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MICHELLE MARRY
ADVOGADA DA UNIÃO
ESPECIALISTA EM DIREITO PÚBLICO E MESTRE EM DIREITO CONSTITUCIONAL 
@michellemarryadv
O Papel da Assessoria Jurídica
na Lei nº 14.133/2021
A atuação da 
Administração Pública
• Plano diretor da reforma do aparelho do Estado/1995: pretendeu traçar um diagnóstico
econômico e da crise do Estado e propor soluções.
• Administração Pública gerencial: parte do modelo de governança, no qual a preocupação é
voltada para os fins a serem atingidos. Esse tipo de administração busca o controle de
resultados dos agentes do Estado, que deve ser direcionado para os resultados
pretendidos pelo Estado.
• Nesse modelo existe a consagração do princípio da eficiência. Procura-se atuar em
parceria com a sociedade civil e dar uma maior autonomia para as entidades da
administração.
A atuação da Administração Pública
• Deixar de controlar o procedimento legal, tendo em vista a necessidade maior do
controle de resultados efetivamente obtidos pela implementação das
políticas públicas;
• Afastamento da necessidade de pautar os procedimentos pela estrita
legalidade, hierarquia e procedimento formal;
• Eficiência: traz em seu bojo a necessidade de maior autonomia aos entes
administrativos;
A atuação da Administração Pública
• Princípio da Eficiência: Necessidade de a Administração aprofundar-se no modo de atuar,
buscando soluções rápidas e resultados ajustados às necessidades administrativas;
• Princípio da Eficácia: Leva em consideração os meios a serem adotados para que o objetivo
da licitação seja alcançado;
• Princípio do interesse público: Interesse da sociedade. Deve ser maior do que o interesse
individual;
A atuação da Administração Pública
➢ Para Bresser Pereira, esse modelo de Administração Pública apresenta as
seguintes características:
• descentralização do ponto de vista político, transferindo recursos e atribuições
para os níveis políticos regionais e locais;
• descentralização administrativa, através da delegação de autoridade para os
administradores públicos transformados em gerentes crescentemente autônomos;
• organizações com poucos níveis hierárquicos ao invés de piramidal;
• pressuposto da confiança limitada e não da desconfiança total;
• controle por resultados, a posteriori, ao invés do controle rígido, passo a
passo, dos processos administrativos; e
• administração voltada para o atendimento do cidadão, ao invés de
autorreferida.
A atuação da Administração Pública
Previsões sobre o papel do 
Advogado nas Leis de Licitações
• Qual o papel do órgão de Consultoria e Assessoramento Jurídico no processo licitatório?
➢ DIVISÃO DA NLLC – Qual a natureza jurídica da lei? Identificação dos elementos e aferição
dos elementos constitutivos fundamentais;
• Título I – Disposições Preliminares: Âmbito de Aplicação da Lei, Princípios, Definições e
Agentes Públicos:
➢ Art. 11, inciso I e par. único – Governança/Alta Administração/Planejamento - Acórdão nº
2622/2015 – Plenário TCU: GOVERNANÇA E GESTÃO DAS AQUISIÇÕES NA ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA FEDERAL. ANÁLISE SISTÊMICA DAS OPORTUNIDADES DE MELHORIA.
➢ Adesão do Brasil ao Acordo de Contratações Públicas da OMC.
Previsões sobre o papel do Advogado nas Leis de Licitações
➢ Título I – Disposições Preliminares:
• Âmbito de Aplicação da Lei: A quem a lei se aplica;
• Princípios;
• Definições;
• Agentes Públicos;
➢ Título II – Licitações: Processo Licitatório:
• 2) Fase Preparatória:
• 2.2.1: Instrução do processo (planejamento alinhado com o PCA); 1) Elaboração do ETP
(necessidade/problema x solução), TR, anteprojeto, PB e PE (definição do objeto), modalidades,
regimes, análise de riscos, edital, contrato;
➢ Título III – Contratos Administrativos:
➢ Título IV - Das Irregularidades;
➢ Título V – Disposições Gerais ;
Previsões sobre o papel do Advogado nas Leis de Licitações
Governança das 
contratações públicas
➢ Governança (art. 11, parágrafo único da NLLC/ Portaria-SEGES nº 8.678 de
2021);
• Art. 2º, inciso III, da Pt-SEGES 8.678/2021: Governança das contratações públicas:
conjunto de mecanismos de liderança, estratégia e controle postos em prática
para avaliar, direcionar e monitorar a atuação da gestão das contratações
públicas, visando a agregar valor ao negócio do órgão ou entidade, e contribuir
para o alcance de seus objetivos, com riscos aceitáveis;
• Art. 1º, § 1º, da Pt-SEGES 8.678/2021: A alta administração dos órgãos e
entidades de que trata o caput deve implementar e manter mecanismos e
instrumentos de governança das contratações públicas;
• Art. 5º, IX, da Pt-SEGES 8.678/2021: padronização e centralização de
procedimentos, sempre que pertinente.
Governança das contratações públicas
➢ Art. 16 da Pt-SEGES 8.678/2021: Compete ao órgão ou entidade, quanto à gestão de riscos e
ao controle preventivo do processo de contratação pública:
• I - estabelecer diretrizes para a gestão de riscos e o controle preventivo que contemplem os
níveis do metaprocesso de contratações e dos processos específicos de contratação;
• II - realizar a gestão de riscos e o controle preventivo do metaprocesso de contratações e dos
processos específicos de contratação, quando couber,
➢ Art. 2º da Pt-SEGES 8.678/2021:
• IV - metaprocesso de contratação pública: rito integrado pelas fases de planejamento da
contratação, seleção do fornecedor e gestão do contrato, e que serve como padrão para que
os processos específicos de contratação sejam realizados;
Governança das contratações públicas
➢ Art. 6º da Pt /SEGES nº 8.678/2021: São instrumentos de governança nas contratações públicas, dentre
outros:
• V - Gestão por competências;
• IX - Definição de estrutura da área de contratações públicas.
➢ Art. 18 da Pt /SEGES nº 8.678/2021: Compete ao órgão ou entidade, quanto à estrutura da área de 
contratações públicas:
• IV - zelar pela devida segregação de funções, vedada a designação do mesmo agente público para atuação
simultânea nas funções mais suscetíveis a riscos;
➢ Art. 7º, §1º, da NLLC:
• A autoridade máxima do órgão ou da entidade, ou a quem as normas de organização administrativa
indicarem deverá observar o princípio da segregação de funções, vedada a designação do mesmo
agente público para atuação simultânea em funções mais suscetíveis a riscos, de modo a reduzir a 
possibilidade de ocultação de erros e de ocorrência de fraudes na respectiva contratação. (art. 
12 do Decreto nº 11.246/2022).
