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REDAÇÃO 
SECRETARIA DE ESTADO DE ADMINISTRAÇÃO PENITENCIÁRIA - SEAP 
REDAÇÃO 
 
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comercial com todos os direitos autorais ou outras notas de propriedade retidas, e 
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meio eletrônico ou em disco rígido, ou criar qualquer trabalho derivado com base 
nessas imagens, texto ou documentos, sem o consentimento expresso por escrito da 
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de licença ou direito de qualquer patente, direito autoral ou marca comercial da Loja 
do Concurseiro. 
 
SECRETARIA DE ESTADO DE ADMINISTRAÇÃO PENITENCIÁRIA - SEAP 
REDAÇÃO 
 
3 
 
 
PROGRAMA: 
TEORIA 
A Redação da Prova Escrita Dissertativa será 
desenvolvida a partir de um tema de ordem política, 
social ou cultural, em texto dissertativo. 
 
 
 
Você é avaliado pela 
 
1º) CAPACIDADE DE INTERPRETAÇÃO DO TEMA 
Delimitação: a partir dos textos de apoio e a partir 
das palavras-chave do tema. 
 
2º) CAPACIDADE DE ORGANIZAÇÃO LÓGICA (pense 
em parágrafos – divida a partir das palavras-chave 
do tema) 
 Introdução (breve apresentação – 
assunto/problema) 
 Assunto detalhado 
 Causa 
 Consequência 
 Solução 
 Prós x contra 
 
 
3º) CAPACIDADE DE PRODUZIR UM TEXTO 
DISSERTATIVO (usa verbo afirmativo no presente) 
 Defende um ponto de vista 
 Sobre determinado assunto 
 Com argumentos convincentes 
 
Dicas - Procedimentos Básicos 
 
Siga esta ordem: 
01. Interpretação do tema: Devemos interpretar 
cuidadosamente o tema proposto, pois a fuga total a 
ele implica zerar a prova de redação; 
 
02. Levantamento de ideias: A melhor maneira de 
levantar ideias sobre o tema é a autoindagação; 
 
03. Construção do rascunho: Construa o rascunho sem 
se preocupar com a forma. Priorize, nesta etapa, o 
conteúdo; 
 
04. Pequeno intervalo: Suspenda a atividade redacional 
por alguns instantes e ocupe-se com outras provas, para 
que possa desviar um pouco a atenção do texto; 
evitando, assim, que determinados erros passem 
despercebidos; 
 
05. Revisão e acabamento: Faça uma cuidadosa revisão 
do rascunho e as devidas correções; 
 
06. Versão definitiva: Agora passe a limpo para a versão 
definitiva, com calma e muito cuidado! 
 
07. Elaboração do título: O título deve ser uma frase 
curta condizente com a essência do tema, mas ele não é 
obrigatório, por isso não precisa perder tempo com ele, 
pode produzir seu texto sem título. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REDAÇÃO 
SECRETARIA DE ESTADO DE ADMINISTRAÇÃO PENITENCIÁRIA - SEAP 
REDAÇÃO 
 
4 
Orientação: 
 
O texto deve conter começo, meio e fim (introdução, 
desenvolvimento e conclusão). Vejamos, sucintamente, 
cada uma dessas partes. 
 
A. INTRODUÇÃO (início, começo) 
Podemos começar uma redação fazendo uma afirmação, 
uma declaração, uma descrição, uma pergunta, e de 
muitas outras maneiras. O que se deve guardar é que 
uma introdução serve para lançar o assunto, delimitar o 
assunto, chamar a atenção do leitor para o assunto que 
vamos desenvolver. 
Uma introdução não deve ser muito longa para não 
desmotivar o leitor. Se a redação dever ter trinta linhas, 
aconselha-se a que o aluno use de quatro a seis para a 
parte introdutória. 
 
DEFEITOS A EVITAR 
I. Iniciar uma ideia geral, mas que não se relaciona com a 
segunda parte da redação. 
II. Iniciar com digressões (o início dever ser curto). 
III. Iniciar com as mesmas palavras do título. 
IV. Iniciar aproveitando o título, com se este fosse um 
elemento d primeira frase. 
V. Iniciar com chavões 
Exemplos: 
- Desde os primórdios da Antiguidade... 
- Não é fácil a respeito de... 
- Bem, eu acho que... 
- Um dos problemas mais discutidos na atualidade... 
 
B. DESENVOLVIMENTO (meio, corpo) 
A parte substancial e decisória de uma redação é o seu 
desenvolvimento. É nela que o aluno tem a oportunidade 
de colocar um conteúdo razoável, lógico. Se o 
desenvolvimento da redação é sua parte mais 
importante, deverá ocupar o maior número de linhas. 
Supondo-se uma redação de trinta linhas, a redação 
deverá destinar de catorze (14) a dezoito (18) linhas para 
o corpo ou desenvolvimento dela. 
 
DEFEITOS A EVITAR 
I. Pormenores, divagações, repetições, exemplos 
excessivos de tal sorte a não sobrar espaço para a 
conclusão. 
 
C. CONCLUSÃO (fecho, final) 
Assim como a introdução, o fim deverá ocupar uma 
pequena parte do texto. Se a redação está planejada 
para trinta linhas, a parte da conclusão deve ter quatro a 
seis linhas. 
Na conclusão, nossas ideias propõem uma solução. O 
ponto de vista do escritor, apesar de ter aparecido nas 
outras partes, adquire maior destaque na conclusão. 
Se alguém introduz um assunto, desenvolve-o 
brilhantemente, mas não coloca uma conclusão: o leitor 
sentir-se-á perdido, estupefato. 
 
DEFEITOS A EVITAR 
I. Não finalizar (é o principal defeito) 
II. Avisar que vai concluir, utilizando expressões como 
"Em resumo" ou "Concluindo" 
 
 
 
ESQUEMATIZAR 
 
Compreendido o tema, não passaremos, de pronto, ao 
rascunho. Eis um erro muito comum: os alunos não 
simpatizam com os esquemas. Acham que o tempo é 
exíguo e atiram-se, a esmo, ao trabalho da redação. O 
fato é que, dispensando o esquema, perdem, no 
rascunho, os minutos que pensavam economizar. O que 
sucede? As ideias vêm vindo desordenadas, 
contraditórias. Atrapalhados, eles rabiscam, apagam, 
voltam a escrever o que riscaram... É como se estivessem 
dirigindo num desses dias de trânsito congestionado: 
querem correr e não saem do lugar. Qual seria a causa 
desse "espaçamento"? Única e exclusivamente a falta de 
esquema. Quando principiamos uma redação, temos de 
traçar uma diretriz, haveremos de tomar um partido. Se 
o assunto é "aborto", obriga-nos a uma definição: 
seremos a favor, ou, então contra? Qual tese 
defenderemos? O esquema é um mapa. O esquema é um 
guia. Não haverá lugar para desvios ou retrocessos se 
tivermos, anteriormente traçado o nosso roteiro. O 
esquema exigirá, talvez, uns dez minutos. Porém, esses 
minutos são importantíssimos. Eles nos trarão a ideia 
básica, alinharão os argumentos contrários e favoráveis, 
darão os conceitos introdutórios. Nosso trabalho, daí em 
diante, será vestir, com as roupagens da frase, aquilo que 
o esquema registrou. Esquematizar é planejar. É 
caminhar de olhos abertos. É saber o terreno que se pisa. 
É dar à redação um destino, um sentido, um fim. 
 
a) As partes do esquema 
Todo esquema deve conter três partes: introdução, 
desenvolvimento e conclusão. No local destinado ao 
rascunho o aluno representá-los-á pelas letras a, b e c, 
respectivamente. Se escrevesse introdução, 
desenvolvimento e conclusão, já estaria despendendo 
tempo precioso. 
 
 
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5 
b) A concentração de ideias 
Não se impressione se suas ideias custam a chegar. É 
natural que, no início, fiquemos um tanto vazios. Ideias 
não caem do céu. À medida que formos meditando, elas 
irão aparecendo, ainda que desordenadamente. Não nos 
esqueçamos de que esse é um momento de 
concentração absoluta. Imaginação, sensibilidade, 
inteligência, memória, todas as faculdades, enfim, 
devem estar despertas na procura penosa das ideias.c) Extensão do esquema 
O esquema deve ser breve. Caso contrário, perderá sua 
finalidade. Evitem-se as minúcias, as divisões e 
subdivisões. O aluno não esgotará o tempo de exame, 
fazendo esquema. Com cinco palavras apenas, pode-se 
reunir material para uma boa redação. 
 
d) Técnicas de registrar ideias 
As ideias vão surgindo sem ordem, sem critério. O aluno 
começara a registrá-la na introdução (a), no 
desenvolvimento (b), ou na conclusão (c), com palavras 
sintéticas e abreviadas. Suponha-se que o tema seja 
"coexistência pacífica". Diversas ideias afloram à mente. 
Uma delas poderia ser a seguinte: "as nações destinam a 
maior parte da sua receita à corrida armamentista... 
Quantos males já poderiam ter sido debelados da face da 
terra se tais verbas tivessem sido empregadas no 
combate ao câncer, na erradicação da malária..." Se esta 
ideia não for imediatamente registrada, poderá ser 
esquecida. Que devemos fazer? Basta que coloquemos 
no desenvolvimento do esquema a palavra "arma". É 
suficiente para que posteriormente, no rascunho, se 
desenvolva a ideia. Um esboço feito dessa maneira não 
tomará mais de uns dez minutos. Se acharmos uma 
comparação expressiva ou uma imagem bonita, não 
deixemos escapar. Talvez seja essa a imagem, seja essa a 
comparação que mais agradará ao examinador. O 
esquema não é rígido. É pessoal, e cada um o executa de 
maneira que achar mais conveniente Poderemos, pode 
exemplo, abreviar as palavras, a fim de poupar tempo. 
Assim escreveremos "destr." (destruição), interc. 
(intercâmbio) etc. 
 
e) Seleção de ideias 
Se houver sobra de ideias, depois de registradas, deve o 
aluno selecionar as melhores. Lembre-se ele de que não 
vai escrever um ensaio ou um tratado e, sim, uma 
redação. Deverá eliminar, portanto, aquelas ideias 
desnecessárias, aquelas ridículas ou infantis. Deverão 
sobrar apenas alguns conceitos fundamentais e alguns 
outros subsidiários, o necessário, enfim, para cumprir o 
limite exíguo de linhas. 
 
f) Ordem das ideias 
Já vimos que as ideias chegam desconexas, 
desordenadas. É natural, portanto, que o aluno coloque 
na conclusão conceitos ou fatos que, talvez, coubessem 
melhor no desenvolvimento ou na introdução. Cumpre, 
antes de iniciar o rascunho, ordenar as ideias de modo 
que as partes da redação conservem sua autenticidade. 
A maneira mais fácil será numerar as ideias de acordo 
com sua ordem, a fim de que não percamos tempo na 
montagem de um novo esquema definitivo. O esquema 
é um roteiro e a redação deve caminhar 
progressivamente. Um esquema ordenado, definido, 
não levará o aluno a retrocessos. 
 
