Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Sumário
Capa
Dedicatória
Agradecimentos
Introdução
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14
Capítulo 15
Capítulo 16
Capítulo 17
Capítulo 18
Capítulo 19
Capítulo 20
Capítulo 21
Capítulo 22
Capítulo 23
Capítulo 24
Capítulo 25
Capítulo 26
Capítulo 27
Capítulo 28
Capítulo 29
kindle:embed:0001?mime=image/jpg
Capítulo 30
Capítulo 31
Capítulo 32
Capítulo 33
Capítulo 34
Capítulo 35
Não é Hora de Uma Mudança em Sua Vida?
Oração de Salvação
Oração de Perdão
Oração pela Cura
Notas
Referências
Sobre o Autor
Uma Palavra Sobre o Nosso Trabalho
Rhema Brasil Publicações
Rua Izabel Silveira Guimarães, 172
58.410-841 - Campina Grande - PB
Fone: 83.3065 4506
www.rhemabrasilpublicacoes.org.br
editora@rhemabrasilpublicacoes.org.br
Todos os direitos em língua portuguesa reservados por Rhema Brasil
Publicações.
Direção: Samir Ferreira de Souza
Supervisão: Ministério Verbo da Vida
Tradução: Thiago Samico
Revisão e copidesque: Idiomas & Cia
Prova de revisão: Idiomas & Cia
Capa: Filipi Rodrigues
Diagramação: DIAG Editorial
Publicado no Brasil por Rhema Brasil Publicações com a devida
autorização de Teach All Nations
P.O. BOX 702040 - Tulsa, OK 74170-2040 | Harrison House Publishers |
Tulsa, OK 74145
Esta é uma tradução da 1a edição do título original e a 1a edição em língua
portuguesa
Título original: Paid in Full: An In-Depth Look at the Defining Moments of
Christ’s Passion
Copyright © 2008 por Rick Renner
Copyright © 2018 Rhema Brasil Publicações
Todos os direitos reservados
As citações bíblicas, exceto quando indicado em contrário, foram extraídas
da Bíblia Sagrada, Almeida Edição Revista e Atualizada, © 1993,
Sociedade Bíblica do Brasil. Outras versões utilizadas: Almeida Corrigida
Fiel (ACF), Nova Versão Internacional (NVI). As seguintes versões foram
traduzidas livremente por inexistência de correspondência em língua
portuguesa: Amplified Bible (AMP), King James Version (KJV) e New
Living Translation (NLT).
Proibida a reprodução, de quaisquer formas ou meios, eletrônicos ou
mecânicos, sem a permissão da editora, salvo em breve citações, com
indicação da fonte.
1a Edição
Dedicatória
Todos os domingos, enquanto eu crescia, meu pastor, o Rev. Robert Post,
pregava fielmente o Evangelho de Jesus Cristo. Toda semana, com grande
convicção, compaixão e ousadia, ele proclamava com firmeza a morte, o
sepultamento e a ressurreição de Jesus. Sua mensagem marcada pelo bom
senso, sem remorso, clara, convincente e persuasiva do Evangelho me
afetou intensamente quando eu ainda jovem e continua tendo uma grande
influência em meu pensamento e filosofia de ministério hoje.
Nos dias atuais, a pregação da cruz tornou-se cada vez mais rara. Isso me
faz querer fazer uma pausa e agradecer a Deus por ter um pastor que
plantou fielmente a verdade da cruz no meu coração, ajudando-me a
valorizar a cruz e o grande preço que Jesus se dispôs a pagar por mim. Ao
longo dos vinte anos que o irmão Post ministrou em nossa igreja, seu
compromisso de pregar essa mensagem tão importante jamais vacilou.
Como resultado, vi muitas pessoas genuinamente se arrependendo e
reconhecendo Jesus Cristo como seu salvador no altar da nossa igreja.
Hoje, já se passaram quase cinquenta anos desde que iniciei minha
jornada sob o ministério do meu pastor. Por décadas, também tenho feito
apelos e visto milhares de pessoas entregarem suas vidas a Jesus Cristo. Eu
seria negligente se não agradecesse a esse homem precioso por me ensinar
que levar uma alma a Cristo é o ato mais importante e eterno que eu posso
realizar.
Estando agora à frente da minha própria congregação e diante de
audiências em encontros ao redor do mundo, agora é minha
responsabilidade chamar os pecadores ao arrependimento e a um
compromisso. Ao fazê-lo, muitas vezes me lembro do irmão Post em pé
diante de mim e do restante da igreja, fazendo os seus apelos. Ainda
consigo ouvir sua voz enquanto ele caminhava pelos corredores e insistia
com paixão que as pessoas entregassem o coração a Deus.
Irmão Post, não há dúvida de que hoje, pelo menos em parte, eu espelho
o exemplo que você me deixou enquanto eu crescia em sua igreja. Quero
dedicar este livro a você, pois Deus o usou poderosamente para plantar a
mensagem da cruz profundamente em meu coração. Obrigado por
demonstrar amor compassivo pelos perdidos e por me ensinar que levar
uma alma a Cristo é a maior honra do mundo. Esta foi, é e sempre será a
maior e mais importante mensagem que eu poderia pregar.
Meu querido pastor, sei que quando todos nós estivermos diante de Jesus,
muito do que foi realizado por intermédio da minha vida e ministério será
creditado em sua conta, pois você foi decisivo em ajudar a formar quem eu
sou e o que acredito hoje. Muito da paixão em meu coração e do trabalho
que Deus está realizando por meio da minha vida é resultado do que você
me comunicou por meio dos seus fiéis anos de serviço. Obrigado, do fundo
do meu coração.
Rick Renner
Agradecimentos
Gostaria de agradecer às pessoas que participaram do projeto deste livro:
Matt Jones, que conduziu pesquisas e forneceu a documentação necessária;
Jeremy Rhodes, que supervisionou a impressão física do livro original em
inglês; a artista gráfica Debbie Pullman, que desenhou a capa e os editores
Andrell Corbin e Cindy Hansen por suas maravilhosas contribuições e
sugestões editoriais. Deus abençoou Denise e a mim com uma equipe
fabulosa e somos gratos a cada membro por sua contribuição.
Especificamente, agradeço a estes cinco membros da equipe por sua
participação na produção deste tão aguardado livro.
Rick Renner
Introdução
A Páscoa sempre foi um grande dia em nossa casa, assim como na
maioria das casas cristãs. O dia que celebramos pode não ser o dia real em
que o evento aconteceu, mas ainda assim é um dia especial para recordar e
celebrar a vitória de Jesus sobre o pecado, a morte e a sepultura. É uma
época santificada na qual devemos nos concentrar no preço pago por
nossas almas. Como eu agradeço a Deus pela Páscoa ter sido sempre
celebrada pelos meus pais e pela igreja que frequentamos. É uma lembrança
que eu sempre valorizo!
Infelizmente, muitas vezes nem sequer pensamos nos dias finais da vida
de Jesus, a não ser na época da Páscoa. Embora esses últimos dias de Sua
vida estejam cheios de verdades e princípios para guiar nossas vidas, não
paramos para considerar o profundo significado de tudo o que aconteceu
com Ele durante esse período.
Mas tudo sobre essa história — tudo — é relevante e aplicável à nossa
vida cotidiana. Essa história poderosa e transformadora não deve ser
relegada a um dia por ano quando celebramos a Páscoa. Essa é a história de
todas as histórias, cheia de verdades e princípios pertinentes que nos
capacitarão a vencer em todas as áreas da nossa vida! Por isso, peço que
você abra o seu coração ao ler as verdades contidas nestas páginas. Estude
para perceber o que você pode aprender com Jesus e assim ser auxiliado a
andar como Ele andou nesta terra.
É minha oração que, ao chegar ao final deste livro, você tenha adquirido
uma compreensão muito mais profunda do preço que Jesus pagou para
libertá-lo e que, como resultado, você nunca mais seja o mesmo.
Rick Renner
Moscou, Rússia
1º de novembro de 2007
Capítulo
1
As Palavras Finais de Jesus
Na noite em que Jesus foi traído, Ele se ajoelhou e lavou os pés dos
discípulos. Então lhes serviu a primeira ceia ao confirmar Sua aliança com
eles. Depois, Jesus começou a dizer as últimas palavras faladas a eles em
Sua forma humana, antes de receber um corpo glorificado. Quando Jesus
olhou nos olhos dos Seus discípulos, sabia que era a última vez que falava
com eles nessa condição. Também sabia que essas últimas palavras estariam
entre as mais importantes que Ele já lhes dissera.
Então, o que Jesus disse aos Seus discípulos nesses momentos finais e
íntimos com eles?
Pense sobre o que você diria se soubesse que estava olhando nos olhos
dos seus familiares e amigospela última vez. Eu duvido seriamente que
você brincaria ou jogaria conversa fora.
Momentos assim são santos e sagrados. Seria um momento para pesar
cuidadosamente suas palavras e falar o que acredita ser o mais importante
para seus ouvintes lembrarem depois que você partisse.
 
v Se você tivesse a oportunidade de falar suas últimas palavras
àqueles que ama, não escolheria cuidadosamente as palavras que
seriam faladas nesse momento final?
v Não seria a hora de dizer as coisas mais importantes e queridas ao
seu coração — palavras que comunicariam os sentimentos mais
profundos da sua alma aos seus entes queridos? Se você é como a
maioria dos outros seres humanos, seu maior desejo, nesse momento
final, seria fazer das suas últimas palavras as palavras mais sérias,
proveitosas e sinceras que você poderia deixar para as pessoas que
lhe fossem mais importantes.
v Na vida de cada pessoa, há momentos-chave em que somos
confrontados com a necessidade de falar palavras de conclusão.
v Antes de uma pessoa passar para a eternidade, ela muitas vezes ora
por uma oportunidade para falar suas palavras finais de despedida
aos seus entes queridos.
v Uma pessoa pode precisar falar suas palavras finais em seu local de
trabalho devido a uma mudança de emprego que exige que ela se
mude e, assim, deixe para trás associados e amigos com quem
trabalhou por muito tempo.
v Os pais encontram esse momento em que devem falar
cuidadosamente suas últimas palavras ao filho ou filha logo antes
que ele ou ela fique diante de um ministro e entregue sua vida a
outra pessoa em casamento.
 
Há muitas razões diferentes pelas quais você pode precisar falar as
últimas palavras em vários momentos da vida. Você consegue pensar em
um momento em particular quando teve de escolher suas palavras finais
para falar com pessoas que você amava profundamente?
Lembro-me de um momento em minha vida. Depois de servirmos a uma
igreja por muitos anos e literalmente derramarmos nossos corações e almas
naquela congregação, Denise e eu percebemos que era hora de seguirmos o
chamado de Deus em outro lugar. Os dias se passaram e o tempo do nosso
último culto na igreja com a congregação chegou. Mais e mais eu percebia
que ao ficar diante das pessoas como pastor presidente pela última vez, eu
estaria ministrando a mensagem mais importante que já pregara àquela
igreja.
Nos anos em que tínhamos servido nessa igreja, a congregação tinha
ouvido muitas das minhas pregações. Mas nesse último culto, eu falaria
minhas últimas palavras a eles como seu pastor presidente. Dessa forma, eu
sabia que minhas palavras tinham que ser cuidadosamente escolhidas e
faladas com sensibilidade. Era essencial que eu lhes deixasse com a
mensagem que era a mais importante para ouvirem de mim estando diante
deles pela última vez no papel de seu pastor presidente.
Depois que Jesus lavou os pés dos discípulos e lhes serviu a primeira
ceia, ficou com eles e lhes ensinou por um longo período. Nós não sabemos
exatamente quanto tempo o ensino de Jesus durou naquela noite, mas três
capítulos inteiros (João 14, 15 e 16) são dedicados às Suas últimas palavras
aos Seus discípulos. Esses capítulos contêm o registro inspirado pelo
Espírito do que Jesus disse aos Seus discípulos, apenas horas antes de ir à
cruz e ao túmulo. Essa seria a última vez que Ele falaria com eles como o
líder que conheciam na forma humana.
Jesus estava prestes a se afastar fisicamente deste mundo. Ele sabia que
era absolutamente essencial que os discípulos aprendessem a confiar
inteiramente no Espírito de Deus para orientação e direção depois que Ele
partisse. Por isso, Jesus usou Seus últimos momentos para ensinar aos
discípulos a seguirem a liderança do Espírito Santo da mesma maneira que
o seguiram.
Deve ter soado estranho aos discípulos ouvir Jesus falar sobre o Espírito
Santo. Eles estavam acostumados a serem guiados por Jesus física e
visivelmente, mas agora estavam aprendendo que o Espírito de Deus se
tornaria Seu Líder. Esse seria um líder que não poderiam ver, não poderiam
tocar e não poderiam escutar audivelmente. No entanto, eles deveriam
segui-lo, assim como seguiram Jesus. Eles provavelmente estavam
pensando: Como será a liderança do Espírito Santo em nossas vidas? Ele
age e pensa diferente de Jesus? Como será seguir o Espírito de Deus?
Sabendo que essas eram perguntas normais a se fazer, Jesus usou Seus
momentos finais com os discípulos para dissipar todo medo e insegurança
que eles possam ter sentido de seguir a liderança do Espírito Santo. Foi por
isso que Jesus teve tanto cuidado em usar palavras-chave quando falou com
eles sobre a vinda do Espírito Santo. Em João 14:16, por exemplo, Jesus
disse: “E vou rogar ao Pai, e ele vos dará outro Consolador...”.
Quero chamar a sua atenção para uma palavra muito importante nesse
versículo — a palavra “outro”. Em grego, existem duas palavras possíveis
para “outro”. A primeira é a palavra grega allos e a segunda é a palavra
grega heteros. A palavra allos significa um do mesmo tipo; do mesmo
caráter; o mesmo em tudo; ou quase uma duplicata. A segunda palavra,
heteros, significa um de outro tipo ou outro de um tipo diferente. Esta
palavra heteros forma a primeira parte da palavra heterossexual, que, claro,
descreve alguém que tenha relações sexuais com uma pessoa do sexo
oposto.
A palavra grega usada em João 14:16 é a primeira palavra, allos. A
palavra allos enfaticamente significa que o Espírito Santo seria como Jesus
em todos os sentidos. Isso transmite uma mensagem muito forte e
importante sobre o Espírito Santo. Jesus queria que os discípulos soubessem
que o Espírito Santo era como Ele. Seguir o Espírito Santo não seria
diferente de segui-lo, exceto pelo fato de que a liderança do Espírito seria
invisível em vez de física e visível, como a liderança de Jesus havia sido.
João 14:16 poderia então ser traduzido como: Vou rogar ao Pai, e Ele
enviará alguém que seja como Eu em todos os sentidos. Ele será idêntico a
Mim na maneira como fala, na maneira como pensa, no jeito que opera, no
jeito que vê as coisas e na maneira como faz as coisas. Ele será exatamente
como Eu em todos os sentidos. O Espírito Santo aqui será como se Eu
estivesse aqui porque pensamos, nos comportamos e operamos exatamente
da mesma maneira.
Mais cedo, em João 14, Filipe disse ao Senhor: “...mostra-nos o Pai, e
isso nos basta” (João 14:8). Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou
convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai; como
dizes tu: Mostra-nos o Pai?” (João 14:9).
Jesus era a imagem exata do Pai quando Ele andou sobre esta terra.
Hebreus 1:3 declara: “Ele é a única expressão da glória de Deus [o Ser de
Luz, o raio ou esplendor do divino], e Ele é a estampa perfeita e a própria
imagem da natureza [de Deus]...” (AMP). Isso significa que Jesus refletia o
caráter do Seu Pai Celestial em todos os sentidos. Foi por isso que Jesus
disse a Filipe: “Quem me vê a mim vê o Pai...”.
Embora o Pai, o Filho e o Espírito Santo sejam membros distintos da
divindade, existe apenas um Deus, e cada Pessoa da divindade compartilha
a mesma substância e essência. Então, se você vê Jesus, você vê o Pai. Ao
olhar para Jesus, você consegue descobrir a vontade do Pai. Jesus fez e
disse exatamente o que o Pai faria e diria. Sua vida, atitudes e ações eram a
vontade manifesta absoluta do Pai, pois os dois estavam unidos na natureza,
no caráter, no pensamento e na ação.
Quando Jesus ensina aos discípulos sobre o Espírito Santo, Ele leva essa
verdade um passo adiante. Assim como Jesus é a imagem exata do Pai em
todos os sentidos, agora Jesus diz aos discípulos que, quando o Espírito
Santo vier, Ele representará exatamente Jesus em cada palavra. É por isso
que a palavra allos é usada para reforçar esse ponto. Ela não deixa lugar
para dúvidas de que o Espírito Santo será exatamente como Jesus.
A palavra allos nos diz que o Espírito Santo representa perfeitamente a
vida e a natureza de Jesus Cristo. Jesus fez apenas o que o Pai Celestial
faria e agora o Espírito Santo fará apenaso que Jesus faria. Como
Representante de Jesus na Terra, o Espírito Santo nunca age por si próprio
ou fora do alinhamento de caráter com a vida de Jesus Cristo.
Veja, o Espírito de Deus foi enviado para nos trazer a vida de Jesus.
Assim como Jesus disse a Filipe: “Quem me vê a mim vê o Pai”, agora Ele
está nos dizendo: “Se vocês têm o Espírito Santo, será como se tivessem a
mim”.
Muitas vezes, eu ouvi os cristãos comentarem: “Pergunto-me como deve
ter sido andar com Jesus. Não seria maravilhoso andar com Ele, ouvir a sua
voz e falar com Ele?”. Mas os crentes que fazem essas perguntas não
entendem o ministério do Espírito Santo. Se entendessem, saberiam que ter
o Espírito Santo com eles é como ter Jesus bem ao seu lado!
Você e eu devemos parar de olhar para trás e lamentar o que perdemos
porque não vivemos há dois mil anos. Em vez disso, devemos aprender a
deixar o Espírito Santo nos guiar e direcionar, assim como Ele fez na Igreja
Primitiva. A ausência física de Jesus não impediu que os primeiros fiéis
realizassem milagres, ressuscitassem os mortos, expulsassem demônios,
curassem os doentes ou levassem as multidões a um conhecimento salvador
de Jesus Cristo. Como o Espírito Santo estava com eles, o ministério de
Jesus continuou ininterrupto em seu meio.
Nunca se esqueça: como filho de Deus, você tem o Espírito Santo
operando dentro de você e ao seu lado a todo instante, todos os dias. Como
o Espírito Santo é a representação exata de seu Senhor e Salvador, é como
ter Jesus bem aí, ao seu lado.
As últimas palavras de Jesus aos Seus discípulos giravam em torno do
ministério do Espírito Santo na vida dos cristãos. Note a seriedade dessa
mensagem para Jesus! Como Jesus considerou esse assunto tão importante,
por que você não abre o coração para a operação do Espírito hoje? Deixe o
Espírito Santo representar Jesus para você, para sua igreja, sua família, seu
negócio e sua cidade, assim como Ele o fez aos crentes que viveram durante
o tempo do livro de Atos.
 
 
Suas últimas palavras para uma pessoa ou suas palavras finais sobre um
assunto estabelecem um momento decisivo. O que quer que tenha
acontecido antes ou o que quer que possa se seguir depois deve ser
entendido e visto através da lente dessas palavras finais.
Ao considerar as últimas palavras de Jesus aos Seus discípulos, pense
sobre aqueles indivíduos com quem você se importa profundamente. Se
você soubesse que estava passando para a eternidade ou se mudando
permanentemente, quais seriam as suas palavras para eles e por quê?
 
 
Jesus deu uma descrição aprofundada do Espírito Santo aos Seus
discípulos. Ele mesmo lhes disse que era para proveito deles que Ele estava
partindo, pois o Espírito Santo poderia entrar em suas vidas. Ao contrário
de Jesus, que naquele tempo só poderia estar com eles, a Pessoa do Espírito
Santo se moveria entre os seguidores de Jesus coletivamente e habitaria
dentro deles individualmente.
Imagine um cenário em sua vida à luz desse conhecimento de que você
tem esse tipo de ajuda sobrenatural. Quais vantagens distintas se
apresentam para você como resultado de ter acesso constante a um
conselheiro sábio que está disposto a lhe ajudar de todas as maneiras
concebíveis e dar a solução certa para todas as situações possíveis?
 
 
De que maneiras específicas você está buscando um relacionamento mais
profundo com a Pessoa do Espírito Santo?
Capítulo
2
Feridas de Traição
Você já se sentiu traído por um amigo ou por alguém que amava?
Quando isso aconteceu, você ficou chocado? Sentiu-se como se aquela
pessoa tivesse enfiado uma faca nas suas costas, violando a sua confiança e
revelando coisas que deveriam ter sido mantidas em sigilo? Você ficou
abalado por um amigo tão confiável poder ser tão desleal? Você se
perguntou: Como uma pessoa tão querida e próxima poderia ser usada de
forma tão cruel pelo diabo para me atacar dessa maneira?
É doloroso quando um amigo nos trai. É ainda pior quando a pessoa é a
sua melhor amiga ou alguém que você conhece e confia há muitos anos.
A traição é algo que acontece com as pessoas, desde o início dos tempos.
É simplesmente um fato que o diabo é mestre em distorcer e arruinar
relacionamentos. Ele sabe como atrair as pessoas para situações em que elas
acabam se sentindo ofendidas ou magoadas. Depois, ele as persuade a nutrir
sua ofensa até que ela se transforme em um conflito, que separa até mesmo
os melhores amigos e os membros mais próximos da família.
Não se esqueça — Satanás foi expulso do céu por causa da sua
habilidade única de criar confusão, discórdia e conflitos. O céu é tão
perfeito quanto um ambiente pode ser. No entanto, naquele ambiente
perfeito, o diabo ainda foi capaz de afetar um terço dos anjos com suas
acusações caluniosas contra Deus. Anjos que tinham adorado juntos por
eons1 de tempo agora se opunham uns aos outros por questões que o diabo
colocara em suas mentes.
Isso deve lhe dar uma ideia do quão habilidoso o diabo é em criar
discórdia e conflito! Se o diabo foi persuasivo o bastante para fazer isso
com os anjos, pense em como é mais fácil enganar as pessoas que vivem em
um ambiente distante da perfeição e que lutam diariamente contra as suas
próprias imperfeições e autoimagens!
Satanás busca o momento oportuno, exatamente quando uma pessoa está
cansada, desgastada ou irritada. Daí ele espera até que alguém faça algo
com o qual a pessoa não concorda ou não entende. De repente, é como se o
diabo disparasse uma flecha de raiva diretamente nas emoções daquela
pessoa! Em pouco tempo, contenda, amargura, falta de perdão e divisão
começam a crescer. Amigos que já estiveram lado a lado e se amavam
agora estão de frente um para o outro como rivais hostis.
Se isso lhe soa familiar, fique firme! Esse mesmo cenário aconteceu com
Jesus! Depois de trabalhar com Judas Iscariotes por três anos, o diabo
encontrou seu caminho para a alma de Judas, tornando-o tão amargo contra
Jesus que esse discípulo se tornou Seu traidor.
Mas precisamos perguntar: o que abriu a porta para que esse engano se
formasse dentro de Judas?
Em João 13:2, a Bíblia nos dá uma visão muito poderosa da maneira
como o diabo estabelece um ponto de apoio na mente das pessoas. De volta
a João 12:3-7, Maria trouxe uma libra de nardo e derramou nos pés de
Jesus. Judas achou que aquele ato de amor era um desperdício de dinheiro e
discordou de Jesus sobre isso. Mas Jesus disse a Judas que deixasse Maria
em paz e permitiu que ela continuasse. João 13:2 então nos diz: “Durante a
ceia, tendo já o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão,
que traísse a Jesus...”.
Qual foi o momento exato em que Satanás colocou esse pensamento no
coração de Judas? Aparentemente, foi quando Judas ficou ofendido com
Jesus pelo nardo. Talvez Judas não tenha concordado com a decisão de
Jesus ou quem sabe ele não tenha gostado do fato de Jesus ter-lhe dito para
deixar Maria em paz. Talvez fosse porque Judas era um ladrão. Como
tesoureiro do ministério que roubava regularmente da bolsa de dinheiro que
ele carregava, provavelmente não gostou quando o dinheiro foi gasto em
outro lugar, em vez de ser colocado no tesouro!
Seja qual for o motivo, foi nesse momento de desacordo que o diabo
encontrou uma porta aberta no coração de Judas.
Observe especialmente a frase “...tendo já o diabo posto no coração de
Judas Iscariotes...”. As palavras “posto no” provêm da palavra grega ballo,
que significa arremessar, lançar, empurrar ou injetar. Esta palavra ballo
carrega a ideia de uma ação muito rápida de atirar, arremessar ou injetar
algo — como o arremesso de uma bola ou pedra ou o movimento para a
frente de uma faca afiada.
É significativo que essa palavra tenha sido usada nesse contexto, porque
nos diz o quão rápido o diabo agiu para lançar uma semente de traição no
coração de Judas. Quando a semente da traição foi plantada, foi tão
profundo que transformou Judas — um dos mais próximos de Jesus — em
um enganador e traidor. Judas tornou-se o símbolo de um amigo desleal e
infiel.
Quando Satanás finalmentepenetrou na mente e nas emoções de Judas
com essa semente da traição, ele a plantou tão forte e rápido que ela se
tornou profundamente enraizada ou alojada na alma de Judas.
João 13:2 poderia, portanto, ser traduzido das seguintes maneiras:
 
...o diabo tendo agora enfiado no coração de Judas Iscariotes...
...o diabo tendo agora inserido no coração de Judas Iscariotes...
...o diabo tendo agora forçosamente lançado no coração de Judas
Iscariotes...
...o diabo tendo agora embutido no coração de Judas Iscariotes...
 
Não há dúvida de que a palavra ballo significa que o diabo aproveitou
rapidamente uma oportunidade e injetou uma semente de traição no coração
de Judas. Ele estava tão ofendido com Jesus que uma janela para o seu
coração e suas emoções se abriu, mesmo que por um breve momento.
Quando o diabo viu essa abertura, ele se moveu como um raio para penetrar
na mente e nas emoções de Judas, a fim de abalar um relacionamento de
longo prazo e transformar um amigo confiável em um traidor.
Satanás foi capaz de usar Judas como seu instrumento porque ele
permitiu que o inimigo cavasse um fosso entre ele e Jesus. Em vez de
deixar o desacordo de lado e esquecê-lo, Judas consentiu que o assunto se
tornasse uma grande questão em sua mente — algo tão desproporcional que
o diabo conseguiu usar a ofensa para levá-lo ao seu ato de deslealdade
definitivo. Por Judas não ter levado seus pensamentos cativos, o diabo foi
capaz de manchar sua visão de Jesus. Isso levou a um efeito desastroso no
relacionamento de Judas com Ele.
É importante que você aprenda a reconhecer os momentos em que o
diabo tenta plantar uma semente de divisão em seu coração. Ele quer
separar você das pessoas que você ama. Em vez de deixá-lo avançar com
essa tática do mal, tome a decisão de resistir a cada tentação de se irritar e
se ofender. Ao resistir a esses pensamentos, você toma posição contra o
diabo e protege os seus relacionamentos.
Aprenda com o exemplo de Judas Iscariotes. Determine que você nunca
permitirá que problema algum seja tão desproporcionalmente considerado a
ponto de lhe transformar em um amigo desleal, mentiroso e traidor. Se você
está sofrendo agora porque alguém recentemente lhe traiu e machucou,
escolha a rota do perdão! Lembre-se, o que você semeia é o que você colhe
— se você semear perdão agora, receberá perdão dos outros quando
precisar no futuro.
 
 
O diabo é um destruidor e é, portanto, exímio quando se trata de arruinar
relacionamentos. Você consegue se lembrar de um momento em sua vida
em que o diabo usou um amigo ou alguém em quem confiou para lhe trair,
violar a sua confiança ou causar mágoa e dor interior? Quais foram as lições
que você aprendeu como resultado de caminhar com Deus em uma
experiência tão difícil?
 
 
Já houve alguma vez em que o diabo usou você para trair outra pessoa?
Você já parou para pensar na dor que você trouxe à vida dessa pessoa como
resultado das suas ações? Você já voltou a ele ou ela para pedir perdão e
tentar consertar as coisas?
 
 
Relacionamentos são um elemento vital no tecido das nossas vidas. As
pessoas podem usar sua influência em nossas vidas tanto para ajudar como
para impedir o nosso propósito divino. Pense em alguns dos
relacionamentos cruciais na sua vida. De que maneira você pode agregar
valor à vida desses indivíduos para fortalecê-los ao longo do seu destino
divino?
Capítulo
3
Agonia da Alma
Você já se perguntou onde todos os seus amigos estavam no momento
em que realmente precisou deles? Talvez eles tenham prometido que seriam
fiéis, mas quando você mais precisou desses amigos, eles não puderam ser
encontrados. Você se sentiu abandonado nesse momento de necessidade?
O próprio Jesus foi confrontado com a mesma situação quando estava no
Jardim do Getsêmani na noite anterior à Sua crucificação. Depois que
terminou de servir a ceia aos Seus discípulos no cenáculo, a Bíblia nos diz
que Ele foi ao Jardim do Getsêmani com eles. Sabendo que a cruz e a
sepultura estavam diante dele, Jesus sentiu necessidade de passar tempo em
intercessão para poder ganhar a força que precisava para enfrentar o que
estava por vir. Ele também chamou Pedro, Tiago e João e pediu que
estivessem orando com Ele.
Raramente — se é que houve alguma vez — Jesus precisou da ajuda dos
Seus amigos. Na maioria das vezes, eles precisaram dele! Mas nesse
momento intenso, Jesus realmente sentiu a necessidade de ter os três
discípulos que lhe eram mais próximos orando com ele e pediu a esses
discípulos que orassem por apenas uma hora. Mas em vez de orarem
fielmente quando Jesus precisava do seu apoio desesperadamente, os três
discípulos continuaram cochilando!
A batalha mental e espiritual que Jesus experimentou naquela noite no
Jardim do Getsêmani foi intensa. De fato, Lucas 22:44 diz: “E, estando em
agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou
como gotas de sangue caindo sobre a terra”.
Quero que você observe especialmente a palavra “agonia” nesse
versículo. Vem da palavra grega agonidzo, uma palavra que se refere a um
esforço, uma luta, uma grande extenuação ou desgaste. É uma palavra
muitas vezes usada no Novo Testamento para transmitir as ideias de
angústia, dor, desconforto e conflito. A palavra agonidzo em si vem da
palavra agon, que é a palavra que descreve os embates atléticos e
competições que eram tão famosos no mundo antigo.
O Espírito Santo usou essa palavra para retratar Jesus no Jardim do
Getsêmani na noite da sua traição. Isso nos diz que Jesus foi lançado em um
grande esforço ou em uma intensa luta naquela noite. Sabendo que a cruz e
a sepultura estavam diante dele, clamou: “Pai, se queres, passa de mim este
cálice...” (Lucas 22:42).
A pressão espiritual que se abateu sobre a alma de Jesus foi tão
esmagadora que a Bíblia diz que era agonidzo, ou agonia. Foi tão
extenuante que envolveu todo o espírito, alma e corpo de Jesus. Ele estava
na maior luta que já havia conhecido até aquele momento.
O nível intenso de agonia de Jesus é descrito na frase: “...orava mais
intensamente...”. A palavra “intensamente” é a palavra grega ektenes, que
significa ser estendido ou ser esticado. Uma pessoa nesse tipo de agonia
pode cair ao chão, contorcendo-se e rolando de dor. A palavra ektenes
apresenta a imagem de uma pessoa que é levada ao limite e não pode ser
esticada muito mais. Ela está no auge de tudo o que consegue suportar.
O estado emocional de Jesus era tão intenso que é dito que “...seu suor se
tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra”. O “suor” é a palavra
grega idros. A palavra “gotas” vem da palavra grega trombos, uma palavra
médica que remete ao sangue que fica densamente coagulado de forma não
usual. Quando essas duas palavras são unidas, elas descrevem uma
condição médica chamada hematidrosis — uma condição que ocorre apenas
em indivíduos que estão em um estado emocional altamente alterado.
Como a mente está sob tanta pressão mental e emocional, ela envia sinais
de estresse por todo o corpo humano. Esses sinais se tornam tão fortes que o
corpo reage como se estivesse sob pressão física real. Como resultado, a
primeira e a segunda camada da pele se separam, causando a formação de
vácuo entre elas. Sangue espesso e coagulado penetra nesse vácuo,
escorrendo pelos poros da pele. Quando o sangue se manifesta dessa forma,
ele se mistura com o suor do indivíduo em sofrimento que escorre por sua
pele como resultado de sua intensa luta interior. No final, o sangue e o suor
se misturam em gotas e escorrem pelo rosto da vítima até o chão.
Esse foi o pior combate espiritual que Jesus já enfrentara até aquele
momento. E onde estavam Seus discípulos quando Ele precisou deles?
Estavam dormindo! Jesus precisava dos Seus amigos mais íntimos — mas
eles não conseguiram orar nem por uma hora! Então, Deus providenciou
força para Ele de outro modo, o que observaremos no capítulo seguinte.
Você já precisou de ajuda, mas descobriu que não podia contar com seus
amigos? Você encontrou seus amigos dormindo em seus postos quando
sentiu umaprofunda necessidade de ajuda e apoio? Você já esteve em uma
situação que fez que você sentisse intensa agonia e isso o levou ao limite?
Você está nesse tipo de situação agora?
Talvez você nunca tenha suado sangue, mas, muito provavelmente, já
lutou em sua alma em algum momento por causa de problemas com seu
casamento, seus filhos, seus relacionamentos, seu ministério ou suas
finanças. Se você já se sentiu como se estivesse vivendo constantemente em
uma “panela de pressão”, sabe que é difícil lidar com a pressão contínua —
especialmente se não tiver ninguém para se apoiar para ter força,
encorajamento e ajuda.
Se você está passando por um desses momentos agora, Jesus entende
você, porque Ele enfrentou a mesma situação no Jardim do Getsêmani.
Hebreus 2:18 diz: “Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado,
é poderoso para socorrer os que são tentados”. Por causa do que Jesus
experimentou, Ele é capaz de compreender tudo o que você está pensando e
sentindo.
Encorajo você a reservar alguns minutos para orar antes de dar mais um
passo ou tomar mais uma decisão hoje. Fale com Jesus sobre as situações
que você está enfrentando. Ele entende completamente e lhe dará a força
que você precisa para vencer cada uma das “panelas de pressão” da vida
com sucesso.
 
 
O intenso estresse emocional produz sofrimento mental e físico. Jesus
não apenas sofreu em todos os níveis, Ele perseverou em meio à dor mais
difícil que você pode imaginar. Portanto, Ele não só compreende
completamente tudo o que você pode vir a passar, mas também se identifica
com você. Você já pensou sobre isso?
 
 
Jesus experimentou toda a gama de emoções humanas e tensões
emocionais. Ele sabe exatamente como é sentir a pressão que vem por todos
os lados. Como Jesus entende o estresse, Ele é confiável para lhe entender e
ajudar, não importa o que você esteja enfrentando. Quais são as áreas em
sua vida nas quais você está passando por estresse? Convide Jesus para essa
área e confie nele para ajudá-lo. Ele o fará.
 
 
Às vezes, é mais fácil falar com alguém que já passou pelo que você está
passando. Mas você continua ferido depois de conversar com seus pais,
seus amigos, seu cônjuge ou seu pastor? É hora de falar com Jesus. Ele é o
Único Perfeito para falar sobre suas lutas, porque entende disso melhor do
que ninguém.
Capítulo
4
Assistência Divina
Nunca me esquecerei do tempo, alguns anos atrás, quando nosso
ministério estava sob um grande ataque. Por alguma razão que não
conseguíamos explicar de maneira racional, as ofertas financeiras dos
nossos parceiros começaram a secar e diminuir por vários meses. Depois
que essa seca durou um bom tempo, nossa situação tornou-se muito séria.
Eu não sabia como iríamos pagar por nossas transmissões de televisão que
alcançavam toda a antiga União Soviética. Era hora de pagar as contas e eu
não tinha dinheiro.
Enquanto eu caminhava pela cidade de Moscou em uma noite fria de
inverno, desabei por causa da pressão que estava sentindo. Parei na Praça
Vermelha, encostei-me em um corrimão e literalmente chorei, sem me
importar com as pessoas que passavam por mim. Eu me sentia muito
frustrado por não saber o que fazer. Tínhamos reunido todos os recursos que
possuíamos para manter aquelas transmissões no ar. Milhões de pessoas
assistiam aos nossos programas de televisão e essas almas famintas
dependiam de nós. Deus me confiou a tarefa de levar a sua Palavra àquelas
nações soviéticas, e eu levei essa responsabilidade a sério. Mas como
nossas finanças diminuíram, encontrei-me em um ponto extremamente
difícil.
Depois de andar pelo sistema de metrô por várias horas enquanto tentava
juntar meus pensamentos, senti-me afundar ainda mais em um sentimento
de desespero. A realidade era que se algo não acontecesse rapidamente para
mudar a situação, eu teria que cancelar nosso programa e todos aqueles
milhões que o acompanhavam a cada semana perderiam o ensino da Palavra
de Deus.
Eu tinha acabado de subir do metrô a caminho da reunião na televisão
quando me encostei em um corrimão da Praça Vermelha e chorei diante do
Senhor. Sentia-me muito sozinho, paralisado e incapaz de resolver o meu
problema. Não parecia haver alguém para quem eu pudesse telefonar ou
com quem eu pudesse falar que compreendesse a enormidade do que eu
estava enfrentando no reino espiritual naquela noite.
Eu gritei: Senhor, por que isto aconteceu? Existe uma razão pela qual os
nossos apoiadores pararam repentinamente seu apoio? Fizemos alguma
coisa que abriu uma porta para o diabo atrapalhar nossas finanças? Por
favor, diga-me o que devo fazer agora sobre essa situação. E quanto aos
milhões de pessoas que estão esperando por Sua Palavra? Nós
simplesmente desapareceremos da televisão e os deixaremos imaginando o
que aconteceu conosco?
De repente, senti como se uma força divina tivesse entrado em mim!
Força e coragem inundaram a minha alma. Eu sabia que Deus estava me
tocando, me dando um novo impulso sobrenatural de coragem e fé para
enfrentar esse momento vitoriosamente. Em poucos minutos, minhas
lágrimas desapareceram, meu desespero sumiu e comecei a celebrar a
vitória! Embora eu ainda não tivesse o dinheiro em mãos para cobrir todas
as contas da televisão, eu sabia que a batalha havia sido ganha no Espírito.
Como se viu, o dinheiro não veio de uma só vez, mas a válvula foi ligada
novamente e as ofertas dos nossos parceiros começaram a fluir de novo
para o ministério. Agradeço a Deus pela assistência sobrenatural que Ele
me deu naquela noite!
Você já se viu em um momento em que se sentiu sozinho no desafio que
estava enfrentando? Na noite da traição de Jesus, Ele deve ter se sentido
assim. Ele pediu aos Seus discípulos mais próximos — Pedro, Tiago e João
— que orassem com Ele naquelas últimas horas. Mas toda vez que voltava
para verificar os três homens, eles estavam dormindo. Como observamos,
Jesus estava passando por uma grande batalha espiritual e pressão extrema
naquela noite. Era por isso que Ele queria que Seus discípulos mais
chegados o ajudassem em oração. No entanto, naquela noite eles não foram
encontrados fiéis.
Mas quando Jesus não encontrou alguém para ficar com Ele em sua hora
de necessidade, Deus providenciou assistência sobrenatural! Lucas 22:43
diz: “E ali lhe apareceu um anjo do céu, fortalecendo-o” (KJV, tradução
livre). Essa força sobrenatural compensou qualquer falta de apoio dos Seus
três discípulos mais chegados.
Quando Lucas escreve que o anjo o fortaleceu, ele usa a palavra grega
enischuo. Ela é composta das palavras en e ischuos. A palavra en significa
em e a palavra ischuos é a palavra para poder ou força. Normalmente, nos
tempos do Novo Testamento, a palavra ischuos era usada para denotar
homens com grandes habilidades musculares, semelhantes aos
fisiculturistas no mundo de hoje. Mas quando essas duas palavras en e
ischuos são usadas juntas, a nova palavra significa transmitir força;
capacitar alguém; encher uma pessoa com ânimo ou dar a alguém uma
vitalidade renovada. Uma pessoa pode estar se sentindo exausta e esgotada,
mas de repente ela recebe uma explosão de energia tão forte que é
instantaneamente recarregada! Agora ela está pronta para se levantar,
prosseguir e avançar de novo!
Isso significa que, quando os discípulos e amigos de Jesus não estiveram
disponíveis em sua hora de necessidade, Deus providenciou um anjo que
fortaleceu, recarregou e transmitiu força a Jesus, renovando Sua vitalidade
com a força necessária para enfrentar vitoriosamente a hora mais difícil da
Sua vida. Depois de ser recarregado, Jesus estava pronto para enfrentar a
cruz. Ele acordou os Seus discípulos e disse: “Levantai-vos, vamos! Eis que
o traidor se aproxima” (Marcos 14:42).
Talvez você tenha experimentado um momento em sua vida quando se
sentiu travado e sozinho. Talvez você tenha pensado que seus amigos iriam
lhe ajudar, mas eles acabaram lhe decepcionando na hora em que você
realmente precisou deles.
Se esse cenário soar muito familiar para você, não deixe o desespero
dominar! Seus amigos podemter adormecido na vigília, mas Ele não! Deus
está absolutamente comprometido em vê-lo atravessar a situação que você
está enfrentando. Se necessário, Ele proverá assistência sobrenatural para
recarregá-lo e mantê-lo a todo vapor. Você pode ficar tentado a se sentir
isolado e sozinho, mas se os olhos do seu espírito fossem abertos por um
momento, você veria que não está sozinho! Deus está cercando você com o
poder do Espírito Santo, com os anjos e com qualquer coisa que precisar
para prosseguir.
Independentemente da batalha ou situação em particular que você estiver
enfrentando na vida, Deus sempre virá em seu auxílio. A mesma ajuda
divina que Ele providenciou para Jesus no Jardim, Ele providenciará para
você. Quando ninguém mais for fiel, você pode estar certo de que Deus
sempre é fiel. Ele cuidará para que você receba a força e o poder que
precisar para triunfar em todas as circunstâncias.
A assistência sobrenatural é parte de sua herança como filho de Deus.
Tudo o que você tem que fazer para receber essa assistência é reivindicá-la
pela fé e depois andar em obediência ao que Deus lhe diz para fazer.
 
 
Às vezes, as circunstâncias surgem na vida quando nos sentimos
totalmente desamparados. Lembre-se de uma ocasião em que você não teve
os recursos nem a capacidade de produzir mudanças em determinada
situação, mas Deus interveio para fortalecer e energizar você. Deus é o
mesmo hoje como foi ontem. Lembre-se da fidelidade dele, especialmente
quando estiver cansado e tentado a temer não conseguir vencer um desafio.
 
 
Pense em um momento em que você se sentiu preso e sozinho. Talvez
seus amigos não puderam ou não quiseram ajudá-lo. Relembre as maneiras
pelas quais Deus se fez presente e lhe provou que Ele não dorme nem
cochila. Ele nunca abandonou você. Se parecer que você está sozinho no
meio da dificuldade, lembre-se sempre: a partir do momento em que você
invoca a Deus, Ele responde.
 
 
Se Jesus precisou de ajuda sobrenatural, então você necessitará também!
Pense em uma situação atual em sua vida em que você precisa de
intervenção divina. Não tenha vergonha de pedir ajuda a Deus.
Simplesmente, volte-se para Ele com todo o seu coração e declare: “Eu sou
seu — salva-me!” A partir daí, permita que o poder de Deus o fortaleça no
meio da situação que você estiver enfrentando agora.
Capítulo
5
Quantos Soldados São Necessários para Prender Um
Homem?
Jesus tem o maior poder em todo o universo! Durante Seu ministério
terreno, Ele curou os doentes, expulsou demônios, ressuscitou os mortos,
caminhou sobre a água, transformou água em vinho e multiplicou pães e
peixes. De fato, Jesus realizou tantos milagres que o apóstolo João disse:
“Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se todas elas fossem
relatadas uma por uma, creio eu que nem no mundo inteiro caberiam os
livros que seriam escritos” (João 21:25).
Satanás estava aterrorizado com Jesus. Foi por isso que o inimigo
inspirou Herodes, o Grande, a tentar aniquilar o Messias matando todos os
bebês em Belém e nas redondezas (ver Mateus 2:16). Quando isso falhou, o
diabo tentou eliminar Jesus, buscando seduzi-lo com as tentações no
deserto. Após essas tentativas fracassarem, Satanás tentou matar Jesus em
numerosas ocasiões usando pessoas religiosas raivosas!
Você se lembra das muitas vezes que os líderes religiosos tentaram pegar
Jesus e falharam? Os evangelhos estão cheios de exemplos nos quais Ele
sobrenaturalmente escapou das mãos dos Seus agressores (ver Lucas 4:30;
João 7:30, João 8:59 e João 10:39.)
Depois da última ceia de Jesus com Seus discípulos, chegou a hora de
outra tentativa de Satanás para destruir Jesus, desta vez usando Judas
Iscariotes — e ao que parece o diabo estava preocupado em não ter sucesso
novamente. Então, ele inspirou Judas a liderar um enorme grupo de
soldados romanos e policiais do templo para prender Jesus. Havia soldados
demais nesse grupo para capturar apenas um indivíduo — a menos que esse
indivíduo fosse o Filho de Deus!
Os líderes religiosos que o diabo usou também estavam cheios de ódio
contra Jesus. Considerando quantas vezes Jesus já havia escapulido das suas
mãos, eles deviam estar preocupados que Ele pudesse escapar outra vez.
Depois de servir a ceia aos Seus discípulos, Jesus se retirou para o Jardim
do Getsêmani para orar. João 18:2 nos diz que era costume de Jesus ir até lá
orar com os discípulos. Portanto, Judas sabia precisamente onde encontrar
Jesus naquela noite quando fosse a hora de levar os soldados e a polícia do
templo para prendê-lo.
João 18:3 diz: “Judas então, tendo recebido um bando de homens e
oficiais dos principais sacerdotes e fariseus, foram ao lugar com lanternas,
tochas e armas” (KJV, tradução livre). Esse versículo diz que Judas recebeu
“...um bando de homens e oficiais dos principais sacerdotes e fariseus...”.
Quero que você entenda exatamente o que era esse “bando de homens” e
esses “oficiais dos principais sacerdotes e fariseus” para que possa perceber
a imagem completa do que aconteceu naquela noite no monte das Oliveiras.
Acredito que você ficará espantado quando perceber o número gigantesco
de homens armados que vieram à procura de Jesus naquela noite!
Os soldados que Judas trouxe consigo para o Jardim do Getsêmani eram
soldados que serviam na Fortaleza Antônia2 — uma torre que fora
construída pelos governantes Asmoneus.1 Mais tarde, foi rebatizada como
“Fortaleza Antônia” pelo rei Herodes em homenagem a um de seus maiores
patronos, Marco Antônio (sim, o mesmo Marco Antônio que se apaixonou
pela rainha egípcia Cleópatra!).
A Fortaleza Antônia era um enorme edifício que foi construído sobre
uma rocha e tinha setenta e cinco metros de altura. Seus lados foram
completamente polidos para dificultar a escalada das suas paredes pelos
inimigos. Embora tivesse muitas torres, a mais alta ficava no canto sudeste,
dando ao vigia uma visão desimpedida da área do templo e de grande parte
de Jerusalém.
Dentro desse enorme complexo havia um grande pátio interno para os
exercícios da coorte romana — composta de trezentos a seiscentos soldados
especialmente treinados — que estava sediada ali. Essas tropas ficavam
prontas para agir defensivamente no caso de uma insurgência ou tumulto.
Na verdade, uma escada levava da torre para o templo, permitindo que as
tropas o acessassem em questão de minutos, caso um distúrbio se
desenvolvesse ali. Um escritor percebeu que havia até mesmo uma
passagem secreta da torre para a corte interna dos sacerdotes, possibilitando
que as tropas acessassem até mesmo aquela localização sagrada e restrita.
João 18:3 registra que havia “um bando de homens” no Jardim do
Getsêmani naquela noite. A palavra grega para “um bando de homens” é
spira. Essa é a palavra que descreve uma coorte militar — o mesmo grupo
de trezentos a seiscentos soldados já mencionados. Esses soldados
extremamente bem treinados estavam equipados com os melhores
armamentos da época.
João 18:3 também nos fala que na noite em que Jesus foi preso, esse
bando de soldados foi acompanhado por “oficiais dos principais sacerdotes
e fariseus”. A palavra “oficiais” vem da palavra grega huperetas. A palavra
huperetas teve vários significados nos tempos do Novo Testamento, mas,
nesse caso, descrevia os “policiais” que trabalhavam nos limites do templo.
Uma vez que um julgamento fosse proferido pelo tribunal religioso de lei,
era responsabilidade da polícia do templo executar esses julgamentos. Essa
temível força armada trabalhava diariamente com a coorte sediada na
Fortaleza Antônia e se reportava aos principais sacerdotes, aos fariseus e ao
sinédrio. Foram esses “oficiais” os que acompanharam os soldados romanos
ao Jardim do Getsêmani.
Podemos, portanto, concluir que quando os soldados romanos e a polícia
do templo chegaram para prender Jesus, a encosta onde o jardim estava
localizado ficou literalmente coberta de soldados romanos e milícias
altamente treinadas do Templo do Monte. Quero que você realmente
perceba que enorme multidão de homens armados veio naquela noite,então
vamos conferir o que os outros evangelhos nos contam sobre o mesmo
incidente.
Mateus 26:47 (ACF) diz que foi “grande multidão” de soldados, usando
as palavras gregas ochlos polus para indicar que era uma enorme multidão
de homens armados. Marcos 14:43 chama de “grande multidão”, usando a
palavra grega ochlos, indicando que era uma multidão enorme. Lucas 22:47
também usa a palavra ochlos, apontando que o bando de soldados que veio
naquela noite era enorme.
Isso nos leva a imaginar o que Judas disse aos principais sacerdotes sobre
Jesus, que os fez pensar que precisavam de um pequeno exército para
prendê-lo! Judas os advertiu de que Jesus e os Seus discípulos poderiam
lutar? Ou é possível que os principais sacerdotes estivessem nervosos
pensando que Jesus pudesse usar o Seu poder sobrenatural para resistir a
eles?
Certamente, Jesus era conhecido por Seu poder. Afinal, Ele ministrou por
três anos e milagres ocorriam onde quer que Ele ia. As histórias do poder de
Jesus já deviam ter se tornado lendárias, mesmo durante Sua vida aqui na
Terra.
Até mesmo Herodes ouvira falar dos poderes de Jesus e ansiava por ser
testemunha ocular dos milagres que Ele realizou (ver Lucas 23:8).
Observamos o que o apóstolo João disse sobre isso em João 21:25: “Nem
no mundo inteiro caberiam os livros que seriam escritos para registrar cada
um dos milagres de Jesus”. Portanto, não é difícil imaginar que a maioria
das pessoas nos dias de Jesus tivesse ouvido histórias do extraordinário
poder que fluía por meio dele.
Alegra o meu coração pensar no poder de Jesus Cristo! Ainda mais
emocionante é o conhecimento de que o mesmo poder que fluía por Ele
quando Ele andava nesta terra agora flui por intermédio de você e de mim.
O mesmo Espírito Santo que ungiu Jesus para cumprir o Seu ministério foi
enviado para nos capacitar a fazer as mesmas obras que Ele fez! De fato,
Jesus profetizou que faríamos obras ainda maiores (João 14:12). Esse é o
tipo de poder que opera em você e em mim!
Toda vez que o diabo tentar insinuar que você não é uma ameaça séria a
ser temida, você precisa se levantar e lembrá-lo de que o Espírito Santo é a
sua fonte de energia! Diga ao diabo (e se lembre, ao mesmo tempo) que o
maior vive dentro de você (ver 1 João 4:4) e que você é o que vence o
mundo (ver 1 João 5:4).
Lembre-se todos os dias de que o mesmo poder que ressuscitou Jesus dos
mortos agora habita dentro de você e está à sua disposição 24 horas por dia.
Então, da próxima vez que você se deparar com uma situação que precisa
ser revertida com poder sobrenatural, abra seu coração e deixe esse poder
fluir — porque a unção que repousou sobre Jesus quando Ele andou nesta
terra agora repousa sobre você!
O grandioso poder que fluiu por intermédio de Jesus permanece dentro
de você continuamente. Quando pensamentos de fracasso e sentimentos de
depressão atacarem a sua mente, reconheça que eles são um ataque do diabo
tentando lhe fazer acreditar que você é menos do que de fato é. Você é uma
ameaça ao diabo e às suas obras por causa do poder divino que está à sua
disposição. Pense no que esse poder fará quando liberado em uma situação
— então espere que ele flua por meio de você!
 