Governança das contratações públicas
Fases do processo Licitatório
1) Preparatória. Planejamento da contratação (instrução do processo.
Planejamento alinhado com o plano de contratações anual, que é
elaborado a partir das diretrizes do Plano de Logística Sustentável, que
deverá estar alinhado ao planejamento estratégico do órgão. Art. 10, par.
Único, da Pt-SEGES 8.678/2021);
2) Seleção do fornecedor, e;
3) Execução/gestão do contrato.
Fases do processo Licitatório
Fases do processo Licitatório
Art. 19 da IN nº 05/2017 Art. 17 da NLLC
➢ As contratações de serviços
de que tratam esta Instrução
Normativa serão realizadas
observando-se as seguintes
fases:
I - Planejamento da Contratação;
II - Seleção do Fornecedor; e
III - Gestão do Contrato.
➢ O processo de licitação observará as seguintes fases, em
sequência:
• I – preparatória/Planejamento da contratação (instrução do
processo. Planejamento alinhado com o plano de contratações
anual, que é elaborado a partir das diretrizes do Plano de
Logística Sustentável, que deverá estar alinhado ao planejamento
estratégico do órgão. (Art. 10, par. único da Portaria SEGES/ME nº
8.678/2021);
• II - de divulgação do edital de licitação;
• III - de apresentação de propostas e lances, quando for o caso;
• IV - de julgamento;
• V - de habilitação;
• VI - recursal;
• VII - de homologação.
Fases do processo Licitatório
Processo de 
licitação: 
Fase interna
ou
preparatória
Identificação da demanda (solicitação 
do setor - DFD)
Escolha da solução - ETP
Definição precisa do objeto a ser 
contratado
Elaboração doAnteprojeto/ Projeto Básico/Projeto 
Executivo/Termo de Referência, conforme o caso
Aprovação da autoridade competente 
para o início do processo licitatório
Estimativa do valor da contratação, com 
pesquisa de mercado
Elaboração do edital e da minuta de 
contrato (quando necessária)
Indicação dos recursos 
orçamentários
1
2
3
4
5
6
7
8
Fases do processo Licitatório
Processo de 
licitação: 
Fase externa 
ou
executória
1
2
3
4
5
6
7
8
Publicação do edital
Apresentação de propostas 
e lances (quando for o caso)
Julgamento
Habilitação dos licitantes 
Recursal
Classificação
Adjudicação
Homologação 
Fases do processo Licitatório
Insumo: 
Necessidade de 
negócio/Escolha 
da solução: 
DFD/ETP
AP/TR/PB Edital Contrato
Contratação : 
Atender à 
necessidade do 
órgão ou entidade; 
Resultado de 
contratação mais
vantajoso para a 
Administração
Pública, inclusive no 
que se refere ao
ciclo de vida do 
objeto; Garantir a 
isonomia na
competição entre 
os possíveis
fornecedores; 
Buscar o preço
compatível com o 
mercado; Incentivar
a inovação e o 
desenvolvimento
nacional
sustentável.
Fases do Processo
Licitatório
Avaliação do 
ciclo de vida
do objeto
Distribuição
Uso
Disposição
Materiais
Fabricação
Armazenamento
▪ Guia Nacional de Contratações Sustentáveis. 5ª ed. 
Previsões sobre o papel do Advogado nas Leis de Licitações 
Art. 38, parágrafo único: As minutas de editais de 
licitação, bem como as dos contratos, acordos, 
convênios ou ajustes devem ser previamente
examinadas e aprovadas por assessoria jurídica
da Administração. 
Art. 19, IV - Instituir, com auxílio dos órgãos de
assessoramento jurídico e de controle interno
modelos de minutas de editais, TR, contratos;
Art. 53 da NLLC
Art. 8º, § 3º da NLLC - Apoio dos órgãos de
assessoramento; jurídico à atuação do agente de
contratação e sua equipe de apoio;
Art. 10 da NLLC – Representação Judicial e Extrajudicial
das autoridades competentes e dos servidores públicos;
Art. 72, inciso III da NLLC: Necessidade de parecer
jurídico na contratação direta;
Art. 117, § 3º: Fiscais
Decreto nº 11.246, de 27 de outubro de 2022: O
agente de contratação, gestores e fiscais
Art. 168, par. Único da NLLC: Impugnação, pedido
de esclarecimento e recurso;
Art. 169
Lei nº 8.666/1993 Lei nº 14.133/2021
Papel desempenhado pelo órgão de consultoria e assessoramento jurídico no 
Processo Licitatório
Papel desempenhado pelo órgão de consultoria e assessoramento jurídico no 
Processo Licitatório
Papel desempenhado pelo órgão de consultoria e assessoramento jurídico no 
Processo Licitatório
➢ Consultoria: Orientação pontual. Entende o caso e apresenta solução. Pode ser atuação
preventiva.
➢ Assessoramento Jurídico: Orientação no desenvolvimento de uma atividade /projeto.
Orientação constante.
➢ BPC nº 45/AGU – Manual de Boas Práticas Consultivas da AGU:
Nos termos da legislação específica, a atividade de consultoria jurídica compreende
pronunciamentos típicos exteriorizados em expedientes e mediante figuras de
manifestação formais, ao passo que a atividade de assessoramento jurídico abrange outras
atividades decorrentes do exercício das atribuições próprias da função de Advogado
Público Federal, a exemplo de orientações jurídicas prestadas em reuniões, por
interlocuções telefônicas, por mensagens eletrônicas ou por outros meios de exteriorização
de menor formalismo, conforme também disciplinadas em lei ou norma específica da AGU.
Papel desempenhado pelo órgão de consultoria e assessoramento jurídico no 
Processo Licitatório
➢Art. 1º, incisos I e II da Lei nº 8.906/1994 (Estatuto da OAB/Atividades privativas de
advocacia): I - a postulação a órgão do Poder Judiciário e aos juizados especiais; II –
consultoria, assessoria e direção jurídicas);
➢ Legislação específica: Art. 1º, par. único, da Lei Complementar 73/1993 (AGU: À
Advocacia-Geral da União cabem as atividades de consultoria e assessoramento
jurídicos ao Poder Executivo, nos termos desta Lei Complementar). ON nº 28/2009;
➢ Art. 133 da CF: O advogado é indispensável à administração da justiça, sendo
inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei.
(intocável/não pode ser agredida enquanto efetiva e legalmente exercida/
inviolabilidade que decorre das garantias que asseguram a existência e a permanência
do próprio Estado Democrático de Direito);
Papel desempenhado pelo órgão de consultoria e assessoramento jurídico no 
Processo Licitatório
➢ Art. 2º da Lei nº 8.906/1994: O advogado é indispensável à administração da justiça.
