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GLÁUCIA SILVA BIERWAGEN / CLÉBER GONÇALVES Professores autores/conteudistas COMUNICAÇÃO E OUTRAS FERRAMENTAS PARA A SUSTENTABILIDADE CORPORATIVA É vedada, terminantemente, a cópia do material didático sob qualquer forma, o seu fornecimento para fotocópia ou gravação, para alunos ou terceiros, bem como o seu fornecimento para divulgação em locais públicos, telessalas ou qualquer outra forma de divulgação pública, sob pena de responsabilização civil e criminal. SOBRE OS AUTORES Autor 1: Gláucia Bierwagen Doutoranda em Ciências da Comunicação na área de Interfaces Sociais da Comunicação, pela Escola de Comunicações de Artes da USP (Eca). Mestra em Educação, pela Faculdade de Educação da USP (Feusp), além de Especialização em Design Instrucional, pela Universidade Federal de Itajubá, e Educação Empreendedora, pela Universidade Federal de São João Del Rei. Graduada em Pedagogia, pela Universidade de São Paulo, e em Tecnologia em Informática, pela Faculdade de Tecnologia da Unesp. Atuou como professora de Educação Básica em redes municipais do estado de São Paulo em educação infantil, séries iniciais do ciclo fundamental, educação de jovens e adultos (EJA) e como professora orientadora de informática educativa. Já transitou por diferentes áreas educacionais, como tutoria on-line em disciplinas relacionadas à Educação a distância e Formação de Professores pela Universidade Federal de São Carlos, e Design Instrucional pela UFSCar e Instituto Federal do Sul de Minas, além de produção de materiais didáticos para educação a distância. Autor 2: Cléber Gonçalves Mestre em Educação, pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Especialista em Gestão da Comunicação Empresarial e graduado em Comunicação Social - Jornalismo, pelo Centro Universitário de Maringá (UniCesumar). Profissionalmente, possui experiência como professor, palestrante e funcionário efetivo em assessoria de comunicação de órgãos municipais e estaduais no Paraná. Realiza pesquisas e ações ligadas aos campos da Educação e da Comunicação. SUMÁRIO Introdução Geral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 UNIDADE 1 1 . Comunicação e Sustentabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 1.1 A Sustentabilidade da Comunicação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 1.1.1 Três Dimensões da Comunicação na Sustentabilidade . . . . . . . . . . . .10 1.1.2 A Comunicação da Sustentabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .11 1.1.3 A Comunicação para Sustentabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .14 1.2 Ferramentas de Comunicação Sustentável . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 1.2.1 Ferramentas de Comunicação Envolvendo Stakeholders . . . . . . . . . . .17 1.2.2 Ferramentas de Comunicação e Dimensão do Produto . . . . . . . . . . . .18 1.2.3 Ferramentas da Comunicação e Setores de Atividade . . . . . . . . . . . .21 UNIDADE 2 2 . Comunicação, Gestão e Sustentabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24 2.1 Comunicação da Gestão Responsável com Todos os Stakeholders . . . . . . . . . . . . 25 2.1.1 Comunicação e Stakeholders . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .26 2.2.2 Exemplos de Comunicação e Stakeholders. . . . . . . . . . . . . . . . . . .27 2.2 Transparência e Ética do Diálogo com as Partes Interessadas . . . . . . . . . . . . . . . . 29 2.2.1 Ética e Clientes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 2.2.2 Ética e Colaboradores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 2.2.3 Ética e Práticas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .31 2.3 Sustentabilidade: Valores Tangíveis e não Tangíveis. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 2.3.1 Valores tangíveis e Sustentabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .32 2.3.2 Valores não Tangíveis e Sustentabilidade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 2.4 Gestão da Reputação e Percepção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 2.4.1 Princípios de Gestão e Reputação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 2.4.2 Exemplos de Empresas que Praticam a Sustentabilidade com Valor Agregado à Gestão. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .36 UNIDADE 3 3 . Princípios e Legislação da Sustentabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 3.1 Padrões Internacionais: Certificação, Princípios e Outras Ações . . . . . . . . . . . . . . 40 3.1.1. Global Reporting Initiative (GRI) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .41 3.1.2 Certificação de Responsabilidade Social (SA 800). . . . . . . . . . . . . . .42 3.1.3 Princípios da Accountability para o Desenvolvimento Sustentável (AA1000APS) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43 3.1.4 Pacto Global . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 3.2 Padrões Internacionais: Normas e Indicadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46 3.2.1. Diretrizes sobre Responsabilidade Social (ISO 26000) . . . . . . . . . . . 46 3.2.2 Dow Jones Sustainability Index (DJ) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .49 3.2.3 International Finance Corporation (IFC) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .51 3.3 Padrões Nacionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52 3.3.1 Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE Bovespa) . . . . . . . . . . . .52 3.3.2 Sistema de Gestão Ambiental (ISO 14001) . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 3.3.3 Rotulagens Ambientais (ISO 14024) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54 3.4 Ecoeficiência e Produção Mais Limpa. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54 UNIDADE 4 4 . Balanços Sociais e Relatórios de Sustentabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59 4.1 Balanço Social . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60 4.1.1. Conceito de Balanço Social. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .62 4.1.2 Casos reais de Balanços Sociais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .62 4.1.3 Diferenças entre Balanço Social e Relatórios de Sustentabilidade . . . . . 64 4.2 Relatórios de Sustentabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64 4.2.1 Conceito de Relatório de Sustentabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64 4.2.2 Principais Diretrizes para a Elaboração de Relatórios de Sustentabilidade. . .65 4.2.3 Casos Reais de Relatórios de Sustentabilidade . . . . . . . . . . . . . . . 66 Considerações Finais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72 Glossário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74 Resferências Bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . 76 Pág. 6 de 80 INTRODUÇÃO GERAL Quando pensamos em uma empresa com funcionamento pleno, é intrínseco pensar em um modelo de negócios que a oriente. Sabemos que empresas são organizações que, de modo geral, têm fins lucrativos, mas também responsabilidades sociais, ambientais e econômicas. Como cumprem essas responsabilidades? Percorrendo por quatro unidades temáticas, nesta disciplina, você será convidado(a) a conhecer ferramentas que aceleram a implantação do desenvolvimento sustentável e o papel da comunicação e do marketing para a sustentabilidade. Na Unidade 1 - Comunicação e sustentabilidade, você compreenderá qual é a relação da comunicação com a sustentabilidade, conhecendo as três dimensões da comunicação para a sustentabilidade: informação, mudança e processo. Além de se aprofundar nos temas: sustentabilidade da comunicação, comunicação da sustentabilidade e comunicação para a sustentabilidade. Conhecerá as ferramentas de comunicação sustentável, como o mapa de sustentabilidade corporativa, modelo de mensagem- chave, matriz de checklist de orientação para stakeholders e checklist dos impactos do produto. Na Unidade 2 - Comunicação, gestão e sustentabilidade, por sua vez, você conhecerá como ocorre a comunicação da gestão responsável com todos os stakeholders, por meio de exemplos. Compreenderá a importância da transparência e a ética do diálogo com as partes interessadas (clientes, colaboradores e nas próprias práticas). Observará qual é a relação dos valores tangíveis e não tangíveis com a sustentabilidade, por meio de exemplos e também os princípios da gestão de reputação e percepção. Na Unidade 3 - Princípios e legislação da sustentabilidade, você conhecerá padrões Internacionais: certificação, princípios, normas, indicadores e outras ações, como o Global Reporting Initiative (GRI) e Dow Jones Sustainability Index (DJ), por exemplo. Também conhecerá padrões nacionais do Sistema de Gestão Ambiental (ISO14001), além de compreender os princípios da ecoeficiência e produção mais limpa nos processos de gestão. E, por fim, na Unidade 4 - Balanços sociais e relatórios de sustentabilidade, você compreenderá o que são balanços sociais e relatórios de sustentabilidade, bem como a importância deles para empresas que se comprometem socioambientalmente. Pág. 7 de 80 UNIDADE 1 INTRODUÇÃO O termo sustentabilidade pode ser definido como a relação entre sistemas econômicos e sistemas ecológicos de modo que a vida humana possa continuar, a cultura possa se desenvolver e as atividades humanas tenham limites para não destruir a complexidade do sistema ecológico (CABRESTE; GRAZIADEI; POLESEL FILHO, 2008). O conceito de sustentabilidade aplicada aos negócios das empresas garante reputação, credibilidade, manutenção, aceitação ou rejeição de produtos e, consequentemente, está relacionado ao desempenho positivo ou negativo de uma corporação. Para ter sucesso, a sustentabilidade, na perspectiva empresarial, tem que estar baseada de forma equilibrada em três perspectivas: econômica, humana e ambiental - Triple Bottom Line (três perspectivas da comunicação para sustentabilidade). A governança corporativa, ou seja, os sistemas pelos quais “as organizações são dirigidas, envolvendo proprietários, conselho de administração, diretoria e órgãos de controle” e os processos de gestão (CEBDS, 2009, p. 18) elaboram princípios que nortearão práticas sustentáveis empresariais, como, por exemplo: desenvolvimento de valores e políticas de sustentabilidade; vinculação da sustentabilidade à estratégia de negócios, identificação e priorização de oportunidades, desafios, acessibilidade e transparência de informações; desenvolvimento de procedimentos gerenciais que influenciam políticas públicas e normas regulatórias; padrões de saúde e segurança trabalhistas, gestão e treinamento de funcionários, ferramentas e processos de engajamento de stakeholders (MACHADO FILHO, 2016). Dessa forma, na perspectiva ambiental, existe o desenvolvimento de: (1) ferramentas que aliem produção de bens e serviços à preservação da capacidade dos ecossistemas; (2) ecoeficiência nos processos produtivos; (3) reciclagem e reuso de matérias-primas, fontes de energia e água; (4) redução de emissão de gases causadores do efeito estufa; (5) programas de preservação e redução do impacto na biodiversidade; (6) investimento em inovação e tecnologias limpas; e (7) desenvolvimento de processos de lógica reversa (CEBDS, 2009). Pág. 8 de 80 Na perspectiva social, a gestão estratégica e ações de governança propõem o desenvolvimento de: (1) ferramentas para acompanhar a qualidade e segurança de produtos; (2) adesão aos padrões regulatórios; (3) ferramentas de comunicação e marketing para encorajar o consumo sustentável; (4) respeito às convenções internacionais de direito e trabalhos humanos; (5) provisão de condições de segurança no trabalho; (6) gestão democrática; (7) respeito às diferenças sociais, culturais e religiosas e a valorização da diversidade étnica e de gênero dentro da empresa e na sua relação com os stakeholders; (8) incentivo à seleção e promoção de funcionários com base na meritocracia e programas de nivelamento salarial e de melhoria de saúde dos empregados; (9) educação e modos de vida sustentáveis de funcionários e stakeholders; e (10) exercício paralelo do diálogo com fornecedores para que estabeleçam estratégias de sustentabilidade (CEBDS, 2009). Por meio da perspectiva econômica, as empresas buscarão: (1) oferecer bens e serviços a preços acessíveis a um número crescente de consumidores; (2) desenvolver infraestrutura para a construção de novos mercados inclusivos; (3) incentivo à geração de renda e combate à pobreza; (4) desenvolvimento de programas que evitem práticas anticompetitivas; e (5) agir influenciando governos e organismos de regulação de comércio (CEBDS, 2009). É muito importante que empresas, conforme a sua governança, avaliem e monitorem os processos de implementação de sustentabilidade em seus processos gerenciais, além de disponibilizar informações transparentes acerca de suas práticas. Ao final desta aula, você será capaz de: • conhecer as três dimensões da comunicação para a sustentabilidade: informação, mudança e processo. • compreender como se relaciona a comunicação com práticas sustentáveis. • conhecer as ferramentas de comunicação sustentável. 1 . COMUNICAÇÃO E SUSTENTABILIDADE Neste tópico, você vai compreender a relação entre comunicação e sustentabilidade. Para isso, é necessário entender que o termo sustentabilidade pode ser definido como a relação entre sistemas econômicos e sistemas ecológicos de modo que a vida humana possa continuar, a cultura possa se desenvolver e as atividades humanas tenham limites para não destruir a complexidade Pág. 9 de 80 do sistema ecológico (CABRESTE; GRAZIADEI; POLESEL FILHO, 2008). Enquanto isso, Sodré (2014) explica que, pela comunicação, é possível criar significados, vincular, relacionar, organizar-se em funções do comum a ser partilhado, incluindo palavras, imagens e o próprio corpo. Acompanhe, ainda, tópicos como : quais ações subsidiam a sustentabilidade da comunicação; as três dimensões da comunicação na sustentabilidade; a comunicação da sustentabilidade e a comunicação para sustentabilidade. 1 .1 A Sustentabilidade da Comunicação Neste subtópico, vamos discutir, a partir do conceito de sustentabilidade, ações comunicativas (na fala, comportamentos, atitudes etc.) que envolvam práticas sustentáveis como, por exemplo: (1) Inclusão de minorias étnicas e sociais ao montar a equipe para uma atividade corporativa. (2) Diversificação de gêneros. (3) Respeito aos horários legais do trabalho. (4) Escolha de um formato que facilite o entrosamento entre todos promovendo a troca de conhecimentos, e não a imposição de uma visão sobre outras. (5) Uso racionalde água, energia, combustível e tempo. (6) Uso de materiais e/ou produtos cuja origem pode ser artesanal ou por meio de regras de ecoeficiência. (7) Deslocamento de maneira ecológica: trem, metrô, bicicleta ou outro meio. (8) Realização de contratos com fornecedores utilizando o princípio dos 3 Rs: reduzir, reutilizar e reciclar (CEBDS, 2009). Pág. 10 de 80 DICAS DO PROFESSOR Em eventos, recomenda-se que para realizar ações de comunicação é essencial: • Evitar a utilização excessiva de papel, realizando toda a comercialização, a correspondência e o registro por via eletrônica (e-mail, mensagens de aplicativos, redes sociais. • Utilizar as duas faces do papel certificado FSC (Forest Stewardship Council) e imprimir usando menos tinta, impressão não brilhante, de preferência com tintas à base de corantes vegetais. Imprimir documentos em tinta preta. • Solicitar que crachás sejam devolvidos, no final do evento, para serem reutilizados. A seguir, você verá as três dimensões da comunicação para a sustentabilidade – informação, mudança e processo –, para demonstrar a importância de comunicar para sustentabilidade. 