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UNESC CENTRO BIOMÉDICO CURSO DE ODONTOLOGIA DISCIPLINA DE ANATOMIA DA CABEÇA E DO PESCOÇO APOSTILA DE NERVO TRIGÊMEO Professor Dr. Bruno Machado de Carvalho APOSTILA DE NERVO TRIGÊMEO INTRODUÇÃO O nervo trigêmeo (fig. 1), ou quinto par craniano (V) é assim denominado por possuir 3 ramos calibrosos, distribuídos por áreas extensas na face, tanto superficiais quanto profundas (RIZZOLLO e MADEIRA, 2011). É o maior dos pares cranianos. Atribui-se a Claudio Galeno, médico grego que viveu, provavelmente, entre os anos 129 a 200 (APUZZO, 2000), a primeira descrição do nervo trigêmeo (STEINBERG, 2002). Ao identificar 10 dos 12 pares de nervos cranianos, Galeno erroneamente acreditava que o V par era formado por outros dois pares distintos, denominados por ele de terceiro e quarto pares (FLAMM, 1967; SHAW, 1992). De maneira acertada, Galeno notara que o nervo trigêmeo está envolto pelas camadas da dura-máter, porém, não fez nenhuma observação acerca do nervo alveolar inferior. Andrea Vesalius (1510-1564), tanto em suas ilustrações (Fig. 2) quanto em seu texto, não acrescentou nada de novo às descrições de Galeno, dividindo o V par da mesma maneira que seu antecessor (FLAMM, 1967). Figura 1 - Primeiras ilustrações do V par craniano e seus ramos No século XVII, Thomas Willis (1621-1675) descreveu o nervo trigêmeo e seus ramos sem, entretanto, acrescentar novas informações, como fez seus antecessores. Sua maior contribuição foi nomear as estruturas trigeminais de maneira mais acertada, como designar o nervo trigêmeo como o V par craniano, além de utilizar o termo nervo oftálmico para uma de suas divisões (FLAMM, 1967). Johann Friedrich Meckel (1781-1833), o ancião, foi precursor ao dedicar todo um estudo ao nervo trigêmeo, na publicação Dissertatio inauguralis medica anatomico physiologica de quinto pare nervorum cerebri, onde fornece importantes informações até então não esclarecidas acerca do V par. Pela primeira vez fez-se o uso correto dos termos oftálmico e maxilar para se referir, respectivamente, ao primeiro e segundo ramos do nervo trigêmeo; todavia, ao descrever o nervo mandibular utilizou a mesma nomenclatura de seus antecessores, ramo terceiro do quinto par (MECKEL, 1748). Não obstante, o pioneirismo na utilização do termo nervo trigêmeo para o V par craniano atribui-se a Jacques-Bénigne Winslow (1669-1760), que também denominou de nervo maxilar inferior toda a sua terceira divisão, terminologia utilizada por Meckel (1748) apenas para o nervo alveolar inferior (WINSLOW, 1754). O nervo trigêmeo recolhe toda a sensibilidade da face (superficial e profunda) e da parte mais anterior do couro cabeludo, assim como do pavilhão auricular, incluindo dentes, boca, cavidade nasal e seios paranasais, com exceção da pele dos ângulos da mandíbula, de cuja inervação é proveniente do nervo auricular magno (ramo do plexo cervical). O componente motor é responsável pela motricidade dos principais músculos da mastigação (RIZZOLLO e MADEIRA, 2011). Existe algum entrecruzamento de fibras nervosas na linha mediana da face pelo V nervo, mas menos do que é encontrado nos nervos que suprem o tronco. ORIGEM REAL E APARENTE DO NERVO TRIGÊMEO E SEUS TRAJETO INTRACRANIANO De acordo com os clássicos Testut (1922), Testut e Latarjet (1930) e Williams et al. (1995), o nervo trigêmeo tem sua origem aparente no tronco encefálico, na parte lateral da face anterior da ponte, medialmente ao pedúnculo cerebelar médio, em uma área denominada ângulo cerebelopontino (GARDNER, GRAY e O`RAHILLY, 1988). Essa origem se faz por duas raízes: uma posterolateral, volumosa e funcionalmente sensitiva e a outra delgada, de situação anteromedial (2 a 5mm medial e anterior) e funcionalmente motora, que também contém fibras sensitivas proprioceptivas da raiz central mesencefálica do nervo (GRAY, 1988). Figura 2 - Origem aparente do n. trigêmeo As duas raízes assumem direção anterior e ligeiramente lateral, para cruzarem a margem superior da parte petrosa do osso temporal, local onde se relacionam inferiormente com o seio petroso superior; nesse ponto, a raiz motora muda de direção e relaciona-se, agora, com a face inferior da raiz sensorial (fig. 3). N. trigêmeo Figura 3 - Percurso anterior do n. trigêmeo. Continuando em seu trajeto anterior, as duas raízes atravessam uma larga chanfradura, a incisura do nervo trigêmeo, que se transforma em um forame ovalado pelo tentório do cerebelo, por onde o V par penetra na cavidade trigeminal. Esse espaço, situado entre as duas camadas da dura-máter, além de pia-máter e aracnoide-máter, é denominado cavo trigeminal, que se prolonga e se dilata no sentido anteroinferior, para acomodar o gânglio trigeminal (de Gasser, ou semilunar), e seus três ramos. O gânglio trigeminal é a maior massa ganglionar de nosso corpo. É o único gânglio localizado no interior do crânio (RIZZOLO e MADEIRA, 2011) (fig. 4 e 5). A massa ganglionar é chata e semilunar na forma, medindo aproximadamente 1cm X 2cm, com os prolongamentos centrais dos neurônios deixando a concavidade e as fibras periféricas, a convexidade do crescente (GRAY, 1988). Figura 4 - Cavo e gânglio trigeminais. 105 Br ai n St em 4 8 10 75 6 14 15 1316 10 11 24 25 26 17 9 13 912 22 23 27 19 20 21 1 18 2 3 Base of the Skull A Base of the skull, viewed from above (preparation by Professor Platzer) Kahle, Color Atlas of Human Anatomy, Vol. 3 © 2003 Thieme All rights reserved. Usage subject to terms and conditions of license. Figura 5 - Cavo e gânglio trigeminais (NATSIS e PIAGKOU, 2015) Sua parede medial é delgada e se relaciona com a face lateral do seio cavernoso, sendo a parede superior espessa e reforçada por fibras provenientes do tentório do cerebelo. No interior do cavo trigeminal, encontra-se líquor, que ajuda na proteção do gânglio. O cavo trigeminal localiza-se na fossa média do crânio, alojado em uma depressão encontrada próxima ao ápice da porção petrosa do osso temporal, chamada impressão trigeminal (RIZZOLO e MADEIRA, 2011). Em sua parte anterior, a cavidade trigeminal apresenta três prolongamentos, que acompanham os três ramos do gânglio trigeminal até suas respectivas emergências cranianas, ou seja, a fissura orbital superior (V1 ou nervo oftálmico), o forame redondo (V2 ou nervo maxilar) e oval (V3 ou nervo mandibular). Sua relação medial, de anterior para posterior, se faz com a parede lateral do seio cavernoso e a face anterior da parte petrosa do osso temporal, próximo ao seu ápice; inferiormente, relaciona-se com uma fibrocartilagem, que oblitera o forame lacerado. Figura 6 - Três prolongamentos do nervo trigêmeo (DANDO et al., 2014). A raiz motora, estando medialmente à sensitiva, passa por baixo do gânglio, isto é, entre ele e a parte petrosa do osso temporal, e deixa o crânio através do forame oval com o nervo mandibular. O nervo petroso maior também passa entre o gânglio e a parte petrosa do osso temporal. O gânglio recebe filamentos do plexo simpático carótico e emite ramos delicados ao tentório do cerebelo e à dura-máter da fossa média do crânio (GRAY, 1988). A origem real das fibras sensitivas do nervo trigêmeo localiza-se no gânglio trigeminal. Tal gânglio é composto por neurônios pseudounipolares (neurônio que apresenta um corpo celular e um axônio inicial que se bifurca em um prolongamento que se direciona à parte central do sistema nervoso e um que se direciona para a periferia do corpo). A origem real das fibras motoras localiza-se em núcleos encontrados dentro do tronco encefálico (núcleo motor do trigêmeo). Do gânglio trigeminal, os prolongamentos centrais podem se dirigir para 3 núcleos diferentes, dentro do tronco encefálico (fig. 7): 1 – núcleo mesencefálico do trigêmeo (localizado no mesencéfalo): extremidade rostral alargada. 