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ORIENTAÇÕES ESPECÍFICAS | 245 Sugerimos que esse primeiro debate seja acompanha- do de algum filme ou documentário sobre os problemas ambientais contemporâneos, conforme indicado no Livro do Estudante (Dicas, p. 143 e 146). Por se tratar de um público predominantemente jovem, a exibição de um fil- me de ficção, que imagina um futuro devastado pode ser também um estímulo para a discussão do tema. O tema tem sido tão presente na produção cinematográfica que já ganhou um gênero próprio, chamado de cli-fi, do inglês para “ficção climática”. Tema 1 A humanidade no cenário geológico (p. 139) O Tema 1 apresenta o conceito de Antropoceno, a noção de que a humanidade produz efeitos de ordem geológica na Terra. Essa ideia serve de ponto de partida para a discussão contemporânea sobre os impactos ambientais que as sociedades têm provocado e os cenários futuros que nos esperam se nada for feito para mudar as alternativas possíveis para evitar um futuro catastrófico. Essa é uma discussão a ser feita , principalmente, pelos professores de Geografia e de História, já que estamos tratando tanto das nossas relações com o meio ambiente como discutindo as formas de exploração econômica que nos trouxeram até aqui. Neste segmento exploramos a habilidade EM13CNT309, de Ciências da Natureza e suas Tecnologias, ao tra- balhar com as relações entre questões socioambientais, políticas e econômicas e recursos naturais não renová- veis. Nos Temas seguintes vamos discutir também alter- nativas tecnológicas para minimizar os efeitos prejudi- ciais ao meio ambiente e práticas que podem ser mais sustentáveis. O trabalho com o Tema 1 pode ser enriquecido pela participação de professores de Ciências da Natureza, já que os aspectos ambientais envolvem decisões sociopolíticas e toda a discussão sobre sustentabilidade é, necessariamente, uma discussão multidisciplinar. Uma alternativa à apresentação do tema é promover uma reflexão a partir da ideia de Gaia, que em geral aparece associada à noção de Antropoceno. Gaia (na mitologia grega, a Mãe Terra) é o nome dado a uma nova forma de ocupar e imaginar o espaço, diante de um mundo que se torna cada vez mais hostil à vida humana. Os estudiosos que defendem a hipótese de Gaia (noção da Terra como ser vivo) clamam novas formas de viver que se contraponham aos atuais efeitos devastadores. Veja adiante, na seção Fontes de Pesquisa para o Professor, indicação do site de um encontro internacional sobre Gaia e o Antropoceno, que traz muitas informações e pode ajudá-lo a construir essa perspectiva. Mais conteœdo O superdesenvolvimentismo A reflexão organizada nesta parte do capítulo relacio- na a exploração da natureza aos impactos ambientais, iden- tificando as atividades humanas como uma era geológica, chamada de Antropoceno. Mas essa discussão não é ape- nas estratigráfica, pois ela enseja, imediatamente, uma re- flexão sobre o futuro do mundo. E discutir o futuro do mundo tem uma série de implicações políticas: afinal, qual é a possibilidade de futuro diante dos entraves impostos pelo atual modelo de desenvolvimento? É possível cons- truir um mundo diferente seguindo com o modelo atual, ainda que mais “sustentável”? Muitos pensadores acham que não, e, portanto, discutir o futuro do mundo é discu- tir também o futuro dos sistemas de explorar o mundo e, consequentemente, de nossas formas de pensar o mundo. Hoje há países ricos, que poderíamos chamar de “super- desenvolvidos”, não porque sejam mais desenvolvidos que os não desenvolvidos (ou subdesenvolvidos), mas porque se ba- seiam em um padrão de consumo excessivo e constante. Ou seja, o modelo de desenvolvimento que os países pobres seguem, como um exemplo a ser copiado dos países ricos, é ecologicamente inviável. Se as populações indiana, chinesa, brasileira e de várias outras nações em desenvolvimento passarem a consumir nos moldes esta- dunidenses e europeus, não haverá recursos naturais sufi- cientes para sustentar esse padrão de consumo. É por isso que pesquisadores como os brasileiros Deborah Danowski e Eduardo Viveiros de Castro chamam os países muito ricos de superdesenvolvidos: eles são desenvolvidos de- mais e consomem demais. A implicação desse raciocínio é que para pensar um futuro melhor seria necessário consumir menos e reduzir muito o padrão de consumo mundial. No entanto, vive- mos sob a égide das ideologias de crescimento, como se todos os países pudessem crescer indefinidamente em um mundo com recursos finitos. O modelo de vida de muitas pessoas, para esses estu- diosos, pode ser imaginado como uma bolha financeira, onde todos apostam no crescimento infinito do valor das ações, até que em um certo momento a bolha explode. Essa explosão pode ser representada pelo caos ambien- tal que estamos provocando. Nesse sentido, cabe refletir: o que esse raciocínio pode gerar, em termos de discussão so- bre o futuro do mundo? É possível um mundo em que o padrão seja crescer menos e “des-consumir”? É possível con- seguir que os países ricos consumam menos? Como apren- der uma forma de vida realmente sustentável? Será que podemos aprender com as populações tradicionais, que