 
Satanás ficou aterrorizado com Jesus e revelou seu medo do Messias
muito antes do Jardim do Getsêmani. Quando Jesus nasceu nesta terra, o
inimigo inspirou Herodes, o Grande, a massacrar todos os bebês em Belém
e na região próxima, na tentativa de matá-lo.
Um espírito de medo sempre levará as pessoas a reagirem
exageradamente. Pense em sua própria vida por um momento. Você está
enfrentando uma quantidade ilogicamente desproporcional de oposição
agora por causa da sua posição a favor de Deus? Nesse caso, considere por
que o inimigo tem tanto medo do que Deus planeja fazer por intermédio da
sua vida!
 
Quantas vezes o diabo tentou destruir sua vida, sua família, seu negócio
ou seu ministério — mas, a cada vez, você e os seus escaparam do alcance
do inimigo? Que propósito ordenado por Deus você foi escolhido para
cumprir? O que Deus lhe instruiu a fazer em diligente preparação para que
esse propósito aconteça?
Capítulo
6
Mal-Entendidos e Suspeitas
Você já teve uma experiência com alguém que teve uma percepção
errada a seu respeito? Ao ouvir o que essa pessoa pensava sobre você, ficou
assustado? Você se perguntou: Como alguém poderia pensar algo assim
sobre mim?
Quanto mais conhecido você se torna, mais as pessoas ouvem todos os
tipos de rumores a seu respeito — a maioria deles completamente falsos.
Você sabe como os rumores funcionam. Quando uma pessoa ouve um
rumor, ela o repassa para outra pessoa, que o repete para outra — assim ele
vai de uma pessoa para outra, ficando cada vez mais ridículo à medida que
é contado. Por fim, temos uma história inteira sendo contada que não possui
verdade alguma. Infelizmente, quando as pessoas ouvem um rumor,
geralmente acreditam nele! Essa é uma das razões pelas quais os cristãos
precisam ter muito cuidado para não participar de fofocas.
Eu não sei que histórias vinham sendo repetidas sobre Jesus, mas elas
devem ter sido bem dramáticas. Afinal, quando os soldados romanos e a
polícia do templo vieram prendê-lo no Jardim do Getsêmani, eles estavam
armados até os dentes! Eles também trouxeram lanternas e tochas
suficientes para iluminar todo o monte das Oliveiras. O que teriam eles
ouvido que os fez pensar que precisavam estar tão bem equipados para
encontrar Jesus e os três discípulos que Ele trouxera para orar naquela
noite?
Judas obviamente os preparou para o pior. Ele tinha visto Jesus realizar
inúmeros milagres, então conhecia muito bem sobre o poder que operava
por intermédio dele. Judas também estava presente quando líderes
religiosos tentaram, sem sucesso, pegar Jesus quando Ele pareceu
desaparecer sobrenaturalmente, esgueirando-se pelo meio da multidão até
um lugar seguro (ver Lucas 4:30; João 8:59). Cada vez que os inimigos de
Jesus pensavam que o tinham, de repente — puf! — Ele ia embora!
Quando as tropas chegaram naquela noite, deveriam estar agindo com
base nessas histórias. João 18:3 nos diz que: “Judas então, tendo recebido
um bando de homens e oficiais dos principais sacerdotes e fariseus, foram
ao lugar com lanternas, tochas e armas” (KJV, tradução livre).
Quero chamar a atenção para as palavras “lanternas”, “tochas” e “armas”.
Quando você perceber o impacto dessas palavras, vai entender que os
soldados enviados para prender Jesus estavam agindo sob presunções a
respeito dele que eram totalmente imprecisas!
Em primeiro lugar, a Páscoa ocorreu no momento da lua cheia, então a
noite já estava muito bem iluminada nessa época do ano. Mas Judas não
queria correr o risco de que Jesus e Seus discípulos não fossem
encontrados; por isso, obviamente instruiu aquelas forças armadas a
estarem equipadas para procurar, caçar e rastreá-los com o auxílio de
“lanternas” e “tochas”.
A palavra “lanterna” vem da palavra grega phanos. Essa palavra se refere
a uma luz brilhante e resplandecente. Ela retrata algo como uma luminária
— uma luz que serve para “iluminar” uma sala para que você possa ver
melhor as coisas. Um phanos era na verdade o equivalente a uma lanterna
do primeiro século. Sua luz era tão brilhante que penetrava em áreas escuras
e revelava coisas escondidas na escuridão.
Além dessas lâmpadas, João 18:3 nos diz que os soldados também
carregavam “tochas”. A palavra “tocha” é da palavra grega lampas, que
descreve uma lamparina de grande autonomia. As “lâmpadas” já
mencionadas eram brilhantes, mas de curta duração. Essas “tochas”, no
entanto, eram à base de óleo, tinham um longo pavio e podiam queimar a
noite toda, se necessário. O fato de esses soldados terem vindo com essas
tochas sugere fortemente que todos estavam preparados para procurar a
noite toda. Então, quando foram ao Jardim do Getsêmani naquela noite, eles
tinham luzes brilhantes o suficiente (phanos) e tochas de grande autonomia
(lampas) para caçar Jesus a noite inteira.
Várias centenas de soldados vasculharam a encosta da colina,carregando
lâmpadas brilhantes enquanto procuravam por Jesus. Essa foi a cena que se
viu naquela noite. Será que os soldados estavam apreensivos por acharem
que Jesus e Seus discípulos poderiam se esconder deles?
Muitas cavernas, buracos e grutas se espalhavam por toda a colina onde
ficava o Jardim do Getsêmani. A encosta também era local de muitas
sepulturas com grandes lápides, atrás das quais uma pessoa poderia se
esconder. Enfim, a colina oferecia ótimos esconderijos em suas muitas
oliveiras com galhos retorcidos. Então, por que 300 a 600 soldados, além da
polícia do templo, precisariam de tantas luzes para encontrar Jesus, se não
por pensarem que Ele tentaria se esconder ou fugir deles?
João 18:3 também nos diz que os soldados e a polícia do templo
trouxeram “armas”. A palavra grega para “armas” é hoplos, exatamente a
palavra que representa o armamento completo de um soldado romano,
mencionado em Efésios 6:13-18. Isso significa que os soldados vieram
vestidos com armamento completo — cinturão, peitoral, grevas, espinhos,
sapatos, escudo oblongo, elmo de bronze, espada e uma lança. Esses
trezentos a seiscentos soldados estavam prontos para uma enorme batalha e
violento confronto!
Mas ainda há mais nessa história! Além das armas que os soldados
romanos carregaram naquela noite, a polícia do templo também se preparou
para lutar. Marcos 14:43 diz: “E logo, falava ele ainda, quando chegou
Judas, um dos doze, e com ele, vinda da parte dos principais sacerdotes,
escribas e anciãos, uma turba com espadas e porretes”.
Quero que você observe as palavras “espadas” e “porretes”. A palavra
“espada” é a palavra grega machaira. Refere-se ao tipo mais mortal de
espada, que era muitas vezes usado para esfaquear alguém à curta distância.
Isso significa que a polícia do templo estava pronta para esfaquear e
derramar sangue naquela noite?
A palavra “porrete” vem da palavra grega zhulos. A palavra zhulos
descreve uma vara grossa e pesada feita de madeira. Podemos dizer que
era um bastão pesado, perigoso e contundente, destinado a bater em
alguém. Quando olhamos para a lista combinada de armas levadas ao
Jardim do Getsêmani naquela noite, entendemos prontamente que esses
soldados romanos e a polícia do templo estavam preparados para entrar em
guerra!
Como já observado, as histórias que vinham sendo repetidas sobre Jesus
deveriam ter sido bem brutais! O que torna isso ainda mais brutal é a
perspectiva provável de que Judas Iscariotes foi quem abanou as chamas
desses rumores! Ele estava bem ao lado dos soldados com todas as
lanternas, tochas e armas.
É possível que após Judas ter caminhado com Jesus por três anos, ele
mesmo nunca tivesse realmente conhecido o verdadeiro Jesus? Judas teve
uma falsa percepção de como Jesus reagiria em um evento como esse? Isso
nos leva a imaginar que tipo de relacionamento Judas teve com Jesus para
percebê-lo de maneira tão imprecisa. Os dois capítulos seguintes
responderão satisfatoriamente essa questão sobre o tipo de relacionamento
que Judas realmente teve com Jesus.
Como você sabe, Jesus foi voluntariamente com os soldados naquela
noite. Ele e os Seus discípulos não se esconderam nem lutaram. Depois de
ser sobrenaturalmente capacitado pelo anjo enviado para ajudá-lo, Jesus se
levantou e saiu para cumprimentar Judas e as tropas. No entanto, estou
pessoalmente convencido de que quando Jesus viu Judas cercado por
centenas e centenas de soldados e oficiais do templo com lanternas, tochas e
armas, deve ter ficado atordoado! Eu acho que Jesus ficou surpreso ao
descobrir o quão erroneamente Judas o havia compreendido.
Da próxima vez que você ouvir que alguém tem uma percepção errada a
seu respeito, não deixe que isso arrepie demais suas plumas. Lembre-se de
todas as vezes que você teve uma percepção errada sobre outra pessoa!
Você tinha plena certeza da sua opinião sobre aquela pessoa, mas acabou
descobrindo que estava plenamente errado! Se você entendeu outros
incorretamente algumas vezes, por que ficaria surpreso quando a mesma
coisa acontece com você?
Se você se encontrar nessa posição, considere-a uma oportunidade de
mostrar às pessoas quem você realmente é. Observe que Jesus não disse
àqueles que vieram prendê-lo no Jardim: “Como vocês ousam pensar tão
mal a meu respeito?!” Em vez de discutir ou querer provar um ponto, Jesus
simplesmente se rendeu, foi com os soldados e deu a vida pelos próprios
homens que o prenderam. A resposta que Jesus deu com a Sua vida foi o
maior retorno que Ele poderia ter demonstrado!
Então, quando as pessoas lhe entenderem errado, siga o exemplo de
Jesus. Recue e reserve algum tempo para pensar e orar sobre o assunto
antes de prosseguir. Não deixe que o diabo lhe chateie porque você foi mal
interpretado. Essa pode ser a maior chance que você terá para mostrar às
pessoas a verdade sobre quem você realmente é como resultado da graça de
Deus em sua vida!
 
Quando as pessoas nos julgam injustamente, muitas vezes queremos
retaliar com palavras. Mas a melhor resposta vem da maneira como
vivemos.
O que sua vida está dizendo sobre você? Pense em um momento em que
a qualidade de seu personagem invalidou uma percepção negativa que
alguém tinha sobre você. Esse mal-entendido afetou a maneira como você
se apresentava e, por sua vez, percebia os outros?
 
 
O diabo procura continuamente inserir pensamentos em nossas mentes
que nos levarão a interpretar erroneamente as ações dos outros a fim de
criar paredes de divisão. Quando é bem-sucedido nessa estratégia, o
inimigo nos impede de receber um do outro.
Você já entendeu mal outra pessoa e depois descobriu que estava errado?
O que causou sua percepção inicial dessa pessoa? O que por fim provou ser
errado? Como você poderia ter evitado esse mal-entendido?
 
 
Todos os dias você se depara com oportunidades de demonstrar a verdade
de quem você realmente é. O que suas palavras, atitudes e ações revelam
sobre você?
Capítulo
7
O Beijo do Engano
Você já foi esfaqueado pelas costas por alguém que achava ser um
amigo verdadeiro? Você andou com ele, vocês passaram muito tempo
juntos; você compartilhou seus pensamentos e até mesmo seus segredos
com ele, pensando que tudo que disse seria mantido em sigilo entre vocês
dois. Então descobriu que o compromisso que você tinha com aquela
pessoa não era o mesmo que ela por você. Você consegue se lembrar de
algum momento doloroso como esse em sua vida?
Foi o que aconteceu com Jesus na noite em que Judas o traiu. Não foi
uma traição acidental, mas algo premeditado e realizado meticulosamente.
Antes de Judas levar os soldados e a polícia do templo ao Jardim do
Getsêmani, ele se reuniu com os líderes religiosos e negociou um acordo
para capturar Jesus.
Durante essas reuniões, Judas revelou informações sobre onde Jesus
orava e onde Ele se reunia com Seus discípulos. Judas também deve ter
falado sobre o poder fenomenal de Jesus — o que explica por que tantos
soldados vieram com armas para prender Jesus naquela noite. Foi nessas
reuniões com os líderes religiosos que Judas concordou em receber um
pagamento de 30 moedas de prata para entregar Jesus nas mãos deles (ver
Mateus 26:15; 27:9).
Como muitos dos soldados e dos oficiais do templo nunca tinham visto
Jesus, Judas criou um sinal especial que os alertaria para saber quem era o
Mestre. Marcos 14:44 chama esse sinal especial de “senha”, que vem da
palavra grega sussemon, que significa um sinal previamente acordado. Isso
deixa enfaticamente claro que o beijo que Judas deu em Jesus não foi nada
mais do que um sinal criado para informar às tropas que precisavam se
mover rapidamente para fazer sua prisão.
Judas deve ter ficado muito confuso. Por um lado, ele alertou os líderes
religiosos sobre o poder sobrenatural de Jesus com tanta ênfase que os
soldados chegaram ao local com armas letais, preparados para travar uma
luta séria. Mas por outro lado, Judas lhes disse que queria entregar Jesus nas
mãos deles com um mero beijo!
Essas duas imagens conflitantes nos dão um excelente exemplo do tipo
de confusãocriada dentro de uma pessoa que anda iludida. O engano é uma
força poderosa que torce e distorce a capacidade de ver as coisas
claramente. As pessoas enganadas percebem mal, entendem mal, deturpam
e julgam mal — e depois nem sequer entendem por que fizeram o que
fizeram.
Os diferentes sinais contraditórios que Judas estava dando sobre Jesus
tornam evidente que ele estava tanto enganado quanto confuso. Ele disse
aos soldados e à polícia do templo: “Aquele a quem eu beijar, é esse;
prendei-o e levai-o com segurança” (Marcos 14:44). A palavra “beijo” é a
palavra grega phileo. Essa palavra grega conhecida é usada para demonstrar
forte emoção, afeição e amor. Mais tarde, passou a representar uma afeição
tão intensa que era usada apenas entre pessoas que tinham um vínculo forte
ou um compromisso profundamente sentido de um para com o outro, como
maridos e esposas ou membros da família. Posteriormente, passou a ser
usada como uma forma de saudação entre amigos especialmente queridos e
estimados.
Durante o tempo em que os evangelhos foram escritos, a palavra phileo
retratava amigos que estavam comprometidos por algum tipo de obrigação
ou pacto e que se amavam muito profundamente. Com base nessa emoção
profunda, também se tornou a palavra grega para um beijo como o que um
homem daria a sua esposa, como pais e filhos poderiam dar um ao outro, ou
como alguém poderia dar aos seus irmãos.
Em Marcos 14:44, essa palavra descreve não apenas um beijo de
amizade, mas um símbolo de profundo amor, afeto, obrigação, pacto e
relacionamento. Dar esse tipo de beijo era um símbolo poderoso para todos
que o viam. Estranhos nunca se cumprimentariam com um beijo, pois era
uma saudação reservada apenas para os relacionamentos mais especiais. Foi
por isso que Paulo, mais tarde, disse à Igreja Primitiva em Roma para
“...saudar uns aos outros com ósculo (beijo) santo...” (Romanos 16:16). Foi
um símbolo naquele dia de profunda afeição, compromisso e pacto.
Judas sabia de antemão que poderia dar em Jesus tal beijo. Isso nos
permite saber que ele e Jesus não eram estranhos, mas tinham um
relacionamento único e amigável. Como contador e tesoureiro do
ministério, Judas certamente se encontrava com frequência com Jesus para
discutir as finanças do ministério e o desembolso de fundos. Parece que
durante sua relação de trabalho de três anos, eles se tornaram amigos
queridos e estimados — tão próximos que Judas teve o privilégio de dar em
Jesus um beijo de amizade, um privilégio reservado apenas para poucos e
íntimos na vida de uma pessoa.
Na mesma noite da traição de Jesus, Ele serviu a ceia a todos os Seus
discípulos, inclusive Judas Iscariotes. Essa comunhão foi uma reafirmação
de sua aliança com todos os doze discípulos. Jesus entendia o que
significava estar em aliança. Ele sabia que teria que entregar a vida para
fortalecer essa aliança e a tornar real. Assim como Jesus reafirmou Sua
aliança com os outros discípulos naquela noite, Ele também confirmou a
Judas. Jesus estendeu Seu amor e compromisso genuínos a Judas ao lhe
oferecer o pão e o vinho e Judas fingiu compromisso ao aceitá-los como
símbolos da aliança.
No entanto, a lealdade de Judas a Jesus foi fatalmente falha. Como já
mencionado, naquela noite Judas disse às tropas e à polícia do templo:
“Aquele a quem eu beijar, é esse; prendei-o e levai-o com segurança”
(Marcos 14:44).
Trair Jesus com um beijo era o mais baixo que uma pessoa poderia
descer. Era como dizer: “Você e eu somos amigos para sempre. Agora, por
favor, vire-se para que eu possa enfiar minha adaga nas suas costas!” Veja,
o beijo que Judas deu foi um beijo falso que revelou insinceridade, amor
fingido e um compromisso vazio. O fato de ter sido premeditado tornou
ainda pior. Não foi uma traição acidental na última hora; foi bem planejada
e muito deliberada. Judas jogou o jogo por todo o caminho até o fim,
trabalhando em estreita colaboração com Jesus e permanecendo como parte
do Seu círculo íntimo. Então, na hora preestabelecida, Judas enfiou o
punhal o mais profundamente que pôde.
Quando viajo e falo com as pessoas, ouço repetidamente histórias de
pessoas que se sentiram traídas por alguém que amavam e confiavam.
Embora nunca tenham dado um beijo na outra pessoa como símbolo de sua
afeição, abriram seus corações, compartilharam seus segredos e entregaram
uma parte de si mesmas. Mais tarde, descobriram que a pessoa que amavam
e confiavam não era como ele ou ela parecia. Esse tipo de descoberta pode
ser um infortúnio muito traumático e emocional.
Você, alguma vez na vida, já experimentou a traição de um amigo ou
colega que você achava ser um verdadeiro amigo — descobrindo mais tarde
que ele ou ela não o era? Você se perguntou: como essa pessoa pôde se
comportar assim depois de termos ficado juntos por tanto tempo?
Algo estava evidentemente errado no relacionamento, desde o começo.
Talvez você inconscientemente soubesse que algo estava errado, mas você
amava tanto a pessoa que não quis ouvir o que o seu coração estava lhe
dizendo; ou quem sabe você realmente estava cego para o que acontecia
bem debaixo do seu nariz.
Quando alguém lhe trai, você pode estar certo de que: 1) a pessoa nunca
foi quem você pensou que ele ou ela era desde o começo ou 2) você
percebeu que algo não estava certo, mas se permitiu prosseguir com o
relacionamento de qualquer maneira.
Algum desses cenários descreve algo que você experimentou? Você foi
queimado por alguém em quem confiava? Se você permitir que essa mágoa
apodreça e cresça dentro de você, isso só vai lhe tornar amargo e feio. É
hora de você perdoar e deixar de lado essa ofensa para poder seguir com
sua vida.
Jesus sempre soube que Judas seria o Seu traidor; no entanto, Ele o
amava, trabalhando de perto com ele e até mesmo compartilhando a ceia
com ele na mesma noite da traição!
Você pode perguntar: Por que Jesus ofereceu tanto de si mesmo a alguém
que Ele sabia que lhe seria desleal? Deixe-me responder a essa pergunta,
colocando algumas questões para você:
 
v Você já foi desleal e infiel a Jesus?
v Você já violou a autoridade dele em sua vida desobedecendo?
v Alguma vez você já o arrastou para situações impuras nas quais
você se meteu?
v Você já o traiu ou o negou em sua própria vida?
 
Se for sincero, sua resposta para todas as quatro perguntas será “Sim, eu
já fiz isso!”. Jesus sabia que você faria essas coisas antes mesmo de Ele lhe
chamar e salvar. Mas Ele expulsou, rejeitou ou negou você? Não, Ele lhe
perdoou e ainda perdoa hoje. Você não fica feliz por Jesus ter tanta
paciência com você? Você não fica grato por Ele lhe dar tantas chances de
acertar as coisas?
Então, basta aprender com a experiência e determinar nunca mais deixar
um Judas ser seu melhor amigo. Permita que o Espírito Santo o leve aos
melhores amigos que você já teve em sua vida!
Sim, é certamente doloroso sentir-se traído por alguém próximo a você.
Mas se você permitir que essa experiência opere a seu favor e não contra,
isso fará de você uma pessoa mais forte e melhor. Quando chegar do outro
lado, estará em uma posição em que entenderá o que os outros estão
passando por terem sido feridos pela traição e você poderá ser uma ajuda e
uma bênção para eles.
 
A traição acidental é uma coisa, mas a deslealdade premeditada é outra.
Que medidas você pode tomar para garantir que seu coração permaneça fiel
a Jesus?
 
 
Jesus sabia que Judas o trairia; no entanto, continuou a trabalhar em
estreita colaboração com ele. Você consegue se lembrar de uma ocasião em
que você percebeu que alguém não era autêntico, mas decidiu continuar um
relacionamento com ele? Ao analisar essa situação hoje, você percebe que
essa decisão foi guiada pelo Espírito de Deus ou foi resultado de não seguir
a direção do Espírito Santo?
 
 
O ato de traição revela a qualidade do caráter de uma pessoa, seja ela o
traidor ou o traído. Você já traiu alguém ou foi traído por outro? Se sim, o
que você aprendeu sobre si mesmo como resultado dessa experiência?
Como isso mudou você?
Capítulo
8
Teste de Lealdade,Teste de Amor
Quando eu era jovem e começava no ministério, Deus me colocou
sob a unção de um grande homem de Deus que lia versículos do Novo
Testamento em grego e dominava a exegese, sendo fortemente ungido pelo
Espírito de Deus. Para mim, aquele ministro tinha a melhor combinação
possível — cérebro e unção misturados em um único pacote! A primeira
vez que o ouvi pregar, meu queixo caiu! Sua pregação me lembrou a
maneira como Jesus desconcertou os escribas quando eles o ouviram
ensinar com tanta autoridade. Eu imediatamente soube que precisava estar
sob a unção daquele homem e receber da sua vida.
Deus abriu a porta para eu ser treinado por aquele grande homem de
Deus e por dois anos trabalhei lado a lado com ele todos os dias —
carregando seus livros e viajando com ele para suas reuniões. Eu
literalmente me encontrava com ele sete dias por semana, para que ele
pudesse me ensinar e treinar. Era incrível que um homem daquele calibre
colocasse tanto de si mesmo em alguém tão jovem quanto eu; mas ele fez
isso porque acreditava no chamado de Deus em minha vida. Esse homem
transmitiu as ferramentas, as habilidades e o entendimento que eu precisava
para me tornar um homem de Deus que pudesse crescer nas coisas do
Espírito e estabelecer um ministério que fosse equilibrado entre a Palavra e
o Espírito.
Tudo estava ótimo entre aquele ministro e eu — até um dia em que eu
fiquei ofendido. A razão para a ofensa não é importante, mas a situação
revelou que eu tinha uma falha na minha compreensão de autoridade e
submissão.
Essa foi uma lição cara que Deus usou ao longo dos anos do meu
ministério, toda vez que trabalhei com outros que estavam aprendendo as
duras lições de submissão e autoridade. Por causa do que eu vivenciei,
entendo a tentação que as pessoas ocasionalmente sentem de se verem em
um nível muito alto e fugir e abandonar seus mentores espirituais.
Foi exatamente o que eu fiz com aquele homem que tinha sido tão gentil
comigo. Depois que ele derramou sua vida em mim, ensinando e treinando,
eu o abandonei logo que tivemos nossa primeira grande divergência.
Embora eu o chamasse de pastor, o conflito entre nós revelou que eu nunca
lhe dera realmente um lugar de autoridade em minha vida. Ele tinha sido
um grande exemplo para mim e eu o respeitava como o melhor professor
que eu já tinha conhecido. No entanto, obviamente jamais o recebi como
autoridade de Deus em minha vida, do contrário, não teria feito o que fiz
com ele.
Infelizmente, o verdadeiro nível de comprometimento não é testado nos
bons momentos, mas em tempos de conflito e desacordo. É fácil caminhar
juntos quando você concorda com aquele a quem você chama de sua
autoridade espiritual e vocês estão se divertindo juntos. Mas o que acontece
quando você discorda ou experimenta um conflito em seu relacionamento?
Esse é o momento crítico em que a verdade sobre o seu nível de submissão
se tornará observável.
Quando Judas Iscariotes chegou ao Jardim do Getsêmani na noite em que
traiu Jesus, disse algo que revelou que ele nunca tinha se submetido
sinceramente. A verdade sobre o reconhecimento e a submissão de Judas à
autoridade de Jesus foi exposta naquela noite, assim como a minha
submissão àquele ministro também foi comprovada como sendo deficiente.
Marcos 14:45 diz: “E, logo que chegou [Judas], aproximando-se, disse-lhe:
Mestre! E o beijou”.
Observe que Judas chamou Jesus de “Mestre”. A palavra revela o tipo de
relacionamento que realmente existia no coração de Judas para com Jesus.
Essas palavras também declaram a razão pela qual o diabo conseguiu usar
Judas — e não um dos outros discípulos — para trair Jesus.
A palavra “mestre” vem da palavra grega didaskalos, que significa
professor. Quando é traduzida como “mestre”, como nesse versículo,
pretende-se dar a ideia de alguém que é um professor fabuloso e magistral.
É o equivalente grego da palavra hebraica rabi. Naturalmente, um rabi é
um professor que é honrado e respeitado por causa da sua compreensão e
capacidade para explicar as Escrituras. Quando Judas se aproximou de
Jesus no Jardim naquela noite, foi exatamente esse o título que ele usou
quando se referiu a Jesus. Ele o chamou: “Mestre”. Literalmente significava
“Professor”.
Os títulos são muito importantes porque definem relacionamentos. Por
exemplo, as palavras “papai” e “mamãe” definem o relacionamento único
entre uma criança e seus pais. A palavra “chefe” define a relação entre um
empregado e seu empregador — um relacionamento muito diferente do que
existe entre o empregado e seus colegas de trabalho. As palavras “Senhor
Presidente” definem a relação entre a nação e seu líder. A palavra “pastor”
define a relação entre uma congregação e seu pastor.
Um mundo sem títulos seria um mundo confuso, pois os títulos atribuem
hierarquia, ordem e definição aos relacionamentos. O próprio Jesus disse
aos discípulos: “Vocês me chamam ‘Mestre’ e ‘Senhor’, e com razão, pois
eu o sou” (João 13:13, NVI). Até mesmo Jesus reconheceu que estava
correto os Seus discípulos o chamarem de “Senhor” e “Mestre”. Na
verdade, não há uma única ocorrência nos evangelhos onde eles o chamam
de “Jesus”. Eles sempre foram respeitosos, honrados e reverentes quando
falavam dele ou com Ele.
Mas quero que você observe que título Judas não usou naquela noite —
ele não chamou Jesus de “Senhor”. A palavra para “senhor” expressa a
ideia de alguém que tem autoridade suprema e definitiva em sua vida. Se
você chamasse alguém de “senhor”, isso significaria que você estava
submetido à autoridade dessa pessoa e entregava todos os aspectos da sua
vida à sua administração, direção e controle.
Se Judas tivesse chamado Jesus de “Senhor” naquela noite, isso
significaria que ele havia entregado sua vida ao controle de Jesus e se
submetido à Sua autoridade. Mas Judas não usou a palavra “Senhor”. Ele
usou a palavra para “Professor”, o que revela que Jesus nunca havia
realmente se tornado autoridade de Deus na vida de Judas. A verdade é que
Judas só recebeu Jesus como um professor, um rabino e um comunicador
talentoso, mas nunca como Senhor.
Como acontece em todos os relacionamentos em que a submissão à
autoridade é necessária, chegou o momento que finalmente provou o
verdadeiro nível da submissão de Judas a Jesus. Quando o teste chegou,
Judas falhou. Houve uma falha fatal em seu relacionamento com Jesus. No
final, tornou-se evidente para todos que, embora Judas honrasse e seguisse
Jesus como Mestre, Jesus nunca fora seu Senhor. Assim, o lado de Judas no
seu relacionamento com Jesus foi artificial desde o início.
Jesus sabia o que estava no coração de Judas, mas continuou a trabalhar
em estreita colaboração com ele, oferecendo-lhe uma misericórdia
insondável, uma graça maravilhosa e uma paciência surpreendente. Jesus
graciosamente ofereceu Seu tempo e atenção a Judas para corrigir as falhas
fatais no caráter do discípulo e ajudá-lo a acertar as coisas.
Mas mesmo com todo o amor e paciência de Jesus, a bola estava no
campo de Judas. O discípulo foi quem determinou o nível de
relacionamento que existiria entre ele e Jesus. Jesus estava disposto a ser o
Senhor de Judas — mas Judas nunca esteve verdadeiramente disposto a
estar em submissão à autoridade de Jesus. Em vez disso, Judas apenas
autorizou Jesus a ser um professor talentoso em sua vida.
Aprendi ao longo dos anos que leva tempo para realmente conhecer
quem são as pessoas. O apóstolo Paulo nos exortou a não impor as mãos
sobre as pessoas apressadamente por essa mesma razão (1 Timóteo 5:22).
Portanto, não fique muito abismado se descobrir que alguém que você
pensou estar ao seu lado por todo o caminho de fato não está com você. Se
isso acontecer com você, lembre-se de que aconteceu com Jesus também.
Assim como Deus usou Jesus para oferecer misericórdia, graça e paciência
a Judas Iscariotes, Deus pode estar usando você agora para dar a uma
pessoa infiel uma chance de ter uma mudança de coração para que ela possa
se tornar fiel.
Deus pode contar com você para ser a extensão da bondade dele para
com essa pessoa? Vocêé a misericórdia divina estendida para dar a essa
pessoa uma magnífica oportunidade de fazer uma verdadeira reviravolta em
seu coração, mente e caráter?
Quando eu agi errado com o meu pastor há tantos anos, minhas ações
demonstraram uma falha dentro de mim que precisava de correção. Isso
revelou que eu não entendia o que a submissão à autoridade realmente
significava. Quando olho para trás, sou muito grato por isso ter acontecido,
pois Deus usou o fato para expor um defeito em meu caráter que precisava
ser erradicado. Para me mudar, Ele chamou um grande homem de Deus e o
instruiu a me amar, perdoar e ensinar. Por esse homem estar disposto a ser a
mão da misericórdia de Deus estendida na minha vida, eu fui corrigido,
rendido e mudado. Jamais conseguirei agradecer a Deus o suficiente por ter
me colocado debaixo de uma pessoa que se importou o suficiente comigo
para me manter por perto e trazer correção para a minha vida.
Você está sendo convocado para ser esse tipo de pessoa para alguém que
está próximo agora? É muito fácil fixar-se no beijo da traição, mas apenas
fixe o pensamento no quanto Deus ama aquela “pessoa problemática” em
sua vida. Ele está querendo ajudar essa pessoa dando-lhe um amigo como
você!
Se essa pessoa escolher não responder à misericórdia, à graça e à
paciência que lhe estão sendo derramadas por meio de você, terá que viver
com os resultados da sua decisão. Apenas certifique-se de cumprir o que
Deus está exigindo de você nesse relacionamento. Pode parecer difícil de
fazer, mas você precisa ser grato por Deus gentilmente ter lhe confiado a
responsabilidade de dar a outra pessoa que foi infiel outra chance.
 
Pessoas que não entendem efetivamente a submissão e a autoridade
podem ser difíceis de lidar nos negócios, no casamento, no ministério e na
vida. Se tal pessoa está em sua vida, como você está respondendo para
ajudar esse indivíduo a crescer e mudar para melhor? O que você descobriu
sobre o seu próprio coração no processo?
 
 
Os títulos denotam hierarquia, ordem e definição aos relacionamentos.
Que título Jesus realmente tem em sua vida pessoal? A resposta está nos
modos e nas áreas que você se submete a Ele. Existem áreas da sua vida nas
quais você se reserva o direito de ter a última palavra?
 
 
Pense nos mentores e influências que Deus trouxe à sua vida ao longo
dos anos para lhe ensinar e treinar a fim de que você possa cumprir o seu
propósito divino. De que maneiras importantes você pode expressar honra a
esses mentores pelo papel deles em sua vida? Você já permitiu que uma
ofensa o separasse de qualquer um desses indivíduos? Se sim, que passos
você pode dar para consertar essa violação?
Capítulo
9
Paralisados por Sua Presença
Quando os soldados romanos e a polícia do templo estavam se
preparando para prender Jesus, um poder sobrenatural foi liberado com
tanta intensidade que literalmente jogou um bando inteiro de trezentos a
seiscentos soldados para trás no chão! Era como se uma bomba invisível
tivesse sido detonada. Tanta força explosiva foi liberada que a intensidade
desse poder fez os soldados caírem de costas! De onde veio essa descarga
de poder e o que a liberou?
Depois que Jesus recebeu o beijo da traição de Judas, Ele deu um passo à
frente e perguntou à multidão de soldados: “A quem buscais?
Responderam-lhe: ‘A Jesus, o Nazareno’. Então, Jesus lhes disse: ‘Sou
eu...’ Quando, pois, Jesus lhes disse: Sou eu, recuaram e caíram por terra”
(João 18:4-6; grifos do autor).
Observe como Jesus se identificou. Ele lhes disse: Sou eu. Essas palavras
poderosas vêm das palavras gregas ego eimi, que são traduzidas com mais
precisão como: “EU SOU!” Não foi a primeira vez que Jesus usou essa
frase para identificar a si mesmo; Ele também a empregou em João 8:58 e
João 13:19. Quando os ouvintes daquele dia escutaram aquelas palavras ego
eimi, eles imediatamente as reconheceram como as próprias palavras que
Deus usou para se identificar quando falou a Moisés no monte Horebe em
Êxodo 3:14.
Mas vamos observar os dois exemplos adicionais das palavras ego eimi
no Evangelho de João. Em João 8:58, Jesus disse: “Em verdade, em
verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU”. Essas palavras
finais no versículo “eu sou” são as palavras gregas ego eimi das quais
falamos!
Em João 13:19, Jesus disse: “Agora digo a vocês antes que aconteça,
para que, quando acontecer, possais crer que eu sou Ele” (KJV, tradução
livre). Essa é a tradução da Versão King James, onde se percebe que a
palavra “Ele” está em itálico, o que significa que ela foi adicionada pelos
tradutores da King James e não está no original. O grego simplesmente diz:
“... possais crer que EU SOU!” Em ambos os textos citados, Jesus afirmou
com veemência e ousadia que Ele era o Grande “EU SOU” do Antigo
Testamento.
Agora em João 18:5 e 6, Jesus usa as palavras ego eimi novamente. Os
soldados queriam saber: Quem é você? Eles provavelmente esperavam que
Ele respondesse “Jesus de Nazaré” — mas em vez disso Ele respondeu:
“EU SOU!” João 18:6 nos diz: “Quando, pois, Jesus lhes disse: Sou eu,
recuaram e caíram por terra”. Uma tradução mais precisa seria Assim como
Ele disse a eles, EU SOU, eles foram para trás e caíram no chão.
As palavras “foram para trás” vêm da palavra grega aperchomai. Nesse
caso, as palavras descrevem os soldados e a polícia do templo cambaleando
e tropeçando para trás, como se alguma força os atingisse e os empurrasse
para trás. A palavra “caíram” é a palavra grega pipto, que significa cair. Ela
era usada comumente para descrever uma pessoa que caiu com tanta força,
que parecia estar morta ou como um cadáver.
Os membros dessa milícia que vieram prender Jesus foram derrubados
por algum tipo de força invisível. De fato, o versículo diz que eles recuaram
e caíram “por terra”. As palavras “por terra” foram tiradas da palavra grega
chamai, que mostra esses soldados caindo abruptamente e batendo forte no
chão. Alguma força inesperada, repentinamente e com grande intensidade,
derrubou os soldados e a polícia do templo!
Pense nisto — de trezentos a seiscentos soldados romanos e um grande
número de policiais treinados do templo vieram com armas, espadas e
porretes para capturar Jesus. Depois que eles anunciaram que estavam
procurando por Jesus de Nazaré, Jesus lhes respondeu com as palavras “EU
SOU”, identificando-se assim como o “EU SOU” do Antigo Testamento.
Quando Jesus falou essas palavras, uma grande explosão do poder de Deus
foi liberada — tão forte que literalmente empurrou as tropas e a polícia para
trás, fazendo-os cambalear, tontear e tropeçar até baterem forte no chão.
Que choque deve ter sido para os militares! Eles descobriram que as
meras palavras de Jesus eram o suficiente para dominá-los e derrubá-los!
As histórias que ouviram sobre o poder de Jesus estavam corretas. Estava
claro que Ele realmente era forte o suficiente para superar um exército.
Afinal, Ele era o Grande “EU SOU”!
Depois que Jesus provou que não podia ser tomado à força, Ele
voluntariamente se rendeu a eles, sabendo que tudo fazia parte do plano do
Pai para a redenção da humanidade. Mas é importante entender que
ninguém levou Jesus. Ir com as tropas foi uma escolha voluntária dele.
O Jesus a quem servimos é poderoso! Não há poder forte o suficiente
para resistir ao Seu poder. Nenhuma doença, turbulência financeira,
problema de relacionamento, força política — absolutamente nada tem
poder suficiente para resistir ao poder sobrenatural de Jesus Cristo! Quando
o Grande “EU SOU” abre Sua boca e fala, todo poder que tenta desafiar a
Ele ou a Sua Palavra é empurrado para trás e sacudido até que cambaleia,
tropeça e cai ao chão! No entanto, embora os soldados não conseguissem
levar Jesus à força, Ele voluntariamente foi com eles por você e por mim.
Qual é a sua necessidade hoje? Por que não apresentar essas necessidades
a Jesus, o Grande “EU SOU”? Deixe que Ele fale ao seu coração,
direcionando você para a Palavra. Uma vez recebida a promessa que você
precisa para a situação específica que está enfrentando,alinhe a sua boca de
acordo com a Palavra. Ao fazer isso, também verá o grandioso poder de
Deus liberado contra as forças do mal que tentam desafiar você!
 
Vida e morte estão no poder da língua (ver Provérbios 18:21). Você está
diante de uma situação — doença, falta, confusão ou pecado — que está
desafiando a vontade de Deus em sua vida? Veja esse problema como uma
montanha diante de você e fale a Palavra de Deus para liberar a grandiosa
força do poder dele contra as forças do inimigo que tentam se opor a você.
 
 
Jesus corajosamente afirmou quem Ele era e Seus opositores caíram para
trás. Quando você corajosamente afirmar quem é em Cristo, os ataques
contra sua vida também cairão. Considere algumas maneiras pelas quais
você pode ser mais ousado em sua afirmação sobre quem Deus é — e quem
Ele é em você.
 
 
Considere o poder sobrenatural que é liberado quando você fala o Nome
de Jesus. Como você pode ativamente liberar esse poder em sua vida, bem
como, na vida dos outros? Você está sendo fiel em fazer isso?
Capítulo
10
O Perigo de Fazer Justiça com as Próprias Mãos
Você consegue pensar em um momento em que ficou tão impaciente
enquanto esperava no Senhor que decidiu fazer justiça com as próprias
mãos para que as coisas se movessem um pouco mais rápido? Quando mais
tarde percebeu que tinha feito uma grande bagunça, você se arrependeu por
não ter esperado mais um pouco antes de agir?
Em um momento ou outro, todos nós temos já fomos culpados de agir de
forma precipitada e impensada. Por exemplo, pense em quantas vezes você
disse algo que mais tarde se arrependeu. Ah, como você gostaria de poder
retirar aquelas palavras, mas já era tarde demais! Talvez você tenha sido
culpado de agir espontaneamente sobre um assunto antes de ter tido tempo
suficiente para realmente pensar nas coisas.
Ou você já ficou muito bravo com alguém a ponto de sair e verbalizar
sua discordância antes que a outra pessoa terminasse de falar? Quando você
mais tarde percebeu que a pessoa não estava dizendo o que você pensava,
você se sentiu um tolo por reagir rápido demais? Você teve que se desculpar
por fazer uma declaração precipitada, enquanto desejava apenas ter mantido
sua boca fechada por mais alguns minutos?
Momentos impetuosos raramente produzem bons frutos. De fato, quando
agimos precipitadamente, geralmente acabamos por detestar a estupidez das
nossas palavras e ações. A verdade é que todos nós precisamos de uma boa
dose de paciência — um fruto que é produzido dentro de nós pelo Espírito
de Deus. Precisamos desesperadamente de paciência em nossas vidas!
Talvez nenhuma história demonstre melhor a bagunça que a impaciência
produz do que aquela noite no Jardim do Getsêmani, quando Pedro pegou
uma espada, brandiu-a com toda a força e cortou a orelha do servo do sumo
sacerdote.
Quando Jesus falou e se identificou como o grande “EU SOU”, os
soldados e a polícia do templo foram derrubados ao chão — seus olhos
atordoados, suas cabeças girando e seus corpos amortecidos pelo poder de
Deus. O poder que foi liberado os atingiu com tanta força e tão rápido que
eles estavam com as costas no chão antes que conseguissem perceber o que
acontecera!
Enquanto aqueles soldados ainda estavam deitados de costas, Pedro de
repente decidiu resolver o problema com as próprias mãos. Ele deve ter
visto isso como sua grande chance de se mostrar corajoso e aproveitar o
momento, mas o que ele fez foi simplesmente espantoso! É a imagem
perfeita de alguém agindo antes de pensar nas coisas sob um ponto de vista
mais amplo.
O comportamento espontâneo e apressado de Pedro lhe valeu um lugar
na História que ninguém jamais esqueceu. No entanto, para ter a imagem
completa do que aconteceu naquela noite, é essencial juntar as histórias dos
evangelhos de Lucas e João, pois cada escritor conta uma parte diferente da
história.
Enquanto os soldados e a polícia do templo estavam deitados de costas,
Pedro olhou em volta e percebeu que os homens armados estavam
incapacitados. Então ele puxou sua própria espada e, com a espada na mão,
alegremente perguntou: “Senhor, atacaremos com espadas?” (Lucas 22:49).
Antes de Jesus ter a oportunidade de responder, Pedro entrou em ação e
fez algo ultrajante e totalmente bizarro! Ele agarrou a espada e
impulsivamente golpeou, cortando bem próximo à cabeça do servo do sumo
sacerdote. Imagine como Jesus deve ter ficado abismado ao ver Pedro
decepar a orelha daquele pobre homem e depois ver a orelha cortada caída
no chão! João 18:10 nos diz que Pedro “...feriu o servo do sumo sacerdote,
cortando-lhe a orelha direita...”.
Vamos considerar essas palavras para entender exatamente o que
aconteceu naquele momento impulsivo em que Pedro usou essa espada. A
palavra “ferir” é a palavra grega epaio, que vem da palavra paio, e significa
atacar. Como uma pessoa que agride violentamente alguém com uma
ferramenta, arma ou instrumento perigoso. Também pode ser traduzido
como picar, como um escorpião que injeta fortemente seu ferrão em uma
vítima. Além disso, significa bater com o punho. Nesse versículo, a palavra
é usada para retratar a força da ação de Pedro. Isso nos diz que Pedro
colocou todas as suas forças no balanço de sua espada, com a intenção total
de causar algum tipo de dano físico.
Você acha que Pedro estava mirando a orelha do servo? Por que alguém
atacaria uma orelha? Além disso, não seria preciso muita força para cortar
uma orelha. Não, eu acredito que Pedro estava buscando a cabeça do
homem e errou, arrancando a orelha do homem por engano. Quando aquela
espada errou o alvo, escorregou pelo lado da cabeça do servo e pegou sua
orelha.
Quando João 18:10 diz que Pedro “cortou” sua orelha direita, a palavra
“cortar” vem da palavra grega apokopto, que é um composto das palavras
apo e kopto. A palavra apo significa longe, fora e a palavra kopto significa
cortar para baixo. Juntas, a nova palavra descreve um movimento
descendente que corta algo. Nesse caso, Pedro baixou tanto a espada que
retirou completamente a orelha do servo do sumo sacerdote.
Alguns tentam insinuar que Pedro simplesmente beliscou a orelha
daquele homem, mas o grego mostra que o balanço da espada de Pedro
causou a completa remoção da orelha. A palavra grega para “orelha” é
otarion e se refere a todo o ouvido externo. A Bíblia é tão detalhada sobre
os eventos que ocorreram naquela noite que até nos diz que era a orelha
direita do servo. O servo do sumo sacerdote perdeu toda a orelha direita
quando Pedro o atacou!
João 18:10 nos diz que o nome do servo era Malco. Quem foi esse
Malco? Pedro escolheu indiscriminadamente Malco como seu alvo naquela
noite? Havia uma razão particular pela qual Pedro escolheu esse homem
como o foco da sua ira?
O nome Malco tem dois significados: governante e conselheiro. Nós não
sabemos se esse era o nome real do servo. Pode ter sido um nome dado a
ele por causa da sua estreita relação com o sumo sacerdote, que na época
era um homem chamado Caifás. Ele era membro dos saduceus, uma seita
que se opunha particularmente à realidade dos acontecimentos
sobrenaturais, vendo a maioria dos eventos sobrenaturais do Antigo
Testamento como mitos e lendas. Essa é uma das razões pelas quais Caifás
era tão antagônico ao ministério de Jesus, que, naturalmente, estava
transbordando de eventos milagrosos todos os dias.
Quando Pedro viu Malco no Jardim do Getsêmani, sem dúvida trouxe de
volta lembranças das muitas vezes em que o viu em pé ao lado do sumo
sacerdote. Embora esse homem seja chamado de servo do sumo sacerdote,
ele era de fato o seu assistente pessoal. Essa era uma posição muito
proeminente na ordem religiosa do sacerdócio. Como oficial de alto escalão
da corte religiosa, Malco estava regiamente vestido e se portava com
orgulho e dignidade. Aos olhos de Pedro, ele provavelmente representava
tudo o que pertencia à esfera do sacerdócio — uma ordem de homens
religiosos que instigaram numerosos problemas para Jesus e Seus
discípulos.
Como Malco estava presente no momento da prisão de Jesus, podemos
concluir queele foi enviado como representante pessoal do sumo sacerdote
para supervisionar oficialmente as atividades relacionadas com a prisão.
Poucos estudiosos acreditam que Pedro o escolheu por acaso.
Embora o seguinte pensamento não possa ser dito com certeza absoluta,
Malco pode ter se tornado o alvo pretendido por causa do profundo
ressentimento de Pedro e da mágoa de longa data em relação ao sumo
sacerdote e sua comitiva, os quais eram continuamente críticos do
ministério de Jesus.
Devo destacar que a cura da orelha de Malco foi o último milagre que
Jesus realizou durante Seu ministério terreno. Que declaração isso nos dá a
respeito de Jesus! Pouco antes de ir para a cruz, Ele estendeu a mão para
ajudar um inimigo publicamente declarado e adversário confesso!
Aquele homem fazia parte de um grupo que tinha sido ameaçador e
antagônico para com Jesus. Mas Jesus não disse: Finalmente, um de vocês
teve o que merece! Em vez disso, Ele estendeu a mão para o homem em sua
necessidade, tocou-o e, sobrenaturalmente o curou. Tenha em mente que o
sumo sacerdote, um saduceu, era veementemente contra o ministério
sobrenatural de Jesus. No entanto, foi o próprio servo do sumo sacerdote
quem recebeu um toque sobrenatural de Jesus!
O que contrasta as ações de Jesus se comparadas ao comportamento de
Pedro! É mais do que provável que Pedro tenha agido por uma ofensa
antiga, mas Jesus demonstrou amor e cuidado genuíno até mesmo àqueles
que se opuseram a Ele durante Sua vida e que foram fundamentais para
levá-lo à crucificação.
Portanto, não siga o exemplo de Pedro no Jardim do Getsêmani. Em vez
disso, ore pela graça para ser como Jesus! Decida hoje deixar que o Espírito
Santo o capacite a oferecer perdão para aqueles que o ofenderam ou
causaram danos. Determine-se a amar seus ofensores e oponentes da
maneira como Jesus os ama.
 
 
É a bondade de Deus que atrai as pessoas ao arrependimento ver
(Romanos 2:4). Existe uma pessoa ou um grupo de pessoas que são
antagônicas em relação a você? Como eles demonstraram as intenções
negativas em relação a você? De que maneiras você está permitindo que o
Espírito Santo o equipe para alcançá-los em amor?
 
 
Em um momento de precipitação, Pedro cortou a orelha de um homem.
Você consegue pensar em momentos em que agiu apressadamente sem
pensar na raiz e nos resultados das suas ações? Pensando nesses momentos
e nas consequências que se seguiram, você consegue pensar em formas
alternativas que você poderia ter usado para responder a essas situações?
 
