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UNESC 
CENTRO BIOMÉDICO 
CURSO DE ODONTOLOGIA 
DISCIPLINA DE ANATOMIA DA CABEÇA E DO PESCOÇO 
APOSTILA DE NERVO TRIGÊMEO 
 
Professor Dr. Bruno Machado de Carvalho
APOSTILA DE NERVO TRIGÊMEO 
INTRODUÇÃO 
O nervo trigêmeo (fig. 1), ou quinto par craniano (V) é assim denominado por possuir 3 ramos 
calibrosos, distribuídos por áreas extensas na face, tanto superficiais quanto profundas 
(RIZZOLLO e MADEIRA, 2011). É o maior dos pares cranianos.
Atribui-se a Claudio Galeno, médico grego que viveu, provavelmente, entre os anos 129 a 
200 (APUZZO, 2000), a primeira descrição do nervo trigêmeo (STEINBERG, 2002). Ao 
identificar 10 dos 12 pares de nervos cranianos, Galeno erroneamente acreditava que o V 
par era formado por outros dois pares distintos, denominados por ele de terceiro e quarto 
pares (FLAMM, 1967; SHAW, 1992). De maneira acertada, Galeno notara que o nervo 
trigêmeo está envolto pelas camadas da dura-máter, porém, não fez nenhuma 
observação acerca do nervo alveolar inferior. Andrea Vesalius (1510-1564), tanto em suas 
ilustrações (Fig. 2) quanto em seu texto, não acrescentou nada de novo às descrições de 
Galeno, dividindo o V par da mesma maneira que seu antecessor (FLAMM, 1967). 
 
Figura 1 - Primeiras ilustrações do V par craniano e seus ramos 
No século XVII, Thomas Willis (1621-1675) descreveu o nervo trigêmeo e seus ramos 
sem, entretanto, acrescentar novas informações, como fez seus antecessores. Sua maior 
contribuição foi nomear as estruturas trigeminais de maneira mais acertada, como 
designar o nervo trigêmeo como o V par craniano, além de utilizar o termo nervo oftálmico 
para uma de suas divisões (FLAMM, 1967). 
Johann Friedrich Meckel (1781-1833), o ancião, foi precursor ao dedicar todo um estudo 
ao nervo trigêmeo, na publicação Dissertatio inauguralis medica anatomico physiologica 
de quinto pare nervorum cerebri, onde fornece importantes informações até então não 
esclarecidas acerca do V par. Pela primeira vez fez-se o uso correto dos termos oftálmico 
e maxilar para se referir, respectivamente, ao primeiro e segundo ramos do nervo 
trigêmeo; todavia, ao descrever o nervo mandibular utilizou a mesma nomenclatura de 
seus antecessores, ramo terceiro do quinto par (MECKEL, 1748). Não obstante, o 
pioneirismo na utilização do termo nervo trigêmeo para o V par craniano atribui-se a 
Jacques-Bénigne Winslow (1669-1760), que também denominou de nervo maxilar inferior 
toda a sua terceira divisão, terminologia utilizada por Meckel (1748) apenas para o nervo 
alveolar inferior (WINSLOW, 1754). 
O nervo trigêmeo recolhe toda a sensibilidade da face (superficial e profunda) e da 
parte mais anterior do couro cabeludo, assim como do pavilhão auricular, incluindo 
dentes, boca, cavidade nasal e seios paranasais, com exceção da pele dos ângulos da 
mandíbula, de cuja inervação é proveniente do nervo auricular magno (ramo do plexo 
cervical). O componente motor é responsável pela motricidade dos principais músculos da 
mastigação (RIZZOLLO e MADEIRA, 2011). 
 Existe algum entrecruzamento de fibras nervosas na linha mediana da face pelo V 
nervo, mas menos do que é encontrado nos nervos que suprem o tronco. 
ORIGEM REAL E APARENTE DO NERVO TRIGÊMEO E SEUS TRAJETO 
INTRACRANIANO 
De acordo com os clássicos Testut (1922), Testut e Latarjet (1930) e Williams et al. (1995), 
o nervo trigêmeo tem sua origem aparente no tronco encefálico, na parte lateral da face 
anterior da ponte, medialmente ao pedúnculo cerebelar médio, em uma área denominada 
ângulo cerebelopontino (GARDNER, GRAY e O`RAHILLY, 1988). Essa origem se faz por 
duas raízes: uma posterolateral, volumosa e funcionalmente sensitiva e a outra delgada, 
de situação anteromedial (2 a 5mm medial e anterior) e funcionalmente motora, que 
também contém fibras sensitivas proprioceptivas da raiz central mesencefálica do nervo 
(GRAY, 1988). 
Figura 2 - Origem aparente do n. trigêmeo 
As duas raízes assumem direção anterior e ligeiramente lateral, para cruzarem a margem 
superior da parte petrosa do osso temporal, local onde se relacionam inferiormente com o 
seio petroso superior; nesse ponto, a raiz motora muda de direção e relaciona-se, agora, 
com a face inferior da raiz sensorial (fig. 3). 
N. trigêmeo
Figura 3 - Percurso anterior do n. trigêmeo. 
Continuando em seu trajeto anterior, as duas raízes atravessam uma larga chanfradura, a 
incisura do nervo trigêmeo, que se transforma em um forame ovalado pelo tentório do 
cerebelo, por onde o V par penetra na cavidade trigeminal. Esse espaço, situado entre as 
duas camadas da dura-máter, além de pia-máter e aracnoide-máter, é denominado cavo 
trigeminal, que se prolonga e se dilata no sentido anteroinferior, para acomodar o gânglio 
trigeminal (de Gasser, ou semilunar), e seus três ramos. O gânglio trigeminal é a maior 
massa ganglionar de nosso corpo. É o único gânglio localizado no interior do crânio 
(RIZZOLO e MADEIRA, 2011) (fig. 4 e 5). A massa ganglionar é chata e semilunar na 
forma, medindo aproximadamente 1cm X 2cm, com os prolongamentos centrais dos 
neurônios deixando a concavidade e as fibras periféricas, a convexidade do crescente 
(GRAY, 1988). 