• § 3º No exercício da profissão, o advogado é inviolável por seus atos e manifestações,
nos limites desta lei (livre exercício profissional e liberdade em suas convicções e
conclusões);
➢ Lei nº 9028, de 12 de abril de 1995. Arts. 21 e 22 (ADI 2888/falta de interesse de agir.
Trânsito em julgado 23.02.2022);
➢ Art. 22: A Advocacia-Geral da União e os seus órgãos vinculados, nas respectivas áreas
de atuação, ficam autorizados a representar judicialmente:
• os titulares e os membros dos Poderes da República, das Instituições Federais referidas
no Título IV, Capítulo IV, da Constituição;
Papel desempenhado pelo órgão de consultoria e assessoramento jurídico no 
Processo Licitatório
• 2) os titulares dos Ministérios e demais órgãos da Presidência da República, de
autarquias e fundações públicas federais;
• 3) de cargos de natureza especial, de direção e assessoramento superiores e daqueles
efetivos, inclusive promovendo ação penal privada ou representando perante o
Ministério Público, quando vítimas de crime, quanto a atos praticados no exercício de
suas atribuições constitucionais, legais ou regulamentares, no interesse público,
especialmente da União, suas respectivas autarquias e fundações, ou das Instituições
mencionadas, podendo, ainda, quanto aos mesmos atos, impetrar habeas corpus e
mandado de segurança em defesa dos agentes públicos de que trata este artigo.
Papel desempenhado pelo órgão de consultoria e assessoramento jurídico no 
Processo Licitatório
➢ Lei nº 13.327/2016, art. 37, inciso XVII:
• Art. 37. Respeitadas as atribuições próprias de cada um dos cargos de que trata este
Capítulo, compete a seus ocupantes:
• XVII - atuar na defesa de dirigentes e de servidores da União, de suas autarquias e de
suas fundações públicas quando os atos tenham sido praticados dentro das
atribuições institucionais e nos limites da legalidade, havendo solicitação do
interessado;
➢ Art. 8º, § 3º da NLLC - Apoio dos órgãos de assessoramento jurídico à atuação do
agente de contratação e sua equipe de apoio. Art. 11, incisos I e III da Lei
Complementar nº 73/1993. Fiscais também? Art. 117, § 3º da NLLC.
Papel desempenhado pelo órgão de consultoria e assessoramento jurídico no 
Processo Licitatório
➢ Art. 117 da NLLC:
• A execução do contrato deverá ser acompanhada e fiscalizada por 1 (um) ou
mais fiscais do contrato, representantes da Administração especialmente
designados conforme requisitos estabelecidos no art. 7º desta Lei, ou pelos
respectivos substitutos, permitida a contratação de terceiros para assisti-los
e subsidiá-los com informações pertinentes a essa atribuição.
• § 2º O fiscal do contrato informará a seus superiores, em tempo hábil para a
adoção das medidas convenientes, a situação que demandar decisão ou
providência que ultrapasse sua competência.
Papel desempenhado pelo órgão de consultoria e assessoramento jurídico no 
Processo Licitatório
• § 3º O fiscal do contrato será auxiliado pelos órgãos de assessoramento
jurídico e de controle interno da Administração, que deverão dirimir
dúvidas e subsidiá-lo com informações relevantes para prevenir riscos na
execução contratual.
➢ Decreto nº 11.246, de 27 de outubro de 2022:
• Regulamenta o disposto no § 3º do art. 8º da Lei nº 14.133, de 1º de abril de
2021, para dispor sobre as regras para a atuação do agente de contratação e
da equipe de apoio, o funcionamento da comissão de contratação e a
atuaçãodos gestores e fiscais de contratos, no âmbito da administração
pública federal direta, autárquica e fundacional.
Papel desempenhado pelo órgão de consultoria e assessoramento jurídico no 
Processo Licitatório
• Art. 8º do Decreto nº 11.246/2022: Os gestores e os fiscais de contratos e os
respectivos substitutos serão representantes da administração designados
pela autoridade máxima do órgão ou da entidade, ou por quem as normas
de organização administrativa indicarem, para exercer as funções
estabelecidas no art. 21 ao art. 24, observados os requisitos estabelecidos no
art. 10.
• Art. 15 do Decreto nº 11.246/2022: O agente de contratação contará com o
auxílio dos órgãos de assessoramento jurídico e de controle interno do
próprio órgão ou entidade para o desempenho das funções essenciais à
execução das suas funções.
Papel desempenhado pelo órgão de consultoria e assessoramento jurídico no 
Processo Licitatório
• § 1º O auxílio de que trata o caput se dará por meio de orientações gerais ou em resposta a
solicitações de apoio, hipótese em que serão observadas as normas internas do
órgão ou da entidade quanto ao fluxo procedimental.
• § 2º Sem prejuízo do disposto no § 1º, a solicitação de auxílio ao órgão de
assessoramento jurídico se dará por meio de consulta específica, que
conterá, de forma clara e individualizada, a dúvida jurídica a ser dirimida.
Papel desempenhado pelo órgão de consultoria e assessoramento jurídico no 
Processo Licitatório
• § 3º Na prestação de auxílio, a unidade de controle interno observará a supervisão
técnica e as orientações normativas do órgão central do Sistema de Controle Interno
do Poder Executivo Federal e se manifestará acerca dos aspectos de governança,
gerenciamento de riscos e controles internos administrativos da gestão de
contratações.
• § 4º Previamente à tomada de decisão, o agente de contratação considerará
eventuais manifestações apresentadas pelos órgãos de assessoramento jurídico e de
controle interno, observado o disposto no inciso VII do no § 1º do art. 50 da Lei nº
9.784, de 29 de janeiro de 1999.
Papel desempenhado pelo órgão de consultoria e assessoramento jurídico no 
Processo Licitatório
• Art. 27 do Decreto nº 11.246/2022: O gestor do contrato e os fiscais
técnico, administrativo e setorial serão auxiliados pelos órgãos de
assessoramento jurídico e de controle interno vinculados ao órgão
ou à entidade promotora da contratação, os quais deverão dirimir
dúvidas e subsidiá-los com informações para prevenir riscos na
execução do contrato, conforme o disposto no art. 15.
Papel desempenhado pelo órgão de consultoria e assessoramento jurídico no 
Processo Licitatório
• Art. 27 do Decreto nº 11.246/2022: O gestor do contrato e os fiscais
técnico, administrativo e setorial serão auxiliados pelos órgãos de
assessoramento jurídico e de controle interno vinculados ao órgão
ou à entidade promotora da contratação, os quais deverão dirimir
dúvidas e subsidiá-los com informações para prevenir riscos na
execução do contrato, conforme o disposto no art. 15.
Papel desempenhado pelo órgão de consultoria e assessoramento jurídico no 
Processo Licitatório
➢ Estados e Municípios: Municípios sem procuradorias próprias podem contratar profissional para
fazer a defesa? Funções essenciais à justiça: Arts. 131 (AGU) e 132 (Procuradores dos Estados e do DF)
da CF.
