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Edição 2024.1
Revisada
Atualizada
Ampliada
Edição 2024.1
Revisada
Atualizada
Ampliada
Direito
Administrativo
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 1 
 
DIREITO ADMINISTRATIVO – PARTE I 
APRESENTAÇÃO.............................................................................................................................. 13 
NOÇÕES INTRODUTÓRIAS DO DIREITO ADMINISTRATIVO ...................................................... 14 
1. CONCEITOS INICIAIS ............................................................................................................... 14 
2. ORIGEM DO DIREITO ADMINISTRATIVO ............................................................................... 15 
3. CONCEITO DE DIREITO ADMINISTRATIVO ........................................................................... 15 
3.1. DEFINIÇÃO ......................................................................................................................... 15 
3.2. CRITÉRIO EXEGÉTICO OU LEGALISTA (ESCOLA FRANCESA) .................................. 16 
3.3. CRITÉRIO DAS PRERROGATIVAS PÚBLICAS (ESCOLA DA PUISSANCE PUBLIQUE 
ou POTESTADE PÚBLICA) ........................................................................................................... 17 
3.4. CRITÉRIO DO SERVIÇO PÚBLICO .................................................................................. 18 
3.5. CRITÉRIO DO PODER EXECUTIVO ................................................................................. 18 
3.6. CRITÉRIO DAS RELAÇÕES JURÍDICAS.......................................................................... 18 
3.7. CRITÉRIO TELEOLÓGICO ................................................................................................ 19 
3.8. CRITÉRIO RESIDUAL (NEGATIVO) .................................................................................. 19 
3.9. CRITÉRIO DE DISTINÇÃO DA ATIVIDADE JURÍDICA E ATIVIDADE SOCIAL DO 
ESTADO ......................................................................................................................................... 20 
3.10. CRITÉRIO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ..................................................................... 20 
4. CONSTITUCIONALIZAÇÃO DO DIREITO ADMINISTRATIVO ................................................ 21 
5. COMPETÊNCIA PARA LEGISLAR ........................................................................................... 22 
6. INTERPRETAÇÃO DO DIREITO ADMINISTRATIVO ............................................................... 24 
6.1. RECONHECIMENTO DE UMA RELAÇÃO JURÍDICA DE DESIGUALDADE ENTRE 
ADMINISTRAÇÃO E ADMINISTRADOS ...................................................................................... 24 
6.2. RECONHECIMENTO DE UMA PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE DOS ATOS DA 
ADMINISTRAÇÃO ......................................................................................................................... 24 
6.3. RECONHECIMENTO DE PODERES DISCRICIONÁRIOS EM FAVOR DA 
ADMINISTRAÇÃO ......................................................................................................................... 25 
6.4. APLICAÇÃO DA LINDB ...................................................................................................... 25 
7. FONTES DO DIREITO ADMINISTRATIVO ............................................................................... 26 
7.1. LEI ....................................................................................................................................... 26 
7.2. DOUTRINA .......................................................................................................................... 27 
7.3. JURISPRUDÊNCIA ............................................................................................................. 27 
7.4. COSTUMES ........................................................................................................................ 28 
7.5. PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO................................................................................... 28 
7.6. PRECEDENTE ADMINISTRATIVO .................................................................................... 29 
8. ESTADO, GOVERNO E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ............................................................. 29 
8.1. ESTADO .............................................................................................................................. 29 
8.1.1. Estado Liberal .............................................................................................................. 30 
8.1.2. Estado Social ............................................................................................................... 30 
8.1.3. Estado Democrático de Direito ou Pós-social ............................................................. 30 
8.1.4. Funções do Estado ...................................................................................................... 31 
8.1.5. Função de Governo ou Função Política ...................................................................... 31 
8.2. GOVERNO .......................................................................................................................... 32 
8.3. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA .............................................................................................. 32 
8.3.1. Administração em sentido amplo ................................................................................ 32 
8.3.2. Administração em sentido estrito ................................................................................ 32 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 2 
 
9. SISTEMAS ADMINISTRATIVOS ............................................................................................... 33 
9.1. CONCEITO .......................................................................................................................... 34 
9.2. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO (SISTEMA FRANCÊS) ........................................... 34 
9.3. JURISDIÇÃO ÚNICA (SISTEMA INGLÊS) ........................................................................ 34 
REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO ........................................................................................... 36 
1. REGIMES JURÍDICOS DA ADMINISTRAÇÃO ......................................................................... 36 
2. REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO ................................................................................... 37 
3. PRINCÍPIOS DO DIREITO ADMINISTRATIVO ......................................................................... 38 
3.1. PRINCÍPIOS BÁSICOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA PARA HELY LOPES 
MEIRELLES ................................................................................................................................... 38 
3.2. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO DIREITO BRASILEIRO, EXPRESSOS E 
IMPLÍCITOS PARA CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO .................................................. 39 
3.3. PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVO PARA JOSÉ DOS SANTOS CARVALHO FILHO ........ 39 
3.4. PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PARA MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO ........ 40 
PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ................................................................................ 42 
1. PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO ..................................................... 42 
2. PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE DO INTERESSE PÚBLICO.......................................... 45 
3. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ................................................................................................... 45 
3.1. PREVISÃO .......................................................................................................................... 45 
3.2. ENFOQUES ........................................................................................................................ 46 
3.3. CONTROLE DE LEGALIDADE ..........................................................................................46 
3.4. DESDOBRAMENTOS DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ................................................ 47 
3.5. RESTRIÇÕES À LEGALIDADE .......................................................................................... 47 
3.6. DESLEGALIZAÇÃO ............................................................................................................ 48 
4. PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE .......................................................................................... 48 
4.1. CONCEITO .......................................................................................................................... 48 
4.2. ASPECTOS ......................................................................................................................... 49 
4.3. APLICAÇÃO ........................................................................................................................ 50 
4.4. IMPESSOALIDADE x FINALIDADE ................................................................................... 50 
4.5. INTRANSCENDÊNCIA ....................................................................................................... 51 
5. PRINCÍPIO DA MORALIDADE .................................................................................................. 54 
5.1. CONCEITO DE MORALIDADE .......................................................................................... 54 
5.2. IMORALIDADE ADMINISTRATIVA .................................................................................... 56 
5.3. NEPOTISMO ....................................................................................................................... 57 
6. PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE .................................................................................................. 61 
6.1. CONCEITO .......................................................................................................................... 61 
6.2. PREVISÃO CONSTITUCIONAL ......................................................................................... 62 
6.3. EXCEÇÕES À PUBLICIDADE ............................................................................................ 63 
6.4. PUBLICIDADE x PUBLICAÇÃO ......................................................................................... 64 
6.5. DEVER DE PUBLICAR x PROMOÇÃO PESSOAL ........................................................... 64 
7. PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA ...................................................................................................... 67 
7.1. CONCEITO .......................................................................................................................... 67 
7.2. EFICIÊNCIA x DESPESAS PESSOAIS ............................................................................. 68 
7.3. LEGALIDADE X EFICIÊNCIA ............................................................................................. 69 
7.4. EFICIÊNCIA X EFICÁCIA X EFETIVIDADE ...................................................................... 70 
7.5. EFICIÊNCIA E DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO ................................................. 70 
7.6. LEI 14.129/2021 E O PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA ........................................................... 71 
7.6.1. Considerações iniciais ................................................................................................. 71 
7.6.2. Aplicação ...................................................................................................................... 71 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 3 
 
7.6.3. Princípios e diretrizes do Governo Digital ................................................................... 71 
7.6.4. Conceitos utilizados pela Lei ....................................................................................... 73 
7.6.5. Digitalização da Administração Pública ...................................................................... 74 
7.6.6. Governo Digital ............................................................................................................ 75 
7.6.7. Número suficiente para identificação .......................................................................... 76 
7.6.8. Governo como plataforma ........................................................................................... 76 
7.6.9. Mecanismo de interoperabilidade ................................................................................ 77 
7.6.10. Publicidade ................................................................................................................... 78 
7.6.11. Domicílio eletrônico ...................................................................................................... 78 
7.6.12. Laboratórios de inovação ............................................................................................ 79 
7.6.13. Governança, gestão de riscos, controle e auditoria .................................................... 79 
7.7. CONTRATO DE EFICIÊNCIA ............................................................................................. 80 
8. PRINCÍPIO DA ISONOMIA ........................................................................................................ 81 
9. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA..................................................... 82 
9.1. EXIGÊNCIAS PARA QUE A AMPLA DEFESA ACONTEÇA ............................................. 83 
9.2. GARANTIA DE INFORMAÇÃO .......................................................................................... 83 
9.3. PRODUÇÃO DE PROVAS ................................................................................................. 83 
9.4. DEFESA TÉCNICA ............................................................................................................. 83 
9.5. DIREITO DE RECURSO ..................................................................................................... 84 
10. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE ......................................................................................... 85 
11. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE .............................................................................. 86 
12. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE OU DESCENTRALIZAÇÃO ............................................ 87 
13. PRINCÍPIO DA TUTELA OU CONTROLE ............................................................................. 88 
14. PRINCÍPIO DA AUTOTUTELA............................................................................................... 88 
14.1. CONCEITO .......................................................................................................................... 88 
14.2. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA .............................................................................. 89 
14.3. PRAZO PARA O EXERCÍCIO ............................................................................................ 90 
15. PRINCÍPIO DA SINDICABILIDADE ....................................................................................... 93 
16. PRINCÍPIO DA HIERARQUIA ................................................................................................ 93 
17. PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE DOS SERVIÇOS PÚBLICOS .......................................... 94 
17.1. CONCEITO .......................................................................................................................... 94 
17.2. CORTE NO SERVIÇO PÚBLICO ....................................................................................... 94 
17.3. DIREITO DE GREVE DOS SERVIDORES PÚBLICOS ..................................................... 97 
17.4. CONTRATOS ADMINISTRATIVOS ................................................................................... 99 
18. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA ............................................................................ 101 
19. PRINCÍPIO DA CONFIANÇA E BOA-FÉ .............................................................................103 
20. PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO ............................................................................................... 105 
21. PRINCÍPIO DA REALIDADE ................................................................................................ 107 
22. PRINCÍPIO DA CONSENSUALIDADE E DA PARTICIPAÇÃO .......................................... 107 
ORGANIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO ......................................................................................... 109 
1. FORMAS DE PRESTAÇÃO DA ATIVIDADE ADMINISTRATIVA ........................................... 109 
1.1. CENTRALIZAÇÃO ............................................................................................................ 109 
1.2. DESCENTRALIZAÇÃO ..................................................................................................... 109 
1.3. DESCONCENTRAÇÃO .................................................................................................... 110 
2. FORMAS DE DESCENTRALIZAÇÃO ..................................................................................... 111 
2.1. DESCENTRALIZAÇÃO POR SERVIÇO, TÉCNICA OU OUTORGA .............................. 111 
2.2. DESCENTRALIZAÇÃO POR COLABORAÇÃO OU DELEGAÇÃO ................................ 112 
3. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EXTROVERSA E INTROVERSA ............................................. 112 
4. TEORIAS EXPLICATIVAS ACERCA DA RELAÇÃO ENTRE ESTADO E SEUS AGENTES 113 
4.1. TEORIA DO MANDATO ................................................................................................... 113 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 4 
 
4.2. TEORIA DA REPRESENTAÇÃO ..................................................................................... 113 
4.3. TEORIA DO ÓRGÃO OU TEORIA DA IMPUTAÇÃO VOLITIVA..................................... 113 
5. ÓRGÃOS PÚBLICOS ............................................................................................................... 114 
5.1. CONCEITO ........................................................................................................................ 114 
5.2. CARACTERÍSTICAS ......................................................................................................... 115 
5.2.1. Ausência de personalidade jurídica ........................................................................... 115 
5.2.2. Representação própria .............................................................................................. 115 
5.2.3. Capacidade processual ............................................................................................. 115 
5.2.4. Capacidade contratual ............................................................................................... 115 
5.3. CLASSIFICAÇÃO DOS ÓRGÃOS PÚBLICOS ................................................................ 116 
5.3.1. Quanto à estrutura ..................................................................................................... 116 
5.3.2. Quanto à atuação funcional ....................................................................................... 116 
5.3.3. Quanto à posição estatal (ou hierarquia) .................................................................. 116 
5.3.4. Quanto às funções (Maria Sylvia Zanella Di Pietro) ................................................. 117 
6. ADMINISTRAÇÃO DIRETA ..................................................................................................... 117 
7. ADMINISTRAÇÃO INDIRETA .................................................................................................. 118 
7.1. CARACTERÍSTICAS COMUNS ....................................................................................... 118 
7.1.1. Personalidade jurídica própria ................................................................................... 118 
7.1.2. Criação e extinção por meio de lei ............................................................................ 119 
7.1.3. Sem fins lucrativos ..................................................................................................... 120 
7.1.4. Finalidade específica ................................................................................................. 120 
7.1.5. Possibilidade de controle ........................................................................................... 120 
7.2. FUNDAÇÕES PÚBLICAS ................................................................................................. 122 
7.2.1. Conceito ..................................................................................................................... 122 
7.2.2. Natureza jurídica ........................................................................................................ 123 
7.2.3. Criação e extinção ..................................................................................................... 123 
7.2.4. Prerrogativas .............................................................................................................. 124 
7.2.5. Regime pessoal ......................................................................................................... 125 
7.2.6. Fiscalização pelo Ministério Público .......................................................................... 126 
7.2.7. Semelhanças e diferenças entre fundação pública de direito público e de direito 
privado 126 
7.3. AUTARQUIAS ................................................................................................................... 128 
7.3.1. Conceito ..................................................................................................................... 128 
7.3.2. Criação e extinção ..................................................................................................... 128 
7.3.3. Regime jurídico .......................................................................................................... 129 
7.3.4. Autarquias profissionais (conselhos de classe) ........................................................ 135 
7.3.5. Situação específica da OAB ...................................................................................... 136 
7.3.6. Autarquias territoriais ................................................................................................. 139 
7.4. AGÊNCIAS REGULADORAS ........................................................................................... 139 
7.4.1. Origem ........................................................................................................................ 139 
7.4.2. Conceito ..................................................................................................................... 139 
7.4.3. Regime especial......................................................................................................... 140 
7.4.4. Poder normativo das agências e deslegalização ...................................................... 141 
7.4.5. Autonomia administrativa e financeira....................................................................... 143 
7.4.6. Processo decisório das agências reguladoras .......................................................... 145 
7.4.7. Prestação de contas e controle social ....................................................................... 147 
7.4.8. Interação entre as agências reguladoras e os órgãos de defesa da concorrência .. 150 
7.4.9. Articulação entre agências reguladoras .................................................................... 151 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 5 
 
7.4.10. Articulação das agências reguladoras com os órgãos de defesa do consumidor e do 
meio ambiente .......................................................................................................................... 152 
7.4.11. Interação operacional entre as agências reguladoras federais e as agências 
reguladoras ou os órgãos de regulaçãoestaduais, distritais e municipais ............................. 153 
7.4.12. Teoria da Captura ...................................................................................................... 154 
7.5. AGÊNCIAS EXECUTIVAS ................................................................................................ 154 
7.5.1. Conceito ..................................................................................................................... 154 
7.5.2. Criação ....................................................................................................................... 154 
7.5.3. Objetivos .................................................................................................................... 155 
7.5.4. Desqualificação .......................................................................................................... 155 
7.5.5. Dispensa de licitação ................................................................................................. 155 
7.6. EMPRESAS ESTATAIS .................................................................................................... 156 
7.6.1. Considerações iniciais ............................................................................................... 156 
7.6.2. Empresa pública ........................................................................................................ 156 
7.6.3. Sociedade de economia mista................................................................................... 157 
7.6.4. Principais semelhanças e diferenças entre as empresas públicas e as sociedades de 
economia mista ......................................................................................................................... 158 
7.6.5. Regime jurídico .......................................................................................................... 160 
7.6.6. Autarquização de empresas estatais ........................................................................ 175 
8. CONTRATO DE DESEMPENHO............................................................................................. 176 
8.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS............................................................................................ 176 
8.2. CONCEITO ........................................................................................................................ 176 
8.3. FLEXIBILIDADES E AUTONOMIAS ESPECIAIS ............................................................ 177 
8.4. OBJETIVO ......................................................................................................................... 177 
8.5. CLÁUSULAS OBRIGATÓRIAS ........................................................................................ 178 
8.6. OBRIGAÇÕES DAS PARTES .......................................................................................... 178 
8.7. RESCISÃO DO CONTRATO ............................................................................................ 179 
8.8. CONTRATO DE GESTÃO x CONTRATO DE DESEMPENHO ...................................... 179 
TERCEIRO SETOR ......................................................................................................................... 181 
1. CONCEITO ............................................................................................................................... 181 
2. CARACTERÍSTICAS ................................................................................................................ 182 
3. SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS ...................................................................................... 183 
4. ENTIDADES DE APOIO ........................................................................................................... 186 
5. ORGANIZAÇÕES SOCIAIS – OS............................................................................................ 186 
5.1. CONCEITO ........................................................................................................................ 186 
5.2. QUALIFICAÇÃO COMO OS ............................................................................................. 187 
5.3. ÁREA DE ATUAÇÃO ........................................................................................................ 188 
5.4. CONTRATO DE GESTÃO ................................................................................................ 189 
5.5. PERDA DA QUALIFICAÇÃO ............................................................................................ 190 
5.6. INCENTIVOS RECEBIDOS DO PODER PÚBLICO ........................................................ 190 
5.7. REGIME PESSOAL .......................................................................................................... 191 
6. ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL DE INTERESSE PÚBLICO – OSCIP ................. 191 
6.1. CONCEITO ........................................................................................................................ 191 
6.2. QUALIFICAÇÃO COMO OSCIP ....................................................................................... 192 
6.3. PERDA DA QUALIFICAÇÃO ............................................................................................ 194 
6.4. TERMO DE PARCERIA .................................................................................................... 194 
6.5. SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS ENTRE OS E OSCIP................................................ 195 
7. ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL – OSC .................................................................. 196 
ATOS ADMINISTRATIVOS ............................................................................................................. 200 
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 6 
 
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ................................................................................................... 200 
2. ATOS DA ADMINISTRAÇÃO X ATO ADMINISTRATIVO ...................................................... 201 
3. CONCEITO ............................................................................................................................... 202 
4. SILÊNCIO ADMINISTRATIVO ................................................................................................. 202 
5. ELEMENTOS (OU REQUISITOS) DO ATO ADMINISTRATIVO ............................................ 203 
5.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS............................................................................................ 203 
5.2. SUJEITO COMPETENTE ................................................................................................. 204 
5.2.1. Características da competência ................................................................................ 205 
5.2.2. Delegação e avocação de competência ................................................................... 206 
5.2.3. Elementos definidores de competência .................................................................... 207 
5.2.4. Vício de competência ................................................................................................. 208 
5.3. FORMA .............................................................................................................................. 208 
5.3.1. Exteriorização da vontade ......................................................................................... 208 
5.3.2. Formalidades específicas .......................................................................................... 208 
5.3.3. Vício de forma ............................................................................................................ 209 
5.3.4. Processo administrativo prévio .................................................................................. 209 
5.3.5. Motivação ................................................................................................................... 210 
5.4. MOTIVO.............................................................................................................................212 
5.4.1. Conceito ..................................................................................................................... 212 
5.4.2. Legalidade do motivo ................................................................................................. 212 
5.4.3. Teoria dos motivos determinantes ............................................................................ 212 
5.4.4. Vício de motivo ........................................................................................................... 213 
5.5. OBJETO ............................................................................................................................ 214 
5.5.1. Conceito ..................................................................................................................... 214 
5.5.2. Requisitos................................................................................................................... 214 
5.5.3. Classificação .............................................................................................................. 214 
5.5.4. Vício de objeto ........................................................................................................... 215 
5.6. FINALIDADE ..................................................................................................................... 215 
5.6.1. Conceito ..................................................................................................................... 215 
5.6.2. Vício na finalidade ...................................................................................................... 215 
5.6.3. Motivo x objeto x finalidade ....................................................................................... 216 
6. CLASSIFICAÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS .............................................................. 216 
6.1. QUANTO À FORMAÇÃO DE VONTADE ......................................................................... 217 
6.1.1. Ato simples ................................................................................................................. 217 
6.1.2. Ato composto ............................................................................................................. 217 
6.1.3. Ato complexo ............................................................................................................. 217 
6.2. QUANTO AO GRAU DE LIBERDADE EM SUA PRÁTICA ............................................. 218 
6.2.1. Ato vinculado ou regrado ........................................................................................... 218 
6.2.2. Ato discricionário ........................................................................................................ 218 
6.3. QUANTO AOS DESTINATÁRIOS DO ATO ..................................................................... 219 
6.3.1. Ato geral ..................................................................................................................... 219 
6.3.2. Ato individual .............................................................................................................. 219 
6.4. QUANTO AOS EFEITOS .................................................................................................. 219 
6.4.1. Ato constitutivo ........................................................................................................... 219 
6.4.2. Ato declaratório .......................................................................................................... 219 
6.4.3. Ato enunciativo ........................................................................................................... 220 
6.5. QUANTO À IMPERATIVIDADE ........................................................................................ 220 
6.5.1. Ato de império ............................................................................................................ 220 
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6.5.2. Ato de gestão ............................................................................................................. 220 
6.5.3. Ato de expediente ...................................................................................................... 220 
6.6. QUANTO À SITUAÇÃO DE TERCEIROS........................................................................ 220 
6.6.1. Ato interno .................................................................................................................. 220 
6.6.2. Ato externo ................................................................................................................. 220 
6.7. QUANTO AOS REQUISITOS DE VALIDADE .................................................................. 221 
6.7.1. Ato valido.................................................................................................................... 221 
6.7.2. Ato nulo ...................................................................................................................... 221 
6.7.3. Ato anulável ............................................................................................................... 221 
6.7.4. Ato inexistente ............................................................................................................ 221 
6.8. QUANTO AOS REQUISITOS DE EFICÁCIA ................................................................... 221 
6.8.1. Ato perfeito ................................................................................................................. 221 
6.8.2. Ato eficaz.................................................................................................................... 221 
6.8.3. Ato pendente .............................................................................................................. 221 
6.8.4. Ato consumado .......................................................................................................... 222 
7. ESPÉCIES DE ATOS ADMINISTRATIVOS ............................................................................ 222 
7.1. ATOS NORMATIVOS ....................................................................................................... 222 
7.1.1. Decreto ....................................................................................................................... 223 
7.1.2. Regimento .................................................................................................................. 223 
7.1.3. Resoluções................................................................................................................. 223 
7.1.4. Deliberações .............................................................................................................. 224 
7.2. ATOS ORDINÁRIOS ......................................................................................................... 224 
7.2.1. Instruções ................................................................................................................... 224 
7.2.2. Circulares ................................................................................................................... 224 
7.2.3. Avisos ......................................................................................................................... 224 
7.2.4. Portarias ..................................................................................................................... 224 
7.2.5. Ordens de serviço ...................................................................................................... 224 
7.2.6. Ofícios ........................................................................................................................ 224 
7.2.7. Despachos ................................................................................................................. 225 
7.3. ATOS NEGOCIAIS OU DE CONSENTIMENTO .............................................................. 225 
7.3.1. Autorização................................................................................................................ 225 
7.3.2. Permissão .................................................................................................................. 225 
7.3.3. Licença ....................................................................................................................... 226 
7.3.4. Admissão .................................................................................................................... 226 
7.3.5. Aprovação .................................................................................................................. 226 
7.3.6. Homologação ............................................................................................................. 226 
7.3.7. Visto............................................................................................................................ 227 
7.4. ATOS ENUNCIATIVOS .................................................................................................... 227 
7.4.1. Pareceres ................................................................................................................... 227 
7.4.2. Certidões e atestados ................................................................................................ 228 
7.5. ATOS PUNITIVOS ............................................................................................................ 228 
8. MÉRITO DO ATO ADMINISTRATIVO ..................................................................................... 228 
8.1. CONTROLE JUDICIAL DO MÉRITO ADMINISTRATIVO ............................................... 229 
9. ATRIBUTOS DOS ATOS ADMINISTRATIVOS ....................................................................... 229 
9.1. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE ................................................................................... 230 
9.2. AUTOEXECUTORIEDADE ............................................................................................... 230 
9.3. IMPERATIVIDADE ............................................................................................................ 231 
9.4. TIPICIDADE ...................................................................................................................... 231 
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 8 
 
10. FORMAÇÃO, VALIDADE E EFICÁCIA DO ATO ADMINISTRATIVO ................................. 231 
11. EFEITOS DOS ATOS ADMINISTRATIVOS ........................................................................ 233 
11.1. EFEITOS TÍPICOS ............................................................................................................ 233 
11.2. EFEITOS ATÍPICOS ......................................................................................................... 233 
12. EXTINÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO ............................................................................. 234 
12.1. EXTINÇÃO FORMAL OU NATURAL ............................................................................... 234 
12.2. EXTINÇÃO SUBJETIVA ................................................................................................... 234 
12.3. EXTINÇÃO OBJETIVA...................................................................................................... 234 
12.4. EXTINÇÃO POR VONTADE DO PARTICULAR .............................................................. 234 
12.5. EXTINÇÃO POR ATO DA ADMINISTRAÇÃO ................................................................. 234 
12.5.1. Cassação ................................................................................................................... 234 
12.5.2. Caducidade ................................................................................................................ 235 
12.5.3. Contraposição ............................................................................................................ 235 
12.5.4. Anulação .................................................................................................................... 235 
12.5.5. Revogação ................................................................................................................. 239 
PODERES DA ADMINISTRAÇÃO .................................................................................................. 241 
1. CONCEITO ............................................................................................................................... 241 
2. CARACTERÍSTICAS ................................................................................................................ 241 
2.1. EXERCÍCIO OBRIGATÓRIO ............................................................................................ 241 
2.2. IRRENUNCIÁVEL ............................................................................................................. 242 
2.3. EXERCÍCIO NOS LIMITES DA LEI .................................................................................. 242 
2.4. CABE RESPONSABILIZAÇÃO ........................................................................................ 242 
3. ABUSO DE PODER ................................................................................................................. 242 
4. PODER DISCRICIONÁRIO E PODER VINCULADO .............................................................. 244 
4.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS............................................................................................ 244 
4.2. PODER VINCULADO........................................................................................................ 244 
4.3. PODER DISCRICIONÁRIO .............................................................................................. 245 
5. PODER REGULAMENTAR ...................................................................................................... 245 
5.1. CONSIDERAÇÕES ........................................................................................................... 245 
5.2. CONCEITO ........................................................................................................................ 245 
5.3. DECRETO x REGULAMENTO ......................................................................................... 247 
5.4. LEI x DECRETO REGULAMENTAR ................................................................................ 247 
5.5. ESPÉCIES DE REGULAMENTOS ................................................................................... 248 
5.5.1. Decreto regulamentar executivo ................................................................................ 248 
5.5.2. Decreto regulamentar autônomo ............................................................................... 248 
5.6. POSSIBILIDADE DE CONTROLE .................................................................................... 250 
6. PODER HIERÁRQUICO .......................................................................................................... 250 
6.1. CONCEITO ........................................................................................................................ 250 
6.2. FACULDADES DECORRENTES DA HIERARQUIA ....................................................... 250 
7. PODER DISCIPLINAR ............................................................................................................. 251 
7.1. CONCEITO ........................................................................................................................ 251 
7.2. DISCRICIONARIEDADE ................................................................................................... 252 
7.3. CONTROLE ....................................................................................................................... 252 
8. PODER DE POLÍCIA ................................................................................................................252 
8.1. CONCEITO ........................................................................................................................ 252 
8.2. EXERCÍCIO ....................................................................................................................... 254 
8.3. TAXA DE POLÍCIA ............................................................................................................ 254 
8.4. FUNDAMENTO ................................................................................................................. 255 
8.5. CICLOS DE POLÍCIA ........................................................................................................ 255 
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8.6. DELEGAÇÃO .................................................................................................................... 256 
8.7. ATRIBUTOS ...................................................................................................................... 259 
LICITAÇÕES .................................................................................................................................... 262 
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ................................................................................................... 262 
2. CONCEITO ............................................................................................................................... 262 
3. PREVISÃO LEGAL ................................................................................................................... 262 
4. REGRAS DE TRANSIÇÃO ...................................................................................................... 263 
5. CRITÉRIOS TRANSACIONAIS ............................................................................................... 265 
6. FINALIDADES .......................................................................................................................... 266 
7. COMPETÊNCIA PARA LEGISLAR ......................................................................................... 269 
8. SUJEITOS À LICITAÇÃO......................................................................................................... 271 
9. PRINCÍPIOS ............................................................................................................................. 273 
9.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS............................................................................................ 273 
9.2. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO AO INSTRUMENTO CONVOCATÓRIO (Lei 8.666/93) 274 
9.3. PRINCÍPIO DO JULGAMENTO OBJETIVO (Lei 8.666/93) ............................................. 275 
9.4. PRINCÍPIO DO SIGILO DAS PROPOSTAS (Lei 8.666/93) ............................................ 275 
9.5. PRINCÍPIO DO PROCEDIMENTO FORMAL (Lei 8.666/93) ........................................... 276 
9.6. PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE E TRANSPARÊNCIA (Lei 14.133/2021) ....................... 276 
9.7. PRINCÍPIO DA IGUALDADE (Lei 14.133/2021) .............................................................. 278 
9.8. PRINCÍPIO DO PLANEJAMENTO (Lei 14.133/2021) ..................................................... 279 
9.9. PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA, DA CELERIDADE E DA ECONOMICIDADE (Lei 
14.133/2021) ................................................................................................................................ 279 
9.10. PRINCÍPIO DA SEGREGAÇÃO DAS FUNÇÕES (Lei 14.133/2021) .............................. 280 
9.11. PRINCÍPIO DA COMPETITIVIDADE (Lei 14.133/2021) .................................................. 281 
9.12. PRINCÍPIO DAS DISPOSIÇÕES DA LINDB.................................................................... 281 
10. INCIDÊNCIA DA LEI 14.133/2021 ....................................................................................... 283 
11. IMPEDIMENTOS .................................................................................................................. 285 
12. CONSÓRCIOS EMPRESARIAIS ......................................................................................... 290 
13. COOPERATIVAS NAS LICITAÇÕES PÚBLICAS ............................................................... 293 
14. FUNÇÃO REGULATÓRIA DA LICITAÇÃO ......................................................................... 293 
15. MARGEM DE PREFERÊNCIA ............................................................................................. 295 
16. OBJETO DA LICITAÇÃO...................................................................................................... 298 
16.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS............................................................................................ 298 
16.2. COMPRAS ........................................................................................................................ 299 
16.2.1. Previsão legal ............................................................................................................. 299 
16.2.2. Conceito ..................................................................................................................... 301 
16.2.3. Planejamento ............................................................................................................. 301 
16.2.4. Termo de referência ................................................................................................... 302 
16.2.5. Parcelamento ............................................................................................................. 302 
16.2.6. Indicação de marca .................................................................................................... 303 
16.3. OBRAS E SERVIÇOS DE ENGENHARIA ....................................................................... 304 
16.4. SERVIÇOS EM GERAL .................................................................................................... 308 
16.5. LOCAÇÃO DE IMÓVEIS ................................................................................................... 310 
16.6. ALIENAÇÃO DE BENS ..................................................................................................... 310 
17. AGENTES PÚBLICOS DA LICITAÇÃO ............................................................................... 314 
17.1. AGENTE DE CONTRAÇÃO ............................................................................................. 315 
17.2. COMISSÃO DE CONTRATAÇÃO .................................................................................... 315 
17.3. BANCA .............................................................................................................................. 316 
17.4. LEILOEIRO ........................................................................................................................ 316 
18. CRITÉRIOS DE JULGAMENTO DAS PROPOSTAS .......................................................... 316 
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18.1. MENOR PREÇO ............................................................................................................... 317 
18.2. MAIOR DESCONTO ......................................................................................................... 317 
18.3. MELHOR TÉCNICA OU CONTEÚDO ARTÍSTICO ......................................................... 318 
18.4. MELHOR TÉCNICA E PREÇO ......................................................................................... 318 
18.5. MAIOR LANCE .................................................................................................................. 319 
18.6. MAIOR RETORNO ECONÔMICO .................................................................................... 320 
19. CONTRATAÇÃO DIRETA .................................................................................................... 320 
19.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS............................................................................................320 
19.2. DISPENSA DE LICITAÇÃO .............................................................................................. 322 
19.2.1. Licitação dispensável ................................................................................................. 323 
19.2.2. Licitação dispensada ................................................................................................. 342 
19.3. INEXIGIBILIDADE ............................................................................................................. 344 
19.3.1. Conceito e características ......................................................................................... 344 
19.3.2. Pressupostos para a realização da licitação ............................................................. 345 
19.3.3. Hipóteses de inexigibilidade ...................................................................................... 346 
20. MODALIDADES DE LICITAÇÃO NA LEI 8.666/93 .............................................................. 351 
20.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS............................................................................................ 351 
20.2. CONCORRÊNCIA ............................................................................................................. 353 
20.2.1. Cabimento .................................................................................................................. 353 
20.2.2. Participantes .............................................................................................................. 355 
20.2.3. Intervalo mínimo......................................................................................................... 355 
20.3. TOMADA DE PREÇOS ..................................................................................................... 355 
20.3.1. Cabimento .................................................................................................................. 356 
20.3.2. Participantes .............................................................................................................. 356 
20.3.3. Intervalo mínimo......................................................................................................... 356 
20.4. CONVITE ........................................................................................................................... 357 
20.4.1. Cabimento .................................................................................................................. 357 
20.4.2. Participantes .............................................................................................................. 357 
20.4.3. Intervalo mínimo......................................................................................................... 358 
20.4.4. Instrumento convocatório .......................................................................................... 358 
20.4.5. Comissão ................................................................................................................... 358 
20.5. LEILÃO .............................................................................................................................. 359 
20.5.1. Cabimento .................................................................................................................. 359 
20.5.2. Intervalo mínimo......................................................................................................... 359 
20.6. CONCURSO ...................................................................................................................... 359 
20.6.1. Cabimento .................................................................................................................. 360 
20.6.2. Intervalo mínimo......................................................................................................... 360 
20.6.3. Procedimento ............................................................................................................. 360 
20.6.4. Comissão ................................................................................................................... 360 
20.7. PREGÃO ........................................................................................................................... 360 
20.7.1. Cabimento .................................................................................................................. 360 
20.7.2. Intervalo mínimo......................................................................................................... 361 
20.7.3. Procedimento ............................................................................................................. 361 
21. PROCEDIMENTO LICITATÓRIO NA LEI 8.666/93 ............................................................. 361 
21.1. FASE INTERNA DA LICITAÇÃO ...................................................................................... 362 
21.1.1. Formalização do processo ......................................................................................... 362 
21.1.2. Elaboração do edital .................................................................................................. 363 
21.2. FASE EXTERNA DA LICITAÇÃO ..................................................................................... 365 
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 11 
 
21.2.1. Publicação do edital ................................................................................................... 365 
21.2.2. Recebimento dos envelopes ..................................................................................... 367 
21.2.3. Fase de habilitação ou qualificação .......................................................................... 367 
21.2.4. Fase de classificação e julgamento ........................................................................... 368 
21.2.5. Homologação ............................................................................................................. 369 
21.2.6. Adjudicação ................................................................................................................ 369 
22. MODALIDADES DE LICITAÇÃO NA LEI 14.133/2021 ....................................................... 370 
22.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS............................................................................................ 370 
22.2. CONCORRÊNCIA ............................................................................................................. 371 
22.3. CONCURSO ...................................................................................................................... 372 
22.4. LEILÃO .............................................................................................................................. 373 
22.5. PREGÃO ........................................................................................................................... 375 
22.6. DIÁLOGO COMPETITIVO ................................................................................................ 375 
22.6.1. Procedimento ............................................................................................................. 376 
23. PROCEDIMENTO LICITATÓRIO NA LEI 14.133/2021 ....................................................... 378 
23.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS............................................................................................ 378 
23.2. FASE INTERNA OU PREPARATÓRIA ............................................................................ 380 
23.2.1. Conceito ..................................................................................................................... 380 
23.2.2. Etapas ........................................................................................................................ 380 
23.2.3. Papel dos órgãos da Administração Pública ............................................................. 386 
23.2.4. Audiência Pública.......................................................................................................388 
23.3. FASE EXTERNA ............................................................................................................... 388 
23.3.1. Publicação do edital ................................................................................................... 388 
23.3.2. Apresentação das propostas ..................................................................................... 389 
23.3.3. Julgamento ................................................................................................................. 391 
23.3.4. Habilitação.................................................................................................................. 395 
23.3.5. Fase recursal ............................................................................................................. 399 
23.3.6. Encerramento da licitação ......................................................................................... 400 
24. PROCEDIMENTOS AUXILIARES PREVISTOS NA LEI 14.133/2021 ................................ 400 
24.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS............................................................................................ 400 
24.2. CREDENCIAMENTO ........................................................................................................ 401 
24.3. PRÉ-QUALIFICAÇÃO ....................................................................................................... 402 
24.4. PROCEDIMENTO DE MANIFESTAÇÃO DE INTERESSE (PMI) ................................... 403 
24.5. SRP – SISTEMA DE REGISTRO DE PREÇOS .............................................................. 404 
24.6. REGISTRO CADASTRAL ................................................................................................. 406 
CONTRATOS ADMINISTRATIVOS ................................................................................................ 408 
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ................................................................................................... 408 
2. CONCEITO ............................................................................................................................... 408 
3. CARACTERÍSTICAS ................................................................................................................ 409 
3.1. FORMAIS .......................................................................................................................... 409 
3.2. CONSENSUAL .................................................................................................................. 410 
3.3. COMUTATIVOS ................................................................................................................ 410 
3.4. ONEROSOS ...................................................................................................................... 410 
3.5. ADESÃO ............................................................................................................................ 410 
3.6. PERSONALÍSSIMOS ........................................................................................................ 410 
3.7. VINCULADOS À LEI E AO EDITAL.................................................................................. 411 
3.8. DESEQUILÍBRIO EM FAVOR DA ADMINISTRAÇÃO ..................................................... 411 
4. FORMALIDADES ..................................................................................................................... 411 
4.1. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO ............................................................................. 411 
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 12 
 
4.2. FORMA ESCRITA ............................................................................................................. 412 
4.3. INSTRUMENTO DE CONTRATO .................................................................................... 412 
4.4. PUBLICAÇÃO ................................................................................................................... 412 
5. CLÁUSULAS CONTRATUAIS ................................................................................................. 413 
5.1. CLÁUSULA NECESSÁRIA ............................................................................................... 413 
5.2. CLÁUSULA EXORBITANTE ............................................................................................. 415 
5.2.1. Alteração unilateral do contrato ................................................................................. 416 
5.2.2. Rescisão unilateral do contrato ................................................................................. 418 
5.2.3. Fiscalização ............................................................................................................... 418 
5.2.4. Aplicação de penalidades .......................................................................................... 421 
5.2.5. Ocupação provisória .................................................................................................. 421 
6. GARANTIA ................................................................................................................................ 421 
7. DURAÇÃO DO CONTRATO .................................................................................................... 424 
7.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS............................................................................................ 424 
7.2. REGRA GERAL................................................................................................................. 424 
7.3. PRAZOS DIFERENCIADOS ............................................................................................. 425 
7.4. CONTRATO POR PRAZO CERTO x CONTRATO POR ESCOPO ................................ 427 
8. ALOCAÇÃO DE RISCOS ......................................................................................................... 427 
9. PAGAMENTOS ........................................................................................................................ 429 
9.1. REAJUSTAMENTO EM SENTIDO ESTRITO .................................................................. 429 
9.2. REPACTUAÇÃO ............................................................................................................... 429 
9.3. RECOMPOSIÇÃO DE PREÇOS ...................................................................................... 429 
10. EXCEPTIO NON ADIMPLETI CONTRACTUS .................................................................... 430 
11. EXTINÇÃO DO CONTRATO ................................................................................................ 431 
12. MEIOS ALTERNATIVOS DE RESOLUÇÃO DE CONTROVÉRSIAS ................................. 433 
12.1. ARBITRAGEM ................................................................................................................... 434 
12.2. MEDIAÇÃO E CONCILIAÇÃO .......................................................................................... 435 
12.3. COMITÊ DE SOLUÇÃO DE CONTROVÉRSIAS ............................................................. 435 
13. RESPONSABILIDADE CIVIL CONTRATUAL...................................................................... 436 
14. INFRAÇÕES E SANÇÕES ADMINISTRATIVAS ................................................................. 437 
14.1. INFRAÇÕES ...................................................................................................................... 437 
14.2. SANÇÕES ......................................................................................................................... 439 
14.2.1. Advertência ................................................................................................................ 439 
14.2.2. Multa ........................................................................................................................... 439 
14.2.3. Impedimento de licitar e de contratar........................................................................ 439 
14.2.4. Declaração de inidoneidade para licitar ou contratar ................................................ 441 
14.3. INSTAURAÇÃO DE PROCEDIMENTO DE RESPONSABILIZAÇÃO ............................. 441 
14.4. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA ............................................. 441 
14.5. REABILITAÇÃO ................................................................................................................ 442 
15. CONTROLE .......................................................................................................................... 442 
16. PORTAL NACIONAL DE CONTRATAÇÕES PÚBLICAS (PNCP) ...................................... 445 
 
 
 
 
 
 
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APRESENTAÇÃO 
 
Olá! 
Inicialmente gostaríamos de agradecer a confiança em nosso material. Esperamos que seja 
útil na sua preparação, em todas as fases. Quanto mais contato temos com uma mesma fonte de 
estudo, mais familiarizados ficamos, o que ajuda na memorização e na compreensão da matéria. 
O Caderno Sistematizado de Direito Administrativo foi integralmente reformulado, a base foi 
feita com as aulas da Professora Fernanda Marinela e do Professor Barney Bichara, 
complementado em alguns pontos com os Livros: Manual de Direito Administrativo (Renério Castro 
Júnior), Curso de Direito Administrativo (Rafael Carvalho Rezende Oliveira). 
Na parte jurisprudencial, utilizamos os informativos do site Dizer o Direito 
(www.buscadordizerodireito.com.br), os livros: Principais Julgados STF e STJ Comentados, Vade 
Mecum de Jurisprudência Dizer o Direito, Súmulas do STF e STJ anotadas por assunto (Dizer o 
Direito). Destacamos: é importante você se manter atualizado com os informativos, reserve um dia 
da semana para ler no site do Dizer o Direito. 
Ademais, no Caderno constam os principais artigos da lei, mas, ressaltamos, que é 
necessária leitura conjunta do seu Vade Mecum, muitas questões são retiradas da legislação. 
Como você pode perceber, reunimos em um único material diversas fontes (aulas + doutrina 
+ informativos + súmulas + lei seca + questões) tudo para otimizar o seu tempo e garantir que você 
faça uma boa prova. 
Por fim, como forma de complementar o seu estudo, não esqueça de fazer questões. É muito 
importante!! As bancas costumam repetir certos temas. 
Vamos juntos!! Bons estudos!! 
Equipe Cadernos Sistematizados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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NOÇÕES INTRODUTÓRIAS DO DIREITO ADMINISTRATIVO 
1. CONCEITOS INICIAIS 
Antes de analisarmos todos os pontos do Direito Administrativo, é importante relembrarmos 
alguns conceitos básicos. 
• Direito – consiste em um conjunto de normas impostas coativamente por um Estado 
politicamente organizado, com a função de disciplinar a vida em sociedade, permitindo 
a coexistência pacífica entre os seres que convivem em sociedade. 
• Direito posto – trata-se do direito vigente na nossa sociedade. 
• Direito interno – estabelece os princípios jurídicos vigentes em cada Estado, 
respeitando os limites de sua soberania. 
• Direito internacional – regras superiores aceitas reciprocamente pelos Estados, 
visando harmonia entre as Nações, bem como os indivíduos que as compõem nas suas 
relações externas. 
Salienta-se que o Direito (hoje, apenas para fins didáticos) é dividido ainda em Direito 
Privado e Direito Público. 
 
