos e sua respectiva carga horária. Introdução 1 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL18 Tabela 1: Técnico em Automação Industrial Módulos denoMInAção unIdAdes CurrICulAres CArgA HorárIA CArgA HorárIA Módulo Módulo Básico Fundamentos técnicos e científicos • Fundamentos da Comunicação • Fundamentos da Eletrotécnica • Fundamentos da Mecânica 100 h 140 h 100 h 340 h Módulo Introdutório Fundamentos técnicos e científicos • Acionamento de Dispositivos Atuadores 160 h 180 h 340 h • Processamento de Sinais Específico I Manutenção e Implemen- tação de equipamentos e dispositivos • Gestão da Manutenção • Implementação de Equipamentos Dispositivos • Instrumentação e Controle • Manutenção de Equipamentos e Dispositivos 34 h 136 h 102 h 68 h 340 h Específico II Desenvolvimento de sistemas de controle e Automação • Desenvolvimento de Sistemas de Controle • Sistemas Lógicos Programáveis • Técnicas de Controle 100 h 160 h 80 h 340 h Fonte: SENAI 2 Características da pneumática e do ar comprimido O interesse pela Pneumática acompanha a humanidade há muito tempo. Desde a antiga Grécia, os princípios hidráulicos e pneumáticos têm sido utilizados em benefício da sociedade. O termo pneumática, que é de origem grega (pneumos ou pneuma), significa respiração, sopro. A Física sempre se interessou por estudar os fenômenos dinâmicos relacionados aos gases e aos vácuos. Atualmente, uma forma de utilizar a energia do ar para gerar energia mecânica pode ser vista nos elevadores de plataformas de cadeiras de rodas de alguns ônibus urbanos (Figura 1). Figura 1 - Elevação de plataforma por ar comprimido Fonte: Autor Ar atmosférico e ar comprimido A constante evolução tecnológica impulsiona o desenvolvimento de técnicas de trabalho que possibilitam o aprimoramento dos processos e dos equipamentos. Para isso, é fundamental o conhecimento acerca dos meios de transmissão de energia. Podemos transmitir energia de um meio para outro de forma pneumática, hidráulica, mecânica, elétrica e eletrônica. Em nosso estudo sobre as características dos sistemas pneumáticos, vamos descobrir como eles são criados, como são armazenadas e transmitidas as energias do ar, para que servem essas energias e como você pode utilizá-las. AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL22 Você deve saber que o ar atmosférico é constituído por uma mistura de diversos gases, por impurezas decorrentes de poluição (poeira, partículas de carbono provenientes de combustões incompletas, dióxido de enxofre e outros) e por vapor d’água. Enquanto o ar é um elemento abundante na natureza e, de certa forma, gratuito, o ar atmosférico comprimido é a energia dos equipamentos pneumáticos. Na indústria Embora os conceitos básicos da Pneumática e sua aplicação sejam bastante conhecidos pela humanidade, foi preciso aguardar até o século XIXpara o estudo contínuo de seu comportamento e de suas características. A introdução da pneumática na indústria só ocorreu em 1950. Antes dessa data, já havia alguns campos de aplicação e de aproveitamento da pneumática, como, por exemplo, a indústria de mineração, da construção civil e a indústria ferroviária (freios a ar comprimido). A introdução da pneumática na indústria começou com a necessidade de automatização e de racionalização dos processos de trabalho. Apesar de sua rejeição inicial, normalmente devido à falta de conhecimento e de instrução, a pneumática foi aceita, e a variedade de campos de aplicação aumentou cada vez mais com o passar do tempo. Como essa área de conhecimento é bastante ampla, vamos iniciar nosso estudo com algumas informações básicas. Começaremos com as características do ar comprimido. 2.1 PneumátICa: CaraCteríStICaS do ar ComPrImIdo Para que possamos obter ar comprimido, é necessária a combinação de força e de pressão. Mas, o que é ar comprimido? Como o nome já diz, é o ar atmosférico que encontramos normalmente na natureza sobre pressão em um objeto confinado. Comprimimos o ar em um objeto, que pode ser grande ou pequeno, para utilizar sua força de várias maneiras. Uma corneta, um frasco de desodorante spray, a porta do ônibus, um amortecedor de carro, todos esses objetos e equipamentos usam a força do ar que está confinado em reservatórios confinados. Também quando sopramos uma vuvuzela (Figura 2) utilizando a força do ar que sai de nossos pulmões, com pressão para gerar aquele som que reverbera nos estádios, estamos utilizando os princípios da Pneumática. De forma muito mais fácil, usamos a corneta de ar comprimido que já vem pronta, pois o ar atmosférico está comprimido no frasco e, quando apertamos o botão, sai com muita força e pressão – muito maior do que podemos produzir com os nossos pulmões. 2 CaraCterístiCas da pneumátiCa e do ar Comprimido 23 Figura 2 - Usos do ar ambiente e ar comprimido Fonte: Autor Então, como vimos, para transformar o ar comum em ar comprimido, precisamos combinar força e pressão. Vamos relembrar os conceitos relacionados a essas duas grandezas? • Força – É qualquer influência capaz de produzir uma alteração no movimento de um corpo. Quando alguém empurra um carro, por exemplo, uma força é gerada para que ocorra o deslocamento do veículo. Quanto mais pessoas ajudarem a empurrar o carro, maior será a força aplicada e, consequentemente, o deslocamento do veículo será maior em determinado período de tempo. No ramo industrial podem existir empurradores para expulsar um material de cima de uma esteira. Eles devem ter uma força maior do que a força que deixa o material em cima da esteira. • Pressão – É a força exercida por unidade de superfície. Quando enchemos um pneu de bicicleta temos um exemplo prático da pressão. Quanto mais enchemos um pneu, mais “duro” ele fica, aumentando, assim, sua pressão interna (Figura 3). Como o pneu tem um volume máximo de capacidade, quanto mais ar inserimos maior é a quantidade de ar em seu interior. Para podermos encher o pneu, a força do ar que entra deverá ser maior do que a força do ar que sai dele. Assim podemos enchê-lo. Figura 3 - Exemplo prático de pressão Fonte: Autor AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL24 Na indústria Em um ambiente ou local confinado em que a área é fixa, quanto maior for a pressão que exercermos maior será a força resultante. Veja o exemplo de um empurrador que funciona na indústria: quanto maior for a pressão do expulsador, maior será sua força. Ou seja, um material mais pesado pode ser expulso com o aumento da pressão, desde que o expulsador aceite aquela pressão exercida nele. Quando estudamos pressão, devemos levar em conta a pressão absoluta, que é a soma das pressões atmosférica e relativa. A pressão relativa, também conhecida como sobrepressão, pressão manométrica ou pressão instrumental, é a pressão medida no manômetro, conforme demonstra a Figura 4. 50 0 100 150 psi 350 400 300 250 200 Figura 4 - Manômetro Fonte: Autor A pressão atinge tudo o que está sobre a Terra. Sobre a superfície do planeta há uma camada de ar que exerce uma determinada pressão, mas que não é constante. Essa pressão muda de acordo com a situação geográfica e as condições atmosféricas. O zero de pressão absoluta é o ponto em que não existe pressão alguma sobre ele, conhecido como vácuo. A atmosfera exerce sobre nós uma força equivalente ao seu peso, mas não a sentimos, pois ela atua em todos os sentidos e direções com a mesma intensidade. A pressão atmosférica pode ser medida de diversas maneiras, mas todos os seus valores são equivalentes. Podemos medir a pressão atmosférica das seguintes formas: método da coluna de mercúrio, bar, Pascal ou quilograma-força (Figura 5). Figura 5 - Experimento da coluna de mercúrio Fonte: Autor O valor da pressão atmosférica ao nível do mar a uma temperatura de 20°C e a uma umidade relativa de 36% é de: 2 CaraCterístiCas da pneumátiCa e do ar Comprimido 25 • 1atm (atmosfera) = 760mm (torricelli, coluna de mercúrio); • 1atm (atmosfera) = 1 bar; • 1atm (atmosfera) = 14,5lbf/pol² (libras por polegadas); • 1atm (atmosfera) = 100.000 (105Pa) – Pascal (do físico Blaise Pascal); • 1atm (atmosfera) = 1kgf/cm² (quilogramas por centímetros). Agora, vamos ver como a indústria utiliza a pressão relativa, que é a pressão dos sistemas pneumáticos. Assim, entenderemos como a força do ar é utilizada nos processos da indústria. FIQUE ALERTA A pressão de trabalho na pneumática é perigosa e necessita de equipamentos de proteção para o seu correto manuseio. 2.2 ProPrIedadeS fíSICaS do ar ComPrImIdo Por causa de algumas propriedades físicas muito interessantes do ar comprimido, ele é utilizado na indústria em processos que precisam ser automatizados; isto é, algumas máquinas precisam trabalhar de forma automática exercendo uma força muito grande para empurrar outros objetos, gerar produtos, enfim, várias aplicações que vamos ver agora. Como o ar é de graça, a utilização da pneumática é uma atividade barata, limpa e rentável. Veremos, a seguir, as propriedades do ar comprimido para que tudo isso seja possível. O Quadro 1 mostra as principais propriedades, com exemplos. CoMPressIbIlIdAde Reduz o volume da estrutura do ar. F elAsTICIdAde Possibilita que o ar volte a seu volume inicial após aplicar uma força de compressão F dIFusIbIlIdAde Permite a mistura homogênea com qualquer meio gasoso que não seja saturado. Peso do Ar Se colocarmos dois recipientes em uma balança, um vazio e o outro com ar, notamos que o recipiente sem ar é mais leve do que o recipiente com ar. AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL26 Peso do Ar (CoM TeMPerATurA norMAl e AqueCIdo) Com dois recipientes, um aquecido e outro com temperatura ambiente, notaremos que o recipiente que teve elevação de temperatura ficou mais leve. exPAnsIbIlIdAde O ar se expande e se adapta a qualquer tipo de forma. Quadro 1 - Propriedades físicas do ar comprimido Fonte: PARKER, 2000 2.2.1 As leis utilizAdAs NA pNeumáticA A partir de várias experiências, os físicos verificaram que as propriedades físicas do ar comprimido apresentavam alguns padrões; isto é, sempre que se fazia determinada ação, o experimento respondia da mesma forma, por exemplo, na experiência do peso do ar. Os físicos notaram que sempre que se aquecia um recipiente, ele ficava mais leve do que o outro recipiente que não tinha sido aquecido. Assim, eles fizeram várias experiências e registraram os resultados, surgindo, assim, as leis que mostravam o comportamento de cada experiência. Essas leis são muito importantes, pois nos ajudam a saber como um equipamento vai se comportar se agirmos de determinado modo. Para trabalhar em uma máquina pneumática, você deve saber algumas dessas leis. Vamos ver a lei geral dos gases, pois esses princípios se aplicam a todas as leis. lei geral dos gases ideais Esta lei leva em consideração que o volume (V), a temperatura(T) e a pressão (P) são variáveis. Assim, para o caso de dois gases diferentes, de acordo com a lei geral dos gases (Figura 6), temos: P1.V1 P2.V2 T1 T2= Nessa fórmula temos as seguintes definições: • P1: pressão de um dos gases (em atm); • P2: pressão do outro gás (em atm); • V1: volume de um dos gases (em litros ou dm³); • V2: volume do outro gás (em litros ou dm³); • T1: temperatura de um dos gases (em kelvin); 2 CaraCterístiCas da pneumátiCa e do ar Comprimido 27 • T2: temperatura do outro gás (em kelvin). Condições iniciais de: pressão volume temperatura Transformação Condições �nais de: pressão volume temperatura (a) (b) Figura 6 - Lei geral do gases Fonte: Autor Ou seja, em relação a um gás, se multiplicarmos a pressão (P) pelo volume (V) e dividirmos por sua temperatura (T), o resultado desse cálculo terá um valor constante idêntico para qualquer outro gás ideal. Nesse tipo de transformação, é necessário saber qual o tipo de gás que está sendo utilizado, para que os cálculos possam ser feitos. Antes de continuar vendo as leis utilizadas na Pneumática, vamos conhecer algumas questões sobre transformações e temperaturas que os gases e os líquidos podem sofrer. medindo a temperatura dos gases Quando você estiver trabalhando com gases, terá de saber como podem ser medidas suas temperaturas e as transformações que eles sofrem ao serem aquecidos ou resfriados. Dependo da situação, você utilizará as medições baseadas em graus Celsius (°C) Fahrenheit (ºF) ou Kelvin (K). Vamos ver cada uma. temperatura em graus celsius (°c) A escala de temperatura de graus Celsius é dividida em 100 partes iguais. Zero grau Celsius (0°C) representa o congelamento da água, enquanto 100 graus Celsius (100°C) representa sua evaporação. temperatura em graus Fahrenheit (ºF) A escala de temperatura de graus Fahrenheit é dividida em 180 partes iguais. O congelamento da água acontece aos 32 graus Fahrenheit (32°F) e a evaporação, aos 212 graus Fahrenheit (212°F). A escala Fahrenheit foi utilizada principalmente pelos países colonizados pelos britânicos. Atualmente, seu uso se restringe a poucos países de língua inglesa, como os Estados Unidos e Belize. A escala Celsius é utilizada em países que adotam o SI, entre eles, o Brasil. VOCÊ SABIA? AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL28 CaSoS e reLatoS Nas férias de julho, um casal brasileiro resolveu viajar a Nova Iorque. Compraram as passagens de uma companhia aérea norte-americana, pois estava com uma boa promoção. Minutos antes de pousar no aeroporto da Big Apple, o piloto americano informou aos passageiros a temperatura local, que era de 30°. Ansiosos pela chegada a Nova Iorque, tiraram todos os casacos que vestiam e se prepararam para o desembarque. Pegaram as malas, passaram pela alfândega e, quando saíram do aeroporto, tomaram um tremendo susto. Estava um frio de bater os queixos! Foi aí que eles se lembraram de converter a temperatura que o piloto norte- americano tinha informado no avião. Os 30° de temperatura local a que o piloto se referiu era na escala Fahrenheit, que é o padrão para os EUA, enquanto no Brasil, o padrão é a escala Celsius. Fazendo rapidamente as contas, eles viram que 30°F equivale a 0°C! Estava explicada a confusão. temperatura em graus Kelvin (K) A escala de temperatura de graus Kelvin é dividida em 100 partes iguais. A temperatura em Kelvin também é conhecida como “zero absoluto”, pois é a mínima temperatura natural. Nessas condições, não ocorre mais a vibração de moléculas, de modo que é impossível chegar a uma temperatura inferior. A temperatura mínima em graus Kelvin corresponde a -273,15°C. Esse valor é resultado da conversão entre graus Celsius e graus Kelvin: • 0°C = 273,15K • 100°C = 373,15K Relação entre escalas de temperatura Tmax - T Tmax - Tmin Nessa fórmula, temos as seguintes definições: • Tmax significa temperatura máxima de uma das escalas; • Tmin significa temperatura mínima de uma das escalas; 2 CaraCterístiCas da pneumátiCa e do ar Comprimido 29 • T significa temperatura atual de uma das escalas. 100 - ºC 373,15 - K 100 - 0 373,15 - 273,15 = 212 - ºF 212 - 32 = Como vimos: • ºC significa temperatura em graus Celsius. • ºF significa temperatura em graus Fahrenheit. • K significa temperatura atual em Kelvin. 100 - ºC 373,15 - K 100 100 = 212 - ºF 180 = , dividindo os divisores por 20, temos: 100 - ºC 373,15 - K 5 5 = 212 - ºF 9 = comparação entre as escalas A Figura 7 mostra um comparativo entre as escalas. Notamos que a comparação entre elas é feita sempre de acordo com o congelamento e a evaporação da água. T Evaporação da água Congelamento da água 100 212 373,15 100 divisões 180 divisões 100 divisões 0 32 273,15 Celsius Fahrenheit Kelvin max minT Figura 7 - Comparativo entre as escalas de temperatura em Celsius, Fahrenheit e Kelvin Fonte: FESTO, 2012a Fases de transformação da água Como você sabe, quando aquecemos a água ela se transforma em vapor, e quando a resfriamos el se torna gelo. A esse processo damos o nome de transição de fase ou mudança de fase, que é a transformação de uma fase para outra. Uma característica bem interessante que pode ocorrer na mudança de fase é a mudança de temperatura. As principais mudanças que ocorrem são: • solidificação: transformação do estado líquido para o sólido; • fusão: transformação do estado sólido para o líquido; • condensação: transformação do vapor em água; AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL30 • evaporação/ebulição: transformação da água em vapor. A partir de várias experiências, os físicos criaram algumas medidas para facilitar o processo de análise de transformação dos líquidos e da própria água. Essas medidas são dadas por suas siglas: bar; atm (atmosfera); kgf (quilograma-força); N (newton); pé (medida de um pé); m (metro); dm (decímetro); gal (galão). Veja na Tabela 2 as unidades de medida e as equivalências relativas à conversão de pressão e vazão volumétrica. Em negrito, marcamos as equivalências que são mais utilizadas. Tabela 2: Conversão de pressão e vazão volumétrica Equivalências 1kgf/cm² 14,22lbf/pol² 0,98bar ≈ 1bar 10m.c.a (metros de coluna de água) 0,968atm ≈ 1atm 1atm 1,083kgf/cm² ≈ 1kgf/cm² 14,51psi ≈ 14,7psi 1bar 1bar 1,083kgf/cm² ≈ 1kgf/cm² 14,51psi ≈ 14,7psi 100 kPa 1N/m² 0,0001kgf/cm² 1pé³/min (ft³/min) 28,32 l/min 1m³/min 1000 l/min 35,32pés³/min 264,17ga l/min 1dm³/min 1 Galão/min (gpm) 1 l/min 3,78 l/min Fonte: PARKER, 2000 A partir da lei geral dos gases, vamos ver agora as leis aplicadas à Pneumática. Cada lei leva o nome de seus descobridores, os físicos Blaise Pascal, Boyle- Marriotte, Gay-Lussac e Charles. lei de pascal O físico Blaise Pascal (Figura 8) formulou a seguinte lei, que leva seu nome: “A pressão exercida em um líquido confinado em forma estática atua em todos os sentidos e direções, com a mesma intensidade, exercendo forças iguais em áreas iguais”. O que Pascal quer dizer com isso? Ora, como o ar é muito compressível (você se lembra da característica da compressibildiade que vimos antes?) quanto está sob a ação de pequenas forças contido em um recipiente fechado, ele exerce uma pressão igual sobre as paredes, em todos os sentidos. A experiência que Pascal fez está ilustrada na Figura 9. Ele viu que, ao pressionar a tampa da garrafa, a pressão era distribuída em todo o recipiente e em todas as direções. 2 CaraCterístiCas da pneumátiCa e do ar Comprimido 31 Figura 8 - Blaise Pascal Fonte: FILOSOFIA, 2011 P F A P A P A P Figura 9 - Experimento de Pascal Fonte: Autor lei de Boyle-mariotte Pela lei de Boyle-Mariotte (Figura 10) podemos saber como ocorre a transformação isotérmica, isto é, a transformação que ocorre sobre uma mesma temperatura (“iso”, em grego, significa igual). Como já vimos nas propriedades físicas do ar comprimido, o ar tem uma propriedade específica para se tornar comprimido. O ar pode ser pressionado, variando seu volume conforme a força exercida em um recipiente. Assim,de acordo com a lei de Boyle-Mariotte, “em um sistema isotérmico, quanto menor o volume de um recipiente, maior é a pressão aplicada” (Figura 11). Figura 10 - Boyle-Mariotte Fonte: Banco de imagens do google Figura 11 - Experimento de Boyle-Mariotte Fonte: Autor Quanto maior a pressão sobre o ar, maior a variação de seu volume. Nesse tipo de ação, notamos que a variação do volume e de pressão ocorre com uma temperatura constante. Sabemos que, no sistema isotérmico (mesma temperatura), a temperatura do gás 1 é igual à temperatura do gás 2; ou seja: T1 = T2. Assim, utilizando a fórmula geral dos gases, temos: P1 . V1 = P2 . V2 lei de Gay-lussac Pela lei Gay-Lussac (Figura 12) podemos saber como ocorre a transformação isobárica, isto é, a transformação que ocorre sobre uma mesma pressão. Segundo a Lei de Gay-Lussac, “em uma transformação isobárica, quanto maior a temperatura, maior será o volume utilizado” (Figura 13). AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL32 Figura 12 - Gay-Lussac Fonte: Banco de imagem do google (1,00 atm) (1,37 atm) Gelo Água Fervento Figura 13 - Experimento de Gay-Lussac Fonte: Autor No sistema isobárico, a pressão do gás 1 é igual à pressão do gás 2, P1 = P2. Assim, utilizando a lei geral dos gases, temos: P1 = P2 T1 > T2 V1 > V2 V2V1 T1 T2= , ou . lei de charles Pela lei de Charles (Figura 14) podemos saber como ocorre a transformação isocórica, ou isométrica, isto é, a transformação que ocorre sobre um mesmo volume. Segundo a lei de Charles, “quanto maior a pressão de um gás aplicada em um recipiente com um volume constante, maior será a temperatura desse gás” (Figura 15). Figura 14 - Charles Fonte: Banco de imagem do google Gás Líquido Figura 15 - Experimento de Charles Fonte: Autor No sistema isocórico (ou isométrico), o volume do gás 1 é igual ao volume do gás 2, V1 = V2. Utilizando a lei geral dos gases, temos: V1 = V2 P1 > P2 T1 > T2 P2P1 T1 T2= , ou . reCaPItuLando Estudamos neste capítulo as características dos sistemas pneumáticos que são usados, principalmente, como elementos de transmissão e força. Vimos as características do ar comprimido, além das características do próprio ar, que são atribuídas também ao ar comprimido. Conhecemos as formas de transformação de temperatura, pressão e volume que podem interferir na eficiência do ar comprimido, além das fases de transformação da água, que interferem também no rendimento do ar comprimido. 2 CaraCterístiCas da pneumátiCa e do ar Comprimido 33 Anotações: 3 Produção, preparação e distribuição do ar comprimido Agora que vimos as características e propriedades do ar comprimido, vamos estudar como ele é produzido, preparado e distribuído. Antes de tudo, você deve saber que, na pneumática, os gases sempre permanecem em seu estado, nas temperaturas e pressões normais. Isso quer dizer que, para produzir, preparar e distribuir o ar comprimido, ele sempre estará em seu estado normal, isto é, sem variações. Vamos ver como é a instalação de uma rede de ar comprimido. Na Figura 16 você acompanha todo o caminho que o ar natural percorre até se transformar em ar comprimido. 1 5 7 8 2 3 4 6 9 10 11 12 1. Compressor 2. Resfriador posterior ar/ar 3. Separador de condensados 4. Reservatório 5. Purgador automático 6. Pré - �ltro coalescente 7. Secador 8. Purgador automático eletrônico 9. Pré - �ltro coalescente grau x 10. Pré - �ltro coalescente grau y 11. Pré - �ltro coalescente z 12. Separador de água e óleo Figura 16 - Produção, preparação e distribuição do ar comprimido Fonte: FESTO, 2012a 3.1 Produção do ar ComPrImIdo A partir da Figura 16, apresentaremos cada elemento que compõe essa rede, que é formada por 12 elementos. AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL36 3.1.1 compressores Há vários tipos de compressores. Cada compressor deve ser escolhido de acordo com as características do ambiente em que será utilizado. O compressor tem como principais funções: • transformar o ar em ar comprimido; • filtrar o ar; • armazenar o ar. A Figura 17 mostra um exemplo de compressor com a sua simbologia. A compressão é feita pelo compressor, e o ar é armazenado no reservatório e sua simbologia ao lado direito. Figura 17 - Compressor tipo pistão (amarelo), com reservatório de 25L (preto). Fonte: Autor tipos de compressores No Quadro 2, temos os tipos de compressores. TIPo desCrIção Compressores volumétricos ou de deslocamento positivo Trabalham com a ajuda de uma rotação em conjunto com o movimento alternado do pistão. Nesses compressores se consegue a elevação da pressão por meio da redução do volume ocupado pelo ar. O funcionamento é o seguinte: inicialmente, entra uma certa quantidade de ar no interior de uma câmara de compressão, na qual ocorre uma força para diminuir o volume dessa câmara, aumentando consequente- mente a pressão do ar. Após essa fase, a câmara é liberada, de modo que o ar é liberado com uma pressão muito maior. Compressores dinâmicos ou turbocompressores Possuem duas partes principais: impelidor e difusor. O impelidor é uma parte rotativa munida de pás que transferem ao gás a energia recebida pelo acionador. Após essa fase, o escoamento feito pelo impelidor é recebido pelo difusor, que tem como principal função transformar a energia do gás em entalpia (transformação de energia), tendo assim um ganho de pressão. Quadro 2 - Tipos de compressores Fonte: PARKER, 2001 Os compressores volumétricos (ou de descolamento positivo) e dinâmicos (ou turbocompressores) possuem subdivisões. A Figura 18 mostra essa subdivisão. 3 Produção, PreParação e distribuição do ar comPrimido 37 Pistão Diafragma Palhetas Radiais Parafuso Lóbulos Anel Líquido Axiais Compressores Alternativos Rotativos Volumétricos Dinâmicos Figura 18 - Divisão dos compressores conforme a sua funcionalidade Fonte: PARKER, 2001 A seguir, veremos as características principais de cada tipo de compressor, iniciando pelo compressores volumétricos alternativos e os compressores volumétricos rotativos; posteriormente, teremos os compressores dinâmicos radiais e os compressores dinâmicos axiais. características dos compressores volumétricos alternativos Compressor de pistão O compressor de pistão, apresentado na Figura 19, leva o ar através do movimento do pistão (para cima e para baixo), comprimindo e descarregando o ar. Esses processos são controlados por válvulas de entrada e de descarga. Diferentes pressões são geradas por vários estágios de compressão em série e pelo uso de vários cilindros, e assim podem produzir diferentes volumes de ar. Os compressores de pistão podem ser construídos em vários modelos e com diferentes posicionamentos dos cilindros, como: vertical, horizontal, em V, em W ou horizontalmente oposto. Figura 19 - Compressor por pistão Fonte: FESTO, 2012a Compressor de diafragma O compressor de diafragma (Figura 20) usa eixos de ligação e diafragmas elásticos para compressão. Ao contrário do compressor de pistão, cujo pistão se move de um lado para outro entre duas posições, o compressor de diafragma é induzido a se mover em oscilações não lineares. O diafragma é fixo por sua extremidade e é movimentado pelo eixo de ligação, cujo comprimento depende da deformação do diafragma. AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL38 Figura 20 - Compressor por diafragma Fonte: FESTO, 2012a características dos compressores volumétricos rotativos Compressor tipo palheta O compressor tipo palheta (Figura 21) possui um rotor que gira excentricamente1 em relação à carcaça. Esse rotor possui rasgos radiais que se prolongam por todo o seu comprimento e nos quais são inseridas palhetas retangulares. Quando o rotor gira, as palhetas se deslocam radialmente sob a ação da força centrífuga e se mantêm em contato com a carcaça. O ar penetra pela abertura de sucção e ocupa os espaços definidos entre as palhetas. Devido à excentricidade do rotor e às posições das aberturas de sucção e descarga, os espaços entre as palhetas se reduzem,diminuindo o volume ocupado pelo ar e aumentando sua pressão, liberando-o para fora. Figura 21 - Compressor tipo palheta Fonte: FESTO, 2012a Compressor tipo parafuso O compressor tipo parafuso (Figura 22) possui dois rotores em forma de parafuso que giram em sentido contrário, mantendo entre si uma condição de engrenamento. A conexão do compressor com o sistema é feita por meio das aberturas de sucção e descarga diretamente opostas. O ar entra pela abertura de sucção e ocupa os intervalos entre os filetes dos rotores. A partir do momento em que há o engrenamento de um determinado filete, o ar nele contido fica fechado entre o rotor e as paredes da carcaça. A rotação permite que o ponto de engrenamento vá se deslocando para a frente, reduzindo o espaço disponível para o ar, aumentando a compressão e, posteriormente, liberando a descarga. 1 GIRO EXCÊNTRICO Dentro de um cilindro gira um rotor acionado pelo motor. 3 Produção, PreParação e distribuição do ar comPrimido 39 Figura 22 - Compressor tipo parafuso Fonte: FESTO, 2012a Compressor de lóbulo ou roots O compressor de lóbulo ou roots (Figura 23) possui dois rotores que giram em sentido contrário, mantendo uma folga muito pequena no ponto de tangência entre si e com relação à carcaça. O ar penetra pela abertura de sucção e ocupa a câmara de compressão, sendo conduzido até a abertura de descarga pelos rotores. Este subtipo de compressor, apesar de ser classificado como volumétrico, não possui compressão interna. Os rotores apenas deslocam o ar de uma região de baixa pressão para uma de alta pressão. Na verdade, a máquina é mais conhecida como soprador roots, sendo utilizada para elevações muito baixas de pressão. Figura 23 - Compressor de lóbulo ou roots Fonte: FESTO, 2012a Compressor de anel líquido O compressor de anel líquido (Figura 24) é um compressor de deslocamento rotativo. Um eixo com lâminas radiais rígidas, que correm dentro da carcaça excêntrica, faz o líquido de vedação girar. Um anel líquido é formado e veda as áreas de funcionamento entre as lâminas e a carcaça. As mudanças de volume são causadas pela excentricidade da rotação do eixo e, como resultado, o ar é levado para dentro e é comprimido e descarregado. Normalmente, a água é usada como líquido de vedação. Figura 24 - Compressor de anel líquido Fonte: FESTO, 2012a AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL40 características dos compressores dinâmicos Compressor radial O compressor radial (Figura 25) é caracterizado pela entrada de ar que é dirigido para o centro de uma roda de uma turbina. Conforme a força centrífuga, o ar é expulso para a periferia e passa pelo difusor com a finalidade de aumentar a pressão. Com isso, a energia cinética é convertida em pressão estática. Figura 25 - Compressor radial Fonte: FESTO, 2012a Compressor axial O compressor axial é aquele em que a compressão do ar ocorre na direção axial, através de uma turbina rotativa, com lâminas fixas, conforme mostra a Figura 26. Figura 26 - Compressor axial Fonte: FESTO, 2012a Inicialmente, no compressor axial o ar é acelerado e depois, comprimido. Assim, os canais da lâmina formam um difusor (espécie de duto que provoca diminuição na velocidade do ar ou de escoamento de um fluido, causando aumento de pressão), no qual a energia cinética do ar criada pela circulação é desacelerada e convertida em energia pressurizada. A Quadro 3 mostra uma comparação das principais características dos compressores. 3 Produção, PreParação e distribuição do ar comPrimido 41 Co M Pr es so re s V o lu M ÉT rI Co s A lT er n AT IV o s Co m pr es so r de p ist ão • alta eficiência; • alta pressão. Co m pr es so r de d ia fra gm a • cilindro de grande diâmetro; • movimento curto do diafragma; • econômico no caso de pequenos volumes de fornecimento e baixas pressões; • geração de vácuo. Co M Pr es so re s V o lu M ÉT rI Co s ro TA TI V o s Co m pr es so r t ip o pa lh et a • baixo ruído; • fornecimento uniforme de ar; • pequenas dimensões; • manutenção simples; • alto custo; • baixa eficiência. Co m pr es so r t ip o pa ra fu so • unidade de dimensões reduzidas; • fluxo de ar contínuo; • baixa temperatura de compressão. Co m pr es so r d e ló bu lo ou ro ot s • raramente utilizado para fins industriais; • baixo custo; • pode suportar longa duração de funcionamento sem cuidados de manutenção; • não há pistão rotativo; • não necessita de lubrificação; • o ar é isento de óleo; • sensível ao pó e à areia. Co m pr es so r d e an el lí qu id o • o ar é isento de óleo; • baixa sensibilidade contra sujeira; • baixa eficiência; • um líquido separador é necessário porque o líquido auxiliar é bombeado con- tinuamente na câmara de pressão. Co M Pr es so re s d In  M IC o s Co m pr es so r ra di al • fornecimento uniforme do ar comprimido; • o ar não necessita de óleo; • o ar é sensível à troca de carga; • são utilizados particularmente em sistemas de grande tamanho. Co m pr es so r a xi al • fornecimento uniforme do ar comprimido; • o ar não necessita de óleo; • grande eficiência; • o ar é sensível à troca de carga; • custo elevado; • faixa de operação limitada; • mais sensíveis a corrosão; • mais adequado para baixas pressões, razões de pressão de 4:1 (diz-se uma pressão quatro vezes maior que a pressão ambiente) são as mais comuns. Quadro 3 - Tipo de Compressores Fonte: FESTO, 2012a AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL42 critérios para a escolha de compressores Cada compressor é adequado para um determinado tipo de trabalho. Assim, você deverá escolher o tipo de compressor quando estiver trabalhando na produção de ar comprimido. No Quadro 4 podemos ver os critérios para a escolha de compressores. VoluMe de Ar ForneCIdo (m3/min ou m3/hora) • Volume teórico: volume cilíndrico x rotação. • Volume efetivo ou real: depende da construção do compressor e da pressão. Pressão • Pressão de regime: pressão fornecida pelo compressor, bem como a pressão do reservatório e a pressão na rede distribuidora até o consumidor; • Pressão de trabalho: pressão necessária nos pontos de trabalho. ACIonAMenTo • Por motor elétrico; • Por motor a explosão. Quadro 4 - Critérios para escolha de compressores Fonte: Autor regulagem dos compressores Outro ponto importante que você deve saber na utilização de compressores é como fazer sua regulagem. De fato, para combinar o volume de ar fornecido com o seu consumo é necessária uma regulagem dos compressores. Dois valores-limites preestabelecidos (pressão máxima/pressão mínima) influenciam o volume. Há dois tipos de regulagem: regulagem de marcha em vazio e regulagem de carga parcial. regulagem de marcha em vazio Esse tipo de regulagem se divide em três tipos: a) Regulagem por descarga – Na saída do compressor, existe uma válvula limita- dora de pressão, quando a pressão desejada é alcançada, a válvula se abre deixando o excesso de pressão escapar para a atmosfera; b) Regulagem por fechamento – É fechado o lado da sucção. Com a entrada de ar fechada, o compressor não pode aspirar e continua funcionando vazio. Essa regu- lagem é utilizada nos compressores rotativos e nos de êmbolo. c) Regulagem por garras – Esta regulagem é utilizada nos compressores de êmbo- lo de grande porte. Mediante garras, mantém-se aberta a válvula de sucção, evitando, assim, que o compressor continue comprimindo. 3 Produção, PreParação e distribuição do ar comPrimido 43 regulagem de carga parcial Esse tipo de regulagem também se divide em três tipos: a) Regulagem na rotação – Sobre um dispositivo ajusta-se o regulador de rotação do motor à explosão. A regulagem da rotação pode ser feita manual ou automatica- mente, dependendo da pressão de trabalho. b) Regulagem por estrangulamento – A regulagem se faz mediante um simples estrangulamento no funil de sucção, e o compressor pode, assim, ser regulado para determinadas cargas parciais. Essa regulagem é encontradaem compressores de êm- bolo rotativo e em turbocompressores. c) Regulagem intermitente – Com essa regulagem, o compressor funciona em dois campos (carga máxima e parada total). Ao alcançar a pressão máxima, o motor acio- nador do compressor é desligado e, quando a pressão chega ao mínimo, o motor é ligado e o compressor trabalha novamente. A frequência de comutação pode ser regu- lada por pressostato. Para que os períodos de comando possam ser limitados a uma média aceitável, é necessário um grande reservatório de ar comprimido. 3.1.2 sistemA de reFriGerAção Dando seguimento ao percurso que o ar faz para se transformar em ar comprimido, chegamos à refrigeração. Após passar pelo compressor, o ar deve ser conduzido por um sistema de refrigeração. Isso porque, quando passa pelos compressores, ele esquenta e, como vimos na produção de ar comprimido, o ar deve estar em suas condições normais. Assim, a principal função do sistema de refrigeração é eliminar o calor gerado entre os estágios de compressão com o intuito de: • manter baixa a temperatura das válvulas, do óleo lubrificante e do ar que está sendo comprimido (com a queda da temperatura do ar é eliminada a umidade); • aproximar o melhor possível da transformação isotérmica, embora seja dificilmente atingida devido à pequena superfície para troca de calor; • evitar deformação do bloco e do cabeçote devido às temperaturas; • aumentar a eficiência do compressor. O sistema de refrigeração compreende duas fases: • resfriamento dos cilindros de compressão; e • resfriamento do resfriador intermediário. AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL44 O resfriamento pode ser realizado por meio de ar em circulação, ventilação forçada e água, sendo que o resfriamento a água é o mais adequado por provocar a condensação de umidade. Os outros sistemas não conseguem provocar a condensação da umidade. resfriamento a água Os blocos dos cilindros são dotados de paredes duplas, entre as quais circula água. A superfície que exige um melhor resfriamento é a do cabeçote, que permanece em contato com o gás ao fim da compressão. O processo de resfriamento se inicia, geralmente, pela circulação de água através da câmara de baixa pressão, passando pelo resfriador intermediário. Após esta fase, a água vai para a câmara de alta pressão. Aqui, todo o calor adquirido é eliminado da água, para que haja condições de reaproveitamento. resfriamento a ar Compressores pequenos e médios podem ser resfriados a ar em um sistema muito prático, particularmente em instalações ao ar livre ou onde o calor pode ser retirado facilmente das dependências. Nesses casos, o resfriamento a ar é a alternativa mais conveniente. Existem dois modos básicos de resfriamento a ar: • por circulação – os cilindros e cabeçotes, geralmente, são aletados a fim de proporcionar maior troca de calor, o que é feito por meio da circulação do ar ambiente e com auxílio de hélices nas polias de transmissão; • por ventilação forçada – o resfriamento interno dos cabeçotes e do resfriador intermediário são provocados por uma ventoinha, que obriga o ar a circular no interior do compressor. 3.2 PreParação do ar ComPrImIdo Agora, após a produção do ar comprimido, chegamos à fase de sua preparação. Nessa etapa, devemos verificar como a umidade do ar influencia na preparação do ar comprimido, providenciar sua refrigeração e secagem e, posteriormente, filtrá-lo. 3 Produção, PreParação e distribuição do ar comPrimido 45 3.2.1 umidAde A quantidade de vapor de água que o ar pode conter aumenta com a temperatura. Quanto maior a temperatura, maior a quantidade de água possível no ar. Em alguns dias do verão, quando sentiremos que o ar está abafado, dizemos que o ar está saturado de água. Nesse caso, há muita umidade no ar. Na serra, quando ocorre umidade no ar à baixa temperatura, temos a neblina, que é o efeito mais visível da umidade no ar. O conhecido ponto de orvalho é a temperatura na qual o ar em processo de resfriamento se satura. Além dessa temperatura, sendo o ar mais resfriado, ocorre a condensação, provocando o orvalho. A quantidade de água absorvida pelo ar está relacionada com a sua temperatura e volume. A maior quantidade de vapor d’água contido em um volume de ar, sem ocorrer condensação, dependerá da temperatura de saturação ou do ponto de orvalho aos quais esse volume está submetido. VOCÊ SABIA? Depois dessa pequena explicação sobre a umidade do ar, podemos conhecer mais detalhadamente a composição do ar atmosférico. Ele é resultado de uma mistura de gases, principalmente de oxigênio e nitrogênio, mas também contém contaminantes de três tipos básicos: • água; • óleo; • poeira. Exatamente. O ar atmosférico contém óleo e poeira e, no ambiente de lubrificação do compressor, as partículas de poeira e de óleo queimado são responsáveis por manchas nos produtos. Além disso, a água também é responsável por danificar componentes. Ação da umidade nos componentes Vamos supor que o vapor de água seja comprimido (isso ocorre quando o ar está úmido). Quando a pressão parcial do vapor d’água for menor do que a pressão de saturação, o vapor será superaquecido. Esse processo ocorre dobrando-se a pressão, de modo que seu volume fique exatamente a metade do que era. Neste caso, o vapor também foi automaticamente reduzido pela metade em sua capacidade de reter água, surgindo, assim, a água condensada. Teoricamente, isso deve ocorrer na transformação isotérmica. AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL46 Entretanto, quando ocorre a compressão há um aumento imediato da temperatura, de modo que não ocorre a condensação durante a compressão. A condensação surgirá quando houver resfriamento no resfriador ou na linha de produção. A água condensada em um sistema pneumático pode produzir o golpe de aríete, que pode ser bastante perigoso. FIQUE ALERTA Fique atento em seu local de trabalho com o golpe de aríete. Quando o fluxo de um fluido é bruscamente interrompido em um conduto fechado que, nesse caso, pode ocorrer com a condensação da água, ocorre o golpe de aríete – um violento choque (golpe) nas paredes internas do conduto, podendo romper a estrutura. As consequências da presença da água condensada nas linhas de ar causada pela diminuição de temperatura estão apresentadas no Quadro 5. Oxidação da tubulação e de componentes pneumáticos. Destruição da película lubrificante que fica entre as duas superfícies que estão em contato, acarretando desgaste prematuro e reduzindo a vida útil das peças, válvulas, cilindros e outras. Prejuízo da produção de peças. Arrasto de partículas sólidas que prejudicarão o funcionamento dos componentes pneumáticos. Aumento do índice de manutenção. Inviabilidade da aplicação em equipamentos de pulverização. Causa golpes de aríete nas superfícies adjacentes e outras. Quadro 5 - Consequências da presença de água condensada nas linhas de ar Fonte: Autor Portanto, é da maior importância que grande parte da água e dos resíduos de óleo sejam removidos do ar. Agora, aprenderemos como fazer a remoção de resíduos indesejáveis do ar. 3.2.2 resFriAdor posterior Para resolver de maneira eficaz o problema inicial da água nas instalações de ar comprimido, o equipamento mais completo é o resfriador posterior, localizado entre a saída do compressor e o reservatório. Isso porque o ar comprimido atinge sua maior temperatura na saída, como é mostrado na Figura 27. 