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Sumário Capa Dedicatória Agradecimentos Introdução Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 Capítulo 6 Capítulo 7 Capítulo 8 Capítulo 9 Capítulo 10 Capítulo 11 Capítulo 12 Capítulo 13 Capítulo 14 Capítulo 15 Capítulo 16 Capítulo 17 Capítulo 18 Capítulo 19 Capítulo 20 Capítulo 21 Capítulo 22 Capítulo 23 Capítulo 24 Capítulo 25 Capítulo 26 Capítulo 27 Capítulo 28 Capítulo 29 kindle:embed:0001?mime=image/jpg Capítulo 30 Capítulo 31 Capítulo 32 Capítulo 33 Capítulo 34 Capítulo 35 Não é Hora de Uma Mudança em Sua Vida? Oração de Salvação Oração de Perdão Oração pela Cura Notas Referências Sobre o Autor Uma Palavra Sobre o Nosso Trabalho Rhema Brasil Publicações Rua Izabel Silveira Guimarães, 172 58.410-841 - Campina Grande - PB Fone: 83.3065 4506 www.rhemabrasilpublicacoes.org.br editora@rhemabrasilpublicacoes.org.br Todos os direitos em língua portuguesa reservados por Rhema Brasil Publicações. Direção: Samir Ferreira de Souza Supervisão: Ministério Verbo da Vida Tradução: Thiago Samico Revisão e copidesque: Idiomas & Cia Prova de revisão: Idiomas & Cia Capa: Filipi Rodrigues Diagramação: DIAG Editorial Publicado no Brasil por Rhema Brasil Publicações com a devida autorização de Teach All Nations P.O. BOX 702040 - Tulsa, OK 74170-2040 | Harrison House Publishers | Tulsa, OK 74145 Esta é uma tradução da 1a edição do título original e a 1a edição em língua portuguesa Título original: Paid in Full: An In-Depth Look at the Defining Moments of Christ’s Passion Copyright © 2008 por Rick Renner Copyright © 2018 Rhema Brasil Publicações Todos os direitos reservados As citações bíblicas, exceto quando indicado em contrário, foram extraídas da Bíblia Sagrada, Almeida Edição Revista e Atualizada, © 1993, Sociedade Bíblica do Brasil. Outras versões utilizadas: Almeida Corrigida Fiel (ACF), Nova Versão Internacional (NVI). As seguintes versões foram traduzidas livremente por inexistência de correspondência em língua portuguesa: Amplified Bible (AMP), King James Version (KJV) e New Living Translation (NLT). Proibida a reprodução, de quaisquer formas ou meios, eletrônicos ou mecânicos, sem a permissão da editora, salvo em breve citações, com indicação da fonte. 1a Edição Dedicatória Todos os domingos, enquanto eu crescia, meu pastor, o Rev. Robert Post, pregava fielmente o Evangelho de Jesus Cristo. Toda semana, com grande convicção, compaixão e ousadia, ele proclamava com firmeza a morte, o sepultamento e a ressurreição de Jesus. Sua mensagem marcada pelo bom senso, sem remorso, clara, convincente e persuasiva do Evangelho me afetou intensamente quando eu ainda jovem e continua tendo uma grande influência em meu pensamento e filosofia de ministério hoje. Nos dias atuais, a pregação da cruz tornou-se cada vez mais rara. Isso me faz querer fazer uma pausa e agradecer a Deus por ter um pastor que plantou fielmente a verdade da cruz no meu coração, ajudando-me a valorizar a cruz e o grande preço que Jesus se dispôs a pagar por mim. Ao longo dos vinte anos que o irmão Post ministrou em nossa igreja, seu compromisso de pregar essa mensagem tão importante jamais vacilou. Como resultado, vi muitas pessoas genuinamente se arrependendo e reconhecendo Jesus Cristo como seu salvador no altar da nossa igreja. Hoje, já se passaram quase cinquenta anos desde que iniciei minha jornada sob o ministério do meu pastor. Por décadas, também tenho feito apelos e visto milhares de pessoas entregarem suas vidas a Jesus Cristo. Eu seria negligente se não agradecesse a esse homem precioso por me ensinar que levar uma alma a Cristo é o ato mais importante e eterno que eu posso realizar. Estando agora à frente da minha própria congregação e diante de audiências em encontros ao redor do mundo, agora é minha responsabilidade chamar os pecadores ao arrependimento e a um compromisso. Ao fazê-lo, muitas vezes me lembro do irmão Post em pé diante de mim e do restante da igreja, fazendo os seus apelos. Ainda consigo ouvir sua voz enquanto ele caminhava pelos corredores e insistia com paixão que as pessoas entregassem o coração a Deus. Irmão Post, não há dúvida de que hoje, pelo menos em parte, eu espelho o exemplo que você me deixou enquanto eu crescia em sua igreja. Quero dedicar este livro a você, pois Deus o usou poderosamente para plantar a mensagem da cruz profundamente em meu coração. Obrigado por demonstrar amor compassivo pelos perdidos e por me ensinar que levar uma alma a Cristo é a maior honra do mundo. Esta foi, é e sempre será a maior e mais importante mensagem que eu poderia pregar. Meu querido pastor, sei que quando todos nós estivermos diante de Jesus, muito do que foi realizado por intermédio da minha vida e ministério será creditado em sua conta, pois você foi decisivo em ajudar a formar quem eu sou e o que acredito hoje. Muito da paixão em meu coração e do trabalho que Deus está realizando por meio da minha vida é resultado do que você me comunicou por meio dos seus fiéis anos de serviço. Obrigado, do fundo do meu coração. Rick Renner Agradecimentos Gostaria de agradecer às pessoas que participaram do projeto deste livro: Matt Jones, que conduziu pesquisas e forneceu a documentação necessária; Jeremy Rhodes, que supervisionou a impressão física do livro original em inglês; a artista gráfica Debbie Pullman, que desenhou a capa e os editores Andrell Corbin e Cindy Hansen por suas maravilhosas contribuições e sugestões editoriais. Deus abençoou Denise e a mim com uma equipe fabulosa e somos gratos a cada membro por sua contribuição. Especificamente, agradeço a estes cinco membros da equipe por sua participação na produção deste tão aguardado livro. Rick Renner Introdução A Páscoa sempre foi um grande dia em nossa casa, assim como na maioria das casas cristãs. O dia que celebramos pode não ser o dia real em que o evento aconteceu, mas ainda assim é um dia especial para recordar e celebrar a vitória de Jesus sobre o pecado, a morte e a sepultura. É uma época santificada na qual devemos nos concentrar no preço pago por nossas almas. Como eu agradeço a Deus pela Páscoa ter sido sempre celebrada pelos meus pais e pela igreja que frequentamos. É uma lembrança que eu sempre valorizo! Infelizmente, muitas vezes nem sequer pensamos nos dias finais da vida de Jesus, a não ser na época da Páscoa. Embora esses últimos dias de Sua vida estejam cheios de verdades e princípios para guiar nossas vidas, não paramos para considerar o profundo significado de tudo o que aconteceu com Ele durante esse período. Mas tudo sobre essa história — tudo — é relevante e aplicável à nossa vida cotidiana. Essa história poderosa e transformadora não deve ser relegada a um dia por ano quando celebramos a Páscoa. Essa é a história de todas as histórias, cheia de verdades e princípios pertinentes que nos capacitarão a vencer em todas as áreas da nossa vida! Por isso, peço que você abra o seu coração ao ler as verdades contidas nestas páginas. Estude para perceber o que você pode aprender com Jesus e assim ser auxiliado a andar como Ele andou nesta terra. É minha oração que, ao chegar ao final deste livro, você tenha adquirido uma compreensão muito mais profunda do preço que Jesus pagou para libertá-lo e que, como resultado, você nunca mais seja o mesmo. Rick Renner Moscou, Rússia 1º de novembro de 2007 Capítulo 1 As Palavras Finais de Jesus Na noite em que Jesus foi traído, Ele se ajoelhou e lavou os pés dos discípulos. Então lhes serviu a primeira ceia ao confirmar Sua aliança com eles. Depois, Jesus começou a dizer as últimas palavras faladas a eles em Sua forma humana, antes de receber um corpo glorificado. Quando Jesus olhou nos olhos dos Seus discípulos, sabia que era a última vez que falava com eles nessa condição. Também sabia que essas últimas palavras estariam entre as mais importantes que Ele já lhes dissera. Então, o que Jesus disse aos Seus discípulos nesses momentos finais e íntimos com eles? Pense sobre o que você diria se soubesse que estava olhando nos olhos dos seus familiares e amigospela última vez. Eu duvido seriamente que você brincaria ou jogaria conversa fora. Momentos assim são santos e sagrados. Seria um momento para pesar cuidadosamente suas palavras e falar o que acredita ser o mais importante para seus ouvintes lembrarem depois que você partisse. v Se você tivesse a oportunidade de falar suas últimas palavras àqueles que ama, não escolheria cuidadosamente as palavras que seriam faladas nesse momento final? v Não seria a hora de dizer as coisas mais importantes e queridas ao seu coração — palavras que comunicariam os sentimentos mais profundos da sua alma aos seus entes queridos? Se você é como a maioria dos outros seres humanos, seu maior desejo, nesse momento final, seria fazer das suas últimas palavras as palavras mais sérias, proveitosas e sinceras que você poderia deixar para as pessoas que lhe fossem mais importantes. v Na vida de cada pessoa, há momentos-chave em que somos confrontados com a necessidade de falar palavras de conclusão. v Antes de uma pessoa passar para a eternidade, ela muitas vezes ora por uma oportunidade para falar suas palavras finais de despedida aos seus entes queridos. v Uma pessoa pode precisar falar suas palavras finais em seu local de trabalho devido a uma mudança de emprego que exige que ela se mude e, assim, deixe para trás associados e amigos com quem trabalhou por muito tempo. v Os pais encontram esse momento em que devem falar cuidadosamente suas últimas palavras ao filho ou filha logo antes que ele ou ela fique diante de um ministro e entregue sua vida a outra pessoa em casamento. Há muitas razões diferentes pelas quais você pode precisar falar as últimas palavras em vários momentos da vida. Você consegue pensar em um momento em particular quando teve de escolher suas palavras finais para falar com pessoas que você amava profundamente? Lembro-me de um momento em minha vida. Depois de servirmos a uma igreja por muitos anos e literalmente derramarmos nossos corações e almas naquela congregação, Denise e eu percebemos que era hora de seguirmos o chamado de Deus em outro lugar. Os dias se passaram e o tempo do nosso último culto na igreja com a congregação chegou. Mais e mais eu percebia que ao ficar diante das pessoas como pastor presidente pela última vez, eu estaria ministrando a mensagem mais importante que já pregara àquela igreja. Nos anos em que tínhamos servido nessa igreja, a congregação tinha ouvido muitas das minhas pregações. Mas nesse último culto, eu falaria minhas últimas palavras a eles como seu pastor presidente. Dessa forma, eu sabia que minhas palavras tinham que ser cuidadosamente escolhidas e faladas com sensibilidade. Era essencial que eu lhes deixasse com a mensagem que era a mais importante para ouvirem de mim estando diante deles pela última vez no papel de seu pastor presidente. Depois que Jesus lavou os pés dos discípulos e lhes serviu a primeira ceia, ficou com eles e lhes ensinou por um longo período. Nós não sabemos exatamente quanto tempo o ensino de Jesus durou naquela noite, mas três capítulos inteiros (João 14, 15 e 16) são dedicados às Suas últimas palavras aos Seus discípulos. Esses capítulos contêm o registro inspirado pelo Espírito do que Jesus disse aos Seus discípulos, apenas horas antes de ir à cruz e ao túmulo. Essa seria a última vez que Ele falaria com eles como o líder que conheciam na forma humana. Jesus estava prestes a se afastar fisicamente deste mundo. Ele sabia que era absolutamente essencial que os discípulos aprendessem a confiar inteiramente no Espírito de Deus para orientação e direção depois que Ele partisse. Por isso, Jesus usou Seus últimos momentos para ensinar aos discípulos a seguirem a liderança do Espírito Santo da mesma maneira que o seguiram. Deve ter soado estranho aos discípulos ouvir Jesus falar sobre o Espírito Santo. Eles estavam acostumados a serem guiados por Jesus física e visivelmente, mas agora estavam aprendendo que o Espírito de Deus se tornaria Seu Líder. Esse seria um líder que não poderiam ver, não poderiam tocar e não poderiam escutar audivelmente. No entanto, eles deveriam segui-lo, assim como seguiram Jesus. Eles provavelmente estavam pensando: Como será a liderança do Espírito Santo em nossas vidas? Ele age e pensa diferente de Jesus? Como será seguir o Espírito de Deus? Sabendo que essas eram perguntas normais a se fazer, Jesus usou Seus momentos finais com os discípulos para dissipar todo medo e insegurança que eles possam ter sentido de seguir a liderança do Espírito Santo. Foi por isso que Jesus teve tanto cuidado em usar palavras-chave quando falou com eles sobre a vinda do Espírito Santo. Em João 14:16, por exemplo, Jesus disse: “E vou rogar ao Pai, e ele vos dará outro Consolador...”. Quero chamar a sua atenção para uma palavra muito importante nesse versículo — a palavra “outro”. Em grego, existem duas palavras possíveis para “outro”. A primeira é a palavra grega allos e a segunda é a palavra grega heteros. A palavra allos significa um do mesmo tipo; do mesmo caráter; o mesmo em tudo; ou quase uma duplicata. A segunda palavra, heteros, significa um de outro tipo ou outro de um tipo diferente. Esta palavra heteros forma a primeira parte da palavra heterossexual, que, claro, descreve alguém que tenha relações sexuais com uma pessoa do sexo oposto. A palavra grega usada em João 14:16 é a primeira palavra, allos. A palavra allos enfaticamente significa que o Espírito Santo seria como Jesus em todos os sentidos. Isso transmite uma mensagem muito forte e importante sobre o Espírito Santo. Jesus queria que os discípulos soubessem que o Espírito Santo era como Ele. Seguir o Espírito Santo não seria diferente de segui-lo, exceto pelo fato de que a liderança do Espírito seria invisível em vez de física e visível, como a liderança de Jesus havia sido. João 14:16 poderia então ser traduzido como: Vou rogar ao Pai, e Ele enviará alguém que seja como Eu em todos os sentidos. Ele será idêntico a Mim na maneira como fala, na maneira como pensa, no jeito que opera, no jeito que vê as coisas e na maneira como faz as coisas. Ele será exatamente como Eu em todos os sentidos. O Espírito Santo aqui será como se Eu estivesse aqui porque pensamos, nos comportamos e operamos exatamente da mesma maneira. Mais cedo, em João 14, Filipe disse ao Senhor: “...mostra-nos o Pai, e isso nos basta” (João 14:8). Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” (João 14:9). Jesus era a imagem exata do Pai quando Ele andou sobre esta terra. Hebreus 1:3 declara: “Ele é a única expressão da glória de Deus [o Ser de Luz, o raio ou esplendor do divino], e Ele é a estampa perfeita e a própria imagem da natureza [de Deus]...” (AMP). Isso significa que Jesus refletia o caráter do Seu Pai Celestial em todos os sentidos. Foi por isso que Jesus disse a Filipe: “Quem me vê a mim vê o Pai...”. Embora o Pai, o Filho e o Espírito Santo sejam membros distintos da divindade, existe apenas um Deus, e cada Pessoa da divindade compartilha a mesma substância e essência. Então, se você vê Jesus, você vê o Pai. Ao olhar para Jesus, você consegue descobrir a vontade do Pai. Jesus fez e disse exatamente o que o Pai faria e diria. Sua vida, atitudes e ações eram a vontade manifesta absoluta do Pai, pois os dois estavam unidos na natureza, no caráter, no pensamento e na ação. Quando Jesus ensina aos discípulos sobre o Espírito Santo, Ele leva essa verdade um passo adiante. Assim como Jesus é a imagem exata do Pai em todos os sentidos, agora Jesus diz aos discípulos que, quando o Espírito Santo vier, Ele representará exatamente Jesus em cada palavra. É por isso que a palavra allos é usada para reforçar esse ponto. Ela não deixa lugar para dúvidas de que o Espírito Santo será exatamente como Jesus. A palavra allos nos diz que o Espírito Santo representa perfeitamente a vida e a natureza de Jesus Cristo. Jesus fez apenas o que o Pai Celestial faria e agora o Espírito Santo fará apenaso que Jesus faria. Como Representante de Jesus na Terra, o Espírito Santo nunca age por si próprio ou fora do alinhamento de caráter com a vida de Jesus Cristo. Veja, o Espírito de Deus foi enviado para nos trazer a vida de Jesus. Assim como Jesus disse a Filipe: “Quem me vê a mim vê o Pai”, agora Ele está nos dizendo: “Se vocês têm o Espírito Santo, será como se tivessem a mim”. Muitas vezes, eu ouvi os cristãos comentarem: “Pergunto-me como deve ter sido andar com Jesus. Não seria maravilhoso andar com Ele, ouvir a sua voz e falar com Ele?”. Mas os crentes que fazem essas perguntas não entendem o ministério do Espírito Santo. Se entendessem, saberiam que ter o Espírito Santo com eles é como ter Jesus bem ao seu lado! Você e eu devemos parar de olhar para trás e lamentar o que perdemos porque não vivemos há dois mil anos. Em vez disso, devemos aprender a deixar o Espírito Santo nos guiar e direcionar, assim como Ele fez na Igreja Primitiva. A ausência física de Jesus não impediu que os primeiros fiéis realizassem milagres, ressuscitassem os mortos, expulsassem demônios, curassem os doentes ou levassem as multidões a um conhecimento salvador de Jesus Cristo. Como o Espírito Santo estava com eles, o ministério de Jesus continuou ininterrupto em seu meio. Nunca se esqueça: como filho de Deus, você tem o Espírito Santo operando dentro de você e ao seu lado a todo instante, todos os dias. Como o Espírito Santo é a representação exata de seu Senhor e Salvador, é como ter Jesus bem aí, ao seu lado. As últimas palavras de Jesus aos Seus discípulos giravam em torno do ministério do Espírito Santo na vida dos cristãos. Note a seriedade dessa mensagem para Jesus! Como Jesus considerou esse assunto tão importante, por que você não abre o coração para a operação do Espírito hoje? Deixe o Espírito Santo representar Jesus para você, para sua igreja, sua família, seu negócio e sua cidade, assim como Ele o fez aos crentes que viveram durante o tempo do livro de Atos. Suas últimas palavras para uma pessoa ou suas palavras finais sobre um assunto estabelecem um momento decisivo. O que quer que tenha acontecido antes ou o que quer que possa se seguir depois deve ser entendido e visto através da lente dessas palavras finais. Ao considerar as últimas palavras de Jesus aos Seus discípulos, pense sobre aqueles indivíduos com quem você se importa profundamente. Se você soubesse que estava passando para a eternidade ou se mudando permanentemente, quais seriam as suas palavras para eles e por quê? Jesus deu uma descrição aprofundada do Espírito Santo aos Seus discípulos. Ele mesmo lhes disse que era para proveito deles que Ele estava partindo, pois o Espírito Santo poderia entrar em suas vidas. Ao contrário de Jesus, que naquele tempo só poderia estar com eles, a Pessoa do Espírito Santo se moveria entre os seguidores de Jesus coletivamente e habitaria dentro deles individualmente. Imagine um cenário em sua vida à luz desse conhecimento de que você tem esse tipo de ajuda sobrenatural. Quais vantagens distintas se apresentam para você como resultado de ter acesso constante a um conselheiro sábio que está disposto a lhe ajudar de todas as maneiras concebíveis e dar a solução certa para todas as situações possíveis? De que maneiras específicas você está buscando um relacionamento mais profundo com a Pessoa do Espírito Santo? Capítulo 2 Feridas de Traição Você já se sentiu traído por um amigo ou por alguém que amava? Quando isso aconteceu, você ficou chocado? Sentiu-se como se aquela pessoa tivesse enfiado uma faca nas suas costas, violando a sua confiança e revelando coisas que deveriam ter sido mantidas em sigilo? Você ficou abalado por um amigo tão confiável poder ser tão desleal? Você se perguntou: Como uma pessoa tão querida e próxima poderia ser usada de forma tão cruel pelo diabo para me atacar dessa maneira? É doloroso quando um amigo nos trai. É ainda pior quando a pessoa é a sua melhor amiga ou alguém que você conhece e confia há muitos anos. A traição é algo que acontece com as pessoas, desde o início dos tempos. É simplesmente um fato que o diabo é mestre em distorcer e arruinar relacionamentos. Ele sabe como atrair as pessoas para situações em que elas acabam se sentindo ofendidas ou magoadas. Depois, ele as persuade a nutrir sua ofensa até que ela se transforme em um conflito, que separa até mesmo os melhores amigos e os membros mais próximos da família. Não se esqueça — Satanás foi expulso do céu por causa da sua habilidade única de criar confusão, discórdia e conflitos. O céu é tão perfeito quanto um ambiente pode ser. No entanto, naquele ambiente perfeito, o diabo ainda foi capaz de afetar um terço dos anjos com suas acusações caluniosas contra Deus. Anjos que tinham adorado juntos por eons1 de tempo agora se opunham uns aos outros por questões que o diabo colocara em suas mentes. Isso deve lhe dar uma ideia do quão habilidoso o diabo é em criar discórdia e conflito! Se o diabo foi persuasivo o bastante para fazer isso com os anjos, pense em como é mais fácil enganar as pessoas que vivem em um ambiente distante da perfeição e que lutam diariamente contra as suas próprias imperfeições e autoimagens! Satanás busca o momento oportuno, exatamente quando uma pessoa está cansada, desgastada ou irritada. Daí ele espera até que alguém faça algo com o qual a pessoa não concorda ou não entende. De repente, é como se o diabo disparasse uma flecha de raiva diretamente nas emoções daquela pessoa! Em pouco tempo, contenda, amargura, falta de perdão e divisão começam a crescer. Amigos que já estiveram lado a lado e se amavam agora estão de frente um para o outro como rivais hostis. Se isso lhe soa familiar, fique firme! Esse mesmo cenário aconteceu com Jesus! Depois de trabalhar com Judas Iscariotes por três anos, o diabo encontrou seu caminho para a alma de Judas, tornando-o tão amargo contra Jesus que esse discípulo se tornou Seu traidor. Mas precisamos perguntar: o que abriu a porta para que esse engano se formasse dentro de Judas? Em João 13:2, a Bíblia nos dá uma visão muito poderosa da maneira como o diabo estabelece um ponto de apoio na mente das pessoas. De volta a João 12:3-7, Maria trouxe uma libra de nardo e derramou nos pés de Jesus. Judas achou que aquele ato de amor era um desperdício de dinheiro e discordou de Jesus sobre isso. Mas Jesus disse a Judas que deixasse Maria em paz e permitiu que ela continuasse. João 13:2 então nos diz: “Durante a ceia, tendo já o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que traísse a Jesus...”. Qual foi o momento exato em que Satanás colocou esse pensamento no coração de Judas? Aparentemente, foi quando Judas ficou ofendido com Jesus pelo nardo. Talvez Judas não tenha concordado com a decisão de Jesus ou quem sabe ele não tenha gostado do fato de Jesus ter-lhe dito para deixar Maria em paz. Talvez fosse porque Judas era um ladrão. Como tesoureiro do ministério que roubava regularmente da bolsa de dinheiro que ele carregava, provavelmente não gostou quando o dinheiro foi gasto em outro lugar, em vez de ser colocado no tesouro! Seja qual for o motivo, foi nesse momento de desacordo que o diabo encontrou uma porta aberta no coração de Judas. Observe especialmente a frase “...tendo já o diabo posto no coração de Judas Iscariotes...”. As palavras “posto no” provêm da palavra grega ballo, que significa arremessar, lançar, empurrar ou injetar. Esta palavra ballo carrega a ideia de uma ação muito rápida de atirar, arremessar ou injetar algo — como o arremesso de uma bola ou pedra ou o movimento para a frente de uma faca afiada. É significativo que essa palavra tenha sido usada nesse contexto, porque nos diz o quão rápido o diabo agiu para lançar uma semente de traição no coração de Judas. Quando a semente da traição foi plantada, foi tão profundo que transformou Judas — um dos mais próximos de Jesus — em um enganador e traidor. Judas tornou-se o símbolo de um amigo desleal e infiel. Quando Satanás finalmentepenetrou na mente e nas emoções de Judas com essa semente da traição, ele a plantou tão forte e rápido que ela se tornou profundamente enraizada ou alojada na alma de Judas. João 13:2 poderia, portanto, ser traduzido das seguintes maneiras: ...o diabo tendo agora enfiado no coração de Judas Iscariotes... ...o diabo tendo agora inserido no coração de Judas Iscariotes... ...o diabo tendo agora forçosamente lançado no coração de Judas Iscariotes... ...o diabo tendo agora embutido no coração de Judas Iscariotes... Não há dúvida de que a palavra ballo significa que o diabo aproveitou rapidamente uma oportunidade e injetou uma semente de traição no coração de Judas. Ele estava tão ofendido com Jesus que uma janela para o seu coração e suas emoções se abriu, mesmo que por um breve momento. Quando o diabo viu essa abertura, ele se moveu como um raio para penetrar na mente e nas emoções de Judas, a fim de abalar um relacionamento de longo prazo e transformar um amigo confiável em um traidor. Satanás foi capaz de usar Judas como seu instrumento porque ele permitiu que o inimigo cavasse um fosso entre ele e Jesus. Em vez de deixar o desacordo de lado e esquecê-lo, Judas consentiu que o assunto se tornasse uma grande questão em sua mente — algo tão desproporcional que o diabo conseguiu usar a ofensa para levá-lo ao seu ato de deslealdade definitivo. Por Judas não ter levado seus pensamentos cativos, o diabo foi capaz de manchar sua visão de Jesus. Isso levou a um efeito desastroso no relacionamento de Judas com Ele. É importante que você aprenda a reconhecer os momentos em que o diabo tenta plantar uma semente de divisão em seu coração. Ele quer separar você das pessoas que você ama. Em vez de deixá-lo avançar com essa tática do mal, tome a decisão de resistir a cada tentação de se irritar e se ofender. Ao resistir a esses pensamentos, você toma posição contra o diabo e protege os seus relacionamentos. Aprenda com o exemplo de Judas Iscariotes. Determine que você nunca permitirá que problema algum seja tão desproporcionalmente considerado a ponto de lhe transformar em um amigo desleal, mentiroso e traidor. Se você está sofrendo agora porque alguém recentemente lhe traiu e machucou, escolha a rota do perdão! Lembre-se, o que você semeia é o que você colhe — se você semear perdão agora, receberá perdão dos outros quando precisar no futuro. O diabo é um destruidor e é, portanto, exímio quando se trata de arruinar relacionamentos. Você consegue se lembrar de um momento em sua vida em que o diabo usou um amigo ou alguém em quem confiou para lhe trair, violar a sua confiança ou causar mágoa e dor interior? Quais foram as lições que você aprendeu como resultado de caminhar com Deus em uma experiência tão difícil? Já houve alguma vez em que o diabo usou você para trair outra pessoa? Você já parou para pensar na dor que você trouxe à vida dessa pessoa como resultado das suas ações? Você já voltou a ele ou ela para pedir perdão e tentar consertar as coisas? Relacionamentos são um elemento vital no tecido das nossas vidas. As pessoas podem usar sua influência em nossas vidas tanto para ajudar como para impedir o nosso propósito divino. Pense em alguns dos relacionamentos cruciais na sua vida. De que maneira você pode agregar valor à vida desses indivíduos para fortalecê-los ao longo do seu destino divino? Capítulo 3 Agonia da Alma Você já se perguntou onde todos os seus amigos estavam no momento em que realmente precisou deles? Talvez eles tenham prometido que seriam fiéis, mas quando você mais precisou desses amigos, eles não puderam ser encontrados. Você se sentiu abandonado nesse momento de necessidade? O próprio Jesus foi confrontado com a mesma situação quando estava no Jardim do Getsêmani na noite anterior à Sua crucificação. Depois que terminou de servir a ceia aos Seus discípulos no cenáculo, a Bíblia nos diz que Ele foi ao Jardim do Getsêmani com eles. Sabendo que a cruz e a sepultura estavam diante dele, Jesus sentiu necessidade de passar tempo em intercessão para poder ganhar a força que precisava para enfrentar o que estava por vir. Ele também chamou Pedro, Tiago e João e pediu que estivessem orando com Ele. Raramente — se é que houve alguma vez — Jesus precisou da ajuda dos Seus amigos. Na maioria das vezes, eles precisaram dele! Mas nesse momento intenso, Jesus realmente sentiu a necessidade de ter os três discípulos que lhe eram mais próximos orando com ele e pediu a esses discípulos que orassem por apenas uma hora. Mas em vez de orarem fielmente quando Jesus precisava do seu apoio desesperadamente, os três discípulos continuaram cochilando! A batalha mental e espiritual que Jesus experimentou naquela noite no Jardim do Getsêmani foi intensa. De fato, Lucas 22:44 diz: “E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra”. Quero que você observe especialmente a palavra “agonia” nesse versículo. Vem da palavra grega agonidzo, uma palavra que se refere a um esforço, uma luta, uma grande extenuação ou desgaste. É uma palavra muitas vezes usada no Novo Testamento para transmitir as ideias de angústia, dor, desconforto e conflito. A palavra agonidzo em si vem da palavra agon, que é a palavra que descreve os embates atléticos e competições que eram tão famosos no mundo antigo. O Espírito Santo usou essa palavra para retratar Jesus no Jardim do Getsêmani na noite da sua traição. Isso nos diz que Jesus foi lançado em um grande esforço ou em uma intensa luta naquela noite. Sabendo que a cruz e a sepultura estavam diante dele, clamou: “Pai, se queres, passa de mim este cálice...” (Lucas 22:42). A pressão espiritual que se abateu sobre a alma de Jesus foi tão esmagadora que a Bíblia diz que era agonidzo, ou agonia. Foi tão extenuante que envolveu todo o espírito, alma e corpo de Jesus. Ele estava na maior luta que já havia conhecido até aquele momento. O nível intenso de agonia de Jesus é descrito na frase: “...orava mais intensamente...”. A palavra “intensamente” é a palavra grega ektenes, que significa ser estendido ou ser esticado. Uma pessoa nesse tipo de agonia pode cair ao chão, contorcendo-se e rolando de dor. A palavra ektenes apresenta a imagem de uma pessoa que é levada ao limite e não pode ser esticada muito mais. Ela está no auge de tudo o que consegue suportar. O estado emocional de Jesus era tão intenso que é dito que “...seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra”. O “suor” é a palavra grega idros. A palavra “gotas” vem da palavra grega trombos, uma palavra médica que remete ao sangue que fica densamente coagulado de forma não usual. Quando essas duas palavras são unidas, elas descrevem uma condição médica chamada hematidrosis — uma condição que ocorre apenas em indivíduos que estão em um estado emocional altamente alterado. Como a mente está sob tanta pressão mental e emocional, ela envia sinais de estresse por todo o corpo humano. Esses sinais se tornam tão fortes que o corpo reage como se estivesse sob pressão física real. Como resultado, a primeira e a segunda camada da pele se separam, causando a formação de vácuo entre elas. Sangue espesso e coagulado penetra nesse vácuo, escorrendo pelos poros da pele. Quando o sangue se manifesta dessa forma, ele se mistura com o suor do indivíduo em sofrimento que escorre por sua pele como resultado de sua intensa luta interior. No final, o sangue e o suor se misturam em gotas e escorrem pelo rosto da vítima até o chão. Esse foi o pior combate espiritual que Jesus já enfrentara até aquele momento. E onde estavam Seus discípulos quando Ele precisou deles? Estavam dormindo! Jesus precisava dos Seus amigos mais íntimos — mas eles não conseguiram orar nem por uma hora! Então, Deus providenciou força para Ele de outro modo, o que observaremos no capítulo seguinte. Você já precisou de ajuda, mas descobriu que não podia contar com seus amigos? Você encontrou seus amigos dormindo em seus postos quando sentiu umaprofunda necessidade de ajuda e apoio? Você já esteve em uma situação que fez que você sentisse intensa agonia e isso o levou ao limite? Você está nesse tipo de situação agora? Talvez você nunca tenha suado sangue, mas, muito provavelmente, já lutou em sua alma em algum momento por causa de problemas com seu casamento, seus filhos, seus relacionamentos, seu ministério ou suas finanças. Se você já se sentiu como se estivesse vivendo constantemente em uma “panela de pressão”, sabe que é difícil lidar com a pressão contínua — especialmente se não tiver ninguém para se apoiar para ter força, encorajamento e ajuda. Se você está passando por um desses momentos agora, Jesus entende você, porque Ele enfrentou a mesma situação no Jardim do Getsêmani. Hebreus 2:18 diz: “Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados”. Por causa do que Jesus experimentou, Ele é capaz de compreender tudo o que você está pensando e sentindo. Encorajo você a reservar alguns minutos para orar antes de dar mais um passo ou tomar mais uma decisão hoje. Fale com Jesus sobre as situações que você está enfrentando. Ele entende completamente e lhe dará a força que você precisa para vencer cada uma das “panelas de pressão” da vida com sucesso. O intenso estresse emocional produz sofrimento mental e físico. Jesus não apenas sofreu em todos os níveis, Ele perseverou em meio à dor mais difícil que você pode imaginar. Portanto, Ele não só compreende completamente tudo o que você pode vir a passar, mas também se identifica com você. Você já pensou sobre isso? Jesus experimentou toda a gama de emoções humanas e tensões emocionais. Ele sabe exatamente como é sentir a pressão que vem por todos os lados. Como Jesus entende o estresse, Ele é confiável para lhe entender e ajudar, não importa o que você esteja enfrentando. Quais são as áreas em sua vida nas quais você está passando por estresse? Convide Jesus para essa área e confie nele para ajudá-lo. Ele o fará. Às vezes, é mais fácil falar com alguém que já passou pelo que você está passando. Mas você continua ferido depois de conversar com seus pais, seus amigos, seu cônjuge ou seu pastor? É hora de falar com Jesus. Ele é o Único Perfeito para falar sobre suas lutas, porque entende disso melhor do que ninguém. Capítulo 4 Assistência Divina Nunca me esquecerei do tempo, alguns anos atrás, quando nosso ministério estava sob um grande ataque. Por alguma razão que não conseguíamos explicar de maneira racional, as ofertas financeiras dos nossos parceiros começaram a secar e diminuir por vários meses. Depois que essa seca durou um bom tempo, nossa situação tornou-se muito séria. Eu não sabia como iríamos pagar por nossas transmissões de televisão que alcançavam toda a antiga União Soviética. Era hora de pagar as contas e eu não tinha dinheiro. Enquanto eu caminhava pela cidade de Moscou em uma noite fria de inverno, desabei por causa da pressão que estava sentindo. Parei na Praça Vermelha, encostei-me em um corrimão e literalmente chorei, sem me importar com as pessoas que passavam por mim. Eu me sentia muito frustrado por não saber o que fazer. Tínhamos reunido todos os recursos que possuíamos para manter aquelas transmissões no ar. Milhões de pessoas assistiam aos nossos programas de televisão e essas almas famintas dependiam de nós. Deus me confiou a tarefa de levar a sua Palavra àquelas nações soviéticas, e eu levei essa responsabilidade a sério. Mas como nossas finanças diminuíram, encontrei-me em um ponto extremamente difícil. Depois de andar pelo sistema de metrô por várias horas enquanto tentava juntar meus pensamentos, senti-me afundar ainda mais em um sentimento de desespero. A realidade era que se algo não acontecesse rapidamente para mudar a situação, eu teria que cancelar nosso programa e todos aqueles milhões que o acompanhavam a cada semana perderiam o ensino da Palavra de Deus. Eu tinha acabado de subir do metrô a caminho da reunião na televisão quando me encostei em um corrimão da Praça Vermelha e chorei diante do Senhor. Sentia-me muito sozinho, paralisado e incapaz de resolver o meu problema. Não parecia haver alguém para quem eu pudesse telefonar ou com quem eu pudesse falar que compreendesse a enormidade do que eu estava enfrentando no reino espiritual naquela noite. Eu gritei: Senhor, por que isto aconteceu? Existe uma razão pela qual os nossos apoiadores pararam repentinamente seu apoio? Fizemos alguma coisa que abriu uma porta para o diabo atrapalhar nossas finanças? Por favor, diga-me o que devo fazer agora sobre essa situação. E quanto aos milhões de pessoas que estão esperando por Sua Palavra? Nós simplesmente desapareceremos da televisão e os deixaremos imaginando o que aconteceu conosco? De repente, senti como se uma força divina tivesse entrado em mim! Força e coragem inundaram a minha alma. Eu sabia que Deus estava me tocando, me dando um novo impulso sobrenatural de coragem e fé para enfrentar esse momento vitoriosamente. Em poucos minutos, minhas lágrimas desapareceram, meu desespero sumiu e comecei a celebrar a vitória! Embora eu ainda não tivesse o dinheiro em mãos para cobrir todas as contas da televisão, eu sabia que a batalha havia sido ganha no Espírito. Como se viu, o dinheiro não veio de uma só vez, mas a válvula foi ligada novamente e as ofertas dos nossos parceiros começaram a fluir de novo para o ministério. Agradeço a Deus pela assistência sobrenatural que Ele me deu naquela noite! Você já se viu em um momento em que se sentiu sozinho no desafio que estava enfrentando? Na noite da traição de Jesus, Ele deve ter se sentido assim. Ele pediu aos Seus discípulos mais próximos — Pedro, Tiago e João — que orassem com Ele naquelas últimas horas. Mas toda vez que voltava para verificar os três homens, eles estavam dormindo. Como observamos, Jesus estava passando por uma grande batalha espiritual e pressão extrema naquela noite. Era por isso que Ele queria que Seus discípulos mais chegados o ajudassem em oração. No entanto, naquela noite eles não foram encontrados fiéis. Mas quando Jesus não encontrou alguém para ficar com Ele em sua hora de necessidade, Deus providenciou assistência sobrenatural! Lucas 22:43 diz: “E ali lhe apareceu um anjo do céu, fortalecendo-o” (KJV, tradução livre). Essa força sobrenatural compensou qualquer falta de apoio dos Seus três discípulos mais chegados. Quando Lucas escreve que o anjo o fortaleceu, ele usa a palavra grega enischuo. Ela é composta das palavras en e ischuos. A palavra en significa em e a palavra ischuos é a palavra para poder ou força. Normalmente, nos tempos do Novo Testamento, a palavra ischuos era usada para denotar homens com grandes habilidades musculares, semelhantes aos fisiculturistas no mundo de hoje. Mas quando essas duas palavras en e ischuos são usadas juntas, a nova palavra significa transmitir força; capacitar alguém; encher uma pessoa com ânimo ou dar a alguém uma vitalidade renovada. Uma pessoa pode estar se sentindo exausta e esgotada, mas de repente ela recebe uma explosão de energia tão forte que é instantaneamente recarregada! Agora ela está pronta para se levantar, prosseguir e avançar de novo! Isso significa que, quando os discípulos e amigos de Jesus não estiveram disponíveis em sua hora de necessidade, Deus providenciou um anjo que fortaleceu, recarregou e transmitiu força a Jesus, renovando Sua vitalidade com a força necessária para enfrentar vitoriosamente a hora mais difícil da Sua vida. Depois de ser recarregado, Jesus estava pronto para enfrentar a cruz. Ele acordou os Seus discípulos e disse: “Levantai-vos, vamos! Eis que o traidor se aproxima” (Marcos 14:42). Talvez você tenha experimentado um momento em sua vida quando se sentiu travado e sozinho. Talvez você tenha pensado que seus amigos iriam lhe ajudar, mas eles acabaram lhe decepcionando na hora em que você realmente precisou deles. Se esse cenário soar muito familiar para você, não deixe o desespero dominar! Seus amigos podemter adormecido na vigília, mas Ele não! Deus está absolutamente comprometido em vê-lo atravessar a situação que você está enfrentando. Se necessário, Ele proverá assistência sobrenatural para recarregá-lo e mantê-lo a todo vapor. Você pode ficar tentado a se sentir isolado e sozinho, mas se os olhos do seu espírito fossem abertos por um momento, você veria que não está sozinho! Deus está cercando você com o poder do Espírito Santo, com os anjos e com qualquer coisa que precisar para prosseguir. Independentemente da batalha ou situação em particular que você estiver enfrentando na vida, Deus sempre virá em seu auxílio. A mesma ajuda divina que Ele providenciou para Jesus no Jardim, Ele providenciará para você. Quando ninguém mais for fiel, você pode estar certo de que Deus sempre é fiel. Ele cuidará para que você receba a força e o poder que precisar para triunfar em todas as circunstâncias. A assistência sobrenatural é parte de sua herança como filho de Deus. Tudo o que você tem que fazer para receber essa assistência é reivindicá-la pela fé e depois andar em obediência ao que Deus lhe diz para fazer. Às vezes, as circunstâncias surgem na vida quando nos sentimos totalmente desamparados. Lembre-se de uma ocasião em que você não teve os recursos nem a capacidade de produzir mudanças em determinada situação, mas Deus interveio para fortalecer e energizar você. Deus é o mesmo hoje como foi ontem. Lembre-se da fidelidade dele, especialmente quando estiver cansado e tentado a temer não conseguir vencer um desafio. Pense em um momento em que você se sentiu preso e sozinho. Talvez seus amigos não puderam ou não quiseram ajudá-lo. Relembre as maneiras pelas quais Deus se fez presente e lhe provou que Ele não dorme nem cochila. Ele nunca abandonou você. Se parecer que você está sozinho no meio da dificuldade, lembre-se sempre: a partir do momento em que você invoca a Deus, Ele responde. Se Jesus precisou de ajuda sobrenatural, então você necessitará também! Pense em uma situação atual em sua vida em que você precisa de intervenção divina. Não tenha vergonha de pedir ajuda a Deus. Simplesmente, volte-se para Ele com todo o seu coração e declare: “Eu sou seu — salva-me!” A partir daí, permita que o poder de Deus o fortaleça no meio da situação que você estiver enfrentando agora. Capítulo 5 Quantos Soldados São Necessários para Prender Um Homem? Jesus tem o maior poder em todo o universo! Durante Seu ministério terreno, Ele curou os doentes, expulsou demônios, ressuscitou os mortos, caminhou sobre a água, transformou água em vinho e multiplicou pães e peixes. De fato, Jesus realizou tantos milagres que o apóstolo João disse: “Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se todas elas fossem relatadas uma por uma, creio eu que nem no mundo inteiro caberiam os livros que seriam escritos” (João 21:25). Satanás estava aterrorizado com Jesus. Foi por isso que o inimigo inspirou Herodes, o Grande, a tentar aniquilar o Messias matando todos os bebês em Belém e nas redondezas (ver Mateus 2:16). Quando isso falhou, o diabo tentou eliminar Jesus, buscando seduzi-lo com as tentações no deserto. Após essas tentativas fracassarem, Satanás tentou matar Jesus em numerosas ocasiões usando pessoas religiosas raivosas! Você se lembra das muitas vezes que os líderes religiosos tentaram pegar Jesus e falharam? Os evangelhos estão cheios de exemplos nos quais Ele sobrenaturalmente escapou das mãos dos Seus agressores (ver Lucas 4:30; João 7:30, João 8:59 e João 10:39.) Depois da última ceia de Jesus com Seus discípulos, chegou a hora de outra tentativa de Satanás para destruir Jesus, desta vez usando Judas Iscariotes — e ao que parece o diabo estava preocupado em não ter sucesso novamente. Então, ele inspirou Judas a liderar um enorme grupo de soldados romanos e policiais do templo para prender Jesus. Havia soldados demais nesse grupo para capturar apenas um indivíduo — a menos que esse indivíduo fosse o Filho de Deus! Os líderes religiosos que o diabo usou também estavam cheios de ódio contra Jesus. Considerando quantas vezes Jesus já havia escapulido das suas mãos, eles deviam estar preocupados que Ele pudesse escapar outra vez. Depois de servir a ceia aos Seus discípulos, Jesus se retirou para o Jardim do Getsêmani para orar. João 18:2 nos diz que era costume de Jesus ir até lá orar com os discípulos. Portanto, Judas sabia precisamente onde encontrar Jesus naquela noite quando fosse a hora de levar os soldados e a polícia do templo para prendê-lo. João 18:3 diz: “Judas então, tendo recebido um bando de homens e oficiais dos principais sacerdotes e fariseus, foram ao lugar com lanternas, tochas e armas” (KJV, tradução livre). Esse versículo diz que Judas recebeu “...um bando de homens e oficiais dos principais sacerdotes e fariseus...”