Figura 4 - Cavo e gânglio trigeminais. 
 
 
105
Br
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21
1
18
2
3
Base of the Skull
A Base of the skull, viewed
from above (preparation by
Professor Platzer)
Kahle, Color Atlas of Human Anatomy, Vol. 3 © 2003 Thieme
All rights reserved. Usage subject to terms and conditions of license.
Figura 5 - Cavo e gânglio trigeminais (NATSIS e PIAGKOU, 2015) 
Sua parede medial é delgada e se relaciona com a face lateral do seio cavernoso, sendo 
a parede superior espessa e reforçada por fibras provenientes do tentório do cerebelo. No 
interior do cavo trigeminal, encontra-se líquor, que ajuda na proteção do gânglio. O cavo 
trigeminal localiza-se na fossa média do crânio, alojado em uma depressão encontrada 
próxima ao ápice da porção petrosa do osso temporal, chamada impressão trigeminal 
(RIZZOLO e MADEIRA, 2011). 
Em sua parte anterior, a cavidade trigeminal apresenta três prolongamentos, que 
acompanham os três ramos do gânglio trigeminal até suas respectivas emergências 
cranianas, ou seja, a fissura orbital superior (V1 ou nervo oftálmico), o forame redondo 
(V2 ou nervo maxilar) e oval (V3 ou nervo mandibular). Sua relação medial, de anterior 
para posterior, se faz com a parede lateral do seio cavernoso e a face anterior da parte 
petrosa do osso temporal, próximo ao seu ápice; inferiormente, relaciona-se com uma 
fibrocartilagem, que oblitera o forame lacerado. 
 
Figura 6 - Três prolongamentos do nervo trigêmeo (DANDO et al., 2014). 
A raiz motora, estando medialmente à sensitiva, passa por baixo do gânglio, isto é, entre 
ele e a parte petrosa do osso temporal, e deixa o crânio através do forame oval com o 
nervo mandibular. O nervo petroso maior também passa entre o gânglio e a parte petrosa 
do osso temporal. O gânglio recebe filamentos do plexo simpático carótico e emite ramos 
delicados ao tentório do cerebelo e à dura-máter da fossa média do crânio (GRAY, 1988). 
A origem real das fibras sensitivas do nervo trigêmeo localiza-se no gânglio 
trigeminal. Tal gânglio é composto por neurônios pseudounipolares (neurônio que 
apresenta um corpo celular e um axônio inicial que se bifurca em um prolongamento que 
se direciona à parte central do sistema nervoso e um que se direciona para a periferia do 
corpo). A origem real das fibras motoras localiza-se em núcleos encontrados dentro do 
tronco encefálico (núcleo motor do trigêmeo). 
Do gânglio trigeminal, os prolongamentos centrais podem se dirigir para 3 núcleos 
diferentes, dentro do tronco encefálico (fig. 7): 
1 – núcleo mesencefálico do trigêmeo (localizado no mesencéfalo): extremidade 
rostral alargada. 
2 – núcleo sensitivo principal (localizado na ponte) 
3 – núcleo do trato espinal do trigêmeo (localizado na partemais inferior da ponte e 
no bulbo): longa e delgada porção caudal, que se torna contínua com a substância 
gelatinosa da medula espinal. 
 
Figura 7 - Origens reais do nervo trigêmeo. 
Esses neurônios trazem da periferia estímulos exteroceptivos (temperatura, dor, 
pressão e tato) e proprioceptivos (dos músculos da mastigação, ligamentos, tendões e 
cápsula articular da ATM). 
O núcleo sensitivo principal está lateralmente ao núcleo motor do trigêmeo e 
ventralmente ao pedúnculo cerebral superior. 
Diretamente para o núcleo sensitivo principal chegam os estímulos relacionados 
com o tato epicrítico (tato mais sensível) e, para núcleo do trato espinal do trigêmeo, os 
estímulos relacionados com temperatura e dor. 
Os prolongamentos centrais dos neurônios localizados no gânglio trigeminal, que se 
bifurcam para núcleo sensitivo principal e para núcleo espinal do trigêmeo, estão 
relacionados com o tato protopático (tato mais grosseiro) e à pressão. 
Se, por acaso, tivermos uma nevralgia do nervo trigêmeo, caracterizada por uma dor 
persistente em todo o território de inervação do mesmo, poderemos fazer uma secção, na 
tentativa de saná-la, das fibras relacionadas à dor. Tais fibras chegam ao núcleo do trato 
espinal do trigêmeo e, em consequência dessa secção, o indivíduo perderia a 
sensibilidade para a temperatura, dor, parte da pressão e do tato protopático da face e do 
couro cabeludo (anteriormente). O corte do trato espinal do trigêmeo é chamado de 
tratotomia. 
No núcleo mesencefálico do trigêmeo, chegam os estímulos proprioceptivos. Vale 
ressaltar uma exceção, a origem real das vias proprioceptivas do trigêmeo não estão 
localizadas no gânglio trigeminal. Os prolongamentos periféricos passam pelo gânglio, 
contudo, seu núcleo está localizado no interior do núcleo mesencefálico do trigêmeo. 
O gânglio trigeminal, então, é composto de neurônios pseudounipolares da via 
exteroceptiva. 