3 Produção, PreParação e distribuição do ar comPrimido 47 Simbologia Figura 27 - Resfriador posterior com a sua simbologia Fonte: PARKER, 2000 O resfriador posterior é simplesmente um trocador de calor utilizado para resfriar o ar comprimido. Tem como principais funções: • retirar cerca de 75 a 90% do vapor de água contido no ar comprimido, bem como vapores de óleo; • evitar que a linha de distribuição sofra uma dilatação causada pela alta da temperatura de descarga do ar. Um resfriador posterior é constituído basicamente de duas partes: • um corpo geralmentecilíndrico no qual se alojam feixes de tubos confeccionados com materiais de boa condução de calor, formando no interior do corpo uma espécie de colmeia; • um separador de condensado dotado de dreno. Na saída do resfriador está o separador. Devido à sinuosidade do caminho que o ar deve percorrer, há a eliminação da água condensada, que fica retida em uma câmara. A parte inferior do separador é dotada de um dreno manual ou automático, na maioria dos casos, por meio do qual a água condensada é expulsa para a atmosfera. 3.2.3 reservAtório de Ar comprimido Continuando o caminho do ar através do sistema de preparo, produção e distribuição do ar comprimido, chegamos ao reservatório de ar comprimido. Um sistema de ar comprimido é dotado, geralmente, de um ou mais reservatórios, que desempenham grandes funções junto a todo o processo de produção. A Figura 28 mostra um reservatório. 5 3 4 7 6 2 1 1 - Manômetro 2 - Válvula registro 3 - Saída 4 - Entrada 5 - Placa de identi�cação 6 - Válvula de segurança e alívio 7 - Escotilha para inspeção 8 - Dreno Simbologia 8 Figura 28 - Reservatório de ar comprimido com a sua simbologia Fonte: PARKER, 2000 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL48 Em geral, o reservatório possui as seguintes funções: • armazenar o ar comprimido; • resfriar o ar, auxiliando na eliminação do condensado; • compensar as flutuações de pressão em todo o sistema de distribuição; • estabilizar o fluxo de ar; • controlar as marchas dos compressores e outros. Nenhum reservatório deve operar com uma pressão acima da pressão máxima de trabalho permitida, exceto quando a válvula de segurança estiver dando vazão; nessa condição, a pressão não deve ser excedida em mais de 6% do seu valor. O reservatório deve estar localizado: • de modo que todos os drenos, conexões e aberturas de inspeção sejam facilmente acessíveis; • em espaços de livres e de fácil acesso – em nenhuma condição o reservatório deve ser enterrado ou instalado em local de difícil acesso; • de preferência, fora da casa dos compressores e localizado na sombra, para facilitar a condensação da umidade e do óleo contidos no ar comprimido; • em espaços que permitam a instalação de um dreno no ponto mais baixo para fazer a remoção do condensado acumulado a cada 8 horas de trabalho; • de maneira que o dreno seja, preferencialmente, automático. FIQUE ALERTA Os reservatórios são submetidos a uma prova de pressão hidrostática antes da utilização, de acordo com a NR-13 (norma reguladora para vasos de pressão). 3.2.4 Filtros de Ar comprimido Pela definição da Norma ISO-8573, o filtro é um aparato para separar os contaminantes presentes em fluido. O filtro de ar comprimido aparece, geralmente, em três posições diferentes: • antes do secador de ar comprimido; • depois do secador de ar comprimido; • junto ao ponto de uso. O filtro é colocado antes do secador para separar o restante da contaminação sólida e líquida (~30%) não totalmente eliminada pelo separador de condensados do resfriador posterior. O objetivo é proteger os trocadores de calor do secador contra o excesso de óleo oriundo do compressor de ar, o que poderia impregná- los, prejudicando sua eficiência de troca térmica. 3 Produção, PreParação e distribuição do ar comPrimido 49 Também é colocado um filtro após o secador, que será responsável pela eliminação da umidade residual (~30%) não removida pelo separador mecânico de condensados do secador por refrigeração, além da contenção dos sólidos não retidos no pré-filtro. consequências do ar comprimido contaminado • obstrução de orifícios; • desgaste de vedações; • erosão nos componentes pneumáticos; • redução de eficiência de produtividade da máquina; • custos elevados com paradas de máquinas. ações dos principais contaminantes – vapores Vapor de água, óleo, tinta, voláteis e solventes. O ar ambiente a 20°C retém até 18 g/m³ de água. Os principais problemas decorrentes dos vapores são: • ferrugem na tubulação; • deterioração de vedações; • imperfeições em processo de pintura; • erro de leitura de instrumentos; • manutenções frequentes em equipamentos pneumáticos e baixo desempenho. ações dos principais contaminantes – líquidos Óleo lubrificante de compressor, água e óleo condensados, óleo carbonizado e outros tipos de produtos próximos à instalação do compressor. 3.2.5 secAdores de Ar A presença de umidade no ar comprimido é sempre prejudicial para as automatizações pneumáticas, pois causa sérias consequências. Assim, é necessário eliminar ou reduzir ao máximo a umidade. O ideal seria ter o ar comprimido de modo absoluto, sem umidade, o que é praticamente impossível. AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL50 Ar seco industrial não é aquele totalmente isento de água; é o ar que, após um processo de desidratação, flui com um conteúdo de umidade residual de tal maneira que pode ser utilizado sem qualquer inconveniente. VOCÊ SABIA? Os meios utilizados para a secagem do ar são muitos. Veremos os três mais importantes, tanto pelos resultados finais obtidos quanto por sua maior difusão. O Quadro 6, Quadro 7 e Quadro 8 mostram esses tipos de secagem. M ÉT o d o O método de desumidificação do ar comprimido por refrigeração consiste em submeter o ar a uma temperatura suficientemente baixa, a fim de que a quantidade de água existente seja retirada em grande parte e não prejudique, de modo algum, o funcionamento dos equipamentos. As principais funções deste sistema são as seguintes: • remover a água; • provocar uma emulsão com o óleo lubrificante do compressor (Figura 29) no compartimento de resfriamento, auxiliando na remoção de certa quantidade; • resfriar o ar. Fu n CI o n A M en To O funcionamento da secagem por refrigeração é a seguinte: • O ar comprimido entra, inicialmente, em um “pré-resfriador” (trocador de calor) (A), sofrendo uma queda de temperatura causada pelo ar que sai do resfriador principal (B). No resfriador principal, o ar é resfriado ainda mais, pois está em contato com um circuito de refrigeração. • Durante esta fase, a umidade presente no ar comprimido forma pequenas gotas de água corrente, conhecidas como condensado, que são eliminadas pelo separador (C), onde a água depositada é evacuada por meio de um dreno (D) para a atmosfera. • O ar comprimido seco volta novamente ao trocador de calor inicial (A), causando o pré-resfriamento no ar úmido de entrada, coletando parte do calor desse ar. • O calor adquirido serve para recuperar sua energia e evitar o resfriamento por ex- pansão, que ocasionaria a formação de gelo se fosse lançado a uma baixa tempera- tura na rede de distribuição, devido à alta velocidade. Pr In CI PA Is C A r A C Te rí sT IC A s • Necessita de energia externa. • É utilizado na indústria metalúrgica. 2 MASSA HIGROSCÓPICA Massa com capacidade de absorver líquidos. Entre esses materiais, podemos citar a silica gel, o sulfato de cobre e a madeira. 3 Produção, PreParação e distribuição do ar comPrimido 51 Fluído refrigerante R-22 (Frecon) Simbologia Condensado Dreno D C Separador Ar seco Compressor de refrigeraçãoE Bypass Ar úmido Pré-resfriador A B Resfriador principal Figura 29 - Secagem por refrigeração Fonte: PARKER, 2000 Quadro 6 - Secagem por refrigeração Fonte: Autor M ÉT o d o É o método que utiliza, em um circuito, uma substância sólida ou líquida com capacidade de absorver outra substância líquida ou gasosa. Este processo é também chamado de processo químico de secagem, pois o ar é conduzido no interior de um volume por meio de uma massa higroscópica2, insolúvel ou deliquescente que absorve a umidade do ar, processando-se uma reação química. Fu n CI o n A M en To A umidade retirada e a substância diluída são depositadas na parte inferior do invó- lucro, junto a um dreno, de onde são eliminadas para a atmosfera. As substâncias higroscópicas são classificadas como: • insolúveis – quando reagem quimicamente com o vapor d’água, sem seliquefaz- erem; • deliquescentes – quando, ao absorverem o vapor d’água, reagem e se tornam líquidas. Pr In CI PA Is C A r A C Te rí sT IC A s • É um processo químico. • Dispensa a necessidade de energia externa. • Tem instalação e manutenção simples. • É utilizado geralmente cloreto de sódio. Simbologia Ar seco Pastilhas dessecantes Condensado Drenagem Ar úmido Figura 30 - Secagem por absorção Fonte: PARKER, 2000 Quadro 7 - Secagem por absorção Fonte: Autor AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL52 M ÉT o d o Este método também é conhecido como processo físico de secagem. Teoricamente, é admitido que na superfície dos corpos sólidos há forças desbalanceadas, influen- ciando moléculas líquidas e gasosas com sua força de atração. Admite-se, portanto, que as moléculas (adsorvato) são adsorvidas nas camadas mono ou multimoleculares dos corpos sólidos. Fu n CI o n A M en To O processo de adsorção é regenerativo; a substância adsorvente, após estar saturada de umidade, permite a liberação de água quando submetida a um aquecimento regenerativo. A Figura 31 mostra a secagem por torres duplas, que é o tipo mais co- mum de secagem. Por meio de uma válvula direcional, o ar úmido é orientado para uma torre, onde haverá a secagem do ar. Na outra torre ocorrerá a regeneração da substância adsorvente, que poderá ser feita por injeção de ar quente, na maioria dos casos, por resistores e circulação de ar seco. Havendo o aquecimento da substância, é provocada a evaporação da umidade. Por meio de um fluxo de ar seco, a água em forma de vapor é arrastada para a atmosfera. Terminado um período de trabalho pré-estabelecido, há inversão na função das torres, por controle manual ou automático. Na maioria dos casos, a torre que secava o ar passa a ser regenerada e outra inicia a secagem. A melhoria da qualidade do ar é de extrema importância, principalmente para se obter menores índices de manutenção, maior durabilidade dos componentes pneumáticos. Ou seja, será obtida maior lucratividade em relação à automatização efetuada. Pr In CI PA Is C A r A C Te rí sT IC A s • É um elemento secante regenerável; • Tem manutenção simples; • Dispensa a necessidade de parar o fornecimento para regenerar o elemento secante; • Utiliza-se geralmente sílica gel. Simbologia Ar úmido Ar seco Secando Secando Adsorvente Regenerando Regenerando Esquematização da secagem por adsorção Ar seco Figura 31 - Secagem por adsorção Fonte: PARKER, 2000 Quadro 8 - Secagem por adsorção Fonte: Autor 3 Produção, PreParação e distribuição do ar comPrimido 53 3.2.6 esquemA completo de produção, ArmAzeNAmeNto e limpezA do Ar comprimido A Figura 32 mostra uma esquematização da produção, do armazenamento e do condicionamento do ar comprimido. 1 - Filtro de admissão 2 - Motor elétrico 3 - Compressor 4 - Resfriador intermediário 5 - Resfriador posterior 6 - Separador de condensado 7 - Reservatório 8 - Secador 9 - Pré - �ltro 10 - Pós - �ltro 1 4 5 6 3 2 7 9 8 10 Figura 32 - Esquema da produção, armazenamento e limpeza do ar comprimido Fonte: PARKER, 2001 importância da qualidade do ar A função dos filtros é retirar os contaminantes sólidos e o vapor de óleo. O secador de ar é necessário para a retirada de água existente. O ar é absorvido do ambiente pelo compressor e contém água, óleo (proveniente do compressor) e partículas contaminantes prejudiciais aos equipamentos pneumáticos. Após a compressão, o ar torna-se saturado e passa por um pré-filtro, do qual são retiradas as partículas sólidas contaminantes. Após a pré-filtração, o ar comprimido passa pelo secador, cuja função é reduzir sua temperatura até +3 ºC (ponto de orvalho para secador por refrigeração). Ao atingir essa temperatura o vapor de água condensa, tornando o ar seco. O ar comprimido seco passa pelo pós-filtro, que retira vapores de óleo e partículas sólidas ainda existentes no sistema. O secador de ar precisa ser dimensionado de maneira correta, assim como deve ser feita frequentemente sua manutenção preventiva, pois o mau dimensionamento ou problemas em seu funcionamento causam um arraste de água para a rede de ar comprimido. AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL54 3.3 dIStrIbuIção do ar ComPrImIdo 3.3.1 rede de distriBuição A rede de distribuição de ar comprimido compreende todas as tubulações que saem do reservatório, passando pelo secador e que, unidas, orientam o ar comprimido até os pontos individuais de utilização. A partir daqui, temos a pressão da rede. A rede possui duas funções básicas: • comunicar a fonte produtora com os equipamentos consumidores; e • funcionar como um reservatório para atender às exigências locais. O tipo de linha para a ligação das tubulações pode ser em circuito fechado, circuito aberto, circuito misto (ou rede combinada). A Figura 33 mostra esses tipos de ligações. a b Figura 33 - a) Rede de ar comprimido com circuito aberto; b) Circuito fechado e circuito misto Fonte: FESTO, 2012a Geralmente, a rede de distribuição é em circuito fechado em torno da área em que há necessidade do ar comprimido. Desse anel partem as ramificações para os diferentes pontos de consumo. A grande vantagem do circuito fechado é que, se ocorrer um grande consumo inesperado de ar em qualquer linha, o ar pode ser fornecido de duas direções, diminuindo a queda de pressão. inclinação As tubulações devem possuir uma determinada inclinação no sentido do fluxo interior, pois, enquanto a temperatura de tubulação for maior do que a temperatura de saída do ar, após os secadores, o ar sairá praticamente seco; se a temperatura da tubulação baixar, haverá surgimento de água, embora esse fenômeno raramente ocorra. O valor da inclinação é de 0,5 a 2% em função do comprimento reto da tubulação na qual for executada. De preferência, os drenos colocados nos pontos mais baixos devem ser automáticos. Sendo a rede relativamente extensa, é recomendado observar a colocação de mais de um dreno, distanciados aproximadamente 20 a 30m um do outro. As tomadas de ar devem ser sempre feitas pela parte superior da tubulação principal, para evitar os problemas de condensado já expostos. É recomendado ainda, não realizar a utilização direta do ar no ponto terminal do tubo de tomada. 3 Produção, PreParação e distribuição do ar comPrimido 55 No terminal, devemos colocar uma pequena válvula de drenagem, e sua utilização deve ser feita um pouco mais acima, onde o ar passa através da unidade de condicionamento, antes de ir para a máquina. A Figura 34 mostra a colocação de drenos e a inclinação da tubulação. Utilização Unidade de Consicionamento Dreno Automático Comp. inclinação de 0,5 a 2% do comprimento Figura 34 - Colocação de dreno e inclinação das tubulações Fonte: FESTO, 2012a cores técnicas Um circuito pneumático ou hidráulico pode ser identificado quando são utilizadas as “cores técnicas”, colorindo as linhas de fluxo, com o objetivo de identificar o que está ocorrendo ou qual função o fluxo desenvolverá. As cores utilizadas para este fim são normatizadas, porém existe uma diversificação em função da norma seguida. A seguir apresentamos as cores utilizadas pelo ANSI (American National Standard Institute). Sua padronização de cores é bem completa e abrange a maioria das necessidades de um circuito: • Vermelho – Indica pressão de alimentação ou linha de pressão. Exemplo: compressor. • Violeta – Indica que a pressão do sistema de transformação de energia foi ampliada. Exemplo: multiplicador de pressão. • Laranja – Indica linha de comando, pilotagem ou que a pressão básica foi reduzida. Exemplo: pilotagem de uma válvula. • Amarelo – Indica um controle de passagem do fluxo. Exemplo: utilização de válvula de controle de fluxo. • Azul – Indica fluxo em descarga, escape ou retorno ao reservatório. Exemplo: exaustão para atmosfera. • Verde – Indica sucção ou linha de drenagem. Exemplo: sucção do compressor. • Branco – Indica fluido inativo. Exemplo:armazenagem. AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL56 vazamentos Vazamentos são as quantidades de ar perdidas através de pequenos furos, acoplamentos com folgas, vedações defeituosas e outros. Quando somados, os vazamentos alcançam elevados valores. A importância econômica dessa contínua perda de ar torna-se mais evidente quando comparada com o consumo de um equipamento e a potência necessária para realizar a compressão, conforme mostra a Tabela 3. Tabela 3: Consumo de potência de acordo com furos em tubulações de pneumática dIÂMeTro do Furo (MM) Pressão eM 588,36 kPA Pressão eM 85 PsI PoTênCIA neCessárIA PArA CoMPressão esCAPe do Ar (VAzão) m³/s C.F.M cv kW 1 0,001 2 0,4 0,3 3 0,01 21 4,2 3,1 5 0,027 57 11,2 8,3 10 0,105 220 44 33 Fonte: PARKER, 2001 A eliminação completa de todos os vazamentos é impossível, porém, eles devem ser reduzidos ao máximo com uma manutenção preventiva do sistema, de 3 a 5 vezes por ano. VOCÊ SABIA? 3.3.2 mAteriAis utilizAdos NAs redes de pressão As redes de pressão são divididas em duas: a primária, que é a rede principal, e a secundária, que é a ligação com os circuitos pneumáticos. a) Tubulações primárias • cobre; • latão; • aço-liga; • tubo de aço preto (galvanizado); • tubos sintéticos (plástico). b) Tubulações secundárias São utilizados tubos sintéticos, que proporcionam boa resistência mecânica, apresentando uma elevada força de ruptura e grande flexibilidade. São usados tubos de polietileno e tubos de nylon, cujas características são: 3 Produção, PreParação e distribuição do ar comPrimido 57 • Polietileno – aplicação de vácuo até pressões de 700 kPa e temperatura de trabalho de -37 ºC a 40 ºC. • Nylon – é mais resistente do que o polietileno, sendo mais recomendado para aplicação de vácuo até 1,700 kPa e temperatura de 0 ºC a 70 ºC. Estes tubos possuem diversos diâmetros, mas os mais comuns são os de 4, 6, 8 e 10mm. A Figura 35 mostra os tubos secundários. a b Figura 35 - a) Tubo de polietileno; b) Tubo de nylon Fonte: FESTO, 2012b conexões para tubulações secundárias A escolha das conexões que serão utilizadas em um circuito é muito importante. Elas devem oferecer recursos de montagem para a redução de tempo, ter dimensões compactas e não apresentar quedas de pressão, ou seja, possuir máxima área de passagem para o fluido. Devem também ter vedação perfeita, compatibilidade com diferentes fluidos industriais, durabilidade e permitir rápida remoção dos tubos em casos de manutenção, sem danificá-los. As conexões instantâneas são, preferencialmente, as conexões mais utilizadas. Esse tipo de conexão é visto na Figura 36. Figura 36 - Conexão instantânea Fonte: PARKER, 2001 Unidade de conservação (Lubrefil) Após passar por todo o processo de produção, tratamento e distribuição, o ar comprimido deve sofrer um último condicionamento antes de ser colocado para trabalhar, a fim de produzir melhores desempenhos. Para isto, existem componentes de tratamento preliminar do ar comprimido após a rede primária de ar. Esses componentes reunidos formam a unidade de conservação ou Lubrefil. Os componentes são os seguintes: AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL58 • filtro; • válvula reguladora de pressão (regulador); • lubrificador. Um ponto importante que devemos saber é que o ar que está na unidade de conservação é chamado de pressão de rede e, após a unidade de conservação, é chamado de pressão de trabalho. VOCÊ SABIA? O Quadro 9 mostra as principais funções dos componentes da unidade de conservação. CoMPonenTe Função esqueMA Filtro de ar comprimido A função do filtro de ar comprimido é de reter as partículas sólidas e a umidade condensada existente no ar comprimido. Dremo Manual Dremo Automático Simbologia A - De�etor Superior B - Anteparo C - Copo D - Elemento Filtante E - De�etor Interior F - Dremo Manual G - Manopla A B C D E F G Regulador de pressão O regulador de pressão mantém constante a pressão de trabalho (saída), independentemente da pressão da rede (entrada) e de consumo do ar. A - Mola B - Diafragma C - Válvula de Assento D - Manopla E - Onfício de Exaustão F - Onfício de Sangria G - Ori�cio de Equílibrio H - Passagem do Fluxo de Ar I - Amortecimento J - Comunicação com Manômetro D E FA B C I G J H Simbologia Manômetros São instrumentos utilizados para medir e indicar a intensidade de pressão do ar comprimido, óleo etc., além de indicar o ajuste de pressão no sistema. Existem dois tipos principais de manômetros: • manômetros capsulares (0 – 1.000mBar): leitura de baixa pressão; • tubo de Bourdon: escala circular sobre a qual gira um ponteiro indicador ligado a um jogo de engrenagens e alavancas. É o mais utilizado. Simbologia 0 40 80 120 180 200 Lubrificador de ar comprimido O lubrificador acrescenta ao ar com- primido uma fina névoa de óleo que se depositará nas válvulas e cilindros, proporcionando a esses elementos a necessária lubrificação. As principais funções da unidade de conservação são: • filtrar; • regular; • lubrificar. A - Membrana de Restrição B - Ori�cio Venturi C - Esfera D - Válvila de Assento E - Tubo de Sucção F - Ori�cio Superior G - Válvula de Regulagem H - Bujão de Reposição de óleo I - Canal de Comunicação J - Vávula de Retenção F A B C D E H G I J E Simbologia Quadro 9 - Principais funções dos componentes da unidade de conservação Fonte: PARKER, 2001 3 Produção, PreParação e distribuição do ar comPrimido 59 A Figura 37 mostra a junção dos componentes citados formando, assim, a unidade de conservação. Simbologia Figura 37 - Unidade de conservação com as suas simbologias Fonte: FESTO, 2012b reCaPItuLando Estudamos neste capítulo a produção do ar comprimido, como o ar que respiramos se transforma em ar comprimido, quais as etapas dessa transformação, além de mostrarmos alguns dispositivos pneumáticos e suas características. Aprendemos aspectos sobre a distribuição do ar comprimido e as especificações para sua distribuição, em um sistema de rede. Vimos quais os componentes necessários para a distribuição, que mantêm o ar comprimido praticamente “seco”. E, por último, apresentamos a preparação do ar comprimido e das redes de distribuição do ar comprimido. 4 elementos pneumáticos Após o estudo sobre a produção, preparação e distribuição do ar comprimido, vamos conhecer suas aplicações. Veremos os elementos pneumáticos e os comandos de circuito. A cadeia de comandos de um circuito pneumático possui os elementos distribuídos de acordo com o esquema mostrado na Figura 38. Elementos pneumáticos de trabalho Elementos de comando Elementos de processamento de sinais Elementos de sinais Elementos de produção, tratamento e distribuição Cilindros, motores etc. Válvulas direcionais Elementos, “OU”, “E”, temporizadores Botões, �m de curso etc. Unidade de conservação, válvulas de fechamento Execução da ordem Saída de sinais Tratamento de sinais Introdução dos sinais Fonte de energia Figura 38 - Distribuição dos componentes de acordo com o tipo de elemento Fonte: FESTO, 2012b 4.1 eLementoS PneumátICoS de trabaLho Os elementos pneumáticos de trabalho são os responsáveis pela transformação da energia pneumática em movimentos nos circuitos pneumáticos. A energia pneumática será transformada, por meio de cilindros pneumáticos, em movimentos retilíneos. Nos motores pneumáticos, a energia pneumática será transformada em movimentos rotativos. 62 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL 4.1.1 AtuAdores pNeumáticos Estes dispositivos podem ser divididos em atuadores pneumáticos de simples ação, de dupla ação, rotativos e outros. A seguir, veremos suas principais características. Atuadores pneumáticos de simples ação – Esses atuadores realizam trabalho em uma direção, possuindo uma única conexão de ar, sendo que o retorno à posição inicial pode se dar por ação de mola ou de outra força externa. Podem ser do tipo haste avançada, quando o atuador “puxa” a carga, ou haste recuada, quando“empurra” a carga. O consumo de ar é menor do que o de atuadores de dupla ação, uma vez que o retorno se dá por ação de uma mola ou de uma força externa. Devido à mola interna, a força deste atuador é menor do que a de um atuador de dupla ação com mesmo diâmetro e tem um curso de trabalho limitado devido ao tamanho da mola. As medidas externas para um mesmo curso de dupla ação são maiores devido à mola de retorno. Atualmente, só utilizaremos atuadores de ação simples de tamanhos pequenos (Ø 2,5 a 25mm), com cursos de até 50mm. A Figura 39 mostra o atuador de simples ação. Simbologia Simbologia Simbologia Cilindro Simples Ação Retorno por mola Cilindro Simples Ação Retorno por Força Externa Cilindro Simples Ação com Avanço por Ar Comprimido W P Figura 39 - Atuadores de simples ação com suas respectivas simbologias Fonte: FESTO, 2012b Atuadores pneumáticos de dupla ação – Com estes atuadores, o trabalho se desenvolve nos dois sentidos do curso de avanço e de retorno, uma vez que a pressão do ar comprimido atua nos dois lados do êmbolo. Quando a pressão atua no lado da haste, a força resultante é menor, pois a área de atuação é menor devido à área da haste do atuador. Esta consideração é válida somente quando a mesma carga é transportada nos dois sentidos. Em atuadores de haste passante, as forças resultantes são iguais. A Figura 40 mostra esse tipo de atuador. 4 ElEmEntos pnEumáticos 63 Figura 40 - Atuador de dupla ação Fonte: PARKER, 2001 Na Figura 40 percebemos que o ar é colocado no orifício da direita, e do orifício da esquerda é retirado o ar do outro lado, realizando o recuo do atuador de dupla ação. A cor vermelha significa que o ar está sendo colocado no atuador, e a cor azul significa que o ar está saindo do atuador. Vejamos como é internamente um cilindro de dupla ação na Figura 41. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 - cabeçote traseiro 4 - êmbolo 7 - cabeçote dianteiro 2 - anel de encosto 5 - haste 8 - porca 3 - guarnição O'ring 6 - tubo 9 - guarnição O'ring Figura 41 - Composição interna de um cilindro de dupla ação Fonte: Telecurso, 2000 Atuadores pneumáticos rotativos – Em relação aos atuadores rotativos há os motores de giros controlados (até certo grau de giro). Os dois tipos são de dupla ação. A Figura 42 mostra um atuador tipo motor e outro com giro controlado. Simbologia a Simbologia b Figura 42 - a) Atuador com giro controlado; b) Atuador tipo motor (motor tipo palheta), com suas respectivas simbologias Fonte: FESTO, 2012b 64 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL outros tipos de atuadores – Há outros tipos de atuadores que possuem construções especiais, como de haste passante, tandem, sem haste, garra, músculos e outros. A Figura 43 mostra esses tipos de atuadores. a) c) e) b) d) Figura 43 - a) Atuadores com haste passante; b) Tandem; c) Sem haste; d) Com garra; e) Com músculos Fonte: FESTO, 2012b 4.2 eLementoS de Comando Os elementos de comando são os responsáveis pelo controle da direção dos movimentos dos elementos de trabalho. Esses elementos são chamados de válvulas direcionais. 4.2.1 válvulAs direcioNAis Válvulas direcionais são os elementos mais importantes porque orientam, com lógica, o caminho do ar comprimido dentro do sistema. As mais comuns são as de cinco vias e duas posições (5/2) e as de três vias e duas posições (3/2). Existem também válvulas de duas vias e duas posições (2/2) e quatro vias e duas posições (4/2). A Figura 44 mostra um exemplo de válvula direcional. 4 ( A ) 2 ( B ) 4 ( A ) 2 ( B ) 14 ( Z ) 5 ( R ) 3 ( S ) 12 ( Y) 14 ( Z ) 5 ( R ) 3 ( S ) 12 ( Y) 1 ( P ) 1 ( P ) 2 ( A ) 4 ( B ) 12 (Y) 14 ( Z ) ( R ) 5 1 ( P ) 3 ( S ) Simbologia Figura 44 - Válvula direcional 5/2 vias com duplo piloto e acionamento manual, com a sua simbologia Fonte: FESTO, 2012b 4 ElEmEntos pnEumáticos 65 O funcionamento da válvula direcional, como a que está apresentada na Figura 44, é o seguinte: quando colocamos ar no orifício 14 (Z), liberamos a passagem de ar do orifício 1 (P) para o orifício 4 (A). Quando colocamos ar no orifício 12 (Y), liberamos a passagem de ar do orifício 1 (P) para o orifício 2 (B). O número de vias significa o número de conexões de trabalho que a válvula possui. São consideradas como vias a conexão de entrada de pressão, as conexões de utilização e as de escape. “Direções” significa a quantidade de manobras distintas que uma válvula direcional pode executar ou permanecer sob a ação de seu acionamento, ou seja, é a quantidade de condições distintas que uma válvula direcional pode executar ou permanecer sob ação de seu acionamento. VOCÊ SABIA? representação das válvulas direcionais Conforme as normas ABNT NBR 8897, DIN ISO 1219, as válvulas direcionais são sempre representadas por um retângulo, que é dividido em quadrados. O número de quadrados representados na simbologia é igual ao número de direções da válvula, representando a quantidade de movimentos que executa através de acionamentos. A Figura 45 mostra essa representação. Figura 45 - Válvula direcional com três direções Fonte: PARKER, 2001 quantidade de vias das válvulas direcionais Para uma fácil compreensão do número de vias de uma válvula de controle direcional, podemos considerar que: = Passagem = 02 vias = Bloqueio = 01 via A Figura 46 mostra a utilização desses símbolos. A leitura deve ser efetuada em somente um dos quadrados. Figura 46 - Válvula direcional com cinco vias Fonte: PARKER, 2001 66 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL procedimento de leitura das vias Para a leitura das vias, devemos realizar o seguinte procedimento: separamos um dos quadrados (posição) e verificamos quantas vezes o(s) símbolo(s) interno(s) toca(m) os lados do quadro, obtendo-se, assim, o número de orifícios e o número de vias. No exemplo da Figura 46 temos 5 vias (três embaixo e duas em cima). Para a utilização dessa simbologia, é necessário saber identificar os itens que estão apresentados na Figura 47. a ) b ) c ) d ) e ) f ) h ) a b i ) a o bg ) Figura 47 - Utilização de simbologias de leitura Fonte: CASTELETTI, 2006 A descrição da simbologia é a seguinte: a) as posições das válvulas são representadas por quadrados; b) o número de quadrados unidos representa o número de posições que a válvula pode assumir; c) as linhas indicam as vias de passagens – a seta indica o sentido de fluxo; d) os bloqueios são indicados dentro dos quadrados com traços transversais; e) a união de vias dentro de uma válvula é representada por um ponto; f) as conexões (entrada e saída) serão caracterizadas por traços externos que indicam a posição de repouso da válvula – o número de traços indica o número de vias; g) outras posições são obtidas deslocando os quadrados, até que coincidam com as conexões; h) as posições de comando podem ser indicadas por letras minúsculas; i) válvula com três posições de comando (posição central; posição de repouso; fluxo). Identificação dos orifícios da válvula direcional As identificações dos orifícios de uma válvula direcional têm apresentado uma grande diversificação de indústria para indústria, sendo que cada produtor adota seu próprio método, não havendo a preocupação de utilizar uma padronização universal. Em 1976, o CETOP (Comitê Europeu de Transmissão Óleo, Hidráulica e Pneumática) propôs um método universal para a identificação dos orifícios aos fabricantes desse tipo de equipamento. O código apresentado pelo CETOP vem sendo estudado para que se torne uma norma universal por meio da Organização Internacional de Normalização - ISO. 4 ElEmEntos pnEumáticos 67 A Figura 48 mostra uma válvula direcional com a representação dos orifícios. 14 12 4 5 1 3 Figura 48 - Representação dos orifícios de uma válvula direcional Fonte: PARKER, 2001 A finalidade do código é possibilitar ao usuário uma fácil instalação dos componentes, relacionando as marcas dos orifícios no circuito com as marcas contidas nas válvulas, identificando claramentea função de cada orifício. No Quadro 10 temos a identificação dos orifícios segundo as normas. norMA dIn Iso 5599 • Nº 1 - Alimentação: orifício de suprimento principal. • Nº 2* – Linha de trabalho, saída: orifício de aplicação em válvulas de 2/2, 3/2 e 3/3. • Nº 2 / Nº 4* - Linhas de trabalho, saídas: orifícios de aplicação em válvulas 4/2, 4/3, 5/2 e 5/3. • Nº 3 - Escape ou exaustão: orifícios de liberação do ar utilizado em válvulas 3/2, 3/3, 4/2 e 4/3. • Nº 3 / Nº 5 - Escape ou exaustão: orifício de liberação do ar utilizado em válvulas 5/2 e 5/3. • Nº 10 - Indica um orifício de pilotagem que, ao ser influenciado, isola, blo- queia, o orifício de alimentação. • Nº 12 - Comunica o orifício 1 com o orifício 2, quando ocorrer a pilotagem • Nº 14 - Comunica o orifício 1 com o orifício 4, quando ocorrer a pilotagem. Quando a válvula assume sua posição inicial automaticamente (retorno por mola, pressão interna) não há identificação no símbolo. norMA dIn Iso 1219 • Alimentação: P. • Linhas de trabalho, saídas: A, B*. • Escape ou exaustão: R,S. • Linhas de pilotagem: X, Y, Z. *Obs.: Quando na válvula direcional se utilizam os números 1(P), 2(A) e 3(R), significa que esta pode ser ligada em um atuador de simples ação, onde o 2 representa o avanço do atuador. Se a válvula direcional utiliza os números 1(P), 2(A), 3(R), 4(B) e 5(S), significa que pode ser ligada em um atuador de dupla ação. Onde o 2 é ligado para ter o processo de avanço do atuador e o número 4, para o retorno. Os números 3 e 5 são os escapes. O número 12 é o piloto de comunicação entre a entrada de pressão (1) e saída (2), e o 14 é o piloto de comunicação entre a entrada de pressão (1) e saída (4). Alguns for- necedores trocam a Norma 5599, mas continuam com a Norma 1219, na saída para o atuador, sendo o 4 (norma DIN ISO 5599), representado pela letra A (norma DIN ISO 1219), como avanço do atuador e o 2 (norma DIN ISO 5599) , representado pela letra B (norma DIN ISO 1219), como retorno do atuador. Os pilotos para os números 12 e 14 continuam com a mesma função. Quadro 10 - Identificação dos orifícios da válvula direcional Fonte: Autor 68 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL A Tabela 4 mostra a comparação entre as normas Tabela 4: Comparação entre as normas Conexão dIn Iso 5599 dIn Iso 1219 Pressão 1 P Escape 3, 5 R, S Saída 2, 4 A, B Piloto 10, 12, 14 X, Y, Z Fonte: PARKER, 2001; FESTO, 2012b Só é utilizado o orifício-piloto 10 quando o orifício de alimentação não tem saída. Isso ocorre em uma válvula direcional 3/2 vias com duplo piloto; ou seja, quando o piloto 10 é acionado, a alimentação (1) não é conectada com nada. Por isso do orifício 10 (1 de alimentação e 0 por não estar conectado a nada). A Figura 49 mostra um exemplo utilizando esta válvula de 3/2 vias. 1 3 2 1012 Figura 49 - Válvula 3/2 vias com duplo piloto Fonte: PARKER, 2001 Identificação das posições e conexões Posição de repouso (posição normal) é aquela em que a válvula se encontra quando não está acionada. Nesse caso, para as válvulas de duas posições, a posição de repouso é aquela que está situada à direita da válvula, e para válvulas de três posições a posição de repouso será a posição central. 4.3 eLementoS de ProCeSSamento de SInaIS Os componentes de processamento de sinais são aqueles que analisam as informações emitidas ao circuito pelos elementos de sinais, combinando- as entre si para que sua saída apresente o comportamento final desejado diante dessas informações. Dentre os elementos de processamento de sinais, podemos citar as válvulas alternadoras, as válvulas de simultaneidade, os temporizadores e os contadores, todos destinados a combinar os sinais para os elementos de comando. 4 ElEmEntos pnEumáticos 69 Válvulas de controle de fluxo variável As válvulas de controle de fluxo variável são aquelas que controlam a passagem de ar para os atuadores. Podem ser unidirecional ou bidirecional. • Válvulas de controle de fluxo variável unidirecional – Este tipo de válvula controla somente um dos lados de vazão, permitindo a livre passagem para o outro lado. A Figura 50 mostra este tipo de válvula. 2 12 1 Simbologia Figura 50 - Válvula de controle de fluxo variável unidirecional Fonte: PARKER, 2001 Na Figura 50, percebemos na simbologia que há uma esfera quando o ar está indo de 2 para 1 na parte inferior, e a pressão do ar injetado desloca a esfera, permitindo a livre passagem de ar. Tendo nesse caminho a menor resistência, o ar passará totalmente por ele. Quando passa do 1 para o 2, a esfera tranca o caminho da parte inferior, sendo obrigatório o ar passar pela válvula reguladora, obtendo, assim, o controle de fluxo. • Válvulas de controle de fluxo variável bidirecional – Este tipo de válvula controla a vazão nos dois lados. A Figura 51 mostra esse tipo de válvula. 2 1 Simbologia Figura 51 - Válvula de controle de fluxo variável bidirecional Fonte: PARKER, 2001 válvulas de bloqueio Estas válvulas bloqueiam o sentido de circulação do ar comprimido dentro do sistema, seguindo uma lógica de programação. São divididas em alternadoras, de simultaneidade e de escape rápido. 70 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL • Válvulas alternadoras (elemento “OU”) – As válvulas alternadoras possuem duas entradas P1 e P2 e uma saída A. Também podem ser chamadas as entradas de P1 e P2 de 1, e a saída de A de 2. Entrando o ar comprimido em P1, a esfera bloqueia a entrada P2 e o ar flui de P1 para A. Quando o ar flui de P2 para A, a entrada P1 é bloqueada e o ar flui de P2 para A. Por isso, é chamada de elemento “OU” (OU P1 OU P2). Com pressões iguais e havendo coincidência de sinais em P1 e P2, prevalecerá o sinal que chegar primeiro. Em caso de pressões diferentes, a pressão maior fluirá para A. As válvulas alternadoras são empregadas quando existe a necessidade de enviar sinais de lugares diferentes a um ponto comum de comando (Figura 52). A A Y (P2) Y (P2) x (P1) x (P1) X Y Figura 52 - Válvula alternadora Fonte: FESTO, 2012b • Válvulas de simultaneidade (elemento “E”) – As válvulas de simultaneidade possuem duas entradas P1 e P2 e uma saída A. Também podem ser chamadas as entradas de P1 e P2 de 1, e a saída de A de 2. Entrando o ar comprimido somente em P1, é empurrado um êmbolo que fecha essa entrada, não permitindo a passagem de ar comprimido. Se o ar entrar somente em P2, ocorrerá o mesmo. Quando o ar flui por P1 E P2, o êmbolo vai ficar com a mesma força, permitindo a passagem de ar para A. Por isso é chamada de elemento “E” (P1 E P2). Só ocorrerá essa passagem quando as pressões P1 e P2 forem iguais. Se forem diferentes, não ocorrerá a passagem do ar para a saída A (Figura 53). A A X (P1) Y (P2) X (P1) Y (P2)X Y Figura 53 - Válvula de simultaneidade Fonte: FESTO, 2012b 4 ElEmEntos pnEumáticos 71 • Válvulas de escape rápido – São usadas para a velocidade dos êmbolos dos atuadores. Tempos de retorno elevados, especialmente em atuadores de ação simples, podem utilizar essa válvula (Figura 54). P A R Figura 54 - Válvula de controle de fluxo com escape rápido Fonte: PARKER, 2001 Pesquise o funcionamento de uma válvula de escape rápido. Você pode encontrar essa informação na Apostila da Parker: Tecnologia Pneumática Industrial ou na Apostila da Festo: Automação Pneumática. Apostila P111 – Introdução à Pneumática. SAIBA MAIS 4.3.1 temporizAdores O temporizador permite que um sinal pneumático tenha um retardo de tempo entre o sinal de entrada e o de saída do temporizador. O ajuste é feito pela rotação do botão graduado. A faixa de ajuste é completada por uma revolução completa do botão. O funcionamento é totalmente pneumático. Existem os temporizadores NF e os NA. A Figura 55 mostra um temporizador. t1 t10 0P P a a S S Simbologia a P R Simbologia S Figura 55 - Temporizador com suas simbologias Fonte: FESTO, 2012b O importante que você dever saber é que um contato NA significa que a válvula inicialmente é aberta para a passagem de ar de Ppara S, enquanto NF significa que inicialmente essa passagem é fechada. Analisando a simbologia descrita na Figura 55, vemos que o temporizador funciona da seguinte maneira: • o botão graduado é, na verdade, uma válvula reguladora de fluxo unidirecional que serve para regular a entrada de ar que ocorre em a; • o ar que entra em a vai entrar em uma espécie de armazenador (representado pelo balão); • notamos que o balão está ligado a uma válvula direcional por meio de um piloto; quando a força do piloto da válvula direcional for maior do que a força da mola, vai liberar o ar do P para S; 72 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL • quando a força de pressão do balão for menor do que a força da mola, a válvula direcional volta ao normal, reiniciando o tempo. O funcionamento desse temporizador pneumático é de um temporizador on-delay. 