. Quero que você entenda exatamente o que era esse “bando de homens” e esses “oficiais dos principais sacerdotes e fariseus” para que possa perceber a imagem completa do que aconteceu naquela noite no monte das Oliveiras. Acredito que você ficará espantado quando perceber o número gigantesco de homens armados que vieram à procura de Jesus naquela noite! Os soldados que Judas trouxe consigo para o Jardim do Getsêmani eram soldados que serviam na Fortaleza Antônia2 — uma torre que fora construída pelos governantes Asmoneus.1 Mais tarde, foi rebatizada como “Fortaleza Antônia” pelo rei Herodes em homenagem a um de seus maiores patronos, Marco Antônio (sim, o mesmo Marco Antônio que se apaixonou pela rainha egípcia Cleópatra!). A Fortaleza Antônia era um enorme edifício que foi construído sobre uma rocha e tinha setenta e cinco metros de altura. Seus lados foram completamente polidos para dificultar a escalada das suas paredes pelos inimigos. Embora tivesse muitas torres, a mais alta ficava no canto sudeste, dando ao vigia uma visão desimpedida da área do templo e de grande parte de Jerusalém. Dentro desse enorme complexo havia um grande pátio interno para os exercícios da coorte romana — composta de trezentos a seiscentos soldados especialmente treinados — que estava sediada ali. Essas tropas ficavam prontas para agir defensivamente no caso de uma insurgência ou tumulto. Na verdade, uma escada levava da torre para o templo, permitindo que as tropas o acessassem em questão de minutos, caso um distúrbio se desenvolvesse ali. Um escritor percebeu que havia até mesmo uma passagem secreta da torre para a corte interna dos sacerdotes, possibilitando que as tropas acessassem até mesmo aquela localização sagrada e restrita. João 18:3 registra que havia “um bando de homens” no Jardim do Getsêmani naquela noite. A palavra grega para “um bando de homens” é spira. Essa é a palavra que descreve uma coorte militar — o mesmo grupo de trezentos a seiscentos soldados já mencionados. Esses soldados extremamente bem treinados estavam equipados com os melhores armamentos da época. João 18:3 também nos fala que na noite em que Jesus foi preso, esse bando de soldados foi acompanhado por “oficiais dos principais sacerdotes e fariseus”. A palavra “oficiais” vem da palavra grega huperetas. A palavra huperetas teve vários significados nos tempos do Novo Testamento, mas, nesse caso, descrevia os “policiais” que trabalhavam nos limites do templo. Uma vez que um julgamento fosse proferido pelo tribunal religioso de lei, era responsabilidade da polícia do templo executar esses julgamentos. Essa temível força armada trabalhava diariamente com a coorte sediada na Fortaleza Antônia e se reportava aos principais sacerdotes, aos fariseus e ao sinédrio. Foram esses “oficiais” os que acompanharam os soldados romanos ao Jardim do Getsêmani. Podemos, portanto, concluir que quando os soldados romanos e a polícia do templo chegaram para prender Jesus, a encosta onde o jardim estava localizado ficou literalmente coberta de soldados romanos e milícias altamente treinadas do Templo do Monte. Quero que você realmente perceba que enorme multidão de homens armados veio naquela noite,então vamos conferir o que os outros evangelhos nos contam sobre o mesmo incidente. Mateus 26:47 (ACF) diz que foi “grande multidão” de soldados, usando as palavras gregas ochlos polus para indicar que era uma enorme multidão de homens armados. Marcos 14:43 chama de “grande multidão”, usando a palavra grega ochlos, indicando que era uma multidão enorme. Lucas 22:47 também usa a palavra ochlos, apontando que o bando de soldados que veio naquela noite era enorme. Isso nos leva a imaginar o que Judas disse aos principais sacerdotes sobre Jesus, que os fez pensar que precisavam de um pequeno exército para prendê-lo! Judas os advertiu de que Jesus e os Seus discípulos poderiam lutar? Ou é possível que os principais sacerdotes estivessem nervosos pensando que Jesus pudesse usar o Seu poder sobrenatural para resistir a eles? Certamente, Jesus era conhecido por Seu poder. Afinal, Ele ministrou por três anos e milagres ocorriam onde quer que Ele ia. As histórias do poder de Jesus já deviam ter se tornado lendárias, mesmo durante Sua vida aqui na Terra. Até mesmo Herodes ouvira falar dos poderes de Jesus e ansiava por ser testemunha ocular dos milagres que Ele realizou (ver Lucas 23:8). Observamos o que o apóstolo João disse sobre isso em João 21:25: “Nem no mundo inteiro caberiam os livros que seriam escritos para registrar cada um dos milagres de Jesus”. Portanto, não é difícil imaginar que a maioria das pessoas nos dias de Jesus tivesse ouvido histórias do extraordinário poder que fluía por meio dele. Alegra o meu coração pensar no poder de Jesus Cristo! Ainda mais emocionante é o conhecimento de que o mesmo poder que fluía por Ele quando Ele andava nesta terra agora flui por intermédio de você e de mim. O mesmo Espírito Santo que ungiu Jesus para cumprir o Seu ministério foi enviado para nos capacitar a fazer as mesmas obras que Ele fez! De fato, Jesus profetizou que faríamos obras ainda maiores (João 14:12). Esse é o tipo de poder que opera em você e em mim! Toda vez que o diabo tentar insinuar que você não é uma ameaça séria a ser temida, você precisa se levantar e lembrá-lo de que o Espírito Santo é a sua fonte de energia! Diga ao diabo (e se lembre, ao mesmo tempo) que o maior vive dentro de você (ver 1 João 4:4) e que você é o que vence o mundo (ver 1 João 5:4). Lembre-se todos os dias de que o mesmo poder que ressuscitou Jesus dos mortos agora habita dentro de você e está à sua disposição 24 horas por dia. Então, da próxima vez que você se deparar com uma situação que precisa ser revertida com poder sobrenatural, abra seu coração e deixe esse poder fluir — porque a unção que repousou sobre Jesus quando Ele andou nesta terra agora repousa sobre você! O grandioso poder que fluiu por intermédio de Jesus permanece dentro de você continuamente. Quando pensamentos de fracasso e sentimentos de depressão atacarem a sua mente, reconheça que eles são um ataque do diabo tentando lhe fazer acreditar que você é menos do que de fato é. Você é uma ameaça ao diabo e às suas obras por causa do poder divino que está à sua disposição. Pense no que esse poder fará quando liberado em uma situação — então espere que ele flua por meio de você! Satanás ficou aterrorizado com Jesus e revelou seu medo do Messias muito antes do Jardim do Getsêmani. Quando Jesus nasceu nesta terra, o inimigo inspirou Herodes, o Grande, a massacrar todos os bebês em Belém e na região próxima, na tentativa de matá-lo. Um espírito de medo sempre levará as pessoas a reagirem exageradamente. Pense em sua própria vida por um momento. Você está enfrentando uma quantidade ilogicamente desproporcional de oposição agora por causa da sua posição a favor de Deus? Nesse caso, considere por que o inimigo tem tanto medo do que Deus planeja fazer por intermédio da sua vida! Quantas vezes o diabo tentou destruir sua vida, sua família, seu negócio ou seu ministério — mas, a cada vez, você e os seus escaparam do alcance do inimigo? Que propósito ordenado por Deus você foi escolhido para cumprir? O que Deus lhe instruiu a fazer em diligente preparação para que esse propósito aconteça? Capítulo 6 Mal-Entendidos e Suspeitas Você já teve uma experiência com alguém que teve uma percepção errada a seu respeito? Ao ouvir o que essa pessoa pensava sobre você, ficou assustado? Você se perguntou: Como alguém poderia pensar algo assim sobre mim? Quanto mais conhecido você se torna, mais as pessoas ouvem todos os tipos de rumores a seu respeito — a maioria deles completamente falsos. Você sabe como os rumores funcionam. Quando uma pessoa ouve um rumor, ela o repassa para outra pessoa, que o repete para outra — assim ele vai de uma pessoa para outra, ficando cada vez mais ridículo à medida que é contado. Por fim, temos uma história inteira sendo contada que não possui verdade alguma. Infelizmente, quando as pessoas ouvem um rumor, geralmente acreditam nele! Essa é uma das razões pelas quais os cristãos precisam ter muito cuidado para não participar de fofocas. Eu não sei que histórias vinham sendo repetidas sobre Jesus, mas elas devem ter sido bem dramáticas. Afinal, quando os soldados romanos e a polícia do templo vieram prendê-lo no Jardim do Getsêmani, eles estavam armados até os dentes! Eles também trouxeram lanternas e tochas suficientes para iluminar todo o monte das Oliveiras. O que teriam eles ouvido que os fez pensar que precisavam estar tão bem equipados para encontrar Jesus e os três discípulos que Ele trouxera para orar naquela noite? Judas obviamente os preparou para o pior. Ele tinha visto Jesus realizar inúmeros milagres, então conhecia muito bem sobre o poder que operava por intermédio dele. Judas também estava presente quando líderes religiosos tentaram, sem sucesso, pegar Jesus quando Ele pareceu desaparecer sobrenaturalmente, esgueirando-se pelo meio da multidão até um lugar seguro (ver Lucas 4:30; João 8:59). Cada vez que os inimigos de Jesus pensavam que o tinham, de repente — puf! — Ele ia embora! Quando as tropas chegaram naquela noite, deveriam estar agindo com base nessas histórias. João 18:3 nos diz que: “Judas então, tendo recebido um bando de homens e oficiais dos principais sacerdotes e fariseus, foram ao lugar com lanternas, tochas e armas” (KJV, tradução livre). Quero chamar a atenção para as palavras “lanternas”, “tochas” e “armas”. Quando você perceber o impacto dessas palavras, vai entender que os soldados enviados para prender Jesus estavam agindo sob presunções a respeito dele que eram totalmente imprecisas! Em primeiro lugar, a Páscoa ocorreu no momento da lua cheia, então a noite já estava muito bem iluminada nessa época do ano. Mas Judas não queria correr o risco de que Jesus e Seus discípulos não fossem encontrados; por isso, obviamente instruiu aquelas forças armadas a estarem equipadas para procurar, caçar e rastreá-los com o auxílio de “lanternas” e “tochas”. A palavra “lanterna” vem da palavra grega phanos. Essa palavra se refere a uma luz brilhante e resplandecente. Ela retrata algo como uma luminária — uma luz que serve para “iluminar” uma sala para que você possa ver melhor as coisas. Um phanos era na verdade o equivalente a uma lanterna do primeiro século. Sua luz era tão brilhante que penetrava em áreas escuras e revelava coisas escondidas na escuridão. Além dessas lâmpadas, João 18:3 nos diz que os soldados também carregavam “tochas”. A palavra “tocha” é da palavra grega lampas, que descreve uma lamparina de grande autonomia. As “lâmpadas” já mencionadas eram brilhantes, mas de curta duração. Essas “tochas”, no entanto, eram à base de óleo, tinham um longo pavio e podiam queimar a noite toda, se necessário. O fato de esses soldados terem vindo com essas tochas sugere fortemente que todos estavam preparados para procurar a noite toda. Então, quando foram ao Jardim do Getsêmani naquela noite, eles tinham luzes brilhantes o suficiente (phanos) e tochas de grande autonomia (lampas) para caçar Jesus a noite inteira. Várias centenas de soldados vasculharam a encosta da colina,carregando lâmpadas brilhantes enquanto procuravam por Jesus. Essa foi a cena que se viu naquela noite. Será que os soldados estavam apreensivos por acharem que Jesus e Seus discípulos poderiam se esconder deles? Muitas cavernas, buracos e grutas se espalhavam por toda a colina onde ficava o Jardim do Getsêmani. A encosta também era local de muitas sepulturas com grandes lápides, atrás das quais uma pessoa poderia se esconder. Enfim, a colina oferecia ótimos esconderijos em suas muitas oliveiras com galhos retorcidos. Então, por que 300 a 600 soldados, além da polícia do templo, precisariam de tantas luzes para encontrar Jesus, se não por pensarem que Ele tentaria se esconder ou fugir deles? João 18:3 também nos diz que os soldados e a polícia do templo trouxeram “armas”. A palavra grega para “armas” é hoplos, exatamente a palavra que representa o armamento completo de um soldado romano, mencionado em Efésios 6:13-18. Isso significa que os soldados vieram vestidos com armamento completo — cinturão, peitoral, grevas, espinhos, sapatos, escudo oblongo, elmo de bronze, espada e uma lança. Esses trezentos a seiscentos soldados estavam prontos para uma enorme batalha e violento confronto! Mas ainda há mais nessa história! Além das armas que os soldados romanos carregaram naquela noite, a polícia do templo também se preparou para lutar. Marcos 14:43 diz: “E logo, falava ele ainda, quando chegou Judas, um dos doze, e com ele, vinda da parte dos principais sacerdotes, escribas e anciãos, uma turba com espadas e porretes”. Quero que você observe as palavras “espadas” e “porretes”. A palavra “espada” é a palavra grega machaira. Refere-se ao tipo mais mortal de espada, que era muitas vezes usado para esfaquear alguém à curta distância. Isso significa que a polícia do templo estava pronta para esfaquear e derramar sangue naquela noite? A palavra “porrete” vem da palavra grega zhulos. A palavra zhulos descreve uma vara grossa e pesada feita de madeira. Podemos dizer que era um bastão pesado, perigoso e contundente, destinado a bater em alguém. Quando olhamos para a lista combinada de armas levadas ao Jardim do Getsêmani naquela noite, entendemos prontamente que esses soldados romanos e a polícia do templo estavam preparados para entrar em guerra! Como já observado, as histórias que vinham sendo repetidas sobre Jesus deveriam ter sido bem brutais! O que torna isso ainda mais brutal é a perspectiva provável de que Judas Iscariotes foi quem abanou as chamas desses rumores! Ele estava bem ao lado dos soldados com todas as lanternas, tochas e armas. É possível que após Judas ter caminhado com Jesus por três anos, ele mesmo nunca tivesse realmente conhecido o verdadeiro Jesus? Judas teve uma falsa percepção de como Jesus reagiria em um evento como esse? Isso nos leva a imaginar que tipo de relacionamento Judas teve com Jesus para percebê-lo de maneira tão imprecisa. Os dois capítulos seguintes responderão satisfatoriamente essa questão sobre o tipo de relacionamento que Judas realmente teve com Jesus. Como você sabe, Jesus foi voluntariamente com os soldados naquela noite. Ele e os Seus discípulos não se esconderam nem lutaram. Depois de ser sobrenaturalmente capacitado pelo anjo enviado para ajudá-lo, Jesus se levantou e saiu para cumprimentar Judas e as tropas. No entanto, estou pessoalmente convencido de que quando Jesus viu Judas cercado por centenas e centenas de soldados e oficiais do templo com lanternas, tochas e armas, deve ter ficado atordoado! Eu acho que Jesus ficou surpreso ao descobrir o quão erroneamente Judas o havia compreendido. Da próxima vez que você ouvir que alguém tem uma percepção errada a seu respeito, não deixe que isso arrepie demais suas plumas. Lembre-se de todas as vezes que você teve uma percepção errada sobre outra pessoa! Você tinha plena certeza da sua opinião sobre aquela pessoa, mas acabou descobrindo que estava plenamente errado! Se você entendeu outros incorretamente algumas vezes, por que ficaria surpreso quando a mesma coisa acontece com você? Se você se encontrar nessa posição, considere-a uma oportunidade de mostrar às pessoas quem você realmente é. Observe que Jesus não disse àqueles que vieram prendê-lo no Jardim: “Como vocês ousam pensar tão mal a meu respeito?!” Em vez de discutir ou querer provar um ponto, Jesus simplesmente se rendeu, foi com os soldados e deu a vida pelos próprios homens que o prenderam. A resposta que Jesus deu com a Sua vida foi o maior retorno que Ele poderia ter demonstrado! Então, quando as pessoas lhe entenderem errado, siga o exemplo de Jesus. Recue e reserve algum tempo para pensar e orar sobre o assunto antes de prosseguir. Não deixe que o diabo lhe chateie porque você foi mal interpretado. Essa pode ser a maior chance que você terá para mostrar às pessoas a verdade sobre quem você realmente é como resultado da graça de Deus em sua vida! Quando as pessoas nos julgam injustamente, muitas vezes queremos retaliar com palavras. Mas a melhor resposta vem da maneira como vivemos. O que sua vida está dizendo sobre você? Pense em um momento em que a qualidade de seu personagem invalidou uma percepção negativa que alguém tinha sobre você. Esse mal-entendido afetou a maneira como você se apresentava e, por sua vez, percebia os outros? O diabo procura continuamente inserir pensamentos em nossas mentes que nos levarão a interpretar erroneamente as ações dos outros a fim de criar paredes de divisão. Quando é bem-sucedido nessa estratégia, o inimigo nos impede de receber um do outro. Você já entendeu mal outra pessoa e depois descobriu que estava errado? O que causou sua percepção inicial dessa pessoa? O que por fim provou ser errado? Como você poderia ter evitado esse mal-entendido? Todos os dias você se depara com oportunidades de demonstrar a verdade de quem você realmente é. O que suas palavras, atitudes e ações revelam sobre você? Capítulo 7 O Beijo do Engano Você já foi esfaqueado pelas costas por alguém que achava ser um amigo verdadeiro? Você andou com ele, vocês passaram muito tempo juntos; você compartilhou seus pensamentos e até mesmo seus segredos com ele, pensando que tudo que disse seria mantido em sigilo entre vocês dois. Então descobriu que o compromisso que você tinha com aquela pessoa não era o mesmo que ela por você. Você consegue se lembrar de algum momento doloroso como esse em sua vida? Foi o que aconteceu com Jesus na noite em que Judas o traiu. Não foi uma traição acidental, mas algo premeditado e realizado meticulosamente. Antes de Judas levar os soldados e a polícia do templo ao Jardim do Getsêmani, ele se reuniu com os líderes religiosos e negociou um acordo para capturar Jesus. Durante essas reuniões, Judas revelou informações sobre onde Jesus orava e onde Ele se reunia com Seus discípulos. Judas também deve ter falado sobre o poder fenomenal de Jesus — o que explica por que tantos soldados vieram com armas para prender Jesus naquela noite. Foi nessas reuniões com os líderes religiosos que Judas concordou em receber um pagamento de 30 moedas de prata para entregar Jesus nas mãos deles (ver Mateus 26:15; 27:9). Como muitos dos soldados e dos oficiais do templo nunca tinham visto Jesus, Judas criou um sinal especial que os alertaria para saber quem era o Mestre. Marcos 14:44 chama esse sinal especial de “senha”, que vem da palavra grega sussemon, que significa um sinal previamente acordado. Isso deixa enfaticamente claro que o beijo que Judas deu em Jesus não foi nada mais do que um sinal criado para informar às tropas que precisavam se mover rapidamente para fazer sua prisão. Judas deve ter ficado muito confuso. Por um lado, ele alertou os líderes religiosos sobre o poder sobrenatural de Jesus com tanta ênfase que os soldados chegaram ao local com armas letais, preparados para travar uma luta séria. Mas por outro lado, Judas lhes disse que queria entregar Jesus nas mãos deles com um mero beijo! Essas duas imagens conflitantes nos dão um excelente exemplo do tipo de confusãocriada dentro de uma pessoa que anda iludida. O engano é uma força poderosa que torce e distorce a capacidade de ver as coisas claramente. As pessoas enganadas percebem mal, entendem mal, deturpam e julgam mal — e depois nem sequer entendem por que fizeram o que fizeram. Os diferentes sinais contraditórios que Judas estava dando sobre Jesus tornam evidente que ele estava tanto enganado quanto confuso. Ele disse aos soldados e à polícia do templo: “Aquele a quem eu beijar, é esse; prendei-o e levai-o com segurança” (Marcos 14:44). A palavra “beijo” é a palavra grega phileo. Essa palavra grega conhecida é usada para demonstrar forte emoção, afeição e amor. Mais tarde, passou a representar uma afeição tão intensa que era usada apenas entre pessoas que tinham um vínculo forte ou um compromisso profundamente sentido de um para com o outro, como maridos e esposas ou membros da família. Posteriormente, passou a ser usada como uma forma de saudação entre amigos especialmente queridos e estimados. Durante o tempo em que os evangelhos foram escritos, a palavra phileo retratava amigos que estavam comprometidos por algum tipo de obrigação ou pacto e que se amavam muito profundamente. Com base nessa emoção profunda, também se tornou a palavra grega para um beijo como o que um homem daria a sua esposa, como pais e filhos poderiam dar um ao outro, ou como alguém poderia dar aos seus irmãos. Em Marcos 14:44, essa palavra descreve não apenas um beijo de amizade, mas um símbolo de profundo amor, afeto, obrigação, pacto e relacionamento. Dar esse tipo de beijo era um símbolo poderoso para todos que o viam. Estranhos nunca se cumprimentariam com um beijo, pois era uma saudação reservada apenas para os relacionamentos mais especiais. Foi por isso que Paulo, mais tarde, disse à Igreja Primitiva em Roma para “...saudar uns aos outros com ósculo (beijo) santo...” (Romanos 16:16). Foi um símbolo naquele dia de profunda afeição, compromisso e pacto. Judas sabia de antemão que poderia dar em Jesus tal beijo. Isso nos permite saber que ele e Jesus não eram estranhos, mas tinham um relacionamento único e amigável. Como contador e tesoureiro do ministério, Judas certamente se encontrava com frequência com Jesus para discutir as finanças do ministério e o desembolso de fundos. Parece que durante sua relação de trabalho de três anos, eles se tornaram amigos queridos e estimados — tão próximos que Judas teve o privilégio de dar em Jesus um beijo de amizade, um privilégio reservado apenas para poucos e íntimos na vida de uma pessoa. Na mesma noite da traição de Jesus, Ele serviu a ceia a todos os Seus discípulos, inclusive Judas Iscariotes. Essa comunhão foi uma reafirmação de sua aliança com todos os doze discípulos. Jesus entendia o que significava estar em aliança. Ele sabia que teria que entregar a vida para fortalecer essa aliança e a tornar real. Assim como Jesus reafirmou Sua aliança com os outros discípulos naquela noite, Ele também confirmou a Judas. Jesus estendeu Seu amor e compromisso genuínos a Judas ao lhe oferecer o pão e o vinho e Judas fingiu compromisso ao aceitá-los como símbolos da aliança. No entanto, a lealdade de Judas a Jesus foi fatalmente falha. Como já mencionado, naquela noite Judas disse às tropas e à polícia do templo: “Aquele a quem eu beijar, é esse; prendei-o e levai-o com segurança” (Marcos 14:44). Trair Jesus com um beijo era o mais baixo que uma pessoa poderia descer. Era como dizer: “Você e eu somos amigos para sempre. Agora, por favor, vire-se para que eu possa enfiar minha adaga nas suas costas!” Veja, o beijo que Judas deu foi um beijo falso que revelou insinceridade, amor fingido e um compromisso vazio. O fato de ter sido premeditado tornou ainda pior. Não foi uma traição acidental na última hora; foi bem planejada e muito deliberada. Judas jogou o jogo por todo o caminho até o fim, trabalhando em estreita colaboração com Jesus e permanecendo como parte do Seu círculo íntimo. Então, na hora preestabelecida, Judas enfiou o punhal o mais profundamente que pôde. Quando viajo e falo com as pessoas, ouço repetidamente histórias de pessoas que se sentiram traídas por alguém que amavam e confiavam. Embora nunca tenham dado um beijo na outra pessoa como símbolo de sua afeição, abriram seus corações, compartilharam seus segredos e entregaram uma parte de si mesmas. Mais tarde, descobriram que a pessoa que amavam e confiavam não era como ele ou ela parecia. Esse tipo de descoberta pode ser um infortúnio muito traumático e emocional. Você, alguma vez na vida, já experimentou a traição de um amigo ou colega que você achava ser um verdadeiro amigo — descobrindo mais tarde que ele ou ela não o era? Você se perguntou: como essa pessoa pôde se comportar assim depois de termos ficado juntos por tanto tempo? Algo estava evidentemente errado no relacionamento, desde o começo. Talvez você inconscientemente soubesse que algo estava errado, mas você amava tanto a pessoa que não quis ouvir o que o seu coração estava lhe dizendo; ou quem sabe você realmente estava cego para o que acontecia bem debaixo do seu nariz. Quando alguém lhe trai, você pode estar certo de que: 1) a pessoa nunca foi quem você pensou que ele ou ela era desde o começo ou 2) você percebeu que algo não estava certo, mas se permitiu prosseguir com o relacionamento de qualquer maneira. Algum desses cenários descreve algo que você experimentou? Você foi queimado por alguém em quem confiava? Se você permitir que essa mágoa apodreça e cresça dentro de você, isso só vai lhe tornar amargo e feio. É hora de você perdoar e deixar de lado essa ofensa para poder seguir com sua vida. Jesus sempre soube que Judas seria o Seu traidor; no entanto, Ele o amava, trabalhando de perto com ele e até mesmo compartilhando a ceia com ele na mesma noite da traição! Você pode perguntar: Por que Jesus ofereceu tanto de si mesmo a alguém que Ele sabia que lhe seria desleal? Deixe-me responder a essa pergunta, colocando algumas questões para você: v Você já foi desleal e infiel a Jesus? v Você já violou a autoridade dele em sua vida desobedecendo? v Alguma vez você já o arrastou para situações impuras nas quais você se meteu? v Você já o traiu ou o negou em sua própria vida? Se for sincero, sua resposta para todas as quatro perguntas será “Sim, eu já fiz isso!”. Jesus sabia que você faria essas coisas antes mesmo de Ele lhe chamar e salvar. Mas Ele expulsou, rejeitou ou negou você? Não, Ele lhe perdoou e ainda perdoa hoje. Você não fica feliz por Jesus ter tanta paciência com você? Você não fica grato por Ele lhe dar tantas chances de acertar as coisas? Então, basta aprender com a experiência e determinar nunca mais deixar um Judas ser seu melhor amigo. Permita que o Espírito Santo o leve aos melhores amigos que você já teve em sua vida! Sim, é certamente doloroso sentir-se traído por alguém próximo a você. Mas se você permitir que essa experiência opere a seu favor e não contra, isso fará de você uma pessoa mais forte e melhor. Quando chegar do outro lado, estará em uma posição em que entenderá o que os outros estão passando por terem sido feridos pela traição e você poderá ser uma ajuda e uma bênção para eles. A traição acidental é uma coisa, mas a deslealdade premeditada é outra. Que medidas você pode tomar para garantir que seu coração permaneça fiel a Jesus? Jesus sabia que Judas o trairia; no entanto, continuou a trabalhar em estreita colaboração com ele. Você consegue se lembrar de uma ocasião em que você percebeu que alguém não era autêntico, mas decidiu continuar um relacionamento com ele? Ao analisar essa situação hoje, você percebe que essa decisão foi guiada pelo Espírito de Deus ou foi resultado de não seguir a direção do Espírito Santo? O ato de traição revela a qualidade do caráter de uma pessoa, seja ela o traidor ou o traído. Você já traiu alguém ou foi traído por outro? Se sim, o que você aprendeu sobre si mesmo como resultado dessa experiência? Como isso mudou você? Capítulo 8 Teste de Lealdade,Teste de Amor Quando eu era jovem e começava no ministério, Deus me colocou sob a unção de um grande homem de Deus que lia versículos do Novo Testamento em grego e dominava a exegese, sendo fortemente ungido pelo Espírito de Deus. Para mim, aquele ministro tinha a melhor combinação possível — cérebro e unção misturados em um único pacote! A primeira vez que o ouvi pregar, meu queixo caiu! Sua pregação me lembrou a maneira como Jesus desconcertou os escribas quando eles o ouviram ensinar com tanta autoridade. Eu imediatamente soube que precisava estar sob a unção daquele homem e receber da sua vida. Deus abriu a porta para eu ser treinado por aquele grande homem de Deus e por dois anos trabalhei lado a lado com ele todos os dias — carregando seus livros e viajando com ele para suas reuniões. Eu literalmente me encontrava com ele sete dias por semana, para que ele pudesse me ensinar e treinar. Era incrível que um homem daquele calibre colocasse tanto de si mesmo em alguém tão jovem quanto eu; mas ele fez isso porque acreditava no chamado de Deus em minha vida. Esse homem transmitiu as ferramentas, as habilidades e o entendimento que eu precisava para me tornar um homem de Deus que pudesse crescer nas coisas do Espírito e estabelecer um ministério que fosse equilibrado entre a Palavra e o Espírito. Tudo estava ótimo entre aquele ministro e eu — até um dia em que eu fiquei ofendido. A razão para a ofensa não é importante, mas a situação revelou que eu tinha uma falha na minha compreensão de autoridade e submissão. Essa foi uma lição cara que Deus usou ao longo dos anos do meu ministério, toda vez que trabalhei com outros que estavam aprendendo as duras lições de submissão e autoridade. Por causa do que eu vivenciei, entendo a tentação que as pessoas ocasionalmente sentem de se verem em um nível muito alto e fugir e abandonar seus mentores espirituais. Foi exatamente o que eu fiz com aquele homem que tinha sido tão gentil comigo. Depois que ele derramou sua vida em mim, ensinando e treinando, eu o abandonei logo que tivemos nossa primeira grande divergência. Embora eu o chamasse de pastor, o conflito entre nós revelou que eu nunca lhe dera realmente um lugar de autoridade em minha vida. Ele tinha sido um grande exemplo para mim e eu o respeitava como o melhor professor que eu já tinha conhecido. No entanto, obviamente jamais o recebi como autoridade de Deus em minha vida, do contrário, não teria feito o que fiz com ele. Infelizmente, o verdadeiro nível de comprometimento não é testado nos bons momentos, mas em tempos de conflito e desacordo. É fácil caminhar juntos quando você concorda com aquele a quem você chama de sua autoridade espiritual e vocês estão se divertindo juntos. Mas o que acontece quando você discorda ou experimenta um conflito em seu relacionamento? Esse é o momento crítico em que a verdade sobre o seu nível de submissão se tornará observável. Quando Judas Iscariotes chegou ao Jardim do Getsêmani na noite em que traiu Jesus, disse algo que revelou que ele nunca tinha se submetido sinceramente. A verdade sobre o reconhecimento e a submissão de Judas à autoridade de Jesus foi exposta naquela noite, assim como a minha submissão àquele ministro também foi comprovada como sendo deficiente. Marcos 14:45 diz: “E, logo que chegou [Judas], aproximando-se, disse-lhe: Mestre! E o beijou”. Observe que Judas chamou Jesus de “Mestre”. A palavra revela o tipo de relacionamento que realmente existia no coração de Judas para com Jesus. Essas palavras também declaram a razão pela qual o diabo conseguiu usar Judas — e não um dos outros discípulos — para trair Jesus. A palavra “mestre” vem da palavra grega didaskalos, que significa professor. Quando é traduzida como “mestre”, como nesse versículo, pretende-se dar a ideia de alguém que é um professor fabuloso e magistral. É o equivalente grego da palavra hebraica rabi. Naturalmente, um rabi é um professor que é honrado e respeitado por causa da sua compreensão e capacidade para explicar as Escrituras. Quando Judas se aproximou de Jesus no Jardim naquela noite, foi exatamente esse o título que ele usou quando se referiu a Jesus. Ele o chamou: “Mestre”. Literalmente significava “Professor”. Os títulos são muito importantes porque definem relacionamentos. Por exemplo, as palavras “papai” e “mamãe” definem o relacionamento único entre uma criança e seus pais. A palavra “chefe” define a relação entre um empregado e seu empregador — um relacionamento muito diferente do que existe entre o empregado e seus colegas de trabalho. As palavras “Senhor Presidente” definem a relação entre a nação e seu líder. A palavra “pastor” define a relação entre uma congregação e seu pastor. Um mundo sem títulos seria um mundo confuso, pois os títulos atribuem hierarquia, ordem e definição aos relacionamentos. O próprio Jesus disse aos discípulos: “Vocês me chamam ‘Mestre’ e ‘Senhor’, e com razão, pois eu o sou” (João 13:13, NVI). Até mesmo Jesus reconheceu que estava correto os Seus discípulos o chamarem de “Senhor” e “Mestre”. Na verdade, não há uma única ocorrência nos evangelhos onde eles o chamam de “Jesus”. Eles sempre foram respeitosos, honrados e reverentes quando falavam dele ou com Ele. Mas quero que você observe que título Judas não usou naquela noite — ele não chamou Jesus de “Senhor”. A palavra para “senhor” expressa a ideia de alguém que tem autoridade suprema e definitiva em sua vida. Se você chamasse alguém de “senhor”, isso significaria que você estava submetido à autoridade dessa pessoa e entregava todos os aspectos da sua vida à sua administração, direção e controle. Se Judas tivesse chamado Jesus de “Senhor” naquela noite, isso significaria que ele havia entregado sua vida ao controle de Jesus e se submetido à Sua autoridade. Mas Judas não usou a palavra “Senhor”. Ele usou a palavra para “Professor”, o que revela que Jesus nunca havia realmente se tornado autoridade de Deus na vida de Judas. A verdade é que Judas só recebeu Jesus como um professor, um rabino e um comunicador talentoso, mas nunca como Senhor. Como acontece em todos os relacionamentos em que a submissão à autoridade é necessária, chegou o momento que finalmente provou o verdadeiro nível da submissão de Judas a Jesus. Quando o teste chegou, Judas falhou. Houve uma falha fatal em seu relacionamento com Jesus. No final, tornou-se evidente para todos que, embora Judas honrasse e seguisse Jesus como Mestre, Jesus nunca fora seu Senhor. Assim, o lado de Judas no seu relacionamento com Jesus foi artificial desde o início. Jesus sabia o que estava no coração de Judas, mas continuou a trabalhar em estreita colaboração com ele, oferecendo-lhe uma misericórdia insondável, uma graça maravilhosa e uma paciência surpreendente. Jesus graciosamente ofereceu Seu tempo e atenção a Judas para corrigir as falhas fatais no caráter do discípulo e ajudá-lo a acertar as coisas. Mas mesmo com todo o amor e paciência de Jesus, a bola estava no campo de Judas. O discípulo foi quem determinou o nível de relacionamento que existiria entre ele e Jesus. Jesus estava disposto a ser o Senhor de Judas — mas Judas nunca esteve verdadeiramente disposto a estar em submissão à autoridade de Jesus. Em vez disso, Judas apenas autorizou Jesus a ser um professor talentoso em sua vida. Aprendi ao longo dos anos que leva tempo para realmente conhecer quem são as pessoas. O apóstolo Paulo nos exortou a não impor as mãos sobre as pessoas apressadamente por essa mesma razão (1 Timóteo 5:22). Portanto, não fique muito abismado se descobrir que alguém que você pensou estar ao seu lado por todo o caminho de fato não está com você. Se isso acontecer com você, lembre-se de que aconteceu com Jesus também. Assim como Deus usou Jesus para oferecer misericórdia, graça e paciência a Judas Iscariotes, Deus pode estar usando você agora para dar a uma pessoa infiel uma chance de ter uma mudança de coração para que ela possa se tornar fiel. Deus pode contar com você para ser a extensão da bondade dele para com essa pessoa? Vocêé a misericórdia divina estendida para dar a essa pessoa uma magnífica oportunidade de fazer uma verdadeira reviravolta em seu coração, mente e caráter? Quando eu agi errado com o meu pastor há tantos anos, minhas ações demonstraram uma falha dentro de mim que precisava de correção. Isso revelou que eu não entendia o que a submissão à autoridade realmente significava. Quando olho para trás, sou muito grato por isso ter acontecido, pois Deus usou o fato para expor um defeito em meu caráter que precisava ser erradicado. Para me mudar, Ele chamou um grande homem de Deus e o instruiu a me amar, perdoar e ensinar. Por esse homem estar disposto a ser a mão da misericórdia de Deus estendida na minha vida, eu fui corrigido, rendido e mudado. Jamais conseguirei agradecer a Deus o suficiente por ter me colocado debaixo de uma pessoa que se importou o suficiente comigo para me manter por perto e trazer correção para a minha vida. Você está sendo convocado para ser esse tipo de pessoa para alguém que está próximo agora? É muito fácil fixar-se no beijo da traição, mas apenas fixe o pensamento no quanto Deus ama aquela “pessoa problemática” em sua vida. Ele está querendo ajudar essa pessoa dando-lhe um amigo como você! Se essa pessoa escolher não responder à misericórdia, à graça e à paciência que lhe estão sendo derramadas por meio de você, terá que viver com os resultados da sua decisão. Apenas certifique-se de cumprir o que Deus está exigindo de você nesse relacionamento. Pode parecer difícil de fazer, mas você precisa ser grato por Deus gentilmente ter lhe confiado a responsabilidade de dar a outra pessoa que foi infiel outra chance. Pessoas que não entendem efetivamente a submissão e a autoridade podem ser difíceis de lidar nos negócios, no casamento, no ministério e na vida. Se tal pessoa está em sua vida, como você está respondendo para ajudar esse indivíduo a crescer e mudar para melhor? O que você descobriu sobre o seu próprio coração no processo? Os títulos denotam hierarquia, ordem e definição aos relacionamentos. Que título Jesus realmente tem em sua vida pessoal? A resposta está nos modos e nas áreas que você se submete a Ele. Existem áreas da sua vida nas quais você se reserva o direito de ter a última palavra? Pense nos mentores e influências que Deus trouxe à sua vida ao longo dos anos para lhe ensinar e treinar a fim de que você possa cumprir o seu propósito divino. De que maneiras importantes você pode expressar honra a esses mentores pelo papel deles em sua vida? Você já permitiu que uma ofensa o separasse de qualquer um desses indivíduos? Se sim, que passos você pode dar para consertar essa violação? Capítulo 9 Paralisados por Sua Presença Quando os soldados romanos e a polícia do templo estavam se preparando para prender Jesus, um poder sobrenatural foi liberado com tanta intensidade que literalmente jogou um bando inteiro de trezentos a seiscentos soldados para trás no chão! Era como se uma bomba invisível tivesse sido detonada. Tanta força explosiva foi liberada que a intensidade desse poder fez os soldados caírem de costas! De onde veio essa descarga de poder e o que a liberou? Depois que Jesus recebeu o beijo da traição de Judas, Ele deu um passo à frente e perguntou à multidão de soldados: “A quem buscais? Responderam-lhe: ‘A Jesus, o Nazareno’. Então, Jesus lhes disse: ‘Sou eu...’ Quando, pois, Jesus lhes disse: Sou eu, recuaram e caíram por terra” (João 18:4-6; grifos do autor). Observe como Jesus se identificou. Ele lhes disse: Sou eu. Essas palavras poderosas vêm das palavras gregas ego eimi, que são traduzidas com mais precisão como: “EU SOU!” Não foi a primeira vez que Jesus usou essa frase para identificar a si mesmo; Ele também a empregou em João 8:58 e João 13:19. Quando os ouvintes daquele dia escutaram aquelas palavras ego eimi, eles imediatamente as reconheceram como as próprias palavras que Deus usou para se identificar quando falou a Moisés no monte Horebe em Êxodo 3:14. Mas vamos observar os dois exemplos adicionais das palavras ego eimi no Evangelho de João. Em João 8:58, Jesus disse: “Em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU”. Essas palavras finais no versículo “eu sou” são as palavras gregas ego eimi das quais falamos! Em João 13:19, Jesus disse: “Agora digo a vocês antes que aconteça, para que, quando acontecer, possais crer que eu sou Ele” (KJV, tradução livre). Essa é a tradução da Versão King James, onde se percebe que a palavra “Ele” está em itálico, o que significa que ela foi adicionada pelos tradutores da King James e não está no original. O grego simplesmente diz: “... possais crer que EU SOU!” Em ambos os textos citados, Jesus afirmou com veemência e ousadia que Ele era o Grande “EU SOU” do Antigo Testamento. Agora em João 18:5 e 6, Jesus usa as palavras ego eimi novamente. Os soldados queriam saber: Quem é você? Eles provavelmente esperavam que Ele respondesse “Jesus de Nazaré” — mas em vez disso Ele respondeu: “EU SOU!” João 18:6 nos diz: “Quando, pois, Jesus lhes disse: Sou eu, recuaram e caíram por terra”. Uma tradução mais precisa seria Assim como Ele disse a eles, EU SOU, eles foram para trás e caíram no chão. As palavras “foram para trás” vêm da palavra grega aperchomai. Nesse caso, as palavras descrevem os soldados e a polícia do templo cambaleando e tropeçando para trás, como se alguma força os atingisse e os empurrasse para trás. A palavra “caíram” é a palavra grega pipto, que significa cair. Ela era usada comumente para descrever uma pessoa que caiu com tanta força, que parecia estar morta ou como um cadáver. Os membros dessa milícia que vieram prender Jesus foram derrubados por algum tipo de força invisível. De fato, o versículo diz que eles recuaram e caíram “por terra”. As palavras “por terra” foram tiradas da palavra grega chamai, que mostra esses soldados caindo abruptamente e batendo forte no chão. Alguma força inesperada, repentinamente e com grande intensidade, derrubou os soldados e a polícia do templo! Pense nisto — de trezentos a seiscentos soldados romanos e um grande número de policiais treinados do templo vieram com armas, espadas e porretes para capturar Jesus. Depois que eles anunciaram que estavam procurando por Jesus de Nazaré, Jesus lhes respondeu com as palavras “EU SOU”, identificando-se assim como o “EU SOU” do Antigo Testamento. Quando Jesus falou essas palavras, uma grande explosão do poder de Deus foi liberada — tão forte que literalmente empurrou as tropas e a polícia para trás, fazendo-os cambalear, tontear e tropeçar até baterem forte no chão. Que choque deve ter sido para os militares! Eles descobriram que as meras palavras de Jesus eram o suficiente para dominá-los e derrubá-los! As histórias que ouviram sobre o poder de Jesus estavam corretas. Estava claro que Ele realmente era forte o suficiente para superar um exército. Afinal, Ele era o Grande “EU SOU”! Depois que Jesus provou que não podia ser tomado à força, Ele voluntariamente se rendeu a eles, sabendo que tudo fazia parte do plano do Pai para a redenção da humanidade. Mas é importante entender que ninguém levou Jesus. Ir com as tropas foi uma escolha voluntária dele. O Jesus a quem servimos é poderoso! Não há poder forte o suficiente para resistir ao Seu poder. Nenhuma doença, turbulência financeira, problema de relacionamento, força política — absolutamente nada tem poder suficiente para resistir ao poder sobrenatural de Jesus Cristo! Quando o Grande “EU SOU” abre Sua boca e fala, todo poder que tenta desafiar a Ele ou a Sua Palavra é empurrado para trás e sacudido até que cambaleia, tropeça e cai ao chão! No entanto, embora os soldados não conseguissem levar Jesus à força, Ele voluntariamente foi com eles por você e por mim. Qual é a sua necessidade hoje? Por que não apresentar essas necessidades a Jesus, o Grande “EU SOU”? Deixe que Ele fale ao seu coração, direcionando você para a Palavra. Uma vez recebida a promessa que você precisa para a situação específica que está enfrentando,alinhe a sua boca de acordo com a Palavra. Ao fazer isso, também verá o grandioso poder de Deus liberado contra as forças do mal que tentam desafiar você! Vida e morte estão no poder da língua (ver Provérbios 18:21). Você está diante de uma situação — doença, falta, confusão ou pecado — que está desafiando a vontade de Deus em sua vida? Veja esse problema como uma montanha diante de você e fale a Palavra de Deus para liberar a grandiosa força do poder dele contra as forças do inimigo que tentam se opor a você. Jesus corajosamente afirmou quem Ele era e Seus opositores caíram para trás. Quando você corajosamente afirmar quem é em Cristo, os ataques contra sua vida também cairão. Considere algumas maneiras pelas quais você pode ser mais ousado em sua afirmação sobre quem Deus é — e quem Ele é em você. Considere o poder sobrenatural que é liberado quando você fala o Nome de Jesus. Como você pode ativamente liberar esse poder em sua vida, bem como, na vida dos outros? Você está sendo fiel em fazer isso? Capítulo 10 O Perigo de Fazer Justiça com as Próprias Mãos Você consegue pensar em um momento em que ficou tão impaciente enquanto esperava no Senhor que decidiu fazer justiça com as próprias mãos para que as coisas se movessem um pouco mais rápido? Quando mais tarde percebeu que tinha feito uma grande bagunça, você se arrependeu por não ter esperado mais um pouco antes de agir? Em um momento ou outro, todos nós temos já fomos culpados de agir de forma precipitada e impensada. Por exemplo, pense em quantas vezes você disse algo que mais tarde se arrependeu. Ah, como você gostaria de poder retirar aquelas palavras, mas já era tarde demais! Talvez você tenha sido culpado de agir espontaneamente sobre um assunto antes de ter tido tempo suficiente para realmente pensar nas coisas. Ou você já ficou muito bravo com alguém a ponto de sair e verbalizar sua discordância antes que a outra pessoa terminasse de falar? Quando você mais tarde percebeu que a pessoa não estava dizendo o que você pensava, você se sentiu um tolo por reagir rápido demais? Você teve que se desculpar por fazer uma declaração precipitada, enquanto desejava apenas ter mantido sua boca fechada por mais alguns minutos? Momentos impetuosos raramente produzem bons frutos. De fato, quando agimos precipitadamente, geralmente acabamos por detestar a estupidez das nossas palavras e ações. A verdade é que todos nós precisamos de uma boa dose de paciência — um fruto que é produzido dentro de nós pelo Espírito de Deus. Precisamos desesperadamente de paciência em nossas vidas! Talvez nenhuma história demonstre melhor a bagunça que a impaciência produz do que aquela noite no Jardim do Getsêmani, quando Pedro pegou uma espada, brandiu-a com toda a força e cortou a orelha do servo do sumo sacerdote. Quando Jesus falou e se identificou como o grande “EU SOU”, os soldados e a polícia do templo foram derrubados ao chão — seus olhos atordoados, suas cabeças girando e seus corpos amortecidos pelo poder de Deus. O poder que foi liberado os atingiu com tanta força e tão rápido que eles estavam com as costas no chão antes que conseguissem perceber o que acontecera! Enquanto aqueles soldados ainda estavam deitados de costas, Pedro de repente decidiu resolver o problema com as próprias mãos. Ele deve ter visto isso como sua grande chance de se mostrar corajoso e aproveitar o momento, mas o que ele fez foi simplesmente espantoso! É a imagem perfeita de alguém agindo antes de pensar nas coisas sob um ponto de vista mais amplo. O comportamento espontâneo e apressado de Pedro lhe valeu um lugar na História que ninguém jamais esqueceu. No entanto, para ter a imagem completa do que aconteceu naquela noite, é essencial juntar as histórias dos evangelhos de Lucas e João, pois cada escritor conta uma parte diferente da história. Enquanto os soldados e a polícia do templo estavam deitados de costas, Pedro olhou em volta e percebeu que os homens armados estavam incapacitados. Então ele puxou sua própria espada e, com a espada na mão, alegremente perguntou: “Senhor, atacaremos com espadas?” (Lucas 22:49). Antes de Jesus ter a oportunidade de responder, Pedro entrou em ação e fez algo ultrajante e totalmente bizarro! Ele agarrou a espada e impulsivamente golpeou, cortando bem próximo à cabeça do servo do sumo sacerdote. Imagine como Jesus deve ter ficado abismado ao ver Pedro decepar a orelha daquele pobre homem e depois ver a orelha cortada caída no chão! João 18:10 nos diz que Pedro “...feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita...”