 
Quando nos recusamos a esperar em Deus, a impaciência sempre produz
um problema em nossas vidas. Ao fazermos justiça com nossas próprias
mãos, muitas vezes cavamos um buraco tão profundo para nós mesmos do
qual só Ele pode nos tirar.
Toda escolha tem uma consequência. Você está fazendo as escolhas hoje
que produzirão os resultados que você deseja amanhã?
Capítulo
11
Jesus Limpa a Bagunça de Pedro!
Você já experimentou a sensação de ter o coração partido ao ver a
bagunça que um amigo fez da vida dele? Por amar seu amigo, você estava
disposto a fazer qualquer coisa para ajudá-lo a colocar sua vida em ordem
novamente, certo? Embora você soubesse que seria difícil, estava disposto a
entrar naquela desordem, caos e confusão para ajudá-lo, porque sabia que
ele nunca sairia sozinho dali.
Vamos observar o que Jesus fez por Pedro naquela noite no Jardim do
Getsêmani depois que o discípulo cortou a orelha de Malco, servo do sumo
sacerdote. Há algo que podemos aprender com o exemplo que Jesus nos deu
naquela noite.
O que Pedro fez a Malco não foi apenas escandaloso — foi contra a lei e,
portanto, passível de pena. A ação de Pedro foi criminosa! O erro de Pedro
era o suficiente para arruinar toda a sua vida, já que ele poderia ter sido
condenado por ferir fisicamente outro cidadão. E não era qualquer cidadão.
Como servo do sumo sacerdote, Malco era um homem extremamente
conhecido na cidade de Jerusalém. Pedro certamente teria sido preso por
ferir uma pessoa de tal estatura.
Jesus tinha acabado de suar o sangue da intensa batalha espiritual que Ele
travou em oração no Jardim. Então, recebeu o beijo da traição de um amigo
e estava, portanto, diante da perspectiva da cruz e de três dias na sepultura.
Agora, um novo problema havia sido imposto a Ele. Por causa do
comportamento impetuoso e não autorizado de Pedro, Jesus teve de colocar
tudo em espera por um momento para que pudesse consertar a bagunça que
Pedro criara!
Com o sangue jorrando do lado da cabeça de Malco e pingando da
lâmina que Pedro tinha na mão, Jesus pediu aos soldados, “Deixai, basta...”
(Lucas 22:51). Isso era o equivalente a dizer: Deixe-me fazer mais uma
coisa antes de vocês me levarem!
Então Jesus estendeu a mão para Malco e “...tocando-lhe a orelha, o
curou”. Em vez de permitir ser levado embora enquanto Pedro ainda
estivesse sujeito a prisão, julgamento e possível execução, Jesus parou todo
o processo para consertar a bagunça feita naquela noite.
A Bíblia diz que Jesus “tocou” o servo. A palavra grega para “toque” é
aptomai, uma palavra que significa agarrar com firmeza ou segurar
firmemente. Isso é muito importante, pois nos permite saber que Jesus não
tocou apenas Malco; Ele agarrou firmemente a cabeça do homem e a
segurou com força.
Por que isso é tão significativo? Porque nos mostra a tenacidade com a
qual Jesus orou. Quando Ele colocava as mãos sobre as pessoas, elas
percebiam que mãos lhes tinham sido impostas!
A Bíblia não nos diz se Jesus tocou o que restou da orelha decepada e
criou uma nova orelha ou arrancou a velha orelha do chão e
miraculosamente a colocou de volta em seu lugar. Independentemente de
como o milagre ocorreu, no entanto, a palavra aptomai (“tocar”) nos
permite saber que Jesus foi agressivo na maneira como tocou o homem.
Como resultado do toque de Jesus, Malco foi completamente “curado”
(v. 51). A palavra “curado” é a palavra grega iaomai, que significa sarar,
restaurar ou curar. Jesus restaurou completamente a orelha de Malco antes
que os soldados o prendessem e o levassem para fora do Jardim.
Naquela noite, no Jardim do Getsêmani, as próprias palavras de Jesus
derrubaram de trezentos a seiscentos soldados, que caíram de costas. Ele
não precisava da ajuda de Pedro. Ele não pediu a intervenção de Pedro. No
entanto, Pedro de repente pulou no meio dos negócios de Deus e tentou
instigar uma revolta. Apesar disso, em vez de se afastar e deixar Pedro na
bagunça que ele fizera por suas próprias ações, Jesus parou tudo o que
estava acontecendo e interveio em nome do Seu discípulo. Jesus reservou
um tempo para curar a orelha de Malco por duas razões principais: 1)
porque Ele é aquele que cura e 2) porque Ele não queria que Pedro fosse
preso por suas ações impulsivas.
Da próxima vez que você achar que é muito ocupado ou muito
importante para se envolver no problema de um amigo, lembre-se desse
exemplo que Jesus nos deu na noite em que foi preso. Naquela noite, Jesus
tinha muita coisa em sua mente, mas ainda assim parou tudo para ajudar um
amigo. Ele poderia ter dito: Pedro, você fez essa bagunça sozinho; agora
vai consertar sozinho. Mas ficou claro que Pedro nunca sairia daquele
problema sem ajuda, então Jesus interveio para ajudá-lo a colocar as coisas
em ordem novamente.
Quando você for tentado a ficar julgando os problemas que outras
pessoas trouxeram para suas vidas, é bom se lembrar das muitas vezes que a
misericórdia de Deus interveio para lhe salvar de situações confusas que
você mesmo criou. Mesmo que você merecesse problemas, Deus o amou o
suficiente para se achegar a você e lhe ajudar a arrumar as coisas para que
você pudesse sair da bagunça. Agora, sempre que você vir os outros em
problemas, terá a oportunidade de ser uma extensão da misericórdia de
Deus para eles.
Coloque tudo em espera por alguns minutos para que você possa alcançar
um amigo em apuros — faça o que puder para ajudar a restaurar a situação.
Se isso foi importante o suficiente para Jesus fazer, então você tem tempo
para fazê-lo também. Tornehoje uma prioridade ser um amigo fiel até o
fim, assim como Jesus foi para com Pedro no Jardim do Getsêmani!
 
 
A única coisa mais frustrante e dolorosa do que cometer um erro ou
passar por um momento difícil é ver alguém com quem você se importa
passando por dificuldades — particularmente quando é uma situação que
ele ou ela mesmos buscaram. Há momentos em que as pessoas precisam de
alguém para intervir e as ajudar a recuperar suas vidas novamente.
Você consegue pensar em um momento em que você estava com
problemas e alguém lhe ajudou a consertar a situação sem lhe sufocar com
julgamentos pelo que pode ter sido um problema que você mesmo arranjou?
Como a intervenção dessa pessoa lhe afetou, como esse exemplo de amor
continua a lhe influenciar hoje?
 
 
Normalmente, quando uma pessoa precisa da sua ajuda, não é
conveniente para você entrar na situação. Jesus estava no meio de uma
intensa batalha espiritual no Jardim do Getsêmani e as ações de Pedro só
complicaram ainda mais a situação. Observe que Jesus colocou Sua própria
dor em pausa para corrigir o caos quando Ele trouxe a cura a Malco e
ajudou a Pedro.
Como você responde aos outros ao seu redor quando, no meio de tentar
lidar com seus próprios dilemas pessoais, você observa alguém fazendo
uma bagunça na vida ou percebe alguém sofrendo? Sua resposta reflete o
modo como Jesus respondeu a Pedro?
 
 
Jesus é um amigo fiel. Todos os dias, Sua misericórdia está disponível
para intervir em sua vida — tirando-lhe dos problemas, ajeitando sua
situação. Você está honrando o sacrifício que Jesus fez a seu favor,
recebendo a intervenção misericordiosa dele em sua vida? Reserve algum
tempo para pensar sobre isso e, em seguida, considere como você pode ser
uma extensão da misericórdia de Deus para outra pessoa hoje.
Capítulo
12
Doze Legiões de Anjos
Quanta força você acha que um anjo possui?
Para responder a essa pergunta, quero que você considere o impacto total
das palavras de Jesus em Mateus 26:53, onde Ele disse: “Acaso, pensas que
não posso rogar a meu Pai, e ele me mandaria neste momento mais de doze
legiões de anjos?”.
Para entender completamente a magnitude do que Jesus disse aqui,
precisamos saber:
 
1. O que é uma “legião”?
2. Quantos anjos haveria em doze legiões?
3. Qual seria a força combinada desse número de anjos?
 
É importante responder a essas perguntas, porque as respostas revelam
todo o poder que estava disponível a Jesus se Ele pedisse ajuda sobrenatural
no Jardim do Getsêmani. Na verdade, quando levamos em conta o poder
que já foi demonstrado no Jardim e, em seguida, adicionamos o potencial
auxílio e impacto de doze legiões de anjos, torna-se óbvio que não havia
força humana na Terra forte o suficiente para levar Jesus contra a Sua
vontade. A única maneira pela qual Jesus seria levado seria se Ele se
permitisse ser levado! Foi por isso que Jesus disse mais tarde a Pilatos:
“...nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada...”
(João 19:11).
Vamos começar com nossa primeira pergunta: o que é uma legião? A
palavra “legião” é um termo militar que vem do exército romano. Uma
legião denotava um grupo de pelo menos seis mil soldados romanos,
embora o número total pudesse ser maior. Isso significa que toda vez que
lemos sobre uma legião de alguma coisa, podemos saber que está se
referindo a pelo menos seis mil daquela coisa.
Um exemplo surpreendente disso é encontrado em Marcos 5:9, onde a
Bíblia nos diz que o homem endemoninhado gadareno tinha uma legião de
demônios. Isso significa que esse homem tinha uma infestação de pelo
menos seis mil demônios residindo dentro dele!
Vamos agora contemplar a segunda pergunta: quantos anjos haveria em
doze legiões? Já que a palavra “legião” se refere a pelo menos seis mil, isso
significa que uma legião de anjos seriam pelo menos seis mil anjos. No
entanto, Jesus disse que o Pai mandaria “mais de” doze legiões de anjos se
Ele pedisse. Como seria pura especulação tentar descobrir quantas seriam as
“mais de” doze legiões, vamos ficar só com as doze legiões para observar
quantos anjos isso resulta.
Uma legião tem seis mil anjos, então se você simplesmente multiplicar
esse número por doze vai descobrir que doze legiões de anjos dariam um
mínimo de 72 mil anjos. Mas Jesus disse que o Pai mandaria mais de doze
legiões de anjos. Portanto, você pode concluir que havia potencialmente
muitos milhares de anjos adicionais disponíveis para Jesus na noite em que
Ele foi preso!
Finalmente, vamos examinar nossa terceira pergunta: qual seria a força
combinada desse número de anjos? Anjos são poderosos! De fato, Isaías
37:36 registra que um único anjo matou 185 mil homens em uma noite.
Então, se um único anjo tivesse esse tipo de poder, quanta força combinada
haveria em doze legiões de anjos?
Como um único anjo conseguiu aniquilar 185 mil homens em uma noite,
isso significa que a força combinada em uma legião de seis mil anjos seria o
suficiente para destruir 1.110.000.000 homens (isto é, 1 bilhão e 110
milhões de homens) — e isso é apenas o poder combinado em uma legião
de anjos!
Agora vamos multiplicar esse mesmo número de 185 mil por doze
legiões, ou pelo menos 72 mil anjos, que era o número de anjos que Jesus
disse estarem disponíveis para Ele na noite da sua prisão. Quando fazemos
isso, descobrimos que havia força suficiente à disposição de Jesus para
aniquilar pelo menos 13.320.000.000 homens (isto é, 13 bilhões, 320
milhões de homens) — o que é mais que o dobro do número de pessoas que
vivem na Terra hoje!
É claro, estamos considerando que o anjo mencionado em Isaías 37:36
havia esgotado seu poder em 185 mil homens (o que é improvável).
Simplificando, os anjos são poderosos e Jesus tinha um grande número de
anjos à sua disposição!
Jesus não precisava da espadinha de Pedro naquela noite. Se Ele tivesse
escolhido fazê-lo, poderia ter convocado 72 mil magníficos, deslumbrantes,
gloriosos e poderosos anjos para o jardim, para impedir os soldados
romanos e a polícia do templo que vieram prendê-lo. De fato, a força
combinada em doze legiões de anjos poderia ter aniquilado toda a raça
humana! Mas Jesus não chamou a ajuda sobrenatural que estava disponível
para Ele. Por quê? Porque Ele sabia que era hora de voluntariamente
entregar sua vida pelo pecado da raça humana.
Aprenda uma lição com Jesus e com o apóstolo Pedro. Jesus não
precisava da espada pequena e insignificante de Pedro para lidar com a sua
situação. Que bem faria uma única espada contra todas as tropas reunidas
no Jardim naquela noite, afinal? As ações de Pedro foram um exemplo
perfeito de como a carne tenta em vão resolver seus próprios problemas,
mas não consegue. Jesus tinha todo o poder necessário para vencer aquelas
tropas.
Ao enfrentar seus próprios desafios na vida, tenha sempre em mente que
Jesus tem o poder de resolver qualquer problema que você possa encontrar.
Antes de entrar em cena e piorar as coisas, fazendo justiça com as próprias
mãos, lembre-se da história de Pedro! Da próxima vez que você for tentado
a “pegar uma espada e sair cortando por aí”, reserve alguns minutos para se
lembrar de que Jesus pode lidar com o problema sem a sua intervenção.
Antes de fazer qualquer coisa, ore e pergunte ao Senhor o que você deve
fazer. Depois de receber a resposta e seguir as instruções, apenas observe o
poder sobrenatural dele entrar em ação para resolver o dilema que você está
enfrentando!
 
 
Quando pensamos no poder disponível para Jesus somente por
intermédio da assistência angelical, parece quase risível que Pedro pensasse
que sua pequena espada oferecia alguma proteção. No entanto, todos nós, às
vezes, cometemos erros semelhantes em nossas próprias vidas.
O mesmo Espírito Santo que ressuscitou Jesus dos mortos está dentro de
você e o mesmo poder disponível para Ele também está disponível para
você. Em quais substitutos lamentáveis e inadequados do poder de Deus
você tentou confiar no passado quando enfrentou uma situação difícil e
estava precisando de ajuda e libertação divinas?A tendência natural do homem é sempre tentar resolver seus próprios
problemas. Considere seus próprios padrões e histórico de tentativas
naturais de resolver situações. De que maneiras você poderia ter olhado
para o Senhor e permitido que o poder dele resolvesse o que você não
podia?
 
 
Se você é um crente, você já tem todo o poder à sua disposição para
corrigir qualquer problema que venha a encontrar. Considere o maior
desafio que você esteja enfrentando neste momento. Ore e peça a Deus
auxílio sobrenatural. Em seguida, “guarde a sua espada” e siga as instruções
dele.
Capítulo
13
Quem Era o Menino Nu no Jardim do Getsêmani?
Quase no mesmo momento em que Jesus terminou de curar a orelha
do servo do sumo sacerdote chamado Malco, o evangelho de Marcos nos
revela que um jovem nu foi encontrado no Jardim do Getsêmani. Marcos
14:51-52 diz: “Seguia-o um jovem, coberto unicamente com um lençol, e
lançaram-lhe a mão. Mas ele, largando o lençol, fugiu desnudo”.
Quem era esse jovem? Por que ele estava seguindo a Jesus? Por que ele
estava nu? Por que estava envolto em um pano em vez de usar roupas
normais? Por que o Espírito Santo foi tão cuidadoso em incluir essa história
única no relato do evangelho de Marcos? Qual é o significado desse
evento?
A chave para identificar esse jovem é o “lençol” que ele usava sobre seu
corpo. A palavra grega particular que é empregada para esse “lençol” é
usada em apenas outro evento no Novo Testamento — para descrever o
“pano de linho” no qual o corpo de Jesus foi envolvido para o sepultamento
(ver Mateus 27:59; Marcos 15:46 e Lucas 23:53). Assim, a única referência
que temos para esse tipo de tecido no Novo Testamento é a de uma
mortalha utilizada para cobrir um cadáver na sepultura.
Alguns estudiosos tentaram dizer que esse jovem nu era o próprio
Marcos. Eles presumem que quando Marcos ouviu sobre a prisão de Jesus,
rapidamente pulou da cama e correu para o Jardim do Getsêmani. Mas o
jardim estava localizado em um lugar remoto e ninguém poderia ter corrido
para lá tão rapidamente. É simplesmente uma impossibilidade física.
Outros especularam que Marcos tirou as roupas na tentativa de chocar e
distrair os soldados para que Jesus pudesse escapar. Essa ideia é absurda.
Outros apresentam tentativas vãs semelhantes, afirmando que esse jovem
nu era o apóstolo João. Mas por que João estaria andando nu no Jardim do
Getsêmani?
Como eu disse, a resposta para a identidade desse jovem nu está no pano
que estava enrolado em seu corpo. Veja, quando um corpo era preparado
para o enterro, ele era lavado, cerimonialmente limpo e enterrado nu em um
pano de linho exatamente como descrito aqui no Evangelho de Marcos.
Além disso, o Jardim do Getsêmani estava situado ao lado do monte das
Oliveiras. Em direção à base desse monte há um cemitério densamente
povoado, com muitas das suas sepulturas remontando à época de Jesus.
Quando Jesus disse “EU SOU”, o poder liberado foi tão tremendo que
derrubou os soldados. Mas, evidentemente, também causou um estrondo no
cemitério local! Quando essa explosão de poder foi liberada, um menino,
envolto em um lençol de linho de acordo com a tradição da época, saiu de
seu túmulo — ressuscitou dos mortos!
A razão pela qual ele “seguiu” Jesus foi para vislumbrar aquele que o
ressuscitara. A palavra “seguir” aqui significa seguir continuamente. Isso
nos diz que esse jovem ressuscitado seguiu os soldados enquanto levavam
Jesus pelo Jardim a caminho do Seu julgamento. Quando os soldados
descobriram o jovem que seguia Jesus, tentaram prendê-lo. Mas quando
estenderam a mão para agarrá-lo, ele se soltou e fugiu, deixando o pano de
linho com eles.
Quero que você reflita novamente sobre o impressionante poder que
estava atuando no momento da prisão de Jesus no Jardim do Getsêmani.
Mais tarde, Ele disse a Pilatos: “Nenhuma autoridade terias sobre mim, se
de cima não te fosse dada...” (João 19:11). De fato, havia tanto poder
presente que ninguém poderia resistir a Jesus se Ele tivesse escolhido
resistir. Jesus não foi preso pela vontade do homem; Ele foi entregue pela
vontade do Pai.
Pense como é maravilhoso que Jesus tenha dado a vida por nós! Tanto
poder estava atuando nele, mesmo no momento da Sua prisão, que ninguém
tinha poder suficiente para levá-lo à força. A única razão pela qual Jesus foi
preso foi Ele ter escolhido, de bom grado, dar a vida por você e por mim.
Não leia estas palavras desinteressadamente. Permita que a magnitude do
que Jesus fez por você mergulhe profundamente em seu coração. Reserve
algum tempo para parar e agradecer a Ele por estar tão disposto a ir à cruz e
suportar a punição por seu pecado em seu lugar. Jesus é digno do seu
sincero louvor!
 
 
Quando Jesus simplesmente confirmou quem Ele era, a explosão de
poder liberada naquela verdade não apenas derrubou Seus inimigos, mas
também ressuscitou o morto.
Considere o que acontecerá em sua vida quando você, com convicção,
reconhecer quem é Jesus em seu favor. Em que áreas você precisa
reconhecê-lo mais?
 
 
O poder divino disponível a Jesus naquela noite no Jardim é insondável
para as nossas mentes naturais. No entanto, Ele escolheu não resistir aos
soldados; em vez disso, em obediência, Ele se rendeu à vontade de Deus.
Medite no grande amor e autossacrifício que Jesus demonstrou ao
escolher dar a vida por você. De que maneiras você pode começar a
entregar sua vida a Ele mais completamente e seguir a liderança de Deus
com mais precisão todos os dias?
 
 
Nenhum inimigo suportaria o poder em Jesus se Ele tivesse escolhido
resistir. Se você resistir ao diabo, ele não poderá suportar o poder de Deus
que habita em você.
Considere algumas áreas em sua vida nas quais o diabo está tentando lhe
alcançar. Em seguida, reserve um tempo para pensar sobre o poder
esmagador do Maior que habita dentro de você. Tome uma decisão de
qualidade de se submeter a Deus em todas as áreas da sua vida e use sua
autoridade em Nome de Jesus para resistir ativamente ao inimigo!
Capítulo
14
Uma Vida Santa Entregue por Você
Depois que Jesus demonstrou Seu tremendo poder, Ele permitiu que
os soldados o levassem sob custódia. Em certo sentido, isso foi
simplesmente um ato, pois Ele já provara vividamente que eles não tinham
o poder requerido para tomá-lo. Apenas uma palavra e Ele derrubou os
soldados de costas — a Bíblia ainda diz: “E os que prenderam Jesus o
levaram à casa de Caifás, o sumo sacerdote, onde se haviam reunido os
escribas e os anciãos” (Mateus 26:57; grifos do autor).
A palavra “prenderam” vem da palavra grega kratos. Nesse caso, essa
palavra significa agarrar, tomar, prender firmemente ou apreender. Usada
nesse contexto, ela carrega principalmente a ideia de fazer uma prisão
forçada. Uma vez que Jesus demonstrou que não poderia ser levado à força,
Ele então permitiu que os soldados o apanhassem.
Mateus 26:57 prossegue dizendo que uma vez que Jesus estava em suas
mãos, eles o “levaram”. Essa palavra vem da palavra grega apago — a
mesma palavra usada para retratar um pastor que amarra uma corda no
pescoço de sua ovelha e, em seguida, a leva pelo caminho onde precisa ir.
Essa palavra descreve exatamente o que aconteceu com Jesus naquela
noite no Jardim do Getsêmani. Ele não foi amordaçado e arrastado para o
sumo sacerdote como alguém que estava lutando ou resistindo à prisão. Em
vez disso, a palavra grega apago nos diz claramente que os soldados
levemente colocaram uma corda no pescoço de Jesus e o guiaram pelo
caminho, enquanto Ele seguia atrás, exatamente como uma ovelha sendo
conduzida por um pastor. Assim, os soldados romanos e a polícia do templo
o levaram como uma ovelha para o matadouro, como Isaías 53:7 profetizara
muitos séculos antes. Especificamente naquela noite, porém, os soldados
levaram Jesus a Caifás, o sumo sacerdote.
Vamos observar o que podemos aprender sobre Caifás. Sabemos que
Caifás foi nomeado sumo sacerdote no ano 18 d.C. Como sumo sacerdote,
ele se tornou tão proeminente em Israel que, mesmo quando terminou seu
mandato, ele exerceugrande influência nos negócios da nação, inclusive
assuntos espirituais, políticos e financeiros. Flávio Josefo, famoso
historiador judeu, relatou que cinco dos filhos de Caifás depois serviram no
ofício do sumo sacerdote.2
Quando jovem, Caifás casou-se com Ana, filha de Anás, que estava
servindo como sumo sacerdote naquela época. Anás serviu como sumo
sacerdote de Israel durante nove anos. Esse título havia entrado na
jurisdição daquela família e eles protegiam firmemente essa posição de alto
escalão, passando-a entre os vários membros da família e assim mantendo
as rédeas do poder em suas mãos. Era uma monarquia espiritual. Os
titulares desse cobiçado título detinham grande poder político, controlavam
a opinião pública e possuíam vasta riqueza.
Depois que Anás foi removido pelos romanos, o título de sumo sacerdote
passou para o seu genro, Caifás. Anás continuou a exercer controle sobre a
nação por intermédio do seu genro. Essa influência é evidente em Lucas
3:2, onde a Bíblia diz: “...sendo sumos sacerdotes Anás e Caifás...”. Era
impossível que duas pessoas servissem como sumo sacerdote ao mesmo
tempo; no entanto, Anás manteve seu antigo título e grande parte de sua
antiga autoridade. Ele foi tão influente no final do ministério de Jesus que
os soldados romanos e a polícia do templo que prenderam Jesus no Jardim
do Getsêmani levaram Jesus a Anás antes de entregá-lo a Caifás, o sumo
sacerdote de fato (João 18:13).
Tanto Anás quanto Caifás eram saduceus, um grupo de líderes religiosos
que eram mais liberais na doutrina e tendiam a não acreditar em eventos
sobrenaturais. De fato, eles consideravam a maioria das ocorrências
sobrenaturais no Antigo Testamento como mitos.3
Os relatos dos poderes e milagres sobrenaturais de Jesus, bem como a
reputação que Ele estava ganhando em toda a nação, fizeram Caifás, Anás e
os outros membros do Sinédrio verem Jesus como uma ameaça. Esses
líderes religiosos eram excêntricos, no verdadeiro sentido da palavra, e era
uma afronta para eles que o ministério de Jesus estivesse além do seu
controle e jurisdição. Eles ouviram o relato confirmado de que Lázaro tinha
realmente ressuscitado dos mortos! Esse incidente os deixou no limite,
levando-os a decidir assassinar Jesus.
Esses líderes estavam tão cheios de raiva por causa da ressurreição de
Lázaro e tão preocupados com a crescente popularidade de Jesus que
realizaram um conselho secreto para determinar se Jesus deveria ou não ser
morto. Uma vez que essa decisão foi tomada, Caifás foi o principal
responsável por planejar como executar Sua morte.
Como sumo sacerdote e chefe oficial do Sinédrio, Caifás também foi
responsável por organizar o julgamento ilegal de Jesus perante as
autoridades judaicas. No início, ele acusou Jesus do pecado da blasfêmia.
No entanto, como Jesus não contestou a acusação de Caifás, o sumo
sacerdote o entregou às autoridades romanas, que o declararam culpado de
traição por alegar ser o rei dos judeus.
Caifás era tão poderoso que, mesmo após a morte de Jesus, ele continuou
a perseguir os cristãos da Igreja Primitiva. Por exemplo, depois que o
homem aleijado na Porta Formosa foi curado (ver Atos 3), Pedro e João
foram presos e levados ao conselho (Atos 4:6). Caifás era o sumo sacerdote,
nessa época, e continuou a servir no cargo até ser removido em 36 d.C.
Isso enfaticamente nos diz que Caifás também foi o sumo sacerdote que
interrogou Estêvão em Atos 7:1. Além disso, ele era o sumo sacerdote sobre
quem lemos que deu permissão escrita a Saulo de Tarso autorizando-o a
prender os crentes em Jerusalém e depois em Damasco (Atos 9:1-2).
Por causa dos eventos políticos no ano 36 d.C., Caifás foi finalmente
removido do ofício de sumo sacerdote. Dos dezenove homens que serviram
como sumo sacerdote no primeiro século, esse homem mal foi o que
governou por mais tempo. O título de sumo sacerdote, no entanto,
permaneceu na família depois que Caifás se retirou, dessa vez passando
para o seu cunhado Jônatas, outro filho de Anás.
Considere isto: Jesus nunca pecou (2 Coríntios 5:21); nenhum dolo
jamais foi encontrado em Sua boca (1 Pedro 2:22) e toda a Sua vida foi
dedicada a fazer o bem e a curar todos os oprimidos do diabo (Atos 10:38).
Portanto, parece inteiramente injusto que Ele tenha sido levado como uma
ovelha para o meio das serpentes espirituais que estavam governando em
Jerusalém. De acordo com a carne, alguém poderia argumentar que aquilo
não era justo. Contudo, Jesus nunca questionou a vontade do Pai ou recusou
a designação exigida a Ele.
O apóstolo Pedro escreveu o seguinte a respeito de Jesus: “Pois ele,
quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia
ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente” (1 Pedro 2:23). A
palavra “entregava-se” é a palavra grega paradidomi, um composto das
palavras para e didomi. A palavra para significa ao lado e carrega a ideia
de se aproximar de alguém ou de algum objeto. A palavra didomi significa
dar. Quando essas duas palavras são combinadas, a nova palavra apresenta
a ideia de confiar algo a alguém. O prefixo para sugere que é alguém de
quem você chegou muito perto. Pode ser traduzida como confiar, ceder,
recomendar, transmitir, entregar ou oferecer algo a outra pessoa.
Sabendo que Ele estava na vontade do Pai, o Senhor Jesus Se entregou
àquele que julga retamente quando se encontrou naquela situação injusta.
Naquela hora difícil, Jesus se aproximou do Pai, confiando plenamente em
Suas mãos o Seu futuro e deixando os resultados no Seu controle.
Se você está em uma situação que parece injusta e não há nada que você
possa fazer para mudá-la, você deve se aproximar do Pai o máximo que
puder e se comprometer com o amoroso cuidado dele. Você sabe que Ele
quer o melhor para sua vida, mesmo que esteja em uma situação que parece
tão imerecida. Suas opções são: ficar com raiva, amargurado e amargo com
a vida, ou escolher acreditar que Deus está no controle e trabalhando a seu
favor, mesmo que você não veja nada de bom acontecendo no momento
presente.
Quando Jesus foi preso e levado a Caifás para ser severamente
maltratado, não havia escapatória para Ele. Ele não tinha escolha senão
confiar no Pai.
Que outra escolha você tem hoje?
 
 
Deus é amor e Jesus personificou esse amor enquanto andava na Terra. A
crueldade e o ódio desenfreado que Jesus experimentou nas mãos de líderes
religiosos corruptos foram insanos e injustos. No entanto, apesar de tudo,
Ele se aproximou do Pai, confiando o resultado final em Suas mãos.
Quando você enfrentou a injustiça no passado, você confiou plenamente
seu coração, suas circunstâncias e seu resultado final ao Pai? Como você
pode confiar mais nele? Pense nisso.
 
 
A vida nem sempre é justa. Às vezes, não há nada que você possa fazer
para mudar uma situação. Tudo o que você pode fazer é caminhar por ela.
Nesses momentos, você deve se lembrar de que o seu Deus e Pai é maior
que tudo. Ele tem um plano para você, para lhe dar uma esperança e um
futuro (Jeremias 29:11).
Você ou alguém que você ama está em uma situação imerecida? O que
você pode fazer para liberar o assunto nas mãos de Deus? Como você pode
expressar o seu compromisso de depositar a sua confiança em Deus e não
no homem?
 
 
Quando Jesus foi levado para ser severamente maltratado, parecia não
haver meios de escapar. Os homens maus pensaram que o tinham em seu
poder; no entanto, um propósito maior estava em ação.
Quando o mal parece prevalecer e você parece não ter saída, resta uma
liberdade: você ainda pode escolher como responderá. Suas opções? Você
pode ficar zangado e muito ressentido com as pessoas ou pode se aproximar
de Deus e repousar o seu coração na sua fidelidade ao confiar nele. A
escolha é sua. Considere cuidadosamente as consequências de cada opção e,
em seguida, determine a sua resposta.
Capítulo
15
Alguém Já Cuspiu no Seu Rosto?
Há alguns anos, visitei uma igreja em nossa cidade para ouvir um
pregador especial que veio de longe. Naquela noite, na reunião, a igreja
local que eu estava visitandoanunciou que iniciaria uma campanha de
construção. Enquanto estava ali sentado, o Espírito de Deus falou ao meu
coração e me instruiu a semear uma semente sacrificial naquela nova
campanha de construção. Era uma época em que precisávamos
desesperadamente de dinheiro para o nosso próprio plano de construção,
então qualquer coisa que eu semeasse seria um sacrifício. No entanto, a
quantidade que o Senhor colocou no meu coração foi significativamente
além do que a minha mente natural teria possivelmente concebido.
O que tornou ainda mais difícil para eu dar aquela oferta foi que aquela
igreja havia agido maliciosamente em relação à nossa igreja no passado.
Eles mentiram sobre nós, zombaram e até oraram por nossa queda. Agora o
Senhor estava me dizendo para semear uma grande oferta naquela mesma
igreja?
Durante todo esse culto, argumentei com o Senhor. A questão realmente
não era o dinheiro, embora pudéssemos tê-lo usado a nosso favor naquele
momento. A questão com a qual eu estava lutando era dar uma oferta
naquela igreja que nos tratou com desprezo por tanto tempo.
Finalmente, o Espírito de Deus me perguntou: Você está disposto a
semear uma semente pela paz com esta igreja? Aquilo me pegou! Puxei
meu talão de cheques do bolso para dar o que eu achava ser uma oferta
considerável para aquela ou qualquer igreja. Preencher aquele cheque foi
difícil, mas, uma vez feito, meu coração simplesmente se encheu de alegria
porque eu tinha sido obediente. Não há alegria comparável à que nos vem
por sermos obedientes!
Uma semana depois, o pastor a quem dei a oferta estava em uma reunião
com seus funcionários e líderes da igreja. O pastor disse aos seus líderes:
“Olhe este pequeno e insignificante cheque que o Pastor Rick nos deu! Ele
não poderia ter feito melhor que isso?”.
Quando ouvi sobre como aquele pastor tratou a oferta financeira que eu
dera, fiquei bastante espantado. Mas fiquei literalmente atordoado com o
que aquele pastor fez a seguir. Ele dedicou o restante da sua reunião de
equipe para falar todas as coisas que não gostava na nossa igreja e em mim.
Ele zombou de nós, nos ridicularizou, fez graça e nos rebaixou diante do
seu povo. Em vez de agradecer pela oferta que demos, ele mais uma vez
demonstrou total desrespeito e desprezo por nós.
Quando eu ouvi sobre o ocorrido, aquilo me feriu o coração. Como
alguém poderia dizer que a oferta que demos foi insignificante? Seria
considerado significativo em qualquer nação do mundo. Mas o que mais
doeu foi que o pastor nos humilhou e publicamente zombou de nós na
frente da sua equipe e liderança. Lembro-me de ter sentido como se
tivessem cuspido em mim — com o passar dos anos, esse mesmo pastor
ainda cuspiu em nós muitas vezes.
Por exemplo, quando inauguramos o prédio da nossa igreja — a primeira
igreja a ser construída em sessenta anos em nossa cidade — foi um
momento de grande alegria. Mas logo após a nossa inauguração, aquele
homem, diante de uma grande convenção com milhares de pessoas zombou
das nossas novas instalações. Pela segunda vez, ele enfiou uma adaga no
meu coração! No momento em que aquele pastor poderia estar se alegrando
conosco, ele escolheu usar essa oportunidade para cuspir em nossos rostos.
E quanto a você? Você consegue se lembrar de uma ocasião em sua vida
em que você fez algo de bom para alguém, mas a pessoa não gostou do que
você fez? Ela ficou tão insatisfeita que você se sentiu como se ela tivesse
cuspido na sua cara? Você ficou transtornado com o comportamento dela?
Como você agiu em resposta a essa situação?
Acho que quase todo mundo já se sentiu humilhado e cuspido em algum
momento ou outro. Mas imagine como Jesus deve ter sentido na noite em
que foi levado ao sumo sacerdote, onde foi literalmente cuspido pelos
guardas e pela polícia do templo! Por três anos, Jesus pregou, ensinou e
curou os doentes. Mas agora Ele estava sendo conduzido como uma ovelha
ao açougueiro espiritual de Jerusalém, o sumo sacerdote Caifás e aos
escribas e anciãos que se reuniram para esperar a Sua chegada.
No julgamento que ocorreu diante do sumo sacerdote e seus anciãos, os
líderes religiosos acusaram Jesus pelo crime de se declarar o Messias. Jesus
respondeu dizendo que eles um dia o veriam sentado à direita do Todo-
Poderoso e vindo com nuvens de glória (ver Mateus 26:64). Ao ouvir isso,
o sumo sacerdote rasgou suas vestes e gritou: Blasfêmia!, ao que todos os
escribas e anciãos ergueram suas vozes com raiva, exigindo que Jesus
sofresse a pena de morte (ver Mateus 26:66).
Então esses escribas e anciãos religiosos fizeram o impensável! Mateus
26:67-68 diz: “Então eles cuspiram no seu rosto e o esbofeteavam e outros
o esmurravam, dizendo: Profetiza para nós, tu, ó Cristo, quem foi que te
bateu?” (KJV, tradução livre).
Observe que não foram apenas alguns que cuspiram em Seu rosto
naquela noite. A Bíblia diz: “...eles cuspiram no seu rosto...”. A palavra
“eles” se refere a todos os escribas e os anciãos que estavam reunidos para
o encontro naquela noite. Um estudioso observa que poderia haver cem ou
mais homens naquela multidão! Um por um, cada um desses chamados
líderes espirituais, vestidos com suas roupas religiosas, andaram até Jesus e
cuspiram na Sua face!
Naquela cultura e época, cuspir no rosto de alguém era considerado a
coisa mais forte que você poderia fazer para mostrar repulsa, repugnância,
aversão ou ódio. Quando alguém lançava seu cuspe no rosto de outra
pessoa, era para humilhar, rebaixar, desmerecer e envergonhar essa pessoa.
Para piorar, o ofensor normalmente cuspia com força e perto do rosto da
pessoa, tornando tudo ainda mais humilhante.
No momento em que Caifás, seus escribas e anciãos terminaram de
cuspir em Jesus, o cuspe deles estava provavelmente escorrendo de sua
testa para os Seus olhos; escorrendo pelo nariz, pelas maçãs do rosto e pelo
queixo, até mesmo escorrendo para as suas roupas. Essa foi uma cena
extremamente humilhante! Lembre-se, os homens que estavam agindo com
tanto ódio a Jesus eram líderes religiosos! Sua conduta hedionda era algo
que Jesus definitivamente não merecia. O que torna toda essa cena ainda
mais inacreditável é que Malco — o servo a quem Jesus acabara de curar —
provavelmente estava do lado de Caifás vendo tudo acontecer!
Aqueles líderes religiosos não ficaram apenas na humilhação de Jesus.
Depois de cuspir nele, cada um deles fechou os punhos e o acertou
violentamente no rosto! Mateus 26:67 diz: “Então eles cuspiram no seu
rosto e o esbofeteavam...”. A palavra “esbofetear” é a palavra grega
kolaphidzo, que significa atacar com o punho. É normalmente usada para
retratar uma pessoa violentamente espancada.
Como se cuspir não fosse insulto o suficiente para Jesus,
aproximadamente cem homens o acertaram cruelmente, atingindo-o com os
punhos. Isso não foi só brutal — foi sádico! Humilhar Jesus com suas
cusparadas e xingamentos não satisfez o ódio daqueles homens; eles não
ficariam satisfeitos até garantirem que Ele havia sido fisicamente
maltratado. Para garantir que esse objetivo fosse cumprido, seus próprios
punhos se tornaram armas.
Parece que esses escribas e anciãos eram tão paranoicos quanto a Jesus
receber mais atenção do que eles mesmos que simplesmente queriam
destruí-lo. Toda vez que cuspiam nele, cuspiam na unção. Toda vez que eles
o atacavam, estavam desferindo um soco contra a unção. Eles odiavam
Jesus e a unção que operava por intermédio dele de tal forma que votaram
em assassiná-lo. Mas primeiro, eles queriam gastar algum tempo para ter
certeza de que Ele sofreria antes de morrer. Que maneira estranha de
“agradecer” a Alguém que fez tanto por eles!
Quando fico desapontado com a maneira como os outros me respondem
ou ao que tenho feito por eles, muitas vezes penso no que aconteceu com
Jesus naquela noite, quando Ele veio perante aqueles líderes judeus. João
1:11 nos diz: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam”. Embora
aqueles homens que cuspiam e batiam em Jesus se recusassem a reconhecê-
lo, Ele ainda foi para a cruz e morreu por eles. Seu amor por eles erainabalável — firme e não afetado por suas ações erradas.
Quando você pensa sobre o modo como as pessoas lhe prejudicaram no
passado, isso afeta o seu desejo de amá-las? O que esses conflitos revelaram
sobre você? Seu amor por essas pessoas grosseiras é consistente, inabalável,
firme e não afetado? Ou os conflitos demonstraram que você tem um amor
inconstante, que rapidamente se apaga quando as pessoas não respondem a
você do jeito que você gostaria que o fizessem?
O mesmo Espírito Santo que viveu em Jesus agora vive em você. Assim
como o Espírito de Deus deu poder a Jesus para amar as pessoas
consistentemente, independentemente do que elas fizeram ou não fizeram, o
Espírito Santo pode lhe capacitar a fazer o mesmo.
É sua responsabilidade andar como Jesus andou em relação àqueles que
lhe desapontaram ou decepcionaram em sua vida. Portanto, dedique alguns
minutos agora para identificar os indivíduos que se encaixam nesta
descrição. Eu lhe encorajo a orar por eles. Perdoe cada pessoa, uma a uma e
depois as libere dos pecados que cometeram contra você. Faça a escolha de
seguir o exemplo do seu Mestre, amando aqueles que lhe prejudicaram da
maneira como Jesus amou aqueles que o ofenderam gravemente.
 
 
Quando você dá um presente com motivos sinceros, é surpreendente e
doloroso que o destinatário expresse desdém pelo agrado ou desrespeito a
você como doador. Alguém já fez pouco caso de algum presente que você
deu com a intenção de abençoá-lo? Como você se sentiu?
Imagine como Jesus se sentiu, sabendo que Ele estava dando Sua vida
por pessoas que não apenas zombavam de Seu propósito, mas também
queriam que Ele sofresse e se sentisse humilhado. Pense na profundidade
do amor e humildade que Jesus exerceu — só para você.
 
 
Que tipos de atitudes e ações funcionam como “cuspir na cara” em
relação a outros indivíduos? Você já demonstrou essas atitudes e ações para
com Deus a respeito de dons dele concedidos a você? Pense nisso.
 
 
Desrespeito e desonra são fáceis de encontrar em nossa sociedade
moderna. Por sua vez, honra, respeito e apreço, são raros, mas muito
valiosos. Como você pode desenvolver mais honra e apreciação em suas
respostas aos outros? Que influência positiva você pode ter na vida de
alguém que você conhece, simplesmente demonstrando honra para com ele
— particularmente se essa pessoa foi desonrada por outras pessoas?
Capítulo
16
Divertindo-se à Custa de Jesus
Se quisermos ter uma visão completa do que aconteceu no salão de
Caifás naquela noite, quando os líderes religiosos cuspiam em Jesus e
batiam no rosto dele com os punhos, precisamos juntar todos os pedaços da
imagem que estão nos evangelhos de Mateus e Lucas.
Lucas 22:63 diz: “Os que detinham Jesus zombavam dele, davam-lhe
pancadas”. Quero que você observe particularmente a palavra “zombavam”
nesse versículo. Vem da palavra grega empaidzo, que significava jogar um
jogo. Com frequência usada para jogar um jogo com crianças ou para
divertir uma multidão, expondo alguém de maneira tola e exagerada. Por
exemplo, essa palavra pode ser usada em um jogo de charadas, quando
alguém pretende retratar outra pessoa comicamente ou até mesmo
ridicularizá-la. Isso nos traz uma parte importante da história que Mateus
não incluiu em seu relato.
Mesmo antes de ter que suportar as cusparadas e o violento
espancamento dos escribas e anciãos naquela noite, Jesus também foi
severamente espancado pelos “que o detinham”. Isso não se refere aos
escribas e anciãos, mas à polícia e aos guardas do templo que vigiavam
Jesus antes que Caifás o examinasse.
Além de tudo que estava acontecendo naquela noite, os guardas
decidiram que também aproveitariam o momento. A Bíblia não nos diz
como esses homens imitaram e expuseram Jesus naquela noite, mas o uso
da palavra grega empaidzo categoricamente nos permite saber que eles
transformaram alguns minutos daquela noite de pesadelo em um palco de
comédia à custa de Jesus. Eles fizeram um show, fazendo trejeitos,
provavelmente fingindo ser Jesus e as pessoas que o serviam. Talvez
colocassem as mãos um no outro como se estivessem curando os doentes ou
deitavam no chão e tremiam, como se estivessem sendo libertos dos
demônios ou cambaleavam ao redor, agindo como se fossem cegos, mas
pudessem ver de repente. O que quer que esses guardas tenham feito para
zombar de Jesus, foi um jogo de charadas para imitar e zombar dele.
Quando eles terminaram de se divertir com Jesus, Lucas nos diz que os
guardas “davam-lhe pancadas”. A palavra para “dar pancadas” é a palavra
dero, uma palavra usada com frequência para se referir à prática extenuante
e bárbara de espancar um escravo. Essa palavra é tão terrível que também
é muitas vezes traduzida como esfolar, como esfolar a carne de um animal
ou ser humano. O uso dessa palavra nos diz que, mesmo antes de os
escribas e anciãos colocarem as mãos em Jesus, os guardas já o haviam
submetido a uma terrível provação.
Imediatamente depois que os guardas terminaram de jogar seus joguinhos
e bater brutalmente em Jesus, os escribas e anciãos começaram a cuspir em
Sua face e a golpeá-lo na cabeça com seus punhos. Mas os anciãos não
pararam por aí. Eles vendaram Jesus e começaram a atacá-lo na cabeça
novamente, levando a humilhação dele ao nível seguinte. Essa foi a terceira
surra que Jesus sofreu.
Se lêssemos apenas o relato de Lucas, poderíamos concluir que essa
terceira surra também foi pelas mãos dos guardas. No entanto, quando
comparamos e relacionamos o relato de Lucas com a descrição de Mateus,
fica claro que, a essa altura, Jesus já havia sido transferido para as mãos de
Caifás e seus escribas e anciãos. O que lemos a seguir em Lucas 22:64
ocorreu depois que esses líderes religiosos já tinham cuspido e batido nele
(Mateus 26:67).
Lucas 22:64 diz: “Vendando-lhe os olhos, diziam: Profetiza-nos: quem é
que te bateu?”. A palavra “vendando” deriva da palavra grega perikalupto,
que significa envolver um véu ou roupa sobre alguém, escondendo assim os
olhos para que ele não possa ver. Nós não sabemos de onde veio a venda.
Poderia ter sido uma peça da roupa de Jesus ou um pano emprestado de um
dos escribas e anciãos. Mas quando terminaram de envolver a cabeça de
Jesus naquele tecido, Ele ficou completamente cego, sem ver o que estava
acontecendo ao Seu redor.
Assim como os guardas faziam joguinhos à custa de Jesus, agora Caifás,
com os escribas e anciãos, faziam o mesmo com o blefe do cego! Uma vez
Jesus vendado, “eles lhe batiam no rosto”. A palavra “batiam” vem da
palavra grega paio, que descreve um golpe que deixa marca. Uma tradução
mais precisa poderia ser eles lhe davam tapas na cara. Essa é a razão pela
qual a palavra grega paio foi utilizada, por se referir a uma bofetada que
deixa uma marca terrível.
Depois de darem tapas em Jesus, os escribas e anciãos o insultaram,
dizendo: “Profetiza-nos: quem é que te bateu?”. Aqui observamos que esses
assim chamados líderes religiosos ficaram tão envolvidos no seu
comportamento doentio que desfrutavam sadicamente da dor que estavam
proporcionando a Jesus. Eles lhe deram tapas repetidamente, dizendo: Vai,
profeta! Se você é tão bom em profetizar e conhecer as coisas
sobrenaturalmente, diga-nos qual de nós deu um tapa em você!
Finalmente, Lucas 22:65 nos diz: “E muitas outras coisas diziam contra
ele, blasfemando”. A palavra “blasfêmia” vem da palavra grega
blasphemeo, que significa difamar; acusar; falar contra; ou falar palavras
depreciativas com o propósito de ferir ou prejudicar a própria reputação.
Também quer dizer linguagem profana, imunda e impura.
Quando Lucas diz que eles estavam “blasfemando”, ele está falando
sobre Caifás, seus escribas e anciãos! A partir do momento em que esses
líderes religiosos “tiraram a tampa”, cada coisa suja que estava escondida
dentro deles veio à tona. Era como se um monstro tivesse sido solto e eles
não conseguissem mais prendê-lo em sua jaula!
Jesus havia dito àqueles líderes religiosos mais cedo: “Ai de vós, escribas
e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcroscaiados, que,
por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de
mortos e de toda imundícia!” (Mateus 23:27). No final, a morte e a
impureza em suas almas vieram à tona furiosamente enquanto eles gritavam
com Jesus usando linguagem profana, imunda e impura.
Tenho certeza de que se o povo de Israel tivesse tido permissão de dar
uma espiada naquele salão naquela noite, ficaria horrorizado ao ver seus
líderes supostamente piedosos batendo em Jesus, cuspindo nele, dando-lhe
mais outra bofetada e então gritando maldições na cara dele! Ali estavam
aqueles líderes — todos vestidos com trajes religiosos, mas tão podres em
seu interior que não conseguiam mais esconder sua verdadeira natureza.
Gostaria de fazer duas perguntas:
 
4. Você leva a sério seu relacionamento com Jesus Cristo? Ou você, como aqueles que o
pegaram naquela noite, está simplesmente se divertindo com Ele?
5. Quando outras pessoas começam a brincar com sua mente e suas emoções, você é capaz de
seguir o exemplo de Jesus, mantendo sua paz e as amando apesar do tormento que elas
estão lhe impondo?
 
Vamos fazer um pacto de hoje em diante para nunca sermos como os
líderes religiosos apóstatas nessa história. Quão terrível é parecer
exteriormente bonito, mas internamente ser tão feio! Para evitar esse
cenário em nossas próprias vidas, devemos nos comprometer a ser sérios
em nosso relacionamento com Jesus e absolutamente nos recusarmos a
brincar com Deus.
Se você alguma vez já se encontrou em uma situação semelhante à que
Jesus enfrentou — ou seja, se pessoas estão ou já estiveram abusando
emocionalmente de você ou se aproveitando de você — clame a Deus para
lhe fortalecer! Ele lhe dará sabedoria para saber quando você deve falar,
quando deve ficar quieto e exatamente quais passos você deve dar. Quando
você se encontrar nesse tipo de lugar apertado, apenas certifique-se de
guardar sua boca e deixe o Espírito Santo ditar suas emoções para que você
possa demonstrar o amor de Deus àqueles que o diabo está tentando usar
contra você.
Jesus é o exemplo perfeito do modo como devemos nos comportar em
todas as situações. Embora Jesus tenha sido blasfemado, insultado e
xingado, Ele nunca revidou ou se permitiu ser arrastado para uma guerra de
palavras. Por essa razão, Pedro nos exortou a seguir os passos de Jesus:
“Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo
sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus
passos” (1 Pedro 2:21-22).
Hoje, você pode tomar a decisão de chegar a um nível mais alto em seu
compromisso com Jesus Cristo. Você pode se recusar a brincar com Deus
ou a continuar se enganando sobre sua própria condição espiritual. A
verdade acerca do que está em você acabará aparecendo de qualquer
maneira, então dê uma olhada honesta em sua alma agora para ter certeza
de que não há falhas ocultas que mais tarde virão à superfície.
Abra o seu coração e permita que o Espírito Santo brilhe Sua luz gloriosa
nas fendas da sua alma. Permita que Ele revele as áreas da sua vida onde
você precisa se submeter ao trabalho de limpeza dele. Fazendo isso, você se
verá cada vez mais transformado na imagem de Jesus, que nos deixou um
exemplo para seguirmos Seus passos.
 
 
Sofrer abuso mental e emocional nas mãos de outros é devastadoramente
cruel. Tal deboche e humilhação focados deliberadamente podem deixar
cicatrizes emocionais horríveis. Jesus suportou esse tipo de tortura dos Seus
inimigos, além de um abuso físico impensável e sádico.
Se você está em uma situação semelhante — se as pessoas estão
abusando emocionalmente de você — clame a Deus! Ele não só lhe
fortalecerá, mas também lhe dará a sabedoria que você precisa com relação
aos passos que deve dar.
 
 
Jesus disse aos escribas e líderes religiosos que eles eram como sepulcros
caiados — adoráveis de se ver, mas cheios de sujeira e impureza. Eles
confirmaram suas palavras com sua linguagem profana e vulgar e
comportamento perverso em relação a Jesus.
Existem áreas da sua vida que parecem adoráveis para os outros, mas
estão escondendo motivos e comportamentos que são impuros? Você está
enganando a si mesmo e se divertindo à custa de Jesus? Dê uma olhada
honesta em sua própria vida. O que está em você acabará aparecendo para
todos verem. Pense nisso.
 