4.3.2 coNtAdores Os contadores são utilizados para controle de circuitos sequenciais, capazes de mostrar o número de pulsos que foram dados para poder liberar uma próxima sequência. O funcionamento consiste de um sistema de acionamento mecânico de dígitos circular e uma chave-limite pneumática. Os pulsos de contagem para o contador são pneumáticos (ar comprimido) e vêm de uma fonte de informações. A Figura 56 mostra esse contador. 0 0 0 0 0 Simbologias Z A P Y Z A P Y 00000 P = Alimentação A = Saída de sinal Z = Contagem y = Reset Figura 56 - Contador pneumático com a sua simbologia Fonte: FESTO, 2012b A conexão Z é usada como mecanismo alimentador de pulsos de ar comprimido para o pistão do sistema de acionamento. Após a contagem de passos, demonstrará o número pré-ajustado, que pode representar um número de pulsos ocorridos, e ele emitirá um sinal pneumático de saída que é usado para iniciar o próximo seguimento do processo ou operação. O valor pré-ajustado pode ser selecionado entre 1 e 99.999. O sinal de saída é enviado quando a pressão que está aplicada na conexão P é interligada com a conexão A. Isso ocorre quando a contagem pré-ajustada é alcançada, e o reset não foi acionado. Pode ser feito o reset do contador por meio do botão de reset manual (localizado na parte frontal do contador) ou aplicando-se um sinal pneumático em Y. 4.4 eLementoS de SInaIS São representados por acionamentos, ou seja, aqueles equipamentos que acionam uma válvula direcional (geralmente 3/2 vias ou 2/2 vias), dando o sinal para que os elementos de processamentos de sinais funcionem. As válvulas exigem um agente externo ou interno que desloque suas partes internas de uma posição para outra, ou seja, que altere as direções do fluxo, efetue os bloqueios e a liberação de escapes. 4 ElEmEntos pnEumáticos 73 4.4.1 comANdos diretos e iNdiretos Os elementos responsáveis por tais alterações de fluxo são os acionamentos, que podem ser classificados em: • comando direto – é assim definido quando a força de acionamento atua diretamente sobre qualquer mecanismo que cause a inversão da válvula; • comando indireto – é assim definido quando a força de acionamento atua sobre qualquer dispositivo intermediário que libera o comando principal que, por sua vez, é responsável pela inversão da válvula. Estes acionamentos são também chamados de combinados, servocomandados, entre outros, a exemplo de uma válvula direcional duplo piloto que seja colocada para direcionar o avanço ou retorno de um cilindro. A direção da válvula depende de um acionador, que pode ser um botão ou fim de curso. A Figura 57 mostra exemplos de acionamento direto e indireto. A a b A a2 2 2 1 3 1 3 12 a0 a2 2 1 3 Figura 57 - a) Acionamento direto; b) Acionamento indireto Fonte: PARKER, 2001 4.4.2 AcioNAdores Os acionadores são dispositivos responsáveis pelo movimento dos atuadores. Os principais acionadores podem ser musculares, mecânicos, pneumáticos, elétricos e combinados. Vamos ver cada um deles. Acionamentos musculares São conhecidos como válvulas de painel. Na mudança do estado da válvula, o acionamento é feito por uma pessoa. Os acionamentos musculares podem ser por botões, alavancas, pedais e outros. Os contatos podem ser NA ou NF. A Figura 58 mostra alguns tipos de acionamentos musculares. 74 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Botão Simbologia Simbologia Simbologia Alavanca Pedal Figura 58 - Tipos de acionamentos musculares Fonte: PARKER, 2001 Acionamentos mecânicos Conseguimos o comando da válvula por meio de um contato mecânico sobre o acionamento, colocado estrategicamente ao longo de um movimento qualquer para permitir o acionamento de sequências operacionais. Comumente, as válvulas com esse tipo de acionamento recebem o nome de válvulas fim de curso. As válvulas devem estar situadas o mais próximo possível ou devem estar diretamente acopladas aos equipamentos comandados (cilindros, motores e outros), para que as tubulações secundárias sejam bem curtas, evitando consumos inúteis de ar comprimido e perdas de pressão. Os tipos de acionamento de fim de curso são: tipo pino, tipo rolete e tipo rolete escamoteável. Veremos agora, todos esses tipos. • Acionamento por pino – Quando um mecanismo móvel é dotado de movimento retilíneo, sem possibilidades de ultrapassar um limite e ao fim do movimento deve acionar uma válvula, o recomendado é o acionamento por pino, que recebe um ataque frontal; (Figura 59) Simbologias Figura 59 - Acionamento por pino Fonte: PARKER, 2001 • Acionamento por rolete – Se a válvula necessita ser acionada por um mecanismo com movimento rotativo, retilíneo, com ou sem avanço anterior, é aconselhável utilizar o acionamento por rolete, para evitar atritos inúteis e solicitações danosas em relação às partes da válvula (Figura 60). 4 ElEmEntos pnEumáticos 75 Simbologias Figura 60 - Acionamento por rolete Fonte: PARKER, 2001 • Acionamento por rolete escamoteável – Utilizado nas posições intermediárias ou fim de curso, em que podem ocorrer problemas de “contrapressão”. O posicionamento no final de curso, com leve afastamento, evita que permaneça constantemente acionado, como o pino e o rolete. Difere dos outros por permitir o acionamento da válvula em um sentido do movimento, emitindo um sinal pneumático breve. Na Figura 61 reparamos que, quando o mecanismo de movimento está indo à direita, é acionado o rolete escamoteável, ou seja, ele manda um pulso de pressão. Quando o mecanismo de movimento vai para a esquerda, não consegue acionar o rolete por ser escamoteável em um dos lados. Simbologias Figura 61 - Acionamento por rolete escamoteável Fonte: PARKER, 2001 A Figura 62 mostra os posicionamentos dos acionamentos mecânicos por pino, por rolete e por rolete escamoteável. Comanda a válvula Não comanda a válvula a b c Figura 62 - Posicionamento dos acionamentos mecânicos. a) por pino; b) por rolete; c) por rolete escamoteável Fonte: PARKER, 2001 76 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Acionamentos pneumáticos As válvulas equipadas com este tipo de acionamento são comutadas (acionadas) pela ação do ar comprimido proveniente de um sinal preparado pelo circuito e emitido por outra válvula. São representados por piloto positivo e piloto negativo. • Piloto negativo – Também conhecido como comando direto por alívio de pressão, nele acionamento da válvula ocorre quando existe a falta de pressão no piloto (Figura 63). Figura 63 - Acionamentos pneumáticos: piloto negativo Fonte: PARKER, 2001 • Piloto positivo – Também conhecido como comando direto por aplicação de pressão, nele acionamento da válvula ocorre quando existe o pulso de pressão no piloto (Figura 64). Figura 64 - Acionamentos pneumáticos: piloto positivo Fonte: PARKER, 2001 Acionamentos elétricos A operação das válvulas é efetuada por meio de sinais elétricos provenientes de chaves fim de curso, pressostatos, temporizadores e outros. São de grande utilização nas seguintes situações: a) quando a rapidez dos sinais de comando é o fator importante; e b) quando os circuitos são complicados e as distâncias são longas entre o local emissor e o receptor. A seguir,veremos o tipo de acionamento combinado. Acionamentos combinados Quando é efetuada a alimentação da válvula principal, a que realizará o comando dos conversores de energia, podemos emitir ou desviar um sinal por meio de um canal interno ou conexão externa. Esse sinal ficará retido, direcionando-o para efetuar o acionamento da válvula principal que, posteriormente, é colocada para exaustão. As válvulas de pré-comando são geralmente elétricas (solenoides), pneumáticas (piloto), manuais (botão), mecânicas (came ou esfera). Os tipos de acionamentos combinados são por eletroímã e válvula de pré-comando interno; por eletroímã e válvula de pré-comando externo; por solenoide e piloto ou botão. Vamos analisar cada um deles. 4 ElEmEntos pnEumáticos 77 • Por eletroímã e válvula de pré-comando interno (servocomando) – Quando o solenoide é energizado, o campo magnético criado junto com o ar comprimido que entra desloca o induzido, liberando o piloto interno. Necessita do ar e do solenoide para ocorrer o acionamento (Figura 65). Figura 65 - Acionamento combinado por eletroímã e válvula de pré-comando interno Fonte: PARKER, 2001 • Por eletroímã e válvula de pré-comando externo – Quando o solenoide é energizado, o campo magnético criado desloca o induzido, liberando o piloto externo. Funciona com o solenoide em conjunto com o ar comprimido (Figura 66). Figura 66 - Acionamento combinado por eletroímã e válvula de pré-comando externo Fonte: PARKER, 2001 • Solenoide e piloto ou botão – A válvula principal pode ser comandada por meio da eletricidade, que cria um campo magnético, causando o afastamento induzido do assento e liberando a pressão que aciona a válvula. Também pode ser acionada por meio de um botão, o qual despressuriza a válvula internamente. O acionamento por botão conjugado ao elétrico é de grande importância, porque permite testar o circuito, sem necessidade de energizar o comando elétrico, permitindo a continuidade de operação quando faltar energia elétrica (Figura 67). Figura 67 - Acionamento combinado por solenoide e piloto ou botão Fonte: PARKER, 2001 78 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL reCaPItuLando Estudamos, neste capítulo, os elementos necessários para fazer os circuitos pneumáticos. Descobrimos que um circuito pneumático se divide em elementos de trabalho, elementos de processamentos de sinais, elementos de comando, elementos de sinais, produção, tratamento e produção. Os elementos de trabalho são os atuadores, que transformam o ar em movimento, tanto linear quanto giratório. Já os elementos de comando são aqueles responsáveis por controlar esse movimento dos atuadores. Os elementos de processamentos de sinais são as lógicas de controle, e os elementos de sinais são os que darão o início para o funcionamento dos elementos de processamentos de sinais como, por exemplo, um botão. Vimos também alguns acionadores e os tipos de acionadores que existem, bem como as divisões de cada tipo, apresentando as opções de escolha. 4 ElEmEntos pnEumáticos 79 Anotações: 5 Simbologias da pneumática e tecnologia do vácuo Como vimos nos capítulos anteriores, não há muita dificuldade para entender o que é um circuito pneumático. Mas, para fazer um esquema desse circuito, de forma simples e de fácil compreensão, devemos utilizar simbologias específicas. Neste capítulo aprenderemos a trabalhar com simbologias e aplicar o princípio de funcionamento do vácuo. Aprenderemos como surge o vácuo e como controlá-lo, bem como suas aplicações na indústria. 5.1 rePreSentação SImbóLICa de aCordo Com o tIPo de aCIonamento A Figura 68 representa a simbologia de uma válvula direcional 2/2 vias NF tipo rolete. Notamos que, enquanto a válvula direcional não é acionada, não existe a passagem de ar entre 1 e 2. Quando o rolete é acionado ocorre a passagem de ar entre 1 e 2. Quando o rolete é desacionado o retorno da válvula se dá pela pressão da mola. 2 1 Figura 68 - Válvula direcional 2/2 vias NF com acionamento por rolete e retorno por mola Fonte: PARKER, 2001 5.1.1 deFiNição dAs posições (coNForme vdi 3260) Há certos posicionamentos que devem ser considerados de acordo com o movimento executado. Temos três tipos de posições: • Posição de repouso da instalação – A instalação está sem energia. O estado dos componentes é definido pela configuração geral do sistema. • Posição de repouso dos componentes – Posição que assumem as partes móveis de uma válvula quando ela não está acionada (para válvulas que possuem uma posição definida de repouso, por exemplo, retorno por mola). 82 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL • Posição inicial – Posição que assumem as partes móveis de uma válvula após sua montagem na instalação e na conexão de ar comprimido da rede com a qual se torna possível o funcionamento da instalação. No Quadro 11 vemos a representação simbólica dos componentes. PosIção CIlIndro Inicialmente recuado Inicialmente avançado VálVulAs Posição de repouso Inicialmente acionada Sentido de acionamento No esquema, deve ser indicado o sentido de acionamento do gatilho 1.3 1.3 Quadro 11 - Representação simbólica dos componentes Fonte: Autor 5.1.2 simBoloGiA GráFicA de circuitos pNeumáticos coNForme NormA iso 1219 (NBr 8896) Para fazer um circuito é necessário ter conhecimento acerca das simbologias. No anexo A estão apresentadas as simbologias que podem ser utilizadas na pneumática, na hidráulica, na eletropneumática e na eletro- hidráulica, conforme as normas. 5 SimbologiaS da pneumática e tecnologia do vácuo 83 5.2 teCnoLogIa do váCuo As aplicações do vácuo na indústria são limitadas apenas pela criatividade ou pelo custo. As mais comuns envolvem o levantamento e o deslocamento de cargas, como: • movimentação de cargas; • manipulação de peças frágeis; • manipulação de peças com temperatura elevada, usando ventosas de silicone; • operações que requerem condições de higiene; • movimentação de peças muito pequenas; • movimentação de materiais com superfícies lisas. A palavra vácuo, originária do latim vacuus, significa vazio. Entretanto, podemos definir tecnicamente que um sistema se encontra em vácuo quando está submetido a uma pressão inferior à pressão atmosférica. No exemplo mostrado na Figura 69, é efetuada a retirada de uma tampa móvel. Com a retirada da tampa vai ser criada uma pressão negativa (menor do que a pressão atmosférica), que é o vácuo. 1 - Uma força de 2 kgf, é aplicada... 2 - ... na tampa móvel cuja área mede 2 cm2 3 - Resultará numa pressão negativa de - 1 kgf/cm2 4 - Gerando um vácuo de - 1 kgf/cm2, no interior do recipiente 5 - Essa pressão negativa, depressão, é inferior à pressão atmosférica externa a qual está submetido o recipiente. 2 kgf 2 cm2 -1 kgf/cm2 Figura 69 - Princípio de funcionamento de um vácuo Fonte: PARKER, 2001 Esse princípio é utilizado pela maioria das bombas de vácuo encontradas no mercado. Por meio do movimento de peças mecânicas especialmente construídas para essa finalidade, procuramos retirar o ar atmosférico presente em um reservatório ou tubulação, criando uma pressão negativa ou vácuo. 84 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL 5.2.1 eFeito veNturi Para aplicações industriais, há outras formas mais simples e baratas de obter vácuo. Uma delas é a utilização do efeito Venturi. A técnica consiste em fazer fluir ar comprimido por um tubo que possui uma redução do diâmetro interno, provocando um estrangulamento à passagem do ar. O ar que flui pelo tubo, ao encontrar a redução, tem seu fluxo aumentado devido à passagem estreita. O aumento do fluxo do ar comprimido, no estrangulamento, provoca uma sensível queda de pressão na região. Um orifício externo, construído estrategicamente na região reduzida do tubo, sofrerá então uma depressão provocada pela passagem do ar comprimido pelo estrangulamento. Isso significa que surgirá um vácuo parcial dentro do orifício que, ligado à atmosfera, permitirá que o ar atmosférico, cuja pressão é maior, penetre no orifício em direção à grande massa dear que flui pela redução do tubo. A Figura 70 ilustra como é gerado um vácuo pelo princípio de Venturi, e umas ventosas que são utilizadas no ramo industrial. O vácuo servirá para pegar alguns tipos de materiais por meio da ventosa. 1 - O ar comprimido entra pelo pórtico P... 2 - ... e sai para atmosfera pelo pórtico R 3 - A restrição provoca um aumento a velocidade do luxo de ar... 4 - ... gerando um vácuo parcial neste orifício, por onde o ar atmosférico penetra do pórtico A P A R Simbologias Figura 70 - Princípio do efeito de Venturi e ventosas Fonte: FESTO, 2012b Pesquise sobre o funcionamento da técnica do injetor de ar para a geração do vácuo. SAIBA MAIS A Figura 71 mostra as simbologias utilizadas em ventosas, conforme as normas NBR 8897, DIN 24300 e ISO 1219, de acordo com a sua aplicação para pegar materiais. 5 SimbologiaS da pneumática e tecnologia do vácuo 85 Kg Superfície plana, seção �na Superfície plana, qualquer seção Superfície levemente curva, seção �na Superfície levemente curva, qualquer seção Superfície curva, seção �na Superfície curva, qualquer seção Material poroso, seção �na Material poroso, qualquer seção Material macio Manipulação de chapas planas Manipulação de chapas onduladas Diferentes níveis de altura Superfícies ásperas ou abrasivas Manipulação de produto estreito ou �no Resistência a óleo Força de levantamento elevada Levantamento vertical Impróprio para levantamento vertical Força de levantamento vertical Força de levantamento horizontal Figura 71 - Simbologias das ventosas de acordo com a sua aplicação Fonte: PARKER, 2001 reCaPItuLando Estudamos neste capítulo os modelos de representação dos movimentos e a simbologia gráfica dos elementos pneumáticos. Vimos que existem diversas simbologias específicas para cada tipo de componente pneumático. Compreendemos o princípio de funcionamento do vácuo, por meio do efeito Venturi, e os tipos de ventosas que existem de acordo com seu ambiente de trabalho. Aprendemos que o vácuo é importante, principalmente, para o transporte de produtos frágeis e de peças pequenas ou grandes. Entendemos que, para realizar o transporte, devemos utilizar ventosas específicas que tenham força de sução adequada para esse tipo de trabalho. 6 Comandos pneumáticos sequenciais e circuitos práticos Quando a montagem de um circuito pneumático ou hidráulico é complexa, o técnico deve dispor de certos esquemas de comando e sequências, segundo o desenvolvimento das máquinas. Deve representar as sequências dos movimentos de trabalho e de comando, de forma que possa ser identificado facilmente. Desse modo, caso haja um problema mais complexo, os movimentos serão reconhecidos de forma mais rápida e segura, pois foi escolhida uma forma mais apropriada para a representação dos movimentos. Além disso, uma representação clara possibilita uma compreensão bem melhor. Vamos apresentar as possibilidades de representação mais utilizadas. Por exemplo, considere somente os cilindros A e B. Nesse exemplo, os pacotes que chegam por uma esteira transportadora de rolos são levantados e empurrados pela haste de cilindros pneumáticos para outra esteira transportadora. Devido a condições de projeto, a haste do segundo cilindro só poderá retornar após a haste do primeiro ter retornado. A Figura 72 mostra esse processo. D B+ D- AUnidade de estocagem Unidade de remoção e empilhamento Remoção e transporte Unidade de transferência de produto B Entrada de produtos t1 t2 t3 a1a0 b1 b0 d1 Figura 72 - Exemplo para aplicação da representação dos movimentos Fonte: PARKER, 2001 88 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL 6.1 formaS de rePreSentação Os movimentos podem ser representados de diversas formas, sempre de maneira clara e segura de modo a permitir sua identificação. a) Sequência cronológica: • a haste do cilindro A avança e eleva o pacote; • a haste do cilindro B avança e empurra o pacote para a esteira II; • a haste do cilindro A retorna à sua posição inicial; • a haste do cilindro B retorna à sua posição inicial. b) Anotação em forma de quadro: o Quadro 12 mostra essa anotação. MoVIMenTo CIlIndro A CIlIndro b 1 avança parado 2 parado avança 3 recua parado 4 parado recua Quadro 12 - Anotação em forma de quadro Fonte: PARKER, 2001 c) Indicação vetorial Avanço -> Retorno <- Cilindro A -> Cilindro B -> Cilindro A <- Cilindro B <- d) Indicação algébrica Avanço + Retorno – Cilindro A+ Cilindro B+ Cilindro A- Cilindro B- 6 Comandos pneumátiCos sequenCiais e CirCuitos prátiCos 89 6.1.1 diAGrAmAs de movimeNtos • diagrama trajeto-passo – É representada a sequência de movimentos de um elemento de trabalho, por meio de duas coordenadas, uma representando o trajeto do elemento e outra o passo do elemento (diagrama trajeto-passo). A Figura 73 e Figura 74 exemplificam esse diagrama. 1 2 3 4 5 5 = 1 Cilindro avançado recuado Passos Figura 73 - Diagrama trajeto-passo Fonte: PARKER, 2001 Cilindro avançado recuado 1 2 3 4 5 1 0 1 0 5 = 1 A Cilindro avançado recuado B Figura 74 - Exemplo de diagrama trajeto-passo Fonte: PARKER, 2001 • diagrama trajeto-tempo – Nesse diagrama, o trajeto de uma unidade construtiva é desenhado em função do tempo, contrariamente ao diagrama trajeto-passo. A Figura 75 mostra esse diagrama. 1 1 0 0 Tempo Figura 75 - Diagrama trajeto-tempo Fonte: PARKER, 2001 90 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL 6.1.2 diAGrAmA de comANdo Anotamos os estados de comutação dos elementos de entrada de sinais e dos elementos de processamento de sinais, sobre os passos, não considerando os tempos de comutação. A Figura 76 mostra esse diagrama. 1 2 3 4 5 5 = 1 Cilindro avançado recuado Trajeto Passos Figura 76 - Diagrama de comando Fonte: PARKER, 2001 6.2 rePreSentação da numeração daS SImboLogIaS de um CIrCuIto PneumátICo Um circuito pneumático é representado por uma numeração específica, indicando onde está cada parte do circuito, conforme divisão mostrada no item sobre elementos pneumáticos que já estudamos. Essa forma de representação pode ser dividida assim: a) elementos de trabalho – é o atuador; podem ser representados em forma numérica ou em forma de letras, como mostrado a seguir: Atuador Forma numérica Forma por letras 1 1.0 A 2 2.0 B 3 3.0 C b) elementos de comando – é a válvula direcional que controla o atuador; podem ser representados por: Válvula direcional do atuador Forma numérica Forma por letras 1 1.1 a0 2 2.1 b0 3 3.1 c0 Os circuitos a seguir serão apresentados apenas com um atuador (atuador A). 6 Comandos pneumátiCos sequenCiais e CirCuitos prátiCos 91 c) elementos de sinais – são os sensores ou fim de curso utilizados para o retorno ou avanço do atuador. Os sensores ou fim de curso que são responsáveis pelo avanço do atuador ficam ligados à esquerda da válvula direcional, e recebem os valores pares. Os sensores ou fim de curso que são responsáveis pelo retorno do atuador ficam ligados à direita da válvula direcional, e recebem os valores ímpares. Forma numérica Forma por letras avanço 1.2 a2 avanço 1.4 a4 retorno 1.3 a1 retorno 1.5 a3 d) elementos auxiliares – são as válvulas de controle de fluxo ou válvulas de escape rápido. Forma numérica Forma por letras avanço 1.02 a.02 retorno 1.01 a.01 Para o controle do avanço de um atuador utilizamos a válvula reguladora de fluxo no retorno do atuador, e para o controle do retorno utilizamos a válvula reguladora de fluxo no avanço do atuador. VOCÊ SABIA? e) elementos de processamento de sinais – são as válvulas alternadoras, as válvulas de simultaneidade, os temporizadores e os contadores. Sua numeração vem após a numeração dos elementos de comando, sendo que os responsáveis pelo avanço (ligados à esquerda da válvula direcional) recebem valores pares, e os responsáveis pelo retorno (ligados à direita da válvula direcional), ímpares. Forma numérica Forma por letras * Forma por letras ** avanço 1.6a.04 a.02 retorno 1.7 a.03 a.01 Obs: (*) A forma por letras terá as representações a.03 e a.04 quando tiver válvulas reguladoras de fluxo. (**) Quando não há válvulas reguladoras de fluxo, o avanço tem a representação a.02 e o retorno a.01. 6.2.1 elemeNtos de produção, trAtAmeNto e distriBuição A representação somente é numérica, sendo representada por 0.1. As representações numéricas ou por letras são apresentadas na Figura 77. 92 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL 1.1 4 2 5 31 1.6 2 1 1 1 1 21.2 1.42 2 3 3 3 0.1 1.7 1 1 12 2 1 3 1.5 1.0 a. 0 4 2 5 31 a. 02 2 1 1 1 1 2 a. 2 a. 42 2 3 3 3 a. 01 1 1 12 2 1 3 a. 5 A a. 3 a3 1.3 Elementos de trabalho Elementos de comando Elementos de processamento de sinais Elementos de sinais Elementos de produção, tratamento e distribuição Figura 77 - Divisão de um circuito pneumático, utilizando uma representação numérica e por letras Fonte: FESTO, 2012b 6.3 método IntuItIvo de ConStrução de CIrCuItoS PneumátICoS Produtos que chegam por uma esteira transportadora de rolos são levantados e empurrados pela haste de cilindros pneumáticos para outra esteira transportadora, como, por exemplo, o transporte de produtos. Devido a condições de projeto, a haste do segundo cilindro só poderá retornar depois que a haste do primeiro tiver retornado. A Figura 78 mostra esse processo. Produto Estoque de produtos Estocagem de caixas Unidade de estocagem Unidade de transferência de produto Estoques de caixas de papelão Saídas de produtos embalados m = 3 n = 3 Estoque de produtos Rotação completa da caixa de papelão B A 1 = 2 Figura 78 - Exemplo para utilizar o método intuitivo: transporte de produtos Fonte: PARKER, 2001 procedimento para a realização do projeto Para fazer o projeto, é recomendado o cumprimento das seguintes etapas: 1 - determinar a sequência de trabalho; 2 - elaborar o diagrama de trajeto-passo; 6 Comandos pneumátiCos sequenCiais e CirCuitos prátiCos 93 3 - colocar no diagrama trajeto-passo os elementos fins de curso a serem utilizados; 4 - desenhar os elementos de trabalho; 5 - desenhar os elementos de comando correspondentes; 6 - desenhar os elementos de sinais; 7 - desenhar os elementos de abastecimento de energia; 8 - traçar as linhas dos condutores de sinais de comando e de trabalho; 9 - identificar os elementos; 10 - colocar no esquema a posição correta dos fins de curso, conforme o diagrama de trajeto e passo; 11 - verificar se é necessária alguma anulação de sinais permanentes (contrapressão) em função do diagrama de trajeto-passo; 12 - introduzir as condições marginais. Resolução do circuito Uma sequência para resolver esse circuito é o seguinte: A+ b+ A- b- Formas de fazer o circuito O circuito pode ser feito de duas maneiras: 1) Fazer a sequência de funcionamento por meio do método intuitivo: a) aciona o botão; b) avança o cilindro A; c) aciona o fim de curso do cilindro A avançado; d) avança o cilindro B; e) aciona o fim de curso do cilindro B avançado; f ) recua o cilindro A; g) aciona o fim de curso do cilindro A recuado; h) recua o cilindro B; i) aciona o fim de curso do cilindro B recuado. 2) Fazer a sequência de funcionamento por meio do método intuitivo, utilizando setas: 94 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL A Figura 79 mostra essa sequência. Botão A+ a1 b1 B+ A- a0 B- Figura 79 - Sequência de funcionamento pelo método intuitivo Fonte: FESTO, 2012B Em que: • a1 representa o acionamento do fim de curso A avançado; • a0 representa o acionamento do fim de curso A recuado; • b1 representa o acionamento do fim de curso B avançado; e • b0 representa o acionamento do fim de curso B recuado. O circuito ficaria como está exposto na Figura 80. 1 5 3 14 4 2 5 4 2 1 2 3 a1 1412 12 3 1 b1 a0 A B Figura 80 - Acionamento indireto para avanço e retorno dos cilindros A e B Fonte: PARKER, 2001 Utilizando as representações mostradas anteriormente, o circuito ficaria como mostra a Figura 81. 1 5 3 14 4 2 5 4 2 2 1 3 1 3 1412 12 3 1 b1 A B b1 a.01 a.02 a.0 b2 a.04 1 1 a4 2 2a2 b.01 b.02 b0 1 5 3 14 4 2 5 4 2 2 1 3 1 3 1412 12 3 1 1.3 1.0 2.0 2.3 1.01 1.02 2.2 1.6 1 11.4 2 2 1.2 2.01 2.02 1.1 2.1 Figura 81 - Circuito pneumático com a representação em forma de letras e numérica Fonte: FESTO, 2012b 6 Comandos pneumátiCos sequenCiais e CirCuitos prátiCos 95 6.4 CIrCuItoS PneumátICoS PrátICoS a) Circuito 1 Comandar um atuador de simples ação (comando direto). A Figura 82 mostra este tipo de circuito. Ao acionar o botão a2, modificará internamente a posição da válvula direcional, permitindo que o atuador avance. Ao soltá-lo, a mola permite que a válvula direcional do botão volte à posição inicial e que não vá ar novamente ao atuador. Esse atuador, por ser com retorno por mola, retorna. 1 3 2a2 A Figura 82 - Circuito 1 Fonte: PARKER, 2001 b) Circuito 2 Comandar um atuador de simples ação utilizando uma válvula simples piloto (comando indireto). A Figura 83 mostra esse circuito. Ao acionar o botão a2, modificará internamente a posição da válvula direcional, permitindo que vá ar comprimido na válvula direcional a0 de 3/2 vias (avanço por piloto e retorno por mola). Esta válvula direcional muda de posição, permitindo que o ar comprimido vá até o atuador, fazendo-o avançar. Ao soltar o botão, a mola dele faz com que a válvula direcional volte para a posição inicial, não enviando ar para a válvula direcional a0. Esta válvula direcional a0, sem ar no seu piloto, faz com que a força da mola deixe a válvula voltar à sua posição inicial, não enviando mais ar comprimido para o atuador. O atuador, sendo retorno por mola, retorna. 1 3 2 1 3 2 12 A a0 a2 Figura 83 - Circuito 2 Fonte: PARKER, 2001 96 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL c) Circuito 3 Comandar um atuador de simples ação utilizando uma válvula duplo piloto. A Figura 84 mostra esse circuito. Ao acionar o botão a2, modifica a posição da válvula direcional a0, fazendo o atuador de simples ação avançar. Soltando o botão a2, o atuador continua avançado, pois a válvula direcional a0 é duplo piloto. O atuador só retornará quando acionar o botão a1, que faz a válvula direcional mudar de posição, voltando o atuador ao início. 1 3 2 1 3 1 3 2 12 A a0 a2 10 a1 2 Figura 84 - Circuito 3 Fonte: PARKER, 2001 d) Circuito 4 Comandar um atuador de simples ação de dois pontos diferentes e independentes (utilizar elemento OU). A Figura 85 mostra este circuito. Ao acionar o botão a2 OU o botão a4, modificará internamente a posição da válvula direcional, permitindo que vá ar comprimido na válvula direcional a0 de 3/2 vias (avanço por piloto e retorno por mola). A válvula direcional muda de posição, permitindo que o ar comprimido vá até o atuador, fazendo-o avançar. Ao soltar os botões, sua mola obriga que a válvula direcional volte para a posição inicial, não enviando ar para a válvula direcional a0. A válvula direcional a0, sem ar no seu piloto, permite que a força da mola deixe a válvula voltar à sua posição inicial, não enviando mais ar comprimido para o atuador. O atuador, sendo retorno por mola, retorna. 1 3 1 3 2 A a2 1 3 212 a0 2 1 1 a4 a.02 2 Figura 85 - Circuito 4 Fonte: PARKER, 2001 6 Comandos pneumátiCos sequenCiais e CirCuitos prátiCos 97 e) Circuito 5 Comandar um atuador de simples ação por meio de acionamento simultâneo de duas válvulas acionadas por botão (comando bimanual, utilizar elemento E). A Figura 86 mostra esse circuito. Ao acionarmos o botão a2 E o botão a4, modificaremos internamente a posição da válvula direcional, permitindo que vá ar comprimido na válvula direcional a0 de 3/2 vias (avanço por piloto e retorno por mola). A válvula direcional muda de posição, permitindo que o ar comprimido vá até o atuador, fazendo-o avançar. Ao soltar um dos botões não é enviado ar para a válvula direcional a0. A válvula direcional a0, sem ar no seu piloto, permite que a força da moladeixe a válvula voltar à sua posição inicial, não enviando mais ar comprimido para o atuador. O atuador, sendo retorno por mola, retorna. 1 3 1 3 2 A a2 1 3 212 a0 2 1 1 a4 a.02 2 Figura 86 - Circuito 5 Fonte: PARKER, 2001 f) Circuito 6 Comando indireto de um atuador de dupla ação, utilizando uma válvula duplo piloto e com controle de velocidade do atuador. A Figura 87 mostra esse circuito. Ao acionar o botão a2, modifica a posição da válvula direcional a0, fazendo o atuador de dupla ação avançar. O atuador terá um controle de velocidade de avanço por meio da válvula reguladora de fluxo a.02. Soltando o botão a2, o atuador continua avançado, pois a válvula direcional a0 é duplo piloto. O atuador só retornará quando acionar o botão a1, que faz a válvula direcional mudar de posição, voltando o atuador ao início. O atuador terá controle de velocidade de retorno por meio da válvula reguladora de fluxo a.01. 98 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL 1 5 3 4 2 1 2 2 3 1 3 12 A a.01 a.02 a2 a1 14 a0 Figura 87 - Circuito 6 Fonte: PARKER, 2001 g) Circuito 7 Comando de um atuador de dupla ação com avanço lento e retorno acelerado. A Figura 88 mostra este circuito. Ao acionar o botão a2, modificamos a posição da válvula direcional a0, fazendo o atuador de dupla ação avançar. Esse atuador terá um controle de velocidade de avanço por meio da válvula reguladora de fluxo a.02. Soltando o botão a2, o atuador continua avançado, pois a válvula direcional a0 é duplo piloto. O atuador só retornará quando acionar o botão a1, que faz a válvula direcional mudar de posição, voltando o atuador ao início. O atuador terá uma velocidade acelerada de retorno através da válvula de escape rápido a.01. 1 5 3 4 2 1 2 2 3 1 3 12 A a.01 a.02 a2 a1 14 a0 Figura 88 - Circuito 7 Fonte: PARKER, 2001 h) Circuito 8 Comando de um atuador de dupla ação, com ciclo contínuo utilizando uma válvula botão trava e controle de velocidade. 6 Comandos pneumátiCos sequenCiais e CirCuitos prátiCos 99 A Figura 89 mostra este circuito. Ao acionar o botão, o fim de curso do atuador recuado faz a válvula direcional mudar de posição, fazendo avançar o atuador de dupla ação. Quando o atuador avançar totalmente, acionará um fim de curso, que modificará a posição da válvula direcional, permitindo que o atuador recue. Chegando ao total recuo do atuador atingimos o fim de curso do atuador, recuado novamente. Por ter um botão com trava, se este foi acionado uma vez, mesmo se soltá-lo, permanecerá acionado. Com isso, o circuito funcionará de modo automático (avanço e recuo) e só vai parar se for acionado novamente o botão, que sairá da posição de trava, desligando o acionamento automático. Figura 89 - Circuito 8 Fonte: PARKER, 2001 reCaPItuLando Estudamos neste capítulo os modelos de representação dos movimentos, o método para a criação de circuitos pneumáticos, por meio de seu movimento, e alguns circuitos práticos. Vimos as representações dos circuitos pneumáticos com números ou letras, de acordo com sua função. Conhecemos os tipos de diagramas que existem, de acordo com o movimento que deve ser seguido pelo(s) atuador(es) para, consequentemente, construirmos o circuito equivalente ao movimento esperado. Compreendemos que, por meio de alguns circuitos prontos, podemos fazer uma adequação do circuito, com seu desenho esquematizado completo. 7 hidráulica: características, componentes e circuitos práticos A hidráulica é muito utilizada em situações de movimentação de cargas pesadas que não exijam velocidade de transporte. Desse modo, a hidráulica é bastante aplicada em diversos processos nas indústrias. O termo hidráulica, que é de origem grega hidro, significa água. Há muito tempo as pessoas utilizam a força dos fluidos para facilitar o trabalho diário, por meio de engenhos construídos com os conhecimentos da hidráulica, como bombas e rodas d’água. O objetivo dos engenhos é converter a energia da água em energia mecânica, como acontece em uma simples, mas eficiente, roda d’água (Figura 90). Figura 90 - Roda d’água Fonte: Autor A hidráulica utiliza um líquido confinado (óleo/água) para transmitir movimento multiplicando forças. Para ganhar em força, perdemos em deslocamento. Pelo fato de usar líquido praticamente incompressível, a transmissão de movimentos é instantânea. Assim, a hidráulica pode ser dividida em hidrostática e hidrodinâmica. Antes de conhecer as características da hidrostática e da hidrodinâmica, devemos entender os conceitos de fluído e viscosidade. O fluído é qualquer líquido ou gás, mas, em hidráulica, refere-se ao líquido utilizado como meio de transmitir energia (óleo ou água). As principais funções de um fluido hidráulico são: • transmitir energia; 102 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL • lubrificar peças móveis; • vedar folga entre essas peças móveis; • resfriar ou dissipar calor; • limpar o sistema. Os principais fluidos hidráulicos que existem são: • água (com aditivo); • óleos minerais; • fluidos sintéticos; • fluidos resistentes ao fogo (emulsões de glicol em água, soluções de glicol em água e fluidos sintéticos não aquosos). Já a viscosidade é a medida de resistência do fluido ao se escoar, ou seja, é a medida inversa à da fluidez. Se um fluido escoa facilmente, sua viscosidade é baixa e podemos dizer que é fino. Um fluido que escoa com dificuldade tem alta viscosidade; nesse caso, dizemos que o fluido é denso. Quanto maior for a temperatura de trabalho de um óleo, menor será sua viscosidade; ou seja, a viscosidade é inversamente proporcional à temperatura de trabalho. Um fluido com alto índice de viscosidade mudaria relativamente pouco com a temperatura. A maior parte dos sistemas hidráulicos industriais requer um fluido com índice de viscosidade de 90 ou mais. 7.1 hIdroStátICa A hidrostática é a água em repouso. Vamos estudar a lei de Pascal, a lei de Stevin, as escalas de pressão, os medidores de pressão e o empuxo. 7.1.1 leis AplicAdAs à hidráulicA lei de pascal A lei de Pascal pode ser assim resumida: “A pressão exercida em um ponto qualquer de um líquido estático é a mesma em todas as direções e exerce forças iguais em áreas iguais.” Isso explica por que uma garrafa de vidro se quebra se a rolha for forçada a entrar na garrafa cheia: o fluido, praticamente incompressível, transmite a força aplicada na rolha à garrafa, resultando disso uma força excessivamente alta em uma área maior do que a da rolha. Assim, é possível quebrar o fundo de uma garrafa aplicando uma força moderada na rolha. 7 Hidráulica: características, componentes e circuitos práticos 103 Um exemplo que podemos ver é a prensa hidráulica, em que fazemos força em um recipiente menor para elevar um recipiente maior com maior peso, como mostra a Figura 91. 10 1cm2 100 10cm2 Figura 91 - Princípio de uma prensa hidráulica Fonte: PARKER, 1999 Podemos notar que é executada a mesma força, pois: P A =F Em que: F = força (kgf); P = pressão A = área (cm2) kgf cm2( ) Lavoisier explica que “na natureza nada se cria e nada se perde, mas se transforma.” Nesse caso, podemos dizer que a energia não pode ser destruída, mas transformada em outro tipo de energia. A Figura 92 mostra que, em um recipiente com área de 1 cm², ao aplicar uma força de 10 kgf (se o outro recipiente tiver uma área de 10 cm²) podemos elevar um objeto que executa uma pressão de 100 kgf. O que ganhamos em relação à força precisa ser sacrificado em distância ou velocidade. lei de stevin A lei de Stevin diz o seguinte: “A diferença de pressão entre dois pontos de uma mesma massa líquida é igual à diferença de profundidade entre eles multiplicada pelo peso específico da fluído”. Aplicando a lei de Stevin à situação ilustrada na Figura 92, temos: 104 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL P1 P2 A Z1 Z22 1 Peso da água Figura 92 - Aplicação da lei de Stevin Fonte: SOUZA, R., 2010 P2 – P1 = ρ . g . (Z2 - Z1) P2 = ρ . g . Z2 (quando Z1 = 0) Em que: •ρ = peso específico; • g = gravidade (9,81 m/s² ou 10 m/s²). Exemplo: Determine a pressão sobre um ponto situado a uma profundidade de 30 m. Dados: (ρ= 1.000 kg/m³; g = 9,81 m/s²ou 10 m/s²). P = ρ . g . h P = 1000 .9,81 . 30 P = 294.300 Pa = 294,3 kPa P = 30 mca (metros de coluna de água). 7.1.2 outrAs cArActerísticAs dA hidráulicA • Fácil instalação dos diversos elementos; • rápida parada e inversão de movimento; • variações micrométricas na velocidade; • sistemas autolubrificantes; • pequeno tamanho e peso em relação à potência consumida; • sistemas seguros contra sobrecargas; • alta potência (força); • velocidade variável – através da válvula reguladora de fluxo; • proteção contra sobrecarga – através da válvula de segurança ou limitadora de pressão; 7 Hidráulica: características, componentes e circuitos práticos 105 • adaptação à forma do recipiente em que está armazenado – os líquidos têm a propriedade de tomar a forma do recipiente em que estão armazenados; • incompressibilidade dos líquidos – um líquido, quando é pressionado, exibe características de sólidos. Os líquidos são relativamente impossíveis de serem comprimidos. Sendo os líquidos incompressíveis, podem tomar a forma do recipiente. Assim, eles possuem certas vantagens na transmissão de força. transmissão de força A força é transmitida através de um sólido em uma única direção; ou seja, se empurrarmos o sólido em uma direção, a força será diretamente transmitida ao lado oposto. No caso da força aplicada a um recipiente cheio de líquido, o líquido do recipiente transmitirá pressão em todos os sentidos e direções. A Figura 93 mostra esta comparação entre um sistema com sólido e um sistema com líquido. Pistão móvel Pistão móvel Só di o Lí qu id o Figura 93 - Força exercida sobre um objeto com sólido e sobre objeto com líquido Fonte: PARKER, 1999 Intensificador (multiplicador de pressão) O intensificador multiplica ou intensifica uma pressão hidráulica existente, recebendo a pressão hidráulica sobre um êmbolo de grande área e aplicando a força resultante a um êmbolo de área menor. Exemplo: se tivermos um intensificador com uma área (A1) de 140 cm² e aplicarmos uma pressão (P1) de 35bar, teremos uma força (F1) de 4.900 kgf. Portanto: F1 = P1.A1 = 35.140 = 4900kgf F1P2 A2 = = =4900 50 98bar Teremos uma pressão (P2) intensificada no segundo estágio de 98bar considerando a área (A2) 50 cm². 106 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL A Figura 94 mostra esse exemplo: F1P1 A1 A2 P2 Figura 94 - Exemplo de um intensificador de pressão Fonte: PARKER, 1999 Pressão em uma coluna de fluido O peso do fluido gera pressão no fundo de uma coluna. Supondo um reservatório de água de 10m de altura, temos em sua base a pressão de 1bar (1 kgf/cm²). Na Figura 95 são colocados dois reservatórios de diâmetros diferentes (um com 10cm de diâmetro e outro com 1cm), com água a uma altura de 10 metros. 