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1 
 
Disciplina: Neuropsicopedagogia Clínica: conceitos e prática 
Autores: M.e Gustavo Thayllon França Silva 
Revisão de Conteúdos: Esp. Raphael Pereira Nunes de Souza 
Designer Instrucional: Esp. Raphael Pereira Nunes de Souza 
Revisão Ortográfica: Esp. Lucimara Ota Eshima 
Ano: 2022 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Copyright © - É expressamente proibida a reprodução do conteúdo deste material integral ou de suas 
páginas em qualquer meio de comunicação sem autorização escrita da equipe da Assessoria de 
Marketing da Faculdade UNINA. O não cumprimento destas solicitações poderá acarretar em 
cobrança de direitos autorais. 
 
 
 
2 
 
Gustavo Thayllon França Silva 
 
 
 
 
 
Neuropsicopedagogia Clínica: 
conceitos e prática 
1ª Edição 
 
 
 
 
 
 
 
2022 
Curitiba, PR 
Faculdade UNINA 
 
 
3 
 
Faculdade UNINA 
Rua Cláudio Chatagnier, 112 
Curitiba – Paraná – 82520-590 
Fone: (41) 3123-9000 
 
 
Coordenador Técnico Editorial 
Marcelo Alvino da Silva 
 
Conselho Editorial 
D.r Eduardo Soncini Miranda / D.ra Marli Pereira de Barros Dias / 
D.ra Rosi Terezinha Ferrarini Gevaerd / D.ra Wilma de Lara Bueno / 
D.ra Yara Rodrigues de La Iglesia 
 
Revisão de Conteúdos 
Raphael Pereira Nunes de Souza 
 
Designer Instrucional 
Raphael Pereira Nunes de Souza 
 
Revisão Ortográfica 
Lucimara Ota Eshima 
 
Desenvolvimento Iconográfico 
Juliana Emy Akiyoshi Eleutério 
 
Desenvolvimento da Capa 
Carolyne Eliz de Lima 
 
 
 
FICHA CATALOGRÁFICA 
 
 
SILVA, Gustavo Thayllon França. 
Neuropsicopedagogia Clínica: conceitos e prática / Gustavo Thayllon França 
Silva. – Curitiba: Faculdade UNINA, 2022. 
77 p. 
ISBN: 978-65-5944-189-1 
1.Neuropsicopedagogia. 2. Conceito. 3. Prática. 
Material didático da disciplina de Neuropsicopedagogia Clínica: conceitos e 
prática – Faculdade UNINA, 2022. 
Natália Figueiredo Martins – CRB 9/1870 
 
 
4 
 
 
PALAVRA DA INSTITUIÇÃO 
 
Caro(a) aluno(a), 
Seja bem-vindo(a) à Faculdade UNINA! 
 
 Nossa faculdade está localizada em Curitiba, na Rua Cláudio 
Chatagnier, nº 112, no Bairro Bacacheri, criada e credenciada pela Portaria nº 
299 de 27 de dezembro 2012, oferece cursos de Graduação, Pós-Graduação e 
Extensão Universitária. 
 A Faculdade assume o compromisso com seus alunos, professores e 
comunidade de estar sempre sintonizada no objetivo de participar do 
desenvolvimento do País e de formar não somente bons profissionais, mas 
também brasileiros conscientes de sua cidadania. 
 Nossos cursos são desenvolvidos por uma equipe multidisciplinar 
comprometida com a qualidade do conteúdo oferecido, assim como com as 
ferramentas de aprendizagem: interatividades pedagógicas, avaliações, plantão 
de dúvidas via telefone, atendimento via internet, emprego de redes sociais e 
grupos de estudos o que proporciona excelente integração entre professores e 
estudantes. 
 
 
 Bons estudos e conte sempre conosco! 
 Faculdade UNINA 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
 
Sumário 
Prefácio ....................................................................................................... 06 
Aula 1 – Neuroanatomofisiologia, neuropsicologia e neurociência ............ 07 
Apresentação da Aula 1 .............................................................................. 08 
 1.1 – Conceitos fundamentais em neuropsicologia ............................. 08 
 1.1.1 – Conceitos fundamentais em neurociências ............................. 14 
 1.1.2 – Conceitos fundamentais acerca do sistema nervoso .............. 17 
 1.1.3 – Conceitos fundamentais e sua importância para a 
neuropsicopedagogia .................................................................................. 
 
20 
Conclusão da Aula 1 ................................................................................... 21 
Aula 2 – Funções psicológicas superiores e transtornos de aprendizagem 23 
Apresentação da Aula 2 .............................................................................. 23 
 2.1 – Bases funcionais do sistema nervoso ......................................... 23 
 2.1.1 – Atenção, percepção e memória ............................................... 28 
 2.1.2 – Linguagem e a questão da psicolinguística ............................. 33 
 2.2 – Os transtornos e a importância da neuropsicopedagogia .......... 35 
Conclusão da Aula 2 ................................................................................... 38 
Aula 3 – Neuropsicopedagogia clínica: histórico, avaliação e o início do 
atendimento ................................................................................................ 
 
40 
Apresentação da Aula 3 .............................................................................. 40 
 3.1 – Situando conceitualmente a neuropsicopedagogia .................... 40 
 3.1.1 – Prática Clínica: roteiro para avaliação, anamnese, 
instrumentos e queixa clínica ...................................................................... 
 
43 
 3.1.2 – Código de ética da neuropsicopedagogia ................................ 50 
Conclusão da Aula 3 ................................................................................... 56 
Aula 4 – Intervenção em neuropsicopedagogia clínica - jogos, testes e 
provas ......................................................................................................... 
 
59 
Apresentação da Aula 4 .............................................................................. 59 
 4.1 – O espaço do consultório em neuropsicopedagogia .................... 59 
 4.1.1 – Intervenção em neuropsicopedagogia clínica .......................... 61 
 4.1.2 – Os jogos na intervenção neuropsicopedagógica clínica ........ 64 
 4.1.3 – O informe em neuropsicopedagogia clínica ........................... 69 
Conclusão da Aula 4 ................................................................................. 71 
Conclusão da Disciplina ............................................................................ 73 
Índice Remissivo ....................................................................................... 74 
Referências ............................................................................................... 75 
 
 
6 
 
 
Prefácio 
Olá, caro estudante, tudo bem? Seja bem-vindo à disciplina de 
Neuropsicopedagogia Clínica. Nela, conversaremos acerca de uma área de 
suma importância para o entendimento e compreensão dos processos 
psicológicos superiores com interfaces: a aprendizagem humana. 
Nesta disciplina, temos alguns objetivos que precisam ser cumpridos ao 
longo de seu desenvolvimento, sendo: a) apresentar as bases teóricas da 
neurociência e da neuropsicologia enquanto aporte principal da 
neuropsicopedagogia; b) compreender a aplicabilidade do código de ética do 
profissional neuropsicopedagogo; c) verificar as bases teóricas da área 
estudada; d) apresentar protocolos de avaliação em neuropsicopedagogia 
clínica; e) apresentar instrumentos para o processo de avaliação e intervenção 
em neuropsicopedagogia. 
Por meio destes objetivos, iremos discorrer acerca do conteúdo, das 
teorias e das técnicas utilizadas na neuropsicopedagogia clínica. Para tanto, 
vale ressaltar que a neuropsicopedagogia se calca em duas áreas principais: a 
neuropsicologia e a neurociência. Vale ressaltar também que o pai da 
neuropsicologia foi Alexander Luria, que contribuiu sobretudo para o 
entendimento da organização cerebral. Podemos, então, defini-la, de acordo 
com Luria (1903-1978, p. 4), como sendo “um ramo novo da ciência cujo 
objetivo específico e peculiar é a investigação do papel de sistemas cerebrais 
individuais em formas complexas de atividade mental”. 
Uma outra definição podemos encontrar em Thiers,Argimon e 
Nascimento (2001), que afirmam que a neuropsicologia “é a ciência que estuda 
a expressão comportamental das disfunções cerebrais. Logo, trata-se de uma 
especialidade que aborda as relações entre funções cerebrais e 
comportamento”. 
Ante todas estas definições epistemológicas, ainda podemos evidenciar 
uma que clarifica tudo que conversamos até aqui, apontada por Franco (2019, 
p. 2), que compreende a neuropsicologia, como 
 
O campo do conhecimento que trata da relação entre a cognição (e 
comportamento) e a atividade do sistema nervoso em condições 
 
 
7 
 
normais e patológicas. Sua natureza é multidisciplinar, tomando apoio 
na anatomia, fisiologia, neurologia, psicologia, psiquiatria, etologia, 
entre as mais importantes. A partir de uma respectiva médica, este 
conhecimento visa ao tratamento dos distúrbios da cognição e do 
comportamento secundário ao comportamento do Sistema Nervoso. 
 
Provavelmente, você deve estar se perguntando o motivo pelo qual 
estamos conceituando a neuropsicologia. A resposta é simples e se faz 
necessária, haja vista que a principal base teórica da neuropsicopedagogia 
clínica se pauta na neuropsicologia, portanto precisamos construir um caminho 
teórico-técnico para chegarmos nos procedimentos de início de atendimento no 
campo clínico e em consultório. Para tanto, com essas indagações iniciais, 
convido você a embarcar comigo no arcabouço da neuropsicopedagogia 
clínica. 
 
 
8 
 
 
Aula 1 – Neuroanatomofisiologia, neuropsicologia e neurociência 
 
Apresentação da aula 
 
 Nessa nossa primeira aula abordaremos os conceitos teóricos-técnicos 
acerca da evolução histórica da neuropsicologia e a questão inicial do 
problema mente-cérebro, proposto pela filosofia, e como isso se correlaciona 
com a neuropsicologia contemporânea. Na sequência, aprofundar-nos-emos 
acerca da neurociência enquanto aporte para o estudo do sistema nervoso, 
sobretudo no que tange aos aspectos das funções e localizações cerebrais. 
Adiante, teremos a organização anatômica e celular do sistema nervoso e, por 
fim, veremos a importância destas teorias e destas práticas no processo de 
avaliação e intervenção na clínica neuropsicopedagógica com crianças, 
adolescentes e adultos. 
1.1 Conceitos fundamentais em neuropsicologia 
 
 Para falarmos dos conceitos fundamentais em neuropsicologia, além de 
novamente conceituar a área, iremos trazer um pouco da perspectiva histórica 
e da atuação dentro do campo das funções psicológicas superiores. Fuentes, 
Diniz e Camargo (2020) afirmam que é difícil precisar o surgimento da 
neuropsicologia, haja vista que, por se tratar de uma área tão interdisciplinar, 
teremos vários marcos de início desta ciência. Contudo, temos marcos do 
princípio do surgimento da neuropsicologia desde a Antiguidade, conforme 
quadro apresentado abaixo. 
 
Quadro 01 - Resumo de marcos históricos para o desenvolvimento da 
neuropsicologia 
 
Pré-história Desconhecidos (c. 10.000 a.C.) Trepanação como ritual de cura para 
problemas da cabeça. 
Grécia Antiga ● Hipócrates (c. 400 a.C.) 
● Demócrates, Platão, 
Aristóteles e outros (c. 
400 a.C.) 
● Relato escrito sobre trepanação e 
déficits em indivíduos com 
traumas na cabeça. 
● Debate entre cardiocentristas e 
encefalocentristas sobre a sede 
 
 
9 
 
da mente. 
Império 
Romano 
Cláudio Galeno (c. 200) Propagação da teoria ventricular. 
Renascimento Leonardo da Vinci e Andrea 
Vesalius (c. 1470–1570) 
Descrição mais detalhada dos 
ventrículos. 
Desenvolvimento do estudo anatômico 
em humanos. 
Pós-
Renascença 
● René Descartes (1641) 
● Thomas Willis (1664) 
 
● Sugeriu a separação das 
condutas humanas em condutas 
do corpo (comportamentos 
reflexos) e condutas do espírito 
(racionalidade). 
● Apontou o cérebro como sede do 
controle da vontade e da 
memória e o cerebelo e tronco 
encefálico, como coordenadores 
das funções vitais 
Século XVIII ● Diversos autores 
● Luigi Galvani (1791) 
● Queda da teoria ventricular e 
aumento da importância dada ao 
tecido encefálico. 
● Mapeamento detalhado do 
sistema nervoso central e 
periférico. 
● Descoberta da substância 
cinzenta e substância branca do 
tecido encefálico. 
● Descrições anatômicas dos giros 
e sulcos cerebrais. 
● Descoberta da condutância 
elétrica dos nervos. 
Século XIX ● Franz Gall 
● (c. 1798–1819) 
● Charles Bell (1810) e 
François Magendie 
(1821) 
● Criou uma pseudociência 
chamada Organologia 
(frenologia), que sugeria áreas 
cerebrais especializadas para 
distintos comportamentos. 
● Identificação anatômica e 
funcional das raízes dorsais 
(sensoriais) e ventrais (motoras) 
dos nervos periféricos. 
Século XIX ● Paul Broca (1861, 
1865) 
● Carl Wernicke (1874) 
● Camilo Golgi (1885) 
● Santiago Ramon y 
Cajal (c. 1894) 
● Identificou uma área cerebral 
associada à fluência da fala. 
● Identificou um conjunto de áreas 
associadas à compreensão da 
linguagem. 
● Estudou o tecido neural 
(neurônios). 
● Propôs a formação reticular do 
 
 
10 
 
tecido neural. 
● Propôs os neurônios como 
unidades fundamentais do 
sistema nervoso. 
Século XX ● Diversos autores 
● Donald Hebb (1949) 
● Wilder Penfield (1950) 
● Brenda Milner 
 
● (1957, 1968) 
● Alexander Romanovic 
Luria (1976) 
● Desenvolvimento de diversos 
testes para avaliação da 
inteligência e de diferentes 
funções cognitivas. 
● Surgimento e desenvolvimento da 
Psicologia cognitiva (década de 
1950). 
● Desenvolvimento de técnicas de 
neuroimagem (décadas de 1980 
e 1990). 
● Esboçou os mecanismos neurais 
da plasticidade e da 
aprendizagem. 
● Apresentou um mapa topográfico 
cerebral para funções motoras e 
somatossensoriais. 
● Forneceu evidências dos 
múltiplos sistemas cerebrais da 
memória. 
● Apontou a importância do 
hipocampo para a consolidação 
de novas memórias. 
● Destacou o papel da cultura no 
desenvolvimento cerebral e 
cognitivo. 
● Sugeriu a existência de três 
sistemas funcionais que 
coordenam a cognição e o 
comportamento humano. 
Século XXI Diversos autores ● Compreensão do funcionamento 
cognitivo por meio de redes 
neurais complexas e integradas. 
● Desenvolvimento de estudos 
sobre temas complexos e com 
desafios particulares (p. ex., 
emoções). 
● Expansão dos testes 
computadorizados e para “novos 
domínios” da cognição. 
Fonte: Souza e Mograbi (2021, p.31) 
 
No quadro anterior, conseguimos perceber a evolução da 
neuropsicologia, da Antiguidade à Contemporaneidade, todos os autores acima 
mencionados possuem relevância para o construto teórico e prático. Contudo, 
 
 
11 
 
gostaria de destacar alguns, cujos estudos são utilizados até a atualidade. O 
primeiro deles é Paul Broca, pesquisador do século XIX, que encontrou regiões 
no cérebro que são responsáveis pela fala e pela linguagem, neste aspecto, 
Fuentes, Diniz e Camargo (2020, p. 23) comentam que, 
 
Broca (1891) utilizava em seus estudos o método anatomoclínico, o 
esteio da neurologia científica no final do século XIX. Esse método 
consistia em um exame em dois estágios com o intuito de vincular 
sinais clínicos a padrões de alteração cerebral (Goetz, 2010). O 
primeiro estágio dessa abordagem dedicava-se a um exame clínico 
em profundidade, acompanhando o paciente ao longo de um extenso 
período de tempo, ao passo que o segundo estágio, após a morte do 
paciente, envolvia a necropsia do cérebro e da medula espinal 
(Goetz, 2010). Assim, o método permitia vincular dados clínicos com 
informações sobre neuroanatomia, sugerindo uma potencial relação 
de causalidade entre esses dois fatores e possibilitando a 
classificação de doenças neurológicas a partir de achados 
anatômicos. 
Amplie Seus Estudos 
SUGESTÃO DE LEITURA 
Leia a obra Fundamentos da 
Neuropsicologia, (Luria, Aleksandr 
Romanovich). Nesta brilhante obra, 
percebemos um dos principais escritos 
de Luria e suas contribuições,que neste 
livro expõe achados como a organização 
e função mental, desenvolveu conceitos 
de unidades funcionais e sobre os 
conceitos das funções psicológicas 
superiores. 
 
Além dos estudos de Broca, temos ainda Wilder Penfield, que foi um 
neurocirurgião, residente no Canadá, falecido em 1960, “em seu trabalho com 
cirurgias de pacientes epilépticos utilizando o procedimento montreal, 
estabeleceu por meio de estimulação elétrica um detalhado mapa de 
processamento sensorial” (FUENTES, DINIZ E CAMARGO, 2020, p. 23). 
Na sequência, temos um dos principais precursores da neuropsicologia, 
considerado o pai da neuropsicologia, Alexander Romanovich Luria, um russo, 
 
 
12 
 
falecido em 1977 por problemas cardíacos. Luria buscou responder a algumas 
questões em relação ao funcionamento cerebral, sendo: 
Quais são os mecanismos cerebrais reais que estão na base da 
percepção e da memória, da fala e do pensamento, do movimento e 
da ação? O que acontece com esses processos quando partes 
individuais do cérebro deixam de funcionar normalmente ou são 
destruídas por doenças? (LURIA, 1981, p.14) 
 
 
Neste aspecto, Luria (1981) buscou entender por meio destas perguntas e 
outras a organização funcional do cérebro humano, compreendendo o que 
difere os homens dos animais, bem como o entendimento de como o cérebro 
influencia o desenvolvimento de estratégia, meta e o cumprimento destas na 
vida cotidiana dos sujeitos. Portanto, Luria (1981, p.2) compreendeu que, 
O comportamento humano é de natureza ativa, que ele é 
determinado não apenas pela experiência pregressa mas também por 
planos e desígnios que formulam o futuro, e que o cérebro humano é 
um aparelho notável, que pode não apenas criar esses modelos do 
futuro, mas também subordinar a eles o seu comportamento. 
 