adotam formas diferentes de se relacionar com a natureza? Os autores desenvolvem a análise do superdesenvol- vimentismo e as consequências catastróficas do antropo- ceno em: DANOWSKI, Deborah; CASTRO, Eduardo Vivei- ros. Há mundo por vir? Ensaio sobre os medos e os fins. Florianópolis: Cultura e Barbárie Editora, 2014. MPE_vol3_Cie_HUM_Igor_g21Sc_184a256.indd 245MPE_vol3_Cie_HUM_Igor_g21Sc_184a256.indd 245 29/09/2020 17:3329/09/2020 17:33 246 Fontes de pesquisa para o professor • Textos sobre a pandemia da Covid-19 e suas implica- ções para repensar o consumo podem ajudar a enten- der a questão do consumo no mundo pré-covid. O filósofo francês Bruno Latour (1947-) apresenta um pequeno texto sobre o tema intitulado Imaginar gestos que barrem o retorno da produção pré-crise. LATOUR, Bruno. Imaginar gestos que barrem o retorno da produção pré-crise. São Paulo: n-1 edições. Disponível em: https://n-1edicoes.org/008-1. Acesso em: 3 set. 2020. • Na internet também está disponível o posfácio escrito por Eduardo Viveros de Castro para o livro Ideias para adiar o fim do mundo, do líder indígena e ambientalis- ta Ailton Krenak. CASTRO, Eduardo Viveiros de. Posfácio a Ideias para adiar o fim do mundo, de Ailton Krenak. São Paulo: n-1 edições. Disponível em: https://n-1edicoes.org/em: 3 set. 2020. • O colóquio internacional Os Mil Nomes de Gaia: do Antropoceno à Idade da Terra, com a participação de grandes nomes da ciência mundial, foi realizado no Rio de Janeiro em 2014. No site do evento, podemos en- contrar várias palestras (a maior parte em português), entrevistas legendadas e também muitos dos textos apresentados. Os Mil Nomes de Gaia: do Antropoceno à Idade da Terra. Disponível em: https://osmilnomesdegaia.eco.br/. Acesso em: 03 set. 2020. � Seções do Tema 1 Explorando (p. 141) 1. a) Com base na leitura do texto, espera-se que o estudante identifique que a primeira grande evidência é a transformação climática produzida pela atividade humana. Desde o início da pro- dução industrial, o ser humano produz quanti- dades enormes de gases que agravam o efeito estufa – gás carbônico (CO2), metano (CH4) e muitos outros – e elevam a temperatura da Terra. Assim, podem ser citados o aquecimen- to global, a elevação do nível das águas e as mudanças climáticas radicais como evidências de transformações da natureza produzidas por atividades humanas. b) Os efeitos do Antropoceno podem ser sentidos no aquecimento global, no aumento das secas, no avanço de pandemias ligadas a animais selva- gens que perdem seus espaços de sobrevivência, nos processos de desertificação, etc. c) O texto se posiciona a favor da definição do An- tropoceno “por efeitos cumulativos”, datados a partir do século XXI. Elesacreditam que os efei- tos de escala e cumulatividade só foram alcança- dos recentemente, e portanto, adotam a tese dos efeitos cumulativos. Tema 2 Aquecimento global (p. 142) Os professores de Geografia e de História são os mais indicados para encaminhar este Tema, que apresenta uma introdução às noções de aquecimento global e mudanças climáticas. Também discute a extensão dos danos causados ao planeta de acordo com os limites que estão sendo ultrapassados em relação à sus ten- tabilidade ambiental. Nesse contexto, definimos um conceito importante: resiliência, visto aqui como a capacidade de recuperação dos biomas diante da exploração humana. Para trabalhar o tema do aquecimento global, é espe- cialmente interessante contar com os professores de Bio- logia e de Química, pois tratamos tanto de uma análise geral dos efeitos da ação humana no meio ambiente como de processos químicos que resultam dessa ação e causam graves problemas ambientais. Os professores de Sociologia e de Filosofia também podem ser integrados nessa discus- são, já que não podemos escapar de suas dimensões socio- lógicas e de uma reflexão sobre a ética quando, por exem- plo, analisamos as causas desses problemas ambientais e os discursos resistentes às mudanças necessárias para um mundo mais sustentável. Um debate amplo sobre o papel da ciência e sobre os discursos anticientíficos e negacionis- tas é fundamental para compreender a complexidade da situação ambiental contemporânea. O Tema 2 mobiliza algumas habilidades das Ciências da Natureza e suas Tecnologias, como EMCNT101, EMCNT104, EMCNT105 e EMCNT206. Propomos uma discussão sobre a análise e a representação das trans- formações em sistemas que envolvem quantidade de matéria, a fim de pensar alguns efeitos dos limites planetários; avaliamos os riscos à saúde e ao meio ambiente diante da composição de diferentes materiais (como no caso da acidificação dos oceanos); falamos de fluxos biogeoquímicos (para pensar a eutrofização e a poluição química, por exemplo); e, por fim, discutimos a importância da preservação da biodiversidade, um dos parâmetros para mensurar os limites planetários. Nesta parte mobilizamos ainda a habilidade EM13MAT101, de Matemática e suas Tecnologias, ao incentivar a leitura e análise de gráficos que representam fatos relativos às Ciências da Natureza. MPE_vol3_Cie_HUM_Igor_g21Sc_184a256.indd 246MPE_vol3_Cie_HUM_Igor_g21Sc_184a256.indd 246 29/09/2020 17:3329/09/2020 17:33