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1 
 Número 04 — Julho 2024 
AMPLITUDE 
 
 
 2 
SUMÁRIO 
Revista Amplitude - Número 04 - Jul 2024 
Editorial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . 03 
Poesia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 04 
Conto: ELA / Wender Álvaro R. Mothé . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 05 
Crônica / O dogma mata, mas o poema vivifica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 06 
Conto: O Filho do Sol / Tiago de Souza. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 07 
Poesia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 
Conto: As Metáforas Sem Explicação / Josué Ebenézer . . . . . . . . . . . . . . 11 
Poeta em Destaque / Mateus Ma'ch'adö . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 
Conto: O Guerreiro / Lydia Plado. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 
Notas Culturais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 
Hot Spots: Carlos Nejar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 
Crônica / A Literatura Cristã e sua corrente de influências . . . . . . . . . . . . 19 
Poesia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .20 
Conto: “A profecia se cumprirá no culto da noite” / Marinaldo Lima . . 21 
RESENHA / Filme: Somos Todos Iguais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 
Poeta em Destaque / Luiz Renato de Oliveira Périco . . . . . . . . . . . . . . . . 23 
Artigo / Dicas de evangelismo de C. S. Lewis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 
Conto: Sintético / Aldair Ribeiro dos Santos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 
Games / Gate Zero . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .26 
Conto: O Último Salto / Sammis Reachers . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27 
Crônica / Três máximas para uma vida vitoriosa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 
Poesia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 
Conto: Os Sete Pecados / A. S. Barros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 
Jardim dos Clássicos / T. S. Eliot . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 
Galeria / Ron DiCianni . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 
Resenhas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 
HQ: Bezalel. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 
Pharmacia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 
Crônica / Desenvolva Seus Músculos Espirituais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46 
Crônica / Uma Carta para Mim Mesmo: Reflexões de Fé . . . . . . . . . . . . . 47 
Download . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .48 
Parlatorium . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49 
CAPA: Ron DiCianni, “Salvação”. 
 
 AMPLITUDE é uma revista de 
cultura evangélica, com foco princi-
pal em ficção e poesia. Mas nosso 
leitmotiv, nosso motivo de ser e de 
existir, é a arte cristã em geral: 
Transitamos por música, cinema, 
fotografia, artes plásticas e quadri-
nhos. Publicamos artigos, estudos 
literários, crônicas e resenhas. 
 Nossa intenção diz respeito àque-
la despretensiosa excelência dos 
humildes. Nosso porto de partida e 
porto de chegada é Cristo. Nosso 
objetivo é fomentar a reflexão e a 
expressão, AMPLIAR visões, entre-
ter com valores cristãos, comunicar 
a verdade e o belo e estimular o 
engajamento artístico/intelectual 
entre nossos irmãos. Nosso preço é 
nenhum: a revista circula gratuita-
mente, no democrático formato 
pdf. 
 
 
Nosso e-mail: 
sreachers@gmail.com 
 
 
Instagram: @revistaamplitude 
 
Facebook: 
www.facebook.com/RevistaAmplitude 
 
Blog: 
www.revistaamplitude.blogspot.com.br 
 
 
Edição, diagramação e revisão: 
Sammis Reachers 
 
Imagens: Pixabay (Domínio Públi-
co) e IA Microsoft Designer. 
Você gostaria de saber mais 
sobre Jesus Cristo e a obra que 
Ele realizou em favor dos ho-
mens? Conheça as 4 Leis Espi-
rituais. 
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https://www.facebook.com/RevistaAmplitude
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https://amorscan.blogspot.com/p/assim-como-ha-leis-fisicas-que-governam.html
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 3 
Editorial 
 
 Foi em julho de 2019. Há cinco anos atrás saia o terceiro e idealizado-para-ser 
o último número de Amplitude. E da terceira para a segunda edição, o lapso fora 
já de três anos. Como um editor pode explicar uma periodicidade assim? Me aju-
de, amigo leitor! 
 Cara de pau por cara de pau, deixe-me replicar um trecho de minhas desculpas 
pelo enorme hiato entre a segunda e a terceira edições, citando a mim mesmo: 
 
Neste tempo, pude dedicar-me, além dos compromissos aca-
dêmicos, à edição de diversos livros e recursos em serviço da 
igreja e da Literatura, e à manutenção religiosa dos blogs de 
serviço. 
 
 Sim, nestes anos todos não cessamos de produzir livros e recursos, tanto en-
quanto autor, quanto como organizador e editor (dê uma olhada em nossa biblio-
teca de recursos gratuitos, AQUI ). Mas nada podemos contra a verdade, senão 
pela verdade. E a verdade é que editar uma revista — ainda mais uma com as pro-
postas de Amplitude — é trabalheira de assustar até a um editor já meio caleja-
do. Por isso seu irregular avanço e eventual queda — queda não, tropeço — para 
o prático, embora doloroso, abandono. 
 No entanto, compreendemos por fim que Amplitude precisava viver. Mas as 
dificuldades permaneciam as mesmas; assim, como recolocá-la em sua jornada? A 
solução encontrada foi retomar as atividades entregando ao leitor uma revista 
mais enxuta, embora mantendo boa parte das seções que ditaram o estilo da pu-
blicação. Opa, na verdade criamos até novas seções, como a de Games ou a Phar-
macia. 
 Com a retomada,inauguramos também a chamada para publicação, abrindo 
espaço para que autores submetam suas obras para a seleção e eventual veicula-
ção na revista. 
 Amplitude é uma revista de posição e cosmovisão declaradamente protestan-
te; no entanto, somos amplos em nossa irmanação criativa com nossos co-
navegantes do mistério do Deus de Abraão, Isaque e Jacó: Cristãos de todas as 
vertentes podem ser lidos em Amplitude. Nesta edição, temos poesia e contos, 
crônicas e artigos, quadrinhos, resenhas de livros e até de games para refrigerar 
nossas almas. 
 O trabalho de Amplitude é fruto e consequência de um esforço de divulgação 
e promoção literárias iniciado no já longínquo ano de 2006, com o blog Poesia 
Evangélica. Até hoje, o blog já publicou em torno de 700 autores, desde inician-
tes a grandes nomes do protestantismo brasileiro e mundial — alguns, de quem 
você jamais imaginaria terem escrito poemas. E o blog segue a todo vapor, com 
postagens a cada dez dias, em média. Não deixe de visitá-lo: 
www.poesiaevanglica.blogspot.com . 
 No mais, tenha uma boa leitura, e compartilhe esta revista com quantos você 
puder. 
 Sammis Reachers, editor 
https://poesiaevanglica.blogspot.com/p/biblioteca-de-poesia-evangelica.html
https://poesiaevanglica.blogspot.com/
 
 4 
Amar é a Mais Alta Constelação 
Carlos Nejar 
Aqui ficam as coisas. 
Amar é a mais alta constelação. 
Os sapatos sem dono 
tripulando 
na correnteza-espaço 
em que deitamos. 
As minhas mãos telhado 
no teu rosto de pombas. 
Os corpos 
circulando 
na varanda dos braços. 
É a mais alta constelação. 
A TENTAÇÃO 
J. T. Parreira 
 
Pai, deste-me o deserto antes da montanha 
E segui com os olhos as estrelas fugidias 
No céu estrelado, lançaste-me aí 
Na força da idade, a minha vontade 
De mostrar ser Deus, quebraste como uma pedra 
 
No deserto antes da montanha, Tu sabias 
Que o meu coração guardaria a visita da pomba 
Do baptismo, que trocaríamos a frescura das águas 
Do Jordão pelo solo despovoado de aves do deserto 
E alguém veio com minuciosas tentações 
 
Achando que os meus olhos cederiam à seda 
Do que viam e dos sentidos, Pai agradeço 
Teres-me dado o deserto e dormir sob a melancolia 
Da lua, porque mesmo sendo Deus 
Isso tornou rijos os meus ossos. 
POEMA AOS 36 
 
Rafaela Speckhann 
 
 
VIRTUOSA. 
 
Sagrado encarnado, 
entronizado 
na seda, 
ou no meu cesto de roupas sujas. 
 
Tiro o salto 
e as sandálias 
para dançar e celebrar 
a liberdade da intimidade, 
pois a sarça ardente já faz muito queimou 
e aceitou o sacrifício da cruz. 
 
Nesse altar 
do ordinário consagrado, 
eu entro na presença, 
na proximidade 
dos pés 
e da Palavra, 
que me purifica 
e me capacita a partir para amar. 
 
De joelhos para a oração, 
ou limpando o chão 
onde passam meus filhos 
ou a multidão, 
eu adoro o meu Deus 
e sirvo, 
sem lamúrias ou idolatrias. 
 
Enfim, torno-me eu, 
virtuosamente eu. 
Uma Marta-Maria, 
mulher cheia de graça. 
Preciosa menina, 
mulher redimida, 
curada, 
santificada 
e amada do Pai. 
@rafaela_speckhann 
mailto:@rafaela_speckhann
 
 5 
ELA 
 
Wender Álvaro R. Mothé 
 
Ele sempre a tratara daquela forma. Era indiferente 
às suas necessidades e aos seus sentimentos. Quase 
nunca se importava com o que ela tinha a dizer 
e, para falar a verdade, quase nem 
pensava nela. Ela já não estava 
bem fazia tempo. Trazia muitas 
marcas no coração e, infeliz-
mente, outras marcas ainda 
mais visíveis e terríveis. 
O nome dela era o dele, assim 
como ocorre com todas as pessoas. 
“Ela” é, de fato, algo que todos possuem. Na reali-
dade, pode-se dizer que Ela era quem o possuía, em-
bora, ao menos por alguns anos, estaria quase que 
plenamente sob o poder dele. 
Ela nunca era – e nem é – vista pelas outras pessoas, 
exceto em alguns poucos momentos em que se per-
mite transparecer nos olhos, na voz, nos gestos e nas 
coisas que se escrevem. 
É bem certo, deve-se dizer, que nem todo mundo 
era rude com Ela. Muitos a alimentavam bem, passa-
vam tempo com Ela, davam-lhe atenção, levavam-na a 
lugares que a faziam crescer e a estar perto de outras 
como Ela, também saudáveis e felizes. Mas ele, não. 
Ele e muitos de seus amigos. 
Ele a torturava, essa era a verdade. Ele a colocava 
em situações pouco honrosas, obrigando-a a ouvir, 
ver, falar e agir de modo contrário à sua natureza. Ela 
vivia triste, chorando, lamentando. Ele nem sempre 
percebia. Apesar de fazer tudo isso, na maioria das 
vezes nem pensava nela. E era assim mesmo. Tinha 
um amigo que, sendo um dos mais terríveis torturado-
res, dizia não acreditar na existência de coisas como 
“Ela”. Mas não pensemos muito nos amigos dele. 
Ele, às vezes, via-se pensando nela e no que poderia 
acontecer no futuro. E se um dia alguém lhe perguntas-
se por Ela? Na verdade, apenas algumas pessoas fala-
vam dela abertamente, e estas não eram aquelas que 
seguiam a sua filosofia, a qual se apegava unicamente 
ao presente, ao momento, à ideia de se aproveitar o 
dia. No entanto, por vezes, muito raramente, pensava 
no amanhã... no depois de amanhã... 
Em uma noite, voltando de uma festa com seus ami-
gos, durante a qual fizeram com Ela toda sorte de tor-
turas imagináveis e inimagináveis (de modo que Ela 
trazia vários hematomas, olhos roxos, dentes quebra-
dos, cortes por toda parte e nariz sangrando), 
a alta velocidade em que se encontra-
va o veículo que o conduzia, talvez 
pelo excesso de álcool, fez com 
que atingisse outro, que vinha 
com semelhante rapidez. 
Após um breve momento à escu-
ta do som de freios e buzinas, um 
silêncio nunca antes experimentado 
ecoou em seus ouvidos. Ele abriu os olhos e, de cima, 
viu-se caído no chão, sem vida. Parecia que batera a 
cabeça com tanta força que o impacto produzira a 
morte de maneira instantânea. Havia sangue saindo 
de sua boca e uma marca feia na testa, local da batida. 
Não entendia o que via. Estaria ele morto? Era, portan-
to, isso, a morte? 
Ao pensar assim, percebeu, então, que todo o seu 
corpo doía. Notou que estava muito fraco, a ponto de 
cair. Olhou para suas mãos e as viu horrivelmente feri-
das. E foi aí que não entendeu mais nada. As mãos do 
corpo no chão não tinham a menor semelhança com 
aquelas mãos horripilantes, de tão magras, que, apa-
rentemente, eram as suas. Caminhou, vendo que isso 
muito lhe custava, até o que sobrara do espelho do 
carro. Gemeu de pavor ao olhar-se. 
Era Ela. 
Se aquilo que os da filosofia do futuro diziam fosse 
verdade, como ele começava a perceber e experimen-
tar, sua vida, que jamais terminaria, só estava a princi-
piar-se. E ele seria Ela eternamente (sempre fora!), 
exatamente do jeito que a deixara, nas piores condi-
ções que alguém possa imaginar.Fraco, faminto, moí-
do e esmigalhado. 
Foi quando ouviu, nunca soube de onde, uma forte e 
imponente voz que lhe dizia: “Venha! Vamos acertar 
as contas . Quero saber o que você fez com Ela”. 
 
 6 
E, ao olhar novamente para o espelho e ver a face e 
o corpo deformados, cheios de dor e de pavor, co-
briu o rosto com as mãos e soltou o grito, abafado e 
selvagem, mais terrível que já tinha ouvido. A escu-
ridão o tomou para si. 
 O que acontece depois não vale a pena ser regis-
trado. 
 
“Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens 
preparado, para quem será?” (Lc 12.20) 
 
Wender A. R. Mothé nasceu em 1995 na cidade de Ita-
boraí - RJ. Formado em Letras Português-Francês pela 
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é pro-
fessor, revisor, tradutor e redator. Membro da Igreja 
Metodista juntamente com sua família. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O episódio da visita de Nicodemos a Jesus é 
mais bem compreendido se lido em paralelo com 
a visita de Jesus à Mulher Samaritana. São dois 
encontros enigmáticos. Um, com o homem 
Nicodemos, que se dá no meio da noite; o outro, 
com a Mulher Samaritana, que acontece no 
meio do dia. 
Nicodemos é homem importante, rico, ancião, e 
integra a elite dirigente do povo de Israel. Como 
membro do Sinédrio, é considerado um nobre 
legislador e, como fariseu, está entre os mais 
conceituados mestres do povo. 
A Samaritana, por sua vez, é mulher do povo. 
Sem nobreza, nem riqueza, sem moral nem 
estirpe. Na narrativa não recebe sequer um 
nome. 
Ambos, ao se depararem com Jesus, sentindo 
um misto de vergonha e medo, despejam sobre 
ele suas dúvidas: Como? Quem? Quando? 
Onde? 
Nicodemos, legalista e dogmático que é, 
interpreta as palavras de Jesus literalmente: 
“Acaso pode um homem velho tornar a entrar 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
no ventre da mãe para renascer?” Não percebe 
que Jesus está fazendo poesia: “Você precisa 
nascer de novo – do alto, da água e do vento –, 
para conhecer a liberdade.” (ver Jo 3) 
A Mulher também interpreta Jesus literalmente: 
“Você não tem um balde, como se oferece para 
tirar água do poço e matar a minha sede?” Mas 
Jesus se referia à água da vida, aquela tirada de 
uma fonte da qual jorra vida eterna… (ver Jo 4) 
Ah, que lição! Jesus não oferece dogmas, mas 
poemas. Porque sem poesia não é possível 
nascer de novo. Sem poesia ninguém tira água 
viva do poço da eternidade. 
 
Reverendo Luiz Carlos Ramos 
————————————————————- 
 
Luiz Carlos Ramos é pastor metodista, escritor 
e professor. Mestre e Doutor em Ciências da 
Religião. Site: https://www.luizcarlosramos.net 
O dogma mata, mas o poema vivifica 
Crônica 
https://www.luizcarlosramos.net/
 
 7 
 
O Filho do Sol 
 
Tiago de Souza 
 
Era tarde da noite, quando enfim avistei os muros 
daquela cidade. Uma fortaleza praticamente intrans-
ponível, ela era um colosso de pedra, ma-
deira e ferro, cravado em pleno deserto; 
sua fama ecoava por todo o território 
do Crescente. Desde sempre eu ouvi 
falar sobre aquelas muralhas, sobre 
as forjas que produziram seus imen-
sos portões de ferro e sobre a brutali-
dade de suas tropas. Mas agora, dian-
te de seus muros, a cidade parecia uma 
estranha arcada dentária, caninos que se es-
tendiam na direção dos céus. Eu estava exausto, per-
correra um dia inteiro de viagem. Minhas entranhas 
se reviravam de fome e pelos soldados que vigiavam 
a entrada da cidade. Fugi de casa, e os motivos disso 
não vêm ao caso: o que importa é que minha única 
chance de sobreviver era buscar refúgio atrás daque-
les muros. Juntei-me a uma pequena caravana, que 
por sorte estava entrando. Cumprimentei os guardas, 
porém, nenhum deles se dignou a responder. Esta-
vam armados, mas estranhamente tranquilos. E um 
garoto, como eu, dificilmente seria uma ameaça, 
mas, confesso que a placidez daqueles brutamontes 
me assustou, muito mais do que o frio reluzir de suas 
espadas. De fato, esqueletos e restos de cadáveres 
putrefatos jaziam pendurados por toda extensão dos 
muros, entretanto, reparei que faltava uma coisa: a 
muralha, imponente e poderosa, estava sem portões. 
Achei engraçado que aquela imensa boca, que assus-
tava e mastigava a tudo e a todos, estava banguela. 
Ao entrar, confirmei o que ouvira ainda criança: a 
cidade se aninhava ao redor de um templo, dedicado 
ao deus peixe. Ao redor dele, formava-se um rede-
moinho de casas, palácios e casebres. Devido aos sa-
crifícios diários, grossas colunas de fumaça serpente-
avam em direção do céu. As ruas estavam cheias, e 
parando, aqui e ali, pude perceber que todas as con-
versas giravam em torno de dois assuntos: a festa em 
homenagem ao deus — e que aconteceria em algu-
mas semanas —, e a prisão da besta fera que aterro-
rizava os habitantes daquela cidade. Não consegui 
muitos detalhes, até porque, naquela madrugada, 
muitos estavam bêbados, mas não me perturbei com 
nada daquilo. Minha mente estava ocupada com coi-
sas mais urgentes. Cheguei em um lugar que, ao que 
parecia, sediava uma grande feira. Me esgueirei por 
baixo das barracas e tendas, até que encontrei um 
lugar para passar a noite. Deitei-me, aninha-
do aos caixotes e ao lixo, fechei os olhos, 
e em questão de instantes, adormeci. 
Graças aos deuses, aquela foi uma 
madrugada sem sonhos. 
Acordei com o burburinho da feira 
enxameando o ar. Um homem recla-
mou do preço de uma verdura. Uma 
mulher gritou um nome, depois gritou 
de novo e de novo. Os reclames de um por-
co, os assovios chorosos dos pássaros em gaio-
las. Orações vindas de um escravo que parecia he-
breu. Alguém, prestes a ser emasculado, urrava, pe-
dindo misericórdia. Meus olhos e ouvidos se perde-
ram naquele mundo encharcado de cor e movimento, 
puro suco do caos. Espirrei uma, duas, três vezes, in-
comodado com os mil temperos e perfumes, o mun-
do inteiro embolando o ar, formando uma babel de 
olores. Saí do esconderijo e circulei de cabeça baixa, 
até que topei com um soldado, aos berros, trovejan-
do uma convocação. O militar, parecia um oficial de 
tropas, convocava homens para a tropa da cidade. O 
ordenado era bom, e os deuses, segundo ele, se mos-
trariam extremamente generosos com quem aten-
desse ao chamado do rei. Não sei o que dei por mim: 
me aproximei dele, pedi licença, e fiz uma pergunta, 
cuja resposta foi Não, você não pode se alistar. Não 
me dei por vencido. Questionei-o, dizendo que eu 
sabia fazer serviços que seriam típicos de um solda-
do. Tu não passas de um fedelho, não consegues nem 
levantar uma lança ou usar uma couraça, imagine 
entrar numa guerra. O soldado arregalou-se em um 
sorriso sarcástico, mas depois ficou sério. Nos procure 
quando for mais velho, agora, saia da minha frente. O 
soldado colocou uma das mãosem meu ombro, ten-
tou me jogar para o lado, mas eu firmei os pés no 
chão. Foi quando o homem me encarou, como se ti-
vesse lembrado de algo, como se quisesse acessar 
algo que estava escondido no meio da minha testa. 
Pensei em correr, mas o homem me segurou pelo 
braço. Pensando melhor, acho que tenho algo para 
você. O soldado deu meia volta me arrastando consi-
go. Atravessamos o mar de gente. As pessoas saiam 
de seu caminho, mas ainda assim tivemos que em-
 