. Vamos considerar essas palavras para entender exatamente o que aconteceu naquele momento impulsivo em que Pedro usou essa espada. A palavra “ferir” é a palavra grega epaio, que vem da palavra paio, e significa atacar. Como uma pessoa que agride violentamente alguém com uma ferramenta, arma ou instrumento perigoso. Também pode ser traduzido como picar, como um escorpião que injeta fortemente seu ferrão em uma vítima. Além disso, significa bater com o punho. Nesse versículo, a palavra é usada para retratar a força da ação de Pedro. Isso nos diz que Pedro colocou todas as suas forças no balanço de sua espada, com a intenção total de causar algum tipo de dano físico. Você acha que Pedro estava mirando a orelha do servo? Por que alguém atacaria uma orelha? Além disso, não seria preciso muita força para cortar uma orelha. Não, eu acredito que Pedro estava buscando a cabeça do homem e errou, arrancando a orelha do homem por engano. Quando aquela espada errou o alvo, escorregou pelo lado da cabeça do servo e pegou sua orelha. Quando João 18:10 diz que Pedro “cortou” sua orelha direita, a palavra “cortar” vem da palavra grega apokopto, que é um composto das palavras apo e kopto. A palavra apo significa longe, fora e a palavra kopto significa cortar para baixo. Juntas, a nova palavra descreve um movimento descendente que corta algo. Nesse caso, Pedro baixou tanto a espada que retirou completamente a orelha do servo do sumo sacerdote. Alguns tentam insinuar que Pedro simplesmente beliscou a orelha daquele homem, mas o grego mostra que o balanço da espada de Pedro causou a completa remoção da orelha. A palavra grega para “orelha” é otarion e se refere a todo o ouvido externo. A Bíblia é tão detalhada sobre os eventos que ocorreram naquela noite que até nos diz que era a orelha direita do servo. O servo do sumo sacerdote perdeu toda a orelha direita quando Pedro o atacou! João 18:10 nos diz que o nome do servo era Malco. Quem foi esse Malco? Pedro escolheu indiscriminadamente Malco como seu alvo naquela noite? Havia uma razão particular pela qual Pedro escolheu esse homem como o foco da sua ira? O nome Malco tem dois significados: governante e conselheiro. Nós não sabemos se esse era o nome real do servo. Pode ter sido um nome dado a ele por causa da sua estreita relação com o sumo sacerdote, que na época era um homem chamado Caifás. Ele era membro dos saduceus, uma seita que se opunha particularmente à realidade dos acontecimentos sobrenaturais, vendo a maioria dos eventos sobrenaturais do Antigo Testamento como mitos e lendas. Essa é uma das razões pelas quais Caifás era tão antagônico ao ministério de Jesus, que, naturalmente, estava transbordando de eventos milagrosos todos os dias. Quando Pedro viu Malco no Jardim do Getsêmani, sem dúvida trouxe de volta lembranças das muitas vezes em que o viu em pé ao lado do sumo sacerdote. Embora esse homem seja chamado de servo do sumo sacerdote, ele era de fato o seu assistente pessoal. Essa era uma posição muito proeminente na ordem religiosa do sacerdócio. Como oficial de alto escalão da corte religiosa, Malco estava regiamente vestido e se portava com orgulho e dignidade. Aos olhos de Pedro, ele provavelmente representava tudo o que pertencia à esfera do sacerdócio — uma ordem de homens religiosos que instigaram numerosos problemas para Jesus e Seus discípulos. Como Malco estava presente no momento da prisão de Jesus, podemos concluir queele foi enviado como representante pessoal do sumo sacerdote para supervisionar oficialmente as atividades relacionadas com a prisão. Poucos estudiosos acreditam que Pedro o escolheu por acaso. Embora o seguinte pensamento não possa ser dito com certeza absoluta, Malco pode ter se tornado o alvo pretendido por causa do profundo ressentimento de Pedro e da mágoa de longa data em relação ao sumo sacerdote e sua comitiva, os quais eram continuamente críticos do ministério de Jesus. Devo destacar que a cura da orelha de Malco foi o último milagre que Jesus realizou durante Seu ministério terreno. Que declaração isso nos dá a respeito de Jesus! Pouco antes de ir para a cruz, Ele estendeu a mão para ajudar um inimigo publicamente declarado e adversário confesso! Aquele homem fazia parte de um grupo que tinha sido ameaçador e antagônico para com Jesus. Mas Jesus não disse: Finalmente, um de vocês teve o que merece! Em vez disso, Ele estendeu a mão para o homem em sua necessidade, tocou-o e, sobrenaturalmente o curou. Tenha em mente que o sumo sacerdote, um saduceu, era veementemente contra o ministério sobrenatural de Jesus. No entanto, foi o próprio servo do sumo sacerdote quem recebeu um toque sobrenatural de Jesus! O que contrasta as ações de Jesus se comparadas ao comportamento de Pedro! É mais do que provável que Pedro tenha agido por uma ofensa antiga, mas Jesus demonstrou amor e cuidado genuíno até mesmo àqueles que se opuseram a Ele durante Sua vida e que foram fundamentais para levá-lo à crucificação. Portanto, não siga o exemplo de Pedro no Jardim do Getsêmani. Em vez disso, ore pela graça para ser como Jesus! Decida hoje deixar que o Espírito Santo o capacite a oferecer perdão para aqueles que o ofenderam ou causaram danos. Determine-se a amar seus ofensores e oponentes da maneira como Jesus os ama. É a bondade de Deus que atrai as pessoas ao arrependimento ver (Romanos 2:4). Existe uma pessoa ou um grupo de pessoas que são antagônicas em relação a você? Como eles demonstraram as intenções negativas em relação a você? De que maneiras você está permitindo que o Espírito Santo o equipe para alcançá-los em amor? Em um momento de precipitação, Pedro cortou a orelha de um homem. Você consegue pensar em momentos em que agiu apressadamente sem pensar na raiz e nos resultados das suas ações? Pensando nesses momentos e nas consequências que se seguiram, você consegue pensar em formas alternativas que você poderia ter usado para responder a essas situações? Quando nos recusamos a esperar em Deus, a impaciência sempre produz um problema em nossas vidas. Ao fazermos justiça com nossas próprias mãos, muitas vezes cavamos um buraco tão profundo para nós mesmos do qual só Ele pode nos tirar. Toda escolha tem uma consequência. Você está fazendo as escolhas hoje que produzirão os resultados que você deseja amanhã? Capítulo 11 Jesus Limpa a Bagunça de Pedro! Você já experimentou a sensação de ter o coração partido ao ver a bagunça que um amigo fez da vida dele? Por amar seu amigo, você estava disposto a fazer qualquer coisa para ajudá-lo a colocar sua vida em ordem novamente, certo? Embora você soubesse que seria difícil, estava disposto a entrar naquela desordem, caos e confusão para ajudá-lo, porque sabia que ele nunca sairia sozinho dali. Vamos observar o que Jesus fez por Pedro naquela noite no Jardim do Getsêmani depois que o discípulo cortou a orelha de Malco, servo do sumo sacerdote. Há algo que podemos aprender com o exemplo que Jesus nos deu naquela noite. O que Pedro fez a Malco não foi apenas escandaloso — foi contra a lei e, portanto, passível de pena. A ação de Pedro foi criminosa! O erro de Pedro era o suficiente para arruinar toda a sua vida, já que ele poderia ter sido condenado por ferir fisicamente outro cidadão. E não era qualquer cidadão. Como servo do sumo sacerdote, Malco era um homem extremamente conhecido na cidade de Jerusalém. Pedro certamente teria sido preso por ferir uma pessoa de tal estatura. Jesus tinha acabado de suar o sangue da intensa batalha espiritual que Ele travou em oração no Jardim. Então, recebeu o beijo da traição de um amigo e estava, portanto, diante da perspectiva da cruz e de três dias na sepultura. Agora, um novo problema havia sido imposto a Ele. Por causa do comportamento impetuoso e não autorizado de Pedro, Jesus teve de colocar tudo em espera por um momento para que pudesse consertar a bagunça que Pedro criara! Com o sangue jorrando do lado da cabeça de Malco e pingando da lâmina que Pedro tinha na mão, Jesus pediu aos soldados, “Deixai, basta...” (Lucas 22:51). Isso era o equivalente a dizer: Deixe-me fazer mais uma coisa antes de vocês me levarem! Então Jesus estendeu a mão para Malco e “...tocando-lhe a orelha, o curou”. Em vez de permitir ser levado embora enquanto Pedro ainda estivesse sujeito a prisão, julgamento e possível execução, Jesus parou todo o processo para consertar a bagunça feita naquela noite. A Bíblia diz que Jesus “tocou” o servo. A palavra grega para “toque” é aptomai, uma palavra que significa agarrar com firmeza ou segurar firmemente. Isso é muito importante, pois nos permite saber que Jesus não tocou apenas Malco; Ele agarrou firmemente a cabeça do homem e a segurou com força. Por que isso é tão significativo? Porque nos mostra a tenacidade com a qual Jesus orou. Quando Ele colocava as mãos sobre as pessoas, elas percebiam que mãos lhes tinham sido impostas! A Bíblia não nos diz se Jesus tocou o que restou da orelha decepada e criou uma nova orelha ou arrancou a velha orelha do chão e miraculosamente a colocou de volta em seu lugar. Independentemente de como o milagre ocorreu, no entanto, a palavra aptomai (“tocar”) nos permite saber que Jesus foi agressivo na maneira como tocou o homem. Como resultado do toque de Jesus, Malco foi completamente “curado” (v. 51). A palavra “curado” é a palavra grega iaomai, que significa sarar, restaurar ou curar. Jesus restaurou completamente a orelha de Malco antes que os soldados o prendessem e o levassem para fora do Jardim. Naquela noite, no Jardim do Getsêmani, as próprias palavras de Jesus derrubaram de trezentos a seiscentos soldados, que caíram de costas. Ele não precisava da ajuda de Pedro. Ele não pediu a intervenção de Pedro. No entanto, Pedro de repente pulou no meio dos negócios de Deus e tentou instigar uma revolta. Apesar disso, em vez de se afastar e deixar Pedro na bagunça que ele fizera por suas próprias ações, Jesus parou tudo o que estava acontecendo e interveio em nome do Seu discípulo. Jesus reservou um tempo para curar a orelha de Malco por duas razões principais: 1) porque Ele é aquele que cura e 2) porque Ele não queria que Pedro fosse preso por suas ações impulsivas. Da próxima vez que você achar que é muito ocupado ou muito importante para se envolver no problema de um amigo, lembre-se desse exemplo que Jesus nos deu na noite em que foi preso. Naquela noite, Jesus tinha muita coisa em sua mente, mas ainda assim parou tudo para ajudar um amigo. Ele poderia ter dito: Pedro, você fez essa bagunça sozinho; agora vai consertar sozinho. Mas ficou claro que Pedro nunca sairia daquele problema sem ajuda, então Jesus interveio para ajudá-lo a colocar as coisas em ordem novamente. Quando você for tentado a ficar julgando os problemas que outras pessoas trouxeram para suas vidas, é bom se lembrar das muitas vezes que a misericórdia de Deus interveio para lhe salvar de situações confusas que você mesmo criou. Mesmo que você merecesse problemas, Deus o amou o suficiente para se achegar a você e lhe ajudar a arrumar as coisas para que você pudesse sair da bagunça. Agora, sempre que você vir os outros em problemas, terá a oportunidade de ser uma extensão da misericórdia de Deus para eles. Coloque tudo em espera por alguns minutos para que você possa alcançar um amigo em apuros — faça o que puder para ajudar a restaurar a situação. Se isso foi importante o suficiente para Jesus fazer, então você tem tempo para fazê-lo também. Tornehoje uma prioridade ser um amigo fiel até o fim, assim como Jesus foi para com Pedro no Jardim do Getsêmani! A única coisa mais frustrante e dolorosa do que cometer um erro ou passar por um momento difícil é ver alguém com quem você se importa passando por dificuldades — particularmente quando é uma situação que ele ou ela mesmos buscaram. Há momentos em que as pessoas precisam de alguém para intervir e as ajudar a recuperar suas vidas novamente. Você consegue pensar em um momento em que você estava com problemas e alguém lhe ajudou a consertar a situação sem lhe sufocar com julgamentos pelo que pode ter sido um problema que você mesmo arranjou? Como a intervenção dessa pessoa lhe afetou, como esse exemplo de amor continua a lhe influenciar hoje? Normalmente, quando uma pessoa precisa da sua ajuda, não é conveniente para você entrar na situação. Jesus estava no meio de uma intensa batalha espiritual no Jardim do Getsêmani e as ações de Pedro só complicaram ainda mais a situação. Observe que Jesus colocou Sua própria dor em pausa para corrigir o caos quando Ele trouxe a cura a Malco e ajudou a Pedro. Como você responde aos outros ao seu redor quando, no meio de tentar lidar com seus próprios dilemas pessoais, você observa alguém fazendo uma bagunça na vida ou percebe alguém sofrendo? Sua resposta reflete o modo como Jesus respondeu a Pedro? Jesus é um amigo fiel. Todos os dias, Sua misericórdia está disponível para intervir em sua vida — tirando-lhe dos problemas, ajeitando sua situação. Você está honrando o sacrifício que Jesus fez a seu favor, recebendo a intervenção misericordiosa dele em sua vida? Reserve algum tempo para pensar sobre isso e, em seguida, considere como você pode ser uma extensão da misericórdia de Deus para outra pessoa hoje. Capítulo 12 Doze Legiões de Anjos Quanta força você acha que um anjo possui? Para responder a essa pergunta, quero que você considere o impacto total das palavras de Jesus em Mateus 26:53, onde Ele disse: “Acaso, pensas que não posso rogar a meu Pai, e ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos?”. Para entender completamente a magnitude do que Jesus disse aqui, precisamos saber: 1. O que é uma “legião”? 2. Quantos anjos haveria em doze legiões? 3. Qual seria a força combinada desse número de anjos? É importante responder a essas perguntas, porque as respostas revelam todo o poder que estava disponível a Jesus se Ele pedisse ajuda sobrenatural no Jardim do Getsêmani. Na verdade, quando levamos em conta o poder que já foi demonstrado no Jardim e, em seguida, adicionamos o potencial auxílio e impacto de doze legiões de anjos, torna-se óbvio que não havia força humana na Terra forte o suficiente para levar Jesus contra a Sua vontade. A única maneira pela qual Jesus seria levado seria se Ele se permitisse ser levado! Foi por isso que Jesus disse mais tarde a Pilatos: “...nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada...” (João 19:11). Vamos começar com nossa primeira pergunta: o que é uma legião? A palavra “legião” é um termo militar que vem do exército romano. Uma legião denotava um grupo de pelo menos seis mil soldados romanos, embora o número total pudesse ser maior. Isso significa que toda vez que lemos sobre uma legião de alguma coisa, podemos saber que está se referindo a pelo menos seis mil daquela coisa. Um exemplo surpreendente disso é encontrado em Marcos 5:9, onde a Bíblia nos diz que o homem endemoninhado gadareno tinha uma legião de demônios. Isso significa que esse homem tinha uma infestação de pelo menos seis mil demônios residindo dentro dele! Vamos agora contemplar a segunda pergunta: quantos anjos haveria em doze legiões? Já que a palavra “legião” se refere a pelo menos seis mil, isso significa que uma legião de anjos seriam pelo menos seis mil anjos. No entanto, Jesus disse que o Pai mandaria “mais de” doze legiões de anjos se Ele pedisse. Como seria pura especulação tentar descobrir quantas seriam as “mais de” doze legiões, vamos ficar só com as doze legiões para observar quantos anjos isso resulta. Uma legião tem seis mil anjos, então se você simplesmente multiplicar esse número por doze vai descobrir que doze legiões de anjos dariam um mínimo de 72 mil anjos. Mas Jesus disse que o Pai mandaria mais de doze legiões de anjos. Portanto, você pode concluir que havia potencialmente muitos milhares de anjos adicionais disponíveis para Jesus na noite em que Ele foi preso! Finalmente, vamos examinar nossa terceira pergunta: qual seria a força combinada desse número de anjos? Anjos são poderosos! De fato, Isaías 37:36 registra que um único anjo matou 185 mil homens em uma noite. Então, se um único anjo tivesse esse tipo de poder, quanta força combinada haveria em doze legiões de anjos? Como um único anjo conseguiu aniquilar 185 mil homens em uma noite, isso significa que a força combinada em uma legião de seis mil anjos seria o suficiente para destruir 1.110.000.000 homens (isto é, 1 bilhão e 110 milhões de homens) — e isso é apenas o poder combinado em uma legião de anjos! Agora vamos multiplicar esse mesmo número de 185 mil por doze legiões, ou pelo menos 72 mil anjos, que era o número de anjos que Jesus disse estarem disponíveis para Ele na noite da sua prisão. Quando fazemos isso, descobrimos que havia força suficiente à disposição de Jesus para aniquilar pelo menos 13.320.000.000 homens (isto é, 13 bilhões, 320 milhões de homens) — o que é mais que o dobro do número de pessoas que vivem na Terra hoje! É claro, estamos considerando que o anjo mencionado em Isaías 37:36 havia esgotado seu poder em 185 mil homens (o que é improvável). Simplificando, os anjos são poderosos e Jesus tinha um grande número de anjos à sua disposição! Jesus não precisava da espadinha de Pedro naquela noite. Se Ele tivesse escolhido fazê-lo, poderia ter convocado 72 mil magníficos, deslumbrantes, gloriosos e poderosos anjos para o jardim, para impedir os soldados romanos e a polícia do templo que vieram prendê-lo. De fato, a força combinada em doze legiões de anjos poderia ter aniquilado toda a raça humana! Mas Jesus não chamou a ajuda sobrenatural que estava disponível para Ele. Por quê? Porque Ele sabia que era hora de voluntariamente entregar sua vida pelo pecado da raça humana. Aprenda uma lição com Jesus e com o apóstolo Pedro. Jesus não precisava da espada pequena e insignificante de Pedro para lidar com a sua situação. Que bem faria uma única espada contra todas as tropas reunidas no Jardim naquela noite, afinal? As ações de Pedro foram um exemplo perfeito de como a carne tenta em vão resolver seus próprios problemas, mas não consegue. Jesus tinha todo o poder necessário para vencer aquelas tropas. Ao enfrentar seus próprios desafios na vida, tenha sempre em mente que Jesus tem o poder de resolver qualquer problema que você possa encontrar. Antes de entrar em cena e piorar as coisas, fazendo justiça com as próprias mãos, lembre-se da história de Pedro! Da próxima vez que você for tentado a “pegar uma espada e sair cortando por aí”, reserve alguns minutos para se lembrar de que Jesus pode lidar com o problema sem a sua intervenção. Antes de fazer qualquer coisa, ore e pergunte ao Senhor o que você deve fazer. Depois de receber a resposta e seguir as instruções, apenas observe o poder sobrenatural dele entrar em ação para resolver o dilema que você está enfrentando! Quando pensamos no poder disponível para Jesus somente por intermédio da assistência angelical, parece quase risível que Pedro pensasse que sua pequena espada oferecia alguma proteção. No entanto, todos nós, às vezes, cometemos erros semelhantes em nossas próprias vidas. O mesmo Espírito Santo que ressuscitou Jesus dos mortos está dentro de você e o mesmo poder disponível para Ele também está disponível para você. Em quais substitutos lamentáveis e inadequados do poder de Deus você tentou confiar no passado quando enfrentou uma situação difícil e estava precisando de ajuda e libertação divinas?A tendência natural do homem é sempre tentar resolver seus próprios problemas. Considere seus próprios padrões e histórico de tentativas naturais de resolver situações. De que maneiras você poderia ter olhado para o Senhor e permitido que o poder dele resolvesse o que você não podia? Se você é um crente, você já tem todo o poder à sua disposição para corrigir qualquer problema que venha a encontrar. Considere o maior desafio que você esteja enfrentando neste momento. Ore e peça a Deus auxílio sobrenatural. Em seguida, “guarde a sua espada” e siga as instruções dele. Capítulo 13 Quem Era o Menino Nu no Jardim do Getsêmani? Quase no mesmo momento em que Jesus terminou de curar a orelha do servo do sumo sacerdote chamado Malco, o evangelho de Marcos nos revela que um jovem nu foi encontrado no Jardim do Getsêmani. Marcos 14:51-52 diz: “Seguia-o um jovem, coberto unicamente com um lençol, e lançaram-lhe a mão. Mas ele, largando o lençol, fugiu desnudo”. Quem era esse jovem? Por que ele estava seguindo a Jesus? Por que ele estava nu? Por que estava envolto em um pano em vez de usar roupas normais? Por que o Espírito Santo foi tão cuidadoso em incluir essa história única no relato do evangelho de Marcos? Qual é o significado desse evento? A chave para identificar esse jovem é o “lençol” que ele usava sobre seu corpo. A palavra grega particular que é empregada para esse “lençol” é usada em apenas outro evento no Novo Testamento — para descrever o “pano de linho” no qual o corpo de Jesus foi envolvido para o sepultamento (ver Mateus 27:59; Marcos 15:46 e Lucas 23:53). Assim, a única referência que temos para esse tipo de tecido no Novo Testamento é a de uma mortalha utilizada para cobrir um cadáver na sepultura. Alguns estudiosos tentaram dizer que esse jovem nu era o próprio Marcos. Eles presumem que quando Marcos ouviu sobre a prisão de Jesus, rapidamente pulou da cama e correu para o Jardim do Getsêmani. Mas o jardim estava localizado em um lugar remoto e ninguém poderia ter corrido para lá tão rapidamente. É simplesmente uma impossibilidade física. Outros especularam que Marcos tirou as roupas na tentativa de chocar e distrair os soldados para que Jesus pudesse escapar. Essa ideia é absurda. Outros apresentam tentativas vãs semelhantes, afirmando que esse jovem nu era o apóstolo João. Mas por que João estaria andando nu no Jardim do Getsêmani? Como eu disse, a resposta para a identidade desse jovem nu está no pano que estava enrolado em seu corpo. Veja, quando um corpo era preparado para o enterro, ele era lavado, cerimonialmente limpo e enterrado nu em um pano de linho exatamente como descrito aqui no Evangelho de Marcos. Além disso, o Jardim do Getsêmani estava situado ao lado do monte das Oliveiras. Em direção à base desse monte há um cemitério densamente povoado, com muitas das suas sepulturas remontando à época de Jesus. Quando Jesus disse “EU SOU”, o poder liberado foi tão tremendo que derrubou os soldados. Mas, evidentemente, também causou um estrondo no cemitério local! Quando essa explosão de poder foi liberada, um menino, envolto em um lençol de linho de acordo com a tradição da época, saiu de seu túmulo — ressuscitou dos mortos! A razão pela qual ele “seguiu” Jesus foi para vislumbrar aquele que o ressuscitara. A palavra “seguir” aqui significa seguir continuamente. Isso nos diz que esse jovem ressuscitado seguiu os soldados enquanto levavam Jesus pelo Jardim a caminho do Seu julgamento. Quando os soldados descobriram o jovem que seguia Jesus, tentaram prendê-lo. Mas quando estenderam a mão para agarrá-lo, ele se soltou e fugiu, deixando o pano de linho com eles. Quero que você reflita novamente sobre o impressionante poder que estava atuando no momento da prisão de Jesus no Jardim do Getsêmani. Mais tarde, Ele disse a Pilatos: “Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada...” (João 19:11). De fato, havia tanto poder presente que ninguém poderia resistir a Jesus se Ele tivesse escolhido resistir. Jesus não foi preso pela vontade do homem; Ele foi entregue pela vontade do Pai. Pense como é maravilhoso que Jesus tenha dado a vida por nós! Tanto poder estava atuando nele, mesmo no momento da Sua prisão, que ninguém tinha poder suficiente para levá-lo à força. A única razão pela qual Jesus foi preso foi Ele ter escolhido, de bom grado, dar a vida por você e por mim. Não leia estas palavras desinteressadamente. Permita que a magnitude do que Jesus fez por você mergulhe profundamente em seu coração. Reserve algum tempo para parar e agradecer a Ele por estar tão disposto a ir à cruz e suportar a punição por seu pecado em seu lugar. Jesus é digno do seu sincero louvor! Quando Jesus simplesmente confirmou quem Ele era, a explosão de poder liberada naquela verdade não apenas derrubou Seus inimigos, mas também ressuscitou o morto. Considere o que acontecerá em sua vida quando você, com convicção, reconhecer quem é Jesus em seu favor. Em que áreas você precisa reconhecê-lo mais? O poder divino disponível a Jesus naquela noite no Jardim é insondável para as nossas mentes naturais. No entanto, Ele escolheu não resistir aos soldados; em vez disso, em obediência, Ele se rendeu à vontade de Deus. Medite no grande amor e autossacrifício que Jesus demonstrou ao escolher dar a vida por você. De que maneiras você pode começar a entregar sua vida a Ele mais completamente e seguir a liderança de Deus com mais precisão todos os dias? Nenhum inimigo suportaria o poder em Jesus se Ele tivesse escolhido resistir. Se você resistir ao diabo, ele não poderá suportar o poder de Deus que habita em você. Considere algumas áreas em sua vida nas quais o diabo está tentando lhe alcançar. Em seguida, reserve um tempo para pensar sobre o poder esmagador do Maior que habita dentro de você. Tome uma decisão de qualidade de se submeter a Deus em todas as áreas da sua vida e use sua autoridade em Nome de Jesus para resistir ativamente ao inimigo! Capítulo 14 Uma Vida Santa Entregue por Você Depois que Jesus demonstrou Seu tremendo poder, Ele permitiu que os soldados o levassem sob custódia. Em certo sentido, isso foi simplesmente um ato, pois Ele já provara vividamente que eles não tinham o poder requerido para tomá-lo. Apenas uma palavra e Ele derrubou os soldados de costas — a Bíblia ainda diz: “E os que prenderam Jesus o levaram à casa de Caifás, o sumo sacerdote, onde se haviam reunido os escribas e os anciãos” (Mateus 26:57; grifos do autor). A palavra “prenderam” vem da palavra grega kratos. Nesse caso, essa palavra significa agarrar, tomar, prender firmemente ou apreender. Usada nesse contexto, ela carrega principalmente a ideia de fazer uma prisão forçada. Uma vez que Jesus demonstrou que não poderia ser levado à força, Ele então permitiu que os soldados o apanhassem. Mateus 26:57 prossegue dizendo que uma vez que Jesus estava em suas mãos, eles o “levaram”. Essa palavra vem da palavra grega apago — a mesma palavra usada para retratar um pastor que amarra uma corda no pescoço de sua ovelha e, em seguida, a leva pelo caminho onde precisa ir. Essa palavra descreve exatamente o que aconteceu com Jesus naquela noite no Jardim do Getsêmani. Ele não foi amordaçado e arrastado para o sumo sacerdote como alguém que estava lutando ou resistindo à prisão. Em vez disso, a palavra grega apago nos diz claramente que os soldados levemente colocaram uma corda no pescoço de Jesus e o guiaram pelo caminho, enquanto Ele seguia atrás, exatamente como uma ovelha sendo conduzida por um pastor. Assim, os soldados romanos e a polícia do templo o levaram como uma ovelha para o matadouro, como Isaías 53:7 profetizara muitos séculos antes. Especificamente naquela noite, porém, os soldados levaram Jesus a Caifás, o sumo sacerdote. Vamos observar o que podemos aprender sobre Caifás. Sabemos que Caifás foi nomeado sumo sacerdote no ano 18 d.C. Como sumo sacerdote, ele se tornou tão proeminente em Israel que, mesmo quando terminou seu mandato, ele exerceugrande influência nos negócios da nação, inclusive assuntos espirituais, políticos e financeiros. Flávio Josefo, famoso historiador judeu, relatou que cinco dos filhos de Caifás depois serviram no ofício do sumo sacerdote.2 Quando jovem, Caifás casou-se com Ana, filha de Anás, que estava servindo como sumo sacerdote naquela época. Anás serviu como sumo sacerdote de Israel durante nove anos. Esse título havia entrado na jurisdição daquela família e eles protegiam firmemente essa posição de alto escalão, passando-a entre os vários membros da família e assim mantendo as rédeas do poder em suas mãos. Era uma monarquia espiritual. Os titulares desse cobiçado título detinham grande poder político, controlavam a opinião pública e possuíam vasta riqueza. Depois que Anás foi removido pelos romanos, o título de sumo sacerdote passou para o seu genro, Caifás. Anás continuou a exercer controle sobre a nação por intermédio do seu genro. Essa influência é evidente em Lucas 3:2, onde a Bíblia diz: “...sendo sumos sacerdotes Anás e Caifás...”. Era impossível que duas pessoas servissem como sumo sacerdote ao mesmo tempo; no entanto, Anás manteve seu antigo título e grande parte de sua antiga autoridade. Ele foi tão influente no final do ministério de Jesus que os soldados romanos e a polícia do templo que prenderam Jesus no Jardim do Getsêmani levaram Jesus a Anás antes de entregá-lo a Caifás, o sumo sacerdote de fato (João 18:13). Tanto Anás quanto Caifás eram saduceus, um grupo de líderes religiosos que eram mais liberais na doutrina e tendiam a não acreditar em eventos sobrenaturais. De fato, eles consideravam a maioria das ocorrências sobrenaturais no Antigo Testamento como mitos.3 Os relatos dos poderes e milagres sobrenaturais de Jesus, bem como a reputação que Ele estava ganhando em toda a nação, fizeram Caifás, Anás e os outros membros do Sinédrio verem Jesus como uma ameaça. Esses líderes religiosos eram excêntricos, no verdadeiro sentido da palavra, e era uma afronta para eles que o ministério de Jesus estivesse além do seu controle e jurisdição. Eles ouviram o relato confirmado de que Lázaro tinha realmente ressuscitado dos mortos! Esse incidente os deixou no limite, levando-os a decidir assassinar Jesus. Esses líderes estavam tão cheios de raiva por causa da ressurreição de Lázaro e tão preocupados com a crescente popularidade de Jesus que realizaram um conselho secreto para determinar se Jesus deveria ou não ser morto. Uma vez que essa decisão foi tomada, Caifás foi o principal responsável por planejar como executar Sua morte. Como sumo sacerdote e chefe oficial do Sinédrio, Caifás também foi responsável por organizar o julgamento ilegal de Jesus perante as autoridades judaicas. No início, ele acusou Jesus do pecado da blasfêmia. No entanto, como Jesus não contestou a acusação de Caifás, o sumo sacerdote o entregou às autoridades romanas, que o declararam culpado de traição por alegar ser o rei dos judeus. Caifás era tão poderoso que, mesmo após a morte de Jesus, ele continuou a perseguir os cristãos da Igreja Primitiva. Por exemplo, depois que o homem aleijado na Porta Formosa foi curado (ver Atos 3), Pedro e João foram presos e levados ao conselho (Atos 4:6). Caifás era o sumo sacerdote, nessa época, e continuou a servir no cargo até ser removido em 36 d.C. Isso enfaticamente nos diz que Caifás também foi o sumo sacerdote que interrogou Estêvão em Atos 7:1. Além disso, ele era o sumo sacerdote sobre quem lemos que deu permissão escrita a Saulo de Tarso autorizando-o a prender os crentes em Jerusalém e depois em Damasco (Atos 9:1-2). Por causa dos eventos políticos no ano 36 d.C., Caifás foi finalmente removido do ofício de sumo sacerdote. Dos dezenove homens que serviram como sumo sacerdote no primeiro século, esse homem mal foi o que governou por mais tempo. O título de sumo sacerdote, no entanto, permaneceu na família depois que Caifás se retirou, dessa vez passando para o seu cunhado Jônatas, outro filho de Anás. Considere isto: Jesus nunca pecou (2 Coríntios 5:21); nenhum dolo jamais foi encontrado em Sua boca (1 Pedro 2:22) e toda a Sua vida foi dedicada a fazer o bem e a curar todos os oprimidos do diabo (Atos 10:38). Portanto, parece inteiramente injusto que Ele tenha sido levado como uma ovelha para o meio das serpentes espirituais que estavam governando em Jerusalém. De acordo com a carne, alguém poderia argumentar que aquilo não era justo. Contudo, Jesus nunca questionou a vontade do Pai ou recusou a designação exigida a Ele. O apóstolo Pedro escreveu o seguinte a respeito de Jesus: “Pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente” (1 Pedro 2:23). A palavra “entregava-se” é a palavra grega paradidomi, um composto das palavras para e didomi. A palavra para significa ao lado e carrega a ideia de se aproximar de alguém ou de algum objeto. A palavra didomi significa dar. Quando essas duas palavras são combinadas, a nova palavra apresenta a ideia de confiar algo a alguém. O prefixo para sugere que é alguém de quem você chegou muito perto. Pode ser traduzida como confiar, ceder, recomendar, transmitir, entregar ou oferecer algo a outra pessoa. Sabendo que Ele estava na vontade do Pai, o Senhor Jesus Se entregou àquele que julga retamente quando se encontrou naquela situação injusta. Naquela hora difícil, Jesus se aproximou do Pai, confiando plenamente em Suas mãos o Seu futuro e deixando os resultados no Seu controle. Se você está em uma situação que parece injusta e não há nada que você possa fazer para mudá-la, você deve se aproximar do Pai o máximo que puder e se comprometer com o amoroso cuidado dele. Você sabe que Ele quer o melhor para sua vida, mesmo que esteja em uma situação que parece tão imerecida. Suas opções são: ficar com raiva, amargurado e amargo com a vida, ou escolher acreditar que Deus está no controle e trabalhando a seu favor, mesmo que você não veja nada de bom acontecendo no momento presente. Quando Jesus foi preso e levado a Caifás para ser severamente maltratado, não havia escapatória para Ele. Ele não tinha escolha senão confiar no Pai. Que outra escolha você tem hoje? Deus é amor e Jesus personificou esse amor enquanto andava na Terra. A crueldade e o ódio desenfreado que Jesus experimentou nas mãos de líderes religiosos corruptos foram insanos e injustos. No entanto, apesar de tudo, Ele se aproximou do Pai, confiando o resultado final em Suas mãos. Quando você enfrentou a injustiça no passado, você confiou plenamente seu coração, suas circunstâncias e seu resultado final ao Pai? Como você pode confiar mais nele? Pense nisso. A vida nem sempre é justa. Às vezes, não há nada que você possa fazer para mudar uma situação. Tudo o que você pode fazer é caminhar por ela. Nesses momentos, você deve se lembrar de que o seu Deus e Pai é maior que tudo. Ele tem um plano para você, para lhe dar uma esperança e um futuro (Jeremias 29:11). Você ou alguém que você ama está em uma situação imerecida? O que você pode fazer para liberar o assunto nas mãos de Deus? Como você pode expressar o seu compromisso de depositar a sua confiança em Deus e não no homem? Quando Jesus foi levado para ser severamente maltratado, parecia não haver meios de escapar. Os homens maus pensaram que o tinham em seu poder; no entanto, um propósito maior estava em ação. Quando o mal parece prevalecer e você parece não ter saída, resta uma liberdade: você ainda pode escolher como responderá. Suas opções? Você pode ficar zangado e muito ressentido com as pessoas ou pode se aproximar de Deus e repousar o seu coração na sua fidelidade ao confiar nele. A escolha é sua. Considere cuidadosamente as consequências de cada opção e, em seguida, determine a sua resposta. Capítulo 15 Alguém Já Cuspiu no Seu Rosto? Há alguns anos, visitei uma igreja em nossa cidade para ouvir um pregador especial que veio de longe. Naquela noite, na reunião, a igreja local que eu estava visitandoanunciou que iniciaria uma campanha de construção. Enquanto estava ali sentado, o Espírito de Deus falou ao meu coração e me instruiu a semear uma semente sacrificial naquela nova campanha de construção. Era uma época em que precisávamos desesperadamente de dinheiro para o nosso próprio plano de construção, então qualquer coisa que eu semeasse seria um sacrifício. No entanto, a quantidade que o Senhor colocou no meu coração foi significativamente além do que a minha mente natural teria possivelmente concebido. O que tornou ainda mais difícil para eu dar aquela oferta foi que aquela igreja havia agido maliciosamente em relação à nossa igreja no passado. Eles mentiram sobre nós, zombaram e até oraram por nossa queda. Agora o Senhor estava me dizendo para semear uma grande oferta naquela mesma igreja? Durante todo esse culto, argumentei com o Senhor. A questão realmente não era o dinheiro, embora pudéssemos tê-lo usado a nosso favor naquele momento. A questão com a qual eu estava lutando era dar uma oferta naquela igreja que nos tratou com desprezo por tanto tempo. Finalmente, o Espírito de Deus me perguntou: Você está disposto a semear uma semente pela paz com esta igreja? Aquilo me pegou! Puxei meu talão de cheques do bolso para dar o que eu achava ser uma oferta considerável para aquela ou qualquer igreja. Preencher aquele cheque foi difícil, mas, uma vez feito, meu coração simplesmente se encheu de alegria porque eu tinha sido obediente. Não há alegria comparável à que nos vem por sermos obedientes! Uma semana depois, o pastor a quem dei a oferta estava em uma reunião com seus funcionários e líderes da igreja. O pastor disse aos seus líderes: “Olhe este pequeno e insignificante cheque que o Pastor Rick nos deu! Ele não poderia ter feito melhor que isso?”. Quando ouvi sobre como aquele pastor tratou a oferta financeira que eu dera, fiquei bastante espantado. Mas fiquei literalmente atordoado com o que aquele pastor fez a seguir. Ele dedicou o restante da sua reunião de equipe para falar todas as coisas que não gostava na nossa igreja e em mim. Ele zombou de nós, nos ridicularizou, fez graça e nos rebaixou diante do seu povo. Em vez de agradecer pela oferta que demos, ele mais uma vez demonstrou total desrespeito e desprezo por nós. Quando eu ouvi sobre o ocorrido, aquilo me feriu o coração. Como alguém poderia dizer que a oferta que demos foi insignificante? Seria considerado significativo em qualquer nação do mundo. Mas o que mais doeu foi que o pastor nos humilhou e publicamente zombou de nós na frente da sua equipe e liderança. Lembro-me de ter sentido como se tivessem cuspido em mim — com o passar dos anos, esse mesmo pastor ainda cuspiu em nós muitas vezes. Por exemplo, quando inauguramos o prédio da nossa igreja — a primeira igreja a ser construída em sessenta anos em nossa cidade — foi um momento de grande alegria. Mas logo após a nossa inauguração, aquele homem, diante de uma grande convenção com milhares de pessoas zombou das nossas novas instalações. Pela segunda vez, ele enfiou uma adaga no meu coração! No momento em que aquele pastor poderia estar se alegrando conosco, ele escolheu usar essa oportunidade para cuspir em nossos rostos. E quanto a você? Você consegue se lembrar de uma ocasião em sua vida em que você fez algo de bom para alguém, mas a pessoa não gostou do que você fez? Ela ficou tão insatisfeita que você se sentiu como se ela tivesse cuspido na sua cara? Você ficou transtornado com o comportamento dela? Como você agiu em resposta a essa situação? Acho que quase todo mundo já se sentiu humilhado e cuspido em algum momento ou outro. Mas imagine como Jesus deve ter sentido na noite em que foi levado ao sumo sacerdote, onde foi literalmente cuspido pelos guardas e pela polícia do templo! Por três anos, Jesus pregou, ensinou e curou os doentes. Mas agora Ele estava sendo conduzido como uma ovelha ao açougueiro espiritual de Jerusalém, o sumo sacerdote Caifás e aos escribas e anciãos que se reuniram para esperar a Sua chegada. No julgamento que ocorreu diante do sumo sacerdote e seus anciãos, os líderes religiosos acusaram Jesus pelo crime de se declarar o Messias. Jesus respondeu dizendo que eles um dia o veriam sentado à direita do Todo- Poderoso e vindo com nuvens de glória (ver Mateus 26:64). Ao ouvir isso, o sumo sacerdote rasgou suas vestes e gritou: Blasfêmia!, ao que todos os escribas e anciãos ergueram suas vozes com raiva, exigindo que Jesus sofresse a pena de morte (ver Mateus 26:66). Então esses escribas e anciãos religiosos fizeram o impensável! Mateus 26:67-68 diz: “Então eles cuspiram no seu rosto e o esbofeteavam e outros o esmurravam, dizendo: Profetiza para nós, tu, ó Cristo, quem foi que te bateu?” (KJV, tradução livre). Observe que não foram apenas alguns que cuspiram em Seu rosto naquela noite. A Bíblia diz: “...eles cuspiram no seu rosto...”. A palavra “eles” se refere a todos os escribas e os anciãos que estavam reunidos para o encontro naquela noite. Um estudioso observa que poderia haver cem ou mais homens naquela multidão! Um por um, cada um desses chamados líderes espirituais, vestidos com suas roupas religiosas, andaram até Jesus e cuspiram na Sua face! Naquela cultura e época, cuspir no rosto de alguém era considerado a coisa mais forte que você poderia fazer para mostrar repulsa, repugnância, aversão ou ódio. Quando alguém lançava seu cuspe no rosto de outra pessoa, era para humilhar, rebaixar, desmerecer e envergonhar essa pessoa. Para piorar, o ofensor normalmente cuspia com força e perto do rosto da pessoa, tornando tudo ainda mais humilhante. No momento em que Caifás, seus escribas e anciãos terminaram de cuspir em Jesus, o cuspe deles estava provavelmente escorrendo de sua testa para os Seus olhos; escorrendo pelo nariz, pelas maçãs do rosto e pelo queixo, até mesmo escorrendo para as suas roupas. Essa foi uma cena extremamente humilhante! Lembre-se, os homens que estavam agindo com tanto ódio a Jesus eram líderes religiosos! Sua conduta hedionda era algo que Jesus definitivamente não merecia. O que torna toda essa cena ainda mais inacreditável é que Malco — o servo a quem Jesus acabara de curar — provavelmente estava do lado de Caifás vendo tudo acontecer! Aqueles líderes religiosos não ficaram apenas na humilhação de Jesus. Depois de cuspir nele, cada um deles fechou os punhos e o acertou violentamente no rosto! Mateus 26:67 diz: “Então eles cuspiram no seu rosto e o esbofeteavam...”. A palavra “esbofetear” é a palavra grega kolaphidzo, que significa atacar com o punho. É normalmente usada para retratar uma pessoa violentamente espancada. Como se cuspir não fosse insulto o suficiente para Jesus, aproximadamente cem homens o acertaram cruelmente, atingindo-o com os punhos. Isso não foi só brutal — foi sádico! Humilhar Jesus com suas cusparadas e xingamentos não satisfez o ódio daqueles homens; eles não ficariam satisfeitos até garantirem que Ele havia sido fisicamente maltratado. Para garantir que esse objetivo fosse cumprido, seus próprios punhos se tornaram armas. Parece que esses escribas e anciãos eram tão paranoicos quanto a Jesus receber mais atenção do que eles mesmos que simplesmente queriam destruí-lo. Toda vez que cuspiam nele, cuspiam na unção. Toda vez que eles o atacavam, estavam desferindo um soco contra a unção. Eles odiavam Jesus e a unção que operava por intermédio dele de tal forma que votaram em assassiná-lo. Mas primeiro, eles queriam gastar algum tempo para ter certeza de que Ele sofreria antes de morrer. Que maneira estranha de “agradecer” a Alguém que fez tanto por eles! Quando fico desapontado com a maneira como os outros me respondem ou ao que tenho feito por eles, muitas vezes penso no que aconteceu com Jesus naquela noite, quando Ele veio perante aqueles líderes judeus. João 1:11 nos diz: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam”. Embora aqueles homens que cuspiam e batiam em Jesus se recusassem a reconhecê- lo, Ele ainda foi para a cruz e morreu por eles. Seu amor por eles erainabalável — firme e não afetado por suas ações erradas. Quando você pensa sobre o modo como as pessoas lhe prejudicaram no passado, isso afeta o seu desejo de amá-las? O que esses conflitos revelaram sobre você? Seu amor por essas pessoas grosseiras é consistente, inabalável, firme e não afetado? Ou os conflitos demonstraram que você tem um amor inconstante, que rapidamente se apaga quando as pessoas não respondem a você do jeito que você gostaria que o fizessem? O mesmo Espírito Santo que viveu em Jesus agora vive em você. Assim como o Espírito de Deus deu poder a Jesus para amar as pessoas consistentemente, independentemente do que elas fizeram ou não fizeram, o Espírito Santo pode lhe capacitar a fazer o mesmo. É sua responsabilidade andar como Jesus andou em relação àqueles que lhe desapontaram ou decepcionaram em sua vida. Portanto, dedique alguns minutos agora para identificar os indivíduos que se encaixam nesta descrição. Eu lhe encorajo a orar por eles. Perdoe cada pessoa, uma a uma e depois as libere dos pecados que cometeram contra você. Faça a escolha de seguir o exemplo do seu Mestre, amando aqueles que lhe prejudicaram da maneira como Jesus amou aqueles que o ofenderam gravemente. Quando você dá um presente com motivos sinceros, é surpreendente e doloroso que o destinatário expresse desdém pelo agrado ou desrespeito a você como doador. Alguém já fez pouco caso de algum presente que você deu com a intenção de abençoá-lo? Como você se sentiu? Imagine como Jesus se sentiu, sabendo que Ele estava dando Sua vida por pessoas que não apenas zombavam de Seu propósito, mas também queriam que Ele sofresse e se sentisse humilhado. Pense na profundidade do amor e humildade que Jesus exerceu — só para você. Que tipos de atitudes e ações funcionam como “cuspir na cara” em relação a outros indivíduos? Você já demonstrou essas atitudes e ações para com Deus a respeito de dons dele concedidos a você? Pense nisso. Desrespeito e desonra são fáceis de encontrar em nossa sociedade moderna. Por sua vez, honra, respeito e apreço, são raros, mas muito valiosos. Como você pode desenvolver mais honra e apreciação em suas respostas aos outros? Que influência positiva você pode ter na vida de alguém que você conhece, simplesmente demonstrando honra para com ele — particularmente se essa pessoa foi desonrada por outras pessoas? Capítulo 16 Divertindo-se à Custa de Jesus Se quisermos ter uma visão completa do que aconteceu no salão de Caifás naquela noite, quando os líderes religiosos cuspiam em Jesus e batiam no rosto dele com os punhos, precisamos juntar todos os pedaços da imagem que estão nos evangelhos de Mateus e Lucas. Lucas 22:63 diz: “Os que detinham Jesus zombavam dele, davam-lhe pancadas”. Quero que você observe particularmente a palavra “zombavam” nesse versículo. Vem da palavra grega empaidzo, que significava jogar um jogo. Com frequência usada para jogar um jogo com crianças ou para divertir uma multidão, expondo alguém de maneira tola e exagerada. Por exemplo, essa palavra pode ser usada em um jogo de charadas, quando alguém pretende retratar outra pessoa comicamente ou até mesmo ridicularizá-la. Isso nos traz uma parte importante da história que Mateus não incluiu em seu relato. Mesmo antes de ter que suportar as cusparadas e o violento espancamento dos escribas e anciãos naquela noite, Jesus também foi severamente espancado pelos “que o detinham”. Isso não se refere aos escribas e anciãos, mas à polícia e aos guardas do templo que vigiavam Jesus antes que Caifás o examinasse. Além de tudo que estava acontecendo naquela noite, os guardas decidiram que também aproveitariam o momento. A Bíblia não nos diz como esses homens imitaram e expuseram Jesus naquela noite, mas o uso da palavra grega empaidzo categoricamente nos permite saber que eles transformaram alguns minutos daquela noite de pesadelo em um palco de comédia à custa de Jesus. Eles fizeram um show, fazendo trejeitos, provavelmente fingindo ser Jesus e as pessoas que o serviam. Talvez colocassem as mãos um no outro como se estivessem curando os doentes ou deitavam no chão e tremiam, como se estivessem sendo libertos dos demônios ou cambaleavam ao redor, agindo como se fossem cegos, mas pudessem ver de repente. O que quer que esses guardas tenham feito para zombar de Jesus, foi um jogo de charadas para imitar e zombar dele. Quando eles terminaram de se divertir com Jesus, Lucas nos diz que os guardas “davam-lhe pancadas”. A palavra para “dar pancadas” é a palavra dero, uma palavra usada com frequência para se referir à prática extenuante e bárbara de espancar um escravo. Essa palavra é tão terrível que também é muitas vezes traduzida como esfolar, como esfolar a carne de um animal ou ser humano. O uso dessa palavra nos diz que, mesmo antes de os escribas e anciãos colocarem as mãos em Jesus, os guardas já o haviam submetido a uma terrível provação. Imediatamente depois que os guardas terminaram de jogar seus joguinhos e bater brutalmente em Jesus, os escribas e anciãos começaram a cuspir em Sua face e a golpeá-lo na cabeça com seus punhos. Mas os anciãos não pararam por aí. Eles vendaram Jesus e começaram a atacá-lo na cabeça novamente, levando a humilhação dele ao nível seguinte. Essa foi a terceira surra que Jesus sofreu. Se lêssemos apenas o relato de Lucas, poderíamos concluir que essa terceira surra também foi pelas mãos dos guardas. No entanto, quando comparamos e relacionamos o relato de Lucas com a descrição de Mateus, fica claro que, a essa altura, Jesus já havia sido transferido para as mãos de Caifás e seus escribas e anciãos. O que lemos a seguir em Lucas 22:64 ocorreu depois que esses líderes religiosos já tinham cuspido e batido nele (Mateus 26:67). Lucas 22:64 diz: “Vendando-lhe os olhos, diziam: Profetiza-nos: quem é que te bateu?”. A palavra “vendando” deriva da palavra grega perikalupto, que significa envolver um véu ou roupa sobre alguém, escondendo assim os olhos para que ele não possa ver. Nós não sabemos de onde veio a venda. Poderia ter sido uma peça da roupa de Jesus ou um pano emprestado de um dos escribas e anciãos. Mas quando terminaram de envolver a cabeça de Jesus naquele tecido, Ele ficou completamente cego, sem ver o que estava acontecendo ao Seu redor. Assim como os guardas faziam joguinhos à custa de Jesus, agora Caifás, com os escribas e anciãos, faziam o mesmo com o blefe do cego! Uma vez Jesus vendado, “eles lhe batiam no rosto”. A palavra “batiam” vem da palavra grega paio, que descreve um golpe que deixa marca. Uma tradução mais precisa poderia ser eles lhe davam tapas na cara. Essa é a razão pela qual a palavra grega paio foi utilizada, por se referir a uma bofetada que deixa uma marca terrível. Depois de darem tapas em Jesus, os escribas e anciãos o insultaram, dizendo: “Profetiza-nos: quem é que te bateu?”