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PAULO RENATO LIMA Professor autor/conteudista É vedada, terminantemente, a cópia do material didático sob qualquer forma, o seu fornecimento para fotocópia ou gravação, para alunos ou terceiros, bem como o seu fornecimento para divulgação em locais públicos, telessalas ou qualquer outra forma de divulgação pública, sob pena de responsabilização civil e criminal. SUMÁRIO Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 Valores e indicadores de sustentabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 Indicadores: conceitos e objetivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6 O surgimento da ideia e os princípios que norteiam os indicadores. . . . . . . . . . . . . . . .8 Finalidade dos indicadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .12 Funções e escolha dos indicadores e seus critérios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .16 Funções dos indicadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 Funções dos indicadores de sustentabilidade como ferramentas na política organizacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 Condições para a escolha de um indicador ideal. . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 Ponderação dos indicadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21 Critérios e subcritérios para a escolha de um indicador ideal . . . . . . . . . . 22 Aspecto qualitativo e quantitativo dos indicadores. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .24 Termos e indicadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 Valores implícitos e explícitos dos indicadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 Valores explícitos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 Valores implícitos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27 Definição do “peso” dos indicadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27 Ferramentas de sustentabilidade: índices de sustentabilidade e os sistemas de indicadores de desenvolvimento sustentável (IDS) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 O dashboard of sustainability . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 Instituições envolvidas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 A coleção de indicadores: os índices e seus cálculos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 Cálculo dos índices de sustentabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 Grau de sustentabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 As dimensões da sustentabilidade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 Conceituação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 Capacidade de carga. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 Método de cálculo da PE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 Pontos fortes e fracos da PE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44 Cálculo da PE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 Barômetro de sustentabilidade como ferramenta de medição do desenvolvimento sustentável . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48 Comparação das ferramentas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .51 NBR ISO 37 .120/2017 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 A norma. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 Aplicação prática. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54 Aplicação prática dos indicadores de sustentabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55 A implementação de indicadores de sustentabilidade e suas etapas . . . . . . . . . . . . 55 Cidades que se utilizam de indicadores de sustentabilidade como referência . . . . . 57 Indicadores de sustentabilidade da cidade de Ribeirão Pires. . . . . . . . . . . 57 Indicadores de sustentabilidade e a cidade de Cubatão. . . . . . . . . . . . . . 62 O uso aplicado dos indicadores de sustentabilidade: uma visão estratégica ambiental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64 Estratégia e a formação de um sistema de indicadores de sustentabilidade. . 64 Projeto Jaboticabal Sustentável (PJS). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67 Construindo indicadores de sustentabilidade: o exemplo prático de Jaboticabal . 69 Modelos de avaliação ambiental integrada: indicadores de pressão, estado e resposta (PER) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75 A estrutura do PER . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .75 Modelos que partem do PER: FER e FPEIR . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77 Conclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80 Glossário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81 Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81 Pág. 5 de 85 INTRODUÇÃO Intuitivamente poderíamos pensar que o termo indicador refere-se a tudo aquilo que mostra que algo é aquilo mesmo, e, por ter acesso direto a este algo, qualquer tipo de indicador que possua um caráter mais formal é dispensável e até mesmo trivial. No meio ambiente é comum pôr de lado as coisas que são importantes para se concentrar nas urgentes, porém, quando emergem as urgentes a ponto das importantes serem praticamente esquecidas, urge a clara sensação de que, se as importantes fossem prioritárias, as urgentes poderiam existir como deveriam, isto é, em casos excepcionais e extraordinários que eventualmente ocorrem. Não é o que vemos, razão pela qual as ferramentas que fazem uso dos indicadores de sustentabilidade e seus tipos, bem como eles próprios, são desconsideradas praticamente por completo, especialmente pelo fato de representarem algo muito longe da realidade, ficando apenas no campo teórico. Infelizmente, desde que posto em atas, pautas e no meio virtual, tudo é teórico até ser colocado em prática. Com efeito, tudo o que trataremos ao longo de nossos capítulos também pode ser “engavetado” e simplesmente entendido como algo que possivelmente poderá ser usado no futuro pelo governo ou setores mais avançados da indústria.É por pensar desta forma que a maioria de nós da área ambiental deixa de contribuir em algo que acrescente e conserve a urgente e importante necessidade do zelo ambiental e, especialmente em nossos estudos, de mensurá-lo. Destarte, trabalharemos com questões de valores e princípios, funções e demais considerações sobre os indicadores, mas também veremos a importância das ferramentas que deles fazem uso, seus pontos fortes e fracos e, passando pela NBR 37.120/2017, culminaremos na aplicação prática que são vistas em alguns municípios brasileiros. Por fim, traremos alguma contextualização a respeito dos modelos de avaliação ambiental integrada. Pág. 6 de 85 VALORES E INDICADORES DE SUSTENTABILIDADE Figura 1 – Indicadores e sustentabilidade Fonte: Por 9comeback/Istock Indicadores: conceitos e objetivos De acordo com o estudioso do assunto Dr. Hans Michael Van Bellen, em seu Indicadores de sustentabilidade (2006), os conceitos que envolvem indicadores são confusos e não consensuais. Por este motivo, o autor busca na origem da palavra a questão terminológica a fim de construir uma linha de raciocínio mais sólida. Van Bellen (2004) cita que indicador é proveniente de indicare em latim, que significa descobrir, apontar, anunciar ou estimar. Com efeito, os “indicadores podem comunicar ou informar sobre o progresso em direção a uma determinada meta” (VAN BELLEN, 2004, p. 5), tal como o próprio desenvolvimento sustentável, porém é possível também compreender. Para Malheiros, Coutinho e Philippi Junior (2012, p. 35) indicador “[...] refere-se a uma medida que resume informações importantes sobre determinado fenômeno”. Fantinatti, Zuffo e Ferrão (2015, p. 238), em Indicadores de sustentabilidade em engenharia, reforçam de modo didático a contextualização, porém voltando-se para a questão sustentável no cerne do pensamento ambiental: Os indicadores de sustentabilidade devem descrever os seus impactos ambientais, econômicos e sociais para projetistas, proprietários, usuários, gestores, desenvolvedores de políticas públicas e demais atores envolvidos em um empreendimento. Tais indicadores precisam capturar tendências, suficientemente confiáveis, de tal forma a orientar os decisores para o desenvolvimento e o monitoramento de políticas e estratégias. E, ainda, deve ser definida uma metodologia consensual e uma estrutura de organização de indicadores. Com efeito, os indicadores de desenvolvimento sustentável (IDS) possuem a tarefa de “[...] descrever a realidade de forma simples e confiável, orientar a escolha de dados para medir os avanços, bem como passar a mensagem sobre os desafios ambientais, humanos, econômicos, tecnológicos e políticos associados” (MALHEIROS; COUTINHO; PHILIPPI JUNIOR, 2012, p. 35). Além de compreendermos, portanto, o indicador de desenvolvimento sustentável como uma espécie de “descritor da realidade”, pois demonstra em termos claros o que está acontecendo no âmbito natural, ele pode ser compreendido simplesmente como um critério (com seus respectivos subcritérios), devendo “[...] refletir eficiência, suficiência, equidade e qualidade de vida, não podendo Pág. 7 de 85 mais ser confundido com crescimento apenas, gerando uma única questão acerca da possibilidade de nossa geração viver com qualidade de vida”, e isto “[...] sem dilapidar a saúde e a produtividade do planeta, e, por conseguinte, permitir que as próximas gerações também tenham acesso às mesmas condições de vida” (COUTINHO; MALHEIROS, 2012, p. 192). Critérios são definidos por Fantinatti e Zuffo (2015, p. 237-238) como aquilo que representa [...] a tradução dos objetivos em características, qualidades ou medidas de desempenho diante das possíveis alternativas”, enquanto que subcritérios são entendidos como “objetivos em níveis mais baixos para um objetivo em nível mais alto. Os indicadores também são entendidos por serem variáveis, sendo a variável uma “representação operacional de um atributo de um sistema” (VAN BELLEN, 2006, p. 42). O atributo é visto como uma qualidade, propriedade ou característica. A característica mais importante de um indicador é sua importância para a política – uma vez que a proposta de sustentabilidade é essencialmente politizada – e demais contextos relacionados ao processo de tomada de decisão. Simplificar e resumir as informações relevantes de um sistema, facilitando a compreensão, também são ações que se desejam dos indicadores. Deste modo, O objetivo dos indicadores é agregar e quantificar informações de modo que sua significância fique mais aparente. Eles simplificam as informações sobre fenômenos complexos tentando melhorar com isso o processo de comunicação (VAN BELLEN, 2006, p. 42). Fantinatti, Zuffo e Ferrão (2015, p. 283) informam que os indicadores (ou critérios) devem “[...] ser definidos por atores que possuam bom conhecimento sobre o problema [...]”, podendo eles se dar à luz do senso comum ou sob o aspecto científico. Exemplo disso é um morador local de longa data poder contribuir em grande medida com as pesquisas científicas. O que os autores chamam de “candidatos” a indicadores precisam ser “[...] extraídos por meio de mapas cognitivos, em que devem ser identificados ‘grupos’ (clusters), os quais definem objetivos e indicadores relacionados com um mesmo objetivo fundamental [...] em cada ‘grupo’ devem ser identificados ‘ramos’ relacionados com um mesmo ‘objetivo fim’”. Assim, aqueles que são “objetivos meios” dos níveis mais elementares de cada ramo “[...] serão os indicadores em que as possíveis alternativas (ou cenários) poderão ser avaliados” (FANTINATTI; ZUFFO; FERRÃO, 2015, p. 283, grifo nosso). Pág. 8 de 85 Deste modo, segundo Teixeira et al. (2012, p. 163) o foco nos “[...] processos participativos e democrático de gestão coloca o debate central sobre os indicadores na questão da informação como direito que permite o diálogo entre a gestão pública e a sociedade civil.” Ademais, a “[...] democratização das informações favorece o aumento da participação popular na formulação das políticas públicas, e os indicadores tornam-se para controle da gestão e medição de sua eficiência e eficácia” (TEIXEIRA et al., 2012, p. 163). SAIBA MAIS Veja este interessante formulário permeado de questões a serem respondidas para agências de publicidade (mas que podem se estender para demais organizações), auxiliando em como preencher os indicadores de sustentabilidade. - Versão compacta dos indicadores de sustentabilidade da ABAP. Disponível em: <www.abapnacional. com.br>. O texto a seguir esboça, a partir de uma questão problemática em alguns bairros, como o poder municipal deve atuar precipuamente em questões de sustentabilidade, garantindo melhores condições e expectativas para aplicações de poupanças internas no município. - Indicadores de sustentabilidade: definição, tipos de KPI e o seu uso no plano da sustentabilidade. Disponível em: <www.aplanet.org>. O surgimento da ideia e os princípios que norteiam os indicadores Figura 2 – Ideias e indicadores Fonte: ipopba/Istock O início da ideia que visava suprir a demanda por indicadores ambientais surgiu especialmente na década de 1970, no momento em que países industrializados e ONGs de atuação internacional em geral “[...] expressaram a necessidade de que deveriam ser realizadas avaliações sistemáticas e periódicas acerca da situação ambiental no mundo” (BITAR; BRAGA, 2012, p. 162). Ainda de acordo com Bitar e Braga (2012, p. 162): Diante de cenários de degradação crescente do meio ambiente, tais demandas foram apresentadas em diversos fóruns de discussão, sendo então consideradas como insumos fundamentais para a https://www.abap.com.br/wp-content/uploads/2021/06/versao-compacta-dos-indicadores-de-sustentabilidade-da-abap.pdf https://aplanet.org/pt/recursos/indicadores-de-sustentabilidade/ Pág. 9 de 85 tomada de decisões públicas e privadas acerca de medidas preventivas e corretivasnecessárias para reverter a tendência. Datam dessa época as primeiras iniciativas para a avaliação do estado geral do meio ambiente, elaborados com base em indicadores ambientais, visando obter um panorama do meio ambiente no mundo, detalhando-se progressivamente a situação geral em continentes, países, regiões e cidades. No final da década de 1980, o governo do Canadá [...] aprimorou o conceito de indicador ambiental até então empregado, sugerindo considerá-lo como uma simplificação de informações técnico-científicas, com o objetivo de facilitar a comunicação acerca de questões ambientais relevantes. (BITAR; BRAGA; 2012, p. 162). Isto também ocorreu em outros países de modos similares. No ano de 1989, o G7, em reunião de cúpula, solicitou à OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), conforme nos informa Bitar e Braga (2012, p. 162), o “[...] desenvolvimento de um conjunto básico de indicadores ambientais, de fácil compreensão, para subsidiar a tomada de decisões por parte dos governos envolvidos”. E, na Conferência Rio 92, bem como na Agenda 21, “[...] incluiu-se a recomendação sobre a necessidade de desenvolver indicadores para avaliação ambiental de forma integrada às outras dimensões do desenvolvimento sustentável” (BITAR; BRAGA, 2012, p. 162). Diversos modelos e aplicações aos indicadores foram dados a partir daí. Contudo, podemos pensar que esse “afloramento” da necessidade de uso dos indicadores é reflexo de um sentimento que nasce na década de 1960 em torno da questão ambiental. Não é difícil de refletir sobre o fato de que o mundo está passando por um período mais “calmo” em sua história, uma vez que vinha de turbulências diversas no cenário geopolítico (Grandes Guerras, horrores do nazismo e comunismo etc.). Com efeito, esse período gerou um impacto que não ficou somente ali, mas, conforme o tempo passou, a ideia sustentável foi “amadurecendo” a ponto de se entender que sustentabilidade por si só é algo bastante subjetivo – tal como Joel Makower em seu A economia verde (2009) tanto indaga: “o quanto de bom é bom o suficiente?” Deste modo, o intento dos indicadores seria “suprir” tal necessidade, tornando a questão sustentável mais objetiva em virtude das medições. Neste contexto, houve em novembro de 1996, segundo Malheiros, Coutinho e Philippi Junior (2012), uma assembleia de um grupo internacional de pesquisadores e especialistas em sistemas de avaliação do mundo inteiro que se reuniram na Fundação de Estudos Rockfeller e no Centro de Pág. 10 de 85 Conferências em Bellagio (Itália) a fim de rever o progresso até então da questão do desenvolvimento sustentável. Esse grupo, segundo os autores, “[...] propôs um conjunto de princípios que servem como um roteiro para todo o processo de avaliação, incluindo a escolha e a forma dos indicadores, sua interpretação e a comunicação dos resultados”. Deste modo, por ter como característica a inter-relação, eles “[...] devem ser aplicados como um conjunto completo” (MALHEIROS; COUTINHO; PHILIPPI JUNIOR, 2012, p. 32). Tais princípios trazem quatro abordagens de aspectos diferentes no que concerne à avaliação do progresso em direção ao desenvolvimento sustentável. Eles podem orientar, de acordo com Malheiros, Coutinho e Philippi Junior (2012, p. 34), a “[...] construção de sistemas adequados de medições, os quais são indispensáveis para operacionalizar o conceito de desenvolvimento sustentável”, uma vez que eles “[...] possibilitam aos tomadores de decisão e à sociedade estabelecer objetivos e metas, bem como avaliar o seu desempenho em relação a eles”. O princípio 1 está relacionado ao início de qualquer avaliação, no qual a noção de desenvolvimento sustentável é estabelecida a fim de fornecer um objetivo claro e prático. Os princípios de 2 a 5 se voltam para o conteúdo a ser avaliado, enquanto os princípios de 6 a 8 visam questões relacionadas ao processo de avaliação. E, por fim, os princípios 9 e 10 focam-se na ideia de reiteração da necessidade de melhoria contínua no processo de avaliação (MALHEIROS; COUTINHO; PHILIPPI JUNIOR, 2012). Quadro 1 - Princípios que norteiam o processo de avaliação dos indicadores de sustentabilidade. Princípio 1 Visão direcionada e objetivos A avaliação deve ser guiada por uma visão de desenvolvimento sustentável e deve buscar objetivos claros que definam essa visão. Princípio 2 Perspectiva holística Incluir a revisão do sistema como um todo e de suas partes. Considerar o bem-estar dos subsistemas social, econômico e ambiental, seu estado, a direção e a taxa de mudança desse estado, de suas partes componentes e a interação entre as partes. Considerar as consequências negativas e positivas das atividades humanas que se refletem em custos e benefícios para os sistemas ecológicos e humanos, ambos em termos monetários e não monetários. Pág. 11 de 85 Princípio 3 Elementos essenciais Considerar equidade e disparidade dentro da atual população e entre as presentes e futuras gerações, lidando tanto com a preocupação quanto com o uso de recursos, consumo exagerado e pobreza, direitos humanos e acesso a serviços, se cabível. Considerar