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Gestão da Sustentabilidade

Aula sobre Gestão da Sustentabilidade e aspectos gerais do meio ambiente que aborda a interdependência entre homem e natureza, histórico e teorias, estudo de casos (Ilha de Páscoa/Rapa Nui, Maias, Khmer, Moches) e problematiza agrotóxicos e intoxicação de trabalhadores.

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Pró-reitoria de EaD e CCDD 
 
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Gestão da Sustentabilidade 
 
Aula 1: Aspectos Gerais do Meio Ambiente 
e Sustentabilidade 
 
 
Professor Dr. Rodrigo Silva 
 
Pró-reitoria de EaD e CCDD 
 
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Conversa inicial 
O meio ambiente vem sendo alvo de inúmeras discussões, sobretudo no que 
se refere ao impacto que nós, seres humanos, podemos causar nele através de 
nossas ações positivas ou negativas. No entanto, a interdependência entre o 
homem e a natureza deve ser observada e avaliada como ponto fundamental 
para compreendermos que o bem-estar humano depende, inevitavelmente, da 
mútua colaboração e respeito de um pelo outro. 
Neste tema, iremos discutir a relação do homem com o meio ambiente e seus 
recursos, enfatizando a história da humanidade e sua relação com o meio 
ambiente, visando ao desenvolvimento econômico e à preservação ambiental. 
Além disso, estudaremos um pouco do histórico, as teorias e os conceitos que 
estão atrelados à forma como a sociedade vêm gerindo a economia e os 
recursos naturais. Assim, a grande pergunta que irá nortear nossas discussões 
é: será que podemos aliar o crescimento econômico e sua busca desenfreada 
pelo lucro e a preservação dos recursos naturais do planeta? 
 
 
 
 
 
 
 
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Contextualizando 
Durante muitos anos foi difícil compreender a relação indissociável que existe 
entre o meio ambiente e o ser humano. Se formos buscar na história da 
humanidade e do pensamento ocidental, notaremos que essa consciência era 
implícita e que, portanto, fazia parte da (sobre)vivência do homem. Mas, parece 
que ao longo da “evolução” humana fomos perdendo essa capacidade de 
perceber tal interdependência e passamos a olhar o ambiente que nos cerca 
apenas como um fornecedor de matérias-primas, apresentando uma visão 
utilitarista e de supremacia. A consequência desse afastamento foi o grande 
pilar para a geração dos problemas ambientais que observamos na atualidade. 
Assim, é imperativo dizer que esse resgate cultural e natural às origens é 
fundamental para uma mudança de postura e paradigma, visando à garantia da 
qualidade de vida, assim como para evitar um próprio ecocídio, ou seja, sua 
própria extinção devido à escassez dos recursos naturais. Mas, será que isso é 
realmente possível de acontecer ou se trata somente de uma perspectiva 
alarmista e sem fundamentos sobre o destino dos 7 bilhões de pessoas que 
habitam o nosso planeta? Para responder a essa pergunta, eu vou te convidar 
a conhecer um pouco da história de um povo que viveu em local no Oceano 
Pacífico, distante alguns quilômetros da costa litorânea do Chile: o povo Rapa 
Nui, antigos habitantes da Ilha de Páscoa. 
Acredita-se que excessivo crescimento da população Rapa Nui – que vivia 
basicamente do cultivo da batata-doce e da criação de galinhas – associado ao 
intenso desmatamento da Ilha para obtenção de madeira utilizada na 
fabricação das moradias e canoas, e também para o transporte das 
gigantescas esculturas – os moais (Figura 01) –, bem como uma infestação 
gigantesca de roedores, tenham sido os principais fatores responsáveis pela 
extinção do povo Rapa Nui. 
 
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Figura 1: Os Moais. 
 
Fonte: <http://www.nvisible.com/nvisiblegraphics/ph/RapaNui-11.jpg>. 
Os Moais são esculturas gigantes feitas de rocha vulcânica e que representam 
a cultura Rapa Nui. A elas e ao excessivo crescimento populacional é atribuída 
a extinção de boa parte dos recursos naturais existentes na Ilha de Páscoa, o 
que levou a extinção de toda a população local. 
Após a leitura dessa breve história do povo Rapa Nui, você acredita que 
podemos fazer alguma alusão ou comparação à população que atualmente 
vive no planeta Terra? Não sabemos se é exatamente isso que acontecerá 
com os terráqueos, no entanto, notamos que o uso ineficiente dos recursos 
naturais da Ilha de Páscoa foi considerado o principal responsável pela 
extinção de toda uma civilização. Lembro a você, caro aluno, que isso não foi 
um privilégio do povo Rapa Nui, pois os povos Maias (México), os Khmer 
(Camboja) e os Moches ou Mochicas (Peru) também viveram o mesmo drama. 
Assim como nós, essas populações também eram conhecidas pela sua 
engenhosidade e pelo desenvolvimento da “tecnologia” da época, porém, não 
tinham tantas ferramentas como temos nos dias atuais. Por fim, vos deixo uma 
pergunta para reflexão: corremos o risco de a história se repetir mais uma vez, 
só que dessa vez em escala global? Será que entramos em um caminho de 
mais um processo de extinção em massa? 
 
 
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Problematizando 
Os agrotóxicos (ou defensivos agrícolas) são considerados extremamente 
relevantes no modelo de desenvolvimento da agricultura no país. No entanto, a 
intoxicação de trabalhadores agrícolas (principalmente os pequenos 
produtores) com essas substâncias, é um fato é recorrente. Para se ter uma 
ideia, estima-se que grande da população brasileira esteja contaminada com 
esse tipo de substância. Além disso, aí vai mais um dado alarmante: o Brasil é 
o maior consumidor de agrotóxico do mundo, segundo o próprio Ministério do 
Meio Ambiente (MMA: <http://www.mma.gov.br/seguranca-
quimica/agrotoxicos>. Acesso em: 10 set. 2015.). Vale ressaltar que já é 
descrito pela literatura científica que essas substâncias são conhecidamente 
cancerígenas. 
Basicamente, os defensivos agrícolas são utilizados principalmente nas 
grandes commodities agrícolas (soja, milho, algodão, etc.), com a finalidade de 
controlar doenças e aumentar a produtividade, mas, de acordo com a Agência 
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), outros alimentos consumidos em 
nosso dia a dia também estão contaminados com esses produtos (veja a figura 
a seguir). 
 
 
 
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Adicionalmente, o lixo proveniente do extensivo uso dessas substâncias 
(embalagens de agrotóxicos) é, em sua maioria, descartado inadequadamente, 
contaminando diferentes locais dos ecossistemas (solo, ar e água), mas 
também é importante ressaltar que os custos dos danos ambientais causados 
pela contaminação do maio ambiente não são internalizados na produção, o 
que faz com que o poder público arque com o prejuízo e, este, por sua vez, 
repassa ao produtor, que repassa ao consumidor final, gerando assim um ciclo 
vicioso. 
No Brasil, alguns agrotóxicos são proibidos de serem utilizados e 
comercializados, como é o caso do DDT, entretanto, mesmo assim, esse é um 
produto extensivamente utilizado nas plantações. Portanto, a presença de 
defensivos agrícolas em alimentos, aliada à contaminação dos corpos hídricos 
(rios, lagos, açudes, etc.), gera alto risco para a população em geral, o que 
configura um grave problema de saúde pública. No entanto, vemos uma alta 
demanda pela produção de alimentos que se enquadra no modelo de produção 
dominante. 
Agora, imagine que você é um gestor de uma grande multinacional responsável 
pelos processos de exportação de defensivos agrícolas e suas commodities. 
Os trabalhadores da empresa, assim como os alimentos, têm apresentado 
elevadas taxas de agrotóxicos e, por isso, a empresa tem recebido inúmeras 
notificações por parte do Ministério Público Federal. Por você fazer parte do 
comitê responsável pela gestão ambiental da empresa, suas contribuições para 
a minimização deste problema são fundamentais. Pergunta-se: qual seria a 
melhor atitude que você, gestor, tomaria no que se refere à minimização desse 
problema socioambiental? 
Opção 1: o mais adequado seria extinguir totalmente o uso de agrotóxicos, 
evitando assim a contaminação tanto do meio ambiente quanto dos 
trabalhadores. A criação de uma cooperativa também seria interessante, pois 
auxiliaria no processo de produção de alimentos e inserção do grupo no 
mercado de vendas. Assim, com a produção desses produtos orgânicos, o 
grupo de produtores lucraria mais, já que esse tipo de produto possui maior 
apelo comercial que os que utilizamagrotóxicos, onde poderiam ser vendidos 
em feiras específicas. O material restante da prática deveria ser enterrado ou 
incinerado longe das residências, para evitar contaminação das famílias dos 
trabalhadores. 
Opção 2: os trabalhadores rurais deveriam ser orientados quanto ao uso 
racional e adequado dos pesticidas, adotando políticas e normas que 
diminuam, consideravelmente, o impacto desse tipo de produção na saúde 
humana e no ambiente. Deveria ser criada uma cooperativa de produtores 
rurais, onde estes seriam fiscalizados em seu trabalho quanto ao uso de 
equipamentos de proteção adequados. Palestras sobre educação ambiental, 
 
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saúde do trabalhador, e um centro de vigilância toxicológica auxiliariam na 
minimização das contaminações pela exposição aos defensivos. Como forma 
de monitorar os danos ambientais, os córregos e rios devem ser analisados 
periodicamente para verificar o grau o seu de contaminação. 
Opção 3: deveria ser feita a distribuição de Equipamentos de Proteção 
Individual (EPIs) de última geração a todos os produtores do local. Criação de 
postos de saúde bem equipados com profissionais gabaritados para atender os 
pacientes, vítimas da exposição e da intoxicação. Os investimentos em 
pesquisas para a cura das doenças ligadas à contaminação por praguicidas, 
além da distribuição gratuita de medicamentos que aliviem os efeitos nocivos 
dos venenos. Deve haver incentivo dos governos para a compra de praguicidas 
diferentes, assim os trabalhadores não ficariam expostos ao mesmo veneno, 
evitando uma contaminação crônica. 
Comentário sobra as opções 
A opção 1 é uma resposta que, num primeiro momento, pode se apresentar 
como a melhor, mas avalie a situação: extinguir totalmente os defensivos traria 
grande prejuízo aos trabalhadores e à produção da empresa. Além disso, a 
produção de orgânicos é mais demorada, o que também traria grande prejuízo 
financeiro. Os produtos orgânicos têm um público muito restrito, sobretudo pelo 
fato de serem caros. A cooperativa seria uma alternativa interessante para 
gerenciar a produção e a venda, mas enterrar as embalagens não é a melhor 
opção, pois contaminaria o solo e a água. Nesse caso, uma lavagem adequada 
antes do descarte seria de grande valia. 
Sobre a opção 2, podemos considerá-la a melhor opção! Em um primeiro 
momento, a orientação aos trabalhadores os conscientizaria e os sensibilizaria 
a respeito dos efeitos nocivos dos agrotóxicos, tanto na sua saúde quanto na 
qualidade do ambiente em que vivem. A fiscalização desses trabalhadores 
auxiliaria no cumprimento das normas de utilização dos defensivos, bem como 
do uso dos equipamentos de proteção. O centro de vigilância seria de 
fundamental importância, pois nele o trabalhador poderia tirar suas dúvidas a 
respeito da sua saúde em relação à exposição a essas substâncias. E, por fim, 
o constante monitoramento dos mananciais de água indicaria se a qualidade 
ambiental estaria sendo afetada pelos venenos. 
Quanto à opção número 3, veja que se trata de medidas paliativas. Os 
equipamentos de última geração não têm nenhuma importância se não houve 
conscientização dos usuários sobre a importância da sua utilização. O mesmo 
pode ser dito em relação aos postos de saúde bem equipados, estes são 
necessários, mas o importante é combater a fonte de contaminação, e não a 
doença já instalada. As pesquisas em cura das enfermidades decorrentes da 
exposição e os investimentos em novos defensivos não diminuiriam a 
 
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exposição desses indivíduos e, consequentemente, seus efeitos nocivos. 
 
Tema 01: Aspectos históricos da relação homem e o meio ambiente 
Há, basicamente, três teorias sobre a origem da vida no planeta Terra (Figura 
02). A primeira diz respeito à teoria criacionista, que atribui a criação das 
espécies existentes no planeta a um Criador Divino (a exemplo de Adão, que 
foi criado a partir do barro, e Eva, criada a partir de uma costela de Adão). A 
segunda teoria, chamada de panspermia, diz que o planeta foi colonizado a 
partir de microrganismos trazidos por meteoros vindos do espaço sideral. A 
terceira teoria, e mais aceita pela comunidade científica atual, é chamada de 
evolucionista, e diz que as primeiras formas de vida teriam surgido há 
aproximadamente 3,5 bilhões de anos, quando o planeta proporcionou 
condições ideias para o surgimento da vida como a conhecemos, após o 
grande evento do Big Bang (a grande explosão do universo). Vale ressaltar que 
trabalharemos a partir da perspectiva da última abordagem. 
Figura 02: Teorias sobre a origem da vida. 
 
Na primeira figura (superior esquerda), a pintura de Michellangelo “Criação 
Divina” (1511), simbolizando a criação do Homem a partir de um Criador - 
criacionismo. Na segunda figura (superior direita), a colonização do planeta a 
partir de microorganismos vindos de meteoros - panspermia. Na terceira figura 
(inferior), a teoria do Big Bang, onde o planeta surgiu a partir de uma grande 
explosão, e posteriormente, o surgimento da vida na forma de bactérias – 
 
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teoria evolutiva. 
 
Há aproximadamente 4 milhões de anos, acredita-se que tivessem surgido os 
primeiros hominídeos (Figura 03). O ser humano, na sua forma atual, 
apresenta-se como o produto de um longo processo evolutivo. Supõe-se, por 
achados arqueológicos, que os primeiros hominídeos teriam habitado a África. 
Mas, foi somente a espécie Homo sapiens que conseguiu atingir a capacidade 
cerebral de cognição e raciocínio lógico como conhecemos hoje (CURI, 2011). 
Figura 03: Linha do tempo da evolução humana até os dias atuais. 
 
Fonte: <http://www.coladaweb.com/biologia/evolucao/evolucao-humana>. 
Nota-se, na figura, que muitas espécies se desenvolveram quase ao mesmo 
tempo. O grande salto evolutivo do Homem pré-histórico em relação a sua 
estratégia de sobrevivência veio quando ele passou de um ser nômade 
(indivíduo migratório sem habitação fixa) quase individualista – coletor-caçador 
-, e passou a ser gregário (que vive em grupos e em lugar fixo). Basicamente, o 
que proporcionou essa mudança foi o domínio que o ser humano passou a ter 
sobre o fogo e as plantas (agricultura) e a fabricação de utensílios, 
aproximadamente 7.000 anos a.C. No entanto, a migração continuava a 
acontecer devido, principalmente, à perda da fertilidade da terra, o que os 
obrigava a migrar para outro local. 
Embora esse impacto existisse, sua escala era quase irrelevante, pois a 
natureza era capaz de se recompor em tempo suficiente. Porém, a postura de 
sobrevivente às intempéries da época se modificou. Agora, o homem passou a 
 
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ser um predador. 
Após longos períodos evolutivos, passando pela Idade Média (1000 anos d.C.), 
pelo período Renascentista – séculos XV e XVI – e pela Revolução Científica 
do século XVII, chegamos à segunda metade do século XVIII, época que foi 
marcada por um evento fundamental relacionado aos impactos que o ser 
humano pode causar no meio ambiente: a Revolução Industrial. 
Logicamente, a ideia aqui não é nos aprofundarmos nos aspectos históricos da 
Revolução Industrial, mas, sim, entender que ela foi um marco histórico no 
processo de superexploração dos recursos naturais (gerando impactos 
ambientais consideráveis, como poluição e desmatamento), visando ao bem- 
-estar social. Vale destacar que a sociedade também sofreu as consequências 
devastadoras da Revolução, devido à exploração da mão de obra em regimes 
de trabalho semiescravos (CASAGRANDE JR.; AGUDELO, 2012). 
 
Tema 02: Os conceitos e princípios ambientais 
Até agora, falamos muito de meio ambiente, mas ainda não o definimos 
exatamente. O conceito de meio ambiente é bastante amplo e permite 
inúmeras interpretações e definições. De acordo com o professor José Carlos 
Barbieri (2007), a forma como nós definimos o meio ambiente também define a 
forma como interagimos com ele. 
No português, a palavraambiente significa “ao redor”. Ainda, é interessante 
dizer que alguns autores acham redundante dizer “meio ambiente”, pois as 
duas palavras significam a mesma coisa. Em espanhol, inglês e francês, 
apenas uma palavra é utilizada. Um dos autores mais influentes da área 
ambiental, o professor Frijot Capra (2005), define meio ambiente como algo 
que está relacionado à ecologia (o estudo da “casa”) e que o planeta funciona 
como uma teia, isto é, está totalmente interligado. 
A legislação brasileira, com a Política Nacional do Meio Ambiente (Lei n. 
6.938/1981), define meio ambiente como “o conjunto de condições, leis, 
influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, 
abriga e rege a vida em todas as suas formas” (BRASIL, 1981). De acordo com 
o dicionário Aurélio1, meio ambiente é o “conjunto das condições biológicas, 
físicas e químicas nas quais os seres vivos se desenvolvem”. 
 
1 <http://www.dicionariodoaurelio.com/meio>. Acesso em: 07 set. 2015. 
 
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Já o ecólogo norte americano Robert Ricklefs, em seu livro A economia da 
natureza, conceitua meio ambiente como “o que contorna um ser; esse 
envoltório abrange plantas e animais” (RICKLEFS, 2003). 
Para Babieri (2007), há três tipos de meio ambiente: 
1. Ambiente natural – matas virgens e outros ambientes ainda 
inexplorados pelo homem; 
2. Ambiente domesticado – áreas de reflorestamento, açudes e lagos 
artificiais; 
3. Ambiente fabricado – centros urbanos, estradas e tudo o que foi 
construído pelo ser humano. 
Já para a Constituição Federal Brasileira (1998), essa divisão é ainda mais 
abrangente. Veja no quadro a seguir. 
Quadro 1: Os diferentes tipos de ambiente, de acordo com a Constituição Federal 
Brasileira (1998). 
Físico Cultural Artificial Trabalho 
- Flora 
- Fauna 
- Solo 
- Água 
- Atmosfera 
- Ecossistema 
- Patrimônios 
a. Cultural 
b. Artístico 
c. Arqueológico 
d. Paisagístico 
- Manifestações culturais e 
populares 
- Conjunto de 
edificações 
particulares 
ou públicas, 
principalmente 
urbanas 
- Conjunto de 
condições 
existentes no 
local de 
trabalho 
relativo a 
qualidade de 
vida do 
trabalhador 
Fonte: elaborado com base em Brasil (1998 apud ALENCASTRO, 2013). 
Analisando estas definições, é possível observar que determinadas vertentes 
assumem que meio ambiente engloba aspectos naturais e biológicos, ao passo 
que outras vertentes vão além, incluindo aspectos relacionados a cultura, 
economia e sociedade. Nesta disciplina, vamos abordar o conceito mais 
holístico possível, com a finalidade de ampliar nossas possibilidades de 
discussões sobre a gestão desse tema. 
É de senso comum que há grande necessidade de preservar o meio ambiente 
e, para isso, foram criados princípios, leis e outros instrumentos legais que 
auxiliam neste processo. Um desses princípios – e que cabe muito bem neste 
 
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tema – denomina-se Princípio da Precaução. De acordo com o Ministério do 
Meio Ambiente (MMA), este princípio estabelece que deva haver uma relação 
respeitosa entre homem e natureza e, ainda, que esta relação deva ser 
substancialmente funcional. Este princípio também trata de ações de 
antecipação do risco, com o intuito de se preservar a saúde humana e 
ambiental. Vale destacar que, inicialmente, este princípio foi elaborado em 
resposta à poluição ambiental na Europa, na década de 1970, mas foi 
estendido, inclusive, às questões econômicas que, de alguma forma, podem 
interferir na saúde do homem e do meio ambiente. 
Outro princípio fundamental é o do Poluidor-pagador (que está baseado no 
artigo 225 da Constituição Federal). Este princípio estabelece que aquele que 
polui deve, de alguma forma, pagar pelo dano ambiental, com a finalidade de 
repará-lo. No entanto, a esse princípio cabem inúmeras discussões, pois 
alguns autores alegam que isso dá o “direito de poluir”. Por outro lado, outros 
autores afirmam que pode ser considerado um mecanismo punitivo daquele 
que promove a degradação ambiental. 
A seguir, note uma tabela com outros princípios fundamentais do direito 
ambiental (Quadro 2). Vale ressaltar que este é um assunto que discutiremos 
mais profundamente em outro momento da nossa disciplina, e, ainda, que tal 
divisão varia de acordo com o autor. Nesse caso, utilizaremos as definições de 
Farias (2006). 
Quadro 02: Princípios do Direito Ambiental. 
Princípios Definições 
Da Prevenção “É aquele que determina a adoção de políticas 
públicas de defesa dos recursos ambientais como 
forma de cautela em relação à degradação 
ambiental”. 
Da Responsabilidade “O princípio da responsabilidade faz com que os 
responsáveis pela degradação ao meio ambiente 
sejam obrigados a arcar com a responsabilidade e 
com os custos da reparação ou da compensação 
pelo dano causado”. 
Do Limite De acordo com este princípio, é dever do Estado 
“fixar parâmetros mínimos a serem observados em 
casos como emissões de partículas, ruídos, sons, 
destinação final de resíduos sólidos, hospitalares e 
líquidos, dentre outros, visando sempre promover o 
desenvolvimento sustentável”. 
 
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Da Gestão Democrática De acordo com este princípio, a gestão 
democrática deve “assegurar ao cidadão o direito à 
informação e a participação na elaboração das 
políticas públicas ambientais, de modo que a ele 
deve ser assegurado os mecanismos judiciais, 
legislativos e administrativos que efetivam o 
princípio. Esse princípio da gestão democrática diz 
respeito não apenas ao meio ambiente, mas a tudo 
o que for de interesse público”. 
Fonte: elaborado e adaptado pelo autor, com base em Farias (2006). 
 
Tema 03: Meio Ambiente: antecedentes históricos 
Nesse momento da nossa aula, você deve estar se perguntando: efetivamente, 
quando começou a preocupação com a degradação ambiental? Na verdade, 
essa pergunta não é nada simples de ser respondida, mas podemos citar 
alguns eventos ou algumas épocas muito importantes para a preservação 
ambiental. 
Apesar de parecer, a preocupação com a preservação ambiental não é tão 
recente. Na Grécia antiga, Platão (428 a.C.–348 a.C.) já mencionava 
preocupação com a devastação das paisagens da sua terra. Seu ex-discípulo, 
Aristóteles (384 a.C.–322 a.C.), dizia que o homem faz parte da natureza e 
quem ambos têm as suas finalidades (CARVALHO; GRUN; TRAJBER, 2006). 
No entanto, foi somente a partir da década de 1950 que a população mundial 
passou a notar que algo estava errado. Acidentes ambientais em diferentes 
partes do mundo estavam acontecendo e todos eles estavam associados com 
ações antrópicas. Citaremos, a seguir, três casos que levantaram esse alerta. 
1. No Japão, por muitos anos, uma indústria química causou um intenso 
vazamento de mercúrio na baía de Minamata. Esse componente químico, 
extremamente neurotóxico, causou uma série de doenças neurológicas nas 
famílias locais e nos animais, que passaram a consumir o peixe que estava 
contaminado pelo mercúrio. A doença ficou conhecida como “A doença de 
Minamata”. 
2. O caso da grande fumaça que atingiu Londres, na Inglaterra, ficou conhecido 
como “o grande smog de 1952”. Esse fenômeno foi causado pela enorme 
queima de carvão e combustíveis utilizados para alimentar as fábricas do local. 
Na época, mais de 4 mil pessoas morreram em decorrência da exposição à 
fumaça, no entanto, estima-se que foram mais de 7 mil óbitos. Também, mais 
de 15 mil pessoas foram internadas devido a problemas respiratórios. Foi a 
 
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partir desse episódio que as autoridades inglesas passaram a adotar medida 
de controle em relação à emissão de fumaça, no país (KATSOYIANNIS e 
BOGDAL, 2012). 
Figura 03: O Grande smog de 1952 em Londres/Inglaterra. 
 
