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20/02/2024, 21:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 1/12 PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO AULA 1 Profª Elisângela Gonçalves Branco Gusi 20/02/2024, 21:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 2/12 CONVERSA INICIAL Você sabia que a psicologia da educação é responsável pelos estudos de uma área da psicologia ligada ao universo escolar, que se preocupa com o desenvolvimento biopsíquico do indivíduo, na construção do conhecimento? Nesta aula, vamos aprender sobre os movimentos epistemológicos da psicologia da educação, desde o período anterior ao século XVIII, conhecendo as ideias de Francis Bacon, John Locke e Descartes. Depois, vamos estudar grandes cientistas, como Rousseau e Pestalozzi. A partir do século XIX, compreenderemos Herbart e Froebel, com suas ideias e contribuições para a educação. Os movimentos epistemológicos educacionais com a contribuição de Montessori, Decroly e Dewey, sinalizando os paradigmas conservadores e os inovadores. Ao final dessa aula, será possível ter uma visão da base que sustenta os estudos epistemológicos da educação, num viés de indivíduo biopsicossocial. Falar sobre a psicologia da educação, com seu movimento epistemológico, requer refletir sobre a base que rege todo esse estudo, a filosofia. A ciência que estuda a psicologia nasceu dos estudos filosóficos; portanto, precisamos retomar toda sequência de descobertas e acontecimentos. TEMA 1 – PERÍODO ANTERIOR AO SÉCULO XVIII Marca-se o início do pensamento pedagógico entre os séculos XVI e XVII, com formação de concepções que trilharam os caminhos escolares. Francis Bacon (1561-1626) foi o criador do método indutivo, que partia da observação dos fatos, e René Descartes (1596-1650), que com seus estudos difundiu o racionalismo e o inatismo. 20/02/2024, 21:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 3/12 A concepção inatista aponta que tudo que ocorre após o nascimento não é essencial/importante para o desenvolvimento do indivíduo. Para essa concepção, cada um já nasce com suas qualidades e capacidades básicas, o que inclui personalidade, valores, hábitos e crenças, forma de pensar e até reações emocionais e sociais, que ao longo da vida sofreriam quase nenhuma diferenciação. A concepção inatista aplicada ao desenvolvimento humano não traz uma feliz interpretação, visto que não leva em conta o impacto do ambiente em seu desenvolvimento, fator exemplificado com a história das “meninas lobos” . Tais estudos e reflexões trouxeram influência para a escola, numa busca por potencializar o ensinar e o aprender. Jan Amos Komensky (1592-1670), pensando a educação como uma arte, e que se deve ensinar tudo para todos, escreve a Didática Magma, com ideias e reflexões sobre a organização de escolas que atendessem alunos de 0 a 24 anos de idade. Sua obra reflete sobre o ritmo da natureza; o desenvolvimento acontece de dentro para fora. Contrapondo-se ao inatismo de Descartes, John Locke (1632-1704) afirmava que, quando a criança nasce, sua mente está em branco; portanto, é o meio que irá compor seu crescimento e desenvolvimento. Sinaliza que o nosso conhecimento é formado por estímulos e ensinamentos, com uma fonte externa que se dá pela percepção que recebemos, de forma interna, do modo como refletimos e organizamos nossos conteúdos. As pesquisas de Locke trouxeram grande evolução para a escola. Ele defendia a educação formal e o treinamento físico com fundamentais para o desenvolvimento da criança. TEMA 2 – A PARTIR DO SÉCULO XVIII O século XVIII teve grande contribuição para o desenvolvimento do aprender humano. Jean- Jacques Rousseau (1712-1778) foi autor de obras de muito valor para a educação, nas quais abordava o método natural de aprendizagem. O filósofo apontava que a criança aprende pela experiência; sendo uma experiência boa, será um adulto bom; caso tivesse uma experiência ruim, seu futuro estaria corrompido, pois para ele a sociedade pode conturbar o desenvolvimento do indivíduo. A partir dos estudos de Rousseau surgiu a grande delimitação entre a Pedagogia da Essência e a Pedagogia da Existência. a pedagogia de Rousseau foi a primeira tentativa radical e apaixonada de oposição fundamental à pedagogia da essência e de criação de perspectivas para uma pedagogia de existência. A influência [1] [2] 20/02/2024, 21:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 4/12 de Rousseau foi enorme. Muito embora os seus adeptos não se tenham mostrado igualmente extremistas, as reflexões subsequentes constituíram um desenvolvimento – por vezes recheado de