2 – núcleo sensitivo principal (localizado na ponte) 3 – núcleo do trato espinal do trigêmeo (localizado na partemais inferior da ponte e no bulbo): longa e delgada porção caudal, que se torna contínua com a substância gelatinosa da medula espinal. Figura 7 - Origens reais do nervo trigêmeo. Esses neurônios trazem da periferia estímulos exteroceptivos (temperatura, dor, pressão e tato) e proprioceptivos (dos músculos da mastigação, ligamentos, tendões e cápsula articular da ATM). O núcleo sensitivo principal está lateralmente ao núcleo motor do trigêmeo e ventralmente ao pedúnculo cerebral superior. Diretamente para o núcleo sensitivo principal chegam os estímulos relacionados com o tato epicrítico (tato mais sensível) e, para núcleo do trato espinal do trigêmeo, os estímulos relacionados com temperatura e dor. Os prolongamentos centrais dos neurônios localizados no gânglio trigeminal, que se bifurcam para núcleo sensitivo principal e para núcleo espinal do trigêmeo, estão relacionados com o tato protopático (tato mais grosseiro) e à pressão. Se, por acaso, tivermos uma nevralgia do nervo trigêmeo, caracterizada por uma dor persistente em todo o território de inervação do mesmo, poderemos fazer uma secção, na tentativa de saná-la, das fibras relacionadas à dor. Tais fibras chegam ao núcleo do trato espinal do trigêmeo e, em consequência dessa secção, o indivíduo perderia a sensibilidade para a temperatura, dor, parte da pressão e do tato protopático da face e do couro cabeludo (anteriormente). O corte do trato espinal do trigêmeo é chamado de tratotomia. No núcleo mesencefálico do trigêmeo, chegam os estímulos proprioceptivos. Vale ressaltar uma exceção, a origem real das vias proprioceptivas do trigêmeo não estão localizadas no gânglio trigeminal. Os prolongamentos periféricos passam pelo gânglio, contudo, seu núcleo está localizado no interior do núcleo mesencefálico do trigêmeo. O gânglio trigeminal, então, é composto de neurônios pseudounipolares da via exteroceptiva. Há uma somatotopia (distribuição somática de cada uma das áreas periféricas de que serão recolhidas a sensibilidade) dentro dos núcleos, sendo esta invertida, logo, se uma lesão ocorrer no nível inferior do núcleo, teremos uma perda de sensibilidade na parte superior da face (Fig. 8). Núcleo motor Núcleo mesencefálico Núcleo sensitivo principal Núcleo espinal PC Realce PC Realce PC Realce PC Realce PC Realce PC Realce PC Realce Figura 8 - Somatotopia dos núcleos trigeminais. Após passarem pelo núcleo sensitivo principal, os tractos cruzam para o lado oposto do cérebro e terminam no núcleo pósteriomedial do tálamo e daí são projetados para o córtex cerebral, no giro pós-central (área somestésica primária). Os segundos neurônios do núcleo espinal do trigêmeo cruzam para o lado oposto na substância reticular, juntam-se à margem medial do tracto espinotalâmico lateral e terminam no núcleo ventral pósteromedial do tálamo e daí são projetados para o córtex cerebral, no giro pós-central (área somestésica primária). Os axônios dos neurônios do núcleo mesencefálico emitem comunicações com o núcleo motor do trigêmeo, e passam entre o núcleo motor e sensitivo principal, para penetrar na raiz motora e dirigir-se ao ramo mandibular do trigêmeo. O núcleo motor está situado na porção rostral da ponte, próximo ao ângulo lateral do quarto ventrículo. O nervo trigêmeo, funcionalmente, é predominantemente Aferente Somático Geral - ASG (parte sensitiva) e Eferente Visceral Especial - EVE (parte motora). DISTRIBUIÇÃO PERIFÉRICA As partes do nervo trigêmeo caminham da periferia para o centro, por serem predominantemente sensitivas, mas, por razões didáticas, descreveremos do gânglio trigeminal da parte central até a periferia. PARTE OFTÁLMICA: O nervo oftálmico, ou primeira divisão do trigêmeo, deixa o gânglio trigeminal por sua porção superior e anterior. Essa porção atravessa a fissura orbital superior para chegar até a cavidade orbitária. É um feixe achatado, com cerca de 2,5cm de comprimento, e situado na parede lateral do seio cavernoso, inferiormente aos nervos oculomotor (III par craniano) e troclear (IV par craniano) (GRAY, 1988) (Fig. 9). PC Realce Figura 9 - relações anatômicas do V. É um nervo sensitivo que recolhe sensibilidade principalmente da órbita (bulbo do olho, conjuntiva, pálpebras e glândula lacrimal), parte da membrana mucosa e pele do nariz e seios paranasais, fronte e couro cabeludo. Figura 10 - Nervo oftálmico (Netter, 2011). O nervo oftálmico é alcançado por filamentos do plexo simpático cavernoso (GRAY, 1988). Emite um ramo recorrente à dura-máter (ramo meníngeo) e antes de atravessar a fissura orbital superior, a porção oftálmica se divide em 3 ramos: • NERVO LACRIMAL (ASG e EVG): É o menor dos 3 ramos do nervo oftálmico. Tem origem na fossa média do crânio, dirige-se anteriormente, em um canal separado da dura-máter, atravessa a porção mais estreita da fissura orbital superior, chegando à cavidade orbitária, até a glândula lacrimal e locais próximos, juntamente com a artéria lacrimal. Caminha lateral e superiormente (de acordo com a posição da glândula) por fora do cone dos retos, por cima da margem superior do músculo reto lateral, junto à periórbita. Chegando à glândula lacrimal, irá recolher sensibilidade da glândula lacrimal (tato, temperatura, dor e pressão), da pele e da conjuntiva da pálpebra superior. No seu trajeto por cima do músculo reto lateral, tem uma comunicação com um ramo da porção maxilar do trigêmeo (nervo zigomático), pela qual chegará fibras parassimpáticas pós-ganglionares, que são as fibras secretomotoras da glândula lacrimal. Essas fibras dirigem-se, a partir de suas células no gânglio pterigopalatino, através de ramos comunicantes com o gânglio pterigopalatino para o nervo maxilar, depois, dirigem- se ao longo dos nervos zigomático e zigomáticotemporal, percorrendo, finalmente, essa comunicação mencionada acima, através do nervo chamado ramo comunicante com o nervo zigomático, sendo distribuídas com os ramos do nervo lacrimal à glândula. Essas fibras pré-ganglionares chegam ao gânglio pterigopalatino vindas do nervo facial, através dos nervos petroso maior e nervo do canal pterigóideo (GRAY, 1988). O nervo lacrimal algumas vezes está ausente, e seu lugar é tomado pelo ramo zigomaticotemporal do maxilar. Algumas vezes, o último está ausente e uma comunicação do lacrimal é por ele substituída (GRAY, 1988). Toda inervação secretomotora de glândula é dada pelo SNA (parte parassimpática) que estimula a secreção. A lágrima deve ser constantemente produzida para a lubrificação da córnea. Caso contrário, torna-se opaca e perde o poder de difração de raios luminosos, prejudicando a visão. O simpático, nesse caso, atuará apenas em vasos, fazendo vasodilatação, pela liberação de uma carga de adrenalina. A – Uma lesão nesse ponto do nervo lacrimal provocará a perda da sensibilidade para a dor, tato, temperatura e pressão da glândula lacrimal e estruturas vizinhas. O nervo carreia fibras exteroceptivas (ASG) (Fig. 11). B – Uma lesão nesse ponto do nervo lacrimal, após a entrada do simpático e do parassimpático, provocará a perda da sensibilidade para os estímulos tanto exteroceptivos, quanto a motricidade da glândula e a parte simpática destinada aos vasos. O nervo carreia tanto fibras exteroceptivas como secretomotoras (ASG e EVG) (Fig. 11). Figura 11 - lesões em nervo lacrimal. • NERVO FRONTAL (ASG): É o maior ramo do nervo oftálmico, e pode ser considerado, pelo seu tamanho e direção, a continuação do nervo. Tem origem na fossa média do crânio, passa pela fissura orbital superior, por fora dos cones retos, por cima do m. elevador da pálpebra superior. Continua-se A B anteriormente, entre o músculo levantador da pálpebra superior e a periórbita, e, em um local variado dos seu trajeto, bifurca-se em 2 nervos: - nervo supra orbital (ASG) (lateral): É uma continuação do nervo frontal. Emerge da cavidade orbitária através da incisura ou foramesupra-orbital (lateral à tróclea), deixando alguns ramos que vão para a pálpebra superior (pele e conjuntiva) e continua-se na testa (fronte), seio frontal e couro cabeludo, recolhendo a sensibilidade dessas áreas (GRAY, 1988). - nervo supra troclear (ASG) (medial): Volta-se em direção medial para passar superiormente à polia do músculo oblíquo superior (tróclea) e emite um filamento que se entrecruza com o ramo infratrocelar do nervo nasociliar. Recolhe sensibilidade da pele e conjuntiva da porção medial da pálpebra superior e pele da fronte (alguns autores incluem a região do couro