Fonte: <http://edgblogs.s3.amazonaws.com/planeta/files/2013/01/london-smog.jpg>. 
3. A explosão de um navio carregado de nitrato de amônio (muito utilizado nafabricação de fertilizantes) explodiu no Texas/EUA. Nesse episódio mais de 
500 pessoas morreram. 
Estes três eventos, de fato, contribuíram bastante para alertar sobre os riscos 
ambientais que o planeta e seus habitantes estavam correndo, em função das 
ações humanas. Porém, nenhum deles se compara ao alerta emitido por uma 
bióloga norte-americana que denunciou os efeitos nefastos de um defensivo 
agrícola (produto utilizado nas lavouras para evitar pragas e outros males). 
Rachel Carson (1907–1964) publicou o livro Primavera Silenciosa (do inglês 
Silent Spring), em 1962. Na obra, a autora descrevia uma enorme mortandade 
de pássaros devido à exposição ao DDT, defensivo utilizado nas lavouras da 
época e que, posteriormente, seria banido de muitos países, inclusive no Brasil 
(STADLER; MAIOLI, 2011). 
Depois desse evento, a comunidade cientifica mundial juntou seu grito de alerta 
aos da bióloga. Assim, em 1968, um encontro reunindo alguns cientistas, 
políticos e alguns intelectuais de renome mundial (incluindo o ex-presidente da 
república, Dr. Fernando Henrique Cardoso), fundaram o Clube de Roma, que 
tinha por objetivo discutir e propor soluções a problemas que assolavam o 
 
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planeta, inclusive os problemas ambientais. Na ocasião, o Clube solicitou ao 
Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), EUA, um estudo sobre o futuro 
da humanidade, caso continuassem a degradação ambiental, daquela forma, e 
com aquela velocidade. O documento gerado ficou conhecido como Os limites 
do crescimento (do inglês, The limits of growth) ou Relatório de Meadows, 
em homenagem aos seus dois principais autores: Donnela Meadows e Dennis 
Meadows. 
A ideia central dos resultados se baseava em conceitos já pré-concebidos pelo 
economista Inglês Thomas Malthus (1766–1834) e sua teoria Malthusiana, em 
que o autor mencionava que, se a população continuasse a crescer em 
progressão geométrica (0, 2, 4, 8, 16, 32...) e a produção de alimento 
continuasse seu crescimento em progressão aritmética (0, 2, 4, 6, 8, 10...), os 
habitantes do planeta entrariam em colapso (Figura 04). O gráfico indica que o 
crescimento populacional (linha vermelha) é muito mais acelerado que a 
produção de alimento (linha azul). 
Figura 04: Gráfico representativo da Teoria Malthus. 
 
Alguns anos mais tarde, em 1972, na cidade de Estocolmo, na Suécia, foi 
realizada outra importante conferência para tratar da problemática ambiental. 
No entanto, agora, a discussão inclui os aspectos político-econômicos e suas 
consequências. A reunião ficou conhecida como Conferência de Estocolmo. 
Um importante documento produzido após a reunião foi a Declaração sobre o 
Meio Ambiente Humano, que trazia um plano de ação com uma série de 
diretrizes e recomendações visando à preservação ambiental em nível mundial. 
Além disso, foi durante esta conferência que se ouviu uma das frases mais 
 
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marcantes em relação às causas socioambientais. A então primeira Ministra da 
Índia, Indira Gandhi, filha de Mahatma Gandhi, disse: “a miséria é a maior de 
todas as poluições” (ALENCASTRO, 2013). 
Um importante legado deixado pela Conferência de Estocolmo foi a criação de 
um organismo internacional responsável pelas discussões sobre meio 
ambiente – o Programa das Nações Unidades para o Meio Ambiente (PNUMA). 
Alguns anos mais tarde, em 1983, com a criação da Comissão Mundial para o 
Desenvolvimento e o Meio Ambiente (CMDMA), propuseram uma série de 
medidas visando à preservação ambiental. Seu principal fruto foi a publicação 
de um dos mais importantes documentos relacionados ao assunto, o Relatório 
de Brundtland ou O nosso futuro comum (1987). 
As ideias desse documento são utilizadas até hoje, sobretudo aquela que está 
relacionada ao desenvolvimento sustentável (BRUNDTLAND, 1987). Esse 
conceito traz à tona a maneira como devemos seguir com o desenvolvimento 
das nações. Esse assunto será discutido mais profundamente nas próximas 
seções, assim como as conferências internacionais que aconteceram no Brasil: 
a Eco 92 e a Rio +20. 
A seguir, uma linha do tempo com resumo dos principais eventos históricos 
relacionados à preservação ambiental (Figura 05). 
 
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Figura 05: Linha do tempo com os principais eventos históricos relacionados 
com as questões ambientais. 
 
Fonte: o autor (2016). 
 
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Tema 04: Conferências internacionais no Brasil: Eco 92 e Rio +20. 
Após tantas reuniões e debates relacionados aos problemas ambientais, como 
saber se, de fato, a sociedade contribuiu significativamente para a preservação 
dos recursos naturais? Difícil de saber. Com o objetivo de verificar a situação 
ambiental mundial desde a conferência da Estocolmo, representantes de mais 
de 179 países de reuniram no Estado do Rio de Janeiro para discutir sobre o 
assunto. Isso só foi possível porque vários fatores favoreceram tal encontro. De 
acordo com Curi (2011), os dois principais fatores foram: 
 Fim da Guerra-fria entre os EUA e a antiga União Soviética; 
 Primeiro relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança 
Climática (IPCC) que dissertava sobre os efeitos dos gases tóxicos para 
atmosfera, principalmente para o agravamento do efeito estufa. 
Em 1992, os países presentes na Conferência das Nações Unidas para o Meio 
Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), também conhecida como ECO-92 ou 
Rio-92, retomaram o assunto sobre o desenvolvimento sustentável e, ainda, 
debateram e elaboraram propostas e documentos, visando solucionar os 
problemas relacionados a superexploração dos recursos naturais. 
De acordo com Curi (2011), essa conferência teve uma conotação política e 
social muito mais relevante que a Conferência de Estocolmo. Ainda, como 
mencionado anteriormente, uma série de tratados, convenções e acordos 
foram estabelecidas durante a reunião. Podemos citar: 
 Declaração de princípios sobre florestas 
 Convenção sobre as mudanças climáticas 
 Convenção da biodiversidade 
 Agenda 21 
 Carta da Terra 
Dentre os documentos citados, talvez o mais importante, e o que daremos mais 
enfoque, é a Agenda 21, que, como o próprio nome dá a entender, se trata de 
uma série de compromissos e metas estabelecidos e acordados pelos 179 
países presentes durante a Rio-92. Esse plano de ação de desenvolvimento e 
foi elaborado para ser aplicado nas diferentes escalas das nações: escala 
global, nacional e local. Isso tanto é verdade que o slogan do documento é 
“Pense globalmente e haja localmente”. 
 
 
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19 
Além disso, os atores participantes dessas ações pertencem às diferentes 
esferas da sociedade. São os governos, as organizações não governamentais 
do terceiro setor (ONGs), a sociedade civil, entre outros. O documento foi 
elaborado com 40 capítulos e suas subdivisões. Para facilitar o entendimento e 
aplicação de cada item, subdividiu-se em 4 seções: 
 Dimensões Sociais e Econômicas; 
 Conservação e Gerenciamento de Recursos para o Desenvolvimento; 
 Fortalecimento do Papel dos Maiores Grupos; 
 Meios de Implantação. 
Para Alencastro (2013), a Agenda 21 “é a mais completa tentativa já realizada 
de orientar para um novo padrão de desenvolvimento para o século XXI, cujo 
alicerce é a sinergia da sustentabilidade ambiental, social e econômica, 
presente em todas as ações propostas”. Outra proposta bastante importante da 
Agenda 21 são os oito desafios do milênio (Figura 06). 
Figura 06: Os oito desafios do milênio propostos pela Assembleia geral das Nações 
Unidas até o ano de 2015. 
 
Fonte: ONU. 
Dez anos após a Rio-92, aconteceu a Rio+10, em Joanesburgo (África do Sul), 
também conhecida como Conferência de Joanesburgo. Essa reunião teve por 
meta avaliar os avanços e as dificuldades da implementação da Agenda 21. 
Especificamente durante essa reunião, alguns documentos foram propostos 
por alguns chefes de Estado conclamando o alívioda dívida externa dos países 
em desenvolvimento e o aumento da ajuda financeira para os países pobres, 
 
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20 
acreditando ser fatores cruciais para o desenvolvimento sustentável. A 
conclusão foi que os objetivos estabelecidos durante a Rio-92 não foram 
alcançados. Ainda, três objetivos foram estabelecidos para os próximos anos: 
 Erradicação da pobreza; 
 Mudanças dos padrões de produção e consumo; 
 Proteção dos recursos naturais (Ribeiro, 2002). 
Enfim, 20 anos após a Rio-92, na mesma cidade, aconteceu a tão esperada 
Rio+20 (Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável). 
O principal objetivo da reunião foi reafirmar o pacto estabelecido há 20 anos, e 
firmar outros tão importantes quanto. Para Alencastro (2013), o pano de fundo 
da referida conferência era: 
“a questão da estrutura de governança internacional na área do 
desenvolvimento sustentável e a construção de uma economia 
verde (grifo nosso) capaz de interromper a degradação do meio 
ambiente combater a pobreza e reduzir a desigualdade (...), ela foi 
palco de importantes discussões envolvendo temas como a 
segurança alimentar, cidades sustentáveis, erradicação da pobreza, 
inovação e tecnologia para o desenvolvimento sustentável, recursos 
hídricos, florestas e energia” (ALENCASTRO, 2013). 
O importante documento elaborado durante a reunião, intitulado O futuro que 
queremos, foi muito criticado por diferentes vertentes da sociedade. Muitos 
estudiosos do assunto afirmam que, ao invés de avanço nas discussões, houve 
retrocesso! 
 
 
Tema 05: Sustentabilidade e Desenvolvimento Sustentável 
Como pudemos notar, durante muitos anos, a exploração dos recursos naturais 
ocorreu de forma natural, com o intuito de sustentar a população humana. 
Devido a sua abundância, criou-se uma ideia de que estes recursos eram 
infinitos e, por isso, poderiam ser explorados sem nenhum tipo de cuidado ou 
manejo2. Hoje, sabemos que se trata de uma ideia totalmente equivocada e 
que a finitude desses recursos está bem mais próxima do fim do que podíamos 
imaginar. Foi a partir desta ideia que surgiu o conceito de desenvolvimento 
sustentável. 
 
2 Manejo é o planejamento do uso de forma racional de qualquer recurso a fim de evitar sua 
degradação ou escassez. 
 
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21 
A expressão desenvolvimento sustentável surgiu de forma embrionária na 
década de 1970, durante a Conferência de Estocolmo. Porém, somente em 
1987 este termo foi, de fato, consagrado. Através da publicação do Relatório 
de Brundtland, conhecido também como O Nosso Futuro Comum (Our 
Common Future), definiu-se desenvolvimento sustentável como "aquele 
desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente, sem comprometer 
a capacidade das gerações futuras satisfazerem as suas próprias 
necessidades" (do Relatório Brundtland, “Nosso Futuro Comum”, 1987). Assim, 
sustentabilidade é uma ação em busca do desenvolvimento sustentável. 
É importante ressaltar que para ser sustentável, uma sociedade deve levar em 
consideração não somente as questões ligadas ao meio ambiente, mas, 
também, aquelas ligadas aos aspectos sociais, econômicos e culturais. A 
sustentabilidade agrega valor e é peça fundamental na busca de novos 
mercados, isto é, ela se torna uma ferramenta competitiva para garantia de 
ingresso em mercados muito exigentes. 
Nesse sentido, muitas empresas têm incorporados em seus planos de 
negócios diferentes estratégias e ações sustentáveis em seus serviços e 
produtos para alcançar consumidores muito mais preocupados com a 
preservação ambiental (SILVA, 2012). Logo, para ser sustentável, uma 
organização deve fornecer produtos de qualidade, respeitando os recursos 
ambientais e remunerando as cadeias de produção de forma satisfatória. 
É comum a todos que estudam e pesquisam nesta área que, para alcançar a 
sustentabilidade, devemos seguir a tríade apresentada a seguir, O Triple 
Bottom Line, mostrando que nada será sustentável se não tiver a integração 
destes três quesitos (Figura 7). 
Figura 07: A tríade da sustentabilidade – Triple Bottom Line. 
 
Fonte: o autor. 
 
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22 
Mas, apesar do grande esforço de muitas nações, fica uma pergunta crucial: a 
Sustentabilidade ainda é possível? Para Yamaki (2012), o conceito de 
sustentabilidade é bastante simples: diz respeito a um direcionamento visando 
alcançar o equilíbrio entre o homem e o meio ambiente. Ainda, para a mesma 
autora (2012), a sustentabilidade total é uma utopia, pois sempre haverá 
impacto através das atividades humanas. 
A palavra sustentabilidade e suas derivações tornaram-se um jargão modal 
muito utilizado nos dias atuais. No entanto, muitas ações relacionadas a essa 
prática têm muito pouco ou não são nada sustentáveis, apesar de levarem 
essa classificação. Há muitas fórmulas, ideias e sugestões de como construir 
uma sociedade sustentável, mas grande parte delas esbarra na questão do 
consumismo desenfreado. 
O relatório Estado do Mundo 2014 – como governar em nome da 
sustentabilidade, da ONG Worldwatch Institute Brasil (WWI), traz uma 
coletânea de artigo sugerindo que a sustentabilidade, em seu estado da arte, 
não condiz com o que realmente é feito. Ainda, o uso excessivo do termo faz 
com que ele perca a força original e passe a ser usado como um marketing 
pessoal ou empresarial (greenwashing3). Sendo assim, levanto outra questão 
para que você reflita e discuta com seus colegas: é possível desvincular o 
crescimento econômico da exploração dos recursos naturais? 
Nunca se discutiu tanto sobre este assunto, mas, ao mesmo tempo, nunca se 
avançou tão pouco. A humanidade vem retirando mais recursos do que o 
planeta pode fornecer. Dados fornecidos no ano de 2015 mostraram que no dia 
13 de agosto, a humanidade já havia consumidos todos os recursos naturais 
disponíveis para um ano inteiro. Este dia fica conhecido como O Dia da 
Sobrecarga da Terra (do inglês Earth Overshoot Day). É como se o seu 
salário tivesse terminado no dia 18 e ainda faltam 12 dias para você receber 
novamente. Assim, você (e o planeta) passa a operar no vermelho. Estes 
dados foram divulgados pela ONG Global Footprint Network, em parceira com 
a ONG WWF. 
A tabela a seguir mostra a evolução (ou involução) do dia da sobrecarga da 
Terra ao longo dos anos. Note que cada vez mais estamos adiantando essa 
data (Tabela 01). O resultado mostra que estamos utilizando cada vez mais 
rápido os recursos naturais disponíveis no planeta. 
 
3 Maquiar a realidade sob o falso conceito de "empresa verde" é a principal característica do 
greenwashing. 
 
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23 
Tabela 01: Datas evolutivas do Dia da Sobrecarga da Terra desde o ano 2000. 
 
Fonte: <http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/overshootday/. 
Acesso em: 10 set. 2015. 
 
 
Na Prática 
 
Os problemas ambientais fazem parte da História da Humanidade. 
A problemática ambiental tem sido motivo de preocupações desde a 
Antiguidade. Isso pode ser muito bem observado em manuscritos, publicações 
e arquivos históricos. A ampla falta de perspectiva histórica sobre a história 
ambiental tem suas origens na negligência e desinformação. Como resultado, 
as questões ambientais contemporâneas, muitas vezes, surgem nos meios de 
comunicação de massa, sem contexto e, em seguida, desaparecem, sem 
sabermos exatamente qual é o fim da história. 
 
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24 
Assim, a proposta dessa atividade é bastante simples: construir uma linha do 
tempo (timeline) com os principais acidentes ambientais que aconteceram no 
mundo. Para isso, as regras são bem simples: 
a) Desde a década de 1950, cada década deve ter, pelo menos, dois 
acidentes importantes. 
b) Ainda, cada acidente deve ser explicado brevemente: local, componente 
químico (se for o caso), óbitos(se houver) e os desdobramentos. 
c) A linha do tempo deve ser construída em ferramenta própria disponível 
na web. 
Mãos à obra! 
 
Protocolo de Resolução da Situação Proposta 
1. Primeiramente, você deve fazer um levantamento dos principais 
acidentes ambientais da história (não se esqueça dos requisitos que não 
podem faltar) 
2. Após a coleta das informações, você deve construir a linha do tempo. 
3. Na web, você encontrará uma série de sites que mencionam os 
acidentes ambientais mais importantes da história. 
4. Se achar necessário, leia o livro Empresa, Meio Ambiente e 
Sociedade, do professor Mário Alencastro (disponível na sua Biblioteca 
Virtual), onde há vários exemplos de acidentes ambientais. 
 
Resolução do Caso 
Ver PPT com resolução do caso. 
 
Síntese 
Neste encontro, fizemos um resgate de vários momentos históricos que 
marcaram a evolução do pensamento ecológico. Vimos que as décadas de 
1970 e 1980 foram muito importantes para o desenvolvimento de um 
pensamento ambientalista, que estava preocupado com a evolução (negativa) 
do uso dos recursos naturais do planeta. Porém, não devemos esquecer dos 
precedentes desse tempo, sobretudo os fatos relacionados aos acidentes 
 
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25 
ambientais nos EUA, Inglaterra e Japão. Posteriormente a esses eventos, a 
bióloga Rachel Carson publica uma das mais importantes obras do 
ambientalismo moderno – Primavera Silenciosa – em que denuncia os efeitos 
nefastos do uso de uma pesticida, o DDT. 
As diversas reuniões e conferências pós-Rachel Carson foram fundamentais 
para o estabelecimento de políticas e acordos internacionais, visando conter a 
exploração desenfreada dos recursos naturais. Mereceram destaque O Clube 
de Roma (1968), Conferência de Estocolmo (1972), Rio 92 (1992) e Rio +20 
(2012). Também abordamos os conceitos básicos de sustentabilidade e 
desenvolvimento sustentável. Vimos também que o segundo é a ferramenta 
para alcançar o primeiro. E, por fim, percebemos o quanto os nossos atos 
consumistas causam sobrecarga de uso dos recursos naturais presentes no 
planeta. O dia da sobrecarga da terra mostra que estamos usando mais do que 
o planeta pode nos oferecer. 
Assim, as ferramentas aprendidas nesta aula serão utilizadas nas próximas. 
Não hesite em recorrer a esse material sempre que precisar. Bons estudos e 
até a próxima! 
 
 
Referências 
ALENCASTRO, M. S. C. Empresas, ambiente e sociedade: introdução à 
gestão socioambiental corporativa. Curitiba: InterSaberes, 2012. 125 pg. 
BARBIERI, JOSÉ CARLOS. Gestão Ambiental Empresarial. São Paulo: 
Saraiva, 2007. 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil (1988). Brasília, 
DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988. 292 p. 
BRASIL. Lei n. 6.938, de 31 de agosto de 1981. Institui a Política Nacional do 
Meio Ambiente. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, 1981. 
BRUNDTLAND, G. H. (Org.) Nosso futuro comum. Rio de Janeiro: FGV, 
1987. 
CAPRA, FRITJOF. Conexões Ocultas: Ciência para uma Vida Sustentável. 4 
ed. Trad. Marcelo Brandão Cipolla. São Paulo: Pensamento-Cultrix Ltda, 2005. 
CARVALHO, I. C. M.; GRUN, M.; TRAJBER, R. (Orgs.) Pensar o Ambiente: 
 
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26 
bases filosóficas para a Educação Ambiental. Brasília: Ministério da Educação, 
Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, UNESCO, 
2006. 
CASAGRANDE JUNIOR, Eloy F.; AGUDELO, Libia P. P. Meio ambiente e 
desenvolvimento sustentável. Curitiba: Livro Técnico, 2012. 
CURI, D. Gestão Ambiental. 1 ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2012. 
154 pg. 
FARIAS, TALDEN QUEIROZ. Princípios gerais do direito ambiental. In: 
Âmbito Jurídico, Rio Grande, IX, n. 35, dez 2006. Disponível em: 
<http://www.ambito-
juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=1543>. 
Acesso em: set. 2015. 
KATSOYIANNIS, A., BOGDAL, C. Interactions between indoor and outdoor 
air pollution – Trends and scientific challenges. Environ. Pollut. 2012, 169, 
150-151. 
RICKLEFS, Robert E. A economia da natureza. 5 ed. Rio de Janeiro: 
Guanabara/Koogam, 2003. 
SILVA, Devanildo Braz da. Sustentabilidade no Agronegócio: dimensões 
econômica, social e ambiental. Comunicação & Mercado/UNIGRAN - Dourados 
- MS, vol. 01, n. 03, p. 23-34, jul-dez 2012 
STADLER, A. MAIOLI, M. R. Organizações e Desenvolvimento Sustentável. 
Curitiba: Ibpex. 2011. (Coleção Gestão Empresarial). 
YAMAWAKI, Y. Introdução à gestão do meio urbano. Curitiba: Ibpex, 2011. 
229 pg. 
 
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1 
 
 
 
 
 
Gestão da Sustentabilidade 
 
Aula 2 
 
Professor Dr. Rodrigo Silva 
 
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2 
Conversa inicial 
No mundo atual, sabemos que as questões ambientais têm grande influência 
nas tomadas de decisão, no que se refere às estratégias competitivas das 
organizações, o que, por sua vez, influencia diretamente nas novas formas de 
comércio mundial. No entanto, tais estratégias devem obedecer às normativas 
locais para se enquadrar no modelo que vigora naquela localidade. O Brasil 
possui um arcabouço legal extremamente forte no que se refere à proteção 
ambiental, sendo um vanguardista nesse aspecto. 
É nesse sentido que se destaca o Direito ambiental. O Direito ambiental 
internacional é um campo do Direito internacional que regula o comportamento 
dos Estados e das organizações internacionais, no que diz respeito ao meio 
ambiente. 
 
Assim, esse material tem o específico objetivo de abordar as principais 
normativas e legislações relacionadas à temática ambiental, sem comprometer 
o foco da disciplina, a gestão da sustentabilidade. Optamos por abordar esse 
tema, pois acreditamos que é de fundamental importância o conhecimento 
dessas diretrizes legais que norteiam as práticas organizacionais, segundo as 
leis brasileiras e mundiais. 
 
Contextualizando 
A maneira como os diferentes países encontraram para “se entender” em 
relação às questões ambientais se deu através dos acordos de cooperação 
internacional (na forma de tratados, acordos e resoluções) criados por 
organizações intergovernamentais (como a Organização das Nações Unidas, 
ONU, por exemplo), bem como as leis nacionais e os regulamentos, que são 
usados para proteger o meio ambiente. 
 
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3 
Toda essa história começou basicamente durante a Conferência de Estocolmo 
sobre o Meio Ambiente, em 1972, assunto que já estudamos em outra ocasião. 
Existem diferentes questões relacionadas ao Direito ambiental, e este, por sua 
vez, tem como grande preocupação a preservação do meio ambiente. Dentro 
dessa gama de problemas ambientais tratados no Direito, podemos citar: 
 A destruição da camada de ozônio e o aquecimento global; 
 O processo de desertificação e destruição das floretas tropicais; 
 A poluição dos oceanos; 
 O comércio internacional (tráfico) de espécies ameaçadas; 
 Transferência de resíduos perigosos para países do Terceiro Mundo; 
 Os derramamentos de petróleo e outros combustíveis; 
 A poluição atmosférica e nuclear; 
 O despejo de resíduos perigosos; 
 O esgotamento das águas subterrâneas; 
 O comércio internacional de pesticidas. 
Ainda, podemos dizer que a legislação ambiental é dividida em duas categorias 
básicas: a) controle da poluição e remediação; b) conservação dos recursos 
naturais. Portanto, a legislação ambiental é fundamental para a proteção 
ambiental e também para a regulação das atividades relacionadas ao uso dos 
recursos naturais disponíveis. 
 
Problematizando 
Organismos geneticamente modificados (OGMs) 
e o princípio da precaução 
Figura: Alimentos que contêm organismos transgênicos. 
 
Fonte: Google imagens. 
 