o desenvolvimento econômico e outras atividades fora do mercado que contribuem para o bem-estar humano e social. Princípio 4 Escopo adequado Adotar horizonte de tempo grande o suficiente para englobar tanto as escalas de tempo humanas quanto as ecológicas, respondendo, assim, às necessidades dos tomadores de decisão de curto prazo quanto às necessidades das futuras gerações. Definir um espaço de estudo grande o suficiente para englobar tanto as escalas de tempo humanas quanto as ecológicas. Definir um espaço de estudo grande o suficiente para englobar tanto o impacto local quanto os distantes. Construir histórico de atuais condições para antecipar as futuras: onde queremos ir e onde poderemos ir. Princípio 5 Foco prático Adotar um conjunto explícito de categorias ou uma estrutura organizada que ligue as visões e objetivos aos indicadores e critérios de avaliação. Adotar um número limitado de questões para análise. Adotar um número limitado de indicadores ou combinação de indicadores para fornecer um sinal claro do progresso. Padronizar medidas, se possível, para permitir a comparação. Comparar os valores dos indicadores com as metas, os valores de referência, a posição, os pontos iniciais ou a tendências de direção, se cabível. Princípio 6 Abertura Fazer com que os métodos e dados que sejam usados estejam acessíveis a todos. Explicitar julgamentos, assunções e incertezas dos dados e interpretações. Pág. 12 de 85 Princípio 7 Comunicação efetiva Ser concebida para direcionar as necessidades da audiência e do conjunto de usuários. Ser desenhada através dos indicadores e outras ferramentas que estimulem e engajem os tomadores de decisões. Objetivar simplicidade na estrutura e uso de linguagem clara e abrangente. Princípio 8 Ampla participação Obter ampla participação (representação) da população-chave, profissionais, técnicos e grupos sociais, incluindo jovens, mulheres e população indígena, a fim de assegurar o reconhecimento de valores diversos e em mudança. Princípio 9 Avaliação constante Desenvolver capacidade de avaliação constante para determinadas tendências. Ser interativa, adaptativa e sensível à mudança e incerteza, porque os sistemas são complexos e mudam frequentemente. Ajustar objetivos, estruturas e indicadores, a partir de novos conhecimentos adquiridos. Promover desenvolvimento de aprendizado coletivo e feedback para os tomadores de decisões. Princípio 10 Capacidade institucional Estabelecer claramente as responsabilidades e fornecer ajuda constante no processo de tomada de decisões. Fornecer capacidade institucional para a coleta de dados, manutenção e documentação. Ajudar no desenvolvimento de capacidade para avaliação local. Fonte: MALHEIROS; COUTINHO; PHILIPPI JUNIOR(2012, p. 32-34)Finalidade dos indicadores A utilização de indicadores objetiva, de acordo com Bitar e Braga (2010, p. 131) sintetizar “[...] a informação de caráter técnico-científico para transmiti-la numa forma sintética, preservando o essencial dos dados originais e empregando apenas as variáveis que melhor servem aos objetivos”. Isto significa dizer que nem todas poderão ser analisadas ou mensuradas. Segundo Teixeira et al. (2012, p. 163), a “[...] utilização de indicadores para diagnóstico e acompanhamento da realidade de um lugar, em seus vários aspectos, tem sido uma tendência Pág. 13 de 85 corrente nos últimos anos”. Especificamente no contexto sustentável, segundo os autores, “[...] os indicadores surgem como instrumentos para análise e acompanhamento dos processos de desenvolvimento, servindo não só como subsídio para a formulação de políticas públicas”, mas igualmente para o monitoramento da execução e dos efeitos gerados por tais políticas. Os indicadores podem ser entendidos como sintetizadores de um conjunto de informações em um número, permitindo a mensuração de determinados fenômenos entre si e a observação de mudanças e tendências ao longo do tempo. Nesses termos, indicadores de sustentabilidade apresentam-se como informações capazes de mensurar o grau de sustentabilidade de um lugar, processo ou objeto, em suas várias dimensões, observando as escalas tanto temporais quanto espaciais dos acontecimentos (TEIXEIRA et al., 2012, p. 163). A clareza do indicador é dada por meio de análises estatísticas e matemáticas, preferencialmente, por conta da objetividade, mas claro que podem ser enquadradas em contextos qualitativos. A finalidade, com efeito, é a de sempre transformar a informação que é dada no aspecto natural/ ambiental a fim de comunicar como de fato o real cenário se encontra. Deste modo, os indicadores servem para diversas aplicações, alternando suas funções de acordo com as necessidades e objetivos pretendidos de seu uso. Assim sendo, Bitar e Braga (2010) destacam algumas finalidades principais dos indicadores de sustentabilidade, associando com sua respectiva utilização. Em primeiro lugar temos a alocação de recursos (financeiros, materiais e humanos), a qual dá bases à tomada de decisão feita por gestores no uso de suas atribuições, auxiliando na determinação de prioridades. Exemplo disto seria, no âmbito público, dar preferência a investimentos voltados para o controle de emissão de gases do efeito estufa (GEE) quando o índice demonstrar-se alarmante, em vez do investimento estar voltado para o controle de áreas contaminadas que se demonstram em caso menos grave. Embora tais investimentos devam correr sempre em paralelo, dar-se-á vistas mais a um do que a outro quando as contas estiverem “apertadas” e houver um caminho onde algum precisa ser posto em maior evidência no caráter de urgência. É neste sentido que emerge a necessidade de um indicador que contemple e abarque com segurança dados corretos e confiáveis a fim de garantir que a tomada de decisão está sendo feita dentro de um escopo objetivo, e não subjetivo, de acordo com a vontade/desejo do gestor público ou administrativo. Pág. 14 de 85 Figura 3 – Tomada de decisão Fonte: Por Geber86/Istock Temos na sequência a classificação de locais como instrumento para a comparação de condições em diferentes locais ou áreas geográficas. Deste modo, a utilização de “[...] indicadores ambientais como forma de comparar distritos/ bairros de um município é um recurso importante para detalhar a tomada de decisão”. Os autores exemplificam expondo que “[...] se os indicadores de qualidade do ar estão ruins e eles são relativamente piores em um determinado bairro, a prioridade seria iniciar as ações de melhor da qualidade do ar nesse bairro” (BITAR; BRAGA, 2012, p. 132). Já segundo Néspoli e Zeilhofer (2012, p. 264), no que concerne ao contexto social, o homem citadino precisa se ver como “[...] parte de um espaço que não seja só a sua rua, o seu bairro, a sua região administrativa, mas um ambiente ampliado, uma biorregião, quer seja enquanto microbacia, sub-bacia ou bacia hidrográfica”, a qual acabar por sofrer “[...] os impactos de suas ações e onde possam ser medidos os seus resultados”. ATIVIDADE REFLEXIVA Pensar em um contexto mais amplo que não o seu próprio bairro e sua rua vai de encontro com diversas linhas de reflexão filosóficas em torno do meio ambiente que trabalham um contexto que somente se é possível pertencer a algo próximo e local, pois, mesmo que haja planos no âmbito global e menos regionalizado, segundo autores como Roger Scruton, por exemplo, isso não é salutar para a sociedade, visto que se perde a noção de pertencimento e a oikophilia (amor pelo lar) para dar lugar à oikophobia, já que é difícil amar locais desconhecidos. Por outro lado, há divergências em relação a esse pensamento que corroboram com Néspoli e Zeilhofer, tal como Israel Klabin, que entende que a noção de cidadão internacional (o extremo deste pensamento) pode ser um pensamento correto para o bom caminhar da questão. Por fim, a primeira segue uma linha mais conservadora/liberal na questão política, em função de defender uma mudança social que ocorra de baixo para cima (a população influencia o Estado), enquanto que a segunda é mais progressista/ socialista, pois entende a adoção de sistemas cujo vetor se dá de cima para baixo (o Estado institui programas governamentais diversos que influenciam a população). Qual é, portanto, a sua opinião ou posição a esse respeito? Global ou local? Ou ainda, sem tomar partido de algum dos extremos, você acredita que não passaria de uma reflexão dialética (no aspecto hegeliano, ou seja, tese [I] e antítese [II] que culminam em uma síntese [I e II]) onde ambos os contextos devem ser pensados e adotados em semelhantes pesos e medidas? Não deixe de refletir acerca disto. Em um terceiro momento aparece o cumprimento de normas legais como uma das finalidades dos indicadores. Os efeitos normativos tomam grande parte do uso das atribuições dos indicadores. Por exemplo, podemos pensar nos valores de referência de qualidade (VRQ), de prevenção (VP) e de Pág. 15 de 85 investigação (VI) aduzidos na Resolução Conama nº 420/2009. Com efeito, os indicadores servirão para demonstrar se existe adequação ou não à legislação. A análise de tendência surge na “[...] aplicação a séries de dados para detectar evolução no tempo e no espaço.” Destarte, a difusão anual dos indicadores de sustentabilidade “[...] permite avaliar tendências, isto é, se o indicador está melhorando, piorando ou mantendo-se constante, sendo um aspecto importante inclusive no âmbito municipal” (BITAR; BRAGA, 2012, p. 132). As informações ao público e a investigação científica ainda são maneiras de demonstrar a finalidade crescente do uso dos indicadores, visto que a primeira está voltada para uma espécie de “democratização da informação” em função da difusão desta à população, a qual serve de suporte ao Poder Público quando este precisa defender os interesses do povo. A segunda não diferente disto, mas, de maneira complementar, visa nortear os olhares para aquilo que requer atenção redobrada no sentido de investimento em novas tecnologias, como a remediação do solo em vez de somente esgotá-lo e destiná-lo a aterros, culminando apenas em jogar o “problema” de um local para outro. Em suma, os indicadores e os índices servem como ferramentas para diversas frentes, cada uma com seus objetivos específicos, das quais, para efeitos didáticos, o Departamento de Ambiente e Qualidade de Vida da cidade de Maia em Portugal (2015) destaca resumidamente o que vimos até aqui: • Levantamento de recursos: suporte em decisões, ajuda os decisores ou gestores na fixação de fundos, alocação de recursos naturais e determinação de prioridades; • Classificação de localidades: comparação de condições em diferentes locais ou áreas geográficas;• Cumprimento de normas legais: aplicação a áreas específicas para clarificar e sintetizar a informação sobre o nível de cumprimento das normas ou critérios legais; • Análise de tendências: aplicação dos dados obtidos para detecção de tendências; • Investigação científica: aplicações em desenvolvimentos científicos servindo de alerta para a necessidade de investigação científica mais aprofundada; • Informação ao público: informação popular sobre os processos de desenvolvimento sustentável. Pág. 16 de 85 Funções e escolha dos indicadores e seus critérios Figura 4 – Critérios e escolhas Fonte: Por FotoCuisinette/Istock Funções dos indicadores Assim, as principais funções dos indicadores são trazidas por Tunstall (1994 apud VAN BELLEN, 2006, p. 43): • Avaliação de condições e tendências • Comparação entre lugares e situações • Avaliação de condições e tendências em relação às metas e aos objetivos • Prover informações de advertências • Antecipar futuras condições e tendências Segundo Van Bellen (2006), no que concerne especificamente à questão sustentável, os requisitos que devem nortear seus indicadores são vistos a seguir: • Os valores dos indicadores devem ser mensuráveis (ou observáveis). • Deve existir disponibilidade de dados. • Metodologia para a coleta e o processamento dos dados. • Os meios para construir e monitorar os indicadores devem estar disponíveis. • Os indicadores precisam ser viáveis financeiramente. • Em seu respectivo nível, a aceitação política é necessária, pois são influenciadores de tomada de decisão. É importante, ainda, “testar” a validade dos indicadores a fim de que realmente possam ser considerados no escopo do desenvolvimento de um projeto ambiental e/ou procedimentos que envolvem sua respectiva aplicabilidade. Fantinatti, Zuffo e Ferrão (2015) nos ajudam com esse ponto endossando que os indicadores (ou critérios) devem, de modo obrigatório, atender a nove requisitos básicos simultâneos, ou seja, qualquer um que seja adotado deve possuir esses noves requisitos ao mesmo tempo: • essencial • controlável • completo • mensurável • operacional • isolável Pág. 17 de 85 • não redundante • conciso • compreensível Com efeito, a função de valor “[...] ilustra um indicador objetivo, isto é, cuja função de valor pode ser explicitada em uma função matemática, ou seja, um gráfico”, por exemplo. Adiante, no tópico Critérios e subcritérios para a escolha de um indicador ideal, veremos a aplicação de tais funções. Por ora, ainda nos vale compreender que as ferramentas de avaliação (ou sistemas de indicadores) são também funcionais para o importante contexto da tomada de decisão. Funções dos indicadores de sustentabilidade como ferramentas na política organizacional Neste contexto, as ferramentas de avaliação, entendendo-as como o conjunto de indicadores, podem ser utilizadas para o desenvolvimento de políticas organizacionais. De acordo com suas respectivas funções, pode-se engajá-las em programas de planejamento que visem o desenvolvimento sustentável. Segundo Van Bellen (2006), existem algumas funções básicas dessas ferramentas, a saber: Quadro 2 - Funções básicas Tipo de função Característica Analítica Na presença de medidas diversas e precisas, o auxílio se dá em decorrência da interpretação de dados quando em um sistema coerente, fazendo o agrupamento em matrizes ou índices. Comunicação As ferramentas auxiliam os tomadores de decisão a ter melhor trato com os indicadores, pois geram familiaridade com os métodos e conceitos pertinentes às questões sustentáveis, uma vez que elas ajudam a estabelecer metas. Aviso e mobilização Na presença de medidas diversas e precisas, os administradores têm maior facilidade na divulgação dos resultados, pois medidas ajudam na clareza da transparências das publicações anuais de relatórios sustentáveis e questões pertinentes a estas. Pág. 18 de 85 Coordenação Quando na presença de um sistema de medidas, bem como relatórios em geral, estes precisam ser amparados por dados coletados por variadas agências, visando a corroboração de resultados possivelmente discrepantes. Questões de recursos humanos e financeiras devem ser consideradas. A circunvizinhança deve ser envolvida, bem como todos os stakeholders. Fonte: Adaptado de Van Bellen (2006). Segundo os autores, tais funções “[...] são melhor preenchidas no processo de escolha de indicadores e na fase de implementação quando os tomadores de decisão utilizam as ferramentas de mensuração e os indicadores.” Com efeito, basicamente a função principal dos indicadores de sustentabilidade é a de “[...] apoiar e melhorar a política ambiental e processo de tomada de decisão em diferentes níveis”, sendo o maior nível o global ou internacional (VAN BELLEN, 2006, p. 58). Para facilitar a visualização da questão dos indicadores no contexto de tomada de decisão, vejamos a Figura 5 a seguir, ilustrando bem o seu ciclo dentro da visão política organizacional: Figura 5 – Ciclo de tomada de decisão Formulação de políticas Implementação de políticas Avaliação de políticas Identi�cação de problemas Reconhecimento de problemas/aumento da consciência pública Fonte: Van Bellen (2006, p. 57). Pág. 19 de 85 Os indicadores tornam-se poderosas ferramentas quando são eles efetivamente aplicados na comunicação e na tomada de decisão. Isso significa dizer que [...] não há sentido em construir indicadores se os interessados não se apropriam deles para orientar e guiar suas decisões, desde aquelas relacionadas às atividades diárias de cada ator até as mais amplas relacionadas ao coletivo. (MALHEIROS; COUTINHO; PHILIPPI JUNIOR, 2012, p. 85). Condições para a escolha de um indicador ideal Figura 6 – Cenário ideal Fonte: Por cyano66/Istock A escolha de um indicador pode se dar à luz da amplitude local ou global, podendo ele ser qualitativo ou quantitativo. Isso dependerá dos valores fornecido a eles: sociais, culturais ou científicos, sendo que estes últimos devem trabalhar em função de um grau mais elevado de objetividade a fim de medir e informar dados mais confiáveis. Para que o tomador de decisão tenha condições mais seguras para escolher o indicador ideal, segundo Malheiros, Coutinho e Philippi Junior (2012), essa escolha requer algumas requisitos básicos, tais como: • representatividade, pois deve retratar problemas atuais; • ter validade científica; • possuir boa fonte de informação, uma vez que deve garantir confiabilidade em sua origem; • ter relevância; possuir valores de referência (para efeito de comparação); • conformidade temporal, pois deve se levar em consideração o tempo da coleta de dado e o seu efetivo uso. Ainda deve-se considerar: • redundância (não pode haver); • sensibilidade às mudanças; • séries temporais, isto é, séries temporais de dados, podendo ser lineares, cíclicas ou sazonais; • capacidade de expressar mudanças em uma escala de tempo compatível com os problemas; • abrangência, já que deve apresentar sempre limites bem definidos, tanto geográficos quanto operacionais; Pág. 20 de 85 • integração, sendo que o indicador deve ter a capacidade de sintetizar informações de vários outros indicadores (MALHEIROS; COUTINHO; PHILIPPI JUNIOR, 2012). De acordo com a longa lista ainda de Malheiros, Coutinho e Philippi Junior (2012), da qual possui vasto rigor de referencial teórico na questão dos indicadores de sustentabilidade, ainda temos os seguintes requisitos: • tipo de informação, visto que se deve ter claro se esta é prescritiva ou descritiva; • disponibilidade e acesso à informação fornecida pelo indicador; • comunicação/divulgação dos indicadores, considerando que deve ser difuso e claro; • ter custo razoável, considerando sempre a relação custo-benefício; • visar a participação popular em algum momento da elaboração do projeto. Deve o indicador ser atualizado e divulgado, nos quais os “[...] dados precisam ser coletados e reportadosregularmente, devendo haver um tempo mínimo entre a coleta e a reportagem, a fim de garantir a atualidade e utilidade para o usuário”. Também deve ser de fácil compreensão e possuir um modelo conceitual estrutural a fim de ser usado como “guia para o desenvolvimento e a estruturação de um conjunto de indicadores”, uma vez que, sem ele, “[...] o conjunto se torna uma mistura eclética de indicadores, sem qualquer justificação clara para sua seleção” (MALHEIROS; COUTINHO; PHILIPPI JUNIOR, 2012, p. 81). Van Bellen (2006, p.140-141) endossaria tais pontos e complementaria com a relação a seguir, sendo características básicas para escolha de um indicador ideal: • Relevância política: o indicador deve estar associado com uma ou várias questões que são relevantes para a formulação de políticas. • Simplicidade: informação compreensível. • Validade: os indicadores devem realmente refletir os fatos. • Série temporal de dados: deve-se procurar observar as tendências ao longo do tempo, com um número relevante de dados. • Disponibilidade de dados de boa qualidade: devem existir atualmente, ou no futuro próximo, dados de boa qualidade disponíveis a um bom custo. • Habilidade de agregar informações: indicadores referem-se às dimensões de sustentabilidade, e a lista potencial de indicadores que podem estar ligados ao desenvolvimento sustentável é infinita. Os indicadores que agreguem informações de questões amplas são preferíveis. • Sensitividade: os indicadores selecionados devem ter a capacidade de identificar ou detectar mudanças no sistema. Pág. 21 de 85 • Confiabilidade: o mesmo resultado deve ser alcançado efetuando-se duas ou mais medidas do mesmo indicador. Ponderação dos indicadores Figura 7 – Ponderação dos indicadores Fonte: Por CANARAN/Istock Ademais, Rabelo e Lima (2012), também se baseando no livro de Van Bellen, por ser uma obra clássica e norteadora – leitura obrigatória – a todos aqueles que desejam trabalhar com a questão de indicadores de sustentabilidade, porém dentro de seus escritos próprios, informam-nos que um dos itens que está em voga no debate acerca da formulação de indicadores é aquilo que está relacionado aos pesos dos dados conferidos a cada um dos indicadores de sustentabilidade. Aqui, a participação dos diferentes atores sociais no modelo poderá contemplar uma mistura de foco dos diferentes tipos, a saber: top-down e/ou bottom-up, segundo as necessidades que lhes são próprias a cada objetivo do sistema (VAN BELLEN, 2006; RABELO; LIMA, 2012). A diferença de ambos, segundo Rabelo e Lima (2012) é a que segue abaixo: • Top-down: utilizado quando determinado indicador, por ser tão específico e técnico, precisa que os pesos sejam dados por especialistas e pesquisadores, e não pela comunidade na qual está inserido o projeto avaliado. • Bottom-up: utiliza o peso – opinião – da comunidade para pontuá-los. Deste modo, a sequência metodológica dos indicadores de sustentabilidade exigiriam aqui uma ponderação em cada escopo ou dimensão, a qual “[...] deve ocorrer a partir de entrevistas com especialistas na atividade e/ou membros da comunidade, utilizando tanto o top down quanto o bottom-up” (RABELO; LIMA, 2012, p. 405). Tais critérios utilizados possuem os seguintes pesos, segundo os exemplos trazidos de Rabelo e Lima (2012): • Social: educação, habitação, saúde e lazer seriam top-down; • Ambiental: água, cumprimento da legislação, saneamento ambiental e poluição do ar seriam top-down; enquanto que a biodiversidade seria bottom-up; • Econômico: energia, trabalho, renda e consumo são top-down, já atividades complementares à renda são bottom-up; Pág. 22 de 85 • Institucional: associação e gênero são bottom-up; tecnologia utilizada, top-down. Critérios e subcritérios para a escolha de um indicador ideal Neste sentido, conforme apenas comentado na seção Funções dos indicadores, detalharemos agora cada um dos critérios fundamentais a se considerar na escolha de um correto indicador, visto que já pusemos luz no tópico anterior sobre a escolha ideal do mesmo. • Essenciais: devem levar em conta os aspectos de fundamental importância segundo o sistema de valores dos decisores. • Controláveis: devem representar um aspecto que seja influenciado apenas pelas ações potenciais. • Completos: o conjunto de objetivos fundamentais deve incluir todos os aspectos considerados como fundamentais pelos decisores. • Mensuráveis: permitem especificar, com a menor dúvida possível, o desempenho das ações potenciais segundo os aspectos considerados fundamentais pelos decisores. • Operacionais: possibilitam coletar as informações requeridas sobre o desempenho das ações potenciais, dentro do tempo disponível e com esforço viável. • Isoláveis: permitem a análise de um aspecto fundamental de forma independente com relação aos demais aspectos do conjunto (este requisito, muitas vezes, só pode ser testado no desenvolvimento dos descritores); • Não redundantes: o conjunto de objetivos fundamentais não deve levar em conta o mesmo aspecto mais de uma vez. • Concisos: o número de aspectos considerados pelo conjunto de objetivos fundamentais deve ser o mínimo necessário para modelar, de forma adequada, o problema segundo a visão dos decisores. • Compreensíveis: devem ter o seu significado claro para os decisores, permitindo a geração e comunicação de ideias. (FANTINATTI; ZUFFO; FERRÃO, 2015). Deste modo, ao se estabelecer os critérios, deve-se ter uma descrição clara do mesmo. Isso significa dizer que, para cada critério, devem ser desenvolvidos os descritores de desempenho, os quais auxiliam na compreensão do que está sendo considerado pelos decisores, tornam os objetivos inteligíveis e acabam por permitir “[...] a geração de ações de aperfeiçoamento, possibilitam a mensuração do desempenho de ações do critério e auxiliam na construção de um modelo global de avaliação” (FANTINATTI; ZUFFO; FERRÃO, 2015, p. 241-242). Pág. 23 de 85 CURIOSIDADES Somente é possível saber que a dívida pública de Moçambique ultrapassou limites de sustentabilidade quando é mensurada a sustentabilidade. É estranho muitas vezes tratar um termo aparentemente subjetivo com tamanha objetividade, mas temos o caso jornalístico a seguir que passa a ser até mesmo curioso, pois contempla também as dívidas ilegais: - Dívida pública de Moçambique, incluindo as ilegais, ultrapassou limites de sustentabilidade . Disponível em: <www.verdade.co.mz/tema-de-fundo/35-themadefundo/64997-divida-publica-de-mocambique- incluindo-as-ilegais-ultrapassou-limites-de-sustentabilidade>. Houve ainda um concurso de bioideias em Portugal (ano de 2018) que pede para indicar o impacto da ideia, utilizando para isto indicadores de sustentabilidade econômico-financeira. - Candidaturas abertas para o concurso “Acelerador de Bio-Ideias”. Disponível: <https://omirante.pt/ economia/2018-03-17-Candidaturas-abertas-para-o-concurso-Acelerador-de-Bio-Ideias>. Para que o desenvolvimento dos critérios e subcritérios possam ser corretamente estabelecidos, de acordo com Fantinatti e Zuffo (2015), duas perguntas são básicas e necessárias: 1. Para o contexto em análise, quais os critérios que devem ser aplicados para a avaliação do investimento, considerando a realização de um empreendimento sustentável? Isto é, quais são as dimensões a serem consideradas? 2. Que tipo de modelo de decisão é mais adequado ao processo de avaliação? É um problema bem definido (composto apenas por aspectos puramente objetivos) ou é uma situação complexa (contém aspectos subjetivos ambientais ou sociais)? O método adotado dependerá das respostas destas perguntas, uma vez que pode ser metodologia multicritério de apoio à decisão (MCDA); métodos baseado na programação matemática (MOLP); métodos baseados nas teorias do valor e da utilidade multiatributo (MAUT) etc. Dependerá, portanto, do tipo de projeto, organização e objetivo da utilização dos indicadoresde sustentabilidade para a atividade pretendida. É preciso, portanto, tomar alguns cuidados importantes na escolha do método a ser adotado. Fantinatti e Zuffo (2015, p. 246) nos alertam acerca de alguns conceitos e erros que são comuns nas avaliações multicritério. Vejamos: 1. Foco nos valores: o erro comum é o “[...] foco em alternativas predefinidas para a resolução dos problemas. A maioria dos métodos comete este erro – ou deixa de alertar os usuários”. 2. Escala padronizada: o uso de escalas variadas é um erro comum. Aqui, se há um critério que possui uma grandeza (tal como unidade de medida qualquer) que seja maior que outros, Pág. 24 de 85 será ele preponderante, mesmo não sendo o mais importante. Porém, de qualquer modo, distorcerá os resultados. 3. Escalas semânticas: é um erro comum o “[...] uso de escalas numéricas para discretização dos critérios ou para definição dos pesos entre critérios”. 4. Cardinalidade: o erro comum é o “[...] uso de relação direta (divisão) para definição dos pesos entre os critérios”. Aspecto qualitativo e quantitativo dos indicadores Figura 8 – Aspectos qualitativos e quantitativos Fonte: Por NiroDesign/Istock Podendo ser quantitativos ou qualitativos, os indicadores para a sustentabilidade, defendem muitos autores, deveriam focar mais nos aspectos qualitativos (exceto, é claro, para áreas como engenharia ambiental e de projetos socioambientais da construção civil etc.), visto que tornariam as informações mais explícitas. São especialmente utilizados no nível qualitativo por três motivos; segundo Gallopin (1996 apud VAN BELLEN, 2006, p. 43): 1. Quando não forem disponíveis informações quantitativas; 2. Quando o atributo de interesse é inerentemente não quantificável; 3. Quando determinações de custo assim os obrigarem. Com efeito, as principais propostas de funções dos indicadores relacionam-se com: • avaliar condições e as tendências; • comparar lugares e situações; • avaliar condições e tendências no que tange a metas e objetivos; • prover informações de advertências; • antecipar condições futuras e tendências (VAN BELLEN, 2006). Desse modo, segundo Van Bellen (2006), os indicadores podem se apresentar como variáveis diversas, e não necessariamente tabulados, apresentados em gráficos etc. A variável pode ser individual ou função de outras variáveis. Ademais, por ser, em essência, o indicador uma ferramenta de apoio à decisão. A escolha dele “[...] depende primeiramente das necessidades dos usuários potenciais”, partindo-se, com isto, “[...] de um objetivo a partir do qual se identifica a necessidade de informações de apoio à decisão, em que tais informações são os indicadores. As variáveis, Pág. 25 de 85 então, são definidas a partir do que se espera desse indicador” (MALHEIROS; COUTINHO; PHILIPPI JUNIOR, 2012, p. 39). De acordo com Malheiros, Coutinho e Philippi Junior (2012, p. 38), sobretudo no setor ambiental, “[...] observa-se predominância quase que absoluta do uso de indicadores quantitativos”, visto que são aqueles que mais apontam caminhos objetivos e não somente subjetivos, como “achar” (mera opinião) que há poluição em São Paulo. Todos acham, mas a respeito de onde, quanto, quais níveis estão dentro do padrão da Organização Mundial de Saúde, quais não estão etc., isso somente os indicadores quantitativos poderão estabelecer. Termos e indicadores Figura 9 – Termos e indicadores Fonte: sureeporn/Istock Os termos utilizados pelos indicadores podem possuir diferentes significados, tais como norma, padrão, meta e objetivo. O primeiro significado está bastante aliançado com a questão sustentável, embora o último significado faça uso de todos eles. Vejamos com mais cuidado o que Van Bellen (2006) nos informa permeando-o de mais detalhes: • Norma e padrão: são compreendidos de modo semelhante, uma vez que se referem de modo fundamental a valores que são dados ou desejados pelas autoridades governamentais ou ainda obtidos por meio um consenso social. Eles são utilizados dentro de um senso normativo, de um valor técnico de referência. • Meta: representa uma intenção, mensurável em valores específicos a serem alcançados. Está sempre relacionada ao aspecto quantitativo. Por exemplo, datas, prazos, conquistas em números etc. Não é interessante propor algo intangível, tampouco fácil de alcançar. • Objetivo: demonstra a mudança na realidade no qual o projeto pretende contribuir. Está relacionado ao aspecto qualitativo. Intenta o alcance da resposta do principal problema. Tem uma perspectiva de médio e longo prazos e não necessariamente é atingido durante a execução do projeto. É possível pensar em diversos termos na vida real que são considerados indicadores, tais como: diagnóstico, sintoma, sinal, informação, dado, medida etc. Isso faz com que compreendamos melhor o mundo à nossa volta, o que significa dizer que os indicadores “facilitam nossa vida”. Pág. 26 de 85 Já é esperado que cada cultura possua variados graus de “compreensão subjetiva” de indicadores. Claro que, à luz de aspectos científicos bem corroborados, a subjetividade é extraída, mas, em geral, somente a presença dos indicadores afeta o comportamento social. A esse respeito, contraintuitivamente, Fantinatti, Zuffo e Ferrão (2015, p. 283) afirmam que as “[...] subjetividades devem ser explicitadas ao máximo. Pois, apenas dessa forma é que se poderão definir os critérios (indicadores) que refletirão”, de modo fidedigno, “[...] os objetivos estratégicos dos decisores, de tal forma a possibilitar a delimitação das ações que levarão a tais objetivos.” Segundo Van Bellen (2006, p. 45) isso se dá pelo fato de que a “[...] sociedade mede o que ela valoriza e aprende a valorizar aquilo que ela mede. Essa retroalimentação é comum, inevitável e útil, mas também cheia de armadilhas”. A despeito de sua importância enquanto modelo de realidade, os indicadores não podem ser considerados a própria realidade. São partes de “[...] informação que apontam para características dos sistemas, realçando o que está acontecendo”, sendo ainda utilizados para “[...] simplificar informações sobre fenômenos complexos e para tornar a comunicação sobre eles mais compreensível e quantificável.” (VAN BELLEN, 2006, p. 45). Valores implícitos e explícitos dos indicadores Figura 10 – Sociedade e sustentabilidade Fonte: Liana Monica Bordei/Istock Valores explícitos Os indicadores podem se apresentar de modo implícito ou explícito. Os de valor explícito são “[...] aqueles tomados conscientemente e compreendem uma parte fundamental do processo de criação de indicadores”; já os valores implícitos “[...] decorrem de aspectos que não são facilmente observáveis e que, na sua maioria, inconscientes e relacionados a características pessoais” (VAN BELLEN, 2006, p. 46-47), incluindo diferentes culturas sociais. Deste modo, mensurar a influência dos valores implícitos é difícil, uma vez também que afetaria o processo de formulação dos indicadores de qualquer maneira. Pág. 27 de 85 Os julgamentos de valor explícito, ainda segundo o autor, podem aparecer do seguinte modo quando utilizados nos indicadores e em seu processo de criação: • Diretamente no processo de observação ou medição (tal como preferências estéticas); • Adicionados à medida observada (podendo se dar por meio da limitação imposta em função do aspecto legal ou preferências diversas, o que inclui objetivos e metas); • Por meio de pesos que são dados indicadores de diferentes níveis dentro de um sistema agregado. Não se pode negar que haja mais valor para uma vaca na Índia, por exemplo, do que na Nigéria. Ao passo que, em geral, alguns países baixos como a Holanda e outros desenvolvidos como Inglaterra, França, Dinamarca, Suíça e outros tendem mais a valorizar a beleza natural do que os países emergentes. A despeito desse fato, Roger Scruton, um filósofo que há muito se interessa por questõesambientais e estéticas, ressalta em sua obra Beleza que a “[...] beleza das grandes obras da arquitetura muitas vezes depende do contexto humilde que essas belezas inferiores viabilizam” (SCRUTON, 2013, p. 21, grifo nosso). Desse modo, uma harmonia arquitetônica humilde permeada de contextos naturais sem a agressividade de outros arranha-céus ao seu redor tende a ser um indicador positivo sustentável no qual representa um valor claramente explícito. Valores implícitos No que concerne aos julgamentos de valor implícitos, resumidamente a boa didática de Van Bellen (2006) nos informa que eles são decorrentes de aspectos que possuem grau maior de dificuldade quanto à observação, uma vez que, em sua maioria, são inconsistentes e relacionados a características pessoais e/ou relacionadas a culturas sociais específicas. É possível identificar nas ações, práticas e relações cotidianas, no entanto, a dificuldade em diagnosticar reais interesses com as questões sustentáveis e quais são os objetivos implícitos do indivíduo, grupos sociais ou organizações por detrás dos atributos explícitos. Definição do “peso” dos indicadores Os indicadores (ou critérios) devem ser definidos com a ajuda de cenários de avaliação, fazendo uso de parâmetros de comparação onde todos são tidos em uma mesma escala. Os pesquisadores Pág. 28 de 85 da área de indicadores sustentáveis propõem dois cenários fictícios: (1) um que todos os indicadores possuam desempenho no nível “neutro” (igual a 0) e outro em que todos os indicadores possuam desempenho no nível “bom” (igual a 100). Decorre-se diante disto que, novos cenários devem ser criados nos quais varie o indicador a cada vez objetivando o nível “bom” (desempenho igual a 100). Fantinatti, Zuffo e Ferrão (2015, p. 286) ilustram esse ponto da seguinte maneira: Figura 11 – Ilustração da escala padronizada para todos os critérios. Bom Neutro 0 100 Fonte: Adaptado de Fantinatti, Zuffo e Ferrão (2015, p. 286). Assim sendo, aqueles que são responsáveis pela tomada de decisão devem explicitar, “[...] na mesma escala semântica de comparação cardinal, os graus de preferência entre os diversos cenários”, onde cada um deles “[...] representará a preferência do conjunto de decisores e ou especialistas em relação aos respectivos indicadores em uma comparação cardinal”, isto é, “[...] de ‘distância’ de preferência e não de ‘quociente’, que é o que a maioria dos métodos faz, remetendo ao ‘erro crítico mais comum’” (FANTINATTI; ZUFFO; FERRÃO, 2015, p. 287). Pág. 29 de 85 Esta avaliação dos níveis de desempenho de cada critério, é claro, se dá após a definição dos critérios de avaliação e seus respectivos descritores, os quais, como já tratamos anteriormente (no tópico Funções e escolha dos indicadores e seus critérios), ajudam a compreender o que os decisores estão considerando. O descritor (ou subcritério), de acordo com Fantinatti e Zuffo (2015, p. 242) expõe as “possibilidades de desempenho de um determinado critério”, ou indicador. São os exemplos que os pesquisadores nos trazem, onde, o primeiro critério é qualitativo (subjetivo) e o segundo quantitativo (objetivo): 1. Se um critério na compra de um carro for a “cor do carro”, o descritor irá explicitar as possibilidades de desempenho deste critério: brando, preto, vermelho etc. 2. No caso de critérios de sustentabilidade, um critério pode ser o de promover a infiltração da água da chuva que precipita sobre as áreas impermeabilizadas do empreendido. Neste caso, o desempenho das alternativas pode ser medido em função do percentual de água que é direcionado para infiltração. E o descritor irá explicitar as possibilidades: de 0% a 100%. A partir disto, é possível estabelecer os níveis de desempenho para cada critério, como vimos na Figura 11, onde existe um nível “neutro”, correspondendo ao mínimo aceitável para qualquer alternativa do processo decisório de análise, e um nível “bom”, correspondendo ao desempenho que é desejado para qualquer alternativa deste processo (FANTINATTI; ZUFFO, 2015). Com efeito, para a definição de pesos entre os critérios, deve-se montar cenários de avaliação, iniciando pelo cenário base, onde os critérios são considerados com desempenho “neutro”. A partir disto, cria-se novos cenários, os quais se varia cada critério individualmente a fim de alcançar o nível “bom”. Cada cenário representará a preferência do decisor/especialista (FANTINATTI; ZUFFO, 2015). Com efeito, o fortalecimento dos indicadores, segundo Malheiros, Coutinho e Philippi Junior (2012), depende de diversos fatores. No entanto, os autores destacam três: 1. Aplicação em questões complexas: há interações complexas que surgem no contexto da sustentabilidade, sendo os indicadores aqueles que articulam o caminho dessa complexidade. O foco gira em torno de refletir sobre como obter o máximo das diferentes metodologias, considerando suas potencialidades e limitações, levando em consideração os diferentes usuários-alvo, o nível de gestão, a urgência etc. 2. Maior sentimento de propriedade sobre os indicadores pelas várias partes interessadas: os indicadores são validados quando usados pelos tomadores de decisão e pelos stakeholders na sustentabilidade. A propriedade intelectual pode ser adquirida de diferentes maneiras: (a) Pág. 30 de 85 envolvimento direto dos usuários e das partes interessadas no processo de desenvolvimento de indicadores; (b) incentivo à apropriação, ao uso de indicadores para a comunicação estratégicas; e (c) capacidade das instituições e pessoas de adotar os indicadores. 