Prévia do material em texto
Centro Materno Infantil Fonte: Foto Gilmar Estevam Centro Materno Infantil - HNSC Assistência à Saúde Pública e Privada Trabalho de Conclusão de Curso 1 UNISUL – Arquitetura e Urbanismo Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Acadêmica: Talita Formaeski UNISUL UNISUL – Universidade do Sul de Santa Catarina Talita Formaeski Rosa TCC I – Centro Materno Infantil – HNSC Assistência à Saúde Pública e Privada Tubarão 2020.1 Talita Formaeski Rosa TCC I – Centro Materno Infantil Assistência à Saúde Pública e Privada Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima de Carvalho Tubarão 2020.1 Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Sul de Santa Catarina como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo. Talita Formaeski Rosa TCC I – Centro Materno Infantil Assistência à Saúde Pública e Privada Tubarão, 22 de Julho de 2020. __________________________________________ Professor e Orientador Ramon Lima de Carvalho Universidade do Sul de Santa Catarina __________________________________________ Professor Avaliador 1 Universidade do Sul de Santa Catarina __________________________________________ Professor Avaliador 2 Universidade do Sul de Santa Catarina Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Sul de Santa Catarina como requisito parcial à obtenção do titulo de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo. Agradecimentos Primeiramente, agradeço a Deus, pela saúde mantida ao longo da minha vida e por ter me guiado a essa oportunidade, me mantendo em evolução intelectual. Agradeço imensamente aos meus pais, Salésio e Fátima, que em nenhum momento duvidam da minha capacidade. São vocês que em suas orações me mandam forças para continuar essa caminhada; sem a constante presença de vocês, nada teria o mesmo sentido. Foi de vocês que herdei a honestidade, a empatia, a solicitude e o discernimento, que honro até o presente momento, estes e todos os demais princípios. Agradeço aos meus irmãos pelo apoio, Taty, Bruno, Sidney e Simone. Agradeço à “madrinha Jane e Kiko” pelo apoio incondicional; sem ela, eu não teria chegado até aqui com o mesmo conforto. Agradeço às minhas colegas de trabalho do Centro Obstétrico – HNSC Enf. Maikely que me da a oportunidade de presenciar o milagre da vida, me permitindo participar de momentos únicos, sempre me motivando e provocando meu potencial, Enf. Cristina, Enf. Katiane e à Equipe Dinastia, as quais compreendem minhas necessidades. Em especial, agradeço a um amigo que apareceu em minha vida e desde então tudo tem mais alegria, tornando cada situação especial. Obrigada, Rangel, por tudo, pelos momentos, conversas, por me acalmar nas horas de aflição dizendo “tá, pera, tô indo aí” e chega trazendo soluções, calmaria e piadas, tem um espirito suave e um bom-humor contagiante, a quem quero para sempre junto comigo, muito obrigada. Agradeço aos professores do Curso de Arquitetura e Urbanismo, salientando ao Coord. Prof. Arq. Rodrigo Althof, sempre muito gentil e acessível. Agradeço às amizades especiais que o curso me presenteou: Luiza, Katy e Josi; sem elas, os ‘viradões’ de projeto não seriam os mesmos. Por último, em especial, agradeço ao meu orientador, Ramon Lima de Carvalho, quem eu já havia reservado como orientador e escolhido o tema desde o segundo semestre, e não é que deu certo?! Agradeço pela paciência com os assessoramentos tendo se mostrado presente, espirituoso, calmo e compreensível. Obrigada, professor. A todos, amigos e familiares, obrigada! Resumo Este trabalho tem por finalidade ser base para o futuro anteprojeto de um centro materno infantil em conjunto com o Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão – SC, referência em gestação de alto risco. Revisando os registros em um hospital de Tubarão e região, percebe-se alto grau de nascimentos por parto cesárea, acima do indicado pela OMS. O futuro Centro Materno Infantil tem uma proposta humanizada, acolhendo e auxiliando a população para uma escolha consciente e individualizada quanto à via de nascimento adequada, diminuindo assim as taxas de internação de RN em UTI neonatal, anulação de morte materna e redução segura do tempo de permanência hospitalar. Considerando essas informações, foram feitas análises de referenciais teóricos, referenciais projetuais, análise da área a ser implantada a proposta e o partido arquitetônico. Os referenciais teóricos foram importantes para abordar temas quanto à ambiência, história da obstetrícia e a atual condição da infraestrutura na saúde da mulher na cidade de Tubarão. Os referenciais projetuais foram escolhidos por suprir alguns aspectos pertinentes relacionados à especialidade da proposta. A análise da área mostra todos os aspectos do terreno escolhido e seu entorno, resultando na progressão do desenvolvimento do partido. Palavras-chave: Arquitetura hospitalar. Obstetrícia. Humanização. Ambiência. Abstract This research aims to be a base for a future preliminary project of a maternal and child center in conjunction with Hospital Nossa Senhora da Conceição, in Tubarão – SC, a reference in high risk management. By reviewing the records in a hospital in Tubarão and region, a high degree of births per birth is observed, above the recommended by OMS. The future Maternal and Child Center has a humanized proposal, welcoming and helping the population through a conscious and individualized choice, as for the adequate birth path, decreasing the rates of hospitalization of RN in neonatal ICU, cancellation of maternal death and safe reduction of hospital stay. Considering these information, it were done analyzes of theoretical references, projected references, area analyzes where it will be made the proposal and an architectural party. Theoretical frameworks were important to address topics about ambience, history of obstetrics and current condition of infrastructure in women's health in Tubarão city. The projected references were selected for some aspects related to the proposal’s specialty. An analysis of the area shows all aspects of the chosen terrain and its content, resulting in the progress of the party's development. Keywords: Hospital architecture. Obstetrics. Humanization. Ambience. Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Siglas e abreviaturas AC – Alojamento Conjunto AMUREL – Associação de Municípios da Região de Laguna ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária BCF – Batimento CardioFetal CMI – Centro Materno Infantil CPN – Casa de Parto Normal CTI – Centro de Tratamento Intensivo DF – Distrito Federal HNSC – Hospital Nossa Senhora da Conceição IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas IHAC – Iniciativa Hospital Amigo da Criança OMS – Organização Mundial da Saúde PPP – Pré-parto, Parto e Pós-parto ReHuNa – Rede Nacional pela Humanização do Parto e do Nascimento RN – Recém-nascido SC – Santa Catarina SISREG – Sistema de Regulação SPA – Sala de Pós Alta SRPA – Sala de Recuperação Pós Anestésica SUS – Sistema Único de Saúde UTI – Unidade de Tratamento Intensivo PP – Pré-parto PC – Parto Cesárea PN – Parto Normal RPA – Recuperação Pós-Anestésica BLH – Banco de Leite Humano SUAS – Sistema Único de Assistência Social Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Sumário 1 Introdução..........................................................................10 1.1 Problemática.................................................................10 1.2 Justificativa...................................................................11 1.3 Objetivos.......................................................................12 1.3.1 Objetivo Geral........................................................121.3.2 Objetivos Específicos............................................12 1.4 Metodologia...................................................................13 2 Referenciais teóricos.........................................................13 2.1 História da obstetrícia no Brasil....................................14 2.2 Humanização no atendimento direto............................15 2.2.1 Presença do acompanhante no parto...................16 2.2.2 Salas de PPP, salas cirúrgicas, recuperação, permanência e internação..........................................................16 2.2.3 A atenção dispensada ao RN quanto aos cuidados e procedimentos invasivos na primeira hora de vida.................17 2.2.4 Abortamento...........................................................17 2.3 Ambiência......................................................................18 3 Referenciais projetuais......................................................22 3.1 Hospital Can Misses.....................................................22 3.1.1 Ficha técnica..........................................................22 3.1.2 Elementos..............................................................22 3.1.2.1 Acessos...........................................................22 3.1.2.2 Circulações ....................................................23 3.1.2.3 Volume e massa.............................................23 3.1.2.4 Conforto ambiental e sustentabilidade...........24 3.1.2.5 Zoneamento funcional....................................25 3.1.2.6 Estruturas e técnicas construtivas..................25 3.1.3 Relações................................................................26 3.1.3.1 Relação com o entorno...............................................26 3.1.3.2 Relação entre exterior e interior.....................26 3.1.3.3 Hierarquias espaciais.....................................27 3.1.4 Ordem de ideias...................................................27 3.1.4.1 Traçados e simetria.......................................28 3.1.5 Partido..................................................................28 3.1.6 Por que da escolha? O que pretende usar?........28 3.2 Centro Internacional de Neuroreabilitação e Neurociências Sarah Kubitschek - RJ......................................29 3.2.1 Ficha técnica........................................................29 3.2.2 Elementos............................................................29 3.2.2.1 Acessos.........................................................30 3.2.2.2 Circulações...................................................30 3.2.2.3 Volume e massa............................................31 3.2.2.4 Conforto ambiental e sustentabilidade..........31 3.2.2.5 Zoneamento funcional...................................32 3.2.2.6 Estruturas e técnicas construtivas................33 3.2.3 Relações...............................................................34 3.2.3.1 Relação com o entorno.................................34 3.2.3.2 Relação entre exterior e interior....................35 3.2.3.3 Hierarquias espaciais....................................35 3.2.4 Ordem de ideias...................................................35 3.2.4.1 Traçados reguladores...................................35 3.2.4.2 Simetria e assimetria.....................................36 3.2.5 Partido...................................................................36 3.2.6 Por que da escolha? O que pretende usar?........37 4 Estudo de Caso – Hospital Amparo Maternal................37 4.1 Ficha técnica................................................................38 4.2 Elementos.....................................................................38 4.2.1 Acessos / Entradas principais e secundárias.......38 4.2.2 Circulações............................................................39 4.2.3 Volume e massa....................................................40 4.2.4 Conforto ambiental e sustentabilidade..................40 4.2.5 Zoneamento funcional...........................................41 4.2.6 Estruturas e técnicas construtivas.........................42 4.3 Relações........................................................................43 4.3.1 Do edifício com o entorno.......................................43 Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 4.3.2 Do interior com o exterior....................................43 4.3.3 Hierarquias espaciais..........................................44 4.4 Ordem de ideias.........................................................45 4.4.1 Simetria e assimetria...........................................45 4.4.2 Traçados reguladores..........................................45 4.5 Partido.........................................................................46 4.6 Por que da escolha? O que pretende usar?..............46 4.7 Detalhamento da visita in loco....................................47 5 Diagnóstico de área.........................................................48 5.1 Dados gerais...............................................................48 5.1.1 Histórico da cidade..............................................48 5.1.2 A origem do município de Tubarão.....................49 5.2 Análise geral da área..................................................49 5.2.1 Análise específica da área..................................50 5.3 Hierarquia viária e transportes coletivos....................51 5.3.1 Sistema viário......................................................52 5.4 Uso do solo.................................................................52 5.4.1 Gabaritos.............................................................53 5.4.2 Zoneamento, uso e ocupação.............................53 5.4.3 Condicionantes ambientais.................................54 5.4.4 Equipamentos urbanos........................................55 5.4.5 Morfologia urbana................................................55 5.4.6 Infraestrutura urbana..................................................56 5.4.7 Relação público e privado...................................56 5.5 Histórico do HNSC......................................................57 5.5.1 Centro Materno Infantil........................................58 5.5.1.1 Sobre o centro materno infantil a ser projetado...................................................................................58 5.6 Síntese do diagnóstico................................................61 6 Partido arquitetônico.......................................................61 6.1 Conceito......................................................................62 6.2 Intenções de projeto...................................................63 6.3 Proposta de partido....................................................64 6.4 Volumetria geral setorizada.......................................64 6.5 Fluxograma geral..........................................................65 6.6 Aplicação do conceito..................................................65 6.7 Planta baixa zoneada e volumetria..............................66 6.8 Aplicação dos referenciais projetuais..........................68 6.9 Materialidade................................................................68 7 Considerações finais........................................................70 8 Referências........................................................................70 9 Apêndices...........................................................................739.1 Pré-dimensionamento e programa de necessidades específico....................................................................................73 9.2 Fluxogramas específicos..............................................78 9.3 Tabela de pesquisa de porcentagem por via de nascimento.................................................................................82 1 Introdução O presente Trabalho de Conclusão de Curso visa construir uma ala para acolher o Centro Materno Infantil do Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão/SC. O foco principal desse projeto tem base no parto normal, cesáreas, consultas, exames e abortamentos humanizados, nos direitos da mulher, no acesso a toda equipe de apoio que ela possa precisar para qualquer um desses procedimentos. Nessa ala, teremos, então, os cinco setores que compõem o CMI: Centro Obstétrico, Alojamento Conjunto, Pediatria, UTI Neonatal e Banco de Leite Humano. O alto índice de cesarianas, algumas delas com indicação duvidosa, ocorrendo por falta de conhecimento da gestante, tornam esses procedimentos invasivos, o que compromete a saúde da gestante e do recém-nascido a curto e a longo prazo. Com isso, viu-se a necessidade de aprimorar o ambiente onde ocorrem os atendimentos, principalmente a gestantes e puérperas. O objetivo deste projeto é criar um espaço exclusivo e humanizado voltado à saúde da mulher na gestação, no parto e no puerpério. 