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Política Nacional de Atenção Básica 
De acordo com a PNAB 2017, a Equipe de Saúde da Família é a prioridade da atenção à saúde 
e deve reorganizar a Atenção Básica no país. Deverá ser composta minimamente por um médico, 
preferencialmente especialista em saúde da família e comunidade, um enfermeiro, também de 
preferência com a mesma especialidade do médico, um técnico ou auxiliar de enfermagem e 
agentes comunitários de saúde, além desse, também podem fazer parte da eSF os profissionais 
de saúde bucal. 
O processo de trabalho da eSF é caracterizado pelo caráter interdisciplinar e em equipe 
visando uma abordagem integral e resolutiva. Cada profissional deve agir dentro de sua área, 
porém de forma conjunta, para que todo objetivo traçado se transforme em produto. Assim, com 
o entendimento de que o paciente é integrante de um meio social e que sua complexidade 
resolutiva exige diversas áreas da saúde é possível ter uma saúde mais efetiva. (PAVONI, 2009). 
Deve se atentar ao processo de territorialização, para que a necessidade da população seja 
atendida, levando-se em consideração questões ambientais, históricas, demográficas, 
econômicas, culturais etc. Além disso, a eSF tem o papel de garantir o acesso universal a saúde, 
sem nenhum tipo de distinção e sempre de forma resolutiva e holística, não se restringindo 
apenas a UBS, pois a atenção domiciliar também faz parte do processo de promoção, prevenção 
e reabilitação da saúde (BRASIL, 2017). 
É bastante importante entender a função de cada integrante da atenção à saúde dentro 
de uma Unidade. Dentre as atribuições comuns estão: participar do processo de territorialização 
e mapeamento da região, dar assistência de forma integral, realizar ações de saúde conforme a 
necessidade da população, participar do acolhimento aos pacientes, acompanhar os 
cadastrados, utilizar o Sistema de Informação da Atenção Básica, realizar visita e atendimento 
domiciliar, entre outros (BRASIL, 2017). 
Cabe ao enfermeiro, realizar consultas, prescrever medicação, elaborar planos de 
cuidados para pacientes com doenças crônicas, realizar atividades em grupo, fazer 
encaminhamentos quando necessário, supervisionar os técnicos e auxiliares de enfermagem. 
Aos técnicos e auxiliares cabe administrar medicamentos, fazer curativos, vacinas, coleta de 
material para exames (BRASIL, 2017). 
Ao médico compete, realizar consultas clínicas, pequenos procedimentos cirúrgicos, 
atividades na UBS e em domicílio, fazer encaminhamentos, realizar estratificação de risco, 
acompanhar seus pacientes, planejar planos de saúde para pacientes com doenças crônicas, 
planejar e gerenciar as ações desenvolvidas pelos agentes de saúde (BRASIL, 2017). 
Os agentes comunitários de saúde tem como atribuições, trabalhar com adscrição de 
indivíduos e famílias da região, coletar informações demográficas e socioculturais, registrar 
dados de nascimentos, óbitos, doenças e agravos de saúde, acompanhar as necessidades dos 
usuários, aferir a pressão, medir a temperatura em domicílio, integrar a UBS à população 
(BRASIL, 2017). 
Além da eSF, também atuam na Unidade Equipes de Saúde Bucal a qual deve conter 
um cirurgião-dentista e auxiliar em saúde bucal ou técnico em saúde bucal, compondo assim a 
modalidade I da equipe. Devem estar vinculados a eSF compartilhando a gestão e o processo 
de trabalho, assumindo responsabilidades sanitárias pela população adstrita. 
O cirurgião-dentista deve realizar a atenção a saúde bucal, diagnósticos, procedimentos 
clínicos e cirúrgicos, coordenar e participar de ações coletivas de saúde, supervisionar técnicos 
e auxiliares de saúde bucal, planejar e gerenciar as ações dos agentes de saúde (BRASIL, 2017). 
Os técnicos de saúde bucal devem acompanhar, apoiar e desenvolver atividades de 
saúde bucal, participar de ações educativas, levantar estudos epidemiológicos, acompanhar 
pacientes, auxiliar e instrumentar o cirurgião-dentista, remover suturas, aplicar medidas de 
biossegurança no armazenamento, manuseio e descarte de produtos odontológicos. Os 
auxiliares em saúde bucal realizam ações de saúde, organizam, limpam, desinfectam e 
esterilizam os instrumentos odontológicos, acolhem os pacientes, acompanham, apoiam e 
desenvolvem atividades referentes a saúde bucal (BRASIL, 2017). 
A ESF pode ser entendida como a forma de atuação da Atenção Primária, pois é ela que 
abrange o sentido de saúde, sendo essa muito mais do que a assistência médica. Nesse 
contexto, a ESF apresenta alguns princípios/atributos, que servem para facilitar a sua efetivação. 
Dentre esses atributos estão a atenção no primeiro contato, que contempla a acessibilidade e 
utilização dos serviços de saúde a cada novo problema ou novas recorrências de um mesmo 
problema, ou seja, é a porta de entrada da saúde (OLIVEIRA; PEREIRA, 2013). 
A longitudinalidade também é outro fator importante, que norteia a atuação da eSF, ela 
diz respeito a continuação do atendimento ao indivíduo na presença ou na ausência de doença, 
pois a prevenção também faz parte dos objetivos da Atenção Básica (OLIVEIRA; PEREIRA, 
2013). 
A integralidade entende que o processo saúde-doença sofre influência de diversos 
fatores além dos fatores biológicos, além disso entende que o paciente é um ser dentro de uma 
sociedade e dentro de uma família e que sua saúde precisa ser promovida, preservada e 
reabilitada em todos os níveis de atenção (OLIVEIRA; PEREIRA, 2013). 
Mas para que a integralidade, primeiro contato e longitudinalidade funcionem de forma 
correta é preciso que haja uma coordenação entre os níveis assistenciais de forma a contemplar 
as necessidade dos usuários, ou seja, significa a movimentação desse cidadão dentro das Redes 
de Atenção à Saúde (OLIVEIRA; PEREIRA, 2013). 
Para que a Atenção Básica funcione é preciso que se delimite um território e cadastre a 
população, pois dessa forma serão identificados fatores como perfil epidemiológico, cultura, 
situação socioeconômica, geográfica, sanitária etc. e poderão promover planos para atender as 
necessidades especificas e singulares daquela área (OLIVEIRA; PEREIRA, 2013). Esse papel 
está centrado principalmente da figura dos agentes comunitários de saúde que é o vínculo entre 
a comunidade e a unidade, pois é ele que colhe as informações e as leva para o grupo de 
profissionais, para que a partir de uma discussão um plano seja traçado. 
Em concordância com a territorialização, é preciso entender a importância da 
competência cultural, que diz respeito ao entendimento da doença a partir de diferentes ópticas 
culturais, de forma a respeita as crenças e não gerar nenhum tipo de constrangimento 
(DAMASCENO; LEONARDO, 2018). 
Já a orientação para a comunidade é feita pelo entendimento da sua realidade em razão 
do contexto em que vive, situação econômica e principais problemas, criam formas de 
intervenção, avaliam as já existentes entre outros, pois dessa forma a singularidade faz-se 
presente e direciona a melhor forma de abordagem. Tem como principal objetivo a resolubilidade, 
organização e responsabilização da comunidade (MADUREIRA, 2015). 
A atenção centrada na família visa o acolhimento dos membros da família e dos seus 
problemas de saúde, adotando-se como conceito de família indivíduos que vivem sobre o mesmo 
teto. A eSF realiza diversas intervenções personalizadas ao longo do tempo, de acordo com o 
perfil e características de cada família para que o alcance seja mais efetivo e o indivíduo não 
seja visto como um ser isolado (MADUREIRA, 2015). 
A vigilância em saúde é um dos atributos da eSF, constitui um processo de coleta, 
consolidação e análise de dados a respeito da saúde para que se possa planejar ações que 
buscam promover, proteger e reabilitar a saúde da população adstrita, levando-se em 
consideração fatores de riscos e condições específicas da região (RECKTENWALDT; JUNGES, 
2017). 
Também está presente o Núcleo de Apoio a Saúde da Família, que constitui uma equipe 
multiprofissional composta por profissionais queirão complementar as equipes da atenção 
básica (BRASIL, 2017). 
Ademais, o educador físico do Núcleo atua com uma liberdade importante, pois as suas 
atividades não se restringem apenas aos limites da UBS. Assim, ele pode usar diversos outros 
espaços da cidade para promover saúde a população de forma a dinamizar a sua atuação e 
indiretamente, contribuir para uma maior adesão. Nesse contexto, é fácil perceber a atuação 
eficaz, tanto na promoção quanto na reabilitação e prevenção da saúde, da Unidade em questão, 
provando que é possível garantir uma boa saúde, mesmo essa sendo pública. 
O NASF apresenta duas modalidades. O NASF I é composto de, no mínimo, cinco 
profissionais de saúde que podem ser psicólogos, fisioterapeutas, assistente social, profissionais 
de educação física, médico homeopata, nutricionista, psiquiatra, terapeuta ocupacional, médico 
acupunturista, fonoaudiólogos e farmacêutico, devendo estar vinculado a ,no mínimo, 5 equipes 
e ,no máximo, 9. De modo a contemplar 200 horas semanais, competindo a cada profissional um 
mínimo de 20 horas e máximo de 80 horas (BRASIL, 2009). 
A modalidade II é composta de no mínimo três profissionais, que serão os mesmos da 
modalidade I, com exceção dos médicos especialistas e deverão estar vinculados a, no mínimo, 
três e, no máximo, quatro equipes, devendo apresentar 120 horas semanais com cada integrante 
com uma carga horaria entre 20 e 40 horas semanais (BRASIL, 2009). 
Em 2012, através da Portaria N° 3.124, uma nova modalidade do NASF foi 
implementada, o NASF III. A equipe que o compõe deve estar vinculada a, no mínimo, uma 
equipe e, no máximo, a duas. De forma a contemplar 80 horas semanais, com carga horaria 
entre 20 e 40 horas semanais de cada integrante (BRASIL, 2012). 
O processo de trabalho do Núcleo de Apoio a Saúde da Família é baseado no território 
de sua responsabilidade juntamente com a eSF. Atuam por meio do atendimento compartilhado, 
para que haja troca de conhecimento entre os profissionais envolvidos, enfocando discussão de 
casos e situações para que planos mais eficientes possam ser traçados (BRASIL, 2009). 
Esses profissionais também podem atuar de forma individual, porém isso ocorre em 
situações extremas na qual o profissional consulta previamente os responsáveis pelo caso e 
passa a estar mais próximo do usuário sem que haja um rompimento com a eSF (BRASIL, 2009). 
Em acréscimo, o NASF pode atuar com ações coletivas na comunidade visando, por 
exemplo, contemplar um grupo específico daquela região e assim, juntamente com outros 
profissionais, atingir metas previamente discutidas e concordadas (BRASIL, 2009). 
De forma individual, o profissional do Núcleo precisa ter suas metas de trabalho focadas 
em dois pontos principais, a população e a equipe. Ou seja, deverão apresentar resultados para 
a população de sua responsabilidade, assim como indicadores de resultados da sua ação na 
equipe. Cada integrante deve apresentar um número máximo de usuários de tratamento 
prolongado com seus indicadores de resultados e esses devem ser revisados constantemente 
com o grupo de profissionais (BRASIL, 2009). 
A estruturação de uma UBS, considera: ações de serviços de saúde a serem prestados, 
o espaço físico e ambientes necessários à prática de cuidados em saúde e, sobretudo, a 
clientela; entendendo o perfil de necessidades da população a quem o cuidado se destina. 
Cabe o destaque, relacionado a ambiência, que é necessário ser o ambiente um 
facilitador que reduza a limitação à participação social da clientela, ou seja, o ambiente não deve 
atuar como uma barreira na realização de atividades. Em resumo, infraestrutura e ambiência 
devem garantir qualidade de serviços, atenção acolhedora, personalizada e humana, centrada 
no paciente e na família, além de um ambiente saudável para o trabalho dos profissionais de 
saúde. 
 
