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0 1 Disciplina: Neuropsicopedagogia Clínica: conceitos e prática Autores: M.e Gustavo Thayllon França Silva Revisão de Conteúdos: Esp. Raphael Pereira Nunes de Souza Designer Instrucional: Esp. Raphael Pereira Nunes de Souza Revisão Ortográfica: Esp. Lucimara Ota Eshima Ano: 2022 Copyright © - É expressamente proibida a reprodução do conteúdo deste material integral ou de suas páginas em qualquer meio de comunicação sem autorização escrita da equipe da Assessoria de Marketing da Faculdade UNINA. O não cumprimento destas solicitações poderá acarretar em cobrança de direitos autorais. 2 Gustavo Thayllon França Silva Neuropsicopedagogia Clínica: conceitos e prática 1ª Edição 2022 Curitiba, PR Faculdade UNINA 3 Faculdade UNINA Rua Cláudio Chatagnier, 112 Curitiba – Paraná – 82520-590 Fone: (41) 3123-9000 Coordenador Técnico Editorial Marcelo Alvino da Silva Conselho Editorial D.r Eduardo Soncini Miranda / D.ra Marli Pereira de Barros Dias / D.ra Rosi Terezinha Ferrarini Gevaerd / D.ra Wilma de Lara Bueno / D.ra Yara Rodrigues de La Iglesia Revisão de Conteúdos Raphael Pereira Nunes de Souza Designer Instrucional Raphael Pereira Nunes de Souza Revisão Ortográfica Lucimara Ota Eshima Desenvolvimento Iconográfico Juliana Emy Akiyoshi Eleutério Desenvolvimento da Capa Carolyne Eliz de Lima FICHA CATALOGRÁFICA SILVA, Gustavo Thayllon França. Neuropsicopedagogia Clínica: conceitos e prática / Gustavo Thayllon França Silva. – Curitiba: Faculdade UNINA, 2022. 77 p. ISBN: 978-65-5944-189-1 1.Neuropsicopedagogia. 2. Conceito. 3. Prática. Material didático da disciplina de Neuropsicopedagogia Clínica: conceitos e prática – Faculdade UNINA, 2022. Natália Figueiredo Martins – CRB 9/1870 4 PALAVRA DA INSTITUIÇÃO Caro(a) aluno(a), Seja bem-vindo(a) à Faculdade UNINA! Nossa faculdade está localizada em Curitiba, na Rua Cláudio Chatagnier, nº 112, no Bairro Bacacheri, criada e credenciada pela Portaria nº 299 de 27 de dezembro 2012, oferece cursos de Graduação, Pós-Graduação e Extensão Universitária. A Faculdade assume o compromisso com seus alunos, professores e comunidade de estar sempre sintonizada no objetivo de participar do desenvolvimento do País e de formar não somente bons profissionais, mas também brasileiros conscientes de sua cidadania. Nossos cursos são desenvolvidos por uma equipe multidisciplinar comprometida com a qualidade do conteúdo oferecido, assim como com as ferramentas de aprendizagem: interatividades pedagógicas, avaliações, plantão de dúvidas via telefone, atendimento via internet, emprego de redes sociais e grupos de estudos o que proporciona excelente integração entre professores e estudantes. Bons estudos e conte sempre conosco! Faculdade UNINA 5 Sumário Prefácio ....................................................................................................... 06 Aula 1 – Neuroanatomofisiologia, neuropsicologia e neurociência ............ 07 Apresentação da Aula 1 .............................................................................. 08 1.1 – Conceitos fundamentais em neuropsicologia ............................. 08 1.1.1 – Conceitos fundamentais em neurociências ............................. 14 1.1.2 – Conceitos fundamentais acerca do sistema nervoso .............. 17 1.1.3 – Conceitos fundamentais e sua importância para a neuropsicopedagogia .................................................................................. 20 Conclusão da Aula 1 ................................................................................... 21 Aula 2 – Funções psicológicas superiores e transtornos de aprendizagem 23 Apresentação da Aula 2 .............................................................................. 23 2.1 – Bases funcionais do sistema nervoso ......................................... 23 2.1.1 – Atenção, percepção e memória ............................................... 28 2.1.2 – Linguagem e a questão da psicolinguística ............................. 33 2.2 – Os transtornos e a importância da neuropsicopedagogia .......... 35 Conclusão da Aula 2 ................................................................................... 38 Aula 3 – Neuropsicopedagogia clínica: histórico, avaliação e o início do atendimento ................................................................................................ 40 Apresentação da Aula 3 .............................................................................. 40 3.1 – Situando conceitualmente a neuropsicopedagogia .................... 40 3.1.1 – Prática Clínica: roteiro para avaliação, anamnese, instrumentos e queixa clínica ...................................................................... 43 3.1.2 – Código de ética da neuropsicopedagogia ................................ 50 Conclusão da Aula 3 ................................................................................... 56 Aula 4 – Intervenção em neuropsicopedagogia clínica - jogos, testes e provas ......................................................................................................... 59 Apresentação da Aula 4 .............................................................................. 59 4.1 – O espaço do consultório em neuropsicopedagogia .................... 59 4.1.1 – Intervenção em neuropsicopedagogia clínica .......................... 61 4.1.2 – Os jogos na intervenção neuropsicopedagógica clínica ........ 64 4.1.3 – O informe em neuropsicopedagogia clínica ........................... 69 Conclusão da Aula 4 ................................................................................. 71 Conclusão da Disciplina ............................................................................ 73 Índice Remissivo ....................................................................................... 74 Referências ............................................................................................... 75 6 Prefácio Olá, caro estudante, tudo bem? Seja bem-vindo à disciplina de Neuropsicopedagogia Clínica. Nela, conversaremos acerca de uma área de suma importância para o entendimento e compreensão dos processos psicológicos superiores com interfaces: a aprendizagem humana. Nesta disciplina, temos alguns objetivos que precisam ser cumpridos ao longo de seu desenvolvimento, sendo: a) apresentar as bases teóricas da neurociência e da neuropsicologia enquanto aporte principal da neuropsicopedagogia; b) compreender a aplicabilidade do código de ética do profissional neuropsicopedagogo; c) verificar as bases teóricas da área estudada; d) apresentar protocolos de avaliação em neuropsicopedagogia clínica; e) apresentar instrumentos para o processo de avaliação e intervenção em neuropsicopedagogia. Por meio destes objetivos, iremos discorrer acerca do conteúdo, das teorias e das técnicas utilizadas na neuropsicopedagogia clínica. Para tanto, vale ressaltar que a neuropsicopedagogia se calca em duas áreas principais: a neuropsicologia e a neurociência. Vale ressaltar também que o pai da neuropsicologia foi Alexander Luria, que contribuiu sobretudo para o entendimento da organização cerebral. Podemos, então, defini-la, de acordo com Luria (1903-1978, p. 4), como sendo “um ramo novo da ciência cujo objetivo específico e peculiar é a investigação do papel de sistemas cerebrais individuais em formas complexas de atividade mental”. Uma outra definição podemos encontrar em Thiers,Argimon e Nascimento (2001), que afirmam que a neuropsicologia “é a ciência que estuda a expressão comportamental das disfunções cerebrais. Logo, trata-se de uma especialidade que aborda as relações entre funções cerebrais e comportamento”. Ante todas estas definições epistemológicas, ainda podemos evidenciar uma que clarifica tudo que conversamos até aqui, apontada por Franco (2019, p. 2), que compreende a neuropsicologia, como O campo do conhecimento que trata da relação entre a cognição (e comportamento) e a atividade do sistema nervoso em condições 7 normais e patológicas. Sua natureza é multidisciplinar, tomando apoio na anatomia, fisiologia, neurologia, psicologia, psiquiatria, etologia, entre as mais importantes. A partir de uma respectiva médica, este conhecimento visa ao tratamento dos distúrbios da cognição e do comportamento secundário ao comportamento do Sistema Nervoso. Provavelmente, você deve estar se perguntando o motivo pelo qual estamos conceituando a neuropsicologia. A resposta é simples e se faz necessária, haja vista que a principal base teórica da neuropsicopedagogia clínica se pauta na neuropsicologia, portanto precisamos construir um caminho teórico-técnico para chegarmos nos procedimentos de início de atendimento no campo clínico e em consultório. Para tanto, com essas indagações iniciais, convido você a embarcar comigo no arcabouço da neuropsicopedagogia clínica. 8 Aula 1 – Neuroanatomofisiologia, neuropsicologia e neurociência Apresentação da aula Nessa nossa primeira aula abordaremos os conceitos teóricos-técnicos acerca da evolução histórica da neuropsicologia e a questão inicial do problema mente-cérebro, proposto pela filosofia, e como isso se correlaciona com a neuropsicologia contemporânea. Na sequência, aprofundar-nos-emos acerca da neurociência enquanto aporte para o estudo do sistema nervoso, sobretudo no que tange aos aspectos das funções e localizações cerebrais. Adiante, teremos a organização anatômica e celular do sistema nervoso e, por fim, veremos a importância destas teorias e destas práticas no processo de avaliação e intervenção na clínica neuropsicopedagógica com crianças, adolescentes e adultos. 1.1 Conceitos fundamentais em neuropsicologia Para falarmos dos conceitos fundamentais em neuropsicologia, além de novamente conceituar a área, iremos trazer um pouco da perspectiva histórica e da atuação dentro do campo das funções psicológicas superiores. Fuentes, Diniz e Camargo (2020) afirmam que é difícil precisar o surgimento da neuropsicologia, haja vista que, por se tratar de uma área tão interdisciplinar, teremos vários marcos de início desta ciência. Contudo, temos marcos do princípio do surgimento da neuropsicologia desde a Antiguidade, conforme quadro apresentado abaixo. Quadro 01 - Resumo de marcos históricos para o desenvolvimento da neuropsicologia Pré-história Desconhecidos (c. 10.000 a.C.) Trepanação como ritual de cura para problemas da cabeça. Grécia Antiga ● Hipócrates (c. 400 a.C.) ● Demócrates, Platão, Aristóteles e outros (c. 400 a.C.) ● Relato escrito sobre trepanação e déficits em indivíduos com traumas na cabeça. ● Debate entre cardiocentristas e encefalocentristas sobre a sede 9 da mente. Império Romano Cláudio Galeno (c. 200) Propagação da teoria ventricular. Renascimento Leonardo da Vinci e Andrea Vesalius (c. 1470–1570) Descrição mais detalhada dos ventrículos. Desenvolvimento do estudo anatômico em humanos. Pós- Renascença ● René Descartes (1641) ● Thomas Willis (1664) ● Sugeriu a separação das condutas humanas em condutas do corpo (comportamentos reflexos) e condutas do espírito (racionalidade). ● Apontou o cérebro como sede do controle da vontade e da memória e o cerebelo e tronco encefálico, como coordenadores das funções vitais Século XVIII ● Diversos autores ● Luigi Galvani (1791) ● Queda da teoria ventricular e aumento da importância dada ao tecido encefálico. ● Mapeamento detalhado do sistema nervoso central e periférico. ● Descoberta da substância cinzenta e substância branca do tecido encefálico. ● Descrições anatômicas dos giros e sulcos cerebrais. ● Descoberta da condutância elétrica dos nervos. Século XIX ● Franz Gall ● (c. 1798–1819) ● Charles Bell (1810) e François Magendie (1821) ● Criou uma pseudociência chamada Organologia (frenologia), que sugeria áreas cerebrais especializadas para distintos comportamentos. ● Identificação anatômica e funcional das raízes dorsais (sensoriais) e ventrais (motoras) dos nervos periféricos. Século XIX ● Paul Broca (1861, 1865) ● Carl Wernicke (1874) ● Camilo Golgi (1885) ● Santiago Ramon y Cajal (c. 1894) ● Identificou uma área cerebral associada à fluência da fala. ● Identificou um conjunto de áreas associadas à compreensão da linguagem. ● Estudou o tecido neural (neurônios). ● Propôs a formação reticular do 10 tecido neural. ● Propôs os neurônios como unidades fundamentais do sistema nervoso. Século XX ● Diversos autores ● Donald Hebb (1949) ● Wilder Penfield (1950) ● Brenda Milner ● (1957, 1968) ● Alexander Romanovic Luria (1976) ● Desenvolvimento de diversos testes para avaliação da inteligência e de diferentes funções cognitivas. ● Surgimento e desenvolvimento da Psicologia cognitiva (década de 1950). ● Desenvolvimento de técnicas de neuroimagem (décadas de 1980 e 1990). ● Esboçou os mecanismos neurais da plasticidade e da aprendizagem. ● Apresentou um mapa topográfico cerebral para funções motoras e somatossensoriais. ● Forneceu evidências dos múltiplos sistemas cerebrais da memória. ● Apontou a importância do hipocampo para a consolidação de novas memórias. ● Destacou o papel da cultura no desenvolvimento cerebral e cognitivo. ● Sugeriu a existência de três sistemas funcionais que coordenam a cognição e o comportamento humano. Século XXI Diversos autores ● Compreensão do funcionamento cognitivo por meio de redes neurais complexas e integradas. ● Desenvolvimento de estudos sobre temas complexos e com desafios particulares (p. ex., emoções). ● Expansão dos testes computadorizados e para “novos domínios” da cognição. Fonte: Souza e Mograbi (2021, p.31) No quadro anterior, conseguimos perceber a evolução da neuropsicologia, da Antiguidade à Contemporaneidade, todos os autores acima mencionados possuem relevância para o construto teórico e prático. Contudo, 11 gostaria de destacar alguns, cujos estudos são utilizados até a atualidade. O primeiro deles é Paul Broca, pesquisador do século XIX, que encontrou regiões no cérebro que são responsáveis pela fala e pela linguagem, neste aspecto, Fuentes, Diniz e Camargo (2020, p. 23) comentam que, Broca (1891) utilizava em seus estudos o método anatomoclínico, o esteio da neurologia científica no final do século XIX. Esse método consistia em um exame em dois estágios com o intuito de vincular sinais clínicos a padrões de alteração cerebral (Goetz, 2010). O primeiro estágio dessa abordagem dedicava-se a um exame clínico em profundidade, acompanhando o paciente ao longo de um extenso período de tempo, ao passo que o segundo estágio, após a morte do paciente, envolvia a necropsia do cérebro e da medula espinal (Goetz, 2010). Assim, o método permitia vincular dados clínicos com informações sobre neuroanatomia, sugerindo uma potencial relação de causalidade entre esses dois fatores e possibilitando a classificação de doenças neurológicas a partir de achados anatômicos. Amplie Seus Estudos SUGESTÃO DE LEITURA Leia a obra Fundamentos da Neuropsicologia, (Luria, Aleksandr Romanovich). Nesta brilhante obra, percebemos um dos principais escritos de Luria e suas contribuições,que neste livro expõe achados como a organização e função mental, desenvolveu conceitos de unidades funcionais e sobre os conceitos das funções psicológicas superiores. Além dos estudos de Broca, temos ainda Wilder Penfield, que foi um neurocirurgião, residente no Canadá, falecido em 1960, “em seu trabalho com cirurgias de pacientes epilépticos utilizando o procedimento montreal, estabeleceu por meio de estimulação elétrica um detalhado mapa de processamento sensorial” (FUENTES, DINIZ E CAMARGO, 2020, p. 23). Na sequência, temos um dos principais precursores da neuropsicologia, considerado o pai da neuropsicologia, Alexander Romanovich Luria, um russo, 12 falecido em 1977 por problemas cardíacos. Luria buscou responder a algumas questões em relação ao funcionamento cerebral, sendo: Quais são os mecanismos cerebrais reais que estão na base da percepção