3. A inclusão de indicadores de sustentabilidade nos processos orçamentários: a avaliação da eficácia do programa em relação aos objetivos de níveis superiores (estratégicos) sempre é um complexo desafio para os governos. Neste contexto, passa a ser fundamental a compreensão de quais parâmetros fazem parte do processo de indicadores de sustentabilidade, isto é • mobilização • engajamento • construção • implementação • monitoramento • avaliação Para ser mais claro, este processo é uma “[...] ferramenta indispensável na operacionalização do conceito de desenvolvimento sustentável”, contudo “[...] requer prioridade e continuidade, para que alcance todo seu potencial enquanto peça-chave nos processos de tomada de decisão” (MALHEIROS; COUTINHO; PHILIPPI JUNIOR, 2012, p. 86). SAIBA MAIS Os artigos a seguir contribuem para complementação do que vimos até aqui, pois tratam-se, em sua maioria, de levantamentos bibliográficos que resumem muito do que se tem em pauta no campo teórico, ajudando-nos também a ter uma melhor compreensão das temáticas que estão por vir: - Como mensurar a sustentabilidade? Um estudo das principais técnicas e indicadores. Disponível em: <www.uel.br/revistas/uel/index.php/ros/article/view/27259>. - Recorte teórico das ferramentas de mensuração da sustentabilidade mais citadas na literatura. Disponível em: <admpg.com.br/revista2011/v2/artigos/artigo%208%20Recorte%20teorico%20das%20ferramentas. pdf>. - Indicadores de sustentabilidade: um levantamento dos principais sistemas de avaliação. Disponível em: <www.scielo.br/pdf/cebape/v2n1/v2n1a02>. Pág. 31 de 85 FERRAMENTAS DE SUSTENTABILIDADE: ÍNDICES DE SUSTENTABILIDADE E OS SISTEMAS DE INDICADORES DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (IDS) Figura 12 – Desenvolvimento sustentável Fonte: Por Dirtydog_Creative/Istock O dashboard of sustainability Sobre o termo dashboard, tal como o painel do carro, onde ao menos em maioria apresenta três componentes (velocidade, temperatura do motor e ponteiro do combustível), concorda Van Bellen (2006, p. 129) com Peter Hardi (2000) que ele é de fato um tripé, uma vez que a ideia da inclusão de of sustainability representa a relação entre qualidade ambiental, saúde social e performance econômica, constituindo-se numa “[...] importante ferramenta para auxiliar os tomadores de decisão, públicos e privados, a repensarsuas estratégias de desenvolvimento e a especificação de suas metas.” O painel de um automóvel descreve o funcionamento dos seus diferentes componentes por instrumentos que o monitoram. O dashboard of sustainability utiliza essa analogia para o desenvolvimento sustentável; trata-se de um painel de instrumentos projetado para informar tomadores de decisão e o público em geral da situação do progresso em direção ao desenvolvimento sustentável. (VAN BELLEN, 2006, p. 132). Deste modo, o dashboard of sustainability é compreendido como ferramenta para a sustentabilidade, cujo foco Van Bellen (2006, p. 133) expõe a seguir: A ferramenta disponível atualmente utiliza um painel com três mostradores que representam a sustentabilidade do sistema no que se refere às dimensões propostas e deve ser usado para a comparação entre nações. A ferramenta também pode ser aplicada para índices urbanos e regionais. Conceitualmente, portanto, o dashboard of sustainability é um “[...] índice agregado de vários indicadores dentro de cada um dos mostradores; a partir do cálculo dos índices deve-se obter o resultado final de cada mostrador.” Uma função adicional, ainda de acordo com Van Bellen (2006, p. 130), é a de calcular a média dos mostrados a fim de que “[...] se possa chegar a um índice de sustentabilidade global ou sustainable development index (SDI). Se o objetivo é avaliar o processo decisório, um índice de performance política, policy performance index (PPI) é calculado”. Como software, ele é projetado para ajudar os países emergentes a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e trabalhar para o desenvolvimento sustentável. Tem sido aplicado a Pág. 32 de 85 um grande número de indicadores, entre outros, aos indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e à Comissão das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável. Em 2002, os pesquisadores do painel de sustentabilidade Jochen Jesinghaus e Peter Hardi apresentaram-no na Cúpula de Joanesburgo e no Fórum Social Mundial de 2002 em Porto Alegre. Também foi incluído nos recursos para o Fórum Mundial sobre indicadores-chave da OCDE. Em janeiro de 2006, o Projeto do Milênio utilizou-o no painel de sustentabilidade para concluir seu relatório State of the Future, no qual informou que, em termos globais, a saúde geral, a riqueza e a sustentabilidade da humanidade estavam melhorando, mas lentamente. Em fevereiro de 2006, foi proposto que o painel de sustentabilidade fosse utilizado para combinar e representar dois ou mais dos cinco quadros a seguir usados atualmente no desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade: baseados em domínios, baseados em metas ou baseados em pesquisas setoriais. Instituições envolvidas Como já temos discutido, o dashboard of sustainability é uma ferramenta robusta de indicador sustentável e Van Bellen (2006) tem se dedicado à pesquisas sobre o assunto desde a década de 1990 com o apoio de diversas instituições preocupadas com a questão sustentável. Atualmente, o Consultative Group on Sustainable Development Indicators (CGSDI) – grupo este que se trata de uma rede de instituições que fazem uso de sistemas de indicadores de sustentabilidade –, resultante de uma iniciativa do Wallace Global Fund, que promoveu a reunião de diversos especialistas, responde à necessidade da harmonização dos trabalhos internacionais em indicadores de sustentabilidade, com foco nos desafios teóricos em volta do setor (VAN BELLEN, 2006). O objetivo é criar um sistema simples, porém que concomitantemente apresente a realidade em sua complexidade, e a missão é a de “[...] promover cooperação, coordenação e estratégias entre indivíduos e instituições-chave que trabalham no desenvolvimento e utilização de indicadores de desenvolvimento sustentável.” (VAN BELLEN, 2006, p. 126). Pág. 33 de 85 A coleção de indicadores: os índices e seus cálculos Figura 13 – Cálculos de índices Fonte: Easy_Company/Istock Cálculo dos índices de sustentabilidade Segundo Van Bellen (2006, p. 130, grifo nosso), quando “[...] uma coleção de indicadores é combinada matematicamente por um processo de agregação, o resultante é chamado índice”. Os indicadores, com efeito, devem facilitar a comunicação que existe entre o desenvolvimento sustentável, o qual transforma números e dados, medidas e descrições, sinais e projeções em dizeres concretos e claros. O desafio dos pesquisadores em torno do dashboard of sustainability é a escolha dos indicadores corretos que compõem este índice. Os autores deste sistema afirmam que o [...] cálculo de valores agregados é um método normalmente utilizado para a construção de índices”, os quais podem ser ponderados ou simples, a depender de seus objetivos, sendo “muito importantes para direcionar a atenção das pessoas e simplificar a compreensão de alguns problemas”, muito embora ainda possam “mascarar detalhes” importantes. (VAN BELLEN, 2006, p. 131). O índice de sustentabilidade, segundo Rabelo e Lima (2012, p. 408) deve “incorporar todas as dimensões ou escopos considerados”. Com efeito, uma das maneiras de mensurá-lo é por meio da expressão matemática a seguir: Onde: IS = Índice de sustentabilidade Iw = Valor do w-ésimo índice, w = 1, ..., k. Sendo que se trata de índices que comporão o índice de sustentabilidade: econômico, social, ambiental e institucional. I = 1,..., m, número de indicadores de sustentabilidade. Pág. 34 de 85 W = 1,..., 4, número de índices que comporão o índice de sustentabilidade. A expressão acima atribui pesos semelhantes a cada dimensão analisada. Ainda de acordo com Rabelo e Lima (2012), caso se deseje a atribuição de uma importância maior a um dado índice, a expressão a seguir é sugerida: Sendo: Pw = peso atribuído ao w-ésimo índice; w = 1,..., k Grau de sustentabilidade O objetivo principal do índice de sustentabilidade é o de “[...] permitir o conhecimento do grau de sustentabilidade no qual se encontra o que se avalia, percebendo, assim, os demais índices que o compõe”, bem como “[...] em quais indicadores poderão ser tomadas ações que façam melhorar o seu grau ou continuar no ritmo de sustentabilidade que se busca” (RABELO; LIMA, 2012, p. 408). Antecipando a fase final da sequência metodológica de indicadores de sustentabilidade (SMIS), cujos passos veremos um pouco mais adiante no tópico denominado Estratégia e a formação de um sistema de indicadores de sustentabilidade, a possibilidade aqui é a de conhecer o estado atual de sustentabilidade, bem como, segundo Rabelo e Lima (2012, p. 408), “[...] visualizar sua tendência ao longo do tempo, avaliando as atividades humanas – subsistemas meio ambiente humano – que afetam e podem inviabilizar os processos ambientais – subsistema recursos naturais”, e, por conseguinte, alterar por definido o sistema (natureza). Rabelo e Lima (2012, p. 409) explicam bem a questão da construção dos índices de acordo com os graus de sustentabilidade: A construção de índices nada mais é do que transformar o valor dos indicadores num quantum que varia entre 0 e 1, de forma que o valor 1 significa a melhor condição de sustentabilidade alcançada – dentro do conceito de desenvolvimento sustentável Pág. 35 de 85 escolhidos e do tipo de sustentabilidade que se busca alcançar, isto é, sustentabilidade sensata –, e o 0, o desempenho mais desfavorável – sustentabilidade não alcançada. Por fim, neste contexto, o índice de sustentabilidade poderá atingir cinco graus diferentes: Tabela 1 – Graus de sustentabilidade Nível de sustentabilidade Legenda Intervalo Sustentabilidade excelente (VERDE) 1 ≤ IS ≤ 0,800 Sustentabilidade boa (AZUL) 0,799 ≤ IS ≤ 0,650 Sustentabilidade média (AMARELO) 0,649 ≤ IS ≤ 0,500 Sustentabilidade ruim (ROSA) 0,499 ≤ IS ≤ 0,300 Sustentabilidade crítica (VERMELHO) 0,299 ≤ IS ≤ 0,000 Fonte: Rabelo e Lima (2012, p. 409), com adaptação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD, 1998).Acima temos então a possibilidade, sob um aspecto didático, de colorir o grau de sustentabilidade que é encontrado, o que torna o resultado mais claro aos tomadores de decisão a fim de que gere um cenário adequado que contribua para novas ações de estratégia ambiental dos gestores frente aos resultados obtidos. As dimensões da sustentabilidade Figura 14 – Dimensões da sustentabilidade Fonte: Por LeoWolfert/Istock Ainda nesta contextualização, cada um dos indicadores dentro dos escopos ou dimensões da questão sustentável que são propostos pelo sistema pode ser avaliado tanto no que concerne a abordagens sustentáveis quanto no nível do processo decisório a partir de dois elementos bases, a saber: importância e performance (VAN BELLEN, 2006). Pág. 36 de 85 Van Bellen (2006, p. 131) nos norteia: • Importância do indicador: é revelada pelo tamanho que assume frente aos outros na representação visual do sistema correspondente. • Desempenho do indicador: é mensurado em uma escala de cores que varia do verde até o vermelho. O agrupamento de indicadores dentro de cada um dos escopos fornece a resultante ou o índice relativo da dimensão. O consenso gira em torno de medir a sustentabilidade por meio de suas dimensões, uma vez que o uso de dimensões – ou “grupos de indicadores agrupados” –, “[...] pode facilitar o emprego de medidas que estão além dos fatores puramente econômicos e incluir um balanço de sinais que derivam do bem-estar humano e ecológico” (VAN BELLEN, 2006, p. 131). A respeito disto, os agrupamentos em suas respectivas dimensões de sustentabilidade devem abranger: • Duas dimensões: bem-estar humano e bem-estar ecológico. • Três dimensões: bem-estar humano, ecológico e econômico. • Quatro dimensões: riqueza material e desenvolvimento econômico; equidade e aspectos sociais; meio ambiente e natureza; democracia e direitos humanos. O CGSDI adota, em especial, o sistema de três dimensões, alegando que este possui maior aceitação nos debates políticos. Com efeito, a seguir temos a abrangência que a ferramenta sustentável que estamos tratando deve contemplar, segundo Van Bellen (2006): • Meio ambiente: qualidade da água, ar e solo; níveis de lixo tóxico etc. • Economia: emprego, níveis de investimento, produtividade, distribuição de receitas, competitividade, inflação e utilização eficiente de materiais e energia. • Sociedade: crime, saúde, pobreza, educação, governança, gastos militares e cooperação internacional. Para cada uma das dimensões, faz-se necessária a inclusão de um índice agregado, contendo medidas do estado, do fluxo e dos processos relacionados. O objetivo, deste modo, é “[...] medir a utilização de estoques e fluxos para cada dimensão.” Os estoques ambientais podem ser representados pela “[...] capacidade ambiental, uma medida incluindo estoque de recursos naturais e tipos de ecossistema por áreas e qualidade” (VAN BELLEN, 2006, p. 132). Já os fluxos, dentro de uma perspectiva econômica, podem ser representados pelo PIB ou algum outro novo índice que envolva contextos de desemprego, inflação, propriedade, infraestrutura etc. Pág. 37 de 85 A seguir temos uma representação de uma versão recente da representação do dashboard of sustainability. Figura 15 - Representação do dashboard of sustainability como ferramenta de sustentabilidade em diversos setores Fonte: traduzido de <https://www.iisd.org/sites/default/files/publications/measure_dashboard_brochure.pdf>. As dimensões do painel de sustentabilidade, como comentado, são quatro: ecológica, social, econômica e institucional, as quais são mensuradas por meio de uma escala de cores que varia do verde, amarelo até o vermelho. Ou seja, a “[...] performance do sistema é apresentada em uma escala de cores que varia do vermelho-escuro (crítico), passando pelo amarelo (médio), até o verde- escuro (positivo)” (VAN BELLEN, 2006, p. 133). Essas cores são definidas “[...] para cada indicador a partir da regressão linear simples dos dados entre dois valores extremos, onde o valor maior recebe 1000 (mil) pontos e o valor menor recebe pontuação 0 (zero)”. Segundo a classificação da performance das variáveis do painel de sustentabilidade, apresentam-se nove gradações dessas cores (SANTOS; SANTOS; SEHNEM, 2016). Os principais indicadores de fluxo e de estoque do dashboard of sustainability para cada dimensão do painel de sustentabilidade são demonstrados a seguir, conforme informações trazidas por Van Bellen (2006, p. 135): Pág. 38 de 85 Quadro 3 – Dimensões do painel de sustentabilidade Dimensão Indicadores Ecológica mudança climática depleção da camada de ozônio qualidade do ar agricultura florestas desertificação urbanização zona costeira pesca quantidade de água ecossistema espécies Social índice de pobreza igualdade de gênero padrão nutricional saúde mortalidade condições sanitárias água potável nível educacional alfabetização moradia violência Pág. 39 de 85 Econômica desempenho econômico comércio estado financeiro consumo de materiais consumo de energia geração e gestão do lixo Institucional implementação estratégica do desenvolvimento sustentável cooperação internacional acesso à informação infraestrutura de comunicação ciência e tecnologia desastres naturais (preparo e resposta) Fonte: Adaptado de Van Bellen (2006). O objetivo atualmente é o de demonstrar tendências, tanto de mercado quanto de comportamento humano, o que depende muito da disponibilidade e da confiabilidade de uma base de dados constante no tempo. Hardi (2000 apud VAN BELLEN, 2006) diz que o maior problema do dashboard of sustainability é fazê-lo transmitir uma visão holística do cenário ambiental, mesmo ele sendo construído com este objetivo. Passado pela etapa dos cálculos e delimitação das cores, onde foi importante pontuar os quesitos a respeito de quais indicadores foram possíveis de ser identificados dentro do escopo do projeto, chega o momento de lidar com eles, respondendo a perguntas como as trazidas por Rabelo e Lima (2012): Pág. 40 de 85 Quadro 4 – Análise do painel de sustentabilidade Indicador Requisito Ambiental houve mitigação do impacto ambiental? Social houve melhoria na qualidade de vida? Econômico houve possibilidade de melhoria de renda? Institucional houve comprometimento da organização? A técnica é de fácil acesso? Fonte: Adaptado de Rabelo e Lima (2012) Pegada ecológica como sistema de indicador de sustentabilidade Figura 16 – Pegada ecológica (PE) Fonte: Por urfinguss/Istock Conceituação Malheiros, Coutinho e Philippi Junior (2012) nos informam que o termo pegada ecológica (PE) – ou ecological footprint method, em inglês – foi concebido pelos famosos Mathis Wackernagel e William Rees, no ano de 1990, tendo relação com o espaço ecológico necessário o qual sustente algum sistema ou unidade específica. Os criadores desse indicador definiram PE como “[...] a área de território ecologicamente produtivo (plantações, pastagem, florestas ou ecossistemas aquáticos) necessário para produzir os recursos utilizados por tempo indeterminado”, e ainda, “[...] para assimilar os resíduos produzidos por uma população