cabeludo) (GRAY, 1988). • NERVO NASOCILIAR (ASG e EVG): É um nervo intermediário, em tamanho entre os nervos frontal e lacrimal, e está mais profundamente situado na órbita. Relaciona-se com a cavidade nasal e com o gânglio ciliar. Sai da fossa média do crânio, passa pela fissura orbital superior, entra na cavidade orbitária entre os dois feixes do músculo reto lateral e entre as divisões superior e inferior do nervo oculomotor, entrando no cones retos, lateralmente. Cruza de lateral para medial o nervo óptico e consequentemente a artéria oftálmica, chega à parede medial da cavidade orbitária, dando uma série de ramos: - ramos comunicante com o gânglio ciliar (ASG): Geralmente, originam-se do nervo nasociliar entre os dois feixes do músculo reto lateral, corre anteriormente, na margem lateral do nervo óptico e penetra no ângulo póstero-superior do gânglio ciliar. Contém fibras sensitivas (aferentes; não fazem sinapse no gânglio, possuindo somente relação anatômica com o mesmo e não funcional) do nasociliar (GRAY, 1988). Com essa relação anatômica com o gânglio ciliar, é possível que fibras parassimpáticas pós-ganglionares (provenientes do III) peguem carona com os nervos ciliares curtos, indo em direção à parte posterior do bulbo do olho. Recolhem sensibilidade do bulbo ocular. - ramos ciliares longos (ASG e EVG): Em número de 2 ou 3, são emitidos pelo nervo nasociliar logo quando ele cruza o nervo óptico. Acompanham os nervos ciliares curtos do gânglio ciliar, perfuram a porção posterior da esclera e, correndo anteriormente, entre ela e a corióide, são distribuídos à íris e à córnea (GRAY, 1988). Recolhem a sensibilidade da córnea e da úvea (porções do bulbo do olho). Fibras simpáticas, provenientes do gânglio cervical superior, unem-se (pegam carona) às fibras desses ramos ciliares longos para irem à pupila, agindo sobre o músculo dilatador da pupila, que passa através da comunicarão entre o plexo cavernoso e o nervo oftálmico. → essas fibras simpáticas (fazem midríase) chegam aos nervos ciliares longos, mesmo sabendo que o seu gânglio mais superior encontra-se no pescoço (gânglio cervical superior), através da artéria carótida interna. → as fibras parassimpáticas (fazem miose) encontram-se no glânglio ciliar, próximas à estrutura a ser inervada (músculo esfíncter da pupila) - ramo ou nervo etmoidal posterior (inconstante; depende da presença do forame) (ASG e EVG): Localiza-se na parede medial da cavidade orbitária, passa forame etmoidal posterior, penetra na cavidade craniana (fossa anterior do crânio), superiormente à lâmina crivosa do osso etmóide. Corre ao longo de um sulco raso na margem lateral da lâmina, e, penetrando no osso através de uma fenda entra na cavidade nasal. Recolhe a sensibilidade do seio etmoidal e do seio esfenoidal. O nervo nasociliar continua o seu trajeto para a frente - ramo infratroclear (ASG): Localiza-se na parede medial da cavidade orbitária. É emitido do nervo nasociliar logo antes dele emitir o nervo etmoidal anterior. Corre anteriormente, ao longo da margem superior do músculo reto medial. Passa por debaixo da tróclea, fazendo comunicação com o nervo supratrocear. Recolhe sensibilidade de pálpebras (pele + conjuntiva), saco lacrimal e pele da parte externa do nariz. - ramo ou nervo etmoidal anterior (ASG e EVG): É o ramo terminal do nervo nasociliar. Penetra pelo forame etmoidal anterior; penetra na cavidade craniana (fossa anterior do crânio), superiormente à lâmina crivosa do osso etmóide. Corre ao longo de um sulco raso na margem lateral da lâmina, e, penetrando no osso através de uma fenda ao lado da crista etmoidal, entrando na cavidade nasal, caminha inferiormente e dá ramos nasais: . ramo nasal interno (ASG e EVG): Recolhe sensibilidade da mucosa da parte superior e parede lateral da cavidade nasal, parte anterior do septo nasal. . ramo nasal externo (ASG): Emerge entre o osso nasal e a cartilagem nasal. Passa profundamente ao músculo nasal. Recolhe sensibilidade da pele da raiz e dorso do nariz e da mucosa de parte do nariz externo. → caminho percorrido pelo nasociliar: Fossa média → cavidade orbitária → fossa anterior do crânio cavidade nasal ↵ meio externo ↵ PARTE MAXILAR: O nervo maxilar, ou segundo ramo do nervo trigêmeo (V2) origina-se do meio do gânglio trigeminal e, consequentemente, a fossa média do crânio, é intermediário às outras duas divisões em tamanho e posição, sendo inteiramente sensitivo. Segue, horizontalmente, em direção anterior (de início na porção inferior da parede lateral do seio cavernoso e depois abaixo da dura-máter), passa pelo forame redondo, deixando a cavidade craniana e entrando na fossa pterigopalatina. Da fossa, penetra na órbita através da fissura orbital inferior, entra no sulco e depois pelo canal infra-orbitais, emergindo na face pelo forame infra-orbital, onde situa-se profundamente ao músculo levantador do lábio superior, dividindo-se em seus ramos terminais. O quinto nervo craniano, conhecido como nervo trigêmeo (V), é o maior dos doze nervos cranianos e transporta fibras sensoriais e motoras. [1] Possui três ramos terminais, que em ordem decrescente são o nervo oftálmico (V1), nervo maxilar (V2) e nervo mandibular (V3). As divisões oftálmica e maxilar transportam apenas fibras sensoriais, enquanto a divisão mandibular carrega fibras sensoriais e motoras. A divisão intermediária, nervo maxilar (V2), fornece principalmente inervação sensorial ao terço médio da face. Ele também carrega fibras pós-ganglionares do gânglio pterigopalatino que suprem a glândula lacrimal e as mucosas da mucosa nasal. No início da vida fetal, fornece principalmente as estruturas derivadas do processo maxilar, mas depois se estende ao processo frontonasal adjacente. O nervo maxilar se comunica com o nervo facial para transmitir as sensações proprioceptivas. A entrada sensorial dos mecanorreceptores na pele facial, mucosa oral e membranas periodontais substitui em grande parte a propriocepção intramuscular que é comum nos músculos esqueléticos. O nervo maxilar contém cerca de 50.000 fibras mielinizadas que são os processos periféricos das células pseudo-unipolares do gânglio trigêmeo na caverna trigeminal perto do ápice da parte petrosa do osso temporal. Os processos centrais das células do gânglio contribuem para a raiz sensorial do nervo trigêmeo. Algumas fibras proprioceptivas do nervo passam através do gânglio sem interrupção para atingir o núcleo mesencefálico trigeminal. Estudos eletrofisiológicos indicam que a maioria dos axônios proprioceptivos possui seus corpos celulares no gânglio trigêmeo. No dente, essas fibras atravessam o odontoblasto e terminam nos túbulos dentinários, sensíveis à estimulação mecânica e, portanto, respondem a estímulos causados pelo movimento de líquido dentro dos túbulos dentinários que levam a dor aguda associada à ativação das fibras A-delta. Não há sensação de calor ou frio, apenas a dor pode ser provocada por qualquer estímulo aplicado ao dentes (excluindo os receptores periodontais). Por exemplo, temperaturas inferiores a 27 ° C ou superiores a 45 ° C causam dor, sugerindo um forte papel das fibras A-delta na transmissão da dor induzida pela estimulação a frio. As fibras sensoriais formam um plexo subjacente à camada odontoblástica a partir da qual as fibrasentram nos túbulos dentinários. De acordo com a teoria da estimulação neural direta, os nervos da polpa se estendem até a junção dentino-esmalte, que é conhecida pelo clínico como muito sensível. No entanto, mais estudos fizeram Contudo, alguns estudos não indicaram a presença de fibras nervosas na dentina, exceto na parte mais interna. A teoria dos receptores odontoblastos propõe que os processos odontoblásticos nos túbulos dentinários transmitem estímulos às terminações nervosas da polpa. Existe um contato próximo entre os odontoblastos e as fibras nervosas, mas a hipersensibilidade dentinária não pode ser explicada por essa teoria quando a camada celular odontoblástica é Mecanismo do transdutor. da transmissão da dor propõe que os estímulos inicialmente excitem o odontoblast que transmite essa excitação para o nervo terminando em justaposição com eles. Assim, a transdução de um