➢ STF: No agravo interno no Recurso Extraordinário 1.156.016. Municípios não têm a obrigação de
instituir procuradorias, por ausência de previsão na Constituição da República.
• Acórdão nº 1.053/22 – Tribunal Pleno TCE/PR (Parecer jurídicos em procedimentos licitatórios e/ou
contratações diretas sejam elaborados pelos Procuradores Jurídicos concursados, titulares de
cargos efetivos);
• Acórdão nº 110/2023 – Primeira Câmara TCE/PR (Admite terceirização de serviços advocatícios
comuns por pequenos municípios);
➢ Art. 10 da NLLC – Representação Judicial e Extrajudicial das autoridades competentes e dos
servidores públicos (a seu critério) em razão de ato praticado com fundamento em parecer jurídico
(com estrita observância de orientação constante em parecer jurídico).
• Esferas administrativas, controladora e judicial.
• Exceção: Prova da prática do ilícito? Art. 10, § 1º da NLLC.
Papel desempenhado pelo órgão de consultoria e assessoramento jurídico no 
Processo Licitatório
“6. A previsão de obrigatoriedade de atuação da assessoria jurídica na defesa judicial do
administrador público afronta a autonomia dos Estados-Membros e desvirtua a
conformação constitucional da Advocacia Pública delineada pelo art. 131 e 132 da
Constituição Federal, ressalvada a possibilidade de os órgãos da Advocacia Pública
autorizarem a realização dessa representação judicial, nos termos de legislação específica.
[...]
Aplicando essas balizas jurisprudenciais ao caso sub examine, extrai - se que o dispositivo
impugnado não pode ser autoaplicável às estruturas organizacionais dos órgãos da
advocacia pública estadual e municipal, sob pena de afrontar o arranjo federalista do Estado
brasileiro. (ADI 7042/DF e 7043/DF)”
➢ Ação Direta de Inconstitucionalidade – STF ADI 6.915: Ainda não julgada
Papel desempenhado pelo órgão de consultoria e assessoramento jurídico no 
Processo Licitatório
➢ Art. 19, IV - Instituir, com auxílio dos órgãos de assessoramento jurídico e de controle interno
modelos de minutas de editais, TR, contratos etc. Art. 11, inciso VI, da Lei Complementar nº
73/1993 e BPC nº 33/AGU;
➢ Pode outros documentos? Estados e Municípios podem adotar as minutas padronizadas
do Poder Executivo federal?
➢ Art. 53 da NLLC: Controle prévio de legalidade pelo órgão de assessoramento jurídico do
processo licitatório x Controle preventivo de juridicidade dos atos administrativos;
➢ Portaria AGU nº 2, de 5 de janeiro de 2021;
➢ Art. 72, inciso III da NLLC: Necessidade de parecer jurídico na contratação direta;
➢ Art. 168, par. único da NLLC (impugnação, pedido de esclarecimento e recurso);
Papel desempenhado pelo órgão de consultoria e assessoramento jurídico no 
Processo Licitatório
➢ Art. 53 Ao final da fase preparatória o processo licitatório seguirá para o órgão de
assessoramento jurídico da Administração, que realizará controle prévio de legalidade
mediante análise jurídica da contratação.
➢ § 3º Encerrada a instrução do processo sob os aspectos técnicos e jurídico, a autoridade
determinará a divulgação do edital de licitação conforme disposto no art. 54 (PNCP).
ON-AGU nº 55/2014; Portaria nº 262, de 5 de maio de 2017; ON-AGU nº 46/2014 (LEI Nº 
8.666, DE 1993) e ON nº 69/2021 (NLLC);
Órgão de 
assessoramento
jurídico
Papel desempenhado pelo órgão de consultoria e 
assessoramento jurídico no Processo Licitatório
É dispensável a análise jurídica nas hipóteses
previamente definidas em ato da autoridade
jurídica máxima competente, que deverá
considerar o baixo valor, a baixa
complexidade da contratação, a entrega
imediata do bem ou a utilização de minutas
de editais e instrumentos de contrato,
convênio ou outros ajustes previamente
padronizados pelo órgão de assessoramento
jurídico.
Realizará controle prévio de legalidade de 
contratações diretas, acordos, termos de 
cooperação, convênios, ajustes, adesões a atas 
de registro de preços, outros instrumentos 
congêneres e de seus termos aditivos.
Redigir sua manifestação em linguagem simples
e compreensível e de forma clara e objetiva,
com apreciação de todos os elementos
indispensáveis à contratação e com exposição
dos pressupostos de fato e de direito levados
em consideração na análise jurídica.
Apreciar o processo licitatório
conforme critérios objetivos
prévios de atribuição de
prioridade.
Tipos de Pareceres
➢ O que é um parecer? Agentes administrativos emitem opiniões sobre matérias
submetidas para sua apreciação;
➢ De Plácido e Silva (Vocabulário jurídico) atualizado por Nagib Slaibi Filho e Geraldo
Magela Alves:
• Em sentido estrito, assim se entende da opinião de um jurisconsulto a respeito de uma
questão jurídica, a qual,fundada em razões de ordem doutrinária e legal, conclui por
uma solução, que deve, a seu pensamento ser aplicada ao caso em espécie.
➢ Manifestação jurídica facultativa (não está obrigada a emitir) x obrigatória (lei obriga);
Tipos de Pareceres
➢ É vinculante (competência para decidir/irá praticar o ato adm final)? Quem opina
(juízo de valor, opinião pessoal do parecerista) pode decidir? Pode haver
responsabilização do parecerista? MS nº 24.631/DF – STF/2008
➢ Art. 184 CPC: O membro da Advocacia Pública será civil e regressivamente
responsável quando agir com dolo ou fraude no exercício de suas funções.
➢ Art. 38, § 2º da Lei nº 13.327/2016: No exercício de suas funções, os ocupantes dos cargos
de que trata este Capítulo não serão responsabilizados, exceto pelos respectivos órgãos
correicionais ou disciplinares, ressalvadas as hipóteses de dolo ou de fraude.
➢ Art. 28 da LINDB: Art. 28. O agente público responderá pessoalmente por suas
decisões ou opiniões técnicas em caso de dolo ou erro grosseiro.
Tipos de Pareceres
Parecer
obrigatório
A lei não exige
para a prática
de determinado
ato;
A autoridade
administrativa se 
vincula a emitir o ato
tal como submetido à 
Consultoria;
Parecer contrário deve
ser novamente
submetido;
“Compartilhamento do 
poder administrativo
de decisão”
A autoridade não se 
vincula ao parecer; 
Poder de decisão não
se altera pela 
manifestação do órgão
consultivo;
Administrador está
livre para decidir
contrariamente ao
parecer, desde que 
justifique;
Lei estabelece
como
necessário;
Vai integrar o 
processo de 
formação do 
ato;
Parecer
Facultativo
Parecer
Vinculante
Parecer não
vinculante
Limites para atuação do Advogado no processo licitatório
➢ A análise do órgão de consultoria e assessoramento jurídico deve levar em
consideração todos os artefatos produzidos na fase interna do processo licitatório?