contradições – desta nova posição. (Suchodolski, 2002, p. 32) A Pedagogia da Essência teve como pressuposto uma pedagogia jesuítica, na busca de alcançar a divindade. Já a Pedagogia da Existência, foco deste trabalho, demanda uma formação preocupada com o processo da aprendizagem, as experiências, a formação para a vida e a formação de cidadãos. É nesse contexto que encontramos as ideias de Rousseau. Esse grande filósofo apresenta uma visão social em que a origem da desigualdade humana não provém de Deus, nem da natureza, mas sim da vaidade humana, em instituições políticas, sociais e econômicas (Suchodolski, 2002). Defende ainda que a educação ajuíza o homem, que deve formar o homem livre, e que a aprendizagem deve partir das experiências. Em sua obra Emílio, apresenta dois tipos de educação, Rousseau (1966). A primeira é a educação positiva: tendência de educar a mente além da idade cronológica. É dar a criança o conhecimento dos deveres e valores do homem. Vê o homem como um ser fragmentado. A segunda é a educação negativa: dá ênfase na natureza, recusando a opinião moral. A aprendizagem acontece com a experiência das coisas, e não com as palavras ou ideias. Trata-se de intervir o menos possível na educação da criança, levando o aluno a aprender por si mesmo. Respeita- se as etapas do desenvolvimento, com um preceptor para cada aluno. TEMA 3 – A PARTIR DO SÉCULO XIX Para Dewey, o homem é um ser agente, cuja capacidade de produzir e empregar símbolos, significativamente, permite-lhe interagir ativamente consigo mesmo, com os outros e com o meio físico social. Para isso, é necessário respeitar o tempo e as capacidades cognitivas e morais do ser humano na sua infância. Também considera a mente como uma entidade que não se separa do corpo, um organismo agente que está na base da socialização, da produção cultural e, por fim, da capacidade eminente humana de ensinar e aprender. A educação é um processo ativo e construtor, podendo reconstruir e reorganizar a experiência humana a partir de suas ações. Para o processo de ensinar e aprender, inclui-se a problematização: o 20/02/2024, 21:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 5/12 professor é mediador do processo, e o aluno é ativo em seu processo de aprender. Recorre-se ao pensamento reflexivo e à autonomia. Numa visão pragmática, Dewey vê a investigação como um processo cujos procedimentos e normas têm de ser avaliados e revistos à luz da experiência subsequente. Essa revisão é, no entanto, um processo social e comunitário, feito com base nos valores das pessoas. Toda a experiência deve ser comprovada na prática. Esse movimento chamado de Escola Nova ou Escolanovista abriu campo para vários pesquisadores, que apresentaram metodologias baseadas em problematizações, experiências e práticas, as quais os alunos fossem levados a experimentar. Para o professor, a busca por modelos prontos já significava desperdício de tempo; a necessidade era desenvolver o espírito criativo e flexível, na busca de elementos externos que fortalecessem suas aulas. Afiliado ao pensamento e às ideias de John Dewey, Anísio Teixeira, brasileiro baiano, faz ecoar suas ideias no Brasil. O conhecimento, pois, é o resultado de um processo de indagação. E a marcha deste processo de pesquisa é o que Dewey chama de lógica. Vale dizer: lógica é o processodo pensamento reflexivo; “conhecimento” é o resultado desse processo; o “já conhecido” é o “material”, que usamos no operar a investigação ou a pesquisa. (Teixeira, 1977, p. 64) TEMA 4 – ABORDAGENS PARADIGMÁTICAS CONSERVADORAS A evolução da educação trouxe abordagens que, cada qual ao seu tempo, contribuíram para o aprimoramento da aprendizagem dos indivíduos. É relevante observar que a evolução das condutas e estratégias na educação está vinculada ao olhar sobre o mundo social, seus ideais e cultura. Os estudos filosóficos e os experimentos de psicologia embasam os elementos que definem e articulam a aprendizagem na escola. Vamos conhecer como cada abordagem pedagógica vê os elementos que compõem o fazer na escola. 4.1 VISÃO TRADICIONAL Na visão tradicional, o pensamento é cartesiano, com disciplina rígida, vertical, onde a escola é transmissora do saber. 