estímulo ocorre do processo odontoblastico para terminações nervosas em túbulo ou na borda predentina. As fibras A-delta e A-beta formam grandes terminações em justaposição com odontoblastos e essas fibras podem detectar e responder à flutuação atual nos odontoblastos. No entanto, estudos microscópicos eletrônicos não demonstraram complexos sinápticos entre odontoblastos e nervos. Estímulos externos podem causar o movimento do líquido dentinário intratubular influenciando os mecanorreceptores, levando à percepção da dor. Isso é conhecido como a teoria hidrodinâmica da percepção da dor dentinária, que explica a sensibilidade à dentina exposta. A maneira mais eficiente de tratar a dentina sensível é impedir que os estímulos atinjam as terminações nervosas da polpa.7,14 As fibras C são desmielinizadas, de condução mais lenta e associadas a sensações maçantes, doloridas ou ardentes. A maioria das fibras C é polimodal; responder a estímulos mecânicos, térmicos e químicos. No tecido pulpar, as fibras C são mais centralmente localizadas e sensibilizadas pela inflamação. Estrutura e função O nervo maxilar surge da convexidade anterior do gânglio trigêmeo entre as divisões oftálmica e mandibular do nervo trigêmeo. É um ramo de tamanho médio comparado ao menor nervo oftálmico e ao maior nervo mandibular. Ele segue adiante incorporado na parede lateral do seio cavernoso, juntamente com o nervo oculomotor, nervo troclear e divisão oftálmica do nervo trigêmeo. Corre inferior e lateralmente ao nervo oftálmico. Em seguida, deixa a fossa craniana média através do forame rotundo e entra na parte superior da fossa pterigopalatina. A fossa pterigopalatina é um espaço bilateral em forma de cone posterior à maxila, onde o nervo maxilar se comunica com o gânglio parassimpático do pterigopalatina e liberta a maioria de seus ramos. [2] O nervo então sai da fossa e entra no assoalho da órbita através da fissura orbital inferior como nervo infra- orbital. O nervo infraorbital representa o ramo terminal do nervo maxilar. O nervo infraorbital avança, primeiro através do sulco infraorbital e depois através do canal infraorbital no assoalho da órbita. Finalmente, emerge na face através do forame infraorbital, localizado próximo à margem inferior da órbita. Como afirmado anteriormente, o nervo maxilar é exclusivamente sensorial e carrega dor, temperatura e informações táteis da região abaixo das órbitas e acima da boca. Isso inclui pálpebra inferior, pele que cobre a lateral do nariz, bochecha, seio maxilar, nasofaringe, cavidade nasal, palato, dentes superiores, lábio superior e dura-máter da fossa craniana média. As informações sensoriais dessas áreas se movem ao longo de axônios cujos corpos celulares estão localizados no gânglio trigêmeo, localizado dentro da caverna de Meckel. Os processos centrais dessas fibras nervosas formam o grande sensoriamento raiz nervosa do nervo trigêmeo, que entra no tronco cerebral no nível da ponte. A informação sensorial viaja na raiz do nervo sensorial e é retransmitida através do principal núcleo trigêmeo e núcleo do tálamo antes de ser processada no córtex cerebral. Os ramos do nervo maxilar subdividem-se em quatro grupos, de acordo com sua localização de origem, como segue: 1) Crânio: Enquanto percorre a fossa craniana média, o nervo maxilar dá origem a seu menor ramo, o nervo meníngeo médio próximo ao forame redondo. Esse ramo fornece a dura- máter da fossa craniana média. 2) Fossa pterigopalatina: A fossa pterigopalatina mantém o gânglio pterigopalatino, que é o maior dos quatro gânglios parassimpáticos. Suspende próximo ao forame esfenopalatino, anterior ao canal pterigóide e medial e inferior ao nervo maxilar. Recebe nervo vidiano superomedialmente e ramos ganglionares do nervo maxilar superolateralmente. O nervo vidiano é formado pela junção do nervo petroso maior e do nervo petroso profundo dentro do canal pterigóideo. [2] O nervo petroso maior traz fibras parassimpáticas do nervo facial ao nível do gânglio geniculado, e o nervo petroso profundo traz fibras simpáticas do plexo carotídeo. Portanto, o gânglio pterigopalatino contém fibras parassimpáticas e simpáticas pós-ganglionares, juntamente com fibras sensoriais gerais do nervo maxilar. Esses três tipos de fibras deixam o gânglio como ramos orbital, palatino, nasal e faríngeo. Ramos Orbitais: Esses pequenos ramos viajam através da fissura orbital inferior e contribuem para a inervação da parede orbital, seio esfenoidal e seio etmoidal. Nervos palatinos: Os nervos palatinos maiores e menores originam-se da superfície inferior do gânglio pterigopalatino e passam pelo canal palatino. O nervo palatino maior emerge na superfície oral do palato através do forame palatino maior e viaja para a frente dentro de um sulco na superfície inferior do palato duro. Foram relatadas variações da localização do forame palatino maior. A primeira descrição da localização do forame palatino maior foi relatada por Matsuda. Em particular, era oposta ao segundo ou terceiro molar superior ou em qualquer lugar entre o segundo e o terceiro maxilar molar. Um estudo recente confirmou a presença do forame oposto ao terceiro molar superior (54,87%) distal ao terceiro molar superior (38,94%) e entre o segundo e o terceiro molar superior (6,19%). Variações também foram descritas para suprimento nervoso; de fato, o nervo palatino maior às vezes pode fornecer ramos adicionais para os dentes superiores molares e pré-molares. Essa variação deve ser considerada para um bloqueio completo e adequado do nervo alveolar superior. Inerva a mucosa e as glândulas do palato duro, juntamente com a gengiva adjacente. Ele também se comunica com os filamentos terminais do nervo nasopalatino. O nervo palatino menor emerge na superfície oral através do forame palatino menor e viaja posteriormente para suprir o palato mole, as amígdalas e a úvula. Nervos nasais: Esses ramos viajam medialmente a partir do gânglio pterigopalatino e entram na cavidade nasal através do forame esfenopalatino. Eles incluem nervos nasais superiores posteriores mediais e laterais e nervo nasopalatino. Os ramos nasais superiores posteriores laterais correm anteriormente para suprir a mucosa da parede lateral da cavidade nasal. Enquanto os ramos nasais superiores posteriores mediais passam através do teto nasal para suprir a parede medial. O nervo nasopalatino, que é o mais longo entre os ramos nasais, passa pelo teto nasal e viaja anteriormente pelo septo nasal. Ele emerge no teto da cavidade oral através do canal incisivo e inerva a mucosa, gengiva e glândulas adjacentes aos dentes incisivos. [6] Ele também se comunica com o nervo palatino maior. Nervo faríngeo: Surge do aspecto posterior do gânglio pterigopalatino, atravessa o canal palatovaginal e inerva a mucosa e as glândulas da nasofaringe. Ramos Ganglionares: Os ramos ganglionares são dois em número e se originam diretamente da superfície inferior do nervo maxilar. Eles conectam o nervo maxilar ao gânglio pterigopalatino e transportamfibras nervosas parassimpáticas pós-ganglionares, que mais tarde se unem ao nervo zigomático-temporal e inervam a glândula lacrimal através de um ramo comunicante. Nervo alveolar superior posterior: O nervo alveolar superior posterior surge diretamente do nervo maxilar e sai lateralmente da fossa pterigopalatina através da fissura pterigomaxilar para entrar na fossa infratemporal. Em seguida, viaja lateralmente e inferiormente para perfurar a superfície infratemporal da maxila. Após entrar no seio maxilar, ele corre sob a mucosa e fornece membrana mucosa. Em seguida, divide-se em ramos e contribui para o plexo dental superior. Também fornece suprimento vascular para os dentes molares superiores e gengivas bucais adjacentes. McDaniel descobriu que o nervo alveolar superior posterior tinha um ramo em 21%, dois ramos em 30% e três ramos em 25% das amostras. Onde vários ramos estavam presentes, eles entraram no forame mais alto e supriram os dentes anteriores. Além disso, ocasionalmente, o bloqueio do nervo alveolar superior posterior pode não causar anestesia molar superior devido à presença de ramos do nervo palatino que podem inervar os dentes molares e pré-molares.33 Nesse caso, o bloqueio do nervo palatino maior pode estar associado a bloqueio do nervo alveolar superior posterior para aumentar os efeitos anestésicos. Uma alternativa ao bloqueio do nervo palatino maior poderia ser a injeção de anestésico plexo no aspecto palatino. Ramo Zigomático: Ramo zigomático, após se originar diretamente do nervo maxilar sai da fossa pterigopalatina através da fissura orbital inferior. Viaja na parede lateral da órbita e se divide em ramos zigomático-temporal e zigomático-facial. Ambos os ramos viajam ao longo do ângulo inferolateral da órbita. O ramo zigomático-temporal atravessa um canal ósseo dentro do osso zigomático e entra na fossa temporal através de um forame. Fornece a pele da área temporal. Também liberta um ramo comunicante ao nervo lacrimal da divisão oftálmica e transmite fibras secretomotoras à glândula lacrimal. O nervo zigomático-facial também atravessa um canal ósseo e emerge na face através de múltiplos forames no osso zigomático. Inerva a pele na proeminência da bochecha. 