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Karine Naves de Oliveira Goulart 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TREINO DE FORÇA NO PÓS-JOGO EM ATLETAS PROFISSIONAIS DE 
FUTEBOL FEMININO: qual o melhor momento de se realizar essa sessão? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Belo Horizonte 
Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional - UFMG 
Faculty of Health - University of Technology Sydney - UTS 
2020 
 
 
Karine Naves de Oliveira Goulart 
 
 
 
 
 
TREINO DE FORÇA NO PÓS-JOGO EM ATLETAS PROFISSIONAIS DE 
FUTEBOL FEMININO: qual o melhor momento de se realizar essa sessão? 
 
 
 
 
Tese apresentada ao Curso de Doutorado em 
Ciências do Esporte da Escola de Educação 
Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 
Universidade Federal de Minas Gerais, e ao Curso 
de Doctor of Philosophy da University of 
Technology Sydney como requisito parcial à 
obtenção do título de Doutor em Ciências do 
Esporte e Doctor of Philosophy in Sports and 
Exercises. 
 
Orientador: Prof. Dr. Bruno Pena Couto 
 Prof. Dr. Rob Duffield 
 
Linha de pesquisa: Análise de métodos para o 
desempenho humano e esportivo 
 
 
 
 
 
 
 
Belo Horizonte 
Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional - UFMG 
Faculty of Health - University of Technology Sydney – UTS 
2020 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
G694t 
2020 
 
Goulart, Karine Naves de Oliveira 
Treino de força no pós-jogo em atletas profissionais de futebol feminino: qual o melhor 
momento de se realizar essa sessão? [manuscrito] / Karine Naves de Oliveira Goulart – 2020. 
 167 f., enc.: il. 
 
 Orientador: Bruno Pena Couto 
 Coorientador: Rob Duffield 
 
Tese (doutorado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Educação Física, 
Fisioterapia e Terapia Ocupacional. 
Bibliografia: f. 144-158 
 
 1. Exercícios físicos – Teses. 2. Futebol para mulheres – Teses. 3. Força muscular – 
Teses. 4. Fadiga muscular – Teses. I. Couto, Bruno Pena. II. Duffield, Rob. III. Universidade 
Federal de Minas Gerais. Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional. IV. 
Título. 
 
CDU: 371.73 
Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário Danlo Francisco de Souza Lage, CRB 6: n° 3132, da 
 Biblioteca da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG. 
 
Production Note: 
Signatures removed prior to publication.
Production Note: 
Signature removed prior to publication.
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
 
Primeiramente, agradeço a Deus, a quem dedico esse momento e por quem me 
inspiro durante a busca pelo significado do estudo e do trabalho em minha vida. 
 
Aos meus pais, pelo cuidado e amor oferecidos diariamente. Por não medirem 
esforços para que eu tenha o melhor. A toda minha família, pelo apoio e torcida. 
 
Ao meu orientador Bruno Pena, por todos esses anos de caminhada acadêmica, 
desde a graduação, mestrado e doutorado, sempre abrindo as portas para 
oportunidades profissionais e acreditando em meu potencial. Obrigada por tudo que 
fez para que eu pudesse realizar o sonho de um doutorado sanduíche. 
 
Ao meu orientador Rob Duffield, obrigada por todo suporte e tempo dedicado ao 
meu aprendizado, que não se restringiram a minha estadia na Austrália. Mesmo de 
longe, me senti como peça importante nas suas horas de trabalho. Obrigada por ser 
exemplo de eficiência, dedicação e excelência. Cada nova versão de um artigo 
foram etapas desafiadoras e instigantes, que me ensinaram muito além da escrita 
em inglês, e me fizeram perceber que a persistência e paciência são importantes 
para se alcançar um trabalho de qualidade. 
 
A todos os atuais e ex-membros do LAC, que de alguma forma participaram do meu 
percurso acadêmico. Em especial, ao Geraldo, por abraçar as minhas coletas como 
se fossem dele, e dividir comigo todo o peso das dificuldades que uma coleta de 
dados pode gerar, e ao Túlio pela ajuda constante durante sua iniciação científica. 
Sem vocês, nada disso seria possível. 
 
A todos os professores, colegas e alunos do grupo de Esporte e Exercício da 
University of Technology Sydney, pela experiência, aprendizado e momentos 
compartilhados. Por me propiciarem o sentimento de pertencimento a uma equipe 
de alto nível, por me tratarem como igual. Meu agradecimento e admiração ao Prof. 
Aaron Coutts, por todas as oportunidades oferecidas durante o meu período na UTS 
e por ser referência na Ciências do Esporte em todo o mundo. Prof. Job Fransen, 
 
 
por todas as dúvidas estatísticas esclarecidas e por ser sempre tão acessível. Prof. 
Mark Watsford, obrigada pela ajuda com os dados da plataforma de força e pelas 
contribuições durante os Estágios 2 e 3. Obrigada aos professores Franco 
Impellizeri, Sharon Coutts, Rob Bower, Lee Wallace, Hugh Fullagar, Katie Slattery, 
John Evans, Cristina Caperchione, Elaine, Shiree, Geoff and Brett. Com vocês 
aprendi sobre um ambiente de trabalho saudável e cooperativo. Gostaria também de 
agradecer a GRS, UTS helps e departamento internacional, especialmente Ana 
Paula, por todo apoio. Aos meus colegas pelas trocas de informação, conhecimento 
e momentos partilhados. Obrigada Judd, Donna e Nick pela oportunidade de assistir 
as suas aulas e aprender tanto com vocês. Sam, pela oportunidade de participar do 
seu projeto. Paul, Mitch, Anthony, Rhys, Will, Clem, Anne, pela convivência 
prazerosa e enriquecedora nesse meu um ano de UTS. Em especial, obrigada 
Donna, pelo companheirismo dentro e fora da UTS. 
 
A todos as amizades que surgiram no meu um ano de Austrália, que fizeram dessa 
experiência, a melhor que eu podia ter. 
 
A Carolina Wilke, pioneira do processo de cotutela, por não negar esforços nem 
respostas a todas as minhas dúvidas sobre Austrália e UTS. Obrigada pela 
disponibilidade e por tornar todo o processo muito mais simples para mim. 
 
A todos os meus amigos da vida, que de alguma forma me ofereceram suporte 
quando precisava. Em especial a Cris, amiga enfermeira, pela disponibilidade em 
ajudar com a coleta de sangue dos meus voluntários. Ao Gabriel e Letícia, pela 
ajuda com o inglês, por me incentivarem na luta contra a prova de proficiência, e por 
fazerem de uma viagem um marco fundamental para que o impossível se tornasse 
realidade. 
 
A comissão técnica do Vila Nova, por me receberem e proporcionarem um primeiro 
contato com o futebol de base e profissional. A comissão do América, pela parceria. 
Aos atletas de futebol que participaram do meu estudo, meu muito obrigada pelo 
envolvimento e por fazerem dessa experiência algo que realmente valesse a pena. 
Em especial, obrigada Bárbara, Victor Alberice, Raphael e Mariana. 
 
 
 
Aos professores Eduardo Mendonça Pimenta, Luciano Sales Prado e Guilherme 
Passos Ramos, por toda contribuição durante a qualificação do meu doutorado. E 
aos professores que hoje fazem parte da minha banca de defesa de tese. 
 
Gostaria ainda de estender os meus agradecimentos aos professores da UFMG que 
foram exemplo e inspiração durante a minha trajetória acadêmica. Foram 10 anos 
contínuos de muito aprendizado e diferentes experiências. Prof. Samuel Penna, 
Mauro Heleno Chagas, Luciano Sales Prado, Eduardo Pimenta, André Gustavo, 
Gustavo Peixoto, Marcos Daniel, Fernando Vitor, Ricardo Carneiro, Reginaldo 
Gonçalves, Leszek Schmuchrowski, Danusa Dias Leão, Emerson Silami Garcia, 
Ivana Montandon, Kátia Lemos, meu muito obrigada. Todos vocês, de alguma 
forma, marcaram a minha caminhada acadêmica. 
 
Por fim, agradeço ao povo brasileiro que, ao pagarem os impostos, me permitiram 
realizar o doutorado. Espero, com ética, humildade, dedicação e comprometimento 
profissional, poder retribuir todo o investimento ao qual tive o privilégio de ser 
contemplada. 
 
Muito obrigada! 
 
 
 
RESUMO 
 
Introdução: Durante a temporada competitiva no futebol profissional, microciclos 
semanais geralmente consistem em sessões de treinamento, jogos e recuperação.Informações sobre o perfil de recuperação pós-jogo permanecem limitadas na 
literatura, especialmente no futebol feminino, com poucas descrições de parâmetros 
de desempenho físico, fisiológico e respostas perceptivas no mesmo estudo e 
observadas em um período de até 72 h. Sessões de treinamento adicionais durante 
calendários congestionados tem o potencial de prejudicar o processo de 
recuperação, embora sejam necessárias para preparar a equipe e manter a 
capacidade física dos atletas, evitando a perda de adaptações. O treinamento de 
força (TF), mais especificamente o treinamento de potência muscular, contribui para 
melhorias no desempenho físico de atletas de futebol, tais como aumento da força, 
melhora no desempenho de salto, tempo de sprint, agilidade e velocidade de chute. 
Apesar da importância de realizar TF durante a temporada competitiva, o momento 
de se realizar essas sessões após o jogo permanece discutível. Realizar uma 
sessão de treinamento de força (STF) 24 h pós-jogo pode aumentar o estresse em 
atletas já fadigados. Por outro lado, realizar uma STF 48 h pós-jogo pode atrasar a 
recuperação para o jogo subsequente, que geralmente ocorre dentro de 72 h. 
Considerações adicionais também são necessárias sobre a qualidade da sessão de 
treinamento de força realizada nesses momentos, que pode ser afetada pela 
proximidade de uma partida anterior. Portanto, a investigação de STF em diferentes 
momentos pós-jogo é importante para entender a recuperação, planejar o 
treinamento e preparar os atletas para os próximos jogos. O presente projeto foi 
dividido em três estudos, de acordo com os seguintes objetivos: 1) Analisar a 
dinâmica de recuperação pós-jogo em atletas de futebol feminino; 2) Analisar a 
dinâmica de recuperação pós-treino de potência muscular em atletas de futebol 
feminino; 3) Investigar o efeito de uma sessão de treino de potência realizada 24 ou 
48 h pós-jogo na recuperação de atletas de futebol feminino. Métodos: Participaram 
do estudo 21 atletas profissionais de futebol do sexo feminino de uma equipe de 
Belo Horizonte (estudo 1: n = 15; estudo 2: n=10; estudo 3: n=10). Durante a 
temporada competitiva, a recuperação das atletas foi monitorada 24, 48 e 72 h após 
o jogo e comparada com os valores pré-jogo. Foram realizadas três condições 
experimentais: (1) condição controle, sem treinamento de força (2) sessão de 
 
 
treinamento de força realizada 24 h pós-jogo (STF24h) e (3) 48 h pós-jogo 
(STF48h). Durante a intertemporada, para verificar os efeitos do treinamento de 
força isolado, o desempenho em testes físicos e respostas perceptivas foram 
monitorados pré, imediatamente após, 24 e 48 h após a STF. O TF consistiu em 3 
séries de 6 repetições explosivas dos exercícios de half-squat, jump squat, deadlift e 
lunges a 50% de 1RM estimado. Para comparar a qualidade do TF entre as 
condições (STF24h e STF48h), o exercício half-squat foi realizado em uma 
plataforma de força. Variáveis de desempenho (média e melhor altura do salto com 
contramovimento (SCM), média e melhor tempo de 10 e 20 m de sprint), fisiológicas 
(proteína C reativa (PCR)) e respostas perceptivas (escala de dor muscular tardia 
(DOMS), escala de qualidade total de recuperação (TQR) e escala brasileira de 
humor (BRAMS) para avaliar fadiga e vigor) foram usadas para quantificar a 
recuperação. Análise estatística: ANOVA one-way de medidas repetidas (para SCM 
e sprint) e teste de Friedman (para PCR, DOMS, TQR, fadiga e vigor) foram 
utilizadas para verificar o efeito do jogo (Estudo 1) e do treinamento de força (Estudo 
2). ANOVA two-way de medidas repetidas (3x4) com análises de tamanho de efeito 
(ES) foram realizadas para comparar as três condições experimentais ao longo do 
tempo (Estudo 3). Um teste t comparou o desempenho (qualidade do treinamento) 
entre STF24h e STF48h (Estudo 3). O nível de significância adotado foi de α =0,05. 
Resultados: Estudo 1: A altura média do SCM reduziu 24 h pós-jogo (p<0,05; ES=-
0,45), embora o melhor desempenho do SCM permaneceu reduzido até 48 h pós-
jogo (p<0,05; ES=-0,33). Tanto a média quanto o melhor tempo nos 20 m de sprint 
estavam elevados até 48 h pós-jogo (p<0,05; ES=0,68 e p<0,05; ES=0,73, 
respectivamente). A PCR aumentou 24 h pós-jogo (p<0,05; ES=0,78), retornando a 
valores basais dentro de 48 h. A DOMS atingiu valores pico 24 h pós-jogo 
(ES=0,14), embora não tenha diferido dos valores pré (p<0,05). A TQR e o vigor 
estavam significativamente reduzidos (p<0,05; ES=-1,92; p<0,05, ES=-0,42; 
respectivamente), enquanto a fadiga aumentou significativamente (p<0,05; ES=0,37) 
24 h pós-jogo. Estudo 2: Ambos, média e melhor desempenho do SCM reduziram 
imediatamente após a STF (p<0,05; ES=-0,49 e -0,65, respectivamente), enquanto 
apenas efeitos triviais-pequenos, sem diferenças significativas foram verificados 24 h 
(p>0,05; ES=-0,15 e -0,08) e 48 h (p>0,05; ES=0,14 e -0,21). Não foram 
evidenciadas diferenças significativas e apenas efeitos triviais-pequenos em 
qualquer momento pós-STF para desempenho médio e melhor tempo de 10 m 
 
 
(p>0,05; ES=-0,18-0,26) ou 20 m (p>0,05; ES=-0,08-0,19) de sprint. Respostas 
perceptivas, incluindo DOMS (p>0,05; ES=-0,30–0,45), TQR (p>0,05; ES=-0,51-
0,01), fadiga (p>0,05, ES=-0,13-0,48) e vigor (p>0,05, ES=0,18-0,41) não alteraram 
após a STF. Estudo 3: Embora não tenham sido verificadas diferenças significativas 
(p>0,05) entre as condições (STF24h, STF48h e Controle), maiores ES para 
alterações entre pré e 72 h foram evidentes para a condição STF48h (ES=0,34-
2,13) comparado a STF24h (ES=0,06-0,68) e condição controle (ES=0,03-0,36), nas 
variáveis média e melhor altura do SCM, média e melhor tempo de 10 e 20 m de 
sprint, e DOMS. Contrariamente, maiores ES de pré a 72 h foram verificados para 
PCR na condição Controle (ES=0,67) comparado a STF24h (ES=0,19) e STF48h 
(ES=0,01). Não foram verificadas diferenças significativas na taxa de 
desenvolvimento de força, na força média e na força pico do exercício half-squat 
entre as condições (p>0,05; ES=0,05-0,43). Conclusão: Jogos de futebol feminino 
induzem alterações no desempenho físico por pelo menos 48 h, enquanto PCR e 
respostas perceptivas permanecem alteradas apenas 24 h pós-jogo. Uma STF 
causa apenas alterações imediatas no desempenho do SCM, sem alterações 
residuais no desempenho físico e nas respostas perceptivas. No entanto, realizar 
uma STF 48 h pós-jogo aparentemente reduz o desempenho do salto, a velocidade 
e aumenta mais a DOMS em 72 h em comparação a realização de uma STF 24 h 
pós-jogo ou a ausência de STF (Controle). A força pico, força média e taxa de 
desenvolvimento da força produzidos no exercício half-squat não foram 
significativamente diferentes, independentemente do tempo pós-jogo (STF24h ou 
STF48h). Assim, se treinadores e preparados físicos de futebol desejam prescrever 
uma STF, mais especificamente um treino de potência muscular, durante um 
calendário congestionado, é recomendável prescrever esta sessão 24 h após o jogo. 
 
Palavras-Chave: Futebol feminino. Recuperação. Fadiga. Treino de potência. 
Jogos. 
 
 
ABSTRACT 
 
Introduction: During the in-season in professional soccer, weekly micro-cycles 
usually consist of training sessions, matches, and recovery. Limited scope exists on 
post-match recovery profile of female soccer players with few descriptions of 
performance, physiological and perceptual markers of recovery in the same study 
and with recovery responses observed up to 72 h. Further training during congested 
schedules has the potential to blunt the recovery process, though it is equally 
necessary to prepare the team and maintain physical capacity to avoid the loss of 
adaptations acquired. Resistance training (RT) for strength and power can make 
important contributions to improvements in the physical performance of soccer 
players (i.e. strength, jump performance, sprint time, agility andball strike speed). 
Despite the importance of performing RT during the in-season, the timing of these 
sessions post-match remains debatable. Performing RT 24 h post-match may 
potentially increase stress on already fatigued athletes, contrastingly, at 48 h post-
match it may suppress recovery for any ensuing match at 72 h. Further consideration 
is also required for the quality of any explosive strength training session performed at 
these times, which may be affected by the proximity to a prior match. Therefore, the 
investigation into RT in different post-match timelines in females is important to 
understand recovery, plan training and prepare players for ensuing matches. The 
present project was divided into three studies, according to the following objectives: 
1) Quantify the post-match recovery time-course in female soccer players; 2) 
Quantify the post-resistance training recovery time-course in female soccer players; 
3) Investigate the effect of a low-load, high-speed RT performed 24 or 48 h post-
match on recovery in female soccer players. Methods: A total of 21 Brazilian female 
professional soccer athletes participated in the study (study 1: n=15; study 2: n=10; 
study 3: n=10). During the competitive season, the athletes' recovery was monitored 
at 24, 48 and 72 h post-match and compared to the pre-match values. Three 
experimental conditions were performed: (1) Control condition, without resistance 
training (2) Resistance training session performed 24 h post-match (RT24h) and (3) 
48 h post-match (RT48h). During the inter-season, in order to verify the effects of 
isolated resistance training, the performance in physical tests and perceptual 
responses were monitored pre, immediately, 24 and 48 h post-RT. The RT consisted 
of 3 sets of 6 explosive repetitions of half-squat, jump squat, deadlift and lunges 
 
 
exercises at 50% of estimated 1 RM. To compare the quality of the RT between 
conditions (RT24h and RT48h), the half-squat exercise was performed on a force 
platform. Performance variables (mean and best countermovement jump (CMJ) 
height, mean and best 10 m and 20 m sprint time) physiological (C-reactive protein 
(CRP)) and perceptual responses (delayed onset muscle soreness scale (DOMS), 
total quality recovery scale (TQR), and Brazilian mood scale (BRAMS) for fatigue and 
vigor) were used to quantify recovery. Statistical analyses: One-way repeated 
measures ANOVA (for CMJ and sprint) and Friedman test (for CRP, DOMS, TQR, 
fatigue, and vigor) were used to verify the single effect of the match (Study 1) and of 
the resistance training session (Study 2). Two-way (3x4) repeated measures ANOVA 
with respective effect size (ES) analyzes were performed to compare the 3 
experimental conditions over time (Study 3). A t-test compared the performance 
(quality of training) between RT24h and RT48h (Study 3). Significance level was 
accepted at α=0.05. Results: Study 1: Mean post-match CMJ height was reduced at 
24 h (p<0.05, ES=-0.45), though best effort was still reduced at 48 h (p<0.05, ES=-
0.33). Both mean and best 20 m sprint time were slower until 48 h post-match 
(p<0.05, ES=0.68; p<0.05, ES=0.73, respectively). CRP was increased until 24 h 
(p<0.05, ES=0.78), returning to baseline by 48 h. DOMS peaked at 24 h (ES=0.14), 
although did not differ to pre (p<0.05). TQR and vigor were significantly reduced at 
24 h post-match (p<0.05, ES=-1.92; p<0.05, ES=-0.42; respectively), while fatigue 
was significantly increased (p<0.05, ES=0.37). Study 2: Both mean and best CMJ 
performance decreased immediately post-RT (p<0.05, ES=-0.49; -0.65, respectively), 
though no significant differences and trivial-small effects existed at 24 h (p>0.05, 
ES=-0.15 and -0.08) and 48 h (p>0.05, ES=0.14 and -0.21). No significant 
differences and trivial-small effects were evident at any time for mean or best 10 m 
(p>0.05, ES=-0.18–0.26) or 20 m (p>0.05, ES=-0.08–0.19) performance. Perceptual 
responses including DOMS (p>0.05, ES=-0.30–0.45), TQR (p>0.05, ES=-0.51–-
0.01), fatigue (p>0.05, ES=-0.13–0.48) and vigor (p>0.05, ES=0.18–0.41) did not 
change following RT. Study 3: Despite no significant differences (p>0.05) existing 
between conditions (RT24h, RT48h and Control), ES for changes from pre to 72 h 
were larger for mean and best CMJ, 10 and 20 m sprint time, and DOMS in RT48h 
(ES=0.34-2.13) than in RT24h (ES=0.06-0.68) and in Control (ES=0.03-0.36). 
Contrarily, CRP changes from pre to 72 h tended to be larger in Control (ES=0.67) 
than in RT24h (ES=0.19) and RT48h (ES=0.01). No differences in the rate of force 
 
 
development, mean and peak force of half-squat exercise existed between conditions 
(p>0.05; ES=0.05-0.43). Conclusions: Female soccer matches induce changes in 
physical performance for at least 48 h, while CRP and perceptual responses remain 
altered only 24 h post-match. High-speed, low-load RT causes only immediate 
changes in CMJ performance, with no residual changes in physical performance and 
perceptual responses. However, performing a RT 48 h post-match apparently 
reduces jumping performance, speed and further increases the DOMS at 72 h 
compared to performing a RT 24 h post-match or the absence of RT (Control). Rate 
of force development, mean and peak force values produced in the squat exercise 
were not significantly different, regardless of the post-match time (RT24h or RT48h). 
Thus, if strength and conditioning soccer coaches want to prescribe a high-speed, 
low-load RT during a congested schedule, it is suggested to prescribe this session 24 
h post-match. 
 
Keywords: Female soccer. Recovery. Fatigue. Resistance training. Matches. 
 
 
 
LISTA DE PUBLICAÇÕES INCLUSAS NA TESE 
(LIST OF PAPERS/PUBLICATIONS INCLUDED) 
 
 
Estudo 1 
Post-match performance, physiological and perceptual recovery in female footballers 
*Artigo submetido ao periódico Journal of Strength and Conditioning Research no dia 
23 de janeiro de 2020. 
*Submitted to the Journal of Strength and Conditioning Research on 23 January 
2020. 
 
 
Estudo 2 
Recovery timeline following resistance training in professional female soccer players 
*Artigo publicado no dia 09 de Março no periódico Science and Medicine in Football. 
*Published online on 09 March 2020 in Science and Medicine in Football. 
 
 
Estudo 3 
Post-match resistance training in female footballers; when is the best time to train? 
*Artigo submetido ao periódico International Journal of Sports Physiology and 
Performance, no dia 22 de Novembro de 2019 (Qualis A2). 
*Submitted to the International Journal of Sports Physiology and Performance on 22 
November 2019. 
 