• Ordem Pública – são regras imperativas e inafastáveis pela vontade das partes, ou seja, 
mesmo que as partes queiram tais regras não poderão deixar de ser aplicadas. 
É importante que fique claro: Ordem Pública não é sinônimo de Direito Público, o leque de 
normas de ordem pública é mais amplo do que o Direito Público. Há, inclusive, normas de ordem 
pública que são aplicadas ao Direito Privado, a exemplo dos impedimentos para o casamento. 
DIREITO PÚBLICO
Normas que disciplinam as relações 
jurídicas, tendo o Estado como parte, em 
questões internas ou internacionais, 
cuidando reflexamente das questões 
individuais
Direito Administrativo, Direito 
Constitucional, Direito Penal, Direito 
Tributário, etc.
DIREITO PRIVADO
Rege as relações entre particulares, 
tutelando, sobretudo, os interesses 
individuais, de modo a assegurar a 
convivência harmômica das pessoas em 
sociedade.
Direito Civil, Direito Empresarial, etc.
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Obs.: TODO o direito público é de ordem pública, mas nem toda ordem 
pública é de direito público, uma vez que também pode ser de direito 
privado. 
2. ORIGEM DO DIREITO ADMINISTRATIVO 
O Direito Administrativo, como ramo autônomo, ganhou seus primeiros contornos com a 
Revolução Francesa, de 1789, e com o surgimento do Estado de Direito. Até então, vigorava o 
Estado Absolutista, com a confusão entre a figura do rei e do Estado (“O Estado sou EU”), que se 
autoproclamava um representante de Deus na terra. Consequentemente, entendia-se que o 
rei/Estado não cometia erros, não tinha responsabilidade pelos seus atos. 
Após a Revolução Francesa, o Estado passa a ser limitado pelo direito, basicamente em três 
aspectos1: 
• Princípio da legalidade – o Estado só poderia agir quando expressamente autorizado 
pela lei (até hoje prevalece). O Estado está submisso à lei (Estado do Direito), deixando 
de lado a liberdade absoluta e arbitrária do Antigo regime, substituindo-se o governo dos 
homens pelo governo das leis; 
• Princípio da separação de poderes – há a descentralização do poder, que passa a ser 
exercido por três órgãos (Legislativo, Judiciário e Executivo). Incidindo o sistema de 
freios e contrapesos; 
• Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão – reconhecimento de direitos 
fundamentais que deveriam ser promovidos e protegidos pelo Estado. Eventual violação 
a tais direitos poderia gerar a responsabilidade do Estado. 
Considera-se a Lei 28 pluviose do ano de VIII de 1800 como a “certidão de nascimento” do 
Direito Administrativo, tendo em vista que previa normas de organização administrativa e de solução 
de conflitos contra a Administração Pública. 
O julgamento do caso Arrêt Blanco, em 1873, é apontado pela doutrina brasileira como o 
marco inicial do Direito Administrativo, pois foi a primeira vez que o Tribunal Francês afirmou que 
se tratava de um ramo autônomo do direito, criando premissas para o julgamento da 
responsabilidade civil do estado. 
3. CONCEITO DE DIREITO ADMINISTRATIVO 
3.1. DEFINIÇÃO 
 
1 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de Direito Administrativo. 7ª Ed. Rio de Janeiro: Forense; São 
Paulo: Método, 2019, pg. 2 e 3. 
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 16 
 
Segundo Rafael Oliveira2, “trata-se do ramo do Direito Público que tem por objeto as regras 
e os princípios aplicáveis à atividade administrativa (prestada pelo próprio Estado ou por 
particulares quando prestam serviço público) preordenada à satisfação dos direitos 
fundamentais”. 
Fernanda Marinela3, por sua vez, entende que “é o ramo do Direito Público Interno que tem 
como objeto a busca pela coletividade e pelo interesse público”. 
Perceba que os dois conceitos mencionados acima possuem objetos diversos, isto porque 
não há na doutrina consenso sobre a definição do objeto do Direito Administrativo. Prova 
disso é que, ao longo do tempo, inúmeros critérios foram utilizados para conceituar o Direito 
Administrativo. 
A seguir iremos analisar critérios mais cobrados em concursos públicos que tentam definir o 
objeto do Direito Administrativo, são eles: 
• Critério Exegético ou Legalista (Escola Francesa); 
• Critério das Prerrogativas Públicas; 
• Escola do Serviço Público; 
• Critério do Poder Executivo; 
• Critério das RelaçõesJurídicas; 
• Critério Residual ou Negativo; 
• Critério Teleológico; 
• Critério da Distinção da Atividade Jurídica e Atividade Social do Estado; 
• Critério da Administração Pública (Adotado pelo Brasil). 
3.2. CRITÉRIO EXEGÉTICO OU LEGALISTA (ESCOLA FRANCESA) 
Em um primeiro momento, os doutrinadores limitavam-se a compilar as leis existentes e a 
interpretá-las com base na jurisprudência dos tribunais administrativos. Entendiam o Direito 
Administrativo como sinônimo de direito positivo (Cretella Júnior). Aqui, o objeto do Direito 
Administrativo exclui de sua abrangência a doutrina, os costumes e os princípios gerais do direito. 
Não é aceito pela doutrina moderna, tendo em vista que não é possível estudar a legislação 
administrativa de forma estanque e isolada. 
 
2 Obra citada, página 3. 
3 MARINELA, Fernanda. Manual de Direito Administrativo. 16ª Ed – São Paulo: Editora Juspodivm, 2022. 
Página 26. 
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3.3. CRITÉRIO DAS PRERROGATIVAS PÚBLICAS (ESCOLA DA PUISSANCE 
PUBLIQUE ou POTESTADE PÚBLICA) 
De acordo com o critério das prerrogativas públicas, o Direito Administrativo é o conjunto de 
princípios e regras que disciplinam e estruturam os poderes públicos, necessários à realização 
do bem comum. Em outras palavras, a ordem jurídica confere poderes públicos (prerrogativas) à 
Administração para que realize o bem comum. 
Di Pietro destaca que a teoria parte da distinção entre atividades de autoridade e 
atividades de gestão; nas primeiras, o Estado atua com autoridade sobre os particulares, tomando 
decisões unilaterais, regidas por um direito exorbitante do direito comum, enquanto nas segundas 
atua em posição de igualdade com os cidadãos, regendo-se pelo direito privado4. 
Aqui, surge a clássica divisão entre atos de império e atos de gestão. 
 
Não foi satisfatória, porque deixa fora de seu âmbito toda uma série de atos praticados sem 
prerrogativas públicas e que também são regidos pelo direito público. É o caso, por exemplo, dos 
atos negociais, que decorrem da vontade comum de ambas as partes. 
Como o tema foi cobrado em concurso público? 
(Procurador Autárquico – FCC – 2021): A discussão teórica sobre o 
conceito de Direito Administrativo se estabeleceu, a partir do debate 
acadêmico europeu do Século XIX, em torno de determinados traços 
distintivos da disciplina. Dentre as escolas que então se formaram, aquela 
que enfatizava a importância da distinção entre “atos de império” e “atos de 
gestão”, para fins de definição do campo científico jus administrativo, é a 
escola da puissance publique ou potestade pública. Correto! 
 
(TRF1 – CESPE – 2017): Segundo a escola da puissance publique, as 
prerrogativas e os privilégios que o Estado possui frente ao particular 
constituem um critério definidor do direito administrativo. Correto! 
 
(TRF1 – CESPE – 2017): A escola da puissance publique distingue-se da 
escola do serviço público por conceituar o direito administrativo pela coerção 
e pelas prerrogativas inerentes aos atos de império, diferenciando-os dos 
atos de gestão. Correto! 
 
4 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo – 30.ed. Rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: 
Forense, 2017. 
Atos de 
Império
São atos regidos de poder, 
autoridade e prerrogatova, que o 
Estado pratica na qualidade de 
autoridade vertical
Atos de 
Gestão
São aqueles praticados pelo Estado 
sem prerrogativas públicas, despido 
da sua qualidade de autoridade. 
Trata-se de atos regidos pelo direito 
privado. 
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3.4. CRITÉRIO DO SERVIÇO PÚBLICO 
De acordo com este critério, o Direito Administrativo é o conjunto de princípios e regras que 
disciplina a organização e o funcionamento do serviço público (em sentido amplo). À época 
abrangia praticamente toda a atuação do Estado, inclusive atividades industriais e comerciais por 
ele exploradas. 
Renério de Castro Júnior5 salienta que “tendo como objeto o serviço público, caberia ao 
Direito Administrativo disciplinar relações tipicamente pertencentes a outros ramos da ciência 
jurídica, por exemplo, a exigibilidade e aplicabilidade das normas constitucionais que previssem 
direitos de particulares a prestação de serviços pelo Estado. Ademais o Direito Administrativo 
abrangeria ainda as atividades comercial e industrial do Poder Público, matéria que, é cediço, 
submete-se ao Direito Privado, por força do princípio da livre concorrência”. 
A expressão serviço público não serve para definir o objeto do Direito Administrativo, isto 
porque pelo significado de alguns ultrapassa seu objeto (sentido amplo) e pelo de outros exclui 
matérias (sentido estrito) a ele pertinentes. O conceito não faz nenhuma distinção entre a atividade 
jurídica do Estado (por exemplo, quando exerce seu poder de polícia) e o serviço público que é a 
atividade material (atuação para a satisfação de necessidades coletivas da comunidade). 
Obs.: Conforme leciona o Prof. Barney Bichara, o Direito 
Administrativo, ainda hoje, em determinadas situações, utiliza a 
expressão “serviço público” em sentido amplo. É o que ocorre com o 
Princípio da Continuidade do Serviço Público, em que a expressão é 
utilizada como atividade estatal voltada ao bem comum. 
3.5. CRITÉRIO DO PODER EXECUTIVO 
O Direito Administrativo é o conjunto de princípios e regras que disciplina a organização e 
o funcionamento do Poder Executivo, desconsiderava os demais poderes (Legislativo e 
Judiciário). 
Esse critério também é insuficiente, porque os outros Poderes podem exercer atividade 
administrativa, bem como o Poder Executivo exerce, além de sua função específica, as funções de 
governo, que não constituem objeto de estudo do Direito Administrativo. 
3.6. CRITÉRIO DAS RELAÇÕES JURÍDICAS 
O Direito Administrativo é o conjunto de princípios e regras que disciplina todas as relações 
jurídicas do Estado, ou seja, as relações entre a Administração e os administrados. 
O critério das relações jurídicas também revelou-se inaceitável, porque outros ramos do 
direito, como o constitucional, o penal, o processual, o eleitoral, o tributário, também têm por objeto 
 
5 CASTRO, Renério. Manual de Direito Administrativo – 2ª Ed – São Paulo: Editora Juspodivm, 2022. Página 
48. 
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relações dessa natureza. Além disso, o critério é insuficiente, porque reduz o objeto do Direito 
Administrativo, que abrange ainda a organização interna da Administração Pública, a atividade que 
ela exerce e os bens de que se utiliza6. 
3.7. CRITÉRIO TELEOLÓGICO 
O Direito Administrativo nada mais é do que um conjunto harmônico de princípios e regras 
que regulam a atividade material e concreta do Estado para o cumprimento de seus fins, na 
busca do interesse público. 
Foi o critério adotado por Oswaldo Aranha Bandeira de Mello, com algumas ressalvas. 
Ainda é um critério insuficiente, precisa de complemento. 
Como o tema foi cobrado em concurso público? 
(PGE/ES – CESPE – 2023): Aqueles que consideram o direito administrativo 
como o sistema dos princípios jurídicos que regulam a atividade do Estado 
para o cumprimento dos seus fins, compreendendo as normas que 
disciplinam a atividade concreta para a consecução de sua finalidade, adotam 
o critério. Correto. 
 
(PGE/PE – CESPE – 2019): De acordo com o critério teleológico, o direito 
administrativo é um conjunto de normas que regem as relações entre a 
administração e os administrados. Errado! Trata-se da definição do critério 
das relações jurídicas. 
3.8. CRITÉRIO RESIDUAL (NEGATIVO) 
O Direito Administrativo é definido por exclusão, não se preocupa com a atividade legislativa, 
nem com a atividade jurisdicional, então o “resto” seria Direito Administrativo. Assim, o Direito 
Administrativo tem por objeto asatividades desenvolvidas para a consecução dos fins estatais, 
excluídas a legislação e a jurisdição. 
Em sentido POSITIVO, o Direito Administrativo compreende todos os institutos jurídicos 
pelos quais o Estado busca a efetivação dos seus fins; todavia, no sentido NEGATIVO, o Direito 
Administrativo seria definido excluindo-se das atividades do Estado a legislação e a jurisdição e 
ainda as patrimoniais, regidas pelo direito privado. 
O critério residual sofre severas críticas, isto porque nunca se deixou de aplicar o direito 
privado à Administração Pública. Não há dúvidas de que, com muita frequência, utiliza institutos do 
direito privado, levando os autores a falarem em Direito Administrativo em sentido amplo ou direito 
público administrativo (que abrange o Direito Administrativo propriamente dito e o direito privado 
utilizado pela Administração) e Direito Administrativo em sentido restrito ou direito privado 
administrativo (que abrange o direito privado utilizado pela Administração Pública)7. 
 
6 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Obra citada, página 114. 
7 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Obra citada, página 115. 
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3.9. CRITÉRIO DE DISTINÇÃO DA ATIVIDADE JURÍDICA E ATIVIDADE SOCIAL DO 
ESTADO 
O Direito Administrativo é o conjunto de princípios e regras que disciplina a atividade 
administrativa, bem como os sujeitos incumbidos de prestá-la. 
Não se estuda atividade social do estado, estuda-se a atividade jurídica. Por exemplo, a 
escolha da política pública não é atividade do Direito Administrativo é da relação social, econômica. 
O que interessa ao Direito Administrativo é a atividade JURÍDICA na implementação da política, o 
Direito Administrativo viabiliza sua implementação. 
É o critério adotado por Cretella Júnior, segundo o qual o Direito Administrativo é o ramo do 
direito público interno que regula a atividade jurídica não contenciosa do Estado e a constituição 
dos órgãos e meios de sua ação em geral. 
3.10. CRITÉRIO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
É o critério adotado por Hely Lopes Meirelles, Maria Sylvia Zanella Di Pietro, Celso Antônio 
Bandeira de Mello e Marçal Justen Filho. 
Hely Lopes Meirelles: Direito Administrativo é um conjunto harmônico de princípios e regras, 
que vai disciplinar os órgãos, os agentes, a atividade administrativa (independentemente de 
quem a exerça: Poder Executivo, Poder Judiciário ou Poder Legislativo), realizando de forma direta, 
concreta e imediata, os fins desejados pelo Estado (quem define os fins do estado é o Direito 
Constitucional, aqui será materializado o que foi preconizado pelo Direito Constitucional). 
• “Direta”: a atuação independe de provocação, fica afastada a função jurisdicional do 
Estado, que representa uma atuação indireta, uma vez que a jurisdição é inerte; 
• “Concreta”: afasta a atuação abstrata do Estado, que é característica típica da função 
legislativa; 
• “Imediata”: corresponde à atividade administrativa exercida pelo Estado, que não se 
confunde com a sua função social, caracterizada como função mediata desse ente. 
Celso Antônio: Direito Administrativo é o ramo do direito público que disciplina a função 
administrativa, bem como as pessoas e órgãos que a exercem. 
Salienta-se que Celso Antônio Bandeira de Mello faz ressalvas ao conceito aqui adotado. 
Segundo esse doutrinador, o Direito Administrativo não pode ser um conjunto de normas e 
princípios que disciplina a função administrativa e os órgãos que a exercem, porque considera a 
integralidade de tudo o que estivesse compreendido na função administrativa, o que não ocorre, 
tendo em vista que uma parcela dessas atividades é tratada por outros ramos, como o Direito 
Tributário, o Financeiro, o Previdenciário e outros. O autor pede cuidado com a integralidade e alerta 
para a existência de função administrativa fora do Direito Administrativo (MARINELA, 2022. p. 30). 
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Marçal Filho: Direito Administrativo é o conjunto das normas jurídicas de Direito Público que 
disciplinam as atividades necessárias à realização dos direitos fundamentais e a organização e o 
funcionamento das estruturas estatais e não estatais encarregadas de seu desempenho. 
Di Pietro: o Direito Administrativo é o ramo do direito público que tem por objeto os órgãos, 
agentes e pessoas jurídicas administrativas que integram a Administração Pública, a atividade 
jurídica não contenciosa que exerce e os bens de que se utiliza para a consecução de seus fins, de 
natureza pública (é o mais cobrado nas provas). 
4. CONSTITUCIONALIZAÇÃO DO DIREITO ADMINISTRATIVO 
Após a 2ªGM, houve uma constitucionalização do direito, inclusive do Direito Administrativo. 
Aqui, é importante destacarmos dois grandes marcos: pós-positivismo e o neoconstitucionalismo. 
a) PÓS-POSITIVISMO 
O Estado que age apenas observando a legislação não é Democrático, isso porque a 
escravidão, por exemplo, era baseada na lei, assim como o holocausto. Desta forma, observar a lei 
não é suficiente para garantir um Estado Democrático, deve-se observar princípios que vão além 
das leis, a fim de assegurar a dignidade das pessoas e os direitos fundamentais. 
b) NEOCONSTITUCIONALISMO 
Para o Direito Administrativo, parte da premissa de que os princípios possuem força 
normativa, mesmo sem previsão legal. 
Observe exemplos da força normativa dos princípios da jurisprudência do STF: 
STF RE 579951 – A vedação ao nepotismo não exige a edição de lei formal 
para coibir a prática, dado que essa proibição decorre diretamente dos 
princípios contidos no art. 37, caput, da Constituição Federal. 
 
STF RE 570908 I - O direito individual às férias é adquirido após o período de 
doze meses trabalhados, sendo devido o pagamento do terço constitucional 
independente do exercício desse direito; II - A ausência de previsão legal não 
pode restringir o direito ao pagamento do terço constitucional aos servidores 
exonerados de cargos comissionados que não usufruíram férias. 
 
STF RE 592581 - É lícito ao Judiciário impor à Administração Pública 
obrigação de fazer, consistente na promoção de medidas ou na execução de 
obras emergenciais em estabelecimentos prisionais para dar efetividade ao 
postulado da dignidade da pessoa humana e assegurar aos detentos o 
respeito à sua integridade física e moral, nos termos do que preceitua o art. 
5º, XLIX, da Constituição Federal, não sendo oponível à decisão o argumento 
da reserva do possível nem o princípio da separação dos poderes. 
 
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Por fim, Rafael Oliveira8 menciona quatro importantes mudanças que a constitucionalização 
trouxe ao Direito Administrativo: 
a) A redefinição da ideia de supremacia do interesse público sobre o privado e ascensão 
do princípio da ponderação de direitos fundamentais; 
b) A superação da concepção do princípio da legalidade como vinculação positiva do 
administrador à lei e a consagração da vinculação direta à Constituição; 
c) A possibilidade de controle judicial da discricionariedade a partir dos princípios 
constitucionais, deixando-se de lado o paradigma da incindibilidade do mérito 
administrativo; 
d) A releitura da legitimidade democrática da Administração, com a previsão de 
instrumentos de participação dos cidadãos na tomada de decisões administrativas 
(consensualidade na Administração). 
Como o tema foi cobrado em concurso: 
(TJ/SC Cartório – CESPE – 2023): Um dos efeitos da constitucionalização 
do direito administrativo é a ampliação do poder discricionário do 
administrador. Errado, isto porque a releitura do direito administrativo à luz 
das normas constitucionais propicia um maior controle dos atos da 
Administração, em especial dos atos discricionários, como, por exemplo, 
através da aplicação dos princípiosda razoabilidade e da proporcionalidade, 
extraídos da Constituição, em ordem a se estabelecer limites à prática de atos 
que eventualmente extrapolem parâmetros aceitáveis do ponto de vista do 
interesse coletivo, resultando em sua invalidação. 
 
(TJ/SC Cartório – CESPE – 2023): Somente na perspectiva 
neoconstitucionalista, é possível indicar a Constituição como fonte primária 
do direito administrativo. Errado. 
5. COMPETÊNCIA PARA LEGISLAR 
Em regra, a União, Estados, Municípios e Distrito Federal possuem competência para 
legislar sobre Direito Administrativo. A competência legislativa, em matéria de Direito Administrativo, 
decorre do sistema federalista positivado na CF/88, cada ente é autônomo, possuindo competência 
para se auto-organizar. 
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos 
Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado 
Democrático de Direito e tem como fundamentos: 
 
A autonomia se desdobra em três regras: 
 
8 Obra citada, p. 15. 
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CAPACIDADE DE AUTO 
CONSTITUIÇÃO 
CAPACIDADE DE 
AUTOGOVERNAR 
CAPACIDADE DE AUTO-
ORGANIZAÇÃO 
Cada ente federado possui 
capacidade para se auto 
constituir, por isso há 
Constituição Federal, 
Constituição Estadual e Lei 
Orgânica 
Cada ente federado possui 
capacidade para seu governo, 
por isso há eleições nacionais, 
estaduais e municipais 
Cada ente federado possui 
autonomia para organizar suas 
atividades, seus bens e 
serviços, seu orçamento etc. 
 
A União, Estados e o Distrito Federal possuem competência concorrente sobre o Direito 
Administrativo, conforme art. 24, da CF. Os Municípios, entretanto, possuem competência 
suplementar, em relação aos assuntos de interesse local, nos termos do art. 30, I, da CF. 
Por exemplo, quando se fala em gás canalizado, a Administração Pública é o Estado; 
quando se fala em coleta de lixo, a Administração Pública é o Município. 
Vale salientar que a doutrina escolheu como parâmetro a lei federal. Assim, ao estudar a 
organização da Administração Pública, analisa-se uma lei federal, mas cada Estado e Município 
possuem suas próprias leis que tratam sobre os mais variados assuntos de Direito Administrativo. 
Por exemplo, a Lei 8.112/90, Estatuto do Servidor Público Federal, é aplicada apenas para a União, 
não se aplica aos Estados e Municípios. Nada impede, contudo, que o Estado edite uma lei 
prevendo que irá aplicar a Lei 8.112/90 aos seus servidores. Além disso, conforme entendimento 
do STF, o uso de analogia não viola o Princípio da Legalidade, sendo possível que um Município 
que não tenha, por exemplo, lei sobre processo administrativo, utilize a lei federal. 
Observe a Súmula 633 do STJ: 
Súmula 633, STJ: A Lei 9.784/1999, especialmente no que diz respeito ao 
prazo decadencial para a revisão de atos administrativos no âmbito da 
Administração Pública federal, pode ser aplicada, de forma subsidiária, aos 
estados e municípios, se inexistente norma local e específica que regule 
a matéria. 
 
Há casos em que a CF afirma que compete privativamente à União legislar, estabelecendo 
a extensão da sua competência legislativa, como exemplo o art. 22, II e XXV. Perceba, portanto, 
que apenas a União irá legislar sobre desapropriação, mas isso não impede que os Estados/DF e 
Municípios façam desapropriação. 
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: 
II - Desapropriação; 
(...) 
 XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá 
usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização 
ulterior, se houver dano 
 
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 24 
 
Em outras hipóteses, a CF determina a competência da União para legislar sobre regras 
gerais, como ocorre no art. 22, XXVII. Assim, por exemplo, quando o assunto for licitação e 
contratação a União irá tratar das normas gerais, cabendo aos Estados/DF e Municípios legislar 
especificamente sobre tais assuntos. 
Art. 22, XXVII – normas gerais de licitação e contratação, em todas as 
modalidades, para as administrações públicas diretas, autárquicas e 
fundacionais da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, obedecido o 
disposto no art. 37, XXI, e para as empresas públicas e sociedades de 
economia mista, nos termos do art. 173, § 1°, III; 
6. INTERPRETAÇÃO DO DIREITO ADMINISTRATIVO 
O Direito Administrativo é um conjunto de princípios e regras regidos pelo regime jurídico de 
direito público, que requer regras de interpretação próprias, como veremos nos próximos itens. 
6.1. RECONHECIMENTO DE UMA RELAÇÃO JURÍDICA DE DESIGUALDADE ENTRE 
ADMINISTRAÇÃO E ADMINISTRADOS 
A Administração e os administrados encontram-se em posições jurídicas diversas. Trata-se 
de uma relação jurídica desigual, definida por um traço de verticalidade, já que a Administração 
ostenta a qualidade de Poder Público com prerrogativas e superioridade. 
Isto ocorre porque os interesses são diferentes, de um lado há o interesse público e de outro 
o interesse privado. Em razão da supremacia, o interesse público deve predominar sobre o interesse 
particular. 
Desta relação decorrem os poderes administrativos. No dizer de Celso de Mello: “quem quer 
os fins oferece os meios”. A ordem jurídica oferece à Administração meios para submeter a vontade 
individual ao bem-estar coletivo, através dos poderes administrativos (poder de polícia, poder 
disciplinar, poder regulamentar, poder hierárquico). 
6.2. RECONHECIMENTO DE UMA PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE DOS ATOS DA 
ADMINISTRAÇÃO 
Os atos da Administração Pública possuem fé pública, ou seja, ao praticar determinado ato 
presume-se que é verdadeiro e legítimo. Por exemplo, ato administrativo de crédito tributário, IPTU. 
A competência é do Município, possuindo como base de cálculo o valor venal do imóvel, que é 
definido pelo Município, presume-se que é um ato legítimo, praticado conforme a lei. 
Ressalta-se que a presunção é relativa, admitindo prova em contrário. Desta forma, o 
contribuinte, no exemplo acima, poderá demonstrar que o valor venal está equivocado, afasta a 
presunção e faz um novo cálculo. 
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O art. 156, IV da Lei 14.133/2021 ao prever a declaração de idoneidade para licitar e 
contratar com a Administração Pública, no caso de inexecução de contrato, é um exemplo deste 
reconhecimento, a simples declaração da Administração já impede a contratação com qualquer 
outro ente administrativo, o ato presume-se verdadeiro e legítimo. 
Art. 156. Serão aplicadas ao responsável pelas infrações administrativas 
previstas nesta Lei as seguintes sanções: 
IV - declaração de inidoneidade para licitar ou contratar. 
6.3. RECONHECIMENTO DE PODERES DISCRICIONÁRIOS EM FAVOR DA 
ADMINISTRAÇÃO 
Por poder discricionário, também chamado de discricionariedade, entende-se a liberdade 
que a lei confere à Administração para ponderar o binômio oportunidade e conveniência, decidindo 
aquilo que melhor satisfaça o interesse público. 
1ª Hipótese: Quando há expressa previsão legal 
A lei prevê que o administrador poderá atuar com discricionariedade. Por exemplo, quando 
ocorre a nomeação para cargo em comissão (livre nomeação e livre exoneração) ou quando a lei 
prevê as hipóteses em que a licitação é dispensável (art. 75 da Lei 14.133/2021). 
2ª Hipótese: Quando a lei não é capaz de descrever todas as situações enfrentadas pela 
Administração 
 A Administração faz o que a lei determina. Contudo, há casos em que a lei não foi 
capaz de descrever todas as formas de atuação da Administração, que poderá usar seu poder 
discricionário para decidir. 
Exemplo: perigo iminente – vários são os casos e hipóteses de perigo iminente. Caberá à 
administração olhar o caso concreto e apontar o que seja ounão, a partir de um juízo de 
oportunidade e conveniência. 
3ª Hipótese: Quando a lei atribui uma competência, mas não descreve o modo de exercê-
la. Aqui, a discricionariedade está na forma como a competência será exercida, já que a lei não fixa 
o modo de exercê-la. 
Cita-se, como exemplo, o art. 261 do CTB, o qual prevê os casos em que será imposta a 
penalidade de suspensão do direito de dirigir. Note que caberá à Administração definir o período de 
suspensão, a lei atribui a competência, mas não fixa o modo como deverá ser exercida. 
OBS.: o poder discricionário é limitado pelo princípio da legalidade, 
pela razoabilidade, pela proporcionalidade e pelo controle judicial. 
6.4. APLICAÇÃO DA LINDB 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 26 
 
Em 2018, a LINDB foi alterada a fim de incluir regras de interpretação na esfera 
administrativa. 
Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá 
com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as 
consequências práticas da decisão. 
Parágrafo único. A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da 
medida imposta ou da invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma 
administrativa, inclusive em face das possíveis alternativas. 
 
Art. 22. Na interpretação de normas sobre gestão pública, serão 
considerados os obstáculos e as dificuldades reais do gestor e as exigências 
das políticas públicas a seu cargo, sem prejuízo dos direitos dos 
administrados. 
§ 1º Em decisão sobre regularidade de conduta ou validade de ato, contrato, 
ajuste, processo ou norma administrativa, serão consideradas as 
circunstâncias práticas que houverem imposto, limitado ou condicionado a 
ação do agente. 
§ 2º Na aplicação de sanções, serão consideradas a natureza e a gravidade 
da infração cometida, os danos que dela provierem para a administração 
pública, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e os antecedentes do 
agente. 
§ 3º As sanções aplicadas ao agente serão levadas em conta na dosimetria 
das demais sanções de mesma natureza e relativas ao mesmo fato. 
 
Art. 23. A decisão administrativa, controladora ou judicial que estabelecer 
interpretação ou orientação nova sobre norma de conteúdo indeterminado, 
impondo novo dever ou novo condicionamento de direito, deverá prever 
regime de transição quando indispensável para que o novo dever ou 
condicionamento de direito seja cumprido de modo proporcional, equânime e 
eficiente e sem prejuízo aos interesses gerais. 
 
Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto 
à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja 
produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da 
época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação 
geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. 
Parágrafo único. Consideram-se orientações gerais as interpretações e 
especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em 
jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por 
prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público 
7. FONTES DO DIREITO ADMINISTRATIVO 
Considerando que o direito não é uma ciência natural e sim resultado de uma construção 
social, as fontes do direito são os meios pelos quais o direito se revela e se torna obrigatório. 
7.1. LEI 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 27 
 
É a principal fonte, é a fonte primária. 
É a lei em sentido amplo, portanto, abrange as normas constitucionais, a legislação 
infraconstitucional, os regulamentos administrativos e os tratados internacionais. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PC/SP – VUNESP - 2014): O conceito de Direito Administrativo é peculiar e 
sintetiza-se no conjunto harmônico de princípios jurídicos que regem os 
órgãos, os agentes e as atividades públicas tendentes a realizar concreta, 
direta e imediatamente os fins desejados pelo Estado. A par disso, é fonte 
primária do Direito Administrativo a jurisprudência. Errado! A fonte primária 
do Direito Administrativo é a lei, em sentido amplo. 
 
(PC/PE – CESPE - 2016): Considerando as fontes do direito administrativo 
como sendo aquelas regras ou aqueles comportamentos que provocam o 
surgimento de uma norma posta, a lei é uma fonte primária e deve ser 
considerada em seu sentido amplo para abranger inclusive os regulamentos 
administrativos. Correto! 
Trata-se da ideia de juridicidade segundo a qual o administrador deve respeitar a lei e o 
direito. Em virtude do processo de constitucionalização do ordenamento jurídico, o Direito 
Administrativo deve ser (re) interpretado à luz do texto constitucional9. 
OBS: STF - hierarquia: CF → LC/LO → Regulamentos, atos 
administrativos – STF chamou de estrutura escalonada, hierarquizada, 
esta estrutura guarda uma relação de “compatibilidade vertical”, isto 
nada mais é do que reconhecer que as normas inferiores devem ser 
compatíveis com as normas superiores e todas com a CF. Se o ato 
contraria a lei, ele é um ato ilegal (se a lei contraria a CF há a 
inconstitucionalidade direta). Se ele desrespeitou a relação de 
compatibilidade vertical, ele é também um ato inconstitucional 
(inconstitucionalidade reflexa/oblíqua). 
7.2. DOUTRINA 
Resultado do trabalho dos estudiosos. Não vincula diretamente a atuação do Estado, mas 
influencia as decisões dos julgadores, tanto que muitas decisões são justificadas por meio da 
opinião técnica de doutrinadores relevantes. 
Trata-se de uma fonte secundária do Direito Administrativo. 
7.3. JURISPRUDÊNCIA 
 
9 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Obra citada, p. 23. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 28 
 
Consiste em decisões reiteradas dos tribunais sobre determinado tema. Conforme Rafael 
Oliveira10, a relevância do papel da jurisprudência é reforçada pelo fenômeno da judicialização do 
Direito e pelo reconhecimento da força vinculante de determinados entendimentos consagrados no 
âmbito do STF, com destaque para as decisões de mérito proferidas nas ações diretas de 
inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidades, bem como na hipótese de 
aprovação de súmula vinculante. 
Vale ressaltar que enquanto a jurisprudência é considerada fonte secundária do Direito 
Administrativo, a súmula vinculante e as decisões proferidas em controle concentrados apresentam-
se como fonte primária (direta ou principal), já que produz efeitos semelhantes ao da lei, obrigando 
todos os órgãos inferiores do Poder Judiciário e da Administração Pública (não vincula o STF e o 
Poder Legislativo)11. 
7.4. COSTUMES 
Também denominado de direito consuetudinário, significa a prática habitual de determinada 
conduta pelo povo (elemento objetivo), acreditando ser ela obrigatória (elemento subjetivo). O 
costume não cria e nem exime obrigação. 
COSTUME CONTRA LEGEM COSTUME SECUNDUM 
LEGEM 
COSTUME PRAETER 
LEGEM 
Nascem confrontando a lei. 
Não são admitidos 
Estão de acordo com a lei, a 
sua utilização é expressa (art. 
445, §2º do CC). 
Não se trata de hipótese de 
integração, uma vez que a 
própria norma determina o seu 
uso. 
É caso de subsunção. 
Não estão previstos em lei, 
utiliza-se para o 
preenchimento de lacunas. 
É a única forma de costumes 
que serve para colmatação. 
7.5. PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO 
Compõe a base, o alicerce da nossa ciência. Na sua maioria são regras implícitas no nosso 
ordenamento. 
Exemplo: é vedado no Brasil enriquecimento ilícito; ninguém pode se beneficiar de sua 
própria torpeza; quem causar dano a outrem terá de indenizar, não está escrito, mas são princípios 
gerais do direito. 
 
10 OLIVEIRA, Rafael CarvalhoRezende. Obra citada, p. 23 
11 CASTRO, Renério. Obra citada, p. 63. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 29 
 
7.6. PRECEDENTE ADMINISTRATIVO 
Os precedentes administrativos também devem ser considerados como fontes do Direito 
Administrativo. O precedente administrativo pressupõe a prática reiterada e uniforme de atos 
administrativos em situações similares. A força vinculante do precedente administrativo decorre da 
necessidade de segurança jurídica, de vedação da arbitrariedade, de coerência e de aplicação 
igualitária da ordem jurídica. 
Apenas em duas situações a Administração poderia se afastar do precedente: 
a) quando o ato invocado como precedente for ilegal; 
b) quando o interesse público, devidamente motivado, justificar a alteração do entendimento 
administrativo. 
Ganha força com a introdução do art. 30 à LINDB: 
Art. 30. As autoridades públicas devem atuar para aumentar a segurança 
jurídica na aplicação das normas, inclusive por meio de regulamentos, 
súmulas administrativas e respostas a consultas. (Incluído pela Lei nº 13.655, 
de 2018) (Regulamento) 
Parágrafo único. Os instrumentos previstos no caput deste artigo terão 
caráter vinculante em relação ao órgão ou entidade a que se destinam, até 
ulterior revisão. 
 
Conforme leciona Renério Jr12., os precedentes administrativos são fonte indireta do direito 
Administrativo, uma vez que a Administração não é obrigada a seguir decisões anteriores, as quais 
servem apenas de orientação para novas decisões. 
8. ESTADO, GOVERNO E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
8.1. ESTADO 
O Estado é uma pessoa jurídica de direito público com direitos e obrigações. 
Antigamente, vigorava no Brasil a Teoria da Dupla Imputação, em que a Pessoa Jurídica do 
Estado, a depender das atividades desempenhadas, poderia ser de direito público (no desempenho 
das atividades públicas) e de direito privado (nas atividades regidas pelo direito privado). 
Atualmente, não se fala mais em dupla imputação, as atividades do Estado são regidas pelo direito 
público. 
A seguir iremos analisar as espécies de Estado: liberal, social, democrático de direito ou 
pós-social. 
 
12 Obra citada. Página 65 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 30 
 
8.1.1. Estado Liberal 
Caracteriza-se pela ausência de intervenção estatal na ordem econômica e social. O Estado 
existe para garantir, basicamente, os direitos de primeira geração (propriedade, segurança). 
O “papel restrito” do Estado, no Estado Liberal, é decorrente do contexto histórico que se 
vivia. Lembre-se que com a Revolução Francesa saímos do absolutismo. Obviamente, era 
impossível que o Estado fosse totalmente excluído (viveríamos em um estado de natureza – “O 
Homem é o Lobo do Homem”), por isso seu papel ficou restrito aos direitos de primeira geração. 
O Estado Liberal tem forte influência nos EUA. 
Marcado pelo Poder de Polícia. 
8.1.2. Estado Social 
O Estado Liberal acabou gerando inúmeras desigualdades, entrando em crise (nos EUA foi 
a de 1929), já que não conseguiu satisfazer todos os anseios da sociedade. 
Na Europa, após as Guerras Mundiais, o Estado estava quebrado, era preciso um novo 
modelo. Optou-se, então, por um Estado Social marcado pelo intervencionismo na economia e no 
campo social, com a finalidade de reduzir desigualdades e de garantir direitos básicos à população 
(educação, saúde e outros direitos de segunda geração). 
Note que o Estado Social é um prestador de serviços, sua atuação é positiva para garantir 
os direitos fundamentais. Há um aumento na máquina administrativa (contratação de pessoas, 
criação de órgãos, hospitais, escolas), consequentemente, os custos do Estado acabam ficando 
elevados. 
Marcado pela prestação de serviços públicos. 
8.1.3. Estado Democrático de Direito ou Pós-social 
Novamente, o Estado entra em crise, tendo em vista que acaba gastando mais do que 
arrecadava e, ainda, não possuía eficiência na prestação dos serviços. 
No Brasil, na década de 90, com as EC 6 e 7 (abriram a economia para o capital estrangeiro) 
e as EC 5, 8 e 9 (atenuaram alguns monopólios estatais), bem como os programas nacionais de 
desestatização que visavam diminuir a interferência do Estado, há o início da transformação de uma 
Administração Pública burocrática para uma Administração Pública gerencial ou de resultados, 
voltada para efetividade dos direitos fundamentais, caminha-se para um Estado Democrático de 
Direito. Outro marco importante foi a EC 19/98 que introduziu o princípio da eficiência ao texto 
constitucional. 
O Estado Democrático de Direito visa a diminuição da interferência do Estado, transferindo 
algumas atividades para a iniciativa privada, mas se criam mecanismos que irão regular a atividade 
do mercado. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 31 
 
Marcado pelo Poder Regulamentador. 
8.1.4. Funções do Estado 
O Estado exerce uma função pública, significa dizer que sua atividade é exercida em nome 
de outra pessoa: O POVO. 
Função típica – é a função principal de cada Poder, assim: 
• Poder Legislativo – função típica é legislar através da elaboração de leis, função 
normativa que possui como principal característica o fato de ser abstrata, de estabelecer 
normas gerais e de produzir inovações primárias no mundo jurídico; 
• Poder Executivo – função típica é administrar, basicamente, corresponde à conversão 
da lei em ato individual e concreto. Não inova o ordenamento jurídico, é direita (não 
depende de provocação) e pode ser revertida pelo Poder Judiciário (não produz coisa 
julgada). 
• Poder Judiciário – função típica é jurisdicional, representa a aplicação coativa de leis aos 
litigantes, estabelece regras concretas, não produzindo inovações primárias no mundo 
jurídico. É uma função indireta, uma vez que depende de provocação e causa 
imutabilidade jurídica, ou seja, impossibilidade de mudança, produzindo coisa julgada. 
Função atípica – é a atuação do Poder em uma função diversa da principal. Por exemplo: 
• Senado julgando Presidente da República (exerce função jurisdicional); 
• Tribunal de Justiça realizando concurso público (exerce função administrativa); 
• Presidente da República editando medida provisória (exerce função legislativa). 
Segundo José dos Santos Carvalho Filho, é possível uma função, em certo momento 
considerada típica em razão de uma alteração do ordenamento jurídico vigente, converter-se em 
atípica, sendo o inverso também possível. Foi o que ocorreu, por exemplo, com o inventário e o 
divórcio feitos em cartório. 
8.1.5. Função de Governo ou Função Política 
Celso Antônio Bandeira de Mello conceitua uma quarta função, a função política ou de 
governo, a qual surge da existência de certos atos jurídicos que não se alocavam satisfatoriamente 
em nenhuma das clássicas três funções. Por exemplo, a iniciativa de lei do Poder Executivo, a 
sanção e o veto, a declaração do estado de sítio e do estado de defesa, a decretação de calamidade 
pública e a declaração de guerra, entre outros. 
Costuma-se dizer que os atos emanados no exercício da função política não são passíveis 
de apreciação pelo Poder Judiciário, desde que considerem como questões exclusivamente 
políticas aquelas que, dizendo respeito ao interesse da sociedade, não afetem direitos subjetivos. 
São exemplos de atos políticos: convocação extraordinária do CN, nomeação das CPIs, nomeações 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 32 
 
de Ministros dos Estados, relações com Estados estrangeiros, declaração de guerra e de paz, atos 
decisórios que implicam a fixação de metas, diretrizes e planos governamentais (estes serão 
executados pela Administração Pública – em sentido estrito – no exercício da função administrativa 
propriamente dita). 
8.2. GOVERNO 
É um dos elementos do Estado, juntamentecom povo e território. 
Trata-se do comando, da direção do Estado, que, na maioria das vezes, está nas mãos do 
chefe do executivo. Importante consignar que o Governo possui dois sentido, quais sejam: 
• Em sentido subjetivo, Governo são os órgãos constitucionais (executivo e legislativo) 
incumbidos da atividade política. 
• Em sentido objetivo, Governo é a própria atividade política, uma das atividades do 
Estado. 
Para que o Estado seja independente, o governo precisa ter SOBERANIA, ou seja, 
independência na ordem internacional e supremacia na ordem interna. 
8.3. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
Administração Pública possui vários significados, muitas vezes é utilizada como sinônimo de 
atividade administrativa ou como sinônimo da máquina administrativa (bens, agentes etc.). 
8.3.1. Administração em sentido amplo 
Neste sentido, refere-se ao Governo e à administração em sentido estrito. 
8.3.2. Administração em sentido estrito 
Refere-se à administração pública livre da ideia de Governo. É o objeto do Direito 
Administrativo. 
Possui dois critérios para sua definição, vejamos: 
CRITÉRIO 
FORMAL/ORGÂNICO/SUBJETIVO 
CRITÉRIO OBJETIVO/MATERIAL 
Máquina administrativa Atividade administrativa 
Conjunto de órgãos, pessoas e bens 
responsáveis pela função administrativa do 
Estado (há autores que entendem como 
sinônimo do próprio Estado) 
Conjunto de atividades desempenhadas pelo 
Estado, sob os termos e condições da lei, 
visando o atendimento das necessidades 
coletivas 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 33 
 
Aqui, a expressão Administração Pública 
deve ser escrita com letras iniciais 
maiúsculas. 
Aqui, a expressão administração pública 
deve ser grafada com letras minúsculas. 
 
