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A Evolução do Currículo no Brasil PR IN CÍ PI O S D O P RO JE TO D E CU RR ÍC U LO (P RI N CI PL ES O F CU RR IC U LU M D ES IG N ) - E D U 50 0 - 1 .4 A Evolução do Currículo no Brasil • 2/16 Objetivos de Aprendizagem • Compreender as influências sofridas pelos currículos no Brasil; • Acompanhar o processo de evolução do currículo no Brasil. A Evolução do Currículo no Brasil Conteúdo organizado por Natasha Young Buesa em 2022 do livro Convergências entre Currículo e Tecnologias, publicado em 2019 por Siderly do Carmo Dahle de Almeida. https://player.vimeo.com/video/734144573 A Evolução do Currículo no Brasil • 3/16 Introdução Até aqui pudemos compreender a polissemia de conceitos sobre o currículo escolar, conseguimos acompanhar a sua trajetória, ao longo do tempo, conhecemos algumas características e agora vamos aprender um pouco mais sobre a sua evolução, porém com um novo foco, o brasileiro. Precisamos entender como se deu a sistematização e caracterização do currículo no Brasil, e para isso vamos começar falando sobre suas influências. É importante conhecermos um pouco da história para entendermos a base de nossa identidade (personalidade educacional) e o quanto os processos de formação têm exercido influência sobre a nossa escola. Vale relembrar que os currículos não são neutros ou desinteressados, pelo contrário, eles estão carregados de significados, intenções, valores, conteúdos que moldam a forma de educar de nosso país. Com o passar do tempo, conforme o momento histórico, ocorreram diversas reformas educativas e curriculares em função das novas necessidades sociais, culturais, políticas e econômicas com as quais fomos nos deparando, e ainda, de forma a atender outros interesses que também foram surgindo, como por exemplo, pelas necessidades do sistema capitalista. As Influências do Currículo no Brasil O currículo, no Brasil, sempre sofreu influência internacional, desde a época colonial visto que os conteúdos ministrados foram influenciados pelos modelos dos jesuítas, marcados pelo rigor metodológico e conteúdos voltados para a inculcação dos valores da fé europeia. Era um momento de ‘aculturação’ daqueles que aqui habitavam. (Saviani, 2008 como citado em Almeida, 2019) Em 1549, os jesuítas trouxeram para o país o programa Ratio Studiorum, que se baseava na pedagogia tradicional, cujo programa de ensino abrangia conteúdos retirados da cultura universal, chamados de humanísticos ou enciclopédicos, que eram repassados aos alunos como verdades absolutas. (Machado & Soares, 2020) Durante a época do Império, a educação brasileira sofreu grande influência norte- americana, mediante a transferência de teorias e movimentos curriculares, o que significa que as bases epistemológicas e teóricas do currículo brasileiro são estrangeiras. A Evolução do Currículo no Brasil • 4/16 Então, de fato, os estudos sobre os currículos no Brasil tiveram início na década de 1920, a partir de algumas reformas educacionais que ocorreram na Bahia, e em Minas Gerais, momento no qual alguns educadores, que integravam o Manifesto do Pioneiro da Nova Escola, passaram a se preocupar com a organização curricular nas escolas brasileiras. Buscavam superar a escola tradicional, pouco democrática e voltada para a memorização. Esse movimento tinha como características a busca pela educação integral, que estava voltada para o desenvolvimento intelectual, físico e moral, a educação ativa e prática, voltada para a realização de trabalhos manuais, e ainda o desenvolvimento da autonomia e do ensino individualizado. (Ranghetti & Gesser, 2009) Esse foi um primeiro passo para o rompimento com a escola tradicional, dando ênfase à natureza social do processo educativo, à tentativa de renovação do currículo, bem como dos métodos e das estratégias de ensino e avaliação, e pela preocupação com a democratização da sala de aula, para que fosse possível para todos, assim como da relação entre professores e alunos. Porém, é apenas a partir de 1930, com o movimento escolanovista, sob a influência dos pensadores norte-americanos John Dewey, John Bobbitt e Ralph Tyler que os debates sobre o currículo ganham mais rigor e sistematização. (Machado & Soares, 2020) Baseado na escola progressiva de Dewey, os representantes da Escola Nova procuravam superar os limites da antiga tradição pedagógica trazida pelos jesuítas, de caráter enciclopédico, para desenvolver o sistema educacional brasileiro em um novo contexto. Os educadores e estudiosos ligados à Escola Nova foram muito importantes nesse período, como Anísio Teixeira (1900-1971), Fernando de Azevedo (1894-1974) e Lourenço Filho (1897-1970) que defendiam uma escola laica, que fosse gratuita e de qualidade para todo o povo brasileiro. Tendo como base o pensamento de Dewey, visava-se o educar pela