 8 
purrar uns e outros. Um ou dois quarteirões depois, 
ele se virou na minha direção. Você, por acaso, sabe o 
que houve com os portões da cidade? Não, eu não 
sabia. Ele sorriu. Perfeito, você é exatamente o que 
precisamos. 
Ele me levou até uma pequena gruta, na parte de 
trás do templo. Na entrada, havia pelo menos uns dez 
soldados, armados, espadas e lanças, as armaduras 
tinindo de tão limpas. Um pequeno sino estava preso 
em um poste de ferro, cravado no lado direito da en-
trada da gruta. Os soldados estavam com as mãos 
esquerdas apoiadas no cabo das espadas, pareciam 
dispostos a desembainhá-las a qualquer momento. 
Pareciam assustados. Vi as continências sendo troca-
das. Um rápido dialogo se seguiu. Esse menino será 
perfeito para levar o מְשוֹן até o templo. Um dos שִׁ
termos me escapou, mas preferi permanecer calado. 
Parecia hebraico, mas dito com um sotaque 
esfarrapado: ,que significa cego. Um militar , שעע
que parecia ser o chefe de todos, me olhou longa-
mente. Por que você acha que esse será diferente dos 
outros? O soldado que me trouxe sorriu, depois me 
deu dois tapinhas no topo da cabeça. Ignorância, ele 
é um animalzinho feito de pura ignorância. O que pa-
recia ser o chefe me varreu com o olhar. Qual é seu 
nome, garoto? Respondi, mentindo e ironizando, des-
caradamente: Me chamo Shual, termo que, língua 
hebraica, significa Raposa. Ora veja só – exclamou o 
soldado que me conduziu até ali – acho que o destino 
colocou você no exato lugar em que deveria estar, 
garoto. Sua mão, pesada, apertou meu ombro. Va-
mos, raposinha, eu vou mostrar para você nosso ani-
mal de estimação. O chefe colocou a mão na fronte, 
em uma espécie de continência. Bem-vindo, Raposa. 
Agora, você faz parte das tropas de Gate. 
Entramos na gruta. Era um lugar úmido e malcheiro-
so, como se o suor de uma multidão de pessoas se 
concentrasse em um único lugar. Havia um gotejar 
contínuo ecoando por todo lado. Se lá fora o calor era 
abrasador, lá dentro o frio era cortante. O lugar era 
uma completa escuridão. O soldado ia na minha fren-
te, caminhando devagar, com uma das mãos segura-
va uma tocha e com a outra, carregava a espada. Na 
maior parte do tempo a lâmina era tudo o que eu via, 
o ir e vir entre fogo e o metal imprimia um aspecto 
misterioso, quase mágico. Era como se eu estivesse 
sonhando acordado, de tão estranha era aquela situ-
ação: eu, que até dias atrás era o filho mais novo de 
um fazendeiro rico em Askelon, agora era um fugitivo 
que se tornara soldado à serviço dos filisteus. O sol-
dado começou a me explicar o que eu faria naquele 
dia. Me escute com atenção, Raposa. No fim dessa 
gruta há uma besta fera. Você será o responsável por 
vigiá-lo, dia e noite. Mas, para que isso aconteça sem 
grandes problemas, existem algumas orientações, 
três orientações, para ser mais exato, que você PRECI-
SA seguir. Ele falava baixo, mas o tom de voz era fir-
me. Primeiro, não se aproxime do animal: apesar de 
ferido, ele é extremamente perigoso. Segundo, deixe 
a comida dele no chão, mas não deixe a tigela, você 
não tem ideia do estrago que ele pode fazer, usando 
um simples objeto como esse. Quando ele ia me con-
tar qual era a terceira coisa, um rugido ecoou pela 
gruta. Parecia um leão ou algum tipo de monstro, gi-
gante. O homem parou de caminhar e fez um sinal 
para que eu parasse também, depois pegou meu bra-
ço e me puxou para a frente, bem devagar. Mal de-
mos dois passos e novamente o rugido se fez ouvir, 
dessa vez mais perto. O soldado apontou para frente 
e sussurrou, no limite entre o inaudível e o incompre-
ensível. Aqui é o máximo que podemos chegar. As 
correntes e cordas que prendem a besta fera chegam 
até aqui, mas todo cuidado é pouco. Ele me encarou, 
os olhos penetrando minhas juntas e medulas. Uma 
última coisa: nunca, em hipótese nenhuma, se aproxi-
me dele. Ele esmagaria você com uma única baforada 
de seu nariz, um tapa e seu corpo partiria ao meio. 
Acredite, ele já fez isso e muito mais. O homem pigar-
reou, depois cuspiu, contrariado. Esse maldito, quan-
do estava solto, exclamava blasfêmias, enquanto des-
truía nossas florestas e caminhos. Sua insensatez fez 
muito mal ao nosso povo. Baseando sua força em fú-
ria assassina e bestialidade, ele destruiu vilas inteiras, 
deixando um rastro de destruição, montões de pelo-
tões e guerreiros arrasados. E, ao que parece, adora-
va deflorar nossas virgens, apesar de ter uma especial 
predileção por nossas prostitutas. Alguns chegaram a 
 
 9 
dizer que era um padrão reconhecível, mas de um 
animal de sangue frio, como esse, nós podemos espe-
rar tudo. Ele repousou a mão sobre meu ombro. Por 
isso a cidade está radiante, por isso nosso povo dor-
me tranquilo. Todos estão aliviados. Os olhos do ho-
mem estavam embargados. Eu mesmo perdi três pa-
rentes... A voz encharcou-se de tristeza. Raposa, você 
tem uma missão especial. Vigie esse... esse... esse 
monstro bizarro, esse desgraçado. Não se esqueça de 
que sua vida depende disso. Observe. Ele apontou 
para a parede. Está vendo essa corda? Ela corre pela 
parede e chega até a superfície. Qualquer coisa, puxe 
a corda e os soldados irão vir até aqui. Eu continuava 
calado. Havia um certo desalento no rosto do solda-
do, e o motivo era evidente: se um dia eu precisasse 
puxar a corda, seria o meu fim, os soldados sequer 
teriam tempo de me ajudar. Daqui a algumas sema-
nas, מְשוֹן será a oferenda que iluminará a festa do שִׁ
deus peixe. O filho do sol será afogado nas densas 
águas! Você será o seu ajudante, mas hoje, sua 
função é ser o mordomo. Ele mal havia concluído a 
última frase quando ouvi um ronronar, como se algo 
imenso, mas constipado, estivesse a alguns passos de 
distância. O soldado continuou: Uma última coisa: 
não deixe de conferir se a coleira que está no pescoço 
dele está visível. Novamente ele usou o termo que eu 
não conseguia traduzir. Isso é FUNDAMENTAL, a 
coleira PRECISA estar no pescoço dele, compreende? 
Eu disse sim, quase assoviando de tão baixo. Ela é o 
que controla a besta, e se por um acaso ela estiver 
escondida por sobre o cabelo, puxe a corda 
imediatamente. 
Seguiu-se um longo momento de silêncio, apenas o 
gotejar da gruta se ouvia. 
O archote foi erguido, iluminando aboca desdenta-
da daquele soldado. Você quer ver nosso pequeno sol, 
Raposa? Nem cheguei a responder, pois o homem 
jogou o archote no chão à frente. O lugar estava 
imundo. Bolotas de bosta, meio úmidas meio secas, 
restos de comida, ossos de galinha meio roídos, es-
queletos encarniçados de ratos e outros bichos que 
eu não consegui identificar, dúzias de patinhas vira-
das para cima. E deitado em canto da gruta, de cos-
tas, preso por correntes — grossas, longas o suficien-
te para que ele pudesse pegar a comida, mas tam-
bém curtas o suficiente para impedi-lo de fazer algo 
mais do que isso — estava a besta. 
Era um ser de tamanho descomunal. Acredito que 
devia ser bem mais alto do que o mais alto filisteu. 
Estava embolado em si mesmo, como se fugisse da 
luz. Sua forma se destacava em meio as sombras: 
aquilo era, de longe, a coisa mais impressionante que 
eu já tinha visto. Sua cabeça estava mal raspada, co-
mo se a lamina quisesse mais mastigar do que cortar. 
O pescoço completamente enrodilhado em um laço 
feito de couro, corda, ferro e vidro moído — a coleira. 
As costas eram largas, braços e pernas pareciam pi-
lões de moer trigo. Seu aspecto, mesmo de costas, 
era aterrador, ao mesmo tempo que me fez sentir 
pena. Em tempos onde aos amigos oferecemos cau-
tela, e aos inimigos a morte, definitivamente, morrer 
seria melhor para ele. Quando o soldado deu um pas-
so hesitante em sua direção, a besta se virou, na dire-
ção da luz. Raposa, eis aqui o campeão dos hebreus, o 
soldado exclamou, perdendo momentaneamente to-
do o cuidado. 
Descobri que a besta, o tal animal de estimação era, 
na verdade, um homem. 
Ele estava envolto em sombras, mas era possível 
vislumbrar certos detalhes. Seus olhos estavam em 
carne viva, como se um ferro em brasa tivesse sido 
esfregado ali. O som que vinha dele era horripilante. 
Lembrava um ronco, mas era imenso, doloroso, como 
se inspirar e expirar fosse um esforço enorme. Seu 
peito chiava, inflando-se, indo e vindo, um som ras-
cante, crescendo... Até sumir... e recomeçar. Daqui a 
algumas semanas, o filho do sol será afogado nas 
densas águas! O soldado repetiu, e foi aí que eu 
finalmente compreendi o que me escapava: o termo 
que eu não conseguia compreender era מְשוֹן que ,שִׁ
significava Filho do Sol. Esse era o nome da besta. 
Reparei novamente na coleira: os cabelos da fera 
estavam esfiapados, mas boa parte dos fios 
ultrapassava a linha dos ombros. E mais uma coisa: 
aquele ronco que eu ouvia não era uma respiração: 
na verdade, o Filho do Sol estava murmurando em 
hebraico, mas devido a forma como era utilizado, 
palavras mastigadas, murmúrios de uma melodia 
tétrica, impedia qualquer tipo de tradução. 
 
 10 
Entretanto, conforme ele foi repetindo aquela 
cantilena, eu consegui reconhecer os padrões, típicos 
das preces que os sacerdotes dos hebreus faziam em 
dias de sacrifício. 
שְרָאֵל שְמַע אֶחָד יְהוָה אֱלֹהֵינוּ יְהוָה יִׁ
Essa algaravia era uma baboseira que os hebreus, os 
inimigos mortais do meu povo, chamavam de Shema 
Yisrael; mas não era só isso: naquela prece havia dor, 
havia ódio, havia ressentimento, mas, principalmen-
te, havia arrependimento. O filho do sol, o campeão 
dos hebreus, o monstro que aterrorizava a principal 
cidade dos filisteus, aquele que destruiu seus por-
tões, o personagem de diversas histórias que pais e 
avós contavam para as crianças, aterrorizando-as an-
tes de dormir, não estava tentando respirar, nem es-
tava apenas rezando. Em um canto, com os olhos va-
zios e vazados, Sansão, o campeão dos hebreus, pe-
dia clemência ao seu deus, e chorava, copiosamente. 
* * * 
Tiago de Souza nasceu em Belford Roxo (RJ). É 
membro da Igreja Batista Supere (Engenho Novo - 
Nova Iguaçu, RJ). Historiador e teólogo, doutorou-se 
na área de Musicologia e atualmente dá aulas em 
escolas e cursos. Como músico profissional, já tocou e 
gravou com diversos artistas e festivais, além de ter 
sido vencedor nos concursos Batuka! (Brasil, 2011) 
e Drummer of Tomorrow (Alemanha, 2012), ambos 
como baterista. Aprendeu a ler e a escrever há mais 
de trinta anos atrás, e demorou tudo isso para escre-
ver seu primeiro conto — alea jacta est. 
PRIVA-ME E PROVA-ME 
 
Priscilla Rocha Chaves (Pri de Luz) 
 
Priva-me de riquezas, 
Priva-me de desejos, 
Anseios, 
Priva-me de amigos, 
Priva-me de marido, 
Priva-me de família, 
Priva e prova-me. 
 
Prova-me no vale, 
Prova-me no deserto, 
Prova-me em águas calmas, 
Também em tempestades. 
Prova-me continuamente, 
Intensamente, 
Prova e priva-me. 
 
E nesse instante de provação, 
De privação, 
Me lanço a Teus pés e 
Danço em Teus braços, 
Contente e ciente, 
De que me provas e privas-me 
De muito, 
De nada, 
E em todo o tempo 
Não me privas de Tua presença. 
 
Farta-me com riquezas, 
Farta-me com desejos, 
Anseios, 
Farta-me com amigos, 
Farta-me com marido, 
Farta-me com família, 
Farta e sustem-me. 
 
Sustém-me no vale, 
Sustém-me no deserto, 
Sustém-me em águas calmas, 
Também em tempestades. 
Sustém-me continuamente, 
Intensamente, 
Sustém e farta-me. 
O amor é suficiente 
 
Rosa Leme 
 
O amor é suficiente 
O meu coração está alegre, contente... 
O amor é a base de uma vida 
Feliz, abundante. 
 
O amor é suficiente. 
Um relacionamento de renúncia, 
De amor e confiança 
Impulsiona-nos à perseverança. 
 
Evito a intriga, o confronto intimida. 
O confronto provoca conflito. 
Deixa o coração aflito. 
 
Prefiro a paz que ilumina 
A minha alma, e traz-me a calma. 
A guerra domina e oprime. 
 
Gosto de semear paz e alegria... 
Pois a alegria repartida 
É regalo para o coração. 
 
Amar é uma decisão. 
Amar é agir em benefício 
Do outro. 
Desejo que o amor límpido 
Sempre aja em meu coração. 
 
 
@
p
ri
d
el
u
z 
LIGA DE ARGILA 
 
Renato Melo 
 
não ligo ser feito 
liga de argila 
gosto muito 
do que sou feito 
se não tivesse caído 
a história seria outra 
fosse o Universo gente 
tenho certeza 
choraria comigo 
caso eu lhe contasse 
tudo 
https://www.instagram.com/prideluz/
 
 11 
 
* 
 
Josué Ebenézer 
 
Era uma lenda. Todos a sabiam de cor naquele lu-
gar. A lenda falava de uma mensagem que chegara à 
Ilha dentro de uma garrafa. Quem achou a 
garrafa foi um menino que se viu logo 
atraído pelo brilho de algo dentro dela. 
Era uma pepita de ouro. E por conta 
disso, quase que a garrafa com a men-
sagem voltou para o mar. Quem salvou 
a mensagem foi o pai do menino que o 
percebeu muito silencioso e concentra-
do e logo correu para onde ele estava. Viu 
o ouro nas mãos do menino, mas mergulhou 
para resgatar a garrafa que se distanciava. Na volta, 
pegou a pepita e, tomando-o pela mão, conduziu-o 
para o abrigo da choupana da família. De imediato, 
quis saber o que estava escrito naquelepapel aperga-
minhado que estava na garrafa. Estendeu-o sobre a 
mesa para deixar secar e, de pronto, procurou senti-
do nas palavras do manuscrito. Não entendeu nada e 
angustiou-se: estava diante de um desafio similar ao 
da Esfinge de Tebas. Não queria ser eliminado por 
incapacidade de decifrar o enigma. Mas seria difícil. A 
escritura, embora não fosse das mais longas, era em 
Latim. E qual o texto? O jovem senhor apoiou as 
mãos sobre a mesa, ladeando o pequeno manuscrito, 
onde viu (não conseguiu ler), o seguinte texto em La-
tim: “Homo sapiens, re-cordis! Suae quisque fortuna 
faber est. Alii curant, alii dissimulant. Carpe diem. Se-
dare dolorem opus divinum est. Nosce te ipsum. Sapi-
entia est potentia. Non videmus manticae quod in ter-
go est. Omnia cum pretio. Utilius tarde quam nun-
quam. Tempus est dominus rationis. Dum vita est, 
spes est. Amor vincit omnia. Per aspera ad astra. Fiat 
lux.” Por mais que tentasse encontrar alguma palavra 
naquele texto, que lhe acendesse a luz de algum en-
tendimento, não conseguia. A educação na Ilha era 
organizada, mas se restringia ao Idioma nativo, uma 
mistura de um antigo ramo celta das línguas indo-
europeias com o manês, originando uma Língua mui-
to próxima do irlandês gaélico, ainda utilizado em 
muitas ilhas da Grã-Bretanha. Assim sendo, por esco-
lha consciente dos seus antepassados, o Latim não 
encontrou guarida no meio de seu povo, mesmo ao 
tempo das invasões do Império Romano. Agora, se 
via diante daquele desafio à moda “decifra-me ou te 
devoro!” Até que lembrou do velho professor brasi-
leiro que fora morar na Ilha: o Duque de Galinheiro, 
um renomado latinista que, tendo ajudado a Compa-
nhia de Jesus a implantar colégios no Brasil, decidiu-
se por passar seus últimos dias ali, por conta da ex-
pulsão da Ordem do país. E o velho professor enten-
deu tudo, mas não revelou o segredo para o pai de 
família. Lá estava escrito: “Ó, ser humano, recorde-
se! O homem é o arquiteto de seu próprio destino. 
Alguns cuidam, outros ignoram. Aproveite o dia. Alivi-
ar a dor é uma obra divina. Conhece-te a ti 
mesmo. Sabedoria é poder. Não pode-
mos ver a carga que carregamos nas 
costas. Tudo tem um preço. Antes tar-
de do que nunca. O tempo é o senhor 
da razão. Enquanto houver vida, have-
rá esperança. O amor tudo vence. Por 
ásperos caminhos até aos astros. Faça-
se a luz.” O pai do menino, ansioso por 
uma explicação, indagou incisivo: “O que está 
escrito aí?” “Não posso dizer”, respondeu o velho e 
acrescentou: “Você vai descobrir com a vida o que é 
mais importante!” O moço mostrou um princípio de 
desespero, mas algo dentro dele pediu que se acal-
masse. Despediu-se do velho professor, e já ia se reti-
rando quando este disse: “O tesouro está diante dos 
olhos e faz parte de você!” Ele caminhou lentamente 
pela praia, pisando as areias enquanto escrevia com 
um galho coisas que lhe vinham a mente e que se in-
cumbia de apagar em seguida com as pegadas que 
deixava na areia. Seu pensamento se unia ao ambien-
te e o vento soprando em seu rosto, o ajudava a abrir 
sorrisos. Já próximo à choupana, correu apressado 
quando viu seu lindo filho à entrada. Pegou-o no colo, 
rodopiou e dançou alegremente, cantou canções, de-
clamou poesias. Assoviando inspirações, entrou na 
choupana e, pegando a pepita de ouro que tomara 
do filho, disse: “É sua, meu filho! É algo que tem valor 
para a maioria das pessoas nessa vida. Tome conta 
dela com cuidado. Eu vou tomar conta de você!” 
___________________________________ 
 