Como foi cobrado em concurso: 
(MPE/SC – MPE/SC - 2016): A administração pública, no sentido subjetivo, 
designa o conjunto de órgãos e agentes estatais responsáveis por funções 
administrativas. No sentido objetivo, a administração pública é um complexo 
de atividades concretas visando o atendimento do interesse público. Correto! 
A doutrina também coloca uma segunda utilização para essa expressão ao estabelecer que 
a Administração Pública, de igual forma, pode ser conceituada como uma atividade neutra, 
normalmente vinculada à lei ou à norma técnica, exercendo uma conduta hierarquizada, sem 
responsabilidade constitucional e política, mas com responsabilidade técnica e legal pela execução. 
Assim, a Administração tem poder de decisão somente na área de suas atribuições e competência 
executiva, só podendo opinar sobre assuntos jurídicos, técnicos, financeiros ou de conveniência 
administrativa, sem qualquer faculdade de opção política. 
Enquanto o governo constitui atividade política de índole discricionária a administração 
implica na atividade exercida nos limites da lei e da norma técnica? Isto é administração? Sim, no 
critério material. 
Qual a distinção entre GOVERNO e ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA? Hely Lopes Meirelles: 
Governo é atividade política e discricionária; administração é atividade neutra, normalmente 
vinculada à lei ou à norma técnica. Governo é conduta independente; administração é uma conduta 
hierarquizada. 
A administração não pratica atos de governo; pratica, tão somente, atos de execução, com 
maior ou menor autonomia funcional, segundo a competência do órgão e de seus agentes. São os 
chamados atos administrativos. 
Em suma: 
 
 
 
 
 
 
9. SISTEMAS ADMINISTRATIVOS 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 34 
 
9.1. CONCEITO 
São os mecanismos de controle jurisdicional dos atos do poder público. 
O Estado de Direito funda-se em duas premissas: a da Legalidade (a administração está 
limitada ao cumprimento da lei) e do Controle Judicial (de nada adiantar submeter a administração 
à Lei, se não existe fiscalização). 
A ideia central é a de JURISDIÇÃO, uma das funções do Estado. Na jurisdição, o Estado, 
mediante provocação, aplica a lei ao caso concreto, com a finalidade de resolver conflitos sociais 
(contencioso), com definitividade (força de coisa julgada). 
Existem dois sistemas: o contencioso administrativo ou sistema francês e o sistema de 
jurisdição única ou sistema inglês. 
9.2. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO (SISTEMA FRANCÊS) 
O Contencioso Administrativo é também chamado de sistema francês ou sistema da 
dualidade de jurisdição. Neste sistema, há dualidade de jurisdição, pois, ao lado da jurisdição 
comum, existe uma jurisdição administrativa a quem compete o controle judicial dos atos da 
administração. 
 Quando a administração pratica um ato administrativo a revisão e o controle competem à 
própria administração. Desta forma, as decisões proferidas pela jurisdição administrativa não 
podem ser revistas pelo Poder Judiciário, fazendo coisa julgada material. 
Exceções (casos em que o poder judiciário poderia rever): 
a) Atividade pública de caráter privado (atividade praticada pelo Estado que está sujeita ao 
regime privado, exemplo: Estado atuando no comércio): Poder Judiciário 
b) Propriedade privada: Poder Judiciário. 
c) Repressão penal: Poder Judiciário. 
d) Ações ligadas à capacidade e o estado das pessoas: Poder Judiciário. 
Esse sistema se aplica na França até hoje, e não se aplica no Brasil. 
9.3. JURISDIÇÃO ÚNICA (SISTEMA INGLÊS) 
O sistema inglês é também chamado de jurisdição una ou sistema judicial. De acordo com 
este sistema, o Poder Judiciário monopoliza a jurisdição, ou seja, todos os litígios surgidos no 
âmbito social, de interesse da Administração Pública ou exclusivamente de particulares, serão 
solucionados pela jurisdição comum. 
É o sistema adotado pelo Brasil, isto porque apenas o Poder Judiciário pode proferir 
decisões com definitividade, ou seja, com força de coisa julgada material. Logo, nenhuma decisão 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 35 
 
proferida pela Administração Pública possui caráter definitivo em relação aos administrados, que 
podem ainda buscar o judiciário com o objetivo de alterar a decisão administrativa que não lhes 
tenha sido favorável13. 
Obs.: Coisa julgada administrativa significa tão somente que 
determinado assunto decidido na via administrativa não mais poderá 
sofrer alteração nessa mesma via administrativa, embora possa sê-lo 
na via judicial. Em outras palavras, é uma espécie de preclusão já que 
o tema não poderá mais ser discutido na esfera administrativa. 
Desde a Proclamação da República as constituições brasileiras positivaram o sistema inglês. 
Hoje, previsto no art. 5º, XXXV, da CF. 
Art. 5º, XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou 
ameaça a direito; 
 
Já tentamos o contencioso administrativo, porém se tornou regra inoperante, EC 07/77. 
É possível a criação de um sistema misto de controle? Não é possível sistema misto de 
controle, doutrina não reconhece, pois a mistura é natural dos dois sistemas, o que define a 
jurisdição única é a predominância. No Brasil, vale a JURISDIÇÃO ÚNICA. 
Na verdade, o que caracteriza o sistema é a predominância da jurisdição comum (Poder 
Judiciário) ou da especial (cortes administrativas), e não a exclusividade de qualquer uma delas, 
para o deslinde contencioso das questões afetas à Administração. Por isso, não há que se falar em 
sistemas mistos, já que os dois sistemas misturam o julgamento pelo Judiciário e pelo órgão 
administrativo, sendo essa mistura uma característica natural de qualquer regime. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
13 CASTRO, Renério. Obra citada, p. 59. 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 36 
 
REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO 
1. REGIMES JURÍDICOS DA ADMINISTRAÇÃO 
A expressão regimes jurídicos da Administração é ampla, tendo em vista que se refere 
tanto ao regime jurídico de direito público quanto ao regime jurídico de direito privado,aos 
quais a Administração Pública pode se sujeitar. 
A partir do conceito acima, é preciso caracterizar cada um dos regimes, veja: 
a) Regime de direito público 
Trata-se de uma relação vertical, a ordem jurídica reconhece poderes à Administração para 
que realize um fim (interesse público). 
Regra: toda vez que a Administração Pública atua na qualidade de poder público deve agir 
segundo o regime jurídico de direito público. Não se trata de uma constatação óbvia porque há 
casos em que o Estado poderá descentralizar o exercício da atividade administrativa, ou seja, o 
Estado transfere para outra pessoa o encargo de exercer a atividade. Nos casos em que a 
descentralização depende de poderes e prerrogativas, estaremos diante de um regime de direito 
público. 
O exercício do poder de polícia é um bom exemplo, uma vez que tal poder, para ser exercido, 
precisa de certas prerrogativas (segue regime jurídico público), assim, conforme já decidiu o STF, 
o particular não pode exercer poder de polícia, o mesmo ocorre com a intervenção do Estado na 
propriedade. 
b) Regime de direito privado 
Trata-se de uma relação horizontal, pois para desempenhar suas atividades a Administração 
Pública não precisa de prerrogativas públicas. Como exemplo: proteção aos idosos, proteção às 
crianças e aos adolescentes; prestação de serviços como de energia elétrica. 
Regra: só atuará em regime jurídico de direito privado quando a lei assim estabelecer. Por 
exemplo, nos anos 90, uma lei federal deu aos conselhos profissionais natureza jurídica de direito 
privado, o que inviabilizava o exercício do poder de polícia, já que exige prerrogativas públicas. A 
União, percebendo o erro, revogou a referida lei. Logo, é possível a lei conferir regime jurídico 
privado quando o correto seria regime jurídico de direito público. 
 
 
 
 
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 37 
 
OBS.: quando a Administração Pública atua segundo o regime jurídico 
de direito privado SEMPRE haverá a incidência de normas de direito 
público, as quais derrogam parcialmente o regime jurídico de direito 
privado. Ou seja, sofrerá alterações em razão das normas de direito 
público. Por exemplo, a União cria uma fundação com personalidade 
de direito privado, mas determina que haverá licitação, concurso, 
prestação de contas, que os agentes estarão sujeitos à lei de 
improbidade administrativa. Ressalta-se, contudo, que tais normas de 
direito público não desnaturam o regime jurídico, que será, 
predominantemente, de direito privado. 
Encontramos no art. 95 da Nova Lei de Licitações um claro exemplo da observação acima, 
vejamos: 
Lei 14.133/2021 - Art. 95. O instrumento de contrato é obrigatório, salvo nas 
seguintes hipóteses, em que a Administração poderá substituí-lo por outro 
instrumento hábil, como carta-contrato, nota de empenho de despesa, 
autorização de compra ou ordem de execução de serviço: 
I - dispensa de licitação em razão de valor; 
II - compras com entrega imediata e integral dos bens adquiridos e dos quais 
não resultem obrigações futuras, inclusive quanto a assistência técnica, 
independentemente de seu valor. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE/SE – CESPE - 2022): O instrumento de contrato é obrigatório nas 
hipóteses de dispensa de licitação em razão do valor. Errado! 
2. REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO 
Expressão doutrinária que se refere a um conjunto de princípios e regras que irão dar 
identidade ao Direito Administrativo. 
Como fundamentos do regime jurídico administrativo temos: 
a) PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO SOBRE O PARTICULAR: 
nada mais é do que o reconhecimento de poderes à Administração; 
b) PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE DO INTERESSE PÚBLICO: se traduz em 
restrições impostas à Administração. 
OBS.: A mesma ordem jurídica que confere poderes, impõe 
limitações; confere prerrogativas, impõe restrições. 
De acordo com Celso Antônio Bandeira de Mello, a caracterização do Direito Administrativo 
e a base de seu regime jurídico se delineiam em função da consagração de dois princípios, por ele 
denominados pedras de toque: o princípio da supremacia do interesse público sobre o 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 38 
 
interesse particular e o princípio da indisponibilidade do interesse público, dos quais se 
extraem inúmeros princípios, dentre eles o princípio da legalidade, que também tem como 
implicações os princípios da finalidade, da razoabilidade, da proporcionalidade, da motivação e da 
responsabilidade do Estado, além de outros. 
Como foi cobrado em concurso público: 
(PC/MS – FAPEMS - 2017): As "pedras de toque" do regime jurídico-
administrativo são a supremacia do interesse público sobre o interesse 
privado e a indisponibilidade do interesse público. Correto! 
Maria Sylvia Zanella Di Pietro14: “a expressão regime jurídico administrativo é reservada tão-
somente para abranger o conjunto de traços, de conotações que tipificam o Direito Administrativo, 
colocando a Administração Pública numa posição privilegiada, vertical, na relação jurídico-
administrativa. Basicamente pode-se dizer que o regime administrativo se resume a duas palavras 
apenas: prerrogativas e sujeições”. 
Marçal Justen Filho: “o regime jurídico de direito público consiste no conjunto de normas 
jurídicas que disciplinam o desempenho de atividades e de organizações de interesse coletivo, 
vinculadas direta ou indiretamente à realização dos direitos fundamentais, caracterizado pela 
ausência de disponibilidade e pela vinculação à satisfação de determinados fins”. 
3. PRINCÍPIOS DO DIREITO ADMINISTRATIVO 
Princípios são proposições básicas, fundamentais, típicas que condicionam todas as 
estruturas e institutos subsequentes de uma disciplina. São os alicerces, os fundamentos da ciência 
e surgem como parâmetros para a interpretação das demais normas jurídicas. 
Não há, na doutrina, uniformidade quanto à categorização e quanto à enumeração dos 
princípios e suas classificações. A seguir enumeramos os princípios, de acordo com os principais 
autores de Direito Administrativo. 
3.1. PRINCÍPIOS BÁSICOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA PARA HELY LOPES 
MEIRELLES 
Segundo Hely Lopes Meirelles, são princípios básicos: 
1. Legalidade 
2. Moralidade 
3. Impessoalidade ou finalidade (são sinônimos, para Hely) 
4. Razoabilidade e proporcionalidade 
 
14 Obra citada, p. 132. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 39 
 
5. Publicidade 
6. Eficiência 
7. Segurança jurídica 
8. Motivação 
9. Ampla defesa e contraditório 
10. Interesse público ou supremacia do interesse público (traduzem a mesma ideia) 
3.2. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO DIREITO BRASILEIRO, EXPRESSOS E 
IMPLÍCITOS PARA CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO 
Celso Antônio categoriza e amplia o rol dos princípios. 
1. Princípio da supremacia do interesse público sobre o interesse privado. 
2. Princípio da legalidade. 
3. Princípio da finalidade (para o autor, o princípio da finalidade é intrínseco ao princípio da 
legalidade. A finalidade da lei está contida na própria lei. Assim, descumprir a finalidade da lei é 
descumprir a própria lei). 
4. Princípio da razoabilidade. 
5. Princípio da proporcionalidade. 
6. Princípio da motivação. 
7. Princípio da impessoalidade. 
8. Princípio da publicidade. 
9. Princípio do devido processo legal e ampla defesa. 
10. Princípio da moralidade administrativa. 
11. Princípio do controle judicial dos atos administrativos (sistema inglês) *. 
12. Princípio da responsabilidade do Estado por atos administrativos (CF, art. 37, § 6º). * 
13. Princípio da eficiência (também conhecido como princípio da boa administração). 
14. Princípio da segurança jurídica. 
3.3. PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVO PARA JOSÉ DOS SANTOS CARVALHO FILHO 
Faz uma categorização, vejamos: 
http://www.iceni.com/infix.htm. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 40 
 
1. Princípios expressos (CF, art. 37, caput) (expressão “LIMPE”) 
a) Princípio da legalidade. 
b) Princípio da impessoalidade. 
c) Princípio da moralidade. 
d) Princípio da publicidade. 
e) Princípio da eficiência. 
OBS.: “expresso” significa positivado/escrito. Poderá estar expresso 
na Constituição, no Capítulo dedicado à Administração, no Capítulo 
dos Direitos e Garantias Fundamentais (p. ex.: CF, art. 5º, LV), na 
legislação ordinária (Lei 9.784). José dos Santos restringiu como 
“expresso” apenas os princípios da CF, art. 37, caput. 
2. Princípios reconhecidos 
a) Princípio da supremacia do interesse público. 
b) Princípio da autotutela (é um princípio expresso – Lei n. 9.784/99, art. 53). 
Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de 
vício de legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência ou 
oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. 
 
c) Princípio da indisponibilidade. 
d) Princípio da continuidade dos serviços públicos (é um princípio expresso – Lei 8.987/95, 
art. 6º, § 1º). 
Art. 6º Toda concessão ou permissão pressupõe a prestação de serviço 
adequado ao pleno atendimento dos usuários, conforme estabelecido nesta 
Lei, nas normas pertinentes e no respectivo contrato. 
§ 1º Serviço adequado é o que satisfaz as condições de regularidade, 
continuidade, eficiência, segurança, atualidade, generalidade, cortesia na sua 
prestação e modicidade das tarifas. 
 
e) Princípio da segurança jurídica (proteção e confiança). 
f) Princípio da precaução *. 
3. Princípio da razoabilidade. 
4. Princípio da proporcionalidade. 
3.4. PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PARA MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO 
1. Legalidade. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 41 
 
2. Supremacia do interesse público. 
3. Impessoalidade. 
4. Presunção de legitimidade ou veracidade * 
5. Especialidade. 
6. Controle ou tutela. 
7. Autotutela. 
8. Hierarquia *. 
9. Continuidade do serviço público *. 
10. Publicidade. 
11. Moralidade administrativa. 
12. Razoabilidade e proporcionalidade. 
13. Motivação. 
14. Eficiência. 
15. Segurança jurídica, proteção e confiança e boa-fé. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 42 
 
PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
1. PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO 
O princípio da supremacia determina privilégios jurídicos e um patamar de superioridade do 
interesse público sobre o interesse individual. Em razão desse interesse público, a Administração 
terá posição privilegiada em face dos administrados, além de prerrogativas e obrigações que não 
são extensíveis aos particulares. 
Trata-se de um princípio indispensável para o convívio social, tendo em vista que para que 
a vida em sociedade aconteça de maneira harmônica é necessária a sobreposição do interesse 
público sobre o interesse individual. 
Obs.: A supremacia não é a superioridade (sobreposição) do interesse 
do gestor, da máquina administrativa. Importa o interesse público, da 
coletividade. 
Celso Antônio Bandeira Mello: “significa que sendo interesses qualificados como próprios 
da coletividade – internos ao setor público – não se encontram à livre disposição de quem quer que 
seja, por serem inapropriáveis. O próprio órgão administrativo que os representa não tem 
disponibilidade sobre eles, no sentido de que lhe incumbe apenas curá-los – o que é também um 
dever – na estrita conformidade do que dispuser a intentio legis”. “As pessoas administrativas 
não têm, portanto, disponibilidade sobre os interesses públicos confiados à sua guarda e 
realização”. 
Como foi cobrado em concurso público: 
(MPE/TO – CESPE – 2022): O princípio da supremacia do interesse público 
implica que o interesse privado é intrinsecamente oposto ao interesse público, 
pois, em sua atuação, o poder público limita a esfera privada de direitos e 
impõe-lhe ônus como, por exemplo, o de pagar tributos. Errado! 
 
(PC/ES – INSTITUTO ACESSO - 2019): O princípio da supremacia do 
interesse público, não desconsidera os interesses particulares/individuais, 
não obstante informa ao agente administrativo que o interesse público 
prevalece sobre interesses privados. Correto! 
É um princípio implícito no texto constitucional, não está escrito, embora se encontrem 
inúmeras regras constitucionais que a ele aludem ou impliquem manifestações concretas dessa 
superioridade do interesse público. Empregando essa ideia, o constituinte introduziu alguns 
dispositivos que permitem ao Estado adquirir a propriedade do particular, independentemente da 
sua vontade, tendo como fundamento uma razão de interesse público, instituto esse denominado 
desapropriação. 
 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 43 
 
Como foi cobrado em concurso público: 
(MPE/PA - CESPE - 2023) A realidade político-institucional brasileira 
vivenciada no último século, com alternância entre regimes autoritários e 
democráticos, refletiu no campo do direito, influenciando, inclusive, a 
evolução do conceito de interesse público. Considerando as informações 
anteriores, é correto afirmar que, atualmente, o interesse público se identifica 
com o(s) respeito e a promoção dos direitos fundamentais. Correta! 
 
(PC/MG – FUMARC - 2018): o princípio da supremacia do interesse público 
não se radica em dispositivo específico da CR/88, ainda que inúmeros 
aludam ou impliquem manifestações concretas dele. Correto! 
Todavia, há previsão no art. 2º caput da Lei 9.784/99 – Lei do PAD. 
Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da 
legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, 
moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, INTERESSE 
PÚBLICO e eficiência. 
Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre 
outros, os critérios de: 
I - Atuação conforme a lei e o Direito; 
II - Atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial 
de poderes ou competências, salvo autorização em lei; 
 
A expressão interesse público representa uma categoria contrária ao interesse privado, 
individual; consiste no interesse do todo, do conjunto social. Para Celso Antônio Bandeira de Mello, 
“o interesse público deve ser conceituado como o interesse resultante do conjunto dos interesses 
que os indivíduos pessoalmente têm quando considerados sem sua qualidade de membros da 
Sociedade e pelo simples fato de o serem”. 
Resta ainda distinguir o significado de interesse público primário e secundário. Considera-
se interesse público primário o resultado da soma dos interesses individuais enquanto 
partícipes de uma sociedade, também denominados interesses públicos propriamente ditos. De 
outro lado, tem-se o interesse público secundário, que consiste nos anseios do Estado, 
considerado como pessoa jurídica, um simples sujeito de direitos; são os interesses privados desse 
sujeito. Ressalte-se que o Estado, da forma como foi concebido no ordenamento jurídico brasileiro, 
só poderá defender seus próprios interesses privados (interesses secundários) quando não existir 
conflito com os interesses públicos primários15. 
Obs.: O Estado deve primar para que o interesse público primário e o 
interesse público secundário sejam convergentes. 
Como aplicação do princípio da supremacia do interesse público, pode-se citar os seguintes 
exemplos: 
a) Presunção de legitimidade dos atos administrativo; 
 
15 MARINELA, Fernanda. Obra citada, p. 55. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 44 
 
b) Poderes da Administração gozam de autoexecutoriedade; 
c) Requisição por parte do Poder Público; 
d) Desapropriação. 
Vale salientar que a doutrina moderna começa a mencionar uma relativizaçãodo princípio 
do interesse público. Sustentam que em uma leitura constitucional do Direito Administrativo, o 
princípio da supremacia do interesse público sobre o privado deve ser relativizado em face de 
direitos e garantias individuais, especialmente se estivermos diante do núcleo essencial deste 
princípios ou do princípio da dignidade humana. 
Rafael Oliveira16 menciona quatro argumentos que vem ganhando força para sustentar a 
ideia de “desconstrução” do princípio da supremacia do interesse público: 
a) O texto constitucional, em diversas passagens, partindo da dignidade da pessoa 
humana, protege a esfera individual (ex.: arts. 1º, 5º etc.), não sendo lícito afirmar, a 
partir da interpretação sistemática das normas constitucionais, a existência de 
prevalência em favor do interesse público; 
b) Indeterminabilidade abstrata e objetiva do “interesse público”, o que contraria 
premissas decorrentes da ideia de segurança jurídica; 
c) O interesse público é indissociável do interesse privado, uma vez que ambos são 
consagrados na Constituição e os elementos provados estariam incluídos nas finalidades 
do Estado, como se percebe, v.g., a partir da leitura do preâmbulo e dos direitos 
fundamentais; e 
d) Incompatibilidade da supremacia do interesse público com postulados normativos 
consagrados no texto constitucional, notadamente os postulados da proporcionalidade e 
da concordância prática. 
Como foi cobrado em concurso público: 
(PGE/RO – FCC - 2018): cerca das modernas correntes doutrinárias que 
buscam repensar o Direito Administrativo no Brasil, Carlos Ari Sundfeld 
observa: Embora o livro de referência de Bandeira de Mello continue saindo 
em edições atualizadas, por volta da metade da década de 1990 começou a 
perder aos poucos a capacidade de representar as visões do meio – e de 
influir [...] Ao lado disso, teóricos mais jovens lançaram, com ampla aceitação, 
uma forte contestação a um dos princípios científicos que, há muitos anos, o 
autor defendia como fundamental ao direito administrativo [...]. (Adaptado de: 
Direito administrativo para céticos, 2a ed., p. 53) O princípio mencionado pelo 
autor e que esteve sob forte debate acadêmico nos últimos anos é o princípio 
da supremacia do interesse público. Correto! 
 
16 Obra citada, p. 48-49. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 45 
 
2. PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE DO INTERESSE PÚBLICO 
O princípio da indisponibilidade do interesse público consiste em um limite à supremacia, 
tendo em vista que a Administração pode “quase tudo”, mas não pode renunciar ao interesse 
público. 
Nesta perspectiva, conforme menciona Renério Castro Jr.17, a Administração funciona como 
uma espécie de gestora de interesses alheios, que tem um poder-dever de atuar para satisfazer o 
bem comum. Não por acaso, uma vez que a lei estabelece determinada competência para um 
agente público, ele não pode simplesmente renunciá-la. 
Vale salientar que o princípio da indisponibilidade prevê que o Gestor Público de hoje não 
pode criar entraves, obstáculos para o Administrador de amanhã. Isto porque o Administrador 
exerce função pública, o que significa exercer atividade em nome e no interesse do povo, não 
podendo dispor. 
O concurso público e a licitação são exemplos do princípio da indisponibilidade do interesse 
público. 
3. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE 
3.1. PREVISÃO 
A legalidade é princípio expresso na Constituição Federal, no art. 5º, II está a “legalidade 
constitucional” e art. 37, caput, está a “legalidade administrativa”. 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a 
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à 
propriedade, nos termos seguintes: 
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em 
virtude de lei; 
 
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da 
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos 
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência 
e, também, ao seguinte: 
 
Segundo Celso Antônio Bandeira de Mello, enquanto o princípio da supremacia do interesse 
público e da sua indisponibilidade é da essência de qualquer Estado, de qualquer sociedade 
juridicamente organizada, "o da legalidade é específico do Estado de Direito, é justamente aquele 
que o qualifica e que lhe dá identidade própria, por isso, considerado princípio basilar do regime 
jurídico-administrativo”. 
 
17 Obra citada, p. 86. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 46 
 
3.2. ENFOQUES 
O princípio da legalidade possui dois enfoques: 
a) Critério de não contradição à lei – aplica-se ao particular (direito privado). Significa que 
o particular pode fazer tudo, desde que não esteja vedado ou proibido por lei. 
b) Critério de subordinação à lei – aplica-se ao administrador (direito público). Significa 
que o administrador só pode o que está autorizado por lei. Portanto, a liberdade do 
administrador está sempre limitada pela lei. 
A doutrina refere-se à dupla subordinação da administração. De acordo com Renério 
Castro Jr.18, a dupla subordinação significa que o administrador, assim como o particular, não pode 
fazer o que a lei proíbe. Mas não é só isso, a segunda subordinação impõe ao Poder Público agir 
somente quando e conforme determina a lei. Ou seja, a legalidade aqui é de limite negativo (não se 
pode fazer o que a lei proíbe) e positivo (a administração deve fazer exatamente o que a lei manda). 
Como o tema foi cobrado em concurso: 
(PC/AC – IBADE – 2017): O princípio da legalidade tem idêntica aplicação 
para os particulares e para a Administração Pública, significando a 
possibilidade de realização de atos que não sejam vedados pelo 
ordenamento jurídico. Errado! 
Seabra Fagundes: “Administrar é aplicar a lei de ofício”. 
Entretanto, é necessário grifar que a exata compreensão do princípio da legalidade não 
exclui o exercício de atuação discricionária do administrador, levando-se em consideração a 
conveniência e a oportunidade do interesse público, o juízo de valor da autoridade e a sua liberdade. 
Por ser materialmente impossível a previsão de todos os casos, além do caráter de generalidade e 
de abstração próprios da lei, subsistirão inúmeras situações em que a Administração terá de se 
valer da discricionariedade para efetivamente atender à finalidade legal e, como consequência, 
cumprir o princípio da legalidade. 
3.3. CONTROLE DE LEGALIDADE 
Através do controle de legalidade verifica-se se o ato é compatível com a lei, bem como com 
as regras e princípios da Constituição (juridicidade). 
Obs.: Juridicidade significa que, além da submissão à lei formal, deve 
a Administração, sobretudo, observar os princípios constitucionais, 
princípios administrativos e regulamentos que ela mesma produz, 
aumentando, inclusive, a possibilidade de revisão de seus atos 
(MARINELA, 2022, p. 61). 
 
18 Obra citada, p. 91. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 47 
 
Trata-se, portanto, de um controle amplo. 
 
 
 
Como foi cobrado em concurso? 
(MPE/PR – MPE/PR – 2017): Numa leitura denominada de “juridicidade 
administrativa”, para a validação da ação administrativa, não basta que seja 
esta formalmente conforme a lei, sendo necessário, também, que se 
apresente em conformidade com os princípios da Administração Pública. 
Correto! 
3.4. DESDOBRAMENTOS DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE19 
A legalidade comporta dois importantes desdobramentos: 
a) Supremacia da lei – a lei prevalece e tem preferência sobre os atos da administração. 
Relaciona-se com a doutrina da negative Bindung (vinculação negativa), segundo a qual 
a lei representaria uma limitação para a atuação do administrador, demodo que, na 
ausência da lei, poderia ele atuar com maior liberdade para atender o interesse público. 
b) Reserva de lei – o tratamento de certas matérias deve ser formalizado necessariamente 
pela legislação, excluindo a utilização de outros atos com caráter normativo. Em alguns 
casos, a reserva de lei é absoluta, já que nem mesmo medidas provisórias poderão tratar 
da matéria. Relaciona-se com a doutrina da positive Bindung (vinculação positiva), que 
condiciona a validade da atuação dos agentes públicos à prévia autorização legal. 
3.5. RESTRIÇÕES À LEGALIDADE 
Para Celso Antônio Bandeira de Mello, é possível apontar três restrições excepcionais ao 
princípio da legalidade, elas representam uma transitória constrição a esse princípio e são 
expressamente mencionadas na Constituição Federal: as medidas provisórias, o estado de defesa 
e o estado de sítio. 
Portanto, são situações em que a Administração deve atuar, mesmo que não exista uma lei 
regulamentando a sua atuação. 
a) Medida provisória (art. 62 da CF) – é ato do Presidente da República, expedido em 
casos de relevância e urgência, com “força de lei”, perdendo a eficácia quando não 
convertida em lei, dentro de 120 dias, pelo Congresso Nacional. A medida provisória 
inova na ordem jurídica, cria obrigações para a Administração e para os administrados, 
mas não é lei em sentido estrito. 
 
19 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Obra citada, p. 38-39. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 48 
 
b) Estado de defesa (art. 136 da CF) – decretado pelo Presidente da República, após ouvir 
o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, a fim de preservar ou 
prontamente restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem pública ou a paz 
social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por 
calamidades de grandes proporções na natureza. A Constituição prevê que durante o 
estado de defesa poderá haver restrições aos direitos de reunião, ainda que exercida no 
seio das associações; sigilo de correspondência; sigilo de comunicação telegráfica e 
telefônica. 
c) Estado de sítio (art. 137 da CF) - decretado pelo Presidente da República, após ouvir 
o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional e após autorização do 
Congresso Nacional, nos casos de comoção grave repercussão nacional ou ocorrência 
de fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada durante o estado de defesa, 
bem como no caso de declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada 
estrangeira. 
3.6. DESLEGALIZAÇÃO 
Trata-se de uma amenização do princípio da legalidade, tendo em vista que o Poder 
Legislativo retira determinadas matérias de sua competência, a fim de que possam ser tratadas por 
regulamentos, sem a necessidade de percorrerem os trâmites burocráticos do processo legislativo. 
Renério Castro Jr20. salienta que, atualmente, o STF reconhece a tese da deslegalização 
quando a lei, expressamente, transfere para um ato infralegal a regulamentação de determinado 
assunto (ADI 4568); no entanto, não reconhece a citada tese quando se das atribuições normativas 
das agências reguladoras (ADI 1668). 
4. PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE 
4.1. CONCEITO 
Para Celso Antônio Bandeira de Mello, o princípio da impessoalidade “traduz a ideia de que 
a Administração tem de tratar a todos os administrados sem discriminações, benéficas ou 
detrimentosas. Nem favoritismo, nem perseguições são toleráveis. Simpatias ou animosidades 
pessoais, políticas ou ideológicas não podem interferir na atuação administrativa. E completa: “o 
princípio em causa não é senão o próprio princípio da igualdade ou isonomia”. 
A Lei 9.784/99 traz o conceito de impessoalidade, vejamos: 
Lei 9.784/99 Art. 2º, Parágrafo único. Nos processos administrativos serão 
observados, entre outros, os critérios de: 
III - objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção 
pessoal de agentes ou autoridades; 
 
20 Obra citada, p. 96. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 49 
 
4.2. ASPECTOS 
Conforme explica Renério de Castro Júnior21, existem três aspectos do princípio da 
impessoalidade: 
a) Dever de isonomia: a Administração Pública deve prestar tratamento impessoal e 
isonômico aos particulares, com o objetivo de atender a finalidade pública, sendo vedada a 
discriminação odiosa ou desproporcional. Assim, na atividade administrativa não deve haver 
favoritismos ou perseguições. 
b) Conformidade ao interesse público: a impessoalidade veda que o agente público utilize 
seu cargo para a satisfação de interesses pessoais. Desse modo, o agente público não pode utilizar 
seu cargo para se promover pessoalmente, para beneficiar uma pessoa querida ou prejudicar um 
desafeto. 
c) Imputação dos atos praticados pelo agente público diretamente ao órgão: quando o 
agente público realiza uma atividade administrativa, ele o faz em nome do Poder público, de forma 
que os atos e provimentos administrativos não são imputáveis ao funcionário que os pratica, mas 
ao órgão ou entidade da Administração Pública. Logo, as realizações governamentais não são do 
servidor ou da autoridade, mas sim do órgão ou entidade. 
Trata-se da aplicação da Teoria do Órgão. Em razão disso, veda-se a utilização de 
propaganda oficial com o objetivo de promoção pessoal de agentes públicos, nos termos do art. 37, 
§1º CF. 
Art. 37, § 1º - A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e 
campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou 
de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens 
que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos. 
 
Como foi cobrado em concurso? 
(MPE/AP – CESPE – 2021): O princípio da impessoalidade não impede que 
um agente público eleito insira, em propaganda oficial da administração 
pública, o slogan da sua candidatura ou do seu partido, porquanto esses 
dizeres se referem ao projeto político vencedor das eleições. Errado! 
 
(MPE/PR – MPE/PR – 2017): Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal 
Federal, o rigor do dispositivo constitucional que assegura o princípio da 
impessoalidade vincula a publicidade ao caráter educativo, informativo ou de 
orientação social, sendo incompatível com a menção de nomes, símbolos ou 
imagens, aí não incluídos slogans, que caracterizem promoção pessoal ou de 
servidores públicos. Correto! 
Ademais, a mesma ideia encontra-se no §6º do art. 37 da CF, que trata da responsabilidade, 
in verbis: 
 
21 Obra citada, p. 96-98. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 50 
 
§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras 
de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa 
qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o 
responsável nos casos de dolo ou culpa. 
4.3. APLICAÇÃO 
A Constituição Federal conta com outras regras que representam aplicações concretas 
deste princípio, a exemplo do art. 37, inciso II, que institui a exigência de concurso público para o 
exercício de cargos ou empregos públicos; e do art. 37, inciso XXI, que ordena a aplicação do 
procedimento licitatório como instrumento eficaz para que a Administração celebre o melhor 
contrato possível. 
Outra aplicação deste princípio reside na matéria de exercício de fato, quando se reconhece 
a validade aos atos praticados por funcionário irregularmente investido no cargo ou função, sob 
fundamento de que os atos são do órgão e não do agente público. 
Os art. 18 a 21 da Lei 9.784/99, também se inserem como aplicação do princípio da 
impessoalidade. Isto porque contém normas de impedimento e suspeição quanto ao processo 
administrativo, da mesma forma que existe no processo judicial. São hipóteses de presunção de 
parcialidade. 
Lei 9.784/99 Art. 18. É IMPEDIDO de atuarem processo administrativo o 
servidor ou autoridade que: 
I - Tenha interesse direto ou indireto na matéria; 
II - Tenha participado ou venha a participar como perito, testemunha ou 
representante, ou se tais situações ocorrem quanto ao cônjuge, companheiro 
ou parente e afins até o terceiro grau; 
III - esteja litigando judicial ou administrativamente com o interessado ou 
respectivo cônjuge ou companheiro. 
 
Art. 19. A autoridade ou servidor que incorrer em impedimento deve 
comunicar o fato à autoridade competente, abstendo-se de atuar. 
Parágrafo único. A omissão do dever de comunicar o impedimento constitui 
falta grave, para efeitos disciplinares. 
 
Art. 20. Pode ser arguida a SUSPEIÇÃO de autoridade ou servidor que tenha 
amizade íntima ou inimizade notória com algum dos interessados ou com os 
respectivos cônjuges, companheiros, parentes e afins até o terceiro grau. 
 
 Art. 21. O indeferimento de alegação de suspeição poderá ser objeto de 
recurso, sem efeito suspensivo. 
4.4. IMPESSOALIDADE x FINALIDADE 
1ª Corrente: Hely Lopes Meirelles – considera finalidade como sinônimo da 
impessoalidade, perseguir o interesse público. Para esse autor, se a finalidade é pública, o 
administrador fica impedido de buscar outro objetivo ou de praticá-lo no interesse próprio ou de 
terceiros, isto é, a finalidade pública proíbe a atuação pessoal do administrador. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 51 
 
Como foi cobrado em concurso? 
(PC/RS – FUNDATEC – 2018): Segundo Hely Lopes Meirelles, o princípio da 
impessoalidade, referido na CF/1988 (Art. 37, caput), nada mais é que o 
clássico princípio da finalidade, o qual impõe ao administrador público que só 
pratique o ato para atingir o objetivo indicado expressa ou virtualmente pela 
norma de direito, de forma impessoal. Correto! 
2ª Corrente: Celso Antônio Bandeira de Mello – são princípios autônomos que não se 
misturam. Impessoalidade é ausência de subjetividade, finalidade significa buscar o espírito da lei, 
buscar vontade maior da lei. 
É possível que o administrador cumpra o espírito da lei sem cumprir a própria lei? Dá para 
separar? NÃO, não tem como buscar somente o espírito da lei e vice-versa, não são elementos 
separáveis. O princípio da finalidade não está ligado à impessoalidade e sim ao princípio da 
legalidade. 
Lei 9.784/99 Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos 
princípios da LEGALIDADE, FINALIDADE, motivação, razoabilidade, 
proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança 
jurídica, interesse público e eficiência. 
Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre 
outros, os critérios de: 
I - Atuação conforme a lei e o Direito; 
 
Não se pode deixar de fora a relação que a finalidade da conduta administrativa tem com a 
lei. Uma atividade e um fim supõem uma norma (lei) que estabeleça, entre ambos, o nexo 
necessário. Como a lei em si mesma deve respeitar a isonomia porque a isso a CF a obriga (art. 
5º caput e inc. I), a função administrativa que nela se baseia também deverá fazê-lo, sob pena de 
cometer-se desvio de finalidade, que ocorre quando o administrador se afasta do escopo que lhe 
deve nortear o comportamento, qual seja, o interesse público. 
Reconhecido como princípio autônomo e expresso na norma infraconstitucional, é 
interessante ressaltar que o princípio da finalidade está implícito no texto constitucional, admitindo-
se como fundamento o próprio princípio da legalidade (art. 37, caput), além do art. 5º, LXIX, que 
define o mandado de segurança, enquanto remédio constitucional cabível em caso de ilegalidade 
ou abuso de poder. Assim, conforme já dito, o abuso do poder é o exercício das atribuições fora 
dos limites da lei, e um desses limites é a sua finalidade. 
A impessoalidade está ligada ao princípio da isonomia. 
4.5. INTRANSCENDÊNCIA22 
 
22 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Poder Executivo não pode ser incluído nos cadastros de 
inadimplentes da União por irregularidades praticadas pelos outros Poderes ou órgãos autônomos. Buscador 
Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/054ab897023645cd7ad69525c46992a0>
. Acesso em: 14/07/2022 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 52 
 
O princípio da intranscendência subjetiva significa que não podem ser impostas sanções e 
restrições que superem a dimensão estritamente pessoal do infrator e atinjam pessoas que não 
tenham sido as causadoras do ato ilícito. Trata-se de um princípio que excepciona o princípio da 
impessoalidade, tendo em vista que inibe a aplicação de severas sanções a entidades federativas 
por ato de gestão anterior à assunção dos deveres públicos. 
Na jurisprudência do STF encontramos dois exemplos de aplicação desse princípio em 
casos envolvendo inscrição de Estados e Municípios nos cadastros de inadimplentes da União: 
 1ª acepção: quando a irregularidade foi praticada pela gestão anterior 
Existem julgados do STF afirmando que, se a irregularidade no convênio foi praticada pelo 
gestor anterior e a gestão atual, depois que assumiu, tomou todas as medidas para ressarcir o 
erário e corrigir as falhas (exs: apresentou todos os documentos ao órgão fiscalizador, ajuizou ações 
de ressarcimento contra o antigo gestor etc.), neste caso, o ente (Estado ou Município) não poderá 
ser incluído nos cadastros de inadimplentes da União. 
Assim, segundo esta acepção, o princípio da intranscendência subjetiva das sanções proíbe 
a aplicação de sanções às administrações atuais por atos de gestão praticados por administrações 
anteriores. Segundo o Min. Luiz Fux, “não se pode inviabilizar a administração de quem foi eleito 
democraticamente e não foi responsável diretamente pelas dificuldades financeiras que 
acarretaram a inscrição combatida”. 
Logo, deve-se aplicar o princípio da intranscendência subjetiva das sanções, impedindo que 
a Administração atual seja punida com a restrição na celebração de novos convênios ou 
recebimento de repasses federais. Nesse sentido: STF. 1ª Turma. AC 2614/PE, AC 781/PI e AC 
2946/PI, Rel. Min. Luiz Fux, julgados em 23/6/2015 (Info 791). 
Assim, “o princípio da intranscendência subjetiva das sanções inibe a aplicação de severas 
sanções às administrações por ato de gestão anterior à assunção dos deveres públicos.” (STF. 1ª 
Turma. ACO 3014 AgR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25/05/2018). 
A própria AGU admite esta tese: 
Súmula 46-AGU: Será liberada da restrição decorrente da inscrição do 
município no SIAFI ou CADIN a prefeitura administrada pelo prefeito que 
sucedeu o administrador faltoso, quando tomadas todas as providências 
objetivando o ressarcimento ao erário. 
 