 
Nossa carne sempre quer retaliar quando somos injustiçados, mas Jesus
nos deu o exemplo perfeito a seguir. Quando foi xingado, recusou ser
arrastado ao nível dos Seus atacantes. Nenhum dolo foi encontrado em sua
boca.
Como você pode dosar suas respostas a um tratamento errado para estar
mais de acordo com as respostas de Jesus? Que ajustes internos e externos
você pode fazer em sua própria vida?
Capítulo
17
Renda-se e Liberte-se no Cuidado Amoroso de Deus
Você já se viu em uma situação em que sentiu que estava cercado por
malucos controladores obcecados por manter tudo sob seu controle? Se
você já esteve em uma situação como essa, sabe como é difícil agir nesse
tipo de ambiente.
Bem, na época do ministério de Jesus na Terra, Israel estava tomado por
líderes obcecados pela ideia de deter as rédeas do poder. Essa paranoia era
tão epidêmica que se espalhou para o mundo religioso e político. O sumo
sacerdote, com os seus escribas e anciãos, suspeitava de forma paranoica de
qualquer um que parecesse estar crescendo em popularidade. Os líderes
políticos designados por Roma para presidir Israel eram igualmente
paranoicos, procurando em todos os cantos por adversários e
constantemente lutando para manter o poder em suas mãos.
Israel estava sob o controle inimigo de Roma, uma força de ocupação que
os judeus desprezavam. Odiavam os romanos por suas tendências pagãs,
por lhes impor a língua e a cultura romana e pelos impostos que precisavam
pagar a Roma. E essas são apenas algumas das razões pelas quais os judeus
odiavam os romanos.
Por causa da turbulência política em Israel, poucos líderes políticos de
Roma mantiveram o poder por muito tempo e aqueles que conseguiram o
fizeram usando crueldade e brutalidade. A terra estava cheia de revoltas,
rebeliões, insurgências, assassinatos e revoltas políticas sem fim. A
capacidade de governar por muito tempo nesse ambiente exigia um líder
implacável, preocupado consigo mesmo, disposto a fazer qualquer coisa
necessária para manter uma posição de poder. Isso nos leva a Pôncio
Pilatos, que era exatamente esse tipo de homem.
Depois que Herodes Arquelau foi removido do poder (ver capítulo 19
para saber mais sobre os três filhos de Herodes, o Grande), a Judeia foi
colocada aos cuidados de um procurador romano. Esse era o curso natural
dos acontecimentos, pois o Império Romano já estava dividido em
aproximadamente quarenta províncias, cada uma governada por um
procurador — uma posição que era equivalente a um governador.
Era normal que um procurador servisse em sua posição por doze a trinta
e seis meses. No entanto, Pilatos governou a Judeia por dez anos,
começando no ano 26 d.C. e concluindo no ano 36 d.C. Esse período de dez
anos é fundamental, pois significa que Pilatos foi governador da Judeia
durante todo o tempo do ministério de Jesus. O historiador judeu Flávio
Josefo observou que Pilatos era impiedoso e antipático e não compreendia
ou reconhecia a importância das crenças e convicções religiosas dos judeus.
Além das responsabilidades normais de um procurador, Pilatos também
governava como autoridade suprema em questões legais. Especialista em
direito romano, ele tinha a palavra final em quase todas as decisões legais
para o território da Judeia. No entanto, embora Pilatos detivesse esse
incrível poder legal em suas mãos, ele temia casos relacionados com
religião e muitas vezes permitia que esses casos fossem passados para a
corte do Sinédrio, sobre a qual presidia o sumo sacerdote Caifás.
Pilatos vivia no palácio de Herodes, localizado em Cesareia. Como era a
residência oficial do procurador, uma força militar de cerca de três mil
soldados romanos ficava acampada lá para proteger o governador romano.
Pilatos não gostavada cidade de Jerusalém e evitava lhe fazer visitas. Mas
na época das festas, quando a cidade de Jerusalém estava cheia de
hóspedes, viajantes e estranhos, havia um potencial maior de inquietação,
turbulência e desordem, de modo que Pilatos e suas tropas entravam na
cidade de Jerusalém para fazer a guarda e proteger a paz da população. Essa
foi a razão pela qual Pilatos estava na cidade de Jerusalém na época da
crucificação de Jesus.
Por ser um homem altamente político, Pilatos sabia como articular o jogo
político — assim como os judeus que ele governava. De fato, tantas queixas
foram feitas em Roma sobre o seu estilo cruel e impiedoso que a ameaça de
uma queixa adicional era muitas vezes utilizada para que os judeus
manipulassem Pilatos a executar suas petições. Isso sem dúvida afetou a sua
decisão de crucificar Jesus.
Naquele dia, o sumo sacerdote, o Sinédrio e toda a turba insistiram para
que Jesus fosse crucificado. Pilatos quis saber o motivo dessa exigência e
então lhe responderam: “Encontramos este homem pervertendo a nossa
nação, vedando pagar tributo a César e afirmando ser ele o Cristo, o Rei”
(Lucas 23:2).
Pilatos sabia que os judeus estavam com ciúmes de Jesus. Mas
politicamente as acusações contra Ele colocaram o governante em uma
posição muito ruim. E se a notícia chegasse a Roma de que Jesus pervertera
a nação, ensinando o povo a reter seus impostos e alegando ser um anti-rei
no lugar do imperador romano? Seria suicídio político para Pilatos não
fazer nada sobre esse tipo de situação. Os líderes judeus foram bem
conscientes quanto a isso quando fabricaram essas acusações contra Jesus.
Eles sabiam exatamente quais cordas políticas puxar para levar Pilatos a
fazer o que eles queriam — e eles estavam puxando cada corda que tinham
em suas mãos.
O povo judeu odiava Pilatos por sua crueldade e cuidados inadequados
com seus súditos. O tipo de brutalidade que o tornou tão infame e tão
odiado pode ser observado em Lucas 13:1, onde é mencionado que Pilatos
matou vários galileus e depois misturou seu sangue com os sacrifícios. Por
mais chocante e doentio que possa parecer esse ato, ele está em linha com
muitas outras ações violentas instigadas sob o domínio de Pilatos como
procurador da Judeia.
Outro exemplo da insensibilidade de Pilatos pode ser visto em um
incidente que ocorreu quando um profeta afirmou possuir um dom
sobrenatural que lhe permitia localizar vasos consagrados, que ele alegou
terem sido secretamente escondidos por Moisés. Quando aquele profeta
anunciou que desenterraria os vasos, os samaritanos compareceram em
grande número para observar o evento. Pilatos, que achava que o caso todo
era um disfarce para alguma atividade política ou militar, despachou as
forças romanas para atacar e massacrar a multidão que se reunira. No final,
ficou claro que nada político fora planejado.4
Os samaritanos sentiram tanto a perda daqueles que morreram que
pediram formalmente ao governador da Síria para intervir, nesse caso. Suas
queixas a respeito de Pilatos se tornaram tão numerosas que Pilatos foi
finalmente convocado a Roma para prestar contas das suas ações diante do
próprio imperador Tibério. Mas antes de Pilatos chegar a Roma para
explicar as acusações que lhe pesavam, o imperador Tibério morreu.
Fora dos evangelhos, Pilatos não é mencionado novamente no Novo
Testamento. Registros históricos mostram que o procurador da Síria levou
algum tipo de acusação contra Pilatos no ano 36 d.C. Essas acusações
resultaram em sua remoção do cargo e exílio para a Gália (a França
moderna). Eusébio, famoso historiador cristão primitivo, escreveu mais
tarde que Pilatos caiu em desgraça sob o governo do perverso Imperador
Calígula e perdeu muitos privilégios. De acordo com Eusébio, Pilatos —
que governara a Judeia implacável e impiedosamente por dez anos e que foi
o responsável final pelo julgamento, condenação, crucificação e
sepultamento de Jesus — finalmente cometeu suicídio.
Com esta história agora contada, vamos dar uma olhada em Mateus 27:2.
Ele fala a respeito de Jesus: “E, amarrando-o, levaram-no e o entregaram ao
governador Pilatos”. A palavra “amarrando” é a palavra grega desantes, que
vem da palavra deo. É a mesma palavra que seria usada para descrever o ato
de amarrar, atar ou proteger um animal. Estou confiante de que essa era
precisamente a conotação que Mateus tinha em mente, pois a frase seguinte
usa uma palavra que era comum no mundo dos tratadores de animais.
O versículo nos diz que eles o “levaram”. Essa palavra vem da palavra
grega apago. A palavra apago é usada para um pastor que amarra uma
corda ao redor do pescoço de suas ovelhas e, em seguida, as leva até o
caminho por onde precisam ir. Assim como os soldados levaram Jesus a
Caifás, eles agora colocaram uma corda em Seu pescoço e levavam o
Cordeiro de Deus a Pôncio Pilatos.
A Bíblia diz que, uma vez que Jesus estava na jurisdição de Pilatos, então
eles “...o entregaram a Pôncio Pilatos, o governador”. A palavra
“entregaram” é a palavra grega paradidomi, a mesma palavra que
observamos quando Jesus se entregou ao Pai que julga retamente. No
entanto, nesse caso, o significado seria mais provavelmente oferecer, ceder,
transmitir, entregar ou passar algo a outra pessoa.
Isso significa que quando o sumo sacerdote ordenou que Jesus fosse
levado a Pilatos, ele oficialmente tornou a questão um problema do
governante. O sumo sacerdote levou Jesus a Pilatos, entregou-o
completamente em suas mãos e o deixou com a responsabilidade de
considerá-lo culpado e o crucificar.
Mateus 27:11 diz: “Jesus estava em pé ante o governador; e este o
interrogou, dizendo: És tu o rei dos judeus? Respondeu-lhe Jesus: Tu o
dizes”. Pilatos fez uma pergunta direta, mas Jesus se recusou a respondê-la
diretamente. Mateus 27:12 prossegue dizendo: “E, sendo acusado pelos
principais sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu”. Então, pela segunda
vez, Jesus se recusou a responder ou refutar as acusações que foram feitas
contra Ele.
Mateus 27:13-14 nos conta o que aconteceu em seguida: “Então, lhe
perguntou Pilatos: Não ouves quantas acusações te fazem? Jesus não
respondeu nem uma palavra, vindo com isto a admirar-se grandemente o
governador”. Observe que a Bíblia diz que Pilatos “admirou-se
grandemente” com o silêncio de Jesus. Em grego, essa frase é a palavra
thaumadzo, que significa admirar-se; ficar sem palavras ou ficar chocado e
espantado.
Pilatos ficou perplexo com o silêncio de Jesus porque a lei romana
permitia aos prisioneiros três chances de abrirem a boca para se
defenderem. Se um prisioneiro deixasse passar essas três chances de falar
em sua defesa, ele seria automaticamente declarado “culpado”. Em Mateus
27:11, Jesus deixou passar a sua primeira chance. Em Mateus 27:12, Ele
deixou passar a sua segunda chance. Agora em Mateus 27:14, Jesus deixa
passar a sua última chance de se defender.
No final desse período de interrogatório, Pilatos perguntou a Jesus: “És tu
o rei dos judeus? Respondeu Jesus: Tu o dizes” (Lucas 23:3). O Evangelho
de João nos diz que Jesus acrescentou: “O meu reino não é deste mundo. Se
o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por
mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não
é daqui” (João 18:36). Depois de ouvir essas respostas, “Disse Pilatos aos
principais sacerdotes e às multidões: Não vejo neste homem crime algum”
(Lucas 23:4).
Como você observará no capítulo seguinte, Pilatos procurou
diligentemente uma brecha para não ter que matar Jesus. João 19:12 diz: “A
partir deste momento, Pilatos procurava soltá-lo...”. Mas nada havia que
Pilatos pudesse fazer para impedir que o plano do Pai fosse colocado em
prática. Até mesmo Jesus deixou passar Suas três chances de se defender,
porque Ele sabia que a cruz era uma parte do Seu propósito em ter sido
enviado para a Terra.
Quando Jesus finalmente respondeu à pergunta de Pilatos, Ele ainda
assim não se defendeu, sabendo que era o tempo designado para Ele ser
morto como o Cordeiro de Deus que tiraria os pecados do mundo.Mas
Pilatos não queria crucificar Jesus. Na verdade, o governador romano
começou a procurar uma brecha — alguma maneira de tirar aquele homem
da morte.
Mas a busca de Pilatos por uma saída foi em vão; o plano não podia ser
mudado porque era hora do Filho de Deus oferecer o sacrifício permanente
pelo pecado. Como Hebreus 9:12 diz, “...não por meio de sangue de bodes e
de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma
vez por todas, tendo obtido eterna redenção”.
Você tem certeza do plano de Deus para a sua vida? Considere se você
pode ou não dizer com convicção: “Eu sei o que Deus me chamou para
fazer e estou disposto a ir aonde Ele me disser para ir e pagar qualquer
preço que eu tiver que pagar. Minha maior prioridade e obsessão é fazer a
vontade do Pai!” Se você ainda não é capaz de dizer isso, peça ao Espírito
Santo para lhe ajudar a crescer a ponto de a vontade de Deus ser a coisa
mais importante na sua vida, independentemente do custo. Mesmo que a
vida de obediência leve você a lugares difíceis como aconteceu com Jesus,
o resultado final será a ressurreição e a vitória!
 
 
Observe que Jesus não respondeu a Pilatos até este presumir ter poder
sobre a Sua vida. Nessa presunção, Pilatos se exaltou acima de Deus, em
cujas mãos Jesus confiou Sua vida. Jesus corrigiu o erro de Pilatos, não
tolerando qualquer tentativa de usurpar a verdadeira e definitiva autoridade
do Pai.
Quando outros tentarem intimidar, controlar e manipular a sua vida ou
circunstâncias, lembre-se de que os seus dias estão nas mãos de Deus —
não dos homens (Salmos 31:15). Se alguém está tentando exercer poder
indevido sobre sua vida, olhe para a maneira como Jesus respondeu a
Pilatos. Considere o exemplo de Jesus ao olhar para Deus em busca de
sabedoria numa situação tão particular.
 
Uma vida de obediência nunca vem sem custo. Haverá lugares difíceis
onde você enfrentará a oposição do inimigo à vontade de Deus se cumprir
em sua vida. Você tem claro o plano de Deus para a sua vida? Se você ainda
não conhece o propósito e a prioridade da sua vida, peça à pessoa do
Espírito Santo para lhe ajudar a descobrir a vontade de Deus para você e
cresça até o ponto em que você possa cumpri-la — não importando o custo.
 
 
Jesus não sentiu necessidade de se defender ou de ceder ao interrogatório
de Pilatos. No final, Pilatos ficou impressionado com a maneira como Jesus
ficou em silêncio, mantendo sua compostura diante de tanta oposição.
Quando você é destemido, sua oposição teme você porque você não está
sujeito à influência ou controle do seu inimigo. Você está cercado e sob
ataque nesta estação da sua vida? Qual é o seu foco quando você está
sofrendo oposição? Aquilo que você teme é o que lhe controla. Você anda
no temor de Deus, vivendo cada dia em reverente consciência do santo
chamado dele em sua vida? Pense nisso.
Capítulo
18
Pilatos Procura Uma Brecha!
Até aquele momento, Pilatos nunca tinha tido problemas em causar
derramamento de sangue, por isso parece estranho que ele tenha se
recusado a pensar em crucificar Jesus. Como governador e principal
autoridade legal da terra, Pilatos recebera de Roma poder para decidir quem
viveria ou morreria. Esse governador romano era infame por seu estilo de
liderança de coração frio, insensível e cruel, e nunca achara difícil ordenar a
morte de um criminoso — até agora.
Algo dentro de Pilatos relutava ante a ideia de crucificar Jesus. A Bíblia
não declara exatamente por que Pilatos não queria crucificá-lo, mas faz
pensar o que ele viu nos olhos de Jesus quando o interrogou. Sabemos que
Pilatos ficou chocado com a maneira com a qual Jesus se portava, pois
Mateus 27:14 nos diz que Pilatos “admirou-se grandemente” com Jesus.
A palavra “admirou-se” vem da palavra grega thaumadzo, que significa
admirar-se, ficar sem palavras ou ficar chocado e espantado. Nunca antes
um homem como Jesus estivera diante de Pilatos e o governador estava
obviamente perturbado com a ideia de matá-lo.
De fato, Pilatos ficou tão perturbado que decidiu investigar mais
profundamente fazendo perguntas. Ele estava procurando uma brecha que
permitisse escapar daquela armadilha que os judeus armaram tanto para
Jesus quanto para ele também. De fato, os líderes judeus planejaram
cuidadosamente uma armadilha com três resultados potenciais e qualquer
um deles os deixaria muito felizes. O propósito triplo dessa armadilha era o
seguinte:
 
1. Ver Jesus julgado pela corte romana, arruinando assim Sua reputação e garantindo Sua
crucificação, enquanto ao mesmo tempo se afirmavam aos olhos do povo.
 
Para garantir que isso acontecesse, os líderes judeus falsificaram
acusações que fizeram que Jesus parecesse um infrator político genuíno.
Estas foram as acusações: 1) que Ele pervertera toda a nação — uma
acusação religiosa que era da responsabilidade do Sinédrio julgar; 2) que
Ele ordenara que as pessoas não pagassem seus impostos a Roma; e 3) que
Ele reivindicara ser rei (ver Lucas 23:2). De acordo com a lei romana, Jesus
deveria ser crucificado por alegar ser rei. Se aquelas acusações fossem
provadas verdadeiras, Pilatos estava obrigado por lei a crucificá-lo. Se
aquilo acontecesse, o primeiro propósito do esquema deles estaria
funcionando.
 
2. Ver Pilatos acabado e permanentemente afastado do poder sob a acusação de que ele
tinha sido infiel ao imperador romano por não crucificar um homem que afirmava ser
um rei rival do imperador.
 
Se Pilatos se recusasse a crucificar Jesus, essa recusa daria aos líderes
judeus a munição de que precisavam para provar a Roma que esse
governador deveria ser removido do poder, porque era um traidor. As
notícias chegariam ao imperador de Roma que Pilatos teria permitido que
um rei rival vivesse e ele seria acusado de traição (ver João 19:12).
É interessante que a mesma acusação de ser um traidor tenha sido feita
contra Jesus. Era uma acusação que certamente teria levado à morte ou ao
banimento de Pilatos. Se Jesus fosse libertado pela corte romana, a
liderança judaica se alegraria, pois teriam uma razão legal para expulsar
Pilatos da sua terra. Assim, o segundo propósito do esquema deles teria
funcionado.
 
3. Levar Jesus de volta à sua própria corte no Sinédrio, se Pilatos não o crucificasse, onde
eles tinham a autoridade religiosa para apedrejá-lo até a morte por alegar ser o Filho de
Deus.
 
A verdade é que os líderes judeus nunca foram obrigados a entregar Jesus
a Pilatos porque a corte do Sinédrio já tinha autoridade religiosa para matá-
lo por apedrejamento por alegar ser o Filho de Deus. Mesmo que Pilatos se
recusasse a crucificar Jesus, eles pretendiam matá-lo (ver João 19:7).
Assim, observamos que a passagem pelo tribunal de Pilatos foi planejada
para transformar a prisão de Jesus em uma catástrofe política que
possivelmente também ajudaria os líderes judeus a se livrarem de Pilatos.
Mas mesmo que Jesus tivesse sido libertado pela corte romana, eles
pretendiam matá-lo. Esta era a terceira parte do esquema deles.
A solução para essa bagunça era fácil! Tudo o que Pilatos tinha que fazer
era crucificar Jesus. Assim, ele teria anciãos judeus felizes em suas mãos;
não haveria acusações de traição contra ele em Roma; laços fortalecidos
com a comunidade religiosa e uma garantia de permanecer no poder. Pilatos
só precisava dizer: “CRUCIFIQUEM-NO!” E aquele jogo político acabaria.
Mas ele não conseguiu pronunciar essas palavras!
Em vez disso, Pilatos deu a Jesus três oportunidades de falar em defesa
própria. Mas Jesus não disse nada. Isaías 53:7 diz: “...como ovelha muda
perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca”. De acordo com a lei,
Jesus deveria ter sido automaticamente declarado “culpado” porque Ele
deixou passar suas três chances de se defender. Mas dessa vez, Pilatos
simplesmente não seguiu o devido curso do processo judicial. Ele procurou,
em vez disso, encontrar uma saída para tal dilema.
Como já mencionado, talvez Pilatos tenha visto algo nos olhos de Jesus
que o afetou. Talvez o comportamento gentil e gracioso de Jesustenha
conquistado o seu coração. Outros especularam que a esposa de Pilatos
pode ter sido secretamente uma seguidora de Jesus que contou ao seu
marido sobre a bondade dele e os milagres que seguiram Sua vida. Mateus
27:19 relata que a esposa de Pilatos ficou tão chateada com a morte
iminente de Jesus que até teve sonhos perturbadores sobre Ele durante a
noite. Ela enviou uma mensagem sobre seus sonhos para Pilatos,
implorando-lhe que não crucificasse Jesus.
Ao investigar mais a fundo em seu interrogatório, Pilatos descobriu que
Jesus era da Galileia. Finalmente, ele pôde respirar aliviado. Ele encontrara
a lacuna que transferia todo o peso da decisão para o seu velho inimigo,
Herodes! A Galileia estava sob a jurisdição legal de Herodes. Que
coincidência! “Aconteceu” de Herodes estar em Jerusalém naquela semana
para participar da Festa da Páscoa!
Pilatos prontamente ordenou que Jesus fosse transferido para o outro lado
da cidade, para a residência onde Herodes estava hospedado com seu
séquito real. A Bíblia nos diz: “Herodes, vendo a Jesus, sobremaneira se
alegrou, pois havia muito queria vê-lo, por ter ouvido falar a seu respeito;
esperava também vê-lo fazer algum sinal” (Lucas 23:8). No entanto, não
demorou muito para Herodes se irritar com Jesus e o devolver a Pilatos!
Você consegue imaginar o que passou pela mente de Jesus quando Ele
esteve diante de um governador romano e então diante de um tetrarca judeu
— só para ser enviado de volta ao governador romano? Você tem se sentido
agredido e passado de uma figura de autoridade para outra em casa, na
igreja, no trabalho ou no sistema governamental? Se assim for, você pode se
sentir livre para falar com Jesus sobre isso, porque Ele realmente entende a
situação em que você se encontra
neste momento!
Hebreus 4:15-16 diz: “Porque não temos sumo sacerdote que não possa
compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as
coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto,
confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e
acharmos graça para socorro em ocasião oportuna”. Já que Jesus
compreende seu dilema, eu lhe aconselho a falar abertamente sobre os altos
e baixos emocionais que você sente como resultado da sua situação. O trono
dele é um trono de graça — um lugar onde você pode obter misericórdia e
encontrar graça para ajuda em seu tempo de necessidade.
Então, ousadamente se dirija ao trono de Jesus, com plena certeza de que
Ele irá lhe ouvir, responder e dar o poder e a sabedoria necessária para
superar todas as situações difíceis da sua vida.
 
 
Pilatos se viu em uma armadilha detalhadamente armada pelos líderes
religiosos para destruir tanto ele como Jesus. Se Pilatos não ordenasse que
Jesus fosse crucificado, ele seria considerado um traidor do governo
romano. Se ordenasse que Jesus fosse crucificado, seria um peão nas mãos
dos líderes judeus, carregando a culpa por realizar o que eles já pretendiam
fazer.
Você já se sentiu preso em uma armadilha estratégica do inimigo?
Quando você se depara com esse tipo de situação, como escapa de uma
armadilha engenhosa e permanece intacto?
 
 
Pilatos ordenou o assassinato de muitos e não teria medo de matar mais
um. O que você acha que ele viu nos olhos de Jesus que o perturbou tanto?
Por que você acha que Pilatos se sentiu compelido a continuar procurando
uma maneira de defender Jesus e buscar a libertação dele?
 
 
É frustrante suportar as consequências negativas quando uma pessoa em
autoridade decide transferir a responsabilidade para outra pessoa porque ela
não está disposta a tomar uma posição e simplesmente fazer a coisa certa.
Você já se sentiu empurrado de um lado para o outro porque alguém com
autoridade se recusou a se levantar e falar em sua defesa quando teve a
oportunidade? Jesus se sentiu assim quando Pilatos o empurrou para a corte
de Herodes.
Se você está sofrendo nesse jogo de empurra porque alguém não está
disposto a fazer um julgamento correto, vá ousadamente diante do trono da
graça e apresente o seu caso diante do seu Deus e Pai. Ele é o Justo Juiz que
certamente decretará o que é certo. Você se entregou a Ele, pedindo-lhe para
aperfeiçoar aquilo que lhe diz respeito?
Capítulo
19
Herodes se Encontra com Jesus!
Depois que Pilatos descobriu que Jesus era da Galileia, jurisdição de
Herodes, o governador romano rapidamente o mandou para ver Herodes.
Naquela época, Herodes estava em Jerusalém para celebrar a festa da
Páscoa com o povo judeu. Mas antes de entrarmos na animada antecipação
de Herodes para encontrar Jesus, vamos primeiro observar de que Herodes
esse versículo está falando.
Vários homens chamados Herodes governaram em Israel ao longo dos
anos. O primeiro e mais famoso foi “Herodes, o Grande”, que se tornou o
primeiro governador da Galileia quando tinha vinte e cinco anos de idade.
Seu reinado foi instituído pela ordem de Otávio e Marco Antônio — o
mesmo Marco Antônio que teve um famoso relacionamento com Cleópatra,
a rainha do Egito. Flávio Josefo, conhecido historiador judeu, registrou que
Herodes, o Grande, morreu em 4 a.C.
Após a morte de Herodes, o Grande, seu território foi dividido entre seus
três filhos. Esses três filhos (também chamados “Herodes”) foram os
seguintes:5
 
Herodes Arquelau
 
Herodes Arquelau foi nomeado governador de Samaria, Judeia e
Idumeia3 em 4 a.C., quando seu pai morreu e ele governou até
aproximadamente 6 d.C. Assim, ele era o Herodes que estava governando
quando Maria, José e Jesus retornaram de sua fuga para o Egito (ver Mateus
2:22).
Quando Herodes Arquelau subiu ao trono em 4 a.C., as coisas quase
imediatamente azedaram para ele. O primeiro problema que ele enfrentou
foi uma rebelião incitada entre os estudantes judeus por seus professores.
Como os Dez Mandamentos proíbem imagens de escultura, esses
professores incentivaram seus alunos a derrubar e destruir a águia dourada
imperial que Roma ordenara que fosse pendurada na entrada do templo.
Como punição, Herodes Arquelau ordenou que professores e alunos fossem
queimados vivos. O massacre continuou até que três mil judeus foram
massacrados durante a Festa da Páscoa. Logo Herodes Arquelau viajou a
Roma para ser coroado pelo imperador Augusto. No entanto, novos
distúrbios ocorreram em sua ausência, resultando em mais de duas mil
pessoas sendo crucificadas.
O Evangelho de Mateus indica que José e Maria estavam preocupados
em se estabelecer nos territórios governados por Herodes Arquelau e,
portanto, fizeram sua morada na Galileia (Mateus 2:22). Herodes Arquelau
era tão desprezado que os judeus e os samaritanos, geralmente inimigos, se
uniram e apelaram a Roma solicitando que ele fosse removido do poder. Em
6 d.C., Herodes Arquelau foi banido para a Gália (atual França) e morreu
antes do ano 18.
 
Herodes Filipe
 
Herodes Filipe foi educado em Roma, com seus irmãos Herodes
Arquelau e Herodes Antipas. Quando seu pai, Herodes, o Grande, morreu
em 4 a.C., Herodes Filipe tornou-se governador das regiões distantes nos
territórios do nordeste do reino de seu pai.
Esses territórios incluíam:
 
4. Gaulanítide — conhecida hoje como as colinas de Golan.
5. Bataneia — o território a leste do rio Jordão e o mar da Galileia.
6. Traconítide e Auranítide (ou Auran) — a parte do Sul da Síria moderna.
 
Os judeus eram minoria entre os súditos de Herodes Filipe. A maioria das
pessoas sob seu domínio era de ascendência síria ou árabe, mas também
havia súditos gregos e romanos, geralmente morando nas cidades. Herodes
Filipe morreu no ano 34 d.C. depois de ter governado seu reino por trinta e
sete anos. Como ele não deixou herdeiros, o imperador romano Tibério
ordenou que seus territórios fossem adicionados à região da Síria.
Flávio Josefo escreveu que Herodes Filipe era moderado e calmo na
conduta da sua vida e governo. Quando Tibério morreu, em 37 d.C., seu
sucessor, Calígula, restaurou o principado quase em sua totalidade e
nomeou o sobrinho de Herodes Filipe, Herodes Agripa, como o novo
governante — masesta é outra história, que não entraremos hoje!
 
Herodes Antipas
 
Isso nos leva ao terceiro filho de Herodes, o Grande — Herodes Antipas
— o mesmo Herodes diante de quem Jesus apareceu em Lucas 23:8 e que
por muito tempo desejou conhecer Jesus pessoalmente. O que sabemos
sobre esse Herodes?
Herodes Antipas foi designado tetrarca da Galileia e da Pereia
(localizado na margem leste do Jordão). O imperador romano Augusto
confirmou essa decisão e o reinado de Herodes Antipas começou no ano 4
a.C., quando seu pai morreu.
O nome “Antipas” é um composto de duas palavras gregas, anti e pas. A
palavra anti significa contra e a palavra pas significa todos ou tudo. Unidas
em uma palavra, quer dizer alguém que é contra tudo e todos. Esse nome
por si só já nos diz algo sobre a personalidade desse governante perverso.
No ano 17 d.C., Herodes Antipas fundou Tiberíades, um novo capitólio
que ele construiu para honrar o imperador romano Tibério. No entanto, a
construção dessa cidade causou um enorme distúrbio entre seus súditos
judeus quando eles descobriram que ela estava sendo construída em cima de
um antigo cemitério judeu. Como esses túmulos foram profanados, judeus
devotos se recusaram a entrar em Tiberíades por um longo tempo.
Herodes Antipas tentou adaptar seu estilo a uma forma que atraísse o
povo judeu, participando inclusive de celebrações judaicas nacionais. Mas
as pessoas não foram convencidas por esses atos e o consideravam uma
fraude. Até mesmo Jesus comparou Herodes Antipas a uma raposa —
animal que era considerado o símbolo da trapaça e que geralmente era
impuro e infectado com doenças. Em outras palavras, quando Jesus chamou
Herodes de raposa, era o equivalente a dizer que Herodes era um indivíduo
sorrateiro, mentiroso, enganador, desonesto, infectado e doente. Essas eram
palavras muito fortes para Jesus!
O primeiro casamento de Herodes Antipas foi com a filha de um líder
árabe. No entanto, ele se divorciou dessa mulher para se casar com a ex-
esposa de seu meio-irmão, uma mulher chamada Herodias. Tomar a ex-
esposa do irmão não era incomum, mas Herodias também era filha de outro
meio-irmão, Aristóbulo. Na lei romana, o casamento com a sobrinha
também era permitido, mas o casamento com uma mulher que era cunhada
de um e sobrinha do outro era algo incomum. Esse casamento incomum
atraiu a atenção e crítica de João Batista. O Evangelho de Marcos registra
que João Batista morreu por causa da posição pública que assumiu contra o
segundo casamento de Herodes Antipas.
No ano 37, a nova esposa de Herodes Antipas, Herodias, discordou
quando o irmão dela, Agripa tornou-se rei no lugar de Herodes Filipe. Ela
achava que o título real não deveria ser dado a Herodes Agripa, mas ao seu
marido e fez planos para que Herodes Antipas fosse nomeado rei.
Discordando veementemente de Herodias, o imperador romano exilou tanto
ela como seu marido a viverem o restante de suas vidas na Gália, que é a
França moderna.
Lucas 23:8 nos diz que Herodes Antipas estava ansioso para finalmente
encontrar Jesus: “Herodes, vendo a Jesus, sobremaneira se alegrou, pois
havia muito queria vê-lo, por ter ouvido falar a seu respeito; esperava
também vê-lo fazer algum sinal”. Observe que esse versículo diz: “Herodes,
vendo a Jesus”. A palavra “vendo” vem da palavra grega horao, que
significa ver; contemplar; ver com prazer; olhar com escrutínio; olhar com
a intenção de examinar.
Essa palavra horao nos mostra um quadro muito importante sobre o que
aconteceu exatamente quando Jesus finalmente ficou diante de Herodes
Antipas. Transmite a ideia de que Herodes estava animado e feliz para
finalmente contemplar o milagreiro do qual ele tanto ouvira falar. Uma vez
Jesus diante dele, Herodes literalmente olhou para Ele, contemplando e
examinando cada detalhe do Homem que ali aparecera.
A parte seguinte do versículo confirma a alegria e o júbilo que Herodes
Antipas sentiu ao ver Jesus. Diz: “sobremaneira se alegrou”. O texto grego
usa duas palavras, echari lian. A palavra echari vem da palavra chairo, a
palavra grega para alegria. A palavra lian significa muito, grande ou
excessivamente. Essas duas palavras juntas sugerem extrema empolgação
ou alguém que está em êxtase com alguma coisa. Em outras palavras,
Herodes Antipas ficou tão empolgado com a chance de conhecer Jesus que
estava quase pulando por dentro!
Isso pode nos dizer o quão bem-conhecido Jesus se tornou durante o Seu
ministério. Se Herodes Antipas estava tão animado em conhecê-lo, não é de
admirar que os escribas e anciãos estivessem apreensivos sobre sua ampla
popularidade. Até mesmo a nobreza ansiava por uma chance de ver os
milagres de Jesus!
É por isso que a parte seguinte do versículo diz: “...pois havia muito
queria vê-lo, por ter ouvido falar a seu respeito...”. A palavra “queria” é a
palavra grega thelo, que significa querer ou desejar. No entanto, a
construção usada nessa frase grega intensifica o desejo, tornando-o um forte
desejo ou anseio. De acordo com esse versículo, Herodes tinha esse forte
desejo “havia muito” — expressão tirada das palavras gregas ek hikanos
chronos. A palavra hikanos significa muitos ou muito. A palavra chronos
quer dizer tempo, como uma estação, época, era ou qualquer duração de
tempo especificada. Essas palavras juntas poderiam ser traduzidas como
por muitos anos, por muito tempo ou por muitas estações.
Por que Herodes Antipas desejou ver Jesus por tantos anos? O versículo
diz: “...por ter ouvido falar a seu respeito...”. Jesus era um nome que a casa
de Herodes já ouvia fazia anos! Tenho certeza de que todos os três garotos
Herodes — Arquelau, Filipe e Antipas — ouviram histórias sobre:
 
7. O nascimento sobrenatural de Jesus.
8. Os reis do oriente que vieram para reconhecê-lo.
9. A tentativa do seu pai, Herodes, o Grande, de matar Jesus ordenando que todos os bebês
em Belém fossem assassinados.
10.Jesus e Seus pais escapando para o Egito e esperando o momento certo para voltar a Israel.
11.O ministério de Jesus tocando a nação com cura e demonstração de poder.
 
Histórias sobre Jesus deviam ser muito familiares para a casa de Herodes.
Herodes Antipas ansiava por uma chance de conhecer essa famosa
personalidade há muitos anos. Jesus era uma lenda viva e agora Ele estava
em pé em sua presença!
No final desse versículo, descobrimos a razão pela qual Herodes Antipas
estava tão animado para encontrar com Jesus. O versículo continua a nos
dizer: “...esperava também vê-lo fazer algum sinal”. A palavra grega para
“esperava” é elpidzo, que significa esperança. Mas a construção usada
nesse versículo é semelhante à palavra thelo, já mencionada, que quer dizer
desejar. Assim como o desejo de Herodes de ver Jesus era um desejo muito
forte, agora sua esperança de ver algum milagre realizado por Ele era uma
esperança muito forte ou uma expectativa sincera.
Herodes estava esperando “...vê-lo fazer algum sinal”. A palavra “vê-lo”
é a palavra grega horao, a mesma palavra usada na primeira parte do
versículo, quando nos é dito que Herodes ficou animado vendo Jesus.
Agora essa palavra é empregada para nos informar que Herodes estava
eufórico com a chance de ver algum “sinal” feito por Jesus.
A palavra “sinal” vem da palavra grega semeion, que é um sinal, uma
marca ou um símbolo que confirma ou autentica um suposto relato. É usada
nos evangelhos principalmente para descrever milagres e eventos
sobrenaturais, o que significa que o propósito de tais milagres e eventos
sobrenaturais é confirmar e autenticar a mensagem do Evangelho.
Mas Lucas 23:9 nos diz que Jesus não fez milagres a pedido de Herodes,
nem respondeu ao grande número de perguntas que Herodes lhe fez naquele
dia. Como resultado do silêncio de Jesus, o versículo seguinte nos diz: “Os
principais sacerdotes e os escribas ali presentes o acusavam com grande
veemência” (v. 10).
Observe que os principais sacerdotes e escribas seguiram Jesus do
palácio de Pilatos até a residência de Herodes. Quando Jesus não realizou
milagre algum para Herodes, os escribas e anciãos — cuja maioriapertencia à seita dos saduceus que não acreditava no sobrenatural —
aproveitaram o momento para começar a gritar e a berrar
incontrolavelmente. A expressão “com grande veemência” vem da palavra
grega eutonus, que significa em alta voz, em volume total, tenazmente ou
vigorosamente. Em outras palavras, aqueles líderes religiosos não estavam
apenas levantando as vozes; eles estavam, como que poderíamos dizer, “se
acabando de gritar”! O mais provável é que estivessem gritando acusações
diretamente a Jesus, dizendo coisas como: Grande operador de milagres
você é! Você não tem poder! Você é uma fraude! Se você pode fazer
milagres, por que você não faz agora! Você não é nada além de um
charlatão!
Naquele dia, Herodes ficou com a impressão de que Jesus nada mais era
do que uma fraude espiritual. Como Jesus não realizou sinal algum quando
solicitado, como desejava Herodes, as expectativas daquele governador
foram frustradas, fazendo que ele desencadeasse sua ira contra Jesus.
No pouco tempo que se seguiu, Jesus recebeu todo o peso da ira daquele
governante malvado. No entanto, em meio a todo o abuso que sofreu, Ele
permaneceu quieto e se manteve calmo.
Tenho certeza de que você já esteve em situações em que foi criticado
porque não conseguiu atender às demandas de alguém. Você consegue
pensar em um momento em que algo assim aconteceu? Como você
respondeu? Você gritou e esbravejou com a pessoa quando ela soltou sua
raiva contra você ou foi capaz de permanecer quieto e controlado como
Jesus fez naquele dia diante de Herodes Antipas e dos principais sacerdotes
e anciãos?
A vida ocasionalmente lhe leva a lugares difíceis — como quando você
descobre que as pessoas estão decepcionadas com o seu desempenho. Se
você se encontrar nesse tipo de situação, lembre-se de que Jesus não
satisfez as expectativas de Herodes Antipas (embora essa tenha sido
provavelmente a única pessoa cujas expectativas Jesus não conseguiu
superar!). Quando você se encontrar em tal situação, retire-se por alguns
minutos e clame ao Senhor. Ele já esteve lá; Ele entende e o ajudará a saber
como você deve responder.
 
 
Há pessoas em sua vida e ao seu redor que têm desejado encontrar Jesus.
Quando elas o encontrarem por intermédio de você, ficarão desapontadas?
Jesus disse aos Seus discípulos que quando o viam, viam o Pai (João 14:7).
Quando as pessoas veem você, elas veem exatamente Jesus?
 
 
Herodes derramou sua ira quando não conseguiu fazer Jesus realizar
milagres a seu pedido. Ele o acusou de não ter poder algum, quando Jesus
na verdade demonstrou tremenda força, mantendo-se calmo e
permanecendo em silêncio e imóvel. Em todas as coisas, Jesus seguiu a
direção do Pai e nunca respondeu à tentativa de manipulação ou às ameaças
do homem.
De que forma lhe seria benéfico exercitar mais controle e ponderação
sobre suas palavras e respostas em momentos de dificuldade ou ataque?
 
 
A vida nos leva a lugares difíceis. De alguns você vai escapar e de outros
não. Às vezes, você ficará desapontado e outras vezes desapontará os
outros.
Jesus se recusou a satisfazer as expectativas de um governante ruim e
depois enfrentou as repercussões com dignidade e graça. Você já
desenvolveu a prática de se aproximar de Deus, entregando-se
profundamente em Seus braços para que Ele possa lhe proteger nos lugares
difíceis? Essa é uma habilidade sem a qual você não conseguirá viver.
Reflita sobre o que você pode fazer todos os dias para cultivar esse hábito.
Capítulo
20
Um Governante Humano Zomba do Rei dos Reis e
Senhor dos Senhores
Naquele dia em que Jesus se recusou a atender às expectativas de
Herodes, Lucas 23:10 nos diz que os principais sacerdotes e escribas
estavam tão enfurecidos que se levantaram e “...o acusavam com grande
veemência”. Essa expressão “com grande veemência” significa em alta voz,
em volume total, tenazmente ou vigorosamente. Isso quer dizer que aqueles
homens devem ter gritado como maníacos — loucos e descontrolados — ao
acusarem Jesus de ser uma fraude!
Quando os gritos pararam e o volume das vozes dos homens baixou o
suficiente para que a voz de Herodes fosse ouvida, Herodes deu ao oficial a
ordem para que ele e seus homens de guerra deliberadamente humilhassem,
zombassem e ridicularizassem Jesus. De repente, as pessoas naquela sala na
residência de Herodes se transformaram em uma multidão vaiando,
caçoando, zombando e rindo com todo o seu veneno dirigido a Jesus. Lucas
23:11 nos fala sobre esse evento, dizendo: “Mas Herodes, juntamente com
os da sua guarda, tratou-o com desprezo, e, escarnecendo dele, fê-lo vestir-
se de um manto aparatoso, e o devolveu a Pilatos”.
Observe que Herodes estava reunido naquele dia com “os da sua guarda”.
Quem eram esses da sua guarda e por que estavam ao lado de Herodes
quando Jesus estava diante dele? A palavra para “os da sua guarda” em
grego é strateuma. Essa palavra grega poderia significar um pequeno
destacamento de soldados romanos, mas muito provavelmente sugere que
esses homens eram os guarda-costas pessoais de Herodes, selecionados de
um grupo maior de soldados porque eram excepcionalmente treinados e
preparados para lutar e defender se chamados — por essa razão a versão
King James se refere a eles como “homens de guerra”.
A Bíblia nos informa que Herodes, com a ajuda de seus guarda-costas,
tomou Jesus e “tratou-o com desprezo”. Essa frase é desenvolvida a partir
da palavra grega exoutheneo, um composto das palavras ek e outhen. A
palavra ek significa para fora, e a palavra outhen é uma forma posterior da
palavra ouden, que significa nada. Formada por esse composto, a nova
palavra quer dizer fazer alguém ser um nada. Pode ser traduzida como
minimizar, desmerecer, desdenhar, desconsiderar, desprezar ou tratar com
malícia e desprezo.
Jesus já havia suportado os gritos insanos e os berros dos principais
sacerdotes e anciãos contra Ele. Mas agora Herodes e seus guarda-costas
entraram em cena para iniciar sua própria parcela de humilhação contra
Jesus. Lucas usa a palavra exoutheneo para nos dizer que eles eram
maliciosos e vingativos e que seu comportamento era desagradável e
horrível. Então Lucas nos diz que Herodes e seus homens “escarneceram
dele”. Isso nos dá uma ideia do quão baixo eles foram ao ridicularizar Jesus.
A palavra “escarnecer” é a palavra grega empaidzo, a mesma palavra
usada para retratar o comportamento zombeteiro dos soldados que
guardavam Jesus antes de Ele ser levado à alta corte de Caifás (ver capítulo
16). A palavra empaidzo significava jogar um jogo. Muitas vezes, era usada
para jogar um jogo com crianças ou para divertir uma multidão, expondo
alguém de maneira tola e exagerada. Pode ser usada em um jogo de
charadas quando alguém pretende comicamente retratar outra pessoa ou
até mesmo ridicularizá-la.
Herodes Antipas era um governador romano — supostamente um homem
educado, culto e refinado. Ele estava cercado por soldados romanos bem
treinados que deveriam ser profissionais em sua conduta e aparência. Mas
esses homens de guerra, com seu governante, mergulharam profundamente
na depravação quando começaram a realizar um grande espetáculo,
imitando Jesus e as pessoas a quem Ele ministrava. Eles provavelmente se
tocavam, agindo como se estivessem curando os doentes; deitavam no chão
e tremiam, como se estivessem sendo libertados dos demônios ou
cambaleavam ao redor, agindo como se fossem cegos, mas agora pudessem
ver de repente. Era tudo um jogo de charadas que pretendia imitar e zombar
de Jesus.
Em seguida, Lucas nos diz: “...fê-lo vestir-se de um manto aparatoso...”.
A palavra “vestir-se” é a palavra grega periballo, que significa jogar sobre
ou derramar sobre, como jogar ao redor dos ombros de alguém. As
palavras “manto aparatoso” são as palavras esthes e lampros. A palavra
esthes descreve um manto ou vestimenta, enquanto a palavra lampros
descreve algo que é resplandecente, brilhante ou magnífico. Era muitas
vezes empregada para descrever uma peça de roupa feita de materiais
suntuosos e de cores vivas.
É duvidoso que essa fosse a vestimentade um soldado, pois mesmo um
guarda-costas de Herodes não estaria vestido com roupas tão
resplandecentes. Muito provavelmente, era um traje usado por um político,
pois quando os candidatos se candidatavam a cargos públicos usavam
roupas bonitas e coloridas. Mais especificamente, porém, era quase
certamente uma das vestes suntuosas de Herodes, que ele tinha permitido
que fossem colocadas ao redor dos ombros de Jesus, para que pudessem
fingir adorá-lo como rei, como parte da sua zombaria.
Embora Herodes aparentemente gostasse dos maus-tratos e do abuso
contra Jesus, Lucas 23:14-15 diz que ele não encontrou crime em Jesus
digno de morte. Portanto, após a conclusão desses eventos, Herodes “...o
devolveu a Pilatos” (Lucas 23:11).
Quando Herodes enviou Jesus de volta a Pilatos, ele enviou Jesus vestido
com esse manto real. Um estudioso observa que, como essa vestimenta
costumava ser usada por um candidato concorrendo a um cargo, a decisão
de Herodes de mandar Jesus a Pilatos com aquele manto equivalia a dizer:
“Isto não é rei! É apenas outro candidato, um fingidor, que acha que está
desempenhando algum tipo de ofício!”.
Quando eu leio sobre o que Jesus suportou durante as longas horas antes
de ser enviado para ser crucificado, isso simplesmente mexe comigo. Jesus
não cometeu pecado ou crime, nem dolo algum foi encontrado em Sua
boca; no entanto, Ele foi julgado mais severamente do que o pior dos
criminosos. Mesmo os mais terríveis criminosos não teriam sido
submetidos a um tratamento tão cruel. E apenas pense — tudo isso
aconteceu antes que Ele fosse pregado naquela cruz de madeira — a
maneira mais baixa, mais dolorosa e degradante com a qual um criminoso
poderia ser executado no mundo antigo!
Antes de fazer qualquer coisa hoje, por que não reserva alguns minutos
para parar e agradecer a Jesus por tudo que Ele passou para comprar a sua
redenção? A salvação pode ter sido um presente gratuito para você, mas
não foi gratuita para Jesus. Custou Sua vida e Seu sangue. Por isso Paulo
escreveu: “...no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos
pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Efésios 1:7).
E aqui está mais uma sugestão para você: em vez de guardar as Boas
Novas de Jesus Cristo para si mesmo, por que você não encontra hoje uma
oportunidade para contar a alguém tudo o que Jesus fez para que ele ou ela
possa ser salvo? O Espírito de Deus pode usar você para levar alguém a um
conhecimento salvador sobre Jesus agora mesmo!
 
 
Herodes Antipas de fato ordenou aos soldados romanos que zombassem
de Jesus, autorizando-os a desencadear o mais vil e depravado ataque de
humilhação que poderiam aplicar a um ser humano. Jesus, o mais puro e o
mais gentil de toda a criação, foi submetido ao mais vil e mais perverso
abuso.
Pense no que Jesus passou por causa dos seus pecados. Pense no que a
sua salvação custou a Ele — antes mesmo de suportar a dor e a vergonha da
cruz. Quanto tempo faz desde que você agradeceu de coração a Jesus por
tudo o que Ele voluntariamente sofreu por você?
 
 
Embora Herodes tenha sentido uma satisfação horrenda nos terríveis
maus-tratos de Jesus, ele reconhecidamente não encontrou culpa nele.
Você já foi submetido a um tratamento que não merecia? Se sim, como
você respondeu? Ao considerar o exemplo de Jesus, você reagiria de
maneira diferente a esse tratamento no futuro?
 