10 cm 1 cm 10 00 c m 1 kg/cm2 1 kg/cm2 Água Ág ua Figura 95 - Reservatórios de água Fonte: PARKER, 1999 Neste caso, percebemos que a pressão marcada por ambos os manômetros é de 1 kgf/cm², pois não importam os diâmetros dos reservatórios, e, sim, a altura da coluna de água. Agora, se notarmos a Figura 96, perceberemos que, quanto mais próximo da base estiver o furo, maior será a pressão hidrostática e o jato de líquido irá mais longe. Figura 96 - Reservatório de água com três furos Fonte: PARKER, 1999 7 Hidráulica: características, componentes e circuitos práticos 107 7.2 hIdrodInâmICa A hidrodinâmica é a ciência que estuda a água em movimento. Nesse item, abordaremos aspectos importantes da hidrodinâmica para a hidráulica, tais como vazão, regime de escoamento e o princípio de Bernoulli. 7.2.1 velocidAde x vAzão Em sistemas dinâmicos, o fluido que passa pela tubulação se desloca a certa velocidade. Esta é a velocidade do fluido que, de modo geral, é medida em centímetros por segundo (cm/seg). O volume do fluido que passa pela tubulação em um determinado período de tempo corresponde à vazão: Q (vazão) = V (velocidade) x A (área), em litros por segundo (l/s). A velocidade do fluxo através de um tubo é inversamente proporcional ao quadrado de seu diâmetro interno. Vamos supor um tubo com dois diâmetros, sendo o primeiro diâmetro o dobro do segundo. Tendo o tubo menor a metade do diâmetro do primeiro, a área será quatro vezes menor; portanto, a mesma vazão deverá passar com uma velocidade quatro vezes maior. princípio de Bernoulli O princípio de Bernoulli diz que a soma da energia potencial e da energia cinética são constantes para uma vazão constante, nos vários pontos de um sistema. Quando o diâmetro de um tubo diminui, a velocidade do fluido aumenta. A energia cinética aumenta. Logo, a energia cinética precisa ser compensada pela redução da pressão. A Figura 97 mostra esse princípio. Pressão menor Figura 97 - Aplicação do princípio de Bernouli Fonte: PARKER, 1999 108 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Fluxo laminar e fluxo turbulento O fluido tem um fluxo laminar (condição ideal) quando as moléculas de um líquido se movimentam paralelamente ao longo de um tubo, o que acontece até uma certa velocidade. Quando há o aumento da velocidade do fluido, as perdas de pressão são maiores devido ao aumento de atrito e geração de calor, tendo assim um fluxo turbulento. Com a presença do fluxo turbulento ocorre um aumento do atrito em quatro vezes. A Figura 98 mostra os tipos de fluxos. O tipo de fluxo depende de alguns fatores, como a velocidade do fluido, o diâmetro do tubo, a viscosidade do fluido, rugosidade interna da parede do tubo e outros. Fluxo laminar Fluxo turbulento Figura 98 - Exemplo de fluxo laminar e turbulento Fonte: PARKER, 1999 Número de reynold O número de Reynold é um número adimensional usado em mecânica dos fluidos para o cálculo do regime de escoamento de determinado fluido sobre uma superfície. É utilizado, por exemplo, em projetos de tubulações industriais e asas de aviões. Para saber quando o fluxo é laminar ou turbulento, calculamos o número de Reynold - Re. V.dRe v = Em que: • Re = Reynold, número puro; • d = diâmetro interno do tubo em cm; • V = velocidade do fluido em cm/s; • v = viscosidade cinemática do fluido em stokes (de 0,45 a 0,50 para óleo hidráulico). 7 Hidráulica: características, componentes e circuitos práticos 109 O número de Reynold indica o tipo de fluxo (ou escoamento): • de 0 a 2.000 indica que o fluxo é laminar; • de 2.000 a 3.000 o fluxo pode ser laminar ou turbulento; dependerá de outros fatores, como restrições, curvas etc.; • acima de 3.000 indica que o fluxo é turbulento. Geração de calor A geração de calor em um sistema hidráulico é causada pelo movimento de um líquido, relativamente a mudanças de direção, viscosidade e atrito. diferencial de pressão Um diferencial de pressão é simplesmente a diferença de pressão entre dois pontos do sistema e pode ser caracterizado por: • indicar que a energia de trabalho, na forma de movimento de líquido pressurizado, está presente no sistema; • medir a quantidade de energia de trabalho que se transforma em calor entre os dois pontos. transmissão de energia hidráulica A hidráulica pode ser definida como um meio de transmitir energia, pressionando um líquido confinado. O componente de entrada de um sistema hidráulico chama-se bomba, e o de saída, atuador. As principais unidades utilizadas na hidráulica são apresentadas no Quadro 13. Pressão VAzão desloCAMenTo Força exercida por unidade de área Volume deslocado por unidade de tempo Volume deslocado por revolução Causa: • resistência ao escoamento do fluido; • restrição na tubulação; • carga do atuador. Principais unidades: • kgf/cm² (kilograma-força por centímetro quadrado); • bar; • psi (libra por polegada quadrada). Causa: diferença de potencial energético. Principais unidades: • gpm (galão por minuto); • lpm (litro por minuto). Principal unidade: • cm³/rev (centímetrocúbico por revolução). Quadro 13 - Principais unidades utilizadas na hidráulica Fonte: Autor 110 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL 7.3 ComPoSIção de um SIStema hIdráuLICo O sistema hidráulico possui diversos componentes e está dividido conforme mostra a Quadro 14. Fonte de energia Motor elétrico ou a combustão. Sistema hidráulico Gera, controla e aplica potência hidráulica. Grupo de geração Transforma potência mecânica em hidráulica – bombas hidráulicas. Grupo de controle Controla a potência hidráulica – comandos e válvulas. Grupo de atuação Transforma potência hidráulica em mecânica – cilindros e motores. Grupo de ligação Conexões, tubos e mangueiras. Sistema hidráulico Fonte de energia Trabalho a ser executado Grupo de geração Grupo de controle Grupo de atuação Grupo de ligação Quadro 14 - Composição de um sistema hidráulico Fonte: PARKER, 1999 O Quadro 15 mostra a divisão de um sistema hidráulico. 2 4 5 6 7 M 8 9 3 3 2 9 8 6 5 4 1 7 1 1. Atuador Pode ser linear ou um motor hidráulico. 2. Válvula reguladora de pressão Serve para regular a pressão que vai para o atuador, controlando a sua velocidade. 3. Válvula direcional Serve para controlar a direção do atuador (avanço e retorno no atuador linear ou horário e anti-horário em motor hidráulico). 4. Válvula de fluxo Serve para que o fluído hidráulico funcione em somente uma direção. 5. Manômetro Serve para visualizar a pressão de trabalho. 6. Válvula reguladora de pressão Serve para regular a pressão máxima de trabalho. 7 Hidráulica: características, componentes e circuitos práticos 111 7. Bomba hidráulica Serve para transformar a energia de giro em energia de pressão do fluído. 8. Filtro Serve para retirar as impurezas provenientes do circuito hidráulico. 9. Reservatório É para onde vai e de onde sai todo o fluído hidráulico do sistema hidráulico. Quadro 15 - Composição de um sistema hidráulico Fonte: PARKER, 1999 O reservatório e os filtros (tanto do reservatório quanto de fora dele) são vistos na Figura 99, que também mostra um reservatório real. M Filtro de pressão de 3 a 5 µ 3 x vazão da bomba Linha de pressão Linha de retorno Conjunto motor-bomba Visor de nível e temperatura do óleo Linha de sucção Filtro de sucção de 90 a 120 µ 3 x vazão da bomba Chicana 2/3 do nível do óleo Funções: Evitar turbulência; Refrigerar o óleo; Retirar o ar do óleo Filtro de ar (respiro) 2 x vazão da bomba Filtro de retorno com by-pass de 15 a 25 µ 3 x vazão da bomba Dreno Volume do reservatório 2 a 4 x vazão da bomba Linha de dreno 20% ar a b . Figura 99 - a) Reservatório; b) Filtros Fonte: PARKER, 1999 7.3.1 Filtros Todos os fluidos hidráulicos contêm uma certa quantidade de contaminantes. Na maioria de vezes, a necessidade do filtro não é reconhecida, porque sua inclusão não aumenta, de forma aparente, a ação da máquina. Todavia, as partículas de sujeira podem produzir falhas em máquinas caras e grandes. O excesso de contaminação causa: • perda de produção; • custo de reposição de componentes; • trocas constantes de fluido; • custo no descarte do fluido; • aumento geral dos custos de manutenção. O tamanho das partículas interfere diretamente na contaminação do sistema hidráulico. Esse sistema é dividido de acordo com a Tabela 5. Tabela 5: Tamanho relativo das partículas Substância Microns Polegadas Grão de sal refinado 100 .0039 Cabelo humano 70 .0027 Limite máximo de visibilidade 40 .0016 Farinha de trigo 25 .0010 Célula vermelha do sangue 8 .0003 Bactéria 2 .0001 Fonte: PARKER, 1999 112 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Um mícron é igual a um milionésimo de um metro, e o menor limite de visibilidade para o olho é de 40 mícrons. Em outras palavras, uma pessoa normal pode enxergar uma partícula que mede 40 mícrons, no mínimo. Isso significa que, embora uma amostra de fluido hidráulico pareça estar limpa, ela não está necessariamente limpa. VOCÊ SABIA? O Quadro 16 faz uma comparação com os meios de filtragem na hidráulica. MATerIAl MeIos FIlTAnTe eFICIênCIA de CAPTurA CAP. de reTenção Pressão dIFerenCIAl VIdA no sIsTeMA CusTo gerAl fibra de vidro alta alta moderada alta moderada para alta celulosa (papel) moderada moderada alta moderada baixa tela baixa baixa baixa moderada moderada para alta Quadro 16 - Comparação entre os tipos filtrantes hidráulicos Fonte: PARKER, 1999 Um sistema hidráulico possui determinados tipos de filtros que estão apresentados no anexo B. 7.3.2 reservAtórios hidráulicos Os reservatórios hidráulicos consistem de quatro paredes (geralmente de aço), uma base abaulada, um topo plano com uma placa de apoio, quatro pés, linhas de sucção, retorno e drenos, plugue do dreno, indicador de nível de óleo, tampa para respiradouro e enchimento, tampa para limpeza e placa defletora (Chicana). A Figura 100 mostra o esquema de um reservatório. Base abaulada Linha de retorno Linha de dreno Placa de�etora Plug de dreno Tampa para limpeza Linha de sucção Tampa para respiradouro e enchimento Indicador de nível de óleo e temperatura Placa de apoio Figura 100 - Esquema de um reservatório Fonte: PARKER, 1999 Todas as linhas de retorno devem estar localizadas abaixo do nível do fluido e no lado do defletor oposto à linha de sucção. Os reservatórios podem ser convencionais, em forma de L ou suspensos. Os reservatórios convencionais são os mais comumente usados dentre os reservatórios hidráulicos industriais. Os reservatórios em forma de L e os suspensos permitem à bomba uma altura manométrica positiva do fluido. A Figura 101 mostra esses três tipos de reservatórios. 7 Hidráulica: características, componentes e circuitos práticos 113 Suspenso Convencional Em forma de L Figura 101 - Tipos de reservatórios Fonte: PARKER, 1999 7.3.3 resFriAdores (trocAdores de cAlor) Na hidráulica também são utilizados resfriadores ou trocadores de calor. Os modelos mais comuns são água-óleo e ar-óleo. Nos resfriadores a ar, o fluido é bombeado através de tubos aletados. Para dissipar o calor, o ar é soprado sobre os tubos e aletas por um ventilador. O resfriador à água consiste basicamente de um feixe de tubos encaixados em um invólucro metálico. Nesse resfriador, o fluido do sistema hidráulico é geralmente bombeado através do invólucro e sobre os tubos que são refrigerados com água fria. A Figura 102 mostra esses tipos de resfriadores. Carcaça Simbologia resfriador água - óleo Tubos Resfriador água - óleo Simbologia resfriador ar - óleo Resfrador ar - óleo Duto Aletas de resfriamento Tubos Entrada de �uido Figura 102 - Resfriadores Fonte: PARKER, 1999 7.3.4 BomBAs hidráulicAs As bombas hidraúlicas são utilizadas nos circuitos hidráulicos para converter energia mecânica em energia hidráulica. A ação mecânica cria um vácuo parcial na entrada da bomba e permite que a pressão atmosférica force o fluido do tanque, através da linha de sucção, a penetrar na bomba. A bomba passará o fluido para a abertura de descarga, forçando-o através do sistema hidráulico. Em relação às bombas hidráulicas, elas são divididas em hidrodinâmicas e hidrostáticas. As principais bombas utilizadas são as de engrenagens, de palhetas e de pistões. 114 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Pesquise a eficiência, as características e como deve ser a partida desse tipo de bombas em um sistema hidráulico. SAIBA MAIS Especificação das bombas As bombas são geralmente especificadas pela capacidade de pressão máxima de operação e por seu deslocamento, em litros por minuto, em uma determinada rotação por minuto. • Deslocamento é o volume de líquido transferido durante uma rotação. O deslocamento é expresso em centímetros cúbicos por rotação, e a bomba é caracterizada por sua capacidade nominal em litros por minuto. • A eficiência volumétrica é igual ao deslocamento real dividido pelo deslocamento teórico, dada emporcentagem. Deslocamento real x 100%E�ciência volumétrica = Deslocamento teórico Muitas vezes em um sistema hidráulico industrial a bomba está localizada sobre a tampa do reservatório que contém o fluido hidráulico do sistema. A linha ou duto de sucção conecta a bomba com o líquido no reservatório. principais problemas que podem ocorrer em uma bomba Os principais problemas que podem ocorrer em uma bomba são a cavitação (queda repentina de pressão) e a aeração (entrada de ar no sistema através da sucção da bomba). As principais causas da aeração são: • reservatório com nível do óleo abaixo do recomendado; • filtro de sucção instalado próximo do nível do óleo, gerando a criação de vórtice, permitindo, assim, a entrada do ar; • linha de sucção permitindo a entrada de ar com uso de braçadeira inadequada ou rachaduras na tubulação; • posicionamento incorreto da linha de retorno no reservatório, próximo à linha de sucção, gerando turbulência (agitação no reservatório). 7 Hidráulica: características, componentes e circuitos práticos 115 7.3.5 válvulAs direcioNAis As válvulas direcionais hidráulicas têm o mesmo funcionamento das válvulas direcionais pneumáticas, com algumas modificações que se justificam, principalmente, por existir válvulas com três posições e se utilizar, geralmente, válvulas com quatro vias (não cinco, como na pneumática). A construção de uma válvula hidráulica é mais robusta, aumentando consequentemente seu tamanho. Além disso, elas são maiores também para poderem suportar uma pressão muito grande (em torno de150 bar). A válvula hidráulica também possui retorno, ou não, por mola, NA ou NF (para 3/2 vias). A hidráulica possui algumas válvulas com particularidades, quando são de três posições: • de centro aberto; • de centro fechado; • de centro em tandem; • de centro aberto negativo. válvula direcional de centro aberto Uma válvula direcional com um êmbolo de centro aberto tem as passagens P (liga a pressão da bomba), T (liga ao tanque do reservatório), A (liga para dar o avanço ao atuador ou a uma outra válvula) e B (liga para dar o retorno ao atuador ou a uma outra válvula), todas ligadas umas às outras na posição central. As válvulas de quatro vias, de centro aberto, são muitas vezes usadas em circuitos de atuadores simples (Figura 103). A B P T Figura 103 - Válvula direcional de centro aberto Fonte: PARKER, 1999 válvula direcional de centro fechado Uma válvula direcional com um carretel de centro fechado tem as vias P, T, A e B todas bloqueadas na posição central, como mostra a Figura 104. 116 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL A B P T Figura 104 - Válvula direcional de centro fechado Fonte: PARKER, 1999 válvula direcional de centro em tandem Uma condição de centro em tandem para o movimento do atuador permite que o fluxo da bomba retorne ao tanque sem passar pela válvula limitadora de pressão. Também é chamado de tandem devido à sua forma construtiva, por ter dois cilindros (de dupla ação) em série em uma mesma camisa, com entradas de fluido hidráulico/óleo independendte. Ao ser injetado ar comprimido simultaneamente nas duas câmaras no sentido de avanço ou retorno ocorre atuação sobre as duas faces do êmbolo, de tal modo que a força produzida é a somatória das forças individuais de cada êmbolo. Isso permite dispor de maior força, tanto no avanço como no retorno (Figura 105). A B P T Figura 105 - Válvula direcional de centro em tandem Fonte: PARKER, 1999 válvula direcional de centro aberto negativo Uma válvula direcional com um carretel de centro aberto negativo tem a via “P” bloqueada, e as vias A, B e T conectadas na posição central. Uma condição de centro aberto negativo permite a operação independentemente dos atuadores ligados à mesma fonte de energia e torna possível a movimentação livre de cada atuador. A vantagem deste tipo de centro é que as linhas do atuador não têm aumento na pressão quando a via P é bloqueada, como na válvula de centro fechado; já a desvantagem deste carretel é que uma carga não pode ser parada ou mantida no lugar (Figura 106). 7 Hidráulica: características, componentes e circuitos práticos 117 A B P T Figura 106 - Válvula direcional de centro aberto negativo Fonte: PARKER, 1999 No Quadro 17 temos um quadro comparativo entre os tipos de centro, com suas vantagens e desvantagens. TIPo de VálVulA VAnTAgens desVAnTAgens Centro aberto O atuador fica livre para se movimentar. Depois de o atuador completar o seu ciclo, o car- retel da válvula direcional é centralizado e o fluxo da bomba retorna ao tanque a uma pressão baixa. Nenhum outro atuador pode ser operado quando a válvula estiver centrada. Centro fechado Cada atuador individual no sistema opera inde- pendentemente de um suprimento de força. O fluxo da bomba não pode ser descarregado para o tanque através de válvula direcional durante o tempo em que o atuador está inativo. O carretel, nesta válvula, vaza como em qualquer válvula do tipo carretel. Se o carretel ficar sujeito à pressão do sistema por mais de uns poucos minutos, a pressão se equalizará nas linhas A e B dos atuadores, aproximadamente metade da pressão do sistema. Centro tandem Descarrega a bomba quando está em posição central. Quando um carretel de centro em tandem é usado no corpo da válvula direcional, a taxa de fluxo nomi- nal diminui. As condições de centro e de descarga do carretel não são tão boas como poderiam parecer quando olha- mos para um símbolo de centro em tandem. Centro aberto negativo As linhas do atuador não têm aumento na pressão quando a via P é bloqueada, como na válvula de centro fechado. Uma carga não pode ser parada ou mantida no lugar. Quadro 17 - Quadro comparativo entre os centros das válvulas direcionais Fonte: PARKER, 1999 118 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL 7.3.6 válvulA de desAcelerAção Enquanto o came pressiona o rolete, o fluxo através da válvula é cortado gradualmente. Esta válvula permite que uma carga ligada à haste do cilindro seja retardada na metade do curso, quando os amortecedores do atuador ainda não entraram em ação. A Figura 107 mostra esse tipo de válvula. a) b) Figura 107 - a) Válvula de desaceleração; b) Simbologia Fonte: PARKER, 1999 válvulas controladoras de vazão A função da válvula controladora de vazão é a de reduzir o fluxo da bomba em uma linha do circuito. Ela desempenha sua função por ser uma restrição maior do que a normal no sistema. As válvulas controladoras de vazão são aplicadas em sistemas hidráulicos quando desejamos obter um controle de velocidade em determinados atuadores, o que é possível com a diminuição do fluxo que passa por um orifício. A Figura 108 mostra este componente e sua aplicação. a) b) M 20 litros/min. 35 kgf/cm2 8 velocidade da naste decresce Válvula limitadora de pressão limitando a pressão 12 12 8 Figura 108 - a) Válvula reguladora de pressão; b) Um circuito utilizando uma válvula reguladora de pressão Fonte: PARKER, 1999 7 Hidráulica: características, componentes e circuitos práticos 119 válvula controladora de vazão com pressão compensada A válvula controladora de vazão com pressão compensada é um controle de fluxo que permite a variação de pressão antes ou depois do orifício. A Figura 109 mostra este tipo de válvula. a) b) Figura 109 - a) Válvula controladora de vazão com pressão compensada; b) Simbologia Fonte: PARKER, 1999 As válvulas controladoras de vazão com pressão compensada são classificadas como restritora ou bypass. Pesquise o funcionamento das válvulas controladoras de vazão com pressão compensada tipo restritora e bypass na apostila da PARKER – Tecnologia Hidráulica Industrial - Apostila M2001-3 BR. SAIBA MAIS válvula redutora de pressão Trata-se de uma válvula de controle de pressão normalmente aberta. Uma válvula redutora de pressão opera pela pressão do fluido através da via de saída da válvula. A pressão nessas condições é igualà pressão ajustada da válvula, e o carretel fica parcialmente fechado, restringindo o fluxo. A restrição transforma todo o excesso de energia de pressão adiante da válvula em calor. Se cair a pressão depois da válvula, o carretel se abrirá e permitirá que a pressão aumente novamente. A Figura 110 mostra os tipos de válvulas de pressão existentes. Válvula limitadora de pressão Válvula de sequência com retenção Válvula de contrabalanço com retenção Vávula de contrabalanço diferencial com retenção Válvula redutora de pressão com retenção Válvula de descarga Figura 110 - Tipos de válvulas redutoras de pressão Fonte: PARKER, 1999 120 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Pesquise sobre o funcionamento destes tipos de válvulas redutoras de pressão. Procure na apostila da Parker – Tecnologia Hidráulica Industrial - Apostila M2001-3 BR. SAIBA MAIS 7.3.7 AcumulAdores Os acumuladores armazenam certo volume de fluido sob pressão para fornecê- lo ao sistema quando necessário. Os acumuladores podem ter ainda as seguintes funções: • como equipamento auxiliar de emergência; • como amortecedor de pancadas hidráulicas; • para aumentar a velocidade de um atuador; entre outras. A Figura 111 mostra um acumulador. Figura 111 - Acumulador Fonte: PARKER, 1999 7.3.8 mANGueirAs Basicamente, todas as mangueiras consistem de três partes construtivas: 1) tubo interno ou alma de mangueira: deve ser construído de material flexível e de baixa porosidade, ser compatível química e termicamente com o fluido a ser conduzido; podem ser utilizados nitrílica, neoprene, policloropreno, EPDM/butil ou silicone; 2) reforço ou carcaça: considerado como elemento de força de uma mangueira, o reforço é quem determina a capacidade de suportar pressões; sua disposição sobre o tubo interno pode ser na forma trançado ou espiralado; são utilizados aço carbono, corda de piano ou aço inox; 3) cobertura ou capa: disposta sobre o reforço da mangueira, a cobertura tem por finalidade proteger o reforço contra eventuais agentes externos que provoquem a abrasão ou danificação do reforço; podem ser utilizados neoprene, nitrílica + PVC ou CPE. 7 Hidráulica: características, componentes e circuitos práticos 121 No Quadro 18 temos o exemplo de uma mangueira e seus elementos construtivos. nbr, nITrílICA, bunA-n Excelente resistência a óleo e combustíveis; baixa resistência ao tempo e intempéries; frequentemente misturado com PVC para uso como cobertura; usualmente utilizados em mangueiras para uso geral, combustíveis e hidráulica. neoPrene Excelente resistência a abrasões e ao tempo; boa resistência à chama; boa resistência ao óleo; usualmente utilizado como cobertura e tubo interno de mangueiras hidráulicas. Pkr/CPe Excelente resistência a óleos e combustíveis; excelente resistência à temperatura (-46°C a 150°C); boa resistência química; resistência a intempéries. ePdM / buTIl Boa resistência a intempéries, ao aquecimento e ao tempo; moderada resistência química; não é resistente à chama nem ao óleo; uso comum em mangueiras para uso geral, vapor e em mangueiras mais baratas para condução de fluidos químicos. sIlICone Não transfere cheiro e gosto ao sistema; boa resistência química; resistente ao ozônio e aos raios ultravioletas; não condutivo; excelente resistência à temperatura (-17°C a 315°C). Tubo interno Reforço Cobertura Quadro 18 - Elementos construtivos das mangueiras Fonte: PARKER, 1999 No Quadro 19, temos algumas dicas para a instalação de mangueiras. A mangueira enfraquece quando utilizada de forma torcida, seja pela instalação, seja pela aplicação. Raios de curvatura mais amplos evitam o colapso e a restrição do fluxo na linha. Situações em que o raio mínimo de curvatura é exce- dido provocam redução da vida útil da mangueira. 122 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL O uso de adaptadores e/ou conexões curvas, quando necessário, evita o uso de comprimentos excessivos de mangueira e torna a instalação mais fácil para a manutenção. Pressão pode alterar o comprimento da mangueira. Considere uma folga na linha para compensar as variações de comprimento da mangueira. Utilize abraçadeiras para melhorar a instalação da mangueira, evitando assim, proximidade com ambi- entes de alta temperatura ou abrasão. Quadro 19 - Dicas para instalação de mangueiras Fonte: PARKER, 1999 7.3.9 AtuAdores hidráulicos Os atuadores hidráulicos possuem o mesmo funcionamento dos atuadores pneumáticos. A principal diferença está em sua construção, já que precisam ser robustos para suportar altas pressões. Os atuadores hidráulicos podem ser de dois tipos: lineares ou rotativos. Atuador telescópico O atuador telescópico é um atuador com arranjo multitubular de haste, que tem um curso longo com uma camisa curta na retração. O atuador telescópico pode, entre outras aplicações, ser utilizado em caminhões do tipo caçamba de alta capacidade. A Figura 112 mostra esse tipo de atuador. Cilindro telescópico de ação simples Cilindro telescópico de ação dupla Figura 112 - a) Atuador telescópico; b) Simbologia Fonte: PARKER, 1999 7 Hidráulica: características, componentes e circuitos práticos 123 7.4 CIrCuItoS hIdráuLICoS PrátICoS No Quadro 20 estão definidas as legendas que serão usadas para o código de cores dos desenhos. CódIgos de Cores dos desenHos Vermelho Pressão de alimentação ou operação Amarelo Restrição no controle de passagem de fluxo Laranja Redução de pressão básica do sistema Verde Sucção ou linha de drenagem Azul Fluxo em descarga ou retorno Branco Fluido inativo Quadro 20 - Dicas para instalação de mangueiras Fonte: PARKER, 1999 circuito de descarga Quando está em pressão máxima, a válvula de controle direcional não está energizada e, nesta condição, a linha de pilotagem da válvula limitadora de pressão está bloqueada. A pressão do fluido recalcado é determinada pelo pré-ajuste da válvula de pressão. A Figura 113 mostra o esquema deste circuito. w w Figura 113 - Circuito de descarga Fonte: FESTO, 2012B Quando está em pressão intermediária, o solenoide B da válvula direcional é energizado. O carretel muda de posição, interligando a linha de pressão da válvula limitadora de pressão remota com a linha de pilotagem da válvula limitadora de pressão principal. A pressão do sistema é limitada pela válvula limitadora de pressão remota, que controla a válvula limitadora de pressão principal a distância. 124 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Quando está recirculando, o solenoide A é energizado, interligando a conexão de pilotagem da válvula limitadora de pressão principal com a linha de retorno para o tanque. Realizando esta operação, a única resistência que o fluido encontra é a resistência da mola que mantém o carretel em sua posição. Isso resulta em uma recirculação do fluxo de óleo para o tanque, a uma pressão relativamente baixa. circuito regenerativo O circuito regenerativo que está ilustrado consiste de uma bomba, uma válvula de alívio, uma válvula direcional com um orifício bloqueado e um cilindro 2:1. A Figura 114 mostra este circuito. M T P Fluxo Fluxo Cilindro 2.1 Fl ux o Valvula de controle direcional Cilindro 2.1 Circuito regenerativo avanço Bomba Figura 114 - Circuito regenerativo Fonte: PARKER, 1999 No avanço, com a válvula direcional na posição mostrada, ambos os lados do pistão do atuador estão sujeitos à mesma pressão. O desequilíbrio de força resultante provoca o avanço da haste. A descarga de fluido do lado da haste é adicionada ao fluxo da bomba. Tendo em vista que em um atuador 2:1 a descarga de fluido do lado da haste é sempre a metade do volume que entra do lado traseiro, o único volume que é bombeado pelo fluxo da bomba é a outra metade do volume que entra do lado traseiro. Para recuar a haste do atuador, acionamos a válvula direcional. A parte traseira do atuador é drenada para o tanque. Todo o fluxo e a pressão da bomba são dirigidos para o lado da haste. Já que a bomba está despejando o mesmo volume que o da partetraseira (metade do volume da parte traseira), a haste recua à mesma velocidade. 7 Hidráulica: características, componentes e circuitos práticos 125 válvula limitadora de pressão de descarga diferencial Um pistão diferencial é montado em um furo oposto ao plug da válvula- piloto. Em cada extremidade do piloto as áreas expostas à pressão são iguais. Durante o tempo em que o acumulador está sendo carregado, a pressão em cada extremidade do pistão é igual. A Figura 115 mostra este circuito. M Para o sistema Nota sobre segurança Acumulador sendo carregado Pistão Pistão Camisa do cilindro Para o sistema Nitrogênio Bomba Figura 115 - Válvula limitadora de pressão de descarga diferencial Fonte: PARKER, 1999 Quando o acumulador é carregado, o pistão é forçado contra o plug e força-o contra o assento. Isto move o carretel principal contra a mola. A válvula limitadora de pressão é então drenada. Ao mesmo tempo, a válvula de retenção fecha, impossibilitando a descarga do acumulador através da válvula de alívio. Nesse ponto, obtemos a pressão máxima no acumulador. circuito de descarga de um acumulador Em qualquer circuito com acumulador é necessário um descarregamento automático quando o sistema não está em uso. Isso pode ser obtido usando uma válvula direcional 4/2 simples solenoide convertida em uma 2/2 simples solenoide. A Figura 116 mostra este circuito. 126 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL A B TP T A P Da bomba Acumulador Válvulas de controle direcional Restrição �xa Válvula globo Para o sistema Restrição �xa Da bomba Para o sistema A B Da bomba Para o sisitema Restrição �xa T A P Da bomba Acumulador Válvulas de controle direcional Restrição �xa Válvula globo Para o sistema B Figura 116 - Circuito de descarga de um acumulador Fonte: PARKER, 1999 No exemplo, a válvula solenoide convertida para duas vias pode ser energizada quando o motor é ligado. Isso bloqueia o fluxo da válvula e permite o carregamento do acumulador. circuito com aproximação rápida e avanço controlado Para o avanço rápido, é necessário até que a posição de avanço se aproxime da área de trabalho. Este circuito é conhecido como um circuito com aproximação rápida e avanço controlado. Para esta parte do circuito, a válvula direcional é acionada e o fluxo da bomba é remetido para o cabeçote traseiro do cilindro. O fluxo de óleo da caixa flui livremente pela válvula de desaceleração. O fluido se movimentará através da válvula de controle direcional e voltará para o tanque. A Figura 117 mostra esse circuito. 7 Hidráulica: características, componentes e circuitos práticos 127 M Bomba Cilindro Válvula de dessceleração controle de �uxo Válvula de retenção Válvula de controle direcional Avanço rápido Válvula limitadora de pressão Figura 117 - Circuito com aproximação rápida e avanço controlado Fonte: PARKER, 1999 É na velocidade de trabalho que o came conectado à ponta da haste do cilindro aciona a válvula de desaceleração. À medida que o came aciona o rolete, o fluxo através da válvula é gradualmente cortado. Esta válvula permite que uma carga ligada ao pistão do cilindro seja retardada a qualquer ponto de seu percurso, desde que o amortecimento ainda não esteja operando. No restante do percurso, o óleo que sai do lado do cabeçote dianteiro do pistão passará pela válvula de controle de vazão (ajustada à taxa de trabalho necessária), passando pela válvula de controle direcional e de volta ao tanque. Deve ser notado que a válvula limitadora de pressão abriu porque o controle de vazão excedeu a resistência do sistema. No retorno, o fluxo da bomba é direcionado através da válvula de controle à válvula de retenção, à válvula de controle de vazão e à válvula de desaceleração. Pelo fato de a válvula de retenção oferecer menor resistência, a maior parte do fluxo passará por ela. O fluido que sai da parte traseira do cilindro é direcionado através da válvula de controle direcional e de volta ao tanque. descarga automática da bomba Para fazer um cilindro avançar, a válvula direcional é atuada. Isso direciona o fluxo da bomba para o cabeçote traseiro do cilindro, e fecha a válvula de retenção. Com a válvula de retenção fechada, o fluxo da pilotagem para e a pressão de trabalho é obtida. A Figura 118 mostra este circuito. 128 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Figura 118 - Descarga automática da bomba Fonte: PARKER, 1999 Para o retorno do cilindro, a válvula de controle direcional é manualmente atuada. Isso direciona o fluxo da bomba para o cabeçote dianteiro do cilindro. A linha de pilotagem da válvula limitadora de pressão permanece fechada até que o cilindro esteja completamente retornado. No final do retorno do cilindro, o came da válvula é atuado. Isso possibilita a passagem do fluido na linha de drenagem da válvula limitadora de pressão para o tanque. Por sua vez, a válvula limitadora de pressão abre, causando a recirculação da bomba a uma baixa pressão. sistema alta-baixa Operando à baixa pressão, o sistema alta-baixa satisfaz a demanda de um sistema por meio da combinação de uma bomba de 170 l/min e de outra bomba de 19 l/min. Quando o motor elétrico é ligado, a vazão da bomba de 170 l/min passa através da válvula de retenção somando-se à vazão da bomba de 19 l/min. Então, 189 l/min passam pelo sistema, possibilitando o avanço do cilindro a uma pressão relativamente baixa. A Figura 119 mostra este circuito. 7 Hidráulica: características, componentes e circuitos práticos 129 Figura 119 - Sistema alta-baixa Fonte: PARKER, 1999 Quando a carga de trabalho é atingida, e também a pressão de trabalho, a pressão da bomba começa a aumentar contra a válvula limitadora de pressão ajustada para 100 kgf/cm². Quando a pressão chega a 35 kgf/cm², a válvula de descarga normalmente fechada abre, permitindo que a bomba de 170 l/ min descarregue para o tanque sua vazão, enquanto a bomba de 19 l/min continua a trabalhar. Esta operação elimina a geração desnecessária de força pela bomba de 170 l/min. Circuito de controle de entrada do fluxo No circuito ilustrado, a válvula de controle de fluxo com pressão compensada tipo restritora está regulada para 11 l/min. A válvula de alívio está regulada a 35 kgf/cm²; a pressão de trabalho-carga é de 14 kgf/cm². A mola do compensador tem um valor de 7 kgf/cm². Durante a operação do sistema, a pressão de trabalho- carga de 14 kgf/cm² mais a mola de 7 kgf/cm² empurra o êmbolo compensador. A Figura 120 mostra este circuito. 130 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Figura 120 - Circuito de controle de entrada do fluxo Fonte: PARKER, 1999 A bomba tenta empurrar seu fluxo total de 20 l/min através do orifício da válvula de agulha. Quando a pressão adiante da válvula de agulha alcança 21 kgf/cm², o êmbolo do compensador se desloca e causa uma restrição ao fluido que está entrando. A pressão na entrada de controle de fluxo se eleva até o limite de ajuste da válvula de alívio que está a 35 kgf/cm². À medida que o fluido passa pela restrição provocada pelo êmbolo compensador, 14 kgf/ cm² dos 35 kgf/cm² são transformados em calor. A pressão antes da válvula de agulha fica limitada a 21 kgf/cm². Dos 21 kgf/cm², 14 kgf/cm² são usados para vencer a resistência da carga e 7 kgf/cm² são usados para provocar o fluxo pelo orifício da válvula de agulha. A taxa de fluxo, neste caso, é de 11 l/min. Os 9 l/min restantes são descarregados pela válvula de alívio. 7 Hidráulica: características, componentes e circuitos práticos 131 Circuito de controle de saída do fluxo Se a velocidade de um atuador tiver de ser precisa durante todo o tempo de trabalho, poderemos usar o controle de saída do fluxo com compensação de temperatura e pressão. A Figura 121 mostra esse circuito. Figura 121 - Circuito de controle de saída de fluxo Fonte: PARKER, 1999 Em alguns casos, a carga de trabalho muda de direção (a carga passando sobre o ponto central de um arco) ou a pressão de carga de trabalho muda subitamente de pressão plena para pressão zero(o caso de uma broca que rompeu a última película). Isto faz com que a carga dispare. Uma válvula de controle de fluxo colocada no orifício de saída do atuador controla a taxa de fluxo que sai do atuador. Este é um circuito com controle na saída, que dá um controle de velocidade positivo aos atuadores usados em operações de furar, serrar, mandrilar e descarregar. Um circuito com controle na saída é um circuito de controle de fluxo muito comum. 132 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL controle de vazão por desvio do fluxo Outro tipo de circuito de controle de fluxo é o circuito de sangria. Neste circuito, a válvula de controle de fluxo não causa uma resistência adicional para a bomba. Ele opera retornando para o tanque parte do fluxo da bomba à pressão do sistema existente. Além de gerar menos calor, um circuito de sangria também pode ser mais econômico do que um circuito com controle na entrada ou um circuito com controle na saída. A Figura 122 mostra este circuito. Figura 122 - Controle de vazão por desvio do fluxo Fonte: PARKER, 1999 Por exemplo, se uma vazão de 380 l/min tivesse de ser reduzida para 340 l/ min, seria preciso uma válvula de controle de fluxo de 340 l/min, no caso de um circuito com controle na entrada e, dependendo do tamanho do cilindro, haveria necessidade de um controle de fluxo de 265 l/min no caso de um cilindro com controle na saída. Em um circuito de sangria, entretanto, poderia ser usado um controle de fluxo de 38 l/min. Mesmo com essas vantagens aparentes, um circuito de sangria não é um circuito de controle de fluxo muito comum. Isso acontece porque um controle de fluxo em um conjunto de sangria controla indiretamente a velocidade de um atuador. Ele pode medir com precisão o fluxo para o tanque, mas, se houver vazamento através de vários componentes do sistema, a velocidade do atuador diminuirá. Um circuito de sangria pode ser usado em qualquer aplicação que não requeira uma regulagem de fluxo precisa e onde a carga ofereça uma resistência constante, como em retíficas, brunidoras e na elevação vertical de cargas. 7 Hidráulica: características, componentes e circuitos práticos 133 válvula de contrabalanço No circuito de uma prensa, quando a válvula direcional encaminha o fluxo para o cabeçote traseiro do cilindro, o peso da prensa conectado à haste do cilindro provocará uma queda incontrolável. A vazão da bomba não será capaz de manter a prensa. Para evitar essa situação, uma válvula de pressão normalmente fechada é colocada abaixo da prensa. A Figura 123 mostra este circuito. Figura 123 - Válvula de contrabalanço Fonte: PARKER, 1999 O carretel da válvula não interligará as vias primárias e secundárias até que a pressão atuante na parte superior do carretel seja maior do que a pressão desenvolvida pelo peso da prensa (em outras palavras, quando a pressão está presente no cabeçote traseiro do cilindro). Dessa maneira, o peso da prensa é contrabalanceado por meio do curso de descida. A válvula de contrabalanço é controlada pela pressão proveniente da via primária tão logo ocorra a inversão do fluxo, e a pressão na via primária cai. O carretel é desatuado. As vias primária e secundária são desconectadas e o fluxo através da válvula é desbloqueado. Uma vez que o fluxo não passa pela válvula, ele passa pela válvula de retenção (não representada). circuito com redução de pressão Uma válvula redutora de pressão é uma válvula de controle de pressão normalmente aberta. Uma válvula redutora de pressão é acionada quando sofre a pressão do fluido que passou pela válvula. A Figura 124 mostra este circuito. 