e da memória, da fala e do pensamento, do movimento e da ação? O que acontece com esses processos quando partes individuais do cérebro deixam de funcionar normalmente ou são destruídas por doenças? (LURIA, 1981, p.14) Neste aspecto, Luria (1981) buscou entender por meio destas perguntas e outras a organização funcional do cérebro humano, compreendendo o que difere os homens dos animais, bem como o entendimento de como o cérebro influencia o desenvolvimento de estratégia, meta e o cumprimento destas na vida cotidiana dos sujeitos. Portanto, Luria (1981, p.2) compreendeu que, O comportamento humano é de natureza ativa, que ele é determinado não apenas pela experiência pregressa mas também por planos e desígnios que formulam o futuro, e que o cérebro humano é um aparelho notável, que pode não apenas criar esses modelos do futuro, mas também subordinar a eles o seu comportamento. Ainda neste contexto comportamental, surgem as questões estudadas por Luria acerca das lesões cerebrais enquanto influência da organização funcional do cérebro e de suas atividades mentais. Portanto, o aparecimento de lesões em determinados locais poderá acarretar situações distintas, como os prejuízos da fala e da linguagem, das áreas motoras ou, até mesmo, o aparecimento de sintomas e comportamentos de agressividade, dentre outros a depender da localização. Neste aspecto, de acordo com Luria (1921), as descobertas acerca da frenologia, isto é, a doutrina da localização das funções e das faculdades complexas das áreas, fez com que novas descobertas fossem feitas, como exemplo, “a diferença radical existente entre as funções dos hemisférios cerebrais esquerdo e direito, identificando o hemisfério esquerdo (em pessoas destras) como o hemisfério dominante vinculado às funções superiores de fala” (p.8). Entendemos um pouco acerca dos autores que embasam a neuropsicologia e é neste mesmo limiar que falamos acerca da evolução desta ciência no Brasil, principalmente com as iniciativas da Sociedade Brasileira de Neuropsicologia que, sobretudo, vem incentivar a publicação e desenvolvimento de instrumentos para a área. 13 Outro marco estrutural para a neuropsicologia brasileira foi a regulamentação da profissão e da área pelo Conselho Federal de Psicologia, que estabeleceu, por meio da Resolução nº 2, de 3 de março de 2004, o reconhecimento da neuropsicologia como especialidade da psicologia, que atua sobretudo com o objetivo de: 1. Reabilitação Neuropsicológica é ampliar os modelos já conhecidos e criar novas hipóteses sobre as interações cérebro-comportamentais. Trabalha com indivíduos portadores ou não de transtornos e sequelas que envolvem o cérebro e a cognição, utilizando modelos de pesquisa clínica e experimental, tanto no âmbito do funcionamento normal ou patológico da cognição quanto estudando-a em interação com outras áreas das neurociências, da medicina e da saúde. 2. Os objetivos práticos são levantar dados clínicos que permitam diagnosticar e estabelecer tipos de intervenção, de reabilitação particular e específica para indivíduos e grupos de pacientes em condições nas quais: a. Ocorreram prejuízos ou modificações cognitivas ou comportamentais devido a eventos que atingiram primária ou secundariamente o sistema nervoso central; b. O potencial adaptativo não é suficiente para o manejo da vida prática, acadêmica, profissional, familiar ou social; c. Foram geradas ou associadas a problemas bioquímicos ou elétricos do cérebro, decorrendo disto modificações ou prejuízos cognitivos, comportamentais ou afetivos. Além do diagnóstico, a neuropsicologia e sua área interligada de reabilitação neuropsicológica visam realizar as intervenções necessárias junto ao paciente, para que possam melhorar, compensar, contornar ou adaptar-se às dificuldades; junto aos familiares, para que atuem como coparticipantes do processo reabilitativo; junto a equipes multiprofissionais e instituições acadêmicas e profissionais, promovendo a cooperação na inserção ou reinserção de tais indivíduos na comunidade quando possível ou, ainda, na adaptação individual e familiar quando as mudanças nas capacidades do paciente forem mais permanentes ou a longo 14 prazo. Ainda no plano prático, fornece dados objetivos e formula hipóteses sobre o funcionamento cognitivo, atuando como auxiliar na tomada de decisões de profissionais de outras áreas, fornecendo dados que contribuam para as escolhas de tratamento medicamentoso e cirúrgico, excetuando-se as psicocirurgias, assim como em processos jurídicos nos quais estejam em questão o desempenho intelectual de indivíduos, a capacidade de julgamento e de memória. Na interface entre o trabalho teórico e prático, seja no diagnóstico ou na reabilitação, também desenvolve e cria materiais e instrumentos, tais como testes, jogos, livros e programas de computador que auxiliem na avaliação e reabilitação dos pacientes. ● Desenvolve atividades em diferentes espaços: a. Instituições acadêmicas, realizando pesquisa, ensino e supervisão; b. Instituições hospitalares, forenses, clínicas, consultórios privados e atendimentos domiciliares, realizando diagnóstico, reabilitação, orientação à família e trabalho em equipe multidisciplinar. 1.1.1 Conceitos fundamentais em neurociências Falar em neurociências é pensar no quesito interdisciplinar deste conceito, visto que temos dentro deste campo teórico e técnico vária áreas de conhecimento que prestam subsídio para a formulação de conceitos, estratégias e conhecimentos em neurociências. O interessante do estudo das neurociências é em virtude de elas se debruçarem sobre o entendimento aprofundado do sistema nervoso e suas correlações com as mais diferentes dimensões da vida e do desenvolvimento humano, como as dimensões de ordem cognitiva, afetiva, emocional e motoras. Provavelmente, você deve estar se perguntando o motivo pelo qual estamos utilizando a palavra “neurociências” no plural, isso se justifica por ela possuir diferentes ramificações, como neurociência educacional, neurociência das emoções, neurociência da percepção e atenção, neurociência cognitiva, neurociência aplicada as doenças neurológicas e assim por diante. 15 Antes de darmos continuidade dentro da perspectiva teórica neurocientífica, convido você a conhecer o significado da palavra neurociência de acordo com o dicionário Dicio da Língua Portuguesa (2021). Vocabulário Significado de neurociência, substantivo feminino: ciência que estuda o sistema nervoso, a organização cerebral, a anatomia e a fisiologia do cérebro, além de sua relação com as áreas do conhecimento (aprendizagem, cognição ou comportamento). Reunião dos saberes e conhecimentos que se relacionam com o sistema nervoso. Etimologia (origem da palavra neurociência). Neuro 'nervo' + ciência. Pela própria definição conseguimos compreender que o objeto de estudo principal da neurociência está no entornodo sistema nervoso que, por sua vez, constituirá uma de nossas aulas, falaremos sobre suas bases anatômicas e fisiológicas. Outra definição de neurociência, podemos encontrar em Lent (2018), A Neurociência, conjunto de disciplinas que tratam do sistema nervoso, nasceu da busca das bases cerebrais da mente humana — seja ela manifestada apenas mediante a encarnação cerebral de um espírito imaterial, como nas primeiras teorias, ou puro resultado do funcionamento do CÉREBRO, segundo teorias recentes. (p. 2) Outros aspectos necessários, encontramos em Bear, Connors e Paradiso (2017, p.4), que afirmam que, A palavra “neurociência” é jovem. A Society for Neuroscience*, uma associação que congrega neurocientistas profissionais, foi fundada há pouco tempo, em 1970. O estudo do encéfalo**, entretanto, é tão antigo quanto a própria ciência. Historicamente, os neurocientistas que se devotaram à compreensão do sistema nervoso vieram de diferentes disciplinas científicas: medicina, biologia, psicologia, física, química e matemática. Pois bem, percebemos o caráter interdisciplinar das neurociências, como disse anteriormente, pois ela se divide em diversas outras visões, pelas quais percebemos ainda suas construções, visto que o processo de pesquisa no campo neurocientífico não se encerra e sempre temos novas descobertas. Assim, iniciaremos a discussão sobre as neurociências celulares. 16 A neurociência celular/molecular busca compreender as questões cerebrais de um ponto de vista molecular e celular, isto é, tem muitas células que são oriundas do sistema nervoso, portanto esta área busca estudá-las e compreender de que maneira contribuem para o bom funcionamento do sistema. Em outras palavras, a neurociência celular: Abordam o estudo de como todas essas moléculas trabalham em conjunto para conferir aos neurônios suas propriedades especiais. Entre as perguntas formuladas nesse nível temos: quantos diferentes tipos de neurônios existem e como eles diferem em suas funções? Como os neurônios influenciam outros neurônios? Como os neurônios se interconectam durante o desenvolvimento fetal? Como os neurônios realizam as suas computações? (Mark, 2017, p. 13) Outra abordagem é a neurociência do comportamento, que segundo Bear, Connors e Paradiso (2017), essa área busca estudar de que maneira surgem os comportamentos e por que eles acontecem ou, ainda, os efeitos dos psicofármacos nas alterações de comportamento, a importância do sistema nervoso para regulação do comportamento, dentre outros aspectos. Ainda, temos as neurociências cognitivas que, de acordo com Bear, Connors e Paradiso (2017), trabalha os aspectos neurais responsáveis pelos aspectos da memória da linguagem, da atenção, da percepção e da própria aprendizagem dos seres humanos. Existem outras abordagens dentro do campo das neurociências, como a neurociência educacional, que busca compreender a importância dos estudos do sistema nervoso aplicados ao processo de aprendizagem, e ainda, a compreensão das emoções dentro do contexto do aprender. Tendo em vista que, de acordo com Fonseca (2009, p 62), Compreendendo como tais processos evoluem e se interrelacionam sistemicamente no cérebro, estaremos certamente mais próximos do que são efetivamente as funções cognitivas da aprendizagem, podendo, por esse meio, identificar os obstáculos que a bloqueiam ou prevenir disfunções ou dificuldades (ou descapacidades) que a impedem de florescer. Portanto, a aprendizagem possui papel fundamental para o desenvolvimento das habilidades de cognição, neste caso, a neurociência atua fortemente na compreensão destes mecanismos e formas de atuação e estimulação destas funções. Agora que compreendemos algumas das áreas das neurociências, vamos nos debruçar em alguns marcos teóricos-históricos acerca do surgimento das 17 neurociências na visão de Bear, Connors e Paradiso (2017). A primeira visão perpassa pela Grécia Antiga, onde acreditavam que o encéfalo era o órgão responsável pelas sensações, o mais influente pesquisador da época “Foi Hipócrates (460-379 a.C.), o pai da medicina ocidental, que acreditava que o encéfalo não apenas estava envolvido nas sensações, mas que seria a sede da inteligência. Entretanto, essa visão não era universalmente aceita. O famoso filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.) ateve-se firmemente à crença de que o coração era o centro do intelecto” (p.5). A segunda visão ocorreu durante o Império Romano com um pesquisador importante que era Galeno, que corroborava as ideias de Hipócrates. Contudo, aprofundou suas pesquisas com dissecções dos animais, o que deu maiores subsídios para o entendimento da importância do encéfalo para o estudo das neurociências (BEAR, CONNORS E PARADISO, 2017). Outra visão proposta pelos autores é a concepção do sistema nervoso no final do século XVIII, quando tinha-se a compreensão de que possíveis lesões no cérebro poderiam causa desorganização e prejuízo nos aspectos sensoriais, bem como aquela crença de que o encéfalo se comunicava com todos os demais órgãos corporais por meio dos nervos e que este encéfalo operava por meio das leis da natureza, ou seja, o meio externo. (BEAR, CONNORS E PARADISO, 2017). Vídeo Para endossar nossa conversa, convido você, estudante, a assistir ao vídeo Neurociências: nós somos nossos cérebros?, de Francisco Ortega. Neste vídeo, o palestrante comenta acerca do funcionamento do cérebro humano e comenta ainda acerca dos avanços da área. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Hr4eSBi4LjI 1.1.2 Conceitos fundamentais acerca do sistema nervoso Faz-se de suma importância o conhecimento das questões anatômicas e fisiológicas do sistema nervoso, haja vista que é a partir deste conhecimento e https://www.youtube.com/watch?v=Hr4eSBi4LjI 18 da avaliação neuropsicopedagógica que conseguiremos estabelecer um plano de intervenção no campo da clínica e, até mesmo, a realização de recomendações para a escola e possíveis encaminhamentos para outros profissionais. Vídeo Neste vídeo, conseguiremos aprofundar um pouco mais acerca da divisão do sistema nervoso em Sistema Nervoso Central, Sistema Nervoso Periférico e Sistema Nervoso autônomo. Vamos assistir? Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=QwXYG96bzCI Agora que assistimos ao vídeo anterior e tivemos um contato prévio com o desenvolvimento e divisão do sistema nervoso, vamos discutir acerca de seus aspectos teóricos. A primeira informação teórica que precisamos ter é que o sistema nervoso possui uma divisão, sendo Sistema Nervoso Central e Sistema Nervoso Periférico. Como função principal, tem a capacidade de realizar os processos de captação, processamento e por dar respostas a estímulos externos, oriundos do ambiente ou estímulos internos. Por meio de todas essas respostas e interpretações, somos capazes de sentir frio, calor, dor e até mesmo as questões emocionais. O SNC ou sistema nervoso central tem a função de receber e realizar a transmissão de informações para nosso corpo, coordenando todas as atividades. De acordo com Bear, Connors e Paradiso (2017) “o sistema nervoso central (SNC) consiste em partes do sistema nervoso que estão envolvidas pelos ossos: o encéfalo e a medula espinhal. O encéfalo localiza-se inteiramente no crânio” (p.183). Já o SNP ou sistema nervoso periférico é formado pelos nervos cranianos, nervos raquidianos e terminações nervosas, além de ter a responsabilidade de receber, interpretar e transportar informações recebidas https://www.youtube.com/watch?v=QwXYG96bzCI 19 dos órgãos periféricos até o sistema nervoso central. Além disso, possui uma divisão, entre sistema nervoso somático e visceral. No que concerne à parte celular, temos a descoberta do neurônio enquanto célula principal deste sistema ou, ainda, conhecidacomo célula da aprendizagem humana. Neste aspecto, temos a neurociência celular atuando, haja vista que, Abordam o estudo de como todas essas moléculas trabalham em conjunto para conferir aos neurônios suas propriedades especiais. Entre as perguntas formuladas nesse nível temos: quantos diferentes tipos de neurônios existem e como eles diferem em suas funções? Como os neurônios influenciam outros neurônios? Como os neurônios se interconectam durante o desenvolvimento fetal? Como os neurônios realizam as suas computações? (Mark, 2017, p. 13). Neste sentido, temos em funcionamento cerca de 85 bilhões de neurônios, sendo estes responsáveis pela comunicação sináptica, isto é, a sinapses químicas e elétricas. Abaixo, apresentamos a estrutura anatômica do neurônio. Vídeo Para ampliarmos um pouco nosso conhecimento e verificarmos em aspectos práticos, convido vocês a assistirem ao vídeo Neurônios e Células da Glia - Sistema Nervoso – Neuroanatomia. Conseguiremos verificar a divisão do neurônio e suas funções dentro do sistema nervoso. Disponível em: 20 https://www.youtube.com/watch?v=u2VGb9Gzs7A&list=PLsPI neJCpRR5qJ__Kwb_OAeBbHi6N7O0D&index=11 1.1.3 Conceitos fundamentais e sua importância para a