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Professora Laís Bueno Tonin REDAÇÃO PUBLICITÁRIA REDAÇÃO PUBLICITÁRIA REITOR Prof. Ms. Gilmar de Oliveira DIRETOR DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Ms. Daniel de Lima DIRETORA DE ENSINO EAD Prof. Dra. Geani Andrea Linde Colauto DIRETOR FINANCEIRO EAD Prof. Eduardo Luiz Campano Santini DIRETOR ADMINISTRATIVO Guilherme Esquivel SECRETÁRIO ACADÊMICO Tiago Pereira da Silva COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Prof. Dr. Hudson Sérgio de Souza COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Prof. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Prof. Ms. Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Ms. Jeferson de Souza Sá COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE GESTÃO E CIÊNCIAS SOCIAIS Prof. Dra. Ariane Maria Machado de Oliveira COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE T.I E ENGENHARIAS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE SAÚDE E LICENCIATURAS Prof. Dra. Katiúscia Kelli Montanari Coelho COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS Luiz Fernando Freitas REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling Caroline da Silva Marques Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Marcelino Fernando Rodrigues Santos Eduardo Alves de Oliveira Jéssica Eugênio Azevedo Kauê Berto PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO André Dudatt Carlos Firmino de Oliveira Vitor Amaral Poltronieri ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO Carlos Eduardo da Silva DE VÍDEO Carlos Henrique Moraes dos Anjos André Oliveira Vaz FICHA CATALOGRÁFICA Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP T665r Tonin, Laís Bueno Redação publicitária / Laís Bueno Tonin. Paranavaí: EduFatecie, 2023. 98 p. : il. Color. 1.Publicidade - Linguagem. 2. Anúncios - Redação. 3. Campanhas publicitárias. I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título. CDD: 23. ed. 659.1014 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 As imagens utilizadas neste material didático são oriundas dos bancos de imagens Shutterstock e Pexels. 2023 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie. O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da ISBN 978-65-5433-063-3 https://www.shutterstock.com/pt/ AUTORA Professora Laís Bueno Tonin ● Mestra em Gestão do Conhecimento nas Organizações pela UNICESUMAR; ● Pós-graduada em Marketing pela PUC/PR; ● Bacharel em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda pela UNIPAR/ PR; ● Licenciada em Letras pela Universidade Estadual de Maringá/UEM, Licenciada em Pedagogia pela Faculdade Futura. ● Atua como professora na área de Comunicação e Mídias Digitais, Planejamento de Comunicação, Educomunicação e Marketing, e na área de Educação, atua com foco na área de Educação e Tecnologias. ● Atualmente é aluna do Doutorado Profissional de Educação e Novas Tecnologias, no PPGENT/UNINTER. CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/7312480469142540 4 APRESENTAÇÃO DO MATERIAL A disciplina de Redação Publicitária alia conhecimentos teóricos a respeito da função do texto na publicidade e propaganda, e os seus elementos criativos para trabalhar a ideação, ou seja, o surgimento das ideias e argumentos para que os anúncios vendam um produto ou um serviço. Este material foi pensado para trazer até você um conteúdo no estilo que os redatores publicitários gostam, isso quer dizer, direto ao ponto, enfatizando aquilo que é essencial saber para começar e compreender os caminhos do crescimento nesta área de atuação. Você conhecerá os principais nomes da redação publicitária no Brasil, como tudo começou na publicidade brasileira, e como a redação publicitária evoluiu e deve continuar evoluindo em um ritmo frenético para acompanhar os meios digitais. Para isso, a Unidade I aborda a função do texto publicitário e como é a sua criação e contexto de produção, enquanto teoria. Já na prática você conhecerá o famoso esquema aristotélico de escrita publicitária, além das funções de linguagem e como são utilizadas na publicidade. Já na Unidade II, trata-se dos fundamentos teóricos do texto publicitário, com foco no discurso, enquanto sentido das coisas, e logo na sequência na Unidade III, o planejamento por trás da escrita, como as práticas de briefing e brainstorming, são fundamentais para o sucesso da produção. Por fim, na Unidade IV trataremos da criação do texto publicitário para mídias diversas, como outdoor, a TV, o Rádio, a Revista e meios digitais, pois cada veículo tem suas próprias regras e macetes interessantes para encantar seu público-alvo. Portanto, espero que ao final dessa disciplina você tenha ampliado seu repertório e possa se inspirar! Certamente essa disciplina será muito útil para sua vida profissional, pois tem como objetivo ampliar seus horizontes para ser mais observador e um bom ouvinte, já que são características fundamentais de um bom redator! Seja muito bem-vindo (a) a disciplina da Redação Publicitária! SUMÁRIO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • Função do texto publicitário; • O esquema aristotélico; • Funções de linguagem e figuras de linguagem na publicidade. . prese Objetivos da Aprendizagem Apresentar o contexto de produção do texto publicitário; Conhecer o sistema aristotélico para prática de escrita; Reconhecer as funções de linguagem e as figuras de linguagem na publicidade; 1UNIDADEUNIDADE FUNÇÃO DO TEXTOFUNÇÃO DO TEXTO Professora Laís Bueno Tonin PUBLICITÁRIOPUBLICITÁRIO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7UNIDADE 1 FUNÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO INTRODUÇÃO Esta unidade foi organizada para explorar a função do texto publicitário para vender por meio de anúncios, bem como o seu contexto de criação para que seja eficiente naquilo que propõe. Primordialmente, vamos compreender que a redação publicitária é um domínio de escrita criativa com o objetivo geral de atrair a atenção do consumidor por meio de anúncios criativos, e para isto, este profissional atua sempre em parceria com o diretor de arte, compondo uma dupla de criativos. A propaganda não é feita exclusivamente de anúncios, por trás dos anúncios existem pessoas que fazem publicidade e propaganda para outras pessoas, por isso, é tão importante aprender como se comunicar melhor com o outro. Por isso, envolvemos também nesta unidade a condição em que um texto publicitário é escrito, sua condição de produção, para tanto, vamos conhecer o sistema aristotélico que perdura na publicidade como um esquema. A arte de comunicar também envolve funções de linguagem e figuras de linguagem, por exemplo, saber quando uma publicidade está sendo imperativa ou não, quando contém ironia ou não, além de dominar o momento adequado para utilizá-las. Esta unidade traz um conteúdo básico deintrodução a respeito da redação publicitária, com o objetivo de apresentar a função do texto publicitário na prática do dia a dia, e como fazer a diferença neste mercado com as técnicas adequadas. Ao final desta unidade espero que você já possa ser capaz de dar os primeiros passos para produzir melhores textos publicitários. Bons estudos! . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8UNIDADE 1 FUNÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO 1 FUNÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO TÓPICO Entre os teóricos da comunicação não há dúvida de que a publicidade é o exemplo máximo de discurso persuasivo, que tem como propósito central atrair a atenção do público para a qualidade dos produtos ou serviços. Então, é preciso afirmar que a função principal do texto publicitário é persuadir o cliente de que um determinado produto é superior a outro, ou até mesmo gerar uma necessidade onde não existe nenhuma demanda. É indiscutível que todo discurso procede de alguém, dirige-se para alguém e procura convencer em diferentes níveis, daí surgem duas possibilidades, o discurso por convencimento e o discurso por persuasão. E qual seria a diferença entre convencer e persuadir? De acordo com Carrascoza (2007) a questão é que quando o desejo é de convencer, é atribuído a razão por meio do raciocínio lógico e de provas objetivas, podendo atingir um auditório universal, já o discurso que tenta persuadir tem um caráter mais ideológico, subjetivo e intemporal, buscando atingir o sentimento do interlocutor, por meio de argumentos plausíveis ou verossímeis, e dirigindo-se para um auditório particular. Portanto, convencer é um esforço da mente e persuadir é um domínio do emotivo, e diferenciar isto é fundamental para compreender a evolução do texto publicitário. O texto publicitário começou a evoluir a partir dos anos de 1960, por conta da expansão dos meios de comunicação de massa, mas foi apenas na década de 90 que no Brasil a publicidade passou a ser explorada com maior expressão, inclusive sendo premiada internacionalmente diversas vezes em festivais, como o Festival de Cannes. 9UNIDADE 1 FUNÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO E é justamente por sair da esfera da razão e se adentrar nas emoções que a publicidade brasileira foi ganhando experiência, fama e força, e tornou-se referência, como veremos no decorrer das unidades com os exemplos apresentados. Embora a publicidade no Brasil faça parte de nossa cultura, não existe um vasto repertório de publicações que descrevem a teoria ou técnicas que são empregadas para a execução da atividade. Mas os autores João Anzanello Carrascoza (2007) e Celso Figueiredo (2005) já publicaram diversas obras literárias sobre o assunto, às quais recorreremos ao longo das unidades. E ambos os autores são unânimes ao descrever que o principal contexto da redação publicitária é persuadir o consumidor, trazendo uma concordância de pensamentos, ideias e identificação com aquilo que cada consumidor lê, pensa e interpreta. Figueiredo (2005) apresenta uma abordagem de que a base principal de persuasão são os laços de amizade que passam pelo encontro de similaridade entre os indivíduos, que acontece quando se compartilha afinidades como valores, gostos, visões de mundo e desejos. Se o homem tende a procurar apoio em pessoas iguais a si mesmo, uma peça publicitária em cujo discurso se encontrar uma visão de mundo similar àquela manifestada pelo consumidor será agradável aos seus olhos e ao seu coração (FIGUEIREDO, 2005, p. 59). Por isso, antes do processo de criação, é preciso investigar para conhecer quais são as afinidades entre o prospect e a marca, quais são os valores compartilhados, pois sem dúvida, será essa a mais rica matéria prima para produção de persuasão para estabe- lecer um elo de similaridade. 1.1 O texto na publicidade O texto na publicidade, ou seja, o anúncio é basicamente formado por um título, que geralmente é expressado por uma frase curta e que atraia o consumidor, a imagem, que propõe a ideia central, o texto, que deve transmitir informações pertinentes ao produto e a assinatura final, que leva o logotipo da marca, e que pode estar acompanhado de um slogan, que tem como objetivo posicionar a empresa. Outra característica que o anúncio pode contemplar em sua estrutura é a assinatura da campanha chamada tag line, ou seja, um termo que repetindo-se por toda uma campanha próximo à assinatura, conclui o raciocínio desenvolvido ao longo da peça. Para Figueiredo (2005, p. 50) "a tag line, pode tornar-se um bordão popular: uma frase repetida pelo público no cotidiano em função da popularidade e identificação". 10UNIDADE 1 FUNÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO Embora o autor enfatiza que, "quanto mais elementos se colocam em um anúncio, mais ele perde impacto” (FIGUEIREDO, 2005, p. 51). Celso Figueiredo aponta que os consumidores não demandam de tempo para realizar uma leitura minuciosa do anúncio, por isso, o redator é econômico com as palavras, tendo em vista que busca diminuir o tempo da leitura da peça publicitária. A partir disso, é recomendável que se mantenha apenas o necessário em cada anúncio, e uma assinatura só é bem-vinda, se realmente acrescentar um significado relevante ao comercial. Este esforço que o redator precisa realizar ao manter apenas aquilo que é fundamental, vale, até mesmo, eliminar sinais de pontuação, como aspas, travessão, reticências e pontos de exclamação, mesmo que a norma padrão os recomende. A pontuação tende a ampliar a proposta textual, "enquanto o consumidor já tem uma mente pré-definida enquanto aos formatos da publicidade, “já treinada”, compreende- ria facilmente uma sequência de mensagens, por exemplo, sem a necessidade de múltiplas reticências" (FIGUEIREDO, 2005, p. 27). Especialmente o título, é o que mais sofre com os cortes, pois como se trata de frases curtas que buscam impactar com poucas palavras, a pontuação será sempre descartada. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11UNIDADE 1 FUNÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO 2 O ESQUEMA ARISTOTÉLICO TÓPICO É possível afirmar que a publicidade é um discurso deliberativo, para compreender isso, vamos a teoria de Aristóteles (1967) que afirma que existem três gêneros da retórica: o deliberativo, o judiciário e o demonstrativo, ou epidítico, em sua obra a Arte retórica, capítulo III. Para compreender cada um, Carrascoza (2007) aponta que o gênero deliberativo, aconselha-se ou desaconselha-se sobre uma questão de interesse particular ou público. O judiciário comporta a acusação e a defesa. O demonstrativo abrange o elogio e a censura. E cada um deles tem por objeto uma parte do tempo que lhe é próprio: Deliberativo – futuro – delibera aconselhando ou desaconselhando para uma ação futura. Judiciário – passado - a acusação ou a defesa incide sobre fatos pretéritos. Demonstrativo – presente - para louvar ou censurar, sempre se leva em conta o estado atual das coisas (CARRASCOZA, 2007, p. 26). Por isso, diante dos gêneros, pode-se afirmar que na publicidade a predominância é o deliberativo, cujo objetivo é aconselhar o público a julgar favoravelmente um produto ou serviço. Mas pensando em formar opinião, o texto jornalístico também faz isso muito bem, já que também acaba influenciando sob o ponto de vista que alguém pode tomar sob algo, então, qual seria a diferença para o texto publicitário? Pois, observa-se que o texto publicitá- rio possui um estilo próprio, e convence igualmente alguém como uma matéria jornalística. 12UNIDADE 1 FUNÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO Para tanto, existe ummodelo que molda o estilo do texto publicitário, que no Brasil ganhou força a partir da década de 60 com as mídias impressas, e todos os anúncios passam a respeitar esse padrão, chamado de sistema aristotélico. Este esquema apontado por Aristóteles (1967), é composto de quatro etapas básicas; Exórdio: é a introdução do discurso, em que “começa-se por exprimir logo de entrada o que se pretende dizer”. Pode-se iniciar com um elogio, uma censura, um conselho que “nos induz a fazer uma coisa ou dela nos afasta” (CARRASCOZA, 2007, p. 27). Narração: é a parte do discurso em que se mencionam apenas os fatos conhecidos, sem prolixidade e na justa medida que “consiste em dizer tudo quanto ilustra o assunto, ou prove que o fato se deu, que constitui um dano ou uma injustiça, numa palavra, que ele tem a importância que lhe atribuímos” (CARRASCOZA, 2007, p. 27). Provas: devem ser demonstrativas. E, como a deliberação se refere ao tempo futuro, podem-se tirar exemplos de fatos passados para aconselhar. Peroração: é o epílogo. "Compõe-se de quatro fases: a primeira consiste em pre- dispor o ouvinte em nosso favor; a segunda amplificar ou atenuar o que foi dito; a terceira, excitar as paixões no ouvinte; a quarta, uma recapitulação" (CARRASCOZA, 2007, p. 28). Aristóteles apontava estas fases nas retóricas orais, típicas de seu tempo, mas é possível identificar que nos textos publicitários contemporâneos também possuem como alicerce, o sistema aristotélico, conforme o exemplo do anúncio a seguir. FIGURA 1 – ANÚNCIO DA WELLA Fonte: Carrascoza (2007, p. 28). 13UNIDADE 1 FUNÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO Cabeça não foi feita só para pensar Raciocínios brilhantes e ideias geniais ficam mais interessantes quando vindos de uma cabeça emoldurada por um belo cabelo. É por isso, para valorizar ainda mais a inteligência das mulheres, que a Wella está lançando Soft Color. Soft Color não é tintura. É uma coloração suave, mas de duração prolongada, que cobre os fios brancos e deixa seu cabelo com a cor mais bonita que ele poderia ter. Isso porque a fórmula exclusiva de Soft Color respeita as características naturais do cabelo. Além disso, Soft Color não contém amoníaco. Quer dizer: não tem aquele cheiro forte, típico de tinturas. É soft até na hora de aplicar. E as cores são especiais: agradam tanto a quem quer um tom mais próximo possível do original como a quem quer mudar para uma cor da moda. Experimente Soft Color da Wella. Você vai ficar mais bonita até em pensamento. Exórdio: “Cabeça não foi feita só para pensar” – (o título chamativo) o assunto é introduzido, e expressa que, embora fale da cabeça, não é relacionado ao pensamento. Narração: “Raciocínios brilhantes” até “a cor mais bonita que ela poderia ter”. Aqui narra-se o assunto sobre os cabelos femininos, mas não apenas no quesito beleza, mas também da inteligência da mulher que opta pelo produto. Provas: “Isso porque” e vai até “cor da moda”, é uma afirmação que o produto é exclusivo e respeita a naturalidade do tom de cada pessoa, deixando as cores mais especiais. Peroração: o epílogo do anúncio propõe a utilização do produto: “Experimente Soft Color da Wella”. E sintetiza todos os argumentos na última frase: “Você vai ficar mais bonita até em pensamento” (CARRASCOZA, 2007, p. 30). Atualmente os anúncios impressos estão mais curtos, por vários motivos, entre eles o crescimento dos anúncios virtuais, e também mais caros, por conta da diminuição da circulação de revistas impressas. Além disso, a publicidade acaba sendo sempre secundária, tendo em vista que o leitor está em busca de informação jornalística. No entanto, esse método de texto aristotélico ainda aparece nos anúncios publicitários, de forma mais breve, sintetizada e, às vezes, também sobrepostos. 