pesquisa. Assim, as propostas curriculares da época traziam fortes críticas à pedagogia tradicional enraizada no ensino enciclopédico. Essas propostas procuravam transformar o processo no sentido de colocar o aluno na posição de sujeito ativo e desenvolvendo uma aprendizagem significativa. A Evolução do Currículo no Brasil • 5/16 Interessante observar que hoje em dia muito se fala em transformar o aluno em sujeito ativo de seu próprio aprendizado, aprendendo a aprender, sendo o seu próprio guia, estudando conforme suas necessidades, dentro de um processo de aprendizagem significativa, mas aqui podemos perceber que essas ideias nada têm de novas. São uma nova roupagem para ideias que tentam ser inseridas por nós, há muito tempo. Saiba Mais Se você se interessou pelo processo de evolução do currículo e as influências sofridas, assista ao fi lme O so rriso de Mo nalisa, es trelado por Julia Roberts, que dá uma ideia de como esta questão é abordada no mundo. https://www.adorocinema.com/filmes/ filme-40141/ Acessado em 06 de outubro de 2023. Amplie sua compreensão em relação ao pensamento de Paulo Freire e leia o livro: Pedagogia do Oprimido (1974). A primeira publicação se deu em 1969, nos Estados Unidos. O livro propõe uma pedagogia com uma nova forma de ver o relacionamento que ocorre entre professor, aluno e sociedade. https://www.adorocinema.com/filmes/filme-40141/ A Evolução do Currículo no Brasil • 6/16 Mais um pouco de evolução histórica do currículo no Brasil De maneira mais informal, pela luta de um grupo de educadores brasileiros, pioneiros, tivemos, de fato, os primeiros marcos do currículo no Brasil. Porém, de maneira mais formal, na década de 1930, os marcos iniciais ocorreram pela movimentação do Instituto Nacional de Pedagogia (Inep), que em 2001 passou a ser chamado de Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e pelo Programa de Assistência Brasileiro-Americana à Educação Elementar, o PABAEE, movidos pelos ideais humanistas e progressistas de Dewey e Kilpatrick (no caso do Inep) e de uma postura mais tecnicista no trato das questões curriculares (no caso do PABAEE). O PABAEE foi um acordo entre o Brasil e os Estados Unidos, ocorrido em 1956, e que visava a formação de supervisores que pudessem atuar no ensino primário e em cursos para professores. Tinha como meta a produção e a distribuição dos materiais didáticos elaborados, bem como programas de intercâmbio, especialmente aqueles voltados para a formação de mestres e doutores nas áreas de currículo e avaliação, nos Estados Unidos. (Ranghetti & Gesser, 2009) https://player.vimeo.com/video/734144880 A Evolução do Currículo no Brasil • 7/16 Conforme já vimos, as primeiras preocupações com o currículo, no Brasil, tiveram início em 1920, e desde então, até a década de 1980, ocorreram transferências das teorizações norte-americanas, voltadas para a assimilação dos modelos de elaboração curricular, advindos de acordos bilaterais entre o Brasil e os Estados Unidos, dentro de um programa de auxílio à América Latina. Em virtude desses acordos, muitosespecialistas brasileiros procuraram fazer cursos de pós-graduação strictu sensu, e a partir de então surgiram as primeiras obras que dizem respeito ao currículo no país. A de Anísio Teixeira, por exemplo, focava no currículo voltado para as crianças, porém as demais, ainda sob influência das ideias de Dewey, estavam voltadas para a elaboração e organização curricular. Houve, ainda, a influência de obras do educador americano John Bobbitt, como a ‘The Currículum’, de 1918 e a ‘How to Make a Currículum’, de 1924. Esse estudioso queria que o sistema de educação conseguisse explicitar claramente os resultados que pretendia obter, que lograsse determinar os métodos para obtê-los, e os métodos de mensuração que permitissem determinar que tivessem sido, de fato, alcançados esses resultados. Também queria que o sistema de educação estabelecesse os objetivos a serem alcançados, que deveriam estar baseados nas habilidades que os estudantes precisavam ter para exercer com eficiência suas funções em suas vidas profissionais, na fase adulta. Era um sistema voltado para a economia, para a inserção dos alunos no mercado de trabalho, e enfatizava que a educação precisava ser tão eficiente quanto qualquer outra organização. (Silva, 2008 como citado em Almeida, 2019) Outro fato importante na evolução do currículo no Brasil foi a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a LDB, em 1961, que deu, por primeira vez, ao currículo do ensino primário e do ensino secundário uma certa flexibilidade às escolas, para que definissem parte de seus currículos. Uma ou duas disciplinas seriam optativas e poderiam ser escolhidas pela instituição. A Evolução do Currículo no Brasil • 8/16 A discussão sobre currículo no país passa a ser mais intensa, e em 1962 os cursos de