definida [...] onde quer que esteja essa área” (GONZÁLEZ; RINCÓN, 2012, p. 108). Em geral, o PE “[...] contabiliza os fluxos de matéria e energia que entram e saem de um sistema econômico e converte esses fluxos em área correspondente de terra ou água existentes na natureza para sustentar esse sistema indefinidamente”. Fundamenta-se, com isto, “[...] no conceito de capacidade de carga, ou seja, a máxima população que pode ser suportada por dado sistema.” (MALHEIROS; COUTINHO; PHILIPPI JUNIOR, 2012, p. 66). A PE é um indicador simples, porém muito abrangente, que não somente confere a possibilidade da estimativas das exigências mínimas, no que concerne às áreas necessárias que fornecem os Pág. 41 de 85 materiais, bem como a energia requerida pelapopulação, mas também é um indicador que avalia a sustentabilidade das atividades humanas (GONZÁLEZ; RINCÓN, 2012). Capacidade de carga O pensamento que está por trás da PE está embasado, em especial, na análise do conceito de capacidade de carga (CC), cuja definição é, segundo González e Rincón (2012, p. 108), “[...] o máximo de população de determinada espécie que pode ser suportada indefinidamente em determinado habitat, sem reduzir permanentemente a produção desse habitat”. Contudo, os autores acreditam que seria diferente se a CC fosse entendida de modo mais amplo, abarcando um contexto onde a população não impactasse negativamente o meio ambiente, isto é, a carga que esta população impõe ao meio ambiente, de modo então diverso de tratar do contexto de população máxima que seja suportada por ele [meio ambiente]. Deste modo, é possível notar que, por um lado, “[...] a carga exigida pelo homem sobre a biosfera, a cada dia, vem aumentando como resultado do crescimento da população e do consumo”, sendo que, por outro lado, “[...] a área total de produção e a quantidade de recursos naturais são fixos ou, em vários casos, estão continuamente em declínio, reduzindo, portanto, a sua CC” (GONZÁLEZ; RINCÓN, 2012, p. 109). González e Rincón (2012, p. 109) prosseguem nos informando acerca da justificativa da utilização da PE e a questão da CC como um indicador de sustentabilidade, traçando uma mudança de paradigma em torno das indagações que devem ser feitas: Assim ficou mais clara a necessidade de saber se o estoque de recursos naturais seria suficiente para atender à crescente demanda de toda a população, justamente por causa da expansão do comércio internacional e da tecnologia. Analisar de forma diferente essa questão fundamental significa, então, deixar de se perguntar quantas pessoas poderiam ser mantidas de forma sustentável em determinada região, e começar a se perguntar: qual é a área de território produtivo que seria necessária para sustentar dada população indefinidamente, onde quer que ela esteja localizada? Com efeito, aplicar a questão do desenvolvimento humano torna as respostas das questões acima mais eficaz. Pág. 42 de 85 Método de cálculo da PE É preciso certa quantidade de território para ser suprido e também tratar dos resíduos gerados, uma vez que o método de cálculo da PE exige isto de cada unidade de consumo de matéria ou energia. Em função deste ponto, no ato do cálculo desse indicador, estima-se a área de território que é necessária para a produção de cada item de consumo por pessoa (GONZÁLEZ; RINCÓN, 2012). Ainda de acordo com González e Rincón (2012, p. 109), a filosofia que rege o cálculo da PE considera que “[...] a utilização do equivalente em hectares de terras ecologicamente produtivas permite expressar o tanto da produção da natureza que está sendo aproveitado pelos humanos”. E, por isto, os tão conhecidos Wackernagel e Rees se concentraram em cinco categorias para elaboração dos cálculos, quais sejam: • alimentação • habitação • transporte • bens de consumo • serviço Para cada uma dessas categorias, estima-se a área que é fulcral para a produção de recursos consumidos, bem como é estimada a absorção dos resíduos gerados por uma determinada população. Pode ser dividida cada uma destas categorias de consumo em pequenas partes, a depender das informações que estão dadas, bem como da precisão e exatidão do cálculo que é esperado, os quais estão à mercê dos objetivos específicos de cada enfoque de trabalho (GONZÁLEZ; RINCÓN, 2012). Com o objetivo de determinar a área de terra necessária para cada categoria, os pesquisadores Wackernagel e Rees consideraram os tipos de solo a seguir: Quadro 5 – Tipos de solo e atividades econômicas Tipo de solo Destino econômico Área das plantações Agricultura Área de pastos Alimentação do gado Área de florestas naturais ou replantadas Extensão de mar produtivo Áreas marinhas produtivas Pág. 43 de 85 Área de território urbanizado Área urbana ou ocupada por infraestrutura Área de absorção de CO2 e de resíduos urbanos Terrenos necessários para a absorção de CO2 produzido pelo consumo de combustíveis fósseis e material degradado gerado pela produção e consumo de bens e serviços Fonte: adaptado de González e Rincón (2012) Segundo González e Rincón (2012), quando a abordagem geral do cálculo da PE é levada em consideração, nas interpretações dos resultados devem ser também consideradas as hipóteses em que se desenvolveu o indicador, a exemplo da lista a seguir: • É possível contabilizar grande parte dos bens consumidos e dos resíduos. • Os fluxos de recursos e resíduos podem ser transformados em área biologicamente produtiva necessária para manter esses fluxos. • Os diferentes tipos de áreas biologicamente produtivas podem ser expressos na mesma unidade, uma vez que foram normalizados de acordo com sua produtividade. Ou seja, cada hectare de lavouras, pastagens etc. pode ser expresso na forma de um hectare com produtividade igual à média global. • Desde que as áreas tenham usos mutuamente exclusivos e que cada hectare padrão represente a mesma produtividade, essas áreas podem ser agregadas. O total obtido mostra a demanda total. • A área requerida pela população total pode ser comparada com a oferta de serviços ecológicos da natureza, que também pode ser expressa em unidades-padrão de produtividade. • A PE inclui apenas a área ecologicamente produtiva para uso humano, excluindo desertos, geleiras permanentes e florestas protegidas. Portanto, considera-se a área terrestre e a marinha que suportam a atividade fotossintética e a biomassa utilizada pelos humanos. Excluem-se as áreas não produtivas e as áreas marginais com vegetação distribuída uniformemente. • O método da PE pressupõe que as práticas agrícolas, florestais e da pecuária em grande escala são sustentáveis e, portanto, considera que a produtividade do solo não diminui ao longo do tempo. • O cálculo da PE considera apenas os serviços básicos fornecidos pelo ambiente; o abastecimento de energia proveniente de fontes renováveis e não renováveis, a absorção de resíduos, o suporte ou terra necessária para viver etc. • Esse cálculo tenta não contabilizar duas vezes a mesma área de terra se ela fornece dois ou mais serviços simultaneamente (GONZÁLES; RINCÓN, 2012). Pág. 44 de 85 A despeito de seu nascimento ser recente (década 1990), este indicador ganhou bastante espaço não somente nas cadeiras científicas das academias, mas tomadores de decisão e consumidores em geral. Muito embora isto seja um fato, é importante ressaltar que qualquer indicador possui pontos mais fortes e outros mais fracos, sendo que a PE não seria diferente. Pontos fortes e fracos da PE O ponto forte da PE é levar em consideração quatro questões que são fundamentais, fortalecendo-a como indicador de sustentabilidade: • é um indicador forte de sustentabilidade real; • é consistente com as leis da termodinâmica (na qual a primeira lei é a da conversão de massa, e a segunda, conhecida como lei da entropia, onde todo sistema está destinado à desordem); • reconhece o componente social da sustentabilidade; • incorpora limites ecológicos às atividades humanas (CARBALLO et al., 2006 apud GONZÁLEZ; RINCÓN, 2012). Além de distinguir diferentes categorias de consumo e a da área apropriada, identificando com isto os impactos de áreas distintas a fim de executar ações baseadas nas questões levantadas com alto grau de clareza e simplicidade, a PE é um indicador que comunica bem os resultados, visto que permite “definir e visualizar a dependência do homem do funcionamento dos ecossistemas”, bem como “fazer cálculos para diferentes comunidades ou setores de uma mesma sociedade, com estilos diferentes de vida, mostrando a desigualdade na apropriação e no uso dos ecossistemas.” (GONZÁLEZ; RINCÓN, 2012, p. 111-112). A desvantagem da PE é que exclui alguns itens que têmum impacto ecológico significativo – por exemplo, consumo de água, de recursos naturais renováveis e não renováveis, bem como alguns tipos de poluição. Ademais, fora outros aspectos negativos que os críticos apontam, no contexto da PE, “[...] supõe-se que cada tipo de área tem um único uso, incluindo apenas a área ecologicamente produtiva. Entretanto, a área improdutiva pode ser utilizada, direta ou indiretamente, para uso humano” (GONZÁLEZ; RINCÓN, 2012, p. 112). Contudo, a maior parte das críticas, segundo os defensores da PE, já foram levadas em consideração e corrigidas, tal como a abordagem de questões que incluem o gás metano, bem como outros do efeito estufa, ou ainda acerca da diferenciação entre o uso sustentável e insustentável da superfície da Terra (GONZÁLEZ; RINCÓN, 2012). Pág. 45 de 85 Atualmente, segundo ainda González e Rincón (2012, p. 113), a PE “[...] redireciona-se para objetivos mais específicos e menos ambiciosos do que os primeiros”. Com isso, ela se concentra, de modo exclusivo, “[...] na contabilidade do capital natural e na documentação da superexploração ecológica”, sem com isto alterar “a essência do conceito e do método de cálculo”. Nas palavras dos autores, “[...] a atual formulação do indicador se concentra no estudo da resiliência (capacidade de recuperação da biosfera)”. SAIBA MAIS Por requerer longa discussão de como se proceder com o método de cálculo da PE em termos matemáticos, optamos por não detalhar em nosso Caderno de Estudos, porém deixaremos a seguir alguns links de artigos úteis que trabalham essa questão, tanto teoricamente quanto de modo aplicado na prática, especialmente dentro do contexto da PE como indicador sustentável: - A relação da pegada ecológica com o desenvolvimento sustentável/cálculo da Pegada Ecológica de Toribaté. Disponível em: <www.seer.ufu.br/index.php/caminhosdegeografia/article/viewFile/15931/8991>. - Síntese dos métodos de pegada ecológica e análise emergética para diagnóstico da sustentabilidade de países. Disponível em: <www.unicamp.br/fea/ortega/extensao/Tese-LucasPereira.pdf>. - A sustentabilidade ecológica do consumo em Minas Gerais: uma aplicação do método da pegada ecológica. Disponível em: <www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-63512015000200421>. Cálculo da PE Figura 17 – Cálculo da PE Fonte: Por thodonal/Istock O cálculo da área por determinada população pode variar de acordo com o número itens que foram escolhidos, bem como se estão disponíveis ou não para utilização de seus dados. De modo geral, Van Bellen e Andrade (2012) resumem o cálculo da PE em quatro etapas: 1. Calcular a média anual de itens de consumo de dados agregados: exemplo disto seria o consumo de energia e de alimentos, dividindo o consumo total pelo tamanho da população. 2. Determinar ou estimar a área apropriada per capita para cada um dos principais itens consumidos: deve-se dividir o consumo anual per capita pela produtividade média anual. 3. Calcular a área da PE média por pessoa: deve-se somar as áreas do ecossistema apropriadas por cada item de consumo de bens ou serviços. 4. Calcular a área total apropriada: multiplica-se o resultado da etapa anterior pelo tamanho da população. Pág. 46 de 85 Quanto às concepções de Wackernagel e Rees, os itens de consumo poderiam ser definidos por aqueles que fossem os responsáveis por calcular a pegada ecológica. Com efeito, ainda hoje cabe aos pesquisadores em torno da questão “[...] escolher aqueles com maior demanda, isto é, os que exercem maior pressão sobre o meio ambiente, e aqueles que possuem disponibilidade de dados suficientes para realização dos cálculos” (VAN BELLEN; ANDRADE, 2012, p. 478). O cálculo, com efeito, para a transformação do montante consumido de cada item possui sua variação de acordo com o tipo de item elencado. Pode-se usar, dentro do modelo PE de Wackernagel e Rees, a sequência geral como etapas de cálculo, conforme nos informam Van Bellen e Andrade (2012, p. 478): O que vem ao encontro à PE de determinado sistema é a capacidade bioprodutiva, ou seja, a área que é suficientemente fértil para a plantação de florestas ou que possui capacidade para agricultura – áreas que, portanto, provêm os recursos naturais que sejam úteis aos seres humanos em termos econômicos. Quando se considera a superfície da Terra, de aproximadamente 51 bilhões de hectares, apenas 11,2 bilhões são áreas bioprodutivas, das quais 8,8 bilhões são áreas de terra e 2,3 bilhões são áreas marítimas. As áreas de terras abrangem aquelas utilizáveis para atender a produção econômica, bem como aquelas áreas naturais, sem valor econômico aparente, mas necessárias ao equilíbrio vital do planeta. (VAN BELLEN; ANDRADE, 2012, p. 478). Deste modo, baseando-se em literaturas diversificadas, bem como na própria fonte do conceito de terra, temos: 1. PE, Wackernagel e Rees, Van Bellen e Andrade (2012) nos trazem o agrupamento em cinco territórios básicos que são territórios de disponibilidade limitada: áreas não contabilizadas no cálculo da PE. Elas são consideradas terras que estão destinadas à preservação e conservação ambiental ou ainda dispõem de recursos não destinados à extração. São os dois tipos: Pág. 47 de 85 b) Áreas de biodiversidade (florestas virgens). c) Áreas não produtivas (desertos, geleiras, rios, lagos, montanhas etc.) 2. Territórios construídos: são áreas com ambientes construídos para habitação, comércio, indústria, infraestrutura e jardins. O consumo de terras é concomitante com a perda de território bioprodutivo. 3. Territórios de energia: áreas que correspondem ao montante de área necessária para a absorção de CO2 emitido pelo consumo de energia fóssil. O conceito é flexível para abranger áreas de terra que são utilizadas para a geração de energia por hidroelétricas ou por biocombustíveis. 4. Territórios terrestres bioprodutivos: terras cultiváveis para agricultura, áreas de pastagem, florestas para corte de madeira etc. 5. Áreas marítimas bioprodutivas: na costa marítima existe maior bioprodutividade, uma vez que é ali que há pesca comercial mais intensiva. Os tipos de áreas bioprodutivas na Terra são divididos como vemos na tabela: Tabela 2 – Distribuição de áreas bioprodutivas Área bioprodutiva Porcentagem de disponibilidade Marítima 21% Pastagem 31% Construída 3% Cultivo 13% Floresta e território de energia 32% Fonte: Van Bellen e Andrade (2012) Em função do montante consumido de cada item por determinado sistema, bem como o tamanho da PE resultante, as áreas apresentarão tamanhos diferentes (VAN BELLEN; ANDRADE, 2012). Destarte, os diversos tipos de terras “[...] apresentam capacidade bioprodutiva variada em função da região onde estão situados, em virtude das diferentes condições climáticas e geológicas e das tecnologias de produção utilizadas.” Com efeito, a “[...] biocapacidade total de uma região se dá pela soma de todas as suas áreas bioprodutivas” (VAN BELLEN; ANDRADE, 2012, p. 480). Pág. 48 de 85 Só se pode revelar a quantidade que o consumo antrópico exige dos recursos naturais por meio da comparação da PE com uma região específica, bem como com a biocapacidade presente no local, demonstrando, com isso, a extensão em que o meio ambiente natural é utilizado. É assim, portanto, que se determina o saldo ecológico, segundo a fórmula que também foi estipulada pelos criadores da PE, Wackernagel e Rees, como nos informam Van Bellen e Andrade (2012, p. 480): Saldo ecológico (ha) = Pegada ecológica (ha) – Biocapacidade (ha) Assim, quando ocorre da PE ser maior que a biocapacidade, haverá, portanto, um déficit ecológico no local. Se o caso for o oposto, onde a biocapacidade é maior que a PE, então haverá uma reserva ecológica onde os recursos não são utilizados além da biocapacidade de renová-los. Barômetro de sustentabilidade como ferramenta de medição do desenvolvimento sustentável Desenvolvido por pesquisadores doCanadá (International Union for Conservation of Nature - IUCN) e International Development Research Centre - IDRC), o barômetro de sustentabilidade é uma ferramenta para avaliação de sustentabilidade que, por meio do levantamento de conjunto de indicadores integrados, objetiva proceder com a análise dos padrões de interação das pessoas e do meio ambiente através de informações no que concerne à qualidade de vida, bem como à taxa de progresso de uma sociedade rumo ao desenvolvimento sustentável (VAN BELLEN, 2006). O barômetro de sustentabilidade, segundo Van Bellen (2006, p. 145) avalia “[...] o progresso em direção à sustentabilidade pela integração de indicadores biofísicos e de saúde animal”. O desenvolvimento do bem-estar humano é medido pelo sistema, bem como o bem-estar do ecossistemas, o qual constrói uma espécie de classificação que nivela os pontos em torno da sustentabilidade. Van Bellen (2006, p. 144) nos confere mais detalhes: O barometer of sustainability é uma ferramenta para a combinação de indicadores e mostra seus resultados por meio de índices. Os índices são apresentados com uma representação gráfica, facilitando a compreensão e dando um quadro geral do estado do meio ambiente e da sociedade. Assim, pode-se apresentar a dimensão principal de cada índice para realçar aspectos de performance que mereçam mais atenção, sendo adequada também para comparações entre diferentes avaliações. Pág. 49 de 85 Cada indicador, portanto, emitiria um sinal. Destarte, quanto mais indicadores forem utilizados pela ferramenta, melhor será a observação da medição. Um indicador de modo isolado “[...] não oferece um retrato da situação como um todo e apenas pela combinação dos indicadores é possível se obter uma visão geral do estado da sociedade e do meio ambiente.” (VAN BELLEN, 2006, p.144-145). Os indicadores podem ser combinados de dois modos: 1. Pela conversão para uma mesma escala; a) Desvantagem: distorção, perda de informações e a dificuldade de converter certos aspectos de sustentabilidade em medidas exclusivamente quantitativas. 