 
 
LISTA DE ILUSTRAÇÕES 
 
 
FIGURA 3.1 Delineamento Experimental .................................................................. 64 
FIGURA 3.2 Situações Experimentais ...................................................................... 68 
FIGURA 3.3 Salto com contramovimento ................................................................. 69 
FIGURA 3.4 Coleta de sangue para análise de variável fisiológica .......................... 71 
FIGURA 3.5 Escala Analógica Visual de dor muscular ............................................. 71 
FIGURA 3.6 Qualidade Total de Recuperação ......................................................... 72 
FIGURA 3.7 Curva força x tempo para o exercício agachamento ............................. 76 
FIGURE 4.1 Group mean and individual player responses for Countermovement 
Jump (CMJ), 20 and 10 m sprint at pre, 24 h 48 h and 72 h post-match. .................. 89 
FIGURE 4.2 Group median and individual player responses for C-Reactive Protein 
(CRP) at pre, 24 h, 48 h, and 72 h post-match .......................................................... 90 
FIGURE 4.3 Group median and individual player responses for Delayed onset 
muscle soreness (DOMS), Total quality of recovery (TQR) and Brazilian Mood Scale(BRAMS) for fatigue and vigor at pre, 24 h, 48 h, and 72 h post-match. ................... 92 
FIGURE 5.1 Time course of recovery for performance variables ............................ 107 
FIGURE 5.2 Time course of recovery for perceptual variables ............................... 109 
FIGURE 6.1 Time course of recovery for mean and best Countermovement Jump 
(CMJ), 20 m and 10 m sprint time at pre, 24 h, 48 h, and 72 h post-match in Control, 
RT24h and RT48h conditions .................................................................................. 125 
FIGURE 6.2 Effect size changes from pre to 72 h post-match for all variables in 
Control, resistance training 24 hours post-match (RT24h) and resistance training 48 
hours post-match (RT48h), n=10 ............................................................................ 126 
FIGURE 6.3 Time course of recovery for C-Reactive Protein (CRP) and Delay Onset 
Muscle Soreness (DOMS) at pre, 24 h, 48 h, and 72 h post-match in Control, RT24h 
and RT48h conditions ............................................................................................. 128 
 
 
 
LISTA DE TABELAS 
 
 
TABLE 4.1 Match characteristics, times, locations, environmental conditions and 
number of athletes evaluated at each match (N) ....................................................... 87 
TABLE 6.1 Match characteristics, times, locations and environmental conditions .. 121 
TABLE 6.2 Mean ± SD external and internal match loads for resistance training 24 
hours post-match (RT24h), resistance training 48 hours post-match (RT48h) and 
Control Condition ..................................................................................................... 122 
TABLE 6.3 Mean ± SD training loads for resistance training at 24 and 48 h post-
match ...................................................................................................................... 122 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 
 
 
ANOVA Analysis of Variance - Análise de Variância 
BRAMS Brazilian Mood Scale - Escala de Humor Brasileira 
BRUMS Brunel Mood Scale - Escala de Humor de Brunel 
Ca2+ Íons Cálcio 
CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior 
CBF Confederação Brasileira de Futebol 
CCI Coeficiente de Correlação Intraclasse 
CI Confidence Intervals 
CK Creatine Kinase - Creatina Quinase 
CMJ Countermovement jump 
CNPQ Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico 
CRP C-reactive protein 
CV Coeficiente de Variabilidade 
DGPS Differential GPS 
DOMS Delayed Onset Muscle Soreness - dor muscular de início tardio 
EGNOS European Geostationary Navigation Overlay Service 
EPM Erro Padrão da Medida 
EROS Espécies Reativas de Oxigênio 
ES Effect Size - tamanho do efeito 
FAPEMIG Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de Minas Gerais 
FC Frequência Cardíaca 
FCmáx Frequência Cardíaca Máxima 
GPS Global Positioning Satellite - Sistema de posicionamento global 
HR Heart Rate 
ICC Intraclass Correlation Coefficient 
IL-6 Interleucina 6 
MSAS Multi-functional Satellite Augmentation System 
PCR Proteína C Reativa 
POMS Profile of Mood States 
PRPQ Pró-Reitoria de Pesquisa 
PSE Percepção Subjetiva de Esforço 
 
 
RFD Rate of force development 
RMS Erro médio quadrático 
RPE Rating of Perceived Exertion 
RPM Rotações por minuto 
RT Resistance Training 
RT24h Resistance Training performed 24h post-match 
RT48h Resistance Training performed 48h post-match 
SCM Salto com Contramovimento 
SD Standard Deviation 
SEM Standard Error of Measurement 
SPSS Statistical Package for the Social Sciences 
STF Sessão de Treinamento de Força 
STF24h Sessão de Treinamento de Força realizada 24h pós-jogo 
STF48h Sessão de Treinamento de Força realizada 48h pós-jogo 
TDF Taxa de desenvolvimento da força 
TF Treinamento de Força 
TNF-α Fator de Necrose Tumoral alfa 
TQR Total Quality Recovery - Qualidade total de recuperação 
VAS Visual Analogue Scale 
VO2max Consumo máximo de oxigênio 
Yo-Yo IR Yoyo Intermittent Recovery-test 
Yo-Yo IR1 Yoyo Intermittent Recovery-test level 1 
Yo-Yo IR2 Yoyo Intermittent Recovery-test level 2 
1RM 1 Repetition Maximum - 1 repetição máxima 
1RMest 1 Repetição Máxima estimada 
χ2 Chi-Square 
WAAS Wide Area Augmentation System 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 24 
1.1 Objetivo geral ................................................................................................... 30 
1.2 Objetivos específicos ....................................................................................... 30 
1.3 Hipóteses ......................................................................................................... 30 
2.1 Caracterização do futebol ................................................................................ 32 
2.2 Fadiga e recuperação após jogos de futebol ................................................... 37 
2.3 Utilização do desempenho em testes físicos no monitoramento da fadiga no 
futebol .................................................................................................................... 41 
2.4 Dano muscular, inflamação e reparo tecidual .................................................. 42 
2.5 Dano muscular e inflamação induzidos por jogos de futebol ........................... 45 
2.6 Respostas Perceptivas .................................................................................... 49 
2.7 Variabilidade entre jogos ................................................................................. 52 
2.8 Treinamento de força e futebol ........................................................................ 54 
3 MATERIAIS E MÉTODOS...................................................................................... 62 
3.1 Cuidados éticos ............................................................................................... 62 
3.2 Sujeitos ............................................................................................................ 62 
3.3 Delineamento Experimental ............................................................................. 63 
3.4 Procedimentos ................................................................................................. 65 
3.4.1 Caracterização antropométrica ................................................................. 65 
3.4.2 Yo-Yo Intermittent Recovery Test ............................................................. 65 
3.4.3 Teste para estimar 1RM ............................................................................ 66 
3.5 Procedimentos de Coleta para Variáveis de Monitoramento ........................... 67 
3.5.1 Teste de salto com contramovimento ........................................................ 68 
3.5.2 Teste de velocidade de 20 metros ............................................................ 69 
3.5.3 Variáveis fisiológicas ................................................................................. 70 
3.5.4 Escala de Dor muscular ............................................................................ 71 
3.5.5 Escala de Qualidade Total de Recuperação ............................................. 72 
 
 
3.5.6 Escala de Humor Brasileira ....................................................................... 72 
3.5.7 Questionários ............................................................................................ 73 
3.6 Procedimentos no dia dos jogos e monitoramento da carga de jogo .............. 73 
3.7 Protocolo de Treinamento de Força ................................................................ 74 
4 STUDY 1 POST-MATCH PERFORMANCE, PHYSIOLOGICAL AND 
PERCEPTUAL RECOVERY IN FEMALE SOCCER PLAYERS ................................ 79 
4.1 Introduction ......................................................................................................81 
4.2 Methods ........................................................................................................... 83 
4.2.1 Experimental Approach to the Problem ..................................................... 83 
4.2.2 Subjects .................................................................................................... 84 
4.2.3 Procedures ................................................................................................ 84 
4.2.3.1 Match day procedures and load measurement ................................... 84 
4.2.3.2 Performance tests ............................................................................... 85 
4.2.3.3 Physiological and Perceptual variables .............................................. 85 
4.2.4 Statistical analysis ..................................................................................... 86 
4.3 Results ............................................................................................................. 87 
4.3.1 Performance tests ..................................................................................... 87 
4.3.2 Physiological and perceptual responses ................................................... 90 
4.4 Discussion ....................................................................................................... 92 
4.5 Practical applications ....................................................................................... 96 
5 STUDY 2 RECOVERY TIMELINE FOLLOWING RESISTANCE TRAINING IN 
PROFESSIONAL FEMALE SOCCER PLAYERS ..................................................... 97 
5.1 Introduction ...................................................................................................... 99 
5.2 Methods ......................................................................................................... 101 
5.2.1 Subjects .................................................................................................. 101 
5.2.2 Experimental Approach to the Problem ................................................... 101 
5.2.3 Procedures .............................................................................................. 102 
5.2.3.1 Estimation of 1 Repetition Maximum (RM) ....................................... 102 
 
 
5.2.3.2 Resistance training protocol ............................................................. 103 
5.2.3.3 Pre and post resistance training assessment ................................... 103 
5.2.3.3.1 Performance tests ...................................................................... 103 
5.2.3.3.2 Perceptual responses ................................................................ 104 
5.2.4 Statistical analysis ................................................................................... 105 
5.3 Results ........................................................................................................... 105 
5.3.1 Performance tests ................................................................................... 105 
5.3.2 Perceptual responses .............................................................................. 108 
5.4 Discussion ..................................................................................................... 109 
5.5 Practical applications ..................................................................................... 112 
6 STUDY 3 POST-MATCH RESISTANCE TRAINING IN FEMALE FOOTBALLERS; 
WHEN IS THE BEST TIME TO TRAIN? ................................................................. 113 
6.1 Introduction .................................................................................................... 115 
6.2 Methods ......................................................................................................... 116 
6.2.1 Participants ............................................................................................. 116 
6.2.2 Experimental Design ............................................................................... 117 
6.2.3 Procedures .............................................................................................. 118 
6.2.3.1 Estimation of 1 Repetition Maximum (RM) ....................................... 118 
6.2.3.2 Match day procedures and load measurement ................................. 118 
6.2.3.3 Resistance training protocol ............................................................. 119 
6.2.3.4 Pre and 24, 48, 72h post-match measures ....................................... 119 
6.2.3.4.1 Performance tests ...................................................................... 119 
6.2.3.4.2 Physiological and Perceptual responses .................................... 120 
6.2.4 Statistical analysis ................................................................................... 121 
6.3 Results ........................................................................................................... 121 
6.3.1 Performance tests ................................................................................... 123 
6.3.2 Physiological and perceptual responses ................................................. 126 
 
 
6.4 Discussion ..................................................................................................... 129 
6.5 Practical applications ..................................................................................... 132 
6.6 Conclusion ..................................................................................................... 132 
7 DISCUSSÃO ........................................................................................................ 133 
8 APLICAÇÕES PRÁTICAS .................................................................................... 143 
9 CONCLUSÃO ....................................................................................................... 144 
REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 145 
MATOS, M. Tensão na face e o diagnostico de DTM muscular. Instituto 
Internacional de Neurofisiologia e Patologia da ATM. Disponível em: 
http://www.patologiadaatm.com.br/tensao-na-face-e-o-diagnostico-de-dtm-
muscular/. Acesso em: 16 março 2020. ............................................................... 153 
APÊNDICES ............................................................................................................ 160 
ANEXOS ................................................................................................................. 164 
 
 
 
 
 
 
24 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
 
O futebol é uma modalidade que exige preparação física, técnica, tática e 
psicológica dos atletas (STOLEN et al., 2005; LOCKIE et al., 2018). Dentre os 
aspectos físicos, o futebol feminino pode ser caracterizado por demandas de jogo 
que incluem distâncias totais de aproximadamente 10 km, sendo 1,3 km em alta 
intensidade, com 1400 mudanças de ações a cada 3 – 6 s (MOHR et al., 2008; 
KRUSTRUP et al., 2005; RAMOS et al., 2017; RAMOS et al., 2019). Como 
consequência, um jogo de futebol resulta em decréscimo do desempenho físico 
associado com alterações em parâmetros fisiológicos e respostas perceptivas, que 
progressivamente retornam aos valores basais durante o processo de recuperação 
(NÉDÉLEC et al., 2012; BISHOP, JONES E WOODS, 2008; KELLMANN et al., 
2018). Considerando que um novo jogo pode ocorrer dentro de 72 h, a recuperação 
se torna um processo crucial nesse período, embora seja complexo e dependente 
da magnitude da fadiga induzida pelo jogo e das capacidades físicas de cada atleta 
(NÉDÉLEC et al., 2012; DOEVEN et al., 2018). Portanto, a variabilidade entre 
indivíduos é uma perspectiva importante quando se retrata a recuperação pós-jogo 
(WILKE et al., 2019; JOHNSTON et al., 2015), embora poucos estudos tenham 
reportado essa variabilidade na recuperação em atletas de futebolfeminino. 
 
Em uma recente revisão e meta-análise sobre fadiga aguda e residual induzida por 
jogos de futebol (SILVA et al., 2017), foi reportado que o desempenho físico, 
fisiológico e respostas perceptivas permanecem alterados por pelo menos 72 h pós-
jogo. Contudo, dos 42 estudos incluídos nessa revisão, apenas 10 consistiram em 
respostas relacionadas ao futebol feminino. Souglis et al. (2018) sugerem que 
diferentes magnitudes de respostas de fadiga pós-jogo existem entre homens e 
mulheres, possivelmente devido a menor carga e trabalho excêntrico que mulheres 
realizam durante o jogo (STOLEN et al. 2005; DATSON et al., 2014). Além disso, 
homens e mulheres diferem em anatomia e fisiologia, o que resulta em diferenças no 
desempenho neuromuscular e na fatigabilidade entre os sexos (HUNTER, 2014). De 
maneira geral, os músculos esqueléticos dos homens são maiores e apresentam 
maior área proporcional de fibras musculares metabolicamente e funcionalmente 
mais rápidas (fibras tipo II), comparado a mulheres (ROEPSTORFF et al., 2006), 
25 
 
devido a diferenças relacionadas ao sexo na expressão gênica do músculo 
esquelético e nas interações com hormônios específicos do sexo (LIU et al., 2010; 
MAHER et al., 2009). Como consequência, os músculos dos homens são 
geralmente mais fortes e potentes que o das mulheres (HUNTER, 2014). 
 
Em relação aos 10 estudos com futebol feminino da revisão supracitada (SILVA et 
al., 2017), algumas limitações podem ser ressaltadas: quatro deles reportaram 
apenas medidas pré e imediatamente pós-jogo (BENDIKSEN et al., 2013; 
DELEXTRAT et al., 2013; TSUBAKIHARA et al., 2013; KRUSTRUP et al., 2010); 
dois realizaram medidas até 24 h (ANDERSSON et al., 2010; GRAVINA et al., 2011) 
e um até 48 h pós-jogo (SOUGLIS et al., 2015). Dos 10 estudos, dois foram 
realizados em condições simuladas de jogo (BENDIKSEN et al., 2013; DELEXTRAT 
et al., 2013), o que representa uma limitação considerando que maiores magnitudes 
de alterações em respostas fisiológicas e perceptivas são induzidas em condições 
reais de jogo quando comparados a protocolos simulados (SILVA et al., 2017). 
 
Em se tratando do aspecto multifatorial da recuperação, na revisão supracitada 
apenas um estudo investigou respostas de desempenho físico, sendo verificada 
redução na altura do salto com contramovimento (SCM) por até 69 h, enquanto o 
tempo no teste de sprint retornou a valores basais 5 h após o jogo (ANDERSSON et 
al., 2008). A maioria dos estudos avaliou apenas a resposta de marcadores 
sanguíneos de dano muscular e inflamação, tais como creatina quinase (CK) e 
proteína C reativa (PCR). Embora ambos marcadores tenham apresentado valores 
pico 24 h pós-jogo, a PCR retornou a seus valores basais 48 h pós-jogo (SOUGLIS 
et al., 2015), enquanto a CK retornou dentro de 69 h (ANDERSSON et al., 2008). 
Por fim, apenas um estudo dessa revisão reportou respostas perceptivas no futebol 
feminino, com a dor muscular de início tardio (delayed onset muscle soreness -
DOMS) apresentando pico em 24 h e retornando ao basal 69 h pós-jogo 
(ANDERSSON et al., 2008). Dessa forma, considerando o que foi exposto, 
informações sobre o perfil de recuperação em atletas de futebol feminino 
permanecem limitadas na literatura, com poucas descrições de marcadores físicos, 
fisiológicos e respostas perceptivas de recuperação no mesmo estudo 
(ANDERSSON et al., 2008; SOUGLIS et al., 2015). Portanto, devido à natureza 
multifatorial do processo de recuperação, mais estudos são necessários para um 
26 
 
melhor entendimento sobre a cinética (decurso temporal) de recuperação pós-jogo e 
sua variabilidade no futebol feminino. 
 
A rotina de treinamento de jogadores de futebol geralmente consiste em exercícios 
técnico-táticos, treinamento de força, aeróbico, resistência anaeróbica e flexibilidade 
(HAMMAMI et al., 2017; BARBALHO et al., 2018). A força, contudo, é uma das 
capacidades que mais contribuem nas ações determinantes dessa modalidade, tais 
como chutes, sprints, saltos, mudanças de direção e disputas de bola contra o 
adversário (JULLIEN et al., 2008). Além disso, a força muscular pode ser observada 
nos contatos com a bola (passe, cabeceio), nas arrancadas em velocidades, nos 
giros, nas fintas, acelerações e desacelerações (RAMPININI et al., 2011; NEGRA et 
al., 2016). Considerando as características do futebol, é possível afirmar que a força 
rápida é uma manifestação determinante da modalidade. Sendo assim, programas 
de treinamento com objetivos de desenvolver a força máxima (JULLIEN et al., 2008; 
CHELLY et al., 2009; BRITO et al., 2014) e ou explosiva (NEGRA et al., 2016; 
RODRIGUEZ-ROSELL et al., 2016) tem sido sugerido para atletas de futebol. 
 
Literatura recente sugere que cronicamente, o treinamento de força induz 
adaptações que resultam na melhora da força máxima, do desempenho no salto, 
tempo no sprint, da agilidade e velocidade de chute em jogadores de futebol 
(BARBALHO et al., 2018; FRANCO-MARQUEZ et al., 2015; HAMMAMI et al., 2017; 
TORRES-TOLEDO et al., 2016), sendo portanto, cruciais para a melhora do 
desempenho físico desses atletas (HAMMAMI et al., 2017; BARBALHO et al., 2018). 
Esse treinamento de força geralmente é baseado no componente vertical durante a 
tripla extensão dos membros inferiores (tornozelo, joelho e quadril), verificada nos 
diferentes exercícios de agachamento, devido a sua proximidade com ações 
explosivas da modalidade (DE HOYO et al., 2016; KAWAMORI & HAFF, 2004). 
Além disso, métodos de treinamento baseados em alta velocidade de execução 
associados com percentual de uma repetição máxima e volume de baixos a 
moderados (40 a 60% de 1RM, 4 a 12 repetições) (NEGRA et al., 2016; 
RODRIGUEZ-ROSELL et al., 2017) parecem ser mais benéficos que treinos de 
maiores intensidades (80 a 90% de 1RM) e baixo volume (2 a 6 repetições) 
(JULLIEN et al., 2008; CHELLY et al., 2009; BRITO et al., 2014) em velocidades 
lentas. Esse método de treinamento é justificado pelo aumento na força de 
27 
 
contração muscular, aceleração e velocidade, o que pode ser transferido para 
habilidades do futebol, tais como giros, sprints e saltos (STOLEN et al., 2005; 
FRANCO-MARQUEZ et al., 2015; NEGRA et al., 2016; RODRIGUEZ-ROSELL et al., 
2016). Além disso, esses estudos enfatizam o baixo nível de fadiga induzido por 
esse método de treinamento comparado com sessão de treinamento de força (STF) 
realizada com altas cargas, o que constitui uma importante consideração para 
realização de treino técnico-tático subsequente (FRANCO-MARQUEZ et al., 2015). 
Contudo, a magnitude da fadiga induzida por esses treinos não foi quantificada 
nesses estudos (FRANCO-MARQUEZ et al., 2015; NEGRA et al., 2016; 
RODRIGUEZ-ROSELL et al., 2016), e essa informação poderia fornecer suporte 
para o uso de STF durante microciclos no futebol. 
 
Apesar dos benefícios apresentados em relação a um treino de força para jogadores 
de futebol, considerações sobre o efeito agudo gerado por essas sessões de 
treinamento são necessárias. Draganidis et al. (2013) e Kesoglou et al. (2009) 
reportaram que uma sessão única de treino de força produz apenas dano muscular 
e respostas inflamatórias leves e de curto prazo em jogadores homens, afetando 
minimamente o desempenho de habilidades do futebol. Essa sessão de treino 
investigada consistiu de 4 séries de 4-6 repetições do exercício agachamento, 
executado o mais rápido possível, a 40% 1RM (KESOGLOU et al., 2009). Além 
disso, Draganidis et al. (2013) compararam uma STF de menor intensidade (4 
séries, 8-10 repetições por série a 65-70% de 1RM) com uma STF de maior 
intensidade (4 séries, 4-6 repetições por série a 85-90% 1RM) e encontraram uma 
redução de força somente no momento pós-exercício no grupo de maior intensidade. 
A CK apresentou pico 24 h no grupo de menor intensidade e 48 h no grupo de maior 
intensidade, enquanto a PCR estava aumentada imediatamentepós-STF e 24 h, 
com maiores valores no grupo de maior intensidade. Foi verificada dor muscular 
elevada imediatamente após e 24 h no grupo de menor intensidade, enquanto no 
grupo de maior intensidade essa variável permaneceu elevada 48 h pós-STF. Dessa 
forma, técnicos e demais profissionais do futebol permanecem resistentes para 
incluir STF na rotina de jogadores de futebol sem evidências suficientes sobre o 
efeito residual desse tipo de treinamento, especialmente em atletas mulheres. Além 
disso, permanece a lacuna sobre a variabilidade entre indivíduos nessa resposta de 
28 
 
recuperação pós-STF, uma vez que todos os estudos supracitados reportaram 
respostas médias de grupo em jogadores homens. 
 
Por fim, durante temporadas competitivas no futebol, o planejamento de microciclos 
semanais geralmente é constituído por sessões de treinamento, jogos e 
recuperação. Muitos destes microciclos podem conter de 2 a 3 jogos por semana 
(ISPIRLIDIS et al., 2008), o que reduz o tempo de recuperação entre jogos e 
sessões de treinamento (NÉDÉLEC et al., 2012). Portanto, durante esses 
microciclos a recuperação se torna um processo ainda mais complexo devido à 
fadiga induzida pelo jogo associada à fadiga induzida pelas sessões de treinamento. 
Embora possa prejudicar o processo de recuperação, o treino é indispensável para 
manter ou aumentar as capacidades físicas e evitar a perda de adaptações 
adquiridas durante a pré-temporada (MUJIKA & PADILLA, 2000; ROLLO et al., 
2014). Como consequência, o treinamento de força é geralmente sacrificado durante 
o período competitivo devido a preocupações sobre o efeito residual desse tipo de 
treinamento na velocidade, potência e no desempenho em habilidades do futebol 
nos jogos subsequentes (CROSS et al., 2019). 
 
Embora Draganidis et al. (2013) e Kesoglou et al. (2009) tenham verificado que 
sessões de treinamento de força de diferentes intensidades não provocam redução 
no desempenho de habilidades do futebol quando realizadas 24 h previamente a um 
jogo, em ambos os estudos os jogadores realizaram a sessão de força em 
condições que estavam descansados. Portanto, não é possível extrapolar tais 
resultados para microciclos competitivos, em que a fadiga é induzida por ambos, 
jogos e sessões de treinamento. Dessa forma, permanece desconhecida a influência 
que uma sessão de força realizada no pós-jogo exerce sobre a recuperação de 
jogadores de futebol, bem como quando realizar essas sessões em um microciclo 
competitivo. Em outras palavras, ainda não se sabe o efeito da fadiga induzida por 
um jogo, acumulada com a fadiga induzida por sessões de treinamento de força 
realizadas 24 ou 48 h após o jogo, no desempenho do jogo seguinte, realizado 72 h 
após o primeiro. Realizar uma STF 24 h pós-jogo pode aumentar o estresse em 
atletas já fadigados. Por outro lado, realizar uma STF 48 h pós-jogo pode atrasar a 
recuperação para o jogo subsequente. Considerações adicionais também são 
necessárias sobre a qualidade da sessão de treinamento de força realizada nesses 
29 
 
diferentes momentos, que pode ser afetada pela proximidade de uma partida. 
Considerando a necessidade de recuperação rápida entre jogos realizados em uma 
mesma semana e o desafio de planejar e organizar o treinamento para modalidades 
que possuem essa característica quanto ao calendário competitivo, o presente 
estudo pode contribuir para que treinadores reconsiderem o momento de se realizar 
essas sessões. A hipótese geral do presente estudo é de que a realização de uma 
STF 48 h pós-jogo em microciclos competitivos seria o momento mais adequado, 
considerando que o protocolo para treino de força não produzirá fadiga residual 
prolongada e que em 24 h as atletas apresentarão fadiga decorrente do jogo. 
30 
 
1.1 Objetivo geral 
 
Investigar os efeitos de uma sessão de treino de força na recuperação pós-jogo de 
atletas de futebol feminino. 
 
Para isso, o projeto foi dividido em três estudos, de acordo com os objetivos 
específicos descritos a seguir: 
 
1.2 Objetivos específicos 
 
Estudo 1: Analisar a dinâmica de recuperação pós-jogo em atletas profissionais de 
futebol feminino a partir de variáveis de desempenho, fisiológicas e perceptivas. 
 
Estudo 2: Analisar a dinâmica de recuperação pós-treino de força em atletas 
profissionais de futebol feminino a partir de variáveis de desempenho e perceptivas. 
 