(*) Do livro: Duas horas sobre rodas e outras histórias. 
Editora MEPE. P. 86. 
Disponível em Versão Digital (e-book): https://
livrariamepe.com.br/produtos/duas-horas-sobre-rodas/ 
Versão Física (Livro impresso): https://loja.uiclap.com/titulo/
ua55033/ 
______________________________________ 
 
Josué Ebenézer de Sousa Soares é escritor, poeta, 
contista, jornalista e pastor. Autor de revistas de estudos 
bíblicos (como “Vida Cristã Frutífera”, com mais de 50 mil 
exemplares vendidos) é também autor de “Gotas Unidas“, 
“Pra Lavras Poéticas“ e “Deus: A Experiência“, livros de 
poemas. Formado em Teologia e Comunicação Social, é 
membro da AELB – Academia Evangélica de Letras do 
Brasil. É pastor da Comunidade Batista Atos 2 (Nova 
Friburgo, RJ). 
https://livrariamepe.com.br/produtos/duas-horas-sobre-rodas/
https://livrariamepe.com.br/produtos/duas-horas-sobre-rodas/
https://loja.uiclap.com/titulo/ua55033/
https://loja.uiclap.com/titulo/ua55033/
 
 12 
 
Mateus Ma'ch'adö nasceu em Jundiaí, SP, mas 
reside em Bragança Paulista. Formado em ges-
tão ambiental, é autônomo, produtor de conteúdo 
no canal Biblioteca D Babel (YouTube) e autor 
dos livros Origami de metal (poesia, 2005), A mu-
lher vestida de sol (poesia, 2007), A Beleza de to-
das as coisas (poesia, 2013), Nerval (poesia, 
2022), As hienas de Rimbaud (romance, 2018), 17 
de junho de 1904 – O dia que não amanheceu, so-
bre a obra de James Joyce (ensaio, 2022), e YHVH 
(poesia, 2023). 
 
Mateus Ma'ch'adö 
 
Os Poetas da Última Hora 
 
Os poetas da última hora 
lutam com D'us para alcançarem 
a benção de escrever um bom poema; 
a eles é permitido entrar no Pomar das Palavras. 
 
Os poetas da última hora 
Serão excluídos, perseguidos, presos, 
desprezados e odiados pelo mundo; 
serão os poetas malditos do porvir. 
 
Os poetas da última hora 
conhecem o relógio dos dias 
e as semanas de Daniel 
e dão testemunho da Verdade. 
 
Os poetas da última hora 
não querem mudar o mundo; 
eles sabem que não se muda 
o inevitável e que próximo está o fim. 
 
Os poetas da última hora 
sabem que a Criação paga alto preço 
pelo erro que somente o homem cometeu; 
daí nasceu a inimizade entre o Homem e a Natureza. 
 
Os poetas da última hora 
desejam ver o céu aberto e os anjos de D'us 
subindo e descendo para cumprirem 
as promessas do Filho do Homem. 
 
Os poetas da hora última 
aguardam um novo céu e uma nova terra 
com seus corpos glorificados 
e a Eternidade no Coração do Criador. 
 Poeta em Destaque 
https://www.youtube.com/@bibliotecaDBabel
 
 13 
Mateus Ma'ch'adö 
Gan Éden 
 
 
Depois que o Verbo saiu 
da boca de D'us 
a Luz infinita jorrou 
e expandiu 
com luminares 
de toda natureza. 
 
A Terra foi remexida 
enquanto Adonai 
segurava relâmpagos 
na raiz de suas unhas. 
As águas agitadas 
tornaram-se calmas 
quando Ruach HaKodesh 
pairou sobre a sua face. 
 
Assim era o mundo 
antes de nós. 
 
Em algum momento 
o Verbo plantou um jardim 
com uma única letra; 
a primeira Letra. 
 
Sinto crescer em mim 
árvores iridescentes 
que brotam nesse Jardim. 
Os troncos luminosos crescem 
como ossos; do meu coração 
a seiva escorre e o meu sangue 
tem parte nessa seiva imortal. 
 
Ruach HaKodesh é uma brisa suave 
que passeiana manhã e na viração do dia. 
 
Não há veneno inoculado na áspide 
sequer há serpente que avance ao calcanhar. 
E no lugar de pedregulhos e torrões secos, 
há terra germinal desde os grotões 
de águas cristalinas correndo sobre topázios, 
cornalinas, ágatas, esmeraldas e quartzos. 
Para cada filho da Luz há uma pedrinha 
com seu verdadeiro nome. 
 
Ruach HaKodesh ensina as pedras a louvarem ao Criador, 
polindo cada pedra, como faz aos filhos da Luz para a per-
feita adoração. 
 
O líquen é o orvalho misturado 
com a baba dos bichos da seda; 
e toda a seda produzida, 
todo linho e toda lã 
revestem de luz cada letra 
que nasce do Pomar das Palavras. 
Anjos tecelões recolhem 
a melhor seda toda manhã 
tecem linho fino e pura lã 
para revestir o alfabeto do Criador. 
 
Ruach HaKodesh balança as minhas folhas, 
balança as folhas dos justos e santos. Ela recolhe os nossos 
frutos maduros. 
 
Por ordem do Criador 
poemas são entalhados 
nas árvores do Jardim, 
mas só nas de pele descarnada. 
Antes da Queda 
éramos como crianças obedientes, 
nós os poetas, aprendendo 
sobre as dimensões de cada letra, 
a luz e a sombra de cada palavra 
e o poder do sopro que nasce 
no coração, se ilumina na mente 
e brota dos lábios humildes 
para soarem proféticos como shofares. 
 
Ruach HaKodesh sopra nas narinas dos animais, 
passeia entre as plumagens furta-cor das aves e brinca nos 
olhos dos peixes. 
Minhas raízes se movem 
e pequenos animais fazem suas tocas 
entre os meus dedos de cedro; 
raposas, guaxinins, esquilos, quatis e doninhas. 
Com as pontas das minhas raízes 
sinto o pulsar de todo o Jardim. 
Com as pontas dos meus galhos, 
meus gravetos, sinto a voz do vento. 
Com o meu coração sinto o coração de D'us,  
 
 14 
Mateus Ma'ch'adö 
 
pulsando no mesmo ritmo que o meu. 
 
Ruach HaKodesh pinta as flores e seu hálito é o hálito do 
pólen. 
Ela está na lã das ovelhas, na galhada dos cervos e na pela-
gem das camurças. 
 
Depois que o primeiro casal foi expulso do Jardim, 
dois reluzentes querubins, 
com espadas nas mãos, 
fecharam os enormes portões de luz 
que ficam ao Oeste. 
Clemência Divina 
é o nome do primeiro Querubim; 
ele pertence a hierarquia da Misericórdia. 
Aniquilação Divina 
é o nome do segundo Querubim; 
ele pertence a hierarquia da Justiça. 
 
Mas toda a Perfeição vem de Yeshua HaMashiach. 
Ele é a Serpente devoradora de serpentes. 
Ele é a Serpente erguida no deserto para curar 
a humanidade da peçonha de Hasatan. 
Ele sabe espalhar o trigo para secar. 
 
O sangue de Yeshua é a seiva do Jardim, 
mesmo quando se fez homem 
e filho do Homem se fez. 
Quando o sangue de Yeshua, 
o Cristo, escorreu pela cruz, 
nos proporcionando a cura, 
cresceu em mim o mesmo Jardim de outrora, 
senti os portões de luz se abrirem 
e a saudade de voltar para casa. 
 
 
 
 
 
 
Instrumento 
 
 
Sonhei que era um delicado formão de entalhe 
que D'us usava para escrever, em detalhe, 
teus versos nas árvores do santo Jardim 
em finos traços; tais lábios do Querubim 
 
que desenha e guarda o voo das grandes aves; 
mais profundos e densos que os olhos suaves 
dos seres sagrados de Ezequiel, profeta; 
no Pomar das Palavras se faz o poeta. 
 
Eu, porém, sendo vil formão de cega lâmina, 
na alma da letra exata o corte mal traçava; 
do cabo ao fio, tudo em mim era Infâmia. 
 
Mas Du's, sendo perfeito artesão, planejava 
escrever certo em linha com cego instrumento, 
pois Ele afiava, afiava o meu tormento. 
Até aqui: Poemas do livro Moriá (inédito) 
SOBRE A MAJESTADE DE YESHUA HA MASHIACH 
 
I 
 
A Majestade de Cristo está na pele 
dos leopardos e jaguares, salpicada 
em gloriosas rosetas e na revoada 
dos flamingos em alaridos qu'impele 
 
sopro divino, das águas o marejar 
e nas praias do mundo, no cruzar dos ninhos 
dos oceanos, pelas jubartes, golfinhos 
baleias azuis e cachalotes no quebrar 
 
frio das geleiras pelo dente dos narvais; 
nosso unicórnio dos mares e a beluga, 
entre céu e mar, em grandes batalhas navais. 
 
E orcas na caça de um leão marinho em fuga, 
também do Filho pertencem os arrebóis, 
e a Tua majestade, vale mais que mil sóis. 
 
 Do livro YHVH 
 
 15 
 
O Guerreiro 
 
Lydia Plado 
 
Quando eu era menino, ansiava pela guerra. Aju-
dando o meu pai nos campos, eu ficava à espera dos 
guerreiros retornando triunfantes. Meu pai 
achava engraçado e, bagunçando os meus 
cabelos, dizia: “Aser, tudo tem o seu 
tempo. Prepare-se e espere”. 
Eu me preparei. E esperei. 
Quando não estava semeando ou 
colhendo, treinava com a lança e a 
espada. 
Cresci. E então o meu pai me orien-
tou a plantar uma vinha. Ele disse que 
eu já estava pronto para o cultivo: havia 
aprendido o suficiente para cuidar de minha 
própria terra. 
Plantei a vinha. 
E veio a guerra. Pela qual me preparei e esperei. Ou, 
foi o que eu havia pensado. Pois quando eu estava 
animado na convocação, eis que o comandante de-
clara: “Aqueles que plantaram uma vinha, retornem, 
para que possam colher de seu fruto”. 
Eu estava pronto! Não morreria! Poderia desfrutar 
do vinho quando eu voltasse! Mas, as palavras de 
meu pai soavam nítido em minha mente: “Aser, tudo 
tem o seu tempo. Prepare-se e espere”. Voltei para 
casa, cabisbaixo. E lá estava ele, no portão me espe-
rando, com uma sobrancelha erguida. Dou um suspi-
ro ao passar por ele. E de repente me vejo no chão. 
Não esperava por essa rasteira... 
— Isso é o que você chama de estar pronto? Ainda 
bem que mandei plantar uma vinha! Se fosse pra 
guerra assim, não voltaria vivo. O inimigo é astuto: 
ele não tem pena se você está de mau humor. — ele 
me oferece a mão. Ainda jovem, reviro os olhos, e 
pego sua mão. Ele me ergue com tal força que pensei 
que deslocaria o meu ombro. Ele nota. — Surpreso? 
— ele ri. — Sabe de onde vem essa força? — ele bate 
em seu próprio braço — Do arado. Dedique-se à vi-
nha, filho. 
Dou um outro suspiro. E sigo para a vinha debaixo 
de sol quente. 
Dedico-me à vinha. Dia após dia. Mês após mês. Até 
que aparecem os frutos. 
Separamos as primícias. E celebramos. 
Durante o banquete, meu pai coloca a mão em meu 
ombro e diz: 
— Estou orgulhoso, meu filho. Agora que você tem 
o seu próprio sustento, deve ter sua própria casa. 
Vou te ajudar a construí-la. 
No dia seguinte, antes do sol nascer, ele me acorda. 
— Vamos, levanta! Hora de começar a sua casa. — 
sonolento, o sigo. E aos poucos descubro que cons-
truir dá muito mais trabalho do que plantar. E que o 
que é visível só se torna sólido a partir do invisível: do 
alicerce. Eu que achava que o começo seria 
a partir de tijolos, me surpreendo quan-
do o velho me dá uma pá e me diz para 
cavar fundo. — Tudocomeça nas raí-
zes. — ele dá uma piscadela e ri de 
minha incredulidade. 
Mais dias e meses se passam debaixo 
do sol. E aos poucos, o que é invisível 
se torna visível: do chão, brota uma 
estrutura, que ganha um esqueleto e 
gradualmente vai tomando forma. E de al-
guma forma, conseguia ver relação com a minha 
vinha, que eu continuava a cuidar: tudo começa ca-
vando a terra. Os dias passam, e há a angústia de que 
nada está acontecendo. Até que você vê uma ponti-
nha verde rompendo o solo, que se cuidada, continua 
a crescer, florescer, e então chegam os frutos. 
É necessário paciência. 
Quando enfim estava terminando o telhado, ouço o 
soar das trombetas: há uma nova convocação para 
guerra. 
— Vá lá, meu filho. Eu termino o serviço aqui hoje. 
— meu pai diz, calmo. 
Confesso que dessa vez estava tão envolvido com a 
construção, que havia esquecido o meu sonho de mo-
leque. Seria covarde não querer ir dessa vez? Teria eu 
a chance de poder não ir? E se eu fosse obrigado a ir? 
Nos últimos meses havia abandonado a lança e a es-
pada por completo. Como lutaria com os inimigos? 
Ao chegar, o comandante já passava as instruções. 
— ... para que possam colher de seu fruto. — lem-
bro-me do quanto decepcionado havia ficado ao ou-
vir isso pela primeira vez. Hoje, estava grato. — Aque-
les que acabaram de construir uma casa também de-
vem permanecer para que possam desfrutar de sua 
obra. — Ergo os olhos para o comandante, incrédulo. 
Eu realmente poderia ficar? E ele continua. — Aque-
les que estão noivos, fiquem e se casem. E por fim, 
aqueles que tem medo, a guerra também não é para 
vocês. 
Os homens ao meu redor começam a se mobilizar, 
mas eu ainda estava paralisado. Como isso era possí-
vel? Uma enorme gratidão pousa sobre mim me fa-
zendo sorrir ao voltar para casa. Para a minha casa. 
 
 
 16 
 
— Olha aí, o Aser sorrindo! Se safou de novo, hein? 
Primeiro, plantou uma vinha, e agora construiu uma 
casa. Aposto que na próxima ele vai dar um jeito de 
estar noivo! — diz Malaquias nas minhas costas, me 
fazendo parar. Ouço as risadas dos que estão com ele 
e me viro para fita-lo. — O que foi? — ele diz, cínico. 
— E depois que você casar? Vai assumir que tem 
medo? As desculpas para você fugir estão acabando... 
— os outros desabam a rir. 
 Fecho os punhos. 
— Eu não tenho medo. 
— Difícil de acreditar... — e as risadas continuam... 
e eu estava a ponto de... 
— Aser! — meu pai aparece — Você estava 
demorando, eu vim... — ele olha para Malaquias e os 
outros tentando acobertar o riso — ver o que estava 
acontecendo. 
— Não é nada, senhor Belquior! Estávamos 
apenas... lamentando que o nosso querido Aser não 
poderá se juntar ao exército. De novo. — o gordo do 
Jeremias solta uma risadinha. 
Meu pai acena concordando, e põe a mão em meu 
ombro. Aperta. Bastante. Na verdade. 
— Sei. Bom, boa sorte para vocês, jovens. Venha 
Aser. Temos muito o que fazer. — e com sua mão 
pesada sobre o meu ombro, ele me tira dali. 
Quando chegamos em casa, ele me solta. 
— Eu não tenho medo. — digo a ele, que me olha e 
cruza os braços. 
— E? 
— Eu não tenho medo! 
— Você não tem medo ou quer provar para aqueles 
honoráveis senhores que você não tem medo? 
Franzo as sobrancelhas. 
— Filho. — ele suspira, e pousa suavemente sua 
mão sobre o meu ombro. — Não jogue fora tudo o 
que você recebeu por causa de algumas risadas. 
Parte de mim sabia que ele estava querendo me 
ensinar algo. Parte de mim sabia o quanto havia 
ficado feliz e grato por não ir dessa vez. Mas a outra 
parte... a outra parte ouviu as risadas. A outra parte 
estava com vergonha. Com o peso da condenação 
alheia, do julgamento de covardia e de não estar 
fazendo o que todos os outros estão. E para mascarar 
a vergonha, a raiva dava as caras. 
Empurro o meu pai. 
— Quem foi que fez essas regras ridículas? Que tipo 
de exército manda pessoas embora? É uma guerra! 
Quanto mais soldados, melhor! 
Meu pai quase ri. Era irritante o quanto ele sempre 
levava as coisas de bom humor... 
 — Quem fez essas regras “ridículas”? Bom, foi 
Deus. O Criador dos céus e da terra, que forjou os 
mares e deu o fôlego de vida a todas as criaturas. Se 
acha melhor do que Ele? — meu pai abre um sorriso 
e cruza os braços. — Você ainda não entendeu nada. 
Estou desapontado por ter esquecido as histórias de 
nosso povo. De Gideão, por exemplo. O nosso 
exército não é como os outros. E nosso Deus não é 
como os outros. Ele não precisa de números. E Ele é 
misericordioso. Por isso, não desperdice as bênçãos 
que Ele confiou a você. — novamente ele pousa a 
mão em meu ombro. Olho para o chão. — Malaquias 
e os outros não têm as mesmas coisas que você tem. 
E se eles não forem, serão os covardes. Ou melhor, os 
covardes aos olhos dos outros. Poucos são os 
corajosamente fracos. — ficamos ali parados, ele com 
a mão em meu ombro, até eu ter coragem de erguer 
a cabeça e fita-lo. — Estou orgulhoso de você, filho. 
Se for da vontade de Deus, você irá realizar o seu 
sonho de menino e ir para guerra. Mas se quer que a 
benção dEle te acompanhe, terá que ser do jeito dEle 
e no tempo dEle. Até lá — ele ergue a mão e bagunça 
o meu cabelo com certa dificuldade, já que agora sou 
mais alto do que ele — prepare-se e espere. 
Isso me faz sorrir. 
— Obrigado, pai. 
Terminamos a casa e novamente meu pai faz um 
banquete. Um banquete no meu quintal. Meu. Minha 
casa. Que realização. 
Sentado, observo meu pai rindo com os convidados. 
Como devo a ele. 
Busco o vinho que preparei com as melhores uvas 
da penúltima safra. Ainda não estava muito 
envelhecido, mas eu tinha certeza da qualidade das 
uvas. Volto a sentar e espero por ele. 
— Meu filho, como você me traz alegria! — meu pai 
diz, sentando-se à minha frente. Sirvo-lhe um copo de 
vinho. — Que vinho excelente! Onde comprou? Ah, 
não importa! O que importa é que agora você tem 
uma casa! Apesar que... seria meio solitário morar 
aqui sozinho... 
— Você quer me casar, não quer? Eu realmente vou 
estar noivo quando a próxima trombeta soar? — finjo 
estar descontente. 
— O quê? Vai mesmo comprar essa? Malaquias 
virou profeta agora, é? — não consigo manter a 
postura e acabo rindo. — Ah, então você está 
zombando do seu velho pai? Bonito, hein? 
— Tudo bem, tudo bem. Eu caso! Eu... confio em 
você, pai. Se me diz para plantar, eu planto. Se me diz 
para construir, construo. Se me diz para casar, eu 
caso. 
— Ótimo! O próximo banquete será de seu 
casamento! Já tenho algumas senhoritas em mente 
que acho que combinam com você, é só escolher 
 