14UNIDADE 1 FUNÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO Agora você já sabe como é organizado o texto publicitário nos anúncios, por meio do sistema aristotélico. Agora vamos à uma reflexão: Você já parou para pensar sobre o papel do redator publicitário? E como ele deve se preparar para produzir seus anúncios? O redator publicitário deve estar sempre atento às tendências de mercado, a moda, a diversidade de cultura, e as novas mídias, pois cabe ao redator despertar o interesse do seu público, que está a todo momento buscando pelo novo. Fonte: A autora (2022). Na verdade, não há uma língua própria da publicidade e sim determinadas habilidades e técnicas linguísticas em uso nos anúncios e nos textos da propaganda rotulados de linguagem publicitária (MARTINS, 1997). Um objetivo primordial do texto publicitário é transformar algo simples em extraordinário, para Carvalho (2010, p. 12) “acima de tudo, publicidade é discurso, linguagem e, portanto, manipula símbolos para fazer a mediação entre objetos e pessoas, utilizando- se mais da linguagem do mercado que a dos objetos”. Por isso, para ir do simples ao extraordinário encantamento é preciso que o texto fale a língua do seu público, por este motivo, enfatizo que o redator precisa estar atento a tudo o que acontece à sua volta, e ao comportamento humano que se altera ao longo do tempo, para isso, gostaria de enfatizar que a área da pesquisa em comunicação e marketing são fundamentais para a atualização constante do comportamento do consumidor. O texto publicitário fala ao coração, quem nunca se emocionou com uma publicidade? E geralmente não é apenas pela imagem que ela transmite, mas sempre pelo impacto da redação, isso vale para comerciais de TV, impressos ou digitais. A publicidade é a linguagem da sedução, e para compreender seu sentido e sua função, a teoria da Retórica do Discurso, possui como elementos os recursos racionais (logo) e o de caráter afetivo (Ethos e Pathos) que são explorados na perspectiva de Dittrich (2008) com três tipos de argumentos, técnico, representacional e emotivo. 15UNIDADE 1 FUNÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO O argumento técnico, vai demonstrar a opinião defendida e plausível, fazendo com que o público entenda a justificativa apresentada. O discurso precisa ser conciso, e inteiramente racional (logos). É como se fosse um argumento de venda, do porquê isso é bom para o público. O argumento representacional, é a constituição do ethos, ou seja, um discurso de conquista da confiança do meu público-alvo, e geralmente as justificativas são de natureza ética (Ethos). Já o argumento emotivo, é o uso da sensibilidade, para despertar as emoções e o interesse, o porquê o produto ou serviço é viável, e as justificativas estão sempre atreladas a ordem emocional (Pathos). Novamente nesse caso do Discurso da Retórica, os argumentos podem ser usados de forma única, sendo um argumento para cada peça, ou até mesmo se sobrepondo uns com os outros. Vamos para uma análise de uma campanha da marca Coca-Cola lançada em 2015 intitulada “Abra a Felicidade”, esta campanha foi veiculada em diversos veículos de comu- nicação, em formato de TV, digital e impresso. FIGURA 2 – “ABRA A FELICIDADE” – COCA-COLA Fonte: Blog Ser mãe é vida que segue. 2012. Disponível em: https://sermaevidaquesegue.wordpress. com/2012/08/19/abraafelicidade/ Acesso em: 12 jun. 2022. 16UNIDADE 1 FUNÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO Neste caso o enunciado é: “Abra a felicidade”. E o argumento de ordem emocional. Podemos perceber pela maneira como a frase foi dita, no caso da produção para comercial de TV, passar que automaticamente ao consumir o produto estaria também consumindo felicidade, prazer, alegria. O produto se promove com o poder de atribuir ao consumidor mais que um refrigerante, está compartilhando sentimentos e bem-estar imediato, portanto, ao comprar a coca-cola, está comprando felicidade. O ser humano é dotado de razão e de emoção, e se comunicadentro dessa complexidade, agindo, pensando e se relacionando com o outro, o que faz com que os sentimentos se alternam, em alguns momentos prevalece o afetivo em outros momentos, razão com o cognitivo. O importante é compreender que a técnica pode ser aprendida e colocada em prática, por isso, é importante ficar atento às dicas ao longo da unidade. A seguir trataremos de outros elementos que o texto publicitário pode conter. Você sabia que antes da publicidade existir, a propaganda era feita "boca a boca"? Mas depois que surgiram os primeiros jornais, em 1808, iniciaram-se os primeiros anúncios. Nos anos 1900, foi quando começaram a surgir as primeiras revistas no Brasil. Foi quando a publicidade de página inteira surgiu. Em 1913 surgiu a primeira agência de publicidade e ela se chamava Eclética. E, como nas demais partes do mundo, a publicidade era melhor, os brasileiros começaram a importar propagandas estrangeiras. Mas a cultura era diferente, completamente diferente da nossa. Depois, em 1930, foi quando surgiu a primeira agência de publicidade dos Estados Unidos em nosso país. Essa agência começou a fazer fotos com anúncios brasileiros. O rádio chegou nessa mesma época e ajudou bastante a área de publicidade local. Foi o início dos primeiros jingles. E o repórter Esso foi um excelente marco da época. As empresas que já anunciavam nessa época eram a Coca-Cola, a Nestlé e o Guaraná Antártica. Em 1950, a televisão chegou ao Brasil. A primeira rede de TV foi a Rede Tupi. Ela revolucionou muito a forma de se fazer propaganda em nosso país. Como as mulheres ficavam mais em casa, as propagandas eram feitas por mulheres para esse tipo de público em 1968 surgiu a lei da Propaganda, com as primeiras regras para fazer publicidade. Foi quando ela começou a se tornar uma forma de se fazer negócio de verdade. 17UNIDADE 1 FUNÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO Foi nessa época que passaram a ser criadas as primeiras ferramentas de marketing e tudo passou a ser integrado: promoção, vendas e publicidade. E o setor de criação começou a crescer consideravelmente e tomar corpo. Na época da ditadura houve muita censura na área da publicidade. E em 1970 e 80 surgiu a época de ouro da publicidade. As propagandas passaram a ter originalidade. Em 1980 surgiu o CONAR - que é o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária. É este conselho que defende o consumidor de propagandas enganosas, por exemplo. O tempo foi se passando até chegar os dias de hoje, onde a publicidade é feita pela Internet, em sua grande maioria. Pois, com a Globalização, a Internet tomou muita força e chegamos nos dias de hoje com esse formato. Fonte: SILVA, P. A história da publicidade brasileira. 2015. Disponível em https://www.portalvila- mariana.com/publicidade-e-propaganda/a-historia-da-publicidade-brasileira.asp. Acesso em: 13 jun. 2022. Atualmente a publicidade online pode ter modificado a forma e a intensidade com que consumimos publicidade, mas o texto publicitário ainda mantém suas particularidades e deve evoluir cada vez mais, no sentido de ampliar a capacidade de síntese e impacto emocional. http://www.portalvilamariana.com/publicidade-e-propaganda/a-historia-da-publicidade-brasileira.asp http://www.portalvilamariana.com/publicidade-e-propaganda/a-historia-da-publicidade-brasileira.asp . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 FUNÇÕES DE LINGUAGEM E FIGURAS DE LINGUAGEM NA PUBLICIDADE TÓPICO UNIDADE 1 FUNÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO 18 Quando apontamos que a publicidade utiliza os argumentos da emoção, nem sempre significa que é sobre amor, ou paixão. Falar com emoção e falar à emoção não significa, necessariamente, um discurso apaixonado ou inflamado: significa, antes, dirigir-se afetivamente ao auditório de modo a impressioná-lo ou a indigná-lo e revelando, ao mesmo tempo, maior ou menor convicção a respeito do que está sendo dito (DITTRICH, 2010, p. 09). Podemos compreender muitos outros sentimentos, como o prazer, amor e afeição, nostalgia e hostilidade, e emoções mais fortes como alegria, risos, ódio e medo. As funções de linguagem são próprias de um discurso como o texto publicitário, que ora trabalha as emoções, ora a razão, e por vezes a ironia ou o humor, portanto, bem como as figuras de linguagem. A seguir vamos compreender a diferença entre esses dois recursos de escrita. 3.3 Figuras de linguagem As figuras são recursos que tornam as mensagens mais expressivas, e subdividem. As figuras de construção: elipse, zeugma, silepse, pleonasmo, polissíndeto, inversão, anacoluto, anáfora, aliteração e onomatopéia, bem como as figuras de palavras: metáfora, metonímia, catacrese, sinédoque, sinestesia e antonomásia. Figuras do pensamento: antítese, hipérbole, apóstrofo, prosopopeia, gradação, perífrase, eufemismo, ironia, reticências e retificação. Figuras de som/sonoridade: aliteração, assonância, onomatopeia, paronomásia. 19UNIDADE 1 FUNÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO Retomando a publicidade da Wella Soft Color, “Cabeça não foi feita só para pensar” – trata-se de uma paráfrase, posteriormente, “belo cabelo”, - prosopopeia ou personificação - “deixa seu cabelo com a cor mais bonita que ele poderia ter” – “você vai ficar bonita até em pensamento” trata-se de metáfora (CARRASCOZA, 2007). Não temos a pretensão de ensinar as figuras de linguagem, pois para isso, é fundamental recorrer a uma gramática, mas sim enfatizar que são recursos utilizados no texto publicitário, bem como as funções de linguagem. 3.4 Função de linguagem Já as funções de linguagem também são muito utilizadas na publicidade, e trata-se de uma teoria proposta por Jakobson (1968). E se subdividem em referencial, emotiva, conativa/imperativa, fática e metalinguística e poética. Referencial: denota coisas reais, deixa de lado o emissor e o receptor, com foco no objeto e no contexto: Este é um livro. Emotiva: o emissor fala de si mesmo, dá vazão aos seus sentimentos, usa pronome em primeira pessoa: Estou escrevendo agora! Conativa ou imperativa: o ato comunicativo é um forte apelo ao receptor, representa Esta função imperativa é muito utilizada na publicidade, ou promoção de vendas. Fática: finge despertar emoções, mas na verdade verifica se o interlocutor está atento no diálogo: Oi! Está aí? (saudações, cumprimentos). Metalinguística: a mensagem elege outra mensagem para seu objeto, e fala de si mesma, por exemplo, um programa de TV que fala de programas de TV, um livro que fala sobre um livro, um filme que conta a história de uma produção de filme, uma publicidade que fala de publicidade. Poética: a mensagem é estruturada com subjetividade, como o nome já diz, poética, de poesia: Viva a vida! Abra a felicidade você também! Agora um exercício para você pensar: “Experimente soft color!” O que você acha dessa expressão? Expressa qual função de linguagem? Experimente! – uma ordem, não é mesmo? Então, trata-se de uma função conativa. Numa mensagem, é possível que as funções coexistem, de forma interligadas, ou pode ser que uma função esteja predominante no discurso de um anúncio. 20UNIDADE 1 FUNÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO CONSIDERAÇÕES FINAIS Com o objetivo de introduzir o conteúdo a respeito da redação publicitária e a sua função na publicidade apresentamos inicialmente o que é um texto publicitário e suas principais características. Exploramos quais são as condições de produção para o texto publicitário, como estar atento às tendências de mercado, e se apropriar das pesquisas de comunicação e marketing para compreender o comportamento do consumidor. Depois aprendemos sobre o sistema aristotélico e a teoria do discurso com a retórica e seus argumentos, que podemser técnicos, racionais e emotivos. Também estudamos um anúncio da Wella da campanha Soft Color, que foi apontado pelo autor Carrascoza (2007) como um exemplo a ser estudado, enquanto esquema aristotélico, bem como compreende figuras e funções de linguagem em sua composição. Por fim, concluímos identificando as figuras e funções de linguagem no texto, e enfatizando que são utilizadas na redação de anúncios. Espero que você tenha aproveitado a nossa Unidade I para conhecer de forma introdutória os principais elementos da nossa disciplina de Redação Publicitária. 21UNIDADE 1 FUNÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: A evolução do texto publicitário. Autor: João Anzanello Carrascoza. Editora: Futura. Sinopse: Neste livro, através de análise de quase uma centena de anúncios pinçados da mídia impressa brasileira desde o século XIX, o autor realiza um estudo minucioso do texto pu- blicitário e de tudo que se relaciona ao seu código linguístico, traçando ainda um paralelo entre as associações semânticas encontradas na literatura e as estruturas presentes na constru- ção do texto publicitário. WEB Para melhor fixação dos conteúdos e para que você possa co- nhecer um pouco mais sobre a prática de redação publicitária com o profissional Zeca Martins. Acesse o seguinte link abaixo. Neste link você poderá compreender o dia a dia do cotidiano de um redator publicitário. Para saber mais sobre o assunto, acesse:https://www.youtube.com/ watch?v=7ijqrNt5esc. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • A rede semântica do texto publicitário; • Anúncios narrativos e interativos; • Tipos de discurso.! Objetivos da Aprendizagem • Compreender a semântica como o significado e as relações entre os • signos; • Analisar anúncios e seus aspectos de narração e interação; • Conhecer os discursos possíveis para se comunicar. 2UNIDADEUNIDADE FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO TEXTO PUBLICITÁRIO Professora Laís Bueno Tonin 23UNIDADE 2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO TEXTO PUBLICITÁRIO INTRODUÇÃO Olá, estudante! Iremos explorar juntos nesta unidade, os aspectos de quais são os elementos que circundam o texto publicitário, com foco no sentido, ou seja, na polissemia, que trata do estudo dos múltiplos significados. A polissemia, também é uma forma de observarmos um discurso, pois significa a existência de vários sentidos que podem ser atribuídos para uma palavra, como por exemplo, “casa” e “moradia”, podem representar um mesmo contexto. Sobretudo, vamos explorar a rede semântica, e observar que esse mundo da redação publicitária possui muitas palavras para aprendermos e já irmos nos familiarizando com o universo de possibilidades para escrever e interpretar algo. A rede semântica, é formada pela rede de palavras semelhantes entre si, em relação aos seus significados, por exemplo, “trabalhar”, possui em sua rede semântica as palavras: “trabalhador”, “operário”, “servidor”, entre outras possibilidades, e isso revela a riqueza de nossa linguagem. Compreender sobre os anúncios narrativos e interativos, também é um recurso para aprimorar a escrita, para que possa desenvolver as habilidades adequadas para uma escrita persuasiva para propaganda. E por fim, o último tópico aborda os tipos de discurso que a comunicação compreende, como o discurso polêmico, o autoritário e o lúdico, que podem ser complementados por outros. Certamente, o objetivo da unidade não é esgotar o assunto sobre as técnicas que são empregadas na redação publicitária, mas sim despertar o seu interesse em aprender mais sobre o assunto. Espero que ao final desta unidade você possa ser capaz de compreender esse universo da polissemia e dos significados dos discursos no texto publicitário. Bons estudos! . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24UNIDADE 2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO TEXTO PUBLICITÁRIO 1 A REDE SEMÂNTICA DO TEXTO PUBLICITÁRIO TÓPICO A rede semântica na publicidade tem uma relação estreita com a evolução do texto publicitário no Brasil, isso porque inicialmente a relação da literatura e da publicidade iniciaram uma parceria de sucesso desde o século XIX. Por isso, inicialmente é importante compreender o que é o campo semântico e como ele se desenvolve no texto publicitário. Não é possível abordar o campo semântico, sem adentrar no pensamento dos signos, ou seja, do significado de tudo, uma teoria abordada pela semiótica, que estuda o significado de tudo no universo por meio da representação dos signos. Um exemplo, é como Saussure (1995), um dos autores dos estudos da semiótica, emprega da seguinte forma, o significado: ao tomar uma palavra como “ensinamento”, é possível que na mente surja muitas outras palavras, convergindo uma série de outros termos, com um elemento comum, que pode ser o radical (ensinamento, ensinar, ensinemos), ou pelo sufixo (ensinamento, desfiguramento), pelo som (elemento), ou então, por assimilação dos significados (aprendizagem, instrução, educação). Em suma, o campo semântico atua dando sentido para uma palavra quando se faz presente em diferentes contextos. Então, trata da amplitude de sentidos e contextos que uma única palavra pode atribuir a uma oração. Ainda é preciso deixar claro a diferença entre campo semântico e o seu campo lexical. 25UNIDADE 2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO TEXTO PUBLICITÁRIO O campo lexical acontece quando a palavra é formada pela mesma área do conhecimento, que se compõe na composição de radicais, ou derivação, por exemplo, a palavra trabalho que tem como campo lexical: trabalhar, trabalhador, trabalhista, (radicais) colaboradores, assalariado, carteira de trabalho (derivação). Ou seja, se relacionam por radicais ou derivação. Já o campo semântico, trata-se de um conjunto de sentidos que se entrelaçam, como por exemplo, o campo semântico de morrer: falecer, ir dessa para uma melhor, sumir, morrer, bater as botas, apagar a luz, fechar as cortinas e o espetáculo termina. A partir deste ponto, enfatizo o por quê de compreender o campo semântico no texto publicitário, pois trata-se de uma análise histórica e evolutiva do texto publicitário, em especial no Brasil. Desde o século XIX, o texto publicitário já é colocado em prática com a finalidade de encantar o consumidor, diferenciar marcas, e atrair clientes, além de fazer com que os produtos se sobressaiam frente aos concorrentes. Como não existiam redatores publicitários na época, nem pessoas capacitadas para tal profissão, quem atuava nessa área eram os escritores e poetas brasileiros, por isso, a relação entre a literatura e a publicidade desde o século XIX. Os escritores colocam o seu talento para escrever a serviço da publicidade da época, especialmente os poetas e romancistas, que eram os eleitos e considerados profissionais qualificados. Inicialmente, na história dos anúncios, os formatos mais típicos eram os classificados nos jornais, com textos reduzidos e sem nenhuma imagem para complementar a ideia,foi então, a partir da mídia impressa, que surgiram os primeiros anúncios com imagens. Logo, os escritores acabaram sendo inseridos no contexto dos textos publicitários, a fim de melhorar a qualidade da escrita, justamente pela similaridade entre os trocadilhos das poesias e os trocadilhos da publicidade. Carrascoza (2007) apresenta um dos textos de Casimiro de Abreu para o Café Fama, em redondilha maior e rimas alternadas, fácil de memorizar: “Ah! Venham fregueses! E venham depressa! Que aqui não se prega. Nem logro, nem peça” (CARRASCOZA, 2007, p. 66). De acordo com Ferreira (2015) no começo do século XX aumentaram as demandas entre a literatura poética e a publicidade brasileira, inclusive Olavo Bilac criou o verso em parceria com Emílio de Menezes e Basílio Viana, “Se é Bayer, é bom”, verso utilizado até hoje pela marca. Carlos Drummond de Andrade também é apontado por Ferreira (2015) e Carrascoza (2007), como um dos poetas que escreveu para publicidade brasileira, pois seus poemas 26UNIDADE 2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO TEXTO PUBLICITÁRIO eram justamente com foco na rede semântica das palavras, estratégia essa utilizada pelo texto publicitário até os dias de hoje. O texto publicitário nasceu no Brasil inserido no meio dos poetas e segue até o contemporâneo com as mesmas estratégias de rede semântica, persuasão e escrita literária com a finalidade de encantar o consumidor. Analisaremos agora um exemplo, de como o poema de Carlos Drummond de Andrade revela o campo semântico, especialmente vinculado à publicidade em sua época. EU, ETIQUETA Em minha calça está grudado um nome que não é meu de batismo ou de cartório, um nome... estranho. Meu blusão traz lembrete de bebida que jamais pus na boca, nesta vida. Em minha camiseta, a marca de cigarro que não fumo, até hoje não fumei. Minhas meias falam de produto que nunca experimentei mas são comunicados a meus pés. Meu tênis é proclama colorido de alguma coisa não provada por este provador de longa idade. Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro, minha gravata e cinto e escova e pente, meu copo, minha xícara, minha toalha de banho e sabonete, meu isso, meu aquilo, desde a cabeça ao bico dos sapatos, são mensagens, letras falantes, gritos visuais, ordens de uso, abuso, reincidência, costume, hábito, premência, indispensabilidade, 27UNIDADE 2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO TEXTO PUBLICITÁRIO e fazem de mim homem-anúncio itinerante, escravo da matéria anunciada. Estou, estou na moda. É duro andar na moda, ainda que a moda seja negar minha identidade, trocá-la por mil, açambarcando todas as marcas registradas, todos os logotipos do mercado. Com que inocência demito-me de ser eu que antes era e me sabia tão diverso de outros, tão mim mesmo, ser pensante, sentinte e solidário com outros seres diversos e conscientes de sua humana, invencível condição. Agora sou anúncio, ora vulgar ora bizarro, em língua nacional ou em qualquer língua (qualquer, principalmente). E nisto me comparo, tiro glória de minha anulação. Não sou - vê lá - anúncio contratado. Eu é que mimosamente pago para anunciar, para vender em bares festas praias pérgulas piscinas, e bem à vista exibo esta etiqueta global no corpo que desiste de ser veste e sandália de uma essência tão viva, independente, que moda ou suborno algum a compromete. Onde terei jogado fora meu gosto e capacidade de escolher, minhas idiossincrasias tão pessoais, tão minhas que no rosto se espelhavam e cada gesto, cada olhar cada vinco da roupa 28UNIDADE 2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO TEXTO PUBLICITÁRIO sou gravado de forma universal, saio da estamparia, não de casa, da vitrine me tiram, recolocam, objeto pulsante mas objeto que se oferece como signo de outros objetos estáticos, tarifados. Por me ostentar assim, tão orgulhoso de ser não eu, mas artigo industrial, peço que meu nome retifiquem. Já não me convém o título de homem. Meu nome novo é coisa. Eu sou a coisa, coisamente. Carlos Drummond de Andrade (1984, p. 85 a 87). Drummond, deixa refletido em seu texto o potencial de escrita relacionando as associações semânticas, revelando uma certa ironia a coisificação do homem pela sociedade de consumo. A rede semântica se expressa pelas palavras do universo da moda (“etiqueta”, “calça”, “blusão”, “camiseta”, “moda”, “veste”, “costurado”, “tecido”, “estamparia”, “vitrina”, “artigo”) somadas as palavras que são próprias do contexto da publicidade (“produto”, “comunicados”, “mensagens”, “homem-anúncio”, matéria anunciada”, “marca registrada”, “logotipos”, “mercado”, “anunciar”, “vender”, “signo”, “título”) além de utilizar algumas figuras de linguagem, que também revelam contexto do consumo, do universo da moda e da publicidade. É possível concluir que os poemas e o texto publicitário possuem muita afinidade estratégica de escrita, especialmente por usar a técnica do campo semântico das palavras, pois essa forma de escrita tem como objetivo prender o leitor, seduzir com as palavras, sem permitir que o leitor possa escapar, ficando retido apenas no campo semântico de determinada ideia. Sendo assim, ao produzir um texto publicitário, é importante estar atento a esta estratégia de produção que acompanha toda evolução histórica até o contemporâneo da publicidade. Analisamos abaixo uma publicidade do banco Itaú, do ano de 2013, publicada na revista VEJA, para identificarmos o campo semântico que foi utilizado neste anúncio, com a complementação de uma boa imagem. 29UNIDADE 2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO TEXTO PUBLICITÁRIO FIGURA 1 - ANÚNCIO PRODUZIDO PELA AGÊNCIA ÁFRICA PARA O BANCO ITAÚ Fonte: Ricardo Chester. Disponível em https://ricardochester.com/Itau. Acesso em: 11 jul. 2022. TÍTULO: O mundo das pessoas muda com mais cultura. O mundo da cultura muda com mais pessoas. SUBTÍTULO: Conte com o Itaú para mudar o seu mundo. TEXTO: Investimos em cultura para aproximar as pessoas da arte. Com mais acesso à arte, nossos horizontes mudam. Com horizontes mais amplos, mais oportunidades surgem. Com mais oportunidades e conhecimento, nós todos podemos mudar nossas vidas e o mundo para melhor. Investir em mudanças que melhoram o seu mundo é ser um banco feito para você. O banco itaú tinha como intenção dizer que há mais de 25 anos investe em cultura, em seu título inicia com uma anáfora “O mundo das pessoas, o mundo da cultura”, o paradigma escolhido pelo autor é a “mudança”, e que tem como campo semântico palavras análogas ao sentido de “mudança de horizonte”, “horizontes mais amplos”, “mais oportunidades”, “mudar nossas vidas”, “mundo para melhor”, e “mudanças que melhoram”. Sempre reforçando com anáfora, o campo semântico da palavra “mudança”. A anáfora é a repetição dos termos, que busca deixar claro algo, enfatizar do que se trata, no caso dessa publicidade, a mudança do mundo, e as mudanças que a cultura pode proporcionar. 30UNIDADE 2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO TEXTO PUBLICITÁRIO E a imagem escolhida complementa a ideia com uma criança sentada em um mundo repleto de artes, sugerindo a possibilidade de ser “dona do mundo”, por investir em cultura, também a importância de mudar o mundo, bem representada no conceito de que as mudanças podem vir, se investirmos nos adultos do futuro, ou seja, nas crianças do presente. As autoras Hoff e Gabrielli (2004) enfatizam a importância do trabalho conjunto de redator publicitário e diretor de arte, pois a linguagem verbal requer complementação da linguagem imaginética, para que a mensagem ganhe riqueza de sentido. Para as autoras, não cabe a repetição de imagem e texto de forma similar, mas devem ser trabalhados de forma complementar, conforme apontam no trecho abaixo: Na relação de complementaridade, não cabe redundância. É simples: falar que algo está voando e mostrar um objeto voando; falarque a empresa tal financia um caminhão de coisas e mostrar um caminhão cheio de coisas. O anúncio perde em força de impacto se a imagem repetir o título ou vice-versa (HOFF e GABRIELLI 2004, p. 107). Por isso, a importância do trabalho em parceria do redator e do diretor de arte como dupla de criação, pois não é à toa que esses dois profissionais formam uma dupla de criatividade, buscando representar com riqueza de sentido por meio da linguagem verbal e visual. Agora que você já compreendeu sobre o campo da semântica aplicada à redação publicitária, vamos analisar ao longo da unidade, outras técnicas que são importantes na construção de um texto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31UNIDADE 2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO TEXTO PUBLICITÁRIO 2 ANÚNCIOS NARRATIVOS E INTERATIVOS TÓPICO Os anúncios narrativos são aqueles em que se conta uma história, sobretudo nos anúncios chamados institucionais, justamente porque narrar algo é o foco principal do anúncio. Embora, campanhas que buscam posicionar um produto também se aproveitam muito dos anúncios narrativos. Nesses anúncios o produto ou o serviço torna-se um elemento que faz parte da história narrada, diferente de quando o produto é o protagonista principal da peça publicitária, com técnicas pré-determinadas do sistema aristotélico, com sentido de rede semântica, e funções conativa e fática de linguagem, por isso, são anúncios que quebram o padrão. Ou seja, no anúncio narrativo essas técnicas básicas de persuasão desaparecem, rompendo o estereótipo convencional da redação publicitária vista até aqui. No anúncio narrativo, os argumentos são subjetivos, podem ser narrados em primeira ou terceira pessoa, e geralmente não se resumem apenas a um único anúncio, mas na maioria das vezes soma-se uma série de anúncios para dizer algo em relação a uma mesma ideia, sempre incorporando os produtos nessas histórias. A seguir vamos analisar um anúncio narrativo. 32UNIDADE 2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO TEXTO PUBLICITÁRIO FIGURA 2 - ANÚNCIO O BOTICÁRIO BRANCA DE NEVE Fonte: BLOG creativitate2013.wordpress.com Disponível em https://creativitate2013.wordpress. com/2013/03/03/o-boticario-campanha-contos-de-fadas-2/ Acesso em: 11 jul. 2022. TEXTO: Era uma vez uma garota branca como a neve. Que causava muita inveja. Não por ter conhecido sete anões. Mas vários morenos de 1.80M. SLOGAN: Você pode ser o que quiser. O Boticário, em 2005, lançou a campanha centrada no mundo das princesas, com a campanha “Conto de Fadas”, produzida pela agência AlmapBBDO. A campanha criou uma série de quatro anúncios em que apresentavam a Cinderela, a Chapeuzinho Vermelho, A Bela Adormecida e a Branca de Neve, sem a inocência e a fragilidade dócil ou infantilizada. FIGURA 3 - ANÚNCIO O BOTICÁRIO CHAPEUZINHO VERMELHO Fonte: BLOG creativitate2013.wordpress.com Disponível em https://creativitate2013.wordpress. com/2013/03/03/o-boticario-campanha-contos-de-fadas-2/ Acesso em: 11 jul. 2022. 33UNIDADE 2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO TEXTO PUBLICITÁRIO TEXTO: A história sempre se repete. Todo chapeuzinho vermelho que se preze, um belo dia, coloca o lobo mau na coleira. O próprio fato de trazer o contexto literário das histórias narrativas das princesas já atribuiu uma intertextualidade literária, assumindo a postura narrativa dos anúncios. A fotografia revela uma pele bem cuidada com maquiagem e mulheres fortes e determinadas, aproveitando o gancho literário do discurso das princesas, mas com foco no contemporâneo. FIGURA 4 - ANÚNCIO O BOTICÁRIO CINDERELA Fonte: BLOG creativitate2013.wordpress.com Disponível em: https://creativitate2013.wordpress. com/2013/03/03/o-boticario-campanha-contos-de-fadas-2/ Acesso em: 11 jul. 2022. TEXTO: Gabriela vivia sonhando com seu príncipe encantado. Mas, depois que ela passou a usar o Boticário, foram os príncipes que perderam o sono. FIGURA 5 - ANÚNCIO O BOTICÁRIO BELA ADORMECIDA Fonte: BLOG creativitate2013.wordpress.com Disponível em https://creativitate2013.wordpress. com/2013/03/03/o-boticario-campanha-contos-de-fadas-2/ Acesso em: 11 jul. 2022. 34UNIDADE 2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO TEXTO PUBLICITÁRIO TEXTO: Um belo dia, uma linda donzela usou o boticário. Depois disso, o dragão que ela tanto temia ficou mansinho, mansinho e nunca mais saiu de perto dela. As belas cresceram e já são mulheres, com um toque de malícia e um texto de apoio em que apontam as mulheres como independentes e donas de si. A linguagem visual contribui significativamente para subentender que elas usam os produtos Boticário, exatamente como propõe Carrascoza (2007), em que o produto não é foco, mas está inserido dentro da narrativa de forma subentendida. Até aqui você já observou como os anúncios narrativos não saem de moda, já assimilou alguma propaganda que você tenha visto que fez com que você se recordasse de alguma história? Com certeza, você já deve ter se lembrado de propagandas que contaram alguma história. Além disso, existe um termo em inglês “Storytelling” que significa “narrativa”, que as marcas se apropriaram para contarem histórias vinculadas aos seus anúncios. Um bom exemplo é o anúncio veiculado pela VIVO “Eduardo e Mônica” em que conta a história de dois jovens, com a música do Legião Urbana. Confira o vídeo no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=TYy6-zUwrIY 2.1 Anúncios Interativos Já os anúncios interativos, são criados com o intuito de levar o leitor a interagir de alguma forma com o meio em que a publicidade está sendo veiculada, sendo necessário ir além da leitura para compreender toda a comunicação proposta. O discurso geralmente é propositalmente incompleto para forçar o leitor a participar descobrindo o “algo mais” que a publicidade quer revelar, tratando-se de uma espécie de convite, ou um chamariz como um elemento de persuasão. Segundo Carrascoza (2007) encaixam-se nessa categoria aqueles anúncios com aromas, que as revistinhas da AVON trazem em suas folhas com demonstrativo de perfumes, https://www.youtube.com/watch?v=TYy6-zUwrIY 35UNIDADE 2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO TEXTO PUBLICITÁRIO facas especiais, ou títulos que quebram a leitura passiva do leitor, quebra-cabeça, peças de destacar a folha, entre outros. A interatividade é um valor agregado ao anúncio e desde a década de 90 começou a ganhar espaço, no entanto, o custo é quase sempre elevado, pois inclui recursos ou formas mais custosas para impressão ou cortes especiais. A tecnologia atualmente permite interação digital com QR code, que possibilita o leitor abrir a câmera do seu celular e interagir com o conteúdo do anúncio proposto. Ao optar por esses anúncios ambos possuem uma sedução inteligente e criativa com o texto publicitário, conforme as análises apresentadas neste tópico, e não possuem uma estrutura textual ou técnica específica, mas sempre com um tom de inovação e uma sacada textual que permite a interação com o leitor. Principalmente nos anúncios que possuem interação digital, as possibilidades de interação são infinitas, e usam a participação do leitor para que a mensagem possa ser entregue de forma significativa, gerando um valor ao produto e a mensagem. A seguir convido você para conhecer este anúncio interativo. Utilize a câmera do seu celular e aponte para QR CODE para conferir o vídeo. FIGURA 6 - ANÚNCIO LOLLAPALOOZA Fonte: Anúncio Lollapalooza. Disponível em https://cargocollective.com/otaviobannwart/filter/Digital/Anun- cio-Interativo-Lollapalooza-Brasil-2012 Acesso em: 11 jul. 2022. https://cargocollective.com/otaviobannwart/filter/Digital/Anuncio-Interativo-Lollapalooza-Brasil-2012 36UNIDADE 2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO TEXTO PUBLICITÁRIO Aqui o anúncio interativo foi por meio de um código QR, para o lançamento do festival Lollapalooza,divulgado na revista Rolling Stone impressa, em que era possível ver a programação do festival. É normal que esses anúncios digitais façam sucesso com o apoio da tecnologia, quanto mais os acessos tecnológicos avançam, maiores as possibilidades de interação, mas isso não quer dizer, que não é possível inovar em anúncios impressos. Um exemplo é o anúncio produzido pela agência DM9DDB para promover o purificador de água da Brastemp. O anúncio foi veiculado em uma revista impressa, em que estão alguns nomes das bactérias presentes na água da sua casa, mas só é possível ver, após jogar água na página, pois o papel após ser molhado mostra as palavras. FIGURA 7 - ANÚNCIO BRASTEMP Fonte: Anúncio Brastemp. Disponível em https://rafaelarinelli.files.wordpress.com/2010/05/anuncio.jpg Acesso em: 11 jul. 2022. TÍTULO: O que tem na sua água? TEXTO: Encarte com tinta especial para o purificador de água BRASTEMP, quando molhado, o anúncio mostra o nome de inúmeras bactérias e microorganismos que podem estar presentes na água da sua casa. 37UNIDADE 2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO TEXTO PUBLICITÁRIO FIGURA 7 - ANÚNCIO BRASTEMP Fonte: Anúncio Brastemp. Disponível em https://rafaelarinelli.files.wordpress.com/2010/05/anuncio.jpg. Acesso em: 11 jul. 2022. Na página principal do anúncio, após ser molhado, revela as palavras que antes estavam invisíveis. O texto principal diz: “Ainda acha que ela é pura?”, buscando associar o sentido do argumento de que a água carrega bactérias e microorganismos. Um anúncio, que associa a palavra “água” e a sua rede semântica com interatividade, reforçando que a publicidade mantém como característica a persuasão por meio da criatividade e inovação. Analisamos até aqui os anúncios narrativos e interativos, e na sequência, será possível conhecer outras técnicas associadas a redação publicitária. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 TIPOS DE DISCURSO TÓPICO UNIDADE 2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO TEXTO PUBLICITÁRIO 38 Ao pensar na palavra discurso, é possível subentender que uma pessoa discursando sobre algo, um político, uma celebridade recebendo seu prêmio no Oscar, enfim, são inúmeras possibilidades que se pode pensar quando retomamos a palavra discurso. Mas neste contexto, retomamos a palavra discurso para analisar o significado daquilo que é dito por alguém, ou seja, vai além do sentido literal sobre o que se fala ou escreve. O discurso pode possuir um tom, por exemplo, um tom mais agressivo, um tom mais brando, ou um tom alegre, mesmo que utilize as mesmas palavras, no entanto, é necessário analisar o contexto em que está inserido, quem está dizendo, e porquê diz o que diz. Então, a partir de agora será possível compreender um pouco mais sobre o discurso, e seus significados, além de compreender como podemos utilizá-lo a favor da publicidade. O discurso pode ter um tom de persuasão, que não é apenas utilizado pela publicidade, mas também pelo jornalismo, pelas relações públicas, e por toda área da comunicação social que trabalha com discurso, sempre tendo como objetivo, a persuasão. Persuadir, convencer alguém de algo, trata-se de um campo do discurso, e para analisar melhor os tipos de discurso que se propagam por aí, adentramos agora na teoria das modalidades discursivas. No livro de Eni Orlandi, é apresentado três grandes modos de organizar um discur- so, sendo eles: o polêmico, o lúdico, e o autoritário, e podem acontecer de forma híbrida, porém, sempre há uma preponderância de um discurso sobre o outro. 