Estudo 3: Investigar o efeito de uma sessão de treino de força realizada 24 ou 48h 
pós-jogo na recuperação a partir de variáveis de desempenho, fisiológicas e 
perceptivas de atletas de futebol feminino. 
 
1.3 Hipóteses 
 
Estudo 1: O jogo de futebol feminino provocará alterações significativas nas 
variáveis de desempenho, fisiológicas e nas respostas perceptivas em atletas do 
sexo feminino. 
 
Estudo 2: Uma única sessão de treino de força provocará alterações significativas 
apenas imediatamente pós-treino nas variáveis de desempenho e nas respostas 
perceptivas em atletas de futebol feminino. 
 
Estudo 3: A realização de uma STF 48h pós-jogo produzirá o perfil de recuperação 
mais adequado para um jogo subsequente dentro de 72h, comparado a STF 24h 
pós-jogo em atletas de futebol feminino. 
31 
 
2 REVISÃO DE LITERATURA 
 
 
Esta seção foi organizada de maneira a contemplar e contextualizar os principais 
tópicos relacionados ao tema do presente estudo. Dessa forma, inicialmente foi 
realizada uma caracterização geral da modalidade futebol, incluindo as principais 
demandas físicas do jogo, tanto no futebol masculino como no feminino. Essa 
caracterização também incluiu comparações entre primeiro e segundo tempo de 
jogo, atletas profissionais e não profissionais, entre diferentes posições e categorias. 
Em seguida, considerando que o tema principal do presente estudo é a recuperação, 
foram apresentados conceitos para esse fenômeno bem como para a fadiga, e 
apresentado resultados de alguns estudos que investigaram ambos os processos 
(fadiga e recuperação). Com o intuito de justificar a escolha das variáveis 
dependentes e apresentar o que a literatura já descreveu em relação a essas 
variáveis no contexto do futebol, os tópicos ―Utilização do desempenho em testes 
físicos no monitoramento da fadiga no futebol‖, ―Dano muscular e inflamação 
induzidos por jogos de futebol‖ e ―Respostas perceptivas‖ foram elaborados para 
apresentar as variáveis de desempenho, fisiológicas e perceptivas, respectivamente. 
Além disso, previamente a apresentação das variáveis fisiológicas, os processos de 
dano muscular, inflamação e reparo tecidual foram definidos, detalhadamente 
descritos e exemplificados. Considerando que a variabilidade entre jogos é um 
aspecto relevante e que na metodologia proposta do presente estudo vários jogos 
foram analisados, um tópico específico para esse tema foi elaborado com o intuito 
de discutir potenciais limitações. Por fim, um último tópico destinado ao treinamento 
de força no futebol foi apresentado, com uma descrição detalhada de estudos que 
investigaram essa temática, incluindo principais lacunas existentes para enfatizar a 
relevância e originalidade do presente estudo diante daquilo que já foi verificado na 
literatura. Os principais bancos de dados utilizados foram Pubmed e Google scholar 
com busca por palavras-chave tais como: ―soccer‖, ―female soccer‖, ―recovery‖, 
―fatigue‖, ―resistance training‖, ―strength training‖, ―muscle damage‖, 
―countermovement jump‖, ―sprint‖, ―creatina kinase‖, ―c-reactive protein‖, ―delayed 
onset muscle soreness‖, ―total quality recovery‖, ―Bunel Mood Scale‖ e ―match 
variability‖. 
32 
 
2.1 Caracterização do futebol 
 
 
O futebol é um esporte intermitente de alta intensidade, normalmente com jogos de 
duração de 90 min, consistindo de dois tempos de 45, com um intervalo de 15 min 
entre eles (ALDOUS et al., 2014). Estudos apontam que em uma partida de futebol 
masculino, adistância total percorrida varia entre 9 e 12 km (MOHR et al., 2003; 
STOLEN et al., 2005; THORPE et al., 2012), sendo que cada jogador realiza entre 
1000 e 1400 ações, principalmente de curta duração, variando entre 4 a 6 s (MOHR 
et al., 2003; STOLEN et al., 2005). Dentre as atividades realizadas, destacam-se 
sprints, corridas de alta intensidade (aproximadamente a cada 70 s), cerca de 10 a 
17 cabeceios, 50 envolvimentos com a bola, 30 passes, mudanças de ritmo e 
sustentação de contrações para manter o equilíbrio e o controle da bola contra a 
pressão defensiva (MOHR et al., 2003; STOLEN et al., 2005). Thorpe et al. (2012) 
verificaram que jogadores de futebol masculino realizam em média 6 ± 2% do tempo 
de jogo em alta intensidade, 39 ± 18 sprints durante os 90 min e percorrem uma 
distância média de 15,7 ± 2,3 m por sprint. A intensidade média do jogo corresponde 
a aproximadamente 70-75% do consumo máximo de oxigênio (VO2max) e 85% da 
frequência cardíaca máxima (FCmax) (STOLEN et al., 2005; SOUGLIS et al., 2015). 
 
Quando analisamos essas mesmas variáveis em jogos de futebol feminino, valores 
muito próximos ou ligeiramente inferiores são encontrados comparados àqueles 
apresentados por atletas de futebol de elite do sexo masculino. Mulheres percorrem 
distâncias entre 8 e 11 km, realizam em média 1400 ações a cada 4 s durante o 
jogo, 125 corridas de alta intensidade com duração média de 2,3 s, o que 
corresponde a 4,8% do tempo total dos jogos (MOHR et al., 2008; STOLEN et al., 
2005; KRUSTRUP et al., 2005; MCCORMACK et al., 2015). A distância percorrida 
em corridas de baixa intensidade, alta intensidade e sprints são de 9,00, 1,31 e 0,16 
km, respectivamente (KRUSTRUP et al., 2005). Há relatos de número total de 
sprints, cabeceios e posse de bola de 26, 8 e 14, respectivamente (KRUSTRUP et 
al., 2005). Sendo assim, parece que a principal diferença nas variáveis de 
desempenho entre homens e mulheres é quando comparamos a distância percorrida 
em corridas de alta intensidade. Mulheres percorrem em média 1,3 km, ou seja, 
menos de dois terços, comparado a distância percorrida por homens de 
33 
 
aproximadamente 2 a 3 km (KRUSTRUP et al., 2005; MOHR et al., 2003). 
Importante apontar que a maioria dos estudos relatados adotam as seguintes 
categorias de classificação: em pé (0 km/h), caminhada (6 km/h), trote (8 km/h), 
corrida de baixa velocidade (12 km/h), corrida de velocidade moderada (15 km/h), 
corrida de velocidade alta (18 km/h), sprint (25 km/h para mulheres e 30 km/h para 
homens), corrida de costas (10 km/h) (MOHR et al., 2003; KRUSTRUP et al. 2005; 
MOHR et al., 2008). McCormack et al. (2014), contudo, definiram corridas de alta 
intensidade como corridas cuja velocidade fosse igual ou superior a apenas 13 km/h. 
No estudo desses autores, considerando essa definição, mulheres percorreram de 
70 a 190 corridas de alta intensidade por jogo, totalizando até 2 km de corridas de 
alta intensidade. Dessa forma, é importante verificar as faixas de intensidades de 
corrida adotadas entre os diferentes estudos ao se fazer comparações. 
 
Em geral, os maiores valores encontrados para homens na distância total, na 
distância percorrida em alta intensidade e em sprints comparado a mulheres 
(DATSON et al., 2014; ANDERSON et al., 2010; MOHR et al., 2003; STOLEN et al., 
2005) são devido ao menor consumo máximo de oxigênio e potência anaeróbica de 
mulheres (DATSON et al., 2014; SOUGLIS et al., 2018, MCCORMACK et al., 2014). 
Em relação à intensidade do jogo, atletas de futebol feminino apresentam frequência 
cardíaca (FC) média acima de 80% da FCmáx durante o jogo, variando entre 81 e 
93% (KRUSTRUP et al., 2005). Esses resultados são similares àqueles encontrados 
em estudos realizados com homens (STOLEN et al., 2005; SOUGLIS et al., 2015). 
Souglis et al. (2015) não encontraram diferenças significativas (p = 0,23) entre a FC 
média no jogo de homens e mulheres (173 ± 7 e 169 ± 5 b.min-1) que correspondeu 
respectivamente, a 86,9 ± 4,3 e 85,6 ± 2,3% da FCmáx. 
 
Parece que a intensidade e a distância percorrida em jogos de futebol são maiores 
quando comparamos o primeiro com o segundo tempo, e quando comparamos 
atletas profissionais e não profissionais (STOLEN et al., 2005). Mohr et al. (2003) 
mostraram que durante o jogo, a distância total percorrida por jogadores top class é 
5,51 ± 0,10 vs 5,35 ± 0,09 km quando comparados primeiro e segundo tempos, 
respectivamente. Jogadores de nível moderado, por sua vez, percorrem 5,20 ± 0,01 
vs 5,13 ± 0,01 km no primeiro e segundo tempo, respectivamente, sem diferenças 
significativas. Para a variável distância percorrida em corridas de alta intensidade, 
34 
 
jogadores top-class percorrem 1,27 ± 0,07 vs 1,15 ± 0.08 km quando comparados 
primeiro e segundo tempos, respectivamente, ao passo que jogadores de nível 
moderado percorrem 1,01 ± 0,07 vs 0,90 ± 0,06 km no primeiro e segundo tempo, 
respectivamente (MOHR et al., 2003). A distância percorrida em sprints também é 
diferente entre o primeiro e segundo tempo (0,35 ± 0,04 vs 0,30 ± 0,03 e 0,21 ± 0,03 
vs 0,19 ± 0,02 km) para jogadores top class e para jogadores de nível moderado, 
respectivamente (MOHR et al., 2003). 
 
Em jogos de futebol feminino, Krustrup et al. (2005) verificaram que a distância 
percorrida em alta intensidade reduz em 30% (de 0,27 para 0,19 km) e 34% (de 0,24 
para 0,16 km) quando comparados os primeiros e últimos períodos de 15 min do 
primeiro e segundo tempos, respectivamente. Tais resultados corroboram os 
achados de Ramos et al. (2017) que também verificaram redução na distância total, 
distância percorrida em alta intensidade e carga de jogo ao comparar 15 min de 
cada tempo, em jogadoras de futebol feminino da seleção brasileira. Contudo, é 
importante ressaltar que jogos que apresentam maior distância total, número de 
corridas de alta intensidade e carga de jogo no primeiro tempo, resultam em 
reduções nas respectivas variáveis no segundo tempo (RAMOS et al., 2017). 
Contrariamente, jogos com menor demanda no primeiro tempo, resultam em 
aumento da distância percorrida em sprints, número de acelerações (>2 m.s-2) e 
desacelerações (>-2 m.s-2) no segundo tempo (RAMOS et al., 2017). 
 
Em relação às diferentes posições, é importante considerar as exigências e funções 
para cada jogador, a fim de contextualizar e melhor compreender as diferenças 
físicas e fisiológicas características de goleiros, atacantes, meios de campo ou 
defensores. Uma vez que goleiros não percorrem grandes distâncias e nem realizam 
muitas ações de alta intensidade (ex: corridas) durante os jogos, quando avaliados, 
geralmente são os mais lentos em testes de sprints (SPORIS et al., 2009; HAUGEN 
et al., 2012) e apresentam um desempenho pior em testes de capacidade aeróbica 
máxima e de agilidade, comparado a jogadores de linha (BOONE et al., 2012). 
Contudo, goleiros geralmente são os atletas da equipe que apresentam maior 
estatura e massa corporal (SPORIS et al., 2009) e possuem grande potência em 
membros inferiores principalmente quando mensurada por meio de testes de salto 
máximo (SPORIS et al., 2009; BOONE et al., 2012). 
35 
 
 
Estudos prévios em atletas de futebol masculino de alto nível (MOHR et al., 2003) e 
feminino (MOHR et al., 2008; RAMOS et al., 2017) têm relatado que atacantes 
tendem a realizar um maior número de sprints e, como consequência, maiores 
distâncias percorridas em sprints (até 30 m) durante os jogos. Além disso, são 
geralmente mais rápidos que jogadores de outras posições em testes de velocidade 
linear de distâncias até 20 m (SPORIS et al., 2009). 
 
Há relatos que meios de campo são os jogadores que percorrem maiores distâncias 
e realizam um maior número de atividades de alta intensidade durante jogos de 
futebol (MOHR et al., 2008; BLOOMFIELD et al., 2007, DATSON et al., 2014). Além 
disso, parece que jogadores dessa posiçãoapresentam melhor capacidade 
aeróbica, verificada por meio do desempenho no Yo-yo Intermittent Recovery Test 
(Yo-yo IRT) e habilidade em realizar sprints repetidos (MOHR et al, 2003; REILLY, 
BANGSBO & FRANKS, 2000). 
 
Jogadores que desempenham papéis defensivos precisam frequentemente se 
reposicionar para defender a bola e conter os jogadores atacantes que se 
aproximam. Tal função pode significar que esses jogadores percorrem um maior 
percentual do tempo correndo de costas (BLOOMFIELD et al., 2007). Sendo assim, 
essa característica pode justificar resultados encontrados na literatura que mostram 
que defensores são mais lentos até os 5 primeiros metros de sprint considerando 
que iniciam de uma posição corporal diferente daquela geralmente avaliada em 
testes de sprint (LOCKIE et al., 2018). Defensores percorrem geralmente menores 
distâncias e completam um menor número de esforços de alta intensidade durante o 
jogo (MOHR et al., 2003; MOHR et al., 2008) quando comparados a meios de 
campo e atacantes, e ainda assim, precisam de um alto nível de condicionamento 
físico. Além disso, defensores são geralmente mais altos e pesados comparados a 
atacantes e meios de campo (SPORIS et al., 2009; VESCOVI et al., 2006). 
 
Em relação à FC média durante o jogo, Krustrup et al. (2005) verificaram valores 
similares em atletas mulheres de futebol de elite, independente da posição (86, 88 e 
88% da FC pico para defensores, meios de campo e atacantes, respectivamente). 
 
36 
 
Embora haja uma aparente consistência na literatura em relação à caracterização de 
cada posição, também há estudos que mostram pouca ou nenhuma diferença em 
diversos parâmetros quando comparados jogadores de diferentes posições. Lockie 
et al. (2018), por exemplo, encontraram poucas diferenças entre as posições nas 
características físicas e fisiológicas de uma equipe de futebol feminino de primeira 
divisão. Foram encontradas diferenças na aceleração de sprint até 5 m (meios de 
campo foram significativamente mais rápidos quando comparados a defensores e 
goleiros) e no Yo-yo IRT2 (defensores e meios de campo percorreram maiores 
distâncias comparados a goleiros). Para as demais variáveis, massa corporal, 
estatura, salto vertical e horizontal, testes de agilidade, Yo-yo IRT1 e tempo de 10 e 
30 m de sprint não foram encontradas diferenças significativas entre as posições. 
Vescovi et al. (2006) também analisaram características fisiológicas em jogadores de 
futebol feminino e encontraram características semelhantes entre grupos de 
diferentes posições, embora defensores tenderam a ser mais lentos em teste de 
velocidade e agilidade. 
 
Além das diferentes posições, o desempenho físico e características 
antropométricas de jogadores profissionais de futebol feminino são também 
influenciados pela faixa etária (RAMOS et al., 2019). Em estudo realizado com a 
seleção feminina brasileira, as categorias sub-20 (31,6 ± 4,3 cm) e sênior (33,0 ± 4,1 
cm) apresentaram melhor desempenho no SCM comparado ao sub-15 (27,2 ± 3,1 
cm) e sub-17 (28,1 ± 3,8 cm). Para o salto agachado (SA), jogadoras pertencentes 
ao sub-20 (29,4 ± 4,2 cm) apresentaram melhor desempenho comparado ao sub-15 
(25,8 ± 2,9 cm) e sub-17 (26,1 ± 3,9 cm), enquanto a categoria sênior (32,1 ± 3,9 
cm) apresentou desempenho superior comparado às demais categorias. 
Similarmente, no teste de velocidade linear de 20 m, atletas seniores foram 
significativamente mais rápidas (6,2 ± 0,5 m.s-1) comparadas às demais categorias 
(5,9 ± 0,2; 5,8 ± 0,2 e 5,9 ± 0,3 m.s-1 para sub-15, sub-17 e sub-20, respectivamente) 
e também percorreram maiores distâncias no teste Yo-Yo IR1 (1,51 ± 0,32 km) 
comparado ao sub-15 (0,71 ± 0,21 km), sub-17 (0,72 ± 0,23 km) e sub-20 (0,86 ± 
0,24 km) (RAMOS et al., 2019). O perfil de atividades durante competições 
internacionais também difere entre categorias (RAMOS et al., 2017). A distância total 
percorrida, a distância percorrida em alta intensidade (15,6 – 20 km.h-1), a distância 
percorrida em sprints (>20km.h-1), o número de acelerações (>1m.s-2), 
37 
 
desacelerações (>-1m.s-2) e a carga de jogo aumenta com a idade (sub-17 < sub-20 
< sênior) no futebol feminino (RAMOS et al., 2017). 
 
Sendo assim, embora não seja foco do presente estudo, a caracterização da 
modalidade e um entendimento geral dos principais fatores contextuais (diferenças 
entre posições, faixa etária, sexo, primeiro vs segundo tempo) podem nos ajudar a 
compreender a variabilidade nas respostas relacionadas a fadiga e recuperação no 
futebol. 
 
 
2.2 Fadiga e recuperação após jogos de futebol 
 
 
A fadiga pode ser definida como uma redução aguda do desempenho que inclui 
tanto um aumento na percepção de esforço para realizar uma força ou potência 
desejada como uma redução na capacidade de realizar uma força ou potência 
máximas (GANDEVIA, 2001). Sendo assim, a fadiga envolve alterações na força 
máxima, na velocidade máxima de encurtamento e na relação da curva força-
velocidade com diferentes mecanismos subjacentes (ALLEN, LAMB & 
WESTERBLAD, 2008). Além disso, dentre os diferentes mecanismos associadas à 
fadiga, podemos citar prejuízos no processo de acoplamento excitação-contração, 
devido a uma redução na liberação de cálcio (Ca2+) e na ligação de Ca2+ à troponina, 
e ou ainda, por danos musculares estruturais (ALLEN, LAMB e WESTERBLAD, 
2008). 
 
No futebol, ações típicas dessa modalidade (sprints, corridas com mudanças de 
direção, saltos, assim como ações técnicas tais como dribles, passes e chutes) são 
de grande demanda física e, associadas a outros fatores como desidratação, 
depleção de glicogênio e dano muscular levam à fadiga pós-jogo (NÉDÉLEC et al., 
2012). Dessa forma, no futebol, a fadiga pode ser entendida como uma redução no 
desempenho em atividades características dessa modalidade. Nesse contexto, a 
fadiga pode ocorrer após curtos períodos de alta intensidade em ambas as metades 
do tempo, em direção ao fim da partida e após o jogo (NÉDÉLEC et al., 2012), 
sendo, nesse caso, denominada fadiga aguda. Quando a redução do desempenho 
38 
 
permanece nos dias após o jogo, passa a ser denominada fadiga residual. Portanto, 
a fadiga é um processo contínuo que transforma o estado funcional do organismo. 
 
A recuperação, por sua vez, de uma perspectiva prática, pode ser entendida como a 
capacidade de alcançar ou superar o desempenho de uma atividade específica. Ou 
seja, a capacidade do indivíduo realizar um novo estímulo de treinamento/jogo 
mantendo ou superando o desempenho alcançado em uma sessão de treino/jogo 
anterior (BISHOP, JONES E WOODS, 2008). Sendo assim, a recuperação é um 
processo multifatorial de reestabelecimento do desempenho físico, fisiológico e de 
respostas perceptivas em relação ao tempo (KELLMANN et al., 2018). 
 
Os estímulos de treinamento e a sobrecarga gerada em jogos de futebol são fatores 
cruciais para a melhora do desempenho dos atletas, contudo, não se pode 
negligenciar a importância do período de recuperação, uma vez que a maioria das 
adaptações induzidas pelo exercício ocorre durante esse período (BISHOP, JONES 
& WOODS, 2008). Dessa forma, monitorar a fadiga, ou seja, o quanto a execução 
da carga de treinamento prescrita (ou do jogo) provoca de alteração funcional no 
organismo, bem como monitorar a recuperação, ou seja, o retorno ou 
supercompensação de variáveis de desempenho, fisiológicas e perceptivas para 
valores pré-treino/jogo, são processos fundamentais para o desenvolvimento da 
performance esportiva. 
 
Rampinini et al. (2011) mostraram que fatores centrais e periféricos podem explicar a 
fadiga tanto imediatamente após o jogo como após dois dias de recuperação. Esses 
autores apontaram que fatores centrais parecem ser a causa principal da redução na 
produção de força máxima e na capacidade de sprint verificados após o jogo, 
enquanto a fadiga residual parece estar relacionadaao aumento da dor muscular, e 
dessa forma, possivelmente está associada ao dano muscular e inflamação. Além 
disso, no estudo de Rampinini et al. (2011), as variáveis que foram negativamente 
afetadas após o jogo retornaram aos valores basais após 48 h de recuperação. 
Embora esses autores tenham postulado sobre a origem da fadiga, os mecanismos 
fisiológicos não foram investigados. Especulações apontadas por esses autores que 
podem explicar o fenômeno da fadiga são o dano muscular, a depleção de 
39 
 
glicogênio, a inflamação geral associada ao exercício e a dor muscular, que são 
comuns após jogos de futebol (RAMPININI et al., 2011). 
 
McCormack et al. (2015), ao compararem o desempenho em dois jogos de futebol 
realizados com um intervalo de 42 h, em mulheres de uma equipe da primeira 
divisão, não encontraram diferenças na distância percorrida e no número de sprints, 
porém, verificaram redução significativa na quantidade de corridas de alta 
intensidade. Embora esses autores não tenham investigado os fatores que podem 
ter causado tais achados, foram apontadas como possíveis causas dessa diferença 
a depleção de glicogênio, o dano muscular, nutrição inadequada e desidratação. 
Outros fatores como motivação, táticas do jogo e diferentes adversários foram 
apontados como possíveis influentes na redução do desempenho quando jogos são 
realizados em um intervalo inferior a 48 h (MCCORMACK et al., 2015). 
 
Embora a recuperação no futebol consista num tema comumente investigado 
(SILVA et al., 2017; ANDERSSON et al., 2008; NÉDÉLEC et al., 2014), resultados 
inconsistentes são verificados na literatura, dificultando conclusões definitivas sobre 
essa temática. De fato, alguns autores mostraram que as variáveis negativamente 
afetadas pelo jogo retornam aos valores basais após um período de recuperação de 
48 h em atletas profissionais de alto nível (RAMPININI et al., 2011), ao passo que 
outros autores revelam que 72 h não são suficientes para recuperação dos atletas 
(NÉDÉLEC et al., 2014). Sendo assim, a recuperação no futebol é um processo 
complexo, ainda com resultados inconsistentes na literatura, e, dessa forma, 
necessita de constante investigação. 
 
Essa complexidade da recuperação no futebol é, em parte, justificada pelos 
diferentes fatores que influenciam esse processo. Por exemplo, fatores extrínsecos 
(resultado do jogo, qualidade do adversário, local do jogo) e ou fatores intrínsecos 
(nível de treinamento, idade, gênero, tipologia de fibra muscular) influenciam o 
tempo de recuperação (NÉDÉLEC et al., 2012). De maneira geral, a recuperação é 
dependente tanto da variação da carga de jogo que os atletas são expostos 
(diferentes posições, tempo de jogo), ou seja, da magnitude da fadiga induzida pelo 
jogo, como das capacidades individuais (diferenças no desempenho e 
condicionamento físico dos atletas) (RAMPININI et al., 2011; DOEVEN et al., 2018). 
40 
 
Essas capacidades determinam como os atletas respondem à carga de jogo e têm 
um papel importante no processo de recuperação (DOEVEN et al., 2018). Sendo 
assim, é importante entender o perfil de recuperação dos atletas de maneira 
individual. Além do jogo, atletas de futebol podem sofrer diferentes estresses físicos 
durante a mesma sessão de treinamento da equipe. A esse respeito, identificar 
diferenças interindividuais no potencial de recuperação entre atletas da mesma 
equipe pode contribuir para o desenvolvimento de protocolos de recuperação 
individualizados (NÉDÉLEC et al., 2014). 
 