1.1 Problemática Tubarão atualmente tem seu crescimento populacional acelerado (segundo dados do IBGE, aproxima-se de 106 mil habitantes em 2020), e para suprir toda a cidade e região, o município conta com dois estabelecimentos de saúde com internação para gestantes, sendo um deles público. O Hospital Nossa Senhora da Conceição, além de ser referência em gestação de alto risco, é um dos maiores de Santa Catarina em número de leitos, totalizando 396 leitos (internação, observação e alojamento canguru). Possui CTI – Centro de Tratamento Intensivo Adulto, com 30 leitos (SUS e particulares). A UTI Mista conta com 13 leitos (neonatal e pediátrico). Tendo como foco a maternidade e a UTI neonatal, a população conta com 53 leitos distribuídos para: triagem obstétrica, salas de pré-parto, PPP, internação SUS, particular e convênios e recuperação pós-anestésica, e 13 leitos para UTI neonatal, fazendo parte do SISREG, ou seja, tendo que abrir vaga para outras regiões, se necessário. Observando que o HNSC atende toda região da AMUREL, que representa aproximadamente 364 mil pessoas, 10Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima IN T R O D U Ç Ã O Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima sendo, portanto, referência, a instituição faz aproximadamente, na obstetrícia, 1.200 atendimentos/mês, sendo eles, em média, 880 consultas, 16 curetagens e ainda cerca de 250 nascimentos. Assim, percebe-se a necessidade de ampliação e humanização do setor que é o berço do nosso hospital, o Centro Materno Infantil. Um dos índices da OMS mostra que o número de cesarianas ainda está muito alto. No Brasil, segundo a OMS, 55% dos nascimentos ainda são por cesáreas; em Santa Catarina, são 58%; e no HNSC, conforme pesquisa realizada pela autora, o índice atual é de 52% pelo SUS, e as cesáreas por convênios estão em 71,4%. A taxa ideal deve ficar entre 10% e 15% (tabela em apêndice). Devido a essas taxas, a saúde da mulher e do RN pode ser comprometida, pois a taxa de mortalidade infantil e de internação em UTI Neonatal ainda é bastante preocupante, visto que os nascimentos prematuros são a maior indicação de internação em UTI neonatal. Os partos normais ainda não têm um ambiente exclusivo para a evolução de cada gestante individual; a maioria desses procedimentos ainda ocorre ou recupera no mesmo ambiente das cesáreas, curetagens, observação e triagem. Há duas salas de PPP, mas a gestante não permanece nesta sala desde sua chegada ao Centro Obstétrico, não há essa privacidade, esse atendimento exclusivo. Os procedimentos de curetagens ocorrem em salas de cesáreas e salas de parto, expondo a mãe aos nascimentos alheios, o que a deixa ainda mais vulnerável psicologicamente, inclusive quando a recuperação acontece junto às puérperas. A SRPA (Sala de Recuperação Pós Anestésica) é compartilhada por todas as pacientes e acompanhantes, o que gera desconforto para as puérperas e acompanhantes, que, por alguma intercorrência, não estão com o recém-nascido. A necessidade de uma ambiência adequada aos tratamentos que são dispensados é indiscutível. 1.2 Justificativa Inicialmente, a escolha do tema foi pessoal, pois a autora, atualmente, atua na área que foi escolhida como tema, no entanto a observação ao longo dos anos na área da saúde e as leituras realizadas sobre o tema mostram que a população merece um local apropriado para o momento mais importante 11Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima IN T R O D U Ç Ã O Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima de suas vidas: o nascimento de um bebê e, com ele, de uma mãe e um pai. Observando a demanda de serviços oferecidos pelo SUS dentro do HNSC, principalmente ligados à saúde da mulher, este Trabalho de Conclusão de Curso se justifica por solucionar as problemáticas de toda a região, com a proposta de transferir o Centro Materno Infantil (Centro Obstétrico, Alojamento Conjunto, UTI Neonatal, Banco de Leite Humano e Pediatria) para um novo espaço, incentivando o Parto Normal, diminuindo as taxas de mortalidade materna e infantil, apoiando e informando as gestantes e familiares quanto aos serviços e programas oferecidos. E essa transferência do CMI traz a possibilidade de ampliação ou criação de novos leitos/setores no atual ambiente, sendo que a área onde está implantado o hospital não oferece mais a possibilidade de ampliação horizontal ou vertical. 1.3 Objetivos 1.3.1 Objetivo geral Elaboração do anteprojeto da Ala do Centro Materno Infantil do HNSC em Tubarão, Santa Catarina. 1.3.2 Objetivos específicos ✓ Elaborar um projeto de acordo com as necessidades da região; ✓ Tornar a ambiência o foco principal em todos os setores; ✓ Projetar uma Ala de Centro Materno Infantil que ofereça apoio às mulheres de Tubarão e região; ✓ Projetar a ligação direta entre o Hospital e o Centro Materno Infantil; ✓ Contribuir, por meio da arquitetura, para tornar o setor referência em partos; ✓ Levantar dados e diagnósticos da área observando suas carências; ✓ Elaborar pesquisas sobre temas específicos para agregar conhecimento que vá contribuir com o lançamento do anteprojeto; ✓ Elaborar pesquisas de projetos existentes para servirem de referência no lançamento da proposta; ✓ Promover a sustentabilidade. 12Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima IN T R O D U Ç Ã O Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 1.4 Metodologia A realização do trabalho ocorre por meio de referenciais teóricos, pesquisa de referenciais projetuais, levantamento físico e diagnóstico da área, entrevista com funcionários e médicos da instituição citada (HNSC), diretrizes projetuais, partido da proposta e anteprojeto, sendo desenvolvidos na seguinte forma: ✓ Análises teórica e legislativa por meio de pesquisas em documentos e sites específicos para ambientes de saúde; ✓ Análise de referenciais projetuais estudando ambiência hospitalar, uso de recursos naturais, circulação e acessibilidade; ✓ Elaboração de estudo de caso a ser realizado no HAM, por meio de entrevistas, registros fotográficos e análise da planta baixa; ✓ Elaboração do programa de necessidades eficiente; ✓ Realização de um levantamento de dados do local por meio de visitas, levantamentofotográfico e mensuração para a escolha da área a ser implantado o estabelecimento; ✓ Elaboração de um programa de necessidades eficiente por meio do cruzamento dos dados obtidos no processo de pesquisa; ✓ Com base em todas as informações obtidas, será traçada a proposta do partido, apresentada por meio de textos, ✓ Croquis, plantas e cortes esquemáticos; ✓ Elaboração do anteprojeto, utilizando todas as informações anteriores. 2 Referenciais teóricos A humanização no ambiente estrutural de um hospital ou de uma ala hospitalar contribui positivamente para a melhoria da evolução clínica do paciente, independentemente de sua condição de saúde e/ou idade, fornecendo a segurança necessária e adequada, além de proporcionar maior satisfação dos acompanhantes e profissionais. A ambiência hospitalar é uma das metas do Sistema Único de Saúde (SUS), pois tem por finalidade não só proporcionar melhores condições para assistência, mas trazer mais conforto aos pacientes, nesse caso representados por gestantes e parturientes que precisam de um local humanizado 13Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima IN T R O D U Ç Ã O / R E F E R E N C IA IS T E Ó R IC O S Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima e acolhedor para vivenciarem um momento tão especial em suas vidas, o nascimento de uma família. Dessa forma, trataremos neste capítulo sobre a história da obstetrícia no Brasil, a humanização no atendimento com ênfase nos nascimentos e abortamentos e a ambiência. 2.1 História da obstetrícia no Brasil Início do século XIX, tradicionalmente, os abortos, partos e os cuidados com o RN, eram realizados por parteiras, parentes, vizinhas, por pessoas com alguma experiência para ajudar no momento da dor, que seria também chamada de “aparadeira”. A formação de médicos era precária até meados de 1832, onde houveram reformas radicais no ensino da medicina tornando, neste ano, oficial o ensino da Obstetrícia no Brasil. Caderno de saúde pública, RJ, junho de 1991, pg. 135. Entre os séculos XVIII e XIX começa a disputa pelos trabalhos de partos e outros procedimentos entre parteiras e médicos (MUSÉE, 2002; RHODES, 1995 apud BITENCOURT; KRAUSE, 2004). Como em outras partes do mundo, também, no Brasil, os médicos estavam empenhados em estabelecer sua hegemonia no campo da saúde e disputar a clientela da parteira. (OSAWA et al, 2006, p.699). Neste período, o parto deixou de ser um evento social, que movimentava toda a família para a chegada de um novo membro, passando a ser medicado, hospitalizado, corrigido, acelerado, monitorado (SILVA, 2010). Para Moura et al (2007, p.13 ). [...] na década de 40, foi intensificada a hospitalização do parto, que permitiu a medicalização e controle do período gravídico puerperal e o parto como um processo natural, privativo e familiar, passou a ser vivenciado na esfera pública, em instituições de saúde com a presença de vários atores conduzindo este período. Esse fato favoreceu a submissão da mulher que deixou de ser protagonista do processo parturitivo. Em 1960, devido à grande influência sofrida pelas casas de parto da Europa e dos EUA, o Brasil estava com um grande número de cesáreas e uma alta taxa de mortalidade materna. Morte materna é a morte de uma mulher durante a gestação ou até 42 dias após o término da gestação, independentemente da duração ou da localização da gravidez. É causada por qualquer fator relacionado ou agravado pela gravidez ou por medidas tomadas em relação a ela. Manual dos Comitês de Mortalidade Materna. Ministério da Saúde. (DF, 2007, p.12). 14 0 Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima R E F E R E N C IA IS T E Ó R IC O S Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Neste momento, a mulher perde o protagonismo, surgem as intervenções desnecessárias, as induções sem indicação, o aceleramento do trabalho de parto para desocupar leitos nos hospitais e o afastamento dos familiares. Esse modelo de assistência acarreta na desumanização do parto, e a mulher passa a ser um objeto de estudo, apenas (JAMAS, 2010). Eis que em 1999 surge em São Paulo a primeira Casa de Parto Normal, de acordo com a Portaria nº 985/1999 do Ministério da Saúde. Essa Casa surge com pensamentos diferentes de assistência à mãe e ao bebê, com foco principal em diminuir as taxas de mortalidade materna (CAMPOS e LANA, 2007; MACHADO e PRAÇA, 2006). Nos CPN, as gestantes têm atendimento por enfermeiras obstétricas, cuja presença do médico não se faz necessária na maioria das vezes, e elas têm direito a um acompanhante de sua escolha. Essa assistência traz alternativas para analgesia, soluções de manejo para o trabalho de parto, considerando os desejos da gestante (GONÇALVES et al, 2011). 2.2 Humanização no atendimento direto Os nascimentos, na cultura brasileira, são considerados sagrados. São vistos como um momento de milagre, de nascimento de um bebê, de uma mãe e de um pai. Neste momento, tudo o que foi sonhado se realiza, tudo o que foi imaginado se torna realidade bem diante dos olhos daquelas que o fizeram. Artigo: A história do parto: do domicilio ao hospital; das parteiras ao médico; de sujeito a objeto (VENDRUSCOLO e KRUEL, 2016). Para que este momento seja assistido com qualidade, seja em consultas, exames, administração de medicamentos, parto normal, parto cesariana ou curetagem, a gestante fica à disposição os especialistas 24h, ininterruptamente. Por meio da consulta e triagem, os profissionais atentam-se para as necessidades individuais de cada paciente, seus medos, dúvidas, questionamentos, procedimentos a serem realizados, exames de controle e de urgência. Para isso, o hospital conta com uma equipe composta por médicos obstetras, enfermeiras obstetras, técnicos em enfermagem, radiologistas, pediatras neonatologistas, farmacêuticos, laboratórios, dentre outros (ANVISA, 2008). Juntamente com o Ministério da Saúde, com esse olhar especial sobre as gestantes, surgem vários programas, com 15Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima R E F E R E N C IA IS T E Ó R IC O S Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Figura 1 – Programas sociais Fonte: Google. iniciativas governamentais, para amparar, informar, fortalecer e incentivar o nascimento, aleitamento e puerpério: 2.2.1 Presença do acompanhante no parto A presença do acompanhante proporciona bem-estar físico e emocional à mulher e favorece uma boa evolução no período gravídico puerperal. O acompanhante passa segurança durante todo o processo parturitivo, o que pode diminuir as complicações na gestação, parto e puerpério, a utilização de analgesia, ocitocina, partos cesáreos e o tempo de hospitalização do binômio, mãe e filho (MOURA et al, 2007). 2.2.2 Salas de PPP, salas cirúrgicas, recuperação, permanência e internação Salas de parto normal ou parto cesárea, ambiente este onde ela possa expressar seus sentimentos mais profundos, onde os assuntos mais polêmicos vêm à tona: vida, morte e sexualidade. Neste local, ela deve se sentir única, protagonista de tudo o que está acontecendo com seu corpo, com sua vida. Mas ao mesmo tempo ela tem direito ao acesso à equipe médica, de enfermagem, acesso à analgesia farmacológica, ou não (BRASIL, 2017). A permanência na SRPA deve ter continuidade na humanização ao cuidado, agora incluindo o recém-nascido, para o qual deve-se atentar à amamentação, e também aos sinais vitais da mãe e RN e suporte ao acompanhante. Neste momento, a puérpera precisa descansar, amamentar, sentir-se confortável com o local, com a maca em que ela se encontra. É necessário que seja um ambiente calmo, limpo, seguro,e que ela possa contar com uma equipe de apoio, médicos, enfermeiras, banco de leite e alojamento conjunto. E importante a observação redobrada da puérpera nessa fase, por tratar-se do período em que, com mais frequência, ocorrem hemorragias pós-parto, principalmente por atonia ou hipotonia uterina. E também momento adequado para promoção de ações que possibilitem o 16Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima R E F E R E N C IA IS T E Ó R IC O S Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima vínculo mãe/bebe, evitando-se a separação desnecessária (BRASIL, 2001, p.99). 2.2.3 A atenção dispensada ao RN quanto aos cuidados e procedimentos invasivos na primeira hora de vida A taxa de mortalidade infantil e de internação em UTI Neonatal ainda é bastante preocupante, por isso o primeiro atendimento ao RN tem importância fundamental, pois dessa forma é possível reduzir os danos ao neonato. As ações de promoção, prevenção e assistência à saúde dirigidas à gestante e ao RN têm grande importância, pois influenciam a condição de saúde dos indivíduos, desde o período neonatal até a vida adulta. Cada vez mais, vem sendo salientada a relação determinante entre a vida intrauterina, as condições de saúde no nascimento e no período neonatal e os problemas crônico-degenerativos na vida adulta, como obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, saúde mental, entre outros. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2011,p.11) Atualmente, o recém-nascido a termo, ativo e reativo é atendido ao nascer pelo pediatra e enfermagem em sala, com .......... Fonte: Foto Gustavo Campos/G1 Figura 2 – Imagem de UTI Neonatal clampeamento tardio do cordão umbilical. O RN permanece em contato pele a pele, ininterruptamente, por 1h, no mínimo, com a mãe, sendo neste momento estimulado o aleitamento materno, fortalecendo o vínculo entre mãe e RN (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2011). 