 17 
 
uma. Quero muitos netos! 
— Pai! 
Meses depois, me caso. E minha esposa, com seu 
cuidado, ternura e força, traz a presença de um brilho 
diferente em minha casa. E como amo observá-la a 
ver o pôr do sol na janela, com seus cabelos longos 
escuros e o pensamento longe. Comoela é bela. 
Quando estávamos esperando pelo nosso segundo 
filho, a trombeta soa. 
— Vai. — ela diz — É o seu sonho. 
— Mas você está grávida... 
— Está com medo? — medo? Seria medo o que eu 
estava sentindo? — Mentir é pecado. 
Eu não tinha medo de morrer. Não tinha medo de 
ser ferido. Mas... agora eu era marido e pai. Tinha 
responsabilidades com minha família. Contudo, eu 
também tinha o dever com o meu povo. E o meu 
sonho de infância. Me via dividido. E se eu nunca 
pudesse ver o rosto de meu segundo filho? 
— Vá. — ela diz. — Chegou a hora. Você obedeceu 
até aqui. O Senhor está realizando o desejo do seu 
coração. Ele estará com você. 
Beijo a sua mão e a sua testa e vou. 
Sinto a adrenalina percorrer o meu corpo a cada 
brado, a cada golpe. Me sentia vivo e acordado como 
nunca. Contudo, os inimigos não acabavam. Pareciam 
um enxame de gafanhotos sem fim. 
— Eles são muitos! — diz Malaquias, desanimado ao 
meu lado. 
— São. Mas o nosso Deus não precisa de números. E 
Ele é misericordioso. Venceremos. 
Depois de toda a espera, apesar de todo o caos e 
sangue, estava vivendo o ápice do meu sonho: 
finalmente estava no campo de batalha, guerreando. 
Se nunca tivesse acontecido, eu também seria grato: 
vivi uma vida digna. Mas, no tempo certo, já tendo 
alicerce, estrutura e força, Deus me permitiu usar a 
espada, a lança, e o escudo. A cada golpe, eu tinha 
certeza que valeu a pena a espera. A cada desvio, via 
que finalmente eu estava preparado. Obrigado, pai. 
____________________________________ 
 
Lydia Plado nasceu no Rio de Janeiro capital, mas 
ao longo de seus 27 anos de vida já morou em 
diferentes cidades do Brasil. Ainda criança, começou 
seus estudos de música na Primeira Igreja Batista de 
Niterói, mas foi na Primeira Igreja Batista de 
Paranaguá, quando o seu professor de flauta 
emprestou sua coleção encapada de As Crônicas de 
Nárnia, que Lydia se apaixonou pela leitura e passou 
a ter o sonho de criar seu próprio mundo, como C. S. 
Lewis: ser escritora. Ainda adolescente publicou seu 
primeiro livro, Corações Renegados. 
Atualmente, Lydia mora em Paracuru, no interior 
litoral do Ceará, e toca teclado no grupo de louvor na 
Igreja Bíblica Batista de Paracuru. 
 Notas Culturais 
 O site Christian Art compartilha, todos os dias, uma obra clássica ou moderna que reflete valores cristãos, 
junto a um texto devocional. Eles estão em https://christian.art/ . Você pode assinar a newsletter e receber 
diariamente em seu e-mail a arte e a mensagem. 
 Em junho, o Pr. Rogério Alves de Carvalho lançou o livro Os Revoltosos. Em 1925, uma família sobrevive 
a dias difíceis com a chegada da Coluna Prestes à sua pequena cidade. Confira AQUI. 
 Ainda em junho, Sylvia Maia lançou o livro infantil Expedição Missionária, que narra o avanço do missi-
onário Robert Reid Kalley e sua esposa, até a Ilha da Madeira, em Portugal. Confira AQUI. 
 Nos dias 17 a 20 deste mês de julho acontece a nova edição da FEFICC, Feira de Ficção Cristã e Cultura. O 
evento será na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, com entrada gratuita. A feira tem se fir-
mado como uma congregadora de autores e leitores do recente boom da ficção cristã no país. Confira mais 
informações no perfil da FEFICC no Instagram, AQUI. 
 Em junho, Renato Souza de Melo lançou o livro Um nó na garganta desde o princípio do mundo. É seu 
terceiro livro poético. Confira AQUI. 
 Em fins de 2023 o Pr. Luiz Miguel Gianeli lançou, pela editora Trinitas, o Devo Gamer, um devocional 
que utiliza o universo dos videogames para comunicar valores eternos. Confira AQUI. 
 O projeto Geração Blindada lançará (durante a FEFICC) a antologia Vozes da Juventude, reunindo contos 
de 17 jovens evangélicos de todo o Brasil. AQUI. 
https://christian.art/
https://www.instagram.com/p/C8SQ_jBPptk/?igsh=aHB4NTlkd2NidnUy
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdBqjLhgur-5zK2jW82JwQlKt90KP2wQBWCWkbzcwCbqQea0w/viewform
https://www.instagram.com/feficc.feira?igsh=MTQwZ2h3NXFrNng5Mw==
https://www.arteimpressaeditora.com.br/product-page/um-n%C3%B3-na-garganta-desde-o-princ%C3%ADpio-do-mundo-renato-melo
https://www.editoratrinitas.com.br/devocional/devo-gamer
https://www.instagram.com/geracaoblindadaoficial?igsh=MWQ4bmhvazBlZGdsMQ==
 
 18 
 Nã o penso em nenhumã 
lí nguã: penso em ãlmã. 
 
O Espí rito nã o reconhece 
hierãrquiã, sãlvo ã de 
Deus. 
 
A mecãnizãçã o do Espí ri-
to e o princí pio do desãs-
tre. Tãl o sãngue que se-
cã, por fãltã de seivã. 
 
No tempo tudo pesã, nã 
eternidãde nãdã. 
 
A fe so pode duvidãr de 
si mesmã. Jãmãis de 
Deus. 
 
O espí rito so tem fome 
de espí rito. 
 
A ãlmã e fãí scã, se tocãr 
em Deus. 
 
O ãmor e o hã lito dã luz. 
 
Quero me perder em 
Deus. E de tãnto encon-
trãr, sem cãutelã se per-
de. Deus e quãndo o im-
possí vel terminou e prin-
cipiã ã juventude dã luz. 
 
O estãdo de grãçã e um estãdo de ressurreiçã o. 
 
O profetã so pode existir por detrã s do menino. 
 
E xtãse: estãdo de Anjo. 
 
Tomãr ã cruz e tomãr ãs estrelãs no ombro. O peso 
diminui ão ãndãr. 
 
Fãmí liã, humãnidãde conciliãdã. 
 
O ãmor de um cã o e tã o forte que criã deveres. E 
tã o grãnde que lãmbe nossãs lã grimãs. 
 
Todãs ãs teoriãs me recusãm. 
 
Os vermes engordãm de tãntã glo riã sob ã terrã. 
 
A tolerã nciã e ã lucidez dã bondãde. 
 
O pensãmento cãiu de sono. E o sono, de pensã-
mento. 
 
O profetã, quãndo verdãdeiro, e um ser perigoso. 
Porque ã profeciã e que o escolheu. 
 
A humildãde se sustentã de ãmor. 
Hã poemãs em que ãs pã-
lãvrãs morrem de sono. 
 
O impossí vel e ã ne voã 
que se ãtrãvessã ãte o 
possí vel. 
 
Guãrdã tuã pãlãvrã: e in-
terior de tuã cãsã. 
 
Onde hã justiçã, e neces-
sã rio miserico rdiã. Umã 
nã o coexiste sem ã outrã. 
Como cordãs que vã o so-
bre o precipí cio. 
 
Nã o hã e picã sem ã loucu-
rã dã infã nciã. 
 
As coisãs se dã o ãbãixo 
do ãmor, como o ce u 
ãbãixo dãs estrelãs. 
 
Sou ã minhã estrãnhã 
descobertã. 
 
Ousãr e por inteiro. 
 
A belezã e ã clãridãde que 
nã o morre. 
 
E preciso dãr tempo ão 
sonho. E dãr sonho ão 
tempo. 
 
O o cio e o progresso do ãrtistã. 
 
Pãixã o: fermento dã loucurã. 
 
Nã o e o poetã que inventã ã voz. Se verdãdeiro, e ã 
voz que inventã o poetã. 
 
Escrever e queimãr ã luz. 
 
Amãr e ir-se libertãndo com ã chãmã. 
 
Ignorãmos os desí gnios de Deus. O sofrimento po-
de ser lucidez e ã lucidez, enfermidãde. 
 
Deus e quãndo o sile ncio começã ã fãlãr. 
 
Tudo tem sentido em Deus. Ate o que nã o existe. 
 
A pãlãvrã deve pãssãr pelo fio dã ãgulhã do sile n-
cio. 
 
A luz nã o tem frestãs. 
 
O que e nosso, com fe no vãgãr se vãi criãndo. 
 
Grãçã, esplendor de Deus. 
Carlos 
NEJAR 
 
Luís Carlos Verzoni Nejar (Porto Ale-
gre, 11 de janeiro de 1939) é 
um poeta, ficcionista, tradutor e crítico lite-
rário brasileiro, membro da Academia Brasi-
leira de Letras e da Academia Brasileira de 
Filosofia. Neto de libaneses e sírios, é gradu-
ado em Ciências Jurídicas e Sociais pe-
la Pontifícia Universidade Católica do Rio 
Grande do Sul. 
Um dos mais importantes poetas da sua ge-
ração, Nejar, também chamado de “o poeta 
do pampa brasileiro”, é autor de mais de cin-
quenta livros. Radicado no Rio de Janeiro, o 
autor é pastor evangélico. 
Os trechos aqui coligidos foram extraídos 
dos livros Veridianas (Serena, 2021) e Ca-
dernode Fogo (Escrituras, 2000). 
 
 
 19 
Lucidez nã morte, sensã-
tez nã vidã e loucurã nã 
obrã. 
 
A ãlmã nã o tem repu blicã 
e o corpo ãguãrdã ã demo-
crãciã dos ossos. 
 
Deus fãlã. O que se fãz necessã rio e entender suã 
lí nguã. 
 
 
 
A poesiã vãle nã o somente pelo que sugere. Mãs 
tãmbe m pelo que deixou de sugerir. A sombrã do 
poemã sempre deve ser mãior que o poemã. 
 
O ãto de criãr e pãrãdisí ãco. Como se nos ãrrebã-
tãsse de um instãnte proviso rio pãrã outro, permã-
nente. Todãviã, mãis do que trãnsportãdo pelã pã-
lãvrã, e quãndo Deus nos cãpturã e seu ãmor ultrã-
pãssã o conhecimento e ã medidã. Aí começã a noi-
te escura, “o centro de nossã humildãde”. 
 
Antes de tocãrmos ã luz, e elã que nos tocã. Depois 
de ãmãrmos os poemãs, sã o eles que começãm ã 
nos ãmãr. 
 
A literãturã nã o e ãpenãs quase ãlgumã coisã, nã 
expressã o de Bãrthes. Nem ã imine nciã de revelã-
çã o que nã o se produz, con-
forme Jorge Luis Borges. 
O poemã nã o buscã sentido. 
E o sentido. Nã o se fãz imi-
ne nciã de revelãçã o. E reve-
lãçã o. 
 
Todã grãnde poesiã e de pensãmento. Nã o um pen-
sãmento lo gico, que ã fãriã despencãr no discurso 
reto rico e fechãdo. Um pensãmento de prodí gios, 
reunindo reãl e sonho. O poetã so e pensãdor nã 
medidã em que e poetã. 
 
Nã o hã poetã mãior sem estruturã culturãl e inte-
lectuãl. A dã divã, o mirãculoso dom dãs pãlãvrãs 
pressupo em suportã humãnistã, inserçã o crí ticã 
dentro do mundo criãdo. O milãgre e poderosã-
mente cultivãdo. 
 
Rãciocinãr os poemãs e desmontã -los no miste rio, 
retirãndo ãos pã ssãros, ãs plumãs. Desrãciocinã -
los e dãr-lhes tempo pãrã se recuperãrem do mis-
te rio. Como peixes, com ã guã se reãnimãm. 
 
A grãnde poesiã tem ã vocãçã o de Noe . Intentã sãl-
vãr os ãnimãis do poemã e descobre o mundo no-
vo, depois do dilu vio. O ãrco-í ris e o momento do 
pãcto entre Deus e ã poesiã. 
Carlos NEJAR 
A LITERATURA CRISTÃ E SUA 
CORRENTE DE INFLUÊNCIAS 
 
“Porque nenhum de nós vive para si e nenhum morre 
para si.” — Romanos 14.7. 
Isso é bem verdade, não importa o quão 
humilde a pessoa seja. Há mais de du-
zentos anos um médico puritano idoso 
escreveu um livro intitulado The Bruised 
Reed (algo como O Caniço Ferido). Uma 
cópia da obra foi vendida por um ambu-
lante a um jovem chamado Richard Baxter, 
que depois de ler o livro se entregou a Cristo. 
Por sua vez, Baxter escreveu um livro espetacular 
intitulado A Call to the Unconverted (algo como Um 
chamado ao Não Convertido). Esse livro caiu nas 
mãos de outro jovem, Phillip Doddridge. Este, por sua 
vez, escreveu The Rise and Progress of Religion (algo 
como A Ascenção e o Progresso da Religião). 
Esse livro chegou às mãos de William Wilberforce, e 
levou-o a se converter a Cristo. Wilberforce foi uma 
luz brilhante e sempre acesa e deu início a uma refor-
ma social que libertou todos os escravos no Império 
Britânico. Wilberforce, por sua vez, escreveu um livro 
intitulado A Practical View of Christianity (algo 
como Uma Visão Pragmática do Cristianis-
mo). 
Esse último livro entusiasmou a fé e in-
cendiou o zelo de um pregador chamado 
Leigh Richmond, que escreveu uma obra 
intitulada The Dairyman ́s Daughter (algo co-
mo A Filha do Leiteiro). Um homem que morava no 
norte gelado da Escócia foi extremamente influencia-
do por esse livro, e se tornou um poderoso defensor 
da verdade até a Escócia inteira ressoar com a elo-
quência de Thomas Chalmers. 
 
 Transcrito de Christian Victory 
De Veridianas 
De Caderno de Fogo 
 
 20 
Soneto achado no pendrive 
 
Paulo Roberto de Oliveira Caruso 
 
Somente tenho a Deus por meu abrigo, 
meu sol brilhante, a luz do meu andar; 
os Seus ensinamentos eu persigo 
com zelo, com louvor e bem-estar! 
 
Já toda e qualquer obra do inimigo 
eu jogo pelo ralo sem pensar, 
pois é só Jesus Cristo quem eu sigo 
e a Ele é quem desejo então chegar! 
 
A Bíblia é o guia-mor da minha vida; 
sem ela não pretendo dar um passo! 
É ela que mantém minh’alma fida, 
 
driblando Satanás e o descompasso 
trazido para a mente ser nutrida 
com tudo de mais pútrido e devasso! 
 SER FORTE 
 
José Julio de Azevedo 
 
Você tem que ser forte 
Se preciso, peito aberto frente a ventania. 
Se há os que tramam nas trevas 
Você tem que brilhar ao meio-dia. 
Você tem que, precisa ser forte 
O Universo conspira pelos que 
Querem o bem e amam a humanidade. 
Quem tem um sonho bom, 
De fraternidade, tem que ser forte, 
Nunca desistir, 
Resistir frente aos inimigos da liberdade. 
 
Você tem que estar alerta, desperto, 
Sabendo o que se passa no cenário 
E quem é quem nessa história. 
Assim, haverá final feliz em nossa Terra 
Aos que estão do lado da Justiça 
Frente aos que traem usando o nome dela. 
 
Mantenha sua luz acesa. 
Só podemos ser fracos diante do Todo-Poderoso 
Se tivermos que chorar, seja diante de Seu trono. 
Do céu vem a fortaleza, a força que precisamos. 
Temos que estar juntos para que nossa força possa 
Fazer a liberdade abrir suas asas sobre nós. 
 
Temos que estar junto, unidos. 
Obstinadamente fortes. 
Se há os que tramam nas trevas 
Temos que brilhar ao meio-dia. 
Descalços 
 
Sammis Reachers 
 
Andamos nossos passos nazarenos 
Numa comissão feita de restaurações 
De encontro ao abraço que do alto sol 
nos aquece com seu banho morno 
 
Somos luas nômades, vinte séculos 
De cisma e audácia bordados: 
Ágapes em busca de âmagos, almas 
Arautos de uma missão sem centros 
 
Nossa força nem é fé, nem esperança 
Apenas, mas estarmos sempre confortáveis 
No desconforto: rosas e lótus e girassóis 
De amor sempre indiviso, sempre irisado. 
PORQUE 
Martha Snell Nicholson / Tradução de Lucas Ferreira 
 
Porque Ele é Deus se assenta no trono, 
Porque Ele é homem pode m’entender. 
Porque Ele é Deus vem em meu auxílio, 
Porque Ele é homem toma minha mão. 
Porque Ele tomou a forma humana, 
Conheceu minha forma e minha fraqueza. 
Porque Ele é Deus pode conceder-me 
Tudo além do que eu pense ou peça. 
 