3) O piso da órbita: Após sair da fossa pterigopalatina através da fissura orbital inferior, o nervo maxilar entra na órbita como nervo infraorbital, que é seu ramo terminal. No assoalho da órbita, o nervo infraorbital emite dois ramos seguintes: Nervo alveolar superior médio: O nervo alveolar superior médio surge no sulco infraorbital e desce na parede lateral do seio maxilar e fornece a membrana mucosa. Dá pequenos ramos ao plexo dental superior, que fornece os dentes pré-molares superiores. McDaniel relatou que o nervo alveolar superior médio seguiu a descrição clássica em apenas 30% dos casos examinados, enquanto a maioria do ramo médio entrou na formação de um plexo nervoso que supria os dentes. Quando o ramo médio estava ausente, a inervação dos dentes pré-molares pode ser realizada por ramos secundários do nervo alveolar superior anterior, pelo nervo alveolar superior posterior ou por um plexo nervoso entre esses dois nervos. Mesmo que essa situação não seja facilmente detectável, essa variação deve ser considerada durante os procedimentos anestésicos. Nervo alveolar superior anterior: O nervo alveolar superior anterior se ramifica fora do nervo infra-orbital imediatamente antes de sair pelo forame infra-orbital. Viaja na parede anterior do seio maxilar e fornece a membrana mucosa. Emite ramos para o plexo dental superior, que fornece o incisivo superior e os dentes caninos. Também dá origem a um ramo nasal, que viaja através de um canal na parede lateral do meato inferior para fornecer inervação à membrana mucosa da parede lateral e no assoalho da cavidade nasal. 4) No rosto: O nervo infraorbital, depois de emergir do forame infraorbital, divide-se em três ramos terminais principais, que são os seguintes: Ramos palpebrais inferiores: Eles são geralmente de dois a três em número e ascendem para suprir a pele e a conjuntiva da pálpebra inferior. Perto do canto lateral do olho, esses nervos se comunicam com os nervos zigomático-facial e facial. Ramos nasais: O ramo nasal externo fornece a pele da superfície lateral do nariz, e o ramo interno fornece o septo nasal e o vestíbulo do nariz. Os ramos nasais se comunicam com os ramos externos do nervo etmoidal anterior, que é uma continuação do nervo nasociliar, um ramo da divisão oftálmica. Ramos labiais superiores: Estes são numerosos e suprem a pele da parte anterior da bochecha, lábio superior, mucosa oral e glândulas labiais. Eles formam o plexo infraorbital junto com o ramo zigomático do nervo facial. Antes do forame redondo, deixa o 1º ramo na fossa média: • RAMO OU NERVO MENÍNGICO (ASG): É emitido a partir do nervo maxilar imediatamente após sua origem do gânglio trigeminal, acompanha a artéria meníngea média. Recolhe a sensibilidade das meninges. FOSSA PTERIGOPALATINA: O conteúdo vasculonervoso encontrado na fossa pterigopalatina é de grande importância aos profissionais da área de saúde, pois se distribui às regiões maxilares, bucal, nasa, faringeia e encefálica. Para qualquer procedimento em traumatologia bucomaxilofacial, neurectomias, contenção das epistaxis e técnicas anestésicas do nervo maxilar, no interior daquela fossa, o profissional deve ter profundo conhecimento da sua anatomia. A região tuberal, na proximidade com a fissura pterigomaxilar, correspondente aos limites anteriores da fossa pteropalatina, é uma importante referência anatômica para localizar a artéria maxilar durante a hemostase cirúrgica da epistaxe e evitar lesões no nervo maxilar e seus ramos durante procedimentos anestésicos regionais A fossa pterigopalatina (PPF) é uma depressão em forma de cone profundamente na fossa infratemporal e posterior à maxila em ambos os lados do crânio. A fossa está localizada entre o processo pterigóide e a tuberosidade maxilar, próximo ao ápice orbital. Esse espaço se comunica com as cavidades nasal e oral, a fossa infratemporal, a órbita, a faringe e a fossa craniana média através de oito forames. A compreensão tridimensional desse espaço é crucial para o rinologista e o cirurgião da base do crânio, tanto para o controle da epistaxe quanto para a remoção de lesões na base do crânio. A abordagem do espaço pterigopalatino é usada para tratar lesões nos espaços posteriores ao seio maxilar, incluindo o espaço pterigopalatino e o recesso esfenoidal lateral. Os processos patológicos nesse espaço são raros, sendo os processos mais comuns da doença o angiofibroma nasofaríngeo juvenil, tumores neurogênicos, uma extensão perineural da malignidade sinonasal e meningoencefaloceles. Estrutura e função Embora não cumpra uma função específica, esse espaço permite o trânsito de várias estruturas importantes através de diferentes forames. O forame redondo conecta o PPF à fossa craniana média. O canal pterigóide, também conhecido como canal vidiano, também conecta o PPF à fossa craniana média. O canal palatovaginal conecta o PPF à cavidade nasal e nasofaringe. Anteriormente, a fissura orbital inferior conecta o PPF à órbita. Medialmente, o forame esfenopalatino fornece acesso à cavidade nasal. Lateralmente, a fissura pterigomaxilar conecta o PPF à fossa infratemporal. Finalmente, inferiormente, o canal palatino maior conecta o PPF à cavidade oral. A fossa pterigopalatina também contém múltiplas estruturas importantes. Esta fossa contém o gânglio pterigopalatino. As raízes nervosas do nervo maxilar suspendem esse gânglio. O PPF contém o terço terminal da artéria maxilar. Além disso, o nervo maxilar (CN V2) e o nervo vidiano, ou o nervo do canal pterigóideo, que é uma combinação do nervo petroso maior e do nervo petroso profundo, também atravessam o PPF, em uma matriz gordurosa. O PPF é delimitado pelos ossos maxilar, palatinoe esfenoidal. A parede posterior do seio maxilar compreende a borda anterior, e o osso palatino forma seu assoalho e parede anteromedial. O teto é constituído pelo osso esfenoidal. Mais especificamente, o corpo esfenoidal e o processo orbital do osso palatino compõem o limite superior. A parede posterior do antro maxilar compõe o limite anterior. O processo pterigóideo e a asa maior do esfenóide compõem o limite posterior. O limite medial é constituído pelo osso palatino e pelo mucoperiosteum nasal. Finalmente, o músculo temporal através da fissura pterigomaxilar compõe o limite lateral do PPF. As estruturas vasculares e nervosas estão localizadas no ântero-inferior e no póstero-superior, respectivamente, na fossa pterigopalatina. A artéria esfenopalatina, que é um ramo da artéria maxilar interna, é encontrada entre os ossos esfenóide e palatino e entra na cavidade nasal no forame esfenopalatino. A divisão maxilar do nervo trigêmeo e do nervo vidiano entra pela parede posterior do PPF. A divisão maxilar do nervo trigêmeo se move através do forame rotundo. O nervo vidiano atravessa o canal pterigóideo. Eles se reúnem para formar o gânglio pterigopalatino e depois se ramificam no nervo infraorbital e nos nervos palatinos maiores e menores. O nervo infraorbital sai pela fissura orbital inferior e os nervos palatinos maior e menor passam pelos forames palatinos maior e menor, respectivamente. Posteriormente ao PPF, pode ocorrer