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Malária - Agente etiológico: gênero Plasmodium. - Principais espécies: • Plasmodium vivax: mais distribuído → predomínio nas Américas. • Plasmodium falciparum: maior morbidade e mortalidade → predomínio na África. • Plasmodium malariae: segunda espécie mais predominante na África. • Plasmodium ovale: regiões restritas da África. • Plasmodium knowlesi: sudoeste asiático (primatas). - Vetor: • Mosquito prego. • Família: Culicidae. • Subfamília: Anophelinae. • Gênero: Anopheles. • Espécies: ▪ Anopheles darlingi. ▪ Anopheles aquasalis. ▪ Anopheles albitarsis. ▪ Anopheles cruzi. ▪ Anopheles Bellator. - Ciclo reprodutivo: A picada do mosquito Anopheles permite inoculação de esporozoítos (presentes na saliva desse) → esporozoítos seguem pela circulação até o fígado e invadem os hepatócitos, dando origem a criptozoítos → ocorrem sucessivas divisões nucleares (esquizogonia), formando o esquizonte → num prazo de 8 a 15 dias os hepatócitos com esquizontes se rompem liberando merozoítos → os merozoítos invadem exclusivamente hemácias → o primeiro estágio intra- eritrocitário é de trofozoíto → os trofozoítos podem se transformar em esquizontes por esquizogonia → essas hemácias contendo esquizontes se rompem liberando novos merozoítos (pico febril) → os merozoítos liberados invadem novas células e repetem o ciclo descrito → os merozoítos também podem se diferenciar em gametócitos (formas de reprodução sexuada infectantes para o vetor). Os gametócitos ingeridos pelo mosquito não são digeridos no estômago → o gametócito masculino forma microgametas e o gametócito feminino forma macrogametas → eles se fundem e dão origem a um zigoto, que posteriormente se transforma em oocineto → oocineto penetra a parede do estômago do mosquito e se diferencia em oocisto → a ruptura do oocisto libera esporozoítos que migram para as glândulas salivares dos mosquitos. *P. vivax e P. ovale: formação de hipnozoítos (formas dormentes intra-hepáticas). **P. vivax parasita reticulócitos enquanto P. falciparum invade hemácias de todas as idades. - Quadro clínico: • Período de incubação: varia com a espécie. ▪ 9-14 dias: P. falciparum. ▪ 12-17 dias: P. vivax. ▪ 18-40 dias: P. malariae. ▪ 16-18 dias: P. ovale. • Fase inicial – sintomas inespecíficos: mal- estar, cefaleia, cansaço e mialgia, febre. • Malária não complicada: ▪ Febre malárica clássica: ataque paroxístico agudo (ruptura das hemácias ao final da esquizogonia). ▪ Calafrio, sudorese, fase febril (41°C ou mais), sudorese profusa e fraqueza intensa após a febre. • Malária grave e complicada: ▪ Adultos não-imunes, crianças e gestantes. ▪ Hipoglicemia, convulsões, vômitos repetidos, icterícia, distúrbios da consciência, insuficiência renal aguda e edema pulmonar agudo. Casos clínicos: - Sintomatologia – acesso malárico: - Epidemiologia: • Agricultor → proximidade com o ambiente silvestre (onde o vetor reside). • Espírito santo: região de Mata Atlântica (área endêmica do vetor). - Espécie de Plasmodium responsável: • Malária não complicada pode ser causada por qualquer espécie de Plasmodium. • Malária complicada está associada ao P. falciparum. - Técnica laboratorial recomendada para a identificação da espécie de Plasmodium: - Testes rápidos – antígenos no sangue: No Brasil, deve-se priorizar o uso dos TDRs (testes de diagnóstico rápido): • Em localidades onde o acesso ao diagnóstico microscópico é dificultado por distância geográfica ou incapacidade local do serviço de saúde (região extra-amazônia). • Intuito de ampliar a capacidade de diagnóstico: casos de utilização nos finais de semana e após o horário de expediente. - Manifestações clínicas e laboratoriais indicativas de malária grave e complicada: • Dor abdominal intensa (ruptura de baço, mais frequente em P. vivax). • Mucosas amareladas, icterícia (não confundir com mucosas hipocoradas). • Mucosas muito hipocoradas (avaliada fora do ataque paroxístico febril). • Redução do volume de urina a menos de 400ml em 24h. • Vômitos persistentes que impeçam a tomada da medicação por via oral. • Qualquer tipo de sangramento. • Falta de ar (avaliado fora do ataque paroxístico febril). • Extremidades azuladas (cianose). • Aumento da frequência cardíaca (avaliar fora do acesso malárico). • Convulsão ou desorientação (não confundir com o ataque paroxístico febril). • Prostação (em crianças). • Comorbidades descompensadas. - Manifestações laboratoriais: • Anemia grave. • Hipoglicemia. • Acidose metabólica. • Insuficiência renal. • Hiperlactatemia. • Hiperparasitemia (>250.000/mm3 para P. falciparum). - Possível espécie de Plasmodium responsável pelo quadro clínico – complicações clínicas da malária: - Mecanismos imunopatogênicos que podem ter ocasionado o agravamento do quadro clínico desse paciente – P. falciparum: • • • Citoaderência: eritrócitos infectados expressam alguns antígenos do Plasmodium (“knobs”) → capazes de se ligarem aos receptores do endotélio. • Formação de rosetas: esses eritrócitos são capazes de se aderirem entre si, incluindo adesão a eritrócitos não infectados → pode levar à obstrução do vaso sanguíneo. - Malária – imunidade: • Estado imune adquirido lentamente. • Imunidade não-esterilizante: mantém níveis de parasitemia baixos. • Imunidade dependente de exposição contínua ao parasito (premunição) → perdida por indivíduos imunes após 1 ano sem exposição ao parasito. • Equilíbrio suprimido na gravidez. *Infecção pelo P. falciparum: • Recém-nascidos protegidos da malária grave nos primeiros 3 meses de vida: ▪ Transferência passiva de IgG da mãe. ▪ Eritrócitos com grandes quantidades de Hb fetal. • Após esse período: crianças altamente suscetíveis. • Idade adulta: imunidade protetora (premunição). *Mecanismos de eliminação do parasita: • Estágios extracelulares: anticorpos. • Esquizontes hepáticos: LTCD4 e LTCD8. • Estágios sanguíneos: anticorpos e LTCD4. *Fisiopatologia da malária grave e complicada por P. falciparum: Tratamento: - Objetivos do tratamento da malária: • Interromper a esquizogonia sanguínea: responsável pela patogenia e manifestações clínicas da infecção. • Evitar recaídas: destruição de hipnozoítos* de P. vivax e P. ovale. *Hipnozoítos: esquizontes “dormentes” que não romperam o hepatócito. • Interromper a transmissão do parasito: ação sobre as formas sexuadas dos parasitos (gametócitos). - Primaquina é a única droga que age sobre os hipnozoítos (Tafenoquina ainda está em fase de implementação). • Primaquina não pode ser administrada em gestantes. - Gametócitos imaturos: Artemisinina. - Gametócitos maduros: Primaquina + Artemisinina. - Primaquina + Cloroquina: ação sinérgica com a cloroquina contra formas assexuadas. Liberação de merozoítos e produtos do metabolismo do parasito - hemozoína Guia de tratamento da malária no Brasil: *P. falciparum é resiste à cloroquina no Brasil. Prevenção: - Quimioprofilaxia (não recomendada no Brasil): - Vacina contra a malária (Mosquirix): • Proteção parcial. • Eficácia de cerca de 35% após 4 anos. • Protege contra formas graves.