1 .1 .1 Três Dimensões da Comunicação na Sustentabilidade No atual mundo globalizado, as informações são compartilhadas por diferentes públicos, e para uma empresa e seus profissionais de comunicação a escolha pela sustentabilidade não deve ser um mero paliativo (“esverdeamento” de uma campanha), mas a mensagem principal das campanhas (OLIVEIRA, 2017). Sendo assim, a comunicação e sustentabilidade se relacionam em três dimensões, como é mostrado na Figura 1.1. Figura 1 .1 - Três dimensões da comunicação na sustentabilidade Fonte: CEBDS (2009, p. 22). Pág. 11 de 80 A partir dessas três dimensões, os comunicadores passam a ser facilitadores do entendimento, dão suporte, monitoram e são difusores do engajamento das empresas e pessoas em busca da sustentabilidade. Os comunicadores têm um importante papel para construir a imagem e marca da empresa. Nesse sentido, os profissionais de comunicação não devem ter somente um discurso de sustentabilidade, mas devem agir na prática. Isso significa reduzir a própria pegada pedagógica, buscando ações como apoio à diversidade (gênero, etnia etc.); conhecer a própria função, órgãos regulamentadores e legislações; não fazer distinções de classe, escolaridade etc.; informar-se e desenvolver uma rede de relacionamentos (CEBDS, 2009; OLIVEIRA, 2017). Logo mais, acompanhe como acontece a comunicação da sustentabilidade. 1 .1 .2 A Comunicação da Sustentabilidade Neste subtópico, vamos compreender que usar a comunicação e a sustentabilidade juntas pressupõe que o comunicador conheça a gestão da empresa e o seu modelo de negócios. E, nessa perspectiva, as empresas podem estar em diferentes estágios de engajamento de sustentabilidade corporativa, como, por exemplo, uma empresa vê o cumprimento da legislação ambiental como um custo ou outra empresa alinha as suas estratégias de negócios aos princípios sustentáveis. A comunicação da sustentabilidade deve vir acompanhada de: pesquisas de componentes da sustentabilidade e impactos no negócio; fortalecimento e construção de uma marca pautada pela sustentabilidade; conhecimento das principais estratégias da empresa (metas financeiras, governança corporativa) e posicionamento em sustentabilidade (meio ambiente, desenvolvimento humano e papel social da empresa); atualização em novas ferramentas tecnológicas e mídias sociais como um meio de comunicação direto com o público; estudos (cursos, eventos etc.) de desenvolvimento social, ambiental etc. As questões no Quadro 1.1 podem contextualizar e refletir as práticas da empresa. Pág. 12 de 80 Quadro 1 .1 - Checklist de práticas sustentáveis O discurso da sustentabilidade na sua empresa está coerente com a realidade? O exercício da liderança é autoritário ou participativo? A gestão da empresa é participativa e democrática? As chefias têm ganhado representatividade e capacidade de gestão? São criadas novas redes/ organizações que se consolidam interna ou externamente? Onde a empresa atua, as comunidades e autoridades locais ganham capacidade de gestão, de autonomia e de poder de decisão nos processos que as afetam? Os setores mais fracos, as minorias, têm sido considerados, em algum momento, na cadeia produtiva ou como consumidores potenciais? A visão machista tem retrocedido, em favor da equidade de gênero? As mulheres têm conseguido conquistar postos de liderança? A educação é facilitada, dentro da empresa, a ponto de gerar conhecimento, que é distribuído entre as pessoas na empresa? As atividades da empresa ajudam a melhorar os indicadores ambientais que afetam a qualidade de vida das pessoas, como o ar, a água, os níveis de ruído, a qualidade da paisagem? Se ainda não, a empresa tem pensado em como melhorar isso? Há gestão de riscos ambientais e sociais? Há mapeamento desses riscos? Há passivos ambientais quantificados? Medidas compensatórias foram tomadas? Fonte: Adaptado de UNEP (2005, p.16-19). A partir das respostas às questões, uma empresa pode ter diferentes objetivos na confecção das mensagens corporativas com relação à sustentabilidade. Esses objetivos podem ser: 1. Uma comunicação institucional que deve ter uma imagem “limpa” e responsável. 2. Um marketing verde, no qual a comunicação dos produtos traz características de respeito ao meio ambiente tanto nos processos de desenvolvimento como contribuição local. 3. Um marketing responsável, praticado por uma empresa que obedece a códigos de comunicação éticos. 4. O marketing social, em que a estratégia é motivar os consumidores a ter um comportamento social ambientalmente responsável (MACHADO FILHO, 2016). Dentro desses objetivos, as empresas precisam considerar os diferentes públicos (Figura 1.2), seus hábitos, comportamentos, linguagens, para atingi-los com uma mensagem adequada, usando os canais apropriados (discursos, e-mail, conference calls, release, dentre outros materiais). Pág. 13 de 80 Figura 1 .2 - Públicos das empresas Fonte: CEBDS (2009, p. 34). É importante destacar que as ações e os programas de sustentabilidade das empresas necessitam realmente existir e ter um grau de madureza para gerar resultados, oferecer continuidade e relevância. Mas, mesmo nesse estágio, uma empresa pode sofrer crises que podem manchar a reputação da empresa. Para isso, ações, como as relatadas a seguir, são necessárias: [A criação do CGC] Comitê de Gerenciamento de Crise será acionada imediatamente após a ocorrência da crise e dará prioridade às suas tarefas, em detrimento de todas as demais e demais instâncias da sociedade como: colaboradores, clientes, acionistas, fornecedores, imprensa, grupos de pressão, ONGs, sindicatos do setor, grupos organizados em torno das causas (ou pessoas lesadas), sociedade civil em geral e governo (local, regional, estadual ou federal – dependendo da gravidade da crise), os quais serão informados sobre o problema ocorrido e as ações que estão sendo tomadas para solucioná-lo (CEBEDS, 2009, p. 37). ACONTECEU A reportagem A vale em Brumadinho: a quem interessa a sustentabilidade para as empresas?, de Solange Garcia, 27/02/2019, traz uma reflexão sobre a divulgação dos programas e ações de sustentabilidade da empresa Vale do Rio Doce à imprensa via Relatórios de Sustentabilidade, mas que ainda assim culminaram na geração de perdas humanas, devastação ambiental, além de outros impactos sociais, financeiro e econômicos. https://jornal.usp.br/artigos/a-vale-em-brumadinho-a-quem-interessa-a-sustentabilidade-das-empresas/. Pág. 14 de 80 1 .1 .3 A Comunicação para Sustentabilidade A ideia sustentabilidade deve estar relacionada a uma valorização do seu conceito por meio de ações como: pesquisas; construção de conhecimento sobre o assunto; observações atentas, antes de uma ação; o colocar-se no lugar de outro; o uso de diferentes linguagens para diferentespúblicos; a utilização de diferentes meios de comunicação (internet, rádios, mídias sociais); contato com lideranças comunitárias e stakeholders; criação de peças de comunicação atraentes; atenção aos diferentes estilos de comunicação usados em diferentes contextos culturais e de mercados (CEBDS, 2009; OLIVEIRA, 2017). Na perspectiva da comunicação para a sustentabilidade, o modelo de negócios deve assumir uma visão inovadora, buscando encarregar-se de: • Ter um discurso alinhado à imagem que se deseja passar. • Participar das audiências públicas do bairro ou do município. • Fiscalizar os serviços públicos prestados no seu entorno (Figura 1.3). Figura 1 .3 - Coleta de lixo Fonte: Kalhh / Pixabay. • Exigir que seus funcionários se mantenham em dia com seus deveres civis. • Ter bom senso e entender que as ações precedem as palavras. • Criar veículos de comunicação com linguagem clara para todos. • Incluir-se nas atividades de pelo menos uma ONG relacionada ao seu setor. • Dialogar com múltiplos stakeholders. Pág. 15 de 80 • Valorizar relacionamentos de seus colaboradores com suas comunidades. • Estimular o relacionamento com o mundo acadêmico. • Ter um canal de troca de opiniões com os consumidores. • Utilizar mensagens-chave como, por exemplo “Consumidores cidadãos”, “consumidores consciente”s, “nós”, “Pegada positiva”, “impacto mínimo”, “Ecologicamente correto”, “ecologicamente inteligente”, “socialmente justo” e “Culturalmente aceito” (Figura 1.4). (CEBDS, 2009). Figura 1 .4 - Pegada ecológica Fonte: ColiN00B / Pixabay. 1 .2 Ferramentas de Comunicação Sustentável Não há metodologias definidas que garantam o sucesso dos princípios da sustentabilidade em um modelo de negócios, mas existem ferramentas que o profissional de comunicação pode usar para desenvolver uma comunicação estratégica para obtenção de bons resultados. O mapa da sustentabilidade corporativa posiciona a comunicação entre a governança corporativa e o valor sustentável para o acionista (CEBDS, 2009; OLIVEIRA, 2017). Pág. 16 de 80 Figura 1 .5 - Mapa da sustentabilidade corporativa Fonte: CEBDS (2009, p. 56). Para abrir as portas da comunicação é importante atentar-se à ação de dirigir frases que demonstrem o conhecimento e ideias da empresa, ou seja, as mensagens-chave. A elaboração das mensagens-chave pode seguir o modelo do Quadro 1.2. Quadro 1 .2 - Modelo de mensagem-chave Se o foco tiver em: 1ª Pergunte-se antes 2ª Avalie 3º Elabore sua mensagem Audiência Quem receberá a mensagem? Se tiver mais de um público, foque no prioritário. Nunca tenha mais de um para uma mensagem-chave. Analise o que este público lê/vê. O que o impacta? Compare. Descubra o que ele acha importante. Mensagem A sua fonte de informação na empresa (presidente, diretor, o seu “cliente interno”) sabe exatamente o que quer transmitir? Não? Não o julgue. Ajude-o a descobrir: esse é seu papel, comunicador! Faça perguntas ao seu cliente interno, depois com ele, avalie se a mensagem que ele quer criar é a ideal para o público. Ela tem de ser muito clara. Pág. 17 de 80 Se o foco tiver em: 1ª Pergunte-se antes 2ª Avalie 3º Elabore sua mensagem Meio O que você utilizará? Já pesquisou o que este público está acostumado? O que mais funciona com ele? O que atrai mais este público. Se não há condições (tempo, verba, entendimento) suficientes para fazer uma pesquisa prévia, faça uma sondagem informal sobre o que funciona. Formato Em qual formato apresentar a mensagem? O formato está na "dose" certa? O formato não deve sobressair-se ao conteúdo da mensagem Tempo (timing) É uma boa hora para enviar esta mensagem? O que definirá a boa hora é o sentimento que você deseja do seu público: Atenção? Surpresa? Indignação? Prazer? Alívio? O momento em que a mensagem será recebida é determinante para seu sucesso. O impacto dela pode mudar radicalmente, dependendo da hora em que atingir o público-alvo Retorno (Feedback) Há desejo/necessidade de feedback? Avalie se, para o público, esta será uma mensagem de mão dupla ou não. Se for, é você quem tem de prover a vida de retorno, junto da mensagem. Fonte: CEBDS (2009, p. 57). Acompanhe as ferramentas de comunicação que envolvem os stakeholders. 1 .2 .1 Ferramentas de Comunicação Envolvendo Stakeholders Neste subtópico, será apresentada uma matriz de checklist de orientação para stakeholders, que demonstra um cruzamento de ferramentas de comunicação por stakeholder e identifica a situação de cada empresa. As ferramentas podem ser direcionadas a mais de um público de interesse. Os itens que estão destacados em vermelho identificam o público prioritário de cada ferramenta de comunicação e, neste caso, recomenda-se que a linguagem seja adequada a esse leitor/interlocutor (CEBDS, 2009; OLIVEIRA, 2017). Pág. 18 de 80 Figura 1 .6 - Matriz de checklist de orientação para stakeholders Fonte: CEBDS (2009, p. 58). ATENÇÃO Em busca de ser mais sustentável, busque trabalhar com gráficas certificadas pelo FSC – (organização internacional que promove práticas responsáveis de manejo de florestas e certifica áreas e produtos florestais). Caso isso não seja possível, questione quais são os materiais usados nos processos, como, por exemplo, o tipo e papel, cola, solventes, descarte dos resíduos sólidos e líquidos, carga horária de trabalho, diversificação sexual e racional dos funcionários, parcerias com cooperativas. Observe, a seguir, as ferramentas de comunicação e as dimensões do produto. 1 .2 .2 Ferramentas de Comunicação e Dimensão do Produto Kotler (2006) desenvolveu a teoria dos 4 Ps - produto, preço, promoção, praça (distribuição). Conforme o Guia de Comunicação e Sustentabilidade (2009), é necessário alinhar esses 4 Ps com o Triple Bottom Line - social, ambiental e econômico. A seguir, apresentaremos um modelo de orientação de checklist de impacto do produto com base nos 4Ps e no Triple Bottom Line. Pág. 19 de 80 Para saber a dimensão do produto, sugere-se perguntas como: O que é feito? Quem produz? Como é embalado? A embalagem é reciclável/reutilizável? É possível no rótulo ter informações úteis à saúde? Qual é a vida útil do produto? O que acontece quando ele não é mais útil? Como ele será eliminado? A partir das respostas, deve se acionar quais são os encaminhamentos da comunicação e o que fazer (CEBDS, 2009). A dimensão preço sugere questões como: O preço inclui garantia de reparo ou de substituição? O preço reflete adequadamente o uso de serviços ambientais? O preço é utilizado para incentivar o consumo excessivo do produto? Por meio das respostas dadas às questões, deve-se acionar quais são os encaminhamentos da comunicação e como proceder (CEBDS, 2009). Com relação à dimensão praça, recomenda-se questionar: Onde o produto é fabricado? Como ele é transportado? É possível um transporte mais eficiente? A embalagem para o transporte é reutilizável ou reciclável? Onde/como o produto é vendido? Como o produto chega ao cliente final? Por meio das respostas dadas às questões, deve-se acionar quais são os encaminhamentos da comunicação e como proceder (CEBDS, 2009,). Na dimensão promoção, sugere-se questionar: Os atributos dos produtos são verdadeiros e honestos, ou exageram? Os distribuidores e os revendedores são capazes de divulgar sustentabilidade para os próprios clientes? Quais recursos são utilizados para comunicar os atributos dos produtos? Os produtos dizem algo sobre os valores da organização? O quê? existe a oportunidade de usar os produtos para melhorar a reputação da organização? Estão sendo utilizados, na publicidade e na promoção dos produtos, links que promovem a sustentabilidade da empresa? Quais? Após as respostas dadas às questões, deve-se acionar os encaminhamentos da comunicação e o que fazer (CEBDS, 2009). Temos também o checklist dos impactos do produto conforme o modelo a seguir do Quadro1.3. Pág. 20 de 80 Quadro 1 .3 - Checklist dos impactos do produto Pergunta de apoio Justificativa O que você pode fazer para melhorar? 1 . O negócio é comprometido? É importante que a alta administração se convença da importância da agenda da sustentabilidade? Analise o que este público lê/vê. O que o impacta? Compare. Descubra o que ele acha importante. 2 . Você faz ofertas verdes? Sustentabilidade não é tática de marketing. A sua reputação não será reforçada com apenas uma “oferta verde” Se o seu negócio é comprometido, os impactos sociais e ambientais terão de ser avaliados e tratados dentro e fora da empresa. Pode demorar, contanto que os compromissos sejam baseados em ações verdadeiras. 3 . Será que a empresa vê a oportunidade de mercado? Se o negócio está convencido das vantagens da sustentabilidade, então não há mais dúvida de que a empresa abraçará as oportunidades que o mercado oferece em relação às criações sustentáveis. 4 . É um negócio disposto e capaz de se adaptar? É necessário ser honesto. Para aproveitar as oportunidades apresentadas pelo foco da sustentabilidade, a empresa deve ser capaz de adaptar seus modelos de negócios, processos e sistemas. 