Há uma somatotopia (distribuição somática de cada uma das áreas periféricas de 
que serão recolhidas a sensibilidade) dentro dos núcleos, sendo esta invertida, logo, se 
uma lesão ocorrer no nível inferior do núcleo, teremos uma perda de sensibilidade na 
parte superior da face (Fig. 8). 
Núcleo motor
Núcleo mesencefálico 
Núcleo sensitivo
principal 
Núcleo espinal
PC
Realce
PC
Realce
PC
Realce
PC
Realce
PC
Realce
PC
Realce
PC
Realce
 
Figura 8 - Somatotopia dos núcleos trigeminais. 
Após passarem pelo núcleo sensitivo principal, os tractos cruzam para o lado oposto 
do cérebro e terminam no núcleo pósteriomedial do tálamo e daí são projetados para o 
córtex cerebral, no giro pós-central (área somestésica primária). 
Os segundos neurônios do núcleo espinal do trigêmeo cruzam para o lado oposto na 
substância reticular, juntam-se à margem medial do tracto espinotalâmico lateral e 
terminam no núcleo ventral pósteromedial do tálamo e daí são projetados para o córtex 
cerebral, no giro pós-central (área somestésica primária). 
Os axônios dos neurônios do núcleo mesencefálico emitem comunicações com o 
núcleo motor do trigêmeo, e passam entre o núcleo motor e sensitivo principal, para 
penetrar na raiz motora e dirigir-se ao ramo mandibular do trigêmeo. 
O núcleo motor está situado na porção rostral da ponte, próximo ao ângulo lateral do 
quarto ventrículo. 
O nervo trigêmeo, funcionalmente, é predominantemente Aferente Somático Geral - 
ASG (parte sensitiva) e Eferente Visceral Especial - EVE (parte motora). 
DISTRIBUIÇÃO PERIFÉRICA 
As partes do nervo trigêmeo caminham da periferia para o centro, por serem 
predominantemente sensitivas, mas, por razões didáticas, descreveremos do gânglio 
trigeminal da parte central até a periferia. 
PARTE OFTÁLMICA: 
O nervo oftálmico, ou primeira divisão do trigêmeo, deixa o gânglio trigeminal por 
sua porção superior e anterior. Essa porção atravessa a fissura orbital superior para 
chegar até a cavidade orbitária. É um feixe achatado, com cerca de 2,5cm de 
comprimento, e situado na parede lateral do seio cavernoso, inferiormente aos nervos 
oculomotor (III par craniano) e troclear (IV par craniano) (GRAY, 1988) (Fig. 9). 
PC
Realce
 
Figura 9 - relações anatômicas do V. 
É um nervo sensitivo que recolhe sensibilidade principalmente da órbita (bulbo do 
olho, conjuntiva, pálpebras e glândula lacrimal), parte da membrana mucosa e pele do 
nariz e seios paranasais, fronte e couro cabeludo. 
 
Figura 10 - Nervo oftálmico (Netter, 2011). 
O nervo oftálmico é alcançado por filamentos do plexo simpático cavernoso (GRAY, 
1988). Emite um ramo recorrente à dura-máter (ramo meníngeo) e antes de atravessar a 
fissura orbital superior, a porção oftálmica se divide em 3 ramos: 
• NERVO LACRIMAL (ASG e EVG): 
É o menor dos 3 ramos do nervo oftálmico. Tem origem na fossa média do crânio, 
dirige-se anteriormente, em um canal separado da dura-máter, atravessa a porção mais 
estreita da fissura orbital superior, chegando à cavidade orbitária, até a glândula lacrimal e 
locais próximos, juntamente com a artéria lacrimal. Caminha lateral e superiormente (de 
acordo com a posição da glândula) por fora do cone dos retos, por cima da margem 
superior do músculo reto lateral, junto à periórbita. Chegando à glândula lacrimal, irá 
recolher sensibilidade da glândula lacrimal (tato, temperatura, dor e pressão), da pele e da 
conjuntiva da pálpebra superior. 
No seu trajeto por cima do músculo reto lateral, tem uma comunicação com um ramo 
da porção maxilar do trigêmeo (nervo zigomático), pela qual chegará fibras 
parassimpáticas pós-ganglionares, que são as fibras secretomotoras da glândula lacrimal. 
Essas fibras dirigem-se, a partir de suas células no gânglio pterigopalatino, através de 
ramos comunicantes com o gânglio pterigopalatino para o nervo maxilar, depois, dirigem-
se ao longo dos nervos zigomático e zigomáticotemporal, percorrendo, finalmente, essa 
comunicação mencionada acima, através do nervo chamado ramo comunicante com o 
nervo zigomático, sendo distribuídas com os ramos do nervo lacrimal à glândula. Essas 
fibras pré-ganglionares chegam ao gânglio pterigopalatino vindas do nervo facial, através 
dos nervos petroso maior e nervo do canal pterigóideo (GRAY, 1988). 
O nervo lacrimal algumas vezes está ausente, e seu lugar é tomado pelo ramo 
zigomaticotemporal do maxilar. Algumas vezes, o último está ausente e uma comunicação 
do lacrimal é por ele substituída (GRAY, 1988). 
Toda inervação secretomotora de glândula é dada pelo SNA (parte parassimpática) 
que estimula a secreção. A lágrima deve ser constantemente produzida para a lubrificação 
da córnea. Caso contrário, torna-se opaca e perde o poder de difração de raios 
luminosos, prejudicando a visão. 
O simpático, nesse caso, atuará apenas em vasos, fazendo vasodilatação, pela 
liberação de uma carga de adrenalina. 
A – Uma lesão nesse ponto do nervo lacrimal provocará a perda da sensibilidade 
para a dor, tato, temperatura e pressão da glândula lacrimal e estruturas vizinhas. O nervo 
carreia fibras exteroceptivas (ASG) (Fig. 11). 
