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MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 1 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com (Introdução à LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE DESENHO MECÂNICO) (Mecânica Básica) Com exercícios voltados para exames de seleção em indústrias (Apostila completa) MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 2 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 3 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com ► CAPÍTULO 1 – A IMPORTÂNCIA DO DESENHO TÉCNICO Imagine que você trabalha em uma grande empresa e como contato do cliente, ele pede que você faça uma peça com as seguintes características: que venha, desça, faça uma curva, suba e finalmente faça clic. Obviamente que seria bastante difícil fabricar um produto nestas condições. Conclui-se que verbalmente é complicado ou arriscado confeccionar algo que satisfaça integralmente as necessidades do cliente por meio verbal. Mas digamos que o cliente traga uma fotografia da peça. Agora seria possível fabricá-la? Obviamente que não, pois temos a imagem externa (circular, quadrada), mas uma foto não nos mostra detalhes dentro da peça como ranhuras ou roscas. Vamos tentar mais uma vez. E se o cliente lhe trouxesse um modelo da peça e dissesse que deseja uma igualzinha. E agora? Veja que desta vez você conhece o formato externo do produto, pode verificar os detalhes internos, tem como dimensioná-la, etc. É possível fabricá-la? Muito provavelmente sim, mas digamos que esta peça seja, por exemplo, um eixo de navio ou ainda um parafuso das engrenagens de um relógio? O que se quer apresentar aqui, é que pelas condições especiais de cada produto, a confecção via modo verbal, imagem ou mesmo uma amostra (devido ao seu tamanho ou bastante grande ou suficientemente pequeno), é arriscado produzir algo que realmente obedeça às especificações. É aí que entra o Desenho Técnico Mecânico. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 4 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com IMPORTANTE Algumas coisas em desenho são de livre criação do desenhista. Outras, por sua vez, são normatizadas, logo, estão atreladas às leis que dizem como deve ser composta. NORMAS SÃO FEITAS PARA SEREM SEGUIDAS e não são facultativas. O mínimo que se espera de um profissional técnico em mecânica é que siga SEMPRE as normas indicadas. Seguindo os parâmetros normatizados, pode-se conhecer seu formato, suas características especiais e desenhá-la em formato reduzido ou ampliado, conforme o caso. Ler um desenho significa entender a forma espacial do objeto representado. Desenho Técnico então, é um tipo de representação gráfica utilizado por profissionais da mecânica e deve transmitir com exatidão todas as características do objeto que representa. Para conseguir isso o desenhista deve seguir regras estabelecidas previamente chamadas Normas Técnicas. Quando o desenho técnico chega pronto às mãos do profissional que vai executar a peça, este profissional deve ler (interpretar) o desenho técnico para que possa executá-la. Para tanto, é necessário conhecer as normas técnicas que formatam os desenhos técnicos. Como em outros países, existe no Brasil uma associação que estabelece, fundamenta e regulamenta as normas referentes ao desenho técnico. Esta entidade chama-se ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. O principal pré-requisito para fazer interpretação de um desenho é estar familiarizado com as linhas de construção, suas aplicações e disposição de vistas resultantes das projeções e rebatimentos. Mas antes, vamos ver a chamada centralização das faces preferenciais. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 5 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com ► CAPÍTULO 2 – CENTRALIZAÇÃO Atualmente o desenho puramente técnico feito com uso de réguas, escalas, grafites e pranchetas, está relegado ao segundo plano. Isto deve-se ao fato do avanço tecnológico e da popularização dos programas de computador CAD (Computer Aided Design ou Desenho Auxiliado por Computador). Atualmente existe uma gama de programas CAD, mas os mais conhecidos são o Autocad e o Solid Works. Com isto, o profissional além de conhecedor das técnicas de construção deve estar familiarizado com a informatização. Seguindo esta linha de raciocínio, está cada vez mais difícil as empresas pedirem a um candidato que desenhe determinado produto utilizando lápis e papel. Mas se o fizer, este desenho deverá conter o mínimo de informações, além de visualmente se apresentar o mais técnico possível. Este desenho sem todas as técnicas necessárias chama-se Croquis (não entraremos no mérito da definição do que é esboço e rascunho) enfatizando que NUNCA se faz desenho técnico mecânico à mão livre. SEMPRE utiliza-se o recurso da régua. Inicialmente, vamos tratar da centralização do desenho e para isso entramos no primeiro conceito: estes desenhos serão chamados de faces. Faces então é representação gráfica dos lados do produto em formato 2D, ou seja, espaço bidimensional (comprimento e largura). A partir de agora até o fim deste módulo, você fará um desenho por folha obedecendo a direção que desejar para a confecção do desenho. Estas direções podem ser no modo Retrato ou Paisagem. O desenho que faremos será conforme abaixo, especificamente faces 1, 2 e 3. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 6 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Folha Para Desenho Como vamos desenhar com uso de lápis, borracha, etc., é interessante saber que há uma norma que especifica o espaço a ser utilizado em uma folha de desenho. Esta norma é a NBR 10068/01. As especificações são as seguintes: Como vamos utilizar as folgas de desenho sempre em nossos estudos, é conveniente ao aluno que faça uma folha padrão e tire várias cópias. Veja como fazer para folha A4. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 7 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com face 3 face 1 face 2 Há outro leiaute que pode ser utilizado e é interessante quando se quer localizar uma cota no desenho. Chama-se sistema de referência por malha. Este modelo é bastante difundido, mas existe algumas particularidades a serem seguidas. O número de colunas e linhas fica a critério do desenhista baseado na criticidade da peça a ser desenhada, porém, a norma especifica que seja par. A NBR 10068/01 que especifica Leiaute e Dimensões para Folhas de Desenho, deixa a revelia do desenhista a posição a ser utilizada (retrato ou paisagem). Vamos exemplificar em formato retrato a centralização das faces dadas. Elas terão no final queficar assim: MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 8 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Desenhando face 1 Note no esboço acima, que as três faces estão contornadas por um retângulo tracejado. Faça isso em sua folha a fim que você também possa controlar a centralização. Este tracejado será utilizado somente neste esboço. No restante dos desenhos, isto deverá ser feito mentalmente. A face 1 é apenas uma figura retângulo, portanto, faça-a com tamanhos de comprimento e largura que bem lhe aprouver obedecendo, lógico, espaços para as outras faces. Se for possível, use um lápis com grafite grosso (tipo B). Desenhando face 2 Aqui agora cabe um cuidado maior que deverá ser sempre seguido. Estas são as regras: Note que a face 2 também é um retângulo só que com altura menor que a face 1. Desenhe então a face 2 com uma altura menor que usada na face 1. Isto chama-se tombamento ou rebatimento da peça. A seta mostra o lado na face 2 que você estará vendo na face 1. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 9 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com A distância entre a face 1 e face 2 também é definida pelo desenhista, mas ela é importante, por isso, deixe um espaço de tamanho razoável. Utilize seu bom senso. Lembre-se, o desenho tem de estar apresentável aos olhos do observador. A face 2 significa que estamos vendo o produto sob outro ângulo, mas a medida de comprimento escolhida por você na face 1, não se altera. As linhas devem estar na mesma direção. Desenhando face 3 Esta face em especial, é de grande importância na compreensão da interpretação do desenho, pois ela trata do rebatimento da face 1 com a face 3 em termos de comprimento. Eis as regras: O espaço deixado entre a face 2 e face 3 deve ser o mesmo deixado entre a face 1 e 2. A altura da face 3 não se altera em relação à face 2, ou seja, tem de estar na mesma direção. Já o comprimento da face 3 (é aqui a parte importante) devido ao processo de rebatimento, é a altura da face 1. Seu desenho deve estar assim confeccionado. Se não ficou a contento, use a folha seguinte para refazer seu desenho. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 10 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 11 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com ► CAPÍTULO 3 – LINHAS (Especificação e uso) Antigamente, quando não havia softwares de desenho disponíveis no mercado, o nome das linhas e sua utilização eram de suma importância, pois era obrigatório o uso de espessuras de grafite para cada tipo de linha (em geral H, HB e B). O H significa Hardness, ou seja, a dureza do grafite. O B significa Blackness, ou seja, a negritude do grafite. O HB é o intermediário. Hoje em dia, justamente pela disposição facilitada dos programas CAD (pois os mesmos já vêm com as espessuras prontas), o nome das linhas passou a ser de cunho secundário. No entanto, não houve mudança quanto à sua utilização logo, seu conhecimento é imprescindível. Para efeitos de nosso estudo vamos priorizar a denominação de linhas quanto sua utilização. A norma que especifica os tipos de linhas e sua utilização é a NBR 8403/84. Faça o desenho conforme descrito abaixo obedecendo aos comprimentos e larguras como descritos no capítulo 2. Linhas de Contorno Visíveis Estas linhas são chamadas de CONTÍNUAS GROSSAS (lápis B) e representam as linhas de contorno ou arestas VISÍVEIS. Por que elas têm esse nome? Se você imaginar uma peça, estas linhas representariam as bordas da peça, logo, você as vê e por isso, visíveis. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 12 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Linhas de Contorno Não Visíveis Note na face 1 que existem círculos descentralizados. Estes círculos são furos na peça (diz-se furações) que não deixam claro que se a peça foi furada inteiramente ou até certa profundidade. Em desenho técnico, é necessário identificar isso nas faces 2 e 3. Como fazê-lo? Vamos estabelecer que um dos furos foi feito até certa profundidade e em outro a peça foi furada totalmente. É de se imaginar que ao tombar (rebater) a face 1 para face 2 NÃO SEJA MAIS POSSÍVEL VER OS FUROS, porém eles não deixaram de existir só por causa do rebatimento. Devido a isso, a linha em questão tem de ser TRACEJADA. Perceba que as linhas tracejadas estão na mesma direção das arestas dos furos. Conforme já explicado, apesar do rebatimento feito para outra face, certas medidas não mudam de tamanho. É igualmente o caso destes diâmetros. Note também que no primeiro furo as linhas tracejadas são interrompidas. Já no segundo furo, elas vão de ponta a ponta da peça. Estas furações são chamadas de NÃO PASSANTE e PASSANTE. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 13 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Estas linhas também possuem nome, no caso, TRACEJADAS ESTREITAS e sua espessura é média (lápis HB). Elas representam as linhas de contorno ou arestas NÃO VISÍVEIS, justamente porque não é possível ver o contorno das furações nesta face. Na face 3 estas furações também não deixaram de existir e deverão também estar representadas por linhas não visíveis. Diferentemente da face 2, onde você rebateu a face 1 e desenhou as linhas na mesma reta dos furos, a face 3 tem algumas considerações que devem ser observadas. 1º Tombando a face 1 para face 3, tente imaginar onde estão os furos. Se assim fizer, você vai notar que eles se sobrepõem. 2º Escolha o furo 2 digamos, e meça na face 1 quanto tem da borda da face até a aresta do furo. Pegue esta medida e faça o tracejado de cima até em baixo. 3º Veja quanto você deixou de diâmetro e coloque essa linha também. 4º Repita essa operação com o furo não passante (furo 1). MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 14 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Linhas de Centro e Centro Simetria Outras linhas importantíssimas em interpretação de desenho são as linhas de CENTRO e CENTRO e SIMETRIA, pois são a partir delas que se estabelecem as cotas para confecção dos furos com uso de brocas. Linhas de centro nada mais são que linhas TRAÇO-PONTO ESTREITAS finas (lápis H) que passam apenas por um centro, sem qualquer outra linha traço-ponto na mesma direção. Linhas de centro e simetria também são do tipo traço-ponto estreitas, mas há outra linha similar (simétrica) em sua direção. Linhas de Chamada Uma linha que muitas vezes passa despercebida é a linha de CHAMADA. Normalmente ela é indicativa de alguma característica especial.Estas também são linhas de Centro e Simetria, pois elas passam pelo centro de ambos os diâmetros. Resumo: Linha de Centro passa por um único centro. Linhas Centro e Simetria passam por dois ou mais centros. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 15 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Linhas de Cota e Auxiliar de Cota Por fim, chegamos aos dois tipos de linhas que são as de COTA e AUXILIAR DE COTA. Estas linhas são CONTÍNUAS ESTREITAS (lápis H) e determinam as medidas que a peça possui. Veja o resumo das linhas vistas até aqui. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 16 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com 1) Dê a utilização das linhas indicadas pelas respectivas letras. A = ____________________________________ B = ____________________________________ C = ____________________________________ D = ____________________________________ E = ____________________________________ F = ____________________________________ G = ____________________________________ H = ____________________________________ I = _____________________________________ J = _____________________________________ K = ____________________________________ MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 17 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Página 16 a) Contorno Visível b) Contorno Invisível c) Centro e Simetria d) Linha de Centro e) Contorno Invisível f) Auxiliar de Cota g) Linha de Cota h) Contorno Visível i) Centro e Simetria j) Linha de Centro k) Contorno Invisível MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 18 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Aqui é como se você estivesse vendo a parte de cima da peça (digamos vista 1). Em Engenharia Civil, quando é mostrado o desenho do apartamento, por exemplo, ela é chamada de planta, logo, esta vista chama-se SUPERIOR ou PLANTA. 1º DIEDRO A – Vista Frontal B – Vista Superior C – Lateral Esquerda D – Lateral Direita E – Vista Inferior F – Vista Posterior ► CAPÍTULO 4 – FACES DO DESENHO Em geral muitos produtos são desenhados com três vistas ou faces, mas não é imperativo que seja sempre assim. Obviamente que tudo dependerá de um sem número de fatores, especialmente a quantidade de características dimensionais. Quanto mais características o produto tiver, mais detalhes será necessário mostrar. A NBR 10067/95 estabelece dois métodos de projeção ortográfica: 1º Diedro e 3º Diedro. 