pneumatização da porção lateral do osso esfenoidal, formando um recesso esfenoidal lateral. Esse achado é observado em 25% a 48% dos indivíduos. O teto do recesso esfenoidal lateral pode estar diretamente abaixo do lobo temporal, e esse é um local comum para as encefaloceles da fossa craniana média. O PPF é uma encruzilhada natural entre diferentes estruturas anatômicas ligadas aos espaços intracraniano, facial, oral e cervical. Portanto, é de importância clínica em campos diferentes: por exemplo, pode ser invadida por tumores ou infecções de todos os espaços comunicantes devido a limites ósseos incompletos [2–4]. Além disso, a ligação da artéria esfenopalatina, ramo terminal da artéria maxilar interna, é crucial no caso de epistaxe posterior ou hemostase nas intervenções cirúrgicas da base craniana [1]. O PPF também é o principal alvo de vários procedimentos neurocirúrgicos, incluindo Tratamento de dor de cabeça em cluster por Gamma Knife [5] e de procedimentos anestesiológicos, como bloqueio do nervo maxilar [3, 6–8], onde o conhecimento preciso das características anatômicas do PPF é obrigatório. Na fossa pterigopalatina, após o forame redondo, deixa ramos que vão comunicar o nervo maxilar com o gânglio pterigopalatino (gânglio do parassimpático que se encontra abaixo da porção maxilar, na fossa pterigopalatina): • RAMOS COMUNICANTES COM O GÂNGLIO PTERIGOPALATINO (ASG e EVG) (fig. 12): Fig 12. NETTER São dois troncos curtos que se unem ao nível do gânglio pterigopalatino e depois são distribuídos em uma série de ramos. São também importantes comunicações funcionais entre o gânglio e o nervo maxilar. Fibras secretomotoras pós-ganglionares desse gânglio passam através deles e voltam, ao longo do nervo maxilar, ao nervo zigomático, através do qual as fibras são encaminhadas ao nervo lacrimal e glândula lacrimal. Outras fibras do gânglio acompanham os ramos de distribuição do nervo maxilar às glândulas da cavidade nasal e palato. Antes de passar pela fissura orbital inferior deixa 2 ramos: • NERVO ZIGOMÁTICO (ASG e EVG): Tem origem na fossa pterigopalatina, penetra na órbita pela fissura orbital inferior, dirige-se anteriormente, no canto inferior e lateral da cavidade orbitária, até chegar ao forame zigomático orbital. Dentro do osso zigomático, esse nervo se bifurca: - nervo zigomático facial (ASG): Emerge pelo forame zigomáticofacial e, perfurando o músculo orbicular do olho, emerge na face. Recolhe sensibilidade da pele da região acima do zigomático (maçã do rosto). - nervo zigomático temporal (ASG): Emerge pelo forame zigomático temporal e penetra na fossa temporal. Por ser sensitivo, para chegar à pele da têmpora, perfura o músculo e fáscia temporais. Recolhe sensibilidade de parte dessa pele. As fibras pós-ganglionares (g. pterigopalatino), para chegarem à glândula lacrimal, pegam carona com o nervo maxilar e se continuam com o nervo zigomático, de onde passarão para o nervo lacrimal através do ramo comunicante. Anatomicamente, essas fibras não fazem parte do trigêmeo, apenas usam-no como carona para chegarem ao local a ser inervado. Funcionamente, estão ligadas ao VII. Lesões no osso zigomático, geralmente atingem os nervos infraorbital e zigomático, bem como seus ramos, logo, além de diplopia e dor na abertura de boca, leva também a uma parestesia nas áreas inebriadas pelo nervo zigomático e comprometer a produção da lágrima. A perda de sensibilidade na região de inervação do nervo infraorbitário deve-se ao rompimento, à compressão ou à laceração do mesmo dentro ou fora do canal infraorbital. Este canal emerge abaixo do bordo infraorbitário e frequentemente é envolvido em fraturas zigomáticas7. Fatores a serem avaliados, quando pesquisadas alterações de sensibilidade, são a presença de fraturas associadas e a idade dos pacientes. Quando ocorrem múltiplas fraturas na face, a regeneração nervosa é mais tardia2. Pacientes mais velhos (acima da quinta década de vida apresentam um tempo maior de parestesia pós-traumática que pacientes mais jovens1. • NERVO ALVEOLAR SUPERIOR POSTERIOR (ASG e EVG): Último ramo deixado pelo nervo maxilar na fossa pterigopalatina. Dentre as descrições clássicas QUAIN (1909), observa que o nervo alveolar superior nasce do tronco maxilar depois que este penetra na ranhura infraorbitária, mas antes desta transformar-se em canal; imediatamente se divide em dois ramos, freqüentemente de origens separadas, distribuindo-se à gengiva, parte adjacente da mucosa da bochecha, canais dentários posteriores e mucosa do seio maxilar. Os dois ou três ramos do nervo alveolar superior posterior deixam o nervo maxilar antes de penetrar no canal infraorbital. Em seguida, descem na tuberosidade maxilar, em estreita relação com a artéria maxilar, entrando finalmente nos forames alveolares posteriores e atingindo as raízes dos molaressuperiores, onde se comunicam em um complexo irregular, originando quatro ramos terminais: ramos dentários, que suprem as raízes molares e pré-molares ; ramos alveolares, ao periósteo alveolar e mucosa gengival; ramos mucosos, suprindo a mucosa do seio maxilar; e ramos ósseos, que suprem a maxila. Em sua trajetória, esses nervos deixam alguns ramos livres que suprem a mucosa e a gengiva bucais, descendo até a tuberculose maxilar Deixa o nervo maxilar antes de passar pela fissura orbital inferior, desce pelo túber da maxila e penetra nos forames alveolares superiores (em número de 1 a 3). Recolhe sensibilidade de: 3MS, 2MS, raízes disto-vestibular e palatina do 1MS, o osso alveolar que envolve esses dentes e essas raízes, gengiva vestibular desses dentes e da raiz disto-vestibular, a parede posterior e parte da parede lateral (osso + mucosa) do seio maxilar. Fig13. GERMAN et al., 2015 O nervo maxilar, ao passar pela fissura orbital inferior, começa a ser chamado de: • NERVO INFRAORBITAL: É a continuação anatômica do nervo maxilar, que recebe esse novo nome ao cruzar a fissura orbital inferior, para atingir a órbita. No assoalho da órbita, o nervo infraorbital ocupa, na sequência, o sulco e, em seguida, pelo canal de mesmo nome, emergindo na face através do forame infraorbital, acompanhado pela artéria e veia de mesmo nome. Seu trajeto no sulco até o forame é de lateral para medial. Nesse trajeto, deixa o 1º ramo: - Nervo alveolar superior médio: Presente em cerca de 70% dos indivíduos, sai do nervo infraorbital no interior do canal, desce pela parede lateral do seio maxilar. É visível porbaixo da mucosa (transparente). Recolhe a sensibilidade de: raiz mésio-vestibular do 1MS, 1PMS e 2PMS, osso alveolar que envolve esses dentes e essa raiz, a gengiva vestibular que envolve esses dentes e essa raiz e a parede lateral do seio maxilar. Há alguns milímetros antes de sair pelo forame infra-orbital, do nervo infra-orbital vai emergir o: - Nervo alveolar superior anterior: Sai do nervo infraorbital pouco antes dele emergir pelo forame de mesmo nome. Desce pela parede lateral e anterior do seio maxilar, anteriormente ao nervo alveolar superior médio. Podendo ser visível também através da mucosa do seio maxilar. Recolhe sensibilidade de: ICS, ILS, CS, osso alveolar e gengiva vestibular que envolve esses dentes e a outra parte da parede lateral do seio maxilar (osso + mucosa), hemi-lábio superior e asa do nariz. Ao emergir pelo forame infraorbital, o nervo se divide em seus ramos terminais: - Nervo palpebral inferior (sobe): Recolhe sensibilidade da pálpebra inferior (pele e conjuntiva). - Nervo nasal lateral (medial): Recolhe sensibilidade de pele da parte lateral do nariz externo. - Nervo labial superior (desce): Recolhe sensibilidade de pele e mucosa de hemi-lábio superior. → existe uma anestesia no nível do forame infra-orbital, em que se costuma injetar o anestésico dentro do forame; consequentemente, o anestésico vai para dentro do canal; assim, como o nervo alveolar superior anterior deixa o nervo infraorbital há alguns milímetros do forame, também será bloqueado pela solução anestésica. RAMOS (anatômicos) DO GÂNGLIO PTERIGOPALATINO (EVG e ASG): O gânglio pterigopalatino não tem participação nenhuma nesses ramos pois, funcionalmente, o gânglio é motor (parassimpático), e as fibras trigeminais são