neuropsicopedagogia Durante nossa disciplina, vocês perceberão para além da neuropsicopedagogia as contribuições das demais áreas para a aprendizagem. Portanto, a neuropsicologia e os conceitos fundamentais contribuirão, sobretudo, para o entendimento de áreas que possam estar prejudicadas no desenvolvimento cerebral daquele sujeito. Além disso, percebemos a necessidade de estudarmos tais conceitos para o entendimento do processo de avaliação e intervenção em neuropsicopedagogia, portanto precisamos conhecer as estruturas do sistema nervoso para fazermos o levantamento de hipóteses durante nosso processo de avaliação e termos argumentos teóricos e técnicos para possíveis argumentações e encaminhamentos. Neste aspecto, conseguimos ainda compreender a maneira com que todo o desenvolvimento humano vai se dando, isto é, o ganho da aprendizagem da memória, dos aspectos motores, a regulação das emoções e dos sentimentos e do próprio tônus muscular. Além dos ganhos teóricos apresentados até aqui, por meio da neuropsicopedagogia no campo escolar, podemos ter ganhos nos aspectos inclusivos, isto é, o entendimento das dificuldades ou, até mesmo, o recebimento de um laudo médico com determinado transtorno. Sendo assim, a partir daí, podemos desenvolver nossas intervenções juntamente com a escola no contexto de trabalhar jogos que possam colaborar com aquela dificuldade ou transtorno de aprendizagem, bem como diferentes abordagens, como metodologias ativas, gamificação e assim por diante. Para Cosenza (2011, p. 136), Os avanços das neurociências possibilitam uma abordagem mais científica do processo ensino-aprendizagem, fundamentada na compreensão dos processos cognitivos envolvidos. Devemos ser cautelosos, ainda que otimistas em relação às contribuições https://www.youtube.com/watch?v=u2VGb9Gzs7A&list=PLsPIneJCpRR5qJ__Kwb_OAeBbHi6N7O0D&index=11 https://www.youtube.com/watch?v=u2VGb9Gzs7A&list=PLsPIneJCpRR5qJ__Kwb_OAeBbHi6N7O0D&index=11 21 recíprocas entre neurociências e educação[...]Descobertas em neurociências não autorizam sua aplicação direta e imediata no contexto escolar, pois é preciso lembrar que o conhecimento neurocientífico contribui com apenas parte do contexto em que ocorre a aprendizagem. Embora ele seja muito importante, é mais um fator em uma conjuntura cultural bem mais ampla (2011, p. 136). Portanto, o profissional de neuropsicopedagogia tem a função primária de compreender o funcionamento cerebral e de que maneira este funcionamento interfere na aprendizagem humana. Saiba Mais A indicação de ampliação do conhecimento será o artigo A Neuroeducação e Suas Contribuições às Práticas Pedagógicas Contemporâneas, das autoras Calline Palma dos Santos e Késila Queiroz Sousa. As autoras fazem um recorte muito interessante, apresentando as semelhanças e diferenças entre neuropsicologia, neuropsicopedagogia e psicopedagogia. Vale a pena dar uma conferida na importância da nossa área para a superação dos transtornos de aprendizagem. Disponível em: https://eventos.set.edu.br/enfope/article/viewFile/1877/777 Conclusão da aula Compreender os avanços históricos imbricados no descobrimento da neuropsicologia e das neurociências faz com que nós, profissionais da educação e da saúde, tenhamos mais subsídios teóricos, técnicos e metodológicos para intervenção nas dificuldades e transtornos de aprendizagem. Já percebeu como a neuropsicologia direta ou indiretamente influencia nossas vidas? Por exemplo, por meio das descobertas, hoje temos todos os fármacos que atuam sobre os mais diferentes transtornos psiquiátricos e outros. Além disso, conseguimos desenvolver métodos específicos de avaliação e intervenção das questões relativas aos aspectos cerebrais, bem como o desenvolvimento de reabilitação neuropsicológica. https://eventos.set.edu.br/enfope/article/viewFile/1877/777 22 Para além disso, formularam-se teorias que são capazes de explicar o processo de aprendizagem, as afasias, os problemas motores, de percepção e de atenção. Como resumo de nossa primeira aula, acompanhe o esquema a seguir com os principais temas tratados até aqui: Atividade de Aprendizagem Para ampliarmos o nosso conhecimento, gostaria que vocês realizassem pesquisas na Internet e no livro Fundamentos da Psicologia, indicado nesta aula, para formularem a redação dos seguintes conceitos: função, localização, sintoma, organização da percepção visual, organização da percepção auditiva e organização do movimento e conceituassem, ainda, as três unidades funcionais de Luria. Construam um quadro com estes conceitos para consulta durante a disciplina. Neuropsicologia Campo do conhecimento que trata da relação entre a cognição (e comportamento) e a atividade do sistema nervoso em condições normais e patológicas. Neurociências Conjunto de disciplinas que tratam do sistema nervoso, nasceu da busca das bases cerebrais da mente humana. Área das neurociências Neurociência cognitiva, Neurociência Molecular/celular, Neurociência das emoções, Neurociência da atenção e percepção, Neurociência educacional. Autores relevantes Paul Broca, Carl Wernicke, Wilder Graves Penfield, Alexander Romanovich Luria. Importância para a neuropsicopedago gia Compreensão do movimento e do sistema nervoso central e periférico para entendimento das possíveis dificuldades ou diagnóstico dos transtornos de aprendizagem. 23 Aula 2 – Funções psicológicas superiores e transtornos de aprendizagem Apresentação da aula Nesta aula, trataremos de alguns dos conceitos fundantes da neuropsicologia e da neuropsicopedagogia, as funções psicológicas superiores formadoras de um sistema psicológico complexo, que dão subsídios para todas as atividades dos seres humanos, como a linguagem, responsável pelo desenvolvimento e avanço da sociedade e da tecnologia da atenção e memória, que são elementos fundantes para a aprendizagem; da sensação, percepção e emoção, que são fatores que nos diferenciam dos demais e ajudam no processo de estruturação da personalidade. Por fim, comentaremos ainda acerca de alguns dos principais transtornos de aprendizagem que aparecem no consultório e na clínica de neuropsicopedagogia. 2.1 Bases funcionais do sistema nervoso Fonte: https://br.freepik.com/vetores-gratis/ilustracao-do-conceito-de-flat- alzheimer_16635704.htm#&position=11&from_view=detail#&position=11&from_view=d etail Neste tópico, iremos abordar as bases funcionais ou morfofuncionais do sistema nervoso, as quais alguns autores denominam de funções psicológicassuperiores, ou ainda, funções executivas. https://br.freepik.com/vetores-gratis/ilustracao-do-conceito-de-flat-alzheimer_16635704.htm#&position=11&from_view=detail https://br.freepik.com/vetores-gratis/ilustracao-do-conceito-de-flat-alzheimer_16635704.htm#&position=11&from_view=detail https://br.freepik.com/vetores-gratis/ilustracao-do-conceito-de-flat-alzheimer_16635704.htm#&position=11&from_view=detail 24 De acordo com Dumard (2016), essas funções psicológicas superiores têm um alto grau de complexificação e desenvolvimento cognitivo, integrando- se dinamicamente entre elas, objetivando alcançar uma determinada meta. Portanto, tais funções fazem com que toda a regulação e atividade humana aconteçam. Se analisarmos diretamente o funcionamento das FPS, percebemos que qualquer alteração nas áreas cerebrais é responsável por efeitos e formação de sintoma no sujeito, bem como a possibilidade de alteração comportamental e cognitiva, por exemplo, lesões nas áreas motoras poderão acarretar dificuldades na fala e também na aquisição da escrita. Neste sentido, na sequência, apresentamos a vocês, um quadro com os principais modelos teóricos existentes acerca das funções psicológicas superiores e suas contribuições para o construto teórico. Autores Teorias/modelos Instrumentos prototípicos e danos Alexander Luria O cérebro possui Três Unidades Funcionais, sendo a primeira responsável por regular e manter o alerta cortical (alocada no tronco cerebral). A segunda é responsável por codificar, processar e armazenar informações (lobos temporal, parietal e occipital). A terceira atua na programação, na regulação e na verificação do comportamento humano (lobos frontais, particularmente córtex pré-frontal [CPF]*). Seu nome foi vinculado à bateria Luria--Nebraska, embora não tenha participado de sua elaboração. Danos no CPF acarretam disfunções na terceira unidade, caracterizadas por comportamentos ilógicos, irrelevantes e inapropriados. Donald Norman e Timothy Shallice Sistema Atencional Supervisor (SAS). A programação, a regulação e o monitoramento das atividades e dos pensamentos humanos envolvem dois sistemas derivados: automático e controlado. O primeiro é responsável por Six Element Test, Multiple Errands Test (MET) Equivalente à terceira unidade de Luria. Lesões no CPF afetam o funcionamento do SAS e se manifestam por perda do sistema controlado, 25 comportamentos ou tarefas rotineiras e aprendidas e o segundo é responsável por regular as tarefas não rotineiras e inovadoras. lapsos atencionais e síndrome disexecutiva. Donald Stuss e Frank Benson Modelo Tripartido. Três sistemas interagem para monitorar os comportamentos: sistema de ativação reticular ascendente (SARA), sistema de projeção talâmica difusa e sistema frontotalâmico. O primeiro controla os níveis de consciência, o segundo regula o alerta a estímulos externos por curtos períodos de tempo e o terceiro envolve o controle atencional executivo. Stroop, WCST, Teste de trilhas, fluência verbal; Rotman-Baycrest Battery to Investigate Attention (ROBBIA) Danos no sistema frontotalâmico produzem sintomas equivalentes aos danos do modelo SAS: desatenção, comprometimento da crítica e comportamento negligente no alcance das metas. John Duncan Teoria da Negligência da Meta. Enfatiza que o comportamento humano é controlado por listas de submetas dirigidas a uma meta específica. Para alcançá- la, objetivos são formulados, armazenados e verificados na mente do indivíduo para produzir uma resposta correta às demandas ambientais ou internas. O objetivo impõe uma estrutura que ativa ou inibe determinado comportamento que possa impedir ou facilitar a conclusão da meta. Não foram desenvolvidos testes para esta teoria, mas há um programa de treinamento Goal- Management Training (GMT) baseado nela. Pacientes com danos frontais são desorganizados e tendem a perder de vista os objetivos, e suas ações podem se tornar aleatórias ou presas a uma ou mais submetas. Patricia Goldman- Modelo Animal para Estudo da Memória Operacional. Span de Letras e Números, tarefas N- 26 Rakic Considera que o CPF é o substrato neural da memória operacional, com várias sub- regiões responsáveis por diferentes demandas da memória operacional (ex., espacial, semântica, de conhecimento matemático e de caracterização de objetos). O CPF seria regulado por duas vias recíprocas (inibição e excitação) que se conectam às áreas cerebrais posteriores e são ativadas pelos neurotransmissores, como as catecolaminas, particularmente a dopamina. Back** Prejuízo na memória operacional observado na delayed-matching task (tarefa de resposta pareada ao modelo após intervalo de tempo; versão computadorizada para humanos em CANTAB, Cambridge Neuropsychological Test Automated Battery) costuma ser observado em macacos com danos cerebrais produzidos por alterações neuroquímicas dos neurotransmissores. Quando a produção dos neurotransmissores é restaurada a um nível normal, o comprometimento desaparece. Dada a especificidade do modelo, não possui a mesma abrangência que os demais; no entanto, é adequado a seus propósitos. Antônio Damásio Modelo do Marcador Somático. Ressalta o papel da emoção no comportamento social, com ênfase na tomada de decisões. A emoção é mediada por conexões córtico- subcorticais, particularmente entre o CPF ventromedial e as regiões subcorticais: núcleo mediodorsal do tálamo, amígdala e hipotálamo. Iowa Gambling Task Pacientes com lesões no CPF ventromedial são incapazes de detectar comportamentos inadequados relacionados a uma emoção específica, mesmo quando conseguem compreender as implicações de tais 27 Tal hipótese visa a explicar alterações de personalidade e problemas emocionais e interpessoais decorrentes de lesões no CPF ventromedial observadas em pacientes, como no caso clássico de Phineas Gage. comportamentos. Portanto, eles não podem fazer uso de marcadores somáticos relacionados a emoções específicas. Este modelo tem incidência no componente “quente” das funções executivas. Fonte: Santos, Andrade e Bueno (2015, p.66). Indiferente ao modelo teórico adotado, temos a necessidade de compreender outros conceitos importantes dentro deste campo, sendo as praxias e as apraxias. Na perspectiva de Dumard (2016) as praxias são relativas às execuções de atividades já aprendidas pelo sujeito, respondendo a estímulos internos e externos de maneira eficiente, enquanto as apraxias são dificuldades de ordenamento de movimentos. Além destes conceitos, a autora ainda conceitua as gnoses, que são relativas às experiências sensoriais do indivíduo, colaborando para a formação de seu desenvolvimento e aprendizagem. Já, as agnoses são relativas a dificuldades encontradas ou déficits de interpretação dos processos sensoriais em diferentes órgãos (DUMARD, 2016), conforme abaixo: a) Agnosia tátil ou asteriognosia – incapacidade ou dificuldade de reconheci- mento por meio do tato; b) Agnosia auditiva – incapacidade ou dificuldade de reconhecimento de sons, ruídos, música etc.; c) Agnosia somestésica – incapacidade ou dificuldade de reconhecimento de partes do próprio corpo; d) Agnosia visual – incapacidade ou dificuldade de reconhecimento de imagens ou objetos (DUMARD, 2016, p.33). Nesta perspectiva, compreendemos que as funções psicológicas superiores são direcionamentos para o bom andamento social, da saúde mental e de toda a organização funcional da atividade psicológica e comportamental dos sujeitos. Neste aspecto, na sequência, iremos ainda28 discutir um pouco acerca das principais funções psicológicas superiores de acordo com a literatura especializada. 