2. Utilizando escalas de performance. b) Vantagem: trabalha com a distância entre valores, ou seja, trabalha com intervalos entre padrões definidos. Os elementos que são considerados fundamentais pelos desenvolvedores da ferramenta (Prescott-Allen) são basicamente três: 1. igualdade de tratamento entre as pessoas e os ecossistemas; 2. escala de cinco setores; 3. facilidade de utilização. Figura 18 - Apresentação do resultado do barômetro da sustentabilidade (BS) Fonte: IUCN (2001, p. 23). Pág. 50 de 85 A escala segue a numeração com sua cor respectiva: “bom” (verde) vai de 81 a 100; “razoável” (azul) de 61 a 80; “médio” (amarelo), de 41 a 60; “pobre” (rosa) de 21 a 40 e o “ruim” (vermelho) de 1 a 20. Tal divisão “[...] permite ao usuário controlá-la pela definição de um ou mais setores”, sendo que a escala “[...] deve ser ajustada para cada um dos indicadores e isto envolve definir o melhor e o pior valor para os indicadores dados” (VAN BELLEN, 2006, p. 146). Basicamente, a avaliação segue um ciclo de seis estágios, partindo preferencialmente de uma visão geral da sustentabilidade a fim de alcançar os seus principais indicadores. Os estágios elencados são: • definir o sistema e as metas; • identificar questões e objetivos; • escolher os indicadores e critérios de performance, onde indicadores são aspectos mensuráveis e representativos de uma questão e os critérios de performance são os padrões alcançáveis e desejáveis para cada um dos indicadores. • medição e organização dos indicadores; • combinação dos indicadores, uma vez que devem combinar dentro de uma hierarquia do sistema e de cada um dos eixos separadamente. • alocação, organização e revisão dos resultados (VAN BELLEN, 2006). SAIBA MAIS Veja este interessante artigo, que trata da questão da aplicação da ferramenta na Região Sul do Brasil: - Barômetro de sustentabilidade estadual: uma aplicação na Região Sul do Brasil. Disponível em: <periodicos.feevale.br/seer/index.php/revistagestaoedesenvolvimento/article/view/37>. Veja também: - Indicadores de sustentabilidade: proposta de um barômetro de sustentabilidade estadual. Disponível em: <abes-dn.org.br/publicacoes/rbciamb/PDFs/30-07_Materia_4_artigos376.pdf>. - Barômetro da sustentabilidade, painel de sustentabilidade e pegada ecológica: a abordagem da gestão de resíduos sólidos na avaliação da sustentabilidade. Disponível em: <www.infohab.org.br/ entac2014/2012/docs/0994.pdf>. Pág. 51 de 85 Comparação das ferramentas Figura 19 – Comparação Fonte: Por gpointstudio/Istock Baseando-nos no que vimos no tópico acerca da ponderação dos indicadores, onde trabalhamos a questão dos sistemas top-down e bottom-up, a seguir Hans Van Bellen (2006) analisa, dentro desta perspectiva, qual ferramenta está mais próxima a quê. A ecological footprint method (ou pegada ecológica) está dentro de uma abordagem top-down, em função de conter as características a seguir listadas pelo autor: • Dados primários determinam a sustentabilidade sem interferência dos atores sociais. • Especialistas determinam os coeficientes de conversão de matéria e energia em área apropriada. A ferramenta pegada ecológica possui maior complexidade do que as demais (portanto complexidade elevada), sendo que a sustentabilidade aqui está mais relacionada com fluxos de matéria e energia de um sistema. Alguns cálculos estão associados com produtividade ecológica e consumo. Acerca dos sistemas de auxílio, há um grande número de sistemas informatizados que auxiliam na realização dos cálculos associados (VAN BELLEN, 2006). Já o dashboard of sustainability tem uma abordagem considerada mista, uma vez que apresenta as características a seguir: • Índice fornecido pelo método. • Subíndice e indicadores sugeridos pelo método. • Os pesos dos indicadores podem ser determinados pelos atores e especialistas. • O sistema não prevê um método de participação dos atores sociais na seleção dos indicadores. Pág. 52 de 85 Possui complexidade mediana, sendo que a sustentabilidade aqui está relacionada com os índices e indicadores. Os cálculos estão associados a abordagens de: média aritmética e ponderadas, bem como à interpolação não linear (VAN BELLEN, 2006). Por fim, no barometer of sustainability podemos ver as seguintes características que o aproximam de uma abordagem também de aspecto misto, porém mais próximo ainda do bottom-up do que o dashboard of sustainability, que seguem: • Índices e subíndices fornecidos pelo método. • Indicadores e subindicadores sugeridos pelo método. • Os pesos dos indicadores podem ser determinados pelos atores e especialistas. • O sistema prevê um modelo para seleção dos indicadores considerando especialistas e atores sociais. Também apresenta uma complexidade mediana, relacionando a sustentabilidade tal como o dashboard of sustainability, de igual modo aos índices e indicadores. Os cálculos são semelhantes a esta última ferramenta, sendo que, diferentemente do dashboard, o barômetro possui sistemas de auxílios adicionais, como o uso computacional específico para aplicação e desenvolvimento da ferramenta (VAN BELLEN, 2006). Por fim, para uma visualização ainda da classificação das ferramentas quanto à interface sob o aspecto de suas vantagens e desvantagens, vejamos o Quadro 6: Quadro 6 – Classificação das ferramentas quanto à interface – potencial educativo MÉTODO PONTOS FORTES PONTOS FRACOS Ecological footprint method Destaca a dependência do meio ambiente natural Resultado impactante – área apropriada Influência maior sobre a sociedade civil Utiliza apenas uma dimensão Cálculos complexos Pouca influência sobre os tomadores de decisão Dashboard of sustainability Utiliza no mínimo três dimensões Representação visual Influência maior sobre os tomadores de decisão Excesso de dimensões mascara a dependência dos recursos naturaisImpacto menos sobre o público- alvo Pág. 53 de 85 Barometer of sustainability Revela a dependência do meio ambiente natural Utiliza duas dimensões Representação visual Influência maior sobre os tomadores de decisão Impacto menor sobre o público- alvo Fonte: Van Bellen (2006, p. 188). NBR ISO 37.120/2017 Figura 20 – Cidade sustentável Fonte: Por SceneNature/Istock A norma A fim de medir a sustentabilidade das cidades, a nova NBR ISO 37120:2017, primeira Norma Internacional ISO para indicadores de cidades, utiliza-se de diversos indicadores de sustentabilidade, especialmente os que se voltam para (I) educação, (II) economia, (III) energia, (IV) saúde, (V) resíduos, (VI) transportes, (VII) segurança, (VIII) água, (IX) taxa de desemprego, (X) emissões de GEE (gases de efeito estufa) etc. A CEE 268 (Comissão de Estudos Especial) de Desenvolvimento Sustentável em Comunidades, sob coordenação do prof. Alex Abiko, foi responsável pela tradução da Norma ISO 37120:2014 Sustainable Development of Communities – Indicators for City Services and Quality of Life, a qual, segundo Jucon (2018, p. 18), ajuda “[...] os gestores municipais a tratarem a questão sob a visão tripartite do social, econômico e ambiental”. Deriva-se também dessa norma a NBR ISO 37100 e NBR ISO 37101, que são de vocabulário e sistema de gestão para desenvolvimento sustentável, respectivamente, sendo que o emprego da norma é multidisciplinar, como praticamente tudo no setor ambiental, a qual, segundo ela própria pode contribuir com gestores municipais, políticos, pesquisadores, empresários, urbanistas, designers, engenheiros civis e ambientais, dentre muitos outros. ACONTECEU Leia esta notícia: ABNT publica primeira Norma Técnica para Cidades Sustentáveis. O regulamento estabelece indicadores que possibilitam a medição do desenvolvimento sustentável. Para acessá-la, basta ir à página disponível em: <jornal.usp.br/atualidades/abnt-publica-primeira-norma-tecnica-para-cidades- sustentaveis/>. Ali há também uma entrevista com o prof. Alex Abiko de aproximadamente 15 minutos. Pág. 54 de 85 Aplicação prática Figura 21 – Aplicação de norma em cidades Fonte: Por sompong_tom/Istock A despeito das mais de 500 cidades paulistas participantes do programa Município Verde Azul, que estão empregando alguns dos indicadores de sustentabilidade presentes na norma, a cidade de Sorocaba foi escolhida para a simulação de aplicação dos indicadores da NBR ISO 37120:2017. Visando aplicação prática da norma, a qual possui os indicadores que podem ajudar as cidades a avaliar seu desempenho e medir o progresso ambiental, segundo a pesquisadora Iara Negreiros da Escola Politécnica da USP, a escolha do município de Sorocaba se deu por três fatores principais: é um município de grande porte, com vários indicadores já publicados em outras plataformas e está próximo à cidade de São Paulo (JUCON, 2018). Nesta pesquisa, Iara Negreiros levantou a maioria dos indicadores presentes na norma, a qual totaliza 100 indicadores de sustentabilidade. Desses 100 indicadores, para ela, 46 são essenciais e 54 servem de apoio, sendo 39 deles indicadores de perfil simples e factíveis. Deles, em torno de 30% são mensurados e disponibilizados por outras instituições como o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) etc. (JUCON, 2018). Baseando-se na experiência de Sorocaba e os benefícios socioambientais que a norma técnica pode oferecer, a pesquisadora comenta em uma nota da ótima revista do setor ambiental Revista Meio Ambiente Industrial (RMAI) que “[...] a própria NBR ISO 37120:2017 cita que cidades necessitam de indicadores para medir seu desempenho. Porém, os indicadores existentes geralmente não são padronizados, consistentes e comparáveis no tempo ou entre cidades” (JUCON, 2018, p. 21). Ademais, segundo a pesquisadora: Pág. 55 de 85 Os indicadores incluídos na NBR ISO 37120 poderão ajudar as cidades a avaliar o seu progresso gradativamente, com o objetivo final de melhorar a qualidade de vida e a sustentabilidade. A abordagem da norma permitirá que as cidades compararem perfeitamente onde estão em relação a outras cidades. Esta informação pode, por sua vez, ser usada para identificar as melhores práticas para o aprendizado de uma cidade com outra. A NBR ISO 37120 é aplicável a qualquer cidade, municipalidade ou governo local que intencione medir seu desempenho de uma forma comparável e verificável, independentemente do tamanho e localização. (JUCON, 2018, p. 21-22). A aplicação dos indicadores da norma dá também oportunidade aos cidadãos e comunidade em geral, pontuar seus próprios indicadores os quais podem se apresentar melhor ou pior que outras localidades, quando comparados, a fim de que sejam priorizadas ações que visem uma sociedade com valores sustentáveis (JUCON, 2018). Há muitos indicadores da Norma que apontam para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, também conhecida como Agenda 2030 da ONU. Com efeito, a “[...] busca para a melhoria contínua de vários indicadores deveria fazer parte do planejamento financeiro dos municípios”, priorizando recursos “[...] no sentido de reduzir a mortalidade infantil e o número de mortes no trânsito, ou por desastres naturais, por exemplo” (JUCON, 2018, p. 22). Infelizmente ainda não há um processo de Certificação pela NBR ISO 37120:2017 no Brasil, diferentemente de tal como ocorre em cidades desenvolvidas como Toronto (Canadá), Barcelona (Espanha) e Londres (Inglaterra), que possuem resultados detalhados e bem definidos para cada um dos indicadores. Contudo, pode ser uma questão de tempo para que ocorra a normalização da norma à realidade brasileira, sendo este o trabalho do Comitê Técnico da Comissão ABNT/CEE-268. (JUCON, 2018). APLICAÇÃO PRÁTICA DOS INDICADORES DE SUSTENTABILIDADE Figura 22 – Indicadores e sustentabilidade Fonte: Por SergeyNivens/Istock A implementação de indicadores de sustentabilidade e suas etapas É possível identificar alguma dificuldade no levantamento de referencial teórico no que consiste à estruturação de um sistema de indicadores, uma vez também que os objetivos e metas variam de acordo com o objetivo do programa, plano ou projeto que está fazendo uso dos mesmos (TEIXEIRA et al., 2012). Pág. 56 de 85 Neste contexto, ressalta Teixeira et al. (2012) que existem algumas características importantes que precisam ser levadas em consideração para os indicadores, quais sejam: • Relevância • Facilidade de compreensão • Acessibilidade e confiabilidade: mensuráveis e capazes de refletir as tendências fundamentais da saúde cultural, econômica e ambiental a longo prazo. Há o bom exemplo da cidade da cidade de Seattle, do condado de King (Estados Unidos), o que se tornou um referencial no ano de 1997 para comunidades diversas que se interessavam na implementação de um processo de construção coletiva de indicadores de sustentabilidade. Na pesquisa para a construção destes indicadores, segundo Teixeira et al. (2012), diversos indicadores foram selecionados – lazer, cultura, saúde, educação, economia, transporte, natureza, ambiente social, população e participação da comunidade etc. –, sendo que tais critérios (lembrando que este termo é sinônimo de indicador) deveriam atender aos requisitos a seguir: • Refletir as tendências fundamentais de saúde cultural, econômica e ambiental há uma ou duas décadas, preferencialmente. • Ser atraentes para a mídia local. • Ser compreensíveis para as pessoas comuns. Deste modo, ainda de acordo com Teixeira et al. (2012, p. 164), tal método resultante aponta para dez etapas básicas – que receberam o nome de passos ou steps – a fim de implementar um processo de construção coletiva de indicadores de sustentabilidade, a saber: • Passo 1: Formar um grupo de trabalho. • Passo 2: Esclarecera proposta. • Passo 3: Identificar os valores e as visões compartilhados pela comunidade. • Passo 4: Revisar modelo, indicadores e informações existentes. • Passo 5: Esboçar um conjunto de indicadores propostos. • Passo 6: Organizar um processo de seleção participativo. • Passo 7: Fazer uma revisão técnica. • Passo 8: Pesquisa as informações. • Passo 9: Publicar e promover o relatório. • Passo 10: Atualizar o relatório regularmente. Pág. 57 de 85 Cidades que se utilizam de indicadores de sustentabilidade como referência Figura 23 – Cidade sustentável Fonte: Petmal/Istock Para a cidade de Barcelona (Espanha), foi criado em 1997 um sistema municipal de indicadores de sustentabilidade a fim de planejar e avaliar os avanços nesta área, denomina Xarxa de Ciutats i Pobles cap a la Sostenibilitat (TEIXEIRA et al., 2012). O referencial teórico de tal experiência acerca dos indicadores, segundo Teixeira et al. (2012), toma como base alguns critérios de sustentabilidade propostos pela Xarxa, a saber: • Utilização eficiente dos recursos ecológicos • Não superação da capacidade de carga do meio • Valorização e proteção da biodiversidade • Utilização de recursos próprios • Diversidade funcional da cidade • Contribuição à sustentabilidade global • Implicação social no processo de sustentabilidade Já no Brasil, a experiência que é destacada por Teixeira et al. (2012 é a do Índice de Qualidade de Vida Urbana (IQVU) no município de Belo Horizonte (BH), no qual, frente às necessidades de se “[...] conhecer melhor as disparidades intraurbanas do município, a fim de direcionar o investimento dos recursos públicos na cidade”, fora proposta a estruturação de um “[...] sistema de indicadores municipais que pudessem dimensionar a sua qualidade de vida urbana em ambiental” (TEIXEIRA et al., 2012, p. 165). Foi calculado pela primeira vez no ano de 1996 o IQVU de BH, apresentando um total de 75 indicadores que objetivavam o dimensionamento quanti e qualitativo do que havia disponível de equipamentos e serviços locais, provenientes de segmentos diversos, quais sejam: cultura, educação, esportes, habitação, segurança, serviços urbanos, abastecimento, assistência social, meio ambiente e saúde (TEIXEIRA et al., 2012). Indicadores de sustentabilidade da cidade de Ribeirão Pires A seguir poderemos ver um quadro que apresenta alguns indicadores que foram utilizados pelo Conselho da Cidade de Ribeiro Pires (São Paulo). Eles nos são interessantes por serem bastante abrangentes, visto que se trata daquilo que estamos buscando: modelos que funcionam, a fim de focar em sua replicação. Pág. 58 de 85 Ou seja, com base nos indicadores a seguir, podemos então aplicá-los não somente em casos de gestão municipal, mas para todas outras aplicações cujo grau de interesse corresponda a fazer uso de indicadores que representam uma realidade. Por exemplo, ao nos depararmos com o indicador praça por habitante, em termos organizacionais, é possível conceber a possibilidade de destinar um espaço paisagístico para que os colaboradores possam sentir-se melhor acolhidos com um local belo. Isto gera diversas sensações para a motivação humana, tais como: fazer parte intrínseca do local, gerando um sentimento domiciliar; zelo com a não depredação e destinação incorreta de resíduos individuais (plásticos de bala, bitucas de cigarro etc.). Contudo, de qualquer modo, há muitos cursistas que trabalham na esfera pública, destarte haverá maior utilidade ainda o Quadro 6 a seguir, o qual é enriquecido com os comentários e sugestões dos pesquisadores: Pág. 59 de 85 Quadro 7 – Indicadores, sugestões e comentários propostos pelo Conselho da Cidade de Ribeirão Pires Dimensão Indicador Comentários/sugestões Ambiental 1. Atendimento dos serviços de abastecimento Sugestão de inclusão de regularidade e qualidade do atendimento (rodízio, perdas na rede) 2. Atendimento dos serviços de coleta e tratamento de esgotos Verificar eficiência do sistema de tratamento (qualidade da água tratada, % de tratamento) 3. Coleta e disposição adequada de resíduos População atendida, forma de disposição, reciclagem e coleta seletiva 4. Drenagem de águas pluviais Número de pontos de alagamento, população atingida diretamente, valoração dos danos, frequência, uso e ocupação do solo 5. Presença de garças nos rios da cidade Gerou controvérsias: seria um indicador de má qualidade da água ou indicaria um problema ecológico, de falta de habitat/ alimento? Qual seria um bom bioindicador? 6. Variedade de fauna e da flora Medir se há variedade de espécies Social 7. Metro quadrados de parque por habitante Há padrão da Organização Mundial da Saúde (OMS) 8. Número de praças por habitante Talvez possa ser englobado pelo indicador anterior 9. Oportunidades para atividade de lazer Questões de acessibilidade da população 10. Número de especialidades médicas Há padrão da OMS 11. Frequência de atendimento médico satisfatório Indicador qualitativo interessante Pág. 60 de 85 Dimensão Indicador Comentários/sugestões Social 12. Número de equipamentos e centros de saúde Verificar se a população está sendo atendida e utilizando esses equipamentos 13. Tempo de demora no agendamento e atendimento médico Indicador de qualidade 14. Número de leitos ou centros de saúde por habitante Há padrão da OMS 15. Número de atendimentos no município e por bairro (programas de agentes comunitários da saúde) Sustentabilidade territorial, verificar se o programa é adequado 16. Informação nutricional das escolas Qualidade da merenda escolar 17. Investimento na atualização de professores Investimento por professor, horas de treinamento, número de cursos oferecidos 18. Tempo de carreira do funcionário Questão relevante ou não? 19. Oferta de cursos profissionalizantes Acessibilidade, diversidade de cursos 20. Demanda da população infantil sobre a oferta de vagas Incluir ensino fundamental e médio, por região 21. Índice de mortalidade por acidente de trânsito Relação violência, conservação de estradas, sinalização, alcoolismo 22. Índice de mortalidade por homicídio Vulnerabilidade juvenil, educação 23. Índice de mortalidade por doenças contagiosas Relação com programas de saúde 24. Índice de mortalidade por faixa etária Impacto na qualidade de vida conforme faixa etária Pág. 61 de 85 Dimensão Indicador Comentários/sugestões Social 25. Índice de mortalidade por região da cidade Sustentabilidade territorial 26. Número de organizações da sociedade civil Medir pelo número de projetos desenvolvidos 27. Número de projetos desenvolvidos (pelas organizações da sociedade civil) Incluir população atingida pelos projetos 28. Divulgação das ações do Conselho da Cidade à população Quantas pessoas participam das reuniões 29. Frequência de visitação e utilização do espaço público Quais espaços públicos Econômico 30. Número de emprego e salário médio dos empregados por setor Quem efetivamente ocupa os cargos? 