. Aqui observamos que esses assim chamados líderes religiosos ficaram tão envolvidos no seu comportamento doentio que desfrutavam sadicamente da dor que estavam proporcionando a Jesus. Eles lhe deram tapas repetidamente, dizendo: Vai, profeta! Se você é tão bom em profetizar e conhecer as coisas sobrenaturalmente, diga-nos qual de nós deu um tapa em você! Finalmente, Lucas 22:65 nos diz: “E muitas outras coisas diziam contra ele, blasfemando”. A palavra “blasfêmia” vem da palavra grega blasphemeo, que significa difamar; acusar; falar contra; ou falar palavras depreciativas com o propósito de ferir ou prejudicar a própria reputação. Também quer dizer linguagem profana, imunda e impura. Quando Lucas diz que eles estavam “blasfemando”, ele está falando sobre Caifás, seus escribas e anciãos! A partir do momento em que esses líderes religiosos “tiraram a tampa”, cada coisa suja que estava escondida dentro deles veio à tona. Era como se um monstro tivesse sido solto e eles não conseguissem mais prendê-lo em sua jaula! Jesus havia dito àqueles líderes religiosos mais cedo: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcroscaiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia!” (Mateus 23:27). No final, a morte e a impureza em suas almas vieram à tona furiosamente enquanto eles gritavam com Jesus usando linguagem profana, imunda e impura. Tenho certeza de que se o povo de Israel tivesse tido permissão de dar uma espiada naquele salão naquela noite, ficaria horrorizado ao ver seus líderes supostamente piedosos batendo em Jesus, cuspindo nele, dando-lhe mais outra bofetada e então gritando maldições na cara dele! Ali estavam aqueles líderes — todos vestidos com trajes religiosos, mas tão podres em seu interior que não conseguiam mais esconder sua verdadeira natureza. Gostaria de fazer duas perguntas: 4. Você leva a sério seu relacionamento com Jesus Cristo? Ou você, como aqueles que o pegaram naquela noite, está simplesmente se divertindo com Ele? 5. Quando outras pessoas começam a brincar com sua mente e suas emoções, você é capaz de seguir o exemplo de Jesus, mantendo sua paz e as amando apesar do tormento que elas estão lhe impondo? Vamos fazer um pacto de hoje em diante para nunca sermos como os líderes religiosos apóstatas nessa história. Quão terrível é parecer exteriormente bonito, mas internamente ser tão feio! Para evitar esse cenário em nossas próprias vidas, devemos nos comprometer a ser sérios em nosso relacionamento com Jesus e absolutamente nos recusarmos a brincar com Deus. Se você alguma vez já se encontrou em uma situação semelhante à que Jesus enfrentou — ou seja, se pessoas estão ou já estiveram abusando emocionalmente de você ou se aproveitando de você — clame a Deus para lhe fortalecer! Ele lhe dará sabedoria para saber quando você deve falar, quando deve ficar quieto e exatamente quais passos você deve dar. Quando você se encontrar nesse tipo de lugar apertado, apenas certifique-se de guardar sua boca e deixe o Espírito Santo ditar suas emoções para que você possa demonstrar o amor de Deus àqueles que o diabo está tentando usar contra você. Jesus é o exemplo perfeito do modo como devemos nos comportar em todas as situações. Embora Jesus tenha sido blasfemado, insultado e xingado, Ele nunca revidou ou se permitiu ser arrastado para uma guerra de palavras. Por essa razão, Pedro nos exortou a seguir os passos de Jesus: “Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos” (1 Pedro 2:21-22). Hoje, você pode tomar a decisão de chegar a um nível mais alto em seu compromisso com Jesus Cristo. Você pode se recusar a brincar com Deus ou a continuar se enganando sobre sua própria condição espiritual. A verdade acerca do que está em você acabará aparecendo de qualquer maneira, então dê uma olhada honesta em sua alma agora para ter certeza de que não há falhas ocultas que mais tarde virão à superfície. Abra o seu coração e permita que o Espírito Santo brilhe Sua luz gloriosa nas fendas da sua alma. Permita que Ele revele as áreas da sua vida onde você precisa se submeter ao trabalho de limpeza dele. Fazendo isso, você se verá cada vez mais transformado na imagem de Jesus, que nos deixou um exemplo para seguirmos Seus passos. Sofrer abuso mental e emocional nas mãos de outros é devastadoramente cruel. Tal deboche e humilhação focados deliberadamente podem deixar cicatrizes emocionais horríveis. Jesus suportou esse tipo de tortura dos Seus inimigos, além de um abuso físico impensável e sádico. Se você está em uma situação semelhante — se as pessoas estão abusando emocionalmente de você — clame a Deus! Ele não só lhe fortalecerá, mas também lhe dará a sabedoria que você precisa com relação aos passos que deve dar. Jesus disse aos escribas e líderes religiosos que eles eram como sepulcros caiados — adoráveis de se ver, mas cheios de sujeira e impureza. Eles confirmaram suas palavras com sua linguagem profana e vulgar e comportamento perverso em relação a Jesus. Existem áreas da sua vida que parecem adoráveis para os outros, mas estão escondendo motivos e comportamentos que são impuros? Você está enganando a si mesmo e se divertindo à custa de Jesus? Dê uma olhada honesta em sua própria vida. O que está em você acabará aparecendo para todos verem. Pense nisso. Nossa carne sempre quer retaliar quando somos injustiçados, mas Jesus nos deu o exemplo perfeito a seguir. Quando foi xingado, recusou ser arrastado ao nível dos Seus atacantes. Nenhum dolo foi encontrado em sua boca. Como você pode dosar suas respostas a um tratamento errado para estar mais de acordo com as respostas de Jesus? Que ajustes internos e externos você pode fazer em sua própria vida? Capítulo 17 Renda-se e Liberte-se no Cuidado Amoroso de Deus Você já se viu em uma situação em que sentiu que estava cercado por malucos controladores obcecados por manter tudo sob seu controle? Se você já esteve em uma situação como essa, sabe como é difícil agir nesse tipo de ambiente. Bem, na época do ministério de Jesus na Terra, Israel estava tomado por líderes obcecados pela ideia de deter as rédeas do poder. Essa paranoia era tão epidêmica que se espalhou para o mundo religioso e político. O sumo sacerdote, com os seus escribas e anciãos, suspeitava de forma paranoica de qualquer um que parecesse estar crescendo em popularidade. Os líderes políticos designados por Roma para presidir Israel eram igualmente paranoicos, procurando em todos os cantos por adversários e constantemente lutando para manter o poder em suas mãos. Israel estava sob o controle inimigo de Roma, uma força de ocupação que os judeus desprezavam. Odiavam os romanos por suas tendências pagãs, por lhes impor a língua e a cultura romana e pelos impostos que precisavam pagar a Roma. E essas são apenas algumas das razões pelas quais os judeus odiavam os romanos. Por causa da turbulência política em Israel, poucos líderes políticos de Roma mantiveram o poder por muito tempo e aqueles que conseguiram o fizeram usando crueldade e brutalidade. A terra estava cheia de revoltas, rebeliões, insurgências, assassinatos e revoltas políticas sem fim. A capacidade de governar por muito tempo nesse ambiente exigia um líder implacável, preocupado consigo mesmo, disposto a fazer qualquer coisa necessária para manter uma posição de poder. Isso nos leva a Pôncio Pilatos, que era exatamente esse tipo de homem. Depois que Herodes Arquelau foi removido do poder (ver capítulo 19 para saber mais sobre os três filhos de Herodes, o Grande), a Judeia foi colocada aos cuidados de um procurador romano. Esse era o curso natural dos acontecimentos, pois o Império Romano já estava dividido em aproximadamente quarenta províncias, cada uma governada por um procurador — uma posição que era equivalente a um governador. Era normal que um procurador servisse em sua posição por doze a trinta e seis meses. No entanto, Pilatos governou a Judeia por dez anos, começando no ano 26 d.C. e concluindo no ano 36 d.C. Esse período de dez anos é fundamental, pois significa que Pilatos foi governador da Judeia durante todo o tempo do ministério de Jesus. O historiador judeu Flávio Josefo observou que Pilatos era impiedoso e antipático e não compreendia ou reconhecia a importância das crenças e convicções religiosas dos judeus. Além das responsabilidades normais de um procurador, Pilatos também governava como autoridade suprema em questões legais. Especialista em direito romano, ele tinha a palavra final em quase todas as decisões legais para o território da Judeia. No entanto, embora Pilatos detivesse esse incrível poder legal em suas mãos, ele temia casos relacionados com religião e muitas vezes permitia que esses casos fossem passados para a corte do Sinédrio, sobre a qual presidia o sumo sacerdote Caifás. Pilatos vivia no palácio de Herodes, localizado em Cesareia. Como era a residência oficial do procurador, uma força militar de cerca de três mil soldados romanos ficava acampada lá para proteger o governador romano. Pilatos não gostavada cidade de Jerusalém e evitava lhe fazer visitas. Mas na época das festas, quando a cidade de Jerusalém estava cheia de hóspedes, viajantes e estranhos, havia um potencial maior de inquietação, turbulência e desordem, de modo que Pilatos e suas tropas entravam na cidade de Jerusalém para fazer a guarda e proteger a paz da população. Essa foi a razão pela qual Pilatos estava na cidade de Jerusalém na época da crucificação de Jesus. Por ser um homem altamente político, Pilatos sabia como articular o jogo político — assim como os judeus que ele governava. De fato, tantas queixas foram feitas em Roma sobre o seu estilo cruel e impiedoso que a ameaça de uma queixa adicional era muitas vezes utilizada para que os judeus manipulassem Pilatos a executar suas petições. Isso sem dúvida afetou a sua decisão de crucificar Jesus. Naquele dia, o sumo sacerdote, o Sinédrio e toda a turba insistiram para que Jesus fosse crucificado. Pilatos quis saber o motivo dessa exigência e então lhe responderam: “Encontramos este homem pervertendo a nossa nação, vedando pagar tributo a César e afirmando ser ele o Cristo, o Rei” (Lucas 23:2). Pilatos sabia que os judeus estavam com ciúmes de Jesus. Mas politicamente as acusações contra Ele colocaram o governante em uma posição muito ruim. E se a notícia chegasse a Roma de que Jesus pervertera a nação, ensinando o povo a reter seus impostos e alegando ser um anti-rei no lugar do imperador romano? Seria suicídio político para Pilatos não fazer nada sobre esse tipo de situação. Os líderes judeus foram bem conscientes quanto a isso quando fabricaram essas acusações contra Jesus. Eles sabiam exatamente quais cordas políticas puxar para levar Pilatos a fazer o que eles queriam — e eles estavam puxando cada corda que tinham em suas mãos. O povo judeu odiava Pilatos por sua crueldade e cuidados inadequados com seus súditos. O tipo de brutalidade que o tornou tão infame e tão odiado pode ser observado em Lucas 13:1, onde é mencionado que Pilatos matou vários galileus e depois misturou seu sangue com os sacrifícios. Por mais chocante e doentio que possa parecer esse ato, ele está em linha com muitas outras ações violentas instigadas sob o domínio de Pilatos como procurador da Judeia. Outro exemplo da insensibilidade de Pilatos pode ser visto em um incidente que ocorreu quando um profeta afirmou possuir um dom sobrenatural que lhe permitia localizar vasos consagrados, que ele alegou terem sido secretamente escondidos por Moisés. Quando aquele profeta anunciou que desenterraria os vasos, os samaritanos compareceram em grande número para observar o evento. Pilatos, que achava que o caso todo era um disfarce para alguma atividade política ou militar, despachou as forças romanas para atacar e massacrar a multidão que se reunira. No final, ficou claro que nada político fora planejado.4 Os samaritanos sentiram tanto a perda daqueles que morreram que pediram formalmente ao governador da Síria para intervir, nesse caso. Suas queixas a respeito de Pilatos se tornaram tão numerosas que Pilatos foi finalmente convocado a Roma para prestar contas das suas ações diante do próprio imperador Tibério. Mas antes de Pilatos chegar a Roma para explicar as acusações que lhe pesavam, o imperador Tibério morreu. Fora dos evangelhos, Pilatos não é mencionado novamente no Novo Testamento. Registros históricos mostram que o procurador da Síria levou algum tipo de acusação contra Pilatos no ano 36 d.C. Essas acusações resultaram em sua remoção do cargo e exílio para a Gália (a França moderna). Eusébio, famoso historiador cristão primitivo, escreveu mais tarde que Pilatos caiu em desgraça sob o governo do perverso Imperador Calígula e perdeu muitos privilégios. De acordo com Eusébio, Pilatos — que governara a Judeia implacável e impiedosamente por dez anos e que foi o responsável final pelo julgamento, condenação, crucificação e sepultamento de Jesus — finalmente cometeu suicídio. Com esta história agora contada, vamos dar uma olhada em Mateus 27:2. Ele fala a respeito de Jesus: “E, amarrando-o, levaram-no e o entregaram ao governador Pilatos”. A palavra “amarrando” é a palavra grega desantes, que vem da palavra deo. É a mesma palavra que seria usada para descrever o ato de amarrar, atar ou proteger um animal. Estou confiante de que essa era precisamente a conotação que Mateus tinha em mente, pois a frase seguinte usa uma palavra que era comum no mundo dos tratadores de animais. O versículo nos diz que eles o “levaram”. Essa palavra vem da palavra grega apago. A palavra apago é usada para um pastor que amarra uma corda ao redor do pescoço de suas ovelhas e, em seguida, as leva até o caminho por onde precisam ir. Assim como os soldados levaram Jesus a Caifás, eles agora colocaram uma corda em Seu pescoço e levavam o Cordeiro de Deus a Pôncio Pilatos. A Bíblia diz que, uma vez que Jesus estava na jurisdição de Pilatos, então eles “...o entregaram a Pôncio Pilatos, o governador”. A palavra “entregaram” é a palavra grega paradidomi, a mesma palavra que observamos quando Jesus se entregou ao Pai que julga retamente. No entanto, nesse caso, o significado seria mais provavelmente oferecer, ceder, transmitir, entregar ou passar algo a outra pessoa. Isso significa que quando o sumo sacerdote ordenou que Jesus fosse levado a Pilatos, ele oficialmente tornou a questão um problema do governante. O sumo sacerdote levou Jesus a Pilatos, entregou-o completamente em suas mãos e o deixou com a responsabilidade de considerá-lo culpado e o crucificar. Mateus 27:11 diz: “Jesus estava em pé ante o governador; e este o interrogou, dizendo: És tu o rei dos judeus? Respondeu-lhe Jesus: Tu o dizes”. Pilatos fez uma pergunta direta, mas Jesus se recusou a respondê-la diretamente. Mateus 27:12 prossegue dizendo: “E, sendo acusado pelos principais sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu”. Então, pela segunda vez, Jesus se recusou a responder ou refutar as acusações que foram feitas contra Ele. Mateus 27:13-14 nos conta o que aconteceu em seguida: “Então, lhe perguntou Pilatos: Não ouves quantas acusações te fazem? Jesus não respondeu nem uma palavra, vindo com isto a admirar-se grandemente o governador”. Observe que a Bíblia diz que Pilatos “admirou-se grandemente” com o silêncio de Jesus. Em grego, essa frase é a palavra thaumadzo, que significa admirar-se; ficar sem palavras ou ficar chocado e espantado. Pilatos ficou perplexo com o silêncio de Jesus porque a lei romana permitia aos prisioneiros três chances de abrirem a boca para se defenderem. Se um prisioneiro deixasse passar essas três chances de falar em sua defesa, ele seria automaticamente declarado “culpado”. Em Mateus 27:11, Jesus deixou passar a sua primeira chance. Em Mateus 27:12, Ele deixou passar a sua segunda chance. Agora em Mateus 27:14, Jesus deixa passar a sua última chance de se defender. No final desse período de interrogatório, Pilatos perguntou a Jesus: “És tu o rei dos judeus? Respondeu Jesus: Tu o dizes” (Lucas 23:3). O Evangelho de João nos diz que Jesus acrescentou: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui” (João 18:36). Depois de ouvir essas respostas, “Disse Pilatos aos principais sacerdotes e às multidões: Não vejo neste homem crime algum” (Lucas 23:4). Como você observará no capítulo seguinte, Pilatos procurou diligentemente uma brecha para não ter que matar Jesus. João 19:12 diz: “A partir deste momento, Pilatos procurava soltá-lo...”. Mas nada havia que Pilatos pudesse fazer para impedir que o plano do Pai fosse colocado em prática. Até mesmo Jesus deixou passar Suas três chances de se defender, porque Ele sabia que a cruz era uma parte do Seu propósito em ter sido enviado para a Terra. Quando Jesus finalmente respondeu à pergunta de Pilatos, Ele ainda assim não se defendeu, sabendo que era o tempo designado para Ele ser morto como o Cordeiro de Deus que tiraria os pecados do mundo.Mas Pilatos não queria crucificar Jesus. Na verdade, o governador romano começou a procurar uma brecha — alguma maneira de tirar aquele homem da morte. Mas a busca de Pilatos por uma saída foi em vão; o plano não podia ser mudado porque era hora do Filho de Deus oferecer o sacrifício permanente pelo pecado. Como Hebreus 9:12 diz, “...não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção”. Você tem certeza do plano de Deus para a sua vida? Considere se você pode ou não dizer com convicção: “Eu sei o que Deus me chamou para fazer e estou disposto a ir aonde Ele me disser para ir e pagar qualquer preço que eu tiver que pagar. Minha maior prioridade e obsessão é fazer a vontade do Pai!” Se você ainda não é capaz de dizer isso, peça ao Espírito Santo para lhe ajudar a crescer a ponto de a vontade de Deus ser a coisa mais importante na sua vida, independentemente do custo. Mesmo que a vida de obediência leve você a lugares difíceis como aconteceu com Jesus, o resultado final será a ressurreição e a vitória! Observe que Jesus não respondeu a Pilatos até este presumir ter poder sobre a Sua vida. Nessa presunção, Pilatos se exaltou acima de Deus, em cujas mãos Jesus confiou Sua vida. Jesus corrigiu o erro de Pilatos, não tolerando qualquer tentativa de usurpar a verdadeira e definitiva autoridade do Pai. Quando outros tentarem intimidar, controlar e manipular a sua vida ou circunstâncias, lembre-se de que os seus dias estão nas mãos de Deus — não dos homens (Salmos 31:15). Se alguém está tentando exercer poder indevido sobre sua vida, olhe para a maneira como Jesus respondeu a Pilatos. Considere o exemplo de Jesus ao olhar para Deus em busca de sabedoria numa situação tão particular. Uma vida de obediência nunca vem sem custo. Haverá lugares difíceis onde você enfrentará a oposição do inimigo à vontade de Deus se cumprir em sua vida. Você tem claro o plano de Deus para a sua vida? Se você ainda não conhece o propósito e a prioridade da sua vida, peça à pessoa do Espírito Santo para lhe ajudar a descobrir a vontade de Deus para você e cresça até o ponto em que você possa cumpri-la — não importando o custo. Jesus não sentiu necessidade de se defender ou de ceder ao interrogatório de Pilatos. No final, Pilatos ficou impressionado com a maneira como Jesus ficou em silêncio, mantendo sua compostura diante de tanta oposição. Quando você é destemido, sua oposição teme você porque você não está sujeito à influência ou controle do seu inimigo. Você está cercado e sob ataque nesta estação da sua vida? Qual é o seu foco quando você está sofrendo oposição? Aquilo que você teme é o que lhe controla. Você anda no temor de Deus, vivendo cada dia em reverente consciência do santo chamado dele em sua vida? Pense nisso. Capítulo 18 Pilatos Procura Uma Brecha! Até aquele momento, Pilatos nunca tinha tido problemas em causar derramamento de sangue, por isso parece estranho que ele tenha se recusado a pensar em crucificar Jesus. Como governador e principal autoridade legal da terra, Pilatos recebera de Roma poder para decidir quem viveria ou morreria. Esse governador romano era infame por seu estilo de liderança de coração frio, insensível e cruel, e nunca achara difícil ordenar a morte de um criminoso — até agora. Algo dentro de Pilatos relutava ante a ideia de crucificar Jesus. A Bíblia não declara exatamente por que Pilatos não queria crucificá-lo, mas faz pensar o que ele viu nos olhos de Jesus quando o interrogou. Sabemos que Pilatos ficou chocado com a maneira com a qual Jesus se portava, pois Mateus 27:14 nos diz que Pilatos “admirou-se grandemente” com Jesus. A palavra “admirou-se” vem da palavra grega thaumadzo, que significa admirar-se, ficar sem palavras ou ficar chocado e espantado. Nunca antes um homem como Jesus estivera diante de Pilatos e o governador estava obviamente perturbado com a ideia de matá-lo. De fato, Pilatos ficou tão perturbado que decidiu investigar mais profundamente fazendo perguntas. Ele estava procurando uma brecha que permitisse escapar daquela armadilha que os judeus armaram tanto para Jesus quanto para ele também. De fato, os líderes judeus planejaram cuidadosamente uma armadilha com três resultados potenciais e qualquer um deles os deixaria muito felizes. O propósito triplo dessa armadilha era o seguinte: 1. Ver Jesus julgado pela corte romana, arruinando assim Sua reputação e garantindo Sua crucificação, enquanto ao mesmo tempo se afirmavam aos olhos do povo. Para garantir que isso acontecesse, os líderes judeus falsificaram acusações que fizeram que Jesus parecesse um infrator político genuíno. Estas foram as acusações: 1) que Ele pervertera toda a nação — uma acusação religiosa que era da responsabilidade do Sinédrio julgar; 2) que Ele ordenara que as pessoas não pagassem seus impostos a Roma; e 3) que Ele reivindicara ser rei (ver Lucas 23:2). De acordo com a lei romana, Jesus deveria ser crucificado por alegar ser rei. Se aquelas acusações fossem provadas verdadeiras, Pilatos estava obrigado por lei a crucificá-lo. Se aquilo acontecesse, o primeiro propósito do esquema deles estaria funcionando. 2. Ver Pilatos acabado e permanentemente afastado do poder sob a acusação de que ele tinha sido infiel ao imperador romano por não crucificar um homem que afirmava ser um rei rival do imperador. Se Pilatos se recusasse a crucificar Jesus, essa recusa daria aos líderes judeus a munição de que precisavam para provar a Roma que esse governador deveria ser removido do poder, porque era um traidor. As notícias chegariam ao imperador de Roma que Pilatos teria permitido que um rei rival vivesse e ele seria acusado de traição (ver João 19:12). É interessante que a mesma acusação de ser um traidor tenha sido feita contra Jesus. Era uma acusação que certamente teria levado à morte ou ao banimento de Pilatos. Se Jesus fosse libertado pela corte romana, a liderança judaica se alegraria, pois teriam uma razão legal para expulsar Pilatos da sua terra. Assim, o segundo propósito do esquema deles teria funcionado. 3. Levar Jesus de volta à sua própria corte no Sinédrio, se Pilatos não o crucificasse, onde eles tinham a autoridade religiosa para apedrejá-lo até a morte por alegar ser o Filho de Deus. A verdade é que os líderes judeus nunca foram obrigados a entregar Jesus a Pilatos porque a corte do Sinédrio já tinha autoridade religiosa para matá- lo por apedrejamento por alegar ser o Filho de Deus. Mesmo que Pilatos se recusasse a crucificar Jesus, eles pretendiam matá-lo (ver João 19:7). Assim, observamos que a passagem pelo tribunal de Pilatos foi planejada para transformar a prisão de Jesus em uma catástrofe política que possivelmente também ajudaria os líderes judeus a se livrarem de Pilatos. Mas mesmo que Jesus tivesse sido libertado pela corte romana, eles pretendiam matá-lo. Esta era a terceira parte do esquema deles. A solução para essa bagunça era fácil! Tudo o que Pilatos tinha que fazer era crucificar Jesus. Assim, ele teria anciãos judeus felizes em suas mãos; não haveria acusações de traição contra ele em Roma; laços fortalecidos com a comunidade religiosa e uma garantia de permanecer no poder. Pilatos só precisava dizer: “CRUCIFIQUEM-NO!” E aquele jogo político acabaria. Mas ele não conseguiu pronunciar essas palavras! Em vez disso, Pilatos deu a Jesus três oportunidades de falar em defesa própria. Mas Jesus não disse nada. Isaías 53:7 diz: “...como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca”. De acordo com a lei, Jesus deveria ter sido automaticamente declarado “culpado” porque Ele deixou passar suas três chances de se defender. Mas dessa vez, Pilatos simplesmente não seguiu o devido curso do processo judicial. Ele procurou, em vez disso, encontrar uma saída para tal dilema. Como já mencionado, talvez Pilatos tenha visto algo nos olhos de Jesus que o afetou. Talvez o comportamento gentil e gracioso de Jesustenha conquistado o seu coração. Outros especularam que a esposa de Pilatos pode ter sido secretamente uma seguidora de Jesus que contou ao seu marido sobre a bondade dele e os milagres que seguiram Sua vida. Mateus 27:19 relata que a esposa de Pilatos ficou tão chateada com a morte iminente de Jesus que até teve sonhos perturbadores sobre Ele durante a noite. Ela enviou uma mensagem sobre seus sonhos para Pilatos, implorando-lhe que não crucificasse Jesus. Ao investigar mais a fundo em seu interrogatório, Pilatos descobriu que Jesus era da Galileia. Finalmente, ele pôde respirar aliviado. Ele encontrara a lacuna que transferia todo o peso da decisão para o seu velho inimigo, Herodes! A Galileia estava sob a jurisdição legal de Herodes. Que coincidência! “Aconteceu” de Herodes estar em Jerusalém naquela semana para participar da Festa da Páscoa! Pilatos prontamente ordenou que Jesus fosse transferido para o outro lado da cidade, para a residência onde Herodes estava hospedado com seu séquito real. A Bíblia nos diz: “Herodes, vendo a Jesus, sobremaneira se alegrou, pois havia muito queria vê-lo, por ter ouvido falar a seu respeito; esperava também vê-lo fazer algum sinal” (Lucas 23:8). No entanto, não demorou muito para Herodes se irritar com Jesus e o devolver a Pilatos! Você consegue imaginar o que passou pela mente de Jesus quando Ele esteve diante de um governador romano e então diante de um tetrarca judeu — só para ser enviado de volta ao governador romano? Você tem se sentido agredido e passado de uma figura de autoridade para outra em casa, na igreja, no trabalho ou no sistema governamental? Se assim for, você pode se sentir livre para falar com Jesus sobre isso, porque Ele realmente entende a situação em que você se encontra neste momento! Hebreus 4:15-16 diz: “Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna”. Já que Jesus compreende seu dilema, eu lhe aconselho a falar abertamente sobre os altos e baixos emocionais que você sente como resultado da sua situação. O trono dele é um trono de graça — um lugar onde você pode obter misericórdia e encontrar graça para ajuda em seu tempo de necessidade. Então, ousadamente se dirija ao trono de Jesus, com plena certeza de que Ele irá lhe ouvir, responder e dar o poder e a sabedoria necessária para superar todas as situações difíceis da sua vida. Pilatos se viu em uma armadilha detalhadamente armada pelos líderes religiosos para destruir tanto ele como Jesus. Se Pilatos não ordenasse que Jesus fosse crucificado, ele seria considerado um traidor do governo romano. Se ordenasse que Jesus fosse crucificado, seria um peão nas mãos dos líderes judeus, carregando a culpa por realizar o que eles já pretendiam fazer. Você já se sentiu preso em uma armadilha estratégica do inimigo? Quando você se depara com esse tipo de situação, como escapa de uma armadilha engenhosa e permanece intacto? Pilatos ordenou o assassinato de muitos e não teria medo de matar mais um. O que você acha que ele viu nos olhos de Jesus que o perturbou tanto? Por que você acha que Pilatos se sentiu compelido a continuar procurando uma maneira de defender Jesus e buscar a libertação dele? É frustrante suportar as consequências negativas quando uma pessoa em autoridade decide transferir a responsabilidade para outra pessoa porque ela não está disposta a tomar uma posição e simplesmente fazer a coisa certa. Você já se sentiu empurrado de um lado para o outro porque alguém com autoridade se recusou a se levantar e falar em sua defesa quando teve a oportunidade? Jesus se sentiu assim quando Pilatos o empurrou para a corte de Herodes. Se você está sofrendo nesse jogo de empurra porque alguém não está disposto a fazer um julgamento correto, vá ousadamente diante do trono da graça e apresente o seu caso diante do seu Deus e Pai. Ele é o Justo Juiz que certamente decretará o que é certo. Você se entregou a Ele, pedindo-lhe para aperfeiçoar aquilo que lhe diz respeito? Capítulo 19 Herodes se Encontra com Jesus! Depois que Pilatos descobriu que Jesus era da Galileia, jurisdição de Herodes, o governador romano rapidamente o mandou para ver Herodes. Naquela época, Herodes estava em Jerusalém para celebrar a festa da Páscoa com o povo judeu. Mas antes de entrarmos na animada antecipação de Herodes para encontrar Jesus, vamos primeiro observar de que Herodes esse versículo está falando. Vários homens chamados Herodes governaram em Israel ao longo dos anos. O primeiro e mais famoso foi “Herodes, o Grande”, que se tornou o primeiro governador da Galileia quando tinha vinte e cinco anos de idade. Seu reinado foi instituído pela ordem de Otávio e Marco Antônio — o mesmo Marco Antônio que teve um famoso relacionamento com Cleópatra, a rainha do Egito. Flávio Josefo, conhecido historiador judeu, registrou que Herodes, o Grande, morreu em 4 a.C. Após a morte de Herodes, o Grande, seu território foi dividido entre seus três filhos. Esses três filhos (também chamados “Herodes”) foram os seguintes:5 Herodes Arquelau Herodes Arquelau foi nomeado governador de Samaria, Judeia e Idumeia3 em 4 a.C., quando seu pai morreu e ele governou até aproximadamente 6 d.C. Assim, ele era o Herodes que estava governando quando Maria, José e Jesus retornaram de sua fuga para o Egito (ver Mateus 2:22). Quando Herodes Arquelau subiu ao trono em 4 a.C., as coisas quase imediatamente azedaram para ele. O primeiro problema que ele enfrentou foi uma rebelião incitada entre os estudantes judeus por seus professores. Como os Dez Mandamentos proíbem imagens de escultura, esses professores incentivaram seus alunos a derrubar e destruir a águia dourada imperial que Roma ordenara que fosse pendurada na entrada do templo. Como punição, Herodes Arquelau ordenou que professores e alunos fossem queimados vivos. O massacre continuou até que três mil judeus foram massacrados durante a Festa da Páscoa. Logo Herodes Arquelau viajou a Roma para ser coroado pelo imperador Augusto. No entanto, novos distúrbios ocorreram em sua ausência, resultando em mais de duas mil pessoas sendo crucificadas. O Evangelho de Mateus indica que José e Maria estavam preocupados em se estabelecer nos territórios governados por Herodes Arquelau e, portanto, fizeram sua morada na Galileia (Mateus 2:22). Herodes Arquelau era tão desprezado que os judeus e os samaritanos, geralmente inimigos, se uniram e apelaram a Roma solicitando que ele fosse removido do poder. Em 6 d.C., Herodes Arquelau foi banido para a Gália (atual França) e morreu antes do ano 18. Herodes Filipe Herodes Filipe foi educado em Roma, com seus irmãos Herodes Arquelau e Herodes Antipas. Quando seu pai, Herodes, o Grande, morreu em 4 a.C., Herodes Filipe tornou-se governador das regiões distantes nos territórios do nordeste do reino de seu pai. Esses territórios incluíam: 4. Gaulanítide — conhecida hoje como as colinas de Golan. 5. Bataneia — o território a leste do rio Jordão e o mar da Galileia. 6. Traconítide e Auranítide (ou Auran) — a parte do Sul da Síria moderna. Os judeus eram minoria entre os súditos de Herodes Filipe. A maioria das pessoas sob seu domínio era de ascendência síria ou árabe, mas também havia súditos gregos e romanos, geralmente morando nas cidades. Herodes Filipe morreu no ano 34 d.C. depois de ter governado seu reino por trinta e sete anos. Como ele não deixou herdeiros, o imperador romano Tibério ordenou que seus territórios fossem adicionados à região da Síria. Flávio Josefo escreveu que Herodes Filipe era moderado e calmo na conduta da sua vida e governo. Quando Tibério morreu, em 37 d.C., seu sucessor, Calígula, restaurou o principado quase em sua totalidade e nomeou o sobrinho de Herodes Filipe, Herodes Agripa, como o novo governante — masesta é outra história, que não entraremos hoje! Herodes Antipas Isso nos leva ao terceiro filho de Herodes, o Grande — Herodes Antipas — o mesmo Herodes diante de quem Jesus apareceu em Lucas 23:8 e que por muito tempo desejou conhecer Jesus pessoalmente. O que sabemos sobre esse Herodes? Herodes Antipas foi designado tetrarca da Galileia e da Pereia (localizado na margem leste do Jordão). O imperador romano Augusto confirmou essa decisão e o reinado de Herodes Antipas começou no ano 4 a.C., quando seu pai morreu. O nome “Antipas” é um composto de duas palavras gregas, anti e pas. A palavra anti significa contra e a palavra pas significa todos ou tudo. Unidas em uma palavra, quer dizer alguém que é contra tudo e todos. Esse nome por si só já nos diz algo sobre a personalidade desse governante perverso. No ano 17 d.C., Herodes Antipas fundou Tiberíades, um novo capitólio que ele construiu para honrar o imperador romano Tibério. No entanto, a construção dessa cidade causou um enorme distúrbio entre seus súditos judeus quando eles descobriram que ela estava sendo construída em cima de um antigo cemitério judeu. Como esses túmulos foram profanados, judeus devotos se recusaram a entrar em Tiberíades por um longo tempo. Herodes Antipas tentou adaptar seu estilo a uma forma que atraísse o povo judeu, participando inclusive de celebrações judaicas nacionais. Mas as pessoas não foram convencidas por esses atos e o consideravam uma fraude. Até mesmo Jesus comparou Herodes Antipas a uma raposa — animal que era considerado o símbolo da trapaça e que geralmente era impuro e infectado com doenças. Em outras palavras, quando Jesus chamou Herodes de raposa, era o equivalente a dizer que Herodes era um indivíduo sorrateiro, mentiroso, enganador, desonesto, infectado e doente. Essas eram palavras muito fortes para Jesus! O primeiro casamento de Herodes Antipas foi com a filha de um líder árabe. No entanto, ele se divorciou dessa mulher para se casar com a ex- esposa de seu meio-irmão, uma mulher chamada Herodias. Tomar a ex- esposa do irmão não era incomum, mas Herodias também era filha de outro meio-irmão, Aristóbulo. Na lei romana, o casamento com a sobrinha também era permitido, mas o casamento com uma mulher que era cunhada de um e sobrinha do outro era algo incomum. Esse casamento incomum atraiu a atenção e crítica de João Batista. O Evangelho de Marcos registra que João Batista morreu por causa da posição pública que assumiu contra o segundo casamento de Herodes Antipas. No ano 37, a nova esposa de Herodes Antipas, Herodias, discordou quando o irmão dela, Agripa tornou-se rei no lugar de Herodes Filipe. Ela achava que o título real não deveria ser dado a Herodes Agripa, mas ao seu marido e fez planos para que Herodes Antipas fosse nomeado rei. Discordando veementemente de Herodias, o imperador romano exilou tanto ela como seu marido a viverem o restante de suas vidas na Gália, que é a França moderna. Lucas 23:8 nos diz que Herodes Antipas estava ansioso para finalmente encontrar Jesus: “Herodes, vendo a Jesus, sobremaneira se alegrou, pois havia muito queria vê-lo, por ter ouvido falar a seu respeito; esperava também vê-lo fazer algum sinal”. Observe que esse versículo diz: “Herodes, vendo a Jesus”. A palavra “vendo” vem da palavra grega horao, que significa ver; contemplar; ver com prazer; olhar com escrutínio; olhar com a intenção de examinar. Essa palavra horao nos mostra um quadro muito importante sobre o que aconteceu exatamente quando Jesus finalmente ficou diante de Herodes Antipas. Transmite a ideia de que Herodes estava animado e feliz para finalmente contemplar o milagreiro do qual ele tanto ouvira falar. Uma vez Jesus diante dele, Herodes literalmente olhou para Ele, contemplando e examinando cada detalhe do Homem que ali aparecera. A parte seguinte do versículo confirma a alegria e o júbilo que Herodes Antipas sentiu ao ver Jesus. Diz: “sobremaneira se alegrou”. O texto grego usa duas palavras, echari lian. A palavra echari vem da palavra chairo, a palavra grega para alegria. A palavra lian significa muito, grande ou excessivamente. Essas duas palavras juntas sugerem extrema empolgação ou alguém que está em êxtase com alguma coisa. Em outras palavras, Herodes Antipas ficou tão empolgado com a chance de conhecer Jesus que estava quase pulando por dentro! Isso pode nos dizer o quão bem-conhecido Jesus se tornou durante o Seu ministério. Se Herodes Antipas estava tão animado em conhecê-lo, não é de admirar que os escribas e anciãos estivessem apreensivos sobre sua ampla popularidade. Até mesmo a nobreza ansiava por uma chance de ver os milagres de Jesus! É por isso que a parte seguinte do versículo diz: “...pois havia muito queria vê-lo, por ter ouvido falar a seu respeito...”. A palavra “queria” é a palavra grega thelo, que significa querer ou desejar. No entanto, a construção usada nessa frase grega intensifica o desejo, tornando-o um forte desejo ou anseio. De acordo com esse versículo, Herodes tinha esse forte desejo “havia muito” — expressão tirada das palavras gregas ek hikanos chronos. A palavra hikanos significa muitos ou muito. A palavra chronos quer dizer tempo, como uma estação, época, era ou qualquer duração de tempo especificada. Essas palavras juntas poderiam ser traduzidas como por muitos anos, por muito tempo ou por muitas estações. Por que Herodes Antipas desejou ver Jesus por tantos anos? O versículo diz: “...por ter ouvido falar a seu respeito...”. Jesus era um nome que a casa de Herodes já ouvia fazia anos! Tenho certeza de que todos os três garotos Herodes — Arquelau, Filipe e Antipas — ouviram histórias sobre: 7. O nascimento sobrenatural de Jesus. 8. Os reis do oriente que vieram para reconhecê-lo. 9. A tentativa do seu pai, Herodes, o Grande, de matar Jesus ordenando que todos os bebês em Belém fossem assassinados. 10.Jesus e Seus pais escapando para o Egito e esperando o momento certo para voltar a Israel. 11.O ministério de Jesus tocando a nação com cura e demonstração de poder. Histórias sobre Jesus deviam ser muito familiares para a casa de Herodes. Herodes Antipas ansiava por uma chance de conhecer essa famosa personalidade há muitos anos. Jesus era uma lenda viva e agora Ele estava em pé em sua presença! No final desse versículo, descobrimos a razão pela qual Herodes Antipas estava tão animado para encontrar com Jesus. O versículo continua a nos dizer: “...esperava também vê-lo fazer algum sinal”. A palavra grega para “esperava” é elpidzo, que significa esperança. Mas a construção usada nesse versículo é semelhante à palavra thelo, já mencionada, que quer dizer desejar. Assim como o desejo de Herodes de ver Jesus era um desejo muito forte, agora sua esperança de ver algum milagre realizado por Ele era uma esperança muito forte ou uma expectativa sincera. Herodes estava esperando “...vê-lo fazer algum sinal”. A palavra “vê-lo” é a palavra grega horao, a mesma palavra usada na primeira parte do versículo, quando nos é dito que Herodes ficou animado vendo Jesus. Agora essa palavra é empregada para nos informar que Herodes estava eufórico com a chance de ver algum “sinal” feito por Jesus. A palavra “sinal” vem da palavra grega semeion, que é um sinal, uma marca ou um símbolo que confirma ou autentica um suposto relato. É usada nos evangelhos principalmente para descrever milagres e eventos sobrenaturais, o que significa que o propósito de tais milagres e eventos sobrenaturais é confirmar e autenticar a mensagem do Evangelho. Mas Lucas 23:9 nos diz que Jesus não fez milagres a pedido de Herodes, nem respondeu ao grande número de perguntas que Herodes lhe fez naquele dia. Como resultado do silêncio de Jesus, o versículo seguinte nos diz: “Os principais sacerdotes e os escribas ali presentes o acusavam com grande veemência” (v. 10). Observe que os principais sacerdotes e escribas seguiram Jesus do palácio de Pilatos até a residência de Herodes. Quando Jesus não realizou milagre algum para Herodes, os escribas e anciãos — cuja maioriapertencia à seita dos saduceus que não acreditava no sobrenatural — aproveitaram o momento para começar a gritar e a berrar incontrolavelmente. A expressão “com grande veemência” vem da palavra grega eutonus, que significa em alta voz, em volume total, tenazmente ou vigorosamente. Em outras palavras, aqueles líderes religiosos não estavam apenas levantando as vozes; eles estavam, como que poderíamos dizer, “se acabando de gritar”! O mais provável é que estivessem gritando acusações diretamente a Jesus, dizendo coisas como: Grande operador de milagres você é! Você não tem poder! Você é uma fraude! Se você pode fazer milagres, por que você não faz agora! Você não é nada além de um charlatão! Naquele dia, Herodes ficou com a impressão de que Jesus nada mais era do que uma fraude espiritual. Como Jesus não realizou sinal algum quando solicitado, como desejava Herodes, as expectativas daquele governador foram frustradas, fazendo que ele desencadeasse sua ira contra Jesus. No pouco tempo que se seguiu, Jesus recebeu todo o peso da ira daquele governante malvado. No entanto, em meio a todo o abuso que sofreu, Ele permaneceu quieto e se manteve calmo. Tenho certeza de que você já esteve em situações em que foi criticado porque não conseguiu atender às demandas de alguém. Você consegue pensar em um momento em que algo assim aconteceu? Como você respondeu? Você gritou e esbravejou com a pessoa quando ela soltou sua raiva contra você ou foi capaz de permanecer quieto e controlado como Jesus fez naquele dia diante de Herodes Antipas e dos principais sacerdotes e anciãos? A vida ocasionalmente lhe leva a lugares difíceis — como quando você descobre que as pessoas estão decepcionadas com o seu desempenho. Se você se encontrar nesse tipo de situação, lembre-se de que Jesus não satisfez as expectativas de Herodes Antipas (embora essa tenha sido provavelmente a única pessoa cujas expectativas Jesus não conseguiu superar!). Quando você se encontrar em tal situação, retire-se por alguns minutos e clame ao Senhor. Ele já esteve lá; Ele entende e o ajudará a saber como você deve responder. Há pessoas em sua vida e ao seu redor que têm desejado encontrar Jesus. Quando elas o encontrarem por intermédio de você, ficarão desapontadas? Jesus disse aos Seus discípulos que quando o viam, viam o Pai (João 14:7). Quando as pessoas veem você, elas veem exatamente Jesus? Herodes derramou sua ira quando não conseguiu fazer Jesus realizar milagres a seu pedido. Ele o acusou de não ter poder algum, quando Jesus na verdade demonstrou tremenda força, mantendo-se calmo e permanecendo em silêncio e imóvel. Em todas as coisas, Jesus seguiu a direção do Pai e nunca respondeu à tentativa de manipulação ou às ameaças do homem. De que forma lhe seria benéfico exercitar mais controle e ponderação sobre suas palavras e respostas em momentos de dificuldade ou ataque? A vida nos leva a lugares difíceis. De alguns você vai escapar e de outros não. Às vezes, você ficará desapontado e outras vezes desapontará os outros. Jesus se recusou a satisfazer as expectativas de um governante ruim e depois enfrentou as repercussões com dignidade e graça. Você já desenvolveu a prática de se aproximar de Deus, entregando-se profundamente em Seus braços para que Ele possa lhe proteger nos lugares difíceis? Essa é uma habilidade sem a qual você não conseguirá viver. Reflita sobre o que você pode fazer todos os dias para cultivar esse hábito. Capítulo 20 Um Governante Humano Zomba do Rei dos Reis e Senhor dos Senhores Naquele dia em que Jesus se recusou a atender às expectativas de Herodes, Lucas 23:10 nos diz que os principais sacerdotes e escribas estavam tão enfurecidos que se levantaram e “...o acusavam com grande veemência”. Essa expressão “com grande veemência” significa em alta voz, em volume total, tenazmente ou vigorosamente. Isso quer dizer que aqueles homens devem ter gritado como maníacos — loucos e descontrolados — ao acusarem Jesus de ser uma fraude! Quando os gritos pararam e o volume das vozes dos homens baixou o suficiente para que a voz de Herodes fosse ouvida, Herodes deu ao oficial a ordem para que ele e seus homens de guerra deliberadamente humilhassem, zombassem e ridicularizassem Jesus. De repente, as pessoas naquela sala na residência de Herodes se transformaram em uma multidão vaiando, caçoando, zombando e rindo com todo o seu veneno dirigido a Jesus. Lucas 23:11 nos fala sobre esse evento, dizendo: “Mas Herodes, juntamente com os da sua guarda, tratou-o com desprezo, e, escarnecendo dele, fê-lo vestir- se de um manto aparatoso, e o devolveu a Pilatos”. Observe que Herodes estava reunido naquele dia com “os da sua guarda”. Quem eram esses da sua guarda e por que estavam ao lado de Herodes quando Jesus estava diante dele? A palavra para “os da sua guarda” em grego é strateuma. Essa palavra grega poderia significar um pequeno destacamento de soldados romanos, mas muito provavelmente sugere que esses homens eram os guarda-costas pessoais de Herodes, selecionados de um grupo maior de soldados porque eram excepcionalmente treinados e preparados para lutar e defender se chamados — por essa razão a versão King James se refere a eles como “homens de guerra”. A Bíblia nos informa que Herodes, com a ajuda de seus guarda-costas, tomou Jesus e “tratou-o com desprezo”. Essa frase é desenvolvida a partir da palavra grega exoutheneo, um composto das palavras ek e outhen. A palavra ek significa para fora, e a palavra outhen é uma forma posterior da palavra ouden, que significa nada. Formada por esse composto, a nova palavra quer dizer fazer alguém ser um nada. Pode ser traduzida como minimizar, desmerecer, desdenhar, desconsiderar, desprezar ou tratar com malícia e desprezo. Jesus já havia suportado os gritos insanos e os berros dos principais sacerdotes e anciãos contra Ele. Mas agora Herodes e seus guarda-costas entraram em cena para iniciar sua própria parcela de humilhação contra Jesus. Lucas usa a palavra exoutheneo para nos dizer que eles eram maliciosos e vingativos e que seu comportamento era desagradável e horrível. Então Lucas nos diz que Herodes e seus homens “escarneceram dele”. Isso nos dá uma ideia do quão baixo eles foram ao ridicularizar Jesus. A palavra “escarnecer” é a palavra grega empaidzo, a mesma palavra usada para retratar o comportamento zombeteiro dos soldados que guardavam Jesus antes de Ele ser levado à alta corte de Caifás (ver capítulo 16). A palavra empaidzo significava jogar um jogo. Muitas vezes, era usada para jogar um jogo com crianças ou para divertir uma multidão, expondo alguém de maneira tola e exagerada. Pode ser usada em um jogo de charadas quando alguém pretende comicamente retratar outra pessoa ou até mesmo ridicularizá-la. Herodes Antipas era um governador romano — supostamente um homem educado, culto e refinado. Ele estava cercado por soldados romanos bem treinados que deveriam ser profissionais em sua conduta e aparência. Mas esses homens de guerra, com seu governante, mergulharam profundamente na depravação quando começaram a realizar um grande espetáculo, imitando Jesus e as pessoas a quem Ele ministrava. Eles provavelmente se tocavam, agindo como se estivessem curando os doentes; deitavam no chão e tremiam, como se estivessem sendo libertados dos demônios ou cambaleavam ao redor, agindo como se fossem cegos, mas agora pudessem ver de repente. Era tudo um jogo de charadas que pretendia imitar e zombar de Jesus. Em seguida, Lucas nos diz: “...fê-lo vestir-se de um manto aparatoso...”. A palavra “vestir-se” é a palavra grega periballo, que significa jogar sobre ou derramar sobre, como jogar ao redor dos ombros de alguém. As palavras “manto aparatoso” são as palavras esthes e lampros. A palavra esthes descreve um manto ou vestimenta, enquanto a palavra lampros descreve algo que é resplandecente, brilhante ou magnífico. Era muitas vezes empregada para descrever uma peça de roupa feita de materiais suntuosos e de cores vivas. É duvidoso que essa fosse a vestimentade um soldado, pois mesmo um guarda-costas de Herodes não estaria vestido com roupas tão resplandecentes. Muito provavelmente, era um traje usado por um político, pois quando os candidatos se candidatavam a cargos públicos usavam roupas bonitas e coloridas. Mais especificamente, porém, era quase certamente uma das vestes suntuosas de Herodes, que ele tinha permitido que fossem colocadas ao redor dos ombros de Jesus, para que pudessem fingir adorá-lo como rei, como parte da sua zombaria. Embora Herodes aparentemente gostasse dos maus-tratos e do abuso contra Jesus, Lucas 23:14-15 diz que ele não encontrou crime em Jesus digno de morte. Portanto, após a conclusão desses eventos, Herodes “...o devolveu a Pilatos” (Lucas 23:11). Quando Herodes enviou Jesus de volta a Pilatos, ele enviou Jesus vestido com esse manto real. Um estudioso observa que, como essa vestimenta costumava ser usada por um candidato concorrendo a um cargo, a decisão de Herodes de mandar Jesus a Pilatos com aquele manto equivalia a dizer: “Isto não é rei! É apenas outro candidato, um fingidor, que acha que está desempenhando algum tipo de ofício!”. Quando eu leio sobre o que Jesus suportou durante as longas horas antes de ser enviado para ser crucificado, isso simplesmente mexe comigo. Jesus não cometeu pecado ou crime, nem dolo algum foi encontrado em Sua boca; no entanto, Ele foi julgado mais severamente do que o pior dos criminosos. Mesmo os mais terríveis criminosos não teriam sido submetidos a um tratamento tão cruel. E apenas pense — tudo isso aconteceu antes que Ele fosse pregado naquela cruz de madeira — a maneira mais baixa, mais dolorosa e degradante com a qual um criminoso poderia ser executado no mundo antigo! Antes de fazer qualquer coisa hoje, por que não reserva alguns minutos para parar e agradecer a Jesus por tudo que Ele passou para comprar a sua redenção? A salvação pode ter sido um presente gratuito para você, mas não foi gratuita para Jesus. Custou Sua vida e Seu sangue. Por isso Paulo escreveu: “...no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Efésios 1:7). E aqui está mais uma sugestão para você: em vez de guardar as Boas Novas de Jesus Cristo para si mesmo, por que você não encontra hoje uma oportunidade para contar a alguém tudo o que Jesus fez para que ele ou ela possa ser salvo? O Espírito de Deus pode usar você para levar alguém a um conhecimento salvador sobre Jesus agora mesmo! Herodes Antipas de fato ordenou aos soldados romanos que zombassem de Jesus, autorizando-os a desencadear o mais vil e depravado ataque de humilhação que poderiam aplicar a um ser humano. Jesus, o mais puro e o mais gentil de toda a criação, foi submetido ao mais vil e mais perverso abuso. Pense no que Jesus passou por causa dos seus pecados. Pense no que a sua salvação custou a Ele — antes mesmo de suportar a dor e a vergonha da cruz. Quanto tempo faz desde que você agradeceu de coração a Jesus por tudo o que Ele voluntariamente sofreu por você? Embora Herodes tenha sentido uma satisfação horrenda nos terríveis maus-tratos de Jesus, ele reconhecidamente não encontrou culpa nele. Você já foi submetido a um tratamento que não merecia? Se sim, como você respondeu? Ao considerar o exemplo de Jesus, você reagiria de maneira diferente a esse tratamento no futuro? Não importa que ato ou ataque vergonhoso e humilhante você tenha experimentado — seja emocional ou físico — Jesus pode se identificar com ele e também pode curar a sua dor. As pessoas podem não entender a sua dor, mas Jesus entende. Ele é o amor de Deus em ação e o amor cura. Pense no grande amor de Jesus por você. Reconheça as partes da sua vida onde você escondeu a dor e a vergonha. Em seguida, convide o amor curador de Jesus para preenchê-las e tirar a dor. Ele suportou humilhação por você. Ele não quer mais que você sofra tormento. Capítulo 21 Acusado, Mas Não Culpado Quando Jesus retornou à corte de Pilatos, Pilatos reuniu os principais sacerdotes e governantes. Então lhes disse: “Apresentastes-me este homem como agitador do povo; mas, tendo-o interrogado na vossa presença, nada verifiquei contra ele dos crimes de que o acusais. Nem tampouco Herodes, pois no-lo tornou a enviar. É, pois, claro que nada contra ele se verificou digno de morte. Portanto, após castigá-lo, soltá-lo-ei” (Lucas 23:14-16). Observe que Pilatos disse que ele havia “interrogado” Jesus. A palavra grega no original é anakrinas, que significa examinar de perto, escrutinar ou julgar judicialmente. Lembre-se, Pilatos era a principal autoridade legal da terra. Ele conhecia a lei romana e recebera poder para cuidar que essa lei fosse mantida. Do ponto de vista judicial, ele não conseguiu encontrar um único crime que Jesus tenha cometido. Talvez Jesus tivesse quebrado alguma lei religiosa judaica, mas Pilatos não era judeu e não se importava nem um pouco com a lei judaica. Do ponto de vista puramente legal, Jesus não era culpado. Para dar mais peso à sua ação, Pilatos apoiou seu ponto de vista, dizendo: “Herodes chegou à mesma conclusão que eu: esse homem não cometeu qualquer ofensa legal”. Sabendo que os líderes religiosos estavam empenhados em ver o derramamento do sangue de Jesus, Pilatos se ofereceu para castigá-lo, esperando que isso satisfizesse o apetite sangrento da multidão. Se aquela oferta tivesse sido aceita, o espancamento teria sido menor. No entanto, seria visto como um aviso de que Jesus precisava limitar Suas atividades. Então Pilatos anunciou que após Jesus ser castigado, ele o “libertaria”. Quando a multidão ouviu a palavra “libertar”, aproveitaram a oportunidade para reverter a decisão de Pilatos. Era um costume nessa época específica do ano “libertar” um prisioneiro da prisão como um favor para o povo. Como Israel odiava a ocupação romana, muitos filhos dos judeus lutavam como “combatentes da liberdade” para derrubar o domínio romano. Portanto, a cada ano, quando chegava a hora desse grande evento, toda a cidade de Jerusalém esperava antecipadamente para ver qual prisioneiro seria libertado. Mencionar “libertar” Jesus naquele momento era como se Pilatos estivesse escolhendo qual prisioneiro seria libertado — sua escolha era Jesus. Quando o povo ouviu sobre a decisão de Pilatos, clamaram: “Fora com este homem e nos solta Barrabás: (que por causa de certa sedição feita na cidade e por homicídio, foi lançado na prisão)” (Lucas 23:18-19; KJV, tradução livre). Quem era Barrabás? Era um conhecido agitador que provou ser culpado de “sedição” na cidade de Jerusalém. Essa palavra “sedição” vem de stasis, uma antiga palavra grega para traição, que se refere à tentativa deliberada de derrubar o governo ou matar um chefe de Estado. É interessante que traição foi a mesma acusação que os líderes judeus fizeram contra Jesus quando o acusaram de reivindicar ser rei. No entanto, no caso de Barrabás, a acusação era real, pois ele liderara uma insurreição explosiva contra o governo, que resultou em um massacre. No entanto, o ato de bravura de Barrabás, embora ilegal e assassino, fez dele um herói nas mentes da população local. Lucas nos conta que esse Barrabás era tão perigoso que foi “lançado” na prisão. A palavra “lançar” é a palavra grega ballo, que significa jogar, o que sugere que as autoridades romanas não perderam tempo em jogar aquele bandido de baixo nível na prisão pelo papel que ele desempenhou na sangrenta insurreição. As autoridades romanas o queriam fora das ruas e trancado para sempre! Lucas 23:20-21 diz: “Desejando Pilatos soltar a Jesus, insistiu ainda. Eles, porém, mais gritavam: Crucifica-o! Crucifica-o!” A palavra “desejando” é a palavra grega thelo. Assim, o trecho seria mais bem traduzido: Pilatos, portanto, querendo, desejando e ansiando libertar Jesus... Pilatos procurou uma maneira de libertar Jesus, mas a multidão gritava por crucificação. Essa foi a primeira vez que uma crucificação foi especialmente exigida pela multidão. Lucas diz que a multidão enfurecida “gritava”para Jesus ser crucificado. A palavra “gritar” é a palavra epiphoneo, e significa gritar, urrar, berrar, bradar ou esbravejar. O tempo verbal grego indica que eles estavam histericamente gritando e esbravejando no mais alto das suas vozes — totalmente fora de controle e sem pausa. Pilatos apelou a eles novamente: “Que mal fez este? De fato, nada achei contra ele para condená-lo à morte; portanto, depois de o castigar, soltá-lo- ei” (Lucas 23:22). Novamente, o governador romano esperava que uma surra pudesse satisfazer a sede por sangue do povo, mas “...eles instavam com grandes gritos, pedindo que fosse crucificado. E o seu clamor prevaleceu” (v. 23). A palavra “instavam” é a palavra grega epikeima, um composto das palavras epi e keimai. A palavra epi significa em cima, e a palavra keimai quer dizer deitar alguma coisa. Quando combinadas, a palavra que resulta significa que as pessoas começaram a empilhar evidências em cima de Pilatos, quase enterrando-o em razões pelas quais Jesus tinha que ser crucificado. Para terminar essa discussão, eles o ameaçaram, dizendo: “Se soltas a este, não és amigo de César! Todo aquele que se faz rei é contra César!” (João 19:12). Pilatos ficou surpreso com a ameaça de traição que esses líderes judeus estavam trazendo contra ele. Ao ouvir essas palavras, ele soube que eles o haviam colocado em uma armadilha — só havia uma maneira legal para Pilatos sair da bagunça em que estava. Ele tinha que fazer uma escolha: poderia libertar Jesus e sacrificar sua própria carreira política ou poderia entregar Jesus para ser crucificado e assim salvar a si mesmo. Quando confrontado com essas duas duras escolhas, Pilatos decidiu sacrificar Jesus e salvar a si mesmo. Mas ao entregar Jesus às massas, Pilatos primeiro queria deixar claro para todos que ouviam que ele não concordava com o que estavam fazendo. É por isso que Mateus 27:24 nos diz: “Vendo Pilatos que nada conseguia, antes, pelo contrário, aumentava o tumulto, mandando vir água, lavou as mãos perante o povo, dizendo: Estou inocente do sangue deste [justo]; fique o caso convosco!”