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DESENVOLVIMENTO DA ADOLESCÊNCIA E VIDA ADULTA KAROLINA KELLY GRANGEIRO LINS Desenvolvimento da adolescência e vida adulta KAROLINA KELLY GRANGEIRO LINS 2023 PRESIDENTE Frei Thiago Alexandre Hayakawa, OFM DIRETOR GERAL Jorge Apóstolos Siarcos REITOR Frei Gilberto Gonçalves Garcia, OFM VICE-REITOR Frei Thiago Alexandre Hayakawa, OFM PRÓ-REITOR DE ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO Adriel de Moura Cabral PRÓ-REITOR DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Dilnei Giseli Lorenzi COORDENADOR DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - NEAD Renato Adriano Pezenti GESTOR DO CENTRO DE SOLUÇÕES EDUCACIONAIS - CSE Franklin Portela Correia REVISÃO TÉCNICA Joana D’arc Alves PROJETO GRÁFICO Centro de Soluções Educacionais - CSE DIAGRAMADORES Ana Maria Oleniki CAPA Ana Maria Oleniki © 2023 Universidade São Francisco Avenida São Francisco de Assis, 218 CEP 12916-900 – Bragança Paulista/SP CASA NOSSA SENHORA DA PAZ – AÇÃO SOCIAL FRANCISCANA, PROVÍNCIA FRANCISCANA DA IMACULADA CONCEIÇÃO DO BRASIL – ORDEM DOS FRADES MENORES A AUTORA KAROLINA KELLY GRANGEIRO LINS Olá! Sou licenciada em História pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG, 2017), concluí mestrado na mesma instituição, em 2020, na área de História Cultural e Social. Atuei como pesquisadora bolsista desde a graduação nos programas PIVIC, PIBIC e PIBID. Tenho experiência na área da Educação e Pesquisa. Atualmente, atuo como coordenadora pedagógica em uma escola de ensino médio técnico pela Secre- tária de Educação da Paraíba. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! 5 SUMÁRIO UNIDADE 01: CONTEXTUALIZAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO DA ADOLESCÊN- CIA E DA VIDA ADULTA .............................................................................................13 1. Desenvolvimento da adolescência e da vida adulta ...........................................13 Exercícios comentados ...........................................................................................20 Atividades Práticas ..................................................................................................20 UNIDADE 02: CICLOS DA VIDA E AS FASES DO DESENVOLVIMENTO ..............22 1.O ciclo da vida: infância, adolescência, idade adulta e velhice ............................22 Exercícios comentados ...........................................................................................30 Atividades Práticas ..................................................................................................31 UNIDADE 03: TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO ................................................33 1. Conceitos e teorias do desenvolvimento humano ...............................................33 Exercícios comentados ...........................................................................................40 Atividades Práticas ..................................................................................................40 UNIDADE 04: ESTÁGIOS DO DESENVOLVIMENTO ..............................................42 1. Estágios do desenvolvimento do ser humano .....................................................42 Exercícios comentados ...........................................................................................48 Atividades Práticas ..................................................................................................49 UNIDADE 05: ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO ...........................51 1. Aspecto físico-motor, intelectual, afetivo-emocional e social ..............................51 Exercícios comentados ...........................................................................................61 Atividades Práticas ..................................................................................................62 UNIDADE 06: CONTEXTOS INFLUENTES NO DESENVOLVIMENTO ..................64 Hereditariedade, crescimento orgânico, maturação neuropsicológica e ambiente .64 UNIDADE 07: ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO DO ADOLESCENTE E DA VIDA ADULTA ...... 73 Aspectos psicológicos, normalidade e patologia no adolescente e no adulto ........73 UNIDADE 08: FORMAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS PSICOLÓGICAS ...............83 Formação da personalidade, autoestima e autoconhecimento ...............................83 UNIDADE 09: CONTEXTO FAMILIAR E SOCIAL ....................................................94 Conceito de família e contexto familiar ...................................................................94 Desenvolvimento socioemocional no contexto familiar ...........................................100 UNIDADE 10: ADOLESCENTE E O MUNDO ..........................................................107 O ADOLESCENTE E O MUNDO ...........................................................................107 UNIDADE 11: TECNOLOGIA E A CONSTRUÇÃO DO ADOLESCER .....................116 COMUNICAÇÃO, INTERAÇÃO E DIFICULDADES DA GERAÇÃO TECNOLÓGICA ..116 UNIDADE 12: DO ADOLESCER PARA A VIDA ADULTA ..........................................126 TRANSIÇÃO PARA A VIDA ADULTA E AS MUDANÇAS ........................................126 UNIDADE 13: RELAÇÕES INTERPESSOAIS COMO FORMA DE INTERAÇÃO COM O MUNDO 136 A PESSOA COMO SER SOCIAL ...........................................................................136 UNIDADE 14: O ENVELHECER E O MORRER COMO CICLO DA VIDA ...............146 ENVELHECER E MORRER COMO CICLO DE VIDA ...........................................146 2 50% EAD 50% Presencial O ENSINO DINÂMICO NA UNIVERSIDADE SÃO FRANCISCO - USF A USF, em seus 45 anos de história, sempre propôs modelos pedagógicos inovadores e agora apresenta o “Ensino Dinâmico”, que oferece uma experiência significativa de aprendizagem, reunindo o melhor dos universos do ensino à distância e presencial, com uma matriz curricular que flexibiliza o tempo e o espaço escolar, respeita seu ritmo de aprendizagem e permite o acompanhamento do seu aprendizado. O “Ensino Dinâmico” apresenta diferentes espaços de aprendizagem, todos acessados através do USF Connect. A matriz curricular dos cursos é constituída por Componentes Curriculares (disciplinas) com cargas horárias distribuídas no ensino à distância e/ou pre- sencial, conforme descrito abaixo: 100% da carga horária ofertada na modalidade à distância, com atividades desenvolvidas no Ambiente Virtual de Aprendizagem, a partir do modelo pedagógico e organização didática apresentada na Sala Virtual. 50% da carga horária ofertada na modalidade à distância e 50% da mo- dalidade presencial, com atividades desenvolvidas tanto em Ambiente Virtual de Aprendizagem quanto presencialmente. Para garantir o diá- logo entre esses espaços de aprendizagem temos a “Trilha de Aprendi- zagem Dinâmica”. 100% da carga horária ofertada na modalidade presencial, com ativida- des desenvolvidas em sala de aula ou em modernos laboratórios. 1 100% EAD 3 100% Presencial Importante lembrar que, durante a pandemia da COVID-19, as atividades presenciais po- dem acontecer em ambiente remoto, no mesmo horário das aulas presenciais seguindo a metodologia de aulas supervisionadas remotas da USF, ou presencialmente, em horários previamente informados pelo professor, seguindo as normas sanitárias vigentes. Desenvolver O encontro síncrono com o professor e seus colegas de turma acon- tece na sequência, no movimento do DESENVOLVER. O professor aprofundará as discussões, com atividades teóricas e/ou práticas. Por meio da utilização de metodologias dinâmicas (ativas), é valori- zado seu protagonismo e autonomia e são desenvolvidas as compe- tências necessárias para atuar no mercado e na sociedade. Praticar Para encerrar o ciclo de aprendizagem da semana letiva, você realiza as atividades da Prática de Competências no movimento PRATICAR, que também acontece na Sala Virtual, seguindo o prazo estipulado pelo pro-fessor. Você será desafiado a buscar soluções inovadoras para proble- mas reais, integrando teoria e prática. A partir do feedback do professor, você poderá acompanhar seu desempenho. CICLO CDP Conectar Para iniciar seus estudos, em cada semana letiva, você re- aliza a atividade do CONECTAR, através da leitura do texto da unidade de aprendizagem da respectiva semana letiva e participa de atividade organizada e mediada pelo seu pro- fessor. Tudo acontece dentro da Sala Virtual, antecedendo o encontro com seu professor. Este componente curricular tem 50% de sua carga horária ofertada na modalidade à distância e 50% da modalidade presencial e, portanto, será desenvolvido segundo a “Trilha de Aprendizagem Dinâmica”, com atividades relacionadas aos movimentos do CONECTAR (C), DESENVOLVER (D) e PRATICAR (P), que chamamos de CICLO CDP. Suas te- máticas serão desenvolvidas durante este semestre e estão organizadas em semanas letivas e, para cada uma delas, você percorrerá um “Ciclo CDP”. A seguir apresentamos detalhadamente os movimentos deste ciclo de aprendizagem. SAIBA MAIS Visite os links para saber mais sobre: O Ensino Dinâmico na USF: https://www.youtube.com/watch?v=W-B7HTU1_y8. Como ter acesso ilimitado aos recursos tecnológicos de aprendizagem: https://www. youtube.com/watch?v=-7SuzbS4CYA. Quais são as Ferramentas do USF Connect: https://www.youtube.com/watch?- v=1kI4MaZ9QIQ. Como funciona a Metodologia de Aulas Remotas da USF: https://www.youtube.com/ watch?v=0eGZNh4N0eM. Quais são as normas que regem a “Prática de Competências”: https://www.usf.edu.br/ galeria/getImage/410/1720366361479788.pdf. O Plano de Contingência para enfrentamento da COVID-19: https://www3.usf.edu.br/ galeria/getImage/252/2717033432743751.pdf. Dinâmico é quando o ensino se adapta a sua história! E só uma Universidade com muita história pode oferecer o ensino dinâmico que você precisa. BONS ESTUDOS! https://www.youtube.com/watch?v=W-B7HTU1_y8 https://www.youtube.com/watch?v=-7SuzbS4CYA https://www.youtube.com/watch?v=-7SuzbS4CYA https://www.youtube.com/watch?v=1kI4MaZ9QIQ https://www.youtube.com/watch?v=1kI4MaZ9QIQ https://www.youtube.com/watch?v=0eGZNh4N0eM https://www.youtube.com/watch?v=0eGZNh4N0eM https://www.usf.edu.br/galeria/getImage/410/1720366361479788.pdf https://www.usf.edu.br/galeria/getImage/410/1720366361479788.pdf https://www3.usf.edu.br/galeria/getImage/252/2717033432743751.pdf https://www3.usf.edu.br/galeria/getImage/252/2717033432743751.pdf INTRODUÇÃO O período da adolescência e da vida adulta é um momento de transição e mudança, em que diversas transformações biológicas, cognitivas, emocionais e psicossociais ocor- rem. Neste e-book, exploramos essas mudanças e os temas mais relevantes relaciona- dos ao desenvolvimento humano durante essas fases da vida. Esse material está organizado em 14 unidades, começando com uma contextualização do desenvolvimento humano na adolescência e vida adulta e a importância dos ciclos da vida e fases do desenvolvimento. Em seguida, discutimos as teorias do desenvolvi- mento e as diferentes etapas que compõem esse processo. As unidades seguintes abordam os aspectos do desenvolvimento humano, incluindo os contextos influentes no desenvolvimento e as etapas específicas do desenvolvimento na adolescência e vida adulta. Também discutimos a formação das características psi- cológicas e o papel do contexto familiar e social na vida dessas pessoas. A geração tecnológica e a construção do adolescer são abordadas em uma unidade específica, bem como a transição da adolescência para a vida adulta. Também dapre- sentamos a importância das relações interpessoais como forma de interação com o mundo e como isso afeta o desenvolvimento humano. Por fim, o e-book discute o envelhecimento e a morte como ciclo natural da vida e como lidar com essa fase de transição. Este e-book é uma leitura essencial para estudantes e profissionais interessados no desenvolvimento humano durante a adolescência e vida adulta. Esperamos que ele forneça uma compreensão aprofundada dessas fases de transição e ajude a lidar com as mudanças e desafios que essas pessoas enfrentam. 13 UNIDADE 1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO DA ADOLESCÊNCIA E DA VIDA ADULTA 1. DESENVOLVIMENTO DA ADOLESCÊNCIA E DA VIDA ADULTA Ao término deste capítulo, você será capaz de conhecer a visão histórica, social, polí- tica e biológica a respeito do período da adolescência, vida adulta e envelhecimento. Esse conhecimento é fundamental para o entendimento desse processo de transição da adolescência para a vida adulta, que, atualmente, vem ganhando grande relevân- cia como objeto de estudo da comunidade científica. E então? Motivado para desen- volver esta competência? Então, vamos lá. Avante!C O M PE TÊ N C IA S 1.1 INFÂNCIA, ADOLESCÊNCIA, VIDA ADULTA E VELHICE Nesta seção, entenderemos como ocorre o desenvolvimento do adolescente, uma fase da vida que possui muitas particularidades, desde a sua primeira infância. É possível encontrar, ao longo da história, que nem sempre as crianças foram consideradas crian- ças de fato ou até mesmo que a fase marcada pela transição da criança para o adoles- cente foi realmente respeitada. Por muito tempo, por diversas sociedades e séculos, as crianças eram conhecidas como uma versão mirim de um adulto. Sendo assim, segun- do Ariès (1987, p. 50), “até por volta do século XII, a arte medieval desconhecia a infância ou não tentava representá-la”. Era difícil pensar a existência da infância na sociedade medieval. A criança era um ser misterioso, sem humanidade, sem conceito social. Vygotsky estudando o desenvolvimento do pensamento e da linguagem, percebeu que é possível identificar duas funções básicas na linguagem. A primeira e principal é a trans- missão social, e depois o pensamento generalizante. Assim, Vygotsky apresenta que “a linguagem ordena o real, agrupando todas as ocorrências em uma mesma classe de objetos, eventos, situações, sob uma mesma categoria conceitual” (1997, p. 63). Dessa forma, Vygotsky percebe que o brinquedo ou as brincadeiras têm papel fundamental para o desenvolvimento infantil. Citando a brincadeira do “faz de conta” como exemplo, nota- -se que é por meio dela que a criança, em sua fase inicial, vai incorporando as regras e as normas do mundo adulto, explorando o imaginário. O autor conclui mostrando que o “processo de aprendizagem e interação é constante e acontece por meio do desenvolvi- mento real, desenvolvimento potencial e zona de desenvolvimento proximal, que serão posteriormente explicados”. (VYGOTSKY, 1997, p. 65) Entendendo melhor esse processo, vale frisar que uma das teorias de Vigotski (2006) implica apresentar que aprendizagem e desenvolvimento não são a mesma coisa. Para o autor, a aprendizagem e o desenvolvimento de uma criança estão inteiramente inter- U1 14Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Contextualização do Desenvolvimento da Adolescência e da Vida Adulta ligados desde os seus primeiros anos de vida. A aprendizagem deve caminhar com o desenvolvimento da criança dentro de cada fase, estando relacionada com o espaço de desenvolvimento em que a criança está inserida. Sendo assim, para Vigotski (2006, p. 49), a aprendizagem estimula processos internos de desenvolvimento, criando zo- nas de desenvolvimento proximal, como diz o autor: “[...] a aprendizagem não é, em si mesma, desenvolvimento, mas uma correta organização da aprendizagem da criança conduz ao desenvolvimento mental [...]”. Freud, Piaget e Wallon (PIAGET, 1977) fazem contribuições com seus estudos sobre o desenvolvimento infantil de acordo com faixas etárias divididas em primeira infância (0 a 3 anos), segunda infância (3 a 6 anos) e terceira infância (6 a 11 anos). Cumpre ressaltar que as subdivisões por faixa etária fazem parte do entendimento claro do desenvolvi- mento infantil. Assim, podemos entender cada fase e etapa desse desenvolvimento de forma mais sistemática e didática, mas convictosde que cada ser humano tem suas próprias características independentemente das fases. Segundo Piaget, essa fase se denomina como sensório-motora, que vai do nascimento até os 2 anos de idade. Nesse período, a criança vai começar a se diferenciar no mundo por meio das sensações e ações motoras, ou seja, “uma das funções da inteligência será, portanto, nesta fase, a diferenciação entre os objetos externos e o próprio corpo” (PIAGET, 2003, p. 40). Aos poucos, a criança vai formando a noção do “eu” e já consegue se diferenciar dos outros objetos existentes em seu ambiente. Para Freud, o desenvolvimento infantil na primeira infância começa quando a criança passa a se entender e se diferenciar. Esse período é caracterizado por duas fases do desenvolvimento psicoafetivo da criança. A primeira é chamada de fase oral (0 a 1 ano) em que a libido se concentra na boca da criança. Nesse caso, a criança conhece o mundo pelas sensações de colocar objetos na boca; elas sentem grande prazer no comer, no sugar, no morder e no lamber. Já a segunda é denominada de fase anal (1 a 3 anos), na qual a pulsão se direciona para o controle dos esfíncteres, ou seja, a criança começa a ter consciência e controle de seu corpo, percebendo que é possível controlar a retenção ou eliminação das fezes e da urina. Para Wallon (NARCISO, 2021), esse período é dividido em duas fases: o estágio im- pulsivo emocional, que vai do nascimento até seu primeiro ano de vida; e o estágio sen- sório-motor e projetivo, continuando do primeiro ano de vida até os 3 anos. No estágio impulsivo-emocional, o bebê se manifesta por meio de gestos, movimentos reflexos, involuntários, impulsivos e gradativamente passam a responder com afetividade às pes- soas (pais) e, estas, por uma inabilidade da criança, intermediam as suas relações com a realidade exterior. É por meio das emoções que o bebê mobiliza a dependência do contato do outro para sobreviver. De forma geral, podemos dizer que todas as pessoas vivenciam essas 4 etapas na mesma ordem, porém, não da mesma forma, uma vez que cada indivíduo reage de modo diferente para cada uma dessas fases. Assim, não podemos considerar a matu- ração ou a faixa etária como regra, uma vez que cada organismo pode agir diferente, mas podemos sempre utilizar como base para melhor entender o processo de desen- volvimento infantil. 15 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U1 Contextualização do Desenvolvimento da Adolescência e da Vida Adulta Considerando como base crianças de 0 a 3 anos, percebe-se que, a princípio, elas se encontrariam nos estágio sensório-motor e pré-operatório. No estágio sensório-motor, a criança começa a montar esquemas de assimilação do meio em que está inserida, para diferenciação. Nesse período, as crianças já são capazes de alcançar objetos afastados e escondidos. Isso porque já conseguem assimilar e organizar “o real com o conjunto de estruturas espácio-temporais e causais. Em suma, nesse estágio, a criança busca adquirir controle motor e aprender sobre os objetos físicos que estão em sua volta”, como apresenta Piaget (2003, p. 43). Já o pré-operatório destaca-se pelo surgi- mento das linguagens. Cumpre destacar que, nessa fase, a criança se depara com a possibilidade de ler o es- paço em que está inserida, descobrir e recriar, e isso só acontece a partir do espaço em que o sujeito está inserido e das vivências diárias. Por isso, destacamos a importância de estimular a criança por meio das diferentes linguagens, como: linguagem musical, corporal e plástica. Dessa forma, ela conseguirá representar tudo isso por meio das linguagens, rítmicas, gestuais e sonoras. Apesar do desenvolvimento da adolescência ser um assunto atualmente bastante pro- curando dentro do espaço de pesquisa, ainda não existem muitas pesquisas no Brasil relacionadas a esse tema. Entretanto, de acordo com Cerqueira-Santos, Neto e Koller (2014), desde o século XX novos estudos e teorias surgiram para explicar a adolescên- cia dentro do campo da psicologia. Para esses autores, essa fase da vida representa um período conturbado: atualmente, percebe-se que a adolescência pode ser definida como uma época de mudanças biológicas universais e visíveis, pela puberdade e pelo desenvolvimento sexual, como também mudanças nos aspectos sociopsicológicos envolvidos, tornando a vivência da adolescência uma experi- ência individual relacionada à cultura e ao contexto histórico. Sendo assim, podemos definir que a adolescência é caracte- rizada por mudanças sociais, psicológicas e biológicas atra- vessada por conflitos, tensões e questionamentos em relação a vários aspectos, entre os quais a sexualidade. (CERQUEI- RA-SANTOS; NETO; KOLLER, 2014, p. 21) A respeito da sexualidade, Louro (1997) mostra que essa discussão está delineada como algo que se constitui a partir de múlti- plos discursos sobre o sexo: discursos que regulam, que nor- malizam, que instauram saberes, que produzem “verdades” e que, sobretudo tem relação com as palavras, as imagens e as fantasias com o corpo. De modo que, só é possível com- preendê-la a partir dos elementos sociais e culturais que a englobam. (LOURO, 1997, p. 37) U1 16Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Contextualização do Desenvolvimento da Adolescência e da Vida Adulta Podemos dizer aqui que as principais mudanças físicas na adolescência estão rela- cionadas à sexualidade e à fertilidade. As mudanças físicas e biológicas no corpo e na mente do adolescente o preparam para uma vida mais madura, que o encaminha para a fertilidade e reprodução. Além de desenvolver a fertilidade, essas mudanças especí- ficas do sexo também permitem que o jovem não se entenda mais como criança, ele cresceu, evoluiu e não pode mais ser visto ou considerado uma criança. Vale destacar, mais uma vez, que, apesar das mudanças físicas experimentadas pelos adolescentes acontecerem a todos, o momento e a ordem delas variam de pessoa para pessoa, de organismo para organismo. Esse período de intensas modificações no corpo e nos comportamentos dos jovens se dá, principalmente, pela puberdade, período que marca a passagem da infância para a adolescência e, consequentemente, prepara para a fase reprodutiva. Cientificamente, a puberdade é conhecida por esse período de transição. Nos meninos, acontece entre 9 e 14 anos, e nas meninas de 8 e 13 anos. Essa fase, como dito, é marcada, principalmente, pelo desenvolvimento sexual e o início da fase reprodutiva, tanto do homem quanto da mulher. Nos meninos, os primeiros sinais da puberdade é o aumento dos testículos e o surgimento dos pelos pelo corpo. Já nas meninas, são o surgimento do broto mamário e o aumento dos quadris. Definimos o início da puberdade como um estágio marcado por uma série de fatores, como psicológicos, genéticos, ou até mesmo as condições ambientais e de saúde do indivíduo, ou a sua alimentação e nutrição. Nessa etapa, o indivíduo perceberá, entre outras alterações, o surgimento de pelos pelo corpo, modificações na oleosidade da pele, aumento de massa muscular, modificação na voz e no tamanho. Figura 01. Representação da puberdade em meninos e meninas Fonte: Freepik 17 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U1 Contextualização do Desenvolvimento da Adolescência e da Vida Adulta Na figura anterior, o que podemos perceber é uma representação das modificações ocorridas nos jovens no período de transição da infância para a adolescência. Outras mudanças físicas no corpo dos jovens são: estirão puberal, desenvolvimento do siste- ma reprodutor, aumento do sistema esquelético e muscular, e modificações no sistema sexual. Assista ao vídeo “O que realmente acontece quando você atinge a puberdade”. Aces- se clicando aqui. A C ES SE A puberdade termina, em sua maioria, por volta dos 18 anos de idade. É nesse momento que o crescimento físico se encerra, como também o amadurecimento do sistema genital. Sistematicamente, podemos definir quea puberdade se inicia entre 8 e 9 anos, encer- rando-se com os 18 anos. Entretanto, existe um fenômeno chamado de “puberdade precoce”. Entendendo as fases iniciais e finais da puberdade, é possível identificar que existem casos em que o jovem entra nessa fase antes do que é previsto pela biologia. Esses casos são chamados de puberdade precoce e podem acontecer em meninas antes dos 8 anos de idade e nos meninos antes dos 9 anos de idade. Estatisticamente, a puberdade precoce é cerca de 10 a 23 vezes mais frequente em meninas. É importante ficar ainda mais atento a esses casos de puberdade precoce, pois são mais propícios a desencadear algumas consequências. Segundo a Sociedade Brasilei- ra de Pediatria (2010), as principais consequências da puberdade precoce são: trans- tornos psicológicos e de comportamento; maiores riscos de abuso sexual; baixa esta- tura, quando adulto; aumento do risco de obesidade, hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral e alguns tipos de cânceres. A causa da puberdade precoce costuma ser desconhecida. Mas podemos observar al- guns sintomas tanto em meninos quanto em meninas, que incluem: o desenvolvimento mamário e o primeiro período menstrual nas meninas; e nos meninos, o engrossamento da voz, o surgimento dos pelos no rosto e genitálias e o alargamento dos testículos e pênis. Para situações de puberdade precoce, normalmente, o tratamento consiste em um medicamento para atrasar o progresso. Porém, varia muito de acordo com o físico ou o organismo da criança e precisa ser acompanhado e encaminhado por um profis- sional da área. Assista ao vídeo “O que é puberdade? Quando é precoce?”. Acesse clicando aqui. A C ES SE Podemos assim dizer que o que impulsiona a conduta do ser humano está diretamente ligado aos aspectos fisiológicos e psicológicos, uma vez que, conforme apresentam https://www.youtube.com/watch?v=xw0MkTRmTu4 https://www.youtube.com/watch?v=jFjPO4hQSYQ U1 18Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Contextualização do Desenvolvimento da Adolescência e da Vida Adulta Salles, Haase e Malloy-Diniz (2016, p. 73) “as necessidades básicas de cada ser huma- no, e consequentemente, como elas são saciadas fazem parte da interação complexa de mecanismos fisiológicos e processos psicológicos em cada um”. Dentro do fenômeno do desenvolvimento humano, encontramos a fase adulta, também conhecida como adultez. Nessa etapa da vida, o indivíduo se depara com novas res- ponsabilidades e novos referenciais de existência e a busca de novas metas e conquis- tas para melhor e maior entendimento dessa etapa da vida humana. Mosquera (1982) apresenta as fases da vida adulta em: adultez jovem, adultez média e adultez velha. Dentro dessas três divisões e concepções de vida adulta, outras subcate- gorias se apresentam cronologicamente. No entanto, o autor esclarece que, apesar de estarmos falando de uma única e importante fase, na qual podemos identificar diferen- tes problemáticas, ela ainda apresenta suas subdivisões, que atingem as pessoas em seus momentos decisivos e na relação com os outros. Na fase adultez jovem, iniciada aos 21 anos, o adulto reconhece sua existencialidade adulta e procura formar sua significância pessoal. Sua trajetória nessa fase é marcada pela construção de sua existência, vive ou pelo menos idealiza o que constituirá sua realização. Já na fase adultez média, definimos em subdivisões: ` Adultez média inicial: corresponde entre 40 anos e 50 anos. ` Adultez média plena: corresponde entre 50 anos e 60 anos. ` Adultez média final: corresponde entre 60 anos e 65 anos. Na fase adultez média plena, o adulto provavelmente já tenha alcançado seus objetivos construídos na primeira fase da vida adulta. Aqui, estatisticamente, o adulto já possui família constituída, conquistou sua meta profissional e já é responsável pela sua própria moradia, além de formar suas próprias perspectivas da vida. Na adultez média final, o adulto se encontra mais consciente da mortalidade, percebe também a sua utilidade diante do social, está motivado a desempenhar suas atividades e demonstrar suas ca- pacidades e habilidades. Ao seguir pelas faixas etárias, encontramos a adultez velha e suas subdivisões: ` Adultez velha inicial: marcada pelas idades de 65 a 70 anos. ` Adultez velha plena: marcada pelas idades de 70 a 75 anos. ` Adultez velha final: marcada dos 75 anos até a morte. Nessa fase, identificamos ainda o forte desejo de realizações pessoais, muitas vezes discriminadas pela própria sociedade por julgá-los incapazes pelo avanço da idade. Já na adultez tardia, percebemos o declínio das condições corporais e motoras, influen- ciando diretamente o não envolvimento social e, consequentemente, contribuindo para acelerar o envelhecimento. Dos 70 aos 75 anos, fase da vida adulta velha plena, percebemos que, depois de tantas circunstâncias sociais já vividas, o indivíduo tem em si o forte desejo de demonstrar 19 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U1 Contextualização do Desenvolvimento da Adolescência e da Vida Adulta para ou outros as suas capacidades, o seu próprio controle ou o desejo de se mostrar autônomo e sem dependência de outras pessoas. Já o indivíduo da fase adulta tardia ou avançada carrega ainda mais forte a necessidade de ser aceito da forma como ele é, destacando a vontade de compartilhar suas histórias, vivências e experiências, sem ter a preocupação do tempo ou com as manifestações de repúdio social. As mudanças biológicas estão diretamente interligadas com as mudanças psicoló- gicas do sujeito, o mesmo acontece com as mudanças psicológicas, que mudam o percurso, alteram ou atrasam as mudanças biológicas do ser. IM PO R TA N TE Figura 02. Ciclo de desenvolvimento da vida Fonte: Freepik Assista aos vídeos “Desenvolvimento Humano: da adolescência à fase adulta”, cli- cando aqui, e “Desenvolvimento Humano: da adolescência à fase adulta – parte 2”, clicando aqui. A C ES SE E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido um pouco sobre Piaget e Vygotsky e suas teorias referentes ao processo de aprendizagem vinculado ao processo de desenvolvimento na fase infantil. Compreendemos um pouco mais sobre cada etapa da vida: infância, adolescência, adultez e velhice, bem como suas subdivisões, suas caracterizações e suas teorias de desenvolvimento. Aprendemos sobre a puberdade e o quão importante ela é na fase adolescente, e ficou claro que as principais mudanças físicas e biológicas no corpo do adolescente se dão, principalmente, pela puberdade, marcando a transição da infância para adolescência e, consequentemente, a fase reprodutora. Por último, vimos as classificações da adultez em: média inicial, plena e final; e velha inicial, plena e final. R ES U M IN D O https://www.youtube.com/watch?v=ykjkQ0Wn3_M https://www.youtube.com/watch?v=ykjkQ0Wn3_M https://www.youtube.com/watch?v=ahvFc3v30l4 U1 20Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Contextualização do Desenvolvimento da Adolescência e da Vida Adulta 3. EXERCÍCIOS COMENTADOS Exercício comentado Resposta: Como você deve ter visto, Piaget construiu uma teoria para o desenvolvimento da vida hu- mana desde a infância. Essa teoria foi dividida em quatro estágios: período sensório-motor; período pré-operatório; período operatório completo e período formal. Então, sua atividade de hoje é elaborar um mapa mental definindo cada estágio da teoria piagetiana do desenvol- vimento e as fases da vida, explicando e exemplificando cada uma delas. O aluno será considerado excelente quando divulgar e participar ativamente das discussões sobre este desafio colaborativo, demonstrando segurança e alto poder de reflexão sobre o tema em estudo e apresentar corretamente cada um dos estágios e suas teorias, exemplifi-cando de forma didática cada uma delas. Por exemplo, citar em qual estágio se insere o ato de brincar, engatinhar, andar ou criar laços afetivos com outras pessoas. 4. ATIVIDADES PRÁTICAS Atividade Prática Resposta: O desenvolvimento infantil é um processo de aprendizado pelo qual as crianças adquirem, aprimoraram e desenvolvem diversas capacidades de âmbito cognitivo, motor, emocional e social. Freud, Piaget e Wallon fazem contribuições em seus estudos sobre o desenvolvimen- to infantil de acordo com faixas etárias divididas em: a. Primeira infância, de 0 a 4 anos; segunda infância, de 4 a 6 anos; terceira infância, de 6 a 12 anos. b. Primeira infância, de 0 a 2 anos; segunda infância, de 2 a 9 anos; terceira infância, de 9 a 12 anos. c. Primeira infância, de 0 a 2 anos; segunda infância, de 4 a 6 anos; terceira infância, de 6 a 12 anos. d. Primeira infância, de 0 a 3 anos; segunda infância, de 3 a 6 anos; terceira infância, de 6 a 12 anos. e. Primeira infância, de 0 a 3 anos; segunda infância, de 3 a 6 anos; terceira infância, de 6 a 11 anos. Alternativa: E Comentário: A resposta está correta, pois, segundo Freud, Piaget e Wallon, o desenvolvimen- to infantil é dividido por faixas etárias: primeira infância, de 0 a 3 anos, segunda infância, de 3 a 6 anos e terceira infância, de 6 a 11 anos. 22 UNIDADE 2 CICLOS DA VIDA E AS FASES DO DESENVOLVIMENTO 1.O CICLO DA VIDA: INFÂNCIA, ADOLESCÊNCIA, IDADE ADULTA E VELHICE Ao término deste capítulo, você será capaz de entender que o período marcado como fase adolescente nada mais é que um episódio de transição, mudanças, busca pela identidade e considerações de “liberdade” negada ou não considerada pela socieda- de. Dessa forma, os adolescentes se organizam em grupos, isolam-se dos adultos, não administram com total coerência as mudanças sociais, físicas, biológicas e emo- cionais que se apresentam em seu desenvolvimento, e produzem expressões de sua criatividade de formas diferenciadas do mundo adulto. E então? Motivado para desen- volver esta competência? Então, vamos lá. Avante! C O M PE TÊ N C IA S 1.1 INTRODUÇÃO AO TEMA O ciclo humano é marcado por diferentes fases da vida e teorias do desenvolvimento, mas, em linhas gerais, essas fases ou etapas se organizam em: infância, adolescên- cia, idade adulta e velhice. Assim como qualquer outro ser vivo, o ser humano tem um ciclo de vida de início e fim, ou seja: nasce, cresce, envelhece e morre. Dessa forma, podemos perceber que o ciclo humano se caracteriza por constantes mudanças e movi- mentos evolutivos, e que todas as situações vivenciadas, de forma positiva ou negativa, podem interferir diretamente no processo do desenvolvimento humano. Conforme ainda vamos ver no decorrer desta unidade, cada etapa dessas quatro fases da vida que ocorrem na espécie humana destaca-se dentro de uma idade específica, embora não seja igual para todos. Atualmente, seguindo algumas linhas de pesquisa e estudo, bem como o Estatuto da Criança e do Adolescente, podemos definir que: a infância vai do nascimento até os 11 anos de idade; a adolescência dos 12 aos 20 anos; em seguida, a fase adulta, marcada dos 21 aos 65 anos; e, por último, a velhice, dos 65 anos em diante. U2 23Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Ciclos da Vida e as Fases do Desenvolvimento Figura 03. Representação do ciclo humano Fonte: Freepik Para melhor entender todas as etapas das fases da vida, faz-se necessário especificar sobre cada uma delas. Sendo assim, a primeira etapa chamamos de infância, um im- portante período para a formação do ser. É na infância que podemos dizer que o ser tem suas primeiras identificações com o mundo, aprende também a interpretá-lo conforme seu desenvolvimento e, claro, aprende a criar e fortalecer laços familiares e sociais por meio das experiências vivenciadas, aprendidas e compartilhadas. No espaço cien- tífico, essa fase é dividida em três etapas: primeira infância, iniciada no momento do nascimento e se mantendo até os 3 anos de idade; segunda infância, que, por sua vez, inicia-se aos 3 anos e vai até os 6 anos; e, por último, a terceira infância, iniciada com 6 anos até os 11 anos de idade. O final da terceira infância, consequentemente, é o início da adolescência, período co- nhecido por intensas mudanças no corpo e no crescimento, apresentando pelos no corpo, engrossamento da voz, aumento dos quadris e algumas outras mudanças físicas e biológicas. Fisiologicamente falando, é o período do surgimento da puberdade. 