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Topografia Aula 01 – Noções básicas de Geodésia e Cartografia Prof. Dr. Guilherme Gomes Pessoa Contextualização TOPOGRAFIA topos graphen lugar descrever “Descrição exata e minuciosa de um lugar” Tem por finalidade determinar o contorno, dimensão e posição relativa de uma porção limitada da superfície terrestre (ESPARTEL, 1987). Associados a um sistema de coordenadas que, por sua vez, utiliza de um modelo terrestre e de uma superfície de projeção. Dimensão máxima em que as distorções, causadas pelo negligenciamento da curvatura terrestre, não prejudique a precisão dos dados, normalmente considera-se 80 Km. Contextualização - Topografia TOPOGRAFIA topos graphen lugar descrever “Descrição exata e minuciosa de um lugar” Contextualização - Topografia ▪ A descrição envolve a aquisição e representação de elementos planimétricos e altimétricos. Sempre objetivando a compreensão da realidade para facilitar a confecção do projeto, seja ele de engenharia, de arquitetura, ou outro. ▪ Situação do terreno: ▪ Dimensões; Declives e Aclives; Imperfeições. (Corte e/ou Aterro) ▪ Por exemplo: No caso de uma obra, o arquiteto pode projetar e/ou readequar o projeto com base dos dados oriundos de um levantamento topográfico. Contextualização - Geodésia Ramo da matemática que se preocupa com o tamanho e a forma da Terra. • Tamanho => Determinação das dimensões dos parâmetros (Semi-eixo maior e achatamento; Raio) • Forma => Modelo parametrizável de aproximação da forma da Terra real (Elipsoide; Esferoide; etc) Ciência complexa, que estuda a determinação precisa da forma e das dimensões da Terra e das variações do seu campo gravitacional. Não há limitação para a dimensão máxima medida, porém outros problemas surgem, tais como a representação das medidas realizadas. GEODÉSIA • Definição: O vocábulo CARTOGRAFIA foi criado pelo historiador português Visconde de Santarém, em carta de 8 de dezembro de 1839, escrita em Paris, e dirigida ao historiador brasileiro Adolfo de Varnhagen. Antes da divulgação e consagração do termo, o vocábulo usado tradicionalmente era COSMOGRAFIA (Oliveira, 1993). • Cartografia é “a Ciência e a Arte que se propõe a representar por meio de mapas, cartas, plantas e outras formas gráficas, os diversos ramos do conhecimento humano sobre a superfície e o ambiente terrestre e seus diversos aspectos”. Contextualização - Cartografia Ciência: quando utiliza o apoio científico da Astronomia, da Matemática, da Física, da Geodésia, da Topografia e de outras ciências para alcançar exatidão compatível com o mapeamento a ser realizado. Arte: quando recorre às leis estéticas da simplicidade e da clareza, buscando atingir o ideal artístico de beleza em seus produtos. CARTOGRAFIA Contextualização Geodésia Cartografia Topografia Preocupam-se com a aquisição de dados Preocupa-se com as formas de representação A seguir iremos focar nos conceitos e definições da geodésia e da cartografia Noções básicas de Geodésia Contextualização - Geodésia Ciência complexa, que estuda a determinação precisa da forma e das dimensões da Terra e das variações do seu campo gravitacional. Afinal, qual é a forma da Terra? Modelos de representação da terra: Superfícies de referência utilizadas para representação da forma da terra. Geoide Elipsoide Esfera Plano Topográfico Contextualização - Geodésia Histórico e evolução das formas da Terra. Pitágoras (580 - 500 aC) concepção filosófica - Terra esférica - sólido regular perfeito Aristóteles (384 - 322 aC) mensiona dimensão da Terra esférica: C≅ 63000km a 84000km - não indica o método Archimedes (~250 aC) mensiona dimensão da Terra esférica: C≅ 47000km a 63000km - não indica o método Eratosthenes (235 - 195 aC) medição da circunferência terrestre: C≅ 39400km (R≅ 6247km) a 52500km Poseidonius (~100 aC) - C≅ 35000km - observações astronômicas Ptolomeu (100 - 178 dC) - pai da cartografia - grande influência na Europa C≅ 28350km (R≅ 4512km) I-Hsing (724 dC) - C≅ 56700km (R≅ 9024km) - observações astronômicas Al Mamum (820 dC) - C≅ 39986km (R≅ 6363km) GEODÉSIA De maneira simplificada, a primeira estimativa do