 
Não importa que ato ou ataque vergonhoso e humilhante você tenha
experimentado — seja emocional ou físico — Jesus pode se identificar com
ele e também pode curar a sua dor. As pessoas podem não entender a sua
dor, mas Jesus entende. Ele é o amor de Deus em ação e o amor cura.
Pense no grande amor de Jesus por você. Reconheça as partes da sua vida
onde você escondeu a dor e a vergonha. Em seguida, convide o amor
curador de Jesus para preenchê-las e tirar a dor. Ele suportou humilhação
por você. Ele não quer mais que você sofra tormento.
Capítulo
21
Acusado, Mas Não Culpado
Quando Jesus retornou à corte de Pilatos, Pilatos reuniu os
principais sacerdotes e governantes. Então lhes disse: “Apresentastes-me
este homem como agitador do povo; mas, tendo-o interrogado na vossa
presença, nada verifiquei contra ele dos crimes de que o acusais. Nem
tampouco Herodes, pois no-lo tornou a enviar. É, pois, claro que nada
contra ele se verificou digno de morte. Portanto, após castigá-lo, soltá-lo-ei”
(Lucas 23:14-16).
Observe que Pilatos disse que ele havia “interrogado” Jesus. A palavra
grega no original é anakrinas, que significa examinar de perto, escrutinar
ou julgar judicialmente. Lembre-se, Pilatos era a principal autoridade legal
da terra. Ele conhecia a lei romana e recebera poder para cuidar que essa lei
fosse mantida. Do ponto de vista judicial, ele não conseguiu encontrar um
único crime que Jesus tenha cometido. Talvez Jesus tivesse quebrado
alguma lei religiosa judaica, mas Pilatos não era judeu e não se importava
nem um pouco com a lei judaica. Do ponto de vista puramente legal, Jesus
não era culpado. Para dar mais peso à sua ação, Pilatos apoiou seu ponto de
vista, dizendo: “Herodes chegou à mesma conclusão que eu: esse homem
não cometeu qualquer ofensa legal”.
Sabendo que os líderes religiosos estavam empenhados em ver o
derramamento do sangue de Jesus, Pilatos se ofereceu para castigá-lo,
esperando que isso satisfizesse o apetite sangrento da multidão. Se aquela
oferta tivesse sido aceita, o espancamento teria sido menor. No entanto,
seria visto como um aviso de que Jesus precisava limitar Suas atividades.
Então Pilatos anunciou que após Jesus ser castigado, ele o “libertaria”.
Quando a multidão ouviu a palavra “libertar”, aproveitaram a oportunidade
para reverter a decisão de Pilatos. Era um costume nessa época específica
do ano “libertar” um prisioneiro da prisão como um favor para o povo.
Como Israel odiava a ocupação romana, muitos filhos dos judeus lutavam
como “combatentes da liberdade” para derrubar o domínio romano.
Portanto, a cada ano, quando chegava a hora desse grande evento, toda a
cidade de Jerusalém esperava antecipadamente para ver qual prisioneiro
seria libertado.
Mencionar “libertar” Jesus naquele momento era como se Pilatos
estivesse escolhendo qual prisioneiro seria libertado — sua escolha era
Jesus. Quando o povo ouviu sobre a decisão de Pilatos, clamaram: “Fora
com este homem e nos solta Barrabás: (que por causa de certa sedição feita
na cidade e por homicídio, foi lançado na prisão)” (Lucas 23:18-19; KJV,
tradução livre).
Quem era Barrabás? Era um conhecido agitador que provou ser culpado
de “sedição” na cidade de Jerusalém. Essa palavra “sedição” vem de stasis,
uma antiga palavra grega para traição, que se refere à tentativa deliberada
de derrubar o governo ou matar um chefe de Estado.
É interessante que traição foi a mesma acusação que os líderes judeus
fizeram contra Jesus quando o acusaram de reivindicar ser rei. No entanto,
no caso de Barrabás, a acusação era real, pois ele liderara uma insurreição
explosiva contra o governo, que resultou em um massacre. No entanto, o
ato de bravura de Barrabás, embora ilegal e assassino, fez dele um herói nas
mentes da população local.
Lucas nos conta que esse Barrabás era tão perigoso que foi “lançado” na
prisão. A palavra “lançar” é a palavra grega ballo, que significa jogar, o
que sugere que as autoridades romanas não perderam tempo em jogar
aquele bandido de baixo nível na prisão pelo papel que ele desempenhou na
sangrenta insurreição. As autoridades romanas o queriam fora das ruas e
trancado para sempre!
Lucas 23:20-21 diz: “Desejando Pilatos soltar a Jesus, insistiu ainda.
Eles, porém, mais gritavam: Crucifica-o! Crucifica-o!” A palavra
“desejando” é a palavra grega thelo. Assim, o trecho seria mais bem
traduzido: Pilatos, portanto, querendo, desejando e ansiando libertar
Jesus... Pilatos procurou uma maneira de libertar Jesus, mas a multidão
gritava por crucificação.
Essa foi a primeira vez que uma crucificação foi especialmente exigida
pela multidão. Lucas diz que a multidão enfurecida “gritava”para Jesus ser
crucificado. A palavra “gritar” é a palavra epiphoneo, e significa gritar,
urrar, berrar, bradar ou esbravejar. O tempo verbal grego indica que eles
estavam histericamente gritando e esbravejando no mais alto das suas
vozes — totalmente fora de controle e sem pausa.
Pilatos apelou a eles novamente: “Que mal fez este? De fato, nada achei
contra ele para condená-lo à morte; portanto, depois de o castigar, soltá-lo-
ei” (Lucas 23:22). Novamente, o governador romano esperava que uma
surra pudesse satisfazer a sede por sangue do povo, mas “...eles instavam
com grandes gritos, pedindo que fosse crucificado. E o seu clamor
prevaleceu” (v. 23).
A palavra “instavam” é a palavra grega epikeima, um composto das
palavras epi e keimai. A palavra epi significa em cima, e a palavra keimai
quer dizer deitar alguma coisa. Quando combinadas, a palavra que resulta
significa que as pessoas começaram a empilhar evidências em cima de
Pilatos, quase enterrando-o em razões pelas quais Jesus tinha que ser
crucificado. Para terminar essa discussão, eles o ameaçaram, dizendo: “Se
soltas a este, não és amigo de César! Todo aquele que se faz rei é contra
César!” (João 19:12).
Pilatos ficou surpreso com a ameaça de traição que esses líderes judeus
estavam trazendo contra ele. Ao ouvir essas palavras, ele soube que eles o
haviam colocado em uma armadilha — só havia uma maneira legal para
Pilatos sair da bagunça em que estava. Ele tinha que fazer uma escolha:
poderia libertar Jesus e sacrificar sua própria carreira política ou poderia
entregar Jesus para ser crucificado e assim salvar a si mesmo.
Quando confrontado com essas duas duras escolhas, Pilatos decidiu
sacrificar Jesus e salvar a si mesmo. Mas ao entregar Jesus às massas,
Pilatos primeiro queria deixar claro para todos que ouviam que ele não
concordava com o que estavam fazendo. É por isso que Mateus 27:24 nos
diz: “Vendo Pilatos que nada conseguia, antes, pelo contrário, aumentava o
tumulto, mandando vir água, lavou as mãos perante o povo, dizendo: Estou
inocente do sangue deste [justo]; fique o caso convosco!”.
Preste muita atenção ao fato de que Pilatos “...mandando vir água, lavou
as mãos...”. A água, é claro, simboliza um agente de limpeza, e as mãos
simbolizam as nossas vidas. Por exemplo, com as nossas mãos, tocamos
pessoas, trabalhamos e ganhamos dinheiro. De fato, quase tudo que
fazemos na vida, fazemos com as nossas mãos. Foi por isso que Paulo nos
disse para “erguermos mãos santas” quando orarmos e adorarmos (1
Timóteo 2:8). Quando levantamos as nossas mãos para Deus é o mesmo
que levantar as nossas vidas inteiras diante dele, porque as nossas mãos
representam as nossas vidas.
Nos tempos bíblicos, a lavagem das mãos era um ritual muitas vezes
usado simbolicamente para a remoção da culpa. Então, quando Pilatos
lavou as mãos naquela bacia de água e declarou publicamente: “Estou
inocente do sangue deste [justo]!”, Ele demonstrou o que acreditava ser sua
total inocência nesse assunto.
Enquanto Pôncio Pilatos percebeu que poderia resguardar Jesus e manter
a própria posição também, ele o protegeu. Mas no momento em que Pilatos
percebeu que salvar Jesus significaria sacrificar sua própria posição na vida,
ele rapidamente mudou de tom e cedeu às demandas da multidão de pessoas
que gritavam ao seu redor.
Você consegue pensar em momentos na sua vida quando a sua caminhada
com Jesus lhe colocou em uma posição impopular com seus colegas? O que
você fez quando percebeu que seu compromisso com o Senhor colocaria em
risco seu trabalho ou seu posição com os seus amigos? Você sacrificou sua
amizade e sua posição ou sacrificou seu compromisso com o Senhor?
Vamos decidir hoje nunca cometer o erro de sacrificar o nosso
relacionamento com Jesus por outras pessoas ou coisas. Em vez disso,
vamos resolver ficar ao lado de Jesus, independentemente da situação ou do
custo pessoal que possamos ter de pagar por permanecermos fiéis a Ele.
Lembre-se do que Jesus disse: “Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem,
todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á” (Mateus 10:39). Quando
você se agarra às coisas erradas, suas escolhas erradas sempre lhe custam
mais. Por sua vez, quando você deixa de lado as coisas que considera
queridas e escolhe dar tudo o que tem a Jesus, você sempre recebe de volta
muito mais do que poderia pedir ou imaginar.
 
 
Quando confrontado com a escolha de fazer valer a verdade, mas
sacrificar sua carreira, Pilatos cedeu a uma mentira, entregando Jesus à
vontade de uma multidão enfurecida. A integridade tem um preço, mas as
consequências de abandonar a integridade pela autopreservação são ainda
mais caras.
Você consegue pensar em algumas maneiras com as quais você escolheu
a autopreservação acima de ser fiel a Jesus?
 
 
Pilatos fez uma demonstração exterior ao lavar as mãos, declarando o
que considerava ser a sua própria inocência. Ele fez isso em uma tentativa
de se distanciar da multidão sedenta de sangue e provar que realmente não
apoiava a decisão que se sentiu forçado a tomar. No entanto, o
comprometimento voluntário de Pilatos com a multidão o amarrou à
decisão deles.
Com quais escolhas você se depara diariamente que podem lhe
comprometer? Como você responde a essas oportunidades? Você percebe a
necessidade de responder de forma diferente?
 
 
Qual você acha que seria a emoção ou a crença implícita que levaria uma
pessoa a concordar com a opinião pública, mesmo quando essa opinião é
contrária ao que ela realmente acredita? Você sabe como reagiria se fosse
empurrado para tal situação? Pense nisso.
Capítulo
22
O Horror do Flagelo Romano
Como era para um prisioneiro ser flagelado nos tempos do Novo
Testamento? De que materiais era feito um flagelo? Qual era a sensação
quando as tiras do flagelo chicoteavam as costas e o corpo de uma pessoa?
Que efeitos tinha o flagelo no corpo humano?
Mateus 27:26 nos diz que Pilatos “havia açoitado Jesus” antes de
entregá-lo para ser crucificado, por isso precisamos entender o que significa
ser “açoitado”. A palavra “açoitado” é a palavra grega phragello. Era uma
das palavras mais horríveis usadas no mundo antigo por causa das imagens
terríveis que imediatamente vinham à mente quando uma pessoa a ouvia.
Deixe-me contar um pouco sobre o processo de flagelação e o que ele fazia
com o corpo humano. Eu acredito que essa explicação é importante para
que você possa entender mais completamente o que Jesus suportou antes de
ser levado para ser crucificado.
Quando a decisão de flagelar um indivíduo era tomada, a vítima era
primeiramente despida, ficando completamente nua para que toda sua carne
estivesse descoberta para a ação de espancamento do chicote do torturador.
Então a vítima era amarrada a um poste de flagelação de sessenta
centímetros de altura. Suas mãos ficavam amarradas sobre a cabeça em um
anel de metal e seus pulsos ficavam seguramente algemados àquele anel
para impedir que seu corpo se movesse. Quando fixada nessa posição, a
vítima não conseguia se mexer ou se mover na tentativa de evitar as
chicotadas desferidas em suas costas.6
Os romanos eram profissionais na flagelação; eles sentiam um prazer
especial pelo fato de serem os “melhores” em punir uma vítima com esse
ato brutal. Uma vez que a vítima era atrelada ao poste e envergada sobre si,
o soldado romano começava a lhe infligir uma tortura inimaginável. Um
escritor observa que a mera antecipação do primeiro golpe fazia o corpo da
vítima se enrijecer — os músculos do estômago contraíam, a cor sumia das
bochechas e os lábios se apertavam contra os dentes enquanto esperava o
primeiro golpe sádico que começaria a rasgar seu corpo.
O flagelo em si consistia em um cabo curto de madeira com várias tiras
de couro de 45 a 60 centímetros de comprimento que se projetavam dele.
As extremidades desses pedaços de couro eram equipadas com peças
afiadas e serrilhadas de metal, arames, vidro e fragmentos irregulares de
ossos. Esta era considerada uma das armas mais temidas e mortíferas do
mundo romano. Era tão horrível que amera ameaça de flagelação podia
acalmar uma multidão ou dobrar a vontade do rebelde mais forte. Nem
mesmo o criminoso mais endurecido queria ser submetido ao golpe violento
de um flagelo romano.
Na maioria das vezes, dois torturadores eram utilizados simultaneamente
para realizar essa punição, simultaneamente chicoteando a vítima de ambos
os lados. Quando esses dois chicotes atingiam a vítima, as cintas de couro
com os seus objetos serrilhados, afiados e cortantes desciam e escorriam ao
longo das suas costas. Cada peça de metal, fio, osso ou vidro cortava
profundamente a pele da vítima e a sua carne, retalhando os seus músculos
e tendões.
Toda vez que o chicote batia na vítima, essas tiras de couro ondulavam
tortuosamente ao redor de seu tronco, mordendo dolorosa e profundamente
a pele do abdômen e do tórax. À medida que cada golpe lacerava a vítima,
ela tendia a se abaixar, mas não conseguia se mover porque seus pulsos
estavam firmemente fixados no anel de metal acima da sua cabeça. Sem
esperança de escapar do chicote, ela gritava por misericórdia, para que
aquela angústia chegasse ao fim.
Toda vez que os torturadores atingiam a vítima, as tiras de couro unidas
ao cabo de madeira causavam vários cortes à medida que os pedaços de
metal, vidro, fio e osso penetravam na carne e depois passavam pelo corpo
da vítima. Então, o torturador se virava para trás, puxando fortemente para
arrancar pedaços inteiros de carne humana do corpo. As costas da vítima, as
nádegas, a parte posterior das pernas, o estômago, a parte superior do tórax
e o rosto logo ficariam desfigurados pelos golpes do chicote.
Registros históricos descrevem as costas de uma vítima tão mutiladas
após uma flagelação romana que a coluna acabava exposta. Outros
registraram como as entranhas de uma vítima literalmente caíam de dentro
das feridas abertas pelo chicote. O historiador da Igreja Primitiva, Eusébio,
escreveu: “As veias apareciam e os músculos, os nervos e as entranhas da
vítima ficavam abertos e expostos”.7
O torturador romano atacava tão agressivamente sua vítima que nem
sequer perdia tempo em limpar as tiras de couro ensanguentadas e cheias de
carne, golpeando o chicote pelo corpo mutilado da vítima uma vez após a
outra. Se a flagelação não fosse interrompida, o corte do chicote acabaria
por desprender toda a carne da vítima do seu corpo.
Com tantos vasos sanguíneos abertos pelo chicote, a vítima começava a
experimentar uma perda profusa de sangue e fluidos corporais. O coração
bombeava mais e mais forte, esforçando-se para levar sangue para as partes
do corpo que sangravam abundantemente. Mas era como bombear água por
um hidrante aberto — não havia mais nada para impedir que o sangue
escorresse pelas feridas abertas da vítima.
Essa perda de sangue fazia a pressão arterial da vítima cair
drasticamente. Devido à perda intensa de fluidos corporais, ela
experimentava uma sede excruciante, muitas vezes desmaiando de dor e
eventualmente entrando em choque. Com frequência, os batimentos
cardíacos da vítima tornavam-se tão irregulares que ela chegava a uma
parada cardíaca.
Essa era a flagelação romana.
De acordo com a lei judaica em Deuteronômio 25:3, aos judeus era
permitido dar quarenta açoites em uma vítima, mas como o quadragésimo
golpe geralmente se mostrava fatal, o número de açoites dados foi reduzido
a 39, como Paulo observou em 2 Coríntios 11:24. Mas os romanos não
tinham limite para o número de açoites que podiam dar em uma vítima e a
flagelação que Jesus experimentou estava nas mãos dos romanos e não dos
judeus. Portanto, é perfeitamente possível que, quando o torturador puxou o
flagelo para golpear Jesus, ele possa ter dado mais de quarenta açoites em
Seu corpo. Na verdade, isso é mesmo provável considerando a explosiva ira
que os judeus sentiam por Jesus e a terrível zombaria que Ele já sofrera nas
mãos dos soldados romanos.
Então, quando a Bíblia nos diz que Jesus foi açoitado, agora sabemos
exatamente o tipo de espancamento que Ele recebeu naquela noite. Qual foi
o resultado exato do flagelo romano no corpo de Jesus? O Novo Testamento
não nos diz exatamente como Jesus ficou depois de ser flagelado, mas
Isaías 52:14 diz: “Como pasmaram muitos à vista dele (pois o seu aspecto
estava mui desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua aparência,
mais do que a dos outros filhos dos homens)”.
Se tomarmos essa passagem literalmente, podemos concluir que o corpo
físico de Jesus foi castigado até ficar quase irreconhecível. Por mais
assustador que isso possa soar, foi apenas a abertura do que estava por vir.
Mateus 27:26 continua a nos dizer: “...e, após haver açoitado a Jesus,
entregou-o para ser crucificado”. Essa flagelação foi apenas a preparação
para a crucificação de Jesus!
Toda vez que reflito na flagelação que Jesus recebeu naquele dia, penso
na promessa que Deus nos faz em Isaías 53:5. Este versículo diz: “Mas ele
foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades;
o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos
sarados”. Nesse versículo, Deus declara que o preço da nossa cura foi pago
pelas marcas dos chicotes nas costas de Jesus.
Em 1 Pedro 2:24, o apóstolo Pedro citou Isaías 53:5 (NVI). Ele disse aos
seus leitores: “...pelas suas feridas, fomos curados”. A palavra “feridas”
usada nesse versículo é molopsi, que descreve um hematoma de corpo
inteiro. Refere-se a um corte terrível que sangra e produz descoloração e
inchaço em todo o corpo. Quando Pedro escreveu esse versículo, ele não
estava falando por revelação, mas por memória, pois recordou vividamente
o que aconteceu com Jesus naquela noite e Sua aparência física após a
flagelação.
Depois de nos lembrar visualmente dos golpes, hemorragias e contusões
que Jesus suportou, Pedro declarou com júbilo que foi por essas mesmas
feridas que fomos “curados”. A palavra “curado” é a palavra grega iaomai
— uma palavra que se refere claramente à cura física, emprestada do termo
médico que descreve a cura física ou a cura do corpo humano.
Para aqueles que pensam que essa promessa se refere apenas à cura
espiritual, a palavra grega fala enfaticamente da cura de uma condição
física. Essa é uma verdadeira promessa de cura no corpo que pertence a
todos os que foram lavados no sangue de Jesus Cristo!
O corpo destroçado de Jesus foi o pagamento que Deus exigiu para
garantir a nossa cura física! Assim como Jesus voluntariamente tomou os
nossos pecados e morreu na cruz em nosso lugar, Ele também tomou
voluntariamente as nossas doenças e dores sobre si mesmo quando o
amarraram ao poste de flagelação e recebeu essas marcas em Seu corpo.
Essa flagelação horrível foi paga por nossa cura!
Se precisa de cura, você tem todo o direito de ir a Deus e pedir que a cura
inunde o seu corpo. É hora de você tomar posição e agarrar a promessa da
Palavra de Deus, liberando a sua fé para a cura que já lhe pertence.
Jesus passou por essa agonia por você, então não deixe o diabo lhe dizer
que é a vontade de Deus que você fique doente ou fraco. Refletir sobre a
dor que Jesus sofreu para levar as suas doenças naquele dia não é prova
suficiente para convencê-lo do quanto Ele quer que você fique fisicamente
bem?
 
 
A cruel e sádica flagelação, que Jesus sofreu, mutilou e desfigurou Seu
corpo, deixando-o irreconhecível. O preço terrível por nossa cura foi pago
pelo flagelo que Jesus recebeu.
Você está atualmente lidando com alguma forma de doença ou
enfermidade em seu corpo? Medite sobre como o corpo de Jesus foi
açoitado para que seu corpo pudesse ser curado. Considere quão valiosos
você e o seu corpo devem ser para Deus a ponto de Ele permitir que o Seu
Filho pagasse tal preço.
 
 
O flagelo romano retalhou e desfigurou o corpo de Jesus até Seu sangue
jorrar como água por um hidrante aberto, derramado pelo chão.
Esse sangue foi a vida de Jesus sendo derramada por você. Pense no tipo
de amor que levaria Jesus a derramar o sangue da Sua vida para que você
pudesse receber misericórdia em vez de julgamento e sua dívidapudesse ser
paga integralmente.
 
 
O corpo destroçado de Jesus foi o pagamento necessário pela nossa cura
física.
Você precisa de cura? Pense sobre a horrível flagelação que Jesus
suportou intencionalmente para que você pudesse ter todo o direito de ir
diante de Deus e confiantemente esperar receber sua cura. Honre então o
dom da vida de Jesus, recebendo graciosamente a provisão de cura que vem
dele para o seu corpo físico.
Capítulo
23
Torturado por Você
Depois que Jesus foi flagelado, Pilatos o entregou aos soldados
romanos para que eles iniciassem o processo de crucificação. No entanto,
primeiro esses soldados submeteram Jesus à pior zombaria e humilhação de
todas. Mateus 27:27-29 descreve o que Jesus passou nesse estágio da Sua
provação: “Logo a seguir, os soldados do governador, levando Jesus para o
pretório, reuniram em torno dele toda a coorte. Despojando-o das vestes,
cobriram-no com um manto escarlate; tecendo uma coroa de espinhos,
puseram-na na cabeça e, na mão direita, um caniço; e, ajoelhando-se diante
dele, o escarneciam, dizendo: Salve, rei dos judeus!”.
O versículo 27 diz que os soldados “...levando Jesus para o pretório,
reuniram em torno dele toda a coorte”. O “pretório” era o pátio aberto no
palácio de Pilatos. Como Pilatos alternava entre várias residências reais
oficiais em Jerusalém, esse poderia ter sido seu palácio na Torre de Antônia
(ver capítulo 5). Também pode ter sido sua residência no magnífico palácio
de Herodes, localizado na parte mais alta do monte Sião. Tudo o que
sabemos com certeza é que o pátio era tão grande que era capaz de conter
“toda a coorte”. Essa frase vem da palavra grega spira, referindo-se a uma
coorte ou grupo de trezentos a seiscentos soldados romanos.
Centenas de soldados encheram o pátio da residência de Pilatos para
participar dos eventos que se seguiram. Mateus 27:28 diz: “Despojando-o
das vestes, cobriram-no com um manto escarlate”. Em primeiro lugar, os
soldados “despojaram-no das vestes”. A palavra “despojar” é a palavra
grega ekduo, que significa despir totalmente. A nudez era vista como uma
desgraça, uma vergonha e um embaraço no mundo judaico. A nudez
pública estava associada aos pagãos — com a sua adoração, os seus ídolos e
as suas estátuas.
Como filhos de Deus, os israelitas honravam o corpo humano, feito à
imagem do Criador. Assim, desfilar publicamente o corpo nu de alguém era
uma grande ofensa. Entendemos, então, que quando Jesus foi despido na
frente de trezentos a seiscentos soldados, isso afrontava toda Sua visão
moral sobre o que era certo e errado.
Uma vez que Jesus ficou nu diante deles, os soldados então “...cobriram-
no com um manto escarlate”. A frase grega é chlamuda kokkinen,
proveniente das palavras chlamus e kokkinos. A palavra chlamus é a palavra
grega para um manto ou uma túnica. Poderia se referir ao manto de um
soldado, mas a palavra seguinte torna mais provável que esse fosse um dos
antigos mantos de Pilatos. Vejamos, a palavra “escarlate” é a palavra grega
kokkinos, uma palavra que descreve um manto que foi tingido de uma cor
carmesim ou escarlate profunda, o que sugere vestes carmesim e escarlate
usadas pela realeza ou pela nobreza. Será que esse grupo de soldados
romanos que trabalhava na residência de Pilatos tirara um velho manto real
do armário de Pilatos e o levara ao pátio para a festa? Parece que esse é o
caso.
Enquanto Mateus continua a narrativa, descobrimos o que aconteceu em
seguida: Depois que os soldados “...teceram uma coroa de espinhos,
puseram-na na cabeça...”. A palavra “puseram” é a palavra grega empleko.
Espinhos cresciam em toda parte, inclusive nos terrenos imperiais de
Pilatos. Esses espinhos eram longos e afiados como unhas. Os soldados
tomaram trepadeiras carregadas de espinhos afiados e cruciantes; depois
enroscaram cuidadosamente os ramos afiados, pontiagudos e irregulares,
até formarem um círculo apertado e perigoso que se assemelhava à forma
de uma coroa.
Depois, os soldados “...puseram-na na cabeça [de Jesus]...”. Mateus usa a
palavra grega epitithimi, uma palavra que implica que eles empurraram
violentamente ou enfiaram forçadamente essa coroa de espinhos na cabeça
de Jesus. Esses espinhos causaram extrema dor e fizeram o sangue fluir
copiosamente da sua fronte. Como os espinhos eram muito irregulares,
possivelmente abriram feridas terríveis enquanto rasgavam o couro
cabeludo de Jesus e literalmente abriam a carne que cobria Seu crânio.
Mateus chamou isso de “coroa” de espinhos. A palavra “coroa” vem da
palavra grega stephanos — palavra que descrevia a cobiçada coroa do
vencedor. Aqueles soldados pretendiam usar essa falsa coroa para zombar
de Jesus. Mal sabiam eles que Jesus estava se preparando para conquistar a
maior vitória da história!
Depois de forçar a coroa de espinhos sobre a testa de Jesus, os soldados
colocaram “...um caniço em sua mão direita...”. Havia muitos belos lagos e
fontes no pátio interno de Pilatos, onde longos, altos e duros “juncos”
cresciam. Enquanto Jesus estava sentado diante deles, vestido com um
manto real e uma coroa de espinhos, um dos soldados deve ter decidido que
o quadro não estava completo e tirou um “caniço” de um dos lagos ou
fontes para colocar na mão de Jesus.
Aquele caniço representava o cetro do governante, como visto na famosa
estátua chamada “Ave César”, que mostrava César segurando uma vara ou
um cetro na mão. A mesma imagem, mostrando também um cetro na mão
direita do imperador, aparecia em moedas cunhadas em honra do imperador
com ampla circulação.
Depois que os soldados colocaram uma túnica real descartada sobre os
ombros de Jesus, uma coroa de espinhos enfiada tão profundamente em sua
cabeça que o sangue encharcou o Seu rosto e puseram um caniço em sua
mão direita, eles então “...ajoelhando-se diante dele, o escarneciam,
dizendo: Salve, rei dos judeus!” (Mateus 27:29). A palavra “ajoelhar” é a
palavra grega gonupeteo, que significa cair de joelhos. Um por um, a tropa
de soldados passou diante de Jesus, dramaticamente e comicamente, caindo
de joelhos diante dele enquanto riam e zombavam.
A palavra “escarneciam” é a palavra grega empaidzo, a mesma palavra
usada para descrever o escárnio de Herodes e os seus guarda-costas (ver
capítulo 20). Ao zombarem de Jesus, os soldados de Pilatos lhe diziam:
“Salve, rei dos judeus!”. A palavra “salve” era um reconhecimento de honra
usado ao saudar César. Assim, os soldados gritaram essa saudação
zombeteira a Jesus como o fariam a um rei a quem a honra era devida.
Mateus 27:30 prossegue dizendo-nos: “E, cuspindo nele, tomaram o
caniço e davam-lhe com ele na cabeça”. A palavra “cuspindo”, pelo tempo
verbal, se refere a toda a coorte de soldados que estavam presentes no pátio
de Pilatos naquela noite.
Assim, à medida que cada soldado passava por Jesus, ele primeiro se
curvava zombeteiramente diante dele; então se inclinava para cuspir
diretamente no rosto ensanguentado de Jesus. Em seguida, o soldado
agarrava a vara da mão de Jesus e batia com força em Sua cabeça já ferida.
Finalmente, colocava o caniço de volta na mão de Jesus para prepará-lo
para o soldado seguinte repetir todo o processo.
O grego demonstra claramente que os soldados repetidamente golpearam
Jesus vez após outra na cabeça. Aqui temos outra surra que Jesus sofreu,
mas dessa vez foi com a utilização de uma vara rígida. Isso deve ter sido
terrivelmente doloroso para Jesus, já que o Seu corpo já havia sido
dilacerado pela flagelação e Sua cabeça estava profundamente ferida pela
cruel coroa de espinhos.
Quando todos os trezentos a seiscentos soldados terminaram de cuspir e
golpear Jesus com a vara, Mateus 27:31 nos diz que “...despiram-lhe o
manto e o vestiram com as suas próprias vestes. Em seguida, o levaram para
ser crucificado”. O manto envolto ao redor de Jesus sem dúvida havia
entrado em suas feridas, pois levou um grande tempo para tantos soldados
desfilarem diante dele. Portanto, deve ter sido terrivelmente doloroso para
Jesus quando eles tiraram aquele manto das Suas costas e o tecido se
desgrudoudo sangue seco que havia coagulado em Suas feridas abertas.
Mas esse seria o último ato de tortura que Jesus suportaria nesse estágio
da Sua provação. Depois de colocar Suas próprias roupas de volta nele, os
soldados o levaram do palácio para o local da execução.
Quando os soldados zombaram de Jesus naquele dia, saudando-o como
rei, ridicularizando-o e provocando, eles não estavam cientes de que
estavam de fato curvando os joelhos diante daquele a quem um dia
prestariam contas das suas ações e se prostrariam. Quando esse dia chegar,
curvar-se diante de Jesus não será motivo de riso, pois todos — inclusive
aqueles mesmos soldados que zombaram dele — confessarão que Jesus é o
Senhor!
Sim, logo chegará o dia em que a raça humana se curvará para
reconhecer e declarar que Jesus é o Rei dos reis. Filipenses 2:10-11 fala
sobre esse dia: “...para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus,
na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor,
para glória de Deus Pai”.
Se você tem um amigo que ainda não conhece o Rei, não acha que é hora
de apresentá-lo a Jesus Cristo? Afinal, esse amigo um dia se curvará diante
dele de um jeito ou de outro. A questão é: de que lugar ele se curvará diante
de Jesus — do céu, da terra ou do inferno?
Todos no céu se curvarão diante de Jesus nesse dia, bem como todos os
que estiverem vivos na Terra na Sua vinda e todos os que foram para o
inferno porque não se curvaram diante dele enquanto viviam nesta Terra.
Portanto, a grande questão não é se uma pessoa se curvar diante dele, mas
de qual lugar ela escolherá fazê-lo.
Não é sua responsabilidade ajudar a levar seus amigos e conhecidos a
Jesus? O Espírito de Deus lhe capacitará a falar o Evangelho a eles. Se você
orar antes de falar com eles, o Espírito Santo preparará os corações deles
para ouvir a mensagem.
Incentivo-o a parar hoje por tempo o suficiente para acalmar seu coração
e pedir ao Senhor para ajudá-lo a falar a verdade a esses amigos,
conhecidos e colegas de trabalho com quem você interage todos os dias. O
destino eterno deles pode depender disso.
 
 
Os soldados romanos levaram a brutalidade a um nível totalmente
diferente. Eles sentiam um prazer doentio ao infligir não apenas dor física,
mas também angústia mental e sofrimento emocional. Despindo Jesus, os
soldados zombavam da Sua piedade moral. Ao vesti-lo em trajes reais, eles
ridicularizavam Sua nobreza.
Pense na compaixão e na empatia que Jesus sente por você quando for
ridicularizado, diminuído e deliberadamente humilhado. Confie nele. Ele
vai salvar você.
 
 
A coroa de espinhos, o manto e o cetro de junco da lagoa mostravam os
símbolos de autoridade de um governante. Um dia, todos os olhos verão
Jesus coroado com um diadema real e vestido no esplendor da glória que é
somente dele. Naquele dia, todo joelho se dobrará, tanto de santos como de
escarnecedores.
O que você está fazendo para preparar outras pessoas para encontrar
Jesus naquele dia? O que você está fazendo para se preparar?
 
 
Jesus sofreu uma agonia insondável pelas violentas investidas dos líderes
religiosos e das terríveis flagelações e violentas zombarias dos soldados
romanos. Tudo isso aconteceu antes de Ele ser levado para suportar a
execução mais dolorosa, traumática e degradante conhecida na época — a
crucificação.
Visto que Deus não poupou Jesus de pagar um preço tão alto pelo seu
pecado, considere o quanto Ele está disposto a suprir todas as suas
necessidades por intermédio de Jesus.
Capítulo
24
Gólgota: O Lugar da Caveira
Quando os soldados trouxeram Jesus da residência de Pilatos, Ele
já estava carregando a viga que serviria como a parte superior de Sua cruz.
A maioria das cruzes romanas tinha a forma de um “T”. O poste vertical
tinha um sulco entalhado no topo, no qual a viga transversal era colocada
depois que uma vítima era amarrada ou pregada nela. A travessa,
normalmente pesando cerca de quarenta e cinco quilos, era levada nas
costas da vítima até o local da execução.
De acordo com a lei romana, uma vez que um criminoso fosse
condenado, ele deveria levar sua própria cruz até o local da execução, caso
a sua crucificação ocorresse em outro lugar que não o local do julgamento.
O objetivo de expor os criminosos que se dirigiam à crucificação aos
transeuntes era lembrar aqueles que assistiam do poder militar romano. No
local da execução, abutres sobrevoavam, esperando para descer e começar a
devorar as carcaças mortas deixadas penduradas nas cruzes. No deserto
próximo, cães selvagens esperavam ansiosamente que os cadáveres mais
novos, despejados pelos executores, se tornassem sua refeição seguinte.
Depois que uma pessoa era declarada culpada, uma viga transversal era
colocada em suas costas e um arauto caminhava à frente dela, proclamando
o seu crime. Uma placa com o crime da pessoa escrito nela também era
feita para depois ser pendurada na cruz acima da sua cabeça. Às vezes, a
placa indicando o crime da pessoa era pendurada em seu pescoço, de modo
que todos os espectadores que se alinhavam nas ruas para observá-la
ficassem sabendo o crime cometido. Esse foi o tipo exato de placa exibido
publicamente na cruz acima da cabeça de Jesus, com o crime do qual Ele
foi acusado — “Rei dos Judeus” — escrito em hebraico, grego e latim.
Carregar uma carga tão pesada por uma longa distância era difícil para
qualquer homem, mas especialmente para alguém que havia sido tão
severamente espancado quanto Jesus. A pesada viga na qual Ele estava
destinado a ser pregado, pressionava Suas costas rasgadas enquanto Ele a
levava para o local de execução. Embora a Bíblia não declare o motivo,
podemos supor que os soldados romanos forçaram Simão Cireneu a ajudar
Jesus por Ele estar exaurido devido ao abuso que sofrera.
Pouco se sabe sobre Simão Cireneu, exceto que ele era de Cirene, capital
da província da Líbia, situada a cerca de dezoito quilômetros ao sul do mar
Mediterrâneo. Mateus 27:32 nos informa que os soldados romanos “o
obrigaram a carregar-lhe a cruz”. A palavra “obrigar” é a palavra grega
aggareuo. Isso significa obrigar; coagir; constranger a fazer ou forçar
alguém a fazer algum tipo de serviço compulsório.
Mateus 27:33 diz: “E, chegando a um lugar chamado Gólgota, que
significa Lugar da Caveira”. Esse versículo tem sido o centro de uma
controvérsia por várias centenas de anos, pois muitos tentaram usá-lo para
identificar geograficamente a localização exata da crucificação de Jesus.
Algumas denominações alegam que o lugar da crucificação de Jesus foi
dentro da Jerusalém moderna, enquanto outros afirmam que o nome
Gólgota refere-se a um local fora da cidade que, de longe, parece um
crânio. Contudo, os primeiros escritos dos pais da Igreja dizem que a frase
“lugar de caveira” se refere a algo muito diferente.
Um antigo líder cristão chamado Orígenes, que viveu de 185 a 253 d.C.,
registrou que Jesus foi crucificado no local onde Adão foi enterrado e onde
seu crânio foi encontrado. Quer isso seja verdade quer não, havia uma
crença cristã primitiva de que Jesus havia sido crucificado perto do local de
sepultamento de Adão. Pelo que essa antiga história conta, quando o
terremoto ocorreu com Jesus pendurado na cruz (Mateus 27:51), Seu
sangue desceu pela cruz em uma fenda na rocha abaixo e caiu no crânio de
Adão. Essa crença é tão arraigada na tradição cristã primitiva que Jerônimo,
um dos estudiosos mais proeminentes da Igreja Primitiva, referiu-se a ela
em uma carta em 386 d.C.8
Curiosamente, a tradição judaica afirma que o filho de Noé, Sem,
enterrou o crânio de Adão perto da cidade de Jerusalém. A tradição também
diz que esse local de sepultamento foi guardado por Melquisedeque, que era
o rei-sacerdote de Salém (Jerusalém) durante a época de Abraão (ver
Gênesis 14:18). Desconhecida pela maioria dos crentes ocidentais, essa
história é tão aceita que é considerada um tema importante da doutrina
ortodoxa e o crânio de Adão aparece consistentemente na base da cruz em
pinturas e ícones. Então, se você vir um crânio na base de umcrucifixo,
saberá que ele simboliza o crânio de Adão que foi supostamente encontrado
enterrado no local da crucificação de Jesus.
Essas tradições extremamente interessantes, embora improváveis,
representaram um forte fundamento ao longo de dois mil anos de história
cristã. Em sendo verdade, seria bastante surpreendente que o Segundo Adão
— Jesus Cristo — morresse pelos pecados do mundo exatamente no local
onde o primeiro Adão, o pecador original, foi enterrado. Se o sangue de
Jesus escorreu pela fenda na pedra e caiu no crânio de Adão, como a
tradição diz, seria muito simbólico ter o sangue de Jesus cobrindo os
pecados da raça humana onde tudo se originou, com Adão.
Mas o que podemos definitivamente saber sobre o lugar da crucificação
de Jesus?
Nós sabemos seguramente que Jesus foi crucificado como um criminoso
pelo governo romano do lado de fora dos muros da antiga cidade de
Jerusalém. Se Ele foi ou não crucificado no lugar do crânio de Adão é
interessante, mas não importante. O que é vital sabermos e entendermos é
que Jesus morreu pelos pecados de toda a raça humana — e isso inclui você
e eu!
Hoje podemos não ser capazes de dizer com certeza exatamente onde
Jesus foi crucificado, mas em nossos corações e mentes devemos meditar
nas passagens bíblicas que falam sobre a Sua crucificação. Às vezes, a vida
se move tão rápido que tendemos a esquecer o enorme preço que foi pago
pela nossa redenção. A salvação pode nos ter sido dada como um dom
gratuito, mas foi comprada com o precioso sangue de Jesus Cristo. Graças
a Deus pela cruz!
Essa questão de onde Jesus foi crucificado é um bom exemplo do modo
como as pessoas tendem a se distrair com questões sem importância e,
como resultado, perdem o ponto principal que Deus quer transmitir a elas.
As pessoas têm discutido e debatido por séculos sobre a localização exata
da crucificação, quando a verdade sobre a qual deveriam estar concentradas
é que Jesus foi crucificado pela sua salvação! O apóstolo Paulo escreveu:
“Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi
sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Coríntios
15:3-4). Podemos ter certeza disso!
Você não é grato pelo sangue de Jesus ter comprado o perdão para todo o
pecado da humanidade? É verdade que por intermédio da desobediência de
Adão, o pecado entrou no mundo e a morte foi passada para todos os
homens. Mas assim como o pecado entrou no mundo por meio de Adão, o
dom de Deus veio pela obediência de Jesus Cristo. Agora, a graça de Deus
e o dom gratuito da justiça abundam para todos os que invocam Jesus Cristo
para ser o Senhor de suas vidas (ver Romanos 5:12-21). Hoje todo crente
tem o privilégio glorioso de reinar em vida como um coerdeiro com o
próprio Jesus!
 
 
É interessante observar que a tradição ortodoxa manteve por dois mil
anos que o Gólgota é o local do enterro do crânio de Adão. Se isso é
verdade ou não, não é o ponto. A questão é: o sangue de Jesus limpou todo
pecado que se originou com Adão.
Deus sempre vai à raiz de um assunto. Em que problemas fundamentais
em sua vida você precisa aplicar o sangue purificador de Jesus Cristo?
 
 
Observe o único “crime” pelo qual Jesus foi declarado culpado: ser o rei
dos judeus. Você está vivendo sua vida de tal maneira — no público e no
privado — que a única coisa pela qual as pessoas podem acusá-lo e
condená-lo é por cumprir seu propósito divino?
 
 
Simão Cireneu foi forçado a ajudar Jesus a levar a cruz dele. Jesus
convidou você a tomar a sua cruz — sua própria oportunidade de obedecer
ao plano de Deus — e segui-lo diariamente.
Que oportunidade para obedecer está diante de você hoje que exigirá que
você morra para sua vontade e preferências? De que maneira você seguirá
Jesus nesta situação?
Capítulo
25
Crucificado!
Quando Jesus chegou ao Gólgota, a Bíblia diz: “Deram-lhe a beber
vinagre misturado com fel; mas ele, provando-o, não quis beber...” (Mateus
27:34; ACF). De acordo com a lei judaica, quando um homem estava
prestes a ser executado, ele podia pedir um narcótico, misturado com vinho,
o que ajudaria a aliviar a dor de sua execução. A palavra “fel” nesse
versículo se refere a esse analgésico especial.
Havia um grupo de mulheres bondosas em Jerusalém que faziam a boa
ação de ajudar a anestesiar a dor das pessoas que estavam morrendo de
forma horrível. Essas mulheres queriam eliminar o máximo de dor e
sofrimento possível das dezenas de pessoas que eram crucificadas pelos
romanos. Assim, elas produziam o analgésico caseiro sobre o qual Mateus
nos conta nesse versículo.
Esse anestésico foi oferecido a Jesus duas vezes — uma vez antes da Sua
crucificação e uma vez enquanto estava morrendo na cruz (ver Mateus
27:34,48). Em ambos os casos, Jesus recusou a oferta e não bebeu, pois
sabia que deveria consumir completamente o cálice que o Pai lhe dera para
beber.
O versículo 35 (ACF) começa, “Havendo-o crucificado...”. A palavra
“crucificado” é a palavra grega staurao — vem da palavra stauros, que
descreve uma estaca reta e pontuda que era usada para punir criminosos.
Essa palavra era utilizada para descrever aqueles que eram enforcados,
empalados ou decapitados e exibidos publicamente. Ela sempre era
empregada em conexão com execução pública. A intenção de enforcar um
criminoso publicamente era trazer mais humilhação e punição adicional ao
acusado.
A crucificação era indiscutivelmente uma das formas mais cruéis e
bárbaras de punição no mundo antigo. Flávio Josefo descreveu a
crucificação como “a mais miserável das mortes”. Era vista com tanto
horror que, em uma das cartas de Sêneca a Lucílio, Sêneca escreveu que o
suicídio era preferível à crucificação.
Diferentes partes do mundo tinham tipos distintos de crucificação. Por
exemplo, no Oriente, a vítima era decapitada e depois pendurada para
exibição pública. Entre os judeus, a vítima era primeiramente apedrejada
até a morte e depois pendurada em uma árvore. Deuteronômio 21:22-23
ordenou: “Se um homem culpado de um crime que merece a morte for
morto e pendurado em um madeiro, não deixem o corpo no madeiro durante
a noite. Enterrem-no naquele mesmo dia, porque qualquer que for
pendurado em um madeiro está debaixo da maldição de Deus”.
Mas na época em que Jesus foi crucificado, o terrível ato de crucificação
estava inteiramente nas mãos das autoridades romanas. Essa punição era
reservada aos infratores mais sérios, geralmente àqueles que cometeram
algum tipo de traição ou que participaram ou patrocinaram o terrorismo de
Estado.
Como Israel odiava as tropas romanas ocupantes, insurreições com
frequência surgiam entre a população. Como ameaça para tentar impedir
que as pessoas participassem de revoltas, a crucificação era praticada
regularmente em Jerusalém. Ao crucificar publicamente aqueles que
tentavam derrubar o governo, os romanos enviavam um forte sinal de medo
àqueles que poderiam ser tentados a seguir os seus passos.
Quando o infrator alcançava o local onde a crucificação deveria ocorrer,
ele era amarrado firmemente na viga que carregava (ver Capítulo 24) com
os braços estendidos. Então um soldado enfiava um prego de ferro de 12,5
centímetros em cada um dos seus pulsos — não nas palmas das mãos — até
a viga. Depois de ser pregada à trave horizontal da cruz, a vítima era içada
por uma corda e a viga era encaixada em um sulco no topo do poste
vertical.
Quando a viga caía na ranhura, a vítima sofria uma dor excruciante, pois
suas mãos e pulsos eram puxados pelo forte movimento repentino. A partir
daí o peso do corpo da vítima fazia que seus braços fossem retirados do
espaço dos ombros. Josefo escreve que os soldados romanos “com raiva e
ódio se divertiam prendendo seus prisioneiros em posturas diferentes”.9 A
crucificação era realmente uma provação cruel.
Assim que os pulsos da vítima eram fixados na viga, os pés vinham em
seguida. Primeiro, as pernas da vítima eram posicionadas de modo que os
pés fossem apontados para baixo, com as solas pressionadas contra o poste
onde a vítima estava suspensa. Um longo pregoera então enfiado entre os
ossos dos pés, alojado com firmeza no meio daqueles ossos para evitar que
rasgasse os pés quando a vítima se arqueasse para cima, sem fôlego.
Para respirar, a vítima tinha que se erguer sobre os pés, pregados no poste
vertical. No entanto, como a pressão em seus pés era insuportável, não era
possível permanecer por muito tempo naquela posição, de modo que
acabava caindo de novo na posição suspensa.
À medida que a vítima se levantava e desmoronava de novo e de novo
por um longo período, seus ombros acabavam se deslocando e saíam da
articulação. Logo, os ombros deslocados eram seguidos pelos cotovelos e
punhos. Todos esses deslocamentos faziam os braços serem estendidos até
23 centímetros a mais do que o normal, resultando em terríveis cãibras nos
músculos do braço da vítima, impossibilitando-a de se empurrar para cima
para respirar. Quando a pessoa finalmente ficava exausta demais e não
conseguia mais se empurrar para cima sobre o prego alojado em seus pés, o
processo de asfixia começava.
Jesus experimentou toda essa tortura. Quando Ele caiu com todo o peso
do Seu corpo sobre os pregos que foram enfiados através dos Seus pulsos,
aquilo enviou ao Seu cérebro uma dor terrível e excruciante nos braços. A
essa tortura, somou-se a agonia causada pela constante fricção das costas
recentemente flageladas de Jesus contra o poste vertical toda vez que Ele se
projetava para respirar e depois desmoronava de volta para a posição
suspensa.
Devido à extrema perda de sangue e hiperventilação, a vítima começava
a sofrer uma desidratação grave. Podemos perceber esse processo na
própria crucificação de Jesus quando Ele clamou: “...tenho sede” (João
19:28). Depois de várias horas nesse tormento, o coração da vítima
começava a falhar. Em seguida, seus pulmões entravam em colapso e o
excesso de fluidos preenchia o revestimento de seu coração e pulmões,
aumentando o lento processo de asfixia.
Quando o soldado romano veio para determinar se Jesus estava vivo ou
morto, enfiou a lança no lado dele. Um especialista apontou que, se Jesus
estivesse vivo quando o soldado fez isso, o soldado teria ouvido um som
alto de sucção causado pelo ar sendo sugado pela ferida recém-aberta no
peito. Mas a Bíblia nos diz que água e sangue misturados saíram da ferida
que a lança abriu — evidência de que o coração e os pulmões de Jesus
tinham se esgotado e estavam cheios de fluido. Isso foi o suficiente para
assegurar ao soldado que Jesus já estava morto.
Era costume para os soldados romanos quebrarem os ossos da perna de
uma pessoa que estava sendo crucificada, tornando impossível para a vítima
se projetar para cima para respirar, assim fazendo-a asfixiar em um ritmo
muito mais rápido. No entanto, por causa do sangue e da água que jorraram
do lado de Jesus, Ele já foi considerado morto. Como não havia razão para
os soldados apressarem a morte de Jesus, Suas pernas não foram quebradas.
Este, meu amigo, foi um breve resumo da crucificação romana.
A descrição da crucificação citada foi exatamente o que Jesus
experimentou na cruz quando morreu por você e por mim. Por isso que
Paulo escreveu: “...a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à
morte e morte de cruz” (Filipenses 2:8). Em grego, a ênfase está na palavra
“e”, que vem da palavra grega de, que dá o tom dramático de Jesus ter se
rebaixado a tal ponto que morreu até mesmo a morte de cruz — o mais
baixo, humilhante, degradante, vergonhoso e doloroso método de morte no
mundo antigo.
Agora você entende por que as bondosas mulheres de Jerusalém
preparavam analgésicos caseiros para os que estavam sendo crucificados. A
agonia associada à crucificação foi a razão pela qual elas ofereceram a
Jesus esse “fel”, uma vez antes de a crucificação começar e novamente
quando Ele foi pendurado na cruz.
Enquanto isso, os soldados ao pé da cruz “...tiraram sortes para dividir
suas roupas...” (Mateus 27:35). Eles não entendiam o grande preço da
redenção que estava sendo pago naquele momento enquanto Jesus,
pendurado, era asfixiado até a morte. Seus pulmões se enchendo de fluidos
de forma que Ele não conseguia respirar.
Segundo o costume romano, os soldados que realizavam a crucificação
tinham direito às roupas da vítima. A lei judaica exigia que a pessoa que
estava sendo crucificada fosse despida. Então, lá estava Jesus,
completamente exposto e nu diante do mundo, enquanto Seus
crucificadores literalmente distribuíam as Suas roupas entre si!
Para tornar essa distribuição de roupas ainda mais desprezível, os
soldados “tiraram sortes” pelas Suas vestes. O Evangelho de João registra
que “Depois que os soldados crucificaram Jesus, repartiram suas roupas em
quatro partes, uma para cada um deles. Também pegaram sua túnica, mas
ela era sem costura, tecida em uma única peça, de alto a baixo. Por isso
disseram: ‘Em vez de rasgá-la, vamos tirar sortes para ver quem ficará com
ela...’” (João 19:23,24).
Esse relato nos informa que quatro soldados estavam presentes na
crucificação de Jesus. As quatro partes das Suas vestes que foram
distribuídas entre eles eram a cobertura para cabeça, as sandálias, o cinto e
o tallith — uma peça de roupa que tinha franjas na parte de baixo. Sua
“túnica”, que era “sem costura”, era uma peça de roupa feita à mão e
costurada de cima a baixo. Por ser especialmente feita à mão, esse casaco
era uma peça de roupa muito cara. Essa foi a razão pela qual os soldados
escolheram tirar sortes para ficar com ela em vez de rasgá-la em quatro
partes, estragando-a.
Quando a Bíblia se refere a “tirar sortes”, indica um jogo no qual os
soldados escreviam os seus nomes em pedaços de pergaminho, madeira ou
pedras e depois lançavam os quatro pedaços com os seus nomes escritos em
algum tipo de recipiente. Como os soldados romanos que ajudaram a
crucificar Jesus estavam isolados, é provável que um deles tenha tirado o
capacete e o tenha estendido aos outros. Depois que os outros jogaram os
seus nomes no capacete, um deles misturou os quatro nomes escritos e
depois retirou aleatoriamente o nome do vencedor.
É simplesmente notável que tudo isso estivesse acontecendo enquanto
Jesus se projetava sobre aquele imenso prego colocado em Seus pés para
que pudesse respirar antes de despencar de volta à posição suspensa.
Enquanto a força de Jesus continuava a se esvair e as consequências
completas do pecado do homem estavam sendo cumpridas nele, os soldados
ao pé da cruz jogavam um jogo para ver quem pegaria Sua melhor peça de
roupa!
Mateus 27:36 diz: “E, assentados ali, o guardavam”. A palavra grega
para “guardar” é a palavra tereo, que significa vigiar. O tempo grego
significa guardar consistentemente ou consistentemente estar vigilante. Era
responsabilidade desses soldados manter as coisas em ordem, vigiar o local
da crucificação e garantir que ninguém viesse resgatar Jesus da cruz. Então,
enquanto jogavam e tiravam sortes, os soldados também observavam com
cuidado, com o canto dos olhos, para se certificarem de que ninguém
tocaria em Jesus enquanto Ele estivesse pendurado, morrendo na cruz.
Quando eu leio sobre a crucificação de Jesus, isso me traz uma sensação
de arrependimento pela insensibilidade com que o mundo vê a cruz hoje.
Em nossa sociedade, a cruz se tornou um item de moda, decorado com
pedras preciosas, pedras brilhantes, ouro e prata. Lindas cruzes de joias
adornam as orelhas das mulheres e balançam em correntes de ouro e
colares. O símbolo da cruz é até tatuado na pele das pessoas!
A razão pela qual isso é tão perturbador para mim é que, ao embelezar a
cruz para torná-la agradável de se contemplar, as pessoas se esquecem de
que ela não foi de forma alguma bonita ou decorada com luxo. De fato, a
cruz de Jesus Cristo foi chocante e terrível.
O corpo totalmente nu de Jesus foi ostentado em humilhação diante de
um mundo que o observava. Sua carne foi rasgada em pedaços; Seu corpo
estava machucado da cabeça aos pés; Ele teve que levantar o corpo para
cima a cada tentativa de respiração e Seu sistema nervoso enviou sinais
constantes de dor excrucianteao cérebro. O sangue encharcava o rosto de
Jesus e fluía das Suas mãos, pés e dos incontáveis cortes e feridas abertos
que a flagelação havia deixado em Seu corpo. Na realidade, a cruz de Jesus
Cristo foi uma visão nojenta, repulsiva, nauseante, de revirar o estômago —
completamente diferente das atraentes cruzes que as pessoas usam hoje na
forma de joias ou como parte dos seus trajes.
Seja na época da Páscoa ou qualquer época do ano, seria bom para todos
nós, como crentes, reservarmos um tempo para lembrar o que realmente foi
e significou a cruz de Jesus Cristo. Se não decidirmos deliberadamente
meditar sobre o que Ele passou, nunca apreciaremos plenamente o preço
que Ele pagou por nós. Quão trágico seria perder de vista tamanha dor e o
preço da redenção!
Quando fracassamos em lembrar o que custou a Jesus nos salvar,
tendemos a tratar a nossa salvação de maneira barata e desrespeitosa. Foi
por isso que o apóstolo Pedro escreveu: “...sabendo que não foi mediante
coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil
procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue,
como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1 Pedro
1:18,19).
As bondosas mulheres de Jerusalém queriam anestesiar Jesus para
remover a Sua dor. Mas Ele recusou o analgésico delas e viveu a
experiência da cruz com todas as Suas faculdades.
Não vamos permitir que o mundo nos anestesie, fazendo-nos esquecer,
diminuir ou subestimar o enorme preço que o nosso Salvador pagou para
cada um de nós na cruz do calvário.
 