24 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U2 Ciclos da Vida e as Fases do Desenvolvimento Figura 04. A infância Fonte: Freepik A segunda etapa ficou conhecida cientificamente como “adolescência”, a fase de agi- tação, mudanças físicas e biológicas, interações sociais, expansão de atividades, for- mação de grupos, formação da identidade e de padrões que, de certa forma, serão levados para a idade adulta. É o período em que a puberdade se faz mais presente e é responsável pelas principais mudanças físicas, hormonais, cognitivas e biológicas. Para os meninos, ao atingirem a puberdade, os primeiros sinais de mudanças ocorrem no en- grossar da voz e no aumento da massa muscular, além de apresentarem pelos no rosto, na região pubiana e nas axilas. Já nas meninas, as mudanças iniciais se caracterizam pelo aumento dos seios, o alargamento dos quadris e também se manifestam pelos nas axilas e na região pubiana, além da menstruação. Vale ressaltar que tais mudanças podem variar de organismo para organismo de acordo com a genética. Cientificamente, a adolescência é subdividida em três períodos: adolescência menor ou pré-adolescência, marcada dos 11 anos aos 14 anos; adolescência média, que vai dos 14 anos aos 17 anos; e, por último, dos 17 anos aos 20 anos, adolescência maior ou juventude. Figura 05. A adolescência Fonte: Freepik https://br.freepik.com/fotos-gratis/grupo-de-diversas-criancas-alegres_18415304.htm#query=grupo%20de%20crian%C3%A7a&position=0&from_view=search&track=sph https://br.freepik.com/fotos-gratis/feliz-grupo-de-amigos-com-as-maos-juntas-no-meio_9278287.htm#query=grupo%20de%20adolescentes&position=10&from_view=search&track=sph U2 25Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Ciclos da Vida e as Fases do Desenvolvimento A fase adulta, conhecida como a fase mais longa da vida, é a terceira etapa do ciclo da vida humana. Aqui, as mudanças físicas seguem ainda como continuação da adoles- cência, embora em um processo mais lento e gradativo. É nessa fase que se destacam as importantes alterações psicológicas e sociais do ser. Isso acontece, principalmente, pelo fato de que é na fase adulta que o desenvolvimento do sistema nervoso se encon- tra completo, com o pleno amadurecimento do cérebro. Sendo assim, o adulto passa a entender melhor sua participação na sociedade e na vida, e, a partir de então, passa a desenvolver melhor e colocar em prática tudo que aprendeu e desenvolveu nas fases anteriores. Figura 06. Idade adulta Fonte: Freepik Por último, temos a etapa da velhice. Fase do ciclo da vida marcada pelas experiências e conhecimento. No mundo científico, a definição da idade de velhice passa por cons- tantes debates, uma vez que, com o aumento da tecnologia, conhecimentos científicos e melhorias no estilo de vida, cada vez mais, pessoas chegam aos 65 anos saudáveis, viris e dentro do mercado de trabalho. A fase da velhice marca o corpo com mudanças ainda mais lentas. Nessa etapa, é possível sentir o corpo mais cansado, diminuindo suas capacidades e agilidades, e a visão, audição e reflexos motores também se encontram mais fragilizados, além das alterações na fisiologia. https://br.freepik.com/fotos-gratis/comunidade-de-jovens-positivos-juntos_6981917.htm#query=grupo%20de%20adolescentes&position=28&from_view=search&track=sph 26 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U2 Ciclos da Vida e as Fases do DesenvolvimentoFigura 07. A velhice Fonte: Freepik Nesta unidade, vamos entender um pouco mais sobre as etapas e o desenvolvimento do ciclo da vida, destacando ainda mais o processo de desenvolvimento da adolescên- cia, que é marcado por um período bastante confuso e conturbado. Entretanto, marcado também como um período de grande potencial para que os jovens se comprometam e se aprofundem cada vez mais com o mundo que os cerca. Como mencionado, é nesse período também que as mudanças físicas crescem signifi- cativamente, mudanças que geram e aumentam curiosidades. É quando experimentam novas atividades e interações, começam a desenvolver uma visão mais crítica de algu- mas situações e desenvolvem relacionamentos mais variados e enredados. Pensando nisso, o que vamos encontrar nesta unidade aborda especificamente cinco áreas de desenvolvimento, que são: física, cognitiva, emocional, social, moral e valores. Vale destacar que essas cinco áreas se sobrepõem e fazem ligação entre si. Por exem- plo, tais mudanças físicas e comportamentais e que geram dúvidas e incertezas fazem que os adolescentes que lutem contra transtornos mentais e de ansiedade, desenvol- vam problemas com os seus trabalhos interpessoais, suas atividades escolares, pro- blemas de aceitação ou entendimento com seus pais, colegas, e até mesmo com a saúde física, percam o interesse por atividades simples do dia a dia e atividades que costumavam gostar e realizar prazerosamente. https://br.freepik.com/fotos-gratis/casal-de-tiro-medio-posando-juntos_14669167.htm#query=velhice&position=2&from_view=search&track=sph U2 27Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Ciclos da Vida e as Fases do Desenvolvimento Como adulto, cumpre ressaltar a necessidade de pesquisar, compreender e entender essas mudanças, portar-se de modo compreensivo e procurar ajuda profissional para esses adolescentes e essas mudanças de desenvolvimento, como apresentam Mar- torell, Papalia e Feldman (2020). É preciso se tornar uma rede de apoio para os ado- lescentes, nesse período tão conturbado da vida, que, de alguma forma, auxilia na compreensão de tantas incertezas nesse percurso. Pais e/ou cuidadores de adolescentes e que trabalham/convivem com eles precisam compreender sobre a complexidade do desenvolvimento do adolescente e se educa- rem sempre sobre as realidades dos dias atuais. A vida dos adolescentes é enigmá- tica, cheia de incertezas e mudanças, tudo pode acontecer rapidamente, além de se depararem com demandas que não existiam tão pesadas no passado (como as redes sociais) ou não que eram completamente reconhecidas ou discutidas (como distúrbios da saúde mental) pelas gerações mais antigas. Se pais e cuidadores adultos enten- derem as realidades paralelas dos adolescentes de hoje, eles poderão fornecer uma rede de apoio e encorajamento mais efetiva para os jovens em suas vidas profissio- nais e pessoais. IM PO R TA N TE Assista ao vídeo “Adolescência: desenvolvimento, identidade, riscos e dinâmicas”. Acesse clicando aqui. A C ES SE 1.2 CONTEXTO HISTÓRICO Vamos conceituar a palavra “adolescência” antes de iniciarmos qualquer discussão. No dicionário significa “fase do desenvolvimento humano caracterizada pela passagem à juventude e que começa após a puberdade” (HOUAISS, 2001). No latim, “adolescere” significa crescer. Entre os séculos XIX e XX, diante de diversos acontecimentos históricos, culturais e políticos, a fase da adolescência ficou marcada como período separado do desenvolvi- mento humano. Até o século XVIII, a adolescência era fundida como parte da infância e aqui, a puberdade ou as mudanças físicas não eram consideradas a saída da infância. Na verdade, o que muito se via era a dependência ou a independência do indivíduo de um adulto, para ser considerado não mais uma criança. Somente em 1904, esse termo passou a ser utilizado enquanto estágio das fases da vida. Na Grécia Antiga, os jovens, principalmente os meninos, eram submetidos a uma espé- cie de treinamento com o intuito de promover virilidade e destacar virtudes cívicas e mi- litares, faziam atividades físicas e de força, sendo preparados para a guerra ou política. Com 16 anos, pós-treinamento, os meninos já podiam participar e falar nas assembleias e eram inseridos nos registros públicos da cidade, marcando a maioridade civil aos 18 https://www.youtube.com/watch?v=QyVsybVTSos 28 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U2 Ciclos da Vida e as Fases do Desenvolvimento anos. Já as meninas faziam exercícios físicos e esportivos para se tornarem boas mães e donas de famílias, e com média de 15 anos eram entregues a casamentos. No início do Império Romano, a educação dos jovens muda um pouco. A cargo dos pais, eram preparados para a agricultura ou para serem guerreiros. Aos 12 anos, passavam a estudar autores clássicos e mitologia. Esperava-se assim que os jovens fizessem parte da cidadania. Aos 14 anos, abandonavam as roupas infantis e destacavam-se nas vestes a força e a virilidades Aos 16 anos, já podiam escolher pela carreira pública ou para o exército. Na Idade Média, o processo se dava diferente. As crianças e os jovens eram conside- rados adultos em miniaturas, viviam à espera de crescer fisicamente e mentalmente, para assim serem considerados capazes de aprender e desenvolver atividades e obri- gações da vida adulta. Assim como em outras sociedades antigas, a fase adulta para as meninas se dava com o matrimônio. As meninas eram educadas e treinadas para o casamento e, quando chegavam na média dos 15 anos, passavam a ser consideradas adultas e aptas para essa obrigação. A partir do século XII, a Igreja Católica passou a exigir o consentimento mútuo dos noivos para a união e, com isso, gradativamente, os jovens passaram a ter decisões próprias em relação à sua vida, porém, ainda de forma precária. Na Idade Moderna, foi estabelecido um novo papel para o Estado e, com isso, uma interferência ainda maior nas questões sociais, das formas de agir, nas comunidades e grupos religiosos e, claro, na educação. As escolas, por sua vez, transformaram- -se em instituições para instruções e educação, de modo que crianças e adolescentes passaram a ser educados em ambientes fechados, separados e especializados para o desenvolvimento, sob a autoridade de adultos atendendo pessoas de 10 a 25 anos, entretanto, sem distinção da sua idade. No século XIX, um período histórico marcado por importantes acontecimentos e fatores que, de certa forma, fortaleceram o Estado e redefiniram o espaço social das mulheres e das crianças – ligados diretamente pelo avanço da industrialização e tecnologias, e pela reorganização dos trabalhadores – destacam que a imagem do adolescente começou, de fato, a se formar, passando a ser conhecida como “fase conturbada” da existência humana. No século XX, o período foi marcado pelas guerras e mudanças pós-guerra na sociedade e, consequentemente, pela construção da vida do adolescen- te. Subtil (2015) chega a enfatizar a indolência e indisciplina dos adolescentes, que, nesse período, exigiam total disciplina. Somente após a Segunda Guerra Mundial, a adolescência passou a ser vista com maior importância. Pois se notavam a disposição dos jovens e as constantes mudanças capazes de serem moldadas. Nos dias atuais, a juventude é vista como algo bonito e que deve ser preservado e prolongado pelo máxi- mo de tempo possível. Em muitos estudos anteriores, o conceito de “adolescente” foi por muito tempo vin- culado à fase adulta, destacando a adultez como referência para o desenvolvimento humano. Como Freud (1976), Piaget (1977) e Vygotsky (2006) apresentam em suas teorias, para entender o processo da infância leva-se como base o desenvolvimento da vida adulta. No contexto histórico, crianças já foram consideradas uma versão miniatura U2 29Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Ciclos da Vida e as Fases do Desenvolvimento de adultos, logo depois passou a ser considerado o tempo de maturaçãobiológica que requer cuidados e tempo para “desabrochar’. Se voltarmos na memória, anos atrás, podemos ver que os anos iniciais da escola eram o “jardim de infância”. Em teoria, a idade adulta é o foco das referências em maturidade biológica, social e emocional. Já a adolescência, como apresentado, é uma fase importantíssima do de- senvolvimento humano e que requer cuidados e atenções, pois se configura como a fase de transição: não é a infância, mas ainda não é a fase adulta. Então o adolescente fica entre fases, sem papel claramente definido. Calligaris (2000) fala sobre a formação de grupos entre os adolescentes, caracterizando-se como uma tentativa de se identifi- car e buscar respeito entre eles. Menandro aborda o conceito de adolescência a partir de algumas características enfo- cadas por diversos estudos. São elas: 1. Ambiguidade: diz respeito ao fato de que a vivência da adolescência é entendida como cada vez mais instável quan- do comparada a outras épocas ou etapas da vida. Devemos ressaltar aqui o fato de que já no trabalho de Hall a vida emo- cional do adolescente foi percebida como uma oscilação entre tendências contraditórias (MUUSS apud MENANDRO, 2004). 2. Transitoriedade: refere-se à etapa da vida que o ado- lescente está vivendo, considerada instável e passageira; a isso decorre uma desconsideração, algo passageiro até atin- gir o ideal de adulto, mais estável. 3. Crise Potencial e Ruptura: quase como um produto das duas anteriores; o adolescente sofre a incerteza da ambi- guidade e não tem a consideração por causa de sua condição transitória. A crise e a ruptura são reações a esse conjunto de fatores que ele vive. 4. Adaptabilidade e Potencialidade de Mudança: os ado- lescentes são flexíveis, pois ainda estão formando sua iden- tidade, sua posição diante da sociedade. Muitos adultos ten- tam passar adiante valores e regras, porém os adolescentes podem tanto se adaptar quanto captar esses valores de uma forma nova e própria, condizente com o quem eles são. 5. Ideias genéricas de Juventude como condição com- partilhada: o que os estudos falam são concepções gerais sobre adolescentes e jovens, passando a ideia de que todos eles são iguais, não considerando seu nível socioeconômico nem sua cultura. (MENANDRO, 2004, p. 65) Dessa forma, podemos perceber que a criança e o adolescente, mesmo vivenciando a fase de mudanças e desenvolvimento, são sujeitos de direito e que necessitam de 30 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U2 Ciclos da Vida e as Fases do Desenvolvimento atenção. A ideia do termo “adolescente”, como podemos perceber nos dias de hoje, parece estar relacionada à democratização da educação, ao mercado de trabalho e ao surgimento de leis trabalhistas; à fase que prepara e molda o jovem para a vida adulta e suas preocupações e cobranças. E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a vida humana, assim como em qualquer ciclo da vida, é marcada por períodos e etapas, com início, meio e fim. Dessa forma, podemos entender que o ser humano nasce, cresce, desenvol- ve-se, amadurece e morre. Aprendemos também que a vida humana é composta por fases, especificamente, quatro: infância, adolescência, vida adulta e velhice, e cada uma tem suas características, especificidades e mudanças de acordo com a faixa etária. Destacando a adolescência, percebemos que é nessa fase que as principais mudanças físicas, biológicas e cognitivas acontecem, uma vez que a puberdade entra em destaque na vida dos jovens e que todas as mudanças, a partir desse momento, transformam o ser de acordo com as emoções, o desenvolvimento emocional e moral. Além disso, pudemos entender um pouco sobre o contexto histórico de diferentes so- ciedades e períodos no que se refere ao desenvolvimento do adolescente até a vida adulta. E concluímos que esse processo pode diferir de acordo com a sociedade e com as cinco áreas de desenvolvimento, que são: física, cognitiva, emocional, social moral e valores. R ES U M IN D O 3. EXERCÍCIOS COMENTADOS Exercício comentado Resposta: A adolescência é uma fase bastante conturbada, confusa e de grandes mudanças. Tais mu- danças fazem parte do que chamamos de processo de desenvolvimento da adolescência. Especificamente, destacamos cinco áreas de desenvolvimento que ganham cada vez mais destaque na área científica dentro do desenvolvimento humano. Quais são? Física; cognitiva; emocional; social; moral e valores. O processo do desenvolvimento da adolescência ganha destaque dentro de cinco áreas es- pecificas: física; cognitiva; emocional; social; moral e valores. U2 31Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Ciclos da Vida e as Fases do Desenvolvimento 4. ATIVIDADES PRÁTICAS Atividade Prática Resposta: Por muito tempo, os jovens meninos deixavam de ser considerados crianças quando em sua sociedade já eram aptos a guerrear ou se envolver politicamente ou socialmente com as questões civis da época. Mas o processo de transição para as jovens meninas se dava de forma diferente. Como era esse processo? a. Com 15 anos, após serem identificadas as primeiras mudanças físicas no corpo da jovem. b. Com 12 anos, após a primeira menstruação e os primeiros sinais da puberdade. c. Com 15 anos, após serem consideradas aptas para o casamento. d. Com 20 anos, após serem consideradas aptas para o casamento. e. Com 12 anos, após treinamento e estudos sobre autores clássicos e mitologia. Alternativa: C Comentário: A resposta está correta, pois, desde o período da Grécia Antiga, as jovens me- ninas eram educadas e treinadas para se tornarem mães e donas de casa. Sendo assim, a transição da infância para a primeira infância, é de 0 a 4 anos; a segunda infância, de 4 a 6 anos e a terceira infância, de 6 a 12 anos. 33 UNIDADE 3 TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO 1. CONCEITOS E TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO Neste Capítulo, você irá compreender os conceitos básicos e as teorias do desenvolvi- mento na adolescência e da vida adulta para melhor entendimento desse processo de transição que, atualmente, vem ganhando grande relevância como objeto de estudo da comunidade científica. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante! C O M PE TÊ N C IA S 1.1 CONCEITOS BÁSICOS SOBRE A ADOLESCÊNCIA Vimos até aqui que o período da adolescência é marcado por grandes mudanças no crescimento, desenvolvimento físico e biológico, alterações emocionais, hormonais e nas interações sociais. Vimos também que é na fase da adolescência que o indivíduo passa a construir de fato sua identidade pessoal, social e sexual, criando sua indepen- dência familiar e construindo seus valores éticos e morais. Podemos dizer que essa etapa de grandes avanços e mudanças se inicia com as diferentes mudanças corporais e cognitivas trazidas pela puberdade e se consolida com a construção de sua persona- lidade. Segundo as Diretrizes Nacionais para a Atenção Integral à Saúde de Adolescentes e Jovens na Promoção, Proteção e Recuperação da Saúde (Ministério da Saúde, 2010), onde mostram que na Organização Mundial da Saúde (OMS), a fase da adolescência é marcada entre 10 e 19 anos (adolescents) e pela Organização das Nações Unidas (ONU) entre 15 e 24 anos (youth), critérios esses usados principalmente para fins esta- tísticos e políticos. Usa-se também o termo jovens adultos para englobar a faixa etária de 20 a 24 anos de idade (young adults). Nas normas e políticas de saúde do Ministério de Saúde do Brasil, os limites da faixa etária de interesse são as idades de 10 a 24 anos. Entretanto, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei n.º 8.069, de 1990, considera criança a pessoa até 12 anos de idade incompletos e define a adoles- cência como a faixa etária de 12 a 18 anos de idade (art. 2.º), e, em casos excepcionaise quando disposto na lei, o estatuto é aplicável até os 21 anos. Os fatos principais que U3 34Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Teorias do Desenvolvimento marcam as mudanças da infância para a adolescência são a chegada da puberdade, fenômeno biológico que se caracteriza pelas mudanças morfológicas e fisiológicas de- vido aos mecanismos neuro-hormonais nos corpos dos adolescentes. Tais mudanças são marcadas por doses de hormônios corporais, que ficaram conhecidos como pubar- ca, adrenarca e gonodarca, que são iniciados na fase fetal da vida e terminam com o completo crescimento ósseo e das características sexuais secundárias (BRASIL, 2010). 1.2 DESENVOLVIMENTO FÍSICO As principais mudanças durante o período da adolescência ocorrem de forma interna e não visíveis, entretanto, o desenvolvimento físico e o crescimento ósseo são facilmente identificados pelas outras pessoas e se caracterizam como importantes mudanças no desenvolvimento físico do adolescente. Vimos até aqui que as mudanças que ocorrem tanto fora quanto dentro do corpo du- rante a adolescência acontecem por meio de um processo chamado “puberdade”. Esse processo deriva da liberação de certos hormônios (substâncias químicas) no cérebro. Vale destacar que são os mesmos os hormônios liberados em todos os adolescentes, mas se diferem em níveis e levam a resultados diferentes em homens e mulheres. Ainda, destaca-se que as mudanças físicas nos adolescentes que fazem a transição de seus corpos infantis para corpos adultos, dentro desse fenômeno chamado puberdade, dão a eles a possibilidade de se desenvolver sexualmente e procriar, chamando assim de “fertilidade”. Apesar do desenvolvimento físico da adolescência ser um fenômeno importante e que acontece com todos, o tempo para essas mudanças varia muito de um sujeito para o outro. Alguns adolescentes apresentam sinais físicos de mudanças mais cedo, já outros apresentam de forma mais tardia. E isso se dá, pois, como mencionamos, cada mudan- ça e o período em que elas podem acontecer variam de organismo para organismo, e não podemos mencionar que todas as características são regra para todos os sujeitos. Muitos fatores podem ser responsáveis pelas diferenças no tempo e nos resultados das alterações físicas dos adolescentes, como: gene, exercícios físicos, doenças crônicas, uso de drogas, desenvolvimento cognitivo ou emocional. 35 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U3 Teorias do Desenvolvimento Figura 08. Representação do desenvolvimento físico Fonte: Freepik 1.3 DESENVOLVIMENTO COGNITIVO Caracterizado como a área que estuda o processo de aprendizagem de uma criança e como ela desenvolve seu pensamento e sua capacidade de compreensão, o desen- volvimento cognitivo é marcado por grandes nomes e pesquisas, caso de Piaget. Um dos grandes nomes que se destacaram nesses estudos, que tem como teoria a divisão do desenvolvimento cognitivo em fases conforme a idade da criança. Em cada estágio de seu desenvolvimento, as habilidades são adquiridas de maneira cumulativa. Outro importante nome a ser citado é o do russo Lev Vygotsky, que teoriza que as crianças desenvolvem sua aprendizagem a partir do ambiente em que estão inseridas e, claro, seguindo suas relações sociais. Em outras palavras, o desenvolvimento cognitivo está ligado às alterações cerebrais que preparam as crianças a desenvolverem e formarem seus pensamentos e suas aprendizagens. Salles, Haase e Malloy-Diniz (2016, p. 73) nos mostram que, assim como na primeira infância, os “cérebros na adolescência sofrem crescimento e desenvolvimento expres- sivos. Estas mudanças reforçarão a capacidade dos adolescentes de tomar e executar decisões que os ajudarão a prosperar agora e no futuro”. O cérebro cresce e se fortale- ce de três modos, conforme os autores apresentam: ` Aparecimento de novas células cerebrais: a adolescência é um dos poucos períodos da vida em que o cérebro produz um grande número de células a uma taxa muito rápida. Na verdade, o cérebro cria muito mais células do que o necessário. As células cerebrais extras dão aos adolescentes mais espaços para armazenar informações, o que os ajuda a aprender novas habilidades. ` “Poda” de parte do crescimento extra: a desvantagem de ter células cerebrais extras é que elas também diminuem a eficiência do cérebro. O processo de “poda” cria uma estrutura cerebral que permite que os adolescentes acessem facilmente as informações de que mais usam. U3 36Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Teorias do Desenvolvimento ` Fortalecendo as conexões: as conexões entre as células cerebrais são o que permite que as informações armazenadas no cérebro sejam utilizadas na vida diária. O cérebro fortalece essas conexões envolvendo um tecido gorduroso especial ao redor das células para protegê-las e isolá-las. Essas mudanças ajudam os adolescentes a lembrarem das informações e a utilizá-las com eficiência. Como vimos, existem duas grandes teorias sobre o desenvolvimento humano e cogni- tivo. De um lado, encontramos a teoria de Piaget (2003), que apresenta que “a apren- dizagem acontece de dentro para fora”. Do outro lado, a teoria de Lev Vygotsky, que apresenta que esse processo se dá de fora para dentro. Enquanto Piaget acredita que a criança já nasce com essa capacidade e aprende a desenvolvê-la conforme seu pro- cesso de desenvolvimento, Vygotsky acredita que a criança desenvolve essa capaci- dade conforme o meio em que ela está inserida e vai absorvendo essas informações. Piaget (2003, p. 78) considerava que o “ambiente externo era capaz de contribuir ou prejudicar o desenvolvimento cognitivo de uma criança”, porém, sua teoria dava espe- cial destaque aos aspectos biológicos. Vygotsky, por sua vez, criou uma teoria que se difere bastante da de Piaget. Segundo ele, “a aprendizagem acontece como um processo de fora para dentro”, isto é, ele destaca o papel do ambiente externo sobre o desenvolvimento cognitivo de uma criança. Nesse caso, as influências sociais são mais importantes que as características biológicas. Figura 09. Representação do desenvolvimento cognitivo Fonte: Freepik A figura anterior reproduz a importância das brincadeiras para o desenvolvimento cog- nitivo de crianças e jovens, uma vez que, por meio das brincadeiras, as crianças con- seguem desenvolver e melhorar o seu bem-estar cognitivo e físico, aprendendo a se comportar e se conhecer. 37 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U3 Teorias do Desenvolvimento A brincadeira sempre esteve presente no cotidiano infantil e no desenvolvimento da adolescência. É por meio delas e do ato de brincar que a criança desenvolve seu lado criativo, imaginativo e social. O que para muitos não significa muita importância, na verdade, esse ato é considerado por muitos estudiosos imprescindível ao ser, sendo essenciais ao desenvolvimento intelectual do ser, principalmente dentro do desenvolvi- mento cognitivo. Vigotsky (2006), Piaget (1977) e outros estudiosos justificam esse fato por entenderem que brincar é essencial para o desenvolvimento infantil, pois auxilia na transformação e construção de novos significados que serão levados para todas as etapas da vida. 1.4 DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL Conceituando sobre desenvolver, vamos encontrar como significado o ato “progredir, crescer, amadurecer e conforme a criança vai crescendo, se desenvolvendo, vai apren- dendo novas experiências que ficam registradas na memória em forma de marcas e registros” (VOLPI; VOLPI, 2006, on-line). Dentro do desenvolvimento humano, encon- tramos várias etapas que o compõem, entre elas, o emocional. Volpi e Volpi (2006) afirmam que o desenvolvimento emocional nas pessoas é marcado por etapas e que cada uma delas representa momentos de passagem que induzem à incorporação de experiências vividas. Cada etapa é caracterizada por fenômenos específicos, que, desde o início, trazem consigo características biofisiológicas,emo- cionais-afetivas e intelectivas. Dessa forma, defendem Volpi e Volpi que esses valores serão transmitidos para todas as demais células do corpo durante todo o processo de desenvolvimento e, aos poucos, irão sendo difundidos nas experiências que a criança vivenciar. É dentro do desenvolvimento emocional que os adolescentes aprendem a estabelecer suas metas e prever, e até mesmo, controlar suas emoções, que podem influenciar diretamente seus objetivos e o seu futuro. Embora seja nessa fase que os jovens apren- dem a descrever as emoções básicas é, à medida que envelhecem, que desenvolvem capacidade de compreender realmente o que são as emoções e entender seu impacto. Na adolescência, reconhecem como se sentem, aprendem a evitar problemas e se sair de situações problemáticas ou situações em que as emoções batem mais forte. Entretanto, como o lobo frontal do cérebro não se desenvolve plenamente até os vinte e poucos anos, os adolescentes podem achar difícil controlar suas emoções e pensar nas consequências das suas ações, sendo na fase adulta que irão conseguir, de fato, lidar com essas problemáticas. Podemos destacar como questões únicas do desenvolvimento emocional na adoles- cência alguns fatores importantes, segundo Volpi e Volpi (2006), como: ` Hormônios: substâncias químicas importantes do cérebro, que provocam mudanças físi- cas e também afetam o humor dos adolescentes, aumentando suas respostas emocio- nais. Essas características juntas significam que os adolescentes são mais facilmente influenciados pela emoção e apresentam dificuldade para tomar decisões que os adultos considerem apropriadas. A adolescência também é uma época de mudanças rápidas e, às vezes, estressantes. O corpo responde ao estresse ativando hormônios e atividades es- pecíficas no sistema nervoso, de modo que a pessoa possa responder rapidamente e ter U3 38Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Teorias do Desenvolvimento bom desempenho sob pressão. A resposta ao estresse entra em ação mais rapidamente para adolescentes do que para adultos cujos cérebros estão totalmente desenvolvidos e podem moderar uma resposta ao estresse. ` Autoestima: a autoestima de um adolescente pode ser influenciada pela aprovação da família, apoio de amigos e sucessos pessoais. Pesquisas mostram que adolescentes com autoconceito positivo experimentam maior sucesso acadêmico do que adolescentes sem essa qualidade. Preocupações sobre a imagem corporal também são comuns e podem fornecer oportunidades para pais, professores e outros cuidadores adultos ensinarem os cuidados pessoais, oferecer incentivo e reforçarem uma imagem corporal positiva. ` Construção da identidade: apesar do caminho para encontrar a identidade possa se mos- trar desafiador para algumas famílias, também pode motivar os adolescentes a aprende- rem sobre si mesmos e se tornarem mais confiantes em suas próprias identidades únicas. 1.5 DESENVOLVIMENTO MORAL Segundo Piaget (1994), o processo de autonomia da moralidade ou o desenvolvimen- to da moral é um processo que não se inicia na adolescência, tampouco faz parte de uma construção empírica de memorização de regras e interiorização de valores. Há, na verdade, uma trajetória moral percorrida e desenvolvida desde a infância. Essa morali- dade, de acordo com La Taille (2001, n.p.), “é o produto de construções endógenas, ou seja, de uma atividade da criança que, em contato com o meio social, ressignifica os valores, os princípios e as regras que lhe são apresentadas”. La Taille (2001) apresenta como processo de construção, de acordo com as teorias de Piaget, que a criança passa por três estágios: ` Anomia: ao nascer, a criança se depara com a ausência de regras. Ou seja, encontra-se em estado de anomia. La Taille (2001, n.p.) afirma: “antes dos quatro anos, em média, as regras derivadas da moral ainda não estão associadas, para a criança, a valores como o bem e o mal, o certo e o errado”. ` Heteronomia: à medida que a criança vai crescendo e conhecendo o seu espaço social, vai percebendo que existem regras e que estas precisam ser respeitadas. “A apreensão da dimensão do dever, do bem e do mal, significa que a moral começa a fazer parte do universo de valores da criança. Da anomia, ela passa para a heteronomia” (LA TAILLE, 2001, n.p.). ` Autonomia: quando a criança ou o adolescente passa a regular voluntariamente seu com- portamento, sem a necessidade de pressões coercitiva de uma autoridade, ou, quando os princípios da igualdade e da justiça passam a ser a fonte da legitimidade moral das regras, como bem enfatiza La Taille (2001), quando, apesar das mudanças de contextos e da presença de pressões sociais, ela permanece, fiel a seus valores e a seus princípios, ela pode ser considerada moralmente autônoma. Percebemos que a fase da adolescência é uma fase privilegiada para a existência hu- mana, período este no qual as mudanças emocionais, orgânicas, cognitivas e sociais interferem diretamente no relacionamento interpessoal. Outro ponto importante da ado- lescência será o processo de desenvolvimento moral e a aquisição de valores e ideais, como a justiça ou liberdade. Kohlberg (1981, p. 21) aponta a adolescência como “um período de construção de valores sociais e de interesse por problemas éticos e ideo- 39 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U3 Teorias do Desenvolvimento lógicos”. Já Piaget (1994) defendia que “o adolescente se encontrava na fase de auto- nomia, por construir juízos independentes, não aceitando valores interiorizados a partir dos adultos”. Figura 10. Representação do desenvolvimento moral Fonte: Freepik Assista aos vídeos “Desenvolvimento da Moral segundo Piaget” clicando aqui, e “Lawrence Kohlberg – Estágios de desenvolvimento moral – psicologia cognitiva”, cli- cando aqui.A C ES SE E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você percebeu que o processo de transição da infância para adolescência é formado por períodos de desenvolvimento, conhecidos como: desenvolvimento físico, marcado pela chegada da puberdade; desenvolvimen- to cognitivo, processo de ampliação da capacidade de um ser humano de processar informações, adquirir habilidades e recursos conceituais, e até mesmo, amadureci- mento do cérebro; desenvolvimento emocional, em que o jovem vai progredir, crescer, amadurecer e, se desenvolvendo, vai apreendendo novas experiências que ficam re- gistradas na memória em forma de registros; e desenvolvimento moral, que, segundo Piaget, é um processo que não se inicia na adolescência, mas, sim, é trazido desde a infância, em seu processo de desenvolvimento, sendo marcado por três etapas: ano- mia, heteronomia e autonomia. R ES U M IN D O https://youtu.be/02uw5o33vlw https://www.youtube.com/watch?v=Tu2M2ZsHp5k&ab_channel=didatics U3 40Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Teorias do Desenvolvimento 3. EXERCÍCIOS COMENTADOS Exercício comentado Resposta: Nessa fase, os desejos de realizações pessoais ainda estão fortes. Desejos esses que, mui- tas vezes, a própria sociedade, culturalmente construída, acaba por discriminar e arruinar com intolerâncias. O indivíduo dentro da ___________ tem como sua característica principal o desejo de compartilhar suas vivências, de ser ouvido, sem ter a preocupação com tempo ou com as manifestações de repúdio do social. Complete corretamente a lacuna. Fase adultez velha tardia, pois na vida adulta velha plena o sujeito sente o forte desejo de mostrar que ainda é capaz de realizar suas atividades, suas habilidades. Que ainda pode ser considerado um ser autônomo e que não depende de ninguém para desempenhar suas atividades, sem ter preocupação com o tempo ou com as manifestações de repúdio do social. 4. ATIVIDADES PRÁTICAS Atividade Prática O desenvolvimento moral, que segundo Piaget, é umprocesso que não se inicia na adoles- cência, mas, sim, é trazido desde a infância. O processo de construção, de acordo com as teorias de Piaget, passa por três estágios no desenvolvimento da criança, que são: a. Anomia; heteronomia; autonomia. b. Anomia; egocentrismo; autonomia. c. Heteronomia; egocentrismo; autonomia. d. Egocentrismo; anomia; heteronomia. e. Egocentrismo; egoísmo; anomia. Alternativa: A Comentário: A resposta está correta, pois os três estágios no processo de construção do desenvolvimento da criança é a anomia, heteronomia e autonomia. Resposta: 42 UNIDADE 4 ESTÁGIOS DO DESENVOLVIMENTO 1. ESTÁGIOS DO DESENVOLVIMENTO DO SER HUMANO Neste capítulo, você irá compreender os estágios do desenvolvimento, que perpassam pela infância, pela adolescência, vida adulta e velhice, processos de desenvolvimento da existência e vida humana. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante! C O M PE TÊ N C IA S 1.1 PERÍODO SENSÓRIO-MOTOR Jean Piaget, biólogo, psicólogo e epistemólogo suíço, desenvolveu uma das mais re- levantes teorias do desenvolvimento infantil dos últimos tempos. Dividida em quatro estágios, explica o desenvolvimento das habilidades cognitivas presentes nas crian- ças. O primeiro estágio, conhecido como sensório-motor, se refere a crianças desde o nascimento até os dois anos de idade e ganha destaque pela capacidade rápida que a criança absorve pela expansão do conhecimento. Nesse estágio, o bebê conhece o mundo por meio de seus movimentos e sensações. Ações que para a visão dos adultos podem não parecer importantes ou até mesmo serem pequenos detalhes básicos, como chupar chupeta, agarrar objetos, olhares e ouvidos atentos e até mesmo, retribuir afeto. Aprendem a desassociar as pessoas de objetos, colocando-se como duas coisas diferentes e que as ações de cada um contri- buem com as mudanças no ambiente. Identificamos que é durante o estágio inicial de desenvolvimento cognitivo que as crianças adquirem conhecimento por meio de experi- ências sensoriais e da manipulação de objetos. Sendo assim, percebe-se que todas as experiências de uma criança nesse estágio acontecem por causa dos reflexos básicos, dos sentidos e das respostas motoras. Na figura a seguir, deparamo-nos com um bebê engatinhando, que é uma das características do período sensório-motor. U4 43Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Estágios do Desenvolvimento Figura 11. Bebê engatinhando Fonte: Freepik A partir do estudo de Piaget (1977), foi comprovado que crianças entre 0 e 2 anos de idade já conseguem explorar o ambiente e o seu próprio corpo. A criança desenvolve sua inteligência a partir dos seus sentidos, do desempenho das atividades motoras, que favorecem o seu desenvolvimento intelectual. Além disso, estímulos externos, como a interação social e o convívio com outras pessoas, também contribuem para sua per- cepção. Nesse período, a criança já consegue vivenciar as características dos subestágios, marcados por: uso de reflexos, movimento de preensão, movimento de engatinhar, iní- cio da percepção imaginativa, o “faz de conta”, além da permanência dos objetos. O ato de brincar possibilita o processo de aprendizagem da criança, pois, como mostra Piaget, (1977, p. 35) “facilita a construção da reflexão, da autonomia e da criatividade, estabelecendo uma relação entre jogo e aprendizagem”. O ato de brincar se transforma em um importante traço de comunicação, ajudando no desenvolvimento integral do ser humano nos aspectos físicos, sociais, culturais, afetivos e emocionais. Entretanto, é necessária a conscientização para visualizar o ato de brincar como forma de aprendizagem, desmistificando-o como uma atividade de lazer, mas, sim, um pro- cesso de aprendizagem e desenvolvimento. Dentro da educação infantil, encontramos no ato de brincar a possibilidade de a criança estabelecer regras constituídas por si ou/e em grupos, além de auxiliar na integração do indivíduo à sociedade. 