 O STJ comunga também desse entendimento exigindo sempre que a gestão sucessora 
tenha tomado as providências cabíveis à reparação dos danos eventualmente cometidos. Por isso, 
editou a súmula 615: 
Súmula 615-STJ: Não pode ocorrer ou permanecer a inscrição do município 
em cadastros restritivos fundada em irregularidades na gestão anterior 
quando, na gestão sucessora, são tomadas as providências cabíveis à 
reparação dos danos eventualmente cometidos. 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 53 
 
 Vale ressaltar, no entanto, que existem julgados do STF em sentido contrário ao STJ, ou 
seja, dizendo que não se deve acolher essa primeira acepção do princípio da intranscendência. 
Veja: 
(...) Inaplicabilidade do princípio da intranscendência subjetiva das sanções 
para isentar pessoa jurídica de direito público das consequências jurídicas da 
constatação de irregularidades relacionadas a convênio firmado em gestões 
anteriores, por força da incidência do princípio da impessoalidade, que rege 
a Administração Pública, nos termos do art. 37 da Lei Maior. STF. Plenário. 
ACO 3083, Rel.Ricardo Lewandowski, julgado em 24/08/2020. 
2ª acepção: quando a irregularidade foi praticada por uma entidade do Estado/Município ou 
pelos outros Poderes que não o Executivo 
Além do caso acima explicado, o princípio da intranscendência subjetiva das sanções pode 
ser aplicado também nas situações em que uma entidade estadual/municipal (ex: uma autarquia) 
descumpriu as regras do convênio e a União inscreve não apenas essa entidade, como também o 
próprio ente (Estado/Município) nos cadastros restritivos. Nesse sentido: 
(...) O postulado da intranscendência impede que sanções e restrições de 
ordem jurídica superem a dimensão estritamente pessoal do infrator. Em 
virtude desse princípio, as limitações jurídicas que derivam da inscrição, em 
cadastros públicos de inadimplentes, das autarquias, das empresas 
governamentais ou das entidades paraestatais não podem atingir os Estados-
membros, projetando, sobre estes, consequências jurídicas desfavoráveis e 
gravosas, pois o inadimplemento obrigacional – por revelar-se unicamente 
imputável aos entes menores integrantes da administração descentralizada – 
só a estes pode afetar. Os Estados-membros e o Distrito Federal, em 
consequência, não podem sofrer limitações em sua esfera jurídica, motivadas 
pelo só fato de se acharem administrativamente vinculadas a eles as 
autarquias, as entidades paraestatais, as sociedades sujeitas a seu poder de 
controle e as empresas governamentais alegadamente inadimplentes e que, 
por tal motivo, hajam sido incluídas em cadastros federais (CAUC, SIAFI, 
CADIN, v.g.). (...) STF. Plenário. ACO 1848 AgR, Rel. Min. Celso de Mello, 
julgado em 06/11/2014. 
 
Também viola o princípio da intranscendência quando o Estado-membro é incluído nos 
cadastros de inadimplentes da União por irregularidades praticadas pelos outros Poderes que não 
o Executivo ou por órgãos autônomos, como o Ministério Público: 
A imposição de sanções ao Executivo estadual em virtude de pendências dos 
Poderes Legislativo e Judiciário locais constitui violação do princípio da 
intranscendência, na medida em que o Governo do Estado não tem 
competência para intervir na esfera orgânica daquelas instituições, que 
dispõem de plena autonomia institucional a elas outorgadas por efeito de 
expressa determinação constitucional. STF. Plenário. ACO 2995 AgR, Rel. 
Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 23/02/2018. 
 
Por aplicação do princípio da intranscendência das obrigações e sanções, o Poder Executivo 
não pode ser penalizado por inadimplências do Poder Legislativo Municipal. Logo, nesta situação, 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 54 
 
o Município tem o direito de obter uma certidão positiva com efeitos de negativa e de receber os 
repasses federais. 
É possível ao Município obter certidão positiva de débitos com efeito de 
negativa quando a Câmara Municipal do mesmo ente possui débitos com a 
Fazenda Nacional, tendo em conta o princípio da intranscendência subjetiva 
das sanções financeiras. STF. Plenário. RE 770149, Rel. Min. Marco Aurélio, 
Relator p/ Acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 05/08/2020 (Repercussão 
Geral – tema 743) (Info 993). 
 
Por aplicação do princípio da intranscendência das obrigações e sanções, o Poder Executivo 
não pode ser penalizado pelo descumprimento dos limites setoriais de gasto com pessoal previsto 
no art. 20, II da LRF, pelos Poderes Legislativo e Judiciário, pelo Tribunal de Contas e pelo Ministério 
Público. Nestes casos, o Estado-membro não pode ser penalizado com as consequências jurídicas 
previstas no art. 23, § 3º da LRF considerando que o Poder Executivo não dispõe de meios para 
controlar o cumprimento desses limites pelos demais poderes e órgãos dotados de autonomia 
administrativa e financeira. 
A imposição de sanções ao Poder Executivo estadual em virtude de 
pendências de órgãos dotados de autonomia institucional e orgânico-
administrativa, tais como o Ministério Público estadual, constitui violação do 
princípio da intranscendência, na medida em que o Governo do Estado não 
tem competência para intervir na esfera orgânica dessa instituição autônoma. 
O Poder Executivo não pode ser impedido de contratar operações de crédito 
em razão do descumprimento dos limites setoriais de despesa com pessoal 
por outros poderes e órgãos autônomos (art. 20, II, e 23, § 3º da Lei de 
Responsabilidade Fiscal). STF. Plenário. ACO 3072, Rel. Ricardo 
Lewandowski, julgado em 24/08/2020 (Info 991 – clipping). 
5. PRINCÍPIO DA MORALIDADE 
5.1. CONCEITO DE MORALIDADE 
Moralidade significa honestidade, correção de atitudes, obediência a princípios éticos, boa-
fé e probidade. Não se trata apenas de obediência à lei. 
Como foi cobrado em concurso: 
TJ/SP – VUNESP – 2017: O conteúdo jurídico do princípio da moralidade 
administrativa pode ser conceituado como aquele que vincula a 
administração pública a um comportamento ético, conforme discurso da 
modernidade, com dimensão autônoma em relação ao princípio da 
legalidade. Correto! 
Há no Poder Judiciário dificuldade de aplicar o princípio da moralidade de forma isolada, em 
razão do conceito vago de moralidade. Por isso, é comum uma “amarração” da moralidade com 
outros princípios, a exemplo da legalidade e da impessoalidade. 
A moralidade divide-se em: moralidade comum e moralidade administrativa. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 55 
 
MORALIDADE COMUM MORALIDADE ADMINISTRATIVA 
São as regras de convívio social, ou seja, o 
certo e o errado para a convivência em 
sociedade. 
Não significa somente correção de atitudes, 
certo e errado, ela é mais rigorosa do que a 
moralidade comum. 
A moralidade administrativa exige a correção 
de atitudes, exige o certo, mas o administrador 
também tem que ser um bom administrador 
(correção de atitudes + boa administração). 
 
Obs.: A boa administração está relacionada tanto com o princípio da 
moralidade quanto com o princípio da eficiência. O administrador deve 
fazer a melhor escolha, deve fazer da melhor maneira possível. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/AP – CESPE – 2021: A moralidade administrativa não se distingue da 
moralidade comum, porquanto a sua preocupação central é a distinção entre 
o bem e o mal. Errado! 
Vale salientar que o STJ entende que a demora excessiva na resposta a um pedido 
endereçado à Administração Pública constitui violação ao princípio da moralidade administrativa. 
PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. 
PROCESSO ADMINISTRATIVO. ANISTIA POLÍTICA. LEGITIMIDADE 
PASSIVA DO MINISTRO DA JUSTIÇA. ATO OMISSIVO. DIREITO DE 
PETIÇÃO. RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO NÃO OBSERVADA. 
ORDEM PARCIALMENTE CONCEDIDA. 1. Trata-se de Mandado de 
Segurança impetrado contra ato alegadamente omissivo do Ministro de 
Estado da Justiça para compeli-lo a examinar o processo administrativo 
2003.01.22463, que desde 14.3.2003 estaria sem resposta definitiva. As 
informações prestadas apresentam contradição ao afirmar que o exame do 
pedido administrativo depende da Comissão de Anistia e que o processo está 
com a autoridade impetrada desde 2017 (fl. 567). A tese de ilegitimidade 
passiva, com base na dependência de exame da Comissão de Anistia, é, 
pois, indeferida. 2. De acordo com a inicial, o pedido está em análise desde 
14.3.2003, sendo irrelevante averiguar culpa de órgãos específicos no 
trâmite, já que a razoável duração do processo, garantia individual 
desrespeitada na hipótese, impõe à Administração, como um todo, resposta 
à tutela pleiteada em tempo adequado. 3. "O direito de petição aos Poderes 
Públicos, assegurado no art. 5º, XXXIV, 'a', da Constituição Federal, 
traduz-se em preceito fundamental a que se deve conferir a máxima 
eficácia, impondo-se à Administração, como contrapartida lógica e 
necessária ao pleno exercício desse direito pelo Administrado, o dever 
de apresentartempestiva resposta. (...) A demora excessiva e 
injustificada da Administração para cumprir obrigação que a própria 
Constituição lhe impõe é omissão violadora do princípio da eficiência, 
na medida em que denuncia a incapacidade do Poder Público em 
desempenhar, num prazo razoável, as atribuições que lhe foram 
conferidas pelo ordenamento (nesse sentido, o comando do art. 5º, 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 56 
 
LXXVIII, da CF). Fere, também, a moralidade administrativa, por colocar 
em xeque a legítima confiança que o cidadão comum deposita, e deve 
depositar, na Administração. Por isso que semelhante conduta se revela 
ilegal e abusiva, podendo ser coibida pela via mandamental, consoante 
previsto no art. 1.º, caput, da Lei n. 12.016, de 7 de agosto de 2009" (MS 
19.132/DF, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Seção, DJe 27.3.2017). 4. 
A autoridade impetrada deve, no prazo do art. 49 da Lei 9.784/1999, decidir 
o requerimento administrativo de concessão de anistia formulado pela 
impetrante e numerado como 2003.01.22463. 5. Mandado de Segurança 
parcialmente concedido." (MS 24141, rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, 
PRIMEIRA SEÇÃO, DJE DATA:26/02/2019) 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE/SC – CESPE - 2023): O campo de atuação do princípio da moralidade 
está inserido no princípio da legalidade. Errado, tendo em vista que nem toda 
ação considerada legal é necessariamente moral. Ex.: um ato administrativo 
pode ser considerado legal dentro do ordenamento jurídico, mas referido ato 
não será necessariamente moral, a depender da situação. 
 
MPE/CE – CESPE – 2020: O direito de petição aos poderes públicos, 
assegurado pela Constituição Federal de 1988, impõe à administração o 
dever de apresentar tempestiva resposta. A demora excessiva e injustificada 
da administração para cumprir essa obrigação é omissão violadora do 
princípio da eficiência. Segundo o STJ, por colocar em xeque a legítima 
confiança que o cidadão comum deposita na atuação da administração 
pública, tal mora atenta também contra o princípio da eficiência. Errado! Fere 
o princípio da moralidade. 
5.2. IMORALIDADE ADMINISTRATIVA 
A imoralidade administrativa surgiu e se desenvolveu ligada à ideia de desvio de poder, 
pois se entendia que em ambas as hipóteses a Administração Pública se utiliza de meios lícitos 
para atingir finalidades irregulares. A imoralidade estaria na intenção do agente. 
Essa razão justifica o entender de parte da doutrina que diz que a imoralidade acaba se 
reduzindo a uma das possibilidades de ilegalidade que atinge o ato administrativo, ou seja, a 
ilegalidade quanto fins (desvio de poder – finalidade está ligada à legalidade). 
O princípio deve ser observado não somente pelo administrador, mas também pelo particular 
que se relaciona com a Administração Pública. São frequentes em matéria de licitação o conluio 
entre licitantes, isso atinge frontalmente o princípio ora estudado. 
Embora não seja a mesma coisa que legalidade (porque a lei pode ser imoral e a moral pode 
ultrapassar o âmbito da lei) a imoralidade administrativa tem repercussão jurídica, podendo ser 
declarada a invalidade do ato, pela própria Administração ou Judiciário. A apreciação judicial da 
imoralidade ficou consagrada pelo dispositivo que diz respeito à ação popular (art. 5º, LXXIII da 
CF) e implicitamente pelos art. 15, V, 37, §4º e 85, V, este último inclusive considerando improbidade 
administrativa como crime de responsabilidade. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 57 
 
CF Art. 5º, LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular 
que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o 
Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao 
patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, 
isento de custas judiciais e do ônus de sucumbência; 
 
Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão 
só se dará nos casos de: 
V - Improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º. 
 
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da 
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos 
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência 
e, também, ao seguinte: 
§ 4º - Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos 
direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o 
ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo 
da ação penal cabível. 
 
Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República 
que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra: 
V - A probidade na administração; 
 
Enquanto previsão expressa, esse princípio representa uma novidade da Constituição de 
1988, art. 37, caput, caracterizando-se como uma evolução do princípio da legalidade, como 
proposição que se encontra na base do ordenamento jurídico, apesar de não ter conteúdo definido, 
preciso, representa um conceito jurídico indeterminado, vago. 
5.3. NEPOTISMO 
A questão envolvendo o nepotismo ganhou destaque com a criação do CNJ e do CNMP, 
pela EC 45/2004, dois órgãos de controle administrativo que editaram resoluções proibindo a prática 
de tais atos para cargo em comissão e contratação temporária, que não precisam de concurso ou 
contratação direta com dispensa ou inexigibilidade de licitação. Também proibiram o nepotismo 
cruzado. Os tribunais resistiram, então o próprio CNJ exonerou os parentes. 
Chegou ao STF uma questão: O CNJ tem competência para isso? A proibição pode vir por 
resolução? E qual o fundamento constitucional para isso? 
Foi ajuizada a ADC 12 – STF: Tanto o CNJ quanto o CNMP possuem competência, visto 
que foram criados para realizar controle administrativo. Igualmente, é possível a proibição ser 
imposta por resolução, visto que se trata de um ato normativo. Ademais, essa matéria está 
fundamentada na CF. Apontou-se quatro princípios constitucionais que fundamentam a proibição: 
impessoalidade, moralidade, eficiência e isonomia. 
Para consolidar tal entendimento, o STF editou uma súmula vinculante: 
SÚMULA VINCULANTE 13 DO STF: “A nomeação de cônjuge, companheiro 
ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 58 
 
inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica 
investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício 
de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na 
Administração Pública direta e indireta em qualquer dos poderes da União, 
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste 
mediante designações recíprocas, viola a constituição federal.” 
Sistematizando: 
 
 
 
 
 
 
 
O nepotismo cruzado também é proibido (uma autoridade nomeia parente de um para 
União e outra do estado, nomeia daquela para este). 
Vale, ainda, chamar a atenção para o fato de o STF haver confirmado, em sede de 
repercussão geral, com julgamento de mérito já proferido que não há necessidade de lei formal 
para a vedação ao nepotismo, considerando que tal proibição decorre diretamente dos princípios 
contidos no art. 37, caput, da CF. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE/SC – CESPE - 2023): O nepotismo constitui vício que viola diretamente 
os princípios da moralidade e da impessoalidade na gestão da coisa pública, 
enquadrando-se na modalidade ampla de corrupção. Correto. 
 
(PGE/RS – FUNDATEC - 2021): A vedação ao nepotismo não exige a edição 
de lei formal para coibir a prática, dado que essa proibição decorre 
diretamente dos princípios contidos no Art. 37, caput, da Constituição 
Federal. Correto! 
O STF tem afastado a aplicaçãoda SV 13 a cargos públicos de natureza política, como 
são os cargos de Secretário Estadual e Municipal. Mesmo em caso de cargos políticos, será 
possível considerar a nomeação indevida nas hipóteses de: nepotismo cruzado; fraude à lei e 
inequívoca falta de razoabilidade da indicação, por manifesta ausência de qualificação técnica 
ou inidoneidade moral do nomeado. 
A nomeação do cônjuge de prefeito para o cargo de Secretário Municipal, por 
se tratar de cargo público de natureza política, por si só, não caracteriza ato 
de improbidade administrativa. STF. 2ª Turma. Rcl 22339 AgR/SP, Rel. Min. 
Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em 4/9/2018 (Info 
914). 
 
Cônjuge, companheiro, 
parente em linha reta, 
colateral ou por afinidade, até 
3º grau. 
Cargo em comissão, função 
de confiança ou função 
gratificada 
Autoridade nomeante, servidor 
diretor/chefe/assessor 
 Nomeação 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 59 
 
Em regra, a proibição da SV 13 não se aplica para cargos públicos de 
natureza política, como, por exemplo, Secretário Municipal. Assim, a 
jurisprudência do STF, em regra, tem excepcionado a regra sumulada e 
garantido a permanência de parentes de autoridades públicas em cargos 
políticos, sob o fundamento de que tal prática não configura nepotismo. 
Exceção: poderá ficar caracterizado o nepotismo mesmo em se tratando de 
cargo político caso fique demonstrada a inequívoca falta de razoabilidade na 
nomeação por manifesta ausência de qualificação técnica ou inidoneidade 
moral do nomeado. STF. 1ª Turma. Rcl 28024 AgR, Rel. Min. Roberto 
Barroso, julgado em 29/05/2018. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso: 
(MPE/BA - Fundação CEFETBAHIA - 2018): Excepcionalmente, é possível 
a análise da configuração da prática vedada de nepotismo em hipóteses que 
atinjam ocupantes de cargos políticos, desde que, em análise concreta, além 
do parentesco, seja verificada troca de favores ou fraude à lei. Correto! 
Obs.: No RE 1.133.118 o STF reconheceu repercussão geral acerca 
do tema (ainda pendente de julgamento). 
Destaca-se que não haverá nepotismo se a pessoa nomeada possuir um parente no órgão, 
mas sem influência hierárquica sobre a nomeação. 
Não há nepotismo na nomeação de servidor para ocupar o cargo de assessor 
de controle externo do Tribunal de Contas mesmo que seu tio (parente em 
linha colateral de 3º grau) já exerça o cargo de assessor-chefe de gabinete 
de determinado Conselheiro, especialmente pelo fato de que o cargo do 
referido tio não tem qualquer poder legal de nomeação do sobrinho. A 
incompatibilidade da prática enunciada na SV 13 com o art. 37 da CF/88 não 
decorre diretamente da existência de relação de parentesco entre pessoa 
designada e agente político ou servidor público, mas de presunção de que a 
escolha para ocupar cargo de direção, chefia ou assessoramento tenha sido 
direcionado à pessoa com relação de parentesco com quem tenha potencial 
de interferir no processo de seleção. STF. 2ª Turma. Rcl 18564/SP, rel. orig. 
Min. Gilmar Mendes, red. p/ o acórdão Min. Dias Toffoli, julgado em 23/2/2016 
(Info 81523). 
 
Igualmente, o STF (ADI 524/ES) entende que a vedação ao nepotismo não alcança os 
servidores admitidos mediante prévia aprovação em concurso público, ocupantes de cargo de 
provimento efetivo, haja vista que isso poderia inibir o próprio provimento desses cargos, violando, 
desta forma, o art. 37, I e II, da CF/88, que garante o livre acesso aos cargos, funções e empregos 
públicos aos aprovados em concurso público. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PC/AC – IBADE - 2017): Supremo Tribunal Federal possui entendimento no 
sentido de que vedar o acesso de qualquer cidadão a cargo público tão 
 
23 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Não haverá nepotismo se a pessoa nomeada possui um parente no 
órgão, mas sem influência hierárquica sobre a nomeação. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/46ba9f2a6976570b0353203ec4474217>. 
Acesso em: 14/07/2022 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 60 
 
somente em razão da existência de relação de parentesco com servidor 
público que não tenha competência para o selecionar ou o nomear para o 
cargo de chefia, direção ou assessoramento, ou que não exerça ascendência 
hierárquica sobre aquele que possua essa competência é, em alguma 
medida, negar um dos princípios constitucionais a que se pretendeu conferir 
efetividade com a edição da Súmula Vinculante n° 13, qual seja, o princípio 
da impessoalidade. Correto! 
Com a Lei 14.230/2021, o nepotismo passou a constar expressamente entre os atos de 
improbidade administrativa (art. 11, XI, da LIA). Trata-se de incorporação ao texto da lei do teor 
da Súmula Vinculante nº 13: 
 Art. 11, XI, da LIA Súmula Vinculante 13 
Nomear cônjuge, companheiro ou parente 
em linha reta, colateral ou por afinidade, até 
o terceiro grau, inclusive, da autoridade 
nomeante ou de servidor da mesma pessoa 
jurídica investido em cargo de direção, chefia 
ou assessoramento, para o exercício de 
cargo em comissão ou de confiança ou, 
ainda, de função gratificada na administração 
pública direta e indireta em qualquer dos 
Poderes da União, dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios, compreendido o 
ajuste mediante designações recíprocas; 
A nomeação de cônjuge, companheiro ou 
parente em linha reta, colateral ou por 
afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da 
autoridade nomeante ou de servidor da 
mesma pessoa jurídica investido em cargo de 
direção, chefia ou assessoramento, para o 
exercício de cargo em comissão ou de 
confiança ou, ainda, de função gratificada na 
Administração Pública direta e indireta em 
qualquer dos poderes da União, dos Estados, 
do Distrito Federal e dos municípios, 
compreendido o ajuste mediante 
designações recíprocas, viola a Constituição 
Federal. 
 
Embora se trate de novidade na legislação, o nepotismo já era vedado em qualquer dos 
Poderes da República por força dos princípios constitucionais da impessoalidade, eficiência, 
igualdade e moralidade, independentemente de previsão expressa em diploma legislativo, em 
razão dos fundamentos constitucionais. 
A Lei 14.230/2021 inseriu uma ressalva: não se configura improbidade a mera nomeação ou 
indicação política por parte dos detentores de mandatos eletivos, sendo necessária a aferição de 
dolo com finalidade ilícita por parte do agente (§ 5º do art. 11). Trata-se de um reforço à exigência 
de dolo e do especial fim de agir para configuração dos atos de improbidade administrativa. No 
entanto, é importante observar que essa exigência não encontra respaldo na Súmula Vinculante 13 
do STF. Segundo o verbete, a violação à Constituição Federal se dá pelo mero ato da nomeação, 
sem apresentar qualquer outro requisito para configurá-la24. 
 
24 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. A nomeação da esposa do prefeito como Secretária Municipal não 
configura, por si só nepotismo e ato de improbidade administrativa. Buscador Dizer o Direito, Manaus. 
Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/3cba81c5c6cac4ce77157631fc2dc277>. 
Acesso em: 14/07/2022 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 61 
 
6. PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE 
6.1. CONCEITO 
A definição do princípio da publicidade encontra-se no art. 2º da Lei 9.784/99, vejamos: 
Art. 2º: A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da 
legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, 
moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público 
e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão 
observados, entre outros, os critérios de: 
V - Divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de 
sigiloprevistas na Constituição. 
 
O Gestor Público possui a obrigação de dar ciência/dar conhecimento ao titular do 
direito: o povo. 
A publicidade é uma condição de eficácia dos contratados e dos atos administrativos, isto 
porque é a partir da publicação que haverá o início da produção de efeitos. 
Lei de Licitações 
Art. 94. A divulgação no Portal Nacional de Contratações 
Públicas (PNCP) é condição indispensável para a eficácia do 
contrato e de seus aditamentos e deverá ocorrer nos seguintes 
prazos, contados da data de sua assinatura. 
 
Imagine, por exemplo, que a Administração Pública celebrou contrato com a Empresa X para 
entrega de merenda escolar em 30 dias. A contagem do prazo de 30 dias inicia-se com a publicação 
do contrato. 
A publicidade também significa o início da contagem de prazos. Por exemplo, quando o 
administrado recebe uma multa, o prazo para defesa inicia-se a partir do recebimento da notificação, 
isto porque só pode exercer o direito de defesa ao tomar ciência de que foi multado. 
Além disso, a publicidade significa mecanismo de controle/de fiscalização. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE/TO – CESPE - 2022): O acesso à informação é faceta do princípio da 
publicidade, cuja concretização se esgota no direito a obter certidões e na 
ação de habeas data. Errado! 
 
(TJ/CE – CESPE - 2018): A publicidade é condição de eficácia dos atos 
administrativos, razão pela qual pode caracterizar prática de ato de 
improbidade administrativa a desobediência ao dever de publicação de atos 
oficiais. Correto! 
 
(PC/AC – IBADE - 2017): O princípio da publicidade considera-se atendido 
sempre que houver a publicação de atos no Diário Oficial, sendo, por 
conseguinte, desnecessária qualquer medida adicional por parte da 
Administração Pública. Errado! 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 62 
 
6.2. PREVISÃO CONSTITUCIONAL 
O Administrador tem o dever de publicar, tal obrigação fundamenta-se nos seguintes 
dispositivos constitucionais: 
a) CF, art. 37, caput 
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da 
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos 
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, PUBLICIDADE e 
eficiência e, também, ao seguinte: 
 
b) CF Art. 5º, XXXIII – direito à informação 
Art. 5º, XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos 
informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou 
geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, 
ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade 
e do Estado; 
 
A Lei 12.527/2011 regulamentou o acesso à informação previsto no inciso XXXIII do art. 5º, 
no inciso II do § 3º do art. 37 e no § 2º do art. 216 da CF, bem como na Lei 8.112/90. No âmbito do 
Poder Executivo federal foi editado o Decreto nº 7.724, de 16.05.2012 que regulamenta os 
procedimentos para a garantia do acesso à informação e para a classificação de informações sob 
restrição de acesso, observados grau e prazo de sigilo. 
A Lei dispõe no seu art. 24 que a informação em poder dos órgãos e entidades públicas, 
observado o seu teor e em razão de sua imprescindibilidade à segurança da sociedade ou do 
Estado, poderá ser classificada como ultrassecreta, secreta ou reservada. Estabelece, 
posteriormente, como se dará a referida classificação e os prazos máximos de restrição de acesso 
à informação. Foi instituída ainda uma Comissão Mista de Reavaliação de Informações, que 
decidirá, no âmbito da administração pública federal, sobre o tratamento e a classificação de 
informações sigilosas. 
c) CF Art. 5º, XXXIV – direito de certidão, dever de publicar 
Art. 5º, XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento 
de taxas: 
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e 
esclarecimento de situações de interesse pessoal; 
 
OBS: Se a certidão é pedida para outros fins, como por exemplo, a 
proteção de interesses coletivos, ainda assim será devida, entretanto, 
poderá ser cobrada taxa, sob pena de se tornar inviável a defesa do 
direito (ex.: ação popular). 
d) CF Art. 5º, LXXII – habeas data 
Art. 5º, LXXII - conceder-se-á "habeas-data": 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 63 
 
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do 
impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades 
governamentais ou de caráter público; 
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo 
sigiloso, judicial ou administrativo; 
 
É mister, também, aproveitar a oportunidade para pontuar uma distinção crucial entre o 
mandado de segurança e o habeas data. O primeiro é utilizado para a proteção de um direito líquido 
e certo, nessa hipótese, o de informação, ou até o de certidão, se for o caso, enquanto o segundo 
só poderá ser utilizado quando se tratar de informação sobre a sua pessoa, restando concluir que, 
se a informação for do seu interesse, mas não sobre a sua pessoa, o remédio adequado é o 
mandado de segurança25. 
OBS1: no caso de informações de interesse não pessoais, caberá MS. 
OBS2: este direito à informação (disciplinado na Lei 9.507/97, art. 1º) 
protegido pelo HD, somente poderá ser exercido quando a informação 
esteja depositada em órgão que forneça dados a terceiros, não 
caberá direito de informação se a informação for usada para uso 
exclusivo do próprio órgão. 
Se o administrador não publicar, a consequência é improbidade administrativa, nos 
termos do art. 11 da Lei 8429/92. 
Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os 
princípios da administração pública a ação ou omissão dolosa que viole os 
deveres de honestidade, de imparcialidade e de legalidade, caracterizada por 
uma das seguintes condutas: (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021): 
[...] 
IV - negar publicidade aos atos oficiais, exceto em razão de sua 
imprescindibilidade para a segurança da sociedade e do Estado ou de outras 
hipóteses instituídas em lei; (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
6.3. EXCEÇÕES À PUBLICIDADE 
Como mencionado, o Administrador possui o dever de publicar. Entretanto, há casos, 
previstos na própria Constituição, em que o princípio da publicidade será afastado, mantendo-se o 
sigilo. 
a) Art. 5º, X, da CF 
Não há publicidade em nome da intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas. 
Quem violar irá indenizar o dano moral decorrente da violação. 
Art. 5º, X - São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a 
imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material 
ou moral decorrente de sua violação; 
 
25 MARINELA, Fernanda. Obra citada, p. 70. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 64 
 
 
b) Art. 5º, XXXIII, da CF 
Não há publicidade quando se coloca em risco a segurança da sociedade ou do Estado. 
Art. 5, XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações 
de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão 
prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas 
aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do 
Estado; 
 
c) Art. 5º, LX, da CF 
Não há publicidade dos atos processuais que correm em sigilo na forma da lei. 
Art. 5º, LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais 
quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem; 
 
Obs.: No processo administrativo também poderá haver sigilo. É o que 
ocorre, por exemplo, com o processo administrativo ético-disciplinar 
em determinadas carreiras. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PC/RS – FUNDATEC - 2018): No âmbito administrativo, o acesso à 
informação, por se tratar de um direito público subjetivo de envergadura 
constitucional, derivadodo princípio da publicidade e da transparência, não 
comporta sigilo como exceção. Errado! 
6.4. PUBLICIDADE x PUBLICAÇÃO 
A publicação é apenas uma das formas de publicidade, mas não é a única. Isto porque há 
outras formas de publicidade, a exemplo da realização de uma licitação de portas abertas, da 
colocação de uma informação no átrio da repartição pública. 
Portanto, a publicidade (gênero) possui é mais ampla e abrangente do que a publicação 
(espécie). 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE/PR – MPE/PR - 2017): A publicidade se distingue da publicação dos 
atos administrativos, sendo esta apenas um dos meios de concretização 
daquele princípio. Correto! 
6.5. DEVER DE PUBLICAR x PROMOÇÃO PESSOAL 
Quando o agente público realiza uma atividade administrativa, ele o faz em nome do Poder 
Público, de forma que os atos e provimentos administrativos não são imputáveis ao funcionário que 
os pratica, mas ao órgão ou entidade da Administração Pública. Logo, as realizações 
governamentais não são do servidor ou da autoridade, mas sim do órgão ou entidade. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 65 
 
O § 1º do art. 37 da CF/88 proíbe expressamente a promoção pessoal de autoridades ou 
servidores públicos. 
CF Art. 37, § 1º - A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e 
campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou 
de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens 
que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos. 
 
Em 2021, o STF julgou inconstitucional a Lei Orgânica do DF, por violação ao dispositivo 
mencionado acima. Vejamos a excelente explicação do Professor Márcio Cavalcante26: 
Está em desconformidade com a Constituição Federal a previsão contida na 
Lei Orgânica do Distrito Federal que autoriza que cada Poder defina, por 
norma interna, as hipóteses pelas quais a divulgação de ato, programa, obra 
ou serviço públicos não constituirá promoção pessoal. Essa delegação 
conferida viola o § 1º do art. 37 da CF/88, que não admite flexibilização por 
norma infraconstitucional ou regulamentar. STF. Plenário. ADI 6522/DF, Rel. 
Min. Cármen Lúcia, julgado em 14/5/2021 (Info 1017). 
 
 O STF atribuiu interpretação conforme à Constituição ao § 6º do art. 22 da LODF, o 
dispositivo afirma que não caracteriza promoção pessoal o fato de o Deputado Distrital incluir no 
material de divulgação de um ato, programa, obra ou serviço público o nome do autor dessa 
iniciativa. 
• A divulgação feita pelo parlamentar de seus atos e iniciativas pode não constituir 
promoção pessoal indevida por não se confundir com a publicidade estatal prevista no § 
1º do art. 37 da Constituição. 
• No entanto, para que não seja considerada publicidade pessoal, é necessário que essa 
divulgação se limite a fazer uma descrição informativa de sua conduta e com limites em 
sua atuação. 
A divulgação relacionada especificamente à prestação de contas pelo parlamentar ao 
cidadão não constitui situação vedada pela Constituição desde que realizada nos espaços próprios 
do mandatário ou do partido político e seja assumida com os seus recursos, não se havendo de 
confundi-la com a publicidade do órgão público ou entidade. 
Além disso, a propaganda relacionada especificamente à prestação de contas pelo 
parlamentar ao cidadão não constitui situação vedada pela Constituição, desde que realizada nos 
espaços próprios do mandatário ou do partido político e seja assumida com os seus recursos, não 
devendo ser confundida com a publicidade do órgão público ou entidade. 
Em suma: 
 
26 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. O § 1º do art. 37 da CF/88 não admite flexibilização por norma 
infraconstitucional ou regulamentar. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/90b8e8eca90756905bf80c293ae6a50a>. 
Acesso em: 15/07/2022 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 66 
 
É de se conferir interpretação conforme à Constituição ao § 6º do art. 22 da 
Lei Orgânica do Distrito Federal para que a divulgação de atos e iniciativas 
de parlamentares seja tida como legítima apenas quando efetuada nos 
ambientes de divulgação do mandatário ou do partido político, não se 
havendo de confundi-la com a publicidade do órgão público ou entidade. STF. 
Plenário. ADI 6522/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 14/5/2021 (Info 
1017). 
 
Vale ressaltar que com as alterações promovidas pela Lei 14.230/2021, a promoção pessoal 
também passa a ser improbidade administrativa. 
Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os 
princípios da administração pública a ação ou omissão dolosa que viole os 
deveres de honestidade, de imparcialidade e de legalidade, caracterizada por 
uma das seguintes condutas: 
 XII - praticar, no âmbito da administração pública e com recursos do 
erário, ato de publicidade que contrarie o disposto no § 1º do art. 37 da 
Constituição Federal, de forma a promover inequívoco enaltecimento do 
agente público e personalização de atos, de programas, de obras, de serviços 
ou de campanhas dos órgãos públicos. 
 
Por fim, de acordo com o STF (Tema 483) é legítima a publicação, inclusive em sítio 
eletrônico mantido pela Administração Pública, dos nomes dos seus servidores e do valor dos 
correspondentes vencimentos e vantagens pecuniárias. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE/AM – CESPE - 2023) Uma empresa concessionária de transporte 
aquaviário de passageiros foi sancionada com pena de cassação por agência 
fiscalizadora, em razão de ter cometido infração administrativa. Na situação 
hipotética precedente, o processo administrativo sancionatório não será 
sigiloso, ressalvados eventuais atos que se enquadrem nas hipóteses de 
sigilo previstas em lei e na Constituição Federal de 1988. Correta! 
 
(PGE/RS – FUNDATEC - 2021): A publicidade dos programas, obras e 
serviços dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de 
orientação social, sendo vedada a publicização de nomes, símbolos ou 
imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores 
públicos. Correto! 
 
(MPE/RS – MPE/RS - 2021): A publicidade dos atos, programas, obras, 
serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, 
informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, 
símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou 
servidores públicos. Correto! 
 
(MPE/SC – CESPE - 2021): A publicidade dos atos praticados pelo agente 
público, no exercício de suas atribuições, para fins de promoção individual é 
vedada pela CF, em razão da natureza institucional da atuação administrativa 
do agente público. Correto! 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 67 
 
7. PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA 
7.1. CONCEITO 
O princípio da eficiência apresenta, na realidade, dois aspectos: pode ser considerado de 
acordo com modo de atuação do agente público, do qual é esperado o melhor desempenho 
possível de suas funções, logrando os melhores resultados; e em relação ao modo de organizar, 
estruturar, disciplinar a Administração Pública, com o mesmo objetivo: obter os melhores 
resultados na prestação do serviço público. 
A partir da EC19/98 a eficiência passou a ser um princípio constitucional expresso, embora, 
antes da emenda já estivesse implícito na CF. A emenda apenas conferiu roupagem de princípio 
expresso, já existia inclusive em lei ordinária, art. 6º da Lei 8.987/95 (concessão e permissão de 
serviço). 
Art. 6o Toda concessão ou permissão pressupõe a prestação de serviço 
adequado ao pleno atendimento dos usuários, conforme estabelecido 
nesta Lei, nas normas pertinentes e no respectivo contrato. 
§ 1o Serviço adequado é o que satisfaz as condições de regularidade, 
continuidade,EFICIÊNCIA, segurança, atualidade, generalidade, cortesia na 
sua prestação e modicidade das tarifas. 
 
Em suma: 
• Ausência de desperdícios → economia; 
• Produtividade; 
• Agilidade; 
• Devo ser eficiente quanto aos meios e aos resultados (meios + resultados). Deve-
se gastar pouco com os meios e ganhar com o resultado. Se gasta muito com os 
meios e se tem pouco resultado, não é eficiente. 
OBS1: o constituinte da EC 19/98 alterou a estabilidade para garantir 
a eficiência dos servidores. O servidor que não é eficiente perde a 
estabilidade. 
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores 
nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público. 
§ 1º O servidor público estável só perderá o cargo: 
III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na 
forma de lei complementar, assegurada ampla defesa. 
§ 4º Como condição para a aquisição da estabilidade, é obrigatória a 
avaliação especial de desempenho por comissão instituída para essa 
finalidade. 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 68 
 
Como se faz a avaliação? Cada carreira terá regramento, previsto em lei, sobre como a 
avaliação será feita. Somente em algumas carreiras foi disciplinado, mas em sua maioria não há 
definição. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE/AP – CESPE - 2021): O princípio da eficiência foi introduzido na 
Constituição Federal de 1988 como parte do esforço para a reforma gerencial 
da administração pública. Correto! 
 
(PC/ES – INSTITUTO ACESSO - 2019): O princípio da eficiência da 
administração se aplica ao servidor, para efeito de sua aptidão ao cargo, 
durante o estágio probatório e ao longo do exercício de sua vida funcional. 
Correto! 
 
(PC/ES – INSTITUTO ACESSO - 2019): Legalidade, publicidade, 
impessoalidade, moralidade e eficiência são classificadas, pela doutrina, 
como princípios expressos da administração pública por possuírem previsão 
normativa inserta no texto da Constituição da República Federativa do Brasil 
de 1988 com aplicação direta ao campo do direito administrativo. Correto! 
 
(DPE/MG – FUNDEP - 2019): Os princípios constitucionais da legalidade, 
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, inscritos no caput do 
art. 37 da Constituição da República, aplicam-se ao Poder Judiciário no 
exercício da função administrativa. Correto! 
7.2. EFICIÊNCIA x DESPESAS PESSOAIS 
A EC 19/98 alterou o art. 169 da CF, criando a racionalização da máquina administrativa, 
com o intuito de maximizar a eficiência. 
Art. 169. A despesa com pessoal ativo e inativo da União, dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios não poderá exceder os limites 
estabelecidos em lei complementar. 
 
A Lei Complementar 100/00 regulamentou o art. 169, da CF, definindo os limites da despesa 
com pessoal. 
LC 101/00 Art. 19. Para os fins do disposto no caput do art. 169 da 
Constituição, a despesa total com pessoal, em cada período de apuração e 
em cada ente da Federação, não poderá exceder os percentuais da receita 
corrente líquida, a seguir discriminados: 
I - União: 50% (cinquenta por cento); 
II - Estados: 60% (sessenta por cento); 
III - Municípios: 60% (sessenta por cento). 
 
Se ultrapassar o limite, deverá ser feita a racionalização da máquina, ou seja, “corte” com o 
pessoal. A ordem é a seguinte (art. 169, §3º CF): 
a) Cargo em comissão/função de confiança (pelo menos 20%). 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 69 
 
b) Servidores não estáveis (todos). Dentro destes, de acordo com a 
necessidade/importância. 
c) Servidores estáveis. 
Só pode passar para a ordem seguinte, cumprida a anterior, exemplo: só passa à classe de 
servidores não estáveis esgotando os 20% dos cargos em comissão/função de confiança. 
Art. 169, § 3º Para o cumprimento dos limites estabelecidos com base neste 
artigo, durante o prazo fixado na lei complementar referida no caput, a União, 
os Estados, o Distrito Federal e os Municípios adotarão as seguintes 
providências: 
I - Redução em pelo menos vinte por cento das despesas com CARGOS EM 
COMISSÃO E FUNÇÕES DE CONFIANÇA; 
II - Exoneração dos servidores NÃO ESTÁVEIS. 
§ 4º Se as medidas adotadas com base no parágrafo anterior não forem 
suficientes para assegurar o cumprimento da determinação da lei 
complementar referida neste artigo, o servidor ESTÁVEL poderá perder o 
cargo, desde que ato normativo motivado de cada um dos Poderes 
especifique a atividade funcional, o órgão ou unidade administrativa objeto da 
redução de pessoal. 
 
O único que tem direito a indenização é o servidor estável. Art. 169, §5º. 
§ 5º O servidor que perder o cargo na forma do parágrafo anterior fará jus a 
INDENIZAÇÃO correspondente a um mês de remuneração por ano de 
serviço. 
 
Quando o servidor é “cortado” para racionalização da máquina, ele é exonerado. Demissão 
é pena, ele não praticou infração nenhuma. 
Para evitar “pessoalidades”, “subjetividades”, como por exemplo, exoneração sob o 
fundamento de enxugar a máquina, mas sendo na verdade vingança, o constituinte criou um 
dispositivo (art. 169, §6º): 
§ 6º O cargo objeto da redução prevista nos parágrafos anteriores será 
considerado extinto, vedada a criação de cargo, emprego ou função com 
atribuições iguais ou assemelhadas pelo prazo de quatro anos. 
 