Além disso, a recuperação do desempenho físico, fisiológica (em termos de dano 
muscular, inflamação e reparo tecidual) e as respostas perceptivas nem sempre 
apresentam o mesmo padrão, magnitude, consistência e ou tempo de retorno a 
valores basais (SILVA et al., 2017; DOEVEN et al., 2018). Doeven et al. (2018) em 
sua revisão mostraram que monitorando variáveis de desempenho (altura do SCM e 
tempo no teste de sprint), atletas podem estar fisicamente recuperados 48 h pós-
jogo. Contudo, a CK pode demorar em média 72 h ou mais para retornar aos valores 
basais. Dessa forma, tais respostas podem ser dependentes da natureza do teste 
físico (força, velocidade, potência), ou da função fisiológica da variável na cascata 
inflamatória. Por exemplo, Andersson et al. (2008), relataram que o desempenho no 
sprint foi o primeiro a retornar a valores basais (5 h), seguido da ureia e acido úrico 
(21 h), força isocinética de extensão de joelhos (27 h), força isocinética de flexão de 
joelhos (51 h), CK e dor muscular (69 h), enquanto o desempenho no salto estava 
ainda reduzido 69 h pós-jogo. Tais resultados destacam a complexidade e o aspecto 
multifatorial do processo de recuperação. 
 
Outro desafio que concerne o contexto do futebol se refere ao planejamento da 
semana e temporada com relação a conciliar recuperação, desenvolvimento de 
habilidades com deficiências conhecidas, melhora do condicionamento e da 
consciência tática dentro de um calendário cheio de jogos (KIRKENDALL et al., 
2007). De fato, uma recuperação de qualidade é fundamental principalmente durante 
períodos competitivos em que o intervalo de recuperação entre jogos consecutivos 
pode ser limitado há 2 ou 3 dias (ISPIRLIDIS et al., 2008). Dessa forma, quantificar a 
fadiga e ou recuperação por meio de alterações fisiológicas, perceptivas e de 
desempenho após jogos de futebol é importante para auxiliar no planejamento e 
41 
 
otimizar a prescrição da carga de treinamento, sobretudo durante temporadas 
competitivas (ANDERSSON et al., 2008; NÉDÉLEC et al., 2014). 
 
 
2.3 Utilização do desempenho em testes físicos no monitoramento da fadiga no 
futebol 
 
 
Variáveis de desempenho têm sido utilizadas para monitoramento da fadiga e 
recuperação de atletas. Considerando que o futebol envolve muitas ações com ciclo 
de alongamento-encurtamento, e esse, por sua vez, está relacionado com fadiga de 
exercício, o desempenho no salto com contramovimento tem sido um marcador de 
recuperação bastante utilizado (ISPIRLIDIS et al., 2008; FATOUROS et al., 2010; 
NÉDÉLEC et al., 2014). 
 
Ispirlidis et al. (2008) e Fatouros et al. (2010) encontraram reduções significativas 
(aproximadamente 10%) no desempenho do salto vertical somente quando avaliado 
24 h pós-jogo em atletas homens. Esses resultados sugerem que os jogadores 
podem não ser capazes de realizar atividade anaeróbica intensa com desempenho 
máximo por pelo menos 48 h após o jogo. Essa resposta pode ser atribuída, entre 
outros fatores, a síntese proteica reduzida, perda de proteínas contráteis e de 
neurotransmissores, resultando em reduções da força muscular (FATOUROS et al., 
2010). 
 
No estudo de Nédélec et al. (2014) as variáveis de monitoramento mais sensíveis 
para avaliar o status neuromuscular após o jogo foram o desempenho no SCM e a 
velocidade pico no sprint. Esses autores sugeriram que ações comumente 
realizadas em jogos de futebol, tais como mudanças bruscas de direção, 
acelerações e desacelerações estão associadas com fadiga neuromuscular 
significativa, que permanece evidente por até 72 h. 
 
Fatouros et al. (2010) avaliaram a recuperação por até 72 h pós-jogo e verificaram 
reduções na habilidade de sprint de aproximadamente 2% ao longo desse período. 
Ascensão et al. (2008) encontraram resultados similares, com reduções de 
42 
 
aproximadamente 5% no desempenho de sprint ao longo de 72 h de recuperação 
pós-jogo futebol masculino. Ispirlidis et al. (2008) por sua vez, encontraram o pior 
desempenho no teste de sprint de 20 m no momento 48 h pós-jogo, sendo que o 
desempenho somente retornou aos valores pré-jogo após 120 h de recuperação. 
 
No futebol feminino, Andersson et al. (2008) encontraram diferentes padrões de 
recuperação em variáveis neuromusculares. Foram verificadas reduções agudas de 
3 e 4% no desempenho de sprint e SCM, respectivamente. Contudo, o desempenho 
nosprint apresentou um padrão de recuperação mais rápido, uma vez que retornou 
aos valores pré-jogo após 5 h de recuperação, ao passo que o desempenho do SCM 
mesmo após 69 h, ainda não havia retornado aos valores pré-jogo. Esses resultados 
contrapõem os estudos de Fatouros et al. (2010) e Ispirlidis et al. (2008) que 
verificaram um padrão de recuperação mais rápido para o SCM (48 h) comparado 
ao sprint (120 h), em homens. Andersson et al. (2008) postularam que as diferenças 
nos padrões de recuperação podem ser explicadas pelas distintas exigências na 
quantidade de trabalho muscular e coordenação intermuscular existentes entre salto 
e sprint. Portanto, mais estudos são necessários para compreender a cinética de 
recuperação pós-jogo de futebol por meio de variáveis de desempenho, tais como 
SCM e sprint. 
 
 
2.4 Dano muscular, inflamação e reparo tecidual 
 
 
O dano muscular pode consistir na ruptura mecânica da fibra, incluindo danos à 
membrana, distúrbios miofibrilares caracterizados por desorganização de 
miofilamentos e perda da integridade do disco Z, como consequência, processos 
inflamatórios e alterações no acoplamento excitação-contração dentro dos músculos 
ocorrem (PROSKE & MORGAN, 2001). A gravidade do dano muscular varia de uma 
micro lesão em um pequeno número de fibras até a ruptura de um músculo inteiro. O 
dano muscular é caracterizado por uma diminuição temporária na função do 
músculo, um aumento no sangue das proteínas intracelulares, aumento da dor 
muscular e aumento do edema no grupo muscular envolvido (CLARKSON, NOSAKA 
& BRAUN, 1992). Consequentemente, os principais marcadores utilizados para 
43 
 
estudar o dano muscular são a força de uma contração voluntária máxima, 
marcadores sanguíneos tais como concentrações de CK e mioglobina, dor muscular 
e amplitude de movimento (NÉDÉLEC et al., 2012). 
 
A inflamação, por sua vez, é uma reação ou resposta de defesa do organismo a uma 
infecção ou lesão dos tecidos, cujo objetivo é promover a cura ou reparo (SILVA & 
MACEDO, 2011). Sendo assim, o dano muscular está também associado a uma 
resposta inflamatória e a um aumento de citocinas e outros marcadores sanguíneos 
inflamatórios (ISPIRLIDIS et al., 2008; MOHR et al., 2016; SOUGLIS et al., 2018). 
 
Já o processo de reparo ou regeneração após o dano muscular induzido pelo 
exercício pode ser dividido basicamente em três fases: (1) fase degenerativa ou fase 
de destruição; (2) fase regenerativa ou de reparo e (3) fase de remodelamento do 
tecido danificado ou fase de remodelação (JÄRVINEN et al., 2005; SILVA, 2009). 
 
A primeira fase é caracterizada pela ruptura e necrose de miofibras, formação de 
hematoma entre miofibras rompidas e reação inflamatória (JÄRVINEN et al., 2005). 
Portanto, a lesão no sarcolema constitui o primeiro estímulo que favorece a 
liberação de eicosanoides (mediadores inflamatórios), sobretudo prostaglandinas, 
prostaciclinas, leucotrienos e tromboxanas (SILVA & MACEDO, 2011). Esses 
mediadores, por quimiotaxia, atraem leucócitos especializados na fagocitose. Sendo 
assim, após influxo de células inflamatórias para o local lesionado (diapedese), 
neutrófilos e macrófagos passam a englobar e destruir os agentes invasores 
(elementos indesejáveis relacionados à lesão tecidual) (JÄRVINEN et al., 2005; 
SILVA & MACEDO, 2011). A remoção do tecido necrosado e dos produtos de lise 
celular do foco de lesão constitui um fator determinante no mecanismo de 
regeneração muscular, sendo o principal evento da fase 1 desse processo (SILVA, 
2009). 
 
Os neutrófilos são a primeira subpopulação de leucócitos a migrar para o tecido 
danificado, alcançando seu pico 1 h após o exercício e podendo permanecer com 
sua concentração elevada por até 5 dias (TIDBALL, 2005). A principal função dos 
neutrófilos é fagocitar ―organismos estranhos‖. Para isso, ocorre a liberação de 
proteases lisossomais, que degradam as proteínas locais, e formação de espécies 
44 
 
reativas de oxigênio (EROS) por meio de um processo denominado burst 
respiratório. Sendo assim, sua ação deve ser muito bem modulada, a fim de 
preservar a integridade das células que circundam o local onde o evento inflamatório 
está ocorrendo e evitar a exacerbação do dano por meio de um aumento na 
produção de EROS. Além disso, sua ação pode ser considerada ponto de partida 
para as respostas subsequentes de reparo tecidual (fases 2 e 3) (SILVA & 
MACEDO, 2011). 
 
Os monócitos constituem a segunda subpopulação de leucócitos a aparecer no local 
danificado, sendo denominados macrófagos ao sair da circulação e migrar para os 
tecidos (SILVA & MACEDO, 2011). O papel dos macrófagos na regeneração não se 
restringe à fagocitose do tecido necrosado, sendo também reconhecida sua atuação, 
por meio da síntese e liberação de moléculas biologicamente ativas, na instalação 
do processo inflamatório, na secreção de moléculas pro-regenerativas (fator de 
crescimento semelhante a insulina e algumas citocinas) e na ativação, proliferação e 
diferenciação de células satélite musculares (SILVA & MACEDO, 2011; JÄRVINEN 
et al., 2005; TIDBALL, 2005). Enquanto os macrófagos que invadem precocemente 
o local lesionado (24-48 h) são os responsáveis pela remoção do tecido danificado 
(fase 1), aqueles que aparecem mais tardiamente (48-96 h) desempenhariam um 
papel mais ativo no reparo muscular (fase 2 e 3) (SILVA & MACEDO, 2011). 
 
A segunda fase, denominada fase de reparo é caracterizada pela regeneração de 
miofibras, produção de tecido conjuntivo cicatricial e neovascularização dentro da 
área lesada (JÄRVINEN et al., 2005). Sobretudo, a fase intermediária do processo 
de regeneração consiste em ativação, determinação, proliferação e diferenciação 
das células satélites, encarregadas de restaurar, parcial ou totalmente as fibras 
lesadas (SILVA & MACEDO, 2011). Citocinas, fatores neurotróficos e demais fatores 
de crescimento liberados durante o processo inflamatório inicial constituem os 
principais sinais biológicos relacionados à regulação da atividade das células satélite 
(TIDBALL, 2005). Tais substâncias são capazes de estimular ou inibir a proliferação 
celular, além de influenciar no processo de citodiferenciação (SILVA & MACEDO, 
2011). 
 
45 
 
A terceira e última fase constitui na fase de remodelamento do tecido danificado, 
período no qual ocorre maturação de miofibras regeneradas, contração e 
reorganização do tecido cicatricial e recuperação da capacidade funcional do 
músculo (JÄRVINEN et al., 2005). Caso a inervação da fibra tenha sido 
comprometida, sua re-inervação ocorre na fase final do processo de regeneração, 
em consequência de brotamentos axonais que se originam das terminações 
nervosas de regiões íntegras adjacentes, o que permite o restabelecimento da 
funcionalidade contrátil das fibras (SILVA e MACEDO, 2011). 
 
Para entender a condição do atleta e assim prescrever uma recuperação apropriada, 
é importante conhecer a forma pela qual o dano muscular e marcadores imunes 
respondem após o exercício, bem como o processo de reparo tecidual (THORPE e 
SUNDERLAND, 2012). 
 
 
2.5 Dano muscular e inflamação induzidos por jogos de futebol 
 
 
A creatina quinase é uma molécula proteica citoplasmática e não tem a capacidade 
de atravessar a barreira da membrana sarcoplasmática (BROWN; CHILD & 
DONNELLY, 1997). Dessa forma, se constatado um aumento da concentração 
sérica dessa enzima, pode-se inferir que foi devido ao aumento da permeabilidade 
ou dano na membrana muscular e em outras estruturas teciduais (FOSCHINI; 
PRESTES & CHARRO, 2007). Souglis et al. (2018) mostraram que após jogos de 
futebol, mulheres apresentam menores valores de CK comparado a homens para 
todas as posições e momentos (pré, imediatamente após, e por um período de até 5 
dias após o jogo). Além disso, meios de campo e atacantes mulheres apresentam 
maior pico comparado a defensores (SOUGLIS et al.,2018). O pico da CK ocorre 
com 24 h (SOUGLIS et al., 2015) e os valores permanecem 1,7 a 2 vezes maiores 
por até 5 dias após o jogo, comparado aos valores pré-jogo em homens e mulheres 
(SOUGLIS et al., 2018). Thorpe e Sunderland (2012), por sua vez, verificaram 
aumentos na concentração de CK em todos os 7 jogadores semi-profissionais de 
futebol (3 defensores, 2 meios de campo e 2 atacantes) que completaram todo o 
tempo de jogo. Embora o aumento médio tenha sido de 84 ± 61% comparando pré e 
46 
 
pós-jogo, não foram encontradas diferenças significativas devido a grande variação 
nos valores de CK (p=0,17). 
 
Citocinas, por sua vez, estão envolvidas no controle da resposta da fase aguda de 
reações inflamatórias e no processo de reparo tecidual (SOUGLIS et al., 2015). 
Dentro da cascata inflamatória, a IL-6 é uma das primeiras citocinas a serem 
liberadas, principalmente pelo músculo (MUNOZ-CANOVES et al., 2013). O dano 
muscular por si só induz uma resposta de reparo, incluindo a entrada de macrófagos 
no músculo e causando maior produção de IL-6. Contudo, há evidência de que a IL-
6 seja secretada pela contração muscular (CROISIER et al., 1999), 
independentemente de dano muscular (SOUGLIS et al., 2015). 
 
Souglis et al. (2015) mostraram que um jogo de futebol induz respostas inflamatórias 
semelhantes em homens e mulheres, com aumentos significativos da IL-6 e TNF-α 
imediatamente após o jogo e retorno dessas citocinas a valores basais dentro de 24 
h pós-jogo. Essa cinética pós-jogo da IL-6 (pico imediatamente após o jogo e retorno 
a valores basais na manhã seguinte ao jogo) corrobora o estudo de Souglis et al. 
(2018). Contudo, Souglis et al. (2018) encontraram valores pico de IL-6 
significativamente menores em mulheres comparado a homens independente da 
posição (atacantes, meios de campo e defensores). Além disso, Souglis et al. 
(2018) verificaram que em homens, o pico de IL-6 foi maior em jogadores meios de 
campo comparado a atacantes e defensores, e em mulheres, meios de campo 
tiveram maior pico comparado a defensoras (SOUGLIS et al., 2018). 
 
Embora o TNF-α e a IL-6 estejam intimamente relacionados, uma vez que são 
mediadores iniciais da inflamação, Souglis et al. (2015) encontraram um pico 18% 
maior apenas para TNF-α em homens comparado as mulheres. Os autores 
postularam que a menor carga absoluta durante o jogo (mulheres percorrem menor 
distância total assim como menor distância em alta intensidade comparado a 
homens) (DATSON et al., 2014; ANDERSSON et al., 2010; MOHR et al., 2003; 
STOLEN et al., 2005), pode ser uma das possíveis razões para esses resultados. 
Isso se deve ao menor consumo máximo de oxigênio, à menor potência muscular e 
capacidade de sprint de mulheres em comparação aos homens (DATSON et al., 
2014; SOUGLIS et al., 2018, MCCORMACK et al., 2014). Sendo assim, embora 
47 
 
medidas de FC média durante o jogo sejam similares entre homens e mulheres, 
(SOUGLIS et al., 2015; KRUSTRUP et al., 2005) a carga absoluta se difere. Outra 
especulação para explicar o menor pico do TNF-α em mulheres consiste em um 
possível efeito supressor do estradiol sobre o TNF-α (MURPHY, GUYRE & PIOLI, 
2010), sendo o estradiol o principal hormônio feminino produzido pelo folículo 
ovariano (TIIDUS, 2000). 
 
O dano muscular não parece ser o regulador primário da concentração de TNF-α na 
circulação. Andersson et al. (2010) investigaram alterações do TNF-α em atletas 
mulheres, profissionais de elite, após dois jogos de futebol de 90 min separados por 
um intervalo de recuperação ativa ou passiva de 72 h. Não foi verificado aumento do 
TNF-α após o segundo jogo, apenas após o primeiro, sugerindo que sua 
concentração no sangue não é regulada somente pelo dano muscular. Souglis et al., 
(2015) também apontaram que há indícios de que o TNF-α e seus receptores estão 
envolvidos no processo de regeneração muscular, por meio de um mecanismo que 
envolve a expressão de fatores reguladores miogênicos, já demonstrado em 
experimentos com animais (WARREN et al., 2002). 
 
A proteína C reativa, no que lhe concerne, tem um papel na indução de citocinas 
anti-inflamatórias em monócitos circulantes e na supressão da síntese de citocinas 
pró-inflamatórias em macrófagos teciduais (PUE et al., 1996). Durante a inflamação, 
o aumento da IL-6 circulante atua nos hepatócitos para estimular a síntese de 
proteínas de fase aguda tais como a PCR. Além da IL-6, essa proteína também é 
regulada pela IL-1 e TNF-α (KASAPIS et al., 2005). Sua concentração no plasma 
pode aumentar milhares de vezes durante a lesão e infecção. A cinética pós-jogo da 
PCR tem sido bem delimitada pela literatura (ISPIRLIDIS et al., 2008; SOUGLIS et 
al., 2018), apresentando valores pico no dia seguinte ao jogo e retornando aos 
valores basais no segundo dia após o jogo. Sendo assim, o futebol induz uma 
elevação marcada, mas transitória da PCR em 24 h, tanto em atletas homens 
quanto mulheres (SOUGLIS et al., 2015; SOUGLIS et al., 2018). Embora Souglis et 
al. (2015) não tenham encontrado diferenças nos valores de PCR entre homens e 
mulheres, Souglis et al. (2018) verificaram que homens apresentam maiores valores 
de PCR comparado a mulheres para todas as posições de jogo. Além disso, meios 
48 
 
de campo apresentam maior pico de PCR comparado às outras posições em ambos 
os sexos (SOUGLIS et al., 2018). 
 
Dessa forma, embora Souglis et al. (2015) tenham mostrado que um jogo de futebol 
induz respostas inflamatórias semelhantes em homens e mulheres, estudo mais 
recente realizado por Souglis et al. (2018) mostrou que o sexo e a posição do 
jogador tem um efeito significativo no tempo de recuperação de marcadores de dano 
muscular, estresse oxidativo e inflamação após um jogo oficial de futebol. Esses 
resultados, em relação ao sexo, foram explicados por dois fatores (1) natureza 
hormonal, baseado no papel protetor dos hormônios ovarianos e (2) em termos de 
variáveis de desempenho, baseado na menor carga de trabalho excêntrico e de alta 
intensidade realizada por mulheres durante os jogos. Embora ainda inconclusivo, 
tem sido sugerido que o estrógeno desempenha um papel protetor no processo de 
dano muscular induzido pelo exercício, por meio da manutenção da estabilidade da 
membrana celular, limitando, dessa forma, o extravasamento de marcadores de 
dano muscular, tais como a CK (TIIDUS, 2000). Além disso, há indícios de que o 
17B-estradiol exerça algum efeito para atenuar a resposta inflamatória induzida pelo 
exercício após atividade física excêntrica intensa e que estrógenos têm a 
capacidade de atuar como antioxidantes, reduzindo os níveis de peroxidação lipídica 
(TIIDUS, 2000). Embora Souglis et al. (2018) tenham justificado a diferença entre os 
sexos baseado nessas duas premissas, o estradiol não foi mensurado e nem 
apresentados valores de distância percorrida ou carga de trabalho nos jogos. Os 
resultados referentes às posições dos jogadores apontam que meios de campo 
apresentam maiores respostas para todas as variáveis analisadas, comparado a 
defensores, enquanto atacantes demonstram uma resposta intermediária. Esses 
resultados podem estar relacionados com os diferentes perfis de atividades 
realizadas durante o jogo por meio-campistas, atacantes e defensores (SOUGLIS et 
al., 2018). 
 
 
49 
 
2.6 Respostas Perceptivas 
 
 
A DOMS é uma sensação de dor e rigidez nos músculos que ocorre entre 1 e 5 dias 
após realização de exercícios excêntricos ou de estímulos novos de exercício, 
podendo afetar o desempenho devido à redução voluntária de esforço ou à inerente 
perda da capacidade do músculo de produzir força (ARMSTRONG, 1984; HOTFIEL 
et al., 2018). 
 
Permanece controvérsia em relação aos mecanismos associados à DOMS, embora 
exista uma série de hipóteses para explicar tal fenômeno. Armstrong (1984) 
descreveu uma sequência de eventos que desencadeiam a dor, a partirde um 
estresse mecânico (sobretudo excêntrico) gerado durante o exercício. Dessa forma, 
forças mecânicas geram dano estrutural nas fibras musculares e tecido conectivo, 
alterando a permeabilidade das membranas celulares e ocasionando consequente 
influxo de Ca2+. Altas concentrações de Ca2+ nas células musculares ativam enzimas 
proteolíticas que degradam discos z, troponina e tropomiosiona. Essa progressiva 
deterioração do sarcolema é acompanhada da difusão de componentes 
intracelulares que atraem monócitos, histocinas e proteases lisossomais para as 
aéreas de lesão. Tais substâncias ativam os processos de fagocitose e necrose 
celular, aumentam a temperatura local e então ativam as terminações nervosas do 
músculo (nociceptores) que sinalizam a sensação de dor (ARMSTRONG, 1984). 
Portanto, parece que a DOMS está associada ao processo inflamatório 
desencadeado pelo reparo do tecido danificado. O surgimento tardio da dor, por sua 
vez, pode ser explicado pelo tempo decorrido entre o estímulo, a liberação de 
subprodutos celulares e a sinalização dos receptores de dor (ARMSTRONG, 1984). 
 
No contexto do futebol, há relatos de DOMS apresentando valores pico 
imediatamente pós-jogo (KRUSTRUP et al., 2011, RAMPININI et al., 2011); 24 h 
(ANDERSSON et al., 2008; NÉDÉLEC et al., 2012; FATOUROS et al., 2010) e 48 h 
pós-jogo (ISPIRLIDIS et al., 2008; NÉDÉLEC et al., 2014). Além disso, há relatos de 
que a DOMS permanece elevada até 24 h (NÉDÉLEC et al., 2012; NÉDÉLEC et al., 
2013; RAMPININI et al. 2011 ; STONE et al., 2014), 72 h (ISPIRLIDIS et al., 2008; 
KRUSTRUP et al., 2011; ANDERSSON et al., 2008 ; NÉDÉLEC et al., 2014) ou mais 
50 
 
de 72 h pós-jogo (HUGHES et al., 2018). Corroborando tais achados, em uma 
revisão e meta-análise foram reportados tamanhos de efeito grande e muito grande 
nos momentos pós-jogo e 24 h, enquanto tamanhos de efeito moderado a grande 
ocorreram até 72 h pós-jogo (SILVA et al., 2017). O amplo espectro de resultados 
relacionados à DOMS possivelmente é justificado pela natureza e demanda dos 
jogos e pelas características da amostra (nível de condicionamento físico). 
 
Outro método comumente utilizado para avaliar a percepção de recuperação é a 
escala de qualidade total de recuperação, denominada Total Quality Recovery 
(TQR), proposta por Kentta e Hassmen (1998). Essa escala foi estruturada em torno 
da escala de percepção subjetiva de esforço (PSE) de forma que o processo de 
recuperação possa ser monitorado e comparado com as respostas de percepção do 
treinamento (KENTTA & HASSMEN, 1998). Além de suas vantagens tais como 
baixo custo, fácil e rápida aplicação (OSIECKI et al., 2015), estudos mostram que a 
TQR é um instrumento sensível que pode ajudar com o planejamento das cargas de 
treinamento e monitoramento da recuperação em atletas (FREITAS et al., 2014; 
KENTTA & HASSMEN, 1998). 
 