Ainda neste contexto comportamental, surgem as questões estudadas por 
Luria acerca das lesões cerebrais enquanto influência da organização funcional 
do cérebro e de suas atividades mentais. Portanto, o aparecimento de lesões 
em determinados locais poderá acarretar situações distintas, como os prejuízos 
da fala e da linguagem, das áreas motoras ou, até mesmo, o aparecimento de 
sintomas e comportamentos de agressividade, dentre outros a depender da 
localização. Neste aspecto, de acordo com Luria (1921), as descobertas acerca 
da frenologia, isto é, a doutrina da localização das funções e das faculdades 
complexas das áreas, fez com que novas descobertas fossem feitas, como 
exemplo, “a diferença radical existente entre as funções dos hemisférios 
cerebrais esquerdo e direito, identificando o hemisfério esquerdo (em pessoas 
destras) como o hemisfério dominante vinculado às funções superiores de fala” 
(p.8). 
 Entendemos um pouco acerca dos autores que embasam a 
neuropsicologia e é neste mesmo limiar que falamos acerca da evolução desta 
ciência no Brasil, principalmente com as iniciativas da Sociedade Brasileira de 
Neuropsicologia que, sobretudo, vem incentivar a publicação e 
desenvolvimento de instrumentos para a área. 
 
 
13 
 
Outro marco estrutural para a neuropsicologia brasileira foi a 
regulamentação da profissão e da área pelo Conselho Federal de Psicologia, 
que estabeleceu, por meio da Resolução nº 2, de 3 de março de 2004, o 
reconhecimento da neuropsicologia como especialidade da psicologia, que 
atua sobretudo com o objetivo de: 
1. Reabilitação Neuropsicológica é ampliar os modelos já conhecidos e 
criar novas hipóteses sobre as interações cérebro-comportamentais. 
Trabalha com indivíduos portadores ou não de transtornos e sequelas 
que envolvem o cérebro e a cognição, utilizando modelos de pesquisa 
clínica e experimental, tanto no âmbito do funcionamento normal ou 
patológico da cognição quanto estudando-a em interação com outras 
áreas das neurociências, da medicina e da saúde. 
2. Os objetivos práticos são levantar dados clínicos que permitam 
diagnosticar e estabelecer tipos de intervenção, de reabilitação particular 
e específica para indivíduos e grupos de pacientes em condições nas 
quais: 
a. Ocorreram prejuízos ou modificações cognitivas ou 
comportamentais devido a eventos que atingiram primária ou 
secundariamente o sistema nervoso central; 
b. O potencial adaptativo não é suficiente para o manejo da vida 
prática, acadêmica, profissional, familiar ou social; 
c. Foram geradas ou associadas a problemas bioquímicos ou 
elétricos do cérebro, decorrendo disto modificações ou prejuízos 
cognitivos, comportamentais ou afetivos. Além do diagnóstico, a 
neuropsicologia e sua área interligada de reabilitação 
neuropsicológica visam realizar as intervenções necessárias junto 
ao paciente, para que possam melhorar, compensar, contornar ou 
adaptar-se às dificuldades; junto aos familiares, para que atuem 
como coparticipantes do processo reabilitativo; junto a equipes 
multiprofissionais e instituições acadêmicas e profissionais, 
promovendo a cooperação na inserção ou reinserção de tais 
indivíduos na comunidade quando possível ou, ainda, na 
adaptação individual e familiar quando as mudanças nas 
capacidades do paciente forem mais permanentes ou a longo 
 
 
14 
 
prazo. Ainda no plano prático, fornece dados objetivos e formula 
hipóteses sobre o funcionamento cognitivo, atuando como auxiliar 
na tomada de decisões de profissionais de outras áreas, 
fornecendo dados que contribuam para as escolhas de 
tratamento medicamentoso e cirúrgico, excetuando-se as 
psicocirurgias, assim como em processos jurídicos nos quais 
estejam em questão o desempenho intelectual de indivíduos, a 
capacidade de julgamento e de memória. Na interface entre o 
trabalho teórico e prático, seja no diagnóstico ou na reabilitação, 
também desenvolve e cria materiais e instrumentos, tais como 
testes, jogos, livros e programas de computador que auxiliem na 
avaliação e reabilitação dos pacientes. 
● Desenvolve atividades em diferentes espaços: 
a. Instituições acadêmicas, realizando pesquisa, ensino e 
supervisão; 
b. Instituições hospitalares, forenses, clínicas, consultórios privados 
e atendimentos domiciliares, realizando diagnóstico, reabilitação, 
orientação à família e trabalho em equipe multidisciplinar. 
 
1.1.1 Conceitos fundamentais em neurociências 
 
 Falar em neurociências é pensar no quesito interdisciplinar deste 
conceito, visto que temos dentro deste campo teórico e técnico vária áreas de 
conhecimento que prestam subsídio para a formulação de conceitos, 
estratégias e conhecimentos em neurociências. 
 O interessante do estudo das neurociências é em virtude de elas se 
debruçarem sobre o entendimento aprofundado do sistema nervoso e suas 
correlações com as mais diferentes dimensões da vida e do desenvolvimento 
humano, como as dimensões de ordem cognitiva, afetiva, emocional e motoras. 
 Provavelmente, você deve estar se perguntando o motivo pelo qual 
estamos utilizando a palavra “neurociências” no plural, isso se justifica por ela 
possuir diferentes ramificações, como neurociência educacional, neurociência 
das emoções, neurociência da percepção e atenção, neurociência cognitiva, 
neurociência aplicada as doenças neurológicas e assim por diante. 
 
 
15 
 
 Antes de darmos continuidade dentro da perspectiva teórica 
neurocientífica, convido você a conhecer o significado da palavra neurociência 
de acordo com o dicionário Dicio da Língua Portuguesa (2021). 
 Vocabulário 
Significado de neurociência, substantivo feminino: ciência 
que estuda o sistema nervoso, a organização cerebral, a 
anatomia e a fisiologia do cérebro, além de sua relação com 
as áreas do conhecimento (aprendizagem, cognição ou 
comportamento). Reunião dos saberes e conhecimentos que 
se relacionam com o sistema nervoso. Etimologia (origem da 
palavra neurociência). Neuro 'nervo' + ciência. 
 
Pela própria definição conseguimos compreender que o objeto de 
estudo principal da neurociência está no entornodo sistema nervoso que, por 
sua vez, constituirá uma de nossas aulas, falaremos sobre suas bases 
anatômicas e fisiológicas. Outra definição de neurociência, podemos encontrar 
em Lent (2018), 
A Neurociência, conjunto de disciplinas que tratam do sistema 
nervoso, nasceu da busca das bases cerebrais da mente humana — 
seja ela manifestada apenas mediante a encarnação cerebral de um 
espírito imaterial, como nas primeiras teorias, ou puro resultado do 
funcionamento do CÉREBRO, segundo teorias recentes. (p. 2) 
 
Outros aspectos necessários, encontramos em Bear, Connors e Paradiso 
(2017, p.4), que afirmam que, 
 
A palavra “neurociência” é jovem. A Society for Neuroscience*, uma 
associação que congrega neurocientistas profissionais, foi fundada há 
pouco tempo, em 1970. O estudo do encéfalo**, entretanto, é tão 
antigo quanto a própria ciência. Historicamente, os neurocientistas 
que se devotaram à compreensão do sistema nervoso vieram de 
diferentes disciplinas científicas: medicina, biologia, psicologia, física, 
química e matemática. 
 
Pois bem, percebemos o caráter interdisciplinar das neurociências, como 
disse anteriormente, pois ela se divide em diversas outras visões, pelas quais 
percebemos ainda suas construções, visto que o processo de pesquisa no 
campo neurocientífico não se encerra e sempre temos novas descobertas. 
Assim, iniciaremos a discussão sobre as neurociências celulares. 
 
 
16 
 
A neurociência celular/molecular busca compreender as questões 
cerebrais de um ponto de vista molecular e celular, isto é, tem muitas células 
que são oriundas do sistema nervoso, portanto esta área busca estudá-las e 
compreender de que maneira contribuem para o bom funcionamento do 
sistema. Em outras palavras, a neurociência celular: 
Abordam o estudo de como todas essas moléculas trabalham em 
conjunto para conferir aos neurônios suas propriedades especiais. 
Entre as perguntas formuladas nesse nível temos: quantos diferentes 
tipos de neurônios existem e como eles diferem em suas funções? 
Como os neurônios influenciam outros neurônios? Como os 
neurônios se interconectam durante o desenvolvimento fetal? Como 
os neurônios realizam as suas computações? (Mark, 2017, p. 13) 
 
Outra abordagem é a neurociência do comportamento, que segundo 
Bear, Connors e Paradiso (2017), essa área busca estudar de que maneira 
surgem os comportamentos e por que eles acontecem ou, ainda, os efeitos dos 
psicofármacos nas alterações de comportamento, a importância do sistema 
nervoso para regulação do comportamento, dentre outros aspectos. 
Ainda, temos as neurociências cognitivas que, de acordo com Bear, 
Connors e Paradiso (2017), trabalha os aspectos neurais responsáveis pelos 
aspectos da memória da linguagem, da atenção, da percepção e da própria 
aprendizagem dos seres humanos. 
Existem outras abordagens dentro do campo das neurociências, como a 
neurociência educacional, que busca compreender a importância dos estudos 
do sistema nervoso aplicados ao processo de aprendizagem, e ainda, a 
compreensão das emoções dentro do contexto do aprender. Tendo em vista 
que, de acordo com Fonseca (2009, p 62), 
Compreendendo como tais processos evoluem e se interrelacionam 
sistemicamente no cérebro, estaremos certamente mais próximos do 
que são efetivamente as funções cognitivas da aprendizagem, 
podendo, por esse meio, identificar os obstáculos que a bloqueiam ou 
prevenir disfunções ou dificuldades (ou descapacidades) que a 
impedem de florescer. 
 
Portanto, a aprendizagem possui papel fundamental para o 
desenvolvimento das habilidades de cognição, neste caso, a neurociência atua 
fortemente na compreensão destes mecanismos e formas de atuação e 
estimulação destas funções. 
Agora que compreendemos algumas das áreas das neurociências, vamos 
nos debruçar em alguns marcos teóricos-históricos acerca do surgimento das 
 
 
17 
 
neurociências na visão de Bear, Connors e Paradiso (2017). A primeira visão 
perpassa pela Grécia Antiga, onde acreditavam que o encéfalo era o órgão 
responsável pelas sensações, o mais influente pesquisador da época 
“Foi Hipócrates (460-379 a.C.), o pai da medicina ocidental, que 
acreditava que o encéfalo não apenas estava envolvido nas 
sensações, mas que seria a sede da inteligência. Entretanto, essa 
visão não era universalmente aceita. O famoso filósofo grego 
Aristóteles (384-322 a.C.) ateve-se firmemente à crença de que o 
coração era o centro do intelecto” (p.5). 
 
A segunda visão ocorreu durante o Império Romano com um pesquisador 
importante que era Galeno, que corroborava as ideias de Hipócrates. Contudo, 
aprofundou suas pesquisas com dissecções dos animais, o que deu maiores 
subsídios para o entendimento da importância do encéfalo para o estudo das 
neurociências (BEAR, CONNORS E PARADISO, 2017). 
Outra visão proposta pelos autores é a concepção do sistema nervoso no 
final do século XVIII, quando tinha-se a compreensão de que possíveis lesões 
no cérebro poderiam causa desorganização e prejuízo nos aspectos sensoriais, 
bem como aquela crença de que o encéfalo se comunicava com todos os 
demais órgãos corporais por meio dos nervos e que este encéfalo operava por 
meio das leis da natureza, ou seja, o meio externo. (BEAR, CONNORS E 
PARADISO, 2017). 
Vídeo 
Para endossar nossa conversa, convido você, estudante, a 
assistir ao vídeo Neurociências: nós somos nossos cérebros?, 
de Francisco Ortega. Neste vídeo, o palestrante comenta 
acerca do funcionamento do cérebro humano e comenta ainda 
acerca dos avanços da área. Disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=Hr4eSBi4LjI 
 
 
1.1.2 Conceitos fundamentais acerca do sistema nervoso 
 
 Faz-se de suma importância o conhecimento das questões anatômicas e 
fisiológicas do sistema nervoso, haja vista que é a partir deste conhecimento e 
https://www.youtube.com/watch?v=Hr4eSBi4LjI
 
 
18 
 
da avaliação neuropsicopedagógica que conseguiremos estabelecer um plano 
de intervenção no campo da clínica e, até mesmo, a realização de 
recomendações para a escola e possíveis encaminhamentos para outros 
profissionais. 
Vídeo 
Neste vídeo, conseguiremos aprofundar um pouco mais 
acerca da divisão do sistema nervoso em Sistema Nervoso 
Central, Sistema Nervoso Periférico e Sistema Nervoso 
autônomo. Vamos assistir? Disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=QwXYG96bzCI 
 
Agora que assistimos ao vídeo anterior e tivemos um contato prévio com 
o desenvolvimento e divisão do sistema nervoso, vamos discutir acerca de 
seus aspectos teóricos. A primeira informação teórica que precisamos ter é que 
o sistema nervoso possui uma divisão, sendo Sistema Nervoso Central e 
Sistema Nervoso Periférico. 
Como função principal, tem a capacidade de realizar os processos de 
captação, processamento e por dar respostas a estímulos externos, oriundos 
do ambiente ou estímulos internos. Por meio de todas essas respostas e 
interpretações, somos capazes de sentir frio, calor, dor e até mesmo as 
questões emocionais. 
O SNC ou sistema nervoso central tem a função de receber e realizar a 
transmissão de informações para nosso corpo, coordenando todas as 
atividades. De acordo com Bear, Connors e Paradiso (2017) “o sistema 
nervoso central (SNC) consiste em partes do sistema nervoso que estão 
envolvidas pelos ossos: o encéfalo e a medula espinhal. O encéfalo localiza-se 
inteiramente no crânio” (p.183). 
Já o SNP ou sistema nervoso periférico é formado pelos nervos 
cranianos, nervos raquidianos e terminações nervosas, além de ter a 
responsabilidade de receber, interpretar e transportar informações recebidas 
https://www.youtube.com/watch?v=QwXYG96bzCI
 
 
19 
 
dos órgãos periféricos até o sistema nervoso central. Além disso, possui uma 
divisão, entre sistema nervoso somático e visceral. 
No que concerne à parte celular, temos a descoberta do neurônio 
enquanto célula principal deste sistema ou, ainda, conhecidacomo célula da 
aprendizagem humana. Neste aspecto, temos a neurociência celular atuando, 
haja vista que, 
Abordam o estudo de como todas essas moléculas trabalham em 
conjunto para conferir aos neurônios suas propriedades especiais. 
Entre as perguntas formuladas nesse nível temos: quantos diferentes 
tipos de neurônios existem e como eles diferem em suas funções? 
Como os neurônios influenciam outros neurônios? Como os 
neurônios se interconectam durante o desenvolvimento fetal? Como 
os neurônios realizam as suas computações? (Mark, 2017, p. 13). 
 
 
Neste sentido, temos em funcionamento cerca de 85 bilhões de 
neurônios, sendo estes responsáveis pela comunicação sináptica, isto é, a 
sinapses químicas e elétricas. Abaixo, apresentamos a estrutura anatômica do 
neurônio. 
 
Vídeo 
Para ampliarmos um pouco nosso conhecimento e 
verificarmos em aspectos práticos, convido vocês a assistirem 
ao vídeo Neurônios e Células da Glia - Sistema Nervoso – 
Neuroanatomia. Conseguiremos verificar a divisão do neurônio 
e suas funções dentro do sistema nervoso. Disponível em: 
 
 
20 
 
https://www.youtube.com/watch?v=u2VGb9Gzs7A&list=PLsPI
neJCpRR5qJ__Kwb_OAeBbHi6N7O0D&index=11 
 
1.1.3 Conceitos fundamentais e sua importância para a 
neuropsicopedagogia 
 
 Durante nossa disciplina, vocês perceberão para além da 
neuropsicopedagogia as contribuições das demais áreas para a aprendizagem. 
Portanto, a neuropsicologia e os conceitos fundamentais contribuirão, 
sobretudo, para o entendimento de áreas que possam estar prejudicadas no 
desenvolvimento cerebral daquele sujeito. 
Além disso, percebemos a necessidade de estudarmos tais conceitos 
para o entendimento do processo de avaliação e intervenção em 
neuropsicopedagogia, portanto precisamos conhecer as estruturas do sistema 
nervoso para fazermos o levantamento de hipóteses durante nosso processo 
de avaliação e termos argumentos teóricos e técnicos para possíveis 
argumentações e encaminhamentos. 
Neste aspecto, conseguimos ainda compreender a maneira com que todo 
o desenvolvimento humano vai se dando, isto é, o ganho da aprendizagem da 
memória, dos aspectos motores, a regulação das emoções e dos sentimentos 
e do próprio tônus muscular. 
Além dos ganhos teóricos apresentados até aqui, por meio da 
neuropsicopedagogia no campo escolar, podemos ter ganhos nos aspectos 
inclusivos, isto é, o entendimento das dificuldades ou, até mesmo, o 
recebimento de um laudo médico com determinado transtorno. Sendo assim, a 
partir daí, podemos desenvolver nossas intervenções juntamente com a escola 
no contexto de trabalhar jogos que possam colaborar com aquela dificuldade 
ou transtorno de aprendizagem, bem como diferentes abordagens, como 
metodologias ativas, gamificação e assim por diante. Para Cosenza (2011, p. 
136), 
 
Os avanços das neurociências possibilitam uma abordagem mais 
científica do processo ensino-aprendizagem, fundamentada na 
compreensão dos processos cognitivos envolvidos. Devemos ser 
cautelosos, ainda que otimistas em relação às contribuições 
https://www.youtube.com/watch?v=u2VGb9Gzs7A&list=PLsPIneJCpRR5qJ__Kwb_OAeBbHi6N7O0D&index=11
https://www.youtube.com/watch?v=u2VGb9Gzs7A&list=PLsPIneJCpRR5qJ__Kwb_OAeBbHi6N7O0D&index=11
 
 
21 
 
recíprocas entre neurociências e educação[...]Descobertas em 
neurociências não autorizam sua aplicação direta e imediata no 
contexto escolar, pois é preciso lembrar que o conhecimento 
neurocientífico contribui com apenas parte do contexto em que ocorre 
a aprendizagem. Embora ele seja muito importante, é mais um fator 
em uma conjuntura cultural bem mais ampla (2011, p. 136). 
 