 
 
 
 
7.3. LEGALIDADE X EFICIÊNCIA 
Meios Resultados 
EFICIÊNCIA 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 70 
 
A eficiência sempre poderá ser alcançada conforme o ordenamento jurídico, nunca 
ludibriando este último, que, quando não atender as necessidades do Estado para o máximo 
aproveitamento, será modificado, de acordo com o interesse público. Nunca se justificará uma 
atuação contrária ao direito por mais eficaz que seja. A eficiência é um princípio que se soma aos 
demais princípios impostos à Administração, não se sobrepondo a nenhum deles, especialmente o 
da legalidade, sob pena de sérios riscos à segurança jurídica e ao próprio estado de direito. 
A EC 19 também alterou o art. 37, § 3º, da CF (foi regulado pela Lei 12.527/11), 
determinando-o como um instrumento para que os indivíduos possam exercer efetivamente sua 
cidadania e exigir eficiência, permitindo que a lei discipline as formas de participação do usuário na 
administração direta e indireta, regule as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos 
em geral, garanta o acesso dos usuários a registros administrativos e informações sobre atos de 
governo e regulamente a representação contra o exercício negligente ou abusivo dos cargos, 
empregos e funções públicas. Esse, com certeza, é um excelente instrumento para a efetivação do 
princípio da eficiência. 
7.4. EFICIÊNCIA X EFICÁCIA X EFETIVIDADE 
De acordo com José dos Santos Carvalho Filho, eficiência, eficácia e efetividade não se 
confundem. 
a) Eficiência: consiste no modo, na maneira pela qual se desempenha a atividade 
administrativa. Trata-se da forma de agir dos agentes. 
b) Eficácia: diz respeito aos meios, instrumentos utilizados na atividade administrativa. 
c) Efetividade: diz respeito aos resultados. 
Nem sempre os três serão concomitantes. Salienta Renério Castro Jr.27: ao mesmo tempo 
também pode a conduta não ser muito eficiente, mas, em face da eficácia dos meios, acaba por ser 
dotada de efetividade. Até mesmo é possível admitir que condutas eficientes e eficazes acabam por 
não alcançar os resultados desejados; em consequência, serão despidas de efetividade. 
7.5. EFICIÊNCIA E DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO 
Para os processos administrativos, a novidade veio com a Emenda Constitucional 45, 
chamada de Reforma do Poder Judiciário, que introduziu o inciso LXXVIII ao art. 5º da CF, cujo teor 
confirma que “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do 
processo eos meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. Essa regra, que atinge a via 
administrativa, busca a celeridade dos processos e, com isso, a eficiência do provimento final. 
Visando a sua implementação devem ser criadas novas regras legais ou alteradas as já existentes. 
 
27 Obra citada, p. 110. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 71 
 
7.6. LEI 14.129/2021 E O PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA28 
7.6.1. Considerações iniciais 
A Lei 14.129/2021 dispõe sobre princípios, regras e instrumentos para o aumento da 
eficiência da administração pública, especialmente por meio da desburocratização, da inovação, 
da transformação digital e da participação do cidadão. 
 Na aplicação da Lei 14.129/2021 deverá ser observado o disposto nas seguintes leis: 
• Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/2011); 
• Lei de Proteção aos Usuários de Serviços Públicos (Lei 13.460/2017); 
• Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei 13.709/2018); 
• Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66); e 
• Lei do Sigilo Fiscal (LC 105/2001). 
7.6.2. Aplicação 
A Lei 14.129/2021 aplica-se: 
• aos órgãos da administração pública direta federal, abrangendo os Poderes 
Executivo, Judiciário e Legislativo, incluído o Tribunal de Contas da União, e o 
Ministério Público da União; 
• às entidades da administração pública indireta federal, incluídas as empresas 
públicas e sociedades de economia mista, suas subsidiárias e controladas, que 
prestem serviço público, autarquias e fundações públicas; e 
• às administrações diretas e indiretas dos demais entes federados, desde que 
adotem os comandos desta Lei por meio de atos normativos próprios. Assim, a 
Lei nº 14.129/2021 somente se aplica aos Estados, Municípios e DF se o ente 
tiver editado seu ato normativo próprio. 
A Lei 14.129/2021 não se aplica a empresas públicas e sociedades de economia mista, suas 
subsidiárias e controladas, que não prestem serviço público. 
7.6.3. Princípios e diretrizes do Governo Digital 
São princípios e diretrizes do Governo Digital e da eficiência pública: 
 
28 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Lei 14.129/2021: dispõe sobre princípios, regras e instrumentos para 
o Governo Digital. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/novidades_legislativas/detalhes/9be40cee5b0eee1462c82c6964
087ff9>. Acesso em: 15/07/2022 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 72 
 
• a desburocratização, a modernização, o fortalecimento e a simplificação da 
relação do poder público com a sociedade, mediante serviços digitais, acessíveis 
inclusive por dispositivos móveis; 
• a disponibilização em plataforma única do acesso às informações e aos serviços 
públicos, observadas as restrições legalmente previstas e sem prejuízo, quando 
indispensável, da prestação de caráter presencial; 
• a possibilidade aos cidadãos, às pessoas jurídicas e aos outros entes públicos 
de demandar e de acessar serviços públicos por meio digital, sem necessidade 
de solicitação presencial; 
• a transparência na execução dos serviços públicos e o monitoramento da 
qualidade desses serviços; 
• o incentivo à participação social no controle e na fiscalização da administração 
pública; 
• o dever do gestor público de prestar contas diretamente à população sobre a 
gestão dos recursos públicos; 
• o uso de linguagem clara e compreensível a qualquer cidadão; 
• o uso da tecnologia para otimizar processos de trabalho da administração pública; 
• a atuação integrada entre os órgãos e às entidades envolvidos na prestação e no 
controle dos serviços públicos, com o compartilhamento de dados pessoais em 
ambiente seguro quando for indispensável para a prestação do serviço, nos 
termos da Lei nº 13.709/2018 (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), e, 
quando couber, com a transferência de sigilo, nos termos do art. 198 do CTN e 
da LC 105/2001; 
X - a simplificação dos procedimentos de solicitação, oferta e acompanhamento dos serviços 
públicos, com foco na universalização do acesso e no autosserviço; 
• a eliminação de formalidades e de exigências cujo custo econômico ou social seja 
superior ao risco envolvido; 
• a imposição imediata e de uma única vez ao interessado das exigências 
necessárias à prestação dos serviços públicos, justificada exigência posterior 
apenas em caso de dúvida superveniente; 
• a vedação de exigência de prova de fato já comprovado pela apresentação de 
documento ou de informação válida; 
• a interoperabilidade de sistemas e a promoção de dados abertos; 
• a presunção de boa-fé do usuário dos serviços públicos; 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 73 
 
• a permanência da possibilidade de atendimento presencial, de acordo com as 
características, a relevância e o público-alvo do serviço; 
• a proteção de dados pessoais, nos termos da Lei nº 13.709/2018 (Lei Geral de 
Proteção de Dados Pessoais); 
• o cumprimento de compromissos e de padrões de qualidade divulgados na Carta 
de Serviços ao Usuário; 
• a acessibilidade da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida, nos 
termos da Lei nº 13.146/2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência); 
• o estímulo a ações educativas para qualificação dos servidores públicos para o 
uso das tecnologias digitais e para a inclusão digital da população; 
• o apoio técnico aos entes federados para implantação e adoção de estratégias 
que visem à transformação digital da administração pública; 
• o estímulo ao uso das assinaturas eletrônicas nas interações e nas comunicações 
entre órgãos públicos e entre estes e os cidadãos; 
• a implantação do governo como plataforma e a promoção do uso de dados, 
preferencialmente anonimizados, por pessoas físicas e jurídicas de diferentes 
setores da sociedade, com vistas, especialmente, à formulação de políticas 
públicas, de pesquisas científicas, de geração de negócios e de controle social; 
• o tratamento adequado a idosos, nos do Estatuto do Idoso; 
• a adoção preferencial, no uso da internet e de suas aplicações, de tecnologias, 
de padrões e de formatos abertos e livres, conforme disposto no inciso V do caput 
do art. 24 e no art. 25 da Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014 (Marco Civil da 
Internet); e 
• a promoção do desenvolvimento tecnológico e da inovação no setor público. 
7.6.4. Conceitos utilizados pela Lei 
a) Autosserviço: acesso pelo cidadão a serviço público prestado por meio digital, sem 
necessidade de mediação humana; 
b) Base nacional de serviços públicos: base de dados que contém as informações 
necessárias sobre a oferta de serviços públicos de todos os prestadores desses serviços; 
c) Dados abertos: dados acessíveis ao público, representados em meio digital, estruturados 
em formato aberto, processáveis por máquina, referenciados na internet e 
disponibilizados sob licença aberta que permita sua livre utilização, consumo ou 
tratamento por qualquer pessoa, física ou jurídica; 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 74 
 
d) Dado acessível ao público: qualquer dado gerado ou acumulado pelos entes públicos 
que não esteja sob sigilo ou sob restrição de acesso nos termos da Lei nº 12.527/2011 
(Lei de Acesso à Informação); 
e) Formato aberto: formato de arquivo não proprietário, cuja especificação esteja 
documentada publicamente e seja de livre conhecimento e implementação, livre de 
patentes ou de qualquer outra restrição legal quanto à sua utilização; 
f) Governo como plataforma: infraestrutura tecnológica que facilite o uso de dados de 
acesso público e promova a interação entre diversos agentes, de forma segura, eficiente 
e responsável, para estímulo à inovação, à exploração de atividade econômica e à 
prestação de serviços à população; 
g) Laboratório de inovação: espaço aberto à participação e à colaboração da sociedade 
para o desenvolvimento de ideias,de ferramentas e de métodos inovadores para a 
gestão pública, a prestação de serviços públicos e a participação do cidadão para o 
exercício do controle sobre a administração pública; 
h) Plataformas de governo digital: ferramentas digitais e serviços comuns aos órgãos, 
normalmente ofertados de forma centralizada e compartilhada, necessárias para a oferta 
digital de serviços e de políticas públicas; 
i) Registros de referência: informação íntegra e precisa oriunda de uma ou mais fontes de 
dados, centralizadas ou descentralizadas, sobre elementos fundamentais para a 
prestação de serviços e para a gestão de políticas públicas; e 
j) Transparência ativa: disponibilização de dados pela administração pública 
independentemente de solicitações. 
7.6.5. Digitalização da Administração Pública 
a) Soluções digitais 
A administração pública utilizará soluções digitais para a gestão de suas políticas finalísticas 
e administrativas e para o trâmite de processos administrativos eletrônicos. 
 b) Atestados e outros documentos em meio digital 
Entes públicos que emitem atestados, certidões, diplomas ou outros documentos 
comprobatórios com validade legal poderão fazê-lo em meio digital, assinados eletronicamente. 
c) Atos processuais eletrônicos 
Nos processos administrativos eletrônicos, os atos processuais deverão ser realizados em 
meio eletrônico, exceto se o usuário solicitar de forma diversa, nas situações em que esse 
procedimento for inviável, nos casos de indisponibilidade do meio eletrônico ou diante de risco de 
dano relevante à celeridade do processo. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 75 
 
Não sendo o ato realizado em meio eletrônico, ele deverá ser praticado conforme as regras 
aplicáveis aos processos em papel, desde que posteriormente o documento-base correspondente 
seja digitalizado. 
d) Assinatura eletrônica 
Os documentos e os atos processuais serão válidos em meio digital mediante o uso de 
assinatura eletrônica, desde que respeitados parâmetros de autenticidade, de integridade e de 
segurança adequados para os níveis de risco em relação à criticidade da decisão, da informação 
ou do serviço específico, nos termos da lei. 
e) Quando os atos processuais se consideram praticados 
Os atos processuais em meio eletrônico consideram-se realizados no dia e na hora do 
recebimento pelo sistema informatizado de gestão de processo administrativo eletrônico do órgão 
ou da entidade, o qual deverá fornecer recibo eletrônico de protocolo que os identifique. 
Quando o ato processual tiver que ser praticado em determinado prazo, por meio eletrônico, 
serão considerados tempestivos os efetivados, salvo disposição em contrário, até as 23h59 (vinte 
e três horas e cinquenta e nove minutos) do último dia do prazo, no horário de Brasília. 
f) Acesso à íntegra do processo 
O acesso à íntegra do processo para vista pessoal do interessado poderá ocorrer por 
intermédio da disponibilização de sistema informatizado de gestão ou por acesso à cópia do 
documento, preferencialmente em meio eletrônico. 
g) Documentos nato-digitais são considerados originais 
Os documentos nato-digitais assinados eletronicamente são considerados originais para 
todos os efeitos legais. 
7.6.6. Governo Digital 
a) Amplo acesso 
A prestação digital dos serviços públicos deverá ocorrer por meio de tecnologias de amplo 
acesso pela população, inclusive pela de baixa renda ou residente em áreas rurais e isoladas, sem 
prejuízo do direito do cidadão a atendimento presencial. 
O acesso à prestação digital dos serviços públicos será realizado, preferencialmente, por 
meio do autosserviço. 
b) Componentes do Governo Digital 
São componentes essenciais para a prestação digital dos serviços públicos na 
administração pública: 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 76 
 
• a Base Nacional de Serviços Públicos (reunirá informações necessárias sobre a 
oferta de serviços públicos em cada ente federado); 
• as Cartas de Serviços ao Usuário (Lei nº 13.460/2017); 
• as Plataformas de Governo Digital (instrumentos necessários para a oferta e a 
prestação digital dos serviços públicos de cada ente federativo). 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE/SC – CESPE - 2023) De acordo com a legislação federal que rege o 
governo digital, são componentes essenciais para a prestação digital dos 
serviços públicos na administração pública: a base nacional de serviços 
públicos, as cartas de serviços ao usuário, as plataformas de governo digital, 
os laboratórios de inovação e as assinaturas eletrônicas. Errada! 
7.6.7. Número suficiente para identificação 
O número do CPF ou o número do CNPJ é suficiente para a identificação do cidadão ou da 
pessoa jurídica, conforme o caso, nos bancos de dados de serviços públicos, garantida a gratuidade 
da inscrição e das alterações nesses cadastros. 
Número do CPF passa a constar nos demais documentos 
O número de inscrição no CPF deverá constar dos cadastros e dos documentos de órgãos 
públicos, do registro civil de pessoas naturais, dos documentos de identificação de conselhos 
profissionais. 
7.6.8. Governo como plataforma 
a) Abertura dos Dados 
Os dados disponibilizados pelos prestadores de serviços públicos, bem como qualquer 
informação de transparência ativa, são de livre utilização pela sociedade, observados os princípios 
dispostos no art. 6º da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018). 
 Sem prejuízo da legislação em vigor, os órgãos e as entidades deverão divulgar na internet: 
• o orçamento anual de despesas e receitas públicas do Poder ou órgão 
independente; 
• a execução das despesas e receitas públicas; 
• os repasses de recursos federais aos Estados, aos Municípios e ao Distrito 
Federal; 
• os convênios e as operações de descentralização de recursos orçamentários em 
favor de pessoas naturais e de organizações não governamentais de qualquer 
natureza; 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 77 
 
• as licitações e as contratações realizadas pelo Poder ou órgão independente; 
• as notas fiscais eletrônicas relativas às compras públicas; 
• as informações sobre os servidores e os empregados públicos federais, bem 
como sobre os militares da União, incluídos nome e detalhamento dos vínculos 
profissionais e de remuneração; 
• as viagens a serviço custeadas pelo Poder ou órgão independente; 
• as sanções administrativas aplicadas a pessoas, a empresas, a organizações não 
governamentais e a servidores públicos; 
• os currículos dos ocupantes de cargos de chefia e direção; 
• o inventário de bases de dados produzidos ou geridos no âmbito do órgão ou 
instituição, bem como catálogo de dados abertos disponíveis; 
• as concessões de recursos financeiros ou as renúncias de receitas para pessoas 
físicas ou jurídicas, com vistas ao desenvolvimento político, econômico, social e 
cultural, incluída a divulgação dos valores recebidos, da contrapartida e dos 
objetivos a serem alcançados por meio da utilização desses recursos e, no caso 
das renúncias individualizadas, dos dados dos beneficiários. 
 Aplica-se subsidiariamente, no que couber, as disposições da Lei nº 9.784/99 (Lei do 
Processo Administrativo Federal). 
b) Interoperabilidade de Dados entre Órgãos Públicos 
Os órgãos e as entidades responsáveis pela prestação digital de serviços públicos 
detentores ou gestores de bases de dados, inclusive os controladores de dados pessoais, deverão 
gerir suas ferramentas digitais, considerando: 
• a interoperabilidade de informações e de dados sob gestão dos órgãos e das 
entidades da Administração Pública, respeitados as restrições legais, os 
requisitos de segurança da informação e das comunicações, as limitações 
tecnológicas e a relação custo-benefício da interoperabilidade; 
• a otimização dos custos de acesso a dados e o reaproveitamento,sempre que 
possível, de recursos de infraestrutura de acesso a dados por múltiplos órgãos e 
entidades; 
• a proteção de dados pessoais, observada a legislação vigente, especialmente a 
Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018). 
7.6.9. Mecanismo de interoperabilidade 
Será instituído mecanismo de interoperabilidade com a finalidade de: 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 78 
 
• aprimorar a gestão de políticas públicas; 
• aumentar a confiabilidade dos cadastros de cidadãos existentes na administração 
pública, por meio de mecanismos de manutenção da integridade e da segurança 
da informação no tratamento das bases de dados, tornando-as devidamente 
qualificadas e consistentes; 
• viabilizar a criação de meios unificados de identificação do cidadão para a 
prestação de serviços públicos; 
• facilitar a interoperabilidade de dados entre os órgãos de governo; 
• realizar o tratamento de informações das bases de dados a partir do número de 
inscrição do cidadão no CPF, conforme previsto no art. 11 da Lei nº 13.444/2017. 
7.6.10. Publicidade 
Os órgãos e entidades serão responsáveis pela publicidade de seus registros de referência 
e pelos mecanismos de interoperabilidade. 
As pessoas físicas e jurídicas poderão verificar a exatidão, a correção e a completude de 
qualquer um dos seus dados contidos nos registros de referência, bem como monitorar o acesso a 
esses dados. 
A nova base de dados somente poderá ser criada quando forem esgotadas as possibilidades 
de utilização dos registros de referência existentes. 
7.6.11. Domicílio eletrônico 
Comunicações por meio eletrônico 
Os órgãos e as entidades da Administração Pública, mediante opção do usuário, poderão 
realizar todas as comunicações, as notificações e as intimações por meio eletrônico. 
Essa opção do administrado não gera, para si, um direito subjetivo podendo essa forma de 
comunicação não ser implementada caso os meios não estejam disponíveis. 
O administrado poderá, a qualquer momento e independentemente de fundamentação, optar 
pelo fim das comunicações, das notificações e das intimações por meio eletrônico. 
O ente público poderá realizar as comunicações, as notificações e as intimações por meio 
de ferramenta mantida por outro ente público. 
 Requisitos das ferramentas de comunicação por meio eletrônico 
As ferramentas usadas para os atos de comunicação, notificação e intimação eletrônicos: 
• disporão de meios que permitam comprovar a autoria das comunicações, das 
notificações e das intimações; 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 79 
 
• terão meios de comprovação de emissão e de recebimento, ainda que não de 
leitura, das comunicações, das notificações e das intimações; 
• poderão ser utilizadas mesmo que legislação especial preveja apenas as 
comunicações, as notificações e as intimações pessoais ou por via postal; 
• serão passíveis de auditoria; 
• conservarão os dados de envio e de recebimento por, pelo menos, 5 (cinco) anos. 
7.6.12. Laboratórios de inovação 
Os entes públicos poderão instituir laboratórios de inovação, abertos à participação e à 
colaboração da sociedade para o desenvolvimento e a experimentação de conceitos, de 
ferramentas e de métodos inovadores para a gestão pública, a prestação de serviços públicos, o 
tratamento de dados produzidos pelo poder público e a participação do cidadão no controle da 
administração pública. 
Os laboratórios de inovação terão como diretrizes: 
• colaboração interinstitucional e com a sociedade; 
• promoção e experimentação de tecnologias abertas e livres; 
• uso de práticas de desenvolvimento e prototipação de softwares e de métodos 
ágeis para formulação e implementação de políticas públicas; 
• foco na sociedade e no cidadão; 
• fomento à participação social e à transparência pública; 
• incentivo à inovação; 
• apoio ao empreendedorismo inovador e fomento a ecossistema de inovação 
tecnológica direcionado ao setor público; 
• apoio a políticas públicas orientadas por dados e com base em evidências, a fim 
de subsidiar a tomada de decisão e de melhorar a gestão pública; 
• estímulo à participação de servidores, de estagiários e de colaboradores em suas 
atividades; 
• difusão de conhecimento no âmbito da administração pública. 
7.6.13. Governança, gestão de riscos, controle e auditoria 
Caberá à autoridade competente dos órgãos e das entidades da Administração Pública, 
observados as normas e os procedimentos específicos aplicáveis, implementar e manter 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 80 
 
mecanismos, instâncias e práticas de governança, em consonância com os princípios e as diretrizes 
estabelecidos nesta Lei. 
Os mecanismos, as instâncias e as práticas de governança incluirão, no mínimo: 
• formas de acompanhamento de resultados; 
• soluções para a melhoria do desempenho das organizações; 
• instrumentos de promoção do processo decisório fundamentado em evidências. 
 Os órgãos e as entidades da Administração Pública deverão estabelecer, manter, monitorar 
e aprimorar sistema de gestão de riscos e de controle interno com vistas à identificação, à avaliação, 
ao tratamento, ao monitoramento e à análise crítica de riscos da prestação digital de serviços 
públicos que possam impactar a consecução dos objetivos da organização no cumprimento de sua 
missão institucional e na proteção dos usuários, observados os seguintes princípios: 
• integração da gestão de riscos ao processo de planejamento estratégico e aos 
seus desdobramentos, às atividades, aos processos de trabalho e aos projetos 
em todos os níveis da organização, relevantes para a execução da estratégia e 
o alcance dos objetivos institucionais; 
• estabelecimento de controles internos proporcionais aos riscos, de modo a 
considerar suas causas, fontes, consequências e impactos, observada a relação 
custo-benefício; 
• utilização dos resultados da gestão de riscos para apoio à melhoria contínua do 
desempenho e dos processos de governança, de gestão de riscos e de controle; 
• proteção às liberdades civis e aos direitos fundamentais. 
7.7. CONTRATO DE EFICIÊNCIA 
A Nova Lei de Licitações, acolhendo a previsão da Lei do Regime Diferenciado de 
Contratações, prevê o contrato de eficiência. 
Art. 6º Para os fins desta Lei, consideram-se: 
LIII - contrato de eficiência: contrato cujo objeto é a prestação de serviços, 
que pode incluir a realização de obras e o fornecimento de bens, com o 
objetivo de proporcionar economia ao contratante, na forma de redução de 
despesas correntes, remunerado o contratado com base em percentual da 
economia gerada; 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TJ/MS – FGV - 2023) O presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado 
Gama, visando reduzir as despesas do Judiciário estadual, pretende diminuir 
o custo mensal com energia elétrica. Assim, o TJ publicou edital de licitação, 
cujo critério de escolha será o maior retorno econômico. Os licitantes deverão 
apresentar seu projeto e proposta de redução de custo do TJ com energia, 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 81 
 
de maneira que será remunerado o contratado com base no percentual de 
economia, ou seja, sua remuneração será fixada em percentual que incidirá 
de forma proporcional à economia efetivamente obtida pelo TJ na execução 
do contrato. No caso em tela, conforme dispõe a Nova Lei de Licitações e 
Contratos (Lei nº 14.133/2021), será firmado entre o Tribunal de Justiça do 
Estado Gama e o licitante vencedor contrato de eficiência. Correta! 
 
8. PRINCÍPIO DA ISONOMIA 
O princípio da isonomia consiste em tratar os iguais de forma igual, os desiguais de forma 
desigual na medida de suas desigualdades. 
Deve-se averiguar se o fator discriminatório está de acordo com o objetivo da norma. 
Existem dois critériosbásicos para averiguar a constitucionalidade de determinada discriminação 
(ou distinção): 
Exemplo: edital restrito a mulheres para agente de penitenciária feminina. 
1º Critério: Identifica-se o elemento de distinção; no exemplo seria a limitação da inscrição 
às mulheres. 
2º Critério: Verificar se o elemento de distinção é objetivo, razoável e proporcional ao fim 
buscado pelo ato discriminatório (no caso o edital). Aqui, examinando o exemplo, o objetivo do edital 
é o provimento de agente de penitenciária feminina, logo não há nada mais razoável e proporcional 
que a limitação de inscrições a mulheres. Vale dizer ainda que a limitação foi objetiva, ou seja, a 
todas as mulheres, sem qualquer distinção de caráter subjetivo. 
Nesses casos específicos de provimento de cargos públicos, o STF adota o entendimento 
segundo o qual a distinção (ou discriminação) deve ser proporcional e razoável à natureza das 
atribuições do cargo, além de estar prevista em lei. 
Requisitos para concurso: 
• Compatibilidade com as atribuições do cargo. 
• Deve estar previsto na lei da carreira 
Súmula 535 STJ - É admitida a realização de exame psicotécnico em 
concursos públicos se forem atendidos os seguintes requisitos: previsão em 
lei, previsão no edital com a devida publicidade dos critérios objetivos fixados 
e possibilidade de recurso. 
 
Súmula vinculante 44-STF: Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico 
a habilitação de candidato a cargo público. 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 82 
 
Em relação à diferença no teste físico para homens e mulheres, o STF entende que não 
viola isonomia. 
Vale mencionar que os candidatos em concurso público não possuem direito à segunda 
chamada nos testes físicos, salvo se houver previsão expressa no edital. 
Os candidatos em concurso público NÃO têm direito à prova de segunda 
chamada nos testes de aptidão física em razão de circunstâncias pessoais, 
ainda que de caráter fisiológico ou de força maior, salvo se houver previsão 
no edital permitindo essa possibilidade. STF. Plenário. RE 630733/DF, Rel. 
Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/5/2013 (repercussão geral) (Info 706). 
 
Por fim, não há violação ao princípio da isonomia a remarcação de teste físico para as 
candidatas gestantes, mesmo não havendo previsão no edital. O STF entendeu que a situação da 
candidata grávida merece tratamento diferente do caso de candidatos doentes ou que não 
compareceram ao teste por motivo de força maior. Assim, justifica-se fazer um distinguishing em 
relação ao que foi decidido no RE 630733/DF. 
É constitucional a remarcação do teste de aptidão física de candidata que 
esteja grávida à época de sua realização, independentemente da previsão 
expressa em edital do concurso público. STF. Plenário. RE 1058333/PR, Rel. 
Min. Luiz Fux, julgado em 21/11/2018 (repercussão geral)29. 
 
Como foi cobrado em concurso? 
(TRF2 – IBFC - 2018): A proteção constitucional à maternidade e à gestante 
autoriza o tratamento diferenciado à candidata gestante, com designação de 
outra data para a realização do teste de aptidão física, especialmente se 
comprovado que a realização da prova na condição em que se encontra pode 
prejudicar a saúde do feto. Correto! 
9. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA 
Estão previstos no art. 5º, LV da CF. 
Art. 5º, LV - aos litigantes, em processo judicial ou ADMINISTRATIVO, e aos 
acusados em geral são assegurados o CONTRADITÓRIO e AMPLA 
DEFESA, com os meios e recursos a ela inerentes; 
 
O princípio do devido processo legal é referência como regra constitucional desde a 
Constituição de 1824, mas a novidade da Constituição Federal de 1988 foi estendê-lo ao processo 
administrativo. Trata-se de um superprincípio, norteador de todo ordenamento jurídico e que se 
desdobra em vários subprincípios como, por exemplo, o contraditório e a ampla defesa. 
 
29 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. A candidata que esteja gestante no dia do teste físico possui o direito 
de fazer a prova em uma nova data no futuro. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/8d2a5f7d4afa5d0530789d3066945330>. 
Acesso em: 15/07/2022 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 83 
 
É fundamento para muitas nulidades na administração pública. 
Contraditório significa ciência da existência do processo. Contraditório constitui a 
bilateralidade da relação jurídica processual. Quando se chama a parte para o processo, está 
formando-se a relação processual. 
Ampla defesa significa a parte ter a oportunidade de defesa (– ampla defesa qualifica o 
contraditório – contraditório formal x contraditório substancial; oportunidade de participação x poder 
de influência) lhe é dado o direito de fazê-lo, se ela vai fazer ou não é problema dela, ela precisa ter 
a oportunidade. 
9.1. EXIGÊNCIAS PARA QUE A AMPLA DEFESA ACONTEÇA 
A ampla defesa exige uma defesa prévia, ou seja, a parte precisa ter a oportunidade de se 
defender antes da condenação final, da aplicação da sanção. 
Além disso, para que a defesa prévia seja efetiva, é necessário que as penas estejam pré-
determinadas e o procedimento pré-estabelecido (fundamental para a defesa da parte, ela deve 
conhecer a sanção e o procedimento). 
9.2. GARANTIA DE INFORMAÇÃO 
A defesa só será garantida quando a parte tiver acesso ao processo, garantindo-se o seu 
direito à informação. 
É o que ocorre, por exemplo, com recurso em concurso. Para recorrer, a parte precisa ter 
acesso ao espelho de prova. 
Obs.: a parte possui o direito à cópia do processo, mas as despesas 
são por sua conta. 
9.3. PRODUÇÃO DE PROVAS 
A parte possui o direito de solicitar a produção de provas, bem como de vê-las sendo 
realizadas e interferindo efetivamente no convencimento do julgador (direito de influir). 
Obviamente, é vedada a produção de provas ilícitas. 
9.4. DEFESA TÉCNICA 
A defesa técnica é aquela realizada pelo representante do interessado, o advogado. De 
acordo com a Lei 8.112/90, a presença do advogado é facultativa. 
Durante anos, o STJ reconheceu que a presença do advogado era obrigatória em todas as 
fases do processo administrativo disciplinar, tendo em vista que sua presença contribui para a 
regularidade do processo. Tal entendimento foi sumulado. 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 84 
 
Súmula 343 STJ - a presença do advogado é obrigatória em todas as fases 
do processo administrativo disciplinar. Cancelada 
 
Contudo, o entendimento do STJ não prosperou e a súmula foi cancelada em razão da 
Súmula Vinculante 5. 
SV 5 – A falta de defesa técnica por advogado em processo administrativo 
disciplinar não ofende a constituição. 
 
De acordo com o STF, se a presença do advogado é obrigatória e o processo ocorre sem, 
haverá nulidade da decisão. Consequentemente, o servidor deverá ser reintegrado, retornando com 
o recebimento de todas as vantagens do período afastado. 
9.5. DIREITO DE RECURSO 
O direito de recurso é indispensável para que a ampla defesa seja efetiva. 
O recurso administrativo é cabível independentemente de previsão de recurso típico, 
mesmo que para aquele caso concreto não seja previsto recurso específico, deve ser assegurada 
a ampla defesa. 
Para se recorrer é preciso saber a motivação, ou seja, é importante saber quais as razões 
que levaram àquela decisão. 
A exigência de depósito para o exercício do recurso viola o contraditório e a ampla defesa 
(especialmente). Isto porque se a parte não tem dinheiro para pagar o valor, não poderá interpor 
recurso, ou seja, seria definido pelo critério econômico o que é brutalmente inconstitucional. 
STF - SV 21 - É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento 
prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. 
 
STJ – Tema 86: O depósitoprévio ao recurso administrativo, para a discussão 
de crédito previdenciário, ante o flagrante desrespeito à garantia 
constitucional da ampla defesa (artigo 5º, LV, da CF/88) e ao direito de 
petição independentemente do pagamento de taxas (artigo 5º, XXXIV, "a", da 
CF/88) é inexigível, consoante decisão do Supremo Tribunal Federal, na 
sessão plenária ocorrida em 28.03.2007, nos autos do Recurso Extraordinário 
389.383-1/SP, na qual declarou, por maioria, a inconstitucionalidade dos §§ 
1.º e 2.º, do artigo 126, da Lei 8.213/91, com a redação dada pela Medida 
Provisória 1.608-14/98, convertida na Lei 9.639/98. 
 
3ª Observação: Súmula vinculante número 3 (STF): 
Sempre que o processo vai atingir o direito de alguém, a parte deve ter o direito de ampla 
defesa. 
STF SV 3 - Nos processos perante o tribunal de contas da união asseguram-
se o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar 
anulação ou revogação de ato administrativo que beneficie o interessado, 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 85 
 
excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de 
aposentadoria, reforma e pensão. 
 
Imagine, por exemplo, que a Empresa X possui um contrato com o Estado Y. Durante a 
investigação, o Tribunal de Contas constata irregularidades, resolvendo extinguir tal contrato. Como 
a extinção irá atingir a Empresa X, ela precisa ter direito ao contraditório e ampla defesa. Portanto, 
quando os processos que tramitam no TCU puderem resultar na anulação ou na revogação de ato 
que beneficie a terceiro, este deverá ter direito de contraditório e ampla defesa. 
Situação diversa ocorre quando o TCU revê atos relacionados com o direito de 
aposentadoria, que não estão concretos e acabados. Neste caso, o TCU faz controle de um ato em 
formação, na sua trajetória. Não haverá contraditório e ampla defesa. 
Perceba, portanto, que há na Súmula Vinculante 3 duas situações distintas: 
1º São aqueles atos que chegam ao TCU para serem submetidos a controle, já estão 
acabados. Ao realizar este tipo de controle, o TCU poderá anular ou revogar o ato, quando a ação 
do TCU (anulação ou revogação) atingir terceiros, ele será chamado, terá a oportunidade do direito 
de defesa. 
2º Ato inicial de aposentadoria, depende de duas vontades: administrador e do TCU. Neste 
caso, o TCU participa da formação do próprio ato, da formação do direito, se o TCU não concordar, 
a parte não terá direito a contraditório e ampla defesa, visto que o ato não tinha sido formado ainda. 
OBS: o indivíduo TEM contraditório e ampla defesa perante a 
administração, todavia, no TCU, no caso acima, ele não terá o 
contraditório e ampla defesa. Isso porque no primeiro caso o TCU revê 
um ato já acabado e concluído. Na segunda situação, o TCU está 
dentro da tomada de decisão, para que o ato seja concluído e 
aperfeiçoado o TCU terá de participar, então ele está dentro do ato e 
não revendo um ato pronto 
10. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE 
Significa que o gestor público deve agir de forma coerente, com lógica, com coerência e 
congruência. Tal princípio proíbe a atuação do administrador de forma despropositada ou 
tresloucada, quando, com a desculpa de cumprir a lei, age de forma arbitrária e sem qualquer bom-
senso. Trata-se do princípio da proibição de excessos. 
Obs.: Marinela (2022, p. 83) considera a razoabilidade como princípio 
da proibição dos excessos; já Renério Castro Jr. (2022, p. 113), 
considera a proporcionalidade. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 86 
 
É considerado um princípio constitucional implícito, já que não está previsto na 
Constituição. Contudo, encontra previsão expressa em dispositivos infraconstitucionais, a 
exemplo do art. 2º, da Lei 9.784/99. 
Lei 9784/99 LPAD Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, 
aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, 
proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança 
jurídica, interesse público e eficiência. 
 
As decisões que violarem a razoabilidade não serão inconvenientes, e sim, ilegais e 
ilegítimas, porque ofenderam a finalidade da lei, por ofenderem princípio constitucional implícito, 
admitindo correção, inclusive pelo Poder Judiciário, que realizará tão somente controle de 
legalidade. Essa é a dita legalidade em sentido amplo, o que permite a análise de compatibilidade 
com a lei e com as regras constitucionais. Nessa situação, apesar de se reconhecer que o controle 
judicial não pode atingir a conveniência e a oportunidade, a discricionariedade do administrador, 
deve-se admitir que o Poder Judiciário acabará interferindo no juízo de valor do administrador, no 
mérito do ato administrativo, limitando a sua liberdade (assim, não se admitem mais qualquer 
conveniência e oportunidade; essas devem ser razoáveis). Essa interferência só será possível 
quando existir violação à razoabilidade, ofendendo o texto constitucional e, consequentemente, o 
princípio da legalidade. 
11. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE 
Assim como a razoabilidade, a proporcionalidade é um princípio constitucional implícito e 
está prevista no art. 2º, da Lei 9.784/99. 
Lei 9784/99 LPAD Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, 
aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, 
proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança 
jurídica, interesse público e eficiência 
VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, 
restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias 
ao atendimento do interesse público; 
 
A doutrina brasileira (Hely Lopes Meirelles e Maria Sylvia Di Pietro) reconhece que o 
princípio da proporcionalidade está contido no princípio da razoabilidade. Não são sinônimos. 
Proporcionalidade é adequação entre meios e fins – aspecto da razoabilidade, isto é, toda 
conduta razoável deve ser proporcional. A razoabilidade é algo maior. Traduz um comportamento 
dentro de um padrão de normalidade. A Administração deve cumprir a lei e todos os outros 
princípios do Direito Administrativo. Não é compatível atender a lei de modo desarrazoado ou 
desproporcional. 
Rafael Oliveira30 aponta que a proporcionalidade divide-se em três subprincípios: 
 
30 Obra citada, p. 47. 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 87 
 
a) Adequação ou idoneidade – o ato estatal será adequado quando contribuir para a 
realização do resultado pretendido. Por exemplo, o STF considerou inconstitucional a 
exigência de comprovação de “condições de capacidade” para o exercício da profissão 
de corretor de imóveis, pois o meio – atestado de condições de capacidade – não 
provaria o fim – controle do exercício da profissão. 
b) Necessidade ou exigibilidade – em razão da proibição do excesso, caso existam duas 
ou mais medidas adequadas para alcançar os fins perseguidos (interesse público), o 
Poder Público deve adotar a medida menos gravosa aos direitos fundamentais (ex.: 
invalidade de sanção máxima de demissão ao servidor que pratica infração leve. 
c) Proporcionalidade em sentido – encerra uma típica ponderação, no caso concreto, 
entre o ônus imposto pela atuação estatal e o benefício por ela produzido (relação custo 
e benefício da medida), razão pela qual a restrição ao direito fundamental deve ser 
justificada pela importância do princípio ou do direito fundamental que será efetivado 
(ex.: o STF considerou inconstitucional lei estadual que obrigou a pesagem de botijões 
de gás no momento da venda para o consumidor, com abatimento proporcional do preço 
do produto, quando verificada a diferença a menor entre o conteúdo e quantidade 
especificada no recipiente, tendo em vista que a proteção do consumidor não autoriza a 
aniquilação do princípio da livre-concorrência). 
12. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE OUDESCENTRALIZAÇÃO 
Esse princípio decorre dos princípios da indisponibilidade e da legalidade. Surgiu com 
base na ideia de descentralização administrativa, apesar de a doutrina também admitir a sua 
aplicação para a própria Administração Direta. 
Para a Administração Direta (União, Estados, DF e Municípios) criar as pessoas jurídicas da 
Administração Indireta (autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de 
economia mista ) precisa de lei, que irá definir a finalidade específica da pessoa jurídica da 
Administração Indireta. O administrador não pode fugir desta finalidade, há uma vinculação. 
Pode o administrador modificar esta finalidade? Não, visto que tal finalidade é definida por 
lei, para modificá-la precisaremos de outra lei → paralelismo de formas. 
Há doutrina que entende também poder ser aplicado quanto aos órgãos públicos. (MP/MG 
– ‘O princípio da especialidade vincula as PJ da administração indireta e os órgãos da 
administração à lei que os cria’) 
Esse princípio, pensado inicialmente para as autarquias, também deve ser aplicado às 
demais pessoas jurídicas que dependem, igualmente, de lei para sua criação (art. 37, XIX e XX, da 
CF). Essa mesma ideia também pode ser aplicada para as estruturas internas da Administração, 
como é o caso dos órgãos públicos que, da mesma forma, estão ligados à finalidade do ato de sua 
criação. A fiscalização de obediência a essa finalidade, e, consequentemente de obediência à 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 88 
 
legalidade, faz-se pelos instrumentos de controle da Administração, como é o caso da supervisão 
ministerial que é realizada pelo Ministério a que a pessoa jurídica estiver ligada31. 
O melhor exemplo é o art. 237 da Lei 6.404/1976. 
Lei 6.404/1976, art. 237: A companhia de economia mista somente poderá 
explorar os empreendimentos ou exercer as atividades previstas na lei que 
autorizou a sua constituição. 
13. PRINCÍPIO DA TUTELA OU CONTROLE 
Os entes federativos, através de órgãos da administração direta exercem controle sobre as 
pessoas jurídicas da administração indireta. Não há hierarquia, há controle. Não há autotutela, há 
tutela. Não há subordinação, há vinculação. 
Dec. Lei 200/67, art. 4°: A Administração Federal compreende: 
Parágrafo único. As entidades compreendidas na Administração Indireta 
vinculam-se ao Ministério em cuja área de competência estiver enquadrada 
sua principal atividade. 
 
Dec. Lei 200/67, art. 6º “As atividades da Administração Federal obedecerão 
aos seguintes princípios fundamentais. (...) 
V – Controle. 
 
Exemplos: Ministério da Educação exerce tutela sobre as autarquias federais universidades 
federais; Ministério do Meio Ambiente exerce tutela sobre o IBAMA; Ministério das Minas e Energia 
exerce tutela sobre a Petrobras; Ministério da Fazenda exerce tutela sobre o Banco do Brasil, Caixa 
Econômica Federal e Casa da Moeda; Ministério das Telecomunicações exerce tutela sobre os 
Correios e ANATEL. 
14. PRINCÍPIO DA AUTOTUTELA 
14.1. CONCEITO 
De acordo com o princípio da autotutela, a Administração Pública possui o poder-dever de 
rever os seus próprios atos, seja para anulá-los por vícios de legalidade, seja para revogá-los por 
questões de conveniência e de oportunidade, nos termos das Súmulas 346 e 473 do STF e do art. 
53, da Lei 9.784/99. 
Lei 9.784/99 Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando 
eivados de vício de legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência 
ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. 
 
 
31 MARINELA, Fernanda. Obra citada, p. 97. 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 89 
 
STF 346 A Administração pode anular os seus próprios atos, quando eivados 
de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos. 
 