➢ Delimitação das competências dos órgãos de consultoria e assessoramento jurídico:
Norma que rege sua atuação;
➢ Acórdão nº Acórdão 1151/2015 – Plenário/TCU: os pareceristas podem ser
responsabilizados por parecer vinculante que contenha erro grosseiro (praticado com
culpa grave). Acórdão nº 13.375/2020 – 1ª Câmara do TCU. Acórdão nº 521/2013 –
Plenário do TCU;
➢ Art. 30 da LINDB: As autoridades públicas devem atuar para aumentar a segurança
jurídica na aplicação das normas, inclusive por meio de regulamentos, súmulas
administrativas e respostas a consultas.
Parágrafo único. Os instrumentos previstos no caput deste artigo terão caráter
vinculante em relação ao órgão ou entidade a que se destinam, até ulterior revisão.
Limites para atuação do Advogado no processo licitatório
➢ BPC nº 07 – Manual de Boas Práticas Consultivas da AGU:
A manifestação consultiva que adentrar questão jurídica com potencial de significativo
reflexo em aspecto técnico deve conter justificativa da necessidade de fazê-lo, evitando-se
posicionamentos conclusivos sobre temas não jurídicos, tais como os técnicos,
administrativos ou de conveniência ou oportunidade, podendo-se, porém, sobre estes
emitir opinião ou formular recomendações, desde que enfatizando o caráter
discricionário de seu acatamento.
➢ BPC nº 19 – Manual de Boas Práticas Consultivas da AGU:
Se a consulta possibilitar mais de uma solução jurídica igualmente plausível e
sustentável, convém que a manifestação consultiva leve ao conhecimento do consulente
também o entendimento jurídico alternativo e sua respectiva fundamentação;
Limites para atuação do Advogado no processo licitatório
➢ Deve ser regulamentada as funções de agente de contratação, equipe de apoio,
comissão de contratação estabelecendo as competências de cada um descrevendo o
fluxo detalhado dos procedimentos de contratação a serem realizados e sua
responsabilidade de acordo com a realidade e a estrutura do órgão (Decreto nº 11.246,
de 27 de outubro de 2022);
➢ É agente público? “Conjunto de pessoas que, a qualquer título, exercem uma função
pública como prepostos do Estado.” Capítulo dos agentes públicos (Capítulo IV do
Título I da NLLC);
➢ art. 6º, inciso LX, da NLLC:
Pessoa designada pela autoridade competente, entre servidores efetivos ou empregados
públicos dos quadros permanentes da Administração Pública, para tomar decisões,
acompanhar o trâmite da licitação, dar impulso ao procedimento licitatório e executar
quaisquer outras atividades necessárias ao bom andamento do certame até a
homologação (art. 8º da NLLC. Fase contratual?);
Limites para atuação do Advogado no processo licitatório
➢ Art. 169 – Controle Preventivo das Contratações Públicas:
• Primeira linha de defesa: Exercida por servidores e empregados públicos, agentes de
licitação e autoridades que atuam na estrutura de governança do órgão ou entidade;
• Segunda linha de defesa: Exercida por análise feita por unidades de assessoramento
jurídico e de controle interno do próprio órgão ou entidade;
• Terceira linha de defesa: Feita por órgão central de controle interno da Administração e
tribunal de contas.
• Autotutela – Súmula 473 do STF;
Limites para atuação do Advogado no processo licitatório
Modelo das três linhas do The IIA
Limites para atuação do Advogado no processo licitatório
➢ Art. 169, inciso I, da NLLC (controle preventivo);
• Atribuição de conduzir a fase de seleção dos fornecedores nas licitações;
➢ Quem é o pregoeiro?
• Art. 8º, §5º da NLLC: “em licitação na modalidade pregão, o agente responsável
pela condução do certame será designado pregoeiro”
• O pregoeiro é um agente de contratação: Aplica-se todo o Capítulo IV do Título I
da NLLC. Inclusive os requisitos de designação do art. 7º, incisos I a III e do art. 8º,
caput, da NLLC.
• Não há necessidade de designação formal específica para atuação do agente de
contratação como pregoeiro (já designado/caput do art. 8º).
Da inviolabilidade do Advogado
➢ Art. 42 da Lei nº 9.784/1999: Quando deva ser obrigatoriamente ouvido um órgão
consultivo, o parecer deverá ser emitido no prazo máximo de quinze dias, salvo norma
especial ou comprovada necessidade de maior prazo.
• § 1o Se um parecer obrigatório e vinculante deixar de ser emitido no prazo fixado, o
processo não terá seguimento até a respectiva apresentação, responsabilizando-se
quem der causa ao atraso.
• § 2o Se um parecer obrigatório e não vinculante deixar de ser emitido no prazo fixado,
o processo poderá ter prosseguimento e ser decidido com sua dispensa, sem prejuízo
da responsabilidade de quem se omitiu no atendimento.
• Art. 184 CPC: O membro da Advocacia Pública será civil e regressivamente responsável
quando agir com dolo ou fraude no exercício de suas funções.
• Veto: § 6º do art. 53 da NLLC: O membro da advocacia pública será civil e
regressivamente responsável quando agir com dolo ou fraude na elaboração do
parecer jurídico de que trata este artigo.
Da inviolabilidade do Advogado
➢ Art. 38, § 2º da Lei nº 13.327/2016:
• Art. 38. São prerrogativas dos ocupantes dos cargos de que trata este Capítulo, sem
prejuízo daquelas previstas em outras normas:
• § 2º No exercício de suas funções, os ocupantes dos cargos de que trata este Capítulo
não serão responsabilizados, exceto pelos respectivos órgãos correicionais ou
disciplinares, ressalvadas as hipóteses de dolo ou de fraude.
➢ Art. 28 da LINDB (Lei nº 13.655/2018):
• Art. 28. O agente público responderá pessoalmente por suas decisões ou opiniões
técnicas em caso de dolo ou erro grosseiro.
Da inviolabilidade do Advogado
• "Viola a Constituição Federal a imputação de responsabilidade ao advogado pela
emissão de parecer ou opinião jurídica, sem demonstração de circunstâncias
concretas que o vinculem subjetivamente ao propósito ilícito.“ Proposta de súmula
vinculante encaminhada pelo Presidente da OAB nacional Beto Simonetti ao STF;
➢ Resp 145464/ES publicação 05.11.2015:
• 2. A existência de indícios de irregularidades no procedimento licitatório não pode, por
si só, justificar o recebimento da petição inicial contra o parecerista, mesmo nos casos
em quehouve a emissão de parecer opinativo equivocado.