 21 
 
“A PROFECIA SE CUMPRIRÁ 
NO CULTO DA NOITE” 
 
Marinaldo Lima 
 
O pastor Jacó Zaqueu era muito sério na doutrina 
da Palavra de Deus e extremamentecuidadoso 
no testemunho. Sua família era um 
exemplo no bairro e a Igreja era 
muito respeitada na 
comunidade. O diácono Esdras 
Batista gostava de ouvi-lo 
pregar e particularmente 
naquela manhã a mensagem 
tocara seu coração. Baseado 
em Isaias 55: 11, o sermão fez o 
diácono pensar no seu principal 
pedido de oração nos últimos 
meses. Todavia, apesar de sua 
seriedade no púlpito, o pastor às vezes, mostrava o 
seu lado espirituoso, com suas tiradas. No fim do 
culto ele falou: 
— Meus irmãos, agora, com o término do culto, 
muitos irmãos vão ficar para o ensaio do coral e só 
vão para casa mais tarde. Porém, à noite, assim que 
o culto terminar, uma profecia vai se cumprir em 
nossa Igreja. Venham todos para ver! 
Ao cumprimentar o diácono Esdras à porta, o 
pastor ouviu: 
— O senhor sabe que a profecia vai se cumprir 
com outras famílias da igreja, menos para a minha. 
Estou indo para casa com Marta e nossa filha Ester. 
Porém, nossa família não está completa. 
— Irmão Esdras, agora é uma questão de honra; 
aliás de oração e jejum. Vou convocar a igreja para 
orar, para que a profecia se cumpra na sua família 
também. Deus tem propósitos e sabemos que a Sua 
Palavra não volta vazia. E a sua vontade é que todos 
se salvem e venham ao conhecimento da verdade. 
O culto da noite foi muito animado e a mensagem 
foi baseada no texto de João 6: 37. Um casal e dois 
adolescentes converteram-se e uma jovem decidiu-
se para o batismo. Após o culto, quando o zelador 
estava fechando o templo, alguns adolescentes 
perguntaram ao pastor qual profecia tinha se 
cumprido. Foi então que o Pr. Jacó se lembrou do 
que tinha falado pela manhã e respondeu: 
— Queridos, após falar com o irmão Esdras depois 
do culto da manhã, passei o resto do dia pensando 
no que ele me disse. Por isto agora à noite 
convoquei todos para orarmos e jejuarmos pelo seu 
pedido de oração. E o culto foi tão efusivo, com a 
alegria de vermos vidas quebrantadas diante do 
Senhor Jesus, que até esqueci da profecia! Mas 
vocês querem saber mesmo? A profecia que está se 
cumprindo exatamente neste momento é esta: 
vejam aqui na minha Bíblia. 
Orando e jejuando o pastor Jacó Zaqueu também 
tomou diversas providências quanto ao pedido de 
oração do seu querido diácono. Foi 
várias vezes até a zona portuária e 
depois de muita persistência e 
alguns encaminhamentos viu a 
ação de Deus se 
concretizando. 
Dez meses depois, no culto 
noturno do Domingo da 
Páscoa, vários batismos foram 
realizados e ao final do sermão 
o pastor Jacó fez o apelo. Onze 
pessoas entregaram suas vidas ao 
Senhor Jesus e Ester, a filha do diácono Esdras 
Batista, estava com outros jovens preenchendo as 
fichas de “boas-vindas à nova vida em Cristo.” Com 
todas as fichas preenchidas, o Pastor Jacó começou 
a orar para depois impetrar a bênção apostólica. 
Então, Ester sentiu alguém lhe dar um abraço e lhe 
falar ao ouvido: 
 — Preenche minha ficha também. 
Ela reconheceu a voz do irmão e começou a 
chorar abraçada a ele. Não conteve a alegria e 
abrindo os olhos viu também as lágrimas no rosto 
de Tiago. Quando olhou de lado, seu pai e sua mãe 
já tinham ido abraçar o jovem. O pastor Zaqueu 
desceu da plataforma e dirigiu-se àquela família 
regozijada que comemorava a volta do filho para 
casa, após ter se envolvido com drogas. Tiago 
estava com a camisa da Cristolândia, onde havia se 
libertado do vício e reencontrado a beleza do 
Evangelho. 
Aquele final de culto foi uma festa, com todos 
querendo abraçar Tiago e os outros convertidos 
daquela noite. Cansado, o irmão Fortunato, queria 
fechar o templo para ir embora. Mas, resignou-se 
diante de tanta alegria, sobretudo pela conversão 
de Tiago, a quem vira crescer. 
Quando já estava no carro, desta vez com toda 
família, o diácono Esdras falou para o pastor Jacó: 
— Eu louvo a Deus pela providência que o senhor 
tomou para encaminhar meu filho para o 
tratamento. E hoje, para glória de Deus, aquela 
profecia se cumpriu na minha família. 
Curioso, Tiago perguntou qual profecia tinha se 
cumprido. E seu pai lhe respondeu sorrindo: 
 
 22 
— A profecia de João 7: 53. 
Tiago pegou o celular de sua irmã e leu o versículo: 
“E todos foram para sua casa.” 
E o diácono Esdras Batista, visivelmente 
emocionado, falou: 
— Filho, hoje estou com minha família reunida. E 
posso dizer que o texto de João 7:53, tornou-se 
uma profecia cumprida em nossas vidas. E sempre 
vai se cumprir, pois de hoje em diante eu e a minha 
casa servimos ao Senhor. 
 
* * * 
 
Marinaldo Lima é natural de Jaboatão/PE. É filho de 
Manoel e Marina Lima, casado com Alcione Lima e pai 
de Anália Rebeca e Areli Suzana. É Administrador, 
Teólogo e Historiador. É professor da Escola Estadual 
Monsenhor Arruda Câmara e pastor da Igreja Batista em 
Sítio Novo-Olinda. Já foi selecionado e premiado em 
concursos literários em vários estados e tem mais de 
150 poemas publicados no Jornal Batista. 
 
 
RESENHA: Somos Todos Iguais – O Filme 
 
Jorge F. Isah 
 Em um mundo cheio de barreiras, a verdade é que somos todos iguais, mes-
mo com diferenças sociais, culturais, étnicas etc. Mas nada disso pode nos 
tornar mais ou menos humanos; apenas humanos na essência, e diferentes 
quanto as coisas gerais. Tanto se fala em amor como nunca antes se falou, 
mas boa parte desse amor foi ideologizado, se tornando nada mais do que 
uma peça publicitária para o discurso e a retórica por trás de um sistema de 
ideias. 
 O próprio filme, num letreiro no refeitório, reproduz parcialmente os escri-
tos do Apóstolo Paulo sobre o amor: 
 “E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e 
ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, 
nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é in-
vejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os 
seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo so-
fre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha” (1 Coríntios 13:3-8) 
E esta é a proposta do filme, falar do amor incondicional, colocar o próximo acima de si mesmo, dos seus 
obstáculos, e tratá-lo como superior a si mesmo; é abrir mão de fazer ou ser o que se quer para cuidar do 
outro; em suma, o amor é a única “afirmação” de que a humanidade precisa, o real e verdadeiro 
"empoderamento" humano; pois o restante é legitimar manobras e programas e interesses nada amorosos. 
Com ótimas interpretações, um roteiro emocionante sem ser piegas, o filme é recomendado a todos aque-
les que não somente queiram acender uma tocha (a luz, não a destruição), mas mantê-la acesa. 
Nota: Filme disponível em várias plataformas de Streaming. 
____________________ 
Título: “Same Kind of Different as Me” (Somos todos iguais) 
Estreia: 2017 
Roteiro e Direção: Michael Carney 
Elenco: Greg Kinner, Renée Zellweger, Djimom Hounsou, Jon Voight, Olivia Holt, Mykel Shannon, entre outros. 
Trilha Sonora: John Paesano23 
 
Luiz Renato de Oliveira Périco (1983 – Jacarezi-
nho/PR) é bacharel em Letras pela FFLCH-USP e 
em Direito pela FDUSP. Vive em São Paulo/SP, on-
de é funcionário público. Em 2006, foi segundo lugar 
no II Festival de Letras da FFLCH. Em 2014, obteve 
menção honrosa no 22º Programa Nascente, da USP. 
Tem poemas publicados em antologias e nas revistas 
literárias Toró, Ruído Manifesto, Mallarmargens, 
Lavoura, Sepé, Germina, Unamuno e Littera 7. Em 
livro, publicou Forma Amorfa (1ª edição: Viv Edito-
ra, 2021; 2ª edição [Kindle] do autor, 2022) e kairós 
(Patuá, 2024). 
Instagram: @lroperico. LinkTree: https://linktr.ee/
lroperico . 
Luiz Renato de Oliveira Périco 
 
BATISMO 
 
Deus em forma de pomba 
Deus em forma de homem 
Deus em forma de voz 
 
Deus três vezes entre nós 
 
 
Miserere 
 
Eu sou um dos leprosos dentre os dez, 
A adúltera que foi pega em flagrante, 
A mãe sírio-fenícia suplicante, 
O hidrópico que o edema se desfez. 
 
Eu sou o miserável publicano, 
O cego de nascença que enxergou, 
Sou a mulher do fluxo que cessou, 
O servo moribundo do romano. 
 
Sou o bandido morto numa cruz 
Na véspera da Páscoa, que, no fim, 
Crucificado ao lado de Jesus, 
 
Ali, morrendo como incircunciso, 
Fez um pedido: “Lembra-te de mim”, 
E foi com Ele para o paraíso. 
Seu sorriso 
Um colar de pérolas 
De siso a siso 
 Poeta em Destaque 
https://www.amazon.com.br/Forma-Amorfa-Renato-Oliveira-P%C3%A9rico-ebook/dp/B0BN4KHW47/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&crid=F2MRKVIEZMW1&dib=eyJ2IjoiMSJ9.4vAnnEtcwFQgJOP8mQSQdA.ishfw7H054kmwZWSiMDvGKBOCt6UvH9uU2QLanCQslc&dib_tag=se&ke
https://www.editorapatua.com.br/kairos-poemas-de-luiz-renato-de-oliveira-perico/p
https://www.instagram.com/lroperico/
https://linktr.ee/lroperico
https://linktr.ee/lroperico
 
 24 
 IMAGO DEI 
 
Eu vejo a Imago Dei na face do mendigo 
Cuja pobreza apenas suja sua beleza 
Eu vejo a Imago Dei na face do inimigo 
Sua inimizade não é a sua natureza 
 
Eu vejo a Imago Dei na face do bandido 
Sua pena apenas pune a sua dignidade 
Eu vejo a Imago Dei na face do vencido 
Sua derrota não o derrota de verdade 
 
Eu vejo a Imago Dei nas faces machucadas 
Nas faces escarradas, faces rejeitadas 
Nas faces descompostas, faces escondidas 
 
Eu vejo a Imago Dei nas faces mais estranhas 
Moldada não nas faces, mas em suas entranhas 
Eu vejo a Imago Dei em suas faces perdidas 
 
 
AMOR 
 
O Amor é uma palavra tão bonita. 
Mas quem pode dizer o que ela diz? 
Palavra que, calada, ainda grita, 
E mesmo quando dói, nos faz feliz. 
 
Bendita palavra, quando bem dita, 
O Amor que nos conduz quando condiz, 
Palavra que não pode ser transcrita 
Sem transformar quem lê-la vis-a-vis. 
 
E como traduzi-la sem trai-la? 
Sentir o seu sentido, que ecoa 
No que ela enunciou, anunciou? 
 
Somente o Verbo pode traduzi-la: 
O Amor se conjugou numa Pessoa, 
O Amor é uma Palavra que encarnou. 
TEOREMA 
 
para João Filho 
 
Nós cremos no que não se pode crer. 
Se há no mundo coisas tão incríveis 
Como as cores das flores, invisíveis 
Aos olhos desatentos, como o ser 
 
Ao invés do não ser, como o nascer 
E o pôr do sol, e tudo que há e vive, eis 
Que já não existem coisas impossíveis. 
É a lógica mais pura a transcender 
 
A lógica - é o Logos. E é em vão 
Que se argumenta a quem um dia flagre 
O mistério na palma da sua mão 
 
Num pedaço de pão que se consagre. 
A impossibilidade é condição 
De possibilidade do milagre. 
Luiz Renato de Oliveira Périco 
TEMPLO-TEMPO 
 
Ins. Gerard Manley Hopkins 
 
Quarenta noites e quarenta dias 
Nos separam da nossa Eternidade, 
E até chegarem os Meses do Messias, 
O Deserto é a nossa Realidade. 
 
Amanhã, Canaã será verdade. 
Hoje - é o ermo em meio ao qual nos guias. 
Não há horas vazias, nem vadias 
Pra nós, cuja Esperança é sem idade. 
 
Andamos anos, anos no Deserto, 
E andaríamos mais Contigo perto, 
A Espera é o Ritmo-Rito do momento. 
 
Não há horas desertas para nós. 
Em meio ao nada, Deus e nós a sós, 
O Tempo é um Templo, o Tempo é um Sacramento. 
 
 25 
 
Dicas de evangelismo 
de C. S. Lewis 
 
Por Bob Stewart 
Tradução Pés Descalços Evangelismo 
 
Os eventos que levaram a experiência de 
conversão de C. S. Lewis – como deli-
neado em Surpreendido pela Alegria 
– tem importantes implicações para 
o evangelismo e apologética. 
 
A importância dos relacionamen-
tos. Lewis foi influenciado por seus 
amigos cristãos, Owen Barfield, J R R Tolki-
en, Hugo Dyson e outros. 
 
A importância da razão. Lewis precisou ver que o 
cristianismo era racional antes de poder aceitá-lo. 
Lewis precisava ver que o cristianismo tinha uma res-
posta para o problema do mal e que o cristianismo 
era superior e diferente das outras religiões. 
 
A importância da boa literatura. Chesterton e Ma-
cDonald — assim como Atanásio e escritores clássicos 
como Platão — o influenciaram significativamente. 
Devemos conhecer quais recursos podemos prover 
para aqueles que estão à nossa volta. 
 
A importância da imaginação. Ele precisava ver que o 
cristianismo também era algo desejável. Relacionado 
a isso está a importância de anseio. Devemos apre-
sentar o cristianismo como algo que preenche nossos 
mais profundos desejos. 
 
A importância da boa teologia. Muitos pessoas não 
vem para Cristo por terem idéias erradas sobre o cris-
tianismo. Devemos ser bons teólogos. Muito do tra-
balho de apologética e evangelismo de Lewis era sim-
plesmente apresentar o cristianismo clássico para as 
massas (ex: Cristianismo Puro e Simples). 
 
Lewis reconheceu a necessidade, na verdade o 
fato, que Deus nos procura pessoalmente e 
faz suas exigências. Muitas vezes abor-
damos evangelismo e apologética co-
mo se estivéssemos simplesmente fa-
lando por Deus quando na verdade 
estamos falando junto com Deus. 
 
A importância da paciência. Lewis não se 
converteu ao cristianismo da noite para dia. 
Ele teve que trabalhar uma série de assuntos e obje-
ções. 
 
A importância de se frequentar a igreja. Lewis pas-
sou a frequentar a igreja novamente depois de acei-
tar o teísmo. Se queremos apresentar as pessoas a 
Jesus, seria sábio levá-nos conosco quando temos 
certeza que vamos encontrá-Lo. 
 
 
 
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ses de C. S. Lewis. Além de ser 
uma leitura edificante, ao final do 
breve volume há uma mensagem 
evangelística. Ideal para ser com-
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SINTÉTICO - Aldair Ribeiro dos Santos 
 
Ela comprou um sintético. Isso mesmo, comprar um homem sintético é a coisa mais natural do mundo no ano 
de 2095. Precisava deum para o serviço pesado da casa. Havia uma certa desconfiança devido ao preço tão baixo, 
uma pechincha. 
Desembalou a grande caixa e seguiu cuidadosamente as instruções. Deixou de molho com os eletrólitos ativado-
res de um dia para o outro. No dia seguinte hidratou com os produtos do fabricante. Enxugou. Instalou as células 
de energia. Deixou ligado 24 horas na tomada. Está pronto. Inicializou usando o aplicativo. 
Mas, há algo errado! O sintético não fala, não anda, fica inerte com cara de bobo. A única ação que faz de modo 
meio automático é esticar o braço em direção a garrafas de cerveja, algo assim primitivo mesmo. 
Releu o manual de capa a capa. Achou nas entrelinhas: “cérebro vendido separadamente”. 
Bem que ela desconfiou do preço. 
http://nobtsapologetics.com/magazine/2010/08/29/evangelistic-tips-from-c-s-lewis/
http://www.mauevivian.blogspot.com/
https://drive.google.com/file/d/1EWCgUHHOtvvhDP7wSFY6J9BtUlDpKBMq/view
 
 26 
Conhecido anteriormente como “Bible X”, Gate 
Zero é resultado de um financiamento coletivo no 
Kickstarter que promete trazer um game 
sensacional ambientado em Israel do século 
primeiro, ou seja, no tempo de Jesus e dos 
Evangelhos. 
A história do jogo começa no ano de 2072 no 
mundo distópico de Terrapolis. O personagem 
controlado pelo jogador e seu primo Hector 
recebem uma missão enigmática de sua excêntrica 
e falecida avô. Ela oferece a chance de os garotos 
ganharem toda a sua herança se desvendarem os 
segredos de sua misteriosa “pérola”. Os dois 
decidem resolver esse mistério voltando à fonte em 
sua máquina do tempo, a Gate Zero que dá nome 
ao jogo. 
Focado em “stealth”, no melhor estilo Assassin's 
Creed e com gráficos INCRÍVEIS, o jogo oferece 
um mundo aberto, uma grande fidelidade ao 
ambiente da época e interação com os personagens. 
No game poderemos interagir com personagens 
bíblicos e históricos conhecidos, testemunhar 
eventos bíblicos em primeira mão, descobrir o 
Israel do século 1 em todo o seu contexto cultural e 
histórico, bem como testemunhar conflitos sociais e 
evitar de sermos vistos ou pegos. 
O jogo produzido pela BBC Media STI na Unreal 
Engine já tem uma versão protótipo jogável na 
Steam e pode ser adicionado à lista de espera. Você 
pode saber mais detalhes sobre ele em sua página 
oficial: www.gatezero.game , bem como assistir ao 
trailer completo. Com certeza, um dos projetos 
bíblicos no mundo dos videogames mais ambicioso 
e promissor de todos os tempos. Está previsto para 
PC e mobile e para os consoles de mesa, 
dependendo das metas alcançadas. Fica a dica! 
_______________________________ 
 
Luiz Miguel Gianeli é pastor e missionário. Está à 
frente do projeto Muito Além dos Videogames, que 
objetiva falar de games a partir de uma perspectiva cristã. 
A iniciativa conta com a 
publicação da revista Muito Além 
dos Videogames, além de site, redes 
sociais e vídeos no Youtube. 
 