raio da Terra foi feita por Eratosthenes a partir da observação das sombras em dois pontos da superfície terrestre. Num rolo de papiro, encontrou a informação de que na cidade de Siena (hoje Assuã), ao sul de Alexandria, ao meio- dia do solstício de verão (21/junho – dia mais longo) colunas verticais não projetavam qualquer sombra; ou seja, o Sol se situava a prumo. Entretanto, Eratosthenes observou que no mesmo dia, as colunas verticais da cidade de Alexandria projetavam uma sombra perfeitamente mensurável. Aguardou o dia 21 de junho do ano seguinte e determinou que se instalasse uma grande estaca em Alexandria e que se escavasse um poço profundo em Siena. Ao meio-dia, enquanto o Sol iluminava as profundezas do poço de Siena (fazia ângulo de 90º com a superfície da Terra), em Alexandria, Eratóstenes mediu o ângulo Θ = 7º12', ou seja: 1/50 dos 360º de uma circunferência. Pelos cálculos, conjecturou que o perímetro da Terra seria de 46.250 km. Hoje sabemos que é de 40.076 km. Aproximação notável, considerando-se a época da medição. Contextualização - Geodésia Contextualização - Geodésia (sobrelevação 15000:1) Geoide Elipsoide Esfera Plano Topográfico Contextualização - Geodésia Geoide: possui valor de aceleração da gravidade igual em todos os pontos (o que não acontece na superfície física). no entanto é muito difícil de modelar geometricamente, pois possui uma quantidade infinita de reentrâncias e saliências As dificuldades no tratamento matemático e na sua definição tornam seu uso limitado a aplicações de altíssima precisão Contextualização - Geodésia Elipsoide: única maneira de representar geometricamente a Terra. Ele é definido com um semi-eixo maior (a) e um semi-eixo menor (b). A definição do elipsoide pelos geodesista é realizada com base no semi-eixo maior (a) e no achatamento (f) Por ter um tratamento matemático mais fácil que o geoide, este modelo é aplicado à geodésia para o posicionamento global. a b p p' Raio Equatorial: a = 6.378.388,000 m Raio Polar: b = 6.356.911,520 m Achatamento: μ = a-b/a = 0,0033671 As diferentes formas da Terra levam a diferentes Sistemas de Referência e, consequentemente, diferentes Sistemas de Coordenadas. SAD-69; SIRGAS2000; WGS84; Coor. Astronômicas etc. Contextualização - Geodésia GEÓIDE (sobrelevação 15000:1) VISTA DO GEÓIDE EM PERSPECTIVA Geoide Elipsoide Esfera Plano Topográfico ALTITUDE ORTOMÉTRICA E ALTURA GEOIDAL Contextualização - Geodésia Ondulação geoidal Contextualização - Geodésia No Brasil, o IBGE disponibiliza os modelos para conversão entre as altitudes geométricas e normais (anteriormente conhecidas por ortométricas) Noções básicas de Geodésia Sistemas Geodésico de Referência Sistema Geodésico de Referência Sistema Geodésico de Referência (SGR): definido com base em um conjunto de parâmetros e convenções, junto a um elipsoide ajustado às dimensões da Terra e devidamente orientado, constituindo um referencial adequado para a atribuição de coordenadas a pontos sobre a superfície física. A determinação de um SGR envolve a etapa de definição do sistema e a sua materialização. • Na definição são determinados o conjunto de parâmetros e convenções, junto com um modelo que ajustado às dimensões da Terra. • Na materialização são determinadas as coordenadas associadas às definições do sistema para um conjunto de pontos sobre a SF. Até o advento da Geodésia por satélites, nas décadas de 60 e 70, não era tarefa trivial a determinação do centro de massa da Terra. Com isso, os SGR determinados até então consideravam para a determinação dos parâmetros de posição e orientação do Datum com base em observações locais. Daí a diferenciação entre SGR Clássicos e Modernos. ERA CLÁSSICA ERA ESPACIAL Definição clássica: • S.R. Topocêntrico Materialização• Triangulação/Poligonação • Nivelamento/gravimetria Definição moderna: • S.R. Geocêntrico Métodos de materialização: • Posicionamento satelital • Nivelamento/gravimetria Sistema Geodésico de Referência SGR – Clássicos: caracterizados pelo uso de técnicas clássicas de posicionamento, sendo amplamente utilizados no período que antecedeu o desenvolvimento das técnicas de