predominantemente sensitivas, vindas do nervo maxilar. • NERVO OU RAMO NASAL SUPERIOR POSTERIOR (ASG e EVG): Sai da fossa pterigopalatina e penetra na cavidade nasal pelo forame esfenopalatino. Percorre a parede lateral da cavidade nasal superiormente e de posterior para anterior. Recolhe sensibilidade da mucosa superior e posterior da parede lateral da cavidade nasal, que corresponde às conchas nasais e meatos supremo e superior. Leva também invervação parassimpática, proveniente do gânglio pterigopalatino para as glândulas da mucosa nasal em sua região de inervação. • RAMO PALATINO DESCENDENTE (ASG, EVG e AVE): Vai descer na fossa pterigopalatina, pelo canal palatino maior ou pterigopalatino e, depois de um certo trajeto, divide-se em 3 ramos: Fig 14. Netter - nervo palatino maior (ASG, EVG e AVE): Traspassa o forame palatino maior, caminhando anteriormente no palato duro até a região de canino superior. Recolhe sensibilidade de mucosa palatina de canino para trás. No nível de canino, entrecruza-se com o nervo nasopalatino. Esse nervo carreia fibras secretomotoras pós-ganglionares parassimpáticas para as glândulas palatinas. Além dos componentes sensitivo e parassimpático, os nervos palatinos maiores contêm fibras gustatórias provenientes do nervo facial, via nervo petroso maior. Antes de emergir pelo forame palatino maior, esse nervo deixa um ramo: - nasal inferior posterior (ASG e EVG): Percorre a parede lateral e inferior da cavidade nasal. Recolhe a sensibilidade da mucosa da região correspondente às conchas e meatos médio e inferior. Leva também invervação parassimpática, proveniente do gânglio pterigopalatino para as glândulas da mucosa nasal em sua região de inervação. - Nervos palatinos menores (ASG, EVG e AVE): Emergem pelos forames palatinos menores e recolhem sensibilidade de palato mole e tonsila palatina. Além dos componentes sensitivo e parassimpático, os nervos palatinos menores contêm fibras gustatórias provenientes do nervo facial, via nervo petroso maior. • RAMOS FARÍNGECOS: Para chegar aos coanos da cavidade nasal, passa pelo forame esfenopalatino. Segue no canal palato-vaginal, recolhendo sensibilidade do teto da faringe e do seio esfenoidal. • NERVO OU RAMO NASOPALATINO: Sai da fossa pterigopalatina, passa pelo forame esfenopalatino, chegando à cavidade nasal, indo em direção ao septo nasal. Tem o mesmo trajeto da artéria nasopalatina: de superior para inferior e de posterior para anterior até o canal incisivo, emergindo no palato duro pelo forame incisivo. Vai até o nível de canino superior. No seu trajeto pelo septo, recolhe sensibilidade da mucosa, do osso e da cartilagem do septo. No palato, recolhe sensibilidade da mucosa palatina de canino a canino. O canal pterigóideo (sai da fossa pterigopalatina), situado abaixo do ápice da porção petrosa entre o corpo e a asa maior do esfenóide. Por esse canal entram as fibras simpáticas e parassimpáticas. A inervação parassimpática da porção maxilar do V é toda feita pelo VII. Fig 15. Netter 1 – Explique, anatomicamente, por que o 1MS apresenta uma dupla inervação? As raízes mesio e disto-vestibular estão separadas pela crista zigomático-alvelar (espessamento ósseo; ponto de referência para uma anestesia unitária no 1MS; provoca bifurcação das raízes). 2 – Quais anestesias deverão ser aplicadas numa extração do 1MS? Por quê? Nervo alveolar superior posterior (raízes disto-vestibular e palatina), nervo alveolar superior médio (raiz mésio-vestibular). Tais anestesias provocam a dessensibilização do osso alveolar e da gengiva vestibular. Para dessensibilizar a gengiva palatina, devemos anesrtesiar as mediações do nervo palatino maior. → anastomose só é feita quando há luz na estrutura (veia, artéria, linfático); o nervo não apresenta luz → entrecruzamento → quando a estrutura a ser inervada está situada próxima à linha medana, ocorre o entrecruzamento de fibras de um lado com o outro; deve-se fazer uma anestesia suplementar do lado oposto 3 – Quais anestesias devem ser aplicadas para a retirada do tórus palatino? O tórus palatino localiza-se, geralmente, na região de pré-molares a molares. Nervo palatino maior e alveolares superiores posterior e médio dos dois lados. 4 – Por que, geralmente, as anestesias no arco superior têm um sucesso imediato? Porque a maxila é um osso extremamente poroso em todas as idades do indivíduo e, consequentemente, facilmente se difundem soluções anestésicas através desse osso, cujos nervos estão no seu interior. Além disso, os 3 nervos alveolares superiores se entrecruzam no interior da maxila, formando o plexo alveolar superior. Lesões que afetam o nervo maxilar e seus ramos: A divisão maxilar do nervo trigêmeo pode ser afetada por várias patologias, que incluem comprometimento da raiz sensitiva do nervo trigêmeo, infecções, lesão iatrogênica ou trauma. A neuralgia do trigêmeo é uma condição clínica que afeta a raiz sensorial do nervo trigêmeo. A fisiopatologia exata ainda é desconhecida, mas pode resultar de danos no nervo por condições como acidente vascular cerebral, trauma, tumor, aneurisma ou esclerose múltipla. É caracterizada por dor crônica nas áreas supridas pelos ramos do nervo trigêmeo, incluindo a divisão maxilar. A dor é intensa, aguda, repentina no início e em choque, como no caráter, durando de alguns segundos a minutos. Pode ser desencadeada por atividades cotidianas como barbear, comer ou escovar os dentes. Não responde a analgésicos normais. O tratamento de primeira linha inclui medicamentos como anticonvulsivantes, mas casos resistentes podem ser tratados pela destruição cirúrgica da raiz sensorial. [8] O vírus herpes zoster infecta os gânglios trigêmeos e pode causar dor intensa em todas as áreas sensoriais supridas pelo nervo trigêmeo, incluindo a divisão maxilar. Geralmente afeta pacientes idosos e imunocomprometidos. Em casos graves, a perda completa da sensação pode resultar em regiões afetadas. [9] O nervo maxilar também pode estar envolvido em condições que afetam o seio cavernoso, como infecções, meningioma ou tumores metastáticos. As lesões que afetam o nervo infraorbital no forame infraorbital, como adisseminação perineural do câncer de pele, podem causar a síndrome da bochecha dormente, que se apresenta com dormência na bochecha e no lábio superior. O incisivo superior e os dentes caninos, juntamente com a gengiva, também podem ter envolvimento nessa condição. [10] Os ramos do nervo infraorbital, como o nervo labial superior ou o nervo alveolar superior anterior, sofrem lesões em músicos que tocam instrumentos de metal. Essa condição é conhecida como neuropatia do trompetista e se apresenta com dor e dormência no lábio superior PARTE MANDIBULAR: A porção mandibular do nervo trigêmeo sai da fossa média do crânio, atravessa o forame oval para chegar à fossa infratemporal. Essa divisão do trigêmeo faz com que ele seja caracterizado como um nervo misto, pois é a única a possuir em seu interior componentes sensitivos e motores (RIZZOLO e MADEIRA, 2012). Antes de atravessar o forame oval, as raízes sensitiva e motora estão separadas, só se unindo após atravessarem o mesmo, sendo então classificado como nervo misto. Após sua emergência na fossa infratemporal, ele emite seus dois primeiros ramos. • RAMO MENÍNGICO (ASG): Apresenta-se na fossa infratemporal. Da fossa, volta à cavidade intracraniana (fossa média), a fim de chegar às meninges através do forame espinhoso (atrás do forame oval), juntamente com a artéria meníngea média. Recolhe sensibilidade das meninges. • RAMO PARA O MÚSCULO PTERIGOÍDEO MEDIAL (EVE e ASG): Apresenta um pequeno contingente de fibras ASG vindas da propriocepção. Passa medialmente ao músculo pterigóideo lateral e desce para inervar o músculo pterigóideo medial (que está em um nível mais inferior que o lateral). Chegando medialmente no músculo pterigóideo medial, penetrando em seu bordo posterior, próximo a sua origem na fossa pterigóide. Deixa um ramo para o músculo tensor do véu palatino (medial ao forame oval) e para o músculo tensor do tímpano (os 2 músculos apresentam inervação EVE). Esses três nervos podem ter uma origem comum. Após os dois ramos, a porção mandibular vai apresentar 