44 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U4 Estágios do Desenvolvimento Segundo Oliveira (2000), não se pode definir o ato de brincar apenas como o ato de recrear, pois percebemos aqui que o desenvolvimento acontece por meio de trocas de experiências durante esse período. Dessa forma, brincando, a criança desenvolve importantes capacidades, como memória, atenção, imaginação, entre outros, além de ajudar no desenvolvimento de áreas de personalidade, como afetividade, sociabilidade e inteligência, dentro desse ato que é tão importante quanto prazeroso para o desen- volvimento infantil. Vygotsky (1998) defende que o ser humano se reafirma dentro das relações com outras pessoas, destacando que, no desenvolvimento infantil, essa interação se inicia com as brincadeiras, por meio das quais assume uma posição de análise do processo, “[...] rompendo com a visão tradicional de que ela é uma atividade natural de satisfação de instintos infantis”. Ainda assim, o autor se refere à brincadeira como uma maneira de expressão e apropriação do mundo e dos papéis dos adultos. Dessa forma, podemos identificar que, a priori, a capacidade para imaginar, fazer planos, apropriar-se de novos conhecimentos surge por meio do brincar infantil, quando a criança, “por intermédio da brincadeira, das atividades lúdicas, atua, mesmo que simbolicamente, nas diferentes situações vividas pelo ser humano”, conforme apresenta Vygotsky (1998, p. 87). Vygotsky (1998, p. 87) ainda afirma que “a essência do brinquedo é a criação de uma nova relação entre o campo do significado e o campo da percepção visual, ou seja, entre situações no pensamento e situações reais”. Para Piaget (1977), a cada momento do estágio sensório-motor, podem ser obser- vados os mecanismos que a criança utiliza para se desenvolver cognitivamen- te. Em termos gerais, são os seguintes: ` Até o primeiro mês, o bebê se relaciona com o meio ambiente principalmente por meio de ações reflexas que respondem automaticamente à estimulação. ` As reações circulares primárias aparecem de um a quatro meses; ou seja, a criança repete intencionalmente os movimentos corporais que lhe dão prazer (por exemplo, chupar o dedo). ` Até os 10 meses, os bebês repetem ações estimulantes que podem ter ou não a ver com seu próprio corpo. Por exemplo, chutar intencionalmente o brinquedo sonoro colo- cado aos pés do berço. Essas são as chamadas reações circulares secundárias. ` Dos 10 aos 12 meses, o pequeno poderá usar as suas habilidades para atingir um objetivo. Por exemplo, ele removerá a almofada que cobre a boneca com a qual deseja brincar. ` As reações circulares terciárias ocorrem entre os 12 e 18 meses de idade. Aqui, o bebê começará a variar os comportamentos que já conhece, para, por tentativa e erro, des- cobrir novas relações de causa e efeito. ` Por fim, entre os 18 e 24 meses, alcança a capacidade de construir representações mentais de objetos, habilidade básica para atingir o marco de permanência do objeto. U4 45Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Estágios do Desenvolvimento Outro elemento fundamental do estágio sensório-motor é o egocentrismo infantil. Isso acontece pelo fato de a criança ser incapaz de identificar e perceber as concepções de outras pessoas. Ou seja, a criança acredita que todas as outras pessoas sentem e pensam exatamente como ela. Por outro lado, ainda nesse estágio, um novo conceito é aprendido pelo bebê. Nessa fase, a criança aprende sobre a permanência de um objeto ou criatura. Ou seja, apren- de que objetos, pessoas e eventos continuam a existir mesmo quando ele não pode ver, ouvir ou percebê-los. Assista ao vídeo “Piaget – Estágio sensório-motor”. Acesse clicando aqui. A C ES SE 1.2 PERÍODO PRÉ-OPERATÓRIO Seguindo as teorias de Piaget (1977), que explica o desenvolvimento humano desde o nascimento e entende que os esquemas de pensamento e comportamento das crianças são diferentes em relação aos dos adultos, apresentamoso pensamento pré-operatório. Nesse estágio, estão inseridas as crianças de 2 a 7 anos de idade, que, consequentemente, acabaram de sair do estágio sensório-motor, o qual começou no nascimento e se estendeu aos primeiros anos de vida. Segundo a teoria piagetiana, o estágio pré-operatório se refere a quando a criança não tem noção de conservação, ou seja, quando ela “não acredita que pode haver diferen- tes formatos ou configurações para um mesmo objeto. Este período se caracteriza pelo “egocentrismo, centralismo e irreversibilidade” (PALANGANA, 2001, p. 24). “A criança não sente necessidade de justificar seu raciocínio, além de sentir dificuldade de sair do seu ponto de vista para assumir o do outro”, conforme apresenta Palangana (2001, p. 24). Além disso, não enxerga possibilidade de mudar ou alterar um objeto ou uma situação. No estágio pré-operacional, a criança começa a representar e identificar com clareza os objetos, possibilitando uma maior exploração do meio. Nesse período, a criança já diferencia a si mesmo dos outros objetos e começa a traçar os primeiros sinais de afeto. Surge também com maior destaque a capacidade de representar o passado por meio da imitação e a da habilidade de construir símbolos. Dessa forma, conseguimos entender que, segundo a linha piagetiana, o surgimento do período pré-operatório é marcado pelas linguagens, especificamente, a linguagem sim- bólica. Assim, percebemos que a linguagem ganha ainda mais destaque nessa etapa, já que o seu desenvolvimento depende do desenvolvimento da inteligência. No mais, podemos identificar também que essa é a fase da curiosidade, das novas expressões e identificações, o desenvolvimento do pensamento fica cada vez mais ágil, destacando- -se assim como a conhecida fase dos famosos “porquês”. https://www.youtube.com/watch?v=x0Kj6xkgOsM 46 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U4 Estágios do Desenvolvimento Nessa fase, as crianças iniciam o seu processo de socialização. Geralmente, elas de- senvolvem o ato de brincar sozinhas, ao mesmo tempo em que aprendem a dividir o especo e os brinquedos com outras crianças. Essa é a fase em que as crianças assimi- lam ideias com base em um ponto de partida. A assimilação, para Piaget (2003, p. 103), significa “as incorporações de novos elementos às estruturas psicológicas já existentes e acomodação a transformação das estruturas elementos do meio”. Assim, nas brin- cadeiras desenvolvidas, as crianças aprendem a construir situações que solucionam problemas. Assista ao vídeo “Piaget – Estágio pré-operatório”. Acesse clicando aqui. A C ES SE 1.3 PERÍODO OPERATÓRIO COMPLETO Caracterizado por crianças de 7 a 12 anos. Destaca-se como o período onde as crian- ças conseguem agir e operar um mundo concreto, real e percebido, em relação aos eventos e aos objetos. Além disso, como vimos no estágio pré-operatório, onde se des- taca o egocentrismo, aqui podemos destacar o pensamento operatório, ou seja, a crian- ça passa a lidar com uma ampla variedade de informações externas. Portanto, para a criança, agora, é possível enxergar as coisas pela perspectiva de outra pessoa. Esse estágio também destaca a capacidade que a criança tem de usar processos de pensa- mentos lógicos limitados e conseguem também formar séries, agrupar e ordenar coisas em classes com base em características comuns. Além disso, é nesse estágio que as crianças são capazes de raciocinar e de seguir regras e regulamentos. Conseguem se regular e começam a desenvolver um senti- do moral e um código de valores. Dessa forma, percebemos que as crianças que se tornam excessivamente interessadas por regras nesse estágio, podem apresentar um comportamento obsessivo compulsivo. Por outro lado, as crianças que resistem em formar um código de valores, podem se desenvolver tornando-se teimosas e reativas. Sendo assim, podemos definir que o melhor resultado nesse processo do desenvolvi- mento nesse estágio é que a criança adquira um respeito saudável e que entenda que existem exceções legítimas às regras. Destaca-se também o processo de conservação, que se caracteriza pela capacidade de reconhecer que embora a forma dos objetos possa mudar, eles ainda mantém ou conservam outras características ou sentimentos, o que os torna reconhecíveis. Nessa fase, as crianças iniciam o seu processo de socialização. Geralmente, elas de- senvolvem o ato de brincar sozinhas, ao mesmo tempo que aprendem a dividir o espa- ço e os brinquedos com outras crianças. Essa é a fase em que as crianças assimilam ideias com base em um ponto de partida. A assimilação, para Piaget (2003, p. 103), significa “as incorporações de novos elementos às estruturas psicológicas já existentes e a acomodação e transformação das estruturas de elementos do meio”. Assim, nas brincadeiras desenvolvidas, as crianças aprendem a construir situações que solucio- nam problemas. https://www.youtube.com/watch?v=tUyt1eGZ_ww U4 47Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Estágios do Desenvolvimento Assista ao vídeo “Piaget – Estágio Operatório Completo”. Acesse clicando aqui. A C ES SE 1.4 PERÍODO OPERATÓRIO FORMAL Para finalizar essa série de teorias segundo Piaget, chegamos à última fase: a fase ope- racional formal, que acontece a partir dos 12 anos. É nessa fase que as capacidades de reflexão e abstração já estão desenvolvidas. É quando o jovem consegue construir opiniões interligadas à sociedade e à sua relação como indivíduo, construir pensamen- tos críticos olhando à sua volta ou a sua própria vida, questionando estruturas e posicio- namentos. Assim, podemos definir que esse estágio se caracteriza pela habilidade de adotar-se o raciocínio abstrato. Dessa forma, a criança não se sente mais limitada nas relações previamente existentes, mas adquire a capacidade de buscar soluções lógicas a partir de hipóteses, e não mais apenas pelas observações da realidade. Nessa fase, também já está claro o que são imaginação, pensamento e realidade, con- tribuindo para que essas ações se utilizem de forma importante para auxiliar na imagi- nação, ao mesmo tempo em que estimula aspectos físicos e habilidades intelectuais. Aprender técnicas artísticas requer superar desafios, o que é uma ótima atividade para a adolescência. Durante esse período, cursos como dança (seja ballet, jazz ou danças urbanas) e tea- tro podem ser boas opções para quem busca exercícios físicos aliados ao prazer e ao trabalho em grupo. Além disso, destacam-se também as músicas e os desenhos, que auxiliam no desenvolvimento das habilidades auditivas, visuais e manuais. Contudo, todas as opções de cursos de artes para essa fase são eficazes para facilitar a expres- sividade e trabalhar a disciplina. Os estudos de Piaget apontam que as fases do desenvolvimento infantil podem ser en- riquecidas com atividades estimulantes, um curso de arte é uma ótima opção para os pais que buscam o melhor aproveitamento da infância para os seus pequenos. Assista ao vídeo “Piaget – Estágio operatório formal”. Acesse clicando aqui. A C ES SE https://www.youtube.com/watch?v=jnzDMKh0sA0 https://belas.art.br/quais-sao-os-beneficios-do-teatro-na-infancia/ https://belas.art.br/quais-sao-os-beneficios-do-teatro-na-infancia/ https://www.youtube.com/watch?v=383koBoC1xI 48 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U4 Estágios do Desenvolvimento E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, va- mos resumir tudo o que vimos. Vimos até aqui que Jean Piaget desenvolveu uma das mais relevantes teorias do desenvolvimento infantil dos últimos tempos. Dividida em quatro estágios, explica o desenvolvimento das habilidades cognitivas presentes nas crianças desde o primeiro momento de sua vida. O primeiro estágio, conhecido como sensório-motor, se aplica a crianças desde o nascimento até os dois anos de idade e se destaca pela rápida expansão do conhecimento. Já o estágiopré-operatório se destaca por ser a fase em que a criança trabalha mais as atividades sensório-moto- ras, assim como o conhecimento é construído pela manipulação direta de objetos. O estágio operatório completo é a fase em que a criança começa a lidar com conceitos, números e relações. Por último, no período operatório formal, as crianças com média de 12 anos de idade começam a usar a lógica ou o raciocínio de um princípio geral para informações específicas. R ES U M IN D O 3. EXERCÍCIOS COMENTADOS Exercício comentado Resposta: A partir dos estudos de Piaget (1977), foi comprovado que crianças entre 0 e 2 anos “á con- seguem explorar o ambiente e o seu próprio corpo, a partir de seus sentidos juntamente com a atividade motora, favorecendo o desenvolvimento intelectual, somado a outros estímulos externos, como interação social com pessoas do seu convívio, bem como a parte afetiva. De acordo com as teorias de Piaget, essa caracterização pertence a qual estágio? Segundo Piaget, o estágio que acompanha o desenvolvimento de crianças de 0 a 2 anos é o estágio sensório-motor. U4 49Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Estágios do Desenvolvimento 4. ATIVIDADES PRÁTICAS Atividades Práticas O primeiro dos quatro estágios de Piaget para o desenvolvimento cognitivo é o estágio sen- sório-motor, que abrange crianças desde o nascimento até os dois anos de idade, e ganha destaque pela capacidade rápida que a criança absorve pela expansão do conhecimento. Sobre esse fato, marque V para verdadeiro ou F para falso e, em seguida, assinale a alterna- tiva que apresenta a sequência correta. ( ) Durante esse estágio, a criança desenvolve a capacidade de pensar e lembrar. ( ) Um dos aspectos do estágio sensório-motor é a capacidade de percepção de um objeto, a criança já consegue perceber que a pessoa continua existindo mesmo quando está fora do campo de visão. ( ) Esse estágio é marcado pelo período do desenvolvimento em que as crianças desempe- nham comportamentos complexos, orientados para uma meta. ( ) É no estágio sensório-motor que a criança desenvolve a empatia, tornando-se capaz de se colocar na situação do outro, ou até mesmo de se imaginar como os outros estão se sentindo. a. F – F – F – V. b. V – V – V – F. c. F – F – V – V. d. F – V – V – V. e. F – F – F – F. Alternativa: A Comentário: A alternativa que apresenta o desenvolvimento da empatia no estágio sensório- -motor é falsa, pois o desenvolvimento da empatia acontece no estágio pré-operatório. Resposta: 51 UNIDADE 5 ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO 1. ASPECTO FÍSICO-MOTOR, INTELECTUAL, AFETIVO- EMOCIONAL E SOCIAL Ao término deste capítulo, você será capaz de entender os aspectos do desenvolvi- mento humano dentro do conhecimento da psicologia, desde o nascimento até a vida adulta. Esses aspectos estão divididos em: físico-motor, intelectual, afetivo-emocional e social. Vamos entender que o desenvolvimento humano diz respeito ao desenvol- vimento mental, relacionado ao crescimento contínuo, e o crescimento orgânico. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante!C O M PE TÊ N C IA S 1.1 ASPECTO FÍSICO-MOTOR Nesta unidade, vamos compreender um pouco mais sobre o desenvolvimento humano como área em constante evolução. Sistematicamente, essa temática vem ganhando destaque por ser um dos estudos que mais apresenta mudanças e manutenção nas pessoas. Como nos mostram Papalia e Feldman (2013, p. 36), os cientistas do desen- volvimento humano observam que: [...] os aspectos em que as pessoas se transformam desde a concepção até a maturidade. [...] O trabalho dos cientistas [...] podem causar um grande impacto na vida das pessoas. Os resultados das pesquisas muitas vezes têm apli- cações na criação, educação e saúde das crianças, e também nas diretrizes sociais em relação a elas. Essa disciplina se dedica a estudar e apresentar as mudanças ou a ausência de mudan- ças, que fazem parte das vidas das pessoas de acordo com o seu decorrer e desenvol- vimento, período este marcado por grandes transformações, que ficou conhecido como período de transição rápida. Em diversas pesquisas e teorias sobre esse campo, são apresentadas diferentes pers- pectivas que expressam ideias a respeito de como cada indivíduo evolui. Assim, Biaggio (1978, p. 37) diz que: a especificidade da Psicologia do Desenvolvimento humano está em estudar as variáveis externas e internas aos indivíduos que levam às mudanças no comportamento U5 52Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Aspectos do Desenvolvimento Humano em períodos de transição rápida (infância, adolescência e en- velhecimento). Teorias contemporâneas do desenvolvimento aceitam que as mudanças são mais marcadas em períodos de transição rápida, mas mudanças ocorrem ao longo de toda a vida do indivíduo, não só nestes períodos. Portanto, é pre- ciso se ampliar o escopo do entendimento do que é o estudo do desenvolvimento humano. Uma das definições mais renomada e bem aceita por estudiosos dessa linha de pesqui- sa até os dias de hoje foi teorizada por Jean Piaget (1964). Em seu livro “Psicologia do Desenvolvimento”, a autora afirma que: o desenvolvimento humano, portanto, é um processo de equilibração progressiva, uma passagem de um estado de menor equilíbrio para um estado de maior equilíbrio. Isto ocorre no âmbito da inteligência, da vida afetiva, das relações sociais, bem como no organismo de um modo geral. Cons- tantemente, temos necessidades ou motivos que nos levam a agir no ambiente em que estamos a fim de alcançarmos um equilíbrio. (BIAGGIO, 1978, p. 37) A psicologia do desenvolvimento nos mostra que é possível identificar as causas que estão por trás das constantes mudanças de comportamentos ou até mesmo de com- portamentos agressivos ou incomuns de uma criança. Isso se explica dentro dos quatro pilares que compõem o desenvolvimento humano, que, por conseguinte, estão interli- gados. Esses quatro pilares são: ` Aspecto físico-motor: caracterizado por descrever a maturação do corpo e da mente. ` Aspecto intelectual: destaca-se por se referir à capacidade cognitiva do ser humano. ` Aspecto afetivo-emocional: mostra a capacidade de integrar experiências e emoções, construindo seus sentimentos. ` Aspecto social: caracterizado por justificar as reações e posturas relacionadas às vivên- cias em sociedade. Agora vamos entender um pouco sobre o aspecto físico-motor, identificando suas ca- racterísticas e particularidades, e como estas contribuem para o desenvolvimento hu- mano dentro do contexto orgânico e psicológico. David Gallahue, professor de educação física e pesquisador do desenvolvimento mo- tor do corpo humano, desenvolve conhecidas teorias sobre o processo de maturação motora do ser humano a partir do nascimento do bebê até a fase adulta. Assim, pode- mos adiantar que aspecto físico-motor “refere-se ao crescimento orgânico, à maturação neurofisiológica”, segundo o psicólogo (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013, p. 42). 53 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U5 Aspectos do Desenvolvimento Humano A partir do nascimento, o bebê inicia uma jornada de conhecimento que vai desde o agarrar do dedo até escalar no parquinho e conforme avança nessa jornada e conquista novas fases, suas habilidades físicas da também evoluem, assim como sua indepen- dência e confiança. Embora os primeiros passos possam acontecer perto do primeiro aniversário, a criança está desenvolvendo habilidades necessárias para andar desde que nasceu. Todos os esforços e dificuldades para alcançar cada marco do desenvolvimento físico irão guiá-la para aprender a andar e, mais tarde, correr, escalar e pular. É relevante diferenciar o crescimento físico e a maturação. Maturação pode ser definida como a sequência de processos evolutivos que o ser humano passa na vida, desde a concepção até a maturidade máxima. A maturação obedece a um plano genético pre- determinado, observado nas funçõese mudanças fisiológicas, que não recebe nenhum tipo de influência do meio ambiente. O crescimento envolve uma avaliação seguindo o tamanho, a forma, o peso e a es- trutura óssea do corpo. O crescimento pode ser dividido em quatro categorias: física, intelectual, emocional e social, e se destaca por avaliar categorias físicas e intelectuais. Já na maturação se avaliam as categorias emocionais e sociais do indivíduo. Basicamente, o desenvolvimento físico-motor se inicia a partir do período denomina- do de primeira infância, ou seja, entre 0 e 5 anos de idade, e se destaca por tratar da capacidade de realizar atividades básicas do corpo, como andar, segurar objetos com as mãos, escrever. Nessa etapa, a criança se encontra mais aberta aos estímulos do ambiente. Assim, nota-se a evolução da coordenação motora, que ocorre por esses estímulos e pela formação cognitiva infantil. O desenvolvimento físico-motor infantil é dividido em três etapas: Fase inicial: até os 2 anos de idade, quando podemos identificar irregularidade nos mo- vimentos locomotores, assim como a noção de tempo e espaço. ` Fase elementar: de 25 meses a 4 anos, quando a criança começa a dominar quase todas as funções básicas de uma vida comum. Nota-se a estabilidade física de algumas crian- ças nessa fase. ` Fase madura: característica em crianças com 5 anos de idade, cuja coordena- ção motora já está totalmente desenvolvida e habilidades mais complexas são aprendidas. No processo de desenvolvimento físico-motor, marcos motores são identificados e des- tacados, seguindo as Diretrizes de Estimulação Precoce do Ministério da Saúde. Alguns deles são: ` 1.o mês: membros flexionados, cabeça oscilante, mãos fechadas; ` 2.o mês: acompanhamento visual dos objetos ou de faces humanas, com movimento da cabeça até a linha média, geralmente; ` 3.o mês: consegue manter a cabeça erguida e, ao final do mês, obtém o equilíbrio cervical; U5 54Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Aspectos do Desenvolvimento Humano ` 9.o mês: a criança é capaz de engatinhar e ir da posição de sentado para posição de gato; ` 4 anos: corre bem e sobe as escadas; ` 6 anos: anda de bicicleta com rodinhas. (BRASIL, 2016, p. 184) Tais marcos motores, bem como todas as mudanças físicas e biológicas citadas, não podem ser entendidos como regras absolutas, pois pode haver variações de organismo para organismo. Algumas crianças apresentam atraso no desenvolvimento motor infantil, e no dia a dia, é possível identificá-lo, sendo importante estimular a criança constantemente. Alguns sinais de atrasos são apresentados nas poucas habilidades de coordenação motora, pouca noção de espaço e tempo, além de não conseguirem se equilibrar, segurar a cabeça mantendo firme ao corpo ou não se relacionarem com outras pessoas. Assim, deve-se atentar a esses atrasos para melhor acompanhamento do desenvolvimento dessa criança, entendendo o processo e buscando ajuda de profissionais capacitados. Para ajudar no estímulo da coordenação motora da criança, podem ser feitas brincadei- ras e dinâmicas infantis no incentivo de habilidades formadoras da inteligência emocio- nal e da comunicação. Além disso, brinquedos educativos com peças seguras auxiliam no desenvolvimento simples dessas funções, como o encaixar das peças, noção de espaço, o movimento e o rolar no chão, e entre outras atividades. Os pais ou os cuidadores de crianças devem se atentar ao desenvolvimento motor das crianças e se elas apresentam atraso nas etapas motoras esperadas para sua idade. As principais características de atrasos nas atividades motoras são: ` A criança ser considerada muito “molinha” e não conseguir se movimentar nem segurar a própria cabeça firme ao pescoço. ` Ter braços e pernas muito “durinhos”, dificultando os movimentos. ` Não conseguir pegar brinquedos após o sexto mês de vida, e não se relacionar com as pessoas ou com o ambiente. 55 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U5 Aspectos do Desenvolvimento Humano Adolescência: desenvolvimento motor infantil, disponível aqui. A C ES SE Figura 12. Desenvolvimento físico-motor na infância Fonte: Freepik A Figura 1 traz detalhadamente o processo de desenvolvimento físico-motor. O desen- volvimento infantil se inicia ainda na fase pré-natal, dentro do útero da mãe, marcado pelo crescimento físico, a maturação neurológica e a construção gradativa de habili- dades que serão relacionadas ao comportamento, seguindo as habilidades cognitivas, afetivas e sociais. A primeira infância, caracterizada por crianças de idade entre 0 e 5 anos, é a fase em que a criança se encontra mais aberta a receber estímulos vindos dos ambientes, e o desenvolvimento das habilidades motoras ocorre muito rapidamente. Como podemos ver na figura, trata-se de um processo cronológico. https://www.youtube.com/watch?v=k6ViNF6Sm6g https://br.freepik.com/vetores-gratis/estagios-planos-de-um-menino_14666587.htm#query=beb%C3%AA%20sentado&position=2&from_view=search&track=sph U5 56Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Aspectos do Desenvolvimento Humano 1.2 ASPECTO INTELECTUAL A capacidade do indivíduo de se desenvolver é marcada, igualmente, pelo processo do desenvolvimento intelectual. Na infância, essa capacidade vai se formando de acordo com a capacidade que a criança passa a ter para observar, distinguir e formar suas pró- prias conclusões diante de determinadas situações. Aranha (2002) defende que exis- tem diversos fatores determinantes para o desenvolvimento intelectual da criança, entre eles a potencialidade, a motivação e a interação com o meio ambiente, atendendo às tendências naturais, físicas e fisiológicas. O desenvolvimento cognitivo e intelectual da criança, segundo Goldfeld (1997), é ini- ciado já nos primeiros momentos de vida do bebê, mesmo com os pensamentos e linguagens ainda dissociados. Vygotsky (1991, p. 122) afirma que essas funções são “denominadas pensamentos não verbais e linguagem não intelectual”, sendo assim re- ações instintivas. O choro passa a ter uma função comunicativa para a criança, com intuito desta compartilhar significações, a princípio, na relação com mãe. Segundo Azevedo (2010, p. 56), para a compreensão do desenvolvimento intelectual, é necessário entender o desenvolvimento humano de modo geral. “Trata-se de uma busca por uma concepção única, sendo que se observa a necessidade de avaliar a contribuição de cada paradigma, destacando diferenças e semelhanças no que se diz respeito ao desenvolvimento humano”, afirma a autora. Sendo assim, cumpre destacar o paradigma endógeno, que aborda o desenvolvimento mobilizado or meio de causas internas. Com isso, o conhecimento passaria a ser entendido como fruto de uma razão interna movida pelos sentidos. Bandura (2008), ainda quanto ao paradigma endógeno e à aprendizagem social, destaca que os comportamentos humanos são representados por meio das observações. Sua dis- cussão segue a linha de que os elementos cognitivos estão presentes na aprendizagem por meio da observação, seguindo alguns mecanismos, como atenção, retenção, repro- dução motora e reforço, e motivação. Vygotsky (1991) cita outro exemplo do paradigma exógeno: a linguagem, quando o indivíduo vai interiorizando as regulações sociais. Segundo Papalia e Olds (2000), a abordagem behaviorista de desenvolvimento cogni- tivo entende o processo básico da aprendizagem, no qual os bebês já nascem com ca- pacidade de aprender a partir das experiências observadas, e a maturação é processo essencial para que o ele consiga desenvolver e aumentar ainda mais essa capacidade de aprender. Para os behavioristas, os mecanismos de aprendizagem do bebê são os mesmos para crianças mais velhas e para adultos (PAPALIA; OLDS, 2000). O behaviorismo ou condutismo clássico se nutre de uma longa tradição empírica baseada na metáfora da tábula rasa: nada foi escrito a priori nela, ou seja, o bebê nasce sem conhecimento e sem “instruções” sobre o mundo. Porisso, ele começa experimentando a realidade como um enorme e confuso zumbido, como dizia William James, conflituado por sensações caóticas que provês tanto do exterior como do seu interior, e é incapaz de controlar qualquer coisa por si mesmo. (CASTORINA; CARRETERO, 2014, p. 155) 57 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U5 Aspectos do Desenvolvimento Humano A teoria behaviorista, segundo Martorell (2014), defende que o comportamento do bebê muda de acordo com as experiências. Como parte do desenvolvimento cognitivo das crianças, a capacidade de aprender com o que veem, ouvem, cheiram, degustam e tocam vai evoluindo. Já na abordagem piagetiana, segundo Papalia e Olds (2000), o processo de pensamen- to das crianças vai aumentando cada vez mais de acordo com os estágios de desenvol- vimento. Para Piaget, esses estágios são divididos em quatro partes. O primeiro estágio é denominado como sensório-motor, iniciando-se nos dois primeiros anos de vida dos bebês. É quando eles aprendem mais sobre si e sobre o mundo em que estão inseridos, por meio das atividades sensório-motoras. Acerca da abordagem piagetiana, Castorina e Carretero (2014, p. 155) afirmam que: Piaget supunha que o bebê é uma criatura essencial- mente perceptiva e motora, mas não conceitual. A princípio, seu mundo carece de ordem, não há objetos, pessoas, nem nenhuma entidade estável por que dispõe de mecanismos gerais de origem biológica (assimilação, acomodação e equi- libração) e de uma motivação intrínseca para a ação. É esta última, e não a mera percepção, que permite ao bebê encon- trar regularidades, gerar expectativas sobre como é o mundo e dar sentido a suas experiências. Os trabalhos científicos de Jean Piaget a respeito do desenvolvimento intelectual mos- tram que o processo de desenvolvimento da aprendizagem está diretamente ligado às mudanças biológicas, fazendo acontecer o processo de adaptação e interação do ser com um novo ambiente. O desenvolvimento intelectual do ser está diretamente ligado ao ambiente em que está inserido, ao qual, dependendo da necessidade e das obser- vações, vai se adaptando e construindo o seu processo de aprendizagem. De acordo com Piaget (1964), todos nós, seres humanos, passamos por quatro está- gios de desenvolvimento intelectual e somente após passarmos por todos os quatro es- tágios – cuja idade pode variar –, seremos capazes de alcançar a inteligência humana completa. Para o autor, a fase inicial do desenvolvimento intelectual de uma pessoa é a posição egocêntrica, ou seja, ainda criança, não desenvolve então a capacidade de distinguir a existência de um mundo externo. Por conseguinte, Piaget divide o processo de desenvolvimento cognitivo em quatro pe- ríodos: ` 1.o período: sensório-motor (0 a 2 anos). ` 2.o período: pré-operatório (2 a 7 anos). ` 3.o período: operações concretas (7 a 11 ou 12 anos). ` 4.o período: operações formais (11 ou 12 anos em diante). U5 58Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Aspectos do Desenvolvimento Humano Cada um desses períodos se caracteriza por ser algo que o indivíduo consegue fazer, isto é, sem depender diretamente do desenvolvimento dentro da sua faixa etária, uma vez que pode haver variações de indivíduo para indivíduo, de acordo com a genética ou o organismo. Adolescência: desenvolvimento intelectual infantil: como se dá ano a ano, disponível aqui. A C ES SE 1.3 ASPECTO AFETIVO-EMOCIONAL Este estágio é caracterizado como o processo de aquisição das habilidades que nor- teiam os comportamentos e os temperamentos da criança por meio de experiências e situações vividas e presenciadas. O meio em que a criança está inserida bem como a relação social e afetiva que ela tem com seus familiares contribuem significativamente nesse processo do desenvolvimento. É nessa fase que se inicia o processo de construção da personalidade de uma pessoa, e esse processo tem início já nos primeiros dias de vida, mas se torna ainda mais inten- so na fase final da primeira infância. Em suas teorias, Piaget justifica, na psicologia afetiva e no estudo da inteligência, os aspectos afetivos e intelectuais da criança, as reações rebeldes e agressivas, ou até mes- mo as reações de carinho, euforia e medo. Para ele, esse aspecto afetivo não se limita apenas a emoções e sentimentos, pois faz parte também da vontade pessoal da criança. Além disso, pode ser uma conduta adaptável, pois “o desequilíbrio reflete em uma im- pressão afetiva particular e a consciência de uma necessidade” (PIAGET, 1977, p. 129). Figura 13. Representação afetivo-emocional entre mãe e filho Fonte: Freepik https://www.altoastral.com.br/estilo-de-vida/intelectual-criancas https://br.freepik.com/fotos-gratis/linda-irma-passando-um-tempo-com-seu-irmao-mais-novo-sentado-no-chao-do-quarto-bela-jovem-baba-brincando-com-o-menino-dentro-de-casa-segurando-o-pato-de-pelucia-infancia-cuidado-infantil-e-maternidade_11193283.htm#query=m%C3%A3e%20e%20filho&position=29&from_view=search&track=sph 59 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U5 Aspectos do Desenvolvimento Humano Na Figura 2, podemos visualizar o que Piaget apresenta em suas teorias acerca de desenvolvimento afetivo e emocional infantil. Piaget defende que até os 2 anos apro- ximadamente, todas as emoções e sentimentos são gerados no contato do bebê com sua mão, e dessa forma, centrados no corpo da criança. À medida que a criança vai crescendo e separando seu corpo do corpo das outras pessoas, a vida afetiva do bebê vai se descentralizando da mãe e se transferindo para os outros, como pai, irmãos e parentes de convívio. As crianças dos 2 aos 12 anos sofrem várias modificações no que diz respeito aos seus domínios de afetividade em conformidade com o desenvolvimen- to de sua cognição, ou seja, os valores, os sentimentos pessoais e interpessoais e as brincadeiras. Adolescência: desenvolvimento afetivo, disponível aqui. A C ES SE 1.4 ASPECTO SOCIAL Neste estágio, podemos entender sobre a interação social e seu espaço dentro do processo do desenvolvimento humano. As relações sociais e interpessoais ganharam ainda mais interesse a partir do século XIX, período marcado pelas grandes questões e reflexões acerca dos efeitos dos grupos sociais no comportamento humano. Essa época ficou conhecida como um período de grandes produções e de variadas ideias comportamentais, e era comum encontrar os mesmos eixos de discussões dentro de cada uma dessas reflexões. Os eixos comuns definem que: ` As experiências de grupos sociais encontram-se entre os mais importantes determinantes da natureza humana. ` Os fenômenos sociais são passíveis de investigação científica. Além disso, já se aponta- va, desde essa época, que “a experiência social - não somente com adultos, mas também com coetâneos - é de importância central para a ontogênese em muitas espécies”, con- forme apresenta Hartup (1983). Na década de 30, os estudos sobre o papel dos grupos sociais aumentaram, e ideias reproduzidas pela psicologia social passaram a ser discutidas também pela psicanálise. Essa mesma época se destaca também pelo início de novas técnicas de observação comportamental de indivíduos em grupos e estudos sobre o “clima social” de grupos infantis, com o intuito de criar novas técnicas experimentais para investigar os efeitos da manipulação no desenvolvimento infantil. O avanço no campo de pesquisa sobre o desenvolvimento social aumenta ainda mais na década de 1970, e a primeira tendência encontrada aborda a relação e a interação do comportamento social do sujeito sobre influência do ambiente. https://www.youtube.com/watch?v=k8hWBeKBM_A U5 60Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Aspectos do Desenvolvimento Humano Segundo Hartup (1983), as tendências de pesquisa encontradas a partir da década de 1970 eram: ` Desenvolvimento de estudos descritivos, incluindo a população de bebês, anteriormente ignorada. ` Desenvolvimento de novas técnicas em registrode observação e síntese de dados (aná- lise sequencial), para a identificação de mudanças comportamentais ocorridas como con- sequência da interação com outras crianças. ` Estudo do significado de relações específicas (ex.: de amizade) e desenvolvimento de padrões comportamentais nas interações de amizade, a partir da observação direta. ` Investigação de estruturas grupais, especialmente de grupos de crianças pequenas. ` Desenvolvimento de novas estratégias para melhorar as habilidades sociais. O desenvolvimento social está diretamente ligado à capacidade que uma criança tem de interagir e socializar com outras. Essa interação social entra como uma grande van- tagem na construção do conhecimento e da consciência da criança quanto à percepção de viver em coletividade. O desenvolvimento social é um tema a ser abordado ainda na infância, uma vez que existe ligação natural e de grande relevância com o desenvolvimento emocional. Isso poque depende da capacidade de reconhecer os seus próprios sentidos e os sentidos das outras pessoas à sua volta, e de responder adequadamente às suas emoções e de outros indivíduos. O desenvolvimento social da criança possui papel fundamental, pois é nessa fase que ela troca informações com adultos e com outras crianças. Aqui, elas já começam a solucionar problemas concretos, como questões relacionadas a matemática ou a ob- jetos físicos. Além disso, elas começam a entender regras sociais, senso de justiça e reciprocidades. O estágio social do desenvolvimento da criança é marcado por quatro habilidades emo- cionais fundamentais para o convívio, que são: ` Empatia. ` Respeito. ` Comunicação. ` Cooperação. 