* 
O presente texto foi extraído 
da revista Muito Além dos 
Videogames Edição Extra 2, 
focada em jogos de temática 
cristã. A revista pode ser 
baixada gratuitamente, AQUI. 
GAMES Luiz Miguel Gianeli 
https://gatezero.game/?gad_source=1&gclid=CjwKCAjwmrqzBhAoEiwAXVpgoljvSgB4gtvqF8EfsKf_UIZwHxq21-45_uwDrqFl173dJvJQhR1FYRoC6WYQAvD_BwE
https://muitoalemdosvideogames.com.br/
https://muitoalemdosvideogames.com.br/
https://www.instagram.com/muitoalemdosvideogames/
https://www.instagram.com/muitoalemdosvideogames/
https://www.youtube.com/@muitoalemdosvideogames
https://drive.google.com/file/d/1Aqr0-d3iyPIKOMhXTWeYsCjygN0bXb9c/view
 
 27 
O ÚLTIMO SALTO 
Sammis Reachers 
Foi duma ardência que nunca senti. Me rasgando a 
garganta. Sentia como o líquido ia, a um tempo, quei-
mando e como que fazendo inchar, expandir-se, tan-
to a extensão de minha língua quanto as paredes da 
minha garganta, traqueia... 10 ml de veneno daria 
conta, mas eu tomei 300ml, um belo copo. 
Retornei como que de ressaca. E atrasa-
do: havia já programado uma nova 
morte e esta fora gestada por um 
mês. Custou dinheiro, tempo per-
dido com instrutores. O avião 
decolaria às 10h00. Saí do IML e 
peguei o primeiro ônibus. 
Conheço mais IMLs do que 
pregadores itinerantes conhe-
cem púlpitos de igrejas de onde 
vão arrancar seu ganha-pão. 
Lembro-me sempre não da pri-
meira, mas da segunda vez em que 
morri. Acreditei que sonhava: ainda era 
usuário das mesmas drogas que me mataram da 
primeira vez. 
Na primeira, afinal, não soube sequer que havia 
morrido. Só me lembro de sentar-me, muito chapa-
do, na cadeira do fundo de um ônibus, e começar a 
tremer, mas sem sentir frio. Acordei numa maca fria 
de um hospital, coberto com um lençol. Era madruga-
da: levantei-me e saí. Alguém detrás de um balcão, 
sonolento, esboçou um “Ei! Ei!”. Sonolento, creio que 
não ouvi. 
Estava muito grogue e achava que era efeito poste-
rior da aparente overdose que me jogara naquela 
maca. Ou talvez de alguma medicação. Só com o tem-
po e outras mortes fui perceber que sempre desper-
tava com aquele tipo de zonzeira. Era a vida engre-
nando as marchas. 
Curiosa a minha hiper vida, não? Mas a coisa toda é 
simples: sou um homem que não consegue permane-
cer morto. Sou sempre expelido pela Morte de volta 
à vida. Escarrado. Não sei o motivo. Até onde eu sei, 
não sou vítima de nenhuma maldição, artefato místi-
co, genética alienígena, experiência científica. Estar 
preso numa grande matrix, num programa simulador 
de realidade, claro, é uma possibilidade. Para todos 
nós, afinal. 
Nunca utilizei meu “poder” para trazer qualquer be-
nefício para ninguém. Creio que nem mesmo para 
mim. Era um drogado já com certa inclinação suicida, 
e ao descobrir tal dom ou maldição tudo o que fiz foi 
curtir, curtir ao máximo o que, ainda creio, estava 
vedado a qualquer outro homem: mais que sofrer, 
saborear a morte. Pisoteá-la, ela a tão cheia de botas. 
Passei simples e sistematicamente a suicidar-me das 
mais diversas e criativas maneiras que me ocorriam. 
Mas, e como é estar morto?, você deve estar per-
guntando-se. São muitas mortes, e variadas as experi-
ências, e múltiplas as respostas. Vezes houve em que, 
defunto meu corpo, só vi escuridão e silêncio. Nou-
tras, ouvi vozes, algumas conhecidas me 
chamando a esmo, noutras vezes gritos 
de dor. Vi a luz em forma de túnel. 
Vi a área em torno ao meu corpo, 
pessoas observando-o, tentando 
me reanimar. 
Em Uganda fui estraçalhado por 
um leão e fiquei horas (eu ou 
meu espírito? Na verdade sem-
pre meu espírito e sempre eu, 
pois somos espíritos, e não cor-
pos) observando meu corpo muti-
lado, abandonado pelo jovem leão 
após se ter saciado. Quando hienas se 
aproximaram, meu meio corpo foi salvo por 
guardas florestais. De repente senti como que se lan-
çado num torvelinho, um rodopiar do vento que au-
mentava sua força e girava meu espíritocomo uma 
cueca numa máquina de lavar. Despertei ensacado no 
jipe que levava meu corpo para a capital do país. Eu 
poderia relatar outras trinta experiências assim. 
Você já pisou num chiclete? Aquela sensação, meio 
nojenta e noutra metade angustiosa, de perceber o 
chiclete esticando-se indefinidamente junto com seu 
calçado, quando este se levanta? Assim ocorre com o 
espírito. Ele desprende-se do corpo como um chicle-
te, esticando-se, grudento. 
Sinto falta da sensação do desprendimento, imensa 
saudade de morrer. Desta única vez, por um bom mo-
tivo. 
Hoje estou preso a um corpo imóvel, o qual não 
posso matar. Escrevo este relato apenas com os 
olhos: utilizo um programa criado especialmente para 
pessoas em situação como a minha, tetraplégicos. 
Essas quase três páginas que você acabou de ler me 
custaram dias de trabalho, olhares e piscadelas para 
os sensores do monitor que me causam uma dor de 
cabeça terrível. Minha última aventura kamikaze deu 
errado, errado pois... sobrevivi. Em meia vida: O aci-
dente lesionou minha coluna cervical, e aqui estou. 
Nunca vi Deus, anjos ou demônios em minhas mui-
tas mortes, ou nesses períodos que passo fisicamente 
“morto”, pois quem sou eu para saber se isso é mes-
mo a morte? Mas, após dois anos aqui, prisioneiro 
 
 28 
neste corpo, eu que me julgava e porventura fui o 
mais livre dos homens, um anárquico super-homem, 
viciado no próprio poder, no próprio ego, desisti de 
teimar. Em lágrimas sem ter quem as secasse, lem-
brei das conversas – perdão, das audições – com 
dona Solange, missionária capelã que semanalmen-
te vem até esta ala do hospital e conversa conosco. 
Eu a ouvia, mais interessado em simplesmente ouvir 
alguém do que em ouvir o que ela estava falando. 
Me lembrei de suas palavras, e sem palavras gritei 
o mais alto que pude por aquele Deus de quem ela 
fala tão feliz, esse Jesus que tanta luz e confusão 
trouxe ao mundo. Gritei e gritei e chorei – um dia, 
dias, qual a diferença? – imóvel como um cadáver 
em meu corpo paralisado, até que senti sua mão em 
meu ombro. Senti, senti mesmo não tendo nenhu-
ma sensação do pescoço para baixo. 
– Pare de gritar. 
Fiquei em silêncio, apenas chorando, confuso de 
raiva e espanto e vergonha. Raiva pela fraqueza, 
vergonha de chegar àquele ponto, àquele estado 
de miserabilidade, e espanto por ele estar ali. 
– Você quer respostas, mas eu quero saber se vo-
cê está realmente cansado. 
– Estou, Senhor. Não aguento mais essa prisão, e 
nem mesmo aquele morrer-e-ressuscitar que me 
trouxe até aqui. 
– Dura sorte lhe coube, pois dura sorte é sair daqui 
e para cá voltar, sem o beneplácito do Pai. Tudo o 
que você fez foi acumular pecados, e inutilizar vez 
após vez tudo o que eu lhe dei. Mas, se quer e se 
crê, um pouco mais de tempo e morrerá, e ressusci-
tará a ressurreição verdadeira, para nunca mais 
morrer, num novo corpo feito de paz e para a paz 
criado. Um corpo que você não poderá e nem que-
rerá despedaçar. 
Confesso que eu, habitante do inusitado, estava 
confuso como jamais estivera. Ideias de que aquilo 
era só mais um sonho ou fruto de um transe medi-
camentoso me solapavam sem trégua. Mas reagru-
pei a coragem que me fazia experimentar a morte 
vez após vez, e com coragem fui para o tudo ou na-
da, como quem salta sobre um abismo, pois sentia 
acima de tudo que aquele momento era um “tudo 
ou nada” como jamais experienciara em minha es-
tendida existência. 
– Eu quero, Senhor Jesus! Eu quero... 
Fechei os olhos para que as lágrimas que embacia-
vam minhas órbitas fossem expelidas e escorres-
sem, e ao abri-los já não havia ninguém lá. 
 * * * 
Continuo preso; vezes há em que amaldiçoo mi-
nha existência, ou o mau uso que fiz da singularida-
de, buscando a morte apenas por curtição, desper-
diçando o que era um verdadeiro superpoder. 
Nunca mais o vi, embora o chame constantemen-
te, e por vezes minha fé naquele dia e naquelas pa-
lavras titubeia. Mas lancei-me no tudo ou nada e, 
com a resignação dos prisioneiros, espero. Entendi 
o que dona Solange dizia tantas vezes, “é preciso 
ter fé, e basta ter fé”. Minha existência kamikaze 
me permitiu entender que a fé é um salto no escu-
ro, que pega impulso no escuro, e mira adiante, no 
escuro, para alcançar além do escuro. 
_______________________________ 
Sammis Reachers é escritor, poeta e editor. 
https://linktr.ee/sreachers 
Três máximas para uma vida vitoriosa 
Crônica 
 
 Tenho por prazer antigo vasculhar livros em busca de máximas, citações que comportem, em re-
sumo e forma, o suprassumo da sabedoria humana. Nessa jornada de sofá deparei-me com um tur-
bilhão de frases desconcertantes, que nos levam em direções inesperadas; outras, portadoras de 
um poder de fulminação capaz de nos fazer tombar, extasiados. Mas o que percebi, no acumula-
do, é que a sabedoria humana fundamental (exprimível, sempre, na forma de máximas) é simples, 
e pode ser apreendida, conservada e praticada por qualquer pessoa. 
 Bem, de minha parte, se me coubesse lhe apresentar um resumo de sabedoria, eu poderia tecer 
máximas de máxima simplicidade e surpreendente economia. Sua falsa obviedade, seu ar simpló-
rio, escondem o segredo de uma vida bem vivida, em tudo proveitosa – para si e para os demais 
navegantes de nossa espécie. Vamos lá? 
 
 Uma máxima em apenas três palavras: Creia em Cristo 
 Em duas: Seja homem 
 E em uma única palavra: Aja 
 
 Ah, mas eu sou mulher... Pois bem minha filha, faça isso, SEJA MULHER, com o melhor que puder entre-
gar. Sammis Reachers 
https://linktr.ee/sreachers
 
 29 
Objetivos 
 
Luiz Guilherme Libório 
 
Abrir os ouvidos 
até buscar do silêncio 
o que seja audível. 
 
Assim como o cair da chuva soa 
o som de nenhum sino 
ou semelhante ao vento 
suave nas cortinas do templo 
sob as franjas do sol a pino. 
 
Abrir os ouvidos 
para aquilo que canta 
no nenhum som 
- eis o meu objetivo. 
 
Até encontrar o dentro 
da música primeira 
e na sua estrela 
pro meu silêncio 
achar um ninho. 
 
Mais em https://luizliborio.blogspot.com 
Santuário do Silêncio 
 
Clavio J. Jacinto 
 
Amai o caminho do silêncio 
A reclusão e a solitude 
A via sacra da reflexão 
Lugar ermo onde floresce a inspiração 
Onde germina o afeto generoso 
 
Amai a ausência dos ruídos 
Uma mente que pensa descansando 
Um coração que mergulha no amor 
Num mergulho na pureza que esclarece 
No chão onde virtudes desabrocham 
 
Amai o lugar secreto da presença divina 
Nos recônditos do ambiente silencioso 
Na matriz profunda da força espiritual 
Onde se forja a vida de intimidade com Deus 
Amai a fecundidade do silêncio piedoso 
CANTARES (Acróstico)Albérico Camelo de Mendonça 
Canta o amor, canta o tálamo, 
A alegria das núpcias sagradas. 
Na fragrância calada do cálamo, 
Traz o antídoto voraz da vertigem, 
Aquece o coração da virgem. 
Recamo beija a volúpia, 
Enobrece varão e virago. 
Suga dos montes o aroma. 
 
Do livro Sacros Acrósticos (Os Semeadores, 
2021) 
Reis 
 
Jénerson Alves 
 
Da ribalta as luzes produzem enfoque 
A reis que as massas conclamam de 'top'; 
Igual Elvis Presley, como o Rei do Rock, 
Ou um Michael Jackson, Monarca do Pop. 
 
Vendendo ilusões, recebendo ibope, 
Da glória do palco quem sai entra em choque. 
Topando de tudo, do Nada se entope 
Tocado em delírio não há quem se toque... 
 
Há em cada área seu próprio plantel! 
Karl Marx, Bolívar, Stalin, Fidel... 
Aos olhos de tantos ganharam apogeus... 
 
São chamados 'reis', mas pra mim não são. 
Tenho um Rei somente no meu coração: 
É Cristo Jesus, o Filho de Deus. 
https://luizliborio.blogspot.com/
 
 30 
Os Sete Pecados 
 
A. S. Barros 
 
Em uma vila esquecida, sete irmãos, cada um per-
sonificando um pecado capital, governavam com 
mãos de ferro. A Ira era um guerreiro impe-
tuoso, cujo temperamento inflamado 
deixava um rastro de destruição. A 
Inveja espreitava nas sombras, cobi-
çando tudo e todos, enquanto a 
Ganância acumulava ouro, nunca 
satisfeita. A Preguiça mal se movia, 
deixando o tempo e oportunidades 
escaparem, e a Gula devorava ban-
quetes sem fim, nunca saciada. A Lu-
xúria seduzia corações, mas nunca se 
apegava, e a Soberba, o mais velho, olha-
va com desdém para os simples mortais. Jun-
tos, eles eram temidos, mas isolados, cada um en-
frentava sua própria ruína, pois sem equilíbrio, até 
mesmo um único, individual pecado, pode levar à 
queda. 
A queda dos irmãos foi tão dramática quanto seus 
pecados: 
Ira, o guerreiro, encontrou seu fim em um duelo 
contra um espelho encantado que refletia sua pró-
pria fúria. Cada golpe que desferia era devolvido 
com igual força, até que, exausto, sucumbiu ao seu 
próprio temperamento. 
Inveja desvaneceu-se ao tentar possuir a lua, que 
cobiçava todas as noites. Em sua obsessão, escalou 
uma torre de ilusões, apenas para cair no abismo da 
realidade quando a lua se revelou intocável. 
Ganância, cercado por montanhas de ouro, foi so-
terrado em sua própria câmara do tesouro. A porta 
fechou-se com um feitiço que só abriria para um 
coração livre de avareza, um enigma que ele jamais 
resolveria. 
Preguiça foi vítima de um sono eterno, induzido 
por uma maldição que aproveitou sua inércia. Seu 
trono tornou-se leito, e ali permaneceu, esquecido 
por todos, até mesmo pelo tempo. 
Gula engoliu um banquete envenenado, prepara-
do por um cozinheiro que ele mesmo desprezou. O 
veneno era lento e doce, como o mel, e a Gula, em 
sua voracidade, não percebeu o sabor da morte en-
tre as iguarias. 
Luxúria perdeu-se em um labirinto de espelhos, 
onde cada reflexo prometia prazeres infinitos. Bus-
cando o amor que nunca poderia ter, afundou-se 
em um mar de ilusões, incapaz de encontrar a saída 
ou o verdadeiro amor. 
Soberba, o mais velho, foi derrubado pela própria 
imagem. Desafiou os deuses, acreditando-se inven-
cível, mas foi transformado em estátua, conde-
nado a observar a vila prosperar sem 
sua tirania. 
Assim, cada irmão foi consumido 
pelo pecado que personificava, 
e a vila, liberta de suas garras, 
floresceu sob novos ideais de 
humildade e cooperação. 
Os habitantes da vila, acostu-
mados ao medo e à opressão, 
inicialmente receberam a notícia 
da queda dos irmãos com descren-
ça. Mas, à medida que a verdade se 
confirmava, um sentimento de alívio e espe-
rança começou a brotar em seus corações. As ruas, 
antes silenciosas, ecoavam agora com risos e con-
versas animadas. As crianças, que cresciam sob o 
olhar severo dos pecados, agora corriam livres, in-
ventando jogos e histórias sob o sol. 
Os anciãos, que mantinham a sabedoria da vila em 
segredo, abriram seus livros e compartilharam li-
ções de virtude e moderação. Os artesãos, antes 
obrigados a criar luxos para os irmãos, voltaram-se 
para a reconstrução da vila, infundindo em cada 
construção um espírito de comunidade. 
Com o tempo, a vila transformou-se em um lugar 
de união e trabalho coletivo, onde cada habitante 
contribuía com o que tinha de melhor. Festivais fo-
ram criados para celebrar a liberdade e a colabora-
ção, e em cada celebração, lembravam-se dos ir-
mãos não como tiranos, mas como um lembrete 
sombrio do que poderia acontecer quando se per-
mite que os vícios governem as almas. 
E assim, a vila outrora sombria floresceu, tornando
-se um farol de luz e exemplo de que mesmo do 
mais profundo desespero, pode surgir uma nova 
era de prosperidade e alegria. 
_______________________________________ 
Adenilson da Silva Barros é Licenciado em Filosofia pela 
UFAL (Universidade Federal de Alagoas), bacharel em 
Teologia e graduado em Gestão de Recursos Humanos. 
Presbítero da Assembleia de Deus, é autor de algumas 
obras ainda não publicadas, como: "A Arte da Guerra na 
Vida do Cristão", "As 3 Dimensões do Homem" e a 
"Soberania de Deus". 
 
 31 
Jardim dos Clássicos 
 T.S. Eliot foi um poeta, dramaturgo e crítico literário americano-britânico, conside-
rado um dos maiores poetas do século XX. Nascido nos Estados Unidos em 1888, estudou 
em Harvard e Oxford antes de se estabelecer na Inglaterra. Eliot converteu-se ao Anglica-
nismo em 1927, vindo de um fundo Unitário vago. Ele via o Cristianismo como o elo que 
sustenta a cultura europeia e ocidental. Sua fé anglo-católica influenciou profundamente 
sua obra, refletindo sua busca por ordem espiritual em meio ao caos do mundo moderno. 
Eliot viveu através das trevas da Primeira e Segunda Guerra Mundial, mas não desesperou 
devido à sua esperança em Cristo. Sua jornada de fé é considerada extraordinária e um 
exemplo de como o amor ágape de Cristo triunfa sobre o mal. Recebeu o Prêmio Nobel de 
Literatura em 1948. 
 
UM CÂNTICO PARA SIMEÃO 
 
 
Senhor, os jãcintos romãnos estã o florindo nos vãsos 
E o sol do inverno resvãlã sobre ãs colinãs de neve. 
Rendeu-se ã quãdrã obstinãdã. 
Minhã vidã e luz, ã esperã do sopro dã morte, 
Tãl umã plumã no dorso de minhã mã o. 
A poeirã entre os rãios de sol e ã memo riã nos cãntos 
Aguãrdãm o vento que esfriã rumo ã terrã mortã. 
 
Concede-nos tuã pãz. 
Muitos ãnos cãminhei nestã cidãde, 
Guãrdei fe e jejum, poupei pãrã os pobres, 
De e recebi honrã e conforto. 
Ningue m jãmãis de minhã portã repeli. 
Quem se recordãrã de minhã cãsã, onde viverã o os filhos de meus filhos 
Quãndo vier o tempo do infortu nio? 
Buscãrã o eles ã trilhã dã cãbrã e ã tocã dã rãposã, 
Esquivãndo-se ã s fãces e ã s espãdãs forãsteirãs. 
 
Antes do tempo dãs cordãs e dos flãgelos e dos lãmentos 
Concede-nos tuã pãz. 
Antes dãsestãço es nã montãnhã dã desolãçã o, 
Antes dã horã certã dã ãfliçã o mãternã, 
Agorã, nestã quãdrã em que morte se ãvizinhã, 
Poemas do livro Poesias—T. S. 
Eliot. Tradução e notas de Ivan 
Junqueira. Nova Fronteira, 1981. 
 