Portanto, o profissional de neuropsicopedagogia tem a função primária de 
compreender o funcionamento cerebral e de que maneira este funcionamento 
interfere na aprendizagem humana. 
Saiba Mais 
A indicação de ampliação do conhecimento será o artigo A 
Neuroeducação e Suas Contribuições às Práticas 
Pedagógicas Contemporâneas, das autoras Calline Palma 
dos Santos e Késila Queiroz Sousa. As autoras fazem um 
recorte muito interessante, apresentando as semelhanças e 
diferenças entre neuropsicologia, neuropsicopedagogia e 
psicopedagogia. Vale a pena dar uma conferida na importância 
da nossa área para a superação dos transtornos de 
aprendizagem. Disponível em: 
https://eventos.set.edu.br/enfope/article/viewFile/1877/777 
 
 
Conclusão da aula 
 
Compreender os avanços históricos imbricados no descobrimento da 
neuropsicologia e das neurociências faz com que nós, profissionais da 
educação e da saúde, tenhamos mais subsídios teóricos, técnicos e 
metodológicos para intervenção nas dificuldades e transtornos de 
aprendizagem. 
Já percebeu como a neuropsicologia direta ou indiretamente influencia 
nossas vidas? Por exemplo, por meio das descobertas, hoje temos todos os 
fármacos que atuam sobre os mais diferentes transtornos psiquiátricos e 
outros. Além disso, conseguimos desenvolver métodos específicos de 
avaliação e intervenção das questões relativas aos aspectos cerebrais, bem 
como o desenvolvimento de reabilitação neuropsicológica. 
https://eventos.set.edu.br/enfope/article/viewFile/1877/777
 
 
22 
 
Para além disso, formularam-se teorias que são capazes de explicar o 
processo de aprendizagem, as afasias, os problemas motores, de percepção e 
de atenção. 
Como resumo de nossa primeira aula, acompanhe o esquema a seguir 
com os principais temas tratados até aqui: 
 
 
 
Atividade de Aprendizagem 
Para ampliarmos o nosso conhecimento, gostaria que vocês 
realizassem pesquisas na Internet e no livro Fundamentos 
da Psicologia, indicado nesta aula, para formularem a 
redação dos seguintes conceitos: função, localização, 
sintoma, organização da percepção visual, organização da 
percepção auditiva e organização do movimento e 
conceituassem, ainda, as três unidades funcionais de Luria. 
Construam um quadro com estes conceitos para consulta 
durante a disciplina. 
 
Neuropsicologia 
 Campo do conhecimento que trata da relação entre a cognição (e 
comportamento) e a atividade do sistema nervoso em condições normais 
e patológicas. 
 
Neurociências 
 Conjunto de disciplinas que tratam do sistema nervoso, nasceu da busca 
das bases cerebrais da mente humana. 
 
Área das 
neurociências 
 Neurociência cognitiva, Neurociência Molecular/celular, Neurociência das 
emoções, Neurociência da atenção e percepção, Neurociência 
educacional. 
 
Autores 
relevantes 
 Paul Broca, Carl Wernicke, Wilder Graves Penfield, Alexander Romanovich 
Luria. 
 
Importância para a 
neuropsicopedago
gia 
 Compreensão do movimento e do sistema nervoso central e periférico 
para entendimento das possíveis dificuldades ou diagnóstico dos 
transtornos de aprendizagem. 
 
 
23 
 
 
Aula 2 – Funções psicológicas superiores e transtornos de aprendizagem 
 
Apresentação da aula 
 
Nesta aula, trataremos de alguns dos conceitos fundantes da 
neuropsicologia e da neuropsicopedagogia, as funções psicológicas superiores 
formadoras de um sistema psicológico complexo, que dão subsídios para todas 
as atividades dos seres humanos, como a linguagem, responsável pelo 
desenvolvimento e avanço da sociedade e da tecnologia da atenção e 
memória, que são elementos fundantes para a aprendizagem; da sensação, 
percepção e emoção, que são fatores que nos diferenciam dos demais e 
ajudam no processo de estruturação da personalidade. Por fim, comentaremos 
ainda acerca de alguns dos principais transtornos de aprendizagem que 
aparecem no consultório e na clínica de neuropsicopedagogia. 
 
2.1 Bases funcionais do sistema nervoso 
 
 
Fonte: https://br.freepik.com/vetores-gratis/ilustracao-do-conceito-de-flat-
alzheimer_16635704.htm#&position=11&from_view=detail#&position=11&from_view=d
etail 
 
Neste tópico, iremos abordar as bases funcionais ou morfofuncionais do 
sistema nervoso, as quais alguns autores denominam de funções psicológicassuperiores, ou ainda, funções executivas. 
https://br.freepik.com/vetores-gratis/ilustracao-do-conceito-de-flat-alzheimer_16635704.htm#&position=11&from_view=detail
https://br.freepik.com/vetores-gratis/ilustracao-do-conceito-de-flat-alzheimer_16635704.htm#&position=11&from_view=detail
https://br.freepik.com/vetores-gratis/ilustracao-do-conceito-de-flat-alzheimer_16635704.htm#&position=11&from_view=detail
 
 
24 
 
 De acordo com Dumard (2016), essas funções psicológicas superiores 
têm um alto grau de complexificação e desenvolvimento cognitivo, integrando-
se dinamicamente entre elas, objetivando alcançar uma determinada meta. 
Portanto, tais funções fazem com que toda a regulação e atividade humana 
aconteçam. 
 Se analisarmos diretamente o funcionamento das FPS, percebemos que 
qualquer alteração nas áreas cerebrais é responsável por efeitos e formação 
de sintoma no sujeito, bem como a possibilidade de alteração comportamental 
e cognitiva, por exemplo, lesões nas áreas motoras poderão acarretar 
dificuldades na fala e também na aquisição da escrita. 
Neste sentido, na sequência, apresentamos a vocês, um quadro com os 
principais modelos teóricos existentes acerca das funções psicológicas 
superiores e suas contribuições para o construto teórico. 
 
Autores Teorias/modelos Instrumentos 
prototípicos e danos 
Alexander Luria O cérebro possui Três 
Unidades Funcionais, sendo a 
primeira responsável por 
regular e manter o alerta 
cortical (alocada no tronco 
cerebral). A segunda é 
responsável por codificar, 
processar e armazenar 
informações (lobos temporal, 
parietal e occipital). A terceira 
atua na programação, na 
regulação e na verificação do 
comportamento humano 
(lobos frontais, particularmente 
córtex pré-frontal [CPF]*). 
Seu nome foi vinculado à 
bateria Luria--Nebraska, 
embora não tenha 
participado de sua 
elaboração. 
 
 
Danos no CPF acarretam 
disfunções na terceira 
unidade, caracterizadas 
por comportamentos 
ilógicos, irrelevantes e 
inapropriados. 
Donald Norman e 
Timothy Shallice 
Sistema Atencional Supervisor 
(SAS). A programação, a 
regulação e o monitoramento 
das atividades e dos 
pensamentos humanos 
envolvem dois sistemas 
derivados: automático e 
controlado. O primeiro é 
responsável por 
Six Element Test, Multiple 
Errands Test (MET) 
Equivalente à terceira 
unidade de Luria. Lesões 
no CPF afetam o 
funcionamento do SAS e 
se manifestam por perda 
do sistema controlado, 
 
 
25 
 
comportamentos ou tarefas 
rotineiras e aprendidas e o 
segundo é responsável por 
regular as tarefas não 
rotineiras e inovadoras. 
lapsos atencionais e 
síndrome disexecutiva. 
Donald Stuss e Frank 
Benson 
Modelo Tripartido. Três 
sistemas interagem para 
monitorar os comportamentos: 
sistema de ativação reticular 
ascendente (SARA), sistema 
de projeção talâmica difusa e 
sistema frontotalâmico. O 
primeiro controla os níveis de 
consciência, o segundo regula 
o alerta a estímulos externos 
por curtos períodos de tempo 
e o terceiro envolve o controle 
atencional executivo. 
Stroop, WCST, Teste de 
trilhas, fluência verbal; 
Rotman-Baycrest 
 
Battery to Investigate 
Attention (ROBBIA) 
 
 
Danos no sistema 
frontotalâmico produzem 
sintomas equivalentes aos 
danos do modelo SAS: 
desatenção, 
comprometimento da 
crítica e comportamento 
negligente no alcance das 
metas. 
John Duncan Teoria da Negligência da 
Meta. Enfatiza que o 
comportamento humano é 
controlado por listas de 
submetas dirigidas a uma 
meta específica. Para alcançá-
la, objetivos são formulados, 
armazenados e verificados na 
mente do indivíduo para 
produzir uma resposta correta 
às demandas ambientais ou 
internas. O objetivo impõe 
uma estrutura que ativa ou 
inibe determinado 
comportamento que possa 
impedir ou facilitar a conclusão 
da meta. 
Não foram desenvolvidos 
testes para esta teoria, 
mas há um programa de 
treinamento Goal-
Management Training 
(GMT) baseado nela. 
 
 
Pacientes com danos 
frontais são 
desorganizados e tendem 
a perder de vista os 
objetivos, e suas ações 
podem se tornar 
aleatórias ou presas a 
uma ou mais submetas. 
Patricia Goldman- Modelo Animal para Estudo da 
Memória Operacional. 
Span de Letras e 
Números, tarefas N-
 
 
26 
 
Rakic Considera que o CPF é o 
substrato neural da memória 
operacional, com várias sub-
regiões responsáveis por 
diferentes demandas da 
memória operacional (ex., 
espacial, semântica, de 
conhecimento matemático e 
de caracterização de objetos). 
 
O CPF seria regulado por 
duas vias recíprocas (inibição 
e excitação) que se conectam 
às áreas cerebrais posteriores 
e são ativadas pelos 
neurotransmissores, como as 
catecolaminas, 
particularmente a dopamina. 
Back** 
 
 
Prejuízo na memória 
operacional observado na 
delayed-matching task 
(tarefa de resposta 
pareada ao modelo após 
intervalo de tempo; versão 
computadorizada para 
humanos em CANTAB, 
Cambridge 
Neuropsychological Test 
Automated Battery) 
costuma ser observado 
em macacos com danos 
cerebrais produzidos por 
alterações neuroquímicas 
dos neurotransmissores. 
Quando a produção dos 
neurotransmissores é 
restaurada a um nível 
normal, o 
comprometimento 
desaparece. 
Dada a especificidade do 
modelo, não possui a 
mesma abrangência que 
os demais; no entanto, é 
adequado a seus 
propósitos. 
Antônio Damásio Modelo do Marcador 
Somático. Ressalta o papel da 
emoção no comportamento 
social, com ênfase na tomada 
de decisões. A emoção é 
mediada por conexões córtico-
subcorticais, particularmente 
entre o CPF ventromedial e as 
regiões subcorticais: núcleo 
mediodorsal do tálamo, 
amígdala e hipotálamo. 
 
Iowa Gambling Task 
 
 
Pacientes com lesões no 
CPF ventromedial são 
incapazes de detectar 
comportamentos 
inadequados relacionados 
a uma emoção específica, 
mesmo quando 
conseguem compreender 
as implicações de tais 
 
 
27 
 
Tal hipótese visa a explicar 
alterações de personalidade e 
problemas emocionais e 
interpessoais decorrentes de 
lesões no CPF ventromedial 
observadas em pacientes, 
como no caso clássico de 
Phineas Gage. 
comportamentos. 
Portanto, eles não podem 
fazer uso de marcadores 
somáticos relacionados a 
emoções específicas. 
Este modelo tem 
incidência no componente 
“quente” das funções 
executivas. 
 
Fonte: Santos, Andrade e Bueno (2015, p.66). 
 
 Indiferente ao modelo teórico adotado, temos a necessidade de 
compreender outros conceitos importantes dentro deste campo, sendo as 
praxias e as apraxias. 
Na perspectiva de Dumard (2016) as praxias são relativas às execuções 
de atividades já aprendidas pelo sujeito, respondendo a estímulos internos e 
externos de maneira eficiente, enquanto as apraxias são dificuldades de 
ordenamento de movimentos. 
Além destes conceitos, a autora ainda conceitua as gnoses, que são 
relativas às experiências sensoriais do indivíduo, colaborando para a formação 
de seu desenvolvimento e aprendizagem. Já, as agnoses são relativas a 
dificuldades encontradas ou déficits de interpretação dos processos sensoriais 
em diferentes órgãos (DUMARD, 2016), conforme abaixo: 
 
a) Agnosia tátil ou asteriognosia – incapacidade ou dificuldade de 
reconheci- mento por meio do tato; 
b) Agnosia auditiva – incapacidade ou dificuldade de reconhecimento 
de sons, ruídos, música etc.; 
c) Agnosia somestésica – incapacidade ou dificuldade de 
reconhecimento de partes do próprio corpo; 
d) Agnosia visual – incapacidade ou dificuldade de reconhecimento 
de imagens ou objetos (DUMARD, 2016, p.33). 
 
Nesta perspectiva, compreendemos que as funções psicológicas 
superiores são direcionamentos para o bom andamento social, da saúde 
mental e de toda a organização funcional da atividade psicológica e 
comportamental dos sujeitos. Neste aspecto, na sequência, iremos ainda28 
 
discutir um pouco acerca das principais funções psicológicas superiores de 
acordo com a literatura especializada. 
 
2.1.1 Atenção, percepção e memória 
 
A atenção constitui uma função psicológica superior de suma importância 
para o desenvolvimento da sociedade, perceba, se não existisse a atenção 
provavelmente existiriam milhares de acidentes de carro, ou ainda, o fracasso 
escolar seria exorbitante, portanto, consegue perceber a importância dela em 
nossas vidas? 
Vídeo 
 Para ampliarmos nosso conhecimento, vamos discutir acerca 
dos aspectos neuropsicológicos relativos à percepção, 
sensação e 
emoção.https://www.youtube.com/watch?v=eUb0DCvmxwY 
 
Oliveira (2002) explica que as ideias básicas de Vygotsky 
desencadearam um programa de pesquisa juntamente com seus 
colaboradores. Seus temas de interesse guiavam-se pela estruturação dos 
processos psicológicos superiores entorno da atenção, percepção e 
memória. 
No que se refere à percepção, abordagem de Vygotsky é centrada no 
fato de que, ao longo do desenvolvimento humano, a percepção 
torna-se cada vez mais um processo complexo, que se distancia das 
determinações fisiológicas dos órgãos sensoriais embora, 
obviamente, continue a basear-se nas possibilidades desses órgãos 
físicos (OLIVEIRA, 2002, p. 13). 
 
 
 A autora ainda complementa que a mediação pedagógica e a origem 
sociocultural dos processos psicológicos superiores são essenciais para 
compreensão da percepção. 
https://www.youtube.com/watch?v=eUb0DCvmxwY
 
 
29 
 
Isso se deve, pois, podemos entender a percepção como a capacidade 
que o indivíduo tem para captar os estímulos do seu meio, onde este está 
imerso, e posteriormente processar essas informações. 
 
Fonte: https://www.freepik.com/free-vector/woman-with-happy-brain-world-mental-
health_9878455.htm#query=c%C3%A9rebro&position=39&from_view=search 
 
 Dumard (2016) nos dá um exemplo claro da percepção, quando nos 
deparamos com as ilusões de óptica, pois nossa percepção pode ser diferente 
para uma mesma imagem. Isso será influenciado pela nossa experiência já 
apropriada e aprimorada. Dumard (2016) classifica as percepções em oito 
categorias, conforme podemos observar na imagem abaixo: 
 
 
Fonte: Elaborado pelo autor com base em Dumard (2016, p. 38) 
 
Outra função é a atenção que se dá de forma semelhante a percepção. 
Primeiramente baseada nos mecanismos neurológicos inatos, a atenção “vai 
 
 
 
Visual 
 
 
Auditiva 
 
Olfativa 
 
 
Temporal 
 
 
Tátil 
 
Gustativa 
 
 
Espacial 
 
Propriocepção 
https://www.freepik.com/free-vector/woman-with-happy-brain-world-mental-health_9878455.htm#query=c%C3%A9rebro&position=39&from_view=search
https://www.freepik.com/free-vector/woman-with-happy-brain-world-mental-health_9878455.htm#query=c%C3%A9rebro&position=39&from_view=search
 
 
30 
 
gradualmente sendo submetida a processos de controle voluntários, em grande 
parte fundamentados na mediação simbólica” OLIVEIRA (2002, p. 75). 
O nosso organismo está constantemente interagindo com as diferentes 
informações constantes no meio ambiente. Com essa interação, o nosso 
sistema realiza a seleção das informações com as quais irá interagir. Se não 
ocorresse essa seleção, o nosso cérebro entraria em colapso com excesso de 
informação. Neste contexto, podemos compreender que atenção 
 
Ocorre quando o indivíduo, por um breve ou um longo período, se 
dirige e se fixa em algum objeto ou situação. Pode ser atenção 
voluntária ou atenção involuntária, e esta permanece dependendo da 
repetição, da intensidade e do movimento (DUMARD, 2016, p. 36). 
 