2.2.4 Abortamento O Ministério da Saúde reconhece, por meio da Norma Técnica Atenção Humanizada ao Abortamento, que a realidade brasileira quanto ao abortamento é preocupante, além de ser uma importante causa de morte materna por procedimentos realizados ilegalmente em locais pouco ou nada 17Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima R E F E R E N C IA IS T E Ó R IC O S Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima seguros. Essas mulheres que não têm apoio legal da saúde pública para optarem por interromper a gestação acabam procurando métodos alternativos para provocar o aborto, tendo, dessa forma, complicações na saúde ou até vindo a óbito. Aspectos culturais, religiosos e legais inibem as mulheres a declararem seus abortamentos, dificultando o cálculo da sua magnitude. Independentemente dessa dificuldade, sabe-se que o abortamento e vastamente praticado, com o uso de meios diversos, muitas vezes induzidos pela própria mulher ou realizados por profissionais em condições inseguras, em geral acarretando consequências danosas a saúde, podendo, inclusive, levar a morte. (BRASIL, 2005,p.7). A humanização neste tipo de atendimento exige estrutura física hospitalar pensada para esta mulher; ela deve ter acesso a uma equipe com todos os níveis de gestores, deve contar com profissionais éticos, compreensivos, capacitados para lidar com essa situação de vulnerabilidade, sendo, portanto, acolhida, informada e aconselhada com respeito e dignidade. Parto, aborto e puerpério (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001). Ambiência 2.3 Ambiência O conceito de ambiência é regido por três tópicos: O espaço que visa à confortabilidade focada na privacidade e individualidade dos sujeitos envolvidos, valorizando elementos do ambiente que interagem com as pessoas – cor, cheiro, som, iluminação, morfologia –, e garantindo conforto aos trabalhadores e usuários. O espaço que. possibilita a produção de subjetividades – encontro de sujeitos – por meio da ação e reflexão sobre os processos de trabalho. O espaço usado como ferramenta facilitadora do processo de trabalho, favorecendo a otimização de recursos, o atendimento humanizado, acolhedor e resolutivo. É importante ressaltar que esses três eixos devem estar sempre juntos na composição de uma ambiência, sendo esta subdivisão apenas didática. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006,p.6).. No primeiro atendimento à gestante, especificamente, deve-se ter uma prioridade urgente, de modo que a circulação interna seja quase exclusiva dela – em que os funcionários do hospital ou ala saibam a importância dessa paciente quando adentra à instituição, compreendendo que mesmo as pequenas alterações fisiológicas podem resultar em outras muito maiores. Uma vez atendida, ela tem prioridade e privacidade em suas consultas, exames e procedimentos médicos e de enfermagem, 18Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima R E F E R E N C IA IS T E Ó R IC O S Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima como preferir, de acordo com suas necessidades físicas e psicológicas paralelas às necessidades do embrião ou feto, mesmo que seja um aborto, em que não há mais BCF’s, conforme consta na Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002. Adentra-se aqui na questão dos fluxos interfuncionais e intrafuncionais, salientando que em ambos deve ocorrer a humanização, mas que no segundo deve haver a disponibilidade estrutural e a privacidade para as gestantes, sendo que muitas delas utilizarão esse ambiente de circulação como parte de suas atividades no trabalho de parto, como garante a Resolução RDC nº 36, de 03 de junho de 2008, da ANVISA. ....... O ambiente em que ela será recebida, juntamente com um acompanhante de sua escolha, deve ser acolhedor, calmo, confortável, seguro e apropriado para suas possíveis urgências. Este ambiente deve existir desde o seu primeiro atendimento, ou seja, a recepção, seguindo para a sala de triagem, consultório, salas cirúrgicas, PPP, SRPA, AC, SPA e saída (BRASIL, 2014). Quanto ao RN, a humanização se estende ao momento em que a possibilidade de permanência dos pais se torna inquestionável e o atendimento por profissionais capacitados 24h permanece, sendo eles médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, cirurgiões pediátricos, radiologistas, entre outros, direito assegurado pelo Ministério da Saúde - Portaria nº 371, de 07 de maio de 2014. Este ambiente deve ser acolhedor, trazendo conforto térmico, acústico e visual para a permanência ao longo do tratamento, além de aconchego aos RN’s e aos acompanhantes. Uma pessoa se sente confortável em um ambiente quando este lembra seu lar. No caso dos prédios hospitalares, tem-se pensado muito nessa questão, seja na construção de novos hospitais ou clínicas, ou mesmo nas reformas. Em um ambiente hospitalar, torna-se mais complexa essa adaptação, pois, paralelo à estética e à funcionalidade dos ambientes, deve-se atentar ao limite orçamentário e às normas para esse tipo de construção. (KIBERT, 2020). Sendo o clima Catarinense privilegiado, este permite aproveitar por mais tempo a iluminação natural, levando para dentro dos ambientes, das edificações, mais qualidade de vida física e mental, pois entre os procedimentos e medicações o paciente tem a sensação de tempo, hora e clima, o que o remete à janela de casa, à rua do bairro, à janela do seu trabalho, e dessa forma o mantém motivado e positivo quanto ao 19Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima R E F E R E N C IA IS T E Ó R IC O S Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima seu tratamento ou procedimento. Pode-se estabelecer uma analogia entre a luz do dia e osciclos da vida...O homem reage as variações da luz do dia: revigora- se num dia luminoso e deprime-se ante um dia obscurecido. (BARNABÉ, 2008,p.35). No caso do Centro Obstétrico, o conforto lumínico tem um papel importante nas salas de PPP, salas cirúrgicas, SRPA, circulação e consultórios, assim como o térmico, o acústico e o visual, como cita Niemeyer: Trabalho no meu canto, no fundo do escritório. Muita gente me pergunta porque não fico na parte da frente, mais clara, defronte ao mar. Mas é neste lugar, mais sereno, tranquilo e discreto, que me sinto melhor. (NIEMEYER, apud CORREA, 1996, p. 16). A gestante deve sentir-se à vontade quando chegar a sua hora, a hora do seu parto, um momento único entre a gestante, o recém-nascido e seus familiares, em que deve sentir que tudo ao redor está preparado para ela. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2014). Nessa hora, seja em parto normal ou parto cesárea, ela precisa de um local em que se sinta acolhida, no qual a iluminação esteja a seu favor, onde não haja ruídos e, se houver, que sejam de sua escolha, e que esse ambiente se adapte às necessidades dela e do acompanhante de sua escolha para aquele momento. Assim, se for de sua vontade, ela não precisará sair da sala de PP, pois essa sala pode ser adaptada para que o nascimento ocorra ali mesmo, onde a gestante se sentir melhor. Atualmente, denomina-se sala de PPP e sala de PC. Cada uma com suas características necessárias para os devidos procedimentos a serem realizados, porém mantendo a humanização antes da cirurgia, durante o nascimento e no puerpério (BRASIL, 2001). 20Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima R E F E R E N C IA IS T E Ó R IC O S Figura 3 – Imagem de PPP Fonte: Foto RS Design Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima O ambiente utilizado para procedimentos de curetagem, seja por aborto provocado ou espontâneo, não deve ser menos humanizado do que o utilizado para parto normal, por exemplo. Há inúmeras razões para compreender esse ou aquele tipo de aborto. Profissionais da saúde, principalmente, têm o dever de não discriminarem nem julgarem a causa do aborto. A mulher que está passando por esse procedimento deve receber todo atendimento oferecido pela lei oferece, com tratamento humanizado sempre. Em situações de urgência ou emergência, todo serviço de saúde deve cuidar da mulher de modo rápido, respeitoso e de acordo com as normas do Ministério da Saúde. (MPPE, 2015,p.17). O paciente, após esse momento crítico de RPA ou pós- parto imediato, quer ter ao seu lado o acompanhante e quer também receber seus familiares e visitas. Para isso, é necessário que a estrutura física esteja pronta para recebê-los desde a recepção até o leito onde está a gestante, a puérpera, o RN (seja com a mãe ou na UTI neo), a criança (pediatria) e até aquela mãe que está amamentando (BLH). Para manter a humanização na assistência de saúde, é 21Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Figura 4 – Ambientes de uso comum Fonte: Foto Rondônia Digital Fonte: Foto ACR Arquitetura Fonte: Foto BealtifulDecay Figura 5 – Ambientes de uso comum pediátrico Fonte: Foto VivaDecora R E F E R E N C IA IS T E Ó R IC O Simportante que os profissionais envolvidos na questão, reúnam- se sempre que necessário para compartilhar e documentar tudo o que já foi feito e o que ainda será, dessa forma mantém-se atualizada a evolução no atendimento (RATTNER et al, 2010). Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 3 Referenciais projetuais Neste capítulo, serão analisados um referencial projetual em forma de estudo de caso, Hospital Amparo Maternal, e dois referenciais projetuais escolhidos pelo aluno, que irão sustentar, auxiliar e contribuir na criação e desenvolvimento do futuro anteprojeto. Assim, foram analisados o Hospital Rede Sarah, no Rio de Janeiro, e o Hospital Can Misses, localizado na Espanha, sendo o primeiro nacional, e o segundo, internacional. 3.1 Hospital Can Misses O projeto repensa e otimiza os fluxos de todos os usuários, reformulando as conexões entre os serviços. É um hospital modular, eficiente, fácil de usar e que permite crescimento futuro. Apresenta 67.132m² construídos, sendo eles 46.405m² hospitalar + 1.991m² de reforma + 18.736m² de estacionamento, oferecendo 900 vagas. 3.1.1 Ficha técnica: Área construída: 67.132m² Ano: 2014 Localização: Ibiza, Espanha. Projeto: Luís Vidal + Arquitetos 3.1.2 Elementos A análise realizada neste referencial projetual refere-se, particularmente, ao fluxograma, o qual destaca-se por ser definido de forma que separa os serviços em diferentes edificações, semelhante ao projeto em questão, porém em menor escala. 3.1.2.1 Acessos O hospital se localiza ao noroeste de Ibiza, uma ilha ao leste da Espanha. O local tem uma ocupação escassa, apresenta grande quantidade de residências na periferia da ilha. A obra, que fica entre duas vias de fluxo importante, E-10 (leste) e E-20 (oeste), é o acesso principal pela Carrer de 22Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima R E F E R E N C IA IS P R O J E T U A IS Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Corona (sudoeste), onde o fluxo é moderado por ser uma via coletora, não causando congestionamento para o trânsito local. A fachada a sudoeste mantém os acessos mistos de pedestres e veículos, mas a entrada de funcionários e clientes é separada; o cliente tem acesso direto à recepção, e o funcionário tem acesso por uma via interna aos fundos da edificação, dessa forma adentrando na área destinada a vestiários/serviços. 3.1.2.2 Circulações A circulação linear predomina na obra. A comunicação interna ocorre por meio de corredores. Cada bloco explora Acesso de veículos Acesso de pedestres Acesso de ambulância Fonte: ArchDaily, graficado pelo autor. Circulação semipública Circulaçao técnica Circulação vertical Fonte: ArchDaily, graficado pelo autor. Figura 6 – Planta de cobertura graficada Figura 7 – Implantação graficada essa forma de circulação. A circulação vertical foi utilizadas pelo autor em todos os blocos e nas escadarias externas, local em que estas fazem parte das fachadas. A entrada principal para a recepção do hospital possuem uma rampa longa e confortável, trazendo a sensação de acolhimento aos clientes e indicando o acesso. 3.1.2.3 Volume e massa A construção que tem seu formato predominantemente retangular, disposta de forma horizontal, possui características marcantes definidas por Luís Vidal, como a estrutura elevada no seu exterior, as escadarias marcando presença nas fachadas, a 23 0 Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima R E F E R E N C IA IS P R O J E T U A IS Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima apresenta um conjunto de aspectos curativos para seus usuários. A ilha de Ibiza, por ter um clima mediterrânico, quente e bastante seco, beneficia o uso da luz natural, que está altamente presente em todos os ambientes, valorizando as cores vivas. Os jardins terapêuticos, os materiais para conforto acústico e a textura do próprio edifício também colaboram para o conforto do prédio. Como é possível observar na figura, o hospital, com seus diferentes blocos, possui uma grande taxa de ocupação em relação ao terreno. Fonte: ArchDaily. Figura 8 – Vista aérea do edifício Fonte: ArchDaily. Figura 9 – Fachada colorida do edifício. passarela coberta, possuindo ao seu redor uma área plana, segura e iluminada para os usuários, com uma paleta de cores primárias, dando um ar contemporâneo e industrial ao hospital.Como pode-se observar na Fig.8, o hospital, com seus diferentes blocos, possui uma grande taxa de ocupação em relação ao terreno, sendo as demais partes destinadas para o estacionamento, a circulação e a vegetação. 3.1.2.4 Conforto ambiental e sustentabilidade O hospital Can Misses, como é conhecido, também 24Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima R E F E R E N C IA IS P R O J E T U A IS Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Fonte: ArchDaily, graficado pelo autor. Leste Oeste uma circulação central horizontal. 3.1.2.6 Estrutura e técnicas construtivas Nesta reestruturação do Can Misses, Luís introduz o branco como cor predominante. Elementos marcantes fazem parte do projeto, não somente pela estrutura, mas pelos materiais utilizados, como o metal usado na fabricação das escadarias externas, brises, esquadrias e revestimentos. Outra relevante parte do projeto, e a mais importante, é a introdução da arquitetura curativa de Luís Vidal, com uma nova tipologia de hospitais: os 'hospitais aeroporto', baseados em uma circulação otimizada, organogramas e conexões visuais melhoradas pelo uso da cor. Fonte: ArchDaily. Administração Atendimento de urgência Bloco cirúrgico Bloco de internação Bloco psiquiátrico Recepção Bloco de hospital dia Consultórios Figura 10 – Análise bioclimática Figura 11 – Zoneamento funcional Fonte: ArchDaily. Figura 12 – Fachadas do hospital 25Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 3.1.2.5 Zoneamento funcional A edificação possui blocos separados, cada um com sua função. Porém, todos os blocos se interligam por meio de R E F E R E N C IA IS P R O J E T U A IS Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 3.1.3 Relações Neste projeto de ampliação e reestruturação do Can Misses, o propósito do arquiteto foi otimizar os fluxos de pacientes, famílias e médicos, melhorando a privacidade do usuário e a conectividade entre os serviços, sem abrir mão da humanização interna e externa. 3.1.3.1 Relação com o entorno Vale destacar a vasta área livre no entorno do edifício, tornando fácil a solução de uma ampliação futura. À noroeste, fica a parte menos desenvolvida da ilha, mas em seu entorno imediato o hospital mantém sua tipologia muito semelhante às edificações existentes, horizontalmente predominantes. Outro fator importante é a proximidade do hospital com avenidas importantes, facilitando os acessos. 