 32 
Jardim dos Clássicos 
Possã o Infãnte, o Verbo inexpresso e impronunciãdo ãindã, 
Conceder ã consolãçã o de Isrãel 
A quem tem oitentã ãnos e nenhum ãmãnhã 
Conforme tuã pãlãvrã. 
Eles Te hãverã o de exãltãr e de sofrer em cãdã gerãçã o 
com glo riã e escã rnio, 
Luz sobre luz, gãlgãndo ã escãdã dos sãntos. 
Nã o pãrã mim o mãrtí rio, o e xtãse do pensãmento e dã prece, 
Nã o pãrã mim ã u ltimã visã o. Concede-me tuã pãz. 
(E umã espãdã trespãssãrã teu corãçã o, 
O teu tãmbe m.) 
Estou cãnsãdo de minhã vidã e dã vidã dos que virã o depois de mim, 
Estou morrendo de minhã morte e dã morte dos que virã o depois de mim. 
Deixã pãrtir teu servo, 
Apo s ter visto tuã sãlvãçã o. 
A Terra Desolada 
IV. Morte por água 
 
Flebãs, o Fení cio, morto hã quinze diãs, 
Esqueceu o grito dãs gãivotãs e o mãrulho dãs vãgãs 
E os lucros e os prejuí zos. 
 Umã corrente submãrinã 
Roeu-lhe os ossos em surdinã. Enquãnto subiã e desciã 
Ele evocãvã ãs cenãs de suã mãturidãde e juventude 
Ate que ão torvelinho sucumbiu. 
 Gentio ou judeu 
O tu que o leme girãs e ãvistãs onde o vento se originã, 
Considerã ã Flebãs, que foi um diã ãlto e belo como tu. 
 
 33 
Jardim dos Clássicos 
LITTLE GIDDING 
 
 
Poema final de Quatro Quartetos 
 
 
I 
A primavera em pleno inverno é por si própria uma esta-
ção 
Sempiterna embora encharcada rumo ao ponte, 
Suspensa no tempo, entre polo e trópico. 
Quando o breve dia mais cintila, com geada e fogo, 
Um sol fugaz inflama o gelo dos açudes e canais, 
No frio sem vento que aquece o coração 
Refletindo num espelho aquoso 
Clarões que em cegueira se transmudam ao raiar da tarde. 
E um fulgor mais flamejante que o gládio dos galhos em 
brasa 
Fustiga o espírito entorpecido: vento algum, mas fogo 
pentecostal 
Na quadra escura do ano. Entre degelo e gelo em riste 
Tremeluz a seiva anímica. Nenhum odor de terra 
Ou sequer de coisa viva. Este é o tempo primaveril 
Embora avesso às convenções do tempo. Agora, a sebe 
Por um momento alveja em transitória floração 
De neve, um viço mais súbito 
Que o do verão, sem rútilos botões ou flores murchas, 
Alheios aos desígnios da germinação. 
Onde o verão, o inconcebível 
Verão-zero? 
Se viesses por aqui, 
Tomando o itinerário que provavelmente tomarias 
Desde o lugar de que sem dúvida partirias, 
Se viesses por aqui nos tempos de maio, encontrarias as 
sebes 
Brancas outras vez, em maio, com voluptuosa doçura. 
O mesmo ocorreria ao fim de tua jornada, 
Se viesses à noite como um rei em ruínas, 
Se de dia viesses sem saber por que vinhas, 
Ocorreria o mesmo quando abandonasses o áspero cami-
nho 
E rumasses, rodeando o chiqueiro, à obscura fachada 
E à pedra tumular. E aquilo por que supunhas vir 
É somente uma concha, uma casca de significado 
Cujo propósito desponta apenas ao cumprir-se, 
Se acaso isto acontece. Ou seja que nenhum proposito ti-
vesses 
Ou que o proposito ultrapassa o fim que imaginaste 
E se altera ao ser cumprido. Outros lugares há 
Também no fim do mundo, alguns entre as mandíbulas do 
mar, 
Ou sobre um lago em trevas, num deserto ou numa cidade 
– Mas este é o mais próximo, no espaço e no tempo, 
Agora e na Inglaterra. 
Se viesses por aqui, 
Tomando qualquer itinerário, partindo do ponto que qui-
sesses, 
A qualquer hora em qualquer estação, 
O mesmo sempre ocorreria: terias que despir 
Sentido e noção. Não estás aqui para averiguar, 
Ou te instruíres a ti próprio, ou satisfazer a curiosidade 
Ou redigir um informe. Aqui estás para te ajoelhar 
Onde eficaz tem sido a oração. E a oração é mais 
Que uma simples ordem de palavras, a consciente ocupa-
ção 
Do espírito que reza, ou o som da voz durante a prece. 
E o que não puderam transmitir os mortos, quando os vi-
vos, 
Podem eles dizer-te, enquanto morto: a comunicação 
Dos mortos se propaga – língua de fogo – além da lingua-
gem dos vivos. 
Aqui, a interseção do momento atemporal 
É a Inglaterra e parte alguma. Nunca e sempre. 
 
II 
A cinza sobre um velho é toda a cinza 
Que nos deixaram as rosas incendiadas, 
A poeira no ar suspensa determina 
O sítio onde uma história teve fim. 
A poeira aspirada era uma casa, 
A parede, o lambril, o rato escasso. 
A morte do esperar e do desesperar, 
Esta é a morte do ar. 
Inundação e seca desabrocham 
Dentro da boca, sobre os olhos. 
Água morta e morta areia tentam 
Levar vantagem na contenda. 
O ressequido solo desventrado 
Boquiabre-se ante o vão trabalho 
E ei sem alegria dessa guerra. 
Esta é a morte da terra. 
Água e fogo sucederam 
A vila, o pasto, a urze anônima. 
Água e fogo escarneceram 
Do sacrifício que repudiamos. 
Água e fogo escarvarão 
Os podres fundamentos que olvidamos 
 
 34 
Jardim dos Clássicos 
Do santuário e do seu coro. 
Está e a morte da água e do fogo. 
A uma hora incerta que antecede a aurora 
Vizinha ao término da noite interminável 
No recorrente fim do que jamais se finda 
Após o negro pombo de flamante língua 
Perder-se no horizonte de sua fuga 
Enquanto as folhas mortas se moviam 
Vibrando ainda como lâminas de zinco 
Sobre o asfalto onde outro som nenhum se ouvia 
Entre três bairros de onde a fumaça emergia 
Alguém notei que andava, trôpego e apressado, 
Como se vindo a mim tal as folhas metálicas 
Que a brisa urbana da alvorada embala. 
E ao mergulhar naquele rosto cabisbaixo 
Esse pontiagudo olhar inquisidor 
Com que desafiamos o primeiro estranho 
Surgindo na penumbra agonizante 
Captei o olhar fugaz de algum extinto mestre 
A quem outrora houvesse conhecido, 
Esquecido, lembrado após sem nitidez, 
Como um só e a muitos de uma vez; 
Sob o castanho sazonado das feições 
Os olhos de um complexo e familiar espectro 
A um tempo só distinto e incognoscível. 
Gritei, cumprindo assim o duplo papel, 
E uma outra voz ouvi bradar: “O quê! 
Tu por aqui?” Conquanto ali não estivéssemos.Contudo eu era o mesmo, embora um outro fosse 
– E ele um rosto ainda em formação; 
Mas bastaram as palavras para que aceitássemos 
O que já precedido elas haviam. 
E assim, obedientes ao vento comum, 
Demais estranhos para não nos entendermos, 
Concordes nesse instante de erma interseção, 
De em parte alguma estarmos, antes e depois, 
Em ronda morta e calçamento percorremos. 
Disse-lhe então: “É natural o espanto 
Que sinto, embora a naturalidade 
Seja causa de espanto. Fala, pois: talvez 
Eu não possa entender, ou recordar sequer”. 
E ele: “Não quero repetir o que esqueceste 
Sobre meus pensamentos e doutrinas. 
Tais coisas já cumpriram seu destino: deixa-as. 
Faze o mesmo com as tuas, e roga aos outros 
Que as perdoem, como te rogo que perdoes 
A maus e bons. Comido foi o fruto 
Da última estação, e a besta empanzinada 
Há de atirar seus coices contra o cocho. 
Pois as palavras do ano findo só pertencem 
A linguagem do ano findo, e as palavras 
Do ano próximo outra vez aguardam. 
Mas, assim, como agora a estrada se abre limpa 
Ao intranquilo e peregrino espírito 
Entre dois mundos que chegaram a parecer 
Demasiado iguais, assim descubro agora 
Palavras que jamais pensei dizer 
Em ruas que jamais pensei revisse 
Quando meu corpo abandonei sobre uma praia. 
Posto que nosso fim era a linguagem, 
E a linguagem desde sempre nos levara 
A purificar o dialeto da tribo 
E a instigar a mente para a antevisão 
E a pós-visão, deixa-me revelar as dádivas 
À velhice reservadas, para que seja 
Corado o esforço de tua vida inteira. 
Primeiro, o enregelado atrito dos sentidos 
Que expiram sem magia e nada prometer, 
Senão a amarga insipidez de um fruto umbroso 
Quando a alma e o corpo, espedaçados, principiam 
A tombar cada qual para seu lado. 
Segundo, a lúcida impotência do ódio 
Ante a loucura humana, e laceração do riso 
Perante aquilo que cessou de divertir-nos. 
Enfim, a lacerante dor de reviver 
O que já terminaste, e o que foste; a vergonha 
De motivos tarde apenas revelados 
E a memória de todas as coisas mal feitas 
Ou feitas simplesmente em prejuízo alheio 
Que antes tomaste por virtuosas práticas. 
Nesse momento é que se arranca o aplauso 
De tolos, e a honra se macula. 
O erro após erro, o exasperado espírito 
Prosseguirá, se revigorando não for 
Por esse fogo purificador 
Onde mover-te deves como um bailarino”. 
Raiava o dia. Na desfigurada rua 
Ele deixou-me, como um esquiva despedida, 
E evaporou-se ao brônzeo som da trompa. 
III 
Três condições existem que amiúde iguais parecem 
Embora difiram por completo, na mesma sebe florescem: 
Apego a si próprio e das coisas e das pessoas; e, entre am-
bas germinando, indiferença 
Que às outras se assemelha tal a morte se assemelha à vi-
da 
E que entre duas vidas se enraíza – enflorescida, entre 
A urtiga viva e a morta urtiga. Esta é a função da memória: 
 
 35 
Jardim dos Clássicos 
Libertação – não menos amor, mas expansão 
De amor para além do desejo, como também libertação 
Do passado e do futuro. Assim, o amor é um país 
Começa como apego à nossa própria esfera de ação 
E acaba por jugar que tal ação seja de pouca importância 
Conquanto nunca indiferente. A História pode ser escravi-
dão, 
A História pode ser liberdade. Vê, tudo agora se dissolve, 
As faces e os lugares, com o eu que, tal como pôde, os 
amou 
– Para se renovarem, transfigurados, em outro modelo. 
O Pecado é Inelutável, 
Mas tudo irá bem e toda 
Sorte de coisa irá bem. 
Se ainda me lembro desta terra, 
E desta gente, não de todo elogiáveis, 
Sem parentesco nem bondade próximos, 
Exceto alguns de gênio singular, 
Todos marcados por um só gênio comum, 
Unidos na discórdia que os sangrava; 
Se me lembro de um rei à noite vindo, 
De três homens, ou mais, sobre o patíbulo 
E de muitos que morreram deslembrados 
Em outros lugares, aqui e no estrangeiro, 
E daquele que morreu cego e tranquilo, 
Por que haveríamos então de celebrar 
A estes mortos mais que aos moribundos? 
Não que se trate aqui de exorcizar 
O som de um tímpano retrospectivo 
Como tampouco de sortilégio 
Para invocar o espectro de uma Rosa. 
Não podemos reviver velhas tendências 
Não podemos restauras velhas políticas 
Ou dar ouvidos a um tambor antigo. 
Estes homens, como os que a eles se opuseram, 
E todos aos quais se opuseram aqueles, 
Aceitam a constituição do silêncio 
E se congregam num partido único. 
Tudo quanto herdamos dos afortunados 
Tomado foi por nós aos derrotados 
Seu único legado – um símbolo: 
Um símbolo de morte temperado. 
E tudo irá bem e toda sorte de coisa irá bem 
Pela purificação do impulso, 
Nas raízes de nossa súplica. 
 
IV 
A pomba mergulhando rasga o espaço 
Com flama de terror esbraseado 
Cujas línguas arrojam sem cessar 
Um jorro apenas de erro e de pecado. 
Toda esperança, ou mais desesperar, 
Está na escolha de uma ou de outra pira 
– Para que o fogo pelo fogo nos redima. 
Quem, pois, urdia tanto suplício? Amor. 
Amor é Nome de furtiva chama 
Sob as mãos que teceram com rancor 
A intolerável túnica de flama 
A que poder algum se pode opor. 
Apenas suspiramos, ainda vivos, 
Por esse ou outro fogo consumidos. 
 
V 
O que chamamos de princípio é quase sempre o fim 
E alcançar um fim é alcançar um princípio. 
Fim é o lugar de onde partimos. E cada frase 
Ou sentença de rigor (onde cada palavra se ajusta, 
Assumindo seu posto para suportar as demais, 
A palavra sem pompa ou timidez, 
Um natural intercâmbio do antigo e do novo, 
A palavra de cada dia, correta e sem vulgaridade, 
A palavra exata e formal, mas não pedante, 
O completo consórcio de um bailado simultâneo) 
Cada frase e cada sentença são um fim e um princípio, 
Cada poema um epitáfio. E qualquer ação 
É um passo rumo ao todo, ao fogo, a uma descida à gar-
ganta do mar 
Ou à pedra indecifrável – e daí é que partimos. 
Morremos com os agonizantes: 
Vê, eles nos deixaram e com eles vamos nós. 
Nascemos com os mortos: 
Vê, eles retornam, e consigo nos trazem. 
O momento da rosa e o momento do teixo 
Igual duração possuem. Um povo sem História 
Não está redimido do tempo, pois a História é o modelo 
Dos momentos sem tempo. Assim, enquanto a luz se ex-
tingue 
Num tarde de inverno, numa capela reclusa 
A História é agora e Inglaterra. 
Com o impulso desde Amor e a voz deste Chamado 
Não cessaremos nunca de explorar 
E o fim de toda nossa exploração 
Será chegar ao ponto de partida 
E o lugar reconhecer ainda 
Como da vez primeira que o vimos. 
Pela desconhecida, relembrada porta 
Quando o último palmo de terra 
Deixado a nós por descobrir 
 
 36 
Jardim dos Clássicos 
A voz da cascata escondida 
E as crianças na macieira 
Não percebidas, porque não buscadas 
Mas ouvidas, semi-ouvidas, na quietudeEntre duas ondas do mar. 
Depressa agora, aqui, agora, sempre 
– Uma condição de absoluta simplicidade 
(Cujo custo é nada menos que tudo) 
E tudo irá bem e toda 
Sorte de coisa irá bem 
Quando as línguas de chama estiveram 
Enrodilhadas no coroado nó de fogo 
E o fogo e a rosa se tornarem um. 
 
 * 
O Nome dos Gatos 
 
Dar nome aos gatos é um assunto traiçoeiro, 
E não um jogo que entretenha os indolentes; 
Pode julgar-me louco como o chapeleiro, 
Mas a um gato se dá TRÊS NOMES DIFERENTES. 
Primeiro, o nome por que o chamam diariamente, 
Como Pedro, Augusto, Belarmino ou Tomás 
Como Victor ou Jonas, Jorge ou Clemente 
– Enfim nomes discretos e bastante usuais. 
Há mesmo os que supomos soar com som mais brando, 
Uns para damas, outro para cavalheiros, 
Como Platão, Admetus, Electra, Demétrio 
Mas são todos discretos e assaz corriqueiros 
Mas a um gato cabe dar um nome especial 
Um que lhe seja próprio e menos correntio: 
Se não como manter a cauda em vertical, 
Distender os bigodes e afagar o brio? 
Dos nomes desta espécie é bem restrito o quorum, 
Como Quaxo, Munkunstrap ou Coricopato, 
Como Bombalurina, ou mesmo Jellylorum… 
Nomes que nunca pertencem a mais de um gato. 
Mas, acima e além, há um nome que ainda resta, 
Este de que jamais ninguém cogitaria, 
O nome que nenhuma ciência exata atesta 
SOMENTE O GATO SABE, mas nunca o pronuncia. 
Se um gato surpreenderes com ar meditabundo, 
Saibas a origem do deleite que o consome: 
Sua mente se entrega ao êxtase profundo 
De pensar, de pensar, de pensar em seu nome: 
Seu inefável afável 
Inefanefável 
Abismal, inviolável e singelo Nome. 
Nano, em primeiro plano, e ao fundo Tob (do hebraico 
Tov, ‘bom’), dois companheiros deste editor, e também 
apreciadores de primeira hora de Eliot. 
 