No futebol, Osiecki et al. (2015) verificaram uma associação significativa entre a 
TQR e CK (r= -0.75; p<0.05) em jogadores profissionais, sugerindo que essa escala 
pode ser usada para determinar a recuperação de atletas de futebol após jogos 
oficiais (OSIECKI et al., 2015). A TQR também já foi utilizada para comparar a 
recuperação após condição simulada de jogo, por meio de exercícios específicos 
para o futebol, realizados em grama natural e artificial (NEDELEC et al., 2013). 
Porém, não foram verificas diferenças significativas após o treino e entre condições 
para essa variável (NEDELEC et al., 2013). Quando monitorado após um jogo de 
futebol, reduções significativas na TQR foram verificadas 24 h após o jogo 
(NEDELEC et al., 2014) em jogadores homens profissionais. Howle et al. (2019), ao 
investigar a resposta de jogadores 48 h após um ou múltiplos jogos, verificaram 
reduções na TQR apenas após a realização do segundo jogo na condição de 
múltiplos jogos. Dessa forma, foi sugerido que essa ferramenta parece ser mais 
sensível durante calendários congestionados no futebol, quando atletas disputam 
vários jogos (HOWLE et al., 2019). Associado ao número limitado de estudos que 
investigaram a TQR no futebol, destaca-se o fato de relatos apenas em jogadores do 
51 
 
sexo masculino. Portanto, permanece a lacuna sobre uso da TQR para monitorar a 
recuperação em atletas mulheres de futebol. 
 
Respostas de humor no esporte têm sido investigadas em todo o mundo (MIRANDA 
et al., 2008), sendo frequentemente temporárias e podendo variar em intensidade e 
duração (LANE & TERRY, 2000). Estudos sugerem que estados de humor positivos 
tais como elevado vigor e baixa fadiga, depressão, tensão, raiva e confusão, estão 
associados com um melhor desempenho em competições e são ideais para a 
melhora do desempenho esportivo (BRANDT et al., 2017; TERRY & LANE, 2000). 
Por outro lado, estudos mostram que estados de humor negativos predominam em 
atletas que perdem competições (BRANDT et al., 2017). 
 
Perfis de estado de humor foram pioneiramente avaliados por meio do Profile of 
Mood States (POMS) (MCNAIR, LORR, & DROPPLEMAN, 1971). Um de seus 
derivados, desenvolvido especificamente para monitorar as respostas de humor no 
contexto de esportes e exercícios, é a escala de humor de Brunel, ou Brunel Mood 
Scale (BRUMS) (TERRY, LANE, LANE, & KEOHANE, 1999; TERRY, LANE, & 
FOGARTY, 2003). Essa escala foi validada para a língua portuguesa (MIRANDA et 
al., 2008) sendo denominada escala de humor Brasileira ou Brazilian Mood Scale 
(BRAMS). A BRAMS é uma medida de auto-relato, consiste de 24 itens e 6 sub-
escalas que avaliam o humor (raiva, confusão, depressão, fadiga, tensão, vigor). Os 
respondentes, em uma escala Likert de 5 pontos (0=nada e 4=extremamente), 
devem assinalar o que melhor define ―Como você está se sentindo agora?‖ (TERRY, 
STEVENS, & LANE, 2005). 
 
Desde o seu desenvolvimento, a BRUMS tem sido utilizada para monitorar 
respostas de humor em diferentes modalidades esportivas (BRANDT et al., 2019), 
tais como voleibol (ANDRADE et al., 2016), futebol (THELWELL et al., 2006), futsal 
(WILKE et al., 2019), Judô e Jiu-Jitsu (BRANDT et al., 2016), ginástica artística 
(BOLDIZSÁR et al., 2016) e ciclismo (LASTELLA et al., 2015). Contudo, o uso dessa 
variável no contexto da recuperação pós-jogo ou pós-treino de força em jogadores 
de futebol ainda não foi investigado e poderia trazer informações adicionais 
relacionadas ao uso dessa escala no monitoramento da fadiga. 
 
52 
 
2.7 Variabilidade entre jogos 
 
 
O futebol é um esporte caracterizado por uma grande variabilidade (em termos de 
demandas físicas, fisiológicas e perceptivas) dentro e entre jogos (SLIMANI et al., 
2017; GREGSON et al., 2010). Vários fatores contextuais, tais como resultado do 
jogo, qualidade da equipe adversária, aspectos táticos, local e tempo de jogo, 
condições ambientais, ranking da liga, competição disputada, demanda de viagens 
próximas a competições, entre outros podem influenciar as características do jogo e 
as respostas fisiológicas e perceptivas pós-jogo (SLIMANI et al., 2017; RAMPININI 
et al., 2007; GREGSON et al., 2010). Sendo assim, existem vários fatores que 
podem causar uma variação nos dados de desempenho entre jogos (MCCORMACK 
et al., 2015). 
 
Slimani et al. (2017) em sua revisão, verificaram a influência do resultado do jogo 
(vitória ou derrota), do gênero (homens x mulheres), tipo de contexto (competitivo x 
não competitivo) e do nível dos competidores (novatos x alto nível) nas respostas 
hormonais de cortisol e testosterona após jogos de futebol. Esses autores 
encontraram que a resposta da testosterona varia de acordo com o resultado do 
jogo, com uma maior resposta em vencedores em comparação aos perdedores, 
enquanto as concentrações de cortisol não variam para esse fator. O nível dos 
competidores, por sua vez, pode influenciar a resposta ao cortisol, uma vez que 
novatos do sexo masculino apresentaram maiores níveis de cortisol comparado aatletas de futebol de alto nível. Além disso, partidas competitivas de futebol 
aumentaram os níveis de cortisol em maior magnitude em comparação a jogos não 
competitivos. Por fim, independentemente das diferenças de gênero, foi verificado 
maior reatividade à testosterona em atletas de alto nível comparado a novatos 
(SLIMANI et al., 2017). 
 
Rampinini et al. (2007) mostraram que parte da variação nas medidas de 
desempenho encontradas entre as partidas pode ser atribuída a influências dos 
diferentes adversários, com fatores tais como estilo de jogo e características físicas 
e táticas sendo causas prováveis associadas a variância. Ainda segundo esses 
autores, a distância total percorrida em um jogo e a distância percorrida em corridas 
53 
 
de alta intensidade são maiores quando se joga contra adversários de maior 
qualidade (classificados como melhores equipes nacionais e internacionais) 
comparados a adversários mais fracos ou de menor qualidade. Contudo, o tamanho 
do efeito mensurado para essas variáveis foi pequeno, o que sugere que o efeito do 
nível da equipe adversária sobre a fadiga geral ou capacidade de trabalho seja 
relativamente pequeno (RAMPININI et al., 2007). 
 
McCormack et al. (2015) não verificaram correlação entre o total de vitórias e 
derrotas do adversário e a distância total percorrida em corridas de intensidade alta. 
Além disso, também não foi encontrada correlação entre o tempo de jogo e a 
distância total percorrida em corridas de intensidade alta. Esses resultados sugerem 
que o nível do adversário e o tempo de jogo não foram fatores que contribuíram para 
a redução observada na distância total percorrida em corridas de intensidade alta. 
 
Outro aspecto que pode contribuir para a variabilidade entre jogos é o momento do 
período competitivo em que ocorrem os jogos. Rampinini et al. (2007) mostraram 
que medidas de desempenho físico, tais como distância total percorrida e corridas 
de alta intensidade e de intensidade muito alta foram maiores ao final do período 
competitivo. 
 
Russel et al. (2015) investigaram a variabilidade entre jogos em marcadores de 
recuperação. Foram analisados quatro jogos realizados no período de novembro de 
2013 a janeiro de 2014. A variabilidade entre jogos para a potência pico foi de 10,9, 
11,0 e 9,9 respectivamente para basal, 24 e 48 h pós-jogo, enquanto para a CK a 
variabilidade foi de 41,7, 30,0 e 34,3%, respectivamente (RUSSEL et al., 2015). 
 
Assim como a maioria das medidas de desempenho esportivo, esforços de alta 
velocidade em jogos de futebol não são estáveis e estão sujeitos a variação entre 
partidas sucessivas (GREGSON et al., 2010). Alterações na condição física do 
jogador e condições ambientais podem levar a variação no próprio atleta e entre 
jogos ao longo da temporada competitiva (RAMPININI et al., 2007). 
 
Gregson et al. (2010) avaliaram a variabilidade de atividades em alta velocidade 
entre jogos realizados por uma grande amostra de jogadores de futebol de elite ao 
54 
 
longo de um período de tempo e verificaram a influência da posição do jogador 
sobre a magnitude dessa variabilidade. Esses autores encontraram que a 
variabilidade entre jogos foi alta em todas as variáveis com coeficiente de 
variabilidade (CV) médio de 16,2 ± 6,4% e 30,8 ± 11,2% reportados para corridas de 
alta velocidade e distância percorrida em sprints. Além disso, essa variabilidade foi 
maior para jogadores centrais (meios de campo e defensores) e menor para 
atacantes e laterais. Maior variabilidade também foi observada quando a equipe 
estava com a posse da bola (~30%) do que quando não estava (~23%). Esses 
resultados sugerem que a variabilidade entre jogos nas características de 
desempenho de atletas de futebol de elite é alta e que os jogadores não reproduzem 
perfis consistentes de atividade de alta velocidade em jogos realizados ao longo do 
tempo. 
 
Outros estudos, contudo, relatam baixa variabilidade entre jogos (MOHR et al., 2003; 
RAMPININI et al., 2007), sobretudo quando analisados em dois jogos consecutivos, 
com CV de 2,4, 6,8 e 14,4% para distância total, corrida de intensidade alta e corrida 
de intensidade muita alta, respectivamente (RAMPININI et al., 2007). Mohr et al. 
(2003) encontraram valores de CV para corridas de intensidade alta de 9,2% entre 
jogos sucessivos e de 24,8% entre diferentes períodos de uma temporada. Sendo 
assim, parece que a variabilidade entre jogos aumenta à medida que aumenta o 
tempo em que os mesmos são realizados. 
 
 
2.8 Treinamento de força e futebol 
 
 
Em esportes como o futebol, fatores como força, velocidade e potência são 
essenciais para um bom desempenho dos atletas em competições (STOLEN et al., 
2005; KOBAL et al., 2017; NEGRA et al., 2016). Isso porque muitas ações presentes 
nessa modalidade, tais como correr, mudar de ritmo e direção, atacar, saltar e chutar 
são explosivas e demandam força (sobretudo de membros inferiores) e, muitas 
vezes, constituem os momentos mais cruciais do jogo (JULLIEN et al., 2008; 
NEGRA et al., 2016; RAMOS et al., 2019). Sendo assim, muitas situações no 
futebol, tais como marcar gols, impedir que os gols sejam marcados, correr mais 
55 
 
rápido ou saltar mais alto para dominar a bola antes do adversário exigem força 
muscular e potência. A potência produzida, por sua vez, depende da força e 
velocidade (CHELLY et al., 2009). 
 
O treinamento para melhorar a força máxima geralmente repercute em uma melhora 
na potência, provocando deslocamento para direita na curva força-velocidade 
(CHELLY et al., 2009). A força muscular pode aumentar sem que ocorra hipertrofia 
e, de fato, essas alterações constituem em evidências do envolvimento neural na 
aquisição de força muscular (CHELLY et al., 2009). Adaptações neurais incluem o 
aumento do recrutamento de unidades motoras, taxa de frequência ou taxa de 
potenciais de ação, sincronização e coordenação intermuscular (CORMIE et al., 
2011). Além disso, atletas com maior força e potência muscular geralmente 
apresentam menores decréscimos de desempenho durante o jogo (SILVA et al., 
2013). Portanto, é benéfico para um atleta de futebol adquirir melhoras na força 
muscular (JULLIEN et al., 2008). 
 
Pelo aumento da força em determinados músculos, aceleração e velocidade podem 
melhorar habilidades determinantes no futebol, como giros, sprints e mudanças de 
ritmo (CHELLY et al., 2009). Dessa forma, pesquisadores e profissionais têm 
proposto diferentes abordagens de treinamento visando melhorar essas habilidades 
específicas (BRITO et al., 2014; LOTURCO et al., 2015; ENRIGHT et al., 2015; 
HAMMAMI et al., 2017; DE HOYO et al., 2016; KOBAL et al., 2017). Nesse sentido, 
o treinamento de ―força com pesos‖ é uma das estratégias mais utilizadas para 
melhorar o desempenho esportivo, sobretudo por meio de protocolos que visam 
melhorias da força máxima (CHELLY et al., 2009; BRITO et al., 2014; JULLIEN et 
al., 2008), força explosiva e potência muscular (NEGRA et al., 2016; RODRÍGUEZ-
ROSELL et al., 2017). Tais protocolos geralmente são compostos por exercícios com 
padrões de movimento mais próximo possível das habilidades específicas do 
futebol, visando garantir o mais alto grau de transferência entre ganhos de força e 
habilidades técnicas de futebol (BRITO et al., 2014). Dessa forma, exercícios de 
agachamento são inseridos na maioria dos programas de treinamento de força para 
atletas de futebol (CHELLY et al., 2009; HAMMAMI et al., 2017; DE HOYO et al., 
2016; JULLIEN et al., 2008; KOBAL et al., 2017; RODRÍGUEZ-ROSELL et al., 
2017). Protocolos com elevados percentuais de uma repetição máxima (80 a 90% de 
56 
 
1RM) e baixo volume (2 a 6 repetições) têm sido utilizados para desenvolvimento da 
força máxima (JULLIEN et al., 2008; CHELLY et al., 2009; BRITO et al., 2014), 
envolvendo adaptações neurais e mais especificamente aumento da taxa de 
desenvolvimento daforça (CHELLY et al., 2009). Protocolos com percentuais de 
uma repetição máxima e volume baixos a moderados (40 a 60% de 1RM, 4 a 12 
repetições) e alta velocidade tem sido utilizados para desenvolvimento da potência 
em atletas de futebol (NEGRA et al., 2016; RODRIGUEZ-ROSELL et al., 2017). 
 
A maioria dos estudos que investigou o efeito crônico do treinamento de força em 
atletas de futebol encontrou melhoras significativas em ganhos de força, 
desempenho de salto e sprint, mas sem alterações nos testes de mudança de 
direção ou agilidade (HAMMAMI et al., 2017; DE HOYO et al., 2016; CHELLY et al., 
2009; NEGRA et al., 2016; RODRIGUEZ-ROSELL et al., 2017; BRITO et al., 2014). 
Outros estudos, não encontraram melhoras significativas em testes de sprints 
(KOBAL et al., 2017; JULLIEN et al., 2008). 
 
Segundo Hammami et al. (2017), os ganhos em desempenho de sprint após um 
programa de treinamento de força ocorrem principalmente devido à adaptação 
neural, incluindo alteração na velocidade de condução nervosa e na estratégia de 
recrutamento de unidades motoras. Em relação ao aumento no desempenho do 
salto vertical, esses autores postulam que, possivelmente, essa melhora ocorre 
devido à adaptação neural e melhora da coordenação, incluindo ativação seletiva de 
unidades motoras, maior sincronização de esforço, ativação seletiva dos músculos, 
melhor coordenação intermuscular e aumento do recrutamento de unidades motoras 
(CORMIE et al., 2011). 
 
A ―mudança de direção‖, por sua vez, é um atributo físico importante para os atletas 
de futebol, considerando a ampla gama de situações dentro do jogo que 
proporcionam mudanças súbitas de direção (por exemplo, roubadas de bola ou 
ataques) (MOHR et al., 2003; NEGRA et al., 2016). Tais ações demandam alta força 
e capacidade de gerar potência dos membros inferiores (JULLIEN et al., 2008; 
NEGRA et al., 2016). No entanto, a transferência da velocidade em linha reta para a 
agilidade é complexa e não pode ser garantida (HAMMAMI et al., 2017). Além disso, 
pode haver outros fatores, tais como a técnica, que são ainda mais importantes do 
57 
 
que o treinamento de força, quando se trata de testes que envolvem várias 
mudanças de direção (DE HOYO et al., 2016). 
 
De Hoyo et al. (2016) realizaram um estudo cuja hipótese era de que a combinação 
de cargas leves, altas velocidades de execução e velocidade máxima pretendida de 
contração é um estímulo potencial (adaptações específicas da velocidade) para 
melhorar a força explosiva. Esses autores compararam o efeito de 8 semanas de 3 
diferentes métodos de treinamento de força de carga baixa a moderada 
(agachamento, sprint com resistência e pliometria) no desempenho de salto, sprint e 
no teste de mudança de direção. De maneira geral, todos os grupos apresentaram 
melhora no desempenho do salto, o grupo que realizou o treinamento com exercício 
de agachamento apresentou melhores resultados no desempenho de sprints 
comparado aos demais grupos, e nenhum método de força adotado provocou 
alterações nos testes de mudança de direção. Dessa forma, De Hoyo et al. (2016) 
mostraram que o treinamento de força com agachamento completo, baixo a 
moderados percentuais de 1RM (40-60% de 1RM), baixo volume (2-3 séries por 
sessão e 4 a 8 repetições por série) e executado o mais rápido possível repercute 
em efeitos positivos em ações explosivas, podendo ser usado como parte de um 
programa de treinamento sistematizado para atletas jovens de futebol. 
 
Durante a temporada competitiva do futebol, o treinamento é organizado em 
microciclos compostos por sessões voltadas para o desenvolvimento do 
condicionamento físico, técnico-tático e ainda por um ou dois jogos competitivos. 
Para manter os padrões de desempenho e as adaptações fisiológicas adquiridas 
durante o período de pré-temporada, o treinamento de força geralmente ocorre duas 
a três vezes na semana, dependendo do microciclo e do calendário de jogos (HOFF, 
2005; REVERTER-MASÍA et al., 2009). 
 
Contudo, há evidências de que o treinamento de força pode dificultar o desempenho 
técnico devido ao aparecimento de fadiga muscular localizada (APRIANTONO et al., 
2006; LYONS et al., 2006) e induzir uma resposta inflamatória de fase aguda devido 
à lesão muscular. Essa resposta é caracterizada pela infiltração de fagócitos no 
músculo, produção de radicais livres e deterioração do desempenho (PEAKE et al., 
2016). 
58 
 
 
Dessa forma, estudos têm investigado o efeito agudo de sessões de treinamento de 
força no desempenho de atletas de futebol com o intuito de verificar uma adequada 
organização das sessões de treinamento, recuperação e jogos durante microciclos, 
evitando assim, que essas sessões não interfiram de maneira negativa no 
desempenho em jogos de futebol (DRAGANIDIS et al., 2013; KESOGLOU et al., 
2009). Esse tipo de estudo, contribui para trazer informações sobre o tempo ótimo 
necessário para recuperar dentro de microciclos, evitando assim, decréscimos no 
desempenho durante os jogos ocasionados por fadiga gerada durante sessões de 
treinamento de força. 
 
Draganidis et al. (2013) investigaram a janela ótima de recuperação após uma 
sessão de treinamento de força de baixa a moderara ou alta intensidade, antes da 
realização de um jogo durante um microciclo de atletas de futebol de elite. O objetivo 
desses autores foi determinar se o desempenho em habilidades do futebol é afetado 
pela realização de uma sessão de treinamento de força aguda e se tal efeito é 
dependente da intensidade. O desempenho das habilidades do futebol foi avaliado 
por meio de testes de passe longo, chute, drible e cabeceio. Dor muscular de início 
tardio, amplitude de movimento articular do joelho e força muscular (1RM) no 
agachamento foram considerados marcadores de dano muscular. Amostras de 
sangue para análise da CK, PCR e contagem de leucócitos também foram 
coletadas. Todas essas variáveis foram mensuradas nos momentos pré, 
imediatamente após, 24, 48 e 72 h após a sessão de treinamento de força. Os 
exercícios realizados na sessão de treinamento foram agachamento, extensão de 
pernas na posição sentada, leg horizontal, lunges e flexão/extensão de tornozelo. O 
protocolo de menor intensidade consistiu de 4 séries de 8 a 10 repetições com 
intensidade de 65 a 70% de 1RM para cada exercício, ao passo que o protocolo de 
maior intensidade foi composto por 4 séries de 4 a 6 repetições com 85 a 90% de 
1RM. O intervalo de recuperação entre as séries e exercícios foi de um e três 
minutos para os protocolos de menor e maior intensidade, respectivamente. 
 
Esses autores encontraram que a dor muscular aumentou imediatamente após o 
exercício e com 24 h de recuperação para ambos os grupos. Contudo, a dor 
permaneceu elevada por até 48 h somente no grupo de maior intensidade e retornou 
59 
 
aos valores basais depois desse período. A amplitude de movimento do joelho 
permaneceu inalterada em ambos os grupos durante o período de recuperação. Em 
ambos os protocolos a CK permaneceu elevada por até 48 h, contudo, para o 
protocolo de menor intensidade o pico da CK foi verificado com 24 h, ao passo que 
para o protocolo de maior intensidade o pico da CK ocorreu com 48 h. Além disso, o 
pico da CK foi próximo a 390 U/L-1 em ambos os grupos, valor bem abaixo daqueles 
observados após jogos de futebol (FATOUROS et al., 2010; ISPIRLIDIS et al., 
2008), o que sugere que os protocolos provocaram apenas uma resposta leve ao 
dano muscular (DRAGANIDIS et al., 2013). A força da perna permaneceu inalterada 
no grupo de menor intensidade e reduziu somente imediatamente após o protocolo 
de maior intensidade. A contagem de leucócitos aumentou com 24 h de recuperação 
de maneira similar em ambos os protocolos, e após esse período retornou aos 
valores basais. A PCR aumentou significativamente após o exercício, apresentou 
valores pico com 24 h de recuperação e retornou aos valoresbasais após esse 
período, em ambos os grupos. Contudo, o grupo de maior intensidade apresentou 
maiores valores de PCR pós e 24 h, comparado ao grupo de menor intensidade, 
indicando um efeito dependente da intensidade. A cinética de recuperação da PCR 
verificada no estudo de Draganidis et al. (2013) é semelhante àquela verificada após 
jogos de futebol (FATOUROS et al., 2010; ISPIRLIDIS et al., 2008; SOUGLIS et al., 
2015; SOUGLIS et al., 2018), porém, de menor magnitude, sugerindo uma menor 
resposta inflamatória após a sessão de treinamento de força. Essa resposta 
inflamatória leve aos protocolos coincidiu com o padrão de resposta do desempenho 
na maioria das habilidades do futebol, que não foram afetadas. 
 
Sendo assim, os protocolos de força adotados no estudo de Draganidis et al. (2013) 
simularam aqueles utilizados por equipes de futebol durante temporadas 
competitivas e não induziram fraqueza local (a força permaneceu inalterada) ou 
desconforto (resposta leve de dano muscular) em membros inferiores. O 
desempenho das habilidades permaneceu inalterado após a sessão de treinamento 
de força, exceto no Loughborough Soccer Passing Test e no teste de chutes, que 
estavam reduzidos apenas imediatamente após o exercício. O chute depende da 
força muscular da perna e da velocidade resultante da bola durante o chute. De fato, 
um movimento de chute coordenado depende da aplicação da força muscular 
controlada e das interações segmentares (APRIANTONO et al., 2006). Extensões e 
60 
 
flexões do joelho com cargas e realizadas de maneira repetida, como nos protocolos 
do estudo, podem prejudicar a coordenação intersegmentos (APRIANTONO et al., 
2006). Contudo, com 24 h não foram mais encontrados prejuízos no desempenho 
dos chutes (DRAGANIDIS et al., 2013). 
 
Esses resultados sugerem que, de forma aguda, os dois protocolos de exercícios de 
força produziram apenas danos musculares e respostas inflamatórias leves e de 
curta duração em jogadores de futebol. Além disso, o desempenho de habilidades 
de futebol é minimamente afetado pelo exercício de força, independente da 
intensidade. O efeito residual do exercício de força de maior intensidade no 
desempenho de habilidades de futebol dura menos de 24 h, sugerindo que atletas 
de elite podem estar aptos a participar de jogos de futebol 24 h após uma sessão de 
treinamento de força. Portanto, com base nos achados de Draganidis et al. (2013), o 
treinamento de força para membros inferiores pode ser realizado pelo menos 24 h 
antes do próximo jogo ou sessão de treino durante um microciclo de treinamento. 
Contudo, vale ressaltar que esses achados correspondem ao treino de maneira 
isolada, e não a combinação do jogo com o treino. 
 