 
Se não tivéssemos a atenção, outras funções mentais ficariam 
comprometidas, como a capacidade de apropriar-se de informações, o 
funcionamento da memória e a percepção, que é o início do processo 
cognitivo. 
Ao longo do desenvolvimento, o indivíduo passa a ser capas de dirigir 
voluntariamente, sua atenção para elementos do ambiente que ele 
tenha definido como relevantes. A relevância dos objetos da atenção 
voluntária estará relacionada a atividade desenvolvida pelo indivíduo 
e seu significado portando, sendo, portanto, reconstruída ao longo do 
desenvolvimento do indivíduo em interações com o meio em que vive 
(OLIVEIRA, 2002, p. 75). 
 
 
Para exemplificar a fala da autora, podemos citar uma criança que está 
brincando de montar jenga, uma vez que ela consegue concentrar sua atenção 
neste momento “desligando-se” dos demais estímulos do meio onde está 
inserida. 
O adulto, como referência para a criança e o adolescente, ajuda-os a 
construir e a desenvolver a atenção voluntária, que acontece até 
cerca dos 12 anos de idade, quando elas recebem orientações e 
instruções que visam a ampliar sua atenção seletiva e que, com o 
tempo e a maturação, orientarão seu processo de atenção [...]. 
A atenção voluntária pode ser classificada em: 
 
• Alternada – quando o indivíduo é capaz de colocar um estímulo no 
lugar do outro; 
 
• Dividida – quando o indivíduo consegue desenvolver várias ações 
ao mesmo tempo; 
 
• Seletiva – quando o indivíduo seleciona algo específico, seja um 
objeto, seja um estímulo, e foca sua atenção. (DUMARD, 2016, p. 
36). 
 
 
31 
 
 
 
Assim como a percepção e atenção, temos também a memória. Talvez 
você esteja se perguntando “como ocorre esse processo de memória e qual 
exemplo podemos citar para compreendê-la?”. Pois bem, podemos encontrar 
uma exemplificação na escrita do psicólogo russo Alexis Nikolaevich Leontiev, 
que ao estudar a psique do desenvolvimento infantil, diz que: 
 
No estágio pré-escolar da infância, por exemplo, uma mudança que 
ocorre na memória é a formação, na criança, da lembrança e 
recordação voluntárias. O desenvolvimento anterior da memória é um 
pré-requisito necessário para que esta mudança seja possível, mas 
não é determinada por ele; ela é antes determinada por objetivos 
especiais — lembrar, recordar — que são diferenciados na 
consciência da criança. Nesta conexão, o lugar dos processos de 
memória na vida psíquica da criança se altera. Anteriormente, a 
memória surgia apenas como uma função servindo a algum 
processo; agora, a recordação torna-se um processo especial, 
propositado, uma ação anterior, ocupando um novo lugar na estrutura 
da atividade da criança (LEONTIEV, 2010, p. 79). 
 
 Neste contexto, podemos compreender a memória como a capacidade 
de adquirir, recuperar, registrar e guardar informações captadas e 
armazenadas em nosso cérebro. Ela regista nossas experiências e lembranças 
oriundas da nossa vivência em nosso meio. 
 
 
Fonte: https://www.freepik.com/free-vector/doctors-doing-medical-research-human-
brain-testing-blood-
samples_11235369.htm#query=c%C3%A9rebro&position=37&from_view=search 
 
 Dumard (2016), ao falar de memória descreve-a em três fases, as quais 
podem ser identificadas na imagem abaixo: 
 
https://www.freepik.com/free-vector/doctors-doing-medical-research-human-brain-testing-blood-samples_11235369.htm#query=c%C3%A9rebro&position=37&from_view=search
https://www.freepik.com/free-vector/doctors-doing-medical-research-human-brain-testing-blood-samples_11235369.htm#query=c%C3%A9rebro&position=37&from_view=search
https://www.freepik.com/free-vector/doctors-doing-medical-research-human-brain-testing-blood-samples_11235369.htm#query=c%C3%A9rebro&position=37&from_view=search
 
 
32 
 
 
Fonte: Elaborado pelo autor com base em Dumard (2016, p. 37) 
 
Vimos ao decorrer deste tópico três conceitos importantes – atenção, 
percepção e memória –, as quais podemos relacionar em um exemplo. 
Imaginemos uma situação hipotética em que Maria sai de sua casa em busca 
de uma loja de roupa em uma determinada rua por onde passou anos atrás. 
Para chegar até lá, ela passa por prédios, por outras lojas, porém, sua atenção 
está focada em seu objetivo. 
Os demais prédios e lojas neste contexto são “panos de fundo” para 
Maria. Sua lembrança da lojanão é apenas uma imagem mental gerada a 
partir de sua experiência. Ela está mediada pelo próprio conceito de loja e 
paralela com informações como “possui uma árvore na frente” ou “está ao lado 
esquerdo de um açougue”. 
Então, Maria sabe o que está procurando, a rotulação por meio da 
linguagem e a relação com o conhecimento apropriado anteriormente 
conduzem a sua percepção, facilitando a realização da tarde desejada. Com 
base no exemplo, podemos entender que os mecanismos mediadores 
internalizados por Maria. Em outras palavras, “o indivíduo não se apoia em 
signos externos, mas em representações mentais, conceitos, imagens, etc., 
realizando uma atividade complexa, na qual é capaz de controlar, 
deliberadamente, sua própria ação psicológica” (OLIVEIRA, 2002, p. 78), por 
meio dos recursos internalizados da sua experiência. 
 
 
APRENDIZAGEM 
 
Voltada à 
recepção e ao 
registro das 
informações. 
 
ARMAZENAMENTO 
OU CONSILIDAÇÃO 
 
Registro das 
informações e a 
codificação 
cerebral. 
 
RECORDAÇÃO 
 
Regate das 
informações 
previamente 
armazenadas. 
 
 
33 
 
Vídeo 
Para ampliarmos um pouco nosso conhecimento vamos 
assistir ao vídeo acerca dos aspectos neuropsicológicos da 
atenção. Disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=8iiCOSgygNg 
 
2.1.2 Linguagem e a questão da psicolinguística 
 
Uma pergunta que não quer calar, por que precisamos estudar 
psicolinguística na psicopedagogia? A resposta é simples, mas cabe todo um 
embasamento teórico e técnico para compreensão. Sabemos que o cérebro 
humano é responsável por todo o nosso desenvolvimento, das funções 
motoras, da linguagem, da fala e da compreensão, e a área de psicolinguística 
é uma das responsáveis pelo entendimento destes mecanismos do cérebro 
humano. Mas, afinal, o que é psicolinguística? De acordo com Pereira (2010), 
 
A Psicolinguística é uma ciência que começa a se constituir por 
ocasião das primeiras preocupações do homem com o pensamento e 
suas relações com a linguagem. Gradativamente vai assumindo as 
marcas do avanço do tempo, do conhecimento, da ciência. Essas 
marcas vêm no recorte do objeto de estudo e nos caminhos de 
investigação desse objeto (p. 48). 
 
 
Para complementar esta ideia, Godoy e Senna (2012) afirmam que essa 
área é a responsável por estudar como os seres humanos fazem para 
compreender, produzir, adquirir e perder a linguagem, possuindo como objetivo 
principal, entender, descrever e intervir na linguagem humana enquanto um 
fenômeno psíquico. Ainda nesta concepção, Pereira (2010) afirma que, 
 
A Psicolinguísitca, considerando sua trajetória e seu atual estágio de 
desenvolvimento, nasce com o primeiro ser humano – na constituição do 
seu cérebro, na sua primeira emoção, na sua primeira tomada de 
decisão, no seu primeiro pensamento, na sua primeira linguagem. Nesse 
nascimento surge o grande objeto de estudo psicolinguístico, hoje 
definido como “linguagem e cognição” (p.48). 
 
https://www.youtube.com/watch?v=8iiCOSgygNg
 
 
34 
 
Se pensarmos em linguagem e cognição, precisamos nos apropriar dos 
aspectos anatômicos e fisiológicos do cérebro, isto é, o cérebro possui dois 
hemisférios, o lado esquerdo possui como responsabilidade o controle da 
linguagem. Portanto, caso uma área cerebral seja comprometida, por lesão ou 
má formação, poderá ocasionar prejuízos na linguagem além de outras áreas. 
Neste sentido, se pensarmos pelo viés da psicopedagogia, muitos pacientes 
com tais dificuldades poderão chegar ao consultório, portanto, precisamos ter 
um fundamento teórico adequado para atendimento e compreensão do que 
poderá estar ocorrendo. 
 Ainda no contexto da linguagem e das funções psicológicas superiores, 
no sentido da linguagem, temos alguns conceitos importantes, conforme 
apresentado por Dumard (2016, p.33) 
 
a) Gramática – organiza, formula, constrói, flexiona e dá expressão 
aos fonemas, morfemas, palavras, frases etc.; 
b) Semântica – dá significação às palavras; 
c) Sintaxe – estrutura os elementos linguísticos, relacionando-os 
entre si, propi- ciando uma relação lógica. 
 
 
Ainda, na visão da autora, são três os processos de aquisição da 
linguagem, sendo a primeira a linguagem interna, que é a aprendizagem da 
língua na qual o sujeito está inserido, isto é, a partir das vivências ele vai 
internalizando a linguagem. 
A linguagem receptiva, que significa o entendimento da mensagem em 
um processo de comunicação entre o receptor e emissor desta mensagem e, 
por fim, temos a linguagem expressiva, que é o estado em que o indivíduo 
consegue compreender o processo de comunicação, sem ruído e interferência 
(DUMARD, 2016). Ainda nesta concepção, a autora apresenta algumas 
alterações da linguagem, sendo: 
• Afasia expressiva – quando a Área de Broca está lesionada e/ou a 
área da palavra falada comprometida afeta a simbolização; 
• Disfasia – dificuldade com a articulação da fala a partir de lesões no 
Sistema Nervoso Central e/ou Sistema Nervoso Periférico. O músculo 
pode estar paralisado o que dificulta movimentação dos nervos. 
(p.35) 
 
 
35 
 
Vídeo 
 Para ampliarmos nosso conhecimento, vamos discutir acerca 
do estudo da linguagem em psicologia. Disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=kizlUXMPKX0 
 
 
2.2 Os transtornos e a importância da neuropsicopedagogia 
 
Fonte: https://br.freepik.com/vetores-gratis/ilustracao-do-conceito-de-
aprendizagem_14230944.htm#query=aprendizagem&position=2&from_view=search 
 
 
Os transtornos funcionais específicos de aprendizagem, sobretudo, são 
observados e têm seu diagnóstico realizado na infância, principalmente em 
período escolar, visto que é neste período que a sintomática se manifesta nas 
crianças. Vale ressaltar que tais condições são de origem e de ordem 
neurológica, prejudicando o desenvolvimento humano global deste sujeito, 
impactando principalmente a aprendizagem, mas causando reflexos nas outras 
áreas, como afetiva, emocional e social. 
Em muitos momentos, as palavras dificuldades e transtornos de 
aprendizagem são utilizadas como sinônimos, contudo, possuem diferenciação, 
isto é, as dificuldades são transitórias e com intervenção adequada são 
sanadas, por exemplo, dificuldade de aprendizagem na matemática em virtude 
https://www.youtube.com/watch?v=kizlUXMPKX0
https://br.freepik.com/vetores-gratis/ilustracao-do-conceito-de-aprendizagem_14230944.htm#query=aprendizagem&position=2&from_view=search
https://br.freepik.com/vetores-gratis/ilustracao-do-conceito-de-aprendizagem_14230944.htm#query=aprendizagem&position=2&from_view=search
 
 
36 
 
de uma metodologia inadequada da professora, quando esta professora 
modifica seu estilo de ensinar, esta criança, conseguirá assimilar o conteúdo e 
a dificuldade será sanada. 
Já, os transtornos de aprendizagem, cujo tema é objeto de estudo deste 
tópico, são questões permanentes. Contudo, vale destacar que mesmo com a 
presença dos transtornos de aprendizagem, a criança apresenta inteligência 
normal, bons ajustes emocionais, nível socioemocional e cultural aceitável. 
(ROTTA, OHLWEILER E RIESGO, 2016). Ainda, de acordo com as autoras, 
 
Os transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades 
escolares compreendem grupos de transtornos manifestados por 
comprometimentos específicos e significativos no aprendizado de 
habilidades escolares. Esses comprometimentos no aprendizado não 
são resultado direto de outros transtornos, ainda que eles possam 
ocorrer simultaneamente. (0.109) 
 
 
Vale lembrar ainda que o transtorno persiste mesmo com o atendimento 
especializado, o que irá ocorrer é a diminuição da sintomática, para fazer com 
que ocorra uma melhoria na qualidade de vida do sujeito. Para tanto, na 
sequência, apresentaremos a vocês alguns dos transtornos de aprendizagem 
mais comuns e recorrentes no consultório de neuropsicopedagogia. 
 
NOME DO 
TRANSTORNO 
CONCEITO DIAGNÓSTICO 
Transtornosespecíficos 
de aprendizagem com 
prejuízo na leitura 
Leitura lenta ou imprecisa, 
tenta adivinhar palavra, 
dificuldade de soletrar, 
dificuldade de interpretar e 
compreender o que leu. 
Avaliação 
psicopedagógica e 
neuropsicopedagógica e 
psicológica. 
Transtornos específicos 
de aprendizagem com 
prejuízo na expressão 
escrita 
Dificuldade de ortografar, 
omissão ou inclusão de 
vogais e consoantes 
inexistentes, erros 
gramaticais, organização 
inadequada da escrita, e 
sem clareza. 
Avaliação 
psicopedagógica e 
neuropsicopedagógica e 
psicológica. 
Transtornos específicos 
de aprendizagem com 
prejuízo na matemática 
Dificuldades para dominar 
o senso numérico, fatos 
numéricos ou cálculo (p. 
ex., entende números, sua 
Avaliação 
psicopedagógica e 
neuropsicopedagógica e 
psicológica. 
 
 
37 
 
magnitude e relações de 
forma insatisfatória; conta 
com os dedos para 
adicionar números de um 
dígito em vez de lembrar o 
fato aritmético, como 
fazem os colegas; perde-
se no meio de cálculos 
aritméticos e pode trocar 
as operações). 6. 
Dificuldades no raciocínio 
(p. ex., tem grave 
dificuldade em aplicar 
conceitos, fatos ou 
operações matemáticas 
para solucionar problemas 
quantitativos) (DSM-V) 
Transtorno do Espectro 
autista 
Prejuízo na comunicação 
social, dificuldade em 
relacionamentos, padrões 
e estereotipias, sintomas 
presentes no 
desenvolvimento. (DSM-
V) 
Exame de neuroimagem, 
exame 
neuropsicopedagógico e 
psicopedagógico, 
avaliação fonoaudiológica, 
exames imunológicos. 
Transtorno de Déficit de 
Atenção/Hiperatividade 
Padrões persistentes de 
desatenção, 
hiperatividade, 
dificuldades atencionais 
em atividades lúdicas, 
dificuldades em se 
organizar, distraído, perde 
coisas facilmente, remexe 
ou batuca as mãos, 
levanta-se da cadeira, 
resposta antes das 
perguntas, interrompe ou 
se intromete. 
Exames neurológicos, 
neuropsicopedagógicos 
psicométricos. 
Transtorno da Linguagem Dificuldade persistente na 
aquisição da linguagem 
nas mais diferentes 
modalidades, possui um 
repertório limitado (DSM-
V). Possui uma 
prevalência em 13% das 
crianças de quatro e cinco 
anos de idade. (ROTTA, 
Anamnese completa, 
exame neurológico para 
verificação das áreas 
cerebrais. Exames 
psicológicos e 
psicopedagógicos. 
 
 
38 
 
OHLWEILER E RIESGO, 
2016) 
Transtorno da Fala Inteligibilidade da fala e 
dos processos de 
comunicação verbal, 
limitações na 
comunicação eficaz. 
Aparece ainda na infância. 
Diagnóstico ocorre 
quando a fala não 
acontece como esperado 
conforme idade e 
desenvolvimento. 
Transtorno da Fluência 
com Início na Infância 
(Gagueira) 
Perturbação na fluência 
normal, repetição de sons 
e sílabas, prolongamento 
sonoro, interrupção nas 
palavras, excesso de 
tensão física, ansiedade. 
Exames linguísticos, 
fonoaudiológicos, 
avaliação 
psicopedagógica. 
Fonte: Desenvolvido com base no DMS-V 
 
 No quadro que apresentamos, estão as principais classificações dos 
transtornos de aprendizagem e de outros transtornos que direta ou 
indiretamente influenciam o processo de aprendizagem das crianças. Vale 
ressaltar que para cada um deles, os profissionais de neuropsicopedagogia 
precisam estabelecer e selecionar instrumentos que apoiam o processo 
diagnóstico, de avaliação e de intervenção. 
 