39UNIDADE 2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO TEXTO PUBLICITÁRIO 3.1 Discurso Polêmico Para Citelli (2002) o discurso persuasivo tem como objetivo convencer as pessoas de comportamentos e até alteração de atitudes, segundo a visão do autor: Nessa medida, não é difícil depreender que o discurso persuasivo se dota de recursos retóricos objetivando o fim último de convencer ou alterar atitudes e comportamentos já estabelecidos. Isso nos leva a deduzir que o discurso persuasivo é sempre expressão de um discurso institucional. As instituições falam através dos signos fechados, monossêmicos, dos discursos de convencimento. Tanto as instituições maiores — o judiciário, a igreja, a escola, as forças militares, o executivo etc. — quanto as microinstituições — a unidade familiar, a sala de aula, a sociedade, amigos de bairro etc (CITELLI, 2002, p. 40). E os discursos persuasivos sempre provém de instituições que buscam domesticar o homem de alguma forma, levando ou conduzindo o ser humano a tomar atitudes previsíveis e organizadas, sem que haja muito espaço para questionamentos como explica Citelli (2002). Imagine propagandas eleitorais e o peso do discurso persuasivo para convencer outras pessoas a votarem em determinado político, certamente há o uso da técnica dos discursos persuasivos para convencer alguém. Por isso, recomendei o filme ao final desta unidade, “Privacidade Hackeada”, em que revela como as eleições foram organizadas nos EUA em 2016, com recursos explícitos de discursos autoritários ou polêmicos, que culminaram na vitória de Trump. O tom de um discurso é constituído pela forma como o discurso é manifesto, ou seja, como uma mensagem é verbalizada. E geralmente em campanhas políticas os dis- cursos possuem tom de persuasão com polêmica, autoridade a fim de convencer o público. Para Citelli (2002) o discurso polêmico uma voz busca derrotar a outra com um alto grau de persuasão, conforme a definição abaixo: O discurso polêmico possui um certo grau de instigação, visto apresentar argumentos que podem ser contestados. Digamos que o enunciador opera a uma abertura sob controle. O importante é que: “...os participantes não se expõem, mas ao contrário procuram dominar o seu referente, dando-lhe uma direção, indicando perspectivas particularizantes” (CITELLI, 2002, p. 40). De acordo com Citelli (2002) o discurso polêmico pode ser encontrado em situa- ções muito variadas: uma discussão entre amigos, uma defesa de tese, um juízo sobre uma questão nacional, um editorial jornalístico ou uma aula. 40UNIDADE 2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO TEXTO PUBLICITÁRIO 3.2 Discurso autoritário Já o discurso autoritário lembra um circunlóquio: é como um indivíduo falando para um auditório composto por ele mesmo. É na forma discursiva em que impera um poder de dominação. Para o autor, o discurso autoritário representa a persuasão representada na sociedade por instituições, como a família, a escola, a igreja, conforme enfatiza no trecho abaixo: Enquanto o discurso lúdico e o polêmico tendem a um maior ou menor grau de polissemia, o autoritário fixa-se num jogo parafrásico, ou seja, repete uma fala já sacramentada pela instituição: o mundo do diálogo perdeu a guerra para o mundo do monólogo. A sociedade moderna está fortemente impregnada desta marca autoritária do discurso. A persuasão ganhou força de mito. Afinal, a propaganda é ou não é a alma do negócio? (CITELLI, 2002, p. 41). O discurso autoritário pode ser expresso, de forma mais ou menos mascarada, na família: o pai que manda, sob a máscara do conselho; na igreja; no quartel: “o grito que visa a preservar a ordem e a hierarquia; na comunicação de massa: chamado publicitário que tem por objetivo racionalizar o consumo” (CITELLI, 2002, p. 41). 3.3 Discurso Lúdico Por fim, temos o discurso lúdico que seria uma forma mais “democrática” de discurso, também expressa bem o lado artístico, tem uma forte polissemia, ou seja, uma multiplicidade de sentidos. A palavra “lúdico”, significa jogo, por isso, seria um tipo discursivo que joga com as interlocuções, tem menos desejo de convencer e extrapola na aventura dossignificados. Uma área em que prevalece esse discurso é a área de produções artísticas, como a música a literatura, para Citelli (2002) a própria descoberta da linguagem pela criança tem muito desse caráter de jogo com as palavras: prazer e encantamento com os mistérios dos sons. A redação publicitária, é utilizada para discursos políticos com um foco de alto grau de persuasão, por meio da propaganda, que pode ser manipuladora em seu discurso, criando uma imagem até mesmo positiva de um manipulador, como você pode observar no aprofundamento, do texto proposto na sequência para que você se aprofunde no assunto, conferindo o artigo na íntegra. 41UNIDADE 2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO TEXTO PUBLICITÁRIO A propaganda: impõe uma verdade pela ilusão. Aqui, reencontramos as carac- terísticas do discurso de manipulação: 1) uma instância de propaganda que visa impor uma verdade a uma larga opinião para influenciar seu comportamento, maquiando sua intenção pelo anúncio de uma informação mentirosa (engodo) e se apoiando sobre uma posição de autoridade de saber; 2) uma instância que se dota de meios de comunicação que evidenciam sua potência demonstrativa (espetacularização de grandes aglomerações, aparelhos para inculcar de fatos, utilização de diversas redes); 3) uma instância “público”, que é interpelada como instância cidadã, que não tem meios para verificar a veracidade dos discursos que lhe são dirigidos e que se deixa levar pela falsa aparência de verdade. Podemos, entretanto, considerar que há dois tipos de propaganda, segundo a natureza de sua finalidade: uma que chamaremos de tática e outra que chamaremos de profetizante. Para conferir na íntegra o texto, acesse o endereço do artigo proposto. Fonte: CHARAUDEAU, Patrick. O Discurso Propagandista: Uma Tipologia. Tradução de Emilia Mendes e Judite Ana Aila de Mello. UNIVERSIDADE DE PARIS XIII.. Disponível em: https://www.patrick-cha- raudeau.com/IMG/pdf/2010_d_Disc-_Propag-_Belo_Vol3__ARTICLE.pd.f Acesso em: 12 jul. 2022. O texto publicitário, de acordo com Citelli (2002) pode tender à busca de uma originalidade instigante, como se verifica em certos anúncios, como as campanhas da Benetton – “United Colors Of Benetton”. https://www.patrick-charaudeau.com/IMG/pdf/2010_d_Disc-_Propag-_Belo_Vol3__ARTICLE.pd.f https://www.patrick-charaudeau.com/IMG/pdf/2010_d_Disc-_Propag-_Belo_Vol3__ARTICLE.pd.f 42UNIDADE 2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO TEXTO PUBLICITÁRIO FIGURA 8 - CAMPANHA DA BENETTON Fonte: Comunica que muda Blog. Disponível em https://s18628.pcdn.co/wp-content/uploads/2018/08/ download.jpeg. Acesso em: 12 jul. 2022. FIGURA 9 - CAMPANHA DA BENETTON Fonte: Revista Bazaar. Disponível em: https://harpersbazaar.uol.com.br/moda/as-dez-campanhas-mais- -marcantes-historia-benetton/ Acesso em: 12 jul. 2022. Uma série de campanhas da Benetton podem ser lembradas pelo estranhamento, embora uma campanha com foco na imagem, mas com um alto grau de polissemia no discurso, ou então segui uma oposição, seguindo o caminho do estereótipo, como as propagandas de sabão em pó. 43UNIDADE 2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO TEXTO PUBLICITÁRIO Você já deve ter observado que alguns anúncios causam estranhamento ou indignação, causando um forte impacto no leitor, justamente, pelo fato de utilizar em seu discurso a estratégia do estranhamento, com situações incômodas, que podem levar a indignação ou indagação. E você já se deparou com esse tipo de discurso na publicidade? Você pode refletir sobre isso, e analisar se consegue se recordar de alguma campanha com um alto grau de persuasão, com um discurso de estranhamento. 44UNIDADE 2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO TEXTO PUBLICITÁRIO CONSIDERAÇÕES FINAIS Estudante, chegamos ao final de nossa unidade! Espero que você tenha compreendido quanto o texto publicitário pode ser complexo, e repleto de estratégias para persuadir e convencer o leitor. Exploramos nesta unidade, a rede semântica e um pouco do percurso histórico da evolução do texto publicitário, especialmente sua conexão com a literatura brasileira. A rede semântica, passa a ser integrante do texto publicitário, a partir da parceria entre a literatura, e seu universo de significados, além de contar com a habilidade dos escritores, em especial dos poetas. Conhecemos os anúncios narrativos, que contam uma história sem que o produto possa ser o protagonista da ação, mas atua em um plano especial na história de forma sutil, pois o foco é reter a atenção do leitor no enredo, justamente para que lembre com mais intensidade do produto apresentado. Já o anúncio interativo, especialmente no contemporâneo com o uso de smartphones, e muitas possibilidades tecnológicas de interação, o texto pode ser complementado com a ajuda do leitor, também deixando uma marca significativa no processo. Por fim, analisamos os tipos de discursos, que podem surgir entre a propaganda, com um tom autoritário, polêmico ou lúdico. Espero que esta unidade possa ter ampliado o seu repertório sobre a redação publicitária, mesmo que não seja possível esgotar o tema, ainda assim, o objetivo é oferecer as ferramentas para que você continue pesquisando e aprendendo! 45UNIDADE 2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO TEXTO PUBLICITÁRIO MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Linguagem e Persuasão Autor: Adilson Citelli. Editora: Ática. Sinopse: O que é a linguagem persuasiva? Trata-se apenas de um despretensioso exercício de convencimento ou de uma poderosa forma de controle social? Quais são os modos de persuasão? Como se articula o procedimento persuasivo? Linguagem e persuasão, do professor Adilson Citelli, discute essas e outras questões, aliando a exposição teórica a interessantes exemplos de textos extraídos da publicidade, da religião, dos livros didáticos, da literatura, do jornalismo e da política. Citelli percorre a história d a retórica, explicando conceitos, como verdade e verossimilhança, e figuras, como a metáfora e a metonímia. A relação entre signo e ideologia também é estudada, bem como a diferença entre discurso dominante e discurso autorizado. O autor, professor d a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, ainda fornece ao leitor uma tipologia dos discursos. FILME/VÍDEO Título: Privacidade Hackeada Ano: 1998. Sinopse: Privacidade Hackeada é um documentário dirigido porque mostra em detalhes o escândalo das empresas de consultoria Cambridge Analytica e Facebook acusadas de hackearem informações pessoais de 240 milhões de pessoas para criar perfis políticos e influenciar as eleições americanas de 2016. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • Briefing e brainstorming; • Recursos linguísticos e estilísticos; • Ferramentas persuasivas. Objetivos da Aprendizagem • Conceituar e contextualizar Briefing e Brainstorming; • Compreender os recursos linguísticos e estilísticos; • Conhecer as ferramentas persuasivas. TEXTO PUBLICITÁRIOTEXTO PUBLICITÁRIOUNIDADEUNIDADE PLANEJAMENTO DO PLANEJAMENTO DO Professora Laís Bueno Tonin 3 47UNIDADE 3 PLANEJAMENTO DO TEXTO PUBLICITÁRIO INTRODUÇÃO Olá! Caro (a) estudante! Estamos iniciando mais uma unidade com a temática de planejamento para o texto publicitário, e você já deve ter ouvido falar em algum momento que planejar é essencial para garantir algum sucesso, e para escrever um bom texto, não seria diferente! Por isso, vamos discutir nesta unidade, já no primeiro tópico qual é o papel das ferramentas de briefing e brainstorming, para o planejamento de um texto publicitário, pois ambas são fundamentais para garantir que as informações possam colaborar com o processo criativo. No segundo tópico vamos explorar os recursos linguísticos e estilísticos que ampliam a capacidade de produzir bons textos, e planejar campanhas de sucesso, para isso, é preciso refletir nessa etapa sobre o domínio da língua portuguesa e uma análise detalhada de como esses recursos são empregados na publicidade. E no terceiro tópico, abordamos as ferramentas de persuasão na escrita publicitária, com o objetivo de expandir seus conhecimentos e lhe mostrar caminhos para pensar, planejar e produzir melhor seus textos publicitários. Espero trazer inspiração com os exemplos e ferramentas apresentadas e que logo você esteja planejando e tirando o seu texto do rascunho! Bons estudos! . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48UNIDADE 3 PLANEJAMENTO DO TEXTO PUBLICITÁRIO 1 BRIEFING E BRAINSTORMING TÓPICO Para iniciarmos a compreensão sobre briefing, é importante conhecermos o seu contexto, como é produzido e como será. Seu impacto na criação do texto publicitário, pois geralmente bons briefing, geram boas campanhas. O briefing tem como objetivo coletar o máximo de informações sobre um cliente (empresa), marca ou serviço, contendo custos, cronograma e etapas que precisam ser desenvolvidas. A falta de informações relevantes, alteram significativamente os resultados esperados para uma boa campanha, por isso, é indicado o levantamento do máximo de informações para o trabalho que será desenvolvido. Quanto ao tamanho do briefing, deve ser o mais completo e útil possível, pois o objetivo é orientar o desenvolvimento da campanha, pois são orientações que norteiam a dupla de criação, a distribuição da mídia, além de conter o objetivo da campanha. O briefing começa dentro de uma agência com o profissional de atendimento, que visita o cliente para coletar informações a fim de compreender o que a empresa pretende atingir com a campanha publicitária, posteriormente o profissional de atendimento passa esse briefing para os demais profissionais da agência, como o: planejamento, o mídia e a dupla de criação. A equipe de forma integrada discute essas informações e podem até recorrer a uma pesquisa de mercado para desmistificar algumas informações, que muitas vezes o próprio dono do negócio não sabe. 49UNIDADE 3 PLANEJAMENTO DO TEXTO PUBLICITÁRIO Um bom exemplo, são as campanhas do produto Nissin Miojo, que por uma década investiu em publicidade com foco nas crianças, entendendo que seu público era composto por crianças que consumiam macarrão instantâneo, mas uma pesquisa revelou que o público do Nissin Miojo, eram jovens e adultos que moravam sozinhos, e a partir desse momento, as campanhas mudaram radicalmente seu foco para o jovem. Não é incomum que o empresário tenha uma ideia equivocada do seu negócio, pois muitas vezes o dono da empresa não tem um olhar apurado para a comunicação ou para o seu público-alvo, por isso, o briefing é de extrema importância para refinar as informações recebidas. No exemplo abaixo, uma demonstração clara da mudança de público-alvo do ma- carrão instantâneo Nissin Miojo, que na década de 90 e 2000 chegou a utilizar a Turma da Mônica como personagens para suas campanhas. FIGURA 1 - PUBLICIDADE NISSIN MIOJO DO ANO DE 2000 Fonte: Publicidade do Nissin Miojo, dos anos 2000. Disponível em: https://br.pinterest.com/ pin/713890978416910285/ Acesso em: 17 jul. 2022. 50UNIDADE 3 PLANEJAMENTO DO TEXTO PUBLICITÁRIO Por um longo período o Nissin Miojo investiu sua publicidade com foco nas crianças, no entanto, após a aplicação de uma pesquisa de mercado para identificar o público-alvo, descobriram que os consumidores, na verdade, era composto por um público mais adulto, em decorrência da vida moderna e mais individual, o tipo de produto, se tornou uma opção rápida e prática e financeiramente viável. No entanto, o público-alvo tinha uma resistência ao produto, e mais uma vez, por meio do briefing, foi possível descobrir que a composição do produto era feita de alto teor de sódio e era considerado calórico, por isso, o público-alvo ainda tinha uma resistência. Com essas informações de briefing, o Nissin Miojo muda radicalmente suas campanhas e passa a oferecer uma opção light do produto, alterando também o “tom” das campanhas, que passam a ter um conteúdo com foco adulto. A campanha enfatiza que a vida adulta não é nada fácil, ou seja, não tem nada de light, mas o seu Nissin Miojo pode ser, com o slogan “Light como a vida não é”. Com essa campanha a marca mudou radicalmente seu posicionamento no mercado, e passou a direcionar suas campanhas para o público adequado. FIGURA 2 - CAMPANHA NISSIN MIOJO LIGHT DE 2014 Fonte: Blog B9 – Campanha Nissin Miojo 2014. Disponível em https://www.b9.com.br/45986/nissin- -traz-coral-de-homens-como-homenagem-ao-dia-das-mulheres/ Acesso em: 17 jul. 2022. Em relação ao produto, não significa que crianças não consumam ou não possam ser público-alvo, o que aconteceu entre a década de 90, 2000 e 2010 é que a marca descobriu por meio do briefing, era que as crianças não eram as únicas que consumiam, nem mesmo as principais, como a pesquisa de mercado revelou mais tarde. 51UNIDADE 3 PLANEJAMENTO DO TEXTO PUBLICITÁRIO O que podemos concluir dessa história da Nissin Miojo, é que nem sempre o empresário dono da empresa irá transmitir por meio do briefing, informações que são confiáveis a ponto de não serem questionadas. Aliás, é de extrema importância debater o briefing, justamente para que seja possível confrontar as ideias com o objetivo de criar uma campanha que atenda as necessidades da marca. Por isso, enfatizo que a fase de planejamento da escrita é essencial, e contar com essas ferramentas específicas como o briefing, que tem como objetivo extrair informações fundamentais para mudar o posicionamento de uma marca, como o brainstorming, que foca na discussão de ideias para o planejamento. É aí que surge a ferramenta chamada de brainstorming, traduzindo ao pé da letra para a língua portuguesa: “tempestade de ideias”, e é exatamente isso, que após realizar o briefing, uma equipe precisa fazer, para alinhar as ideias da campanha. A palavra brainstorming, é considerado um método para aprimorar a capacidade criativa desenvolvido pelo publicitário norte-americano Alex Faickney Osborn (1957) que surgiu como uma dinâmica de grupo que visava a soluções audaciosas para problemas. O objetivo do método, é pensar em ideias que venham a mente, mediadas por um líder cujo papel é encorajar os participantes a se expressarem, sem que haja julgamento das ideias apresentadas, posteriormente, discute-se todas as ideias para chegar a uma mulher solução para o problema (MENDONÇA e SILVEIRA, 2018). Em suma, o planejamento da escrita é fundamental quando bem articulado com as ferramentas corretas, para gerar resultados satisfatórios e colaborar com a produção textual. Encerro esse tópico com um excerto de Garcia (1967), para aprender a escrever é preciso aprender a pensar: Admitamos agora que oestudante se encontre diante da “página em branco”, sentado diante da máquina ou de lápis em punho a esperar que as ideias lhe jorrem da mente com ímpeto proporcional à sua ansiedade. [...] O assunto sobre o que se propõe escrever é vago, não depende da pesquisa, mas apenas da experiência e das vivências. Como iniciar o trabalho? De que artifícios servir-se para despertar ideias? (GARCIA, 2007, p. 350). Esse excerto revela a condição daqueles que estão iniciando na redação, e suas dificuldades diante do planejamento da escrita, tendo em vista, que é imprescindível organizar e planejar ideias para uma escrita fluída. Por isso, recomenda-se o uso das ferramentas de briefing e brainstorming, com o objetivo de pensar, organizar e planejar com eficiência as informações recebidas, para transformar em argumentação persuasiva. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52UNIDADE 3 PLANEJAMENTO DO TEXTO PUBLICITÁRIO 2 RECURSOS LINGUÍSTICOS E ESTILÍSTICOS TÓPICO Podemos considerar recursos linguísticos e estilísticos como toda forma de expressar experiências, ou ideias comuns, atribuindo uma ideia original, emotiva, ou poética ao discurso. E quando pensamos em escrever, temos que lembrar da importância de planejar e conhecer as ferramentas adequadas para construir um texto coeso, de fácil compreensão e que possa impactar o meu consumidor final. Por isso, a partir de agora vamos explorar os recursos linguísticos e estilísticos, pensando na oportunidade de conhecer mais exemplos de criação na redação publicitária, a fim de ampliar o seu repertório de escrita. Exemplificando os recursos, é possível apontar as figuras de linguagem na publicidade, que buscam valorizar o texto atribuindo maior grau de expressão ou afinidade com o leitor. Os recursos valorizam de forma clara, objetiva e com criatividade o texto publicitário, por meio dos elementos coesivos, enfáticos e retóricos, sempre buscando implementar criatividade aos textos. Bons recursos apontados por Citelli (2002) também são expressos por meio do raciocínio apodítico, que possui tom de verdade, ou seja, procura ser enfático, inquestionável e tem em sua argumentação um alto grau de fechamento que não permite que o receptor tenha qualquer dúvida quanto à verdade do emissor. Exemplo: Havaianas "Todo mundo usa" 53UNIDADE 3 PLANEJAMENTO DO TEXTO PUBLICITÁRIO O raciocínio implícito é que todas as pessoas usam, então, você também deve usar essa sandália de borracha, bem conhecida dos brasileiros. É possível identificar um caráter imperativo, que pode transparecer no verbo quando se coloca no texto publicitário, as palavras: "faça", "compre", "tome". Ou seja, o receptor fica impedido de questionamentos, e o raciocínio não abre uma margem possível de discussão. Para Citelli (2002) as figuras de retórica são importantes para prender a atenção do receptor naqueles argumentos articulados pelo discurso, já as figuras cumprem a função de criar uma sensação de atenção do receptor, e conseguem quebrar expressões figurativas de um determinado campo de palavras. Outro raciocínio é o dialético que procura se diferenciar do apodítico, deixando uma abertura no discurso do texto em que o receptor tem a opção mais flexível de pensar, a marca também impõe o produto com mais sutileza, como no exemplo abaixo: Exemplo: Você poderia comprar várias marcas de sabão em pó. Mas há uma que lava mais branco. Observe no exemplo abaixo, nesta campanha antiga do sabão em pó da marca OMO. FIGURA 3 - CAMPANHA DO SABÃO EM PÓ OMO Fonte: Campanha sabão em pó OMO. Disponível em: https://renanferreira.wordpress.com/2010/03/18/omo/ Acesso em: 18 jul. 2022. O verbo condiciona e cria a ideia de que pode comprar outro sabão em pó, pois certamente há uma infinidade de marcas à disposição do consumidor, porém, apenas um sabão lava mais branco que todos os outros, no caso dessa campanha, o sabão em pó OMO. 54UNIDADE 3 PLANEJAMENTO DO TEXTO PUBLICITÁRIO Por fim, o enunciado, embora possa conter uma mensagem de verdade final, ainda assim, deixa o discurso mais flexível, e aberto a decisão do consumidor, mesmo que tenha ficado claro, que somente um sabão vai lavar mais branco que os outros. Você já parou para refletir sobre a quantidade de marcas que você se depara por dia? Para responder a esta pergunta, recorremos a uma pesquisa da agência Media Dynamics, publicada em setembro de 2014, que apontou cerca de 5 mil marcas por dia vistos por uma única pessoa, certamente em diversos contextos. Também nos deparamos com 362 anúncios por dia em média, e não chegamos a nos engajar nem mesmo com 12 destes. Não é mesmo? Certamente esses números ficam rapidamente defasados, devido ao crescimento acelerado das tecnologias, mas o foco aqui é refletir sobre este impacto no nosso dia a dia, pois são tantas marcas, que não podemos nos lembrar de nenhuma delas. E você, já parou para pensar em quantos anúncios se depara por dia? Desde a hora que acorda até o fim do dia? E com quantos desses anúncios você interage? Essa resposta deve ser significativa, pois encaramos a realidade de que não é fácil aparecer nessa maré de anúncios, é preciso se destacar com muita criatividade e esforço de mídia na veiculação. Fonte: Blog Tracto. Uma pessoa vê mais de 5 mil marcas por dia. Disponível em: https://www. tracto.com.br/marcas-vistas-por-uma-pessoa/ Acesso em: 18 jul. 2022. https://www.tracto.com.br/marcas-vistas-por-uma-pessoa/ https://www.tracto.com.br/marcas-vistas-por-uma-pessoa/ 55UNIDADE 3 PLANEJAMENTO DO TEXTO PUBLICITÁRIO Por fim, de acordo com Citelli (2002) o raciocínio retórico é um eficiente mecanismo de envolvimento com o receptor, conferindo caráter emotivo e racional, atuando na mente e coração, com a condução de ideias que tangenciam entre o raciocínio dialético e retórico. Por exemplo: O candidato X deve merecer seu voto porque é um democrata; realizará mais pelo bem comum, é amigo dos humildes, defensor dos desfavorecidos. Observe que o discurso já evidencia dados emocionais, como um aconselhamento do que seria melhor, como se fosse um conselho de algum familiar. É importante conhecer, compreender e posteriormente reconhecer a análise desses raciocínios enquanto recursos que podem contribuir para o texto publicitário. 2.2 Recursos Estilísticos Os recursos estilísticos, são expressos por meio das figuras de estilo, que são muito utilizadas pelos escritores com a finalidade de conseguir gerar vários efeitos na interpretação do leitor. Mas não é apenas isso, reconhecer e caracterizar uma linguagem poética, esses recursos fazem toda diferença na publicidade, pois trata-se de uma natureza social, histórica, discursiva e intersubjetiva, a estilística traz uma língua dotada de afetividade, diferente da gramática que é intelectiva, segundo Bechara (2009). Embora, o foco da unidade não tem pretensão de desdobrar-se sobre os tipos de estilística como fônica, semântica, morfológica, ou sintática, mas sim, de compreender o que são esses recursos e como são aplicados na publicidade, pois é fato, que como já mencionado anteriormente, o conteúdo não pretende dar conta de uma estrutura de formação linguística, mas sim, de mostrar os caminhos para um aprimoramento da escrita. Por isso, seguimos agora com alguns exemplos desses recursos estilísticos, com linguagem poética e emotiva, e como são aplicados na publicidade, em especial, os slogans, carregam muito dos recursos estilísticos em suas composições. Aliteração, é a repetição de fonemas consonânticos, como no exemplo: “Quem voa só vai querer voar GOL” revela a aliteração do fonema /v/, que ainda faz alusão à velocidade associadaao serviço prestado pela companhia. Anacoluto, trata-se de uma mudança no pensamento, uma alteração da trajetória, desrespeitando regras de concordância, como no exemplo: “Eu, também me parece que as leio, mas vou sempre dizendo que não”. Anástrofe, trata-se da inversão de palavras sem que altere a ordem do sentido, como: “Entre amigos não sejas juiz”- = “Não sejas juiz entre amigos”. Mas na publicidade 56UNIDADE 3 PLANEJAMENTO DO TEXTO PUBLICITÁRIO remete o sentido de condicionar o consumidor as vantagens da empresa, como: e “Com o crédito parcelado HSBC, fica mais fácil tornar seus projetos realidade”. Antítese: são duas ideias antagônicas, que reforçam uma mensagem, como: “Hoje esteve sol, ontem, no entanto, choveu muito”. Apóstrofe, traz o vocativo, invocando alguém ou algo, como: “Vai, Brasil”! Comparação, estabelece um comparativo entre dois elementos, como em: “O mar canta como um canário”. Uma marca que trabalhou por longos anos com o efeito de comparação, é a Brastemp, com a campanha “Não é assim, uma Brastemp, mas funciona”, seguida do slogan: “Brastemp, não tem comparação”. Metáfora, expressa significados diferentes, mas que pela metáfora são assimilados, como em um anúncio de operadora de viagem: “Eliminamos as fronteiras para suas conquistas”, a palavra “fronteira” reforça que foram tirados os obstáculos do caminho do consumidor. Personificação, atribui vida para seres ou ordens imaginárias, como empresas. No exemplo: “Linhas aéreas inteligentes”, o termo inteligente potencializa a prestação de serviço da empresa Gol. Metonímia aproxima as ideias, trocando um termo pelo outro, e é bastante utilizado em discursos políticos, como: “Nos últimos 140 anos, o Brasil mudou de presidente”. Quando na verdade, a palavra “Brasil”, representa os eleitores brasileiros, que votaram e trocaram de presidente. Gradação, trata-se de ideias que são crescentes, como: “Petrobrás, presente no mundo, no Brasil, na sua vida”. Essa enumeração de ideias que vão crescendo, mas ampliando a abrangência da marca em escala. Para aprimorar a planejar o processo de escrita, esteja sempre atento a esses recursos, busque realizar análises e reconhecer como são aplicadas em cada campanha a fim de atingir os objetivos com uma linguagem significativa. 57UNIDADE 3 PLANEJAMENTO DO TEXTO PUBLICITÁRIO No artigo “Recursos argumentativos na publicidade”, a autora expressa que a linguagem publicitária, a argumentatividade, em geral é evidenciada já a partir dos títulos dos textos, que são montados com a finalidade de provocar ou insinuar reações relacionadas com o produto, em função de recursos fonéticos, linguísticos, estilísticos e mesmo semânticos. Portanto, no plano da expressão, tanto os títulos quanto o corpo do texto podem se valer de recursos estilísticos representados por: ruídos provocados pela repetição de consoantes no discurso (aliterações); b) encontro de sons melódicos e agradáveis (consonâncias); sucessão de vogais e de consoantes, com a finalidade de provocar harmonia e elegância no texto (eufonias). Além desses recursos, é possível conseguir efeitos especiais pelo uso de: inversões, possivelmente para evidenciar algum ponto-chave da oração ou do período; figuras de linguagem, que podem ser exploradas por meio de comparações, metáforas, hipérboles, antíteses, metonímias, cujo simbolismo pode registrar marcas fortes na linguagem; ritmo, pelo qual se exploram sílabas fortes e sílabas fracas, dando ideia de musicalidade, com o intuito de facilitar a memorização e despertar emoções; elipses: com elas, procura-se dar maior objetividade e efeito aos textos, para provocar a atenção do leitor; construções de frases expressivas: este é um meio muito difundido. [...] Recursos linguísticos e o conhecimento de técnicas podem adequar a linguagem de tal forma que a tornem mais expressiva no ato de manifestar emoções, intenções, pensamentos e impressões subjetivas. Na propaganda explora-se tanto o valor denotativo quanto o no conotativo. O denotativo diz respeito ao concreto, ao mais evidente; o conotativo, por sua vez, apela para os valores subjetivos, que estão escondidos por trás das expressões linguísticas, na montagem das ideias ou nas comparações. No dizer de Roland BARTHES, “Mais do que a expressão explícita, o que conta no texto publicitário é o que está subjacente, o implícito, o conotado” (BARTHES, 1977, p. 31). Fonte: FERRONATO, C. Recursos argumentativos na publicidade. INTERCOM – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comu- nicação – Campo Grande – MS. Disponível em: http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2001/papers/ NP3FERRONATO.PDF. Acesso em: 18 jul. 2022. http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2001/papers/NP3FERRONATO.PDF http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2001/papers/NP3FERRONATO.PDF 58UNIDADE 3 PLANEJAMENTO DO TEXTO PUBLICITÁRIO Por fim, conhecer a origem da persuasão nos textos publicitários atribui maior atenção às produções, com a finalidade de atingir os objetivos da campanha. Muito embora, é importante deixar claro que a maioria dos textos publicitários são feitos de forma intuitiva, sem a utilização proposital de recursos linguísticos ou estilísticos com consciência. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 FERRAMENTAS PERSUASIVAS TÓPICO UNIDADE 3 PLANEJAMENTO DO TEXTO PUBLICITÁRIO 59 Para dar continuidade a proposta desta unidade com a discussão com foco no planejamento da escrita, realizamos análises de diversas ferramentas que podem ser utilizadas para planejar o texto publicitário, além de enriquecer o conhecimento sobre os aspectos da linguagem emotiva e poética que envolve a propaganda. Para isso, entendemos que o texto publicitário vai nascer na conjunção de diversos fatores, como sociais, econômicos, psicológicos, diante de um conjunto de efeitos com figuras de linguagem, recursos de estilística, técnicas de argumentação e raciocínio como já vistos até aqui. Então, para dar continuidade apresentamos agora as possibilidades retóricas de persuasão no texto publicitário. Você já parou para refletir o que de fato é persuasão? Quando você ouve essa palavra você pensa que ela é remetida para um significado mais positivo ou negativo? Será que persuadir as pessoas é algo bom ou ruim? É possível a existência de um discurso não-persuasivo? Ou todo discurso pretende persuadir sobre algo? Pois bem, espero que tenha refletido sobre isso! Tendo em vista, que é de extrema importância compreender o que de fato é persuasão. Segundo Citelli (2002) persuadir não é sinônimo imediato de coerção ou mentira, e representa o desejo de se prescrever a adoção de alguns comportamentos, cujos objetivo final demonstra saldos socialmente positivos. 60UNIDADE 3 PLANEJAMENTO DO TEXTO PUBLICITÁRIO Um bom exemplo que o autor nos lembra, são as campanhas de vacinação infantil, por meio da propaganda institucional que visa persuadir, ou aconselhar para um bem maior, a prevenção de doenças graves na infância e ao longo da vida. Certamente, cabe lembrar que é possível que haja persuasão para o mal, ou para algo ruim, e talvez tangencia mais com coerção, do que com um discurso publicitário que aconselha e demonstra os argumentos do benefício. Citelli (2002) nos lembra de outra condição importante para se ter em mente, a respeito da persuasão, que para que ela exista é imprescindível que hajam as condições adequadas, como a livre circulação de ideias, isso significa que em um ambiente de ditadura não há espaço para persuasão.Visto que existem ideias em choque no ambiente de ditadura, ou seja, não há pluralidade de ideias, portanto, existe um único discurso, e existindo apenas um, este por si só já é tirano e recoberto de mentira, engodo, por fim, de forma sútil o argumento que prevalece é o da violência, de acordo com Citelli (2022). Uma outra situação sobre a persuasão é quando ela é um campo aberto em certas áreas do conhecimento, como as artes em que impera uma natureza discursiva menos persuasiva, chegando a ser lúdica e plurissignificativa, convence sem querer, tem uma expressão livre, e menos preocupação com o convencimento fechado dá uma mensagem. A arte é de uma natureza antipersuasiva como aponta Citelli (2002). Umberto Eco (1980) expressa em uma entrevista o que define como discurso aberto e discurso persuasivo: Pergunta: O que significa discurso aberto? Resposta: O discurso aberto, que é típico da arte, e da arte de vanguarda em particular, tem duas características. Acima de tudo é ambíguo: não tende a nos definir a realidade de modo unívoco, definitivo, já confeccionado. As coisas de que nos fala nos aparecem sob uma luz estranha, como se as víssemos agora pela primeira vez; precisamos fazer um esforço para compreendê-las, para torná-las familiares, precisamos intervir com atos de escolha, construir-nos a realidade sob o impulso da mensagem estética, sem que esta nos obrigue a vê-la de um modo predeterminado (ECO e BONAZZI, 1980, p. 280). Em contrapartida a este discurso aberto, temos então o discurso persuasivo como ferramenta, para conclusões e prescrições de convencimento: Pergunta: E o discurso persuasivo? Resposta: O discurso persuasivo, ao con- trário, quer levar-nos a conclusões definitivas; prescreve-nos o que devemos desejar, compreender, temer, querer e não querer. Para dar um exemplo, se o discurso aberto quer-nos apresentar de um modo novo o problema da dor, o discurso persuasivo tende a nos fazer chorar, a estimular as nossas lágrimas, como pode acontecer com uma fotonovela (ECO e BONAZZI, 1980, p. 280). 61UNIDADE 3 PLANEJAMENTO DO TEXTO PUBLICITÁRIO Fica clara a diferença entre discurso aberto e persuasivo para Umberto Eco e BO- NAZZI (1980), mas ainda é interessante deixar uma última conclusão sobre este importante tema para redação publicitária. Para o autor a persuasão não apresenta domínio ou engodo, como expressa bem em sua fala: Não foi por acaso que a técnica do discurso persuasivo nasceu numa sociedade democrática, como a grega. Tenho necessidade de discursos persuasivos somente quando preciso convencer pessoas a quem peço o livre consentimento. A maior parte dos discursos que fazemos nas relações com os nossos semelhantes são discursos de persuasão. Temos necessidade de persuadir e ser persuadido. O discurso persuasivo, em si mesmo, não é um mal; só o é quando se torna o único trâmite da cultura, quando prevarica, quando se torna o único discurso possível, quando não é integrado por discursos abertos e criativos (ECO e BONAZZI, 1980 p. 281). É interessante observar que a persuasão surgiu justamente do processo democrático e da pluralidade de ideias, e é natural do ser humano querer convencer o outro, desde que não seja para o convencimento único de uma ideia apenas, o que invalida o argumento persuasivo. Agora que você já compreendeu bem o conceito de persuasão, vamos analisar como a ferramenta é aplicada ao texto publicitário. Para Citelli (2002) existem alguns esquemas básicos para persuadir na publicidade, como observamos na sequência. (1) O uso dos estereótipos, que revela uma verdade consagrada, como atrelar a limpeza e a boa aparência, a um modelo de honestidade. (2) A substituição de nomes, como no slogan "Brahma refresca até pensamento”, substituindo brahma por cerveja. Um caso de eufemismo. (3) Criação de inimigos, no caso dos produtos de limpeza que estão o tempo todo a combater a sujeita, o lodo, entre outros. (4) Apelo à autoridade, é o uso de personalidades que refletem uma ideia de reforço e confiança, como um atleta, um médico, ou um dentista vendendo uma pasta de dente específica. São mensagens próximas do real. (5) Afirmação e repetição, são dois pontos de persuasão, primeiro a afirmação para transmitir uma certeza, e a repetição, é o imperativo para não gerar nenhuma dúvida. Esses esquemas são citados por Citelli (2002) que aborda claramente a questão da persuasão na publicidade e no texto, não apenas com o objetivo de convencer o receptor, mas de estabelecer uma análise, tendo em vista, que como já citado aqui, geralmente o profissional de criação bebe dessa água, mas não de forma muito consciente. 