3.1.3.2 Relação entre exterior e interior O uso de cores primárias é um dos recursos mais reconhecidos da arquitetura de LVA para reforçar sua Fonte: ArchDaily, graficado pelo autor. Figura 13 – Relação com o entorno legibilidade, destacar algumas formas de organização e criar um ambiente, acolhedor, trazendo para os usuários um sentimento de casa, aconchego. Com a finalidade de criar a interação entre o espaço exterior e o interior, foi indispensável o uso de vidros em grande parte da fachada, otimizando a iluminação natural com brises. Fonte: ArchDaily. Figuras 14 – Aberturas do hospital 26Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima R E F E R E N C IA IS P R O J E T U A IS Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 3.1.3.3 Hierarquias espaciais Após um planejamento substancial – a estrutura existente permaneceu totalmente operacional durante toda a execução da obra –, um grande número de melhorias foi realizado, trazendo para essa estrutura uso administrativo. Incluídos na atualização estão o fluxo espacial e a organização, aprimorando as funções e o tráfego de pedestres, o aumento da privacidade do paciente e a realocação de unidades médicas, pronto-socorro e unidade de terapia intensiva para um local menor e centralizado. Observando o máximo os cuidados de saúde, raras áreas são consideradas públicas, sendo assim o maior fluxo fica por conta de áreas semipúblicas, semiprivadas e privadas. Figuras 15 – Planta baixa primeiro pavimento Fonte: ArchDaily, graficado pelo autor. Privado Semi-privado Semi-público Figuras 14 – Planta baixa térreo Fonte: ArchDaily, graficado pelo autor. Figuras 16 – Planta baixa segundo pavimento 27Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Privado Semi-privado Semi-público Fonte: ArchDaily, graficado pelo autor. Privado Semi-privado Semi-público R E F E R E N C IA IS P R O J E T U A IS 3.1.4 Ordem de ideias O hospital em análise aparenta um projeto simétrico, plantas espelhadas. Alguns blocos são diferentes devido ao uso, mas as formas são bastante semelhantes. O que traz beleza à obra são as fachadas, com cores e recursos sustentáveis. Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 3.1.4.1 Traçados e Simetria Observar uma fachada diferente torna-se fácil quando a obra foi projetada por LVA, pois as cores fortes predominam nas edificações, principalmente nas fachadas. Os traços horizontais em formas retangulares estão, insistentemente, presentes em todo o projeto, possuindo assim a repetição de blocos. No edifício, a assimetria entre as formas está presente em todas as áreas, externa, interna, cobertura e esquadrias, apesar das dimensões variáveis, como pode-se observar através da Fig. 17 os blocos possuem semelhanças de formato. Figuras 17 – Analise de traçado e simetria Fonte: ArchDaily. 3.1.5 Partido Can Misses faz parte de um novo pensar para ambientes hospitalares, baseado na arquitetura da cura. O objetivo desta nova arquitetura é garantir o bem-estar dos usuários por meio de aspectos combinados, incluindo a presença de luz natural, o efeito positivo do contato com o verde, com a vegetação, os sons e, claro, o uso das cores e seus efeitos psicológicos, considerando-as uma fonte de energia que pode ter influência positiva e direta nos pacientes. Enquanto isso, Luís Vidal introduz uma nova tipologia de hospitais: os 'hospitais aeroporto', desenvolvidos após sua experiência ao projetar aeroportos, como o Aeroporto de Zaragoza ou o novo Terminal 2, do Aeroporto de Heathrow. Essa nova tipologia trata-se de otimização da circulação, organogramas e conexões visuais melhoradas pelo uso da cor. 3.1.6 Por que da escolha? O que pretende usar? Em um hospital, a maior preocupação é a alta hospitalar com melhora ou cura dos pacientes, e nessa trajetória, que pode ser de curto, médio ou longo prazo, há recursos que podem ser 28Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima R E F E R E N C IA IS P R O J E T U A IS Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima utilizados para auxiliar neste processo de recuperação. Além dos usuários, deve-se pensar também no bem-estar dos seus acompanhantes e profissionais. Foi este pensar voltado para a arquitetura de Luís Vidal que fez a autora escolher como exemplo o Novo Hospital Can Misses. Com esse espelho, torna-se fundamental desenvolver no projeto futuro questões pensadas em cores curativas, circulações humanizadas e funcionais, conexão entre usuários e o entorno por . meio de fachadas inclusivas, lugares destinados ao banho de sol e à inclusão das áreas verdes. 3.2 Centro Internacional de Neuroreabilitação e Neurociências Sarah Kubitschek - RJ Parte de uma rede hospitalar presente em diversas cidades do país, todas as unidades projetadas por João Filgueiras Lima, a imagem da instituição está ligada a uma tipologia íntima do arquiteto. O complexo abrange três blocos lineares (ambulatório, internação e bloco de serviços) e um domo, destinado ao auditório. A planta retangular dosblocos não é capaz de traduzir a espacialidade do interior, que se deve à plasticidade da cobertura e aos sheds. .O tratamento paisagístico do local foi pensado para coletar e tratar a água da chuva, evitando que o terreno precisasse de grandes aterros, área pantanosa, característico da região. 3.2.1 Ficha técnica: Área construída: 52.000m² Projeto: João Filgueiras Lima, Lelé (autor); Ana Amélia Monteiro e André Borem Ano de conclusão: 2008 Localização: Jacarepaguá, Rio de Janeiro. 3.2.2 Elementos A análise realizada neste referencial projetual refere-se, principalmente, à diversidade de acessos para a edificação, evidenciando o traçado marcante do Lelé, mostrando o sistema construtivo e a distribuição dos ambientes. 29Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima R E F E R E N C IA IS P R O J E T U A IS Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 3.2.2.1 Acessos O hospital, na zona oeste do Rio de Janeiro, se localiza em uma área que tem uma ocupação escassa, mas apresenta sinais de construções de residenciais de luxo em grande quantidade. A obra fica entre duas vias de alto fluxo, a Avenida Embaixador Abelardo Bueno (sul) e a Estrada Arroio Pavuna (oeste), sendo o acesso principal pelo Norte, na Avenida Jose Wilker, onde o fluxo é moderado, não causando congestionamento para o trânsito local. A fachada norte mantém os acessos mistos de pedestres e veículos, mas a entrada de funcionários e clientes é separada; o cliente tem acesso direto à recepção, e o funcionário, acesso direto à área destinada a vestiários/serviços. ..Figura 18 – Análise de acessos Fonte: ArchDaily, graficado pela autora. Acesso de veículos Acesso de pedestres Acesso de funcionários 30Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima R E F E R E N C IA IS P R O J E T U A IS3.2.2.2 Circulações A entrada principal para a recepção do hospital torna-se perceptível por uma marquise ondulada, trazendo proteção aos clientes e indicando o acesso. A circulação linear em grelha predomina na obra, sendo que os setores se interligam por meio de corredores. Mas a circulação vertical não foi excluída pelo autor, ele usou a rampa do passeio central em que a vegetação envolve a circulação, atraindo o uso comum, proporcionando um espaço humanizado aos clientes e funcionários. Figura 19 – Análise de circulação no térreo Fonte: ArchDaily, graficado pela autora. Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Figura 20 – Rampa interna e entrada principal Fonte: ArchDaily, Foto Leonardo Finotti . 3.2.2.3 Volume e massa A construção horizontal, com sua forma predominantemente retangular, possui características marcantes, como a cobertura em shed e detalhes que remetem aos estilo arquitetônico de Lelé, como o solário atirantado e também o auditório, possuindo este o formato de uma semiesfera, com uma cúpula com a finalidade de possibilitar a passagem de luz natural para o interior do ambiente. O hospital possui uma grande taxa de ocupação em relação ao terreno, sendo as demais partes destinadas ao estacionamento e à vegetação. Percebe-se que o arquiteto Lelé segue a mesma tipologia e ritmos em toda a rede de hospitais Sarah Kubitschek, visto que os traços possuem 31Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima notáveis elementos, como superfícies transparentes na cobertura. R E F E R E N C IA IS P R O J E T U A IS Fonte: ArchDaily, Figura 21 – Análise de Volume e Massa 3.2.2.4 Conforto ambiental e sustentabilidade O arquiteto mostra sua preocupação em criar um ambiente hospitalar humanizado, trazendo aspectos construtivos importantes para o alcance deste objetivo, como as partes destinadas à ventilação e à iluminação natural, que foram projetadas com uma orientação que faz o melhor proveito das funções a que se destinam. Visando a uma eficiência maior da iluminação natural, o arquiteto investe em elementos como shed e as vegetações no interior da edificação, juntamente com as fachadas de vidros e brises, que maximizam o conforto Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima interno. Já o espelho d’água, assim como os forros basculantes, mostram-se efetivos no resfriamento do ar quente, ponto fundamental, uma vez que o hospital localiza-se no Rio de Janeiro, que é uma cidade de clima quente e úmido. Nota-se que Lelé atenta-se à criação de espaços que geram conforto aos usuários e reduzem o consumo de energia elétrica, resultando em um projeto que compreende a arquitetura com o que é primordial para as necessidades sociais de saúde. 3.2.2.5 Zoneamento funcional Por meio da planta baixa, constata-se que as áreas sociais localizam-se mais a oeste do projeto, sendo a zona médica mais centralizada e os espaços destinados aos serviços na fachada leste. Assim, consegue-se uma separação mais funcional. Com esta divisão, percebe-se que a área central da edificação se sobressai em relação às demais pela alta concentração de especialidades, acarretando em um maior fluxo de usuários, tornando-a mais crítica. Fonte: ArchDaily, graficado pela autora. Figura 22 – Zoneamento funcional Zona Social Zona Médica Serviços 32Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima R E F E R E N C IA IS P R O J E T U A IS Figura 23 – Insolação, cobertura Fonte: ArchDaily, graficado pela autora. Leste Oeste Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Figura 24 – Insolação, corte Fonte: Youtube. . Figura 25 – Resfriamento, corte Figura 26 – Troca do ar, corte Figura 27 – Saída do ar quente, corte 3.2.2.6 Estrutura e técnicas construtivas Nesta edificação, Lelé deixa muito evidente seus anseios arquitetônicos, não somente pelas formas aplicadas ao projeto, mas pelos materiais utilizados na estrutura, como o metal usado na fabricação dos pilares, os quais servem de apoio para a marquise ondulada metálica localizada no acesso principal. Ainda neste contexto, vê-se que, além da estrutura metálica, houve o uso de lajes pré-moldadas, sendo que estas apresentam vantagem ao permitirem mais rapidez no andamento da obra, redução das etapas de produção e mão de obra, e facilidade na execução. Os brises móveis de policarbonato e os forros com esquadrias metálicas também são destaques como técnicas construtivas, uma vez que corroboram com a eficiência da ventilação e iluminação natural. Outra relevante parte do projeto é o solário Fig. 28 o qual possui estrutura metálica e em balanço e uma passarela de acesso sustentada por tirantes, com uma formidável vista para o espelho d’água. 33Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Fonte: Youtube. . Fonte: Youtube. . Fonte: Youtube. . R E F E R E N C IA IS P R O J E T U A IS Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Figuras 28 – Perspectiva externa Fonte: ArchDaily. 3.2.3 Relações No desenvolvimento deste projeto, o propósito do arquiteto Lelé foi criar locais que consigam despertar nas pessoas que utilizam estes ambientes uma sensação de bem- estar, remetendo a espaços familiares e hospitaleiros. Este tópico abordará os aspectos benéficos ao ser escolhido o local no qual situa-se a edificação, assim como os pontos relevantes em relação à funcionalidade do hospital. 3.2.3.1 Relação com o entorno Primeiramente, vale destacar a ausência de construções 34Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima nas adjacências, o que possibilita a ampliação, caso necessário,futuramente, sem muitos percalços. Outro fator relevante é a proximidade do hospital com a Lagoa de Jacarepaguá, que está abaixo do nível do dele, fazendo com que as variações do nível d’água não afetem o edifício com facilidade, e apresentando entre o edifício e a lagoa diversas áreas verdes. Por meio dos vidros presentes nas fachadas, torna-se possível a visualização do lado externo, assim como do solário e dos jardins verdes, que também trazem a interação das pessoas com o meio ambiente. Todavia, ao se observar pela área externa, o hospital assemelha-se a uma construção privativa. As cores aplicadas nas fachadas dão prosseguimentos às ideias de projetos já existentes e mostram sintonia com os arredores, entretanto as tipologias locais se diferem. R E F E R E N C IA IS P R O J E T U A IS Figuras 29 – Imagem aérea Fonte: Google Earth, graficada pela autora. Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 3.2.3.2 Relação entre exterior e interior Com a finalidade de criar interação entre os espaços exterior e o interior, foi indispensável o uso vidros em grande parte da fachada. Seguindo esta mesma linha, os ambientes com vegetação e o solário possibilitam aos pacientes tomar sol e caminhar, assim como as luzes naturais, os espelhos d’água e a hidroterapia, que auxiliam no convívio dos usuários com o meio externo. Além dos benefícios já mencionados, esses aspectos ainda são de grande valia, pois contribuem para que as pessoas que estejam no hospital, profissionais, pacientes e familiares, tenham um espaço de lazer e conforto em áreas externas. ....Figuras 30 – Espaços externos de convivência Fonte: ArchDaily. 35Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima R E F E R E N C IA IS P R O J E T U A IS3.2.3.3 Hierarquias espaciais Em concordância com a Fig. 31 contata-se que a maior parte do projeto foi destinada à área privada. Houve esta necessidade, visto que salas cirúrgicas, UTI e setores administrativos fazem parte desta área e requerem grandes espaços para serem alocados. Já o espaço semipúblico requereu a menor área, uma vez que acomoda apenas salas para acesso à recepção e sala de espera. Ainda analisando a mesma figura, é possível distinguir a distribuição de todas as salas e a divisão entre os espaços públicos e privados. 3.2.4 Ordem de ideias O hospital em análise, apesar de aparentar ser um projeto simétrico, contém plantas são diferentes. Assim, este tópico é fundamental, uma vez que abordará o estudo das simetrias e assimetrias da obra, resultando nas características mais relevantes de cada bloco. 3.2.4.1 Traçados reguladores Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Privado Semi-privado Semi-público Figuras 31 – Hierarquia espacial Fonte: Arcoweb, graficado pela autora. Figuras 32 – Análise de traçados e simetrias Fonte: Leonardo Finotti. 36Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Nas fachadas da edificação há o predomínio de traçados horizontais em formas retangulares, propriedade esta que também está presente na cobertura, a qual possui uma sucessão de módulos. Devido às tipologias e formas arquitetônicas, a volumetria dos conjuntos também é similar. R E F E R E N C IA IS P R O J E T U A IS 3.2.4.2 Simetria e assimetria No edifício, a assimetria, ou seja, a disparidade entre as formas, está presente em ambas áreas, externa e interna, como se pode observar por meio da Fig. 32. Já em relação à cobertura e às fachadas, nota-se a presença de simetrias, isto é, a semelhança entre as linhas analisadas. 3.2.5 Partido Como citado anteriormente, o arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, expressa sua criatividade por meio de detalhes eminentes no projeto do Hospital da Rede Sarah, como o projeto do solário e do auditório. Outros pontos que também merecem destaque, não sendo, pois, não menos importantes, são as coberturas zenitais onduladas, as estruturas metálicas e a humanização no interior. Como já haviam sido construídos outros hospitais da Rede Sarah, vários elementos dos demais hospitais foram introduzidos no Hospital Rede Sarah Kubistchek, como, por exemplo, os espaços verdes integrados aos ambientes e a flexibilidade salas, o sistema de iluminação e ventilação natural. É possível dizer, assim, que no Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima desenvolvimento dos hospitais projetados por Lelé, ele atenta- se a seguir características similares entre os projetos, agregando novas ideias, resultando em ambientes mais humanizados. 