STF 473 diz que: A Administração pode anular os seus próprios atos, quando 
eivados de vícios que os tomem ilegais, porque deles não se originam 
direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, 
respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a 
apreciação judicial. 
14.2. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA 
Vale ressaltar que a prerrogativa de a Administração Pública controlar seus próprios atos 
não prescinde (não dispensa) a instauração de processo administrativo no qual sejam assegurados 
o contraditório e a ampla defesa. Assim, a Administração deve dar oportunidade ao interessado 
para que ele se manifeste sobre a ilegalidade que foi, a princípio, detectada. 
Neste sentido: 
A Administração, à luz do princípio da autotutela, tem o poder de rever e 
anular seus próprios atos, quando detectada a sua ilegalidade, consoante 
reza a Súmula 473/STF. Todavia, quando os referidos atos implicam invasão 
da esfera jurídica dos interesses individuais de seus administrados, é 
obrigatória a instauração de prévio processo administrativo, no qual seja 
observado o devido processo legal e os corolários da ampla defesa e do 
contraditório. STJ. 1ª Turma. AgInt no AgRg no AREsp 760.681/SC, Rel. Min. 
Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 03/06/2019. 
 
É necessária a prévia instauração de procedimento administrativo, 
assegurados o contraditório e a ampla defesa, sempre que a Administração, 
exercendo seu poder de autotutela, anula atos administrativos que 
repercutem na esfera de interesse do administrado. STF. 1ª Turma. RE 
946481 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 18/11/2016. 
 
Ao Estado é facultada a revogação de atos que repute ilegalmente praticados; 
porém, se de tais atos já decorreram efeitos concretos, seu desfazimento 
deve ser precedido de regular processo administrativo. STF. Plenário. RE 
594296, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 21/09/2011 (repercussão geral). 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TJ/SP – VUNESP - 2018): a anulação do ato administrativo ilegal pela 
própria Administração não depende de provocação do interessado e não gera 
responsabilidade administrativa perante terceiros. Correto! 
 
(DPU – CESPE - 2017): Jorge, servidor público federal ocupante de cargo de 
determinada carreira, foi, por meio administrativo, transferido para cargo de 
carreira diversa. Com referência a essa situação hipotética, à luz do 
entendimento dos tribunais superiores, a forma de provimento do cargo 
público na referida situação — transferência para cargo de carreira diversa — 
foi inconstitucional, por violar o princípio do concurso público; cabe à 
administração pública, no exercício do poder de autotutela, anular o ato ilegal, 
respeitado o direito ao contraditório e à ampla defesa. Correto! 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 90 
 
14.3. PRAZO PARA O EXERCÍCIO 
O prazo para que a Administração reveja os seus próprios atos, quando ilegais e se deles 
decorrem efeitos favoráveis para os destinatários, é decadencial e de cinco anos (salvo 
comprovada má-fé), contados da data em que foram praticados, conforme regra do art. 54 da 
Lei 9.784/99 (conta-se a partir da vigência da lei). Todavia, nada impede que essa ilegalidade seja 
corrigida também pelo Poder Judiciário. 
Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que 
decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, 
contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TJ/MA – CESPE - 2022): Constatada a presença de ilegalidade, impõe-se a 
anulação do ato administrativo, cuja declaração não se sujeita a prazo 
decadencial. Errado! 
 
(TJ/MS – FCC - 2020): O exercício, pela Administração Pública, do poder de 
anular seus próprios atos não está sujeito a limites temporais, por força do 
princípio da supremacia do interesse público. Errado. 
O STF (RE 817.338) entende que se o ato praticado pela Administração violar diretamente 
a Constituição,mesmo passado os cinco anos, será possível a anulação. 
Qual o prazo de que dispõe a Administração Pública federal para anular um ato 
administrativo ilegal?32 
Regra 5 anos, contados da data em que o ato foi praticado. 
Exceção 
1 
Em caso de má-fé. 
Se ficar comprovada a má-fé, não haverá prazo, ou seja, a Administração Pública 
poderá anular o ato administrativo mesmo que já tenha decorrido mais de 5 anos. 
Exceção 
2 
Em caso de afronta direta à Constituição Federal. 
O prazo decadencial de 5 anos do art. 54 da Lei nº 9.784/99 não se aplica quando 
o ato a ser anulado afronta diretamente a Constituição Federal. 
Trata-se de exceção construída pela jurisprudência do STF. Não há previsão na lei 
desta exceção 2. 
STF. Plenário. MS 26860/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 2/4/2014 (Info 741). 
 
O STF entendeu que o prazo de 5 anos, previsto na Lei nº 9.784/99 consolidou-se como 
marco temporal geral nas relações entre o Poder Público e particulares. Como exemplos, podemos 
citar o art. 1º do Decreto nº 20.910/1932 e o art. 173 do CTN. A maioria dos Estados-membros 
aplica o prazo quinquenal para anulação de atos administrativos, seja por previsão em lei própria 
 
32 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Em regra, o prazo decadencial para que a Administração Pública 
anule atos administrativos inválidos é de 5 anos, aplicável a todos os entes federativos, por força do princípio 
da isonomia. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/c0172ea66506f59c8c435eb66176fb67>. 
Acesso em: 18/07/2022 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 91 
 
ou por aplicação analógica do art. 54 da Lei nº 9.784/99. Somente são admitidas exceções ao 
princípio da isonomia quando houver fundamento razoável baseado na necessidade de remediar 
um desequilíbrio específico entre as partes. 
É inconstitucional lei estadual que estabeleça prazo decadencial de 10 (dez) 
anos para anulação de atos administrativos reputados inválidos pela 
Administração Pública estadual. STF. Plenário. ADI 6019/SP, Rel. Min. Marco 
Aurélio, redator do acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 12/4/2021 (Info 
1012). 
 
E se o Estado ou o Município não estipular um prazo em sua legislação? Se não houver lei 
estadual ou municipal fixando um prazo para o exercício da autotutela, será possível aplicar, por 
analogia integrativa, o prazo de 5 anos do art. 54 da Lei nº 9.784/99? SIM. É isso que preconiza a 
súmula 633 do STJ: 
Súmula 633-STJ: A Lei nº 9.784/99, especialmente no que diz respeito ao 
prazo decadencial para a revisão de atos administrativos no âmbito da 
Administração Pública federal, pode ser aplicada, de forma subsidiária, aos 
estados e municípios, se inexistente norma local e específica que regule a 
matéria. 
 
Qual é o fundamento para essa aplicação? Os princípios da razoabilidade e da 
proporcionalidade. Se não houvesse a aplicação do prazo da Lei nº 9.784/99, a Administração 
Pública estadual ou municipal que não editasse a sua lei ficaria, em tese, completamente livre para 
exercer a autotutela a qualquer tempo. Isso, contudo, seria uma afronta à segurança jurídica. 
Confira: 
Com vistas nos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, este 
Superior Tribunal de Justiça tem admitido a aplicação, por analogia 
integrativa, da Lei Federal nº 9.784/1999, que disciplina a decadência 
quinquenal para revisão de atos administrativos no âmbito da administração 
pública federal, aos Estados e Municípios, quando ausente norma específica, 
não obstante a autonomia legislativa destes para regular a matéria em seus 
territórios. STJ. 2ª Turma. AgRg no AREsp 345831 PR, Rel. Min. Assusete 
Magalhães, julgado em 09/06/2016. 
 
Vale salientar que Mesmo depois de terem-se passados mais de 5 anos, a Administração 
Pública pode anular a anistia política concedida quando se comprovar a ausência de perseguição 
política, desde que respeitado o devido processo legal e assegurada a não devolução das verbas 
já recebidas33. 
No exercício do seu poder de autotutela, poderá a Administração Pública 
rever os atos de concessão de anistia a cabos da Aeronáutica com 
fundamento na Portaria 1.104/1964, quando se comprovar a ausência de ato 
 
33 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Mesmo depois de terem-se passados mais de 5 anos, a 
Administração Pública pode anular a anistia política concedida quando se comprovar a ausência de 
perseguição política, desde que respeitado o devido processo legal e assegurada a não devolução das verbas 
já recebidas. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/af0a59d77edf6e178ec25cb090df864b>. 
Acesso em: 18/07/2022 
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com motivação exclusivamente política, assegurando-se ao anistiado, no 
procedimento administrativo, o devido processo legal e a não devolução das 
verbas já recebidas. Ex: 2003, João, ex-militar da Aeronáutica, recebeu 
anistia política, concedida por meio de portaria do Ministro da Justiça. Em 
2006, a AGU emitiu nota técnica fazendo alguns questionamentos sobre a 
forma indevida pela qual estavam sendo concedidas anistias políticas, dentre 
elas a que foi outorgada a João. Em 2011, o Ministro da Justiça determinou 
que fossem revistas as concessões de anistia de inúmeros militares, inclusive 
a de João. Em 2012, foi aberto processo administrativo para examinar a 
situação de João e, ao final, determinou-se a anulação da anistia política. 
Mesmo tendo-se passados mais de 5 anos, a anulação do ato foi possível, 
seja por força da parte final do art. 54 da Lei nº 9.784/99, seja porque o prazo 
decadencial do art. 54 da Lei nº 9.784/99 não se aplica quando o ato a ser 
anulado afronta diretamente a Constituição Federal. STF. Plenário. RE 
817338/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 16/10/2019 (repercussão geral 
– Tema 839) (Info 956). 
 
É possível a anulação do ato de anistia pela Administração Pública, 
evidenciada a violação direta do art. 8º do ADCT, mesmo quando decorrido 
o prazo decadencial contido na Lei nº 9.784/99. STJ. 1ª Seção. MS 19070-
DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. Acd. Min. Og Fernandes, 
julgado em 12/02/2020 (Info 668). 
 
No que tange à revogação, a Administração estará sujeita a alguns limites materiais, já que 
não há previsão quanto a limite temporal (prazo) como também não há uma enumeração legal 
dessas hipóteses. Considerando que o rol não é taxativo, apontam-se como as mais indicadas pela 
doutrina as seguintes situações em que não se admite a revogação: de atos vinculados, visto que 
eles não têm conveniência; de atos que já exauriram os seus efeitos, considerando que a revogação 
não retroage; de atos que já estão na órbita de competência da autoridade, como, por exemplo, se 
o interessado recorreu à autoridade superior e a inferior deseja revogar o ato objeto de análise; de 
meros atos administrativos, porque os seus efeitos são previstos pela lei; de atos que integrem um 
procedimento, porque a prática do novo ato gera a preclusão do anterior; e, ainda, de atos que 
geram direitos adquiridos. 
Para alguns doutrinadores, como Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a autotutela também é 
utilizada para designar o poder que tem a Administração Pública de zelar pelos bens que integram 
o seu patrimônio, sem necessitar de título fornecido pelo Poder Judiciário. Assim, uma vez atuando 
por meio de medidas do Poder de Polícia, ela deve impedir quaisquer atos que ponham em risco a 
conservação desses bens. 
Por fim, o art. 21 da LINDB prevê que ao anular um ato o controlador deverá considerar as 
consequências. Observe: 
Art. 21. A decisão que, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, 
decretar a invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma 
administrativa deverá indicar de modo expresso suasconsequências 
jurídicas e administrativas. 
Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput deste artigo deverá, 
quando for o caso, indicar as condições para que a regularização ocorra de 
modo proporcional e equânime e sem prejuízo aos interesses gerais, não se 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 93 
 
podendo impor aos sujeitos atingidos ônus ou perdas que, em função das 
peculiaridades do caso, sejam anormais ou excessivos. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(DPE/RO – CESPE - 2023) Ato administrativo eivado de nulidade do qual se 
tenham valido beneficiários hipossuficientes que deliberadamente tiraram 
proveito do erro da administração, com comprovada má-fé, deverá ser 
anulado pela administração, a qualquer tempo. Correta! 
 
(TJDFT – CESPE - 2023) João, servidor público do Distrito Federal, ingressou 
no cargo público em 1986, sem ter realizado concurso público. Em 1991, foi 
editado ato da administração pública que declarou sua estabilidade no cargo. 
Passados dez anos, a administração pública anulou o referido ato, por 
considerá-lo incompatível com o texto constitucional. Nessa situação 
hipotética, a anulação do ato foi válida, uma vez que o ato administrativo que 
concedeu a estabilidade a João destoava do texto constitucional e, portanto, 
era passível de anulação, não estando sujeito ao prazo para o exercício do 
poder-dever de autotutela administrativa, que é decadencial, sem prejuízo do 
contraditório e da ampla defesa em favor do administrado. Correta 
15. PRINCÍPIO DA SINDICABILIDADE34 
O princípio da sindicabilidade é mais amplo que o princípio da autotutela, podendo ser 
entendido como a possibilidade jurídica de submeter-se efetivamente qualquer lesão de direito e, 
por extensão, as ameaças de lesão de direito a algum tipo de controle, ainda que não seja o da 
própria Administração Pública (Poder Judiciário, por exemplo). 
É possível falar-se em heterotutela, ou seja, o controle não é feito pelo órgão ou pela 
Administração Pública, mas por pessoa, órgão ou ente de esfera diversa. É o caso, por exemplo, 
da anulação de ato administrativo feita pelo Poder Judiciário, decorrente de reclamação perante o 
STF, ou do controle dos atos do Poder Executivo realizado pelo Poder Legislativo, em sua função 
fiscalizadora. 
16. PRINCÍPIO DA HIERARQUIA 
Segundo Maria Sylvia Di Pietro, está previsto no art. 12 da Lei 9.784/99. 
Art. 12. Um órgão administrativo e seu titular poderão, se não houver 
impedimento legal, delegar parte da sua competência a outros órgãos ou 
titulares, ainda que estes não lhe sejam hierarquicamente subordinados, 
quando for conveniente, em razão de circunstâncias de índole técnica, social, 
econômica, jurídica ou territorial. 
 
34 CASTRO. Renério Jr. Obra citada, p. 118 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 94 
 
Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo aplica-se à delegação de 
competência dos órgãos colegiados aos respectivos presidentes. 
 
A Administração pode delegar sua competência a órgão hierárquico inferior ou a outro órgão 
ou entidade, mesmo sem relação hierárquica. Assim, a lei previu a possibilidade de delegação 
dentro da relação hierárquica (poder hierárquico) e fora da relação hierárquica (não é poder 
hierárquico). 
Avocar é chamar o exercício de uma competência fixada por lei para outro, nos termos do 
art. 15 da Lei 9.784/99. Exige relação hierárquica. 
Lei 9.784/99, art. 15: Será permitida, em caráter excepcional e por motivos 
relevantes devidamente justificados, a avocação temporária de competência 
atribuída a órgão hierarquicamente inferior. 
17. PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE DOS SERVIÇOS PÚBLICOS 
17.1. CONCEITO 
O serviço público deve ser prestado de forma ininterrupta. Rafael Oliveira35 aponta que o 
princípio da continuidade está umbilicalmente ligado à prestação de serviços públicos, cuja 
prestação gera comodidades materiais para as pessoas e não pode ser interrompida, tendo em 
vista a necessidade permanente de satisfação de direitos fundamentais. 
Para Celso Antônio Bandeira Mello: “serviço público é obrigatório para o Estado, é dever do 
Estado, dessa obrigatoriedade vem justamente o princípio da continuidade, se ele tem esse dever, 
consequentemente ele deve fazê-lo de forma contínua. O princípio da continuidade decorre da 
obrigatoriedade da prestação.” 
A Lei 8.987/1995 afirma que serviço público adequado é aquele prestado de forma contínua. 
Art. 6º, § 1º Serviço adequado é o que satisfaz as condições de regularidade, 
continuidade, eficiência, segurança, atualidade, generalidade, cortesia na sua 
prestação e modicidade das tarifas. 
17.2. CORTE NO SERVIÇO PÚBLICO 
A aplicação do princípio da continuidade para os serviços públicos, principalmente os 
essenciais, impede a sua interrupção, salvo nas hipóteses expressamente autorizadas por lei. 
Assim, não haverá descontinuidade quando a interrupção ocorre em caso de: 
a) Emergência – independe de aviso prévio; 
 
35 Obra citada, p. 51. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 95 
 
b) Desobediência às normas técnicas que comprometam a segurança do serviço – 
depende de aviso prévio; 
c) Inadimplência do usuário, considerando o interesse coletivo – depende de aviso 
prévio. 
Art. 6º, § 3o Não se caracteriza como descontinuidade do serviço a sua 
interrupção em situação de emergência ou após prévio aviso, quando: 
I - Motivada por razões de ordem técnica ou de segurança das instalações; 
II - Por inadimplemento do usuário, considerado o interesse da coletividade. 
 
Em relação à inadimplência do usuário, há na doutrina questionamentos acerca da sua 
constitucionalidade. 
1ª Corrente (minoritária) – sustentam que o corte por inadimplência é inconstitucional, tendo 
em vista que lei infraconstitucional não poderia criar uma exceção ao princípio da continuidade, 
estabelecido implicitamente na Constituição, o débito só poderia ser cobrado judicialmente. Além 
disso, fundamentam seu entendimento nos arts. 22 e 42 do CDC. 
Art. 22. Os órgãos públicos, por si ou suas empresas, concessionárias, 
permissionárias ou sob qualquer outra forma de empreendimento, são 
obrigados a fornecer serviços adequados, eficientes, seguros e, quanto aos 
essenciais, CONTÍNUOS. 
Parágrafo único. Nos casos de descumprimento, total ou parcial, das 
obrigações referidas neste artigo, serão as pessoas jurídicas compelidas a 
cumpri-las e a reparar os danos causados, na forma prevista neste código. 
 
Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente não será exposto 
a ridículo, nem será submetido a qualquer tipo de constrangimento ou 
ameaça. 
Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à 
repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso, 
acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano 
justificável. 
 
2ª Corrente (majoritária e STJ) – consideram que o corte por inadimplemento do usuário é 
constitucional, em virtude do próprio princípio da continuidade do serviço. Isto porque se a 
prestadora prestar serviço ao usuário inadimplente ela não vai sobreviver, e se ela não sobreviver 
vai interromper o serviço e violará o princípio da continuidade. Portanto, o corte ao inadimplente 
é manter o princípio da continuidade ao adimplente, em nome da supremacia do interesse 
público, em nome da continuidade. Também utilizam como justificativa ao corte o princípio da 
isonomia, um paga, o outro não paga, são desiguais e sendo assim, merecem tratamento desigual. 
Consequentemente, a prestadora não poderá dar a mesma situação ao adimplente (o serviço) e ao 
inadimplente (o corte), se não for assim, violar-se-á o princípio da isonomia. 
Há casos em que por causarem um prejuízo irreparável não será possível o corte, mesmo 
que o usuário seja inadimplente.Por exemplo, prestação de serviço de energia elétrica a hospitais, 
logradouros públicos, repartições públicas, usuário que necessite de aparelhos elétricos para se 
manter vivo. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 96 
 
Vale salientar que a Lei 14.015/2020 alterou a Lei 8.987/95 e a Lei 13.460/2017 para deixar 
mais explícito que é possível a interrupção do serviço público em caso de inadimplemento do 
usuário, desde que ele seja previamente avisado. 
Lei 8.989/95 Art. 6º, § 4º A interrupção do serviço na hipótese prevista no 
inciso II do § 3º deste artigo não poderá iniciar-se na sexta-feira, no sábado 
ou no domingo, nem em feriado ou no dia anterior a feriado. (Incluído pela 
Lei nº 14.015, de 2020) 
 
Lei 13.460/2017 Art. 5º, XVI – comunicação prévia ao consumidor de que o 
serviço será desligado em virtude de inadimplemento, bem como do dia a 
partir do qual será realizado o desligamento, necessariamente durante 
horário comercial. (Incluído pela Lei nº 14.015, de 2020) 
 
Vejamos os principais entendimentos acerca do corte de serviço público proferidos pelo 
STJ36: 
• É legítimo o corte no fornecimento de serviços públicos essenciais quando 
inadimplente o usuário, desde que precedido de notificação. 
• É legítimo o corte no fornecimento de serviços públicos essenciais por razões de 
ordem técnica ou de segurança das instalações, desde que precedido de 
notificação. 
• É ilegítimo o corte no fornecimento de energia elétrica quando puder afetar o 
direito à saúde e à integridade física do usuário. 
• É legítimo o corte no fornecimento de serviços públicos essenciais quando 
inadimplente pessoa jurídica de direito público, desde que precedido de 
notificação e a interrupção não atinja as unidades prestadoras de serviços 
indispensáveis à população 
• É ilegítimo o corte no fornecimento de serviços públicos essenciais quando 
inadimplente unidade de saúde, uma vez que prevalecem os interesses de 
proteção à vida e à saúde. 
• É ilegítimo o corte no fornecimento de serviços públicos essenciais quando a 
inadimplência do usuário decorrer de débitos pretéritos, uma vez que a 
interrupção pressupõe o inadimplemento de conta regular, relativa ao mês do 
consumo. 
• É ilegítimo o corte no fornecimento de serviços públicos essenciais por débitos 
de usuário anterior, em razão da natureza pessoal da dívida 
 
36 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É possível o corte da energia elétrica por fraude no medidor, desde 
que cumpridos alguns requisitos. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/f3adde26e4fd2dcbfbc56c48396a6d23>. 
Acesso em: 18/07/2022 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2020/Lei/L14015.htm#art3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2020/Lei/L14015.htm#art3
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 97 
 
• É ilegítimo o corte no fornecimento de energia elétrica em razão de débito irrisório, 
por configurar abuso de direito e ofensa aos princípios da proporcionalidade e 
razoabilidade, sendo cabível a indenização ao consumidor por danos morais 
• É ilegítimo o corte no fornecimento de serviços públicos essenciais quando o 
débito decorrer de irregularidade no hidrômetro ou no medidor de energia elétrica, 
apurada unilateralmente pela concessionária 
• O corte no fornecimento de energia elétrica somente pode recair sobre o imóvel 
que originou o débito, e não sobre outra unidade de consumo do usuário 
inadimplente 
• É legítimo o corte no fornecimento de energia elétrica na hipótese de débito estrito 
de recuperação de consumo efetivo por fraude no aparelho medidor atribuída ao 
consumidor, desde que apurado em observância aos princípios do contraditório 
e da ampla defesa, mediante prévio aviso ao consumidor, pelo inadimplemento 
do consumo recuperado correspondente ao período de 90 (noventa) dias anterior 
à constatação da fraude, contanto que executado o corte em até 90 (noventa) 
dias após o vencimento do débito, sem prejuízo do direito de a concessionária 
utilizar os meios judiciais ordinários de cobrança da dívida, inclusive antecedente 
aos mencionados 90 (noventa) dias de retroação. 
17.3. DIREITO DE GREVE DOS SERVIDORES PÚBLICOS37 
O direito de greve dos servidores públicos encontra-se previsto no art. 37, VIII, da CF: 
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da 
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos 
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência 
e, também, ao seguinte: 
VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei 
específica; 
 
Perceba que o inciso VII afirma que o direito de greve dos servidores públicos será exercido 
nos termos e nos limites definidos em lei específica. Esta lei, até o presente momento, não foi 
editada. Mesmo sem haver lei, os servidores públicos podem fazer greve? SIM. O STF (MI 708) 
decidiu que, mesmo sem ter sido ainda editada a lei de que trata o art. 37, VII, da CF/88, os 
servidores públicos podem fazer greve, devendo ser aplicadas as leis que regulamentam a 
greve para os trabalhadores da iniciativa privada (Lei nº 7.701/88 e Lei nº 7.783/89). 
Assim, duas conclusões podem ser expostas: 
 
37 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Policiais são proibidos de fazer greve. Buscador Dizer o Direito, 
Manaus. Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/68d3743587f71fbaa5062152985aff40>. 
Acesso em: 19/07/2022 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 98 
 
a) Mesmo não havendo ainda lei tratando sobre o tema, os servidores podem fazer greve 
e isso não é considerado um ato ilícito; 
b) Enquanto não há norma regulamentando este direito, aplicam-se aos servidores públicos 
as leis que regem o direito de greve dos trabalhadores celetistas. 
Em regra, a Administração Pública deve fazer o desconto dos dias de paralisação 
decorrentes do exercício do direito de greve pelos servidores públicos. Entretanto, não poderá ser 
feito o desconto se ficar demonstrado que a greve foi provocada por conduta ilícita do Poder Público 
(STF RE 693456/RJ). 
Importante destacar que para determinadas categorias a greve é proibida. Por exemplo, a 
CF/88 proíbe expressamente que os Policiais Militares, Bombeiros Militares e militares das 
Forças Armadas façam greve (art. 142, 3º, IV c/c art. 42, § 1º). 
Em relação aos policiais civis, apesar de não haver uma proibição expressa na CF/88, o STF 
decidiu que não podem fazer greve. Aliás, o Supremo foi além e afirmou que nenhum servidor 
público que trabalhe diretamente na área da segurança pública pode fazer greve. 
O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado 
aos policiais civis e a todos os servidores públicos que atuem diretamente na 
área de segurança pública. STF. Plenário. ARE 654432/GO, Rel. orig. Min. 
Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 5/4/2017 
(repercussão geral) (Info 860). 
 
A greve não é um direito absoluto e, neste caso, deverá ser feito um balanceamento entre o 
direito de greve e o direito de toda a sociedade à segurança pública e à manutenção da ordem 
pública e paz social. Há a prevalência do interesse público e do interesse social sobre o interesse 
individual de uma categoria. Por essa razão, em nome da segurança pública, os policiais não podem 
fazer greve. 
Importante destacar que a ponderação de interesses aqui não envolve direito de greve X 
continuidade do serviço público. A greve dos policiais é proibida não por causa do princípio da 
continuidade do serviço público (o que seria muito pouco), mas sim por conta do direito de toda a 
sociedade à garantia da segurança pública, à garantia da ordem pública e da paz social. 
Além dos policiais civis, os policiaisfederais também estão proibidos de fazer greve? SIM. 
O STF entendeu que o exercício de greve é vedado a todas as carreiras policiais previstas no art. 
144, ou seja, não podem fazer greve os integrantes da: 
• Polícia Federal; 
• Polícia Rodoviária Federal; 
• Polícia Ferroviária Federal; 
• Polícia Civil; 
• Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros militar. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 99 
 
17.4. CONTRATOS ADMINISTRATIVOS38 
A regra da exceptio non adimpleti contractus, também denominada exceção do contrato 
não cumprido, em razão da qual não se admite que um contratante inadimplente exija o 
cumprimento da outra parte, ou seja, uma parte só poderá exigir o adimplemento da outra após 
a satisfação de sua prestação contratual. Essa regra é muito comum nos contratos regidos pelo 
direito privado, entretanto, nos contratos administrativos, a sua aplicação não é entendimento 
pacífico na doutrina. 
Para a doutrina tradicional, não há aplicação da cláusula da exceptio nos contratos 
administrativos, tendo em vista a incidência da denominada cláusula exorbitante. Todavia, para a 
doutrina mais moderna, em que pese a incidência dessa cláusula, em razão do princípio da 
continuidade, não há dúvida quanto à sua aplicação diferenciada dos contratos privados, não 
tipificando, assim, uma cláusula exorbitante. 
Para respaldar esse entendimento, pode-se utilizar a disposição do art. 78, inciso XIV e XV, 
da Lei 8.666/93 (atuais art. 137, II e IV da Lei 14.133/2021), que autoriza, ressalvadas as situações 
excepcionais elencadas como calamidade pública, grave perturbação da ordem ou guerra, o 
contratado a suspender a prestação de serviços e buscar a rescisão judicial do contrato, quando o 
atraso dos pagamentos devidos pela Administração for superior a 90 dias (superior a dois meses 
na Lei 14.133/2021). Desse modo, fica fácil concluir que há aplicação diferenciada da cláusula da 
exceptio, a partir de um determinado prazo, conforme previsão legal. 
LEI 8.666/93 LEI 14.133/2020 
Art. 78. Constituem motivo para rescisão do 
contrato 
Art. 137. Constituirão motivos para extinção do 
contrato, a qual deverá ser formalmente 
motivada nos autos do processo, assegurados 
o contraditório e a ampla defesa, as seguintes 
situações 
XIV - a suspensão de sua execução, por ordem 
escrita da Administração, por prazo superior a 
120 (cento e vinte) dias, salvo em caso de 
calamidade pública, grave perturbação da 
ordem interna ou guerra, ou ainda por repetidas 
suspensões que totalizem o mesmo prazo, 
independentemente do pagamento obrigatório 
de indenizações pelas sucessivas e 
contratualmente imprevistas desmobilizações e 
mobilizações e outras previstas, assegurado ao 
contratado, nesses casos, o direito de optar 
pela suspensão do cumprimento das 
II – suspensão de execução do contrato, por 
ordem escrita da Administração, por prazo 
superior a 3 (três) meses. 
§ 3º As hipóteses de extinção a que se referem 
os incisos II, III e IV do § 2º deste artigo 
observarão as seguintes disposições: 
I - não serão admitidas em caso de calamidade 
pública, de grave perturbação da ordem interna 
ou de guerra, bem como quando decorrerem de 
ato ou fato que o contratado tenha praticado, do 
 
38 MARINELA, Fernanda. Obra citada, p. 94-95 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 100 
 
obrigações assumidas até que seja 
normalizada a situação 
qual tenha participado ou para o qual tenha 
contribuído; 
XV - o atraso superior a 90 (noventa) dias dos 
pagamentos devidos pela Administração 
decorrentes de obras, serviços ou 
fornecimento, ou parcelas destes já recebidos 
ou executados, salvo em caso de calamidade 
pública, grave perturbação da ordem interna ou 
guerra, assegurado ao contratado o direito de 
optar pela suspensão do cumprimento de suas 
obrigações até que seja normalizada a situação 
IV – atraso superior a 2 (dois) meses, 
contado da emissão da nota fiscal, dos 
pagamentos ou de parcelas de pagamentos 
devidos pela Administração por despesas de 
obras, serviços ou fornecimentos. 
§ 3º As hipóteses de extinção a que se referem 
os incisos II, III e IV do § 2º deste artigo 
observarão as seguintes disposições: 
I - não serão admitidas em caso de calamidade 
pública, de grave perturbação da ordem interna 
ou de guerra, bem como quando decorrerem de 
ato ou fato que o contratado tenha praticado, do 
qual tenha participado ou para o qual tenha 
contribuído; 
 
Para proteger a continuidade dos serviços públicos, encontra-se, ainda, o instituto da 
ocupação provisória dos bens da contratada, prevista como cláusula exorbitante dos contratos 
administrativos, no art. 58, inciso V, da Lei 8.666/93 (art. 139, II da Lei 14.133/2021), garantindo a 
prestação da atividade, enquanto tramita o processo administrativo para a extinção do contrato. 
Advindo a decisão pela rescisão do mesmo, o Poder Público poderá realizar a reversão dos bens 
essenciais ao serviço, com a devida indenização, se for o caso, observadas as regras contratuais 
(art. 39 da Lei 8.987/95). 
Lei 14.133/2021 
Art. 139. A extinção determinada por ato unilateral da Administração poderá 
acarretar, sem prejuízo das sanções previstas nesta Lei, as seguintes 
consequências: 
II - ocupação e utilização do local, das instalações, dos equipamentos, do 
material e do pessoal empregados na execução do contrato e necessários à 
sua continuidade; 
 
Por fim, podem-se também apontar, como instrumentos para a manutenção da continuidade 
do serviço público, os institutos da encampação e da caducidade, que autorizam a extinção 
unilateral do contrato por parte da Administração, sendo na primeira hipótese, por motivo de 
interesse público e, na segunda, por descumprimento de cláusula contratual por parte da 
contratada, admitindo-se, nas duas hipóteses, o fundamento da continuidade do serviço (arts. 37 e 
38 da Lei 8.987/95). 
Art. 37. Considera-se encampação a retomada do serviço pelo poder 
concedente durante o prazo da concessão, por motivo de interesse público, 
mediante lei autorizativa específica e após prévio pagamento da indenização, 
na forma do artigo anterior. 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 101 
 
 
Art. 38. A inexecução total ou parcial do contrato acarretará, a critério do 
poder concedente, a declaração de caducidade da concessão ou a aplicação 
das sanções contratuais, respeitadas as disposições deste artigo, do art. 27, 
e as normas convencionadas entre as partes. 
§ 1o A caducidade da concessão poderá ser declarada pelo poder concedente 
quando: 
I - o serviço estiver sendo prestado de forma inadequada ou deficiente, tendo 
por base as normas, critérios, indicadores e parâmetros definidores da 
qualidade do serviço; 
II - a concessionária descumprir cláusulas contratuais ou disposições legais 
ou regulamentares concernentes à concessão; 
III - a concessionária paralisar o serviço ou concorrer para tanto, ressalvadas 
as hipóteses decorrentes de caso fortuito ou força maior; 
IV - a concessionária perder as condições econômicas, técnicas ou 
operacionais para manter a adequada prestação do serviço concedido; 
V - a concessionária não cumprir as penalidades impostas por infrações, nos 
devidos prazos; 
VI - a concessionária não atender a intimação do poder concedente no 
sentido de regularizar a prestação do serviço; e 
 VII - a concessionária não atender a intimação do poder concedente para, 
em 180 (cento e oitenta) dias, apresentar a documentação relativa a 
regularidade fiscal, no curso da concessão, na forma do art. 29 da Lei nº 
8.666, de 21 de junho de 1993. (Redação dada pela Lei nº 
12.767, de 2012) 
§ 2o A declaração da caducidade da concessão deverá ser precedida da 
verificação da inadimplência da concessionária em processo administrativo, 
assegurado o direitode ampla defesa. 
§ 3o Não será instaurado processo administrativo de inadimplência antes de 
comunicados à concessionária, detalhadamente, os descumprimentos 
contratuais referidos no § 1º deste artigo, dando-lhe um prazo para corrigir as 
falhas e transgressões apontadas e para o enquadramento, nos termos 
contratuais. 
§ 4o Instaurado o processo administrativo e comprovada a inadimplência, a 
caducidade será declarada por decreto do poder concedente, 
independentemente de indenização prévia, calculada no decurso do 
processo. 
§ 5o A indenização de que trata o parágrafo anterior, será devida na forma do 
art. 36 desta Lei e do contrato, descontado o valor das multas contratuais e 
dos danos causados pela concessionária. 
§ 6o Declarada a caducidade, não resultará para o poder concedente qualquer 
espécie de responsabilidade em relação aos encargos, ônus, obrigações ou 
compromissos com terceiros ou com empregados da concessionária. 
18. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA 
O princípio da segurança jurídica é considerado viga mestre da ordem jurídica, sendo um 
dos subprincípios básicos do próprio conceito de Estado de Direito. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8666cons.htm#art29.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8666cons.htm#art29.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12767.htm#art20
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12767.htm#art20
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 102 
 
O princípio da segurança jurídica foi um dos pilares de fundamentação das alterações 
promovidas na LINDB: 
LINDB 
Art. 30. As autoridades públicas devem atuar para aumentar a segurança 
jurídica na aplicação das normas, inclusive por meio de regulamentos, 
súmulas administrativas e respostas a consultas. 
Parágrafo único. Os instrumentos previstos no caput deste artigo terão 
caráter vinculante em relação ao órgão ou entidade a que se destinam, até 
ulterior revisão. 
 
Seu objetivo é evitar alterações supervenientes que instabilizem a vida em sociedade, além 
de minorar os efeitos traumáticos de novas disposições protegendo, assim, a estabilidade como 
uma certeza para as regras sociais. 
Vale destacar que a doutrina aponta que o princípio da segurança jurídica possui dois 
sentidos: 
a) Objetivo – estabilização do ordenamento jurídico (certeza do direito), tendo em vista a 
necessidade de se respeitarem o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa 
julgada; 
b) Subjetivo – proteção da confiança das pessoas em relação às expectativas geradas por 
promessas e atos estatais. 
Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da 
legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, 
moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público 
e eficiência. 
XIII - interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o 
atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de 
nova interpretação. 
 
Como o assunto foi cobrado em concurso? 
(TJ/MS – FCC - 2020): É vedada a aplicação retroativa de nova orientação 
geral, para invalidação de situações plenamente constituídas com base em 
orientação geral vigente à época do aperfeiçoamento do ato administrativo 
que as gerou. Correto! 
 Com a teoria da ponderação dos interesses reconhecendo que não há no ordenamento 
jurídico nenhum princípio absoluto e que todos devem ser considerados conforme a importância 
dos interesses a serem protegidos, o princípio da segurança jurídica vem prevalecendo em 
inúmeras situações, especialmente no que tange à revisão de atos administrativos ilegais. 
Assim, ocorrendo um ato ilegal, em razão do princípio da legalidade, a consequência natural 
é a sua retirada por meio de anulação, entretanto, quando tal conduta comprometer o princípio da 
segurança jurídica ou qualquer outro princípio do ordenamento, causando a retirada mais prejuízos 
que sua manutenção, o ato deve ser mantido, ainda que ilegal, estabilizando com isso os seus 
efeitos. 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 103 
 
Por fim, de acordo com o STF (Tema 445), em atenção aos princípios da segurança jurídica 
e da confiança legítima, os Tribunais de Contas estão sujeitos ao prazo de 5 anos para o julgamento 
da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma ou pensão, a contar da 
chegada do processo à respectiva Corte de Contas. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PGE/RR – CESPE – 2023): Em atenção aos princípios da segurança jurídica 
e da confiança legítima, os tribunais de contas estão sujeitos ao prazo de 
cinco anos para o julgamento da legalidade do ato de concessão inicial de 
aposentadoria, reforma ou pensão, a contar da chegada do processo à 
respectiva corte de contas. Correto. 
19. PRINCÍPIO DA CONFIANÇA E BOA-FÉ39 
O princípio da confiança, implícito no ordenamento jurídico, refere-se à segurança jurídica 
sob o aspecto subjetivo. Portanto, embora com ela não se confunda, a confiança está atrelada à 
segurança jurídica, remetendo-nos à ideia de que os atos praticados pelo Poder Público são 
legítimos (presumem-se legais e verdadeiros), de tal sorte que os atos devem ser preservados em 
nome da boa-fé, sobrepondo-se, em alguns casos concretos, ao princípio da legalidade. 
A segurança jurídica possui um caráter amplo, sendo aplicável às relações públicas e 
privadas, a confiança legítima atua, tão somente, na esfera jurídica do particular, protegendo-
o da atuação do Estado. Além disso, enquanto o princípio da confiança protege a boa-fé do 
administrado, a boa-fé é o princípio que tanto se aplica aos administrados (protegendo-os e 
impondo-os proceder com lealdade e honestidade) como à Administração Pública, quando 
determina que atue com correção. 
Além disso, o princípio da boa-fé abrange um aspecto objetivo, que diz respeito à conduta 
leal, honesta, e um aspecto subjetivo, que diz respeito à crença do sujeito de que está agindo 
corretamente. Se a pessoa sabe que a atuação é ilegal, ela está agindo de má-fé. 
Maria Sylvia Di Pietro40 cita cinco situações em que os princípios da segurança jurídica, da 
confiança e da boa-fé poderão ser invocados. 
a) Manutenção de atos administrativos inválidos - ocorre quando o prejuízo resultante 
da anulação for maior do que o decorrente da manutenção do ato ilegal; nesse caso, é 
o interesse público que norteará a decisão; 
b) Manutenção de atos praticados por funcionário de fato – aplica a teoria da aparência, 
os atos, mesmo ilegais, podem ser mantidos perante terceiros de boa-fé; 
c) Fixação de prazo para anulação – o art. 54 da Lei 9.784/99 prevê que a Administração 
possui o prazo de cinco anos para anulação de seus atos. Trata-se de mais uma hipótese 
 
39 CASTRO, Renério Jr., obra citada, p. 123-126 
40 Obra citada, p. 159-160. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 104 
 
em que o legislador, em detrimento do princípio da legalidade, prestigiou outros valores, 
como o da segurança jurídica, nos aspectos objetivo e subjetivo; também prestigiou o 
princípio da boa-fé quando, na parte final do dispositivo, ressalvou a hipótese de 
ocorrência de má-fé. 
d) Regulação dos efeitos produzidos pelo ato ilegal - neste caso, não se mantém o ato 
ilegal; ele é anulado, porém sem aplicação dos efeitos retroativos à data em que foi 
praticado. Como exemplo, podem ser citadas as hipóteses previstas no artigo 27 da Lei 
no 9.868/99, e no artigo 11 da Lei no 9.882/99, que possibilitam, respectivamente, em 
caso de declaração de lei ou ato normativo em ação de declaração de 
inconstitucionalidade e em processo de arguição de descumprimento de preceito 
fundamental, que o Supremo Tribunal Federal, por maioria de 2/3 de seus membros, 
restrinja os efeitos da declaração ou decida que elasó tenha eficácia a partir de seu 
trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. Os dois dispositivos 
indicam como justificativa para a adoção de tal medida “razões de segurança jurídica ou 
de excepcional interesse social”. 
e) Regulação dos efeitos da súmula vinculante - está prevista no artigo 4º da Lei no 
11.417/06, que regulamenta o artigo 103-A da Constituição Federal; de acordo com esse 
dispositivo, a súmula vinculante tem eficácia imediata, mas o STF pode, por decisão de 
2/3 dos seus membros, restringir os efeitos vinculantes ou decidir que só tenha eficácia 
a partir de outro momento, tendo em vista razões de segurança jurídica. 
Veja como o tema foi cobrado: 
(MPE/MG – FUNDEP - 2019): Discorra sobre o princípio da proteção à 
confiança no âmbito do Direito Administrativo. Cite exemplos de 
aplicabilidade desse princípio. 
ESPELHO DE CORREÇÃO: Embora esse princípio não esteja previsto na 
Constituição da República, a doutrina e a jurisprudência assentam que ele se 
constitui em desdobramento do princípio da segurança jurídica. Pode-se 
afirmar que esse princípio está ligado ao próprio Estado de Direito e diz 
respeito à preservação de direitos e expectativas de particulares que 
presumem a licitude, correção e lealdade dos atos praticados pela 
Administração Pública. Muitos confundem esse princípio com o da boa-fé, 
porém o da proteção à confiança ou da confiança legítima busca a tutelar a 
confiança que o administrado deposita nos atos praticados pela 
Administração Pública ao passo que o da boa-fé deve pautar o agir tanto da 
Administração quanto do administrado. Como exemplos da proteção a que 
fazem jus os administrados, podem ser mencionados: a) A manutenção de 
direitos gerados em virtude da expectativa criada por medidas adotadas pela 
Administração; b) A manutenção de atos administrativos praticados por 
funcionários de fato; c) A proteção dos particulares contra mudanças bruscas 
de entendimento da Administração Pública, caso em que se aventa a 
necessidade de regime de transição em face da alteração de orientação. 
 
(TJ/PR – CESPE - 2017): De acordo com o art. 54 da Lei n.º 9.784/1999, o 
direito da administração de anular os atos administrativos de que decorram 
efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da 
data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé. Trata-se de hipótese 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 105 
 
em que o legislador, em detrimento da legalidade, prestigiou outros valores. 
Tais valores têm por fundamento o princípio administrativo da segurança 
jurídica. Correto! 
 