62UNIDADE 3 PLANEJAMENTO DO TEXTO PUBLICITÁRIO CONCLUSÃO Caro (a) estudante, chegamos ao final desta unidade em que pudemos conceituar e contextualizar o briefing e brainstorming, como ferramentas para o planejamento da escrita da redação publicitária. Nosso objetivo maior, era elencar como se organizar para escrever e quais elementos são fundamentais para fomentar a criatividade e um conhecimento mais aprofundado das ferramentas e recursos de escrita. Com isso, a compreensão de como aplicar as ferramentas e os recursos são fundamentais para o sucesso futuro na redação publicitária, além de dominar bem a língua portuguesa é preciso conhecer como analisar um texto e compreender qual o propósito significativo das peças publicitárias. Como dizem, é preciso conhecer as regras para então poder quebrá-las, com isso, quero dizer que é fundamental conhecer os estereótipos que a comunicação carrega consigo desde os primórdios até o contemporâneo, e muito embora os meios de comunicação possam evoluir, o discurso permanece o mesmo. Nesta unidade apresentamos os recursos linguísticos e estilísticos que se desdobram em diversas figuras de linguagem, as quais não tivemos como objetivo esgotá-las, mas, sim orientar quanto às possibilidades de uso com exemplos de publicidades. Por fim, concluímos com o significado de persuasão e suas ferramentas persuasivas para a publicidade, novamente com o objetivo de orientar para compreensão, e abrir caminhos para que você estudante possa desbravar o caminho do conhecimento e da prática na redação publicitária. Bons estudos! 63UNIDADE 3 PLANEJAMENTO DO TEXTO PUBLICITÁRIO LEITURA COMPLEMENTAR O gênio do Fusca Você já ouviu falar do publicitário mais famoso do mundo? O forte dele era a persuasão, confira neste texto abaixo sua história. O publicitário Bill Bernbach tinha pela frente um problema e tanto naquele ano de 1959. Sua agência acabara de ser contratada para fazer a propaganda do Fusca nos Estados Unidos. Os americanos não gostavam do carro. Insensíveis ao seu arrojado design, criado pelo austríaco Ferdinand Porsche, inspirado numa gota d’água, o achavam feio e pouco prático. Deram a ele o apelido pejorativo de beetle, besouro em inglês. Além disso, carregava a pecha de ser “o carro de Hitler”, o veículo que o ditador nazista sonhara para o povo alemão. Lançado nos Estados Unidos em 1949, foi logo um fracasso. Em 1950, dos 6,6 milhões de veículos novos do país, apenas 330 eram da marca Volkswagen. Bill Bernbach, um nova-iorquino nascido em 1911, resolveu mudar esse cenário e engatou uma nova marcha na história dos negócios do século 20. O anúncio que criou para o pequeno besouro alterou o curso do automóvel no país e, de quebra, mudou o jeito de se fazer propaganda no mundo. O seu título era “Think small” (pense pequeno). Seu humor provocativo ia contra o pensamento corrente nos EUA do “pense grande”. Um fenômeno curioso se registrou: os consumidores chegavam às lojas de automóveis repetindo aos vendedores quase literalmente os textos da campanha publicitária que tinham ouvido. Os anúncios de Bill tinham humor e falavamcom o consumidor como se fosse um amigo próximo. Além disso, o publicitário colocou um ingrediente inédito nos anúncios americanos: a malandragem de quem nasceu no Bronx. Para a então obscura locadora de automóveis Avis, que no ano de 1962 se encontrava bem distante da líder e rival Hertz, criou a campanha “Nós somos o número dois”. Ser vice, argumentava Bernbach, era um estímulo para a Avis atender melhor o cliente e assim bater no líder. O que de fato aconteceu. Por trás do malandro, porém, escondia-se um erudito que estudava literatura inglesa e filosofia. O passado imerso nos clássicos o ajudou. Vendo em retrospecto, os melhores anúncios de Bernbach se apoiavam num velho truque de retórica, cujo artifício consistia em, de início, concordar com a opinião contrária de uma platéia hostil, a fim de ganhar sua simpatia e confiança, para só então expor os argumentos que faziam o público mudar de opinião. 64UNIDADE 3 PLANEJAMENTO DO TEXTO PUBLICITÁRIO A erudição não era sua única marca distintiva. Organizado, nunca saía do escritório depois das 5 da tarde. De gosto apurado, estava sempre de paletó e gravata. Foi o primeiro a dar um lugar ao sol na publicidade a judeus, italianos e negros, antes rigorosamente excluídos da avenida Madison (rua das agências em Nova York). Polêmicas também cercavam o nome de William Bernbach. Era considerado arrogante. “Sem arrogância não dá para fazer propaganda”, afirmava categoricamente. Rendeu-lhe críticas também o fato de ser judeu e ter transformado o sinistro carro de Hitler no simpático Fusca (ou Beetle e Carocha, alguns dos nomes que recebeu mundo afora). Aos críticos, respondia: “Nada é mais danoso a um mau produto que a boa propaganda”. Bernbach morreu em 1982, de leucemia. Recentemente, foi eleito o maior publicitário da história. Criar um dos ícones do século 20 foi só uma de suas façanhas. Persuasão era a arte de Bill. Fonte: Blog B9. Sem arrogância não dá para fazer propaganda. Disponível em: https://www.b9.com. br/127/o-maior-publici/?highlight=persuas%C3%A3o Acesso em: 18 jul. 2022. https://www.b9.com.br/127/o-maior-publici/?highlight=persuas%C3%A3o https://www.b9.com.br/127/o-maior-publici/?highlight=persuas%C3%A3o 65UNIDADE 3 PLANEJAMENTO DO TEXTO PUBLICITÁRIO MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Criação sem Pistolão Autor: Carlos Domingos. Editora: Campus. Sinopse: Nem sempre existiu propaganda criativa. Porque nem sempre ela precisava ser criativa. Depois da Revolução Industrial, o mundo assistiu ao lançamento de milhares de produtos novos. A geladeira, o automóvel, o liquidificador, o creme dental, a margarina e produtos de beleza passaram a ser vendidos em larga escala. Como tudo era novidade, bastava mostrar o produto, dizer para que ele servia e pronto: as pessoas iam correndo comprar. Por isso os anúncios eram óbvios, diretos, sem qualquer criatividade. Essa situação começou a mudar na segunda metade do séc. 20. Os produtos deixaram de ser novidade e foram surgindo diversos concorrentes no mercado. Foi por isso que surgiu a propaganda criativa: para ganhar a preferência do consumidor, diferenciar os produtos e construir a imagem das marcas. FILME/VÍDEO Título: Do que as mulheres gostam Ano: 2001. Sinopse: O sonho de todo publicitário seria compreender perfeitamente o que o público deseja, certo? Nessa comédia romântica, Mel Gibson faz o papel de um publicitário um tanto quanto machista, que após um grave acidente passou a ouvir o pensamento das mulheres. Um filme sobre publicidade interessante que mostra a importância de ouvir o público e como melhorar o relacionamento com a marca. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • • Do título ao slogan; • • Evolução do texto publicitário; • • Criação e estrutura de textos para mídias. Objetivos da Aprendizagem • Conhecer as possibilidades de estrutura do título ao slogan; • Analisar a historicidade do texto publicitário até o contemporâneo; • Compreender e estruturar textos para as mídias. 4PUBLICITÁRIOPUBLICITÁRIO UNIDADEUNIDADE CRIAÇÃO DO TEXTO CRIAÇÃO DO TEXTO Professora Laís Bueno Tonin 67UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO INTRODUÇÃO Olá! Caro (a) estudante! Chegamos em mais uma unidade de estudo e agora vamos explorar o formato do texto publicitário de acordo com cada mídia, com um aprofundamento na estrutura do texto, e para isso, é preciso reforçar o que dizem os grandes redatores: “argumente, surpreenda, dialogue, e seduza pelas palavras”. Nesta unidade compreendemos a forma, ou seja, a organização do título ao slogan, buscando exemplificar de forma simples e objetiva a estrutura do texto publicitário. O texto publicitário evoluiu desde os primórdios com as mídias impressas até o contemporâneo com as mídias digitais, especialmente com foco nas redes sociais, ambiente em que circulam os conteúdos para dominar a escrita chamada de copywriting, que será abordada nesta unidade. Por fim, iremos explorar os tipos de escrita que prevalecem em cada mídia, pois é preciso diferenciar que um texto para outdoor não atende a demanda das redes sociais, ou então, a demanda da linguagem audiovisual, portanto, cada mídia possui seus critérios para que a mensagem circule com eficiência. Espero que você possa encontrar nesta unidade uma fonte de inspiração para aperfeiçoar sua escrita na redação publicitária, pois para escrever melhor, a dica é sempre praticar mais e mais. Bons estudos! . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO 1 DO TÍTULO AO SLOGAN TÓPICO Escrever para fins publicitários exige algumas habilidades que vão além do básico, mas dominar elementos básicos é essencial para que os objetivos possam ser alcançados com sucesso. Dominar a gramática é essencial e mesmo que seja chato dominar regras das quais não se entende muito bem, ou então, talvez por ter sido uma matéria difícil para se acompanhar ao longo da vida escolar com êxito. Sempre alguns alunos perguntam para a professora: quando é que eu vou usar isto para alguma coisa? E a professora sempre responde, na vida adulta usamos esses conhecimentos no mercado de trabalho, para nos expressarmos, escrevermos, estabelecermos uma comunicação eficiente. Pois bem, esse dia chegou, e sim, é preciso dominar a língua portuguesa e sua gramática normativa. Inclusive é importante dominar as regras, justamente para poder ter mais liberdade para quebrá-las quando for preciso e a publicidade, com a sua linguagem mais despojada, coloquial e sedutora, quase sempre quebra as regras. A começar pelo título de uma publicidade, ou por seu texto de apoio, e até mesmo o slogan, que em alguns momentos podem não levar pontuação adequada, mesmo que possa ser uma regra gramatical pontuar com ponto final uma oração. O conflito entre pontuar ou não uma frase, especialmente asfrases afirmativas no texto publicitário, deve sofrer uma influência da proposta visual, que sempre visa ter uma consonância com o texto, por exemplo, a fotografia, ou a ilustração dependendo pode tomar conta da proposta argumentativa da publicidade, a ponto de ser indiferente pontuar. 69UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO Em outros casos é indispensável, principalmente quando se questiona algo, pois não é possível compreender o questionamento, caso não leve a pontuação adequada, e da mesma forma para a exclamação, se há um tom argumentativo de espanto ou surpresa, é adequado que leve a pontuação correta. Para exemplificar, vamos conferir na prática uma campanha da marca Skol, que tem como objetivo ressaltar a garrafa retornável, a publicidade aqui apresentada está na plataforma de rede social Instagram, na página da marca, portanto, veiculada em mídia digital. FIGURA 1 - CAMPANHA SKOL RETORNÁVEL, 2022 Fonte: Instagram Skol, 2022. Disponível em: https://www.instagram.com/p/Cgc0C_0pL5Y/. Acesso em: 01 ago. 2022. FIGURA 2 - CAMPANHA SKOL RETORNÁVEL, 2022 Fonte: Instagram Skol, 2022. Disponível em: https://www.instagram.com/p/Cgc0C_0pL5Y/ Acesso em: 01 ago. 2022. 70UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO Como se observa na primeira imagem, a frase leva o ponto de interrogação, pois fica nítido que é necessário, pois trata-se de um questionamento: “Não tem vasilhame em casa?”. Já na resposta: “não tem problema”. Não há nenhum tipo de pontuação final, mesmo que possa ser uma frase, pois trata-se de uma afirmação, sendo assim não foi um problema. Na segunda imagem, reforça-se mais uma vez este conceito de quebrar as regras, na frase: “Contra Skol retornável não há argumentos”, não há ponto final também. Portanto, a publicidade sofre essas interferências de regras gramaticais nem sempre atendidas. As campanhas em mídias digitais possuem mais flexibilidade, já a mídia impressa possui mais rigidez com as regras, por isso, o adequado é sempre recorrer ao bom senso, antes de quebrar qualquer regra, mas a mensagem principal é enfatizar aqui, que o texto publicitário possui essa flexibilidade quanto às expressões afirmativas levarem pontuação ou não. A língua portuguesa é como uma engenharia por sua lógica, e também como a arte, por sua expressão de beleza, como bem pontua Martins (1997). Embora não vamos nos aprofundar na gramática normativa da língua portuguesa, contudo é importante que tenha acendido uma luz vermelha de alerta para indicar que estudar gramática é de suma importância para escrever melhor. Outro ponto importante é conhecer muito bem o produto ou serviço, que você está anunciando, é importante identificar cores, letras, embalagem, função, ou seja, é importante namorar este produto para descobrir o que pode ter de mais sedutor para então transpor isso para a publicidade. Em suma, um bom caminho para escrever bem é dominar a gramática, compreender bem as regras, pontuações, figuras de linguagem e funções de linguagem, dessa forma será possível quebrar as regras e justificar seu uso no contexto da redação publicitária. A respeito do título de uma peça publicitária, é importante conhecer sua função principal, que trata da transmissão da promessa básica do produto. O título traz consigo a primeira impressão sobre a ideia proposta, sobre a função ou benefício do produto anunciado. Enquanto a justificativa e a promessa secundária são assuntos para o texto do anúncio, que embasam com mais profundidade o que deve ser dito, explicado, ou evidenciado naquela peça publicitária. E o slogan precisa resumir todo o conceito do produto, transmitindo o seu posicionamento de mercado, enquanto o título acompanha apenas o anúncio do momento, o slogan acompanha toda a trajetória da empresa, e quando precisa ser substituído, é feito por uma mudança de posicionamento da empresa. 71UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO É interessante analisar que título e imagem podem ser interdependentes, a imagem primeiro impressiona e depois é compreendida, já o título primeiro é entendido e depois impressiona. Embora já tenha dito isto na unidade anterior, nunca é demais lembrar que imagem e texto se complementam, portanto, nunca diga o que você mostra, e nem mostra na imagem, o que você já disse no título. Uma outra característica do título, é que ele pode ser formado por uma promessa básica do produto, portanto, se o remédio promete eliminar a dor de cabeça o título transmite a ideia. O título pode despertar interesse, fazendo com que o leitor continue lendo a sequência de informações no texto do anúncio, pois aguçou a sua curiosidade, ou propôs uma participação do leitor. Outra atribuição do título é identificar o público que está recebendo a informação sobre o produto, no exemplo de um remédio para dor de cabeça, o título pode logo expressar que está dialogando com pessoas que sofrem com dores de cabeça. Ao escrever um título é importante não jogar palavras ao vento, mas buscar o máximo de informações sobre o produto, daí a importância do briefing, já discutido na unidade anterior, é preciso explorar atributos e benefícios do produto. A seguir veremos um exemplo de um anúncio clássico na publicidade brasileira. 72UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO FIGURA 3 - ANÚNCIO ASPIRINA, FORMATO REVISTA Fonte: COSTA, C. 10 títulos publicitários que nenhum sobrinho é capaz de criar. Blogicitário. 2015. Disponível em: https://www.blogcitario.blog.br/2015/06/26/10-titulos-publicitarios/. Acesso em: 07 ago. 2022. Aqui o título revela a promessa básica do produto, se você beber aspirina, irá eliminar a dor de cabeça. Já o texto de apoio: “Neste carnaval, Aspirina Efervescente. Tão rápida que seu estômago nem tchum”. Expressam a justificativa com a promessa secundária, ou seja, além de eliminar a dor de cabeça, será rápido, pois o estômago será capaz de realizar o processo sem outros sintomas. E por fim, o slogan da Bayer, é um dos mais clássicos que existem no Brasil, “Se é Bayer, é bom”, transmitindo todo o posicionamento da empresa no mercado, como líder em medicamentos e confiança nos produtos. 73UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO Portanto, o título de um anúncio foca em especial na campanha do momento, e possui relação com a imagem e o texto de justificativa e promessa secundária, enquanto o slogan fecha o anúncio se relacionando com o produto e a marca, como ficou bem evidente neste exemplo da Aspirina. O título tem a atribuição de despertar o interesse pela leitura, e de levar o público a reconhecer uma necessidade, resolver um problema, ou apontar uma solução, garantindo um impacto e uma assimilação com a comunicação. Como no exemplo, da imagem a seguir, o anúncio é do Itaú Seguros, que aposta no impacto do título. FIGURA 4 - ANÚNCIO ITAÚ SEGURADORA, FORMATO REVISTA Fonte: COSTA, C. 10 títulos publicitários que nenhum sobrinho é capaz de criar. Blogicitário. 2015. Disponível em: https://www.blogcitario.blog.br/2015/06/26/10-titulos-publicitarios/ Acesso em: 07 ago. 2022. Neste anúncio, o título vai além de despertar para a necessidade básica do produto que é o assegurar, mas também se apresenta como uma necessidade e uma solução para um possível problema. Por fim, é importante salientar que títulos não são construídos de forma aleatória priorizando apenas a trocadilhos criativos, mas são pensados de fato para atrair o olhar dos leitores e despertar interesse pelo produto. 74UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO É possível observar que a construção do texto publicitário não é desenvolvida apenas com a criatividade do redator, mas exige aprofundamento na escrita, na gramática da língua portuguesa, e na estrutura de construção aqui apresentada. E você já parou parapensar em como escrever textos publicitários pode ser um trabalho minucioso de muita pesquisa sobre produtos e seus benefícios? Por isso, deixo essa dica para você acessar o site de um dos mais premiados redatores do Brasil: Ricardo Chester Confira no site sua história na publicidade brasileira: https://ricardochester.com/About. Fonte: A autora (2022). Por fim, reforço as condições para um bom slogan, pois precisa ser marcante, de fácil lembrança e repetição, podendo reforçar um atributo do produto, como em: “Se é bayer, é bom”, ou com apelo emocional, como em: “Abra a felicidade”, no caso da marca... Isso mesmo, você já sabe! Pois um bom slogan, é assim, de fácil lembrança, de forma que ao reproduzir a frase de um slogan o público já sabe identificar qual marca está sendo citada, por isso, se eu disser “Abra a felicidade”, você já sabe que estou falando da Coca-Cola. Vamos para mais uma atividade de lembrança de marca? Eu coloco o slogan e você completa com a marca. “Te dá asas”:__________________ “Energia que dá gosto”: ______________ “Todo mundo usa”: ________________ “O original do Brasil”:_______________ “A cerveja que desce redondo”: ____________ https://ricardochester.com/About 75UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO Apenas uma rápida atividade para você praticar a lembrança das grandes marcas por meio dos seus slogans e caso você não saiba de algum, convido você a pesquisar cada um deles na internet. De acordo com Rabaça e Barbosa (2002) um slogan se define pela frase: “Falou pouco, mas falou bonito”, pois é justamente uma frase concisa, marcante, incisiva e fácil percepção e memorização que reforça e deixa claro quais são suas qualidades, superioridades do produto ou da marca. Um slogan serve também para se identificar com o público, mostrar para o público qual é a missão da empresa, pode demonstrar valor, trazer lembrança da marca, e aumentar o potencial de efeito no impacto das ações de divulgação. Algumas dicas divulgadas pela Agência Rockcontent (BALTAZAR, 2020) para construção de um slogan eficiente: ● Conheça seu público: não apenas faixa etária, gênero, idade, ou renda, mas sim uma persona, ou seja, um perfil semificcional que representa seu cliente ideal com gostos pessoais e comportamentos. Pois não adianta utilizar uma linguagem inacessível ao cliente. ● Mostre porque você é o melhor: é possível listar aquilo em que você é diferente das outras marcas, seja na superioridade da qualidade, do preço, da tradição, e que se resuma a uma frase de impacto, como no caso da Volkswagen, “Você conhece, você confia”, que aponta como a empresa atua no ramo com qualidade e tradição. ● Tenha um posicionamento: neste caso você se posiciona mostrando a utilidade da marca, e o que você ganha optando por ela, como no caso de Nescau “Energia que dá gosto”. Neste caso a marca deixa claro, que a bebida proporciona energia para começar o dia. ● Combinação de palavras: é importante combinar palavras da mesma rede semântica, e também de sonoridade, como no caso da marca Bayer: “Se é Bayer, é bom”, ou “Danoninho vale por um bifinho”. ● Seja honesto, direto e marcante: primeiro não prometa nada que não possa cumprir, por isso seja honesto. Depois vá direito ao ponto, não ultrapasse 8 palavras, quanto mais curto melhor para gravar. E por fim, para ser marcante aposte nos trocadilhos, e em alguns casos repita o nome da marca, como em “Red Bull te dá asas”, ou, “Skol a cerveja que desce redondo”. Com essas dicas da Agência Rockcontent (BALTAZAR, 2020), para criar um bom slogan, observamos que há uma clareza da importância para uma marca em expressar seu posicionamento no mercado por meio de uma frase curta e impactante. 76UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO Para finalizar, espero que tenha ficado claro as diferenças na construção da reda- ção publicitária, pois para desenvolver título, texto e slogan para anúncios é uma tarefa que demanda muita pesquisa e prática de escrita. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77 2 EVOLUÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO TÓPICO UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO Embora nas unidades anteriores já foi destacado o fato de que a publicidade começou com a literatura, especialmente com os poetas que produziam rimas e trocadilhos para vender produtos ou produziam histórias que vendiam muito bem produtos e serviços. Fica claro que a história da publicidade começa com grandes redatores autores, como Carlos Drummond de Andrade, Olavo Bilac e Monteiro Lobato, que já escreveram diversos textos poéticos que foram usados para fins publicitários, daí também a proximidade da linguagem lúdica e emotiva do texto publicitário com a poesia. Graciliano Ramos tem uma frase que diz: “Certas coisas existem por derivação e as- sociação; repetem-se, impõem-se e, em letra de fôrma, tomam consistência, ganham raízes”. Nos lembra um slogan, ou uma publicidade, portanto essa história de encontros entre a literatura e a publicidade é antiga e gerou bons frutos. A publicidade no Brasil caminhou com a evolução do mercado, com a expansão econômica, com mudanças no comportamento e hábitos de consumo, e na quebra de tabus, não sendo diferente da evolução no resto do mundo. É importante enfatizar que a evolução da publicidade trata-se de períodos específicos que se coadunam com os meios de comunicação de cada momento, por exemplo, nas décadas de 90 e 2000 a televisão, as revistas e os jornais impressos ainda eram os maiores meios de massa em que era possível publicar anúncios impressos ou audiovisuais. E tanto anúncios impressos, quanto anúncios audiovisuais, são produzidos de ma- neiras distintas, com produções e criações com necessidades diferentes. Por isso, a redação publicitária possui características próprias quanto a sua evolução de acordo com cada meio. 78UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO Não é apenas uma evolução da literatura até agências especializadas em publicidade, mas sim uma evolução com os meios de comunicação, tendo em vista o crescimento das mídias digitais, as revistas e jornais impressos acabaram fechando suas portas, e a televisão segue dividindo espaço com a internet e se adequando à concorrência. A vida nas décadas de 90 e 2000 passava mais lentamente no mundo da publicidade e da comunicação, pois não tínhamos a cada clique uma mudança a cada 1 segundo em nossas telas, a televisão era mais estática, unidirecional, só ela conversava com o espectador do outro lado, por isso, ela tinha o tempo necessário para dizer o que precisava. Por isso, quando abordamos aqui a evolução do texto é para introduzir e discutir que a publicidade evoluiu e foram surgindo outras demandas para os redatores que precisam se adequar a mídias diferentes. O VT que passa na televisão é diferente da campanha do Twitter, que é diferente da campanha do Instagram, que pode ser diferente da campanha do Facebook, e que podem ser diferentes dos anúncios impressos ou de mídia exterior, como outdoor, ou espaços chamados de mídias out of home (OOH), como espaços de shoppings, pontos de ônibus, elevadores, entre outros. De forma saudosa, nos lembramos do auge da publicidade brasileira que aconteceu entre o final dos anos 80, durante a década de noventa e no início dos anos 2000, período este marcado por VTs que ganharam prêmios ao redor do mundo, bem como anúncios impressos em revistas e jornais, sempre com um tom criativo e irreverente do brasileiro. A publicidade não só vende um produto como também propaga uma ideia, convence o espectador e busca persuadir o público para uma mudança de comportamento, inclusive como citado na unidade anterior,persuadir para o bem, por exemplo, em uma campanha de vacinação contra a gripe ou outras doenças. A publicidade também cumpriu um papel importante nesse período da década de 90 e 2000, que vai além de consagrar grandes marcas e produtos, mas também oportunizou reflexão sobre temas importantes. Um exemplo que trago aqui é a campanha do Carlinhos, da agência DM9, que você pode conferir no link: https://www.youtube.com/watch?v=jh-HCfqgSe4 Recomendo que você não pule este vídeo e assista antes de ler a ficha técnica abaixo, pois trata-se de uma clássica propaganda que o Brasil produziu e impactou uma geração que sofria com o preconceito e a falta de informação sobre pessoas com Síndrome de Down no país. https://www.youtube.com/watch?v=jh-HCfqgSe4 79UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO Em 21 março de 1998, foi ao ar na televisão brasileira o comercial de um menino chamado Carlinhos e o seu amigo, e a data é referente a comemoração do Dia Internacional da Síndrome de Down. Na cena são exibidas duas crianças brincando, enquanto mensagens são exibidas na tela falando sobre a rotina do Carlinhos, que é uma criança síndrome de down, com a música de fundo “Fake Plastic Trees” da banda Radiohead, a campanha impactou com a sutileza ao dizer que é preciso apenas ter respeito. A campanha foi desenvolvida pela agência DM9DDB, para o cliente Fundação Síndrome de Down, no ano de 1998. Certamente considerando que você assistiu ao comercial, consegue compreender agora a diferença de como é impactar um público por meio da televisão, com tempo para dizer o que é preciso? Pense bem: e se essa campanha fosse ao ar hoje por uma plataforma de rede social? O impacto seria o mesmo? Teríamos 1 minuto e 30 segundos para assistir? Certamente não temos mais esse tempo para conversar com o público, a vida corrida, a rotina acostumada com cliques, são indícios de que sim, a publicidade mudou e evoluiu, alterando espaços e os meios de comunicação. Até mesmo no Youtube, plataforma em que se adequa este formato, o usuário da plataforma clica para fugir dos anúncios. Portanto, uma regra básica é compreender que cada meio de comunicação exige um formato de comunicação. 80UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO A publicidade em seu auge no Brasil consagrou muitas marcas que fizeram parte da vida dos brasileiros e fez histórias marcantes com propagandas que emocionaram, fizeram chorar de tanto rir, quebraram tabus, promoveram reflexões, portanto, trata-se de uma história que vale a pena conferir. Por isso, deixo aqui o endereço para que você possa acessar e conhecer mais sobre esse período que marcou tanto a televisão e os meios impressos no Brasil. Fonte: REIS JR., D. A história da publicidade e propaganda brasileira. Blog propagandas históricas. Dis- ponível em: https://www.propagandashistoricas.com.br/2019/01/historia-da-publicidade-e-propaganda.htm. Acesso em: 11 ago. 2022. A publicidade evoluiu com os meios de comunicação e certamente a forma de escrever e transpor os conteúdos também mudaram, não significa que os comerciais deixaram de encantar, conversar com o público, persuadir e emocionar, mas hoje o tempo e a linguagem estão sempre a evoluir e se transformar. No próximo tópico será abordado a redação publicitária em cada meio de comunicação específico, resultados de uma mudança e uma quebra de paradigmas na comunicação, especialmente na publicidade. https://www.propagandashistoricas.com.br/2019/01/historia-da-publicidade-e-propaganda.htm . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 CRIAÇÃO E ESTRUTURA DE TEXTOS PARA MÍDIAS TÓPICO UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO 81 Neste tópico abordaremos as estruturas textuais para os diferentes tipos de mídias, pois como analisamos no tópico anterior a publicidade evoluiu e com ela os meios de comunicação. Segundo Martins (1997) independente do meio de comunicação, estudos de neurofisiologia comprovam que nossa capacidade de memorizar sons e tudo a eles relacionado (ritmo e compasso) é muito maior que a capacidade de retenção de imagens. E não é difícil de comprovar essa afirmação científica, é só perguntar à maioria das pessoas do que elas se lembram mais: do jingle de uma campanha ou do outdoor da campanha? Uma ótima lembrança é a campanha do McDonald’s com o jingle clássico do lanche Big Mac: “Dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola picles, num pão com gergelim. É Big Mac, Big Mac.” É possível que ninguém se lembre do anúncio impresso do Big Mac, mas da melodia do jingle sim, se por acaso for do seu tempo, você deve se lembrar e acabou lendo o texto na melodia. E caso não conheça confira no link a seguir: https://www.youtube.com/ watch?v=XcQaxyBh4Oo O comercial do Big Mac foi veiculado entre a década de 80 e início dos anos 2000, regravando as cenas mas mantendo o jingle com a melodia do Big Mac, e não será surpresa, se a qualquer momento for regravado, afinal a fórmula para escrever para comerciais com jingles, é exatamente essa, melodias fáceis que ficam na cabeça e na lembrança, além de uma ótima produção. https://www.youtube.com/watch?v=XcQaxyBh4Oo https://www.youtube.com/watch?v=XcQaxyBh4Oo 82UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO E quando utilizar textos curtos? O texto curto tem méritos indiscutíveis, ainda mais atualmente, em apenas um clique por trás da tela qualquer consumidor pode visualizar um mar de conteúdo, e a publicidade luta para aparecer no meio dessa imensidão. Os meios de comunicação que mais exigem texto curto são outdoors, painéis, e rádio e TV em alguns casos. Já para o outdoor é lei e exceder 8 palavras é garantir que nada será lido, pois na correria do trânsito e na imensa carga de informações recebidas durante o dia torna-se exaustivo ser impactado por tanta publicidade diariamente. Para mídias chamadas OOT out of home toda criatividade na produção e na composição é válido, especialmente os outdoors podem ser criativos apenas com frases de impacto, como neste exemplo abaixo. FIGURA 5 - OUTDOOR INTERATIVO Fonte: FOCUSMIDIAEXTERIOR. https://focusmidiaexterior.com.br/wp-content/uploads/2018/04/imagem2. jpg Acesso 21 out 2022. O outdoor conversa com o público, para Martins (1997) escrever na publicidade é a arte de cortar palavras, com espírito de síntese, embora trabalhoso, para obter qualidade na síntese exigirá concentração e criatividade. 83UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO FIGURA 6 - OUTDOOR ITAÚ Fonte: Outdoor Itaú. 2011. Disponível em: https://oarquetipo.wordpress.com/category/marketing/itau/. Acesso em: 11 ago. 2022. Já em outras situações o outdoor pode relevar seu diferencial com criações inusitadas e atrativas, como neste exemplo do banco Itaú, que diversifica as produções de acordo com cada palavra, revelando cada estilo na campanha do banco feito para você. E o texto longo será que vende? Não poderia ser ninguém mais que Washington Olivetto, um dos publicitários mais aclamados do Brasil e por coincidência redator, fica na conta dele grandes anúncios feitos apenas com textos. Um deles é um anúncio da própria junção das agências W/Brasil do Washington Olivetto e a multinacional McCann Erickson, que foi desenvolvido apenas com texto, ou como dizem por aí agora, apenas com copy (texto). O texto é uma ótima aula de como escrever para anúncios em que tenham apenas texto, ou seja, como produzir uma excelente redação publicitária com Washington Olivetto. O anúncio anunciou a união entre as duas agências, com o tema da campanha alertando sobre a mescla do tradicional e do moderno, ou seja, a composição perfeita no cenário de parceriadas agências, como bem descreve o anúncio na íntegra que você confere a seguir. 84UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO FIGURA 7 - ANÚNCIO W/MCCANN Fonte: Apenas Copy. Disponível em: https://apenascopy.tumblr.com/post/49802255037/o-an%C3%BAncio- -do-casamento-entre-wbrasil-e-mccann. Acesso em: 11 ago. 2022. Dicas preciosas para escrever melhor nos meios: rádio, TV, cinemas, e mídias digitais. 85UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO Para Martins (1997) rádio, TV e cinema possuem características próprias de redação publicitária, portanto as plataformas de redes sociais digitais também possuem características próprias e seguem a mesma linha de adaptação. A linguagem, para Martins (1997) é essencial ser priorizada em todos os meios, é preciso utilizar bem a gramática mesmo não sendo um vernáculo, mas é importante estar atento ao bom uso da língua portuguesa. Outra dica é substituir palavras para ganhar tempo, ao falar de preço, por exemplo, prefira sempre “só”, ao invés de “apenas”, fará você ganhar segundos. As frases curtas também continuam sendo prioridade nestes meios, e a dica é observar os detalhes de cacofonias ou proximidade de palavras ruins de serem ditas em sequência. Por isso, é importante verificar se a sequência de palavras é boa e com um texto fluindo naturalmente, sem obstáculo algum para um bom ritmo de leitura. E lembre-se sempre de evitar redundância de som, imagem e escrita, pois são elementos que se complementam e não devem ser repetidos. Na linguagem para redes sociais, todas as dicas prevalecem, mas é importante ressaltar que as características de base não se alteram, mas são ampliadas, como por exemplo, como os anúncios interativos já apresentados na unidade anterior. Em um trecho de uma entrevista, o publicitário Washington Olivetto abordou o seguinte tema a respeito das mídias digitais e tradicionais: No Brasil, cometeu-se o erro de gerar uma briga entre o online e o offline. São complementares. Há, sim, enorme mudança no universo de comunicação. A boa notícia é o que não mudou. Ou seja, sem uma grande ideia, nada acontece. Só que a grande ideia de hoje tem que ser única e com a capacidade de ganhar características de cada veículo. Não pode ser adaptada. Não pode ser um comercial de TV com versão de jornal, uma trilha de rádio, com um tema de internet. Não. A grande ideia deve ter a cara dos veículos (VIGNA, 2021, online). É importante compreender que o offline e o online são complementares, e cada campanha deve ser genuinamente criada para o veículo ao qual irá circular. O publicitário ainda complementa na entrevista a importância de uma comunicação que tem como objetivo informar e persuadir: Aqui na Inglaterra, uma das mídias que mais crescem é o rádio. No Brasil também. É um veículo fascinante. Na pandemia, a demanda é por mais infor- mação e menos persuasão. As pessoas precisam ser informadas, mais até do que seduzidas a comprar. E olha que eu digo isso como quem passou boa parte da vida seduzindo e vendendo. É mais do que natural que a TV perca um pouco de espaço e tem relação com a pandemia, sim. Por outro lado, num país de dimensões intercontinentais, como o nosso, a TV aberta será importantíssima por muitos anos. A questão é fazer TV de qualidade (VIGNA, 2021, online). 86UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO Embora a TV tenha sua audiência dividida com a internet, em um país do tamanho do Brasil e com suas diferenças sociais, não é possível garantir que todo consumidor terá acesso à internet. Então, quando se trata de demandas no contexto digital, como campanhas para plataformas de redes sociais, é preciso pensar na demanda e necessidade de cada rede. O profissional de redação publicitária, o redator que compõe a dupla de criação tem como função produzir campanhas, que seduzem, atraem, despertam o desejo no consumi- dor e isso certamente será revertido em vendas, que é o objetivo geral de toda publicidade. 87UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO CONCLUSÃO Chegamos ao final de mais uma unidade em que abordamos os temas do título ao slogan, a evolução do texto publicitário e a criação e estrutura de textos para diferentes mídias. Do título ao slogan exploramos a função do título na publicidade, como pode ser utilizado de forma que transmita eficácia na comunicação e atraia os consumidores. A função da publicidade será sempre de seduzir, promover uma necessidade que ninguém sabia que tinha, portanto, quando estiver comprando algo que nem sabia que precisava, saiba que é a publicidade cumprindo seu ciclo. A comunicação é uma troca de significados e comprar sempre será uma necessidade para satisfazer desejos e emoções, ninguém possui 5 calças porque usa as cinco ao mesmo tempo, mas porque cada uma possui uma função diferente no dia a dia. O texto publicitário evoluiu porque antes a publicidade era unidirecional, o comercial na televisão falava de um para muitos, hoje a comunicação na era digital, conversa de muitos para muitos. Isso significa que um post em uma rede social de uma marca, e em questão de segundos, milhares de pessoas estarão reagindo a favor ou contra a publicidade da marca. Por isso, concluímos que a criação e estrutura da redação publicitária tem características próprias para se chegar a uma boa ideia, desde que seja pensada e criada para cada meio, desenvolvida especialmente para cada mídia. Espero que você tenha aperfeiçoado seus conhecimentos sobre redação publicitária e se interesse em pesquisar e estudar mais sobre o assunto! Ao final desta unidade eu deixo uma entrevista com um dos grandes nomes da publicidade brasileira, Washington Olivetto trazendo vários assuntos pertinentes à comunicação nos dias de hoje. Desejo sucesso e bons estudos! 88UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO LEITURA COMPLEMENTAR "O consumidor é a melhor mídia do mundo", diz Washington Olivetto. Você está fora do Brasil desde 2017. Há alguma insatisfação com o cenário nacional? Eu não saí do Brasil por causa do Brasil, saí por Londres. Eu tinha muita vontade de ter uma experiência profissional em Londres. Queria que meus filhos (um casal de gêmeos), adolescentes, depois de uma formação muito brasileira, tivessem a experiência da Europa. Gosto de Nova York, mas costumo dizer que Londres é a melhor Nova York do mundo (risos). Minha esposa, que teve uma produtora de comerciais (Conspiração), durante anos, a vendeu para os sócios e voltou a trabalhar no mercado de arte. Londres também é perfeita para isso. Hipoteticamente, como você, publicitário, mudaria essa percepção negativa do país? É curioso, porque eu jamais fiz, ou faria, uma campanha política. Um dos grandes orgulhos que carrego é o de sempre ter trabalhado para a iniciativa privada. Afirmo que fazer campanhas de políticos, ou para governos, foi um dinheiro muito bom de não ganhar (risos). Isso também me dá independência para falar. Muita gente me pergunta, porque é da minha atividade, como eu reconstruiria a imagem do Brasil, tão depredada nos últimos tempos. Para fazer uma boa publicidade, o Brasil precisa, antes de tudo, arrumar o produto. A pior coisa que um mau produto pode ter é uma boa publicidade. Tempos atrás o The Guardian fez uma matéria dizendo que evitaria citar políticos brasileiros. O The Guardian justifica que políticos brasileiros provocam fatos com o objetivo de desviar a atenção. Na sequência, o veículo afirma que os brasileiros de que gostava era gente como Tom Jobim, Oscar Niemeyer e Ivo Pitanguy. Neste raciocínio, fica evidente que o Brasil tem pessoas incríveis em todas as áreas, na música, na literatura, no cinema... Acredito que é da somatória destas pessoas que surgiria a construção de uma bela imagem do país. Mas tem que arrumar o produto antes. Por falar em produto, há uma movimentaçãode receitas publicitárias, com uma redução em 2020. O momento afeta as agências ou essa tendência está associada à pandemia? 89UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO Sempre fujo da palavra “tendência”. Deve ter sido inventada por alguém que queria imitar alguma coisa e, para dar dignidade ao ato, o apelidou de “tendência” (risos). Vejo uma quantidade maior de mídias nos últimos anos. No Brasil, cometeu-se o erro de gerar uma briga entre os onlines e os offlines. São complementares. Há, sim, enorme mudança no universo de comunicação. A boa notícia é que não mudou. Ou seja, sem uma grande ideia, nada acontece. Só que a grande ideia de hoje tem que ser única e com a capacidade de ganhar características de cada veículo. Não pode ser adaptada. Não pode ser um comercial de TV com versão de jornal, uma trilha de rádio, com um tema de internet. Não. A grande ideia deve ter a cara dos veículos. Aqui na Inglaterra, uma das mídias que mais crescem é o rádio. No Brasil também. É um veículo fascinante. Na pandemia, a demanda é por mais informação e menos persuasão. As pessoas precisam ser informadas, mais até do que seduzidas a comprar. E olha que eu digo isso como quem passou boa parte da vida seduzindo e vendendo. É mais do que natural que a TV perca um pouco de espaço e tem relação com a pandemia, sim. Por outro lado, num país de dimensões intercontinentais, como o nosso, a TV aberta será importantíssima por muitos anos. A questão é fazer TV de qualidade. Este foi o grande fenômeno implantado pelo Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho) na Rede Globo. Fazer TV sofisticada e de pequeníssima audiência não é difícil. Fazer TV vulgar com alta audiência e pouca duração também não é difícil. O desafio, mesmo, é fazer o “popular elegante” e com qualidade. Isso a televisão brasileira conseguiu, particularmente na Globo. Eu fico revoltado e ofendido quando vejo determinadas figuras do Brasil atual querendo contestar e destruir as nossas melhores mídias. Você só faz um país com mídias de qualidade. O mesmo vale para a publicidade nacional, que só chegou a ser uma das melhores do mundo graças à qualidade da mídia brasileira. Simbolizando isso, eu diria que estão veículos como a Rede Globo, os jornais O Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Zero Hora, muitas das nossas rádios e, agora, as plataformas digitais. Neste contexto, você declarou que plataformas e mídias digitais teriam de encerrar um dilema e se apresentarem como, de fato, são. Isso vale para os veículos de publicidade e de conteúdo? É verdade que a composição atual torna híbrido o significado de cada plataforma. Sem dúvida, seria muito explícito dizer que se é um veículo de venda, ou um veículo de in- formação. Eu, que não declaro voto e nunca fiz campanha política, gosto muito da estrutura norte-americana em que os veículos de comunicação abrem seu apoio aos candidatos. Vejo 90UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO isso como algo verdadeiro. Acho muito positivo, porque, por mais sincero que um veículo seja, é difícil ser isento. A isenção é algo que muitos tentam, mas nem todos conseguem. Às vezes você pensa que está sendo isento e não está. Isso vai ter que se ajustar fortemente. Outro aspecto é que se vende muito, no mercado anunciante, a ideia de quantificação de dados. Os grandes vendedores dessa ideia são as plataformas digitais. Na verdade, você só pode quantificar o que aconteceu. Primeiro, a gente precisa avaliar se tem a capacidade de encantar, de seduzir, de ser memorável. Se essas premissas forem válidas, terá o que quantificar. Do contrário, existe uma frase muito boa que resume o caso: quando não acontece nada, não acontece nada. Os comerciais dos anos 1990 e 1980 eram caracterizados pela linguagem cine- matográfica. Você é um dos expoentes desse momento, mas, hoje, a figura dos influenciadores digitais rouba a cena e as receitas publicitárias. Para onde caminha a publicidade? A publicidade mundial e a brasileira, mais profundamente, vivem uma crise criativa. Ingenuamente, algumas pessoas acreditam que com um influenciador digital é possível obter resultados, sem os custos de produção. É uma economia bobinha, porque boa parte destes influencers relembram os primórdios da TV. Eles são exatamente iguais às garotas-propagandas. São iguais ao que se fazia quando a publicidade era absolutamente primária. É a mesma coisa que é chamada, aqui, no Brasil, de merchandising. Nos EUA, surgiu com o cinema. Vale a mesma regra, pode ser interessante quando há uma grande ideia. Lembro de quando o ator Luís Gustavo fazia em uma novela o personagem Mário Fofoca. Ele tinha um Fusca velho e sonhava toda a noite com um novo. Aquilo era um merchandising de alta qualidade, pertinente, divertido e inteligente. Só o sujeito passando no meio de uma novela e convidando uma personagem a “dar uma paradinha no banco tal” não é inteligente. Quando existem crises criativas, curiosamente, é até bom que piore porque será preciso bater no fundo do poço para que todos percebam que não funciona. Aí haverá a reinvenção. Quando não havia crise criativa, o comercial da Bombril usava o humor para vender esponjas de aço e chegou a fazer uma encenação de Che Guevara e outra de Bill Clin- ton e Monica Lewinsky no auge do escândalo sexual na Casa Branca. Seria possível repetir essas brincadeiras? A crise de criatividade não é fruto do ambiente atual? 91UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO Isso é fantástico. Foram 35 anos de Bombril com o mesmo criador, o mesmo diretor e o mesmo ator. Graças ao talento do Carlos Moreno, que consegue fazer qualquer personagem sem deixar de ser ele mesmo, a gente teve uma oportunidade única: usamos todas as possibilidades que a comunicação oferece. Normalmente, na campanha você escolhe uma opção. Pode ser o humor. Pode ser a emoção. O racional, o musical, enfim. Com o Moreno, fizemos tudo em 399 comerciais. Agora, sobre fazer isso no Brasil polarizado, todo mundo me pergunta a respeito do “politicamente correto”. Costumo dizer que, muitas vezes, o “politicamente correto” é educado, certo e chato. Em outras, você tem o “politicamente incorreto”, que pode até ser engraçado, mas é mal educado e ofende. No meio das duas coisas, existe algo que batizei de “politicamente saudável”. É o que respeita a inteligência das pessoas, mas não joga fora o humor. É aquilo que não coloca o consumidor em uma redoma de vidro, pois é ele quem vai decidir. Hoje, há uma radicalização enorme, manifestada nas redes sociais. É preciso ter critério para dimensionar essas manifestações. Às vezes, uma mensagem em TV aberta é vista por milhões de pessoas. Neste contexto, 350 comentários, induzidos por alguém, numa rede social não significam absolutamente nada. Você só deve ter o cuidado de não alimentá-los, caso contrário a repercussão dura mais. Você precisa reconhecer que essa manifestação logo será substituída por uma nova bobagem. Por exemplo, o comercial da menina e o primeiro sutiã é belíssimo, premiado e reconhecido no mundo como um dos melhores de todos os tempos, por sua doçura, delicadeza e pertinência com o produto. O sutiã não é só uma roupa, representa a transição da menina para mulher. Não tenho dúvida de que, hoje, uma meia dúzia de malucos na internet diria que é um incentivo à pedofilia. Aí, a função é não dar bola e tocar o jogo para frente. Além de uma grande ideia, quais elementos fazem uma campanha inesquecível acontecer? A grande ideia tem uma característica fundamental. Ela é pertinente. Ou seja, uma grande ideia publicitária tem que ser memorável, original, inesquecível e, sobretudo, algo que só aquele produto poderia ter. A melhor publicidade, no fundo, é aquela que a gente olha e pensa que não teve autor. Parece feita pelo próprio produto. Uma coisa que percebimuito cedo é que ganhar prêmios e ser reconhecido é bom, mas tem algo melhor ainda. Minha busca sempre foi por criar publicidades que cumpram com as suas obrigações de vender produtos e construir marcas, mas que também tivessem a ambição de entrar para a cultura popular brasileira. É o meu melhor critério. É a razão pela qual muitas campanhas 92UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO não ganharam prêmios internacionais, pois eram impossíveis de traduzir. O comercial da Cofap é um belo exemplo. Ele mudou o nome da raça dachshund (salsichinha), que passou a ser chamada, no Brasil, de “cofapinho”. Aquilo fez crianças se fascinarem pela ideia de acompanhar os pais na hora de trocar o amortecedor dos carros. Curiosamente, ganhou todos os prêmios nacionais e nenhum internacional. É que o Brasil é o único país em que existe a ideia de trocar o amortecedor a cada 30 mil km. Foi uma criação do senhor Abraham Kasinski, fundador da Cofap, para gerar a obsolescência planejada. Ele detinha todo o mercado de montadoras e precisou inventar um mercado de reposição de peças. Tive a honra de ajudá-lo. Minha ambição pela cultura popular é muito forte. É que, quando consigo isso, transformo o consumidor em mídia. Ele começa a repetir a minha publicidade. E ele é a melhor mídia do mundo. É gratuito e mais acreditável do que qualquer outra. Quando passei a fazer isso, gerei o mesmo fluxo das redes sociais, antes delas existirem. Entre consumidores, os das classes C e D estiveram, por anos, no centro das aten- ções. Com a perda do poder de compra, deixaram de ser alvo das campanhas. Qual o efeito dessa retração? Era tão importante, que quando eu estava no Brasil, realizamos a maior pesquisa sobre o consumidor C e D. Era um sucesso, particularmente, para abordar possíveis novos clientes. Não houve um anunciante sequer que eu tenha telefonado para apresentar a pesquisa que tenha dito “não”. É uma pena, mas mudou. E, nós publicitários, lamentamos mais do que ninguém. Nunca tenho certeza se a frase é, de fato, minha ou se a gente não conhece o criador, mas esta deve ser: nem os sociólogos de esquerda gostam tanto de uma boa distribuição de renda quanto os publicitários. Nós dependemos disso para viver. É uma pena que tenhamos perdido a turma das classes C e D. Sua obsessão pela cultura popular nunca o levou a querer fazer cinema? Na minha geração, tinha muita gente com talento. Com certeza, eu era o que mais queria ser publicitário. Nunca tive complexo de culpa. Não achava que era algo podre criado pelo capitalismo. Muito pelo contrário, eu pertencia a uma corrente de esquerda e de vanguarda, que já tinha lido (Vladimir) Maiakovski e sabia que jamais existiria revolução política sem revolução estética. Eu queria era ser publicitário. Fiz muita coisa com música, releituras que ganharam mais de 20 discos de ouro. Fiz pequenos filmes 93UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO que tinham estruturas quase de longas. Mas a minha obsessão sempre foi a publicidade. Uma característica que construiu a minha vida foi me movimentar bem em muitas áreas e canalizar tudo no trabalho. Leio de tudo, do mais elaborado ao mais vulgar. Ouço todo tipo de música, vejo todo tipo de filme. Sou um sujeito que se treina para não ter preconceito com informação. Claro que algum preconceito sobra, mas acredito que, se tenho, escondo bem. Por outro lado, minha obsessão é pela novidade. Minha ligação com a música popular, por exemplo, é forte. Virei canção do Jorge Ben na pessoa física (Engenho de Dentro) e na jurídica (W/Brasil). Essas várias facetas me ajudam. Porque eu tenho mesmo é fascinação por poder fazer, sempre, o novo de novo. Fonte: VIGNA, R. O consumidor é a melhor mídia do mundo diz Washington Olivetto. GZH Economia. 2021. Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/economia/ noticia/2021/08/o-consumidor-e-a-melhor-midia-do-mundo-diz-washington-olivetto-cksu- q0a5b006a013b3ruzkhwp.html. Acesso em: 11 ago. 2022. https://gauchazh.clicrbs.com.br/economia/noticia/2021/08/o-consumidor-e-a-melhor-midia-do-mundo-diz-washington-olivetto-cksuq0a5b006a013b3ruzkhwp.html https://gauchazh.clicrbs.com.br/economia/noticia/2021/08/o-consumidor-e-a-melhor-midia-do-mundo-diz-washington-olivetto-cksuq0a5b006a013b3ruzkhwp.html https://gauchazh.clicrbs.com.br/economia/noticia/2021/08/o-consumidor-e-a-melhor-midia-do-mundo-diz-washington-olivetto-cksuq0a5b006a013b3ruzkhwp.html 94UNIDADE 4 CRIAÇÃO DO TEXTO PUBLICITÁRIO MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Dicionário de Comunicação Autor: Carlos Alberto Rabaça & Gustavo Guimarães Barbosa. Editora: Elsevier. Sinopse: Na história da comunicação nunca houve transformação tão rápida e profunda como a que se observa neste momento. A velocidade da tecnologia pela primeira vez é maior do que a capacidade do ser humano de assimilar as mudanças como parâmetros culturais de uma nova era. Este livro consagrou-se nos meios profissionais e acadêmicos como a principal obra de referência das atividades ligadas à Comunicação em língua portuguesa. Sua nova edição inteiramente revista e atualizada reúne mais de sete mil definições das palavras usadas em jornalismo publicidade marketing editoração artes gráficas design telecomunicações informática internet mídia promoções relações públicas pesquisa teatro cinema televisão rádio fotografia multimídia documentação teoria da comunicação lingüística literatura de massa produção fonográfica reprodução sonora recursos audiovisuais e técnica de redação. SÉRIE/VÍDEO Título: Self Made Ano: 2020. Sinopse: Conheça a história de uma mulher negra americana que luta contra a pobreza e contra as adversidades da vida para se tornar uma empresária de sucesso. 95 ANDRADE, C. D. Obra poética, Volumes 4-6. Publicações Europa-América: Lisboa, 1984. ANDRADE, Carlos Drummond de. Corpo. Rio de Janeiro: Record, 1984. p. 85-7. ARISTÓTELES. Arte retórica e arte poética. Rio de Janeiro: Ediouro, 1967. BALTAZAR, M. O guia completo do Slogan. Agência Rockcontent. 2020. Disponível em: https://rockcontent.com/br/blog/slogan/. Acesso em: 11 ago. 2022. BARTHES, R. Rhétorique de l’image. Communications 4. Trad. inglesa: Rhetoric of the image. Apud: R. Barthes. Image music text. Londres: Fontana/Collins, 1977. BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009. CARRASCOZA, Anzanello João. A evolução do texto publicitário. 7º ed. São Paulo: Editora Futura, 2007. CARVALHO, Nelly. Publicidade: A linguagem da sedução. 3. ed. São Paulo: Editora Atica, 2010. CITELLI, Adilson. Linguagem e Persuasão. 15. ed. São Paulo: Editora Ática, 2002. DITTRICH, Ivo José. Afetividade e efetividade em discurso de Lula: uma retórica passio- nal. 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Acesso em: 11 ago. 2022. 98 CONCLUSÃO GERAL Prezado (a) acadêmico (a), chegamos ao final do nosso conteúdo proposto em que abordamos os aspectos históricos, sociais e profissionais da redação publicitária. Na Unidade I identificamos a função do texto publicitário, a criação do contexto para produzir redação publicitária, com o sistema aristotélico e os recursos de funções e figuras de linguagem na publicidade. Na Unidade II abordamos os fundamentos teóricos do texto publicitário, em que conhecemos a definição de rede semântica das palavras e os tipos de discursos que são predominantes na linguagem publicitária, e por fim, analisamos os discursos narrativos e interativos. Na Unidade III nos aprofundamos em como começar planejando a nossa escrita, e as ferramentas apresentadas foram o briefing e brainstorming, conhecemos os recursos linguísticos e estilísticos para uma linguagem persuasiva na publicidade, pois esta é a base que integra o dia a dia da profissão. Na Unidade IV foi possível visualizar na prática com exemplos da publicidade brasileira, como estruturar do título ao slogan um anúncio, também foi possível analisar a evolução do texto publicitário e a criação e estrutura dos textos para diversos meios de comunicação, tendo em vista que as mudanças são recorrentes. Sendo assim, chegamos ao final de nossos estudos, em que o objetivo foi apresentar de forma geral em todas as unidades cada detalhe que integra o universo da redação publicitária indo direto ao ponto como foi proposto na apresentação. Sendo assim, é importante destacar que este conteúdo não tem como objetivo esgotar todas as informações pertinentes ao universo da redação publicitária, por isso, é de suma importância que você acesse todos os materiais complementares para pesquisas e aprofundamento no conteúdo. Leia os livros recomendados, assista aos filmes e séries e faça a leitura dos materiais indicados, desta forma será possível conhecer mais sobre a temática e se inspirar para novos estudos na área. Ao chegar ao final de todo material é esperado que você possa ser capaz de produzir e escrever com mais consciência da organização de um texto publicitário para anúncios. Desejo sucesso e inúmeras realizações Até breve! ENDEREÇO MEGAPOLO SEDE Praça Brasil , 250 - Centro CEP 87702 - 320 Paranavaí - PR - Brasil TELEFONE (44) 3045 - 9898 Site UniFatecie 3: Botão 11: Botão 8: Botão 9: Botão 10: