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Água e Saneamento Hidrologia Básica Enap, 2023 Fundação Escola Nacional de Administração Pública Diretoria de Desenvolvimento Profissional SAIS - Área 2-A - 70610-900 — Brasília, DF Fundação Escola Nacional de Administração Pública Diretoria de Desenvolvimento Profissional Conteudista/s Waleska Martins Eloi (Conteudista, 2023). Agência Nacional de Águas (ANA) Curso desenvolvido no âmbito da Diretoria de Desenvolvimento Profissional – DDPRO 3Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Sumário Módulo 1 – Sistemas Hidrológicos, Ciclo hidrológico e Bacias Hidrográficas UNIDADE 1 - SISTEMAS HIDROLÓGICOS ................................................................. 7 Tópico 1 - Importância do estudo de sistemas hidrológicos ....................................... 7 UNIDADE 2 - CICLO HIDROLÓGICO ....................................................................... 11 Tópico 1 - O ciclo hidrológico e seus componentes ................................................... 11 UNIDADE 3 - BACIA HIDROGRÁFICA ..................................................................... 14 Tópico 1 - A definição de uma bacia hidrográfica ....................................................... 14 Tópico 2 - Parâmetros físicos que caracterizam uma bacia hidrográfica ................ 24 Módulo 2 – Principais componentes do ciclo hidrológico e suas relações com o ambiente UNIDADE 1 – PRECIPITAÇÃO .................................................................................. 41 Tópico 1 - Os processos de precipitação e medições ................................................ 41 UNIDADE 2 – EVAPOTRANSPIRAÇÃO .................................................................... 52 Tópico 1 - O processo de evapotranspiração e sua relação com o ciclo hidrológico .............................................................................................................. 52 UNIDADE 3 – INFILTRAÇÃO.................................................................................... 55 Tópico 1 - Os processos de infiltração da água no solo e suas relações com armazenamento e disponibilidade hídrica .................................................................. 55 UNIDADE 4 – ESCOAMENTO................................................................................... 59 Tópico 1 - O escoamento subterrâneo e superficial e suas relações para o dimensionamento de estruturas hídricas ................................................................... 59 UNIDADE 5 – BALANÇO HÍDRICO .......................................................................... 66 Tópico 1 - Disponibilidade hídrica em função das entradas e saídas na bacia hidrográfica ..................................................................................................................... 66 4Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Referências ............................................................................................................. 69 Glossário ................................................................................................................. 71 5Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública APRESENTAÇÃO Caro(a) cursista, Devido à complexidade dos fenômenos e processos envolvidos, a Hidrologia utiliza uma base ampla de conhecimento envolvendo várias áreas, das quais destacamos Hidráulica, Meteorologia, Física e Estatística. O curso que iniciaremos agora, Hidrologia Básica, é constituída por uma parte relevante desse conjunto de conceitos e objetiva identificar e caracterizar os principais fenômenos oriundos da interação da água com o meio ambiente que influenciam a disponibilidade dos recursos hídricos em uma dada região. Destaca-se que o conhecimento dos parâmetros e características hidrológicas de sua região é importante para poder avaliar e gerir adequadamente projetos que visem atender às demandas hídricas locais, bem como para entender e pensar em possíveis ações que mitiguem os eventos extremos. Objetiva-se, portanto, apresentar as noções básicas de hidrologia que nos permitem caracterizar o comportamento hídrico na região de interesse e analisar projetos tanto para elaboração de obras hídricas que visem atenuar o efeito do déficit hídrico, quanto evitar ou conter transtornos advindos de enchentes. Este curso é composto de dois módulos: 1. No primeiro módulo, discutiremos a importância dos sistemas hidrológicos, ciclo hidrológico e sacias hidrográficas; 2. No segundo módulo, abordaremos com mais profundidade o fenômeno da precipitação e controle de enchentes. Fique atento às sugestões de leituras e atividades complementares para que possa se aprofundar nos assuntos e fixar melhor o conteúdo aqui abordado. Desejamos um bom aproveitamento do curso. Objetivos: • Identificar a importância do estudo de sistemas hidrológicos, os principais componentes do ciclo hidrológico e os principais elementos de uma bacia hidrográfica; • Entender os conceitos de gerais e definições sobre a precipitação, evapotranspiração, infiltração, escoamento superficial, escoamento subterrâneo e o balanço hídrico. Esse conjunto de informações constitui o ponto de partida para projetos hidráulicos e é importante para o gestor público o domínio desses conceitos e definições, bem como para suas tomadas de decisões que visem minimizar os transtornos do excesso e da escassez ocasionais de água. 6Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Módulo 1 Sistemas Hidrológicos, Ciclo hidrológico e Bacias Hidrográficas Caro(a) cursista, Este módulo, além de contextualizar a importância do estudo dos sistemas hidrológicos, apresentará dois dos principais conceitos que embasam a hidrologia: o ciclo hidrológico e a bacia hidrográfica. O módulo está organizado da seguinte forma: Unidade 1 - Sistemas Hidrológicos Unidade 2 - Ciclo hidrológico Unidade 3 - Bacia Hidrográfica O ciclo hidrológico será abordado por meio dos principais fenômenos e processos pelos quais a água passa em seu caminho regional de renovação, destacando as consequências do desequilíbrio ocasionado pela ação humana. A bacia hidrográfica será definida e caracterizada por diversos parâmetros relevantes ao seu comportamento. Ambos os conceitos possuem especial relevância para a gestão de recursos hídricos, pois o conhecimento desses é pressuposto para uma intervenção consciente e eficiente que tenda a preservar o meio ambiente ou adaptá-lo às necessidades da população com o mínimo de impacto possível. Vamos à aula! Objetivos • Identificar a importância do estudo de sistemas hidrológicos. • Conhecer os principais componentes do ciclo hidrológico. • Compreender os principais elementos de uma bacia hidrográfica. • Conhecer e calcular os principais parâmetros que caracterizam uma bacia hidrográfica. 7Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública UNIDADE 1 - SISTEMAS HIDROLÓGICOS Tópico 1 - Importância do estudo de sistemas hidrológicos De acordo com Santos et al. (2001), se pensarmos em vida, temos que pensar em água, sendo essa uma condição para a vida. A pluralidade de sua ocorrência e a complexidade do ciclo hidrológico caracteriza a hidrologia como uma ciência multidisciplinar, fascinante, desafiadora e intimamente ligada à observação sistemática da natureza. Fonte: Enap, 2023. A palavra hidrologia tem sua origem do grego hydro (água) e logos (conhecimento), ou seja, ciência que estuda a água. 8Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Diversos autores definem hidrologia. Entre essas definições, destacamos as seguintes: Ciência que discute a água na superfície terrestre, considerando sua ocorrência, circulação e distribuição, suas propriedades físicas e químicas, e sua reação com o meio ambiente, abrangendo sua relação com as formas vivas (CHOW, 1959 apud TUCCI, 2004). A hidrologia - que pode ser definida como o estudo da água existente na Terra e seu comportamento dentro do ciclo hidrológico,bem como sua relação com o ambiente natural - é uma ciência essencial para planejar e projetar o desenvolvimento dos recursos hídricos. Devido ao seu rápido desenvolvimento na última década, a hidrologia tornou-se uma especialidade fundamental para a gestão dos recursos hídricos (UNESCO, 1975). Tucci (2004) relata que o profissional que trabalhe na área de Recursos Hídricos necessita conhecer qualitativamente e quantitativamente os processos físicos envolvidos para um melhor aproveitamento das ferramentas na avaliação e planejamento. A história da humanidade mostra que a evolução da hidrologia resulta do aumento das obras relacionadas aos recursos hídricos, assim como o avanço das obras decorre do avanço da hidrologia. De tal modo, verificamos que a ciência e a tecnologia associadas aos recursos hídricos vêm interagindo entre si e se desenvolvendo (KOBIYAMA; MOTA; CORSEUIL, 2008). A hidrologia, por vezes, é chamada de engenharia hidrológica, podendo ser entendida como a área que analisa o comportamento físico da ocorrência e o aproveitamento da água na bacia hidrográfica, quantificando os recursos hídricos no tempo e no espaço e ponderando o impacto das alterações na bacia 9Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública hidrográfica sobre o desempenho dos processos hidrológicos. A quantificação da disponibilidade hídrica é usada como base para o projeto e planejamento dos recursos hídricos (TUCCI, 2004). A grande dificuldade e preocupação é que as águas de superfícies e subterrâneas usadas no abastecimento humano encontram-se mal distribuídas e, atualmente, a sua carência em diversos locais chama a atenção dos governantes em todo o mundo, pois a escassez do recurso já abrange milhões de pessoas, fato que desacelera e limita o desenvolvimento social e econômico dos países. Na Figura 1, podemos ver a distribuição da água em relação a população no Brasil. Figura 1: Distribuição de água e da população no Brasil Fonte: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, 2017. 10Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública A demanda por água tem sua origem no aumento crescente da população mundial, o que gera um excessivo consumo dos recursos hídricos sem deixar que as devidas reposições naturais tenham tempo para acontecer. Outro fato relacionado e extremamente relevante é o alto índice de contaminação dos corpos hídricos, os quais recebem altas cargas de esgotos urbanos, efluentes industriais, resíduos sólidos e agrotóxicos que, somados às baixas vazões, reduzem a capacidade de recuperação e impedem o estabelecimento do equilíbrio natural, sendo esse decorrente da ação antrópica (KOBIYAMA, MOTA; CORSEUIL, 2008). Assim, podemos dizer que a falta de conhecimento do sistema hidrológico pode acarretar problemas como os que ocorrem com frequência nas áreas urbanas, entre os quais destacamos: construção em áreas consideradas de risco; projetos com reservatórios superdimensionados ou subdimensionados; sérios problemas em sistemas de drenagem urbana e agrícola; projetos de irrigação sem disponibilidade hídrica suficiente; poços indevidamente perfurados; aumento ou surgimento de áreas com solos salinizados nas regiões áridas e semiáridas; bem como a gestão ineficiente dos recursos hídricos; entre outros (STUDART, 2004). Vimos neste tópico um breve relato da importância dos sistemas hídricos, aspectos que refletem o valor do sistema hídrico na tomada de decisão. No próximo tópico, conheceremos os conceitos de ciclo hidrológico e a bacia hidrográfica. Leia o artigo A importância da hidrologia na prevenção e mitigação de desastres naturais, de Leandro Redin Vestena, 2008, em: https:// www.researchgate.net/publication/277805331_A_importancia_ da_hidrologia_na_prevencao_e_mitigacao_de_desastres_ naturais_The_importance_of_hydrology_in_the_prevention_and_ mitigation_of_natural_disasters. Aprenda e tire suas dúvidas sobre os diversos termos hidrológicos em: https://arquivos.ana.gov.br/imprensa/ noticias/20150406034300_Portaria_149-2015.pdf Conheça A Rede Hidrometeorológica Nacional, assistindo ao vídeo da Agência Nacional de Águas (ANA) em: A Rede Hidrometeorológica Nacional https://www.researchgate.net/publication/277805331_A_importancia_da_hidrologia_na_prevencao_e_mitigacao_de_desastres_naturais_The_importance_of_hydrology_in_the_prevention_and_mitigation_of_natural_disasters https://www.researchgate.net/publication/277805331_A_importancia_da_hidrologia_na_prevencao_e_mitigacao_de_desastres_naturais_The_importance_of_hydrology_in_the_prevention_and_mitigation_of_natural_disasters https://www.researchgate.net/publication/277805331_A_importancia_da_hidrologia_na_prevencao_e_mitigacao_de_desastres_naturais_The_importance_of_hydrology_in_the_prevention_and_mitigation_of_natural_disasters https://www.researchgate.net/publication/277805331_A_importancia_da_hidrologia_na_prevencao_e_mitigacao_de_desastres_naturais_The_importance_of_hydrology_in_the_prevention_and_mitigation_of_natural_disasters https://www.researchgate.net/publication/277805331_A_importancia_da_hidrologia_na_prevencao_e_mitigacao_de_desastres_naturais_The_importance_of_hydrology_in_the_prevention_and_mitigation_of_natural_disasters https://arquivos.ana.gov.br/imprensa/noticias/20150406034300_Portaria_149-2015.pdf https://arquivos.ana.gov.br/imprensa/noticias/20150406034300_Portaria_149-2015.pdf https://youtu.be/wI0lXIrnIMg https://youtu.be/wI0lXIrnIMg 11Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública UNIDADE 2 - CICLO HIDROLÓGICO Tópico 1 - O ciclo hidrológico e seus componentes A água está praticamente em tudo que imaginamos e se encontra em vários estados. No âmbito global, podemos dizer que a quantidade de água é a mesma, não havendo perdas, apenas se transforma em suas diversas fases (líquida, gasosa, sólida), circulando no globo. Já em termos qualitativos, as perdas são constantes, em função dos diversos usos que fazem com que muitas vezes retorne com a qualidade inferior. Fonte: Pixabay. 6186745 , 2023. Quando analisamos o ciclo da água, considerando o aspecto regional, observamos que o quantitativo pode variar, pois as entradas, bem como as saídas da água, em uma determinada região, são variáveis em função de diversos aspectos, os quais compõem o ciclo hidrológico, sofrendo alteração tanto na escala espacial quanto temporal. Assim, podemos dizer que o ciclo da água é um sistema que nos mostra o comportamento da água em suas diversas fases no globo terrestre. Nosso interesse encontra-se, principalmente, nas fases do ciclo em que se processam sobre a superfície terrestre, ou seja: 12Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Fonte: Enap,2023 É importante lembrar que os processos que envolvem o ciclo hidrológico têm como principais agentes desencadeadores a energia solar, a gravidade e a rotação terrestre – agindo, muitas vezes, de forma conjunta. Na Figura 2, podemos observar as principais fases do ciclo hidrológico, que consiste em um fenômeno global de circulação fechada da água entre a superfície terrestre e a atmosfera. 13Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Figura 2: Ciclo Hidrológico Fonte: Adaptado por DEAD/IFCE (2015). O ciclo hidrológico nos mostra a água em suas diversas fases. Sua ocorrência se dá desde precipitações até o seu regresso à atmosfera, sob a forma de vapor através do fenômeno da evaporação e evapotranspiração. O seu estudo é de grande interesse e se destaca quando se trata da superfície terrestre, pois é por meio dele que poderemos analisar a viabilidade hídrica de uma região, sendo para isso necessário o conhecimento da bacia hidrográfica, que forma a unidade espacial natural da hidrologia. Entenda melhor o ciclo Hidrológico assistindo ao vídeo no link: O ciclo da água https://youtu.be/9GKIkY69X3E 14Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública UNIDADE 3 - BACIA HIDROGRÁFICA Tópico 1 - A definição de uma bacia hidrográfica A bacia hidrográfica é umaárea de captação natural da água de precipitação que faz convergir os escoamentos para um único ponto de saída, seu exutório. A bacia hidrográfica compõe-se basicamente de um conjunto de superfícies vertentes e de uma rede de drenagem formada por cursos de água que confluem até resultar um leito único no exutório (TUCCI, 2004). Podemos também nos referir à bacia hidrográfica como a área determinada topograficamente, delimitada pelos divisores de águas (linhas que unem os pontos de cotas mais elevadas), a qual é drenada por um curso de água ou por um conjunto desses cursos conectados, de forma que toda vazão efluente seja drenada por uma simples saída (CECÍLIO; REIS, 2006). Fonte: Pixabay, 679014, 2023. Observa-se, na Figura 3, uma área delimitada de uma bacia hidrográfica. 15Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Figura 3: Bacia Hidrográfica Fonte: DEAD/IFCE (2015). No contexto das bacias hidrográficas, podemos dizer que cada bacia hidrográfica se interliga com outra de ordem hierárquica superior, constituindo, em relação à última, uma sub-bacia. Portanto, os termos bacia e sub-bacia hidrográfica são relativos (SANTANA, 2003). Um exemplo disso é a Figura 4 a seguir. 16Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Figura 4: Bacia hidrográfica e sub-bacias Fonte: Adaptado de http://www.ufscar.br/aprender/aprender/2010/06/bacias-hidrograficas/. A bacia hidrográfica é limitada com base no divisor topográfico, o qual toma como base as cotas do terreno, levando em consideração a topografia. Assista à animação em: Comitê bacia hidrográfica Assista ao vídeo sobre bacias hidrográficas em: O que são bacias hidrográficas? Com base no vídeo assistido, descreva uma bacia hidrográfica em sua região e os fatores envolvidos na disponibilidade hídrica, bem como os fatores positivos e negativos oriundos das ações antrópicas. Na Figura 5, podemos visualizar os dois tipos de divisores. Ressaltamos que o divisor freático é variável, pois depende das flutuações do lençol freático, visto que, quanto http://www.ufscar.br/aprender/aprender/2010/06/bacias-hidrograficas/ https://youtu.be/okmOVxPynMQ https://youtu.be/P7fg1PfS8Ig https://youtu.be/P7fg1PfS8Ig 17Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública mais elevado o nível do lençol freático, mais se aproxima o divisor freático do divisor topográfico. Figura 5: Divisores topográficos (águas superficiais) e freáticos (águas subterrâneas) Fonte: Adaptado de Collischonn; Dornelles (2015). A delimitação da bacia hidrográfica, levando em consideração o divisor topográfico, é realizada a partir de mapas topográficos e das características dos cursos de água. Os divisores são ortogonais às curvas de nível e partem da foz em direção às maiores cotas (Figura 6). Para delimitar uma bacia hidrográfica, deve-se utilizar uma carta planialtimétrica em escala adequada (dados planialtimétricos) e atentar-se para os seguintes passos: 1. Localizar o exutório. 2. Identificar a rede de drenagem com foco no curso d’água principal. 3. Identificar a rede de drenagem com foco nos cursos d’água secundários e demais cursos de drenagem. 4. Identificar as maiores altitudes nas proximidades das nascentes dos cursos d’água. 5. Traçar os divisores de água, ligando os pontos de maiores 18Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública altitudes e sempre perpendicular às linhas de cotas. 6. Verificar por meio da diferença de cota (da maior para menor, em trajetória perpendicular ao traçado das linhas) para onde uma gota de água escoaria nas proximidades dos divisores traçados. Figura 6: Etapas para a delimitação de uma bacia hidrográfica Fonte: DEAD/IFCE (2015). Uma vez delimitada a bacia hidrográfica, é possível contextualizar melhor o 19Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública comportamento de seu rio principal e afluentes. Conforme Bertolini (2010, p. 56-57): A configuração do relevo em temos de inclinação e direção das vertentes está diretamente relacionada ao escoamento superficial da água e, consequentemente, ao papel que essa água desempenha na superfície, seja em termos dos processos morfodinâmicos seja quanto aos locais do terreno onde ela poderá se acumular. (BERTOLINI, 2010) Nesse contexto, Christofoletti (1980) relata que a unidade vertente pode ser dividida em três partes: alta, média e baixa. + Alta vertente Na alta vertente encontra-se o interflúvio e a zona de abastecimento (infiltração) dos reservatórios subterrâneos. Região na qual se observa processos de pedogênese, o movimento vertical do escoamento superficial, e à atuação mecânica e à química da água subsuperficial. É o local onde a força da corrente é maior devido aos maiores desníveis do relevo. + Média vertente A média vertente é uma área propícia à atuação dos intemperismos físico e químico, resultando possíveis desmoronamentos e deslizamentos, os quais produzirão material que será transportado. Observa-se que os materiais rochosos continuam a ser desgastados pela força da corrente e também aumentam a ação erosiva do rio. + Baixa vertente Na baixa vertente, ocorrem múltiplos processos como depósitos aluvionares, ação da água subsuperficial; enquanto, no leito do canal fluvial, ocorre transporte de material para jusante, com a ação da água superficial. Observa-se que, nessa área, a deposição e acumulação dos materiais transportados são agora muito mais finos e leves, originando a formação de planícies aluviais. O perfil transversal de um rio (Figura 7) nos mostra as secções transversais características de sua nascente a foz. 20Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Figura 7: Seções características da nascente a foz de um rio Fonte: Adaptado de DEAD/IFCE (2015). Ressalta-se que, ao se referir ao escoamento de um rio, comumente, costuma-se caracterizar o fluxo das águas ocorrendo no sentido de Montante para Jusante, permitindo a localização do ponto ou seção estudada em relação ao fluxo do rio (Figura 8). 21Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Figura 8: Jusante e Montante Fonte: Adaptado por DEAD/IFCE (2015). Segundo Christofoletti (1981), o perfil longitudinal é determinado a partir de uma linha que une pontos do seu leito, desde a nascente até a foz, e permite identificar o declive do leito do rio ao longo do seu percurso. Por sua vez, o perfil transversal aborda a linha imaginária que intersecta um plano vertical com o vale do rio, sendo perpendicular ao leito do rio, mostrando as características do vale numa determinada seção do rio. Assim, a seção transversal do rio aponta a magnitude da sua modificação, em função dos possíveis ciclos de inundação e estiagem sucedidos no trecho (OLIVEIRA, 2012). Podemos observar o perfil longitudinal e transversal na Figura 9, e a amplitude da seção transversal pode ser observada na Figura 10. 22Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Figura 9: Ilustração dos cursos superior, médio e inferior de um rio Fonte: Adaptado por DEAD/IFCE (2015). Figura 10: Amplitude da seção transversal de um trecho de rio Fonte: Adaptado por DEAD/IFCE (2015). 23Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Algumas características do relevo ao longo dos cursos superior, médio e inferior do rio principal de uma bacia hidrográfica são ilustradas na Figura 11. Figura 11: Topográfica característica ao longo de um rio Fonte: Adaptado por DEAD/IFCE (2015). Ainda podemos destacar as zonas hidro geodinâmicas, a saber: Zonas de recarga: podem ser representadas pelos topos de morros e chapadas, com solos profundos e permeáveis e relevo suave, o que é importante para o abastecimento do lençol freático. Zonas de erosão: representadas pelas vertentes com diferentes declividades, na qual o escoamento superficial chega a superar a infiltração. Zonas de sedimentação: engloba as planícies fluviais ou várzeas, onde o material erodido é depositado. 24Enap FundaçãoEscola Nacional de Administração Pública Tópico 2 - Parâmetros físicos que caracterizam uma bacia hidrográfica A bacia hidrográfica pode ser classificada em função de diversos parâmetros, entre os quais destacamos: • Deságue • Regime dos Cursos de Água • Padrão de Drenagem • Área • Perímetro e Comprimento • Declividade • Hipsiometria • Tempo de Concentração • Coeficiente de Compacidade • Fator de Forma • Densidade de Drenagem • Ordenamento dos cursos de água Essas classificações baseadas nos parâmetros listados acima permitem analisar o comportamento da bacia e servem como indicadores de seu comportamento. A seguir, vemos com mais detalhes cada uma dessas classificações: DESÁGUE Na classificação, conforme o padrão de deságue (CHRISTOFOLETTI, 1980), podemos dividir a bacia em: + Exorréicas: Deságuam diretamente o oceano. + Endorréicas Drenagens internas e não possuem escoamento até o mar, deságuam em um lago (ex.: Lago Titicaca). + Arréicas Não há padrão (ex.: desertos). + Criptorréicas Escoamento basicamente subterrâneo, devido às características geológicas (ex.: regiões cársticas). 25Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública REGIME DOS CURSOS DE ÁGUA Em relação aos cursos de água, podemos dizer que, conforme os escoamentos das águas nos rios, os cursos são: perenes, intermitentes ou efêmeros. Em um curso de água, podemos ter um, dois ou os três tipos de cursos ocorrendo, isso dependerá das características geológicas do curso desse rio. PADRÃO DE DRENAGEM O padrão de drenagem representa o arranjo dos cursos de água, sofrendo interferência da geomorfologia do local e da topografia, podendo ser classificada em: dendrítica, treliça, retangular, paralela, radial, anelar (Figura 12). 26Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Figura 12: Tipos de padrão de drenagem Fonte: Adaptado de http://www.pedologiafacil.com.br/enquetes/enq44.php. ÁREA A área também se apresenta como importante, sendo utilizada na determinação de outras características físicas da bacia hidrográfica, tendo influência na disponibilidade hídrica local, pois, se considerarmos a bacia hidrográfica impermeável, a vazão será um reflexo direto do produto entre precipitação e área. Porém, sabemos que a bacia não é impermeável, no entanto, verificamos que a vazão disponível é uma função também de sua área. A determinação da área deve ser feita com muito rigor a partir de fotografias aéreas, mapas topográficos, levantamento de campo, imagens de satélite ou modelos digitais de terreno. Para determinar a área de uma bacia que foi delimitada, podemos utilizar algumas ferramentas que facilitam a sua determinação, tais como os métodos numéricos. Além desses, podemos também utilizar métodos manuais, como o planímetro, método da pesagem e da contagem das quadriculas. http://www.pedologiafacil.com.br/enquetes/enq44.php 27Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Ressaltamos que, pela precisão, facilidade e segurança, essa determinação deve ser feita com ferramentas computacionais largamente difundidas, usando softwares baseados no SIG (Sistemas de Informações Geográficas – Geographic Information System GIS) ou CAD (Computer Aided Design – Desenho auxiliado por computador). Em relação à área de bacias hidrográficas, observamos que, de maneira geral, está correlacionada com a vazão disponível. No entanto, apenas fazer inferência baseada na área da bacia pode gerar conclusões errôneas, pois outros fatores estão envolvidos nessa em maior ou menor disponibilidade. Na Tabela 1, podemos observar que bacias com áreas semelhantes podem apresentar padrão de vazão bastante distinto. Tabela 1: Exemplos da relação Área e Vazão BACIA ÁREA (km2) QMAX (m3/s) Rio Little 18.200 18.320 Rio Susquehanna 25.785 6.570 Rio Souris 26.600 340 Rio Potomac 24.980 13.595 Rio Deschutes 27.185 1.235 Rio Cumberland 27.700 5.270 Fonte: Autora, 2023. PERÍMETRO E COMPRIMENTO Outras características importantes da bacia são o perímetro e comprimento. O perímetro representa o comprimento total da projeção ortogonal dos divisores de água. Dentro da bacia, é possível determinar o comprimento do rio principal, de outros cursos d’agua ou de toda a rede de drenagem. Normalmente o comprimento é medido pelo talvegue, que é a linha sinuosa localizada no fundo do vale onde passa a água. Também existe interesse no comprimento axial, que dispensa a sinuosidade e refere-se à distância da foz ao divisor de água da cabeceira, estando mais relacionado à forma da bacia. 28Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública DECLIVIDADE A declividade em uma bacia hidrográfica está correlacionada a importantes processos hidrológicos, entre os quais podemos destacar: a infiltração, o escoamento superficial, a umidade do solo, etc. Além disso, configura-se como um dos principais fatores que regulam o tempo de duração do escoamento superficial e de concentração da precipitação nos leitos dos cursos de água (LIMA, 2013). O valor da declividade vai influenciar as vazões máximas e mínimas e tem relação com a velocidade de ocorrência do escoamento. Veja a seguir: Maior Declividade Maior → Pico de cheia → Menor Vazão de estiagem A declividade média da bacia pode ser determinada pela equação a seguir: Em que: I – Declividade média da bacia (%). D – Equidistância entre as curvas de nível (m). A – Área da bacia (m2). CNi – Comprimento total das curvas de nível (m). Guarde bem isso! A curva de distribuição de declividade ou declividade média de uma bacia hidrográfica é um elemento que pode permitir regular parcialmente a velocidade de escoamento superficial que, por sua vez, pode vir a ocasionar enchentes e erosão. Assim, é indispensável para o correto manejo da bacia, quando se pensa em propostas de práticas de conservação de água e solo. 29Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública A declividade dos cursos de água pode ser classificada ainda de acordo com seu tipo (Figura 13). Vejamos as definições a seguir: Figura 13: Declividades Fonte: DEAD/IFCE (2015). Declividade entre a foz e a nascente Diferença entre as cotas da nascente e da foz dividida pela extensão total do rio. Declividade de equivalência de áreas Linha com declividade obtida por compensação de áreas, de forma que a área entre ela e a abscissa seja igual à compreendida entre a curva do perfil e a abscissa. 30Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Declividade equivalente constante É a média harmônica ponderada da raiz quadrada das declividades dos diversos trechos retilíneos, tendo como peso a extensão de cada trecho. Declividade 15 – 85 Diferença entre as cotas a 85% e 10% da extensão total do rio dividida por 75% dessa extensão Em que: H – diferença de cotas. L – extensão horizontal do perfil (dividido em n trechos). Li – extensão do trecho i. Di – declividade média em cada trecho. HIPSIOMETRIA A curva hipsométrica representa graficamente o relevo médio de uma bacia hidrográfica, permitindo avaliar a porcentagem da área da bacia que se encontra em uma determinada altitude básica (Figura 14). Figura 14: Curva Hipsométrica Fonte: Adaptado de http://www.civil3d.tutorialesaldia.com/tag/curva-hipsometrica/. http://www.civil3d.tutorialesaldia.com/tag/curva-hipsometrica/ 31Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública TEMPO DE CONCENTRAÇÃO O tempo de concentração é definido como quando tempo que uma gota de precipitação que caiu no ponto mais distante do exutório leva para chegar até ele (Figura 15). Assim, a distância a ser percorrida e a velocidade dessa “gota” de água no percurso até o exutório são os principais elementos para definição do tempo. Algumas das características físicas podem influenciar relativamente na velocidade e na distância, como: • Forma da bacia • Comprimento do talvegue • Área da bacia • Declividade da bacia • Ação antrópica Figura 15: Tempo de Concentração Fonte: Adaptado por DEaD/IFCE (2015).Para a determinação do tempo de concentração, podemos usar equações empíricas, como a de Kirpich: 32Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Em que: Tc = tempo de concentração em minutos. LT = comprimento do talvegue (km). ∆h = diferença de altitude ao longo do talvegue (m). COEFICIENTE DE COMPACIDADE O coeficiente de compacidade (Kc) representa uma relação entre o perímetro da bacia e a circunferência de área correspondente a da bacia. Pela fórmula da área do círculo, temos: ; lembrando que Substituindo na equação de Kc, encontramos que: Em que: Kc – coeficiente de compacidade. P – perímetro da bacia. A – área da bacia. r – raio da circunferência. O coeficiente de compacidade fornece uma noção da probabilidade de a bacia ser susceptível a enchentes. A Tabela 2 apresenta os valores de Kc com sua susceptibilidade à ocorrência de enchentes. Tabela 2: Valores de Kc VALORES DE KC SUSCEPTIBILIDADE A ENCHENTE 1,00 ≤ kc < 1,25 Bacia com alta propensão a grandes enchentes. 1,25 ≤ kc < 1,50 Bacia com tendência mediana a grandes enchentes. > 1,50 Bacia não sujeita a grandes enchentes. Fonte: Adaptado de Lima et al. (2013). 33Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Guarde bem isso! O que podemos observar e interpretar em relação aos valores de Kc? • Quanto mais próximo da unidade, a tendência é de a bacia ser circular, e maior é a probabilidade de enchente. • Os valores de Kc são sempre iguais ou maiores que 1. • Bacias alongadas apresentam menor probabilidade de ocorrer enchente que as circulares. FATOR DE FORMA Outro parâmetro importante é o fator de forma, que também permite avaliar a probabilidade de ocorrência de enchente na bacia. É determinado pela relação entre a largura média e o comprimento axial da bacia. Permite avaliar o quanto a forma da bacia hidrográfica é alongada. onde: Em que: Kf – fator de forma. – Largura média. Lax – comprimento axial . Podemos observar os valores de Kf e, respectivamente, sua condição em relação à susceptibilidade à ocorrência de enchentes na Tabela 3. Tabela 3: Correlação entre valores de Kf e susceptibilidade a enchente VALORES DE KC SUSCEPTIBILIDADE A ENCHENTE Kf ≥ 0,75 Bacia sujeita a enchentes 0,50 < Kf < 0,75 Bacia com tendência mediana a enchentes Kf ≤ 0,50 Bacia não sujeita a enchentes Fonte: Adaptado de Lima et al. (2013). 34Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Guarde bem isso! O que podemos observar e interpretar em relação aos valores de Kf? • Quanto mais próximo de zero, a tendência é de que a bacia seja mais alongada e menor a probabilidade de enchente. • Os valores de Kf são maiores que zero. • As bacias alongadas apresentam menor probabilidade de ocorrer enchente que as circulares. DENSIDADE DE DRENAGEM A densidade de drenagem é uma das características importantes na análise morfométrica das bacias de drenagem. Expressa o grau de dissecação topográfica nas paisagens elaboradas pela atuação fluvial ou representa a quantidade disponível de canais para o escoamento e o controle exercido pelas estruturas geológicas (CHRISTOFOLETTI, 1981). Os fatores clima, topografia, solo e rocha influenciam a densidade de drenagem, que permite uma inferência do grau de desenvolvimento do sistema de drenagem, apresentando uma indicação da eficiência da drenagem da bacia. A equação abaixo permite determinar a densidade de drenagem de uma bacia e, de acordo com o valor obtido, é realizada a intepretação do resultado (Tabela 4). (Equação 3) Em que: Dd – densidade de drenagem. Ltotal – comprimento total dos canais. A – área da Bacia Hidrográfica. 35Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Tabela 4: Densidade de drenagem VALOR DENSIDADE DE DRENAGEM INTERPRETAÇÃO Dd > 3,5 km/km2 Bacias excepcionalmente bem drenadas 2,5 ≤ Dd < 3,5 km/km2 Bacias com drenagem muito boa 1,5 ≤ Dd < 2,5 km/km2 Bacias com drenagem boa 0,5 ≤ Dd < 1,5 km/km2 Bacias com drenagem regular Dd < 0,5 km/km2 Bacias com drenagem pobre Fonte: Adaptado de Dortzbach et al. (Villela; Mattos, 1975). ORDENAMENTO DOS CURSOS DE ÁGUA O ordenamento dos cursos de água nas bacias hidrográficas reflete os resultados diretos do uso da terra. Pode-se analisar que, quanto mais ramificada a rede, mais eficiente será o sistema de drenagem (SAITO, 2011). A ordenação dos cursos de água permite definir o grau de ramificações e/ ou bifurcações existentes em uma bacia hidrográfica. A classificação de ordenamento dos cursos mais empregada é a proposta por Horton (1945) e modificada por Strahler (1957). Essa ordenação permite identificar a posição hierárquica que um curso de água ocupa na rede de drenagem. A ordenação é realizada da seguinte maneira: inicialmente, as linhas de drenagem, que não têm nenhum afluente, são designadas como linhas de 1ª ordem. A ordem das demais linhas é determinada de acordo com o método (Horton, Strahler e Shreve), representados na Tabela 5 abaixo, com as características de cada método. 36Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Tabela 5: Ordenamento cursos d’água MÉTODO ORDENAMENTO ILUSTRAÇÃO Strahler - As linhas de 2ª ordem são formadas pela junção de duas linhas de 1ª ordem; as linhas de 3ª ordem são formadas pela junção de duas linhas de 2ª ordem, assim sucessivamente. Ressaltamos que as linhas de 3ª ordem, podem também receber um canal de 1ª ordem. Fonte: http://www.dpi.inpe.br/ cursos/tutoriais/modelagem/ cap2_modelos_hidrologicos.pdf. Shreve - Extensões são adicionadas sempre que ocorre a união de duas linhas de drenagem, sendo que, se a junção é de duas linhas de 2ª ordem, o trecho a jusante recebe a qualificação de 4ª ordem. É importante observar que nesse método algumas ordens podem não existir. Fonte: http://www.dpi.inpe.br/ cursos/tutoriais/modelagem/ cap2_modelos_hidrologicos.pdf. http://www.dpi.inpe.br/cursos/tutoriais/modelagem/cap2_modelos_hidrologicos.pdf http://www.dpi.inpe.br/cursos/tutoriais/modelagem/cap2_modelos_hidrologicos.pdf http://www.dpi.inpe.br/cursos/tutoriais/modelagem/cap2_modelos_hidrologicos.pdf http://www.dpi.inpe.br/cursos/tutoriais/modelagem/cap2_modelos_hidrologicos.pdf http://www.dpi.inpe.br/cursos/tutoriais/modelagem/cap2_modelos_hidrologicos.pdf http://www.dpi.inpe.br/cursos/tutoriais/modelagem/cap2_modelos_hidrologicos.pdf 37Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública MÉTODO ORDENAMENTO ILUSTRAÇÃO Horton - Nesse método, os canais de 2ª ordem apresentam somente afluentes de 1ª ordem. Já os canais de 3ª ordem têm afluência de canais de 2ª ordem, porém também podem receber diretamente canais de 1ª ordem. Assim, os canais de ordem u podem ter tributários de ordem u-1 até 1. O que indica a atribuição de maior ordem ao rio principal, ampliando esta designação em todo o seu comprimento, do exutório à nascente. Fonte: DEAD/IFCE (2015). Fonte: Adaptado de Rennó e Soares (2003) CODIFICAÇÃO OTTO Um método de classificação muito importante e utilizado pela Agência Nacional de Águas para codificar as bacias hidrográficas brasileiras é o método de Otto Pfafstetter. A codificação de bacias hidrográficas pelo método de Otto Pfafstetter possibilita a hierarquização das bacias hidrográficas, ou seja, a definição da posição relativa e o ordenamento entre as bacias e interbacias. Assim, com a geração do código único pelo sistema, é possível a identificação da posição relativa de uma bacia ou interbacia em relação às demais, sejam essas subdivisões ou localizadas a montante ou a jusante (ELESBON et al., 2009). Conforme Teixeira et al. (2007), a codificação de Otto Pfafstetter se baseia nos seguintes princípios: 38Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Teixeira et al. (2007) ainda relatam que: Cada bacia, interbacia e intrabacia devidamente codificada e discretizada, conforme o nível de detalhe para o trecho, passa a ser uma Otto bacia. As bacias determinadas anteriormente podem sernovamente codificadas conforme o nível de detalhe a atingir, sendo, então, atribuído um algarismo adicional. As bacias pares são codificadas como uma nova bacia integral, sendo que cada afluente, no trecho correspondente à maior área de contribuição, passa a ser considerado um novo curso d’água principal. As interbacias são codificadas considerando-se o mesmo rio principal da fase anterior, restrito ao trecho incremental considerado. O processo pode ser repetido enquanto houver afluentes na rede hidrográfica representada na escala de trabalho adotada. (TEIXEIRA et al., 2007) 39Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Recomenda-se, para um melhor entendimento e utilização do método adotado pela Agência Nacional de Águas, que acessem a apostila CODIFICAÇÃO DE BACIAS HIDROGRÁFICAS PELO MÉTODO DE OTTO PFAFSTETTER - Aplicação na ANA, a qual se encontra disponível em: https://capacitacao2.ana.gov.br/conhecerh/bitstream/ ana/104/1/apostila.pdf. Também indicamos a leitura do artigo de Texeira et al. (2022) com melhorias propostas para o sistema de codificação Pfafstetter - Improvements on the Pfafstetter basin coding system proposal (Melhorias na proposta do sistema de codificação de bacias hidrográfica de Pfafstetter), o qual pode ser acessado por meio do link: h t t p s : / / w w w . s c i e l o . b r / j / r b r h / a / q573vgGK9dw7btfLQSQ7gCd/?format=pdf&lang=en. A ANA disponibiliza no catálogo de metadados do portal SNIRH uma base hidrográfica ottocodificada (BHO) composta por trechos de drenagem e suas respectivas áreas de contribuição hídrica, contendo várias informações importantes, como o comprimento do curso d’água, área da bacia, distância à foz, etc. São várias bases disponíveis, com várias escalas e recortes espaciais, para serem visualizados e manipulados em um SIG (Sistema de Informações Geográficas). Explore acessando o Catálogo de Metadados da ANA (snirh. gov.br): https://metadados.snirh.gov.br/geonetwork/srv/por/ catalog.search#/search?any=bho. https://capacitacao2.ana.gov.br/conhecerh/bitstream/ana/104/1/apostila.pdf https://capacitacao2.ana.gov.br/conhecerh/bitstream/ana/104/1/apostila.pdf https://www.scielo.br/j/rbrh/a/q573vgGK9dw7btfLQSQ7gCd/?format=pdf&lang=en https://www.scielo.br/j/rbrh/a/q573vgGK9dw7btfLQSQ7gCd/?format=pdf&lang=en 40Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Principais componentes do ciclo hidrológico e suas relações com o ambiente Caro (a) cursista, Estamos dando início à nossa segunda aula, na qual abordaremos alguns conceitos gerais e definições sobre a precipitação, evapotranspiração, infiltração, escoamento superficial, escoamento subterrâneo e o balanço hídrico. Esse conjunto de informações constitui a base para projetos hidráulicos e é importante para o gestor público o domínio desses conceitos e definições, bem como para suas tomadas de decisões que visem minimizar os transtornos do excesso e da escassez ocasionais de água. Vamos à aula! Objetivos: Entender os conceitos gerais e definições sobre a precipitação, evapotranspiração, infiltração, escoamento superficial, escoamento subterrâneo e o balanço hídrico. Módulo 2 41Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública UNIDADE 1 – PRECIPITAÇÃO Tópico 1 - Os processos de precipitação e medições Fonte: Pixabay 4047523, 2023. A precipitação, em Hidrologia, é o termo geral dado a todas as formas de água depositada na superfície terrestre, tais como chuvisco, chuva, neve, granizo, orvalho e geada (COLLISCHONN; DORNELLES, 2015). A seguir, vamos conceituar cada uma dessas formas de acordo com Tucci (2004). + Chuvisco (neblina ou garoa) Precipitação muito fina e de baixa chuva - gotas de água que descem das nuvens para a superfície. É medida em milímetros. + Neve Precipitação em forma de cristais de gelo que, durante a queda, coalescem, formando flocos de dimensões variáveis. + Saraiva Precipitação em forma de pequenas pedras de gelo arredondadas, com diâmetro de cerca de 5 mm. 42Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública + Granizo Quando as pedras, redondas ou de formato irregular, atingem diâmetro superior a 5 mm. + Orvalho Objetos expostos ao ar à noite amanhecem cobertos por gotículas d’água. Isso se dá devido ao resfriamento noturno, que baixa a temperatura até o ponto de orvalho. Geada: é uma camada, geralmente fina, de cristais de gelo, formada no solo ou na superfície vegetal. Processo semelhante ao do orvalho, só que em temperaturas inferiores a 0° C. Comumente, os termos precipitação e chuva se confundem, uma vez que a neve é incomum no nosso país e as outras formas pouco contribuem para a vazão dos rios. As chuvas podem ser classificadas conforme o movimento e interação entre massas de ar. Há basicamente três tipos de precipitação: frontais, orográficas e convectivas (Figura 16). Figura 16: Tipos de Chuvas Fonte: DEAD/IFCE (2015). Collischonn e Dornelles (2015) definem essas formas de precipitação do seguinte modo: FRONTAIS As chuvas frontais ocorrem quando se encontram duas grandes massas de ar, de diferentes temperatura e umidade. Na frente de contato, entre as duas massas, o ar mais quente (mais leve e, normalmente, mais úmido) é empurrado para cima, onde atinge temperaturas mais baixas, resultando na condensação do vapor. As massas de ar que formam as chuvas frontais têm centenas de quilômetros de extensão 43Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública e movimentam-se de forma relativamente lenta. Consequentemente, as chuvas frontais caracterizam-se pela longa duração e por atingirem grandes extensões. No Brasil, as chuvas frontais são muito frequentes na região Sul, atingindo também as regiões Sudeste, Centro Oeste e, por vezes, o Nordeste. Chuvas frontais têm uma intensidade relativamente baixa e uma duração relativamente longa. Em alguns casos, as frentes podem ficar estacionárias, e a chuva pode atingir o mesmo local por vários dias seguidos. OROGRÁFICAS As chuvas orográficas ocorrem em regiões em que um grande obstáculo do relevo, como uma cordilheira ou serra muito alta, impede a passagem de ventos quentes e úmidos, que sopram do mar, obrigando o ar a subir. Em maiores altitudes, a umidade do ar se condensa, formando nuvens junto aos picos da serra, onde chove com muita frequência. CONVECTIVAS As chuvas convectivas ocorrem pelo aquecimento de massas de ar, relativamente pequenas, que estão em contato direto com a superfície quente dos continentes e oceanos. O aquecimento do ar pode resultar na sua subida para níveis mais altos da atmosfera, onde as baixas temperaturas condensam o vapor, formando nuvens. Esse processo pode ou não resultar em chuva, e as chuvas convectivas são caracterizadas pela alta intensidade e pela curta duração normalmente, porém, as chuvas convectivas ocorrem de forma concentrada sobre áreas relativamente pequenas. No Brasil, há uma predominância de chuvas convectivas, especialmente nas regiões tropicais, são típicas de regiões com altas temperaturas e conhecidas também como chuvas de verão (exemplo: chuvas que ocorrem normalmente no sudeste brasileiro durante as tardes de verão). Guarde bem isso! Os processos convectivos produzem chuvas de grande intensidade e de duração relativamente curta. Problemas de inundação em áreas urbanas estão, muitas vezes, relacionados às chuvas convectivas. O entendimento da ocorrência da chuva em uma bacia hidrográfica, bem como a sua quantificação, é de extrema importância para análise do comportamento das vazões nos rios. 44Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Assim, a precipitação, deverá ser medida considerando conceitos como altura da lâmina precipitada, duração e intensidade. Além disso, devido à sua variabilidade no espaço, temos a necessidade de definir a precipitação média em uma dada área. Devido à variabilidade temporal das precipitações, os conceitos de frequência, tempo de recorrência e chuvas máximas surgemcomo fundamentais para a caracterização do regime pluviométrico de uma região. MEDIÇÃO DA PRECIPITAÇÃO Associadas à precipitação existem algumas grandezas que possibilitam sua caracterização e, consequentemente, sua análise quantitativa. As principais são: + Altura A altura pluviométrica é a espessura da lâmina d’água precipitada que recobriria uma dada região plana, admitindo-se que toda água precipitada durante o evento de chuva permaneça naquela região sem evaporar, infiltrar ou escoar para fora dos seus limites. A unidade de medição habitual é o milímetro de chuva. Cada milímetro de chuva equivale ao volume de 1 litro de água por metro quadrado de superfície. + Duração A duração é o período de tempo durante o qual a chuva cai. As unidades normalmente são: minuto, hora ou dia. + Intensidade A intensidade é a precipitação por unidade de tempo (divisão da altura pluviométrica pela duração). Normalmente, a intensidade é expressa em milímetro por hora (mm/h). + Frequência A frequência é a quantidade de ocorrências do evento dentro de uma amostra, ou, no caso da frequência de excedência, a quantidade de ocorrência iguais ou superiores ao valor do evento alvo. O instrumento utilizado para medir a altura pluviométrica é o pluviômetro. No monitoramento convencional, a altura de chuva é medida uma vez ao dia, sempre no mesmo horário e dá origem às séries de precipitações diárias. Pluviômetros automáticos conseguem medir e armazenar a altura de chuva para durações menores, substituindo o pluviógrafo tradicional que registrava 45Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública continuamente a quantidade de chuva em um cilindro de papel. Além disso, as informações de quantidade de chuva no decorrer do tempo também podem ser transmitidas remotamente via telefonia móvel, rádio ou satélite. A Figura 17 ilustra o pluviômetro e o pluviógrafo. Figura 17: Pluviômetro e Pluviógrafo Fonte: autoria própria. Faça uma revisão sobre os sistemas de unidades nos links a seguir: https://www.gov.br/inmetro/pt-br/centrais-de-conteudo/ publicacoes/documentos-tecnicos-em-metrologia/si_versao_ final.pdf/view h t t p s : / / w w w . i f s c . u s p . b r / ~ d o n o s o / a m b i e n t a l / conversaounidades.pdf https://metrologia.org.br/wpsite/wp-content/uploads/2019/07/ Cartilha_O_novo_SI_29.06.2029.pdf https://www.gov.br/inmetro/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/documentos-tecnicos-em-metrologia/si_versao_final.pdf/view https://www.gov.br/inmetro/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/documentos-tecnicos-em-metrologia/si_versao_final.pdf/view https://www.gov.br/inmetro/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/documentos-tecnicos-em-metrologia/si_versao_final.pdf/view https://www.ifsc.usp.br/~donoso/ambiental/conversaounidades.pdf https://www.ifsc.usp.br/~donoso/ambiental/conversaounidades.pdf https://metrologia.org.br/wpsite/wp-content/uploads/2019/07/Cartilha_O_novo_SI_29.06.2029.pdf https://metrologia.org.br/wpsite/wp-content/uploads/2019/07/Cartilha_O_novo_SI_29.06.2029.pdf 46Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública As chuvas também podem ser estimadas indiretamente através de radares meteorológicos e imagem de satélites que dispõem de sensores para capturar a temperatura do topo das nuvens. Tais métodos têm avançado em precisão e sua utilização pode se tornar mais acessível e difundida no futuro próximo. Observe que tanto o pluviômetro quanto o pluviógrafo fornecem dados relativos à chuva (altura e intensidade) em um ponto específico do espaço, entretanto, um evento de chuva pode apresentar grande variabilidade espacial, sendo necessário o domínio do conceito de precipitação média em uma bacia. PRECIPITAÇÃO MÉDIA EM UMA BACIA Chuva pontual é a chuva que é medida numa estação climatológica. Para pequenas áreas, menores que 50 km², a chuva pontual pode ser tomada como a precipitação média sobre a área. Para áreas maiores, aconselha-se o uso de uma rede de estações de coleta de dados. Como a precipitação não é uniforme no espaço, a precipitação média pode ser determinada por um dos seguintes métodos a seguir (RAGHUNATH, 2006): - Método Aritmético Este método consiste em se calcular a média aritmética de todos os postos situados dentro da área de estudo. Para seu uso, algumas restrições devem ser observadas: os postos devem ser uniformemente distribuídos na área estudada; o valor apresentado após um evento de chuva em cada posto deve estar próximo ao da média; e o relevo deve ser relativamente plano. – Precipitação média. Pi – Precipitação (altura) no posto i, com i = 1, 2, ..., n. n – número de postos dentro da área de estudo. - Método de Thiessen O método de Thiessen estabelece uma média ponderada das precipitações usando como peso uma área de influência (polígono de Thiessen) estimada para cada aparelho instalado na região estudada (estação pluviométrica), geralmente em uma distribuição não uniforme. 47Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública De modo geral, os polígonos de Thiessen (Figura 18) podem ser obtidos pelo seguinte procedimento: 1. Desenhar uma rede de triângulos tendo como vértices as estações pluviométricas. 2. Para cada segmento de reta da rede construída, desenha-se uma linha partindo do ponto médio do segmento e perpendicular a este. 3. As diversas linhas obtidas irão se encontrar delimitando polígonos ao redor das estações pluviométricas – polígonos de Thiessen. - Pluviometria média. Pi - Pluviometria da estação i. Ai - Área de influência da estação i. Figura 18: Método de Thiessen Fonte: DEAD/IFCE (2015). 48Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Os polígonos de Thiessen são casos particulares dos diagramas de Voronoi (matemático russo Georgy Feodosevich Voronoy) que são utilizados para analisar dados espacialmente distribuídos. Quando aplicados às medições de chuva são chamados polígonos de Thiessen (meteorologista americano Alfred H. Thiessen). - Métodos das Isoietas O método das isoietas se baseia em curvas de mesma pluviometria desenhadas a partir da interpolação dos dados das estações pluviométricas existentes na região estudada. A precipitação média é então calculada tomando como referência uma média ponderada do valor médio entre duas curvas de mesma precipitação (isoieta), Figura 19, e a área entre elas. - Pluviometria média. Pi - Pluviometria da curva i. Ai - Área entre as curvas i e i+1. Figura 19: Método das Isoietas Fonte: DEAD/IFCE (2015). 49Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Além da variação espacial, é necessário também compreender o comportamento das chuvas quanto à intensidade e frequência no tempo. Para projetos de vertedores de barragens, dimensionamento de canais, dimensionamento de bueiros etc., é necessário o conhecimento da magnitude das enchentes que podem acontecer e com que frequência. PERÍODO DE RETORNO E CHUVAS MÁXIMAS O período de retorno (ou tempo de recorrência Tr) de um evento é o tempo médio (em anos) em que esse evento é superado ou igualado pelo menos uma vez. É definido pelo inverso da probabilidade (frequência f) de ocorrer tal evento: Para o dimensionamento de estruturas hidráulicas, devemos determinar a chuva de maior intensidade que se pode esperar que ocorra em um dado período de retorno (ou frequência). A utilização prática desse dado requer que se estabeleça uma relação analítica entre as grandezas características de uma precipitação, quais sejam: a intensidade (i), a duração (t) e a frequência (f). ATENÇÃO! Studart (2004) salienta que é importante o caráter não cíclico dos eventos randômicos, ou seja, uma enchente com período de retorno de 100 anos (que ocorre, em média, a cada 100 anos) pode ocorrer no próximo ano, ou pode não ocorrer nos próximos 100 anos (ou ainda pode ser superada diversas vezes). A equação da chuva é específica para cada local e é obtida a partir de registros de pluviógrafos (séries de dados), estabelecendo-se, para cadaduração de chuva, as máximas intensidades registradas. A representação geral de uma equação de chuvas intensas tem a forma: Onde: i – intensidade da chuva (mm/h). Tr – período de retorno (anos). t – duração da precipitação (minutos). a,b,c,d – constantes (parâmetros característicos da IDF de cada local). 50Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Por exemplo, para a cidade de Fortaleza (Ceará), comumente adota-se: Sendo: i – intensidade média da chuva (mm/h). Tr – período de retorno (anos). t – duração da chuva (min). Que dá origem ao gráfico da Figura 20. Figura 20: Gráfico Equação de Fortaleza-CE, i [mm/h] x t [min] Fonte: DEAD/IFCE (2015). Outro exemplo é a equação de Wilken (1978) para a Região Metropolitana de São Paulo. 51Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Sendo: i – intensidade média da chuva (mm/h). Tr – período de retorno (anos). t – duração da chuva (min). Ao se projetar uma obra hidráulica, devemos levar em conta o fator de ordem econômica e, assim, deve-se considerar o risco da obra falhar durante sua vida útil – é importante quantificar esse risco. Para isso, analisam-se estatisticamente as precipitações observadas nos postos pluviométricos, verificando-se com que frequência a magnitude adotada no projeto foi igualada ou superada. A Equação IDF (Intensidade, Duração, Frequência) é obtida a partir da análise estatística de séries de dados de um pluviógrafo (preferencialmente mais de 15 anos). 1. Para cada ano da série, escolhem-se as maiores chuvas de uma determinada duração. 2. É escolhida uma distribuição de frequência que melhor represente a distribuição dos valores observados. 3. O procedimento é repetido para diferentes durações de chuva. 4. Os resultados são resumidos na forma da equação contendo as variáveis: intensidade, duração e período de retorno (ou frequência). 52Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública UNIDADE 2 – EVAPOTRANSPIRAÇÃO Tópico 1 - O processo de evapotranspiração e sua relação com o ciclo hidrológico Collischonn e Dorneles (2015) definem a evapotranspiração como um conjunto de dois processos: evaporação e transpiração. Fonte: Pixabay 3638387, 2023 Evaporação é o processo de transferência de água líquida para vapor do ar diretamente de superfícies líquidas, como lagos, rios, reservatórios, poças, e gotas de orvalho. A água que umedece o solo, que está em estado líquido, também pode ser transferida para a atmosfera diretamente por evaporação. Mais comum nesse caso, entretanto, é a transferência de água por meio do processo de transpiração. A transpiração envolve a retirada da água do solo pelas raízes das plantas, o transporte da água pelos vasos condutores da planta até as folhas e a passagem da água para a atmosfera através dos estômatos da folha. O processo de evaporação exige um fornecimento de energia que, na natureza, é provido pela radiação solar. O ar atmosférico é uma mistura de gases dentre os quais está o vapor de água. A quantidade de vapor de água que o ar pode conter é limitada e é denominada concentração de saturação (ou pressão de saturação). A 53Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública concentração de saturação de vapor de água no ar varia de acordo com a temperatura do ar. Quando o ar acima de um corpo d’água está saturado de vapor, o fluxo de evaporação se encerra, mesmo que a radiação solar esteja fornecendo a energia do calor latente de evaporação. Assim, para ocorrer a evaporação, são necessárias duas condições: • Que a água líquida esteja recebendo energia para prover o calor latente de evaporação – essa energia (calor) pode ser recebida por radiação ou por convecção (transferência de calor do ar para a água). • Que o ar acima da superfície líquida não esteja saturado de vapor de água. Além disso, quanto maior a energia recebida pela água líquida, tanto maior é a taxa de evaporação. Da mesma forma, quanto mais baixa a concentração de vapor no ar acima da superfície, maior a taxa de evaporação. Fatores que afetam a evaporação (STUDART, 2004): + Vento A ação do vento consiste em deslocar as parcelas de ar mais úmidas encontrada na camada limite superficial, substituindo-as por outras mais secas. Inexistindo o vento, o processo de evaporação cessaria tão logo o ar atingisse a saturação, uma vez que estaria esgotada sua capacidade de absorver vapor d’água. + Umidade O ar seco tem maior capacidade de absorver vapor d’água adicional que o ar úmido, dessa forma, à medida que ele se aproxima da saturação, a taxa de evaporação diminui, tendendo a se anular, caso não haja vento para promover a substituição desse ar. + Temperatura A elevação da temperatura ocasiona uma maior pressão de saturação do vapor, adquirindo o ar uma capacidade adicional de conter vapor d’água. + Radiação solar A energia necessária para o processo de evaporação tem como fonte primária o sol; a incidência de sua radiação varia com a latitude, clima e estação do ano. A evaporação pode ser medida em estações meteorológicas, comumente utilizando tanques classe A. Essas medições podem ser usadas para estimar a evaporação da água exposta nos reservatórios localizados em regiões próximas, sendo necessário, 54Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública no entanto, a aplicação de um fator de redução, já que os tanques são rasos e favorecem o aquecimento mais rápido da água em relação aos reservatórios. Já as medições de evapotranspiração são muito complexas, pois requerem o controle de retirada de água do solo pelas plantas e posterior evaporação. Sabendo-se que cada tipo de planta e cada fase de crescimento possuem sua própria demanda evaporativa, essas medições possuem aplicação muito específica. Assim, na escala de bacia, costuma-se estimar a evapotranspiração por meio de equações que utilizam apenas informações de clima ou adicionam considerações genéricas de cobertura vegetal. Quando se requer de informações mais precisas, como otimizar o uso da água para irrigação de determinada cultura, faz-se necessário o uso de equações mais específicas que levam em consideração características próprias de cada cultura. Algumas equações usadas para estimar a evapotranspiração são a de Penman- Monteith, de Thornthwaite, de Hargreaves, entre outras. Entenda melhor sobre os métodos empíricos de determinação da Evapotranspiração no documento 263 da Embrapa: Uma Revisão sobre os Métodos Empíricos de Fernandes et al (2010). Acesse: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/ item/29024/1/doc263.pdf. https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/29024/1/doc263.pdf https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/29024/1/doc263.pdf 55Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública UNIDADE 3 – INFILTRAÇÃO Tópico 1 - Os processos de infiltração da água no solo e suas relações com armazenamento e disponibilidade hídrica A infiltração é definida como a passagem da água através da superfície do solo, passando pelos poros e atingindo o interior, ou perfil, do solo. A infiltração de água no solo é importante para o crescimento da vegetação, para o abastecimento dos aquíferos (reservatórios de água subterrânea), para o armazenamento da água que mantém o fluxo nos rios durante as estiagens, para a redução do escoamento superficial, redução das cheias e diminuição da erosão (COLLISCHONN; DORNELLES, 2008). A parte superior da crosta terrestre é normalmente porosa até uma maior ou menor profundidade. Os poros podem, nesta porção da litosfera, estar parcialmente ou completamente cheios de água. A camada superior onde os poros estão parcialmente cheios d’água é designada zona de aeração. Imediatamente abaixo, onde os interstícios estão repletos d’água, é a zona de saturação (STUDART, 2004). Observem o perfil de distribuição vertical da água na Figura 21. 56Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Figura 21: Distribuição vertical da água Fonte: Adaptadode CETESB, 1978. 57Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública A zona de aeração é dividida em 3 faixas: faixa de água no solo, faixa intermediária e franja de capilaridade. Seus limites não são bem definidos, havendo uma transição gradual de uma para outra. Faixa de água do subsolo é de particular importância para a agricultura, pois fornece a água para crescimento das plantas. A água se mantém nessa faixa pela atração molecular e pela ação da capilaridade, agindo contra a força da gravidade. A atração molecular tende a reter uma delgada película de água sobre a superfície de cada partícula sólida. A faixa intermediária, da mesma forma que na faixa de água do solo, retém a água por atração molecular e capilaridade. A água retida nessa faixa é um armazenamento morto, visto que não pode ser aproveitada para qualquer uso. A faixa de capilaridade retém a água acima da zona de saturação por capilaridade, opondo-se à ação da gravidade. A zona de saturação é a única dentre as águas da superfície que, propriamente, constitui a água subterrânea, cujo movimento se deve também à ação da gravidade, obedecendo às leis do escoamento subterrâneo. São os seguintes os fatores que interferem no fenômeno da infiltração (STUDART, 2004): + Tipo de solo A capacidade de infiltração varia diretamente com a porosidade e com o tamanho das partículas do solo. As características presentes em pequena camada superficial, com espessura da ordem de 1 cm, têm grande influência sob a capacidade de infiltração. + Umidade do solo Quando a água é aplicada em um solo seco, não há movimento descendente dessa água até que as partículas do solo estejam envolvidas por uma fina película d’água. As forças de atração molecular e capilar fazem com que a capacidade de infiltração inicial de um solo seco seja muito alta. À medida que a água percola, a camada superficial vai ficando semi-saturada, fazendo com que as forças de capilaridade diminuam, diminuindo também a capacidade de infiltração, que tende a um valor constante após algumas horas. + Vegetação Uma cobertura vegetal densa como grama ou floresta tende a promover maiores valores de capacidade de infiltração, devido ao sistema radicular que proporciona a formação de pequenos túneis e que retira umidade do solo através da transpiração, e à cobertura vegetal que previne a compactação do solo. 58Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública + Compactação Solos nus podem se tornar parcialmente impermeáveis pela ação compactadora das grandes gotas de chuva (que também preenchem os vazios do solo com material fino) e pela ação do tráfego constante de homens, veículos ou animais. 59Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública UNIDADE 4 – ESCOAMENTO Tópico 1 - O escoamento subterrâneo e superficial e suas relações para o dimensionamento de estruturas hídricas ESCOAMENTO SUBTERRÂNEO No processo de infiltração, a água da chuva pode ultrapassar a zona de aeração e chegar à zona de saturação recarregando o reservatório subterrâneo, conhecido como aquífero. Existem 2 tipos de aquíferos: o confinado, que fica abaixo de uma superfície impermeável, na qual a pressão da água no aquífero é superior à pressão atmosférica; e o livre, também conhecido como lençol freático, no qual a pressão da água no aquífero está igual à pressão atmosférica. A água contida nos aquíferos escoa lentamente pelos poros ou fraturas das rochas até aflorarem na superfície de forma concentrada, como em nascentes/olhos d’agua, ou distribuída ao logo dos rios, sendo responsável pela manutenção do fluxo durante a estiagem. 60Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Além de alimentar os rios, a água subterrânea também é acessada através de poços, sendo frequentemente utilizada para abastecimento humano; em teoria, está mais protegida de contaminantes. É importante então destacar que é a capacidade de infiltração da água da chuva no solo que permite o abastecimento dos aquíferos e que o processo de compactação dos solos agrícolas com o uso de maquinário pesado em larga escala, a exposição do solo e predominância de raízes pouco profundas podem modificar profundamente o padrão nativo de infiltração, reduzindo a chegada de água da chuva nos reservatórios subterrâneos. ESCOAMENTO SUPERFICIAL Quando a água da chuva não consegue infiltrar, seja porque o terreno impermeável já esteja saturado ou a velocidade de ocorrência da chuva é superior que a de infiltração, observa-se a geração do escoamento pela superfície do terreno em forma de lâmina ou por “veios” de água até finalmente atingir um curso d’água, por onde irá se propagar. Esse movimento é chamado de escoamento superficial, ou escoamento rápido, em contraponto ao escoamento lento ou subterrâneo. A parcela de chuva que se transforma em escoamento superficial é denominada de chuva efetiva ou precipitação efetiva e seu valor depende das características do terreno e das condições da chuva (COLLISCHINN; DORNELLES, 2015). O coeficiente de escoamento superficial (C), também chamado coeficiente de deflúvio ou coeficiente de run-off, pode ser compreendido como a chuva efetiva em termos relativos, ou seja, a razão entre o que choveu e o que foi escoado. Em termos práticos, sendo C=0,4, significa que 40% da chuva se transforma em vazão. A vazão que observamos nos rios são então uma resposta à chuva que ocorreu na bacia, tanto em curto como em longo prazo. O que é Hidrograma? Um hidrograma é um gráfico que representa o comportamento da vazão em uma seção de um rio ao longo do tempo. No hidrograma da Figura 22, observamos que, durante e imediatamente após a chuva, predomina o escoamento superficial, enquanto durante a estiagem, predomina o escoamento subterrâneo ou escoamento de base (COLLISCHINN; DORNELLES, 2015). 61Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Figura 22: Exemplo de hidrograma de um rio como resposta a um evento de chuva Fonte: Adaptado de Collischonn (2008). Os aspectos que envolvem tanto a vegetação quanto as características do solo têm influência no comportamento da bacia hidrográfica e sua resposta aos eventos de chuva. Na Tabela 6, são apresentadas algumas características e comportamentos que podem ser gerados por influência desses fatores. 62Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Tabela 6: Características e comportamentos da vegetação e das características do solo FATOR COMPORTAMENTO Vegetação – Solo – Ação Antrópica Floresta → > intercepção foliar → > demora a ocorrência do escoamento superficial → > sistema radicular mais profundo → H2O utilizada pela vegetação pode ser extraída mais profundamente. Presença de vegetação → reduz perdas de solo (erosão), entre outros aspectos. Ação antrópica → substitui as florestas → urbanização e agricultura → altera o Escoamento → aumenta velocidade do escoamento → redução de distâncias quando comparada a drenagem natural → gera picos de enchente. Agricultura → compactação do solo → pode reduzir a porosidade, diminuir teor de matéria orgânica, sistema radicular mais superficial, capacidade de infiltração reduzida → aumento do escoamento superficial → maior tendência a enchentes. Solos rasos têm maior tendência a escoamento superficial, bem como os solos argilosos → maior tendência a enchentes. Solos profundos menor escoamento superficial, bem como os solos arenosos → menor tendência a enchentes. Fonte: Adaptado de Collischinn; Dornelles (2015). Em alguns casos, a vazão de resposta a um evento de chuva pode ser estimada por métodos simplificados, como o Método Racional, cujo desenvolvimento será apresentado a seguir para ilustrar a utilização de informações estudadas até aqui. 63Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública CÁLCULO DA VAZÃO DE PROJETO – MÉTODO RACIONAL Vazão de projeto é a vazão de enchente de um curso d´água vinculada à segurança de uma obra hidráulica, associada à probabilidade deocorrência de evento em um ano qualquer. É estimada para a bacia de contribuição delimitada pela seção de projeto (DAEE, 2006). O Método Racional é utilizado para a estimativa de vazões de enchentes (vazões de pico do hidrograma) em bacias que não apresentem complexidade e que tenham até 5 km² de área de drenagem, por meio da seguinte expressão: Sendo: Q – vazão de pico (m³/s). C – coeficiente de escoamento superficial (adimensional). I – intensidade da chuva (mm/h). A – área da bacia hidrográfica (km²). O fator 0,278 surge devido à transformação dimensional entre a intensidade de chuva, área da bacia e a vazão de pico calculada. Para aplicar os métodos, é preciso determinar: • área da bacia a partir de mapas, fotografias aéreas e até mesmo levantamento topográfico local. • A intensidade média da chuva. • O coeficiente de escoamento superficial C. Atenção! O uso desse método não é aconselhado para grandes áreas naturais. Entretanto, é satisfatório para o projeto de galerias cujo os cálculos comumente consideram sub-bacias pequenas. O coeficiente de escoamento superficial C é variável e depende da chuva, da precipitação antecedente, da umidade do solo no início da precipitação, do tipo do solo, da ocupação da terra, da rede de drenagem, do efeito do armazenamento e da retenção superficial, além de outros fatores. Valores de coeficiente de escoamento superficial podem ser obtidos na Tabela 7 e Tabela 8 em função do tempo de retorno da chuva e das características do terreno. 64Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Tabela 7: Valores de C (Método Racional), áreas urbanas e com grama Tipo/ Declividade da Superfície Período de retorno (anos) 2 5 10 25 50 100 500 ÁREAS URBANAS Asfalto 0,73 0,77 0,81 0,86 0,90 0,95 1,00 Concreto/Telhado 0,75 0,80 0,83 0,88 0,92 0,97 1,00 ÁREAS COM GRAMA Grama cobrindo menos de 50% da área Plana (0 – 2%) 0,32 0,34 0,37 0,40 0,44 0,47 0,58 Média (2 – 7%) 0,37 0,40 0,43 0,48 0,49 0,53 0,61 Inclinada (> 7%) 0,40 0,43 0,45 0,49 0,52 0,55 0,62 Grama cobrindo de 50% a 75% da área Plana (0 – 2%) 0,25 0,28 0,30 0,34 0,37 0,41 0,53 Média (2 – 7%) 0,33 0,36 0,38 0,42 0,45 0,49 0,58 Inclinada (> 7%) 0,37 0,40 0,42 0,46 0,49 0,53 0,60 Grama cobrindo mais do que 75% da área Plana (0 – 2%) 0,21 0,23 0,25 0,29 0,32 0,36 0,49 Média (2 – 7%) 0,29 0,32 0,35 0,39 0,42 0,46 0,56 Inclinada (> 7%) 0,34 0,37 0,40 0,44 0,47 0,51 0,56 Fonte: Chow et al., (1988). 65Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Tabela 8: Valores de C (Método Racional), áreas rurais Tipo/Declividade da Superfície Período de retorno (anos) 2 5 10 25 50 100 500 ÁREAS RURAIS Campos Cultivados Plana (0 – 2%) 0,31 0,34 0,36 0,40 0,43 0,47 0,57 Média (2 – 7%) 0,35 0,38 0,41 0,44 0,48 0,51 0,60 Inclinada (> 7%) 0,39 0,42 0,44 0,48 0,51 0,54 0,61 Pastos Plana (0 – 2%) 0,25 0,28 0,30 0,34 0,37 0,41 0,53 Média (2 – 7%) 0,33 0,36 0,38 0,42 0,45 0,49 0,58 Inclinada (> 7%) 0,37 0,40 0,42 0,46 0,49 0,53 0,60 Florestas/Reflorestamentos Plana (0 – 2%) 0,22 0,25 0,28 0,31 0,35 0,39 0,48 Média (2 – 7%) 0,31 0,34 0,36 0,40 0,43 0,47 0,56 Inclinada (> 7%) 0,35 0,39 0,41 0,45 0,48 0,52 0,58 Fonte: Chow et al., (1988). 66Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública UNIDADE 5 – BALANÇO HÍDRICO Tópico 1 - Disponibilidade hídrica em função das entradas e saídas na bacia hidrográfica De acordo com Mendonça (2001), o princípio da conservação da massa aplicado ao ciclo hidrológico permite descrever quantitativamente o balanço hídrico. A conservação da massa de um volume de controle representa que a taxa de variação armazenada é igual a diferença entre as entradas e saídas, considerando a densidade da água constate, sendo que as leis de conservação podemos equacionar em termos de volume como: Onde: V – volume de água no interior do volume de controle. I – taxa de entrada de água no volume de controle. O – taxa de saída de água no volume de controle. Se considerarmos apenas condições medias anuais, o termo dv/dt (taxa de variação da velocidade em função do tempo) pode ser desprezível, assim teremos que: Conforme Collischonn e Dornelles (2015), o balanço entre entradas e saídas de água em uma bacia hidrográfica considera a precipitação como principal entrada de água, já a saída pode ocorrer por evapotranspiração e escoamento. Assim, podemos reescrever a equação do balanço hídrico: Onde: P – taxa média de precipitação (mm ano-1). Esc – taxa média de escoamento superficial* (mm ano-1). Et – taxa média de evapotranspiração (mm ano-1). *A taxa de escoamento subterrâneo a longo prazo é considerada desprezível quando comparada a outras grandezas. 67Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Atenção! Destacamos que é extremamente importante a realização do balanço hídrico como ferramenta para definir a disponibilidade hídrica. Quantificando as entradas e saídas podemos avaliar se é possível atender à demanda. Finalizamos analisando que o ciclo hidrológico pode ser afetado por fatores climáticos e antrópicos, sendo as alterações produzidas pelo homem extremamente preocupantes. Ao adaptar o meio ambiente às suas necessidades, o homem pode provocar mudanças irreversíveis no ciclo hidrológico regional, comprometendo a disponibilidade hídrica, tanto em quantidade como em qualidade. A Figura 23 ilustra a interferência das ações antrópicas no ciclo hidrológico. Figura 23: Interferências no ciclo hidrológico Fonte: Adaptado de http://aquafluxus.com.br/?p=821. http://aquafluxus.com.br/?p=821 68Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública De acordo com Fritzen e Binda (2011), o ciclo hidrológico, quando em condições naturais, é considerado um sistema em equilíbrio. Entretanto, com a crescente urbanização das bacias hidrográficas, nota-se mudanças, as quais geram alterações na dinâmica do ciclo da água. Analisando as áreas urbanizadas, observa-se que os fatores como a impermeabilização do terreno, a canalização de cursos fluviais e a remoção da vegetação desencadeiam ou aceleram os processos de erosão e de inundações. Ouça para assimilar um pouco mais os seus conhecimentos: Hidrologia Básica - Disponibilidade hídrica na bacia hidrográfica Entenda melhor como as mudanças climáticas podem interferir nos recursos hídricos assistindo ao vídeo da Agência Nacional de Águas, em: A Água e as Mudanças Climáticas https://podcasters.spotify.com/pod/show/enap/episodes/EV-G-Hidrologia-Bsica---Disponibilidade-hidrica-na-bacia-hidrografica-e2av919 https://youtu.be/8dPFREARphk 69Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Referências BERTOLINI W.Z. 2010. O ensino do relevo no contexto da educação científica e geográfica: noções e propostas para uma didática da geomorfologia. Belo Horizonte. Inst. Geoc., Univ. Fed. Minas Gerais. 105 f. (Dissert. Mestr. Geografia). CECÍLIO, R. A.; REIS, E. F. Apostila didática: manejo de bacias hidrográfica. Universidade federal do Espírito Santo, Centro de Ciências Agrárias, Departamento de Engenharia Rural, 2006. 10p. CHOW. V.T., MAIDMENT, D.R., MAYS, L.W. 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La enseñanza de la hidrologia: contribuciones técnicas sobre la hidrología, contribución al Decenio Hidrológico Internacional. Paris: Editorial da UNESCO 1975. 36p. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000137843. Acesso em: abr. 2023. VILLELA, S. M.; MATTOS, A. Hidrologia aplicada. São Paulo: McGraw-Hill, 1975. 245p. WILKEN, P. S. Engenharia de drenagem superficial. São Paulo: CETESB, 1978. 477p. Glossário Aluvionares: Que se refere, pertence ou é próprio a aluvião, terreno formado por depósito de matérias orgânicas e inorgânicas deixado pelas águas; aluviano, aluvionário, aluviônico. Exutório: é um ponto de um curso d’água onde se dá todo o escoamento superficial gerando no interior uma bacia hidrográfica banhada por este curso. Montante para Jusante: Em hidráulica, tudo o que está abaixo de um dado ponto de referência, ao longo de um curso d’água, até a sua foz Pedogênese: formação de solos é o processo no qual determinado solo é formado, assim como suas características e sua evolução na paisagem. https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000137843 Sistemas Hidrológicos, Ciclo hidrológico e Bacias Hidrográficas UNIDADE 1 - SISTEMAS HIDROLÓGICOS Tópico 1 - Importância do estudo de sistemas hidrológicos UNIDADE 2 - CICLO HIDROLÓGICO Tópico 1 - O ciclo hidrológico e seus componentes UNIDADE 3 - BACIA HIDROGRÁFICA Tópico 1 - A definição de uma bacia hidrográfica Tópico 2 - Parâmetros físicos que caracterizam uma bacia hidrográfica Principais componentes do ciclo hidrológico e suas relações com o ambiente UNIDADE 1 – PRECIPITAÇÃO Tópico 1 - Os processos de precipitação e medições UNIDADE 2 – EVAPOTRANSPIRAÇÃO Tópico 1 - O processo de evapotranspiração e sua relação com o ciclo hidrológico UNIDADE 3 – INFILTRAÇÃO Tópico 1 - Os processos de infiltração da água no solo e suas relações com armazenamento e disponibilidade hídrica UNIDADE 4 – ESCOAMENTO Tópico 1 - O escoamento subterrâneo e superficial e suas relações para o dimensionamento de estruturas hídricas UNIDADE 5 – BALANÇO HÍDRICO Tópico 1 - Disponibilidade hídrica em função das entradas e saídas na bacia hidrográfica Referências Glossário