Portaria 154 de 2008 
 
Art. 1º Criar os Núcleos de Apoio à Saúde da Família - NASF com o objetivo de ampliar a 
abrangência e o escopo das ações da atenção básica, bem como sua resolubilidade, apoiando 
a inserção da estratégia de Saúde da Família na rede de serviços e o processo de 
territorialização e regionalização a partir da atenção básica. 
Art. 2º Estabelecer que os Núcleos de Apoio à Saúde da Família - NASF constituídos por 
equipes compostas por profissionais de diferentes áreas de conhecimento, atuem em parceria 
com os profissionais das Equipes Saúde da Família - ESF, compartilhando as práticas em saúde 
nos territórios sob responsabilidade das ESF, atuando diretamente no apoio às equipes e na 
unidade na qual o NASF está cadastrado. 
§ 1º Os NASF não se constituem em porta de entrada do sistema, e devem atuar de forma 
integrada à rede de serviços de saúde, a partir das demandas identificadas no trabalho conjunto 
com as equipes Saúde da Família. 
§ 2º A responsabilização compartilhada entre as equipes SF e a equipe do NASF na 
comunidade prevê a revisão da prática do encaminhamento com base nos processos de 
referência e contrareferência, ampliando-a para um processo de acompanhamento longitudinal 
de responsabilidade da equipe de Atenção Básica/Saúde da Família, atuando no fortalecimento 
de seus atributos e no papel de coordenação do cuidado no SUS. 
§ 3º Os NASF devem buscar instituir a plena integralidade do cuidado físico e mental aos 
usuários do SUS por intermédio da qualificação e complementaridade do trabalho das Equipes 
Saúde da Família - ESF. 
Ações de todos os profissionais do NASF – 
- realizar diagnóstico, com levantamento dos problemas de saúde que requeiram ações 
de prevenção de deficiências e das necessidades em termos de reabilitação, na área adstrita às 
ESF; 
- desenvolver ações de promoção e proteção à saúde em conjunto com as ESF incluindo 
aspectos físicos e da comunicação, como consciência e cuidados com o corpo, postura, saúde 
auditiva e vocal, hábitos orais, amamentação, controle do ruído, com vistas ao autocuidado; 
- desenvolver ações para subsidiar o trabalho das ESF no que diz respeito ao 
desenvolvimento infantil; 
- desenvolver ações conjuntas com as ESF visando ao acompanhamento das crianças 
que apresentam risco para alterações no desenvolvimento; 
- realizar ações para a prevenção de deficiências em todas as fases do ciclo de vida dos 
indivíduos; 
- acolher os usuários que requeiram cuidados de reabilitação, realizando orientações, 
atendimento, acompanhamento, de acordo com a necessidade dos usuários e a capacidade 
instalada das ESF; 
- desenvolver ações de reabilitação, priorizando atendimentos coletivos; 
- desenvolver ações integradas aos equipamentos sociais existentes, como escolas, 
creches, pastorais, entre outros; 
- realizar visitas domiciliares para orientações, adaptações e acompanhamentos; 
- capacitar, orientar e dar suporte às ações dos ACS; 
- realizar, em conjunto com as ESF, discussões e condutas terapêuticas conjuntas e 
complementares; 
- desenvolver projetos e ações intersetoriais, para a inclusão e a melhoria da qualidade de 
vida das pessoas com deficiência; 
- o rientar e informar as pessoas com deficiência, cuidadores e ACS sobre manuseio, 
posicionamento, atividades de vida diária, recursos e tecnologias de atenção para o desempenho 
funcional frente às características específicas de cada indivíduo; 
- desenvolver ações de Reabilitação Baseada na Comunidade 
- RBC que pressuponham valorização do potencial da comunidade, concebendo todas as 
pessoas como agentes do processo de reabilitação e inclusão; 
- acolher, apoiar e orientar as famílias, principalmente no momento do diagnóstico, para o 
manejo das situações oriundas da deficiência de um de seus componentes; 
- acompanhar o uso de equipamentos auxiliares e encaminhamentos quando necessário; 
- realizar encaminhamento e acompanhamento das indicações e concessões de órteses, 
próteses e atendimentos específicos realizados por outro nível de atenção à saúde; e 
- realizar ações que facilitem a inclusãoescolar, no trabalho ou social de pessoas com 
deficiência. 
- discutir e realizar visitas domiciliares com as ESF, desenvolvendo técnicas para qualificar 
essa ação de saúde; 
- realizar visita domiciliar conjunta às equipes Saúde da Família a partir de necessidades 
identificadas, a exemplo dos casos de pacientes impossibilitados de deambular. 
MECANISMOS DE ADESÃO/IMPLANTAÇÃO DOS NASF 
I- Para implantar os NASF, os Municípios e o Distrito Federal devem elaborar Projeto de 
Implantação, contemplando: 
- o território de atuação, formado por áreas contíguas de equipes de Atenção 
Básica/Saúde da Família; 
- as principais atividades a serem desenvolvidas; 
- os profissionais a serem inseridos/contratados; 
- a forma de contratação e a carga horária dos profissionais; 
- a identificação das Equipes Saúde da Família - ESF vinculadas aos NASF; 
- o planejamento e/ou a previsão de agenda compartilhada entre as diferentes equipes SF 
e a equipe dos NASF, que incluam ações individuais e coletivas, de assistência, de apoio 
pedagógico tanto das ESF quanto da comunidade e as ações de visita domiciliar; 
- o código do CNES da Unidade de Saúde em que será credenciado o serviço NASF, que 
deve estar inserida no território das ESF vinculadas; 
Visita domiciliar: 
A visita domiciliar é vista como a interação do cuidado à saúde, tendo como importância criar 
vínculo com as famílias, identificando as necessidades e vulnerabilidades e realizar promoção, 
proteção e recuperação da saúde e o cuidado ampliado. Age de forma multidisciplinar, colocando 
em prática os princípios do SUS de equidade e integralidade. (MENEZES, 2012; SILVA, 2010; 
ALBUQUERQUE, 2009) 
Uns dos principais componentes da visita domiciliar são os Agentes Comunitários de Saúde 
(ACSs), pois são o elo entre as famílias, a ESF e o serviço. Eles vivenciam a realidade das 
famílias, evidenciando os fatores condicionantes e determinantes de saúde, como as condições 
de moradia, saneamento básico, questões sociais, facilitando o vínculo entre as famílias e a ESF. 
Para isso, utilizam como instrumento a ficha A do SIAB, onde podemos identificar sentinelas de 
risco, determinando a classificação de risco e ajudando a equipe a criar estratégias de cuidado 
para essas famílias. (MENEZES, 2012) A visita domiciliar deve ser realizada pelo menos uma 
vez ao mês pelo ACS e uma vez ao ano pelo médico e enfermeiro. (COELHO, 2004) 
A visita domiciliar é uma ferramenta de extrema importância no cuidado de uma família. É o 
momento onde toda a ESF está envolvida para o melhor acompanhamento desses indivíduos. 
Para o paciente e seus familiares, a visita domiciliar é vista como um cuidado especial, mostrando 
a preocupação da equipe com o bem-estar dessa família. Esse pensamento faz com que a 
demanda por visita domiciliar seja superior ao necessário, tendo como base protocolos de eleição 
de critérios de inclusão. (CUNHA, 2005). 
A visita domiciliar é um instrumento utilizado para aproximar a equipe de saúde dos familiares, 
fazendo com que compreendamos melhor o universo familiar e como estes podem contribuir 
para o processo de cuidado, cura e recuperação. Eles têm importante papel nas decisões 
terapêuticas, realizando uma intervenção compartilhada com a equipe sobre o processo saúde-
doença da família. (BRASIL, 2001) 
Dessa forma, embora os critérios para visita domiciliar para o profissional médico incluam, 
preferencialmente, pacientes acamados ou com dificuldades para locomoção, no âmbito da 
atenção primária, as ações de saúde envolvem aspectos que extrapolam as necessidades 
exclusivamente clínicas, englobando cuidados mais abrangentes e permitindo ao médico 
integrar-se a essas atividades mesmo quando não as realizando pessoalmente. As visitas 
domiciliares ainda são realizadas com a finalidade de realizar busca ativa aos faltosos de 
vacinas, consulta de pré-natal, investigação epidemiológica de agravos de notificação 
compulsória, educação em saúde, pacientes com dificuldades de adesão ao tratamento, etc. (MS 
2004) 
A definição de critérios, portanto, é fundamental para garantir a equidade no acesso das pessoas 
que necessitam de cuidados de saúde domiciliares. Além disso, os critérios de elegibilidade 
dariam segurança à equipe de saúde para decidir aqueles que estarão incluídos no programa, 
evitando conflitos éticos sobre quem vai ou não ser incluído, correndo o risco de ampliar demais 
o número de admissões, comprometendo os recursos disponíveis e deixando de incluir aqueles 
indivíduos com maior necessidade. (BORGES, 2010) 
Dentre os critérios, na visita domiciliar se encaixariam os usuários que possuam problemas de 
saúde controlados/compensados com algum grau de dependência para as atividades da vida 
diária (ex.: dificuldade de deslocamento à Unidade de Saúde). (BRASIL, 2012a) 
 