134 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Cilindro A Cilindro B Cilindro A Cilindro B Figura 124 - Circuito com redução de pressão Fonte: PARKER, 1999 Quando a pressão depois da válvula é igual à pressão ajustada na válvula, o carretel se fecha parcialmente e causa uma restrição no fluxo. A restrição transforma em calor toda a energia que exceder a da regulagem da válvula. Se a pressão depois da válvula cair, o carretel abrirá e permitirá que a pressão aumente novamente. O circuito sincronizado da ilustração requer que o cilindro B aplique uma força menor do que a do cilindro A. Uma válvula redutora de pressão colocada logo adiante do cilindro B permitirá que o fluxo chegue ao cilindro até que a pressão atinja a do ajuste da válvula. Nesse ponto, o carretel da válvula é atuado, causando uma restrição a essa linha do circuito. O excesso de pressão adiante da válvula é transformado em calor. O cilindro B opera a uma pressão reduzida. válvula de contrabalanço diferencial A válvula consiste de um corpo com via primária e secundária, passagens de pilotagem interna e externa, carretel, pistão e mola. É uma válvula normalmente fechada. Assumindo que a mola do carretel está ajustada para 56 kgf/cm², o pistão se movimenta empurrando o carretel e abrindo a passagem através da válvula. A Figura 125 mostra este circuito. 7 Hidráulica: características, componentes e circuitos práticos 135 Figura 125 - Válvula de contrabalanço diferencial Fonte: PARKER, 1999 Se a pressão cair a menos de 56 kgf/cm², a válvula fechará. O pistão onde a pressão da pilotagem interna atua tem a área menor do que a do carretel – a relação de áreas geralmente é de 8:1. Com o piloto externo conectado à linha do motor, uma pressão de apenas 6,8 kgf/cm² é necessária para abrir a válvula, desde que atue na parte superior do carretel com área 8 vezes maior do que a do pistão. Com a válvula ajustada para 56 kgf/cm², a válvula abrirá quando a linha de pressão da entrada do motor chegar a 7 kgf/cm². A pressão na entrada do motor será necessária apenas para girar a carga. Se a carga tender a girar sem controle, a pressão na entrada do motor cairá. A válvula fecha e não reabre até que seja gerada uma contrapressão de 56 kgf/cm². válvula de retenção pilotada Uma válvula de retenção pilotada possibilita fluxo livre da via de entrada para a de saída, exatamente como uma válvula de retenção comum. O fluxo de fluido, ao passar através da válvula, da saída para a entrada, forçará o assento contra sua sede. O fluxo através da válvula é, então, bloqueado. A Figura 126 mostra este circuito. 136 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Figura 126 - Válvula de retenção pilotada Fonte: PARKER, 1999 Quando há pressão suficiente na linha de pilotagem, o pistão é deslocado e retira o assento de sua sede. O fluxo pode passar através da válvula, da saída para a entrada, até quando houver pressão suficiente de pilotagem. Com uma válvula de retenção pilotada bloqueando o fluxo que sai do cilindro na linha B, a carga ficará suspensa até que não haja pressão na linha A. A válvula de retenção permanecerá aberta enquanto a pressão na linha A estiver presente. Para suspender a carga, o fluxo pode facilmente passar através da válvula, uma vez que esta é a direção de fluxo livre da válvula. reCaPItuLando Abordamos neste capítulo o sistema hidráulico, contemplando as características hidrostáticas e hidrodinâmicas, os componentes do sistema hidráulico, como fontes de energia, os grupos de geração e transmissão de força e o grupo de controle, suas conexões e circuitos práticos. Em relação à hidrostática, estudamos a lei de Pascal, a lei de Stevin, as escalas de pressão, os medidores de pressão e o empuxo. No capítulo referente à hidrodinâmica, vimos as principais propriedades para o funcionamento do circuito, aliando força e velocidade. Aprendemos, também, as propriedades associadas à hidráulica, que são importantes para o funcionamento de circuitos. E, por último, vimos os principais circuitos utilizados na indústria que utilizam a hidráulica. 7 Hidráulica: características, componentes e circuitos práticos 137 Anotações: dimensionamento de sistemas pneumáticos e hidráulicos 8 Para que ocorra o funcionamento correto de um sistema hidráulico e pneumático sem que haja um gasto desnecessário, são necessários alguns dimensionamentos, tanto para a proteção quanto para a reduçãode custos extras no circuito pneumático e/ou hidráulico que será construído. Veremos alguns itens pneumáticos e hidráulicos que devem ser dimensionados, e as principais fórmulas para o dimensionamento correto dos circuitos hidráulicos e pneumáticos. 8.1 dImenSIonamento de SIStemaS PneumátICoS linhas primárias Um sistema de distribuição perfeitamente executado deve apresentar os seguintes requisitos: • pequena queda de pressão entre o compressor e as partes de consumo, a fim de manter a pressão dentro de limites toleráveis em conformidade com as exigências das aplicações; • não apresentar escape de ar, pois haverá perda de potência; • apresentar grande capacidade de realizar separação de condensado. pontos a serem considerados na execução do projeto Os seguintes aspectos devem ser levados em consideração ao executarmos e instalarmos um projeto em uma planta de distribuição: • layout: visando à melhor performance na distribuição do ar, a definição do layout é importante. Ele deve ser construído em desenho isométrico ou em escala, permitindo a obtenção do comprimento das tubulações nos diversos trechos. 140 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL • Formato: Em relação ao tipo de linha a ser executado, anel fechado (circuito fechado) ou circuito aberto, devemos analisar as condições favoráveis e desfavoráveis de cada uma. Geralmente, a rede de distribuição é em circuito fechado. pontos a serem considerados na linha de distribuição Os seguintes itens devem ser considerados na linha de distribuição: • Volume de ar corrente (vazão): é a quantidade em m³ de ar por hora que será consumida da rede, supondo todos em funcionamento em um mesmo momento. Q = Vazão (m³/h); • Comprimento total da linha de distribuição: é a soma do comprimento linear da tubulação da linha de distribuição com o comprimento equivalente originado dos pontos de estrangulamento. Lt = L1 + L2 Lt -> comprimento total (m); L1 -> comprimento retilíneo (m); L2 -> comprimento equivalente (m). • queda de pressão admissível: ao deslocar-se por uma tubulação, a pressão de um fluido sofre gradual redução ao longo de seu comprimento em função dos atritos internos e dos possíveis estrangulamentos (curvas, registros, tês e outros) que existiam ao longo dela. Essa redução também é conhecida como perda de carga. Para um satisfatório desempenho da rede, a queda não deve exceder 0,3kgf/cm². Em caso de grandes redes, podemos chegar a 0,5kgf/cm². ∆P = queda de pressão admitida (kgf/cm²). • número de pontos de estrangulamento: são singularidades necessárias para a distribuição da linha de distribuição por dentro de toda a rede industrial. É necessário transformar estas singularidades em comprimento equivalente. Veja as tabelas de transformação a seguir (Tabela 6 e Tabela 7). Tabela 6: Comprimento de tubo equivalente à perda de carga por singularidades em metros Conexões dIÂMeTro noMInAl (In) 1/2 3/4 1 1,1/4 1,1/2 2 2,1/2 90º Cotovelo comum ROSQ. 1,1 1,34 1,58 2 2,25 2,6 2,8 FLAN 0,30 0,37 0,50 0,62 0,73 0,95 1,1 dIÂMeTro noMInAl (In) 3 3,1/2 4 5 6 8 10 ROSQ. 3,4 3,7 4,0 - - - - FLAN 1,3 1,55 1,8 2,2 2,7 3,7 4,3 8 Dimensionamento De sistemas pneumáticos e hiDráulicos 141 Conexão dIÂMeTro noMInAl (In) 1/2 3/4 1 1,1/4 1,1/2 2 2,1/2 Curva 90º raio longo ROSQ. 0,67 0,70 0,83 0,98 1,0 1,1 1,1 FLAN 0,33 0,40 0,49 0,61 0,70 0,83 0,88 dIÂMeTro noMInAl (In) 3 3,1/2 4 5 6 8 10 ROSQ. 1,2 1,3 1,4 - - - - FLAN 1,0 1,15 1,3 1,5 1,7 2,1 2,4 Conexão dIÂMeTro noMInAl (In) 1/2 3/4 1 1,1/4 1,1/2 2 2,1/2 Curva 45º ROSQ. 0,21 0,28 0,39 0,52 0,64 0,83 0,97 FLAN 0,14 0,18 0,25 0,34 0,40 0,52 0,61 dIÂMeTro noMInAl (In) 3 3,1/2 4 5 6 8 10 ROSQ. 1,2 1,45 1,7 - - - - FLAN 0,8 0,95 1,1 1,4 1,7 2,3 2,7 Conexão dIÂMeTro noMInAl (In) 1/2 3/4 1 1,1/4 1,1/2 2 2,1/2 Curva 180º raio longo ROSQ. 1,1 1,3 1,6 2,0 2,3 2,6 2,88 FLAN 0,34 0,40 0,49 0,61 0,70 0,83 0,88 dIÂMeTro noMInAl (In) 3 3,1/2 4 5 6 8 10 ROSQ. 3,4 3,7 4,0 - - - - FLAN 1,00 1,15 1,3 1,5 1,7 2,1 2,4 Fonte: FIALHO, 2011 Tabela 7: Comprimento de tubo equivalente à perda de carga por singularidades em metros Conexão dIÂMeTro noMInAl (In) 1/2 3/4 1 1,1/4 1,1/2 2 2,1/2 2,1/2 Tê �uxo em linha ROSQ. 0,52 0,73 0,99 1,4 1,7 2,3 2,8 FLAN 0,21 0,25 0,30 0,4 0,45 0,55 0,58 dIÂMeTro noMInAl (In) 3 3,1/2 4 5 6 8 10 ROSQ. 3,7 4,45 5,2 - - - - FLAN 0,67 0,74 0,85 1,0 1,2 1,4 1,6 Conexão dIÂMeTro noMInAl (In) 1/2 3/4 1 1,1/4 1,1/2 2 2,1/2 2,1/2 Tê �uxo pelo ramal ROSQ. 1,3 1,6 2,0 2,7 3,0 3,7 3,9 FLAN 0,61 0,80 1,0 1,3 1,6 2,0 2,3 dIÂMeTro noMInAl (In) 3 3,1/2 4 5 6 8 10 ROSQ. 5,2 5,8 6,4 - - - - FLAN 2,9 3,3 3,7 4,6 5,5 7,3 9,1 142 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Conexão dIÂMeTro noMInAl (In) 1/2 3/4 1 1,1/4 1,1/2 2 2,1/2 2,1/2 Válvula gaveta ROSQ. 0,17 0,20 0,25 0,34 0,37 0,46 0,52 FLAN - - - - - 0,80 0,83 dIÂMeTro noMInAl (In) 3 3,1/2 4 5 6 8 10 ROSQ. 0,58 0,67 0,76 - - - - FLAN 0,85 0,86 0,88 0,95 0,98 0,98 0,98 Conexão dIÂMeTro noMInAl (In) 1/2 3/4 1 1,1/4 1,1/2 2 2,1/2 2,1/2 Válvula globo ROSQ. 6,7 7,3 8,8 11,3 12,8 16,5 18,9 FLAN 11,6 12,2 13,7 16,5 18,0 21,4 23,5 dIÂMeTro noMInAl (In) 3 3,1/2 4 5 6 8 10 ROSQ. 24,0 27,25 33,5 - - - - FLAN 28,7 32,65 36,6 45,7 47,9 49,3 94,5 Fonte: FIALHO, 2011 • Pressão de regime: é a pressão na qual o ar se encontra armazenado no reservatório (7 a 12kgf/cm²). P = Pressão de regime (kgf/cm²). A pressão de trabalho considerada econômica industrialmente é de 6kgf/cm² ou 6bar. VOCÊ SABIA? equacionamento dos tubos de aço A determinação do diâmetro mínimo dos tubos de aço necessário para atender à demanda, inclusive prevendo expansão futura, pode ser obtida pela seguinte equação: d = 10. P .P 1,663785 .10-3 .Q1,85 .L t5 Em que: • d = diâmetro interno (mm). As medidas comerciais dos tubos de ação podem ser analisadas na Tabela 8. Tabela 8: Tubo de aço para condução de fluidos e outros fins dIÂMeTro esPessurA de PArede Peso TeórICo do Tubo PreTo Pressão de ensAIonoMInAl exTerno InTerno PonTAs lIsAs CoM rosCAs e luVAs17 in in mm mm in mm kg/m kg/m kgf/cm2 1/4 0,540 13,7 9,2 0,088 2,24 0,63 0,66 50 3/8 0,675 17,2 12,6 0,091 2,31 0,85 0,88 50 1/2 0,840 21,3 15,8 0,109 2,77 1,27 1,29 50 3/4 1,050 26,7 21,0 0,113 2,87 1,68 1,72 50 Continua 8 Dimensionamento De sistemas pneumáticos e hiDráulicos 143 Continuação Tabela 8: Tubo de aço para condução de fluido e outros fins dIÂMeTro esPessurA de PArede Peso TeórICo do Tubo PreTo Pressão de ensAIonoMInAl exTerno InTerno PonTAs lIsAs CoM rosCAs e luVAs17 in in mm mm in mm kg/m kg/m kgf/cm2 1 1,315 33,4 26,1 0,133 3,38 2,50 2,56 50 1.1/4 1,660 42,2 35,1 0,140 3,56 3,38 3,45 70 1.1/2 1,900 48,3 40,9 0,145 3,68 4,05 4,18 70 2 2,375 60,3 52,5 0,154 3,91 5,43 5,60 70 2.1/2 2,875 73,0 62,7 0,203 5,16 8,62 8,76 70 3 3,500 88,9 77,9 0,216 5,49 11,28 11,60 70 3.1/2 4,000 101,6 90,1 0,226 5,74 13,56 14,11 85 4 4,500 114,3 102,3 0,237 6,02 16,06 16,81 85 5 5,563 141,3 128,2 0,258 6,55 21,76 22,67 85 6 6,625 168,3 154,1 0,280 7,11 28,23 29,59 85 8 8,625 219,1 202,7 0,322 8,18 42,49 44,66 90 10 10,75 273,0 254,5 0,365 9,27 60,23 - 85 Fonte: FIALHO, 2011 Caso 1 Em uma determinada linha de rede, você recebe a função de definir a tubulação necessária. Supondo que você tenha as características a seguir, apresentamos a solução para o equacionamento desta tubulação. Características • comprimento da tubulação linear: 300m; • perda de carga admitida: 0,3kgf/cm²; • pressão de regime: 9kgf/cm²; • volume de ar corrente: 300m³/h • aumento da capacidade prevista para os próximos 10 anos: 60%. • singularidades: a) 5 tês roscados com fluxo em ramal; b) 5 tês roscados com fluxos em linha; c) 7 válvulas tipo gaveta roscadas; d) 5 curvas de 90º raio longo roscadas. Solução a) A capacidade de aumento de 60% para os próximos 10 anos: Q = 300 . 1,6 = 480m³/h. b) Substituindo as variáveis: d = 10. P .P 1,663785 .10-3 .Q1,85 .L t5 = 10. = 70,05mm 0,3 .9 1,663785 .10-3 .4801,85 .3005 144 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL c) Analisando a Tabela 8(diâmetro interno): • 70,05mm =~ 3in; • polegadas (3in). d) Utilizando as tabelas 6 e 7, temos: • 5 tês roscados com fluxo em ramal: 10 . 5,2 = 52m; • 5 tês roscados com fluxo em linha: 5. 3,7 =18,5m; • 7 válvulas tipo gaveta roscadas: 7 . 0,58 = 4,06m; • 6 curvas de 90º raio longo roscadas: 6 . 1,2 = 7,2m. 52 + 18,5 + 4,06 + 7,2 = 81,76m Lt = L1 + L2 = 300 + 81,76 = 381,76m d = 10. P .P 1,663785 .10-3 .Q1,85 .L t5 = 10. = 73,51m = 3in (tabela 17) 0,3 .9 1,663785 .10-3 .4801,85 .381,765 Neste caso, não importando se são colocadas as perdas de cargas, o diâmetro da tubulação continua sendo 3in, de acordo com a Tabela 8. linhas secundárias e de alimentação Para o dimensionamento das linhas secundárias e de alimentação pode ser utilizada a mesma equação vista no dimensionamento das linhas primárias. Nesse caso, sendo todas as linhas de mesmo comprimento, dividimos o volume de ar pela quantidade de linhas secundárias e utilizamos o cálculo visto anteriormente, ajustando Lt. Caso 2 Continuando o exemplo anterior, mas agora com especificações diferentes. Características • comprimento da tubulação linear(cada linha): 11m; • perda de carga admitida: 0,3kgf/cm²; • pressão de regime: 9kgf/cm²; • volume de ar corrente: 300m³/h; • aumento da capacidade prevista para os próximos 10 anos: 60%; • são dez linhas secundárias de igual comprimento; • singularidades: a) 3 tês roscados com fluxo em ramal; 8 Dimensionamento De sistemas pneumáticos e hiDráulicos 145 b) 1 válvula tipo gaveta roscada; c) 1 curva de 90º raio longo roscada; d) 1 cotovelo comum 90º roscado. Solução a) A capacidade de aumento de 60% para os próximos 10 anos: Q = = 48 m3/h 10 300.1,6 b) Substituindo as variáveis: d = 10. P .P 1,663785 .10-3 .Q1,85 .L t5 = 10. = 15,43mm 0,3 .9 1,663785 .10-3 .481,85 .115 c) Analisando a Tabela 8 (diâmetro interno): 15,43 mm =~ in. 2 1 polegadas ( in) 2 1 2 1 . d) Utilizando as Tabelas 6 e 7, temos: • tês roscados com fluxo em ramal -> 3 . 1,3 = 3,9m • 1 válvula tipo gaveta roscada -> 1 . 0,17 = 0,17m • 1 curva de 90º raio longo roscada -> 1 . 0,67 = 0,67m • 1 cotovelo comum 90º roscado -> 1 . 1,1 = 1,1m 3,9 + 0,17 + 0,67 + 1,1 = 5,84m Lt = L1 + L2 =11 + 5,84 = 16,84m d = 10. P .P 1,663785 .10-3 .Q1,85 .L t5 = 10. = 16,8mm = (tab. 17) 0,3 .9 1,663785 .10-3 .481,85 .16,845 in. 4 3 Nesse caso, o diâmetro da tubulação será de d = 10. P .P 1,663785 .10-3 .Q1,85 .L t5 = 10. = 16,8mm = (tab. 17) 0,3 .9 1,663785 .10-3 .481,85 .16,845 in. 4 3 , de acordo com a Tabela 8 vista anteriormente. Atuadores pneumáticos lineares comerciais Para definir os atuadores pneumáticos, devemos determinar a força de projeto Fp requisitada para ter o movimento da carga, além da força de atrito estático e cinético que ocorre durante o movimento do atuador, tanto externa quanto internamente. Caso 3 Diâmetro do atuador: 146 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Dp = 2. Pt .π Fp φ Em que: • Dp = diâmetro mínimo aceitável do pistão (cm); • Fp = força necessária para a execução da operação (kp); • φ = fator e correção da força de projeto (Quadro 21) • Pt = pressão de trabalho ( ) cm2 kp Obs.: 1kp =m 9,8N Verificação e dimensionamento do diâmetro da haste pelo critério de Euler3 d = h a64 .S .λ2 .F4 π3 .E Em que: • l = comprimento livre de flambagem (cm) - veja Quadro 21 • E = módulo de elasticidade do aço = 2,1 . 107 N/cm2 • j = momento de inércia para seção circular da haste (cm4) • K = carga de flambagem (N) • Fa = força de avanço (N) -> Fa = Fp . φ; • S = coeficiente de segurança (3,5 – 5). VeloCIdAde de desloCAMenTo dA HAsTe do CIlIndro exeMPlo FATor de Correção (FC) Lenta com carga aplicada somente no fim do curso Operação de rebitagem 1,25 Lenta com carga aplicada em todo o desenvolvimento do curso Talha pneumática 1,35 Rápida com carga aplicada somente no fim do curso Operação de estampagem 1,35 Rápida com carga aplicada em todo o desenvolvimento do curso Deslocamento de mesas 1,50 Quadro 21 - Fator de correção Fonte: PARKER, 1999 3 Euler A utilização do critério de Euler para verificação e dimensionamento da haste do atuador é altamente recomendada, pois dá ao projetista a certeza do diâmetro mínimo necessá- rio e seguro para o tipo de fixação escolhido e compri- mento de haste, garantindo a segurança quanto à sua flambagem. 8 Dimensionamento De sistemas pneumáticos e hiDráulicos 147 CArgAs de euler C A rg A d e eu le r Caso 1- Uma extremidade livre, a outra fixa. Caso 2- (Caso bási- co) duas extremi- dades articuladas Caso 3 - Uma extremidade articu- lada e outra fixa. Caso 4 - Duas ex- tremidades fixas. re Pr es en TA ç ã o es q u eM áT IC A F L F L F L F L CoMPrIMenTo lIVre de FlAMbAgeM λ = 2 L λ = L λ = L (0,5)0,5 λ = L/2 sI Tu A ç ã o d e M o n TA g eM P A r A CI lí n d ro s H Id r á u lI C A L L F F L L F F L L F F L L F F n o TA s Guiar a carga com cuidado, porque há possibilidade de travamento. Inadequado, provável ocorrência de travamento. Quadro 22 - Aplicações de cargas de Euler Fonte: FIALHO, 2011 Tabela 9: Catálogo de cilindros FesTo dIÂMeTro do CIlíndro Curo PAdrão (mm) Cursos MIn. Máx. (mm) ForçA de AVAnço ForçA de reTorno Conexão n kP n kP CIlíndros de sIMPles eFeITo - TIPo esn - ...P/esnu - ... - P-A 8 10 25 50 - 20 2 - - M5 10 35 3,5 M5 12 50 5 M5 16 90 9 M5 20 148 14,8 G1/8 25 250 25 G1/8 Continua 148 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Continuação Tabela 9: Catálogo de cilindros FESTO dIÂMeTro do CIlíndro Curo PAdrão (mm) Cursos MIn. Máx. (mm) ForçA de AVAnço ForçA de reTorno Conexão n kP n kP CIlíndros de duPlo eFeITo – TIPo dsn - ... – dnsu - ... – P-A 8 - 10 - 100 24 2,4 16 1,6 M5 10 40 4 32 3,2 M5 12 - 10 - 100 55 5,5 68 3,8 M5 16 104 10,4 87 8,7 M5 20 - 10 - 320 170 17 140 - G1/8 25 - 10 - 500 267 26,7 220 - G1/8 CIlíndros duPlo eFeITo – TIPo dng - ... – dnsu - ... – PPV-A 32 25 50 80 100 125 1 a 2000 482 48,2 415 41,5 G1/8 40 753 75,3 633 63,3 G1/4 50 1178 117,8 990 99,0 G1/4 63 1870 187,0 1682 168,2 G3/8 80 3015 301,5 2720 272,0 G3/8 100 4712 471,2 4418 441,8 G1/2 125 7360 736,0 6880 688,0 G1/2 160 12064 1206,4 11310 1131,0 G3/4 200 18850 1885,0 18096 1809,6 G3/4 250 1 a 1000 29450 2945,0 28250 2825,0 G1 320 48250 4825,0 46380 4638,0 G1 Fonte: FIALHO, 2011 Tabela 10: Catálogo de cilindros PArker – forças (n) dIÂMeTro do CIlIndro (mm) dIÂMeTro dA HAsTe (mm) áreA eFeTIVA (mm2) ForçA TeórICA A 6 bAr (n) AVAnço reTorno AVAnço reTorno 32 12 804,25 691,15 482,55 414,69 40 16 1256,64 1055,58 753,98 633,35 50 20 1963,50 1649,34 1178,10 989,60 63 20 3117,25 2803,09 1870,35 1681,85 80 25 5026,55 4535,67 3015,93 2721,40 100 25 7853,98 7363,11 4712,39 4417,86 125 32 12271,85 11467,60 7363,11 6880,56 160 40 20106,19 18849,56 12063,72 11309,73 200 40 31415,93 30159,29 18849,56 18095,57 Fonte: FIALHO, 2011 Caso 4 Suponha que para um atuador deva ser dimensionado um deslocamento total de 100cm. Considere que esse atuador deva ser montado de acordo com o caso 2. Verificar pelo critério de Euler qual o diâmetro mínimo necessário para a haste. Considerar a força peso da mesa de 150kp e a pressão de 6kp/cm². 8 Dimensionamento De sistemas pneumáticos e hiDráulicos 149 Solução a) Calculando o diâmetro do pistão: verifique o Quadro 21 e faça o cálculo do diâmetro. Dp = 2. Pt .π Fp φ = 2. 6 .π 150.1,5 = 6,91 cm = 69,1mm b) Analisando o Tabela 10, verificamos que o atuador maior mais próximo é de 80mm, com um diâmetro de haste (dh) de 25mm. c) Verificando pelo critério de Euler. S = 5; λ = L =100cm (caso 2 -> Quadro 21); E = 2.107N/cm²; Fa = Fp . φ = 150 kPa . 1,5 = 225 kp = 2.205N (1kp ≈ 9,8N); = 1,23cm = 12,3mm;d = h 64 .5 .1002 .22054 π3 . 2. 107 12,3mm < 25mm. Com isso, podemos dizer que o atuador de dp = 80mm e dh = 25mm satisfaz a condição. outra forma de aplicação Como exemplo, deve ser selecionado um cilindropara levantar uma carga frágil de, aproximadamente, 3.000N. O primeiro passo é a correção da força para obter a força real que o cilindro vai desenvolver. Para isso, devemos multiplicar a força dada no projeto (3.000N) por um fator escolhido no Quadro 21. A pressão de trabalho é 6bar. Por ser um elemento frágil, deve ter uma velocidade lenta ao longo de todo o percurso. Com isto, multiplicamos o fator de correção com a força aplicada, através do Quadro 21: F = 3.000N x 1,35 = 4.050N. Sabendo que 1kp ~~ 9,8N: F = = 413,26 kgf 9,8 4050 Calculo para força: Ae = 4 π. de2Fe = P .Ae ou Ae = π.re2 150 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Em que: • Fe = força do êmbolo (kgf ); • de = diâmetro do êmbolo do atuador (cm); • re = raio do êmbolo do atuador (cm); • P = pressão de trabalho (kgf/cm², bar) -> 1kgf/cm² ; • Ae = área do êmbolo (cm²). Então, o cálculo fica: d = = π 4.A 3,14 4.68,88 cm2 kgf 6bar = 6 413,26 kgf = 68,88 cm2 P Fe Ae = cm2 kgf 6 = 9,36 cm~~ Então, o êmbolo deve ter um diâmetro de 93,60mm. Tendo este valor, podemos utilizar a Tabela 10. O valor maior e mais próximo é de 100mm, com 4.712,39N de avanço e 4.417,86N de retorno. Como esses valores estão acima da força requerida, poderá ser utilizado esse atuador. consumo de ar necessário Para calcular agora o consumo de ar necessário, devemos seguir os seguintes passos: Ap . L . n (Pt + 1,013) 1,013.106 C = c Ap . L . (Pt + 1,013) T . 1,013.106 Q = Ou • C = consumo de ar (l/s); • Ap = área efetiva do êmbolo (mm²) 4 π. de2pAp = ; • L = curso (mm); • nc = número de ciclos por segundo; • Pt = pressão de trabalho (bar); • Q = fluxo de ar (l/s); 8 Dimensionamento De sistemas pneumáticos e hiDráulicos 151 • T = tempo para um único ciclo em segundos (s). Por exemplo: Calcular o consumo e o fluxo de ar de um dispositivo do exemplo anterior, considerando T = 8s e nc = considerando T = 8s e nc = 8 1 3 ciclos . Solução: Tomando como exemplo o caso 4 (visto anteriormente), temos que o diâmetro do pistão é de 80mm e o curso é de 100cm (1000mm). Então: ( ) = 4,35 . L . n . (Pt + 1,013) 1,013.106 C = c 8 1 4 π. dp2 ( ) . 1000 . . (6 + 1,013) 1,013.106 = 4 π. 802 S l ( ) = 4,35 . L . (Pt + 1,013) T . 1,013.106 Q = 4 π. dp2 ( ) . 1000 . (6 + 1,013) 8 . 1,013.106 = 4 π. 802 S l Pela segunda equação: tecnologia do vácuo Em um projeto de um sistema de vácuo, seja qual for a aplicação, é importante que você observe os seguintes aspectos: • o efeito do ambiente sobre os componentes do sistema; • as forças necessárias para movimentação das peças ou materiais; • o tempo de resposta do sistema; • a permeabilidade dos materiais a serem manipulados ou transportados; • o modo como as peças ou materiais serão fixados; • a distância entre os componentes; • os custos envolvidos na execução do projeto. É importante ainda destacar que a aplicação segura desta tecnologia depende do dimensionamento correto das ventosas e dos geradores de vácuo, em função do formato e do peso dos corpos a serem manipulados ou transportados, além do circuito pneumático ou eletropneumático. escolha dos componentes Com relação à escolha correta dos componentes a serem empregados em um sistema de vácuo, devemos considerar, de um modo geral, a seguinte sequência: • o tipo, o tamanho e o posicionamento das ventosas; • o modelo ideal do elemento gerador de vácuo; • as válvulas pneumáticas de comando e controle do sistema; 152 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL • as características construtivas e de utilização de tubos, mangueiras e conexões; • o conjunto mecânico de sustentação das ventosas e acessórios. 8.2 dImenSIonamento de SIStemaS hIdráuLICoS Para o correto dimensionamento de sistemas hidráulicos, você deve fazer uma sequência de cálculos. Vamos a eles. Cálculo da potência de motores elétricos ( )( ) cm2 kgf min Q x P 456 N (cv) = l Em que: • N = potência do motor elétrico (cv); • Q = vazão de óleo hidráulico (l/min); • P = pressão de trabalho do motor (kgf/cm2). cálculo do reservatório hidráulico O volume do reservatório deve ser de duas a quatro vezes a vazão da bomba. Tubulações e cálculo de atuadores hidráulicos Força do atuador = área do atuador x pressão do atuador ( )cm2 kgf F (kgf ) = A (cm2) x P Volume do atuador = área do pistão x curso V (cm3) = A (cm2) x curso (cm) Área do pistão Vazão x 1000Velocidade da haste = A (cm2) x 1000 min Q t ( ) ( ) min V cm = Dados necessários para o dimensionamento do atuador: • carga (força necessária) do atuador; • curso do atuador; • pressão de trabalho. Passos • calcular o diâmetro do atuador; 8 Dimensionamento De sistemas pneumáticos e hiDráulicos 153 • encontrar o diâmetro apropriado do atuado no Anexo C; • redimensionar a força de atuação do atuador. Alguns exemplos práticos Caso 1: Sabendo que possuo uma rede hidráulica onde circula óleo com pressão de 75bar, qual será a força resultante de um atuador que possua diâmetro do êmbolo de 32mm? Solução: 32mm = 3,2cm = 8,04 cm2A = 4 π. 3,22 A = 4 π. d2 A F P = F = P . A P = 75 bar = 75 = 615,5 kgf cm2 kgf F = P . A = 8,04 cm2 . 75 cm2 kgf Caso 2: Dimensione um cilindro hidráulico comercial que trabalhe com pressão de 180bar e precise atingir mais de 100.000N no final de seu curso (não se esqueça de recalcular a força depoos de encontrar o novo diâmetro comercial). A F P = P F A = 100.000N = 10.000kgf 180bar = 180kgf/cm² = 55,56 cm2A = 180 10000 Sabendo que: d = = π 4 . A π 4 . 55,56 = 8,41 cm 84,1 mmA = 4 π. d2 Verificando as tabelas no Anexo C, o valor do diâmetro é de 101,6mm. 101,6mm = 10,16cm A = 4 π. d2 = 81,07 cm2= 4 π. 10,162 154 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL F = P . A = 180 . 81,07 = 14593,175kgf = 145931,75N 145931,75N > 100000N Conclusão: podemos utilizar este cilindro. tubulações e cálculo de perda de carga Devemos sempre observar a velocidade recomendada para o escoamento de um fluido. Alguns fabricantes recomendam aos seus clientes as seguintes velocidades de escoamento para o óleo hidráulico: • para sucção e preenchimento: v = 60,96cm/s à 121,92cm/s; • para retorno: v = 304,80cm/s à 457,20cm/s; • para retorno após ter passado por uma válvula reguladora de pressão do tipo alívio: v = 457,20cm/s à 762,20cm/s; • para pressão abaixo de 210bar: v = 762,20cm/s à 914,40cm/s; • Para pressão acima de 210bar: v = 457,20cm/s à 509,60cm/s. Observação: Seguindo essas velocidades, o sistema terá um escoamento laminar (menor perda de carga), e o cálculo da tubulação invariavelmente resultará em um diâmetro comercial. calculando o valor da perda de carga Durante o escoamento do fluido através do sistema hidráulico, pode ocorrer também a “perda de carga” em função de vários fatores. Para encontrar, por meio dos cálculos, o valor da perda de carga, devemos aplicar a seguinte fórmula: d L t . 9266 . 215915 P = f . V2 . γ Em que: • ΔP – perda de carga do sistema (bar); • f - fator de fricção (adimensional); • Lt = L1 + L2- comprimento total da tubulação (cm); • L1 – comprimento da tubulação retilínea (cm); • L2 – comprimento equivalente das singularidades (cm); • d – diâmetro interno da tubulação (cm); • v – velocidade de escoamento do fluido (cm/s); 8 Dimensionamento De sistemas pneumáticos e hiDráulicos 155 • γ – densidade do fluido em kg/m3 (igual a 881,1kg/m3 para óleo SAE-10); • 9.266 e 215.915 – fatores de conversão para a uniformização das unidades. Os cálculos dos outros fatores vêm a seguir: 1º determinação do fator de fricção “f” – O fator “f” está ligado à temperatura do fluido e à rugosidade interna do duto; isto é, quanto mais rugoso for internamente o duto, maior dificuldade terá o óleo para escoar. Re X f = Em que: • X = 64 para tubos rígidos e temperatura constante; • X = 75 para tubos rígidos e temperatura variável (ou vice-versa); • X = 90 para tubos flexíveis e temperatura variável; • Re = número de Reynoldsγ v.d Re = Em que: • v = velocidade do fluido (cm/s); • d = diâmetro interno da tubulação (cm); • γ = viscosidade cinemática do fluido em Stokes (0,45 a 0,50, para óleo hidráulico); • 0 < Re ≤ 2.000 – escoamento laminar; • 2.000 < Re< 3.000 – escoamento indeterminado; • Re ≥ 3.000 – escoamento turbulento. 2º determinação de l2, l1 e lt – Qualquer restrição à passagem do fluido (curvas, bifurcações etc.) causam perdas de carga e aquecimento do fluido. A este tipo de comportamento damos o nome de perda de carga localizada. Como é muito difícil estabelecer uma queda de pressão para cada tipo de singularidade, transformamos, por meio de cálculos, essas singularidades em comprimentos equivalentes de canalização retilínea, utilizando o Anexo D. À soma de todos os comprimentos equivalentes damos o nome de “L2”, que será acrescentado ao comprimento da tubulação retilínea “L1” que, por fim, nos fornece o comprimento total da tubulação “Lt”. 3º determinação de “d” – O diâmetro interno da tubulação é determinado a partir do cálculo da área da seção do duto A obtido por meio da vazão e velocidade do fluxo do fluido. 156 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL d = v . π 4 . Q d = π 4 A A = 4 π. d2 A = V Q Q = V . A Em que: • Q = vazão (cm³/s); • v = velocidade do fluxo de fluido (cm/s); • d = diâmetro interno da tubulação (cm). 4º determinação de “v” – A quarta determinação ocorre de acordo com a Tabela 11. Tabela 11: Tabela de velocidades lInHAs FAIxA de Pressão VeloCIdAdes Pressão P < 50bar 40cm/s 50 < P < 100bar 40 a 50cm/s 100 < P < 200bar 50 a 60cm/s P > 200bar 60 a 70cm/s Retorno 3 à 20bar 20 a 30cm/s Sucção -3 à 1,5bar 6 a 15cm/s Fonte: SENAI /MG, [s.d] 5º determinação de “γ” – Gama (γ) é a densidade do fluido em kg/m3 e é igual a 881,1Kg/m3 para o óleo SAE-10. Exemplo: Calcular a perda de carga de um sistema sabendo que: a) a vazão máxima é de 18,925 l/min (5gpm – galões por minuto); b) a velocidade do fluxo do fluido é a recomendada na linha de pressão abaixo de 210bar; c) os tubos são curvados e a temperatura do fluido é variável; d) o comprimento da canalização retilínea é de 1.346cm; e) são encontradas as seguintes singularidades no sistema: • 2 cotovelos de 90º de raio longo; • 1 entrada normal; • 2 cotovelos de 45º; • 4 curvas de 90º de raio longo; • 2 tês de saída bilateral; 8 Dimensionamento De sistemas pneumáticos e hiDráulicos 157 • 1 registro de globo; f ) o fluido utilizado é o óleo SAE – 10; 18,925 .1000 60 cm3 3 18,925l/min = 18,925dm3/min = = 315,42cm3/s Para uma pressão de 210bar, obtemos pela Tabela 11, se obtêm uma velocidade de 60cm/s. d = v . π 4 . Q = 60 . π 4 . 315,42 = 2,59 cm= 25,9mm Tendo os valores dos componentes singulares e o valor do diâmetro, obtemos por meio do Anexo D um diâmetro na tabela maior e mais próximo, que é o de 28,575mm. Com essas informações, obtemos os seguintes valores: Tabela 12: Tabela de valores TIPo quAnT VAlor (CM) ToTAl (CM) Cotovelos de 90º raio longo 2 23,63 47,26 Entrada normal 1 15,75 15,75 Cotovelos de 45º 2 19,69 39,38 Curvas de 90º raio longo 4 15,75 63 Tês de saída bilateral 2 78,74 157,48 Registro globo 1 385,83 385,83 soMA ToTAl 708,7cm Fonte: Autor Lt = L1 + L2 = 1.346 + 708,7 = 2054,7cm m3 Kg γ = 881,1 Cálculo de f: Re X f = 60 .2,59 0,45 escoamento laminar y v . d Re = = = 345,33 • X = 64 para tubos rígidos e temperatura constante; • X = 75 (ou vice-versa); • X = 90 para tubos flexíveis e temperatura variável. Lembre-se de que este é um tubo rígido e de temperatura variável. Com os valores calculados, agora podemos calcular a perda de carga. 158 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL = 0,22 . . = 0,28 bar d L t . 9266 . 215915 P = f . V2 . Y 9266 . 215915 602 . 881,1 2,59 2054,7 Conclusão: Com essas características, o sistema terá uma perda de carga de 0,28bar. determinação do diâmetro interno da mangueira em função da vazão do circuito O gráfico apresentado na Figura 127 foi desenhado para auxiliá-lo na escolha correta do diâmetro interno da mangueira. A escolha deve estar baseada na vazão do circuito e na velocidade máxima recomendada para a condução do fluido. Vazão Q I/min Gal/min* 400 300 80 200 150 100 90 80 70 60 60 50 50 40 40 30 30 20 20 15 15 10 10 9 8 7 6 5 5 4 4 3 2 O grá�co abaixo foi construído baseado na seguinte fórmula: D = Qx 0.4081 V Onde: Q = vazão em galões por minuto (gpm) V = velocidade do �uido em pés por segundo D = diâmetro da mangueira em polegadas Diametro Interno mm bitola traço 50,8 - 32 2” 38,1 -24 11/2” 31,8 -20 11/4” 25,4 -16 1” 19,1 -12 3/4” 15,9 -10 5/8” 12,7 -8 9,5 -6 3/8” 7,9 -5 5/16” 6,3 -4 1/4” 4,8 -3 3/16” Velocidade m/s feet/s 0,6 1 1,2 4 2 3 5 62 7 8 103 15 20 4 5 6 25 7 8 309 Velocidade máxima recomendada para linha de sucção Velocidade máxima recomendada para linha de retorno Velocidade máxima recomendada para linha de pressaão Figura 127 - Gráfico para estabelecer o diâmetro interno de uma mangueira Fonte: PARKER, 1999 8 Dimensionamento De sistemas pneumáticos e hiDráulicos 159 reCaPItuLando Estudamos neste capítulo o procedimento para o dimensionamento de circuitos pneumáticos e hidráulicos, e mostramos os cálculos necessários para a montagem do circuito de forma mais segura, com proteção. Compreendemos que é imprescindível fazer o dimensionamento para qualquer projeto pneumático ou hidráulico. Conhecemos as fórmulas necessárias para o correto dimensionamento dos componentes pneumáticos e hidráulicos, e entendemos que o dimensionamento tem o objetivo de criar, ao mesmo tempo, um circuito seguro e com o menor custo possível. Comparação entre os sistemas elétricos, pneumáticos e hidráulicos 9 Os atuadores transformam as energias elétrica, pneumática e hidráulica em energia mecânica. Cada método de transmissão de energia apresenta vantagens e desvantagens. Por essa razão, uma máquina pode ser equipada com uma combinação de sistemas elétricos, pneumáticos, hidráulicos e mecânicos. Na transmissão elétrica, a energia na forma de eletricidade é transmitida e controlada pelos fios até um atuador elétrico em que o trabalho será realizado. Na transmissão pneumática, a energia, na forma de fluxo de ar comprimido, é transmitida e controlada através de tubulações a um atuador pneumático em que o trabalho será realizado. Na transmissão hidráulica, a energia, na forma de fluxo de líquido pressurizado, é transmitida através da tubulação ao ponto em que o trabalho será realizado. Para quase todas as máquinas, a energia que realiza o trabalho é a energia mecânica. Mesmo as outras formas de energia resultam, no final, em energia mecânica. É por essa razão que se requer um atuador antes do ponto de trabalho. No Quadro 23 e Quadro 24, temos uma comparação entre os sistemas pneumático, hidráulico e elétrico. HIdráulICA elÉTrICA PneuMáTICA En er gi a Transmissão limitada e muito lenta bem rápida e longas distâncias limitada e lenta Distância econômica até aprox. 100 m praticamente sem limite até aprox. 100 m Velocidade de trans- missão aprox. 2 – 6 m/s aprox. 300.000 km/s aprox. 10 – 50 m/s Acumular possível dentro de limites difícil simples Custo de energia alto baixo bem alto 162 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Ac io na m en to Produção de movi- mentos lineares muito simples complicado e caro muito simples Velocidade de trabalho até aprox. 0.5 m/s até 4 m/s em casos especiais ainda maior Peso/potência bem alto baixo baixo limitadas Forças alcançáveis bem altas altos c/ grande inves- timentos limitadas. até 20.000 N Cursos alcançáveis altos. até 10 m ou mais limitado 2 m max. Alteração de forças simples e preciso caro simples Velocidades simples e preciso caro simples Rendimento bom ruim ruim Produção de movi- mentos rotativos Simples simples simples Rotações limitado limitado alto até. 500.000 rpm Torque alcançável bem alto alto baixo Alteração darotação simples e preciso caro bem simples Alteração de torque simples e preciso caro simples Rendimento boa boa ruim Interligação cara simples muito simples Segurança a sobrecarga completa normalmente não existe completa Proteção natural à ex- plosão parcial não sim Quadro 23 - Comparação entre os sistemas elétrico, pneumático e hidráulico Fonte: Autor, Adaptado de SILVA, 2002 PneuMáTICo 3 – 8 bAr PneuMáTICo 50 – 500 MbAr eleTro- MeCÂnICo eleTrônICo Transmissão do sinal em geral Distância Velocidade econômica lento e limitado aprox. 100 m aprox. 20 – 70 m/s lento e limitado aprox. 300 m ate max. 300 m/s rápido e sem problemas praticamente sem limites aprox. 300.000 km/s Elementos de coman- do 4 ms grande alta 0.1 ms pequeno bem alta 10 ms grande alta 1 ms bem pequeno bem alta Sensibili- dade contra influência ambiental Sujeira, pó, umidade, interferência elétrica, atuação de calor baixa baixa não tem baixa alta baixa não tem baixa alta alta baixa baixa alta alta alta bem alta Interligação bem simples e sem problemas bem simples e sem problemas simples simples Escopo de comando limitado limitado limitado praticamente sem limites 9 Comparação entre os sistemas elétriCos, pneumátiCos e hidráuliCos 163 Manipu- lação e manuten- ção ótima boa boa boa, com pes- soal treinado Quadro 24 - Comparação entre os sistemas pneumáticos, eletro-mecanico e eletrônicos Fonte: Autor, Adaptado de SILVA, 2002 No Quadro 25 e Quadro 26, vemos as vantagens da utilização do sistema pneumático e do sistema hidráulico. sIsTeMA PneuMáTICo quAnTIdAde O ar comprimido existe em qualquer lugar e em abundância – por isso, é uma fonte de energia barata e fácil de ser encontrada. TrAnsPorTe O ar comprimido é transportado por meio de tubulações em que não existe a necessidade de retorno – então, seu transporte é fácil. ArMAzenAMenTo O ar é comprimido por um compressor e é armazenado em um reservatório, permitindo que o compressor não trabalhe continuamente. TeMPerATurA O ar comprimido não possui oscilação de temperatura, permitindo, as- sim, um funcionamento mais seguro, mesmo em condições extremas. segurAnçA O ar comprimido não apresenta riscos de explosão ou incêndio. Além disso, possui uma pressão baixa de trabalho (6 a 12bar). lIMPezA O ar comprimido não impacta o meio ambiente, mesmo que ocorram eventuais vazamentos em elementos mal vedados. ConsTrução Como as pressões de trabalho são relativamente baixas no sistema pneumático, seus elementos de trabalho são menos robustos e mais leves. VeloCIdAde Permite alta velocidade de deslocamento dos elementos de trabalho. segurAnçA ConTrA sobreCArgA Os elementos de trabalho podem operar com o deslocamento de materiais de grande carga (peso), podendo até parar sem danificar o ele- mento utilizado, e podendo ser utilizados novamente, quando solicitado. Quadro 25 - Vantagens da utilização do sistema pneumático Fonte: Autor sIsTeMA HIdráulICo VeloCIdAde VArIáVel A maior parte dos motores elétricos têm uma velocidade constante, e esta característica é aceitável quando temos de operar uma máquina a uma velocidade constante. O atuador (linear ou rotativo) de um sistema hidráulico, entretanto, pode ser acionado a velocidades variáveis e infini- tas, desde que variemos o deslocamento da bomba ou utilizemos uma válvula controladora de vazão. reVersIbIlIdAde Poucos são os acionadores reversíveis. Normalmente, os que o são, precisam ser quase parados antes de podemos inverter o sentido de rotação. O atuador hidráulico pode ser invertido instantaneamente, sem quaisquer danos, mesmo em pleno movimento. Uma válvula direcional de quatro vias ou uma bomba reversível atua nesse controle, enquanto a válvula de segurança protege os componentes do sistema contra pressões excessivas. 164 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL ProTeção ConTrA sobreCArgAs A válvula de segurança protege o sistema hidráulico de danos causados por sobrecargas. Quando a carga excede o limite da válvula, desvia-se o fluxo da bomba ao tanque, com limites definidos ao torque ou à força. A válvula de segurança também permite ajustar uma máquina à força ou ao torque especificado, tal como em uma operação de travamento. dIMensões reduzIdAs Devido às condições de alta velocidade e pressão, os componentes hidráulicos possibilitam transmitir máxima força em condições mínimas de peso e espaço. PArAdA InsTAnTÂneA Se pararmos instantaneamente um motor elétrico, podemos danificá- lo ou queimar o fusível. Da mesma forma, as máquinas não podem ser bruscamente paradas e ter seu sentido de rotação invertido sem que seja dada novamente a partida. Entretanto, um atuador hidráulico pode ser parado sem danos quando sobrecarregado e recomeçar imediatamente, assim que a carga for reduzida. Durante a parada, a válvula de segurança simplesmente desvia a vazão da bomba ao tanque. equIPAMenTos São equipamentos mais produtivos, eficientes, duráveis e confiáveis. Quadro 26 - Vantagens da utilização do sistema hidráulico Fonte: Autor reCaPItuLando Estudamos neste capítulo uma comparação detalhada entre os sistemas elétricos, pneumáticos e hidráulicos, para verificar a aplicabilidade de cada um de acordo com a situação-problema que ocorrer. Vimos que o sistema pneumático é exigido em processos que tenham necessidade de velocidade, mas sem riscos de explosões. Entendemos que este sistema não é adequado para cargas pesadas. Em relação ao sistema hidráulico, aprendemos que ele é utilizado em sistemas que exigem grande força e precisão, mas não é empregado em situações que necessitem de grande velocidade e apresentem riscos de explosões. Já o sistema elétrico é utilizado em situações que exigem velocidade considerável, mas apresenta desvantagens, como o tamanho em relação ao peso da carga que irá deslocar e riscos de explosões. 