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4 
Popularmente conhecidos como transgênicos, os OGMs são organismos vivos 
que sofreram alguma modificação em seu material genético (genoma). Muitos 
alimentos, como o milho, o algodão e a soja, são OGMs. Tais organismos são 
alvo de inúmeras discussõesde especialistas (cientistas, ambientalistas, entre 
outros) acerca da sua comercialização e seu consumo, devido aos possíveis 
males que podem causar à saúde humana e ambiental, já que não há certeza 
desses efeitos, principalmente a longo prazo. 
Muito embora os riscos e perigos que estes podem oferecer, observa-se ampla 
comercialização de produtos que contêm organismos transgênicos. Nesse 
sentido, essas incertezas trazem à tona o princípio da precaução como 
ferramenta protetiva do meio ambiente e da saúde humana. De acordo com a 
Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o Brasil é um dos 
maiores produtores de algodão do mundo, sendo o terceiro maior exportador 
mundial e o quinto em consumo. Dentre as espécies de algodão 
comercializado, uma das mais consumidas provém de um algodão transgênico 
resistentes a insetos e herbicidas. 
Frente à essas informações, imaginemos que você é Secretário do Meio 
Ambiente de uma determinada localidade no Brasil que produz esse tipo de 
algodão. Uma grande empresa decide plantar uma espécie de algodão 
transgênico em uma grande área bem próxima a uma área de proteção 
ambiental com espécies da fauna e flora nativas da região. Ademais, os 
estudos de impactos na saúde humana e ambiental ainda são incipientes e, em 
princípio, não são conclusivos quanto aos riscos em médio e longo prazo. 
Como contrapartida, 15% dos royalties serão destinados à construção de 
creches populares e uma grande Unidade de Saúde, que irá atender boa parte 
da população local, que está carente desse serviço. Mas, para que isso 
aconteça, é necessário o aval do Prefeito juntamente com o Secretário do Meio 
Ambiente, no caso, você. Assim, qual é a melhor decisão a ser tomada? 
I. Liberar as licenças ambientais tão logo possível para realizar o plantio 
do algodão e angariar fundos para investimento na saúde e na educação 
local. 
II. Exigir estudos mais aprofundados acerca dos efeitos a longo prazo dos 
OGMs na população e nas espécies locais. 
III. Baseado nos estudos prévios emitidos pela empresa, pode haver 
liberação para o plantio, condicionando a mesma a apresentar relatórios 
periódicos sobre os efeitos nas diferentes espécies locais. 
Obs.: o princípio da precaução, nesse caso, deve estabelecer que o OGM não 
oferece risco ou perigo à saúde humana e ambiental (demonstrado através de 
provas científicas), os quais podem ser mitigados, controlados e evitados. 
 
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5 
Tema 01: Os principais tratados internacionais de proteção ao meio 
ambiente 
Os países desenvolvidos agora enfrentam os seguintes paradigmas: como 
conciliar o crescimento econômico à preservação ambiental? Como produzir de 
maneira eficiente e sustentável a fim de que a própria natureza seja capaz de 
se regenerar em um tempo suficiente para a reutilização desses recursos e, 
também atender às demandas comerciais mundiais? 
É a partir desses questionamentos que iniciaremos nossa conversa sobre os 
principais tratados internacionais atrelados à proteção ambiental. Para isso, é 
necessário entendermos o que é a Política de Comércio Externo e qual é a sua 
relação com a Política Ambiental. Para Baptista (2010), 
“A Política de Comércio Externo procura a liberalização do comércio 
internacional, por meio de um conjunto de instrumentos de 
intervenção pública sobre o comércio exterior, enquanto que a 
Política de Meio Ambiente defende a preservação e/ou conservação 
ambiental, a saúde e segurança humana, a proteção do consumidor e 
o tratamento dado aos animais”. 
A partir dessa leitura, observamos um conflito de interesses entre ambas as 
partes. Um defende a comercialização de produtos e serviços, ao passo que o 
outro defende a preservação dos recursos. E porque isso é tão conflitante? 
Basta pensarmos que a produção de bens de consumo necessita do uso de 
recursos naturais. Assim, o aumento dessa produção leva ao aumento do uso 
de recursos e, consequentemente, a sua escassez em logo, médio ou curto 
prazo, dependendo da velocidade de uso. 
Nesse sentido, afirmamos que um meio termo deve ser encontrado para que 
ambos sigam de maneira harmônica. É nesse contexto que surgem os tratados 
ambientais, que têm como principal função a conciliação entre a preservação 
dos recursos e a economia de uma nação (ou de várias) de forma sustentável. 
A imagem a seguir revela os principais tratados ambientais do mundo moderno. 
 
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6 
 
 
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7 
Dentre os tratados relatados, podemos destacar: 
 A Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e 
da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção (Cites); 
 O Protocolo de Montreal (1989); 
 A Convenção de Basileia (1993); 
 Protocolo de Kioto (1997). 
Vamos nos aprofundar apenas no último, o Protocolo de Kioto, pois se trata do 
mais conhecido entre os mencionados e é ferramenta fundamental nos 
processos relacionados ao Comércio Internacional. 
O que é o Protocolo de Kioto? 
Assinado em 1997 e iniciado em 2005, o Protocolo de Kioto foi o primeiro 
acordo internacional (assinado por 189 países) vinculado ao Painel 
Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU, que estabeleceu 
entre seus membros metas de redução de emissões coletivas de gases de 
efeito estufa em 5,2%, entre os anos de 2008 e 2012, baseando-se no ano de 
1990. 
Reconhecendo que os países desenvolvidos são os principais responsáveis 
pelos altos níveis atuais de emissões de gases de efeito estufa na atmosfera, 
como resultado de mais de 150 anos de atividade industrial, o Protocolo coloca 
uma carga mais pesada em nações desenvolvidas sob o princípio de 
"responsabilidades comuns, porém diferenciadas". 
Os países que se comprometeram em diminuir suas emissões tiveram 
sucesso, pois a redução foi de aproximadamente 22,6%. No entanto, a taxa de 
emissão global aumentou. O último relatório do Painel Intergovernamental de 
Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) sobre a avaliação do clima mostrou 
que, em vez de diminuírem (como era esperado), as emissões de gases 
aumentaram cerca de 16,5% entre os anos de 2005 e 2012, e um dos fatores 
para que esse fato tenha ocorrido é que os maiores poluidores, China e EUA, 
não participaram do processo. 
Ao final do período, houve a 18ª Conferência das Nações Unidas sobre 
Mudança Climática (COP-18), em Doha (Catar), que estabeleceu uma nova 
meta (o segundo termo do referido Protocolo): até 2020, a redução de 18% das 
emissões. É importante mencionar que não mais participam Nova Zelândia, 
Canadá, Rússia e os EUA. 
 
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8 
 
Desde a Revolução INDUSTRIAL, a temperatura da Terra subiu cerca de 
0,74 ºC e se as emissões de GEE não diminuírem, espera-se que, em 2100, 
elas possam aumentar de 1,8 ºC a 4 ºC (Figura 1). Para se ter uma ideia da 
gravidade deste problema, é só pensar em nosso estado físico quando a nossa 
temperatura sai de 36,5 ºC (temperatura normal) para 37,5 ºC (estado febril): a 
variação de apenas um grau é suficiente para nos causar grande mal-estar! 
Figura 1: Evolução da temperatura da Terra desde a Revolução Industrial 
até os dias atuais. 
 
Nota: após a Revolução Industrial (período após 1860), o aumento da 
temperatura global tornou-se acentuado. 
 
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9 
Tema 02: Os impactos ambientais do comércio exterior 
Em outra ocasião do nosso estudo, vimos que a maioria dos países 
desenvolvidos utilizam em demasia seus recursos naturais visando ao aumento 
da produção e do lucro. No entanto, os efeitos disso são nefastos ao meio 
ambiente. Por isso, segundo o estudioso Alemão Urlich Beck, vivemos em uma 
sociedade de risco (GUIVANT, 2001). Em seu trabalho, Beck considera que 
vivemos em um "mundo fora de controle", caracterizado por "incertezas 
fabricadas", ou seja, um mundo onde a crescente desconfiança na ciência e 
nos órgãos responsáveis pela gestão dos riscos e das catástrofes revelou a 
necessidade de novos rumos para a tecnologia.Para se ter uma ideia, utilizamos cerca de 80% a mais de recursos naturais do 
que a Terra é capaz de nos oferecer (Figura 2). Cabe, aqui, fazer uma 
observação: estamos falando de recursos naturais não renováveis, que são os 
recursos quem não podem ser renovados pelo próprio meio ambiente. Como 
exemplo desses recursos, podemos citar o petróleo, a madeira, o carvão, os 
metais, entre outras matérias-primas. 
Figura 2. Relação consumo-recursos naturais. 
 
Fonte: Organização Internacional Global Footprint Network (GFN) 
– Dia da sobrecarga da Terra. 
 
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10 
A representação gráfica mostra quantos países seriam necessários para 
sustentar o estilo de vida de cada país. Podemos observar que os países 
representados utilizam de muito mais recursos do que o planeta é capaz de 
oferecer. A expansão do comércio mundial tem levantado a questão da relação 
entre comércio e meio ambiente. Já vimos que a produção de bens importados 
e exportados, muitas vezes, têm efeitos ambientais negativos. Mas, esses 
efeitos irão diminuir ou aumentar com a expansão do comércio? Quem serão 
os mais afetados: os importadores, os exportadores ou o mundo como um 
todo? Além disso: de quem é a responsabilidade acerca dos problemas 
ambientais associados com o comércio? Tais indagações têm recebido 
atenção crescente nos últimos anos. 
É importante destacar que, de acordo com a organização Mundial do 
Comércio, a proibição das importações e exportações somente podem ser 
restringidas em casos muito limitados, como, por exemplo, a proteção da saúde 
e segurança dos seus próprios cidadãos. Há inúmeros casos em que países 
tentam restringir a importação de produtos que afetem diretamente o meio 
ambiente, podemos citar, como exemplo, a comercialização de recursos 
florestais e pesqueiros que são extraídos de forma não idônea (desmatamento 
e pesca predatória, respectivamente). 
No comercio interno (nacional) há uma expressão muito utilizado nesse 
sentido: “internalizar as externalidades negativas”. Mas, o que isso significa? 
Essa é uma expressão advinda do Princípio do Poluidor-pagador, isso quer 
dizer que: 
“o poluidor é obrigado a internalizar os custos sociais externos 
(externalidades negativas) que acompanham o processo de 
produção, a fim de que o custo resultante da poluição seja por ele 
assumido no custo da produção, devendo agir para diminuir, eliminar 
ou neutralizar o dano ambiental”1. 
Para o comércio internacional, isso se torna mais difícil, pois a autoridade para 
formular e aplicar políticas ambientais geralmente só existe a nível nacional. 
Podemos dizer que é possível exportar poluição através da importação de bens 
cuja produção envolve altos impactos ambientais. O comércio também envolve, 
necessariamente, o uso de energia para o transporte, a poluição do ar e outros 
impactos ambientais. Também pode haver efeitos ambientais indiretos do 
comércio, por exemplo, quando os trabalhadores do campo são deslocados 
das suas terras devido à mecanização da agricultura. Tipos específicos de 
comércio, tais como o comércio de resíduos tóxicos ou espécies ameaçadas de 
extinção, têm impactos ambientais óbvios. 
 
1 Trecho retirado de <http://oprocesso.com/2012/06/08/em-que-consiste-a-expressao-
internalizacao-das-externalidades-negativas/>. Acesso em: 01 dez. 2015. 
 
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11 
Entretanto, o comércio também pode ter efeitos benéficos para o ambiente. Um 
comércio mais livre pode facilitar a disseminação de tecnologias benéficas ao 
meio ambiente. Também há a tendência de o comércio promover uma 
produção mais eficiente e limpa. Além disso, as pressões legais são alavancas 
para melhorar as normas ambientais locais, visando à preservação ambiental. 
 
Tema 03: A Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) 
A ideia de colônia de exploração foi, por muito tempo, o principal motivo que 
levou à degradação ambiental dos biomas brasileiros. Por isso, a mudança 
desse paradigma era necessária. O Brasil é um dos pioneiros em relação a 
políticas e legislações relativas à proteção ambiental. O arcabouço legal 
brasileiro é um dos mais completos do mundo e recebe elogios de diversos 
países. Isso tanto é verdade que a nossa Constituição Federal dedica um 
capítulo exclusivo ao quesito proteção ao meio ambiente: o artigo 225. 
O país, por se tratar de um dos maiores hotspots2 de biodiversidade do 
planeta, necessitava que houvesse legislações de proteção e gestão são 
extremamente eficientes e efetivas. É importante destacar que a gestão e 
proteção jurídica sobre o meio ambiente deu-se primariamente através da 
promulgação da Lei n. 6.938, de 31 de agosto de 1981, um marco histórico no 
ambientalismo brasileiro, que ansiava por uma gestão participativa e protetiva 
desse patrimônio. O objetivo primário dessa política era aliar o 
desenvolvimento socioeconômico à preservação dos recursos naturais e ao 
equilíbrio ambiental, assim, qualquer atividade, seja ela pública ou privada, 
deve estar em concordância com essa política. 
À época, o Brasil, então governado pelo General João Figueiredo, teve a lei 
aprovada quase por unanimidade (fato raríssimo), o que configurava um anseio 
tanto do governo quanto da oposição no que se refere à proteção ambiental. 
Ainda, uma das principais contribuições da referida lei foi a criação do Sistema 
Nacional do Meio Ambiente (Sisnama), uma estrutura político-administrativa 
que tem por função a proteção e melhoria da qualidade ambiental. O Sisnama 
é formado pelos órgãos e pelas entidades da União, dos Estados, do Distrito 
Federal, dos Municípios e pelas fundações instituídas pelo poder público. A 
estrutura do Sisnama, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), é 
a seguinte: 
 
2 “Hotspot é toda área prioritária para conservação, isto é, de alta biodiversidade e ameaçada 
no mais alto grau. É considerada Hotspot uma área com pelo menos 1.500 espécies 
endêmicas (não são encontradas em nenhum outro local) de plantas e que tenha perdido mais 
de 3/4 de sua vegetação original”. Retirado de: <http://www.cenedcursos.com.br/hotspots-
conservacao-biodiversidade.html>. Acesso em: 10 dez. 2015. 
 
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12 
 Órgão Superior: Conselho de Governo; 
 Órgão Consultivo e Deliberativo: Conselho Nacional do Meio 
Ambiente (Conama); 
 Órgão Central: Ministério do Meio Ambiente; 
 Órgão Executor: Ibama e ICMBio; 
 Órgãos Seccionais: os dos estados responsáveis pela execução de 
programas, projetos e controle/fiscalização de atividades degradadoras 
do meio ambiente; 
 Órgãos Locais: órgãos ou entidades municipais responsáveis pelo 
controle e pela fiscalização destas atividades, nas suas respectivas 
jurisdições. 
 
Ainda, seguem outros instrumentos importantes da PNMA: 
 O estabelecimento dos padrões de qualidade ambiental; 
 O zoneamento ambiental; 
 A avaliação de impacto ambiental; 
 O licenciamento ambiental; 
 O estabelecimento e uso de tecnologias visando à melhoria da qualidade 
ambiental; 
 A criação dos espaços territoriais protegidos (Unidades de Conservação 
- UCs3): 
o Áreas de Proteção Ambiental (APAs) – área, em geral, extensa, 
com certo grau de ocupação humana, com atributos bióticos, 
abióticos,4 estéticos ou culturais importantes para a qualidade de 
vida e o bem-estar das populações humanas. As APAs têm como 
objetivo proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo 
de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos 
naturais. Cabe ao Instituto Chico Mendes (ICMBio) estabelecer as 
condições para pesquisa e visitação pelo público. 
 
3 Texto retirado na íntegra de: <http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/unidades-de-
conservacao/categorias>. Acesso em: 10 dez. 2015. 
4 De maneira simples, fatores bióticos são todos os elementos vivos deum ecossistema 
(animais, plantas, microrganismos, etc.) e fatores abióticos são os elementos não vivos desse 
ecossistema (vento, Sol, ar, solo, etc.) 
 
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13 
o Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie) – área, em geral, 
de pequena extensão, com pouca ou nenhuma ocupação 
humana, com características naturais singulares ou mesmo que 
abrigam exemplares raros da biota regional. Sua criação visa a 
manter esses ecossistemas naturais de importância regional ou 
local, bem como regular o uso admissível destas áreas, 
compatibilizando-o com os objetivos da conservação da natureza. 
o Reservas Extrativistas (Resex) – área utilizada por populações 
extrativistas tradicionais, cuja subsistência baseia-se no 
extrativismo e, complementarmente, na agricultura de 
subsistência e na criação de animais de pequeno porte. Sua 
criação visa proteger os meios de vida e a cultura dessas 
populações, assegurando o uso sustentável dos recursos naturais 
da unidade. As populações que vivem nessas unidades possuem 
contrato de concessão de direito real de uso, tendo em vista que 
a área é de domínio público. A visitação pública é permitida, 
desde que compatível com os interesses locais e com o disposto 
no plano de manejo da unidade. A pesquisa é permitida e 
incentivada, desde que haja prévia autorização do Instituto Chico 
Mendes. 
 Criação do Sistema nacional de informação sobre meio ambiente (CNIA) 
 Criação das Penalidades Disciplinares e Compensatórias para ações de 
degradação ambiental; 
 Entre outros. 
Nesse sentido, estendemos o PNMA como um instrumento protetivo do meio 
ambiente e sua grande importância na gestão ambiental e da sustentabilidade 
deste. Outro aspecto importante de se destacar dessa política, se refere ao fato 
de que ela apresenta diversos princípios do Direito ambiental internacional no 
corpo do seu texto. 
Além disso, alguns outros princípios, já discutidos em outra ocasião, já 
figuravam entre as linhas da política, como é o caso dos princípios da 
precaução e do poluidor-pagador (FONTENELLE, 2004). Nesse sentido, a 
referida legislação é norteadora quando se trata da implantação de alguma 
atividade que, de alguma forma, interaja com o meio ambiente. 
 
 
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14 
Tema 04: A Lei de Crimes Ambientais e sua relação com o comércio 
exterior 
Ao longo da nossa aula, verificamos que o meio ambiente em sua plenitude é 
essencial para a sadia qualidade de vida da população. Tal princípio fora 
explicitado no artigo 225 da Constituição Federal. Ainda, neste mesmo artigo, 
menciona-se que é de direito de todos um ambiente ecologicamente 
equilibrado. O crime pode ser conceituado de diferentes maneiras – de acordo 
com a escola penal. Aqui, iremos abordar o crime como qualquer conduta 
danosa, que contrasta com a finalidade do Estado, que contradiga a legislação 
vigente (que é proibida pela lei penal) e que deve ser penalizado. 
No caso específico de crimes relacionados ao meio ambiente, este assim será 
enquadrado quando houver qualquer tipo de conduta e/ou atividade lesiva ao 
meio ambiente (fauna, flora, recursos naturais e até o patrimônio cultural) de 
acordo com a Lei n. 9.605/1998 (O ECO, 2015). A partir do surgimento da lei 
de Crime Ambientais, a legislação protetiva ao meio ambiente avançou 
consideravelmente. Para se ter uma ideia, somente após a criação da Lei uma 
determinada empresa (pessoa jurídica) que atentou contra o meio ambiente 
pode ser punida administrativa, civil e penalmente, de acordo com a magnitude 
do crime. 
Abaixo, alguns exemplos de crime ambiental (CAMPOS FILHO, 2004): 
 Provocar incêndio em mata ou floresta; 
 Cortar árvore em floresta de preservação permanente; 
 Transformar madeira de lei em carvão; 
 Receber ou comercializar produtos de origem vegetal sem exibir licença 
de vendedor expedida pela autoridade competente. 
 Agressões à fauna aquática – No caso da pesca, a legislação é ainda 
mais rigorosa; 
 Venda, exposição à venda, exportação ou aquisição, guarda, tem em 
cativeiro ou depósito, utiliza ou transporta ovos, larvas ou espécimes da 
fauna silvestre, nativa ou em rota migratória, bem como produtos e 
objetos dela oriundos, provenientes de criadouros não autorizados ou 
sem a devida permissão ou licença da autoridade competente (Figura 1); 
 Fabricação, venda, transporte ou soltura de balões; 
 Destruir ou danificar bem protegido por lei, tais como arquivos, registros, 
museus, bibliotecas, pinacotecas, instalações científicas ou similares. 
 
 
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15 
Figura 01 – Comércio de animais. 
Fonte: (ONU, 2015). 
O tráfico de animais silvestres é um dos maiores problemas ambientais da 
atualidade. De acordo com a Organização da Nações Unidas (ONU, 2015), 
essa prática está entre as três mais rentáveis do mundo. É importante destacar 
que algumas exigências dos órgãos ambientais quando não são cumpridas, as 
empresas são enquadradas nesta lei, esse é o caso da não apresentação da 
licença ambiental. 
As penalidades variam de acordo com o tipo de crime, a magnitude, a 
reincidência, os antecedentes entre outros. Nesse caso, o juiz de direito irá 
determinar qual é a punição que melhor se enquadra, e é por isso que a 
determinação das quantias monetárias são difíceis de serem determinadas, 
pois deverão ser avaliadas todos os possíveis efeitos daquele crime. Destaca-
se que a população em geral, como bem mencionado no artigo 225 da Carta 
Magna, tem o dever de preservação do meio ambiente e, se esta souber de 
algum tipo de crime ambiental, deve se dirigir ao órgão ambiental competente 
da sua região (órgão representante do Sisnama) para realizar a denúncia. Uma 
vez ciente do crime, este órgão deverá apurar imediatamente o fato, tomando 
as providências cabíveis, sob pena de corresponsabilidade. 
 
 
 
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16 
Tema 05: A Política Ambiental Internacional 
O crescimento do Direito ambiental internacional como uma área separada do 
Direito internacional público começou na década de 1970 com a Conferência 
de Estocolmo sobre o Meio Ambiente em 1972, no entanto, destacamos 
também a Rio 92 ou ECO 92, que teve grande repercussão nesse aspecto. 
Assim, a visão antropocêntrica passa a dar lugar para a visão biocêntrica, ou 
seja, o meio ambiente passa a exercer o papel principal neste cenário. 
Em muitos de seus princípios, a Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e 
Desenvolvimento5 (documento elaborado durante a Rio 92), que reafirma a 
Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente 
Humano (Conferência de Estocolmo), estabelece a necessidade imperativa da 
cooperação entre os Estados visando à preservação ambiental, à equidade 
social e ao crescimento econômico das diferentes nações. Especificamente no 
Princípio 12, a Declaração aborda a questão do comércio internacional, como 
segue: 
“Os Estados devem cooperar na promoção de um sistema econômico 
internacional aberto e favorável, propício ao crescimento econômico e 
ao desenvolvimento sustentável em todos os países, de forma a 
possibilitar o tratamento mais adequado dos problemas da 
degradação ambiental. As medidas de política comercial para fins 
ambientais não devem constituir um meio de discriminação arbitrária 
ou injustificável, ou uma restrição disfarçada ao comércio 
internacional. Devem ser evitadas ações unilaterais para o tratamento 
dos desafios internacionais fora da jurisdição do país importador. As 
medidas internacionais relativas a problemas ambientais 
transfronteiriços ou globais deve, na medida do possível, basear-se 
no consenso internacional” (ONU 1992). 
Assim como o Direito internacional, o Direito ambiental internacional é 
multidisciplinar, ou seja, envolve múltiplas áreas do conhecimento como, por 
exemplo, economia, ciência política, ecologia, direitos humanos, entre outras. 
Um dos principais desafios relacionados às questões ambientais é a 
necessidade de desenvolver (ou mesmo aprimorar)as leis nacionais e 
internacionais de forma eficaz e equitativa, a fim de proteger, gerir e conservar 
os recursos naturais e as espécies vivas para as gerações atuais e futuras. 
Nesse contexto, as leis ambientais fornecem a base legal a qual as instituições 
e os governos utilizarão para construir uma sociedade capaz de utilizar e 
respeitar os recursos ambientais. 
 
