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Sentar, esperar e imitar: Por que isso é importante? 2 PROIBIDA A REPRODUÇÃO TOTAL OU PARCIAL, SEM AUTORIZAÇÃO. Lei nº 9610/98 – Lei de Direitos Autorais 3 As habilidades básicas são aquelas que dão origem a várias outras e por isso ser ensinadas prioritariamente, visto que possuem um nível de complexidade menor. Segundo Gomes (2016), são consideradas habilidades iniciais: Sentar, Esperar, Contato Visual e Imitar. Compreendendo que essas são habilidades preditoras do desenvolvimento das demais, é possível compreender também a importância delas em diferentes situações. Precisamos da habilidade de sentar para escrever, comer, sentar em uma recepção, manipular brinquedos de encaixe, assistir a um filme se atentando a todos os detalhes e cenas entre outras ações. A habilidade de sentar auxilia no controle da agitação, possibilita desempenhar atividades que requerem maior concentração, que em constante movimentação não são possíveis, se atentando ao que está sendo proposto, além de favorecer o contato visual. É fato que muitas pessoas aprendem com movimento, principalmente aquelas que possuem condições neurológicas que acarretam no TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), comorbidade comumente associada ao Autismo, porém, é necessário avaliar a frequência de ocorrência do comportamento de agitação para analisar se existe demanda de intervenção, por exemplo, no aumento do tempo em que o aprendiz se mantém sentado. É importante organizar estratégias para que ambos estejam presentes: movimento e sentar, pois um não substitui a importância do outro. Estabelecer relações em que o comportamento de Sentar seja mais reforçado que o comportamento de agitação constante favorece sua ocorrência, sendo necessário a Avaliação Funcional do comportamento para traçar intervenções assertivas. Figura 1: Habilidade de sentar Fonte: Freepik 4 Inicialmente, é imprescindível avaliar o tempo em que o aprendiz se mantém sentado para aumentar a exigência do tempo e o atraso na entrega do item, gradativamente. Assim como o Sentar, há diversas situações em que é necessário o comportamento de Esperar, tais como esperar o almoço ficar pronto, esperar o horário de ir ao parque, esperar o anúncio do vídeo passar, esperar o horário de voltar para casa, entre outros. Essa habilidade auxilia no desenvolvimento da consciência temporal, pois gradativamente o indivíduo passa a compreender o tempo necessário para ter acesso ao que deseja, o que é possível mediante o bom desempenho das Funções Executivas que estão na parte do Córtex Pré-Frontal e são responsáveis pelo controle inibitório na regulação da impulsividade das emoções e na flexibilidade cognitiva para lidar com frustrações. Figura 2: Habilidade de esperar Fonte: Freepik O uso de rotinas e cronômetros visuais auxiliam a criança que ainda não identifica as horas do relógio, a prever quantas tarefas faltam para desempenhar o que deseja, mensurando melhor o tempo, o que consequentemente influencia no controle da ansiedade. Importante considerar que dar saltos é o mesmo que pular etapas, o que aumenta a probabilidade de fracasso no ensino, então se o aprendiz é capaz de esperar e/ou manter-se sentado por 5 minutos, deve-se avançar para 10, depois para 15, de maneira gradativa. 5 Pensando nas habilidades de imitação, estas são necessárias no momento de desenvolvimento da fala, escrita, leitura, matemática, aula de dança, no trabalho, tomar banho, escovar os dentes, entre outras. Todas as situações em que necessitamos de um modelo para aprender determinado comportamento. Figura 3 - Habilidade de imitar Fonte: Freepik Dentro da Análise do Comportamento Aplicada, possuímos um conceito chamado Modelagem que é o ensino do condicionamento de um comportamento espontâneo já ocorrido, para que outros comportamentos sejam aprendidos. Exemplo: Sempre que a criança fala “DÁ” aleatoriamente, entregamos um item de seu interesse para que a partir desta fala não funcional, ela condicione com a consequência de acessar o que deseja, até que aprenda a utilizar a palavra “DÁ” para solicitar e receber itens. Outro conceito é o da Modelação, diretamente relacionado à habilidade de imitação, pois consiste em oferecer um modelo de comportamento para ser reproduzido/imitado até que o outro emita a resposta esperada. Exemplo: quando a criança fala “AGA”, realizamos a modelação dizendo “Á-GU-A” para 6 que ela repita e adeque a resposta de acordo com o modelo recebido. Ainda segundo Gomes (2016), a habilidade de imitação se dá por meio de subdivisões organizadas pelo nível de complexidade: Imitar ações com Objetos, movimentos motores grossos, finos, em pé, fonoarticulatórios, sequência de movimentos. O estimulador que respeita as etapas do desenvolvimento e utiliza de ferramentas baseadas em evidências, tem êxito em seus objetivos. 7 Referências GEREMIAS, Ariel Oliveira; ABREU, Margarete Aparecida Broleze; ROMANO, Luis Henrique. AUTISMO E NEURÔNIO-ESPELHO. Revista Saúde em Foco, [S.I], v. 9, n. 1, p. 171-176, dez. 2017. GOMES, Camila Graciella Santos; SILVEIRA, Analice Dutra. Ensino de habilidades básicas para pessoas com autismo: manual para intervenção comportamental intensiva. Curitiba: Appris, 2016. 215 p. MOREIRA, Márcio Borges; DE MEDEIROS, Carlos Augusto. Princípios básicos de análise do comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2007. WILLIANS, Lúcia Cavalcante Albuquerque; AIELLO, Ana Lúcia Rossito; PACHECO, José Ernani de Carvalho. Inventário Portage Operacionalizado. São Paulo: Mennon, 2001.