Kesoglou et al. (2009), com o objetivo de verificar o impacto de uma sessão de 
treinamento de força após um ou dois dias de recuperação no desempenho de 
variáveis associadas ao futebol, realizaram um estudo experimental com 6 homens, 
jogadores de futebol universitário. Para isso, os indivíduos realizaram duas situações 
experimentais de maneira randomizada: treinamento de força seguido de um dia de 
recuperação passiva (S1) ou dois dias de recuperação passiva (S2). Após a 
recuperação (1 ou 2 dias), os indivíduos realizaram um jogo de futebol simulado. A 
força isométrica, ativação muscular, dor muscular e salto vertical foram as variáveis 
mensuradas antes e imediatamente após a sessão de treinamento de força, 24 h 
após, antes e imediatamente após o jogo simulado para S1 e S2. Essas variáveis 
também foram coletadas 48 h após a sessão de força para S2. O protocolo de 
treinamento consistiu no exercício agachamento, até 90 graus, com ênfase no 
treinamento de alta velocidade e potência. Sendo assim, os jogadores levantaram 
pesos relativamente leves, o mais rápido possível, com foco em uma rápida 
extensão de quadril. Foram realizadas 4 séries de 4 a 6 repetições a 40% do 1RM, 
com intervalos de recuperação entre as séries de 3 a 5 min. Esses autores não 
61 
 
encontraram diferenças nas variáveis medidas com um ou dois dias de recuperação. 
Tais resultados sugerem que o treinamento de alta velocidade e baixos percentuais 
de 1RM é relativamente não fatigante, produz pouca dor muscular e permite que a 
força muscular isométrica e a altura do salto vertical sejam mantidas em níveis 
semelhantes aos observados antes de sua aplicação após apenas um dia de 
recuperação. 
 
Embora Draganidis et al. (2013) e Kesoglou et al. (2009) tenham verificado que 
sessões de treinamento de força de diferentes intensidades não provocam redução 
no desempenho de habilidades do futebol quando realizadas 24 h previamente a um 
jogo, em ambos os estudos os jogadores realizaram a sessão de força em 
condições descansados. Draganidis et al. (2013), para garantir a recuperação 
completa dos atletas, realizou o estudo em período fora da temporada, duas 
semanas após finalizada a temporada competitiva dos atletas. Dessa forma, 
permanece a lacuna na literatura sobre o efeito agudo de sessões de treinamento de 
força realizadas no período pós-jogo dentro de um microciclo. Durante temporadas 
competitivas, conforme reportado anteriormente, podem ocorrer de dois a três jogos 
por semana. Portanto, ainda não se sabe o efeito da fadiga induzida por um jogo, 
acumulada com a fadiga induzida por sessões de treinamento de força realizadas 24 
ou 48 h após o jogo, no desempenho do jogo seguinte, realizado 72 h após o 
primeiro. Em outras palavras, permanece a questão se em um mesmo microciclo, 
quando jogos de futebol são realizados no domingo e na quarta-feira, sessões de 
treinamento de força realizadas na segunda ou terça-feira influenciam de maneira 
negativa e distinta a cinética de recuperação dos atletas. 
 
62 
 
3 MATERIAIS E MÉTODOS 
 
 
3.1 Cuidados éticos 
 
 
O projeto foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da 
Universidade Federal de Minas Gerais (CAAE: 74974117.3.0000.5149) (ANEXO 1) e 
respeita todas as normas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Saúde (Res 
466/2012). Uma carta de anuência (APÊNDICE 1) foi obtida pelo responsável 
técnico do clube e todas as atletas, após receberam esclarecimento quanto aos 
procedimentos a serem realizados, assinaram um termo de consentimento livre e 
esclarecido em concordância à participação nos experimentos (APÊNDICE 2). 
 
 
3.2 Sujeitos 
 
 
Conforme descrito no capítulo ―Objetivo geral‖ e por fins didáticos, o presente projeto 
foi dividido em 3 estudos, para os quais foram adotados diferentes procedimentos 
que serão descritos a seguir e nos capítulos correspondentes a cada estudo, com a 
apresentação dos artigos científicos redigidos para cada um. 
 
Participaram do estudo 21 atletas profissionais de futebol do sexo feminino de uma 
equipe de Belo Horizonte (estudo 1: n = 15; estudo 2: n=10; estudo 3: n=10). Todas 
as atletas eram afiliadas à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), treinavam 5-6 
vezes por semana (2-3 horas por sessão), incluindo treinos físicos e técnico-táticos. 
Todas as atletas apresentavam experiência com o treinamento de força, e, além 
disso, os exercícios da STF realizados nos estudos 1 e 2 foram incluídos na rotina 
de treinamento durante a pré-temporada, com o propósito de familiarização. Apenas 
jogadoras de linha participaram do presente estudo, sendo adotado um tempo 
mínimo de jogo de 45 minutos como critério de inclusão para os estudos 1 e 3. A 
coleta foi realizada durante a pré-temporada (familiarização), período competitivo, 
em que as atletas estavam participando de duas competições simultaneamente, 
63 
 
uma regional aos domingos - jogos da Copa BH de futebol feminino 2018 e outra 
nacional às quartas-feiras - campeonato Brasileiro A2 (estudos 1 e 3) e durante o 
período intertemporada (estudo 2). 
 
 
3.3 Delineamento Experimental 
 
 
Durante o período da pré-temporada, as atletas realizaram osseguintes testes para 
caracterização da amostra: avaliação antropométrica (massa corporal, estatura e 
percentual de gordura por meio do método de dobras cutâneas) e Yoyo Intermittent 
Recovery-test level 2 (Yo-Yo IR2). Com o propósito de familiarização, testes de salto 
com contramovimento, teste de velocidade de 20m e exercícios para membros 
inferiores (squat, deadlift, lunges) foram incluídos na rotina de treinamento das 
atletas, bem como o uso de escalas de dor muscular e TQR. Duas sessões de 
testes separadas por um intervalo de 5 dias foram realizadas para obtenção do 
Coeficiente de Correlação Intraclasse (CCI2,1) e do Erro Padrão de Medida (EPM) do 
SCM e sprint (WEIR, 2005). Previamente ao início do período competitivo, foi 
realizado um teste de repetições máximas (até a falha concêntrica) para estimativa 
de 1RM por meio da equação de Lombardi (BRECHUE & MAYHEW, 2012). Esse 
teste foi repetido a cada dois meses, com o intuito de atualizar os valores de 1RM 
estimados. 
 
As coletas foram realizadas de acordo com o calendário de competições, ao longo 
de 5 partidas oficiais da Copa BH de futebol feminino, realizadas aos domingos. 
Esses jogos ocorreram no período de Abril a Julho de 2018 e iniciaram em horários 
semelhantes (TABELA 6.1, p.118). Uma série de variáveis, descritas no tópico ―3.5 
Procedimentos de coleta para variáveis de monitoramento‖, foi coletada nos 
momentos pré, 24, 48 e 72h após a realização dos jogos. A recuperação física, 
fisiológica e respostas perceptivas após os jogos de futebol feminino foram 
monitoradas em um total de 15 atletas, cujos dados estão apresentados no estudo 1. 
 
Com o intuito de verificar a recuperação após realização de uma sessão de 
treinamento de força, foi selecionada uma semana do período intertemporada em 
64 
 
que não havia jogos. Nessa semana, 10 atletas realizaram uma sessão de 
treinamento de força e variáveis de monitoramento foram avaliadas nos momentos 
pré, imediatamente pós, 24 e 48h pós-treino de força. Esses procedimentos foram 
realizados para contemplar o estudo 2. 
 
Para avaliar a recuperação pós-treino de força no período pós-jogo, foram 
comparadas três situações experimentais: (1) sessão de treinamento de força 
realizada 24h pós-jogo (STF24h), (2) sessão de treinamento de força realizada 48h 
pós-jogo (STF48h) e (3) situação Controle, em que as atletas não realizaram sessão 
de treinamento de força, apenas a coleta das variáveis de monitoramento 
(semelhante ao estudo 1). Um total de 10 atletas completaram as 3 situações 
experimentais, sendo estes dados apresentados no estudo 3. Para minimizar a 
influência dos diferentes jogos sobre os resultados do estudo, a ordem das situações 
experimentais foi randomizada entre as atletas. 
 
 
FIGURA 3.1 Delineamento Experimental 
 
 
Legenda: STF sessão de treinamento de força. 
Fonte: Elaborado pela autora 
 
 
65 
 
3.4 Procedimentos 
 
 
3.4.1 Caracterização antropométrica 
 
 
Foram realizadas medidas antropométricas de estatura, massa corporal (balança 
digital WELMY, Modelo W200/5, 2012) e dobra cutânea (Plicômetro clínico Cescorf, 
Brasil) para caracterização da amostra. Foi adotado o protocolo de 7 dobras de 
Jackson e Pollock (1978), sendo o percentual de gordura estimado por meio da 
equação de Siri (1961). Avaliações de percentual de gordura foram refeitas 
mensalmente e os dados mais recentes (de acordo com as coletas de cada estudo) 
foram usados para análise descritiva da respectiva amostra. 
 
 
3.4.2 Yo-Yo Intermittent Recovery Test 
 
 
O Yo-Yo IR consiste em um teste que avalia a capacidade de uma pessoa treinada 
em realizar um exercício intenso repetido com uma grande contribuição anaeróbia 
de fornecimento de energia (BANGSBOO, IAIA & KRUSTRUP, 2008). As atletas 
foram orientadas a correr o maior tempo possível, ao longo de uma distância de 20 
m demarcada por cones, indo e voltando, em uma velocidade que aumentava 
progressivamente, indicada por um gravador. A cada 40 m percorridos (ida e volta), 
havia um intervalo de recuperação ativa de 10 s. Um sinal sonoro avisava quando as 
atletas deveriam estar em uma extremidade ou outra da faixa dos 20 m e também 
controlava o intervalo de recuperação. O teste era interrompido quando a atleta não 
alcançava a extremidade dentro do tempo determinado por mais de duas vezes 
consecutivas, ou quando a própria atleta decidisse voluntariamente interromper o 
teste. Existem dois níveis para esse teste, o nível 1 (Yo-Yo IR1) inicia em uma 
menor velocidade e com aumentos mais moderados na velocidade comparada ao 
nível 2 (Yo-Yo IR2). As atletas realizaram o Yo-Yo IR2 durante a pré-temporada e o 
Yo-Yo IR1 durante o período intertemporada. Dessa forma, o consumo máximo de 
oxigênio (VO2máx) de cada atleta foi estimado por meio da equação 1 para os 
66 
 
estudos 1 e 3; e por meio da equação 2 no estudo 2 (BANGSBOO, IAIA e 
KRUSTRUP, 2008). 
 
Yo-yo IR2: 
VO2máx (mL.min-1.kg-1) = distância (m) × 0.0136 + 45.3 (equação 1) 
 
Yo-yo IR1: 
VO2máx (mL.min-1.kg-1) = IR1 distância (m) × 0.0084 + 36.4 (equação 2) 
 
 
3.4.3 Teste para estimar 1RM 
 
 
Na semana anterior ao primeiro jogo da coleta, as atletas realizaram um teste para 
estimar o peso correspondente a 1RM dos seguintes exercícios: half-squat, deadlift 
e lunges. Inicialmente, realizaram um aquecimento que consistiu de 1 série de 6 
repetições de cada exercício, somente com os 20 kg da barra olímpica. Em seguida, 
as atletas escolheram um peso para realizar repetições até a falha concêntrica. 
Caso a falha não ocorresse até a sexta repetição, a tentativa era interrompida, e 
uma nova tentativa realizada com um peso maior. Foram realizadas no máximo 3 
tentativas para cada exercício de forma que a falha concêntrica ocorresse antes da 
sexta repetição. Caso isso não ocorresse nas 3 primeiras tentativas, um novo dia de 
teste era realizado. O peso e número de repetições até a falha foram utilizados para 
estimar o valor de 1RM por meio da equação de Lombardi (equação 3) (BRECHUE 
& MAYHEW, 2012). Essa equação produziu a melhor estimativa de 1RM no 
exercício squat quando realizado com carga próxima a 80% 1RM, na faixa de 5 a 17 
repetições até a falha em jogadores de futebol (BRECHUE & MAYHEW, 2012). 
Testes para predizer o 1RM a partir de repetições até a falha tem sido utilizados 
(KESOGLOU et al., 2009) para evitar os riscos e demanda de tempo exigidos por 
testes de 1RM em jogadores profissionais de futebol. Devido a dificuldades em 
realizar um teste máximo para o jump squat, o valor de 1RM determinado para o 
half-squat foi também adotado para o exercício jump squat. Esse teste foi repetido a 
cada dois meses com o propósito de atualizar os valores estimados de 1RM durante 
67 
 
os jogos coletados no período competitivo (estudos 3) e durante o período 
intertemporada (estudo 2). 
 
Equação de Lombardi: 
1RM = (Peso x número de repetições) 0.10 (equação 3) 
 
 
3.5 Procedimentos de Coleta para Variáveis de Monitoramento 
 
 
Conforme já descrito, a dinâmica das variáveis investigadas foi verificada nos 
momentos pré, 24, 48 e 72 h pós-jogo (estudos 1 e 3) e nos momentos pré, pós, 24 
e 48 h pós-treino de força (estudo 2). O momento pré-jogo para os testes físicos 
(SCM e sprint) foi realizado 2-3 dias previamente ao jogo. Para as demais variáveis 
(coleta de sangue, escalas de percepção e questionários) o momento pré-jogo 
correspondeu aproximadamente a 60 min antes do início dos jogos. 
 
As variáveis de monitoramento foram classificadas em variáveis de desempenho 
(altura do SCM e tempo nos 10 e 20 m de sprint), fisiológica (PCR) e respostas 
perceptivas (DOMS, TQR e BRAMS, para dados de fadiga e vigor). Contudo, como 
questionários para avaliar a escala de humor e TQR foram inseridos no meio do 
período competitivo, dados para essa variável foram apresentados apenasnos 
estudos 1 e 2. Devido à indisponibilidade do equipamento durante o período 
intertemporada, a PCR não foi coletada no estudo 2. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
68 
 
FIGURA 3.2 Situações Experimentais 
 
Legenda: STF sessão de treino de força. 
Fonte: Elaborado pela autora 
 
 
3.5.1 Teste de salto com contramovimento 
 
 
Durante o período da pré-temporada, as atletas receberam instruções verbais e 
demonstrações sobre a técnica do salto com contramovimento. Com o intuito de 
familiarização, as atletas foram orientadas a realizar os saltos durante sessões de 
preparação física e receberam correções quando necessário. Por fim, as voluntárias 
realizaram dois dias de teste durante esse período, separados por um intervalo de 5 
dias, para obtenção do CCI2,1 (0.931) e do EPM (0.7 cm). O SCM foi realizado a 
partir da posição ortostática, com joelhos estendidos e as mãos apoiadas no quadril, 
na região supra-ilíaca. As atletas executavam uma ação excêntrica de flexão de 
joelhos até a angulação que julgassem mais eficiente, seguida por uma ação 
concêntrica de extensão de joelhos. Os joelhos permaneceram estendidos durante a 
fase de voo e a aterrissagem foi em flexão plantar. 
 
69 
 
O mesmo protocolo foi adotado em todos os testes de SCM. Inicialmente, as atletas 
realizavam um aquecimento padrão que consistiu de 3 SCM submáximos, seguido 
de 4 saltos máximos com intervalo mínimo de 15 s entre eles (SZMUCHROWSKI et 
al., 2011; OLIVEIRA et al., 2018). Os testes de SCM foram realizados em um tapete 
de contato (Multisprint®, Hidrofit Ltda, Brasil), a altura do salto estimada pelo tempo 
de voo e os dados registrados por meio do software Multi-Sprint®. Para análise dos 
dados foi utilizada a média e o melhor desempenho dos 4 saltos. 
 
 
FIGURA 3.3 Salto com contramovimento 
 
 Fonte: fotografia da autora 
 
 
3.5.2 Teste de velocidade de 20 metros 
 
 
Com o propósito de familiarização, durante o período da pré-temporada foi 
registrado o tempo no teste de velocidade, por meio de 3 fotocélulas (Multisprint®, 
Hidrofit Ltda, Brasil), posicionadas a distâncias de 10 e 20 m da primeira fotocélula. 
Sendo assim, foram registrados os tempos dos 10 m iniciais e 20 m totais. Por fim, 
as atletas realizaram dois dias de teste durante esse período, separados por um 
intervalo de 5 dias, para obtenção do CCI2,1 (0.640) e do EPM (0.050 s) no teste de 
sprint. 
 
70 
 
O mesmo protocolo foi adotado em todos os testes de sprint. Inicialmente as atletas 
percorriam os 20 m em baixa intensidade, com o propósito de aquecimento e 
reconhecimento do espaço / distância. Em seguida, as atletas posicionavam o pé a 
0,5 m de distância da primeira fotocélula e eram orientadas a correr os 20 m o mais 
rápido possível. Foram realizadas duas tentativas de 20 m de sprint, com intervalo 
aproximado de 2 min entre elas. Estímulos verbais foram proporcionados em todas 
as tentativas com o propósito de motivação. Os dados foram fornecidos online pelo 
software Multi-Sprint®, com precisão de 0.001 s. As fotocélulas foram posicionas em 
um tripé, a uma altura aproximada de 1 m do chão. Para análise dos dados foi 
utilizada a média e o melhor tempo nos 10 m iniciais e 20 m totais de sprint. 
 
 
3.5.3 Variáveis fisiológicas 
 
 
Foi realizada punção digital, após esterilização local com álcool etílico 70%. Uma 
lanceta com disparador automático foi utilizada e o sangue drenado para um coletor 
de amostra. Em seguida, esse coletor de amostra foi conectado a um tubo de 
tampão de detecção e o reagente homogeneizado. As duas primeiras gotas do 
reagente foram descartadas e então duas gotas adicionadas no poço da amostra de 
um cassete. Após três minutos, o cassete carregado com a amostra foi inserido em 
um analisador automático de imunoensaio fluorescente (ICHROMATM Reader, BS 
Ver01 01-2016, Coréia do Sul), para quantificação da PCR. 
 
 
 
71 
 
FIGURA 3.4 Coleta de sangue para análise de variável fisiológica 
 
Fonte: fotografia da autora 
 
 
3.5.4 Escala de Dor muscular 
 
 
A dor muscular foi avaliada utilizando uma escala visual analógica exibida na figura 
3.5. Essa escala foi inicialmente apresentada e utilizada pelas atletas durante a pré-
temporada, com o propósito de familiarização. Durante o período de coletas foi 
solicitado às atletas que apontassem a opção que melhor descrevesse seu nível de 
dor muscular nos momentos pré, 24, 48 e 72 h após a realização dos jogos de 
futebol (estudo 1 e 3) e nos momentos pré, pós, 24 e 48 h após a realização da 
sessão de treino de força (estudo 2). 
 
 
FIGURA 3.5 Escala Analógica Visual de dor muscular 
Fonte: Matos, M. Disponível em http://www.patologiadaatm.com.br/tensao-na-face-e-o-
diagnostico-de-dtm-muscular/ 
http://www.patologiadaatm.com.br/tensao-na-face-e-o-diagnostico-de-dtm-muscular/
http://www.patologiadaatm.com.br/tensao-na-face-e-o-diagnostico-de-dtm-muscular/
72 
 
3.5.5 Escala de Qualidade Total de Recuperação 
 
 
Para determinação da percepção de recuperação, cada atleta apontava um valor na 
escala TQR (FIGURA 3.6) para responder a seguinte questão: ―Como você se sente 
em relação a sua recuperação?‖ nos momentos pré, 24, 48 e 72 h após os jogos 
(estudo 1 e 3) e nos momentos pré, pós, 24 e 48 h após a realização da sessão de 
treino de força (estudo 2). 
 
 
FIGURA 3.6 Qualidade Total de Recuperação 
Nota Descritor 
6 
7 Muito, muito mal recuperado 
8 
9 Muito mal recuperado 
10 
11 Mal recuperado 
12 
13 Razoavelmente recuperado 
14 
15 Bem recuperado 
16 
17 
18 
19 
20 
 
Muito bem recuperado 
 
Muito, muito bem recuperado 
 Fonte: Adaptado Kentta e Hassmen (1998) 
 
 
3.5.6 Escala de Humor Brasileira 
 
 
Uma avaliação do estado de humor das atletas foi realizada por meio da Escala de 
humor Brasileira (BRAMS) (MIRANDA et al., 2008). Esse instrumento consiste de 24 
itens e 6 sub-itens avaliando o humor: vigor, fadiga, tensão, depressão, raiva e 
73 
 
confusão. Cada item é ranqueado em uma escala Likert que varia de 0 (nada) a 4 
(extremamente) e os respondentes devem indicar como se sentem naquele 
momento (ANEXO 2). Esse instrumento foi validado para a língua portuguesa por 
Miranda et al. (2008). Contudo, uma vez que a maioria das atletas indicou valores 
diferentes de zero apenas para fadiga e vigor, foram reportados os dados apenas 
desses dois sub-itens. 
 
 
3.5.7 Questionários 
 
 
Para monitoramento das condições relacionadas ao ciclo menstrual, um questionário 
foi incluído no meio da temporada competitiva. Dessa forma, as atletas responderam 
as seguintes questões nos momentos pré, 24, 48 e 72 h após os jogos (estudo 1 e 
3) e nos momentos pré, pós, 24 e 48 h após a realização da sessão de treino de 
força (estudo 2): 
 
1) Você está menstruada? 
2) Se sim, fez uso de algum remédio para cólica? Qual? 
3) Qual foi a data do primeiro dia da sua última menstruação? 
4) Fez uso de algum remédio para cólica nos últimos 3 meses? Qual? Quando? 
5) Você faz uso de anticoncepcional? Se sim, qual? 
 
 
3.6 Procedimentos no dia dos jogos e monitoramento da carga de jogo 
 
 
No dia dos jogos foi realizada coleta de urina das atletas para verificar o estado de 
hidratação das mesmas por meio de um refratômetro portátil (Uridens Inlab, São 
Paulo, Brasil) e registrada a massa corporal antes e após o jogo por meio de uma 
balança digital (G-Tech Glass 10, China). Água ad libitum foi permitida durante o 
jogo. As atletas utilizaram um monitor de frequência cardíaca (Firsbeat 1425652, 
Firstbeat Technologies Oy, Finlândia) para registro da frequência cardíaca média, 
máxima e percentual da frequência cardíaca máxima (%FCmax). Além disso, foram 
74 
 
monitoradas por meio do sistema de posicionamento global (GPS), com uma 
frequência de amostragem de 5 Hz (QStarz BT-Q1300ST, Qstarz International Co., 
Ltd., Taiwan) para registro da distância total e distânciapercorrida em diferentes 
intensidades (alta: >18 km.h-1, moderada: 10 a 18 km.h-1 e baixa: 0 a 10 km.h-1) 
(adaptado de KRUSTRUP et al., 2005). Especificações do instrumento (QStarz BT-
Q1300ST) para dados de acurácia: a precisão da posição é 3,0 m 2D-RMS sem 
auxílio ou <3m CEP (50%) sem SA (horizontal); Com DGPS (WAAS, EGNOS, 
MSAS) a precisão da posição é 2,5 m. A precisão da velocidade é 0,1 m/s sem 
auxílio e 0.05 m/s com DGPS (WAAS, EGNOS, MSAS). Tempo 50 ns RMS. Datum 
WGS-84. A temperatura ambiente e umidade relativa do ar também foram 
registradas durante o jogo, a cada 15 min, por meio de um termo-higrômetro digital 
(TTH100, Incoterm®, Brasil). 
 
 
3.7 Protocolo de Treinamento de Força 
 
 
O protocolo de treino de força consistiu nos exercícios half-squat, jump squat, 
deadlift e lunges, com ênfase no treinamento de potência. As atletas realizaram o 
movimento o mais rápido possível, com foco em uma rápida extensão de quadril. 
Dessa forma, as atletas foram orientadas a realizar a fase concêntrica com 
velocidade explosiva e a fase excêntrica em dois segundos. Foram realizadas 3 
séries de 6 repetições com intensidade de 50% de 1RM e um período de 
recuperação de 3 minutos entre as séries (DE HOYO et al., 2016). Justificando o 
protocolo adotado, tem sido reportado na literatura protocolos semelhantes com 
baixos a moderados percentuais de 1RM e alta velocidade (4-8 repetições por série, 
a 45-60% de 1RM) (FRANCO-MARQUEZ et al., 2015; RODRIGUEZ-ROSELL et al., 
2016; TORRES-TOLEDO et al., 2016) na rotina de jogadores de futebol. Além disso, 
esse protocolo é semelhante a sessões de treino de força que atletas de futebol são 
submetidos durante o período competitivo. 
 
