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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIAS E COMPUTAÇÃO
ENGENHARIA QUÍMICA
CET 992 – Eletroquímica – 2024.1
Profª. Drª. Vera Rosa Capelossi
DUPLA CAMADA ELÉTRICA - TAFEL
Ranany Ferreira Santana (202211566)
Raní Aparecida Santos Novato (202211568)
Ilhéus – BA
2024
Resumo
O método de extrapolação de Tafel é crucial na análise de corrosão, empregando curvas de
polarização e potenciostatos de alta precisão. Neste estudo, a aplicação eficaz dessa técnica
permitiu a coleta de dados significativos, proporcionando uma compreensão aprofundada dos
processos eletroquímicos subjacentes. Essa pesquisa não apenas expande o conhecimento no
campo da eletroquímica, mas também impulsiona avanços tecnológicos no desenvolvimento
de materiais mais resistentes à corrosão, com impacto direto em diversas indústrias, incluindo
a automotiva, aeroespacial e de infraestrutura.
Palavras-chave: Extrapolação de Tafel, análise de corrosão, curvas de polarização, processos
eletroquímicos, materiais resistentes à corrosão.
Ilhéus – BA
2024
1. INTRODUÇÃO
Na polarização por ativação, parte-se do pressuposto de que existe uma barreira energética de
ativação dentro da camada elétrica dupla. Essa barreira está relacionada à velocidade com que
os processos eletroquímicos ocorrem. Uma equação fundamental para estudos de cinética
eletroquímica é a equação de Butler-Volmer (equação 1), que descreve a variação da corrente
em função da aplicação de uma sobretensão. A partir dessa equação, são elaboradas curvas de
polarização. (CUNHA, 2019)
𝑖 = 𝑖° {exp (
∝𝑧𝐹
𝑅𝑇
𝜂) − exp [
(1−𝛼)𝑧𝐹
𝑅𝑇
𝜂]} (1)
A curva de Tafel é uma ferramenta amplamente utilizada, fornecendo informações cruciais
sobre os parâmetros cinéticos da corrosão. O método para obter essa curva consiste na
aplicação de uma sobretensão em relação ao potencial de equilíbrio, tanto no sentido catódico
quanto no sentido anódico. Os dois eixos dessa curva são formados pelos valores de potencial
e pelos logaritmos do módulo da densidade de corrente. (CUNHA, 2019)
Através da curva de Tafel, é possível obter a densidade de corrente de corrosão. Para isso, é
necessário que a curva experimental possua um trecho linear com valores de corrente próximos
a duas décadas. Traçando uma reta nos trechos lineares das regiões anódica e catódica, é
possível extrair, além da densidade de corrente de corrosão, informações como as constantes
de Tafel e o potencial de corrosão. (CUNHA, 2019)
A vantagem de utilizar a técnica de polarização, em vez de um ensaio gravimétrico (perda de
massa), é a possibilidade de avaliar de forma rápida e não destrutiva os parâmetros cinéticos
da corrosão de um material. No entanto, essa técnica está limitada à condutividade do meio
eletrolítico, que deve ser alta o suficiente para que o ensaio possa ser realizado com uma queda
ôhmica menor que 5%, de forma a não prejudicar a linearidade. (CUNHA, 2019)
2. METODOLOGIA
O experimento foi conduzido utilizando um potenciostato para simular um processo de
corrosão. Os dados resultantes foram registrados e armazenados em um computador. O método
empregado envolveu o monitoramento da diferença de potencial entre o eletrodo de trabalho e
o eletrodo de referência ao longo do tempo. Esse monitoramento foi realizado aplicando uma
corrente contínua entre o eletrodo de trabalho e o contra eletrodo.
Imagem 1: Foto retirada em laboratório.
Fonte: Autoria própria, 2024.
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES
O experimento foi conduzido utilizando um potenciostato para simular o processo de corrosão
e registrar os dados necessários. A configuração experimental incluiu uma célula eletroquímica
contendo três eletrodos: um eletrodo de trabalho (amostra de aço-carbono), um eletrodo de
referência (cloreto de prata) e um contra eletrodo (titânio revestido com ródio). O eletrólito
utilizado foi uma solução de ácido clorídrico 0,5 M.
Os eletrodos foram posicionados de maneira a garantir a precisão das medições: o eletrodo de
trabalho foi centralizado na célula, enquanto o contra eletrodo, com área de 2 a 5 vezes maior,
assegurou um fluxo de corrente adequado. A célula eletroquímica foi colocada em uma gaiola
de Faraday para evitar interferências externas.
Para o registro dos dados, os fios conectores do potenciostato foram ligados aos respectivos
eletrodos. Durante o experimento, foi monitorada a diferença de potencial entre o eletrodo de
trabalho e o eletrodo de referência, aplicando-se uma corrente contínua entre o eletrodo de
trabalho e o contra eletrodo. O potencial aplicado ao sistema foi de -0,34 V.
A partir desta configuração, foram determinadas as curvas de polarização e, subsequente, os
parâmetros de Tafel. As curvas anódica e catódica foram traçadas, e suas respectivas retas
lineares permitiram a extração da densidade de corrente de corrosão, bem como das constantes
de Tafel e do potencial de corrosão. A equação de Butler-Volmer foi utilizada para analisar a
variação da corrente em função da sobretensão aplicada, proporcionando uma compreensão
detalhada da cinética da corrosão.