B – Uma lesão nesse ponto do nervo lacrimal, após a entrada do simpático e do 
parassimpático, provocará a perda da sensibilidade para os estímulos tanto 
exteroceptivos, quanto a motricidade da glândula e a parte simpática destinada aos 
vasos. O nervo carreia tanto fibras exteroceptivas como secretomotoras (ASG e EVG) 
(Fig. 11). 
 
Figura 11 - lesões em nervo lacrimal. 
• NERVO FRONTAL (ASG): 
É o maior ramo do nervo oftálmico, e pode ser considerado, pelo seu tamanho e 
direção, a continuação do nervo. 
Tem origem na fossa média do crânio, passa pela fissura orbital superior, por fora 
dos cones retos, por cima do m. elevador da pálpebra superior. Continua-se 
A
B
anteriormente, entre o músculo levantador da pálpebra superior e a periórbita, e, em um 
local variado dos seu trajeto, bifurca-se em 2 nervos: 
- nervo supra orbital (ASG) (lateral): 
É uma continuação do nervo frontal. Emerge da cavidade orbitária através da 
incisura ou foramesupra-orbital (lateral à tróclea), deixando alguns ramos que vão para a 
pálpebra superior (pele e conjuntiva) e continua-se na testa (fronte), seio frontal e couro 
cabeludo, recolhendo a sensibilidade dessas áreas (GRAY, 1988). 
- nervo supra troclear (ASG) (medial): 
Volta-se em direção medial para passar superiormente à polia do músculo oblíquo 
superior (tróclea) e emite um filamento que se entrecruza com o ramo infratrocelar do 
nervo nasociliar. Recolhe sensibilidade da pele e conjuntiva da porção medial da pálpebra 
superior e pele da fronte (alguns autores incluem a região do couro cabeludo) (GRAY, 
1988). 
• NERVO NASOCILIAR (ASG e EVG): 
É um nervo intermediário, em tamanho entre os nervos frontal e lacrimal, e está mais 
profundamente situado na órbita. Relaciona-se com a cavidade nasal e com o gânglio 
ciliar. 
Sai da fossa média do crânio, passa pela fissura orbital superior, entra na cavidade 
orbitária entre os dois feixes do músculo reto lateral e entre as divisões superior e inferior 
do nervo oculomotor, entrando no cones retos, lateralmente. Cruza de lateral para medial 
o nervo óptico e consequentemente a artéria oftálmica, chega à parede medial da 
cavidade orbitária, dando uma série de ramos: 
- ramos comunicante com o gânglio ciliar (ASG): 
Geralmente, originam-se do nervo nasociliar entre os dois feixes do músculo reto 
lateral, corre anteriormente, na margem lateral do nervo óptico e penetra no ângulo 
póstero-superior do gânglio ciliar. Contém fibras sensitivas (aferentes; não fazem sinapse 
no gânglio, possuindo somente relação anatômica com o mesmo e não funcional) do 
nasociliar (GRAY, 1988). Com essa relação anatômica com o gânglio ciliar, é possível que 
fibras parassimpáticas pós-ganglionares (provenientes do III) peguem carona com os 
nervos ciliares curtos, indo em direção à parte posterior do bulbo do olho. Recolhem 
sensibilidade do bulbo ocular. 
- ramos ciliares longos (ASG e EVG): 
Em número de 2 ou 3, são emitidos pelo nervo nasociliar logo quando ele cruza o nervo 
óptico. Acompanham os nervos ciliares curtos do gânglio ciliar, perfuram a porção 
posterior da esclera e, correndo anteriormente, entre ela e a corióide, são distribuídos à 
íris e à córnea (GRAY, 1988). 
Recolhem a sensibilidade da córnea e da úvea (porções do bulbo do olho). Fibras 
simpáticas, provenientes do gânglio cervical superior, unem-se (pegam carona) às fibras 
desses ramos ciliares longos para irem à pupila, agindo sobre o músculo dilatador da 
pupila, que passa através da comunicarão entre o plexo cavernoso e o nervo oftálmico. 
→ essas fibras simpáticas (fazem midríase) chegam aos nervos ciliares longos, 
mesmo sabendo que o seu gânglio mais superior encontra-se no pescoço (gânglio 
cervical superior), através da artéria carótida interna. 
→ as fibras parassimpáticas (fazem miose) encontram-se no glânglio ciliar, próximas 
à estrutura a ser inervada (músculo esfíncter da pupila) 
- ramo ou nervo etmoidal posterior (inconstante; depende da presença do 
forame) (ASG e EVG): 
Localiza-se na parede medial da cavidade orbitária, passa forame etmoidal posterior, 
penetra na cavidade craniana (fossa anterior do crânio), superiormente à lâmina crivosa 
do osso etmóide. Corre ao longo de um sulco raso na margem lateral da lâmina, e, 
penetrando no osso através de uma fenda entra na cavidade nasal. Recolhe a 
sensibilidade do seio etmoidal e do seio esfenoidal. 
O nervo nasociliar continua o seu trajeto para a frente 
- ramo infratroclear (ASG): 
Localiza-se na parede medial da cavidade orbitária. É emitido do nervo nasociliar 
logo antes dele emitir o nervo etmoidal anterior. Corre anteriormente, ao longo da margem 
superior do músculo reto medial. Passa por debaixo da tróclea, fazendo comunicação 
com o nervo supratrocear. Recolhe sensibilidade de pálpebras (pele + conjuntiva), saco 
lacrimal e pele da parte externa do nariz. 