(PGE/SE – CESPE - 2017): Em virtude do princípio da proteção à confiança 
e da segurança jurídica, entende o STF que podem ser considerados válidos 
os atos praticados por agente público ilegalmente investido. Correto! 
Renério Castro Jr. salienta que a proteção da confiança do administrado por meio da 
exigência leal e coerente do Estado ocorre, ainda, a partir da teoria dos atos próprios (venire 
contra factum proprium), que é aplicável, modernamente, ao Direito Administrativo. Seu objetivo 
principal é evitar atuações contraditórias e desleais nas relações jurídico-administrativas, com 
violação aos princípios da proteção da confiança legítima e da boa-fé. 
A aplicação do princípio da vedação ao comportamento contraditório pressupõe a 
ocorrência cumulativa de quatro eventos: 
a) Uma conduta inicial válida – o factum proprium; 
b) A confiança legítima de outrem na preservação do sentido objetivamente extraído do 
factum proprium; 
c) O comportamento contraditório em relação ao sentido objetivo da conduta inicial; 
d) Dano efetivo ou potencial. 
No âmbito das relações jurídico-administrativas a aplicação do princípio da vedação de 
comportamentos contraditórios decorre: 
a) Do cumprimento do dever estatal de respeito aos direitos e garantias fundamentais; 
b) Da aplicação dos valores constitucionais da solidariedade social, segurança jurídica e 
dignidade humana; 
c) Da observância dos princípios constitucionais dirigidos à Administração Pública, em 
especial a moralidade e a impessoalidade administrativa, essa última com projeção 
do princípio da isonomia. 
20. PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO 
De acordo com o art. 2º, VII da Lei 9.784/99, motivação é a indicação dos pressupostos de 
fato e de direito que determinam a decisão. 
Art. 2º VII – indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem 
a decisão”. 
 
Implica para a Administração o dever de justificar seus atos, apontando-lhes os fundamentos 
de direito e de fato, assim como a correlação lógica entre os eventos e situações que lhes deram 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 106 
 
causa, a providência tomada, a sua compatibilidade com a previsão legal e, quando necessário, o 
juízo de valor, as razões de conveniência e oportunidade que justificaram a prática desses atos. 
Esse último fundamento está presente nos atos discricionários, sendo necessário para avaliar se a 
atuação do administrador está realmente compatível com o ordenamento vigente, especialmente 
os princípios constitucionais. 
Em relação à obrigatoriedade de motivação há duas correntes41: 
1ª Corrente (minoritária): entende que não é obrigatória, tendo em vista que a regra do art. 
93 da CF aplica-se apenas às decisões judiciais. Além disso, a lei do processo administrativo 
determina que somente alguns atos sejam motivados. 
Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos 
fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: 
I - neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; 
II - imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; 
III - decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; 
IV - dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; 
V - decidam recursos administrativos; 
VI - decorram de reexame de ofício; 
VII - deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem 
de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; 
VIII - importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato 
administrativo. 
§ 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em 
declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, 
informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante 
do ato. 
§ 2o Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado 
meio mecânico que reproduza os fundamentos das decisões, desde que não 
prejudique direito ou garantia dos interessados. 
§ 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de 
decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito. 
 
2ª Corrente (majoritária): a motivação é obrigatória. O fundamento está no texto 
constitucional em vários dispositivos, iniciando-se no art. 1º, II, quando estatui o direito à cidadania, 
considerando que o conhecimento das razões que levaram à prática do ato é condição para sua 
concretização, e no seu parágrafo único, o constituinte completa sua obrigatoriedade definindo que 
o poder emana do povo, portanto, nada mais justo que o titular desse poder conheça as razões que 
levam à prática dos atos, a qual irá atingir os seus interesses. O texto constitucional também 
assegura, no art. 5º, inciso XXXV, o direito à apreciação judicial, ditando que qualquer lesão ou 
ameaça de lesão podem ser levadas ao Poder Judiciário, controle esse que ficará prejudicado se 
não houver conhecimento dos fundamentos que respaldam a prática do ato, sendo a motivação, 
mais uma vez, um elemento indispensável. O dever de motivar, de justificar é também 
desdobramento da garantia de informação expressa no art. 5º, inciso XXXIII, da CF. Além 
obviamente do art. 93, X. 
 
41 MARINELA, Fernanda. Obra citada, p. 98-99. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 107O art. 20 da LINDB reforça o entendimento da obrigatoriedade da motivação. 
Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá 
com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as 
consequências práticas da decisão. 
Parágrafo único. A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da 
medida imposta ou da invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma 
administrativa, inclusive em face das possíveis alternativas. 
21. PRINCÍPIO DA REALIDADE 
O princípio da realidade assegura aos cidadãos que a incidência da norma administrativa 
não ignora a realidade em que insere. 
Este princípio ganhou relevância com as alterações promovidas na LINDB. 
Art. 21. A decisão que, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, 
decretar a invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma 
administrativa deverá indicar de modo expresso suas consequências 
jurídicas e administrativas. 
Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput deste artigo deverá, 
quando for o caso, indicar as condições para que a regularização ocorra de 
modo proporcional e equânime e sem prejuízo aos interesses gerais, não se 
podendo impor aos sujeitos atingidos ônus ou perdas que, em função das 
peculiaridades do caso, sejam anormais ou excessivos. 
 
Art. 22. Na interpretação de normas sobre gestão pública, serão 
considerados os obstáculos e as dificuldades reais do gestor e as exigências 
das políticas públicas a seu cargo, sem prejuízo dos direitos dos 
administrados. 
§ 1º Em decisão sobre regularidade de conduta ou validade de ato, contrato, 
ajuste, processo ou norma administrativa, serão consideradas as 
circunstâncias práticas que houverem imposto, limitado ou condicionado a 
ação do agente. 
§ 2º Na aplicação de sanções, serão consideradas a natureza e a gravidade 
da infração cometida, os danos que dela provierem para a administração 
pública, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e os antecedentes do 
agente. 
§ 3º As sanções aplicadas ao agente serão levadas em conta na dosimetria 
das demais sanções de mesma natureza e relativas ao mesmo fato. 
22. PRINCÍPIO DA CONSENSUALIDADE E DA PARTICIPAÇÃO 
Consiste na necessidade de conferir maior legitimidade à atuação do Poder Público, no 
contexto de um verdadeiro Estado Democrático de Direito, que leva ao surgimento de novos 
mecanismos de participação popular na elaboração de normas e na tomada de decisões 
administrativas, assim como o incremento da atuação administrativa. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 108 
 
Citam-se, como exemplo: 
• A Câmara de Conciliação e Arbitragem da AGU; 
• Mecanismos de participação popular (consultas e audiências públicas) e de 
consenso (contratos, convênios, TAC); 
• Acordos terminativos de processos administrativos; 
• Termo do compromisso de cessação de prática; 
• Acordos de leniência. 
A LINDB, após as alterações promovidas pela Lei 13.655/18, caminhou nesse sentido. 
Observe: 
Art. 26. Para eliminar irregularidade, incerteza jurídica ou situação 
contenciosa na aplicação do direito público, inclusive no caso de expedição 
de licença, a autoridade administrativa poderá, após oitiva do órgão jurídico 
e, quando for o caso, após realização de consulta pública, e presentes razões 
de relevante interesse geral, celebrar compromisso com os interessados, 
observada a legislação aplicável, o qual só produzirá efeitos a partir de sua 
publicação oficial. 
§ 1º O compromisso referido no caput deste artigo: 
I - buscará solução jurídica proporcional, equânime, eficiente e compatível 
com os interesses gerais; 
II – (VETADO); 
III - não poderá conferir desoneração permanente de dever ou 
condicionamento de direito reconhecidos por orientação geral; 
IV - deverá prever com clareza as obrigações das partes, o prazo para seu 
cumprimento e as sanções aplicáveis em caso de descumprimento. 
 
Art. 27. A decisão do processo, nas esferas administrativa, controladora ou 
judicial, poderá impor compensação por benefícios indevidos ou prejuízos 
anormais ou injustos resultantes do processo ou da conduta dos 
envolvidos. 
§ 1º A decisão sobre a compensação será motivada, ouvidas previamente 
as partes sobre seu cabimento, sua forma e, se for o caso, seu 
valor. 
§ 2º Para prevenir ou regular a compensação, poderá ser celebrado 
compromisso processual entre os envolvidos. 
 
 
 
 
 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 109 
 
ORGANIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO 
1. FORMAS DE PRESTAÇÃO DA ATIVIDADE ADMINISTRATIVA 
A organização administrativa resulta de um conjunto de normas jurídicas que regem a 
competência, as relações hierárquicas, a situação jurídica, as formas de atuação e controle 
dos órgãos e pessoas, no exercício da função administrativa. Como o Estado atua por meio de 
órgãos, agentes e pessoas jurídicas, sua organização se calca em três situações fundamentais: a 
centralização, descentralização e a desconcentração. 
1.1. CENTRALIZAÇÃO 
A centralização é a situação em que o Estado (União, Estados, DF e Municípios) executa 
suas tarefas diretamente, ou seja, por intermédio dos inúmeros órgãos e agentes 
administrativos que compõem sua estrutura funcional. Em outras palavras, é quando a 
atividade é prestada pelo centro, núcleo da Administração Direta. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PC/SE – CESPE - 2018): A centralização consiste na execução de tarefas 
administrativas pelo próprio Estado, por meio de órgãos internos e integrantes 
da administração pública direta. Correto. 
1.2. DESCENTRALIZAÇÃO 
Na descentralização, o ente federativo distribui o exercício de parte de suas atribuições 
a outras pessoas, físicas ou jurídicas, de Direito Público ou de Direito Privado. Portanto, a atividade 
administrativa é retirada do núcleo, para pessoas de fora da administração direta (sejam elas da 
administração indireta ou particulares). 
Em relação ao deslocamento de um serviço do Estado para o Município ou União, não 
teremos descentralização administrativa. Trata-se de uma transferência entre entes políticos, 
chamada de descentralização política (analisada no Direito Constitucional). 
De acordo com Renério Castro Jr.42, a descentralização é regida pelos seguintes princípios: 
a) Reserva legal – o procedimento de criação depende de lei específica; 
b) Especialidade – a nova pessoa jurídica desempenha função específica e não genérica; 
c) Tutela – as entidades são controladas pela Administração central , num processo de 
vinculação e não subordinação. 
 
42 Obra citada, p. 182. 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 110 
 
1.3. DESCONCENTRAÇÃO 
A desconcentração, que é um fenômeno de distribuição interna de partes de 
competências decisórias, agrupadas em unidades individualizadas, refere-se à organização 
interna de cada pessoa jurídica. Ela não prejudica a unidade monolítica do Estado, pois todos os 
órgãos e agentes permanecem ligados por um consistente vínculo denominado hierarquia, 
podendo ser em razão da matéria, do grau de hierarquia ou do território, como ocorre na distribuição 
das atividades entre os órgãos públicos. 
Por exemplo, se um serviço sai do Ministério B para o C, se isso acontece dentro da mesma 
pessoa jurídica, é desconcentração. Forma desconcentrada de prestação do serviço. 
Obs.: A desconcentração pode ocorrer tanto dentro de uma pessoa 
política como dentro de uma entidade administrativa, vale dizer, tanto 
no âmbito da administração direta ou centralizada como na 
administração indireta ou descentralizada43. 
Perceba, portanto, que desconcentração e descentralização não se confundem. Assim,temos que na44: 
DESCONCENTRAÇÃO DESCENTRALIZAÇÃO 
Competências distribuídas a órgãos públicos 
sem personalidade própria. 
Competências distribuídas a entidades dotadas 
de personalidade jurídica. 
Os órgãos constituem a administração direta e 
a indireta. 
As entidades constituem somente a 
administração indireta ou descentralizadas. 
Órgãos não podem ser acionados diretamente 
perante o Poder Judiciário (exceção para 
alguns órgãos dotados de capacidade 
processual especial). 
Entidades descentralizadas respondem 
diretamente perante o Poder Judiciário (é 
possível a responsabilização subsidiária do 
ente federativo). 
Exemplos: ministérios, secretarias de Estados 
ou Municípios, escolas públicas, tribunais, 
Ministério Público. 
Exemplos: autarquias, fundações públicas, 
empresas públicas, e sociedades de economia 
mista. 
Possui como base a hierarquia (quando alguém 
manda deslocar um serviço dentro da mesma 
PJ). 
Não existe hierarquia entre Administração 
Direta e Indireta; Direta e Particulares. Há 
controle e fiscalização. 
Há subordinação. Não existe subordinação. 
Cria órgão Cria entidade 
 
43 CASTRO. Renério Jr., obra citada, p. 185. 
44 Ibidem, p. 186. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 111 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TJ/Al – FCC – 2019): Considerando as medidas de organização da 
Administração Pública necessárias para o desempenho de suas atividades, 
operadas a partir dos mecanismos de desconcentração e de 
descentralização, nos limites estabelecidos pela Constituição Federal, tem-
se que a desconcentração pressupõe a criação de outros entes públicos ou 
privados, integrantes da estrutura administrativa, enquanto a 
descentralização refere-se à mera realocação de competências dentro da 
estrutura existente. Correto! 
 
(DPE/DF – CESPE - 2019): A distribuição de competências a órgãos 
subalternos despersonalizados, como as secretarias-gerais, é modalidade de 
descentralização de poder. Errado! 
 
(PC/SE – CESPE - 2018): Na administração pública, desconcentrar significa 
atribuir competências a órgãos de uma mesma entidade administrativa. 
Correto. 
 
(PC/SE – CESPE - 2018): A diferença preponderante entre os institutos da 
descentralização e da desconcentração é que, no primeiro, há a ruptura do 
vínculo hierárquico e, no segundo, esse vínculo permanece. Correto! 
 
(DPE/RS – FCC - 2018): A descentralização se consubstancia na 
transferência de poderes e atribuições para um sujeito de direito distinto e 
autônomo. Correto. 
2. FORMAS DE DESCENTRALIZAÇÃO 
A descentralização pode ocorrer de duas formas: por outorga (ou por serviço) e por 
delegação (ou colaboração). 
Obs.: Nos Estados Unitários (França, Portugal, Espanha) há a 
descentralização territorial ou geográfica, em que se atribui à 
entidade local, geograficamente delimitada, personalidade jurídica de 
direito público, com capacidade administrativa genérica para exercer 
a totalidade ou a maior parte dos encargos públicos de interesse da 
coletividade. 
2.1. DESCENTRALIZAÇÃO POR SERVIÇO, TÉCNICA OU OUTORGA 
Na descentralização por outorga o Poder Público cria uma pessoa jurídica de direito público 
ou de direito privado, e transfere a titularidade (“propriedade”, “domínio”) e a execução do serviço 
público. 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 112 
 
Obs.: Rafael Rezende (entendimento minoritário) sustenta que não se 
pode admitir que o Estado transfira a titularidade que lhe foi atribuída 
pela Constituição, considerada irrenunciável. Em verdade, a 
descentralização só pode abranger a execução da atividade.45 
A outorga somente será realizada através de lei. 
Vale salientar que há na doutrina divergência acerca da outorga da atividade administrativa. 
Vejamos: 
1ª Corrente – admite a outorga para todas as pessoas da Administração Indireta, 
independentemente de serem de direito público ou de direito privado, admitindo, assim, as 
autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas e as sociedades de economia mista. 
2ª Corrente (majoritária) – a outorga só poderá ocorrer com as pessoas jurídicas da 
Administração Indireta que estão sujeitas ao regime público, admitindo, assim, as autarquias e as 
fundações públicas de direito público. 
2.2. DESCENTRALIZAÇÃO POR COLABORAÇÃO OU DELEGAÇÃO 
Na descentralização por delegação há a transferência apenas da execução do serviço 
público, a titularidade continua com a Administração Direta. 
 A delegação poderá ser concedida por meio de lei, via contrato administrativo ou via ato 
administrativo. 
POR LEI POR CONTRATO 
ADMINISTRATIVO 
POR ATO ADMINISTRATIVO 
É concedida às pessoas da 
Administração Indireta, de 
direito privado (empresa 
pública, sociedade de 
economia mista e fundação 
pública) 
É concedida ao particular, 
através de concessão e 
permissão de serviços 
públicos, por exemplo 
transporte público e telefonia. 
É concedida ao particular, 
através de autorização de 
serviços públicos, a exemplo 
do táxi e despachante. 
3. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EXTROVERSA E INTROVERSA 
As relações administrativas, efetivadas pela Administração Pública, podem ter como 
destinatários os administrados ( particulares de fora da Administração) ou os próprios órgãos e 
entes administrativos. 
 
45 Obra citada, p. 74. 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 113 
 
A Administração Pública extroversa representa a relação existente entre a Administração 
e os administrados, ou seja, refere-se às relações externas efetivadas pelo Poder Público, que 
sempre serão pautadas pelos princípios da Supremacia do Interesse Público sobre o privado e da 
Indisponibilidade, pela Administração, dos interesses dos administrados. 
A Administração Pública introversa é formada pelas relações existentes entre os Entes 
Políticos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) e entre esses e os órgãos da Administração 
Direta ou entre os órgãos entre si. Trata-se de relação interna, que é instrumento para a efetivação 
da relação externa ou extroversa, pois o Poder Público se organiza internamente para poder efetivar 
as suas políticas e atuar em face da coletividade. 
4. TEORIAS EXPLICATIVAS ACERCA DA RELAÇÃO ENTRE ESTADO E SEUS AGENTES 
4.1. TEORIA DO MANDATO 
A relação entre o Estado e seus agentes constitui-se através de um contrato de mandato. 
Significa que o Estado celebra com o agente um contrato de mandato, em razão disso o agente 
passa a manifestar a vontade do Estado. 
A teoria do mandato não foi acolhida, tendo em vista que o Estado não tem como manifestar 
a sua vontade sem a pessoa física. Note que sem a presença do agente, o Estado sequer poderá 
assinar o contrato de mandato. 
4.2. TEORIA DA REPRESENTAÇÃO 
A teoria da representação trata o Estado como um sujeito incapaz, o agente atua como um 
representante semelhante ao que ocorre na tutela e na curatela. 
A teoria da representação também não foi acolhida, isto porque o Estado é considerado um 
sujeito capaz, respondendo pelos danos causados pelos seus agentes. 
4.3. TEORIA DO ÓRGÃO OU TEORIA DA IMPUTAÇÃO VOLITIVA 
Trata-se da teoria adotada no Brasil. 
De acordo com a teoria da imputação, o agente público atua em nome do Estado, 
titularizando um órgão público (conjunto de competências), de modo que o comportamento do 
agente no exercício da função pública é juridicamente imputado ao Estado46. 
 
46 CASTRO. Renério Jr., obra citada, p. 192. 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 114 
 
Em outras palavras, a pessoa jurídica manifesta sua vontade através dos órgãos, 
consequentemente, quando os agentes que compõem o órgão manifestam vontade é como se o 
próprio Estado atuasse. 
Obs.: A vontade do Estado e do agente se confundem, além disso a 
imputação decorre da lei. Assim, é a lei que irádeterminar se o agente 
é competente ou não para a prática do ato. 
Por fim, importante destacar que a teoria do órgão consegue justificar a validade dos atos 
praticados pelo servidor de fato, ou seja, aquele cuja investidura foi irregular, mas cuja situação 
tem aparência de legalidade. Em nome do princípio da aparência, da boa-fé dos administrados, da 
segurança jurídica e do princípio da presunção de legalidade dos atos administrativos, reputam-se 
válidos os atos praticados pelo servidor de fato, se por outra razão não forem viciados47. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE/MG – MPE/MG - 2021): Pelo princípio da imputação volitiva, 
característica da teoria do órgão, a atividade exercida por agente que não 
tenha investidura legítima não pode ser imputada à pessoa jurídica de direito 
público. Errado! 
5. ÓRGÃOS PÚBLICOS 
5.1. CONCEITO 
Órgão público é um centro especializado de competência (Hely Lopes Meirelles), um 
núcleo de competência, que visa garantir a especialização nas atividades prestadas, com maior 
eficiência. 
Celso Antônio Bandeira de Mello define órgão público como unidades abstratas que 
sintetizam os vários círculos de atribuições de poderes funcionais do Estado, repartidos no interior 
da personalidade estatal e expressados por meio dos agentes neles providos. 
O art. 1º, §2º, I, da Lei 9.784/99 (Lei do Processo Administrativo) define o órgão como uma 
unidade de atuação integrante da estrutura da Administração direta e da estrutura da 
Administração indireta. 
A criação dos órgãos públicos representa um processo de desconcentração da atividade 
administrativa e, em razão do princípio da legalidade, essa estruturação não pode ser realizada 
pelo administrador, dependendo de previsão legal. A lei que cria o órgão público também 
estabelece a sua estrutura organizacional, fixa competências e impõe limites às pessoas físicas48. 
 
47 CASTRO, Renério Jr., obra citada, p. 193. 
48 MARINELA, Fernanda. Obra citada, p. 115. 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 115 
 
5.2. CARACTERÍSTICAS 
5.2.1. Ausência de personalidade jurídica 
O órgão público integra a estrutura do Estado, não possuindo personalidade jurídica (aptidão 
para ser sujeito de direitos e de obrigações), a responsabilidade cabe à pessoa jurídica a quem ele 
pertence. 
Obs.: Vale destacar que, de acordo com a Teoria da 
Institucionalização, embora os órgãos públicos não tenham 
personalidade jurídica, podem adquirir “vida própria”. 
Apesar de o órgão público não possuir personalidade jurídica, poderá ter CNPJ para que 
seja possível o controle do fluxo do recurso público recebido. 
Instrução Normativa RFB 1863/2018 
Art. 4º São também obrigados a se inscrever no CNPJ: 
I - órgãos públicos de qualquer dos poderes da União, dos estados, do Distrito 
Federal e dos municípios, desde que se constituam em unidades gestoras de 
orçamento; 
5.2.2. Representação própria 
Significa que o órgão público será representado por seus próprios procuradores. 
5.2.3. Capacidade processual 
Em regra, o órgão público não possui capacidade processual. Contudo, excepcionalmente, 
admite-se a personalidade judiciária do órgão público, podendo ir a juízo enquanto sujeito ativo 
em busca de direitos institucionais (funcionamento, autonomia e independência do órgão). 
Súmula 525-STJ: A Câmara de vereadores não possui personalidade jurídica, 
apenas personalidade judiciária, somente podendo demandar em juízo para 
defender os seus direitos institucionais. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE/MG – MPE/MG - 2021): O órgão, por ser despersonalizado, apenas 
integra a pessoa jurídica de direito público, razão pela qual não pode, em 
nenhuma hipótese, figurar em qualquer dos polos de uma relação processual. 
Errado! 
5.2.4. Capacidade contratual 
Os órgãos públicos não possuem capacidade contratual, apenas as pessoas físicas ou 
jurídicas possuem capacidade para aquisição de direitos e obrigações. 
Excepcionalmente, contudo, nos termos do art. 37, §8º, da CF, admite-se a celebração de 
contrato por órgão público. 
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. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 116 
 
Art. 37, § 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e 
entidades da administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante 
contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder público, que 
tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou 
entidade, cabendo à lei dispor sobre: 
I - o prazo de duração do contrato; 
II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações 
e responsabilidade dos dirigentes; 
III - a remuneração do pessoal. 
 
A Lei 13.934/2019 regulamentou o contrato referido no § 8º do art. 37 da CF, denominado 
“contrato de desempenho”49, no âmbito da administração pública federal direta de qualquer dos 
Poderes da União e das autarquias e fundações públicas federais. 
5.3. CLASSIFICAÇÃO DOS ÓRGÃOS PÚBLICOS50 
5.3.1. Quanto à estrutura 
a) Órgãos simples ou unitários: possuem uma estrutura formada por uma única unidade 
orgânica, possuem só um centro de competência. Não possuem ramificações. Ex.: 
Presidência da República; 
b) Órgãos compostos : reúnem outros órgãos ligados à sua estrutura, ensejando uma 
desconcentração e divisão de atividades. Exs.: Congresso Nacional é composto por dois 
órgãos, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. 
5.3.2. Quanto à atuação funcional 
a) Órgãos singulares ou unipessoais: as decisões dependem da atuação de um único 
agente, seu chefe e representante. Ex.: Presidência da República. 
b) Órgãos colegiados ou pluripessoais: a atuação e decisões são tomadas pela 
manifestação conjunta de seus membros. Ex.: Congresso Nacional, STF. 
5.3.3. Quanto à posição estatal (ou hierarquia) 
a) Órgãos independentes: são os órgãos de cúpula, previstos na própria CF, e 
representativos dos três poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário). Estão no ápice da 
estrutura estatal, não se sujeitam a nenhuma subordinação hierárquica ou funcional. Ex.: 
Presidência da Pública, Câmara dos Deputados e Senado Federal, STF. 
b) Órgãos autônomos: estão situados abaixo dos órgãos independentes e são 
subordinados a eles. Possuem autonomia administrativa, financeira e técnica. São 
 
49 No item 9, deste título, aprofundaremos o estudo do Contrato de Desempenho. 
50 CASTRO. Renério Jr., obra citada páginas 196 e ss. 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 117 
 
considerados órgãos diretivos, com função de coordenação, planejamento e fiscalização 
sobre outros órgãos. Ex.: Ministérios e secretarias. 
c) Órgãos superiores: possuem apenas poder de direção e controle sobre assuntos 
específicos da sua competência, não tem autonomia, não tem independência, dependem 
de controle de uma chefia mais alta, mas ainda conservam poder de decisão, no que 
tange aos atos praticados no exercício de suas atividades. Ex.: Departamento da Polícia 
Federal, gabinetes, superintendências. 
d) Órgãos subalternos: são todos aqueles que exercem atribuições de mera execução, com 
reduzido poder decisório, estando sempre subordinados a vários níveis hierárquicos 
superiores. Ex.: recepção, protocolo, portaria. 
5.3.4. Quanto às funções (Maria Sylvia Zanella Di Pietro) 
a) Órgãos ativos: atuam diretamente no exercício da função administrativa, manifestando 
vontade e exercendo funções de prestação de serviço público, execução de obras ou 
exercício do poder de polícia estatal, seja por meio de direção de atividades, seja por 
meio da execução direta dessas atividades. Ex.: Polícia Federal, Secretaria Estadual de 
Saúde. 
b) Órgãos consultivos: são aqueles que atuam na emissão de pareceres jurídicos, 
assumindo a função de aconselhamento da atuação dos demais órgãos estatais. 
Praticam atos que dão suporte e auxíliotécnico ou jurídico, por meio de atos opinativos, 
sejam de legalidade ou de mérito, não agindo diretamente na prática de atos de 
execução. Ex.: Procuradoria do Município. 
c) Órgãos de controle: são os órgãos que atuam na atividade de controle dos demais 
órgãos e agentes públicos, seja esse controle exercido internamente, no âmbito de um 
mesmo Poder do Estado ou externamente, quando se manifesta entre Poderes estatais 
diversos. Ex.: Tribunal de Contas da União, Controladoria Geral do Estado. 
6. ADMINISTRAÇÃO DIRETA 
A Administração Direta corresponde ao conjunto de órgãos que compõem os entes políticos: 
União, Estados, Distrito Federal e Municípios. 
Os entes que compõem a Administração Direta, por serem pessoas jurídicas de direito 
público, estão sujeitos às prerrogativas e obrigações inerentes a esse regime, o que é extensível às 
suas estruturas internas, isto é, aos seus órgãos. São elas: 
• Subordinação aos procedimentos financeiros públicos, como regras de 
contabilidade pública e aos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei 
Complementar 101/00). 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 118 
 
• Submissão às exigências de concurso público (art. 37, II, da CF) e do dever de 
licitar (art. 37, XXI, da CF). 
• Os seus atos administrativos gozam dos atributos de presunção de legitimidade, 
de autoexecutoriedade e de coercibilidade, e, da mesma forma que seus 
contratos, seguem o regime administrativo, contando com as cláusulas 
exorbitantes. 
• Gozam de privilégios tributários, tal como a imunidade recíproca para os impostos 
(conforme art. 150, VI, “a”, da CF). 
• Tratamento de Fazenda Pública. 
• Seus bens estão protegidos pelo regime público, sendo alienáveis de forma 
condicionada, impenhoráveis, imprescritíveis e não podem ser objeto de 
oneração. 
• O pagamento de seus débitos judiciais está sujeito ao regime de precatório 
previsto no art. 100 da CF. 
7. ADMINISTRAÇÃO INDIRETA 
7.1. CARACTERÍSTICAS COMUNS 
É importante salientar que há cinco características comuns a todas as pessoas jurídicas da 
Administração Indireta, ou seja, são características que serão aplicadas às autarquias, fundações 
públicas, sociedade de economia mista e empresas públicas. 
Obs.: A Associação Pública, espécie do gênero consórcio público, 
após a Lei 11.107/05, passou a integrar a administração indireta dos 
entes. 
7.1.1. Personalidade jurídica própria 
As pessoas jurídicas da Administração Indireta possuem personalidade jurídica própria, 
significa que têm aptidão para serem sujeitos de direitos e obrigações, respondendo pelos seus 
atos. 
Além disso, possuem patrimônio próprio, não interessando a sua origem (próprio ou de 
repasse). 
Assim, por exemplo, caso o motorista de uma autarquia atropele uma pessoa, a vítima 
poderá ajuizar ação indenizatória contra a própria autarquia. 
São dotadas de autonomia administrativa, técnica e financeira. 
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. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 119 
 
7.1.2. Criação e extinção por meio de lei 
A criação das pessoas jurídicas da Administração Indireta depende de lei específica, 
conforme disposto no art. 37, XIX, da CF. 
CF Art. 37, XIX - somente por lei específica poderá ser criada autarquia e 
autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista 
e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as 
áreas de sua atuação; 
 
Vale salientar que a expressão “lei específica” refere-se à lei ordinária. 
 
Em relação à autarquia, cada uma será criada por uma lei específica. Ressalta-se que basta 
a lei e a pessoa jurídica já está pronta para o mundo jurídico, não há necessidade de fazer mais 
nada. 
Por outro lado, tratando-se de empresa pública, sociedade de economia mista e fundação a 
lei autoriza a sua criação, sendo necessário o registro dos atos constitutivos no órgão competente, 
a depender da sua natureza jurídica, será na junta comercial (natureza empresarial) ou cartório 
(natureza cível). 
Hoje, doutrina e jurisprudência majoritárias admitem que a fundação pública pode submeter-
se a qualquer dos regimes. Assim, o Poder Público poderá instituir uma fundação e dar a ela o 
regime público ou o regime privado. No caso, a fundação pública é considerada espécie de 
autarquia, denominada autarquia fundacional, portanto, a lei cria essa pessoa jurídica. De outro 
lado, a fundação pública pode receber o regime privado, sendo então denominada fundação 
governamental, submetida ao mesmo regime das empresas públicas e das sociedades de 
economia mista, logo, a lei autoriza a sua criação51. 
Em resumo: 
 
51 MARINELA, Fernanda. Obra citada, p. 124. 
LEI
CRIA AUTARQUIA
AUTORIZA
EMPRESA 
PÚBLICA
SOCIEDADE DE 
ECONOMIA 
MISTA
FUNDAÇÃO
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 120 
 
 
Obs.: caberá a lei complementar definir as possíveis finalidades da 
fundação pública de direito privado. 
Além disso, em razão do paralelismo de forma, a extinção também depende de lei. Desta 
forma, se lei cria a autarquia, a lei irá extingui-la; se a lei autoriza a criação da empresa pública, da 
sociedade de economia mista e da fundação, a lei deverá autorizar a sua extinção. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
AGU – Procurador Federal (2023) Somente por lei específica poderá ser 
criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade 
de economia mista e de fundação, cabendo a decreto legislativo, neste último 
caso, a definição das áreas de sua atuação. Errada! 
7.1.3. Sem fins lucrativos 
As pessoas da Administração Indireta não são criadas com finalidade lucrativa, seu objetivo 
é a busca do interesse público, inclusive quando exploradoras de atividade econômica. 
Obs.: Não significa que não possam obter lucro, mas sim que sua 
criação não busca o lucro. 
O art. 173 da CF prevê que o Estado não intervirá na atividade econômica, salvo se for para 
a segurança nacional e o interesse coletivo. Perceba que, mesmo no caso das empresas públicas 
e sociedades de economia mista, o Estado não poderá escolher atividades que visem o lucro, 
embora ele seja possível. 
Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração 
direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando 
necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse 
coletivo, conforme definidos em lei. 
7.1.4. Finalidade específica 
Cada pessoa da Administração Indireta possui uma finalidade específica, significa que estão 
vinculadas ao fim que a instituiu. Trata-se da aplicação do princípio da especialidade. 
7.1.5. Possibilidade de controle 
Fundação Pública
Direito público
Espécie de autarquia -
"fundação autárquica"
Lei CRIA
Direito privado
Mesmo regime 
Empresas Públicas e 
SEM - "fundação 
governamental"
Lei AUTORIZA
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. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 121 
 
Como visto, a transferência da atividade administrativa para as pessoas jurídicas da 
Administração Indireta é hipótese de descentralização, não havendo hierarquia (subordinação) 
entre a nova pessoa jurídica e o ente que a criou. 
Contudo, é possível haver controle de legalidade, que poderá ser realizado dentro da própria 
pessoa jurídica (controle interno) ou por pessoas e órgãos fora da sua estrutura (controle externo). 
Além disso, o controle poderá ser realizado pela Administração Direta ou pelo povo. 
a) Controle realizado pelo Poder Executivo52 
Ocorre através da supervisão ministerial, que será exercida por meio de: 
• Controle político, pelo qual os dirigentes das entidades da administração indireta 
são escolhidos e nomeados pela autoridade competente da administração direta, 
razão pela qual exercem eles função de confiança; 
• Controle institucional, que obriga a entidade a caminhar sempre no sentido dos 
fins para os quaisfoi criada; 
• Controle administrativo, que permite a fiscalização dos agentes e das rotinas 
administrativas da entidade; 
• Controle financeiro, pelo qual são fiscalizados os setores financeiro e contábil da 
entidade. 
Obs.: A supervisão ministerial exercida sobre as entidades da 
administração indireta possui característica de controle finalístico (sem 
subordinação, apenas vinculação); já sobre a administração direta 
constitui controle hierárquico. 
b) Controle realizado pelo Poder Judiciário 
Ocorre através das diversas ações judiciais 
c) Poder Legislativo 
Ocorre através do TCU – longa manus do Poder Legislativo – que controla todas as pessoas 
jurídicas da Administração Indireta. 
Quanto ao controle exercido pelo Tribunal de Contas, consoante previsão constitucional, ele 
se efetivará por meio do julgamento das contas dos administradores, apreciação das admissões de 
pessoal e concessões de aposentadoria, realização de auditorias e inspeções e aplicação de 
sanções previstas em lei (art. 71 da CF). 
d) Controle realizado pelo povo 
 
52 CASTRO, Renério Jr., obra citada, páginas 204 e 205. 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 122 
 
Através da ação popular, audiências públicas, consulta pública e representações. 
7.2. FUNDAÇÕES PÚBLICAS 
7.2.1. Conceito 
Trata-se de uma pessoa jurídica composta por um patrimônio personalizado, que presta 
atividades não lucrativas e atípicas do Poder Público, mas de interesse coletivo, como educação, 
cultura, pesquisas, sempre merecedoras de amparo social. Consistem na personificação de uma 
finalidade53. 
Vale salientar que existem fundações privadas e fundações públicas, a depender da forma 
como foram criadas: 
• Se o instituidor é um particular, haverá a constituição de uma fundação privada, 
pessoa jurídica que está fora da Administração Indireta, que interessa ao Direito 
Civil (art. 62 do CC); 
• Se instituída pelo Poder Público, haverá uma fundação pública, que integra a 
Administração Indireta. 
O art. 5º, IV, do Decreto-Lei 200/1967 consagra o conceito legal de fundação pública. Vale 
salientar que o dispositivo encontra-se ultrapassado, tendo em vista que se refere apenas a 
fundação pública de direito privado e, como visto, a fundação pública poderá ser de direito público 
ou de direito privado. 
Decreto-Lei 200/1967 
Art. 5º, IV - Fundação Pública - a entidade dotada de personalidade jurídica 
de direito privado (ou de direito público), sem fins lucrativos, criada em virtude 
de autorização legislativa, para o desenvolvimento de atividades que não 
exijam execução por órgãos ou entidades de direito público, com autonomia 
administrativa, patrimônio próprio gerido pelos respectivos órgãos de direção, 
e funcionamento custeado por recursos da União e de outras fontes. 
 
Basicamente, para que seja instituída uma fundação é necessária a presença de quatro 
elementos: 
a) Figura do instituidor – será sempre o Estado (estamos tratando de fundações públicas); 
b) Patrimônio afetado a uma destinação específica; 
c) Objeto consistente em atividades de interesse social; 
d) Ausência de fins lucrativos. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
AGU – Procurador Federal (2023) A fundação pública constitui-se como 
entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, sem fins 
 
53 MARINELA, Fernanda. Obra citada, página 172 e ss. 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 123 
 
lucrativos, criada em virtude de autorização legislativa, para ·o 
desenvolvimento de atividades que não exijam execução por órgãos ou 
entidades de direito público, sem autonomia administrativa e sem patrimônio 
próprio e funcionamento custeado exclusivamente com recursos da União. 
Errada! 
 
7.2.2. Natureza jurídica 
Conforme leciona Rafael Rezende Oliveira54, há divergência em relação à natureza jurídica 
das fundações públicas: 
1ª Corrente (Celso Antônio Bandeira de Mello) – as fundações estatais são pessoas jurídicas 
de direito público, pois o texto constitucional confere tratamento jurídico similar às fundações 
estatais e as demais pessoas de direito público da Administração. 
2ª Corrente (Marçal Filho): as fundações estatais são pessoas jurídicas de direito privado. 
3ª Corrente (STF, Maria Sylvia Di Pietro): as fundações estatais podem ser de direito público 
ou de direito privado. A personalidade jurídica, pública ou privada, dependerá da opção legislativa 
e da presença (ou não) das prerrogativas públicas. 
Para o STF (RE 716.378/SP)55, a qualificação de uma fundação instituída pelo Estado como 
sujeita ao regime público ou privado depende: 
• Do estatuto de sua criação ou autorização; e 
• Das atividades por ela prestadas. 
As atividades de conteúdo econômico e as passíveis de delegação, quando definidas como 
objetos de dada fundação, ainda que essa seja instituída ou mantida pelo poder público, podem se 
submeter ao regime jurídico de direito privado. 
7.2.3. Criação e extinção 
Como já mencionado, a fundação pública de direito público será criada por lei específica, 
possuindo as mesmas características das autarquias. Já as fundações públicas de direito privado 
seguem o regime das empresas públicas e das sociedades de economia mista, sua criação 
depende de autorização legislativa e da inscrição dos seus atos constitutivos no respectivo 
registro (junta comercial ou cartório). 
 
54 Obra citada, p. 147 e ss. 
55 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. A fundação instituída pelo Estado pode estar sujeita ao regime 
público ou privado, a depender do estatuto da fundação e das atividades por ela prestadas. Buscador Dizer o 
Direito, Manaus. Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/793bc52a941b3951dfdb85fb04f9fd06>. 
Acesso em: 05/08/2022 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 124 
 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TJ/GO – VUNESP - 2019): O ente personalizado, integrante da 
Administração Pública indireta, cuja criação é autorizada por lei, mas adquire 
existência jurídica após o registro dos seus estatutos, é a fundação de direito 
privado. Correto! 
 
(TJ/CE – CESPE - 2018): A instituição de fundação pública de direito público, 
diferentemente das autarquias, cuja criação se dá por meio de edição de lei, 
exige, além de previsão legal, a inscrição de seu ato constitutivo junto ao 
registro civil das pessoas jurídicas. Errado. 
A extinção, igualmente, depende de lei. 
Além disso, o STF entende que lei estadual pode autorizar a criação de fundação pública de 
direito privado para atuar na prestação de serviço público de saúde. 
É constitucional a constituição de fundação pública de direito privado para a 
prestação de serviço público de saúde. STF. Plenário. ADI 4197/SE, Rel. Min. 
Roberto Barroso, julgado em 1º/3/2023 (Info 1085). 
7.2.4. Prerrogativas 
As fundações públicas de Direito Público possuem as mesmas prerrogativas e limitações 
das autarquias, tais como impenhorabilidade dos bens, pagamento de débitos por precatórios, 
prazos processuais dilatados, isenção de custas, regime de pessoal e foro na Justiça Federal para 
as fundações federais. 
As fundações públicas de Direito privado, por sua vez, não possuem os privilégios conferidos 
às pessoas jurídicas de Direito Público. Entretanto, devem ser observadas as limitações 
constitucionais decorrentes da indisponibilidade do interesse público, tais como realização de 
concurso público para contratação pessoal, licitação para contratar, teto remuneratório dos 
empregados, controle externo feito pelo TCU. 
As fundações públicas de direito privado não fazem jus à isenção das custas 
processuais. A isenção das custas processuais somente se aplica para as 
entidades com personalidade de direito público. Dessa forma, para as 
Fundações Públicas receberem tratamento semelhante ao conferido aos 
entesda Administração Direta é necessário que tenham natureza jurídica de 
direito público, que se adquire no momento de sua criação, decorrente da 
própria lei. STJ. 4ª Turma. REsp 1409199-SC, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, 
julgado em 10/03/2020 (Info 676). 
 
Em relação ao regime de bens, segue a natureza jurídica da própria fundação. Assim: 
• Fundação pública de Direito Público – os bens são considerados públicos; 
• Fundação Pública de Direito Privado – os bens são considerados privados. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 125 
 
Obs.: Para o STF, se os bens da fundação pública de Direito Privado 
forem destinados à prestação de serviço público terão proteção da 
ordem pública, em virtude do princípio da continuidade. É a mesma 
lógica aplicada aos bens dos correios. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(DPE/PI – CESPE - 2022): Os bens de fundação pública que sejam advindos 
de entes privados são considerados bens privados. Errado! 
7.2.5. Regime pessoal 
A fundação pública de Direito Público segue o regime estatutário, nos termos do art. 39 da 
CF. 
Por outro lado, a fundação pública de Direito Privado adota o regime celetista. 
É constitucional a legislação estadual que determina que o regime jurídico 
celetista incide sobre as relações de trabalho estabelecidas no âmbito de 
fundações públicas, com personalidade jurídica de direito privado, destinadas 
à prestação de serviços de saúde. STF. Plenário. ADI 4247/RJ, Rel. Min. 
Marco Aurélio, julgado em 3/11/2020 (Info 997)56. 
 
