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Processo Saúde-Doença e Determinantes Sociais da Saúde Débora Brenda Carneiro de Souza Especialista em Saúde Mental Mestranda em Saúde Coletiva CRP 11/13008 “A doença é mais antiga que o homem, é tão antiga como a vida, porque é um atributo da própria vida”. (George Rosen) O Conceito de Saúde Antigamente, a definição mais utilizada era "ausência de doenças". Porém, hoje não é bem assim, a Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde “não apenas como a ausência de doença, mas como a situação de perfeito bem-estar físico, mental e social”. Essa definição era avançada para a época em que foi realizada, mas analisando melhor agora podemos perceber que é irreal e subjetiva. Determinantes em Saúde: Antecedentes MODERNIDADE Estado Moderno Reestruturação das classes e segmentos sociais - Políticas públicas com ações coercitivas e regulatórias do Estado, visando o bem comum. RENASCIMENTO Razão Epidemias como objeto de observação. Causalidade externa para as doenças - Teoria dos Miasmas - insalubridade como fonte de contágio - epidemias. IDADE MÉDIA Castigo divino Cristianismo: Ação divina corretiva, punições por pecados, penitências, fogueira. ANTIGUIDADE CLÁSSICA Explicação metafísica Vontade dos deuses (poções, sacrifícios). Hipócrates: Pensamento científico, medicina ocidental; efeitos das estações do ano, ventos, águas. CARVALHO, A. I. e BUSS, P. M. Determinantes sociais na saúde, na doença e na intervenção (2008). Determinantes em Saúde: Antecedentes Século XVII - Estados Nacionais - População considerada bem do Estado Desenvolvimento organizado e sistemático de políticas públicas para a saúde Higiene urbana, medidas de quarentena e isolamento, assistência social aos pobres, controle de fronteiras = Higienização do proletariado, assegurar interesses de classes dominantes, manter ordem social CARVALHO, A. I. e BUSS, P. M. Determinantes sociais na saúde, na doença e na intervenção (2008). Determinantes em Saúde: Antecedentes Advento da microbiologia: Ampliação do conhecimento sobre processos biológicos da saúde-doença. Era do progresso científico. MAS… Pensamento social em saúde teve seu debate adormecido ou negligenciado! CARVALHO, A. I. e BUSS, P. M. Determinantes sociais na saúde, na doença e na intervenção (2008). Modelos de Causalidade e Modelos de Intervenção 1. Pré Patogênese: Manifestações clínicas da doença ainda não surgiram no indivíduo, mas as condições para seu aparecimento existem no ambiente ou na biologia da pessoa. AÇÕES DE PREVENÇÃO PRIMÁRIA: Atuam sobre o meio ambiente ou protegem o indivíduo contra agentes patológicos (p. ex. higiene corporal, atividade física, saneamento, vacinação). - Promoção da saúde - Proteção específica MODELO DA HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA (Leavell e Clark): 2. Patogênese: Manifestação de sinais e sintomas da doença. Os processos mórbidos são mais reconhecíveis e podem ser focos de ação (evitar ou retardar progressão). AÇÕES DE PREVENÇÃO SECUNDÁRIA: Voltadas para diagnóstico precoce e limitação de invalidez (p. ex. dietas para hipertensão, mamografia). AÇÕES DE PREVENÇÃO TERCIÁRIA: Destinadas a recuperar e reabilitar das sequelas ocasionadas pela doença (p. ex. fisioterapia). CARVALHO, A. I. e BUSS, P. M. Determinantes sociais na saúde, na doença e na intervenção (2008). Modelos de Causalidade e Modelos de Intervenção Processo saúde-doença - Resultante de um conjunto de determinações que operam numa sociedade concreta, produzindo nos diferentes grupos sociais o aparecimento de riscos e potencialidades característicos, que se manifestam na forma de perfis ou padrões de doença ou saúde. - Relação entre mortalidade e classe social. MODELO SOCIAL ESTRUTURALISTA (“História social da doença” - Breith e Granda): CARVALHO, A. I. e BUSS, P. M. Determinantes sociais na saúde, na doença e na intervenção (2008). Modelos de Causalidade e Modelos de Intervenção MODELO DO CAMPO DA SAÚDE: Biologia Humana Estilos de Vida Serviços de Saúde AmbienteSAÚDE CARVALHO, A. I. e BUSS, P. M. Determinantes sociais na saúde, na doença e na intervenção (2008). MODELO DE DETERMINAÇÕES DO PROCESSO SAÚDE- DOENÇA (Dahlgren e Whitehead, 1991) CARVALHO, A. I. e BUSS, P. M. Determinantes sociais na saúde, na doença e na intervenção (2008). Para