5 .Onde estão os riscos? Nenhuma organização é perfeita. Então, antes de comunicar abertamente a sustentabilidade, conduza uma análise de Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças. 6 .Você está conectado? Equipes de marketing e sustentabilidade têm de estar conectadas. Use redes e contatos para se atualizarem. Mas não confie apenas no que está disponibilizado nos meios de comunicação. Desenvolva suas fontes e seu senso crítico. Fonte: CEBDS (2009, p. 62). Veja a seguir a abordagem de ferramentas de comunicação e setores de atividades. Pág. 21 de 80 1 .2 .3 Ferramentas da Comunicação e Setores de Atividade Com relação à sustentabilidade, destaca-se que pode diferenciar conforme os setores de atividade de uma empresa. Questões que são importantes para uma indústria automobilística não são as mesmas para uma instituição bancária. Mas, o importante é que cada empresa faça uma autoavaliação analisando a própria situação e as forças indutoras que afetam a sustentabilidade do seu setor. Para isso, exemplificamos questões de sustentabilidade que afetam alguns setores (Quadro 1.4). Quadro 1 .4 - Principais questões de sustentabilidade em setores selecionados Setor Questões de sustentabilidade Produtos farmacêuticos Necessidade de novos modelos de negócios que tornem os medicamentos acessíveis no mundo em desenvolvimento. Agricultura e biotecnologia Preocupação e ações pós-críticas e receios referentes a sementes e alimentos transgênicos e ao desenvolvimento de tecnologias que promovam o uso racional da água. Celulose e papel Desenvolvimento de programas de certificação que garantam tecnologias de exploração de madeira não prejudiciais ao meio ambiente. Computadores e telecomunicações Necessidade de estreitar o “abismo digital”, por meio de atividades de filantropia e do desenvolvimento de produtos para a base da pirâmide, e de reduzir o lixo eletrônico. Bancos e outras instituições financeiras Necessidade de avaliação sistemática e confiável do impacto ambiental, econômico e social dos projetos de desenvolvimento a serem financiados. Alimentos Necessidade de lidar com pressões dos consumidores e dos reguladores relacionados com obesidade. Fonte: Adaptado de CEBDS (2009, p. 63). SAIBA MAIS Sustentabilidade virtual pode ser empregada na interligação de vários setores, estes, por sua vez, podem ser fontes de informações, parcerias de negócios, fornecedores e outros. Para isso é necessário o uso de recursos tecnológicos como redes sociais ou aplicativos de mensagens de modo sensato, solicitando opiniões, divulgando resultados, compartilhando ideias ou mesmo propondo desafios (OLIVEIRA, 2017). Pág. 22 de 80 FECHAMENTO Nesta Unidade, pudemos compreender que o termo sustentabilidade pode ser definido como a relação entre sistemas econômicos e sistemas ecológicos de modo que a vida humana possa continuar, a cultura possa se desenvolver e as atividades humanas tenham limites para não destruir a complexidade do sistema ecológico (CABRESTE; GRAZIADEI; POLESEL FILHO, 2008). Já pela comunicação é possível criar significados, vincular, relacionar, organizar-se em funções do comum a ser partilhado, incluindo palavras, imagens e o próprio corpo (SODRÉ, 2014). Para uma empresa utilizar estrategicamente o conceito de sustentabilidade em seus negócios, é importante conhecer as ações que subsidiam a sustentabilidade da comunicação: as três dimensões da comunicação na sustentabilidade (informação, mudança, processo); a comunicação da sustentabilidade e a comunicação para sustentabilidade. A partir das três dimensões, os comunicadores passam a ser facilitadores do entendimento, dão suporte, monitoram e são difusores do engajamento das empresas e pessoas em busca da sustentabilidade. Os comunicadores têm um importante papel para construir a imagem e marca da empresa. Nesse sentido, os profissionais de comunicação não devem ter somente um discurso de sustentabilidade, mas devem agir na prática. A comunicação da sustentabilidade deve estar acompanhada de: pesquisas de componentes da sustentabilidade e impactos no negócio; fortalecimento e construção de uma marca pautada pela sustentabilidade; conhecimento das principais estratégias da empresa (metas financeiras, governança corporativa) e posicionamento em sustentabilidade (meio ambiente, desenvolvimento humano e papel social da empresa; atualização em novas ferramentas tecnológicas e mídias sociais como um meio de comunicação direto com o público; estudos (cursos, eventos etc.) de desenvolvimento social, ambiental etc. Dessa forma, usar a comunicação e a sustentabilidade juntas pressupõe que o comunicador conheça a gestão da empresa e o seu modelo de negócios. E nessa perspectiva, as empresas podem estar em diferentes estágios de engajamento de sustentabilidade corporativa, por exemplo, enquanto uma empresa vê o cumprimento da legislação ambiental como um custo, outra empresa alinha as suas estratégias de negócios aos princípios sustentáveis. Pág. 23 de 80 A ideia de sustentabilidade deve estar relacionada a uma valorização do seu conceito por meio de ações como: pesquisas; construção de conhecimento sobre o assunto; observações atentas, antes de uma ação; o colocar-se no lugar de outro; o uso de diferentes linguagens para diferentes públicos; a utilização de diferentes meios de comunicação (internet, rádios, mídias sociais); contato com lideranças comunitárias e stakeholders; criação de peças de comunicação atraentes; atenção aos diferentes estilos de comunicação usados em diferentes contextos culturais e de mercados. Pudemos observar que não há metodologias definidas que garantam o sucesso dos princípios da sustentabilidade em um modelo de negócios, mas existem ferramentas que o profissional de comunicação pode usar para desenvolver uma comunicação estratégica para a obtenção de bons resultados: (1) o mapa de sustentabilidade corporativa, que é uma ferramenta de comunicação que posiciona a comunicação entre a governança corporativa e o valor sustentável para o acionista; (2) o modelo de mensagem-chave, que são frases que demonstram o conhecimento e ideias de uma empresas; (3) a matriz checklist de orientação para stakeholders, que demonstra um cruzamento de ferramentas de comunicação por stakeholder e identifica a situação de cada empresa; (4) checklist dos impactos do produto, que avaliam os produtos a partir dos 4Ps (preço, produto, promoção, praça) e o do tripé de sustentabilidade (social, ambiental, econômico); e (5) conhecer as questões de sustentabilidade que afetam alguns setores. Pág. 24 de 80 UNIDADE 2 INTRODUÇÃO O desenvolvimento empresarial depende, no contexto do século XXI, de compromissos e responsabilidadespara com o meio ambiente. Esse aspecto se apresenta, em meio à grande concorrência e à intensa pluralidade na oferta de produtos e serviços, como uma faca de dois gumes: por um lado, ascende como um imperativo para que o desenvolvimento sustentável seja de fato compartilhado por todos; por outro, demonstra as preocupações socioambientais de uma organização perante os públicos e clientes a ela vinculados, o que serve para o reforço de sua imagem. Nesse cenário, é preciso reforçar que sustentabilidade e desenvolvimento sustentável não são conceitos sinônimos. O primeiro se refere ao ponto no qual se deseja chegar, enquanto o segundo se refere ao processo. Nesse cenário, o papel da comunicação, aliado a diversas outras áreas e ferramentas, é fundamental. Por essa razão, exploraremos aqui os elementos principais que não podem ser deixados de lado para o trabalho comunicativo voltado à sustentabilidade corporativa. Ao final desta aula, você será capaz de: • entender como acontece a comunicação com todos os stakeholders; • compreender a importância da comunicação ética nas relações corporativas; • compreender a prática da sustentabilidade como fonte de valor agregado à gestão empresarial; • conhecer os princípios de gestão da reputação e percepção. 2 . COMUNICAÇÃO, GESTÃO E SUSTENTABILIDADE Em um momento em que as condições ambientais, sociais e econômicas demandam, de toda a sociedade, mudanças de atitude e comprometimento com as causas ambientais, o papel das empresas torna-se um dos pontos principais a serem observados, dado o grande impacto que o setor produtivo causa no meio ambiente. Por essa razão, é necessário um planejamento de comunicação que contemple todos os stakeholders, o diálogo com as diferentes partes interessadas, o conhecimento dos valores tangíveis e não tangíveis da sustentabilidade e o controle da reputação e da percepção. É preciso considerar sempre que as três dimensões da comunicação para a sustentabilidade são Pág. 25 de 80 informação, mudança e processo. É importante também lembrar que esse trabalho se pauta pelo tripé da sustentabilidade, cujas bases são formadas pelas seguintes áreas: social, ambiental e financeira. 2 .1 Comunicação da Gestão Responsável com Todos os Stakeholders Num cenário de grande competitividade comercial, no qual as demandas por ações sustentáveis também ganham destaque, cada empresa precisa estimular os públicos a ela vinculados, direta ou indiretamente, a práticas de cooperativismo. Por isso a importância de ter foco, na gestão, nos stakeholders. Afinal, a efetivação de um trabalho sustentável só pode ser observada a partir do engajamento das partes interessadas. Portanto, o diálogo constante e permanente com os diferentes públicos ligados à organização, bem como a integração de seus ideais e posicionamentos nas decisões, contribuem para que as partes se sintam corresponsáveis pelo processo. Antes, porém, de se estabelecer estratégias de trabalho envolvendo os stakeholders, é necessário identificá-los devidamente. Isso pode ser feito com base na contemplação de três aspectos: legitimidade, contribuição/influência e resultados. Ou seja, para que os agentes sejam assim classificados, é esperado que tenham legitimamente relação com a empresa e suas ações, que eles possam contribuir e/ou influenciar os trabalhos empresariais e, ainda, sejam capazes de gerar resultados positivos, mesmo que a longo prazo. É importante considerar, na gestão, que existem dois grupos principais dentre os stakeholders. Há aquele considerado “direto”, que engloba colaboradores, sócios, acionistas, fornecedores e clientes, por exemplo, e o “indireto”, formado por agentes cujo vínculo se dá de maneira menos próxima, como a mídia, o governo e a sociedade local, entre outros. Sem o intuito de apontar uma receita para a gestão baseada em stakeholders, consideramos apontar que, de acordo com Teixeira e Domênico (2008), citados por Hanashiro et al. (2010), há seis passos principais a serem considerados, os quais encontram-se reunidos no Quadro 2.1. Pág. 26 de 80 Quadro 2 .1 - Passos importantes na gestão baseada em stakeholders Primeiro Identificação dos stakeholders relevantes para a organização, quer sejam externos, internos, ou que façam interface; Segundo Identificação do subconjunto de stakeholders-chave, isto é, que podem ameaçar a organização; Terceiro Diagnóstico dos stakeholders-chave que apoiam a empresa, os que não apoiam, os que apresentam aspectos positivos e negativos e os que se posicionam de forma marginal; Quarto Formulação de estratégias genéricas que envolvam os stakeholders apoiadores, que defendem a empresa contra os não apoiadores, de colaboração com os que apresentam pontos fortes e fracos no relacionamento com a empresa e de monitoramento dos que se posicionam à margem; Quinto Implementação de estratégias genéricas e desenvolvimento de táticas específicas, assumindo a responsabilidade pelo gerenciamento dos stakeholders-chave; Sexto Avaliação do sucesso ou falha no gerenciamento dos stakeholders, de forma a promover feedback e controle. Fonte: Adaptado de Teixeira e Domênico (2008, p. 340-341). Estabelecer uma gestão de stakeholders é, então, ferramenta importante em uma organização, pois ajuda a facilitar a troca de informações e a percepção dos diferentes públicos que influenciam e são influenciados pela empresa. 2 .1 .1 Comunicação e Stakeholders A comunicação com finalidades sustentáveis não pode ser feita por uma única pessoa ou apenas por um grupo, entre tantos outros. Esse é um trabalho que, apesar de coordenado por profissionais capacitados e habilitados, precisa contar com o envolvimento de todos os segmentos. Aos públicos envolvidos no planejamento ou nas ações da empresa ou àqueles que podem influenciá-la ou são influenciados por ela, chamamos de stakeholders. Cada componente desses grupos tem uma tarefa importante para que o que for planejado se efetive da melhor forma possível. Na Figura 2.1, é possível compreender melhor alguns momentos na relação da empresa com seus Stakeholders. Pág. 27 de 80 Figura 2 .1 - Relações de comunicação com os stakeholders Fonte: iconisa / 123RF. São exemplos de Stakeholders os colaboradores, os clientes, os acionistas etc. Cada grupo desses possui características diferentes. Por isso é importante saber como e quando se comunicar com cada um. O primeiro passo é o estabelecimento de ações de educação e de incentivo a funcionários e demais Stakeholders, para o desenvolvimento de ações sustentáveis, nos âmbitos grupal e individual. Isso faz com que as ações comunicativas encontrem solidez na realidade da empresa. É preciso sempre reconhecer e valorizar as características e a diversidade de tais públicos. 2 .2 .2 Exemplos de Comunicação e Stakeholders Há muitas ferramentas que podem ser utilizadas com o objetivo de envolver Stakeholders, sendo que a escolha deve considerar aquelas que vão ao encontro das necessidades da empresa e do público em dado momento. Apesar de aqui, também, não haver uma receita pronta, há algumas indicações de ferramentas e/ou canais de comunicação que merecem ser considerados por todas as organizações: website, relatórios de sustentabilidade (impressos e digitais), revista/jornal interno e/ou externo, boletins e cartas que tenham por finalidade esclarecer projetos, intranet, ações e programas de diálogo e de treinamento com os diferentes públicos, programas de visitação, assessoria de imprensa (para o trabalho com a mídia, que também é um público de interesse), materiais como cartilhas e folhetos sobre responsabilidade ambiental, exploração dos diferentes campos da comunicação Pág. 28 de 80 (publicidade, relações públicas, marketing, jornalismo), promoção de eventos temáticos, apresentações institucionais, planejamento e ação para as mídias/redes sociais, campanhas de endomarketing (voltadas ao público interno), entre outras.Figura 2 .2 - Planejamento de comunicação para diferentes públicos Fonte: rawpixel / 123RF. Cada ação, ferramenta ou canal de comunicação pode alcançar mais ou menos públicos, em relação aos demais. Esse alcance depende do porte da empresa e de como se dá o engajamento dos diferentes segmentos com a organização. Depende, também, do objetivo de cada momento. É importante, antes de comunicar, definir qual é o foco da ação: audiência, mensagem, meio, formato, tempo (timing), ou retorno (feedback). Identificando esse foco, deve-se questionar de que maneira o(s) público(s) de cada ação se envolve(m) com a temática, de forma a propor as melhores soluções. Por isso, é importante conhecer todos os perfis de stakeholders, atualizando sempre o planejamento sobre o trabalho comunicativo. CURIOSIDADES Há muito tempo, o desenvolvimento corporativo e organizacional deixou de ter a preocupação com o desenvolvimento sustentável como uma mera opção. Muito além disso, esse aspecto é imperativo no contexto do século XXI, uma vez que há uma demanda social crescente e intensa a esse respeito. Apesar disso, as empresas brasileiras encontram-se em níveis bastante diferentes na compreensão da temática, uma vez que a compreensão e a absorção dos elementos que compõem um trabalho com bases sustentáveis não são iguais em todos os contextos. Mas a boa notícia é que estamos no caminho, já que o assunto está cada vez mais em pauta, assim como as percepções sociais a respeito de tais necessidades, o que cobra preparo constante