Tema: Menores abandonados 
1. As crianças pobres são vítimas do progresso. 
2. Criança famintas tornam-se ladrões e assassinos. 
3. Os pequenos crimes aumentam com a idade. 
4. A ignorância dos pais que têm muitos filhos deve ser 
enfrentada por uma campanha bem séria por parte da 
população. 
 
Esquema 
a) progresso – pobreza 
b) fome - crime – idade 
c) ignorância - educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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6 
Descrever, Narrar, Dissertar 
 
Descrever é representar verbalmente um objeto, uma 
pessoal, um lugar, mediante a indicação de aspectos 
característicos, de pormenores individualizantes. Requer 
observação cuidadosa, para tornar aquilo que vai ser 
descrito um modelo inconfundível. Não se trata de 
enumerar uma série de elementos, mas de captar os 
traços capazes de transmitir uma impressão autêntica. 
Descrever é mais que apontar, é muito mais que 
fotografar. É pintar, é criar. Por isso, impõe-se o uso de 
palavras específicas, exatas. 
 
Narrar : é um relato organizado de acontecimentos reais 
ou imaginários. São seus elementos constitutivos: 
personagens, circunstâncias, ação; o seu núcleo é o 
incidente, o episódio, e o que a distingue da descrição é 
a presença de personagens atuantes, que estão quase 
sempre em conflito. 
 
A Narração envolve: 
I. Quem? Personagem; 
II. Quê? Fatos, enredo; 
III. Quando? A época em que ocorreram os 
acontecimentos; 
IV. Onde? O lugar da ocorrência; 
V. Como? O modo como se desenvolveram os 
acontecimentos; 
VI. Por quê? A causa dos acontecimentos; 
 
Dissertar é apresentar ideias, analisá-las, é estabelecer 
um ponto de vista baseado em argumentos lógicos; é 
estabelecer relações de causa e efeito. Aqui não basta 
expor, narrar ou descrever, é necessário explanar e 
explicar. O raciocínio é que deve imperar neste tipo de 
composição, e quanto maior a fundamentação 
argumentativa, mais brilhante será o desempenho. 
 
 
 
 
 
Agora vamos ao principal tipo de texto cobrado nos 
concursos: 
 
Dissertar é expor opiniões, pontos de vista, 
fundamentados em argumentos e raciocínios baseados 
em nossa vivência, nossas leituras, nossas posturas, 
nossas conclusões a respeito da vida, dos homens, de 
nós mesmos. 
 
Refletir, exercer o direito de ter ideias e expressá-las, 
respeitando as ideias de outras pessoas, assumir uma 
postura que problematize a realidade e mostre os 
fundamentos de tal problematização constituem as 
principais características do dissertar. 
 
 
 
Dissertação 
 
 Dissertar é debater um tema, apresentar e 
defender ideias a respeito de um assunto. 
 A atividade dissertativa revela-se vital para o 
desenvolvimento da inteligência, para a elaboração 
pessoal de ideias, para a capacidade de raciocínio e 
exposição lógica, ou seja, para a construção do 
conhecimento e do pensamento crítico e criativo. 
 Para escrever lucidamente é preciso, em primeiro 
lugar, delimitar e contextualizar o tema. Depois, assumir 
uma posição e defendê-la com coerência, argumentando 
de modo organizado e com a linguagem adequada, 
lógico-expositiva. 
 Assim, os elementos estruturais de um texto 
dissertativo são: 
 
Tema - o assunto sobre o qual se escreve. 
 
Tese/Ponto de vista - a posição que se assume diante do 
tema. 
 
Argumentação - a fundamentação do posicionamento, a 
defesa do ponto de vista. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Tipos de dissertação 
 
1. Expositiva: acontece quando, no texto, o 
articulador das ideias utiliza dados fartamente 
noticiados em jornais, revistas, rádio, televisão, 
enciclopédias. Tais ideias são amplamente 
conhecidas e, por isso mesmo, inquestionáveis 
quanto ao conteúdo. Como o próprio nome diz, 
expõe os fatos, mas não apresenta necessariamente 
uma discussão. 
 
 
2. Argumentativa: acontece quando, ao escrever, 
nos dispomos a refletir sobre os assuntos 
enfocados, usando pontos-de-vista pessoais, 
aproximando ou correlacionando os fatos a fim de 
que cheguemos facilmente a uma conclusão. 
Entre as maneiras de dissertar, é 
considerada sofisticada: a visão sobre os fatos 
discutidos é crítica, há evidências e juízos que são 
trazidos à luz de maneira analítica. 
 
 
3. Mista: este último método é o melhor porque 
guarda em si as possibilidades dos dois anteriores, 
ou seja: ao mesmo tempo em que se expõem os 
fatos conhecidos de todos, que podem se 
transformar em exemplificação atualizada, também 
permite que se argumente de maneira analítica, 
portanto crítica, e aí sejam inseridos 
questionamentos, juízos de valor, elementos tão 
caros e necessários a qualquer texto dissertativo. 
 
De qualquer maneira que escolhamos dissertar, o 
fazemos sempre para demonstrar aspectos do que 
pensamos, para persuadir o outro, para mostrar 
nossa capacidade de crítica, de análise sobre 
determinado grupo de acontecimentos. 
Dissertamos para demarcar um espaço intelectual, 
dizer algo que é ponto de vista nosso, particular, 
advindo do nosso esforço de compreender o 
mundo. 
 
 
 
 
 
 
 
O tema 
 
Às vezes, uma pessoa pode iniciar uma 
redação abordando diretamente o assunto, sem 
introdução isso depende da maneira de cada um. É 
impossível determinar um padrão imutável para a 
introdução de uma redação, assim como paraas 
outras partes. Tudo é variável, apesar de obedecer 
a algumas normas imutáveis. 
 
EXEMPLO DE PARÁGRAFO COM INTRODUÇÃO 
TEMA: A fome de crianças abandonadas 
"Você já parou para pensar na tristeza de uma 
criança faminta? Ela mastiga as migalhas de pão 
duro encontradas nas latas de lixo sem entender 
porque não há o momento do almoço e do jantar 
como ocorre com as outras crianças". 
 
Você pode observar que o início do parágrafo traz 
uma introdução em forma de pergunta. O escritor 
questiona o virtual leitor sobre o problema, 
tentando levá-lo a um ato de reflexão. 
 
EXEMPLO DE PARÁGRAFO SEM INTRODUÇÃO 
TEMA: A fome de crianças abandonadas. 
"Vasculham as latas de lixo como se estivessem 
procurando diamantes perdidos. Um pedaço de pão 
duro, uma fruta podre, um doce estragado, tudo 
serve para aquele menino que não tem nada para 
colocar no estômago ansioso". 
 
No caso deste texto, o escritor entra diretamente no 
tema que vai desenvolver, sem rodeios 
introdutórios. 
Logicamente, existem muitas causas que concorrem 
para essa inibição no momento da expressão 
linguística. Vejamos algumas delas: 
 
Causas objetivas: Em primeiro lugar você deve 
saber que nem tudo pode ser traduzido para um 
código linguístico. Há emoções que não podem ser 
expressas pela língua. Além disso, a linguagem 
escrita envolve um condicionamento 
completamente diferente da linguagem falada. Na 
escrita não há diálogo do autor com o leitor. Você 
escreve sozinho e deve conduzir o discurso sem a 
ajuda de um interlocutor. Na escrita, as situações 
não estão configuradas. Você tem que criá-las. 
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8 
A DISSERTAÇÃO: DIFERENÇA ENTRE TEMA E 
TÍTULO 
 Produzir um texto dissertativo, ou dissertação, 
consiste em defender uma ideia. É a defesa de uma 
tese -- proposição que se apresenta com o objetivo 
de convencer quem lê, ou seja, o leitor. Para se 
alcançar tal objetivo, a organização da dissertação é 
fundamental. Existem, portanto, algumas 
instruções, as quais favorecem o ato da 
escrituração, que você poderá verificar agora. 
O tema e o título são, com muita frequência, 
empregados como sinônimos. Contudo, apesar de 
serem partes de um mesmo tipo de composição, são 
elementos bem diferentes. O tema é o assunto, já 
delimitado, a ser abordado; a ideia que será por 
você defendida e que deverá aparecer logo no 
primeiro parágrafo. Já o título é uma expressão, ou 
até uma só palavra, centrada no início do trabalho; 
ele é uma vaga referência ao assunto (tema). Veja a 
diferença entre os dois nos exemplos abaixo: 
 
 
 Título: A cidade e seus problemas 
 Tema: A cidade de Belém enfrenta atualmente 
grandes problemas. 
 
 
 Título: A criança e a televisão 
 Tema: Psicólogos do mundo todo têm se 
preocupado com a influência que determinados 
programas de televisão exercem sobre as crianças. 
 
 
 Título: As contradições na era da comunicação 
 Tema: Vivendo a era da comunicação, o 
homem contemporâneo está cada vez mais só. 
 
 
 
 
 Note que o tema, na verdade, como já 
mencionamos acima, é a delimitação de 
determinado assunto. Isso é necessário, pois um 
assunto pode ser muito extenso e, nesse caso, ao 
abordá-lo, você poderá se perder em sua extensão. 
Peguemos o assunto "ensino" como exemplo. Há 
muito o que escrever sobre ele, por isso convém 
delimitá-lo. Desse modo, obtém-se o tema. Logo, 
para cada assunto, há inúmeros temas. 
 Da mesma forma, quando os títulos são 
generalizados, abre-se um leque de temas a serem 
desenvolvidos. Para o título "A criança e a 
televisão", por exemplo, podemos definir um outro 
tema, como "A criança se encanta com os novos 
programas de TV criados especialmente para elas", 
ou ainda "Os pais, envoltos com seus problemas, 
não perceberam ainda o perigo da televisão para as 
suas crianças". 
 O importante é você usar a criatividade até 
mesmo no título de sua redação. Pense no título 
após o rascunho estar ponto, fica mais fácil. Assim, 
o estudante não se torna escravo do título. 
 