9 Comparação entre os sistemas elétriCos, pneumátiCos e hidráuliCos 165 Anotações: eletropneumática e eletro-hidráulica 10 A eletropneumática e a eletro-hidráulica possuem semelhanças com relação à pneumática e à hidráulica, como, por exemplo, o avanço e o retorno do cilindro por ar ou óleo, respectivamente. Mas, a principal diferença é seu controle. As válvulas direcionais (elementos de comando) e os elementos de sinais (sensores e botões, por exemplo) são acionados eletricamente. As válvulas direcionais agora terão pilotos comandados por solenoides. A tensão de alimentação depende da alimentação dos solenoides e sensores. FIQUE ALERTA As tensões de alimentação de 110 e 220V são perigosas!! Cuidado com seu manuseio. De acordo com as normas NR-10 e NR-12, para a segurança do manuseio de sistemas eletropneumáticos e eletro- hidráulicos a alimentação recomendada é de 24V, e não 220V ou 110V. Estude as normas NR-10 e NR-12, pois elas são fundamentais para sua segurança. SAIBA MAIS 10.1 PrInCIPaIS ComPonenteS doS SIStemaS eLetroPneumátICoS e eLetro- hIdráuLICoS Os principais componentes dos sistemas eletropneumáticos e eletro-hidráulicos são descritos a seguir. interruptor Elemento de comutação acionado manualmente com, pelo menos, duas posições de comutação (NA-NF) e que permanece em cada uma das posições enquanto estiver acionado. 168 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Botoeira Elemento de comutação acionado manualmente, com reposição automática após a retirada da força de acionamento. As botoeiras com trava, muito utilizadas como botão de emergência para desligar o circuito de comando elétrico em momentos críticos, são acionados por botão do tipo cogumelo. A Figura 128 mostra esses botões. 24V 24V 23 31 41 13 13 13 14 14 14 0V 0V EP - B1 24 24 24 23 23 32 32 32 31 31 42 42 42 41 41 13 21 14 22 13 21 14 22 13 21 14 22 13 21 14 22 simbolo bornesbornes mola de reposiçãocontato NA contato NF Botão tipo cogumelo 24V 24V 23 31 41 13 0V 0V EP- B3 21 14 12 24V 24V 23 31 41 13 0V 0V EP - B3 21 14 12 Figura 128 - a) Funcionamento de uma botoeira; b) Botão pulsador; c) Botão giratório com trava; d) Botão cogumelo com trava. As imagens estão acompanhadas de suas simbologias Fonte: FESTO, 2012b Chave fim de curso Elemento de comutação acionado mecanicamente cuja finalidade é transmitir informações da instalação ao comando. A Figura 129 mostra este componente. a) 1 1 4 2 4 2 b) Figura 129 - a) Chave fim de curso tipo rolete; b) Chave fim de curso do tipo rolete escamoteável (gatilho) Fonte: FESTO, 2012b 10 ElEtropnEumática E ElEtro-hidráulica 169 sensores Elementos de comutação acionados eletricamente por meio da aproximação de algum objeto. Os principais sensores utilizados são: • Sensor capacitivo: detecta a presença de algum objeto que tenha “massa”. Ex.: Uma folha possui massa muito pequena, já um caderno possui massa considerável. • Sensor indutivo: detecta a presença de algum objeto que seja de metal. • Sensor óptico: detecta a presença de algum objeto que não seja escuro (elemento escuro absorve a cor). A Figura 130 mostra os sensores capacitivo, indutivo e óptico. • Sensor magnético: detecta a presença de algum objeto que tenha ímã. Geralmente, alguns atuadores possuem internamente um ímã, de modo que, ao se aproximar o sensor magnético do ímã, o sensor fecha o seu contato. A principal aplicação desse tipo de sensor é sua utilização como sensores de posicionamento em atuadores com êmbolo magnetizado. a) b) c) Figura 130 - a) Sensor capacitivo; b) Sensor indutivo; c) Sensor óptico. As imagens estão acompanhadas de suas simbologias Fonte: FESTO, 2012b A Figura 131 mostra o sensor magnético acoplado a um atuador. Nessa figura, notamos que, no interior do atuador, o êmbolo é magnético. Este atuador é específico para o uso em sensores magnéticos. Figura 131 - Sensor magnético acoplado a um atuador com êmbolo magnético Fonte: FESTO, 2012b 170 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL pressostatos Também conhecidos como sensores de pressão, são chaves elétricas acionadas por um piloto hidráulico ou pneumático. Os pressostatos são montados em linhas de pressão hidráulica e/ou pneumática e registram tanto o acréscimo como a queda de pressão nessas linhas. O processo ocorre com a inversão de seus contatos toda vez em que a pressão do óleo ou do ar comprimido ultrapassar o valor ajustado na mola de reposição. A Figura 132 mostra este componente. 1 Simbologia P 2 3 Figura 132 - Pressostato com a sua simbologia Fonte: FESTO, 2012b elementos de processamento de sinais Estes elementos analisam as informações emitidas ao circuito pelos elementos de entrada. As informações são combinadas entre si, de modo que o comando elétrico possa apresentar o comportamento desejado. contator de potência Elemento de comutação que trabalha com potência elevada, sendo utilizado para o comando de elementos de trabalho, como eletroímãs, motores elétricos e outros. contator auxiliar Elemento de comutação de potência baixa. É utilizado para a comutação de circuitos auxiliares. relé de tempo Elemento de comutação temporizado com retardo de fechamento ou de abertura. A Figura 133 mostra esse temporizador, do tipo TON (retardo na energização) e do tipo TOF (retardo na desenergização). O funcionamento é o mesmo visto em Eletricidade Industrial. 10 ElEtropnEumática E ElEtro-hidráulica 171 A) 16 18 15 16 18 15 B) Figura 133 - a) Temporizador TON; b) Temporizador TOF. As imagens estão acompanhadas de suas simbologias Fonte: FESTO, 2012b contadores Os relés contadores registram a quantidade de pulsos elétricos a eles enviados pelo circuito e emitem sinais ao comando, quando a contagem desses pulsos for igual ao valor neles programado. A Figura 134 mostra este tipo de componente. 0V FEST 24 V 24 V R1 R2 R2 R2 96 98 95 Figura 134 - Contador com a sua simbologia Fonte: FESTO, 2012b 10.1.1 equipAmeNto de sAídA de siNAl Válvula magnética – Elemento conversor eletromecânico. A Figura 135 mostra este tipo de componente. 1 2 3 1 2 3 1 Simbologia 2 3 Figura 135 - Válvula direcional 3/2 vias NF. a) Acionamento por solenoide; b) Retorno por mola com a sua simbologia Fonte: PARKER, 1999 172 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Funcionamento de um solenoide Em uma eletroválvula, hidráulica ou pneumática, a bobina do solenoide é enrolada em torno de um magneto fixo, preso à carcaça da válvula, enquanto o magneto móvel é fixado diretamente na extremidade do carretel da válvula. A representação de um solenoide durante um circuito deve ser representada por Y+ número, em que o número indica qual o solenoide está sendo utilizado. A Figura 136 mostra o funcionamento de um solenoide. P A P A 1. Com o solenoide desligado... 2. ...a mola mantém o êmbolo apoiado em seu assento inferior. 3. O �uxo do ar comprimido de P para A permanece fechado pela junta de vedação montada na base do êmbolo. 1. Quando o solenoide é energizado... 2. ...o campo magnético gerado pela bobina atrai o êmbolo da válvula para cima... 3. ... abrindo a passagem do ar comprimido de P para A. Y1 Figura 136 - Funcionamento de um solenoide com a sua simbologia Fonte: PARKER, 1999 10.2 CIrCuItoS eLetroPneumátICoS PrátICoS circuito 1 Ao acionarmos um botão de comando, a haste de um atuador de simples ação com retorno por mola deve avançar. Enquanto mantivermos o botão acionado, a haste deverá permanecer avançada. Ao soltarmos o botão, o atuador deve retornar à sua posição inicial. • Solução A Figura 137 mostra este circuito. 2 31 Y 1 + + S1 Y1 Figura 137 - Resolução do circuito 1 Fonte: PARKER, 1999 10 ElEtropnEumática E ElEtro-hidráulica 173 Este é um circuito com válvula direcional com avanço por servocomando e retorno por mola. Enquanto não acionar o botão S1, o solenoide Y1 não energizará, mantendo recuado o atuador de simples ação. Ao acionar o botão, energizará o solenoide Y1, mudando de posição a válvula direcional 3/2 vias, permitindo que o cilindro avance. circuito 2 Um atuador de dupla ação pode ser acionado de dois locais diferentes e distantes entre si como, por exemplo, no comando de um elevador de cargas que pode ser acionado tanto do solo como da plataforma. • Solução A Figura 138 mostra este circuito. 2 4 5 1 3 Y1 + + S2S1 Y1 Figura 138 - Resolução do circuito 2 Fonte: PARKER, 1999 É um circuito com válvula direcional com avanço por servocomando e retorno por mola. Enquanto não acionar um dos botões, o atuador fica recuado. Quando é acionado o botão S1 OU o botão S2, é energizado o solenoide Y1, permitindo que o atuador avance. Enquanto um dos botões estiver acionado, o atuador permanecerá avançado. circuito 3 Um cilindro de ação dupla deverá avançar somente quando dois botões de comando forem acionados simultaneamente (comando bimanual). Ao soltar qualquer um dos dois botões de comando, o cilindro deve voltar imediatamente à sua posição inicial. • Solução A Figura 139 mostra este circuito. 174 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Y1 3 5 1 2 4 + + S1 S2 Y1 Figura 139 - Resolução do circuito 3 Fonte: PARKER, 1999 É um circuito com válvula direcional com avanço por servocomando e retorno por mola. Enquanto não acionar os botões ou um dos botões, o atuador ficará recuado. Quando são acionados o botão S1 E o botão S2, é energizado o solenoide Y1, permitindo que o atuador avance. Enquanto os dois botões estiverem acionados, o atuador permanecerá avançado. circuito 4 Um cilindro de ação dupla deve ser acionado por dois botões. Acionando- se o primeiro botão, o cilindro deve avançar e permanecer avançado mesmo que o botão seja desacionado. O retorno deve ser comandado por meio de um pulso no segundo botão. • Solução Na verdade, existem quatro soluções possíveis. A Figura 140 mostra estes circuitos. 2 4 Y1 Y2 31 5 2 4 Y1 Y2 31 5 2 4 Y1 Y2 31 5 + + + + S1 S1 S2 S2 S1 S2 S1 S2 Y1 Y2 Y1 Y2 + + + + 2 4 Y1 3 1 5 S1 S2 K1 K1 K1 K1 K1 K1Y1 a b c d Figura 140 - a) Circuito A; b) Circuito B; c) Circuito C; d) Circuito D Fonte: PARKER, 1999 10 ElEtropnEumática E ElEtro-hidráulica 175 Circuito A É um circuito com válvula direcional com duplo solenoide. Enquanto não acionar nenhum dos botões, o atuador permanecerá em sua posição atual. Quando acionar o botão S1, seu contato NA fecha e abre seu contato NF. Isso permite que o atuador avance e, mesmo se acionar o botão S2, não dará nenhum efeito pelo fato de o contato NF de S1 estar aberto. Para recuar o atuador, devemos soltar o botão S1 e acionar o botão S2. O contato NA de S2 fecha, e o NF abre. Mesmo se acionar o botão S1, o atuador não avançará novamente, porque o contato NF de S2 está aberto. Só avançará novamente soltando S2 e acionando S1 novamente. Caso os dois botões S1 e S2 sejam acionados simultaneamente, embora os dois contatos normalmente abertos se fechem, os dois contatos normalmente fechados se abrem e garantem que os dois solenoides Y1 e Y2 permaneçam desligados. A montagem alternada dos contatos fechados dos botões em série com os contatos abertos evita que os dois solenoides sejam energizados ao mesmo tempo, fato que poderia causar a queima de um dos solenoides, danificando o equipamento. Circuito b É um circuito com válvula direcional com duplo servocomando. Como na válvula direcional com acionamento por servocomando o solenoide não movimenta diretamente o carretel, apenas abre uma passagem interna de ar comprimido para que ele pilote a válvula, não ocorre o risco, nesse caso, de queimar um dos solenoides caso ambos sejam ligados ao mesmo tempo. Neste tipo de válvula, quem empurra o carretel para um lado ou para o outro é o próprio ar comprimido. Acionando-se o botão S1, seu contato normalmente aberto fecha, energizando o solenoide Y1. Com o solenoide Y1 em operação, o piloto pneumático empurra o carretel da válvula direcional para a direita, permitindo que o atuador avance. Quando o botão S1 é desacionado, desligando o solenoide Y1, a pilotagem pneumática é desativada, mas, como a válvula direcional não possui mola de reposição, o atuador se mantém avançado. Acionando-se o botão S2, seu contato fecha, energizando o solenoide Y2, permitindo que o atuador retorne. Quando o botão S2 é desacionado, desligando o solenoide Y2, a pilotagem pneumática é desativada, mas, como a válvula direcional tem a característica de memorizar o último acionamento efetuado, nesse caso para a esquerda, o cilindro permanecerá retornado. Portanto, para que a haste do cilindro avance ou retorne, não é necessário manter o botão de comando S1 ou S2 acionado; basta dar um pulso e soltar o botão, já que a válvula direcional memoriza o último acionamento efetuado. 176 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Circuito C É um circuito com válvula direcional com avanço por servocomando e retorno por mola. Nesse circuito é feito um contato-selo, no qual quem energiza o contator K1 é o botão S1, e quem desenergiza é o botão S2. Esse contator é o responsável pela energização ou não do solenoide Y1. Quando Y1 está energizado avança o atuador, e quando está desenergizado recua o atuador. Circuito d Mesmo do circuito C, só modificando a posição do botão S2, mas ele tem a mesma função e também o mesmo circuito. circuito 5 Um atuador de dupla ação deve avançar quando for acionado um botão de partida e retornar automaticamente ao atingir o final do curso de avanço. • Solução Na verdade, existem duas soluções possíveis. A Figura 141 mostra estes circuitos. 2 4 Y1 Y2 3 1 5 + + ++ S1 Y1 Y2 Y1 Y1 S2 S1 S2 S2 S2 2 4 Y1 31 5 S2 + + S1 K1 K1 K1 K1K1 K1 a b Figura 141 - a) Circuito A; b) Circuito B Fonte: PARKER, 1999 Circuito A É um circuito com válvula direcional com duplo servocomando. Ao acionar S1, aciona-se o solenoide Y1, permitindo que o atuador avance. Se soltar S1, o atuador permanecerá avançado. Para recuar o atuador deve estar desacionado o botão S1 e acionado o fim de curso S2, fazendo o atuador recuar. Quando estão sendo acionados o fim de curso S2 e o botão S1 ao mesmo tempo, ele permanece na última posição, sem alterar. 10 ElEtropnEumática E ElEtro-hidráulica 177 Circuito b É um circuito com válvula direcional com avanço por servocomando e retorno por mola. Ao acionar S1, aciona-se K1, tendo assim o fechamento do contato de K1, e permanece acionado K1, mesmo se soltar o botão S1. Para desenergizar K1, o atuador deve encostar no fim de curso S2, desenergizando, assim, K1 e desligando seu contato. Quando K1 está energizado, energiza o solenoide Y1, avançando o atuador. Quando K1 está desenergizado, desenergiza Y1, recuando o atuador. circuito 6 Um atuador pneumático de dupla ação com amortecedores de final de curso deve avançar e retornar automaticamente, efetuando um único ciclo, uma vez pressionado um botão de partida. Um segundo botão, quando acionado, deve permitir que o cilindro avance e retorne em ciclo contínuo limitado; isto é, o número de ciclos deve poder ser selecionado de acordo com a vontade do operador. • Solução Na verdade, existem duas soluções possíveis. A Figura 142 mostra estes circuitos. 2 4 Y1 Y2 31 5 + + S1 S2 Y1 Y2 S3 S4 S2 Kc Kcr S4 S3 2 4 Y1 31 5 S4 S3 + +13 13 1311 21 21 21 S1 S2 S2K1 K1 K1S3 14 14 14 1424 24 22 11 11 12 12 13 14 Kc S4 K2 K1 K2Y1 Kc Kcr Kc a b Figura 142 - a) Circuito A; b) Circuito B Fonte: PARKER, 1999 178 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Circuito A É um circuito com válvula direcional com duplo servocomando. Ao acionar S1, aciona-se o solenoide Y1, permitindo que o atuador avance. Quando o atuador estiver avançando, o fim de curso S4 que estava acionado irá desacionar, permitindo que Y1 seja desacionado, sendo enviado somente um pulso de avanço do atuador. Mesmo assim, o atuador continuará a avançar, por ter a memória na válvula. Quando o atuador estiver avançado, aciona-se S3, permitindo que acione o solenoide Y2 e Kc. Como Kc é um contador, notamos que o contato fechado de S2 permite que o contador permaneça resetado, não havendo a contagem. Ao acionar o solenoide Y2, o atuador irá recuar. Nesse tempo de recuo, primeiramente ele desaciona S3, permitindo que haja somente um pulso para o recuo. Quando chega no seu recuo, o atuador aciona novamente S4, podendo acionar novamente S1 para o seu avanço. Se preferir acionar o botão S2, o circuito funcionará da seguinte forma: S2, por ser um botão com trava. Se esse botão for acionado, ele faz duas coisas: 1) aciona Y1; 2) para com o RESET do contador, permitindo que ele comece a contar. Quando o Y1 estiver acionado, avança o atuador. Com o atuador avançando, desacionará S4, desenergizando Y1. Isso permite que o atuador continue avançando, por existir a memória na válvula direcional. Quando o atuador estiver avançado, aciona-se S3, permitindo que acione o solenoide Y2 e Kc. Como Kc é um contador, notamos que o contato fechado de S2 permite que o contador permaneça resetado, não havendo a contagem. Quando o atuador estiver avançado, aciona-se S3, permitindo que acione o solenoide Y2 e Kc, realizando uma contagem. Quando acionamos o solenoide Y2, o atuador recuará. Nesse tempo de recuo, primeiramente ele desaciona S3, permitindo que haja somente um pulso para o recuo. Quando chega no seu recuo, o atuador aciona novamente S4, avançando novamente o atuador, por S2 estar acionado. Este ciclo sempre irá funcionar. Só para de ocorrer o avanço e recuo do atuador de duas formas: 1) alcançando o limite pré-estabelecido do contador Kc; 2) desacionando o botão S2. Quando alcançar a contagem de Kc, este deve ser resetado, mas apenas quando o botão S2 for desacionado, para fechar novamente o contato NF. Circuito b É um circuito com válvula direcional com avanço por servocomando e retorno por mola. Quando acionar S1, aciona-se o solenoide K1, que tem um contato-selo, permitindo que mesmo que S1 ou S4 esteja desacionado, K1 permaneça acionado. Isso faz o atuador avançar. Quando o atuadorestiver avançado, aciona S3, que aciona o contator K2. Esse contator abre o contato, permitindo que o K1 desligue. Com K1 desligado, desaciona-se o solenoide Y1, permitindo que o atuador recue. 10 ElEtropnEumática E ElEtro-hidráulica 179 Se preferir acionar o botão S2, aciona-se o solenoide K1, que tem um contato- selo, permitindo que, mesmo que S4 esteja desacionado, K1 permaneça acionado, e também desliga o reset do contador. Isso faz o atuador avançar e faz um pulso de contagem para o contador Kc. Quando o atuador estiver avançado, aciona- se S3, que aciona o contator K2. Esse contator abre o contato, permitindo que o K1 desligue. Com K1 desligado, desaciona-se o solenoide Y1, permitindo que o atuador recue. Quando o atuador recuar, ele aciona o fim de curso S4, fazendo novamente a ligação em selo do circuito de K1, fazendo o atuador avançar e fazer mais uma contagem. Esse atuador só para de avançar quando o botão S2 estiver desacionado ou quando chegar na contagem preestabelecida. Quando alcançar a contagem de Kc deve ser resetado, mas apenas quando o botão S2 for desacionado, para fechar novamente o contato NF, resetando o contador. circuito 7 Um cilindro de ação dupla deve avançar quando for acionado um botão de partida, permanecer parado por 4 segundos no final do curso de avanço e retornar automaticamente. Um botão de emergência deve encerrar instantaneamente o ciclo e permitir que o cilindro volte imediatamente ao ponto de partida, seja qual for sua posição. • Solução Na verdade, existem duas soluções possíveis. A Figura 143 mostra estes circuitos. 2 4 Y1 Y2 3 1 5 S2 + + + + 13 11 21 13 31 Y1 K1 S2 Y2 Y1 S1 S4S1 S1 14 11 11 11 12K2 K1 K2 K2 12 14 1424 34 12 K2 2 4 Y1 3 1 5 S2 13 14 14 11 11 11 12S0 S1 21 K1 K1 24 S2 K2 K1 K2 12 a b Figura 143 - a) Circuito A; b) Circuito B Fonte: PARKER, 1999 180 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Circuito A É um circuito com válvula direcional com duplo servocomando. Ao acionar S1, aciona- se o solenoide Y1, permitindo que o atuador avance. Quando o atuador estiver avançado, aciona o sensor S2, permitindo que acione o temporizador K1. Este temporizador só será acionado quando soltar o botão S1 e acionar o sensor S2. Após o tempo preestabelecido, o temporizador aciona o solenoide Y2, permitindo que o atuador retorne. Se for acionado o botão de emergência S3, o contator K2, que tem uma ligação em selo, é acionado. Isso faz o atuador retornar automaticamente. Para voltar a funcionar o circuito, basta desacionar o botão de emergência S3 e acionar o botão S4 para desligar o contato selo de K2. Com isso, pode acionar S1 para funcionar o circuito novamente. Circuito b É um circuito com válvula direcional com avanço por servocomando e retorno por mola. Ao acionar S1, aciona-se o contator K1, que está ligado em selo, que aciona o solenoide Y1, permitindo que o atuador avance. Quando o atuador estiver avançado, aciona o sensor S2, permitindo que acione o temporizador K2. Após o tempo preestabelecido, o temporizador desaciona o contator K1, desligando o selo. Outra forma para desligar K1 é acionando o botão de emergência S0. Desacionando K1, faz desligar o solenoide Y1. Isso permite que o atuador retorne. circuito 8 Dois atuadores pneumáticos de dupla ação devem avançar e retornar, obedecendo a uma sequência de movimentos predeterminada. Acionando-se um botão de partida, o atuador A deve avançar. Quando A chegar ao final do curso, deve avançar o atuador B. Assim que B atingir o final do curso, deve retornar o atuador A e, finalmente, quando A alcançar o final do curso, deve retornar o atuador B. • Solução Para solucionar esse circuito, é necessário fazer o diagrama trajeto-passo. A Figura 144 mostra este circuito. 1 2 3 4 5 1 0 1 0 5 = 1 avancado recuado Cilindro A Cilindro B avancado recuado Figura 144 - Diagrama trajeto-passo do circuito proposto Fonte: PARKER, 1999 Após esse passo, você deve fazer a sequência de funcionamento por meio do método intuitivo, utilizando setas. 10 ElEtropnEumática E ElEtro-hidráulica 181 A Figura 145 mostra esta sequência. Botão A+ B+ A- B- a1 b1 a0 Figura 145 - Sequência de funcionamento pelo método intuitivo Fonte: FESTO, 2012b Após tudo isso realizado, será feito o circuito. A Figura 146 mostra o circuito feito. 2 4 Y1 Y2 3 1 5 S4 2 4 Y3 Y4 3 1 5 S5 S3S2 A B + + S1 S2 K2 13 Y1 14 11 12 K1 K1 K2 K3 Y3 Y2 11 11 12 14 S3 S4 S5 21 K2 24 21 S1 22 K3 11 12 Y4 21 K3 24 21 22 K1 Figura 146 - Resolução do circuito 8 Fonte: PARKER, 1999 É um circuito com válvulas direcionais com duplo servocomando. Inicialmente, os atuadores A e B estão acionando o sensor S4 e o fim de curso S5. S4 é o responsável pelo retorno do atuador B e S5 é o responsável para desligar o recuo do atuador A quando terminar o ciclo. Como os atuadores A e B já estão recuados, não dará nenhum efeito agora. Ao acionar o botão S1 aciona-se o solenoide Y1, fazendo o atuador A avançar. Quando A estiver avançando, desacionará o sensor S4, desligando a atuação para o recuo do atuador B. Quando o atuador A avança totalmente, aciona o sensor S2. Esse sensor aciona um contator K1, que aciona automaticamente o solenoide Y3. Esse solenoide permite que o atuador B avance. Quando o atuador B avançar totalmente, ele aciona o sensor S3. Este sensor aciona o contator K2. K2 acionado e o botão S1 solto permitem que acione o solenoide Y2, que faz o atuador A retornar. Quando esse atuador recuar totalmente, ele aciona o sensor S4. Esse sensor acionado, junto com o atuador B avançado (S5 desacionado), aciona o contator K3. NA de K3 junto com o NF de K1 (atuador A 182 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL não pode estar avançado) permite com que seja acionado o solenoide Y4, que faz o atuador B recuar. Quando esse atuador recuar, aciona-se o fim de curso S5, permitindo que o contator K3 (recuo de B) não funcione até um novo ciclo. Esse circuito também pode ser feito com válvulas direcionais 5/2 vias, avanço por servocomando e retorno por mola. Os circuitos eletro-hidráulicos funcionarão da mesma forma que os eletropneumáticos. A principal diferença será o tipo de componente, que será mais robusto. circuito 9 Dois atuadores pneumáticos de dupla ação devem avançar e retornar, obedecendo a uma sequência de movimentos predeterminada. Acionando-se um botão de partida, o cilindro A deve avançar. Quando A chegar ao final do curso, deve retornar o cilindro A. Assim que A atingir o final do curso, deve avançar o cilindro B e, finalmente, quando B alcançar o final do curso, deve retornar o cilindro B. • Solução Para solucionar esse circuito, é necessário fazer o diagrama trajeto-passo. A Figura 147 mostra este circuito. 1 2 3 4 1 0 1 0 avancado recuado Cilindro A Cilindro B avancado recuado Figura 147 - Diagrama trajeto-passo do circuito proposto Fonte: PARKER, 1999 Após este passo, você deve fazer a sequência de funcionamento por meio do método intuitivo, utilizando setas. A Figura 148 mostra essa sequência. Botão A+ A- B+ B- a1 a0 b1 Figura 148 - Sequência de funcionamento pelo método intuitivo Fonte: FESTO, 2012b Fazendo o circuito, ficaria da seguinte forma (Figura 149): 10 ElEtropnEumática E ElEtro-hidráulica 183 2 4 Y1 Y2 3 1 5 + + S1 Y1 Y2 Y3 S2 S3 S2S3 2 4 Y3 Y4 3 1 5 S4A B Y4 S4 Figura 149 - Circuito 9 Fonte: PARKER, 1999 Nessa sequência percebemos que, analisando as sequências para ter o avanço do atuador B, é necessário que o atuador A esteja recuado. Como o atuador A está recuado inicialmente, ocorrerá o avanço de B fora da sequência; ou seja, este circuito não vai funcionar dessa maneira. Veremos esse processo no capítulo a seguir. 10.3 método CaSCata eLétrICa O método cascata elétrica consiste em utilizar contatores por meio de circuitos que utilizam um circuito na forma indireta. Para saber se um circuito é indireto ou direto, a sequência deveser repartida no meio. Se o que tiver em um lado da divisão for igual a outra, esse circuito é direto. Caso seja diferente, é indireto. Outra forma da sequência indireta é quando temos a divisão pelo meio e temos a mesma letra em um dos lados. exemplo 1 A+ B+ A- B- -> A B A B -> Se repartir no meio, fica -> AB | AB AB = AB então este circuito é direto. exemplo 2 A+ B- C+ A- B+ C- -> A B C A B C -> A B C | A B C ABC = ABC então esse circuito é direto. exemplo 3 A+ B+ B- A- -> A B B A -> Se repartir no meio, fica -> A B | B A 184 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL AB ≠ BA então este circuito é indireto. exemplo 4 A+ A- B+ B- C+ C- -> A A B B C C -> A A B | B C C AAB ≠ BCC então este circuito é indireto. exemplo 5 A+ A-B+ B- -> A A B B -> Se repartir no meio, fica -> A A | B B AA ≠ BB então este circuito é indireto. exemplo 6 A+ B+ A-A+ B-A- -> A B A A B A -> Se repartir no meio, fica ->AB A A B A AA AA Ao repetir a letra mesmo na divisão, então este circuito é indireto. 10.3.1 etApAs dA cAscAtA elétricA 1ª etapa Dividir a sequência em setores de modo que, em cada setor, não haja letras iguais. Na divisão em setores devem ser colocadas somente letras. A+ A- B+ B- -> AABB SEQUÊNCIA: A / A B / B SETOR: I II I Obs.: Na divisão 3, a letra B não existe no setor 1 ainda, por isso este também é setor 1. Caso existisse, ele seria o setor III. 2ª etapa De acordo com o número de setores, devemos utilizar a ligação dos contatos com contatores apropriados. O número de contatores que são utilizados é: Número de contatores = Número de setores – 1 A Figura 150 mostra este circuito para dois setores. k1 k1 l l Figura 150 - Circuito de dois setores Fonte: PARKER, 1999 10 ElEtropnEumática E ElEtro-hidráulica 185 Enquanto K1 fica desenergizado, o setor I fica acionado (por estar com o contato fechado de K1) e o setor II fica desacionado (por estar com o contato aberto de K1). O circuito para energizar K1 é um contato-selo, no qual quem liga o selo é aquele que muda do setor I para o setor II, enquanto quem desliga é aquele que muda do setor II para o setor I. A Figura 151 mostra este circuito para três setores. k1 k1 l l k2 k2 l l l Figura 151 - Circuito de três setores Fonte: PARKER, 1999 Enquanto K1 e K2 ficam desenergizados, o setor I fica acionado (por estar com os contatos fechados de K1 e K2), enquanto o setor II (aberto de K1 e fechado de K2) e o setor III (aberto de K2) ficam desacionados. Ao energizar o contator K1 aciona-se o setor II e são desacionados os setores I e III. Ao energizar K2 (o contator K1 pode permanecer energizado) aciona-se o setor III e desacionam-se os setores I e II. Quando é desenergizado K1 e K2 retornamos ao setor I. K1 e K2 permanecerão energizados por conta do contato selo. A Figura 152 mostra este circuito para quatro setores. k1 k1 l l k2 k2 l l l k3 k3 l V Figura 152 - Circuito de quatro setores Fonte: PARKER, 1999 186 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Enquanto K1, K2 e K3 ficam desenergizados, o setor I fica acionado (por estar com o contato fechado de K1, K2, e K3), enquanto o setor II (aberto de K1, fechado de K2 e fechado de K3), o setor III (aberto de K2 e fechado de K3) e o setor IV (aberto de K3) ficam desacionados. Ao energizar o contator K1, aciona-se o setor I e são desacionados os setores II, III e IV. Ao energizar K2 (já estando energizado K1), aciona-se o setor II e desacionam-se os setores I, III e IV. Quando energizar K3 (já estando energizado K1 e K2), aciona-se o setor III e desacionam-se os setores I, II e IV. Quando desenergizamos K1, retornamos ao setor IV. A Figura 153 mostra esse circuito para cinco setores. k1 k1 l l k2 k2 l l l k3 k3 l V k4 k4 V Figura 153 - Circuito de cinco setores Fonte: PARKER, 1999 Enquanto K1, K2, K3 e K4 ficarem desenergizados, o setor I ficará acionado (por estar com o contato fechado de K1, K2, K3 e K4) e o setor II (aberto de K1, fechado de K2, fechado ), o setor II (aberto de K1, aberto de K2 e fechado de K3), o setor III (aberto de K1, aberto de K2, aberto de K3 e fechado de K4) e o setor 4 (aberto de K1, aberto de K2, aberto de K3 e aberto de K4) ficarão desacionados. Ao energizar o contator K1, aciona-se o setor I e são desacionados os setores II, III, IV e V. Ao energizar K2 (já estando energizado K1), aciona-se o setor II e desaciona- se os setores I, III, IV e V. Ao energizar K3 (já estando energizado K1 e K2), aciona- se o setor III e desacionam-se os setores I, II, IV e V. Ao energizar K4 (já estando energizado K1, K2 e K3), aciona-se o setor IV e desacionam-se os setores I, II, III e V. Ao desenergizar K1 retorna-se ao setor V. circuito para a sequência eletropneumática A+ A- B+ B- Agora vamos ver como pode ser o circuito para a sequência eletropneumática A+ A- B+ B-. Como já vimos, são dois setores. Para dois setores, temos 2 – 1 = 1 contator. O contator será representado por K1. Transformando-se em setores, o setor I será o K1 de contato fechado e o setor II será o K1 de contato aberto. 10 ElEtropnEumática E ElEtro-hidráulica 187 Na Figura 154 fazemos o circuito pelo método intuitivo. Botão A+ A- B+ B- a1 a0 b1 Figura 154 - Circuito pelo método intuitivo Fonte: Autor Na Figura 155 fazemos o circuito com a divisão em setores. Botão A+ Setor l Setor l Setor ll A- B+ B- a1 a0 b1 Figura 155 - Circuito com a divisão em setores Fonte: Autor Na Figura 155 repetimos o setor I por não haver letras repetidas. Se no setor I, Figura 154, houvesse as letras A e B, obrigatoriamente o setor da Figura 155, por repetir a letra B, deveria ser o setor III. Com essa divisão, podemos ver, na Figura 156, os responsáveis por fazer a transição de um setor para o outro. Botão A+ Setor l Setor l Setor ll A- B+ B- a1 a0 b1 Figura 156 - Fazendo a “transição” de um setor para outro Fonte: Autor Em que: • a1= responsável por fazer a transição do setor I para o setor II; • b1 = responsável por fazer a transição do setor II para o setor I. Como pode ser visto na Figura 157, esses são os contatos utilizados para ativar ou desativar o contator K1. O responsável por ativar o contator K1 é o responsável pela transição do setor I para o setor II (a1). O responsável por desativar o contator K1 é o responsável pela transição do setor II para o setor I (b1). 188 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL K 1K 1 K 1 +24 V 0 V BO Tà O Y 1 Y 4 Y 2 Y 3 a 0 +24 V 0 V a 1 K 1 K 2 K 2 b 1 K 2 1 2 3 4 6 7 2 6 10 13 4 11 51 4 2 5 1 3 Y 1 Y 2 4 2 5 1 3 Y 3 Y 4 a 0 a 1 b 0 b 1 Figura 157 - Fazendo a ativação ou desativação do contator K1 Fonte: Autor Notamos que quando o contato é NF, ou utilizamos mais de um contato do fim de curso ou utilizamos o sensor. Geralmente é colocado um contator (nesse caso, notamos no fim de curso b1 que utiliza o contator K2). sequência A+ B+ A- A+ B- A- Agora vamos tomar como exemplo a seguinte sequência: A+ B+ A- A+ B- A-. Faremos pelo método intuitivo e dividiremos em setores. Com essa divisão, podemos ver os responsáveis por fazer a transição de um setor para o outro na Figura 158. Setor l Setor lV Setor ll Setor lll Botão A+ B+ A- A+ a1 b1 a0 B- A- a1 b0 a0 Figura 158 - Fazendo a transição de um setor para outro Fonte: Autor 10 ElEtropnEumática E ElEtro-hidráulica 189 Em que: • b1 = responsável por fazer a transição do setor I para o setor II; • a0 = responsável por fazer a transição do setor II para o setor III; • b0 = responsável por fazer a transição do setor III para o setor IV; • a0 = responsável por fazer a transição do setor IV para o setor I. Notamos que existe o fim de curso a0 para a transição entre os setores II e III e entre os setores IV e I, pois: • o responsável pela transição do setor II para o setor III é o a0 do setor II; • o responsável pela transição do setor IV para o setor I é o a0 do setor IV. Com isso, o circuito ficará como está apresentado na Figura 159.K 1 +24 V 0 V b 1 K 1 K 6 K 2 K 4 K 2 K 6 K 3 b 0 K 3 K 6 K 1 K 2 K 4 a 0 K 6 K 4 K 6 K 3 K 1 K 2 K 5 a 1 K 3 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 2 3 9 15 12 4 5 10 17 15 6 9 11 19 17 3 9 13 18 101 3 5 4 2 5 1 3 Y 1 Y 2 4 2 5 1 3 Y 3 Y 4 a 0 a 1 b 0 b 1 K 3K 3 +24 V BO Tà O K 2 K 2 K 1K 1 Y 1 Y 2 K7 K 8 K 7 K 5 Y 3 K 8 K 9 K 10 K 9 K 5 Y 4 K 10 13 15 16 18 19 20 21 22 19 21 20 22 Figura 159 - Esquema do circuito Fonte: Autor Este circuito funciona do seguinte modo: no início, com K1, K2 e K3 desacionados, é ativado o setor I. Alguns fins de curso foram utilizados em mais de um lugar, por isso tiveram de ser ligados em contatores. O fim de curso a0 foi ligado no contator K4, e o fim de curso a1, no contator K5. Quanto aos solenoides, por serem utilizados os solenoides Y1 e Y2 (avanço e retorno do atuador A, respectivamente) e por serem ligados mais de uma vez, foram ligados nos contatores K7, K9 (solenoide Y1 – avanço do atuador A), K8 e K10 (solenoide Y2 – retorno do atuador A). 190 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL • Setor I Ao apertar o botão, aciona-se o contator K7. Esse contator, ou o contator K9, é o responsável pelo avanço do atuador A (Y1). Quando o atuador A acionar o fim de curso a1, aciona-se o contator K5, que permite que seja acionado o solenoide de avanço de B (Y3). • Transição do setor I para o setor II Quando o atuador B acionar b1 permitirá o acionamento do contator K1, ou seja, que mude para o setor II. • Setor II Mudando para o setor II, permitirá que seja acionado o contator K8. Esse contator ou o contator K10 é o responsável pelo retorno do atuador A. • Transição do setor II para o setor III Quando o atuador A acionar o fim de curso a0, aciona-se o contator K4 no setor II (K1), permitindo que seja acionado o setor III (aciona K2). • Setor III Com isso, é acionado o contator K9 (responsável pelo avanço do atuador A). O acionamento de 1 (K5) permite que o atuador B retorne. • Transição do setor III para o setor IV Quando o atuador B acionar b0 (atuador B recuado) é acionado o setor IV. • Setor IV Nesse setor, o atuador A vai retornar. • Transição do setor IV para o setor I Quando o atuador A acionar a0 (K4), acionará o contator K6, permitindo que K1, K2 E K3 desliguem. Foi feito um circuito para que somente seja desligado o contator K6 quando realmente forem desligados os contatores K1, K2 e K3. 10 ElEtropnEumática E ElEtro-hidráulica 191 reCaPItuLando Neste capítulo estudamos o emprego da eletricidade para o acionamento e controle, visando à automação dos sistemas de transmissão, do trabalho hidráulico e da pneumática. Assim, por meio da eletropneumática e da eletro- hidráulica, conhecemos os elementos de acionamento (interruptores, botoeiras e sensores), os elementos de processamento de sinais e seus símbolos e exemplos de dimensionamento de sistemas eletropneumáticos e hidráulicos. Foi visto também o método cascata elétrica para a eletropneumática e eletro-hidráulica, um método eficiente para a resolução de circuitos, com um certo grau de complexidade, que é aplicado em circuitos indiretos. história dos sistemas de controle, conceito e utilização do CLP 11 Quando estudamos os atuadores pneumáticos, hidráulicos e elétricos, vimos que eles necessitam de uma força externa para produzir movimento. Entretanto, para que ocorra uma sequência de movimentos, há uma série de controladores que podem executar esta função. Um desses tipos de controladores é, exatamente, o controlador lógico programável, conhecido pela sigla CLP, ou, em inglês, PLC (programable logic controller). Para começar nosso estudo sobre o CLP, vamos voltar um pouco ao passado para entender como foi o processo histórico de desenvolvimento deste tipo de controlador. O primeiro sistema de controle surgiu durante a Revolução Industrial, no século XIX. Os controles eram implementados por dispositivos mecânicos, os quais automatizavam algumas tarefas críticas e repetitivas das linhas de montagem da época. O principal problema desses dispositivos é que eles precisavam ser desenvolvidos para cada nova tarefa e, por serem de natureza mecânica, tinham uma pequena vida útil. Em 1920, esses dispositivos mecânicos foram substituídos por relés e contatores. A lógica dos relés viabilizou o desenvolvimento de funções de controle mais complexas e sofisticadas. Durante a década de 1950, os relés foram os recursos mais utilizados para efetuar controles lógicos e de intertravamentos nas linhas de produção e em máquinas isoladas. Esses dispositivos tinham especial importância na indústria automobilística, em que a complexidade dos processos produtivos envolvidos exigia, frequentemente, instalações em painéis e cabines de controle com centenas de relés e, consequentemente, um número ainda maior de interconexões. Tais sistemas de controle, apesar de funcionais, apresentavam problemas de ordem prática bastante relevantes. Como as instalações possuíam uma grande quantidade de elementos, a ocorrência de uma falha qualquer significava o comprometimento de várias horas, ou mesmo dias, de trabalho de pesquisa e correção do elemento faltoso. Além disso, pelo fato de os relés apresentarem dimensão física elevada, os painéis ocupavam grande espaço, que deveria ser protegido contra umidade, aquecimento, gases inflamáveis, oxidação, poeira etc. Outro fator ainda comprometedor das instalações a relés era o fato de que, como a programação lógica do processo controlado era realizada por interconexões elétricas com lógica fixa, eventuais alterações exigiam interrupções no processo produtivo, a fim de se reconectarem os elementos, e as interrupções nem sempre eram bem-vindas na produção industrial. 194 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Assim, tornou-se obrigatória a atualização das listas de fiação como garantia de manter a documentação do sistema. Com o advento da tecnologia de estado sólido desenvolvida, a princípio, em substituição às válvulas a vácuo, alguns dispositivos transistorizados foram utilizados no final da década de 1950 e início dos anos 1960, e eles reduziam muitos dos problemas existentes nos relés. O desenvolvimento da tecnologia de circuitos integrados (CIs) possibilitou uma nova geração de sistemas de controle. Em comparação com os relés, os CIs baseados na tecnologia TTL ou CMOS são muito menores, mais rápidos e possuem uma vida útil muito maior. Foi a partir desse momento que novas fronteiras se abriram ao mundo dos computadores digitais e, em especial, às tecnologias para a automação industrial. A primeira experiência de um controle de lógica que permitia a programação por recursos de software foi realizada em 1968, na divisão de hidramáticos da GM (General Motors) devido à grande dificuldade de mudar a lógica de controle de painéis de comando a cada mudança na linha de montagem. Tais mudanças implicavam altos gastos de tempo e dinheiro. Sob a liderança do engenheiro Richard Morley foi elaborada uma especificação que refletia as necessidades de muitos usuários de circuitos a relés, não só da indústria automobilística, como de toda a industria manufatureira. Foi aplicado o CLP de acordo com as seguintes necessidades que ocorriam naquela época: • facilidade de programação e reprogramação, preferivelmente na planta, para ser possível alterar a sequência de operação da linha de montagem; • possibilidade de manutenção e reparo com blocos de entrada e saída modulares; • confiabilidade para que pudesse ser utilizado em um ambiente industrial; • redução de tamanho em comparação ao sistema tradicional, que utilizava relés; • ser competitivo em custo com relação a painéis de relés e eletrônicos equivalentes; • possibilitar entradas em 115V e saídas com 115V e com capacidade mínima de 2A para operar com válvulas solenoides e contatores; • possibilitar expansões sem grandes alterações no sistema; • memória programável com no mínimo 4kbytes e possibilidade de expansão; • estações de operaçãocom interface mais amigável; 11 História dos sistemas de controle, conceito e utilização do clP 195 • possibilidade de integração dos dados de processo do CLP em bancos de dados gerenciais, para tornar disponíveis informações sobre o chão de fábrica para os departamentos envolvidos com o planejamento da produção. 