posicionamento global, como o GNSS. Pode ser definido por 6 parâmetros topocêntricos: • Determinação de um SR (elipsoide); • 2 parâmetros de posição planimétrica; • 1 azimute inicial (usualmente astronômico); • 1 medida de separação entre elipsoide e geoide; • 2 componentes do desvio da vertical. SGR – Modernos: concebidos na era da Geodésia Espacial, os SGR Modernos possuem características diferentes dos SGR Clássicos, porém conservam a mesma essência no sentido de possuir uma parte definidora e uma realização. Esses sistemas podem ser definidos por: • Determinação de um SR (elipsoide geocêntrico); • Posição coincidente com o CM da Terra; • Orientação dos eixos definida pelo BIH; • Raio equatorial • Constante gravitacional geocêntrica; • Harmônico zonal de segunda ordem do potencial gravitacional da Terra, ou o achatamento; • Velocidade de rotação da Terra Materializado por poligonação e triangulação Geométrica Física Fatores decisivos para a modernização dos SGR: • Popularização do posicionamento via satélites • Desenvolvimento de técnicas de posicionamento mais precisas • Necessidade de integração internacional • Necessidade de considerar variação temporal das coordenadas Sistema Geodésico de Referência Conforme apresentado anteriormente, um SGR é constituído da fase de definição e materialização, sendo a segunda responsável pela determinação de um conjunto de pontos sobre a SF com coordenadas associadas ao SGR. A partir dos pontos das redes que compõem o SGR que os demais levantamentos podem ser “amarrados” As Redes Geodésicas se diferenciam em: horizontal; vertical; tridimensionais A razão para a separação entre a rede planimétrica e a altimétrica se apoio na necessidade da vinculação da alturas ao campo de gravidade da Terra. Assim como na forma de definição, o advento da Geodésia espacial também impactou na materialização dos sistemas. • Redes horizontais: composta por vértices cujas coordenadas planimétricas foram determinadas. Nessas redes usualmente se emprega métodos de poligonação e triangulação. • Redes verticais: composta por vértices com coordenadas altimétricas determinadas. Usualmente emprega-se métodos de nivelamento geométrico. • Redes tridimensionais: composta por vértices com coordenadas planialtimétricas determinadas por posicionamento via satélite. Ao longo dos anos o SGR brasileiro considerou a adoção de diferentes Sistemas de Referência: Histórico dos SGR adotados no Brasil Década de 40 Datum Itararé: • Itararé-SP • Heyford 1909 Década de 50 Datum Corrego Alegre: • Frutal/Prata-MG • Heyford 1909 Década de 70 Datum SAD69: • Uberaba/Verissimo-MG • UGGI 1697 2014 SIRGAS2000 • GRS 1980 Marégrafo de Imbituba-SC Marégrafo de Santana-AP Topocêntricos Geocêntrico Posicionamento via satélite 1945 Primeiros nivelamentos de alta precisão em Santa Catarina 1946 Conexão com o marégrafo de Torres-RS 1958 Datum vertical de Torres-RS substituído por Imbituba-SC 2005 Ajuste simultâneo, com inclusão de novas estações Ajustes manuais da rede (1948, 52, 59, 62, 63, 66, 70, 75 Datum de Santana-AP 1988 Ajuste da rede em sub-redes 2015 Ajuste simultâneo, com inclusão de novos parâmetros 2018 Ajuste simultâneo, considerando gravimetria densa Sistema Geodésico de Coordenadas Elipsoide Latitude (𝝋) = ângulo formado sobre o meridiano que passa por P, compreendido entre a normal passante por P e o plano equatorial. Longitude (𝝀 ) = ângulo formado sobre o plano equatorial, compreendido entre o meridiano de Greenwich e o ponto P. Altitude elipsoidal (𝒉) = distância de P à superfície do elipsoide medida sobre a sua normal . • As latitudes são referenciadas a partir do equador, de 0° a 90°, no Hemisfério Norte (positivas) e no Hemisfério Sul (negativas). • As longitudes são referenciadas a partir de Greenwich, de 0° a 180°, na direção leste (positivas) e na direção oeste (negativas). Esta figura recebe à denominação de elipsoide O elipsoide devidamente ajustado às dimensões da Terra e orientado torna-se um referencial adequado para a atribuição de coordenadas a pontos sobre a superfície física da Terra. Sistema Geodésico de Coordenadas: Sistema de coordenadas desenvolvido