e cria demanda por novas atividades e novos profissionais. Pág. 29 de 80 2 .2 Transparência e Ética do Diálogo com as Partes Interessadas A partir de várias versões de dicionários, o conceito de “ética” pode ser compreendido como o conjunto de normas morais num grupo, numa sociedade ou em uma pessoa. Trazida para o campo empresarial, pode ser compreendida como o conjunto de valores que norteiam as atitudes, percepções e ideais dos grupos ligados ao universo organizacional ao qual estão vinculados. O trabalho pautado pela ética precisa considerar que cada organização se encontra em um estágio de trabalho com sustentabilidade. Esses estágios podem ser divididos em cinco, de maneira crescente: defensivo, de obediência, gerencial, estratégico e de liderança social. Sendo assim, as empresas tendem a começar de maneira defensiva e se consolidar com liderança social. Por ter como pano de fundo as relações sociais, a ética está fortemente relacionada à comunicação, independentemente do nível e da circunstância em que for colocada em prática. Sendo assim, podemos compreender que ter uma conduta ética, ou seja, que vá ao encontro do que as partes interessadas esperam, é fundamental a uma empresa e que o fortalecimento desse aspecto passa pela área comunicativa. Não se pode desprezar, porém, que existem públicos cada vez mais diversos, que esperam por contemplação, dentre eles os clientes e os colaboradores. Figura 2 .3 - Negócios éticos Fonte: Olivier Le Moal / 123RF. Pág. 30 de 80 2 .2 .1 Ética e Clientes Os clientes, por conta do grande número de opções de produtos e serviços, estão cada vez mais participativos e exigentes. Por causa disso, as condutas éticas de uma empresa para com os clientes podem ser cruciais para fortalecer a relação e fidelizar esse grupo. Mas por quê? A ética tem deixado de ser uma área de estudo meramente teórica para passar a representar vivências e ações práticas de diferentes grupos. Ela pode ser observada desde o simples atendimento ao cliente até o desenvolvimento de programas e ações sociais. Dessa forma, se entendemos que o cliente se sente cada vez mais parte importante da organização, respondendo também por seu desenvolvimento, compreendemos, também, que ele tende a levar em consideração a atuação, os valores e a missão da empresa expressados na prática e pode, a partir disso, aliar-se a esta ou outra empresa. Se tivermos como foco a sustentabilidade, esse aspecto se torna ainda mais claro, uma vez que a maioria, de acordo com pesquisas da área, aponta preferir investir em produtos de empresas que agem a favor do meio ambiente. Ter uma conduta ética, todavia, não significa apenas discursar sobre o assunto. A comunicação e o relacionamento com os clientes precisam levá-los a compreender os ideais e as práticas reais da empresa. Isso quer dizer: transparência em relação às decisões tomadas e espaço para ouvir os posicionamentos de quem consome, como parte importante do processo. EXPLORE MAIS Uma pesquisa realizada pela Union + Webster e divulgada em fevereiro de 2019 mostra que 87% da população brasileira prefere comprar produtos e serviços de empresas sustentáveis, sendo que 70% dos entrevistados apontaram não se importar em pagar mais por isso. Isso demonstra que levar a conhecimento dos públicos ligados à organização é uma tarefa importantíssima. Não é vantajoso atuar com finalidades sustentáveis se o conhecimento das ações não se expande. E para que isso ocorra, um planejamento cuidadoso deve ser elaborado. 2 .2 .2 Ética e Colaboradores Se a empresa tem em mente a importância de agir eticamente, mas não possui um plano de contemplação e de incentivo aos colaboradores, está falhando gravemente. Isso porque, por mais que os objetivos sejam os melhores e os mais sinceros possíveis, sem a motivação dos funcionários, pois são eles que movem a organização, não se pode fazer muito. Pág. 31 de 80 O primeiro passo é levar esse público interno a compreender que o universo organizacional pauta- se pelos princípios éticos. Se, por alguma razão, alguns problemas no caminho foram identificados e a empresa está passando por uma reformulação, é preciso deixar claro que essa nova fase se pauta pela moralidade, em benefício dos diferentes públicos ligados à organização. Os exemplos precisam partir de cima para baixo, de modo que os funcionários de todos os setores compreendam a conduta ética não apenas como uma falácia, mas como um comprometimento de todos, o que os convidam a fazer a sua parte. É errado esperar que as condutas se modifiquem de uma hora para a outra sem preparo. Por isso, um planejamento de preparação e de aperfeiçoamento do quadro funcional é importante, não desprezando a formação acerca do assunto. Os funcionários tendem a se sentir mais envolvidos, também, quando se enxergam como parte do processo. Para isso, as tomadas de decisões precisam dar lugar, voz e vez a esse público. 2 .2 .3 Ética e Práticas Como já destacamos, a percepção da ética empresarial não se dá apenas no campo teórico e/ou do discurso. Esse conceito precisa se materializar nas práticas rotineiras da organização. Há muitos caminhos para que isso ocorra. A alguns deles devemos nos atentar cuidadosamente. A criação de um código de ética e de condutas é primordial para o desenvolvimento de um ambiente ético empresarial. Mas esse documento não pode surgir como uma determinação vertical e meramente burocrática. O caminho é envolver os diferentes públicos ligados à organização na elaboração e na execução, dentre eles clientes e colaboradores. Além disso, a produção não pode estar desvinculada do aspecto prático e real. Ao identificarem ideias expressas que não encontram concretude na realidade, os agentes deixam de atribuir credibilidade à empresa, o que enfraquece sua imagem. Criar canais que transmitam seriedade e transparência é, também, uma atitude esperada. Ao promover programas de visitação e projetos com finalidades bastante definidas e que não sejam meros cumprimentos legais e formais, a organização está agindo para isso. Pág. 32 de 80 SAIBA MAIS O profissional responsável pela comunicação deve se envolver de fato com a causa sustentável para que as ações não fiquem desvinculadas do real. Isso pode ser feito por meio de participação em audiências públicas, acompanhamentos de serviços públicos etc. Essa postura leva outros agentes, colaboradores epúblicos a se envolverem e se comprometerem com a causa. É importante, na intenção de integrar cada vez mais pessoas nessa ação, atribuir funções a todos, por menor que seja, para que a responsabilidade por ações sustentáveis estejam presentes no dia a dia, de fato. Não pode ser desprezada a necessidade de alargar as redes de relacionamentos, o que permite trocas, novas experiências e novos resultados. 2 .3 Sustentabilidade: Valores Tangíveis e não Tangíveis Um dos objetivos principais de uma empresa é permanecer no mercado, sendo destaque no segmento em que atua. Para tanto, avalia o seu sucesso a partir do acúmulo de valores. Muitas vezes, esses valores são representados apenas financeiramente, mas não é somente isso que contribui para o crescimento e a consolidação de uma organização. Portanto, os agentes ligados à empresa precisam compreender que existem valores tangíveis e valores não tangíveis. 2 .3 .1 Valores tangíveis e Sustentabilidade Valores tangíveis podem ser compreendidos como todos os elementos que são passíveis de contagem, quantificação, valoração preponderantemente material e financeira. Recursos financeiros, aplicações, ações, imóveis e bens materiais são exemplos de tais elementos. Façamos, então, uma reflexão: há alguma relação existente entre os valores tangíveis e a sustentabilidade, sobre a qual estamos tratando? Apesar de ser possível vir à mente uma resposta negativa, a partir de uma possível crença de que as ações sustentáveis são contrárias ao desenvolvimento econômico e material, é preciso compreender que a sustentabilidade tem impacto cada vez mais considerável naquilo que é mensurável. É correto dizermos que sustentabilidade não é, diretamente, tangível. Porém, em um contexto no qual as rotinas industriais, empresariais e de mercado, de modo geral, apontam para demandas urgentes relacionadas ao cuidado com o meio ambiente, a percepção de uma empresa com viés sustentável faz com que a atuação da empresa seja percebida, buscada e incentivada por diferentes públicos, o que, sem dúvida, reflete em seus ganhos materiais. Pág. 33 de 80 Figura 2 .4 - Sustentabilidade e desenvolvimento econômico Fonte: Weerapat Kiatdumrong / 123RF. 2 .3 .2 Valores não Tangíveis e Sustentabilidade Em contrapartida, os valores não tangíveis representam tudo aquilo que não pode ser contado, quantificado, mensurável. Os valores da empresa, sua credibilidade e sua missão são exemplos. Aqui também a sustentabilidade, que, por natureza, não é tangível, encontra espaço bastante importante. Isso porque a compreensão de uma organização como tendo princípios e condutas sustentáveis leva à percepção das responsabilidades presentes no ambiente organizacional, o que contribui para o fortalecimento da imagem. Apesar de coisas diferentes, os valores tangíveis e intangíveis são coinfluenciados, ou seja, as ações sustentáveis podem contribuir significativamente para o reforço de ambas as categorias. Por isso, um planejamento organizacional que tenha como elementos balizadores os de causa sustentável pode significar uma vantagem empresarial bastante significativa em meio à concorrência. 2 .4 Gestão da Reputação e Percepção Considerando a concorrência e as diversas opções de produtos e serviços aos quais os clientes de diferentes segmentos têm acesso, uma das preocupações das empresas deve ser a de fortalecer sua reputação. Isso depende da percepção que os públicos a elas ligados tenham constantemente. Pág. 34 de 80 Por essa razão, planejar ações e estar preparado para dar rápidas respostas, em casos de crises, são ações indispensáveis. 2 .4 .1 Princípios de Gestão e Reputação A reputação e a imagem de uma empresa são dois conceitos indissociáveis. Em meio à acirrada concorrência, trabalhar a reputação passa a ser imperativo, pois isso pode definir o fortalecimento ou o enfraquecimento da imagem organizacional. A reputação não vem da noite para o dia; ela é fruto de uma construção histórica, de uma trajetória pela qual determinada organização passou. Já a imagem é o que emerge dessa base e é expressada por diferentes públicos. Enquanto a imagem é mais ligada a efeitos imediatos e pode ser identificada rapidamente, principalmente por ações de comunicação, a reputação só pode ser identificada a partir de um histórico de atuação em determinado segmento, com objetivos, valores e ações bem definidos. A imagem que os diferentes públicos têm em relação à empresa nem sempre guarda semelhança com o que de fato ela é ou avalia ser. Por essa razão, buscar aproximar a imagem com a real identidade da empresa é fundamental. Figura 2 .5 - Identidade, reputação e imagem Fonte: Elaborada pelo autor. Preocupar-se com as percepções imediatas dos diferentes públicos é importante para ao desenvolvimento organizacional. Porém, é preciso considerar que a gestão voltada à reputação traz resultados mais duradouros. Mas afinal, quais os benefícios de se ter uma boa reputação? Além do aspecto financeiro, há vários outros. Pág. 35 de 80 De acordo com Almeida (2005), a cada aumento de 5% na reputação, a empresa tende a aumentar em 3% o seu valor financeiro de mercado. Mas não é só isso. Como reflexo disso, fortalece-se a atuação e a visão que se tem sobre a organização, uma vez que clientes querem comprar, acionistas querem investir, colaboradores querem trabalhar nesse espaço de credibilidade. Para que isso aconteça, é importante considerar que a reputação é fruto da percepção dos diferentes públicos que se relacionam com a organização. Portanto, todos precisam ser contemplados. Apesar de a reputação de uma empresa ser percebida no dia a dia, a partir do envolvimento dos diferentes públicos e os retornos recebidos, há diferentes formas de se avaliar o trabalho voltado ao fortalecimento da reputação. Entre elas, está a contemplação do RepTrak, ou seja, um regulador de reputação, desenvolvido pelo Instituto de Reputação. De acordo com esse regulador, as atividades da empresa precisam estar relacionadas a sete dimensões principais: desempenho, produtos, inovação, ambiente de trabalho, governança, cidadania e liderança, como mostra a Figura 2.6. Figura 2 .6 - Regulador de reputação (RepTrak) Fonte: Reputação institucional (s.d., p. 8). Pág. 36 de 80 2 .4 .2 Exemplos de Empresas que Praticam a Sustentabilidade com Valor Agregado à Gestão As empresas precisam ter gestores que compreendam que a sustentabilidade precisa integrar o branding. Mas afinal, o que representa esse conceito? De acordo com Martins (2006, p. 8), Branding é o conjunto de ações ligadas à administração das marcas. São ações que, tomadas com conhecimento e competência levam as marcas além da sua natureza econômica, passando a fazer parte da cultura, e a influenciar a vida das pessoas. O branding envolve diversas ações ligadas a diferentes conceitos e áreas. Esse trabalho de gestão e planejamento precisa considerar o alvo (target), o cliente (customer), a identidade (identity), o marketing e a gestão (management) da empresa. Figura 2 .7 - Branding Fonte: rawpixel / 123RF. Integrar a sustentabilidade efetivamente à gestão da marca significa conferi-la a um lugar de destaque, de modo que seja um dos pontos-chave do desenvolvimento empresarial. E, como vimos, isso pode trazer inúmeros ganhos, como vários exemplos que têm se multiplicado pelo mundo e no Brasil nos mostram. Se você nunca ouviu falar da rede de supermercados norte-americana Whole Foods Market, acho importante conhecer um pouco sobre sua história. O grupo é especializado em produtos orgânicos e alimentação saudável. Com mais de 90 mil colaboradores. Em 2013 o faturamento anual chegou a Pág. 37 de 80 aproximadamente 13 milhões de dólares. Em 2017, o grupo foi comprado pela Amazon, com o intuito de se estabelecer no mercado digital, entre outras razões. Apesar disso, o grupo é apontado como um case de destaque. O segredo durante sua atuação foio desenvolvimento de inúmeros programas, ligados direta ou indiretamente à sua área de atuação, que tinham por objetivo melhorar a alimentação das famílias, promover educação alimentar e ambiental para crianças, promover a reflexão sobre o consumo consciente, entre outras ações que não se desenvolviam de maneira isolada, mas como componentes de um criterioso planejamento organizacional. Em 2017, a Apple recebeu o prêmio de Empresa Sustentável mais Verde do mundo, coroando as recentes ações da marca para com o meio ambiente, como a utilização de energia solar. A Google também se destaca mundialmente por firmar compromissos com a utilização de energia renovável. Também merece destaque a fábrica têxtil Saitex, localizada no Vietnã, que, fornecendo produções a grandes marcas, como Calvin Klein, Ralph Lauren e Tommy Hilfiger, foi considerada como a fábrica de jeans mais sustentável do planeta, entre outras razões, por reciclar 98% de toda a água utilizada nas produções. ATENÇÃO Imagem e reputação são conceitos distintos. Enquanto o primeiro está relacionado a aspectos imediatos, o segundo se fundamenta a partir de uma trajetória da empresa sobre a qual se tenha conhecimento. Apesar disso, os dois conceitos são influenciados mutuamente, uma vez que a percepção da imagem traz reflexos para a reputação e vice-versa. No Brasil, há várias empresas que têm se preocupado, também, com a pauta. A Ypê, por exemplo, oferece produtos biodegradáveis e realiza diversas ações em benefício do meio ambiente, como o plantio de árvores em áreas degradadas. E, além de tudo isso, desponta como a