3.2.6 Por que a escolha? O que pretende usar? Num ambiente hospitalar, a maior preocupação é contribuir com a recuperação dos pacientes e, durante este processo, auxiliar na melhoria da autoestima. Além dos pacientes, o bem-estar dos seus familiares e, ou, acompanhantes e profissionais, também é um fator a ser considerado. Com este escopo, no Hospital Rede Sarah Kubistchek, Lelé, por meio de seu projeto, une as pessoas aos recursos naturais. Dessa forma, torna-se fundamental desenvolver no projeto em questão alternativas para explorar esses recursos naturais, utilizando ao máximo a iluminação natural nos ambientes destinados ao banho de sol, à humanização dos ambientes e à inclusão das áreas verdes. 37Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Figuras 32 – Perspectivas Fonte: Arcoweb. 4 Estudo de Caso - Hospital Amparo Maternal Neste tópico, será analisado um referencial projetual de escolha do acadêmico, tendo como base a especialidade e a diversidade de atendimento oferecido neste ambiente, conhecendo na prática a realidade do fluxo e a organização do espaço, que assemelha-se ao futuro anteprojeto proposto neste trabalho de conclusão de curso. Enquanto parte da rede hospitalar Associação Congregação Santa Catarina, presente em diversas cidades do país, o Amparo Maternal se destaca pelo atendimento exclusivo e integrado às gestantes por meio do SUS. Em meados de 1930, um período no qual a gravidez por R E F E R E N C IA IS P R O J E T U A IS / E S T U D O D E C A S O Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima mulheres solteiras era mal vista pela sociedade, era comum o preconceito com essas moças, assim como com mulheres pobres, mestiças e negras, e havia o abandono de gestantes dentro desses perfis por suas famílias. A partir da concepção de que nenhuma parturiente na cidade de São Paulo deveria ficar sem um local adequado para dar à luz é que foi fundado o Hospital Amparo Maternal. O complexo abrange blocos retangulares que se interligam, horizontalmente, contando com atendimentos ambulatoriais, urgências, emergências, cirúrgicos e de rotina. O Hospital Amparo Maternal é considerado modelo de boas práticas para a Secretaria Municipal de Saúde e referência para o Parto Humanizado e Parto Adequado. 4.1 Ficha Técnica: Endereço: Rua Loefgren, 1901, São Paulo – São Paulo Área construída: 10.388 m² Inaugurado: 1939 Reforma e ampliação: em andamento, com início em 2019 Arquiteta responsável pela reforma e ampliação: Célia Bertazzoli. 38Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Figuras 33 – Fachada do hospital. Fonte: acervo da autora . 4.2 Elementos Este item conta com a descrição do sistema construtivo, o detalhamento dos acessos, as entradas principais e as circulações da edificação, assim como o zoneamento funcional e o conforto ambiental. 4.2.1 Acessos/entradas principais e secundárias O hospital se localiza na zona sul de São Paulo, próximo à rua Napoleão de Barros (oeste), e possui acesso de veículos e pedestres, ligando-se ao subsolo1 e 2, na rua Botucatu (leste), com acesso de veículos e acesso exclusivo para funcionários, e E S T U D O D E C A S O Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima a rua Loefgren (norte), sendo a de principal acesso aos usuários, veículos e pedestres, onde o fluxo é moderado, não causando transtornos locais para o trânsito. Figuras 34 – Análise de acessos Fonte: HAM, graficado pela autora . Acesso de veículos Acesso de pedestres Acesso de funcionários Acesso de veículo de serviço 39Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima E S T U D O D E C A S O 4.2.2 Circulações A circulação linear predomina neste hospital, sendo que os setores se interligam por meio de corredores. Mas a circulação vertical se faz necessária, com o uso de elevadores e escadarias interligando pacientes e funcionários para outros setores. A entrada principal para os usuários até a recepção do hospital tem visibilidade pela presença de um portão e uma guarita, trazendo proteção aos clientes e indicando o acesso. Figura 35 – Análise de circulação, térreo Fonte: HAM, graficado pela autora. Circulação semi-pública Circulação semi-privada Circulação vertical Circulação privada Figura 36 – Análise de circulação, primeiro pavimento Fonte: HAM, graficado pela autora. Circulação vertical Circulação semi-privada Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Fonte: HAM, graficado pela autora. Figura 37 – Análise de circulação, segundo pavimento 40Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima E S T U D O D E C A S O Circulação semi-pública Circulação semi-privada Circulação vertical Circulação privada 4.2.3 Volume e massa A construção predominantemente horizontal, com formato retangular, não possui características marcantes de grandes arquitetos. Conforme observação, o hospital possui uma pequena taxa de ocupação em relação ao terreno, sendo que parte do solo foi destinada para o estacionamento e a vegetação. Percebe-se o seguimento de uma mesma tipologia e ritmos em toda a obra em sua criação e ampliação ao longo dos anos. 4.2.4 Conforto ambiental e sustentabilidade A obra, que inicialmente, foi construída por um grupo Figuras 38 e 39 – Foto da inauguração do HAM e análise de volume Fonte: HAM. Fonte: Goofle Earth. de pessoas e liderada pela madre Marie Domineuc, tenta trazer para a instituição a humanização nos ambientes, como, por exemplo, o terraço, voltado para o norte, que e responsável por grande parte da iluminação e ventilação natural dos quartos .dessa fachada, além de oferecer áreas de socialização entre os internados. Também está visível a preocupação com a qualidade de vida da população usuária dos serviços do hospital, pois no projeto de reforma e ampliação a taxa de permeabilidade de 25% está muito bem distribuída, mesmo com os desníveis presentes no terreno. Analisando o novo projeto, vê-se que faz parte dele o sistema de captação de água da chuva, o que é, de certo modo, uma garantia de que esse recurso não faltará em períodos de racionamento e rodízios de água. Empreendimentos como hospitais pode sofrer bastante com esse tipo de situação, dado o grande consumo de água. Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Figura 40 – Insolação, cobertura Fonte: HAM, graficado pela autora. Leste Oeste 41Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 4.2.5 Zoneamento funcional Por meio das plantas baixas mostradas nas imagens a seguir, constata-se que as áreas com atendimento direto ao paciente localizam-se ao norte e ao leste do terreno, inclusive a recepção central e a fachada principal. Ao sul e oeste, localizam-se áreas de serviços e outros usos predominantemente hospitalares. Com esta divisão, percebe-se que a área central da edificação se sobressai em relação às demais pela alta concentração de circulação, tornando essa área a mais crítica. Fonte: HAM, graficado pela autora. Figura 41 – Zoneamento funcional subsolo Fonte: HAM, graficado pela autora. Figura 42 – Zoneamento funcional térreo E S T U D O D E C A S O Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Figura 43 – Zoneamento funcional primeiro pavimento Fonte: HAM, graficado pela autora. 42Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Figura 44 – Zoneamento funcional segundo pavimento Fonte: HAM, graficado pela autora. Sala CirúrgicaSala de RPA Área médica Almoxarifado Resíduos recicláveis Recepção Lavanderia Refeitório Área técnica Área de colaboradores Administração Depósito Circulação UTI neo Farmácia Sala de indução PPP Dormitório Terraço Banheiro Depósito 4.2.6 Estrutura e técnicas construtivas Nesta edificação, fica evidente a época de sua construção, não somente pelas formas aplicadas ao projeto, mas pelos materiais utilizados na estrutura, como as madeiras usadas na fabricação das esquadrias, as quais estão sendo trocadas, paredes com espessura incomum, desde o acesso principal. Ainda neste contexto, vê-se que, além da estrutura com sistema construtivo antigo, alguns revestimentos permanecem originais. Os vidros nas fachadas são destaques como técnicas construtivas, uma vez que são responsáveis por grande parte da ventilação e iluminação natural. No pátio, local sem construções, há uma manta asfáltica em toda a extensão, facilitando o fluxo veicular interno. E S T U D O D E C A S O Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 4.3 Relações Neste item, será avaliado o entorno do hospital, bem como será feita a relação entre o interior e o exterior. Ainda serão avaliadas as hierarquias espaciais, a fim de analisar o fluxo interno e externo. 4.3.1 Do edifício com o entorno A Vila Clementino, localizada na Zona Sul de São Paulo, bairro onde está localizado o hospital, é uma área bem desenvolvida e com muitas edificações, sendo assim há poucos vazios e poucas áreas verdes. Já em relação ao terreno, o hospital não ocupa uma grande área, visto que sua taxa de ocupação é de 36%. A área, de característica residencial, multifamiliar e unifamiliar, possui pouca vegetação. Já no entorno imediato, a arborização traz qualidade de vida para a população com consequência direta na recuperação dos pacientes, sendo que as árvores geram conforto térmico interno, e os vidros das fachadas trazem a sensação de conexão com a natureza. Figura 45 – Imagem aérea Fonte: Google Earth, graficado pela autora. 4.3.2 Do interior com o exterior O hospital, conforme observa-se na Fig. 46, possui diversas aberturas para o exterior, valorizando o contato visual por meio dos vidros quadriculados presentes nas esquadrias e também pela presença de um terraço nos quartos da fachada norte. A presença das áreas verdes que circundam o hospital é essencial, pois, além de contribuir para o conforto térmico e ambiental, colabora positivamente para o bem-estar e a recuperação dos pacientes, e é fundamental no equilíbrio entre o espaço modificado e o meio ambiente. 43Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima E S T U D O D E C A S O 00 Figuras 46 – Vistas do HAM Fonte: acervo da autora. 4.3.3 Hierarquias espaciais No hospital em estudo, com exceção do acesso de serviço, os demais são públicos, visto que todos os atendimentos são realizados pelo Sistema Único de Saúde. Além da diversidade de serviços oferecidos pelo hospital maternal, há ambientes críticos que requerem maior atenção devido à especificidade do atendimento, assim entende-seque Figura 47 – Análise de hierarquia, subsolo Fonte: HAM, graficado pela autora. Privado Semi-privado Semi-público 44Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima E S T U D O D E C A S O serviços de diversas características se entrelaçam, vinculando- se a essa hierarquia a importância da integração bem planejada dos ambientes. Figura 48 – Análise de hierarquia, térreo Fonte: HAM, graficado pela autora. Privado Semi-privado Semi-público Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Fonte: HAM, graficado pela autora. Figura 49 – Análise de hierarquia, primeiro pavimento Figura 50 – Análise de hierarquia, segundo pavimento 4.4 Ordem de ideias Neste tópico, será apresentado o que há de comum em relação à arquitetura, entre os blocos, e expondo as formas básicas de como o hospital foi projetado, por meio dos traçados reguladores. 4.4.1 Simetria e assimetria Apesar de os blocos do hospital serem todos retangulares, não há simetria entre eles, pois cada bloco possui diversas dimensões. Analisando o espaço interno, percebe-se que a maioria dos quartos de internação possui tamanhos que se repetem, assim como os banheiros. Já os quartos de PPP são maiores, assim possuem uma amplitude confortável, e os demais ambientes são todos assimétricos. O projeto original apresentava assimetria em sua implantação; após a ampliação, a ideia seguiu o padrão existente, por sua limitação tipológica. 4.4.2 Traçados reguladores Com base nos projetos, original, reforma e ampliação, 45Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Privado Semi-privado Semi-público Privado Semi-privado Semi-público E S T U D O D E C A S O Fonte: HAM, graficado pela autora. Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima percebe-se que a edificação, além da assimetria citada anteriormente, possui uma repetição de fachada, possui ritmo marcado, uma vez que dispõe de harmonia na materialidade mantida ao longo das ampliações, como: cores, espaços, formas e texturas. A implantação compõe uma circulação vertical e horizontal bem definida, que se repete na maioria dos pavimentos. 4.5 Partido A estrutura do hospital, em relação à arquitetura, mesmo após a ampliação, mostra-se básica, uma vez que não possui nenhum elemento diferenciado. No entanto, apesar da simplicidade do projeto, os ambientes são bem distribuídos e integrados, fator importante, já que num hospital é essencial que os acessos sejam organizados hierarquicamente para um atendimento mais humanizado, tanto nos atendimentos de rotina quanto nos de emergência. A área verde presente no Figura 51 – Análise de traçados, fachada Fonte: HAM. terreno também é outro ponto relevante, pois contribui com o conforto tanto dos pacientes quanto dos colaboradores. 4.6 Por que a escolha? O que pretende usar? O Hospital Amparo Maternal, além de referência no atendimento a gestantes, ganha destaque por ter atendimento exclusivo por meio do Sistema Único de Saúde. Sua localização é de fácil acesso, e ele conta com estrutura bem organizada, o que permite executar com excelência os atendimento integrados: pré-natal, realização de partos e cesáreas e procedimentos ginecológicos. A forma como se idealizou o projeto, assim como a filantropia, são pontos que se destacam por serem semelhantes à história do Hospital Nossa Senhora da Conceição. Além dessas informações serem importantes como referências na elaboração do projeto do hospital materno, também será proposta a criação de salas PPP, sacadas no quarto, para iluminação natural e contato do paciente com o meio externo, e arborização e centralização do atendimento à mulher, como observado no Hospital Amparo Maternal. 46Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima E S T U D O D E C A S O Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 4.7 Detalhamento da visita in loco O Hospital Amparo Maternal tem em seu entorno uma grande área residencial consolidada, o que dificulta o acesso a outros centros de saúde que serviriam de apoio. Este, que tem o estilo fazenda, marcado pelas aberturas arredondadas, porta-janelas nos quartos, sacadas e terraços grandes, esquadrias de madeira e um amplo pátio, em que a vegetação é bastante presente e o número de vagas mostrou-se excessivo, limita a criação de novas alas, porém a disposição delas traz praticidade aos usuários. A estrutura já se mostra ultrapassada e apresentando patologias devido aos seus mais de oitenta anos. Contudo, o alto investimento da educação continuada no atendimento às gestantes é equivalente ao investimento nos equipamentos internos. Ainda em relação à estrutura, a ampliação se mostra benéfica, uma vez que está sendo ampliada a quantidade de quartos de PPP, que agora estão grandes, aconchegantes e bem equipados, sendo o atendimento humanizado aos nascimentos a Missão da instituição. Dando continuidade à Missão, o hospital oferece o atendimento social, o centro de acolhida, tratando-se de abrigo provisório para gestantes em vulnerabilidade e risco social. . Quanto ao fluxo interno, a disposição da enfermagem em relação aos quartos torna o atendimento imediato e humanizado, porém os quartos de internação que ainda não passaram por reforma são pequenos, sem banheiros e não oferecem privacidade. No subsolo, onde há o atendimento de rotina das gestantes, pré-natal e seus exames, apresentou-se um layout reduzido, causando desconforto entre as gestantes que aguardam atendimento. Apesar deste incômodo, a recepção central mostra-se resolutiva e prática quanto à burocracia no atendimento e internação. Em conversa com os funcionários Aline e Antônio, ambos responsáveis pelo setor de engenharia, eles relataram que a ampliação em andamento, além de readequar o hospital às normas em vigor, irá trazer benefícios para a população devido ao aumento do número de leitos, principalmente para as gestantes em trabalho de parto. Isso reforça a responsabilidade social do hospital em manter a referência e a qualidade do atendimento, visto que atualmente é o segundo hospital de 47Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima E S T U D O D E C A S O Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima maior demanda na cidade de São Paulo pelo volume de nascimentos via SUS. 5 Diagnóstico de área Neste capítulo, serão apresentadas as informações relevantes da cidade de Tubarão, a fim de elaborar o diagnóstico da área central. Estas informações são fundamentais para o trabalho em questão, uma vez que nos proporcionam um conhecimento mais aprofundando do entorno do terreno de onde será desenvolvido o projeto, dando mais fundamentação, resultando assim num projeto bem elaborado. 