20/02/2024, 21:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 6/12 O aluno é tido como receptor e reprodutor do conhecimento; é passivo e não questiona. Nessa abordagem, o aluno não é levado à reflexão, mas à repetição e acúmulo de conteúdo. É visto como um expectador, sem a inclusão de relações afetivas ou de dificuldades na aprendizagem. Indiferentemente de suas necessidades/demandas pessoais, o aluno é responsabilizado pelo aproveitamento escolar. O professor assume uma postura vertical com seus alunos. Seu objetivo é a transmissão de conteúdos científicos. Precisa levar o aluno a repetir o que apresentou de conteúdo. Tem o poder de decisão para todos os assuntos. É mediador entre os alunos e os modelos culturais. Não busca novas possibilidades metodológicas para potencializar o processo de ensino aprendizagem. A metodologia segue modelos prontos, que não são discutidos, somente informados aos alunos; a aula é expositiva, privilegia-se o verbal; as atividades são de repetição, resumos, livros textos, cópia e questionários. Na avaliação, mede-se a quantidade e a exatidão de informações que se consegue reproduzir. As notas revelam o patrimônio cultural do indivíduo. A gestão escolar é vertical. O espaço físico fortalece a ordem e divisão hierárquica. Preocupa-se com o ajuste social. 4.2 VISÃO ESCOLANOVISTA OU HUMANÍSTICA Essa visão tem por base os estudos de Rogers, Dewey, Montessori e Piaget, fundamentados na biologia e psicologia, em um movimento chamado de Escola Nova. O aluno é o foco da prática educativa. Valoriza-se a sua condição pessoal e psicológica. É colocado como um sujeito ativo, que participa de todo processo, incluindo planejamento, execução e resultado do conhecimento. Valoriza-se o trabalho em grupo, mas reconhece as potencialidades individuais. Considera-se as experiências individuais. O professor tem liberdade de desenvolver seu próprio repertório de estratégias de ensino, desde que leve o aluno a aprender significativa e reflexivamente. É tido como facilitador da aprendizagem. Deve aceitar o aluno e compreendê-lo, de maneira empática. Valoriza-se a relação afetiva com o aluno. Requer disponibilidade para atender e reconhecer as necessidades dos alunos, e o que realmente é significativo para eles. 20/02/2024, 21:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 7/12 A metodologia estimula a curiosidade, a reflexão, o interesse, o autoconhecimento e a crítica. O professor deve apresentar recursos bem variados, para que possibilite a investigação do aluno, promovendo a interação com questões do cotidiano de interesse do aluno – ou seja, o que acontece em vida real. É uma aprendizagem com liberdade. O método apresentado pelo professor, deve levar em conta as características, o ritmo e o interesse de seus alunos. Na avaliação, o aluno precisa assumir responsabilidade pelas formas e pelo controle de seu processo de aprendizagem. A autoavaliação compõe um quadro com esse padrão. A gestão escolar é democrática, pois valoriza a demanda do sujeito. Para que seja possível, as dependências da escola devem favorecer espaços de discussão e coletividade, assim como experiências e pesquisas. A responsabilidade, por parte do aluno, exige que a disponibilidade de materiais e ferramentas, para que, com sua liberdade, atue sobre suas curiosidades e experimentos. Espaços ao ar livre e salas com mesas redondas são ambos valorizados nesta abordagem. 4.3 VISÃO TECNICISTA OU COMPORTAMENTALISTA O aluno é um espectador e será sempre condicionado a dispor de respostas prontas e corretas, sem criticidade. Há de se ter um controle científico da educação. O aluno é recompensado quando consegue atingir com êxito a aprendizagem. O professor é considerado planejador e analista dos resultados de objetivos propostos. O professor tem uma postura cartesiana; permanece em uma postura racionalista e determinista. Na metodologia, as aulas precisam ser eficientes, eficazes e produtivas. Para oferecer esse tipo de aula, precisa fazer planejamentos e planos. As atividades são importantes como treino para os alunos. Tudo o que se faz no processo de ensino-aprendizagem recai na técnica, sem importar-se com o seu sentido. O erro é sancionado com rigor. A repetição está extremamente presente nesta abordagem. A avaliação consiste na verificação dos objetivos já estabelecidos anteriormente. Entende-se que se os alunos tiverem conhecimento de seus próprios resultados, tomarão como base o formato de construção. A gestão escolar é vertical. É necessário treinar os alunos. Não se tem o objetivo de descobrir, mas de educar com controle. Promove-se uma formação que seja pertinente à sociedade, ao mercado 20/02/2024, 21:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 8/12 de trabalho. A escola tem uma estrutura facilitadora do atendimento eficaz, além de dispor de elementos da tecnologia que fortaleçam a produtividade de ensino e aprendizagem. TEMA 5 – ABORDAGENS PARADIGMÁTICAS INOVADORAS A abordagem inovadora é reflexo do avanço da ciência. Como o objetivo de promover a superação de um pensamento newtoniano-cartesiano, focando em reproduzir o conhecimento, a educação é levada a novas propostas de encaminhamento. Vamos conhecer cada abordagem significativa desses estudos. 