 
ORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE ATENÇÃO DOMICILIAR NA 
ATENÇÃO BÁSICA 
A organização da AD na atenção básica, dentro dos princípios aqui elencados, deve prever 
instrumentos que sistematizem os serviços prestados na perspectiva das Redes de Atenção à 
Saúde – RAS (BRASIL, 2010), resolutividade e integralidade da atenção. 
2.6.1 Processo de Trabalho em Equipe 
A atenção domiciliar no plano da atenção básica faz parte do processo de trabalho das equipes 
e prima pela interdisciplinaridade. Cada caso deve ser discutido e planejado pela equipe, 
considerando as especificidades técnicas, socioculturais e ações entre equipe, família e 
comunidade. 
O primeiro passo é a identificação dos pacientes elegíveis para a AD na territorialização. O 
segundo passo é classificar a complexidade desses pacientes, identificando em qual modalidade 
de AD se enquadram (AD1/AD2/AD3). Alguns pacientes se enquadrarão na modalidade AD1, 
sendo possível identificar elegíveis para AD2 e até para AD3. Caso existam pacientes da AD2 e 
AD3, a equipe de atenção básica deverá acionar a EMAD de sua área, caso exista, para 
elaboração compartilhada do projeto terapêutico. Se não existir Serviço de Atenção Domiciliar 
no município, a equipe deverá elaborar o projeto terapêutico, acionando o NASF e/ou equipes 
dos serviços especializados, quando necessário, para complementar o cuidado prestado. A 
capacidade da equipe de atenção básica de cuidar dos pacientes de AD2 e AD3, sobretudo de 
AD3, quando não houver SAD no município, deve ser avaliada, além de precisar ser discutido se 
o paciente se beneficiaria de outra modalidade de cuidado, como a internação 
hospitalar.Importante estar atento para o fato de que o mesmo paciente pode, a depender da 
evolução do quadro clínico, “migrar” de uma modalidade para outra. 
O terceiro passo é elaborar um plano de cuidados/projeto terapêutico (ou Projeto Terapêutico 
Singular – PTS, no caso de casos mais complexos) para cada paciente, contendo as condutas 
propostas, os serviços ou equipamentos que precisam ser acionados, a periodicidade de visitas, 
a previsão de tempo de permanência (geralmente os pacientes em AD1 são crônicos, tendo 
necessidade de cuidados contínuos), o papel de cada membro da equipe e o profissional de 
referência (responsável por coordenar as ações propostas para o paciente). 
2.6.2 Pactuação com a Família 
A atenção domiciliar pressupõe a participação ativa do usuário e familiares no processo de cuidar 
da pessoa assistida. Para tanto, responsabilidades devem ser pactuadas entre todos os 
envolvidos para que os objetivos terapêuticos sejam alcançados. 
Recomenda-se reunião prévia da equipe com todos os membros da família envolvidos na 
assistência domiciliar para planejamento conjunto das ações a serem desenvolvidas no 
domicílio. Essas reuniões devem acontecer periodicamente, para avaliações e replanejamentos, 
enquanto durar a assistência domiciliar. 
2.6.3 Planejamento das Ações em Equipe e Prescrição de Cuidados 
Para que as atividades da atenção domiciliar atendam às necessidades do usuário/família, é 
necessário que a equipesistematize um planejamento de ações integrado, dinâmico, flexível e 
adaptável ao domicílio. Recomenda-se que a família participe ativamente no processo de 
planejamento, conforme citado no item 3. 
Buscando garantir a operacionalização do plano assistencial estabelecido, propõe-se a utilização 
de um instrumento que subsidie o cuidador e a família. Deve existir o prontuário domiciliar (ver 
capítulo 4: “Gestão do Sistema de Atenção Domiciliar”), no qual constem todos os registros da 
equipe. Sugerem-se, ainda, reuniões periódicas dos profissionais de saúde para discussões 
clínicas e reprogramações de condutas. A prescrição de cuidados pelo enfermeiro no domicílio 
constitui atividade fundamental para direcionar as ações do cuidador e da família junto à pessoa 
assistida, implementando e pactuando as atividades. 
2.6.4 Atribuições da Equipe de Saúde no Domicílio na Atenção Básica 
• Respeitar os princípios da assistência domiciliar, buscando estratégias para aprimorá-
los; 
• Compreender o indivíduo como sujeito do processo de promoção, manutenção e 
recuperação de sua saúde e visualizá-lo como agente corresponsável pelo processo de equilíbrio 
entre a relação saúde–doença; 
• Coordenar, participar e/ou nuclear grupos de educação para a saúde; 
• Fornecer esclarecimentos e orientações à família; 
• Monitorizar o estado de saúde do usuário, facilitando a comunicação entre família e 
equipe; 
• Desenvolver grupos de suporte com os cuidadores; 
• Realizar reuniões com usuário e família para planejamento e avaliação da AD; 
• Otimizar a realização do plano assistencial; 
• Fazer abordagem familiar, considerando o contexto socioeconômico e cultural em que a 
família se insere; 
• Garantir o registro no prontuário domiciliar e da família na unidade de saúde; 
• Orientar a família sobre sinais de gravidade e condutas a serem adotadas; 
• Dar apoio à família tanto para o desligamento após a alta da AD, quanto para o caso de 
óbito dos usuários; 
• Avaliar a condição e infraestrutura física do domicílio; 
• Acompanhar o usuário conforme plano de assistência traçado pela equipe e família; 
• Pactuar concordância da família para AD; 
• Buscar garantir assistência integral, resolutiva e livre de danos ao usuário da AD; 
• Trabalhar as relações familiares na busca pela harmonia, otimizando ações para um 
ambiente familiar terapêutico; 
• Solicitar avaliação da equipe de referência, após discussão de caso; 
• Dar apoio emocional; 
• Orientar cuidados de higiene geral com o corpo, alimentos, ambiente e água. 
O Núcleo de Apoio à Saúde da Família e a Atenção Domiciliar 
No contexto da atenção básica, o NASF é uma estratégia que busca qualificar e complementar 
o trabalho das equipes de Saúde da Família (eSF) e outras equipes, atuando de forma 
compartilhada no cuidado à saúde, visando à construção de redes de atenção e colaborando 
para a integralidade do cuidado aos usuários. Na perspectiva do apoio matricial, o processo de 
trabalho do NASF pretende oferecer tanto retaguarda assistencial quanto suporte técnico 
pedagógico às eSF, às equipes de atenção básica para populações específicas (Consultórios de 
Rua, equipes ribeirinhas e fluviais etc.) e à Academia da Saúde. Atuando, dessa forma, para a 
construção compartilhada de diretrizes clínicas e sanitárias entre os profissionais, a partir de um 
arranjo organizacional que objetiva ampliar a clínica, os saberes e a integração horizontal entre 
as distintas profissões. 
O entendimento da expressão “apoio” remete à forma de organização que permite que os 
profissionais/apoiadores do NASF e as equipes da atenção básica compartilhem práticas de 
cuidado para ampliar a resolução dos problemas vivenciados na atenção à população. E, com 
esse objetivo, atuam em duas dimensões do apoio que se misturam e se complementam no 
processo de trabalho das equipes: o assistencial, que produz ação clínica direta com os usuários 
(atendimentos na unidade de saúde, visitas ou atendimentos domiciliares, atividades em grupos); 
e o técnico-pedagógico, que produz ações de educação permanente em saúde (EPS) com e 
para 
FICHA DE ATIVIDADE COLETIVA 
A ficha de atividade coletiva é um formulário para registro das ações realizadas pelas equipes 
conforme as necessidades do território e capacidade da equipe de estruturar as ações. Essas 
ações são divididas em dois blocos: ações estruturantes (reuniões de equipe) e ações de saúde 
(atividade coletiva e atendimento em grupo) devendo ser utilizada uma ficha para cada atividade. 
Diferente das outras fichas de coleta de dados, a ficha de atividade coletiva tem um cabeçalho 
diferente, pois além dos dados básicos que constam em todos os cabeçalhos, ainda possui 
dados de identificação da própria atividade. 
Cabeçalho da Ficha de Atividade Coletiva 
Os dados do cabeçalho buscam além de identificar os dados dos profissionais que estão 
participando da atividade, também buscam identificar algumas informações em relação à 
atividade, de acordo com as variáveis descritas a seguir. 
DATA DA ATIVIDADE – data em que foi realizada a atividade coletiva. Este campo é de 
preenchimento obrigatório. 
HORA DE INÍCIO – horário de início da atividade; 
HORA DE FIM – horário de término da atividade; 
Nº INEP (ESCOLA/CRECHE): quando a atividade estiver vinculada ao Programa Saúde na 
Escola – PSE, independente de ser realizada no ambiente escolar ou de creche, deve- se 
identificar o número do INEP. 
PROGRAMAÇÃO DO NÚMERO DE PARTICIPANTES: número de participantes previsto para 
esta atividade; 
LOCAL DA ATIVIDADE – campo descritivo para informar o local onde a atividade foi realizada. 
Auxilia a equipe na organização interna da atividade; 
Nº DO CARTÃO SUS DO PROFISSIONAL E CBO - CNS e número do CBO do(s) 
profissional(ais) de saúde que realizou(aram) a atividade, sendo que o PRIMEIRO 
PROFISSIONAL deverá ser o Profissional Responsável pela atividade (correspondendo ao Nº 
de cartão SUS do responsável, no rodapé da página). Este campo é de preenchimento 
obrigatório. Em caso de realização de diversas atividades no mesmo local, deverá ser preenchida 
uma ficha para cada atividade, com os profissionais correspondentes. 
Bloco de Tipo de Atividade 
O bloco de tipo de atividade está subdividido em 2 grupos: 
 Atividades de reunião (opções 01, 02 e 03) e 
 Atividade Coletiva, de Atendimento em Grupo e de Avaliação/Procedimento Coletivo 
(respectivamente, opções 04, 05 e 06). 
Quando for marcada alguma opção de 01 a 03 é necessário identificar os temas no bloco “Temas 
para Reunião”, quando for marcada alguma opção de 04 a 06 é necessário identificar o campo 
“Público­Alvo” e também a “Prática ou Tema para Saúde”. Este campo é de preenchimento 
obrigatório. 
Bloco de detalhamento de Atividade para Reunião 
No caso da atividade coletiva ser uma reunião, marcar um X na opção que corresponde ao tipo 
de atividade que está sendo registrada, podendo ser: 
01 – Reunião da Equipe: opção utilizada para indicar uma reunião dá própria equipe. 
02 – Reunião com Outras Equipes de Saúde: opção utilizada para indicar uma reunião da equipe 
com outras equipes de saúde (inclusive com outras equipes de AB). 
03 – Reunião Intersetorial/Conselho Local de Saúde/Controle Social: indica a realização de 
reunião com agentes externos da comunidade ou outros órgãos de governo. 
Em seguida, deve ser marcado com um X a opção que corresponde ao tema para reunião, 
podendo ser mais de uma opção, conforme a seguir: 
01 – Questões Administrativas/Funcionamento: atividades que envolvam a discussão de 
questões administrativas ou de funcionamento da unidade.; 
02 – Processo de Trabalho: atividades que envolvam discussões de processo de trabalho 
referente ao cuidado dos usuários. 
03 – Diagnóstico do Território/Monitoramento do Território: atividades que envolvam 
trabalhos de diagnóstico ou monitoramento do território da equipe. 
04 – Planejamento/Monitoramento das Ações da Equipe:atividades que envolvam planejamento 