5 O documento na íntegra está disponível em: 
<http://www.onu.org.br/rio20/img/2012/01/rio92.pdf>. 
 
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17 
No entanto, de acordo com a Unep, que é o programa da ONU para o Meio 
Ambiente e Desenvolvimento, o Direito ambiental tem desafios para enfrentar. 
Podemos citar como exemplo (UNEP, 2016): 
 A defasagem de tempo entre o entendimento das problemáticas 
ambientais e a criação de legislações de proteção; 
 Legislações ambientais desatualizadas e defasadas; 
 Falta de legislação ambiental adequada, sobretudo em países em 
desenvolvimento; 
 Capacidade insuficiente na aplicabilidade da legislação existente, 
principalmente nos países em desenvolvimento, como é o caso do 
Brasil. 
A legislação transfronteiriça é importante, pois o comércio internacional pode 
afetar o desenvolvimento e o meio ambiente em uma série de maneiras. 
Primeiro, o comércio pode mudar as atividades de produção de uma 
determinada localidade, tornando-o mais ou menos sustentável. Em segundo 
lugar, o aumento da liberalização do comércio muda o padrão e o nível de 
consumo mundial, tais mudanças podem afetar significativamente o ambiente 
de diferentes formas, como, por exemplo, o aumento da produção de resíduos 
ou mesmo o aumento do consumo de matéria-prima para manter a produção. 
Em terceiro lugar, o comércio influencia o processo de desenvolvimento 
económico, a criação de novas oportunidades para a utilização rentável dos 
recursos produtivos. Por exemplo, o comércio internacional de produtos 
agrícolas é grande e uma importante fonte de divisas para muitos países, 
principalmente para o Brasil. Os tratados e acordos internacionais são as 
ferramentas utilizadas pelos países para legitimar o que fora acordado nas 
reuniões internacionais. 
Conceitualmente, os autores Schimidt e Freitas (2009, p. 17) definem tratado 
como “(...) um termo genérico, que inclui as convenções, os pactos, os 
acordos, os protocolos, a troca de instrumentos”. Destacamos ainda que os 
tratados internacionais são de fundamental importância também para que a 
sociedade civil organizada em suas ações através de ONGs como, por 
exemplo, a WWF (World Wide Fund for Nature) e o Greenpeace, pressionem 
os governos através de ações legítimas, visando à conscientização e à 
sensibilização de seus integrantes. 
De conhecimento mundial, a biodiversidade tem sido alvo das inúmeras 
discussões de envolvem o comércio transfronteiriço, pois se trata de uma 
enorme riqueza e seu valor estratégico (principalmente para a indústria 
farmacêutica e de cosméticos) e que, segundo a Comegna (2009) “é matéria- 
 
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18 
-prima potencial para o desenvolvimento de biotecnologias avançadas que 
manipulam a vida ao nível genético”. Por esse fato, destacamos, aqui, a 
Convenção da Biodiversidade Biológica (CDB), instaurada durante a Rio 92, 
como um dos mais importantes códigos de conduta internacional. 
 
 
Na Prática 
Como as legislações ambientais podem auxiliar na preservação do meio 
ambiente? 
As legislações ambientais são ferramentas protetivas para a preservação 
ambiental e sua sustentabilidade. Nesse sentido, devem ser aplicadas visando 
à antecipação ao gravame, e não a posteriore, como ocorrem em sua grande 
maioria. Nas figuras a seguir estão três dos principais acidentes ambientais 
ocorridos no Brasil: 
a) o rompimento das barragens de Mineração, em Bento Rodrigues 
(Mariana/MG); 
 
 
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19 
b) o acidente na Ultracargo, em Santos/SP; 
 
c) o vazamento de rejeitos da produção de papel, em Cataguases/MG. 
 
Assim, a proposta dessa atividade é realizar um levantamento dos impactos 
ambientais relacionados aos três acidentes ambientais arrolados. Para isso, as 
regras são bem simples: 
a) Você deverá escolher apenas um dos três acidentes. 
b) Ainda, o acidente deve ser explicado brevemente: local, componente 
químico (se for o caso), óbitos (se houver) e os desdobramentos. 
c) Quais são os principais impactos ambientais levantados após o 
acidente? 
d) Quais são as multas aplicadas (se possível, os valores) e se já foram 
cumpridas ou não? 
Mãos à obra! 
 
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20 
Protocolo de Resolução da situação proposta 
1. Primeiramente, você deve fazer uma leitura de cada um dos acidentes para 
se familiarizar com o assunto. Para isso, pesquise na internet. 
2. Após a coleta das informações, você deve escolher um dos acidentes para 
trabalhar. 
3. Faça o levantamento dos principais impactos ambientais listados. Lembre-se 
de citar os impactos sociais, econômicos e ambientais (os pilares da 
sustentabilidade) 
4. Faça um levantamento das multas aplicadas e tente descobrir o porquê de 
cada valor. Após, verifique se tais multas e decisões já foram cumpridas. 
 
 
Síntese 
Ao longo da nossa aula, estudamos alguns dos principais tratados 
internacionais de proteção ao meio ambiente e como estes podem ser 
consideradas ferramentas fundamentais para o alcance da sustentabilidade. 
Adicionalmente, estudamos como o comércio internacional afeta 
profundamente os recursos naturais, e, ainda, verificamos algumas legislações 
nacionais específicas como a Política Nacional do Meio Ambiente e a Lei de 
Crimes Ambientais; e internacionais, que fornecem subsídios para auxiliar na 
preservação ambiental. 
Até a próxima aula. 
 
 
 
Pró-reitoria de EaD e CCDD 
 
21 
Referências 
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Revista Internacional de Direito Ambiental e Políticas Públicas, Macapá, n. 
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DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988. 292 p. 
BRASIL. Lei n. 6.938, de 31 de agosto de 1981. Institui a Política Nacional do 
Meio Ambiente. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, 1981. 
CAMPOS FILHO, Gilberto de Jesus. Cartilha a lei da vida. Ilustração de: 
Rodrigo So. Brasília: Ibama, 2004. 
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COMEGNA, Maria A. Impactos da Convenção sobre Biodiversidade nas 
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Pró-reitoria de EaD e CCDD 
 
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Pró-reitoria de EaD e CCDD 
 
1 
 
 
 
 
 
Gestão da Sustentabilidade 
 
 
Aula 03 
 
 
Professor Rodrigo Silva 
 
Pró-reitoria de EaD e CCDD 
 
2 
Conversa Inicial 
É sempre importante ressaltar que boa parte das atividades 
empresariais é potencialmente poluidora e, por isso, a empresa deve assegurar 
ao Estado que suas atividades não colocarão em risco o meio ambiente e a 
saúde da coletividade. Assim, a principal maneira legal que essas empresas 
têm de prestar essas informações é através de um documento legal 
denominado Licenciamento Ambiental. Assim, o objetivo do licenciamento 
ambiental é assegurar que o meio ambiente seja devidamente respeitado 
quando da instalação e operação de empreendimentos e obras. 
Na aula de hoje, aprenderemos sobre essa importante ferramenta legal 
de preservação ambiental e como ela pode auxiliar as empresas a alcançarem 
a sustentabilidade ambiental e empresarial. 
Contextualizando 
No artigo 170 da Constituição Federal Brasileira, destaca-se que o papel 
da Empresa – aqui vista como atividade econômica organizada – está 
diretamente submetido ao princípio da ordem econômica que preconiza em seu 
parágrafo sexto a “defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento 
diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus 
processos de elaboração e prestação” (BRASIL, 1988). 
Uma das principais maneiras de minimizar, ou mesmo evitar, qualquer 
impacto ambiental que possa ser causado por algum empreendimento é 
através de estudos desses possíveis impactos (avaliação e estudos de 
impactos ambientais) e dos documentos que comprovam esses estudos 
(relatórios de impactos ambientais). Historicamente, as preocupações com 
os problemas ambientais advindos das práticas industriais foram sendo 
ampliados ao longo do tempo. Desde a revolução industrial até os dias de hoje, 
houve um grande avanço no sentido de proteger o meio ambiente e a 
coletividade. Assim, a concessão do Licenciamento Ambiental deve levar em 
 
Pró-reitoria de EaD e CCDD 
 
3 
consideração uma multiplicidade de aspectos, por exemplo, os sociais, 
culturais, éticos, entre outros (MMA, 2009). 
A consolidação do Licenciamento Ambiental como ferramenta protetiva 
do meio ambiente é fundamental para o desenvolvimento sustentável do país. 
E destaca-se que ela tem sua base legal na Constituição Federal e em outros 
documentos que estudaremos a seguir. 
Portanto, o Licenciamento Ambiental é um instrumento que tem por 
finalidade o controle prévio do potencial poluidor de um empreendimento, 
visando a proteção ambiental (BRASIL, 1998). Com o Licenciamento 
Ambiental, procura-se deixar de dizer apenas o “não pode” e mostrar a forma 
correta de “como fazer” (MMA, 2009). Assim, as organizações devem 
compreender que “solicitar uma licença ambiental não é mera obrigação legal, 
mas, sim, o exercício do dever constitucional de proteger o meio ambiente” 
(SEBRAE, 2012). 
A concessão do Licenciamento Ambiental a um determinado 
empreendimento tem um prazo definido, acontece por etapas e é, dependendo 
do tipo de empreendimento, um pouco demorada (até anos). São três licenças 
específicas que podem ser consultadas integralmente na Lei nº. 6938/1981. 
Ressaltamos que essas etapas serão definidas de acordo com o potencial 
poluidor da atividade. Vamos a elas (SEBRAE, 2012): 
1. A Licença Prévia (LP): “é concedida na fase do planejamento do 
empreendimento, com a aprovação da sua localização e concepção. Determina 
os princípios para sua viabilidade ambiental e estabelece os requisitos básicos e 
condicionantes a serem atendidas nas próximas fases de sua implementação. 
As audiências públicas, quando exigidas, fazem parte dessa fase do 
licenciamento”. Assim, a licença de instalação depende da aprovação da LP. 
2. A Licença de Instalação (LI): “autoriza a instalação do empreendimento 
de acordo com as especificações dos planos, programas e projetos aprovados. 
Aponta formas de manutenção da qualidade ambiental e condicionantes que 
definem como devem ser estruturadas as medidas de controle. A LI é que 
 
Pró-reitoria de EaD e CCDD 
 
4 
aponta como deve ser construído e asseguradas as condicionantes para 
funcionamento dos empreendimentos”. A concessão da licença de operação 
depende da aprovação da LI. 
3. A Licença de Operação (LO): “permite o funcionamento da atividade ou 
empreendimento, após a verificação do efetivo cumprimento das licenças 
anteriores, com as medidas de controle ambiental e condicionantes 
determinadas para a operação. O prazo de validade da LO depende da 
atividade e do órgão licenciador. As secretarias de meio ambiente poderão 
estabelecer prazos de análise diferenciados para cada modalidade de licença, 
em função das peculiaridades de cada caso, assim como para a formulação de 
exigências complementares”. 
Isso posto, imagine que você lidera uma equipe que está responsável 
por iniciar o processo de ampliação de um empreendimento produtor de papel 
e celulose, produto principal da empresa que você trabalha. Os faturamentos 
de venda no território nacional são satisfatórios e, por isso, decidem investir na 
ampliação. 
O processo de beneficiamento do papel é bastante complexo e envolve 
múltiplas etapas como podemos observar na figura 1. 
 
Figura 1. As diferentes etapas do processo de produção de papel (VOTORANTIM, 2006). 
 
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5 
A área de construção será próxima a um vilarejo histórico de pescadores 
artesanais que usam a pesca para o sustento da comunidade. Ainda, esse 
vilarejo está inserido dentro de uma área de proteção ambiental – APA. 
Nesse caso, quais as licenças ambientais devem ser solicitadas para 
que a indústria passe a operar legalmente? 
a) Apenas a LP 
b) Apenas a LI 
c) Apenas a LO 
d) Nenhuma das Licenças, pois não há potencial poluidor. 
Qualquer empreendimento deve ter o Licenciamento Ambiental para 
iniciar suas atividades? Quais são os tipos de empreendimentos que 
necessitam desse documento? 
Para responder a essa pergunta, leia o anexo I do documento do 
licenciamento ambiental disponível no site do Ibama. 
Obras irregulares realizadas perto de nascentes e áreas de preservação 
ambiental causam grande impacto não só na natureza, mas representam, 
também, sérios riscos para o ser humano. Nem todas as construções precisam 
de licenciamento ambiental, contudo, depende do lugar escolhido para 
construção do empreendimento. Se for preciso ir atrás dessa autorização, o 
primeiro passo é entregar um projeto arquitetônico. 
No Brasil, as regras para concessão da licença estão previstas em lei. O 
mais importante é que quem vai construir conheça as exigências do tipo de 
obra a ser feita. “Essas normas normalmente estão incluídas no Código de 
Edificações, que definem os parâmetros técnicos e urbanísticos, no caso as 
leis de uso e ocupação do solo. Essas legislações recebem nomes diferentes, 
que varia de cidade para cidade”, explica o vice-presidente do Sindicato da 
Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF), João Gilberto de Carvalho 
Acciolly. 
 
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6 
Tema 01: Procedimentos e Regulações Associados ao Licenciamento 
Ambiental 
Durante muitos anos, a justificativa da poluição causada pelos processos 
produtivos foi entendida como um mal necessário para o progresso de qualquer 
nação. Apesarde visível, o crescimento desordenado das grandes cidades, 
sobretudo no período pós-revolução industrial, não somente trouxe conforto e 
tecnologia para a sociedade, mas todos os problemas ambientais associados a 
ele. 
Foi na reunião do Clube de Roma (1968) que se utilizou pela primeira 
vez a expressão “meio ambiente”, fazendo-se referência aos recursos naturais 
mundiais. Entretanto, foi somente após a Conferência de Estocolmo (1972) que 
as preocupações relacionadas à problemática ambiental passaram a fazer 
parte da agenda política de desenvolvimento dos países. 
No Brasil, a legislação que evidenciou essa preocupação foi promulgada 
em 1981, a Lei nº. 6.938, conhecida como Política Nacional do Meio Ambiente 
(PNMA). Um dos instrumentos protetivos ao meio ambiente criados pela PNMA 
foi o Licenciamento Ambiental. 
Em reforço à PNMA, veio a Lei nº. 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, 
conhecida como Lei de Crimes Ambientais que estabelece as sanções penais e 
administrativas quando das atividades lesivas ao meio ambiente. 
Especificamente em relação ao Licenciamento Ambiental, em seu artigo 60, 
essa lei descreve que 
Construir, reformar, ampliar, instalar ou fazer funcionar, em qualquer 
parte do território nacional, estabelecimentos, obras ou serviços 
potencialmente poluidores, sem licença ou autorização dos órgãos 
ambientais competentes, ou contrariando as normas legais e 
regulamentares pertinentes: pena - detenção, de um a seis meses, ou 
multa, ou ambas as penas cumulativamente (BRASIL, 1998). 
Assim, a preservação da qualidade ambiental é fundamental para a 
qualidade de vida de qualquer ser humano. Nesse sentido, é clara a justificativa 
da legislação brasileira na preservação, melhoria e recuperação dos 
ecossistemas naturais (BRASIL, 1981). 
 
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7 
Não poderíamos deixar de citar o artigo 225 da Constituição Federal que 
assume claramente a importância das questões ambientais no país e define 
como responsabilidade coletiva (poder público e coletividade) o dever de 
preservar o meio ambiente. Ainda, em seu parágrafo 1º, o referido artigo cita a 
Avaliação de Impacto Ambiental como ferramenta que deve ser exigida pelo 
Poder Público quando da instalação de obra ou atividade potencialmente 
degradadora do meio ambiente (BRASIL, 1998). 
Portanto, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente (2009): “a 
avaliação de impactos vem como uma forma e uma possibilidade de conferir a 
antecipação de prováveis danos ambientais, ensejando medidas preventivas 
para garantir a qualidade ambiental”. 
Sugestão de leitura: 
Leia o capítulo 3 do livro “Gestão Ambiental no Mercado Empresarial”, 
de Rodrigo Berté e Ângelo de Sá Mazzarotto. Nesse capítulo, os autores 
debatem sobre os aspectos legais relacionados aos estudos de impactos 
ambientais, bem como o licenciamento ambiental. O livro está disponível na 
biblioteca virtual. 
Tema 02: O que é Licenciamento Ambiental? 
Sabemos que a sustentabilidade está apoiada no tripé econômico, social 
e ambiental, entretanto, as dimensões políticas e legais também devem ser 
inseridas nesse contexto. Afinal, as leis e seus cumprimentos são as 
ferramentas fundamentais para o alcance do desenvolvimento sustentável. 
Assim, compete ao poder público a incumbência de preservar os 
recursos naturais e evitar os impactos ambientais que possam atingir o meio 
ambiente. É nesse contexto que o Licenciamento Ambiental (LA) se integra 
como um instrumento da política de gestão ambiental pública (figura 2). 
 
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8 
 
Figura 2. Fluxograma da Gestão Ambiental Pública. A figura mostra os objetivos, as políticas e alguns 
instrumentos da política, que tem como ação final a minimização dos impactos socioambientais 
estabelecendo importante ligações com a PNMA (VALINHAS, 2009). 
O LA é um instrumento regulador da Política Nacional do Meio Ambiente 
(PNMA) exigido pelos órgãos ambientais para atividades efetiva ou 
potencialmente poluidoras. As diretrizes estabelecidas para o LA estão 
expressas em três instrumentos legais: a PNMA de 1981 (BRASIL, 1981) e nas 
Resoluções números 001/1986 (BRASIL, 1986) e 237/1997 (BRASIL, 1997) do 
CONAMA. 
Efetivamente, o LA é um documento emitido pelo órgão ambiental 
competente (pertencente ao SISNAMA) aplicado às diferentes fases do 
empreendimento: localização, instalação, ampliação, modificação e operação, 
sendo aplicado em três etapas já descritas: as licenças prévia, de instalação e 
de operação (BRASIL, 1981). Portanto, a partir do momento em que o 
empreendedor solicita a licença ambiental, parte do pressuposto que ele tem a 
ciência da obrigação de “obedecer às condições, restrições e medidas de 
controle estabelecidas pelo órgão ambiental competente” (SEBRAE, 2012). 
Com essas informações podemos concluir que o LA não é obrigatório 
para qualquer tipo de empreendimento. O quadro a seguir mostra as principais 
atividades que necessitam da licença. Para saber mais se determinado tipo de 
negócio precisa do licenciamento, o empreendedor deve consultar o órgão 
 
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9 
ambiental competente na localidade em que se pretende instalar. 
Quadro 1. Alguns exemplos de atividades que necessitam obrigatoriamente da 
licença ambiental (SEBRAE, 2012). 
Atividades que necessitam de Licenciamento Ambiental 
Que usam recursos 
naturais 
Potencial poluidor Degradação ambiental 
Agricultura Metalurgia Pecuária 
Pecuária Mecânica Agricultura 
Mineração Madeira Exploração florestal 
Pesca Química Geração de energia 
Produção florestal Transportes Construção civil 
Geração de energia Terminais de transporte 
 Logística 
 Turismo 
 Telecomunicações 
Para resumir, elaboramos um esquema que mostra as cinco principais 
etapas do Licenciamento Ambiental (GARCIA, 2014) (figura 3). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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10 
Figura 3. As cindo principais etapas do Licenciamento Ambiental – artigo 10º da Resolução CONAMA 
237/1997 (retirado de GARCIA, 2014 baseado em BRASIL, 1997). 
Sugestão de leitura: 
Para ampliar seus conhecimentos sobre o Licenciamento Ambiental, leia 
o capítulo 2 da obra “Avaliação de Impactos Ambientais”, de Kátia Cristina 
Garcia. Essa obra está disponível na biblioteca virtual. 
Tema 03: A importância do Estudo de Impacto Ambiental 
Como já estudamos anteriormente, de acordo com a Resolução 
001/1986 do CONAMA (BRASIL, 1987), em seu artigo 1º, o Impacto Ambiental 
é: 
[...] qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e 
biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria 
ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou 
indiretamente, afetam: 
I - a saúde, a segurança e o bem-estar da população; 
II - as atividades sociais e econômicas; 
III - a biota; 
IV - as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; 
V - a qualidade dos recursos ambientais. 
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente (MMA, 2009), há 
diferentes tipos de impactos ambientais. Vejamos o quadro a seguir (quadro 2). 
 
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11 
 
Tal classificação é demasiadamente importante, pois permite 
dimensionar os impactos e, consequentemente, suas medidas mitigadoras. 
Sobre os estudos ambientais, a resolução CONAMA 237/1997 em seu 
artigo 1º, parágrafo III: 
[...] são todos e quaisquer estudos relativos aos aspectos ambientais 
relacionados à localização, instalação, operação e ampliação de uma 
atividade ou empreendimento, apresentado como subsídio para a 
análise da licença requerida, tais como: relatório ambiental, plano e 
projeto de controle ambiental, relatório ambiental preliminar, 
diagnóstico ambiental, plano de manejo, plano de recuperação de 
área degradada e análise preliminar de risco. (BRASIL, 1997) 
 
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12 
Nesse sentido, quem define qual o tipo de estudo ambiental deverá ser 
realizado pelo empreendimento é o órgão ambientalcompetente (BRASIL, 
1997). Ainda, em face das informações dissertadas até agora, concluímos que 
“a elaboração dos Estudos de Impactos Ambientais (EIA) consiste no 
desenvolvimento dos procedimentos referentes à sistemática de Avaliação de 
Impactos Ambientais (AIA)” (BRASIL, 2099). Portanto, o EIA é de natureza 
técnica e visa avaliar os possíveis impactos causados por determinados 
empreendimentos. 
O documento complementar ao EIA é o RIMA – Relatório de Impacto 
Ambiental –, documento que sumariza as conclusões do EIA e tem por 
finalidade informar a sociedade sobre o potencial poluível daquela atividade, 
bem como suas propostas de monitoramento e mitigação. 
A seguir, um esquema resumido sobre as principais etapas para a 
elaboração dos Estudos Ambientais (BRASIL, 2009). 
 
Figura 4. Resumo esquemático das principais Etapas para Elaboração de Estudos Ambientais (BRASIL, 
2009). 
Sugestão de leitura: 
Para aprofundar esse assunto, leia o capítulo 4 do livro “Gestão 
Ambiental no Mercado Empresarial”, de Rodrigo Berté e Ângelo de Sá 
Mazzarotto. Esse livro está disponível na biblioteca virtual. 
 
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13 
Tema 04: Relatório de Impacto Ambiental - RIMA 
O Relatório de Impacto Ambiental – RIMA – deve contemplar, de forma 
resumida, objetiva e com linguagem acessível (já que deverá ter acesso o 
público leigo), as informações contidas no Estudo de Impacto Ambiental. Nele, 
deve conter, sobretudo, os principais impactos ambientais que serão causados 
tanto ao meio ambiente quanto ao meio social e econômico. É importante 
ressaltar que os moradores da região onde se pretende implantar o 
empreendimento deverão ter acesso a esse documento de forma que possam 
compreender legitimamente quais as vantagens e desvantagens do projeto 
(CETESB, 2014). 
O RIMA é um documento legal preconizado pela Resolução CONAMA 
01/1986 em seu artigo 9º, que diz: 
O relatório de impacto ambiental - RIMA refletirá as conclusões do 
estudo de impacto ambiental e conterá, no mínimo: 
I - Os objetivos e justificativas do projeto, sua relação e 
compatibilidade com as políticas setoriais, planos e programas 
governamentais; 
II - A descrição do projeto e suas alternativas tecnológicas e 
locacionais, especificando para cada um deles, nas fases de 
construção e operação a área de influência, as matérias primas, e 
mão-de-obra, as fontes de energia, os processos e técnica 
operacionais, os prováveis efluentes, emissões, resíduos de energia, 
os empregos diretos e indiretos a serem gerados; 
III - A síntese dos resultados dos estudos de diagnósticos ambiental 
da área de influência do projeto; 
IV - A descrição dos prováveis impactos ambientais da implantação e 
operação da atividade, considerando o projeto, suas alternativas, os 
horizontes de tempo de incidência dos impactos e indicando os 
métodos, técnicas e critérios adotados para sua identificação, 
quantificação e interpretação; 
V - A caracterização da qualidade ambiental futura da área de 
influência, comparando as diferentes situações da adoção do projeto 
e suas alternativas, bem como com a hipótese de sua não realização; 
VI - A descrição do efeito esperado das medidas mitigadoras 
previstas em relação aos impactos negativos, mencionando aqueles 
que não puderam ser evitados, e o grau de alteração esperado; 
VII - O programa de acompanhamento e monitoramento dos 
impactos; 
VIII - Recomendação quanto à alternativa mais favorável (conclusões 
e comentários de ordem geral) (CONAMA, 1986). 
 