5.1 VISÃO SISTÊMICA/HOLÍSTICA/ECOLÓGICA No aluno, valorizam-se as inteligências múltiplas, um ser complexo que vive num mundo de relações, e que por isso vive coletivamente, mas respeitando a sua individualidade e criticidade, interessado nos processos que levam à execução de uma ação. É autônomo, desejante de aprender, responsável, fiel, acolhedor, engajado em questões relevantes. Em sua aprendizagem, conecta os temas com a realidade. Respeita a opinião do outro. Busca o estímulo dos dois hemisférios cerebrais. O professor precisa de autonomia. Requer-se uma mescla de sensibilidade artística e uma prática cientificamente embasada. Deve estar aberto ao seu próprio interior. Superar a fragmentação e buscar possibilidades de ampliar sua didática. Participante ativo do assunto, deve estar atendo às demandas e necessidades dos alunos. Envolve-se completamente com os alunos. Compartilha de suas construções pessoais e tem escuta para compreender as demandas que os alunos trazem. Necessita mais que nunca instigar seus alunos a buscar a recuperação de valores perdidos (honestidade, solidariedade, igualdade, harmonia). Na metodologia, busca-se a natureza do aprendizado. Viabiliza as relações pessoais e interpessoal. Promove diversas estratégias para que os alunos aprendam. É compreendida pelo processo, e também facilitadora, em busca de ações que permitam o aprendizado. Apresenta-se produtiva, reflexiva e transformadora, com autonomia e qualidade. A avaliação deve trazer informações que facilitem o processo de aprender. Portanto, aprende-se com o erro. Avalia-se o processo, não somente pela prova. A avaliação deve ser individual e coletiva, 20/02/2024, 21:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 9/12 proporcionando sempre a reflexão e o interesse por parte dos alunos, tendo em vistao processo por que cada aluno passa até conseguir aprender. A escola tem visão ecológica. Deve proporcionar espaço e tempo que atendam às necessidades individuais e do grupo. É espaço físico que potencializa o aprendizado com iluminação, cores, arejamento, conforto físico, necessidade de privacidade e interação, atividades calmas e fartas, com abertura à influência da comunidade. Pretende-se a formação por meio de valores, sentimentos, solidariedade, tolerância, harmonia. “O ensino deve enriquecer e aprofundar a relação consigo mesmo, com a família e membros da comunidade global, com o planeta e com o cosmos”. A escola prepara para a vida. 5.2 VISÃO PROGRESSISTA O aluno é capaz de transformar o conhecimento tendo como referência ações sociais. Participante da ação educativa. Ativo, sério e criativo. É corresponsável pela sua própria aprendizagem. Mantém uma relação dialógica com o professor, além de se ter parceira e de confiança. Constrói o conhecimento a partir de sua interação com o mundo. O professor é mediador. Atuação cognoscente para os educandos tornarem-se críticos. Criativo, crítico e não mecânico. A metodologia é democrática; potencializa a comunicação dialógica, ação libertadora. A partir da prática social, passa à problematização, desencadeando instrumentalização, provocando a catarse e o retorno à prática social, o ponto culminante do processo educativo, na mediação da análise. Os pontos de partida e chegada são a prática social. A avaliação é contínua, processual e transformadora. Valoriza a participação individual e coletiva, a autoavaliação e a avaliação grupal. Os pilares são: exigência, rigorosidade e competência. 5.3 VISÃO DA ABORDAGEM ENSINO COM PESQUISA O aluno deve se tornar investigador, questionador, apurando o raciocínio lógico e as múltiplas inteligências; deve ser criativo, potencializar a capacidade produtiva, pesquisar e viver com cidadania e ética; também deve aprimorar-se na autonomia para ler e refletir criticamente ao aprender e produzir seu conhecimento, com seus próprios escritos. É atuante de seu processo de aprendizagem, 20/02/2024, 21:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 10/12 aprimora-se para aprender a aprender. Busca consenso nas suas discussões e pesquisas. Tem prazer em pesquisar, com autonomia e iniciativa. O aluno gosta de desafios e atua com responsabilidade, apropriando-se dos conteúdos para exprimir-se com segurança. O professor tem uma postura de mediador, articulador crítico e criativo do processo pedagógico. Compreende o aluno como parceiro; instiga o aluno a pesquisar. É um contínuo investigador, insaciável, reflexo