Conclusão da aula 
 
 A compreensão das funções psicológicas superiores faz com que 
tenhamos subsídios para o entendimento de processos de avaliação em 
neuropsicopedagogia. Percebam, quando um estudante chega à clínica com 
dificuldades de atenção, precisaremos realizar os processos investigativos para 
entendermos de qual condição se trata, se é apenas uma dificuldade ou se há 
a hipótese de transtornos de atenção. 
 Portanto, compreender as FPS é compreender a própria organização 
“em sistemas funcionais, cuja finalidade é organizar adequadamente a vida 
mental de um indivíduo em seu meio” (VERONEZI, DAMASCENO e 
FERNANDES, 2005, p.538). Portanto, quando estão em desarmonia, ou caso 
existam possíveis hipóteses de lesões neurológicas, ocorrem o aparecimento 
de sintomas. 
 
 
39 
 
Como resumo de nossa primeira aula, acompanhe o esquema a seguir 
com os principais temas tratados até aqui. 
 
 
Atividade de Aprendizagem 
Nesta aula, conhecemos as principais funções psicológicas 
superiores, para tanto, solicitamos que façam um quadro 
comparativo, formulando o seu conceito acerca das funções 
psicológicas descritas nesta aula e possíveis estratégias ou 
atividades pedagógicas de intervenção. 
 
 
 
FPS 
 Sistema psicológico complexo, composto por diferentes funções. 
 
Atenção 
 Aquilo que diz respeito à organização e à seletividade. 
 
Memória 
 Capacidade de retenção, compreensão e evocação. 
 
Fala 
 Compreensão da organização mental da fala e dos aspectos da 
linguagem 
 
Transtornos 
 Termo que abarca diferentes questões de aspectos neurológicos que 
dificultam os aspectos da aprendizagem. 
 
 
40 
 
 
Aula 3 – Neuropsicopedagogia clínica: histórico, avaliação e o início do 
atendimento 
 
Apresentação da aula 
 
 Olá, caro estudante, seja bem-vindo à nossa terceira aula da disciplina 
de Neuropsicopedagogia Clínica. Até agora, discutimos o processo de 
instrumentalização. Agora, falaremos acerca de práticas iniciais relacionada 
com os atendimentos em consultório pelo neuropsicopedagogo clínico. 
Portanto, iniciaremos conceituando a área. Na sequência, concentrar-nos-emos 
no espaço de atendimento deste profissional, código de ética, protocolo de 
anamnese, sessões de atendimento e roteiro e, por fim, apresentaremos 
algumas práticas de avaliação. 
 
3.1 Situando conceitualmente a neuropsicopedagogia 
 
A neuropsicopedagogia ocupa-se do atendimento no âmbito clínico dos 
transtornos de aprendizagem, com um enfoque relacionado com as áreas 
cerebrais e suas possíveis correlações com os sintomas apresentados. Uma 
informação de grande valia é que os profissionais desta área não trabalham 
apenas com a infância, mas com todas as faixas geracionais. Um ramo 
crescente que está surgindo nos últimos anos é o atendimento a idosos, 
sobretudo em casas de repouso, com intervenções que possam melhorar sua 
qualidade de vida. 
 Sempre surgem questões, como exemplo, por que estudarmos o cérebro 
durante seu processo de desenvolvimento e durante o processo de 
aprendizagem? Para apoiarmos e conseguirmos responder, vamos obter 
subsídios de Zorzi (2009), que afirma que: 
 
O cérebro é a matéria-prima para o sucesso da aprendizagem. É o 
responsável pela integração do organismo com seu meio ambiente. 
Se considerarmos a aprendizagem resultante da interação do 
indivíduo com o meio ambiente, percebemos que é ele o que propicia 
o arcabouço biológico para o desenvolvimento das habilidades 
cognitivas (p. 11). 
 
 
 
41 
 
É justamente neste contexto que a neuropsicopedagogia nos apoia para 
todo este entendimento. A Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia 
define esta área sendo “uma ciência transdisciplinar, fundamentada nos 
conhecimentos da Neurociências aplicada à educação [neuroeducação], com 
interfaces da Pedagogia e Psicologia Cognitiva que tem como objeto formal de 
estudo a relação entre o funcionamento do sistema nervoso e a aprendizagem 
humana numa perspectiva de reintegração pessoal, social e educacional”. 
Avelino (2019, p. 35) nos apresenta, ainda, os objetivos da 
neuropsicopedagogia, em que esta relaciona saberes que 
 
Vão desde os mais diversos comportamentos, pensamentos, 
emoções, movimentos e principalmente a efetividade, ao fornecer 
melhorias na qualidade de vida do indivíduo. Assim, a função 
geradora do profissional em neuropsicopedagogia é buscar 
tratamentos efetivos para variados distúrbios, transtornos ou 
doenças, que prejudicam principalmente sonhos de alunos, pais e 
professores na EducaçãoBásica. 
 
Peruzzolo; Costa, (2015) afirmam que são variadas as formas de atuação 
do neuropsicopedagogo, como a intervenção por meio dos jogos, que buscam 
trabalhar algumas das habilidades específicas, como a atenção, a percepção, 
habilidades matemáticas e de linguagem, sempre objetivando despertar o 
interesse daquela criança pelo aprender e diminuindo toda a sintomática que 
aquele possível transtorno lhe cause. 
 Agora que já conhecemos um pouco acerca da conceituação da 
neuropsicopedagogia de forma mais ampla, vamos discutir seu enfoque clínico, 
objeto de estudo desta disciplina. De acordo com a SBNPp, “a 
neuropsicopedagogia clínica, embora estude o funcionamento do cérebro e o 
comportamento humano, tem os alicerces de sua prática nas teorias de 
aprendizagem e nas estratégias para o ensino-aprendizagem”. 
 Ainda sobre o contexto clínico, a SBNPP, situa que esta área refere-se 
ao “clínico [que] atua em equipe multiprofissional em consultórios, clínicas, 
posto de saúde, terceiro setor etc. fazendo avaliação e intervenção em crianças 
e adolescentes com dificuldades escolares. Para tanto, necessitará de 
supervisão clínica”. A Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia (2018, s/p) 
ainda nos coloca as atribuições do profissional clínico, por meio de seu código 
de ética, em que: 
 
 
42 
 
 
Artigo 31º. Ao Neuropsicopedagogo com formação na área Clínica, 
conforme descrito no Capítulo V, fica delimitada sua atuação com 
atendimentos neuropsicopedagógicos individualizados em setting 
adequado, como consultório particular, espaço de atendimento, posto 
de saúde, terceiro setor, conforme características institucionais 
dispostas no Art. 29. 
 §1°A atuação do Neuropsicopedagogo no ambiente hospitalar ficará 
condicionada à existência de projeto de interesse da instituição 
hospitalar na qual se insira a sua atuação profissional. 
§2°Entende-sequesua atuação na área clínica, pode atender o 
aspecto multiprofissional de acordo com o espaço no qual o 
neuropsicopedagogo estará inserido e deve contemplar: 
I -Observação, identificação e análise dos ambientes sociais no qual 
está inserido a pessoa atendida, focando nas questões relacionadas 
a aprendizagem e ao desenvolvimento humano nas áreas motoras, 
cognitivas e comportamentais. 
II -Avaliação, intervenção e acompanhamento do indivíduo com 
dificuldades de aprendizagem, transtornos, síndromes ou altas 
habilidades que causam prejuízos na aprendizagem escolar e social, 
através de um plano de intervenção específico que prevê sessões 
contínuas de atendimento. 
III –Criação de estratégias que viabilizem o desenvolvimento do 
processo ensino-aprendizagem do paciente. 
 IV –Utilização de protocolos e instrumentos de avaliação e 
intervenção devidamente validados e abertos para uso da 
Neuropsicopedagogia. 
V - Elaboração de Relatório de Avaliação Neuropsicopedagógica 
Clínica, bem como participação em relatórios de avaliação 
multiprofissional. 
VI –Encaminhamento a outros profissionais quando o caso for de 
outra área de atuação/especialização. 
 
 
Ainda neste limiar, para Hennemann (2012, p. 11), os 
neuropsicopedagogos clínicos são habilitados para 
• Compreender o papel do cérebro do ser humano em relação aos 
processos neurocognitivos na aplicação de estratégias pedagógicas 
nos diferentes espaços da escola, cuja eficiência científica é 
comprovada pela literatura, que potencializarão o processo de 
aprendizagem; 
• Intervir no desenvolvimento da linguagem, neuropsicomotor, 
psíquico e cognitivo do indivíduo. 
• Adquirir clareza política e pedagógica sobre as questões 
educacionais e capacidade de interferir no estabelecimento de novas 
alternativas neuropsicopedagógicas e encaminhamentos no processo 
educativo. 
• Compreender e analisar o aspecto da inclusão de forma sistêmica, 
abrangendo educandos com dificuldades de aprendizagem e sujeitos 
em risco social. 
 
 
Portanto, com todo este arcabouço técnico e teórico, conseguimos 
perceber a vasta atuação clínica dentro do campo da neuropsicopedagogia, 
fazendo uma atuação interdisciplinar tanto em consultório quanto em equipes 
 
 
43 
 
multiprofissionais, realizando avaliações e intervenções nas dificuldades e 
transtornos de aprendizagem. 
 
3.1.1 Prática Clínica: roteiro para avaliação, anamnese, instrumentos e 
queixa clínica 
 
 Sánchez-Cano (2008) esclarece que a avaliação é a reunião de 
informações com devidas análises dos resultados dos instrumentos e testes 
aplicados com o intuito de entender como a aprendizagem deste paciente 
ocorre, fazendo relações com as devidas áreas cerebrais e suas dificuldades 
ou possíveis transtornos. 
 Uma outra definição que podemos encontrar em outros autores, nos 
quais entende-se a avaliação psicopedagógica neste contexto como: 
 
Um processo compartilhado de coleta e análise de informações 
relevantes acerca dos vários elementos que intervêm no processo de 
ensino e aprendizagem, visando identificar as necessidades 
educativas de determinados alunos ou alunas que apresentem 
dificuldades em seu desenvolvimento pessoal ou desajustes com 
respeito ao currículo escolar por causas diversas, e a fundamentar as 
decisões a respeito da proposta curricular e do tipo de suportes 
necessários para avançar no desenvolvimento das várias 
capacidades e para o desenvolvimento da instituição (COLL; 
MARCHESI; PALACIOS, 2007, p. 279). 
 
 Agora que conseguimos conceituar o processo de avaliação em 
neuropsicopedagogia, faz-se necessário apresentar a vocês a questão da 
queixa. A queixa é o motivo que fez com que esta criança ou, ainda, este 
paciente chegasse ao seu consultório, podendo ser por questões de baixo 
desempenho escolar ou, ainda, outra sintomática referente ao nosso processo 
de trabalho. 
Vale lembrar que todo o nosso trabalho de avaliação clínica deverá estar 
pautado sobre a queixa trazida a nós, visto que poderá acontecer de esta 
queixa não ser confirmada. Um exemplo, uma criança é trazida ao consultório, 
pois tem dificuldades de aprendizagem na matemática. Porém, durante o 
processo avaliativo, foi entendido que a dificuldade era emocional em virtude 
da separação de seus pais e não em virtude da matemática propriamente dita. 
 
 
44 
 
Portanto, por meio dos instrumentos, escalas, entrevistas e dinâmicas, 
deveremos construir nossos sistemas de hipóteses e ir confirmando ou 
descartando à medida que o processo de avaliação vai se desenvolvendo. 
Com isso, a queixa é nosso instrumento inicial de trabalho dentro do campo 
clínico, pois é por meio dela que iremos nos nortear. 
Já compreendemos um pouco sobre a queixa e a avaliação clínica, 
vamos discutir agora sobre um protocolo ou, ainda, sugestão de roteiro para as 
sessões de atendimento e do percurso do processo de avaliação 
neuropsicopedagógica. 
 A Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia propôs um protocolo 
para a sessões de avaliação em neuropsicopedagogia, na sequência apresento 
um formulário desenvolvido com base em suas propostas. 
 
ACOMPANHAMENTO DA AVALIAÇÃO 
Nº da sessão O que fazer Data e resultado da 
sessão 
1ª sessão Anamnese (esta pode ser 
elaborada de acordo com 
as características do 
trabalho de cada 
profissional e a 
queixa/contexto de cada 
atendimento); 
 
2ª sessão – Avaliação Pode ocorrer em até 3 
vezes na semana, 
viabilizando a entrega 
rápida ao profissional de 
saúde solicitante ou 
escola, visando ao 
processo, se necessário, 
adequações pedagógicas; 
 
3ª sessão – Avaliação Pode ocorrer em até 3 
vezes na semana, 
viabilizando a entrega 
rápida ao profissional de 
saúde solicitante ou 
escola, visando ao 
processo, se necessário, 
adequações pedagógicas; 
 
 
 
45 
 
4ª sessão – Avaliação Pode ocorrer em até 3 
vezes na semana, 
viabilizando a entrega 
rápida ao profissional de 
saúde solicitante ou 
escola, visando ao 
processo, se necessário, 
adequações pedagógicas; 
 
5ª sessão – Avaliação Pode ocorrerem até 3 
vezes na semana, 
viabilizando a entrega 
rápida ao profissional de 
saúde solicitante ou 
escola, visando ao 
processo, se necessário, 
adequações pedagógicas; 
 
6ª sessão – Devolutiva Devolutiva aos pais e 
responsáveis, sendo 
possível a entrega de 
laudo técnico para 
encaminhar aos 
profissionais de saúde 
para fechamento de 
diagnósticos embasados 
no trabalho em equipe 
multiprofissional; 
 
Fechamento Contato com a escola 
para orientações 
acadêmicas, visando à 
melhoria da aprendizagem 
do aluno. 
 
Fonte: Elaborado com base na Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia (2017). 
 
 Vale lembrar que a sugestão acima poderá ser modificada, talvez a 
sessão de avaliação demandará um número maior em virtude do 
desenvolvimento e andamento da criança nos protocolos propostos. Nas 
sessões descritas como avaliação, você terá o contato com a criança e aplicará 
os protocolos selecionados por vocês. 
 O processo de avaliação em neuropsicopedagogia busca compreender 
as dificuldades da leitura, da escrita, da matemática e também da atenção, 
 
 
46 
 
percepção e memória. Na sequência, apresentamos algumas ponderações 
acerca dessas dificuldades: 
1. Avaliação da leitura: de acordo com Miotto (2015, s.p.), um dos critérios 
para avaliação neuropsicopedagógica no que tange à leitura é a “leitura 
de palavras de forma imprecisa ou com esforço (p. ex., lê palavras 
isoladas em voz alta de modo incorreto ou lento e hesitante, 
frequentemente adivinha palavras, tem dificuldade de soletrá-las)”. 
2. Avaliação da escrita: Miotto (2018, s.p.), colabora acerca da avaliação 
da escrita, com a observação de alguns critérios, como exemplo, falar 
em voz alta as palavras enquanto elas são escritas, substituição de 
letras por outras, omissão de letra nas palavras, inversão de letras, (ex.: 
inversões: p por q; b por d; 51 por 15); dificuldade em organizar e 
apresentar o pensamento no papel. 
3. Avaliação da matemática: provas operatórias piagetianas, jogos de 
classificação, seriação, sequenciamento, memória, espaço, tempo e 
medidas. 
 
A Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia, em sua nota técnica, Nº 
02/2017, estabelece um quadro com os principais instrumentos, protocolos e 
testes que podemos utilizar em nosso processo de avaliação, conforme 
apresentado na sequência. 
 
PROTOCOLO DE MATERIAL PARA AVALIAÇÃO NEUROPSICOPEDAGÓGICA 
CLÍNICA 
Instrumento O que avalia Faixa etária 
Pré-requisitos à Alfabetização 
IAR – Pré-Requisitos à Alfabetização 
www.centraldidatica.com 
Pré-requisitos: 13 provas 6 anos 
Teste de Vocabulário por Figuras – USP – Capovilla 
Livro: Teste de Vocabulário por Figuras – USP 
WWW.memnon.com.br 
Vocabulário 
receptivo 
Vocabulário 
expressivo 
Auditivo: 18 
meses a 6 
anos e 
Expressivo: 18 
meses aos 5 
anos 
Avaliação Neuropsicológica Cognitiva: Linguagem Oral – 
Volume 2 – (Seabra & Dias) 
WWW.memnon.com.br 
Discriminação fonológica 
Nomeação 
Repetição de Palavras e 
pseudopalavras 
Consciência fonológica por 
produção oral 
Consciência sintática 
3 a 6 anos 
3 a 14 anos 
3 a 14 anos 
3 a 14 anos 
3 a 6 anos 
 
11 a 14 anos 
http://www.centraldidatica.com/
http://www.memnon.com.br/
http://www.memnon.com.br/
 
 
47 
 
Avaliação Neuropsicológica Cognitiva: Leitura, Escrita e 
Aritmética – Vol.3 
Teste Contrastivo de Compreensão Auditiva e de Leitura 
2 subtestes: 
Subteste de Compreensão de Sentenças Escritas 
Subteste de Compreensão de Palavras faladas 
Prova escrita sob ditado (versão reduzida) 
www.memnon.com.br 
Verificar se a dificuldade 
específica da criança 
refere-se à compreensão 
da linguagem escrita ou à 
compreensão linguística 
 
Avaliar a habilidade da 
escrita 
6 a 11 anos 
 
 
 
 
 
6 a 11 anos 
TCLPP – Teste de Competência de Leitura de Palavras e 
Pseudopalavras (Seabra, Capovilla) 
www..centraldidatica.com.br 
Avaliação da competência 
de leitura silenciosa de 
palavras isoladas, e 
coadjuvante para o 
diagnóstico diferencial de 
distúrbios de aquisição de 
leitura. 
1ª a 5ª série 
[terminologia 
antiga do 
E.F.] 
Avaliação da Compreensão Leitora de Textos Expositivos 
(Saraiva, Moojen, Munarski) 
www.casadopsicologo.com.br 
Compreensão da leitura. Ensino 
Fundamental 
I,II, Médio e 
Adulto 
Compreensão da Leitura de Palavras e Frases (Oliveira e 
Capellini, 2014) 
Provas de avaliação para escolares no início da 
alfabetização 
A habilidade para 
compreender o significado 
da palavra escrita 
A habilidade para 
compreender o significado 
da frase escrita. 
 