- ramo ou nervo etmoidal anterior (ASG e EVG): 
É o ramo terminal do nervo nasociliar. Penetra pelo forame etmoidal anterior; 
penetra na cavidade craniana (fossa anterior do crânio), superiormente à lâmina crivosa 
do osso etmóide. Corre ao longo de um sulco raso na margem lateral da lâmina, e, 
penetrando no osso através de uma fenda ao lado da crista etmoidal, entrando na 
cavidade nasal, caminha inferiormente e dá ramos nasais: 
. ramo nasal interno (ASG e EVG): 
Recolhe sensibilidade da mucosa da parte superior e parede lateral da cavidade 
nasal, parte anterior do septo nasal. 
. ramo nasal externo (ASG): 
Emerge entre o osso nasal e a cartilagem nasal. Passa profundamente ao músculo 
nasal. Recolhe sensibilidade da pele da raiz e dorso do nariz e da mucosa de parte do 
nariz externo. 
→ caminho percorrido pelo nasociliar: 
Fossa média → cavidade orbitária → fossa anterior do crânio 
 cavidade nasal ↵ 
 meio externo ↵ 
PARTE MAXILAR: 
O nervo maxilar, ou segundo ramo do nervo trigêmeo (V2) origina-se do meio do 
gânglio trigeminal e, consequentemente, a fossa média do crânio, é intermediário às 
outras duas divisões em tamanho e posição, sendo inteiramente sensitivo. Segue, 
horizontalmente, em direção anterior (de início na porção inferior da parede lateral do seio 
cavernoso e depois abaixo da dura-máter), passa pelo forame redondo, deixando a 
cavidade craniana e entrando na fossa pterigopalatina. Da fossa, penetra na órbita 
através da fissura orbital inferior, entra no sulco e depois pelo canal infra-orbitais, 
emergindo na face pelo forame infra-orbital, onde situa-se profundamente ao músculo 
levantador do lábio superior, dividindo-se em seus ramos terminais. 
O quinto nervo craniano, conhecido como nervo trigêmeo (V), é o maior dos doze 
nervos cranianos e transporta fibras sensoriais e motoras. [1] Possui três ramos terminais, 
que em ordem decrescente são o nervo oftálmico (V1), nervo maxilar (V2) e nervo 
mandibular (V3). As divisões oftálmica e maxilar transportam apenas fibras sensoriais, 
enquanto a divisão mandibular carrega fibras sensoriais e motoras. A divisão 
intermediária, nervo maxilar (V2), fornece principalmente inervação sensorial ao terço 
médio da face. Ele também carrega fibras pós-ganglionares do gânglio pterigopalatino 
que suprem a glândula lacrimal e as mucosas da mucosa nasal. 
No início da vida fetal, fornece principalmente as estruturas derivadas do processo 
maxilar, mas depois se estende ao processo frontonasal adjacente. O nervo maxilar se 
comunica com o nervo facial para transmitir as sensações proprioceptivas. A entrada 
sensorial dos mecanorreceptores na pele facial, mucosa oral e membranas periodontais 
substitui em grande parte a propriocepção intramuscular que é comum nos músculos 
esqueléticos. 
O nervo maxilar contém cerca de 50.000 fibras mielinizadas que são os processos 
periféricos das células pseudo-unipolares do gânglio trigêmeo na caverna trigeminal perto 
do ápice da parte petrosa do osso temporal. 
Os processos centrais das células do gânglio contribuem para a raiz sensorial do 
nervo trigêmeo. Algumas fibras proprioceptivas do nervo passam através do gânglio sem 
interrupção para atingir o núcleo mesencefálico trigeminal. Estudos eletrofisiológicos 
indicam que a maioria dos axônios proprioceptivos possui seus corpos celulares no 
gânglio trigêmeo. 
No dente, essas fibras atravessam o odontoblasto e terminam nos túbulos 
dentinários, sensíveis à estimulação mecânica e, portanto, respondem a estímulos 
causados pelo movimento de líquido dentro dos túbulos dentinários que levam a dor 
aguda associada à ativação das fibras A-delta. Não há sensação de calor ou frio, apenas 
a dor pode ser provocada por qualquer estímulo aplicado ao dentes (excluindo os 
receptores periodontais). Por exemplo, temperaturas inferiores a 27 ° C ou superiores a 
45 ° C causam dor, sugerindo um forte papel das fibras A-delta na transmissão da dor 
induzida pela estimulação a frio. As fibras sensoriais formam um plexo subjacente à 
camada odontoblástica a partir da qual as fibrasentram nos túbulos dentinários. 
De acordo com a teoria da estimulação neural direta, os nervos da polpa se 
estendem até a junção dentino-esmalte, que é conhecida pelo clínico como muito 
sensível. No entanto, mais estudos fizeram 
Contudo, alguns estudos não indicaram a presença de fibras nervosas na dentina, 
exceto na parte mais interna. A teoria dos receptores odontoblastos propõe que os 
processos odontoblásticos nos túbulos dentinários transmitem estímulos às terminações 
nervosas da polpa. Existe um contato próximo entre os odontoblastos e as fibras 
nervosas, mas a hipersensibilidade dentinária não pode ser explicada por essa teoria 
quando a camada celular odontoblástica é Mecanismo do transdutor. 
da transmissão da dor propõe que os estímulos inicialmente excitem o odontoblast 
que transmite essa excitação para o nervo terminando em justaposição com eles. 