1º Diedro Os chamados Diedros têm sua origem na matemática, mais especificamente nos quadrantes do círculo trigonométrico. O 1º Diedro é o que se situa no primeiro quadrante, ou seja, nos ângulos de 0º a 90º. Já o 3º Diedro está no terceiro quadrante de 180º a 270º. O Brasil, assim como a Europa e Ásia costuma usar preferencialmente o primeiro Diedro em suas projeções. Diedro então é definido como junção de dois semiplanos perpendiculares entre si. Vamos ver um esquema para ver como funciona isso. Abaixo foi colocada uma figura em perspectiva Isométrica (3D) para facilitar o entendimento. Em seu caderno de exercícios, você desenhará as vistas desta figura em 2D a fim de nomear as faces, conforme segue. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 19 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Aqui a face superior recebeu o tombamento ou rebatimento para cima (face 2), como mostra a seta. É como se você estivesse vendo a peça vista de frente, logo, receberá o nome de FRONTAL ou ELEVAÇÃO. A face de elevação foi tombada para o lado direito mostrando o perfil esquerdo da peça (vista 3). Esta vista chamar-se-á LATERAL ESQUERDA. Não é necessário que sejam três faces, podem ser mais ou menos vistas conforme a complexidade do perfil, mas em geral, estas três apresentam boa parte do que pede um produto. Neste caso estas vistas são chamadas de vistas PREFERENCIAIS. Esquematicamente, um automóvel em 1º Diedro seria visto assim. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 20 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Simbologia para 1° Diedro Simbologia para 3° Diedro 3º DIEDRO A – Vista Frontal B – Vista Superior C – Lateral Esquerda D – Lateral Direita E – Vista Inferior F – Vista Posterior 3º Diedro Não daremos ênfase ao 3º Diedro, visto que em pouquíssimos lugares do mundo seu uso é preferencial (Estados Unidos e Canadá), mas a título de compreensão, a figura abaixo ilustra esta projeção. Note que as designações de vista são as mesmas do 1º Diedro, o que muda é a forma de rebatimento das vistas. Resumo Simbologia No futuro, estaremos falando sobre Legendas e as informações contidas nelas. No momento, guarde a informação que todos os desenhos devem vir identificados qual intenção do Diedro o produto foi desenhado. Para tanto, utiliza-se das seguintes simbologias: Note que o 1º Diedro apresenta a face de elevação e a lateral esquerda, enquanto que o 3º diedro mostra face de elevação e lateral direita. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 21 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Face Principal do Desenho Outro fator de bastante importância para conhecimento do aluno é qual das vistas apresentadas é considerada a vista Principal do Desenho. As normas de desenho não fazem menção a este assunto, logo, é da revelia do desenhista definir qual face será a principal. Veja o exemplo abaixo. Uma destas três vistas é a face principal deste desenho. Observando atentamente você saberia identificar qual é? Se você disse que é a lateral esquerda, acertou. Mas por quê? Perceba que ela possui uma coisa que não existe na superior e nem na elevação. Ela tem duas cotas (pode chamar de medida, cota ou característica). Portanto, Face Principal de um desenho é aquela que possuir a maior quantidade de características. Lógico que elas devem estar bem distribuídas e o bom senso deve igualmente prevalecer na cotagem. CURIOSIDADE A representação de uma figura no espaço pelas suas projeções no plano, chama-se ÉPURA. Esta é uma grande dificuldade dos desenhistas iniciantes. Não é fácil ver uma figura como ela é e transformá-la para o plano, bem como o inverso, (verificar um desenho em projeção Ortogonal e vê-la de forma Tridimensional). MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 22 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com 1) Dê o nome das faces apresentadas _____________________________________________ 2) Indique a utilizaçãodas linhas indicadas pelas letras: A H B I C J D K E L F M G N MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 23 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com 3) Responda o que pede. a) Este desenho se apresenta em 1º ou 3º Diedro? __________________________________ b) Qual das faces é considerada face Principal do desenho? ___________________________ MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 24 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Páginas 22 e 23 Exercício 1 Superior ou Planta e Frontal ou Elevação. Exercício 2 a) Centro e Simetria b) Chamada c) Centro e Simetria d) Contorno Invisível e) Centro e Simetria f) Cota g) Auxiliar de Cota h) Centro e Simetria i) Auxiliar de Cota j) Centro e Simetria k) Contorno Visível l) Chamada m) Centro e Simetria n) Contorno Invisível Exercício 3 a) 3º Diedro b) Face 3 MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 25 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com ►CAPÍTULO 5 – REBATIMENTO A Projeção Ortográfica é uma forma de representar graficamente objetos tridimensionais em superfícies planas de modo a transmitir suas características com precisão e demonstrar sua verdadeira grandeza. Isto esse faz através do rebatimento da peça. Rebatimento O rebatimento é um método descritivo que consiste em fazer um plano coincidir com um dos planos de projeção através da rotação em torno de um eixo. É lógico que você concebe perceber que cada produto pode ter as mais diversas formas e, muito obviamente, medidas diferentes. Nos exercícios passados, treinamos um primeiro passo de rebatimento. Esse rebatimento ou tombamento representa o lado do produto o qual está sendo apresentado. Isto, para muitas pessoas, é um processo complicadíssimo, pois solicita que seu cérebro gire a peça no espaço, ou seja, seu cérebro precisa “ver” primeiro e desenhar depois. Vamos a um exemplo. O modelo ao lado é o chamado 3D (espaço tridimensional) ou Projeção Axonométrica. Ele nos mostra como de fato a peça apresenta aos olhos do observador. Mas se tivéssemos que desenhá-la tecnicamente isto deveria ser em 2D (espaço bidimensional – Projeção Ortogonal) e ela seria pouco ou quase nada diferente do exemplo feito no capítulo anterior. O rebatimento é justamente isso, desenhar cada um dos lados observando a peça como se vista sob aquela face. Neste outro exemplo, vemos como a peça deveria ser desenhada nas três faces (ortogonal). Este é um processo que requer exercício do cérebro em geometria espacial. É preciso ver a peça em 2D (sem o uso de profundidades como em 3D). Por enquanto, nosso foco é fazê-lo entender o rebatimento da peça em 2D. Agora faça os exercícios que seguem. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 26 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com 1) Complete com a vista que falta. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 27 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Página 26 MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 28 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com A NBR 10126/87 define estes três tipos de linhas de indicação de limites. Podem ser setas fechadas (A), abertas (B) ou ainda um traço oblíquo curto inclinado a 45º. Convenientemente estabelece-se para desenhos mecânicos, que a seta seja do tipo A, fechada e preenchida. ► CAPÍTULO 6 – COTAGEM A NBR 10126/87 define cotagem como a representação gráfica no desenho da característica do elemento através de linhas, símbolos, notas e valor numérico em uma unidade de medida. Em primeira instância, deve-se atentar para os seguintes detalhes. Posição Note que as cotas SEMPRE estão sobre a linha de cota e dentro das auxiliares de cota. A única exceção é quando a cota não cabe dentro das auxiliares devido à pouca área no desenho. Neste caso, a linha de cota pode atravessar as auxiliares, ficando as setas e a cota por fora das auxiliares. Quanto às auxiliares de cota, estas não devem tocar a peça a não ser que seja extremamente necessário, como mostra a figura que segue. A norma não especifica esta observação, porém, excesso de cotas sobrepondo as linhas do desenho poluem e dificultam o entendimento. Setas MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 29 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Redundância de Informações Note na figura abaixo, que foram colocadas as medidas parciais de comprimento e depois a medida total. Isto caracteriza-se como excesso de informação (redundância), logo, NÃO SE FAZ. Ou se coloca a medida total e saca uma das cotas ou deixa as cotas e tira a medida total. Veja este exemplo. Se a cota de Ø 27,8 mm for colocada na face de elevação, ela NÃO deve ser colocada na face de lateral esquerda e vice e versa. Isto fica à revelia do desenhista, porém, somente em uma das faces. Ainda referente a este desenho, se a face escolhida para cotagem do diâmetro for a elevação, esta medida deve vir precedida do símbolo de diâmetro ( Ø ). Porém se a face escolhida for a lateral esquerda, não se usa colocar o símbolo de diâmetro visto que a figura já mostra ser circular (redundância). Medidas Ocultas Veja o desenho que segue. A unidade para estas medidas é o mm. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 30 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com X = 3 mm Neste exemplo com diâmetros descentralizados, o que se deseja saber é o valor resultante de X. Basta então subtrair 24 de 11,5 e obteremos 12,5 mm como resposta. X = 11,5 mm Para se achar o valor de X subtrai-se o maior valor do menor valor. O resultado ficará sendo 6. Mas 6 é valor da parte superior ( X ) com a parte inferior. Como deseja-se saber somente a superior, basta dividir pela metade. A resposta será 3 mm. Observe agora este outro exemplo. Imagine que o desenho peça que você dimensione a característica de 53 mm. Note que ela vai de centro a centro do FURO OBLONGO. Aqui deve-se proceder da seguinte forma: a) Medir o rasgo de aresta a aresta. Digamos que o valor encontrado foi 66 mm. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 31 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Resposta: 53 mm b) Os valores a serem encontrados agora são os da região marcada como na figura abaixo. c) Para achar o valor de A e B, pega-se a altura 13 mm e verifica-se se realmente estácom 13 mm. Imaginemos que de fato esteja na medida nominal. Se a cota de 13 for levada até a região do círculo, ela se torna um diâmetro. Metade do diâmetro é raio, logo, metade de 13 é 6,5 mm tanto para A como para B. d) Subtraindo 66 - 6,5 de A - 6,5 de B = 53. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 32 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com 1) Calcule as cotas indicadas pelas letras. Use mm. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 33 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com 2) Indique os valores para as respectivas letras. Use mm. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 34 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com 3) Responda o que pede. Use mm. 1 Qual o emprego das linhas indicadas pelas letras: E F G H I 2 Qual é a dimensão total de A? 3 Qual é a dimensão total de B? 4 Qual é a espessura da peça? 5 Qual é o diâmetro dos furos? 6 Qual é a distância entre os centros dos dois furos superiores e o eixo de simetria da peça? 7 Dê a distância entre os centros dos dois furos superiores. 8 Qual é o raio das duas partes redondas superiores da peça? 9 Qual é o raio da parte curva inferior da peça? 10 Qual é o tipo de linha usado para indicar simetria da peça? 11 Determine qual é a distância D. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 35 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com 4) Responda o que pede. Use mm. a Dê o nome da vista apresentada. b Qual o formato da peça? c Qual o maior diâmetro? d Quantos Ø externos aparecem? e Qual o comprimento total da peça? f Qual a profundidade do furo de Ø 15 mm? g Qual o comprimento da peça cujo Ø é de 36 mm? h Quais as letras que indicam linhas de contorno visíveis? i Qual tipo de linha é indicado pelas letras B e D? j Qual letra indica linha de Centro e Simetria? k Dê o comprimento da peça que tem 45 mm de diâmetro MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 36 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Páginas 33 a 35 Exercício 1 a) 42 mm b) 22 mm c) 22 mm d) 10,5 mm e) 55 mm f) 30 mm g) 64 mm h) 18 mm Exercício 2 a) 12 mm b) 16 mm c) 11 mm d) 12 mm e) 7 mm f) 78 mm g) 23 mm h) 45° i) 30 mm j) 40 mm Exercício 3 1) E) Centro e Simetria F) Contorno Visível G) Linha de Cota H) Auxiliar de Cota I) Centro e Simetria 2) 85 mm 3) 98 mm 4) 8 mm 5) 13 mm 6) 35 mm 7) 70 mm 8) 14 mm 9) 16 mm 10) Traço-ponto 11) 5 mm Exercício 4 a) Superior ou Planta ou Frontal ou Elevação b) Cilíndrica c) Ø 45 mm d) 4 mm e) 93 mm f) 15 mm g) 20 mm h) C e A i) Contorno Invisível j) E k) 8 mm MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 37 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Gaspard Monge ► CAPÍTULO 7 – PROJEÇÕES E PERSPECTIVAS O desenho técnico, tal como o entendemos hoje, foi desenvolvido graças ao matemático francês Gaspard Monge (1746-1818). Os métodos de representação gráfica que existiam até aquela época não possibilitavam transmitir a ideia dos objetos de forma completa. Monge criou um método que permite representar, com precisão, os objetos que têm três dimensões (comprimento, largura e altura) em superfícies planas, como por exemplo, uma folha de papel, que tem apenas duas dimensões (comprimento e largura). Esse método, que passou a ser conhecido como método mongeano, é usado na geometria descritiva. A norma de define os tipos de perspectivas que devem ser usadas em desenho mecânico é a NBR 10209-2/05. O desenho técnico de um objeto é expresso por meio de Projeções e Perspectivas (do latim Perspicere – ver através de). Estas perspectivas podem ser dividias em Projeções Ortogonais ou Axonométricas MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 38 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Projeções Ortogonais (2D) São as mais utilizadas em desenho técnico mecânico devido sua facilidade de cotagem e interpretação. Sua desvantagem está em não mostrar como a peça realmente é aos olhos do observador. As Projeções Ortogonais dividem-se em 1º e 3º Diedros. Projeções Axonométricas (3D) São pouco usadas em desenho mecânico no que se refere à parte técnica. Sua desvantagem está na interpretação do desenho devido às linhas auxiliares atravessarem a peça como se ela fosse transparente. Isto acaba por poluir visualmente o desenho e prejudicar o entendimento de onde estão partindo as cotas. Por ter a vantagem de mostrar a peça como ela é vista aos olhos do observador, usualmente é colocada em uma das extremidades da folha de desenho, apenas como ilustração. Em áreas que exijam montagem de componentes, o uso da projeção Axonométrica com vista explodida é bastante requerida. As Projeções Axonométricas dividem-se em Perspectiva Cavaleira e Perspectiva Isométrica. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 39 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Perspectiva Cavaleira A origem do nome cavaleira é duvidosa. Alguns afirmam que provém do nome dado a um tipo de construção alta (Cavalier) que existia em certas fortificações militares no século XVI. Outros, que o nome deriva dos trabalhos do matemático italiano Bonaventura Cavalieri. A perspectiva cavaleira caracteriza-se por mostrar a peça como vista de frente enquanto suas diagonais partem em ângulo. Este ângulo pode ser 30º, 45º ou 60º. Perspectiva Isométrica Entre as perspectivas paralelas, a Isométrica é a mais comum de ser utilizada na área mecânica. Sua desvantagem está que círculos e arcos são trabalhosos de se construir com o compasso devido sua forma elíptica. Caracteriza-se basicamente por três eixos (X, Y e Z) fazendo entre si ângulos de 120º. Em síntese, pode-se deixar os eixos X e Y a 30º do plano horizontal, enquanto que o eixo Z não altera seu ângulo, mas perfaz 90º em relação ao plano horizontal. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 40 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Traçar os eixos isométricos usando esquadros e transferidor de graus. Como estas linhas são construtivas, inicialmente utilize lápis fino (H). Marque nos eixos as dimensões do desenho (comprimento, largura e altura) nas linhas mestras. Cuidado com os eixos de 30º e 60º. São eles que farão a base para separtir em linhas paralelas. Agora trace retas paralelas como no exemplo da figura que segue: linha 1 com traçado 1, linha 2 com traçado 2 e assim por diante. Vamos construir a peça ao lado em Perspectiva Isométrica. Acompanhe passo a passo e perceba que o que existe são apenas retas paralelas umas às outras. Exercitando Passo 1 Passo 2 Passo 3 MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 41 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com O passo seguinte é marcar as dimensões parciais da peça. Feito isso, completar com retas paralelas (da mesma maneira conforme descrito no passo 3) o volume da peça. Reforce as linhas principais (contornos visíveis) preferencialmente com lápis B. Limpe as linhas de construção e o desenho estará terminado. Passo 4 Passo 5 Passo 6 Passo 7 MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 42 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com 1) Baseando na perspectiva Ortogonal, indique qual das perspectivas Isométricas é a correta. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 43 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com 2) Responda o que pede. Use mm. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 44 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com 1 Utilizando-se das vistas, indique a letra de cada uma das linhas. Linha de Centro e Simetria Linha de Contornos Visível Linha de Chamada Linha Auxiliar de Cota Linha de Contorno Invisível Linha de Cota 2 Qual o nome das vistas apresentadas? 3 Qual o Ø externo da parte cilíndrica superior? 4 Qual o comprimento do rasgo alongado? 5 Qual a dimensão do raio do arco A? 6 Qual a dimensão do raio do arco B? 7 Qual o comprimento total da peça? MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 45 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com 3) Responda o que pede. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 46 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com 1) Comprimento total________________ 2) Altura A _______________________ 3) Largura B ______________________ 4) Altura C _______________________ 5) Cota D ________________________ 6) Altura total _____________________ 7) Cota E _________________________ 8) Cota F _______________________ 9) Comprimento Nervura ___________ 10) Espessura Nervura _____________ 11) Acabamento __________________ 12) Material _____________________ 13) Porcentagem Carbono __________ 4) Dado as faces de projeção Ortogonal, desenhe a perspectiva Isométrica. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 47 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Páginas 42 a 46 Exercício 1 a) C b) A c) C d) D e) B Exercício 2 1) E,C D A F H G 2) Planta e Elevação 3) 29 mm 4) 57 mm 5) 4 mm 6) 20,5 mm 7) 112,5 mm Exercício 3 1) 126 mm 2) 108 mm 3) 94 mm 4) 26 mm 5) 50 mm 6) 158 mm 7) 25 mm 8) 28 mm 9) 105 mm 10) 14 mm 11) Ra 6,3 12) Aço 1030 13) 0,3% (1030) Exercício 4 MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 48 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Rosca Whitworth (polegada) Rosca Métrica (precedida pela letra M) ► CAPÍTULO 8 – ROSCAS, CHANFROS E ESCAREAÇÃO ROSCAS Rosca é uma saliência de seção uniforme que se desenvolve com uma inclinação constante em torno de uma superfície cilíndrica. Sua função é permitir a união de peças e facilitar sua desmontagem quando necessário. Tipos Atualmente há uma gama imensa de roscas para os mais diversos fins. Dentre as roscas normatizadas utilizadas no comércio em geral, as de uso comum são as chamadas Triangulares. Estas triangulares dividem-se em MÉTRICA e WHITWORTH. Forma de Representação Em desenho técnico, as roscas podem ser representadas de maneira NORMAL (como se apresenta ao observador) ou SIMPLIFICADAS (representação convencional). Na rosca Simplificada a crista do filete é representada por uma linha contínua larga, enquanto que a raiz é uma linha paralela contínua estreita (NBR 8993/85). MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 49 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com CHANFROS Especialmente em mecânica, quando um metal é usinado, ficam rebarbas e cantos vivos nas arestas. Chanfro é a retirada destes cantos vivos. Importante salientar que a retirada feita com lima, lixa ou outro material abrasivo, deixam o chanfro sem forma específica, logo, ele terá especificação somente quando determinado pelo cliente. ESCAREADO Sua função básica é facilitar a entrada da ferramenta Macho ou Alargador, bem como alojar parafuso de cabeça chata escareado. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 50 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com 1) Responda o que pede. Tolerâncias lineares ± 0,03 Unidade: mm 1 Qual o sistema de representação usadas nas partes roscadas? 2 Em quantas partes da peça devem ser abertas roscas externas? 3 A partir da extremidade esquerda da peça, dê os diâmetros das roscas. 4 Dê o valor da dimensão B 5 Dê o valor da dimensão C 6 Dê o valor da dimensão D 7 Qual o comprimento da parte roscada de Ø 19,05 mm? 8 Qual o comprimento da parte roscada de Ø 33 mm? 9 Qual é o ângulo do chanfro nas extremidades das roscas? 10 Qual o comprimento da parte da peça que tem 33 mm de diâmetro? 11 Dê o ângulo da parte escareada. 12 Qual é o diâmetro mínimo em que pode ser torneada a parte da peça cujo diâmetro no desenho é de 57 mm? 13 Qual é a profundidade do rebaixo na parte que mede 33 mm de diâmetro? MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 51 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Páginas 50 Exercício 1 1) Simplificado2) 3 partes 3) 3/4" - M33 - 3/32" - 1" 4) 16 mm 5) 14 mm 6) 63 mm 7) 22 mm 8) 14,5 mm 9) 30º 10) 26,5 11) 60º 12) 56,97 mm 13) 1,5 mm MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 52 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com ► CAPÍTULO 9 – CORTES E HACHURAS Quando a peça a ser desenhada possui muitos detalhes, especialmente internos, as projeções ortogonais terão muitas linhas tracejadas (não visíveis) e poderão dificultar a interpretação do desenho. Para facilitar a visualização destes detalhes, foi normatizada a utilização de vistas em corte. Os cortes são imaginados e representados sempre que for necessário mostrar elementos que não estejam visíveis na posição em que se encontra o observador. O corte é realizado por um plano de corte, também imaginário. Linha de Corte Linha de Corte é a linha utilizada para indicar o local onde a peça será cortada e é desenhada com lápis grosso constituindo traços e pontos identificados por letras colocadas em suas extremidades. O sentido de observação é identificado por setas perpendiculares à linha de corte. As mesmas letras que identificam a linha de corte são utilizadas para identificar a vista resultante do corte. Onde houver intersecção do plano secante com a peça serão colocadas hachuras. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 53 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Hachuras São linhas cujo objetivo é representar graficamente o material em que foi produzida a peça, ou seja, identificar as partes maciças evidenciando a área de corte. São constituídas de linhas finas, equidistantes em média 0,7 mm (NBR 8403) e traçadas a 45°em relação aos contornos ou aos eixos de simetria da peça. Segundo a NBR 12298/95 os tipos de hachuras podem ser: Na representação geral de qualquer material, pode ser usada hachura padrão, como a usada em ferro fundido, por exemplo. Em peças de conjunto, as hachuras devem ser feitas em mesmo ângulo e distância, porém, em direções opostas. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 54 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Corte à Mão Livre Importante salientar que linhas de corte sugerem Ensaios Destrutivos, ou seja, para se dimensionar a região de corte será necessário destruir a peça fazendo as incisões necessárias. Um corte que não apresenta necessariamente a necessidade de divisão da peça, é o corte à mão livre. É uma linha sinuosa feita sem formato específico, cuja função é apenas mostrar como é a parte interna da peça. Onde houver este corte também deverá estar sinalizado com hachuras. Mais exemplos de cortes MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 55 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Quantidade de Cortes x Folhas Já foi referenciado aqui que os desenhos possuem basicamente três faces, mas muitas vezes, devido à complexidade, existe a necessidade de desenhar mais detalhes do produto. É importante lembrar novamente que você está desenhando para alguém, logo, este alguém precisa compreender seu desenho. No decorrer desta apostila estaremos falando de tamanhos de folhas (A0 até A4) sendo que A4 é a usual para textos (a que se usa em escritórios, etc.) e desenhos pequenos em geral e A3 o dobro da A4 (muito utilizada quando se deseja aumentar um pouco o desenho tornando as cotas em maior escala). Não raro, alguns projetistas (não sei se por economia ou preguiça) utilizam uma única folha de A4 para fazer muitas faces em corte. Isto torna o desenho enfadonho e com qualidade técnica duvidosa. Se precisar fazer muitos detalhes, use o bom gosto/bom senso e quantas folhas de papel se fizer necessário. Veja abaixo um exemplo de desenho incompreensível. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 56 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com 1) Desenhe o corte A-A. 2) Desenhe o corte E-F na face Superior. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 57 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Página 56 Exercício 1 Exercício 2 MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 58 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com ► CAPÍTULO 10 – ESCALAS Muitas peças não podem ser desenhadas em seu tamanho natural em virtude de suas dimensões (ou porque são tão pequenas que os detalhes não podem ser visualizados devidamente ou porque são suficientemente grandes). Neste caso há necessidade então de se fazer o desenho em escala, isto é, ampliado ou reduzido conforme a necessidade. Escala é a razão entre as dimensões da peça na sua representação gráfica e suas dimensões naturais. De acordo com a NBR 8196/99 escala a ser escolhida para um desenho depende da complexidade do objeto ou elemento a ser representado e da finalidade da representação. Em todos os casos a escala selecionada deve ser suficiente para permitir uma interpretação fácil e clara da informação representada. A escala e o tamanho do objeto ou elemento em questão são parâmetros de escolha do formato da folha da folha de desenho. As escalas recomendadas para desenho técnico são: Este tópico, em especial, é apenas para o aluno conhecer algumas das escalas existentes. Atualmente, com a difusão dos programas CAD, não há mais necessidade de transformação de uma escala para outra, visto que o próprio software faz isso com facilidade e há mais escalas que podem ser utilizadas. Mas caso haja necessidade de se fazer um desenho à mão, é sempre bom o uso de Escalímetros. Há uma infinidade deles, especialmente os triangulares e já vem com a escala desejada. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 59 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Considerações Caso você esteja desenhando com software, não há problemas quanto a escala. Se precisar reduzir ou ampliar seu desenho, basta clicar na palheta correspondente. Se está desenhando com uso de escalímetro, você fica um pouco restrito às escalas da sua régua (geralmente em número de seis), mas como elas já estão dimensionadas, isto também não é um problema. A questão é quando tudo que você tem é uma régua de acrílico normal (dessas que vão de 0 a 30 cm) e necessita de redução ou ampliação. Como esta régua traduz um produto na escala 1:1, ou seja, natural, faz-se necessário recalcular as medidas quando necessário. Veja o desenho abaixo em escala natural: a) Primeiramente note que o desenho especifica unidade em milímetros evocê possui uma régua em centímetros. Relembrando lá na apostila de Matemática (tópico transformação de unidades) verifica-se na tabela a unidade que se tem (no caso centímetros) e a unidade que se quer transformar (mm). b) Centímetro para milímetro na tabela está vindo da esquerda para a direita logo, cada unidade de sua régua deverá ser MULTIPLICADA, mas por quanto? c) A unidade que se está não conta e todas as outras multiplicasse cada uma por 10 até chegar à que se deseja. Mas, a que se deseja já é a próxima, então cada unidade de sua régua deverá ser multiplicada por 10. Escala: 1 : 1 Unidade: mm ERA ASSIM FICOU ASSIM MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 60 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Imaginemos que há necessidade de reduzir o desenho pela metade. Neste caso, a escala de redução seria 1:2, ou seja, cada escala da sua régua em milímetros valerá a metade. No caso desenho dado, todas as linhas serão reduzidas pela metade (o que você desenharia com 20 agora vale 10, com 60 agora vale 30 e com 30 vale 15). A chance real de realmente você ter todo esse trabalho está em suas mãos e olha que este foi um exercício com números inteiros e reduzido pela metade, imagine se tivéssemos que fazer escala 1:7 que caos seria. Isto tudo foi explicado, além do motivo curiosidade, também porque existe uma mínima possibilidade de cair exercícios de redução e ampliação de escalas em seu exame de seleção. Veja os exemplos que seguem. Note que a escala 1:2 (um para dois) é escala de redução e a coluna de redução proporcional está marcando 32. Isto significa que o tamanho real da peça foi reduzido pela metade que deu 32. Qual número é este? Resposta 64. Testando: 64 dividido por 2 vai ser igual a 32. Resposta ok. Neste exemplo temos o tamanho real que é 25, a escala que é 5:1 ou seja, ampliação de 5 vezes. O aumento/redução irá para 125. Testando: 25 x 5 = 125. Aqui o tamanho real é 3 e o aumento foi para 12. Qual seria a escala? Bom, se houve aumento numeral, então é ampliação. Por dedução sabemos que se multiplicarmos 3 por 4 teremos resposta 12. A escala então seria 4:1. Escala: 1 : 2 Unidade: mm MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 61 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com 1) Dê o valor conforme pedido. Tamanho Real da Peça Escala Aumento / Redução Proporcional a) 32 1:2 b) 50 1:1 c) 1:5 12 d) 25 125 e) 35 1:2 f) 90 1:5 g) 6 2:1 h) 25,4 25,4 i) 75 15 j) 12 2:1 k) 60 30 l) 300 1:10 m) 1:2 