 
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14 
De acordo com Jesus (2009), o RIMA deverá conter os seguintes 
conteúdos (figura 5): 
 
Figura 5: Principais elementos estruturais de um RIMA segundo Jesus (2009). 
Tema 05: A Importância dos Estudos Ambientais para as Organizações 
A crescente preocupação das diferentes esferas da sociedade em 
relação às questões ambientais faz com que as empresas, seja de maneira 
forçosa ou voluntária, tenham a necessidade de se adequar a essa realidade, 
enfatizando a sustentabilidade. 
Legalmente, há diferentes instrumentos capazes de enquadrar as 
organizações nessas condições, no entanto, o cumprimento dessas normativas 
se faz necessário não somente para fins de estrito cumprimento do dever legal, 
visto que vivemos em um Estado de Direito, mas pela observação da iminente 
escassez dos recursos naturais do planeta. 
Assim, a gestão ambiental, sobretudo no aspecto corporativo, se torna 
parte do sistema de gestão das empresas em relação às suas políticas, 
responsabilidades, procedimentos e práticas, objetivando uma redução 
significativa dos seus impactos ambientais. 
 
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15 
Como vantagem competitiva o investimento em ações de 
sustentabilidade corporativa traz maior credibilidade diante dos investidores; 
em relação aos clientes, os mesmos exigem empresas com as três 
características já mencionadas: ambientalmente responsáveis, socialmente 
justas e economicamente viáveis; já as próprias empresas visam ampliar sua 
fatia de mercado, reduzindo custos de operação e de matéria-prima, 
aumentando sua rentabilidade (BARBIERI, 1997). 
Além das ferramentas já abordadas nas temáticas anteriores, podemos 
acrescentar outras duas que podem perfeitamente ser usadas para a 
mensuração e apoio às ações de sustentabilidade: 
 Análise SWOT que avalia a competitividade de uma determinada 
organização de acordo com quatro variáveis: Strengths (forças), 
Weaknesses (fraquezas), Opportunities (oportunidades) e Threats 
(ameaças) (Kotler, 2000). 
 Ciclo do PDCA que possui quatro estágios: Plan (planejar), Do (fazer), 
Check (de checar) e o Act (agir). 
Aqui, daremos uma pequena ênfase à primeira ferramenta: a análise 
SWOT aplicada à sustentabilidade. 
De acordo com Chiavenato (2011), as empresas que visam a 
sustentabilidade em seus negócios se baseiam em três aspectos do triple 
bottonline: a sustentabilidade econômica (eficiência operacional), 
sustentabilidade social (relacionada aos aspectos trabalhistas e comunitários) e 
a sustentabilidade ambiental (relacionada aos aspectos de preservação dos 
recursos, uso de insumos e matérias-primas). 
 
Para Martins (2007) apud Silveira et al (2013): 
A análise SWOT é uma das práticas mais comuns voltadas para o 
pensamento estratégico das empresas e é uma ferramenta essencial 
para uma organização, pois é através dela que a empresa consegue 
ter uma visão clara e objetiva sobre quais são suas forças e 
fraquezas no ambiente interno e suas oportunidades e ameaças no 
ambiente externo, oferecendo oportunidades aos gestores de 
 
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16 
elaborar estratégias para obter vantagem competitiva e melhor o 
desempenho organizacional”. 
As forças (os pontos fortes da empresa) podem ser consideradas como 
variáveis internas e controláveis capazes de influenciar positivamente o 
crescimento da empresa e devem ser amplamente explorados pela 
organização. Já as fraquezas são características que inibem o crescimento da 
organização, assim, o conhecimento de tais características pode auxiliar na sua 
correção e superação através de planejamento estratégico organizacional. As 
oportunidades 
[...] são situações externas que podem contribuir para a concretização 
dos objetivos estratégicos, que fogem ao controle da organização e 
podem criar as condições favoráveis, desde que a mesma tenha 
condições ou interesse de utilizá-las. (SILVEIRA, 2013) 
Por fim, as ameaças são as situações que, de alguma forma, podem 
influenciar negativamente no desempenho da organização e devem ser 
analisadas criteriosamente para auxiliar no planejamento estratégico. 
De acordo com Hartline (2009), os principais fatores externos que 
influenciam as oportunidades e as ameaças estão relacionados principalmente 
aos fatores de consumo, econômicos, políticos e legislativos, tecnológicos e/ou 
socioculturais. 
Na Prática 
As Ferramentas Ambientais e o Mundo CorporativoComo vimos ao longo de nossa aula, o meio corporativo, em face do 
novo contexto mundial voltado à sustentabilidade do planeta, necessita se 
adequar a essa situação. Para isso, múltiplas ferramentas foram desenvolvidas 
para que haja a minimização dos impactos ambientais causados pelas 
empresas, comprometendo o mínimo possível a sustentabilidade econômica da 
mesma. 
Uma das ferramentas estudadas ao longo de nossa aula foi a Matriz 
SWOT ou Análise SWOT, que fornece importantes informações acerca de 
 
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17 
algumas características de uma organização. 
Que tal elaborarmos uma Análise SWOT sobre sua vida profissional? A 
melhor forma de treinarmos isso é utilizando nós mesmos como exemplo. Com 
esse tipo de análise, além de treinar a aplicabilidade de uma matriz SWOT, 
você aprenderá um pouco mais sobre seus potenciais e sobre suas fraquezas. 
Para fazer sua matriz, aí vão algumas dicas. 
a) Sobre a sua personalidade: verifique quais pontos são potencialmente 
favoráveis ao seu sucesso e quais não são tão favoráveis. 
b) Quais pecados capitais você acredita que tem em sua personalidade? 
Ainda, pergunte a uma pessoa próxima sobre suas potencialidades, ou 
seja, quais as características positivas que você possui. 
c) Busque exemplos desse tipo de matriz na internet a fim de angariar mais 
informações. 
d) Ao final é de extrema importância que você estabeleça metas de 
melhoria tanto dos pontos fortes quanto dos fracos. 
Mãos à obra! 
Protocolo de Resolução da situação proposta: 
1. Em uma folha de papel, separe quatro partes nas quais você escreverá 
sobre os conteúdos de uma matriz SWOT (forças, fraquezas, 
oportunidades e ameaças). 
2. Sua matriz SWOT será baseada em perguntas e respostas do tipo: 
 Pontos Fortes: sobre o que as pessoas mais te elogiam? Quais 
os seus maiores valores pessoais (personalidade)? Que tipo de 
experiência só você possui em relação aos outros? 
 Pontos Fracos: quais são seus maiores medos? Você se sente 
um bom profissional ou precisa se qualificar mais? O que mais te 
incomoda na sua atuação profissional? Qual característica mais te 
atrapalha no seu dia a dia? Você tem vícios (fumar, chegar 
atrasado...)? Quais podem atrapalhar seu trabalho? 
 Oportunidades: você atua em uma área de franca expansão? 
 
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18 
Frequenta congressos, seminários, workshops? Você está antenado 
com as tendências da sua profissão? Faz algum tipo de educação 
continuada (pós-graduação, mestrado, doutorado)? Possui um bom 
network para contatos profissionais? Utiliza as redes sociais para 
divulgar seu trabalho? 
 Ameaças: como você utiliza a tecnologia a seu favor? Sua 
profissão é terceirizada ou efetiva? Há grande mobilidade de mão de 
obra onde você trabalha? Qual o percentual de ameaça dos seus 
pontos fracos em relação ao seu trabalho? Quais são os maiores 
obstáculos no seu trabalho? 
3. Atenção: você deve ser o mais honesto possível nas respostas. 
Lembre-se de contar com alguém que pode confirmar suas respostas. 
Não se irrite ou fique triste como que pode ouvir. As deficiências são 
feitas para serem superadas! 
4. O cenário onde você está inserido é muito importante. Por exemplo: 
você fala muito bem inglês (isso é uma excelente vantagem), no entanto, 
todos que trabalham com você são fluentes nesse idioma... assim, essa 
vantagem passa a ser uma necessidade! 
Síntese 
Nesta aula, estudamos sobre algumas ferramentas avaliadoras de 
impactos ambientais muito importantes para as organizações. 
Dedicamos uma parte da aula para estudar o processo de 
Licenciamento Ambiental e suas principais características, por exemplo, a 
legislação que o rege e o aplica. Ainda, verificamos que há diferentes tipos de 
licenças ambientais e que estas deverão ser requeridas de acordo com o tipo 
de empreendimento, bem como o tipo de impacto ambiental que ele causa. 
Ainda durante o estudo do licenciamento, abordamos as principais 
etapas do processo de licenciamento ambiental e aprendemos que este pode 
demorar alguns meses para ser liberado. 
 
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19 
Em outra parte da nossa aula, conversamos sobre os Estudos de 
Impactos Ambientais (EIA) e os seus respectivos Relatórios de Impactos 
Ambientais (RIMA), que são importantes ferramentas para o conhecimento e 
monitoramento dos impactos ambientais de um determinado empreendimento. 
Por fim, estudamos a análise SWOT como uma importante ferramenta 
de Estudos Ambientais visando a Sustentabilidade corporativa. 
Bons estudos e até a próxima! 
Referências 
BARBIERI, J. C. Competitividade Internacional e Normalização Ambiental. 
Encontro Nacional sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente, 4. Anais. São 
Paulo, 1997. 
BRASIL. Conselho Nacional de Meio Ambiente. Resolução nº 001, de 23 de 
janeiro de 1986. Estabelece as definições, as responsabilidades, os critérios 
básicos e as diretrizes gerais para uso e implementação da Avaliação de 
Impacto Ambiental como um dos instrumentos da Política Nacional do Meio 
Ambiente. 
BRASIL. Conselho Nacional de Meio Ambiente. Resolução nº 237, de 19 de 
dezembro de 1997. Estabelece a revisão dos procedimentos e critérios 
utilizados no licenciamento ambiental, de forma a efetivar a utilização do 
sistema de licenciamento como instrumento de gestão ambiental, instituído 
pela Política Nacional do Meio Ambiente. 
 
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do 
Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988. 292 p. 
BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Institui a Política Nacional 
do Meio Ambiente. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, 
 
Pró-reitoria de EaD e CCDD 
 
20 
1981. 
BRASIL. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre os crimes 
ambientais. 
CETESB. Manual para Elaboração de Estudos para o Licenciamento com 
Avaliação de Impacto Ambiental. Disponível em: 
<http://licenciamento.cetesb.sp.gov.br/cetesb/documentos/Manual-DD-217-
14.pdf>. Acesso em: 05 mar. 2016. 
CHIAVENATO, I. (2011). Introdução à Teoria Geral da Administração. Rio 
de Janeiro: Elservier. EMATER - MG. (11 de agosto de 2008). Disponível em: 
<http://www.emater.mg.gov.br/portal.cgi?flagweb=site_tpl_paginas_internas&id
=2210>. Acesso em 09 fev. 2016. 
FERREL, O. HARTLINE, M. D. (2009). Estratégia de Marketing. São Paulo: 
Cengage Learning. 
GARCIA, K. C. Avaliação de Impactos Ambientais. 1ª edição. Editora 
Intersaberes: Curitiba, 2014. 257 p. 
JESUS, J. Good practice criteria for EIA non-technical summaries. IAIA09 
ConferenceProceedings. Accra, Ghana. 2009. Disponível em: 
<http://www.iaia.org/iaia09ghana/documents/cs/CS7-
3_Jesus_Good_Practice_Criteria.pdf>. Acesso em: 23 jun 2014. 
KOTLER, P. (2000). Administração de Marketing. 10ª ed., Prentice Hall, São 
Paulo, SP. 
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE – MMA. Programa Nacional de 
Capacitação de Gestores Ambientais: licenciamento ambiental. Brasília, 
2009. 
SEBRAE. Serviço Brasileiro de Apoio às micro e pequenas empresas. 
 
Pró-reitoria de EaD e CCDD 
 
21 
Licenciamento Ambiental. Cuiabá: Sebrae, 2012. 24 p. 
SILVEIRA, T. A.; DIAS, E. C.; CARLI, P. M. Meprograma Certifica Minas Café 
como uma Ferramenta Estratégica na Produção de Café de Minas Gerais 
Autoria: Tertuliano Andrade Silveira, Eduardo Carvalho Dias, Priscila 
Magalhães Carli, Renato José Melo Anais do II SINGEP e I S2IS – São Paulo – 
SP – Brasil. 2013. 
VALINHAS. M. M. Processo de Licenciamento Ambiental como 
Acoplamento Estrutural entre os Sistemas de Gestão Ambiental Pública e 
Privada: Acompanhamento dos Impactos da Operação da Base do Parque de 
Tubos, Macaé-RJ. 2009. Dissertação (Mestrado) - Instituto Federal de 
Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense. Programa de Pós- Graduação em 
Engenharia Ambiental, Macaé, 2009. 
VOTORANTIM. Relatório de Impacto do Meio Ambiente da Votorantim. 
Celulose e Papel. Rio Grandedo Sul, 2006. 
 
 
 
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 
 
1 
 
 
 
Gestão da Sustentabilidade 
Aula 4 
 
 
Professor Dr. Rodrigo Silva 
 
 
 
 
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 
 
2 
Conversa Inicial 
A gestão ambiental para a sustentabilidade dentro de uma empresa tem 
como função principal o desenvolvimento de políticas e estratégias que visem a 
preservação dos recursos ambientais. Como já vimos em outras ocasiões, isso 
ocorre pelo fato da crescente preocupação por parte dessas organizações em 
demonstrar (e atingir) desempenho satisfatório em relação aos seus objetivos. 
Assim, a gestão ambiental tem sido uma ferramenta importantes quando 
falamos de atividades de qualquer empresa que deseje se manter competitiva 
junto ao mercado, demonstrando a sustentabilidade em seus processos. 
No presente tema, abordaremos (mais profundamente) os principais 
conceitos de um Sistema de gestão Ambiental (SGA), iniciando com os 
princípios de sistemas de gestão. Em seguida, prosseguiremos com a 
apresentação das normas da série ISO 14000 e, em seguida, com mais 
propriedade, falaremos da NBR ISO 14001, que é a principal referência de um 
SGA, juntamente com os primeiros passos de uma implantação. 
Contextualizando 
Problematizando 
Atualmente, as empresas adotaram Políticas Ambientais que norteiam 
tanto seus processos quanto à fabricação dos seus produtos. Mas o que é 
Política Ambiental dentro de uma empresa? 
Podemos dizer que se trata de um conjunto de medidas, ações 
(ordenadas e práticas), princípios e valores que têm por finalidade garantir o 
desenvolvimento sustentável do nosso planeta. A partir desse conceito, pense 
na seguinte situação: 
Você é gestor de uma empresa que utiliza madeira para fabricação de 
móveis e é bastante engajada com as causas ambientais. Decidido a criar uma 
Política Ambiental para a empresa, solicita que sua equipe tome à frente desse 
importante projeto. 
 
 
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 
 
3 
Após algumas reuniões, vocês propõem três versões de uma política: 
 A empresa, em constante preocupação com os recursos florestais e com 
o desenvolvimento sustentável, deve buscar, em um processo de 
melhoria contínua, gerenciar seus aspectos ambientais e sua poluição, 
reduzindo de forma inteligente o uso de recursos naturais. Deve também 
estar sempre em conformidade com a legislação vigente. 
 A empresa, em constante preocupação com os interesses sociais, deve 
buscar, em um processo de melhoria contínua, gerenciar seus aspectos 
ambientais e sua poluição, reduzindo de forma inteligente o uso de 
recursos naturais. 
 A empresa, em constante preocupação com os recursos florestais e com 
o desenvolvimento sustentável, deve buscar gerenciar seus aspectos 
ambientais e sua poluição, reduzindo de forma inteligente o uso de 
recursos naturais. Deve também estar sempre em conformidade com a 
legislação vigente. 
Após a leitura atenta das propostas, você deve escolher, com base nos 
requisitos da norma, qual das políticas está mais adequada para a publicação e 
disponibilização. Lembre-se de que a Política Ambiental é que norteará as 
práticas ambientais da empresa. 
Comentário sobra as opções 
A Política Ambiental é um conjunto de ações ordenadas e práticas 
tomadas por empresas e governos com o propósito de preservar o meio 
ambiente e garantir o desenvolvimento sustentável do planeta. Nesse sentido, 
tal política deve ser norteada pelos princípios e valores do desenvolvimento 
sustentável. 
Lembre-se de que você faz parte de uma equipe que é responsável pela 
elaboração e aprovação de uma Política Ambiental. Após algumas reuniões, a 
sua equipe propôs três versões, que foram levadas à alta cúpula da 
 
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4 
organização, a qual chegou à seguinte conclusão: 
 Correta. Esta política está de acordo com a natureza da empresa, pois 
menciona um trabalho com uma perspectiva da melhoria contínua e se 
propõe a gerenciar sua poluição e a atender à legislação. 
 Errada. Esta opção não atende à política da empresa, porque dá ênfase 
às questões sociais e não ambientais. O fato de não mencionar o 
atendimento à legislação é seu erro mais crítico. 
 Esta política não está de acordo com a natureza da empresa, pois, 
apesar de aparentemente parecer completa, em nenhum momento 
menciona o trabalho focado na melhoria contínua. 
Pesquise 
Você conhece alguma Política Ambiental de alguma empresa? Se sim, 
será que ela está em acordo com as reais práticas dessa organização? 
Para responder a essa pergunta, convido você, caro aluno, a pesquisar 
sobre a Política Ambiental de quatro grandes multinacionais específicas: 
 Petrobrás; 
 Vale S.A.; 
 Coca-Cola; 
 Volkswagen. 
Pesquise nos sites das empresas e, após a leitura, compare o que há de 
comum entre essas políticas e o que diferencia uma política da outra, isto é, o 
que pode ser uma vantagem competitiva. 
 
 
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5 
Tema 1: O que são Sistemas de Gestão? 
Primeiramente, precisamos saber o que vem a ser um Sistema de 
Gestão. Você saberia explicar? 
Os Sistemas de Gestão são construídos para atender à necessidade de 
controlar um conjunto de variáveis importantes para o desempenho de uma 
instituição, e esse controle é feito por intermédio de normas, funções e 
procedimentos elaborados para disciplinar os elementos de uma empresa. 
Dessa forma, fazer gestão é eliminar o quanto possível e necessário 
a subjetividade das ações e das rotinas, para que se obtenha uma 
padronização que possibilite o controle e a previsão dos resultados. 
Para tanto, quando iniciamos a implantação de um Sistema de Gestão 
qualquer, faz-se necessária a construção de processos, pois estes são o 
elemento-base de qualquer sistema. 
Lembre-se de que processos são compostos por conjuntos de ações 
orientadas para a obtenção de determinados resultados. Por consequência, um 
sistema será um conjunto de processos que são estabelecidos com um 
propósito em comum para alcançar objetivos previamente estabelecidos. 
Agora podemos dizer que Sistema de Gestão é, portanto, um conjunto 
de atividades encadeadas para a promoção de ações transformadoras de uma 
entrada em uma saída, com um propósito em comum, formando um processo 
que, pela união de outros, gerará um sistema. 
Quando identificamos ou construímos esses elementos para um 
propósito específico, estamos realizando gestão pela construção de sistemas. 
São inúmeros os objetivos para os quais podemos construir sistemas, por 
exemplo: 
 Gerenciar riscos à saúde ocupacional; 
 Gerenciar aspectos e impactos ambientais; 
 Com os objetivos relacionados à satisfação do cliente; 
 
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6 
 Gerenciar ações de responsabilidade social. 
Para todos esses objetivos, temos sistemas e normas diferentes como, 
por exemplo: 
 Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ), com a Norma ISO 9001; 
 Sistema de Gestão Ambiental (SGA), com a Norma ISO 14001; 
 Saúde e Segurança Ocupacional (SSO), com a Norma OHSAS 18001; 
 Sistema de Gestão de Responsabilidade Social (SGRS), com a Norma 
AS 8000 e a ISO 26000. 
Quanto à construção de sistemas, alguns itens devem ser bem 
esclarecidos. Por exemplo, quando devo descrever algo como atividade ou 
como processo? Nesse caso, a dica é a seguinte: identifique primeiramente o 
grau de importância desse item em questão. 
Vamos imaginar a seguinte situação: a limpeza de uma sala, você 
descreveria como uma atividade ou como um processo? A resposta mais 
adequada seria... depende. Estamos fazendo referência a uma sala de aula 
que teria sérias complicações se a limpeza, agendada para as 14h30min. de 
hoje, fosse transferida para o dia seguinte? Ou seja, as consequências disso 
seriam graves? 
Agorafaçamos a mesma análise, porém para a limpeza de uma sala de 
cirurgia de emergência. Você acha que haveria consequências graves se a 
limpeza fosse deixada para o dia seguinte? 
Para essa questão, devemos considerar a importância de determinada 
atividade e o quanto ela é crítica para o sucesso do sistema. Em situações com 
as quais quaisquer desvios possíveis seriam, na sua maioria, rapidamente 
resolvidos pelo sistema, não se justificaria um alto nível de detalhamento e 
poderíamos perfeitamente considerá-la como atividade. Entretanto, toda vez 
que se tratar de algo que mereça um controle maior, deve-se identificar e 
descrever todas as atividades subsequentes dessa ação e, por consequência, 
 
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7 
teremos um processo. 
Percebam que não existe uma regra que defina que determinada ação 
deva sempre aparecer no sistema como atividade ou como processo, cabe ao 
gestor decidir qual grau de controle deve ser atribuído a ela. Contudo, é 
importante lembrarmos que quanto mais controle, mais caro se torna o sistema 
e só se justifica se a atividade comercial da empresa for compatível com esses 
níveis. 
Texto de leitura obrigatória: 
Para aprofundar os estudos sobre os Sistemas de Gestão, 
recomendamos a leitura da obra “Modelos de Gestão: das Teorias da 
Administração à Gestão Estratégica”, de Elizenda Orlickas. Este livro aponta 
conceitos ligados às teorias administrativas e organizacionais e aos modelos de 
gestão sob uma ótica moderna e atualizada. A obra está disponível na sua 
Biblioteca Virtual. 
Tema 2: International Organization for Standardization (ISO) 
A ISO (International Organization for Standardization) é uma 
organização de membros não governamental independente e a maior 
desenvolvedora mundial de normas internacionais voluntárias. Participam 
dessa organização 163 países, que são os organismos nacionais de 
normalização ao redor do mundo, com uma Secretaria Central, que tem sede 
em Genebra, Suíça. 
Os comitês, Technical Commite (TC), são compostos por representantes 
de diversas áreas: industrial, pesquisa, autoridades governamentais, 
representantes de grupos de consumidores e organizações internacionais, e 
têm como tarefa a discussão e a produção de normas. Cada comitê é 
responsável por criar uma série de normas, em determinadas áreas, como 
mencionado anteriormente. 
Na área ambiental, verifica-se que a ISO já tem produções anteriores, 
como a ISO 14000, porém, com normas avulsas, como a “Qualidade do Ar pelo 
 
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8 
TC-147”, a “Qualidade da Água” e a “Qualidade do Solo pelo TC-190”. Foi com 
a criação do comitê TC-207 que se efetivou o seu posicionamento diante do 
meio ambiente. 
Os estudos na área ambiental iniciaram pelo Strategic Advisory Group 
on the Environmental (Sage), tendo como referência básica os princípios 
relativos à qualidade (série ISO 9000), nos quais foram levantados Sistemas de 
Gestão Ambiental, já existentes em alguns países, abrangendo os seguintes 
temas: 
 Avaliação de performance ambiental; 
 Rotulagem ambiental; 
 Auditoria ambiental; 
 Análise de ciclo de vida; 
 Aspectos ambientais e normas de produtos. 
Para esse posicionamento, é importante relembrar a influência da 
ECO-92, conferência em que surgiu a proposta, juntamente com a ISO, da 
criação de um grupo a fim de promover estudos para o processo de elaboração 
de normas de gestão ambiental. O Brasil é representado pela Associação 
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), com o Comitê Brasileiro de Gestão 
Ambiental (CB-38), que é correspondente ao TC-207 da ISO. Este, criado em 
1993, é o comitê técnico responsável pela elaboração das normas de caráter 
internacional, da série ISO 14000, que tem o propósito de estabelecer normas 
para o sistema de gestão ambiental. 
Durante a criação das normas, vários documentos são elaborados e 
submetidos à aprovação da ISO, sendo esse processo composto por três fases 
principais: 
 A primeira fase compreende a necessidade requerida, geralmente, pelo 
setor industrial de uma normatização internacional relativa à 
padronização. Por exemplo, a padronização de alguns produtos, 
 
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9 
processos e transações internacionais, como a necessidade de 
estabelecimento de padrões ambientais de selos e rótulos, entre outros. 
 Já na segunda fase, ocorre a elaboração de um padrão (standard), 
após acordos iniciais, que traz os detalhes das características relativas a 
eles e busca o estabelecimento de um consenso entre as partes, sendo 
uma fase crítica, na qual os interesses são postos em questão. 
 A terceira fase é quando ocorre a aprovação dos padrões resultantes 
dos rascunhos (draft), entre o consenso mínimo de dois terços dos 
membros, com a participação ativa no processo de desenvolvimento de 
padrões, e mais 75% de todos os membros. Após essa etapa, ocorrerá a 
sua aprovação definitiva, com a devida publicação, como uma norma da 
ISO. 
São três os princípios que fundamentam a produção das normas ISO: 
 O princípio do consenso; 
 O princípio da abrangência internacional; 
 O princípio da voluntariedade. 
O último se fundamenta pela não obrigatoriedade da adoção das 
normas pelas empresas, ou seja, a aceitação dos critérios tem que partir de 
um interesse na adoção de determinada norma pelas empresas ou entidades; 
esse tem como fundamento primordial a busca da ampla aplicação para os 
setores estudados, propondo soluções e uma aplicabilidade global; e aquele se 
expressa a partir da obrigatoriedade teórica de levar em consideração o 
interesse de todos, buscando um denominador comum. 
 