2 divisões: uma anterior (predominantemente motora, que recebem o nome dos músculos que inervam) e outra posterior (predominantemente sensitiva). RAMOS DA DIVISÃO ANTERIOR DA PORÇÃO MANDIBULAR DO NERVO TRIGÊMIO: • MASSETÉRICO (EVE e ASG): Apresenta um pequeno contingente de fibras ASG vindas da propriocepção. Abandona o tronco do nervo mandibular entre a asa maior do esfenóide e a superfície superior do músculo pterigóideo lateral. Passa por cima do feixe superior do músculo, chegando à sua superfície lateral, passa pela incisura da mandíbula e vai à face profunda do músculo masseter, levando motricidade ao mesmo. Nesse trajeto recebe fibras nervosas da cápsula da ATM, contribuindo para conduzir suas informações proprioceptivas (RIZZOLO e MADEIRA, 2012). • NERVOS TEMPORAIS PROFUNDOS ANTERIOR E POSTERIOR (EVE e ASG): Apresenta um pequeno contingente de fibras ASG vindas da propriocepção. O nervo temporal profundo anterior desprende-se do tronco do nervo mandibular próximo à base do crânio, penetra entre as cabeças do músculo pterigóideo lateral para alcançar as fibras profundas do músculo temporal. Chegam à face profunda do músculo temporal, inervando-o. As fibras posteriores são inervadas pelo nervo temporal profundo posterior, após o mesmo ter contornado a borda superior do músculo pterigóideo lateral. Este nervo também é responsável pela inervação proprioceptiva da cápsula da ATM. • NERVO PARA O MÚSCULO PTERIGOÍDEO LATERAL (EVE e ASG): Apresenta um pequeno contingente de fibras ASG vindas da propriocepção. Inerva o músculo pterigóideo lateral, que está próximo à porção mandibular. • NERVO BUCAL (ASG): Sai da face medial do músculo pterigóideo lateral, passa entre as duas cabeças do músculo. Relaciona-se anteriormente com o tendão do músculo temporal e com o processo coronóide. Caminha para anterior, chega ao corpo adiposo da bochecha, atingindo a face lateral do músculo bucinador. Recolhe sensibilidade de pele e mucosa da bochecha e da gengiva vestibular de 2PMI para trás. Variações anatômicas: • Tronco Têmporo-massetérico: nervo temporal profundo posterior + nervo massetérico • Tronco Têmporo-bucal: nervo temporal profundo anterior + nervo bucal RAMOS DA DIVISÃO POSTERIOR DA PORÇÃO MANDIBULAR DO NERVO TRIGÊMIO: • NERVO AURÍCULOTEMPORAL (ASG e EVG): Para chegar à região da têmpora e do pavilhão auricular, sai na parte medial do músculo pterigóideo lateral; seus feixes se unem para formar uma abotoadura, por onde passa a artéria meningea média. Contorna posteriormente o colo do côndilo, exterioriza- se e cruza o arco zigomático, indo à região da têmpora. Nesse trajeto, recolhe sensibilidade de: ATM, glândula parótida, meato acústico externo (até a membrana do tímpano), parte do pavilhão auricular e pele da têmpora. O gânglio ótico está relacionado anatomicamente com a porção mandibular do trigêmeo. Fibras parassimpáticas, provenientes do IX, saem desse gânglio, pegam carona no nervo aurículotemporal, chegando à glândula parótida e dando sua secreção (EVG). Por ser predominantemente serosa, a glândula tem maior inervação parassimpática. As fibras simpáticas chegam através dos ramos da artéria carótida externa (estimulando a vasodilatação). • NERVO ALVEOLAR INFERIOR: Passa entre o ligamento esfenomandibular e o ramo da mandíbula, chegando ao forame mandibular. Antes de penetrar no forame, o nervo alveolar inferior emite um ramo: - ramo milohioídeo (EVE e ASG): Perfura o ligamento esfenomandibular, passa pelo sulco milohioídeo, inervando o músculo milohioídeo e o ventre anterior do músculo digástrico. Após o forame, dentro do canal mandibular, o nervo alveolar inferior recolhe sensibilidade do 3MI, 2MI, 1MI e 2PMI e o osso alveolar que envolve esses dentes. No nível do 2PMI, divide-se em 2 ramos: - ramo mentoniano (ASG): Emerge pelo forame mentoniano (localizado, geralmente, a nível de 2PMI e 1PMI) e recolhe sensibilidade de pele e mucosa de hemi-lábio inferior, pele de hemi-mento e gengiva vestibular de ICI até 1PMI. - ramo incisivo (ASG): Continua-se dentro do canal incisivo e recolhe sensibilidade de ICI, ILI, CI e 1PMI e o osso alveolar que envolve esses dentes. • NERVO LINGUAL (ASG e EVG): Apresenta uma relação muito estreita com o nervo alveolar inferior, principalmente no nível do forame mandibular. Localiza-se mais anterior e mais medial ao nervo alveolar inferior. Sai da divisão posterior, cruza de lateral para medial do ducto da glândula submandibular (por debaixo dele), indo em direção à língua. Passa entre o músculo hioglosso, lateralmente, e o músculo milohioídeo, medialmente. Nesse ponto, a 1cm abaixo e atrás do 3MI, estará mais superficialmente (é o ponto em que podemos cortá-lo e anestesiá-lo sozinho). O nervo lingual está, inicialmente, entre os músculos hioglosso e milohioídeo; depois passa para a parte lateral do músculo genioglosso. O músculo hioglosso separa o nervo lingual (lateralmente ao músculo) da artéria lingual (medialmente ao músculo). Recolhe sensibilidade de: mucosa de soalho da cavidade bucal, glândula submandibular e sublingual, gengiva lingual de todos os dentes inferiores de hem-arcada e mucosa dos dois terços anteriores de hemi-língua (todos do lado em questão). Logo na sua origem, recebe o nervo corda do tímpano (ramo do VII). Suas fibras (gustativas – AVE – e secretomotoras parassimpáticas para as glândulas submandibular e sublingual – EVG) passam a se distribuir junto com as do nervo lingual. As fibras simpáticas chegam à glândula através da artéria facial. O nervo lingual mantém relação com um gânglio parassimpático, chamado gânglio submandibular. Nele, as fibras do nervo corda do tímpano farão sinapse e as pós- ganglionares vão às glândulas. VIAS TRIGEMINAIS EXTEROCEPTIVAS E PROPRIOCEPTIVAS Os estímulos exteroceptivos (dor, tato, temperatura e pressão) partem da superfície paraas suas respectivas terminações nervosas. Correm no nervo, por uma despolarização de membrana (troca de íons), e chegam até o gânglio trigeminal (onde está seu núcleo). Do gânglio, vão ao tronco encefálico, entrando entre a ponte e o pedúnculo cerebelar médio. Alcançam os núcleos sensitivo principal e do trato espinhal do V através dos prolongamentos centrais dos neurônios, que fazem sinapse (1ª sinapse) com outro neurônio localizado no interior dos núcleos. → o 1º neurônio da via está no gânglio, o 2º, no núcleo O segundo neurônio da via irá subir, cruzando a linha mediana. Formam o LEMINISCO TRIGEMINAL (decussação das fibras do V). Chegam ao tálamo, no núcleo ventro-póstero-medial do tálamo (núcleo VPM). A Segunda sinapse ocorre no tálamo; dela origina-se o 3º neurônio da via, que segue para o córtex cerebral (giro pós-central → área 1, 2, 3 de Broadman). RESUMO: Núcleo Sensitivo Principal Estímulo → Terminações nervosas → Gânglio Trigeminal Tálamo → córtex Núcleo do Trato Espinhal do V (SINAPSE) (SINAPSE) A via trigeminal exteroceptiva é constituída de 3 neurônios e 2 sinapses: 1º neurônio: gânglio 1ª sinapse: núcleos 2º neurônio: núcleos 2ª sinapse: tálamo 3º neurônio: tálamo Os estímulos proprioceptivos partem de receptores localizados nos músculos, nos ligamentos e na ATM e vão para o núcleo mesencefálico do V, onde está o 1º neurônio. Seu prolongamento central se comunica com o núcleo motor do trigêmio, onde se encontra o segundo neurônio. Do núcleo motor parte uma resposta motora, que vai atuar nas terminações nervosas (placas motoras no interior do parênquima muscular) nos músculos. Temos o arco reflexo simples. Nas restaurações dentarias altas, os estímulos partem de proprioceptores encontrados no ligamento periodontal, vão ao núcleo mesencefálico e passam ao núcleo motor, que manda uma resposta a fim de abrir a mandíbula e levá-la a um outro local onde se possa fazer o fechamento da boca. Os prolongamentos centrais podem ir direto ao cerebelo, dando a propriocepção inconsciente ou podem ir do núcleo mesencefálico do V, a partir do qual cruzam a linha mediana, chegando ao núcleo VPM, e desse até o córtex, dando a propriocepção consciente. Dessa forma, tomamos consciência mais tardiamente do que a resposta. Esse é um reflexo protetor contra agentes nocivos, que podem chegar, por exemplo, à cavidade bucal.