Refletir Identifique uma doença de alta prevalência em sua área de atuação/região e análise seus determinantes sociais Quais os principais campos de intervenção para incidir sobre os determinantes econômicos e sociais das doenças de maior prevalência em seu município? Quais seriam os setores governamentais responsáveis por essas intervenções? Promoção da Saúde: Em busca de novo paradigma MOVIMENTO DA PROMOÇÃO DA SAÚDE ❖ Inspirado na reforma do sistema de saúde canadense. ❖ 1ª Conferência Internacional de Promoção da Saúde - Ottawa, Canadá, 1986. ❖ Carta de Ottawa: “Promoção da Saúde é o processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle desse processo”. Anos 1960 → Frustração com resultados da biomedicina. Pensamento crítico ao modelo biomédico - Revalorização das dimensões sociais e culturais determinantes do processo saúde-doença.CARVALHO, A. I. e BUSS, P. M. Determinantes sociais na saúde, na doença e na intervenção (2008). Promoção da Saúde: Em busca de novo paradigma Países desenvolvidos: ❖ Mudanças comportamentais. ❖ Esfera individual (tabagismo, drogas, atividades físicas). ❖ Medidas educativas e legislativas. Discurso excessivamente geral da promoção da saúde → Diferentes matrizes de pensamento e prática! América Latina: ❖ Realidade de pobreza e desigualdade. ❖ Foco para questões estruturais. ❖ Processos comunitários. ❖ Mudanças sociais. ❖ Abordagem estruturalista. ❖ Pedagogia libertadora. ❖ Saúde coletiva. ❖ “PROMOÇÃO DA SAÚDE RADICAL” X CARVALHO, A. I. e BUSS, P. M. Determinantes sociais na saúde, na doença e na intervenção (2008). Iniquidades em saúde são as causas das causas. Como pensar promoção e proteção da saúde sem pensar as iniquidades em saúde? Iniquidades de renda → Desgaste do capital social = Desgaste das relações de solidariedade e confiança → Menores níveis de coesão social → Menor participação política → Menor investimento em capital humano e em redes de apoio social... CARVALHO, A. I. e BUSS, P. M. Determinantes sociais na saúde, na doença e na intervenção (2008). 2005 - OMS - Comissão sobre Determinantes Sociais da Saúde → Promover, em âmbito internacional, uma tomada de consciência sobre a importância dos DS na situação de saúde de indivíduos e populações. 2006 - Brasil - Comissão Nacional sobre DSS → 1º país a criar sua própria comissão. ❖ Trouxe recomendações enfatizando a necessidade de criação de espaços institucionais para o enfrentamento dos determinantes sociais da saúde. 2006 - Política Nacional de Promoção da Saúde 2011 - Conferência Mundial sobre Determinantes Sociais (OMS) → Declaração Política sobre Determinantes Sociais da Saúde → Relatório: 'Diminuindo diferenças: a prática das políticas sobre determinantes sociais da saúde' CARVALHO, A. I. e BUSS, P. M. Determinantes sociais na saúde, na doença e na intervenção (2008). BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Política nacional de promoção da saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde, 2006. CARVALHO, A. I. Determinantes socias, econômicos e ambientais da saúde. Rio de Janeiro: Fiocruz, v.2, p.19-38, 2013. ❖ Estratégia de produção de saúde. ❖ Contribui na construção de ações que possibilitam responder às necessidades sociais em saúde: POLÍTICA NACIONAL DE PROMOÇÃO DA SAÚDE Portaria nº 687 MS/GM, de 30 de março de 2006 Alimentação saudável Atividade física Prevenção e controle do tabagismo Redução da morbimortalidade em decorrência do uso abusivo de álcool e outras drogas Redução da morbimortalidade por acidentes detrânsito Prevenção da violência e estímulo à cultura de paz Promoção do desenvolvimento sustentável BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Política nacional de promoção da saúde/Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde, 2006. NOVO MARCO CONCEITUAL SOBRE OS DSS CARVALHO, A. I. Determinantes socias, econômicos e ambientais da saúde. Rio de Janeiro: Fiocruz, v.2, p.19-38, 2013. “Círculo virtuoso” No qual a saúde e os seus determinantes se retroalimentam e se beneficiam mutualmente Declaração Política do Rio sobre Determinantes Sociais da Saúde (OMS 2011) CARVALHO, A. I. Determinantes socias, econômicos e ambientais da saúde. Rio de Janeiro: Fiocruz, v.2, p.19-38, 2013. • Equidade como responsabilidade compartilhada; • Retomam o valor essencial da equidade