da própria vivência, do aprender a aprender. O professor é um pesquisador contagiante da pesquisa, e seu resultado é a produção de conhecimento. Está sempre aberto a discussões e oposições. Na metodologia, a busca é pela produção do conhecimento. Ultrapassa-se as aulas expositivas, pois o aluno é instigado a buscar e ampliar caminhos para a sua autonomia. As problematizações são fundamentais para as buscas de pesquisas. Presa-se pela qualidade do que se pesquisa; portanto, as pesquisas de cópia ou reprodução são somente excluídas, jamais consideradas. Oportuniza o desenvolvimento dos dois hemisférios cerebrais. Traz interdisciplinaridade, considerando as articulações com as demais disciplinas. O aluno deve ser parceiro no projeto pedagógico, para produzir conhecimento relevante e significativo. As pesquisas e trabalhos são desenvolvidos individual e coletivamente. Na concepção de Cunha e Leite (1996), o enfoque é o conhecimento com base na localização histórica; valoriza-se a ação reflexiva, a interpretação e os conhecimentos sociais; estimula-se a análise, a geração de ideias, a curiosidade, pensamento divergente; interdisciplinaridade; investigação orientada; concebe a pesquisa como acessível a todos. Demo (1994) aponta níveis de pesquisa, que apresentam a progressão gradativa por que os alunos passam para tornarem-se investigadores críticos, autônomos na pesquisa, entre outros requisitos apresentados nesse tipo de abordagem. Os níveis são: 1° nível: interpretação reprodutiva, tentativa de sistematização fidedigna; 2° nível: interpretação própria, ou seja, produção dos alunos sobre o conteúdo de maneira pessoal; 3° nível: reconstrução, no sentido de tomar a construção vigente como ponto de partida, e refazer a sua própria proposta; 4° nível: reconstrução, tomando o que se tem como referências e abrindo novos caminhos, ou seja, avançando o que já foi proposto por outro pesquisador; 5° nível: criação e descoberta, neste nível, com grande grau de complexidade, apontando para inovações com novos referenciais e para a ultrapassagem de limites. A avaliação é contínua, processual e participativa. O acompanhamento dos projetos e pesquisas dos alunos é permanente; guia-se pelos critérios, que são construídos com os alunos antes do início 20/02/2024, 21:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 11/12 do processo. Deve funcionar com clareza de funções, entre professores e alunos, cada um sabendo sobre o seu papel e a sua obrigação. O aluno é acompanhado no seu processo de construção e produção. Pode ser que haja provas, desde que apresentem espaços de reflexão e elaboração crítica. A escola visa proporcionar um ambiente em que professores e alunos sejam capaz de gestar projetos; que seja inovador, transformador, criativo e participativo. NA PRÁTICA Vamos pesquisar, em uma escola, como é a visão de aluno, professor, metodologia, avaliação e gestão? FINALIZANDO Nesta aula, aprendemos sobre o movimento epistemológico da psicologia da educação, desde as pesquisas da biologia e da psicologia, ao reflexo desses estudos no fazer educacional. O período anterior ao século XVIII era marcado por métodos e tentativas de aprimorar as relações sociais. O aprender, ao ganhar força no meio científico, trouxe reflexões sobre o ser e o lugar na sociedade. Em vista disso, certos movimentos ganharam espaço, tendo sido possível dividi- los em conservadores e inovadores. Cada momento evidenciou o desejo e o objetivo que se tem com o aprender. Na abordagem conservadora, aprendemos sobre a escola tradicional, escolanovista ou humanista, e sobre a tecnicista ou comportamentalista. Na abordagem inovadora, conhecemos a visão sistêmica, também chamada de holística ou ecológica; a visão progressiva; e a visão do ensino com pesquisa. Cada momento foi marcado com uma tendência na educação, o que veio a fortalecer ações que foram definitivas para o ajuste social e cultural. REFERÊNCIAS 20/02/2024, 21:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 12/12 CUNHA, M. I.; LEITE, D. Relação e pesquisa. In: VEIGA, I. P. A. (Org.) Didática: o ensino e suas relações. Campinas, SP: Papirus, 1996. DEMO, P. Educar pela pesquisa. Campinas, SP: Autores Associados, 1996. ROUSSEAL, J. J. Émile ou de l’éducation. Paris: GF Flammarion, 1966. SUCHODOLSKI, B. A pedagogia e as grandes correntes filosóficas: a pedagogia da essência e a pedagogia da existência. São Paulo: Centauro, 2002. TEIXEIRA, A. S. Educação e o mundo moderno. São Paulo: Nacional, 1977. Veja mais: <https://pt.scribd.com/document/223150119/amala-e-kamala>. Do contrato social e Emílio ou da educação. [1] [2]