. Preste muita atenção ao fato de que Pilatos “...mandando vir água, lavou as mãos...”. A água, é claro, simboliza um agente de limpeza, e as mãos simbolizam as nossas vidas. Por exemplo, com as nossas mãos, tocamos pessoas, trabalhamos e ganhamos dinheiro. De fato, quase tudo que fazemos na vida, fazemos com as nossas mãos. Foi por isso que Paulo nos disse para “erguermos mãos santas” quando orarmos e adorarmos (1 Timóteo 2:8). Quando levantamos as nossas mãos para Deus é o mesmo que levantar as nossas vidas inteiras diante dele, porque as nossas mãos representam as nossas vidas. Nos tempos bíblicos, a lavagem das mãos era um ritual muitas vezes usado simbolicamente para a remoção da culpa. Então, quando Pilatos lavou as mãos naquela bacia de água e declarou publicamente: “Estou inocente do sangue deste [justo]!”, Ele demonstrou o que acreditava ser sua total inocência nesse assunto. Enquanto Pôncio Pilatos percebeu que poderia resguardar Jesus e manter a própria posição também, ele o protegeu. Mas no momento em que Pilatos percebeu que salvar Jesus significaria sacrificar sua própria posição na vida, ele rapidamente mudou de tom e cedeu às demandas da multidão de pessoas que gritavam ao seu redor. Você consegue pensar em momentos na sua vida quando a sua caminhada com Jesus lhe colocou em uma posição impopular com seus colegas? O que você fez quando percebeu que seu compromisso com o Senhor colocaria em risco seu trabalho ou seu posição com os seus amigos? Você sacrificou sua amizade e sua posição ou sacrificou seu compromisso com o Senhor? Vamos decidir hoje nunca cometer o erro de sacrificar o nosso relacionamento com Jesus por outras pessoas ou coisas. Em vez disso, vamos resolver ficar ao lado de Jesus, independentemente da situação ou do custo pessoal que possamos ter de pagar por permanecermos fiéis a Ele. Lembre-se do que Jesus disse: “Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á” (Mateus 10:39). Quando você se agarra às coisas erradas, suas escolhas erradas sempre lhe custam mais. Por sua vez, quando você deixa de lado as coisas que considera queridas e escolhe dar tudo o que tem a Jesus, você sempre recebe de volta muito mais do que poderia pedir ou imaginar. Quando confrontado com a escolha de fazer valer a verdade, mas sacrificar sua carreira, Pilatos cedeu a uma mentira, entregando Jesus à vontade de uma multidão enfurecida. A integridade tem um preço, mas as consequências de abandonar a integridade pela autopreservação são ainda mais caras. Você consegue pensar em algumas maneiras com as quais você escolheu a autopreservação acima de ser fiel a Jesus? Pilatos fez uma demonstração exterior ao lavar as mãos, declarando o que considerava ser a sua própria inocência. Ele fez isso em uma tentativa de se distanciar da multidão sedenta de sangue e provar que realmente não apoiava a decisão que se sentiu forçado a tomar. No entanto, o comprometimento voluntário de Pilatos com a multidão o amarrou à decisão deles. Com quais escolhas você se depara diariamente que podem lhe comprometer? Como você responde a essas oportunidades? Você percebe a necessidade de responder de forma diferente? Qual você acha que seria a emoção ou a crença implícita que levaria uma pessoa a concordar com a opinião pública, mesmo quando essa opinião é contrária ao que ela realmente acredita? Você sabe como reagiria se fosse empurrado para tal situação? Pense nisso. Capítulo 22 O Horror do Flagelo Romano Como era para um prisioneiro ser flagelado nos tempos do Novo Testamento? De que materiais era feito um flagelo? Qual era a sensação quando as tiras do flagelo chicoteavam as costas e o corpo de uma pessoa? Que efeitos tinha o flagelo no corpo humano? Mateus 27:26 nos diz que Pilatos “havia açoitado Jesus” antes de entregá-lo para ser crucificado, por isso precisamos entender o que significa ser “açoitado”. A palavra “açoitado” é a palavra grega phragello. Era uma das palavras mais horríveis usadas no mundo antigo por causa das imagens terríveis que imediatamente vinham à mente quando uma pessoa a ouvia. Deixe-me contar um pouco sobre o processo de flagelação e o que ele fazia com o corpo humano. Eu acredito que essa explicação é importante para que você possa entender mais completamente o que Jesus suportou antes de ser levado para ser crucificado. Quando a decisão de flagelar um indivíduo era tomada, a vítima era primeiramente despida, ficando completamente nua para que toda sua carne estivesse descoberta para a ação de espancamento do chicote do torturador. Então a vítima era amarrada a um poste de flagelação de sessenta centímetros de altura. Suas mãos ficavam amarradas sobre a cabeça em um anel de metal e seus pulsos ficavam seguramente algemados àquele anel para impedir que seu corpo se movesse. Quando fixada nessa posição, a vítima não conseguia se mexer ou se mover na tentativa de evitar as chicotadas desferidas em suas costas.6 Os romanos eram profissionais na flagelação; eles sentiam um prazer especial pelo fato de serem os “melhores” em punir uma vítima com esse ato brutal. Uma vez que a vítima era atrelada ao poste e envergada sobre si, o soldado romano começava a lhe infligir uma tortura inimaginável. Um escritor observa que a mera antecipação do primeiro golpe fazia o corpo da vítima se enrijecer — os músculos do estômago contraíam, a cor sumia das bochechas e os lábios se apertavam contra os dentes enquanto esperava o primeiro golpe sádico que começaria a rasgar seu corpo. O flagelo em si consistia em um cabo curto de madeira com várias tiras de couro de 45 a 60 centímetros de comprimento que se projetavam dele. As extremidades desses pedaços de couro eram equipadas com peças afiadas e serrilhadas de metal, arames, vidro e fragmentos irregulares de ossos. Esta era considerada uma das armas mais temidas e mortíferas do mundo romano. Era tão horrível que amera ameaça de flagelação podia acalmar uma multidão ou dobrar a vontade do rebelde mais forte. Nem mesmo o criminoso mais endurecido queria ser submetido ao golpe violento de um flagelo romano. Na maioria das vezes, dois torturadores eram utilizados simultaneamente para realizar essa punição, simultaneamente chicoteando a vítima de ambos os lados. Quando esses dois chicotes atingiam a vítima, as cintas de couro com os seus objetos serrilhados, afiados e cortantes desciam e escorriam ao longo das suas costas. Cada peça de metal, fio, osso ou vidro cortava profundamente a pele da vítima e a sua carne, retalhando os seus músculos e tendões. Toda vez que o chicote batia na vítima, essas tiras de couro ondulavam tortuosamente ao redor de seu tronco, mordendo dolorosa e profundamente a pele do abdômen e do tórax. À medida que cada golpe lacerava a vítima, ela tendia a se abaixar, mas não conseguia se mover porque seus pulsos estavam firmemente fixados no anel de metal acima da sua cabeça. Sem esperança de escapar do chicote, ela gritava por misericórdia, para que aquela angústia chegasse ao fim. Toda vez que os torturadores atingiam a vítima, as tiras de couro unidas ao cabo de madeira causavam vários cortes à medida que os pedaços de metal, vidro, fio e osso penetravam na carne e depois passavam pelo corpo da vítima. Então, o torturador se virava para trás, puxando fortemente para arrancar pedaços inteiros de carne humana do corpo. As costas da vítima, as nádegas, a parte posterior das pernas, o estômago, a parte superior do tórax e o rosto logo ficariam desfigurados pelos golpes do chicote. Registros históricos descrevem as costas de uma vítima tão mutiladas após uma flagelação romana que a coluna acabava exposta. Outros registraram como as entranhas de uma vítima literalmente caíam de dentro das feridas abertas pelo chicote. O historiador da Igreja Primitiva, Eusébio, escreveu: “As veias apareciam e os músculos, os nervos e as entranhas da vítima ficavam abertos e expostos”.7 O torturador romano atacava tão agressivamente sua vítima que nem sequer perdia tempo em limpar as tiras de couro ensanguentadas e cheias de carne, golpeando o chicote pelo corpo mutilado da vítima uma vez após a outra. Se a flagelação não fosse interrompida, o corte do chicote acabaria por desprender toda a carne da vítima do seu corpo. Com tantos vasos sanguíneos abertos pelo chicote, a vítima começava a experimentar uma perda profusa de sangue e fluidos corporais. O coração bombeava mais e mais forte, esforçando-se para levar sangue para as partes do corpo que sangravam abundantemente. Mas era como bombear água por um hidrante aberto — não havia mais nada para impedir que o sangue escorresse pelas feridas abertas da vítima. Essa perda de sangue fazia a pressão arterial da vítima cair drasticamente. Devido à perda intensa de fluidos corporais, ela experimentava uma sede excruciante, muitas vezes desmaiando de dor e eventualmente entrando em choque. Com frequência, os batimentos cardíacos da vítima tornavam-se tão irregulares que ela chegava a uma parada cardíaca. Essa era a flagelação romana. De acordo com a lei judaica em Deuteronômio 25:3, aos judeus era permitido dar quarenta açoites em uma vítima, mas como o quadragésimo golpe geralmente se mostrava fatal, o número de açoites dados foi reduzido a 39, como Paulo observou em 2 Coríntios 11:24. Mas os romanos não tinham limite para o número de açoites que podiam dar em uma vítima e a flagelação que Jesus experimentou estava nas mãos dos romanos e não dos judeus. Portanto, é perfeitamente possível que, quando o torturador puxou o flagelo para golpear Jesus, ele possa ter dado mais de quarenta açoites em Seu corpo. Na verdade, isso é mesmo provável considerando a explosiva ira que os judeus sentiam por Jesus e a terrível zombaria que Ele já sofrera nas mãos dos soldados romanos. Então, quando a Bíblia nos diz que Jesus foi açoitado, agora sabemos exatamente o tipo de espancamento que Ele recebeu naquela noite. Qual foi o resultado exato do flagelo romano no corpo de Jesus? O Novo Testamento não nos diz exatamente como Jesus ficou depois de ser flagelado, mas Isaías 52:14 diz: “Como pasmaram muitos à vista dele (pois o seu aspecto estava mui desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua aparência, mais do que a dos outros filhos dos homens)”. Se tomarmos essa passagem literalmente, podemos concluir que o corpo físico de Jesus foi castigado até ficar quase irreconhecível. Por mais assustador que isso possa soar, foi apenas a abertura do que estava por vir. Mateus 27:26 continua a nos dizer: “...e, após haver açoitado a Jesus, entregou-o para ser crucificado”. Essa flagelação foi apenas a preparação para a crucificação de Jesus! Toda vez que reflito na flagelação que Jesus recebeu naquele dia, penso na promessa que Deus nos faz em Isaías 53:5. Este versículo diz: “Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”. Nesse versículo, Deus declara que o preço da nossa cura foi pago pelas marcas dos chicotes nas costas de Jesus. Em 1 Pedro 2:24, o apóstolo Pedro citou Isaías 53:5 (NVI). Ele disse aos seus leitores: “...pelas suas feridas, fomos curados”. A palavra “feridas” usada nesse versículo é molopsi, que descreve um hematoma de corpo inteiro. Refere-se a um corte terrível que sangra e produz descoloração e inchaço em todo o corpo. Quando Pedro escreveu esse versículo, ele não estava falando por revelação, mas por memória, pois recordou vividamente o que aconteceu com Jesus naquela noite e Sua aparência física após a flagelação. Depois de nos lembrar visualmente dos golpes, hemorragias e contusões que Jesus suportou, Pedro declarou com júbilo que foi por essas mesmas feridas que fomos “curados”. A palavra “curado” é a palavra grega iaomai — uma palavra que se refere claramente à cura física, emprestada do termo médico que descreve a cura física ou a cura do corpo humano. Para aqueles que pensam que essa promessa se refere apenas à cura espiritual, a palavra grega fala enfaticamente da cura de uma condição física. Essa é uma verdadeira promessa de cura no corpo que pertence a todos os que foram lavados no sangue de Jesus Cristo! O corpo destroçado de Jesus foi o pagamento que Deus exigiu para garantir a nossa cura física! Assim como Jesus voluntariamente tomou os nossos pecados e morreu na cruz em nosso lugar, Ele também tomou voluntariamente as nossas doenças e dores sobre si mesmo quando o amarraram ao poste de flagelação e recebeu essas marcas em Seu corpo. Essa flagelação horrível foi paga por nossa cura! Se precisa de cura, você tem todo o direito de ir a Deus e pedir que a cura inunde o seu corpo. É hora de você tomar posição e agarrar a promessa da Palavra de Deus, liberando a sua fé para a cura que já lhe pertence. Jesus passou por essa agonia por você, então não deixe o diabo lhe dizer que é a vontade de Deus que você fique doente ou fraco. Refletir sobre a dor que Jesus sofreu para levar as suas doenças naquele dia não é prova suficiente para convencê-lo do quanto Ele quer que você fique fisicamente bem? A cruel e sádica flagelação, que Jesus sofreu, mutilou e desfigurou Seu corpo, deixando-o irreconhecível. O preço terrível por nossa cura foi pago pelo flagelo que Jesus recebeu. Você está atualmente lidando com alguma forma de doença ou enfermidade em seu corpo? Medite sobre como o corpo de Jesus foi açoitado para que seu corpo pudesse ser curado. Considere quão valiosos você e o seu corpo devem ser para Deus a ponto de Ele permitir que o Seu Filho pagasse tal preço. O flagelo romano retalhou e desfigurou o corpo de Jesus até Seu sangue jorrar como água por um hidrante aberto, derramado pelo chão. Esse sangue foi a vida de Jesus sendo derramada por você. Pense no tipo de amor que levaria Jesus a derramar o sangue da Sua vida para que você pudesse receber misericórdia em vez de julgamento e sua dívidapudesse ser paga integralmente. O corpo destroçado de Jesus foi o pagamento necessário pela nossa cura física. Você precisa de cura? Pense sobre a horrível flagelação que Jesus suportou intencionalmente para que você pudesse ter todo o direito de ir diante de Deus e confiantemente esperar receber sua cura. Honre então o dom da vida de Jesus, recebendo graciosamente a provisão de cura que vem dele para o seu corpo físico. Capítulo 23 Torturado por Você Depois que Jesus foi flagelado, Pilatos o entregou aos soldados romanos para que eles iniciassem o processo de crucificação. No entanto, primeiro esses soldados submeteram Jesus à pior zombaria e humilhação de todas. Mateus 27:27-29 descreve o que Jesus passou nesse estágio da Sua provação: “Logo a seguir, os soldados do governador, levando Jesus para o pretório, reuniram em torno dele toda a coorte. Despojando-o das vestes, cobriram-no com um manto escarlate; tecendo uma coroa de espinhos, puseram-na na cabeça e, na mão direita, um caniço; e, ajoelhando-se diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, rei dos judeus!”. O versículo 27 diz que os soldados “...levando Jesus para o pretório, reuniram em torno dele toda a coorte”. O “pretório” era o pátio aberto no palácio de Pilatos. Como Pilatos alternava entre várias residências reais oficiais em Jerusalém, esse poderia ter sido seu palácio na Torre de Antônia (ver capítulo 5). Também pode ter sido sua residência no magnífico palácio de Herodes, localizado na parte mais alta do monte Sião. Tudo o que sabemos com certeza é que o pátio era tão grande que era capaz de conter “toda a coorte”. Essa frase vem da palavra grega spira, referindo-se a uma coorte ou grupo de trezentos a seiscentos soldados romanos. Centenas de soldados encheram o pátio da residência de Pilatos para participar dos eventos que se seguiram. Mateus 27:28 diz: “Despojando-o das vestes, cobriram-no com um manto escarlate”. Em primeiro lugar, os soldados “despojaram-no das vestes”. A palavra “despojar” é a palavra grega ekduo, que significa despir totalmente. A nudez era vista como uma desgraça, uma vergonha e um embaraço no mundo judaico. A nudez pública estava associada aos pagãos — com a sua adoração, os seus ídolos e as suas estátuas. Como filhos de Deus, os israelitas honravam o corpo humano, feito à imagem do Criador. Assim, desfilar publicamente o corpo nu de alguém era uma grande ofensa. Entendemos, então, que quando Jesus foi despido na frente de trezentos a seiscentos soldados, isso afrontava toda Sua visão moral sobre o que era certo e errado. Uma vez que Jesus ficou nu diante deles, os soldados então “...cobriram- no com um manto escarlate”. A frase grega é chlamuda kokkinen, proveniente das palavras chlamus e kokkinos. A palavra chlamus é a palavra grega para um manto ou uma túnica. Poderia se referir ao manto de um soldado, mas a palavra seguinte torna mais provável que esse fosse um dos antigos mantos de Pilatos. Vejamos, a palavra “escarlate” é a palavra grega kokkinos, uma palavra que descreve um manto que foi tingido de uma cor carmesim ou escarlate profunda, o que sugere vestes carmesim e escarlate usadas pela realeza ou pela nobreza. Será que esse grupo de soldados romanos que trabalhava na residência de Pilatos tirara um velho manto real do armário de Pilatos e o levara ao pátio para a festa? Parece que esse é o caso. Enquanto Mateus continua a narrativa, descobrimos o que aconteceu em seguida: Depois que os soldados “...teceram uma coroa de espinhos, puseram-na na cabeça...”. A palavra “puseram” é a palavra grega empleko. Espinhos cresciam em toda parte, inclusive nos terrenos imperiais de Pilatos. Esses espinhos eram longos e afiados como unhas. Os soldados tomaram trepadeiras carregadas de espinhos afiados e cruciantes; depois enroscaram cuidadosamente os ramos afiados, pontiagudos e irregulares, até formarem um círculo apertado e perigoso que se assemelhava à forma de uma coroa. Depois, os soldados “...puseram-na na cabeça [de Jesus]...”. Mateus usa a palavra grega epitithimi, uma palavra que implica que eles empurraram violentamente ou enfiaram forçadamente essa coroa de espinhos na cabeça de Jesus. Esses espinhos causaram extrema dor e fizeram o sangue fluir copiosamente da sua fronte. Como os espinhos eram muito irregulares, possivelmente abriram feridas terríveis enquanto rasgavam o couro cabeludo de Jesus e literalmente abriam a carne que cobria Seu crânio. Mateus chamou isso de “coroa” de espinhos. A palavra “coroa” vem da palavra grega stephanos — palavra que descrevia a cobiçada coroa do vencedor. Aqueles soldados pretendiam usar essa falsa coroa para zombar de Jesus. Mal sabiam eles que Jesus estava se preparando para conquistar a maior vitória da história! Depois de forçar a coroa de espinhos sobre a testa de Jesus, os soldados colocaram “...um caniço em sua mão direita...”. Havia muitos belos lagos e fontes no pátio interno de Pilatos, onde longos, altos e duros “juncos” cresciam. Enquanto Jesus estava sentado diante deles, vestido com um manto real e uma coroa de espinhos, um dos soldados deve ter decidido que o quadro não estava completo e tirou um “caniço” de um dos lagos ou fontes para colocar na mão de Jesus. Aquele caniço representava o cetro do governante, como visto na famosa estátua chamada “Ave César”, que mostrava César segurando uma vara ou um cetro na mão. A mesma imagem, mostrando também um cetro na mão direita do imperador, aparecia em moedas cunhadas em honra do imperador com ampla circulação. Depois que os soldados colocaram uma túnica real descartada sobre os ombros de Jesus, uma coroa de espinhos enfiada tão profundamente em sua cabeça que o sangue encharcou o Seu rosto e puseram um caniço em sua mão direita, eles então “...ajoelhando-se diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, rei dos judeus!” (Mateus 27:29). A palavra “ajoelhar” é a palavra grega gonupeteo, que significa cair de joelhos. Um por um, a tropa de soldados passou diante de Jesus, dramaticamente e comicamente, caindo de joelhos diante dele enquanto riam e zombavam. A palavra “escarneciam” é a palavra grega empaidzo, a mesma palavra usada para descrever o escárnio de Herodes e os seus guarda-costas (ver capítulo 20). Ao zombarem de Jesus, os soldados de Pilatos lhe diziam: “Salve, rei dos judeus!”. A palavra “salve” era um reconhecimento de honra usado ao saudar César. Assim, os soldados gritaram essa saudação zombeteira a Jesus como o fariam a um rei a quem a honra era devida. Mateus 27:30 prossegue dizendo-nos: “E, cuspindo nele, tomaram o caniço e davam-lhe com ele na cabeça”. A palavra “cuspindo”, pelo tempo verbal, se refere a toda a coorte de soldados que estavam presentes no pátio de Pilatos naquela noite. Assim, à medida que cada soldado passava por Jesus, ele primeiro se curvava zombeteiramente diante dele; então se inclinava para cuspir diretamente no rosto ensanguentado de Jesus. Em seguida, o soldado agarrava a vara da mão de Jesus e batia com força em Sua cabeça já ferida. Finalmente, colocava o caniço de volta na mão de Jesus para prepará-lo para o soldado seguinte repetir todo o processo. O grego demonstra claramente que os soldados repetidamente golpearam Jesus vez após outra na cabeça. Aqui temos outra surra que Jesus sofreu, mas dessa vez foi com a utilização de uma vara rígida. Isso deve ter sido terrivelmente doloroso para Jesus, já que o Seu corpo já havia sido dilacerado pela flagelação e Sua cabeça estava profundamente ferida pela cruel coroa de espinhos. Quando todos os trezentos a seiscentos soldados terminaram de cuspir e golpear Jesus com a vara, Mateus 27:31 nos diz que “...despiram-lhe o manto e o vestiram com as suas próprias vestes. Em seguida, o levaram para ser crucificado”. O manto envolto ao redor de Jesus sem dúvida havia entrado em suas feridas, pois levou um grande tempo para tantos soldados desfilarem diante dele. Portanto, deve ter sido terrivelmente doloroso para Jesus quando eles tiraram aquele manto das Suas costas e o tecido se desgrudoudo sangue seco que havia coagulado em Suas feridas abertas. Mas esse seria o último ato de tortura que Jesus suportaria nesse estágio da Sua provação. Depois de colocar Suas próprias roupas de volta nele, os soldados o levaram do palácio para o local da execução. Quando os soldados zombaram de Jesus naquele dia, saudando-o como rei, ridicularizando-o e provocando, eles não estavam cientes de que estavam de fato curvando os joelhos diante daquele a quem um dia prestariam contas das suas ações e se prostrariam. Quando esse dia chegar, curvar-se diante de Jesus não será motivo de riso, pois todos — inclusive aqueles mesmos soldados que zombaram dele — confessarão que Jesus é o Senhor! Sim, logo chegará o dia em que a raça humana se curvará para reconhecer e declarar que Jesus é o Rei dos reis. Filipenses 2:10-11 fala sobre esse dia: “...para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai”. Se você tem um amigo que ainda não conhece o Rei, não acha que é hora de apresentá-lo a Jesus Cristo? Afinal, esse amigo um dia se curvará diante dele de um jeito ou de outro. A questão é: de que lugar ele se curvará diante de Jesus — do céu, da terra ou do inferno? Todos no céu se curvarão diante de Jesus nesse dia, bem como todos os que estiverem vivos na Terra na Sua vinda e todos os que foram para o inferno porque não se curvaram diante dele enquanto viviam nesta Terra. Portanto, a grande questão não é se uma pessoa se curvar diante dele, mas de qual lugar ela escolherá fazê-lo. Não é sua responsabilidade ajudar a levar seus amigos e conhecidos a Jesus? O Espírito de Deus lhe capacitará a falar o Evangelho a eles. Se você orar antes de falar com eles, o Espírito Santo preparará os corações deles para ouvir a mensagem. Incentivo-o a parar hoje por tempo o suficiente para acalmar seu coração e pedir ao Senhor para ajudá-lo a falar a verdade a esses amigos, conhecidos e colegas de trabalho com quem você interage todos os dias. O destino eterno deles pode depender disso. Os soldados romanos levaram a brutalidade a um nível totalmente diferente. Eles sentiam um prazer doentio ao infligir não apenas dor física, mas também angústia mental e sofrimento emocional. Despindo Jesus, os soldados zombavam da Sua piedade moral. Ao vesti-lo em trajes reais, eles ridicularizavam Sua nobreza. Pense na compaixão e na empatia que Jesus sente por você quando for ridicularizado, diminuído e deliberadamente humilhado. Confie nele. Ele vai salvar você. A coroa de espinhos, o manto e o cetro de junco da lagoa mostravam os símbolos de autoridade de um governante. Um dia, todos os olhos verão Jesus coroado com um diadema real e vestido no esplendor da glória que é somente dele. Naquele dia, todo joelho se dobrará, tanto de santos como de escarnecedores. O que você está fazendo para preparar outras pessoas para encontrar Jesus naquele dia? O que você está fazendo para se preparar? Jesus sofreu uma agonia insondável pelas violentas investidas dos líderes religiosos e das terríveis flagelações e violentas zombarias dos soldados romanos. Tudo isso aconteceu antes de Ele ser levado para suportar a execução mais dolorosa, traumática e degradante conhecida na época — a crucificação. Visto que Deus não poupou Jesus de pagar um preço tão alto pelo seu pecado, considere o quanto Ele está disposto a suprir todas as suas necessidades por intermédio de Jesus. Capítulo 24 Gólgota: O Lugar da Caveira Quando os soldados trouxeram Jesus da residência de Pilatos, Ele já estava carregando a viga que serviria como a parte superior de Sua cruz. A maioria das cruzes romanas tinha a forma de um “T”. O poste vertical tinha um sulco entalhado no topo, no qual a viga transversal era colocada depois que uma vítima era amarrada ou pregada nela. A travessa, normalmente pesando cerca de quarenta e cinco quilos, era levada nas costas da vítima até o local da execução. De acordo com a lei romana, uma vez que um criminoso fosse condenado, ele deveria levar sua própria cruz até o local da execução, caso a sua crucificação ocorresse em outro lugar que não o local do julgamento. O objetivo de expor os criminosos que se dirigiam à crucificação aos transeuntes era lembrar aqueles que assistiam do poder militar romano. No local da execução, abutres sobrevoavam, esperando para descer e começar a devorar as carcaças mortas deixadas penduradas nas cruzes. No deserto próximo, cães selvagens esperavam ansiosamente que os cadáveres mais novos, despejados pelos executores, se tornassem sua refeição seguinte. Depois que uma pessoa era declarada culpada, uma viga transversal era colocada em suas costas e um arauto caminhava à frente dela, proclamando o seu crime. Uma placa com o crime da pessoa escrito nela também era feita para depois ser pendurada na cruz acima da sua cabeça. Às vezes, a placa indicando o crime da pessoa era pendurada em seu pescoço, de modo que todos os espectadores que se alinhavam nas ruas para observá-la ficassem sabendo o crime cometido. Esse foi o tipo exato de placa exibido publicamente na cruz acima da cabeça de Jesus, com o crime do qual Ele foi acusado — “Rei dos Judeus” — escrito em hebraico, grego e latim. Carregar uma carga tão pesada por uma longa distância era difícil para qualquer homem, mas especialmente para alguém que havia sido tão severamente espancado quanto Jesus. A pesada viga na qual Ele estava destinado a ser pregado, pressionava Suas costas rasgadas enquanto Ele a levava para o local de execução. Embora a Bíblia não declare o motivo, podemos supor que os soldados romanos forçaram Simão Cireneu a ajudar Jesus por Ele estar exaurido devido ao abuso que sofrera. Pouco se sabe sobre Simão Cireneu, exceto que ele era de Cirene, capital da província da Líbia, situada a cerca de dezoito quilômetros ao sul do mar Mediterrâneo. Mateus 27:32 nos informa que os soldados romanos “o obrigaram a carregar-lhe a cruz”. A palavra “obrigar” é a palavra grega aggareuo. Isso significa obrigar; coagir; constranger a fazer ou forçar alguém a fazer algum tipo de serviço compulsório. Mateus 27:33 diz: “E, chegando a um lugar chamado Gólgota, que significa Lugar da Caveira”. Esse versículo tem sido o centro de uma controvérsia por várias centenas de anos, pois muitos tentaram usá-lo para identificar geograficamente a localização exata da crucificação de Jesus. Algumas denominações alegam que o lugar da crucificação de Jesus foi dentro da Jerusalém moderna, enquanto outros afirmam que o nome Gólgota refere-se a um local fora da cidade que, de longe, parece um crânio. Contudo, os primeiros escritos dos pais da Igreja dizem que a frase “lugar de caveira” se refere a algo muito diferente. Um antigo líder cristão chamado Orígenes, que viveu de 185 a 253 d.C., registrou que Jesus foi crucificado no local onde Adão foi enterrado e onde seu crânio foi encontrado. Quer isso seja verdade quer não, havia uma crença cristã primitiva de que Jesus havia sido crucificado perto do local de sepultamento de Adão. Pelo que essa antiga história conta, quando o terremoto ocorreu com Jesus pendurado na cruz (Mateus 27:51), Seu sangue desceu pela cruz em uma fenda na rocha abaixo e caiu no crânio de Adão. Essa crença é tão arraigada na tradição cristã primitiva que Jerônimo, um dos estudiosos mais proeminentes da Igreja Primitiva, referiu-se a ela em uma carta em 386 d.C.8 Curiosamente, a tradição judaica afirma que o filho de Noé, Sem, enterrou o crânio de Adão perto da cidade de Jerusalém. A tradição também diz que esse local de sepultamento foi guardado por Melquisedeque, que era o rei-sacerdote de Salém (Jerusalém) durante a época de Abraão (ver Gênesis 14:18). Desconhecida pela maioria dos crentes ocidentais, essa história é tão aceita que é considerada um tema importante da doutrina ortodoxa e o crânio de Adão aparece consistentemente na base da cruz em pinturas e ícones. Então, se você vir um crânio na base de umcrucifixo, saberá que ele simboliza o crânio de Adão que foi supostamente encontrado enterrado no local da crucificação de Jesus. Essas tradições extremamente interessantes, embora improváveis, representaram um forte fundamento ao longo de dois mil anos de história cristã. Em sendo verdade, seria bastante surpreendente que o Segundo Adão — Jesus Cristo — morresse pelos pecados do mundo exatamente no local onde o primeiro Adão, o pecador original, foi enterrado. Se o sangue de Jesus escorreu pela fenda na pedra e caiu no crânio de Adão, como a tradição diz, seria muito simbólico ter o sangue de Jesus cobrindo os pecados da raça humana onde tudo se originou, com Adão. Mas o que podemos definitivamente saber sobre o lugar da crucificação de Jesus? Nós sabemos seguramente que Jesus foi crucificado como um criminoso pelo governo romano do lado de fora dos muros da antiga cidade de Jerusalém. Se Ele foi ou não crucificado no lugar do crânio de Adão é interessante, mas não importante. O que é vital sabermos e entendermos é que Jesus morreu pelos pecados de toda a raça humana — e isso inclui você e eu! Hoje podemos não ser capazes de dizer com certeza exatamente onde Jesus foi crucificado, mas em nossos corações e mentes devemos meditar nas passagens bíblicas que falam sobre a Sua crucificação. Às vezes, a vida se move tão rápido que tendemos a esquecer o enorme preço que foi pago pela nossa redenção. A salvação pode nos ter sido dada como um dom gratuito, mas foi comprada com o precioso sangue de Jesus Cristo. Graças a Deus pela cruz! Essa questão de onde Jesus foi crucificado é um bom exemplo do modo como as pessoas tendem a se distrair com questões sem importância e, como resultado, perdem o ponto principal que Deus quer transmitir a elas. As pessoas têm discutido e debatido por séculos sobre a localização exata da crucificação, quando a verdade sobre a qual deveriam estar concentradas é que Jesus foi crucificado pela sua salvação! O apóstolo Paulo escreveu: “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Coríntios 15:3-4). Podemos ter certeza disso! Você não é grato pelo sangue de Jesus ter comprado o perdão para todo o pecado da humanidade? É verdade que por intermédio da desobediência de Adão, o pecado entrou no mundo e a morte foi passada para todos os homens. Mas assim como o pecado entrou no mundo por meio de Adão, o dom de Deus veio pela obediência de Jesus Cristo. Agora, a graça de Deus e o dom gratuito da justiça abundam para todos os que invocam Jesus Cristo para ser o Senhor de suas vidas (ver Romanos 5:12-21). Hoje todo crente tem o privilégio glorioso de reinar em vida como um coerdeiro com o próprio Jesus! É interessante observar que a tradição ortodoxa manteve por dois mil anos que o Gólgota é o local do enterro do crânio de Adão. Se isso é verdade ou não, não é o ponto. A questão é: o sangue de Jesus limpou todo pecado que se originou com Adão. Deus sempre vai à raiz de um assunto. Em que problemas fundamentais em sua vida você precisa aplicar o sangue purificador de Jesus Cristo? Observe o único “crime” pelo qual Jesus foi declarado culpado: ser o rei dos judeus. Você está vivendo sua vida de tal maneira — no público e no privado — que a única coisa pela qual as pessoas podem acusá-lo e condená-lo é por cumprir seu propósito divino? Simão Cireneu foi forçado a ajudar Jesus a levar a cruz dele. Jesus convidou você a tomar a sua cruz — sua própria oportunidade de obedecer ao plano de Deus — e segui-lo diariamente. Que oportunidade para obedecer está diante de você hoje que exigirá que você morra para sua vontade e preferências? De que maneira você seguirá Jesus nesta situação? Capítulo 25 Crucificado! Quando Jesus chegou ao Gólgota, a Bíblia diz: “Deram-lhe a beber vinagre misturado com fel; mas ele, provando-o, não quis beber...” (Mateus 27:34; ACF). De acordo com a lei judaica, quando um homem estava prestes a ser executado, ele podia pedir um narcótico, misturado com vinho, o que ajudaria a aliviar a dor de sua execução. A palavra “fel” nesse versículo se refere a esse analgésico especial. Havia um grupo de mulheres bondosas em Jerusalém que faziam a boa ação de ajudar a anestesiar a dor das pessoas que estavam morrendo de forma horrível. Essas mulheres queriam eliminar o máximo de dor e sofrimento possível das dezenas de pessoas que eram crucificadas pelos romanos. Assim, elas produziam o analgésico caseiro sobre o qual Mateus nos conta nesse versículo. Esse anestésico foi oferecido a Jesus duas vezes — uma vez antes da Sua crucificação e uma vez enquanto estava morrendo na cruz (ver Mateus 27:34,48). Em ambos os casos, Jesus recusou a oferta e não bebeu, pois sabia que deveria consumir completamente o cálice que o Pai lhe dera para beber. O versículo 35 (ACF) começa, “Havendo-o crucificado...”. A palavra “crucificado” é a palavra grega staurao — vem da palavra stauros, que descreve uma estaca reta e pontuda que era usada para punir criminosos. Essa palavra era utilizada para descrever aqueles que eram enforcados, empalados ou decapitados e exibidos publicamente. Ela sempre era empregada em conexão com execução pública. A intenção de enforcar um criminoso publicamente era trazer mais humilhação e punição adicional ao acusado. A crucificação era indiscutivelmente uma das formas mais cruéis e bárbaras de punição no mundo antigo. Flávio Josefo descreveu a crucificação como “a mais miserável das mortes”. Era vista com tanto horror que, em uma das cartas de Sêneca a Lucílio, Sêneca escreveu que o suicídio era preferível à crucificação. Diferentes partes do mundo tinham tipos distintos de crucificação. Por exemplo, no Oriente, a vítima era decapitada e depois pendurada para exibição pública. Entre os judeus, a vítima era primeiramente apedrejada até a morte e depois pendurada em uma árvore. Deuteronômio 21:22-23 ordenou: “Se um homem culpado de um crime que merece a morte for morto e pendurado em um madeiro, não deixem o corpo no madeiro durante a noite. Enterrem-no naquele mesmo dia, porque qualquer que for pendurado em um madeiro está debaixo da maldição de Deus”. Mas na época em que Jesus foi crucificado, o terrível ato de crucificação estava inteiramente nas mãos das autoridades romanas. Essa punição era reservada aos infratores mais sérios, geralmente àqueles que cometeram algum tipo de traição ou que participaram ou patrocinaram o terrorismo de Estado. Como Israel odiava as tropas romanas ocupantes, insurreições com frequência surgiam entre a população. Como ameaça para tentar impedir que as pessoas participassem de revoltas, a crucificação era praticada regularmente em Jerusalém. Ao crucificar publicamente aqueles que tentavam derrubar o governo, os romanos enviavam um forte sinal de medo àqueles que poderiam ser tentados a seguir os seus passos. Quando o infrator alcançava o local onde a crucificação deveria ocorrer, ele era amarrado firmemente na viga que carregava (ver Capítulo 24) com os braços estendidos. Então um soldado enfiava um prego de ferro de 12,5 centímetros em cada um dos seus pulsos — não nas palmas das mãos — até a viga. Depois de ser pregada à trave horizontal da cruz, a vítima era içada por uma corda e a viga era encaixada em um sulco no topo do poste vertical. Quando a viga caía na ranhura, a vítima sofria uma dor excruciante, pois suas mãos e pulsos eram puxados pelo forte movimento repentino. A partir daí o peso do corpo da vítima fazia que seus braços fossem retirados do espaço dos ombros. Josefo escreve que os soldados romanos “com raiva e ódio se divertiam prendendo seus prisioneiros em posturas diferentes”.9 A crucificação era realmente uma provação cruel. Assim que os pulsos da vítima eram fixados na viga, os pés vinham em seguida. Primeiro, as pernas da vítima eram posicionadas de modo que os pés fossem apontados para baixo, com as solas pressionadas contra o poste onde a vítima estava suspensa. Um longo pregoera então enfiado entre os ossos dos pés, alojado com firmeza no meio daqueles ossos para evitar que rasgasse os pés quando a vítima se arqueasse para cima, sem fôlego. Para respirar, a vítima tinha que se erguer sobre os pés, pregados no poste vertical. No entanto, como a pressão em seus pés era insuportável, não era possível permanecer por muito tempo naquela posição, de modo que acabava caindo de novo na posição suspensa. À medida que a vítima se levantava e desmoronava de novo e de novo por um longo período, seus ombros acabavam se deslocando e saíam da articulação. Logo, os ombros deslocados eram seguidos pelos cotovelos e punhos. Todos esses deslocamentos faziam os braços serem estendidos até 23 centímetros a mais do que o normal, resultando em terríveis cãibras nos músculos do braço da vítima, impossibilitando-a de se empurrar para cima para respirar. Quando a pessoa finalmente ficava exausta demais e não conseguia mais se empurrar para cima sobre o prego alojado em seus pés, o processo de asfixia começava. Jesus experimentou toda essa tortura. Quando Ele caiu com todo o peso do Seu corpo sobre os pregos que foram enfiados através dos Seus pulsos, aquilo enviou ao Seu cérebro uma dor terrível e excruciante nos braços. A essa tortura, somou-se a agonia causada pela constante fricção das costas recentemente flageladas de Jesus contra o poste vertical toda vez que Ele se projetava para respirar e depois desmoronava de volta para a posição suspensa. Devido à extrema perda de sangue e hiperventilação, a vítima começava a sofrer uma desidratação grave. Podemos perceber esse processo na própria crucificação de Jesus quando Ele clamou: “...tenho sede” (João 19:28). Depois de várias horas nesse tormento, o coração da vítima começava a falhar. Em seguida, seus pulmões entravam em colapso e o excesso de fluidos preenchia o revestimento de seu coração e pulmões, aumentando o lento processo de asfixia. Quando o soldado romano veio para determinar se Jesus estava vivo ou morto, enfiou a lança no lado dele. Um especialista apontou que, se Jesus estivesse vivo quando o soldado fez isso, o soldado teria ouvido um som alto de sucção causado pelo ar sendo sugado pela ferida recém-aberta no peito. Mas a Bíblia nos diz que água e sangue misturados saíram da ferida que a lança abriu — evidência de que o coração e os pulmões de Jesus tinham se esgotado e estavam cheios de fluido. Isso foi o suficiente para assegurar ao soldado que Jesus já estava morto. Era costume para os soldados romanos quebrarem os ossos da perna de uma pessoa que estava sendo crucificada, tornando impossível para a vítima se projetar para cima para respirar, assim fazendo-a asfixiar em um ritmo muito mais rápido. No entanto, por causa do sangue e da água que jorraram do lado de Jesus, Ele já foi considerado morto. Como não havia razão para os soldados apressarem a morte de Jesus, Suas pernas não foram quebradas. Este, meu amigo, foi um breve resumo da crucificação romana. A descrição da crucificação citada foi exatamente o que Jesus experimentou na cruz quando morreu por você e por mim. Por isso que Paulo escreveu: “...a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Filipenses 2:8). Em grego, a ênfase está na palavra “e”, que vem da palavra grega de, que dá o tom dramático de Jesus ter se rebaixado a tal ponto que morreu até mesmo a morte de cruz — o mais baixo, humilhante, degradante, vergonhoso e doloroso método de morte no mundo antigo. Agora você entende por que as bondosas mulheres de Jerusalém preparavam analgésicos caseiros para os que estavam sendo crucificados. A agonia associada à crucificação foi a razão pela qual elas ofereceram a Jesus esse “fel”, uma vez antes de a crucificação começar e novamente quando Ele foi pendurado na cruz. Enquanto isso, os soldados ao pé da cruz “...tiraram sortes para dividir suas roupas...” (Mateus 27:35). Eles não entendiam o grande preço da redenção que estava sendo pago naquele momento enquanto Jesus, pendurado, era asfixiado até a morte. Seus pulmões se enchendo de fluidos de forma que Ele não conseguia respirar. Segundo o costume romano, os soldados que realizavam a crucificação tinham direito às roupas da vítima. A lei judaica exigia que a pessoa que estava sendo crucificada fosse despida. Então, lá estava Jesus, completamente exposto e nu diante do mundo, enquanto Seus crucificadores literalmente distribuíam as Suas roupas entre si! Para tornar essa distribuição de roupas ainda mais desprezível, os soldados “tiraram sortes” pelas Suas vestes. O Evangelho de João registra que “Depois que os soldados crucificaram Jesus, repartiram suas roupas em quatro partes, uma para cada um deles. Também pegaram sua túnica, mas ela era sem costura, tecida em uma única peça, de alto a baixo. Por isso disseram: ‘Em vez de rasgá-la, vamos tirar sortes para ver quem ficará com ela...’” (João 19:23,24). Esse relato nos informa que quatro soldados estavam presentes na crucificação de Jesus. As quatro partes das Suas vestes que foram distribuídas entre eles eram a cobertura para cabeça, as sandálias, o cinto e o tallith — uma peça de roupa que tinha franjas na parte de baixo. Sua “túnica”, que era “sem costura”, era uma peça de roupa feita à mão e costurada de cima a baixo. Por ser especialmente feita à mão, esse casaco era uma peça de roupa muito cara. Essa foi a razão pela qual os soldados escolheram tirar sortes para ficar com ela em vez de rasgá-la em quatro partes, estragando-a. Quando a Bíblia se refere a “tirar sortes”, indica um jogo no qual os soldados escreviam os seus nomes em pedaços de pergaminho, madeira ou pedras e depois lançavam os quatro pedaços com os seus nomes escritos em algum tipo de recipiente. Como os soldados romanos que ajudaram a crucificar Jesus estavam isolados, é provável que um deles tenha tirado o capacete e o tenha estendido aos outros. Depois que os outros jogaram os seus nomes no capacete, um deles misturou os quatro nomes escritos e depois retirou aleatoriamente o nome do vencedor. É simplesmente notável que tudo isso estivesse acontecendo enquanto Jesus se projetava sobre aquele imenso prego colocado em Seus pés para que pudesse respirar antes de despencar de volta à posição suspensa. Enquanto a força de Jesus continuava a se esvair e as consequências completas do pecado do homem estavam sendo cumpridas nele, os soldados ao pé da cruz jogavam um jogo para ver quem pegaria Sua melhor peça de roupa! Mateus 27:36 diz: “E, assentados ali, o guardavam”. A palavra grega para “guardar” é a palavra tereo, que significa vigiar. O tempo grego significa guardar consistentemente ou consistentemente estar vigilante. Era responsabilidade desses soldados manter as coisas em ordem, vigiar o local da crucificação e garantir que ninguém viesse resgatar Jesus da cruz. Então, enquanto jogavam e tiravam sortes, os soldados também observavam com cuidado, com o canto dos olhos, para se certificarem de que ninguém tocaria em Jesus enquanto Ele estivesse pendurado, morrendo na cruz. Quando eu leio sobre a crucificação de Jesus, isso me traz uma sensação de arrependimento pela insensibilidade com que o mundo vê a cruz hoje. Em nossa sociedade, a cruz se tornou um item de moda, decorado com pedras preciosas, pedras brilhantes, ouro e prata. Lindas cruzes de joias adornam as orelhas das mulheres e balançam em correntes de ouro e colares. O símbolo da cruz é até tatuado na pele das pessoas! A razão pela qual isso é tão perturbador para mim é que, ao embelezar a cruz para torná-la agradável de se contemplar, as pessoas se esquecem de que ela não foi de forma alguma bonita ou decorada com luxo. De fato, a cruz de Jesus Cristo foi chocante e terrível. O corpo totalmente nu de Jesus foi ostentado em humilhação diante de um mundo que o observava. Sua carne foi rasgada em pedaços; Seu corpo estava machucado da cabeça aos pés; Ele teve que levantar o corpo para cima a cada tentativa de respiração e Seu sistema nervoso enviou sinais constantes de dor excrucianteao cérebro. O sangue encharcava o rosto de Jesus e fluía das Suas mãos, pés e dos incontáveis cortes e feridas abertos que a flagelação havia deixado em Seu corpo. Na realidade, a cruz de Jesus Cristo foi uma visão nojenta, repulsiva, nauseante, de revirar o estômago — completamente diferente das atraentes cruzes que as pessoas usam hoje na forma de joias ou como parte dos seus trajes. Seja na época da Páscoa ou qualquer época do ano, seria bom para todos nós, como crentes, reservarmos um tempo para lembrar o que realmente foi e significou a cruz de Jesus Cristo. Se não decidirmos deliberadamente meditar sobre o que Ele passou, nunca apreciaremos plenamente o preço que Ele pagou por nós. Quão trágico seria perder de vista tamanha dor e o preço da redenção! Quando fracassamos em lembrar o que custou a Jesus nos salvar, tendemos a tratar a nossa salvação de maneira barata e desrespeitosa. Foi por isso que o apóstolo Pedro escreveu: “...sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1 Pedro 1:18,19). As bondosas mulheres de Jerusalém queriam anestesiar Jesus para remover a Sua dor. Mas Ele recusou o analgésico delas e viveu a experiência da cruz com todas as Suas faculdades. Não vamos permitir que o mundo nos anestesie, fazendo-nos esquecer, diminuir ou subestimar o enorme preço que o nosso Salvador pagou para cada um de nós na cruz do calvário. A cruz simboliza uma das formas mais bárbaras de execução da História. Quando a embelezamos, tendemos a minimizar a realidade cruel e aterradora de tudo o que ela representa. Reserve um tempo para refletir deliberadamente sobre a morte torturante que Jesus voluntariamente morreu por você. Pense na dor excruciante e no preço altíssimo exigido pela sua redenção. Jesus lhe deu tudo o que tinha. Você pode dar a Ele menos que isso? O horror e a humilhação da morte na cruz desafiam a compreensão. No entanto, Jesus se recusou a ser drogado ou entorpecido diante de tal agonia. Em vez disso, Ele bebeu até a última gota do cálice que inicialmente pediu ao Pai para afastar de si no Getsêmani. Pense profundamente sobre o horrendo processo da morte de Jesus e a insensível indiferença dos soldados que tiraram sortes sobre Suas vestes enquanto Ele morria nu diante do mundo. Quando Jesus morreu, Ele perdoou. Perdoou aqueles que fizeram parte de Sua morte. Perdoou o nosso pecado, que foi a razão da Sua morte. Se Jesus pôde passar por esse grau de sofrimento por causa dos nossos pecados contra o Pai e nos perdoar, como você pode justificar a recusa em liberar perdão àqueles que pecaram contra você? Afirma 1 João 3:16 (NVI): “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos...”