OBSERVAÇÕES: 
 Quando você participar de algum concurso ou 
teste e tiver de fazer uma dissertação, observe a 
proposta e/ou instruções. Muitas vezes, já vem 
explicitado o tema ou título; às vezes, é sugerido 
apenas o assunto. O item que faltar, cabe a você 
elaborar. 
 O aspecto estético também é avaliado em 
qualquer teste. Com relação ao título e ao tema há 
algumas regras importantes: o título deve ser 
colocado no centro da folha, logo no início de sua 
dissertação, com inicial maiúscula; uma linha é 
suficiente para separar o título do corpo de sua 
redação. Nada mais deve ser acrescentado, 
principalmente algo que seja óbvio, do tipo 
"Título:"; comece diretamente pelo título 
(expressão escolhida por você para dar nome a sua 
redação), conforme orientações acima. 
 
 
 
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9 
DELIMITAÇÃO DE TEMA 
 
Não é possível esgotar um tema. A 
dissertação impõe certos limites e é preciso saber 
escolher bem os aspectos que serão desenvolvidos. 
Em vista disso, é muito importante que, antes de 
começar a sua dissertação, você saiba delimitar o 
tema a ser tratado, selecionando os aspectos que 
achar mais importantes ou aqueles que conheça 
melhor. 
 
 Nesta parte, vamos explicar como se pode 
delimitar o tema de uma dissertação. Para isso, leia 
com atenção o texto seguinte. 
 
A droga eletrônica 
 Atualmente, os meios de comunicação de 
massa, como o jornal, o rádio e a televisão, 
invadiram praticamente todos os lares e exercem 
uma grande influência no modo de viver e pensar de 
adultos e crianças. 
 Dentre estes meios de comunicação, ganha 
especial destaque a televisão, pois, evidentemente, 
ela é o mais interessante e sugestivo para crianças e 
adultos. 
 Assistimos à televisão em casa, com todo o 
conforto, sem necessidade de grandes 
conhecimentos ou de grande instrução. Além disso, 
após um dia de trabalho, ela oferece a possibilidade 
de vermos lugares e pessoas que nunca poderiam 
ser vistos de outra maneira. 
 Por outra lado, a televisão exige parte de nosso 
tempo. Para assistir a um programa temos de nos 
sentar diante do televisor e não podemos fazer mais 
nada a não ser olhar. Isso causa problemas mais 
sérios do que pode parecer. A televisão exclui 
qualquer outra forma de atividade. No caso de 
pessoas adultas, ainda é possível alegar que seja 
uma forma de repouso após o trabalho, mas no caso 
de crianças, pode significar a perda de um tempo 
precioso que deveria estar sendo usado para a 
aquisição direta de várias experiências. 
 Além disso, nem tudo o que a televisão mostra 
é necessariamente bom. Mesmo que existam bons 
programas destinados especificamente ao público 
infantil, não há nenhuma garantia de que as 
crianças vejam apenas esses programas. Na 
verdade, atualmente, as crianças veem muito mais 
programas para adultos do que os infantis. 
 Uma das consequências desse fato é a 
eliminação dos limites entre o mundo cultural dos 
adultos e o das crianças. Demasiado cedo, no 
momento em que são mais vulneráveis, as crianças 
entram em contato com o mundo e a cultura das 
pessoas adultas. Se os adultos da família não agirem 
adequadamente como mediadores, as crianças 
absorverão a imagem da sociedade e dos 
comportamentos adultos tal como são 
apresentados pela televisão; e isso se dará em 
detrimento da imagem espontânea e natural que 
poderiam formar a partir de suas próprias 
experiências vividas. 
 É preciso, portanto, estar atento a esse poder de 
influência que a televisão exerce sobre as crianças. 
Se for mantida a tendência de se deixar uma criança 
em frente da televisão de maneira indiscriminada, 
ela estará cada vez menos apta a formar, por si 
mesma, uma visão crítica do mundo em que vive. 
 (Artigo retirado e adaptado de O Correio da UNESCO.) 
 Vejamos,a seguir, a função dos parágrafos na 
estrutura do texto. 
 
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10 
 Parágrafo 1 - Apresentação do tema 
 A influência dos meios de comunicação de 
massa no modo de viver e pensar das pessoas. 
 
 
 Parágrafo 2 - Delimitação do tema 
 O autor explica que vai se deter na análise de 
um dos meios de comunicação de massa - a 
televisão. 
 
 
 Parágrafos 3 a 6 - Desenvolvimento 
 O autor destaca alguns aspectos positivos da 
televisão e, em seguida, um aspecto negativo que 
lhe parece muito importante - assistir à televisão é 
um hábito que exclui qualquer outra atividade 
simultânea, o que diminui o tempo que a criança 
poderia ter para se relacionar mais profundamente 
com o mundo que o rodeia. Do ponto de vista 
educacional, isso é negativo, pois expõe a criança a 
uma influência muito forte da televisão, que passa 
uma certa imagem da realidade, com padrões de 
comportamento que poderão servir-lhe de modelo 
para o resto da vida. 
 
 
Parágrafo 7 - Conclusão 
 Com base nos argumentos apresentados, o 
autor conclui seu raciocínio alertando para o perigo 
de se deixar a criança exposta de maneira 
indiscriminada à televisão, acrescentando que isso 
seria uma barreira para que ela construísse, por si 
mesma, uma visão crítica e pessoal do mundo em 
que vive. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Observações 
 No enunciado do tema - a influência dos meios 
de comunicação de massa - o autor propõe uma 
delimitação, explicando que vai tratar 
especificamente de um desses meios: a televisão. 
 Ao falar da televisão, porém, o autor fez mais 
uma delimitação e aprofundou-se na influência 
negativa que ela pode exercer sobre as crianças, 
deixando, assim, outros aspectos de lado. 
 O tema inicial é muito vasto e vários outros 
aspectos poderiam ter sido escolhidos para 
desenvolvimento. Mas o objetivo do autor era tratar 
da influência negativa da televisão no processo de 
formação de uma visão crítica da realidade por 
parte da criança. Por isso, antes de começar a expor 
seus argumentos, ele deixou bem claro ao leitor a 
direção que seu texto ia tomar. 
 Como você pôde observar, a delimitação ajuda 
a organizar o desenvolvimento do texto, 
direcionando-o e facilitando a compreensão das 
ideias expostas. 
 
 
Proposta de redação 
1. Apresentamos a seguir alguns temas que, por sua 
amplitude, devem ser delimitados. Sua tarefa é 
relacionar pelo menos dois aspectos de cada tema 
que poderiam ser desenvolvidos numa dissertação. 
 a. O esporte 
 b. O progresso científico 
 c. As viagens espaciais 
 d. A propaganda no mundo atual 
 e. O carnaval 
 f. A guerra 
 
2. Escolha um dos temas relacionados no exercício 
anterior: 
 a) um parágrafo introdutório, apresentando o 
tema e informando o leitor sobre as várias 
possibilidades de desenvolvê-lo. 
 b) um parágrafo em que o tema é delimitado. 
 c) dois parágrafos de desenvolvimento 
 d) um parágrafo de conclusão. 
 
 
 
 
 
 
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11 
Como começar a dissertação 
 
Tipos de Introdução 
 
 A introdução da dissertação traz ao leitor o tema a 
ser discutido além de, muitas vezes, trazer sob qual 
ângulo a questão será discutida. Dessa forma, é ela quem 
provoca no leitor o primeiro impacto, é ela a 
apresentação de seu texto e, portanto deve ser muito 
bem trabalhada, o que não é tão difícil, pois há várias 
boas maneiras de começar uma dissertação. As formas 
abaixo são algumas possíveis, mas, certamente, não são 
as únicas. 
 
 Vale ainda salientar que a introdução só deve ser 
feita após estar concluído o "Projeto de Texto". 
 
1. Roteiro 
 Como em toda introdução, o tema deve estar 
presente. 
 Além disso, neste tipo é apresentado ao leitor o 
roteiro de discussão que será seguido durante o 
desenvolvimento. Para exemplificação, suponhamos o 
tema: 
 
A questão do menor no Brasil 
 
 Uma possível introdução seria: 
 
 Para se analisar a questão da violência contra o 
menor no Brasil, é essencial que se discutam suas causas 
e suas consequências. 
 
O principal defeito em uma redação que utiliza este tipo 
de introdução é seguir outro roteiro que não seja o nela 
citado. 
 
2. Hipótese: este tipo de introdução traz o ponto de vista 
a ser defendido, ou seja, a tese que se pretende provar 
durante o desenvolvimento. Evidentemente a tese será 
retomada – e não copiada - na conclusão. 
Vejamos um exemplo para o mesmo tema: 
 
A questão da violência contra o menor tem origem 
na miséria - a principal responsável pela desagregação 
familiar. 
 
O principal risco desse tipo de introdução é não ser capaz 
de realmente comprovar a tese apresentada. 
 
 
 
 
3. Perguntas: esta introdução constitui-se de uma série 
de perguntas sobre o tema. 
 Exemplo: 
 É possível imaginar o Brasil como um país 
desenvolvido e com justiça social enquanto existir tanta 
violência contra o menor? 
 
 O principal problema neste tipo de introdução é não 
responder, ou responder de forma ineficaz, as perguntas 
feitas. Além disso, por ser uma forma bastante simples 
de começar um texto, às vezes não consegue atrair 
suficientemente a atenção do leitor. 
 
4. Histórica: esta introdução traça um rápido panorama 
histórico da questão, servindo muitas vezes se 
contraponto ao presente. 
 
 Às crianças nunca foi dada a importância devida. 
Em Canudos e em Palmares não foram poupadas. Na 
Candelária ou na praça da Sé continuam não sendo. 
 
 Deve-se tomar o cuidado de se escolher fatos 
históricos conhecidos e significativos para o 
desenvolvimento que se pretende dar ao texto. 
 