 
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10 
Tema 3: Série ISO 14000 (Sistemas de Gestão Ambiental) 
As normas dessa série estabelecem padrões para a implantação de um 
Sistema de Gestão ambiental nas organizações que, segundo a NBR ISO 
14001:2015, visam: 
 Estabelecer, implementar, manter e aprimorar um sistema de gestão 
ambiental; 
 Assegurar a conformidade com sua política ambiental definida; 
 Buscar conformidade com a norma. 
É importante ressaltar que a norma não estabelecerá critérios ou 
técnicas específicos de desempenho e sim procedimentos e padrões que têm 
como objetivo facilitar a avaliação do sistema. Assim, a série ISO 14000, 
desenvolvida para o gerenciamento, tem como objetivo fornecer padrões e 
normas elaboradas pela International Organization for Standardization, com o 
intuito de promover melhor desempenho ambiental para a empresa. 
A ISO 14001 é a norma internacional pertencente à Série de Normas 
ISO 14000, que trata especificamente da implantação de um sistema de gestão 
ambiental, sendo a única da série que é certificável; elaborada e publicada no 
ano de 1996. Mais tarde, no ano de 2004, foi revisada e publicada a nova 
versão que, em português, foi traduzida pela ABNT como NBR ISO 
14001:2004. Atualmente, a norma passou por uma revisão para atualizar seus 
quesitos. O lançamento aconteceu em 2015. 
De acordo com a FIESP1, as principais mudanças da versão atual (2015) 
em relação à anterior (2004) foram: 
 O entendimento do contexto da organização, as necessidades e as 
expectativas das partes interessadas; 
 A consideração de uma perspectiva de ciclo de vida; 
 
1 Disponível em: <http://www.fiesp.com.br/indices-pesquisas-e-publicacoes/iso-140012015-
saiba-o-que-muda-na-nova-versao-da-norma/>. Acesso em: 6 jul. 2016. 
 
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11 
 A ênfase em uma abordagem de riscos; 
 A liderança como papel central para o alcance dos objetivos do sistema 
de gestão; 
 O destaque para o fortalecimento do desempenho ambiental da 
organização, por meio da melhoria contínua do Sistema de Gestão 
Ambiental.A principal motivação das organizações em implantar essa norma deve-
se à crescente preocupação por parte das empresas em demonstrar seu 
desempenho ambiental e uma conduta correta. 
As contribuições atribuídas a essa norma estão na disponibilização e 
especificação dos passos essenciais ou nos requisitos necessários a um SGA, 
que se aplicam perfeitamente a diferentes tamanhos e localizações 
geográficas, culturais e sociais das mais diversas organizações. 
Sintetizando, a ISO 14001:2015 é aplicável a todas as organizações que 
demonstrarem interesse para: 
 Implementar, manter e aprimorar um Sistema de Gestão Ambiental 
(SGA); 
 Assegurar-se da conformidade com a política ambiental, os objetivos e 
as metas ambientais que estabeleceu, e comprovar a melhoria contínua 
do desempenho ambiental; 
 Utilizar-se de um parâmetro internacional para demonstrar conformidade 
ambiental em caso de realizar autoavaliação ou autodeclaração; 
 Buscar o reconhecimento das partes interessadas, tais como clientes, ou 
seja, o reconhecimento de uma “segunda parte”; 
 Buscar confirmação de sua autodeclaração por meio de uma 
organização externa, uma “terceira parte”, sem obter uma certificação; 
 Buscar, por meio de uma organização externa, uma “terceira parte”, a 
 
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12 
“certificação” ou o “registro”, oficial e internacional de seu Sistema de 
Gestão Ambiental (FIESP, 2015). 
Segundo a ISO 14001, o que é Sistema de Gestão Ambiental (SGA)? 
Há cerca de uma década, muitas organizações, que elaboravam uma 
política ambiental e tinham objetivos e metas ambientais a ser perseguidos, 
costumavam fazer “análises” ou “auditorias” ambientais para avaliar seu 
desempenho ambiental, ou seja, se os objetivos e as metas ambientais 
estavam sendo alcançados. 
Porém, isso não foi considerado suficiente para garantir que o 
desempenho ambiental atendesse, de forma contínua, os objetivos e as metas 
ambientais, fundamentados na política ambiental e, consequentemente, no 
atendimento a requisitos legais e outros requisitos, com os quais as 
organizações estivessem comprometidas (FIESP, 2015). 
Tema 4: A Gestão Integrada 
Podemos conceituar o Sistema de Gestão Integrada (SGI) — também 
denominado Enterprise Resource Planning (ERP) — como uma combinação de 
processos, procedimentos e práticas relacionados à questão de meio ambiente, 
qualidade, saúde e segurança, que são seguidos pela organização, com o 
intuito de auxiliar na implementação das suas políticas e atingir seus objetivos 
(CERQUEIRA, 2006). 
 
 
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13 
Entre as ações do SGI, podemos destacar as seguintes: 
 
 Principais objetivos do SGI. Fonte: elaborado pelo autor. 
 
Assim, a partir dessas informações, podemos concluir que o SGI de uma 
determinada organização inclui três normas fundamentais: ISO 9001 
(Qualidade), ISO 14001 (Meio Ambiente) e OHSAS 18001 (Saúde e Segurança 
Ocupacional): 
 
Normas que estão envolvidas no SGI. Fonte: elaborado pelo autor. 
SGI
Busca contínua 
pela excelência 
em qualidade 
Satisfação dos 
clientes
Capacitação 
profissional
Integridade 
física dos 
colaboradores
Preservação 
ambiental
Atendimento às 
legislações 
vigentes 
Incentivo ao 
comportamento 
ético e 
responsável
 
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14 
De acordo com a Bureau Veritas2 — grupo internacional dedicado à 
realização de serviços de avaliação de conformidade e certificação — as 
principais vantagens da implantação de um SGI são: 
 Otimiza os recursos empregados na implementação, 
certificação e manutenção dos sistemas de gestão da 
qualidade, meio ambiente e saúde e segurança ocupacional. 
 Demonstra seu compromisso com a qualidade, meio ambiente 
e saúde e segurança ocupacional; 
 Ajuda a melhorar o seu desempenho organizacional; 
 Minimiza a vulnerabilidade legal; 
 Reduz efetivamente os incidentes e acidentes de trabalho. 
Tema 5: Certificação Ambiental e Auditoria 
Desde a abertura do Brasil para o mercado internacional, algumas 
estratégias competitivas passaram a ser adotadas visando essa inserção. 
Como já mencionado, a preocupação ambiental tem sido um dos fatores 
cruciais de adoção de novas estratégias competitivas. Para isso, o mercado 
implantou ferramentas de qualidade para garantir que os produtos e serviços 
oferecidos sejam condizentes com aquilo que se propõe. Foi nesse contexto 
que foram criadas as certificações. 
É importante destacar que há uma hierarquia em relação as 
certificações: 
 A certificação se trata de uma Avaliação de Conformidade de um 
determinado produto, serviço ou processo; 
 A Avaliação de Conformidade é um processo que segue uma 
sistematização, regulamentação e avaliação e propicia alto grau de 
confiança aos consumidores daquele produto, serviço ou processo, além 
de atender aos requisitos legais e normativos. 
 Portanto, a certificação é o reconhecimento formal de produtos, 
serviços ou processos realizados por meio de auditorias. 
 
2 Trecho retirado na íntegra de: <http://www.bureauveritascertification.com.br/solucoes/sistema-
de-gestao/gestao-integrada>. Acesso em: 6 jul. 2016. 
 
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15 
De acordo com o Inmetro, “a certificação de conformidade induz à busca 
contínua da melhoria da qualidade. As empresas que se engajam neste 
movimento, orientam-se para assegurar a qualidade dos seus produtos, 
processos e serviços, beneficiando-se com a melhoria da produtividade e o 
aumento da competitividade (INMETRO, 2014). 
A certificação é um indicador para os consumidores de que o produto, 
processo ou serviço atende a padrões mínimos de qualidade. 
Qual a hierarquia dos organismos que realizam o processo de avaliação 
de conformidade? 
De acordo com a norma ABNT NBR ISO/IEC 17011:2005, a definição de 
acreditação é a “atestação de terceira-parte relacionada a um organismo de 
avaliação da conformidade, comunicando a demonstração formal da sua 
competência para realizar tarefas específicas de avaliação da conformidade” 
(ABNT, 2005). 
No Brasil, o organismo acreditador é o Inmetro (Instituto Nacional de 
Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial), reconhecido pelo 
International Accreditation Forum (IAF). Assim, desde de 1992 o Inmetro 
acredita e avalia os organismos de certificação públicos e privados. Este 
organismo avalia e reconhece formalmente um organismo certificador. 
Na sequência, temos os OAC (Organismos de Avaliação da 
Conformidade). Como já mencionado, os OAC avaliam a conformidade de 
produtos, serviços ou processos em relação às especificações e/ou aos 
requisitos. 
 
 
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16 
Abaixo, segue um esquema de como é o sistema de acreditação: 
 
Sistema de acreditação. Fonte: Norma ABNT NBR ISO/IEC 17011:2005 – Set/2005. 
A auditoria em certificação ambiental é um processo sistemático de 
avaliação da conformidade da organização em relação aos princípios que 
são estabelecidos nas normas a qual a empresa esteja desejando se certificar 
(ISO 14000, por exemplo). Tais auditorias seguem as diretrizes estabelecidas 
pela NBR ISO 19011:2002 (ABNT, 2002). 
De acordo com a normativa, as auditorias podem ser classificadas como: 
 Auditoria interna: desempenhada por profissionais da própria empresa 
que está sendo auditada, tem como principal objetivo garantir o 
cumprimento dos regimentos, das normas e das políticas internas. 
 Auditoria externa: realizada por uma empresa terceirizada que emite 
um laudo acerca da veracidade dos dados da empresa que está sendo 
auditada. 
 
Organismo de acreditação - INMETRO
(avalia a competência)
Organismos de avaliação da 
conformidade
(avalia a conformidade)
Produtos, serviços, processos ou 
fornecedor
Norma 
específicaCCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 
 
17 
Ou, ainda: 
 Auditoria de primeira parte: realizada por uma organização acerca 
dela mesma, visando benefício da administração na atuação de 
melhorias. 
 Auditoria de segunda parte: conduzida por uma organização (segunda 
parte) que tem algum interesse sobre uma outra, visando a averiguação 
de determinadas características (exemplo: fornecedores). 
 Auditoria de terceira parte: realizada por uma organização 
independente (terceira parte) sem interesses no auditado. 
Trocando ideias 
Ficou com alguma dúvida ou tem algum material interessante para 
compartilhar? Então entre no fórum! Veja também o que seus colegas têm a 
dizer, esse é o momento de compartilhar informações, não deixe de participar! 
Na Prática 
 Os problemas ambientais fazem parte da história da humanidade. A 
problemática ambiental tem sido motivo de preocupações desde a Antiguidade, 
isso pode ser muito bem observado em manuscritos, publicações e arquivos 
históricos. 
A ampla falta de perspectiva histórica sobre as questões ambientais tem 
suas origens na negligência e desinformação. Como resultado, as questões 
ambientais contemporâneas muitas vezes surgem nos meios de comunicação 
de massa, sem contexto e, em seguida, desaparecem sem sabermos 
exatamente qual o fim da história. 
Assim, a proposta dessa atividade é bastante simples: construir uma 
linha do tempo (timeline) com os principais acidentes ambientais que 
aconteceram no mundo. 
 
 
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18 
Para isso, as regras são bem simples. 
a. Começar na década de 1950 e listar ao menos dois acidentes 
importantes em cada década. 
b. Cada acidente deve ser explicado brevemente: local, componente 
químico (se for o caso), óbitos (se houver) e desdobramentos. 
c. A linha do tempo deve ser construída em ferramenta própria disponível 
na web. 
Mãos à obra! 
Protocolo de Resolução da situação proposta 
 Primeiramente, você deve fazer um levantamento dos principais 
acidentes ambientais da história (não se esqueça dos requisitos que não 
podem faltar). 
 Após a coleta das informações, você deve construir a linha do tempo. 
Para isso utilize uma das páginas abaixo: 
http://www.dipity.com/ 
http://www.mapreport.com/subtopics/d/1.html 
http://noticias.universia.com.br/atualidade/noticia/2014/04/15/1094875/7-
ferramentas-online-criar-linhas-tempo.html 
http://pt.wikihow.com/Criar-uma-Linha-do-Tempo-no-Microsoft-Word 
http://podeserdivertido.com/2013/09/25/linha-do-tempo-on-line/ 
https://support.office.com/pt-br/article/Criar-uma-linha-do-tempo-no-
Project-628257da-4355-45d4-8605-0f21974a9fcb 
https://knightcenter.utexas.edu/pt-br/blog/00-13528-mapas-linhas-do-
tempo-e-infograficos-5-ferramentas-para-ilustrar-suas-materias-com-vis 
 
 
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19 
 Na web, você encontrará uma série de sites que mencionam os 
acidentes ambientais mais importantes da história. 
 Se achar necessário, leia o livro “Empresa, Meio Ambiente e Sociedade” 
do professor Mário Alencastro (disponível na sua Biblioteca Virtual), 
onde há vários exemplos de acidentes ambientais. 
Síntese 
Nessa aula, trabalhamos os seguintes temas: 
 O que são Sistemas de Gestão? 
 International Organization for Standardization (ISO). 
 Série ISO 14.000 (Sistemas de Gestão Ambiental). 
 A Gestão Integrada. 
 Certificação Ambiental e Auditoria. 
Até a próxima aula! 
 
 
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20 
Referências 
ABNT NBR ISO 19011, 2002. Diretrizes para auditorias de Sistema de 
Gestão da Qualidade e/ou Ambiental. 
ALENCASTRO, M. S. C. Empresas, ambiente e sociedade: introdução à 
gestão socioambiental corporativa. Curitiba: InterSaberes, 2012, 125 p. 
BARBIERI, JOSÉ CARLOS. Gestão Ambiental Empresarial. São Paulo: 
Saraiva, 2007. 
BRASIL. Lei n. 6.938, de 31 de agosto de 1981. Institui a Política Nacional do 
Meio Ambiente. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, 1981. 
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. 
Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988. 292 p. 
BRUNDTLAND, G. H. (Org.). Nosso futuro comum. Rio de Janeiro: FGV, 
1987. 
CURI, D. Gestão Ambiental. 1. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall. 2012. 
154 p. 
CERQUEIRA J. P. Sistemas de gestão integrados: Rio de Janeiro: 
Qualitymark, 2006. 
CASAGRANDE JUNIOR, Eloy F.; AGUDELO, Libia P. P. Meio ambiente e 
desenvolvimento sustentável. Curitiba: Livro Técnico, 2012. 
CAPRA, FRITJOF. Conexões Ocultas: Ciência para uma Vida Sustentável. 4. 
ed. Trad. Marcelo Brandão Cipolla. São Paulo: Pensamento-Cultrix, 2005. 
CARVALHO, I. C. M.; GRUN, M.; TRAJBER, R. (Orgs.). Pensar o Ambiente: 
bases filosóficas para a Educação Ambiental. Brasília: Ministério da Educação, 
Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, UNESCO, 
2006. 
FARIAS, Talden Queiroz. Princípios gerais do direito ambiental. In: Âmbito 
Jurídico, Rio Grande, IX, n. 35, dez 2006. Disponível em: <http://www.ambito-
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Acesso em: 6 jul. 2016. 
KATSOYIANNIS, A.; BOGDAL, C. Interactions between indoor and outdoor 
air pollution – Trends and scientific challenges. Environ. Pollut, 2012. 
 
 
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 
 
21 
RICKLEFS, Robert E. A economia da natureza. 5. ed. Rio de Janeiro: 
Guanabara/Koogam, 2003. 
STADLER, A.; MAIOLI, M. R. Organizações e Desenvolvimento Sustentável. 
Curitiba: Ibpex, 2011 (Coleção Gestão Empresarial). 
SILVA, Devanildo Braz da. Sustentabilidade no Agronegócio: dimensões 
econômica, social e ambiental. Comunicação & Mercado/UNIGRAN. 
Dourados - MS, vol. 1, n. 3, p. 23-34, jul-dez 2012. 
YAMAWAKI, Y. Introdução à gestão do meio urbano. Curitiba: Ibpex, 2011, 
229 p. 
 
 
 
Pró-reitoria de EaD e CCDD 
 
1 
 
 
 
 
 
Gestão da Sustentabilidade 
 
Aula 05 
 
 
Prof. Dr. Rodrigo Silva 
 
 
Pró-reitoria de EaD e CCDD 
 
2 
Conversa inicial 
Há um grande número de questões ambientais que têm impacto sobre a 
produção de bens e produtos, por exemplo: 
 Qual é o impacto da produção e do fornecimento de materiais e 
embalagem para o meio ambiente? 
 Como utilizar o mínimo de embalagens e matérias-primas sem 
comprometer a qualidade do produto e, ainda, diminuir o impacto 
ambiental? 
Um maior foco nas questões ambientais de sustentabilidade tem contribuído 
significativamente para um aumento na demanda por produtos e serviços 
“amigos do meio ambiente”. Os holofotes sobre preservação ambiental criaram 
algumas terminologias muito utilizadas, tais como "pegada de carbono" e 
"compensação". Nesse sentido, muitas organizações adaptaram suas 
estratégias de marketing para capitalizar o apetite dos consumidores por 
produtos e serviços ambientalmente responsáveis. 
Portanto, o marketing ambiental leva em conta fatores adicionais que não são 
normalmente parte do marketing convencional. Tais fatores serão estudados na 
aula de hoje. 
 
 
Contextualizando 
Desligar a luz quando você sair de uma sala; reciclar, em vez de jogar fora; e 
refletir sobre as contribuições diárias que você pode fazer para reduzir a sua 
pegada de carbono e contribuir para um planeta melhor são, hoje, considerados 
amplamente como responsabilidade de todos para proteger o meio ambiente. 
 
 
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3 
A responsabilidade social das empresas, também conhecido como cidadania 
corporativa ou o capitalismo consciente, é praticada por empresas dedicadas a 
produzir um impacto social ou ambiental positivo na sociedade. Cada vez mais, 
os consumidores esperam que as empresas de façam um ou o outro, se não 
ambos. 
Mas, será que os consumidores realmente se preocupam com o capitalismo 
consciente quando se trata de decisões de compra? Eles estão dispostosa 
pagar mais por produtos e serviços que vêm de empresas que se envolvem em 
ações sociais positivas? 
É nesse contexto que entra o Marketing, que é um aspecto importante de 
qualquer empresa que garante que seus clientes estão cientes de seus produtos 
e serviços e sua marca. Comunicar eficazmente sua história é a chave para o 
marketing eficaz. Ainda, com a crescente preocupação em relação ao alcance 
da sustentabilidade, o principal desafio das empresas é comunicar os benefícios 
ambientais e sociais de suas ofertas através de uma comunicação honesta. 
Em face desta expectativa da sociedade deu-se o nascimento do “Marketing 
Verde” como uma ferramenta de realização de responsabilidade social 
corporativa. 
 
Problematizando 
O mercado cada vez mais competitivo, juntamente com a disponibilidade de 
recursos naturais em diminuição, tem forçado as empresas a conceber métodos 
de transcender seus negócios para além dos limites operacionais tradicionais, 
em direção a uma abordagem mais estruturada: a abordagem do Triple Bottom 
Line. 
Com ênfase nas pessoas, no meio ambiente e no lucro, as empresas que 
seguem uma abordagem Responsabilidade Social Empresarial (RSE) são 
 
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4 
capazes de administrar com eficácia um sistema que atenda às necessidades 
das partes interessadas internas e externas (stakeholders). Assim, as mudanças 
ocorridas no atual modelo de Gestão devem inserir em seu contexto os três 
aspectos da sustentabilidade: econômico, social e o ambiental. 
Imagine-se gestor de uma corporação que se sustenta nos padrões antigos de 
produção e serviços. Há necessidade imediata de mudanças, ou seja, adoção 
de uma nova postura de gestão. Elas já começaram pela melhoria no processo 
produtivo com a diminuição da emissão de gases de efeito estufa, o que gerou 
maior visibilidade (visibilidade positiva) pelos órgãos ambientais e ONGs 
relacionadas ao tema. 
No entanto, ainda há grandes dificuldades em implementar um projeto de 
responsabilidade social corporativa dentro da empresa. Assim, seu papel é 
iniciar esse processo para que a empresa possa ser bem aceita no mercado 
consumidor. Para isso, três opções foram dadas: 
I. Você, como responsável pelo plano de SRE, o faz com base em seus 
estudos e o implanta tão logo seja finalizado: “pedido feito, pedido 
atendido”. Prefere a centralização para agilizar todo o processo. 
II. A melhor forma é buscar ONGs e projetos que apoiem as questões 
socioambientais, pois a experiência deles no assunto pode favorecer a 
empresa. Assim, o apoio financeiro à essas instituições é a melhor forma 
de terceirizar o processo. 
III. Cria uma comissão (grupo de trabalho) para discutir as estratégias do 
plano. Farão parte do GT: diretoria e colaboradores visando uma gestão 
participativa. 
Após a leitura das opções, você deverá optar por aquela que melhor se enquadra 
em um plano de implementação de um projeto de RSE. 
 
 
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5 
Comentário sobra as opções 
Devemos fazer a seguinte consideração: no passado, os detalhes das ações de 
uma empresa eram restritos à alguns jornais da área corporativa ou entre 
discussões acadêmicas nas salas de aula das escolas de negócios. Entretanto, 
nos dias de hoje, qualquer empresa que tiver algum tipo de ação socialmente 
irresponsável pode aparecer em diferentes mídias, principalmente as redes 
sociais. Hoje, mais do que nunca, as empresas estão sob o olhar atento de seus 
stakeholders. 
Assim, planos de implantação de RSE devem levar em consideração uma série 
de aspectos. Nas opções avaliadas apenas uma estava correta. Vejamos! 
I. ERRADO. Um dos principais erros ao implementar um projeto de RSE é 
estabelecer uma única pessoa como responsável por isso. É necessário 
que se formalize um grupo de trabalho (comissão) de maneira a 
descentralizar o processo; 
II. ERRADO. Deve-se ter o máximo de cuidado com esse tipo de ação, pois 
algumas podem arruinar todo o projeto. Por exemplo, ao apoiar projetos 
ambientais (ou mesmo alguma instituição), deve-se ter um sistema de 
monitoramento do impacto dessas atividades no meio ambiente. Talvez, 
as ações sejam tão malfeitas que não vale a pena apoiar. 
III. CORRETO. As empresas não devem impor seus programas de cima para 
baixo, sem o envolvimento de funcionários e colaboradores no processo. 
Um dos piores efeitos da gestão não participativa é que ela afasta o 
compromisso, desperdiça a potencial energia de colaboração e 
desestimula a circulação de ideias necessárias para criar cultura interna 
de sustentabilidade. 
 
 
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6 
Pesquise 
Quais principais estratégias de marketing ambiental estão sendo utilizadas pelas 
grandes empresas? Essas propagandas/informações são realmente 
verdadeiras? Para conferir, você deverá acessar o site de duas empresas 
nacionais (Boticário; Natura). Após, verifique quais estratégias de marketing 
envolvendo projetos socioambientais estão sendo utilizados por estas empresas. 
Em uma pesquisa mais aprofundada em outros websites, tente descobrir se há 
alguma inverdade nas informações passadas no website das empresas. 
 