2.1.1 Atenção, percepção e memória A atenção constitui uma função psicológica superior de suma importância para o desenvolvimento da sociedade, perceba, se não existisse a atenção provavelmente existiriam milhares de acidentes de carro, ou ainda, o fracasso escolar seria exorbitante, portanto, consegue perceber a importância dela em nossas vidas? Vídeo Para ampliarmos nosso conhecimento, vamos discutir acerca dos aspectos neuropsicológicos relativos à percepção, sensação e emoção.https://www.youtube.com/watch?v=eUb0DCvmxwY Oliveira (2002) explica que as ideias básicas de Vygotsky desencadearam um programa de pesquisa juntamente com seus colaboradores. Seus temas de interesse guiavam-se pela estruturação dos processos psicológicos superiores entorno da atenção, percepção e memória. No que se refere à percepção, abordagem de Vygotsky é centrada no fato de que, ao longo do desenvolvimento humano, a percepção torna-se cada vez mais um processo complexo, que se distancia das determinações fisiológicas dos órgãos sensoriais embora, obviamente, continue a basear-se nas possibilidades desses órgãos físicos (OLIVEIRA, 2002, p. 13). A autora ainda complementa que a mediação pedagógica e a origem sociocultural dos processos psicológicos superiores são essenciais para compreensão da percepção. https://www.youtube.com/watch?v=eUb0DCvmxwY 29 Isso se deve, pois, podemos entender a percepção como a capacidade que o indivíduo tem para captar os estímulos do seu meio, onde este está imerso, e posteriormente processar essas informações. Fonte: https://www.freepik.com/free-vector/woman-with-happy-brain-world-mental- health_9878455.htm#query=c%C3%A9rebro&position=39&from_view=search Dumard (2016) nos dá um exemplo claro da percepção, quando nos deparamos com as ilusões de óptica, pois nossa percepção pode ser diferente para uma mesma imagem. Isso será influenciado pela nossa experiência já apropriada e aprimorada. Dumard (2016) classifica as percepções em oito categorias, conforme podemos observar na imagem abaixo: Fonte: Elaborado pelo autor com base em Dumard (2016, p. 38) Outra função é a atenção que se dá de forma semelhante a percepção. Primeiramente baseada nos mecanismos neurológicos inatos, a atenção “vai Visual Auditiva Olfativa Temporal Tátil Gustativa Espacial Propriocepção https://www.freepik.com/free-vector/woman-with-happy-brain-world-mental-health_9878455.htm#query=c%C3%A9rebro&position=39&from_view=search https://www.freepik.com/free-vector/woman-with-happy-brain-world-mental-health_9878455.htm#query=c%C3%A9rebro&position=39&from_view=search 30 gradualmente sendo submetida a processos de controle voluntários, em grande parte fundamentados na mediação simbólica” OLIVEIRA (2002, p. 75). O nosso organismo está constantemente interagindo com as diferentes informações constantes no meio ambiente. Com essa interação, o nosso sistema realiza a seleção das informações com as quais irá interagir. Se não ocorresse essa seleção, o nosso cérebro entraria em colapso com excesso de informação. Neste contexto, podemos compreender que atenção Ocorre quando o indivíduo, por um breve ou um longo período, se dirige e se fixa em algum objeto ou situação. Pode ser atenção voluntária ou atenção involuntária, e esta permanece dependendo da repetição, da intensidade e do movimento (DUMARD, 2016, p. 36). Se não tivéssemos a atenção, outras funções mentais ficariam comprometidas, como a capacidade de apropriar-se de informações, o funcionamento da memória e a percepção, que é o início do processo cognitivo. Ao longo do desenvolvimento, o indivíduo passa a ser capas de dirigir voluntariamente, sua atenção para elementos do ambiente que ele tenha definido como relevantes. A relevância dos objetos da atenção voluntária estará relacionada a atividade desenvolvida pelo indivíduo e seu significado portando, sendo, portanto, reconstruída ao longo do desenvolvimento do indivíduo em interações com o meio em que vive (OLIVEIRA, 2002, p. 75). Para exemplificar a fala da autora, podemos citar uma criança que está brincando de montar jenga, uma vez que ela consegue concentrar sua atenção neste momento “desligando-se” dos demais estímulos do meio onde está inserida. O adulto, como referência para a criança e o adolescente, ajuda-os a construir e a desenvolver a atenção voluntária, que acontece até cerca dos 12 anos de idade, quando elas recebem orientações e instruções que visam a ampliar sua atenção seletiva e que, com o tempo e a maturação, orientarão seu processo de atenção [...]. A atenção voluntária pode ser classificada em: • Alternada – quando o indivíduo é capaz de colocar um estímulo no lugar do outro; • Dividida – quando o indivíduo consegue desenvolver várias ações ao mesmo tempo; • Seletiva – quando o indivíduo seleciona algo específico, seja um objeto, seja um estímulo, e foca sua atenção. (DUMARD, 2016, p. 36). 31 Assim como a percepção e atenção, temos também a memória. Talvez você esteja se perguntando “como ocorre esse processo de memória e qual exemplo podemos citar para compreendê-la?”. Pois bem, podemos encontrar uma exemplificação na escrita do psicólogo russo Alexis Nikolaevich Leontiev, que ao estudar a psique do desenvolvimento infantil, diz que: No estágio pré-escolar da infância, por exemplo, uma mudança que ocorre na memória é a formação, na criança, da lembrança e recordação voluntárias. O desenvolvimento anterior da memória é um pré-requisito necessário para que esta mudança seja possível, mas não é determinada por ele; ela é antes determinada por objetivos especiais — lembrar, recordar — que são diferenciados na consciência da criança. Nesta conexão, o lugar dos processos de memória na vida psíquica da criança se altera. Anteriormente, a memória surgia apenas como uma função servindo a algum processo; agora, a recordação torna-se um processo especial, propositado, uma ação anterior, ocupando um novo lugar na estrutura da atividade da criança (LEONTIEV, 2010, p. 79). Neste contexto, podemos compreender a memória como a capacidade de adquirir, recuperar, registrar e guardar informações captadas e armazenadas em nosso cérebro. Ela regista nossas experiências e lembranças oriundas da nossa vivência em nosso meio. Fonte: https://www.freepik.com/free-vector/doctors-doing-medical-research-human- brain-testing-blood- samples_11235369.htm#query=c%C3%A9rebro&position=37&from_view=search Dumard (2016), ao falar de memória descreve-a em três fases, as quais podem ser identificadas na imagem abaixo: https://www.freepik.com/free-vector/doctors-doing-medical-research-human-brain-testing-blood-samples_11235369.htm#query=c%C3%A9rebro&position=37&from_view=search https://www.freepik.com/free-vector/doctors-doing-medical-research-human-brain-testing-blood-samples_11235369.htm#query=c%C3%A9rebro&position=37&from_view=search https://www.freepik.com/free-vector/doctors-doing-medical-research-human-brain-testing-blood-samples_11235369.htm#query=c%C3%A9rebro&position=37&from_view=search 32 Fonte: Elaborado pelo autor com base em Dumard (2016, p. 37) Vimos ao decorrer deste tópico três conceitos importantes – atenção, percepção e memória –, as quais podemos relacionar em um exemplo. Imaginemos uma situação hipotética em que Maria sai de sua casa em busca de uma loja de roupa em uma determinada rua por onde passou anos atrás. Para chegar até lá, ela passa por prédios, por outras lojas, porém, sua atenção está focada em seu objetivo. Os demais prédios e lojas neste contexto são “panos de fundo” para Maria. Sua lembrança da lojanão é apenas uma imagem mental gerada a partir de sua experiência. Ela está mediada pelo próprio conceito de loja e paralela com informações como “possui uma árvore na frente” ou “está ao lado esquerdo de um açougue”. Então, Maria sabe o que está procurando, a rotulação por meio da linguagem e a relação com o conhecimento apropriado anteriormente conduzem a sua percepção, facilitando a realização da tarde desejada. Com base no exemplo, podemos entender que os mecanismos mediadores internalizados por Maria. Em outras palavras, “o indivíduo não se apoia em signos externos, mas em representações mentais, conceitos, imagens, etc., realizando uma atividade complexa, na qual é capaz de controlar, deliberadamente, sua própria ação psicológica” (OLIVEIRA, 2002, p. 78), por meio dos recursos internalizados da sua experiência. APRENDIZAGEM Voltada à recepção e ao registro das informações. ARMAZENAMENTO OU CONSILIDAÇÃO Registro das informações e a codificação cerebral. RECORDAÇÃO Regate das informações previamente armazenadas. 33 Vídeo Para ampliarmos um pouco nosso conhecimento vamos assistir ao vídeo acerca dos aspectos neuropsicológicos da atenção. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=8iiCOSgygNg 2.1.2 Linguagem e a questão da psicolinguística Uma pergunta que não quer calar, por que precisamos estudar psicolinguística na psicopedagogia? A resposta é simples, mas cabe todo um embasamento teórico e técnico para compreensão. Sabemos que o cérebro humano é responsável por todo o nosso desenvolvimento, das funções motoras, da linguagem, da fala e da compreensão, e a área de psicolinguística é uma das responsáveis pelo entendimento destes mecanismos do cérebro humano. Mas, afinal, o que é psicolinguística? De acordo com Pereira (2010), A Psicolinguística é uma ciência que começa a se constituir por ocasião das primeiras preocupações do homem com o pensamento e suas relações com a linguagem. Gradativamente vai assumindo as marcas do avanço do tempo, do conhecimento, da ciência. Essas marcas vêm no recorte do objeto de estudo e nos caminhos de investigação desse objeto (p. 48). Para complementar esta ideia, Godoy e Senna (2012) afirmam que essa área é a responsável por estudar como os seres humanos fazem para compreender, produzir, adquirir e perder a linguagem, possuindo como objetivo principal, entender, descrever e intervir na linguagem humana enquanto um fenômeno psíquico. Ainda nesta concepção, Pereira (2010) afirma que, A Psicolinguísitca, considerando sua trajetória e seu atual estágio de desenvolvimento, nasce com o primeiro ser humano – na constituição do seu cérebro, na sua primeira emoção, na sua primeira tomada de decisão, no seu primeiro pensamento, na sua primeira linguagem. Nesse nascimento surge o grande objeto de estudo psicolinguístico, hoje definido como “linguagem e cognição” (p.48). https://www.youtube.com/watch?v=8iiCOSgygNg 34 Se pensarmos em linguagem e cognição, precisamos nos apropriar dos aspectos anatômicos e fisiológicos do cérebro, isto é, o cérebro possui dois hemisférios, o lado esquerdo possui como responsabilidade o controle da linguagem. Portanto, caso uma área cerebral seja comprometida, por lesão ou má formação, poderá ocasionar prejuízos na linguagem além de outras áreas. Neste sentido, se pensarmos pelo viés da psicopedagogia, muitos pacientes com tais dificuldades poderão chegar ao consultório, portanto, precisamos ter um fundamento teórico adequado para atendimento e compreensão do que poderá estar ocorrendo. Ainda no contexto da linguagem e das funções psicológicas superiores, no sentido da linguagem, temos alguns conceitos importantes, conforme apresentado por Dumard (2016, p.33) a) Gramática – organiza, formula, constrói, flexiona e dá expressão aos fonemas, morfemas, palavras, frases etc.; b) Semântica – dá significação às palavras; c) Sintaxe – estrutura os elementos linguísticos, relacionando-os entre si, propi- ciando uma relação lógica. Ainda, na visão da autora, são três os processos de aquisição da linguagem, sendo a primeira a linguagem interna, que é a aprendizagem da língua na qual o sujeito está inserido, isto é, a partir das vivências ele vai internalizando a linguagem. A linguagem receptiva, que significa o entendimento da mensagem em um processo de comunicação entre o receptor e emissor desta mensagem e, por fim, temos a linguagem expressiva, que é o estado em que o indivíduo consegue compreender o processo de comunicação, sem ruído e interferência (DUMARD, 2016). Ainda nesta concepção, a autora apresenta algumas alterações da linguagem, sendo: • Afasia expressiva – quando a Área de Broca está lesionada e/ou a área da palavra falada comprometida afeta a simbolização; • Disfasia – dificuldade com a articulação da fala a partir de lesões no Sistema Nervoso Central e/ou Sistema Nervoso Periférico. O músculo pode estar paralisado o que dificulta movimentação dos nervos. (p.35) 35 Vídeo Para ampliarmos nosso conhecimento, vamos discutir acerca do estudo da linguagem em psicologia. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=kizlUXMPKX0 2.2 Os transtornos e a importância da neuropsicopedagogia Fonte: https://br.freepik.com/vetores-gratis/ilustracao-do-conceito-de- aprendizagem_14230944.htm#query=aprendizagem&position=2&from_view=search Os transtornos funcionais específicos de aprendizagem, sobretudo, são observados e têm seu diagnóstico realizado na infância, principalmente em período escolar, visto que é neste período que a sintomática se manifesta nas crianças. Vale ressaltar que tais condições são de origem e de ordem neurológica, prejudicando o desenvolvimento humano global deste sujeito, impactando principalmente a aprendizagem, mas causando reflexos nas outras áreas, como afetiva, emocional e social. Em muitos momentos, as palavras dificuldades e transtornos de aprendizagem são utilizadas como sinônimos, contudo, possuem diferenciação, isto é, as dificuldades são transitórias e com intervenção adequada são sanadas, por exemplo, dificuldade de aprendizagem na matemática em virtude https://www.youtube.com/watch?v=kizlUXMPKX0 https://br.freepik.com/vetores-gratis/ilustracao-do-conceito-de-aprendizagem_14230944.htm#query=aprendizagem&position=2&from_view=search https://br.freepik.com/vetores-gratis/ilustracao-do-conceito-de-aprendizagem_14230944.htm#query=aprendizagem&position=2&from_view=search 36 de uma metodologia inadequada da professora, quando esta professora modifica seu estilo de ensinar, esta criança, conseguirá assimilar o conteúdo e a dificuldade será sanada. Já, os transtornos de aprendizagem, cujo tema é objeto de estudo deste tópico, são questões permanentes. Contudo, vale destacar que mesmo com a presença dos transtornos de aprendizagem, a criança apresenta inteligência normal, bons ajustes emocionais, nível socioemocional e cultural aceitável. (ROTTA, OHLWEILER E RIESGO, 2016). Ainda, de acordo com as autoras, Os transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares compreendem grupos de transtornos manifestados por comprometimentos específicos e significativos no aprendizado de habilidades escolares. Esses comprometimentos no aprendizado não são resultado direto de outros transtornos, ainda que eles possam ocorrer simultaneamente. (0.109) Vale lembrar ainda que o transtorno persiste mesmo com o atendimento especializado, o que irá ocorrer é a diminuição da sintomática, para fazer com que ocorra uma melhoria na qualidade de vida do sujeito. Para tanto, na sequência, apresentaremos a vocês alguns dos transtornos de aprendizagem mais comuns e recorrentes no consultório de neuropsicopedagogia. NOME DO TRANSTORNO CONCEITO DIAGNÓSTICO Transtornosespecíficos de aprendizagem com prejuízo na leitura Leitura lenta ou imprecisa, tenta adivinhar palavra, dificuldade de soletrar, dificuldade de interpretar e compreender o que leu. Avaliação psicopedagógica e neuropsicopedagógica e psicológica. Transtornos específicos de aprendizagem com prejuízo na expressão escrita Dificuldade de ortografar, omissão ou inclusão de vogais e consoantes inexistentes, erros gramaticais, organização inadequada da escrita, e sem clareza. Avaliação psicopedagógica e neuropsicopedagógica e psicológica. Transtornos específicos de aprendizagem com prejuízo na matemática Dificuldades para dominar o senso numérico, fatos numéricos ou cálculo (p. ex., entende números, sua Avaliação psicopedagógica e neuropsicopedagógica e psicológica. 37 magnitude e relações de forma insatisfatória; conta com os dedos para adicionar números de um dígito em vez de lembrar o fato aritmético, como fazem os colegas; perde- se no meio de cálculos aritméticos e pode trocar as operações). 6. Dificuldades no raciocínio (p. ex., tem grave dificuldade em aplicar conceitos, fatos ou operações matemáticas para solucionar problemas quantitativos) (DSM-V) Transtorno do Espectro autista Prejuízo na comunicação social, dificuldade em relacionamentos, padrões e estereotipias, sintomas presentes no desenvolvimento. (DSM- V) Exame de neuroimagem, exame neuropsicopedagógico e psicopedagógico, avaliação fonoaudiológica, exames imunológicos. Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade Padrões persistentes de desatenção, hiperatividade, dificuldades atencionais em atividades lúdicas, dificuldades em se organizar, distraído, perde coisas facilmente, remexe ou batuca as mãos, levanta-se da cadeira, resposta antes das perguntas, interrompe ou se intromete. Exames neurológicos, neuropsicopedagógicos psicométricos. Transtorno da Linguagem Dificuldade persistente na aquisição da linguagem nas mais diferentes modalidades, possui um repertório limitado (DSM- V). Possui uma prevalência em 13% das crianças de quatro e cinco anos de idade. (ROTTA, Anamnese completa, exame neurológico para verificação das áreas cerebrais. Exames psicológicos e psicopedagógicos. 