sobre o elipsoide de revolução. • Para que o posicionamento de um ponto sobre o elipsoide, foram estabelecidas linhas de referência. Meridianos Paralelos Sistema Geodésico de Coordenadas Elipsoide Eixo X = coincidente com o plano do equador, sendo positivo na direção de longitude 0º (Meridiano de Greenwich). Eixo Y = coincidente com o plano do equador, sendo positivo na direção de longitude 90º (dextrogiro) Eixo Z = é paralelo ao eixo de rotação da Terra e positivo na direção Norte. • A coordenada X é dada pela projeção da normal do ponto sobre o eixo X do sistema. • A coordenada Y é dada pela projeção da normal do ponto sobre o eixo Y do sistema. Esta figura recebe à denominação de elipsoide O elipsoide devidamente ajustado às dimensões da Terra e orientado torna-se um referencial adequado para a atribuição de coordenadas a pontos sobre a superfície física da Terra. Sistema Cartesiano Geodésico de Coordenadas: • A coordenada Z é dada pela projeção da normal do ponto sobre o eixo Z do sistema. Segundo o IBGE, define-se por SGB o conjunto de pontos geodésicos implantados na porção da superfície terrestre delimitada pelas fronteiras do país. Em outras palavras é o sistema ao qual devem ser referidas todas as informações espaciais no Brasil. Sistema Geodésico Brasileiro - Conceito SGB Rede Planimétrica Rede Altimétrica Rede Maregráfica Rede Gravimétrica SGB – Evolução da Rede Planimétrica 1939 Primeiros levantamentos geodésicos (atualizar CIM). 1944 Primeira base geodésica, início do estabelecimento do SGB. Década de 70 Utilização da técnica TRANSIT, estabelece bases na Amazônia 1996 Operacionalização da RBMC Posicionamento via satélite 1991 Início do uso de GPS, densificação da rede 1994 Implantação das redes GPS estaduais A Rede planimétrica do SGB é composta por vértices determinados por métodos clássicos e modernos, podendo ser subdividida nas redes SAT-GPS, SAT-DOPPLER, RBMC e Clássica. • Rede SAT-GPS: Composta pelos vértices passivos com coordenadas determinadas por posicionamento via satélite. Aqui consideram-se os vértices do IBGE e de redes estaduais homologadas. • Rede SAT/DOPPLER: Composta pelos vértices passivos com coordenadas determinadas por posicionamento TRANSIT. • Rede Clássica: Composta pelos vértices determinados por meio de técnicas clássicas de triangulação e poligonação. • RBMC: Composta pelos vértices ativos do Rede Brasileira de Monitoramento Contínuo. SGB – Evolução da Rede Planimétrica Rede clássica: 4774 Rede SAT-GPS: 1600 Rede SAT-DOPPLER: 179 RBMC: 20 SGB – Evolução da Rede Altimétrica 1945 Primeiros nivelamentos de alta precisão em Santa Catarina 1946 Conexão com o marégrafo de Torres-RS 1958 Datum vertical de Torres-RS substituído por Imbituba-SC 2005 Ajuste simultâneo, com inclusão de novas estações Ajustes manuais da rede (1948, 52, 59, 62, 63, 66, 70, 75 Datum de Santana-AP 1988 Ajuste da rede em sub-redes • Conjunto de estações geodésicas, denominadas referências de nível, que materializam a componente altimétrica do Sistema Geodésico Brasileiro – SGB, a partir de medições de nivelamento geométrico de alta precisão e medidas gravimétricas (observadas ou teóricas). • As altitudes de suas RRNN são periodicamente recalculadas, por meio do tradicional ajustamento por mínimos quadrados. Assimprocedendo, o IBGE visa garantir a integridade, a consistência e a confiabilidade das informações divulgadas no seu Banco de Dados Geodésicos (BDG). 2015 Ajuste simultâneo, com inclusão de novos parâmetros 2018 Ajuste simultâneo, considerando gravimetria densa SGB atual – Rede Altimétrica SGB – Evolução da Rede Maregráfica (RMPG) 2001 Instalações de Marégrafos eletrônicos em Macaé-RJ e Imbituba-SC 2004 Instalações de Marégrafo eletrônico Salvador-BA • Nos últimos anos a Rede Maregráfica Permanente para Geodésia RMPG passou por um extenso processo de modernização dos equipamentos 2005 Instalações de Marégrafo eletrônico Santana-AP 2008 Instalações de Marégrafo eletrônico Fortaleza-CE Anos anteriores Observações utilizando marégrafos mecânicos EMSAN (origem do Datum Santana) EMBEL EMFOR EMSAL EMMAC (inativa) EMARC EMIMB (origem do Datum