. De que formas você pode dar a sua vida pelos outros? Capítulo 26 Está Consumado! Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito. — João 19:30 A cruz de Jesus Cristo é o emblema mais precioso para aqueles de nós que o chamam de o Senhor de nossas vidas. Nós amamos a cruz e a valorizamos por causa do preço que foi pago dois mil anos atrás, quando Jesus morreu por nossos pecados. A cruz representa o nosso perdão, a nossa liberdade, a nossa redenção. Nós a amamos tanto que adornamos as nossas igrejas e lares com cruzes e as mulheres até a usam ao redor dos seus pescoços. Mas quando o puro Cordeiro de Deus foi pendurado na cruz que julgamos tão preciosa — nu, espancado e sangrando profusamente diante de um mundo que o observava — aquilo foi uma visão medonha. De fato, foi o momento mais horrendo da História da humanidade. Nenhuma morte era mais escandalosa do que a morte em uma cruz. Tal morte era terrível e hedionda, destinada a desacreditar e manchar a memória de quem estava morrendo. O sangue encharcou o torso de Jesus, vertendo de Sua cabeça e testa, correndo como rio pela carne profundamente rasgada em Suas mãos e pés. O efeito da flagelação que Jesus recebera no palácio de Pilatos começou a revelar suas consequências quando o corpo dele inchou e ficou horrivelmente descolorido. Seus olhos estavam embaçados pelo sangue que jorrava das feridas em Sua testa — causadas pela coroa de espinhos que penetrara em Seu crânio quando os soldados o empurraram com força sobre a Sua cabeça. Toda a cena era feia, desagradável, repulsiva, repugnante, vil e revoltante. No mundo judaico, a nudez era uma vergonha particularmente profunda. Como o corpo foi feito à imagem de Deus, o povo judeu acreditava que era uma grande desonra mostrá-lo nu. Então, como se o sofrimento de Jesus já não tivesse sido o suficiente, Ele experimentou o derradeiro ato de degradação e vergonha enquanto pendia na cruz, nu e exposto diante de todos os que assistiam ao drama que se desdobrava. Aproximadamente setecentos anos antes, o profeta Isaías corretamente profetizou a aparição de Jesus na cruz. Em Isaías 52:14, o profeta escreveu com uma sensação de horror: “Como pasmaram muitos à vista dele (pois o seu aspecto estava mui desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua aparência, mais do que a dos outros filhos dos homens)”. Em Isaías 53:2, Isaías continuou: “...não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse”. Jesus havia sido submetido a formas horrendas de tortura, além de ser abusado e espancado de forma atroz. Como resultado, “...seu rosto e toda a sua aparência foram desfigurados mais do que o de qualquer homem e sua forma além daquela dos filhos dos homens...” (Isaías 52:14; AMP). Na Nova Versão Internacional (em inglês), esse versículo é traduzido como: “...sua aparência ficou muito desfigurada, além da de qualquer ser humano e sua forma deformada para além da semelhança humana...” Em Isaías 53:3-5, Isaías continuou a descrever vividamente o sacrifício de Jesus. Ele escreveu: “Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso. Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”. Quando Jesus morreu naquela cruz: v Ele suportou as nossas aflições. v Ele carregou as nossas tristezas. v Ele foi ferido por nossas transgressões. v Ele foi ferido por nossas iniquidades. v Ele foi castigado pela nossa paz. v Ele foi flagelado por nossa cura. Quando Jesus se aproximou da morte, a Bíblia nos diz: “...deram-lhe a beber vinagre com fel; mas ele, provando-o, não o quis beber...” (Mateus 27:34). Como observamos no capítulo 25, um homem que seria executado poderia pedir um narcótico, misturado com vinho, o que ajudaria a aliviar a dor da sua execução. Como já mencionado, a palavra “fel” nesse versículo é uma palavra grega especial que se refere a um analgésico que foi misturado com vinagre. João 19:30 nos diz que “quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito”. “Está consumado” é uma tradução da palavra grega tetelestai, que é a forma indicativa passiva perfeita da palavra telos, que significa terminar, levar a termo, levar a uma conclusão, completar, realizar, cumprir ou concluir. Um estudioso observa que qualquer coisa que tenha alcançado o telos, chegou à conclusão, à maturidade ou à perfeição. Havia muitas nuanças para essa palavra, mas quatro delas têm grande significado nesse momento decisivo do sacrifício de Cristo. Primeiro, essa foi a exclamação que Jesus usou para indicar que Ele havia terminado a obra que o Pai o enviara para fazer. O trabalho foi totalmente concluído, Jesus inclinou a cabeçae morreu. Um escritor observou que quando um servo era enviado em uma missão e depois retornava ao seu mestre, ele dizia Tetelestai — significando Eu fiz exatamente o que você pediu ou A missão agora está cumprida. Naquele momento que Jesus gritou, Ele estava exclamando a todo o universo que havia cumprido fielmente a vontade do Pai e que a missão estava agora cumprida. Não é de admirar que Jesus tenha gritado, pois esta foi a maior vitória na história da raça humana! Jesus foi fiel à sua designação mesmo diante de desafios insondáveis. Mas agora a luta terminara e Jesus poderia clamar ao Pai: Fiz exatamente o que você me pediu para fazer! Ou A missão está cumprida! Segundo, a palavra tetelestai era o equivalente da palavra hebraica falada pelo sumo sacerdote quando ele apresentava um cordeiro sacrificial, sem mácula ou defeito. Anualmente, o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos, onde derramava o sangue daquele cordeiro sacrificial e imaculado no propiciatório da Arca da Aliança. No momento em que o sangue tocava o propiciatório, fazia-se expiação pelos pecados do povo por mais um ano — quando, mais uma vez, o sumo sacerdote entrava para além do véu daquela sala sagrada para oferecer sangue. Isso era feito ano após ano para obter o perdão temporário anual dos pecados. Mas quando Jesus foi pendurado na cruz, Ele foi tanto o cordeiro quanto o sumo sacerdote. Naquele momento sagrado como nosso Grande Sumo Sacerdote, Jesus ofereceu Seu próprio sangue para a remoção permanente do pecado. Ele ofereceu o sacrifício perfeito, do qual todo sacrifício mosaico era símbolo e sombra — naquele instante, não restava mais necessidade de ofertas pelo pecado. Jesus entrou no Santo Lugar e ofereceu Seu próprio sangue — um sacrifício tão completo que Deus nunca mais exigiu o sangue de cordeiros para o perdão. Como Hebreus 9:12 diz, “...não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção”. Assim, quando Jesus disse: “Está consumado!” Ele estava declarando o fim dos sacrifícios, porque o derradeiro sacrifício havia finalmente sido feito! A expiação foi completada, aperfeiçoada e finalmente cumprida. Foi feita de uma vez por todas — concluída para sempre! Terceiro, em um sentido secular, a palavra tetelestai era usada no mundo dos negócios para significar o pagamento integral de uma dívida. Quando uma dívida era totalmente quitada, o pergaminho onde a dívida foi registrada era carimbado com tetelestai, que significava que a dívida fora totalmente paga. Isso significa que, uma vez que uma pessoa chama Jesus de o Senhor da Sua vida e pessoalmente aceita o seu sacrifício, nenhuma dívida de pecado existe mais para aquela pessoa. A dívida é exterminada porque Jesus pagou o preço pelo pecado que nenhum pecador jamais poderia pagar. Jesus tomou o nosso lugar. Ele pagou a dívida do pecado que nós devíamos. Quando pela fé nos arrependemos e o recebemos como Senhor, somos libertos! Foi por isso que Paulo escreveu: “No qual temos a redenção, a remissão dos pecados” (Colossenses 1:14). Quando Jesus proferiu estas palavras: “Está consumado!”, foi Sua declaração de que a dívida estava plenamente quitada, cumprida e paga. Seu sangue nos purificou total e completamente para sempre. Isso foi abrangente e includente para todos nós que colocamos nossa fé nele. Quarto, no período grego clássico, a palavra tetelestai representava um ponto de virada quando um período terminava e outro novo tempo começava. Quando Jesus exclamou: “Está consumado!”. Foi, de fato, um ponto de virada em toda a história da humanidade. Naquele momento, o Antigo Testamento chegou ao fim — terminado e fechado — e o Novo Testamento começou. A cruz foi “a grande divisão” na história humana. Quando Jesus clamou: “Está consumado!” Ele estava gritando que a Antiga Aliança terminara e a Nova Aliança havia começado! Naquele momento divino, quando Jesus gritou: “Está consumado”, todas as profecias do Antigo Testamento sobre o ministério terreno de Jesus foram cumpridas. A justiça de Deus fora plenamente satisfeita e suprida pelo Cordeiro de Deus. Naquele momento, os sacrifícios do Antigo Testamento cessaram permanentemente, pois o sacrifício perfeito deu Sua vida pela salvação da humanidade. A missão de Jesus foi cumprida. Assim, Ele pôde declarar que a Sua missão estava completa! Nunca se esqueça de que, por Jesus ter se disposto a oferecer Seu próprio sangue para o pagamento integral da nossa dívida pecaminosa, somos perdoados e totalmente livres de dívidas. “TOTALMENTE PAGO” foi carimbado no registro do nosso passado pecaminoso porque Jesus pagou o preço pela nossa redenção com o Seu próprio sangue. Isaías disse: “Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Isaías 53:4-5). Então, lembre-se: v Se você está consumido pela angústia, lembre-se de que Jesus carregou o seu sofrimento. v Se você está sobrecarregado de tristezas, lembre-se de que Ele carregou a sua tristeza. v Se você está preso em uma vida de transgressão, lembre-se de que Ele foi ferido por suas transgressões. v Se você está vivendo em pecado, pode ser perdoado porque Ele foi ferido por suas iniquidades. v Se você está atormentado e não tem paz, lembre-se de que Ele foi castigado por sua paz. v Se você está física ou mentalmente doente, lembre-se que Ele foi ferido por sua cura. Jesus pagou o preço por sua salvação, por sua libertação, por sua cura física e por sua completa restauração. Quando o preço pelo seu perdão foi completo, Jesus inclinou a cabeça e morreu. A justiça de Deus foi cumprida. A Antiga Aliança terminara e a Nova Aliança começava. Foi o cumprimento de uma e o começo da outra. Pense no preço que Jesus pagou e no que a Sua morte realizou para você. Isso não faz você querer parar por alguns minutos para agradecer a Ele pelo que fez por você? Onde você estaria hoje se Jesus não tivesse morrido na cruz em seu favor? Por que você não reserva um tempo agora para expressar a sua sincera gratidão a Jesus por pagar a dívida que você nunca poderia ter pago?! Jesus sofreu torturas dolorosas, humilhação e vergonha na cruz do calvário. A morte por crucificação era considerada tão escandalosa que marcava para sempre a forma como aquele que morria dessa maneira era lembrado. Medite sobre o tipo de morte que Jesus morreu para comprar a sua liberdade do poder do pecado. Se o pecado requer esse tipo de penalidade, por que você permitiria que ele permanecesse em qualquer área de sua vida? Quando o solo foi salpicado com o sangue santo e sem pecado de Jesus, o universo inteiro testemunhou o cumprimento fiel da vontade do Pai. Jesus conquistou a maior vitória na história da raça humana — uma vitória que éramos incapazes de conquistar para nós mesmos. Pense em quanto custou a Jesus proclamar: “Está consumado”. Pergunte a si mesmo: a cada escolha, dia a dia, eu estou disposto a tomar a MINHA cruz — minha oportunidade de obedecer à vontade do Pai para a minha vida? Se todas as suas dívidas e contas de cartão de crédito fossem repentinamente pagas, como você agiria? Jesus pagou integralmente a sua dívida pelo pecado. Considere a implicação em longo prazo dessa verdade. Doença, tormento, tristeza e culpa não têm o direito de lhe oprimir ou exigir nada de você. Jesus pagou a sua conta, cancelou a sua dívida e deixou você com saldo zerado! Como essa verdade deve influenciar o que você diz e faz diariamente? Capítulo 27 O Dia em que a Terra Tremeu Os historiadores Flégon, Talo e Júlio Africano se referiram às trevas que cobriram a Terra na época da crucificação de Jesus. Críticos da Bíblia procuraram explicar essa escuridão sobrenatural, alegando que ela ocorreu devido a um eclipse dosol. Isso, no entanto, é impossível, pois a Páscoa ocorreu em época de lua cheia.10 A Bíblia nos informa que o escurecimento do céu começou na sexta hora (ver Mateus 27:45; Marcos 15:33; Lucas 23:45). Isso é significativo, pois a sexta hora (meio-dia) foi o momento exato em que o sumo sacerdote Caifás, vestido com suas vestes sacerdotais completas, começou a procissão pela qual entrou nos átrios4* do templo para abater um cordeiro pascal puro e imaculado. De fato, um grande número de cordeiros imaculados foi abatido nos átrios do templo durante aquelas horas de escuridão — um cordeiro abatido para cada lar em Israel (a menos, é claro, que o lar fosse pequeno demais). Essa escuridão sobrenatural que cobriu a Terra durou até a nona hora — hora aproximada em que os sacrifícios dos cordeiros da Páscoa estariam chegando ao fim. Foi nesse momento que Jesus clamou: Está consumado! (João 19:30). Ao se projetar para respirar pela última vez, Jesus reuniu ar suficiente para dar um grito de vitória. Sua missão estava completa! Depois de proclamar essas palavras com Sua última gota de força, Mateus 27:50 nos diz que Ele “...entregou o espírito”. O que Mateus nos diz a seguir é simplesmente impressionante! Ele escreve: “Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo...”. A palavra “eis” é a palavra grega idou. Esta é uma palavra muito difícil de traduzir, pois carrega sentimentos e emoções muito intensos. A versão King James com muita frequência traduz essa palavra como eis. Mas no nosso mundo contemporâneo, pode ser melhor traduzida como Uau! Essa palavra idou traz a ideia de choque, espanto e admiração. É quase como se Mateus dissesse: Uau! Você acredita que o véu do próprio templo se rasgou de alto a baixo?! Mateus escreveu sobre esse evento muitos anos depois do fato, mas ele ainda estava tão perplexo com o que aconteceu naquele dia que realmente exclamou: Uau! Veja o que aconteceu! Havia dois véus dentro do templo — um na entrada do Santo Lugar e um segundo na entrada do Santo dos Santos. Somente o sumo sacerdote poderia passar pelo segundo véu uma vez por ano durante o Festival da Expiação. Aquele segundo véu tinha dezoito metros de altura, nove metros de largura e um palmo inteiro de espessura! Uma das primeiras escrituras judaicas afirma que o véu era tão pesado que eram necessários trezentos sacerdotes para movê-lo ou manipulá-lo. Humanamente falando, era impossível rasgar aquele véu. No exato momento em que Jesus estava dando Seu último suspiro na cruz no Gólgota, Caifás, o sumo sacerdote, estava em seu posto no pátio interno do templo, terminando os sacrifícios dos imaculados cordeiros da Páscoa. No mesmo instante em que Jesus exclamou: “Está consumado!” — a quilômetros de distância do Gólgota, no interior do templo em Jerusalém — um evento sobrenatural inexplicável e misterioso ocorreu. O maciço e espesso véu que precedia o Santo dos Santos foi subitamente dividido ao meio, do topo até embaixo! O som daquele véu se partindo deve ter sido ensurdecedor à medida que se rasgava e partia, começando do topo e descendo até o chão. Era como se mãos invisíveis e divinas o tivessem agarrado, rasgado em pedaços e descartado. Imagine o quão chocado Caifás deve ter ficado quando ouviu os sons de algo se rasgando no interior do templo e depois viu o véu se rasgar ao meio, fazendo os dois lados daquela cortina maciça caírem, um para a direita e outro para a esquerda. Basta pensar no que deve ter passado pela mente daquele sumo sacerdote quando ele viu que o caminho para o Santo dos Santos estava aberto — que a Presença de Deus não estava mais lá! Veja, quando Jesus foi pendurado na cruz, aquela cruz tornou-se o eterno trono de misericórdia sobre o qual o sangue do sacrifício final foi aspergido. Uma vez que o sacrifício foi feito, não era mais necessário que um sumo sacerdote fizesse sacrifícios continuamente, ano após ano, pois o sangue de Jesus já resolvera a questão para sempre! Por essa causa, o próprio Deus rasgou o véu do templo ao meio, declarando que o caminho para o Santo dos Santos estava agora disponível para todos que vinham a Ele por intermédio do sangue de Jesus! Foi por isso que o apóstolo Paulo escreveu que Jesus “...derrubou a parede da separação que estava no meio, a inimizade” (Efésios 2:14). A morte de Jesus foi um evento tão dramático que até mesmo a Terra reagiu a ela. Mateus 27:51 diz: “...tremeu a terra, fenderam-se as rochas”. A palavra “terra” é a palavra ges, que remete a toda a Terra. A palavra “terremoto” é a palavra grega seiso, que significa agitar, chacoalhar ou criar uma comoção. É de onde temos a palavra sismógrafo, aparelho que registra a intensidade de um terremoto. É interessante observar que Orígenes, líder cristão da antiguidade, registrou que houve “grandes terremotos” no momento da crucificação de Jesus.11 Acho muito surpreendente que, embora Israel tenha rejeitado Jesus e as autoridades romanas o tenham crucificado, a criação sempre o reconheceu! Durante a Sua vida nesta Terra, as ondas lhe obedeceram; a água virou vinho ao Seu comando; peixes e pães se multiplicaram ao toque dele; os átomos na água se solidificaram para que Ele pudesse atravessá-la e o vento cessou quando Ele ordenou. Portanto, não é surpresa que a morte de Jesus tenha sido um evento traumático para a criação. A terra tremeu, chacoalhou e estremeceu com a morte do seu Criador, pois instantaneamente sentiu sua perda. A terra estremeceu tão violentamente quando Jesus morreu que até mesmo “...as rochas se fenderam...”. A palavra “rochas” é petra, referindo- se a grandes rochas. A outra palavra que poderia ter sido usada para “rochas” é a palavra lithos, que significa pequenas pedras. Mas Mateus nos diz que pedras enormes se “fenderam” por causa do tremor da terra. A palavra “fenderam” é schidzo, que quer dizer, rasgar, fraturar, rasgar violentamente em pedaços, ou quebrar terrivelmente. Foi um terremoto sério! Isso me faz entender de novo o impressionante significado da morte de Jesus Cristo! Quando o sangue de Jesus foi aceito na cruz como pagamento final pelo pecado do homem, a necessidade de oferecer sacrifícios habitualmente ano após ano foi eliminada. O Santo dos Santos, um lugar limitado apenas ao sumo sacerdote uma vez por ano, tornou-se aberto e acessível a todos nós! Como “crentes-sacerdotes”, cada um de nós pode agora desfrutar da presença de Deus todos os dias. É por isso que Hebreus 10:19,22 diz: “Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, ...aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência...”. O caminho para o Santo dos Santos nos foi aberto. Agora cabe a nós reservar alguns minutos a cada dia para entrar na presença de Deus, adorá- lo e fazer os nossos pedidos conhecidos. Jesus morreu por nós para que “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hebreus 4:16). Ele fez a Sua parte. Agora cabe a nós entrar com ousadia diante do trono da graça para receber a ajuda divina que Deus já providenciou para nós. O próprio Deus rasgou o véu do Santo dos Santos ao meio, de alto a baixo. Ao fazer isso, Ele declarou que o homem agora poderia vir livremente para ficar em Sua santa presença. Além disso, Deus demonstrou que o pecado não o separava mais do homem. Por um tempo, Ele andou com o homem no Jardim antes que Adão pecasse. Agora que o preço pelo pecado foi pago por intermédio de Jesus, Deus pode mais uma vez andar livremente entre aqueles que escolherem andar com Ele. Como você pode tirar proveito da sua oportunidade de experimentar a comunhão contínua com o Pai? O que você precisa fazer de diferente? A Terra e os seus elementos sempre reconheceram e responderam à voz e à presença daquele que os criou. Com que facilidade você responde à voz e à presença do Espírito Santo que habita dentro de você? Deus removeu pessoalmente todasas barreiras que separavam o homem da Sua santa presença. Você está tolerando quaisquer obstáculos desnecessários em sua vida que o impeçam de ir corajosamente diante do trono de Deus? Capítulo 28 Um Sepultamento de Amor Quando chegou a hora de o corpo de Jesus ser trazido da cruz, Pilatos recebeu uma visita surpresa de um membro do alto escalão do Sinédrio, que era um seguidor secreto de Jesus. Seu nome era José, da cidade de Arimateia. Assim, conhecemos esse homem como José de Arimateia. Outro membro do alto escalão do Sinédrio acompanhou José — também discípulo secreto de Jesus. O relacionamento desse segundo homem com Jesus começou com uma visita secreta no meio da noite, registrada em João 3:1-21. O nome do segundo admirador era Nicodemos. Vamos começar com José de Arimateia e considerar o que sabemos dele. Para termos uma imagem precisa desse homem, devemos nos voltar para Marcos 15:42 e 43, que diz: “Ao cair da tarde, por ser o dia da preparação, isto é, a véspera do sábado, vindo José de Arimateia, ilustre membro do Sinédrio, que também esperava o reino de Deus, dirigiu-se resolutamente a Pilatos e pediu o corpo de Jesus”. Esse versículo nos diz que José de Arimateia era um “ilustre membro”. A palavra grega para “ilustre” é euschemon, um composto das palavras eu, que significa bom ou bem e a palavra schema, que quer dizer forma, muitas vezes se referindo a uma aparência exterior. Quando combinadas formam essa nova palavra, que significa uma boa aparência externa. Refere-se a pessoas que têm uma boa reputação; pessoas que têm uma boa posição na sociedade; ou pessoas que são proeminentes, influentes e ricas. A palavra “membro” é a palavra grega bouleutes, que é a palavra para um membro do sinédrio. Essa é a mesma palavra usada para descrever os senadores romanos. Ao empregar esta palavra, bouleutes, Marcos nos diz que a posição de José de Arimateia na terra de Israel era de grande honra e respeito. O versículo citado também nos diz que ele “esperava o reino de Deus”. A palavra grega para “esperava” é prosdechomai. Outros exemplos dessa palavra são encontrados em Atos 24:15, onde ela descreve uma esperança ou uma expectativa. Em Romanos 16:2, Paulo usa essa palavra para dizer à igreja romana para receber Febe, sugerindo que eles a recebam completamente e a abracem. Em Hebreus 10:34, é traduzida como aceitar e significa tomar completamente algo sem reserva ou hesitação. Então, quando Marcos 15:43 nos diz que José de Arimateia “...esperava o reino de Deus...”, isso não se refere a um tipo de espera que não faz nada, uma espera que “fica parada vendo o que acontece”. José estava sinceramente buscando e antecipando o Reino. Ele estava interiormente pronto para recebê-lo, aceitá-lo plenamente e abraçá-lo sem qualquer reserva ou hesitação. Isso explica por que José foi atraído para o ministério de Jesus. Por causa da sua fome profunda e do desejo de ver o Reino de Deus, José se aventurou a ver Jesus de Nazaré. A fome espiritual é sempre um pré- requisito para receber o Reino de Deus e José de Arimateia tinha essa fome. Sua disposição de pensar “fora da caixa” — diferente de como os outros no Sinédrio pensavam, sem dúvida, o tornou único no conselho supremo. No entanto, parece que os outros membros do conselho fechavam os olhos e toleravam José devido à sua posição proeminente e extrema riqueza. Em seguida, Marcos nos diz que José de Arimateia foi “resolutamente a Pilatos”. Embora ele fosse indubitavelmente conhecido por sua fome espiritual, João 19:38 nos informa que esse José nunca anunciou publicamente que era um seguidor de Jesus “por receio dos judeus”. Como membro do Sinédrio, José estava bem ciente da exultação que os membros do Conselho Supremo estavam sentindo com a morte de Jesus. Se soubessem que foi José quem levou o corpo e o enterrou, isso poderia colocá-lo em considerável risco. Portanto, ir a Pilatos pedir para remover o corpo de Jesus antes do início do sábado foi um ato de bravura por parte dele. O desejo de José de tomar o corpo de Jesus e prepará-lo para o sepultamento foi tão poderoso que Marcos 15:43 (KJV) diz que ele “ansiava pelo corpo de Jesus”. A palavra “ansiava”5* é a palavra grega aiteo, uma palavra que significa ser inflexível solicitando e exigindo alguma coisa. No Novo Testamento, a palavra aiteo é usada para retratar uma pessoa dirigindo-se a um superior, como neste caso, quando José de Arimateia apelou a Pilatos. A pessoa pode insistir ou exigir que uma necessidade seja atendida, mas ela se aproxima e fala com seu superior com respeito. Portanto, embora José mostrasse respeito pela posição de Pilatos, ele também apresentou uma forte demanda ao governador, insistindo veementemente que o corpo de Jesus fosse liberado para ele. A palavra “corpo” é a palavra grega ptoma, que sempre se refere a um corpo morto e é muitas vezes traduzida como “cadáver”. O costume romano era deixar o corpo pendurado na cruz até apodrecer ou até que os abutres o tivessem atacado. Depois, eles descartavam o cadáver no deserto, onde era comido por cães selvagens. Os judeus, no entanto, guardavam o corpo humano em grande honra porque foi feito à imagem de Deus. Mesmo aqueles que eram executados pelos judeus eram respeitados na maneira como seriam manipulados após a morte. Assim, não era permitido que o corpo de um judeu fosse deixado em uma cruz após o pôr-do-sol ou deixado para apodrecer ou para os pássaros devorarem. Marcos 15:44,45 diz: “Mas Pilatos admirou-se de que ele já tivesse morrido. E, tendo chamado o centurião, perguntou-lhe se havia muito que morrera. Após certificar-se, pela informação do comandante, cedeu o corpo a José”. Nesse ponto, Nicodemos entra em cena. O terceiro capítulo de João dá uma maior visão sobre Nicodemos. Ele diz: “Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. Este, de noite, foi ter com Jesus e lhe disse: Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele” (João 3:1-2). João 3:1 nos diz que Nicodemos era um “fariseu”. A palavra “fariseu” significa os separados. Isso quer dizer que eles se viam separados por Deus para os Seus propósitos. Assim, eram extremamente comprometidos e até fanáticos em seu serviço a Deus. Durante o tempo em que Jesus viveu, os fariseus eram os líderes religiosos mais respeitados e estimados em Israel. Os fariseus acreditavam no sobrenatural e sinceramente esperavam a chegada do Messias, ao contrário dos saduceus, que não acreditavam no sobrenatural e não esperavam a vinda do Messias. Os fariseus defendiam estritamente a Lei, enquanto os saduceus adotavam uma abordagem mais liberal dela — o que os fariseus achavam inaceitável. Flávio Josefo, famoso historiador judeu, era fariseu, assim como Gamaliel (ver Atos 5:34) e o apóstolo Paulo antes de se converter a Cristo no caminho de Damasco (ver Filipenses 3:5). O versículo 1 continua a nos dizer que Nicodemos era “um dos principais dos judeus”. A palavra “principais” é a palavra grega archon, que significa chefe, governante ou príncipe. Essa palavra era usada para denotar os governantes das sinagogas locais e membros do Sinédrio, que eram as mais altas autoridades da terra. Devido a essa posição de alto escalão, Nicodemos, assim como José de Arimateia, era proeminente, influente e rico. A notoriedade de Nicodemos entre os judeus em Jerusalém foi a razão pela qual ele visitou Jesus à noite. Sua fama provavelmente criava uma agitação toda vez que ele passava pela cidade. Portanto, Nicodemos queria evitar visitar Jesus durante o dia, pois chamaria a atenção para o fato de que ele estava passando um tempo com um Mestre que o Sinédrio considerava um dissidente e fora do seu controle. Por conseguinte, ele foi a Jesus à noite quando sua visita não seria observável. O que ele disse a Jesus durante essa visita revela muito sobre a fome espiritual que Nicodemos possuía. Primeiro, ele chamou Jesus de “Rabi”. A própria palavra significa grande, mas erausada como um título de respeito, apenas para se referir aos grandes mestres da Lei. Os fariseus adoravam ser chamados de “Rabi”, pois se consideravam os principais guardiões da Lei. Nicodemos chamar Jesus de “Rabi” foi algo realmente notável. O líder judeu nunca teria usado esse título a menos que já tivesse ouvido Jesus interpretar a Lei e, assim, julgado sua capacidade de fazê-lo. O fato de Nicodemos ter chamado Jesus por esse título privilegiado, dado apenas àqueles que eram vistos como os maiores teólogos em Israel, nos diz que ele ficou muito impressionado com o conhecimento de Jesus das Escrituras. Isso significa que Nicodemos, como José de Arimateia, tinha a mente aberta o bastante para receber pessoas que estavam “fora do círculo” daquilo que a maioria religiosa considerava aceitável. De fato, Nicodemos tinha tanta fome de encontrar um toque de Deus que é possível que ele mesmo tenha visitado as reuniões com Jesus que foram realizadas na cidade de Jerusalém. João 2:23 diz: “Estando ele em Jerusalém, durante a Festa da Páscoa, muitos, vendo os sinais que ele fazia, creram no seu nome”. Quando Nicodemos visitou Jesus, ele se referiu a esses milagres, dizendo em João 3:2: “Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele”. Parece que Nicodemos chegou perto o bastante nessas reuniões milagrosas para ver pessoalmente os milagres. Esta deve ter sido a ocasião em que ele ouviu Jesus ensinar e o considerou merecedor do título de “Rabi”. Como fariseu, Nicodemos acreditava no sobrenatural. Ele ficou tão comovido com os milagres e tão convencido da sua legitimidade que queria pessoalmente encontrar Jesus e lhe fazer perguntas. Na conversa que se seguiu, Jesus disse a Nicodemos: “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3:3). A famosa conversa que se seguiu vem sendo lida, citada e pregada em todo o mundo há dois mil anos. Depois que José de Arimateia recebeu permissão para remover o corpo de Jesus da cruz, ele levou o corpo para iniciar os preparativos para o enterro. João 19:39 nos diz o que aconteceu em seguida: “E também Nicodemos, aquele que anteriormente viera ter com Jesus à noite, foi levando cerca de cem libras de um composto de mirra e aloés”. Esse versículo nos diz que Nicodemos “...foi levando cerca de cem libras de um composto de mirra e aloés...”. “Mirra” era uma resina de goma marrom-amarelada de cheiro doce e alto preço, que era obtida de uma árvore e tinha um gosto amargo. Era usada principalmente como produto químico para embalsamar os mortos. “Aloés” era uma fragrância de cheiro adocicado derivada do suco prensado das folhas de uma árvore encontrada no Oriente Médio. Era usada para assepsia cerimonial, purificando e neutralizando o terrível cheiro do cadáver quando ele se decompunha. Como a mirra, essa substância também era muito cara e rara — no entanto, a Bíblia nos diz que Nicodemos “trouxe um composto” de ambas as substâncias — cerca de cem libras! O custo para Nicodemos por essa oferta de amor deve ter sido astronômico! Somente um homem rico poderia ter comprado uma combinação tão grande dessas substâncias caras e incomuns. Nicodemos obviamente pretendia cobrir completamente o corpo de Jesus, por isso ele não poupou esforços para preparar o corpo para o enterro, demonstrando seu amor por Jesus até o fim. João continua a nos dizer: “Tomaram, pois, o corpo de Jesus e o envolveram em lençóis com os aromas, como é de uso entre os judeus na preparação para o sepulcro” (v. 40). A palavra para “lençóis” é a palavra grega othonion, que descreve um pano feito de materiais muito finos e extremamente caros que eram fabricados principalmente no Egito. Nobres naquele tempo eram conhecidos por pagarem preços muito altos para ter vestes feitas desse material para suas esposas. Quando Lázaro saiu do sepulcro após ter sido ressuscitado por Jesus, ele estava “...tendo os pés e as mãos ligados com ataduras e o rosto envolto num lenço...” (João 11:44). Isso mostra que Lázaro estava preso com ataduras feitas de tiras do material. No entanto, a palavra othonion tende a sugerir que Jesus foi cuidadosamente colocado em uma grande folha de linho de fino tecido. Especiarias especialmente preparadas foram então misturadas entre as dobras dessa peça de vestuário de alto preço, na qual o corpo de Jesus foi enrolado. Essa é uma história magnífica de dois homens que amavam Jesus. Embora José e Nicodemos tivessem vivido em circunstâncias que lhes dificultavam seguir publicamente a Jesus, eles escolheram segui-lo de todas as formas que conseguiram. Quando Jesus morreu, eles continuaram a demonstrar seu profundo amor por Ele, tratando Seu corpo morto com ternura e usando sua riqueza pessoal para sepultá-lo com honra. Até onde eles entendiam na época, essa era sua última oportunidade de mostrar a Jesus o quanto o amavam e eles iam tirar o máximo proveito disso! Jesus ensinou: “Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mateus 6:21). Quando esses dois homens usaram sua riqueza para enterrar Jesus, eles mostraram que seus corações estavam com Jesus. Ele era a maior prioridade, então eles investiram os seus ativos para mostrar seu amor por Ele. Eles literalmente semearam seu dinheiro quando banharam Jesus em cem libras daquelas substâncias raras, envolveram-no em um tecido caro e depois o enterraram no túmulo de um homem rico. Se as pessoas olhassem para o modo como você gasta suas finanças, elas veriam que Jesus é a maior prioridade em sua vida? Você o trata com honra e respeito na maneira como serve a Ele ou é a última prioridade na sua lista? De acordo com as palavras de Jesus, o que você faz com suas finanças realmente diz a verdade sobre o que você mais ama. Então o que Ele diria sobre suas escolhas financeiras? O que a maneira como você gasta seu dinheiro revela sobre seu amor por Jesus? Como José de Arimateia e Nicodemos honraram Jesus na morte, somos chamados a honrá-lo com tudo o que possuímos — servindo a Ele todos os dias das nossas vidas. Temos o privilégio de servir a Jesus, então façamos a escolha de melhorar a nossa doação e a nossa vida em todas as áreas para que toda a glória seja para Ele! José de Arimateia demonstrou grande amor por Jesus quando corajosa e insistentemente solicitou que Pilatos lhe entregasse o corpo de Jesus. José arriscou sua reputação e aceitação entre os judeus quando se identificou como um seguidor de Jesus. Nicodemos também investiu uma grande fortuna no enterro de Jesus, com cem libras de especiarias funerárias, uma cara mortalha de enterro importada e a sepultura primorosamente preparada de José. Sua identificação com Jesus já lhe custou algo de valor? O que observadores entenderiam sobre o seu compromisso com Ele pela maneira como você escolhe gastar ou investir as suas finanças? Que escolhas diárias conscientes você faz para servir e honrar a Deus com sua vida? A fome espiritual, muito parecida com a fome natural, obriga a pessoa a agir. Aqueles que têm fome e sede de Deus, da Sua aprovação e dos Seus caminhos, serão satisfeitos. Como você definiria seu nível atual de fome espiritual? Seu apetite pelas coisas de Deus diminuiu ou aumentou no último ano? Capítulo 29 Sepultado e Selado O Evangelho de João nos diz que perto do local da crucificação havia um jardim. A palavra grega para “jardim” é kepos e se refere a qualquer jardim com árvores e plantas. Também pode ser traduzida como pomar. A mesma palavra é usada em João 18:1 para descrever o Jardim do Getsêmani, que era um pomar de oliveiras. Todos os quatro evangelhos sugerem que o túmulo estava perto do lugar onde Jesus foi crucificado, mas João 19:42 diz: “...por estar perto o túmulo”. A palavra “perto” é a palavra grega aggus, que significa nas proximidades. A maioria das crucificações era realizada ao longo de uma estrada. Evidentemente aquele jardim estava localizado em um lugar semelhante aum pomar, na mesma via onde Jesus foi crucificado. João 19:41 nos diz que no jardim havia “...um sepulcro novo, no qual ninguém tinha sido ainda posto”. A palavra “novo” é a palavra grega kainos, que significa novo ou não usado. Isso não quer dizer necessariamente que o túmulo havia sido feito recentemente, mas que nunca fora usado — eis a razão pela qual João escreve: “...no qual ninguém tinha sido ainda posto”. Mateus, Marcos e Lucas registram que esse túmulo pertencia a José de Arimateia, sugerindo que era o túmulo que ele preparara para o seu próprio enterro. O fato de ser um túmulo “...que tinha sido aberto numa rocha” (Mateus 27:60; Marcos 15:46; Lucas 23:53) confirma a riqueza pessoal de José de Arimateia. Somente a realeza ou indivíduos muito ricos podiam se dar ao luxo de ter seus túmulos esculpidos em uma parede de pedra ou no pé de uma montanha. Homens mais pobres eram enterrados em sepulturas simples. A palavra “aberto” em Mateus, Marcos e Lucas vem da palavra grega laxeuo, que significa não apenas cortar, mas polir. Isso nos diz que era um túmulo especial, altamente desenvolvido, um túmulo refinado ou um túmulo esplêndido e caro. Isaías 53:9 havia profetizado que o Messias seria enterrado no sepulcro de um homem rico e a palavra laxeuo sugere fortemente que esse era de fato o túmulo caro de um homem muito rico. João 19:42 diz: “Ali depositaram o corpo de Jesus...”. A palavra “depositaram” vem da palavra tithimi, que significa colocar, pôr, posicionar, depositar ou pôr no lugar. Como usada aqui, retrata a colocação cuidadosa e atenciosa do corpo de Jesus em Seu lugar de descanso dentro do túmulo. Lucas 23:55 nos diz que depois que o corpo de Jesus foi colocado no sepulcro, as mulheres que vieram com Ele da Galileia “...viram o túmulo e como o corpo fora ali depositado”. A palavra “viram” em grego é theaomai, de onde vem a palavra teatro. A palavra theaomai significa contemplar, ver totalmente ou olhar atentamente. Isso é muito importante, pois prova que as mulheres inspecionaram a tumba, olhando para o corpo de Jesus para ver se Ele havia sido honrosamente colocado no lugar. Marcos 15:47 identifica essas mulheres como Maria Madalena e Maria, a mãe de José, e diz que elas “...observaram onde Ele foi posto” no túmulo. O tempo imperfeito é usado no relato de Marcos, alertando-nos para o fato de que essas mulheres reservaram um tempo para garantir que Jesus fosse colocado corretamente ali. Poderíamos traduzir: Elas cuidadosamente analisaram onde Ele foi colocado. Se Jesus ainda estivesse vivo, aqueles que o enterraram saberiam, pois passaram um tempo substancial preparando Seu corpo para o enterro. Então, depois que o Seu corpo morto foi depositado na tumba, eles permaneceram ali, verificando mais uma vez para ver se o corpo fora tratado com o maior amor e atenção. Após conferirem se tudo havia sido feito corretamente, José de Arimateia “...rolando uma grande pedra para a entrada do sepulcro, se retirou” (Mateus 27:60; Marcos 15:46). Era raro encontrar uma porta de pedra em um túmulo judaico nos tempos bíblicos. A maioria dos túmulos judaicos tinha portas com certos tipos de dobradiças. Uma grande pedra rolada diante do túmulo seria muito mais difícil de mover, tornando o local do enterro mais permanente. No entanto, os principais sacerdotes e fariseus não tinham tanta certeza de que o lugar era seguro. Temendo que os discípulos de Jesus viessem roubar o corpo e alegar que Jesus havia ressuscitado, os líderes judeus foram a Pilatos e disseram: “Senhor, lembramos que, enquanto ainda estava vivo, aquele impostor disse: ‘Depois de três dias ressuscitarei’. Ordena, pois, que o sepulcro dele seja guardado até o terceiro dia, para que não venham seus discípulos e, roubando o corpo, digam ao povo que ele ressuscitou dentre os mortos. Este último engano será pior do que o primeiro” (Mateus 27:63,64; NVI). Quando os principais sacerdotes e fariseus pediram que “...o sepulcro fosse guardado...”, a palavra grega sphragidzo é usada. Essa palavra descrevia um selo legal que era colocado em documentos, cartas, posses ou, nesse caso, um túmulo. Sua finalidade era autenticar que o item lacrado havia sido devidamente inspecionado antes da vedação e que todos os conteúdos estavam em ordem. Enquanto o selo permanecesse inviolado, era assegurado que o conteúdo dentro estava intacto e completo. Nesse caso, a palavra sphragidzo é usada para significar o selamento do túmulo. Muito provavelmente, uma corda foi esticada através da pedra na entrada do túmulo e então selada em ambos os lados pelas autoridades legais de Pilatos. Antes de selar o túmulo, no entanto, aquelas autoridades foram obrigadas a inspecionar o seu interior para ver que o corpo de Jesus estava em seu lugar. Depois de garantir que o cadáver estava onde deveria estar, eles rolaram a pedra de volta no lugar e então a selaram com o selo oficial do governador de Roma. Depois de ouvir as suspeitas dos principais sacerdotes e fariseus, “Disse- lhes Pilatos: Aí tendes uma escolta; ide e guardai o sepulcro como bem vos parecer” (Mateus 27:65). A palavra “guardai” é a palavra grega coustodia, de onde obtemos a palavra custódia. A escolta era um grupo de quatro soldados romanos cujo turno mudava a cada três horas. A mudança de turnos garantia que o túmulo seria guardado 24 horas por dia por soldados que estavam acordados, atentos e totalmente alertas. Quando Pilatos disse: “Aí tendes uma escolta...”, uma melhor interpretação seria: Aqui está — eu estou dando a vocês um grupo de soldados; leve-os e guardem o túmulo. Mateus 27:66 diz: “Indo eles, montaram guarda ao sepulcro, selando a pedra e deixando ali a escolta”. Sem perder tempo, os principais sacerdotes e anciãos se apressaram em ir ao sepulcro com os seus soldados enviados pelo governo e os oficiais especiais, designados para inspecionar a sepultura antes de colocar o selo de Pilatos sobre ela. Depois que uma inspeção completa foi feita, a pedra foi colocada de volta no lugar e os soldados montaram guarda para proteger o túmulo de qualquer um que tentasse tocá- lo ou remover seu conteúdo. A cada três horas, novos guardas chegavam para substituir os que estavam lá. Esses soldados armados guardavam a entrada do túmulo de Jesus com tanta firmeza que ninguém poderia se aproximar dela. O propósito do selo era assegurar que Jesus estava morto; portanto, temos a garantia que Seu corpo foi completamente inspecionado novamente para provar a morte. Não há dúvida de que Jesus estava morto, pois Ele foi examinado repetidas vezes, mesmo quando estava deitado no sepulcro. Alguns críticos afirmam que somente os próprios discípulos de Jesus inspecionaram o corpo e que eles poderiam ter mentido sobre a morte dele. No entanto, um oficial da corte de Pilatos também examinou o corpo de Jesus. Podemos também ter certeza que os principais sacerdotes e anciãos que acompanharam os soldados ao local do enterro exigiram o direito de também ver o corpo, para que pudessem verificar se Ele estava realmente morto. Quando Jesus saiu daquele túmulo vários dias depois, não foi uma farsa ou uma história fabricada. Além de todas as pessoas que o viram morrer na cruz, os seguintes indivíduos e grupos verificaram que Seu corpo morto estava na sepultura antes que a pedra fosse permanentemente selada por um oficial do tribunal de justiça romano: v José de Arimateia cuidadosamente o colocou dentro do sepulcro. v Nicodemos forneceu as soluções de embalsamamento, auxiliou no processo e ajudou José de Arimateia a colocá-lo em seu lugar no sepulcro. v Maria Madalena e Maria, a mãe de José, examinaram carinhosamente o Seu corpo e cuidadosamente contemplaram todos os aspectos do local do enterro para garantir que tudo fosse feito de forma adequada e respeitosa. v O oficial de Roma ordenou que a pedra fosse removida. Então ele entrou no túmulo e examinou o corpo de Jesus para verificar se era Jesus e se Ele estava realmente morto. v Os principais sacerdotes e anciãos entraram no túmulo com o oficial de Roma para quepudessem olhar para o corpo morto de Jesus e pôr fim às suas preocupações de que Ele havia, de alguma forma, sobrevivido. v Os guardas romanos verificaram o conteúdo do túmulo porque queriam saber com certeza se havia um corpo ali. Eles não queriam estar guardando um túmulo vazio que mais tarde seria usado como uma reivindicação de ressurreição, enquanto eles seriam culpados pelo desaparecimento do corpo de Jesus. v Depois que todas essas inspeções foram concluídas, o oficial de Roma ordenou que a pedra voltasse ao seu lugar. Enquanto os principais sacerdotes, anciãos e guardas romanos observavam, ele inspecionou o local e o selou com o selo do governador de Roma. Independentemente de todos esses esforços para garantir o local e manter Jesus dentro do túmulo, era impossível que a morte o detivesse. Ao pregar no dia de Pentecostes, Pedro proclamou ao povo de Jerusalém: “...vós o matastes [a Jesus], crucificando-o por mãos de iníquos; ao qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte; porquanto não era possível fosse Ele retido por ela” (Atos 2:23-24). Hoje, o túmulo em Jerusalém está vazio porque Jesus ressuscitou no terceiro dia! Agora Ele está sentado em Seu trono à direita do Pai nas alturas, onde vive para fazer intercessão por você e por mim (Hebreus 7:25). Isso significa que não precisamos nos esforçar sozinhos. A qualquer hora do dia ou da noite, podemos nos aproximar corajosamente do trono da graça e pedir ajuda divina (Hebreus 4:16). Não há montanha em sua vida que Deus não possa mover. Portanto, faça os seus pedidos a Ele, confiantemente esperando que Ele se mova em seu favor. Ao fazer isso, você receberá graça sobrenatural para socorro em tempo de necessidade. O propósito do selo no túmulo de Jesus era garantir que Ele estava de fato morto. Os soldados de Pilatos, que protegiam o local, bem como os principais sacerdotes e anciãos, inspecionaram o corpo de Jesus para verificar se Ele estava realmente morto. Observe a ignorância e a arrogância que levaram os homens a acreditar que tinham fiscalizado e confinado o Filho de Deus. Existem áreas da sua vida que você mantém seladas e guardadas na tentativa de impedir que Deus tenha acesso a elas para mudá-las? Os líderes religiosos lembraram que Jesus disse que ressuscitaria dos mortos. Eles ouviram a verdade, mas não compreenderam seu significado. Pense em tudo o que Jesus declarou sobre si mesmo durante Sua caminhada nesta Terra e considere tudo o que Ele falou a você pessoalmente. Você realmente acredita em Jesus? Você já reservou um tempo para meditar sobre o significado das palavras dele? Jesus era a promessa de esperança do Pai para a humanidade. Quando Ele morreu e foi enterrado, a criação ficou assombrada e Seus discípulos ficaram arrasados. Mas Deus o ressuscitou para uma nova vida. O que parecia o fim, na verdade era apenas o começo. Folheie as páginas da história da sua própria vida. Que promessa de Deus para você parece agora incapaz de acontecer? Que esperança ou sonho em sua vida você enterrou? Considere o poder daquele que ressuscitou Jesus dos mortos. Então, como Jesus, entregue-se nas mãos daquele que faz todas as coisas novas. Ele é fiel. Você vai confiar nele? Capítulo 30 Eis que Ele Ressuscitou! Jesus está vivo! Sua ressurreição não foi meramente um renascimento filosófico das Suas ideias e ensinamentos — Ele foi literalmente ressuscitado dos mortos! O poder de Deus explodiu dentro daquele túmulo, reconectou o espírito de Jesus com Seu corpo morto, inundou Seu cadáver de vida e Ele se levantou! Tamanho foi o poder liberado por trás da entrada selada do Seu túmulo que a própria Terra reverberou e estremeceu com a explosão. Então um anjo rolou a pedra da entrada e Jesus saiu fisicamente pela porta daquela tumba vivo! Isso não é lenda ou conto de fadas. É o alicerce da nossa fé! Então, vamos examinar os eventos que cercam a ressurreição de Jesus Cristo. Ele ressuscitou dos mortos em algum momento entre o fim do pôr-do-sol do Sabá,6* no sábado à noite e a vinda das mulheres ao túmulo no início da manhã de domingo. As únicas testemunhas reais da ressurreição em si foram os anjos que estavam presentes e os quatro soldados romanos que foram colocados ali sob o comando de Pilatos (Mateus 27:66). No entanto, Mateus, Marcos, Lucas e João registram todos os eventos que se seguiram na manhã da Sua ressurreição. Quando lemos pela primeira vez os quatro relatos do que aconteceu naquela manhã, pode parecer que existe uma contradição entre os detalhes contidos nos evangelhos. Mas quando estão cronologicamente alinhados, a imagem fica muito clara e a impressão de contradição é apagada. Deixe-me dar um exemplo do que parece uma contradição. O Evangelho de Mateus diz que havia um anjo fora do túmulo. O Evangelho de Marcos diz que havia um anjo dentro do túmulo. O Evangelho de Lucas diz que havia dois anjos dentro do túmulo. O Evangelho de João não diz nada sobre os anjos nessa cena, mas diz que quando Maria voltou no final do dia, ela viu dois anjos dentro do túmulo que estavam posicionados na cabeça e no pé do lugar onde o corpo de Jesus fora colocado. Então, quem está contando a história certa? Quantos anjos estavam lá? Como eu disse, para enxergar todo o cenário que aconteceu naquele dia, temos que colocar os eventos em todos os quatro evangelhos em uma sequência cronológica adequada. Então vamos começar! Mateus 28:1 diz: “No findar do sábado, ao entrar o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro”. Além de Maria Madalena e a outra Maria, mãe de Tiago, Lucas 24:10 nos diz que “Joana” e “outras mulheres” vieram ao sepulcro. Lucas 8:3 nos diz que essa “Joana” era a esposa do mordomo de Herodes — evidentemente uma mulher rica que era uma apoiadora financeira do ministério de Jesus. De acordo com Lucas 23:55-56, muitas dessas mulheres estavam presentes quando Jesus foi colocado dentro do sepulcro, mas voltaram para casa para preparar “aromas e bálsamos” para que pudessem ungir Seu corpo para o sepultamento quando retornassem após o dia de sábado. Essas mulheres não tinham como saber que os chefes dos sacerdotes e anciãos tinham ido a Pilatos no dia seguinte ao enterro de Jesus para pedir uma escolta de quatro soldados romanos para guardar o túmulo e um oficial da corte romana para “selar” o túmulo. Como essas mulheres sabiam disso? Elas estavam em casa, preparando aromas e bálsamos. No entanto, enquanto aquelas mulheres se preparavam para voltar e ungir o cadáver de Jesus, o túmulo estava sendo fechado oficialmente e os soldados romanos tinham sido ordenados a guardar a sepultura 24 horas por dia. Se as mulheres soubessem que o túmulo estava legalmente fechado e não poderia ser aberto, elas não retornariam ao lugar, pois era legalmente impossível para elas pedirem que a pedra fosse removida. Marcos 16:2-4 diz: “E, muito cedo, no primeiro dia da semana, ao despontar do sol, foram ao túmulo. Diziam umas às outras: Quem nos removerá a pedra da entrada do túmulo? E, olhando, viram que a pedra já estava removida; pois era muito grande”. Ignorando o fato de que o túmulo não podia ser legalmente aberto, as mulheres seguiram para o local com o propósito de ungir o corpo de Jesus. Ao se aproximarem do jardim onde o túmulo estava localizado, perguntavam-se entre si quem removeria a pedra para elas. No entanto, Mateus 28:2 diz: “E eis que houve um grande terremoto...”