38 OHLWEILER E RIESGO, 2016) Transtorno da Fala Inteligibilidade da fala e dos processos de comunicação verbal, limitações na comunicação eficaz. Aparece ainda na infância. Diagnóstico ocorre quando a fala não acontece como esperado conforme idade e desenvolvimento. Transtorno da Fluência com Início na Infância (Gagueira) Perturbação na fluência normal, repetição de sons e sílabas, prolongamento sonoro, interrupção nas palavras, excesso de tensão física, ansiedade. Exames linguísticos, fonoaudiológicos, avaliação psicopedagógica. Fonte: Desenvolvido com base no DMS-V No quadro que apresentamos, estão as principais classificações dos transtornos de aprendizagem e de outros transtornos que direta ou indiretamente influenciam o processo de aprendizagem das crianças. Vale ressaltar que para cada um deles, os profissionais de neuropsicopedagogia precisam estabelecer e selecionar instrumentos que apoiam o processo diagnóstico, de avaliação e de intervenção. Conclusão da aula A compreensão das funções psicológicas superiores faz com que tenhamos subsídios para o entendimento de processos de avaliação em neuropsicopedagogia. Percebam, quando um estudante chega à clínica com dificuldades de atenção, precisaremos realizar os processos investigativos para entendermos de qual condição se trata, se é apenas uma dificuldade ou se há a hipótese de transtornos de atenção. Portanto, compreender as FPS é compreender a própria organização “em sistemas funcionais, cuja finalidade é organizar adequadamente a vida mental de um indivíduo em seu meio” (VERONEZI, DAMASCENO e FERNANDES, 2005, p.538). Portanto, quando estão em desarmonia, ou caso existam possíveis hipóteses de lesões neurológicas, ocorrem o aparecimento de sintomas. 39 Como resumo de nossa primeira aula, acompanhe o esquema a seguir com os principais temas tratados até aqui. Atividade de Aprendizagem Nesta aula, conhecemos as principais funções psicológicas superiores, para tanto, solicitamos que façam um quadro comparativo, formulando o seu conceito acerca das funções psicológicas descritas nesta aula e possíveis estratégias ou atividades pedagógicas de intervenção. FPS Sistema psicológico complexo, composto por diferentes funções. Atenção Aquilo que diz respeito à organização e à seletividade. Memória Capacidade de retenção, compreensão e evocação. Fala Compreensão da organização mental da fala e dos aspectos da linguagem Transtornos Termo que abarca diferentes questões de aspectos neurológicos que dificultam os aspectos da aprendizagem. 40 Aula 3 – Neuropsicopedagogia clínica: histórico, avaliação e o início do atendimento Apresentação da aula Olá, caro estudante, seja bem-vindo à nossa terceira aula da disciplina de Neuropsicopedagogia Clínica. Até agora, discutimos o processo de instrumentalização. Agora, falaremos acerca de práticas iniciais relacionada com os atendimentos em consultório pelo neuropsicopedagogo clínico. Portanto, iniciaremos conceituando a área. Na sequência, concentrar-nos-emos no espaço de atendimento deste profissional, código de ética, protocolo de anamnese, sessões de atendimento e roteiro e, por fim, apresentaremos algumas práticas de avaliação. 3.1 Situando conceitualmente a neuropsicopedagogia A neuropsicopedagogia ocupa-se do atendimento no âmbito clínico dos transtornos de aprendizagem, com um enfoque relacionado com as áreas cerebrais e suas possíveis correlações com os sintomas apresentados. Uma informação de grande valia é que os profissionais desta área não trabalham apenas com a infância, mas com todas as faixas geracionais. Um ramo crescente que está surgindo nos últimos anos é o atendimento a idosos, sobretudo em casas de repouso, com intervenções que possam melhorar sua qualidade de vida. Sempre surgem questões, como exemplo, por que estudarmos o cérebro durante seu processo de desenvolvimento e durante o processo de aprendizagem? Para apoiarmos e conseguirmos responder, vamos obter subsídios de Zorzi (2009), que afirma que: O cérebro é a matéria-prima para o sucesso da aprendizagem. É o responsável pela integração do organismo com seu meio ambiente. Se considerarmos a aprendizagem resultante da interação do indivíduo com o meio ambiente, percebemos que é ele o que propicia o arcabouço biológico para o desenvolvimento das habilidades cognitivas (p. 11). 41 É justamente neste contexto que a neuropsicopedagogia nos apoia para todo este entendimento. A Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia define esta área sendo “uma ciência transdisciplinar, fundamentada nos conhecimentos da Neurociências aplicada à educação [neuroeducação], com interfaces da Pedagogia e Psicologia Cognitiva que tem como objeto formal de estudo a relação entre o funcionamento do sistema nervoso e a aprendizagem humana numa perspectiva de reintegração pessoal, social e educacional”. Avelino (2019, p. 35) nos apresenta, ainda, os objetivos da neuropsicopedagogia, em que esta relaciona saberes que Vão desde os mais diversos comportamentos, pensamentos, emoções, movimentos e principalmente a efetividade, ao fornecer melhorias na qualidade de vida do indivíduo. Assim, a função geradora do profissional em neuropsicopedagogia é buscar tratamentos efetivos para variados distúrbios, transtornos ou doenças, que prejudicam principalmente sonhos de alunos, pais e professores na EducaçãoBásica. Peruzzolo; Costa, (2015) afirmam que são variadas as formas de atuação do neuropsicopedagogo, como a intervenção por meio dos jogos, que buscam trabalhar algumas das habilidades específicas, como a atenção, a percepção, habilidades matemáticas e de linguagem, sempre objetivando despertar o interesse daquela criança pelo aprender e diminuindo toda a sintomática que aquele possível transtorno lhe cause. Agora que já conhecemos um pouco acerca da conceituação da neuropsicopedagogia de forma mais ampla, vamos discutir seu enfoque clínico, objeto de estudo desta disciplina. De acordo com a SBNPp, “a neuropsicopedagogia clínica, embora estude o funcionamento do cérebro e o comportamento humano, tem os alicerces de sua prática nas teorias de aprendizagem e nas estratégias para o ensino-aprendizagem”. Ainda sobre o contexto clínico, a SBNPP, situa que esta área refere-se ao “clínico [que] atua em equipe multiprofissional em consultórios, clínicas, posto de saúde, terceiro setor etc. fazendo avaliação e intervenção em crianças e adolescentes com dificuldades escolares. Para tanto, necessitará de supervisão clínica”. A Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia (2018, s/p) ainda nos coloca as atribuições do profissional clínico, por meio de seu código de ética, em que: 42 Artigo 31º. Ao Neuropsicopedagogo com formação na área Clínica, conforme descrito no Capítulo V, fica delimitada sua atuação com atendimentos neuropsicopedagógicos individualizados em setting adequado, como consultório particular, espaço de atendimento, posto de saúde, terceiro setor, conforme características institucionais dispostas no Art. 29. §1°A atuação do Neuropsicopedagogo no ambiente hospitalar ficará condicionada à existência de projeto de interesse da instituição hospitalar na qual se insira a sua atuação profissional. §2°Entende-sequesua atuação na área clínica, pode atender o aspecto multiprofissional de acordo com o espaço no qual o neuropsicopedagogo estará inserido e deve contemplar: I -Observação, identificação e análise dos ambientes sociais no qual está inserido a pessoa atendida, focando nas questões relacionadas a aprendizagem e ao desenvolvimento humano nas áreas motoras, cognitivas e comportamentais. II -Avaliação, intervenção e acompanhamento do indivíduo com dificuldades de aprendizagem, transtornos, síndromes ou altas habilidades que causam prejuízos na aprendizagem escolar e social, através de um plano de intervenção específico que prevê sessões contínuas de atendimento. III –Criação de estratégias que viabilizem o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem do paciente. IV –Utilização de protocolos e instrumentos de avaliação e intervenção devidamente validados e abertos para uso da Neuropsicopedagogia. V - Elaboração de Relatório de Avaliação Neuropsicopedagógica Clínica, bem como participação em relatórios de avaliação multiprofissional. VI –Encaminhamento a outros profissionais quando o caso for de outra área de atuação/especialização. Ainda neste limiar, para Hennemann (2012, p. 11), os neuropsicopedagogos clínicos são habilitados para • Compreender o papel do cérebro do ser humano em relação aos processos neurocognitivos na aplicação de estratégias pedagógicas nos diferentes espaços da escola, cuja eficiência científica é comprovada pela literatura, que potencializarão o processo de aprendizagem; • Intervir no desenvolvimento da linguagem, neuropsicomotor, psíquico e cognitivo do indivíduo. • Adquirir clareza política e pedagógica sobre as questões educacionais e capacidade de interferir no estabelecimento de novas alternativas neuropsicopedagógicas e encaminhamentos no processo educativo. • Compreender e analisar o aspecto da inclusão de forma sistêmica, abrangendo educandos com dificuldades de aprendizagem e sujeitos em risco social. Portanto, com todo este arcabouço técnico e teórico, conseguimos perceber a vasta atuação clínica dentro do campo da neuropsicopedagogia, fazendo uma atuação interdisciplinar tanto em consultório quanto em equipes 43 multiprofissionais, realizando avaliações e intervenções nas dificuldades e transtornos de aprendizagem. 3.1.1 Prática Clínica: roteiro para avaliação, anamnese, instrumentos e queixa clínica Sánchez-Cano (2008) esclarece que a avaliação é a reunião de informações com devidas análises dos resultados dos instrumentos e testes aplicados com o intuito de entender como a aprendizagem deste paciente ocorre, fazendo relações com as devidas áreas cerebrais e suas dificuldades ou possíveis transtornos. Uma outra definição que podemos encontrar em outros autores, nos quais entende-se a avaliação psicopedagógica neste contexto como: Um processo compartilhado de coleta e análise de informações relevantes acerca dos vários elementos que intervêm no processo de ensino e aprendizagem, visando identificar as necessidades educativas de determinados alunos ou alunas que apresentem dificuldades em seu desenvolvimento pessoal ou desajustes com respeito ao currículo escolar por causas diversas, e a fundamentar as decisões a respeito da proposta curricular e do tipo de suportes necessários para avançar no desenvolvimento das várias capacidades e para o desenvolvimento da instituição (COLL; MARCHESI; PALACIOS, 2007, p. 279). Agora que conseguimos conceituar o processo de avaliação em neuropsicopedagogia, faz-se necessário apresentar a vocês a questão da queixa. A queixa é o motivo que fez com que esta criança ou, ainda, este paciente chegasse ao seu consultório, podendo ser por questões de baixo desempenho escolar ou, ainda, outra sintomática referente ao nosso processo de trabalho. Vale lembrar que todo o nosso trabalho de avaliação clínica deverá estar pautado sobre a queixa trazida a nós, visto que poderá acontecer de esta queixa não ser confirmada. Um exemplo, uma criança é trazida ao consultório, pois tem dificuldades de aprendizagem na matemática. Porém, durante o processo avaliativo, foi entendido que a dificuldade era emocional em virtude da separação de seus pais e não em virtude da matemática propriamente dita. 44 Portanto, por meio dos instrumentos, escalas, entrevistas e dinâmicas, deveremos construir nossos sistemas de hipóteses e ir confirmando ou descartando à medida que o processo de avaliação vai se desenvolvendo. Com isso, a queixa é nosso instrumento inicial de trabalho dentro do campo clínico, pois é por meio dela que iremos nos nortear. Já compreendemos um pouco sobre a queixa e a avaliação clínica, vamos discutir agora sobre um protocolo ou, ainda, sugestão de roteiro para as sessões de atendimento e do percurso do processo de avaliação neuropsicopedagógica. A Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia propôs um protocolo para a sessões de avaliação em neuropsicopedagogia, na sequência apresento um formulário desenvolvido com base em suas propostas. ACOMPANHAMENTO DA AVALIAÇÃO Nº da sessão O que fazer Data e resultado da sessão 1ª sessão Anamnese (esta pode ser elaborada de acordo com as características do trabalho de cada profissional e a queixa/contexto de cada atendimento); 2ª sessão – Avaliação Pode ocorrer em até 3 vezes na semana, viabilizando a entrega rápida ao profissional de saúde solicitante ou escola, visando ao processo, se necessário, adequações pedagógicas; 3ª sessão – Avaliação Pode ocorrer em até 3 vezes na semana, viabilizando a entrega rápida ao profissional de saúde solicitante ou escola, visando ao processo, se necessário, adequações pedagógicas; 45 4ª sessão – Avaliação Pode ocorrer em até 3 vezes na semana, viabilizando a entrega rápida ao profissional de saúde solicitante ou escola, visando ao processo, se necessário, adequações pedagógicas; 5ª sessão – Avaliação Pode ocorrerem até 3 vezes na semana, viabilizando a entrega rápida ao profissional de saúde solicitante ou escola, visando ao processo, se necessário, adequações pedagógicas; 6ª sessão – Devolutiva Devolutiva aos pais e responsáveis, sendo possível a entrega de laudo técnico para encaminhar aos profissionais de saúde para fechamento de diagnósticos embasados no trabalho em equipe multiprofissional; Fechamento Contato com a escola para orientações acadêmicas, visando à melhoria da aprendizagem do aluno. Fonte: Elaborado com base na Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia (2017). Vale lembrar que a sugestão acima poderá ser modificada, talvez a sessão de avaliação demandará um número maior em virtude do desenvolvimento e andamento da criança nos protocolos propostos. Nas sessões descritas como avaliação, você terá o contato com a criança e aplicará os protocolos selecionados por vocês. O processo de avaliação em neuropsicopedagogia busca compreender as dificuldades da leitura, da escrita, da matemática e também da atenção, 46 percepção e memória. Na sequência, apresentamos algumas ponderações acerca dessas dificuldades: 1. Avaliação da leitura: de acordo com Miotto (2015, s.p.), um dos critérios para avaliação neuropsicopedagógica no que tange à leitura é a “leitura de palavras de forma imprecisa ou com esforço (p. ex., lê palavras isoladas em voz alta de modo incorreto ou lento e hesitante, frequentemente adivinha palavras, tem dificuldade de soletrá-las)”. 2. Avaliação da escrita: Miotto (2018, s.p.), colabora acerca da avaliação da escrita, com a observação de alguns critérios, como exemplo, falar em voz alta as palavras enquanto elas são escritas, substituição de letras por outras, omissão de letra nas palavras, inversão de letras, (ex.: inversões: p por q; b por d; 51 por 15); dificuldade em organizar e apresentar o pensamento no papel. 3. Avaliação da matemática: provas operatórias piagetianas, jogos de classificação, seriação, sequenciamento, memória, espaço, tempo e medidas. A Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia, em sua nota técnica, Nº 02/2017, estabelece um quadro com os principais instrumentos, protocolos e testes que podemos utilizar em nosso processo de avaliação, conforme apresentado na sequência. PROTOCOLO DE MATERIAL PARA AVALIAÇÃO NEUROPSICOPEDAGÓGICA CLÍNICA Instrumento O que avalia Faixa etária Pré-requisitos à Alfabetização IAR – Pré-Requisitos à Alfabetização www.centraldidatica.com Pré-requisitos: 13 provas 6 anos Teste de Vocabulário por Figuras – USP – Capovilla Livro: Teste de Vocabulário por Figuras – USP WWW.memnon.com.br Vocabulário receptivo Vocabulário expressivo Auditivo: 18 meses a 6 anos e Expressivo: 18 meses aos 5 anos Avaliação Neuropsicológica Cognitiva: Linguagem Oral – Volume 2 – (Seabra & Dias) WWW.memnon.com.br Discriminação fonológica Nomeação Repetição de Palavras e pseudopalavras Consciência fonológica por produção oral Consciência sintática 3 a 6 anos 3 a 14 anos 3 a 14 anos 3 a 14 anos 3 a 6 anos 11 a 14 anos http://www.centraldidatica.com/ http://www.memnon.com.br/ http://www.memnon.com.br/ 47 Avaliação Neuropsicológica Cognitiva: Leitura, Escrita e Aritmética – Vol.3 Teste Contrastivo de Compreensão Auditiva e de Leitura 2 subtestes: Subteste de Compreensão de Sentenças Escritas Subteste de Compreensão de Palavras faladas Prova escrita sob ditado (versão reduzida) www.memnon.com.br Verificar se a dificuldade específica da criança refere-se à compreensão da linguagem escrita ou à compreensão linguística Avaliar a habilidade da escrita 6 a 11 anos 6 a 11 anos TCLPP – Teste de Competência de Leitura de Palavras e Pseudopalavras (Seabra, Capovilla) www..centraldidatica.com.br Avaliação da competência de leitura silenciosa de palavras isoladas, e coadjuvante para o diagnóstico diferencial de distúrbios de aquisição de leitura. 