5.1 Dados gerais A área que será analisada para o desenvolvimento do projeto situa-se em Tubarão, no Sul do estado de Santa Catarina, com 140km de distância de Florianópolis e 57,2km de Criciúma, sendo criada em 27 de maio de 1870. O principal acesso à cidade é feito pela BR-101 e possui também parte da malha ferroviária, da concessionária FTC (Ferrovia Tereza Cristina). De acordo com dados do IBGE (2019), Tubarão possui uma população de 105.686 habitantes e uma área de 301,755km². Em relação ao clima, a cidade possui um clima subtropical, sendo o verão com dias muito quentes, podendo passar dos 35º, já o inverno conta com vários dias de fortes ventos e temperaturas baixas, sendo as temperaturas média máxima de 23,6°C e média mínima de 15,5°C. A cidade faz parte da AMUREL (Associação dos Municípios da Região Laguna), a qual conta com 18 municípios e uma populaçãode 365.687 habitantes, segundo dados do IBGE (2018). Ainda conforme o IBGE (2014), mais da metade do PIB tubaronense está ligado à indústria (22,6%) e ao segmento de prestação de serviços (35,8%). 5.1.1 Histórico da cidade As informações a seguir foram disponibilizadas pela prefeitura municipal de Tubarão, fundamentadas no texto de Amadio Vettoretti, juntamente com a dissertação “A Formação do Espaço Urbano e a Ferrovia Tereza Cristina”, escrita por Rodrigo Althoff Medeiros. 48Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima D IA G N Ó S T IC O D E Á R E A Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 5.1.2 A origem do município de Tubarão Em meados de 1773, origina-se Tubarão, com a denominação de Poço Grande do Rio Tubarão, sendo o quinto Distrito de Laguna. Em relação aos aspectos econômicos, pode-se destacar três empresas importantes para o desenvolvimento da cidade: em 1884, a inauguração da Estrada de Ferro Dona Tereza Cristina; em 1956, a Cia de Cigarros Souza Cruz; e em 2006, a inauguração do primeiro shopping center da cidade, o Farol Shopping, que até hoje tem uma grande importância no desenvolvimento econômico da cidade. Na educação, ganha destaque o colégio São José, com forte atuação na década de 1930, juntamente com o Grupo Escolar Hercílio Luz. Já na de década de 1940, o Ginásio Sagrado Coração de Jesus também começou a ganhar notoriedade, assim como o colégio Dehon; e em 1950, a Escola Técnica do Comércio. No ensino superior, foi a partir de 1964 que surgiram os primeiros cursos, e logo mais, em 1989, a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL). Na área de comunicação, o ano de 1947 foi muito relevante, com a criação da primeira rádio do Sul de Santa Catarina, a Sociedade Rádio Tubá Ltda. Na área da saúde, o marco mais importante foi a construção do Hospital Nossa Senhora da Conceição. Em 1991, na Avenida Marcolino Martins Cabral, um grupo de médicos fundou a Pró-Vida. O Hospital Socimed também é um marco fundamental, com sua inauguração no ano de 2003. Um fato histórico que teve grande impacto na cidade foi a enchente que ocorreu em março de 1974, alagando as áreas baixas da cidade. Vale destacar a inauguração da Ponte Nereu Ramos no ano de 1939, fato este que levou à criação da principal avenida da cidade, a Avenida Marcolino Martins Cabral. Já em 1971, houve a finalização da BR-101, colaborando para o aumento populacional e o desenvolvimento econômico. Logo após, também foram construídas mais três pontes, uma no centro, outra no sudeste-nordeste e, por último, uma a sudoeste- noroeste. 5.2 Análise geral da área A área escolhida para a elaboração do projeto está localizada no Bairro Centro, na Rua Vidal Ramos, próximo à avenida principal da cidade, a Avenida Marcolino Martins Cabral. 49Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima D IA G N Ó S T IC O D E Á R E A Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Nesta região, há um grande fluxo de veículos e pedestres, visto que é uma área central, onde encontram-se vários estabelecimentos importantes, como o Hospital Nossa Senhora da Conceição, o Colégio São José e a Escola Técnica de Comércio de Tubarão, assim como laboratórios, shopping, restaurantes, escritórios, farmácias, clínicas de serviços médicos e diversos comércios varejistas. 5.2.1 Análise específica da área O terreno definido para o desenvolvimento do projeto possui uma área de 2142m², sendo 31m de testada com a Rua Vidal Ramos e 82.5m de testada com a Avenida Marcolino Martins Cabral. Como mencionado anteriormente, fica localizado na Rua Vidal Ramos, e tem acesso tanto pela Avenida Marcolino Martins Cabral como pela Rua Padre Bernardo Freuser, sendo todas essas vias pavimentadas. Conforme é possível observar na Fig. 53, a área atualmente não está vazia, sendo ocupada por um estacionamento rotativo, uma farmácia, um terreno vazio e uma residência. O terreno encontra-se numa área central, possui 50Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima topografia plana e sua localização é excelente para o desenvolvimento de um Centro Materno Infantil, uma vez que fica em frente ao Hospital Nossa Senhora da Conceição, do qual fará parte, e também por conter no seu entorno imediato estabelecimentos da área da saúde, como farmácias e laboratórios. Figura 52 – Localização da área escolhida Fonte: Google Imagens e Google Maps, graficado pela autora. D IA G N Ó S T IC O D E Á R E A FOTO DO TERRENO Figura 53 – Ocupação atual Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 5.3 Hierarquia viária e transportes coletivos Conforme é possível observar na Fig. 54, o terreno encontra-se em frente a uma via coletora e muito próximo a vias arteriais. Essas vias são importantes, principalmente a Avenida Marcolino Martins Cabral, por fazer a ligação dos principais acessos à cidade, assim como dos bairros vizinhos e da rua em frente ao terreno. Não menos importante, tem-se também a Rua Tubalcain Faraco, que está ligada à Rua Padre Bernardo Freuser, sendo essa uma via para acesso ao terreno. A Rua Lauro Müller, localizada na margem direita, também é essencial, uma vez que é uma via arterial e com grande fluxo de veículos, e por meio dela é possível chegar às vias coletoras que ficam próximas à área de estudo. No que se refere ao transporte público, nota-se que o terreno está numa posição estratégica, visto que nas proximidades há pontos e linhas de ônibus, sendo as empresas responsáveis pelas linhas: Alvorada, TCL e Transgeraldo. Outro fator relevante é que há linhas tanto municipais quanto intermunicipais, possibilitando o atendimento de pessoas de outras regiões. 51Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Figura 54 – Análise viária e de transporte Fonte: Cadastral PMT, graficado pela autora. Figura 55 – Acessos ao terreno Fonte: Cadastral PMT, graficado pela autora. Via arterial Via coletora Via local Ponto de ônibus Terreno Av. Marcolino Martins Cabral Rua Padre Bernardo Freuser Rua Vidal Ramos Av. Patricio Lima Terreno D IA G N Ó S T IC O D E Á R E A Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 52Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 5.3.1 Sistema viário O local com movimento mais intenso, tanto de pessoas como de automóveis, na cidade de Tubarão, é o Bairro Centro, uma vez que nesta área se concentra a maior parte do comércio e serviços, sendo esse fluxo mais acentuado no período diurno. Nesta região, encontra-se a avenida Marcolino Martins Cabral, na qual ocorre a maior movimentação, já que nela há inúmeras lojas, shoppings, hospitais, clínicas etc. Conforme pode-se observar na Fig. 55, além da avenida Marcolino Martins Cabral, mencionada anteriormente, as ruas Coronel Colaço e Tubalcain Faraco também são ruas essenciais no sistema viário, uma vez que fazem as ligações principais de acesso ao centro, porém, do mesmo modo, sofrem com a alta movimentação nos horários de pico, gerando em alguns pontos congestionamento de veículos. A maior parte das vias da área central possui sentido duplo, mas oferecem poucos espaços destinados a estacionamentos públicos. Já a avenida Marcolino Martins Cabral conta com vias largas e com um canteiro central dividindo as faixas de sentido único. A grande parte das ruas é pavimentada, mas percebe-se a carência de uma boa infraestrutura, a insuficiência de ciclovias e passeios acessíveis, o que gera dificuldade na circulação de pedestres e ciclistas, e até mesmo de veículos, devido à alta circulação destes.5.4 Uso do solo Neste item, é observado como o espaço geográfico está sendo utilizado, ou seja, como é sua ocupação e quais as atividades que nele ocorrem. Assim, verifica-se que a área em análise, por ser um ponto central da cidade, tem seu uso muito diversificado, com predomínio de edifícios mistos ou comerciais, destinados principalmente ao comércio, como, por exemplo, lojas de vestuário, farmácias, clínicas e bancos. Já ao lado leste, como podemos verificar na Fig. 56, a maior parte das edificações é de uso residencial. Há ainda alguns pontos vazios, o que torna possível uma futura expansão e desenvolvimento desta área de estudo. Tratando-se da tipologia, também há uma grande variação, desde construções mais simples até prédios de alto padrão, principalmente os que vêm sendo construídos nos últimos anos, os quais oferecem maior sofisticação e uma arquitetura mais moderna. Fig. 57. D IA G N Ó S T IC O D E Á R E A Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 53Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Figura 56 – Mapa de usos Fonte: Cadastral PMT, graficado pela autora. Terreno Institucional Comercial Misto Residencial 5.4.1 Gabaritos Como já reportado, tem-se uma área mais densa de prédios comerciais e de uso misto na área central, todavia em bairros próximos, como Vila Moema e Oficinas, há uma zona mais residencial. É evidente a presença de muitas edificações de até 3 pavimentos. Isso ocorre porque o desenvolvimento desta parte da cidade teve início numa época mais antiga. Alguns prédios mudam o traçado horizontal, que é observado nesta área, porém a grande maioria é construção recente. Isto evidencia o processo de verticalização, trazendo benefícios como a otimização do espaço e o aumento da eficiência da infraestrutura, uma vez que a população se concentra mais numa determinada região, ajudando também na preservação da vegetação, já que não há expansão para as áreas periféricas. 5.4.2 Zoneamento, uso e ocupação Em concordância com o plano diretor do ano de 2013 da cidade de Tubarão, o qual define como deve ser feita a ocupação do solo urbano, a área de estudo pertence à Zona Residencial I (ZC I), conforme a Fig. 58. D IA G N Ó S T IC O D E Á R E A Figura 57 – Mapa de gabaritos. Fonte: Cadastral PMT, graficado pela autora. Terreno 1 – 2 Pavimentos 3 – 4 Pavimentos 5 - 6 Pavimentos 6 ou mais Pavimentos Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Nela, conclui-se que não há taxa de permeabilidade e que o recuo frontal deve possuir, no mínimo, 4 metros. Já em relação à altura da edificação, não existe restrição, porém deve- se obedecer à taxa de ocupação de 90%, ao coeficiente de aproveitamento, aos recuos laterais e usos permitidos. Analisando estes aspectos, conclui-se que nesta zona é possível a construção de uma edificação de serviços hospitalares, validando a ideia que esse estudo pretende desenvolver. 54Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Figura 58 – Zoneamento Zona Residencial I Área em análise Fonte: Cadastral PMT, adaptado pela autora. D IA G N Ó S T IC O D E Á R E A Fonte: Cadastral PMT, adaptado pela autora. Figura 59 – Uso e ocupação do solo 5.4.3 Condicionantes ambientais Assim como já citado, a região do terreno é plana, sendo até alguns anos atrás uma área vazia, porém agora compreende um estacionamento rotativo. Por estarem localizados numa área central e que já vem sendo desenvolvida ao longo de muitos anos, os terrenos próximos, em sua maioria, possuem algum tipo de edificação. Em relação ao nível, encontra-se acima do nível do Rio Tubarão e nivelado com as vias em seu entorno, com uma topografia praticamente plana, o que facilita na hora do nivelamento. Conforme nota-se na Fig. 60, ao lado sul a área é valorizado pela presente vegetação da Praça Walter Zumblick. Apesar das edificações presentes no seu entorno imediato, há insolação constante durante quase todo o dia e uma boa ventilação natural, porém, devido ao intenso fluxo de veículos, ocasionado pela presença do comércio varejista e outros estabelecimentos com grande fluxo de pessoas, como o hospital e escolas, nos arredores do local são emitidos muitos barulhos, gerando uma certa poluição sonora. Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 55Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Figura 60 – Condicionantes ambientais Vento Nordeste Vento Sul Vegetação Terreno Fonte: Cadastral PMT, graficado pela autora. 5.4.4 Equipamentos urbanos Podendo ser tanto públicos como privados, os equipamentos urbanos são designados para a prestação de serviços essenciais para que a cidade possa funcionar de maneira mais eficiente. Desse modo, por meio da Fig. 61 vê-se os principais equipamentos urbanos situados na região central da cidade de Tubarão. Com este levantamento, é possível perceber que há diversificados equipamentos nesta área, como D IA G N Ó S T IC O D E Á R E Asupermercados, museu, praças e serviços hospitalares, o que mostra que esta região é ideal. Apesar desses fatores, ainda há um déficit em alguns tipos de serviço, como de entretenimento e parques urbanos. 5.4.5 Morfologia urbana Ao estudar as formas, estruturas e transformações, juntamente com a análise da Fig. 62, conclui-se que a região central é muito densa, sendo este aspecto observado em Figura 61 – Equipamentos urbanos Fonte: Cadastral PMT, graficado pela autora. Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 56Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima toda a área de estudo, isto é, para que haja expansão e desenvolvimento de novas edificações se faz necessário o aproveitamento dos poucos vazios existentes. Ainda analisando a relação de cheios e vazios, é possível verificar que a área está praticamente consolidada, porém ainda há espaços vazios para realizar ações neste local. 5.4.6 Infraestrutura urbana Neste tópico, serão mencionados os componentes de infraestrutura urbana, assim temos: Figura 62 – Cheios e vazios Cheios Vazios Fonte: Cadastral PMT, graficado pela autora. Terreno ✓ Abastecimento de água: captação e tratamento realizados pela Tubarão saneamento; ✓ Esgoto: coleta, tratamento e destinação efetuados pela Tubarão saneamento, sendo que, onde não há rede de esgoto, as residências possuem fossa séptica; ✓ Rede Elétrica: a Celesc é a empresa responsável pela distribuição de energia da área analisada; ✓ Coleta de Lixo: A coleta é feita pela empresa Racli, sendo a coleta de lixo orgânico realizada de segunda a sábado, e a coleta seletiva, às segundas e quintas. 