contido nas disposições da Constituição da OMS (1946) e na Declaração de Alma Ata (1978); • Reconhecem que “o gozo do mais alto nível de saúde que se possa atingir constitui um dos direitos fundamentais de todo ser humano...”; • Declaram a responsabilidade aos governos a saúde de seus povos, sendo os esforços nacionais apoiados por um ambiente internacional favorável; • Reiteram que as desigualdades tanto dentro dos países como entre países são política, econômica e socialmente inaceitáveis. Declaração Política do Rio sobre Determinantes Sociais da Saúde (OMS 2011) CARVALHO, A. I. Determinantes socias, econômicos e ambientais da saúde. Rio de Janeiro: Fiocruz, v.2, p.19-38, 2013. Princípios de Ação 1. Melhorar as condições de vida cotidianas – as circunstâncias em que as pessoas nascem, crescem, vivem, trabalham e envelhecem. 2. Abordar a distribuição desigual de poder, dinheiro e recursos – os motores estruturais das condições de vida referidas – nos níveis global, nacionais e locais. 3. Quantificar o problema, avaliar a ação, alargar a base de conhecimento, desenvolver um corpo de recursos humanos formado sobre os determinantes sociais da saúde e promover a consciência pública sobre o tema. Em uma perspectiva mais integral, a noção de “problema de saúde” inclui, para além da doença, dos modos de transmissão e dos fatores de risco, as necessidades e/ou determinantes dos modos de vida e saúde (condições de vida e trabalho). Necessidades de saúde também expressam a cultura, os valores, os projetos e desejos dos sujeitos individuais e coletivos. Como entender o que são necessidades e problemas de saúde? SILVA, J. P. G.; BATISTELLA, C.; GOMES, M. L. Problemas, Necessidades e Situação de Saúde: uma revisão de abordagens para a reflexão e ação da equipe de saúde da família. In: FONSECA, A. F. O território e o processo saúde-doença. EPSJV: Rio de Janeiro, 2007. ❖ Do ponto de vista clínico, observa-se o corpo individual em sua dimensão anatômica e fisiológica. A intervenção sobre os problemas de saúde neste nível privilegia o diagnóstico, tratamento de doenças e reabilitação de doentes. ❖ O enfoque epidemiológico enfatiza a identificação dos problemas em grupos de população, a partir da caracterização das condições ecológicas ou das condições socioeconômicas e culturais dos diversos grupos. Neste nível, a intervenção sobre os problemas de saúde privilegia ações de educação sanitária, saneamento ambiental, controle de vetores, alimentos, diagnóstico precoce das doenças mais comuns. ❖ O enfoque social enfatiza a identificação dos problemas em populações a partir da caracterização de sua dinâmica histórica, isto é, da caracterização do processo de desenvolvimento econômico, social e político dessas populações. Os problemas são identificados não somente pelos enfoques clínico e epidemiológico, mas, sobretudo, pelo enfoque social: SILVA, J. P. G.; BATISTELLA, C.; GOMES, M. L. Problemas, Necessidades e Situação de Saúde: uma revisão de abordagens para a reflexão e ação da equipe de saúde da família. In: FONSECA, A. F. O território e o processo saúde-doença. EPSJV: Rio de Janeiro, 2007. Para Cecílio e Matsumoto (2006): a) Necessidades de saúde são sempre históricas, dinâmicas e cambiantes; b) Necessidades de saúde têm um componente de natureza subjetiva e individual, o que significa admitir, explicitamente, o valor e as implicações decorrentes deste valor: o individual; c) Necessidade de saúde não é conceito suscetível de ser defendido nem pelo indivíduo isolado “livre”, abstraído de suas relações sociais, concretas, nem pela “estrutura” social colocada de forma genérica. SILVA, J. P. G.; BATISTELLA, C.; GOMES, M. L. Problemas, Necessidades e Situação de Saúde: uma revisão de abordagens para a reflexão e ação da equipe de saúde da família. In: FONSECA, A. F. O território e o processo saúde-doença. EPSJV: Rio de Janeiro, 2007. • Está diretamente atrelado à forma como o ser humano, no decorrer de sua existência, foi se apropriando da natureza para transformá-la, buscando o atendimento às suas necessidades. • Representa o conjunto de relações e variáveis que produz e condiciona o estado de saúde e doença de uma população, que se modifica nos diversos momentos históricos e do desenvolvimento científico da humanidade. Processo Saúde-Doença OBRIGADA!