61 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U5 Aspectos do Desenvolvimento Humano E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, va- mos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a vida humana é marcada por períodos e etapas, e dentro dessas etapas há um constante processo de desen- volvimento físico e cognitivo. Também compreendeu os aspectos do desenvolvimento humano dentro do conhecimento da psicologia, desde o nascimento até a vida adulta. Viu que o desenvolvimento humano, no âmbito da psicologia, é dividido em quatro aspectos: o físico-motor, que se refere ao crescimento orgânico e à maturação neuro- fisiológica; o aspecto intelectual, está ligado à capacidade de pensar e de raciocinar de forma lógica; o aspecto afetivo-emocional é influenciada por combinações de traços e personalidades adquiridos desde o primeiro contato com a mãe; e o aspecto social, re- fere-se aos sentimentos de equilibro e desiquilíbrio adquiridos nos grupos sociais, de acordo com o seu desenvolvimento. Esses aspectos estão divididos em: físico-motor, intelectual, afetivo-emocional e social. Você pôde entender que o desenvolvimento hu- mano diz respeito ao desenvolvimento mental, relacionado ao crescimento contínuo, e o crescimento orgânico, concluindo que o processo de desenvolvimento pode diferir de acordo com a sociedade e com as cinco áreas de desenvolvimento, que são: física, cognitiva, emocional, social e de moral e valores. R ES U M IN D O 3. EXERCÍCIOS COMENTADOS Exercício comentado Resposta: A Psicologia do Desenvolvimento nos mostra que é possível identificar as causas que estão por trás das constantes mudanças de comportamentos, ou até mesmo, de comportamentos agressivos ou incomuns de uma criança. Isso porque o desenvolvimento humano é formado por quatro pilares que justificam essas ações. Quais são esses pilares? Os quatros pilares que justificam as mudanças comportamentais na psicologia do desenvol- vimento humano são: Aspecto Físico Motor; Aspecto Intelectual; Aspecto Afetivo emocional, Aspecto Social. U5 62Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Aspectos do Desenvolvimento Humano 4. ATIVIDADES PRÁTICAS Atividades Práticas “O bebê inicia uma jornada de conhecimento que vai desde o agarrar do dedo até escalar no parquinho, e na medida que a criança vai avançada essa jornada e conquistando novas fases, as habilidades físicas da criança também evoluem, assim como sua independência e confiança”. Que período do desenvolvimento humano é marcado de acordo com a descrição anterior? a. Período Sensório Motor. b. Período Socio-Emocional. c. Aspecto Físico-Motor. d. Aspecto Social. e. Aspecto Operatório Completo. Alternativa: C Comentário: A resposta está correta pois é no Aspecto Físico-Motor que a criança desenvolve suas habilidades físicas que vão desde o agarrar o dedo até aprender a andar, e consequen- temente, correr, escalar e etc. Resposta: 64 UNIDADE 6 CONTEXTOS INFLUENTES NO DESENVOLVIMENTO HEREDITARIEDADE, CRESCIMENTO ORGÂNICO, MATURAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA E AMBIENTE Ao término deste capítulo, você será capaz de conhecer a visão fisiológica, biológica e social do desenvolvimento humano, seguindo a hereditariedade, o crescimento físico, a maturação neuropsicológica e o contexto ambiental. Você compreenderá as visões da psicologia e da ciência para esse longo período de desenvolvimento da infância, da adolescência, da vida adulta e do envelhecimento. E então? Motivado para desenvol- ver esta competência? Então vamos lá. Avante!C O M PE TÊ N C IA S HEREDITARIEDADE Até aqui, vimos diferentes teorias que tentam explicar o desenvolvimento humano de acordo com as variações físicas, biológicas, psicológicas e cognitivas. Todavia, dentro do crescimento humano, todos esses aspectos não se separam, isto é, juntos contri- buem, dentro de cada uma de suas funções, para o desenvolvimento. Assim, as ca- racterísticas do desenvolvimento humano devem ser compreendidas dentro de suas particularidades a partir de cada faixa etária, de modo a reconhecer as individualidades de cada etapa do desenvolvimento, para que estejamos aptos a observar e interpretar os comportamentos. Nesse sentido, os principais fatores que influenciam o desenvolvimento humano são: ` Hereditariedade: vinculada à carga genética que o indivíduo recebe na sua formação biológica, estabelecendo o seu potencial e o seu desenvolvimento. ` Crescimento orgânico: característica física que se apresenta visivelmente pelo aumento do tama- nho corporal. ` Maturação neurofisiológica: caracterizada pela possibilidade de certo padrão de comportamento determinado por fatores biológicos. ` Ambiente: formado pelas influências e estimulações ambientais que podem alterar os padrões de comportamento do indivíduo. Agora que já entendemos os aspectos e fatores que compõem o desenvolvimento hu- mano e os mecanismos usados nos estudos dessa área, vamos identificar os fatores que influenciam esse processo começando pelo processo de hereditariedade. Hereditariedade, ou herança genética, é estrutura biológica transmitida de uma geração para outra, por meio de processos biológicos. Essas transmissões de informações biológicas acontecem de um indivíduo para o outro mediante os genes. Ganha U6 65Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Contextos influentes no Desenvolvimento importância o processo da genética, por se tratar de uma área científica que busca entender os fenômenos biológicos relacionados à herança. A exemplo, o entendimento de como os filhos podem receber características de seus pais e, consequentemente, transmitir a seus filhos. A hereditariedade se expressa a partir de um conjunto de informações e características biológicas que estão contidas nas células gaméticas e que são transmitidas de indiví- duo para indivíduo. Sistematicamente, os eventos biológicos hereditários podem ser classificados em dois tipos: ` Hereditariedade específica: caracterizada por agentes genéticos comuns de determinada espécie, conservando a essência de um grupo taxonômico. ` Hereditariedade individual: relativa à expressão de agentes genéticos que estabelecem aspectos individualizados,ou seja, um fator que causa biodiversidade entre indivíduos de uma mesma es- pécie. Segundo Papalia e Feldman (2013, p. 42), "algumas influências sobre o desenvolvi- mento têm origem principalmente na hereditariedade: traços inatos ou características herdadas dos pais biológicos". Isso quer dizer que, desde formação do zigoto, recebe- mos influências dos genes de nossos genitores e, consequentemente, características que podem mudar a interação direta com o meio. A respeito das maturações e características genéticas da hereditariedade, é necessário destacar os efeitos da seleção biológica natural sobre o comportamento. O mecanismo hereditário e a genética molecular, embora poderosos e potentes, ainda não são capa- zes de por si só esclarecer modos complexos de herança. Embora a genética biológica explicada pela hereditariedade defina muitos aspectos do desenvolvimento humano, ainda há muitas questões em aberto, que cada vez mais se tornam objeto de pesquisa para compreender as diferentes formas de comportamentos ou mudanças psicológicas, que variam de individuo para indivíduo. Adolescência: hereditariedade vs. meio – desenvolvimento humano, disponível aqui. SA IB A M A IS CRESCIMENTO ORGÂNICO Outro importante processo que determina o desenvolvimento humano está ligado ao crescimento orgânico, que, por sua vez, se refere ao aspecto físico. O crescimento da estatura óssea, o ganho de massa muscular e a estabilização do esqueleto permitem que o ser adquira o domínio necessário para o mundo que até então não fazia parte da sua realidade. Pode parecer pequeno, mas, quando o indivíduo desenvolve seu cresci- mento, ele consegue explorar mais algumas situações e se manter mais independente perante esse processo de desenvolvimento. https://metamorfosepsicdesenvolvimento.wordpress.com/category/hereditariedade-vs-meio 66 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U6 Contextos influentes no Desenvolvimento Um exemplo simples é a comparação de uma criança de berço em seus primeiros dias de vida com uma criança que já engatinha ou já aprendeu a andar. Enquanto a criança de berço é totalmente dependente dos outros para qualquer situação, a criança que ca- minha consegue explorar melhor suas condições e, de certa forma, posicionar-se como mais independente. Além disso, o crescimento é um fenômeno que envolve muito mais do que caracte- rísticas biológicas presas no aumento da estatura óssea e suas habilidades, envolve também a ação de hormônios e aspectos genéticos. Apesar de serem sinônimos no dicionário, na prática médica os termos crescimento e desenvolvimento recebem significados diferentes quando o assunto está inter-relacio- nado ao desenvolvimento humano. O crescimento se refere ao aumento físico da estatura óssea do corpo humano, incluin- do-se a avaliação de peso e altura da criança. Já o desenvolvimento corresponde ao ganho de função e/ou aquisição de habilidade pela criança e pelo adolescente. Enten- dendo em teoria essa distinção, conseguimos compreender as fases do crescimento normal como um processo comum nos seres humanos. Crescimento pré-natal É a fase que marca o processo de formação do bebê do momento da concepção até a idade gestacional de 40 semanas. Nesta fase, a feto passa por intenso crescimento e desenvolvimento, aumentando consideravelmente de tamanho e formando todos os seus aparelhos e sistemas. Depois de nascido, o tamanho do bebê depende diretamen- te de fatores genéticos, ou seja, intrínsecos, e fatores externos, considerados extrín- secos, principalmente pelas influências maternas, como alimentação, atividade física, tabagismo, morbidades, entre outras. Crescimento na primeira infância (0-2 anos) A primeira infância é a fase de 0 a 2 anos de idade. Nessa fase, o crescimento é ainda mais notável, evidenciado por aumento significativo de aproximadamente 25 cm no comprimento da criança. Esse período se destaca pelos hormônios tireoidianos e tam- bém por maior síntese e secreção de GH. Além disso, os fatores externos contribuem com essa fase. Por exemplo, crianças vítimas de violência ou outras situações afetivas podem apresentar dificuldade para a evolução do seu crescimento, bem como desen- volver atraso biopsicossocial. Crescimento na segunda (3-6 anos) e terceira infância (7-12 anos) Nesta etapa, não existem tantas diferenciações entre meninos e meninas no que diz respeito às mudanças físicas do crescimento. Aqui, normalmente, as taxas de cresci- mento se mantém estáveis e os hormônios tireoidianos e o GH ganham ainda mais destaque nesse processo. Nesta fase, como na primeira infância, a nutrição é extrema- mente importante para o crescimento e o desenvolvimento da criança. U6 67Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Contextos influentes no Desenvolvimento Crescimento na puberdade e adolescência (12-18 anos) Na fase final de crescimento, tanto as meninas quanto os meninos crescem cerca de 20 e 25 cm, respectivamente. Diferentemente do que se espera, o principal pico do cresci- mento acontece depois da fase da puberdade, em torno de 12 anos em meninas, e 14 anos em meninos. Ao final desse período, os hormônios esteroides são responsáveis pela diminuição dos discos epifisários, até finalmente se fecharem, de maneira que os indivíduos atingem sua altura máxima. Outros hormônios que contribuem para o desenvolvimento e crescimento físico do ser humano são o GH (conhecido como hormônio do crescimento), hormônios tireoidianos, hormônios sexuais esteroides e hormônio leptina. Weineck (1991, p. 247) afirma que “crescimento é o aumento da altura, peso, força, vo- lume, quantidade de produção de secreções, etc., isto é, um aumento fixável quantitati- vamente. O conceito ‘crescimento é subordinado ao conceito desenvolvimento”. Assim, existem diversos fatores que interferem ou auxiliam no crescimento do indivíduo, que podem tanto estar interligados com seu próprio organismo, representado pelo sistema nervoso e por questões biológicas, como relacionados a fatores externos, como o am- biente em que vive, representados pelas condições físicas e psicossociais. Os fatores de crescimento são subdivididos em quatro aspectos: ` Herança. ` Sistema neuroendócrino. ` Fatores ambientais. ` Nutrição. Existe uma grande diversidade de fatores atuando no crescimento e desenvolvimento saudável da criança e do adolescente, e a falta, a deficiência ou o comprometimento de um desses aspectos pode prejudicar o processo saudável do sujeito. MATURAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA Vimos anteriormente que, desde o momento da concepção até o nascimento e, consequentemente, o desenvolvimento de todas as fases e etapas da vida, o corpo humano passa por diferentes processos de mudanças acompanhadas de diversos fatores genéticos, hereditários e biológicos. São diferentes hor- mônios que detêm diversas mudanças físicas e cognitivas. Nesse processo, em maturação neuropsicológica, além das mudanças físicas e a participação de diferentes hormônios que contribuem para o desenvolvimento e cresci- mento do corpo humano, centenas de bilhões de neurônios já se encontram disponíveis desde o nascimento aos processos cognitivos essenciais de rela- ções do ser com os meios. Nesse sentido, a maturação neuropsicológica é como a ciência que estuda as relações entre as funções do sistema nervoso em relação ao próprio comportamento humano. Dessa forma, pretende relacionar a psicologia cognitiva com as neurociências, 68 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U6 Contextos influentes no Desenvolvimento buscando entender e desvendar os transtornos presentem na fisiopatologia, investigando os distúrbios dos comportamentos adquiridos na vivência. Segundo Lezak (1995, p. 113), a “neuropsicologia é a ciência que estuda a expressão comportamental das disfunções cerebrais nas quais as áreas são interdependentes e inter-relacionadas”. Assim, neuropsicologia nada mais é que identificar e perceber, a partir do conhecimento do desenvolvimentoe funcionamento normal do cérebro, as alterações cerebrais, como doenças ou desenvolvimentos anormais do cérebro ou até mesmo disfunções cognitivas comportamentais. Além disso, a partir da neuropsicologia, é possível compreender os processos de aprendizagem (LEZAK, 1995). A maturação neuropsicológica tem contribuído no processo de ensino-aprendizagem in- fantil, pois estabelece relações entre as funções corticais e as funções superiores do cé- rebro, aflorando habilidades como a linguagem, a atenção e a memória da criança, além da aprendizagem simbólica, que pode ser associada como escrita, leitura e conceitos. Os aspectos neuropsicológicos relacionados às dificuldades de aprendizagem reúnem amostras das funções mentais superiores, auxiliando no processo de aprendizagem simbólica, que, por sua vez, relaciona-se com a organização cerebral. Vale ressaltar que a neuropsicologia propõe vários campos de profissionais que podem compreender ou auxiliar na investigação do entendimento do funcionamento intelectual da criança, como médicos, psicólogos, fonoaudiólogos e psicopedagogos, promovendo uma inter- venção terapêutica mais eficiente. Portanto, a neuropsicologia é uma importante ferramenta de apoio para estudos nas áreas de desenvolvimento intelectual, bem como para profissionais que atuam direta- mente no acompanhamento do desenvolvimento infantil, como médicos, psicólogos e pedagogos, pois estes contribuem com tratamentos e diagnósticos de problemas neu- rocognitivos. MEIO (OU AMBIENTE) A palavra “ambiente” ou “meio”, segundo o Dicionário Aurélio (FERREIRA, 2004, n.p.), tem origem latina e significa “aquilo que cerca ou envolve os seres vivos ou as coisas; por todos os lados; é o conjunto de condições materiais e morais que envolvem al- guém”. Já no Dicionário Ambiental (CNM, 2018, p. 131), fazendo uma discussão mais biológica, encontramos a definição de ambiente como “conjunto dos sistemas físicos, ecológicos, econômicos e socioculturais com efeito direto ou indireto sobre a qualidade de vida do homem”. Agora que já conceituamos o ambiente, entendendo que se trata de um conjunto de condições que influenciam a vida social, cultural, moral e até mesmo escolar do homem, é possível perceber como ele é um agente fundamental presente na vivência e no de- senvolvimento humano. A interação do espaço e do meio influencia diretamente o desenvolvimento humano. O ambiente e o espaço estabelecem na criança, em seu processo de desenvolvimento, a relação com o mundo e com as outras pessoas, garantindo a sua formação e o seu desempenho social, moral, cognitivo e cultural. U6 69Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Contextos influentes no Desenvolvimento Rousseau (2000, p. 15), em sua obra “Emílio ou Da Educação”, traz a concepção de uma educação natural, ou seja, prioriza a natureza da criança, afirmando que quando a criança é criada livremente tem mais facilidade em seu desenvolvimento de fala e aprendizado. Nas palavras de Rousseau: Não deveis deixar que a criança seja metida em outros invólucros que a apertem ainda mais. Nada de testeiras e nada de faixas; fraldas soltas e largas que deixem todos os seus membros em liberdade e não sejam nem muito pesadas para atrapalhar seus movimentos, nem quentes demais para impedir que sinta as impressões do ar. Colocai-a num grande berço, onde ela possa movimentar-se à vontade e sem perigo. Quando começar a ficar mais forte, deixai-a engatinhar pelo quarto; deixai que a criança se desen- volva e estique as perninhas e os bracinhos e vereis que ela se fortalecerá a cada dia. Comparai-a com outra criança bem enfaixada, da mesma idade, e ficareis admirados com a diferença de seus progressos. (ROUSSEAU, 2000, p. 38) Para Rousseau, a infância (2000, p. 38) é “caracterizada como a Idade da Natureza. A educação não vem de fora, é a expressão livre da criança no seu contato com a natu- reza”. Seguindo: a criança precisa ser criada livremente. Precisa correr e cair cem vezes por dia, assim aprenderá mais cedo a se levantar. Ela pode e deve sentir dor. So- frer é a primeira coisa que deverá aprender, para que quando seja adulto não acredite morrer a primeira picada e desmaie ao ver a primeira gota de san- gue. [...] É na infância, onde as dores são menos sensíveis, que devemos multiplicá-las, para poupá-las na idade da razão. (ROUSSEAU, 2000, p. 38) Quanto às teorias de Piaget e Vygotsky em relação ao desenvolvimento humano, tam- bém se identifica a importância do ambiente social para o desempenho da aprendiza- gem e processo de desenvolvimento, porém, existe diferença entre suas teorias. Piaget (1964), embora reconhecendo fatores externos e sociais no processo cognitivo, não os reconhece como agentes essenciais nas operações intelectuais. Já Vygotsky (1991), em suas teorias, defende uma posição diferente da de Piaget. Suas teorias explicam sobre os meios pelos quais as relações atuais do indivíduo com o meio social em que está inserido fazem parte desse processo de construção do conhecimento. Enquanto Piaget busca compreender as estruturas do pensamento pelo mecanismo interno que as produz, Vygotski procura compreender a relação do mundo externo com o mundo interno para o desenvolvimento humano, entendendo, contudo, que o ambiente se trata do conjunto de condições materiais e morais que envolvem alguém e que podem con- tribuir nesse processo de desenvolvimento social, de forma direta e indireta, de acordo com o espaço que está inserido. Dessa maneira, podemos dividir os diferentes ambientes em três grupos: ` Onde vive: podendo ser subdividido em ambiente familiar, envolvido pelos diferentes arranjos familiares que contribuem significativamente com o desenvolvimento infantil; e ambiente físico, caracterizado por todos os espaços em que o sujeito está inserido e vivenciando. ` Onde se situa: subdividido em dois processos: como o ambiente social, caracterizado pelo espaço de interação, como a casa, o bairro, a escola etc.; e o ambiente cultural, formado pelo ambiente familiar. 70 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U6 Contextos influentes no Desenvolvimento ` Ambiente escolar: O ambiente escolar refere-se ao espaço físico escolar e ao ambiente educativo. O físico contemplando todos os aspectos necessários para o desenvolvimento, e o educativo se referindo à escolha do material e ao acompanhamento pedagógico para a aprendizagem. Nesta etapa de discussão, é necessário refletir criticamente sobre como os fatores am- bientes, sejam eles os ambientes familiar, físico, social, cultural e escolar, exercem in- fluência do desenvolvimento infantil. E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que o processo de desenvolvimento humano é muito mais complexo do que o que vimos até aqui, com suas definições, divisões e subdivisões, relacionadas aos processos físicos, biológicos, psicológicos e sociais. Neste capítulo, entendemos um pouco mais sobre os contextos influentes do de- senvolvimento, relacionando seus agentes: hereditariedade, referindo-se à carga genética onde estabelece o potencial do indivíduo; crescimento orgâ- nico, caracterizado pelo aspecto físico, mudanças de tamanho e ganho de massa do corpo humano; maturação neurofisiológica, o que torna possível determinado padrão de comportamento; e, por último, influência do meio ou ambiente, referindo-se ao conjunto de influências e estimulações am- bientais que alteram os padrões de comportamento do indivíduo. Por fim, compreendemos um pouco mais sobre o desenvolvimento humano, que se trata de um longo processo de que marca todas as fases e faixas etárias da vida. R ES U M IN D O Entende-se que o ambiente se trata do conjunto de condições materiais e morais que envol- vem alguém, agindo diretamente ou indiretamente sobre a vida e desenvolvimentodo ser hu- mano. Dessa forma, podemos dividir os diferentes ambientes em três grupos: onde vivemos, onde estamos e o ambiente escolar. Dentro desses grupos, existem as subdivisões. Dentro das subdivisões do grupo “ambiente escolar”, encontramos: O ambiente escolar refere-se ao espaço da escola. Ele se divide em ambiente físico e am- biente educativo. Resposta: Atividade Comentada U6 71Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Contextos influentes no Desenvolvimento Resposta: Atividade Prática Para melhor compreender as características do desenvolvimento humano dentro de suas particularidades a partir de cada faixa etária, precisamos reconhecer as individualidades de cada etapa do desenvolvimento, nos tornando mais aptos para observar e interpretar os comportamentos. Assim, se faz necessário destacar os principais fatores que influenciam o desenvolvimento humano que são: a. Hereditariedade; Crescimento Físico; Maturação Neuropsicológica; afetivo-emocional. b. Afetivo-emocional; Afetivo-social; Hereditariedade; Maturação Neuropsicológica; Meio. c. Hereditariedade; Crescimento Físico; Maturação Neuropsicológica; aspecto social. d. Afetivo-emocional; Afetivo-social; Hereditariedade; Maturação Neuropsicológica; social. e. Hereditariedade; Crescimento Físico; Maturação Neuropsicológica; Meio. ALTERNATIVA: E COMENTÁRIO: A resposta está correta, pois o que influencia o desenvolvimento humano é a hereditariedade, o crescimento físico, a maturação neuropsicológica e o meio. 73 UNIDADE 7 ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO DO ADOLESCENTE E DA VIDA ADULTA ASPECTOS PSICOLÓGICOS, NORMALIDADE E PATOLOGIA NO ADOLESCENTE E NO ADULTO Neste capítulo, você será capaz de compreender as etapas do desenvolvimento do adolescente e da vida adulta, seguindo uma discussão psicológica, entendendo seu processo, suas normalidades biológicas e psicológicas em comparação às patologias de cada etapa. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante! C O M PE TÊ N C IA S ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO Já vimos em discussões anteriores que o desenvolvimento humano é mar- cado por fases e etapas, e que as principais etapas da vida humana são: in- fância, adolescência, fase adulta e velhice. Ainda, dentro dessas etapas se encontram as fases de transição, como: puberdade, juventude e, para as mulheres, o climatério. Vimos também que todos os seres vivos passam por ciclos de vida, marcados por início, meio e fim. Dessa forma, o nascimento é o início de tudo, e a morte é quando tudo acaba. Entretanto, o período entre o nascimento e a morte de um indivíduo pode não ser o mesmo para todos, uma vez depende de vários outros fatores sociais, biológicos e sanitários. Figura 14. Representação das quatro fases da vida humana Fonte: Freepik https://br.freepik.com/vetores-gratis/uma-pessoa-em-diferentes-idades-ilustracao_6703735.htm#query=desenvolvimento%20humano&position=4&from_view=search&track=sph U7 74Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Etapas do Desenvolvimento do Adolescente e da Vida Adulta Adolescência: hereditariedade vs meio – desenvolvimento humano, disponível aqui. SA IB A M A IS Os seres humanos passam por diversas mudanças, e as etapas do ciclo vital são al- gumas delas. No entanto, há confusões quando o assunto é entender de fato quantas etapas existem no ciclo da vida. Primeiramente, porque, além das quatro fases fixas – infância, adolescência, fase adulta e velhice –, existem as suas subdivisões. Vamos nos debruçar um pouco mais sobre as etapas do desenvolvimento e suas subdivisões. Estágio pré-natal A fase pré-natal é caracterizada pelo processo biológico da formação do bebê. Esse período varia desde o momento da concepção até o momento do nascimento, marcado por importantes mudanças e crescimento, que vão desde o óvulo fertilizado até a com- pleta formação do feto. Podemos dividir o período pré-natal em: ` Pré-embrionário: a fase iniciada na fecundação e finalizada na segunda semana. Nessa fase, o óvulo fertilizado desce pela trompa de falópio até o útero, onde se implanta entre o oitavo e décimo dia de gestação, e a placenta começa a se desenvolver. Durante esse processo, o zigoto se autorreplica várias vezes, dando origem ao embrião conforme o seu grau de manejo. Quando deslocado até o útero, o feto passa a se desenvolver ainda mais rápido. ` Embrionário: o período embrionário dura até oito semanas e meia de gestação. Nessa fase, o bebê já começa a criar formas, desenvolvendo a cabeça, o rosto, os órgãos e os membros. ` Fetal: nesse período, o feto já se encontra em desenvolvimento das estruturas do corpo. O corpo do feto fortalece o sistema imunológico e se prepara para sobreviver fora do útero. Primeira infância A primeira infância é uma fase do desenvolvimento que vai de 0 a 3 anos de idade. É uma fase fundamental para a criança, na qual várias habilidades ( sensórias, coordena- ção motora etc.) são desenvolvidas, sendo fundamentais os desenvolvimentos seguin- tes, a exemplo da aprendizagem e alfabetização. Ou seja, é na primeira infância que a criança inicia seu processo de desenvolvimento de habilidades que permitirão o bom desempenho de habilidades mais complexas no futuro. Nesta fase, o bebê recém-nascido se encontra sempre dependente e com todos os sentidos funcionando, mas já competente para iniciar o processo de desenvolvimento de suas habilidades, além de seu crescimento físico. Aqui, a capacidade de aprender e de memória já estão presentes nas primeiras semanas de vida, e o interesse por outras crianças aumenta consideravelmente. https://www.youtube.com/watch?v=QNBEtH9Pn7U 75 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U7 Etapas do Desenvolvimento do Adolescente e da Vida Adulta Segunda infância Iniciada aos 3 anos de idade, a criança tem seus sentidos sociais e cognitivos ainda mais aflorados, já conseguindo identificar o espaço em que vive, absorvendo conceitos básicos de convivência. Nesta fase, o crescimento passa a acontecer em passos mais lentos em comparação com o estágio anterior. Entretanto, sua coordenação motora e suas ações primárias ganham ainda mais destaque nesse período. Assim, a criança consegue desenvolver com eficácia habilidades como falar, pensar, lembrar e diferenciar o seu espaço. As capacidades de força e habilidades motoras mais complexas começam a aumentar. Outro ponto bastante característico é o compor- tamento predominantemente egocêntrico, mas a noção de independência, autocontrole e cuidado próprio ganham destaque. Aqui, a criança já consegue formar ideias ilógicas sobre o mundo, devido à imaturidade cognitiva, e o interesse por outras crianças au- menta ainda mais. Terceira infância Nesta fase, iniciada a partir dos 6 anos, as crianças começam a ter capacidade de com- paração e assimilação, principalmente com outras crianças. Com 7 ou 8 anos de idade, passam a racionalizar os seus pensamentos, suas crenças, é a fase da procura pela razão e pela resposta dos porquês, ganhando considerável força no desenvolvimento. Aqui, também, a criança passa a analisar comportamentos, padrões e regras ensinados pela família e a sociedade, iniciando o processo de entendimento e replicando. Com 10 anos, a criança passa a interagir mais e dar mais importância aos grupos de amigos que possuem gostos semelhantes aos seus. Os amigos assumem uma importância considerável em seu desenvolvimento. Podemos destacar como principais características desta fase a diminuição do cresci- mento físico e o aperfeiçoamento de suas forças e habilidades físicas. A fase egocên- trica diminui consideravelmente, e o pensamento lógico em situações concretas ganha destaque, além dos ganhos cognitivos. Os pais e/ou cuidadores precisam se atentar a essa fase, pois aqui se inicia também o processo de desenvolvimento da autoimagem, o que pode afetar a autoestima. Pré-adolescência Nesta fase, os pré-adolescentes sentem-serejeitados pela sociedade, podendo de- sencadear problemas psicológicos. Como mencionamos, é na pré-adolescência que a criança se depara com as primeiras mudanças da puberdade no seu corpo. Esse perí- odo é marcado por intensas mudanças no corpo, na mente e no comportamento. É um período de transformação intensa, em que o sujeito se prepara para deixar a infância e entrar na vida adulta. É caracterizado pelo aumento do crescimento corporal e amadu- recimento dos órgãos sexuais, preparando-os para a fertilidade e, consequentemente, para a vida adulta. U7 76Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Etapas do Desenvolvimento do Adolescente e da Vida Adulta Adolescência Conceituando a adolescência, conforme vimos por aqui em outras discussões, é uma fase complexa da vida, compreendida entre a infância e a vida adulta, na qual o sujeito percebe mudanças ocorrendo em seu desenvolvimento e crescimento, e não consegue mais se encontrar como criança, porém, também não é adulto. As principais características desta fase são as rápidas e profundas mudanças físicas e a maturidade reprodutiva, além da busca por sua própria identidade e percepção no mundo. O egocentrismo adolescente persiste em alguns comportamentos, principal- mente por lidarem com sua autoimagem e autoestima. Adulto jovem Marcada entre os 20 a 40 anos, a fase do adulto jovem pode ser definida como o perí- odo no qual o indivíduo tem sua autonomia e independência, suas habilidades cogniti- vas totalmente desenvolvidas e as mudanças físicas, biológicas e intelectuais no auge. Aqui, geralmente, o indivíduo já conquistou sua liberdade emocional em relação à sua família, mas não estabeleceu, ainda, a sua própria família de procriação. Alguns autores chamam esse período de “década das afirmações”. Entendemos como principais características as habilidades cognitivas assumirem maior complexidade, e a saúde física atingir o máximo e depois cair rapidamente. Além disso, as decisões relacionadas a profissão, trabalho e relacionamentos íntimos ganham mais destaque. Meia-idade Marcado pela faixa etária dos 40 anos aos 60/65 anos, esse período da vida é repleto de incertezas e reavaliação de vários fatores presentes no cotidiano, em virtude das variadas mudanças: a independência dos filhos, a aproximação ou efetivação da apo- sentadoria, as modificações físicas. Podemos listar como principais características a deterioração da saúde física e declínio da resistência e perícia, além da chegada da menopausa para as mulheres. O senso de identidade continua a ser desenvolvido, e há a necessidade de administrar o sucesso profissional ou até mesmo o esgotamento, além de outras características cognitivas e emocionais. Terceira idade A terceira idade, marcada pela faixa etária de 60 anos, é marcada por grandes mu- danças físicas, mentais, comportamentais e emocionais, além das mudanças sociais devido ao avanço da idade. A maioria das pessoas que chegam à terceira idade ainda se encontram saudáveis e ativas, fisicamente e mentalmente. 77 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U7 Etapas do Desenvolvimento do Adolescente e da Vida Adulta Embora estudos garantam tais características, por se tratar de mudanças físicas e bio- lógicas, é comum a variação ocorrer de organismo para organismo – isso para todas as etapas de desenvolvimento da vida. IM PO R TA N TE CARACTERÍSTICAS PSICOLÓGICAS Até aqui falamos bastante sobre as etapas e fases do desenvolvimento em seus dife- rentes aspectos biológicos e cognitivos. Aqui, iremos destacar a psicologia do desen- volvimento e suas características. Atualmente, a psicologia do desenvolvimento é uma temática que busca compreender a forma como nos transformamos e aprendemos, permitindo que o ser humano expe- rimente constantes mudanças, aperfeiçoamentos, além de buscar o entendimento das relações sociais e psicológicas. Identificando os aspectos das fases da vida, a psicologia do desenvolvimento apoia e justifica cada uma delas. Sendo assim, evidencia comportamentos normais e prejudi- ciais, incentivando melhorias e corrigindo falhas, apoiada em quatro pilares interligados, quais sejam: ` Aspecto físico-motor: descreve a maturação do corpo e da mente. ` Aspecto intelectual: refere-se à capacidade cognitiva do ser humano. ` Aspecto afetivo-emocional: mostra a capacidade de integrar experiências e emoções, construindo seus sentimentos. ` Aspecto social: reações e posturas relacionadas às vivências em sociedade. A psicologia do desenvolvimento humano tem como objetivo analisar, justificar e acom- panhar o desenvolvimento humano em todos os seus aspectos. O ser humano sempre manifestou curiosidade sobre o seu desenvolvimento, compa- rando a sua visão a respeito de um assunto em diferentes etapas da vida. É nesse contexto que a psicologia do desenvolvimento concilia teorias de diferentes pensamen- tos, buscando a compreensão sobre o processo de construção do conhecimento e da aprendizagem interligado com o desenvolvimento humano. Como principais teorias que influenciaram e influenciam até hoje esse campo de estu- do, temos: ` Gestalt: conhecida como psicologia da forma. Acredita-se que que pequenos gestos ou respostas superficiais dão pistas sobre sentimentos latentes, o que a torna um instrumen- to terapêutico que contribui para a saúde mental. Segundo essa teoria, as pessoas se desenvolvem conforme aprendem a usar estruturas biológicas com as quais já nascem, ou seja, apenas descobrem sua capacidade cerebral, aos poucos. U7 78Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Etapas do Desenvolvimento do Adolescente e da Vida Adulta ` Behaviorismo: acredita-se que os comportamentos mudam a partir de alterações ambien- tais, sendo o estímulo uma mudança no ambiente, e a reação, uma mudança realizada pelo indivíduo. ` Lev Vygotsky: um dos principais representantes da teoria cognitiva, apresenta uma visão diferenciada do desenvolvimento humano, considerando as pessoas como construtoras de sua realidade ou representação interna do mundo em que vivem. Destaca também a perspectiva de que, para construir seus conhecimentos, o indivíduo interage com o meio e o momento histórico em que se insere. ` Jean Piaget: teoriza que o conhecimento é construído a partir de um sistema que busca se equilibrar, assimilando e acomodando novidades de maneira cíclica. Na assimilação, o ser entra em contato com o mundo exterior e aprende informações novas que são agregadas ao seu repertório interior. Já na acomodação, as informações são confrontadas com o que o ser já sabia e, a partir desse confronto, ocorre uma mudança da estrutura de seu pensamento. ` Freud: evidencia os aspectos emocionais do desenvolvimento, destacando sua influência no comportamento natural a cada fase da vida. O neurologista e pesquisador rompeu a concepção racionalista ao afirmar que a maior parte das atividades da mente humana é de ordem inconsciente, profundamente impactada por fatores afetivos. As teorias e estudiosos que comentamos nos leva a rever quatro fatores que já estuda- mos aqui, mas, que se são primordiais nessa temática discursiva. Tais fatores influen- ciam significativamente a maturação do indivíduo, são eles: ` Hereditariedade. ` Crescimento orgânico. ` Maturação neuropsicológica. ` Ambiente. Dessa forma, a psicologia do desenvolvimento humano estuda o desenvolvimento do ser humano nos aspectos: intelectual, social, físico, emocional, desde o nascimento até a idade adulta. NORMALIDADE E PATOLOGIA Você já ouviu falar em normal e patológico? Aqui, iremos apresentar esse campo da psicologia e identificar suas principais características. A discussão entre normal e pato- lógico não é recente, e muitos estudos e teorias já foram lançados sobre essa temática. No senso comum, o normal seria aquilo socialmente desejado e bom. Por outro lado, o patológico indicaria algo indesejado e ruim. Cientificamente, a diferença entre essas duas formas obedecema outros critérios. En- tretanto, também sofrem influências ideológicas e políticas. A discussão sobre o normal e o patológico tem implicações sociais relevantes, por exemplo, o desenvolvimento de políticas públicas em saúde mental. 79 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U7 Etapas do Desenvolvimento do Adolescente e da Vida Adulta Existem nove critérios relacionados à normalidade, que são: ` Normalidade como ausência de doença: o sujeito é considerado normal quando não apre- senta nenhum transtorno mental. ` Normalidade ideal: o sujeito é considerado normal quando atende aos critérios sociocultu- rais e ideológicos definidos sobre o que é saúde e o que é ser evoluído. ` Normalidade estatística: o sujeito é considerado normal quando apresenta características presentes na população de forma geral. ` Normalidade como bem-estar: o sujeito é considerado normal quando se alinha à defi- nição proposta pela OMS, ou seja, é um indivíduo que vivencia um completo bem-estar físico, emocional e social. ` Normalidade como processo: o sujeito é considerado normal quando tem crises, passa por desestruturações, vivencia mudanças típicas da sua fase de desenvolvimento. Aqui, ser normal é algo dinâmico e associado ao desenvolvimento psicossocial. ` Normalidade operacional: o normal e o patológico são definidos operacionalmente de modo arbitrário e com finalidade prática. ` Normalidade como liberdade: ser normal é ter a possibilidade de exercer os diferentes graus de liberdade na relação com o mundo e consigo mesmo. A patologia seria a limita- ção nas possibilidades de existência. ` Normalidade subjetiva: o próprio sujeito avalia, a partir das suas experiências subjetivas, se é normal ou não. ` Normalidade funcional: ser normal é não produzir sofrimento nem para si mesmo nem para a vida de outras pessoas ou grupos. Existem cinco critérios de normalidade que apresentam falhas significativas, quais se- jam: ` Ausência de doença: a normalidade é definida a partir de uma negação. ` Ideal: já que os critérios socioculturais podem ser definidos de forma arbitrária, justificando a inclusão de aspectos que não são psicopatológicos, por exemplo, a homossexualidade. ` Estatística: nem sempre aquilo que é mais frequente na população é normal, por exemplo, a ansiedade. ` Bem-estar: a definição proposta pela OMS é muito ampla, imprecisa e difícil de ser alcan- çada. ` Subjetiva: uma vez que o sujeito pode se avaliar como normal, mesmo possuindo um transtorno psicopatológico. A teoria psicanalítica se interessa tanto pelo funcionamento mental normal quanto pelo funcionamento patológico. Normal e patológico, nessa perspectiva, são da mesma na- tureza e diferem, somente, em termos quantitativos. Todas as formas de manifestação da neurose têm a sua origem na vida infantil, mesmo quando manifestadas mais tarde, por meio de vivências, de situações conflituosas, trau- U7 80Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Etapas do Desenvolvimento do Adolescente e da Vida Adulta mas, entre outros. la estará associada ao conflito de ordem sexual. Na concepção freudiana, a doença psíquica pode ser entendida como um desligamento do equilíbrio emocional. E o patológico, como uma perturbação exagerada do indivíduo com relação à realidade. Na psicanálise freudiana, a neurose é considerada ora como normalidade ora como pa- tologia grave. Quando os sintomas apontam desequilíbrio emocional de um indivíduo, a neurose é considerada patológica. Já quando os sintomas apontam para a sexualidade, a neurose pode ser considerada como normal. Pode-se perceber certa confusão entre os conceitos de normalidade e patologia, e ao destacar as diferenças entre as estruturas, podemos distinguir cada uma delas, bem como destacar as categorias clínicas de neurose, psicose e perversão. O conceito de normal e patológico nos dias de hoje, disponível aqui. O normal e o patológico, disponível aqui. SA IB A M A IS E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você percebeu que o processo de desenvolvimento humano é marcado por diferentes etapas, divisões e subdivisões, que vão desde a idade pré-natal até a velhice. Essas divisões e subdivisões são marcadas por dife- rentes aspectos e influências, sejam biológicos, fisiológicos e psicológicos, que juntos compõem o desenvolvimento do corpo e da mente humana. Vimos também o quanto é importante entender e estudar a psicologia do desenvolvimento, pois, aqui, ela es- tuda como a cognição se desenvolve e como o comportamento muda durante a fase de crescimento, trazendo multiplicidade de conhecimentos para o campo da psicolo- gia aplicada. Além disso, vimos também a diferenciação entre patológico e normal, entendendo a funcionalidade do conceito de cada um e, com isso, inserindo-os em determinado fenômeno que se deseje trabalhar. R ES U M IN D O https://www.youtube.com/watch?v=a5K5RqZNhwY https://www.psicologiasemfronteiras.com.br/2014/10/o-normal-e-o-patologico.html 81 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U7 Etapas do Desenvolvimento do Adolescente e da Vida Adulta Marcada pela faixa etária dos 40 anos aos 60/65 anos, esse período da vida é caracterizado pela introspecção e reavaliação de vários fatores da vida diária devido a várias mudanças. Além disso, se destaca por ser nessa fase a grande possibilidade de conquistar o sucesso da carreira e o aumento dos ganhos salariais. Estamos falando de que fase? Estamos falando da meia idade, a subdivisão que corresponde à faixa etária de 40 aos 60/65 anos. Resposta: Atividade Comentada Atividade Prática O desenvolvimento humano é marcado por períodos e etapas de grandes mudanças e adap- tações. Isso pode ser, de forma física, biológica, cognitiva e psicológica. Podemos dizer que: o desenvolvimento humano é marcado por fases e etapas, e que, apesar das mudanças, discussões e subdivisões, as principais etapas do desenvolvimento humano são: a. Infância, adolescência, fase adulta e velhice. b. Infância, fase adulta e velhice. c. Infância, adolescência, fase adulta, terceira idade e velhice. d. Infância e fase adulta. e. Infância, adolescência, juventude, fase adulta, terceira idade, e velhice. ALTERNATIVA: B COMENTÁRIO: o desenvolvimento humano é marcado por fases e etapas, e as principais etapas da vida humana são: infância, adolescência, fase adulta e velhice. Resposta: 83 UNIDADE 8 FORMAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS PSICOLÓGICAS FORMAÇÃO DA PERSONALIDADE, AUTOESTIMA E AUTOCONHECIMENTO Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender o processo de construção da personalidade, da autoestima e do autoconceito seguindo o viés cognitivo e psico- lógico, e como esses fatores contribuem no constante processo de desenvolvimento humano. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante! C O M PE TÊ N C IA S FORMAÇÃO DA PERSONALIDADE, AUTOESTIMA E AUTOCONCEITO Iniciamos esta discussão conceituando “personalidade” de acordo com o Dicionário Aurélio: “conjunto de qualidades que define a individualidade de uma pessoa moral” (FERREIRA, 2004, n.p.). Dessa forma, personalidade é uma característica do ser hu- mano que organiza os sistemas físicos, fisiológicos, psíquicos e morais de forma que, interligados, determinam a individualidade de cada ser. A personalidade pode ser caracterizada como um padrão pessoal, uma característica única, que inicia o seu desenvolvimento na infância, mas acompanha o ser humano du- rante a vida. Sendo assim, está presente em todos os momentos da nossa vida, desde a percepção de um ambiente até a forma como reagir diante disso. Uma espécie de filtro entre a percepção e a ação. A personalidade de um ser pode ser identificada com base em vários aspectos, como comportamento, cognição, impulsos, relacionamentos, entre outros.A criação da perso- nalidade pode acompanhar uma junção entre as características genéticas do ser desde o seu nascimento e as experiências sociais vivenciadas durante o seu desenvolvimen- to, como a educação, o meio em que a criança está inserida, o conjunto de normas e regras apresentadas para a criança, entre outros. Além disso, questões sociais e culturais na formação da personalidade de um ser tam- bém moldam a personalidade. É possível encontrar em uma pessoa traços característi- cos de determinado povo ou cultura, que não são identificados em outras pessoas que não pertençam à mesma cultura ou região. Então é normal, no processo de formação da personalidade, o sujeito modular a sua com características comuns à sua cultura ou ao meio que está inserido. Todavia, a construção da personalidade se inicia nos primeiros momentos de vida, mas U8 84Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Formação das Características Psicológicas ganha força na adolescência e na vida adulta, uma vez que, nessa fase, o sujeito já consegue destacar as características que moldarão a sua personalidade. Aqui existem cinco fases universais do desenvolvimento que são chamadas de fases psicossexuais, segundo as teorias de Freud. Para ele, é possível observar e considerar que, desde os 5 anos de idade, a criança já formou a sua própria personalidade. Nessa fase, ela já teria desenvolvido as estratégias fundamentais para a expressão dos seus impulsos, que consequentemente, que estabelecem o núcleo de sua personalidade. Assim, Freud (1932) explica que o desenvolvimento da personalidade é centrado, devi- do ao encontro de algumas particularidades anatômicas presentes em funções fisiológi- cas e psicológicas correspondentes a elas, e propôs que todas elas seriam expressões da sexualidade, de acordo com a faixa etária de cada estágio. Estágio oral Neste estágio, destacado no primeiro ano de vida da criança, a libido concentra-se na boca do bebê. Assim, destaca-se o primeiro estágio de desenvolvimento da personali- dade, no qual a criança coloca todo tipo de coisas na boca. Figura 15. Representação do estágio oral Fonte: Freepik Para Freud (1932), a fase oral é um processo bastante delicado que merece atenção. Isso porque essa fase é conhecida como a fase do espelho, na qual a criança já con- segue reconhecer a sua própria identidade, passando a ter mais conhecimento e cons- ciência sobre si. Podemos identificar que, quando vivenciada adequadamente a fase oral, esta irá refletir diretamente na personalidade do indivíduo ao longo da vida. A relação familiar e a inte- file:///C:\Users\ADM\Downloads\%3ca%20href=%22https:\br.freepik.com\fotos-gratis\retrato-de-uma-linda-garota-pensativa-com-cabelo-loiro-curto-mantendo-os-dedos-na-boca-garoto-serio-fica-na-frente-da-camera-olhando-diretamente_8988644.htm#query=bebe%20com%20dedo%20na%20boca&position=4&from_view=search&track=sph">Imagem de user18526052</a> no Freepik 85 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U8 Formação das Características Psicológicas ração social com outras pessoas interferem no desenvolvimento mais sólido da criança. Dessa forma, a criança vai crescer e aprenderá a lidar adequadamente com problemas de ansiedade, angústia, perdas, dependências emocionais etc. Estágio anal A fase anal acontece durante o segundo e terceiro ano de vida, quando o prazer se encontra no ânus. Acredita-se que o foco da libido está presente no controle da bexiga e na evacuação. O grande conflito dessa fase é a exigência social de adquirir hábi- tos de higiene. A criança tende a entender e aprender a controlar suas necessidades corporais. Com isso, desenvolver esse controle leva a um sentimento de realização e independência. De acordo com Freud, o sucesso dessa fase é dependente da maneira como os pais se aproximam no treinamento do uso do banheiro. Figura 16. Representação do estágio anal Fonte: Freepik Nessa idade a criança já consegue compreender a existência do outro, percebendo que ela não é o centro do universo e que existe alguém que tem domínio sobre ela. Aqui começa a formar-se o que chamamos na psicanálise de ego ideal, que são os valores passados pelos pais, cuidadores, sociedade, religião etc. Freud acredita que as experiências positivas durante essa fase servem de base para que as pessoas se tornem adultos competentes, produtivos e criativos. É por meio des- se processo da fase anal que a criança aprenderá a se livrar do que não fará falta a ela quando adulta. Nesse caminho, uma criança bem construída nessa fase saberá como tomar iniciativas em problemáticas, bem como desapegar de algo que não é mais tão importante. https://br.freepik.com/fotos-premium/mulher-e-bebe-coco-com-fundo-de-vaso-sanitario-no-banheiro_13141312.htm#query=bebe%20fazendo%20coco&position=24&from_view=search&track=sph U8 86Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Formação das Características Psicológicas Fase fálica Essa fase ocorre entre os 4 e 6 anos de idade e trata-se da construção do reconheci- mento, da busca por reconhecimento, principalmente, dos pais. É caracterizada pela descoberta anatômica do sexo, ou seja, a criança descobre que tem pênis ou não tem pênis. Assim, o foco principal da libido são órgãos genitais. Freud acreditava que os meninos, devido ao grande afeto pela mãe, começam a en- xergar no pai um grau de rivalidade. O complexo de Édipo descreve esses sentimentos de querer possuir a mãe e o desejo de substituir o pai. No entanto, a criança teme ser punida pelo pai por causa desses sentimentos, o medo denominado como “angústia da castração”. No caso das meninas, passariam por um período semelhante. Chamado de complexo de Electra, que vem sendo usado para descrever um conjunto semelhante de sentimen- tos vivenciados nos jovens. No entanto, para Freud, as meninas experimentam a inveja do pênis, no lugar da angústia da castração. Figura 17. Representação do estágio fálico Fonte: Pixabay Estágio da latência O período de latência, marcado entre os 6 e 10 anos, encontra-se entre as fases fálica e genital. Também se encontra entre a organização sexual infantil e adulta, compre- endendo uma diminuição do que podemos chamar de atividade sexual. Nesta fase, podemos perceber o aumento gradual no tempo de espera pela satisfação dos desejos da criança. A criança passa a entender que as coisas não vão sempre ser da forma e no tempo que ela quer e que isso é importante para se relacionar com outras pessoas. 87 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U8 Formação das Características Psicológicas Figura 18. Representação do estágio da latência e educação sexual Fonte: Freepik É nesta fase que podemos caracterizar a mudança qualitativa na relação da criança com seus pais, e isso ocorre pelo processo de superação chamado complexo de Édipo. É uma fase do desenvolvimento psicossexual em que a criança, em sua maioria do sexo masculino, passa a sentir atração pela figura materna e, em contrapartida, posicio- na-se com certa rivalidade com a figura paterna. É um período bastante conflituoso para a construção do ego da criança. Outra importante informação é que, de acordo com a faixa etária, a fase da latência é a mesma fase do período de escolarização da criança, assim, suas energias e habilidades estão ainda mais inseridas nas relações sociais. Fase genital Esta fase é marcada pelo desenvolvimento da adolescência, caminhando da puberdade até a fase adulta. A principal característica dessa fase é o amadurecimento dos sinto- mas hormonais, trazendo mudanças físicas e mentais, tornando os impulsos sexuais mais presentes. Podemos destacar também que a fase genital é marcada pelo estabe- lecimento de grupos, sendo amigos ou profissionais e escolares, ou até mesmo pelos pares amorosos. U8 88Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Formação das Características Psicológicas Figura 19. Representação da fase genitalFonte: Freepik Teoria da personalidade: Freud explica, disponível aqui. SA IB A M A IS Estrutura da personalidade Ainda sobre a personalidade e o seu processo de construção, Freud, em suas consultas e lidando com seus pacientes, percebeu que existiam neles inúmeros conflitos internos e que, por muitas vezes, lidavam com tais conflitos realizando certos acordos psíquicos para tentar aliviar a ansiedade gerada e manter algum nível de conforto mental. De acordo com Freud (1932), a nossa psiquê, ou a nossa mente, tem como principal meta preservar ou recuperar um certo nível de equilíbrio interno que permita minimizar o desprazer e maximizar o prazer. Essa tarefa é levada pelo relacionamento dinâmico entre três componentes básicos da psiquê, que são: o ID, o ego e o superego. ` ID: é a estrutura original da personalidade, que se encontra caótica, desorganizada e sem forma. Todo o conteúdo do ID é inconsciente. Dessa forma, diante de uma natureza caótica e impulsiva, no ID encontramos os desejos contraditórios lado a lado, sem que um anule o outro, pois no ID a lógica não se aplica. Além disso, é no ID que encontramos a fonte de toda a energia das pulsões de vida e de morte. Ele busca a liberação constante de toda a energia, de toda atenção e de toda excitação. ` Ego: é uma estrutura da personalidade que se desenvolve a partir do ID, conforme a crian- ça vai tomando consciência da sua própria identidade. A função do ego é a de procurar atender às exigências constantes do ID, preservando a saúde, a segurança e a sanidade https://www.youtube.com/watch?v=969HAYbdmyc 89 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U8 Formação das Características Psicológicas da psiquê. Como o ID é incapaz de lidar com a realidade externa, o ego, que por sua vez é lógico e racional, cumpre essa função, fazendo a interação entre o mundo interno e ex- terno. Assim, a energia utilizada pelo ego é extraída do ID. O ego se esforça pelo prazer e tenta evitar o desprazer, mas ele faz isso considerando as limitações e as oportunidades que são postas pela realidade externa, controlando as exigências do ID e avaliando como, quando e se elas devem ser satisfeitas. Resumindo, o ID funciona segundo o princípio do prazer, e o ego funciona segundo o princípio da realidade. ` Superego: é uma estrutura que surge a partir do ego e tem a função de atuar como juiz das ações e dos pensamentos do ego. É no superego que ficam os códigos de conduta aprendidos no convívio social, as inibições e os ideais. O superego age no sentido de proibir ou limitar certos pensamentos e atitudes. Dessa forma, do ID surge o ego para lidar de forma realista com o ID, considerando a realidade externa. O superego, por sua vez, surge do ego como um juiz que controla a flexibilidade do ego. Em outras palavras, o ID é totalmente inconsciente. Já o ego e o superego são formados por processos e elementos que habitam o consciente, o pré- -consciente e o inconsciente, logo, eles são parcialmente inconscientes. Autoestima Conceituando a palavra “autoestima”, temos que se trata de um sentimento de satisfação e contentamento pessoal que experimenta o in- divíduo que conhece suas reais qualidades, habilidades e potencialidades positivas e que, portanto, está consciente de seu valor, sente-se seguro com seu modo de ser e confiante em seu desempenho. (FERREIRA, 2004, n.p.) Desse modo, podemos dizer que a “autoestima” reflete a forma como as pessoas acei- tam a si mesmas, valorizam o outro e projetam suas expectativas. Figura 20. Representação da autoestima Fonte: Freepik Freud explica, segundo a psicanálise, que “a autoestima expressa o tamanho do ego”. Para ele, na identificação narcísica, o “eu” se identifica com a imagem de um objeto U8 90Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Formação das Características Psicológicas desejado. Na busca de produzir a “imagem de si”, o narcisismo participa da fase normal de desenvolvimento psíquico, de fundamental importância na construção do “eu” e do lugar do “outro” em sua vida. Cumpre destacar a relação familiar nesse processo de visão e aceitação que o indiví- duo tem de si. Podemos citar como exemplo a criação de uma criança com família su- perprotetora em contrapartida com a de uma criança que tem o apoio mais reforçado da família. Assim, a criança que foi marcada pela superproteção vai crescer e desenvolver insegurança nas realizações de suas atividades, chegando a desenvolver baixa auto- estima. Do outro lado, a criança que recebe o apoio dos seus familiares desenvolve-se com mais segurança e confiança para realizar qualquer atividade que lhe for solicitada. Além da relação familiar, a construção do “eu” também é marcada pelas condições sociais e culturais que possibilitam e estabelecem condições para que o ser possa se desenvolver e se “tornar pessoa”. Na construção educativa e de aprendizagem, o in- divíduo conecta-se com valores, normas e regras ditados pela sociedade, assimilam e começam a fazer parte de si identificando o seu “eu” como um ser único. Contudo, ter autoestima implica diretamente gostar de si, mas dependendo dos sinais positivos do outro, para que a autoestima fique em alta. A autoestima tem, na família e no meio social, fatores preponderantes que vão marcar o sujeito pelo resto da vida. A genética também é importante, mas insistimos no “outro” como formador e “combustí- vel” de nossa autoestima. Autoestima: mentes em pauta, disponível aqui. SA IB A M A IS Autoconceito Entendemos como autoconceito a ideia que temos de nós mesmos. Esse reflexo interior é construído pelos vários papéis que desempenhamos, nossa personalidade, nossas ideologias, crenças, metas e objetivos. O autoconceito pode ser considerado o aspecto mais importante da personalidade, o qual engloba informações relacionadas a gênero, sentimentos, memórias e experiências. Assim, os elementos do autoconceito formam as crenças específicas que definem o indivíduo. O autoconceito pode ser dividido em três partes, que são: ` O ser ideal: a pessoa ideal que o sujeito constrói em si próprio e para si. ` Autoimagem: características físicas do sujeito. ` Autoestima: o quanto o sujeito se valoriza e gosta das suas próprias características e de si próprio. https://www.youtube.com/watch?v=aC0aGaBI__0 https://www.youtube.com/watch?v=969HAYbdmyc 91 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U8 Formação das Características Psicológicas Conhecer a si ajuda nas decisões de agir e pensar em diferentes situações. A consci- ência da nossa identidade e da de outras pessoas torna a nossa vida mais simples e facilita nossos relacionamentos interpessoais e intergrupais. E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Neste capítulo, falamos do processo de construção de personalidade, autoestima e autoconceito seguindo o viés cognitivo e psicológico, e como isso contribui no constante processo de desenvolvimento humano, que per- passa a infância, adolescência, vida adulta e velhice. Na discussão sobre a formação da personalidade, entendemos sobre a teoria de Freud, que compreende todos os estágios da infância para explicar, de acordo com a psicanálise, a formação da perso- nalidade de cada indivíduo. Freud defende que a formação da personalidade é subdi- vida, desde os primeiros segundos de vida, em estágios: estágio oral, destaca-se por concentrar a libido na boca; estágio anal, em que o ânus é a zona erógena primário e o prazer é derivado do controle dos esfíncteres da bexiga e do intestino; fase fálica, em que a libido se concentra em sua genitália como zona erógena; estágio da latência, que é a fase conhecida como a organização sexual infantil; e a fase genital, na qual se destaca o interesse sexual nas outras pessoas. Além disso, vimos que o processo de personalidadeé marcado por autoestima e autoconceito, sendo ambos extremamente importantes, e a necessidade de manter as relações familiares, sociais e culturais saudáveis para influenciar positivamente nessa construção. R ES U M IN D O Destacada no primeiro ano de vida da criança, a libido concentra-se na boca do bebe. Assim, destaca-se o primeiro estágio de desenvolvimento da personalidade. Percebe-se que a crian- ça, nessa fase, coloca todo tipo de coisas na boca e exerce ainda, quase exclusivamente, outras atividades orais, como sucção, mordida e amamentação. Estamos falando de que fase da vida na construção da personalidade? Estamos falando da fase oral, pois nessa fase, a libido da criança concentra-se na boca, e ela tende a levar tudo para a boca. Resposta: Atividade Comentada U8 92Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Formação das Características Psicológicas Atividade Prática Há um conjunto de qualidades que definem a personalidade moral de uma pessoa. Pode-se dizer, assim, que a personalidade é um traço humano que organiza os sistemas físico, fisio- lógico, psicológico e moral que, interligados, determinam a individualidade de cada ser. De acordo com esta definição, podemos dizer: a. Personalidade. b. Relação social. c. Autoestima. d. Autoconceito. e. Relação afetiva. ALTERNATIVA: A COMENTÁRIO: A resposta está correta, pois na discussão conceituando “personalidade” de acordo com o dicionário Aurélio, temos: conjunto de qualidades que define a individualidade de uma pessoa moral. Resposta: 94 UNIDADE 9 CONTEXTO FAMILIAR E SOCIAL CONCEITO DE FAMÍLIA E CONTEXTO FAMILIAR Ao término deste capítulo, você será capaz de entender a importância do contexto familiar para o desenvolvimento social e emocional das crianças e dos adolescentes. Será capaz de compreender um pouco mais sobre o conceito de família e as diferen- tes estruturas familiares que fazem parte da nossa sociedade. Você conseguirá enten- der melhor sobre o ser adolescente, as mudanças que acontecem no seu processo de amadurecimento e como o ser consegue evoluir com todas essas questões. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante!C O M PE TÊ N C IA S CONCEITO FAMILIAR Vimos até aqui que o meio ambiente e as relações sociais contribuem diretamente com o desenvolvimento humano. As relações familiares são os primeiros contatos que a criança tem e, consequentemente, as primeiras interações. É na família que a criança aprende sobre regras, normas, obediência. Aprende sobre sentimentos e afetividades. Constroem seus primeiros traços de personalidade, autoestima e autocontrole. No ge- ral, as primeiras interações sociais são aprendidas dentro do elo familiar e mais tarde são reproduzidas fora dele. Conceituando “família” pelo Dicionário Aurélio, encontramos o significado referente a “grupo de pessoas com ancestralidade comum”. Dessa forma, podemos entender que se trata de um grupo de pessoas que biologicamente possuem vínculo parentesco entre si e que convivem na mesma casa ou ambiente. No contexto social, existe uma estru- tura familiar que recebe o nome de “família tradicional”, definida por um pai, uma mãe e filhos. Entretanto, devido às várias mudanças sociais e culturais, outras estruturas fami- liares surgiram e ganharam outras denominações. Caso das seguintes denominações: ` Família monoparental: composta por apenas por um progenitor, ou um pai ou uma mãe. ` Família anaparental: quando os progenitores estão ausentes. ` Família arco-íris: formada por um casal homossexual, ou até mesmo uma pessoa homos- sexual sozinha, e filho(s) legítimos ou adotados. ` Família contemporânea: estamos acostumados a lidar com a estrutura familiar em que o homem se coloca como o chefe da casa. Na família contemporânea, temos o contrário. Ou seja, a mulher assume o papel de chefe da casa. Geralmente, isso acontece quando a mãe é solteira ou divorciada e assume as responsabilidades da casa sozinha. U9 95Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Contexto Familiar e Social ` Família comunitária: formada sem a presença dos pais, geralmente composta pelos avós, filhos, tios e primos. ` Família extensa: família em que vivem no mesmo espaço avós, tios, primos, pais e filhos. ` Família unipessoal: formada por uma pessoa que resolve viver sozinha, seja ela solteira, divorciada ou viúva. ` Família reconstituída: formada pela reconstituição familiar, ou seja, quando houve separa- ção, e um dos cônjuges resolve formar um novo matrimônio. ` Família adotiva: quando existe a adoção de uma criança, seja por um casal ou por uma pessoa solteira, dentro das condições judiciárias. Figura 22. Representação das estruturas familiares Fonte: Freepik Para entender melhor sobre o conceito familiar, é necessário contextualizar primeiro como esse fenômeno surgiu ou se destacou nas primeiras humanidades, sendo a fa- mília a mais antiga instituição social já criada nas civilizações. Podemos destacar aqui que, ainda nos períodos nômades, os seres humanos passaram a se agrupar para faci- litar suas condições de agrupamento. Assim, com o tempo se passando, esses grupos foram se formando em clãs. Mais tarde, as civilizações evoluíram de nômades para sedentarismo, e nessa etapa da civilização, os clãs foram aumentando, dando origem às tribos e, em seguida, às cidades. Assim, nas cidades, as famílias passaram a ser consideradas grupos de laços de confiança para procriação e continuidade da espécie humana. O conceito familiar passou por diversas mudanças históricas e sociais no decorrer dos séculos. O que antes era considerado “família” os grupos de convívio, sobrevivência e procriação, nesse momento, o direito canônico ganha grande influência nessa discus- são. No período medieval, recebendo a forte influência do cristianismo, o matrimônio file:///C:\Users\ADM\Desktop\Imagem%20de%20%3ca%20href=%22https:\br.freepik.com\vetores-gratis\tipos-de-familias_829790.htm#page=4&query=tipos%20de%20familia&position=45&from_view=search&track=sph">Freepik</a> 96 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U9 Contexto Familiar e Social passou a ser considerado sacramento, e o conceito familiar ficou ainda mais fortalecido como período natural da vida, marcado por uma ordem divina e sagrada. O conceito de “família” vem da palavra latina “Famulus”, que significa “escravos domésti- cos”, que, no período do Império Romano, por muito tempo significava a união de duas pessoas e seus descendentes. Assim, essa ideia se perpetuou pelos tempos, e a partir daí, surgiu a prática do matrimônio com o intuito de unir duas famílias para divisão de bens e riquezas. Assim, podemos entender que “família” passa a ser algo mais além do que uma instituição social, e vem a ser uma instituição histórica que se transforma, res- significa no tempo e no espaço, conforme as construções sociais e culturais. Contudo, Pierre Bourdieu (1996, p. 42) afirma que a família é produto de um verdadeiro trabalho de instituição, ritual e técnico ao mesmo tempo, que visa instituir de maneira duradora, em cada um dos membros da unidade instituída, sentimentos adequados a assegurar a in- tegração que é a condição de existência e de persistência dessa unidade. Assim, podemos definir que, a princípio, a estrutura familiar ideal é aquela constituída por um homem e uma mulher, vivendo em uma sociedade pa- triarcal em que o poder masculino predominava nessa construção. Mas mui- tas mudanças históricas aconteceram, e esse formato “ideal” familiar rece- beu novas estruturas. Entretanto, vale destacar que, apesar das incontáveis mudanças já ocorridas, o conceito familiar recebe amparo do poder jurídico, porém, nem todos os modelos são reconhecidos perante a lei. Sendo assim, encontramos na Constituição Federal: o casamento (art. 226 § 1.º e § 2.º, CF), união estável (art. 226 § 3.º, CF) e família monoparental (art. 226 § 4.º, CF). Dados apontam que quase a metade das famíliasbrasileiras se mantêm nesse padrão estrutural de pai, mãe e filhos. A outra parte, é composta por outros modelos de família, como as monoparentais ou homoafetivas. Além disso, apesar dos dados, vale destacar que, na nossa sociedade, ainda exis- te resistência, muitas vezes por questões culturais e religiosas, em aceitar esses novos conceitos de família. Cumpre lembrar também o que muda com esse novo conceito familiar. A Constituição de 1988 reconhece a união estável de duas pessoas como entidade familiar, porém, só pode ser assim considerado perante a justiça, mas ainda não por lei. Sendo assim, por parte, podemos concluir que embo- ra tenha havido tantas evoluções e mudanças nos últimos anos sobre esse assunto, ainda é forte o preconceito sobre as novas estruturas familiares que existem, impedindo assim que esse novo conceito possa ter os mesmos direitos dos que são considerados “estrutura ideal”. CONTEXTO FAMILIAR Já destacamos o quanto o papel da família é importante na vida e no desenvolvimento de uma criança e o quanto a criança aprende sobre si, sobre valores culturais, crenças e interações sociais, quando tem um ambiente familiar propício. Também vimos que esse ambiente, quando se torna um espaço conturbado e confuso para a criança, pode U9 97Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Contexto Familiar e Social influenciá-la de forma negativa, podendo trazer problemas psicológicos em seu desen- volvimento. É nesse espaço, mais precisamente dentro de casa, que a criança inicia o seu desen- volvimento na aprendizagem. Como foi dito, nas rotinas pelas quais são repassadas as regras e obrigações, as crianças aprendem desde cedo a estipular horário, normas, a identificar o que pode e o que não pode fazer, e até mesmo a estimular a convivência e a interação social em grupos. É também nessa fase e dentro desse espaço que a criança aprende a gostar ou a não gostar da escola, uma vez que a criança ainda não possui maturidade para diferenciar o contexto escolar do contexto familiar, e é nessa dissociação que a família entra para propiciar que esse processo de adaptação se torne leve e descontraído, o que vai influenciar diretamente no processo de aprendizagem. Por falar em ambiente escolar e na importância da família no processo de adaptação ao contexto escolar e, consequentemente, ao processo de aprendizagem, podemos citar o ECA (BRASIL, 1990), que vem garantir crianças e adolescentes como sujeitos de di- reito e trazer em lei a obrigatoriedade de acesso à escola e à educação para crianças e jovens. Além disso, apresenta que é obrigação da família, dividindo a responsabilidade com o Estado e a sociedade, garantir a matrícula nas escolas, bem como acompanhar o processo de aprendizagem. Assim, seguindo o art. 4.° do ECA, temos que: é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Públi- co assegurar, com prioridade absoluta, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profis- sionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária. (BRASIL, 1990, on-line) Porém, apesar da determinação legislativa de responsabilizar tanto a família quanto o Estado pela garantia da educação e da efetiva participação no contexto escolar, pode- mos perceber que é no contexto familiar que se é depositada a maior responsabilidade pelo desenvolvimento da criança, bem como pela formação de sua personalidade e do caráter. Por isso se faz tão importante a família contribuir com essa base educacional, além de se montar como rede de apoio para esse processo de desenvolvimento esco- lar, social e de caráter. Assim, podemos dizer que o processo escolar e de aprendizagem depende muito da efetiva participação das famílias, que auxiliam em todos os aspectos no desenvolvi- mento da criança como aluno. Destaca-se que nessa atuação precisa seguir juntos, estreitando uma relação entre escola e família em prol de um resultado em comum: o bom desempenho de aprendizagem para a criança. A relação entre escola e família está baseada na divisão de responsabilidades no pro- cesso educacional das crianças. Para que essa relação seja produtiva, não basta cobrar da família que participe do apoio necessário para o desempenho escolar, é necessário também que a escola envolva os familiares em suas ações e projetos, além de garantir a participação dos pais em projetos comunitários, reuniões e ações voluntárias. É in- teressante que os pais sejam chamados para participar do dia a dia da rotina escolar, podendo participar da organização da escola, oferecer serviços voluntários, projetos. É inquestionável o quanto essa relação contribui para o bom desempenho da criança e do 98 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U9 Contexto Familiar e Social adolescente. Além disso, cabe frisar a importância do papel da escola em envolver os pais nessas ações e para isso o projeto político-pedagógico precisa estar bem estrutu- rado, de forma que possibilite essa interação. Reforçando o papel da escola em si, ela contribui em diversos aspectos no desenvolvi- mento do ser, além de proporcionar diferentes níveis de interação social para a criança. Podemos concluir que a eficácia da aprendizagem se dá por um importante contexto social, que possibilita trocas de informações e experiências que auxiliam no desenvol- vimento em grupo. Assim, percebe-se que, à medida que o ser consegue corresponder a essas diferentes interações sociais, desenvolve a capacidade de seu papel como aluno e de responder as suas obrigações escolares. O processo da autoestima ganha ainda mais destaque e, com isso, a construção eficaz da sua personalidade, evidenciando sua autonomia. O filósofo e teólogo Luckesi (2005), em seu livro Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições, afirma que a aprendizagem se desenvolve dentro de um con- texto social, por meio de trocas de experiências e vivências relacionadas em grupos. É dessa forma que se destaca o papel da escola na vida da criança, e a relação entre o educador e a família, evidenciando o quanto o educador e a escola precisam se prepa- rar para lidar com as famílias e com as diferenças de pensamentos e comportamentos dela, estando ciente de que nem todas as famílias terão a mesma reação diante das participações ativas da escola com o desenvolvimento da criança. DESENVOLVIMENTO SOCIOEMOCIONAL A PARTIR DO CONTEXTO FAMILIAR Vimos até aqui a relação da família e da escola no processo de desenvolvimento hu- mano, agindo diretamente no desempenho das habilidades e competências socioemo- cionais da criança e do adolescente. Vale destacar que o contexto escolar, o contexto familiar e o contexto social podem ser estudados e entendidos de forma separada, mas, quando se trata de discutir o desenvolvimento da criança, devem ser compreendidos juntos, como um só, uma vez que compartilham do mesmo processo de socialização e aprendizagem. Para melhor entendermos essa interação social dentro desse contexto escolar e fami- liar, precisamos destacar um fato biológico que muito explica esse ponto no desenvolvi- mento infantil. Biologicamente, o cérebro humano, já nos primeiros anos de vida, recebe a formação de mais de 1 milhão de conexões neurais, para que consiga se desenvolver para o futuro. Assim, nesse processo biológico e de desenvolvimento cerebral, não falando apenas da capacidade intelectual e de raciocínio lógico, é na primeira infância que acontece o período socioemocional, ou seja, o processo de desenvolver capacida- des e habilidades sociais e emocionais. Trazendo para um contexto escolar e familiar que possa contribuir com esse processo de adquirir habilidades sociais, é necessário que as atividades nas quais as crianças estejam inseridas tragam a oportunidade de desenvolver e usar sua inteligência emo- cional. Sendo assim, é importante que a escola possa se atentar e promover para os U9 99Desenvolvimento daAdolescência e Vida Adulta Contexto Familiar e Social alunos a adição de capacidades, como comunicação, colaboração e pensamentos crí- ticos, e que isso faça parte da proposta curricular de cada escola e, claro, com o acom- panhamento familiar. O desenvolvimento socioemocional refere-se a um processo que abrange aspectos so- ciais e emocionais, e que precisa ser estimulado para que ajude a criança a compreen- der suas emoções, bem como estabelecer suas relações pessoais e interpessoais no seu dia a dia. Por isso a escola tem um papel fundamental para esse processo, pois é onde se tem o objetivo de preparar o indivíduo para os desafios da vida. Tratar do desenvolvimento socioemocional faz parte, hoje, do currículo da Base Na- cional Comum Curricular, com o propósito de acompanhar as escolas, garantindo que as crianças receberão o estímulo necessário e que sairão dessa fase da vida com as principais competências socioemocionais desenvolvidas. Segundo a BNCC (BRASIL, 2018), podemos citar como as principais competências as seguintes: ` Autoconhecimento: a capacidade de se conhecer e reconhecer suas emoções e limites. ` Gestão dos pensamentos e emoções: a capacidade de desenvolver seu autocontrole nas emoções e sentimentos. ` Consciência social: a capacidade de se colocar no lugar do próximo, de desenvolver a empatia, principalmente com aqueles de origens, culturas e valores diferentes. ` Habilidades de relacionamento: a capacidade de desenvolver e manter boas relações para o seu desenvolvimento. ` Tomada de decisão responsável: a capacidade de fazer escolhas positivas e construtivas com base em padrões éticos e valores sociais. Sendo assim, precisamos destacar que a escola, por ser a primeira experiência social das crianças fora do ambiente familiar, assume um importante papel nesse processo. As interações sociais relacionadas com a cultura e a empatia ajudam o indivíduo a desenvolver a competência de pertencimento e cooperação, fundamentais para o de- sempenho socioemocional. Como já mencionamos, a BNCC atua ativamente na garantia de que essas habilidades e competências sejam devidamente cumpridas no âmbito educacional. Para isso, des- taca seis direitos de aprendizagem que precisam fazer parte do plano político-pedagó- gico escolar. São elas: ` Conviver. ` Brincar. ` Participar. ` Explorar. ` Expressar-se. ` Conhecer-se. https://escoladainteligencia.com.br/blog/brincadeiras-interativas/ 100 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U9 Contexto Familiar e Social Também devemos destacar a importância dessa aproximação entre o espaço escolar e a família, para conseguir êxito no desenvolvimento social e emocional. Assim, a família e a escola conseguem acompanhar a evolução da criança, bem como entender suas necessidades e controlar o desempenho das habilidades e competências, sejam elas socioemocionais ou não. A partir dessa parceria, é possível pensar em recursos, ações e projetos pedagógicos que possam envolver as turmas e até mesmo os pais e respon- sáveis dos estudantes, para que esse apoio seja benéfico para o desenvolvimento do ser. DESENVOLVIMENTO SOCIOEMOCIONAL NO CONTEXTO FAMILIAR SER ADOLESCENTE Já vimos em outras discussões que a adolescência é uma fase marcada por comple- xas mudanças físicas, biológicas, psíquicas e sociais, influenciadas diretamente pela época, cultura e espaço. É nessa fase que o adolescente busca firmar sua visão do mundo em si, reafirmando sua personalidade, seu caráter social, sexual, ideológico e profissional. Surge aqui a necessidade de construir sua identidade e a sua descoberta da sexualidade. Assim, tornar-se adolescente pelo ponto de vista biológico é marcado pelo início da puberdade, quando acontecem o crescimento físico, alterações nos órgãos sexuais e na altura, ganho de massa muscular e peso, além das grandes maturações do cérebro. Já do ponto de vista cognitivo, podemos caracterizar pelo período de conhecimento e de raciocínio lógico, do pensamento abstrato e do desenvolvimento das habilidades cognitivas e psíquicas. Do ponto de vista social, é um período de preparação e adap- tação para as interações sociais, principalmente em grupos. Como falamos, quando a criança nasce, as