2º ano do EFI 
 A habilidade de 
compreensão da frase 
escrita a partir da figura. 
 
PROADE – Proposta de Avaliação das dificuldades 
escolares (Bacha, Volpe, 2014) 
Página 45 do teste informa: versão para profissionais não 
fonoaudiólogos 
Leitura, escrita e 
matemática 
Caderno de Aplicação 
consta: 
Linguagem oral [provas: 
nomeação, repetição oral, 
cenas de elaboração oral, 
sequência lógica]; 
Leitura [de letras, de 
palavras, vogais, sílabas 
simples e palavras 
conhecidas, de textos, 
compreensão de leitura]; 
Escrita [a partir de figuras, 
lista de palavras para 
ditado]; 
Matemática [para cada ano 
escolar]. 
1º ao 5º ano 
do Ensino 
Fundamental I 
PROCOMLE – Protocolo de Avaliação da Compreensão de 
Leitura para escolares 
INSTRUMENTO ABERTO PARA PROFISSIONAIS DA 
ÁREA DE SAÚDE E EDUCAÇÃO 
Compreensão de leitura. 3º ao 5º ano 
Pro-Ortografia - Pró-fono 
Batista 
ABERTA A VERSÃO COLETIVA para professores e 
coordenadores pedagógicos no contexto escolar (coletivo) 
Batista, A.O.; Cervera-Mérida, J.F; Ygual-Fernàndez A.; 
Capellini, S.A. 
PARA SONDAGEM DO DESEMPENHO ORTOGRÁFICO 
PODE SER UTILIZADA APENAS A PROVA DE DITADO DE 
PALAVRAS 
Desempenho ortográfico. 2º ao 5º ano 
http://www.memnon.com.br/
http://www.centraldidatica.com.br/
http://www.casadopsicologo.com.br/
 
 
48 
 
APET – Análise da Produção Escrita de textos. Forte, L.K; 
Scarpa, M.L.; Kubota, R.S. – Editora Pulso 
Questionário, texto 
narrativo e dissertativo- 
argumentativo. 
5º ano ao 3º 
Ensino Médio 
CONFIAS – Consciência Fonológica - instrumento de 
avaliação sequencial (Moojen, S. coord) 
www..casadopsicologo.com.br 
Consciência fonológica de 
forma abrangente e 
sequencial. 
A partir de 4 
anos 
TDE – Teste de Desempenho Escolar (Stein) 
www.casadopsicologo.com.br 
Leitura, escrita e Aritmética. 1ª a 6ª série 
do E.Fund 
[terminologia 
antiga] 
PROLEC – Provas de Avaliação dos Processos de Leitura 
(Capellini, Oliveira, Cuetos – adaptação brasileira) 
www.casadopsicologo.com.br 
Identificar as dificuldades 
que interferem no processo 
de desenvolvimento da 
leitura, atuando como um 
guia para orientar 
programas de recuperação. 
2º ao 5º ano 
do E.F. 
Facilitando a Alfabetização multissensorial, fônica e 
articulatória [vol.1 e 2]. Caderno Multissensorial 
Cartilha criada ABD – Associação Brasileira de CD da ABD 
explicando o instrumento. Muito bem explicado 
cientificamente. 
Maria Ângela Nogueira Nico - fonoaudióloga 
Áurea Maria Stavale Gonçalves - psicóloga 
Ed.Booktoy 
Auxiliar crianças que 
apresentam dificuldades 
de aprendizagem, 
principalmente aquelas 
com dislexia ou com risco 
de dislexia. 
Alfabetização 
Prohfon – Protocolo de Avaliação das Habilidades 
Metafonológicas. Giseli Donadon Germano – Simone 
A.Capellini – fonoaudiólogas Objetivo: ABERTO 
segundo as autoras e pode ser utilizado em contexto 
educacional de forma coletiva ou individual 
Avaliar as habilidades 
metafonológicas. 
2º ao 5º ano 
do EF 1 
CORUJA – PROMAT – Roteiro para Sondagem de 
Habilidades Matemáticas – Ensino Fundamental 1 
http://www.projecto-psi.com.br/ 
Verificar se as 
competências básicas 
foram adquiridas. 
1º ao 5º ano 
Avaliação Neuropsicológica Cognitiva - Atenção e Funções 
Executivas – (Seabra, Dias) vol. 1 www.memnon.com.br 
Atenção seletiva; 
Atenção seletiva com 
demanda de 
alternância; 
 Função executiva e 
flexibilidade cognitiva; 
Habilidade de 
planejamento, flexibilidadee resolução de problemas. 
5 até 14 anos 
 
 
6 até 14 anos 
 
11 até 14 
anos 
EME-IJ – Escala para Avaliação da Motivação Escolar 
Infanto-juvenil 
WWW..casadopsicologo.com.br 
Motivação escolar 
intrínseca; 
Motivação extrínseca; 
Motivação escolar geral da 
pessoa. 
8 a 11 anos 
EAVAP-EF Escala de Avaliação das estratégias de 
aprendizagem 
WWW.casadopsicologo.com.br 
Dificuldades para estudar 
e aprender. 
7 a 16 anos 
DCDQ- Questionário de Coordenação Realiza uma triagem sobre 
histórico do 
desenvolvimento motor da 
criança ou do 
adolescente (deve ser 
respondido com os 
pais). 
5 a 14 anos 
http://www.casadopsicologo.com.br/
http://www.casadopsicologo.com.br/
http://www.casadopsicologo.com.br/
http://www.projecto-psi.com.br/
http://www.memnon.com.br/
http://www.casadopsicologo.com.br/
http://www.casadopsicologo.com.br/
 
 
49 
 
Ficha de Acompanhamento do Desempenho Motor Realiza triagem sobre 
histórico do 
desenvolvimento motor no 
estágio inicial de vida. 
01 mês à 07 
anos 
GMFM - ESCALA GROSS MOTOR FUNCTION MEASURE Avalia 5 dimensões de 
movimentos 
rudimentares. 
06 meses a 
12 anos 
MABC-2 A é composta por oito tarefas divididas em três 
classes de tarefas: (1) destreza manual; (2) mirar e receber; 
(3) equilíbrio. As tarefas são divididas em três faixas: (faixa 
1) 3 a 6 anos; (faixa 2) 7 a 10 anos); (faixa 3) 11 a 16 anos. 
As oito tarefas compreendem três com habilidades de 
destreza manual, duas com habilidades de mirar e receber e 
três com habilidades de equilíbrio. 
Permite realizar uma 
avaliação motora 
completa, que tem como 
objetivo classificar se a 
idade física é 
correspondente ao seu 
desenvolvimento motor. 
06/07 anos a 
14 anos 
TGMD-2 Test of Gross Motor Development – second edition, 
é um teste referenciado por norma e por critério que avalia o 
desenvolvimento motor de crianças de. É composto de doze 
habilidades motoras fundamentais, subdivididas em dois 
sub-testes compostos estes por seis movimentos 
fundamentais de locomoção (correr, galopar, passada, saltar 
com um pé, salto horizontal e corrida lateral) e seis 
movimentos fundamentais manipulativos (de controle de 
objeto) (rebatida, quicar, receber, chutar, arremessar e 
rolar). 
Os itens apresentados no 
teste são divididos por 
critérios de execução, 
possibilitando a criança 
demonstrar competência 
na execução da habilidade 
avaliada, permitindo assim 
identificar dificuldades 
motoras de maneira 
precoce. 
3 anos 
completos (3- 
0) a 10 anos e 
11 meses (10- 
11). 
Manual de Avaliação Motora. – Escala de Desenvolvimento 
Motor (EDM 
2 Edição 2014 
Analisar os problemas 
estabelecidos; diferenciar 
os diversos tipos de 
debilidade; suspeitar e 
inclusive afirmar a 
presença de dificuldades 
escolares, perturbações 
motoras e problemas de 
conduta; avaliar os 
progressos da criança, 
durante seu 
desenvolvimento 
evolutivo; identificar os 
sinais de alerta nos 
transtornos 
neuroevolutivos; 
acompanhar a criança em 
diferentes etapas 
evolutivas. 
3 a 10 anos 
Teste de Integração Viso-Motora Beery VMI É um teste utilizado para 
avaliar a habilidade de 
integração visuo-motora. 
Consiste na reprodução de 
24 figuras geométricas 
dispostas em ordem 
crescente de dificuldade. É 
composto de dois testes 
suplementares, o de 
Percepção Visual, do 
inglês Visual Perceptual 
(VP) e o de Coordenação 
Motora, do inglês Motor 
Coordination (MC), os 
quais foram adicionados na 
revisão realizada em 1997 
no intuito de proporcionar 
recurso para avaliar 
estatisticamente as 
contribuições visual e 
2 a 100 anos 
 
 
50 
 
motora para a performance 
na integração visuo-
motora. 
Teste de Tempo de Reação da Régua – Avalia tempo de reação 
simples. 
04 a 100 anos 
Teste de processamento mental de dupla escolha (DMCPT) Avalia tempo de reação de 
discriminação simples e 
complexa através de 
formato digital. 
06 a 80 anos 
Escala de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade 
(ETDAH-AD) Edyleine Bellini Peroni Benczik - Editora Vetor 
Objetivo: auxiliar no 
processo diagnóstico do 
TDAH, com a possibilidade 
de distinguir a 
apresentação do 
transtorno, a intensidade e 
o nível de prejuízo 
existente (leve, moderado 
e grave). 
Permitir a elaboração de 
um plano de intervenção, 
seja esta psicológica, 
neuropsicológica, 
educacional, social, 
vocacional ou profissional, 
psicopedagógica, entre 
outras. 
Adolescentes 
e adultos com 
idade 
compreendida 
entre 12 e 87 
anos 
Fonte: Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia 
 
3.1.2 Código de ética da neuropsicopedagogia 
 
O profissional de neuropsicopedagogia conta com um código de ética 
estabelecido pela Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia. Antes de 
apresentarmos este documento, vale destacar que não estamos o 
apresentando na íntegra, apenas as partes pertinentes para nossa disciplina. 
Neste aspecto, entendemos por ética profissional todas as ações, 
conjunto de atividades e atitudes necessárias para o excelente desempenho 
profissional. O processo ético profissional dos neuropsicopedagogos precisam, 
sobretudo, estar calcados nos aspectos do sigilo profissional e na utilização de 
critérios, instrumentos e escalas éticas em seu processo de avaliação e 
intervenção. A seguir, apresentamos alguns pontos relevantes da ética 
profissional do neuropsicopedagogo. 
 
 
51 
 
 
 
CÓDIGO DE ÉTICA, TÉCNICO PROFISSIONAL DA 
NEUROPSICOPEDAGOGIA 
 
 
ABRANGÊNCIA 
 
O Código de Ética Técnico Profissional é um instrumento norteador da 
Neuropsicopedagogia de forma ampla, pertence e se aplica a todos os 
associados da SBNPp – Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia, até 
que a profissão seja regulamentada, sendo que este documento será 
anexado ao projeto de lei na relação descritiva de trabalho legítimo e de 
importância na responsabilidade com a sociedade. 
 
CAPÍTULO I. DA APRESENTAÇÃO, DENOMINAÇÃO E OBJETIVOS 
 
Artigo 2º. O Código de Ética Técnico Profissional tem por objetivo maior, 
estabelecer critérios e orientar os profissionais da Neuropsicopedagogia 
quanto aos princípios, normas e valores ponderados à boa conduta 
profissional, estabelecendo diretrizes para o alcance profissional da 
Neuropsicopedagogia e para as interações com a SBNPp. Faz-se necessário 
a revisão deste Código, a cada biênio, ou quando solicitado mediante aos 
critérios fixados no Estatuto Oficial e Regimento Interno da SBNPp, a fim de 
que se mantenha atualizado com as expectativas dos profissionais e da 
sociedade em geral. 
Artigo 3º. Definiu-se por parametrizar como Neuropsicopedagogo 
Institucional e/ou Clínico aqueles profissionais que possuem formação em 
nível de graduação nas áreas de educação ou saúde e obtenham a 
especialização em Neuropsicopedagogia Institucional ou Clínica, em 
instituições cujos cursos sejam reconhecidos pelo Ministério da Educação. 
Artigo 4º. O Código de Ética Técnico Profissional, ao estabelecer 
critérios e orientações para modelos ideais esperados quanto às práticas 
 
 
52 
 
referendadas pela respectiva descrição profissional e pela sociedade, 
procura fomentar a autorreflexão exigida de cada indivíduo acerca das suas 
práxis, de modo a responsabilizá-lo pessoal e coletivamente, por ações e 
suas consequências no exercício de conduta profissional. A missão 
primordial do Código de Ética Técnico Profissional é de assegurar, dentro de 
valores relevantes para a sociedade e para as práticas desenvolvidas, um 
padrão de conduta que fortaleça o reconhecimento social do 
Neuropsicopedagogo. 
Artigo 5º. O Código de Ética Técnico Profissional apresenta uma 
concepção de homem e de sociedade que determina a direção das relações 
entre os indivíduos. Traduzem-se em princípios e normas que devem se 
pautar pelo respeito ao sujeito humano e seus direitos fundamentais. Por 
constituir a expressão de valores universais, tais como os constantes na 
Declaração Universal dos Direitos Humanos; sócio culturais, que refletem a 
realidade dopaís; e de valores que estruturam o ofício. Este Código não 
pode ser visto como um conjunto fixo de normas e imutável no tempo. As 
sociedades mudam, as profissões transformam-se e isso exige, também, 
uma reflexão contínua sobre o próprio regimento que nos orienta. 
 Artigo 6º. A formulação do Código de Ética Técnico Profissional, 
responde ao âmbito organizativo dos Neuropsicopedagogos, ao momento 
em que se encontram a área e os contextos de atuação no Brasil, 
legitimados pela Classificação Brasileira de Ocupação CBO 2394-40 
(Clínico) e CBO 2394-45 (Institucional). 
Artigo 7º. De acordo com a conjuntura democrática vigente no Brasil, o 
Código de Ética Técnico Profissional foi construído a partir de múltiplos 
espaços de discussão sobre a ética da área como formação e como atuação, 
assim como suas responsabilidades e compromissos com a promoção da 
cidadania. Consolida-se através da participação direta dos membros da 
Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia, bem como aberto à 
sociedade em geral atuante no que se diz respeito aos interesses éticos e de 
regulamentação da área. 
Artigo 8º. O Código de Ética Técnico Profissional, objetiva também a 
aproximação de um instrumento de reflexão do Neuropsicopedagogo 
Institucional e Clínico para nortear padrões éticos e técnicos da ação 
 
 
53 
 
profissional. Diante desta premissa na sua elaboração atentou-se: 
I -Prezar os princípios fundamentais de orientação do 
Neuropsicopedagogo com a sociedade, o ofício, as demais entidades 
profissionais, os ambientes e a ciência, levando em consideração que estes 
eixos permeiam todas as práticas e estas demandam uma contínua reflexão 
sobre o contexto social e institucional. 
II – Abertura ao diálogo, debate ou discussão, pelo 
Neuropsicopedagogo e suas interfaces, dos limites e entendimentos relativos 
aos direitos individuais e coletivos, importante para as relações que 
estabelece com a sociedade, os demais atuantes como ofício e os que 
dependerem dos serviços. 
 III –Observar os vieses de diversidade na atuação da 
Neuropsicopedagogia enquanto uma área ampla e decrescente participação 
do Neuropsicopedagogo em seus diversos contextos e em equipes 
multiprofissionais e em pesquisa. 
IV – Instigar o pensamento frente as responsabilidades éticas no que se 
refere a atuação neuropsicopedagógica de modo geral e não em suas 
práticas particulares, uma vez que os principais dilemas éticos não se 
restringem a práticas específicas e surgem nos mais variados contextos de 
atuação. 
Artigo 9º. O Código de Ética Técnico Profissional da 
Neuropsicopedagogia tem a intenção de ser uma ferramenta capaz de 
descrever para a sociedade as responsabilidades e deveres do 
neuropsicopedagogo, oferecendo diretrizes para a sua formação e delimitar 
os julgamentos das suas ações e de conduta, contribuindo para o 
fortalecimento e ampliação do significado social do profissional. 
 
CAPÍTULO III. DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES, DAS 
RESPONSABILIDADES E PROMOÇÃO PROFISSIONAL 
Artigo 65º. Ao Neuropsicopedagogo é vedado: 
I – Usar títulos que não possua, ou, anunciar especialidades para as 
quais não esteja habilitado, considerando também sua formação inicial na 
Graduação, e que não possa comprovar através de documentação 
solicitada. 
 