Imbituba) Instalação de duas base novas (Arria do Cabo-RJ; Belém-PA). • Em 1956, o IBGE iniciou um programa visando o estabelecimento do datum (sistema geodésico de referência) horizontal para o Brasil. Durante o projeto, foram determinadas mais de 2.000 estações gravimétricas em torno do VT Chuá. SGB – Evolução da Rede Gravimétrica • Contudo, a gravimetria somente adquiriu um caráter sistemático a partir de 1990, quando o IBGE estabeleceu estações gravimétricas visando recobrir os grandes vazios de informação de aceleração da gravidade que existem, especialmente nas regiões norte, centro-oeste e nordeste do Brasil. Desde então, mais de 26.000 estações foram estabelecidas nestas regiões. • A partir do ano de 2006 novas campanhas têm sido realizadas para densificação da rede. Noções básicas de Cartografia • Definição: O vocábulo CARTOGRAFIA foi criado pelo historiador português Visconde de Santarém, em carta de 8 de dezembro de 1839, escrita em Paris, e dirigida ao historiador brasileiro Adolfo de Varnhagen. Antes da divulgação e consagração do termo, o vocábulo usado tradicionalmente era COSMOGRAFIA (Oliveira, 1993). • Cartografia é “a Ciência e a Arte que se propõe a representar por meio de mapas, cartas, plantas e outras formas gráficas, os diversos ramos do conhecimento humano sobre a superfície e o ambiente terrestre e seus diversos aspectos”. Contextualização - Cartografia Ciência: quando utiliza o apoio científico da Astronomia, da Matemática, da Física, da Geodésia, da Topografia e de outras ciências para alcançar exatidão compatível com o mapeamento a ser realizado. Arte: quando recorre às leis estéticas da simplicidade e da clareza, buscando atingir o ideal artístico de beleza em seus produtos. Cartografia Geral: retrata basicamente a superfície topográfica do terreno, os acidentes geográficos naturais e as obras do homem. Destina-se ao uso geral, sendo base para as demais, atendendo planejamentos de obras de engenharia, operações militares, etc.; Cartografia Especial: destina-se exclusivamente a atender um uso específico, uma técnica ou uma ciência; Cartografia Temática: expressa determinados conhecimentos particulares (temas). Cartografia Digital: produto que é desenvolvido com todo o processo realizado digitalmente Contextualização - Cartografia Áreas da cartografia Contextualização - Cartografia Divisão da Cartografia Contextualização - Cartografia Contextualização - Cartografia ETAPAS PARA O CONHECIMENTO CARTOGRÁFICO MUNDO REAL MAPA Forma da Terra Sist. Coordenadas Sist. Projeção Representação Conceitos Básicos Projeções cartográficas: Relacionamento gráfico/matemático entre posições referidas a um modelo de superfície terrestre e posições referidas a uma superfície plana ou uma superfície passível de desenvolvimento no plano. Superfície de referência Superfície de projeção Projeção cartográfica De forma mais rigorosa, uma projeção cartográfica é a transformação bi-unívoca de espaços entre uma superfície de referência (SR) e uma superfície de projeção (SP), envolvendo operações analíticas e gráficas. 𝐹 𝜑, 𝜆 = 𝑋, 𝑌 𝜑, 𝜆 = 𝐹 𝑋, 𝑌 Elipsóide Conceitos Básicos Superfície de referência (SR): Superfície teórica destinada a servir de modelo à superfície terrestre. Sobre ela se desenvolvem os cálculos matemáticos para determinação da posição relativa de objetos sobre a superfície física da Terra. Geóide • Geoide: definido pelo nível médio dos mares prolongados sobre os continentes. Embora seja a forma que mais se aproxima da forma real da Terra, tal elemento é de difícil parametrização matemática sendo inviável sua utilização para determinação de coordenadas. • Elipsoide de revolução: Forma definida matematicamente e que mais se aproxima da forma verdadeira da Terra. O elipsoide é definido como sendo o sólido geométrico gerado por uma elipse que gira em torno de seu eixo menor. Usualmente considera-se elipses achatadas nos pólos. Esférico • Esfera: Consiste no modelo de representação da Terra mais fácil de se tratar matematicamente, porém é menos representativo da forma real da Terra se comparado aos modelos baseados em elipses de revolução e os geoidais. Conceitos