Assim, a transdução de um estímulo ocorre do processo odontoblastico para 
terminações nervosas em túbulo ou na borda predentina. As fibras A-delta e A-beta 
formam grandes terminações em justaposição com odontoblastos e essas fibras podem 
detectar e responder à flutuação atual nos odontoblastos. No entanto, estudos 
microscópicos eletrônicos não demonstraram complexos sinápticos entre odontoblastos e 
nervos. Estímulos externos podem causar o movimento do líquido dentinário intratubular 
influenciando os mecanorreceptores, levando à percepção da dor. Isso é conhecido como 
a teoria hidrodinâmica da percepção da dor dentinária, que explica a sensibilidade à 
dentina exposta. A maneira mais eficiente de tratar a dentina sensível é impedir que os 
estímulos atinjam as terminações nervosas da polpa.7,14 As fibras C são 
desmielinizadas, de condução mais lenta e associadas a sensações maçantes, doloridas 
ou ardentes. A maioria das fibras C é polimodal; responder a estímulos mecânicos, 
térmicos e químicos. No tecido pulpar, as fibras C são mais centralmente localizadas e 
sensibilizadas pela inflamação. 
Estrutura e função 
O nervo maxilar surge da convexidade anterior do gânglio trigêmeo entre as divisões 
oftálmica e mandibular do nervo trigêmeo. É um ramo de tamanho médio comparado ao 
menor nervo oftálmico e ao maior nervo mandibular. Ele segue adiante incorporado na 
parede lateral do seio cavernoso, juntamente com o nervo oculomotor, nervo troclear e 
divisão oftálmica do nervo trigêmeo. Corre inferior e lateralmente ao nervo oftálmico. Em 
seguida, deixa a fossa craniana média através do forame rotundo e entra na parte 
superior da fossa pterigopalatina. A fossa pterigopalatina é um espaço bilateral em forma 
de cone posterior à maxila, onde o nervo maxilar se comunica com o gânglio 
parassimpático do pterigopalatina e liberta a maioria de seus ramos. [2] O nervo então sai 
da fossa e entra no assoalho da órbita através da fissura orbital inferior como nervo infra-
orbital. O nervo infraorbital representa o ramo terminal do nervo maxilar. O nervo 
infraorbital avança, primeiro através do sulco infraorbital e depois através do canal 
infraorbital no assoalho da órbita. Finalmente, emerge na face através do forame 
infraorbital, localizado próximo à margem inferior da órbita. 
Como afirmado anteriormente, o nervo maxilar é exclusivamente sensorial e carrega 
dor, temperatura e informações táteis da região abaixo das órbitas e acima da boca. Isso 
inclui pálpebra inferior, pele que cobre a lateral do nariz, bochecha, seio maxilar, 
nasofaringe, cavidade nasal, palato, dentes superiores, lábio superior e dura-máter da 
fossa craniana média. As informações sensoriais dessas áreas se movem ao longo de 
axônios cujos corpos celulares estão localizados no gânglio trigêmeo, localizado dentro da 
caverna de Meckel. Os processos centrais dessas fibras nervosas formam o grande 
sensoriamento raiz nervosa do nervo trigêmeo, que entra no tronco cerebral no nível da 
ponte. A informação sensorial viaja na raiz do nervo sensorial e é retransmitida através do 
principal núcleo trigêmeo e núcleo do tálamo antes de ser processada no córtex cerebral. 
Os ramos do nervo maxilar subdividem-se em quatro grupos, de acordo com sua 
localização de origem, como segue: 
1) Crânio: 
Enquanto percorre a fossa craniana média, o nervo maxilar dá origem a seu menor 
ramo, o nervo meníngeo médio próximo ao forame redondo. Esse ramo fornece a dura-
máter da fossa craniana média. 
2) Fossa pterigopalatina: 
A fossa pterigopalatina mantém o gânglio pterigopalatino, que é o maior dos quatro 
gânglios parassimpáticos. Suspende próximo ao forame esfenopalatino, anterior ao canal 
pterigóide e medial e inferior ao nervo maxilar. Recebe nervo vidiano superomedialmente 
e ramos ganglionares do nervo maxilar superolateralmente. O nervo vidiano é formado 
pela junção do nervo petroso maior e do nervo petroso profundo dentro do canal 
pterigóideo. [2] O nervo petroso maior traz fibras parassimpáticas do nervo facial ao nível 
do gânglio geniculado, e o nervo petroso profundo traz fibras simpáticas do plexo 
carotídeo. Portanto, o gânglio pterigopalatino contém fibras parassimpáticas e simpáticas 
pós-ganglionares, juntamente com fibras sensoriais gerais do nervo maxilar. Esses três 
tipos de fibras deixam o gânglio como ramos orbital, palatino, nasal e faríngeo. 
Ramos Orbitais: 
Esses pequenos ramos viajam através da fissura orbital inferior e contribuem para a 
inervação da parede orbital, seio esfenoidal e seio etmoidal. 
Nervos palatinos: 
Os nervos palatinos maiores e menores originam-se da superfície inferior do gânglio 
pterigopalatino e passam pelo canal palatino. O nervo palatino maior emerge na superfície 
oral do palato através do forame palatino maior e viaja para a frente dentro de um sulco 
na superfície inferior do palato duro. 
Foram relatadas variações da localização do forame palatino maior. A primeira 
descrição da localização do forame palatino maior foi relatada por Matsuda. Em particular, 
era oposta ao segundo ou terceiro molar superior ou em qualquer lugar entre o segundo e 
o terceiro maxilar molar. Um estudo recente confirmou a presença do forame oposto ao 
terceiro molar superior (54,87%) distal ao terceiro molar superior (38,94%) e entre o 
segundo e o terceiro molar superior (6,19%). 
Variações também foram descritas para suprimento nervoso; de fato, o nervo 
palatino maior às vezes pode fornecer ramos adicionais para os dentes superiores 
molares e pré-molares. Essa variação deve ser considerada para um bloqueio completo e 
adequado do nervo alveolar superior. 
Inerva a mucosa e as glândulas do palato duro, juntamente com a gengiva 
adjacente. Ele também se comunica com os filamentos terminais do nervo nasopalatino. 
