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1 AUDITORIA DE CONFORMIDADE 1 Sumário INTRODUÇÃO ................................................................................................. 3 ORIGEM E EVOLUÇÃO DA AUDITORIA ....................................................... 6 AUDITORIA DO SETOR PÚBLICO E SEUS OBJETIVOS .............................. 7 CLASSIFICAÇÕES DE AUDITORIA GOVERNAMENTAL .............................. 8 ELEMENTOS DE AUDITORIA DO SETOR PÚBLICO .................................. 13 PLANEJAMENTO DE AUDITORIA ............................................................... 16 DESIGNAÇÃO DA EQUIPE ....................................................................... 17 Características da equipe .......................................................................... 19 Coordenação da equipe ............................................................................. 22 Padrões de Planejamento de Auditoria ...................................................... 23 REFERÊNCIAS ............................................................................................. 24 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós- Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 INTRODUÇÃO A palavra “auditoria” tem sua origem etimológica no verbo em latim audire que em português pode ser traduzido como “ouvir”. De acordo com a International Organization of Supreme Audit Institutions (INTOSAI), o conceito da palavra “auditoria” está mais voltado para o “controle, exame das operações e atividades, com vistas a verificar se são executadas ou funcionam em conformidade com determinados objetivos, orçamentos, regras e normas”. Auditoria é o instrumento de fiscalização utilizado pelo Tribunal para o exame objetivo e sistemático das operações contábeis, orçamentárias, financeiras, operacionais e patrimoniais dos órgãos jurisdicionados, podendo o seu escopo abranger mais de um exercício financeiro, visando, dentre outras finalidades: a) examinar a legalidade e a legitimidade dos atos de gestão dos responsáveis sujeitos à sua jurisdição, quanto aos aspectos contábil, financeiro, orçamentário e patrimonial (auditoria de conformidade ou regularidade por iniciativa própria do Tribunal); 4 b) avaliar o desempenho dos órgãos e entidades jurisdicionados, assim como dos sistemas, programas, projetos e atividades governamentais, quanto aos aspectos de economicidade, eficiência e eficácia dos atos praticados (auditoria operacional ou de desempenho); e, 5 c) conhecer a organização e o funcionamento dos órgãos e entidades da administração direta, indireta e fundacional dos Poderes dos municípios, incluindo fundos e demais instituições que lhes sejam jurisdicionadas, no que se refere aos aspectos contábeis, financeiros, orçamentários, operacionais e patrimoniais. As auditorias, quanto à natureza, podem ser: a) de regularidade, que abrange a auditoria de conformidade, foco deste manual; b) a financeira; e c) operacional. A auditoria de conformidade tem por objetivo determinar se um particular objeto está em conformidade com normas identificadas como critérios. Ela é realizada para avaliar se atividades, transações financeiras e informações cumprem, em todos os aspectos relevantes, as normas que regem a entidade auditada. Essas normas podem incluir regras, leis, regulamentos, resoluções orçamentárias, políticas, códigos estabelecidos, acordos ou os princípios gerais que regem a gestão financeira responsável do setor público e a conduta dos agentes públicos. São objetos de auditoria os atos de governo e de gestão praticados por qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos. 6 O objeto de uma auditoria de conformidade é definido pelo escopo da auditoria. Podem ser atividades, transações financeiras ou informações. Em trabalhos de certificação sobre conformidade, o auditor foca na informação sobre o objeto, que pode ser uma declaração de conformidade com uma estrutura de relatório estabelecida e padronizada. A auditoria de conformidade pode ser realizada sem que o auditado seja solicitado a justificar ou opinar sobre o conteúdo obtido, já que o foco é sobre os controles de segurança. A auditoria de conformidade também tem forte lastro no arcabouço normativo da organização. No caso de questões relacionadas à segurança e ao tratamento da informação no Brasil, o leitor é remetido à compilação produzida por Vieira (2009). ORIGEM E EVOLUÇÃO DA AUDITORIA A partir deste tópico poderemos responder perguntas do tipo: Desde quando existe auditoria? Em qual contexto ela surgiu? Qual o seu papel nos dias de hoje? Attie (1998) esclarece que a auditoria surgiu da necessidade de confirmação, por parte dos investidores e proprietários, da realidade econômico-financeira da entidade, juntamente com o seu patrimônio. A contabilidade foi a primeira disciplina desenvolvida para auxiliar o administrador, surgindo em seguida a auditoria como ferramenta de controle e confirmação da própria contabilidade. Dessa forma, quando uma empresa é auditada, os benefícios econômicos recebidos aumentam, uma vez que as mesmas estão menos sujeitas a distorções do que as que não foram examinadas pelos auditores. Assim, a auditoria desempenha um papel importante na economia e no desenvolvimento da empresa e seus negócios, assim como no governo e nas informações para seus usuários internos e externos. A origem da auditoria tem sido muito discutida pelos especialistas, não havendo consenso sobre a questão. 7 Muito embora a origem da auditoria seja imprecisa, o impulso mais significativo para o seu desenvolvimento pode ser atribuído à Inglaterra, dada à potência econômica desse país desde a época das colonizações, e que se tornaria, séculos depois, o berço do capitalismo com a Revolução Industrial. Foi a grandeza econômica e comercial da Inglaterra, como dominadora dos mares e controladora do comércio mundial, a responsável por fazê-la como a primeira a possuir as grandes companhias de comércio e também a primeira a instituir a taxação do imposto de renda, baseado nos lucros das empresas, que fez a auditoria surgir como prática sistematizada, consolidando-se como hoje a conhecemos. A auditoria é responsável por dar segurança de que as informações apresentadas pelas entidades mereçam fé, são fidedignas e representam sua real situação patrimonial, financeira e econômica. AUDITORIA DO SETOR PÚBLICO E SEUS OBJETIVOS O ambiente da auditoria do setor público é aquele no qual governos e outras entidades do setor público são responsáveis pelo uso de recursos provenientes de tributação e outras fontes, para a prestação de serviços aos cidadãos e outros beneficiários. Essasentidades devem prestar contas de sua gestão e desempenho, assim como do uso dos recursos, tanto para aqueles que proveem os recursos como para aqueles que dependem dos serviços prestados com a utilização de tais recursos, incluindo os cidadãos. A auditoria do setor público ajuda a criar condições apropriadas e a fortalecer a expectativa de que as entidades do setor público e os servidores públicos desempenharão suas atribuições de modo efetivo, eficiente, ético e em conformidade com as leis e os regulamentos aplicáveis. . Em geral, a auditoria do setor público pode ser descrita como um processo sistemático de obter e avaliar objetivamente evidências para determinar se as informações ou as condições reais de um objeto estão de acordo com critérios aplicáveis. A auditoria do setor público é essencial, pois, fornece aos órgãos legislativos e de controle, bem como aos responsáveis pela governança e ao público 8 em geral, informações e avaliações independentes e objetivas acerca da gestão e do desempenho de políticas, programas e operações governamentais. CLASSIFICAÇÕES DE AUDITORIA GOVERNAMENTAL Segundo os Princípios Fundamentais de Auditoria do Setor Público (ISSAI 100), a auditoria do setor público pode ser descrita como um processo sistemático de obter e avaliar objetivamente evidência para determinar se a informação ou as condições reais de um objeto estão de acordo com critérios estabelecidos. A auditoria do setor público é essencial, pois, fornece aos órgãos legislativos e de controle, bem como aos responsáveis pela governança e ao público em geral, informações e avaliações independentes e objetivas acerca da gestão e do desempenho de políticas, programas e operações governamentais. A Auditoria Governamental é gênero, subdividindo-se em três espécies principais (ISSAI 100): 1) Auditoria Financeira; 2) Auditoria de Conformidade e 3) Auditoria de Desempenho. As duas primeiras espécies são denominadas auditoria de regularidade enquanto a terceira espécie é denominada auditoria operacional. AUDITORIA DE REGULARIDADE: exame e avaliação dos registros; das demonstrações contábeis; das contas governamentais; das operações e dos sistemas financeiros; do cumprimento das disposições legais e regulamentares; dos sistemas de controle interno; da probidade e da correção das decisões administrativas adotadas pelo ente auditado, com o objetivo de expressar uma opinião. Subdivide-se em Auditoria Contábil e Auditoria de Cumprimento Legal. AUDITORIA CONTÁBIL: exame das demonstrações contábeis e outros relatórios financeiros com o objetivo de expressar uma opinião – materializada em um documento denominado relatório de auditoria – sobre a adequação desses demonstrativos em relação a estas Normas de Auditoria Governamental - NAGs, aos Princípios de Contabilidade (PCs), às Normas Brasileiras de Contabilidade (NBCs), sejam elas profissionais ou técnicas, e à legislação pertinente. Em uma auditoria contábil o profissional de auditoria governamental deverá verificar se as 9 demonstrações contábeis e outros informes representam uma visão fiel e justa do patrimônio envolvendo questões orçamentárias, financeiras, econômicas e patrimoniais, além dos aspectos de legalidade. AUDITORIA DE CUMPRIMENTO LEGAL: exame da observância das disposições legais e regulamentares aplicáveis. AUDITORIA OPERACIONAL: exame de funções, subfunções, programas, ações (projetos, atividades, operações especiais), áreas, processos, ciclos operacionais, serviços e sistemas governamentais com o objetivo de se emitir comentários sobre o desempenho dos órgãos e das entidades da Administração Pública e o resultado das políticas, programas e projetos públicos, pautado em critérios de economicidade, eficiência, eficácia, efetividade, equidade, ética e proteção ao meio ambiente, além dos aspectos de legalidade. 10 No mesmo sentido, as Normas de Auditoria do TCU (NAT) classificam a Auditoria Governamental, quanto à sua natureza, da seguinte forma: Auditorias de regularidade: objetivam examinar a legalidade e a legitimidade dos atos de gestão dos responsáveis sujeitos à jurisdição do Tribunal, quanto aos aspectos contábil, financeiro, orçamentário e patrimonial. Compõem as auditorias de regularidade as auditorias de conformidade e as auditorias contábeis. Auditorias operacionais: objetivam examinar a economicidade, eficiência, eficácia e efetividade de organizações, programas e atividades governamentais, com a finalidade de avaliar o seu desempenho e de promover o aperfeiçoamento da gestão pública. Cabe ressaltar que a classificação das auditorias como de regularidade ou operacional dependerá do objetivo prevalecente em cada trabalho de auditoria, já que elas constituem parte de um mesmo todo da auditoria governamental e, às vezes, integram o escopo de um mesmo trabalho de auditoria. Os dois tipos de auditoria – regularidade e operacional – podem, na prática, ser realizados concomitantemente, porquanto são mutuamente reforçadoras: a auditoria de regularidade sendo preparatória para a operacional, e esta última levando à correção de situações causadoras de não conformidades. Por fim, a Normas Brasileiras de Auditoria do Setor Público (NBASP) - Princípios Fundamentais de Auditoria do Setor Público (ISSAI 100) classifica os três principais tipos de auditoria do setor público como segue: 11 Auditoria financeira foca em determinar se a informação financeira de uma entidade é apresentada em conformidade com a estrutura de relatório financeiro e o marco regulatório aplicável. Isso é alcançado obtendo-se evidência de auditoria suficiente e apropriada para permitir o auditor expressar uma opinião quanto a estarem as informações financeiras livres de distorções relevantes devido a fraude ou erro. Auditoria operacional foca em determinar se intervenções, programas e instituições estão operando em conformidade com os princípios de economicidade, eficiência e efetividade, bem como se há espaço para aperfeiçoamento. O desempenho é examinado segundo critérios adequados, e as causas de desvios desses critérios ou outros problemas são analisados. O objetivo é responder a questões-chave de auditoria e apresentar recomendações para aperfeiçoamento. Auditoria de conformidade foca em determinar se um particular objeto está em conformidade com normas identificadas como critérios. A auditoria de conformidade é realizada para avaliar se atividades, transações financeiras e informações cumprem, em todos os aspectos relevantes, as normas que regem a entidade auditada. Essas normas podem incluir regras, leis, regulamentos, resoluções orçamentárias, políticas, códigos estabelecidos, acordos ou os princípios gerais que regem a gestão financeira responsável do setor público e a conduta dos agentes públicos. Objetivos da auditoria de conformidade (regularidade): ▪ Verificar se as entidades cumpriram o dever de prestar contas dos gastos públicos; ▪ Emitir parecer sobre as contas de governo; ▪ Auditar o sistema de controle interno; ▪ Examinar a legalidade e legitimidade da gestão pública. Objetivos da auditoria de desempenho (operacional): ▪ Verificar a economia, eficiência, eficácia e efetividade dos gastos públicos (grave os quatro és); ▪ Verificar se os recursos humanos, financeiros e de qualquer outra natureza foram utilizados adequadamente; 12 ▪ Averiguar o cumprimento de metas estabelecidas; ▪ Avaliar os resultados obtidos. 13 ELEMENTOS DE AUDITORIA DO SETOR PÚBLICO A auditoria do setor público é indispensável para a administração pública, uma vez que a gestão de recursos públicos é uma questão de confiança. A responsabilidade pela gestão de recursos públicos de acordo com as finalidades previstas é confiada a uma entidade ou pessoa que atua em nomedo público. A auditoria do setor público aumenta a confiança dos usuários previstos, fornecendo informações e avaliações independentes e objetivas a respeito de desvios dos padrões aceitos ou dos princípios de boa governança. Todas as auditorias do setor público contam com os mesmos elementos básicos: o auditor, a parte responsável, os usuários previstos (as três partes da auditoria), os critérios para avaliar o objeto e a informação resultante da avaliação do objeto. Os trabalhos de auditoria no setor público podem ser classificados em dois tipos diferentes: trabalhos de certificação e trabalhos de relatório direto. Nos trabalhos de certificação, a parte responsável mensura o objeto de acordo com os critérios e apresenta a informação do objeto, sobre a qual o auditor 14 então obtém evidência de auditoria suficiente e apropriada para proporcionar uma base razoável para expressar uma conclusão. Nos trabalhos de relatório direto, é o auditor quem mensura ou avalia o objeto de acordo com os critérios. O auditor seleciona o objeto e os critérios, levando em consideração risco e materialidade. O resultado da mensuração do objeto, de acordo com os critérios, é apresentado no relatório de auditoria na forma de achados, conclusões, recomendações ou de uma opinião. A auditoria do objeto pode também proporcionar novas informações, análises ou novas perspectivas. As auditorias financeiras são sempre trabalhos de certificação, uma vez que são baseadas em informações financeiras apresentadas pela parte responsável. As auditorias operacionais são, normalmente, trabalhos de relatório direto. As auditorias de conformidade podem ser trabalhos de certificação, de relatório direto ou ambos ao mesmo tempo. As auditorias do setor público envolvem pelo menos três partes distintas: o auditor, uma parte responsável e os usuários previstos. A relação entre as partes deve ser vista no contexto específico do ordenamento constitucional para cada tipo de auditoria. O auditor: na auditoria do setor público, o papel de auditor é desempenhado pelo Titular das Entidades Fiscalizadoras Superiores (EFS) e pelas pessoas a quem é delegada a tarefa de conduzir auditorias. A responsabilidade geral pela auditoria do setor público é aquela definida no mandato da EFS. 15 A parte responsável: na auditoria do setor público, as principais responsabilidades são determinadas pelo ordenamento constitucional ou legal. As partes responsáveis podem ser responsáveis pela elaboração da informação sobre o objeto, pela gestão do objeto ou por atender recomendações acerca do objeto, e podem ser pessoas ou organizações. Os usuários previstos: as pessoas, organizações ou grupos destas para quem o auditor elabora o relatório de auditoria. Os usuários previstos podem ser órgãos legislativos ou de controle, responsáveis pela governança ou o público em geral. O objeto de auditoria refere-se à informação, condição ou atividade que é mensurada ou avaliada de acordo com certos critérios. Pode assumir várias formas e ter diferentes características, dependendo do objetivo da auditoria. Um objeto de auditoria apropriado é identificável e passível de avaliação ou mensuração consistente baseada em critérios, de modo que possa ser submetido a procedimentos para obtenção de evidência de auditoria suficiente e apropriada para fundamentar a opinião ou conclusão de auditoria. 16 Os critérios são as referências usadas para avaliar o objeto. Cada auditoria deve ter critérios adequados às circunstâncias daquela auditoria. Na determinação da adequação dos critérios, o auditor deve considerar a sua relevância e compreensibilidade para os usuários previstos, assim como a sua completude, confiabilidade e objetividade (neutralidade, aceitabilidade geral e comparabilidade com os critérios utilizados em auditorias similares). Os critérios utilizados podem depender de uma série de fatores, incluindo os objetivos e o tipo de auditoria. Critérios podem ser específicos ou mais gerais, e podem ser extraídos de várias fontes, incluindo leis, regulamentos, padrões, princípios sólidos e boas práticas. Os critérios devem estar disponíveis para os usuários previstos para lhes permitir entender como o objeto foi avaliado ou mensurado. A informação sobre o objeto refere-se ao resultado da avaliação ou mensuração do objeto de acordo com os critérios. Pode assumir várias formas e ter diferentes características, dependendo do objetivo e do escopo da auditoria. PLANEJAMENTO DE AUDITORIA O planejamento de auditoria compreende a determinação dos objetivos da auditoria, do escopo, do alcance, dos critérios, da metodologia empregada, dos períodos e das datas da execução e dos recursos necessários. Durante o planejamento, a equipe técnica coleta e analisa os dados e as informações sobre o fiscalizado e as áreas que o compõem, com o intuito de conhecê-lo e de compreender seu funcionamento, o que possibilitará a definição das questões que deverão ser respondidas pela auditoria. Ao término da fase de planejamento, dois documentos são produzidos pela equipe de auditoria: a matriz de planejamento e o plano de trabalho. Nas seções seguintes, será elucidado o conteúdo de cada um dos documentos. O planejamento deverá considerar todos os fatores relevantes na execução dos trabalhos, especialmente os seguintes: a) principais normas relativas ao fiscalizado e ao objeto de auditoria; 17 b) sistemas informatizados (do fiscalizado e do Tribunal); c) processo de contas dos últimos exercícios e/ou relatórios de auditoria (recomenda-se a verificação de, pelo menos, as duas últimas contas e/ou relatórios de auditorias, especialmente irregularidades, achados, recomendações e determinações); d) outros processos relacionados ao órgão/entidade fiscalizado ou ao objeto da fiscalização (denúncias/representações/tomada de contas); e) informações provenientes de servidores do Tribunal que tenham participado de trabalhos recentes no órgão/entidade fiscalizado ou em objetos de fiscalização afins; f) avaliação dos controles internos administrativos; g) informações provenientes de órgãos de controle interno (entrevista ou indagação escrita e pareceres periódicos dos órgãos centrais de controle interno); h) conselheiros de saúde e educação (entrevista ou questionário); i) usuários dos serviços prestados pelo fiscalizado; j) próprio órgão/entidade fiscalizado; k) notícias veiculadas na mídia; l) outros órgãos de controle (Ministério Público, TCU, CGE-GO e CGU); e, m) possíveis ações judiciais concernentes ao órgão/entidade fiscalizado. DESIGNAÇÃO DA EQUIPE Para cada fiscalização, deve-se definir o perfil profissional e a quantidade de auditores necessários à realização dos trabalhos de acordo com as normas profissionais, a legislação e as exigências regulamentares correspondentes. A equipe encarregada de realizar a fiscalização não é necessariamente aquela responsável pelo levantamento preliminar, ainda que seja desejável que alguns de seus membros mantenham-se na equipe, em face dos conhecimentos já obtidos. Na definição da equipe, quando o caso assim exigir, poderá ser considerada também a utilização de profissionais especializados não pertencentes ao quadro do Tribunal. 18 Entende-se por perfil profissional um conjunto de atributos requeridos, dentre os quais destacam-se: área de formação/especialização; capacitação técnica; experiência profissional. Os membros da equipe de auditoria devem possuir, coletivamente, o conhecimento, as habilidades e a competência necessários para concluir com êxito a auditoria. A avaliação do perfil profissional pode considerar, inclusive, as etapas ou programas de auditorias a serem desenvolvidos, e não necessariamente a realização integral do trabalho. O tipo de trabalho a ser desempenhado pode requererconhecimentos/experiências específicos em determinadas áreas. Dessa forma, é extremamente desejável a identificação dos perfis requeridos para o desempenho dos trabalhos. A definição da equipe de auditoria depende das características do trabalho, objetivos e prazos, com ênfase para os seguintes aspectos: a) aproveitar o conhecimento e a experiência do pessoal da equipe em relação à área a ser auditada; b) estabelecer rodízio na formação de equipes, de modo a permitir a oportunidade de desenvolvimento profissional. No caso da utilização de especialistas não pertencentes aos quadros do Tribunal, além do perfil, devem ser explicitadas, de forma sucinta, as atividades a serem realizadas, com vistas aos procedimentos administrativos necessários à sua contratação. O Tribunal é o único responsável por qualquer opinião ou relatório de auditoria que possa ser produzido. Essa responsabilidade não é reduzida pelo uso do trabalho de especialistas externos. A equipe de auditoria deve ser estabelecida em função da extensão e da especificidade dos trabalhos a serem realizados e composta, de no mínimo, um membro auditor de controle externo e um supervisor, também auditor de controle externo. Nos trabalhos que exijam a aplicação de técnicas de auditoria fora da sede do Tribunal, a equipe de auditoria deve ter no mínimo dois membros auditores de 19 controle externo (sendo um deles o coordenador) e um supervisor auditor de controle externo. As fiscalizações serão exclusivamente instruídas pelos servidores ocupantes da carreira de Auditor de Controle Externo, nas especialidades ligadas à área finalística do Tribunal. Os membros e o supervisor da equipe de auditoria serão designados pelo Secretário de Controle Externo titular da Secretaria de Controle Externo à qual competir a instrução da fiscalização, mediante despacho exarado nos autos processo de auditoria. Quando a fiscalização demandar Auditores de diversas unidades técnicas, cada Secretário de Controle Externo deve indicar os servidores da respectiva unidade para integrar a equipe, que será coordenada pelo membro lotado na Secretaria que possuir competência preponderante para instrução do objeto da fiscalização. É facultada, ainda, a designação de mais de um supervisor quando a diversidade dos temas objeto da fiscalização exigir. É vedada a participação, na equipe, de pessoas que tenham recentemente trabalhado (como empregado, dirigente, autônomo, etc.) para a entidade a ser fiscalizada, ou que mantenham ou tenham mantido qualquer relacionamento (comercial, sindical, etc.), ou ainda, relações de amizade, de parentesco, com dirigentes, ou de qualquer natureza que possa suscitar suspeição e, com isso, prejudicar o necessário nível de independência. Características da equipe Os auditores devem possuir ou ter acesso às habilidades necessárias. Os membros da equipe de auditoria devem possuir, coletivamente, o conhecimento, as habilidades e a competência necessários para concluir com êxito a auditoria. Isso inclui compreensão e experiência prática acerca do tipo de auditoria que está sendo realizada, familiaridade com as normas e a legislação aplicáveis, entendimento das operações da entidade e habilidade e experiência para exercer julgamento profissional. Comum a todas as auditorias é a necessidade de recrutar pessoas com 20 qualificações adequadas, oferecer desenvolvimento e treinamento do pessoal, elaborar manuais e outras orientações e instruções escritas, relacionados à condução de auditorias, e atribuir recursos suficientes para a auditoria. Os auditores devem manter sua competência profissional por meio de desenvolvimento profissional contínuo. Os auditores devem planejar seu trabalho para assegurar que a auditoria seja conduzida de uma maneira eficiente e eficaz. O planejamento de uma auditoria específica envolve aspectos estratégicos e operacionais. Estrategicamente, o planejamento deve definir o escopo, os objetivos e a abordagem da auditoria. Os objetivos referem-se àquilo que a auditoria pretende alcançar. O escopo refere-se ao objeto e aos critérios que os auditores utilizarão para avaliar e relatar acerca do objeto, e está diretamente relacionado com os objetivos. A abordagem descreverá a natureza e extensão dos procedimentos a serem aplicados para reunir evidências de auditoria. A auditoria deve ser planejada para reduzir os riscos de auditoria a um nível aceitavelmente baixo. Operacionalmente, o planejamento implica estabelecer um cronograma para a auditoria e a definir a natureza, época e extensão dos procedimentos de auditoria. Durante o planejamento, os auditores devem designar os membros de suas equipes de modo apropriado e identificar outros recursos que possam ser necessários, tais como especialistas na matéria. O planejamento de auditoria deve ser responsivo a mudanças significativas nas circunstâncias e condições. É um processo iterativo que ocorre ao longo de toda a auditoria. Os auditores devem executar procedimentos de auditoria que forneçam evidência de auditoria suficiente e apropriada para respaldar o relatório de auditoria. As decisões do auditor sobre a natureza, época e extensão dos procedimentos de auditoria irão impactar na evidência de auditoria a ser obtida. A escolha dos procedimentos dependerá da avaliação de risco ou análise de problema. Evidência de auditoria é qualquer informação utilizada pelo auditor para comprovar que o objeto está ou não em conformidade com os critérios aplicáveis. A evidência pode tomar várias formas, tais como registros de transações em papel ou 21 meio eletrônico, comunicações externas escritas ou em meio eletrônico, observações feitas pelo auditor e testemunho oral ou escrito de agentes da entidade auditada. Os métodos de obtenção de evidência de auditoria podem incluir inspeção, observação, indagação, confirmação, recálculo, reexecução, procedimentos analíticos e/ou outras técnicas de pesquisa. A evidência deve ser tanto suficiente (quantidade) para persuadir uma pessoa bem informada de que os achados são razoáveis, quanto apropriada (qualidade) isto é, relevante, válida e confiável. A avaliação de evidência pelo auditor deve ser objetiva, justa e equilibrada. Os achados preliminares devem ser comunicados e discutidos com a entidade auditada para confirmar sua validade. O auditor deve respeitar todos os requisitos em matéria confidencialidade. Os auditores devem avaliar a evidência de auditoria e tirar conclusões. Após completar os procedimentos de auditoria, o auditor revisará a documentação de auditoria para determinar se objeto foi suficiente e adequadamente auditado. Antes de tirar conclusões, o auditor reconsidera a avaliação inicial de risco e a materialidade, à luz das evidências coletadas, inicialmente e determina se precisam ser realizados procedimentos adicionais de auditoria. O auditor deve avaliar as evidências de auditoria com vistas à identificar achados de auditoria. Na avaliação das evidências de auditoria e da relevância dos achados, o auditor deve levar em consideração tanto aspectos quantitativos como qualitativos. Com base nos achados, o auditor deve exercer seu julgamento profissional para chegar a uma conclusão acerca do objeto de auditoria ou da informação sobre o objeto. Os auditores devem considerar o risco da auditoria durante todo o processo de auditoria. As auditorias devem ser conduzidas de forma a administrar ou reduzir o risco de auditoria a um nível aceitável. O risco da auditoria é o risco de que o relatório de auditoria – ou mais especificamente a conclusão ou opinião do auditor – possa ser inadequado às circunstâncias da auditoria. A consideração do risco da auditoria é pertinente tanto em trabalhos de certificação quanto em trabalhos de relatório direto. O auditor deve considerar três dimensões diferentesdo risco de auditoria – risco inerente, risco de controle e risco de detecção – em relação ao objeto 22 e ao formato do relatório, isto é, se o objeto é quantitativo ou qualitativo e se o relatório de auditoria deve incluir uma opinião ou uma conclusão. A importância relativa dessas três dimensões do risco de auditoria depende da natureza do objeto, de a auditoria ser para fornecer segurança razoável ou limitada e se é um trabalho de relatório direto ou de certificação. Coordenação da equipe A coordenação da equipe deve ser atribuída ao Auditor de Controle Externo que tenha, além dos conhecimentos requeridos ao trabalho, experiência em auditorias e capacidade de organização e direção. Entre as atividades de responsabilidade do coordenador destacam-se aquelas relacionadas com a administração dos trabalhos, compreendendo as seguintes etapas: a) promover as discussões da equipe a respeito do escopo, procedimentos e técnicas a serem utilizados, incentivando os demais membros a apresentarem propostas e a decidirem por consenso. No caso de divergência de opiniões, deve-se buscar a opinião do supervisor. Permanecendo a divergência, prevalecerá a proposta do coordenador; b) zelar pelo cumprimento dos prazos; c) distribuir as tarefas entre os membros da equipe; d) representar a equipe de auditoria perante o órgão/entidade fiscalizado, providenciando a entrega do ofício de apresentação ao dirigente (ou representante por ele designado) e a emissão dos ofícios de requisição de documentos e de informações e responsabilizando-se pela coordenação das reuniões com os fiscalizados; e) revisar e entregar a versão final do relatório, com a anuência dos demais membros; e, f) assegurar que o formulário de controle de qualidade constante no Formulário de Controle de Qualidade – Equipe, seja, juntamente com os demais membros, preenchido e assinado. 23 Padrões de Planejamento de Auditoria O titular da Secretaria de Controle Externo coordenadora deve assegurar que o tempo disponível para a fase de planejamento seja suficiente para a consecução dos objetivos desta fase, de forma a garantir os seguintes aspectos básicos: a) nível de detalhamento suficiente, de modo a maximizar a relação entre o provável benefício da fiscalização e o seu custo total; b) obtenção e análise das informações disponíveis e necessárias sobre o objeto fiscalizado, inclusive quanto aos sistemas informatizados e aos controles internos a ele associados; c) suficiente discussão, no âmbito da equipe de auditoria e entre esta e o supervisor, a respeito da definição do escopo, dos procedimentos e técnicas a serem utilizados; e, d) teste e revisão dos formulários, questionários e roteiros de entrevista, a serem utilizados na fase de execução. 24 REFERÊNCIAS BRASIL. Lei 8027 de 12/04/1990 - Dispõe sobre normas de Conduta dos servidores públicos civis da União, das Autarquias e das Fundações Públicas, e dá outras providências. ______. Lei 8159 de 08/01/1991 - Dispõe sobre a Política Nacional de Arquivos Públicos e Privados e dá outras providências. CRUZ, Flávio. Auditoria Governamental. Editora Atlas, 1997. Descreve como realizar uma auditoria contábil na esfera governamental. DUNN, John. Auditing: Theory and Practice. UK: Prentice-Hall. 1991. INTOSAI - International Organization of Supreme Audit Institutions. Guidelines for Internal Control Standards for the Public Sector. Austria: INTOSAI. 2004. 81 p. Disponível URL: http://www.intosai.org. PETER, Maria G. A.; MACHADO, M. V. V., Manual de Auditoria Governamental. São Paulo: Editora Atlas, 2003. Disponibiliza várias técnicas de auditoria que podem ser muito úteis como modelo. TCU – Tribunal de Contas da União. Manual de Auditoria de Natureza Operacional. Brasília: Tribunal de Contas da União - Secretaria-Geral de Controle Externo - Coordenadoria de Fiscalização e Controle, 2000.