principal marca lembrada em alguns segmentos de produtos, como lava-louças - o que demonstra a importância de se desenvolver ações sustentáveis. Pág. 38 de 80 FECHAMENTO As organizações, de modo geral, têm recebido cada vez mais cobranças para que desenvolvam ações para além de seus objetivos internos de crescimento e desenvolvimento econômico. Com isso, elas precisam atuar em prol de causas sociais e sustentáveis, reafirmando em cada momento o seu compromisso para com a sociedade como um todo. Um dos caminhos para se concretizar esse trabalho é aquele marcado pela interface entre gestão, comunicação e sustentabilidade, ou seja, o que indica que na administração organizacional é necessário desenvolver ações comunicativas voltadas a aspectos ambientais e sociais, de promoção da comunidade. Para tanto, não se deve compreender sustentabilidade como um conceito ligado exclusivamente ao aspecto ambiental. A sustentabilidade está relacionada a toda uma condição de vida, passando por setores como o da saúde e da educação. Nesse trabalho, cabe às empresas identificar os seus stakeholders, ou seja, os públicos influenciados e influenciadores da empresa, e, a partir daí, desenvolver ações pela e para a sustentabilidade. Esses grupos podem ser identificados a partir da observação de três aspectos emanados deles: legitimidade, contribuição/influência e resultados. Assim, compreender-se-á que existem os stakeholders considerados diretos, que são os que estão em relação direta com a empresa, como os fornecedores e os colaboradores, e os indiretos, que são aqueles que mantêm com a organização um relacionamento não tão direto, como a mídia e o governo. A partir de então, deve ser traçado um planejamento que contemple os diferentes grupos e, mais do que isso, que os envolva no fazer, uma vez que é cada vez mais demandada a possibilidade de se envolver no processo. Além de promover práticas sustentáveis para além dos muros da empresa, é importante envolver os públicos diretos para que comprem a causa. Isso faz com que a comunicação ligada à sustentabilidade seja, de fato, perceptível em todos os níveis, não soando apenas como uma oportunidade de convencimento. Pág. 39 de 80 No que tange aos recursos da comunicação, há uma grande variedade de opções, e quanto mais se conhecer os stakeholders e o seu padrão de consumo de conteúdos e informações, mais se pode direcionar adequadamente recursos a grupos. O trabalho com comunicação precisa contemplar dois aspectos importantíssimos: transparência e ética. Guiando-se a partir desses pressupostos, diminuem-se as chances de a empresa ser confrontada em relação ao discurso e às práticas. As organizações que têm a ética como aspecto norteador do trabalho tendem a se destacar, uma vez que os clientes têm buscado cada vez mais por ações dessa natureza. Além disso, os próprios colaboradores, quando compreendem a seriedade do local onde trabalham, podem contribuir significativamente para o rendimento e a produtividade. Nesse sentido, a criação de um código de ética organizacional é uma ação importante e contempla diferentes grupos. Toda organização trabalha com valores tangíveis e não tangíveis, ou seja, com aqueles que podem ser mensurados, quantificados, e aqueles que não são mensuráveis. Ambos os valores têm relação com a sustentabilidade: influenciam-na e são por ela influenciados. A sustentabilidade, quando relacionada à empresa, faz com que haja valoração da marca, o que implica, também, reputação e imagem mais firmes. Por falar nisso, todo o processo de branding, ou seja, de gestão da marca, precisa ter princípios sustentáveis. Há muitas empresas que servem de exemplo, nacional e internacionalmente. O que essas organizações mostram é que vale a pena ter o trabalho pautado pelo compromisso com a sustentabilidade. Primeiro pela responsabilidade que se tem sobre o meio. Segundo, porque esse aspecto pode representar destaque em meio à concorrência. Pág. 40 de 80 UNIDADE 3 INTRODUÇÃO Acompanhando a crescente demanda por ações e projetos sustentáveis em nossa sociedade, vários dispositivos vão sendo criados e desenvolvidos para que as organizações se ajustem ao que se espera delas em relação ao cuidado com o meio ambiente. Alguns desses dispositivos são os padrões estabelecidos a empresas do mundo todo, que servem para direcionar o trabalho empresarial e, ao mesmo tempo, estabelecer limites e cobranças sustentáveis. Por essa razão, aprenderemos, nesta unidade, os principais padrões internacionais e nacionais, bem como os caminhos para produções mais limpas, renováveis. Ao final desta aula, você será capaz de: • conhecer as principais normas e padrões internacionais. • conhecer as principais normas e legislações nacionais. • compreender os princípios da ecoeficiência e produção mais limpa nos processos de gestão. 3 . PRINCÍPIOS E LEGISLAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE Como forma de estabelecer princípios da sustentabilidade, há variados padrões legais no mundo, expressos em documentos de diferentes naturezas, que visam indicar padrões mínimos de qualidade para que as empresas repensem e acompanhem seus impactos sociais e ambientais. 3 .1 Padrões Internacionais: Certificação, Princípios e Outras Ações Os padrões e acordos globais ligados aos impactos socioambientais não são considerados obrigatórios, embora uma legislação de cada local possa considerar tais padrões como referências, tornando-os obrigatórios. Apesar da não obrigatoriedade, tais padrões costumam ser considerados por grandes empresas, por expressarem demandas atuais. Além disso, eles podem servir de indicadores para a atuação em alguns mercados. Pág. 41 de 80 Exploraremos a seguir: a Global Reporting Initiative, a certificação de responsabilidade social, os princípios da responsabilidade social (AA8000) e o Pacto Global, que representam certificações, padrões e ações em todo o mundo. 3 .1 .1 . Global Reporting Initiative (GRI) A GRI é uma organização internacional que foi criada com o intuito de ajudar empresas, governos e organizações, de modo geral, a se atualizarem sobre impactos socioambientais. Nessa ação, são exploradas questões de sustentabilidades urgentes que merecem atenção. Entre as questões abordadas estão as mudanças climáticas, os direitos humanos e problemas de corrupção.Figura 3 .1 - Global Reporting Initiative (GRI) Fonte: Sarahbilly / Wikimedia Commons. A partir das diretrizes da organização, é possível construir relatórios que apontem para os impactos de organizações de todos os tamanhos sobre o meio ambiente, a economia e a sociedade civil. O intuito é fazer emergir informações padronizadas, relevantes e confiáveis, para avaliação de riscos e tomadas de decisão. Uma das ações da GRI é fomentar o uso de relatórios, por parte das empresas, para que se tornem mais sustentáveis, contribuindo para a preservação do meio ambiente e a promoção social. A instituição é pioneira no trabalho que propõe desenvolver e é responsável por uma sólida e abrangente estrutura de relatórios de sustentabilidade, utilizada e explorada em todo o mundo. Tais relatórios consistem em documentos publicados por organizações de diferentes partes do planeta, apontando impactos econômicos, ambientais e sociais a partir de suas atividades. As Pág. 42 de 80 publicações apresentam, ainda, os valores organizacionais e o modelo de governança, relacionando suas estratégias e seu planejamento ao compromisso com a economia global sustentável. Os relatórios são disponibilizados gratuitamente. A GRI é uma instituição sem fins lucrativos. Foi fundada em Boston, em 1977, por Ceres e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Em 2002, teve o escritório mudado para Amsterdam, onde se encontra a sua secretaria. Atualmente, a GRI conta com escritórios regionais (focal points) nos seguintes países: Austrália, Brasil, China, Índia e nos Estados Unidos. Conta, também, com uma rede com mais de 30 mil especialistas por todo o mundo. SAIBA MAIS No endereço eletrônico da GRI, é possível encontrar informações detalhadas acerca do histórico, dos objetivos, dos relatórios e demais publicações da instituição. O acesso pode ser feito por meio do link a seguir. https://www.globalreporting.org/Pages/default.aspx. 3 .1 .2 Certificação de Responsabilidade Social (SA 800) A Social Accountability 8000 (SA 8000), traduzida como Responsabilidade Social 8000, é uma norma também internacional. Foi elaborada com o objetivo de promover a avaliação da responsabilidade social entre empresas fornecedoras e vendedoras. A norma está baseada em acordos emergidos da Organização Internacional do Trabalho (OIT), entre outros. A Responsabilidade Social 8000 existe desde 1997, por iniciativa do Órgão de Credenciamento do Conselho de Prioridades Econômicas (CEPAA) e está ligada à ONU e também a sindicatos e empresas gerais. Ela é voltada principalmente à avaliação das condições de trabalho, incluindo aspectos relacionados a trabalho infantil, atividades forçadas, saúde e segurança, liberdade para organizações trabalhistas, discriminação, práticas disciplinares, carga horária, remuneração, sistemas de gestão, entre outros. Observe a Figura 3.2: Pág. 43 de 80 Figura 3 .2 - SA 8000 Fonte: Elaborada pelo autor. 3 .1 .3 Princípios da Accountability para o Desenvolvimento Sustentável (AA1000APS) A AA1000APS (2008) é uma norma que reúne orientações para que as empresas padronizem e alicercem o trabalho voltado à compreensão, ao gerenciamento, à implementação e comunicação das prestações de contas, o que significa assumir com transparência os impactos e a atuação. Essa norma é guiada por três princípios fundamentais: o da inclusão, o da relevância e o de responsabilidade, voltados à sustentabilidade (Figura 3.3). A Inclusão pode ser compreendida, a partir do documento, da participação dos grupos e das partes interessadas e envolvidas no desenvolvimento e na efetivação de uma resposta estratégica e responsável em relação à sustentabilidade. Nesse processo se enquadram indivíduos, grupos de indivíduos ou organizações que afetam e/ou podem ser afetadas pelas atividades, pelos produtos ou serviços e estão ligados ao desempenho de uma organização. Esse princípio é plenamente atendido quando a organização se compromete com as causas sustentáveis e, mais do que isso, permite a participação dos diferentes segmentos no desenvolvimento de estratégias e ações com vistas a determinados resultados. A relevância se refere à capacidade de identificar quais são os aspectos relevantes e preponderantes em cada momento, para que possam receber atenção no planejamento e nas ações com vistas à Pág. 44 de 80 sustentabilidade. Para que esse princípio seja contemplado, é necessário o compromisso com o trato com as informações, com a transparência e a capacidade de se avaliar resultados teóricos e práticos. A responsabilidade, por sua vez, está relacionada ao comprometimento de uma organização em dar respostas rápidas e adequadas às demandas dos grupos a ela ligados, direta ou indiretamente. Para que esse princípio seja contemplado, o trabalho deve passar por definição de políticas, objetivos e metas, modelo de governo, sistemas e processos de gestão, planos de ação, envolvimento das partes interessadas, entre outros aspectos. O objetivo geral do documento é proporcionar às organizações um conjunto de princípios aceito internacionalmente. Tais princípios estão disponíveis de forma gratuita, permitindo o enquadramento e a estruturação da forma como as organizações compreendem, gerem, administram, implementam, avaliam e comunicam sua prestação de contas. Figura 3 .3 - Princípios da AA1000APS Fonte: Elaborada pelo autor. EXPLORE MAIS Tão importante quanto saber sobre os elementos, é conhecê-los na íntegra. Por isso, acesse o documento completo da AA1000APS, publicado em português, por meio do link a seguir. https://www.accountability.org/wp-content/uploads/2016/10/AA1000APS_portugues.pdf. Pág. 45 de 80 3 .1 .4 Pacto Global Figura 3 .4 - Pacto Global Fonte: Pacto Global Brasil, on-line. O Pacto Global é um movimento mundial que explora dez princípios universais. Tais princípios foram construídos a partir da Declaração Universal de Direitos Humanos, da Declaração da Organização Internacional do Trabalho sobre Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho, da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento e da Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção. Os princípios estão divididos em quatro categorias: direitos humanos, trabalho, meio ambiente e anticorrupção. Figura 3 .5 - Os dez princípios do Pacto Global Fonte: Adaptado de Pacto Global Brasil. Pág. 46 de 80 Todas as organizações que passam a fazer parte do Pacto Global firmam o compromisso de seguir esses princípios no dia a dia de suas operações. Em contrapartida, as empresas são certificadas e recebem apoio para a implementação de ações sustentáveis. 3 .2 Padrões Internacionais: Normas e Indicadores Outros dispositivos que estão postos como auxiliadores do trabalho para a sustentabilidade são as normas e os indicadores internacionais, que mais do que certificar e apresentar princípios, como vimos anteriormente, apresentam orientações normativas e indicam aspectos importantes ligados às atividades sustentáveis e sociais. Exploraremos a seguir: as diretrizes sobre Responsabilidade Social (ISO 26000), o Dow Jones Sustainability Index (DJ) e a International Finance Corporation (IFC). 3 .2 .1 . Diretrizes sobre Responsabilidade Social (ISO 26000) A ISO 26000 foi criada em 2010, na Suíça, com o objetivo de indicar diretrizes sobre responsabilidade social. Tal responsabilidade é vista no documento como o anseio e a responsabilidade pela incorporação de práticas socioambientais nas decisões organizacionais, com motivações éticas e transparentes e com engajamento de todos os setores. As orientações da norma são direcionadas a qualquer tipo de organização, tratando sobre conceitos, histórico, princípios, práticas, integração, implementação, engajamento e comunicação, entre outros aspectos relacionados à responsabilidade social. O documento está construído com base em sete princípios: Accountability: Ato de responsabilizar-sepelas consequências de suas ações e decisões, respondendo pelos seus impactos na sociedade, na economia e no meio ambiente, prestando contas aos órgãos de governança e demais partes interessadas declarando os seus erros e as medidas cabíveis para remediá-los. Obs.: Optou-se por não traduzir este termo, porém uma aproximação razoável seria responsabilização. Transparência: Fornecer às partes interessadas de forma acessível, clara, compreensível e em prazos adequados todas as informações sobre os fatos que possam afetá-las. Comportamento ético: Agir de modo aceito como correto pela sociedade - com base nos valores da honestidade, equidade e integridade, perante as pessoas e a natureza - e de forma consistente com as normas internacionais de comportamento. Pág. 47 de 80 Respeito pelos interesses das partes interessadas (stakeholders): Ouvir, considerar e responder aos interesses das pessoas ou grupos que tenham interesse nas atividades da organização ou por ela possam ser afetados. Respeito pelo Estado de Direito: O ponto de partida mínimo da responsabilidade social é cumprir integralmente as leis do local onde está operando. Respeito pelas Normas Internacionais de Comportamento: Adotar prescrições de tratados e acordos internacionais favoráveis à responsabilidade social, mesmo que não haja obrigação legal. Direito aos humanos: Reconhecer a importância e a universalidade dos direitos humanos, cuidando para que as atividades da organização não os agridam direta ou indiretamente, zelando pelo ambiente econômico, social e natural que requerem (INMETRO, on-line). Também são apontados sete temas centrais. É necessário contemplar todos