Básicos Superfície de projeção (SP): Forma geométrica sobre a qual os pontos posicionados na superfície de referência são projetados. São determinadas formas geométricas passíveis de desenvolvimento no plano. • Basicamente há três modelos geométricos aplicados à SP, sendo eles o plano, o cilindro ou o cone. • Independente do modelo geométrico escolhido, estes são desenvolvidos em planos para a construção da representação, vistos que o objetivo básico da projeção é a representação no plano. Projeções Cartográficas • Visto que uma projeção cartográfica é definida como uma transformação entre espaços, deve-se considerar que os elementos projetados passaram por transformações e, consequentemente, não mantém as mesmas características que o original, residindo o aspecto mais importante do tema projeções cartográficas no conceito de distorção. • A correspondência entre a superfície e o mapa não pode ser exata por dois motivos básicos: • Alguma transformação de escala deve ocorrer porque a correspondência 1/1 é fisicamente impossível. • A superfície curva da Terra não pode ajustar-se a um plano sem a introdução de alguma espécie de deformação ou distorção. Projeções Cartográficas A definição de uma projeção cartográfica, e das transformações envolvidas, passa pela definição de um conjunto de elementos que possam individualizá-la dentre todas as projeções. Tais elementos são: 1) modelo de representação da Terra (SR); 2) figura geométrica adotada como Superfície de projeção (SP); 4) relação topológica entre a SR e a SP (Tipo de Contato); 3) posição relativa entre a SR e a SP (Posição relativa); 5) o modo como as funções de projeção são desenvolvidas (Método); 6) a propriedade garantida pela projeção (Propriedades). Projeções Cartográficas Classificações, propriedades e características Tipos de projeções cartográficas As projeções cartográficas podem ser classificadas quanto à superfície de projeção, quanto ao tipo de contato, quanto ao método ou quanto às suas propriedades 1) Superfície de projeção: Podem ser classificadas em: cilíndrica, cônica e plana ou azimutal Cilíndricas: A projeção da superfície de referência ocorre sobre um cilindro. Os paralelos e os meridianos, ao se cruzarem, formam ângulos retos. Cônicas: A projeção da superfície de referência ocorre sobre um cone. Os meridianos são radiais, isto é, linhas retas que se encontram em um polo, e os paralelos são círculos concêntricos. Planas ou azimutal: A projeção da superfície de referência ocorre sobre um plano tangente a um ponto qualquer da superfície de referência. Este ponto ocupa sempre o centro do mapa. O ponto de tangência torna-se o centro do mapa, apresenta deformações que se acentua à medida que nos afastamos dele. Há ainda as projeções polisuperficiais Tipos de projeções cartográficas 2)Tipo de contato: Podem ser classificadas em: tangente ou secante. Tangente: superfície de projeção encontra-se tangente à superfície de referência. Secante: superfície de projeção divide em partes (secciona) a superfície de referência. Plano tangente Cilindro tangente Cone tangente Plano secante Cilindro secante Cone secante Tipos de projeções cartográficas 3) Posição relativa entre a SR e a SP: A posição em que ocorre o contato entre a SR e a SP depende da definição de eixo de rotação da SR e do eixo de simetria da SP. • O eixo de rotação da SR é definido como a linha que liga os polos Sul e Norte, linha PN-OS. • A linha de simetria da SP pode ser definida como a linha que contém todos os centros dos círculos ou das elipses formados pelos pontos das seções aos cones ou aos cilindros. Normal: Quando os eixos formam um ângulo de 0º grau . Transversa: Quando os eixos formam um ângulo de 90º graus . Oblíqua: Quando os eixos formam um ângulo de 0º a 90º graus . Ângulo entre Esr e Esp = 0º Ângulo entre Esr e Esp = 90º 0º < Ângulo entre Esr e Esp > 90º Dada pela relação entre o eixo de rotação da SR (Esr) e o eixo de simetria da SP (Esp) Tipos de projeções cartográficas 4) Quanto ao método: Podem ser classificadas em geométricas, semi-geométricas ou analíticas. Geométricas: Baseiam-se em princípios geométricos