5. Comparação - por semelhança ou oposição: procura-
se neste tipo de introdução mostrar como o tema, ou 
aspectos dele, se assemelham - ou se opõem - a outros. 
 É comum encontrar crianças de dez anos de idade 
vendendo balas nas esquinas brasileiras. Na França, nos 
EUA ou na Inglaterra - países desenvolvidos - nessa 
idade as crianças estão na escola e não submetidas a 
violência das ruas. 
 
 É bastante importante que a comparação seja 
adequada e sirva a algum propósito bem claro - no caso, 
mostrar o subdesenvolvimento brasileiro na questão do 
menor. 
 
6. Definição: parte da definição do significado do tema, 
ou de uma parte dele. 
 Menor: de segundo plano, inferior, aquele que não 
atingiu a maioridade. O uso da palavra “menor” para 
se referir às crianças no Brasil já demonstra como são 
tratadas: em segundo plano. 
 
 Vale perceber que há, muitas vezes, mais de uma 
maneira de se definir algo e, portanto a escolha da 
definição mais adequada dependerá do ponto de vista a 
ser defendido. 
 
 
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12 
Jogos Lógico-expositivos > Processo 
argumentativo 
 
Existem muitos modos de expor ideias, de 
desenvolver o raciocínio dissertativo: 
 
1. Definição: pode-se começar a dissertar fazendo 
uma definição do tema, para atribuir maior 
clareza e objetividade ao texto. Por exemplo: 
Violência se caracteriza como... 
Violência é... 
 Um ato é violento quando... 
 Existe violência se... 
 
Em seguida, expõe-se o ponto de vista e segue-se o 
processo dissertativo já sugerido. 
 
2. Comparação: tem-se também a opção de 
começar, buscando uma definição do tema por 
comparação . Por exemplo: 
 A violência é como... 
 A violência é semelhante a... 
 A violência parece-se com... 
 A violência lembra... 
 
Depois de estabelecida a comparação, fazemos um 
breve comentário interpretativo dela, explicitando, 
assim, nossa visão do assunto. 
 
3. Citação: pode-se ainda iniciar o texto com uma 
citação relativa ao tema. Uma frase 
interessante, um verso etc. 
O ideal é que a citação seja feita de modo 
clássico: entre aspas, reproduzindo exatamente as 
palavras do autor e de onde foi retirada. Em seguida 
faz-se uma pequena análise, um breve comentário a 
respeito da opinião citada, ao mesmo tempo, nosso 
ponto devista sobre o assunto. 
 
4. Exemplo: pode-se também escolher um fato-
exemplo expressivo para iniciar o texto. Em 
seguida, fazemos uma análise interpretativa 
desse exemplo - que poderá ou não ser 
retomado mais adiante -, revelando nossa visão 
sobre o tema. 
 
Iniciar uma dissertação a partir de um exemplo dá 
concretude e comunicabilidade ao texto. 
 
5. Estatística: pode-se começar a redação pela 
apresentação de um dado estatístico 
esclarecedor sobre o tema. O procedimento é 
praticamente idêntico ao de iniciar o texto pela 
exemplificação. 
 
6. Resumo: um resumo daquilo que se pensa sobre 
o assunto da redação é uma das possibilidades 
de início. O começo da dissertação, funcionaria, 
assim, como uma espécie de índice, de sumário 
do texto, em que se apresentaria de modo 
sintético o tema, o ponto do vista e a 
argumentação. Por exemplo: 
A violência é "x" porque "y"... 
A violência se deve a três fatores, "a", "b" e 
"c". 
 
7. Pergunta: por exemplo: uma pergunta seguida 
de definição e de uma comparação; um fato-
exemplo seguido de uma comparação e de uma 
pergunta; uma citação seguida de uma pergunta 
etc. 
 
Outras relações que podem ser exploradas: 
 Causa & Consequência 
 Prós & Contra 
 Por quê? Por quê? Por quê? 
 
 
 
 
 
 
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13 
A linguagem dissertativa 
 
1. Adequação: A redação deve ser produzida de 
acordo com a norma culta escrita, evitando 
repetições inexpressivas, gírias, vocabulário 
impreciso, etc. Impropriedade a ser evitada: 
Tem um negócio ruim que a gente sente que é uma 
coisa tipo quando você sente dor no peito. 
 
2. Clareza: O texto deve ser inteligível, evitando 
ambiguidades e obscuridades. Exemplo: 
Sexo? Só com os pais. 
Chegando ao trabalho, o celular tocou. 
 
3. Concisão: A linguagem deve ser precisa; palavras 
e frases, utilizadas com economia, evitando-se 
as redundâncias inexpressivas. É preciso evitar 
também a prolixidade, o excesso de palavras 
desnecessárias. Redundância a evitar: 
Novidade inédita na área de informática agita o 
mercado. 
 
4. Coesão: O texto deve ser organizado por nexos 
lógicos adequados, com a sequência de ideias 
encadeadas logicamente, evitando frases e 
períodos desconexos. 
Exemplo de confusão a ser evitada: 
Juan e Peter não se entendem, mas um fala inglês 
e o outro espanhol. 
Carmem mora no Rio há cinco anos, portanto não 
conhece ainda o Corcovado. 
O livro que a professora de literatura mandou 
comprar já está esgotado, já que foi publicado há 
menos de três semanas. 
Embora o Brasil possua muito solo fértil com 
vocação para o plantio, isso conseguiu atenuar 
rapidamente o problema da fome. 
 
5. Expressividade: Quem redige deve buscar uma 
elaboração própria e expressiva de linguagem, 
evitando os clichês, as frases feitas e os lugares-
comuns. 
Exemplo de chavão ou clichê: 
O homem de hoje não vive, ele vegeta na selva de 
pedra da cidade grande. 
 
 
 
-----------------------Dicas-------------------------------
Não use: 
 
Verbos no gerúndio – eles criam orações com 
sujeitos implícitos, o problema ocorre quando 
não fica claro o sujeito. Isso pode gerar 
incoerência ou ambiguidade. Dica: sempre 
explicite o sujeito/referente. O corretor deve 
saber a quem o verbo faz referência. 
 
“Onde” – esse pronome só pode ser utilizado 
retomando ideia de lugar, o problema é que é 
comum o uso dele em qualquer circunstância. 
Dica: não use o “onde”, no lugar dele use “em 
que”. 
 
“Ao invés de” – essa expressão significa 
literalmente “ao contrário de”, ou seja, só deve 
ser usado relacionando ideias/palavras opostas. 
Não é o que ocorre nas redações. Para evitar 
esse erro, use sempre “Em vez de”, que significa 
“no lugar de”, e relaciona tudo. 
------------------------------------------------------------- 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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14 
O QUE VOCÊ NÃO DEVE FAZER EM UMA 
DISSERTAÇÃO 
 
1. Jamais use gírias em sua dissertação 
As gírias tornam-se inadequadas quando usadas em 
uma dissertação, a qual pressupõe uma linguagem 
formal, não necessariamente erudita, mas pelo 
menos bem elaborada. 
 
2. Não utilize provérbios ou ditos populares. 
Uma dissertação costuma ser prejudicada pela má 
utilização de frases feitas, provérbios e ditos 
populares. Eles empobrecem a redação: fazem 
parecer que seu autor não tem criatividade, pois usa 
formas de expressão já batidas pelo uso frequente. 
 
3. Não se inclua em sua dissertação 
(principalmente para contar fatos de sua vida 
particular). 
Dissertar é analisar um assunto proposto, emitindo 
opiniões gerais. Deve ser feito de modo impessoal e 
com total objetividade. Essa visão imparcial se perde 
quando o autor confunde a problemática analisada 
com problemas particulares. 
 
4. Não utilize a dissertação para propagar 
doutrinas religiosas. 
Não há como argumentar de modo convincente 
com base em dogmas religiosos; os preceitos da fé 
independem de provas ou evidências constatáveis. 
Torna-se, assim, completamente descabido 
fundamentar qualquer tema dissertativo em ideias 
que se situem em um plano que transcende a razão. 
 
5. Jamais utilize os temas propostos movido por 
emoção exagerada. 
Existem temas dissertativos que envolvem a análise 
de assunto dramático que causa revolta e 
indignação pela própria gravidade de sua natureza. 
Porém, por mais revoltante que se mostre o assunto 
tratado, ele deve ser abordado de modo pelo menos 
comedido. Não devemos deixar nossas emoções 
interferirem na análise objetiva que precisa 
transparecer em nossas dissertações, porque elas 
impedem que ponderemos outros ângulos da 
questão. 
 
6. Não utilize exemplos contando fatos ocorridos 
com terceiros, que não sejam de domínio público. 
É normal lançarmos mão de exemplos que reforcem 
os fatos arrolados em uma dissertação. Entretanto, 
estes exemplos devem ser de conhecimento 
público. Não devemos, em hipótese alguma, 
introduzir na dissertação fatos ocorridos com 
pessoas que conhecemos particularmente. 
 
7. Nunca repita várias vezes a mesma palavra. 
Isso causa uma impressão desagradável a quem lê 
sua redação, além de sugerir pobreza de 
vocabulário, procure imediatamente encontrar 
sinônimos que possam ser usados. 
 
8. Procure não inovar, por sua conta, o alfabeto da 
língua portuguesa. 
Certas caligrafias apresentam algumas variações no 
modo de escrever determinadas letras do nosso 
alfabeto. No entanto, essa variação não pode tornar 
a letra irreconhecível. 
 
9. Tente não analisar os assuntos propostos sob 
apenas um dos ângulos da questão. 
Uma boa análise pressupõe um exame equilibrado 
da realidade na qual se situa o assunto tratado em 
uma dissertação. O bom senso, nas opiniões 
emitidas, está diretamente relacionado à 
capacidade de se enxergar o problema pelos 
diversos ângulos que apresenta. Uma análise 
extremamente radical ignora outros aspectos que 
devem ser levados em conta em uma reflexão 
equilibrada sobre qualquer tema, por isso é 
indesejável. 
 
10. Não fuja ao tema proposto 
Ao receber o tema para dissertar, leia-o com 
atenção e escreva sobre o que se pede. Jamais fuja 
do assunto solicitado, mesmo que seus 
conhecimentos sobre ele sejam mínimos. Às vezes 
comete-se um outro engano semelhante: 
desenvolver um tema similar àquele que foi 
proposto. Isso também prejudica demais a redação, 
pois, mostra que a pessoa não apresenta 
capacidade de ler e interpretar corretamente a 
solicitação feita. 
 