5.4.7 Relação público e privado Na comparação entre os espaços públicos e privados, nota-se, por meio da Fig. 63, que prevalece a existência dos locais privados, constituídos, na grande maioria, por residências. Os locais públicos, apesar de estarem presentes em menor parte, são compostos basicamente por escolas, serviços hospitalares, prefeitura, entre outros estabelecimentos indispensáveis para o o bom funcionamento da região, porém ainda não são suficientes, e, conforme já mencionado, há necessidade de novos equipamentos para o desenvolvimento D IA G N Ó S T IC O D E Á R E A Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 57Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Figura 63 – Cheios e vazios Fonte: Cadastral PMT, graficado pela autora. Terreno Privado Público Semi-público 5.5 Histórico do HNSC Faz-se necessária a elaboração deste tópico, visto queo projeto em estudo, apesar de não ser projetado na área em que está o Hospital Nossa Senhora da Conceição, é uma extensão dele, e fará o uso de alguns dos seus serviços prestados. Assim, é válido o conhecimento de um breve histórico da instituição. ............... da cidade. O Hospital Nossa Senhora da Conceição foi fundado em 8 de dezembro do ano de 1904, mantido com a dedicação das religiosas da Congregação das Irmãs da Divina Providência. Desde sua fundação, vem trabalhando para defender a vida e promover a saúde na cidade de Tubarão/SC. É referência como hospital geral para o Sul do Estado de Santa Catarina, atendendo a toda a região da Amurel (Associação dos Municípios da Região de Laguna). Além disso, ainda atende casos de alta complexidade das regiões da Amrec (Associação dos Municípios da Região Carbonífera) e Amesc (Associação dos Municípios do Extremo Sul de Santa Catarina). Considerado um hospital estratégico para o Ministério da Saúde, quando necessário, presta atendimento a outras regiões do país. Mais um grande passo de uma trajetória pautada na seriedade, comprometimento, amor e dedicação ao próximo, foi dado no dia 1º de abril de 2015, data na qual a Sociedade Divina Providência confiou a gestão de todos os seus hospitais à Associação Congregação de Santa Catarina. Uma parceria inovadora, que proporcionou para a região um atendimento de ainda mais qualidade. D IA G N Ó S T IC O D E Á R E A Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima A Associação Congregação de Santa Catarina é hoje, uma entidade filantrópica que impacta na cadeia de valor produtivo do país, com 22 casas presentes em 6 estados brasileiros, atuando nas três áreas de Assistência Social: Saúde, Educação e Assistência Social. A ACSC conta com aproximadamente 13 mil colaboradores. 5.5.1 Centro Materno Infantil O HNSC possui o Centro Materno Infantil, que é composto por: UTI Neonatal e Pediátrica, Pediatria, Banco de Leite Humano, Alojamento Conjunto e Centro Obstétrico. Além de contratualizado com o Sistema Único de Saúde (SUS), o Hospital Nossa Senhora da Conceição mantém convênio com aproximadamente 30 entidades, entre elas Planos de Saúde e de Assistência, Administradoras de Saúde, Empresas, Associações, Sindicatos e Prefeituras. 5.5.1.1 Sobre o centro materno infantil a ser projetado O pavimento onde atualmente ocorrem os serviços oferecidos pelo Centro Materno Infantil do HNSC terá 58Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima aproximadamente 90% de sua área realocada para o futuro anteprojeto, conforme consta graficado na Fig. 64. A ligação entre os dois prédios será feita por meio de uma passarela, a qual manterá passagem de serviços de apoio (cozinha, higienização, rouparia, CME, colaboradores e acesso principal à UTI adulto). Dessa forma, abriremos espaço para futuras ampliações e/ou criação de setores, visto que não há possibilidade estrutural de ampliação vertical no HNSC. Passarela de ligação entre prédios Área a ser realocada Área a ser construída Figura 64 – Área estudada D IA G N Ó S T IC O D E Á R E A Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Figura 65 e 66 – HNSC E Centro Obstétrico Fonte: Acervo da autora. Fonte: Site HNSC. 59Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Conforme pesquisa com o responsável pelas reformas e manutenções do HNSC, o hospital tem planejamento de reestruturação dos setores de Hemodinâmica, Emergência, Administração e Consultórios. A seguir imagens cedidas pelo Hospital Nossa Senhora da Conceição, estudadas e graficadas pela autora. D IA G N Ó S T IC O D E Á R E A Refeitório Administração Emergência Serviços Circulação interna Circulação externa Cozinha Ambulatório Pronto Atend. Serviços Circulação interna Circulação externa Centro de Imagem Alta Complexidade Figura 67 – HNSC Subsolo Figura 68 – HNSC primeiro pavimento Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Centro Obstétrico Circulação interna Serviços Aloj. Conjunto Internação S7 UTI neo Pediatria Internação S9 Circulação interna Internação S11 Internação S8 Internação S12 Serviço Salão Nobre Internação Sao Vicente BLH Internação S6 Internação S5 UTI coronária e geral adulto Circulação interna UTI adulto Serviço C.C. Serviço Circulação interna Internação S20 Serviço Circulação interna Serviço Cobertura 60Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Figura 70 – HNSC terceiro pavimento Figura 71 – HNSC quarto pavimento Figura 72 – HNSC quinto pavimento Figura 69 – HNSC segundo pavimento D IA G N Ó S T IC O D E Á R E A Figura 73 – HNSC sexto pavimento Figura 74 – HNSC sétimo pavimento Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 5.6 Síntese do diagnóstico A área escolhida localiza-se numa região central com fácil acesso para as pessoas que residem no município de Tubarão e para a população das cidades vizinhas que também faz uso dos serviços oferecidos pelo Hospital Nossa Senhora da Conceição, devido ao principal acesso da cidade ser feito pela BR-101, e como muitas vezes a procura pelo hospital é feita com urgência, essa localização torna-se privilegiada para a implantação de um Centro Materno Infantil. Apesar de a área estar numa boa localização, é possível perceber situações adversas, como a poluição sonora devido ao alto fluxo de pessoas e veículos nos arredores e o fato de uma rua estar em meio ao hospital e ao terreno, mas serão apresentadas em projeto soluções, como paredes com isolamento acústico e a construção de uma passarela para fazer a ligação entre o hospital e o centro materno infantil, assim garantindo a viabilidade do projeto diante destes problemas. A presença de um estacionamento rotativo no local também não traz grandes complicações, haja vista que é uma estrutura simples e fácil de ser retirada, resultando, após essa ação, em um terreno plano e sem estruturas no local, facilitando a criação e a construção de uma nova edificação. Com todas as informações obtidas neste capítulo, conclui-se que a área selecionada será um bom local para a implantação do projeto ao qual esse trabalho se propõe. Como já visto nas informações discutidas nos capítulos anteriores, o hospital atualmente trabalha com uma alta demanda de serviços especializados em ginecologia e obstetrícia, o que justifica a necessidade da realocação deste setor, em decorrência da limitação de ampliação no prédio atual. O município de Tubarão possui grande destaque na área da saúde em relação ao estado de Santa Catarina, dessa maneira um novo centro materno infantil trará muitos benefícios para a população, pela ampliação e qualidade de novos atendimentos e também pelo desenvolvimento da economia. 6 Partido arquitetônico Neste capítulo, serão discutidos os aspectos que irão conduzir o desenvolvimento do projeto em estudo, levando em consideração as diretrizes apresentadas nos capítulos anteriores, a fim de alcançar os objetivos do conceito proposto. 61Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima D IA G N Ó S T IC O D E Á R E A / P A R T ID O A R Q U IT E T Ô N IC O Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Será apresentado através de zoneamentos, pré- dimensionamentos, fluxogramas e programa de necessidades, mostrando os estudos por meio de croquis, desenho técnico e esboços. 6.1 Conceito Para a definição do conceito, foipensado na problemática discutida no início deste trabalho, por meio dos referenciais teóricos analisados e dos atuais dados da OMS relacionados à saúde da mulher. ✓ Ambiência: corresponde a uma estrutura física preparada para acolher a mulher em todas as suas fases, a família, visitantes e colaboradores, independentemente de suas funções. Oferecer aos usuários ambientes que proporcionam a sensação de lar, aconchego, promovendo assim o bem-estar de todos os envolvidos. ✓ Informação: estrutura que conta com profissionais especializados, com ambiente preparado e com boa didática para informar, amparar, apoiar a paciente e seus 62Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima familiares em suas escolhas nos momentos bons e ruins, esclarecendo dúvidas que muitas mulheres ainda têm por falta de acesso ou oportunidade, ambientes que ofereçam privacidade e aconchego. ✓ Integração: oferecer atendimento completo dentro da especialidade de ginecologia e obstetrícia, principalmente a gestantes e puérperas, oferecendo consultas com médicos, enfermeiras, psicólogos, nutricionistas, pediatras, dentre outras especialidades, se for necessário. Realizar exames de imagem e laboratoriais em caso de urgência e emergência. Um ambiente pensado para o atendimento de saúde deve atender aos anseios de quem busca por tais serviços, acolhendo toda a família do paciente. Respeitar suas individualidades, crenças, limitações e reações em cada situação torna-se indiscutível. Para que este atendimento seja personalizado, o paciente deve receber toda a informação necessária, deve desfrutar de um ambiente que lhe transmita tranquilidade, segurança e eficácia junto aos profissionais qualificados, para que possam usufruir de todo atendimento que a instituição tem a oferecer. P A R T ID O A R Q U IT E T Ô N IC O Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 63Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 6.2 Intenções do projeto Baseado nas análises, tanto dos referenciais teóricos quanto dos referenciais projetuais, foram salientadas algumas diretrizes a serem adotadas para a valorização da humanização na edificação e para garantir a promoção a vida, sendo este o norte desta proposta. o Possuir áreas com vegetação, permitindo acesso físico de pacientes e colaboradores; o Utilizar ao máximo o bioclimatismo da edificação; o Presentear pacientes, acompanhantes e colaboradores com o contato visual com o entorno do edifício; o Oferecer espaços abertos para convívio; o Projetar áreas com ambiência de lar, sem fortes características hospitalares; o Valorizar a vista dos ambientes, principalmente os de permanência; o Projetar áreas próprias para o trabalho de parto (TP), sem intervenções sonoras ou lumínicas. o Criar acessos facilitados para pacientes, acompanhantes, visitantes e colaboradores; o Propor integração dos colaboradores entre setores; o Ser referência no atendimento ao público que busca soluções na especialidade de ginecologia e obstetrícia; o Ser referência em atendimento humanizado, garantindo a agilidade em consulta, diagnóstico, internação, tratamentos e procedimentos invasivos ou não; o Ser referência em gestação de alto risco; o Utilizar de recursos para interagir com os usuários, tais como: materialidade diversificada, cores pensadas para cada tipo de uso, auxiliando no progresso do tratamento, iluminação exclusiva, dentre outras opções personalizáveis em sua estadia. P A R T ID O A R Q U IT E T Ô N IC O 09 01 01 01 02 03 04 05 0506 06 07 05 08 08 Av. Marcolino Martins Cabral 64Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima P A R T ID O A R Q U IT E T Ô N IC O Figura 75 – Implantação zoneada, nível térreo. 6.3 Proposta de partido Acesso principal pedestres Acesso veicular Acesso secundário pedestres Acesso ambulância Acesso garagem / subsolo Acesso técnico 01 – Circulação vertical e elevador de urgência 02 – Acesso de ambulância 03 – Recepção 04 – Área comercial 05 – Área verde com vegetação baixa 06 – Área pavimentada para pedestres 07 – Área pavimentada para veículos 08 – Área verde com vegetação media 09 – Central de gás Legenda: L O 6.4 Volumetria geral setorizada Figura 76 – Volumetria setorizada Após análise da área, estudo de zoneamento e testes de volumetria, a proposta do anteprojeto mostra uma edificação com traçado limpo e racional que segue o formato do terreno. A volumetria conta com repetição de pavimentos, e em um deles usa-se uma passarela como recurso de integração com os serviços do hospital. Informações coletadas do programa de necessidades especifico: •07 Quartos de PPP •62 Leitos adulto •50 Leitos pediátricos •20 Leitos UTI Neonatal •110 Vagas privativas de estacionamento Este programa de necessidades representa o prédio em geral. O programa de necessidades específicos de cada setor se encontram nos apêndices deste trabalho. O programa de necessidades foi elaborado baseando-se nas analises dos referenciais e na demanda dos serviços hospitalares oferecidos na cidade de Tubarão e região. O programa segue as normas vigentes na RDC-50. Para o quantitativo foi usado como base, além da demanda, os critérios relacionados a humanização, integração e informação para usuários e colaboradores. Fonte: Desenvolvido pela autora. Fonte: Desenvolvido pela autora. Na legislação municipal não consta diretrizes relacionado a construção de passarela para uso privado sobre via publica, para que seja autorizado a execução dessa circulação horizontal em passarela necessita de um requerimento na prefeitura e analise do setor de obras. 65Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 6.5 Fluxograma geral No estudo dos fluxos procurou-se facilitar os acessos interno e externo, para colaboradores e pacientes, propiciando espaços de fácil leitura. O acesso de pessoas (usuários, acompanhantes, visitantes, colaboradores) se da pelo Hall / Recepção, o acesso técnico para a central de gases, de resíduos e para a área técnica pode acontecer pelo térreo e pelo subsolo. Já o acesso ao estacionamento privativo que pode ser ocupado por usuários e colaboradores é feito pelo subsolo. O térreo possui acesso veicular para embarque e desembarque, protegida. Este fluxograma representa o prédio em geral. Os fluxogramas específicos de cada setor se encontram nos apêndices deste trabalho. Fonte: Desenvolvido pela autora. 6.6 Aplicação do conceito Fonte: Desenvolvido pela autora. Fonte: Desenvolvido pela autora. Figura 77 – Circulação vertical e horizontal. Figura 79 – Área verde, humanizada. No desenvolver da volumetria , a circulação se tornou importante para o cumprimento do conceito de INFORMAÇÃO, visto que o sistema “hospital aeroporto” do arquiteto Luís Vidal foi um grande inspirador, pois traz a didática em sua função de sinalizar. A AMBIÊNCIA, item evidente neste estudo preliminar , sua ausência se torna inaceitável na atualidade. Para valorizar os recursos naturais, o térreo apresenta área social com vegetação, o vão no centro do prédio colabora para a iluminação natural e ventilação cruzada em todos os setores, as fachadas nordeste e sudeste ficam protegidas por brise ocasionando conforto térmico e favorecendo uma acústica eficiente e confortável, toda a edificação conta com esquadrias acústicas, nas fachadas e nos ambientes internos. Conforme o Ministério da Saúde, o ambiente precisa ser acolhedor e oferecer conforto térmico, acústico e visual para o usuário. Fonte: Desenvolvido pela autora. Figura 78 – Passarela. A INTEGRAÇÃO, item extremamente necessário principalmente em um ambiente hospitalar, onde traz a facilidade deacesso de colaboradores, equipe médica de urgência e transporte para a UTI adulto, dentre outros serviços de apoio vindo do Hospital Nossa Senhora da Conceição. Porém a integração não se limita apenas à passarela. Em todos os pavimentos temos, conforme sugere a Cartilha Humaniza SUS, sala de leitura e sala de estar geral, onde podem interagir colaboradores, usuários e visitantes, além do térreo que conta com restaurante / lanchonete e um pátio interno. Circulação vertical Circulação horizontal P A R T ID O A R Q U IT E T Ô N IC O 66Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 6.7 Planta baixa zoneada e volumetria Figura 80 – Planta baixa subsolo. Fonte: Desenvolvido pela autora. Figura 81 – Planta baixa térreo. Fonte: Desenvolvido pela autora. Figura 82 – Planta baixa mezanino. Fonte: Desenvolvido pela autora. Figura 83 – Planta baixa centro obstétrico. Fonte: Desenvolvido pela autora. 3 3 5 26 1 2 3 4 1 4 2 5 6 8 9 7 4 1 2 14 15 16 1 17 18 19 3 4 5 6 9 10 2221 29 37 28 35 3634 33 1 20 23 24 32 6 7 8 25 30 31 27 1 1 2 10 10 10 10 10 5 5 32 3232 38 1- Circ. vert. 2- Sala técnica 3- Área comerc. 4- Área verde 1- Circ. vert. 2- Sala técnica 3- Área comerc. 4- Área verde 5- Recepção 6- Recep. elev. 7- Acesso emerg. 8- Acesso subs. 9- Central de gás 1- Circ. vert. 2- Sala técnica 3- Central de res. 4- Reservatório 5- Estacionam. 1- Circ. vert. 2- Sala técnica 3- Rouparia 4- Farmácia 5- Sala cesárea 6- Estar func. 7- Almox. 8- Dep. de equip. 9- SRPA 10- PPP 14- Rep. Med. 15- Rep. Acad. 16- Copa satélite 17- Expurgo 18- Vestiários 19- CME 20- Lavabos 21- Vest. acomp. 22- Área deamb. 23- Internação 24- Financeiro 25- Copa func. 26- Estar geral 27- Vão 28- Sala de esp. 29- Triagem cons. 30- Coord. Enf. 31- Educ. cont. 32- Consult. 33- Área verde 34- Sala espera 35- Cardiotocog. 36- Triagem 37- Área de obs. 38- Passarela 14 P A R T ID O A R Q U IT E T Ô N IC O 67Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Figura 84 – Planta baixa alojamento conjunto. Fonte: Desenvolvido pela autora. Figura 85 – Planta baixa alojamento conjunto tratamento. Fonte: Desenvolvido pela autora. Figura 86 – Planta baixa pediatria e UTI neonatal. Fonte: Desenvolvido pela autora. Figura 87 – Planta baixa CDI, BLH e pré-natal. Fonte: Desenvolvido pela autora. 1 1 1 2 3 4 7 8 9 10 11 12 13 1 14 66 28 22 2726 21 19 20 18171615 23 24 25 4 4 4 4 4 4 4 4 4 5 5 5 55 55 55 1- Circ. vert. 2- Sala técnica 3- DML 4- Quarto priv. 5- Quarto SUS 6- Quarto semi. 7- Coord. Enf. 8- Farmácia 9- Expurgo 10- Rouparia 11- Vestiário 12- Sala atend. 13- Lavabos 14- Sala de leit. 15- Estar func. 16- Almox. 17- Dep. De equip. 18- Copa 19- Internação 20- Financeiro 21- Vão 22- Posto de enf. 23- Copa func. 24- Educ. contin. 25- Estar geral 26- Área prescric. 27- Preparo. de med. 28- Área verde 1 2 3 29 7 8 9 10 11 12 13 1 14 630 28 22 2726 21 19 20 18171615 23 24 25 4 4 4 4 4 4 4 5 5 31 44 44 55 28 1- Circ. vert. 2- Sala técnica 3- DML 4- Quarto SUS 5- Quarto priv. 6- Quarto semi. 7- Coord. Enf. 8- Farmácia 9- Expurgo 10- Rouparia 11- Vestiário 12- Sala atend. 13- Lavabos 14- Sala de leit. 15- Estar func. 16- Almox. 17- Dep. Equip. 18- Copa 19- Internação 20- Financeiro 21- Vão 22- Posto enf. 23- Copa func. 24- Educ. cont. 25- Estar geral 26- Área presc. 27- Preparo med. 28- Área verde 29- Sala de curet. 30- PPP esp. 31- Isolamento 2 3 4 4 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 6 6 1615 555 20 1 12 13 111095587 17 18 22 21 21 26 11 23 24 28 2519 14 9 10 2227 29 23 23 23 23 24 24 20 29292929 1- Circ. vert. 2- Sala técnica 3- DML 4- Isolamento 5- Quarto SUS 6- Quarto priv. 7- Coord. Enf. 8- Farmácia 9- Expurgo 10- Rouparia 11- Vestiário 12- Posto enf.. 13- Lavabos 14- Depos. equip. 15- Posto enf. 16- Sala de aula 17- Internação 18- Financeiro 19- Vão 20- Área verde 21- Almox. 22- Copa func. 23- Isolam. ped. 24- Isolam. neo 25- Recepção 26- Copa satelite 27- Repouso med. 28- Salão 29- Leito ped. 2 3 4 5 6 7 8 9 9 9 10 22 33 30 32 211 30 31 4948 43 29 18 1917161514131211 23 24 25 26 44 40 20 27 28 34 35 36 37 38 39 17 41 42 43 33 45 46 47 1- Circ. vert. 2- Sala técnica 3- DML 4- Mamografia 5- Laudos 6- Digitação 7- Sala entrev. 8- Histerosc. 9- USG 10- Sala vacina 11- Coord. enf. 12- Farmácia 13- Comando TC 14- Tomograf. 15- Expurgo 16- Rouparia 17- Vestiário 18- Sala atend. 19- Lavabos 20- Posto enf. 21-SRPA 22- Lab. satélite 23- Estar func. 24- Almox. 25- Comando RM 26- Resson mag. 27- Internação 28- Financeiro 29- Vão 30- Sala de esp. 31- Entre. Exames 32- Cons. Med. 33- Consult. Enf. 34- Lactário 35- Paramentacao 36- Manipul. 37- Saída 38- Estoque 39- Pasteuriz. 40- Dep. Equip. 41- Utilidades 42- Lavabos 43- Área verde 44- Copa func. 45- Coleta 46- Amamentação 47- Atend. Priv. 48- Arquiv. Exames 49- Montagem ex. P A R T ID O A R Q U IT E T Ô N IC O 68Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 6.8 Aplicação dos Referenciais Projetuais Figura 89 – Hospital Rede Sarah - RJ Fonte: ArchDaily. Fonte: ArchDaily. Fonte: ArchDaily. Figura 90 – Hospital Can Misses - Ibiza Figura 91 – Hospital Can Misses - Ibiza O vão inserido no meio do prédio foi uma inspiração do teto retrátil do referencial projetual nacional, Hospital Rede Sara – RJ, onde traz para o interior do ambiente a iluminação e ventilação natural. O Novo Hospital Can Misses, referencial que me serviu de embasamento para um ambiente acessível, um térreo inclusivo, convidativo, acolhedor, e um sistema de circulação sinalizado, colorido, didático. 6.9 Materialidade Figura 92 – Proposta de materialidade. A materialidade proposta para o Centro Materno Infantil traz cores e materiais pensados para o conforto e evolução clínica dos pacientes, são materiais resistentes, tem leveza em suas texturas, quando bem combinados colaboram para o conforto dos usuários. A madeira em sua cor original no interior do prédio traz a leveza, a sensação de informalidade, reduzindo a tensão. O alumínio tem seu uso principalmente nas esquadrias, o vidro vai se apresentar em todas as fachadas permitindo a conexão visual com o entorno e o verde usado em algumas paredes de ambientes internos promove a alegria, estabilidade, segurança e conforto. Assim como as cores amarelo, rosa, azul roxo e branco, trazem sentimentos variados para ambientes variados. Figura 93 – Paleta de cores. Fonte: Desenvolvido pela autora. Fonte: Desenvolvido pela autora. Fonte: Google imagens. Figura 88 – Planta baixa cobertura. Fonte: Desenvolvido pela autora. Figura 95 – Proposta de brise Fonte: Desenvolvido pela autora. O uso do brise de soleil nas fachadas, seguindo as cores da proposta, traz leveza e alegria para o ambiente, as aletas verticais coloridas sobre a grande lamina de vidro, filtram a luz recebida e também a luz emitida a noite, trazendo a sensação de movimento, funcionamento, evolução. A vegetação entre os brises esta na fachada sudeste.Fonte: Architizer. Fonte: Desenvolvido pela autora. Figura 94 – Sem brise 1- Casa de maquinas 2- Vão coberto 3- Reservatório 4- Cobertura P A R T ID O A R Q U IT E T Ô N IC O A ventilação que se adentra ao subsolo tem saída também pelo térreo, através de bancos com abertura na base. O vão tem cobertura fixa de vidro, permitindo a iluminação natural nos ambientes internos assim como a ventilação, pois fica afastado na base. A fachada nordeste e sudeste recebem iluminação natural durante quase todo o dia, recebendo proteção por brise soleil em todos os pavimentos.Subsolo Térreo 69Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima Figura 96 – Corte esquemático Figura 97 – Croquis e fachadas Fonte: Desenvolvido pela autora. Fonte: Desenvolvido pela autora. Fonte: Desenvolvido pela autora. Fonte: Desenvolvido pela autora. P A R T ID O A R Q U IT E T Ô N IC O Figura 98 – Croqui do térreo Sistema de captação da agua da chuva. Brise de soleil vertical coloridos por pavimento / setor. Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 70Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 7 Considerações finais Fundamentado nas pesquisas e resultados obtidos no desenvolvimento deste estudo, foi possível obter um conhecimento mais aprofundado sobre a necessidade e a viabilidade da implantação de um centro materno infantil na cidade de Tubarão. Ao mesmo tempo que as informações sobre o terreno e a região do município de Tubarão foram de suma importância para um conhecimento mais aprofundado para desenvolver as diretrizes do projeto, a visita ao Hospital Amparo Maternal de São Paulo também se mostrou muito relevante e essencial para que o objetivo proposto por este trabalho fosse alcançado, já que, por meio deste processo, foi possível conhecer a estrutura de um hospital que já é referência no atendimento exclusivo a gestantes e assim ter como base o que é essencial e o que pode ser feito de melhorias para que o projeto do centro materno infantil ao qual esse trabalho se propõe seja bem elaborado. Por fim, todas as análises feitas anteriormente até chegar à idealização do partido foram fundamentais, pois por meio destes estudos foi possível identificar todas as características da área e assim solucionar as problemáticas. Assim sendo, na fase seguinte deste projeto será apresentada a proposta final do Centro Materno Infantil. C O N S ID E R A Ç Õ E S F IN A IS 8 Referências • ANVISA. AGENCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução RDC nº 36, de 03 de junho de 2008. Dispõe sobre Regulamento Técnico para Funcionamento dos Serviços de Atenção Obstétrica e Neonatal. Disponível em:<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2008/r es0036_03_06_2008_rep.html> Acesso em: 05 jun. 2020. • ANVISA. AGENCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002. Dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Disponível em: <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2002/res 0050_21_02_2002.html>. Acesso em: 27 mai. 2020. • ASSOCIAÇÃO CONGREGAÇÃO DE SANTA CATARINA. Amparo Maternal. Disponível em: <https://www.amparomaternal.org/>. Acesso em: 10 mai. 2020. Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 71Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima R E F E R Ê N C IA S • BARNABÉ, Paulo Marcos Mottos. A poética na luz natural na obra de Oscar Niemeyer. Londrina: EDUEL, 2008. • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias em Saúde. Diretrizes nacionais de assistência ao parto normal: versão resumida [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias em Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde, 2017. • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticos de Saúde. Área Técnica de Saúde da Mulher. Parto, aborto e puerpério: assistência humanizada à mulher/Ministério da Saúde, Secretaria de Políticas de Saúde, Área Técnica da Mulher. – Brasília: Ministério da Saúde, 2001. • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. Ambiência / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2006. • BRASIL. Ministério da Saúde. Humanização do parto e do nascimento / Ministério da Saúde. Universidade Estadual do Ceará. – Brasília : Ministério da Saúde, 2014. 465 p. : il. – (Cadernos HumanizaSUS; v. 4). • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Área Técnica de Saúde da Mulher. Atenção Humanizada ao Abortamento: norma técnica. Brasília: Ministério da Saúde, 2005. • BRENE, Anayansi Corrêa. História da parturição no Brasil, século XIX. Cad. Saúde Pública [online]. 1991, vol.7, n.2, pp.135-149. ISSN 1678-4464. • CAMPOS, Sibylle Emilie Vogt; LANA, Francisco Carlos Félix. Resultados da assistência ao parto no Centro de Parto Normal Dr. David Capistrano da Costa Filho em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 23(6): 1349-1359, jun. 2007. • GONÇALVES, Roselaine et al. Vivenciando o cuidado no contexto de uma casa de parto: o olhar das usuárias. Revista da Escola de Enfermagem da USP, 45(1): 62-70, 2011. • HOSPITAL NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO. Maternidade. Disponível em: <https://hnsc.org.br/maternidade/sobre-a-maternidade/#>. Acesso em: 08 mai. 2020. • KIBERT, Carles J. Edificações sustentáveis, Projeto, Construção e Operação. 4 ed. Porto Alegre, Bookman, 2020. Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 72Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima R E F E R Ê N C IA S • JAMAS, Milena Temer. Assistência ao parto em um Centro de Parto Normal: narrativas das puérperas (dissertação). São Paulo: Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo, 2010. • MACHADO, Nilce Xavier de Souza; PRAÇA, Neide de Souza. Centro de parto normal e assistência obstétrica centrada nas necessidades da parturiente. Rev. Esc. 71, Enfermagem USP, 40(2): 274-9, 2006. • MOURA, Fernanda Maria de Jesus S. Pires et al. A humanização e a assistência de enfermagem ao parto normal. Rev. bras. enferm. [online], v. 60, n. 4, p. 452-455, 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S00 34-71672007000400018>. Acesso em: 02 abr. 2020. • MPPE – Ministério Público de Pernambuco. Humanização do parto. Nasce o respeito: informações práticas sobres seus direitos / Organização, Assessoria Ministerial de Comunicação; Coordenação, M. S. M. O; Redação, A. C. R. C.; M. M. O. Revisão Técnica, Comitê Estadual de Estudos de Mortalidade Materna de Pernambuco. -- Recife: Procuradoria Geral de Justiça, 2015. • RATTNER, Daphne et al. A Rede Pela Humanização do Parto e Nascimento. Rev Tempus Actas Saúde Col., Brasília, v. 4. n. 4, p. 215-228, 2010. • OSAWA, Ruth Hitomi; RIESCO, Maria Luiza Gonzáles; TSUNECHIRO, Maria Alice. Parteiras-enfermeiras e Enfermeiras parteiras: a interface de profissões afins, porém diferentes. Revista Brasileira de Enfermagem, 59 (5): pp. 699-702, set-out, 2006. • SAHAH. Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação – Associação das Pioneiras Sociais. Disponível em: <http://www.sarah.br/a- rede-SARAH/nossas-unidades/unidade-rio/>. Acesso em: 10 mai. 2020. • SILVA, Lia Mota e. Utilização da bola suíça na assistência ao parto nos serviços públicos do município de São Paulo. 2010. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) – Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo/SP, São Paulo, 2010. • VENDRUSCOLO, Claudia Tomasi; KRUEL, Cristina Saling. A história do parto: do domicílio ao hospital; das parteiras ao médico; de sujeito a objeto. Disciplinarum Scientia. Série: Ciências Humanas, Santa Maria, v. 16, n. 1, p. 95-107, 2015. • BRASIL. Ministério Da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Manual dos Comitês de Mortalidade Materna. Brasília:Ministério da Saúde, 2007. • BRASIL. Ministério Da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Centro obstétrico. O cuidado a parturiente. Parte II. Ministério da Saúde, 2001. Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 73Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima A P Ê N D IC E 9.1 - Pre-dimensionamento e programa de necessidades especifico 9 Apendices Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 74Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima A P Ê N D IC E Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 75Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima A P Ê N D IC E Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 76Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima A P Ê N D IC E Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 77Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima A P Ê N D IC E Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 78Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 9.2 - Fluxogramas especificos CENTRO OBSTETRICO TERREO MEZANINO SUBSOLO A P Ê N D IC E Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 79Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima ALOJAMENTO CONJUNTO ALOJAMENTO CONJUNTO TRATAMENTO A P Ê N D IC E Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 80Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima PEDIATRIA UTI NEONATAL A P Ê N D IC E Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 81Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima CDI PRE-NATAL BLH A P Ê N D IC E Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 82Centro Materno Infantil – TCC 1 – Acadêmica Talita Formaeski – Orientador: Prof. Arq. Ramon Lima 9.3 - Tabela de pesquisa de porcentagem por via de nascimento A P Ê N D IC E