31. Arrecadação de impostos e produção por setor Relacionar a investimento público 32. Número de empresas por setor Desemprego 33. Número de migrações do trabalho formal para o informal Relacionar com renda da população Fonte: Coutinho e Malheiros (2012, p. 201 e 205). No que concerne aos serviços de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgotos, bem como coleta de resíduos, no futuro eles tendem a ser universalizados, restando, neste contexto, questões fulcrais que poderão, segundo Coutinho e Malheiros (2012, p. 207) “[...] responder melhor sobre a qualidade desses serviços, tais como a regularidade e qualidade do atendimento no abastecimento de água, as perdas na rede, a qualidade de água tratada” (indicador este que falaremos mais adiante, quando tratarmos do município de Jaboticabal), incluindo também a forma de disposição de resíduos, coleta seletiva, reciclagem etc. Os resultados obtidosa partir da análise do processo de construção dos indicadores de desenvolvimento sustentável de Ribeirão Pires indicam que foi possível, por meio de um processo participativo dos membros representativos da sociedade dentro do Pág. 62 de 85 Conselho da Cidade, discutir as bases de um desenvolvimento sustentável para o município dentro de uma visão de futuro, permitindo se chegar a resultados concretos de construção por consenso de um conjunto de indicadores de desenvolvimento sustentável. (COUTINHO; MALHEIROS, 2012, p. 210). Indicadores de sustentabilidade e a cidade de Cubatão Figura 24 – Poluição atmosférica Fonte: kamilpetran/Istock Cubatão é uma cidade brasileira próxima a Santos, no litoral sul de São Paulo (Região Metropolitana da Baixada Santista), a qual é notoriamente conhecida como uma cidade que possui um alto grau de poluição atmosférica. Especialmente nos anos de 1970 e 1980, a cidade passou a ser famosa internacionalmente sob o aspecto negativo de ser uma das cidades mais poluídas do mundo “[...] em virtude da grande quantidade de poluentes emitidos pelo complexo industrial sídero-petroquímico ali instalado” (FERREIRA, PHILIPPI JÚNIOR, 2012, p. 223). A degradação ambiental na cidade, assim como na grande maioria dos casos, foi o planejamento inadequado, ou, mais especificamente, nenhum planejamento. Isto é um problema recorrente ao meio ambiente e não é de hoje. A falta de qualquer estruturação culmina na desordem do sistema, respeitando obedientemente a segunda lei da termodinâmica, que trata a respeito da entropia, afirmando que tudo o que existe tende um estado completo de desorganização até o atingimento da homogeneidade de temperatura, pressão e matéria em todos os locais físicos do universo. Isso significa dizer que somente é possível se chegar a um sistema sustentável por meio da ação (atitude) e planejamento (inteligência). No ano de 1982, de acordo com dados da Cetesb, a emissão de material particulado era de 5.400 t/mês, sendo 4.100 t/mês correspondiam a emissões de fontes sem nenhum tipo de controle. Em relação à contaminação do solo, a Cetesb estimou que mais de 1,5 milhão de toneladas de resíduos sólidos foram dispostas inadequadamente, especialmente a céu aberto (FERREIRA; PHILIPPI JÚNIOR, 2012). Mas, além da poluição atmosférica e do solo, a poluição hídrica também foi bastante severa. A instalação desordenada do polo industrial culminou também numa queda na qualidade dos parâmetros salutares das águas, desde sua montante até a jusante. DBO (demanda bioquímica de oxigênio), coliformes fecais e totais e nitrogênio amoniacal, em especial, foram parâmetros que apresentaram piora; indicando, segundo Ferreira e Phillipi Júnior (2012, p. 231) “[...] poluição Pág. 63 de 85 por esgotos sanitários e industriais existentes ao longo do curso final do rio, logo antes do último ponto de amostragem”. Deste modo, para Cubatão, os principais IDSs estão a seguir listados por Ferreira e Phillipi Júnior (2012). Como de costume, eles servem não somente para esta cidade, mas para a aplicação a casos semelhantes onde possam interessar: • Geração de resíduos sólidos industriais em tonelada/ano • Porcentagem de resíduos industriais perigosos sobre o total gerado • Porcentagem de resíduos industriais destinados à reciclagem/reaproveitamento sobre o total gerado • Porcentagem da área contaminada sobre o total da área do município • Porcentagem de perda de floresta primária sobre o total remanescente • Total de florestas recuperadas • Porcentagem de áreas protegidas sobre o total da área do município • Porcentagem de coleta seletiva de lixo sobre o total de lixo coletado • Gastos anuais com pesquisa e desenvolvimento (P&D) • Porcentagem da população vivendo em áreas de invasões e favelas sobre o total da população do município • Porcentagem de áreas protegidas ocupadas por invasões e favelas em relação ao total da área urbana • Taxa de desemprego • Relação escolaridade-desemprego • Incidência de doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado • Porcentagem do gasto público com proteção do meio ambiente no total do orçamento do município • Existência de leis municipais específicas para proteção do meio ambiente • Existência do Conselho Municipal do Meio Ambiente em atividade Deste modo, a “[...] construção de indicadores de desenvolvimento sustentável para Cubatão, com ampla participação da população nesse processo, é, portanto, fundamental para garantir que haja melhoria das condições ambientais” (FERREIRA; PHILIPPI JÚNIOR, 2012, p. 257). Por fim, Ferreira e Phillipi Júnior (2012) acerca da gestão, planejamento adequado e o uso de indicadores de sustentabilidade, ressaltam: Pág. 64 de 85 Alcançar o desenvolvimento sustentável de um município depende diretamente de uma gestão ambiental pública eficiente e eficaz, que não pode prescindir da existência de uma política ambiental que traga no seu contexto a visão holística e o tratamento multidisciplinar das questões ambientais, com ampla participação e envolvimento de toda a sociedade na sua elaboração e execução, desde a fase de planejamento até a efetivação de ações concretas. A gestão deve, ainda, ser flexível, apresentando possibilidade de revisão e readequação periódicas ante o dinamismo dos sistemas natural e social, o que somente será possível caso haja monitoramento e avaliação contínuos, por meio de indicadores adequados. O uso aplicado dos indicadores de sustentabilidade: uma visão estratégica ambiental Figura 25 – Estratégia ambiental Fonte: Por Rawpixel/Istock Estratégia e a formação de um sistema de indicadores de sustentabilidade Rabelo e Lima (2012, p. 402-403) entendem que trabalhar com indicadores de sustentabilidade é também aplicar estratégia ambiental, uma vez que, “[...] ao fazer a avaliação de um projeto rumo ao desenvolvimento sustentável, para se ter uma noção mais clara da relação sociedade- natureza dentro do objeto estudado, é preciso conhecer seu objetivo, sua missão” e valores. Isso inclui também, quando houver, “[...] as interações formadas e os processos gerados, para produzir, então, o seu grau de sustentabilidade”. A estratégia ambiental está centrada na combinação, por um lado, do conhecimento das pressões – impactos ambientais – que a comunidade gera no ecossistema e, por outro, da obtenção de resultados socioeconômicos que assegurem a sobrevivência dessa comunidade. O estudo de “contabilidade socioambiental” não é tão simples sob o prisma da visão sistêmica, em que os impactos são gerados e revertidos para os seus locais de origem. Essa intensidade da pressão da comunidade sobre os ecossistemas também reflete nos resultados econômicos, principalmente em longo prazo. Desse modo, quanto mais se impacta em curto prazo o ecossistema, menos resultados econômicos, em longo prazo, se terá (RABELO; LIMA, 2012, p. 403). Posto isto, a fim de englobar a questão estratégica ambiental, os pesquisadores seguiram oito passos que deram base ao raciocínio de como formar um sistema de indicadores de sustentabilidade, fulcral em nossos estudos, restando apenas a criatividade de adaptação por parte do cursista para aquilo que se deparar em seu setor de atividade. De modo bastante didático, os pesquisadores basearam esses oito passos também em diversos documentos internacionais, tais como o Comission on Sustainable Development do Internacional Pág. 65 de 85 Institute for Susteinable Development, bem como da obra de Hans Michael Van Bellen (a qual fizemos bom uso de modo direto em nossos estudos também). Vejamos o Quadro 8 a seguir como resultado da sequência metodológica de indicadores de sustentabilidade (SMIS): Quadro 8 – Passos de como formar um sistema de indicadores de sustentabilidade Passo 1 Definição e caracterização do objeto de estudo Passo 2 Contextualização da relação sociedade-natureza Identificação dos fatores específicos necessários paraa promoção do desenvolvimento sustentável da atividade ou comunidade em questão, a partir de entrevistas com especialistas e atores envolvidos (empresários, produtores, empregados, moradores etc.) e ampla revisão bibliográfica. Esta fase tem por objetivo evitar a seleção de indicadores de baixa relevância e a omissão de indicadores importantes que pudessem levar à subestimação dos resultados. Passo 3 Definição dos indicadores de sustentabilidade para o estudo a partir dos critérios: (1) possibilidade de obtenção; (2) confiabilidade das informações; (3) possibilidade de quantificação; (4) baixa complexidade; (5) reconhecimento científico; de tal forma que se aproximem o máximo possível da realidade local. Ressalta-se que, por envolver uma análise de uma atividade específica ou pequena comunidade, o sistema de indicadores em foco foi formado a partir de dados primários. Passo 4 Classificação dos indicadores selecionados segundo o escopo – social, econômico, ambiental e institucional –, o porte e a situação em que se encontrava o projeto. Pág. 66 de 85 Passo 5 Elaboração e aplicação de um pré-questionário para coleta dos dados que permitiram a identificação dos indicadores. Os pesquisadores atribuíram escores às respostas do questionário para tomar a mensuração possível. A aplicação do pré-questionário também apoiou a identificação de novos itens relevantes ao estudo ou à exclusão de outros, conforme realidade observada na comunidade. Passo 6 Elaboração e aplicação do questionário final. No questionário, além dos aspectos à análise da sustentabilidade, haviam formulações que permitiram analisar qualitativamente o nível de desenvolvimento sustentável existente no objeto de estudo. Passo 7 Cálculo de índice de sustentabilidade e conhecimento do seu grau de sustentabilidade para possibilitar a geração de um cenário que inclua os impactos gerados sobre e para o subsistema meio ambiente humano, isto é, conhecimento dos limites do desenvolvimento sustentável. Passo 8 Sugestões de “opções respostas” que pudessem permitir a busca da sustentabilidade. Fonte: Rabelo e Lima (2012, p. 403-404). Por fim, Rabelo e Lima (2012, p. 404) ressaltam acerca dos passos elencados que “[...] caberá aos grupos que estejam desenvolvendo indicadores para as suas realidades empreender esforços nas adaptações necessárias, conforme a necessidade e o projeto avaliado”, uma vez também que “[...] dependerão do porte e da situação na qual se encontra o projeto.” Ademais, tais adaptações servem para que os indicadores cumpram de fato seus reais objetivos, que consistem em “[...] registrar o mais próximo da realidade descrita.” Pág. 67 de 85 Projeto Jaboticabal Sustentável (PJS) Figura 26 – Estratégia ambiental Fonte: anyaberkut/Istock Há também o Projeto Jaboticabal Sustentável (PJS), que integrou vários princípios de sustentabilidade. É uma cidade classificada no Grupo 1 do Índice Paulista de Responsabilidade Social (IPRS), possuindo alto grau de riqueza, alta ou média longevidade e alta ou média escolaridade (TEIXEIRA et al., 2012). O desenvolvimento do processo se deu em fases. Mas em geral a estratégia adotada – o que nos é fulcral em nossos estudos, uma vez que são amplas e passíveis de serem reproduzidas, sendo este nosso foco é o motivo pelo qual estamos contemplando –, foi que houve, concomitantemente à geração de conhecimento, também a formação de pessoas e intervenções diversas. Basicamente são as três linhas estratégicas adotadas, de acordo com Teixeira et al. (2012): 1. Ação no município: por meio da parceria formada entre a PMJ, a UFSCar e outros agentes locais. 2. Formação de pessoas: a partir de encontros periódicos, oficinas e seminários para a discussão dos temas envolvidos com a sustentabilidade no município. 3. Produção de conhecimento: por meio de projeto e publicações desenvolvidos pelos alunos da UFSCar e membro do grupo. A viabilização dos meios da estratégia de pesquisa foi fundamental para que os objetivos do projeto fossem alcançados – nas etapas tanto de intervenção quanto de pesquisa. Segundo Teixeira et al. (2012, p. 169), no que concerne à interação com os atores locais, “[...] foram escolhidas estratégias de participação e aprendizagem mútua como forma de manter uma relação aberta com os participantes”. Isso se deu tanto em termos de “[...] horizontalidade de decisões e opiniões, como da troca de conhecimentos e experiências”, afora uma série de eventos públicos para promover o projeto. Inicialmente, a centralidade do projeto estava na capacitação de técnicos do poder público para formulação, implementação e avaliação de programas e projetos de políticas públicas a partir de princípios e indicadores de sustentabilidade. (TEIXEIRA et al. 2012, p. 169). Neste contexto, a primeira fase do projeto se voltou para sensibilizar o poder público de sua real importância no que concerne adotar a ideia do projeto para difusão legal à população, bem como a própria sociedade civil foi envolvida. Tal capacitação se deu tanto por meio dos indivíduos voluntários Pág. 68 de 85 da prefeitura quanto de técnicos de carreira. Estes participaram ativamente de reuniões que se voltavam para a questão sustentável, bem como nos eventos de discussões gerais e treinamentos específicos (TEIXEIRA et al., 2012). A segunda fase se voltou para outra questão importante, que é o desenvolvimento de um processo participativo, pois, é claro, não se pode fazer nada em favor do meio ambiente sem isto. A busca foi então local, e não “global”. Não houve abordagens internacionais ou questões que precisariam de uma mobilização nacional, mas sim o foco estava na garantir da participação dos agentes locais de modo diversificado – o que também é importante, visto que, por nunca haver grande debate em torno de questões políticas, isso interfere diretamente no aspecto sustentável. Deste modo, segundo ainda Teixeira et al. (2012) (pesquisadores responsáveis pelo projeto), acabou-se por definir duas estratégias que serviram o contexto basilar do projeto: • Aumento do conhecimento local sobre sustentabilidade. • Ampliação de parceiros e participantes no projeto. Partindo disto, os pesquisadores implementaram diversas ações que fizeram com que a operacionalização das estratégias adotadas fossem concretizadas, bem como o próprio desenvolvimento do projeto. Deste modo, os “[...] esforços passaram a se concentrar na ampliação das parcerias e na consolidação de um grupo de ação local, como forma de proporcionar o encontro, a discussão e a mobilização da sociedade”. Para que tal participação ou formação de pessoas fosse realizada, “[...] foram organizados seminários e oficinas para discussão de ideias e propostas do projeto à comunidade local, visando à definição de conceitos e debates coletivos” (TEIXEIRA et al., 2012, p. 170). Aqui podemos aplicar o velho jargão popular: “faz assim que dá certo”. A ideia é esta neste tópico. Apreender o que foi feito e efetivamente funcional, para que, como técnicos, gestores, engenheiros ambientais e profissionais do setor ambiental, o apliquemos de igual modo, baseando-nos nas etapas e estratégias adotadas pelos pesquisadores. Pág. 69 de 85 Construindo indicadores de sustentabilidade: o exemplo prático de Jaboticabal Figura 27 – Centro de Jaboticabal Por Marco Aurélio/Wikimedia Commons Ainda dentro desse projeto que visou a criação de indicadores de sustentabilidade no município de Jaboticabal, os autores relatam que todas as fases possibilitaram a construção de indicadores de sustentabilidade. Tais etapas incluem desde a realização de mostras e elaboração dos cadernos até a sensibilização das entidades locais a fim de incorporar os princípios sustentáveis (TEIXEIRA et al., 2012). O levantamento dos indicadores se deu por meio de seminário, onde cada participante teve a oportunidade de contribuir para indicar algum, a fim de gerar debatee a consequente seleção ou não do indicador proposto. Isto se deu também por meio de auxílio de “[...] métodos de atribuição quantitativa de valores para cada indicador” (TEIXEIRA et al., 2012, p. 171). Em um primeiro momento, por conta de haver toda uma gama de informações, bem como profissionais envolvidos que conhecem acerca, o primeiro indicador escolhido foi a água. Assim sendo, Teixeira et al. (2012) resumem a realização do seminário nas seis etapas descritas a seguir – claro, logo após a aplicação da metodologia que primeiramente permitiu uma discussão coletiva, engajando diversos atores: • Primeira etapa: Proposição de indicadores segundo quatro diferentes aspectos relacionados com a água (uso urbano, uso rural, águas pluviais e função ecológica), considerando os que pudessem representar problemas à comunidade e ao ambiente. • Segunda etapa: definição dos critérios de escolha de indicadores e sua forma de avaliação. • Terceira etapa: escolha dos indicadores propostos na primeira etapa segundo os critérios estabelecidos (representatividade, comparabilidade, viabilidade de coleta de dados, preditividade, clareza e síntese). • Quarta etapa: adequação dos indicadores segundo as dimensões de sustentabilidade – ambiental, social, econômica, política e cultural. • Quinta etapa: coleta de dados para mensuração dos indicadores escolhidos. • Sexta etapa: revisão dos indicadores e nova seleção. Ao final