 
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15 
 
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16 
Que fazer para melhorar o nível de 
conteúdo das redações? 
Que fazer para melhorar o nível de conteúdo 
das redações? Só há um remédio - a leitura. O ideal 
será o contato com bons livros, de preferência os 
que discutam os assuntos mais atuais. Mas, leitura 
exige tempo, exige tranquilidade...Os alunos não 
dispõem de tempo e nem mesmo condições 
psicológicas para uma leitura atenta e proveitosa... 
Resta-nos, daí, uma saída - os jornais, as revista e 
alguns bons programas de TV. Algumas dicas: 
 
Não seja extremista ou radical 
Por serem mais agressivos em seu temperamento, 
por terem desenvolvido certas neuroses ou 
frustrações durante a sua vida, certos alunos 
quando chamados a desenvolver uma redação 
sobre um tema polêmico como política, religião, 
moral, esporte, passam a definições ou 
argumentações violentas e comprometedoras. 
Guarde bem isto: Não é fácil utilizar o verbo SER. 
Se um aluno escreve: "Os governantes são omissos 
e inoperantes na resolução dos problemas de nossa 
cidade", está fixando um posição de agressão a 
todos os governantes da cidade. É gravíssima a 
GENERALIZAÇÃO sem provas. Seja mais equilibrado 
na abordagem do tema, não se deixando levar por 
atitudes irascíveis. 
 
Pese bem a força dos vocábulos. 
Existem profundas diferenças entre a linguagem 
falada e a linguagem escrita. Às vezes, uma palavra 
utilizada na expressão escrita adquire uma força 
negativa acentuada. Se alguém disser numa roda de 
amigos: candidato cretino aquele, a palavra cretino 
não resulta tão violenta. 
Porém, se você escrever: "Não será este candidato, 
com toda a sua cretinice, que irá combater a 
inflação", a palavra cretinice causa uma estranheza 
acentuada no leitor virtual do texto. 
A humildade exagerada empobrece a redação. 
Em todos os manuais de boas maneiras, em todos 
códigos de conduta social, recomenda-se a 
modéstia, a simplicidade, a humildade. 
Isso não quer dizer que você deva arvorar-se como 
o mais ignorante dos homens para que o corretor de 
sua redação simpatize com você. Existe um mínimo 
de dignidade. Existe aquele orgulho pessoal de se 
sentir razoavelmente bem informado sobre a 
realidade que nos cerca. Se diante de um tema você 
escrever: "Não me julgo suficientemente culto para 
opinar, porém, vou arriscar algumas ideias..." estará 
colaborando com a avaliação negativa do conteúdo 
de sua redação. 
Assim como o excesso de humildade influencia 
negativamente, o excesso de nacionalidade, 
ufanismo, religiosidade pode resultar ridículos aos 
olhos do corretor da redação. 
 
A repetição de ideias. 
Por vezes, o candidato vê-se vazio de ideias. Após 
titânico esforço mental, aparecem-lhes algumas, 
surradas e insuficientes para preencher as linhas 
exigidas... Que faz ele? Recurso muito usado é 
escrever em letras bem maiores ou deixar espaços 
grande entre as palavras. Nada disso, porém, 
passará despercebido ao corretor... Estratégia mais 
comum é a repetição de ideias ou a insistência em 
pormenores de mesmo importância, anteriormente 
expressos. Esses recursos são condenáveis. Não 
passam de maneira veladas de disfarçar a 
incapacidade para enfrentar o tema. Não 
desconhecemos, no entanto, que muitos alunos 
poderão encontrar-se em situações semelhantes... 
É claro que, neste caso excepcional, ele deve apelar 
para a repetição, desde que feita de maneira 
habilidosa. É preferível insistir numa ideia, vestindo-
a de roupagens novas, a entregar a prova em 
branco, ou a apresentar algumas poucas linhas, bem 
abaixo do limite exigido. 
 
 
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17 
A forma da redação 
 
Entende-se como forma de um texto o 
conjunto de recursos que vão determinar a parte 
externa, a "roupagem" desse mesmo texto. Alguns 
professores preferem usar a palavra ESTILO para 
determinar essa importante parte da redação. 
Outros preferem inserir a maneira pessoal, a 
característica própria de cada um escrever, o estilo, 
dentro da forma, que seria nesse caso mais 
genérica, envolvendo outros elementos mais. 
Poderíamos, por outro lado, dizer que a 
forma de um texto é a adequação: estilo+correção 
gramatical +adequação da linguagem. 
Para adquirir um estilo personalíssimo e 
atraente, o aluno precisaria, além da tendência 
inata (dom), de um convívio estreito e constante 
com a linguagem. 
As pessoa que mantêm um leitura diária, 
assistente a bons programas na televisão, conversa 
com as pessoas cultas, esclarecidas e bem 
informadas, possuem, sem dúvida, mais elementos 
para escrever com desenvoltura e precisão. 
 
 
Alguns Componentes da Forma 
 
a) Simplicidade: Alguns pensam que utilizando 
palavras difíceis e rebuscadas conseguirão 
"impressionar" os corretores. Puro engano! As 
palavras devem manter um nível de simplicidade. O 
rebuscamento na utilização dos vocábulos só 
contribui para a confusão dos períodos. 
 
 
b) Clareza: A elaboração dos períodos muito longos 
produz dois defeitos graves. Primeiro, o leitor se 
cansa do texto e não compreende bem as 
mensagens nele contidas, Segundo, as ideias 
misturam-se exageradamente. Elabore períodos 
curtos. É preferível abusar do pronto final, enfileirar 
palavras, a construir períodos gigantescos. 
c) Precisão: Certifique-se de significado correto das 
palavras que vai utilizar em determinado período e 
verifique se existe adequação desse significado com 
as ideias expostas. A vulgaridade de termos ou 
impropriedade de sentido empobrecem bastante o 
texto. 
 
Veja alguns exemplos deploráveis: 
I. "É impossível conhecer os antepassados dos 
candidatos..." (o aluno queria dizer os 
"antecedentes") 
II. "Urgem campanhas no sentido de exterminar os 
analfabetos" (o aluno queria dizer, naturalmente, 
"exterminar o analfabetismo") 
III. "Estou convincente de que..." (o termo próprio é 
"convencido") 
IV. "Através das estradas, o homem transporta suas 
necessidades..." (o termo envolve duplo sentido) 
V. "Era um tapete de alta valorização..." (o aluno 
queria dizer, "de alto valor".) 
 
d) Concisão: Ser conciso ao elaborar um texto 
significa usar as palavras com economia, com 
critério. Quanto mais você transmitir, usando 
palavras, mais concisa será a redação. 
As provas de redação terão limitação de tempo e de 
número de linhas, por isso você não deve ser 
prolixo, veja: 
 
Falta de concisão: 
"A infância, ou melhor, as crianças abandonadas nas 
ruas revoltam qualquer pessoa quer as vê andando 
na cidade". (18 palavras) 
 
Concisão: 
"Qualquer pessoa se revolta, quando vê crianças 
abandonadas pelas ruas". (10 palavras). 
 
 
 
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18 
e) Originalidade: O uso excessivo de certas figuras 
de linguagem ou certos provérbios acarreta o 
empobrecimento da redação. Como tudo que 
existe, as palavras também se desgastam. É preciso 
criar novas figuras para expor essa ideias. Dizer que 
a namorada é uma flor, ou que o filho de peixe, 
peixinho é, não realça a redação de ninguém. Use a 
imaginação para não precisar desses "chavões" 
antigos e pobres. 
 
"O grande amor da minha vida". 
"Mal traçadas linhas". 
"Grande futuro da humanidade". 
"A lua foi testemunha". 
"Nos píncaros da glória". 
"Um misto de alegria e tristeza invade o meu peito". 
"Não tenho palavras". 
"Com a voz embargada de emoção". 
"'Nos primórdios da humanidade". 
 
 
DEFEITOS GRAVÍSSIMOS DE FORMA: 
I. Períodos muito longos; 
II. Repetição desnecessária de palavras; 
III. Frases confusas, desconexas, ilógicas; 
IV. Palavras vulgares, gírias; 
V. Chavões, palavras desgastadas pelo uso 
constante; 
VI. Eco (Vicente frequentemente está contente); 
VII. Hiato (Vai a Ana à aula); 
VIII. Cacofonia (Meu coração por ti gela); 
IX. Colisão (Se cedo você se sentasse, cansar-se-ia 
menos). 
 
 
A CORREÇÃO GRAMATICAL 
Todo concursando que se preza acompanha com 
muito interesse e atenção as aulas de gramática do 
curso que frequenta. Afinal, é a partir do estudo da 
morfologia, da sintaxe, da semântica que alguém 
domina o "código" necessário para sua expressão 
escrita ou falada. 
Você já percebeu que expressar-se bem 
significa utilizar corretamente as palavras da língua 
escolhida. É fundamental um bom estudo das LEIS 
reguladoras daLíngua Portuguesa. 
Embora todos os itens gramaticais sejam 
igualmente importantes para uma redação correta, 
ressaltam-se certos aspectos. 
 