ou monitoramento das ações da equipe em seu território. 
05 – Discussão de Caso/Projeto Terapêutico Singular: atividades que envolvam discussão de 
casos ou de projetos terapêuticos. 
06 – Educação Permanente: atividades de educação permanente. 
07 – Outros: outras atividades que não estejam contempladas na lista acima. 
Bloco de detalhamento de Atividade para Saúde 
Marcar um X na opção que corresponde ao tipo de atividade para saúde que está sendo 
registrada, podendo ser: 
04 – Atividade Coletiva: indica uma ação de saúde realizada na coletividade, esta opção não 
exige que os usuários da atividade sejam identificados. 
05 – Atendimento em Grupo: indica um atendimento em grupo, esta opção exige que os usuários 
que participaram da atividade sejam identificados. 
06 – Avaliação/Procedimento Coletivo: indica avaliações ou procedimentos realizados em um 
grupo, como avaliação antropométrica, testes de acuidade visual etc. 
PÚBLICO-ALVO: indicar qual é tipo de público que será abordado na atividade para saúde. 
Marcar um X na opção correspondente, podendo ser mais de uma, conforme as opções: 
01 – Comunidade em geral: marcar esta opção quando não houver um público específico 
02 – Criança 0 a 3 anos 
03 – Criança 4 a 5 anos 
04 – Criança 6 a 11anos 
05 – Adolescente 
06 – Mulher 
07 – Gestante 
08 – Homem 
09 – Familiares 
10 – Idoso 
11 – Pessoas com Doenças Crônicas 
12 – Usuário de Tabaco 
13 – Usuário de Álcool 
14 – Usuário de Outras Drogas 
15 – Pessoas com Sofrimento ou Transtorno Mental 
16 – Profissional de Educação 
17 – Outros 
PRÁTICAS / TEMAS PARA SAÚDE 
Indica qual é a prática ou tema de saúde que se pretende abordar na atividade para saúde. 
Marcar um X na opção correspondente, podendo ser mais de uma, conforme as opções: 
01 – Alimentação Saudável 
02 – Aplicação Tópica de Flúor 
03 – Acuidade Visual 
04 – Autocuidado de Pessoas com Doenças Crônicas 
05 – Cidadania e Direitos Humanos 
06 – Saúde do Trabalhador 
07 – Dependência Química (Tabaco, Álcool e Outras Drogas) 
08 – Envelhecimento (Climatério, Andropausa etc.) 
09 – Escovação Dental Supervisionada 
10 – Plantas Medicinais/Fitoterapia 
11 – Práticas Corporais/Atividade Física 
12 – Práticas Corporais e Mentais em PIC 
13 – Prevenção da Violência e Promoção da Cultura da Paz 
14 – Saúde Ambiental 
15 – Saúde Bucal 
16 – Saúde Mental 
17 – Saúde Sexual e Reprodutiva 
18 – Semana Saúde na Escola 
19 – Agravos negligenciados 
20 – Antropometria 
21 – Outros 
Bloco de Fechamento da Atividade 
Este bloco deve ser utilizado para concluir a atividade, onde deve ser informado: 
Nº DO CARTÃO SUS DO RESPONSÁVEL – informar o número do cartão SUS do profissional 
responsável pela atividade, é o PRIMEIRO número de CNS e CBO descritos na parte superior 
dessa ficha. Este campo é de preenchimento obrigatório. 
CÓD. CNES DA UNIDADE – informar o código CNES da unidade de saúde responsável pela 
atividade. Este campo é de preenchimento obrigatório. 
CÓD. CNES EQUIPE – informar o código CNES da equipe de saúde responsável pela atividade. 
Este campo é de preenchimento obrigatório. 
Nº DE PARTICIPANTES – número de participantes que efetivamente compareceram à atividade 
programada. Este campo é de preenchimento obrigatório. 
Nº DE AVALIAÇÕES ALTERADAS – informar o total de avaliações realizadas que 
apresentaram alteração (listada no bloco de identificação de usuários no verso da ficha). 
RUBRICA/CARIMBO DO PROFISSIONAL – preencher com a rubrica e carimbo do profissional 
responsável. 
Bloco de identificação dos usuários 
Para as atividades que demandem a identificação dos usuários, no verso da ficha de atividades 
coletivas, ou seja, Atendimento em Grupo e Avaliação/Procedimento Coletivo, os seguintes 
campos devem ser preenchidos: 
N° CARTÃO SUS – número do cartão SUS do usuário participante da atividade. 
DATA DE NASCIMENTO – data de nascimento do usuário, como variável para conferência do 
nº do Cartão SUS. 
AVALIAÇÃO ALTERADA – marcar este campo para identificar os usuários onde foi identificado 
alguma alteração na avaliação do usuário. A avaliação realizada corresponde, necessariamente, 
ao campo “Práticas/Temas para Saúde”. 
PESO E ALTURA: estes campos são obrigatórios quando no campo “Práticas/Temas para 
Saúde” for marcada a opção “Antropometria”. 
ASSINATURA – campo destinado à assinatura do usuário participante. 
FICHA DE VISITA DOMICILIAR 
Atenção, o conceito de Visita Domiciliar foi redefinido considerando agora apenas de 
competência do Agente Comunitário de Saúde (ACS), para todos os outros profissionais de 
saúde, nível médio e nível superior, a visita domiciliar passou a se chamar 
Atendimento no Domicílio. 
A ficha de visita domiciliar é uma ficha de coleta de dados que busca por meio de sua estrutura 
coletar as informações sobre a realização de visitas domiciliares do ACS que como todas as 
fichas, também passam a conter registros individualizados. Além dos blocos de informações que 
constam no cabeçalho de cada ficha, a de visita domiciliar ainda contempla os itens descritos a 
seguir: 
N°: em cada ficha de atendimento há possibilidade de registro de informações de dez usuários. 
Caso o número de atendimento no turno exceda a esse total, o profissional deverá utilizar outra 
ficha de atendimento. 
Nº prontuário: campo destinado ao número do prontuário da família, próprio do estabelecimento 
de saúde. Esse campo é usado como referência da informação do 
paciente na própria unidade, para os casos em que seja necessário fazer uma verificação dos 
dados. 
Nº Cartão SUS: campo destinado ao número do cartão SUS do usuário (CadSUS). Este campo 
é de preenchimento obrigatório. Os números são incluídos no sentido vertical. Apesar da 
obrigatoriedade, usuários sem o cartão SUS poderão e deverão ser atendidos pela equipe. 
Data de nascimento: informar o dia, mês e ano. Variável de verificação do número do CadSUS. 
Este campo é de preenchimento obrigatório. 
VISITA COMPARTILHADA COM OUTRO PROFISSIONAL – Campo utilizado para identificar 
se a visita de um ACS foi realizada com outro profissional. Marcar um X na linha, quando for o 
caso. 
Bloco de Motivo de Visita 
Os motivos de visita estão organizados de forma a facilitar o registro pelo ACS, podendo este, 
quando necessário, marcar mais de uma opção. É obrigatório identificar pelo menos 1 (uma) 
opção. Marcar um X na opção da linha correspondente quando a visita for utilizada para: 
Cadastramento/Atualização: foi realizado o cadastro ou a atualização do cadastro da atenção 
básica do usuário em questão. 
VISITA PERIÓDICA: nesse momento, esse campo foi destinado ao registro da abordagem 
familiar, considerando as visitas do ACS às famílias compostas por membros que não fazem 
parte de nenhum dos tipos de acompanhamento e outros motivos de visita descritos na ficha. Ou 
seja, pessoas em bom estado de saúde, mas que também são visitadas na rotina do agente. 
Nesse caso específico, o agente poderá identificar a abordagem familiar da seguinte forma: 
 número do cartão SUS e data de nascimento: registrar somente o número do cartão SUS e 
data de nascimento do Responsável pelo Núcleo Familiar; 
 motivo da consulta: marcar o campo VISITA PERIÓDICA; 
 desfecho: visita realizada. 
ATENÇÃO: nesse momento, o preenchimento da ficha como abordagem familiar, só será aceito 
no sistema como visita periódica. 
 Busca Ativa 
◦ Consulta: busca de usuários de faltosos à consulta de cuidado continuado ou programado, ou 
quando for utilizada para entrega de marcação de consulta. 
◦ Exame: entrega ou marcação de exames para o usuário. 
◦ Vacina: busca de usuários de faltosos no calendário de vacinação. 
◦ Condicionalidades do Bolsa Família: busca de usuários que fazem parte do Programa Bolsa 
Família e precisam estar em dia com as condicionalidades do programa. 
 Acompanhamento 
◦ Gestante: acompanhamento de usuária gestante.◦ Puérpera: acompanhamento de usuária puérpera. 
◦ Recém-nascido: acompanhamento de recém­nascido. 
◦ Criança: acompanhamento do crescimento e desenvolvimento da criança. 
◦ Pessoa com Desnutrição: acompanhamento de usuário com diagnóstico de desnutrição. 
◦ Pessoa em Reabilitação ou com Deficiência: acompanhamento de usuário em reabilitação ou 
com alguma deficiência que necessite de acompanhamento. 
◦ Pessoa com Hipertensão: acompanhamento de usuário com hipertensão. 
◦ Pessoa com Diabetes: acompanhamento de usuário com diabetes. 
◦ Pessoa com Asma: acompanhamento de usuário com asma. 
◦ Pessoa com DPOC/Enfisema: acompanhamento de usuário com doença pulmonar obstrutiva 
crônica (DPOC) ou enfisema pulmonar. 
◦ Pessoa com Câncer: acompanhamento de usuário com câncer. 
◦ Pessoa com Outras Doenças Crônicas: acompanhamento de usuários com outras doenças 
crônicas. 
◦ Pessoa com Hanseníase: acompanhamento de usuário com hanseníase; 
◦ Pessoa com Tuberculose: acompanhamento de usuário com tuberculose. 
◦ Domiciliados/Acamados: acompanhamento de usuários domiciliados ou acamados. 
◦ Condições de Vulnerabilidade Social: acompanhamento de usuário em condições de 
vulnerabilidade social. 
◦ Condicionalidades do Bolsa Família: acompanhamento de usuário em relação às 
condicionalidades do Programa Bolsa Família. 
◦ Saúde Mental: acompanhamento de usuário com problema de saúde mental, exceto usuário 
de álcool ou outras drogas. 
◦ Usuário de Álcool: acompanhamento de usuário que faz uso prejudicial de álcool. 
◦ Usuário de Outras Drogas: acompanhamento de usuário que faz uso prejudicial de outras 
drogas (inclusive uso abusivo de medicamentos). 
 Egresso de Internação: acompanhamento de usuários egressos de internação. 
 Controle de Ambientes/Vetores: realização de inspeção de ambientes para identificação de 
infestação por vetores. 
 Convite para Atividades Coletivas/Campanha de Saúde: convite a alguma atividade realizada 
pela equipe no território ou sob a sua supervisão. 
 Outros: outras ações que não constam nas descrições acima. 
Bloco de Desfecho 
Bloco utilizado para identificar o desfecho da visita domiciliar, este campo é de preenchimento 
obrigatório, marcar um X na opção conforme desfecho: 
 Visita Realizada: visita realizada com sucesso ao domicílio e em particular a usuário procurado. 
 Visita Recusada: visita recusada pelo usuário, impossibilitando realizar a ação pretendida. 
 Ausente: usuário procurado estava ausente ou não foi possível contatá­lo. 
 Outro: outro desfecho que não constem nas opções acima. 
As equipes de saúde que realizam visitas domiciliárias enfrentam um alto grau de tensão. As 
maiores dificuldades encontradas são as de ordem técnica, ou seja, os profissionais não contam 
com preparo específico para certas situações, como falta de materiais específicos ede tempo 
hábil para um bom atendimento. 
A principal dificuldade da visita domiciliária está na possibilidade de causar dependência na 
população, principalmente em relação ao profissional médico, pois pode promover acomodação, 
causando dependência e desestímulo a procurar a unidade de saúde. Ademais, a visita frequente 
e compulsória nem sempre é bem-vinda para as famílias que recebem os profissionais, pois pode 