O nervo palatino menor emerge na superfície oral através do forame palatino menor e 
viaja posteriormente para suprir o palato mole, as amígdalas e a úvula. 
Nervos nasais: 
Esses ramos viajam medialmente a partir do gânglio pterigopalatino e entram na 
cavidade nasal através do forame esfenopalatino. Eles incluem nervos nasais superiores 
posteriores mediais e laterais e nervo nasopalatino. Os ramos nasais superiores 
posteriores laterais correm anteriormente para suprir a mucosa da parede lateral da 
cavidade nasal. Enquanto os ramos nasais superiores posteriores mediais passam 
através do teto nasal para suprir a parede medial. 
O nervo nasopalatino, que é o mais longo entre os ramos nasais, passa pelo teto 
nasal e viaja anteriormente pelo septo nasal. Ele emerge no teto da cavidade oral através 
do canal incisivo e inerva a mucosa, gengiva e glândulas adjacentes aos dentes incisivos. 
[6] Ele também se comunica com o nervo palatino maior. 
Nervo faríngeo: 
Surge do aspecto posterior do gânglio pterigopalatino, atravessa o canal 
palatovaginal e inerva a mucosa e as glândulas da nasofaringe. 
Ramos Ganglionares: 
Os ramos ganglionares são dois em número e se originam diretamente da superfície 
inferior do nervo maxilar. Eles conectam o nervo maxilar ao gânglio pterigopalatino e 
transportamfibras nervosas parassimpáticas pós-ganglionares, que mais tarde se unem 
ao nervo zigomático-temporal e inervam a glândula lacrimal através de um ramo 
comunicante. 
Nervo alveolar superior posterior: 
O nervo alveolar superior posterior surge diretamente do nervo maxilar e sai 
lateralmente da fossa pterigopalatina através da fissura pterigomaxilar para entrar na 
fossa infratemporal. Em seguida, viaja lateralmente e inferiormente para perfurar a 
superfície infratemporal da maxila. Após entrar no seio maxilar, ele corre sob a mucosa e 
fornece membrana mucosa. Em seguida, divide-se em ramos e contribui para o plexo 
dental superior. Também fornece suprimento vascular para os dentes molares superiores 
e gengivas bucais adjacentes. 
McDaniel descobriu que o nervo alveolar superior posterior tinha um ramo em 21%, 
dois ramos em 30% e três ramos em 25% das amostras. Onde vários ramos estavam 
presentes, eles entraram no forame mais alto e supriram os dentes anteriores. 
Além disso, ocasionalmente, o bloqueio do nervo alveolar superior posterior pode 
não causar anestesia molar superior devido à presença de ramos do nervo palatino que 
podem inervar os dentes molares e pré-molares.33 Nesse caso, o bloqueio do nervo 
palatino maior pode estar associado a bloqueio do nervo alveolar superior posterior para 
aumentar os efeitos anestésicos. Uma alternativa ao bloqueio do nervo palatino maior 
poderia ser a injeção de anestésico plexo no aspecto palatino. 
Ramo Zigomático: 
Ramo zigomático, após se originar diretamente do nervo maxilar sai da fossa 
pterigopalatina através da fissura orbital inferior. Viaja na parede lateral da órbita e se 
divide em ramos zigomático-temporal e zigomático-facial. Ambos os ramos viajam ao 
longo do ângulo inferolateral da órbita. O ramo zigomático-temporal atravessa um canal 
ósseo dentro do osso zigomático e entra na fossa temporal através de um forame. 
Fornece a pele da área temporal. Também liberta um ramo comunicante ao nervo lacrimal 
da divisão oftálmica e transmite fibras secretomotoras à glândula lacrimal. O nervo 
zigomático-facial também atravessa um canal ósseo e emerge na face através de 
múltiplos forames no osso zigomático. Inerva a pele na proeminência da bochecha. 
 3) O piso da órbita: 
Após sair da fossa pterigopalatina através da fissura orbital inferior, o nervo maxilar 
entra na órbita como nervo infraorbital, que é seu ramo terminal. No assoalho da órbita, o 
nervo infraorbital emite dois ramos seguintes: 
Nervo alveolar superior médio: 
O nervo alveolar superior médio surge no sulco infraorbital e desce na parede lateral 
do seio maxilar e fornece a membrana mucosa. Dá pequenos ramos ao plexo dental 
superior, que fornece os dentes pré-molares superiores. 
McDaniel relatou que o nervo alveolar superior médio seguiu a descrição clássica 
em apenas 30% dos casos examinados, enquanto a maioria do ramo médio entrou na 
formação de um plexo nervoso que supria os dentes. Quando o ramo médio estava 
ausente, a inervação dos dentes pré-molares pode ser realizada por ramos secundários 
do nervo alveolar superior anterior, pelo nervo alveolar superior posterior ou por um plexo 
nervoso entre esses dois nervos. Mesmo que essa situação não seja facilmente 
detectável, essa variação deve ser considerada durante os procedimentos anestésicos. 
Nervo alveolar superior anterior: 
O nervo alveolar superior anterior se ramifica fora do nervo infra-orbital 
imediatamente antes de sair pelo forame infra-orbital. Viaja na parede anterior do seio 
maxilar e fornece a membrana mucosa. Emite ramos para o plexo dental superior, que 
fornece o incisivo superior e os dentes caninos. Também dá origem a um ramo nasal, que 
viaja através de um canal na parede lateral do meato inferior para fornecer inervação à 
membrana mucosa da parede lateral e no assoalho da cavidade nasal. 
4) No rosto: 
O nervo infraorbital, depois de emergir do forame infraorbital, divide-se em três 
ramos terminais principais, que são os seguintes: 
Ramos palpebrais inferiores: 
Eles são geralmente de dois a três em número e ascendem para suprir a pele e a 
conjuntiva da pálpebra inferior. Perto do canto lateral do olho, esses nervos se comunicam 
com os nervos zigomático-facial e facial. 