Para analisar o desempenho na STF nas condições do estudo 3 (STF24h e 
STF48h), o exercício agachamento (half-squat) foi realizado sobre uma plataforma 
de força (PLA3–1D-7KN/JBA Zb; Staniak; Warsaw, Poland). A frequência de 
75 
 
amostragem foi configurada para 400 Hz. O software Max (Universal Programme for 
Measurement Maintance by Integrated Amplifires, versão 5.5) foi utilizado para 
registro dos dados. Inicialmente foi realizado procedimentos de calibração com 
valores de referência de 0, 10, 30, 50 e 80 kg. Após coleta dos dados, a opção 
smooth foi selecionada e um filtro de 60 Hz foi passado automaticamente pelo 
programa. Os dados foram então importados em arquivos de texto e convertidos de 
DAX para ASCII utilizando o SPSS. Após salvo, o arquivo foi alterado de .dat para 
.asc, tornando-se compatível com o programa de análise. O software Data 
Acquisition System Laboratory (DASYLab, versão 11.0) foi utilizado para análise dos 
dados. A força média e a força pico das seis repetições de uma série foram 
analisadas. O início e fim de cada repetição foram definidos quando a força de 
reação do solo fosse equivalente ao peso corporal somado ao peso da barra e 
anilhas (peso do sistema). A taxa de desenvolvimento da força (TDF) foi definida 
como a variação (delta) da força (força pico menos força do sistema), dividido pela 
variação do tempo (tempo até alcançar a força pico) (n=8). 
 
A figura 3.7 ilustra como a análise dos dados foi realizada para a TDF. O cursor da 
esquerda foi posicionado no valor de força referente ao peso do sistema (F=1298,65 
N e Tempo=11,64 s), ao passo que o cursor da direita foi posicionado no valor 
máximo de força atingido, ou força pico (F=1673,49 N e Tempo=11,94 s). A TDF foi 
então calculada pela razão entre o delta de força e o delta de tempo resultando em 
1249,47 N/s. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
76 
 
 
FIGURA 3.7 Curva força x tempo para o exercício agachamento 
 
Fonte: fotografia da autora 
 
 
Para avaliar a percepção subjetiva de esforço da sessão de treinamento de força, as 
atletas responderam a seguinte pergunta: ―Como foi sua sessão?‖, e apontavam um 
valor na escala proposta por Foster et al. (2001) aproximadamente 30 min finalizada 
a sessão de força (estudo 2). 
 
 
3.8 Análise estatística 
 
 
Inicialmente foram verificados os pressupostos de normalidade e esfericidade dos 
dados, por meio dos testes de Shapiro-Wilk e Mauchly, respectivamente. Quando 
violada, correção de Greenhouse-Geisser foi utilizada. Para análise descritiva dos 
dados foram utilizados valores médios e respectivos desvios padrão. O nível de 
significância adotado foi de α=0,05. Análise do CCI2,1 (ANOVA two-way random 
effects com concordância absoluta - absolute agreement) foi utilizada para avaliar a 
confiabilidade do SCM e 20 m sprint por meio do desempenho médio obtido em 
77 
 
ambos os testes em duas sessões da pré-temporada. O EPM foi calculado conforme 
proposto por Weir (2005). O tamanho do efeito (effect size (ES)) e intervalos de 
confiança foram determinados em cada estudo, por meio das planilhas “post-only 
crossover” disponibilizadas em http://www.sportsci.org/resource/stats/ para 
comparações pareadas. Valores limiares para ES foram definidos como trivial (<0.2), 
pequeno (0.2-0.6), moderado (0.6-1.2), grande (1.2-2.0) e muito grande (>2.0) 
(HOPKINS, 2000). Os dados foram analisados no programa Statistical Package of 
the Social Sciences versão 22.0 (SPSS Inc., Chicago, Illinois) e no programa 
Graphpad® (Prism 5.0, San Diego, CA, USA). 
 
Estudo 1: Anova one-way de medidas repetidas foi utilizada para verificar alterações 
ao longo do tempo (pré, 24, 48 e 72 h pós-jogo) nas variáveis paramétricas de 
monitoramento (média e melhor altura do SCM, média e melhor tempo nos 10 e 20 
m de sprint) e o post hoc de Bonferroni utilizado para localizar essas diferenças. 
Teste de Friedman e post hoc de Dunns foram utilizados para os dados não 
paramétricos, tais como PCR, DOMS, TQR, fadiga e vigor. Medidas de tamanho do 
efeito foram apresentadas para todas as variáveis (HOPKINS et al., 2009). 
 
Estudo 2: Anova one-way de medidas repetidas foi utilizada para verificar alterações 
ao longo do tempo (pré, pós, 24 e 48 h pós-STF) nas variáveis paramétricas de 
monitoramento (média e melhor altura do SCM, média e melhor tempo nos 10 e 20 
m de sprint) e o post hoc de Bonferroni utilizado para localizar essas diferenças. 
Teste de Friedman e post hoc de Dunns foi utilizado para os dados não 
paramétricos, tais como DOMS, TQR, fadiga e vigor. Medidas de tamanho do efeito 
foram apresentadas para todas as variáveis (HOPKINS et al., 2009). 
 
Estudo 3: Anova two-way de medidas repetidas (3x4) foi realizada para verificar 
diferenças nas variáveis dependentes (média e melhor SCM, média e melhor tempo 
nos 10 e 20 m de sprint, PCR e DOMS) entre as condições experimentais (STF24h, 
STF48h e Controle) e ao longo do tempo (pré, 24, 48 e 72 h pós-jogo). Post hoc de 
Bonferroni foi utilizado para localizar essas diferenças. Anova one-way de medidas 
repetidas foi utilizada para comparar as cargas de jogo entre condições 
experimentais. Test t foi utilizado para comparar a qualidade das STF (TDF, força 
http://www.sportsci.org/resource/stats/
78 
 
média e força pico) entre as condições (STF24h e STF48h). Medidas de tamanho do 
efeito foram apresentadas para todas as variáveis (HOPKINS et al., 2009). 
79 
 
4 STUDY 1 POST-MATCH PERFORMANCE, PHYSIOLOGICAL AND 
PERCEPTUAL RECOVERY IN FEMALE SOCCER PLAYERS 
 
 
Submitted to the Journal of Strength and Conditioning Research on 23 January 2020 
 
80 
Abstract 
The aim of this study was to quantify the 72 h post-match recovery profile, of female 
soccer players, including use of best vs mean performance effort to infer physical 
recovery. Fifteen professional Brazilian female soccer players undertook testing prior 
to and at 24, 48 and 72 h post-match. Tests included countermovement jump (CMJ) 
and 20 m sprint, with best and mean efforts analysed. C-reactive protein (CRP) 
analyses, and perceptual measures, such as delayed onset muscle soreness 
(DOMS), total quality of recovery (TQR) and Brazilian MoodScale (Fatigue and 
Vigor) were collected. One-way repeated-measures ANOVA, Friedman test and 
Effect size (ES) analyses compared the time-course of recovery. Significance was 
accepted at α=0.05. Mean post-match CMJ height was reduced at 24 h (p<0.05, 
ES=-0.45), though best effort was still reduced at 48 h (p<0.05, ES=-0.33). Both 
mean and best 20 m sprint time were slower until 48 h post-match (p<0.05, ES=0.68; 
p<0.05, ES=0.73, respectively). CRP was increased until 24 h (p<0.05, ES=0.78), 
returning to baseline by 48 h. DOMS peaked at 24 h (ES=0.14), although did not 
differ to pre (p<0.05). TQR and vigor were significantly reduced at 24 h post-match 
(p<0.05, ES=-1.92; p<0.05, ES=-0.42; respectively), while fatigue was significantly 
increased (p<0.05, ES=0.37). In conclusion, reductions in speed and power were 
evident until 48 h post-match, while physiological and perceptual responses were 
altered until 24 h in female soccer players. Finally, best effort of power is more likely 
to inform physical recovery status of speed or power in the 72 h post-match. 
Keywords: football, women, fatigue. 
[Production Note: This paper is not included in this digital copy due to copyright restrictions.]
97 
5 STUDY 2 RECOVERY TIMELINE FOLLOWING RESISTANCE TRAINING IN 
PROFESSIONAL FEMALE SOCCER PLAYERS 
Published in Science and Medicine in Football. 
98 
Abstract 
Objective: Determine the time-course of recovery after a resistance training session 
(RT) in female soccer players. 
Methods: Ten Brazilian female professional soccer players undertook testing prior to 
and at immediately, 24 and 48 h post-RT. RT was a high-speed and low-load 
session, consisting of three sets of six repetitions of lower body exercises at 50% 
1RM. Tests included countermovement jump (CMJ) and 20 m sprint, with the best 
and mean efforts recorded. Delayed onset muscle soreness (DOMS), total quality 
recovery (TQR) and Brazilian Mood Scale (BRAMS) were collected. Repeated 
measures ANOVA with effect sizes (ES) assessed the time-course of recovery 
(α=0.05). 
Results: Mean and best CMJ performance decreased immediately post-RT (p<0.05, 
ES=-0.49; -0.65) though no significant differences and trivial-small effects existed at 
24h (p>0.05, ES=−0.15; −0.08) and 48 h (p>0.05, ES=0.14; −0.21). No significant 
differences and trivial-small effects were evident at any time for mean or best 10 m 
(p>0.05, ES=−0.18–0.26) or 20 m (p>0.05, ES=−0.08–0.19) performance. DOMS, 
TQR, fatigue and vigor did not change following RT (p>0.05; ES=-0.51-0.48). 
Conclusion: Light-load, high-speed RT induces only small, immediate changes in 
CMJ, without prolonged suppression of recovery parameters. Such training seems 
feasible for inclusion in competitive micro-cycles at least 24 h prior to the next match. 
Keywords: power training, women, soccer, fatigue. 
[Production Note: This paper is not included in this digital copy due to copyright restrictions.]
View/Download from: Publisher's site
https://doi.org/10.1080/24733938.2020.1737724
113 
6 STUDY 3 POST-MATCH RESISTANCE TRAINING IN FEMALE FOOTBALLERS; 
WHEN IS THE BEST TIME TO TRAIN? 
Submitted to the International Journal of Sports Physiology and Performance on 22 
November 2019. 
114 
Abstract 
Purpose 
To examine the effect of high-speed, low-load resistance training (RT) performed 24 
or 48 h post-match on recovery in female soccer players. 
Methods 
In a randomized cross-over design, ten professional female soccer players undertook 
matches followed by three conditions; Control (no RT), RT-24h and RT-48h post-
match. RT was a high-speed and low-load session, consisting of 3 sets of 6 
repetitions of lower-body exercises at 50% 1RM. A half-squat was performed on a 
force platform to compare quality of RT. Tests were undertaken prior to and at 24, 48 
and 72 h post-match and included repeated trials of countermovement jump (CMJ) 
and 20 m sprint, with best and mean efforts analyzed. Further, C-reactive protein 
(CRP) and delayed onset muscle soreness (DOMS) were collected. Two-way (3x4) 
repeated-measures ANOVA and Effect size (ES) analyses compared the time-course 
of recovery. 
Results 
Despite no significant differences (p>0.05) existing between conditions, ES for 
changes from pre to 72 h were larger for mean and best CMJ, 10 and 20 m sprint 
time, and DOMS in RT48h (ES=0.34-2.13) than in RT24h (ES=0.06-0.68) and in 
Control (ES=0.03-0.36). Contrarily, CRP changes from pre to 72 h tended to be 
larger in Control (ES=0.67) than in RT24h (ES=0.19) and RT48h (ES=0.01). No 
differences in the rate of force development, mean and peak force of half-squat 
exercise existed between conditions (p>0.05; ES=0.05-0.43). 
Conclusion 
The time-course of post-match recovery in female soccer players suggests RT48h is 
less ideal during congested micro-cycles given the trend for suppressed recovery on 
speed, power and perceptual responses at 72 h post-match. 
Keywords: strength training, women, soccer, fatigue, recovery. 
[Production Note: This paper is not included in this digital copy due to copyright restrictions.]
133 
 
7 DISCUSSÃO 
 
 
O estudo 1 investigou a recuperação até 72 h pós-jogo por meio de variáveis físicas, 
fisiológicas e respostas perceptivas em atletas profissionais de futebol feminino. De 
maneira geral, as variáveis de desempenho físico retornaram aos valores basais 
dentro de 72 h, enquanto a PCR e as respostas perceptivas retornaram aos valores 
pré-jogo dentro de 48 h, o que enfatiza a natureza multifatorial do processo de 
recuperação. Dentre os principais achados, destaca-se que, quando considerada a 
média das tentativas, o desempenho do SCM no momento 48 h já havia retornado a 
valores basais, enquanto a melhor tentativa (desempenho) do SCM apresentou um 
padrão de recuperação mais lento (72 h), o que, provavelmente, informa o status 
real de recuperação física. Dessa forma, a recuperação pós-jogo em atletas 
mulheres de futebol ocorre, geralmente, dentro de 72 h, embora algumas jogadoras 
necessitem de um tempo maior ou menor de recuperação, o que demonstra 
influência da individualidade e da natureza da variável investigada no processo de 
recuperação. 
 
Enquanto o desempenho médio no SCM estava reduzido 24 h pós-jogo, quando 
avaliado valores do melhor salto essa redução prevaleceu por até 48 h. No futebol 
feminino, Andersson et al. (2008) verificaram uma redução na altura do SCM (melhor 
tentativa analisada) por até 69 h. Dessa forma, a recuperação mais rápida para o 
SCM, talvez seja explicada pela menor distância percorrida em alta intensidade 
pelas atletas do presente estudo (120 ± 88 m), comparado ao estudo de Andersson 
et al. (2008) (1090 ± 200 m). Em jogadores homens, reduções no desempenho do 
SCM já foram verificadas até 24 (FATOUROS et al., 2010; SILVA et al., 2013), 48 
(ISPIRLIDIS et al., 2008, ROMAGNOLI et al., 2015; RUSSEL et al., 2015) ou 72 h 
pós-jogo (NÉDÉLEC et al., 2014; MAGALHÃES et al., 2010). Essa redução no 
desempenho do SCM pós-jogo pode ser explicada pela demanda de ações que 
contemplam o ciclo de alongamento-encurtamento e pela natureza explosiva das 
cargas de jogo (NEDELEC et al., 2014). A menor carga reportada no presente 
estudo, quando comparada tanto a estudos com homens quanto com mulheres, é, 
provavelmente, a explicação para o retorno mais rápido a valores basais observados 
no desempenho do salto. 
134 
 
 
Ainda no estudo 1, tanto o tempo médio das tentativas quanto o melhor tempo no 
sprint de 20 m estavam mais elevados 48 h após o jogo. Durante a fase de 
aterrisagem na corrida, a flexão do quadril e a extensão do joelho são desaceleradas 
pelo trabalho excêntrico dos isquiotibiais, produzindo alta tensão e dano muscular 
estrutural (ISPIRLIDIS et al., 2008; FATOUROS et al., 2010). Apesar das menores 
cargas de jogo já relatadas no presente estudo (menor distância percorrida em alta 
intensidade),o aumento no tempo de sprint foi similar (3%), embora de maior 
duração (5 h vs 48 h) comparado ao outro estudo com atletas do sexo feminino 
(ANDERSSON et al., 2008). Esses resultados mostram que, embora a magnitude da 
fadiga induzida pelos jogos no desempenho do sprint seja semelhante, a resposta 
de recuperação dos jogadores foi diferente. Essas diferenças na recuperação podem 
ser atribuídas às características específicas dos jogadores de futebol, como nível 
físico do jogador ou nível da partida (RAMPININI et al., 2011). Comparativamente, 
em alguns estudos com atletas homens de futebol não foi verificada diferença em 
sprints de 5 e 30 m durante o período pós-jogo (SILVA et al., 2013), enquanto outros 
relatam tempos de 20-40 m maiores até 24 h pós-jogo (RAMPININI et al., 2011); ou 
ainda 48 – 72 h (STONE et al., 2014; FATOUROS et al., 2010; ASCENSÃO et al., 
2008; MAGALHÃES et al., 2010). Novamente, esses achados mostram que a 
variação na carga de jogos, tais como a quantidade de movimentos de aceleração e 
desaceleração realizados por homens e mulheres, bem como características 
individuais de jogadores de futebol poderiam explicar tal inconsistência na literatura. 
É importante ressaltar que o tempo nos 10 m iniciais de sprint foi semelhante em 
todos os momentos pós-jogo, o que sugere que o aumento no tempo dos 20 m não 
foi devido a prejuízos na fase de aceleração, apesar de reduções verificadas no 
SCM. Dessa forma, o desempenho no sprint (ambos, média e melhor tempo) retorna 
a valores pré-jogo dentro de 72 h em atletas profissionais de futebol feminino. 
 
A PCR é uma proteína de fase aguda frequentemente usada como marcador de 
inflamação (MERINO et al., 2015). Os resultados do estudo 1 estão de acordo com a 
literatura que reporta que um jogo de futebol induz uma elevação acentuada, porém 
transitória, da PCR 24 h pós-jogo (aumento de 120 a 150%) em ambos, homens 
(ISPIRLIDIS et al., 2008; SOUGLIS et al., 2015; SOUGLIS et al., 2018) e mulheres 
(GRAVINA et al., 2011; SOUGLIS et al., 2015; SOUGLIS et al., 2018). Souglis et al. 
135 
 
(2018) mostraram valores mais altos de PCR para homens em comparação a 
mulheres. Esses autores justificaram o menor dano e inflamação muscular devido à 
menor distância percorrida em alta intensidade, além de menor aceleração e 
desaceleração realizadas pelas mulheres. No estudo 1 foi demonstrado aumento 
dos valores de PCR em 24 h, embora a não padronização do período menstrual 
possa ter impactado este achado, uma vez que a PCR encontra-se elevada durante 
o início da fase folicular (CHAIRETI et al., 2016). Independentemente do possível 
viés, a PCR retornou a valores basais dentro de 48 h em mulheres atletas de futebol. 
 
Respostas perceptivas, incluindo TQR, fadiga e vigor, retornaram a valores pré-jogo 
dentro de 48 h. Nenhum outro estudo com atletas de futebol feminino relata essas 
variáveis após jogos de futebol, dificultando comparações. No entanto, a redução da 
TQR 24 h após o jogo verificada no estudo 1 se compara à relatada em jogadores 
de futebol masculino (NÉDÉLEC et al., 2014) (13,3 ± 2,8 e 13,6 ± 1,7 UA, 
respectivamente). Também foi relatado um aumento significativo na fadiga 24 h após 
o jogo em homens (NÉDÉLEC et al., 2014), embora, em vez de BRUMS, a fadiga 
tenha sido mensurada por meio de índices de bem-estar, juntamente com sono, 
estresse e DOMS (NÉDÉLEC et al., 2014). Os valores pico da DOMS foram 
verificados 24 h após o jogo, corroborando os achados de Andersson et al. (2008) e 
Nédélec et al. (2012). Embora diferenças significativas para alterações na DOMS 
não tenham sido verificadas no estudo 1, há evidente variabilidade na DOMS pré e 
pós-jogo, que pode ser devido às sessões de treinamento prévias ou à fadiga 
induzida pelo acúmulo de jogos devido a competições concorrentes. 
Independentemente disso, parece que as respostas perceptivas relacionadas à 
recuperação retornam a valores pré-jogo dentro de 48 h em atletas mulheres de 
futebol. 
 
A inconsistência entre o perfil (magnitude e duração) da recuperação entre 
indivíduos e entre as variáveis investigadas nos estudos mencionados dificulta 
conclusões definitivas sobre essa temática no futebol, embora dados baseados em 
respostas de grupo revelem que a maioria das variáveis de monitoramento em 
homens permanece alterada até 72 h (NÉDÉLEC et al., 2014; MAGALHÃES et al., 
2010; FATOUROS et al., 2010; ASCENSÃO et al., 2008; SILVA et al., 2017), e no 
sexo feminino essa alteração ocorre até 48 h. Como dito anteriormente, a aparente 
136 
 
recuperação mais rápida nas mulheres pode ser explicada pela menor carga e 
trabalho excêntrico que as mulheres realizam durante os jogos (SOUGLIS et al., 
2018; STOLEN et al., 2005; DATSON et al., 2014). Além disso, parece que a 
distância total e a distância percorrida em alta intensidade pelas atletas do estudo 1 
foram menores que as relatadas na literatura para atletas de futebol feminino 
(DATSON et al., 2014). Ainda, a variabilidade individual foi evidente em todas as 
variáveis analisadas (conforme representado graficamente). Apesar das respostas 
médias do grupo, algumas atletas apresentaram respostas pós-jogo distintas, 
reforçando a natureza individual da recuperação. 
 
Embora o estudo 1 tenha confirmado a natureza multifatorial da recuperação por 
meio da resposta pós-jogo distinta entre as variáveis em jogadoras de futebol, uma 
limitação notável foi o pequeno tamanho amostral e número de partidas analisadas. 
Isso consiste, contudo, em uma limitação com testes ecológicos válidos em clubes 
profissionais e, portanto, representa um estudo de caso de jogadores de uma 
equipe. Estudos futuros devem investigar a cinética da recuperação pós-jogo em um 
grupo maior de jogadoras para permitir que relações mais detalhadas sejam 
determinadas com as cargas de jogo. 
 
No estudo 2 foi investigada a recuperação após uma sessão de treino de potência 
em atletas de futebol feminino, por meio do desempenho físico e respostas 
perceptivas. Os resultados mostraram que este tipo de STF não afetou o 
desempenho físico nas 48 h após o treino. Por exemplo, apenas pequenas e 
imediatas alterações no SCM foram evidentes, sem reduções no desempenho do 
sprint ou nas respostas perceptivas nas 48 h após a STF. Tais achados indicam que 
uma sessão isolada de treino de força, mais especificamente uma sessão de treino 
de potência, pode ser prescrita durante microciclos competitivos sem efeitos 
adversos sobre o status de fadiga subsequente. 
 
Estudos anteriores demonstraram que protocolos de treinamento de força (TF) de 
alta velocidade e baixo a moderado percentual de 1RM provocam adaptações 
crônicas que melhoram a força, potência, velocidade e desempenho físico, o que 
seria relevante para o desempenho no futebol (FRANCO-MARQUEZ et al., 2015; 
NEGRA et al., 2016; RODRIGUEZ-ROSELL et al., 2016). Esses estudos ressaltam a 
137 
 
importância de incluir programas de TF na rotina de treinamento para melhorar as 
capacidades físicas relacionadas à velocidade e potência (GONZALEZ-BADILLO et 
al., 2015; RODRIGUEZ-ROSELL et al., 2016; FRANCO-MARQUEZ et al., 2015). 
Contudo, em semanas de jogos ou durante calendários congestionados no futebol, é 
importante garantir que o TF não afete a recuperação para os próximos jogos. No 
estudo 2, nenhum declínio no desempenho físico ocorreu 24 ou 48 h após a STF, 
sugerindo que este tipo de protocolo não induz uma fadiga residual que poderia 
prejudicar o desempenho na velocidade ou potência em sessões subsequentes. Em 
estudos recentes foi relatado que o TF de alta velocidade e baixo percentual de 1RM 
produz baixa fadiga (FRANCO-MARQUEZ et al., 2015; GONZALEZ-BADILLO et al., 
2015; RODRIGUEZ-ROSELL et al., 2016), porém, tais estudos não quantificaram a 
magnitude da fadiga. Além disso, o estudo 2 foi o primeiro a quantificar a 
recuperação pós-STF em atletas do sexo feminino, uma vez que relatosanteriores 
se limitam a atletas homens (KESOGLOU et al., 2009; DRAGANIDIS et al., 2014). 
Independentemente disso, os achados do estudo 2 corroboram Draganidis et al. 
(2013), que sugeriram que jogadores de elite se recuperam dentro de 24 h após uma 
sessão de treinamento de força semelhante. 
 
As respostas de recuperação física (SCM e sprint) foram semelhantes quando a 
média ou o melhor desempenho foram considerados. Tal resultado pode ser 
atribuído à baixa magnitude de fadiga induzida pela STF. A única variável que 
apresentou alterações significativas imediatamente pós-STF foi o SCM, 
provavelmente devido ao fato de que o protocolo de TF caracterizou-se, 
principalmente, por um padrão de movimento vertical, por meio de exercícios de 
agachamento, squat jump, deadlift e lunges (ARCOS et al., 2014). Dessa forma, a 
fadiga leve e transitória induzida imediatamente pós-STF talvez tenha desenvolvido 
apenas no componente de força vertical, devido à especificidade com os exercícios. 
Por essa mesma razão, o desempenho no teste de 10 e 20 m de sprint, com o 
componente horizontal de força predominante, não foi afetado durante o pós-STF 
(imediatamente pós à 48 h) (ARCOS et al., 2014). Consequentemente, é possível 
que atletas de futebol feminino realizem uma sessão isolada de treinamento de 
força, mais especificamente um protocolo de potência muscular, dentro de 48 h 
prévias a um jogo, considerando que o desempenho físico não será indevidamente 
afetado, embora o uso dessas sessões no pós-jogo ainda precisa ser investigado. 
138 
 
 
Respostas perceptivas incluindo DOMS, TQR, fadiga e vigor não foram alteradas 
imediatamente pós-STF e nenhuma fadiga prolongada nessas respostas foi 
observada. Índices subjetivos de fadiga e TQR têm sido reportados em jogadores 
profissionais homens, após simulação de exercícios específicos para o futebol, sem 
diferenças ao longo do tempo para TQR e um aumento na percepção de fadiga 
imediatamente após o exercício (NÉDÉLEC et al., 2013). Contudo, tais comparações 
entre estudos são limitadas devido à natureza distinta entre as sessões de 
treinamento (sessão de treino de potência muscular vs 90 min de um teste de campo 
aeróbico específico para o futebol). Dessa forma, os resultados do estudo 2 sugerem 
que uma sessão de treino de potência pode ser usada como parte inicial de uma 
sessão de treinamento, sem alterações na percepção de recuperação. 
 