Da inviolabilidade do Advogado
• 3. Ao adotar tese plausível, mesmo minoritária, desde que de forma fundamentada,
o parecerista está albergado pela inviolabilidade de seus atos, o que garante o
legítimo exercício da função, nos termos do art. 2º, § 3º, da Lei n. 8.906/94.
• 4. Embora o Tribunal de origem tenha consignado o provável equívoco do parecer
técnico, não demonstrou indícios mínimos de que este teria sido redigido com erro
grosseiro ou má-fé, razão pela qual o prosseguimento da ação civil por improbidade
contra a Procuradora Municipal configura-se temerária.
• Precedentes do STF: MS 24631, Relator Min. Joaquim Barbosa, Tribunal Pleno, julgado
em 09/08/2007, pub. 01-02-2008; MS 24073, Relator: Min. Carlos Velloso, Tribunal
Pleno, julgado em 06/11/2002, DJ 31-10-2003. Precedentes desta Corte: REsp
1183504/DF, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe de 17/06/2010.
Da inviolabilidade do Advogado
➢ STF AgReg no HC nº 155.020:
Atipicidade da conduta imputada. Ausência de demonstração do dolo específico.
Agravante que, na qualidade de chefe da Assessoria Técnica da Administração Regional,
emitiu parecer favorável a contratação. Manifestação de natureza meramente opinativa e,
portanto, não vinculante para o gestor público, o qual pode, de forma justificada, adotar
ou não a orientação exposta no parecer. O parecer tem natureza obrigatória (art. 38, VI, da
Lei nº 8.666/93), porém não é vinculante. Ineficiência da denúncia na demonstração da
vontade conscientemente dirigida, por parte da agravante, de superar a necessidade de
realização da licitação. Abusividade da responsabilização do parecerista à luz de uma
alargada relação de causalidade entre seu parecer e o ato administrativo do qual tenha
supostamente resultado dano ao erário (v.g., MS nº 24.631/DF, Tribunal Pleno, Relator o
Ministro Joaquim Barbosa, DJe de 1º/2/08).
Publicação: 05/11/2018;
POSIÇÃO DO TCU
POSIÇÃO DO TCU: Acórdão 51/2018 Plenário
(Monitoramento, Relator Ministro-Substituto Augusto Sherman)
Responsabilidade. Licitação. Parecer jurídico. Fundamentação.
Parecerista.
O parecerista jurídico pode ser responsabilizado pela emissão de parecer
obrigatório, nos termos do art. 38, parágrafo único, da Lei 8.666/1993, não
devidamente fundamentado, que defenda tese não aceitável, por se
mostrar frontalmente contrário à lei.
POSIÇÃO DO TCU: Acórdão 1695/2018 Plenário
(Tomada de Contas Especial, Relator Ministro Vital do Rêgo)
Responsabilidade. Licitação. Parecer jurídico. Obras e serviços de engenharia. Erro
grosseiro. Critério. Preço unitário.
A ausência do critério de aceitabilidade dos preços unitários no edital de licitação para a
contratação de obra, em complemento ao critério de aceitabilidade do preço global,
configura erro grosseiro que atrai a responsabilidade do parecerista jurídico a quem
coube o exame da minuta do edital, que deveria saber, como esperado do parecerista
médio, quando os dispositivos editalícios estão aderentes aos normativos legais e à
jurisprudência sedimentada que regem a matéria submetida a seu parecer.
POSIÇÃO DO TCU: Acórdão 615/2020 Plenário
(Recurso de Reconsideração, Relator Ministra Ana Arraes)
Responsabilidade. Culpa. Parecerista. Advogado. Parecer jurídico.
AGU.
Os ocupantes de cargos da Advocacia Pública Federal, nos casos que
abarquem a esfera de competência do TCU, podem ser
responsabilizados pelo Tribunal, mesmo quando não tenham atuado
com dolo ou fraude.
POSIÇÃO DO TCU: Acórdão 10830/2020 Plenário
(Recurso de Reconsideração, Relator Ministro Vital do Rêgo)
Responsabilidade. Culpa. Parecerista. Parecer jurídico. Contrato
administrativo. Reajuste. Erro grosseiro.
A emissão de parecer jurídico sem abordar a inviabilidade de
conceder a empresa contratada pela Administração reajuste de preço
por desconformidade com o art. 40, inciso XI, da Lei 8.666/1993 c/c os
arts. 2º e 3º da Lei 10.192/2001 caracteriza erro grosseiro e acarreta a
aplicação de multa ao seu autor.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8666cons.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10192.htm
POSIÇÃO DO TCU: Acórdão 13375/2020 Plenário
(Pedido de Reexame, Relator Ministro Benjamin Zymler)
Responsabilidade. Culpa. Parecerista. Parecer jurídico. Fundamentação.
O parecer jurídico que não esteja fundamentado em razoável interpretação da lei,
contenha grave ofensa à ordem pública ou deixe de considerar jurisprudência
pacificada do TCU pode ensejar a responsabilização do seu autor, se o ato
concorrer para eventual irregularidade praticada pela autoridade que nele se
embasou.
POSIÇÃO DO TCU: Acórdão 7289/2022 Plenário
➢ Acórdão nº 7289/2022 da Primeira Câmara do TCU: responsabilizar o parecerista
jurídico que aprovou minuta de edital de licitação contendo exigências que na análise
do TCU restringiam indevidamente a competitividade do certame.
➢ jurisprudência do TCU é no sentido de que pareceres jurídicos emitidos com
fundamento no art. 38, parágrafo único, da Lei nº 8.666/1993, são obrigatórios e
vinculantes, já que, nesse caso, existindo discordância do gestor com os termos do
parecer ele deverá expor os motivos de seu dissenso.
Caso o gestor decida seguir a opinião manifestada no parecer jurídico estará
agregando ao seu ato a fundamentação contida no parecer, e, desse modo, caberia
responsabilização do parecerista jurídico caso reste configurado erro grave,
inescusável ou culpa em sentido amplo (dolo ou culpa stricto sensu) na prática do ato
considerado irregular (é o que ficou decidido no Acórdão nº 434/2016 do Plenário do
TCU). Também é o que entende o Supremo Tribunal Federal (MS nº 24.073/DF, MS nº
24.631/DF, MS nº 24.584/DF).