significar intromissão na vida, na saúde e na liberdade das pessoas, que muitas vezes tendem a 
recusá-los. 
Devemos destacar que o profissional deve saber definir quais as famílias indicadas para receber 
o atendimento, levando em conta as maiores necessidades. Com isso, a educação da 
comunidade em relação ao serviço é fundamental para que não haja conflitos e confronto de 
interesses. 
Durante a VD os profissionais realizam suas práticas de maneira individualizada, mudando 
apenas o cenário de atuação, que passa a ser o domicílio, mas muitas vezes visualizam a família 
como mera receptora e/ou fornecedora de informações. 
Uma das principais limitações no tocante à atuação dos enfermeiros na visita domiciliária é a 
escassez de programas de capacitação. Muitos deles atuam nas visitas sem nenhum preparo 
para essa modalidade de atenção e apresentam dificuldades em identificar as demandas 
necessárias e propor intervenções junto aos indivíduos e suas famílias. 
Em relação às dificuldades da VD, é importante salientar que não adianta apenas determinar que 
a equipe de saúde aborde a família como uma unidade de cuidado, pois o que falta são 
instrumentos e instruções para os profissionais que atuam nesse ramo de assistência à saúde. 
As VDs podem significar um controle negativo sobre a vida das pessoas, ao voltar-se mais para 
a fiscalização, a vistoria e os registros de aspectos somente biológicos da saúde e doença. Além 
disso, os profissionais dispõem de pouco tempo para sua realização, o que culmina em 
sentimentos de frustração e impotência ante as demandas trazidas pelas famílias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Controle Social 
LEI Nº 8.142, DE 28 DE DEZEMBRO DE 1990. 
Vide Lei nº 8.689, de 1993 
Dispõe sobre a participação da 
comunidade na gestão do Sistema 
Único de Saúde (SUS) e sobre as 
transferências intergovernamentais de 
recursos financeiros na área da saúde 
e dá outras providências. 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu 
sanciono a seguinte lei: 
Art. 1° O Sistema Único de Saúde (SUS), de que trata a Lei n° 8.080, de 19 de setembro 
de 1990, contará, em cada esfera de governo, sem prejuízo das funções do Poder Legislativo, 
com as seguintes instâncias colegiadas: 
I - a Conferência de Saúde; e 
II - o Conselho de Saúde. 
§ 1° A Conferência de Saúde reunir-se-á a cada quatro anos com a representação dos 
vários segmentos sociais, para avaliar a situação de saúde e propor as diretrizes para a 
formulação da política de saúde nos níveis correspondentes, convocada pelo Poder Executivo 
ou, extraordinariamente, por esta ou pelo Conselho de Saúde. 
§ 2° O Conselho de Saúde, em caráter permanente e deliberativo, órgão colegiado 
composto por representantes do governo, prestadores de serviço, profissionais de saúde e 
usuários, atua na formulação de estratégias e no controle da execução da política de saúde na 
instância correspondente, inclusive nos aspectos econômicos e financeiros, cujas decisões serão 
homologadas pelo chefe do poder legalmente constituído em cada esfera do governo. 
§ 3° O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de 
Secretários Municipais de Saúde (Conasems) terão representação no Conselho Nacional de 
Saúde. 
§ 4° A representação dos usuários nos Conselhos de Saúde e Conferências será paritária 
em relação ao conjunto dos demais segmentos. 
§ 5° As Conferências de Saúde e os Conselhos de Saúde terão sua organização e normas 
de funcionamento definidas em regimento próprio, aprovadas pelo respectivo conselho. 
Art. 2° Os recursos do Fundo Nacional de Saúde (FNS) serão alocados como: 
I - despesas de custeio e de capital do Ministério da Saúde, seus órgãos e entidades, da 
administração direta e indireta; 
II - investimentos previstos em lei orçamentária, de iniciativa do Poder Legislativo e 
aprovados pelo Congresso Nacional; 
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%208.142-1990?OpenDocument
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8689.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8080.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8080.htm
III - investimentos previstos no Plano Qüinqüenal do Ministério da Saúde; 
IV - cobertura das ações e serviços de saúde a serem implementados pelos Municípios, 
Estados e Distrito Federal. 
Parágrafo único. Os recursos referidos no inciso IV deste artigo destinar-se-ão a 
investimentos na rede de serviços, à cobertura assistencial ambulatorial e hospitalar e às demais 
ações de saúde. 
Art. 3° Os recursos referidos no inciso IV do art. 2° desta lei serão repassados de forma 
regular e automática para os Municípios,Estados e Distrito Federal, de acordo com os critérios 
previstos no art. 35 da Lei n° 8.080, de 19 de setembro de 1990. 
§ 1° Enquanto não for regulamentada a aplicação dos critérios previstos no art. 35 da Lei 
n° 8.080, de 19 de setembro de 1990, será utilizado, para o repasse de recursos, exclusivamente 
o critério estabelecido no § 1° do mesmo artigo. (Vide Lei nº 8.080, de 1990) 
§ 2° Os recursos referidos neste artigo serão destinados, pelo menos setenta por cento, 
aos Municípios, afetando-se o restante aos Estados. 
§ 3° Os Municípios poderão estabelecer consórcio para execução de ações e serviços de 
saúde, remanejando, entre si, parcelas de recursos previstos no inciso IV do art. 2° desta lei. 
Art. 4° Para receberem os recursos, de que trata o art. 3° desta lei, os Municípios, os 
Estados e o Distrito Federal deverão contar com: 
I - Fundo de Saúde; 
II - Conselho de Saúde, com composição paritária de acordo com o Decreto n° 99.438, de 
7 de agosto de 1990; 
III - plano de saúde; 
IV - relatórios de gestão que permitam o controle de que trata o § 4° do art. 33 da Lei n° 
8.080, de 19 de setembro de 1990; 
V - contrapartida de recursos para a saúde no respectivo orçamento; 
VI - Comissão de elaboração do Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS), previsto o 
prazo de dois anos para sua implantação. 
Parágrafo único. O não atendimento pelos Municípios, ou pelos Estados, ou pelo Distrito 
Federal, dos requisitos estabelecidos neste artigo, implicará em que os recursos concernentes 
sejam administrados, respectivamente, pelos Estados ou pela União. 
Art. 5° É o Ministério da Saúde, mediante portaria do Ministro de Estado, autorizado a 
estabelecer condições para aplicação desta lei. 
Art. 6° Esta lei entra em vigor na data de sua publicação 
Art. 7° Revogam-se as disposições em contrário. 
RESOLUÇÃO N.º 333, DE 4 DE NOVEMBRO DE 2003: 
R E S O L V E: Aprovar as seguintes DIRETRIZES PARA CRIAÇÃO, REFORMULAÇÃO, 
ESTRUTURAÇÃO E FUNCIONAMENTO DOS CONSELHOS DE SAÚDE: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8080.htm#art35
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8080.htm#art35
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8080.htm#art35
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8080.htm#art35%C2%A71
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/Antigos/D99438.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/Antigos/D99438.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8080.htm#art33%C2%A74
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8080.htm#art33%C2%A74
DA DEFINIÇÃO DE CONSELHO DE SAÚDE 
 Primeira Diretriz: Conselho de Saúde é órgão colegiado, deliberativo e permanente do 
Sistema Único de Saúde (SUS) em cada esfera de Governo, integrante da estrutura básica do 
Ministério da Saúde, da Secretaria de Saúde dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, 
com composição, organização e competência fixadas na Lei nº 8.142/90. O processo 
bemsucedido de descentralização tem determinado a ampliação dos Conselhos de Saúde que 
ora se estabelecem também em Conselhos Regionais, Conselhos Locais, Conselhos Distritais 
de Saúde, incluindo os Conselhos Distritais Sanitários Indígenas, sob a coordenação dos 
Conselhos de Saúde da esfera correspondente. O Conselho de Saúde consubstancia a 
participação da sociedade organizada na administração da Saúde, como Subsistema da 
Seguridade Social, propiciando seu controle social. 
 Parágrafo único. Atua na formulação e proposição de estratégias e no controle da execução 
das Políticas de Saúde, inclusive em seus aspectos econômicos e financeiros. 
DA CRIAÇÃO E REFORMULAÇÃO DOS CONSELHOS DE SAÚDE 
 Segunda Diretriz: A criação dos Conselhos de Saúde é estabelecida por lei municipal, 
estadual ou federal, com base na Lei nº 8.142/90. 
Parágrafo único. Na criação e reformulação dos Conselhos de Saúde o poder executivo, 
respeitando os princípios da democracia, deverá acolher as demandas da população, 
consubstanciadas nas conferências de saúde. 
 DA ORGANIZAÇÃO DOS CONSELHOS DE SAÚDE 
Terceira Diretriz: A participação da sociedade organizada, garantida na Legislação, torna 
os Conselhos de Saúde uma instância privilegiada na proposição, discussão, acompanhamento, 
deliberação, avaliação e fiscalização da implementação da Política de Saúde, inclusive em seus 
aspectos econômicos e financeiros. A legislação estabelece, ainda, a composição paritária de 
usuários, em relação ao conjunto dos demais segmentos representados. O Conselho de Saúde 
será composto por representantes de usuários, de trabalhadores de saúde, do governo e de 
prestadores de serviços de saúde, sendo o seu Presidente eleito entre os membros do Conselho, 
em Reunião Plenária. 
I - O número de conselheiros será indicado pelos Plenários dos Conselhos de Saúde e das 
Conferências de Saúde, devendo ser definido em Lei. 
II - Mantendo ainda o que propôs a Resolução nº 33/92 do CNS e consoante as 
recomendações da 10ª e da 11ª Conferências Nacionais de Saúde, as vagas deverão ser 
distribuídas da seguinte forma: a) 50% de entidades de usuários; b) 25% de entidades dos 
trabalhadores de saúde; c) 25% de representação de governo, de prestadores de serviços 
privados conveniados, ou sem fins lucrativos. 
p III - A representação de órgãos ou entidades terá como critério a representatividade, a 
abrangência e a complementaridade do conjunto de forças sociais, no âmbito de atuação do 
Conselho de Saúde. De acordo com as especificidades locais, aplicando o princípio da paridade, 
poderão ser contempladas, dentre outras, as seguintes representações: a) de associações de 
portadores de patologias; b) de associações de portadores de deficiências; c) de entidades 
indígenas; d) de movimentos sociais e populares organizados; e) movimentos organizados de 
mulheres, em saúde; f) de entidades de aposentados e pensionistas; g) de entidades 
congregadas de sindicatos, centrais sindicais, confederações e federações de trabalhadores 
urbanos e rurais; h) de entidades de defesa do consumidor; i) de organizações de moradores. j) 
de entidades ambientalistas; k) de organizações religiosas; l) de trabalhadores da área de saúde: 
associações, sindicatos, federações, confederações e conselhos de classe; m) da comunidade 
científica; n) de entidades públicas, de hospitais universitários e hospitais campo de estágio, de 