Estudos tem reportado que o pico da DOMS ocorre 48 h pós-STF em homens 
fisicamente ativos após protocolos de repetições máximas (de 0,2 ± 0,3 a 3,4 ± 2,0; 
p<0.001) e repetições forçadas (de 0,2 ± 0,3 a 3,7 ± 2,9; p<0.001) (AHTIAINEN et 
al., 2003) e após protocolos de saltos em profundidade e exercícios para isquiotibiais 
(SARABON et al., 2013). Nas atletas do estudo 2, o pico da DOMS também ocorreu 
48 h pós-STF (de 1,3 ± 1,4 a 2,8 ± 2,1), embora os valores tenham permanecido 
comparativamente baixos. Em atletas homens de futebol, a DOMS apresentou pico 
48 h após um protocolo de maior intensidade (4-6 repetições por série, a 85-90% de 
1RM) e 24 h após protocolo de menor intensidade (8-10 repetições por série, a 65-
70% de 1RM) (DRAGANIDIS et al., 2013), sugerindo que as respostas de DOMS 
variam com a intensidade. Por fim, valores pequenos de DOMS foram evidentes 
mesmo considerando que as atletas estavam retornando de um período de duas 
semanas de férias e uma sessão técnico-tática tenha sido realizada após os testes 
no momento 24 h pós-STF. 
 
Apesar dos novos achados em atletas de futebol feminino, o estudo 2 apresenta 
algumas limitações. A falta de controle em relação a alguns aspectos metodológicos, 
tais como a sessão técnico-tática na rotina de treinamento durante a coleta de dados 
consiste em uma principal limitação ao se realizar pesquisa no futebol profissional 
(HELGERUD et al., 2011). Outra limitação consistiu no fato da STF ter sido realizada 
em atletas em condições descansadas, condição essa rara em microciclos 
139 
 
competitivos, caracterizados pela fadiga induzida pelo acúmulo de jogos e sessões 
de treinamento. Dessa forma, estudos futuros devem investigar atletas de futebol 
feminino nesse contexto, após fadiga induzida por STF e por jogos durante 
microciclos competitivos. 
 
Por fim, para suprir a lacuna supracitada, o estudo 3 comparou o perfil de 
recuperação quando uma STF (protocolo para treino de potência muscular) foi 
realizada 24 ou 48 h após jogos de futebol feminino. A hipótese do estudo 3 era de 
que a condição STF48h seria a opção mais adequada para uma microciclo 
competitivo, considerando que em 24 h as atletas ainda estão com fadiga residual 
decorrente do jogo. Também era esperado que a STF proposta no presente estudo 
não causaria efeitos residuais por mais de 24 h, assim como demonstrado no estudo 
2 e corroborando os achados de Kesoglou et al. (2008) e Draganidis et al. (2013). 
Contudo, tal hipótese foi refutada, e observou-se que, quando realizada no pós-jogo, 
uma STF apresenta um efeito residual mais prolongado. Dessa forma, apesar de 
não terem sido verificas diferenças significativas entre condições, maiores tamanhos 
do efeito foram evidentes para reduções (em relação ao pré-jogo) em medidas de 
desempenho de velocidade e altura do salto, além de aumento das respostas 
perceptivas no momento 72 h para a condição STF48h, comparado a STF24h e 
Controle. Como consequência, STF48h parece ser a situação menos adequada 
durante microciclos congestionados, devido a tendência de supressão na 
recuperação 72 h pós-jogo. Além disso, a ausência de carga de treinamento 
(Controle) promoveu a melhor recuperação no momento 72 h, e, portanto, 
dependendo das cargas de jogo, a prescrição de uma STF talvez seja melhor 
implementada 24 h pós-jogo durante microciclos competitivos. Outro importante 
achado, consiste que valores de TDF, força média e força pico produzidos no 
exercício agachamento não foram significativamente diferentes, independente do 
tempo pós-jogo em que foi realizada a sessão (STF24h ou STF48h). 
 
As cargas internas e externas de jogo reportadas no estudo 3, embora tenham sido 
menores comparados a outros estudos com futebol feminino (ANDERSSON et al., 
2008), foram semelhantes entre todas as condições e resultaram em perfis de fadiga 
semelhantes em todas as condições. Especificamente, o desempenho no SCM e 
sprint estavam reduzidos até 24 h (média das tentativas no SCM), 48 h (melhor 
140 
 
desempenho no SCM) e 72 h (média e melhor tempo em 20 m de sprint). 
Curiosamente, o tempo médio e melhor tempo nos 10 m iniciais de sprint estavam 
maiores até 72 h apenas nas condições STF24h e STF48h. Como consequência, o 
perfil temporal de redução no desempenho físico se ajusta a tendência esperada de 
fadiga pós-jogo (SILVA et al., 2017); embora talvez não seja tão exacerbado como 
aqueles previamente demonstrados na literatura em atletas de futebol feminino, com 
maiores cargas de jogo, resultando em reduções no desempenho do SCM por até 
69 h (ANDERSSON et al. 2008). Dada a redução na velocidade e desempenho do 
salto verificados no estudo 3, inserir uma STF no intervalo de 24-48 h pós-jogo 
estabelece um contexto ecológico para verificar o efeito e a prescrição do TF na 
recuperação pós-jogo durante microciclos competitivos. 
 
Os resultados do estudo 3 não revelaram diferenças no desempenho do SCM entre 
condições experimentais, quando uma STF é realizada 24 ou 48 h pós-jogo. 
Contudo, maiores tamanhos de efeito (embora ainda pequenos) foram evidentes 
entre pré e 72 h na condição STF48h (ES=-0.38, ES=-0.34) comparado a STF24h 
(ES=0.08, ES=-0.06) e Controle (ES=0.09, ES=0.05) para média e melhor SCM, 
respectivamente. Indiscutivelmente, o tamanho do efeito reportado aqui pode não 
levar a conclusão de que o TF foi um grande impedimento na recuperação pós-jogo 
do SCM. Corroborando essa ideia, Kesoglou et al. (2008) verificaram que a alturado 
salto não diferiu significativamente ao longo do tempo, após 24-48 h uma STF. Mais 
relevante para o futebol, o desempenho em habilidades específicas (testes de chute 
e passe) reduziram apenas imediatamente após STF (DRAGANIDIS et al., 2013). No 
entanto, ambos os estudos foram realizados em homens em condições 
descansados para concluir que o efeito residual do exercício dura menos que 24 h 
em jogadores de futebol. No estudo 3 foi verificado tamanhos de efeito negativos de 
pequeno a moderado com a inclusão de uma STF 48 h pós-jogo na recuperação da 
potência (SCM) de membros inferiores em mulheres, e, dessa forma, sugere cautela 
na prescrição de TF neste momento durante calendários congestionados no futebol. 
 
O desempenho no sprint é considerado importante para o sucesso em um jogo de 
futebol (FAUDE, KOCH & MEYER, 2012) e não foi significativamente diferente entre 
condições, independente do tempo que a STF foi realizada. Contudo, tamanhos do 
efeito grande e muito grande foram verificados em STF48h (ES<2.13) para reduções 
141 
 
na média e melhor desempenho de 10 e 20 m de sprint linear no momento 72 h. 
Consequentemente, esse achado adiciona evidências de que STF48h é a condição 
menos adequada em comparação a STF24h (ES<0.79) e Controle (ES<0.30). 
Quando o tempo no sprint foi investigado após protocolos de treinamento de força 
(60 e 80% de 1RM com perda de velocidade de 20 e 40%) em homens fisicamente 
ativos, foram observados tempos de 20 m de sprint mais lentos imediatamente após 
o exercício, mas não nas 24 ou 48 h após (PAREJA BLANCO et al., 2019). Apesar 
da fadiga de curto prazo reportada na velocidade (PAREJA-BLANCO et al., 2019), 
quando uma STF é adicionada ao contexto do pós-jogo, a redução no desempenho 
da velocidade dura mais tempo. Assim, considerando que durante microciclos 
competitivos jogos de futebol geralmente são realizados em um intervalo de 72 h, a 
condição STF48h é a prescrição menos favorável para uma recuperação ótima 
nesse contexto. 
 
Como esperado, a PCR alcançou valores pico 24 h pós-jogo para todas as 
condições, embora a falta de diferença significativa ofusque qualquer efeito da STF 
no pós-jogo. Além disso, a STF realizada 24 ou 48 h tem um efeito limitado no perfil 
de recuperação pós-jogo da PCR. Draganidis et al. (2013) verificaram maiores 
valores de PCR imediatamente e 24 h pós-STF, com o grupo de maior intensidade 
(4-6 repetições por série a 85-90% de 1RM) apresentando maiores valores de PCR 
que o grupo de menor intensidade (8-10 repetições por série a 65-70% de 1RM), 
indicando um efeito dependente da intensidade. Independente disso, o estímulo do 
jogo é, provavelmente, a principal causa de alteração na PCR (SOUGLIS et al., 
2018) e a similaridade nas cargas externas de jogo entre condições da suporte a 
essa afirmação. Uma consideração importante para estudos com mulheres é que a 
PCR é maior durante o início da fase folicular (CHAIRETI et al., 2016), embora 
apenas uma atleta tenha relatado menstruação durante a condição Controle. 
Independentemente, uma STF (protocolo de potência muscular) realizada dentro de 
48 h pós-jogo não afetou a recuperação da PCR. 
 
Espera-se aumento da DOMS no pós-jogo (ANDERSSON et al., 2008), e tal 
resultado foi verificado 24 h pós-jogo em todas as condições do estudo 3. Quando 
uma STF foi incluída no pós-jogo, maiores tamanhos do efeito entre pré e 72 h foram 
verificados para STF48h (ES=0.69) comparado a STF24h (ES=0.25) e Controle 
142 
 
(ES=-0.11); sugerindo uma pior percepção de dor após STF48h, embora os efeitos 
negativos tenham sido apenas moderados. Da mesma forma, embora fora do 
contexto de jogos, Draganidis et al. (2013) verificaram aumento da DOMS 24 h após 
protocolo de exercício (8-10 repetições por série a 65-70% de 1RM), enquanto 
Kesoglou et al. (2008) relataram maiores valores apenas imediatamente após o 
treinamento de força. Portanto, respostas perceptivas maiores as 72 h também 
sustentam que, em um microciclo competitivo, realizar uma STF 24 h antes do jogo 
(STF48h) é a condição menos favorável em comparação a STF24h ou nenhum 
treinamento adicional (Controle). 
 
Dados normativos para o exercício agachamento em plataforma de força mostraram 
que o intervalo entre o jogo e a sessão de treinamento não influenciou no 
desempenho durante o treino, uma vez que não foi encontrada diferença significativa 
na taxa de desenvolvimento de força, força média e pico gerados nas sessões 
realizadas 24 e 48 h pós-jogo, embora tamanho de efeito pequeno (ES=0.43) para 
TDF possa sugerir uma tendência para melhor qualidade de treino 48 h pós-jogo. 
Vale lembrar que os participantes foram orientados a realizar todas as ações 
concêntricas com a maior velocidade possível. Esses dados sugerem que, no 
planejamento do microciclo, quando se pensa na qualidade do treinamento de força, 
técnicos e preparadores físicos podem escolher qualquer um dos dois momentos 
para realizar o TF (24 ou 48 h pós-jogo), sem preocupações com perdas 
significativas do desempenho durante esse tipo de treinamento. Embora um 
tamanho de efeito pequeno para uma maior TDF durante STF48h possa sugerir uma 
melhor qualidade no treinamento dessa sessão; no contexto da recuperação pós-
jogo, tamanhos de efeito muito maiores para reduções de desempenho (pré x 72 h) 
foram verificados nessa condição (STF48h). Dessa forma, sugere-se que 
profissionais do futebol considerem a realização de um treino de potência 24 h após 
o jogo para permitir que os atletas estejam em melhores condições de recuperação 
para o próximo jogo. 
 
É importante ressaltar que uma limitação do estudo 3 consiste na comparação entre 
diferentes jogos para as três condições experimentais, conhecido o fato da 
variabilidade entre jogos ser esperada (ANDERSSON et al., 2008). Contudo, todas 
as variáveis utilizadas para monitorar as cargas de jogo (frequência cardíaca, 
143 
 
distância total, distância percorrida em alta, moderada e baixa intensidade, número 
de ações e duração do jogo) não foram diferentes entre condições. Além disso, o 
fato dos participantes terem realizado as condições experimentais de maneira 
randomizada minimiza o efeito da variabilidade entre jogos. Estudos futuros devem 
investigar o efeito de outros protocolos de treinamento de força, como protocolos de 
força máxima, na recuperação pós-jogo de futebol feminino. 
 
 
8 APLICAÇÕES PRÁTICAS 
 
 
Uma sessão de treino de potência pode ser incluída na rotina de treinamento de 
atletas de futebol sem preocupações com fadiga residual. Além disso, tendo em 
vista a baixa magnitude de fadiga gerada por esse tipo de estímulo, uma sessão de 
treino de potência pode ainda ser usada como parte inicial de uma sessão de 
treinamento, sem alterações na percepção de recuperação para um treinamento 
técnico-tático subsequente. 
 
Durante calendários congestionados no futebol, se as cargas de jogo não forem tão 
altas, sessões de treino de potência podem ser incluídas 24 h pós-jogo, garantindo 
uma exposição dos atletas a esse estímulo de treinamento e ainda propiciando uma 
recuperação mais adequada para o jogo subsequente. 
 
144 
 
9 CONCLUSÃO 
 
 
Jogos de futebol feminino induzem alterações no desempenho físico por pelo menos 
48 h, enquanto a PCR e respostas perceptivas permanecem alteradas apenas 24 h 
após o jogo. Apesar de tais conclusões relacionadas à média do grupo, variabilidade 
individual permanece evidente no processo de recuperação e deve ser considerada 
pelos profissionais. 
 
Sessões de treinamento de força, mais especificamente protocolos de potência 
muscular, podem ser incluídas na rotina de treinamento de atletas de futebol 
feminino, tendo em vista à recuperação do desempenho físico e das respostas 
perceptivas de fadiga dentro de 24 h. 
 
Contudo, a realização de uma STF (treino de potência) 48 h pós-jogo, 
aparentemente gera efeitos negativosmaiores sobre a altura do salto, velocidade e 
DOMS no momento 72 h comparado à realização de uma STF 24 h pós-jogo ou da 
ausência de TF (Controle). Dessa forma, durante microciclos competitivos e 
dependendo das cargas de jogo, é sugerida a prescrição de STF dois dias antes do 
jogo subsequente (STF24h), a fim de proporcionar uma exposição a esse estímulo 
de treino e ainda garantir recuperação adequada do desempenho físico, de medidas 
fisiológicas e perceptivas em atletas de futebol feminino. Além disso, STF com 
qualidade semelhante (TDF, força média e pico) são obtidas 24 ou 48 h pós-jogo. 
145 
 
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160 
 
APÊNDICES 
 
 
Apêndice 1
 
161 
 
Apêndice 2 
 
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (T.C.L.E.) 
 Você está sendo convidado a participar como voluntário do estudo ―Efeito de 
sessões de treinamento de força na recuperação pós-jogo de atletas de futebol”. 
As informações abaixo contribuirão para esclarecer os seguintes aspectos: 
O estudo objetiva comparar o efeito de sessões de treinamento de força 
realizadas em diferentes momentos pós-jogo na recuperação de jogadores de 
futebol. 
A importância deste estudo é a de proporcionar aos treinadores conhecimento 
sobre quando realizar sessões de treinamento de força no período entre jogos. 
Os resultados que se desejam alcançar são os seguintes: diferentes 
respostas no nível de recuperação das variáveis investigadas devido a influência dos 
diferentes momentos em que as sessões de treinamento de força serão realizadas. 
Para participar deste estudo você deverá ser do sexo feminino, ser jogadora 
de futebol de linha filiado ao clube que irá desenvolver a parceria com o projeto de 
pesquisa. 
O estudo será realizado da seguinte maneira: Inicialmente serão realizadas 
medidas antropométricas de estatura, massa corporal e dobra cutânea para 
caracterização da amostra. As coletas serão realizadas de acordo com o calendário 
de competições, sendo selecionadas três partidas oficiais que deverão ocorrer aos 
domingos. Com o intuito de investigar o efeito de uma sessão de treinamento de 
força realizada após o jogo na recuperação de atletasde futebol, serão coletadas 
uma série de variáveis (de desempenho – por meio dos testes de salto e sprint; 
psicológicas – por meio de questionários de recuperação, dor muscular e percepção 
subjetiva de esforço; e sanguíneas – coleta de sangue do dedo por meio de uma 
lanceta com disparador automático para posterior análise de variáveis tais como 
creatina quinase, proteína C reativa e citocinas inflamatórias) nos momentos pré, 24, 
48 e 72 horas após realização do jogo. A sessão de treinamento de força, por sua 
vez, deverá ser realizada, a cada semana, em três diferentes momentos: (1) não ser 
realizada em nenhum momento no período entre jogos, para caracterizar a situação 
controle (2) na segunda de manhã (24 horas pós-jogo) e (3) na terça feira de manha 
(48 horas pós-jogo). Você deverá realizar as sessões de treinamento de força nos 
162 
 
dois diferentes momentos e a situação controle, ou seja, uma situação experimental 
a cada semana. As coletas serão realizadas no Estádio Mário Ferreira Guimaraes, 
local em que já ocorre a rotina de treinamento. O tempo de coleta será de 
aproximadamente 2 horas por dia, dependendo da situação experimental em que 
você se encontrar. 
Os incômodos que poderá sentir com a sua participação são os seguintes: 
alguma dor muscular tardia devido ao exercício físico, sendo este efeito comum aos 
treinamentos de força e jogos de futebol e não será necessário o uso de 
medicamentos. Se julgar incapaz de realizar a sessão de treinamento de força você 
será encaminhado à avaliação médica. 
Os possíveis riscos à saúde física e mental são: lesões músculo-esqueléticas, 
que ocorrem com baixa frequência no treinamento de força a ser aplicado. Os 
voluntários da pesquisa, contudo, serão acompanhados durante os procedimentos 
por profissional de educação física que orientará de modo a minimizar a 
possibilidade de lesões. Caso ocorram lesões músculo-esqueléticas você será 
encaminhado para a equipe médica do clube ao qual pertence. Além disso, você 
poderá sentir algum desconforto ou dor durante a coleta de sangue para análise de 
variáveis bioquímicas. Esse procedimento será realizado por profissionais 
tecnicamente treinados e será utilizado material descartável. 
Os benefícios que deverá esperar com a sua participação, mesmo que não 
diretamente são: contribuir para o estudo do treinamento esportivo, sobretudo sobre 
os efeitos gerados por sessões de treinamento de força realizadas em diferentes 
momentos pós-jogo. 
 Para participar deste estudo você não terá nenhum custo, também não 
receberá qualquer vantagem financeira. Sempre que desejar, serão fornecidos 
esclarecimentos sobre cada uma das etapas do estudo. A sua participação é 
voluntária e sobre o direito de recusa em participar, além disso, a qualquer 
momento, você poderá recusar a continuar participando do estudo e, também, 
poderá retirar este seu consentimento, sem que isso te traga qualquer penalidade ou 
prejuízo. Se houver necessidade, as despesas para a sua participação serão 
assumidas ou ressarcidas pelos pesquisadores. 
As informações conseguidas através da sua participação não permitirão a 
identificação da sua pessoa, exceto aos responsáveis pelo estudo, e a divulgação 
das mencionadas informações não serão liberados sem a sua permissão. 
163 
 
Finalmente, tendo compreendido perfeitamente tudo o que foi informado sobre a 
participação no mencionado estudo e estando consciente dos seus direitos, 
responsabilidades, riscos e benefícios que a sua participação implicam, você 
concorda em dele participar e, para isso, da O SEU CONSENTIMENTO SEM QUE 
PARA ISSO TENHA SIDO FORÇADO OU OBRIGADO. 
Endereço do(a) participante-voluntário(a) 
Domicílio: 
Bairro: CEP: 
Cidade: Telefone: 
Ponto de referência: 
 
Contato de urgência: 
Domicílio: 
Bairro: CEP: 
Cidade: Telefone: 
Ponto de referência: 
 
Endereço dos responsáveis pela pesquisa: 
Pesquisador responsável: Bruno Pena Couto – brunopena@yahoo.com.br 
Karine Naves de Oliveira Goulart (aluna de Doutorado) 
Instituição: UFMG / Escola de Educação Física Fisioterapia e Terapia Ocupacional / 
LAC - CENESP 
Endereço: Av. Antônio Carlos, 6627 
Bairro: Pampulha. CEP. 31270-901 Cidade: Belo Horizonte / MG. 
Telefones p/contato: 34092326 
ATENÇÃO: Para informar ocorrências irregulares ou danosas durante a sua 
participação no estudo, ou em caso de dúvidas sobre questões éticas, dirija-se 
ao: 
Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais: 
Unidade Administrativa II, 2º andar, sala 2005, Campus Pampulha 
Av. Antônio Carlos, 6627. Belo Horizonte / MG. CEP: 31270-901 
Telefone: 3409-4592 
Belo Horizonte, de de 20 . 
 
 
 
 
 
 
 
(Assinatura ou impressão datiloscópica 
d(o,a) voluntári(o,a) ou resposável 
legal 
- Rubricar as demais folhas) 
 
 
 
 
 
 
 
Nome e Assinatura do(s) 
responsável(eis) pelo estudo (Rubricar 
as demais páginas) 
 
 
 
164 
 
ANEXOS 
 
 
Anexo 1 
 
 
165 
 
 
 
 
 
166 
 
 
 
167 
 
 
 
 
168 
 
 
Anexo 2 
 
 
 
	Title Page
	Ata da Defesa de Tese de Doutorado
	Certificate of Original Authorship
	Agradecimentos
	Resumo
	Abstract
	Lista de Publicações Inclusas na Tese (List of Papers/Publications Included)
	Lista de Ilustrações
	Lista de Tabelas
	Lista de Abreviatura e Siglas
	Sumário
	1 Introdução
	1.1 Objetivo geral
	1.2 Objetivos específicos
	1.3 Hipóteses
	2 Revisão de Literatura
	2.1 Caracterização do futebol
	2.2 Fadiga e recuperação após jogos de futebol
	2.3 Utilização do desempenho em testes físicos no monitoramento da fadiga no futebol
	2.4 Dano muscular, inflamação e reparo tecidual
	2.5 Dano muscular e inflamação induzidos por jogos de futebol
	2.6 Respostas Perceptivas
	2.7 Variabilidade entre jogos
	2.8 Treinamento de força e futebol
	3 Materiais e Métodos
	3.1 Cuidados éticos
	3.2 Sujeitos
	3.3 Delineamento Experimental
	3.4 Procedimentos
	3.4.1 Caracterização antropométrica
	3.4.2 Yo-Yo Intermittent Recovery Test
	3.4.3 Teste para estimar 1RM
	3.5 Procedimentos de Coleta para Variáveis de Monitoramento
	3.5.1 Teste de salto com contramovimento
	3.5.2 Teste de velocidade de 20 metros
	3.5.3 Variáveis fisiológicas
	3.5.4 Escala de Dor muscular
	3.5.5 Escala de Qualidade Total de Recuperação
	3.5.6 Escala de Humor Brasileira
	3.5.7 Questionários
	3.6 Procedimentos no dia dos jogos e monitoramento da carga de jogo
	3.7 Protocolo de Treinamento de Força
	3.8 Análise estatística
	4 Study 1 Post-Match Performance, Physiological And Perceptual Recovery In Female Soccer Players
	Abstract
	5 Study 2 Recovery Timeline Following Resistance Training In Professional Female Soccer Players
	Abstract
	6 Study 3 Post-Match Resistance Training In Female Footballers; When Is The Best Time To Train?
	Abstract
	7 Discussão
	8 Aplicações Práticas
	9 Conclusão
	Referências
	Apêndices
	Apêndice 1
	Apêndice 2
	Anexos
	Anexo 1
	Anexo 2

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