A curva obtida foi a seguinte:
Da curva, nota-se que o potencial de equilíbrio vale, aproximadamente:
𝐸𝑒𝑞 ≅ −0,52 𝑉
Dessa forma, temos que o potencial de corrosão é:
𝐸𝑐𝑜𝑟𝑟 ≅ − 0,52𝑉
Para determinar os parâmetros de Tafel, consideramos que a sobretensão aplicada é η ≥
0,03V. Sendo assim, teremos:
Somando o potencial de corrosão com a sobretensão e traçando a reta, obtemos o valor
aproximado da densidade de corrente anódica, representada pela linha amarela.
𝑖𝑎 ≅ 8 × 10−5 (log) 𝐴/𝑐𝑚2
Subtraindo o potencial de corrosão com a sobretensão e traçando a reta, obtemos o valor
aproximado da densidade de corrente catódica, representada pela linha azul.
𝑖𝑐 ≅ 7,5 10-5 (log) 𝐴/c𝑚2
Traçando-se retas tangentes às curvas de corrente catódica e anódica, obtemos um ponto onde
elas se cruzam, essa intersecção é quem irá definir o valor da densidade de corrente de
corrosão, consideramos um valor aproximado de:
icorr ≅ 1 x 100,000001
icorr ≅ 1,0000023𝐴/𝑐𝑚²
Através da relação trigonométrica da tangente podemos obter o valor da constante anódica e
da constante catódica:
𝑡𝑔 𝜃 = 𝑐𝑎𝑡𝑒𝑡𝑜 𝑜𝑝𝑜𝑠𝑡𝑜 / 𝑐𝑎𝑡𝑒𝑡𝑜 𝑎𝑑𝑗𝑎𝑐𝑒𝑛𝑡𝑒
No gráfico da Figura 2, traçamos estas retas e observamos essa relação pelo triângulo
destacado. Têm-se então:
• Na região anódica:
𝑡𝑔 α = −0,30 − (−0,50) / 0,004 − 0,00008
= 51,02
Têm-se que a constante anódica, 𝛽𝛼 será:
βα = 51,02 𝑉 / 𝑑é𝑐𝑎𝑑𝑎 𝑙𝑜𝑔
• Na região catódica:
𝑡𝑔 β = −0,54 − (−0,74) / 0,004 − 0,000075
= 50,96
Têm-se que a constante catódica, 𝛽c será:
βc = 50,96 𝑉 / 𝑑é𝑐𝑎𝑑𝑎 𝑙𝑜𝑔
Vimos que a curva anódica indica as reações de oxidação, enquanto a curva catódica indica
as reações de oxidação.
A curva de Tafel que vimos indicar polarização por ativação, para a qual a equação de Butler-
Volmer será:
𝑖 = 𝑖0 [exp (2,303η / βa) − (- 2,303η / βc)]
Por fim, substituindo, têm-se:
𝑖 = 1 × 100,000001 [exp (2,303∗0,03 / 51,02) − (- 2,303∗0,03 / 50,96)]
𝑖 = 1,0027 𝐴/𝑐𝑚2
4. CONCLUSÃO
Uma grande investigação realizada usando a técnica de extrapolação Tafel forneceu
informações sobre os detalhes dos processos eletroquímicos subjacentes à corrosão do material.
O uso desta abordagem levou a uma riqueza de dados específicos que incluem a densidade da
corrente de corrosão, as constantes anódica e catódica, juntamente com o potencial decorrosão
– todos valores essenciais para desvendar a cinética da corrosão.
A análise da curva de polarização mostrou-se muito eficiente porque pode ajudar a avaliar os
parâmetros cinéticos da corrosão rapidamente e sem danificar o sistema. Esta abordagem
supera as limitações normalmente enfrentadas por outras técnicas tradicionais, como testes
gravimétricos, no fornecimento dessas avaliações. Notou-se que a configuração experimental,
que utilizou uma célula eletroquímica com três eletrodos e um eletrólito de NaCl 0,5M, era de
fato adequada o suficiente para garantir que as medições fossem precisas - mesmo verificando
a adequação de uma técnica tão simplista como esta, sem qualquer ferramenta especializada.
As descobertas são, portanto, importantes não apenas do ponto de vista acadêmico, mas
também porque podem trazer benefícios reais. Ser capaz de controlar os processos de corrosão
e os seus principais parâmetros é vital se quisermos produzir mais materiais anticorrosivos:
esta inovação afecta directamente uma série de sectores importantes como os transportes ou a
construção, onde a durabilidade dos materiais desempenha um papel crítico.
Assim, este estudo contribui de maneira substancial para o campo da eletroquímica, fornecendo
insights valiosos e dados que podem ser utilizados para impulsionar avanços tecnológicos e
desenvolver soluções inovadoras para a prevenção da corrosão em diversos setores industriais.
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
[1] ATKINS, P.W.; PAULA, J., Princípios de Química: questionando a vida moderna e o meio
ambiente. 5 ed., 2012.
[2] CUNHA, E. Relatório - Perda de Massa e Tafel | PDF | Corrosão | Eletroquímica
(scribd.com) Oct 14, 2019.