os temas, mas não existe a obrigatoriedade de se contemplar todos os aspectos de cada um, definição que deve ocorrer junto aos stakeholders. Governança organizacional: Trata de processos e estruturas de tomada de decisão, delegação de poder e controle. O tema é, ao mesmo tempo, algo sobre o qual a organização deve agir e uma forma de incorporar os princípios e práticas da responsabilidade social à sua forma de atuação cotidiana. Direitos humanos: Inclui due diligence, situações de risco para os DH; como evitar cumplicidade; resolução de queixas; discriminação e grupos vulneráveis; direito civis e políticos, direitos econômicos, sociais e culturais; princípios e direitos fundamentais do trabalho. Práticas trabalhistas: Refere-se tanto a emprego direto quanto ao terceirizado e ao trabalho autônomo. Inclui emprego e relações do trabalho; condições de trabalho e proteção social; diálogo social; saúde e segurança no trabalho; desenvolvimento humano e treinamento no local de trabalho. Meio ambiente: Inclui prevenção da poluição; uso sustentável de recursos; mitigação e adaptação às mudanças climáticas; proteção do meio ambiente e da biodiversidade e restauração de habitats. Práticas leais de operação: Compreende práticas anticorrupção; envolvimento político responsável; concorrência leal; promoção da responsabilidade social na cadeia de valor e respeito aos direitos de propriedade. Questões dos consumidores: Inclui marketing leal, informações factuais e não tendenciosas e práticas contratuais justas; Proteção à saúde e a segurança do consumidor; consumo sustentável; atendimento e suporte ao consumidor e solução de reclamações e controvérsias; proteção e privacidade dos dados do consumidor; acesso a serviços essenciais e educação e conscientização. Envolvimento e desenvolvimento da comunidade: Refere-se ao envolvimento da comunidade; educação e cultura; geração de emprego e capacitação; desenvolvimento tecnológico e acesso a tecnologias; geração de riqueza e renda; saúde e investimento social (INMETRO, on-line). Pág. 48 de 80 Quadro 3 .1 - ISO 26000 - Princípios e temas centrais Princípios Temas Centrais Accountability Governança Organizacional Transparência Direitos Humanos Comportamento ético Práticas Trabalhistas Respeito pelos interesses das partes interessadas (Stakeholders) Meio Ambiente Respeito pelo Estado de Direito Práticas leais de operação Respeito pelas Normas Internacionais de comportamento Questões dos consumidores Direito aos Humanos Envolvimento e desenvolvimento da comunidade Fonte: Elaborado pelo autor. DICAS DO PROFESSOR Vamos saber mais sobre a ISO 26000? Acesse o QR Code na sequência e assista ao vídeo institucional que apresenta explicações sobre a existência da norma. Pág. 49 de 80 3 .2 .2 Dow Jones Sustainability Index (DJ) Figura 3 .6 - DJ Fonte: Sustainable Infrastructure Tools (on-line). O DJ é um indicador também global. Seu foco está no desempenho financeiro das empresas. Existe desde 1999 e conquista grande atenção, uma vez que as empresas que figuram do índice são apontadas como as mais competentes e capazes de criar valores a acionistas, perante gestão de riscos econômicos, ambientais e sociais. Geralmente, são avaliados 61 setores econômicos. Na avaliação do índice, são consideradas as dimensões social, econômica e ambiental, de modo que para figurar bem no ranking, é preciso demonstrar bom desempenho em diferentes áreas. Alguns pontos são, até mesmo, eliminatórios. Por meio desse indicador, considera-se o desempenho econômico pleno como dependente do cumprimento de metas e ações no campo da sustentabilidade. Pág. 50 de 80 CURIOSIDADES Confira as empresas que ocuparam, em 2019, o primeiro lugar em cada um dos 61 setores econômicos (nenhuma genuinamente brasileira ocupa o primeiro lugar): 1. Aeroespacial e Defesa: Leonardo SpA 2. Companhias aéreas: Air France - KLM 3. Alumínio: Alcoa Corp 4. Componentes automotivos: Pirelli & Co SpA 5. Automóveis: Peugeot SA 6. Bancos: Banco Santander SA 7. Bebidas: Thai Beverage PCL 8. Biotecnologia: Biogen Inc 9. Produtos para construção: Owens Corning 10. Cassinos e jogos: Star Entertainment Grp Ltd 11. Produtos químicos: PTT Global Chemical PCL 12. Carvão e combustíveis consumíveis: Banpu PCL 13. Serviços e suprimentos comerciais: Waste Management Inc 14. Equipamentos de comunicação: Cisco Systems Inc 15. Computadores e periféricos, e eletrônicos de escritório: Hewlett Packard Enterprise Co 16. Construção e engenharia: Ferrovial SA 17. Materiais de construção: Grupo Argos SA/Colombia 18. Recipientes e embalagens: BillerudKorsnas AB 19. Serviços diversificados ao consumidor: nenhuma empresa classificada 20. Serviços financeiros diversificados e mercado de capitais: UBS Group AG 21. Utilidades elétricas: Terna Rete Elettrica Nazionale SpA 22. Componentes e equipamentos elétricos: Signify NV 23. Equipamentos, instrumentos e componentes eletrônicos: Delta Electronics Inc 24. Equipamentos e serviços energéticos: Saipem SpA 25. Varejo de alimentos e grampos: CP ALL PCL 26. Produtos alimentícios: Thai Union Group PCL Pág. 51 de 80 27. Utilitários de gás: Naturgy Energy Group SA 28. Equipamentos e suprimentos de saúde: Abbott Laboratories 29. Prestadores de cuidados de saúde e serviços: Cigna Corp 30. Construção de casas: Sumitomo Forestry Co Ltd 31. Hotéis, resorts e linhas de cruzeiro: Hilton Worldwide Holdings Inc 32. Utilidades domésticas: Arcelik AS 33. Produtos para o lar: Colgate-Palmolive Co 34. Conglomerados industriais: SK Holdings Co Ltd 35. Seguros: Allianz SE 36. Mídia interativa, serviços e entretenimento doméstico: Alphabet Inc 37. Serviços de TI: Atos SE 38. Equipamentos e produtos de lazer e eletrônicos: LG Electronics Inc 39. Ferramentas e serviços de ciências biológicas: Agilent Technologies Inc 40. Máquinas e equipamentos elétricos: CNH Industrial NV 41. Mídia, filmes e entretenimento: Telenet Group Holding NV 42. Metais e mineração: Teck Resources Ltd 43. Concessionárias de utilidades múltiplas e água: Engie SA 44. Refino de óleo, gás e marketing: Thai Oil PCL 45. Armazenamento e transporte de petróleo e gás: Enagas SA 46. Upstream de óleo, gás e integração: PTT Exploration & Production PCL 47. Papel e produtos florestais: UPM-Kymmene Oyj 48. Produtos pessoais: UnileverNV 49. Farmacêutica: GlaxoSmithKline PLC 50. Serviços profissionais: SGS SA 51. Imobiliária: Dexus 52. Restaurantes e instalações de lazer: Sodexo SA 53. Varejo: Wesfarmers Ltd 54. Semicondutores e equipamentos de semicondutores: ASE Technology Holding Co Ltd 55. Programas de computador: SAP SE 56. Aço: Hyundai Steel Co 57. Serviços de telecomunicações: True Corp PCL 58. Têxteis, vestuário e artigos de luxo: Moncler SpA 59. Tabaco: British American Tobacco PLC 60. Empresas de comércio e distribuidores: ITOCHU Corp 61. Transporte e infraestrutura de transporte: Royal Mail PLC Fonte: GEDAF (2019, on-line). 3 .2 .3 International Finance Corporation (IFC) A IFC é uma instituição também global, localizada em Washington, EUA. Ligada ao Banco Mundial, realiza serviços de investimento, consultoria e administração de ativos. Tem como objetivo incentivar o setor privado em países menos desenvolvidos. Pág. 52 de 80 Existe desde 1956 e tem investido em programas e ações, principalmente, voltados à redução da pobreza. Empréstimos a longo prazo ofertados pela instituição são atrativos a empresas de diferentes ramos. Link do endereço eletrônico da IFC, em português: https://www.ifc.org/wps/wcm/connect/multilingual_ext_content/ifc_external_corporate_site/home_pt 3 .3 Padrões Nacionais Tão importante quanto ficar atento aos padrões que norteiam o trabalho sustentável e social de organizações em todo o mundo é voltar-se aos padrões que existem no território nacional. A seguir, veremos sobre o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE Bovespa), sobre o Sistema de Gestão Ambiental (ISO 14001) e sobre as Rotulagens Ambientais (ISO 14024). 3 .3 .1 Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE Bovespa) O ISE nasceu em 2005 como uma iniciativa pioneira na América Latina. Seus objetivos principais são: criar um ambiente de investimento compatível com as demandas de desenvolvimento sustentável da sociedade contemporânea e estimular a responsabilidade ética das corporações. Trata-se, de maneira geral, de uma ferramenta que permite a comparação de empresas, com base em princípios de sustentabilidade corporativa, baseada em eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa. Foi originalmente financiado pela International Finance Corporation (IFC), braço financeiro do Banco Mundial, seu desenho metodológico é responsabilidade do Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVCes) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV- EAESP). O índice é gerado pela ferramenta B3, que possui em sua carteira, em 2019, 28 companhias, conforme mostra o Quadro 3.2. Pág. 53 de 80 Quadro 3 .2 - Companhias da Carteira 2019 ISE B3 AES Tietê Braskem Copel Eletrobras Itaú Unibanco Lojas Americanas Santander B2W CCR Duratex Eletropaulo Itaúsa Lojas Renner Telefônica Banco do Brasil Cemig Ecorodovias Engie Klabin MRV Tim Bradesco Cielo EDP Fleury Light Natura Weg Fonte: Elaborado pelo autor. EXPLORE MAIS Uma das vantagens do índice é a possibilidade de conhecer as respostas das organizações em diferentes aspectos e áreas. Assim, é possível conhecer as ações das companhias e compará-las. Acesse o link a seguir e consulte. http://iseb3.com.br/respostas 3 .3 .2 Sistema de Gestão Ambiental (ISO 14001) O ISO 14001 (2015) surge para propor ações de mudanças efetivas em benefício do meio ambiente. Para isso, propõe um Sistema de Gestão Ambiental a todas as empresas, considerando que não basta agir de maneira correta no que tange à sustentabilidade, mas gerir planejamento da área, de modo a contribuir para o desenvolvimento da sociedade como um todo. A aplicação da norma depende de fatores como a política ambiental da organização, da natureza das atividades por ela desenvolvidas, dos seus produtos e serviços, dos locais e das condições nas quais o sistema funciona e do atendimento aos requisitos legais e estatutários do mercado que atua. A abordagem adotada pela ISO 14001 aponta para a possibilidade de as empresas contribuírem para a proteção ao meio ambiente pela prevenção ou mitigação dos impactos ambientais adversos, pela mitigação de potenciais efeitos adversos das condições ambientais da organização, pelo aumento do desempenho ambiental e pela utilização de perspectiva de ciclo de vida que pode prevenir o deslocamento involuntário dos impactos ambientais dentro do ciclo de vida. Além de contemplar a valoração econômica, por meio da economia dos custos, a ISO também tem como foco a agregação de valor às organizações, por conta do comprometimento com as causas sustentável e social. Pág. 54 de 80 3 .3 .3 Rotulagens Ambientais (ISO 14024) A ISO 14024 explora a rotulagem ambiental. Em outras palavras, tem o objetivo de trazer à tona informações importantes sobre os produtos para consumidores, com o intuito de contribuir para o consumo consciente e, também, para a preservação ambiental. Elaborada em 2004, a norma teve uma revisão e atualização em 2018. Mas afinal, por que se preocupar com a rotulagem ambiental? O programa é um relevante fator de competição no mercado, já que os consumidores têm maior interesse por produtos e serviços que sejam desenvolvidos a partir da preocupação com o impacto na sociedade. A tendência no Brasil e no mundo é a da valorização de atividades ecologicamente corretas. Além de se destacarem comercialmente, as empresas que têm o selo especial contribuem para a conscientização dos consumidores e de outras marcas. 3 .4 Ecoeficiência e Produção Mais Limpa Além de saber sobre as normas e padrões relacionados à sustentabilidade, é preciso considerar que existem muitos conceitos que precisam ser dominados para uma gestão sustentável. Um deles é o de ecoeficiência, que representa um método para se diminuir a poluição e aumentar a sustentabilidade ambiental. O objetivo é controlar a realização de ações e a emissão de produtos e não apenas agir após as ocorrências. A ecoeficiência, de maneira geral, coloca em discussão a necessidade de buscar alternativas que sejam, ao mesmo tempo, eficientes e ecológicas. Por essa razão, contempla uma série de atividades que estejam relacionadas a uma produção mais limpa, independentemente do tipo de produto. Passar a integrar no planejamento o conceito e as práticas dele decorrentes é importante para a gestão que tenha como objetivo contribuir com o meio ambiente. Com isso, é possível propor ações para a utilização de menos insumos, como matéria-prima, água e energia. A ecoeficiência se materializa a partir de ações que contribuam para reduzir o consumo de recursos e o impacto sobre a natureza, utilizando recursos renováveis que são geridos de forma sustentável, bem como minimizando emissões e resíduos. Essas ações são: fornecer aos clientes produtos e serviços de maior qualidade, minimizar a dispersão de tóxico, fomentar a reciclagem dos Pág. 55 de 80 resíduos, estender a durabilidade dos produtos e promover a educação dos consumidores para um uso mais racional dos recursos naturais e energéticos. CURIOSIDADES De acordo com pesquisa desenvolvida pelo Green Building Council e divulgada em 2019, o Brasil é o 5º país que mais possui construções sustentáveis, ou seja, que são feitas pensando-se em reaproveitamento de água, utilização de materiais recicláveis, condições bioclimáticas, geração de energia, entre outros aspectos. O país fica somente atrás dos Estados Unidos, da China, do Canadá e da Índia. Pág. 56 de 80 FECHAMENTO Como suporte ao aprimoramento do trabalho pautado por princípios sustentáveis, surgem dispositivos, normas e certificações nacionais e internacionais, que, ao mesmo tempo que contribuem para nortear a atuação das organizações, conferem a elas posição no ranking que avalia o comprometimento das empresas com as causas ambientais e sociais. Por conta disso, os profissionais ligados à gestão e comunicação organizacional precisam saber dos principais elementosutilizados dentro e fora do Brasil, para o alinhamento das ações a curto, médio e longo prazo. A GRI (Global Reporting Initiative) é uma organização internacional criada para ajudar empresas, governos e organizações, de modo geral, a se atualizarem sobre impactos socioambientais. Explora questões de sustentabilidade urgentes, que merecem atenção, como as de mudanças climáticas, direitos humanos e problemas de corrupção. As diretrizes servem de base para a construção de relatórios que apontem para os impactos de organizações de todos os tamanhos sobre o meio ambiente, a economia e a sociedade civil, trazendo à tona dados genéricos e padronizados internacionalmente, sendo, portanto, relevantes e confiáveis, para avaliação de riscos e tomadas de decisão. A instituição é pioneira nesse trabalho. É, também, a responsável por uma sólida e abrangente estrutura de relatórios de sustentabilidade, utilizada e explorada em todo o mundo. A Social Accountability (SA) 8000, traduzida como Responsabilidade Social 8000 foi elaborada com o objetivo de promover a avaliação da responsabilidade social entre empresas fornecedoras e vendedoras. A norma está baseada em acordos emergidos da Organização Internacional do Trabalho (OIT), entre outros. Existe desde 1997, por iniciativa do Órgão de Credenciamento do Conselho de Prioridades Econômicas (CEPAA) e está ligada à ONU, além de sindicatos e empresas gerais. Ela é voltada, principalmente, à avaliação das condições de trabalho, incluindo aspectos relacionados a trabalho infantil, atividades forçadas, saúde e segurança, liberdade para organizações trabalhistas, discriminação, práticas disciplinares, carga horária, remuneração, sistemas de gestão, entre outros. A