Cuidado com: 
I. Concordância Nominal 
II. Concordância Verbal 
III. Partícula SE 
IV. Regência Verbal 
V. Colocação Pronominal 
VI. Imperativos 
VII. Ortografia 
VIII. Crase 
IX. Acentuação Gráfica 
X. Pontuação 
 
 
 
 
 
 
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19 
Apresentação visual da redação 
1. Centralizar o título na primeira linha, sem aspas 
e sem grifo. O título pode apresentar 
interrogação desde que o texto responda à 
pergunta. 
2. Pular uma linha entre o titulo e o texto, para 
então iniciar a redação. 
3. Fazer parágrafos distando mais ou menos dois 
centímetros da margem e mantê-los alinhados. 
4. Não ultrapassar as margens (direita e esquerda) 
e também não deixar de atingi-las. 
5. Evitar rasuras e borrões. Caso o aluno erre, ele 
deverá anular o erro com um traço apenas. . 
6. Apresentar letra legível, tanto de forma quanto 
cursiva. 
7. Distinguir bem as maiúsculas das minúsculas. 
8. Nunca comece uma redação com períodos 
longos. Basta fazer uma frase-núcleo que será a 
sua ideia geral a ser desenvolvida nos parágrafos 
que se seguirão; 
9. Nunca coloque uma expressão que desconheça, 
pois erro de ortografia e acentuação tira pontos 
em uma redação; 
10. Nunca coloque hífen onde não é necessário 
como em penta-campeão ou separação de 
sílabas erroneamente como ca-rro; 
11. Nunca use gírias na redação, pois a dissertação é 
a explicação racional do que vai ser desenvolvido 
e uma gíria pode cortar totalmente a sequência 
do que vai ser desenvolvido além de ofender a 
norma culta da Língua Portuguesa; 
12. Nunca esqueça dos pingos nos "is" pois bolinha 
não vale; 
13. Nunca coloque vírgulas onde não são 
necessárias (erro de pontuação !); 
14. Nunca entregue uma redação sem verificar a 
separação silábica das palavras; 
15. Nunca comece a escrever sem estruturar o que 
vai passar para o papel; 
16. Tenha calma na hora de dissertar e sempre volte 
à frase-núcleo para orientar seus argumentos; 
17. Verifique sempre a ESTÉTICA: Parágrafo, 
acentuação, vocabulário, separação silábica e 
principalmente a PONTUAÇÃO que é a maior 
dificuldade de quem escreve e a maioria acha 
que é tão fácil pontuar! 
18. Não inicie nem termine uma redação com 
expressões do tipo: "... Eu acho... Parece ser... 
Acredito mesmo... Quem sabe..." mostra 
dúvidas em seus argumentos anteriores; 
19. Cuidado com "superlativos criativos" do tipo: "... 
mesmamente... apenasmente." . E de 
"neologismos incultos" do tipo: "...imexível... 
inconstitucionalizável...". 
20. Evitar exceder o número de linhas pautadas ou 
pedidas como limites máximos e mínimos. Ficar 
aproximadamente entre cinco linhas aquém ou 
além dos limites. 
 
OBSERVAÇÕES: 
 Números 
 A) Idade - deve-se escrever por extenso até o 
nº 10. Do nº 11 em diante devem-se usar 
algarismos; 
 B) Datas, horas e distâncias sempre em 
algarismos: 10h30min, 12h, 10m, 16m30cm, 10km 
(m, h, km, I, g, kg). 
 
 
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20 
O que você não deve fazer em uma redação 
I. "Hoje ao receber alguns presentes no qual 
completo vinte anos tenho muitas novidades para 
contar. 
Temos aí um exemplo de uso inadequado do 
pronome relativo. Ele provoca falta de coesão pois 
não consegue perceber a que antecedente ele se 
refere, portanto nada conecta e produz relação 
absurda. 
 
II. "Tenho uma prima que trabalha num circo como 
mágica e uma das mágicas mais engraçadas era 
uma caneta com tinta invisível que em vez de tinta 
havia saído suco de lima." 
Você percebe aí a incapacidade de organizar 
sintaticamente o período. Selecionar as frases e 
organizar as ideias é necessário. Escrever com 
clareza é muito importante. 
 
III. "Ainda brincava de boneca quando conheci Davi, 
piloto de cart, moreno, 20 anos, com olhos cor de 
mel. 
"Tudo começou naquele baile de quinze anos" 
"...é aos dezoito anos que se começa a procurar o 
caminho do amanhã e encontrar as perspectiva que 
nos acompanham para sempre na estrada da vida." 
Você pode ter conhecimento do vocabulário e das 
regras gramaticais e, assim, construir um texto sem 
erros. Entretanto, se você reproduz sem nenhuma 
crítica ou reflexão expressões gastas, vulgarizadas 
pelo uso contínuo. A boa qualidade do texto fica 
comprometida. 
 
IV. Para você, as experiências genéticas de 
clonagem põem em xeque todos os conceitos 
humanos sobre Deus e a vida? 
"Bem a clonagem não é tudo, mas na vida tudo tem 
o seu valor e os homens a todo momento necessitam 
de descobrir todos os mistérios da vida que nos cerca 
a todo instante." 
É importante você escrever atendendo ao que foi 
proposto no tema. Antes de começar o seu texto leia 
atentamente todos os elementos que o examinador 
apresentou para você utilizar. Esquematize suas 
ideias, veja se não há falta de correspondência entre 
o tema proposto e o texto criado. 
 
V. "Uma biópsia do tumor retirado do fígado do meu 
primo(...) mostrou que ele não era maligno." 
Esta frase está ambígua, pois não se sabe se o 
pronome ele refere-se ao fígado ou ao primo. Para 
se evitar a ambiguidade, você deve observar se a 
relação entre cada palavra do seu texto está correta. 
 
VI. "Ele me tratava como uma criança, mas eu era 
apenas uma criança." 
O conectivo mas indica uma circunstância de 
oposição, de ideia contrária a. Portanto, a relação 
adversativa introduzida pelo "mas" no fragmento 
acima produz uma ideia absurda. 
 
VII. "Entretanto, como já diziam os sábios: depois da 
tempestade sempre vem a bonança. Após longo 
suplício, meu coração apaziguava as tormentas e a 
sensatez me mostrava que só estaríamos separadas 
carnalmente." 
Não utilize provérbios ou ditos populares. Eles 
empobrecem a redação, pois fazer parecer que seu 
autor não tem criatividade ao lançar mão de formas 
já gastas pelo uso frequente. 
 
VIII. "Estou sem inspiração para fazer em redação. 
Escrever sobre a situação dos sem-terra? Bem que o 
professor poderia propor outro tema." 
Você não deve falar de sua redação dentro do 
próprio texto. 
 
IX. "Todos os deputados são corruptos." 
Evite pensamentos radicais. É recomendável não 
generalizar e evitar, assim, posições extremistas. 
 
X. "Bem, acho que - você sabe - não é fácil dizer 
essas coisas. Olhe, acho que ele não vai concordar 
com a decisão que você tomou, quero dizer, os fatos 
levam você a isso, mas você sabe - todos sabem - ele 
pensa diferente. É bom a gente pensar como vai 
fazer para, enfim, para ele entender a decisão." 
Não se esqueça que o ato de escrever é diferente do 
ato de falar. O texto escrito deve se apresentar 
desprovido de marcas de oralidade. 
 
 
 
 
 
 
 
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100 erros comuns na redação 
Erros gramaticais e ortográficos devem, por 
princípio, ser evitados. Alguns, no entanto, como 
ocorrem com maior frequência, merecem atenção 
redobrada. Veja os cem mais comuns do idioma e 
use esta relação como um roteiro para fugir deles. 
1. "Mal cheiro", "mau-humorado". Mal opõe-se a 
bem. E mau, a bom. Assim, o correto é: mau 
cheiro (bom cheiro), mal-humorado (bem-
humorado). Igualmente: mau humor, mal-
intencionado, mau jeito, mal-estar. 
2. "Fazem" cinco anos. Fazer, quando exprime 
tempo, é impessoal. Assim, o correto é: Faz cinco 
anos. / Fazia dois séculos. / Fez 15 dias. 
3. "Houveram" muitos acidentes. Haver, como 
existir, também é invariável. Assim, o correto é: 
Houve muitos acidentes. / Havia muitas pessoas. 
/ Deve haver muitos casos iguais. 
4. "Existe" muitas esperanças. Existir, bastar, faltar, 
restar e sobrar admitem normalmente o plural: 
Existem muitas esperanças. / Bastariam dois 
dias. / Faltavam poucas peças. / Restaram alguns 
objetos./ Sobravam ideias. 
5. Para "mim" fazer. Mim não faz, porque não pode 
ser sujeito. Assim, o correto é: Para eu fazer, 
para eu dizer, para eu trazer. 
6. Entre "eu" e você. Depois de preposição, usa-se 
mim ou ti. Assim, o correto é: Entre mim e você. 
/ Entre eles e ti. 
7. "Há" dez anos "atrás". Há e atrás indicam 
passado na frase. Use apenas há dez anos ou dez 
anos atrás. 
8. "Entrar dentro". O certo: entrar em. Veja outras 
redundâncias: Sair fora ou para fora, elo de 
ligação, monopólio exclusivo, já não há mais, 
ganhar grátis, viúva do falecido. 
9. "Venda à prazo". Não existe crase antes de 
palavra masculina, a menos que esteja 
subentendida a palavra moda: Salto à (moda de) 
Luís XV. Nos demais casos: A salvo, a bordo, a pé, 
a esmo, a cavalo, a caráter. 
10. "Porque" você foi? Sempre que estiver clara ou 
implícita a palavra razão, use por que separado: 
Por que (razão) você foi? / Não sei por que 
(razão) ele faltou. / Explique por que razão você 
se atrasou. Porque é usado nas respostas: Ele se 
atrasou porque o trânsito estava congestionado. 
11. Vai assistir "o" jogo hoje. Assistir como 
presenciar exige a: Vai assistir ao jogo, à missa, à 
sessão. Outros verbos com a: A medida não 
agradou (desagradou) à população. / Eles 
obedeceram (desobedeceram) aos avisos. / 
Aspirava ao cargo de diretor. / Pagou ao amigo. 
/ Respondeu à carta. / Sucedeu ao pai. / Visava 
aos estudantes. 
12. Preferia ir "do que" ficar. Prefere-se sempre uma 
coisa a outra: Preferia ir a ficar. É preferível 
segue a mesma norma: É preferível lutar a 
morrer sem glória. 
13. O resultado do jogo, não o abateu. Não se separa 
com vírgula o sujeito do predicado. Assim: O 
resultado do jogo não o abateu. Outro erro: O 
prefeito prometeu, novas denúncias. Não existe 
o sinal entre o predicado e o complemento: O 
prefeito prometeu novas denúncias. 
14. Não há regra sem "excessão". O certo é exceção. 
Veja outras grafias erradas e, entre parênteses, 
a forma correta: "paralizar" (paralisar), 
"beneficiente" (beneficente), "xuxu" (chuchu), 
"previlégio" (privilégio), "vultuoso" (vultoso), 
"cincoenta" (cinqüenta), "zuar" (zoar), 
"frustado" (frustrado), "calcáreo" (calcário), 
"advinhar" (adivinhar), "benvindo" (bem-
vindo), "ascenção" (ascensão), "pixar" (pichar), 
"impecilho" (empecilho), "envólucro" 
(invólucro). 
15. Quebrou "o" óculos. Concordância no plural: os 
óculos, meus óculos. Da mesma forma: Meus 
parabéns, meus pêsames, seus ciúmes, nossas 
férias, felizes núpcias. 
 