16 n) 5:1 95 o) 1,2 12 p) 9 9 q) 145 1:5 r) 1:2 125 MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 62 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Página 61 a) 16 b) 50 c) 60 d) 5:1 e) 17,5 f) 18 g) 12 h) 1:1 i) 1:5 j) 24 k) 1:2 l) 30 m) 32 n) 19 o) 10:1 p) 1:1 q) 29 r) 250 MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 63 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com ► CAPÍTULO 11 – TOLERÂNCIAS DE AJUSTE TOLERÂNCIA ISO Na fabricação em série é necessário que as peças acopladas sejam passíveis de serem trocadas por outras com as mesmas especificações das peças originais. Assim, ao se fabricar componentes mecânicos, é fundamental que certas peças ajustem-se reciprocamente ao montá-las sem que sejam submetidas a tratamentos ou ajustes suplementares. A possibilidade de substituir umas peças por outras ao montar ou consertar um equipamento (ou conjunto mecânico) denomina-se intercambialidade. Veja, por exemplo, um conjunto de chaves catraca, onde todos os soquetes devem encaixar-se a uma única chave. Um requisito fundamental para a intercambialidade é a seleção de um processo de fabricação que assegure que a produção de peças seja com igual exatidão tanto uma como a outra. Infelizmente não é possível sempre ser desta forma devido às diversas variações existentes (máquina, matéria prima, etc.), mas estas dimensões não podem ser assim tão diferentes. Devido a isso, em 1926, entidades internacionais organizaram um sistema normalizado que acabou sendo adotado no Brasil pela ABNT denominado Sistema de Tolerâncias e ajustes - NBR 6158/95. Este sistema consiste em um conjunto de princípios, regras e tabelas que possibilitam a escolha racional de tolerâncias de ajuste de modo a tornar mais econômica a produção. O sistema prevê 18 qualidades de trabalho as quais são identificadas pelas letras IT (ISO Tolerance ou Internacional Tolerance) seguidas de numerais. Veja abaixo a tabela para eixos e furos. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 64 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com CAMPOS DE TOLERÂNCIA Note o desenho que segue. Veja que neste exemplo tanto Eixo quanto Furo possuem a mesma medida nominal, mas seus afastamentos ou tolerâncias possuem letras seguida de número. O numeral 7 é indicativo da qualidade de trabalho, no caso mecânica corrente ou de precisão. E a letra (H e h) indica o campo de tolerância, ou seja, o conjunto de valores aceitáveis após a execução da peça. A NBR 6158/95 especifica 28 campos de tolerância os quais são compostos linhas que identificam a dimensão nominal e colunas que mostram os afastamentos expressos em mícrons. A tolerância de ajuste para EIXOS vem precedida por uma letra MINÚSCULA (tipo g 6 ), enquanto que FUROS possuem tolerância de ajuste precedida por letras MAIÚSCULAS (tipo H 7 ). Exemplo Veja o desenho que segue: O desenho especifica uma medida de 10 mm e tolerância P7. Verificando a tabela de ajustes recomendados da NBR 6158/95, temos o seguinte: Para uma medida de 10 mm em P7 ao afastamento é: - 24 e - 9 µm. Isto significa que os afastamentos para esta medida são - 0,024 mm e - 0,009 mm. Calculando temos: Medida Máxima 9,991 mm Medida Mínima 9,976 mm Afastamento Superior - 9 µm Afastamento Inferior - 24 µm Campo de Tolerância 33 µm OBS. Relembrando as aulas de Metrologia, note que os afastamentos são negativos, portanto, para achar a medida mínima e máxima, basta fazer os cálculos (neste caso, subtração). Baseado nisto é que se identifica qual dos afastamentos é superior e inferior. Campos de tolerância são sempre soma dos afastamentos, ignorando regra de sinais. Para efeitos de entendimento, segue apenas tabela para eixos e furos. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 65 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 66 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. DesenhoMecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 67 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com 45 H7 g6 1) Analise o desenho e responda o que pede. Use mm ou mícron quando for o caso. a) Qual a medida máxima do furo ________________________ b) Qual a medida mínima do furo ________________________ c) Qual o afastamento superior do furo ____________________ d) Qual o afastamento inferior do furo ____________________ e) Qual a medida máxima do eixo _______________________ b) Qual a medida mínima do eixo ________________________ c) Qual o afastamento superior do eixo ____________________ d) Qual o afastamento inferior do eixo ____________________ 2) Responda. A saber 180 H8 (0 + 63) e 210 f7 ( - 50 - 6) µm a) Quais os afastamentos para 180 H8 _________________________________ b) Quais os afastamentos para 210 f7 _________________________________ c) Se a cota de Ø 210 f7 fosse produzida com 210,00 mm exatos ela estaria dentro ou fora da especificação? ________________________________ MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 68 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com 3) Analise o desenho e responda o que pede. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 69 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com a Qual o tipo de rosca utilizada? b Qual a forma de representação de rosca? c Qual o afastamento inferior para 38 m6 ? d Qual o afastamento superior para 38 m6 ? e Qual a medida mínima para 38 m6 ? f Qual a medida máxima para 38 m6 ? g Tecnicamente em qual diedro o desenho está representado? h Em qual perspectiva o desenho em 3D está representado? i Se a cota de 38,75 mm estivesse 0,05 mm abaixo da mínima com quanto ela estaria? j Qual o nome da face indicada pelo corte B-B? k Qual o afastamento inferior para o Ø 7 H7 ? l Qual o afastamento superior para o Ø 7 H7 ? m Qual a medida mínima para o Ø 7 H7 ? n Qual a medida máxima para o Ø 7 H7 ? o Qual a escala utilizada? p Qual a utilização das linhas que passam pelos furos do corte B-B? MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 70 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Páginas 67 a 69 Exercício 1 a) 45,025 mm b) 45,000 mm c) + 25 µm d) 0 µm e) 44,991 mm f) 44,975 mm g) - 9 µm h) - 25 µm Exercício 2 a) 0 + 0,063 mm b) - 0,050 - 0096 mm c) Fora da especificação. Exercício 3 a) Métrica b) Simplificada c) + 9 µm d) + 25 µm e) 38,009 mm f) 38,025 mm g) 1° Diedro h) Isométrica i) 38,68 mm j) Frontal k) 0 µm l) +15 µm m) 7,000 mm n) 7,015 mm o) 1 :1 p) Centro e Simetria MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 71 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com ► CAPÍTULO 12 – TOLERÂNCIAS GEOMÉTRICAS Observe os desenhos abaixo. Note que embora a dimensão efetiva do pino esteja de acordo com a tolerância dimensional especificada, a peça executada não está de acordo com o projetado. Não é suficiente que as dimensões da peça estejam dentro das tolerâncias dimensionais previstas. É necessário também que elas estejam dentro de FORMAS previstas para que montem adequadamente. As variações aceitáveis das formas e posições dos elementos na execução de uma peça constituem as TOLERÂNCIAS GEOMÉTRICAS, sendo caracterizadas como ERROS MACROGEOMÉTRICOS. Estes desvios são divididos em: forma, orientação, posição e batimento. Erros de forma correspondem à diferença entre a superfície real da peça e a forma geométrica teórica. No desenho acima, a peça foi confeccionada errada por falta de informações (erro de projeto). Se, no caso, a inclinação era um fator importante, a peça deveria ter sido desenhada com a simbologia adequada à tolerância geométrica. A explicação aqui é a seguinte: o Perpendicularismo ( ) em relação à face A não pode ser superior a 0,02 mm. A título de ilustração, foi colocado mais uma observação referente à linha superior. Sua leitura é a seguinte: o Paralelismo ( ) em relação à face A não deve exceder 0,1 mm. Entenda-se que quanto mais características um desenho tiver, MAIOR será o custo agregado ao produto, portanto, coloca-se estritamente o necessário à sua confecção com qualidade. Outro fator importante é que as Tolerâncias Geométricas são ERROS de forma, portanto, não devem existir. A especificação é sempre máxima, ou seja, o mínimo será sempre zero. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 72 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com A NBR 2768-2/01 e a NBR 14699/01 definem as seguintes tolerâncias aplicáveis. Exemplos MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 73 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com 1) Analise o desenho e responda o que pede. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 74 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com a Qual o tipo de rosca utilizada? b Qual a profundidade que deve ser confeccionada rosca? c Qual o tipo de tolerância geométrica usada na planta? d Qual o tipo de tolerância geométrica usada na vista de elevação? e Qual o tipo de tolerância geométrica usada na vista lateral f Qual a profundidade do furo de Ø 28 H7 g Qual a tolerância máxima para paralelismo? h Qual a tolerância mínima para paralelismo? i Se a cota de 80 mm estivesse com 0,02 mm acima da máxima, com quanto estaria? j Qual a profundidade do rebaixo do Ø 50 H7 k Qual a medida máxima para 28 H7 l Qual a medida mínima para 28 H7 m Qual o afastamento superior para 28 H7 n Qual o afastamento inferior para 28 H7 o Qual a medida máxima para 32 f7 p Qual a medida mínima para 32 f7 q Qual o afastamento superior para 32 f7 r Qual o afastamento inferior para 32 f7 MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 75 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Páginas 73 e 74 Exercício 1 a) Whitworth b) 20 mm c) Posição d) Perpendicularismo e) Paralelismo f) 16 mm g) 0,06 mm h) 0 mm i) 80,12 mm j) 10 mm k) 28,021 mm l) 28,000 mm m) + 21 µm n) 0 µm o) 31,975 mm p) 31,950 mm q) - 25 µm r) - 50 µm MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 76 ~ Todosos direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com ► CAPÍTULO 13 – ESTADO DE SUPERFÍCIE Se fôssemos analisar o acabamento dos mais diversos produtos à nossa disposição, veríamos que uns são mais lisos (o vidro, por exemplo) que outros (lixas ou as esponjas de cozinha). No caso de um produto metálico, dependendo da rigidez com que se precisa no acabamento da peça, o método de fabricação interfere na aparência, na funcionalidade e nas características gerais do produto acabado. A escolha do processo de fabricação deve levar em conta a forma, a função, a natureza da superfície, o tipo de material e os meios disponíveis. Quanto melhor o acabamento a ser obtido, maior o custo de execução, portanto, as peças devem apresentar acabamento adequado à sua função. No capítulo passado foi visto que as superfícies estão sujeitas a erros de forma, entretanto, mesmo superfícies executadas dentro de padrões de tolerâncias geométricas, apresentam um conjunto de irregularidades MICROGEOMÉTRICAS, as quais constituem a RUGOSIDADE. Rugosidade consiste em marcas ou sulcos deixados pela ferramenta utilizada para produzir a peça. Algumas peças, como no caso das lixas, é possível ver sua abrasividade, mas em outros, o que se vê é apenas uma parte lisa (a lapidação dos Blocos Padrão é um bom exemplo). A intenção é verificar a superfície efetiva de uma peça. O equipamento que detecta quanto uma peça está lisa ou abrasiva (rugosa), chama-se RUGOSÍMETRO. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 77 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Sistema M São usados dois sistemas básicos de medição de rugosidade superficial: o sistema M (médio) e o sistema E (envolvente). No Brasil adota-se o sistema M, no qual todas as grandezas de medição de rugosidade são definidas a partir do conceito de LINHA MÉDIA. Linha Média é a linha paralela à direção geral do perfil, no comprimento de amostragem, de tal modo que a soma das áreas superiores, compreendidas entre ela e o perfil efetivo, seja igual à soma das áreas inferiores, no comprimento da amostragem (le). Parâmetros de Rugosidade São três os parâmetros: Amplitude, Espaçamento e Híbrido. Para efeitos relativos à interpretação de desenho, estaremos focando somente os de AMPLITUDE. A NBR 4287/02 especifica vários parâmetros. Os mais usuais são: Ra Chamada rugosidade média ou aritmética representado pela unidade micrométrica (µm). É a mais utilizada, pois permite um controle contínuo da rugosidade na linha de produção em superfícies com sulcos de usinagem bem orientados (torneamento, fresagem, etc.). Em geral é usado para acabamentos com fins apenas estéticos. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 78 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Rt Rugosidade máxima. Basicamente para superfícies que requerem vedação. Tem como desvantagem que riscos feitos após a usinagem podem levar a resultados incorretos. Rz Corresponde à distância vertical entre o pico mais alto e o vale mais profundo no comprimento de avaliação. Tem a vantagem de ser mais abrangente que o Rt. Indicação do Estado de Superfície Anteriormente a 1984, a indicação do estado de superfície era transmitida na forma qualitativa, ou seja, através de símbolos. Com a entrada da NBR 8404/84 a rugosidade passou a ser tratada de forma quantitativa. O quadro abaixo dá indicação das classes de rugosidade em Ra. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 79 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Disposição da Indicação do Estado de Superfície A NBR 8404/84 fixa os símbolos e indicações complementares para a identificação do estado de superfície. São elas: MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 80 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com 1) Analise o desenho e responda. MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 81 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com a Qual o tipo de rosca utilizada? b Qual a profundidade que deve ser confeccionada rosca? c Qual a distância entre os centros dos furos de Ø 14 mm? d Qual o tipo de tolerância geométrica usada na vista lateral? e Se a cota de 30 estivesse 29,95 mm quanto estaria abaixo da mínima? Qual a classe Qualitativa de rugosidade indicada pelas letras f A g B h C i D j E k Qual a medida máxima para 28 f7 l Qual a medida mínima para 28 f7 m Qual o afastamento superior para 28 f7 n Qual o afastamento inferior para 28 f7 o Em qual diedro o desenho está representado? MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 82 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Página 80 e 81 a) Métrica b) 12 mm c) 80 mm d) Paralelismo e) 29,92 mm f) N7 g) N7 h) N6 i) N8 j) N7 k) 27,980 mm l) 27,959 mm m) -20 n) - 41 o) 1ª Diedro MECÂNICA BÁSICA - Leitura e Interp. Desenho Mecânico Módulo: Leitura Desenho Elab.: Prof. Osmar ~ 83 ~ Todos os direitos reservados Rev.: 10 osmaranael@outlook.com Sobre o autor Professor Osmar é escritor e consultor técnico pós-graduado em Engenharia de Produção e Gestão do Ensino Superior. Possui várias apostilas dirigidas especialmente ao público técnico industrial. Atualmente ministra aulas em escolas particulares nos mais diversos temas. Além de apostilas técnicas possui livros escritos sob o pseudônimo de M. BERTAZZI. Leia de sua autoria: O Signo dos Quatro, A Casa Viva, Paisagens Noturnas, Nyctophilia e As Mãos Sujas de Edward Finch (seu mais recente livro). Dúvidas ou sugestões pelo e-mail osmaranael@outlook.com Acesse: www.clubedeautores.com.br www.amazon.com.br play.google.com/store http://www.clubedeautores.com.br/ http://www.amazon.com.br/