 
A cruz simboliza uma das formas mais bárbaras de execução da História.
Quando a embelezamos, tendemos a minimizar a realidade cruel e
aterradora de tudo o que ela representa.
Reserve um tempo para refletir deliberadamente sobre a morte torturante
que Jesus voluntariamente morreu por você. Pense na dor excruciante e no
preço altíssimo exigido pela sua redenção. Jesus lhe deu tudo o que tinha.
Você pode dar a Ele menos que isso?
 
 
O horror e a humilhação da morte na cruz desafiam a compreensão. No
entanto, Jesus se recusou a ser drogado ou entorpecido diante de tal agonia.
Em vez disso, Ele bebeu até a última gota do cálice que inicialmente pediu
ao Pai para afastar de si no Getsêmani.
Pense profundamente sobre o horrendo processo da morte de Jesus e a
insensível indiferença dos soldados que tiraram sortes sobre Suas vestes
enquanto Ele morria nu diante do mundo. Quando Jesus morreu, Ele
perdoou. Perdoou aqueles que fizeram parte de Sua morte. Perdoou o nosso
pecado, que foi a razão da Sua morte. Se Jesus pôde passar por esse grau de
sofrimento por causa dos nossos pecados contra o Pai e nos perdoar, como
você pode justificar a recusa em liberar perdão àqueles que pecaram contra
você?
 
 
Afirma 1 João 3:16 (NVI): “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a
sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos...”. De que formas
você pode dar a sua vida pelos outros?
Capítulo
26
Está Consumado!
Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando
a cabeça, rendeu o espírito.
— João 19:30
A cruz de Jesus Cristo é o emblema mais precioso para aqueles de
nós que o chamam de o Senhor de nossas vidas. Nós amamos a cruz e a
valorizamos por causa do preço que foi pago dois mil anos atrás, quando
Jesus morreu por nossos pecados. A cruz representa o nosso perdão, a nossa
liberdade, a nossa redenção. Nós a amamos tanto que adornamos as nossas
igrejas e lares com cruzes e as mulheres até a usam ao redor dos seus
pescoços. Mas quando o puro Cordeiro de Deus foi pendurado na cruz que
julgamos tão preciosa — nu, espancado e sangrando profusamente diante de
um mundo que o observava — aquilo foi uma visão medonha. De fato, foi o
momento mais horrendo da História da humanidade.
Nenhuma morte era mais escandalosa do que a morte em uma cruz. Tal
morte era terrível e hedionda, destinada a desacreditar e manchar a memória
de quem estava morrendo. O sangue encharcou o torso de Jesus, vertendo
de Sua cabeça e testa, correndo como rio pela carne profundamente rasgada
em Suas mãos e pés. O efeito da flagelação que Jesus recebera no palácio
de Pilatos começou a revelar suas consequências quando o corpo dele
inchou e ficou horrivelmente descolorido. Seus olhos estavam embaçados
pelo sangue que jorrava das feridas em Sua testa — causadas pela coroa de
espinhos que penetrara em Seu crânio quando os soldados o empurraram
com força sobre a Sua cabeça. Toda a cena era feia, desagradável, repulsiva,
repugnante, vil e revoltante.
No mundo judaico, a nudez era uma vergonha particularmente profunda.
Como o corpo foi feito à imagem de Deus, o povo judeu acreditava que era
uma grande desonra mostrá-lo nu. Então, como se o sofrimento de Jesus já
não tivesse sido o suficiente, Ele experimentou o derradeiro ato de
degradação e vergonha enquanto pendia na cruz, nu e exposto diante de
todos os que assistiam ao drama que se desdobrava.
Aproximadamente setecentos anos antes, o profeta Isaías corretamente
profetizou a aparição de Jesus na cruz. Em Isaías 52:14, o profeta escreveu
com uma sensação de horror: “Como pasmaram muitos à vista dele (pois o
seu aspecto estava mui desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a
sua aparência, mais do que a dos outros filhos dos homens)”. Em Isaías
53:2, Isaías continuou: “...não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo,
mas nenhuma beleza havia que nos agradasse”.
Jesus havia sido submetido a formas horrendas de tortura, além de ser
abusado e espancado de forma atroz. Como resultado, “...seu rosto e toda a
sua aparência foram desfigurados mais do que o de qualquer homem e sua
forma além daquela dos filhos dos homens...” (Isaías 52:14; AMP). Na
Nova Versão Internacional (em inglês), esse versículo é traduzido como:
“...sua aparência ficou muito desfigurada, além da de qualquer ser humano
e sua forma deformada para além da semelhança humana...”
Em Isaías 53:3-5, Isaías continuou a descrever vividamente o sacrifício
de Jesus. Ele escreveu: “Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens;
homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os
homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso.
Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores
levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido.
Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas
iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas
pisaduras fomos sarados”.
Quando Jesus morreu naquela cruz:
 
v Ele suportou as nossas aflições.
v Ele carregou as nossas tristezas.
v Ele foi ferido por nossas transgressões.
v Ele foi ferido por nossas iniquidades.
v Ele foi castigado pela nossa paz.
v Ele foi flagelado por nossa cura.
 
Quando Jesus se aproximou da morte, a Bíblia nos diz: “...deram-lhe a
beber vinagre com fel; mas ele, provando-o, não o quis beber...” (Mateus
27:34). Como observamos no capítulo 25, um homem que seria executado
poderia pedir um narcótico, misturado com vinho, o que ajudaria a aliviar a
dor da sua execução. Como já mencionado, a palavra “fel” nesse versículo é
uma palavra grega especial que se refere a um analgésico que foi misturado
com vinagre. João 19:30 nos diz que “quando, pois, Jesus tomou o vinagre,
disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito”.
“Está consumado” é uma tradução da palavra grega tetelestai, que é a
forma indicativa passiva perfeita da palavra telos, que significa terminar,
levar a termo, levar a uma conclusão, completar, realizar, cumprir ou
concluir. Um estudioso observa que qualquer coisa que tenha alcançado o
telos, chegou à conclusão, à maturidade ou à perfeição. Havia muitas
nuanças para essa palavra, mas quatro delas têm grande significado nesse
momento decisivo do sacrifício de Cristo.
Primeiro, essa foi a exclamação que Jesus usou para indicar que Ele
havia terminado a obra que o Pai o enviara para fazer. O trabalho foi
totalmente concluído, Jesus inclinou a cabeçae morreu. Um escritor
observou que quando um servo era enviado em uma missão e depois
retornava ao seu mestre, ele dizia Tetelestai — significando Eu fiz
exatamente o que você pediu ou A missão agora está cumprida.
Naquele momento que Jesus gritou, Ele estava exclamando a todo o
universo que havia cumprido fielmente a vontade do Pai e que a missão
estava agora cumprida. Não é de admirar que Jesus tenha gritado, pois esta
foi a maior vitória na história da raça humana! Jesus foi fiel à sua
designação mesmo diante de desafios insondáveis. Mas agora a luta
terminara e Jesus poderia clamar ao Pai: Fiz exatamente o que você me
pediu para fazer! Ou A missão está cumprida!
Segundo, a palavra tetelestai era o equivalente da palavra hebraica falada
pelo sumo sacerdote quando ele apresentava um cordeiro sacrificial, sem
mácula ou defeito. Anualmente, o sumo sacerdote entrava no Santo dos
Santos, onde derramava o sangue daquele cordeiro sacrificial e imaculado
no propiciatório da Arca da Aliança. No momento em que o sangue tocava
o propiciatório, fazia-se expiação pelos pecados do povo por mais um ano
— quando, mais uma vez, o sumo sacerdote entrava para além do véu
daquela sala sagrada para oferecer sangue. Isso era feito ano após ano para
obter o perdão temporário anual dos pecados.
Mas quando Jesus foi pendurado na cruz, Ele foi tanto o cordeiro quanto
o sumo sacerdote. Naquele momento sagrado como nosso Grande Sumo
Sacerdote, Jesus ofereceu Seu próprio sangue para a remoção permanente
do pecado. Ele ofereceu o sacrifício perfeito, do qual todo sacrifício
mosaico era símbolo e sombra — naquele instante, não restava mais
necessidade de ofertas pelo pecado.
Jesus entrou no Santo Lugar e ofereceu Seu próprio sangue — um
sacrifício tão completo que Deus nunca mais exigiu o sangue de cordeiros
para o perdão. Como Hebreus 9:12 diz, “...não por meio de sangue de bodes
e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos,
uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção”.
Assim, quando Jesus disse: “Está consumado!” Ele estava declarando o
fim dos sacrifícios, porque o derradeiro sacrifício havia finalmente sido
feito! A expiação foi completada, aperfeiçoada e finalmente cumprida. Foi
feita de uma vez por todas — concluída para sempre!
Terceiro, em um sentido secular, a palavra tetelestai era usada no mundo
dos negócios para significar o pagamento integral de uma dívida. Quando
uma dívida era totalmente quitada, o pergaminho onde a dívida foi
registrada era carimbado com tetelestai, que significava que a dívida fora
totalmente paga. Isso significa que, uma vez que uma pessoa chama Jesus
de o Senhor da Sua vida e pessoalmente aceita o seu sacrifício, nenhuma
dívida de pecado existe mais para aquela pessoa. A dívida é exterminada
porque Jesus pagou o preço pelo pecado que nenhum pecador jamais
poderia pagar.
Jesus tomou o nosso lugar. Ele pagou a dívida do pecado que nós
devíamos. Quando pela fé nos arrependemos e o recebemos como Senhor,
somos libertos! Foi por isso que Paulo escreveu: “No qual temos a
redenção, a remissão dos pecados” (Colossenses 1:14).
Quando Jesus proferiu estas palavras: “Está consumado!”, foi Sua
declaração de que a dívida estava plenamente quitada, cumprida e paga.
Seu sangue nos purificou total e completamente para sempre. Isso foi
abrangente e includente para todos nós que colocamos nossa fé nele.
Quarto, no período grego clássico, a palavra tetelestai representava um
ponto de virada quando um período terminava e outro novo tempo
começava. Quando Jesus exclamou: “Está consumado!”. Foi, de fato, um
ponto de virada em toda a história da humanidade. Naquele momento, o
Antigo Testamento chegou ao fim — terminado e fechado — e o Novo
Testamento começou. A cruz foi “a grande divisão” na história humana.
Quando Jesus clamou: “Está consumado!” Ele estava gritando que a Antiga
Aliança terminara e a Nova Aliança havia começado!
Naquele momento divino, quando Jesus gritou: “Está consumado”, todas
as profecias do Antigo Testamento sobre o ministério terreno de Jesus
foram cumpridas. A justiça de Deus fora plenamente satisfeita e suprida
pelo Cordeiro de Deus. Naquele momento, os sacrifícios do Antigo
Testamento cessaram permanentemente, pois o sacrifício perfeito deu Sua
vida pela salvação da humanidade. A missão de Jesus foi cumprida. Assim,
Ele pôde declarar que a Sua missão estava completa!
Nunca se esqueça de que, por Jesus ter se disposto a oferecer Seu próprio
sangue para o pagamento integral da nossa dívida pecaminosa, somos
perdoados e totalmente livres de dívidas. “TOTALMENTE PAGO” foi
carimbado no registro do nosso passado pecaminoso porque Jesus pagou o
preço pela nossa redenção com o Seu próprio sangue.
Isaías disse: “Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as
nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus
e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído
pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e
pelas suas pisaduras fomos sarados” (Isaías 53:4-5). Então, lembre-se:
v Se você está consumido pela angústia, lembre-se de que Jesus
carregou o seu sofrimento.
v Se você está sobrecarregado de tristezas, lembre-se de que Ele
carregou a sua tristeza.
v Se você está preso em uma vida de transgressão, lembre-se de que
Ele foi ferido por suas transgressões.
v Se você está vivendo em pecado, pode ser perdoado porque Ele foi
ferido por suas iniquidades.
v Se você está atormentado e não tem paz, lembre-se de que Ele foi
castigado por sua paz.
v Se você está física ou mentalmente doente, lembre-se que Ele foi
ferido por sua cura.
 
Jesus pagou o preço por sua salvação, por sua libertação, por sua cura
física e por sua completa restauração. Quando o preço pelo seu perdão foi
completo, Jesus inclinou a cabeça e morreu. A justiça de Deus foi
cumprida. A Antiga Aliança terminara e a Nova Aliança começava. Foi o
cumprimento de uma e o começo da outra.
Pense no preço que Jesus pagou e no que a Sua morte realizou para você.
Isso não faz você querer parar por alguns minutos para agradecer a Ele pelo
que fez por você? Onde você estaria hoje se Jesus não tivesse morrido na
cruz em seu favor? Por que você não reserva um tempo agora para
expressar a sua sincera gratidão a Jesus por pagar a dívida que você nunca
poderia ter pago?!
 
 
Jesus sofreu torturas dolorosas, humilhação e vergonha na cruz do
calvário. A morte por crucificação era considerada tão escandalosa que
marcava para sempre a forma como aquele que morria dessa maneira era
lembrado.
Medite sobre o tipo de morte que Jesus morreu para comprar a sua
liberdade do poder do pecado. Se o pecado requer esse tipo de penalidade,
por que você permitiria que ele permanecesse em qualquer área de sua
vida?
 
 
Quando o solo foi salpicado com o sangue santo e sem pecado de Jesus, o
universo inteiro testemunhou o cumprimento fiel da vontade do Pai. Jesus
conquistou a maior vitória na história da raça humana — uma vitória que
éramos incapazes de conquistar para nós mesmos.
Pense em quanto custou a Jesus proclamar: “Está consumado”. Pergunte
a si mesmo: a cada escolha, dia a dia, eu estou disposto a tomar a MINHA
cruz — minha oportunidade de obedecer à vontade do Pai para a minha
vida?
 
 
Se todas as suas dívidas e contas de cartão de crédito fossem
repentinamente pagas, como você agiria? Jesus pagou integralmente a sua
dívida pelo pecado. Considere a implicação em longo prazo dessa verdade.
Doença, tormento, tristeza e culpa não têm o direito de lhe oprimir ou exigir
nada de você. Jesus pagou a sua conta, cancelou a sua dívida e deixou você
com saldo zerado! Como essa verdade deve influenciar o que você diz e faz
diariamente?
Capítulo
27
O Dia em que a Terra Tremeu
Os historiadores Flégon, Talo e Júlio Africano se referiram às trevas
que cobriram a Terra na época da crucificação de Jesus. Críticos da Bíblia
procuraram explicar essa escuridão sobrenatural, alegando que ela ocorreu
devido a um eclipse dosol. Isso, no entanto, é impossível, pois a Páscoa
ocorreu em época de lua cheia.10
A Bíblia nos informa que o escurecimento do céu começou na sexta hora
(ver Mateus 27:45; Marcos 15:33; Lucas 23:45). Isso é significativo, pois a
sexta hora (meio-dia) foi o momento exato em que o sumo sacerdote Caifás,
vestido com suas vestes sacerdotais completas, começou a procissão pela
qual entrou nos átrios4* do templo para abater um cordeiro pascal puro e
imaculado.
De fato, um grande número de cordeiros imaculados foi abatido nos
átrios do templo durante aquelas horas de escuridão — um cordeiro abatido
para cada lar em Israel (a menos, é claro, que o lar fosse pequeno demais).
Essa escuridão sobrenatural que cobriu a Terra durou até a nona hora —
hora aproximada em que os sacrifícios dos cordeiros da Páscoa estariam
chegando ao fim.
Foi nesse momento que Jesus clamou: Está consumado! (João 19:30). Ao
se projetar para respirar pela última vez, Jesus reuniu ar suficiente para dar
um grito de vitória. Sua missão estava completa! Depois de proclamar essas
palavras com Sua última gota de força, Mateus 27:50 nos diz que Ele
“...entregou o espírito”.
O que Mateus nos diz a seguir é simplesmente impressionante! Ele
escreve: “Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a
baixo...”. A palavra “eis” é a palavra grega idou. Esta é uma palavra muito
difícil de traduzir, pois carrega sentimentos e emoções muito intensos. A
versão King James com muita frequência traduz essa palavra como eis. Mas
no nosso mundo contemporâneo, pode ser melhor traduzida como Uau!
Essa palavra idou traz a ideia de choque, espanto e admiração. É quase
como se Mateus dissesse: Uau! Você acredita que o véu do próprio templo
se rasgou de alto a baixo?! Mateus escreveu sobre esse evento muitos anos
depois do fato, mas ele ainda estava tão perplexo com o que aconteceu
naquele dia que realmente exclamou: Uau! Veja o que aconteceu!
Havia dois véus dentro do templo — um na entrada do Santo Lugar e um
segundo na entrada do Santo dos Santos. Somente o sumo sacerdote poderia
passar pelo segundo véu uma vez por ano durante o Festival da Expiação.
Aquele segundo véu tinha dezoito metros de altura, nove metros de largura
e um palmo inteiro de espessura! Uma das primeiras escrituras judaicas
afirma que o véu era tão pesado que eram necessários trezentos sacerdotes
para movê-lo ou manipulá-lo. Humanamente falando, era impossível rasgar
aquele véu.
No exato momento em que Jesus estava dando Seu último suspiro na
cruz no Gólgota, Caifás, o sumo sacerdote, estava em seu posto no pátio
interno do templo, terminando os sacrifícios dos imaculados cordeiros da
Páscoa. No mesmo instante em que Jesus exclamou: “Está consumado!” —
a quilômetros de distância do Gólgota, no interior do templo em Jerusalém
— um evento sobrenatural inexplicável e misterioso ocorreu. O maciço e
espesso véu que precedia o Santo dos Santos foi subitamente dividido ao
meio, do topo até embaixo!
O som daquele véu se partindo deve ter sido ensurdecedor à medida que
se rasgava e partia, começando do topo e descendo até o chão. Era como se
mãos invisíveis e divinas o tivessem agarrado, rasgado em pedaços e
descartado.
Imagine o quão chocado Caifás deve ter ficado quando ouviu os sons de
algo se rasgando no interior do templo e depois viu o véu se rasgar ao meio,
fazendo os dois lados daquela cortina maciça caírem, um para a direita e
outro para a esquerda. Basta pensar no que deve ter passado pela mente
daquele sumo sacerdote quando ele viu que o caminho para o Santo dos
Santos estava aberto — que a Presença de Deus não estava mais lá!
Veja, quando Jesus foi pendurado na cruz, aquela cruz tornou-se o eterno
trono de misericórdia sobre o qual o sangue do sacrifício final foi aspergido.
Uma vez que o sacrifício foi feito, não era mais necessário que um sumo
sacerdote fizesse sacrifícios continuamente, ano após ano, pois o sangue de
Jesus já resolvera a questão para sempre!
Por essa causa, o próprio Deus rasgou o véu do templo ao meio,
declarando que o caminho para o Santo dos Santos estava agora disponível
para todos que vinham a Ele por intermédio do sangue de Jesus! Foi por
isso que o apóstolo Paulo escreveu que Jesus “...derrubou a parede da
separação que estava no meio, a inimizade” (Efésios 2:14).
A morte de Jesus foi um evento tão dramático que até mesmo a Terra
reagiu a ela. Mateus 27:51 diz: “...tremeu a terra, fenderam-se as rochas”. A
palavra “terra” é a palavra ges, que remete a toda a Terra. A palavra
“terremoto” é a palavra grega seiso, que significa agitar, chacoalhar ou
criar uma comoção. É de onde temos a palavra sismógrafo, aparelho que
registra a intensidade de um terremoto. É interessante observar que
Orígenes, líder cristão da antiguidade, registrou que houve “grandes
terremotos” no momento da crucificação de Jesus.11
Acho muito surpreendente que, embora Israel tenha rejeitado Jesus e as
autoridades romanas o tenham crucificado, a criação sempre o reconheceu!
Durante a Sua vida nesta Terra, as ondas lhe obedeceram; a água virou
vinho ao Seu comando; peixes e pães se multiplicaram ao toque dele; os
átomos na água se solidificaram para que Ele pudesse atravessá-la e o vento
cessou quando Ele ordenou. Portanto, não é surpresa que a morte de Jesus
tenha sido um evento traumático para a criação. A terra tremeu, chacoalhou
e estremeceu com a morte do seu Criador, pois instantaneamente sentiu sua
perda.
A terra estremeceu tão violentamente quando Jesus morreu que até
mesmo “...as rochas se fenderam...”. A palavra “rochas” é petra, referindo-
se a grandes rochas. A outra palavra que poderia ter sido usada para
“rochas” é a palavra lithos, que significa pequenas pedras. Mas Mateus nos
diz que pedras enormes se “fenderam” por causa do tremor da terra. A
palavra “fenderam” é schidzo, que quer dizer, rasgar, fraturar, rasgar
violentamente em pedaços, ou quebrar terrivelmente. Foi um terremoto
sério! Isso me faz entender de novo o impressionante significado da morte
de Jesus Cristo!
Quando o sangue de Jesus foi aceito na cruz como pagamento final pelo
pecado do homem, a necessidade de oferecer sacrifícios habitualmente ano
após ano foi eliminada. O Santo dos Santos, um lugar limitado apenas ao
sumo sacerdote uma vez por ano, tornou-se aberto e acessível a todos nós!
Como “crentes-sacerdotes”, cada um de nós pode agora desfrutar da
presença de Deus todos os dias. É por isso que Hebreus 10:19,22 diz:
“Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo
sangue de Jesus, ...aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza
de fé, tendo o coração purificado de má consciência...”.
O caminho para o Santo dos Santos nos foi aberto. Agora cabe a nós
reservar alguns minutos a cada dia para entrar na presença de Deus, adorá-
lo e fazer os nossos pedidos conhecidos. Jesus morreu por nós para que
“Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim
de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião
oportuna” (Hebreus 4:16). Ele fez a Sua parte. Agora cabe a nós entrar com
ousadia diante do trono da graça para receber a ajuda divina que Deus já
providenciou para nós.
 
 
O próprio Deus rasgou o véu do Santo dos Santos ao meio, de alto a
baixo. Ao fazer isso, Ele declarou que o homem agora poderia vir
livremente para ficar em Sua santa presença. Além disso, Deus demonstrou
que o pecado não o separava mais do homem. Por um tempo, Ele andou
com o homem no Jardim antes que Adão pecasse. Agora que o preço pelo
pecado foi pago por intermédio de Jesus, Deus pode mais uma vez andar
livremente entre aqueles que escolherem andar com Ele.
Como você pode tirar proveito da sua oportunidade de experimentar a
comunhão contínua com o Pai? O que você precisa fazer de diferente?
 
 
A Terra e os seus elementos sempre reconheceram e responderam à voz e
à presença daquele que os criou.
Com que facilidade você responde à voz e à presença do Espírito Santo
que habita dentro de você?
 
 
Deus removeu pessoalmente todasas barreiras que separavam o homem
da Sua santa presença.
Você está tolerando quaisquer obstáculos desnecessários em sua vida que
o impeçam de ir corajosamente diante do trono de Deus?
Capítulo
28
Um Sepultamento de Amor
Quando chegou a hora de o corpo de Jesus ser trazido da cruz,
Pilatos recebeu uma visita surpresa de um membro do alto escalão do
Sinédrio, que era um seguidor secreto de Jesus. Seu nome era José, da
cidade de Arimateia. Assim, conhecemos esse homem como José de
Arimateia. Outro membro do alto escalão do Sinédrio acompanhou José —
também discípulo secreto de Jesus. O relacionamento desse segundo
homem com Jesus começou com uma visita secreta no meio da noite,
registrada em João 3:1-21. O nome do segundo admirador era Nicodemos.
Vamos começar com José de Arimateia e considerar o que sabemos dele.
Para termos uma imagem precisa desse homem, devemos nos voltar para
Marcos 15:42 e 43, que diz: “Ao cair da tarde, por ser o dia da preparação,
isto é, a véspera do sábado, vindo José de Arimateia, ilustre membro do
Sinédrio, que também esperava o reino de Deus, dirigiu-se resolutamente a
Pilatos e pediu o corpo de Jesus”.
Esse versículo nos diz que José de Arimateia era um “ilustre membro”. A
palavra grega para “ilustre” é euschemon, um composto das palavras eu,
que significa bom ou bem e a palavra schema, que quer dizer forma, muitas
vezes se referindo a uma aparência exterior. Quando combinadas formam
essa nova palavra, que significa uma boa aparência externa. Refere-se a
pessoas que têm uma boa reputação; pessoas que têm uma boa posição na
sociedade; ou pessoas que são proeminentes, influentes e ricas. A palavra
“membro” é a palavra grega bouleutes, que é a palavra para um membro do
sinédrio. Essa é a mesma palavra usada para descrever os senadores
romanos. Ao empregar esta palavra, bouleutes, Marcos nos diz que a
posição de José de Arimateia na terra de Israel era de grande honra e
respeito.
O versículo citado também nos diz que ele “esperava o reino de Deus”. A
palavra grega para “esperava” é prosdechomai. Outros exemplos dessa
palavra são encontrados em Atos 24:15, onde ela descreve uma esperança
ou uma expectativa. Em Romanos 16:2, Paulo usa essa palavra para dizer à
igreja romana para receber Febe, sugerindo que eles a recebam
completamente e a abracem. Em Hebreus 10:34, é traduzida como aceitar e
significa tomar completamente algo sem reserva ou hesitação. Então,
quando Marcos 15:43 nos diz que José de Arimateia “...esperava o reino de
Deus...”, isso não se refere a um tipo de espera que não faz nada, uma
espera que “fica parada vendo o que acontece”. José estava sinceramente
buscando e antecipando o Reino. Ele estava interiormente pronto para
recebê-lo, aceitá-lo plenamente e abraçá-lo sem qualquer reserva ou
hesitação.
Isso explica por que José foi atraído para o ministério de Jesus. Por causa
da sua fome profunda e do desejo de ver o Reino de Deus, José se
aventurou a ver Jesus de Nazaré. A fome espiritual é sempre um pré-
requisito para receber o Reino de Deus e José de Arimateia tinha essa
fome. Sua disposição de pensar “fora da caixa” — diferente de como os
outros no Sinédrio pensavam, sem dúvida, o tornou único no conselho
supremo. No entanto, parece que os outros membros do conselho fechavam
os olhos e toleravam José devido à sua posição proeminente e extrema
riqueza.
Em seguida, Marcos nos diz que José de Arimateia foi “resolutamente a
Pilatos”. Embora ele fosse indubitavelmente conhecido por sua fome
espiritual, João 19:38 nos informa que esse José nunca anunciou
publicamente que era um seguidor de Jesus “por receio dos judeus”.
Como membro do Sinédrio, José estava bem ciente da exultação que os
membros do Conselho Supremo estavam sentindo com a morte de Jesus. Se
soubessem que foi José quem levou o corpo e o enterrou, isso poderia
colocá-lo em considerável risco. Portanto, ir a Pilatos pedir para remover o
corpo de Jesus antes do início do sábado foi um ato de bravura por parte
dele.
O desejo de José de tomar o corpo de Jesus e prepará-lo para o
sepultamento foi tão poderoso que Marcos 15:43 (KJV) diz que ele
“ansiava pelo corpo de Jesus”. A palavra “ansiava”5* é a palavra grega
aiteo, uma palavra que significa ser inflexível solicitando e exigindo alguma
coisa. No Novo Testamento, a palavra aiteo é usada para retratar uma
pessoa dirigindo-se a um superior, como neste caso, quando José de
Arimateia apelou a Pilatos. A pessoa pode insistir ou exigir que uma
necessidade seja atendida, mas ela se aproxima e fala com seu superior com
respeito. Portanto, embora José mostrasse respeito pela posição de Pilatos,
ele também apresentou uma forte demanda ao governador, insistindo
veementemente que o corpo de Jesus fosse liberado para ele.
A palavra “corpo” é a palavra grega ptoma, que sempre se refere a um
corpo morto e é muitas vezes traduzida como “cadáver”. O costume
romano era deixar o corpo pendurado na cruz até apodrecer ou até que os
abutres o tivessem atacado. Depois, eles descartavam o cadáver no deserto,
onde era comido por cães selvagens. Os judeus, no entanto, guardavam o
corpo humano em grande honra porque foi feito à imagem de Deus. Mesmo
aqueles que eram executados pelos judeus eram respeitados na maneira
como seriam manipulados após a morte. Assim, não era permitido que o
corpo de um judeu fosse deixado em uma cruz após o pôr-do-sol ou deixado
para apodrecer ou para os pássaros devorarem.
Marcos 15:44,45 diz: “Mas Pilatos admirou-se de que ele já tivesse
morrido. E, tendo chamado o centurião, perguntou-lhe se havia muito que
morrera. Após certificar-se, pela informação do comandante, cedeu o corpo
a José”.
Nesse ponto, Nicodemos entra em cena. O terceiro capítulo de João dá
uma maior visão sobre Nicodemos. Ele diz: “Havia, entre os fariseus, um
homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. Este, de noite,
foi ter com Jesus e lhe disse: Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de
Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não
estiver com ele” (João 3:1-2).
João 3:1 nos diz que Nicodemos era um “fariseu”. A palavra “fariseu”
significa os separados. Isso quer dizer que eles se viam separados por Deus
para os Seus propósitos. Assim, eram extremamente comprometidos e até
fanáticos em seu serviço a Deus.
Durante o tempo em que Jesus viveu, os fariseus eram os líderes
religiosos mais respeitados e estimados em Israel. Os fariseus acreditavam
no sobrenatural e sinceramente esperavam a chegada do Messias, ao
contrário dos saduceus, que não acreditavam no sobrenatural e não
esperavam a vinda do Messias. Os fariseus defendiam estritamente a Lei,
enquanto os saduceus adotavam uma abordagem mais liberal dela — o que
os fariseus achavam inaceitável. Flávio Josefo, famoso historiador judeu,
era fariseu, assim como Gamaliel (ver Atos 5:34) e o apóstolo Paulo antes
de se converter a Cristo no caminho de Damasco (ver Filipenses 3:5).
O versículo 1 continua a nos dizer que Nicodemos era “um dos principais
dos judeus”. A palavra “principais” é a palavra grega archon, que significa
chefe, governante ou príncipe. Essa palavra era usada para denotar os
governantes das sinagogas locais e membros do Sinédrio, que eram as mais
altas autoridades da terra. Devido a essa posição de alto escalão,
Nicodemos, assim como José de Arimateia, era proeminente, influente e
rico.
A notoriedade de Nicodemos entre os judeus em Jerusalém foi a razão
pela qual ele visitou Jesus à noite. Sua fama provavelmente criava uma
agitação toda vez que ele passava pela cidade. Portanto, Nicodemos queria
evitar visitar Jesus durante o dia, pois chamaria a atenção para o fato de que
ele estava passando um tempo com um Mestre que o Sinédrio considerava
um dissidente e fora do seu controle. Por conseguinte, ele foi a Jesus à noite
quando sua visita não seria observável.
O que ele disse a Jesus durante essa visita revela muito sobre a fome
espiritual que Nicodemos possuía. Primeiro, ele chamou Jesus de “Rabi”. A
própria palavra significa grande, mas erausada como um título de respeito,
apenas para se referir aos grandes mestres da Lei. Os fariseus adoravam ser
chamados de “Rabi”, pois se consideravam os principais guardiões da Lei.
Nicodemos chamar Jesus de “Rabi” foi algo realmente notável. O líder
judeu nunca teria usado esse título a menos que já tivesse ouvido Jesus
interpretar a Lei e, assim, julgado sua capacidade de fazê-lo. O fato de
Nicodemos ter chamado Jesus por esse título privilegiado, dado apenas
àqueles que eram vistos como os maiores teólogos em Israel, nos diz que
ele ficou muito impressionado com o conhecimento de Jesus das Escrituras.
Isso significa que Nicodemos, como José de Arimateia, tinha a mente
aberta o bastante para receber pessoas que estavam “fora do círculo”
daquilo que a maioria religiosa considerava aceitável. De fato, Nicodemos
tinha tanta fome de encontrar um toque de Deus que é possível que ele
mesmo tenha visitado as reuniões com Jesus que foram realizadas na cidade
de Jerusalém.
João 2:23 diz: “Estando ele em Jerusalém, durante a Festa da Páscoa,
muitos, vendo os sinais que ele fazia, creram no seu nome”. Quando
Nicodemos visitou Jesus, ele se referiu a esses milagres, dizendo em João
3:2: “Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém
pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele”.
Parece que Nicodemos chegou perto o bastante nessas reuniões
milagrosas para ver pessoalmente os milagres. Esta deve ter sido a ocasião
em que ele ouviu Jesus ensinar e o considerou merecedor do título de
“Rabi”. Como fariseu, Nicodemos acreditava no sobrenatural. Ele ficou tão
comovido com os milagres e tão convencido da sua legitimidade que queria
pessoalmente encontrar Jesus e lhe fazer perguntas. Na conversa que se
seguiu, Jesus disse a Nicodemos: “Em verdade, em verdade te digo que, se
alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3:3). A
famosa conversa que se seguiu vem sendo lida, citada e pregada em todo o
mundo há dois mil anos.
Depois que José de Arimateia recebeu permissão para remover o corpo
de Jesus da cruz, ele levou o corpo para iniciar os preparativos para o
enterro. João 19:39 nos diz o que aconteceu em seguida: “E também
Nicodemos, aquele que anteriormente viera ter com Jesus à noite, foi
levando cerca de cem libras de um composto de mirra e aloés”.
Esse versículo nos diz que Nicodemos “...foi levando cerca de cem libras
de um composto de mirra e aloés...”. “Mirra” era uma resina de goma
marrom-amarelada de cheiro doce e alto preço, que era obtida de uma
árvore e tinha um gosto amargo. Era usada principalmente como produto
químico para embalsamar os mortos. “Aloés” era uma fragrância de cheiro
adocicado derivada do suco prensado das folhas de uma árvore encontrada
no Oriente Médio. Era usada para assepsia cerimonial, purificando e
neutralizando o terrível cheiro do cadáver quando ele se decompunha.
Como a mirra, essa substância também era muito cara e rara — no entanto,
a Bíblia nos diz que Nicodemos “trouxe um composto” de ambas as
substâncias — cerca de cem libras!
O custo para Nicodemos por essa oferta de amor deve ter sido
astronômico! Somente um homem rico poderia ter comprado uma
combinação tão grande dessas substâncias caras e incomuns. Nicodemos
obviamente pretendia cobrir completamente o corpo de Jesus, por isso ele
não poupou esforços para preparar o corpo para o enterro, demonstrando
seu amor por Jesus até o fim.
João continua a nos dizer: “Tomaram, pois, o corpo de Jesus e o
envolveram em lençóis com os aromas, como é de uso entre os judeus na
preparação para o sepulcro” (v. 40). A palavra para “lençóis” é a palavra
grega othonion, que descreve um pano feito de materiais muito finos e
extremamente caros que eram fabricados principalmente no Egito. Nobres
naquele tempo eram conhecidos por pagarem preços muito altos para ter
vestes feitas desse material para suas esposas.
Quando Lázaro saiu do sepulcro após ter sido ressuscitado por Jesus, ele
estava “...tendo os pés e as mãos ligados com ataduras e o rosto envolto
num lenço...” (João 11:44). Isso mostra que Lázaro estava preso com
ataduras feitas de tiras do material. No entanto, a palavra othonion tende a
sugerir que Jesus foi cuidadosamente colocado em uma grande folha de
linho de fino tecido. Especiarias especialmente preparadas foram então
misturadas entre as dobras dessa peça de vestuário de alto preço, na qual o
corpo de Jesus foi enrolado.
Essa é uma história magnífica de dois homens que amavam Jesus.
Embora José e Nicodemos tivessem vivido em circunstâncias que lhes
dificultavam seguir publicamente a Jesus, eles escolheram segui-lo de todas
as formas que conseguiram. Quando Jesus morreu, eles continuaram a
demonstrar seu profundo amor por Ele, tratando Seu corpo morto com
ternura e usando sua riqueza pessoal para sepultá-lo com honra. Até onde
eles entendiam na época, essa era sua última oportunidade de mostrar a
Jesus o quanto o amavam e eles iam tirar o máximo proveito disso!
Jesus ensinou: “Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu
coração” (Mateus 6:21). Quando esses dois homens usaram sua riqueza
para enterrar Jesus, eles mostraram que seus corações estavam com Jesus.
Ele era a maior prioridade, então eles investiram os seus ativos para mostrar
seu amor por Ele. Eles literalmente semearam seu dinheiro quando
banharam Jesus em cem libras daquelas substâncias raras, envolveram-no
em um tecido caro e depois o enterraram no túmulo de um homem rico.
Se as pessoas olhassem para o modo como você gasta suas finanças, elas
veriam que Jesus é a maior prioridade em sua vida? Você o trata com honra
e respeito na maneira como serve a Ele ou é a última prioridade na sua
lista? De acordo com as palavras de Jesus, o que você faz com suas finanças
realmente diz a verdade sobre o que você mais ama. Então o que Ele diria
sobre suas escolhas financeiras? O que a maneira como você gasta seu
dinheiro revela sobre seu amor por Jesus?
Como José de Arimateia e Nicodemos honraram Jesus na morte, somos
chamados a honrá-lo com tudo o que possuímos — servindo a Ele todos os
dias das nossas vidas. Temos o privilégio de servir a Jesus, então façamos a
escolha de melhorar a nossa doação e a nossa vida em todas as áreas para
que toda a glória seja para Ele!
 
 
José de Arimateia demonstrou grande amor por Jesus quando corajosa e
insistentemente solicitou que Pilatos lhe entregasse o corpo de Jesus. José
arriscou sua reputação e aceitação entre os judeus quando se identificou
como um seguidor de Jesus. Nicodemos também investiu uma grande
fortuna no enterro de Jesus, com cem libras de especiarias funerárias, uma
cara mortalha de enterro importada e a sepultura primorosamente preparada
de José.
Sua identificação com Jesus já lhe custou algo de valor? O que
observadores entenderiam sobre o seu compromisso com Ele pela maneira
como você escolhe gastar ou investir as suas finanças?
 
 
Que escolhas diárias conscientes você faz para servir e honrar a Deus
com sua vida?
 
 
A fome espiritual, muito parecida com a fome natural, obriga a pessoa a
agir. Aqueles que têm fome e sede de Deus, da Sua aprovação e dos Seus
caminhos, serão satisfeitos.
Como você definiria seu nível atual de fome espiritual? Seu apetite pelas
coisas de Deus diminuiu ou aumentou no último ano?
Capítulo
29
Sepultado e Selado
O Evangelho de João nos diz que perto do local da crucificação
havia um jardim. A palavra grega para “jardim” é kepos e se refere a
qualquer jardim com árvores e plantas. Também pode ser traduzida como
pomar. A mesma palavra é usada em João 18:1 para descrever o Jardim do
Getsêmani, que era um pomar de oliveiras.
Todos os quatro evangelhos sugerem que o túmulo estava perto do lugar
onde Jesus foi crucificado, mas João 19:42 diz: “...por estar perto o
túmulo”. A palavra “perto” é a palavra grega aggus, que significa nas
proximidades. A maioria das crucificações era realizada ao longo de uma
estrada. Evidentemente aquele jardim estava localizado em um lugar
semelhante aum pomar, na mesma via onde Jesus foi crucificado.
João 19:41 nos diz que no jardim havia “...um sepulcro novo, no qual
ninguém tinha sido ainda posto”. A palavra “novo” é a palavra grega
kainos, que significa novo ou não usado. Isso não quer dizer
necessariamente que o túmulo havia sido feito recentemente, mas que nunca
fora usado — eis a razão pela qual João escreve: “...no qual ninguém tinha
sido ainda posto”.
Mateus, Marcos e Lucas registram que esse túmulo pertencia a José de
Arimateia, sugerindo que era o túmulo que ele preparara para o seu próprio
enterro. O fato de ser um túmulo “...que tinha sido aberto numa rocha”
(Mateus 27:60; Marcos 15:46; Lucas 23:53) confirma a riqueza pessoal de
José de Arimateia. Somente a realeza ou indivíduos muito ricos podiam se
dar ao luxo de ter seus túmulos esculpidos em uma parede de pedra ou no
pé de uma montanha. Homens mais pobres eram enterrados em sepulturas
simples.
A palavra “aberto” em Mateus, Marcos e Lucas vem da palavra grega
laxeuo, que significa não apenas cortar, mas polir. Isso nos diz que era um
túmulo especial, altamente desenvolvido, um túmulo refinado ou um túmulo
esplêndido e caro. Isaías 53:9 havia profetizado que o Messias seria
enterrado no sepulcro de um homem rico e a palavra laxeuo sugere
fortemente que esse era de fato o túmulo caro de um homem muito rico.
João 19:42 diz: “Ali depositaram o corpo de Jesus...”. A palavra
“depositaram” vem da palavra tithimi, que significa colocar, pôr, posicionar,
depositar ou pôr no lugar. Como usada aqui, retrata a colocação cuidadosa
e atenciosa do corpo de Jesus em Seu lugar de descanso dentro do túmulo.
Lucas 23:55 nos diz que depois que o corpo de Jesus foi colocado no
sepulcro, as mulheres que vieram com Ele da Galileia “...viram o túmulo e
como o corpo fora ali depositado”. A palavra “viram” em grego é theaomai,
de onde vem a palavra teatro. A palavra theaomai significa contemplar, ver
totalmente ou olhar atentamente. Isso é muito importante, pois prova que as
mulheres inspecionaram a tumba, olhando para o corpo de Jesus para ver
se Ele havia sido honrosamente colocado no lugar.
Marcos 15:47 identifica essas mulheres como Maria Madalena e Maria, a
mãe de José, e diz que elas “...observaram onde Ele foi posto” no túmulo. O
tempo imperfeito é usado no relato de Marcos, alertando-nos para o fato de
que essas mulheres reservaram um tempo para garantir que Jesus fosse
colocado corretamente ali. Poderíamos traduzir: Elas cuidadosamente
analisaram onde Ele foi colocado. Se Jesus ainda estivesse vivo, aqueles
que o enterraram saberiam, pois passaram um tempo substancial preparando
Seu corpo para o enterro. Então, depois que o Seu corpo morto foi
depositado na tumba, eles permaneceram ali, verificando mais uma vez para
ver se o corpo fora tratado com o maior amor e atenção.
Após conferirem se tudo havia sido feito corretamente, José de Arimateia
“...rolando uma grande pedra para a entrada do sepulcro, se retirou”
(Mateus 27:60; Marcos 15:46). Era raro encontrar uma porta de pedra em
um túmulo judaico nos tempos bíblicos. A maioria dos túmulos judaicos
tinha portas com certos tipos de dobradiças. Uma grande pedra rolada
diante do túmulo seria muito mais difícil de mover, tornando o local do
enterro mais permanente.
No entanto, os principais sacerdotes e fariseus não tinham tanta certeza
de que o lugar era seguro. Temendo que os discípulos de Jesus viessem
roubar o corpo e alegar que Jesus havia ressuscitado, os líderes judeus
foram a Pilatos e disseram: “Senhor, lembramos que, enquanto ainda estava
vivo, aquele impostor disse: ‘Depois de três dias ressuscitarei’. Ordena,
pois, que o sepulcro dele seja guardado até o terceiro dia, para que não
venham seus discípulos e, roubando o corpo, digam ao povo que ele
ressuscitou dentre os mortos. Este último engano será pior do que o
primeiro” (Mateus 27:63,64; NVI).
Quando os principais sacerdotes e fariseus pediram que “...o sepulcro
fosse guardado...”, a palavra grega sphragidzo é usada. Essa palavra
descrevia um selo legal que era colocado em documentos, cartas, posses ou,
nesse caso, um túmulo. Sua finalidade era autenticar que o item lacrado
havia sido devidamente inspecionado antes da vedação e que todos os
conteúdos estavam em ordem. Enquanto o selo permanecesse inviolado, era
assegurado que o conteúdo dentro estava intacto e completo. Nesse caso, a
palavra sphragidzo é usada para significar o selamento do túmulo. Muito
provavelmente, uma corda foi esticada através da pedra na entrada do
túmulo e então selada em ambos os lados pelas autoridades legais de
Pilatos.
Antes de selar o túmulo, no entanto, aquelas autoridades foram obrigadas
a inspecionar o seu interior para ver que o corpo de Jesus estava em seu
lugar. Depois de garantir que o cadáver estava onde deveria estar, eles
rolaram a pedra de volta no lugar e então a selaram com o selo oficial do
governador de Roma.
Depois de ouvir as suspeitas dos principais sacerdotes e fariseus, “Disse-
lhes Pilatos: Aí tendes uma escolta; ide e guardai o sepulcro como bem vos
parecer” (Mateus 27:65). A palavra “guardai” é a palavra grega coustodia,
de onde obtemos a palavra custódia. A escolta era um grupo de quatro
soldados romanos cujo turno mudava a cada três horas. A mudança de
turnos garantia que o túmulo seria guardado 24 horas por dia por soldados
que estavam acordados, atentos e totalmente alertas. Quando Pilatos disse:
“Aí tendes uma escolta...”, uma melhor interpretação seria: Aqui está — eu
estou dando a vocês um grupo de soldados; leve-os e guardem o túmulo.
Mateus 27:66 diz: “Indo eles, montaram guarda ao sepulcro, selando a
pedra e deixando ali a escolta”. Sem perder tempo, os principais sacerdotes
e anciãos se apressaram em ir ao sepulcro com os seus soldados enviados
pelo governo e os oficiais especiais, designados para inspecionar a sepultura
antes de colocar o selo de Pilatos sobre ela. Depois que uma inspeção
completa foi feita, a pedra foi colocada de volta no lugar e os soldados
montaram guarda para proteger o túmulo de qualquer um que tentasse tocá-
lo ou remover seu conteúdo. A cada três horas, novos guardas chegavam
para substituir os que estavam lá. Esses soldados armados guardavam a
entrada do túmulo de Jesus com tanta firmeza que ninguém poderia se
aproximar dela.
O propósito do selo era assegurar que Jesus estava morto; portanto,
temos a garantia que Seu corpo foi completamente inspecionado novamente
para provar a morte. Não há dúvida de que Jesus estava morto, pois Ele foi
examinado repetidas vezes, mesmo quando estava deitado no sepulcro.
Alguns críticos afirmam que somente os próprios discípulos de Jesus
inspecionaram o corpo e que eles poderiam ter mentido sobre a morte dele.
No entanto, um oficial da corte de Pilatos também examinou o corpo de
Jesus. Podemos também ter certeza que os principais sacerdotes e anciãos
que acompanharam os soldados ao local do enterro exigiram o direito de
também ver o corpo, para que pudessem verificar se Ele estava realmente
morto.
Quando Jesus saiu daquele túmulo vários dias depois, não foi uma farsa
ou uma história fabricada. Além de todas as pessoas que o viram morrer na
cruz, os seguintes indivíduos e grupos verificaram que Seu corpo morto
estava na sepultura antes que a pedra fosse permanentemente selada por um
oficial do tribunal de justiça romano:
 
v José de Arimateia cuidadosamente o colocou dentro do sepulcro.
v Nicodemos forneceu as soluções de embalsamamento, auxiliou no
processo e ajudou José de Arimateia a colocá-lo em seu lugar no
sepulcro.
v Maria Madalena e Maria, a mãe de José, examinaram
carinhosamente o Seu corpo e cuidadosamente contemplaram todos
os aspectos do local do enterro para garantir que tudo fosse feito de
forma adequada e respeitosa.
v O oficial de Roma ordenou que a pedra fosse removida. Então ele
entrou no túmulo e examinou o corpo de Jesus para verificar se era
Jesus e se Ele estava realmente morto.
v Os principais sacerdotes e anciãos entraram no túmulo com o oficial
de Roma para quepudessem olhar para o corpo morto de Jesus e pôr
fim às suas preocupações de que Ele havia, de alguma forma,
sobrevivido.
v Os guardas romanos verificaram o conteúdo do túmulo porque
queriam saber com certeza se havia um corpo ali. Eles não queriam
estar guardando um túmulo vazio que mais tarde seria usado como
uma reivindicação de ressurreição, enquanto eles seriam culpados
pelo desaparecimento do corpo de Jesus.
v Depois que todas essas inspeções foram concluídas, o oficial de
Roma ordenou que a pedra voltasse ao seu lugar. Enquanto os
principais sacerdotes, anciãos e guardas romanos observavam, ele
inspecionou o local e o selou com o selo do governador de Roma.
 
Independentemente de todos esses esforços para garantir o local e manter
Jesus dentro do túmulo, era impossível que a morte o detivesse. Ao pregar
no dia de Pentecostes, Pedro proclamou ao povo de Jerusalém: “...vós o
matastes [a Jesus], crucificando-o por mãos de iníquos; ao qual, porém,
Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte; porquanto não era
possível fosse Ele retido por ela” (Atos 2:23-24).
Hoje, o túmulo em Jerusalém está vazio porque Jesus ressuscitou no
terceiro dia! Agora Ele está sentado em Seu trono à direita do Pai nas
alturas, onde vive para fazer intercessão por você e por mim (Hebreus
7:25). Isso significa que não precisamos nos esforçar sozinhos. A qualquer
hora do dia ou da noite, podemos nos aproximar corajosamente do trono da
graça e pedir ajuda divina (Hebreus 4:16).
Não há montanha em sua vida que Deus não possa mover. Portanto, faça
os seus pedidos a Ele, confiantemente esperando que Ele se mova em seu
favor. Ao fazer isso, você receberá graça sobrenatural para socorro em
tempo de necessidade.
 
 
O propósito do selo no túmulo de Jesus era garantir que Ele estava de
fato morto. Os soldados de Pilatos, que protegiam o local, bem como os
principais sacerdotes e anciãos, inspecionaram o corpo de Jesus para
verificar se Ele estava realmente morto.
Observe a ignorância e a arrogância que levaram os homens a acreditar
que tinham fiscalizado e confinado o Filho de Deus. Existem áreas da sua
vida que você mantém seladas e guardadas na tentativa de impedir que
Deus tenha acesso a elas para mudá-las?
 
 
Os líderes religiosos lembraram que Jesus disse que ressuscitaria dos
mortos. Eles ouviram a verdade, mas não compreenderam seu significado.
Pense em tudo o que Jesus declarou sobre si mesmo durante Sua
caminhada nesta Terra e considere tudo o que Ele falou a você
pessoalmente. Você realmente acredita em Jesus? Você já reservou um
tempo para meditar sobre o significado das palavras dele?
 