 37 
 Galeria Ron DiCianni 
“O
 m
o
m
e
n
to
 d
e
 S
im
e
ã
o
”.
 
“Pois já os meus olhos viram a tua salvação, a qual tu preparaste perante a face de todos os povos; Luz para iluminar 
as nações, E para glória de teu povo Israel.” Lucas 2.30-32 
 
 38 
 Galeria Ron DiCianni 
“S
a
lv
a
ç
ã
o
”.
 
 
 39 
 Galeria Ron DiCianni 
“Antes de te formar no útero” 
“Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da 
madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta.” Jeremias 1.5 
“Mural da Ressurreição” 
Óleo sobre tela 
 
 40 
 Galeria Ron DiCianni 
 
“Eu sou um cristão, habilmente disfarçado de artista.” 
– Moody Radio, ao vivo com Chris Fabry 
 
 Nascido no lado norte de Chicago, Ron DiCianni cresceu em uma 
área improvável para produzir um artista talentoso. Depois de fre-
quentar a Academia Americana de Arte em Chicago, Ron embarcou 
na carreira de ilustração comercial. Rapidamente reconhecido como 
um dos ilustradores mais talentosos do país, a lista de clientes de 
Ron logo foi dominada por empresas proeminentes, desde Eli Lilly™ 
até McDonald's™. Ele foi escolhido como ilustrador oficial das 
Olimpíadas de 1980 e considerado um dos ilustradores de maior su-
cesso de sua geração. 
 Uma paixão ainda ofuscava esse sucesso… o desejo de Recuperar 
as Artes para Cristo. No entanto, Ron tinha ficado repetidamente 
frustrado pela sensação de que a Igreja ainda não estava pronta para 
reincorporar a arte visual na sua apresentação do Evangelho. Mas em 
1989 chegou o momento certo e Deus levou Ron a criar a pintura que 
iniciou uma revolução… Guerra Espiritual . Várias pinturas cristãs 
incríveis seguiram os passos da Guerra Espiritual e logo ficou claro 
que um novo capítulo na arte havia começado. 
 Num mundo dominado pelo domínio visual, Ron DiCianni consi-
dera-se “um cristão habilmente disfarçado de artista”. A sua missão 
autodeclarada é “Recuperar as Artes para Cristo” e ele assumiu o papel de pioneiro no que rapidamen-
te se tornou um segundo Renascimento. Com numerosos prémios tanto pelo seu trabalho como autor 
como como artista, a resposta dos mercados cristão e secular continua a ser extremamente positiva. 
Homenageado com o prêmio RH Love e Visitor's Choice por vários anos no Sacred Arts Show, a arte 
de Ron continua a abrir um novo caminho. Em 1999, uma importante revista de arte secular conside-
rou a pintura de Ron, Safely Home, uma das 50 melhores pinturas do ano em todo o mundo. 
 Familiarizado com a indústria do livro, Ron colaborou em mais de 50 projetos de livros e é sete ve-
zes vencedor do Prêmio Medalhão de Ouro por Excelência em Literatura Cristã. Esses projetos gera-
ram vários milhões em vendas e foram traduzidos para idiomas em todo o mundo. Trabalhar em es-
treita colaboração com nomes como Max Lucado, Joni Earckson -Tada, Jerry Jenkins, Randy Alcorn, 
Frank Peretti e Michael Card proporcionou a Ron a oportunidade de combinar seu talento artístico 
com o de autores de classe mundial. Igualmente talentoso com pincel ou caneta, Ron escreveu quase 
uma dúzia de livros de sua autoria, muitos dos quais continuam a receber elogios como alguns dos 
melhores de seu gênero. Ron também é o criador da série Tell Me, de longa data e best -seller. 
 Recentemente encomendados para fazer uma série de murais sobre as verdades essenciais do Cristi-
anismo por uma das maiores denominações do mundo, estas quatro novas peças formam a pedra angu-
lar da próxima Campanha Mundial Nós Acreditamos . No ano passado, Ron revelou o tão aguarda-
do Mural da Ressurreição , um empreendimento de dois anos que produziu um mural de 3,6 x 12 me-
tros que é a maior representação contemporânea conhecida da Ressurreição de Cristo no mundo. O 
Mural da Ressurreição acabade ser selecionado pela prestigiada ARC como uma das 100 melhores 
peças de Belas Artes do mundo. Este ano, Ron tem o orgulho de estrear uma nova e poderosa pintura 
pró-vida intitulada Antes de te formar no útero , que por sua vez lançou uma nova fundação sem fins 
lucrativos. O que começou com uma pintura há vinte e cinco anos, Deus usou para criar todo um mer-
cado para produtos de arte cristã, que vão desde reproduções de belas artes até livros e uma ampla va-
riedade de produtos derivados. Esta síntese entre belas artes e uma mensagem cristã levou Ron, pela 
graça de Deus, a concretizar uma visão formada há décadas na escola de artes. 
 Ron DiCianni atualmente mora no sul da Califórnia com sua esposa Pat. Eles consideram que suas 
duas maiores obras de arte são os filhos, Grant e Warren, e têm o orgulho de anunciar a adição de ne-
tos: Nicolas, Catelyn, Claire, Hudson Taylor, Rebekah e Finn. 
 
Com informações de Tapestry - https://www.tapestryproductions.com/ron-dicianni/ 
 
Instagram: https://www.instagram.com/rondicianniofficial/ 
https://www.tapestryproductions.com/product/spiritual-warfare-artwork-by-ron-dicianni-copy/
https://www.tapestryproductions.com/product/safely-home-artwork-by-ron-dicianni/
https://www.tapestryproductions.com/product-tag/we-believe/
https://www.tapestryproductions.com/product/the-resurrection-mural-by-ron-dicianni/
https://www.tapestryproductions.com/product/before-i-formed-you-in-the-womb-artwork-by-ron-dicianni/
https://www.tapestryproductions.com/ron-dicianni/
https://www.instagram.com/rondicianniofficial/
 
 41 
Resenhas 
LIVRO / YHVH — Poesia — Mateus Ma'ch'adö 
Poeta experimentado e com ampla entrada nos meios literários, Mateus 
Ma'ch'adö chega a este seu quinto livro de poemas inaugurando uma nova 
fase em sua literatura. Embebido pelos conteúdos do Sagrado, Mateus lan-
çou-se na captura de formas que pudessem comportá-lo. E o resultado é 
um livro de fascinante potência verbal e também espiritual. Formas clássi-
cas - como não? - e outras são (re)ativadas pelo autor, que vem enriquecer 
a poesia - e a poesia cristã - em nossa língua com um livro de celebração 
do Deus Santíssimo, Seus caminhos e Sua Palavra Revelada. 
O livro impresso pode ser adquirido no site da editora UICLAP (aqui), mas 
o autor graciosamente disponibilizou o arquivo em PDF de sua obra para 
download gratuito aos interessados. 
Para baixar o seu exemplar pelo Google Drive, CLIQUE AQUI. 
S.R. 
LIVRO / A Ordem Luterana da Cruz Combatente — Romance — Sammis Reachers 
Eu aprendi amar literatura lendo livros de ficção cristã na adolescência. Livros 
como este, que vou comentar, me fazem lembrar do quanto eu ainda sou apai-
xonada pela ficção cristã. 
A Ordem Luterana da Cruz Combatente, de Sammis Reachers, é um livro de 
fantasia histórica, com muita ação e aventura, reviravoltas e suspense. Um 
dos temas chave do romance, é o dilema entre fé e ética, que surge como um 
conflito interior angustiante em um dos personagens que está literalmente 
entre a cruz e a espada, entre cumprir com o seu dever, com que se espera de-
le, ou simplesmente, agir conforme ele acredita, conforme sua consciência gri-
ta. É um ponto chave do livro. 
O enredo parte dos tempos de Martinho Lutero, da Roma de 1510, e avança 
quinhentos anos, capítulo após capítulo, em um ritmo eletrizante. São muitos 
personagens, e vários os detalhes e mistérios que vão sendo desvendados até a 
última página. Gostei muito da fantasia criada pelo autor: das pedras especiais perdidas, dos Cambian-
tes, das fusões e sua limitação… A formação da Ordem Luterana, e também de seus integrantes, é muito 
interessante de acompanhar, bem como, tudo em relação aos seus oponentes, os inimigos de Cristo: o 
Deicídio. Quanto ao vilão, ele também um personagem histórico, sua história é inesquecível, com certeza. 
Chama a atenção aqueles pontos em que o autor consegue prender o leitor ao, aqui e ali, nos oferecer tre-
chos que, especialmente para o leitor cristão, são pequenos lembretes do que realmente importa: nossa 
fé, amor e esperança. 
“Do que todos precisamos, Cristo é um bom fornecedor; para os de pouca sede, ele oferta uma xícara de 
chá como esta de perdão; para outros um tonel; para alguns, como a senhora, há sempre um oceano 
de perdão, à espreita, à espera de um sinal.” (p.179) 
“Ou um homem se abriga sobre as asas ou braços atravessados na cruz do Nazareno, ou está, goste ou 
não, vendido para o diabo, sendo pela eternidade co-herdeiro de seu destino.” (p. 276) 
O livro está disponível em formato e-book na Amazon e em formato impresso na Uiclap. A edição física 
vale muito a pena. Deixo a dica inclusive como um bom presente para adolescentes e jovens. 
Kelly Oliveira Barbosa — https://cafefeelivros.com 
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https://cafefeelivros.com/
 
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H 
q 
Bezalel é um personagem criado 
pelo ilustrador Adriano Leonardo 
Ribeiro Lima. 
Adriano publicou recentemente a 
primeira edição de Mega-Zine, re-
vista-zine de HQs cristãs. 
Instagram: @editorabezalel 
https://www.instagram.com/editorabezalel/
 
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P
H
A
R
M
A
C
I
A
 
 
 46 
Desenvolva Seus Músculos Espirituais 
Crônica Devocional 
Irene Giglio 
Cerrei os olhos com força quando a gargalhada ecoou. 
Na verdade, eu detestava academia, mas quando o es-
pelho me convenceu a frequentá-la, não tive argumen-
tos para contestá-lo, afinal, as provas estavam 
bem diante de meus olhos: pneuzinhos 
teimosos insistiam em escapar por todo 
o cós da calça. 
Estava deitada sobre uma superfície, 
munida de um peso em cada mão, 
quando no zum-zum do ambiente, 
uma gargalhada cascateou, atingindo-
me em cheio. Eu conhecia o timbre por trás 
daquela voz e honestamente achava sua dona 
bem antipática. Eram pouco mais de sete da manhã e 
meu humor ainda não estava em seu auge. Com os 
olhos fechados, torci a boca e pensei: “Ninguém mere-
ce!” 
Instantaneamente fui fulminada por uma voz em mi-
nha mente: “Da maneira que você julgar, também será 
julgada.” 
BUM! Ouvi o baque surdo dos pesos no chão. Suada, 
sentei no banco estreito e, ainda em choque, tentei de-
cifrar a situação. 
Nunca fui muito mística no quesito de ouvir a voz de 
Deus. Raramente você vai me ouvir dizer por aí a famo-
sa frase “Deus falou comigo”, mesmo porque acho isso 
sério e comprometedor demais para se afirmar. Contu-
do, eu não poderia negar que tinha ouvido aquela frase 
em minha mente. Um sentimento de vergonha me gol-
peou, derrubando-me do pedestal de superioridade 
(em que eu nem sabia estar!), colocando-me no chão, 
junto com outros mortais exatamente iguais a mim. 
Imediatamente imaginei-me à vontade, conversando, 
rindo e gargalhando, e outras pessoas me julgando e 
torcendo o nariz ao ouvir-me. 
“Tem razão”, admiti com vergonha, “seria muito desa-
gradável ser julgada assim”. Deitei-me novamente e, 
fixando os olhos no teto, pensei uma oração mais ou 
menos assim: “Tem razão Senhor, não sou melhor que 
ninguém, nem minha gargalhada mais bonita. Não sou 
nem menos, nem mais especial. Concordo com a exor-
tação de tua Palavra, pelo Espírito Santo em meu cora-
ção. Perdoe-me e produza mudança em mim”. 
Peguei os pesos novamente (nada extraordinário, só 2 
kg cada) e recomecei minha série, ciente de que meus 
ouvidos espirituais haviam-se exercitado bem mais que 
meus bíceps. 
Não lembro quanto tempo depois, topei com 
a autora da gargalhada. Nós nos cumpri-
mentamos com um “bom dia” acompa-
nhado de um sorriso (como de costu-
me). Na fração de segundo em que 
nossos olhos se cruzaram, percebi meu 
coração tão atencioso, tão acessível e 
disposto a amá-la que me surpreendi. Se 
meu “bom dia” pudesse ser traduzido, a 
tradução seria algo parecido com: “Gosto de vo-
cê e sei que você é minha igual. Estou à sua disposição, 
o que posso fazer pra ajudá-la?” 
Quando relembro essa experiência, penso que a Pala-
vra de Deus está repleta de “ses”. “Se” ouvirmos a voz 
de Deus... “Se” atentarmos à voz do Espirito Santo. Sei 
que isto significa que Deus pode falar e que podemos 
não ouvir, e que o resultado disso é o pior que se pode 
esperar: continuaremos sendo os mesmos, resguarda-
dos em nossos achismos, intactos em nossos pontos de 
vista, cegos e surdos para receber a transformação divi-
na que confronta padrões de pensamento e de conduta 
e nos leva a uma nova dimensão humana. 
Hoje preciso voltar à bendita academia que acabei por 
abandonar, mas uma prática que não abandono e sem-
pre tento exercitar, é a de olhar o ser humano como 
meu igual e dizer: “Estou à sua disposição, o que posso 
fazer pra ajudá-lo?” 
Só há uma maneira de turbinar nossos músculos espi-
rituais: ouvir a voz de Deus e deixar que ela nos fira pa-
ra produzir mudanças. 
Irene Giglio é paranaense, residindo atualmente em 
Curitiba. Casada e mãe de um filho, é formada e pós 
graduada em Teologia, Letras e atualmente cursa Psi-
cologia. 
Em 2006 escreveu e ilustrou o livro “Ele está no meio 
de nós”, um livro de contos sobre mulheres e homens 
que tiveram encontros com Jesus. 
 
 47 
Uma Carta para Mim Mesmo: 
Reflexões de Fé 
Crônica Devocional 
Ana Lins 
 
Querido Eu, 
 
Escrevo-te nesta tarde serena, 
enquanto a chuva escorre pelas 
janelas, trazendo consigo uma 
sensação de paz e renovação. É 
um momento perfeito para re-
fletir sobre a jornada que temos 
percorrido, guiados pela fé e pela 
esperança. 
Lembro-me das tantas vezes em que a dúvida e o 
medo tentaram se instalar em nosso coração. Mas, 
nesses momentos, encontramos força nas palavras 
do Senhor, que sempre nos sussurraram ao ouvido: 
"Não temas, pois Eu estou contigo." (Isaías 41:10). 
Essas palavras foram um farol, iluminando nosso 
caminho em meio à escuridão e guiando-nos de 
volta à luz. 
A vida tem sido uma montanha-russa de altos e 
baixos, de vitórias e desafios. Contudo, em cada 
momento, percebemos a mão de Deus agindo, 
moldando-nos e ensinando-nos lições valiosas. Ca-
da queda foi uma oportunidade de levantar mais 
forte, cada lágrima foi uma chance de experimen-
tar o consolo divino, e cada sorriso foi um reflexo 
do amor infinito de Cristo. 
Lembra-te das manhãs em que acordamos com o 
coração pesado, sem saber qual direção tomar. 
Nessas horas, a oração foi nosso refúgio, nosso en-
contro íntimo com Deus. Ali, em silêncio, encontra-
mos respostas e renovamos nossas forças. Que 
nunca nos esqueçamos do poder transformador da 
oração e do tempo dedicado a escutar a voz divina. 
A caminhada cristã é uma jornada contínua de 
aprendizado e crescimento. Não somos perfeitos e, 
muitas vezes, falhamos. Mas, a graça de Deus é su-
ficiente para nos levantar e nos dar uma nova chan-
ce. Que possamos sempre buscar viver de acordo 
com os ensinamentos de Jesus, amando ao próxi-
mo, sendo compassivos e praticando a justiça. 
Recorda-te de ser grato. A gratidão é 
um ato de reconhecimento da bon-
dade de Deus em nossa vida. Ca-
da pequeno detalhe, cada bên-
ção recebida, é uma prova do 
cuidado e do amor do Pai. Mes-
mo nas adversidades, há sempre 
algo pelo que agradecer. Que a 
gratidão seja um hábito diário, en-
chendo nosso coração de alegria e 
contentamento. 
Por fim, querido eu, que nunca nos falte a fé. A fé 
que move montanhas, que nos sustenta nas tem-
pestades e nos guia em direção aos planos que 
Deus tem para nós. Que possamos ser luz neste 
mundo, refletindo a glória de Deus através de nos-
sas ações e palavras. 
 
Com amor e esperança, 
Eu Mesmo. 
 
 
 
 
 
 
 
Ana Lins é escritora e poetisa. Membro da Assem-
bleia de Deus, Ana cumpre o Ide de Cristo através da 
literatura. É autora dos livros Recomeço; Rute; Noemi; 
Redenção; Abigail uma mulher pacificadora e Outonoem mim. 
Instagram: @escritora_ana_lins 
https://www.instagram.com/escritora_ana_lins
 
 48 
download 
Amor, Esperança e Fé em 1000 Citações - Amor (ou caridade), Es-
perança e Fé: As três principais virtudes cristãs, conforme arrola-
das pelo apóstolo Paulo no décimo terceiro capítulo da Primeira 
Carta aos Coríntios, um dos ou talvez mesmo o mais belo capítulo 
de todo o Novo Testamento. Os católicos chamam-nas de virtu-
des teologais, que seriam infundidas por Deus no homem, e cuja 
ação é complementada pelas virtudes cardinais (prudência, justi-
ça, fortaleza e temperança). 
Nesta breve seleta, reunimos nada menos que mil (e cem) cita-
ções. São textos notadamente de autores cristãos (reformados, 
católicos e de outras vertentes), mas não somente; autores de ou-
tras confissões religiosas aqui comparecem, e mesmo agnósticos 
e livres pensadores os mais diversos, contribuindo para o entendi-
mento e a reflexão plurais sobre tais temas de infindável profundi-
dade. 
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O ABORTO em Frases, Poemas e Reflexões - Antologia - O tema 
do aborto tem mobilizado mentes, corações e culturas ao longo da 
história. Nos dias de hoje, tornou-se questão incontornável, trans-
cendendo delimitações sanitárias, sociológicas, políticas e religio-
sas para inserir-se no centro do debate público. 
E este pequeno livro é uma antologia multigêneros: às diversas ci-
tações sobre o aborto, unimos uma seleção de poemas e, por fim, 
uma coleção de pequenos textos de reflexão que ajudarão a ilumi-
nar nosso entendimento sobre o assunto. 
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Vivendo a vontade de Deus para adolescentes — Nesta inspiradora 
caminhada espiritual, os adolescentes exploram o significado e a im-
portância de viver de acordo com a vontade de Deus. Através de his-
tórias cativantes de personagens bíblicos, os leitores são guiados a 
refletir sobre como discernir e seguir o Senhor em suas vidas. 
Este livro oferece orientações práticas, versículos inspiradores e re-
flexões sinceras para ajudar os adolescentes a crescerem na fé e se 
tornarem testemunhas do amor e do poder de Deus no mundo. 
Vivendo na Vontade de Deus é uma fonte de inspiração para adoles-
centes que querem construir um relacionamento com Deus e viver 
uma vida que glorifica Seu nome. A jornada de fé e descoberta é 
uma oportunidade para os adolescentes explora-
rem o propósito e direção de Deus, encontrando alegria, paz e signifi-
cado para sua vida espiritual. 
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 49 
Parlatorium 
“Se a vida é uma comédia para aquele que pensa e uma 
tragédia para aquele que sente, é uma vitória para 
aquele que crê.” 
Charles L. Wallis 
“Crescer na fé exige que, como cer-
tos artrópodes, nos desfaçamos dos 
exoesqueletos das convicções que 
já não nos servem mais.” 
Judson Canto 
“É terrível que pessoas tão ignorantes tenham 
tanta influência.” 
George Orwell 
“A busca pela excelência também é 
uma maneira de louvar a Deus.” 
Francis Schaeffer 
“A inteligência é uma 
espada de dois gumes, 
de aço duro e fulguran-
te. O caráter é o seu 
punho, e sem punho 
ela não tem valor.” 
Friedrich Bodensteadt 
“As pessoas simples apoderam-
se do reino de Deus, e nós, os 
letrados, andamos nos revol-
vendo na carne e no sangue. 
Nós temos a ciência, eles, a sa-
bedoria.” 
Santo Agostinho 
“O livro é um barco que te ensina a nadar.” 
Sammis Reachers 
“Fé é a mão com 
que seguramos 
todas as coisas 
imorredouras 
da vida.” 
Hugh Latimer 
“O dinheiro tem 
asas, o conforto se 
esvai, a esperança de-
saparece. Só o amor 
permanece conosco. 
O amor é Deus.” 
Lew Wallace 
“Não o meu sistema, 
mas a ordem de Deus.” 
Nicolau Copérnico 
“A coisa mais importante não é o número de 
ideias reunidas em nosso espírito, mas sim 
o que as une.” 
Titu Maiorescu 
“Uma palavra bem colocada pode economizar não 
só cem palavras, mas também cem pensamentos.” 
Henri Poincaré 
“A vida esguicha como uma fonte para aqueles 
que perfuram a rocha da inércia.” 
Alexis Carrel 
 
 50 
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