projetivos. Podem ser obtidos pela interseção, sobre a superfície de projeção, do feixe de retas que passa por pontos da superfície de referência partindo de um centro perspectivo (ponto de vista). Conforme o ponto de vista, podem ainda ser classificadas em : gnomônica, estereográficas e ortográficas. Gnomônica Estereográficas Ortográficas • O ponto de vista está no centro da superfície de referência; • O plano tangente pode ocupar qualquer posição (normal, transversa ou oblíqua); • É projeção afilática, isto é, não é conforme, não é equivalente e também não é equidistante. • O ponto de vista está no ponto diametralmente oposto à tangência do plano de projeção; • Possui a propriedade de conformidade. • O ponto de vista está no infinito Semi-geométricas: - Baseiam-se em princípios geométricos projetivos e condições matemáticas. Analíticas: Baseiam-se apenas em condições matemáticas. Tipos de projeções cartográficas 5) Quanto as propriedades: De acordo com o comportamento da distorção de escala pode-se classificar as projeções cartográficas em: conformes, equivalentes , equidistantes e afiláticas. Conformes : são aquelas projeções cartográficas em que a distorção atua de modo igual para todas as direções em cada ponto na SP. Esta propriedade tem o significado geométrico de preservação da forma das entidades/objetos/elementos representados. Equivalente: projeção cartográfica que não apresenta deformação das áreas, ou seja, a proporção com a área real é conservada. Contudo, há distorção dos ângulos. Afiláticas: são aquelas projeções cartográficas em que não ocorre nenhuma das três propriedades anteriores. Equidistante: projeção cartográfica que não apresenta deformação linear, e sim a conservação da escala real em uma determinada direção. A ocorrência de uma das propriedades implica necessariamente na ausência das outras. Isso quer dizer que quando uma projeção cartográfica tem a propriedade de conformidade não será possível identificar nela as propriedades de equivalência ou equidistância. Tipos de projeções cartográficas Resumindo: • A escolha da projeção utilizada depende dos objetivos pretendidos. • Não é possível projetar sobre um plano a superfície terrestre conservando ao mesmo tempo, distâncias, ângulos, áreas e a verdadeira relação entre esses elementos. • As distorções variam em forma e magnitude de acordo com: • o tamanho da área envolvida; • a escala da representação; • o sistema de projeção adotado; e • o afastamento da área mapeada da região de contato entre a SR e a SP. Superfície de Referência Superfície de Projeção Tipo de contato Posição relativa Método de desenvolvimento Propriedade da projeção • Esfera • Elipsoide • Plano • Cone • Cilindro • Secante • Tangente • Normal • Transversa • Oblíqua • Geométrica • Semi-geométrica • Analítica • Conforme • Equivalente • Equidistante • Afilática Sistemas UTM, RTM e LTM Sistemas UTM, LTM e RTM A projeção UTM (Universal Transversa de Mercator) consiste na projeção oficial para mapeamento, adotada desde 1956. • Elipsoide de Referência; Cilíndrica; Secante; Transversa; Analítica; e Conforme. Busca a redução da magnitude das distorções ao longo da superfície da Terra combinando diversas posições da SP. Sistemas UTM, LTM e RTM A projeção UTM apresenta as seguintes características: • Composta por 60 fusos, obtidos através da rotação da SP em torno do eixo de rotação da SR, de maneira que cada fuso cubra uma área correspondente a 6º de longitude. • Os fusos são contados a partir do antimeridiano de Greenwich (longitude = 180º), sendo crescente para Oeste. • A numeração dos fusos é coincidente com a numeração da Carta Internacional do Mundo ao Milionésimo. 