 
Jesus era a promessa de esperança do Pai para a humanidade. Quando Ele
morreu e foi enterrado, a criação ficou assombrada e Seus discípulos
ficaram arrasados. Mas Deus o ressuscitou para uma nova vida. O que
parecia o fim, na verdade era apenas o começo.
Folheie as páginas da história da sua própria vida. Que promessa de Deus
para você parece agora incapaz de acontecer? Que esperança ou sonho em
sua vida você enterrou? Considere o poder daquele que ressuscitou Jesus
dos mortos. Então, como Jesus, entregue-se nas mãos daquele que faz todas
as coisas novas. Ele é fiel. Você vai confiar nele?
Capítulo
30
Eis que Ele Ressuscitou!
Jesus está vivo!
Sua ressurreição não foi meramente um renascimento filosófico das Suas
ideias e ensinamentos — Ele foi literalmente ressuscitado dos mortos!
O poder de Deus explodiu dentro daquele túmulo, reconectou o espírito
de Jesus com Seu corpo morto, inundou Seu cadáver de vida e Ele se
levantou! Tamanho foi o poder liberado por trás da entrada selada do Seu
túmulo que a própria Terra reverberou e estremeceu com a explosão. Então
um anjo rolou a pedra da entrada e Jesus saiu fisicamente pela porta daquela
tumba vivo!
Isso não é lenda ou conto de fadas. É o alicerce da nossa fé! Então,
vamos examinar os eventos que cercam a ressurreição de Jesus Cristo.
Ele ressuscitou dos mortos em algum momento entre o fim do pôr-do-sol
do Sabá,6* no sábado à noite e a vinda das mulheres ao túmulo no início da
manhã de domingo. As únicas testemunhas reais da ressurreição em si
foram os anjos que estavam presentes e os quatro soldados romanos que
foram colocados ali sob o comando de Pilatos (Mateus 27:66). No entanto,
Mateus, Marcos, Lucas e João registram todos os eventos que se seguiram
na manhã da Sua ressurreição.
Quando lemos pela primeira vez os quatro relatos do que aconteceu
naquela manhã, pode parecer que existe uma contradição entre os detalhes
contidos nos evangelhos. Mas quando estão cronologicamente alinhados, a
imagem fica muito clara e a impressão de contradição é apagada.
Deixe-me dar um exemplo do que parece uma contradição. O Evangelho
de Mateus diz que havia um anjo fora do túmulo. O Evangelho de Marcos
diz que havia um anjo dentro do túmulo. O Evangelho de Lucas diz que
havia dois anjos dentro do túmulo. O Evangelho de João não diz nada sobre
os anjos nessa cena, mas diz que quando Maria voltou no final do dia, ela
viu dois anjos dentro do túmulo que estavam posicionados na cabeça e no
pé do lugar onde o corpo de Jesus fora colocado.
Então, quem está contando a história certa? Quantos anjos estavam lá?
Como eu disse, para enxergar todo o cenário que aconteceu naquele dia,
temos que colocar os eventos em todos os quatro evangelhos em uma
sequência cronológica adequada. Então vamos começar!
Mateus 28:1 diz: “No findar do sábado, ao entrar o primeiro dia da
semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro”. Além de
Maria Madalena e a outra Maria, mãe de Tiago, Lucas 24:10 nos diz que
“Joana” e “outras mulheres” vieram ao sepulcro. Lucas 8:3 nos diz que essa
“Joana” era a esposa do mordomo de Herodes — evidentemente uma
mulher rica que era uma apoiadora financeira do ministério de Jesus. De
acordo com Lucas 23:55-56, muitas dessas mulheres estavam presentes
quando Jesus foi colocado dentro do sepulcro, mas voltaram para casa para
preparar “aromas e bálsamos” para que pudessem ungir Seu corpo para o
sepultamento quando retornassem após o dia de sábado.
Essas mulheres não tinham como saber que os chefes dos sacerdotes e
anciãos tinham ido a Pilatos no dia seguinte ao enterro de Jesus para pedir
uma escolta de quatro soldados romanos para guardar o túmulo e um oficial
da corte romana para “selar” o túmulo. Como essas mulheres sabiam disso?
Elas estavam em casa, preparando aromas e bálsamos.
No entanto, enquanto aquelas mulheres se preparavam para voltar e ungir
o cadáver de Jesus, o túmulo estava sendo fechado oficialmente e os
soldados romanos tinham sido ordenados a guardar a sepultura 24 horas por
dia. Se as mulheres soubessem que o túmulo estava legalmente fechado e
não poderia ser aberto, elas não retornariam ao lugar, pois era legalmente
impossível para elas pedirem que a pedra fosse removida.
Marcos 16:2-4 diz: “E, muito cedo, no primeiro dia da semana, ao
despontar do sol, foram ao túmulo. Diziam umas às outras: Quem nos
removerá a pedra da entrada do túmulo? E, olhando, viram que a pedra já
estava removida; pois era muito grande”.
Ignorando o fato de que o túmulo não podia ser legalmente aberto, as
mulheres seguiram para o local com o propósito de ungir o corpo de Jesus.
Ao se aproximarem do jardim onde o túmulo estava localizado,
perguntavam-se entre si quem removeria a pedra para elas. No entanto,
Mateus 28:2 diz: “E eis que houve um grande terremoto...”.
Esse terremoto não ocorreu no momento em que as mulheres se
aproximaram do túmulo. Na verdade, aconteceu simultaneamente ao
momento da ressurreição de Jesus, algum tempo depois do pôr do sol de
sábado e antes de as mulheres chegarem ao jardim. Ao descrever a
magnitude do terremoto, Mateus usa a palavra “eis”. Em grego, é a palavra
idou. Já falamos dela no capítulo 27. A versão King James traduz como eis
que, em nossos dias, seria melhor traduzida como Uau! Como já foi dito,
essa palavra carrega a ideia de choque, espanto e admiração, então quando
Mateus diz: “E eis que houve umgrande terremoto...”, ele literalmente quer
dizer: Uau! Você acredita nisso? A palavra idou também poderia ter a ideia
de: Uau! Ouça a coisa incrível que aconteceu a seguir... Embora Mateus
tenha escrito seu Evangelho muitos anos depois do fato, ele ainda fica
maravilhado quando pensa nesse evento!
Mateus nos diz que houve “um grande terremoto”. A palavra “grande” é
a palavra grega mega, não deixando espaço para dúvidas quanto à
magnitude desse evento. A palavra mega sempre sugere algo enorme,
gigante ou massivo. A palavra “terremoto” é a palavra grega seismos —
palavra usada para descrever um terremoto literal. Assim como a criação se
abalou quando seu Criador morreu na cruz, agora a Terra explodiu com
exultação na ressurreição de Jesus!
Marcos 16:4 diz que quando as mulheres chegaram ao sepulcro, viram
que “...a pedra já estava removida; pois era muito grande”. A palavra
“muito” é a palavra grega sphodra, que significa muito, em excesso ou
extremamente. A palavra “grande” é a mesma palavra mega, que significa
enorme, gigante ou massivo. Em outras palavras, não era uma pedra
normal. As autoridades colocaram uma pedra extremamente grande e
maciça em frente à entrada do túmulo de Jesus. No entanto, quando as
mulheres chegaram, ela havia sido removida!
Mateus 28:2 nos conta como a pedra foi removida. Ele diz que “...um
anjo do Senhor desceu do céu, chegou-se, removeu a pedra e assentou-se
sobre ela”. A palavra “sentou” é a palavra grega kathemai, que significa
sentar-se. Alguns sugerem que a capacidade do anjo de se sentar em cima
de uma pedra tão grande também pode denotar seu imenso tamanho. Em
outras palavras, ele era tão grande que podia se sentar em cima da enorme
pedra como se fosse uma cadeira. Se esse foi o caso, a remoção da pedra foi
um feito simples. Mateus nos informa que não apenas o anjo era forte, mas
“...seu aspecto era como um relâmpago, e a sua veste, alva como a neve” (v.
3).
O imenso tamanho, poder e brilho desse anjo explica por que os guardas
romanos fugiram do local. Mateus 28:4 (NVI) nos diz: “Os guardas
tremeram de medo e ficaram como mortos”. A palavra “medo” é a palavra
grega phobos, que significa temer. Nesse caso, foi um medo ou um pânico
tão grande, que fez os guardas “tremerem”.
Essa palavra “tremer” é derivada da palavra grega seio, cuja raiz é
idêntica à da palavra para terremoto. Os poderosos soldados romanos
tremeram ao ver o anjo. De fato, eles “...ficaram como mortos”. A palavra
“mortos” é a palavra grega nekros — palavra para um cadáver. Os soldados
ficaram tão aterrorizados com a aparência do anjo que caíram no chão,
tremendo violentamente e depois ficando paralisados de medo a ponto de
não conseguirem se mexer. Quando finalmente conseguiram se mover,
fugiram do local e quando as mulheres chegaram ao jardim, eles já estavam
longe!
Lucas 24:3 nos diz que, com a pedra removida, aquelas mulheres
passaram direto pelo anjo que estava sentado em cima da enorme pedra e
adentraram o túmulo. Ele diz: “Mas, ao entrarem, não acharam o corpo do
Senhor Jesus”. O que então elas encontraram dentro da tumba, além do
lugar vazio onde Jesus estava deitado? Marcos 16:5 (NVI) nos diz:
“Entrando no sepulcro, viram um jovem vestido de roupas brancas
assentado à direita, e ficaram amedrontadas”.
Primeiro, aquelas mulheres viram um anjo sentado em cima da pedra na
entrada do túmulo. Agora dentro do túmulo, veem outro anjo cuja aparência
é como a de um jovem. A palavra “jovem” vem da palavra grega neanikos,
referindo-se a um jovem que está cheio de vigor e energia e quem está no
auge da sua vida. Isso ilustra a vitalidade, a força e a aparência sempre
jovem dos anjos. A Bíblia também nos diz que esse anjo estava “...vestido
de roupas brancas...”. A palavra “vestido” retrata uma vestimenta sobre os
ombros, como um poderoso guerreiro ou governante se vestiria. A palavra
“roupas” vem da palavra grega stole, que representa um longo manto que
adornava a realeza, comandantes, reis, sacerdotes e outras pessoas de alta
distinção.
Como essas mulheres estavam em um sepulcro vazio, Lucas 24:4 nos diz
que “Ficaram perplexas, sem saber o que fazer...”. A palavra grega para
“perplexas” é aporeo, que significa perder o caminho. É a imagem de
alguém que está tão confuso que não consegue perceber onde está, o que
está fazendo ou o que está acontecendo ao seu redor. Essa pessoa está
completamente desorientada pelos eventos que a cercam.
É claro que aquelas mulheres estavam perplexas! Elas vieram esperando
ver a pedra em frente ao túmulo, mas ela foi removida. Sentado em cima da
pedra maciça havia um anjo deslumbrante. Para entrar no túmulo, tiveram
que passar por aquele anjo — uma vez no túmulo, elas descobriram que não
havia mais cadáver algum. Então, de repente, olharam para o lado direito
da tumba e viram um segundo anjo, vestido com um longo manto branco
como um guerreiro, governante, sacerdote ou rei. As mulheres não
esperavam encontrar nenhum daqueles eventos incomuns naquela manhã.
Era normal elas estarem confusas, com a cabeça cheia de perguntas!
Então, Lucas 24:4 nos diz que, de repente, “...apareceram-lhes dois
varões com vestes resplandecentes”. As palavras “apareceram-lhes” vem da
palavra grega epistemi, que significa vir de repente; tomar alguém de
surpresa; surgir em uma cena; aparecer subitamente ou aparecer
inesperadamente. Em outras palavras, enquanto as mulheres tentavam
descobrir o que estavam vendo, o anjo sentado em cima da pedra decidiu se
juntar ao grupo dentro do túmulo. De repente, para o espanto das mulheres,
dois anjos estavam em pé dentro do túmulo com “vestes resplandecentes”!
A palavra “resplandecente” é astrapto, representando algo que brilha ou
pisca como um relâmpago. Pode se referir à aparência brilhante dos anjos.
Lucas 24:5-8 diz: “Estando elas possuídas de temor, baixando os olhos
para o chão, eles [os anjos] lhes falaram: Por que buscais entre os mortos ao
que vive? Ele não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos de como vos
preveniu, estando ainda na Galileia, quando disse: Importa que o Filho do
Homem seja entregue nas mãos de pecadores, e seja crucificado, e
ressuscite no terceiro dia. Então, se lembraram das suas palavras”.
Depois que os dois anjos proclamaram as alegres notícias da ressurreição
de Jesus, instruíram as mulheres: “Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro
que ele vai adiante de vós para a Galileia; lá o vereis, como ele vos disse”
(Marcos 16:7). Mateus 28:8 relata que elas “...correram para anunciar aos
discípulos”. Marcos 16:8 revela: “...saindo elas, fugiram do sepulcro...”.
Lucas 24:9,10 diz que as mulheres voltaram e “...anunciaram todas estas
coisas aos onze e a todos os mais que com eles estavam”.
Você consegue imaginar o quão confusas aquelas mulheres devem ter
ficado quando tentaram contar aos apóstolos o que viram e ouviram naquela
manhã? Lucas 24:11 diz: “Tais palavras lhes pareciam um como delírio, e
não acreditaram nelas”. A palavra “delírio” vem da palavra grega leros, que
significa absurdo, conversa fiada, tagarelice ou delírio. Em outras palavras,
a explicação das mulheres nos evangelhos provavelmente não foi
extremamente clara, mas despertou bastante interesse em Pedro e João para
fazê-los levantar e ir saber por eles mesmos sobre Jesus!
Quando nós tivemos um encontro sobrenatural com o Senhor, não foi
fácil colocar essa experiência em palavras. Essa é uma frustração que todos
nós que conhecemos o Senhor já sentimos uma vez ou outra. No entanto,
não podemos deixar que isso nos impeça de espalhar as boas novas que
Jesus Cristo trouxe às nossas vidas. Nunca devemos esquecer que, embora
aquelas mulheres parecessem estar balbuciando e falando bobagens, suas
palavras foram suficientes para despertar o interesse naqueles homens e os
impelir a se levantar para saber de Jesus por eles mesmos.
Ao compartilhar Jesus Cristo com a sua família e amigos, é seu dever
“dar o melhor de si”. Fale as Boas Novas da melhor maneira que conseguir!
Mas não se esqueça do fato de que o Espírito Santo também está falando
aos seuscorações ao mesmo tempo em que você fala aos ouvidos deles. O
Espírito de Deus usará você e seu testemunho para despertar a fome
profundamente em seus corações. Mesmo muito tempo depois de você
terminar de falar, Deus ainda estará tratando com eles. Quando eles
entregarem suas vidas a Jesus, não se lembrarão de que suas palavras
soaram confusas no dia em que lhes apresentou o Evangelho. Eles serão
gratos porque você os amou o suficiente para cuidar de suas almas!
Então, levante-se e vá em frente! Abra a sua boca e comece a contar as
Boas Novas: que Jesus Cristo está vivo e bem!
 
 
A ressurreição é o fundamento da fé cristã. Jesus Cristo que estava morto
agora está vivo para todo o sempre (Apocalipse 1:18). Aquele que venceu a
morte, o inferno e a sepultura está sentado à direita do Pai, intercedendo
agora mesmo por você e por tudo o que lhe diz respeito. Pense sobre isso!
 
 
Assim como a Terra tremeu quando o seu Criador morreu na cruz, ela
explodiu em exultação quando Jesus ressuscitou dos mortos pela glória de
Deus Pai. Agora a criação está esperando que você ande na realidade da
vitória que Jesus comprou para você com o Seu próprio sangue. Reflita
sobre o significado dessa verdade à luz das escolhas que você faz
diariamente.
 
 
Os esforços mais determinados dos homens sob influência demoníaca
não puderam impedir que o poder de Deus restaurasse Jesus à vida.
Qual é o maior obstáculo ou dificuldade em sua vida? Se você é nascido
de novo, o mesmo Espírito que ressuscitou Jesus dos mortos habita em
você. Pense sobre o que o poder divino pode fazer em sua vida, se você
permitir que o Espírito Santo tenha acesso às situações “mortas” em sua
vida.
Capítulo
31
Um Túmulo Vazio
No momento em que as mulheres contaram tudo aos apóstolos, suas
palavras devem ter soado muito confusas! Primeiro, as mulheres relataram
que os anjos disseram que Jesus estava vivo. No entanto, estavam confusas
e agindo com medo, então exclamaram: “Tiraram do sepulcro o Senhor, e
não sabemos onde o puseram” (João 20:2).
O medo sempre produz confusão e aquelas mulheres estavam tão
confusas que os apóstolos não levaram a sério o que elas disseram. Lucas
24:11 diz: “Tais palavras lhes pareciam um como delírio, e não acreditaram
nelas”. Como já mencionamos, a palavra “delírio” vem da palavra grega
leros, que significa absurdo, conversa fiada, tagarelice ou delírio. Quem
aquelas mulheres pensaram ter removido Jesus do túmulo? Qual história era
verdadeira? Ele ressuscitou e estava vivo como as mulheres disseram aos
apóstolos, ou teve o corpo roubado?
João 20:3 e 4 (NVI) diz: “Pedro e o outro discípulo saíram e foram para o
sepulcro. Os dois corriam, mas o outro discípulo [João] foi mais rápido que
Pedro e chegou primeiro ao sepulcro”. Quando a Bíblia diz que Pedro e
João “saíram”, o tempo grego indica que seus pés já estavam se movendo
antes da conversa com as mulheres terminar. Quando souberam que algo
havia acontecido no túmulo, os dois homens saíram correndo para chegar lá
o mais rápido possível.
Nós também sabemos por João 20:11 que Maria Madalena logo seguiu
Pedro e João de volta ao sepulcro, pois ela estava presente no local e
permaneceu lá depois que Pedro e João voltaram aos apóstolos.
Acho interessante que quando Pedro e João correram para o túmulo para
ver o que as mulheres estavam querendo lhes dizer, nenhum dos outros
apóstolos se juntou a eles. Os outros aparentemente apenas ficaram
sentados observando Pedro e João vestirem suas roupas e começarem a
correr — não se juntaram aos dois homens. Em vez disso, o restante dos
apóstolos provavelmente ficou para trás discutindo o que ouviram e
debatendo sobre o que aquilo significava.
Por Pedro e João terem corrido para o jardim, eles experimentaram algo
que os outros apóstolos perderam por ficarem em casa. É um fato que se
você quiser ter uma experiência com Jesus Cristo e o Seu poder, deve se
levantar de onde está e começar a se mover em direção a Ele.
João ultrapassou Pedro no caminho para o jardim onde o túmulo estava
localizado. Assim que João chegou, João 20:5 (NVI) nos diz: “Ele se
curvou e olhou para dentro, viu as faixas de linho ali, mas não entrou”. A
palavra grega para “se curvar” é parakupto. Significa inclinar-se; espiar;
abaixar-se para olhar mais de perto ou se abaixar para ver algo melhor.
João se abaixou para poder dar uma espiada no túmulo, e ele “...viu as
faixas de linho ali...”. A palavra “viu” é a palavra grega blepo, que significa
ver. Foi o tempo de um piscar de olhos para ver as faixas de linho ali. As
palavras “faixas de linho” são a mesma palavra usada em João 19:40,
referindo-se à dispendiosa peça egípcia com a qual José de Arimateia e
Nicodemos enterraram Jesus (a palavra grega othonion; ver capítulo 28). Se
Jesus tivesse sido roubado, quem quer que o levasse também teria levado
aquela peça cara, mas João viu que aquelas faixas de linho foram deixadas
no túmulo.
Túmulos eram um lugar respeitado pelos judeus, o que pode explicar a
razão pela qual João hesitou em entrar. Também é bem possível que ele
tenha observado os selos quebrados e percebido que parecia que uma
entrada ilegal havia ocorrido. Talvez ele tenha pensado duas vezes antes de
se ver conectado a uma suposta cena de crime em potencial.
Independentemente do motivo pelo qual João hesitou, a Bíblia nos diz que
Pedro não hesitou, mas prontamente invadiu o túmulo para verificar por si
mesmo: “A seguir, Simão Pedro, que vinha atrás dele, chegou, entrou no
sepulcro e viu as faixas de linho, bem como o lenço que estivera sobre a
cabeça de Jesus. Ele estava dobrado à parte, separado das faixas de linho”
(João 20:6-7).
João apenas olhou para o interior do sepulcro, mas o versículo diz que
Pedro entrou no sepulcro e “...viu as faixas de linho”. A palavra “viu” é a
palavra grega theaomai, da qual tiramos a nossa palavra teatro. Significa
contemplar, ver totalmente ou olhar atentamente, como um patrono que
observa cuidadosamente cada ato de uma peça no teatro.
Quando Pedro entrou naquele túmulo, ele o examinou como um inspetor
profissional. Ele olhou por todos os cantos e recantos, prestando especial
atenção às roupas de linho e à maneira como elas foram deixadas lá. Ele viu
“...o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus. Ele estava dobrado à parte,
separado das faixas de linho”. A palavra “lenço” é soudarion e se refere a
um lenço que poderia ser usado para limpar a transpiração do rosto de
alguém. Essa palavra também era usada em conexão com uma mortalha
que era gentilmente colocada sobre a face dos mortos no enterro.
Quando Lázaro saiu do sepulcro, Jesus instruiu que as roupas lá dentro
do túmulo fossem removidas com o sudário, ou pano, do seu rosto (João
11:44). Aparentemente, o corpo inteiro de Jesus estava envolto em um
grande lençol de linho branco, mas o Seu rosto estava coberto com um
lenço como esse no estilo tradicional de enterro judaico.
O fato mais fascinante sobre esse lenço facial era que ele estava
“...dobrado à parte”. A palavra “dobrado” é a palavra grega entulisso, que
significa dobrar perfeitamente; organizar bem; ou organizar de maneira
ordenada. A razão pela qual essa palavra é tão interessante é que ela nos diz
que Jesus estava calmo e completamente no controle de suas faculdades
quando ressuscitou dos mortos. Ele tirou o dispendioso pano egípcio de Seu
corpo, sentou-se e tirou o lenço do Seu rosto. Sentado naquela posição
ereta, Ele dobrou o lenço e o colocou gentilmente de lado, separado das
faixas de linho que Ele provavelmente pôs do outro lado. Agora, enquanto
Pedro observava a cena dentro do túmulo, ele podia ver o local vazio onde
Jesus ficou sentado, entre essas duas peças de roupa funerária, depois que
Ele ressuscitou dos mortos.
João 20:8 diz: “Depois o outro discípulo, que chegara primeiro ao
sepulcro, também entrou. Ele viu e creu”. Esse versículo diz que, quando
João viu a placa de pedra vazia, onde o corpo de Jesus estivera e roupas
funerárias à direita e à esquerda, deixando o local onde Jesus estava sentado
vaziodepois que Ele ressuscitou, João então “creu”. Acho realmente
surpreendente que, embora Pedro tivesse passado mais tempo que João
dentro do túmulo, ele ainda estava incerto quanto ao significado de tudo
aquilo. Lucas 24:12 (KJV) diz que Pedro “...partiu, questionando consigo
mesmo aquilo que havia acontecido”. João, por sua vez, deixou o túmulo
crendo que Jesus estava vivo.
Mais tarde naquela noite, Jesus apareceria a todos os apóstolos e sopraria
o Espírito de Deus neles, dando-lhes o novo nascimento (João 20:22). Mas
naquele momento, como o Espírito Santo ainda não habitava neles como
Mestre, havia muito que eles não conseguiam entender. Embora Jesus
tivesse dito a eles que morreria e ressuscitaria dos mortos, eles
simplesmente ainda não eram capazes de compreender. É por isso que João
20:9 diz: “Pois ainda não tinham compreendido a Escritura, que era
necessário ressuscitar Ele dentre os mortos”.
Embora os apóstolos tivessem ouvido esse versículo do próprio Jesus, a
realidade e o impacto total da sua verdade não tinham sido registrados em
seus corações. Após aquele dia histórico e marcante, a Bíblia nos diz: “E
voltaram os discípulos outra vez para casa” (v. 10).
É notável para mim Pedro ter permanecido no meio do túmulo vazio de
Jesus e ainda ficar incerto sobre o que aquilo significava. Como seria
possível estar na mesma sala onde o cadáver de Jesus tinha estado, ver o
lenço cuidadosamente dobrado, perceber o lugar onde Ele se sentou, bem
no meio daquelas peças de tecido e ainda assim não ser capaz de entender
que Jesus agora estava vivo?
No entanto, à medida que reflito sobre o fato, ele começa a fazer sentido.
Deus tem feito muitos milagres inquestionáveis para você e para mim
também. Quantas vezes saímos sem sermos afetados pelo poder e pelos
milagres que vimos e experimentamos? Deus nos libertou, nos salvou e nos
livra do mal vez após outra. No entanto, ainda tendemos a nos perguntar se
Ele está realmente conosco ou não. Como nos é possível questionar a
fidelidade de Deus depois de tudo o que Ele já fez por nós?
Precisamos nos assegurar de que não permaneceremos inalterados e
insensíveis ao poder operante dos milagres de Deus que já atuaram em
nossas vidas. Em vez disso, devemos tomar a decisão de abraçar
plenamente todas as coisas boas que Deus fez por nós — reconhecer a Sua
obra em nossas vidas de forma tão completa que passe a mudar a nossa
visão sobre a vida e nos transforme de dentro para fora. Deus é bom! Ele
tem sido bom para todos nós. Se não nos lembramos disso, é somente
porque não estamos abrindo os nossos olhos para ver a Sua mão de
proteção, provisão e segurança ao nosso redor.
Faça uma escolha consciente de reconhecer tudo o que Deus fez e
continua fazendo em sua vida. Lembre-se de agradecer a Ele por isso e
determine nunca se esquecer da Sua fidelidade em aperfeiçoar tudo em sua
vida quando você confia nele.
 
 
Pedro e João eram ambos fervorosos em seu amor por Jesus, mas sempre
radicalmente diferentes em suas respostas a Ele.
Como você responde a Jesus em adoração, em oração e em sua vida
diária? O que as suas respostas revelam sobre a sua devoção e obediência a
Jesus?
 
 
Tudo na cena no sepulcro vazio estava organizado. Quando Jesus
removeu os Seus tecidos funerários, Ele dobrou o lenço facial e o colocou
de lado. Na corte de Pilatos, no monte do Gólgota, no túmulo do jardim,
Jesus manteve uma presença de espírito focada. Ele sempre agiu e nunca
reagiu.
A serenidade é uma característica que você atribuiria a si mesmo? Que
evidência em sua vida você poderia apresentar para apoiar a sua resposta?
 
 
Você já experimentou o poder milagroso de Deus? Se sim, como isso o
afetou? A lembrança disso ainda o deixa com um sentimento de temor ou o
tempo (ou o ceticismo) ofuscou o seu fervor e afeição por Deus e diminuiu
o valor que você dá à bondade dele?
Capítulo
32
A Primeira Mulher Pregadora
Quando Pedro e João deixaram o jardim, Maria Madalena ficou
para trás. Ela seguiu os dois homens, possivelmente esperando obter uma
compreensão mais clara do que havia acontecido naquele dia. Tudo o que
ela sabia era que seu dia começou com o desejo de ir ao túmulo para ungir o
corpo de Jesus. Mas quando ela chegou, a pedra fora rolada e um anjo
estava sentado em cima da grande pedra (Mateus 28:2)! Então, quando ela
entrou no sepulcro, primeiro descobriu outro anjo (Marcos 16:5) e, de
repente, viu-se na presença de dois anjos dentro do sepulcro (Lucas 24:4)!
Os anjos disseram a Maria: “Ele não está aqui, mas ressuscitou...” (Lucas
24:6). Mas se Jesus ressuscitou como os anjos disseram, onde Ele estava?
Como ela poderia encontrá-lo?
Sentindo-se desanimada e sozinha, Maria ficou do lado de fora do túmulo
chorando. No grego, a palavra significa chorar continuamente, realçando o
fato de que ela estava extremamente preocupada com os eventos
inexplicáveis que estavam acontecendo. Acima de tudo, ela queria saber o
que acontecera com Jesus. João escreve: “...[ela] abaixou-se, e olhou para
dentro do túmulo” (João 20:11). A palavra “abaixou-se” é parakupto, a
mesma palavra usada em João 20:5 para retratar João dando uma espiada
no túmulo. Agora era a vez de Maria se abaixar e espiar dentro do sepulcro
vazio — mas quando ela olhou para dentro, viu algo que não esperava!
João nos revela: “...[ela] abaixou-se, e olhou para dentro do túmulo, e viu
dois anjos vestidos de branco, sentados onde o corpo de Jesus fora posto,
um à cabeceira e outro aos pés” (João 20:11.12). A palavra “viu” é a
palavra grega theaomai, que nos diz com certeza que Maria fixou os olhos
sobre os anjos, determinada a olhar para eles e ter a experiência completa.
Primeiro, ela viu que os dois anjos estavam “de branco”. Isso concorda com
todas as outras experiências de visões angelicais naquele dia agitado. Todos
eles estavam vestidos de branco brilhante com uma aparência reluzente.
Todos os anjos vistos naquele dia também usavam o mesmo tipo de manto
— como os longos e esplendorosos mantos usados por guerreiros, reis,
sacerdotes ou qualquer pessoa de grande poder e autoridade. O emprego da
palavra theaomai (“viu”) nos fala que dessa vez Maria visivelmente estudou
cada detalhe dos anjos que viu no túmulo.
João continua nos informando que Maria viu esses anjos “...sentados
onde o corpo de Jesus fora posto, um à cabeceira e outro aos pés”. Essa
afirmação está em perfeito acordo com o interior de um túmulo escavado
em uma rocha durante os tempos bíblicos. Depois da entrada do túmulo,
geralmente havia uma sala separada menor com um pedestal, também
esculpido em pedra. Nessa placa de pedra o corpo era colocado para
repousar, depois de ser vestido com roupas funerárias e perfumado pelos
entes queridos. A cabeça era levemente elevada, fazendo o tronco do
cadáver ficar levemente inclinado para baixo, com os pés apoiados em uma
pequena saliência ou sulco, ambos projetados para evitar que o corpo
escorregasse da placa.
Quando Maria viu os anjos, ela percebeu que um estava sentado na parte
de cima da placa e o outro estava sentado ao pé dela. Entre esses anjos, era
possível ver o lugar vazio onde ela pessoalmente havia visto Jesus alguns
dias antes. Lucas 23:55 nos diz que depois que o corpo de Jesus foi
colocado no sepulcro, Maria Madalena e outras mulheres que vieram da
Galileia “...viram o túmulo e como o corpo fora ali depositado”.
A palavra “viram” (theaomai), como já falamos, significa contemplar,
ver totalmente ou olhar atentamente. Aquelas mulheres inspecionaram o
túmulo, olhando para o corpo morto de Jesus para ver se Ele fora
honrosamente colocado no lugar. Por Marcos 15:47 usar o tempo imperfeito
para nos dizer como as mulheres olhavam para o corpo de Jesus,
entendemos que aquelas mulheres levaram tempo suficiente para ter certeza
de que Ele estava devidamente posicionado ali. Agora, Maria via o mesmo
local onde ela havia trabalhado tão cuidadosamente alguns dias antes, mas o
cadáver do qual ela cuidou não estava mais lá.
Quando Maria olhou e chorou, os anjos lhe perguntaram: “Mulher, porque choras? Ela lhes respondeu: Porque levaram o meu Senhor, e não sei
onde o puseram. Tendo dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas
não reconheceu que era Jesus” (João 20:13-14).
Abatida pela tristeza, Maria se retirou do túmulo bem a tempo de ver um
homem parado ali perto. Devido à mudança de aparência de Jesus, ela foi
incapaz de reconhecê-lo. O versículo 15 nos conta o que aconteceu em
seguida: “Perguntou-lhe Jesus: Mulher, por que choras? A quem procuras?
Ela, supondo ser ele o jardineiro, respondeu: Senhor, se tu o tiraste, dize-me
onde o puseste, e eu o levarei”.
Naquele exato momento, Jesus disse ternamente: “Maria”. Ao ouvir
aquela voz e reconhecer o velho modo familiar como Ele chamava seu
nome, “Ela, voltando-se, lhe disse, em hebraico: Raboni (que quer dizer
Mestre)!” (v. 16). Embora a aparência de Jesus estivesse diferente, Maria o
conheceu por Sua voz. Isso me lembra de João 10:27, quando Jesus disse
aos Seus discípulos: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz...”. Maria
conhecia a voz dele e reconheceu que era o seu pastor que estava diante
dela.
Em Apocalipse 1, João nos fala sobre sua visão na ilha de Patmos. Em
meio a essa fenomenal visitação divina, ele diz: “Achei-me em espírito, no
dia do Senhor, e ouvi, por detrás de mim, grande voz, como de trombeta...
Voltei-me para ver quem falava comigo...” (Apocalipse 1:10,12). Como
Maria, quando João ouviu aquela voz, ele a reconheceu como a voz de
Jesus. Foi por isso que João escreveu: “...voltei-me para ver quem falava
comigo”.
É claro que é impossível “ver” uma voz, mas João reconheceu o som
daquela voz e se virou para conferir o rosto. Ele sabia que era Jesus. Mas,
como Maria também havia descoberto, a aparência física de Jesus parecia
radicalmente diferente da do Jesus que João conhecera em Sua forma
terrena. A voz de Jesus nunca mudou e João imediatamente reconheceu
isso.
Parece que Maria estendeu as mãos para se agarrar a Jesus, mas Ele a
advertiu, dizendo: “Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai,
mas vai ter com os meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai,
para meu Deus e vosso Deus” (João 20:17). Com essa afirmação, Jesus
deixou claro que tudo mudara por causa da cruz. Agora, um novo
relacionamento com Deus estava disponível para os apóstolos e para todos
os que invocassem o nome de Jesus Cristo!
João 20:18 prossegue dizendo: “Maria Madalena foi e anunciou aos
discípulos: ‘Eu vi o Senhor!’ E contou o que Ele lhe dissera”. Ao contar aos
discípulos sobre a sua experiência com o Senhor ressurreto, Maria tornou-se
a primeira mulher pregadora do Evangelho!
Hoje, nos alegramos que Jesus esteja vivo! Por causa do que Ele fez por
nós na cruz, agora temos acesso a Deus, o Pai. Esse foi o propósito da cruz:
redimir a humanidade e colocar o homem de volta no relacionamento
correto e na comunhão com o seu Pai Celestial. Jesus pagou por tudo! Ele
concluiu a obra da redenção para que hoje possamos estar em um
relacionamento correto com Deus, aceitando a obra de Cristo no Calvário
pela fé.
Encorajo você a ser ousado em reconhecer a voz de Jesus. Se você
pertence a Ele, então conhece a Sua voz. Maria conhecia a voz dele; João
conhecia a voz dele e o seu espírito nascido de novo também a conhece. Se
você reservar um tempo para ouvir, escutará a voz de Jesus lhe chamando,
assim como Ele carinhosamente chamou Maria naquele dia no jardim. Ele o
conhece pelo nome e quer desfrutar de uma comunhão íntima com você. Se
você separar um tempo para ouvir, conhecerá Jesus melhor do que qualquer
pessoa em sua vida e Ele será fiel para lhe guiar com precisão divina em
todas as situações desafiadoras que você enfrentar.
 
 
Embora Maria não tenha reconhecido o Jesus ressuscitado quando o viu
pela primeira vez, no momento em que Ele disse o nome dela, ela
reconheceu a Sua voz. Você se lembra da época em que teve certeza de que
Jesus estava lhe chamando pelo nome? Como você respondeu e qual foi o
resultado dessa experiência?
 
 
Observe que a primeira pessoa que Jesus comissionou para proclamar a
notícia de Sua ressurreição foi uma mulher. No Jardim do Éden, uma
mulher operando sob o engano desobedeceu e, assim, contribuiu com a
queda da humanidade. No jardim da ressurreição, uma mulher, capacitada
pela revelação, obedeceu e assim levou a notícia da redenção e restauração
do homem.
De que maneira você está sendo obediente para proclamar aos outros a
Boa Nova do que Jesus fez?
 
 
Quando Jesus disse a Maria: “...subo para meu Pai e vosso Pai; e ao meu
Deus e ao seu Deus”, Ele declarou que, assim como foi ressuscitado para
uma nova vida, a humanidade foi elevada a um novo nível também.
Se você acredita em Jesus e em Seu sacrifício por você, Deus é seu Pai e
seu Deus. Como você tem permitido que essa verdade molde sua identidade
e influencie a maneira como você responde a Deus em assuntos grandes e
pequenos?
Capítulo
33
Relatos de Testemunhas Oculares de que Jesus
Ressuscitou dos Mortos
No próprio dia da ressurreição, Jesus apareceu aos discípulos em vários
momentos e lugares. Era uma impossibilidade física para Ele estar em
tantos lugares diferentes em um dia. Essas aparições, portanto, revelaram
que o corpo glorificado de Jesus não tinha as mesmas limitações que Seu
corpo terreno possuía antes de Sua ressurreição e glorificação. A Bíblia
deixa claro que, em Sua condição gloriosa, Ele podia aparecer, desaparecer,
viajar grandes distâncias e até mesmo atravessar sobrenaturalmente uma
parede ou a porta trancada de uma casa (João 20:26).
No mesmo dia em que Jesus ressuscitou de entre os mortos, Ele não
apareceu apenas a Maria Madalena fora do sepulcro do jardim (João 20:14-
17), mas a dois discípulos enquanto caminhavam de Jerusalém para a
cidade de Emaús (Lucas 24:13-31). Quando os três homens sentaram para
comer juntos, Jesus abençoou a comida. Depois de ouvir a maneira como
Ele abençoou a comida, os dois discípulos imediatamente reconheceram
que era o Senhor — logo depois, Ele, de repente “...desapareceu da
presença deles” (v. 31).
Naquela mesma noite, Jesus atravessou sobrenaturalmente as paredes de
uma casa onde os 11 discípulos estavam reunidos, milagrosamente
aparecendo bem na frente deles. João 20:19 nos fala sobre esse evento
surpreendente: “Ao cair da tarde daquele dia, o primeiro da semana,
trancadas as portas da casa onde estavam os discípulos com medo dos
judeus...”.
Esse versículo diz que quando os discípulos se reuniram para jantar, eles
se certificaram de que estavam “trancadas as portas da casa”. A palavra
“porta” nessa passagem, no grego, é thura, o que nos diz que essa era uma
porta grande e sólida. Como se isso não bastasse, o versículo nos fala que
essas portas estavam “trancadas”.
A palavra “trancada” é a palavra grega kleio, que significa bloqueado.
Portas desse tipo geralmente eram trancadas com um ferrolho pesado que
deslizava por meio de anéis presos à porta e à estrutura — como as trancas
que usamos hoje em portas, só que mais pesadas. Essa porta seria difícil,
senão impossível de arrombar. O fato de ter sido trancada por “medo dos
judeus” nos diz que os discípulos adotaram um procedimento de
autopreservação e proteção.
Com os rumores da ressurreição de Jesus já enchendo a cidade de
Jerusalém, não havia certeza de que os líderes que crucificaram Jesus não
tentariam prender o restante dos apóstolos e fazer o mesmo com eles que
fizeram com Jesus. Sabemos que os guardas romanos que fugiram do local
da ressurreição “...contaram aos principais sacerdotes tudo o que sucedera”
(Mateus 28:11). Para impedir que o povo de Israel conhecesse a verdade da
ressurreição de Jesus, os principais sacerdotes e anciãos subornaram os
soldados para que mantivessem as bocas fechadas sobre o que tinham visto.
O versículo 12 nos revela: “Reunindo-se eles em conselho com os anciãos,
deram grande soma de dinheiro aos soldados”.
Os principais sacerdotes e anciãos inventaram uma história e disseram
aos soldados o que eles deveriam dizer quando as pessoas perguntassem o
que havia acontecido:“Dizei: Vieram de noite os discípulos dele e o
roubaram enquanto dormíamos” (v. 13).
A confissão dos soldados de que dormiram no trabalho os consideraria
dignos de punição aos olhos de Pilatos, de modo que os líderes religiosos
lhes asseguraram: “Caso isto chegue ao conhecimento do governador, nós o
persuadiremos e vos poremos em segurança” (v. 14). Os soldados ouviram
o plano dos líderes religiosos e ficaram satisfeitos com a quantia de
dinheiro que lhes foi oferecida para permanecerem em silêncio. O versículo
15 então relata: “Eles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam
instruídos...”.
Depois que os principais sacerdotes e anciãos compraram o testemunho
dos guardas romanos, eles se posicionaram para fazer algumas sérias
prisões. Primeiro, sabemos que eles já estavam afirmando que os discípulos
roubaram o corpo de Jesus. Mas para roubar o corpo, eles tinham que
dominar os guardas romanos ou passar por eles enquanto dormiam. De
qualquer forma, isso seria considerado uma péssima desonra para a
reputação dos guardas. E se os discípulos fossem pegos, eles
potencialmente seriam mortos por essa ação.
Para abrir o túmulo, o selo do governador tinha que ser quebrado.
Quebrar esse selo era uma ofensa que exigia a sentença de morte, pois era
uma violação do poder do império. Sem dúvida, as mesmas multidões
enfurecidas que aplaudiam enquanto Jesus levava sua trave ao Gólgota
ainda estavam na cidade. A cidade já estava em tumulto devido aos
acontecimentos tão estranhos — o céu ficando escuro no meio do dia sem
qualquer explicação natural; o véu do templo se rasgando ao meio; vários
terremotos sacudindo todo o território ao redor. Não demoraria muito para
agitar toda a cidade ao extremo e colocá-la contra os discípulos. Era por
isso que os discípulos estavam trancados, com as portas bem fechadas
naquela noite.
Mas embora as portas estivessem bem trancadas, Jesus
sobrenaturalmente atravessou a matéria sólida e apareceu no meio dos
discípulos. João 20:19 diz que Jesus veio “...pôs-se no meio e disse-lhes:
Paz seja convosco!”
Sem dúvida, essa aparição repentina deve ter aterrorizado os discípulos.
Lucas 24:37 nos revela que “Eles, porém, surpresos e atemorizados,
acreditavam estarem vendo um espírito”. Foi por isso que Jesus lhes disse:
“Por que estais perturbados? E por que sobem dúvidas ao vosso coração?
Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e
verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu
tenho” (vv. 38,39).
Observe que Jesus disse: “apalpai-me”. Temos aí a palavra grega
psilaphao, e significa literalmente tocar, apertar ou sentir. Jesus deu
permissão aos discípulos para examinar Seu corpo ressuscitado para ver que
era um corpo real e não um espírito.
De repente Jesus lhes perguntou: “Tendes aqui alguma coisa que comer?”
Os versículos seguintes dizem: “Então, lhe apresentaram um pedaço de
peixe assado [e um favo de mel]. E ele comeu na presença deles” (Lucas
24:42-43). Depois de comer o peixe e o favo de mel, Jesus começou a lhes
falar das Escrituras, apontando as principais profecias do Antigo
Testamento relacionadas a Ele. Lucas 24:45 relata: “Então, lhes abriu o
entendimento para compreenderem as Escrituras”. Jesus explicou aos
discípulos que o arrependimento teria que ser pregado em Seu Nome entre
todas as nações, mas que deveria começar em Jerusalém. Foi quando Ele
lhes disse: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (João
20:21).
O discípulo Tomé não esteve presente no quarto naquela noite em que
Jesus atravessou a matéria sólida e entrou na sala. Mais tarde naquela noite,
Tomé se juntou a eles e ouviu as notícias, mas a essa altura Jesus já havia
partido. Ele zombou dos outros discípulos e disse: “Se eu não vir nas suas
mãos o sinal dos cravos, e ali não puser o dedo, e não puser a mão no seu
lado, de modo algum acreditarei” (João 20:25).
Oito dias depois, os discípulos estavam atrás de portas trancadas
novamente, mas dessa vez Tomé estava com eles. João 20:26-27 diz:
“...veio Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco! E logo disse
a Tomé: Põe aqui o dedo e vê as minhas mãos; chega também a mão e põe-
na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente”. Claro, após esse evento,
Tomé acreditou!
Jesus apareceu aos Seus discípulos novamente, dessa vez no Mar de
Tiberíades. Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael, os filhos de Zebedeu
e dois outros discípulos seguiram Pedro até o litoral para pescar. Mas depois
de pescar a noite toda, os discípulos não pegaram nada.
Então, de manhã, Jesus apareceu na praia e levou os discípulos a
lançarem as redes do outro lado do barco. Embora eles não tivessem certeza
de quem os estava instruindo, os homens obedeceram de qualquer maneira
— ali pegaram tantos peixes que não foram capazes de puxar suas redes
para dentro do barco! Foi quando eles reconheceram que o homem que os
havia instruído era o Senhor (João 21:2-7).
Antes que a noite terminasse, Jesus sentou-se ao redor de uma fogueira,
comeu peixe e passou um tempo em comunhão com eles. João 21:14 diz:
“E já era esta a terceira vez que Jesus se manifestava aos discípulos, depois
de ressuscitado dentre os mortos”.
Então, finalmente, os discípulos se reuniram no mesmo monte da
Galileia, onde Jesus os havia comissionado. Ele apareceu para eles e lhes
deu a Grande Comissão. Ele disse: “Toda a autoridade me foi dada no céu e
na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em
nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas
as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias
até à consumação do século” (Mateus 28:18-20).
Além dessas aparições registradas nos evangelhos, 1 Coríntios 15:5-7
diz: “E apareceu a Cefas e, depois, aos doze. Depois, foi visto por mais de
quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria sobrevive até agora;
porém alguns já dormem. Depois, foi visto por Tiago, mais tarde, por todos
os apóstolos”. Atos 1:3 relata: “...se apresentou vivo, com muitas provas
incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas
concernentes ao reino de Deus”.
E quanto a você? Você tem experiências com Jesus Cristo nas atividades
diárias da sua vida ou Jesus está apenas relegado aos cultos da igreja e à
escola dominical? Pelo que você acabou de ler, agora já sabe que Jesus
estava “entre” os Seus discípulos depois da Sua ressurreição. Comeram com
Ele, conversaram com Ele e tiveram comunhão com Ele. Jesus até os
ajudou a pescar! O Jesus ressuscitado se aproximou dos Seus discípulos —
mas você se aproxima dele enquanto realiza as atividades da sua vida
cotidiana?
Mesmo que Jesus esteja sentado agora mesmo à direita do Pai nas alturas,
você pode conhecê-lo intimamente por meio do ministério do Espírito
Santo. O Espírito Santo é o Grande Revelador de Jesus Cristo. Apenas peça
ao Espírito Santo que lhe mostre Jesus e Ele será fiel para tornar Jesus mais
real para você do que a sua mente natural pode imaginar. 
 
Jesus repreendeu Tomé por não acreditar até ver. Ao mesmo tempo, Jesus
pronunciou uma bênção para todos os que cressem que Ele havia
ressuscitado dos mortos sem realmente tê-lo visto.
A Pessoa do Espírito Santo é um Revelador. É seu papel não apenas lhe
revelar as coisas que estão por vir, mas também mostrar, em crescente
profundidade e clareza, quem é Jesus tanto para você como por intermédio
de você — como um membro do Seu Corpo na Terra. Você está reservando
um tempo para ter comunhão com Deus a fim de que o Espírito Santo possa
lhe dar a revelação que você precisa e que o seu coração deseja?
 
 
Você já desejou ter andado com Jesus quando Ele esteve na Terra? Se
sim, você está de fato ansiando por menos do que está à sua disposição
agora. Por meio da Palavra escrita de Deus e do ministério do Espírito
Santo, você pode experimentar uma comunhão ainda mais íntima e
profunda com Jesus do que Seus discípulos compartilharam durante Seu
ministério terreno.
A Bíblia descreve o poder e as façanhas demonstradas na vida daquelesque andaram com Jesus. Pense sobre o que Deus pode realizar por meio da
sua vida quando você escolher conscientemente caminhar diariamente com
Jesus por intermédio da Sua Palavra e do Seu Espírito.
 