 
Tema 01: O que é marketing verde? 
Com a cobrança do novo mercado consumidor, que exige a fabricação de 
produtos ou serviços que tragam algum apelo relacionado à proteção ambiental, 
muitas empresas modificaram suas estratégias de marketing e passaram a 
utilizar o marketing verde como elemento norteador dos seus processos. 
Nos Estados Unidos, comissões e associações como a Federal Trade 
Commission (FTC) e a National Association of Attorneys-General analisam as 
questões do marketing ambiental através de documentos e protocolos 
desenvolvidos especificamente para esse campo de atuação (U.S. DoJ e FTC, 
1991). No Brasil, esse ainda é um assunto muito incipiente e que não tem 
legislações ou documentos que apresentem requisitos para a prática. 
Para os autores Pride & Ferrel (2000), marketing verde se refere, 
especificamente, ao desenvolvimento, aperfeiçoamento, à promoção e 
distribuição de produtos que não agridem o ambiente natural. Complementando 
a ideia apresentada, Xavier e Chiconatto (2014) afirmam que o conceito de 
marketing verde não está tão somente relacionado aos produtos que tenham 
alguma alusão à proteção ambiental, mas, adicionalmente, deve estar atrelado 
 
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7 
aos processos de produção, bens de consumo e bens de serviços. Entretanto, 
Johr (1994) salienta que: 
“Incorporar a mentalidade ambientalista ao seu negócio não se 
limita, porém, a uma estratégia de marketing que tinja um pouco 
mais de verde seus produtos e operações. Tomar em 
consideração as demandas ambientalistas (...) significa 
compreender o quanto as questões ecológicas envolvem seus 
negócios e podem colaborar com seus lucros. Significa, 
também, (...) administrar uma complexa cadeia de fatos inter-
relacionados, que envolvem inúmeras etapas, desde a 
fabricação de produtos de sua empresa até seus fornecedores, 
clientes, empregados, a mídia e a comunidade onde se está 
inserido, de modo a obter uma sinergia nos resultados (JÖHR, 
1994).” 
Nos países desenvolvidos ou em desenvolvimento (como é o caso do Brasil), a 
mudança de pensamento e atitudes tornou expressa a preocupação ambiental. 
Assim, os mercados consumidores passaram a adquirir mais produtos 
ambientalmente seguros. Com isso, observou-se um crescimento e 
desenvolvimento de rótulos ambientais que têm por finalidade informar 
justamente sobre tais práticas ambientalmente responsáveis atreladas à 
fabricação ou até mesmo àquele produto em si. 
Em resumo, podemos definir marketing ambiental (ou marketing verde) como 
uma prática empresarial que leva em conta as preocupações dos consumidores 
sobre a promoção preservação e conservação do meio ambiente. As campanhas 
de marketing verde destacam-se por ter características de proteção ambientaldiferentes dos produtos convencionais como, por exemplo: 
 Redução do desperdício na embalagem; 
 Aumento da eficiência energética do produto em uso; 
 Redução do uso de produtos químicos; 
 
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8 
 Diminuição das emissões de gases tóxicos e outros poluentes durante o 
processo produtivo. 
Portanto, os clientes estão à procura de produtos mais ecológicos, 
impulsionados pela perspectiva de alternativas mais saudáveis com maior 
qualidade aliado à preservação o meio ambiente e economizando tempo e 
dinheiro. 
 
 
Tema 02: O marketing verde e as empresas greenwashing 
Muito embora o marketing ambiental seja uma ferramenta muito importante para 
impulsionar o consumo de produtos ecologicamente corretos, há várias 
empresas que praticam o greenwasing, cuja tradução direta poderia ser 
“lavagem verde”. 
De acordo com Tavares e Ferreira (2012), a denominação greenwashing remete 
ao fato de que as empresas vinculam informações ecológicas vantajosas em 
seus serviços e produtos de modo a distorcer a realidade. Já para Leeuwen 
(2008), o greenwashing é uma informação enganosa vinculada por uma empresa 
buscando apresentar uma imagem cidadã. 
Assim, a construção de uma imagem ambientalmente responsável por parte das 
empresas é o principal foco do greenwashing, muito embora a maioria das 
informações vinculadas sejam falsas. 
 
 
 
 
 
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9 
A representação do greenwashing. Empresas maquiam seus verdadeiros produtos e 
serviços com uma imagem ambientalmente responsável. 
 
No Brasil, a regulamentação das ações publicitárias deve seguir as 
especificações do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária 
(Conar), que estabeleceu 8 princípios que devem ser seguidos visando “refletir 
a responsabilidade do anunciante para com o meio ambiente e a 
sustentabilidade” (CONAR, 2016). Confira a seguir! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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10 
 
 
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11 
Mas, como identificar uma empresa ou propaganda greenwashing? O site 
americano GREENWASHING INDEX dá algumas dicas importantes: 
 Buscar no website da empresa os reais projetos socioambientais em que 
ela está engajada e se realmente eles acontecem ou são apenas fachada; 
 Tente fazer uma busca geral no Google para verificar se a imagem da 
empresa está vinculada a algum tipo de escândalo ou caso que envolva 
impacto socioambiental. 
 Desconfie e, em caso de comprovação do greenwashing, denuncie ao 
Conar. 
 
Em face das informações, fica clara a diferença entre marketing verde e 
greenwashing. Uma pesquisa realizada pelo instituto de pesquisa Market 
Analysis, em 20141, destacou alguns pontos importantes em relação aos 
resultados encontrados. São eles: 
 Cresce 4 vezes o número de produtos “verdes” de limpeza, cosméticos e 
higiene pessoal disponíveis ao consumidor; 
 Somente 5% dos apelos correspondem a selos ou certificações de 
terceira parte, ou seja, a rotulagem ambiental ainda é fundamentalmente 
baseada em autodeclarações; 
 Há uma proporção menor de greenwashing. Porém, há um número muito 
maior de produtos cometendo algum dos tipos de maquiagem verde; 
 
1 Texto retirado na íntegra de: <http://marketanalysis.com.br/wp-
content/uploads/2014/09/Greenwashing_2014_MarketAnalysis.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2016. 
 
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12 
 As marcas pecam mais pela incerteza e por apresentar símbolos que 
transmite a ideia de certificações que, na prática, não existem; 
 Produtos de limpeza cometem uma variedade maior de pecados do 
greenwashing. Cosméticos e produtos de higiene pessoal apresentam 
muitas mensagens vagas ou vazias ao consumidor. 
 
 
Tema 03: O Ecoeficiência e a Produção Mais Limpa (P+L) 
A Produção Mais Limpa (P+L) foi definida inicialmente em 1990 pelo Programa 
das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA ou UNEP, em Inglês) como 
sendo "a aplicação contínua de uma estratégia ambiental integrada a processos, 
produtos e serviços para aumentar a eficiência e reduzir os riscos para os seres 
humanos e o meio ambiente". 
No entanto, a confluência de crise econômica e ambiental global que tem 
ocorrido nos últimos anos consolidou a compreensão da interdependência entre 
os nossos sistemas económicos e ambientais e forneceu um novo impulso aos 
esforços internacionais para promover a transição para sistemas industriais mais 
sustentáveis e indústria sustentável. 
Isso tem exigido a ampliação da definição de produção mais limpa para incluir a 
eficiência dos recursos, que é um elemento-chave das transições para a indústria 
verde e Economia Verde. Segundo Fernandes (2001), a empresa que quer 
adotar a P+L em seus produtos e processos deve seguir quatro atitudes básicas: 
 
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13 
 
Entre os principais benefícios da P+L, podemos citar: 
 Diminuição da produção de resíduos; 
 Recuperação de subprodutos valiosos; 
 Melhor desempenho ambiental; 
 Aumento da produtividade dos recursos; 
 Maior eficiência com menor consumo de energia; 
 Redução geral dos custos. 
Associada à prática da P+L está a ecoeficiência, que se baseia no conceito de 
criação de mais produtos e serviços ao mesmo tempo, utilizando menos recursos 
e criando menos desperdício e poluição (ALENCASTRO, 2013). O conceito de 
ecoeficiência foi cunhado em 1992 pelo Conselho Empresarial para o 
Desenvolvimento Sustentável (BCSD) no seu relatório Changing course 
(Mudando o Rumo – tradução livre). Os principais aspectos da ecoeficiência são: 
 Redução de energia e água; 
 Redução dos níveis de resíduos e poluição; 
 Extensão da função e, portanto, da vida útil do produto; 
 
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14 
 Incorporação dos princípios do ciclo de vida de produto2; 
 Consideração da reutilização e reciclagem dos produtos/serviços no final 
da sua vida útil. 
Assim, a redução do impacto ecológico se traduz em um aumento da 
produtividade dos recursos, que, por sua vez, pode criar vantagem competitiva 
para a organização. Algumas empresas passaram a adotar a ferramenta análise 
da ecoeficiência (EEA - do Inglês eco-efficiency analysis), que serve para medir 
mais plenamente a pegada de seus produtos ou processos. Esta análise avalia 
os impactos econômicos e ambientais de um produto ou de um processo através 
do seu ciclo de vida (ISO 14045/2012). 
Assim, a partir desse contexto, podemos concluir que assim como a P+L, a 
ecoeficiência liga as metas de excelência empresarial e preservação ambiental, 
fazendo uma ponte através do qual o comportamento da organização pode 
apoiar o desenvolvimento sustentável e a sustentabilidade, integrando 
crescimento econômico e a melhoria ambiental. 
 
 
Tema 04: ISO 26.000 – Responsabilidade Social Corporativa (RSC) 
Ser socialmente responsável significa que as pessoas e as organizações devem 
ter um comportamento ético e com sensibilidade para as questões sociais, 
culturais, econômicas e ambientais. A responsabilidade social auxilia indivíduos, 
organizações e governos a terem impacto positivo no desenvolvimento, negócios 
 
2 De acordo com a Associação Brasileira de Embalagens, a avaliação (ou análise) de Ciclo de 
Vida (ACV) de um produto consiste no estudo completo dos impactos gerados em todo o ciclo 
de vida de um produto (desde a produção até o descarte final); uma medição de sua ´pegada 
ambiental´. Texto retirado na íntegra de: <http://www.abre.org.br/setor/apresentacao-do-setor/a-
embalagem/analise-do-ciclo-de-vida/>. Acesso em: 23 mar. 2016. 
 
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15 
e na sociedade, contribuindo positivamente para os resultados financeiros da 
organização. 
Para Enrique Leff (2001), a ética é um sistema de valores que deve orientar as 
atitudes humanas. Sendo um dos três pilaresda sustentabilidade (economia, 
sociedade e meio ambiente), a responsabilidade social tem sido considerado 
fator crucial para o sucesso das empresas, já que há muito se discute não 
somente o papel econômico das organizações, mas, também, seu papel social 
(socioambiental) (ALENCASTRO, 2013). 
A Agenda 213, em seu capítulo 30, ressalta a importância de se incorporar as 
políticas e estratégias de melhoramento socioambiental, não somente como 
ferramenta competitiva. Entretanto, essa estratégia já é utilizada há bastante 
tempo. Documentos históricos abordam essa prática desde 1899, onde algumas 
organizações se utilizavam dos princípios da caridade e custódia (filantropia) 
para auxiliar seus funcionários menos abastados (ALENCASTRO, 2013). 
Os movimentos histórico-sociais e culturais dos Estados Unidos e Europa nas 
décadas de 1950 e 1960 foram molas propulsoras para que as empresas 
passassem a atuar como agentes de responsabilidade social corporativa 
(TENÓRIO, 2006). 
O conceito de RSC está subjacente à ideia de que as empresas não podem mais 
agir apenas como entidades econômicas isoladamente. Nesse sentido, as visões 
tradicionais sobre a competitividade, sobrevivência e rentabilidade estão sendo 
eliminadas ou redefinidas quase diariamente. 
 
3 “A Agenda 21 pode ser definida como um instrumento de planejamento para a construção 
de sociedades sustentáveis, em diferentes bases geográficas, que concilia métodos de 
proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica”. Ela foi concebida durante a Rio 
92, a conferência das nações unidas para o meio ambiente e desenvolvimento (CNUMAD). 
Definição retirada na íntegra do website do Ministério do Meio Ambiente. Disponível em: 
<http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/agenda-21/agenda-21-global>. 
Acesso em: 27 mar. 2016. 
 
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16 
Assim, para orientar as empresas sobre como implantar a responsabilidade em 
seus negócios, a International Organization for Standardization (ISO) publicou a 
norma ISO 26.000. Para a norma, a responsabilidade social é o papel das 
decisões e atividades de uma empresa em relação à sociedade e ao meio 
ambiente, e que deve ser exercido através de um comportamento transparente 
e ético, levando em consideração os seguintes aspectos: 
 Contribuição para o desenvolvimento sustentável, incluindo a saúde e o 
bem-estar da sociedade; 
 Levando em consideração as expectativas das partes interessadas 
(stakeholders); 
 Deve estar em conformidade com as leis aplicáveis e de acordo com 
normas internacionais de comportamento; 
 Deve estar integrada em toda a organização e sendo praticada em suas 
relações. 
A Norma ISO 26.000, define stakeholders (partes interessadas) como um 
"indivíduo ou grupo de indivíduos que tem um interesse em qualquer decisão ou 
atividade de uma organização." As partes interessadas podem incluir 
fornecedores, pessoal interno (empregados, trabalhadores), membros, clientes 
(acionistas, investidores, consumidores), reguladores, e as comunidades locais 
e regionais. Além disso, as partes interessadas podem incluir compradores, 
clientes, proprietários e ONGs (organizações não governamentais). 
 
 
 
 
 
 
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17 
A norma ISO 26.000 identifica sete temas centrais de responsabilidade social: 
 
Fonte: elaborado pelo autor (2016). 
 
 
 
 
 
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18 
Além dos temas centrais, ISO 26000 também define sete princípios 
fundamentais de comportamento socialmente responsável: 
 
Fonte: elaborado pelo autor (2016). 
 
 
 
 
 
 
 
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19 
Tema 05: Estudo de caso de Marketing e Responsabilidade Social – Projeto 
Fazendo Renda (IBGPEX/UNINTER) 
O Instituto Brasileiro de Graduação, Pós-Graduação e Extensão (IBGPEX), 
entidade declarada de utilidade pública pelo município de Curitiba-PR, 
constituído na forma de Associação Civil sem fins econômicos, possui caráter 
social, cultural, educacional, universalista, socioambientalista, técnico-científico, 
assistencial e filantrópico, sem fins lucrativos. 
O Instituto implementa ações em conjunto com a sociedade civil, com os grupos 
sociais e as lideranças comunitárias, no sentido de contribuir para o 
desenvolvimento socioeducacional do país. De acordo com o próprio website da 
instituição: 
“o Instituto IBGPEX atua na garantia de direitos, que, com sua missão 
voltada à inclusão social através da educação, busca a promoção 
individualizada e construção de autonomias. Cada projeto 
desenvolvido está voltado a atender pessoas em situação de 
vulnerabilidade social buscando ampliar seu universo informacional, 
proporcionando novas vivencias e estimulando o enfrentamento da 
situação atual para uma nova realidade social. Fundamentada na 
cultura do diálogo, os projetos sociais do Instituto, buscam desenvolver 
posturas que venham de encontro ao combate a todas as formas de 
violência, preconceito, discriminação e estigmatização das relações. 
Reforça a formação cidadã pautada na solidariedade, nos valores 
universais da ética respeitando a heterogeneidade, crenças e 
identidades” (IBGPEX, 2016). 
Um dos mais belos trabalhos de responsabilidade social do referido instituto é o 
projeto “Fazendo Renda”, que tem como principal função a capacitação e 
qualificação de mulheres em estado de vulnerabilidade social, visando à 
ampliação da geração de renda por meio de artesanato, utilizando retalhos de 
tecidos e materiais recicláveis. As mulheres recebem aulas sobre, gestão, 
economia financeira, empreendedorismo, costura, entre outros. 
 
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20 
A partir dessa informação, e dos outros temas já estudados, notamos que o 
projeto fazendo renda se enquadra perfeitamente nos quesitos da 
responsabilidade social (Triple Bottom line), segundo a norma ISO 26.000. 
 
Fonte: elaborado pelo autor (2016). 
 
Ações relacionadas ao projeto “Fazendo Renda” do Instituto IBGPEX. 
 
 
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21 
Ações relacionadas ao projeto “Fazendo Renda” do Instituto IBGPEX. 
 
 
 
Trocando ideias 
Quais são as estratégias de “marketing verde” mais utilizadas pelas empresas? 
Há menção sobre projetos de responsabilidade social? O que eles abordam? 
Busque essas informações em sites de três grandes empresas na internet 
(empresas a sua escolha) e discutam sobre o que foi encontrado. 
 
 
Na Prática 
A Produção Mais Limpa (P+L) é uma estratégia corporativa que proporciona 
inúmeros benefícios para o meio ambiente, além de ganhos econômicos para a 
empresa, contribuindo para a economia de recursos naturais, a melhoria da 
imagem e o aumento de competitividade. Assim, as empresas notaram que, 
mesmo aquelas que possuem algum tipo de certificação ambiental, 
necessitavam reduzir consideravelmente a geração de seus resíduos e acabar 
 
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22 
com a ideia de que para crescer era necessário aumentar a produção, gerando 
mais resíduos e, com isso, gastar mais para tratá-los ou dispô-los 
adequadamente. 
Mas como fazer isso? É possível produzir mais, gerando menos resíduos? Com 
a aplicação prática do conceito de P+L, sim! Quer ver um exemplo de como os 
resíduos podem impactar diretamente nos custos da produção? 
 Grãos com impurezas: as impurezas têm preço de grãos, pois esses são 
comprados por peso. 
A partir dessas informações, a tarefa que você tem é elaborar um plano de P+L 
(de maneira bastante resumida) para a sua empresa. Se você ainda não atua na 
área, vamos te dar uma opção: que tal reduzir a quantidade de resíduos (lixo) e 
de energia na sua residência? Um Plano de P+L vai te ajudar a exercitar o que 
você aprendeu na teoria, além de diminuir os seus custos mensais. Mãos à obra! 
 
Protocolo de Resolução da situação proposta 
1. Verifique os passos para se elaborar um plano deP+L. 
2. Colete todos os dados necessários para elaborar seus cálculos e 
indicadores 
3. Elabore (de maneira bem simples) o seu P+L. 
 
 
Síntese 
No encontro de hoje, estudamos as estratégias de marketing relacionadas aos 
apelos socioambientais das empresas. Aprendemos um pouco sobre o conceito 
de marketing verde e suas derivações, além de estudarmos as estratégias falsas, 
o greenwashing. 
 
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23 
Duas ferramentas, a ecoeficiência e a P+L, foram abordadas de maneira a 
exemplificar como as empresas podem utilizá-las como estratégias competitivas. 
Falamos sobre a responsabilidade social e a normativa ISO 26.000 (de caráter 
voluntário), que aborda as principais estratégias para implantação da 
Responsabilidade Social Corporativa. 
Por fim, falamos da aplicação desses conceitos em um estudo de caso – o 
Projeto Fazendo Renda, que insere os três pilares da sustentabilidade em suas 
ações: economia, sociedade e meio ambiente. 
 
 
Referências 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 19011. Diretrizes para 
auditorias de Sistema de Gestão da Qualidade e/ou Ambiental. Rio de Janeiro: 2002, 25p. 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 26000. Diretrizes sobre 
responsabilidade social. Rio de Janeiro: 2010. 110 p. 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 14045. Descreve os princípios, 
requisitos e orientações para a avaliação da ecoeficiência de sistemas de produto. Rio de 
Janeiro: 2014. 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 14001. Sistemas de gestão 
ambiental - Requisitos com orientação para uso. 2 ed. Rio de Janeiro: 2004. 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 14004. Sistemas de Gestão 
Ambiental – Diretrizes Gerais sobre princípios, sistemas e técnicas de apoio. Rio de Janeiro: 
1996. 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 9001. Sistemas de Gestão da 
Qualidade. Rio de Janeiro, 2001. 
CERQUEIRA J. P. Sistemas de gestão integrados: Rio de Janeiro: Qualitymark, 2006. 
 
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24 
FERNANDES, J. V. G et al. Introduzindo práticas de produção mais limpa em sistemas de gestão 
ambiental certificáveis: uma proposta prática. Revista Engenharia Sanitária e Ambiental, v. 06, 
n. 03, jul/dez. Rio de Janeiro, 2001. p. 157-164. 
INSTITUTO NACIONAL DE METROLOGIA. INMTERO. Portaria n. 51, de 28 de janeiro de 2014. 
INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO. Environmental 
management - the ISO 14000 family of international standards. 2002. 
LEEUWEN, T. V. Discourse and practice: new tools for critical discourse analysis. Nova 
Iorque: Oxford University Press, 2008. 
LEFF, E. Saber Ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder. 3 ed. 
Petrópolis: Vozes, 2004. 
SA 8000. Social Accountability International - Responsabilidade social 8000. Nova Iorque: 
2001. 
TAVARES, F.; FERREIRA, G. G. T. Marketing Verde: um olhar sobre as tensões entre 
greenwashing e ecopropaganda na construção do apelo ecológico na comunicação publicitária. 
Revista Espaço Acadêmico, 138, 23-31. 2012. 
TENÓRIO, F. G. Responsabilidade social empresarial: teoria e prática. 2 ed. Rio de Janeiro. 
FGV, 2006. 
 
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1 
 
 
 
 
 
 
 
Gestão da Sustentabilidade 
 
Aula 06 
 
 
Prof. Dr. Rodrigo Silva 
 
Pró-reitoria de EaD e CCDD 
 
2 
Conversa inicial 
A Sustentabilidade é baseada em um princípio simples: tudo o que precisamos 
para a nossa sobrevivência e bem-estar depende, direta ou indiretamente, do 
nosso ambiente natural – do meio ambiente. Para buscar a sustentabilidade, é 
necessário criar e manter as condições para que os seres humanos e a 
natureza possam existir em harmonia produtiva para apoiar as gerações 
presentes e futuras. 
Em nossa aula de hoje, estudaremos sobre a sustentabilidade como uma 
ferramenta competitiva de mercado, assim como outras estratégias 
relacionadas a ela e que são (ou serão) empregadas pelas organizações que 
desejam ser competitivas em seus negócios. 
 
 
Contextualizando 
Ouvimos a palavra “sustentável” ou "sustentabilidade" quase todos os dias. 
Mas, o que isso significa, exatamente? É sobre pessoas e cultura, o nosso 
ambiente, ou empregos e dinheiro? É sobre cidades ou sobre o país? É sobre 
você e eu, ou é algo para outras pessoas se preocuparem? A sustentabilidade 
é sobre todas essas coisas, além de outras. 
A palavra sustentabilidade passou a fazer parte do nosso vocabulário cotidiano 
a partir de 1987, com a publicação do documento O Nosso Futuro Comum, 
elaborado pela Comissão Mundial das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e 
Desenvolvimento (também conhecida como Comissão Brundtland). Esse 
relatório definiu desenvolvimento sustentável como "o desenvolvimento que 
satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as 
gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades”. 
 
 
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3 
Mas, note que esta definição não aborda, em nenhum momento, questões 
relacionadas ao meio ambiente. Inicialmente, a ideia de sustentabilidade era 
relacionada à seguinte questão: como os países pobres chegariam (ou 
poderiam chegar) aos padrões de vida dos países ricos? Essa meta significava 
dar aos países desfavorecidos melhor acesso aos recursos naturais, incluindo 
água, energia e alimentos, os quais vêm de uma forma ou de outra, a partir do 
meio ambiente. Por isso, a forte relação entre os dois: meio ambiente e 
sustentabilidade. 
Na esfera corporativa, podemos definir sustentabilidade como um conjunto de 
políticas e estratégias utilizadas pelas empresas para minimizar o seu impacto 
ambiental sobre as gerações futuras. Atualmente, as empresas que não 
empregam estratégias voltadas para a sustentabilidade em seus processos de 
gestão estão fadadas a sair do mercado. 
 