Accountability para o desenvolvimento sustentável (AA1000APS) é uma norma que reúne orientações para que as empresas padronizem e alicercem o trabalho voltado à compreensão, Pág. 57 de 80 gerenciamento, implementação e comunicação das prestações de contas. Isso significa assumir, com transparência, os impactos e a atuação. Essa norma é guiada por três princípios fundamentais: o da inclusão, o da relevância e o de resposta, voltados à sustentabilidade. Já o Pacto Global é um movimento mundial que explora dez princípios universais, construídos a partir da Declaração Universal de Direitos Humanos, da Declaração da Organização Internacional do Trabalho sobre Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho, da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento e da Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção. Os princípios estão divididos em quatro categorias: direitos humanos, trabalho, meio ambiente e anticorrupção. A ISO sobre Responsabilidade Social (ISO 26000) foi criada em 2010, na Suíça, com o objetivo de indicar diretrizes sobre responsabilidade social. Tal responsabilidade é vista no documento como o anseio e a responsabilidade pela incorporação de práticas socioambientais nas decisões organizacionais, com motivações éticas e transparentes e com engajamento de todos os setores. O DJ (Dow Jones) é um indicador também global. Seu foco está no desempenho financeiro das empresas. Existe desde 1999 e conquista grande atenção, uma vez que as empresas que figuram do índice são apontadas como as mais competentes e capazes de criar valores a acionistas, perante gestão de riscos econômicos, ambientais e sociais. Geralmente, são avaliados 61 setores econômicos. Na avaliação do índice, são consideradas as dimensões social, econômica e ambiental, de modo que para figurar bem no ranking, é preciso demonstrar bom desempenho em diferentes áreas. Alguns pontos são, até mesmo, eliminatórios. Por meio desse indicador, considera-se o desempenho econômico pleno como dependente do cumprimento de metas e ações no campo da sustentabilidade. A IFC (International Finance Corporation) é uma instituição também global, localizada em Washington, EUA. Ligada ao Banco Mundial, realiza serviços de investimento, consultoria e administração de ativos. Seu o objetivo é incentivar o setor privado em países menos desenvolvidos. Existe desde 1956 e investe em programas e ações principalmente voltados à redução da pobreza. Empréstimos a longo prazo ofertados pela instituição são atrativos para empresas de diferentes ramos. Em relação aos padrões nacionais, destaca-se o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE Bovespa), que surgiu em 2005 como uma iniciativa pioneira na América Latina. Seus objetivos principais são: criar um ambiente de investimento compatível com as demandas de desenvolvimento sustentável da sociedade contemporânea e estimular a responsabilidade ética das corporações. Trata-se, de maneira geral, de uma ferramenta que permite a comparação de empresas, com base em Pág. 58 de 80 princípios de sustentabilidade corporativa, baseada em eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa. Vale destacar, também, o Sistema de Gestão Ambiental (ISO 14001), que surge para propor ações de mudanças efetivas em benefício do meio ambiente. Para isso, propõe um sistema de gestão ambiental a todas as empresas, considerando que não basta agir de maneira correta no que tange à sustentabilidade, mas gerir planejamento da área, de modo a contribuir para o desenvolvimento da sociedade como um todo. O documento de Rotulagens ambientais (ISO 14024), por sua vez, explora a rotulagem ambiental. Em outras palavras, tem o objetivo de trazer à tona informações importantes sobre os produtos para consumidores, com o intuito de contribuir para o consumo consciente e, também, para a preservação ambiental. Essa norma foi elaborada em 2004 e teve uma revisão e atualização em 2018. Com base no conhecimento acerca dos padrões, certificados e normas, é possível elaborar um planejamento, seguido de ações genuinamente sustentáveis. Nesse processo, a recomendação é para que as empresas se guiem pelo conceito de ecoeficiência, ou seja, o desenvolvimento de produtos e serviços que produzem mais e melhor, com menos recursos. Isso contribui para que a organização não apenas comunique sobre sustentabilidade, mas vivencie todo um processo com respeito ao meio ambiente e ao contexto social. Pág. 59 de 80 UNIDADE 4 INTRODUÇÃO Torna-se cada vez mais necessário às empresas assumir responsabilidades para com a sociedade na qual estão inseridas. Tais compromissos se fundamentam em diferentes aspectos, entre os quais o social e o ambiental, e se traduzem como condições para o fortalecimento da imagem e da reputação das organizações. Ao mesmo tempo são oportunidades para promover o engajamento de públicos a elas vinculados em causas importantes e consideradas urgentes. Além das ações efetivamente planejadas e realizadas, é importante manter um controle das conquistas e do trabalho realizado em prol de causas que extrapolem os limites econômicos e alcancem, de fato, o campo social. Dentre as ferramentas disponíveis para esse trabalho estão o balanço social e o relatório de sustentabilidade, que, se desenvolvidos de maneira adequada, podem contribuir para que as organizações promovam seu trabalho e, além disso, despontem como responsáveis em meio à concorrência. Por conta disso, é importante compreender os fundamentos de tais ferramentas. Ao final desta aula, você será capaz de: • compreender a importância de balanços sociais nas corporações; • entender a importância de relatórios de sustentabilidade nas empresas; • compreender a diferença entre balanços sociais e relatórios de sustentabilidade. 4 . BALANÇOS SOCIAIS E RELATÓRIOS DE SUSTENTABILIDADE O que as organizações estão fazendo a favor e/ou contra o meio ambiente precisa ser controlado e publicizado. É a partir dessa percepção que os balanços sociais e os relatórios de sustentabilidade ganham destaque como ferramentas para trazer transparência à atuação das empresas e ao impacto socioambiental. Afinal, o que representacada uma dessas ferramentas? No que elas se diferenciam? Como podem contribuir para o crescimento da instituição? Sobre essas indagações refletiremos a seguir. Pág. 60 de 80 Antes, porém, vamos discutir sobre o conceito de desenvolvimento sustentável, ao qual tais dispositivos estão vinculados. De acordo com Coutinho, Macedo-Soares e Silva (2006), esse termo refere-se ao trabalho que envolve ações de ecodesenvolvimento (desenvolvimento com preocupação e comprometimento ecológicos), relacionando-se a diferentes áreas, como a social, a educacional, a da saúde, a tecnológica, a cultural, a organizacional etc. Assim pensando, propor um trabalho pautado pelo desenvolvimento sustentável requer a compreensão de que este não se relaciona unicamente ao sentido ambiental, mas faz parte de todos os processos de ação do homem em sociedade, de modo que ações, programas e projetos sustentáveis impactam diretamente a vida de todo um grupo. Os autores apontam que essa compreensão pode ser mais clara a partir da consideração de um tripé que explique a estruturação do desenvolvimento sustentável. Segundo eles, o tripé é formado por três elementos: equidade social (consideração das igualdades e oportunidades de acesso aos recursos sociais), conservação ambiental (ação que garante os recursos do meio ambiente às gerações atuais e às vindouras) e eficiência econômica (aspecto que não pode ser desprezado pelas empresas, mas precisa estar em sintonia com os dois primeiros). Quando tais elementos de base não são considerados, há uma desregulação do processo. Isso também ocorre quando um é valorizado demais em detrimento de outro. Sendo assim, tanto os balanços sociais quanto os relatórios de sustentabilidade precisam ser construídos a partir de uma visão macro e não apenas segmentada. 4 .1 Balanço Social O balanço social passou a ser elaborado e divulgado a partir de pressões populares para que empresas de diferentes segmentos se comprometessem com a sociedade em seus aspectos sociais, ambientais etc. Esse movimento começou nos Estados Unidos e na França, mas, como efeito da globalização, avançou por diferentes partes do mundo. Nesse documento, cada organização aponta as contribuições para educação, formação, qualificação profissional, consciência ambiental, entre outros assuntos relacionados ao bem-estar social. Pág. 61 de 80 Influenciado pelos modelos norte-americano e europeu, o balanço social no Brasil passou a ser posto em discussão a partir da década de 1970. A partir de então, tem crescido a preocupação em produzir documentos que atestem a preocupação com o desenvolvimento social. Apesar de também não haver aqui uma receita ou uma indicação taxativa sobre como deve ser elaborado um balanço social, os profissionais ligados à gestão de uma empresa, em especial os de comunicação, podem considerar contemplar, ao menos, quatro partes principais. A primeira é a apresentação, por meio da qual são explorados temas como missão e valores da empresa, mensagem do presidente, perfil do empreendimento e setor de economia. A segunda refere-se à empresa. Aqui, precisam ser explorados o histórico, os princípios e valores, a estrutura, o funcionamento e a governança corporativa. A terceira parte é a da atividade empresarial, que precisa contemplar informações sobre diálogo com as partes interessadas e indicadores de desempenho. A quarta parte é composta pelos anexos, que podem reunir documentos como demonstrativo do balanço social, de iniciativas de interesse da sociedade, além de notas gerais. Entre grandes empresas adeptas dessa ação, podemos citar: Banco Bradesco, Caixa Econômica Federal (CEF), Cia de Seguros Aliança do Brasil, Copagaz Distribuidora de Gás Ltda., Copel Distribuição S/A, Empresa Brasileira de Aeronáutica S.A (Embraer), Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), Oi e Petróleo Brasileiro S.A (Petrobras). Como se percebe, as organizações que se comprometem com essa ação são de diferentes naturezas e é cada vez maior o número de empresas, de diferentes segmentos e tamanhos, que produzem balanços sociais, pois compreende-se que eles são uma ferramenta importante para que a empresa se firme e comunique seus compromissos com o desenvolvimento socioambiental. SAIBA MAIS O balanço social está relacionado à ideia de responsabilidade social, que se refere, de maneira geral, ao comprometimento que as organizações devem ter com o desenvolvimento do local onde estão instaladas. Como o desenvolvimento social passa por várias áreas, cabe às empresas destinar investimentos em diferentes segmentos da sociedade. Pág. 62 de 80 4 .1 .1 . Conceito de Balanço Social O balanço social é uma publicação anual produzida pelas empresas com o intuito de demonstrar o que elas têm feito em benefício da sociedade. Nesse demonstrativo, que pode ser usado para melhorar a reputação e a imagem de uma organização perante os públicos a ela vinculados, estão reunidos projetos e ações que geram benefícios sociais. É um documento por meio do qual a empresa demonstra de que maneira tem contribuído efetivamente para a melhoria do meio ambiente e da sociedade como um todo, levando em consideração os seus diferentes stakeholders. Na elaboração do balanço social é recomendável a participação de profissionais de diferentes áreas, de forma a contemplar várias categorias. Com isso, o demonstrativo se torna mais eficaz e alcança o maior número de pessoas e seus anseios. Figura 4 .1 - O balanço social permite aos diferentes públicos conhecer os investimentos da empresa com causas sociais Fonte: Nicoelnino / 123RF. 4 .1 .2 Casos reais de Balanços Sociais No Brasil, há três modelos de balanços sociais que têm servido como padrão, sendo dois nacionais e um internacional. Um dos brasileiros é proposto pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e o outro pelo Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. O internacional é o sugerido pela Global Reporting Initiative (GRI). Há informações básicas que devem ser apontadas pelos três modelos. Pág. 63 de 80 O do Ibase surgiu em 1997, embasando-se em balanços financeiros, com o objetivo de apresentar detalhadamente as informações numéricas acerca da responsabilidade social. Sua construção se dá a partir de planilha, com dados sobre folha de pagamento, gastos com encargos sociais de funcionários, participação nos lucros, controle ambiental e investimentos sociais externamente a cada empresa, com foco em diferentes áreas, como educação, cultura e saúde. Figura 4 .2 - Logo do Ibase Fonte: Ibase (on-line). O Guia de Elaboração de Balanço Social do Instituto Ethos, por sua vez, consiste em um relatório detalhado a partir dos princípios e das ações organizacionais, incorporando os indicadores Ethos de responsabilidade social empresarial e a planilha proposta pelo Ibase, e apresenta detalhes das tomadas de decisão sobre os problemas e acerca dos resultados alcançados. Figura 4 .3 - Logo do Instituto Ethos Fonte: Instituto Ethos (2019, on-line). Já o Guia de Diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI) é considerado o mais completo e detalhista. É composto de princípios relacionados aos conteúdos para a garantia da qualidade da informação exposta, dos indicadores de desempenho e dos protocolos técnicos com metodologias de compilação e fontes de referências. O modelo está em sua terceira edição, G3, disponível em português. Pág. 64 de 80 4 .1 .3 Diferenças entre Balanço Social e Relatórios de Sustentabilidade O balanço social tem por foco, preponderantemente, os aspectos quantitativos, enquanto os relatórios de sustentabilidade focam os aspectos qualitativos. Os relatórios têm a premissa de reunir e apontar aspectos ligados ao desenvolvimento sustentável, passando por indicadores como educação, longevidade e saúde, nem sempre mensuráveis. O balanço social, por sua vez, pode ser compreendido mais comoum relatório contábil no qual há dados sociais. Contudo, isoladamente, o balanço social não contempla todos os aspectos e valores não tangíveis. Por isso, é importante sempre relacionar o balanço aos relatórios, tendo em vista que um pode complementar o outro. DICAS DO PROFESSOR Balanço social e relatório de sustentabilidade são complementares. Enquanto o primeiro está mais relacionado a aspectos quantitativos (números), a partir de planilha, o segundo explora com mais detalhes o desenvolvimento de projetos, atividades e ações com vistas à sustentabilidade, passando por diferentes áreas sociais, como saúde e educação. 4 .2 Relatórios de Sustentabilidade Com o intuito de evidenciar as ações sustentáveis é que são desenvolvidos os relatórios de sustentabilidade. No entanto, as ações sustentáveis não são somente aquelas ligadas ao aspecto ambiental, mas sim as que contemplam também áreas como educação, longevidade, saúde e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). 