1ª a 5ª série [terminologia antiga do E.F.] Avaliação da Compreensão Leitora de Textos Expositivos (Saraiva, Moojen, Munarski) www.casadopsicologo.com.br Compreensão da leitura. Ensino Fundamental I,II, Médio e Adulto Compreensão da Leitura de Palavras e Frases (Oliveira e Capellini, 2014) Provas de avaliação para escolares no início da alfabetização A habilidade para compreender o significado da palavra escrita A habilidade para compreender o significado da frase escrita. 2º ano do EFI A habilidade de compreensão da frase escrita a partir da figura. PROADE – Proposta de Avaliação das dificuldades escolares (Bacha, Volpe, 2014) Página 45 do teste informa: versão para profissionais não fonoaudiólogos Leitura, escrita e matemática Caderno de Aplicação consta: Linguagem oral [provas: nomeação, repetição oral, cenas de elaboração oral, sequência lógica]; Leitura [de letras, de palavras, vogais, sílabas simples e palavras conhecidas, de textos, compreensão de leitura]; Escrita [a partir de figuras, lista de palavras para ditado]; Matemática [para cada ano escolar]. 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental I PROCOMLE – Protocolo de Avaliação da Compreensão de Leitura para escolares INSTRUMENTO ABERTO PARA PROFISSIONAIS DA ÁREA DE SAÚDE E EDUCAÇÃO Compreensão de leitura. 3º ao 5º ano Pro-Ortografia - Pró-fono Batista ABERTA A VERSÃO COLETIVA para professores e coordenadores pedagógicos no contexto escolar (coletivo) Batista, A.O.; Cervera-Mérida, J.F; Ygual-Fernàndez A.; Capellini, S.A. PARA SONDAGEM DO DESEMPENHO ORTOGRÁFICO PODE SER UTILIZADA APENAS A PROVA DE DITADO DE PALAVRAS Desempenho ortográfico. 2º ao 5º ano http://www.memnon.com.br/ http://www.centraldidatica.com.br/ http://www.casadopsicologo.com.br/ 48 APET – Análise da Produção Escrita de textos. Forte, L.K; Scarpa, M.L.; Kubota, R.S. – Editora Pulso Questionário, texto narrativo e dissertativo- argumentativo. 5º ano ao 3º Ensino Médio CONFIAS – Consciência Fonológica - instrumento de avaliação sequencial (Moojen, S. coord) www..casadopsicologo.com.br Consciência fonológica de forma abrangente e sequencial. A partir de 4 anos TDE – Teste de Desempenho Escolar (Stein) www.casadopsicologo.com.br Leitura, escrita e Aritmética. 1ª a 6ª série do E.Fund [terminologia antiga] PROLEC – Provas de Avaliação dos Processos de Leitura (Capellini, Oliveira, Cuetos – adaptação brasileira) www.casadopsicologo.com.br Identificar as dificuldades que interferem no processo de desenvolvimento da leitura, atuando como um guia para orientar programas de recuperação. 2º ao 5º ano do E.F. Facilitando a Alfabetização multissensorial, fônica e articulatória [vol.1 e 2]. Caderno Multissensorial Cartilha criada ABD – Associação Brasileira de CD da ABD explicando o instrumento. Muito bem explicado cientificamente. Maria Ângela Nogueira Nico - fonoaudióloga Áurea Maria Stavale Gonçalves - psicóloga Ed.Booktoy Auxiliar crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem, principalmente aquelas com dislexia ou com risco de dislexia. Alfabetização Prohfon – Protocolo de Avaliação das Habilidades Metafonológicas. Giseli Donadon Germano – Simone A.Capellini – fonoaudiólogas Objetivo: ABERTO segundo as autoras e pode ser utilizado em contexto educacional de forma coletiva ou individual Avaliar as habilidades metafonológicas. 2º ao 5º ano do EF 1 CORUJA – PROMAT – Roteiro para Sondagem de Habilidades Matemáticas – Ensino Fundamental 1 http://www.projecto-psi.com.br/ Verificar se as competências básicas foram adquiridas. 1º ao 5º ano Avaliação Neuropsicológica Cognitiva - Atenção e Funções Executivas – (Seabra, Dias) vol. 1 www.memnon.com.br Atenção seletiva; Atenção seletiva com demanda de alternância; Função executiva e flexibilidade cognitiva; Habilidade de planejamento, flexibilidadee resolução de problemas. 5 até 14 anos 6 até 14 anos 11 até 14 anos EME-IJ – Escala para Avaliação da Motivação Escolar Infanto-juvenil WWW..casadopsicologo.com.br Motivação escolar intrínseca; Motivação extrínseca; Motivação escolar geral da pessoa. 8 a 11 anos EAVAP-EF Escala de Avaliação das estratégias de aprendizagem WWW.casadopsicologo.com.br Dificuldades para estudar e aprender. 7 a 16 anos DCDQ- Questionário de Coordenação Realiza uma triagem sobre histórico do desenvolvimento motor da criança ou do adolescente (deve ser respondido com os pais). 5 a 14 anos http://www.casadopsicologo.com.br/ http://www.casadopsicologo.com.br/ http://www.casadopsicologo.com.br/ http://www.projecto-psi.com.br/ http://www.memnon.com.br/ http://www.casadopsicologo.com.br/ http://www.casadopsicologo.com.br/ 49 Ficha de Acompanhamento do Desempenho Motor Realiza triagem sobre histórico do desenvolvimento motor no estágio inicial de vida. 01 mês à 07 anos GMFM - ESCALA GROSS MOTOR FUNCTION MEASURE Avalia 5 dimensões de movimentos rudimentares. 06 meses a 12 anos MABC-2 A é composta por oito tarefas divididas em três classes de tarefas: (1) destreza manual; (2) mirar e receber; (3) equilíbrio. As tarefas são divididas em três faixas: (faixa 1) 3 a 6 anos; (faixa 2) 7 a 10 anos); (faixa 3) 11 a 16 anos. As oito tarefas compreendem três com habilidades de destreza manual, duas com habilidades de mirar e receber e três com habilidades de equilíbrio. Permite realizar uma avaliação motora completa, que tem como objetivo classificar se a idade física é correspondente ao seu desenvolvimento motor. 06/07 anos a 14 anos TGMD-2 Test of Gross Motor Development – second edition, é um teste referenciado por norma e por critério que avalia o desenvolvimento motor de crianças de. É composto de doze habilidades motoras fundamentais, subdivididas em dois sub-testes compostos estes por seis movimentos fundamentais de locomoção (correr, galopar, passada, saltar com um pé, salto horizontal e corrida lateral) e seis movimentos fundamentais manipulativos (de controle de objeto) (rebatida, quicar, receber, chutar, arremessar e rolar). Os itens apresentados no teste são divididos por critérios de execução, possibilitando a criança demonstrar competência na execução da habilidade avaliada, permitindo assim identificar dificuldades motoras de maneira precoce. 3 anos completos (3- 0) a 10 anos e 11 meses (10- 11). Manual de Avaliação Motora. – Escala de Desenvolvimento Motor (EDM 2 Edição 2014 Analisar os problemas estabelecidos; diferenciar os diversos tipos de debilidade; suspeitar e inclusive afirmar a presença de dificuldades escolares, perturbações motoras e problemas de conduta; avaliar os progressos da criança, durante seu desenvolvimento evolutivo; identificar os sinais de alerta nos transtornos neuroevolutivos; acompanhar a criança em diferentes etapas evolutivas. 3 a 10 anos Teste de Integração Viso-Motora Beery VMI É um teste utilizado para avaliar a habilidade de integração visuo-motora. Consiste na reprodução de 24 figuras geométricas dispostas em ordem crescente de dificuldade. É composto de dois testes suplementares, o de Percepção Visual, do inglês Visual Perceptual (VP) e o de Coordenação Motora, do inglês Motor Coordination (MC), os quais foram adicionados na revisão realizada em 1997 no intuito de proporcionar recurso para avaliar estatisticamente as contribuições visual e 2 a 100 anos 50 motora para a performance na integração visuo- motora. Teste de Tempo de Reação da Régua – Avalia tempo de reação simples. 04 a 100 anos Teste de processamento mental de dupla escolha (DMCPT) Avalia tempo de reação de discriminação simples e complexa através de formato digital. 06 a 80 anos Escala de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (ETDAH-AD) Edyleine Bellini Peroni Benczik - Editora Vetor Objetivo: auxiliar no processo diagnóstico do TDAH, com a possibilidade de distinguir a apresentação do transtorno, a intensidade e o nível de prejuízo existente (leve, moderado e grave). Permitir a elaboração de um plano de intervenção, seja esta psicológica, neuropsicológica, educacional, social, vocacional ou profissional, psicopedagógica, entre outras. Adolescentes e adultos com idade compreendida entre 12 e 87 anos Fonte: Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia 3.1.2 Código de ética da neuropsicopedagogia O profissional de neuropsicopedagogia conta com um código de ética estabelecido pela Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia. Antes de apresentarmos este documento, vale destacar que não estamos o apresentando na íntegra, apenas as partes pertinentes para nossa disciplina. Neste aspecto, entendemos por ética profissional todas as ações, conjunto de atividades e atitudes necessárias para o excelente desempenho profissional. O processo ético profissional dos neuropsicopedagogos precisam, sobretudo, estar calcados nos aspectos do sigilo profissional e na utilização de critérios, instrumentos e escalas éticas em seu processo de avaliação e intervenção. A seguir, apresentamos alguns pontos relevantes da ética profissional do neuropsicopedagogo. 51 CÓDIGO DE ÉTICA, TÉCNICO PROFISSIONAL DA NEUROPSICOPEDAGOGIA ABRANGÊNCIA O Código de Ética Técnico Profissional é um instrumento norteador da Neuropsicopedagogia de forma ampla, pertence e se aplica a todos os associados da SBNPp – Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia, até que a profissão seja regulamentada, sendo que este documento será anexado ao projeto de lei na relação descritiva de trabalho legítimo e de importância na responsabilidade com a sociedade. CAPÍTULO I. DA APRESENTAÇÃO, DENOMINAÇÃO E OBJETIVOS Artigo 2º. O Código de Ética Técnico Profissional tem por objetivo maior, estabelecer critérios e orientar os profissionais da Neuropsicopedagogia quanto aos princípios, normas e valores ponderados à boa conduta profissional, estabelecendo diretrizes para o alcance profissional da Neuropsicopedagogia e para as interações com a SBNPp. Faz-se necessário a revisão deste Código, a cada biênio, ou quando solicitado mediante aos critérios fixados no Estatuto Oficial e Regimento Interno da SBNPp, a fim de que se mantenha atualizado com as expectativas dos profissionais e da sociedade em geral. Artigo 3º. Definiu-se por parametrizar como Neuropsicopedagogo Institucional e/ou Clínico aqueles profissionais que possuem formação em nível de graduação nas áreas de educação ou saúde e obtenham a especialização em Neuropsicopedagogia Institucional ou Clínica, em instituições cujos cursos sejam reconhecidos pelo Ministério da Educação. Artigo 4º. O Código de Ética Técnico Profissional, ao estabelecer critérios e orientações para modelos ideais esperados quanto às práticas 52 referendadas pela respectiva descrição profissional e pela sociedade, procura fomentar a autorreflexão exigida de cada indivíduo acerca das suas práxis, de modo a responsabilizá-lo pessoal e coletivamente, por ações e suas consequências no exercício de conduta profissional. A missão primordial do Código de Ética Técnico Profissional é de assegurar, dentro de valores relevantes para a sociedade e para as práticas desenvolvidas, um padrão de conduta que fortaleça o reconhecimento social do Neuropsicopedagogo. Artigo 5º. O Código de Ética Técnico Profissional apresenta uma concepção de homem e de sociedade que determina a direção das relações entre os indivíduos. Traduzem-se em princípios e normas que devem se pautar pelo respeito ao sujeito humano e seus direitos fundamentais. Por constituir a expressão de valores universais, tais como os constantes na Declaração Universal dos Direitos Humanos; sócio culturais, que refletem a realidade dopaís; e de valores que estruturam o ofício. Este Código não pode ser visto como um conjunto fixo de normas e imutável no tempo. As sociedades mudam, as profissões transformam-se e isso exige, também, uma reflexão contínua sobre o próprio regimento que nos orienta. Artigo 6º. A formulação do Código de Ética Técnico Profissional, responde ao âmbito organizativo dos Neuropsicopedagogos, ao momento em que se encontram a área e os contextos de atuação no Brasil, legitimados pela Classificação Brasileira de Ocupação CBO 2394-40 (Clínico) e CBO 2394-45 (Institucional). Artigo 7º. De acordo com a conjuntura democrática vigente no Brasil, o Código de Ética Técnico Profissional foi construído a partir de múltiplos espaços de discussão sobre a ética da área como formação e como atuação, assim como suas responsabilidades e compromissos com a promoção da cidadania. Consolida-se através da participação direta dos membros da Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia, bem como aberto à sociedade em geral atuante no que se diz respeito aos interesses éticos e de regulamentação da área. Artigo 8º. O Código de Ética Técnico Profissional, objetiva também a aproximação de um instrumento de reflexão do Neuropsicopedagogo Institucional e Clínico para nortear padrões éticos e técnicos da ação 53 profissional. Diante desta premissa na sua elaboração atentou-se: I -Prezar os princípios fundamentais de orientação do Neuropsicopedagogo com a sociedade, o ofício, as demais entidades profissionais, os ambientes e a ciência, levando em consideração que estes eixos permeiam todas as práticas e estas demandam uma contínua reflexão sobre o contexto social e institucional. II – Abertura ao diálogo, debate ou discussão, pelo Neuropsicopedagogo e suas interfaces, dos limites e entendimentos relativos aos direitos individuais e coletivos, importante para as relações que estabelece com a sociedade, os demais atuantes como ofício e os que dependerem dos serviços. III –Observar os vieses de diversidade na atuação da Neuropsicopedagogia enquanto uma área ampla e decrescente participação do Neuropsicopedagogo em seus diversos contextos e em equipes multiprofissionais e em pesquisa. IV – Instigar o pensamento frente as responsabilidades éticas no que se refere a atuação neuropsicopedagógica de modo geral e não em suas práticas particulares, uma vez que os principais dilemas éticos não se restringem a práticas específicas e surgem nos mais variados contextos de atuação. Artigo 9º. O Código de Ética Técnico Profissional da Neuropsicopedagogia tem a intenção de ser uma ferramenta capaz de descrever para a sociedade as responsabilidades e deveres do neuropsicopedagogo, oferecendo diretrizes para a sua formação e delimitar os julgamentos das suas ações e de conduta, contribuindo para o fortalecimento e ampliação do significado social do profissional. CAPÍTULO III. DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES, DAS RESPONSABILIDADES E PROMOÇÃO PROFISSIONAL Artigo 65º. Ao Neuropsicopedagogo é vedado: I – Usar títulos que não possua, ou, anunciar especialidades para as quais não esteja habilitado, considerando também sua formação inicial na Graduação, e que não possa comprovar através de documentação solicitada. 