desse processo todo, os pesquisadores chegaram aos indicadores de sustentabilidade, os quais, para eles e para todos os envolvidos, foram os indicadores que mais se adequaram em termos de urgência e importância, na discussão em conjunto com todos os interessados (técnicos, gestores, população local etc.) da questão da água como foco para criação de indicadores. Pág. 70 de 85 Basicamente os indicadores elencados são os que podemos ver a seguir (Quadro 9), o qual, embora seja baseado no município de Jaboticabal, pode ser aplicado a cidades, organizações, empresas rurais e tantas outras pelo fato da água ser um bem difuso e de semelhante preocupação. Portanto, salvo em casos onde se precisará trabalhar com este ou aquele indicador pelo fato de requerer maior grau de atenção – por exemplo, uma localidade que tenha um posto de combustível da década de 1970 e que anda não trocou os seus tanques ou o fez recentemente, indica um forte potencial de contaminação do lençol freático. Com efeito, a análise da água subterrânea e seus pormenores analíticos de cada parâmetro torna-se um indicador fundamental. Quadro 9 - Proposta de indicadores de sustentabilidade sobre o tema água Proposição de indicadores de sustentabilidade para água de Jaboticabal Aspecto urbano 1 - Consumo de água por habitante 2 - Percentual de residências com falta de água 3 - Vazão dos rios para captação 4 - Número de pontos de lançamento de esgotos não tratados em corpos d’água 5 - Perdas de água por vazamento 6 - Frequência de limpeza das caixas d’água 7 - Número de casos de doenças por veiculação hídrica 8 - Número de vazamentos de esgoto identificados 9 - Existência de um Conselho de Gestão de Recursos Hídricos 10 - Desconformidade com o padrão de potabilidade 11 - Desconformidade com o enquadramento dos corpos hídricos 12 - Quantidade de produtos químicos utilizados no tratamento de água 13 - Tema água abordado no ensino de forma ampla Pág. 71 de 85 Aspecto pluvial 1 - Vazões máximas e mínimas de corpo d´água 2 - Número de ocorrências de inundações 3 - Percentual de aproveitamento de água da chuva 4 - Percentual de impermeabilização das bacias Aspecto rural 1 - Extensão de mata ciliar 2 - Grau de preservação das nascentes 3 - Presença de erosões 4 - Número de poços artesianos em uso 5 - Área irrigada 6 - Consumo de água rural 7 - Contaminação de rios 8 - Número de poços abandonados Aspecto ecológico 1 - Número de locais cuja água é o elemento preponderante para estruturas paisagísticas, ecológicas e lazer 2 - Presença de peixes nos rios e córregos 3 - Diversidade de fauna e da flora Fonte: Teixeira et al. (2012, p. 172-173). A fim de buscar autonomia do grupo local e da capacitação dos vários atores do projeto, a estratégia foi a de garantir a continuidade do projeto – não adianta somente fazer, é necessário prosseguir –, depois da segunda fase. Para isto foi criado o Fórum Permanente Jaboticabal Sustentável. As instituições que se comprometeram com tal continuidade assinaram uma Carta de Princípios, que continha a natureza do fórum, bem como objetivos, princípios e valores (TEIXEIRA et al., 2012). Feito tudo isto, os pesquisadores obtiveram os resultados que seguem abaixo de modo resumido, uma vez que é importante para nós o “caminho trilhado” por outros, a fim de que o percurso seja reduzido e previsto o máximo possível quando na elaboração de um novo projeto que faça uso intensivo de indicadores: Pág. 72 de 85 • Houve avanço da discussão sobre sustentabilidade no município. • Métodos, instrumentos e técnicas participativas (levadas pelos pesquisadores) facilitaram o aprendizado coletivo de alguns participantes e dificultaram para outros (por serem muito acadêmicas). • Alguns atores locais entenderam os conceitos de sustentabilidade e incorporaram em suas ações, outros apenas em discurso. • A sustentabilidade foi um tema de difícil entendimento para alguns setores sociais (sem formação técnica). • Os Cadernos Jaboticabal sustentável foram instrumentos que favoreceram a acessibilidade e a sistematização de noções sobre sustentabilidade para a comunidade. • Houve avanços no processo de criação de indicadores, mas o método (técnico e complicado) e o processo participativo (mais demorado) restringiram a sua construção de fato. • Baixo engajamento de alguns setores sociais • Baixo engajamento do poder público nas atividades do projeto, mas forte no GAJS (Grupo de Ação Jaboticabal Sustentável). • O fórum foi a estratégia utilizada para a comunidade do processo, mas careceu de maior adesão e recursos para o prosseguimento do processo. Deste modo, os pesquisadores concluem que é preciso um questionamento contínuo e permanente do modelo de gestão pública por parte de todos os interessados, bem como é preciso que haja uma organização coletiva da sociedade inserida em um posicionamento autônomo e emancipado de ações. Ainda, é importante que ocorra simultaneamente uma formação contínua e também permanente no âmbito da sustentabilidade – incluindo princípios, indicadores e suas dimensões (TEIXEIRA et al., 2012). É preciso também “[...] criar condições reais para que a sociedade domine a ferramenta, o poder público possa dele se utilizar, e os problemas decorrentes da observação desses instrumentos possam de fato ser resolvidos”, e isto por meio de alguma ação ou política pública no aspecto local. Faz-se necessário o apoio do poder público como fomentador do processo, incluindo também certa assessoria técnico-política que seja “[...] capaz de promover a mediação e o equilíbrio na relação entre atores e entre o saber técnico e o saber das pessoas, provocando e facilitando a aprendizagem, aprendendo e produzindo conhecimento pela ação” (TEIXEIRA et al., 2012, p. 185). Veja no quadro a seguir o detalhamento dos procedimentos a serem empregados para a construção dos indicadores e índices de qualidade ambiental. Pág. 73 de 85 Quadro 10 – Procedimentos para índices de qualidade Variáveis observada Ambiente natural Ambiente construído Ambiente cultural Ar – mortalidade por doenças respiratórias (n. de óbitos-bairro) Pessoas residentes na sub- bacia Pessoas alfabetizadas com dez anos ou mais Água – Oxigênio dissolvido/ Nitrogênio total/Fósforo/ Coliformes fecais Número de Domicílios Particulares Permanentes (DPP) Responsáveis de DPP com oito anos de estudo ou mais Áreas verdes – total de áreas (m2) por sub-bacia DPP com rede de abastecimento de água Renda média dos responsáveispelos DPP Parques urbanos – m2 por sub- bacia DPP com rede de esgoto ou água pluvial Responsáveis pelos DPP com renda inferior ou igual a dois salários mínimos DPP com banheiro DPP com serviço de coleta de lixo DPP com sete moradores ou mais Variáveis deduzidas ou indicadores relativos obtidos Indicadores relativos ao ambiente natural Indicadores relativos ao ambiente construído Indicadores relativos ao ambiente cultural Indicador de qualidade do ar Indicador de densidade populacional da sub-bacia Indicador de alfabetização Indicador de qualidade da água Indicador de domicílios particulares permanentes Indicador de instrução dos responsáveis Indicador de áreas verdes Indicador de domicílios abastecidos por rede geral de água Indicador de renda média dos responsáveis Dimensões de análise dos ambientes – natural, construído e cultural Indicadores relativos ao ambiente natural Indicadores relativos ao ambiente construído Indicadores relativos ao ambiente cultural Pág. 74 de 85 Indicador de parques urbanos Indicador de domicílios com rede ou pluvial Indicador de responsáveis com renda inferior ou igual a dois salários mínimos Indicador de domicílios com banheiro Indicador de domicílios com serviço de coleta de lixo Indicador de congestionamento domiciliar Cálculo dos Índices de Qualidade dos Ambientes Índice de Qualidade do Ambiente Natural (IQAN) Índice de Qualidade do Ambiente Construído (IQACO) Índice de Qualidade do Ambiente Cultural (IQAC) Cálculo do índice de qualidade ambiental (sintético) Validação interna e externa dos índices Mapa dos indicadores relativos, índices de qualidade dos ambientes e índice de qualidade ambiental por sub-bacia Fonte: NÉSPOLI; ZEILHOFER (2012, p. 272-273) Por fim, há também muitos outros tipos de indicadores de sustentabilidade, dos quais podem ser utilizados nas mais diversas áreas de atuação. Por exemplo, temos nove grandes indicadores que Fantinatti, Zuffo e Ferrão (2015) nos trazem, os quais são especialmente utilizados nos setores de engenharia (o que inclui a ambiental) e que, por este motivo não iremos detalhar, já que foge do escopo da disciplina. Apenas vale-nos citar: 1. Qualidade do ambiente externo e infraestruturas 2. Seleção e consumo de materiais, componentes e sistemas 3. Gestão do canteiro de obras 4. Gestão da água 5. Eficiência energética 6. Qualidade do ambiente interno e saúde dos usuários 7. Operação e manutenção 8. Social 9. Poluição por emissões Pág. 75 de 85 SAIBA MAIS São inúmeras as aplicações práticas dos indicadores de sustentabilidade, visto que este é o objetivo principal a fim de que não fique somente na teoria ou engavetado em locais que nunca deles se utilizem. Destarte, escolha três artigos que poderão complementar tais abordagens mais práticas que tratamos neste tópico, especialmente voltadas para o ar (gestão atmosféricas), a água (gestão hídrica) e o solo (gerenciamento de resíduos e de gestão em geral). - Utilização de indicador de emissões atmosféricas como ferramenta de gestão em refinarias de petróleo - estudo de caso. Disponível em: <www.inovarse.org/filebrowser/download/8833>. - Modelos de indicadores de sustentabilidade para gestão de recursos hídricos. Disponível em: <books. scielo.org/id/bxj5n/pdf/lira-9788578792824-01.pdf>. - Construção de indicadores de sustentabilidade na dimensão da saúde para gestão de resíduos sólidos. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-11692016000100362&script=sci_ arttext&tlng=pt>. - Indicadores de sustentabilidade como instrumentos de gestão: uma análise da GRI, Ethos e ISE. Disponível em: <www.revistageas.org.br/ojs/index.php/geas/article/view/130>. MODELOS DE AVALIAÇÃO AMBIENTAL INTEGRADA: INDICADORES DE PRESSÃO, ESTADO E RESPOSTA (PER) Figura 28 – Avaliação Fonte: Por Rawpixel/Istock A estrutura do PER Além do que conferimos até agora, os indicadores têm sido desenvolvidos cada dia mais para se voltarem também à égide da integração e inter-relacionamento. Existe uma nítida consolidação de alguns modelos que foram desenvolvidos e melhorados com o passar do tempo, no qual surgiu de uma única estrutura básica de análise denominada PER (pressão, estado, resposta), originada e adotada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) (BITAR; BRAGA, 2012). Tal estrutura nasce, de acordo com Bitar e Braga (2012, p. 133), de uma necessidade de encontrar respostas para as questões a seguir: • O que está acontecendo com o meio ambiente? (ou seja, qual é o estado?) • Por que isso está acontecendo? (ou seja, qual é a pressão?) • O que está sendo feito a respeito disso? (ou seja, qual é a resposta?) Pág. 76 de 85 Os fenômenos que estão voltados à pressão sobre o ambiente estão relacionados com as ações antrópicas e sua dinâmica. São, com efeito, as causas diretas e indiretas dos problemas ambientais, sendo elas as mais diversas, desde questões de saneamento básico, florestal e contaminação do solo até poluição atmosférica, visual etc. Figura 29 – Ocupação irregular de encostas: situação de risco e pressão direta e indireta aos recursos ambientais Fonte: Frizi/Istock Já os indicadores de estado são concernentes aos resultados das condições ambientais que refletem a qualidade das águas, ar e solo. Figura 30 – Esgoto a céu aberto recebendo lançamento in natura: pressão direta ao ambiente que se reflete no estado dos recursos hídricos Fonte: Por peeterv/Istock Por fim temos os indicadores de resposta, os quais, de acordo com a boa sequência de Bitar e Braga (2012, p. 134), devem “[...] revelar as ações empreendidas pelo conjunto da sociedade (Poder Público, empresas, população) no sentido de melhorar o estado do meio ambiente”. Ademais, tais ações geralmente desenvolvem programas sociais diversos, os quais objetivam mitigar ou corrigir os impactos que são provenientes dessas atividades. Pág. 77 de 85 Figura 31 – Estação de tratamento de esgoto: resposta para prevenir a degradação dos recursos hídricos Fonte: tuachanwatthana/Istock Modelos que partem do PER: FER e FPEIR Vista tal estrutura, é possível conceber diretrizes ainda mais específicas para os componentes do PER e até mesmo remodelá-lo, complementando-o ou alterando alguns quesitos. Daí decorre o surgimento de outros modelos para as atividades que o compõe. Separam-se, então, os fenômenos que pressionam o ambiente de maneira direta (que passam a compor, então, a Pressão “P”, propriamente dita – como a emissões atmosféricas – e os que o fazem de modo indireto – como o crescimento da pobreza ou a desigualdade social, constituindo um novo tipo, mais amplo, denominado de Força Motriz (F), formulada para representar estes últimos (BITAR; BRAGA, 2012, p. 134-135). Este seria então o modelo FER, adotado pela UNCSD (United Nations Conference on Sustainable Development – Comissão das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável), talvez em decorrência do escopo mais abrangente, de modo que as análises sejam feitas de maneira indiretamente ou ainda de modo direto (BITAR; BRAGA, 2012). Já o PER foi adotado pelo nosso IBGE quando se trata da questão de IDS no Brasil, enquanto que a Agência Europeia do Ambiente adotou ambas as estruturas, incorporando o impacto (‘I’) a fim de “[...] tratar dos fenômenos que se referem aos efeitos adversos à qualidade de vida, aos ecossistemas e a socioeconomia, configurando a estrutura FPEIR” (BITAR; BRAGA 2012, p. 136). Pág. 78 de 85 Figura 32 – Modelo FPEIR. Atividades humanas Urbanização Resíduos sólidos e esgoto Qualidade das águas super�ciais subterrânes Investimentos em coleta e tratamento de esgotos e disposição de resíduos Recuperação de corpos d’água degradados Doenças de veiculação hídrica Normas, leis, controle ambiental Pressões Estado Impactos Resposta Fonte: AEA (2004 apud BITAR; BRAGA, 2012, p. 136). As três estruturas de base se somam à abordagem que é usada em processosde avaliação ambiental de municípios que são guiados pelo Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente). Bitar e Braga (2012) informam que outro modelo que chama a atenção é o da Usepa (United States Environmental Protection Agency). Seu modelo adota o conceito de impacto, trabalhando a tipologia de outro indicador chamado de efeito (‘E’), concernente a consequências diversas ao meio ambiente, culminando, portanto, no modelo PEER. Já a estrutura do modelo PEIR, onde (P) pressão descreve as variáveis que causam diretamente (ou podem causar) problemas ambientais; (E) estado mostra a atual condição do ambiente – considera-se ferramentas adequadas para o planejamento da recomposição do habitat; (I) impacto descreve os efeitos das mudanças de estado e demonstram os padrões do modelo econômico, em particular o de causa-efeito, cuja função é a de facilitar as discussões sobre ações que evitem o advento de novos impactos negativos no futuro; e, por último, o indicador de (R) resposta demonstra os esforços da sociedade para resolver seus problemas (OLIVEIRA; FARIA, 2012). Pág. 79 de 85 Figura 33 – Modelo PEIR Pressão Modelo PEIR Estado Impacto Resposta Fonte: Oliveira e Faria (2012, p. 450). Pensando nisto que Bitar e Braga (2012) reuniram os principais modelos disponíveis atualmente e os tabelaram, desenvolvidos também com base nas aplicações. Vejamos a Quadro 11 a seguir: Quadro 11 – Modelos de sistemas de avaliação ambiental integrada Tipo de indicador (dimensão) Modelo de matriz de indicadores PER PEER FER FPEIR PEIR Força motriz (F) Drive * * Pressão (P) Pressure * * * * Estado (E) State * * * * * Impacto (I) Impact * * Efeito (E) Effect * Pág. 80 de 85 Resposta (R) Response * * * * * Fonte OECD (1993) Usepa (1995) UNCSD (1996) EEA (1999) Pnuma (2002) Fonte: Bitar e Braga (2012, p.137). Por fim, os autores ressaltam que tais modelos são resultados de experiências práticas, representando, com isto, “[...] as principais referências de aplicação para fins de avaliação ambiental integrada.” De qualquer modo, “[...] os casos de sistema de indicadores ambientais adotados em diferentes contextos resultam dos modelos disponíveis” (BITAR; BRAGA, 2012, p. 137). CONCLUSÃO O intuito foi o de demonstrar que o uso dos Indicadores de Sustentabilidade facilita a tomada de decisão. É nítido que especialmente em casos de grandes desafios de projetos ambientais (como é o do EIA/RIMA – Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental) requer decisões que envolvem dezenas, centenas ou até milhares de pessoas, incontáveis impactos na fauna, flora e em toda a biodiversidade em geral. Com efeito, tal tomada de decisão é um grande desafio para quem o faz, por envolver muito daquilo que não afetará somente ele mesmo. Para isto, pessoas sensatas que buscam alinhar não apenas a voracidade de seus lucros, mas que também visam ao outro, bem como ao meio ambiente em geral, procurarão ser sempre prudentes, cautelosos e reflexivos antes de qualquer tipo de decisão que estejam a ponto de tomar. Contudo, quando o tomador de decisão não dispõe somente da sua subjetividade ou de fontes que visam apenas seu próprio interesse – as quais o pressionam a tomar uma decisão x ou y –, ele se vê em uma posição muito mais adequada ao se deparar com algo que mensura aquilo que está planejando, com o objetivo de assegurar a sustentabilidade. Esta é, portanto, a função dos indicadores de sustentabilidade: trazer à luz de forma didática e teórica algo que está somente presente no aspecto prático, sem muita objetividade. Apresentamos algumas ferramentas que auxiliam nessa tomada de decisão, uma vez também que fazem uso de um conjunto de indicadores. Esse percurso foi facilitado ao se demonstrar que há forte possibilidade de se culminar em seu uso, especialmente em alguns municípios brasileiros, e, por fim, norteamos os estudos para alguns modelos importantes de avaliação. Pág. 81 de 85 SAIBA MAIS Para aqueles que necessitam de Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) cuja especificação seja nacional e detalhada por região, indicamos o acesso ao link do IBGE (Sidra). Fonte: <https://sidra.ibge.gov.br/pesquisa/ids/tabelas>. GLOSSÁRIO Antrópico: Relativo ao ser humano ou à sua ação; que resulta de ação humana (ex.: modificações antrópicas, processos antrópicos). Fonte: <https://www.priberam.pt/dlpo/Antr%C3%B3pico>. Holístico: Que defende uma visão integral e um entendimento geral dos fenômenos. Fonte: <https:// www.priberam.pt/dlpo/Hol%C3%ADstico>. Oikofobia: Aquele que sente algo contrário às formas tradicionais de associação: contra o lar, contra a família, contra a nação etc. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BITAR, O. 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