 
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16. Comprei "ele" para você. Eu, tu, ele, nós, vós e 
eles não podem ser objeto direto. Assim: 
Comprei-o para você. Também: Deixe-os sair, 
mandou-nos entrar, viu-a, mandou-me. 
17. Nunca "lhe" vi. Lhe substitui a ele, a eles, a você 
e a vocês e por isso não pode ser usado com 
objeto direto: Nunca o vi. / Não o convidei. / A 
mulher o deixou. / Ela o ama. 
18. "Aluga-se" casas. O verbo concorda com o 
sujeito: Alugam-se casas. / Fazem-se consertos. 
/ É assim que se evitam acidentes. / Compram-
se terrenos. / Procuram-se empregados. 
19. "Tratam-se" de. O verbo seguido de preposição 
não varia nesses casos: Trata-se dos melhores 
profissionais. / Precisa-se de empregados. / 
Apela-se para todos. / Conta-se com os amigos. 
20. Chegou "em" São Paulo. Verbos de movimento 
exigem a, e não em: Chegou a São Paulo. / Vai 
amanhã ao cinema. / Levou os filhos ao circo. 
21. Atraso implicará "em" punição. Implicar é direto 
no sentido de acarretar, pressupor: Atraso 
implicará punição. / Promoção implica 
responsabilidade. 
22. Vive "às custas" do pai. O certo: Vive à custa do 
pai. Use também em via de, e não "em vias de": 
Espécie em via de extinção. / Trabalho em via de 
conclusão. 
23. Todos somos "cidadões". O plural de cidadão é 
cidadãos. Veja outros: caracteres (de caráter), 
juniores, seniores, escrivães, tabeliães, 
gângsteres. 
24. O ingresso é "gratuíto". A pronúncia correta é 
gratúito, assim como circúito, intúito e fortúito 
(o acento não existe e só indica a letra tônica). 
Da mesma forma: flúido, condôr, recórde, aváro, 
ibéro, pólipo. 
 
 
 
25. A última "seção" de cinema. Seção significa 
divisão, repartição, e sessão equivale a tempo de 
uma reunião, função: Seção Eleitoral, Seção de 
Esportes, seção de brinquedos; sessão de 
cinema, sessão de pancadas, sessão do 
Congresso. 
26. Vendeu "uma" grama de ouro. Grama, peso, é 
palavra masculina: um grama de ouro, vitamina 
C de dois gramas. Femininas, por exemplo, são a 
agravante, a atenuante, a alface, a cal, etc. 
27. "Porisso". Duas palavras, por isso, como de 
repente e a partir de. 
28. Não viu "qualquer" risco. É nenhum, e não 
"qualquer", que se emprega depois de 
negativas: Não viu nenhum risco. / Ninguém lhe 
fez nenhum reparo. / Nunca promoveu 
nenhuma confusão. 
29. A feira "inicia" amanhã. Alguma coisa se inicia, 
se inaugura: A feira inicia-se (inaugura-se) 
amanhã. 
30. Soube que os homens "feriram-se". O que atrai 
o pronome: Soube que os homens se feriram. / 
A festa que se realizou... O mesmo ocorre com 
as negativas, as conjunções subordinativas e os 
advérbios: Não lhe diga nada. / Nenhum dos 
presentes se pronunciou. / Quando se falava no 
assunto... / Como as pessoas lhe haviam dito... / 
Aqui se faz, aqui se paga. / Depois o procuro. 
31. O peixe tem muito "espinho". Peixe tem 
espinha. Veja outras confusões desse tipo: O 
"fuzil" (fusível) queimou. / Casa "germinada" 
(geminada), "ciclo" (círculo) vicioso, "cabeçário" 
(cabeçalho). 
32. Não sabiam "aonde" ele estava. O certo: Não 
sabiam onde ele estava. Aonde se usa com 
verbos de movimento, apenas: Não sei aonde 
ele quer chegar. / Aonde vamos? 
33. "Obrigado", disse a moça. Obrigado concorda 
com a pessoa: "Obrigada", disse a moça. / 
Obrigado pela atenção. / Muito obrigados por 
tudo. 
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34. O governo "interviu". Intervir conjuga-se como 
vir. Assim: O governo interveio. Da mesma 
forma: intervinha, intervim, interviemos, 
intervieram. Outros verbos derivados: 
entretinha, mantivesse, reteve, pressupusesse, 
predisse, conviesse, perfizera, entrevimos, 
condisser, etc. 
35. Ela era "meia" louca. Meio, advérbio, não varia: 
meio louca, meio esperta, meio amiga. 
36. "Fica" você comigo. Fica é imperativo do 
pronome tu. Para a 3.ª pessoa, o certo é fique: 
Fique você comigo. / Venha pra Caixa você 
também. / Chegue aqui. 
37. A questão não tem nada "haver" com você. A 
questão, na verdade, não tem nada a ver ou 
nada que ver. Da mesma forma: Tem tudo a ver 
com você. 
38. A corrida custa 5 "real". A moeda tem plural, e 
regular: A corrida custa 5 reais. 
39. Vou "emprestar" dele. Emprestar é ceder, e não 
tomar por empréstimo: Vou pegar o livro 
emprestado. Ou: Vou emprestar o livro (ceder) 
ao meu irmão. Repare nesta concordância: Pediu 
emprestadas duas malas. 
40. Foi "taxado" de ladrão. Tachar é que significa 
acusar de: Foi tachado de ladrão. / Foi tachado 
de leviano. 
41. "Cerca de 18" pessoas o saudaram. Cerca de 
indica arredondamento e não pode aparecer 
com números exatos: Cerca de 20 pessoas o 
saudaram. 
42. Ministro nega que "é" negligente. Negar que 
introduz subjuntivo, assim como embora e 
talvez: Ministro nega que seja negligente. / O 
jogador negou que tivesse cometido a falta. / Ele 
talvez o convide para a festa. / Embora tente 
negar, vai deixar a empresa. 
43. Tinha "chego" atrasado. "Chego" não existe. O 
certo: Tinha chegado atrasado. 
 
44. Tons "pastéis" predominam. Nome de cor, 
quando expresso por substantivo, não varia: 
Tons pastel, blusas rosa, gravatas cinza, camisas 
creme. No caso de adjetivo, o plural é o normal: 
Ternos azuis, canetas pretas, fitas amarelas. 
45. Lute pelo "meio-ambiente".Meio ambiente não 
tem hífen, nem hora extra, ponto de vista, mala 
direta, pronta entrega, etc. 
46. Queria namorar "com" o colega. O com não 
existe: Queria namorar o colega. 
47. O processo deu entrada "junto ao" STF. Processo 
dá entrada no STF. Igualmente: O jogador foi 
contratado do (e não "junto ao") Guarani. / 
Cresceu muito o prestígio do jornal entre os (e 
não "junto aos") leitores. / Era grande a sua 
dívida com o (e não "junto ao") banco. / A 
reclamação foi apresentada ao (e não "junto 
ao") Procon. 
48. As pessoas "esperavam-o". Quando o verbo 
termina em m, ão ou õe, os pronomes o, a, os e 
as tomam a forma no, na, nos e nas: As pessoas 
esperavam-no. / Dão-nos, convidam-na, põe-
nos, impõem-nos. 
49. Vocês "fariam-lhe" um favor? Não se usa 
pronome átono (me, te, se, lhe, nos, vos, lhes) 
depois de futuro do presente, futuro do 
pretérito (antigo condicional) ou particípio. 
Assim: Vocês lhe fariam (ou far-lhe-iam) um 
favor? / Ele se imporá pelos conhecimentos (e 
nunca "imporá-se"). / Os amigos nos darão (e 
não "darão-nos") um presente. / Tendo-me 
formado (e nunca tendo "formado-me"). 
50. Chegou "a" duas horas. Indicando passado e 
equivalente a faz, usa-se Há: Chegou há (faz) 
duas horas /. Ele partiu há (faz) pouco menos de 
dez dias. 
51. Partirá daqui "há" cinco minutos. Usa-se o “a” 
quando exprime distância ou tempo futuro (e 
não pode ser substituído por faz) partirá daqui a 
(tempo futuro) cinco minutos. O atirador estava 
a (distância) pouco menos de 12 metros 
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52. Blusa "em" seda. Usa-se de, e não em, para 
definir o material de que alguma coisa é feita: 
Blusa de seda, casa de alvenaria, medalha de 
prata, estátua de madeira. 
53. A artista "deu à luz a" gêmeos. A expressão é dar 
à luz, apenas: A artista deu à luz quíntuplos. 
Também é errado dizer: Deu "a luz a" gêmeos. 
54. Estávamos "em" quatro à mesa. O em não 
existe: Estávamos quatro à mesa. / Éramos seis. 
/ Ficamos cinco na sala. 
55. Sentou "na" mesa para comer. Sentar-se (ou 
sentar) em é sentar-se em cima de. Veja o certo: 
Sentou-se à mesa para comer. / Sentou ao piano, 
à máquina, ao computador. 
56. Ficou contente "por causa que" ninguém se 
feriu. Embora popular, a locução não existe. Use 
porque: Ficou contente porque ninguém se 
feriu. 
57. O time empatou "em" 2 a 2. A preposição é por: 
O time empatou por 2 a 2. Repare que ele ganha 
por e perde por. Da mesma forma: empate por. 
58. À medida "em" que a epidemia se espalhava... O 
certo é: À medida que a epidemia se espalhava... 
Existe ainda na medida em que (tendo em vista 
que): É preciso cumprir as leis, na medida em 
que elas existem. 
59. Não queria que "receiassem" a sua companhia. 
O i não existe: Não queria que receassem a sua 
companhia. Da mesma forma: passeemos, 
enfearam, ceaste, receeis (só existe i quando o 
acento cai no e que precede a terminação ear: 
receiem, passeias, enfeiam). 
60. Eles "tem" razão. No plural, têm é assim, com 
acento. Tem é a forma do singular. O mesmo 
ocorre com vem e vêm e põe e põem: Ele tem, 
eles têm; ele vem, eles vêm; ele põe, eles põem. 
61. A moça estava ali "há" muito tempo. Haver 
concorda com estava. Portanto: A moça estava 
ali havia (fazia) muito tempo. / Ele doara sangue 
ao filho havia (fazia) poucos meses. / Estava sem 
dormir havia (fazia) três meses. (O havia se 
impõe quando o verbo está no imperfeito e no 
mais-que-perfeito do indicativo.) 
62. Não "se o" diz. É errado juntar o se com os 
pronomes o, a, os e as. Assim, nunca use: 
Fazendo-se-os, não se o diz (não se diz isso), vê-
se-a, etc. 
63. Acordos "políticos-partidários". Nos adjetivos 
compostos, só o último elemento varia: acordos 
político-partidários. Outros exemplos: Bandeiras 
verde-amarelas, medidas econômico-
financeiras, partidos social-democratas. 
64. Fique "tranqüilo". O u pronunciável depois de q 
e g e antes de e e i exigia trema, hoje, com o 
novo acordo ortográfico, não exige mais: 
Tranquilo, consequência, linguiça, aguentar, 
Birigui. 
65. Andou por "todo" país. Todo o (ou a) é que 
significa inteiro: Andou por todo o país (pelo país 
inteiro). / Toda a tripulação (a tripulação inteira) 
foi demitida. Sem o, todo quer dizer cada, 
qualquer: Todo homem (cada homem) é mortal. 
/ Toda nação (qualquer nação) tem inimigos. 
66. "Todos" amigos o elogiavam. No plural, todos 
exige os: Todos os amigos o elogiavam. / Era 
difícil apontar todas as contradições do texto. 
67. Favoreceu "ao" time da casa. Favorecer, nesse 
sentido, rejeita a: Favoreceu o time da casa. / A 
decisão favoreceu os jogadores. 
68. Ela "mesmo" arrumou a sala. Mesmo, quanto 
equivale a próprio, é variável: Ela mesma 
(própria) arrumou a sala. / As vítimas mesmas 
recorreram à polícia. 
69. Chamei-o e "o mesmo" não atendeu. Não se 
pode empregar o mesmo no lugar de pronome 
ou substantivo: Chamei-o e ele não atendeu. / 
Os funcionários públicos reuniram-se hoje: 
amanhã o país conhecerá a decisão dos 
servidores (e não "dos mesmos"). 
 