54 II – Praticar ou ser conivente com quaisquer atos que caracterizem negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade ou opressão. III – Induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito, quando do exercício de suas funções neuropsicopedagógicas. IV - Utilizar, facilitar ou favorecer o uso de conhecimento e a utilização de práticas neuropsicopedagógicas como instrumentos de castigo, tortura ou qualquer forma de exploração, violência, crueldade ou opressão. V - Induzir ou obrigar qualquer pessoa ou organização a recorrer a seus serviços. VI – A cumpliciar-se, por qualquer forma, com pessoas ou organizações que exerçam, facilitem ou favoreçam ilegalmente as atividades de Neuropsicopedagogia ou qualquer outra atividade profissional. VII - Fornecer o Relatório de Avaliação Neuropsicopedagógica sem conhecimento prévio do paciente, através de qualquer meio de comunicação. VIII – Prolongar desnecessariamente o atendimento e tratamento neuropsicopedagógico com o usuário ou beneficiário a fim de enriquecimento próprio. IX - Realizar atendimento em Neuropsicopedagogia, através de qualquer veículo de comunicação. X –Prestar serviços ou vincular o título de Neuropsicopedagogo à serviços de atendimento Neuropsicopedagógico cujos procedimentos, técnicas e meios não estejam regulamentados ou reconhecidos pelos órgãos reguladores, neste caso, de conhecimento e aprovação dos Conselhos de Ética e Técnico Profissional da SBNPp (Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia). XI - Garantir resultados de qualquer procedimento de intervenção individualizada ou intervenção institucional, através de métodos infalíveis sensacionalistas, que não sejam fundamentados e legitimados através de testes confiáveis e aprovados ou ainda, de conteúdo inverídico. XII – Interferir na validade e fidedignidade de instrumentos e técnicas Neuropsicopedagógicas, adulterar seus resultados, emitir documentos, relatório ou fazer declarações que não correspondam a veracidade dos fatos e que não estejam fundamentados em qualidade profissional, técnica e 55 científica. XIII – Usar pessoas não habilitadas para a realização de práticas em substituição à sua própria atividade. XIV - Avaliar ou tratar distúrbios do âmbito Neuropsicopedagógicos, a não ser no relacionamento profissional. XV - Ser conivente com erros, faltas éticas, violação de direitos, crimes ou contravenções penais praticadas por Neuropsicopedagogos ou outros profissionais na prestação de serviços a usuários ou beneficiários. XVI - Estabelecer com a pessoa atendida, familiar ou terceiro, que tenha vínculo com o atendido, relação que possa interferir negativamente nos objetivos do serviço prestado. XVII – Ser avaliador em situações nas quais seus vínculos pessoais ou profissionais, atuais ou anteriores, possam afetar a qualidade do trabalho a ser realizado ou a fidelidade aos resultados da avaliação. XVIII – Desviar para serviço particular ou de outra instituição, visando benefício próprio, pessoas ou organizações atendidas por instituição com a qual mantenha qualquer tipo de vínculo profissional. XIX – Prestar serviços profissionais a organizações concorrentes de modo que possam resultar em prejuízo para as partes envolvidas, decorrentes de informações privilegiadas. XX - Pleitear ou receber comissões, empréstimos, doações ou vantagens outras de qualquer espécie, além dos honorários contratados, assim como intermediar transações financeiras, receber, pagar remuneração ou porcentagem por encaminhamento de serviços. XXI – Usar para fins meramente promocionais e/ou comerciais, pessoas ou instituições a quem prestar serviços profissionais. XXII – Usar pessoas ou instituições para fins de ensino ou pesquisa, sem seu consentimento expresso e documentado, ou de seu representante legal. XXIII – Emitir julgamento depreciativo sobre o exercício das atividades de colegas, ressalvadas as comunicações de irregularidade, de ética e descumprimento deste Código, transmitidas ao órgão competente. XXIV – Avaliar os serviços prestados pelo colega, para determinar sua eficácia. 56 XXV – Realizar diagnósticos, divulgar procedimentos ou apresentar resultados de serviços neuropsicopedagógicos em meios de comunicação, de forma a expor pessoas, grupos ou organizações. XXVI - Dar diagnóstico clínico de qualquer patologia que não seja da área da Neuropsicopedagogia, assim como, promover qualquer intervenção, também, fora da área da Neuropsicopedagogia.Fonte: Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia Conclusão da aula Compreender os principais instrumentos de avaliação em neuropsicopedagogia, bem como as práticas que norteiam a profissão, faz-se de suma importância para o neuropsicopedagogo que deseja atuar no campo clínico, visto que precisamos constantemente buscar ferramentas práticas e aportes teóricos para a atuação em consultório. Como resumo de nossa terceira aula, acompanhe o esquema a seguir com os principais temas tratados até aqui. 57 Atividade de Aprendizagem Agora que chegamos ao final desta aula, vamos praticar o que foi estudado até aqui. Para tanto, utilize o modelo de anamnese (apêndice) disponibilizada abaixo e faça a aplicação com os pais de uma criança que você conheça, ao final da aplicação, pegue todas as informações levantadas e construa um pequeno relatório da história da criança. APÊNDICE A – MODELO DE ANAMNESE Anamnese com os cuidadores Nome do Paciente Idade Data de nascimento Sexo: Escola onde estuda: Ano em que está matriculado: Endereço: Dados do pai: Dados da mãe: Neuropsicopedagogia Área interdisciplinar do conhecimento que possui como base teórica a neuropsicologia, neurociência e psicopedagogia. Código de ética Norteia as atividades do neuropsicopedagogo. Anamnese Instrumento utilizado para o início do atendimento. Instrumentos Protocolos e ferramentas utilizadas na avaliação e na intervenção em neuropsicopedagogia. Consultório Espaço adequado onde deve acontecer os atendimentos clínicos do neuropsicopedagogo. 58 Queixa inicial: Quem encaminhou: Dados relacionados à gestação: Dados relacionados ao parto: Alimentação da mãe durante a gestação: Existem problemas de alcoolismo na família? Dados do paciente: Descreva como é o sono do paciente: Descreva se possui fobias: Descreva os hábitos alimentares: Descreva os hábitos escolares: Descreva se teve reprovações na escola: Descreva como é o humor: Descreva se faz acompanhamento com outros profissionais: Descreva se tem alguma deficiência ou outro transtorno já diagnosticado: Descreva se é uma criança adotada: Descreva se faz uso de medicamentos: Descreva a saúde de maneira geral: Descreva se possui mais irmãos: Descreva um pouco sobre as habilidades matemáticas, de linguagem e motoras: Descreva se realiza as atividades de vida diária: Descreva o que o paciente gosta de fazer: 59 Aula 4 – Intervenção em neuropsicopedagogia clínica: jogos, testes e provas Apresentação da aula Olá, caro estudante, seja bem-vindo à nossa quarta aula. Nela, iremos discutir acerca dos processos interventivos em neuropsicopedagogia clínica. Inicialmente, discutiremos sobre a necessidade de um espaço adequado para os atendimentos clínicos, isto é, o consultório, traremos referências teóricas e práticas que endossam tal necessidade. Na sequência, abordaremos o processo e a conceituação de intervenção clínica, bem como modelos de formulários para acompanhamento desta etapa tão importante do tratamento do paciente. Um pouco mais adiante, apresentaremos alguns recursos e subsídios para a intervenção, isto é, alguns jogos que podemos utilizar caso o paciente esteja em alguma condição específica, como exemplo, dificuldades e transtornos na matemática, leitura, escrita ou aspectos atencionais. E, por fim, apresentaremos um modelo do informe em neuropsicopedagogia, para finalização do processo de atendimento clínico, bem como de nossa disciplina. 4.1 O espaço do consultório em neuropsicopedagogia Falar sobre o consultório de neuropsicopedagogia não é tarefa fácil, contudo é um tema muito pertinente para quem deseja empreender. Em primeiro lugar, tudo demanda investimento, não é mesmo? Neste tópico, quero dar algumas dicas teóricas e práticas acerca da montagem do consultório. Em primeiro lugar, precisamos definir o nosso nicho de atuação, isto é, o público-alvo ao qual desejaremos realizar o atendimento. É claro que no início de carreira sempre absorvemos boa parte das faixas etárias, contudo precisamos nos especializar em uma determinada faixa geracional. Existem neuropsicopedagogos clínicos, que atendem apenas a primeira infância, outros, segunda ou terceira infância, mas também existem aqueles que focam na adolescência, vida adulta ou até mesmo nos idosos. Após a definição do seu público-alvo, a partir dos primeiros atendimentos, você perceberá qual a maior demanda, por exemplo, atualmente 60 você está recebendo uma maior quantidade de pacientes com TDAH, portanto, você deverá ter materiais mais direcionados para esta demanda. O que eu quero dizer com isso? Não vá comprando todos os jogos e instrumentos que você encontrar pela frente ou em sites de vendas na internet, faça as aquisições à medida que você for tendo necessidade, lembre-se: tudo tem um custo. Em um segundo momento, você precisará definir o local onde será aberto seu consultório, na sequência, perceba a necessidade de um mobiliário adequado, principalmente se você for atender criança, isto é, mesas, cadeiras ergonomicamente projetadas para crianças. Outro aspecto importante é que muitos neuropsicopedagogos acabam pecando na decoração, muitas cores, muitos brinquedos, é válido ressaltar que o simples é o ideal. Até por que somos profissionais de saúde e educação. Uma dica que gostaria de deixar, você receberá provavelmente muita procura por reforço escolar, mas lembre-se, nosso trabalho não é esse. Cunha (2007) ainda comenta sobre o espaço de atendimento infantil, que, Em função das características da atividade, é mais adequado trabalhar em uma sala que não seja o consultório de adultos. É mais conveniente, então, realizar a atividade em uma sala preparada para brincar, ou seja, uma sala fácil de limpar, razoavelmente ampla, para não prejudicar a liberdade de expressão, e, sempre que possível, próxima a um banheiro e/ou cozinha, onde a criança possa ter acesso fácil à água, caso deseje brincar com ela, assim como possa limpar a sujeira de material de tinta, canetinhas, argila e semelhantes (p.99). Pois bem, outro aspecto importante do consultório é a necessidade de jogos específicos e brinquedos, bem como demais materiais lúdicos que serão usados para avaliação e intervenção. Vale lembrar ainda, que todos estes materiais precisam estar ao alcance da criança, até porque teremos momentos que nós, enquanto profissionais, solicitaremos que a criança busque e guarde tais materiais. Um espaço lúdico pensado para este tipo de atendimento deve ser simples e funcional, deve ser um espaço acolhedor e que possua uma boa iluminação e que cujo de preferência seja emborrachado, pois em muitos momentos também faremos atividades no chão, principalmente as relacionadas com a psicomotricidade e sua avaliação. 61 4.1.1 Intervenção em neuropsicopedagogia clínica Veremos ao decorrer deste tópico possibilidades de intervenções clínica que podemos desenvolver visando trabalhar os transtornos de aprendizagem. Portanto, podemos definir intervenção clínica em neuropsicopedagogia como aquele momento após a avaliação em que definimos estratégias para o acompanhamento terapêutico daquela dificuldade ou transtorno de aprendizagem. Por exemplo, se por meio da avaliação ficou evidente uma dificuldade acentuada na aprendizagem da matemática, iremos desenvolver nosso plano de intervenção sob essa queixa que foi confirmada por meio dos jogos, atividades e materiais lúdicos que buscarão estimular as habilidades cognitivas que estão em defasagem. Saiba Mais A Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia – SBNPp, associação civil de direito privado sem fins lucrativos, situada na Rua do Príncipe, 796 – centro, na cidade de Joinville, estado de Santa Catarina,CEP: 89201-001, possui uma página na web, onde consta informações e documentos que podem ser acessados e baixados. Vale a pena dar uma conferida na SBNPp. Disponível em: https://sbnpp.org.br/ Ao buscarmos nos fundamentos teóricos e metodológicos do psicólogo russo Lev Semionovitch Vigotski, dentre outros autores especialistas na área da educação e saúde, encontramos sugestões para que ocorra a intervenção de forma significativa nos processos do aprendente, no sentido de auxiliá-lo na superação de eventuais dificuldades e transtornos, na recuperação de possíveis defasagens, e assessorá-lo na ativação de áreas em potencial, seja de forma individual (clínica) ou no trabalho em grupo (institucional). Santos e Silva (2021), ao tratarem da dislexia, comentam que a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) sinaliza as relações e o processo de https://sbnpp.org.br/ 62 mediação necessária entre o sujeito e seu ambiente (mundo), visto que estas permitem a constituição da autenticidade do ser humano. Sendo assim, a atuação do neuropsicopedagogo deve ser alicerçada com fundamentações científicas, planejamentos coerentes e eficazes, que possam promover afeto e aprendizagem nas diversas metodologias traçadas. Acreditar no potencial do aprendente, dos recursos disponíveis e de um olhar único, para o sucesso de novas possibilidade (SANTOS; SILVA, 2021, p. 8). As contribuições da neuropsicopedagogia, juntamente com os profissionais da educação, podem proporcionar uma visão multidisciplinar, com o objetivo de antecipar intervenções pedagógicas sanando dificuldades no sujeito aprendente. Uma possibilidade para essa intervenção são os jogos, pois, partindo do caráter lúdico, “o neuropsicopedagogo esteja preparado para inserir esta ferramenta em sua intervenção, poderá dispor de um instrumento perfeitamente capaz de viabilizar o aprendizado do educando e o sucesso do seu atendimento” (SANTOS, et al, 2019, p. 6). Lacanallo e Mori (2008), aproximando-se desta temática, destacam que a utilização dos jogos auxilia no desenvolvimento das funções psicológicas superiores (FPS) (atenção, percepção e memória – apresentadas na aula 2). Essa constatação da utilização de jogos pode ser justificada, pois, como vimos, as FPS desenvolvem-se da interação dos fatores biológicos com os fatores culturais do ser humano, logo, “essa compreensão vygotskyana permite ao neuropsicopedagogo compreender a partir do jogo essa interação entre aquilo que é biológico e cultural no sujeito aprendente” (SILVA et al, 2019, p. 6). Bossa (2007) aponta que a ação de jogar é o momento em que é possível observar as atitudes infantis para que haja a identificação de como a criança efetiva as ações do aprender em seu espaço escolar. Na sequência, apresenta-se um esquema com o passo a passo do processo de intervenção clínica. 63 Fonte: Bossa (2007). Agora que você compreendeu todo o processo de planejamento das etapas de desenvolvimento da intervenção, na sequência disponibilizo um formulário que você poderá adaptar para seus atendimentos, para planejamento das intervenções. INTERVENÇÃO NEUROPSICOPEDAGÓGICA Nome do paciente: Idade: Escola: Queixa: Resultado prévio da avaliação PLANEJAMENTO DA SESSÕES E ACOMPANHAMENTO SESSÃO E DATA O QUE SERÁ FEITO OBJETIVO RETORNO DO PACIENTE APÓS A INTERVENÇÃO Sessão 01 – 00/00/22 Sessão 0x – 00/00/22 Sessão 0x – 00/00/22 Sessão 0x – 00/00/22 64 Sessão 0x – 00/00/22 Sessão 0x – 00/00/22 Fonte: desenvolvido pelo autor. Vale ressaltar que não existe um número mínimo ou máximo de sessões de intervenção, estas questões vão se desdobrando à medida que as sessões vão sendo realizadas e os resultados do paciente vão sendo positivos. Na coluna denominada “O que será feito”, você deverá planejar previamente o que será desenvolvido naquela sessão, por exemplo, jogo da memória dos dinossauros. Na coluna seguinte, isto é, em “Objetivos”, você deverá preencher qual o objetivo da sessão e do jogo utilizado. Vale lembrar que sempre os objetivos deverão ser escritos com o verbo no infinitivo, exemplo, “estimular o desenvolvimento da capacidade da memória operacional e de trabalho do paciente”. Na última coluna, existe o retorno do paciente em relação a intervenção. Nela, é interessante você colocar um pequeno relato de como efetivamente ocorreu a sessão e, por fim, apresentar se surtiu efeito positivo ou negativo no paciente, por exemplo, “paciente ficou alheio a atividade” e assim por diante, assim você conseguirá fazer um devido acompanhamento e evolução do quadro do sujeito. 