 
Jesus disse aos Seus discípulos que quando o viam, viam o Pai (João
14:7). O mesmo pode ser dito sobre você?
Se você é um cristão, deve ser o representante de Jesus na Terra,
refletindo a Sua natureza e os Seus caminhos. Quando as pessoas chegam
até você, elas sentem que Jesus as está alcançando por seu intermédio? De
que maneira você deliberadamente dá testemunho do fato de que Jesus está
vivo e habita em seu interior?
Capítulo
34
O Que Jesus Tem Feito nos Últimos Dois Mil Anos?
Quando Lucas escreveu o capítulo 1 de Atos, ele narrou eventos
nos últimos dias da aparição de Jesus na Terra. Ele diz que Jesus “...se
apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes
durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus”
(v. 3). Em Atos 1:9, Lucas continua nos relatando que no final desses 40
dias, depois de Jesus ter falado aos Seus seguidores uma última vez, “...foi
elevado às alturas, à vista deles, e uma nuvem o encobriu dos seus olhos”.
Lucas continua: “E, estando eles [os apóstolos] com os olhos fitos no
céu, enquanto Jesus subia, eis que dois varões vestidos de branco se
puseram ao lado deles e lhes disseram: Varões galileus, por que estais
olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá
do modo como o vistes subir” (Atos 1:10,11). Naquele dia, os anjos
declararam que Jesus retornaria da mesma maneira que Ele foi, quase dois
mil anos atrás.
Dias depois, quando Pedro pregou sua primeira mensagem no Dia de
Pentecostes, ele declarou que Jesus permaneceria no céu até o cumprimento
de toda a Bíblia no final dos tempos (ver Atos 3:21). Somente quando todas
as profecias ainda não cumpridas forem finalmente cumpridas, Jesus
retornará e quando Ele voltar, será exatamente da mesma maneira que Ele
ascendeu quase dois mil anos atrás. No entanto, dessa vez, Jesus não
retornará como um humilde servo. A Bíblia declara que Ele retornará como
o Rei dos reis e o Senhor dos senhores!
Quando os discípulos observaram Jesus ascender em uma nuvem de
glória que o encobriu no céu, aquela foi a última vez que Ele foi visto na
Terra em Sua forma humana física. Claro, desde aquela época, as pessoas
têm experimentado momentos sobrenaturais quando veem Jesus em
Espírito — seja em visões ou em sonhos. E também sabemos que Jesus está
tocando a vida das pessoas hoje por meio da Sua Igreja, à qual a Bíblia até
se refere como o Corpo de Cristo.
Mas o próprio Jesus — em Sua forma física real — deixou a Terra há
dois mil anos e esteve ausente desde então. Ele permanecerá ausente até que
todas as passagens bíblicas relacionadas aos últimos dias tenham sido
cumpridas. Embora possamos querer prever quando esse dia chegará e até
mesmo reconhecer o motivo da segunda vinda de Jesus, Mateus 24:36 nos
diz que somente o Pai sabe exatamente o dia e a hora em que Jesus voltará.
Quando Pedro pregou no dia de Pentecostes, ele disse à sua audiência
onde Jesus estava naquele momento: Tendo subido ao céu, Jesus estava
sentado à direita do Pai! Pedro então declarou que uma vez que Jesus se
assentou em Sua nova posição permanente à direita do Pai, Sua primeira
ordem de trabalho foi derramar o dom do Espírito Santo sobre a Igreja (ver
Atos 2:33). Isso foi exatamente o que aconteceu no dia de Pentecostes.
Em Atos 2:1-2, a Bíblia nos diz: “Ao cumprir-se o dia de Pentecostes,
estavam todos [os 120 discípulos que se reuniram no cenáculo em
Jerusalém] reunidos no mesmo lugar; de repente, veio do céu um som,
como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam
assentados”.
O vento impetuoso que se ouviu no dia de Pentecostes foi o som
sobrenatural da descida do Espírito Santo e Sua entrada na Igreja que
iniciou a Era da Igreja e a dispensação do Espírito Santo. As palavras
“vento impetuoso” vêm de uma palavra grega que era normalmente usada
para descrever um barulho ensurdecedor ou o rugido das ondas do mar,
especialmente durante as tempestades de inverno.
Você já esteve perto do mar durante uma tempestade de inverno e ouviu o
rugido das ondas? É tão alto que você mal consegue ouvir outra pessoa falar
— mesmo que ela esteja ao seu lado.
Isso nos diz categoricamente que quando o Espírito Santo fez Sua entrada
no Dia de Pentecostes, não foi algo silencioso. Foi barulhento, grandioso e
alardeador. Embora o Espírito Santo seja um cavalheiro, Ele não tem medo
de barulho alto.
A verdade é que a entrada da Terceira Pessoa da Trindade foi tão
alardeadora que todas as pessoas presentes no dia de Pentecostes
entenderam que o Espírito Santo havia descido, assim como Jesus
profetizou (ver João 14:16). Desde aquele tempo, o Espírito Santo tem
estado na Terra para representar, glorificar a Jesus e capacitar os crentes
para fazer as obras de Jesus.
Esses últimos dois mil anos — e enquanto existir a Era da Igreja —
foram e serão a dispensação do Espírito Santo. Por mais maravilhosa que
seja essa dispensação, todos os corações anelam pelo dia em que as nuvens
baixarão e o próprio Jesus descerá novamente ao mundo. Mas até aquele
momento em que Jesus de repente e sobrenaturalmente aparecerá, esta é e
continuará a ser a era em que o Espírito Santo está em ação como
representante de Jesus no mundo. É por isso que devemos fazer tudo o que
pudermos para aprender mais sobre o Espírito Santo e como termos parceria
com Ele nesta vida.
Sendo essa a dispensação do Espírito Santo e estando o próprio Jesus
fisicamente ausente da Terra desde o dia em que subiu ao céu, onde está
Jesus agora e o que tem feito nos últimos dois mil anos?
Quando os pés de Jesus deixaram a Terra e Ele foi recebido no céu.
Hebreus 8:6 nos diz que Ele iniciou a fase seguinte de Seu ministério —
uma fase tão maravilhosa que esse versículo chama de “...um ministério
tanto mais excelente, quanto é ele também Mediador de superior aliança
instituída com base em superiores promessas”.
A palavra grega para “excelente” significa incomparável, sem paralelos,
insuperável, imbatível, melhor, maior ou mais excelente. Isso quer dizer que
o ministério atual de Jesus não deve ser comparado ao Seu ministério
terreno anterior. De fato, Hebreus 8:6 enfaticamente nos informa que o
ministério de Jesus nesta dispensação do Espírito Santo é o Seu melhor,
maior e mais excelente ministério.
Por que esta fase do ministério de Jesus é tão excelente?
O que Ele está fazendo agora que é tão poderoso?
No momento em que Jesus sentou-se à direita do Pai, Seu ministério
como o Grande Sumo Sacerdote para todos que invocam o Seu Nome foi
iniciado. Sob a Antiga Aliança, havia muitos sacerdotes, mas cada um deles
acabou morrendo devido à sua condição humana. No entanto, Hebreus
7:24-25 declara: “Este [Jesus], no entanto, porque continua para sempre,
tem o seu sacerdócio imutável. Por isso, também pode salvar totalmente os
que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles”.
Hebreus 4:15,16 também descreve o poder do ministério atual de Jesus:
“Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das
nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa
semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente,
junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça
para socorro em ocasião oportuna”.
Essa é a melhor notícia que você já ouviu! Pense nisto — Jesus tornou-se
seu Grande Sumo Sacerdote — seu representante pessoal que se assenta à
direita do Pai Celestial. O ministério de Jesus hoje é representar você ao
Pai. E porque Jesus viveu na Terra como homem, Ele entende todo
problema ou tentação que possa vir em sua direção.
Jesus enfrentou todas as tentações que qualquer ser humano já encontrou
na vida. Isso significa que Ele experimentou todas as tentações que você
enfrenta. Tudo o que você fala com Jesus é algo com o qual Ele foi
pessoalmente tentado quando andouna Terra e que Ele pessoalmente
entende. Mas a Bíblia declara que, embora Ele tenha sido tentado de todas
as formas — assim como nós — Jesus não cometeu pecado. Portanto, Ele
está qualificado hoje para assentar à direita do Pai e interceder em nosso
favor.
É por isso que Hebreus 4:16 nos diz: “Acheguemo-nos, portanto,
confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e
acharmos graça para socorro em ocasião oportuna”. A palavra
“confiadamente” vem da palavra grega muitas vezes usada parresia, que se
refere à liberdade de fala. Ela apresenta a imagem de uma pessoa que fala o
que pensa e que faz isso de maneira direta e com grande confiança.
Com frequência, nos tempos do Novo Testamento, a palavra parresia
mostrava uma franqueza que era tão ousada, que era regularmente recebida
com resistência, hostilidade e oposição. Simplesmente não era aceitável
falar tão francamente. Portanto, quando alguém falava seus pensamentos
livremente, sua franqueza era recebida com repreensão vez após outra.
Mas o Espírito Santo usa a palavra parresia nesse versículo para nos
incitar a ir “ousadamente” diante do trono de graça de Deus. Isso significa
que Jesus não apenas nos convida a ir a Ele, mas também nos convida a
sermos sinceros quando falamos com Ele!
Você não precisa temer ser franco demais, ousado demais, direto demais,
honesto demais, sincero demais ou contundente demais quando abrir o seu
coração para Deus a respeito das suas necessidades e dificuldades ou
quando pedir a ajuda dele. Claro, você nunca deve ser irreverente — mas
também não precisa ter medo de falar exatamente o que está em seu
coração. A palavra grega parresia enfaticamente diz que Jesus nunca ficará
chateado, ofendido ou insultado quando você falar livremente o que está no
coração e mente para Ele. Ele quer ouvir o que você tem a dizer!
Hebreus 4:16 prossegue dizendo para nos “...achegarmos, portanto,
confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e
acharmos graça para socorro em ocasião oportuna”. A palavra
“recebermos” vem da palavra grega lambano — palavra que significa
apreender ou apoderar -se de algo para torná-lo seu. É a imagem de se
agarrar, capturar ou tomar posse de algo. Dependendo do contexto em que
é usada, lambano pode tanto significar usar algo para agarrar ou pegar
como se fosse seu quanto pode representar uma pessoa que gentil e
graciosamente recebe algo que é dado de forma livre e fácil.
Jesus está sempre lá, esperando misericordiosamente para ajudar quem
vem a Ele pela fé. Mas suas próprias circunstâncias pessoais ou lutas
internas podem afetar a facilidade que você recebe a ajuda dele. Se a sua
luta é intensa, se sua mente está sendo torturada, se a sua carne estiver
resistindo ou se parece que o mundo está lhe esmagando, pode ser difícil
para você receber livremente do Senhor. Nesses momentos, você precisa se
aproximar e agarrar à força a ajuda que Deus lhe oferece.
Jesus está pronto e disposto a simplesmente lhe dar o que você precisa.
Tudo o que você tem a fazer é abrir o seu coração e, pela fé, receber. Você
deve expulsar essas circunstâncias e emoções negativas, e estender a mão
pela fé para agarrar-se à graça e misericórdia que Jesus tão livremente
oferece. É hora de você receber a misericórdia que Ele quer dar — mas não
pare na misericórdia! Se você continuar pressionando pela fé, esse versículo
promete que você também “encontrará graça para socorro em ocasião
oportuna”.
A palavra “encontrar” é uma tradução da palavra grega eurisko, que
significa encontrar. Denota uma descoberta feita por meio de uma pesquisa
ou por acaso. Geralmente, traz a ideia de uma descoberta feita como
resultado de uma intensa investigação, estudo científico ou pesquisa
acadêmica. Depois de trabalhar longas horas e procurar por um longo
tempo, o pesquisador descobre, de repente, o que vem buscando. Nesse
momento inesquecível de alegre euforia, ele grita: “EUREKA!” — que
significa “eu ENCONTREI!” A palavra eureka é derivada dessa palavra
grega eurisko, o que nos permite entender o tipo de alegria intensa que uma
pessoa experimenta quando encontra a ajuda pela qual vem procurando por
tanto tempo.
Graças a Deus pelos momentos especiais em que um crente “se depara”
com a ajuda de Deus. Falo de ocasiões em que alguém é jovem no Senhor
ou muito inexperiente para saber o que está fazendo ou mesmo como orar
corretamente. Ou talvez um crente que esteja inocentemente cometendo
todo tipo de erro. De alguma forma, a misericórdia e a graça de Deus
superam todos esses erros e esse precioso crente é divina e
sobrenaturalmente alcançado por uma ajuda que faz que ele se eleve acima
das suas circunstâncias e supere todos os obstáculos. Aquele crente não
consegue nem explicar o que aconteceu ou como ele recebeu aquela
assistência divina. Tudo o que ele sabe é que de repente ele foi capacitado!
Naquele momento, ele “encontrou” o socorro que precisava para superar o
que estava enfrentando na vida.
No entanto, o “socorro” geralmente não vem por acaso; em vez disso,
vem quando uma pessoa busca diligentemente a ajuda de que precisa.
Quando aquele diligente buscador se apodera da sua resposta vinda do céu,
uma euforia enorme inunda o seu coração que ele exclama: “EU TENHO!”;
“EU ENCONTREI!” ou “EU RECEBI!” Depois de uma longa procura,
aquele que buscava está agora segurando em sua mão a resposta que tanto
precisava de Deus!
Mas eu devo salientar mais uma coisa muito importante sobre a palavra
eurisko. Essa palavra também pode ser usada para retratar alguém que
busca diligentemente e, portanto, adquire algo para outra pessoa. Isso tem
conotações poderosas e quero explicar por quê.
Significa que você pode ir a Jesus, o Grande Sumo Sacerdote, para
receber misericórdia e encontrar socorro para os outros, sobre quem você
está preocupado ou que estão sobrecarregados. Você pode obter ajuda:
 
12.Para aqueles que precisam de cura para os seus corpos.
13.Para aqueles que estão oprimidos e precisam de libertação.
14.Para aqueles que estão atormentados e precisam de paz.
15.Para casamentos e famílias que estão com problemas.
16.Para provisão a ser dada àqueles que precisam de um avanço financeiro.
17.Para aqueles que estão em necessidade em qualquer área das suas vidas.
 
Você não apenas pode apresentar as suas próprias necessidades a Jesus,
mas também pode levar as necessidades de outros a Jesus e obter a ajuda da
qual eles precisam desesperadamente.
Agora vamos observar a frase “socorro em ocasião oportuna”, que é uma
tradução da palavra boetheia; uma palavra que tinha principalmente uma
conotação militar. Ela pode simplesmente ser traduzida como ajudar a
atender às necessidades de alguém. Mas quando você entende as
implicações militares dessa palavra, ela se torna verdadeiramente poderosa.
A palavra boetheia era usada em primeiro lugar para descrever o
momento em que um soldado se metia em confusão. Quando seus
companheiros soldados eram alertados sobre sua situação perigosa, eles se
dedicavam completamente ao objetivo de entrar na batalha para defender
seu companheiro e lutar por seu bem-estar e segurança. Bastava ouvir que
um soldado estava precisando e isso era o suficiente para atrair os outros
soldados para a batalha e motivá-los a não poupar esforços para resgatá-lo e
trazê-lo de volta a um lugar de segurança e proteção.
Como boetheia é a palavra usada nesse texto, entendemos que quando
entrarmos em problemas e Jesus souber disso, Ele virá em nossa defesa! Ele
vai lutar por nós em nosso tempo de necessidade. Se formos a Jesus, nosso
Grande Sumo Sacerdote e apresentarmos nosso caso a Ele, Ele intercederá
por nós — levantando-se como um poderoso guerreiro pronto para lutar por
nós até sermos libertados. Esse é o “socorro” que encontraremos quando
apresentarmos as nossas necessidades a Jesus.
Pense nisto: por que sempre tentamos lutar sozinho em nossas batalhas
quando o maior guerreiro do universo — aquele que possui o poder
supremo — está disposto a lutar por nós?
Então, qual é a respostapara a pergunta: “Onde está Jesus, e o que Ele
tem feito nos últimos dois mil anos?”.
Depois que a obra de Jesus na cruz foi terminada e Ele ressuscitou dos
mortos, Ele subiu ao céu e se assentou à direita do Pai. Hoje, Jesus vive o
tempo todo a interceder por você e por qualquer um que venha a Ele pela
fé. Ele luta por todo crente que vem corajosa e honestamente a Ele e que
sinceramente busca a Sua ajuda. Eu diria que esse ministério tem mantido
Jesus bem ocupado nos últimos dois mil anos!
Por que Jesus viria à Terra, se humilharia a ponto de morrer na cruz,
ressuscitaria dos mortos e derramaria o dom do Espírito Santo para lhe
capacitar e depois lhe rejeitaria ou resistiria quando você fosse a Ele com as
suas necessidades? Ele não faria isso! Por ter sido obediente até a morte na
cruz, Jesus foi sobremaneira exaltado acima de todos os outros nomes, seja
no céu, na terra ou debaixo da terra (Filipenses 2:8-10). De Seu lugar
sobremaneira exaltado, Ele ainda tem os olhos fixos em você.
Quase dois mil anos atrás, Jesus morreu por você. Mas hoje — neste
exato momento — Ele vive para interceder por você e lutar por todas as
suas necessidades.
 
 
Jesus venceu a morte, o inferno e a sepultura e agora vive para sempre
para interceder por você! Medite nesta verdade: o Criador do Universo veio
à Terra para experimentar tudo o que você poderia passar. Ele pagou a
penalidade por todo pecado que você cometeria. E agora Ele está sentado ao
lado do Pai Celestial, falando em seu nome.
Você tem um representante no céu que já enfrentou todas as tentações
que você poderá enfrentar e suportou todas as dores que você já
experimentou ou experimentará. Ele se identifica completamente com a sua
condição humana. Quando você vai corajosamente diante dele com as suas
petições, Jesus é poderoso e está disposto ao máximo para salvar você ou
outras pessoas. Não importa qual situação você esteja enfrentando, Deus é
por você, não contra você. Pense nisso!
 
 
Deus gosta de conversas diretas, sem rodeios. As pessoas podem se sentir
desafiadas pela comunicação direta e confiante, mas Deus espera isso. A
irreverência é inadequada, é claro, mas a honestidade é o que Deus quer
quando você derrama seu coração diante Ele. Porém, você não pode ser
honesto com Deus ou confiante em Sua presença até estar disposto a ser
honesto consigo mesmo.
Talvez você esteja orando e até se preocupando com uma situação há
algum tempo. Você já sondou o seu próprio coração para ter certeza de que
está dizendo a verdade a si mesmo sobre o assunto, sem desculpas ou
negações? Pense nisto. A pessoa do Espírito Santo é o Espírito da Verdade.
Ele lhe ajudará a passar por suas próprias lutas internas, para que possa
conhecer e entender a verdade e assim prosseguir e ir diante de Deus em
confiança. Conte com Ele.
 
 
O ministério do Espírito Santo é para ajudá-lo a fazer a vontade de Deus,
assim como Ele capacitou Jesus para fazer a vontade de Deus durante Seu
ministério terreno. Toda fragilidade e insuficiência da condição humana é
compensada pela sabedoria e pela suficiência do Espírito Santo. Ele guiará
você em toda a verdade e lhe mostrará as coisas por vir. Pela força do poder
dele dentro de você, o Espírito Santo lhe capacitará para fazer o que a
vontade de Deus requer.
Pense nas áreas específicas da sua vida e nas diferentes formas de pedir e
ceder à ajuda do Espírito Santo.
Capítulo
35
Copie Todas as Características do Mestre
Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu
em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos.
— 1 Pedro 2:21
Agora que você já andou com Jesus pelos momentos mais difíceis
dele durante Suas horas finais na Terra, precisa saber que o Espírito Santo
está esperando para caminhar com você por meio das suas experiências
mais difíceis. O mesmo Espírito que ressuscitou Jesus dos mortos quer lhe
dar a sabedoria que você precisa e fortalecer o seu espírito, alma e corpo
para o que quer que você venha a enfrentar ao longo do caminho em sua
própria jornada pela vida.
Então, qual é o passo seguinte? Quando chegar a hora de largar este livro
e enfrentar os desafios dos próximos dias, como você aplicará efetivamente
o que aprendeu sobre Jesus em sua própria vida?
Deixe-me começar a responder a essas perguntas voltando por um
momento para a minha sala de aula da primeira série. Como eu me lembro
bem de aprender a escrever na primeira série! Eu analisava cuidadosamente
como a minha professora escrevia as letras do alfabeto no quadro. Quando
ela terminava, era a nossa vez de pegar nossos lápis na mão para copiar o
que ela escrevera.
Com toda a minha força, eu pressionava o meu lápis no papel do meu
caderno de caligrafia. Eu pressionava tanto escrevendo as letras que formei
um calo no meu dedo que tenho até hoje! Dei cem por cento da minha
concentração para copiar exatamente todas as letras que a minha professora
escrevia naquele quadro. Dia após dia, eu escrevia aquelas letras repetidas
vezes, enchendo o meu caderno com páginas de escrita até finalmente
dominar cada letra do alfabeto. Foi preciso concentração e compromisso,
mas com o tempo, aprendi a escrever aquelas letras exatamente como a
minha professora me mostrara.
Tenho certeza de que você também consegue se lembrar de quando
aprendeu a escrever. Mas você sabia que essa é precisamente a ideia que o
apóstolo Pedro tinha em mente quando disse aos primeiros crentes:
“Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo
sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus
passos” (1 Pedro 2:21)? Deixe-me explicar o que quero dizer.
Quando Pedro escreveu essas palavras aos primeiros crentes, eles
estavam sofrendo terrivelmente por sua fé nas mãos do governo romano.
Para eles, não havia recurso legal. Eles estavam sofrendo injustamente e
não havia nada que pudessem fazer legalmente para se defender. A Palavra
de Deus ordenava que se submetessem, respeitassem e orassem pelo próprio
governo que os assediava e matava. Para os crentes que estavam
enfrentando esse sofrimento de tratamento injusto, Pedro disse isto:
“Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo
sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus
passos” (1 Pedro 2:21).
A palavra “sofreu” nesse versículo vem da palavra grega pascho, que
significa sofrer. É a palavra usada para descrever a paixão ou o sofrimento
de Jesus quando Ele morreu na cruz. Agora você tem uma noção mais
profunda de tudo o que essa palavra implica depois de ler em capítulos
anteriores sobre o sofrimento de Jesus em Suas horas finais. No entanto, há
muitos outros exemplos da palavra pascho no Novo Testamento e todos eles
carregam a ideia de sofrimento, passar por dificuldades, ser maltratados ou
sofrer adversidades.
A verdade é que Jesus experimentou uma medida de sofrimento durante
toda a Sua vida nesta Terra. Quando Ele era criança, Sua família sofreu
quando fugiu dos planos assassinos do rei Herodes. Mais tarde, Jesus sofreu
nas mãos de líderes religiosos que o odiavam e continuamente levantavam
falsas acusações contra Ele. Jesus teve que constantemente aturar o
comportamento imaturo dos Seus discípulos enquanto tentava ensiná-los e
ser um exemplo para eles.
Então, como observamos, Jesus sofreu traição nas mãos de um de Seus
associados, Judas Iscariotes. Seu sofrimento no Jardim do Getsêmani foi tão
intenso que o Seu suor chegou a ponto de serem gotas de sangue caindo no
chão. No final, Jesus sofreu o pior sofrimento de todos — a morte na cruz.
No entanto, apesar de tudo, Ele viveu acima do sofrimento e manteve uma
atitude de amor para com aqueles que o trataram injustamente.
Pedro lembrou seus leitores do sofrimento, dificuldades e maus-tratos de
Jesus, a fim de atrair os primeiros crentes para o Senhor em meio ao que
eles mesmos vivenciavam. Naquela época, eles precisavam
desesperadamente saber como responder a situações injustas que não
podiam mudar. Como ninguém era melhor em lidar com tais desafios do
que Jesus,Pedro lembrou aos seus leitores (e a nós) que “Cristo sofreu em
nosso lugar, deixando-nos exemplo...”.
Agora voltemos à imagem de uma criança aprendendo a escrever as
letras do alfabeto. Quando Pedro escolheu usar a palavra “exemplo” nesse
versículo, ele foi ao mundo da educação infantil e tomou emprestada a
palavra hupogrammos. Essa é uma palavra que pinta uma imagem de um
aluno que observa cuidadosamente o professor escrever as letras do
alfabeto. Então aquela criança, meticulosamente, copia cada letra,
deixando-a o mais próximo possível das letras originais escritas por seu
professor.
Se você se lembra da sua infância — e eu me lembro da minha — tenho
certeza de que não é difícil lembrar de ter se esforçado para ver exatamente
como o professor escrevia cada letra e, em seguida, tentar copiar cada traço.
Você se inclinava sobre a carteira, pressionando o caderno com o lápis,
concentrando-se intensamente em copiar cada letra perfeitamente.
Essa é exatamente a imagem que Pedro tinha em mente quando ele nos
disse para seguir o “exemplo” de Jesus. Como Jesus é o seu Mestre e
Professor, você deve se concentrar em sua lousa espiritual — a Palavra de
Deus — para aprender com Ele e depois reproduzir o exemplo dele em sua
própria vida.
Você precisa aprender:
 
v Como o Mestre lidou com críticas injustas, para que você possa
responder como Ele quando for injustamente criticado.
v Como Jesus respondeu aos ataques que foram empreendidos contra
Ele, para que você possa saber como responder na força dele aos
ataques que vêm contra você.
v Como Jesus respondeu às pessoas quando elas falharam ou o
traíram, para que você possa responder da mesma maneira quando
as pessoas lhe desapontarem ou magoarem.
v Como Jesus se portava com graça e dignidade mesmo em meio a
maus-tratos indescritíveis, para que você possa recorrer à força dele
para enfrentar situações difíceis com a mesma graça e dignidade.
v Como Ele perdoou os Seus acusadores a cada passo do caminho,
para que você possa perdoar livremente aqueles que lhe maltratam
ou difamam.
 
Você não pode evitar o fato de que, às vezes, enfrentará situações
desagradáveis nas quais se sentirá maltratado, abusado ou discriminado.
Enquanto você viver em um mundo onde o diabo opera e pessoas não-
salvas agirem do jeito que querem, o mal e a injustiça vão tocar sua vida de
tempos em tempos. Então, quando você se deparar com uma situação que
parecer injusta, deve perguntar: Como Deus espera que eu responda?
Claro, você deve orar para que Deus mude uma situação difícil. A oração
pode fazer uma enorme diferença em qualquer circunstância. Mas e se a
situação não mudar tão rapidamente quanto você deseja? Como você deve
responder? Por exemplo:
 
v Se o seu empregador lhe trata mal sem razão óbvia alguma e a
situação se prolonga por muito tempo, o que você deve fazer? Claro,
você poderia encontrar outro emprego. Mas e se você souber que o
seu trabalho atual é aonde Deus lhe quer e que você não deve deixá-
lo? Como responder ao mau tratamento que você está recebendo do
seu superior?
v Se os seus colegas de trabalho querem lhe machucar, enfraquecer ou
rebaixar, que ação você deve tomar? Talvez você já tenha atuado
para tentar fazer amizade com eles, mas nada parece melhorar a
situação. Como você deve responder ao tratamento injusto que está
enfrentando?
v Talvez você se sinta perseguido por colegas de escola ou faculdade
que não compartilham sua fé em Cristo e que não gostam das suas
convicções pessoais. Você sabe que não pode deixar a escola como
reação a essa situação difícil. Mas, exatamente como Deus espera
que você responda?
v Talvez os membros da sua família lhe sejam hostis porque não
entendem sua fé ou não concordam com a direção que você está
dando à sua vida. Como você deve responder aos seus entes
queridos? É muito importante que você saiba como reagir quando a
sua família não concorda ou não apoia o que você está fazendo —
especialmente quando você sabe que o Espírito Santo é quem leva
você a seguir esse rumo.
 
Certamente você deve fazer todo o possível para resolver conflitos com
amigos e familiares e proteger a si e a sua reputação espiritual e legalmente.
No entanto, algumas vezes, acontecem coisas que estão além do seu
controle, que não são tão facilmente resolvidas e para as quais não há
recurso fácil. Sempre que você estiver se sentindo difamado e maltratado,
lembre-se de que essa é uma excelente oportunidade para o diabo lhe tentar
a se tornar amargo, irritado, de coração duro e ressentido com aqueles que
lhe trataram injustamente. Se você ceder a essa tentação, a sua resposta
errada não fará nada para melhorar sua situação. Ao contrário, irá produzir
consequências negativas em sua própria vida.
É por isso que você deve se recusar absolutamente a permitir que o diabo
semeie em seu coração aquelas emoções negativas que só dão maus frutos.
Acalentar essas emoções nunca é a resposta, não importa a situação que
você estiver enfrentando na vida. Tendo lido os capítulos anteriores, você já
sabe que isso é verdade.
Acredito que você tenha recebido uma nova visão da jornada de dor,
traição e decepção de Jesus em Suas horas finais. Agora, eu lhe encorajo a
dedicar algum tempo para considerar o grande amor dele por você e o poder
que Ele disponibilizou ao entregar a Sua própria vida para que você possa
conhecer a vida eterna. Talvez de um modo mais profundo do que você já o
fez, convide Jesus a caminhar com você ao longo da sua própria jornada,
lhe guiando pelo Seu Espírito por meio de cada dificuldade e desafio que
venha a surgir ao longo do caminho.
É muito importante que você saiba exatamente como Deus espera que
você responda quando se encontrar em uma situação difícil na qual você
não tem capacidade para mudar — não há melhor exemplo para imitar do
que Jesus. Então, vá aos evangelhos e comece a ler aquelas páginas com o
coração de um estudante que estuda e se esforça para copiar cada traço da
caneta do seu professor. Procure extrair a verdade e respostas específicas
para a sua vida e para as situações que você estiver enfrentando agora.
Observe como Jesus se conduziu em circunstâncias semelhantes. Então,
como uma criança aprendendo a escrever, esforce-se ao máximo para copiar
cada traço do Mestre.
Você provavelmente não entenderá exatamente da primeira vez, mas não
desista. Assim como o aluno que está aprendendo a escrever, você deve se
comprometer a tentar e tentar novamente até que tenha finalmente
dominado cada traço e aprendido a responder com sucesso às situações
difíceis como Jesus o fez quando Ele andou na Terra.
Talvez você esteja orando por orientação, querendo entender como lidar
com os conflitos que encontrou. Agora você sabe que as respostas que
precisa são encontradas na vida de Jesus. Ele é o seu exemplo principal, seu
Professor, seu Mestre — Aquele que você é chamado para imitar. Então,
além de orar por sabedoria e orientação, é hora de você abrir a sua Bíblia e
começar a ler os quatro evangelhos para observar o que Jesus fez no mesmo
tipo de situações que você está enfrentando. Aprenda com a vida do Mestre
e atravesse a sua situação da mesma maneira que Jesus atravessou os Seus
desafios mais difíceis.
Como já observamos, ninguém foi mais maltratado do que Jesus. No
entanto, quando os soldados cuspiram nele, quando Pilatos ordenou que Ele
fosse açoitado, quando os líderes religiosos riram dele e até mesmo quando
Ele foi traído por um dos Seus próprios discípulos — Jesus continuou a
andar em amor, perdoando a todos. Ele é o nosso Exemplo, mostrando-nos
como devemos reagir quando enfrentamos a injustiça, quando alguém nos
ofende e nos fere ou quando nos encontramos em circunstâncias difíceis
além do nosso controle.
Você está enfrentando tempos difíceis? Você está sendo acusado de
coisas que não fez ou culpado por coisas das quais você não tem
conhecimento? Você está sendo maltratado ou discriminado? Se você
respondeu sim a qualquer uma dessas perguntas, este é o momento para
você voltar os seus olhos para a lousa — aPalavra de Deus — e estudar
cada traço do Mestre. Depois de observar o que Ele fez e como reagiu em
situações semelhantes às suas, é sua tarefa copiá-lo. Se você adotar essa
abordagem para os desafios que enfrenta agora, que parecem tão
angustiantes, começará a perceber essas situações como oportunidades para
se tornar mais semelhante a Jesus.
Portanto, defina como seu objetivo sincero aplicar à sua própria vida os
princípios da vida de Jesus — especialmente as verdades e princípios
revelados no que Ele experimentou em Seus últimos dias na Terra. Esforce-
se para fazer os traços dos seus momentos nesta Terra refletirem cada traço
do Mestre.
Se você deixar que o Espírito Santo lhe ajude, é possível que você ande
com sucesso pela vida como Jesus o fez. Que bênção você não precisar
descobrir tudo sozinho! Apenas estude os traços da caneta do Mestre e
prossiga pela fé copiando esses traços diante de cada desafio que surgir.
Sozinho, você não consegue fazer isso. Mas Jesus não lhe deixou
enfrentar os desafios da vida sozinho e sem ajuda. Depois de pagar o preço
total pela sua redenção, Ele ascendeu ao céu, onde agora intercede
continuamente diante do Pai em seu favor (Hebreus 7:25). Assim como
prometeu, Jesus enviou o Espírito Santo para habitar dentro de você como
seu Professor e Guia, para lhe preencher e capacitá-lo a andar como Jesus
andou em todas as situações que você possa vir a enfrentar.
Jesus fez a parte difícil. Tudo o que Ele sofreu, Ele sofreu por você,
deixando para trás um exemplo perfeito para você seguir. Ao responder
com a sabedoria e amor dele diante de todos os desafios, a luz vencerá as
trevas e os propósitos de Deus serão cumpridos. A vitória será sempre o
resultado quando, pela graça de Deus e o auxílio do Seu Espírito, você
aprender a copiar os traços do Mestre.
Não é a Hora de Uma Mudança em Sua Vida?
Do jardim do Getsêmani ao monte do Gólgota, Jesus Cristo
experimentou todo tipo de angústia emocional e física — mais do que
qualquer ser humano jamais suportou. Tal sofrimento foi a penalidade do
pecado ou da desconexão intencional de Deus e Jesus aceitou isso por
escolha. Decretado por Deus antes que Adão escolhesse a traição, a morte
era o pagamento final pelo pecado. A santidade e a justiça de Deus exigiam
que a penalidade do pecado fosse paga. Mas o amor e a devoção de Deus
pelo homem levaram-no a oferecer misericordiosamente um substituto.
Inicialmente, Deus permitiu que o sangue dos animais fornecesse uma
cobertura para o pecado. Mas somente um homem com sangue sem pecado
poderia purificar do pecado, pagando o preço final, oferecendo a Sua vida
como pagamento integral pelo julgamento contra a humanidade. Assim,
Jesus Cristo — Deus na forma de um homem perfeito — veio para tirar os
pecados do mundo. Jesus morreu para pagar o preço final de uma vez por
todas e quebrar o poder do pecado. Então Ele ressuscitou triunfante sobre a
morte, o inferno e a sepultura para prover liberdade definitiva do pecado e
das suas consequências destrutivas.
O que isso significa para você hoje, dois mil anos após a morte e
ressurreição de Cristo? Significa que Jesus conquistou a vitória total sobre o
pecado e a iniquidade, para que você também possa caminhar nessa mesma
vitória.
Então, como essa vitória se manifesta diariamente?
Considere o que você acabou de aprender sobre Jesus — não apenas o
que Ele passou, mas a maneira como Ele reagiu a isso. Nada em Sua atitude
ou ações refletia fraqueza ou medo. Mesmo quando suportou dores
excruciantes e humilhação, mesmo quando enfrentou a forma mais
horrenda de morte, Jesus esteve sempre em total controle das Suas emoções
e palavras, tirando Sua força do Seu Pai Celestial.
Quando Jesus foi cercado por mentirosos que injustamente o acusaram e
clamaram por Sua morte, Ele não enfraqueceu e desmoronou
emocionalmente, nem tentou suplicar ou negociar Sua saída da situação.
Ele sabia quem era e o que Ele tinha vindo para fazer e se manteve firme
confiando em Seu Pai. Jesus sabia que Sua vida estava nas mãos de Deus,
não do homem.
Então agora é com você. Lembre-se disso quando se sentir oprimido e
cercado por adversidades ou oposição. Lembre-se da força na qual Jesus
andou e opte por se achegar a essa força todos os dias da sua vida. Se você
é um filho de Deus, o mesmo Espírito que ressuscitou Jesus dos mortos
habita em você. O Espírito Santo não somente lhe elevará a uma novidade
de vida, mas Ele também acenderá os propósitos de Deus para a sua vida
que podem parecer mortos para você agora. Como a sua dívida está
totalmente paga, você pode desfrutar da vida da ressurreição e prosseguir,
mesmo diante de traição ou oposição em qualquer nível.
Se a doença ou a enfermidade tentar chegar a você, lembre-se das feridas
que Jesus suportou para obter cura e integridade física para você. Se a dor
se agarrar ao seu corpo ou se um rumor de doença ameaça roubar sua paz
de espírito, sobrecarregá-lo com medo encurtando a sua vida, lembre-se de
Jesus. Lembre-se de como o cruel flagelo romano dilacerou Seu corpo
santo, rasgando Sua carne, golpeando-o repetidamente até que o sangue
fluiu sem cessar. Lembre-se de que Ele foi ferido por suas transgressões e
moído por suas iniquidades. O castigo que era necessário para obter a sua
paz de espírito foi colocado sobre Ele e pelas feridas que feriram Jesus,
você foi curado.
A partir deste momento, sua vida pode ser diferente do que sempre foi,
porque o preço pelo pecado foi totalmente pago por Jesus Cristo.
Oração de Salvação
Quando Jesus Cristo entra em sua vida, você é imediatamente
emancipado — totalmente liberto da escravidão do pecado!
Se você nunca recebeu Jesus como seu Salvador pessoal, é hora de
experimentar essa nova vida! O primeiro passo para a liberdade é simples.
Apenas faça esta oração do fundo do seu coração:
 
Senhor, eu nunca conseguirei agradecer-te adequadamente por tudo
que fizeste por mim na cruz. Eu sou tão indigno, Jesus, mas Tu vieste e
deste a Tua vida por mim assim mesmo. Eu me arrependo e deixo meus
pecados agora mesmo, Jesus. Eu te recebo como meu Salvador e peço
que laves o meu pecado com o Teu precioso sangue. Eu te agradeço do
fundo do meu coração por fazer o que ninguém mais poderia fazer por
mim. Se não fosse por Tua disposição em dar a vida por mim, eu
estaria eternamente perdido.
Obrigado, Jesus, pois agora estou redimido pelo Teu sangue. Tu
carregaste o meu pecado, a minha doença, a minha dor, a minha falta
de paz e o meu sofrimento na cruz. Teu sangue me limpou do meu
pecado e me lavou, deixando-me mais alvo do que a neve, dando-me o
direito de estar com o Pai. Não preciso mais ter vergonha dos meus
pecados do passado, porque agora sou uma nova criatura em Ti. As
coisas velhas já passaram e todas as coisas se tornaram novas porque
eu estou em Jesus Cristo (1 Coríntios 5:17).
Por Tua causa, Jesus, hoje sou perdoado. Estou cheio de paz e sou um
herdeiro contigo! Satanás não tem mais o direito de reivindicar coisa
alguma de mim. Com o coração grato, irei servir-te fielmente pelo
restante dos meus dias!
 
Se você fez essa oração do fundo do seu coração, algo maravilhoso
aconteceu. Você não é mais um servo do pecado, você é agora um servo do
Deus Todo-Poderoso. Os espíritos malignos que já exigiram cada gota do
seu ser e sua servidão completa não têm mais autorização para lhe controlar
ou ditar o seu destino.
Como resultado da sua decisão de entregar a vida a Jesus Cristo, seu lar
eterno foi decidido para sempre. O CÉU é agora o seu endereço
permanente.
O Espírito de Deus passou a habitar no seu próprio espírito humano e
você se tornou o “...templo de Deus” (1 Coríntios 6:19). Que milagre!
Pensar que Deus, pelo Seu Espírito, agora vive dentro de você! Nunca
deixo de me surpreender com esse incrível milagre de Deus em minha
própria vida. Ele me deu (e a você!) um novo coração e fez de nós a casa
dele!
Agora, você tem um novo Senhor e Mestre e o nome dele é Jesus. A
partir deste momento, o Espírito de Deus operará em você e lhe dará poder
sobrenatural para cumprira vontade dele para sua vida. Tudo vai mudar
para você agora — e vai mudar para melhor!
Oração de Perdão
Ninguém é poupado de oportunidades de se ofender nesta vida. Nenhuma
pessoa escapa de lidar com a decepção e a mágoa como resultado das
palavras ou ações de outra pessoa. Mas a forma como alguém responde à
mágoa, traição ou ofensa faz toda a diferença no resultado — na vida tanto
do ofensor quanto do ofendido.
Nessa questão do perdão, você é chamado a seguir o exemplo de Jesus,
pois a Bíblia declara que “...segundo ele é, também nós somos neste
mundo” (1 João 4:17). Jesus percorreu o caminho do perdão diante de
horrores indescritíveis cometidos contra Ele durante Suas últimas horas na
Terra. Diante do Seu exemplo, o que você poderia fazer senão liberar o
perdão àqueles que lhe magoaram ou ofenderam?
Reserve um tempo para fazer esta oração do fundo do seu coração:
 
Querido Pai Celestial,
Eu Te agradeço pelo grande amor que expressaste quando enviaste
Jesus para ser o meu Salvador, o meu Substituto e o meu Exemplo. Ao
olhar para a vida de Jesus e Suas respostas a tudo o que Ele
experimentou, vejo Seu coração e mente revelados. Obrigado Pai, por
me amar tão completamente e por me perdoar tão plenamente.
Agora mesmo, Pai, eu venho diante de Ti com humildade e sinceridade
Te honrando pelo grande sacrifício do Teu Filho. Eu Te honro por
reconhecer e receber o poder do sangue que Jesus de bom grado
derramou para a remissão e remoção dos meus pecados. Assim como
eu recebo o poder desse precioso sangue em minha vida, libero seu
poder de limpeza para o perdão daqueles que me feriram ou me
prejudicaram no passado.
Pai, como um ato da minha vontade, escolho crer e agir de acordo
com a Tua Palavra que me diz para perdoar. Eu sei que Tu disseste
que grande paz tem aqueles que amam a Tua lei e que nada deve
ofendê-los (Salmos 119:165). Eu sinto a dor da traição, mas não sou
ignorante dos ardis do inimigo. O propósito da traição é produzir uma
raiz de amargura em mim e eu me recuso a ceder a esse pecado. Pai,
eu perdoo — eu também peço para perdoar aqueles que me
machucaram, pois eles não sabem o que estão fazendo. Eles não
percebem que o que foi dito e feito contra mim foi dito e feito contra
Ti. Perdoa-os, Pai.
Espírito Santo, peço que me ajudes a ceder ao amor de Deus que já foi
derramado no meu coração pela Tua presença dentro de mim. Assim
como Tu fortaleceste Jesus, por favor, fortalece-me. Ajuda-me a andar
no amor, na Palavra e na vontade de Deus para com aqueles que me
ofenderam. Ajuda-me a responder exatamente como Jesus respondeu
quando foi maltratado e injustamente acusado. Eu recebo conforto e
encontro forças no exemplo de Jesus diante de mim e em Tua poderosa
presença dentro de mim, Espírito Santo. Ajuda-me a contar contigo
sem reservas e a responder a Ti sem hesitação. Ajuda aqueles que eu
perdoei a voltar os seus corações para Ti. Que ambos possamos
abraçar a Tua sabedoria e os Teus caminhos para que o Teu propósito
possa ser cumprido em cada uma das nossas vidas.
Obrigado Pai, pelo sangue que tem o poder de limpar o pecado e
remover as barreiras. Eu peço que Tu intervenhas em nossos corações
e nesta situação para transformar tudo o que o inimigo intencionou
para o mal em bem para nós e para a Tua glória. Eu recebo isso como
feito em Nome de Jesus. Amém.
Oração pela Cura
Jesus pagou pela redenção completa para você. Por intermédio do
sacrifício da Sua vida e do derramamento do Seu sangue, Ele pagou o preço
total por sua libertação do pecado e da doença.
A cada golpe do violento chicote romano que recebeu, Jesus suportou a
penalidade por nossas dores físicas, enfermidades e doenças. Hoje, o céu
declara que “...por cujas pisaduras [de Jesus], você foi curado” (1 Pedro
2:24; grifo do autor). O preço foi totalmente pago para que você receba o
dom da saúde divina por intermédio de Jesus Cristo. Receba pela fé a cura
completa para o seu corpo ao fazer esta oração.
 
Querido Pai Celestial
Jesus suportou os horrores do flagelo romano para pagar o preço pelo
meu pecado. Antes de Jesus chegar àquele lugar, Tu declaraste por
intermédio de Isaías que o sofrimento dele assegurou o meu
livramento e pelas feridas que o feriram, eu fui curado (Isaías 53:5).
Jesus, o Cordeiro de Deus, justificou muitos — e por meio do próprio
sacrifício, minha dívida foi totalmente paga. Por isso, achego-me
confiantemente ao Teu trono de graça para receber o socorro e a cura
de que preciso.
Eu Te agradeço, Pai, pois agradou a Ti colocar a minha doença,
enfermidade e dores sobre Jesus para que, em troca, eu pudesse
receber a saúde e a cura. Agora eu contemplo o Cordeiro que foi
morto para me libertar. Eu recebo liberdade — a liberdade que Ele
morreu e ressuscitou para comprar para mim — do pecado, da doença
e da enfermidade. Com cada chicotada torturante e cada corte
devastador do flagelo, Jesus comprou a minha cura com Seu próprio
sangue.
Hoje, Pai, eu venho diante de Ti receber a cura que Jesus comprou
para mim. Assim como a minha salvação é alicerçada em Jesus e em
Sua obra completa, assim também é a minha cura. Eu não tenho que
implorar por isso. Simplesmente recebo. E ao receber o Teu grande
dom de cura, eu honro o grande sacrifício do Teu Filho que abriu a
porta para eu receber o Teu poder vivificante que satisfaz todas as
minhas necessidades. Por isso e por tudo o que Tu fizeste por mim, eu
Te agradeço, Pai, em Nome de Jesus. Amém.
Notas
Capítulo 5
1. Para um relato detalhado da Torre de Antônia, consulte: Antiguidades Judaicas. Flávio
Josefo, Livro XV, Capítulo 11, Parágrafo 4.
 
Capítulo 14
1. Antiguidades Judaicas. Flávio Josefo, Livro XVIII, Capítulo 2, Parágrafo 2.
2. A Guerra dos judeus. Flávio Josefo, Livro II, Capítulo 8, Parágrafo 14.
 
Capítulo 17
1. Antiguidades Judaicas. Flávio Josefo, Livro XVIII, Capítulo 4, Parágrafo 2.
 
Capítulo 19
1. Ver Josefo para um exame profundo de todos os membros da família de Herodes.
 
Capítulo 22
1. Edwards, Gobles e Hosmer, 1986. “On the Physical Death of Jesus Christ”, JAMA 255:
1455-1463.
2. História da Igreja Eusébio, Livro IV, Capítulo 11.
 
Capítulo 24
1. Antiguidades Judaicas. Flávio Josefo, Livro XVIII, Capítulo 4, Parágrafo 2.
Capítulo 25
1. A Guerra dos judeus. Flávio Josefo. Livro V, Capítulo 11, Parágrafo 1.
 
Capítulo 27
1. Crônica, Olimpíada, trad. Carrier (1999). Eusébio cita Flégon.
2. Contra Celso Orígenes Capítulo XXXIII.
Referências
1. How To Use New Testament Greek Study Aids by Walter Jerry Clark
(Loizeaux Brothers).
2. Concordância Exaustiva da Bíblia de Strong by James H. Strong.
3. The Interlinear Greek-English New Testament by George Ricker Berry
(Baker Book House).
4. The Englishman’s Greek Concordance of the New Testament by George
Wigram (Hendrickson).
5. New Thayer’s Greek-English Lexicon of the New Testament by Joseph
Thayer (Hendrickson).
6. Dicionário Vine Antigo e Novo Testamentos por W. E. Vine (Bethany).
7. Theological Dictionary of the New Testament by Geoffrey Bromiley;
Gephard Kittle, ed. (Eerdmans).
8. The New Analytical Greek Lexicon; Wesley Perschbacher, ed.
(Hendrickson).
9. The New Linguistic and Exegetical Key to the Greek New Testament by
Cleon Rogers Jr. (Zondervan).
10
. Word Studies in the Greek New Testament by Kenneth Wuest, 4 Volumes
(Eerdmans).
11
. New Testament Words by William Barclay (Westminster Press).
12
. Word Meanings by Ralph Earle (Hendrickson).
13
. International Critical Commentary Series; J. A. Emerton, C. E. B.
Cranfield, and G. N. Stanton, eds. (T. & T. Clark International).
14
. Vincent’s Word Studies of the New Testament by Marvin R. Vincent, 4
Volumes (Hendrickson).
15
. New International Dictionary of New Testament Theology; Verlyn D. Verbrugge, ed.
(Zondervan).
Sobre o Autor
Rick Renner é um escritor produtivo, mestre da Bíblia e líder altamente
respeitado na comunidade cristã internacional. Rick é o autor de mais de
trinta livros, inclusive os best-sellers Armado Para a Guerra e Pedras
Preciosas do Grego, que juntos venderam mais detrês milhões de cópias.
Em 1991, Rick e sua família se mudaram para a antiga União Soviética,
atual Rússia. Hoje ele é pastor sênior da Moscow Good News Church e
fundador da Media Mir, a primeira rede de televisão cristã que atualmente
transmite o Evangelho em russo para um número incontável de
telespectadores ao redor do mundo através de múltiplos satélites. Denise,
esposa de Rick e sua parceira de ministério por toda a vida, e seus três
filhos — Paul, Philip e Joel — lideram essa obra incrível com a ajuda de
uma equipe comprometida. Rick, Denise e seus filhos e suas famílias
moram em Moscou.
Uma Palavra Sobre o Nosso Trabalho
Desde o início até seu atual papel no Corpo de Cristo, o propósito e a
visão do Ministério RENNER têm sido ensinar, fortalecer e resgatar pessoas
para o Reino de Deus. Embora o ministério dos Renner tenha começado há
muito tempo, em 1991, Deus chamou Rick e Denise Renner e sua família
para a antiga União Soviética. Desde aquela época, milhões de vidas foram
tocadas pelos vários avanços do Ministério RENNER. No entanto, a visão
cada vez maior dos Renner para essa região do mundo continua a se
expandir ao longo de nove fusos horários para alcançar trezentos milhões de
almas preciosas para o Reino de Deus.
A Igreja Das Boas Novas de Moscou foi iniciada em setembro do ano
2000, no coração de Moscou, ao lado da Praça Vermelha. Desde então,
cresceu e se tornou uma das maiores igrejas protestantes em Moscou e um
modelo estratégico para os pastores de todas as regiões do mundo
conhecerem e imitarem. Os projetos hoje incluem ministérios para famílias,
idosos, crianças, jovens, membros da igreja internacional, um ministério
especializado para os empresários e uma ajuda aos pobres e necessitados.
Rick e Denise também fundaram igrejas em Riga, na Letônia e em Kiev, na
Ucrânia. Ambas continuam a prosperar.
Parte da missão do Ministério RENNER é caminhar ao lado de pastores e
ministros e levá-los a um nível mais elevado de excelência e
profissionalismo ministerial. Assim, desde 1991, quando os muros do
comunismo entraram em colapso, esse ministério tem trabalhado na antiga
URSS para treinar e equipar pastores, líderes da igreja e ministros,
ajudando-os a trabalhar suas habilidades e conhecimentos necessários para
cumprir o chamado que o Senhor lhes confiou.
Para esse fim, Rick Renner fundou um centro de treinamento ministerial
e uma associação ministerial. O Centro de Treinamento Boas Novas opera
como parte da Igreja Das Boas Novas de Moscou. É especializado em
treinar líderes para iniciar novas igrejas em toda a antiga União Soviética. A
Associação de Pastores e Igrejas Boas Novas é uma organização de
plantação de igrejas e de apoio a igrejas locais, com uma filiação de
pastores e igrejas que chegam a centenas.
Rick e Denise Renner também supervisionam a Media Mir, a primeira e
uma das maiores redes religiosas de TV dentro do território da antiga
URSS. Desde a sua criação, em 1992, essa rede de televisão tornou-se um
dos instrumentos mais fortes disponíveis hoje para declarar a Palavra de
Deus às 15 nações da antiga União Soviética, alcançando cem milhões de
telespectadores em potencial todos os dias com o Evangelho de Jesus
Cristo. A rede também alcança um número incontável de falantes de russo
em quase todos os continentes do mundo via satélite.
Os Renner também fundaram a fundação humanitária É Possível, que
está envolvida em vários evangelismos na cidade de Moscou. A fundação É
Possível usa métodos inovadores para ajudar diferentes grupos etários de
pessoas que estão em grande necessidade.
Além de conduzir seu trabalho na ex-União Soviética, Rick e Denise
Renner continuam expandindo seu alcance em todo o mundo. Eles estão
ensinando a Palavra de Deus às pessoas nos Estados Unidos por intermédio
de vários meios: produzindo livros e recursos de áudio; realizando
encontros em igrejas, seminários e conferências em todo o país e
aparecendo com frequência em programas de TV nacionais, como
Believer’s Voice of Victory, com Kenneth Copeland, Enjoying Everyday
Life, com Joyce Meyer, 700 Club, com Pat Robertson e Life Today com
James Robison. Os Renner também alcançam pessoas de língua inglesa ao
redor do mundo por meio de seus e-books e ensinamentos de áudio em
MP3, além da rede IMPART on-line, projetada para ajudar ministros com
vários programas de vídeo na internet e encontros que eles realizam em
outras nações ao redor do mundo.
Se você quer conhecer mais sobre os muitos aspectos e alcance do
Ministério RENNER, por favor, visite nosso website em www.renner.org.
1 A palavra em português “éon” é oriunda do termo em língua grega aion, que significa “era”. (N. do
T.)
2 Também conhecida como Torre de Antônia. (N. do T.)
3 Também conhecida como Edom. (N. do T.)
4 Ou pátios (N. do T.)
5 Na versão Almeida Revista e Atualizada, essa palavra é traduzida como pediu. (N. do T.)
6 Ou Shabat, indicativo do sábado, sagrado para os judeus. (N. do T.)
	Dedicatória
	Agradecimentos
	Introdução
	Capítulo 1
	Capítulo 2
	Capítulo 3
	Capítulo 4
	Capítulo 5
	Capítulo 6
	Capítulo 7
	Capítulo 8
	Capítulo 9
	Capítulo 10
	Capítulo 11
	Capítulo 12
	Capítulo 13
	Capítulo 14
	Capítulo 15
	Capítulo 16
	Capítulo 17
	Capítulo 18
	Capítulo 19
	Capítulo 20
	Capítulo 21
	Capítulo 22
	Capítulo 23
	Capítulo 24
	Capítulo 25
	Capítulo 26
	Capítulo 27
	Capítulo 28
	Capítulo 29
	Capítulo 30
	Capítulo 31
	Capítulo 32
	Capítulo 33
	Capítulo 34
	Capítulo 35
	Não é Hora de Uma Mudança em Sua Vida?
	Oração de Salvação
	Oração de Perdão
	Oração pela Cura
	Notas
	Referências
	Sobre o Autor
	Uma Palavra Sobre o Nosso Trabalho

Mais conteúdos dessa disciplina