 Mesmo adotando o regime celetista, conforme mencionado acima, é necessária a 
observância do seguinte: 
• Necessidade de motivação para demissão, respeitando-se os princípios da 
impessoalidade e da moralidade; 
• Vedação de acumulação de empregos públicos, salvo nos casos autorizados pela 
Constituição; 
• Ingresso por concurso público; 
• Respeito ao teto constitucional de remuneração. 
A estabilidade especial do art. 19 do ADCT não se aplica para empregados das fundações 
públicas de direito privado, abrange apenas os servidores das pessoas jurídicas de direito público. 
Para o STF o termo “fundações públicas”, utilizado pelo art. 19 do ADCT, deve ser compreendido 
como fundações autárquicas, sujeitas ao regime jurídico de direito público57. 
 
56 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Fundação pública com personalidade jurídica de direito privado pode 
adotar o regime celetista para contratação de seus empregados. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível 
em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/77bb14f6132ea06dea456584b7d5581e>. 
Acesso em: 05/08/2022 
57 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. A estabilidade especial do art. 19 do ADCT não se aplica para 
empregados das fundações públicas de direito privado (abrange apenas os servidores das pessoas jurídicas 
de direito público). Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/16bda725ae44af3bb9316f416bd13b1b>. 
Acesso em: 05/08/2022 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 126 
 
ADCT Art. 19. Os servidores públicos civis da União, dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios, da administração direta, autárquica e das 
fundações públicas em exercício na data da promulgação da Constituição, há 
pelo menos cinco anos continuados, e que não tenham sido admitidos na 
forma regulada no art. 37, da Constituição, são considerados estáveis no 
serviço público. 
(...) 
§ 2º O disposto neste artigo não se aplica aos ocupantes de cargos, funções 
e empregos de confiança ou em comissão, nem aos que a lei declare de livre 
exoneração, cujo tempo de serviço não será computado para os fins do 
"caput" deste artigo, exceto se se tratar de servidor. 
§ 3º O disposto neste artigo não se aplica aos professores de nível superior, 
nos termos da lei. 
 
A estabilidade especial do art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais 
Transitórias (ADCT) não se estende aos empregados das fundações públicas 
de direito privado, aplicando-se tão somente aos servidores das pessoas 
jurídicas de direito público. STF. Plenário. RE 716378/SP, Rel. Min. Dias 
Toffoli, julgado em 1º e 7/8/2019 (repercussão geral) (Info 946). 
7.2.6. Fiscalização pelo Ministério Público 
Em relação à fiscalização das fundações públicas pelo Ministério Público, há divergência 
entre a doutrina e a jurisprudência. 
1ª Corrente (Rafael Rezende Oliveira)58 – apenas as fundações privadas e as fundações 
públicas de Direito Privados estão sujeitas à fiscalização pelo Ministério Público. As fundações 
públicas de Direito Público não se submetem ao controle, tendo em vista que: 
• O art. 66 do CC refere-se, exclusivamente, às fundações privadas, instituídas por 
particulares; 
• O §3º, do art. 5º, do DL 200/1967, acrescentado pela Lei 7.596/1987, afasta, em 
sua parte final, a aplicação das normas do Código Civil, relativas às fundações 
privadas, às fundações estatais; e 
• As fundações estatais já estão submetidas ao controle do Executivo e do 
Legislativo, não sendo necessária a instituição de outras formas de controle 
estatal. 
2ª Corrente (STF, ADI 2794) – O Ministério Público Federal deve velar pelas fundações 
federais de Direito Público. 
7.2.7. Semelhanças e diferenças entre fundação pública de direito público e de 
direito privado59 
 
58 Obra citada, p. 152 
59 CASTRO, Renério Jr., obra citada, p. 222 e 223. 
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. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 127 
 
As fundações públicas de direito público e de direito privado possuem os seguintes pontos 
em comum: 
a) Integram a Administração Pública Indireta; 
b) Possuem o benefício da imunidade tributária recíproca; 
c) Seus bens possuem as prerrogativas inerentes aos bens públicos (no caso de fundação 
pública de direito privado, apenas quando os bens estiverem atrelados à prestação de 
serviços públicos); 
d) Seus contratos exigem, em regra, prévio procedimento licitatório; 
e) Responsabilidade civil objetiva do art. 37, §6º, da CF (no caso das fundações públicas 
de direito privado, apenas quando prestarem serviços públicos); 
f) Supervisão ministerial ou tutela administrativa, e fiscalização do Tribunal de Contas. 
Por outro lado, distinguem-se nos seguintes aspectos: 
FUNDAÇÕES PÚBLICAS DE DIREITO 
PÚBLICO 
FUNDAÇÕES PÚBLICAS DE DIREITO 
PRIVADO 
São fundações autárquicas São fundações governamentais 
Regime jurídico integralmente público 
(prerrogativas e sujeições) 
Restrições decorrentes dos princípios de direito 
público (integram a Administração Indireta) 
Regras processuais diferenciadas Regras processuais comuns 
Contratos administrativos com cláusulas 
exorbitantes 
Contratos administrativos sem cláusulas 
exorbitantes 
Atos administrativos com atributos legais Atos administrativos desprovidos de atributos 
Regime estatutário de servidores Regime celetista de empregados 
Criação por lei específica Criação por autorização legal específica e 
registro dos atos constitutivos 
A lei criadora já dispõe sobre a área de sua 
abrangência 
Lei complementar disporá sobre sua área de 
atuação 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE/GO – FGV – 2022): O Estado Beta editou legislação que (i) define a 
saúde pública como área de atuação passível de exercício por fundação 
pública de direito privado; (ii) autoriza a instituição de fundações públicas de 
direito privado destinadas à prestação de serviços de saúde (hospitais e 
institutos de saúde); e (iii) atribui a essas entidades autonomia gerencial, 
orçamentária e financeira, além de estabelecer o regime celetista para 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 128 
 
contratação de seus funcionários. No caso em tela, de acordo com a 
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a mencionada legislação 
estadual é: constitucional, eessas fundações públicas de direito privado não 
fazem jus à isenção das custas processuais, mas integram a Administração 
Pública indireta e estão sujeitas ao controle financeiro e orçamentário 
realizado pelo Tribunal de Contas. Correto! 
 
(MPE/MS – MPE/MS - 2018): Por força da previsão expressa contida no § 2º 
do artigo 150 da Constituição Federal, somente as fundações públicas de 
direito público gozam da imunidade tributária relativa aos impostos sobre 
renda, o patrimônio e os serviços federais, estaduais e municipais, sendo que, 
na esteira do entendimento do Supremo Tribunal Federal, a presunção desta 
imunidade é juris tantum, cabendo à administração tributária fazer prova de 
eventual mudança de destinação dos bens da fundação protegidos pela 
norma constitucional inserta no artigo 150, VI, “a”. Errado! 
7.3. AUTARQUIAS 
7.3.1. Conceito 
A autarquia é uma Pessoa Jurídica de Direito Público, criada por lei e integrante da 
Administração Indireta, com finalidade específica (princípio da especialidade), que presta atividade 
típicas do Estado. 
O art. 5º, I, do Decreto-Lei 200/1967 traz o conceito legal de autarquia. Vejamos: 
DL 200/1967 – Art. 5º, I - Autarquia - o serviço autônomo, criado por lei, com 
personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar atividades 
típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor 
funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada. 
7.3.2. Criação e extinção 
A criação e a extinção da autarquia dependem apenas da edição de uma lei específica, 
que será de iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo. 
Obs.: Caso a autarquia seja vinculada ao Poder Legislativo ou 
Judiciário, a iniciativa de lei será do respectivo chefe do poder. 
Para o STF (ADI 4029) não há impedimento que uma autarquia seja criada por Medida 
Provisória, foi o caso, por exemplo, da MP 791/17 que criou a Agência Nacional de Mineração e foi 
convertida na Lei 13.575/17. 
Os seus negócios, patrimônios e recursos são próprios, haja vista que desfrutam de 
personalidade jurídica própria e autonomia técnica, financeira e administrativa, 
independentemente de sua origem. Seu patrimônio pode ser transferido pela Administração Direta 
ou adquirido pela autarquia diretamente, enquanto as receitas podem ser oriundas do orçamento e 
de sua própria atividade. 
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. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 129 
 
7.3.3. Regime jurídico 
a) Atos e contratos 
Os atos praticados pelas autarquias são considerados atos administrativos, por isso 
gozam de presunção de legitimidade, autoexecutoriedade e imperatividade. 
Além disso, os contratos celebrados pela autarquia são considerados contratos 
administrativos, estão sujeitos às cláusulas exorbitantes (art. 104 da Lei 14.133/2021) e à 
licitação (art. 37, XXI, da CF e art. 1º da Lei 14.133/2021) 
CF Art. 37, XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, 
serviços, compras e alienações serão contratados mediante processo de 
licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os 
concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, 
mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual 
somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica 
indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações. 
 
Lei 14.133/2021 - Art. 1º Esta Lei estabelece normas gerais de licitação e 
contratação para as Administrações Públicas diretas, autárquicas e 
fundacionais da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e 
abrange: 
I - os órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário da União, dos Estados e do 
Distrito Federal e os órgãos do Poder Legislativo dos Municípios, quando no 
desempenho de função administrativa; 
II - os fundos especiais e as demais entidades controladas direta ou 
indiretamente pela Administração Pública. 
 
Art. 104. O regime jurídico dos contratos instituído por esta Lei confere à 
Administração, em relação a eles, as prerrogativas de: 
I - modificá-los, unilateralmente, para melhor adequação às finalidades de 
interesse público, respeitados os direitos do contratado; 
II - extingui-los, unilateralmente, nos casos especificados nesta Lei; 
III - fiscalizar sua execução; 
IV - aplicar sanções motivadas pela inexecução total ou parcial do ajuste; 
V - ocupar provisoriamente bens móveis e imóveis e utilizar pessoal e 
serviços vinculados ao objeto do contrato nas hipóteses de: 
a) risco à prestação de serviços essenciais; 
b) necessidade de acautelar apuração administrativa de faltas contratuais 
pelo contratado, inclusive após extinção do contrato. 
§ 1º As cláusulas econômico-financeiras e monetárias dos contratos não 
poderão ser alteradas sem prévia concordância do contratado. 
§ 2º Na hipótese prevista no inciso I do caput deste artigo, as cláusulas 
econômico-financeiras do contrato deverão ser revistas para que se 
mantenha o equilíbrio contratual. 
 
b) Responsabilidade civil 
Aplica-se a regra do art. 37, §6º, da CF às autarquias. Assim, possuem responsabilidade 
civil objetiva pelos atos praticados. 
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. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 130 
 
Art. 37, § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado 
prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, 
nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso 
contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. 
 
A responsabilidade civil objetiva caracteriza-se pela presença de uma conduta lesiva, do 
dano e do nexo de causalidade entre eles, pouco importando se o agente agiu com dolo ou com 
culpa. 
Em relação aos atos praticados pela autarquia, o Estado irá responder de forma objetiva e 
subsidiária, tendo em vista que por meio da descentralização o Estado transferiu para a autarquia 
o seu dever. Assim, nos casos em que a autarquia não possuir recursos para indenizar a vítima, 
caberá ao Estado fazê-lo. 
Obs.: Vale ressaltar que primeiro a vítima precisa cobrar da autarquia, 
apenas quando ela não possuir recursos, é que poderá acionar o 
Estado, por isso a responsabilidade é subsidiária. É diferente do que 
ocorre na responsabilidade solidária, em que não há ordem de 
preferência, pode-se cobrar de um ou dos dois. 
c) Bens autárquicos 
A autarquia segue o regime de direito público. Logo, os seus bens são considerados bens 
públicos, possuindo as seguintes características: 
• Inalienáveis – a inalienabilidade é relativa ou condicionada, significa que para 
ser vendido é necessário que o bem tenha sido desafetado (retirar a finalidade 
pública) e que siga as condições previstas no art. 76 da Lei 14.133/2021 (art. 17 
na antiga Lei de Licitações); 
• Impenhoráveis – é consequência da inalienabilidade. O bem não pode ser objeto 
de penhora (restrição judicial que acontece dentro de uma ação de execução) e 
de sequestro/arresto (cautelares típicas que visam a proteção do bem); 
• Impossibilidade de oneração – também decorre da inalienabilidade. 
A oneração ocorre através de penhor (garantia fora do juízo, para bens móveis) e de 
hipoteca (para bens imóveis). 
• Imprescritíveis – bem público não pode ser objeto de usucapião. 
Obs.: Contudo, o Estado poderá usucapir bem de particular. 
d) Débitos judiciais 
O pagamento dos débitos judiciais da autarquia é feito através do regime de precatórios 
(ordem cronológica de pagamento), nos termos do art. 100, CF. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 131 
 
Cada autarquia terá a sua “fila”, ou seja, a sua ordem cronológica de pagamento. 
Art. 100. Os pagamentos devidos pelas Fazendas Públicas Federal, 
Estaduais, Distrital e Municipais, em virtude de sentença judiciária, far-se-ão 
exclusivamente na ordem cronológica de apresentação dos precatórios e à 
conta dos créditos respectivos, proibida a designaçãode casos ou de 
pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para 
este fim. 
 
e) Prescrição das ações 
A autarquia segue a regra geral da Fazenda Pública em Juízo. Logo, o prazo prescricional 
será de 5 anos, aplica-se o Decreto 20.910/32. 
 Decreto 20.910/32 - Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos 
Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda 
federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em 
cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. 
 
Vale salientar que, durante anos, houve divergência na doutrina em relação ao prazo 
prescricional para propositura de ação de indenização contra a Fazenda Pública. 
1ª Corrente – prazo de 3 anos, com base no art. 206, § 3º, V, do CC; 
2ª Corrente – prazo de 5 anos, conforme prevê o art. 1º do Decreto 20.910/32. 
O STJ (Tema 553), em 2012, pacificou o tema, afirmando que o art. 1º do Decreto n.° 
20.910/1932 é norma especial porque regula especificamente os prazos prescricionais 
relativos às ações ajuizadas contra a Fazenda Pública. Por sua vez, o art. 206, § 3º, V, do Código 
Civil seria norma geral, tendo em vista que regula a prescrição para os demais casos em que não 
houver regra específica. Logo, apesar do Código Civil ser posterior (2002), ele não teve o condão 
de revogar o Decreto n.° 20.910/1932, tendo em vista que norma geral não revoga norma especial60. 
O prazo prescricional aplicável às ações de indenização contra a Fazenda 
Pública é de 5 (CINCO) anos, conforme previsto no Decreto 20.910/32, e não 
de três anos (regra do Código Civil), por se tratar de norma especial, que 
prevalece sobre a geral. STJ. 1ª Seção. REsp 1251993-PR, Rel. Min. Mauro 
Campbell, julgado em 12/12/2012 (recurso repetitivo) (Info 512). 
 
f) Procedimentos financeiros 
Aplica-se às autarquias a lei de responsabilidade fiscal (LC 101/00), bem como sua 
contabilidade é pública, seguindo o disposto na Lei 4.320/64. 
g) Regime tributário 
 
60 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Regra geral da prescrição em ações contra a Fazenda Pública. 
Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/caf1a3dfb505ffed0d024130f58c5cfa>. 
Acesso em: 08/08/2022 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 132 
 
O art. 150, VI, “a”, da CF, prevê a imunidade recíproca para os impostos dos entes políticos. 
Significa que a União não poderá cobrar impostos dos Estados e Municípios e vice-versa. 
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é 
vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: 
[...] 
VI - Instituir impostos sobre: 
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; 
 
O §2º, do art. 150 da CF estendeu a imunidade recíproca às autarquias, mas o benefício é 
restrito ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados a suas finalidades essenciais ou às 
delas decorrentes. 
Art. 150, § 2º - A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às 
fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao 
patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais 
ou às delas decorrentes 
 
Vale destacar que a imunidade recíproca aplica-se apenas aos impostos vinculados a 
suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. Logo, haverá cobrança de taxas e 
contribuições, bem como de impostos que não estejam vinculados a suas finalidades. 
Salienta-se que se a autarquia possuir um imóvel alugado e o rendimento for utilizado em 
sua finalidade específica, terá imunidade. Aplica-se a Súmula Vinculante 52. 
SV 52 - Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o 
imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, "c", 
da Constituição Federal, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas 
atividades para as quais tais entidades foram constituídas. 
 
h) Regime processual 
A autarquia possui privilégios processuais, seguindo o mesmo tratamento da Fazenda 
Pública em Juízo. 
• Prazo dilatado – o prazo será em dobro para todas as manifestações, salvo se a 
lei estabelecer prazo próprio (art. 183 do CPC) 
CPC Art. 183. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas 
respectivas autarquias e fundações de direito público gozarão de prazo em 
dobro para todas as suas manifestações processuais, cuja contagem terá 
início a partir da intimação pessoal. 
§ 1º A intimação pessoal far-se-á por carga, remessa ou meio eletrônico. 
§ 2º Não se aplica o benefício da contagem em dobro quando a lei 
estabelecer, de forma expressa, prazo próprio para o ente público. 
 
• Reexame necessário (recurso de ofício, duplo grau obrigatório) – as decisões em 
face da autarquia, em regra, sujeitam-se à remessa necessária (art. 496 do CPC). 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 133 
 
Não se trata de uma regra absoluta, tendo em vista que não será aplicado quando tiver 
súmula de tribunal superior, acórdão do STF ou STJ em recurso repetitivo, orientação vinculante no 
âmbito administrativo, além dos valores estipulados de acordo com cada ente. 
CPC Art. 496. Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito 
senão depois de confirmada pelo tribunal, a sentença: 
I - proferida contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e 
suas respectivas autarquias e fundações de direito público; 
II - que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução 
fiscal. 
§ 1º Nos casos previstos neste artigo, não interposta a apelação no prazo 
legal, o juiz ordenará a remessa dos autos ao tribunal, e, se não o fizer, o 
presidente do respectivo tribunal avocá-los-á. 
§ 2º Em qualquer dos casos referidos no § 1º, o tribunal julgará a remessa 
necessária. 
§ 3º Não se aplica o disposto neste artigo quando a condenação ou o proveito 
econômico obtido na causa for de valor certo e líquido inferior a: 
I - 1.000 (mil) salários-mínimos para a União e as respectivas autarquias e 
fundações de direito público; 
II - 500 (quinhentos) salários-mínimos para os Estados, o Distrito Federal, as 
respectivas autarquias e fundações de direito público e os Municípios que 
constituam capitais dos Estados; 
III - 100 (cem) salários-mínimos para todos os demais Municípios e 
respectivas autarquias e fundações de direito público. 
§ 4º Também não se aplica o disposto neste artigo quando a sentença estiver 
fundada em: 
I - súmula de tribunal superior; 
II - acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior 
Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos; 
III - entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas 
ou de assunção de competência; 
IV - entendimento coincidente com orientação vinculante firmada no âmbito 
administrativo do próprio ente público, consolidada em manifestação, parecer 
ou súmula administrativa. 
 
• Competência - tratando-se de Autarquia Federal, a competência será da Justiça 
Federal. Também será da competência da Justiça Federal o julgamento de 
mandados de segurança contra atos de autoridade federal, como é o caso dos 
agentes de autarquias federais. 
O STF, em repercussão geral (RE 627.709), reconheceu que se aplica o §2º, 
do art. 109, da CF às autarquias federais. 
Segundo o § 2º do art. 109 da CF/88, as causas propostas contra a União 
poderão ser ajuizadas na seção (ou subseção) judiciária: 
• em que for domiciliado o autor; 
• onde houver ocorrido o ato ou fato que deu origem à demanda; 
• onde estiver situada a coisa; 
• na capital do Estado-membro; ou 
• no Distrito Federal. 
Apesar de o dispositivo somente falar em “União”, o STF entende que a regra 
de competência prevista no § 2º do art. 109 da CF/88 também se aplica às 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 134ações propostas contra autarquias federais. Isso porque o objetivo do 
legislador constituinte foi o de facilitar o acesso à justiça. STF. Plenário. RE 
627709/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 20/8/2014 (Info 
755)61. 
 
• Dívida ativa – os créditos da autarquia poderão ser inscritos em dívida ativa, 
sendo cobrados por meio de execução fiscal. 
• Falência – em caso de insolvência de uma autarquia, o ente federado que a criou 
responderá de forma subsidiária, uma vez que não se sujeitam à falência. 
• Depósito prévio – não estão obrigadas a efetuar depósito prévio, uma vez que 
gozam das prerrogativas e privilégios da Fazenda Pública 
SÚMULA 483 - O INSS não está obrigado a efetuar depósito prévio do 
preparo por gozar das prerrogativas e privilégios da Fazenda Pública. 
 
Sendo o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS autarquia federal 
equiparada em prerrogativas e privilégios à Fazenda Pública, nos termos do 
artigo 8º da Lei no 8.620/93, não lhe é exigível o depósito prévio do preparo 
para fins de interposição de recurso, podendo efetuá-lo ao final da demanda, 
se vencido (Código de Processo Civil, artigo 27). (REsp 1101727/PR, Rel. 
Min. Hamilton Carvalhido, Corte Especial, julgado em 02/08/2010). 
 
i) Regime de pessoal 
O regime de pessoal para os que atuam na autarquia é o mesmo aplicável aos entes da 
Administração Direta que os criou. Os servidores autárquicos estão sujeitos a regime único 
estatutário e aprovados mediante concurso público, são considerados agentes públicos, na 
categoria servidor público, regidos pela Lei 8.112/90 no âmbito federal . 
Vale destacar a evolução acerca da aplicação do regime dos servidores públicos. 
1º Momento – a redação original da CF/88 previa que o servidor público estava sujeito ao 
regime jurídico único, ou seja, o ente federativo deveria adotar o regime estatutário ou celetista, não 
poderia haver “mistura” de regimes. Predominava no Brasil o regime estatutário, mas não havia a 
obrigação se sua adoção, por isso alguns Municípios adotavam o regime celetista. 
2º Momento – a EC 19/98 consagrou o regime múltiplo. Assim, o mesmo ente federativo 
poderia adotar o regime estatutário e o regime celetista. Se a lei criava cargo, seguia o regime 
estatutário; se a lei criava emprego, seguia o regime celetista. 
 
61 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Aplicação do § 2º do art. 109 da CF/88 também às autarquias 
federais. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/4496bf24afe7fab6f046bf4923da8de6>. 
Acesso em: 08/08/2022 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 135 
 
3º Momento – na ADI 2135 o STF reconheceu a inconstitucionalidade formal do art. 39 da 
CF, restabelecendo a redação original. Portanto, os servidores públicos estão sujeitos ao regime 
jurídico único, prevalecendo no Brasil o regime estatutário. 
Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no 
âmbito de sua competência, regime jurídico único e planos de carreira para 
os servidores da administração pública direta, das autarquias e das 
fundações públicas 
7.3.4. Autarquias profissionais (conselhos de classe) 
Os conselhos profissionais, incumbidos da inscrição de certos profissionais e de fiscalizar 
sua atividade, surgiram com natureza de autarquia. 
Em 1998, a Lei 9.649/98 estabeleceu que os serviços de fiscalização de profissões 
regulamentadas seriam exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público mediante 
autorização legislativa (art. 58). Previa ainda que os conselhos de fiscalização de profissões 
regulamentadas, dotados de personalidade jurídica de direito privado, não manterão com os órgãos 
da Administração Pública qualquer vínculo funcional ou hierárquico. 
Questionou-se a constitucionalidade do art. 58 da Lei 9.649/98, uma vez que os conselhos 
de classe possuem poder de polícia, que não poderia estar nas mãos dos particulares. O STF, ao 
julgar a ADI 1717, declarou a inconstitucionalidade do art. 58, mantendo a natureza de autarquia 
federal aos Conselhos de Classe. 
DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. AÇÃO DIRETA DE 
INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 58 E SEUS PARÁGRAFOS DA LEI 
FEDERAL Nº 9.649, DE 27.05.1998, QUE TRATAM DOS SERVIÇOS DE 
FISCALIZAÇÃO DE PROFISSÕES REGULAMENTADAS. 1. Estando 
prejudicada a Ação, quanto ao § 3º do art. 58 da Lei nº 9.649, de 27.05.1998, 
como já decidiu o Plenário, quando apreciou o pedido de medida cautelar, a 
Ação Direta é julgada procedente, quanto ao mais, declarando-se a 
inconstitucionalidade do "caput" e dos § 1º, 2º, 4º, 5º, 6º, 7º e 8º do mesmo 
art. 58. 2. Isso porque a interpretação conjugada dos artigos 5º, XIII, 22, XVI, 
21, XXIV, 70, parágrafo único, 149 e 175 da Constituição Federal, leva à 
conclusão, no sentido da indelegabilidade, a uma entidade privada, de 
atividade típica de Estado, que abrange até poder de polícia, de tributar e de 
punir, no que concerne ao exercício de atividades profissionais 
regulamentadas, como ocorre com os dispositivos impugnados. 3. Decisão 
unânime. (STF - ADI: 1717 DF, Relator: Min. SYDNEY SANCHES, Data de 
Julgamento: 07/11/2002, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJ 28-03-2003 
PP-00061 EMENT VOL-02104-01 PP-00149). 
 
A anuidade cobrada pelos conselhos de classe possui natureza tributária (deve respeitar os 
princípios da legalidade, da anterioridade), consequentemente, o seu não pagamento enseja a 
cobrança por meio de execução fiscal. Além disso, estão sujeitos a concurso público, sua 
contabilidade é pública, submetendo-se a controle pelo Tribunal de Contas. 
Súmula 66 STJ - Compete à Justiça Federal processar e julgar execução 
fiscal promovida por conselho de fiscalização profissional. 
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 136 
 
 
Os conselhos profissionais só podem demitir seus servidores após prévia instauração de 
processo administrativo (RE 838.648). Ademais, podem ajuizar ação civil pública porque são 
autarquias (art. 5º da Lei 7.347/85), bem como gozam dos privilégios e garantias da Fazenda 
Pública (RESp. 1.388.792), a exemplo da intimação pessoal e prazo em dobro. Contudo, não estão 
isentos do pagamento de custas judiciais (RMS 33572 AgR). 
 
 
Como o tema foi cobrado em concurso: 
(PC/PR – UFPR – 2021): Os Conselhos de Fiscalização Profissional detêm 
natureza jurídica de autarquias, cabendo-lhes prazo em dobro para recorrer 
em processos judiciais. Correto! 
Renério Castro Jr.62 salienta que os débitos judiciais não se submetem à sistemática de 
pagamento por precatórios. Deve ficar claro que, embora os Conselhos de Fiscalização Profissional 
sejam considerados autarquias especiais, eles não participam do orçamento público, não recebem 
aporte do Poder Central e nem se confundem com a Fazenda Pública. 
Os conselhos de fiscalização profissional têm autonomia financeira e orçamentária. 
Portanto, sua dívida é autônoma em relação ao Poder Público. Desse modo, inserir esse pagamento 
no sistema de precatório transferiria para a União a condição de devedora do Conselho de 
Fiscalização. 
Os pagamentos devidos, em razão de pronunciamento judicial, pelos 
Conselhos de Fiscalização não se submetem ao regime de precatórios. STF. 
Plenário. RE 938837/SP, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Marco 
Aurélio, julgado em 19/4/2017 (repercussão geral) (Info 861).63 
7.3.5. Situação específica da OAB 
Em relação à OAB, o STF entende que possui natureza sui generis consistindo em um 
serviço público independente, porém não enquadrado no conceito de autarquia nem de qualquer 
modo sujeito a controle da Administração Pública, bem como a contabilidade não precisa ser pública 
e não precisa fazer concurso público. 
2. Não procede a alegação de que a OAB sujeita-se aos ditames impostos à 
Administração Pública Direta e Indireta. 3. A OAB não é umaentidade da 
Administração Indireta da União. A Ordem é um serviço público 
independente, categoria ímpar no elenco das personalidades jurídicas 
existentes no direito brasileiro. 4. A OAB não está incluída na categoria na 
qual se inserem essas que se tem referido como "autarquias especiais" para 
 
62 Obra citada, p. 213. 
63 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Conselhos profissionais não estão sujeitos ao regime de precatórios. 
Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/522e1ea43810e90242942ccc0995dae1>
. Acesso em: 08/08/2022 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 137 
 
pretender-se afirmar equivocada independência das hoje chamadas 
"agências". 5. Por não consubstanciar uma entidade da Administração 
Indireta, a OAB não está sujeita a controle da Administração, nem a qualquer 
das suas partes está vinculada. Essa não-vinculação é formal e 
materialmente necessária. 6. A OAB ocupa-se de atividades atinentes aos 
advogados, que exercem função constitucionalmente privilegiada, na medida 
em que são indispensáveis à administração da Justiça [artigo 133 da CB/88]. 
É entidade cuja finalidade é afeita a atribuições, interesses e seleção de 
advogados. Não há ordem de relação ou dependência entre a OAB e 
qualquer órgão público. 7. A Ordem dos Advogados do Brasil, cujas 
características são autonomia e independência, não pode ser tida como 
congênere dos demais órgãos de fiscalização profissional. A OAB não está 
voltada exclusivamente a finalidades corporativas. Possui finalidade 
institucional. (ADI 3026, Relator(a): EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 
08/06/2006). 
 
O STF considera que as anuidades pagas à OAB pelos advogados inscritos em seu quadro 
sequer são tributos, mas sim uma exação sui generis. 
Vale salientar que o Estatuto da OAB previa que a falta de pagamento da anuidade pode 
ensejar a suspensão da atividade profissional. Ao analisar a questão, o STF entendeu que seria 
inconstitucional, por ser uma medida que consiste em sanção política em matéria tributária. 
Não é dado a conselho de fiscalização profissional perpetrar sanção de 
interdito profissional, por tempo indeterminado até a satisfação da obrigação 
pecuniária, com a finalidade de fazer valer seus interesses de arrecadação 
frente a infração disciplinar consistente na inadimplência fiscal. Trata-se de 
medida desproporcional e caracterizada como sanção política em matéria 
tributária. Há diversos outros meios alternativos judiciais e extrajudiciais para 
cobrança de dívida civil que não obstaculizam a percepção de verbas 
alimentares ou atentam contra a inviolabilidade do mínimo existencial do 
devedor. Por isso, infere-se ofensa ao devido processo legal substantivo e 
aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, haja vista a ausência 
de necessidade do ato estatal. Fixação de Tese de julgamento para efeitos 
de repercussão geral: “É inconstitucional a suspensão realizada por 
conselho de fiscalização profissional do exercício laboral de seus 
inscritos por inadimplência de anuidades, pois a medida consiste em 
sanção política em matéria tributária.” RE 647.885, rel. min. Edson Fachin, 
j. 27-4-2020, P, DJE de 19-5-2020, Tema 732. 
 
Depois do julgado acima, a Lei 14.195/2021 inseriu o parágrafo único ao art. 4º da Lei 
12.514/2011 prevendo expressamente que não é possível a suspensão do exercício profissional 
em razão do inadimplemento de anuidades devidas à entidade de classe: 
Art. 4º (...) Parágrafo único. O inadimplemento ou o atraso no pagamento das 
anuidades previstas no inciso II do caput deste artigo não ensejará a 
suspensão do registro ou o impedimento de exercício da profissão. 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ADMINISTRATIVO 2024.1 138 
 
Perceba que ao analisar o caso, o STF acabou afirmando a natureza tributária das 
contribuições pagas à OAB. Segundo Ricardo Alexandre64, “o Tribunal continuou se referindo à OAB 
como entidade prestadora de serviço sui generis, não integrante da Administração Pública, mas 
desta vez tratou a anuidade por ela cobrada como tributo, ainda que sem explicar o porquê de 
passar a enxergá-la dessa forma”. 
Além disso, conforme entendimento do STF, a OAB não se sujeita à prestação de contas 
perante o Tribunal de Contas nem a qualquer outra entidade externa. 
Tese fixada pelo STF: O Conselho Federal e os Conselhos Seccionais da 
Ordem dos Advogados do Brasil não estão obrigados a prestar contas ao 
Tribunal de Contas da União nem a qualquer outra entidade externa. STF. 
Plenário. RE 1.182.189/BA, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. 
Edson Fachin, julgado em 25/4/2023 (Repercussão Geral – Tema 1054) (Info 
1091). 
 
Por fim, é da justiça federal a competência para as execuções ajuizadas pela OAB. 
Compete à justiça federal processar e julgar ações em que a Ordem dos 
Advogados do Brasil (OAB), quer mediante o conselho federal, quer 
seccional, figure na relação processual. STF. Plenário. RE 595332/PR, Rel. 
Min. Marco Aurélio, julgado em 31/8/2016 (repercussão geral) (Info 837). 
 
Obs.: O Ministro Relator Marco Aurélio fundamentou seu voto 
afirmando que a OAB possui natureza jurídica de "autarquia 
corporativista", o que atrai a competência da Justiça Federal nos 
termos do art. 109, I, da CF/88. Assim, para ele, seria impróprio 
estabelecer distinção em relação aos demais conselhos profissionais 
existentes. Este argumento invocado pelo Min. Marco Aurélio é 
polêmico. Isso porque, como vimos acima, na ADI 3026, o STF decidiu 
expressamente que a OAB não é uma autarquia. Tanto isso é verdade 
que a OAB não é obrigada a fazer concurso público para contratar 
seus funcionários nem está sujeita ao controle do Tribunal de Contas. 
Se ela fosse realmente uma autarquia, estaria vinculada a tais 
obrigações. O Min. Roberto Barroso, logo após o voto do Min. Marco 
Aurélio, afirmou que acompanhava o entendimento de que a 
competência para julgar ações envolvendo a OAB é da Justiça 
Federal, mas que, para ele, a OAB não pode ser considerada como 
entidade da Administração Pública indireta (autarquia), possuindo uma 
natureza jurídica peculiar. Como, no caso concreto, discutia-se tão 
somente a questão da competência, os demais Ministros não teceram 
maiores considerações sobre a natureza jurídica da OAB65. 
 
64 Obra citada, página 113. 
65 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Competência para julgar causas envolvendo a OAB. Buscador Dizer 
o Direito, Manaus. Disponível em: 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
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7.3.6. Autarquias territoriais 
Atualmente, não existe nenhuma autarquia territorial, tendo em vista que não temos no Brasil 
nenhum território. 
Quando um novo território for criado, ele terá natureza jurídica de autarquia. 
7.4. AGÊNCIAS REGULADORAS 
7.4.1. Origem 
A criação das agências reguladoras se deu com o Programa Nacional de Desestatização 
(PND), que permitiu a transferência à iniciativa privada de atividades que o Estado exercia de forma 
dispendiosa e indevida. O intuito foi reduzir os gastos, buscando uma maior eficiência na execução 
das atividades transferidas a entidades privadas. 
7.4.2. Conceito 
As agências reguladoras são autarquias de regime especial, entidades com alto grau de 
especialização técnica, instituídas em razão do fim do monopólio estatal e são responsáveis pela 
regulamentação, controle e fiscalização de serviços públicos, atividades e bens transferidos ao 
setor privado66. 
Como o assunto foi cobrado em concurso? 
(MPE/SP – MPE/SP - 2022): Por definição, as Agências Reguladoras 
destinam-se unicamente à atividade fiscalizatória dos contratos de delegação 
de serviços públicos celebrados pelo Poder Público. Errado! 
A Lei 13.848/2019 disciplinou a gestão, a organização, o processo decisório e o controle 
socialdas agências reguladoras, que enumera as seguintes agências reguladoras na esfera federal 
(art. 2º): 
• Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel); 
• Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP); 
• Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel); 
• Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); 
• Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS); 
• Agência Nacional de Águas (ANA); 
• Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq); 
 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/2647c1dba23bc0e0f9cdf75339e120d2>. 
Acesso em: 08/08/2022 
66 MARINELA, Fernanda. Obra citada, p. 247. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
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• Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT); 
• Agência Nacional do Cinema (Ancine); 
• Agência Nacional de Aviação Civil (Anac); 
• Agência Nacional de Mineração (ANM). 
7.4.3. Regime especial 
A agência reguladora possui maior estabilidade e independência em relação ao ente que 
as criou, tendo em vista: 
• A despolitização (ou desgovernamentalização), conferindo tratamento técnico e 
maior segurança jurídica ao setor regulamentado; e 
• A necessidade de celeridade e tecnicidade na regulamentação de determinadas 
atividades específicas. 
A investidura dos dirigentes das agências reguladoras é especial, isto porque a nomeação 
não é livre. Significa que a nomeação feita pelo Presidente da República depende da aprovação do 
Senado Federal. 
Os dirigentes das agências reguladoras gozam de mandatos com prazo fixo de 5 anos 
(norma geral) e só saem de seus cargos mediante renúncia, processo administrativo 
(contraditório e ampla defesa) ou condenação judicial. Além disso, os dirigentes que deixam os 
seus cargos devem cumprir um período de quarentena, ficando impedido para o exercício de 
atividades ou de prestar qualquer serviço no setor regulado pela respectiva agência, por seis 
meses, contado da exoneração ou do término do seu mandato. 
Obs.: O STF (ADI 1949) considera inconstitucionais as disposições 
que condicionam a destituição dos dirigentes da agência reguladora 
estadual somente à decisão da Assembleia Legislativa. No mesmo 
julgado, o STF afirmou que, da mesma forma, não se pode deixar a 
exoneração de tais dirigentes exclusivamente ao critério discricionário 
do Chefe do Executivo, pois isso também ofenderia a desejada maior 
independência que deve ser concedida às reguladoras. 
 
 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TJ/SP – VUNESP - 2023) As Agências Reguladoras levam ao estudo da 
regulação e da autorregulação. Com relação a estes temas, é correto afirmar 
que a regulação estatal, dotada de autoridade, está presente nas Agências 
Reguladoras, enquanto a autorregulação, que se caracteriza como espécie 
de regulação, mas não com a ausência desta, é exercida pelos próprios 
agentes regulados. Correta! 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
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(PC/PR – UFPR - 2021): Legislação estadual pode condicionar a nomeação 
de dirigente de autarquia ou fundação à aprovação prévia da Assembleia 
Legislativa local. Errado! 
 
O STF foi provocado a se manifestar sobre a constitucionalidade de dispositivos da Lei 
10.871/2004, que proíbem que os servidores efetivos das agências reguladoras exerçam outra 
atividade profissional ou que ocupem cargos de direção político-partidária. Confira como se 
posicionou a Corte: 
A Lei nº 10.871/2004 — no ponto em que veda o exercício de outra atividade 
profissional, inclusive gestão operacional de empresa ou direção político-
partidária, com exceção dos casos admitidos em lei — assegura a 
observância dos princípios da moralidade, da eficiência administrativa e da 
isonomia, e constitui meio proporcional apto a garantir a indispensável 
isenção e independência dos servidores ocupantes de cargos efetivos das 
agências reguladoras. 
Tese fixada pelo STF: 
É constitucional norma legal que veda aos servidores titulares de cargo 
efetivo de agências reguladoras o exercício de outra atividade profissional, 
inclusive gestão operacional de empresa, ou de direção político-partidária. 
STF. Plenário. ADI 6033/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 6/3/2023 
(Info 1085). 
7.4.4. Poder normativo das agências e deslegalização67 
No Brasil, a legislação confere às agências reguladoras poder para editar atos 
administrativos normativos, dotados de conteúdo técnico e respeitados os parâmetros legais, no 
âmbito do setor regulado. Assim, a ideia é despolitizar o respectivo setor, retirando do âmbito político 
e transferindo ao corpo técnico da agência a atribuição para normatizar a atividade regulada. 
Há na doutrina divergência quanto à constitucionalidade e à extensão do poder normativo 
conferido às agências reguladoras. 
• 1ª Corrente (Celso Antônio Bandeira de Mello): o poder normativo amplo das 
agências reguladoras é inconstitucional, tendo em vista a violação aos princípios 
constitucionais da separação dos poderes e da legalidade, sendo vedada a 
criação de direitos e obrigações por meio de atos regulatórios editados com 
fundamento em delegação legislativa inominada. Entende que os atos normativos 
das agências reguladoras são infralegais e restringem-se à sua organização e 
funcionamento interno; 
• 2ª Corrente (Maria Sylvia Zanella Di Pietro): apenas a ANP e a ANATEL, dada 
a previsão constitucional, têm competência normativas amplas, pois as demais 
agências não são definidas na CF/88 e foram criadas apenas a partir das leis. 
Entretanto, ainda assim, para a autora e para o STF, os atos sempre estarão em 
 
67 CASTRO, Renério Jr. Obra citada, p. 250 e ss. 
http://www.iceni.com/infix.htm
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patamar inferior às leis, as quais são os veículos normativos hábeis a inovar o 
ordenamento; 
• 3ª Corrente (Rafael Carvalho Rezende Oliveira): as agências reguladoras 
podem exercer poder normativo, com caráter técnico, no âmbito de suas 
atribuições, respeitado o princípio da juridicidade. As normas editadas pelas 
agências reguladoras não podem ser classificadas como “autônomas” fruto de 
delegação legislativa inominada, pois encontram fundamento na lei instituidora 
da entidade regulatória que estabelece os parâmetros que deverão ser 
observados pelo regulador. A prerrogativa normativa das agências funda-se na 
releitura do princípio da legalidade; 
• 4ª Corrente (José dos Santos Carvalho Filho): defende a constitucionalidade 
do poder normativo técnico e ampliado reconhecido às agências reguladoras que 
poderão editar atos normativos, respeitados os parâmetros legais, em razão do 
fenômeno da deslegalização. 
Na jurisprudência do STF encontramos as seguintes decisões acerca do poder normativo 
das agências reguladoras: 
a) Fixou a orientação de que o poder normativo da ANATEL é de natureza estritamente 
regulamentar, devendo, por isso, observância aos parâmetros legais. Na ocasião, 
afastou a tese da deslegalização (ADI 1668/DF); 
b) Já afirmou a constitucionalidade de dispositivos legais que conferem à ANVISA 
atribuição para estabelecer normas, propor, acompanhar e executar políticas, as 
diretrizes e as ações de sua área de atuação; 
c) As agências reguladoras possuem competência para regulação setorial com atos 
normativos gerais e abstratos, de caráter técnico e com obediência aos parâmetros 
fixados na ordem constitucional e na legislação setorial (ADI 4874). 
Obs.: De acordo com o STJ (AgRg no AREsp. 825.776/SC), não há 
violação ao princípio da legalidade na aplicação de multa prevista em 
resoluções criadas por agências reguladoras, haja vista que elas 
foram criadas no intuito de regular, em sentido amplo, os serviços 
públicos, havendo previsão na legislação ordinária delegando à 
agência reguladora para a edição de normas e regulamentos no seu 
âmbito de atuação. 
d) É constitucional a competência da

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