 
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70. Vou sair "essa" noite. É este que designa o 
tempo no qual se está ou objeto próximo: Esta 
noite, esta semana (a semana em que se está), 
este dia, este jornal (o jornal que estou lendo), 
este século (o século 20). 
71. A temperatura chegou a 0 "graus". Zero indica 
singular sempre: Zero grau, zero-quilômetro, 
zero hora. 
72. A promoção veio "de encontro aos" seus 
desejos. Ao encontro de é que expressa uma 
situação favorável: A promoção veio ao 
encontro dos seus desejos. De encontro a 
significa condição contrária: A queda do nível 
dos salários foi de encontro às (foi contra) 
expectativas da categoria. 
73. Comeu frango "ao invés de" peixe. Em vez de 
indica substituição: Comeu frango em vez de 
peixe. Ao invés de significa apenas ao contrário: 
Ao invés de entrar, saiu. 
74. Se eu "ver" você por aí... O certo é: Se eu vir, 
revir, previr. Da mesma forma: Se eu vier (de vir), 
convier; se eu tiver (de ter), mantiver; se ele 
puser (de pôr), impuser; se ele fizer (de fazer), 
desfizer; se nós dissermos (de dizer), 
predissermos. 
75. Ele "intermedia" a negociação. Mediar e 
intermediar conjugam-se como odiar: Ele 
intermedeia (ou medeia) a negociação. 
Remediar, ansiar e incendiar também seguem 
essa norma: Remedeiam, que eles anseiem, 
incendeio. 
76. Ninguém se "adequa". Não existem as formas 
"adequa", "adeque", etc., mas apenas aquelas 
em que o acento cai no a ou o: adequaram, 
adequou, adequasse, etc. 
77. Evite que a bomba "expluda". Explodir só tem as 
pessoas em que depois do d vêm e e i: Explode, 
explodiram, etc. Portanto, não escreva nem fale 
"exploda" ou "expluda", substituindo essas 
formas por rebente, por exemplo. Precaver-se 
também não se conjuga em todas as pessoas. 
Assim, não existem as formas "precavejo", 
"precavês", "precavém", "precavenho", 
"precavenha", "precaveja", etc. 
78. Governo "reavê" confiança. Equivalente: 
Governo recupera confiança. Reaver segue 
haver, mas apenas nos casos em que este tem a 
letra v: Reavemos, reouve, reaverá, reouvesse. 
Por isso, não existem "reavejo", "reavê", etc. 
79. Disse o que "quiz". Não existe z, mas apenas s, 
nas pessoas de querer e pôr: Quis, quisesse, 
quiseram, quiséssemos; pôs, pus, pusesse, 
puseram, puséssemos. 
80. O homem "possue" muitos bens. O certo: O 
homem possui muitos bens. Verbos em uir só 
têm a terminação ui: Inclui, atribui, polui. Verbos 
em uar é que admitem ue: Continue, recue, 
atue, atenue. 
81. A tese "onde"... Onde só pode ser usado para 
lugar: A casa onde ele mora. / Veja o jardim onde 
as crianças brincam. Nos demais casos, use em 
que: A tese em que ele defende essa ideia. / O 
livro em que... / A faixa em que ele canta... / Na 
entrevistaem que... 
82. Já "foi comunicado" da decisão. Uma decisão é 
comunicada, mas ninguém "é comunicado" de 
alguma coisa. Assim: Já foi informado 
(cientificado, avisado) da decisão. Outra forma 
errada: A diretoria "comunicou" os empregados 
da decisão. Opções corretas: A diretoria 
comunicou a decisão aos empregados. / A 
decisão foi comunicada aos empregados. 
83. Venha "por" a roupa. Pôr, verbo, tem acento 
diferencial: Venha pôr a roupa. O mesmo ocorre 
com pôde (passado): Não pôde vir. Perderam o 
sinal, no entanto: pelo e pelos (cabelo, 
cabelos), para (verbo parar), pela (bola ou 
verbo pelar), pelo (verbo pelar), polo e polos e 
pera (fruta). 
84. "Inflingiu" o regulamento. Infringir é que 
significa transgredir: Infringiu o regulamento. 
Infligir (e não "inflingir") significa impor: Infligiu 
séria punição ao réu. 
85. A modelo "pousou" o dia todo. Modelo posa (de 
pose). Quem pousa é ave, avião, viajante, etc. 
Não confunda também iminente (prestes a 
acontecer) com eminente (ilustre). Nem tráfico 
(contrabando) com tráfego (trânsito). 
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86. Espero que "viagem" hoje. Viagem, com g, é o 
substantivo: Minha viagem. A forma verbal é 
viajem (de viajar): Espero que viajem hoje. Evite 
também "comprimentar" alguém: de 
cumprimento (saudação), só pode resultar 
cumprimentar. Comprimento é extensão. 
Igualmente: Comprido (extenso) e cumprido 
(concretizado). 
87. O pai "sequer" foi avisado. Sequer deve ser 
usado com negativa: O pai nem sequer foi 
avisado. / Não disse sequer o que pretendia. / 
Partiu sem sequer nos avisar. 
88. Comprou uma TV "a cores". Veja o correto: 
Comprou uma TV em cores (não se diz TV "a" 
preto e branco). Da mesma forma: Transmissão 
em cores, desenho em cores. 
89. "Causou-me" estranheza as palavras. Use o 
certo: Causaram-me estranheza as palavras. 
Cuidado, pois é comum o erro de concordância 
quando o verbo está antes do sujeito. Veja outro 
exemplo: Foram iniciadas esta noite as obras (e 
não "foi iniciado" esta noite as obras). 
90. A realidade das pessoas "podem" mudar. 
Cuidado: palavra próxima ao verbo não deve 
influir na concordância. Por isso : A realidade das 
pessoas pode mudar. / A troca de agressões 
entre os funcionários foi punida (e não "foram 
punidas"). 
91. O fato passou "desapercebido". Na verdade, o 
fato passou despercebido, não foi notado. 
Desapercebido significa desprevenido. 
92. "Haja visto" seu empenho... A expressão é haja 
vista e não varia: Haja vista seu empenho. / Haja 
vista seus esforços. / Haja vista suas críticas. 
93. A moça "que ele gosta". Como se gosta de, o 
certo é: A moça de que ele gosta. Igualmente: O 
dinheiro de que dispõe, o filme a que assistiu (e 
não que assistiu), a prova de que participou, o 
amigo a que se referiu, etc. 
94. É hora "dele" chegar. Não se deve fazer a 
contração da preposição com artigo ou 
pronome, nos casos seguidos de infinitivo: É 
hora de ele chegar. / Apesar de o amigo tê-lo 
convidado... / Depois de esses fatos terem 
ocorrido... 
95. Vou "consigo". Consigo só tem valor reflexivo 
(pensou consigo mesmo) e não pode substituir 
com você, com o senhor. Portanto: Vou com 
você, vou com o senhor. Igualmente: Isto é para 
o senhor (e não "para si"). 
96. Já "é" 8 horas. Horas e as demais palavras que 
definem tempo variam: Já são 8 horas. / Já é (e 
não "são") 1 hora, já é meio-dia, já é meia-noite. 
97. A festa começa às 8 "hrs.". As abreviaturas do 
sistema métrico decimal não têm plural nem 
ponto. Assim: 8 h, 2 km (e não "kms."), 5 m, 10 
kg. 
98. "Dado" os índices das pesquisas... A 
concordância é normal: Dados os índices das 
pesquisas... / Dado o resultado... / Dadas as suas 
ideias... 
99. Ficou "sobre" a mira do assaltante. Sob é que 
significa debaixo de: Ficou sob a mira do 
assaltante. / Escondeu-se sob a cama. Sobre 
equivale a em cima de ou a respeito de: Estava 
sobre o telhado. / Falou sobre a inflação. E 
lembre-se: O animal ou o piano têm cauda e o 
doce, calda. Da mesma forma, alguém traz 
alguma coisa e alguém vai para trás. 
100. "Ao meu ver". Não existe artigo nessas 
expressões: A meu ver, a seu ver, a nosso ver.

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