primeiras interações sociais e de sentimentos acontecem com a própria família, inicialmente com a mãe e logo depois com pais e irmãos. É na família que a criança aprende seus primeiros aspectos e traços de personalidade, as regras, normas e costumes. É na família e no espaço familiar que a criança aprende a interagir socialmente e, con- sequentemente, recebe altas influências para seu desenvolvimento. Entretanto, na fase da adolescência isso muda significantemente, pois o sujeito passa a se comportar na busca de uma nova identidade, na qual possa se encaixar não mais como criança, po- rém, ainda não como adulto. É normal que, nessa fase, o adolescente se afaste mais da família. No entanto, não se trata de um distanciamento físico, mas, sim, de se desprender da sua visão de crian- ça e vencer todas as confusões e mudanças que estão acontecendo com seu corpo e mente. É o processo em que o sujeito precisa refazer os conceitos infantis que até então tinha em si, ao mesmo tempo em que se organiza para a transição para a vida adulta. Assim, o adolescente se encontra perdido nas referências de tempo; de repente a infância passa a ser passado e a vida adulta, algo que antes era tão distante, agora se encontra mais próxima da realidade. Essas dúvidas fazem que o adolescente se encontre em período de grande angústia. U9 101Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Contexto Familiar e Social Além disso, as constantes variações hormonais e a ansiedade gerada pelas inúmeras descobertas que agora vivenciam constantemente geram muitas mudanças de humor, inquietude e incertezas nessa fase tão marcada por transições. Além disso, precisamos destacar que o adolescente nessa fase também passa por grandes mudanças fisiológicas e psíquicas, gerando um avanço intelectual e social. Nesse momento, o adolescente normalmente se rebela e entende que chegou a hora de criar suas próprias regras e valores. Entretanto, não podemos generalizar que o adolescente se comporte totalmente avesso a qualquer sinal de autoridade. Apesar da rebeldia e da construção do seu “eu”, ele reconhece esse tom de autoridade nas pessoas de seu interesse, e isso pode influenciar de maneira importante sua forma de agir e pensar. Esses constantes conflitos da sua nova visão de mundo geram confusões e distancia- mentos, fazendo que os jovens recorram a ambientes para os quais exista identifica- ção. É a busca por serem inseridos em grupos sociais onde possam compartilhar das mesmas ideias e características, proporcionando segurança e estima pessoal. Pouco a pouco, porém, desvinculam-se e assumem sua própria identidade adulta. Muito embora a adolescência seja vista como um período de grandes crises, mudanças e angústias, é um importante período da vida humana. É marcado por grandes des- cobertas e experiências, que mais tarde ajudarão a definir sua própria identidade, sua identidade sexual, seu espaço social, suas visões ideológicas e sua maturidade profis- sional, transformando para a vida adulta. Dessa forma, é extremamente importante que pais ou cuidadores de adolescentes se- jam de fato uma rede de apoio, direcionando suas vivências, experiências e limitações. Acompanhando seu desenvolvimento, quando um adolescente cresce sem as condi- ções de regras e limites, pode se tornar um adulto que apresentará dificuldades em respeitar valores e regras de determinado lugar. Pode sentir dificuldade de ser amado e aceito, e acaba construindo sua personalidade com traços de baixa autoestima. Por outro lado, um adolescente criado na autoridade parental e com excesso de regras e normas pode se tornar um adulto inseguro, revoltado e incapaz de controlar e estabe- lecer seus próprios limites. Assim, para que o adolescentepossa crescer e se formar de forma saudável, é neces- sário que a família busque compreender o quanto essas mudanças são significantes para a vida e formação do sujeito, colocar-se de forma compreensiva nesse processo de transformação e portar-se como verdadeiro apoio a todas as crises e angústias. A AUTOPERCEPÇÃO DO ADOLESCENTE Como mencionamos em outras discussões, o período da adolescência é marcado por constantes mudanças físicas, emocionais e intelectuais. Uma enxurrada de hormônios e comportamentos torna a transição da infância para a vida adulta um redemoinho de sentimentos e emoções, que se centraliza principalmente na busca do “eu”. Conforme a criança vai crescendo, surge o desejo de ser adulto, por motivos diversos, principalmente pela a idealização de independência financeira, autonomia e liberdade 102 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U9 Contexto Familiar e Social para fazer o que se tem vontade. Mas, ao se deparar com o período da puberdade, o ficar no meio-termo, nem criança nem adulto, traz diversos conflitos ao adolescente, além dos característicos para idade, em questões biológicas e sociais. Tal como ocorre com o crescimento físico, o crescimento emocional acontece por fase de vida, e seu desenvolvimento está em constante evolução. O amadurecimento do ser humano se inicia a partir do que é herdado pela família, depois pelo que é observado e aprendido a partir dela. Conforme esse processo prossegue em sua escala crescente de desenvolvimento, o meio, além do familiar, começa a interferir nessa construção do “eu” de cada um. São diversas as variáveis que interferem na formação do “eu” do ser humano, mas nenhuma como fórmula pronta. Afinal, amadurecimento consiste também em escolhas e, a partir do momento em que o ser entende que pode fazer escolhas, de pequenas a grandes, sua personalidade vai criando forma. Quando chega a fase da adolescência, todo o emocional do jovem adquire uma inten- sidade a mais em relação às demais fases da vida, tanto positivamente quanto nega- tivamente. Os sentimentos são mais aflorados, as contradições, os altos e baixos, a forma de encarar as experiências que a vida impõe, tudo traz para este período da vida a necessidade de olhar para si e entender o que acontece. O fator de convivência social também é bastante intenso devido à busca de se encaixar em grupos, ideias, entendimentos e percepções, e o jovem adquire certa identidade provisória, em que seus comportamentos vão mudando de acordo com o contexto em que se encontra. Os grupos permitem ao jovem ir moldando o seu “eu” a partir de comparações, obser- vações e experimentações de semelhanças e diferenças, desenvolvendo sua individu- alidade e refletindo sobre a formação de sua identidade. Ao mesmo tempo, se o jovem não encontrar lugar em algum grupo, não se identificar ou não ser aceito, tende a se isolar, e esse comportamento pode prevalecer para sua vida futura. A PERCEPÇÃO DE SI NO MUNDO O adolescente, ao tomar melhor percepção de si, ao ter sua identidade ganhando for- ma e dar sentido ao seu “eu”, começa a transitar seus pensamentos no mundo e na sociedade em que está inserido. Ele se depara com um script de vida que vem desde a infância, em estudar para trabalhar e constituir família. Esbarra em uma sociedade classista, em que suas escolhas serão baseadas no ambiente social em que estiver inserido, e daí vários questionamentos são lançados, alguns de resignação, outros de confronto ao sistema ali exposto. Figura 23. Representação do adolescente na construção do seu mundo, inserido no mercado de trabalho U9 103Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Contexto Familiar e Social Fonte: Freepik Para os jovens brasileiros, por exemplo, as políticas públicas são voltadas para sua in- serção no mercado do trabalho. Todo o sistema de ensino é focado nessa preparação. Cada grupo social tem suas leis e suas regras, e a transição entre adolescente e adulto é estabelecia a partir de certa idade, juridicamente estabelecida, e enquanto não se atinge essa idade, o adolescente permanece sob a responsabilidade de seus familiares/ tutores. O “não ser adulto, mas já adquirir responsabilidades como tal” é um dos maiores con- flitos do adolescente, que ainda está na transição de não ser mais criança. A adoles- cência exerce o papel de intermediador, o momento do autoconhecimento e o lançar do jovem para o mundo. Mas esse processo não começou agora. A criança desde cedo é preparada para o enfrentamento da sociedade, educada para tal e ensinada a ter seu papel de cidadão. Quando chega a adolescência, toda essa preparação se apresenta de forma mais foca- da e com as responsabilidades que a sociedade entende que todo adulto deve assumir, como trabalho e constituição de família. Contudo, com a sociedade atual, totalmente ligada às novas tecnologias, às lutas e buscas de direitos, maior liberdade de pensa- mento, expressão e vida, essa passagem do jovem para a vida adulta não está mais ligada ao aprendido desde a infância, pois ele tem uma nova visão de mundo e de perspectiva de vida. Desde criança, é aprendido a estudar, terminar os estudos, trabalhar e, posteriormente, casar-se e ter filhos. Mas as fases desses acontecimentos estão cada vez mais prolon- file:///C:\Users\PC\Desktop\unidade%203\%3ca%20href=%22https:\br.freepik.com\fotos-gratis\comunicacao-online_5403029.htm#query=adolescente%20trabalhando&position=11&from_view=search&track=sph">Imagem de pressfoto</a> no Freepik 104 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U9 Contexto Familiar e Social gadas. Os jovens demoram mais a sair da casa dos familiares, o foco nos estudos está cada vez maior, sem contar a dificuldade de inserção no mercado de trabalho. Essa falta de autonomia financeira faz que a decisão seja continuar morando com a família e investir em estudos e especializações, para poder ter melhor colocação pro- fissional. E, ao conseguir a colocação profissional, eles se mantêm para adquirir certa estabilidade, retardando a constituição familiar. Vale ressaltar que somos um ser único, que passamos por fases, e todas as fases transitam e influenciam a vida atual. A visão do jovem adulto, apesar de ser imediatista (querem todas as conquistas no menor tempo possível), é feita de maneira ponderada e mais elaborada, não permitindo muitas aventuras para conseguir o objetivo, tendo a família como o seu porto seguro. Pode parecer contraditório, já que o adolescente busca sua liberdade e independência, sendo essas expressões utilizadas praticamente como mantras no seu dia a dia. Mas, conforme ele vai experimentando a realidade atual social, vai priorizando sua vida, mais para o consumo do que para a estabilidade. Obviamente que essa é uma visão generalizada, há de entender que existem várias vertentes sociais e realidades que não se aplicam. Porém, a tendência é de cada vez mais os jovens adultos atenderem a essa nova ordem de vivência cultural. Ser inde- pendente não significa mais sair de casa ou morar só, mas ser independente em si, ideologicamente e intelectualmente. E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido sobre o conceito familiar e sua evolução desde os primeiros sinais de civili- zação. Você pode compreender a escola como primeiro espaço de interação social para as crianças e os adolescentes, e a família como parte desse processo dentro e fora da escola. Além disso, estudamos que o processo de desenvolvimento humano é muito mais complexo do que já vimos até aqui. Na fase da adolescência, o surgimento de muitas percepções e visões desencadeia muitas dúvidas e angústias, mas ajuda no seu processo de desenvolvimento pessoal e na construção de sua personalidade, valores e moralismo. Vimos a busca do adolescente de se mostrar à sociedade, a for- ma como ele se transforma,busca sua própria identidade, enxerga o mundo e tenta se encaixar nele, e o processo de construção para formar a sua vida adulta. Assim, aprendemos que, na adolescência, o jovem se depara com constantes mudanças físicas, emocionais, intelectuais, biológicas (hormô- nios à flor da pele), culturais e sociais. R ES U M IN D O U9 105Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Contexto Familiar e Social Embora a adolescência seja uma época em que os jovens tentam administrar suas vidas sozinhos, eles ainda dependem de seus familiares e cuidadores adultos para suporte pri- mário, afeto e tomada de decisões, bem como para ajudar a estabelecer suas identidades e aprender sobre habilidades e valores. Então, sua atividade de hoje é elaborar um texto de no mínimo duas laudas explicando como os adolescentes se veem quando ao fato de serem adolescentes e diante do mundo. O aluno será considerado excelente quando demonstrar contextualização, reflexão e con- vergência de informações e opiniões nos assuntos abordados na atividade e apresentar um texto bem escrito, demonstrando o conhecimento acerca do conteúdo, descrevendo e exem- plificando como é a autopercepção do adolescente diante de si e diante de sua visão de mun- do. Exemplo: como o adolescente se enxerga no mundo diante dos seus valores e regras. Resposta: Atividade Comentada Atividade Prática É na família e no espaço familiar, que a criança aprende a interagir socialmente e, con- sequentemente, recebe altas influências para seu desenvolvimento. Entretanto, na fase da adolescência isso muda significantemente, pois aqui o sujeito passa a se comportar na busca de uma nova identidade, na qual possa se encaixar não mais como criança, porém, ainda não como adulto. Quais as principais características nessa busca de identidade do adolescente? a. O adolescente se sente perdido nas referências de tempo; de repente a infância passa a ser passado e a vida adulta, algo que antes era tão distante, agora se encontra mais próximo da realidade. b. O adolescente já se sente capaz de entrar na vida adulta, colocando-se como apto para o mercado de trabalho. c. É a fase em que o adolescente mais se aproxima dos pais e familiares; ficam completa- mente apegados com a família. d. É a fase de total segurança em si, o adolescente sente que suas angústias foram encer- radas. e. É nessa fase que o adolescente inicia o seu processo de construção da personalidade. ALTERNATIVA: A COMENTÁRIO: É nessa fase que o sujeito precisa refazer os conceitos infantis que até então possuía, ao mesmo tempo em que se organiza para a transição para a vida adulta. Resposta: 107 UNIDADE 10 ADOLESCENTE E O MUNDO O ADOLESCENTE E O MUNDO Neste capítulo, vamos compreender as etapas do desenvolvimento humano dentro do contexto social e de suas relações interpessoais, destacando a importância dessas relações no ambiente de trabalho, pessoal e social. Além disso, entenderá as particu- laridades de cada pessoa e como podem contribuir ou atrapalhar o bom convívio e a boa produção de resultados no que se diz respeito ao espaço organizacional. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante! C O M PE TÊ N C IA S Como Piaget (1973) já definiu em discussões anteriores, os humanos podem ser defi- nidos como seres sociais. Em outras palavras, isso significa que depende de relações sociais para o seu desenvolvimento. Certamente, essa é uma das mais fundamentais características que justificam a evolução humana ao longo do tempo. Destacando as relações interpessoais, percebe-se que a capacidade de se relacio- nar com outras pessoas é a principal característica humana. Assim, entenderemos aqui um pouco mais sobre as relações interpessoais e a forma como essas relações contribuem para o contexto social. Destacaremos como as relações interpessoais se apresentam em nossas vidas, nas relações pessoais, na vida escolar, no trabalho, entendendo a importância de desenvolver boa capacidade de se relacionar com as outras pessoas. IM PO R TA N TE De forma conceitual, podemos definir como interpessoal aquilo que “envolve relação entre duas ou mais pessoas”. Em linhas gerais, vale definir que se trata da capacida- de que nós, seres humanos, temos de lidar com outras pessoas, conviver com outras ideias, pensamentos, comportamentos e particularidades. O ser humano passa por constantes mudanças e evoluções. E, conforme a sociedade evolui, cresce e muda seus costumes, o ser humano acompanha essas transformações e muda também. Sendo assim, à medida que o humano evolui, as relações interpes- soais também precisam continuar sendo analisadas e avaliadas, para que as pessoas consigam acompanhar todas essas mudanças de acordo com os valores sociais. U10 108Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Adolescente e o Mundo Figura 30. Representação de relações interpessoais Fonte: Freepik. Já entendemos o quanto as interações sociais ajudam no desenvolvimento humano. No entanto, não podemos romantizar que é fácil lidar com todas as relações interpes- soais com que nos deparamos durante a vida, já que os comportamentos alheios e as diferenças de personalidade de cada um podem afetar de forma positiva e negativa, dependendo do momento e das situações. Segundo a Sociologia e a Psicologia, as relações interpessoais podem estar interliga- das pelo vínculo ou a conexão que as pessoas encontram em outras pessoas, circuns- tâncias e até em locais. Sendo assim, pode-se definir que elas existem em todos os ambientes sociais de convivência de um ser humano e que são fundamentais para o seu desenvolvimento. Embora complexo, é da natureza humana estar sempre ligado a alguém. Isso se dá pela necessidade natural de buscar a constante troca de conheci- mentos, emoções e energias. Agora que você já sabe o conceito e a importância dessas relações para o contexto social, é importante entender o desenvolvimento dessa capacidade. Antes de qualquer coisa, precisamos destacar que o melhor instrumento para manter relações interpes- soais é o autoconhecimento. Isso porque é necessário que as pessoas se conheçam, identifiquem seus limites, identifiquem quem realmente são, para que de fato consigam manter outras relações sem correrem o risco de sabotar essas interações. O contrário faz surgir muitos desentendimentos e estresses com colegas de trabalhos, amigos e familiares. Contudo, para termos uma boa capacidade de relacionamento interpessoal, é necessário compreender melhor os sentimentos e os anseios envolvidos, evitando, assim, conflitos e desentendimentos. Quando falamos em relacionamento, automaticamente já pensamos em namoros ou amizades, mas, na verdade, precisamos destacar que vai muito além desses concei- tos. Para o adolescente, as primeiras relações interpessoais com que se depara serão justamente as amizades, de grupos de identificação e amorosas. Mas, quando entra no mercado de trabalho, o ambiente profissional traz também os relacionamentos entre co- file:///C:\Users\PC\Desktop\unidade%203\%3ca%20href=%22https:\br.freepik.com\fotos-gratis\vista-superior-da-equipe-de-negocios-na-area-de-trabalho_9368218.htm#query=rela%C3%A7%C3%B5es%20interpessoais&position=0&from_view=search&track=sph">Imagem de master1305</a> no Freepik 109 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U10 Adolescente e o Mundo legas de trabalho, relações que são muito importantes para o desenvolvimento humano e que merecem atenção especial nesta discussão. No mercado de trabalho, aprendemos que uma empresa, para obter bons resultados, depende diretamente das boas relações com seus colaboradores e parceiros. Dessa maneira, quando a equipe está alinhada e conseguindo manter harmonia e sintonia, certamente a produtividade e a qualidade dos resultados serão percebidas. Assim, o ambiente profissional e corporativo pode ser influenciado diretamente pelas relações interpessoais, impactando sua capacidade organizacional e aprimorandosuas vanta- gens competitivas. Na tentativa de promover um bom desempenho dessas relações, algumas empresas investem em treinamentos comportamentais corporativos capazes de inovar na exe- cução de atividades. IM PO R TA N TE Vivemos em uma sociedade em que o trabalho é considerado um importante compo- nente da vida, contribuindo com as relações, além de proporcionar sentido material e desempenho de habilidades e capacidades. Como vimos, o sucesso de uma boa rela- ção corporativa influencia diretamente o sucesso dos resultados obtidos para a empre- sa. Sendo assim, as organizações precisam proporcionar um ambiente agradável e fa- vorável para essa produtividade. Assim, podemos destacar alguns fatores que auxiliam nesse papel e ajudam diretamente nas boas relações interpessoais, como o ambiente, o relacionamento, saber como as pessoas se sentem com relação às suas tarefas, en- fim, uma visão mais global do trabalhador. Figura 31. Representação de uma boa relação interpessoal no ambiente de trabalho Fonte: Freepik. file:///C:\Users\PC\Desktop\unidade%203\%3ca%20href=%22https:\br.freepik.com\fotos-gratis\grupo-de-pessoas-trabalhando-no-plano-de-negocios-em-um-escritorio_5495105.htm#query=reuni%C3%A3o%20de%20trabalho&position=3&from_view=search&track=sph">Imagem de senivpetro</a> no Freepik U10 110Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Adolescente e o Mundo Para saber mais sobre o assunto, assiste ao vídeo Relações interpessoais no traba- lho, disponível aqui. A C ES SE Como é apresentado no material do Iesde Brasil (2020, p. 38), intitulado como Projeto viver bem: relações interpessoais e qualidade de vida no trabalho: A interação socioemocional pode favorecer o resultado do trabalho e as re- lações interpessoais. Se os processos são construtivos, a colaboração e o afeto predominam o que possibilita a coesão do grupo. Caso contrário, o grupo passa a ter conflitos internos. O que se observa é que para trabalhar bem, e em grupo, as pessoas precisam possuir não apenas competências técnicas para realizar suas funções, mas também competências emocionais. Com tudo que vimos e discutimos até aqui, ficou claro que é impossível não mencionar a importância das relações interpessoais e as influências que isso tem no contexto social. Saber conviver com seus colegas de trabalho e manter um ambiente saudável e em que haja uma cultura organizacional produtiva é de extrema necessidade para resultados benéficos da empresa e do convívio. Para isso, há uma série de premissas que ajudam essas relações a se manterem saudáveis e produtivas. Podemos citar: ` Empatia: capacidade de se colocar no lugar do outro. Para uma boa relação interpessoal, seja no ambiente de trabalho ou no dia a dia, é fundamental que as pessoas possam se ajudar e buscar entender o próximo. Isso ajuda nos resultados coletivos, bem como nos desejos e crescimentos pessoais. ` Ética: no processo de construção de personalidade iniciada lá na infância, aprendemos sobre valores e ética, o que permite diferenciar entre o certo e o errado de acordo com as questões sociais. Quando falamos em ambiente de trabalho, é importante sempre manter boas relações com as outras pessoas, bem como refletir sobre as ações do dia a dia, para que sentimentos ruins não sejam alimentados e comportamentos negativos não sejam reproduzidos na equipe. ` Comunicação: para se manter uma boa relação nas interações sociais, é preciso que exista diálogo, comunicação clara e compreensiva, para que não haja desavenças pela falta de comunicação ou até mesmo pelo entendimento errado. ` Interação: para se manter um espaço favorável e agradável a todos, precisamos destacar como objetivo a criação de um espaço em que o outro também se expresse, para que sejam criados vínculos e conexões que favoreçam ambos os envolvidos. ` Percepção: aqui o sujeito organiza e interpreta suas impressões sensoriais com a finali- dade de dar sentido ao ambiente em que está inserido. ` Aproximação: o sujeito precisa se permitir interagir e se relacionar com outras pessoas e deixar de lado seus medos e bloqueios. https://www.youtube.com/watch?v=R4qXp1NGm6Q 111 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U10 Adolescente e o Mundo É importante construir e manter um bom relacionamento no trabalho, essencial para a comunicação e a interação social dentro não só do ambiente de trabalho. Com isso, as pessoas ficam mais dispostas a cumprir os desafios, a produtividade aumenta e, princi- palmente, a saúde mental e física é preservada. Figura 32. Representação de uma boa relação interpessoal Fonte: Freepik. No decorrer desta discussão, você deve estar se perguntando como é possível esta- belecer sempre boas relações interpessoais sabendo que cada pessoa tem suas parti- cularidades e que nem sempre vamos concordar com todo mundo. De fato, não existe uma regra que deva ser seguida nem tão pouco a garantia de que sempre vai ser tranquilo ou fácil. Por isso, mais uma vez, é necessário destacar o autoconhecimento para essas situações e claro, a empatia, para entender justamente que ninguém é igual, que cada pessoa tem seu jeito e que relações interpessoais terão situações complexas, bem como destacar seus limites e o controle de suas emoções para lidar com tudo isso. Outro ponto principal que auxilia nessas relações é o respeito. Para manter uma boa relação, seja ela em qual ambiente for, é necessário entender que cada pessoa tem sua forma de pensar, agir, comportar-se e pode apresentar crenças e valores diferentes. Com isso, é preciso que saibamos como lidar com cada uma dessas situações, respei- tar as diferenças, para que assim um ambiente saudável seja mantido. file:///C:\Users\PC\Desktop\unidade%203\%3ca%20href=%22https:\br.freepik.com\fotos-gratis\diversos-jovens-conversando-e-se-divertindo-juntos-no-cafe_3955386.htm#query=rela%C3%A7%C3%B5es&position=38&from_view=search&track=sph">Imagem de yanalya</a> no Freepik U10 112Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Adolescente e o Mundo Para saber mais, recomendamos a leitura do artigo Relacionamento interpessoal: o que é e qual a importância?, disponível aqui, bem como o vídeo Como andam suas relações interpessoais?, disponível aqui. A C ES SE Mais uma vez, precisamos destacar a importância do autoconhecimento para um bom desempenho nas relações interpessoais. Falamos em situações anteriores que se co- nhecer, saber suas particularidades e, principalmente, conhecer seus limites é impres- cindível para gerenciar novas relações, sejam elas mais íntimas ou em nível profissional e social, e, claro, para saber lidar com conflitos. A inteligência emocional entra nessa questão para resolver conflitos de forma diplomática, abrangendo a consciência de si mesmo e do outro, visando trocas humanas muito mais positivas. Sendo assim, cada pessoa deve aprimorar suas habilidades em inteligência emocional para desenvolver a capacidade de autoconhecimento. Saber como estabelecer uma boa relação consigo mesmo e um conhecimento das suas habilidades e capacidades ajuda a estabelecer uma boa relação com o próximo. Outro aspecto bastante relacio- nado é desenvolver o entendimento das motivações, uma vez que é comum que cada pessoa tenha seus próprios valores e costumes, dando importância única a eles. Desenvolver sua inteligência emocional é saber lidar com as diferenças de cada pes- soa, de cada costume, de cada valor, de cada regra. Mas, acima de tudo, é saber que, embora com todas as diversidades e diferenças encontradas em cada ambiente, nada e nem ninguém poderá impor um conjunto de prioridades para um sujeito além dele mesmo. Figura 33. Representação do respeito e da empatia nas relações interpessoais Fonte: Freepik. https://blog.eurekka.me/relacionamento-interpessoal-2/ https://www.youtube.com/watch?v=OLtF1xArFkc file:///C:\Users\PC\Desktop\unidade%203\%3ca%20href=%22https:\www.freepik.com\free-photo\closeup-diverse-people-joining-their-hands_12193015.htm#query=respeito&position=4&from_view=search&track=sph">Imageby rawpixel.com</a> on Freepik 113 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U10 Adolescente e o Mundo Destacamos as relações interpessoais no âmbito profissional como importante ferra- menta para o contexto social e o desenvolvimento humano. Mas vale destacar também que existem outras relações diárias, como as relações familiares, no convívio escolar, religioso, comunidade e entre outros. Normalmente, dentro do contexto social da vida humana, cada sujeito vai precisar lidar com amigos, colegas de trabalho ou de comunidades sociais, amores, familiares, co- nhecidos e desconhecidos, e aprender que, para cada um desses ou para cada situa- ção, precisará lidar de forma diferente e desenvolver suas relações interpessoais. Podemos explicar essas diferenças de tratamento por estarmos lidando com o coletivo. Embora exista um padrão de conduta, valores e regras, cada pessoa pensa, age e se comporta de forma diferente. Ou seja, os valores morais, éticos e a experiência de vida de cada pessoa são diferentes dos de outra. É necessário criar um olhar empático para conseguir se relacionar de forma saudável com cada pessoa que cruza essas relações interpessoais, sabendo que cada uma possui sentimentos, emoções e comportamentos únicos. Sendo assim, é importante desenvolver boas relações nos ambientes sociais em que cada sujeito está inserido, sejam elas familiares, pessoais, em comunidades sociais ou trabalho. Isso contribui grandemente com o desenvolvimento social de cada pessoa, além de propiciar que desempenhem com êxito suas capacidades e habilidades de se relacionar socialmente independentemente do âmbito que estiver inserida. E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido a importância das intera- ções sociais para o desenvolvimento humano e cognitivo. Durante todo o período da vida, aprendemos e aprenderemos a conviver com várias pessoas e, como mostra Piaget, somos seres sociais e que precisam dessa interação para se desenvolver, fazendo parte da natureza humana. Além disso, você deve ter aprendido que cada pessoa pode agir, pensar e se comportar de modo diferente e que isso é comum den- tro das relações interpessoais. Mas manter um bom convívio é necessário para apren- der a lidar com essas diferenças e evolução comportamental. Apresentamos algumas exemplificações de relações interpessoais, como dentro do âmbito familiar, pessoal e profissional. E destacamos como é importante essas relações interpessoais para o seu desenvolvimento pessoal e o crescimento profissional, além da possibilidade do crescimento organizacional. R ES U M IN D O U10 114Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Adolescente e o Mundo Para o adolescente, as primeiras relações interpessoais com que ele se depara serão justa- mente as de amizades, grupos de identificação e amorosas. Porém, quando entra no mer- cado de trabalho, o ambiente profissional traz também os relacionamentos entre colegas de trabalho. Essas relações são muito importantes para o desenvolvimento humano. Dessa forma, podemos dizer que: No mercado de trabalho, aprendemos que uma empresa, para obter bons resultados, de- pende diretamente das boas relações com seus colaboradores e parceiros. Dessa forma, quando a equipe está alinhada e conseguindo manter harmonia e sintonia, certamente que a produtividade e a qualidade dos resultados serão percebidas. Resposta: Atividade Comentada Atividade Prática Segundo a Sociologia e a Psicologia, as relações interpessoais podem estar interligadas por meio do vínculo ou da conexão que as pessoas encontram em outras pessoas, circunstâncias e até em locais. Sendo assim, elas existem em todos os ambientes sociais de convivência de um ser humano e são fundamentais para o seu desenvolvimento. Dito isso, destacamos que a principal ferramenta para se manter uma boa relação interpessoal está presente em: a. Autonomia. b. Empatia. c. Comunicação. d. Autoconhecimento. e. Interação. ALTERNATIVA: D COMENTÁRIO: A resposta está correta, pois o melhor instrumento para manter relações in- terpessoais é o autoconhecimento, isso porque é necessário que as pessoas se conheçam, identifiquem seus limites, identifiquem quem realmente são para que consigam manter outras relações sem correrem o risco de sabotar essas interações. Resposta: 116 UNIDADE 11 TECNOLOGIA E A CONSTRUÇÃO DO ADOLESCER COMUNICAÇÃO, INTERAÇÃO E DIFICULDADES DA GERAÇÃO TECNOLÓGICA Neste capítulo, você será capaz de entender como as tecnologias podem contribuir de forma positiva e negativa no desenvolvimento e aprendizagem do adolescente. Irá compreender também que o uso excessivo das tecnologias e internet gera uma con- fusão cognitiva, pois o cérebro humano não consegue reproduzir tudo que é visto na internet como aprendizado, gerando um acúmulo de informação e um atraso cognitivo. Você será capaz de compreender também a importância da família no acompanha- mento e na limitação do uso das inovações e redes sociais, de modo a evitar que o adolescente se distancie socialmente e reproduza costumes vazios de uma vida repre- sentada pelas redes sociais. Por último, será capaz de definir as diferentes gerações tecnológicas e as suas contribuições no mercado de trabalho com base no próprio avanço tecnológico de acordo com o tempo. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante! C O M PE TÊ N C IA S COMUNICAÇÃO, INTERAÇÃO E DIFICULDADE Vivemos em um mundo em que transformações acontecem o tempo todo. A cada dia ferramentas são atualizadas ou criadas, metodologias introduzidas ou atualizadas, ino- vações são apresentadas. Diante disso, deparamo-nos com inúmeras mudanças com- portamentais na sociedade, que constantemente se vê presa e dependente dessas transformações tecnológicas passando por alterações de rotina e novo hábitos. Confor- me as pessoas vão crescendo e construindo relações, vão frequentando ambientes di- ferentes e se deparando com circunstâncias diversas dos seus familiares, conhecendo e provando costumes distintos. Antes de nos aprofundarmos nessa temática, faz-se necessário abordar as quatro ge- rações de desenvolvimento que depois ficaram conhecidas como geração tecnológica. Atualmente, convivemos com essas quatro gerações: ` Baby Boomers: apresentam idade entre 60 e 80 anos, e são aquelas pessoas que vivencia- ram o período pós-Segunda Guerra Mundial. ` Geração X: apresentam diferenciação de idade entre 40 e 60 anos nos dias de hoje. ` Geração Y: também conhecida como Millennials, é definida pelas pessoas nascidas nos anos de 1980 a 1995, apresentando 25 anos a 40 anos. U11 117Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Tecnologia e a construção do adolescer ` Geração Z: composta pelos jovens nascidos de 1995 a 2010. Ou seja, marcada pelos jovens adultos de até 25 anos e pelas crianças que acabaram de completar sua primeira década de vida. Podemos apresentar ainda a Geração Alpha, por se tratar de uma nova geração e ser definida pelas crianças da nossa sociedade, ainda não obtemos uma classificação dela, uma vez que não faz parte do mercado consumidor. Sendo assim, vira objeto de pesqui- sas e estudos, mas ainda não é levada em consideração. A fase da adolescência é marcada pela busca de formar a sua identidade, por grandes dúvidas e incertezas, e transita entre a infância e a vida adulta, em que jovens passam a agir com intuito de planejar seu futuro na vida adulta, a fim de encontrar seu lugar na sociedade. Entretanto, devido às angústias enfrentadas com essas constantes mudan- ças e dúvidas, é normal que os adolescentes se distanciem da família e se apresentem avessos às relações de autoridade, questionando ou negando as regras e normas fami- liares e iniciando um processo de construção de suas próprias regras e valores. Sendo assim,é a fase em que o jovem adolescente enfrenta grandes transformações na sua formação, principalmente no que se refere à comunicação e interação social no contexto familiar. Essa busca pela própria identidade e, consequentemente, pelo refúgio em grupos nos quais de sente acolhido e semelhante, pode ser um indicativo de problemas vindo das relações familiares ou fora do contexto familiar. A família se encaixa em um importante papel nessa fase da vida, na qual pode auxiliar nas diversas questões em que está inserida. Uma delas são as experiências e vivências do mundo virtual a partir do uso das tecnologias digitais. Nesse caso, é papel da família se atentar aos novos meios de comunicação, pois o uso dessas tecnologias traz tanto benefícios quanto malefícios nesse processo de desenvolvimento. Alves (2011, p. 163) defende que: [...] é importante que pais e mães atentem-se ao mundo frequentado por seus filhos - seja ele real ou virtual. Acompanhar e encontrar, desde os pri- meiros passos digitais dos filhos, oportunidades de tornar a tecnologia uma aliada no estreitamento das relações familiares é mandatório para pais e mães que não desejam viver em mundos totalmente diferentes dos seus filhos no futuro. Vale destacar ainda que, nessa nova geração, o uso dessas tecnologias interfere dire- tamente no convívio com a família, principalmente em relação ao tempo que os ado- lescentes e pais passam juntos. Quando usadas de forma excessiva tanto pelos ado- lescentes quanto pelos adultos responsáveis, abrem uma grande lacuna de interação e comunicação nas relações familiares, colocando pais e filhos em mundos totalmente diferentes. A forma como as tecnologias foram inseridas no dia a dia do contexto familiar vem alterando cada vez mais a maneira como a família vem a se reunir, interagir e se comu- nicar. O rádio e a TV foram os primeiros meios de comunicação do mundo virtual que adentraram os costumes familiares nas suas rotinas e, consequentemente, as primeiras modificações de interação. Logo depois, no século XXI, uma explosão de inovação pas- sa a fazer parte de todas as rotinas da sociedade. Celulares, tablets, aparelhos de mp3, 118 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U11 Tecnologia e a construção do adolescer computadores, TV digital, entre outros, surgiram e se popularizaram, e continuam se popularizando cada vez mais. Nas casas, no contexto familiar, cada integrante tem, em seu aposento, várias dessas tecnologias digitais com acesso fácil à internet. Assim, os adolescentes passam mais tempo conectados a um mundo virtual do que com o mundo real dentro da sua própria casa e família. Embora apresentando muitos benefícios para o desenvolvimento humano, as tecnolo- gias e o mundo virtual trouxeram uma grande dificuldade de interação social e comuni- cação para os adolescentes. Vivenciando um período de grandes angústias e dúvidas, o sujeito costuma se distanciar da busca de construir sua própria identidade e, dessa forma, esse distanciamento aumenta ainda mais quando se tem o uso excessivo do mundo virtual. Mais uma vez, podemos problematizar o quanto é importante que os pais e responsáveis por jovens adolescentes se atentem a essa problemática, impondo limi- tes e regras, e não permitindo que esse distanciamento, que por vezes é um processo natural, se torne um problema verdadeiro e inevitável. A ATUALIDADE NO DESENVOLVIMENTO DO ADOLESCENTE As tecnologias e a internet estão cada vez mais presentes nas vidas e no cotidiano das pessoas e com