POSIÇÃO DO TCU: Acórdão 7289/2022 Plenário
➢ A conclusão no Acordão nº 7289/2022 da Primeira Câmara do TCU foi no sentido de
que agiu o parecerista jurídico com erro grave, inescusável;
➢ Reflexões em relação ao que foi deliberado:
• 1) faz-se necessário, em um primeiro momento, a separação entre as cláusulas
estritamente técnicas, as quais nessa situação específica o parecerista jurídico não tem
como opinar mesmo aprovando minuta de edital de licitação, das cláusulas que
incumbe análise de legalidade por parte do parecerista;
• 2) a Lei nº 13.327, de 29 de julho de 2016, no art. 37, § 2º, dispõe que “No exercício de
suas funções, os ocupantes dos cargos de que trata este Capítulo não serão
responsabilizados, exceto pelos respectivos órgãos correicionais ou disciplinares,
ressalvadas as hipóteses de dolo ou de fraude.”;
• 3) quem deve ser responsável pela aplicação de eventual sanção quando configurado
erro grave na emissão de parecer jurídico por procuradores estaduais ou municipais
não abrangidos pela lei anteriormente citada;
➢ O Supremo Tribunal Federal no MS 24.631/DF decidiu que “É lícito concluir que é
abusiva a responsabilização do parecerista à luz de uma alargada relação de
causalidade entre seu parecer e o ato administrativo do qual tenha resultado dano ao
erário. Salvo demonstração de culpa ou erro grosseiro, submetida às instâncias
administrativo-disciplinares ou jurisdicionais próprias, não cabe a responsabilização do
advogado público pelo conteúdo de seu parecer de natureza meramente opinativa. ”
• o julgado definiu claramente que havendo demonstração de culpa ou erro grosseiro em
pareceres de natureza meramente opinativa eventual sanção deve ser aplicada pelas
instâncias administrativo-disciplinares ou jurisdicionais próprias;
• a conclusão lógica que pode ser extraída do entendimento do STF é que pode haver
responsabilização do parecerista jurídico nos casos de erro grave, inescusável ou culpa
em sentido amplo (dolo e culpa em sentido estrito), mas, configurado o erro grave ou
culpa em sentido estrito em pareceres meramente opinativos a matéria deve ser
submetida às instâncias administrativo-disciplinares ou jurisdicionais próprias.
POSIÇÃO DO TCU: Acórdão 7289/2022 Plenário
POSIÇÃO DO TCU: Acórdão 7289/2022 Plenário
• TCU por meio do Acórdão nº 2860/2018– Plenário decidiu sobre a temática:
• “82. Dito isso, é preciso conceituar o que vem a ser erro grosseiro para o exercício do
poder sancionatório desta Corte de Contas. Segundo o art. 138 do Código Civil, o erro,
sem nenhum tipo de qualificação quanto à sua gravidade, é aquele "que poderia ser
percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio"
(grifos acrescidos) . Se ele for substancial, nos termos do art. 139, torna anulável o
negócio jurídico. Se não, pode ser convalidado.
• 83. Tomando como base esse parâmetro, o erro leve é o que somente seria percebido e,
portanto, evitado por pessoa de diligência extraordinária, isto é, com grau de atenção
acima do normal, consideradas as circunstâncias do negócio. O erro grosseiro, por sua
vez, é o que poderia ser percebido por pessoa com diligência abaixo do normal, ou seja,
que seria evitado por pessoa com nível de atenção aquém do ordinário, consideradas as
circunstâncias do negócio. Dito de outra forma, o erro grosseiro é o que decorreu de
uma grave inobservância de um dever de cuidado, isto é, que foi praticado com culpa
grave.”
POSIÇÃO DO STF
POSIÇÃO DO STF: MS 24073/DF
• CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. TRIBUNAL DE CONTAS. TOMADA DE CONTAS:
ADVOGADO. PROCURADOR: PARECER.
• Pretensão do Tribunal de Contas da União em responsabilizar o advogado solidariamente
com o administrador que decidiu pela contratação direta: impossibilidade, dado que o
parecer não é ato administrativo, sendo, quando muito, ato de administração consultiva, que
visa a informar, elucidar, sugerir providências administrativas a serem estabelecidas nos atos
de administração ativa.
• (MS 24073, Relator(a): CARLOS VELLOSO, Tribunal Pleno, julgado em 06/11/2002, DJ 31-10-
2003 PP-00029 EMENT VOL-02130-02 PP-00379)
POSIÇÃO DO STF: MS 24584/DF
ADVOGADO PÚBLICO - RESPONSABILIDADE - ARTIGO 38 DA LEI Nº 8.666/93 - TRIBUNAL
DE CONTAS DA UNIÃO - ESCLARECIMENTOS.
Prevendo o artigo 38 da Lei nº 8.666/93 que a manifestação da assessoria jurídica quanto a
editais de licitação, contratos, acordos, convênios e ajustes não se limita a simples opinião,
alcançando a aprovação, ou não, descabe a recusa à convocação do Tribunal de Contas da
União para serem prestados esclarecimentos.
(MS 24584, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/08/2007, DJe-112
DIVULG 19-06-2008 PUBLIC 20-06-2008 EMENT VOL-02324-02 PP-00362)
POSIÇÃO DO STF: MS 24631-6/DF
RESPONSABILIDADE DE PROCURADOR DE AUTARQUIA POR EMISSÃO DE PARECER TÉCNICO-JURÍDICO
DE NATUREZA OPINATIVA. SEGURANÇA DEFERIDA.
Quando a consulta é facultativa, a autoridade não se vincula ao parecer proferido, sendo que seu poder de
decisão não se altera pela manifestação do órgão consultivo; quando a consulta é obrigatória, a autoridade
administrativa se vincula a emitir o ato tal como submetido à consultoria, com parecer favorável ou
contrário, e se pretender praticar ato de forma diversa da apresentada à consultoria, deverá submetê-lo a
novo parecer; quando a lei estabelece a obrigação de decidir à luz de parecer vinculante, essa manifestação
de teor jurídica deixa de ser meramente opinativa e o administrador não poderá decidir senão nos termos
da conclusão do parecer ou, então, não decidir. É lícito concluir que é abusiva a responsabilização do
parecerista à luz de uma alargada relação de causalidade entre seu parecer e o ato administrativo do qual
tenha resultado dano ao erário. Salvo demonstração de culpa ou erro grosseiro, submetida às instâncias
administrativo-disciplinares ou jurisdicionais próprias, não cabe a responsabilização do advogado público
pelo conteúdo de seu parecer de natureza meramente opinativa.
(MS 24631, Relator(a): JOAQUIM BARBOSA, Tribunal Pleno, julgado em 09/08/2007, DJe-018 DIVULG 31-01-
2008 PUBLIC 01-02-2008 EMENT VOL-02305-02 PP-00276 RTJ VOL-00204-01 PP-00250)
POSIÇÃO DO STF 
POSIÇÃO DO STF: HC 171576 
HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL.