1 60... • Meridianos centrais dos fusos com longitudes múltiplas de 6º, iniciando em -177º; • Na prática, como ocorre? Sistemas UTM, LTM e RTM • Fator de escala no meridiano central é igual a 0,9996; • Fator de escala entre o meridiano central e as linhas de secância < 1; • Fator de escala nas linhas de secância = 1; • Fator de escala entre as linhas de secância e o extremo do fuso >1 • As distorções de escala tem comportamento idêntico para pontos simétricos ao meridiano central e ao equador. • Latitude limitada aos paralelos 84º N e 80º S; • Coordenadas adotam valores de Falso Norte e Falso Leste. • Para o hemisfério Norte, N = 0 e E = 500.000 • Para o hemisfério Sul, N = 10.000.000 e E = 500.000 Sistemas UTM, LTM e RTM Devido as características do sistema de coordenadas plano cartesiano UTM, um par de coordenadas pode ter 120 correspondências na SR. Para se definir a correspondência bi-unívoca entre um ponto com coordenadas UTM e seu homólogo na SR, deve- se apresentar: • Coordenadas E e N; • Hemisfério; • Fuso; Além disso, a conversão entre coordenadas UTM e Geodésicas só é possível conhecendo-se o Sistema de Referência associado e a altura elipsoidal do ponto. As formulações matemáticas envolvidas no processo direto e inverso dependem dos parâmetros matemáticos que definem a SR. https://dan-scientia.blogspot.com/2013/05/conversao-entre- coordenadas-geograficas.html Sistemas UTM, LTM e RTM 1) Projeção Universal Transversa de Mercator (UTM); 2) Projeção Regional Transverso de Mercator (RTM) e; 3) Projeção Local Transverso de Mercator (LTM). • A grande diferença entre as 3 projeções acima é largura de fuso, isso porque enquanto a projeção UTM possui fusos de 6° de amplitude em longitude, as projeções RTM e LTM utilizam fusos de 2º, e 1º, respectivamente. • Assim como a projeção UTM, as projeções RTM e LTM são projeções derivadas da projeção TM. UTM RTM LTM Sistemas UTM, LTM e RTM 2) Projeção Regional Transversa de Mercator (RTM): • Apresenta as seguintes características: • Fusos de 2º de amplitude em longitude; • 𝑘0 = 0,99995 (1 - 1/200.000); • Constantes: 5.000.000 m no H.S. e 400.000 m no M.C. 3) Projeção Local Transversa de Mercator (LTM): • Apresenta as seguintes características: • Fusos de 1º de amplitude em longitude; • 𝑘0 = 0,99995 (1 - 1/200.000); • Constantes: 5.000.000 m no H.S. e 200.000 m no M.C. Comparação entre os sistemas UTM, RTM e LTM RTM LTM LTM RTM Capa Slide 1 Contextualização Slide 2: Contextualização Slide 3: Contextualização - Topografia Slide 4: Contextualização - Topografia Slide 5: Contextualização - Geodésia Slide 6: Contextualização - Cartografia Slide 7: Contextualização geodésia Slide 8: Noções básicas de Geodésia Slide 9: Contextualização - Geodésia Slide 10: Contextualização - Geodésia Slide 11: Contextualização - Geodésia Slide 12: Contextualização- Geodésia Slide 13: Contextualização - Geodésia Slide 14: Contextualização - Geodésia Slide 15: Contextualização - Geodésia Slide 16: Contextualização - Geodésia Slide 17: Contextualização - Geodésia Slide 18: Noções básicas de Geodésia Sistemas Geodésico de Referência Slide 19: Sistema Geodésico de Referência Slide 20: Sistema Geodésico de Referência Slide 21: Sistema Geodésico de Referência Slide 22: Histórico dos SGR adotados no Brasil Slide 23: Sistema Geodésico de Coordenadas Slide 24: Sistema Geodésico de Coordenadas Slide 25: Sistema Geodésico Brasileiro - Conceito Slide 26: SGB – Evolução da Rede Planimétrica Slide 27: SGB – Evolução da Rede Planimétrica Slide 28: SGB – Evolução da Rede Altimétrica Slide 29: SGB atual – Rede Altimétrica Slide 30: SGB – Evolução da Rede Maregráfica (RMPG) Slide 31: SGB – Evolução da Rede Gravimétrica cartografia Slide 32: Noções básicas de Cartografia Slide 33: Contextualização - Cartografia Slide 34: Contextualização - Cartografia Slide 35: Contextualização - Cartografia Slide 36: Contextualização - Cartografia Slide 37: Contextualização - Cartografia Slide 38: Conceitos Básicos Slide 39: Conceitos Básicos Slide 40: Conceitos Básicos Slide 41: Projeções Cartográficas Slide 42: Projeções Cartográficas Slide 43: Projeções Cartográficas Slide 44: Tipos de projeções cartográficas Slide 45: Tipos de projeções cartográficas Slide 46: Tipos de projeções cartográficas Slide 47: Tipos de projeções cartográficas Slide 48: Tipos de projeções cartográficas Slide 49: Tipos de projeções cartográficas Slide 50 Slide 51: Sistemas UTM, LTM e RTM Slide 52: Sistemas UTM, LTM e RTM Slide 53: Sistemas UTM, LTM e RTM Slide 54: Sistemas UTM, LTM e RTM Slide 55: Sistemas UTM, LTM e RTM Slide 56: Sistemas UTM, LTM e RTM