11.1 a era doS ControLadoreS de LógICa ProgramáveL Aliada ao uso de dispositivos periféricos, que realizavam operações de entrada e saída, a capacidade de programação dos microcomputadores permitiu vantagens técnicas de controle, dando início à era dos controladores de lógica programável. A primeira geração de CLPs, como poderia ser denominada, recebeu sensíveis melhorias com o advento dos microprocessadores ocorrido durante os anos de 1970. Assim, não se fazia necessário o uso de computadores de grande porte, e isso que tornou o CLP uma unidade isolada. Foram adicionados ainda recursos importantes, tais como interfaces de operação e programação facilitadas ao usuário, poderosas instruções aritméticas e de manipulação de dados, recursos de comunicação por meio de redes de CLP, possibilidades de configuração específica a cada finalidade por meio de módulos intercambiáveis, dentre outras inúmeras vantagens encontradas nos modelos comerciais. lógica com relés Durante um longo período, foi bastante utilizada a lógica por relés. Esses sistemas tiveram grande aceitação por possuírem as seguinte características: • facilidade de verificação de funcionamento, pois quando um relé atua é visível sua atuação; • imunidade a ruídos elétricos e interferências eletromagnéticas; • simplicidade de entendimento, fiação e manutenção (em sistemas simples). Entretanto, existiam alguns problemas com o uso de relés, como: • grande complexidade da fiação e sua verificação em sistemas grandes e complexos; • pouca flexibilidade para mudanças, pois qualquer modificação na lógica dos relés implicava refazer todos os desenhos esquemáticos, a fiação e a testes; • necessidade de um grande espaço dentro dos painéis. 196 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL 11.2 utILIzação de um CLP Toda planta industrial necessita de algum tipo de controlador para garantir uma operação segura e economicamente viável, desde o nível mais simples, em que pode ser utilizado para controlar o motor elétrico de um ventilador com o objetivo de regular a temperatura de uma sala, até um grau de complexidade elevado, controlando a planta de um reator nuclear para a produção de energia elétrica. Embora existam tamanhos e complexidades diferentes, todos os sistemas de controle podem ser divididos em três partes, com funções bem definidas. • Parte 1 – transdutores (sensores): são dispositivos que convertem uma condição física em um sinal elétrico, para ser utilizado em um CLP. • Parte 2 – controladores: são os dispositivos ligados as saídas do CLP que convertem um sinal elétrico em uma condição física (movimento, por exemplo). • Parte 3 – atuadores: utilizam um programa para controlar as saídas de acordo com uma lógica específica na entrada. Esta lógica é feita por meio de um programador, que determinará o funcionamento específico das saídas de acordo com a entrada. Podemos ver o sistema de controle na Figura 160. CLP ATUADORES SAÍDAS SENSORES / TRANSDUTORES ENTRADAS Figura 160 - Sistema de controle utilizando um CLP Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 A Figura 161 mostra os principais dispositivos de entrada e saída que podem ser colocados em um CLP. DW 125H In = 100 A Ue = 500 V T = 45 º C CAT. A K0 50 - 60 H2 Ue V 230 380 /415 440 500 KA 40 25 16 12 m12515 K1 = 50% Icu IEC 947 -2 CEI EN C0947 -2 VDE 0660 TESTE DW 125 H - 100 O� On DW 125H In = 100 A Ue = 500 V T = 45 º C CAT. A K0 50 - 60 H2 Ue V 230 380 /415 440 500 KA 40 25 16 12 m12515 K1 = 50% Icu IEC 947 -2 CEI EN C0947 -2 VDE 0660 TESTE DW 125 H - 100 O� On Entradas Analógicas Programação IHM Saídas Analógicas Conversor de Frequência Válvula Relé Saídas Digitais Lâmpada de Sinalização CLP Entradas Digitais Botoeira Figura 161 - Dispositivos de entrada e saída que podem ser conectados ao CLP Fonte: Autor 11 História dos sistemas de controle, conceito e utilização do clP 197 vantagens e características dos clps Os CLPs apresentam diversas vantagens, entre as quais: • ocupam menor espaço; • requerem menor potência elétrica; • podem ser reutilizados; • são programáveis, permitindo alterar os parâmetros de controle; • apresentam maior confiabilidade; • têm manutenção mais fácil e rápida; • oferecem maior flexibilidade; • apresentam interface de comunicação com outros CLPs e computadores de controle; • permitem maior rapidez na elaboração do projeto do sistema. Os CLPs possuem características importantes que devemos conhecer em relação aos seguintes aspectos: a) Hardware • alta confiabilidade (alto MTBF - tempo médio entre falhas); • imunidade a ruídos eletromagnéticos; • isolação galvânica de entradas e saídas; • facilmente configurável com montagem em trilhos; • padronizados ou racks com módulos extraíveis; • instalação facilitada, com conectores extraíveis; • manutenção simples, com ajuda de autodiagnose. b) software • programação simples por meio de linguagens de fácil aprendizagem; • recursos para processamento em tempo real e multitarefa; • monitoração de dados on-line; • alta velocidade de processamento. c) Confiabilidade O controlador deve funcionar em qualquer situação, sem interrupções e sem falhas, sejam elas relacionadas a máquinas ou a programas. Quanto mais recursos de tolerância a falhas houver, mais confiável será o controlador. 198 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL d) disponibilidade A disponibilidade é uma consequência da confiabilidade. Pode ser definida como o tempo durante o qual o controlador estará disponível e ativo para realizar sua função. Para aumentar a disponibilidade, é comum instalarmos configurações redundantes, o que significa que um ou mais módulos são duplicados e ficam permanentemente monitorando um ao outro. No momento em que um dos módulos falha, o módulo redundante assume as suas funções. A redundância pode ser do processador ou dos módulos de entrada e saída. e) segurança Existem dois aspectos quando falamos em segurança de um controlador e, consequentemente, de um sistema: • segurança de hardware: é a proteção da máquina contra intempéries (descargas atmosféricas, umidade, poeira), surtos de tensão, explosão, isolação da carcaça e outras; • segurança de software: é a proteção do programa contra o uso indevido e ainda contra a perda do programa por falta de energia ou apagamento acidental. A proteção é feita com senhas para o controle de acesso e do uso de um backup do programa em uma área especial da memória do controlador. f ) Possibilidade de conexão à rede de ClPs com outros equipamentos (integração) Esta característica é muito importante se o CLP não for visto isoladamente, mas se pensarmos na automação como grupos de máquinas operando em conjunto. Nesse sentido, é muito importante que o CLP possa se comunicar com outros CLPs, computadores, módulos inteligentes de aquisição e exibição de dados e qualquer outro equipamento que também tenha capacidade de comunicação. g) Velocidade de leitura / tempo de resposta O programa do CLP é estruturado de forma que o processador leia as entradas, percorra todo o programa, rotina a rotina, atualize as saídas de acordo com as fases anteriores e repita o processo. Quanto mais entradas e saídas e quanto maior o programa, maior é o tempo de duração desse ciclo. A velocidade do CLP é dada com base neste conceito por meio do tempo de varredura para cada 1.000 instruções. Por exemplo: se o CLP tiver uma velocidade de 1ms para cada 1.000 instruções, e o programa tiver 2.000 instruções, significa que as entradas serão lidas e as saídas atualizadas a cada 2ms. Daí concluímos que um pulso de duração menor do que 2ms não terá a resposta do CLP. 11 História dos sistemas de controle,conceito e utilização do clP 199 11.3 eStrutura Interna do CLP O CLP é um sistema microprocessado, ou seja, é constituído por um microprocessador (ou microcontrolador), um programa monitor, uma memória de programa , uma memória de dados, uma ou mais interfaces de entrada, uma ou mais interfaces de saída e circuitos auxiliares. A Figura 162 mostra a estrutura interna do CLP. FONTE DE ALIMENTAÇÃO REDE ELÉTRICA MEMÓRIA DO USUÁRIO TERMINAL DE PROGRAMAÇÃO UNIDADE DE PROCESSAMENTO MEMÓRIA DO DADOS MÓDULOS DE SAÍDAS MEMÓRIA DO PROGRAMA MONITOR MEMÓRIA IMAGEM DAS E/S CIRCUITOS AUXILIARES BATERIA MÓDULOS DE ENTRADAS Figura 162 - Estrutura interna de um CLP Fonte: ANTONELLI, [s,d] Agora, vamos estudar os principais itens do CLP com sua descrição: Fonte de alimentação – Normalmente, a fonte de alimentação tem as seguintes funções básicas: • converter a tensão da rede elétrica (110 ou 220VCA) para a tensão de alimentação dos circuitos eletrônicos, (+ 5VCC para o microprocessador, memórias e circuitos auxiliares e +/-12VCC para a comunicação com o programador ou computador); • manter a carga da bateria nos sistemas que utilizam relógio em tempo real e memória do tipo RAM; • fornecer tensão para a alimentação das entradas e saídas do CLP (12 ou 24VCC). unidade de processamento – Também chamada de CPU, é responsável pelo funcionamento lógico de todos os circuitos. Nos CLPs modulares, a CPU está em uma placa (ou módulo) separada das demais, podendo-se achar combinações de CPU e fonte de alimentação. Nos CLPs de menor porte, a CPU e os demais circuitos estão todos em um único módulo. As características mais comuns são: • microprocessadores ou microcontroladores de 8 ou 16 bits; • endereçamento de memória de até 1 megabyte; • velocidades de clock variando de 4 a 30Mhz; • manipulação de dados decimais, octais e hexadecimais. 200 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL bateria – As baterias são usadas nos CLPs para manter o circuito do relógio em tempo real, reter parâmetros ou programas (em memórias do tipo RAM), mesmo em caso de corte de energia, guardar configurações de equipamentos etc. Normalmente, são utilizadas baterias recarregáveis do tipo Ni-Ca ou Li. Nestes casos, são incorporados circuitos carregadores. Memória do programa monitor – O programa monitor é responsável pelo funcionamento geral e pelo gerenciamento de todas as atividades do CLP. Não pode ser alterado pelo usuário e fica armazenado em memórias do tipo PROM, EPROM ou EEPROM. Ele funciona de maneira similar ao sistema operacional dos microcomputadores. É o programa monitor que permite a transferência de programas entre um microcomputador ou terminal de programação e o CLP, a gerência do estado da bateria do sistema, o controle os diversos opcionais etc. Memória do usuário – É espaço em que se armazena o programa da aplicação desenvolvido pelo usuário. Pode ser alterada pelo usuário, já que uma das vantagens do uso de CLPs é a flexibilidade de programação. Inicialmente era constituída de memórias do tipo EPROM, sendo hoje utilizadas memórias do tipo RAM (cujo programa é mantido pelo uso de baterias), EEPROM e FLASH-EPROM, sendo também comum o uso de cartuchos de memória, que permitem a troca do programa com a troca do cartucho de memória. A capacidade das memórias varia bastante de acordo com o marca/modelo do CLP, sendo normalmente dimensionadas em passos de programa. Memória de dados – É a região de memória destinada a armazenar os dados do programa do usuário. Estes dados são valores de temporizadores, valores de contadores, códigos de erro, senhas de acesso etc. São normalmente partes da memória RAM do CLP. São valores armazenados que serão consultados e/ou alterados durante a execução do programa do usuário. Em alguns CLPs utiliza-se a bateria para reter os valores desta memória no caso de uma queda de energia. Memória imagem das entradas / saídas – Sempre que a CPU executa um ciclo de leitura das entradas ou executa uma modificação nas saídas, ela armazena os estados da cada uma das entradas ou saídas em uma região de memória denominada memória imagem das entradas/saídas. Esta região de memória funciona como uma espécie de tabela em que a CPU obterá informações das entradas ou saídas para tomar as decisões durante o processamento do programa do usuário. Circuitos auxiliares – São circuitos responsáveis por atuar em casos de falha do CLP. 11 História dos sistemas de controle, conceito e utilização do clP 201 Módulos ou interfaces de entrada – São circuitos utilizados para adequar eletricamente os sinais de entrada para que possam ser processados pela CPU (ou microprocessador) do CLP. Temos dois tipos básicos de entrada: as digitais e as analógicas. • Entradas digitais - São aquelas que possuem apenas dois estados possíveis, ligado ou desligado. Alguns exemplos de dispositivos que podem ser ligados a essas entradas são os seguintes: - botoeiras; - chaves (ou micro) fim de curso; - sensores de proximidade indutivos ou capacitivos; - chaves comutadoras; - termostatos; - pressostatos; - controle de nível (boia) etc. As entradas digitais podem ser construídas para operar em tensão contínua (24 VCC) ou em tensão alternada (110 ou 220 VCA). Podem ser também do tipo N (NPN) ou do tipo P (PNP). No caso do tipo N, é necessário fornecer o potencial negativo (terra ou neutro) da fonte de alimentação ao borne de entrada do CLP para que ela seja ativada. No caso do tipo P, é necessário fornecer o potencial positivo (fase) ao borne de entrada do CLP. Em qualquer dos tipos, é de praxe existir uma isolação galvânica entre o circuito de entrada e a CPU. Essa isolação é feita normalmente por meio de optoacopladores. As entradas de 24 VCC são utilizadas quando a distância entre os dispositivos de entrada e o CLP não excedam 50m. Caso contrário, o nível de ruído pode provocar disparos acidentais. A Figura 163 mostra exemplos de circuitos de entradas VCC e entradas VCA. +V ENTRADA 24 VCC C.P.U (a) +V 110 / 220 VCA C.P.U (b) Figura 163 - a) Entrada CC; b) Entrada CA Fonte: ANTONELLI, [s,d] 202 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Módulos ou interfaces de saída – Os módulos ou interfaces de saída adequam eletricamente os sinais vindos do microprocessador para que possamos atuar nos circuitos controlados. Existem dois tipos básicos de interfaces de saída: as digitais e as analógicas. • Saídas digitais: admitem apenas dois estados: ligado e desligado. Com este tipo de saída, podemos controlar os seguintes dispositivos: - relés; - contatores; - relés de estado-sólido; - solenoides; - válvulas; - inversores de frequência; - valculas on/off; - outros. As saídas digitais podem ser construídas de três formas básicas: saída digital a relé, saída digital 24VCC e saída digital a triac. Nos três casos, é normal prover o circuito de um isolamento galvânico, normalmente optoacoplado. A Figura 164 mostra as saídas. CPU SAÍDA (a) SAÍDA +V (b) CPU SAÍDA (c) CPU Figura 164 - Saídas digitais: a) Relé; b) Transistor; c) Triac Fonte: ANTONELLI, [s,d] 11 História dos sistemas de controle, conceito e utilização do clP 203 • Saídas analógicas: os módulos ou interfaces de saída analógica convertem valores numéricos em sinais de saída em tensão ou corrente. No caso de tensão, normalmente 0 a 10VCC, -5VCC a +5VCC, -10VCC a +10VCC 1VCC a 5VCC ou 0 a 5VCC, e no caso de corrente, de 0 a 20mA ou 4 a 20mA. Os sinais são utilizados para controlar dispositivos atuadores do tipo: - válvulas proporcionais; - motores CC; - servomotores CC; - inversores de frequência; - posicionadores rotativos etc. A Figura 165 mostra uma saída analógica. SAÍDA + 0 1 2 3 4 5 6 7 + DAC V C.P.U 8 bits Figura 165 - Saída analógica Fonte: ANTONELLI, [s,d] O cálculo de saída é parecido com o de entrada, com a diferença de que, em vez de a conversão ser de decimal para binário, será de binário para digital. Existem também módulos de saída especiais. Alguns exemplos são: • módulos PWMpara controle de motores C.C.; • módulos para controle de servomotores; • módulos para controle de motores de passo (step motor); • módulos para IHM (interface homem máquina) etc. 204 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL reCaPItuLando Neste capítulo introduzimos o estudo dos controladores lógicos programáveis (CLP), um dispositivo eletrônico que é operado digitalmente, projetado para uso em um ambiente industrial. Vimos que esse dispositivo usa uma memória programável para a armazenagem interna de instruções orientadas ao usuário, com o objetivo de implementar funções específicas, tais como lógica sequencial e combinacional, temporização, contagem e aritmética. Essas funções servem para controlar, por meio de entradas e saídas digitais ou analógicas, vários tipos de máquinas ou processos. 11 História dos sistemas de controle, conceito e utilização do clP 20511 História dos sistemas de controle, conceito e utilização do clP 205 Anotações: Devemos ressaltar que, com a popularização dos microcontroladores e a redução dos custos de desenvolvimento e produção, houve uma avalanche de tipos e modelos de CLPs no mercado, os quais podemos dividir em: 1) Nano CLPs e micro CLPs: são CLPs de pouca capacidade de E/S (máximo de 16 entradas e 16 saídas), normalmente só digitais, compostos de um só módulo (ou placa), baixo custo e reduzida capacidade de memória (máximo de 512 passos). 2) CLPs de médio porte: são CLPs com uma capacidade de entrada e saída de até 256 pontos, digitais e analógicas, podendo ser formados por um módulo básico, que pode ser expandido. Costumam permitir até 2.048 endereços de memória interna ou externa (módulos em cassetes de estado sólido, soquetes de memória etc.) ou podem ser totalmente modulares. 3) CLPs de grande porte: caracterizam-se por uma construção modular constituída por uma fonte de alimentação, CPU principal, CPUs auxiliares, CPUs dedicadas, módulos de E/S digitais e analógicos, módulos de E/S especializados, módulos de redes locais ou remotas etc. que são agrupados de acordo com a necessidade e a complexidade da automação. Permitem a utilização de até 4.096 pontos de E/S, e são montados em um bastidor (ou rack) que permite um cabeamento estruturado. O número de pontos é igual ao número de entradas e saídas disponíveis em um CLP, contando com as expansões que podem ser colocadas. VOCÊ SABIA? 12.1 CLaSSIfICação doS CLPS Os CLPs podem ser classificados como compactos ou modulares. CLPs compactos possuem em uma única unidade a fonte de alimentação, a CPU e os módulos de entrada e saída (E/S ou I/O – Input /Output). Geralmente são empregados em CLPs de pequeno porte. A Figura 166 mostra um exemplo compacto de CLP. Capacidade e tipos de CLP 12 208 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Figura 166 - CLP compacto Fonte: FESTO, 2012C Os CLPs modulares possuem uma estrutura modular, de modo que cada módulo tem uma função específica, ou seja, um módulo para a CPU, um módulo de entradas digitais, um módulo de entradas analógicas, um módulo de saídas digitais, um módulo de saídas analógicas, um módulo para alimentação e assim por diante. A estrutura de um CLP modular é vista na Figura 167. Fonte de Alimentação Módulo CPU Módulo entradas digitais Módulo Saídas digitais Módulo Saídas digitais Módulo E / S analógicas Módulo especial contagem, comunicação Figura 167 - Arquitetura de um CLP modular Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 A Figura 168 apresenta um exemplo deste tipo de CLP. ANLOUTIN Figura 168 - CLP modular Fonte: Autor 12.2 modoS de oPeração de um CLP De maneira geral, o CLP pode estar no modo de operação de programação ou execução (nesse modo, o CLP pode também assumir o estado de falha – fault). 12 CapaCidade e tipos de CLp 209 a) Modo de programação (prog) Nesse modo, o CLP não executa nenhum programa, isto é, fica aguardando para ser configurado ou receber novos programas já instalados. Este tipo de programação é chamado de off-line (fora de operação). A operação de transferência de programas para o CLP é chamada de download. O download envia um programa do PC do usuário para o CLP, e upload envia um programa do CLP para o PC do usuário. VOCÊ SABIA? b) Modo de execução (run) Nesse modo, o CLP passa a executar o programa que foi passado pelo usuário ao CLP. Os CLPs de maior porte podem sofrer alterações de programa mesmo durante a execução. Este tipo de programação é chamado de on-line (em operação). 12.2.1 priNcípio de FuNcioNAmeNto: diAGrAmA em Blocos A Figura 169 mostra o diagrama em blocos de funcionamento de um CLP. INICIALIZAÇÃO VERIFICAR ESTADO DAS ENTRADAS CICLO DE VARREDURA TRANSFERIR PARA A MEMÓRIA COMPARAR COM O PROGRAMA DO USUÁRIO ATUALIZAR AS SAÍDAS Figura 169 - Diagrama em blocos do princípio de funcionamento de um CLP Fonte: ANTONELLI, [s,d] A seguir, serão mostrados os significados de cada bloco: 1) Inicialização • no momento em que é ligado, o CLP executa uma série de operações pré- programadas, gravadas em seu programa monitor; • verifica o funcionamento eletrônico da CPU, das memórias e doscircuitos auxiliares; • verifica a configuração interna e compara com os circuitos instalados; • verifica o estado das chaves principais (run/stop, prog); • desativa todas as saídas; 210 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL • verifica a existência de um programa de usuário; • emite um aviso de erro caso algum dos itens acima falhe. 2) Verificar o estado das entradas O CLP lê o estado de cada uma das entradas e verifica se alguma foi acionada. O processo de leitura recebe o nome de ciclo de varredura (scan) e, normalmente, é de alguns microssegundos (scan time). 3) Transferir para a memória Após o ciclo de varredura, o CLP armazena os resultados obtidos em uma região de memória chamada de memória imagem das entradas e saídas. Ela recebe este nome por ser um espelho do estado das entradas e saídas. Esta memória será consultada pelo CLP no decorrer do processamento do programa do usuário. 4) Comparar com o programa do usuário Ao executar o programa do usuário, o CLP, após consultar a memória imagem das entradas, atualiza o estado da memória imagem das saídas, de acordo com as instruções definidas pelo usuário em seu programa. 5) Atualizar o estado das saídas O CLP escreve o valor contido na memória das saídas, atualizando as interfaces ou módulos de saída. Inicia-se, então, um novo ciclo de varredura. 12.2.2 modos pArA veriFicAr se o proGrAmA está certo e limpAr o clp Há dois modos específicos: um modo verifica se a programação feita pelo usuário não tem erros e faz uma “transformação” para uma linguagem que o CLP entenda; outro modo é para limpar a memória do CLP. • Compile (compilar – converter programa fonte em programa objeto): é utilizado para compilar o programa. Quando fazemos a compilação, o software faz uma varredura no programa em busca de erros; • Clear (limpar): é utilizado para limpar o programa residente da memória do CLP. 12.3 ComParação do CLP Com outroS SIStemaS de ControLe Além dos CLPs, há outros sistemas (com relés, sistemas digitais e computadores) que podem ser utilizados em aplicações de controle, monitoração e intertravamento de processos industriais. Uma das vantagens da utilização do CLP é a utilização de características de programação, o que torna esse equipamento mais eficiente quando comparado a outros equipamentos industriais. Outras vantagens do CLP são as seguintes: 12 CapaCidade e tipos de CLp 211 • facilidade e flexibilidade para alterar os programas. o CLP pode ser reprogramado e operar com uma lógica distinta; • o programa pode ser armazenado em memória para replicação em outro sistema ou ser guardado com sistema reserva (backup); • em caso de defeito, sinalizadores visuais no CLP informam ao operador a parte do sistema que está defeituosa. Os CLPs apresentam as seguintes desvantagens em relação aos relés: • custo mais elevado; • uso de algum tipo de programação ou álgebra booleana no projeto, técnicas que são desconhecidaspor uma boa parte dos eletricistas; • sensibilidade à interferência e a ruídos elétricos, comuns em instalações industriais; • necessidade de maior qualificação da equipe de manutenção. Diversos fabricantes lançaram módulos lógicos de estado sólido que utilizam linguagem de programação baseada na lógica de relés (conhecido como LADDER), o que dá condições ao projetista de desenvolver sistemas de forma semelhante aos que utilizavam relés eletromecânicos. reCaPItuLando Neste capítulo abordamos as características do CLP, os tipos de CLP (micro, médio ou grande porte) e a construção modular com fonte, CPU e módulos de entrada/saída. Também vimos que o CLP pode ser compacto ou modular, de acordo com a necessidade do usuário. Mostramos o princípio de funcionamento do CLP por meio de um diagrama de blocos. Fizemos também a comparação do CLP com outros sistemas de controle a fim de mostrar sua eficiência. Linguagens de programação 13 Genericamente, linguagem é o meio de transmissão de informações entre dois ou mais elementos com capacidade de se comunicarem. Linguagem de programação é um conjunto padronizado de instruções que o sistema computacional é capaz de reconhecer. Instrução é um comando que permite a um sistema com capacidade computacional realizar determinada operação. Antes de entrar no assunto específico sobre as linguagens de programação, vamos estudar a norma IEC 61131-3. 13.1 norma IeC 61131-3 Durante os últimos 20 anos, foi utilizada uma grande quantidade técnicas diferentes de programação para escrever programas para aplicações de controle industriais e para CLPs. As aplicações de controle foram desenvolvidas em diversas linguagens estruturadas e em outras linguagens proprietárias, incluindo vários dialetos da programação LADDER. A diferença de programação entre as linguagens acarretou o uso ineficiente de tempo e de dinheiro durante o seu projeto. Por isso, a comunidade industrial internacional reconheceu um novo padrão para controladores lógicos programáveis. Foi organizado em 1979 um grupo de trabalho da International Electrotechnical Commission (IEC) Comissão Eletrotécnica Internacional para estudar e avaliar o projeto completo dos controladores lógicos programáveis, incluindo o projeto do hardware, a instalação, os testes, a documentação, a programação e as comunicações. A IEC, como uma organização irmã da International Standardisation Organization (ISO) Organização Internacional de Normatização, fundada em Genebra, na Suíça, tem comitês e grupos de trabalho formados a partir de representantes da maioria de países industriais do mundo, que estabelecem procedimentos de padronização. Durante os anos de 1990, a IEC publicou várias partes do padrão IEC 61131 cobrindo o ciclo completo dos CLPs, que são: 214 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL • parte 1: Definição da informação geral, da terminologia básica e dos conceitos (publicada em 1992); • parte 2: Exigências de equipamento e testes eletrônicos e testes mecânicos de construção e verificação (publicada em 1992); • parte 3: Estrutura do software do CLP, execução do programa e linguagens de programação (publicada em 1993); • parte 4: Guia de orientação ao usuário na seleção, instalação e manutenção de CLPs (publicada em 1995); • parte 5: Facilidade do software em especificação de mensagens de serviços a comunicar-se com outros dispositivos usando as comunicações baseadas em MAP (manufacturing messaging services) (publicada em 1998); • parte 6: Comunicação via facilidade do software fieldbus para comunicação de PLC s utilizando IEC fieldbus (aguardando fechamento do padrão fieldbus); • parte 7: Programação utilizando lógica nebulosa (Fuzzy) (publicada em 1997); • parte 8: Guia para implementação das linguagens. A norma IEC 61131-3 trata exclusivamente das linguagens de programação. Com o objetivo de simplificar sua análise, é usual dividi-la em três partes: • generalidades; • elementos comuns; • linguagens de programação. Analisaremos alguns aspectos relacionados a essas três partes. elementos comuns – É recomendado comentar as linhas do programa sempre que sua interpretação não for óbvia. A norma IEC 61131-3 define que um comentário é iniciado pela sequência de caracteres (* e terminado pela sequência de caracteres *). unidades organizacionais de programas – Um programa de CLP divide-se em unidades individuais, chamadas de Unidades Organizacionais de Programas (POU – Program Organization Units), que podem ser dos seguintes tipos: • programas; • blocos de funções (ou blocos funcionais); • funções. entradas, saídas e memória – Os elementos mais importantes de um CLP são as entradas, as saídas e a memória interna. Apenas por meio de suas entradas o CLP recebe informações do mundo externo. De forma similar, o CLP só pode controlar algum dispositivo se estiver conectado em uma de suas saídas. 13 Linguagens de programação 215 As entradas, as saídas e a memória interna são variáveis que permitem acessar diretamente as posições de memória dos CLPs. Uma posição de memória de um CLP é identificada por três regiões lógicas. A primeira letra identifica se a variável está mapeando uma entrada, uma saída ou uma posição interna de memória, conforme mostra o Quadro 27. PrIMeIrA leTrA Inglês PorTuguês I Input Entrada Q Output Saída M Memory Memória Quadro 27 - Mapeamento de posições de memória de um CLP Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 O endereço iniciado pela letra M é virtual, e possui, por exemplo, os contatos auxiliares. A memória tipo M tem um range de memória muito pequeno. Endereçamento simbólico – Um identificador simbólico consiste nos itens descritos a seguir: • letras maiúsculas ou minúsculas, dígitos de 0 a 9 e o símbolo sublinhado “_”; • o identificador deve começar com uma letra ou sublinhado; • não é possível utilizar dois ou mais caracteres sublinhados consecutivos; • não são permitidos espaços em branco; • as letras minúsculas ou maiúsculas têm o mesmo significado; ou seja, os identificadores MOTOR_LIGADO, Motor_Ligado e motor_ligado representam o mesmo objeto. Veja exemplos de identificadores inválidos (modificado): • 1SENSOR: o identificador não começa com número nem sublinhado; • Botão_1: as letras não podem conter nenhum tipo de acento; • Ent 2: espaços em branco não são permitidos. Os identificadores não podem ter os mesmos nomes das palavras-chave previstas na norma. A linguagem que utilizamos é a linguagem Ladder, pelos seguintes motivos: • possibilidade de uma rápida adaptação do pessoal técnico (semelhança com diagramas elétricos convencionais com lógica a relés); • possibilidade de aproveitamento do raciocínio lógico na elaboração de um comando feito com relés; • fácil compreensão do diagrama original a partir do diagrama de aplicação; • fácil visualização dos estados das variáveis sobre o diagrama Ladder, permitindo uma rápida depuração e manutenção do software; 216 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL • documentação fácil e clara; • símbolos padronizados e mundialmente aceitos pelos fabricantes e usuários; • técnica de programação mais difundida e aceita industrialmente. Apesar de esta linguagem possuir grandes vantagens com relação a outras, ela possui também algumas desvantagens, como: • sua utilização em programas extensos ou com lógicas mais complexas é bastante difícil; • programadores não familiarizados com a operação de relés tendem a ter dificuldades com ela; • edição mais lenta. 13.2 LógICa de ContatoS A programação em diagrama de contatos permite a implantação de funções binárias simples até aquelas mais complexas. Pelo conjunto de ações esquematizadas no diagrama de contatos, pode-se esboçar o programa a ser desenvolvido em linguagem Ladder. Uma chave pode estar em duas situações: aberta (NA) ou fechada (NF). 13.2.1 símBolos Básicos Os símbolos mais utilizados para a representação da lógica com contatos e relés estão na Figura 170, que mostra os contatos elétricos NA e NF. Figura 170 - Representaçãodos contatos: a) NA; b) NF Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 A indústria utiliza a norma IEC 61131-3, mas alguns fabricantes de CLPs ainda não aderiram plenamente a ela. Como a norma IEC 61131-3 é voluntária, os fabricantes têm alguma liberdade de implementação. Assim, os símbolos gráficos de representação mudam conforme o fabricante. O Quadro 28 mostra os símbolos de contatos NA e NF utilizados em Ladder. Eles representam contatos das entradas de um CLP. 13 Linguagens de programação 217 ConTATo nF ConTATo nA IEC 61131-3 Simbologias utilizadas em CLPs pelos fabricantes Quadro 28 - Símbolos Ladder para contatos NA e NF para diferentes tipos de fabricantes Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 Na saída de um CLP são representadas por bobinas. A representação das bobinas em um CLP podem ser do tipo normal ou negada, como mostra o Quadro 29. bobInA norMAl bobInA negAdA IEC 61131 Simbologias utilizadas em CLPs pelos fabricantes Não possui Quadro 29 - Símbolos Ladder para saídas de diferentes tipos de fabricantes Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 Uma bobina ligada funciona de maneira contrária a uma bobina normal, ou seja, quando não houver uma energia chegando a ela, ficará acionada. Chegando a energia, essa bobina desligará. 13.3 dIagrama de ContatoS em Ladder A função da lógica Ladder é controlar uma saída de acordo com a combinação das lógicas dos contatos das entradas. O diagrama Ladder é uma técnica utilizada para descrever uma função lógica utilizando contatos e bobinas. O diagrama de contato é composto de duas barras verticais que representam os polos positivos e negativos de alimentação. 218 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL A linha vertical à esquerda representa o polo positivo e a da direita o polo negativo. A ideia principal do diagrama em Ladder é representar graficamente um fluxo de “eletricidade virtual” entre as duas barras verticais. A eletricidade virtual sempre flui do positivo para o negativo. O nome Ladder (escada em inglês) foi dado porque o diagrama final parece com uma escada cujos trilhos laterais são as linhas de alimentação, e cada lógica associada a uma bobina é chamada de degrau (do inglês rung). Um degrau é composto por um conjunto de condições de entrada (contatos NA e NF) e uma instrução de saída no final da linha (representada pelo símbolo da bobina). A Figura 171 mostra um exemplo. Contato NA Barra de alimentação positiva Barra de alimentação negativa Contato NF Bobina Figura 171 - Estrutura de um diagrama Ladder Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 O conjunto de contatos que compõem um Ladder pode ser conhecido como condição de entrada ou lógica de controle. As instruções de saída, tais como bobinas e blocos funcionais (contadores, temporizadores e outros com funções especiais), devem ser os últimos elementos à direita a serem colocados. Um Ladder é verdadeiro; ou seja, é energizada uma saída, se ocorrer uma combinação dos contatos para que todos fiquem fechados, permitindo correr uma corrente virtual até a bobina. A Figura 172 mostra um exemplo. CONTINUIDADE CONTINUIDADE CONTINUIDADE CONTINUIDADE Figura 172 - Possíveis combinações das entradas para habilitar uma saída Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 13 Linguagens de programação 219 Fluxo reverso Uma regra utilizada por quase todos os fabricantes de CLPs é que um fluxo reverso (leitura de um programa da direita para a esquerda) não é permitido; ou seja, de maneira diferente do que acontece nos circuitos elétricos reais, o fluxo de uma corrente elétrica virtual em uma lógica Ladder flui sempre da esquerda para a direita. Isso é diferente dos relés eletromecânicos em que, se for implementada uma lógica Ladder, a corrente fluirá em qualquer sentido, sem ter um sentido padrão. repetição de contatos Em um diagrama Ladder, uma bobina pode ter quantos contatos NA ou NF desejar. Isso significa que um mesmo contato pode ser repetido diversas vezes. Cada conjunto de bobinas disponíveis e seus respectivos contatos no CLP são identificados por um endereço de referência único. Também permite o uso de múltiplos contatos de um dispositivo de entrada. A Figura 173 mostra esta repetibilidade. 12 M1 M1 12 12 Q1 Figura 173 - Repetibilidade de entradas e saídas Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 Uma saída pode ser uma entrada, mas uma entrada não pode ser uma saída. VOCÊ SABIA? contatos na vertical Existem circuitos de comandos de contatores para os quais não é possível converter diretamente um programa de contatos de relés eletromecânicos para Ladder. A Figura 174 mostra um circuito que não pode ser convertido diretamente para a lógica Ladder. 220 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL A B C D K1 K2 Figura 174 - Representação de um circuito com relés eletromecânicos Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 Para fazer a conversão desse circuito deve haver a repetição de entradas, supondo que as entradas de contatos eletromecânicos serão distribuídas conforme apresentado no Quadro 30, que é a representação das entradas e saídas de acordo com a função mostrada na Figura 174. leTrA VAlor lAdder A I0 B I1 C I2 D I3 K1 Q0 K2 Q1 Quadro 30 - Representação das entradas e saídas de acordo com a função mostrada na figura 174 Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 Fazendo o circuito, notamos que algumas entradas deverão ser repetidas para ligar uma saída específica. Simplificando esse circuito, podemos ver que, ao ligar Q1, a entrada I3 é comum para I0 e I1, podendo ser colocado em evidência o I3. A Figura 175 mostra a lógica Ladder deste circuito. 12 12 13 13 13 10 10 11 11 Q0 Q1 12 12 13 13 10 10 11 11 Q0 Q1 ( A ) ( B ) Figura 175 - a) Lógica Ladder simplificada; b) Lógica Ladder do circuito elétrico da figura 174 Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 13 Linguagens de programação 221 O Quadro 31 mostra as possíveis letras, com sua respectiva função, podendo ser aplicado na entrada e/ou saída. leTrA Função enTrAdA sAídA I X Entrada lógica de um contato x Q O Y Saída de uma bobina x x M Memória x x D I3 K1 Q0 K2 Q1 Quadro 31 - Letras para utilização nas entradas e saídas Fonte: Autor A memória auxiliar M em outros CLPs também pode ter o nome de relés internos, bobinas auxiliares, relés auxiliares, bobina virtual ou memória interna. VOCÊ SABIA? 13.3.1 liGAção de um clp A ligação de um CLP liga dispositivos de entrada (botões, sensores etc) na entrada do CLP e dispositivos de saída (motores, contatores etc) na saída do CLP. A ligação é mostrada na Figura 176. GNDVCC CLP 10 11 12 13 14 15 16 17 18 Q0 Q1 Q2 Q3 Q4 Q5 COM VCC GND Figura 176 - Ligação das entradas e saídas do CLP Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 Neste CLP, o comum das entradas é diferente do comum das saídas. O comum das entradas é alimentado com GND (terra), e as entradas com Vcc. O comum das saídas é alimentado com Vcc, e as saídas com GND. Nas saídas, se forem a relés, o comum e as saídas podem ser alimentados com tensão alternada, não sendo somente alimentados com tensão contínua. 222 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL leitura dos degraus do diagrama ladder A avaliação da leitura é um conceito importante que devemos considerar, já que define a ordem em que o processador executa um diagrama de contatos. Programas compostos de vários degraus (também podem ser chamados de Network) são executados da esquerda para a direita e de cima para baixo (exceto quando houver instruções de desvio), uma lógica após a outra, e repetidos ciclicamente. A prioridade de leitura é primeiro da esquerda para a direita e depois de cima para baixo (de graus para graus). Se tiver uma lógica ou (que é um abaixo do outro), esta leitura é prioritária. A Figura 177 mostra um exemplo de leitura com dois degraus. NETWORK 0 12 10 NETWORK 1 10 11 11 13 Q1 Q0 Figura 177 - Leitura de um programa de CLP Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 memória auxiliar As memórias auxiliares servem para o armazenamento temporário de dados (bits). Seu efeito é comparável com o dos contatores auxiliares. O nomerelé interno foi dado em função dessa característica. Para efeitos de programação, suas bobinas podem ser energizadas e desativadas, e seus contatos, utilizados para ligar ou desligar outras saídas. A memória auxiliar não está associada a nenhuma saída física, somente à posição de memória, e o endereçamento de memórias auxiliares pode ser diferente em diferentes CLPs. VOCÊ SABIA? Cada instrução de entrada ou saída indica a localização na memória do CLP em que o estado dessa instrução será armazenado. A capacidade de memória varia de acordo com o modelo e o fabricante do CLP, porém qualquer CLP deve ter uma área de sua tabela de dados que represente uma imagem virtual das entradas ligadas aos cartões de entrada, e uma área desta tabela que represente uma imagem virtual das saídas ligadas aos cartões de saída. Normalmente, as memórias auxiliares dos CLPs utilizam words chamadas de registradores ou registros, bytes e variáveis de bit. 13 Linguagens de programação 223 leitura das entradas A leitura das entradas é feita do seguinte modo: se a entrada estiver energizada (recebendo alimentação), armazena o valor 1; caso contrário, recebe o valor 0, como mostra a Figura 178. 