Advogado denunciado por emitir parecer em licitação fraudulenta. 4. Denúncia não aponta
participação do paciente para além da assinatura do parecer e do contrato. Impossibilidade
de responsabilização do advogado parecerista pela mera emissão de parecer. Assinatura do
contrato exigida por lei, para fins de regularidade formal. 5. No processo licitatório, o
advogado é mero fiscal de formalidades. 6. Ausência de descrição ou indicação de provas do
dolo. Vedação à responsabilização objetiva em Direito Penal. 7. Ordem concedida para
determinar o trancamento do processo penal.
(HC 171576, Relator(a): GILMAR MENDES, Segunda Turma, julgado em 17/09/2019,
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-194 DIVULG 04-08-2020 PUBLIC 05-08-2020)
POSIÇÃO DO STF: MS 31815 AgR
SUPERINTENDENTE JURÍDICO DE BANCO PÚBLICO. PARECER PELA CONTRATAÇÃO DIRETA DE
EMPRESA DE TECNOLOGIA COM INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO. NEXO CAUSAL. AUSÊNCIA.
MANIFESTAÇÃO EXARADA EM CONSONÂNCIA COM PARECER DE RENOMADO DOUTRINADOR E
ADMINISTRATIVISTA. AUSÊNCIA DE CULPA OU ERRO GROSSEIRO.
Não é possível atribuir ao parecerista responsabilidade decorrente do fato de que a direção do banco não
acatou as ressalvas por ele sugeridas. Tal imputação, além de alheia à esfera de atuação possível do
parecerista, contradiz a leitura ampla da controvérsia realizada pelo próprio órgão de controle, segundo a
qual o conluio da diretoria era prévio – e, portanto, desde sempre deveria indicar a rejeição de qualquer
objeção à obtenção do intuito perseguido, por mais precisa que fosse. 4. No julgamento do MS nº
35196/DF, de relatoria do Ministro Luiz Fux, DJe de 05.02.2020, algumas balizas foram estabelecidas para
filtrar excessos na imputação de responsabilidade aos pareceristas jurídicos, como a necessidade de
ponderação da culpa de modo proporcional ao real poder decisório, o reconhecimento da assimetria de
informações relacionadas a temas não jurídicos, a natural convivência de divergência de opiniões em
assuntos legais e a possibilidade de registro de condicionantes de cautela em tais manifestações. Tais
filtros, como visto, não foram respeitados no presente caso. Agravo regimental conhecido e não provido.
(MS 31815 AgR, Relator(a): ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em 08/03/2021, PROCESSO
ELETRÔNICO DJe-066 DIVULG 08-04-2021 PUBLIC 09-04-2021)
POSIÇÃO DO STF: MS 35196 AgR
RESPONSABILIDADE. PARECER TÉCNICO-JURÍDICO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI
8666/93. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO, ERRO GRAVE INESCUSÁVEL OU
CULPA EM SENTIDO AMPLO.
A responsabilidade do parecerista deve ser proporcional ao seu efetivo poder de decisão
na formação do ato administrativo, porquanto a assessoria jurídica da Administração, em
razão do caráter eminentemente técnico-jurídico da função, dispõe das minutas tão
somente no formato que lhes são demandadas pelo administrador. A diversidade de
interpretações possíveis diante de um mesmo quadro fundamenta a garantia
constitucional da inviolabilidade do advogado, que assegura ao parecerista a liberdade de
se manifestar com base em outras fontes e argumentos jurídicos, ainda que prevaleça no
âmbito do órgão de controle entendimento diverso.
(MS 35196 AgR, Relator(a): LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 12/11/2019, PROCESSO
ELETRÔNICO DJe-022 DIVULG 04-02-2020 PUBLIC 05-02-2020)
POSIÇÃO DO STF: MS 30892 
RESPONSABILIDADE DE COORDENADOR JURÍDICO DA CODESA POR ELABORAÇÃO DE
PARECER EM CONSULTA OBRIGATÓRIA. CARÁTER VINCULATIVO. HABILITAÇÃO TÉCNICA.
INEXISTÊNCIA DE ILEGALIDADE, ABUSO DE PODER OU TERATOLOGIA.
Deveras, ao menos com base nos documentos colacionados, inexiste flagrante ilegalidade,
abuso de poder ou teratologia por parte do Tribunal de Contas da União. Primeiro, o ato
tido como ator circunscreve-se à competência constitucional da Corte de Contas
(CRFB/88, art. 71, II). Segundo o Acórdão bem fundamentou suas conclusões, sobretudo
quanto à obrigatoriedade do parecer, visto que, segundo o TCU, enquadrado no escopo do
artigo 38 da Lei 8.666/1993. Levou em consideração todos os pontos levantados pelo ora
impetrante, ainda expondo dúvida bastante plausível quantoao cumprimento do seu
dever de cautela na elaboração desse.
(MS 30892, Relator(a): LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 08/06/2020, PROCESSO
ELETRÔNICO DJe-156 DIVULG 22-06-2020 PUBLIC 23-06-2020)
POSIÇÃO DO STF: MS 36385 
AGRAVO DE REGIMENTAL EM MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. LICITAÇÃO.
CONDENAÇÃO DE PARECERISTA JURÍDICO AO PAGAMENTO DE MULTA. DETERMINAÇÃO
DO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. ART. 133 DA CONSTITUIÇÃO. INVIOLABILIDADE DE
ATOS E MANIFESTAÇÕES NO EXERCÍCIO DA PROFISSÃO. AUSÊNCIA DE DOLO OU CULPA
DO ADVOGADO. ERRO GROSSEIRO OU INESCUSÁVEL NÃO DEMONSTRADO.
PRECEDENTES. DESNECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. AGRAVO REGIMENTAL AO
QUAL SE NEGA PROVIMENTO.
(MS 36385 AgR, Relator(a): CÁRMEN LÚCIA, Segunda Turma, julgado em 17/02/2021,
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-031 DIVULG 18-02-2021 PUBLIC 19-02-2021)
POSIÇÃO DO STF HC 158086
“... Atribuir responsabilidade integral ao parecerista pode acarretar dois reveses ao
funcionamento da Administração Pública. Em primeiro lugar, o parecerista estaria menos
propenso a trazer teses inovadoras, ainda que razoáveis, das quais poderia advir soluções
mais adequadas ao interesse público in concreto. Em vez de viabilizar políticas públicas, o
advogado público se tornaria um mero burocrata, atando-se a procedimentos mais
longos, difíceis e custosos. Esse engessamento não corresponde a um retorno em
moralidade pública, mas em ineficiência. Em segundo lugar, a responsabilização plena
dos advogados públicos por suas opiniões jurídicas ocasionaria a assunção, por estes, da
função de administradores...” (STF. HC 158086, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado
em 18/09/2018)
“Nada que seja realmente
importante e capaz de mudar a vida
das pessoas se constrói sozinho.”
@michellemarryadv
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