pesquisa e desenvolvimento; o) entidades patronais; p) de entidades dos prestadores de serviço 
de saúde; q) de Governo. 
 IV - Os representantes no Conselho de Saúde serão indicados, por escrito, pelos seus 
respectivos segmentos entidades, de acordo com a sua organização ou de seus fóruns próprios 
e independentes. 
V - O mandato dos conselheiros será definido no Regimento Interno do Conselho, não 
devendo coincidir com o mandato do Governo Estadual, Municipal, do Distrito Federal ou do 
Governo Federal, sugerindo-se a duração de dois anos, podendo os conselheiros serem 
reconduzidos, a critério das respectivas representações. 
VI - A ocupação de cargos de confiança ou de chefia que interfiram na autonomia 
representativa do conselheiro, deve ser avaliada como possível impedimento da representação 
do segmento e, a juízo da entidade, pode ser indicativo de substituição do conselheiro. 
VII - A participação do Poder Legislativo e Judiciário não cabe nos Conselhos de Saúde, 
em face da independência entre os Poderes. 
VIII - Quando não houver Conselho de Saúde em determinado Município, caberá ao 
Conselho Estadual de Saúde assumir, junto ao executivo municipal, a convocação e realização 
da 1ª Conferência Municipal de Saúde, que terá como um de seus objetivos a criação e a 
definição da composição do Conselho Municipal. O mesmo será atribuído ao CNS, quando da 
criação de novo Estado da Federação. 
 IX - Os segmentos que compõem o Conselho de Saúde são escolhidos para representar 
a sociedade como um todo, no aprimoramento do Sistema Único de Saúde (SUS). 
X - A função de Conselheiro é de relevância pública e, portanto, garante sua dispensa do 
trabalhosem prejuízo para o conselheiro, durante o período das reuniões, capacitações e ações 
específicas do Conselho de Saúde. 
DA ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DOS CONSELHOS DE SAÚDE 
Quarta Diretriz: Os Governos garantirão autonomia para o pleno funcionamento do 
Conselho de Saúde, dotação orçamentária, Secretaria Executiva e estrutura administrativa. 
I - O Conselho de Saúde define, por deliberação de seu Plenário, sua estrutura 
administrativa e o quadro de pessoal conforme os preceitos da NOB de Recursos Humanos do 
SUS. 
II - As formas de estruturação interna do Conselho de Saúde voltadas para a coordenação 
e direção dos trabalhos deverão garantir a funcionalidade na distribuição de atribuições entre 
conselheiros e servidores, fortalecendo o processo democrático, no que evitará qualquer 
procedimento que crie hierarquia de poder entre conselheiros ou permita medidas tecnocráticas 
no seu funcionamento. 
III - A Secretaria Executiva é subordinada ao Plenário do Conselho de Saúde, que definirá 
sua estrutura e dimensão. 
IV - O orçamento do Conselho de Saúde será gerenciado pelo próprio Conselho de Saúde. 
V - O Plenário do Conselho de Saúde que se reunirá, no mínimo, a cada mês e, 
extraordinariamente, quando necessário, funcionará baseado em seu Regimento Interrno já 
aprovado. A pauta e o material de apoio às reuniões devem ser encaminhados aos conselheiros 
com antecedência. As reuniões plenárias são abertas ao público. 
VI - O Conselho de Saúde exerce suas atribuições mediante o funcionamento do Plenário, 
que, além das comissões intersetoriais, estabelecidas na Lei nº 8.080/90, instalará comissões 
internas exclusivas de conselheiros, de caráter temporário ou permanente, bem como outras 
comissões intersetoriais e grupos de trabalho para ações transitórias. Grupos de trabalho 
poderão contar com integrantes não conselheiros. 
VII - O Conselho de Saúde constituirá uma Coordenação Geral ou Mesa Diretora, 
respeitando a paridade expressa nesta Resolução, eleita em Plenário, inclusive o seu Presidente 
ou Coordenador. 
VIII - As decisões do Conselho de Saúde serão adotadas mediante quórum mínimo da 
metade mais um de seus integrantes. 
IX - Qualquer alteração na organização dos Conselhos de Saúde preservará o que está 
garantido em Lei, e deve ser proposta pelo próprio conselho e votada em reunião plenária, para 
ser alterada em seu Regimento Interno e homologada pelo gestor do nível correspondente. 
 X - A cada três meses deverá constar das pautas e assegurado o pronunciamento do 
gestor das respectivas esferas de governo, para que faça prestação de contas em relatório 
detalhado contendo dentre outros, andamento da agenda de saúde pactuada, relatório de 
gestão, dados sobre o montante e a forma de aplicação dos recursos, as auditorias iniciadas e 
concluídas no período, bem como a produção e a oferta de serviços na rede assistencial própria 
contratada ou conveniada, de acordo com o artigo 12 da Lei n.º 8.689/93, destacando-se o grau 
de congruência com os princípios e diretrizes do SUS. 
XI - Os Conselhos de Saúde, desde que com a devida justificativa, buscarão auditorias 
externas e independentes, sobre as contas e atividades do Gestor do SUS, ouvido o Ministério 
Público. 
 XII - O Pleno do Conselho deverá manifestar-se por meio de resoluções, recomendações, 
moções e outros atos deliberativos. As resoluções serão obrigatoriamente homologadas pelo 
chefe do poder constituído em cada esfera de governo, em um prazo de 30 (trinta) dias, dando-
se-lhes publicidade oficial. Decorrido o prazo mencionado e não sendo homologada a resolução, 
nem enviada pelo gestor ao Conselho justificativa com proposta de alteração ou rejeição a ser 
apreciada na reunião seguinte, as entidades que integram o Conselho de Saúde podem buscar 
a validação das resoluções, recorrendo, quando necessário, ao Ministério Público. 
DA COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE SAÚDE 
Quinta Diretriz: Aos Conselhos de Saúde Nacional, Estaduais, Municipais e do Distrito 
Federal, que têm competências definidas nas leis federais, bem como, em indicações advindas 
das Conferências de Saúde, compete: 
I - Implementar a mobilização e articulação contínuas da sociedade, na defesa dos 
princípios constitucionais que fundamentam o SUS, para o controle social de Saúde. 
 II - Elaborar o Regimento Interno do Conselho e outras normas de funcionamento. 
III - Discutir, elaborar e aprovar proposta de operacionalização das diretrizes aprovadas 
pelas Conferências de Saúde. 
 IV – Atuar na formulação e no controle da execução da política de saúde, incluindo os 
seus aspectos econômicos e financeiros e propor estratégias para a sua aplicação aos setores 
público e privado. 
 V - Definir diretrizes para elaboração dos planos de saúde e sobre eles deliberar, conforme 
as diversas situações epidemiológicas e a capacidade organizacional dos serviços. 
 VI - Estabelecer estratégias e procedimentos de acompanhamento da gestão do SUS, 
articulando-se com os demais colegiados como os de seguridade, meio ambiente, justiça, 
educação, trabalho, agricultura, idosos, criança e adolescente e outros. 
 VII - Proceder à revisão periódica dos planos de saúde. 
VIII - Deliberar sobre os programas de saúde e aprovar projetos a serem encaminhados 
ao Poder Legislativo, propor a adoção de critérios definidores de qualidade e resolutividade, 
atualizando-os em face do processo de incorporação dos avanços científicos e tecnológicos, na 
área da Saúde. 
IX - Estabelecer diretrizes e critérios operacionais relativos à localização e ao tipo de 
unidades prestadoras de serviços de saúde públicos e privados, no âmbito do SUS, tendo em 
vista o direito ao acesso universal às ações de promoção, proteção e recuperação da saúde em 
todos os níveis de complexidade dos serviços, sob a diretriz da hierarquização/regionalização da 
oferta e demanda de serviços, conforme o princípio da eqüidade. 
X - Avaliar, explicitando os critérios utilizados, a organização e o funcionamento do Sistema 
Único de Saúde - SUS. 
 XI - Avaliar e deliberar sobre contratos e convênios, conforme as diretrizes dos Planos de 
Saúde Nacional, Estaduais, do Distrito Federal e Municipais. 
 XII – Aprovar a proposta orçamentária anual da saúde, tendo em vista as metas e 
prioridades estabelecidas na Lei de Diretrizes Orçamentárias (artigo 195, § 2º da Constituição 
Federal), observado o princípio do processo de planejamento e orçamentação ascendentes 
(artigo 36 da Lei nº 8.080/90). 
XIII - Propor critérios para programação e execução financeira e orçamentária dos Fundos 
de Saúde e acompanhar a movimentação e destinação dos recursos. 
 XIV - Fiscalizar e controlar gastos e deliberar sobre critérios de movimentação de recursos 
da Saúde, incluindo o Fundo de Saúde e os transferidos e próprios do Município, Estado, Distrito 
Federal e da União 
XV - Analisar, discutir e aprovar o relatório de gestão, com a prestação de contas e 
informações financeiras, repassadas em tempo hábil aos conselheiros, acompanhado do devido 
assessoramento. 
 XVI - Fiscalizar e acompanhar o desenvolvimento das ações e dos serviços de saúde e 
encaminhar os indícios de denúncias aos respectivos órgãos, conforme legislação vigente. 
 XVII - Examinar propostas e denúncias de indícios de irregularidades, responder no seu 
âmbito a consultas sobre assuntos pertinentes às ações e aos serviços de saúde, bem como 
apreciar recursos a respeito de deliberações do Conselho, nas suas respectivas instâncias. 
 XVIII - Estabelecer critérios para a determinação de periodicidade das Conferências de 
Saúde, propor sua convocação, estruturar a comissão organizadora, submeter o respectivo 
regimento e programa ao Pleno do Conselho de Saúde correspondente, explicitando deveres e 
papéis dos conselheiros nas pré-conferências e conferências de saúde. 
 XIX - Estimular articulação e intercâmbio entre os Conselhos de Saúde e entidades 
governamentais e privadas, visando à promoção da Saúde. 
XX - Estimular,apoiar e promover estudos e pesquisas sobre assuntos e temas na área 
de saúde pertinentes ao desenvolvimento do Sistema Único de Saúde (SUS). 
 XXI - Estabelecer ações de informação, educação e comunicação em saúde e divulgar as 
funções e competências do Conselho de Saúde, seus trabalhos e decisões por todos os meios 
de comunicação, incluindo informações sobre as agendas, datas e local das reuniões. 
 XXII - Apoiar e promover a educação para o controle social. Constarão do conteúdo 
programático os fundamentos teóricos da saúde, a situação epidemiológica, a organização do 
SUS, a situação real de funcionamento dos serviços do SUS, as atividades e competências do 
Conselho de Saúde, bem como a Legislação do SUS, suas políticas de saúde, orçamento e 
financiamento. 
 XXIII - Aprovar, encaminhar e avaliar a política para os Recursos Humanos do SUS. 
XXIV - Acompanhar a implementação das deliberações constantes do relatório das 
plenárias dos conselhos de saúde. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. 
Ficam revogadas as Resoluções do CNS de nº 33/1992 e a de nº 319/2002. 
CONTROLE SOCIAL: 
O que é Controle Social ? 
É a forma que a sociedade conquistou através das lutas dos movimentos populares para garantir 
poder de interferência real no controle das ações de saúde. 
O controle social começa pela participação popular – do povo. 
 