4 .2 .1 Conceito de Relatório de Sustentabilidade Os relatórios de sustentabilidade consistem em documentos que apontam planos, ações, programas e resultados ligados ao desenvolvimento sustentável. São encabeçados por empresas que procuram agir e comunicar para a sustentabilidade. É por meio do relatório que se pode compreender, de fato, os benefícios de diferentes ações para os públicos vinculados a uma organização, com reflexos em suas formas de organização e de vida. Pág. 65 de 80 4 .2 .2 Principais Diretrizes para a Elaboração de Relatórios de Sustentabilidade Existem diversos modelos de relatórios de sustentabilidade, elaborados e produzidos por organizações de diferentes segmentos. De maneira geral, algumas diretrizes merecem atenção e podem compor a elaboração, dentre elas a contemplação de algumas partes importantes. Um dos aspectos é a contemplação das diretrizes da GRI, que trazem elementos importantes sobre as tendências e orientações globais. Outra parte é a consideração dos princípios sobre os quais o relatório é produzido. Tais princípios são: • Inclusão: Engajamento das partes interessadas. • Transparência: Divulgação dos procedimentos e recursos utilizados para se elaborar o documento. • Verificabilidade: Divulgação de maneira que permita a analistas, auditores, fornecedores e outros públicos a verificação e a confirmação. • Abrangência: Os dados devem ter a abrangência da organização e dos públicos, com respeito aos limites declarados, o escopo e o prazo das ações. • Relevância: Indica a importância que os dados selecionados e explorados têm para a empresa e para os públicos a ela vinculados. • Contexto de sustentabilidade: Situa a organização e suas ações em contextos mais amplos que os de sua área direta de atuação. • Exatidão: Compromisso em diminuir o máximo possível a margem de erro, mantendo o tratamento de dados de maneira exata e correta. • Neutralidade: Produções, mesmo com indicações de limites e entraves, livres de distorções e de mascaramento. • Comparabilidade: Sequência de um padrão na elaboração de documentos, de forma a permitir comparações adequadas entre um e outro. • Clareza: Produção em consonância com o perfil e a linguagem dos públicos. • Periodicidade: Determinação de períodos de publicações que se adequem às características da empresa e de seus públicos. Observe na Figura 4.4 a organização de tais princípios. Pág. 66 de 80 Figura 4 .4 - Organização dos princípios do relatório de sustentabilidade Fonte: GRI - Global Reporting Initiative (2002, on-line). Ao seguir os princípios, ao se chegar ao conteúdo propriamente dito, é necessário dividir as ações por segmentos de atuação, trazendo objetivos, resultados e conquistas, bem como os desafios para o futuro. Se necessário, pode-se explorar glossários e anexos sobre a atuação e os programas. 4 .2 .3 Casos Reais de Relatórios de Sustentabilidade A título de compreensão mensurável e também para análise geral do mercado, é sempre importante analisar como organizações de um mesmo ou de diferentes segmentos estão desenvolvendo os seus relatórios de sustentabilidade. Aqui, exploraremos alguns, mas você pode fazer dessa atividade uma ação constante. O Instituto Aço Brasil, que é mantido por 11 grupos empresariais que operam em cerca de 30 usinas, é uma entidade sem fins lucrativos e tem por missão o fomento à competitividade e à sustentabilidade no setor de produção de aço. Como expressão de seu desejo de apontar o compromisso com o aspecto sustentável, apresenta um relatório digital e bastante dinâmico. Pág. 67 de 80 Figura 4 .5 - Capa do Relatório de Sustentabilidade do Instituto Aço Brasil Fonte: Instituto Aço Brasil (2018, on-line). O relatório da organização está dividido em oito partes: Apresentação, Cenário Econômico, Setor do Aço, Processo de Produção do Aço, O Aço e a Economia Circular, Desempenho Ambiental, Desempenho Social e Informações Corporativas. Como se percebe, há a compreensão de sustentabilidade como algo não puramente ambiental, mas ligado a diferentes aspectos. Há também a preocupação em contextualizar o leitor/usuário, para que este compreenda o setor econômico, os processos de produção e as responsabilidades gerais. Chama atenção, ainda, a interatividade do relatório, formado por imagens coloridas, hiperlinks, apresentação gráfica agradável, entre outros aspectos que pesam positivamente no momento da análise. Pág. 68 de 80 EXPLORE MAIS Tão importante quanto saber sobre diretrizes e ideias para a elaboração de relatórios é conhecer alguns exemplos de relatórios produzidos por empresas de diferentes segmentos. Por isso, convidamos você a conhecer os relatórios de sustentabilidade do Instituto Aço Brasil. Acesso pelo link http://www.acobrasil.org.br/sustentabilidade/. Se preferir, acesse-o pelo QR Code a seguir. Mesmo quando a produção não se guia pela hipertextualidade, a produção também tem o dever de ser o mais completa possível, sendo também pensada para gerar satisfação dos leitores/usuários. O relatório da Natura, que atua no setor de produtos estéticos e cosméticos, é um exemplo disso. O documento é formado por sete partes: Perfil, Estratégia, Gerar Impacto Positivo: Caminho para 2050 (Gestão Integrada, Redução de Impacto Ambiental, Negócios Sustentáveis da Sociobiodiversidade, Impacto Social Positivo, Cultura para Sustentabilidade), Sobre o Relatório, Ambições da Visão de Sustentabilidade 2050, Anexos e Relatórios de Asseguração. Figura 4 .6 - Capa do relatório de sustentabilidade da Natura Fonte: Natura (2019, on-line). Pág. 69 de 80 Chama a atenção o fato de o documento da Natura preocupar-se em apontar informações relativas à atuação da empresa e também o seu compromisso de agir pela e para a sustentabilidade, estabelecendo metas, limites e prazo. EXPLORE MAIS Conheça o Relatório Anual da Natura, que serve de modelo. Acesso pelo link: http://sites.natura.com.br/ sites/default/files/media/natura-ra-gri-2017.pdf. Se preferir, acesse-o pelo QR Code a seguir. Pág. 70 de 80 FECHAMENTO Na atualidade, um dos caminhos mais importantes para se agregar valor à marca é o da responsabilização sustentável e social. Isso porque cada vez mais as empresas precisam demonstrar seu compromisso com o desenvolvimento do lugar onde estão instaladas, com responsabilidade pelas gerações do momento e pelas que virão. Nessa ação, realizar ações sustentáveis e de benefício à sociedade em diferentes áreas é importante, mas não suficiente. Além de agir, é exigido que as organizações mantenham planejamento, controle e publicidade dos atos. Por essa razão, elas precisam acompanhar as indicações nacionais e internacionais de produção de documentos que atestem/demonstrem comprometimento para além do aspecto financeiro. Dois desses recursos são os balanços sociais e os relatórios de sustentabilidade, que, embora guardem diferenças entre si, devem ser produzidos de maneira a se complementarem.Tais dispositivos precisam ser construídos com base na compreensão de que o desenvolvimento sustentável, conceito que marca esse contexto, é compreendido como o processo que contempla diferentes segmentos, como tecnológico, social, da saúde, educacional etc. A proposta de um trabalho com aspectos sustentáveis precisa considerar, então, três pilares do chamado tripé do desenvolvimento sustentável: equidade social (consideração das igualdades e oportunidades de acesso aos recursos sociais), conservação ambiental (ação que garante os recursos do meio ambiente às gerações atuais e às vindouras) e eficiência econômica (aspecto que não pode ser desprezado pelas empresas, mas precisa estar em sintonia com os dois primeiros). Dessa forma, os balanços Sociais e os relatórios de sustentabilidade não podem ser construídos de maneira isolada ou segmentada, apenas. Precisam contemplar os investimentos e as ações desenvolvidas em diferentes campos da vida social, isso porque a sustentabilidade é um conceito macro e não micro. Os balanços sociais surgem da cobrança popular pelo compromisso das empresas com o desenvolvimento dos públicos a elas vinculados. Guarda relação estreita com aspectos quantitativos e com a contabilidade. É nesse documento, por exemplo, que estão discriminados os investimentos feitos em programas e projetos voltados ao meio ambiente, à educação, à saúde etc. Pág. 71 de 80 O balanço social passou a ser elaborado e divulgado a partir de pressões populares para que empresas de diferentes segmentos se comprometessem com a sociedade em seus aspectos sociais, ambientais etc. Esse movimento começou nos Estados Unidos e na França, mas, como efeito da globalização, avançou por diferentes partes do mundo. Nesse documento, cada organização aponta as contribuições para educação, formação, qualificação profissional, consciência ambiental, entre outros assuntos relacionados ao bem-estar social. Influenciado pelos modelos norte-americano e europeu, o balanço social no Brasil passou a ser posto em discussão a partir da década de 1970. A partir de então, tem crescido a preocupação em produzir documentos que atestem a preocupação com o desenvolvimento social. Os relatórios de sustentabilidade, por sua vez, têm construções com base em aspectos não apenas quantitativos, mas também qualitativos. Permitem a apresentação e a validação dos trabalhos que são realizados na prática. Podem ser construídos de maneira muito mais atrativa e interativa. É importante destacar que, pelo fato de a sustentabilidade se relacionar com diferentes aspectos da vida social, no relatório social também é possível compreender ações educativas, de saúde, sociedade etc. Os relatórios de sustentabilidade consistem em documentos que apontam planos, ações, programas e resultados ligados ao desenvolvimento sustentável. São encabeçados por empresas que procuram agir e se comunicar para a sustentabilidade. É por meio do relatório que se pode compreender, de fato, os benefícios de diferentes ações para com os públicos vinculados a uma organização, com reflexos em suas formas de organização e de vida. De maneira geral, o balanço social e o relatório de sustentabilidade são complementares, isso deve ser considerado no momento da elaboração de ambos. É importante que algo que esteja discriminado quantitativamente no primeiro possa ser compreendido qualitativamente no segundo, compreendendo-se a relação entre os dois documentos. Pág. 72 de 80 CONSIDERAÇÕES FINAIS Para se manterem no mercado, as empresas precisam acompanhar constantemente as transformações ocorridas no mundo e no segmento em que atuam. Uma das principais demandas empresariais no século XXI diz respeito à necessidade de desenvolvimento de ações sustentáveis, em um cenário em que as influências das formas de vida e de produções industriais acabam por colocar em xeque os recursos naturais. Nesse sentido, ganham destaque as organizações que dedicam um espaço importante em sua estrutura e em seu planejamento para as ações em benefício do meio ambiente. Nessa ação, é importante investir em comunicação, por esta constituir uma ferramenta importante para os objetivos a serem atingidos. O trabalho de comunicação com princípios sustentáveis está alicerçado em três dimensões: informação, mudança e processo. A primeira diz respeito às ações que visam informar o que a empresa já faz a favor da sustentabilidade. A segunda, por sua vez, visa promover mudanças efetivas entre os grupos vinculados à organização. A terceira é pensada como todo o processo e ocorre paralelamente às duas primeiras. É claro que o objetivo de uma empresa não é somente o da sustentabilidade. A esse aspecto estão relacionados outros, como aponta o tripé da sustentabilidade, segundo o qual o conceito se desenvolve a partir de três bases principais: social, ambiental e financeira. É importante compreender em qual estágio a organização se encontra no que diz respeito à comunicação voltada para a sustentabilidade. Geralmente existem estágios que podem ser observados. Podemos citar cinco: defensivo, de obediência, gerencial, estratégico e de liderança social. O planejamento deve contribuir para que a empresa avance nesses estágios. Nesse trabalho, é fundamental conhecer e valorizar os stakeholders da empresa, ou seja, os públicos de diferentes segmentos que influenciam ou são influenciados, direta ou indiretamente, pelas ações empresariais. As ações e ferramentas de comunicação precisam ser estabelecidas no sentido de integrar os diferentes grupos, contemplando-os como importantes ao fortalecimento da imagem e da reputação. Pág. 73 de 80 A atuação da empresa sobre a temática de sustentabilidade precisa estar pautada pela ética. Isso diz respeito ao desenvolvimento de estratégias que incentivem conduta correta por parte de todos os grupos. Não se deve comunicar, por exemplo, aquilo que não acontece na prática. Quando o trabalho é feito com seriedade e contemplando objetivos com o meio ambiente e com causas sociais, as organizações tendem a ganhar, porque recebem, como reflexo, o prestígio de sua imagem e de sua reputação, influenciando seus valores tangíveis e não tangíveis. A gestão da marca, ou seja, o branding, deve, então, passar a integrar a preocupação com a sustentabilidade. Seja pela responsabilidade organizacional com a exploração de recursos diversos, seja como resposta a demandas sociais. Existem muitos recursos que auxiliam, orientam e padronizam o trabalho com preocupações socioambientais, nos âmbitos global e nacional. Segui-los é importante, pois, além de encontrar neles um norteamento para as ações, é uma ação que demonstra compromisso e responsabilidade. Assim, é preciso guiar-se pela preocupação com a ecoeficiência e as produções mais limpas, aumentando a eficácia e diminuindo a exploração. Dois recursos que devem ser utilizados pelas empresas no trabalho sustentável são o balanço social e os relatórios de sustentabilidade. Enquanto o primeiro indica aspectos quantitativos sobre a atuação da empresa e seus impactos, o segundo aponta elementos não mensuráveis de desenvolvimento sustentável. De maneira geral, a comunicação, aliada a outras ferramentas para a sustentabilidade, pode contribuir de maneira significativa para o desenvolvimento da empresa, uma vez que, comprovadamente, as organizações que atuam nesse viés têm demonstrado vantagens competitivas e se firmado consistentemente no mercado. Pág. 74 de 80 GLOSSÁRIO Accountability: Responsabilidade dos agentes públicos nas relações com os demais cidadãos. Branding: Gestão da marca. Checklist: é uma palavra que vem do inglês e quer dizer lista de verificações. Desenvolvimento Sustentável: Crescimento econômico sem comprometimento do meio ambiente para as diferentes gerações. Ecoeficiência: Característica de produtos e serviços que produzem mais e melhor, com menos impacto ecológico.Endomarketing: marketing institucional interno, conjunto de estratégias e ações de marketing institucional voltadas para o público interno. Hipertextualidade: fluxo de leitura e consumo com base em hipertextos, links na internet. Interatividade: fluxo de participação e envolvimento do público com a produção. ONG: organizações não governamentais sem fins lucrativos e caracterizadas por ações de solidariedade no campo das políticas públicas. Pegada ecológica: é a mensuração de quantidade de recursos naturais renováveis que retiramos da natureza para manter o nosso estilo de vida (alimentação, vestuário, transporte, moradia dentre outros. Publicizado: tornado público, comunicado. Qualitativo: relativo a qualidades, aspectos não quantificáveis. RepTrak: Regulador de Reputação. Rotulagem: Processo de colocação de rótulos em produtos. Pág. 75 de 80 Socioambientais: Elementos que têm por características os processos sociais vinculados a aspectos ambientais. Stakeholder: é qualquer indivíduo ou organização que de alguma forma é impactado(s) pela ação de uma empresa. Podem ser clientes, fornecedores, comunidades, investidores, dentre outros. Tangíveis: Que podem ser quantificados, contados, numerados. Uso racional: uso sem desperdício. Pág. 76 de 80 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Resferências Bibliográficas Clássicas ACCOUNTABILITY Principles Standard 2008. Accontability .org. Disponível em: https://www.accountability. org/wp-content/uploads/2016/10/AA1000APS_portugues.pdf. Acesso em: 10 nov. 2019. ALMEIDA, A. L. de C. A influência da identidade projetada sobre a reputação organizacional. Tese (Doutorado) – UFMG, Belo Horizonte, 2005. COUTINHO, R. B. G.; MACEDO-SOARES, T. D. L. V. A.; SILVA, J. R. G. Projetos sociais de empresas no Brasil: arcabouço conceitual para pesquisas empíricas e análises gerenciais. 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