Pedagogia passam a inserir em suas matrizes curriculares a disciplina ‘Currículos e Programas’, presente nos cursos de licenciatura até os dias atuais. Vale ressaltar que, até a década de 1980, o currículo no Brasil tinha como base as teorias funcionalistas norte-americanas, que procuravam explicar que cada instituição tem uma função clara na sociedade. De 1980 a 1990, com o interesse pela democratização da sociedade brasileira, surgiram novas questões para compor esse debate. A abertura política gerou uma necessidade de repensar a sociedade, e no que se refere aos espaços escolares, não foi diferente, surgiu um interesse em desenvolver duas modalidades, uma como um espaço de expressão para as ideias populares voltadas para o exercício da autonomia popular, e a outra que se baseava na centralidade da educação escolar, estimulando o acesso a toda a população, inclusive às camadas mais baixas da sociedade. (Almeida, 2019) Sendo assim, as bases formais se estabeleceram com a criação, em 1996, da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), Lei nº 9.394, que determina que à União, juntamente com os estados e municípios, compete determinar os conteúdos mínimos a serem ministrados em todo o país. Enquanto compete ao Plano Nacional de Educação (PNE), determinar as diretrizes, metas e estratégias a serem adotadas entre os anos de 2014 e 2024 para a política educacional. Saiba Mais Para conhecer um pouco mais sobre a LDB acesse o seguinte endereço eletrônico e aproveite: https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/572694 Acessado em 06 de outubro de 2023. https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/572694 A Evolução do Currículo no Brasil • 9/16 Em 1997, o MEC publicou os Parâmetros Curriculares Nacionais, chamados de PCNs (composto por dez volumes), que intensificam as discussões acerca do currículo no Brasil. Teve como consultor o professor César Coll, da Universidade de Barcelona, seguindo o modelo espanhol, com predomínio construtivista. (Eyng, 2012) Caminhando um pouco mais nessa trajetória brasileira, em 2017, após muitos anos de discussões e debates, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) foi aprovada, com a intenção de servir de guia para a elaboração e estruturação dos currículos e atividades pedagógicas em todo o país. Trataremos sobre ela, com mais detalhes, nas próximas aulas. Saiba Mais Conheça o Guia de implementação dos Currículos alinhados à BNCC. (2022). https://observatorio.movimentopelabase.org.br/ conheca-o-guia-de-implementacao-dos-curriculos-alinhados-a-bncc/ Acessado em 06 de outubro de 2023. https://observatorio.movimentopelabase.org.br/conheca-o-guia-de-implementacao-dos-curriculos-alinhados-a-bncc/ https://observatorio.movimentopelabase.org.br/conheca-o-guia-de-implementacao-dos-curriculos-alinhados-a-bncc/ A Evolução do Currículo no Brasil • 10/16 Em Resumo Caro estudante, ao longo deste tema, conversamos sobre a influência dos jesuítas nas primeiras ideias curriculares do Brasil, depois, na época do Império vimos que a educação brasileira sofreu grande influência norte-americana. Na década de 1920, ocorreram algumas reformas educacionais e surgiu o Manifesto do Pioneiro da Nova Escola, que buscava superar a escola tradicional, pouco democrática e voltada para a memorização. Porém, foi apenas a partir de 1930, com o movimento escolanovista, que as discussões sobre o currículo ganharam rigor e sistematização. Outro fato importante foi a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), em 1961, que deu, pela primeira vez, uma certa flexibilidade às escolas. De 1980 a 1990, com o interesse pela democratização da sociedade brasileira, foram surgindo novas questões. Houve a criação da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), em 1996 e em 1997 o MEC publica os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), que intensificam as discussões sobre currículo brasileiro. Finalmente, em 2017, após muitos anos de discussões e debates, foi aprovada a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A Evolução do Currículo no Brasil • 11/16 Na ponta da língua https://player.vimeo.com/video/734145337 A Evolução do Currículo no Brasil • 12/16 Referências Bibliográficas Almeida, Siderly do Carmo Dahle de. (2019). Convergências entre currículo e tecnologias. [livro eletrônico]. Curitiba: InterSaberes. Eyng, Ana Maria. (2012). Currículo escolar. [livro eletrônico]. Curitiba: InterSaberes. Machado, Dinamara Pereira & Soares, Kátia Regina Dambiski. (2020). Currículo e sociedade. [livro eletrônico]. Curitiba: Contentus. Ranghetti, Diva Spezia & Gesser, Verônica. (2009). Centro Universitário Leonardo da Vinci. Indaial: Grupo Uniasselvi. Im ag en s: Sh utt er st oc k LIVRO DE REFERÊNCIA: Convergências entre Currículo e Tecnologias Siderly do Carmo Dahle de Almeida. Intersaberes