 
Problematizando 
Veja esta notícia vinculada ao site do Sebrae: 
“O Brasil ocupa o terceiro lugar no ranking mundial de produção de calçados e 
possui mercado interno respeitável e alvo de interesse de indústrias calçadistas 
estrangeiras. Em 2010, foram fabricados 693 milhões de pares de calçados no 
país, que movimentaram 12,3 bilhões de dólares, segundo dados da 
Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados). 780 milhões 
de pares foram consumidos pelo mercado interno, significando consumo médio 
per capta de 4,1 calçados/pessoa. Os índices de produção e consumo per 
capta apontam crescimento de 13,1%, entre 2008 e 2010. Existem mais de 8 
mil empresas calçadistas espalhadas no país, sendo que a maioria está 
localizada nas regiões sul e sudeste. 
 
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4 
Nesse contexto, a busca por diferencial competitivo é enorme e os calçados 
ecológicos representam possibilidade de se destacar e agradar consumidores 
ligados à causa da sustentabilidade, como também o mundo da moda, sempre 
atento às novidades comportamentais e criativas. Calçados não são apenas 
peças de proteção para os pés, mas objetos do desejo de mulheres, homens, 
jovens e crianças. Hoje em dia, eles revelam o perfil ideológico das pessoas.” 
Após a leitura da notícia, você, que possui uma pequena fábrica de calçados, 
decide investir na fabricação de calçados ecológicos com estratégias voltadas 
à sustentabilidade. Para isso, decide (re)elaborar seu plano de negócios. 
Dentre as estratégias competitivas para ingressar com pé direito no mercado, 
por qual você e a diretoria da sua empresa devem investir? 
a) Investir em inovação, ecodesign e processos de produção mais limpa (P+L). 
b) Investir em mão de obra barata e em uma nova localização para instalar as 
novas máquinas. 
c) Investir na compra de matérias-primas mais baratas, e trazer novos 
funcionários de outras filiais e treiná-los para exercer as novas funções. 
d) Diversificar os locais de venda dos produtos que serão fabricados e baixar 
os preços. 
 
Comentário sobre as opções 
As estratégiasde gestão e negócios voltados à sustentabilidade devem ser 
direcionadas à inovação. Duas estratégias de inovação discutidas em aulas 
anteriores são o ecodesign e a produção mais limpa, o que configura a 
resposta correta. 
O investimento em mão de obra barata e uma localização para uma nova 
fábrica não são estratégias de sustentabilidade. O primeiro porque configura 
 
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5 
uma exploração do trabalho, e o segundo porque seria mais um local para 
emissão e produção de resíduos. Matérias primas baratas podem implicar em 
produtos de baixa qualidade, atingindo negativamente os clientes. Ainda, a 
contratação de mais mão de obra não é a melhor opção, que tal treinar e 
capacitar a mão de obra já existente? Ou ainda, apostar na mão de obra local? 
A diversificação de locais de venda e baixar os preços não podem ser 
consideradas estratégias de sustentabilidade, pois não atingem o tripé: 
economia, sociedade e meio ambiente. 
 
 
Pesquise 
Quais são as estratégias votadas para a sustentabilidade das grandes 
empresas? Pesquise no site de Nestlé, Unilever, Pepsico as estratégias de 
sustentabilidade que cada uma divulga em suas páginas e compare-as. Faça 
uma pequena tabela com diferenças e semelhanças. 
 
 
Tema 01: Sustentabilidade como Estratégia competitiva 
O mundo enfrenta, atualmente, a maior crise ambiental dos últimos tempos: 
como sustentar mais de 7 bilhões de pessoas, mantendo um ambiente 
habitável? Assim, há uma necessidade de gerenciar o ambiente global de uma 
forma mais sustentável. A gestão ambiental e a sustentabilidade ambiental são 
um campo multidisciplinar, que se concentra em encontrar soluções para os 
problemas ambientais mais urgentes do mundo. 
 
 
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6 
A sustentabilidade é baseada em um princípio muito simples: tudo o que 
precisamos para a nossa sobrevivência e bem-estar depende, direta ou 
indiretamente, do nosso ambiente natural. Para buscar a sustentabilidade, é 
necessário criar e manter as condições em que os seres humanos e a natureza 
podem existir em harmonia (coexistir), com o objetivo de que as gerações 
futuras também possam usufruir do que temos hoje. 
Atribui-se fortemente ao capitalismo a grave crise socioambiental vivenciada 
pela humanidade, visto que esta forma de pensar prega o acúmulo de riquezas, 
o consumo e a exploração exacerbada dos recursos naturais (MAIA e PIRES, 
2011). Assim, para Checkland (2000), citado em Maia e Pires (2011), “A 
tomada de decisões direcionadas à sustentabilidade exige do decisor a 
capacidade de lidar com múltiplas variáveis e dimensões de forma simultânea, 
juntamente com os problemas desestruturados de difícil definição”. 
Para Sachs (2008), em sua obra A riqueza de todos, quatro são os desafios 
para alcançar a sustentabilidade (Figura 1) e quatro são as causas da crise 
socioambiental mundial (Figura 2). 
 
Figura 1. Os quatro desafios para alcançar a sustentabilidade, segundo Sachs (2008). 
 
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7 
 
Figura 2. As quatro causas da crise socioambiental mundial, segundo Sachas (2008). 
Atualmente, a sustentabilidade deve ser encarada como elemento-chave nos 
processos de tomada de decisão, garantindo, por exemplo, que sua cadeia de 
fornecimento e de outros parceiros também tenham práticas fortes de 
sustentabilidade. Assim, podemos dizer que a sustentabilidade não é apenas 
responsabilidade ambiental. Investidores sugerem que a sustentabilidade inclui 
fatores ambientais, políticos, culturais, éticos, sociais e de governança, como 
local de trabalho e relações com a comunidade. 
Estudos1 mostram que as organizações com boas práticas de sustentabilidade 
tendem a ter melhor desempenho e são capazes de acessar melhores taxas de 
financiamento. O forte desempenho de sustentabilidade por si só não é 
suficiente para alcançar esses benefícios. No entanto, as organizações 
precisam comunicar tais informações para as partes interessadas através dos 
seus relatórios de sustentabilidade. 
Assim, concluímos que a sustentabilidade é um fator importante no sentido de 
ajudar as empresas a atingir – e manter – suas estratégias competitivas. 
 
1Sustainable Investing: Establishing long-term financial performance, DB Climate Change 
Advisors, Deutsche Bank Group, June 2012. Beiting Cheng, IoannisIoannou, and George 
Serafeim, Corporate social responsibility and access to finance, Harvard Business School, 
working paper 11-130, May 2012. 
 
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8 
Tema 02: A importância dos Relatórios de Sustentabilidade 
A grade dificuldade que as empresas encontram em relação à sua 
sustentabilidade está relacionada a: como medi-la? Ou mesmo: como usar e 
quais indicadores usar para medi-la? Nesse contexto, os relatórios de 
sustentabilidade têm exercido importante papel na divulgação desses possíveis 
indicadores. 
De acordo com a GRI (Global Reporting Initiative)2, uma das mais renomadas 
organizações do mundo no assunto, o relatório de sustentabilidade (RS) é um 
relatório publicado por uma empresa ou organização sobre os impactos 
econômicos, ambientais e sociais causados pelas suas atividades diárias. Além 
disso, um relatório de sustentabilidade também deve apresentar um modelo de 
valores e governança da organização, além de demonstrar a ligação entre a 
sua estratégia e seu compromisso para uma economia global sustentável (GRI, 
2016). 
Vale destacar que os RS podem ajudar fortemente as organizações a medir, 
compreender e comunicar o seu desempenho econômico, ambiental, social e 
de governança e, em seguida, definir metas e gerir a mudança de forma mais 
eficaz (GRI, 2016). Os relatórios de sustentabilidade surgiram como uma 
prática comum de negócios neste século. Assim, o foco na sustentabilidade 
ajuda as organizações a gerenciar seus impactos sociais e ambientais e 
melhorar a eficiência operacional e gestão de recursos naturais. 
É importante mencionar que o processo de adesão a estes relatórios é 
totalmente voluntário e, segundo Bassetto (2010), tem por objetivos: 
 Apoiar e facilitar a gestão das questões de sustentabilidade das 
empresas de maneira sistemática; 
 
2 GRI é uma organização internacional independente e sem fins lucrativos que ajuda as 
empresas, governos e outras organizações a compreender e comunicar o impacto da empresa 
sobre questões críticas de sustentabilidade, tais como as alterações climáticas, direitos 
humanos, corrupção e muitos outros. 
 
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9 
 Divulgar os riscos e oportunidades; 
 Construir uma reputação corporativa mais transparente. 
Apesar do caráter voluntário, estes documentos (que devem ficar à disposição 
para consulta) são resultados das pressões da sociedade e dos stakeholders, 
no sentido de desejarem por explicações das ações de responsabilidade 
socioambiental das organizações. Ainda, vale destacar que os acionistas e 
investidores se utilizam destes documentos para suas tomadas de decisões em 
relação à compra de ativos destas empresas (BASSETTO, 2010). 
No Brasil, o pioneirismo dessa divulgação se deu através da produtora de 
cosméticos Natura, ainda nos anos 2000. Atualmente, de modo geral, as 
grandes empresas optam por relatórios cujos indicadores tenham grande 
adesão aos seus projetos de sustentabilidade. Podemos citar como indicadores 
de sustentabilidade nos relatórios: 
 Produto interno bruto (PIB); 
 Índice de desenvolvimento humano (IDH); 
 Índice de sustentabilidade ambiental (ISA); 
 Índice de Gini. 
A seguir, uma figura (Figura 3) com os principais benéficos dos relatórios de 
sustentabilidade, segundo a GRI (2016): 
 
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10 
 
Figura 3. Um ciclo de relatórios de sustentabilidade eficaz, que inclui um programa 
regular de coleta de dados, comunicaçãoe respostas, deverá beneficiar todas as 
organizações relatoras, tanto interna como externamente. 
 
Para ser útil, um relatório precisa ter um padrão unificado que permite que eles 
sejam rapidamente avaliados, julgados e comparados. Como grande parte das 
organizações multinacionais em todo o mundo adotou os relatórios de 
sustentabilidade, destacamos que o mais amplamente adotado tem sido os 
Relatórios de Sustentabilidade da Global Reporting Initiative (GRI). 
 
 
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11 
Tema 03: Inovação em Sustentabilidade 
A Comissão Mundial das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, em 1987, 
publicou o documento Nosso Futuro Comum, e observou que a 
sustentabilidade pode ser enquadrada como uma troca entre as empresas e a 
sociedade. A busca pela sustentabilidade já está começando a transformar o 
cenário competitivo, o que irá forçar as empresas a mudar a maneira como elas 
pensam sobre produtos, tecnologias, processos e modelos de negócios. 
A chave para o progresso, especialmente em tempos de crise econômica, é a 
inovação, e superar estes desafios e capacitar a sociedade a prosperar em um 
planeta com recursos cada vez mais limitados são uma necessidade 
imperativa. Para isso, um processo de inovação significativa, chamada de 
sustentabilidade orientada para a inovação (SOI), é importante 
(NIDOMOLU, PRAHALAD, RANGASWAMI, 2009). O manual de Oslo define 
inovação como 
“(...) a implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou 
significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método 
de marketing, ou um novo método organizacional nas práticas de 
negócios, nas organizações do local de trabalho ou nas relações 
externas” (OECD, 1997, p. 55). 
Ligando esta definição ao aspecto da sustentabilidade, Kemp e Pearson (2008) 
criaram o conceito de eco inovação como: 
“(...) a produção, assimilação ou exploração de um produto, processo 
de produção, serviço ou método de gestão ou de negócio que é novo 
para a organização (desenvolvendo ou adotando-a) e que resulta, ao 
longo do seu ciclo de vida, em reduções de riscos ambientais, 
poluição e outros impactos negativos do uso de recursos, inclusive 
energia, comparado com alternativas pertinentes” (KEMP; 
PEARSON, 2008, p. 7;). 
 
 
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12 
Portanto, ao tratar a sustentabilidade como uma meta atual, as empresas 
devem desenvolver competências as quais os concorrentes serão 
pressionados a corresponder. Assim, as iniciativas de sustentabilidade 
impulsionarão o valor de negócios de várias maneiras através de aumento da 
receita, redução de custos e gestão de riscos. Destacamos que a inovação em 
sustentabilidade é diferente da inovação em si, pois exige certa flexibilidade por 
parte da organização como, por exemplo: pensar em resultados a longo prazo 
(IONESCU-SOMERS E SZEKELY, 2013). 
Ainda para Ionescu-Somers e Szekely (2013), há três tipos de inovação 
possíveis, quando se fala em sustentabilidade: 
1. Inovação incremental – é aquela que acontece paulatinamente, evitando 
ao máximo os riscos (conservadora); 
2. Inovação radical – embora dentro de um modelo de negócios tradicional, 
há inovação e criação de novos modelos de negócios; 
3. Transformação sistêmica – reinvenção de modelos de negócios 
insustentáveis. 
Ainda, os mesmos autores abordam que há três tipos de incertezas que 
podem, de alguma maneira, afetar a inovação voltada para a sustentabilidade: 
 Ambiental – relacionada aos recursos naturais/matérias-primas; 
 Política – relacionada, principalmente, aos aspectos legais; 
 Comportamental – relacionada à aceitação das novas tendências, tanto 
por parte dos consumidores como dos diretores da organização. 
Para José Carlos Barbieri (2010), uma organização inovadora sustentável é 
aquela que, em seus produtos, processos e serviços, se utiliza de 
características de inovar se voltando para a sustentabilidade. 
 
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13 
Ainda para o mesmo autor (citado em GOMES et al, 2016) a inovação 
sustentável: 
“compreende a introdução (produção, assimilação ou exploração) de 
produtos, processos produtivos, métodos de gestão ou negócios, 
novos ou significativamente melhorados para a organização e que 
traz benefícios econômicos, sociais e ambientais, comparados com 
alternativas pertinentes" (BARBIERI, 2010 citado em GOMES et al, 
2016). 
Schaltegger e Wagner (2011) destacam três aspectos positivos para se inovar 
em sustentabilidade (Figura 4). São eles: 
 
Figura 4. As três razões fundamentais para a inovação sustentável, segundo Schaltegger 
e Wagner (2011). 
 
 
 
 
 
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14 
Tema 04: A Criação (ou geração) de Valor Compartilhado 
Ainda seguindo a linha de inovação em sustentabilidade, abordaremos a 
questão da criação de valor compartilhado (CVC) nas empresas. Do inglês 
Creating Shared Value (CVS), a CVC é um conceito estabelecido por Porter e 
Kramer, em 2011 – Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça) – como um 
modelo de gestão inovador. Para os autores, os fatores competitivos 
determinantes de uma dada organização e o bem-estar das comunidades que 
estão à volta dela são reciprocamente dependentes. Nesse sentido, a 
redefinição do capitalismo deve-se partir do reconhecimento sobre tais 
conexões entre o progresso social e econômico (PORTER e KRAMER, 2011). 
Existe uma marcante diferença entre a Responsabilidade Social Corporativa – 
RSC (assunto abordado na aula 5) e a CVC. Para Porter (2011), a RSC traduz 
apenas a lucratividade de uma empresa enquanto de sua atuação nas 
questões sociais. Já a CVC, se traduz como uma nova abordagem de 
relacionamento entre as empresas e a sociedade. Ainda, para os mesmos 
autores, eles mencionam que as empresas ignoram completamente qualquer 
efeito adverso, na sociedade e ao meio ambiente, das suas atividades e 
serviços, promovendo escassez de recursos e redução de salários da mão de 
obra, tornando-se insustentáveis no cerne do conceito (PORTER e KRAMER, 
2011). 
Também, “as necessidades sociais, e não apenas as necessidades 
econômicas convencionais definem mercados, assim como danos sociais 
podem criar custos internos para as firmas” (PORTER & KRAMER, 2011, p. 5). 
Os criadores desse conceito afirmam que a CVC é uma excelente estratégia de 
inovação para a sustentabilidade, pois, além de trazer crescimento aos 
negócios, tem o reconhecimento moral da sociedade que está à sua volta. 
A CVC prega que o capitalismo tenha viés social (porém, não filantrópico), 
contrapondo às ideias do economista inglês Milton Friedman (prêmio Nobel de 
 
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15 
economia, em 1976), que mencionava que o único papel da empresa é gerar 
lucro (HOFFMAN, 2000). Tal inovação e colaboração devem acontecer através 
de diferentes atores da sociedade como, por exemplo, ONGs, a sociedade civil, 
o governo e, é claro, as empresas (Figura 5). 
É preciso pontuar também que os interesses do negócio devem estar em 
consonância (e não opostamente) aos interesses da sociedade, e não ao 
contrário, já que, para que as empresas possam oferecer tais benefícios 
sociais, ela deve estar bem financeiramente – este fato é o que Hart e Prahalad 
(2002) denominaram de capitalismo inclusivo. Para os mesmos autores, dois 
são os desafios das grandes empresas para a população menos abastada: 
 Produção e distribuição de produtos e serviços sensíveis a sua cultura; 
 Que sejam ambientalmente sustentáveis e economicamente lucrativos. 
 
Figura 5. Fatores que englobam o processo de concepção do CVC para a base da 
pirâmide, de acordo com Porter e Kramer (2011). 
 
 
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16 
Ainda sobre a Figura 5, os autores afirmam que no item 1 é preciso utilizar as 
carências da sociedade (saúde, moradia, danos ambientais, entre outros) como 
uma oportunidade de inovar em seus processos, ou seja, como um mercado 
ainda a ser explorado. Já no item 2,nota-se que a cadeia de valores de uma 
organização (uso de água, matérias-primas – recursos naturais, mão de obra) 
afeta a produtividade da empresa, e vice-versa, assim, investimento nas 
questões socioambientais, diminuiriam os gastos da própria organização com 
esses aspectos, em caso de problemas. Por fim, no item 3, os autores 
estabelecem que o cluster3 de empresas é uma alternativa viável para uma 
determinada comunidade. 
 
 
Tema 05: Sustentabilidade e Governança Corporativa 
Governança corporativa e sustentabilidade estão entre os temas mais 
debatidos pelo mundo corporativo, nos dias atuais. Ambos os conceitos estão 
alinhados e devem estar em perfeita harmonia com as ações das empresas do 
século 21. A sustentabilidade, em seu papel, visa garantir a perduração dos 
recursos naturais e dos aspectos sociais da comunidade mundial, através das 
ações das empresas visando ao desenvolvimento sustentável, ao passo que a 
governança corporativa visa garantir o sucesso longevo da organização. 
De acordo com Carlsson (2001), governança corporativa consiste nas regras 
de gestão que visem minimizar ao máximo os possíveis conflitos de interesses 
entre diferentes partes da organização. 
 
3 Cluster é um grupo geograficamente concentrado de empresas interligadas e instituições 
associadas em um campo particular, ligadas por aspectos comuns e por complementaridades 
(NETO et al, 2012). 
 
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17 
De acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, as boas 
práticas de governança estão pautadas em 4 princípios (MALACRIDA e 
YAMAMOTO, 2006): 
 Transparência; 
 Equidade; 
 Prestação responsável de contas, 
 Responsabilidade corporativa. 
Assim, notamos que governança corporativa não diz respeito apenas a 
questões financeiras, mas também envolvem aspectos socioambientais e, por 
sua vez, a sustentabilidade (NUNES et al, 2010). O alinhamento das práticas 
de governança corporativa e de sustentabilidade vem sendo comunicado pelas 
empresas através dos seus relatórios de sustentabilidade. 
Ainda, para Lopes (2003), alguns aspectos fundamentais devem ser levados 
em conta quando se dialoga sobre a governança: 
 
Figura 6. Aspectos da governança corporativa, segundo Lopes (2003). 
 
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18 
De acordo com Kean Ow-Yong (2006), há uma forte tendência mundial em 
concentrar os investimentos em negócios sustentáveis (sociaoambiental) e 
rentáveis e, nesse contexto, a Bovespa lançou, em 2005, o Índice de 
Sustentabilidade Empresarial (ISE), que está baseado na transparência das 
empresas em relação à comunicação de seus aspectos de eficiência 
econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa, já que 
a confiança do mercado (para investimento) está diretamente relacionada a 
esses índices (CORREIA; AMARAL; LOUVET, 2011). 
Assim, a governança corporativa é cada vez mais aplicada a uma forma 
estendida de monitorar atividades corporativas, que incluem o impacto na 
sociedade e no ambiente natural. Portanto, as práticas relativas às ações de 
responsabilidade socioambiental implementadas pelas empresas podem (e 
devem) ser observadas como uma extensão da governança corporativa, que 
abarca meios para comprovar para o seu público-alvo (stakeholders), que se 
preocupa com o desenvolvimento sustentável e o bem-estar da comunidade. 
 
 
Trocando ideias 
Quais são as estratégias de sustentabilidade mais utilizadas pelas empresas? 
Busque essas informações nos relatórios de sustentabilidade de grandes 
empresas na internet (empresas à sua escolha) e discutam sobre o que foi 
encontrado. 
 
 
 
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19 
Na Prática 
Criação de Valor Compartilhado (CVC) 
Valor compartilhado é uma estratégia de gestão voltada para empresas que 
criam valor de negócio mensurável através da identificação e resolução dos 
problemas sociais que se cruzam com os seus negócios. O conceito foi 
definido pelo professor Michael Porter e Mark Kramer. Assim, a CVC define um 
novo papel para empresas na sociedade, que vai além dos modelos 
tradicionais de responsabilidade social corporativa. Em vez de focar em mitigar 
danos nas operações existentes da empresa, as estratégias de valor 
compartilhado envolvem em escala e inovação das empresas para promover o 
progresso social. 
A tarefa de hoje é elaborar um projeto de CVC para uma indústria de alimentos. 
Para isso, o seu projeto deve levar em consideração as seis áreas de atuação 
dentro da empresa e, para cada uma dela, você e sua equipe de gestores 
devem desenvolver uma estratégia de valor compartilhado. As áreas são: 
1. Nutrição 
2. Água 
3. Desenvolvimento local 
4. Fornecimento responsável 
5. Meio Ambiente 
6. Direito Humanos 
 
Seja breve e objetivo em cada um dos itens. Lembre-se: cada CVC deve 
beneficiar a comunidade como um todo. Mãos à obra! 
 
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20 
Protocolo de Resolução da situação proposta 
1. Defina um prazo para que todas as estratégias planejadas estejam 
cumpridas ou implementadas. Vamos pensar em daqui a cinco anos. 
2. Reúna a equipe para conhecer os pontos a serem trabalhados. Deve-se 
conhecer cada item com relação a consumidores, público de interesse, 
fornecedores, local e tipo de matéria-prima adquirida, os impactos ambientais, 
direitos dos trabalhadores e benefícios, entre outros. 
3. A partir desse diagnóstico, as equipes serão separadas de acordo com 
as afinidades de cada área. Assim, as ideias serão colocadas no papel mais 
rapidamente. 
4. Após a elaboração de estratégias para cada área, todas as equipes se 
reúnem para verificar a consonância entre as estratégias. É a hora de alinhar 
os objetivos! 
5. Os resultados são apresentados para a alta diretoria da empresa e para 
alguns stakeholders (selecionados pelas equipes). 
6. Por fim, com a aprovação da alta gestão, colocam-se em prática as 
estratégias! 
O trabalho foi baseado no CVC da Nestlé. Para verificar o resultado, acesse 
seu site, clique em cada um dos itens e veja quais foram as estratégias 
utilizadas para cada área. Bons estudos! 
 
 
 
 
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21 
Síntese 
Na aula de hoje, abordamos diversos aspectos relacionados à sustentabilidade 
como uma ferramenta competitiva de mercado. Os aspectos relacionados à 
esse tema são bastante amplos, mas todos ligados às questões 
socioambientais as quais as empresas passaram a incorporar em suas 
estratégias de gestão e negócios. 
Inovação, relatórios de sustentabilidade, Responsabilidade socioambiental e 
criação de valor compartilhado foram alguns dos temas discutidos aliado à 
sustentabilidade corporativa. Por fim, abordamos alguns conceitos de 
governança aplicada à sustentabilidade, tema que tem sido muito discutido nas 
esferas corporativas atuais em todo o mundo. 
 
 
Referências 
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baseado no relatório de gestão 2005 da companhia paranaense de energia – COPEL. Gestão 
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governança corporativa no Brasil. Revista Contabilidade & Finanças, v. 22, n. 55, p. 45-63, 
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Pró-reitoriade EaD e CCDD 
 
22 
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HART, S.; PRAHALAD, C. K. The fortune at the bottom of the pyramid. Strategy+Business 
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