 
54 
 
II – Praticar ou ser conivente com quaisquer atos que caracterizem 
negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade ou opressão. 
III – Induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, 
religiosas, de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito, quando 
do exercício de suas funções neuropsicopedagógicas. 
 IV - Utilizar, facilitar ou favorecer o uso de conhecimento e a utilização 
de práticas neuropsicopedagógicas como instrumentos de castigo, tortura ou 
qualquer forma de exploração, violência, crueldade ou opressão. 
V - Induzir ou obrigar qualquer pessoa ou organização a recorrer a seus 
serviços. 
VI – A cumpliciar-se, por qualquer forma, com pessoas ou organizações 
que exerçam, facilitem ou favoreçam ilegalmente as atividades de 
Neuropsicopedagogia ou qualquer outra atividade profissional. 
VII - Fornecer o Relatório de Avaliação Neuropsicopedagógica sem 
conhecimento prévio do paciente, através de qualquer meio de comunicação. 
VIII – Prolongar desnecessariamente o atendimento e tratamento 
neuropsicopedagógico com o usuário ou beneficiário a fim de enriquecimento 
próprio. 
IX - Realizar atendimento em Neuropsicopedagogia, através de 
qualquer veículo de comunicação. 
X –Prestar serviços ou vincular o título de Neuropsicopedagogo à 
serviços de atendimento Neuropsicopedagógico cujos procedimentos, 
técnicas e meios não estejam regulamentados ou reconhecidos pelos órgãos 
reguladores, neste caso, de conhecimento e aprovação dos Conselhos de 
Ética e Técnico Profissional da SBNPp (Sociedade Brasileira de 
Neuropsicopedagogia). 
XI - Garantir resultados de qualquer procedimento de intervenção 
individualizada ou intervenção institucional, através de métodos infalíveis 
sensacionalistas, que não sejam fundamentados e legitimados através de 
testes confiáveis e aprovados ou ainda, de conteúdo inverídico. 
XII – Interferir na validade e fidedignidade de instrumentos e técnicas 
Neuropsicopedagógicas, adulterar seus resultados, emitir documentos, 
relatório ou fazer declarações que não correspondam a veracidade dos fatos 
e que não estejam fundamentados em qualidade profissional, técnica e 
 
 
55 
 
científica. 
XIII – Usar pessoas não habilitadas para a realização de práticas em 
substituição à sua própria atividade. 
 XIV - Avaliar ou tratar distúrbios do âmbito Neuropsicopedagógicos, a 
não ser no relacionamento profissional. 
XV - Ser conivente com erros, faltas éticas, violação de direitos, crimes 
ou contravenções penais praticadas por Neuropsicopedagogos ou outros 
profissionais na prestação de serviços a usuários ou beneficiários. 
XVI - Estabelecer com a pessoa atendida, familiar ou terceiro, que 
tenha vínculo com o atendido, relação que possa interferir negativamente 
nos objetivos do serviço prestado. 
XVII – Ser avaliador em situações nas quais seus vínculos pessoais ou 
profissionais, atuais ou anteriores, possam afetar a qualidade do trabalho a 
ser realizado ou a fidelidade aos resultados da avaliação. 
XVIII – Desviar para serviço particular ou de outra instituição, visando 
benefício próprio, pessoas ou organizações atendidas por instituição com a 
qual mantenha qualquer tipo de vínculo profissional. 
XIX – Prestar serviços profissionais a organizações concorrentes de 
modo que possam resultar em prejuízo para as partes envolvidas, 
decorrentes de informações privilegiadas. 
XX - Pleitear ou receber comissões, empréstimos, doações ou 
vantagens outras de qualquer espécie, além dos honorários contratados, 
assim como intermediar transações financeiras, receber, pagar remuneração 
ou porcentagem por encaminhamento de serviços. 
XXI – Usar para fins meramente promocionais e/ou comerciais, 
pessoas ou instituições a quem prestar serviços profissionais. 
XXII – Usar pessoas ou instituições para fins de ensino ou pesquisa, 
sem seu consentimento expresso e documentado, ou de seu representante 
legal. 
XXIII – Emitir julgamento depreciativo sobre o exercício das atividades 
de colegas, ressalvadas as comunicações de irregularidade, de ética e 
descumprimento deste Código, transmitidas ao órgão competente. 
XXIV – Avaliar os serviços prestados pelo colega, para determinar sua 
eficácia. 
 
 
56 
 
XXV – Realizar diagnósticos, divulgar procedimentos ou apresentar 
resultados de serviços neuropsicopedagógicos em meios de comunicação, 
de forma a expor pessoas, grupos ou organizações. 
XXVI - Dar diagnóstico clínico de qualquer patologia que não seja da 
área da Neuropsicopedagogia, assim como, promover qualquer intervenção, 
também, fora da área da Neuropsicopedagogia.Fonte: Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia 
 
Conclusão da aula 
 
 Compreender os principais instrumentos de avaliação em 
neuropsicopedagogia, bem como as práticas que norteiam a profissão, faz-se 
de suma importância para o neuropsicopedagogo que deseja atuar no campo 
clínico, visto que precisamos constantemente buscar ferramentas práticas e 
aportes teóricos para a atuação em consultório. 
Como resumo de nossa terceira aula, acompanhe o esquema a seguir 
com os principais temas tratados até aqui. 
 
 
 
 
57 
 
 
 
Atividade de Aprendizagem 
Agora que chegamos ao final desta aula, vamos praticar o 
que foi estudado até aqui. Para tanto, utilize o modelo de 
anamnese (apêndice) disponibilizada abaixo e faça a 
aplicação com os pais de uma criança que você conheça, ao 
final da aplicação, pegue todas as informações levantadas e 
construa um pequeno relatório da história da criança. 
 
APÊNDICE A – MODELO DE ANAMNESE 
 
Anamnese com os cuidadores 
 
Nome do Paciente Idade Data de nascimento 
Sexo: Escola onde estuda: 
Ano em que está matriculado: 
Endereço: 
 
 
Dados do pai: 
Dados da mãe: 
 
Neuropsicopedagogia 
 Área interdisciplinar do conhecimento que possui como base teórica a 
neuropsicologia, neurociência e psicopedagogia. 
 
Código de 
ética 
 Norteia as atividades do neuropsicopedagogo. 
 
Anamnese 
 Instrumento utilizado para o início do atendimento. 
 
Instrumentos 
 Protocolos e ferramentas utilizadas na avaliação e na intervenção em 
neuropsicopedagogia. 
 
Consultório 
 Espaço adequado onde deve acontecer os atendimentos clínicos do 
neuropsicopedagogo. 
 
 
58 
 
 
Queixa inicial: 
Quem encaminhou: 
 
 
Dados relacionados à gestação: 
Dados relacionados ao parto: 
Alimentação da mãe durante a gestação: 
Existem problemas de alcoolismo na família? 
 
Dados do paciente: 
 
Descreva como é o sono do paciente: 
Descreva se possui fobias: 
Descreva os hábitos alimentares: 
Descreva os hábitos escolares: 
Descreva se teve reprovações na escola: 
Descreva como é o humor: 
Descreva se faz acompanhamento com outros profissionais: 
Descreva se tem alguma deficiência ou outro transtorno já 
diagnosticado: 
Descreva se é uma criança adotada: 
Descreva se faz uso de medicamentos: 
Descreva a saúde de maneira geral: 
Descreva se possui mais irmãos: 
Descreva um pouco sobre as habilidades matemáticas, de 
linguagem e motoras: 
Descreva se realiza as atividades de vida diária: 
Descreva o que o paciente gosta de fazer: 
 
 
 
 
 
59 
 
Aula 4 – Intervenção em neuropsicopedagogia clínica: jogos, testes e 
provas 
 
Apresentação da aula 
 
Olá, caro estudante, seja bem-vindo à nossa quarta aula. Nela, iremos 
discutir acerca dos processos interventivos em neuropsicopedagogia clínica. 
Inicialmente, discutiremos sobre a necessidade de um espaço adequado para 
os atendimentos clínicos, isto é, o consultório, traremos referências teóricas e 
práticas que endossam tal necessidade. Na sequência, abordaremos o 
processo e a conceituação de intervenção clínica, bem como modelos de 
formulários para acompanhamento desta etapa tão importante do tratamento 
do paciente. Um pouco mais adiante, apresentaremos alguns recursos e 
subsídios para a intervenção, isto é, alguns jogos que podemos utilizar caso o 
paciente esteja em alguma condição específica, como exemplo, dificuldades e 
transtornos na matemática, leitura, escrita ou aspectos atencionais. E, por fim, 
apresentaremos um modelo do informe em neuropsicopedagogia, para 
finalização do processo de atendimento clínico, bem como de nossa disciplina. 
 
4.1 O espaço do consultório em neuropsicopedagogia 
 
 Falar sobre o consultório de neuropsicopedagogia não é tarefa fácil, 
contudo é um tema muito pertinente para quem deseja empreender. Em 
primeiro lugar, tudo demanda investimento, não é mesmo? Neste tópico, quero 
dar algumas dicas teóricas e práticas acerca da montagem do consultório. 
 Em primeiro lugar, precisamos definir o nosso nicho de atuação, isto é, o 
público-alvo ao qual desejaremos realizar o atendimento. É claro que no início 
de carreira sempre absorvemos boa parte das faixas etárias, contudo 
precisamos nos especializar em uma determinada faixa geracional. 
 Existem neuropsicopedagogos clínicos, que atendem apenas a primeira 
infância, outros, segunda ou terceira infância, mas também existem aqueles 
que focam na adolescência, vida adulta ou até mesmo nos idosos. 
 Após a definição do seu público-alvo, a partir dos primeiros 
atendimentos, você perceberá qual a maior demanda, por exemplo, atualmente 
 
 
60 
 
você está recebendo uma maior quantidade de pacientes com TDAH, portanto, 
você deverá ter materiais mais direcionados para esta demanda. 
 O que eu quero dizer com isso? Não vá comprando todos os jogos e 
instrumentos que você encontrar pela frente ou em sites de vendas na internet, 
faça as aquisições à medida que você for tendo necessidade, lembre-se: tudo 
tem um custo. 
 Em um segundo momento, você precisará definir o local onde será 
aberto seu consultório, na sequência, perceba a necessidade de um mobiliário 
adequado, principalmente se você for atender criança, isto é, mesas, cadeiras 
ergonomicamente projetadas para crianças. 
 Outro aspecto importante é que muitos neuropsicopedagogos acabam 
pecando na decoração, muitas cores, muitos brinquedos, é válido ressaltar que 
o simples é o ideal. Até por que somos profissionais de saúde e educação. 
Uma dica que gostaria de deixar, você receberá provavelmente muita procura 
por reforço escolar, mas lembre-se, nosso trabalho não é esse. 
 Cunha (2007) ainda comenta sobre o espaço de atendimento infantil, 
que, 
Em função das características da atividade, é mais adequado 
trabalhar em uma sala que não seja o consultório de adultos. É mais 
conveniente, então, realizar a atividade em uma sala preparada para 
brincar, ou seja, uma sala fácil de limpar, razoavelmente ampla, para 
não prejudicar a liberdade de expressão, e, sempre que possível, 
próxima a um banheiro e/ou cozinha, onde a criança possa ter acesso 
fácil à água, caso deseje brincar com ela, assim como possa limpar a 
sujeira de material de tinta, canetinhas, argila e semelhantes (p.99). 
 
 Pois bem, outro aspecto importante do consultório é a necessidade de 
jogos específicos e brinquedos, bem como demais materiais lúdicos que serão 
usados para avaliação e intervenção. Vale lembrar ainda, que todos estes 
materiais precisam estar ao alcance da criança, até porque teremos momentos 
que nós, enquanto profissionais, solicitaremos que a criança busque e guarde 
tais materiais. 
 Um espaço lúdico pensado para este tipo de atendimento deve ser 
simples e funcional, deve ser um espaço acolhedor e que possua uma boa 
iluminação e que cujo de preferência seja emborrachado, pois em muitos 
momentos também faremos atividades no chão, principalmente as relacionadas 
com a psicomotricidade e sua avaliação. 
 
 
61 
 
 
 
4.1.1 Intervenção em neuropsicopedagogia clínica 
 
Veremos ao decorrer deste tópico possibilidades de intervenções clínica 
que podemos desenvolver visando trabalhar os transtornos de aprendizagem. 
Portanto, podemos definir intervenção clínica em neuropsicopedagogia como 
aquele momento após a avaliação em que definimos estratégias para o 
acompanhamento terapêutico daquela dificuldade ou transtorno de 
aprendizagem. 
Por exemplo, se por meio da avaliação ficou evidente uma dificuldade 
acentuada na aprendizagem da matemática, iremos desenvolver nosso plano 
de intervenção sob essa queixa que foi confirmada por meio dos jogos, 
atividades e materiais lúdicos que buscarão estimular as habilidades cognitivas 
que estão em defasagem. 
Saiba Mais 
A Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia – SBNPp, 
associação civil de direito privado sem fins lucrativos, situada na 
Rua do Príncipe, 796 – centro, na cidade de Joinville, estado de 
Santa Catarina,CEP: 89201-001, possui uma página na web, 
onde consta informações e documentos que podem ser 
acessados e baixados. Vale a pena dar uma conferida na 
SBNPp. Disponível em: https://sbnpp.org.br/ 
 
Ao buscarmos nos fundamentos teóricos e metodológicos do psicólogo 
russo Lev Semionovitch Vigotski, dentre outros autores especialistas na área 
da educação e saúde, encontramos sugestões para que ocorra a intervenção 
de forma significativa nos processos do aprendente, no sentido de auxiliá-lo na 
superação de eventuais dificuldades e transtornos, na recuperação de 
possíveis defasagens, e assessorá-lo na ativação de áreas em potencial, seja 
de forma individual (clínica) ou no trabalho em grupo (institucional). 
 Santos e Silva (2021), ao tratarem da dislexia, comentam que a Zona de 
Desenvolvimento Proximal (ZDP) sinaliza as relações e o processo de 
https://sbnpp.org.br/
 
 
62 
 
mediação necessária entre o sujeito e seu ambiente (mundo), visto que estas 
permitem a constituição da autenticidade do ser humano. 
 
Sendo assim, a atuação do neuropsicopedagogo deve ser alicerçada 
com fundamentações científicas, planejamentos coerentes e eficazes, 
que possam promover afeto e aprendizagem nas diversas 
metodologias traçadas. Acreditar no potencial do aprendente, dos 
recursos disponíveis e de um olhar único, para o sucesso de novas 
possibilidade (SANTOS; SILVA, 2021, p. 8). 
 
As contribuições da neuropsicopedagogia, juntamente com os 
profissionais da educação, podem proporcionar uma visão multidisciplinar, com 
o objetivo de antecipar intervenções pedagógicas sanando dificuldades no 
sujeito aprendente. Uma possibilidade para essa intervenção são os jogos, 
pois, partindo do caráter lúdico, “o neuropsicopedagogo esteja preparado para 
inserir esta ferramenta em sua intervenção, poderá dispor de um instrumento 
perfeitamente capaz de viabilizar o aprendizado do educando e o sucesso do 
seu atendimento” (SANTOS, et al, 2019, p. 6). 
Lacanallo e Mori (2008), aproximando-se desta temática, destacam que 
a utilização dos jogos auxilia no desenvolvimento das funções psicológicas 
superiores (FPS) (atenção, percepção e memória – apresentadas na aula 2). 
Essa constatação da utilização de jogos pode ser justificada, pois, como vimos, 
as FPS desenvolvem-se da interação dos fatores biológicos com os fatores 
culturais do ser humano, logo, “essa compreensão vygotskyana permite ao 
neuropsicopedagogo compreender a partir do jogo essa interação entre aquilo 
que é biológico e cultural no sujeito aprendente” (SILVA et al, 2019, p. 6). 
Bossa (2007) aponta que a ação de jogar é o momento em que é 
possível observar as atitudes infantis para que haja a identificação de como a 
criança efetiva as ações do aprender em seu espaço escolar. Na sequência, 
apresenta-se um esquema com o passo a passo do processo de intervenção 
clínica. 
 
 
 
63 
 
 
Fonte: Bossa (2007). 
 
 Agora que você compreendeu todo o processo de planejamento das 
etapas de desenvolvimento da intervenção, na sequência disponibilizo um 
formulário que você poderá adaptar para seus atendimentos, para 
planejamento das intervenções. 
 
INTERVENÇÃO NEUROPSICOPEDAGÓGICA 
Nome do paciente: 
Idade: Escola: 
Queixa: 
Resultado prévio 
da avaliação 
 
PLANEJAMENTO DA SESSÕES E ACOMPANHAMENTO 
SESSÃO E DATA O QUE SERÁ 
FEITO 
OBJETIVO RETORNO DO 
PACIENTE APÓS A 
INTERVENÇÃO 
Sessão 01 – 00/00/22 
Sessão 0x – 00/00/22 
Sessão 0x – 00/00/22 
Sessão 0x – 00/00/22 
 
 
64 
 
Sessão 0x – 00/00/22 
Sessão 0x – 00/00/22 
Fonte: desenvolvido pelo autor. 
 
Vale ressaltar que não existe um número mínimo ou máximo de sessões 
de intervenção, estas questões vão se desdobrando à medida que as sessões 
vão sendo realizadas e os resultados do paciente vão sendo positivos. 
 Na coluna denominada “O que será feito”, você deverá planejar 
previamente o que será desenvolvido naquela sessão, por exemplo, jogo da 
memória dos dinossauros. Na coluna seguinte, isto é, em “Objetivos”, você 
deverá preencher qual o objetivo da sessão e do jogo utilizado. Vale lembrar 
que sempre os objetivos deverão ser escritos com o verbo no infinitivo, 
exemplo, “estimular o desenvolvimento da capacidade da memória operacional 
e de trabalho do paciente”. 
 Na última coluna, existe o retorno do paciente em relação a intervenção. 
Nela, é interessante você colocar um pequeno relato de como efetivamente 
ocorreu a sessão e, por fim, apresentar se surtiu efeito positivo ou negativo no 
paciente, por exemplo, “paciente ficou alheio a atividade” e assim por diante, 
assim você conseguirá fazer um devido acompanhamento e evolução do 
quadro do sujeito. 
 