A participação popular significa que os grupos organizados da sociedade, e outros ainda não 
organizados que se interessam pela saúde, tenham o direito de discutir e acompanhar o que está 
sendo feito na área. Uma das formas de participação é a formação dos Conselhos Locais de 
Saúde ou Conselhos Gestores Locais de Saúde. 
 
A participação contínua da sociedade na gestão pública é um direito assegurado 
pela Constituição Federal, permitindo que os cidadãos não só participem da formulação das 
políticas públicas, mas, também, fiscalizem de forma permanente a aplicação dos recursos 
públicos. Assim, o cidadão tem o direito não só de escolher, de quatro em quatro anos, seus 
representantes, mas também de acompanhar de perto, durante todo o mandato, como esse 
poder delegado está sendo exercido, supervisionando e avaliando a tomada das decisões 
administrativas. 
 
É de fundamental importância que cada cidadão assuma essa tarefa de participar da 
gestão pública e de exercer o controle social. 
 
E os conselhos de saúde ? São formas de controle social ligadas às instituições de saúde. Os 
Conselhos são deliberativos; isto é, tomam decisões nos assuntos de saúde. 
 
CMS – Conselho Municipal de Saúde 
É através do Conselho que são definidas as diretrizes para a saúde pública, por exemplo, qual 
unidade deve ser construída primeiro, trazer os problemas e as dificuldades dos usuários, tomar 
decisões para que sejam cumpridas pelo administrador (GESTOR). É através destes conselhos 
que são definidas as ações de fiscalização das verbas para o setor. 
 
Os CMS´s devem ser tripartites (3 partes): 
 População - USUÁRIO 
 Trabalhadores de saúde (funcionários) – TRABALHADOR DA SAÚDE 
 Administração e Prestadores de serviços públicos – GESTOR / 
PRESTADORES DDE SERVIÇOS 
 
Paritários: Metade dos representantes pertecem à população (usuários, entidades) e a outra 
metade se divide entre a administração, funcionários e prestadores de serviços. 
Devem ser eleitos representantes legítimos de cada uma das partes, exceto a administração e 
prestadores de serviços públicos que indicam o representante. 
 
O que é o Conselho Gestor de Unidade? 
É um grupo que discute e decide as questões de saúde e o atendimento de uma unidade de 
saúde. 
 
Quem participa do conselho gestor? Deve ser tripartite, com a participação da administração da 
Unidade, dos funcionários e dos usuários. Deve, também, ser paritário garantindo metade dos 
participantes como representantes de usuários e da população local. 
 
Como participar do conselho gestor ? A pessoa não participa por si só. A composição do 
Conselho é de representantes. 
USUÁRIOS: Seus representantes são escolhidos pela população organizada. 
FUNCIONÁRIOS: Escolhem seus representantes através e suas formas próprias de 
organização. 
ADMINISTRAÇÃO: Seu representante, geralmente, é o Diretor da Unidade e mais alguém 
designado pela Secretaria (Fundação). 
 
Qual é a função do Conselho Gestor? É um órgão deliberativo que faz parte da Unidade de 
Saúde e sua função é garantir a quantidade e a qualidade dos serviços. 
 
Qual é o trabalho do Conselho Gestor? 
1. Toma conhecimento da realidade do bairro e do trabalho da unidade. 
2. Discute junto à população usuária, a administração e os trabalhadores de saúde, 
um plano de trabalho na unidade, decidindo as prioridades e programas que serão 
desenvolvidos. 
3. Avalia o atendimento e propõe melhorias. 
 
O trabalho do Conselho Gestor não é só dentro da unidade. Suas atividades no bairro fortalecem 
a organização independente e a mobilização de toda a população. 
 
Qual é o papel de cada um no Conselho Gestor de Unidade? 
Objetivos comuns: 
a) Propor ações para solucionar os problemas de funcionamento da unidade; 
b) Organizar os serviços de saúde atendendo às necessidades prioritárias da população. 
 
Responsabilidades: 
População usuária: Seus representantes levam para o Conselho gestor os interesses e as 
necessidades do bairro e da população. 
Trabalhadores da saúde: Seus representantes levam para o Conselho os interesses e as 
necessidades sentidas dentro da Unidade e no atendimento à população. 
Direção (GESTOR): Cabe, a seus representantes, concretizar as diretrizes da SMS dentro das 
Unidades, cumprindo as decisões do Conselho. É seu papel também, buscar, cobrar e repassar 
as informações e conhecimentos necessários para o bom funcionamento do Conselho gestor e 
dos serviços de saúde, fazendo a ligação com a Secretaria – FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE 
SAÚDE. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FERRAMENTAS DE ABORDAGEM FAMILIAR 
Família é o grupo social natural, que determina as respostas de seus membros através de 
respostas de seus componentes do interior para o exterior. Trata-se de um sistema aberto, 
dinâmico e complexo, cujos membros pertencem a um mesmo contexto social compartilhado, 
lugar do reconhecimento da diferença e do aprendizado quanto ao unir-se ou separar-se e sede 
das primeiras trocas afetivo-emocionais e da construção da identidade. 
Na maioria das vezes, o profissional tem dificuldades em abordar a família, ou o faz de forma 
parcial, identificando-a através de representantes de forma muito genérica, sem uma 
sistematização, ou ainda analisando-a apenas no contexto das políticas sociais, por exemplo 
quando se realiza visita de cadastro de programas de renda mínima, de planejamento familiar, 
ou ainda quando a equipe é acionada pelo Conselho Tutelar. 
Dessa forma torna-se necessário a apropriação pelos profissionais de saúde de algumas 
ferramentas específicas para abordar familiares. São elas: o olhar sistêmico, os tipos de famílias, 
a estrutura familiar, a dinâmica familiar e a conferência familiar, somados a ferramentas 
específicas, básicas para a realização de uma adequada abordagem familiar na AD de acordo 
com as necessidades. Outros instrumentos que sistematizam a Abordagem Familiar estão 
explicitadas no Quadro 01. 
 
A dinâmica da vida familiar deve ser avaliada com respeito e valorização das características 
peculiares e do convívio humano. Constituem instrumentos de registro da família o genograma 
e o ecomapa. Os Ciclos de vida permitem entender como a fase atual daquela família pode 
impactar na saúde, e quais seriam os desafios a superar. 
O Olhar Sistêmico: 
 A família é entendida a partir de suas relações. Todo o contexto social, econômico, e político 
influenciam no bem estar do indivíduo e da família. A conjunção mais importante pode ser a 
família nuclear, mas é importante lembrar que as famílias não existem num vácuo. Independente 
de qual membroda família está sendo assistido, é imperativo ter um claro entendimento do 
contexto interpessoal do problema. Quem faz parte deste sistema familiar? Há pessoas 
importantes para a pessoa ou família que não estão presentes? 
 O pensamento sistêmico foca-se nas relações, não só nos tratos entre os elementos da família, 
mas também nas relações entre a família e os profissionais que trabalham com ela. Ampliando 
o foco, frequentemente, percebe-se que aquele sintoma é a única relação significativa do 
indivíduo ou família, questão que se torna mais evidente nos casos de condições crônicas. Em 
muitos casos a ausência do sintoma pode ser traduzida em perda total ou parcial do cuidado. Se 
por um lado necessita demonstrar que o tratamento está indo bem, por outro há frequentes 
recaídas evidenciando não somente a piora, mas a avidez pelo cuidado. 
 Os Tipos de Famílias: 
 Na pratica da AD, os profissionais se deparam com variadas composições familiares. Além das 
famílias ditas convencionais, há pelo menos mais nove: Família nuclear de duas gerações, 
unidas pelo matrimônio e com seus filhos biológicos; Famílias extensas, incluindo três ou quatro 
gerações; Famílias adotivas temporárias; Famílias adotivas bi-raciais ou multiculturais; Casais 
que podem morar separadamente; Famílias monoparentais, chefiadas por pai ou mãe; Casais 
homossexuais com ou sem crianças; Famílias resultantes de divórcios anteriores com ou sem 
filhos do casamento anterior (remarried/step families) e várias pessoas vivendo juntas, sem laços 
legais, mas com forte compromisso mútuo. 
 Uma visão integral dos tipos familiares aponta variáveis que podem ocorrer quando trabalhamos 
com família: as diversas conjunturas podem gerar variadas formas de conflito, tendo em mente 
que as pré-concepções dos profissionais de saúde não devem influenciar no tratamento do 
usuário. 
O Ciclo Vital: 
 Representa as várias etapas pelas quais as famílias passam e os desafios/ tarefas a cumprir em 
cada etapa, desde a sua constituição em uma geração até a morte dos indivíduos que a 
iniciaram. O entendimento do ciclo vital permite uma visão panorâmica e focal simultaneamente. 
O estudo do ciclo vital permite que o profissional da AD perceba os entraves que a família está 
atravessando, seja por uma crise previsível ou não. 
Em famílias de classe social vulnerável, alguns fenômenos contribuem para encurtar as fases do 
ciclo de vida: em primeiro lugar, a gravidez ocorre precocemente, geralmente nos adolescentes 
e com isto, as fases de casamento e nascimento do primeiro filho dão lugar a famílias com filhos 
pequenos. Tendo que estudar ou trabalhar, os adolescentes e adultos jovens deixam seus filhos 
com as avós, até que cheguem a adolescência e por sua vez passem a ter seus próprios filhos. 
A estrutura, geralmente monoparental, e a aglomeração de gerações sob um mesmo teto faz 
com que famílias populares tenham ciclos de vida abreviados, de até três fases: 
 