. Esse terremoto não ocorreu no momento em que as mulheres se aproximaram do túmulo. Na verdade, aconteceu simultaneamente ao momento da ressurreição de Jesus, algum tempo depois do pôr do sol de sábado e antes de as mulheres chegarem ao jardim. Ao descrever a magnitude do terremoto, Mateus usa a palavra “eis”. Em grego, é a palavra idou. Já falamos dela no capítulo 27. A versão King James traduz como eis que, em nossos dias, seria melhor traduzida como Uau! Como já foi dito, essa palavra carrega a ideia de choque, espanto e admiração, então quando Mateus diz: “E eis que houve umgrande terremoto...”, ele literalmente quer dizer: Uau! Você acredita nisso? A palavra idou também poderia ter a ideia de: Uau! Ouça a coisa incrível que aconteceu a seguir... Embora Mateus tenha escrito seu Evangelho muitos anos depois do fato, ele ainda fica maravilhado quando pensa nesse evento! Mateus nos diz que houve “um grande terremoto”. A palavra “grande” é a palavra grega mega, não deixando espaço para dúvidas quanto à magnitude desse evento. A palavra mega sempre sugere algo enorme, gigante ou massivo. A palavra “terremoto” é a palavra grega seismos — palavra usada para descrever um terremoto literal. Assim como a criação se abalou quando seu Criador morreu na cruz, agora a Terra explodiu com exultação na ressurreição de Jesus! Marcos 16:4 diz que quando as mulheres chegaram ao sepulcro, viram que “...a pedra já estava removida; pois era muito grande”. A palavra “muito” é a palavra grega sphodra, que significa muito, em excesso ou extremamente. A palavra “grande” é a mesma palavra mega, que significa enorme, gigante ou massivo. Em outras palavras, não era uma pedra normal. As autoridades colocaram uma pedra extremamente grande e maciça em frente à entrada do túmulo de Jesus. No entanto, quando as mulheres chegaram, ela havia sido removida! Mateus 28:2 nos conta como a pedra foi removida. Ele diz que “...um anjo do Senhor desceu do céu, chegou-se, removeu a pedra e assentou-se sobre ela”. A palavra “sentou” é a palavra grega kathemai, que significa sentar-se. Alguns sugerem que a capacidade do anjo de se sentar em cima de uma pedra tão grande também pode denotar seu imenso tamanho. Em outras palavras, ele era tão grande que podia se sentar em cima da enorme pedra como se fosse uma cadeira. Se esse foi o caso, a remoção da pedra foi um feito simples. Mateus nos informa que não apenas o anjo era forte, mas “...seu aspecto era como um relâmpago, e a sua veste, alva como a neve” (v. 3). O imenso tamanho, poder e brilho desse anjo explica por que os guardas romanos fugiram do local. Mateus 28:4 (NVI) nos diz: “Os guardas tremeram de medo e ficaram como mortos”. A palavra “medo” é a palavra grega phobos, que significa temer. Nesse caso, foi um medo ou um pânico tão grande, que fez os guardas “tremerem”. Essa palavra “tremer” é derivada da palavra grega seio, cuja raiz é idêntica à da palavra para terremoto. Os poderosos soldados romanos tremeram ao ver o anjo. De fato, eles “...ficaram como mortos”. A palavra “mortos” é a palavra grega nekros — palavra para um cadáver. Os soldados ficaram tão aterrorizados com a aparência do anjo que caíram no chão, tremendo violentamente e depois ficando paralisados de medo a ponto de não conseguirem se mexer. Quando finalmente conseguiram se mover, fugiram do local e quando as mulheres chegaram ao jardim, eles já estavam longe! Lucas 24:3 nos diz que, com a pedra removida, aquelas mulheres passaram direto pelo anjo que estava sentado em cima da enorme pedra e adentraram o túmulo. Ele diz: “Mas, ao entrarem, não acharam o corpo do Senhor Jesus”. O que então elas encontraram dentro da tumba, além do lugar vazio onde Jesus estava deitado? Marcos 16:5 (NVI) nos diz: “Entrando no sepulcro, viram um jovem vestido de roupas brancas assentado à direita, e ficaram amedrontadas”. Primeiro, aquelas mulheres viram um anjo sentado em cima da pedra na entrada do túmulo. Agora dentro do túmulo, veem outro anjo cuja aparência é como a de um jovem. A palavra “jovem” vem da palavra grega neanikos, referindo-se a um jovem que está cheio de vigor e energia e quem está no auge da sua vida. Isso ilustra a vitalidade, a força e a aparência sempre jovem dos anjos. A Bíblia também nos diz que esse anjo estava “...vestido de roupas brancas...”. A palavra “vestido” retrata uma vestimenta sobre os ombros, como um poderoso guerreiro ou governante se vestiria. A palavra “roupas” vem da palavra grega stole, que representa um longo manto que adornava a realeza, comandantes, reis, sacerdotes e outras pessoas de alta distinção. Como essas mulheres estavam em um sepulcro vazio, Lucas 24:4 nos diz que “Ficaram perplexas, sem saber o que fazer...”. A palavra grega para “perplexas” é aporeo, que significa perder o caminho. É a imagem de alguém que está tão confuso que não consegue perceber onde está, o que está fazendo ou o que está acontecendo ao seu redor. Essa pessoa está completamente desorientada pelos eventos que a cercam. É claro que aquelas mulheres estavam perplexas! Elas vieram esperando ver a pedra em frente ao túmulo, mas ela foi removida. Sentado em cima da pedra maciça havia um anjo deslumbrante. Para entrar no túmulo, tiveram que passar por aquele anjo — uma vez no túmulo, elas descobriram que não havia mais cadáver algum. Então, de repente, olharam para o lado direito da tumba e viram um segundo anjo, vestido com um longo manto branco como um guerreiro, governante, sacerdote ou rei. As mulheres não esperavam encontrar nenhum daqueles eventos incomuns naquela manhã. Era normal elas estarem confusas, com a cabeça cheia de perguntas! Então, Lucas 24:4 nos diz que, de repente, “...apareceram-lhes dois varões com vestes resplandecentes”. As palavras “apareceram-lhes” vem da palavra grega epistemi, que significa vir de repente; tomar alguém de surpresa; surgir em uma cena; aparecer subitamente ou aparecer inesperadamente. Em outras palavras, enquanto as mulheres tentavam descobrir o que estavam vendo, o anjo sentado em cima da pedra decidiu se juntar ao grupo dentro do túmulo. De repente, para o espanto das mulheres, dois anjos estavam em pé dentro do túmulo com “vestes resplandecentes”! A palavra “resplandecente” é astrapto, representando algo que brilha ou pisca como um relâmpago. Pode se referir à aparência brilhante dos anjos. Lucas 24:5-8 diz: “Estando elas possuídas de temor, baixando os olhos para o chão, eles [os anjos] lhes falaram: Por que buscais entre os mortos ao que vive? Ele não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos de como vos preveniu, estando ainda na Galileia, quando disse: Importa que o Filho do Homem seja entregue nas mãos de pecadores, e seja crucificado, e ressuscite no terceiro dia. Então, se lembraram das suas palavras”. Depois que os dois anjos proclamaram as alegres notícias da ressurreição de Jesus, instruíram as mulheres: “Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vai adiante de vós para a Galileia; lá o vereis, como ele vos disse” (Marcos 16:7). Mateus 28:8 relata que elas “...correram para anunciar aos discípulos”. Marcos 16:8 revela: “...saindo elas, fugiram do sepulcro...”. Lucas 24:9,10 diz que as mulheres voltaram e “...anunciaram todas estas coisas aos onze e a todos os mais que com eles estavam”. Você consegue imaginar o quão confusas aquelas mulheres devem ter ficado quando tentaram contar aos apóstolos o que viram e ouviram naquela manhã? Lucas 24:11 diz: “Tais palavras lhes pareciam um como delírio, e não acreditaram nelas”. A palavra “delírio” vem da palavra grega leros, que significa absurdo, conversa fiada, tagarelice ou delírio. Em outras palavras, a explicação das mulheres nos evangelhos provavelmente não foi extremamente clara, mas despertou bastante interesse em Pedro e João para fazê-los levantar e ir saber por eles mesmos sobre Jesus! Quando nós tivemos um encontro sobrenatural com o Senhor, não foi fácil colocar essa experiência em palavras. Essa é uma frustração que todos nós que conhecemos o Senhor já sentimos uma vez ou outra. No entanto, não podemos deixar que isso nos impeça de espalhar as boas novas que Jesus Cristo trouxe às nossas vidas. Nunca devemos esquecer que, embora aquelas mulheres parecessem estar balbuciando e falando bobagens, suas palavras foram suficientes para despertar o interesse naqueles homens e os impelir a se levantar para saber de Jesus por eles mesmos. Ao compartilhar Jesus Cristo com a sua família e amigos, é seu dever “dar o melhor de si”. Fale as Boas Novas da melhor maneira que conseguir! Mas não se esqueça do fato de que o Espírito Santo também está falando aos seuscorações ao mesmo tempo em que você fala aos ouvidos deles. O Espírito de Deus usará você e seu testemunho para despertar a fome profundamente em seus corações. Mesmo muito tempo depois de você terminar de falar, Deus ainda estará tratando com eles. Quando eles entregarem suas vidas a Jesus, não se lembrarão de que suas palavras soaram confusas no dia em que lhes apresentou o Evangelho. Eles serão gratos porque você os amou o suficiente para cuidar de suas almas! Então, levante-se e vá em frente! Abra a sua boca e comece a contar as Boas Novas: que Jesus Cristo está vivo e bem! A ressurreição é o fundamento da fé cristã. Jesus Cristo que estava morto agora está vivo para todo o sempre (Apocalipse 1:18). Aquele que venceu a morte, o inferno e a sepultura está sentado à direita do Pai, intercedendo agora mesmo por você e por tudo o que lhe diz respeito. Pense sobre isso! Assim como a Terra tremeu quando o seu Criador morreu na cruz, ela explodiu em exultação quando Jesus ressuscitou dos mortos pela glória de Deus Pai. Agora a criação está esperando que você ande na realidade da vitória que Jesus comprou para você com o Seu próprio sangue. Reflita sobre o significado dessa verdade à luz das escolhas que você faz diariamente. Os esforços mais determinados dos homens sob influência demoníaca não puderam impedir que o poder de Deus restaurasse Jesus à vida. Qual é o maior obstáculo ou dificuldade em sua vida? Se você é nascido de novo, o mesmo Espírito que ressuscitou Jesus dos mortos habita em você. Pense sobre o que o poder divino pode fazer em sua vida, se você permitir que o Espírito Santo tenha acesso às situações “mortas” em sua vida. Capítulo 31 Um Túmulo Vazio No momento em que as mulheres contaram tudo aos apóstolos, suas palavras devem ter soado muito confusas! Primeiro, as mulheres relataram que os anjos disseram que Jesus estava vivo. No entanto, estavam confusas e agindo com medo, então exclamaram: “Tiraram do sepulcro o Senhor, e não sabemos onde o puseram” (João 20:2). O medo sempre produz confusão e aquelas mulheres estavam tão confusas que os apóstolos não levaram a sério o que elas disseram. Lucas 24:11 diz: “Tais palavras lhes pareciam um como delírio, e não acreditaram nelas”. Como já mencionamos, a palavra “delírio” vem da palavra grega leros, que significa absurdo, conversa fiada, tagarelice ou delírio. Quem aquelas mulheres pensaram ter removido Jesus do túmulo? Qual história era verdadeira? Ele ressuscitou e estava vivo como as mulheres disseram aos apóstolos, ou teve o corpo roubado? João 20:3 e 4 (NVI) diz: “Pedro e o outro discípulo saíram e foram para o sepulcro. Os dois corriam, mas o outro discípulo [João] foi mais rápido que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro”. Quando a Bíblia diz que Pedro e João “saíram”, o tempo grego indica que seus pés já estavam se movendo antes da conversa com as mulheres terminar. Quando souberam que algo havia acontecido no túmulo, os dois homens saíram correndo para chegar lá o mais rápido possível. Nós também sabemos por João 20:11 que Maria Madalena logo seguiu Pedro e João de volta ao sepulcro, pois ela estava presente no local e permaneceu lá depois que Pedro e João voltaram aos apóstolos. Acho interessante que quando Pedro e João correram para o túmulo para ver o que as mulheres estavam querendo lhes dizer, nenhum dos outros apóstolos se juntou a eles. Os outros aparentemente apenas ficaram sentados observando Pedro e João vestirem suas roupas e começarem a correr — não se juntaram aos dois homens. Em vez disso, o restante dos apóstolos provavelmente ficou para trás discutindo o que ouviram e debatendo sobre o que aquilo significava. Por Pedro e João terem corrido para o jardim, eles experimentaram algo que os outros apóstolos perderam por ficarem em casa. É um fato que se você quiser ter uma experiência com Jesus Cristo e o Seu poder, deve se levantar de onde está e começar a se mover em direção a Ele. João ultrapassou Pedro no caminho para o jardim onde o túmulo estava localizado. Assim que João chegou, João 20:5 (NVI) nos diz: “Ele se curvou e olhou para dentro, viu as faixas de linho ali, mas não entrou”. A palavra grega para “se curvar” é parakupto. Significa inclinar-se; espiar; abaixar-se para olhar mais de perto ou se abaixar para ver algo melhor. João se abaixou para poder dar uma espiada no túmulo, e ele “...viu as faixas de linho ali...”. A palavra “viu” é a palavra grega blepo, que significa ver. Foi o tempo de um piscar de olhos para ver as faixas de linho ali. As palavras “faixas de linho” são a mesma palavra usada em João 19:40, referindo-se à dispendiosa peça egípcia com a qual José de Arimateia e Nicodemos enterraram Jesus (a palavra grega othonion; ver capítulo 28). Se Jesus tivesse sido roubado, quem quer que o levasse também teria levado aquela peça cara, mas João viu que aquelas faixas de linho foram deixadas no túmulo. Túmulos eram um lugar respeitado pelos judeus, o que pode explicar a razão pela qual João hesitou em entrar. Também é bem possível que ele tenha observado os selos quebrados e percebido que parecia que uma entrada ilegal havia ocorrido. Talvez ele tenha pensado duas vezes antes de se ver conectado a uma suposta cena de crime em potencial. Independentemente do motivo pelo qual João hesitou, a Bíblia nos diz que Pedro não hesitou, mas prontamente invadiu o túmulo para verificar por si mesmo: “A seguir, Simão Pedro, que vinha atrás dele, chegou, entrou no sepulcro e viu as faixas de linho, bem como o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus. Ele estava dobrado à parte, separado das faixas de linho” (João 20:6-7). João apenas olhou para o interior do sepulcro, mas o versículo diz que Pedro entrou no sepulcro e “...viu as faixas de linho”. A palavra “viu” é a palavra grega theaomai, da qual tiramos a nossa palavra teatro. Significa contemplar, ver totalmente ou olhar atentamente, como um patrono que observa cuidadosamente cada ato de uma peça no teatro. Quando Pedro entrou naquele túmulo, ele o examinou como um inspetor profissional. Ele olhou por todos os cantos e recantos, prestando especial atenção às roupas de linho e à maneira como elas foram deixadas lá. Ele viu “...o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus. Ele estava dobrado à parte, separado das faixas de linho”. A palavra “lenço” é soudarion e se refere a um lenço que poderia ser usado para limpar a transpiração do rosto de alguém. Essa palavra também era usada em conexão com uma mortalha que era gentilmente colocada sobre a face dos mortos no enterro. Quando Lázaro saiu do sepulcro, Jesus instruiu que as roupas lá dentro do túmulo fossem removidas com o sudário, ou pano, do seu rosto (João 11:44). Aparentemente, o corpo inteiro de Jesus estava envolto em um grande lençol de linho branco, mas o Seu rosto estava coberto com um lenço como esse no estilo tradicional de enterro judaico. O fato mais fascinante sobre esse lenço facial era que ele estava “...dobrado à parte”. A palavra “dobrado” é a palavra grega entulisso, que significa dobrar perfeitamente; organizar bem; ou organizar de maneira ordenada. A razão pela qual essa palavra é tão interessante é que ela nos diz que Jesus estava calmo e completamente no controle de suas faculdades quando ressuscitou dos mortos. Ele tirou o dispendioso pano egípcio de Seu corpo, sentou-se e tirou o lenço do Seu rosto. Sentado naquela posição ereta, Ele dobrou o lenço e o colocou gentilmente de lado, separado das faixas de linho que Ele provavelmente pôs do outro lado. Agora, enquanto Pedro observava a cena dentro do túmulo, ele podia ver o local vazio onde Jesus ficou sentado, entre essas duas peças de roupa funerária, depois que Ele ressuscitou dos mortos. João 20:8 diz: “Depois o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, também entrou. Ele viu e creu”. Esse versículo diz que, quando João viu a placa de pedra vazia, onde o corpo de Jesus estivera e roupas funerárias à direita e à esquerda, deixando o local onde Jesus estava sentado vaziodepois que Ele ressuscitou, João então “creu”. Acho realmente surpreendente que, embora Pedro tivesse passado mais tempo que João dentro do túmulo, ele ainda estava incerto quanto ao significado de tudo aquilo. Lucas 24:12 (KJV) diz que Pedro “...partiu, questionando consigo mesmo aquilo que havia acontecido”. João, por sua vez, deixou o túmulo crendo que Jesus estava vivo. Mais tarde naquela noite, Jesus apareceria a todos os apóstolos e sopraria o Espírito de Deus neles, dando-lhes o novo nascimento (João 20:22). Mas naquele momento, como o Espírito Santo ainda não habitava neles como Mestre, havia muito que eles não conseguiam entender. Embora Jesus tivesse dito a eles que morreria e ressuscitaria dos mortos, eles simplesmente ainda não eram capazes de compreender. É por isso que João 20:9 diz: “Pois ainda não tinham compreendido a Escritura, que era necessário ressuscitar Ele dentre os mortos”. Embora os apóstolos tivessem ouvido esse versículo do próprio Jesus, a realidade e o impacto total da sua verdade não tinham sido registrados em seus corações. Após aquele dia histórico e marcante, a Bíblia nos diz: “E voltaram os discípulos outra vez para casa” (v. 10). É notável para mim Pedro ter permanecido no meio do túmulo vazio de Jesus e ainda ficar incerto sobre o que aquilo significava. Como seria possível estar na mesma sala onde o cadáver de Jesus tinha estado, ver o lenço cuidadosamente dobrado, perceber o lugar onde Ele se sentou, bem no meio daquelas peças de tecido e ainda assim não ser capaz de entender que Jesus agora estava vivo? No entanto, à medida que reflito sobre o fato, ele começa a fazer sentido. Deus tem feito muitos milagres inquestionáveis para você e para mim também. Quantas vezes saímos sem sermos afetados pelo poder e pelos milagres que vimos e experimentamos? Deus nos libertou, nos salvou e nos livra do mal vez após outra. No entanto, ainda tendemos a nos perguntar se Ele está realmente conosco ou não. Como nos é possível questionar a fidelidade de Deus depois de tudo o que Ele já fez por nós? Precisamos nos assegurar de que não permaneceremos inalterados e insensíveis ao poder operante dos milagres de Deus que já atuaram em nossas vidas. Em vez disso, devemos tomar a decisão de abraçar plenamente todas as coisas boas que Deus fez por nós — reconhecer a Sua obra em nossas vidas de forma tão completa que passe a mudar a nossa visão sobre a vida e nos transforme de dentro para fora. Deus é bom! Ele tem sido bom para todos nós. Se não nos lembramos disso, é somente porque não estamos abrindo os nossos olhos para ver a Sua mão de proteção, provisão e segurança ao nosso redor. Faça uma escolha consciente de reconhecer tudo o que Deus fez e continua fazendo em sua vida. Lembre-se de agradecer a Ele por isso e determine nunca se esquecer da Sua fidelidade em aperfeiçoar tudo em sua vida quando você confia nele. Pedro e João eram ambos fervorosos em seu amor por Jesus, mas sempre radicalmente diferentes em suas respostas a Ele. Como você responde a Jesus em adoração, em oração e em sua vida diária? O que as suas respostas revelam sobre a sua devoção e obediência a Jesus? Tudo na cena no sepulcro vazio estava organizado. Quando Jesus removeu os Seus tecidos funerários, Ele dobrou o lenço facial e o colocou de lado. Na corte de Pilatos, no monte do Gólgota, no túmulo do jardim, Jesus manteve uma presença de espírito focada. Ele sempre agiu e nunca reagiu. A serenidade é uma característica que você atribuiria a si mesmo? Que evidência em sua vida você poderia apresentar para apoiar a sua resposta? Você já experimentou o poder milagroso de Deus? Se sim, como isso o afetou? A lembrança disso ainda o deixa com um sentimento de temor ou o tempo (ou o ceticismo) ofuscou o seu fervor e afeição por Deus e diminuiu o valor que você dá à bondade dele? Capítulo 32 A Primeira Mulher Pregadora Quando Pedro e João deixaram o jardim, Maria Madalena ficou para trás. Ela seguiu os dois homens, possivelmente esperando obter uma compreensão mais clara do que havia acontecido naquele dia. Tudo o que ela sabia era que seu dia começou com o desejo de ir ao túmulo para ungir o corpo de Jesus. Mas quando ela chegou, a pedra fora rolada e um anjo estava sentado em cima da grande pedra (Mateus 28:2)! Então, quando ela entrou no sepulcro, primeiro descobriu outro anjo (Marcos 16:5) e, de repente, viu-se na presença de dois anjos dentro do sepulcro (Lucas 24:4)! Os anjos disseram a Maria: “Ele não está aqui, mas ressuscitou...” (Lucas 24:6). Mas se Jesus ressuscitou como os anjos disseram, onde Ele estava? Como ela poderia encontrá-lo? Sentindo-se desanimada e sozinha, Maria ficou do lado de fora do túmulo chorando. No grego, a palavra significa chorar continuamente, realçando o fato de que ela estava extremamente preocupada com os eventos inexplicáveis que estavam acontecendo. Acima de tudo, ela queria saber o que acontecera com Jesus. João escreve: “...[ela] abaixou-se, e olhou para dentro do túmulo” (João 20:11). A palavra “abaixou-se” é parakupto, a mesma palavra usada em João 20:5 para retratar João dando uma espiada no túmulo. Agora era a vez de Maria se abaixar e espiar dentro do sepulcro vazio — mas quando ela olhou para dentro, viu algo que não esperava! João nos revela: “...[ela] abaixou-se, e olhou para dentro do túmulo, e viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde o corpo de Jesus fora posto, um à cabeceira e outro aos pés” (João 20:11.12). A palavra “viu” é a palavra grega theaomai, que nos diz com certeza que Maria fixou os olhos sobre os anjos, determinada a olhar para eles e ter a experiência completa. Primeiro, ela viu que os dois anjos estavam “de branco”. Isso concorda com todas as outras experiências de visões angelicais naquele dia agitado. Todos eles estavam vestidos de branco brilhante com uma aparência reluzente. Todos os anjos vistos naquele dia também usavam o mesmo tipo de manto — como os longos e esplendorosos mantos usados por guerreiros, reis, sacerdotes ou qualquer pessoa de grande poder e autoridade. O emprego da palavra theaomai (“viu”) nos fala que dessa vez Maria visivelmente estudou cada detalhe dos anjos que viu no túmulo. João continua nos informando que Maria viu esses anjos “...sentados onde o corpo de Jesus fora posto, um à cabeceira e outro aos pés”. Essa afirmação está em perfeito acordo com o interior de um túmulo escavado em uma rocha durante os tempos bíblicos. Depois da entrada do túmulo, geralmente havia uma sala separada menor com um pedestal, também esculpido em pedra. Nessa placa de pedra o corpo era colocado para repousar, depois de ser vestido com roupas funerárias e perfumado pelos entes queridos. A cabeça era levemente elevada, fazendo o tronco do cadáver ficar levemente inclinado para baixo, com os pés apoiados em uma pequena saliência ou sulco, ambos projetados para evitar que o corpo escorregasse da placa. Quando Maria viu os anjos, ela percebeu que um estava sentado na parte de cima da placa e o outro estava sentado ao pé dela. Entre esses anjos, era possível ver o lugar vazio onde ela pessoalmente havia visto Jesus alguns dias antes. Lucas 23:55 nos diz que depois que o corpo de Jesus foi colocado no sepulcro, Maria Madalena e outras mulheres que vieram da Galileia “...viram o túmulo e como o corpo fora ali depositado”. A palavra “viram” (theaomai), como já falamos, significa contemplar, ver totalmente ou olhar atentamente. Aquelas mulheres inspecionaram o túmulo, olhando para o corpo morto de Jesus para ver se Ele fora honrosamente colocado no lugar. Por Marcos 15:47 usar o tempo imperfeito para nos dizer como as mulheres olhavam para o corpo de Jesus, entendemos que aquelas mulheres levaram tempo suficiente para ter certeza de que Ele estava devidamente posicionado ali. Agora, Maria via o mesmo local onde ela havia trabalhado tão cuidadosamente alguns dias antes, mas o cadáver do qual ela cuidou não estava mais lá. Quando Maria olhou e chorou, os anjos lhe perguntaram: “Mulher, porque choras? Ela lhes respondeu: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram. Tendo dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não reconheceu que era Jesus” (João 20:13-14). Abatida pela tristeza, Maria se retirou do túmulo bem a tempo de ver um homem parado ali perto. Devido à mudança de aparência de Jesus, ela foi incapaz de reconhecê-lo. O versículo 15 nos conta o que aconteceu em seguida: “Perguntou-lhe Jesus: Mulher, por que choras? A quem procuras? Ela, supondo ser ele o jardineiro, respondeu: Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei”. Naquele exato momento, Jesus disse ternamente: “Maria”. Ao ouvir aquela voz e reconhecer o velho modo familiar como Ele chamava seu nome, “Ela, voltando-se, lhe disse, em hebraico: Raboni (que quer dizer Mestre)!” (v. 16). Embora a aparência de Jesus estivesse diferente, Maria o conheceu por Sua voz. Isso me lembra de João 10:27, quando Jesus disse aos Seus discípulos: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz...”. Maria conhecia a voz dele e reconheceu que era o seu pastor que estava diante dela. Em Apocalipse 1, João nos fala sobre sua visão na ilha de Patmos. Em meio a essa fenomenal visitação divina, ele diz: “Achei-me em espírito, no dia do Senhor, e ouvi, por detrás de mim, grande voz, como de trombeta... Voltei-me para ver quem falava comigo...” (Apocalipse 1:10,12). Como Maria, quando João ouviu aquela voz, ele a reconheceu como a voz de Jesus. Foi por isso que João escreveu: “...voltei-me para ver quem falava comigo”. É claro que é impossível “ver” uma voz, mas João reconheceu o som daquela voz e se virou para conferir o rosto. Ele sabia que era Jesus. Mas, como Maria também havia descoberto, a aparência física de Jesus parecia radicalmente diferente da do Jesus que João conhecera em Sua forma terrena. A voz de Jesus nunca mudou e João imediatamente reconheceu isso. Parece que Maria estendeu as mãos para se agarrar a Jesus, mas Ele a advertiu, dizendo: “Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus” (João 20:17). Com essa afirmação, Jesus deixou claro que tudo mudara por causa da cruz. Agora, um novo relacionamento com Deus estava disponível para os apóstolos e para todos os que invocassem o nome de Jesus Cristo! João 20:18 prossegue dizendo: “Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: ‘Eu vi o Senhor!’ E contou o que Ele lhe dissera”. Ao contar aos discípulos sobre a sua experiência com o Senhor ressurreto, Maria tornou-se a primeira mulher pregadora do Evangelho! Hoje, nos alegramos que Jesus esteja vivo! Por causa do que Ele fez por nós na cruz, agora temos acesso a Deus, o Pai. Esse foi o propósito da cruz: redimir a humanidade e colocar o homem de volta no relacionamento correto e na comunhão com o seu Pai Celestial. Jesus pagou por tudo! Ele concluiu a obra da redenção para que hoje possamos estar em um relacionamento correto com Deus, aceitando a obra de Cristo no Calvário pela fé. Encorajo você a ser ousado em reconhecer a voz de Jesus. Se você pertence a Ele, então conhece a Sua voz. Maria conhecia a voz dele; João conhecia a voz dele e o seu espírito nascido de novo também a conhece. Se você reservar um tempo para ouvir, escutará a voz de Jesus lhe chamando, assim como Ele carinhosamente chamou Maria naquele dia no jardim. Ele o conhece pelo nome e quer desfrutar de uma comunhão íntima com você. Se você separar um tempo para ouvir, conhecerá Jesus melhor do que qualquer pessoa em sua vida e Ele será fiel para lhe guiar com precisão divina em todas as situações desafiadoras que você enfrentar. Embora Maria não tenha reconhecido o Jesus ressuscitado quando o viu pela primeira vez, no momento em que Ele disse o nome dela, ela reconheceu a Sua voz. Você se lembra da época em que teve certeza de que Jesus estava lhe chamando pelo nome? Como você respondeu e qual foi o resultado dessa experiência? Observe que a primeira pessoa que Jesus comissionou para proclamar a notícia de Sua ressurreição foi uma mulher. No Jardim do Éden, uma mulher operando sob o engano desobedeceu e, assim, contribuiu com a queda da humanidade. No jardim da ressurreição, uma mulher, capacitada pela revelação, obedeceu e assim levou a notícia da redenção e restauração do homem. De que maneira você está sendo obediente para proclamar aos outros a Boa Nova do que Jesus fez? Quando Jesus disse a Maria: “...subo para meu Pai e vosso Pai; e ao meu Deus e ao seu Deus”, Ele declarou que, assim como foi ressuscitado para uma nova vida, a humanidade foi elevada a um novo nível também. Se você acredita em Jesus e em Seu sacrifício por você, Deus é seu Pai e seu Deus. Como você tem permitido que essa verdade molde sua identidade e influencie a maneira como você responde a Deus em assuntos grandes e pequenos? Capítulo 33 Relatos de Testemunhas Oculares de que Jesus Ressuscitou dos Mortos No próprio dia da ressurreição, Jesus apareceu aos discípulos em vários momentos e lugares. Era uma impossibilidade física para Ele estar em tantos lugares diferentes em um dia. Essas aparições, portanto, revelaram que o corpo glorificado de Jesus não tinha as mesmas limitações que Seu corpo terreno possuía antes de Sua ressurreição e glorificação. A Bíblia deixa claro que, em Sua condição gloriosa, Ele podia aparecer, desaparecer, viajar grandes distâncias e até mesmo atravessar sobrenaturalmente uma parede ou a porta trancada de uma casa (João 20:26). No mesmo dia em que Jesus ressuscitou de entre os mortos, Ele não apareceu apenas a Maria Madalena fora do sepulcro do jardim (João 20:14- 17), mas a dois discípulos enquanto caminhavam de Jerusalém para a cidade de Emaús (Lucas 24:13-31). Quando os três homens sentaram para comer juntos, Jesus abençoou a comida. Depois de ouvir a maneira como Ele abençoou a comida, os dois discípulos imediatamente reconheceram que era o Senhor — logo depois, Ele, de repente “...desapareceu da presença deles” (v. 31). Naquela mesma noite, Jesus atravessou sobrenaturalmente as paredes de uma casa onde os 11 discípulos estavam reunidos, milagrosamente aparecendo bem na frente deles. João 20:19 nos fala sobre esse evento surpreendente: “Ao cair da tarde daquele dia, o primeiro da semana, trancadas as portas da casa onde estavam os discípulos com medo dos judeus...”. Esse versículo diz que quando os discípulos se reuniram para jantar, eles se certificaram de que estavam “trancadas as portas da casa”. A palavra “porta” nessa passagem, no grego, é thura, o que nos diz que essa era uma porta grande e sólida. Como se isso não bastasse, o versículo nos fala que essas portas estavam “trancadas”. A palavra “trancada” é a palavra grega kleio, que significa bloqueado. Portas desse tipo geralmente eram trancadas com um ferrolho pesado que deslizava por meio de anéis presos à porta e à estrutura — como as trancas que usamos hoje em portas, só que mais pesadas. Essa porta seria difícil, senão impossível de arrombar. O fato de ter sido trancada por “medo dos judeus” nos diz que os discípulos adotaram um procedimento de autopreservação e proteção. Com os rumores da ressurreição de Jesus já enchendo a cidade de Jerusalém, não havia certeza de que os líderes que crucificaram Jesus não tentariam prender o restante dos apóstolos e fazer o mesmo com eles que fizeram com Jesus. Sabemos que os guardas romanos que fugiram do local da ressurreição “...contaram aos principais sacerdotes tudo o que sucedera” (Mateus 28:11). Para impedir que o povo de Israel conhecesse a verdade da ressurreição de Jesus, os principais sacerdotes e anciãos subornaram os soldados para que mantivessem as bocas fechadas sobre o que tinham visto. O versículo 12 nos revela: “Reunindo-se eles em conselho com os anciãos, deram grande soma de dinheiro aos soldados”. Os principais sacerdotes e anciãos inventaram uma história e disseram aos soldados o que eles deveriam dizer quando as pessoas perguntassem o que havia acontecido:“Dizei: Vieram de noite os discípulos dele e o roubaram enquanto dormíamos” (v. 13). A confissão dos soldados de que dormiram no trabalho os consideraria dignos de punição aos olhos de Pilatos, de modo que os líderes religiosos lhes asseguraram: “Caso isto chegue ao conhecimento do governador, nós o persuadiremos e vos poremos em segurança” (v. 14). Os soldados ouviram o plano dos líderes religiosos e ficaram satisfeitos com a quantia de dinheiro que lhes foi oferecida para permanecerem em silêncio. O versículo 15 então relata: “Eles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam instruídos...”. Depois que os principais sacerdotes e anciãos compraram o testemunho dos guardas romanos, eles se posicionaram para fazer algumas sérias prisões. Primeiro, sabemos que eles já estavam afirmando que os discípulos roubaram o corpo de Jesus. Mas para roubar o corpo, eles tinham que dominar os guardas romanos ou passar por eles enquanto dormiam. De qualquer forma, isso seria considerado uma péssima desonra para a reputação dos guardas. E se os discípulos fossem pegos, eles potencialmente seriam mortos por essa ação. Para abrir o túmulo, o selo do governador tinha que ser quebrado. Quebrar esse selo era uma ofensa que exigia a sentença de morte, pois era uma violação do poder do império. Sem dúvida, as mesmas multidões enfurecidas que aplaudiam enquanto Jesus levava sua trave ao Gólgota ainda estavam na cidade. A cidade já estava em tumulto devido aos acontecimentos tão estranhos — o céu ficando escuro no meio do dia sem qualquer explicação natural; o véu do templo se rasgando ao meio; vários terremotos sacudindo todo o território ao redor. Não demoraria muito para agitar toda a cidade ao extremo e colocá-la contra os discípulos. Era por isso que os discípulos estavam trancados, com as portas bem fechadas naquela noite. Mas embora as portas estivessem bem trancadas, Jesus sobrenaturalmente atravessou a matéria sólida e apareceu no meio dos discípulos. João 20:19 diz que Jesus veio “...pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco!” Sem dúvida, essa aparição repentina deve ter aterrorizado os discípulos. Lucas 24:37 nos revela que “Eles, porém, surpresos e atemorizados, acreditavam estarem vendo um espírito”. Foi por isso que Jesus lhes disse: “Por que estais perturbados? E por que sobem dúvidas ao vosso coração? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho” (vv. 38,39). Observe que Jesus disse: “apalpai-me”. Temos aí a palavra grega psilaphao, e significa literalmente tocar, apertar ou sentir. Jesus deu permissão aos discípulos para examinar Seu corpo ressuscitado para ver que era um corpo real e não um espírito. De repente Jesus lhes perguntou: “Tendes aqui alguma coisa que comer?” Os versículos seguintes dizem: “Então, lhe apresentaram um pedaço de peixe assado [e um favo de mel]. E ele comeu na presença deles” (Lucas 24:42-43). Depois de comer o peixe e o favo de mel, Jesus começou a lhes falar das Escrituras, apontando as principais profecias do Antigo Testamento relacionadas a Ele. Lucas 24:45 relata: “Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras”. Jesus explicou aos discípulos que o arrependimento teria que ser pregado em Seu Nome entre todas as nações, mas que deveria começar em Jerusalém. Foi quando Ele lhes disse: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (João 20:21). O discípulo Tomé não esteve presente no quarto naquela noite em que Jesus atravessou a matéria sólida e entrou na sala. Mais tarde naquela noite, Tomé se juntou a eles e ouviu as notícias, mas a essa altura Jesus já havia partido. Ele zombou dos outros discípulos e disse: “Se eu não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, e ali não puser o dedo, e não puser a mão no seu lado, de modo algum acreditarei” (João 20:25). Oito dias depois, os discípulos estavam atrás de portas trancadas novamente, mas dessa vez Tomé estava com eles. João 20:26-27 diz: “...veio Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco! E logo disse a Tomé: Põe aqui o dedo e vê as minhas mãos; chega também a mão e põe- na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente”. Claro, após esse evento, Tomé acreditou! Jesus apareceu aos Seus discípulos novamente, dessa vez no Mar de Tiberíades. Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael, os filhos de Zebedeu e dois outros discípulos seguiram Pedro até o litoral para pescar. Mas depois de pescar a noite toda, os discípulos não pegaram nada. Então, de manhã, Jesus apareceu na praia e levou os discípulos a lançarem as redes do outro lado do barco. Embora eles não tivessem certeza de quem os estava instruindo, os homens obedeceram de qualquer maneira — ali pegaram tantos peixes que não foram capazes de puxar suas redes para dentro do barco! Foi quando eles reconheceram que o homem que os havia instruído era o Senhor (João 21:2-7). Antes que a noite terminasse, Jesus sentou-se ao redor de uma fogueira, comeu peixe e passou um tempo em comunhão com eles. João 21:14 diz: “E já era esta a terceira vez que Jesus se manifestava aos discípulos, depois de ressuscitado dentre os mortos”. Então, finalmente, os discípulos se reuniram no mesmo monte da Galileia, onde Jesus os havia comissionado. Ele apareceu para eles e lhes deu a Grande Comissão. Ele disse: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mateus 28:18-20). Além dessas aparições registradas nos evangelhos, 1 Coríntios 15:5-7 diz: “E apareceu a Cefas e, depois, aos doze. Depois, foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria sobrevive até agora; porém alguns já dormem. Depois, foi visto por Tiago, mais tarde, por todos os apóstolos”. Atos 1:3 relata: “...se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus”. E quanto a você? Você tem experiências com Jesus Cristo nas atividades diárias da sua vida ou Jesus está apenas relegado aos cultos da igreja e à escola dominical? Pelo que você acabou de ler, agora já sabe que Jesus estava “entre” os Seus discípulos depois da Sua ressurreição. Comeram com Ele, conversaram com Ele e tiveram comunhão com Ele. Jesus até os ajudou a pescar! O Jesus ressuscitado se aproximou dos Seus discípulos — mas você se aproxima dele enquanto realiza as atividades da sua vida cotidiana? Mesmo que Jesus esteja sentado agora mesmo à direita do Pai nas alturas, você pode conhecê-lo intimamente por meio do ministério do Espírito Santo. O Espírito Santo é o Grande Revelador de Jesus Cristo. Apenas peça ao Espírito Santo que lhe mostre Jesus e Ele será fiel para tornar Jesus mais real para você do que a sua mente natural pode imaginar. Jesus repreendeu Tomé por não acreditar até ver. Ao mesmo tempo, Jesus pronunciou uma bênção para todos os que cressem que Ele havia ressuscitado dos mortos sem realmente tê-lo visto. A Pessoa do Espírito Santo é um Revelador. É seu papel não apenas lhe revelar as coisas que estão por vir, mas também mostrar, em crescente profundidade e clareza, quem é Jesus tanto para você como por intermédio de você — como um membro do Seu Corpo na Terra. Você está reservando um tempo para ter comunhão com Deus a fim de que o Espírito Santo possa lhe dar a revelação que você precisa e que o seu coração deseja? Você já desejou ter andado com Jesus quando Ele esteve na Terra? Se sim, você está de fato ansiando por menos do que está à sua disposição agora. Por meio da Palavra escrita de Deus e do ministério do Espírito Santo, você pode experimentar uma comunhão ainda mais íntima e profunda com Jesus do que Seus discípulos compartilharam durante Seu ministério terreno. A Bíblia descreve o poder e as façanhas demonstradas na vida daquelesque andaram com Jesus. Pense sobre o que Deus pode realizar por meio da sua vida quando você escolher conscientemente caminhar diariamente com Jesus por intermédio da Sua Palavra e do Seu Espírito. Jesus disse aos Seus discípulos que quando o viam, viam o Pai (João 14:7). O mesmo pode ser dito sobre você? Se você é um cristão, deve ser o representante de Jesus na Terra, refletindo a Sua natureza e os Seus caminhos. Quando as pessoas chegam até você, elas sentem que Jesus as está alcançando por seu intermédio? De que maneira você deliberadamente dá testemunho do fato de que Jesus está vivo e habita em seu interior? Capítulo 34 O Que Jesus Tem Feito nos Últimos Dois Mil Anos? Quando Lucas escreveu o capítulo 1 de Atos, ele narrou eventos nos últimos dias da aparição de Jesus na Terra. Ele diz que Jesus “...se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus” (v. 3). Em Atos 1:9, Lucas continua nos relatando que no final desses 40 dias, depois de Jesus ter falado aos Seus seguidores uma última vez, “...foi elevado às alturas, à vista deles, e uma nuvem o encobriu dos seus olhos”. Lucas continua: “E, estando eles [os apóstolos] com os olhos fitos no céu, enquanto Jesus subia, eis que dois varões vestidos de branco se puseram ao lado deles e lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir” (Atos 1:10,11). Naquele dia, os anjos declararam que Jesus retornaria da mesma maneira que Ele foi, quase dois mil anos atrás. Dias depois, quando Pedro pregou sua primeira mensagem no Dia de Pentecostes, ele declarou que Jesus permaneceria no céu até o cumprimento de toda a Bíblia no final dos tempos (ver Atos 3:21). Somente quando todas as profecias ainda não cumpridas forem finalmente cumpridas, Jesus retornará e quando Ele voltar, será exatamente da mesma maneira que Ele ascendeu quase dois mil anos atrás. No entanto, dessa vez, Jesus não retornará como um humilde servo. A Bíblia declara que Ele retornará como o Rei dos reis e o Senhor dos senhores! Quando os discípulos observaram Jesus ascender em uma nuvem de glória que o encobriu no céu, aquela foi a última vez que Ele foi visto na Terra em Sua forma humana física. Claro, desde aquela época, as pessoas têm experimentado momentos sobrenaturais quando veem Jesus em Espírito — seja em visões ou em sonhos. E também sabemos que Jesus está tocando a vida das pessoas hoje por meio da Sua Igreja, à qual a Bíblia até se refere como o Corpo de Cristo. Mas o próprio Jesus — em Sua forma física real — deixou a Terra há dois mil anos e esteve ausente desde então. Ele permanecerá ausente até que todas as passagens bíblicas relacionadas aos últimos dias tenham sido cumpridas. Embora possamos querer prever quando esse dia chegará e até mesmo reconhecer o motivo da segunda vinda de Jesus, Mateus 24:36 nos diz que somente o Pai sabe exatamente o dia e a hora em que Jesus voltará. Quando Pedro pregou no dia de Pentecostes, ele disse à sua audiência onde Jesus estava naquele momento: Tendo subido ao céu, Jesus estava sentado à direita do Pai! Pedro então declarou que uma vez que Jesus se assentou em Sua nova posição permanente à direita do Pai, Sua primeira ordem de trabalho foi derramar o dom do Espírito Santo sobre a Igreja (ver Atos 2:33). Isso foi exatamente o que aconteceu no dia de Pentecostes. Em Atos 2:1-2, a Bíblia nos diz: “Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos [os 120 discípulos que se reuniram no cenáculo em Jerusalém] reunidos no mesmo lugar; de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados”. O vento impetuoso que se ouviu no dia de Pentecostes foi o som sobrenatural da descida do Espírito Santo e Sua entrada na Igreja que iniciou a Era da Igreja e a dispensação do Espírito Santo. As palavras “vento impetuoso” vêm de uma palavra grega que era normalmente usada para descrever um barulho ensurdecedor ou o rugido das ondas do mar, especialmente durante as tempestades de inverno. Você já esteve perto do mar durante uma tempestade de inverno e ouviu o rugido das ondas? É tão alto que você mal consegue ouvir outra pessoa falar — mesmo que ela esteja ao seu lado. Isso nos diz categoricamente que quando o Espírito Santo fez Sua entrada no Dia de Pentecostes, não foi algo silencioso. Foi barulhento, grandioso e alardeador. Embora o Espírito Santo seja um cavalheiro, Ele não tem medo de barulho alto. A verdade é que a entrada da Terceira Pessoa da Trindade foi tão alardeadora que todas as pessoas presentes no dia de Pentecostes entenderam que o Espírito Santo havia descido, assim como Jesus profetizou (ver João 14:16). Desde aquele tempo, o Espírito Santo tem estado na Terra para representar, glorificar a Jesus e capacitar os crentes para fazer as obras de Jesus. Esses últimos dois mil anos — e enquanto existir a Era da Igreja — foram e serão a dispensação do Espírito Santo. Por mais maravilhosa que seja essa dispensação, todos os corações anelam pelo dia em que as nuvens baixarão e o próprio Jesus descerá novamente ao mundo. Mas até aquele momento em que Jesus de repente e sobrenaturalmente aparecerá, esta é e continuará a ser a era em que o Espírito Santo está em ação como representante de Jesus no mundo. É por isso que devemos fazer tudo o que pudermos para aprender mais sobre o Espírito Santo e como termos parceria com Ele nesta vida. Sendo essa a dispensação do Espírito Santo e estando o próprio Jesus fisicamente ausente da Terra desde o dia em que subiu ao céu, onde está Jesus agora e o que tem feito nos últimos dois mil anos? Quando os pés de Jesus deixaram a Terra e Ele foi recebido no céu. Hebreus 8:6 nos diz que Ele iniciou a fase seguinte de Seu ministério — uma fase tão maravilhosa que esse versículo chama de “...um ministério tanto mais excelente, quanto é ele também Mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas”. A palavra grega para “excelente” significa incomparável, sem paralelos, insuperável, imbatível, melhor, maior ou mais excelente. Isso quer dizer que o ministério atual de Jesus não deve ser comparado ao Seu ministério terreno anterior. De fato, Hebreus 8:6 enfaticamente nos informa que o ministério de Jesus nesta dispensação do Espírito Santo é o Seu melhor, maior e mais excelente ministério. Por que esta fase do ministério de Jesus é tão excelente? O que Ele está fazendo agora que é tão poderoso? No momento em que Jesus sentou-se à direita do Pai, Seu ministério como o Grande Sumo Sacerdote para todos que invocam o Seu Nome foi iniciado. Sob a Antiga Aliança, havia muitos sacerdotes, mas cada um deles acabou morrendo devido à sua condição humana. No entanto, Hebreus 7:24-25 declara: “Este [Jesus], no entanto, porque continua para sempre, tem o seu sacerdócio imutável. Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles”. Hebreus 4:15,16 também descreve o poder do ministério atual de Jesus: “Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna”. Essa é a melhor notícia que você já ouviu! Pense nisto — Jesus tornou-se seu Grande Sumo Sacerdote — seu representante pessoal que se assenta à direita do Pai Celestial. O ministério de Jesus hoje é representar você ao Pai. E porque Jesus viveu na Terra como homem, Ele entende todo problema ou tentação que possa vir em sua direção. Jesus enfrentou todas as tentações que qualquer ser humano já encontrou na vida. Isso significa que Ele experimentou todas as tentações que você enfrenta. Tudo o que você fala com Jesus é algo com o qual Ele foi pessoalmente tentado quando andouna Terra e que Ele pessoalmente entende. Mas a Bíblia declara que, embora Ele tenha sido tentado de todas as formas — assim como nós — Jesus não cometeu pecado. Portanto, Ele está qualificado hoje para assentar à direita do Pai e interceder em nosso favor. É por isso que Hebreus 4:16 nos diz: “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna”. A palavra “confiadamente” vem da palavra grega muitas vezes usada parresia, que se refere à liberdade de fala. Ela apresenta a imagem de uma pessoa que fala o que pensa e que faz isso de maneira direta e com grande confiança. Com frequência, nos tempos do Novo Testamento, a palavra parresia mostrava uma franqueza que era tão ousada, que era regularmente recebida com resistência, hostilidade e oposição. Simplesmente não era aceitável falar tão francamente. Portanto, quando alguém falava seus pensamentos livremente, sua franqueza era recebida com repreensão vez após outra. Mas o Espírito Santo usa a palavra parresia nesse versículo para nos incitar a ir “ousadamente” diante do trono de graça de Deus. Isso significa que Jesus não apenas nos convida a ir a Ele, mas também nos convida a sermos sinceros quando falamos com Ele! Você não precisa temer ser franco demais, ousado demais, direto demais, honesto demais, sincero demais ou contundente demais quando abrir o seu coração para Deus a respeito das suas necessidades e dificuldades ou quando pedir a ajuda dele. Claro, você nunca deve ser irreverente — mas também não precisa ter medo de falar exatamente o que está em seu coração. A palavra grega parresia enfaticamente diz que Jesus nunca ficará chateado, ofendido ou insultado quando você falar livremente o que está no coração e mente para Ele. Ele quer ouvir o que você tem a dizer! Hebreus 4:16 prossegue dizendo para nos “...achegarmos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna”. A palavra “recebermos” vem da palavra grega lambano — palavra que significa apreender ou apoderar -se de algo para torná-lo seu. É a imagem de se agarrar, capturar ou tomar posse de algo. Dependendo do contexto em que é usada, lambano pode tanto significar usar algo para agarrar ou pegar como se fosse seu quanto pode representar uma pessoa que gentil e graciosamente recebe algo que é dado de forma livre e fácil. Jesus está sempre lá, esperando misericordiosamente para ajudar quem vem a Ele pela fé. Mas suas próprias circunstâncias pessoais ou lutas internas podem afetar a facilidade que você recebe a ajuda dele. Se a sua luta é intensa, se sua mente está sendo torturada, se a sua carne estiver resistindo ou se parece que o mundo está lhe esmagando, pode ser difícil para você receber livremente do Senhor. Nesses momentos, você precisa se aproximar e agarrar à força a ajuda que Deus lhe oferece. Jesus está pronto e disposto a simplesmente lhe dar o que você precisa. Tudo o que você tem a fazer é abrir o seu coração e, pela fé, receber. Você deve expulsar essas circunstâncias e emoções negativas, e estender a mão pela fé para agarrar-se à graça e misericórdia que Jesus tão livremente oferece. É hora de você receber a misericórdia que Ele quer dar — mas não pare na misericórdia! Se você continuar pressionando pela fé, esse versículo promete que você também “encontrará graça para socorro em ocasião oportuna”. A palavra “encontrar” é uma tradução da palavra grega eurisko, que significa encontrar. Denota uma descoberta feita por meio de uma pesquisa ou por acaso. Geralmente, traz a ideia de uma descoberta feita como resultado de uma intensa investigação, estudo científico ou pesquisa acadêmica. Depois de trabalhar longas horas e procurar por um longo tempo, o pesquisador descobre, de repente, o que vem buscando. Nesse momento inesquecível de alegre euforia, ele grita: “EUREKA!” — que significa “eu ENCONTREI!” A palavra eureka é derivada dessa palavra grega eurisko, o que nos permite entender o tipo de alegria intensa que uma pessoa experimenta quando encontra a ajuda pela qual vem procurando por tanto tempo. Graças a Deus pelos momentos especiais em que um crente “se depara” com a ajuda de Deus. Falo de ocasiões em que alguém é jovem no Senhor ou muito inexperiente para saber o que está fazendo ou mesmo como orar corretamente. Ou talvez um crente que esteja inocentemente cometendo todo tipo de erro. De alguma forma, a misericórdia e a graça de Deus superam todos esses erros e esse precioso crente é divina e sobrenaturalmente alcançado por uma ajuda que faz que ele se eleve acima das suas circunstâncias e supere todos os obstáculos. Aquele crente não consegue nem explicar o que aconteceu ou como ele recebeu aquela assistência divina. Tudo o que ele sabe é que de repente ele foi capacitado! Naquele momento, ele “encontrou” o socorro que precisava para superar o que estava enfrentando na vida. No entanto, o “socorro” geralmente não vem por acaso; em vez disso, vem quando uma pessoa busca diligentemente a ajuda de que precisa. Quando aquele diligente buscador se apodera da sua resposta vinda do céu, uma euforia enorme inunda o seu coração que ele exclama: “EU TENHO!”; “EU ENCONTREI!” ou “EU RECEBI!” Depois de uma longa procura, aquele que buscava está agora segurando em sua mão a resposta que tanto precisava de Deus! Mas eu devo salientar mais uma coisa muito importante sobre a palavra eurisko. Essa palavra também pode ser usada para retratar alguém que busca diligentemente e, portanto, adquire algo para outra pessoa. Isso tem conotações poderosas e quero explicar por quê. Significa que você pode ir a Jesus, o Grande Sumo Sacerdote, para receber misericórdia e encontrar socorro para os outros, sobre quem você está preocupado ou que estão sobrecarregados. Você pode obter ajuda: 12.Para aqueles que precisam de cura para os seus corpos. 13.Para aqueles que estão oprimidos e precisam de libertação. 14.Para aqueles que estão atormentados e precisam de paz. 15.Para casamentos e famílias que estão com problemas. 16.Para provisão a ser dada àqueles que precisam de um avanço financeiro. 17.Para aqueles que estão em necessidade em qualquer área das suas vidas. Você não apenas pode apresentar as suas próprias necessidades a Jesus, mas também pode levar as necessidades de outros a Jesus e obter a ajuda da qual eles precisam desesperadamente. Agora vamos observar a frase “socorro em ocasião oportuna”, que é uma tradução da palavra boetheia; uma palavra que tinha principalmente uma conotação militar. Ela pode simplesmente ser traduzida como ajudar a atender às necessidades de alguém. Mas quando você entende as implicações militares dessa palavra, ela se torna verdadeiramente poderosa. A palavra boetheia era usada em primeiro lugar para descrever o momento em que um soldado se metia em confusão. Quando seus companheiros soldados eram alertados sobre sua situação perigosa, eles se dedicavam completamente ao objetivo de entrar na batalha para defender seu companheiro e lutar por seu bem-estar e segurança. Bastava ouvir que um soldado estava precisando e isso era o suficiente para atrair os outros soldados para a batalha e motivá-los a não poupar esforços para resgatá-lo e trazê-lo de volta a um lugar de segurança e proteção. Como boetheia é a palavra usada nesse texto, entendemos que quando entrarmos em problemas e Jesus souber disso, Ele virá em nossa defesa! Ele vai lutar por nós em nosso tempo de necessidade. Se formos a Jesus, nosso Grande Sumo Sacerdote e apresentarmos nosso caso a Ele, Ele intercederá por nós — levantando-se como um poderoso guerreiro pronto para lutar por nós até sermos libertados. Esse é o “socorro” que encontraremos quando apresentarmos as nossas necessidades a Jesus. Pense nisto: por que sempre tentamos lutar sozinho em nossas batalhas quando o maior guerreiro do universo — aquele que possui o poder supremo — está disposto a lutar por nós? Então, qual é a respostapara a pergunta: “Onde está Jesus, e o que Ele tem feito nos últimos dois mil anos?”. Depois que a obra de Jesus na cruz foi terminada e Ele ressuscitou dos mortos, Ele subiu ao céu e se assentou à direita do Pai. Hoje, Jesus vive o tempo todo a interceder por você e por qualquer um que venha a Ele pela fé. Ele luta por todo crente que vem corajosa e honestamente a Ele e que sinceramente busca a Sua ajuda. Eu diria que esse ministério tem mantido Jesus bem ocupado nos últimos dois mil anos! Por que Jesus viria à Terra, se humilharia a ponto de morrer na cruz, ressuscitaria dos mortos e derramaria o dom do Espírito Santo para lhe capacitar e depois lhe rejeitaria ou resistiria quando você fosse a Ele com as suas necessidades? Ele não faria isso! Por ter sido obediente até a morte na cruz, Jesus foi sobremaneira exaltado acima de todos os outros nomes, seja no céu, na terra ou debaixo da terra (Filipenses 2:8-10). De Seu lugar sobremaneira exaltado, Ele ainda tem os olhos fixos em você. Quase dois mil anos atrás, Jesus morreu por você. Mas hoje — neste exato momento — Ele vive para interceder por você e lutar por todas as suas necessidades. Jesus venceu a morte, o inferno e a sepultura e agora vive para sempre para interceder por você! Medite nesta verdade: o Criador do Universo veio à Terra para experimentar tudo o que você poderia passar. Ele pagou a penalidade por todo pecado que você cometeria. E agora Ele está sentado ao lado do Pai Celestial, falando em seu nome. Você tem um representante no céu que já enfrentou todas as tentações que você poderá enfrentar e suportou todas as dores que você já experimentou ou experimentará. Ele se identifica completamente com a sua condição humana. Quando você vai corajosamente diante dele com as suas petições, Jesus é poderoso e está disposto ao máximo para salvar você ou outras pessoas. Não importa qual situação você esteja enfrentando, Deus é por você, não contra você. Pense nisso! Deus gosta de conversas diretas, sem rodeios. As pessoas podem se sentir desafiadas pela comunicação direta e confiante, mas Deus espera isso. A irreverência é inadequada, é claro, mas a honestidade é o que Deus quer quando você derrama seu coração diante Ele. Porém, você não pode ser honesto com Deus ou confiante em Sua presença até estar disposto a ser honesto consigo mesmo. Talvez você esteja orando e até se preocupando com uma situação há algum tempo. Você já sondou o seu próprio coração para ter certeza de que está dizendo a verdade a si mesmo sobre o assunto, sem desculpas ou negações? Pense nisto. A pessoa do Espírito Santo é o Espírito da Verdade. Ele lhe ajudará a passar por suas próprias lutas internas, para que possa conhecer e entender a verdade e assim prosseguir e ir diante de Deus em confiança. Conte com Ele. O ministério do Espírito Santo é para ajudá-lo a fazer a vontade de Deus, assim como Ele capacitou Jesus para fazer a vontade de Deus durante Seu ministério terreno. Toda fragilidade e insuficiência da condição humana é compensada pela sabedoria e pela suficiência do Espírito Santo. Ele guiará você em toda a verdade e lhe mostrará as coisas por vir. Pela força do poder dele dentro de você, o Espírito Santo lhe capacitará para fazer o que a vontade de Deus requer. Pense nas áreas específicas da sua vida e nas diferentes formas de pedir e ceder à ajuda do Espírito Santo. Capítulo 35 Copie Todas as Características do Mestre Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos. — 1 Pedro 2:21 Agora que você já andou com Jesus pelos momentos mais difíceis dele durante Suas horas finais na Terra, precisa saber que o Espírito Santo está esperando para caminhar com você por meio das suas experiências mais difíceis. O mesmo Espírito que ressuscitou Jesus dos mortos quer lhe dar a sabedoria que você precisa e fortalecer o seu espírito, alma e corpo para o que quer que você venha a enfrentar ao longo do caminho em sua própria jornada pela vida. Então, qual é o passo seguinte? Quando chegar a hora de largar este livro e enfrentar os desafios dos próximos dias, como você aplicará efetivamente o que aprendeu sobre Jesus em sua própria vida? Deixe-me começar a responder a essas perguntas voltando por um momento para a minha sala de aula da primeira série. Como eu me lembro bem de aprender a escrever na primeira série! Eu analisava cuidadosamente como a minha professora escrevia as letras do alfabeto no quadro. Quando ela terminava, era a nossa vez de pegar nossos lápis na mão para copiar o que ela escrevera. Com toda a minha força, eu pressionava o meu lápis no papel do meu caderno de caligrafia. Eu pressionava tanto escrevendo as letras que formei um calo no meu dedo que tenho até hoje! Dei cem por cento da minha concentração para copiar exatamente todas as letras que a minha professora escrevia naquele quadro. Dia após dia, eu escrevia aquelas letras repetidas vezes, enchendo o meu caderno com páginas de escrita até finalmente dominar cada letra do alfabeto. Foi preciso concentração e compromisso, mas com o tempo, aprendi a escrever aquelas letras exatamente como a minha professora me mostrara. Tenho certeza de que você também consegue se lembrar de quando aprendeu a escrever. Mas você sabia que essa é precisamente a ideia que o apóstolo Pedro tinha em mente quando disse aos primeiros crentes: “Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos” (1 Pedro 2:21)? Deixe-me explicar o que quero dizer. Quando Pedro escreveu essas palavras aos primeiros crentes, eles estavam sofrendo terrivelmente por sua fé nas mãos do governo romano. Para eles, não havia recurso legal. Eles estavam sofrendo injustamente e não havia nada que pudessem fazer legalmente para se defender. A Palavra de Deus ordenava que se submetessem, respeitassem e orassem pelo próprio governo que os assediava e matava. Para os crentes que estavam enfrentando esse sofrimento de tratamento injusto, Pedro disse isto: “Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos” (1 Pedro 2:21). A palavra “sofreu” nesse versículo vem da palavra grega pascho, que significa sofrer. É a palavra usada para descrever a paixão ou o sofrimento de Jesus quando Ele morreu na cruz. Agora você tem uma noção mais profunda de tudo o que essa palavra implica depois de ler em capítulos anteriores sobre o sofrimento de Jesus em Suas horas finais. No entanto, há muitos outros exemplos da palavra pascho no Novo Testamento e todos eles carregam a ideia de sofrimento, passar por dificuldades, ser maltratados ou sofrer adversidades. A verdade é que Jesus experimentou uma medida de sofrimento durante toda a Sua vida nesta Terra. Quando Ele era criança, Sua família sofreu quando fugiu dos planos assassinos do rei Herodes. Mais tarde, Jesus sofreu nas mãos de líderes religiosos que o odiavam e continuamente levantavam falsas acusações contra Ele. Jesus teve que constantemente aturar o comportamento imaturo dos Seus discípulos enquanto tentava ensiná-los e ser um exemplo para eles. Então, como observamos, Jesus sofreu traição nas mãos de um de Seus associados, Judas Iscariotes. Seu sofrimento no Jardim do Getsêmani foi tão intenso que o Seu suor chegou a ponto de serem gotas de sangue caindo no chão. No final, Jesus sofreu o pior sofrimento de todos — a morte na cruz. No entanto, apesar de tudo, Ele viveu acima do sofrimento e manteve uma atitude de amor para com aqueles que o trataram injustamente. Pedro lembrou seus leitores do sofrimento, dificuldades e maus-tratos de Jesus, a fim de atrair os primeiros crentes para o Senhor em meio ao que eles mesmos vivenciavam. Naquela época, eles precisavam desesperadamente saber como responder a situações injustas que não podiam mudar. Como ninguém era melhor em lidar com tais desafios do que Jesus,Pedro lembrou aos seus leitores (e a nós) que “Cristo sofreu em nosso lugar, deixando-nos exemplo...”. Agora voltemos à imagem de uma criança aprendendo a escrever as letras do alfabeto. Quando Pedro escolheu usar a palavra “exemplo” nesse versículo, ele foi ao mundo da educação infantil e tomou emprestada a palavra hupogrammos. Essa é uma palavra que pinta uma imagem de um aluno que observa cuidadosamente o professor escrever as letras do alfabeto. Então aquela criança, meticulosamente, copia cada letra, deixando-a o mais próximo possível das letras originais escritas por seu professor. Se você se lembra da sua infância — e eu me lembro da minha — tenho certeza de que não é difícil lembrar de ter se esforçado para ver exatamente como o professor escrevia cada letra e, em seguida, tentar copiar cada traço. Você se inclinava sobre a carteira, pressionando o caderno com o lápis, concentrando-se intensamente em copiar cada letra perfeitamente. Essa é exatamente a imagem que Pedro tinha em mente quando ele nos disse para seguir o “exemplo” de Jesus. Como Jesus é o seu Mestre e Professor, você deve se concentrar em sua lousa espiritual — a Palavra de Deus — para aprender com Ele e depois reproduzir o exemplo dele em sua própria vida. Você precisa aprender: v Como o Mestre lidou com críticas injustas, para que você possa responder como Ele quando for injustamente criticado. v Como Jesus respondeu aos ataques que foram empreendidos contra Ele, para que você possa saber como responder na força dele aos ataques que vêm contra você. v Como Jesus respondeu às pessoas quando elas falharam ou o traíram, para que você possa responder da mesma maneira quando as pessoas lhe desapontarem ou magoarem. v Como Jesus se portava com graça e dignidade mesmo em meio a maus-tratos indescritíveis, para que você possa recorrer à força dele para enfrentar situações difíceis com a mesma graça e dignidade. v Como Ele perdoou os Seus acusadores a cada passo do caminho, para que você possa perdoar livremente aqueles que lhe maltratam ou difamam. Você não pode evitar o fato de que, às vezes, enfrentará situações desagradáveis nas quais se sentirá maltratado, abusado ou discriminado. Enquanto você viver em um mundo onde o diabo opera e pessoas não- salvas agirem do jeito que querem, o mal e a injustiça vão tocar sua vida de tempos em tempos. Então, quando você se deparar com uma situação que parecer injusta, deve perguntar: Como Deus espera que eu responda? Claro, você deve orar para que Deus mude uma situação difícil. A oração pode fazer uma enorme diferença em qualquer circunstância. Mas e se a situação não mudar tão rapidamente quanto você deseja? Como você deve responder? Por exemplo: v Se o seu empregador lhe trata mal sem razão óbvia alguma e a situação se prolonga por muito tempo, o que você deve fazer? Claro, você poderia encontrar outro emprego. Mas e se você souber que o seu trabalho atual é aonde Deus lhe quer e que você não deve deixá- lo? Como responder ao mau tratamento que você está recebendo do seu superior? v Se os seus colegas de trabalho querem lhe machucar, enfraquecer ou rebaixar, que ação você deve tomar? Talvez você já tenha atuado para tentar fazer amizade com eles, mas nada parece melhorar a situação. Como você deve responder ao tratamento injusto que está enfrentando? v Talvez você se sinta perseguido por colegas de escola ou faculdade que não compartilham sua fé em Cristo e que não gostam das suas convicções pessoais. Você sabe que não pode deixar a escola como reação a essa situação difícil. Mas, exatamente como Deus espera que você responda? v Talvez os membros da sua família lhe sejam hostis porque não entendem sua fé ou não concordam com a direção que você está dando à sua vida. Como você deve responder aos seus entes queridos? É muito importante que você saiba como reagir quando a sua família não concorda ou não apoia o que você está fazendo — especialmente quando você sabe que o Espírito Santo é quem leva você a seguir esse rumo. Certamente você deve fazer todo o possível para resolver conflitos com amigos e familiares e proteger a si e a sua reputação espiritual e legalmente. No entanto, algumas vezes, acontecem coisas que estão além do seu controle, que não são tão facilmente resolvidas e para as quais não há recurso fácil. Sempre que você estiver se sentindo difamado e maltratado, lembre-se de que essa é uma excelente oportunidade para o diabo lhe tentar a se tornar amargo, irritado, de coração duro e ressentido com aqueles que lhe trataram injustamente. Se você ceder a essa tentação, a sua resposta errada não fará nada para melhorar sua situação. Ao contrário, irá produzir consequências negativas em sua própria vida. É por isso que você deve se recusar absolutamente a permitir que o diabo semeie em seu coração aquelas emoções negativas que só dão maus frutos. Acalentar essas emoções nunca é a resposta, não importa a situação que você estiver enfrentando na vida. Tendo lido os capítulos anteriores, você já sabe que isso é verdade. Acredito que você tenha recebido uma nova visão da jornada de dor, traição e decepção de Jesus em Suas horas finais. Agora, eu lhe encorajo a dedicar algum tempo para considerar o grande amor dele por você e o poder que Ele disponibilizou ao entregar a Sua própria vida para que você possa conhecer a vida eterna. Talvez de um modo mais profundo do que você já o fez, convide Jesus a caminhar com você ao longo da sua própria jornada, lhe guiando pelo Seu Espírito por meio de cada dificuldade e desafio que venha a surgir ao longo do caminho. É muito importante que você saiba exatamente como Deus espera que você responda quando se encontrar em uma situação difícil na qual você não tem capacidade para mudar — não há melhor exemplo para imitar do que Jesus. Então, vá aos evangelhos e comece a ler aquelas páginas com o coração de um estudante que estuda e se esforça para copiar cada traço da caneta do seu professor. Procure extrair a verdade e respostas específicas para a sua vida e para as situações que você estiver enfrentando agora. Observe como Jesus se conduziu em circunstâncias semelhantes. Então, como uma criança aprendendo a escrever, esforce-se ao máximo para copiar cada traço do Mestre. Você provavelmente não entenderá exatamente da primeira vez, mas não desista. Assim como o aluno que está aprendendo a escrever, você deve se comprometer a tentar e tentar novamente até que tenha finalmente dominado cada traço e aprendido a responder com sucesso às situações difíceis como Jesus o fez quando Ele andou na Terra. Talvez você esteja orando por orientação, querendo entender como lidar com os conflitos que encontrou. Agora você sabe que as respostas que precisa são encontradas na vida de Jesus. Ele é o seu exemplo principal, seu Professor, seu Mestre — Aquele que você é chamado para imitar. Então, além de orar por sabedoria e orientação, é hora de você abrir a sua Bíblia e começar a ler os quatro evangelhos para observar o que Jesus fez no mesmo tipo de situações que você está enfrentando. Aprenda com a vida do Mestre e atravesse a sua situação da mesma maneira que Jesus atravessou os Seus desafios mais difíceis. Como já observamos, ninguém foi mais maltratado do que Jesus. No entanto, quando os soldados cuspiram nele, quando Pilatos ordenou que Ele fosse açoitado, quando os líderes religiosos riram dele e até mesmo quando Ele foi traído por um dos Seus próprios discípulos — Jesus continuou a andar em amor, perdoando a todos. Ele é o nosso Exemplo, mostrando-nos como devemos reagir quando enfrentamos a injustiça, quando alguém nos ofende e nos fere ou quando nos encontramos em circunstâncias difíceis além do nosso controle. Você está enfrentando tempos difíceis? Você está sendo acusado de coisas que não fez ou culpado por coisas das quais você não tem conhecimento? Você está sendo maltratado ou discriminado? Se você respondeu sim a qualquer uma dessas perguntas, este é o momento para você voltar os seus olhos para a lousa — aPalavra de Deus — e estudar cada traço do Mestre. Depois de observar o que Ele fez e como reagiu em situações semelhantes às suas, é sua tarefa copiá-lo. Se você adotar essa abordagem para os desafios que enfrenta agora, que parecem tão angustiantes, começará a perceber essas situações como oportunidades para se tornar mais semelhante a Jesus. Portanto, defina como seu objetivo sincero aplicar à sua própria vida os princípios da vida de Jesus — especialmente as verdades e princípios revelados no que Ele experimentou em Seus últimos dias na Terra. Esforce- se para fazer os traços dos seus momentos nesta Terra refletirem cada traço do Mestre. Se você deixar que o Espírito Santo lhe ajude, é possível que você ande com sucesso pela vida como Jesus o fez. Que bênção você não precisar descobrir tudo sozinho! Apenas estude os traços da caneta do Mestre e prossiga pela fé copiando esses traços diante de cada desafio que surgir. Sozinho, você não consegue fazer isso. Mas Jesus não lhe deixou enfrentar os desafios da vida sozinho e sem ajuda. Depois de pagar o preço total pela sua redenção, Ele ascendeu ao céu, onde agora intercede continuamente diante do Pai em seu favor (Hebreus 7:25). Assim como prometeu, Jesus enviou o Espírito Santo para habitar dentro de você como seu Professor e Guia, para lhe preencher e capacitá-lo a andar como Jesus andou em todas as situações que você possa vir a enfrentar. Jesus fez a parte difícil. Tudo o que Ele sofreu, Ele sofreu por você, deixando para trás um exemplo perfeito para você seguir. Ao responder com a sabedoria e amor dele diante de todos os desafios, a luz vencerá as trevas e os propósitos de Deus serão cumpridos. A vitória será sempre o resultado quando, pela graça de Deus e o auxílio do Seu Espírito, você aprender a copiar os traços do Mestre. Não é a Hora de Uma Mudança em Sua Vida? Do jardim do Getsêmani ao monte do Gólgota, Jesus Cristo experimentou todo tipo de angústia emocional e física — mais do que qualquer ser humano jamais suportou. Tal sofrimento foi a penalidade do pecado ou da desconexão intencional de Deus e Jesus aceitou isso por escolha. Decretado por Deus antes que Adão escolhesse a traição, a morte era o pagamento final pelo pecado. A santidade e a justiça de Deus exigiam que a penalidade do pecado fosse paga. Mas o amor e a devoção de Deus pelo homem levaram-no a oferecer misericordiosamente um substituto. Inicialmente, Deus permitiu que o sangue dos animais fornecesse uma cobertura para o pecado. Mas somente um homem com sangue sem pecado poderia purificar do pecado, pagando o preço final, oferecendo a Sua vida como pagamento integral pelo julgamento contra a humanidade. Assim, Jesus Cristo — Deus na forma de um homem perfeito — veio para tirar os pecados do mundo. Jesus morreu para pagar o preço final de uma vez por todas e quebrar o poder do pecado. Então Ele ressuscitou triunfante sobre a morte, o inferno e a sepultura para prover liberdade definitiva do pecado e das suas consequências destrutivas. O que isso significa para você hoje, dois mil anos após a morte e ressurreição de Cristo? Significa que Jesus conquistou a vitória total sobre o pecado e a iniquidade, para que você também possa caminhar nessa mesma vitória. Então, como essa vitória se manifesta diariamente? Considere o que você acabou de aprender sobre Jesus — não apenas o que Ele passou, mas a maneira como Ele reagiu a isso. Nada em Sua atitude ou ações refletia fraqueza ou medo. Mesmo quando suportou dores excruciantes e humilhação, mesmo quando enfrentou a forma mais horrenda de morte, Jesus esteve sempre em total controle das Suas emoções e palavras, tirando Sua força do Seu Pai Celestial. Quando Jesus foi cercado por mentirosos que injustamente o acusaram e clamaram por Sua morte, Ele não enfraqueceu e desmoronou emocionalmente, nem tentou suplicar ou negociar Sua saída da situação. Ele sabia quem era e o que Ele tinha vindo para fazer e se manteve firme confiando em Seu Pai. Jesus sabia que Sua vida estava nas mãos de Deus, não do homem. Então agora é com você. Lembre-se disso quando se sentir oprimido e cercado por adversidades ou oposição. Lembre-se da força na qual Jesus andou e opte por se achegar a essa força todos os dias da sua vida. Se você é um filho de Deus, o mesmo Espírito que ressuscitou Jesus dos mortos habita em você. O Espírito Santo não somente lhe elevará a uma novidade de vida, mas Ele também acenderá os propósitos de Deus para a sua vida que podem parecer mortos para você agora. Como a sua dívida está totalmente paga, você pode desfrutar da vida da ressurreição e prosseguir, mesmo diante de traição ou oposição em qualquer nível. Se a doença ou a enfermidade tentar chegar a você, lembre-se das feridas que Jesus suportou para obter cura e integridade física para você. Se a dor se agarrar ao seu corpo ou se um rumor de doença ameaça roubar sua paz de espírito, sobrecarregá-lo com medo encurtando a sua vida, lembre-se de Jesus. Lembre-se de como o cruel flagelo romano dilacerou Seu corpo santo, rasgando Sua carne, golpeando-o repetidamente até que o sangue fluiu sem cessar. Lembre-se de que Ele foi ferido por suas transgressões e moído por suas iniquidades. O castigo que era necessário para obter a sua paz de espírito foi colocado sobre Ele e pelas feridas que feriram Jesus, você foi curado. A partir deste momento, sua vida pode ser diferente do que sempre foi, porque o preço pelo pecado foi totalmente pago por Jesus Cristo. Oração de Salvação Quando Jesus Cristo entra em sua vida, você é imediatamente emancipado — totalmente liberto da escravidão do pecado! Se você nunca recebeu Jesus como seu Salvador pessoal, é hora de experimentar essa nova vida! O primeiro passo para a liberdade é simples. Apenas faça esta oração do fundo do seu coração: Senhor, eu nunca conseguirei agradecer-te adequadamente por tudo que fizeste por mim na cruz. Eu sou tão indigno, Jesus, mas Tu vieste e deste a Tua vida por mim assim mesmo. Eu me arrependo e deixo meus pecados agora mesmo, Jesus. Eu te recebo como meu Salvador e peço que laves o meu pecado com o Teu precioso sangue. Eu te agradeço do fundo do meu coração por fazer o que ninguém mais poderia fazer por mim. Se não fosse por Tua disposição em dar a vida por mim, eu estaria eternamente perdido. Obrigado, Jesus, pois agora estou redimido pelo Teu sangue. Tu carregaste o meu pecado, a minha doença, a minha dor, a minha falta de paz e o meu sofrimento na cruz. Teu sangue me limpou do meu pecado e me lavou, deixando-me mais alvo do que a neve, dando-me o direito de estar com o Pai. Não preciso mais ter vergonha dos meus pecados do passado, porque agora sou uma nova criatura em Ti. As coisas velhas já passaram e todas as coisas se tornaram novas porque eu estou em Jesus Cristo (1 Coríntios 5:17). Por Tua causa, Jesus, hoje sou perdoado. Estou cheio de paz e sou um herdeiro contigo! Satanás não tem mais o direito de reivindicar coisa alguma de mim. Com o coração grato, irei servir-te fielmente pelo restante dos meus dias! Se você fez essa oração do fundo do seu coração, algo maravilhoso aconteceu. Você não é mais um servo do pecado, você é agora um servo do Deus Todo-Poderoso. Os espíritos malignos que já exigiram cada gota do seu ser e sua servidão completa não têm mais autorização para lhe controlar ou ditar o seu destino. Como resultado da sua decisão de entregar a vida a Jesus Cristo, seu lar eterno foi decidido para sempre. O CÉU é agora o seu endereço permanente. O Espírito de Deus passou a habitar no seu próprio espírito humano e você se tornou o “...templo de Deus” (1 Coríntios 6:19). Que milagre! Pensar que Deus, pelo Seu Espírito, agora vive dentro de você! Nunca deixo de me surpreender com esse incrível milagre de Deus em minha própria vida. Ele me deu (e a você!) um novo coração e fez de nós a casa dele! Agora, você tem um novo Senhor e Mestre e o nome dele é Jesus. A partir deste momento, o Espírito de Deus operará em você e lhe dará poder sobrenatural para cumprira vontade dele para sua vida. Tudo vai mudar para você agora — e vai mudar para melhor! Oração de Perdão Ninguém é poupado de oportunidades de se ofender nesta vida. Nenhuma pessoa escapa de lidar com a decepção e a mágoa como resultado das palavras ou ações de outra pessoa. Mas a forma como alguém responde à mágoa, traição ou ofensa faz toda a diferença no resultado — na vida tanto do ofensor quanto do ofendido. Nessa questão do perdão, você é chamado a seguir o exemplo de Jesus, pois a Bíblia declara que “...segundo ele é, também nós somos neste mundo” (1 João 4:17). Jesus percorreu o caminho do perdão diante de horrores indescritíveis cometidos contra Ele durante Suas últimas horas na Terra. Diante do Seu exemplo, o que você poderia fazer senão liberar o perdão àqueles que lhe magoaram ou ofenderam? Reserve um tempo para fazer esta oração do fundo do seu coração: Querido Pai Celestial, Eu Te agradeço pelo grande amor que expressaste quando enviaste Jesus para ser o meu Salvador, o meu Substituto e o meu Exemplo. Ao olhar para a vida de Jesus e Suas respostas a tudo o que Ele experimentou, vejo Seu coração e mente revelados. Obrigado Pai, por me amar tão completamente e por me perdoar tão plenamente. Agora mesmo, Pai, eu venho diante de Ti com humildade e sinceridade Te honrando pelo grande sacrifício do Teu Filho. Eu Te honro por reconhecer e receber o poder do sangue que Jesus de bom grado derramou para a remissão e remoção dos meus pecados. Assim como eu recebo o poder desse precioso sangue em minha vida, libero seu poder de limpeza para o perdão daqueles que me feriram ou me prejudicaram no passado. Pai, como um ato da minha vontade, escolho crer e agir de acordo com a Tua Palavra que me diz para perdoar. Eu sei que Tu disseste que grande paz tem aqueles que amam a Tua lei e que nada deve ofendê-los (Salmos 119:165). Eu sinto a dor da traição, mas não sou ignorante dos ardis do inimigo. O propósito da traição é produzir uma raiz de amargura em mim e eu me recuso a ceder a esse pecado. Pai, eu perdoo — eu também peço para perdoar aqueles que me machucaram, pois eles não sabem o que estão fazendo. Eles não percebem que o que foi dito e feito contra mim foi dito e feito contra Ti. Perdoa-os, Pai. Espírito Santo, peço que me ajudes a ceder ao amor de Deus que já foi derramado no meu coração pela Tua presença dentro de mim. Assim como Tu fortaleceste Jesus, por favor, fortalece-me. Ajuda-me a andar no amor, na Palavra e na vontade de Deus para com aqueles que me ofenderam. Ajuda-me a responder exatamente como Jesus respondeu quando foi maltratado e injustamente acusado. Eu recebo conforto e encontro forças no exemplo de Jesus diante de mim e em Tua poderosa presença dentro de mim, Espírito Santo. Ajuda-me a contar contigo sem reservas e a responder a Ti sem hesitação. Ajuda aqueles que eu perdoei a voltar os seus corações para Ti. Que ambos possamos abraçar a Tua sabedoria e os Teus caminhos para que o Teu propósito possa ser cumprido em cada uma das nossas vidas. Obrigado Pai, pelo sangue que tem o poder de limpar o pecado e remover as barreiras. Eu peço que Tu intervenhas em nossos corações e nesta situação para transformar tudo o que o inimigo intencionou para o mal em bem para nós e para a Tua glória. Eu recebo isso como feito em Nome de Jesus. Amém. Oração pela Cura Jesus pagou pela redenção completa para você. Por intermédio do sacrifício da Sua vida e do derramamento do Seu sangue, Ele pagou o preço total por sua libertação do pecado e da doença. A cada golpe do violento chicote romano que recebeu, Jesus suportou a penalidade por nossas dores físicas, enfermidades e doenças. Hoje, o céu declara que “...por cujas pisaduras [de Jesus], você foi curado” (1 Pedro 2:24; grifo do autor). O preço foi totalmente pago para que você receba o dom da saúde divina por intermédio de Jesus Cristo. Receba pela fé a cura completa para o seu corpo ao fazer esta oração. Querido Pai Celestial Jesus suportou os horrores do flagelo romano para pagar o preço pelo meu pecado. Antes de Jesus chegar àquele lugar, Tu declaraste por intermédio de Isaías que o sofrimento dele assegurou o meu livramento e pelas feridas que o feriram, eu fui curado (Isaías 53:5). Jesus, o Cordeiro de Deus, justificou muitos — e por meio do próprio sacrifício, minha dívida foi totalmente paga. Por isso, achego-me confiantemente ao Teu trono de graça para receber o socorro e a cura de que preciso. Eu Te agradeço, Pai, pois agradou a Ti colocar a minha doença, enfermidade e dores sobre Jesus para que, em troca, eu pudesse receber a saúde e a cura. Agora eu contemplo o Cordeiro que foi morto para me libertar. Eu recebo liberdade — a liberdade que Ele morreu e ressuscitou para comprar para mim — do pecado, da doença e da enfermidade. Com cada chicotada torturante e cada corte devastador do flagelo, Jesus comprou a minha cura com Seu próprio sangue. Hoje, Pai, eu venho diante de Ti receber a cura que Jesus comprou para mim. Assim como a minha salvação é alicerçada em Jesus e em Sua obra completa, assim também é a minha cura. Eu não tenho que implorar por isso. Simplesmente recebo. E ao receber o Teu grande dom de cura, eu honro o grande sacrifício do Teu Filho que abriu a porta para eu receber o Teu poder vivificante que satisfaz todas as minhas necessidades. Por isso e por tudo o que Tu fizeste por mim, eu Te agradeço, Pai, em Nome de Jesus. Amém. Notas Capítulo 5 1. Para um relato detalhado da Torre de Antônia, consulte: Antiguidades Judaicas. Flávio Josefo, Livro XV, Capítulo 11, Parágrafo 4. Capítulo 14 1. Antiguidades Judaicas. Flávio Josefo, Livro XVIII, Capítulo 2, Parágrafo 2. 2. A Guerra dos judeus. Flávio Josefo, Livro II, Capítulo 8, Parágrafo 14. Capítulo 17 1. Antiguidades Judaicas. Flávio Josefo, Livro XVIII, Capítulo 4, Parágrafo 2. Capítulo 19 1. Ver Josefo para um exame profundo de todos os membros da família de Herodes. Capítulo 22 1. Edwards, Gobles e Hosmer, 1986. “On the Physical Death of Jesus Christ”, JAMA 255: 1455-1463. 2. História da Igreja Eusébio, Livro IV, Capítulo 11. Capítulo 24 1. Antiguidades Judaicas. Flávio Josefo, Livro XVIII, Capítulo 4, Parágrafo 2. Capítulo 25 1. A Guerra dos judeus. Flávio Josefo. Livro V, Capítulo 11, Parágrafo 1. Capítulo 27 1. Crônica, Olimpíada, trad. Carrier (1999). Eusébio cita Flégon. 2. Contra Celso Orígenes Capítulo XXXIII. Referências 1. How To Use New Testament Greek Study Aids by Walter Jerry Clark (Loizeaux Brothers). 2. Concordância Exaustiva da Bíblia de Strong by James H. Strong. 3. The Interlinear Greek-English New Testament by George Ricker Berry (Baker Book House). 4. The Englishman’s Greek Concordance of the New Testament by George Wigram (Hendrickson). 5. New Thayer’s Greek-English Lexicon of the New Testament by Joseph Thayer (Hendrickson). 6. Dicionário Vine Antigo e Novo Testamentos por W. E. Vine (Bethany). 7. Theological Dictionary of the New Testament by Geoffrey Bromiley; Gephard Kittle, ed. (Eerdmans). 8. The New Analytical Greek Lexicon; Wesley Perschbacher, ed. (Hendrickson). 9. The New Linguistic and Exegetical Key to the Greek New Testament by Cleon Rogers Jr. (Zondervan). 10 . Word Studies in the Greek New Testament by Kenneth Wuest, 4 Volumes (Eerdmans). 11 . New Testament Words by William Barclay (Westminster Press). 12 . Word Meanings by Ralph Earle (Hendrickson). 13 . International Critical Commentary Series; J. A. Emerton, C. E. B. Cranfield, and G. N. Stanton, eds. (T. & T. Clark International). 14 . Vincent’s Word Studies of the New Testament by Marvin R. Vincent, 4 Volumes (Hendrickson). 15 . New International Dictionary of New Testament Theology; Verlyn D. Verbrugge, ed. (Zondervan). Sobre o Autor Rick Renner é um escritor produtivo, mestre da Bíblia e líder altamente respeitado na comunidade cristã internacional. Rick é o autor de mais de trinta livros, inclusive os best-sellers Armado Para a Guerra e Pedras Preciosas do Grego, que juntos venderam mais detrês milhões de cópias. Em 1991, Rick e sua família se mudaram para a antiga União Soviética, atual Rússia. Hoje ele é pastor sênior da Moscow Good News Church e fundador da Media Mir, a primeira rede de televisão cristã que atualmente transmite o Evangelho em russo para um número incontável de telespectadores ao redor do mundo através de múltiplos satélites. Denise, esposa de Rick e sua parceira de ministério por toda a vida, e seus três filhos — Paul, Philip e Joel — lideram essa obra incrível com a ajuda de uma equipe comprometida. Rick, Denise e seus filhos e suas famílias moram em Moscou. Uma Palavra Sobre o Nosso Trabalho Desde o início até seu atual papel no Corpo de Cristo, o propósito e a visão do Ministério RENNER têm sido ensinar, fortalecer e resgatar pessoas para o Reino de Deus. Embora o ministério dos Renner tenha começado há muito tempo, em 1991, Deus chamou Rick e Denise Renner e sua família para a antiga União Soviética. Desde aquela época, milhões de vidas foram tocadas pelos vários avanços do Ministério RENNER. No entanto, a visão cada vez maior dos Renner para essa região do mundo continua a se expandir ao longo de nove fusos horários para alcançar trezentos milhões de almas preciosas para o Reino de Deus. A Igreja Das Boas Novas de Moscou foi iniciada em setembro do ano 2000, no coração de Moscou, ao lado da Praça Vermelha. Desde então, cresceu e se tornou uma das maiores igrejas protestantes em Moscou e um modelo estratégico para os pastores de todas as regiões do mundo conhecerem e imitarem. Os projetos hoje incluem ministérios para famílias, idosos, crianças, jovens, membros da igreja internacional, um ministério especializado para os empresários e uma ajuda aos pobres e necessitados. Rick e Denise também fundaram igrejas em Riga, na Letônia e em Kiev, na Ucrânia. Ambas continuam a prosperar. Parte da missão do Ministério RENNER é caminhar ao lado de pastores e ministros e levá-los a um nível mais elevado de excelência e profissionalismo ministerial. Assim, desde 1991, quando os muros do comunismo entraram em colapso, esse ministério tem trabalhado na antiga URSS para treinar e equipar pastores, líderes da igreja e ministros, ajudando-os a trabalhar suas habilidades e conhecimentos necessários para cumprir o chamado que o Senhor lhes confiou. Para esse fim, Rick Renner fundou um centro de treinamento ministerial e uma associação ministerial. O Centro de Treinamento Boas Novas opera como parte da Igreja Das Boas Novas de Moscou. É especializado em treinar líderes para iniciar novas igrejas em toda a antiga União Soviética. A Associação de Pastores e Igrejas Boas Novas é uma organização de plantação de igrejas e de apoio a igrejas locais, com uma filiação de pastores e igrejas que chegam a centenas. Rick e Denise Renner também supervisionam a Media Mir, a primeira e uma das maiores redes religiosas de TV dentro do território da antiga URSS. Desde a sua criação, em 1992, essa rede de televisão tornou-se um dos instrumentos mais fortes disponíveis hoje para declarar a Palavra de Deus às 15 nações da antiga União Soviética, alcançando cem milhões de telespectadores em potencial todos os dias com o Evangelho de Jesus Cristo. A rede também alcança um número incontável de falantes de russo em quase todos os continentes do mundo via satélite. Os Renner também fundaram a fundação humanitária É Possível, que está envolvida em vários evangelismos na cidade de Moscou. A fundação É Possível usa métodos inovadores para ajudar diferentes grupos etários de pessoas que estão em grande necessidade. Além de conduzir seu trabalho na ex-União Soviética, Rick e Denise Renner continuam expandindo seu alcance em todo o mundo. Eles estão ensinando a Palavra de Deus às pessoas nos Estados Unidos por intermédio de vários meios: produzindo livros e recursos de áudio; realizando encontros em igrejas, seminários e conferências em todo o país e aparecendo com frequência em programas de TV nacionais, como Believer’s Voice of Victory, com Kenneth Copeland, Enjoying Everyday Life, com Joyce Meyer, 700 Club, com Pat Robertson e Life Today com James Robison. Os Renner também alcançam pessoas de língua inglesa ao redor do mundo por meio de seus e-books e ensinamentos de áudio em MP3, além da rede IMPART on-line, projetada para ajudar ministros com vários programas de vídeo na internet e encontros que eles realizam em outras nações ao redor do mundo. Se você quer conhecer mais sobre os muitos aspectos e alcance do Ministério RENNER, por favor, visite nosso website em www.renner.org. 1 A palavra em português “éon” é oriunda do termo em língua grega aion, que significa “era”. (N. do T.) 2 Também conhecida como Torre de Antônia. (N. do T.) 3 Também conhecida como Edom. (N. do T.) 4 Ou pátios (N. do T.) 5 Na versão Almeida Revista e Atualizada, essa palavra é traduzida como pediu. (N. do T.) 6 Ou Shabat, indicativo do sábado, sagrado para os judeus. (N. do T.) Dedicatória Agradecimentos Introdução Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 Capítulo 6 Capítulo 7 Capítulo 8 Capítulo 9 Capítulo 10 Capítulo 11 Capítulo 12 Capítulo 13 Capítulo 14 Capítulo 15 Capítulo 16 Capítulo 17 Capítulo 18 Capítulo 19 Capítulo 20 Capítulo 21 Capítulo 22 Capítulo 23 Capítulo 24 Capítulo 25 Capítulo 26 Capítulo 27 Capítulo 28 Capítulo 29 Capítulo 30 Capítulo 31 Capítulo 32 Capítulo 33 Capítulo 34 Capítulo 35 Não é Hora de Uma Mudança em Sua Vida? Oração de Salvação Oração de Perdão Oração pela Cura Notas Referências Sobre o Autor Uma Palavra Sobre o Nosso Trabalho