4.1.2 Os jogos na intervenção neuropsicopedagógica clínica 
 
É preciso que o jogo seja usado de forma planejada e refletida, com 
objetivos bem definidos. É preciso, acima de tudo, conhecer as 
possibilidades psicopedagógicas do jogo relacionadas à competição, 
criatividade, raciocínio, desenvolvimento de estratégias de resolução 
de problemas, seriedade e aspecto sociocultural, para então incluí-lo 
em uma prática que contextualiza os interesses do professor e dos 
alunos. (LANA, 2010, p. 64) 
 
Começamos esse tópico apresentando a fala de Lana (2010), que nos 
apresenta a compreensão da utilização de jogos na Educação, a qual podemos 
transportar para uma avaliação neuropsicopedagógica, pois no ato de jogar o 
sujeito aprendente envolve-se, apresentando sua compreensão, percepção, 
atitude e conhecimento sobre a situação que está sendo proposta. Contudo, 
 
 
65 
 
vale ressaltar que para que a utilização do jogo no atendimento seja efetivada 
com tal intencionalidade, é necessário planejar, estabelecer metas e identificar 
inicialmente se o referido jogo auxiliará o sujeito cognoscente atendido a sanar 
sua dificuldade ou diminuir os sintomas de seus possíveis transtornos de 
aprendizagem, identificados na etapa inicial do atendimento clínico. 
Vocabulário 
Segundo o dicionário online Dicio, cognoscente é o sujeito 
capaz de assimilar conhecimento, de conhecer, de passar a 
saber; quem busca saber ou tomar conhecimento sobre, isto 
é, sujeito cognoscente. Ao apresentar a etimologia da 
palavra encontramos que vem do latim cognoscens.entis. 
(2021, s/p) 
 
Neste contexto, ao decorrer deste tópico veremos alguns jogos e suas 
potencialidades para o trabalho clínico envolvendo conhecimentos curriculares 
e transdisciplinares que podem ser abarcados em um atendimento 
neuropsicopedagógico. 
 Ao apresentar a intervenção com a utilização de jogos, Marinho et al 
(2012) explica que esse recurso necessita ser utilizado seguindo algumas 
ações metodológicas para que este possibilite a exploração das inúmeras 
possibilidades educativas, em nosso caso, o atendimento 
neuropsicopedagógico, no contexto da clínica. 
 Em um atendimento clínico, devemos nos atentar a alguns aspectos, 
como a natureza do lúdico, as causas, os feitos e a forma mais adequada para 
realização deste, possibilitando-nos alcançar e auxiliar no transtorno ou 
dificuldade identificada no sujeito cognoscente. 
 Como sugestão, Marinho et al (2012, p. 97), apresenta-nos um possível 
caminho metodológico o qual podemos seguir, sendo este: 
 
• Organização e planejamento: caracterização dos alunos e do 
ambiente; adequação dos objetivos; 
• Preparação e formação dos participantes: conhecer as regras e 
fazer bom uso delas; alternar o comando para a elaboração das 
regras; incentivar a cooperação; fornecer noções básicas de 
dinâmicas de grupo; 
 
 
66 
 
• Execução das atividades lúdicas: explicar de forma clara e 
objetiva; demonstrar; elaborar roteiro; transmitir segurança; 
motivar; 
• Avaliação dos resultados (contínua): deve ser um processo que 
estuda e interpreta os conhecimentos, habilidades e atitudes dos 
alunos. 
 
Agora que conhecemos e compreendemos uma breve fundamentação 
do jogo em umatendimento neuropsicopedagógico com enfoque clínico, vamos 
conhecer alguns jogos e suas potencialidades dentro do processo de 
intervenção. 
 
INSTRUMENTOS INTENCIONALIDADE UTILIZAÇÃO 
 
 
 
 
 
Torre de Londres 
Foi criado com a finalidade de 
oferecer um teste com níveis 
progressivos de dificuldades, 
seu resultado mostra eficiência 
na identificação de 
comprometimentos relacionados 
aos circuitos pré-frontais 
adquiridos ou decorrentes de 
distúrbios neuropsiquiátricos. 
Avaliar ou intervir nas funções 
executivas, especificamente as 
habilidades de planejamento e 
solução de problemas. 
Desenvolvido com base na torre 
de Hanói. 
Este jogo pode ser 
utilizado com crianças, 
adolescentes e adultos. A 
aplicação deverá ser 
individual em sessão 
única. As fichas de 
aplicação são no formato 
de calendário, com fichas 
duplas, uma de frente 
para o paciente e outra de 
frente para o terapeuta. 
 
 
 
 
Cubos Corsi 
Visam avaliar a memória 
operacional através do esboço 
visuoespacial, incluindo perda 
de memória, memória espacial 
entre outras funções. 
Este instrumento pode ser 
utilizado com crianças, 
adolescentes e adultos. A 
avaliação consiste em dar 
uma sequência numérica 
e o avaliado deverá repetir 
tocando os cubos de 
acordo com a sequência 
passada. 
Escala de 
avaliação de 
disfunções 
executivas de 
Barkley 
Propõe-se a avaliar os 
possíveis déficits das funções 
executivas nas atividades 
cotidianas. Apresentado em 
duas formas na adaptação 
brasileira – a curta e a longa. A 
Poderá ser aplicado 
individual ou 
coletivamente para 
sujeitos de 18 a 70 anos 
de idade. 
 
 
67 
 
forma curta, muito útil para as 
demandas de rastreio, 
composta por 20 itens, tem 
como propósito fornecer uma 
descrição breve acerca da 
probabilidade de um indivíduo 
exibir déficits nas funções 
executivas em relação às 
atividades da vida cotidiana. Já, 
a forma longa, composta por 89 
itens tem como propósito 
propiciar o acompanhamento 
em caso de problemas 
clinicamente mais evidentes, 
por meio da análise 
aprofundada dos domínios de 
funções executivas. 
 
 
Token Test 
 
Compreensão da linguagem por 
meio da execução de comandos 
simples ditados pelo 
examinador. 
 Este instrumento pode 
ser utilizado com crianças, 
adolescentes e adultos e 
idosos. A aplicação 
deverá ser individual e em 
sessão única. 
 
 
 
Teste de Repetição 
de Palavras e 
Pseudopalavras 
 
Este instrumento foi 
desenvolvido com base no teste 
de Gathercole e Baddeley, 
consiste na avalia a memória de 
curto prazo com foco na 
memória fonológica. 
O aplicador tem 
sequências de 2 a 6 
palavras e a criança deve 
repetir as palavras e 
depois as 
pseudopalavras. É 
computado um ponto para 
cada sequência falada de 
forma correta, conforme 
modelo apresentado no 
final desta tabela. 
 
 
 
 
Jogo feche e caixa 
 
O jogo é ideal para pacientes 
com dificuldades em 
matemática. 
Pode ser jogado com dois 
jogadores (terapeuta e 
paciente). Ele é composto 
por dois dados. É 
necessário jogar os dados 
e somar os números e 
abaixar o número 
correspondente a soma 
dos dados. 
 
 
O jogo envolve a habilidade de 
planejamento e concentração, 
Para jogar, é necessário 1 
dado, 12 cartelas e 34 
 
 
68 
 
Torre Inteligente 
 
além de habilidades 
matemáticas, o objetivo é 
construir a torre. Outra sugestão 
para trabalhar as mesmas 
habilidades é o jogo da Muralha. 
blocos. Pode ser usado 
para terapia individual e 
coletiva, comporta até 4 
jogadores. Perde quem 
deixa a torre cair. 
 
 
 
Jogo Memória 
 
Trabalhar os conceitos que 
estão sendo propostas nas 
cartelas. O jogo da Memória 
poderá envolver diferentes 
conceitos, conforme sua 
necessidade, bem como a 
exploração de habilidades da 
matemática e da linguagem. 
Pode ser jogado de forma 
individual ou 
coletivamente. O jogo 
consiste em ter duplas ou 
trios iguais de cartas e 
com todas embaralhadas 
e viradas para baixo o 
jogador necessitará 
encontrar as cartas iguais. 
 
 
 
Triminó 
 
Desenvolve o trabalho com 
habilidades matemáticas de 
adição e subtração (campo 
aditivo) de número naturais. 
Esse jogo desenvolve a 
flexibilidade cognitiva, atenção 
dividida e motiva no processo 
de cálculos e formação de 
palavras. Para resolver é 
necessário raciocínio, paciência 
e intuição. 
Neste jogo deve-se 
encaixar as peças para 
formar um triângulo, estes 
encaixes são oriundos das 
operações realizadas pelo 
sujeito aprendente. 
 
Teste de Repetição de Palavras e Pseudopalavras 
 
Fonte: OLIVEIRA (2016, p. 78). 
 
 
 
69 
 
 Acima, citamos algumas sugestões de jogos e instrumentos que 
podemos utilizar em um atendimento clínico, porém existem muitas outras 
ferramentas que podemos utilizar. Vale ressaltar que muitos dos materiais 
citados acima podem ser confeccionados com a utilização de papel EVA e 
cartolina, propiciando assim a construção do seu acervo de atendimento 
neuropsicopedagógico. 
Saiba Mais 
A Plataforma Educacional Neurons (PEN) é uma solução digital 
para estimular habilidades de aprendizagem; com sistema de 
avaliação on-line e games, como recursos de intervenção. Na 
Neurons, os profissionais da psicopedagogia e 
neuropsicopedagogia encontrarão: aprendizagem lúdica, 
dinâmica e divertida! Isto inclui uma variedade de games 
desenhados sob medida, 7 avaliações de rastreio, atividades 
para imprimir e muito mais. Disponível em: 
https://clickneurons.com.br/ 
 
 
É interessante ter também em seu consultório quebra-cabeças, 
diferentes jogos de memória, casinhas de bonecas, família terapêutica, 
dominós, forma-palavras, baralhos temáticos, entre outros materiais. Além 
destes recursos, você poderá encontrar também diferentes jogos online ou 
aplicativos que podem ser baixados em smartfones e tablets, com a finalidade 
de desenvolver e avaliar as FPS, habilidades matemáticas e linguísticas. 
 
4.1.3 O informe em neuropsicopedagogia clínica 
 
 Muitos neuropsicopedagogos realizam o informe em dois momentos 
distintos, o primeiro após a avaliação neurpsicopedagógica e quando encerram 
o processo de intervenção. O informe busca esclarecer dúvidas quanto a todo 
o processo que foi realizado, ele contém as principais informações, com 
detalhamento de cada uma de suas etapas. Para tanto, apresento na 
sequência um modelo de informe neuropsicopedagógico. 
https://clickneurons.com.br/
 
 
70 
 
 
 
INFORME NEUROPSICOPEDAGÓGICO 
Identificação do paciente/aluno/sujeito: 
Nome do Paciente 
Data de nascimento Escola do 
paciente 
 
Encaminhado por 
Queixa inicial 
Foi realizado visita à 
escola? 
( ) Sim ( ) 
Não 
 
Dados familiares iniciais 
Nome dos cuidadores: 
Nome dos cuidadores 
Instrumentos utilizados 
Nome do instrumento Resultado da aplicação Data da 
aplicação 
 
 
 
 
 
Dados da avaliação 
Descrever aqui os resultados obtidos por meio da avaliação principalmente relacionando 
todo o conteúdo com a confirmação ou não da queixa e das hipóteses iniciais. 
Parecer neuropsicopedagógico 
 
 
71 
 
Aqui, você descreve o seu parecer enquanto profissional de neuropsicopedagogia, fazendo 
recomendações e corroborando ou não outros profissionais. Além disso, você poderá fazer 
encaminhamentos para outros profissionais ou terapias complementares. 
 
Cidade, data e ano 
 
________________________________________ 
Assinatura do Neuropsicopedagogo 
 
 
 
Conclusão da aula 
 
O pensar e o repensar na neuropsicopedagogia perpassa, sobretudo, o 
planejamento dos processos de avaliação e intervenção, ao contrário do que 
muitas pessoas pensam, não existem receitas prontas para os atendimentos 
clínicos, por isso é necessário termos um aprofundado fundamento teórico, 
pois a teoria ampara a prática. Como apresentei para vocês até aqui,existem 
muito protocolos, práticas e atividades de avaliação e intervenção, portanto 
cabe a você, durante seus atendimentos, estruturar sua identidade, ou seja, 
sua linha de trabalho, trazer para próximo de você aquilo que mais lhe chama a 
atenção. O fazer neuropsicopedagógico precisa sempre estar amparado em 
teoria, técnica e muito amor. Freud, em muitos dos seus textos, já dizia que a 
cura para os adoecimentos e sintomas advinham por meio do amor. 
 
 
72 
 
 
 
Atividade de Aprendizagem 
Agora que temos subsídios teóricos e práticos para uma boa 
intervenção em neuropsicopedagogia, solicito que vocês 
busquem ou desenvolvam um jogo voltado para o trabalho 
interventivo com uma criança de 09 anos, que possui 
dificuldades com a aprendizagem da matemática. Ela 
apresenta inicialmente dificuldades com as operações de 
adição e subtração, e não consegue progredir na 
aprendizagem. Quais jogos podemos criar ou utilizar? E por 
que tais jogos escolhidos por você serão eficientes para este 
trabalho em consultório? Após a seleção dos jogos, monte 
um plano de intervenção. 
 
 
Intervenção 
 Continuidade do tratamento após o processo de avaliação clínica. 
 
Jogos 
 Instrumentos utilizados durante a intervenção e a avaliação. 
 
Informes 
 Documento redigido pelo neuropsicopedagogo, constando todas as 
atividades realizadas. 
 
Devolutiva 
 Momento realizado após a avaliação e após a intervenção para 
esclarecimento e retorno do que foi realizado, bem como apresentação 
dos achados. 
 
 
73 
 
 
Conclusão da disciplina 
 
Como resumo de nossa disciplina, esquematizamos o mapa conceitual 
que se apresenta na sequência, com o intuito de sistematizar todo o conteúdo 
que trabalhamos no decorrer deste componente curricular. 
 
 
 
 
 
74 
 
 
Índice Remissivo 
Atenção, percepção e memória ................................................................. 
(Atenção; percepção; memória) 
28 
Bases funcionais do sistema nervoso ........................................................ 
(Bases funcionais; funções psicológicas; sistema nervoso) 
23 
Código de ética da neuropsicopedagogia ................................................. 
(Código de ética; neuropsicopedagogia; ações) 
50 
Conceitos fundamentais acerca do sistema nervoso ................................. 
(Sistema nervoso; conceito; processos) 
17 
Conceitos fundamentais e sua importância para a neuropsicopedagogia 
(Neuropsicopedagogia; conceito; teoria) 
20 
Conceitos fundamentais em neurociências ................................................ 
(Neurociências; conceito; sistema nervoso) 
14 
Conceitos fundamentais em neuropsicologia ............................................. 
(Neuropsicologia; conceito; organização funcional) 
08 
Funções psicológicas superiores e transtornos de aprendizagem ............. 
(Funções psicológicas; transtornos; aprendizagem) 
23 
Intervenção em neuropsicopedagogia clínica ........................................... 
(Intervenção; transtornos de aprendizagem; dificuldade) 
61 
Intervenção em neuropsicopedagogia clínica: jogos, testes e provas ........ 
(Neuropsicopedagogia; jogos; testes) 
59 
Linguagem e a questão da psicolinguística ............................................... 
(Psicolinguística; linguagem; ciência) 
33 
Neuroanatomofisiologia, neuropsicologia e neurociência .......................... 
(Neuropsicologia; neurociência; conceitos) 
07 
Neuropsicopedagogia clínica: histórico, avaliação e o início do 
atendimento ............................................................................................... 
(Neuropsicopedagogia; histórico; avaliação) 
 
40 
O espaço do consultório em neuropsicopedagogia .................................... 
(Espaço; consultório; atendimento) 
59 
O informe em neuropsicopedagogia clínica ............................................... 
(Informe; avaliação; processo) 
69 
Os jogos na intervenção neuropsicopedagógica clínica ............................. 
(Intervenção; jogos; neuropsicopedagogia) 
64 
Os transtornos e a importância da neuropsicopedagogia .......................... 
(Neuropsicopedagogia; transtornos funcionais; aprendizagem) 
35 
Prática Clínica: roteiro para avaliação, anamnese, instrumentos e queixa 
clínica ........................................................................................................ 
(Anamnese; queixa clínica; roteiro) 
 
43 
Situando conceitualmente a neuropsicopedagogia .................................... 
(Neuropsicopedagogia; conceito; teoria) 
40 
 
 
 
 
75 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
 
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de transtornos mentais: DSM-5. – 5. ed. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre: 
Artmed, 2014. 
 
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desvendando o sistema nervoso. – 4. ed. – Porto Alegre : Artmed, 2017. 
 
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prática. 3ª ed. Porto Alegre, RS: Artmed, 2007. 
 
COLL, César; MARTÍN, Emília. O construtivismo na sala de aula. 6. Ed. 
Itapecerica: Editora Ática, 2006. 
 
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Acesso em: dez. 2021. 
 
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aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011. 
 
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Dados eletrônicos. – Porto Alegre : Artmed, 2007. 
 
DICIO: Dicionário da Língua Portuguesa. Neurociência. Disponível em 
https://www.dicio.com.br/neurociencia/ . Acesso em 20 de dez de 2021. 
 
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A. Neuropsicologia hoje. – 2. ed. – Porto Alegre: Artmed, 2015. 
 
DUMARD, Katia. Neuropsicologia. – São Paulo, SP: Cengage, 2016. 
 
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neuropsicológica e psicopedagógica. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2009. 
 
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Acesso em 20 de dez de 2021. 
 
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M., R. Neuropsicologia: Teoria e Prática. Acesso em: 13 dez. 2021. 
 
GODOY, E; SENNA, L. A. G. Psicolinguística e letramento. Curitiba: Ibpex, 
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