0 1 Tabela de imagem das entradas Tabela de imagem das entradas Figura 178 - Entradas dependente da energização dessa entrada Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 • Se o botão é NA ligado em um contato aberto das entradas do CLP: quando não estiver acionado, a entrada ficará com contato aberto. Quando acionar o botão, acionará a entrada do CLP. • Se o botão é NF ligado em um contato aberto das entradas do CLP: quando não estiver acionado, a entrada ficará com contato fechado. Quando acionar o botão, desacionará a entrada do CLP. • Se o botão é NA ligado em um contato fechado das entradas do CLP: quando não estiver acionado, a entrada ficará com contato fechado. Quando acionar o botão, desacionará a entrada do CLP. • Se o botão é NF ligado em um contato fechado das entradas do CLP: quando não estiver acionado, a entrada ficará com contato aberto. Quando acionar o botão, acionará a entrada do CLP. circuitos de autorretenção Existem casos em que é necessário manter uma saída energizada mesmo se a entrada estiver desligada. A seguir, serão mostradas formas deste procedimento em um CLP. a) Contato de retenção Como exemplo, desejamos ligar e desligar um motor por meio de dois botões (botão 1 e botão 2, ambos pulsantes). Quando acionar o botão 1, o motor ligará e permanecerá ligado se soltar o botão 1. Só desligará o motor se acionar o botão 2. Se soltar o botão 2, o motor permanecerá desligado. Vamos supor que o botão 1 seja a entrada 0 (I0), o botão 2 seja a entrada 3(I3) e o motor seja a saída 1 (Q1). 224 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Utilizando o contato-selo, a retenção do motor estará em paralelo com o botão 1. Quando acionar I1, habilitará Q1. O contato de Q1, em paralelo com I1, fechará e, mesmo se a entrada I1 desligar, Q1 permanecerá ligado e seu contato permanecerá fechado, ocorrendo uma dependência cíclica. Só vai desligar Q1 quando acionar I3, que abrirá o contato, desligando Q1. Quando desligar Q1, o contato deste será desligado, não ligando mais até acionar novamente I0. A Figura 179 mostra este circuito. NETWORK 1 10 13 Q1 Q1 Figura 179 - Contato selo de um circuito em um diagrama Ladder Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 b) Instruções seT e reseT Outra forma para ativar a autorretenção é por meio da instrução SET (S). Para desativar a autorretenção, utilizamos a instrução RESET (R). Para ser feito o exemplo anterior, devemos saber os responsáveis por ligar e desligar a saída. O responsável por acionar a saída Q1 é a entrada I0, e o responsável por desligar a saída Q1 é a entrada I3. Agora, o I0 acionará o SET e o I3 acionará o RESET. A Figura 180 mostra este exemplo. NETWORK 1 10 Q1 Q113 S R Figura 180 - Instruções SET e RESET Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 No exemplo anterior, o I3 era um contato fechado para ter a passagem da corrente para ligar Q1. Agora, o I3 será um contato aberto, pois quando ele fecha é acionada a instrução RESET. Estas instruções são chamadas de bobinas retentivas, estas são responsáveis por “lembrar” o estado em que se encontravam quando ocorreu a parada da passagem da corrente elétrica. Seu funcionamento é semelhante ao SET e RESET. O Quadro 32 mostra o funcionamento do SET e RESET. 13 Linguagens de programação 225 I0 (seT) I3 (reseT) q1 0 0 Q1 anterior 0 1 0 (desliga) 1 0 1 (liga) 1 1 X Quadro 32 - Funcionamento do SET e RESET Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 O Q1 anterior significa que quando é acionado o SET, Q1 liga. Quando desaciona, permanece ligado, ou seja, como se fosse uma autorretenção. Para o RESET é o mesmo coisa: quando acionado desliga Q1, e desacionando, permanece desligado Q1 (permanece com o último estado recebido). As bobinas de autorretenção podem ou não ser retentivas. As bobinas de autorrentenção retentivas servem para “guardar” o último valor gerado caso ocorra um uma queda de energia elétrica para a alimentação do CLP. É representado por SET retentiva (SM) ou RESET retentiva (RM). 13.3.2 represeNtAção de portAs lóGicAs com o diAGrAmA lAdder Agora veremos como transformar uma lógica combinacional em diagrama Ladder. Serão vistas as principais portas para lógica combinacional (AND, OR, NOT e XOR). Para padronização, serão utilizadas as entradas a seguir (Quadro 33): I0 (seT) I3 (reseT) q1 0 0 Q1 anterior 0 1 0 (desliga) 1 0 1 (liga) 1 1 Não permitido Quadro 33 - Representação de portas lógicas Fonte: Autor a) Porta And Lembrando a tabela da porta AND: Tabela 13: Tabela verdade da lógica And A b Y 0 0 0 0 1 0 1 0 0 1 1 1 Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 Com a Tabela 13 será feito o diagrama em Ladder da lógica AND, que pode ser representado com duas entradas em série, como mostra a Figura 181. 226 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL 10 11 Q0 Figura 181 - Representação da porta lógica AND com o diagrama Ladder Fonte: Franchi & Camargo Nesse circuito, a saída Q0 só será acionada se as entradas I0 e I1 forem acionadas. b) Porta or Lembrando a tabela da porta OR: Tabela 14: Tabela verdade da lógica or A b Y 0 0 0 0 1 1 1 0 1 1 1 1 Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 Com a Tabela 14 será feito o diagrama em Ladder da lógica OR, que pode ser representado por duas entradas em paralelo, como mostra a Figura 182. 10 Q0 11 Figura 182 - Representação da porta lógica OR com o diagrama Ladder Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 Neste circuito, a saída Q0 será acionada se uma das entradas ou ambas forem acionadas. c) Porta noT Lembrando a tabela da porta NOT: Tabela 15: Tabela verdade da lógica noT A Y 0 1 1 0 Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 Com a Tabela 15 será feito o diagrama em Ladder da lógica NOT, que pode ser representado por duas entradas em paralelo, como mostra a Figura 183. 10 Q0 Figura 183 - Representação da porta lógica NOT com o diagrama Ladder Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 Neste circuito, a saída Q0 será acionada se a entrada I0 não for acionada. 13 Linguagens de programação 227 d) Porta xor Lembrando a tabela da porta XOR: Tabela 16: Tabela verdade da lógica xor A b Y 0 0 0 0 1 1 1 0 1 1 1 0 Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 Com a Tabela 16 será feito o diagrama em Ladder da lógica XOR, que pode ser representado por duas entradas em paralelo, como mostra a Figura 184. 10 11 11 Q0 10 Figura 184 - Representação da porta lógica XOR com o diagrama Ladder Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 Neste circuito, a saída Q0 será acionada se for acionada somente uma das entradas (I0 ou I1). 13.3.3 utilizAção do mApA de KArNAuGh pArA A simpliFicAção de circuitos em lAdder Os circuitos que são feitos com o diagrama em Ladder podem ser simplificados com o mapa de Karnaugh. Veja o seguinte exemplo. Tabela 17: Tabela verdade A b C Y 0 0 0 0 0 0 1 0 0 1 0 1 0 1 1 1 1 0 0 1 1 0 1 1 1 1 0 1 1 1 1 0 Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 Fazendo o mapa de Karnaugh (Figura185): 228 AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL AB 00 01 11 10 0 1 C 1 1 1 1 1 Figura 185 - Simplificação da tabela verdade pelo mapa de Karnaugh Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 Com isso, o circuito simplificado ficou: Y= AC + AB + AB Assim, o diagrama em Ladder fica do seguinte modo (supondo que A=I0; B=I1; C=I2 e Y=Q0): (Figura 186) 10 12 Q0 10 11 10 11 Figura 186 - Representação do circuito simplificado (pelo mapa de Karnaugh) com o diagrama em Ladder Fonte: FRANCHI; CAMARGO, 2011 reCaPItuLando Neste capítulo vimos a norma IEC 61131-3, que especifica as linguagens de programação de CLP. Aprendemos as especificações de entrada, saída e memória, estudando as letras que são utilizadas para representá-las. Também vimos os tipos de dados que são especificados pela norma IEC 61131-3, utilizados em quase todos os CLPs, de acordo com o tipo de entrada/saída/ memória que é utilizado. Conhecemos os tipos de linguagens de programação que são utilizados em CLPs e como é feita a ligação elétrica de um CLP. Aprendemos que a linguagem de programação mais utilizada é a linguagem Ladder, que se baseia nos contatos normalmente aberto (NA) ou normalmente fechado (NF). Por último, vimos os tipos de instruções que existem para a programação do CLP. 13 Linguagens de programação 229229 Anotações: referênCIaS AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO. Portaria AnP n. 80, de 30.04.99. Disponível em: <http:// licenciamento.cetesb.sp.gov.br/Servicos/licenciamento/postos/legislacao/Portaria_ANP_80_99. pdf>. Acesso em: 25 fev. 2012. ANTONELLI, P. L. Introdução ao ClP. [s.d.]. Apostila, CEETPES - E. T. E. Professor Armando Bayeux da Silva. Disponível em: <http://www.ejm.com.br/download/Introducao%20CLP.pdf>. 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Jaraguá do Sul, SC, 2005f. símbolos básicos n° denoMInAção APlICAção ou exPlAnAção sobre o síMbolo síMbolo 1.1 -1 -2 -3 -4 Linhas Contínua Tracejada Traço e ponto Dupla - Linha de pressão, linha elétrica e linha de retorno. - Linha de pilotagem e linha de dreno. - Indicação de um conjunto de funções ou componentes contidos em uma única unidade. - União mecânica (eixo, alavanca, haste de cilíndro etc.) . . D D1/5 L1 1.2 -1 -2 -3 -4 Círculos e semicírculos Diâmetro L1 Diâmetro 3/4 L1 Diâmetro 1/3 L1 Semicírculo Ǿ L1 - Unidade de conversão de energia (bomba, compressor e motor). - Instrumento de medição. - Válvula de retenção, junta rotativa, articulação mecânica e rolete (com ponto central). - Motor ou bomba com ângulo de rotação limitado (oscilador). L1 L1 3/ 4 L1 1/5 L1 1.3 -1 Quadrado Lado L1, Conexões per- pendiculares aos lados Componente de comando e controle e unidade de acionamento (exeto motor elétrico) L1 1.4 -1 Losango Lado L1, Ligações nos vértices Dispositivo de condicionamento (filtro, separador e trocador de calor) L1 1.5 -1 -2 -3 -4 Retângulo Lado L1 e L2, onde L1<L2 Lados L1 e 1/4 L1 Lados 1/2 L1 e L3, onde L1<L3<2L1 Lados 1/4 L1 e 1/2 L1 Cilindro e válvula Êmbolo Usado em algumas formas de acionamento (por exemplo pedal, alavanca etc.) Elementos de amortecimentos em atuadores L2 L1 1/4 L1 L1 1/ 2 L1 L1 1/4 L1 1/ 2 L1 1.6 Elipse (oval) Reservatório pressurizado, acumulador e garrafa de gás. 2L1 L1 anexoS Anexo A símbolos funcionais n° denoMInAção APlICAção ou exPlAnAção sobre o síMbolo síMbolo 2.1 -1 -2 Triângulo Cheio Só contorno - Indica direção de fluxo e natureza do fluído. - Fluxo hidráulico. - Fluxo pneumático ou exaustão para atmosfera. 1/ 2L 1 1/ 2L 1 2.2 -1 -2 -3 Setas Setas retas ou incli- nadas Setas curvas Setas inclinadas longas - Indicação de: Movimento linear; Direção e sentido do escoamento através de uma válvula; O sentido do fluxo de calor. - Indicação de movimento de rotação; Eixo com rotação em único sentido; Eixo com rotação nos dois sentidos (reversível) - Indicação de ajuste ou variação da bomba, solenóide, mola etc. M 90° 2.3 -1 -2 -3 -4 -5 -6 -7 -8 Outros símbolos funcionais Linha elétrica Passagem ou via bloqueada Enrolamentos opostos em conversores elétricos magnéticos lineares Indicação ou controle de temperatura Fonte primária de energia Mola Restrição fixa Acento de uma válvula de retenção linhas de escoamento e conexões n° denoMInAção APlICAção ou exPlAnAção sobre o síMbolo síMbolo 3.1 -1 -2 -3 Linhas de escoamento - Conexão das linhas de escoamento (união). - Cruzamento de linhas não conectadas. - Linha flexível. 3.2 -1 -2 -3 -4 -5 -6 -7 -8 -9 -10 Conexões Face sem provisão para conexão Face com provisão para conexão Conexão rotativa Silenciador pneu- mático Plug - Sangria (purga) de ar para desaeração contínua. - Sangria (purga) de ar para desaeração temporária, com conexão aberta. - Sangria (purga) de ar para desaeração temporária, com saída bloqueada. Exaustão diretamente no elemento - Exaustão direcionado Engate rápido sem válvula de retenção (conectado e desconectado, respec- tivamente) Engate rápido com válvula de retenção (conectado e desconectado, respec- tivamente) União das linhas permite movimento de operação angular ou rotativa - Com 1 via - Com 2 vias Reduz o ruído do escape do ar Conexão bloqueada X Mecanismo de acionamento n° denoMInAção APlICAção ou exPlAnAção sobre o síMbolo síMbolo 4.1 Geral Os símbolos de acionamento das válvulas devem ser desenhados em uma posição conveniente nas extremidades do retângulo da válvula. 4.2 -1 -2 -3 -4 -5 Componentes mecânicos Haste Eixo Detente 2 Trava 1 Desposicionador - Movimento linear bidirecional (setas opcionais). - Movimento rotacional bidirecional (setas opcionais). - Dispositivo que mantém uma dada posição contra uma força limitada. - Dispositivo usado para travamento de um mecanismo. O destravamento é feito por um método de comando independente. *) O símbolo de comando para destravamento é indicado no interior do retângulo. - Evita a parada do mecanismo na posição de ponto morto central. 4.3 4.3.1 -1 -2 -3 -4 -5 -6 -7 Tipos de acionamento Acionamento muscular - Símbolo geral (sem indicação do tipo de acionamento). - Botão de empurrar - Botão de puxar - Botão de puxar/empurrar - Alavanca - Pedal com dois sentidos de acionamento - Pedal com um sentido de acionamento 4.3.2 -1 -2 -3 -4 Acionamento mecânico Pino ou apalpador Mola Rolete fixo Rolete articulado ou gatilho n° denoMInAção APlICAção ou exPlAnAção sobre o síMbolo síMbolo 4.3.3 -1 -2 -3 -4 -5 Acionamento elétrico Conversor eletromag- nético linear com uma bobina Conversor eletroma- gnético linear com uma bobina e de ação proporcional Conversor eletromag- nético linear com duas bobinas Conversor eletromag- nético linear com duas bobinas e de ação proporcional Motor elétrico Solenoide Solenóide proporcional Duas bobinas de atuação oposta unidas em uma única montagem Duas bobinas de atuação proporcional aptas a opera alternadamente e progressivamente Ex: motor torque, motor linear M 4.3.4 4.3.4.1 -1 -2 -3 -4 -5 -6 -7 -8 Acionamento hidráu- lico ou pneumático Acionamento direto Por diferencial de áreas Piloto interno Piloto externo Acionamento direto por pressão ou despressurização/alívio (genérico) Acionamento direto por acréscimo de pressão hidráulica Acionamento direto por acréscimo de pressão pneumática Acionamento diretopor despressurização hidráulica Acionamento direto por despressurização pneumática No símbolo, o retângulo maior representa o sinal prioritário. A tomada de pressão está situada no interior da unidade. A tomada de pressão esta situada no exterior da unidade. 45º unidade de conversão de energia n° denoMInAção APlICAção ou exPlAnAção sobre o síMbolo síMbolo 5.1 -1 -2 -3 -4 -5 -6 Conversores rotativos de energia Compressor Motor pneumático com dois sentidos de rotação Motor pneumático com um sentido de rotação Motor pneumático com um sentido de rotação com desloca- mento variável Motor pneumático com dois sentidos com deslocamento variável Motor oscilante ou oscilador pneumático Compressor de ar com um sentido de escoamento, deslocamento fixo e um sentido de rotação. Motor pneumático reversível, com dois sentidos alternados de escoamento, deslocamento fixo e dois sentidos de rotação. Motor pneumático com um sentido de escoamento, deslocamento fixo e um sentido de rotação. Motor pneumático com um sentido de escoamento, deslocamento variável e um sentido de rotação. Motor pneumático reversível com dois sentidos alternados de escoamento, deslocamento variável e dois sentidos de rotação. Oscilador com ângulo limitado de rotação e dois sentidos de rotação. n° denoMInAção APlICAção ou exPlAnAção sobre o síMbolo síMbolo 5.2 -1 -2 -3 -4 -5 -6 -7 - 8 -9 -10 -11 -12 Conversores lineares de energia Cilíndro de ação simples e retorno por força externa Cilíndro de ação simples e retorno por mola Cilíndro de ação simples e avanço por mola Cilíndro pneumático de ação dupla Cilíndro pneumático de ação dupla com amortecimento fixo Cilíndro pneumático de ação dupla com amortecimento ajustável nos dois lados Cilíndro pneumático de ação dupla e haste dupla Cilíndro pneumático sem haste de ação dupla Cilíndro pneumático telescópico de ação simples Cilíndro duplex contínuo ou tandem Cilíndro duplex geminado ou múltiplas posições Cilíndro de impacto 5.3 5.3.1 -1 -2 Conversores especiais de energia Intensificador de pressão Para um tipo de fluido Para dois tipos de fluido (volume fixo). Equipamento que transforma a pressão X em alta pressão Y A pressão pneumática X é transformada em alta pressão pneumáticaY A pressão pneumática X é transformada em alta pressão hidráulica Y X X Y Y M M 5.3.2 Conversor hidro- pneumático (atuador ar-óleo) Equipamento que transforma pressão pneumática em pressão hidráulica substancialmente igual ou vice-versa. 5.4 -1 -2 -3 -4 Fontes de energia Fonte de energia hidráulica Fonte de energia pneumática Motor elétrico Motor de acionamento não elétrico distribuição e regulagem de energia N° Denominação Aplicação ou explanação sobre o símbolo Símbolo 6.1 -1 -2 -3 -4 Regras gerais Símbolos para os componentes acionados são compostos de uma ou mais caixas adjacentes desenhadas uma ao lado das outra, onde cada caixa (quad- rado) corresponde a uma posição. Por exemplo: dois retângulos adjacentes representam uma válvula com duas posições definidas. Nos circuitos, as conexões são normalmente representadas no quadrado que indica a posição não operada. Quando for representada uma condição transitória entre duas posições definidas, ela será indicada por um quadrado adicional de linhas horizontais tracejadas, conforme indicado. Para válvulas com duas ou mais posições distintas de operação, em um número infinito de posições intermediárias que provocam níveis variáveis de abertura, fazemos a indicação através de duas linhas paralelas ao longo do comprimento do símbolo, conforme mostrado. Conexões externas normalmente estão distribuídas na caixa (símbolo) em in- tervalos regulares, conforme indicado. Se para cada lado do símbolo somente uma conexão externa estiver ligada (uma entrada e uma saída) ela deverá ser desenhada no meio da caixa. 1/4 L11/4 L1 1/2 L2 1/2 L1 1/2 L1 L1 L1 6.2 -1 -2 -3 -4 -5 -6 -7 -8 -9 Válvulas de controle direcional V.C.D. 2/2 NF V.C.D. 3/2 NF V.C.D. 4/2 V.C.D. 3/2 NA V.C.D. 5/2 V.C.D. 3/3 CF V.C.D. 4/3 CF V.C.D. 5/3 CAN V.C.D. 5/3 CAP Válvula de controle direcional, duas vias e duas posições, normalmente fechada, acionamento manual. Válvula de controle direcional, com três vias e duas posições, normalmente fechada, acionada por pressão. Válvula de controle direcional, com quatro vias e duas posições, operada por duplo solenoide. Válvula de controle direcional, com três vias e duas posições (3/2), normal- mente aberta. Válvula de controle direcional de cinco vias e duas posições. Válvula com 5 orifícios, pressão, 2 escapes, 2 utilizações e 2 posições distintas. Válvula de controle direcional de três vias e três posições, centro fechado. Válvula de controle direcional, com quatro vias e três posições, centro fechado. Válvula de controle direcional, com cinco vias e 3 posições, centro aberto negativo. Válvula de controle direcional, com cinco vias e três posições, centro aberto positivo. 6.3 6.3.1 -1 -2 -3 -4 Válvulas de bloqueio Válvulas de retenção Válvula de retenção simples Válvula de retenção simples com retorno por mola Válvula de retenção pilotada para abrir com mola Válvula de retenção pilotada para fechar, sem mola Abre quando a pressão de entrada for superior à pressão de saída. Abre quando a pressão de entrada for superior à pressão de saída somada a força mola. Abre com a pressão piloto, que permite a vazão em ambas as direções. Fecha com uma pressão, que permite a vazão livre em ambas as direções. 6.3.2 Válvulas alternadora (elemento OU) Comunica duas pressões emitidas separadamente a um ponto comum. Com pressões diferentes, passará a de maior intensidade numa relação. 6.3.3 Válvulas de simultanei- dade (elemento E) Permite a emissão do sinal de saída quando existirem os dois sinais de entrada. 6.3.4 Válvulas de escape rápido No caso de descarga da conexão de entrada, a utilização é imediatamente liberada para escape, permitindo rápida exaustão do ar utilizado. 6.4 -1 -2 -3 -4 -5 Válvulas de controle de pressão Válvula de segurança, limitadora de pressão ou de alívio Válvula de sequência Válvula de sequência controlada externa- mente Válvula redutora (regu- ladora) de pressão Válvula redutora (regu- ladora) de pressão, com escape (alívio) A pressão de entrada gera uma força que se opõe a uma força decorrente de uma mola de ajuste, e, consequentemente, o controle de pressão. Quando a pressão de entrada vence a força opositora da mola, a válvula é aberta, permitindo o fluxo para o orifício de saída (utilização). Permite obter variações em relação à pressão de entrada, mantém a pressão secundária substancialmente constante, independente das oscilações na entrada (acima do valor regulado). Se a pressão na saída exceder a pressão regulada, a pressão é descarregada para a atmosfera. 6.5 -1 -2 -3 -4 Válvulas de controle de vazão Válvula redutora de vazão fixa (restrição fixa) Válvula redutora de vazão variável (restrição variável) Válvula redutora de vazão com retorno livre (restrição unidirecional) Válvula de fechamento (registro) Armazenamento e condicionamento do fluído N° Denominação Aplicação ou explanação sobre o símbolo Símbolo 7.1 Reservatório de ar 7.2 -1 -2 Separador de água Com operação manual “dreno manual” Com drenagem au- tomática 7.3 -1 -2 -3 -4 Filtros Símbolo geral Filtro com indicador de contaminação Filtro com dreno manual Filtro coalescente com dreno automático 7.4 Secador Equipamento que seca o ar comprimido, por refrigeração, absorção ou adsorção. 7.5 Lubrificador Pequena quantidade de óleo lubrificante é adicionada ao ar quando ele passa pelo lubrificador. Evita o desgaste prematuro dos componentes. 7.6 Unidade de condi- cionamento Consiste em filtro, válvula reguladora de pressão com manômetro e lubrifica- dor.É a última estação de preparação do ar, antes de realizar o trabalho. Símbolo detalhado Símbolo simplificado 7.7 -1 -2 -3 -4 Trocadores de calor Resfriador Resfriador Aquecedor Controlador de tem- peratura Sem indicação das linhas de escoamento do fluido refrigerante Com indicação das linhas de escoamento do fluido refrigerante As setas do losango indicam a introdução de calor. O calor pode ser tanto introduzido quanto dissipado. equipamentos suplementares n° denoMInAção APlICAção ou exPlAnAção sobre o síMbolo síMbolo 8.1 -1 -2 -3 -4 -5 -6 -7 -8 -9 -10 -11 -12 -13 -14 -15 -16 -17 -18 Instrumentos de medição e indicadores Indicador óptico Indicador de pressão Indicador de pressão Indicador de nível do fluido Termômetro Indicador de vazão Medidor de vazão (rotâmetro) Medidor de vazão cu- mulativo (totalizador) Tacômetro Medidor de torque (dinamômetro) Pressostato Chave de fim de curso Chave de nível Fluxostato Termostato Transdutor de pressão pneumática Transdutor de vazão Termopar Manômetro/vacuômetro Manômetro de pressão diferencial Medidor de frequência da rotação Fornece um sinal elétrico a uma pressão pré-ajustada. Fornece um sinal elétrico a um nível predeterminado. Fornece um sinal elétrico a uma vazão predeterminada. Fornece um sinal elétrico a uma temperatura pré-ajustada. Gera um sinal elétrico analógico a partir de uma entrada de pressão. Gera um sinal elétrico analógico a partir de uma entrada de vazão. Gera um sinal elétrico analógico a partir de uma entrada de temperatura. 8.2 -1 -2 -3 -4 -5 Outros equipamentos Temporizador Contador de pulsos Contador de pulsos Gerador de vácuo Expulsor pneumático Retarda um sinal pneumático. Com sinal de saída pneumático e reiniciador manual. Com sinal de saída elétrico e reiniciador manual. 0 n Fonte: ABNT, [s.d.] Anexo B Filtro de sucção interno deFInIção São os mais simples e os mais utilizados, não possuem carcaça e são instalados dentro do reservatório, abaixo no nível do fluido. MFiltro de sucção interno VAnTAgens - Protegem a bomba da contaminação do reservatório. - Por não terem carcaça, são filtros baratos. desVAnTAgens - São de difícil manutenção, especialmente se o fluido está quente. - Não possuem indicador. - Podem bloquear o fluxo de fluido e prejudicar a bomba se não estiverem dimensionados corretamente, ou se não forem conservados adequadamente. - Não protegem os elementos do sistema das partículas gera- das pela bomba. Fonte: PARKER, 1999 Filtro de sucção externo deFInIção São instalados diretamente na linha de sucção fora do reservatório. MFiltro de sucção externo VAnTAgens - Protegem a bomba da contaminação do reservatório. - Por não terem carcaça, são filtros baratos. desVAnTAgens - São de difícil manutenção, especialmente se o fluido estiver quente. - Não possuem indicador. - Podem bloquear o fluxo de fluido e prejudicar a bomba se não estiverem dimensionados corretamente, ou se não forem conservados adequadamente. - Não protegem os elementos do sistema das partículas geradas pela bomba. Fonte: PARKER, 1999 Filtro de pressão deFInIção Um filtro de pressão é posicionado no circuito entre a bomba e um componente do sistema, sendo usado em circuitos hidráulicos com válvulas proporcionais M Filtro de pressão VAnTAgens - Filtram partículas muito finas, visto que a pressão do sistema pode impulsionar o fluido através do elemento. - Podem proteger um componente específico contra o perigo de contaminação por partículas. desVAnTAgens - A carcaça de um filtro de pressão deve ser projetada para alta pressão. - São caros, porque devem ser reforçados para suportar altas pressões, choques hidráulicos e diferencial de pressão. Fonte: PARKER, 1999 Filtro de linha de retorno deFInIção Está posicionado no circuito próximo do reservatório. M Filtro de linha de retorno VAnTAgens - Retém a contaminação no sistema antes que ela entre no reservatório. - A carcaça do filtro não opera sob pressão plena de sistema – por essa razão, é mais barato do que um filtro de pressão. - O fluido pode ter filtragem fina, visto que a pressão do sistema pode impulsioná-lo através do elemento. desVAnTAgens - Não há proteção direta para os componentes do circuito. - Em filtros de retorno, de fluxo pleno, o fluxo que surge da descarga dos cilindros, dos atuadores e dos acumuladores pode ser considerado quando dimensionado. - Alguns componentes do sistema podem ser afetados pela contrapressão gerada por um filtro de retorno. Fonte: PARKER, 1999 Válvula de desvio (bypass) do filtro deFInIção Se a manutenção do filtro não for feita, aumentará o diferencial de pressão através do elemento filtrante aumentará, podendo provocar a cavitação na bomba. Para evitar essa situação, usamos uma válvula limita- dora de pressão de ação direta ou simples para limitar o diferencial de pressão, através do filtro de fluxo pleno (bypass). Filtro de bypass Filtro de bypass bloqueado 950 psi (66bar) 0 psi (0bar) 1000 psi (69bar) 1000 psi (69bar) Filtro (elementos bloqueado) Va zã o Medida da válvula bypass 50 psi (3.4 bar) Fonte: PARKER, 1999 Fo rç a de a va nç o te ór ic o e vo lu m e do fl ui do d es lo ca do dIÂMeTro do CIlIndro MM (Pol) áreA dA HAsTe do PIsTão CM2 Fo rç A d e AV A n ço e M n eW To n s e lI b r A -F o rç A A V á rI A s Pr es sõ es desloC. P/10 MM de Curso 5 bAr n 10 bAr n 25 bAr n 70 bAr n 100 bAr n 140 bAr n 210 bAr n 80 PsI lbF 100 PsI lbF 250 PsI lbF 1000 PsI lbF 1500 PsI lbF 2000 PsI lbF 3000 PsI lbF Ml 38 ,1 (1 1/ 2) 11 ,4 57 0 11 40 28 50 80 00 11 40 0 16 00 0 24 00 0 14 2 17 7 44 3 17 70 26 51 35 40 53 10 11 ,4 50 ,8 (2 ) 20 ,2 10 00 20 00 50 50 14 10 0 20 20 0 28 30 0 42 50 0 25 1 31 4 78 5 31 40 47 13 62 80 94 20 20 ,2 63 ,5 (2 1/ 2) 31 ,7 15 80 31 50 79 00 22 20 0 31 70 0 44 40 0 66 60 0 39 3 49 1 12 28 49 10 73 64 98 20 14 73 0 31 ,7 82 ,6 (3 1/ 4) 53 ,6 26 80 53 50 13 40 0 37 50 0 53 50 0 75 00 0 11 25 00 66 4 83 0 20 75 83 00 12 45 0 16 60 0 24 90 0 53 ,5 10 1, 6 (4 ) 81 ,1 40 50 81 00 20 25 0 56 80 0 81 10 0 11 35 00 17 00 00 10 06 12 57 31 43 12 57 0 18 85 6 25 14 0 37 71 0 81 ,1 12 7, 0 (5 ) 12 6, 7 63 50 12 70 0 31 60 0 88 50 0 12 67 00 11 70 00 26 60 00 15 71 19 64 49 10 19 64 0 29 46 0 39 28 0 58 92 0 12 6, 7 15 2, 4 (6 ) 18 2, 4 91 00 18 25 0 45 50 0 12 78 00 18 25 00 25 50 00 38 30 00 22 62 28 27 70 68 28 27 0 42 40 5 56 54 0 84 81 0 18 2, 4 Fo nt e: P A RK ER , 1 99 9 Anexo C Pr oc ed im en to a ná lo go d ev e se r e m pr eg ad o pa ra a d et er m in aç ão d o vo lu m e de fl ui do d es lo ca do n o re to rn o dIÂMeTro do CIlIndro MM (Pol) áreA dA HAsTe do PIsTão CM2 VA lo r d e re d u ç ã o e M n eW To n s e lI b r A -F o rç A A V á rI A s Pr es sõ es desloC. P/10 MM de Curso 5 bAr n 10 bAr n 25 bAr n 70 bAr n 100 bAr n 140 bAr n 210 bAr n 80 PsI lbF 100 PsI lbF 250 PsI lbF 1000 PsI lbF 1500 PsI lbF 2000 PsI lbF 3000 PsI lbF Ml 15 ,9 (5 /8 ) 2,0 10 0 20 0 50 0 14 00 20 00 28 00 42 00 25 31 77 30 7 46 1 61 4 92 1 2, 0 25 ,4 (1 ) 5, 0 25 0 50 0 12 50 35 00 50 00 70 00 10 50 0 65 79 19 6 78 5 11 77 15 70 23 55 5, 0 34 ,9 (1 3/ 8) 9, 6 48 0 96 0 24 00 67 50 95 00 13 45 0 20 20 0 11 9 14 9 37 3 14 90 22 35 29 80 44 70 9, 7 44 ,5 (1 3/ 4) 15 ,6 78 0 15 60 39 00 10 90 0 15 60 0 21 90 0 32 80 0 19 3 24 1 60 3 24 10 36 15 48 20 72 30 15 ,6 50 ,8 (2 ) 20 ,2 10 00 20 00 50 50 14 10 0 20 20 0 28 30 0 42 50 0 25 1 31 4 78 5 31 40 47 13 62 80 94 20 20 ,2 63 ,5 (2 1/ 2) 31 ,7 15 80 31 50 79 00 22 200 31 70 0 44 40 0 66 60 0 39 3 49 1 12 28 49 10 73 65 98 20 14 73 0 31 ,7 76 ,2 (3 ) 45 ,6 23 00 46 00 11 40 0 32 00 0 45 60 0 63 80 0 95 80 0 56 6 70 7 17 67 70 70 10 60 5 14 14 0 21 21 0 45 ,6 10 1, 6 (4 ) 81 ,1 40 50 81 00 20 25 0 56 80 0 81 10 0 11 35 00 17 10 00 10 06 12 57 31 43 12 57 0 18 85 5 25 14 0 37 71 0 81 ,1 Fo nt e: P A RK ER , 1 99 9 Anexo D Co m pr im en to s eq ui va le nt es a p er da s lo ca liz ad as (e m p ol eg ad as d e ca na liz aç ão re ti lín ea ) e m c en tí m et ro s D iâ m et ro Co to ve lo 90 º R . Lo ng o Co to ve lo 90 º R . M éd io Co to ve lo 90 º R . Cu rt o Co to ve lo 45 º Cu rv a 90 º R . Lo ng o Cu rv a 90 º R . Cu rt a Cu rv a 45 º En tr ad a N or m al En tr ad a de bo rd a Re gi st ro de ga ve ta Re gi st ro de gl ob o Re gi st ro de ân gu lo Tê d e pa s- sa ge m di re ta Tê d e sa íd a la do Tê d e sa íd a bi la te ra l Vá lv ul a de p é e cr iv o Sa íd a de ca na liz . Vá lv ul a de re t. - le ve Vá lv ul a de re t. - pe sa do m m po l 3, 17 5 1/ 8 3, 94 3, 94 3, 94 3, 94 3, 94 3, 94 3, 94 3, 94 3, 94 3, 94 31 ,5 0 27 ,5 6 3, 94 11 ,8 1 11 ,8 1 35 ,4 3 3, 94 11 ,8 1 15 ,7 5 6, 35 0 1/ 4 7, 87 7, 87 11 ,8 1 3, 94 3, 94 7, 87 3, 94 3, 94 7, 87 3, 94 94 ,4 9 51 ,1 8 3, 94 19 ,6 9 19 ,6 9 70 ,8 7 7, 87 19 ,6 9 31 ,5 0 9, 52 5 3/ 8 7, 87 11 ,8 1 15 ,7 5 7, 87 7, 87 7, 87 7, 87 7, 87 11 ,8 1 3, 94 14 5, 67 78 ,7 4 7, 87 31 ,5 0 31 ,5 0 10 6, 30 11 ,8 1 31 ,5 0 47 ,2 4 12 ,7 00 1/ 2 11 ,8 1 15 ,7 5 19 ,6 9 7, 87 7, 87 11 ,8 1 7, 87 7, 87 15 ,7 5 3, 94 19 2, 91 10 2, 36 11 ,8 1 39 ,3 7 39 ,3 7 14 1, 73 15 ,7 5 43 ,3 1 62 ,9 9 15 ,8 75 5/ 8 11 ,8 1 19 ,6 9 23 ,6 2 7, 87 7, 87 11 ,8 1 7, 87 7, 87 15 ,7 5 3, 94 22 8, 35 12 2, 05 11 ,8 1 47 ,2 4 47 ,2 4 18 1, 10 15 ,7 5 55 ,1 2 78 ,7 4 19 ,0 50 3/ 4 15 ,7 5 23 ,6 2 27 ,5 6 11 ,8 1 11 ,8 1 15 ,7 5 7, 87 7, 87 19 ,6 9 3, 94 26 3, 78 14 1, 73 15 ,7 5 55 ,1 2 55 ,1 2 22 0, 47 19 ,6 9 70 ,8 7 94 ,4 8 22 ,2 25 7/ 8 15 ,7 5 23 ,6 2 27 ,5 6 11 ,8 1 11 ,8 1 15 ,7 5 7, 87 7, 87 23 ,6 2 3, 94 29 1, 34 16 1, 42 15 ,7 5 59 ,0 6 59 ,0 6 25 1, 97 19 ,6 9 74 ,8 0 11 0, 24 25 ,4 00 1 19 ,6 9 27 ,5 6 31 ,5 0 15 ,7 5 11 ,8 1 19 ,6 9 7, 87 11 ,8 1 27 ,5 6 7, 87 32 2, 63 18 1, 10 19 ,6 9 66 ,9 3 66 ,9 3 28 7, 40 19 ,6 9 62 ,6 8 12 5, 98 28 ,5 75 1. 1/ 8 23 ,6 3 31 ,5 0 39 ,3 7 19 ,6 9 15 ,7 5 23 ,6 2 11 ,8 1 15 ,7 5 31 ,5 0 7, 87 38 5, 83 22 0, 47 23 ,6 2 78 ,7 4 78 ,7 4 34 2, 52 27 ,5 6 94 ,4 5 14 1, 73 31 ,7 50 1. 1/ 4 27 ,5 6 35 ,4 3 43 ,3 1 19 ,6 9 15 ,7 5 23 ,6 2 11 ,8 1 15 ,7 5 35 ,4 3 7, 87 44 4, 88 22 0, 47 27 ,5 6 90 ,5 5 90 ,5 5 39 3, 70 35 ,4 3 10 6, 30 15 7, 48 34 ,9 25 1. 3/ 8 31 ,5 0 39 ,3 7 47 ,2 4 23 ,6 2 19 ,6 9 27 ,5 0 11 ,8 1 15 ,7 5 39 ,3 7 11 ,8 1 48 8, 19 26 3, 78 31 ,5 0 10 6, 36 10 6, 36 42 5, 20 39 ,3 7 11 8, 11 17 3, 23 38 ,1 00 1. 1/ 2 35 ,4 3 43 ,3 1 51 ,1 8 23 ,6 2 19 ,6 9 27 ,5 0 11 ,8 1 19 ,6 9 39 ,3 7 11 ,8 1 52 7, 56 26 3, 78 35 ,4 3 11 0, 24 11 0, 24 45 6, 69 39 ,3 7 12 5, 98 18 8, 98 41 ,2 75 1. 5/ 8 39 ,3 7 47 ,2 4 55 ,1 2 27 ,5 6 19 ,6 9 31 ,5 0 11 ,8 1 23 ,6 2 43 ,3 1 11 ,8 1 56 6, 93 28 3, 46 39 ,3 7 11 8, 11 11 8, 11 48 0, 31 43 ,3 1 13 7, 80 20 4, 72 44 ,4 50 1. 3/ 4 43 ,3 1 51 ,1 8 59 ,0 6 27 ,5 6 23 ,6 2 31 ,5 0 15 ,7 5 23 ,6 2 51 ,1 8 15 ,7 5 60 6, 30 29 9, 21 39 ,3 7 12 5, 98 12 5, 98 49 2, 18 51 ,1 8 14 5, 67 22 0, 47 47 ,6 25 1. 7/ 8 43 ,3 1 51 ,1 8 62 ,9 9 31 ,5 0 23 ,6 2 35 ,4 3 15 ,7 5 27 ,5 6 55 ,1 2 15 ,7 5 64 5, 67 31 8, 90 43 ,3 1 12 9, 92 12 9, 92 51 1, 81 55 ,1 2 15 7, 48 23 6, 22 50 ,8 00 2 43 ,3 1 55 ,1 2 66 ,9 3 31 ,5 0 23 ,6 2 35 ,4 3 15 ,7 5 27 ,5 6 59 ,0 6 15 ,7 5 68 5, 04 33 4, 65 43 ,3 1 13 7, 80 13 7, 80 55 1, 18 59 ,0 6 16 5, 35 25 1, 97 57 ,1 50 2. 1/ 4 47 ,2 4 62 ,9 9 74 ,8 0 35 ,4 3 27 ,5 6 39 ,3 7 19 ,6 9 31 ,5 0 66 ,9 3 15 ,7 5 75 5, 90 36 6, 14 47 ,2 4 15 3, 54 15 3, 54 61 0, 24 66 ,9 3 18 5, 04 28 7, 40 63 ,5 00 2. 1/ 2 51 ,1 8 66 ,9 3 78 ,7 4 35 ,4 3 31 ,5 0 39 ,3 7 19 ,6 9 35 ,4 3 74 ,8 0 15 ,7 5 82 6, 77 39 3, 70 51 ,1 8 16 9, 29 16 9, 29 66 9, 29 74 ,8 0 20 4, 72 31 8, 90 69 ,8 50 2. 3/ 4 59 ,0 6 74 ,8 0 90 ,5 5 43 ,3 1 35 ,4 3 47 ,2 4 23 ,6 2 39 ,3 7 82 ,6 8 19 ,6 9 94 4, 88 45 2, 75 59 ,0 6 18 8, 98 18 8, 98 72 8, 35 82 ,6 8 22 8, 35 35 0, 39 76 ,2 00 3 62 ,9 9 82 ,6 8 98 ,4 3 47 ,2 4 39 ,3 7 51 ,1 8 23 ,6 2 43 ,3 1 86 ,6 1 19 ,6 9 1, 02 3, 62 51 1, 81 62 ,9 9 20 4, 72 20 4, 72 78 7, 40 86 ,6 1 24 8, 03 38 1, 89 82 ,5 50 3. 1/ 4 66 ,9 3 86 ,6 1 10 6, 30 51 ,1 8 43 ,3 1 55 ,1 2 23 ,6 2 47 ,2 4 98 ,4 3 23 ,6 2 1, 10 2, 36 55 1, 18 66 ,9 3 22 0, 47 22 0, 47 81 8, 90 98 ,4 3 26 7, 72 41 3, 39 88 ,9 00 3. 1/ 2 74 ,8 0 94 ,4 9 11 8, 11 55 ,1 2 47 ,2 4 59 ,0 6 27 ,5 6 55 ,1 2 10 6, 33 23 ,6 2 1, 18 1, 10 59 0, 56 74 ,8 0 23 6, 22 23 6, 22 84 6, 46 10 6, 30 29 1, 34 44 4, 88 95 ,2 50 3. 3/ 4 78 ,7 4 98 ,4 3 12 5, 98 55 ,1 2 47 ,2 4 59 ,0 6 27 ,5 6 59 ,0 6 11 8, 11 27 ,5 6 1, 25 9, 84 62 9, 92 78 ,7 4 24 8, 06 24 8, 06 88 5, 53 11 8, 11 31 1, 02 47 6, 38 10 1, 60 0 4 82 ,6 8 10 2, 36 13 3, 86 59 ,0 6 51 ,1 8 62 ,9 9 27 ,5 6 62 ,9 9 12 5, 98 27 ,5 6 1, 33 8, 58 66 9, 29 82 ,6 8 26 3, 78 26 3, 78 90 5, 51 12 5, 98 33 0, 71 50 7, 87 10 7, 95 0 4. 1/ 4 90 ,5 5 11 0, 24 14 1, 73 62 ,9 9 55 ,1 2 66 ,9 3 31 ,5 0 66 ,9 3 13 3, 86 31 ,5 0 1, 42 9, 13 70 8, 66 90 ,5 5 27 9, 53 27 9, 53 97 6, 38 13 3, 86 35 0, 39 53 9, 37 11 4, 30 0 4. 1/ 2 94 ,4 9 12 5, 98 14 9, 61 66 ,9 3 59 ,0 6 74 ,8 0 31 ,5 0 70 ,8 7 14 1, 73 31 ,5 0 1, 51 5, 75 74 8, 03 94 ,4 9 29 9, 21 29 9, 21 1, 04 3, 31 14 1, 73 37 0, 08 57 0, 87 12 0, 65 0 4. 3/ 4 10 2, 36 13 3, 86 15 7, 48 70 ,8 7 59 ,0 6 78 ,7 4 35 ,4 3 74 ,8 0 14 9, 61 35 ,4 3 1, 60 6, 30 78 7, 40 10 2, 36 31 4, 96 31 4, 96 1, 11 4, 17 14 9, 61 38 9, 76 60 2, 36 12 7, 00 0 5 17 0, 75 14 5, 67 16 5, 35 74 ,8 0 62 ,9 9 82 ,6 8 35 ,4 3 78 ,7 4 15 7, 48 35 ,4 3 1, 16 9, 91 82 6, 77 10 6, 30 33 0, 71 33 0, 71 1, 18 1, 10 15 7, 48 40 9, 45 63 3, 86 Fo nt e: S EN A I / M G , [ s.d .] mInICurríCuLo do autor cristiANo rosA dos sANtos Mestre em Sistemas e Processos Industriais-UNISC, 2010. Formação Pedagógica para Formadores da Educação Profissional-UNISUL, 2005. Engenheiro de Controle e Automação- PUCRS, 2003. Técnico em Informática Industrial-SENAI, 1997. Técnico em Eletrônica-Colégio Santo Inácio, 1994. Docente de Automação (Robótica, CLP, Pneumática e Hidráulica) e Eletrônica (Analógica, Digital e Controle)-SENAI Carlos Tannhauser em Santa Cruz, desde 2004. índICe A Acionadores 73, 78, 163 Acionamentos elétricos 76 Acumuladores 120, 249 Ar comprimido 17, 21, 22, 23, 25, 26, 31, 32, 35, 36, 41, 42, 43, 44, 46, 47, 48, 49, 50, 53, 54, 57, 58, 59, 61, 62, 64, 69, 70, 72, 74, 76, 77, 82, 84, 95, 96, 97, 116, 161, 163, 170, 175, 245 Atuadores 17, 18, 62, 63, 64, 69, 71, 73, 78, 115, 116, 117, 118, 122, 131, 145, 152, 161, 169, 180, 181, 182, 193, 196, 203, 236, 249 Atuadores hidráulicos 122, 152 Atuadores pneumáticos 62, 63, 145, 180, 182, 193 b Bombas hidráulicas 110, 113 Botoeira 168 C Características dos CLPS 197 Cascata elétrica17, 183, 184, 191 Circuito de controle 129, 130, 131, 132 Circuitos hidráulicos 113, 123, 139, 249 Circuitos pneumáticos 56, 61, 78, 82, 92, 99, 159 Comparativo 29, 117 Composição de um sistema hidráulico 110, 111 Compressores 36, 37, 38, 40, 41, 42, 43, 44, 48 Conjugado 77, 232 Contador 72, 178, 179 d Diagrama de blocos 211 Diagramas de movimentos 89 Dimensionamento de sistemas hidráulicos 152 Dimensionamento de sistemas pneumáticos 139 e Elementos de comando 64, 68, 78, 91, 93, 167 Elementos de processamento de sinais 68, 90, 91, 170, 191 Elementos de sinais 68, 72, 78, 91, 93, 167 Elementos pneumáticos de trabalho 61 Eletricidade industrial 17, 72 170 Eletro-hidráulica 17, 82, 167, 191 Eletropneumática 82, 167, 186, 191, 233, 234 Entradas analógicas 208 Entradas digitais 201, 208 EPROM 200 Escala de temperatura 27, 28 Estrutura interna 199 F Filtros 48, 53, 111, 112, 245, 248, 249 Fontes de energia 136, 242, 256 Fusível 164 g Gerador 151 H Hidráulica 17, 21, 66, 82, 101, 102, 103, 104, 105, 107, 109, 110, 111, 112, 113, 115, 119, 120, 121, 136, 147, 153, 161, 167, 170, 172, 191, 233, 234, 240, 242, 254 Hidrodinâmica 17, 101, 107, 136 Hidrostática 17, 48, 101, 102, 106, 136 I IHM 204 Instruções 195, 199, 204, 210, 213, 218, 222, 224, 229 Interface 194, 197, 204 l Lei de pascal 30, 102, 136 Lei geral dos gases 26, 30, 32 Linguagem ladder 215, 216, 229 Lógica com relés 195 Lógica de contatos 216 M Mangueiras 110, 120, 121, 122, 123, 152 Microprocessador 199, 200, 201, 202 Modos de operação 17, 208 Motores elétricos 152, 163, 170 n Norma IEC 213, 214, 216, 229 P PLC 193, 214 Pneumática 17, 21, 22, 25, 26, 27, 30, 35, 56, 61, 66, 71, 72, 81, 82, 115, 141, 142, 143, 146, 147, 148, 161, 167, 170, 172, 175, 191, 232, 233, 234, 240, 242, 246, 254 Princípio de bernoulli 107 r Redes de pressão 56 Representação dos movimentos 85, 87, 99 Representação simbólica 81, 82 Reservatórios hidráulicos 112 s Saídas analógicas 203, 208 Saídas digitais 8, 202, 203, 204, 208 Simbologia 36, 47, 51, 64, 65, 66, 69, 71, 72, 81, 85, 170, 171, 172 Solenoide 76, 77, 123, 124, 125, 126, 171, 172, 173, 174, 175, 176, 177, 178, 179, 180, 181, 182, 189, 190 T Tecnologia do vácuo 17, 81, 83, 151 Temporizador 71, 72, 170, 180 Transdutores 196 Transformação isobárica 31, 32 Transformação isotérmica 31, 43, 45 Transmissão de energia hidráulica 109 Trocadores de calor 48, 113 u Umidade 24, 43, 44, 45, 48, 49, 50, 51, 52, 58, 162, 193, 198 V Válvula redutora de pressão 119 Válvulas controladoras de vazão 118, 119 Válvulas de bloqueio 69, 244 Válvulas de controle de fluxo 69, 91 Válvulas direcionais 64, 65, 115, 117, 167, 181, 182 Vazão 30, 48, 69, 107, 118, 119, 127, 128, 129, 132, 133, 140, 152, 155, 156, 158, 163, 164, 244, 246 senAI – dePArTAMenTo nACIonAl unIdAde de eduCAção ProFIssIonAl e TeCnológICA – unIeP Rolando Vargas Vallejos Gerente Executivo Felipe Esteves Morgado Gerente Executivo Adjunto Diana Neri Coordenação Geral do Desenvolvimento dos Livros senAI – dePArTAMenTo regIonAl do rIo grAnde do sul - ConselHo regIonAl Heitor José Müller – Presidente do Sistema FIERGS Presidente Nato Elisabeth Urban Diretora de Educação e Tecnologia do Sistema FIERGS José Zortea Diretor Regional e Membro Nato do Conselho Regional do SENAI-RS dIreTorIA senAI-rs José Zortea Diretor Regional Carlos Heitor Zuanazzi Diretor Administrativo e Financeiro Carlos Artur Trein Diretor de Operações Claiton Oliveira da Costa Coordenação Geral do Desenvolvimento do Programa no Departamento Regional Cristiano Rosa dos Santos Elaboração Giancarllo Josias Soares Revisão Técnica Enrique S. Blanco Fernando R. G. Schirmbeck Luciene Gralha da Silva Maria de Fátima R.de Lemos Design Educacional Bárbara V. Polidori Backes Camila J. S. Machado Rafael Andrade Ilustrações Bárbara V. Polidori Backes Tratamento de imagens e Diagramação Enilda Hack Normatização i-Comunicação Regina M. Recktenwald Projeto Gráfico Revisão Ortográfica e Gramatical 9 788575 195239 ISBN 978-85-7519-523-9