isso novos problemas sociais e comportamentais surgem, podendo acarretar uma dependência digital, principalmente para os adolescentes, por estarem vivenciando uma fase ainda mais suscetível às transformações sociais. Sendo assim, sem saber como lidar com essas novas demandas ou utilizando-as de forma errada, a tecnologia pode se tornar isolamento social, comprometendo a capacidade do adoles- cente de se socializar, pois não consegue distinguir entre o que é real e o que é virtual. É nessa fase da adolescência que as interações sociais se ampliam, e isso ocorre pelas efetivas participações em diferentes grupos nos quais os adolescentes estão inseridos, como escola, esportes, músicas, entre outros. Entretanto, com o avanço da internet, o que antes se configurava como relação de interação social e de afetividade, agora pode ficar esquecido por trás da comunicação digital. Os adolescentes estão trocando as conversas pessoais e as boas relações sociais por um mundo virtual em que a comu- nicação fica a critério de chats, blogs, redes sociais e jogos on-line, partilhando de uma nova cultura em que a interação só acontece por meios eletrônicos. Devido ao uso da internet e essa troca que os adolescentes vêm fazendo, eles conseguem fazer contatos pessoais que, longe da internet, não conseguiriam. Porém, são contatos superficiais e falsos, que podem anular a interação social e acabam aumentando a falta de comuni- cação. Na visão de Piaget (1987, p. 51): O homem é um ser essencialmente social, impossível, portanto de ser pen- sado fora do contexto da sociedade em que nasce e vive. Em outra palavra, o homem não social, o homem considerado como molécula isolada do resto dos seus semelhantes, o homem visto como independente das influências dos diversos grupos que frequenta, o homem visto como imune aos legados da história e da tradição esse homem simplesmente não existe. U11 119Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Tecnologia e a construção do adolescer Piaget (1973) defende que o “ser social” é aquele que consegue manter uma relação equilibrada com as outras pessoas, destacando mais uma vez o convívio social para o desenvolvimento humano. Dessa maneira, podemos dizer que adolescentes que pos- suem boa relação social têm mais possibilidades de construir bom desenvolvimento psicossocial. Isso coloca em questão o uso excessivo dessas tecnologias, que fazem que o adolescente não desenvolva essa habilidade com plenitude, desenvolvendo difi- culdades de interação, autoestima e comunicação na vida adulta. Sem o limite necessário para uso da internet, o jovem adolescente pode sentir uma confusão entre real com o virtual. Podemos perceber o quanto as tecnologias digitais interferem nas formas como as pessoas interagem, impedindo as interações físicas e gerando comodismo. Isso poderá acarretar problemas de comunicação, problemas de sociabilização, depressão e ansiedade, além da construção da personalidade com traços de baixa autoestima. Assim, durante o processo de construção de personalidade, os adolescentes apegam- -se às redes sociais com a falsa impressão de preenchimento de um vazio deixado pelo isolamento social, pois sentem que não estão sós e infelizes, ligados a amigos virtuais e compartilhando informações. Quando não estão conectados no mundo das redes sociais, a realidade se distorce, como se as pessoas ao seu redor não fizessem parte do seu mundo, e isso acontece pela falsa impressão de felicidade proporcionada pelas interações no mundo virtual. Com essa falsa felicidade da vida social, acabam se distanciando das pessoas, cau- sando afastamento social que cada vez mais se agrava na evolução da dinâmica entre os seres humanos. Segundo Burgos (2013, p. 7): O tempo gasto na vida on-line vem causando, desde meados de 2008, al- gumas discussões e correntes contra a chamada hiperconexão ininterrupta, que vão da hipótese sobre a diferença do funcionamento do cérebro das pessoas que passam tempo em demasia na internet, descrita no livro Gera- ção Superficial de Nicholas Carr (2010), passando pela "iDisorder", de Larry Rosen (2012), que defende que a obsessão por gadgets causa transtornos psiquiátricos na população mundial. Um estudo sobre o uso excessivo da tecnologia por adolescentes apontou que eles podem desenvolver características narcisistas, ter comportamento antissocial, tendên- cias agressivas, manias, distúrbios do sono, ansiedade, depressão, problemas na lin- guagemescrita e transtornos de atenção e aprendizagem, sendo essas algumas das disfunções mais comuns entre esses usuários. O estudo ainda acrescenta que a popu- lação está ficando cada vez mais deprimida quando não se tem coisas “da moda” para mostrar aos outros em suas redes sociais e que cada vez mais desenvolvem crises de ansiedade, perdem a capacidade de se concentrar e só conseguem interagir via web. As tecnologias exercem sobre os adolescentes um forte poder em sua cognição, devido ao fato de grande estímulo audiovisual e emocional. Constantemente, o cérebro recebe excessivo número de dados em forma de texto, imagens e vídeos, o que gera saturação cognitiva por sua memória se sentir sobrecarregada. De certa maneira, esse excessi- 120 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U11 Tecnologia e a construção do adolescer vo número de dados adquiridos no cérebro do adolescente não pode ser considerado aprendizagem, uma vez que as informações processadas não podem ser associadas a um entendimento mais profundo, tornando-se informações vazias, que confundem e desequilibram o cognitivo, potencializando alguns transtornos, como ansiedade, obesi- dade, e afetando diretamente a aprendizagem. Geração tecnológica Conceituando “geração”, encontramos no Dicionário Aurélio duas possíveis definições, a primeira é geração como grupo etário, e a segunda, geração como grupo de pesso- as nascidas em determinado ano ou período de tempo. Nessa etapa de aprendizado, vamos discutir sobre a conhecida geração tecnológica, o que podemos considerar um neologismo usado para se referir ao coletivo da população mundial que sente afinidade pelos avanços tecnológicos do momento, principalmente no campo das telecomunica- ções. Figura 35. Representação do uso das tecnologias Fonte: Freepik . Antes de apresentar como as gerações se relacionam com as tecnologias, é necessário retomar a discussão anterior explicando sobre cada uma das gerações. Atualmente conseguimos diferenciar quatro gerações devidamente conceituadas, além da geração Alpha, que, apesar de já ganhar destaque nos estudos, ainda não é considerada gera- ção devidamente existente. Simplificando, as gerações são: Geração Baby Boomers, Geração X, Geração Y e Geração Z. Dessa forma, vamos abordar sobre cada uma delas. Na Geração Baby Boomers, geração dos anos 1945 e 1954, coincidentemente, a época pós-Segunda Guerra Mundial, as crianças acompanharam o seu desenvolvimento pes- soal juntamente com as diversas modificações sociais ocorridas no mundo, sejam elas file:///C:/Users/PC/Desktop/%3Ca%20href=%22https:/br.freepik.com/fotos-gratis/mulher-de-negocios-olhando-importante-contato-no-telefone_3938519.htm#query=uso%20dos%20celulares&position=45&from_view=search&track=sph">Imagem de yanalya</a> no Freepik U11 121Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Tecnologia e a construção do adolescer culturais, sociais ou/e políticas. No Brasil, os Babys Boomers passaram a participar efe- tivamente do mercado de trabalho nos anos de 1970. A década foi promissora no início, mas chegou ao fim com uma crise econômica. Essa vivência fez que a geração brasi- leira de Baby Boomers se tornasse muito mais conservadora em relação aos gastos do que a europeia e a norte-americana. Atualmente, essa geração se encontra entre os 65 e 75 anos, cuja grande maioria já se encontra dentro da estatística da aposentadoria, ou seja, fora do mercado de trabalho. Nessa geração, encontramos pessoas bem regradas e disciplinadas, que apresentam ideias coletivas. Foi nessa geração que a juventude passou a ser mais valorizadas, e discussões por direitos e igualdade social ganharam força. Além disso, essa geração defende a estabilidade de decisões e, por isso, acaba sendo um pouco resistente a mudanças, consequentemente, a tecnologias. A próxima geração a ser estudada é conhecida como Geração X, definida como a ge- ração dos anos 1960 e 1980, em que as pessoas dessa época possuem atualmente as idades de 40 e 60 anos. É a fase mais flexível, na qual existe constante busca de liberdade. Além disso, as pes- soas dessa época deixam a coletividade de lado e tornam-se pessoas individualistas e competitivas. Com isso, acabam se destacando como uma geração de alto poder de consumo. Essa é a fase do materialismo, a época que acompanhou o avanço das tecnologias e a globalização. Acompanhou também o desenvolvimento computacional, destacando-se como a geração mais empreendedora. A Geração X é considerada a geração independente, mas que se destaca na crescente afinidade com a tecnologia. Boa parte da população passou a dominar o uso dos com- putadores, e algumas funções que hoje podemos considerar simples foram incorpora- das como grande avanço em suas rotinas de trabalho e de vida pessoal, como o e-mail, os celulares e o avanço da internet. Na Geração Y, vamos encontrar o período destacado com a geração dos anos 1980 e início dos 90, fazendo parte do grupo que recebeu impacto ainda maior pelo avanço das tecnologias. Conhecidos também como Millennials, tiveram um começo na era ana- lógica e precisaram aprender a ser relacionar com os computadores e com a internet. Além disso, essa geração viveu o período de transição do mundo pós-guerra para o mundo de potencial crescimento e prosperidade econômica, em que a internet ganha força ainda maior, gerando um novo formato de mercado de trabalho e mundo digital. Novas profissões surgiram, muitas foram assimiladas pela automação de processos, enquanto outras acabaram substituídas. Dessa forma, a juventude dessa geração ama- durece aprendendo a ser multitarefa. Por último, deparamo-nos com a Geração Z, definida pelas pessoas nascidas em 1995 a 2010. Parte desse grupo está ingressando no mercado de trabalho, e a outra parte, embora pareça mais nova, já consegue consumir, fazendo parte do foco da publici- dade. Essa geração é marcada pela conexão. As pessoas dessa época já nasceram 122 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U11 Tecnologia e a construção do adolescer no período da tecnologia avançada. Extremamente tecnológicos, podem ser chama- dos de “nativos digitais”. Além disso, esse grupo desempenha muitas atividades ao mesmo tempo, e isso se dá por conseguirem absorver informações variadas. Figura 36. Geração Z Fonte: Freepik. Nessa geração, que recebe influência da geração anterior, vamos perceber que as cau- sas sociais ganham uma preocupação ainda maior. Orientação sexual, identidade de gênero, preocupação com o meio são algumas das causas mais movimentadas e dis- cutidas nessa nova fase. Colocam-se como ativistas, defendem a inclusão e buscam grupos com mais identifica- ção. Além disso, essa geração se preocupa muito com os padrões de vida irreais das redes sociais. Ainda, caracteriza-se por uma geração “pé no chão”, sendo realista e preocupada com seu futuro econômico e financeiro. Cada geração tem uma relação diferente com a tecnologia e é importante que a socie- dade atual possa acompanhar essas diferenças e entender e valorizar cada indivíduo e o seu tempo de desenvolvimento. Com planejamento e ações detalhadas, os impactos de convivência e tecnologia se transformam em pontos positivos, extraindo-se o que há de melhor em cada uma e agregando valor para uma equipe multidisciplinar e completa. U11 123Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Tecnologia e a construção do adolescer Para saber mais sobre o assunto, assista ao vídeo Geração X, Y, Z e Baby Boormers, disponível aqui, e realize a leitura do artigo Mudanças de comportamento de cada geração, disponível aqui. SA IB A M A IS E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que o avanço das tecnologias também acompanhou as gerações, contri- buindo diretamente com seu desempenho e desenvolvimento, tanto social e políticocomo emocional e cognitivo. Neste capítulo, entendemos um pouco mais sobre o desenvolvimento humano, seguindo o uso das tecnologias, apresentando seus benefícios e malefícios, e como elas podem contribuir positivamente e negativamente para o processo de aprendizagem e desen- volvimento cognitivo. Vimos que o uso excessivo de instrumentos tecno- lógicos, redes sociais e internet gera nos adolescentes a deficiência de se comunicar e interagir socialmente, além do atraso cognitivo causado pelo excesso de informações recebidas pelo cérebro. Apresentamos também que as redes sociais geram uma fantasia de vida perfeita que, quando ques- tionada, pode gerar crises de ansiedade, transtornos e até depressão. Por último, foi discutida a importância dos familiares no controle e acompanha- mento do uso das tecnologias no desenvolvimento do adolescente, para que assim, impondo limites, o uso consiga ser moderado e benéfico. R ES U M IN D O https://www.youtube.com/watch?v=dKPR9GLoA3M https://acoesunimedbh.com.br/unimedamplia/mudancas-de-comportamento-de-cada-geracao/ 124 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U11 Tecnologia e a construção do adolescer Definimos como a geração dos anos 1945 e 1954, coincidentemente, a época pós-Segunda Guerra Mundial. As crianças dessa época acompanharam o seu desenvolvimento pessoal juntamente com as modificações sociais ocorridas no mundo, sejam elas culturais, sociais ou/e políticas. Sendo assim, podemos identificar essa geração como: Essa geração é identificada como Geração Baby Boomers, marcada pelos anos de 1945 e 1954. Resposta: Atividade Comentada Atividade Prática Trata-se de uma nova geração e ser definida pelas crianças da nossa sociedade. Ainda não obtemos uma classificação dela, uma vez que essa geração não faz parte do mercado consumidor. Sendo assim, vira objeto de pesquisas e estudos, mas ainda não é levada em consideração. Podemos identificar essa geração como: a. Baby Boomers. b. Geração X. c. Geração Y. d. Geração Z. e. Geração Alpha. ALTERNATIVA: E COMENTÁRIO: A resposta está correta, pois a Geração Alpha ainda não recebeu classifica- ção por fazer parte de uma geração atual, que não faz parte do mercado consumidor. Resposta: 126 UNIDADE 12 DO ADOLESCER PARA A VIDA ADULTA TRANSIÇÃO PARA A VIDA ADULTA E AS MUDANÇAS Ao término deste capítulo, você será capaz de entender o processo de transição do adolescente para a vida adulta e os aspectos sociais que os movem. Entenderá que o período da adolescência se caracteriza como uma fase de muitas mudanças, na qual o jovem não se olha mais como criança e começa a entender as responsabilidades da vida adulta que está sendo projetada. Atores sociais também influenciam e auxiliam nesse processo de transição, que também tem suas conturbações e merece atenção e cuidado. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante!C O M PE TÊ N C IA S TRANSIÇÃO PARA A VIDA ADULTA Diante de todas as mudanças ocorridas no corpo e na mente do adolescente, a busca por identidade e entendimento de “si” é o que mais se destaca psicologicamente e “res- pinga” nas decisões da vida adulta. Quando jovem sonhador e buscando o seu “eu”, transita seus pensamentos no mundo e na sociedade em que está inserido, depara-se com um roteiro já pronto e preparado pela sociedade, e todos os seus passos se di- recionam para o mercado de trabalho e a construção de uma família. Sendo assim, a transição entre adolescente e adulto é estabelecia a partir de certa idade juridicamente estabelecida, e enquanto não se atinge essa idade, o adolescente permanece sob a responsabilidade de seus familiares/tutores. Nos dias de hoje, o processo de transição da adolescência para a vida adulta é objeto de investimentos e preocupação. Isso se explica pelo panorama atual de crise econômi- ca e os efeitos que isso acarreta para a sociedade. Sendo assim, recebe investimentos de diversos atores sociais, como governos que fazem políticas públicas pelas quais pre- para o jovem adolescente para a vida adulta de acordo com regras, normas e costumes da sua sociedade. Além disso, a construção das universidades, a sociedade civil e as mídias vêm demonstrando grande preocupação com o futuro dos jovens nesse proces- so de transição, destacando-os como desvalorizados e em situação de exclusão social. Por décadas e em diferentes sociedades, o ritual de transição para a vida adulta se caracterizava pela construção de uma nova família. Ou seja, a sociedade era monta- da seguindo um “roteiro” no qual o jovem adolescente era considerado adulto quando conquistava sua independência e buscava a construção de sua família. Sendo assim, era definida com a saída de sua casa, a construção de um relacionamento, levando ao casamento e à construção de uma família. Casado e com filhos, inicia o ritual de acom- U12 127Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Do adolescer para a vida adulta panhamento do desenvolvimento dos seus filhos, preparando-os para a vida adulta e a réplica dos seus costumes. Figura 41. Representação de uma estrutura familiar Fonte: Pixabay. A fase da adolescência é conhecida por mudanças físicas, fisiológicas e cognitivas; é a fase em que o ser se encontra um pouco na fase infantil, mas começando a olhar para a vida adulta, projetando seu futuro ali, criando um olhar mais responsável, mais decisivo. Por isso podemos chamar como a fase de transição, na qual o jovem não se olha mais como criança e já inicia o processo de se formar como adulto. Nos dias de hoje, apesar de ser definida por idade cronológica, essa fase de transição da adolescência para a vida adulta vem perdurando um pouco mais. É mais comum que os jovens demorem mais a sair da casa dos pais, levem mais tempo para construírem sua própria família (comparados com os próprios pais), além da fase de estudo, na qual demoram mais a concluir seus estudos e, consequentemente, a entrarem de fato no mercado de trabalho. Por isso esse período de transição já não é mais tão rápido como algumas décadas atrás, quando era possível encontrar indivíduos com seus 20 anos de idade totalmente independentes, com sua própria família e seguindo o “roteiro” posto pela sociedade. Entretanto, apesar de não poder mais comparar em questão cronológica esse período com o de décadas atrás, a transição ainda continua sendo complexa para todos os adolescentes. Por ser a fase de decisões e escolhas, o ser não consegue viver a vida de adolescente, pois se encontra precisando definir sua vida adulta, a escolha da pro- fissão, de mercado de trabalho, a complexidade do seu sustento e a criação de sua pró- pria família, conforme roteiriza a sociedade, ou até mesmo a decisão de não construir uma e enfrentar os bônus e ônus de cada uma de suas escolhas. É normal encontrar indivíduos que se recusem a entrar na vida adulta, que vivam uma eterna adolescência. A Psicologia explica que, em situações assim, o desenvolvimento do ser traz traumas de responsabilidades ou de acolhimento e faz o indivíduo crescer com medo da responsabilidade, de precisar fazer escolhas decisivas, de construir sua 128 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U12 Do adolescer para a vida adulta própria vida e acabar se arrependendo, tendo de lidar com a frustração da escolha er- rada. Para um ser assim, a fase de transição dura por um longo período, pois antes é preciso vencer esse trauma, para que assim consiga fazer suas escolhas, e que tudo seja transformado e criadas novas possibilidades. Para alguns pesquisadores, os principais marcadores da transição da vida adulta é a escola, o trabalho e a construção de uma família. Segundo Galland (2001), podemos considerar que o que marca a transição para a vida adulta se daria a partir de alguns desempenhos: ocupação de um emprego estável e autonomia financeira, autonomia residencial, a vida em casal, que representa a estabilidade afetiva na construção social de uma família.Entretanto, podemos perceber que atualmente os mesmos marcadores já não recebem o mesmo valor que décadas atrás. Figura 42. Representação da transição para a vida adulta Fonte: Freepik. A representação da imagem mostra o processo de transição do ser seguindo cada uma das etapas da vida: infância, adolescência, vida adulta e velhice. Obter um emprego es- tável, criar um lar separado, ter família e filhos perdeu seu valor como restrito ao mundo adulto. Percebe-se que, cada vez mais, os jovens saem da casa de seus familiares e buscam sua independência sozinhos, morar só sem nenhuma relação conjugal ou optar por relações instáveis, já com idades reconhecidas como adultas. Nos estudos e discussões sociológicos, a inserção na vida adulta é marcada pelo fim da juventude, abarcando cinco dimensões: terminar os estudos; entrar no mercado de trabalho e viver disso; sair da casa dos pais e montar sua própria moradia pela qual se coloca responsável; casar; ter filhos. Dessa forma, a Sociologia apresenta que essas cinco condições modernas definem a condição de adultos. Logo depois, marcados por estarem aptos a produzir e reproduzir a vida e a sociedade, assumindo as responsabi- lidades pela sua condução. file:///C:/Users/PC/Desktop/Imagem%20de%20%3Ca%20href=%22https:/br.freepik.com/vetores-gratis/ilustracao-desenhada-a-mao-do-ciclo-de-vida-da-mulher_19537983.htm#query=transi%C3%A7%C3%A3o%20para%20a%20vida%20adulta&position=10&from_view=search&track=sph">Freepik</a> U12 129Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Do adolescer para a vida adulta Para saber mais sobre o assunto, assista ao vídeo Rupturas na transição para a vida adulta, disponível aqui. A C ES SE MUDANÇAS BIOLÓGICAS, COGNITIVAS, EMOCIONAIS E PSICOSSOCIAIS Como vimos em discussões anteriores, a adolescência é a fase da vida marcada por grandes e importantes mudanças, físicas, biológicas, cognitivas, emocionais e psicos- sociais. Uma enxurrada de hormônios e comportamentos torna a transição da adoles- cência para a vida adulta um redemoinho de sentimentos e emoções, que se centraliza principalmente na busca do “eu”. Na adolescência, o principal marco de mudanças no corpo e na mente do ser se dá pela puberdade. Esse período é a fase de transição da criança para o adolescente, quando se passa por uma série de mudanças físicas e psicológicas, ocorrendo a transição da imaturidade sexual para a maturidade, por meio da ação de alguns hormônios específi- cos. Essa fase geralmente ocorre entre os 10 e 12 anos, podendo acontecer de forma precoce, aos 8 anos, ou até mesmo de forma tardia, depois dos 13 anos. Diversos fatores contribuem para o desenvolvimento da puberdade, como o histórico genético, ou seja, dado hereditário; a saúde do indivíduo; o ambiente em que ele está inserido. De maneira geral, a puberdade acontece quando ocorrem dois processos: a adrenarca, que acontece dos 6 aos 8 anos, quando acontece o início da produção dos andrógenos (grupos de hormônios masculinos e femininos) pela glândula adrenal. E a gonadarca, processo de ativação das gônadas, ou seja, a produção dos hormônios sexuais, por meio do hipotálamo e da hipófise. As mudanças físicas que se destacam no desenvolvimento humano são subdivididas em quatro grandes áreas: ` Maturação sexual: relacionada ao amadurecimento dos órgãos sexuais, ocorrendo o au- mento do pênis e dos testículos, aparecimento de pelos e, especificamente nas meninas, o aumento das glândulas mamarias. ` Estirão do crescimento: por meio da ação hormonal, inicialmente crescem os pés e as mãos, depois outras partes dos membros e, por último, o tronco. Independentemente do sexo, quanto mais cedo a criança entrar na puberdade, menor será a sua estatura final. ` Crescimento ósseo: durante a infância, o crescimento ósseo ocorre gradativamente, mas é na adolescência que atinge o seu máximo. ` Composição corporal e peso: também pela ação hormonal, acontece a mudança na com- posição de gordura e do acúmulo de massa muscular. Vale destacar que isso pode variar de pessoa por pessoa. https://www.youtube.com/watch?v=9bEZK9rlMrg 130 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U12 Do adolescer para a vida adulta Dessa forma, a puberdade marca o desenvolvimento sexual e reprodutivo do ser. E essa é a principal mudança que acontece no corpo humano, que marca o período de transição da adolescência para a vida adulta. Biologicamente e sociologicamente falan- do, quando o ser atinge a maturidade sexual e reprodutiva, já se encontra a para lidar com a vida adulta e com todas as cobranças e pressões de uma nova fase da vida. Além das mudanças físicas e biológicas que acontecem no desenvolvimento humano, precisamos destacar as mudanças psicológicas desse processo. Como já discutimos, o período da adolescência é uma fase bastante conturbada, marcada por grandes mu- danças, dúvidas e incertezas. São comportamentos que mudam, humores que oscilam com facilidade, além das grandes mudanças corporais. Tudo isso encaixado com as realidades sociais que também estão em constantes modificações. Podemos dizer que essas mudanças são naturais, algumas causadas pelas ações hormonais e outras por sermos seres sociais, que vivem em uma sociedade. Na adolescência, o ser inicia o processo de busca pela sua própria identidade, inicia a busca pelo seu “eu”, aumentando a construção de sua autoestima, autocontrole, a bus- ca pela autonomia afetiva e financeira, e mudanças comportamentais. Toda essa autodescoberta chega a ser confusa e dolorosa emocionalmente, tornando esse processo de transição ainda mais difícil. É preciso ficar atento a essas mudanças e, mais uma vez, lembrar aos pais e cuidadores a importância de entender essa etapa e se colocarem como uma forte rede de apoio para esses jovens. IM PO R TA N TE O QUE MUDA NA VIDA ADULTA Vimos até aqui que o desenvolvimento humano é marcado por vários períodos de transformações na vida humana. Uma delas é a transição da adolescência para a vida adulta, marcada como a fase de escolhas e decisões, firmando o seu “eu” e buscando autonomia afetiva e profissional, entrando no mercado de trabalho e se construindo socialmente. Vamos iniciar essa discussão falando sobre as mudanças biológicas que esse proces- so de transição traz para a vida do indivíduo. Durante a adolescência, no processo de construção da sua própria identidade, a puberdade é o marco principal das mudanças físicas e biológicas que acontecem no desenvolvimento humano. É na puberdade que o corpo do ser se transforma para a sexualidade e fertilidade, separando o período da infância e trazendo para o mais próximo da vida adulta. O início da vida adulta envolve mudanças físicas, cognitivas e psicossociais. Nesse processo, na busca pelo seu “eu” e lidando com todas as mudanças ocorridas, bem como a introdução em grupos sociais, é possível destacar influências diretas e indiretas na questão da saúde, da nutrição, resultando em transtornos, problemas de obesidade, sobrepeso e até problemas de saúde mental, tabagismo e alcoolismo, e entre outros problemas que acabam influenciando a saúde e o desempenho da vida adulta. U12 131Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Do adolescer para a vida adulta Segundo Papalia e Feldman (2013), em seu livro “O Desenvolvimento Humano”, a ativi- dade física é fundamental para a manutenção do peso corporal, a prevenção de doen- ças, o fortalecimento do organismo e o alívio de transtornos de ansiedade e depressão. Sendo assim, a biologia comprova que incorporar as atividades físicas na rotina diária traz mais benefícios à saúde. A fase da transição é marcada por muitas mudanças físi- cas, e lidar com elas é necessário para incorporar a vida adulta de forma saudável. O corpo amadurece, cresce e sente as mudanças físicas, sociais e mentais, além de se preparar fisicamente para a fertilidade e reprodução. Além disso, o nível socioeconômico também influencia diretamente a vida dos adultos: rendae educação estão associadas a estilos de vida mais saudáveis, com menos ris- cos e de melhor assistência. Na vida adulta, a falta de tempo e as responsabilidades do mercado de trabalho ou estudo fazem que o indivíduo lembre cada vez menos de cuidar de sua saúde, perigando escolher por alimentação fácil, não praticar exercícios, além das noites mal dormidas, causando problemas nutricionais, transtornos alimentares, insônia e estresse. A obesidade e o sobrepeso são problemas encontrados cada vez mais em adultos. Adultos, principalmente estudantes ou aqueles já inseridos no mercado de trabalho, tendem a ter o sono mais desregulado e a insônia como problemas recorrentes. Os estresses acadêmicos, familiares e profissionais contribuem para a privação do sono, atrapalhando o desenvolvimento cognitivo, físico, social e emocional, pois a má qualida- de do sono gera irritação, privação social, desatenção e esquecimento. Figura 43. Problemas de obesidade na vida adulta Fonte: Pixabay. Estamos falando de uma fase de pressão para a qual a sociedade monta um “script” que precisa ser seguido. Há a pressão de lidar com as mudanças físicas, cognitivas e psicossociais da adolescência e agora da vida adulta, das escolhas e decisões que marcarão o futuro da sua história, da sua vida. É preciso escolher a profissão da sua vida, escolher suas relações, entrar no mercado de trabalho; entender que não é mais criança e não pode mais depender dos seus pais, ao mesmo tempo que precisa admi- nistrar que cada escolha tem uma consequência, bem como não será feita apenas uma 132 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U12 Do adolescer para a vida adulta escolha na vida, muitas outras virão e é necessário ter equilíbrio emocional para lidar com tudo isso. Inteligência essa que agora, enquanto adulto, com personalidade forma- da e identidade firmada, consegue desenvolver ainda melhor. Além disso, precisamos citar que o alcoolismo, o tabagismo, o uso de drogas e a de- pressão são problemas que cada vez mais se destacam na fase adulta e que precisam ser tratados de forma adequada e com acompanhamento ideal durante a vida. O consu- mo de álcool tem seu auge no início da vida adulta. Aqui, os jovens passam a conviver em ambientes nos quais o acesso ao álcool é fácil, e acabam se relacionando social- mente com pessoas de outros grupos sociais, que por muitas vezes já utilizam bebidas ou drogas em suas interações sociais. O álcool e outros tipos de drogas têm associação direta com os riscos típicos da idade adulta, como acidentes de trânsito, agressões físi- cas e sexuais, transmissão de infecções e doenças sexualmente transmissíveis. Figura 44. Problemas de alcoolismo e tabagismo na vida adulta Fonte: Pixabay. Outro fator de grande risco para a saúde do jovem adulto é o tabagismo, que coopera para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, problemas respiratórios, proble- mas circulatórios e diversos outros. Por ser um vício, encontra-se em um processo de difícil combate. O tabagismo costuma ser justificado pelo alívio da ansiedade e do es- tresse dos dependentes, mas é uma forma extremamente prejudicial de buscar alívio. No início da vida adulta, a sexualidade e a reprodução se tornam tópicos importantes para discussão. A maioria dos jovens adultos inicia sua vida sexual antes do casamento e já tem a sua identidade sexual esclarecida. O sexo casual se torna um hábito comum, assim como as atividades sexuais, variadas. Nessa fase, há o surgimento das infecções sexuais. Falando da fertilidade, entendemos que é na adolescência que esse processo inicia sua construção. Nas mulheres, aproximadamente aos 30 anos, a fertilidade come- ça a entrar em declínio, ou seja, o corpo amadurece e o processo de fertilidade não é mais aflorado como quando jovem. Aos 40 anos, a chance de fertilidade se torna ainda mais rara, tornando mínimas as chances de uma mulher engravidar. Vale lembrar que a alimentação, os hábitos de saúde e o próprio corpo genético podem fazer que essas características mudem de organismo para organismo. Podemos definir que a recentralização, segundo Papalia e Feldman (2013), é o pro- cesso de se tornar adulto, e pode ser dividida em dois estágios. O primeiro estágio é marcado pelas expectativas de autonomia; no segundo estágio, o jovem inicia sua vida U12 133Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Do adolescer para a vida adulta acadêmica e profissional. Aqui ele começa a realizar cursos, iniciando sua carreira pro- fissional, coloca-se no mercado de trabalho e começa seus relacionamentos íntimos e pessoais. Além disso, inicia o processo da sua independência, sua autonomia afetiva e autonomia financeira e profissional. Não podemos deixar de citar que, atualmente, o número de jovens adultos que ainda moram na casa dos pais vem crescendo gradativa- mente, e isso acontece principalmente por dificuldades econômicas. O apoio social e o sentimento de integração que vêm ao jovem adulto proporcionam qualidade de vida, por isso a importância de relacionamentos saudáveis, sejam eles pessoais íntimos ou até mesmo das famílias. Na fase adulta, os relacionamentos ten- dem a se tornar mais íntimos e concretos. Atualmente, os adultos têm mais liberdade para escolher se permanecem solteiros, se querem casar ou apenas manter um rela- cionamento estável, se relacionar com parceiros do mesmo sexo etc. O que vai definir a satisfação em todos esses estilos de vida é a qualidade de um relacionamento ou como o adulto se sente na falta de um. Assim, os jovens adultos nos dias de hoje têm mais liberdade para decidirem como desejam escolher seus caminhos, seja ingressar em um novo ambiente educacional ou de trabalho, podendo trazer benefícios tanto para o crescimento financeiro, pois abre espaços para crescimento financeiro, melhores salários e no mercado de trabalho, quanto para o desenvolvimento cognitivo, pois estimula o senso crítico e a diversidade de perspectivas. A fase de transição para a vida adulta é marcada por decisões e escolhas que podem, de certa forma, influenciar todas as outras fases no desenvolvimento humano. E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que as mudanças físicas, cognitivas e emocionais que acontecem na fase da adolescência acompanham o indi- víduo no processo de transição da adolescência para a vida adulta. Quando criança, o corpo humano inicia um processo biológico de mudanças. Com a ação hormonal, o ser entra no período da puberdade, que marca a fase de amadurecimento sexual e reprodutivo. Nesse processo de transição para a vida adulta, quando o corpo atinge esse amadurecimento sexual, fisicamente e biologicamente, ele já se encontra pronto para a vida adulta. Por outro lado, em uma discussão mais sociológica, vemos que a inserção na vida adulta é marcada pelo fim da juventude, abarcando cinco dimen- sões: terminar os estudos; entrar no mercado de trabalho e viver disso; sair da casa dos pais e montar sua própria moradia pela qual se coloca responsável; casar-se; ter filho. Quando o ser atinge essas cinco dimensões, ele está apto para a vida adulta. Entretanto, vimos que atualmente essa configuração mudou um pouco, e cada vez mais os jovens com idade cronológica considerável para adultez ainda não seguem essas dimensões como “regra” ou “roteiro” exigido pela sociedade. E que, devido a problemas econômicos ou estudos prolongados, os jovens demoram a sair da casa dos pais e/ou optam em não se casar, ter filhos, mantendo a sua vida de solteiros ou em um relacionamento estável sem a obrigatoriedade de um casamento. R ES U M IN D O 134 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U12 Do adolescer para a vida adulta A Sociologia salienta que a inserção da vida adulta é marcada pelo fim da juventude, abar- cando cinco dimensões.Essas cinco condições modernas definem a condição de adultos, logo depois, marcada por estar apto a produzir e reproduzir a vida e a sociedade, assumindo as responsabilidades pela sua condução. Que condições são essas? Nos estudos e discussões sociológicas, a inserção da vida adulta é marcada pelo fim da juventude, abarcando cinco dimensões: finalizar os estudos; entrar para o mercado de traba- lho; sair da casa dos pais; casar-se; e ter filhos. Resposta: Atividade Comentada Atividade Prática As mudanças físicas que se destacam no desenvolvimento humano são subdivididas em quatro grandes áreas. Uma delas está relacionada ao amadurecimento dos órgãos sexuais, ocorrendo o aumento do pênis e dos testículos, aparecimento de pelos e, especificamente, nas meninas, o aumento das glândulas mamárias. Estamos falando de qual área? a. Maturação sexual. b. Estirão do crescimento. c. Crescimento ósseo. d. Desenvolvimento sexual. e. Composição corporal. ALTERNATIVA: A COMENTÁRIO: A resposta está correta, pois é na área de maturação sexual que ocorre o amadurecimento dos órgãos sexuais tanto dos meninos quanto nas meninas. Resposta: 136 UNIDADE 13 RELAÇÕES INTERPESSOAIS COMO FORMA DE INTERAÇÃO COM O MUNDO A PESSOA COMO SER SOCIAL Ao término deste capítulo, você será capaz de conhecer a visão social e a importância das relações sociais no desenvolvimento humano. Entenderá que, com o avanço das tecnologias e o uso da internet, algumas relações se modificaram e perderam o sen- tido inicial, com as pessoas passando a valorizar mais as relações virtuais do que as próprias relações pessoais. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante!C O M PE TÊ N C IA S A PESSOA COMO UM SER SOCIAL Vimos em outros momentos que o ambiente influencia diretamente o desenvolvimento humano, pois, quando a criança cresce em um ambiente saudável, ela tende a se trans- formar em um adulto seguro, confiante e preparado para enfrentar as dificuldades das responsabilidades da vida adulta. Piaget (1977) destaca que o ser humano por natureza é um ser social, pois, para ele, o indivíduo se desenvolve a partir da ação sobre o meio em que está inserido, priori- zando, a princípio, os fatores biológicos que podem influenciar seu desenvolvimento mental. Assim, o ser humano precisa de outro ser humano por natureza, para conse- guir se desenvolver de fato. IM PO R TA N TE O ser humano é um ser social. Por mais que, por muitas vezes, exista um isolamento social, negação à interação ou a sensação de ser “sozinho no mundo”, o ser humano pode ser considerado um ser social por fazer parte de uma sociedade, em que, vale destacar, o ambiente e o espaço social interferem diretamente no desenvolvimento hu- mano. Dessa forma, iniciamos essa discussão afirmando que o ser humano é um ser social. Para melhor entender, vamos voltar um pouco à discussão. Lembre-se da etapa da in- fância como parte do desenvolvimento humano, em que desde os primeiros segundos do nascimento da criança, os pais depositam sobre ela inúmeros cuidados e preocupa- ções que influenciam seu desenvolvimento. Nos seus primeiros passos, nas suas pri- meiras interações, nos seus primeiros contatos sociais, os pais e familiares depositam em forma de cuidados os valores, as normas e as regras de convivência e pacificam para se viver em sociedade. U13 137Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Relações interpessoais como forma de interação com o mundo Diariamente, nas nossas rotinas de trabalho, estudo ou qualquer outro tipo de relação, nos relacionamos de diversas formas com outras pessoas, e essas múltiplas interações criadas com diversas pessoas fazem do ser humano um ser social, que depende disso para um desenvolvimento pleno. Por outro lado, observando atentamente o desenvolvimento social, cumpre destacar algumas situações, como: ` Competição. ` Valorização do vencedor e o desprezo por quem perde. ` Disputas intensas. Isso acontece, porque, apesar de se afirmar que somos seres sociais e que o ser hu- mano depende do ser humano para se desenvolver, vivemos em uma época marcada por uma triste prática: o individualismo. No individualismo, desprezam-se as relações sociais, valorizando apenas os vencedores, desconsiderando a necessidade que temos um do outro para sermos completos. Segundo Karl Marx (1974), apenas o ser humano pode ser considerado um ser social, pois possui características únicas que permitem que ele possa se tornar um ser social. Ainda seguindo essa discussão, Marx apresenta que o que diferencia o ser humano dos demais seres vivos é a capacidade de criar e transformar a natureza a partir de suas necessidades, aprendendo com quem já viveu e atuando no que já foi criado. Assim, a capacidade de criação e transformação acontece mediante a herança deixada pelas gerações anteriores, de uma relação que é dinâmica e que vai se atualizando de acordo com as necessidades. Dessa forma, o homem se torna um ser social quando suas ações de interações come- çam a aflorar, quando ele começa a falar, quando começa a articular com outras pes- soas e quando necessita de outras pessoas para alcançar seus objetivos e sobreviver. A finalidade do homem é uma atividade racional, uma função da alma. O ambiente em que o homem (como um ser social) está inserido é que vai acabar ditando sua conduta, seu modo de pensar e viver. A NECESSIDADE DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS O ser humano pode ser definido como ser social, pois, como mostra Piaget (1977), de forma natural depende de relações sociais para o seu desenvolvimento. Com isso, po- demos destacar como sendo uma das mais fundamentais características que justificam a evolução humana ao longo do tempo. Destacando a capacidade de interação social com outras pessoas como uma das prin- cipais características humanas, precisamos mencionar a importância das relações in- terpessoais no nosso dia a dia e o quanto isso contribui para o nosso desenvolvimento socioemocional. Sendo assim, as relações interpessoais se apresentam em nossas vidas, nas relações pessoais, na vida escolar, no trabalho, mostrando a importância de desenvolver uma boa capacidade de se relacionar com as outras pessoas. 138 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U13 Relações interpessoais como forma de interação com o mundo Definindo o interpessoal como aquilo que “envolve relação entre duas ou mais pes- soas”, trata-se da capacidade de nós, seres humanos, lidarmos com outras pessoas, conviver com outras ideias, pensamentos, comportamentos e particularidades. O ser humano passa por constantes mudanças e evoluções, e à medida que a socieda- de evolui, cresce e muda seus costumes, o ser humano acompanha essas transforma- ções e muda também. Conforme o humano evolui, as relações interpessoais também, e precisam continuar sendo analisadas e avaliadas, para que as pessoas consigam acompanhar todas essas mudanças de acordo com os valores sociais. A estabilidade nos relacionamentos interpessoais, no nosso dia a dia e dentro de uma instituição, é essencial para os objetivos serem alcançados. Por isso, é fundamental de- senvolver algumas habilidades, para que a harmonia, o profissionalismo e a ética sejam mantidos no ambiente de trabalho, no ambiente escolar e em qualquer outro ambiente social de interação. Podemos destacar como habilidades fundamentais: ` Aperfeiçoar a comunicação: é necessário que seja assertivo e empático com os próximos. ` Aperfeiçoar a habilidade de ouvir: fundamental desenvolver a habilidade de ouvir com o máximo de atenção possível, demonstrando assim que a opinião do outro é importante. ` Estreitar os laços, partilhando histórias e experiências. ` Adaptar-se à diversidade: sempre ter em mente que as diferenças enriquecem o ambiente de trabalho. Segundo a sociologia e a psicologia, as relações interpessoais podem estar interligadas pelo vínculo que as pessoas encontram em outras pessoas, circunstânciase até em locais. Elas existem em todos os ambientes sociais de convivência de um ser humano e são fundamentais para o seu desenvolvimento. Embora complexo, é da natureza hu- mana estar sempre ligado a alguém. Isso se dá pela necessidade natural de buscar a constante troca de conhecimentos, emoções e energias. Agora que você já sabe o conceito e a importância dessas relações para o contexto so- cial, deve entender o desenvolvimento dessa capacidade. Antes de mais nada, o melhor instrumento para manter relações interpessoais é o autoconhecimento. Isso porque é necessário que as pessoas se conheçam, identifiquem seus limites, identifiquem quem realmente são, para que de fato consigam manter outras relações sem correr o risco de sabotar essas interações. O contrário faz surgir muitos desentendimentos e estresses com colegas de trabalhos, amigos e familiares. Contudo, para termos uma boa capaci- dade de relacionamento interpessoal, é necessário compreender melhor os sentimen- tos e os anseios envolvidos, evitando assim muitos conflitos e desentendimentos. AS DIFERENTES FORMAS DE VÍNCULO E INTERAÇÃO SOCIAL O primeiro vínculo estabelecido socialmente e sentimentalmente com os seres huma- nos é o vínculo materno. É a partir daqui que surgem as possibilidades de diferentes vínculos e interações durante o seu desenvolvimento. Depois da mãe, à medida que U13 139Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Relações interpessoais como forma de interação com o mundo o ser vai se desenvolvendo, esse vínculo afetivo vai se multiplicando entre os seus familiares, amigos, colegas e na vida adulta, seus novos relacionamentos íntimos e interpessoais. O estabelecimento de vínculos afetivos é fundamental para o processo de construção da identidade e das relações interpessoais, pois é a partir desses vínculos criados entre familiares e amigos que o sujeito entende melhor o mundo que o cerca. Figura 45. Vínculos afetivos Fonte: Freepik. Podemos definir como vínculo afetivo toda e qualquer interação criada desde a infân- cia entre as crianças e seus pais e familiares, como gestos de carinho, apoio, memó- rias afetivas, cuidados e atenções. Esse tipo de relacionamento ajuda a criança no seu desenvolvimento emocional e, quando adulta, influencia diretamente as suas relações sociais. D EF IN IÇ Ã O A criação de vínculos afetivos dentro e fora do espaço familiar é o primeiro passo para uma educação socioemocional de boa qualidade, que será efetivamente responsável pela capacidade de se relacionar socialmente com outras pessoas na vida adulta. Os vínculos afetivos são essenciais para que as crianças cresçam e se transformem em adultos com atitudes saudáveis. Além disso, a construção de vínculos afetivos durante a vida prepara o ser a uma nova forma de enxergar o mundo em que vive e os seus próprios relacionamentos, propor- cionando a capacidade de desenvolver habilidades socioemocionais, como a empatia, a calma e a resiliência. Vivemos em uma sociedade em que cada vez mais as relações sociais estão se mo- dificando e se difundindo com as tecnologias. A sociedade atual se conecta o tempo 140 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U13 Relações interpessoais como forma de interação com o mundo todo com as tecnologias e o uso da internet, que, de certa forma, facilitou imensamente nosso dia a dia e trouxe para nossa realidade novas formas de interação. A interação social é algo natural e presente na vida das pessoas, pois faz parte de um processo de relações constantemente desenvolvidas com aqueles que nos cercam. Nos estudos da sociologia, a interação social e o desenvolvimento dela se tornam con- dição necessária para a formação da sociedade, pois somente assim as pessoas se tornam sujeitos sociais de fato. O contato social e, consequentemente, a criação de redes de relacionamentos são dire- tamente responsáveis pelo desenvolvimento da comunicação e das relações interpes- soais. Trazendo essa discussão para os dias atuais, o contato social ou as interações sociais avançaram ainda mais com o uso das tecnologias, pois, com a expansão da internet e de outras tecnologias, outras formas de comunicação foram estabelecidas, trazendo com isso novos padrões de interação social. Por muito tempo, a definição de interação social partia da ideia de que precisava existir uma troca de comunicação entre dois ou mais indivíduos. Porém, essa definição entrou em discórdia nos dias atuais, em que muitos estudiosos ressaltam que a interação social envolve diversas formas e pode ocorrer entre uma ou mais pessoas, bem como ser estabelecida em diferentes espaços e ambientes, como o próprio espaço virtual. Os meios de comunicação deixaram de ser responsáveis apenas por fornecer conteúdos e informações, eles têm provocado alterações radicais na forma de interação social. As interações mediadas pelo uso de tecnologia, como redes sociais e aplicativos de conversas, mudaram para sempre nossa forma de interagir com as outras pessoas. E isso repercute diretamente na nossa forma de olhar o mundo e de, até mesmo, viver nele. O uso dos meios de comunicação tem a ver com a criação de novas formas de agir e interagir, novos tipos de relações sociais e novas formas de relacionamento. Cada situ- ação de interação social de que participamos é uma pequena parte da sociedade. Uma interação social pode envolver pequenos grupos de duas ou três pessoas, até mesmo grupos maiores com inúmeras de pessoas. Thompson (2018), em sua obra “A mídia e a modernidade”, apresenta dois tipos de interação social: interação propriamente dita e a quase interação. A primeira podemos encontrar na interação face a face, a segunda é a mediada. segundo o autor, existem quatro modos diferentes de interação entre os indivíduos, que são: ` Interação face a face: relação que ocorre presencialmente entre duas ou mais pessoas. dentro de um contexto de copresença, em que todas as pessoas envolvidas compartilham de um mesmo espaço e tempo. Podemos citar como exemplo a interação de uma sala de aula, o contato de pro- fessor e alunos. ` Interação mediada: tipo de interação que não é presencial, o espaço e o tempo são estendidos para que os indivíduos possam interagir, e os objetos existem como mediadores entre as interações humanas. Podemos exemplificar com a interação por telefone, computador etc. ` Quase-interação mediada: pode ser confundida como interação mediada, entretanto, diferencia- U13 141Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Relações interpessoais como forma de interação com o mundo -se por apresentar apenas um fluxo de comunicação, ou seja, é unidirecional, não havendo a possi- bilidade de revezamento de papel entre falante e ouvinte. Podemos mencionar como forma dessa interação os programas de TV. ` Interação mediada on-line: a interação acontece de forma digital, muito comum nos nossos dias atuais. É uma interação conhecida como “todos com todos”. Para melhor exemplificar, citamos as redes sociais, mais especificamente, o feed de postagens, no qual existe uma alta possibilidade de interação entre várias pessoas. Caracterizando assim as diferentes formas de interação, podemos compreender um pouco melhor as peculiaridades envolvidas na execução de diferentes jogos de lingua- gem, isto é, das diferentes formas de interações específicas de que participamos todos os dias. A NECESSIDADE E A IMPORTÂNCIA DAS RELAÇÕES SOCIAIS NO DESENVOLVIMENTO DO ADULTO As relações sociais fazem parte do desenvolvimento humano desde os primeiros mo- mentos de vida. O meio e espaço, os vínculos afetivos, as interações interpessoais, as relações grupais de identidade, tudo comprova o quanto o ser humano depende do outro como ser social para seu desenvolvimento. Nos dias de hoje, o mundo se encontra cada vez mais preso aos avanços tecnológicos e à dependência da internet. As pessoas tendem a se relacionar recorrentemente por mio de aparelhos eletrônicos, deixando o contatofísico em segundo plano. Segundo Zygmunt Bauman (2001), a sociedade se encontra cada vez mais presa em relações descartáveis, o que, em discursos da sociologia, chama-se de amor líquido. As relações pessoais estão cada vez mais frágeis, pois se encontram facilmente, por meio do mundo virtual, novas relações, novos amigos e novos amores pelo simples clique no computador. Cada vez mais, as pessoas vivem na necessidade de forjar sua própria imagem e identidade, assumindo diferentes personalidades, mantendo poucas relações duradouras e uma vida de “faz de conta” que precisa ser mantida nas redes sociais. Figura 46. Representação das relações sociais pelas redes sociais Fonte: Freepik . file:///C:\Users\PC\AppData\Roaming\Microsoft\Word\%3ca%20href=%22https:\br.freepik.com\vetores-gratis\pessoas-com-composicao-plana-de-gadgets-com-personagens-femininas-enviando-receita-para-cozinhar-ilustracao-vetorial-de-sopa_23128911.htm#query=rela%C3%A7%C3%B5es%20sociais&position=33&from_view=search&track=sph">Imagem de macrovector</a> no Freepik 142 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U13 Relações interpessoais como forma de interação com o mundo Em linhas gerais, as relações sociais são um conjunto de interações entre indivíduos ou até mesmo entre grupos sociais, como família, trabalho ou tribos. Também podem representar a interação entre diversos espaços sociais, que podem ocorrer de forma natural ou influenciada pelos interesses individuais. Mais uma vez, precisamos relembrar o que nos apresentou Piaget (1977): o ser Huma- no é um ser social e, a partir disso, a sociabilização é fundamental para o desenvolvi- mento e o avanço da sociedade. Figura 47. O ser humano social Fonte: Freepik Durante o nosso processo de desenvolvimento, desempenhamos diversas relações sociais que são fundamentais para a construção da sociedade, uma vez que um ser humano que não desenvolve as relações sociais pode apresentar diversos problemas patológicos. Max Weber (2004, p. 16), um intelectual alemão, apresenta em seus estudos sobre as relações sociais, que: Por “relação social”, entendemos o comportamento reciprocamente referido quanto a seu conteúdo de sentido por uma pluralidade de agentes e que se orienta por essa referência. A relação social consiste, portanto, completa e exclusivamente na probabilidade de que se aja socialmente numa forma indicável (pelo sentido), não importando, por enquanto, em que se baseia essa probabilidade. U13 143Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta Relações interpessoais como forma de interação com o mundo De acordo com Weber, as relações sociais compõem um conjunto de ações sociais entre seus atores, sendo essencial na estrutura da sociedade. Portanto, é imprescin- dível manter e cultivar relações saudáveis, que ajudem no desenvolvimento pessoal e profissional do ser. Para isso, é preciso vincular essas relações com alguns elementos primordiais, como o respeito, a confiança, a partilha, a comunicação, a honestidade, a igualdade, a segurança e a negociação. Esses ingredientes fazem que as nossas vidas ganhem cor e tenhamos sentimento de pertencimento, que nos liga uns aos outros. E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que, de acordo com a te- oria de Piaget, o ser humano é considerado um ser social, que, naturalmente, busca relações que contribuam para o seu desenvolvimento. O meio em que se vive e o uso das tecnologias diversificaram cada vez mais as formas de interagir e o contexto das interações sociais. De acordo com Thompson, existem quatro modos diferentes de in- teração entre os indivíduos, que são: interação face a face; interação mediada; quase interação mediada; e interação mediada on-line. Podemos caracterizar as diferentes formas de interação que passamos no nosso dia a dia, bem como a importância que isso resulta nas nossas vidas e no nosso desenvolvimento. R ES U M IN D O 144 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U13 Relações interpessoais como forma de interação com o mundo O ser humano por natureza é um ser social, pois, para ele, o indivíduo se desenvolve a partir da ação sobre o meio em que está inserido, priorizando, a princípio, os fatores biológicos que podem influenciar seu desenvolvimento mental. Assim, o ser humano precisa de outro ser humano por natureza, para conseguir se desenvolver de fato. Conforme apresenta Karl Marx, a caracterização do ser social pode ser definida como: Marx apresenta que o que diferencia o ser humano dos demais seres vivos é a capacidade de criar e transformar a natureza a partir de suas necessidades, aprendendo com quem já viveu e atuando no que já foi criado; por isso só é possível considerar o ser humano como ser social. Resposta: Atividade Comentada Atividade Prática Observando atentamente o desenvolvimento social, é importante destacar algumas situa- ções como competição, valorização do vencedor e o desprezo por quem perde, disputas intensas. Isso acontece, pois, apesar de afirmar que somos seres sociais e que o ser huma- no depende do ser humano para se desenvolver, vivemos em uma época marcada por uma triste prática, que é o/a: a. Individualismo. b. Capitalismo. c. Socialismo. d. Interação. e. Competição. ALTERNATIVA: A COMENTÁRIO: A resposta está correta, pois, apesar das afirmações e constatações de que somos seres sociais, a sociedade está marcada pelo individualismo. Resposta: 146 UNIDADE 14 O ENVELHECER E O MORRER COMO CICLO DA VIDA ENVELHECER E MORRER COMO CICLO DE VIDA Neste capítulo, você será capaz de compreender o processo do envelhecer e do fim da vida como elementos naturais do corpo e da mente do ser humano. Você irá enten- der os aspectos básicos sobre a morte e o morrer, suas diferenciações e como isso pode contribuir no emocional e cognitivo de cada pessoa. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante! C O M PE TÊ N C IA S Assim como vimos em outras discussões, o processo do desenvolvimento da vida hu- mana pode ser dividido em quatro etapas: infância, adolescência, vida adulta e velhice. E assim como acontece com a maioria dos seres vivos, podemos definir a vida humana como um ciclo, que se possui o início, o meio e o fim. Ou seja, o ser humano nasce, cresce e se desenvolve, envelhece e morre. Naturalmente, esse é o ciclo da vida. Vimos no capítulo anterior que o envelhecimento pode ser definido como um processo de deterioração do corpo humano. Todas as mudanças ocorridas na vida deixam mar- cas no envelhecimento, fazendo que o corpo humano se torne mais frágil, perdendo a capacidade de desenvolver algumas habilidades e desempenhos físicos. Apesar das teorias para justificar o envelhecimento, ou até mesmo atrasar o fim da vida, o que se sabe é que envelhecer e morrer faz parte do ciclo natural da vida. De forma genética, o corpo vai mudar e se transformar para receber esses fenômenos e, assim como um eletrodoméstico desgastado, uma hora não terá forças para continuar funcionando. Durante todo o processo do desenvolvimento humano, fala-se da importância de man- ter hábitos saudáveis que garantam uma condição de vida melhor para todos, como alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos, mente ativa e em constante traba- lho e o hábito de manter relacionamentos sociais saudáveis. Nessa fase da vida, esses costumes trazidos durante toda a vida podem facilitar o processo do envelhecimento e atrasar a chegada da morte, prolongando assim seus dias de vida e fortalecendo o corpo e o cérebro para todas as mudanças ocorridas. U14 147Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta O envelhecer e o morrer como ciclo da vida Figura 48. Representação de costumes saudáveis na velhice Fonte: Freepik. Quando falamos em envelhecimento, automaticamente associamos com aalta proba- bilidade da morte. Dessa forma, assim como aprendemos a entender e aceitar o enve- lhecimento como parte natural do nosso desenvolvimento, precisamos compreender que a morte e o morrer também podem ser considerados como instrumentos naturais da vida humana. Conforme apresenta o Dicionário Aurélio, encontramos que a morte pode ser definida como “uma interrupção definitiva na vida de um organismo” ou até mesmo o “fim da vida humana”. A palavra “morrer” encontra-se como “perder gradualmente a força, a intensidade; desaparecer, sumir”. Assim, podemos entender que a morte e o morrer têm significados diferentes. Podemos entender a morte como o fim da vida, o fim do corpo biológico. Já o morrer remete a uma consequência da morte, a um sentimento compar- tilhado, um evento familiar e sentimental. Já percebeu que somente pensamos na morte quando estamos passando por alguma doença grave ou nos deparamos com algum acidente? Ou até mesmo, somente pensa- mos na morte quando isso acontece com a gente ou com pessoas próximas a gente? Na verdade, esse assunto precisa ser pensando bem antes e entendido como fenôme- no natural do nosso desenvolvimento. file:///C:\Users\PC\Desktop\unidade%203\unidade%204\Imagem%20de%20%3Ca%20href=%22https:\br.freepik.com\fotos-gratis\tiro-completo-homem-senior-com-tapete-de-ioga_13402658.htm#query=idoso%20treinando&position=22&from_view=search&track=sph">Freepik</a> 148 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U14 O envelhecer e o morrer como ciclo da vida No decorrer da vida, deparamo-nos com vários tipos de mortes, às vezes por acidentes ou por alguma patologia, às vezes pelo próprio desligamento do corpo, e outras pelo próprio processo de envelhecimento. A morte se refere a uma interrupção da vida, um desligamento de um sistema biológico. O que difere de um sentimento de perda, do luto vivido e sentido por perder alguém que morreu. A morte é um “termo” técnico, e o morrer, é o sentimento que fica por perder alguém. Quando falamos de doenças patológicas como causa possível de uma morte, depara- mo-nos com pacientes que têm mais medo da dor e do sofrimento causado pela doença do que o próprio episódio da morte. Por isso, cumpre esclarecer como a morte é vista ou reconhecida. Muitas vezes, quando passa por situações como essas, o indivíduo apresenta mais resistência ao tratamento da doença, da internação do hospital, mesmo entendendo que a falta desse tratamento (que na sua mente implica o não sofrimento) pode causar a morte. Sendo assim, é necessário que as equipes hospitalares, nesses casos, expliquem o que são os cuidados paliativos, e o quanto esses tratamentos são fundamentais para o aumento da qualidade de vida do sujeito, onde será tratada a dor, o sofrimento de forma integral, não enxergando o paciente somente como um câncer, uma doença, um caso terminal. Dessa forma, Oliveira (2005) afirma que, quando um paciente recebe a notícia de que se encontra em estado terminal, toda a família sente o impacto psicológico. Embora a questão da morte apareça diariamente e constantemente nos momentos da vida, ainda não é uma questão fácil de ser discutida, principalmente na nossa socieda- de e na nossa cultura. A discussão sobre a morte pode envolver outros âmbitos, como cultura, religião, ciências e rituais. Oliveira afirma que o impacto psicológico do diagnóstico de uma doença grave atinge toda a unidade familiar, uma vez que todo o núcleo social desse ser sentirá os impactos causados pela doença, pela dor e sofrimento. Os familiares do paciente reagem de várias maneiras à ideia da morte ou da possibilidade de morrer. Eles também atravessam as mesmas etapas, como o paciente, mas nem sempre ao mesmo tempo. [...] não é raro ver mesmo a morte iminente negada pela família. (OLIVEIRA, 2005, p. 67) Kübler-Ross (1998, p. 41) afirma que “pode haver mudanças sutis ou dramáticas nas famílias e na atmosfera do lar, provocando também reações nas crianças, aumentando assim os encargos e a responsabilidade da mãe”. É necessário destacar o processo do envelhecimento natural do ser e como isso acar- reta inevitavelmente a morte. Vimos que o envelhecimento é o resultado da ativação e da desativação sequencial de certos genes, com a senescência sendo definida como o momento em que as deficiências de algumas capacidades e habilidades se manifestam no corpo humano. Além disso, os tecidos se desgastam, os músculos diminuem, os órgãos se fragilizam quanto a seu funcionamento, e o corpo se torna mais propício a doenças respiratórias, cardíacas, quedas e enfraquecimento ósseo. Como dito, o corpo tende a enfraquecer, a se desconectar de suas funções biológicas, a se desligar dos seus órgãos. U14 149Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta O envelhecer e o morrer como ciclo da vida No Oriente, a velhice é marca de status. Os idosos são tratados com respeito e atenção. Isso acontece porque os mais jovens respeitam as imensas experiências acumuladas em seus anos de vida. Assim, a cultura dessas sociedades tem como tradição cuidar bem dos idosos, reverenciá-los e glorificar suas histórias e experiências. Podemos comparar com o envelhecimento no Ocidente. Enquanto no Oriente é ques- tão de orgulho e referência, no Ocidente é motivo de vergonha, fraqueza, e o indivíduo tende a querer adiar seu envelhecimento o máximo possível. O RECONHECIMENTO DO LUTO Lidar com o fim da vida ainda é um tabu muito grande na sociedade. Muitos se prendem tanto a uma ideia ruim do fim da vida, da morte, que esquecem de dar sentido à sua existência, ao seu processo de crescimento e desenvolvimento. Quando chegam nesse período, é comum que aqueles que estão passando por essa fase do desenvolvimento deixem de sonhar, de acreditar em si e em suas capacidades, de se arriscar e tentar algo novo, de até mesmo aproveitar a fase. Entretanto, não podemos generalizar. Existem as pessoas que não lidam bem com o fim da vida, bem como as que aproveitam a etapa, arriscam-se e tomam decisões impor- tantes sem se limitarem à idade ou à fase vivida. Entendem que, assim como a vida, a morte também faz parte do desenvolvimento humano. A forma como se enxerga o luto também é diferenciada. Alguns sentem muita angústia e levam esse sentimento por anos e anos, chegando a entrar em depressão ou até mesmo falecer com o sentimento do luto. Outras pessoas compreendem e vivenciam o luto de forma mais leve, entendendo que a morte pode ser um aspecto necessário para encerrar sofrimentos em vida. Portanto, não podemos definir quem está certo ou quem está errado na forma de sentir e conviver com o luto, o fim da vida, a morte e o morrer. Além disso, as pessoas lidam com essa etapa do desenvolvimento da vida de acordo com sua cultura, crença e experiência de vida. Para descrever melhor os aspectos psicossociais enfrentados nessa fase, Kubler-Ross (1998) fez uma divisão dos processos de elaboração do luto. São eles: ` Negação e isolamento: presente no primeiro impacto da pessoa quando recebe a notícia. Podendo ocorrer uma paralisação, e a pessoa não conseguir seguir com seus pensamen- tos. ` Raiva: marcada pelo surgimento de sentimentos intensos, quando não se aceita a situa- ção, procurando culpados, revoltados com toda a situação. ` Negociação: o sujeito tenta realizar um tipo de acordo consigo mesmo, ou até mesmo com alguma religião. ` Depressão: a pessoa passa por profundo sofrimento. ` Aceitação: a partir daqui o ser já entende a situação e passa a aceitar com mais clareza dos fatos. 150 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U14 O envelhecer e o morrer como ciclo da vida Figura 49. Representação do luto Fonte: Freepik. Kubler-Ross (1998) não dividiu o que ficou conhecido como fases do luto, na tentativa de seguir um roteiro, pois, como ela afirma, o luto pode ocorrer de formas diferentes, de acordo com cada pessoa, ou até mesmo, a pessoa já lidar com essa situação sem seguir nenhuma dessas etapas, entendendo asituação com muita clareza. Além disso, a ideia dessa divisão dos cinco estágios do luto que algumas pessoas pas- sam e explicam não tem embasamento científico. Embora seja uma ideia extremamente difundida, ela não foi proposta com base em pesquisa ou estudos conduzidos de forma apropriada. A forma como foram difundidos esses cinco estágios teve sua origem distorcida. Ku- bler-Ross observa os estágios recorrentes do luto sim, mas a sua obra e pesquisa des- crevem a reação das pessoas ao descobrimento de doenças graves, e não, de fato, a morte de uma pessoa querida. Mesmo assim, a própria Kubler-Ross sugere que a ideia desses estágios pode ajudar na descrição do luto, popularizando-se assim depois. Uma forma tocante e simples não é difícil de encontrar, com as produções que usam a arte para demonstrar a perda, o fim ou a ruptura. São pinturas, desenhos, poemas e canções que recebem o tom do luto para compor sua obra, demonstrando a dor e a saudade. Assim, a morte é lidar com a perda de alguém, o fim de uma existência. E existem várias formas de lidar com isso ou de transformar isso. Alguns estudos recentes e cientistas pesquisadores afirmam que as pessoas vivem o https://br.freepik.com/fotos-gratis/conceito-de-fundo-de-cemiterio_30118138.htm#query=representa%C3%A7%C3%A3o%20do%20luto&position=0&from_view=search&track=ais U14 151Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta O envelhecer e o morrer como ciclo da vida luto de formas diferentes e que não existe necessariamente uma sequência específica dos estágios do luto. Algumas pessoas podem até viver algumas situações parecidas com o que o modelo dos estágios prevê, mas muitas outras não vivem. Em linhas gerais, o luto é um “sentimento de tristeza profunda pela morte de alguém” originado por “outras causas; amargura, desgosto”. Assim, engloba reações diferentes e intensas, que são vividas e sentidas diante da morte de uma pessoa querida. Algumas das reações mais comuns são: ` A tristeza. ` A confusão. ` E o forte desejo de ter a pessoa ao seu lado. Com o passar do tempo, percebe-se que essas reações e sentimentos vão diminuindo de intensidade e frequência. A perda e as memórias emocionais da pessoa ainda po- dem evocar algumas delas muitos anos após o evento. Outra evidência de que o luto é um fenômeno muito mais complexo vem do que sabe- mos sobre as diferenças culturais. Várias pessoas se envolvem, na costa da Colôm- bia, nas celebrações conhecidas como Chigualo, quando acontece a morte de alguma criança da comunidade. Assim, acredita-se que a criança se torna um anjo depois da morte e que será conduzida ao paraíso, por isso se torna motivo para celebração. Em algumas regiões do Caribe, como na Jamaica, é costume observar um ritual conhe- cido como Nove Noites. Pessoas próximas ao falecido se reúnem em sua casa para cantar, comer e comemorar durante nove noites. Já em cultura na brasileira, como em muitas outras, é mais comum que os rituais liga- dos à morte sejam marcados por cerimônias formais e melancólicas. O modo como se enxerga a morte está inteiramente ligado à cultura na qual a pessoa está inserida e as experiências vividas ao longo da vida. Figura 50. Representação de um ritual fúnebre na cultura brasileira Fonte: Freepik. 152 Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta U14 O envelhecer e o morrer como ciclo da vida A morte de uma pessoa próxima é um forte fator de risco para a saúde mental de al- guém. Ela pode deflagrar o surgimento da depressão, de transtornos de ansiedade e transtornos ligados ao uso de substâncias, de reações suicidas ou de episódios psicóti- cos. É comum o relato de alucinação entre aqueles que eram muitos próximos de quem faleceu, e isso não caracteriza um transtorno mental por si só. A pessoa em luto pode ouvir a voz do falecido, vê-lo ou sentir a sua presença. Algumas pessoas podem desenvolver sintomas típicos de transtorno de estresse pós- -traumático, como: pensamentos recorrentes e intrusivos sobre o falecido, que evocam um forte desejo de que essa pessoa esteja viva. A combinação desses sintomas com a depressão pode tornar a experiência do luto mais complexa e estressante. Podemos ci- tar como dicas para tornar esse período mais leve e facilitar o processo de recuperação: ` Dica 01: procurar um psicólogo competente que vai ajudar a lidar com esse sentimento de perda. Embora muitas pessoas consigam lidar com esse sentimento sem ajuda de um profissional e de forma espontânea, outras enfrentam maiores dificuldades durante esse processo, e contar com essa ajuda poderá induzir a uma melhora mais rápida, segura e duradoura. ` Dica 02: entender que a dor faz parte de uma parte natural do processo e, por isso, precisa aceitar. No luto, é comum que a pessoa vivencie várias emoções negativas de forma frequente, intensa e prolongada. Querer sair dessa situação é compreensível. Essa dificuldade de lidar com emoções negativas pode ser agravada pelo fato de que, para muitas pessoas, a morte de alguém próximo pode representar uma das experiências mais traumáticas que a pessoa vivenciará ao longo da vida. Aceitar e vivenciar as emoções intensas do luto pode facilitar o processo de recuperação em comparação a rejeitar ou reprimir tais emoções. ` Dica 03: evitar o isolamento. É comum que as pessoas em luto se afastem dos outros e se tornem menos comunicativa. Entretanto, o isolamento social pode ser extremamente prejudicial para a saúde física e mental de alguém. Podemos concluir que a morte faz parte do processo natural do desenvolvimento huma- no e é necessário que as pessoas entendam isso para que o sentimento do luto possa ser algo passageiro e saudável. E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que o corpo humano passa por mudanças durante todo o processo do seu desenvolvimento. Da infância até o envelhecimento, são constantes as mudanças que perpassam pelo nosso corpo. No envelhecimento, o corpo humano já se encontra desgastado e frágil, fazendo que o “sistema” se enfraqueça, provocando doenças e até mesmo encaminhando para a morte. Entendemos também que podemos diferenciar o sentido morte e o sentido mor- rer. Enquanto a morte pode ser identificada como o desligamento biológico, o morrer pode ser considerado o sentimento de perda entre familiares. Além disso, entendemos que a morte precisa ser compreendida como ação natural do desenvolvimento, assim é mais fácil de vivenciar e superar o luto. R ES U M IN D O U14 153Desenvolvimento da Adolescência e Vida Adulta O envelhecer e o morrer como ciclo da vida Os idosos são tratados com respeito e atenção, e isso acontece porque os mais jovens res- peitam as imensas experiências acumuladas em seus anos de vida. Assim, a cultura dessas sociedades tem como tradição cuidar bem dos idosos, reverenciar e glorificar suas histórias e experiências. A forma como se enxerga o envelhecer e a morte pode ser diferente de acordo com cada cultura. De que cultura estamos falando? Estamos falando da cultura Oriental, pois é no Oriente onde é possível encontrar o máximo de respeito e atenção por essa fase da vida. Resposta: Atividade Comentada Atividade Prática Podemos definir o luto como “sentimento de tristeza profunda pela morte de alguém”, ori- ginado por “outras causas; amargura, desgosto”. Assim, podemos dizer que o luto engloba reações diferentes e intensas que são vividas e sentidas diante da morte de uma pessoa querida. Algumas das reações mais comuns são: a. Tristeza, confusão e o forte desejo de ter a pessoa do seu lado. b. Negação, raiva e aceitação. c. Tristeza, negação e confusão. d. Tristeza, raiva e depressão. e. Negação, depressão e aceitação. ALTERNATIVA: A COMENTÁRIO: A resposta está correta, pois, apesar do luto acontecer de forma diferente para algumas pessoas, normalmente,o processo do luto se divide em tristeza, confusão e o forte desejo de ter a pessoa do seu lado. Resposta: 155 CONCLUSÃO Ao chegarmos ao final deste e-book, esperamos ter fornecido uma compreensão mais profunda sobre o desenvolvimento humano na adolescência e vida adulta. Essas fases da vida são períodos de transição e mudança, em que diversos aspectos biológicos, cognitivos, emocionais e psicossociais estão em constante evolução. Ao longo das 14 unidades, exploramos os ciclos da vida e fases do desenvolvimento, as teorias do desenvolvimento, as etapas do desenvolvimento humano, os aspectos do desenvolvimento, o contexto familiar e social, as relações interpessoais, o envelheci- mento e a morte, e os temas atuais em psicologia do desenvolvimento da adolescência e vida adulta. É importante destacar que essas fases da vida são influenciadas por diversos fatores, como o contexto socioeconômico, a cultura, a tecnologia e as relações interpessoais. Por isso, é fundamental que estudantes e profissionais interessados nesse tema es- tejam sempre atualizados e atentos às mudanças e desafios que ocorrem em cada período. Espero que este e-book tenha fornecido uma base sólida de conhecimento para que, como profissional você saiba lidar lidar com as mudanças e desafios que essas pes- soas enfrentam, bem como para promover a saúde mental e o bem-estar das pessoas atendidas por você. EDUCANDO PARA A PAZ Contextualização do Desenvolvimento da Adolescência e da Vida Adulta 3. Exercícios comentados 4. Atividades Práticas Ciclos da Vida E as Fases do Desenvolvimento 3. Exercícios comentados 4. Atividades Práticas Teorias do Desenvolvimento 3. Exercícios comentados 4. Atividades Práticas Estágios do Desenvolvimento 3. Exercícios comentados 4. Atividades Práticas Aspectos do Desenvolvimento Humano 3. Exercícios comentados 4. Atividades Práticas Contextos influentes no Desenvolvimento Etapas do Desenvolvimento do Adolescente e da Vida Adulta Formação das Características Psicológicas Contexto Familiar e Social Adolescente e o Mundo TecnolOgia e a construção do adolescer Do adolescer para a vida adulta Relações interpessoais como forma de interação com o mundo O envelhecer e o morrer como ciclo da vida