 
A Estrutura familiar: 
Entendida como a quantidade de pessoas que moram na casa e suas respectivas funções, o fato 
dos progenitores estarem vivos ou não, divorciados, separados ou dividindo moradia com outros 
parceiros, dentre outras características. A noção de “bom suporte familiar” ou “mais adequado”, 
não está ligada apenas à estrutura familiar culturalmente pré-definida como ideal (pai, mãe e 
irmãos morando em um mesmo local com suas funções econômicas e familiares pré-definidas). 
 A partir da estrutura familiar levantam-se dados relevantes para compreender a funcionalidade 
familiar quais os pontos “fortes” e “fracos” da família para o cuidado domiciliar, onde a família 
pode cooperar e onde o profissional deverá trabalhar com a família para a melhor assistência. 
São estabelecidos os seguintes sistemas familiares: 
• Sistema conjugal: casal formado pela união de duas pessoas com um conjunto de valores e 
expectativas, tanto explicitas quanto inconscientes. Para seu funcionamento é necessário abrir 
mão de parte de suas ideias e preferências, perdendo individualidade, porém ganhando em 
pertinência. 
• Sistema parental: envolve a educação dos filhos e funções de socialização. Este subsistema 
pode ser ampliado para avós ou tios, ou então excluir completamente um dos pais desse sistema. 
 • Sistema fraterno (ou filial): sistema composto por similares, sendo o primordial aquele 
composto entre os irmãos, podendo ser constituído também por amigos e primos. Neste sistema 
desenvolve a capacidade de negociação, cooperação, pertinência, competição e 
reconhecimento. 
 De acordo com as estruturas familiares, observa-se a dinâmica familiar e suas interrelações que 
se mostram através de seus limites, papéis e padrão de comunicação. Descreveremos alguns 
tópicos relevantes para observação durante uma abordagem familiar no domicilio, que facilitará 
o entendimento global da estrutura familiar e do funcionamento familiar. 
• Limites ou fronteiras: espera-se que estes sejam claros e flexíveis, porem pode ocorrer 
disfuncionalidades quando estes são muito rígidos ou emaranhados. 
• Papéis: cada integrante do sistema familiar representa papéis em sua vida, entre eles estão: 
de homem, empregado, empregador, pai, marido, amigo, irmão, filho, torcedor... De acordo com 
cada subsistema familiar é importante que o profissional de saúde identifique a função de cada 
integrante da família naquele contexto para poder resgatar funções e papeis, tornando o cuidado 
integral, e muitas vezes resgatando a funcionalidade da família, e extraindo a doença. 
 • Comunicação: o ser humano utiliza a comunicação constantemente, em todos os momentos 
de sua vida, mesmo quando não está falando (comunicação não verbal), que podem ser 
percebidas por gestos, ações, olhares, entre outros; e a comunicação verbal (que diz respeito à 
fala). Na comunicação verbal temos dois tipos de linguagem: na primeira cada formulação possui 
apenas um sentido, há um estímulo e apenas uma resposta; na segunda cada mensagem se 
refere a um contexto de outras mensagens, não há mensagem e resposta única, e sim respostas 
múltiplas, algumas vezes imaginárias. Na prática do trabalhador de saúde, a comunicação se 
apresenta como a principal ferramenta de trabalho, é necessário, portanto estar atento se a 
mensagem que estamos passando ou recebendo está sendo adequadamente entendida. 
 • Transgeracionalidade: deve-se observar a família nuclear e a trigeracional (avós, pais e filhos), 
avaliando padrões de repetição, segredos e rituais que possam estar enraizados entre as 
gerações. 
Genograma: 
 O genograma permite identificar, de maneira mais rápida a dinâmica familiar e suas possíveis 
implicações, com criação de vínculo entre profissional e a família/indivíduo. 
O genograma baseia-se no modelo do heredograma, mostrando graficamente a estrutura e o 
padrão de repetição das relações familiares, mostrando repetições de padrões de doenças, 
relacionamento e os conflitos resultantes do adoecer. Na configuração proposta, o genograma 
reúne informações sobre a doença da pessoa identificada, as doenças e transtornos familiares, 
a rede de apoio psicossocial, os antecedentes genéticos, as causas de morte de pessoas da 
família, além dos aspectos psicossociais apresentados que junto com as informações colhidas 
na anamnese, enriquecendo a análise a ser feita pelo profissional. 
Na abordagem das famílias, a compreensão da família pode não ser suficiente, pois a mesma 
se relaciona com o meio e com outros atores sociais (outras famílias, pessoas ou instituições) e 
estas relações são fundamentais para se atingir e preservar o equilíbrio bio-psicoespirito-social 
da unidade familiar. Neste contexto, surge o Ecomapa. 
Complementar ao genograma, o ecomapa consiste na representação gráfica dos contatos dos 
membros da família com os outros sistemas sociais, das relações entre a família e a comunidade. 
Ajuda a avaliar os apoios e suportes disponíveise sua utilização pela família e pode apontar a 
presença de recursos, sendo o retrato de um determinado momento da vida dos membros da 
família, portanto, dinâmico. 
 Por ser um instrumento com importantes ganhos, tanto no aspecto relacional, de melhoria do 
vínculo, quanto na programação do trabalho, pode ser aplicado a todas as famílias, sendo ideal 
para famílias com maiores dificuldades relacionais tanto intrafamiliar, quanto sociais, para o 
melhor estudo e compreensão do sistema a ser trabalhado. 
Uma família que tem poucas conexões com a comunidade e entre seus membros necessita 
maior investimento da equipe de saúde para melhorar seu bem-estar. São características do 
ecomapa: registrar membros da família e suas idades no centro do círculo; utilizar a mesma 
simbologia do genograma; registrar em círculos externos os contatos da família com membros 
da comunidade ou com pessoas e grupos significativos; e linhas que indicam o tipo de conexão. 
A utilização das ferramentas para a abordagem familiar visando o entendimento das situações 
encontradas e o fortalecimento do vínculo aumentará a eficácia das ações na AD. 
Na AD, frequentemente a equipe se depara com situações em que apenas a compreensão de 
uma patologia, ou uma abordagem tecnicista não é suficiente para o cuidado necessário. Essas 
ferramentas e entendimentos sobre as famílias facilitam a compreensão de alguns agravos a 
saúde que muitas vezes são entendidos como não colaboração, descaso ou incapacidade. 
Quando entramos no contexto da pessoa, seja ele na abordagem familiar ou na abordagem 
domiciliar estamos nos corresponsabilizando por seu cuidado, dessa forma permitindo e 
fornecendo instrumentos para que esse indivíduo ou família tenham autonomia e 
empoderamento para construir sua saúde (no conceito mais amplo da palavra). Cuidar do 
indivíduo é sem dúvida acolher sua família, respeitando-a, bem como a seus valores e crenças. 
 
GENOGRAMA FAMILIAR 
O genograma familiar é uma ferramenta essencial não só para lembrar informações sobre o 
nome dos membros da família, mas para estabelecer como se dão os relacionamentos e toda a 
estrutura familiar. Também é importante para servir de ferramenta para buscar uma aproximação 
entre os profissionais da equipe e a família. Genograma: essencial para lembrar informações 
sobre o nome dos membros da família, relacionamentos e toda a estrutura familiar. 
O genograma é um mapa visual das conexões entre os membros da família. Ao realizá-lo, 
devemos fazer com que a família visualize o que está sendo desenhado. Portanto, o ideal é fazê-
lo num cartaz, ou num flip chart, ou num quadro branco em que possamos desenhar. 
O genograma inicial pode ser completado quando a história familiar é obtida e pode ser 
atualizado nas visitas subsequentes. Ao longo do tempo, podemos realizar vários genogramas 
familiares, de acordo com o contexto e as circunstâncias atuais de cada momento da família e 
da pessoa que está sendo atendida. Existem algumas regras básicas na construção do 
genograma, como a inclusão dos itens que vemos a seguir. 
 
Símbolos do genograma 
O homem é representado por um quadrado, a mulher por um círculo, a morte é assinalada com 
um X ou uma cruz sobre o círculo ou quadrado dos componentes da família que já faleceram, e 
a idade deve ser colocada dentro dos símbolos. 
 
Temos as linhas que representam o casamento, a linha de união (que é pontilhada), a linha da 
separação (que é um traço) e a linha de divórcio (que são dois traços). As linhas de separação 
e divórcio aplicam-se às relações estáveis. O casal gay masculino é um quadrado com um 
triângulo, e o casal gay feminino é um círculo com um triângulo. 
 
Interação entre as pessoas 
 Esses símbolos representam interação entre as pessoas: duas linhas paralelas representam 
proximidade; três linhas paralelas, muita proximidade, uma fusão de um relacionamento 
simbiótico; linhas pontilhadas significam distanciamento; uma linha tortuosa representa relação 
conflituosa; uma linha tortuosa dentro de duas paralelas representa relação conflituosa e de 
proximidade; três linhas paralelas com uma linha tortuosa representam uma relação fusionada e 
conflituosa. 
 
Outros símbolos que representam a interação entre as pessoas: uma seta de uma pessoa sobre 
a outra representa o foco de atenção nessa pessoa; linhas interrompidas representam rupturas. 
 
O que o genograma nos permite ver? 
 
ECOMAPA 
 No processo de avaliação e intervenção familiar, o ecomapa é mais um instrumento de avaliação 
familiar que podemos utilizar. Trata-se de uma representação gráfica que identifica todos os 
sistemas envolvidos e relacionados com a pessoa e com a família que está sendo abordada, 
relacionando essa pessoa e sua família com o meio em que vivem. 
 “ECOMAPA é mais um instrumento de avaliação familiar, uma representação gráfica, que 
identifica todos os sistemas envolvidos e relacionados com a pessoa, com a família em questão 
e o meio onde vivem. [...] O ECOMAPA é um excelente instrumento, que resume uma grande 
quantidade de informações e facilita a visualização de áreas que podem ser exploradas para 
melhorar o sistema social de apoio por toda a equipe de saúde, buscando realizar uma 
intervenção familiar qualificada.” 
Ao elaborar o ecomapa, colocamos ao centro o genograma da família ou alguns dados sobre o 
indivíduo. Ao redor, em pequenos círculos, colocamos alguns outros aspectos. Por exemplo, 
podemos colocar o restante da família extensiva. A igreja pode ficar em relação à religião, 
religiosidade. Outros aspectos que julgamos importantes: o relacionamento com a escola, no 
caso de existir (escola, universidade); a relação com o posto de saúde. Grupos recreativos dos 
quais pessoas da família façam parte. Quem são os amigos? Quem são as pessoas próximas? 
Vizinhos? Existe animal de estimação? Também devem ser considerados o trabalho da pessoa, 
as relações de trabalho, o contexto do trabalho. 
 Todas essas informações são muito importantes porque demonstram o contexto em que a 
pessoa está inserida, o qual suporta e estrutura o meio relacional do indivíduo e sua família. O 
ecomapa vai servir então para ilustrar, compreender, observar, elaborar hipóteses e integrar e 
envolver recursos disponíveis na rede de apoio possível para essa família ou essa pessoa. 
Áreas incluídas 
 Ao realizar o desenho do ecomapa, também devemos expressar as diferentes dimensões das 
relações e a intensidade das relações com que a família e a pessoa se relacionam, com os 
recursos disponíveis no seu contexto.

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