4.1.2 Os jogos na intervenção neuropsicopedagógica clínica É preciso que o jogo seja usado de forma planejada e refletida, com objetivos bem definidos. É preciso, acima de tudo, conhecer as possibilidades psicopedagógicas do jogo relacionadas à competição, criatividade, raciocínio, desenvolvimento de estratégias de resolução de problemas, seriedade e aspecto sociocultural, para então incluí-lo em uma prática que contextualiza os interesses do professor e dos alunos. (LANA, 2010, p. 64) Começamos esse tópico apresentando a fala de Lana (2010), que nos apresenta a compreensão da utilização de jogos na Educação, a qual podemos transportar para uma avaliação neuropsicopedagógica, pois no ato de jogar o sujeito aprendente envolve-se, apresentando sua compreensão, percepção, atitude e conhecimento sobre a situação que está sendo proposta. Contudo, 65 vale ressaltar que para que a utilização do jogo no atendimento seja efetivada com tal intencionalidade, é necessário planejar, estabelecer metas e identificar inicialmente se o referido jogo auxiliará o sujeito cognoscente atendido a sanar sua dificuldade ou diminuir os sintomas de seus possíveis transtornos de aprendizagem, identificados na etapa inicial do atendimento clínico. Vocabulário Segundo o dicionário online Dicio, cognoscente é o sujeito capaz de assimilar conhecimento, de conhecer, de passar a saber; quem busca saber ou tomar conhecimento sobre, isto é, sujeito cognoscente. Ao apresentar a etimologia da palavra encontramos que vem do latim cognoscens.entis. (2021, s/p) Neste contexto, ao decorrer deste tópico veremos alguns jogos e suas potencialidades para o trabalho clínico envolvendo conhecimentos curriculares e transdisciplinares que podem ser abarcados em um atendimento neuropsicopedagógico. Ao apresentar a intervenção com a utilização de jogos, Marinho et al (2012) explica que esse recurso necessita ser utilizado seguindo algumas ações metodológicas para que este possibilite a exploração das inúmeras possibilidades educativas, em nosso caso, o atendimento neuropsicopedagógico, no contexto da clínica. Em um atendimento clínico, devemos nos atentar a alguns aspectos, como a natureza do lúdico, as causas, os feitos e a forma mais adequada para realização deste, possibilitando-nos alcançar e auxiliar no transtorno ou dificuldade identificada no sujeito cognoscente. Como sugestão, Marinho et al (2012, p. 97), apresenta-nos um possível caminho metodológico o qual podemos seguir, sendo este: • Organização e planejamento: caracterização dos alunos e do ambiente; adequação dos objetivos; • Preparação e formação dos participantes: conhecer as regras e fazer bom uso delas; alternar o comando para a elaboração das regras; incentivar a cooperação; fornecer noções básicas de dinâmicas de grupo; 66 • Execução das atividades lúdicas: explicar de forma clara e objetiva; demonstrar; elaborar roteiro; transmitir segurança; motivar; • Avaliação dos resultados (contínua): deve ser um processo que estuda e interpreta os conhecimentos, habilidades e atitudes dos alunos. Agora que conhecemos e compreendemos uma breve fundamentação do jogo em umatendimento neuropsicopedagógico com enfoque clínico, vamos conhecer alguns jogos e suas potencialidades dentro do processo de intervenção. INSTRUMENTOS INTENCIONALIDADE UTILIZAÇÃO Torre de Londres Foi criado com a finalidade de oferecer um teste com níveis progressivos de dificuldades, seu resultado mostra eficiência na identificação de comprometimentos relacionados aos circuitos pré-frontais adquiridos ou decorrentes de distúrbios neuropsiquiátricos. Avaliar ou intervir nas funções executivas, especificamente as habilidades de planejamento e solução de problemas. Desenvolvido com base na torre de Hanói. Este jogo pode ser utilizado com crianças, adolescentes e adultos. A aplicação deverá ser individual em sessão única. As fichas de aplicação são no formato de calendário, com fichas duplas, uma de frente para o paciente e outra de frente para o terapeuta. Cubos Corsi Visam avaliar a memória operacional através do esboço visuoespacial, incluindo perda de memória, memória espacial entre outras funções. Este instrumento pode ser utilizado com crianças, adolescentes e adultos. A avaliação consiste em dar uma sequência numérica e o avaliado deverá repetir tocando os cubos de acordo com a sequência passada. Escala de avaliação de disfunções executivas de Barkley Propõe-se a avaliar os possíveis déficits das funções executivas nas atividades cotidianas. Apresentado em duas formas na adaptação brasileira – a curta e a longa. A Poderá ser aplicado individual ou coletivamente para sujeitos de 18 a 70 anos de idade. 67 forma curta, muito útil para as demandas de rastreio, composta por 20 itens, tem como propósito fornecer uma descrição breve acerca da probabilidade de um indivíduo exibir déficits nas funções executivas em relação às atividades da vida cotidiana. Já, a forma longa, composta por 89 itens tem como propósito propiciar o acompanhamento em caso de problemas clinicamente mais evidentes, por meio da análise aprofundada dos domínios de funções executivas. Token Test Compreensão da linguagem por meio da execução de comandos simples ditados pelo examinador. Este instrumento pode ser utilizado com crianças, adolescentes e adultos e idosos. A aplicação deverá ser individual e em sessão única. Teste de Repetição de Palavras e Pseudopalavras Este instrumento foi desenvolvido com base no teste de Gathercole e Baddeley, consiste na avalia a memória de curto prazo com foco na memória fonológica. O aplicador tem sequências de 2 a 6 palavras e a criança deve repetir as palavras e depois as pseudopalavras. É computado um ponto para cada sequência falada de forma correta, conforme modelo apresentado no final desta tabela. Jogo feche e caixa O jogo é ideal para pacientes com dificuldades em matemática. Pode ser jogado com dois jogadores (terapeuta e paciente). Ele é composto por dois dados. É necessário jogar os dados e somar os números e abaixar o número correspondente a soma dos dados. O jogo envolve a habilidade de planejamento e concentração, Para jogar, é necessário 1 dado, 12 cartelas e 34 68 Torre Inteligente além de habilidades matemáticas, o objetivo é construir a torre. Outra sugestão para trabalhar as mesmas habilidades é o jogo da Muralha. blocos. Pode ser usado para terapia individual e coletiva, comporta até 4 jogadores. Perde quem deixa a torre cair. Jogo Memória Trabalhar os conceitos que estão sendo propostas nas cartelas. O jogo da Memória poderá envolver diferentes conceitos, conforme sua necessidade, bem como a exploração de habilidades da matemática e da linguagem. Pode ser jogado de forma individual ou coletivamente. O jogo consiste em ter duplas ou trios iguais de cartas e com todas embaralhadas e viradas para baixo o jogador necessitará encontrar as cartas iguais. Triminó Desenvolve o trabalho com habilidades matemáticas de adição e subtração (campo aditivo) de número naturais. Esse jogo desenvolve a flexibilidade cognitiva, atenção dividida e motiva no processo de cálculos e formação de palavras. Para resolver é necessário raciocínio, paciência e intuição. Neste jogo deve-se encaixar as peças para formar um triângulo, estes encaixes são oriundos das operações realizadas pelo sujeito aprendente. Teste de Repetição de Palavras e Pseudopalavras Fonte: OLIVEIRA (2016, p. 78). 69 Acima, citamos algumas sugestões de jogos e instrumentos que podemos utilizar em um atendimento clínico, porém existem muitas outras ferramentas que podemos utilizar. Vale ressaltar que muitos dos materiais citados acima podem ser confeccionados com a utilização de papel EVA e cartolina, propiciando assim a construção do seu acervo de atendimento neuropsicopedagógico. Saiba Mais A Plataforma Educacional Neurons (PEN) é uma solução digital para estimular habilidades de aprendizagem; com sistema de avaliação on-line e games, como recursos de intervenção. Na Neurons, os profissionais da psicopedagogia e neuropsicopedagogia encontrarão: aprendizagem lúdica, dinâmica e divertida! Isto inclui uma variedade de games desenhados sob medida, 7 avaliações de rastreio, atividades para imprimir e muito mais. Disponível em: https://clickneurons.com.br/ É interessante ter também em seu consultório quebra-cabeças, diferentes jogos de memória, casinhas de bonecas, família terapêutica, dominós, forma-palavras, baralhos temáticos, entre outros materiais. Além destes recursos, você poderá encontrar também diferentes jogos online ou aplicativos que podem ser baixados em smartfones e tablets, com a finalidade de desenvolver e avaliar as FPS, habilidades matemáticas e linguísticas. 4.1.3 O informe em neuropsicopedagogia clínica Muitos neuropsicopedagogos realizam o informe em dois momentos distintos, o primeiro após a avaliação neurpsicopedagógica e quando encerram o processo de intervenção. O informe busca esclarecer dúvidas quanto a todo o processo que foi realizado, ele contém as principais informações, com detalhamento de cada uma de suas etapas. Para tanto, apresento na sequência um modelo de informe neuropsicopedagógico. https://clickneurons.com.br/ 70 INFORME NEUROPSICOPEDAGÓGICO Identificação do paciente/aluno/sujeito: Nome do Paciente Data de nascimento Escola do paciente Encaminhado por Queixa inicial Foi realizado visita à escola? ( ) Sim ( ) Não Dados familiares iniciais Nome dos cuidadores: Nome dos cuidadores Instrumentos utilizados Nome do instrumento Resultado da aplicação Data da aplicação Dados da avaliação Descrever aqui os resultados obtidos por meio da avaliação principalmente relacionando todo o conteúdo com a confirmação ou não da queixa e das hipóteses iniciais. Parecer neuropsicopedagógico 71 Aqui, você descreve o seu parecer enquanto profissional de neuropsicopedagogia, fazendo recomendações e corroborando ou não outros profissionais. Além disso, você poderá fazer encaminhamentos para outros profissionais ou terapias complementares. Cidade, data e ano ________________________________________ Assinatura do Neuropsicopedagogo Conclusão da aula O pensar e o repensar na neuropsicopedagogia perpassa, sobretudo, o planejamento dos processos de avaliação e intervenção, ao contrário do que muitas pessoas pensam, não existem receitas prontas para os atendimentos clínicos, por isso é necessário termos um aprofundado fundamento teórico, pois a teoria ampara a prática. Como apresentei para vocês até aqui,existem muito protocolos, práticas e atividades de avaliação e intervenção, portanto cabe a você, durante seus atendimentos, estruturar sua identidade, ou seja, sua linha de trabalho, trazer para próximo de você aquilo que mais lhe chama a atenção. O fazer neuropsicopedagógico precisa sempre estar amparado em teoria, técnica e muito amor. Freud, em muitos dos seus textos, já dizia que a cura para os adoecimentos e sintomas advinham por meio do amor. 72 Atividade de Aprendizagem Agora que temos subsídios teóricos e práticos para uma boa intervenção em neuropsicopedagogia, solicito que vocês busquem ou desenvolvam um jogo voltado para o trabalho interventivo com uma criança de 09 anos, que possui dificuldades com a aprendizagem da matemática. Ela apresenta inicialmente dificuldades com as operações de adição e subtração, e não consegue progredir na aprendizagem. Quais jogos podemos criar ou utilizar? E por que tais jogos escolhidos por você serão eficientes para este trabalho em consultório? Após a seleção dos jogos, monte um plano de intervenção. Intervenção Continuidade do tratamento após o processo de avaliação clínica. Jogos Instrumentos utilizados durante a intervenção e a avaliação. Informes Documento redigido pelo neuropsicopedagogo, constando todas as atividades realizadas. Devolutiva Momento realizado após a avaliação e após a intervenção para esclarecimento e retorno do que foi realizado, bem como apresentação dos achados. 73 Conclusão da disciplina Como resumo de nossa disciplina, esquematizamos o mapa conceitual que se apresenta na sequência, com o intuito de sistematizar todo o conteúdo que trabalhamos no decorrer deste componente curricular. 74 Índice Remissivo Atenção, percepção e memória ................................................................. (Atenção; percepção; memória) 28 Bases funcionais do sistema nervoso ........................................................ (Bases funcionais; funções psicológicas; sistema nervoso) 23 Código de ética da neuropsicopedagogia ................................................. (Código de ética; neuropsicopedagogia; ações) 50 Conceitos fundamentais acerca do sistema nervoso ................................. (Sistema nervoso; conceito; processos) 17 Conceitos fundamentais e sua importância para a neuropsicopedagogia (Neuropsicopedagogia; conceito; teoria) 20 Conceitos fundamentais em neurociências ................................................ (Neurociências; conceito; sistema nervoso) 14 Conceitos fundamentais em neuropsicologia ............................................. (Neuropsicologia; conceito; organização funcional) 08 Funções psicológicas superiores e transtornos de aprendizagem ............. (Funções psicológicas; transtornos; aprendizagem) 23 Intervenção em neuropsicopedagogia clínica ........................................... (Intervenção; transtornos de aprendizagem; dificuldade) 61 Intervenção em neuropsicopedagogia clínica: jogos, testes e provas ........ (Neuropsicopedagogia; jogos; testes) 59 Linguagem e a questão da psicolinguística ............................................... (Psicolinguística; linguagem; ciência) 33 Neuroanatomofisiologia, neuropsicologia e neurociência .......................... (Neuropsicologia; neurociência; conceitos) 07 Neuropsicopedagogia clínica: histórico, avaliação e o início do atendimento ............................................................................................... (Neuropsicopedagogia; histórico; avaliação) 40 O espaço do consultório em neuropsicopedagogia .................................... (Espaço; consultório; atendimento) 59 O informe em neuropsicopedagogia clínica ............................................... (Informe; avaliação; processo) 69 Os jogos na intervenção neuropsicopedagógica clínica ............................. (Intervenção; jogos; neuropsicopedagogia) 64 Os transtornos e a importância da neuropsicopedagogia .......................... (Neuropsicopedagogia; transtornos funcionais; aprendizagem) 35 Prática Clínica: roteiro para avaliação, anamnese, instrumentos e queixa clínica ........................................................................................................ (Anamnese; queixa clínica; roteiro) 43 Situando conceitualmente a neuropsicopedagogia .................................... (Neuropsicopedagogia; conceito; teoria) 40 75 REFERÊNCIAS AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. – 5. ed. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre: Artmed, 2014. BEAR, Mark F; CONNORS, Barry W; PARADISO, Michael, A. Neurociências: desvendando o sistema nervoso. – 4. ed. – Porto Alegre : Artmed, 2017. BOSSA, Nadia A. A psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. 3ª ed. Porto Alegre, RS: Artmed, 2007. COLL, César; MARTÍN, Emília. O construtivismo na sala de aula. 6. Ed. Itapecerica: Editora Ática, 2006. 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