Ramos nasais: 
O ramo nasal externo fornece a pele da superfície lateral do nariz, e o ramo interno 
fornece o septo nasal e o vestíbulo do nariz. Os ramos nasais se comunicam com os 
ramos externos do nervo etmoidal anterior, que é uma continuação do nervo nasociliar, 
um ramo da divisão oftálmica. 
Ramos labiais superiores: 
Estes são numerosos e suprem a pele da parte anterior da bochecha, lábio superior, 
mucosa oral e glândulas labiais. Eles formam o plexo infraorbital junto com o ramo 
zigomático do nervo facial. 
Antes do forame redondo, deixa o 1º ramo na fossa média: 
• RAMO OU NERVO MENÍNGICO (ASG): 
É emitido a partir do nervo maxilar imediatamente após sua origem do gânglio 
trigeminal, acompanha a artéria meníngea média. Recolhe a sensibilidade das meninges. 
FOSSA PTERIGOPALATINA: 
O conteúdo vasculonervoso encontrado na fossa pterigopalatina é de grande 
importância aos profissionais da área de saúde, pois se distribui às regiões maxilares, 
bucal, nasa, faringeia e encefálica. Para qualquer procedimento em traumatologia 
bucomaxilofacial, neurectomias, contenção das epistaxis e técnicas anestésicas do 
nervo maxilar, no interior daquela fossa, o profissional deve ter profundo 
conhecimento da sua anatomia. 
A região tuberal, na proximidade com a fissura pterigomaxilar, correspondente aos 
limites anteriores da fossa pteropalatina, é uma importante referência anatômica para 
localizar a artéria maxilar durante a hemostase cirúrgica da epistaxe e evitar lesões no 
nervo maxilar e seus ramos durante procedimentos anestésicos regionais 
A fossa pterigopalatina (PPF) é uma depressão em forma de cone profundamente na 
fossa infratemporal e posterior à maxila em ambos os lados do crânio. A fossa está 
localizada entre o processo pterigóide e a tuberosidade maxilar, próximo ao ápice 
orbital. Esse espaço se comunica com as cavidades nasal e oral, a fossa infratemporal, 
a órbita, a faringe e a fossa craniana média através de oito forames. A compreensão 
tridimensional desse espaço é crucial para o rinologista e o cirurgião da base do 
crânio, tanto para o controle da epistaxe quanto para a remoção de lesões na base do 
crânio. A abordagem do espaço pterigopalatino é usada para tratar lesões nos espaços 
posteriores ao seio maxilar, incluindo o espaço pterigopalatino e o recesso esfenoidal 
lateral. Os processos patológicos nesse espaço são raros, sendo os processos mais 
comuns da doença o angiofibroma nasofaríngeo juvenil, tumores neurogênicos, uma 
extensão perineural da malignidade sinonasal e meningoencefaloceles. 
Estrutura e função 
Embora não cumpra uma função específica, esse espaço permite o trânsito de várias 
estruturas importantes através de diferentes forames. O forame redondo conecta o 
PPF à fossa craniana média. O canal pterigóide, também conhecido como canal 
vidiano, também conecta o PPF à fossa craniana média. O canal palatovaginal conecta 
o PPF à cavidade nasal e nasofaringe. Anteriormente, a fissura orbital inferior conecta 
o PPF à órbita. Medialmente, o forame esfenopalatino fornece acesso à cavidade 
nasal. Lateralmente, a fissura pterigomaxilar conecta o PPF à fossa infratemporal. 
Finalmente, inferiormente, o canal palatino maior conecta o PPF à cavidade oral. 
A fossa pterigopalatina também contém múltiplas estruturas importantes. Esta fossa 
contém o gânglio pterigopalatino. As raízes nervosas do nervo maxilar suspendem 
esse gânglio. O PPF contém o terço terminal da artéria maxilar. Além disso, o nervo 
maxilar (CN V2) e o nervo vidiano, ou o nervo do canal pterigóideo, que é uma 
combinação do nervo petroso maior e do nervo petroso profundo, também atravessam 
o PPF, em uma matriz gordurosa. 
O PPF é delimitado pelos ossos maxilar, palatinoe esfenoidal. A parede posterior do 
seio maxilar compreende a borda anterior, e o osso palatino forma seu assoalho e parede 
anteromedial. O teto é constituído pelo osso esfenoidal. Mais especificamente, o corpo 
esfenoidal e o processo orbital do osso palatino compõem o limite superior. A parede 
posterior do antro maxilar compõe o limite anterior. O processo pterigóideo e a asa maior 
do esfenóide compõem o limite posterior. O limite medial é constituído pelo osso palatino 
e pelo mucoperiosteum nasal. Finalmente, o músculo temporal através da fissura 
pterigomaxilar compõe o limite lateral do PPF. 
As estruturas vasculares e nervosas estão localizadas no ântero-inferior e no 
póstero-superior, respectivamente, na fossa pterigopalatina. A artéria esfenopalatina, que 
é um ramo da artéria maxilar interna, é encontrada entre os ossos esfenóide e palatino e 
entra na cavidade nasal no forame esfenopalatino. A divisão maxilar do nervo trigêmeo e 
do nervo vidiano entra pela parede posterior do PPF. A divisão maxilar do nervo trigêmeo 
se move através do forame rotundo. 
O nervo vidiano atravessa o canal pterigóideo. Eles se reúnem para formar o gânglio 
pterigopalatino e depois se ramificam no nervo infraorbital e nos nervos palatinos maiores 
e menores. O nervo infraorbital sai pela fissura orbital inferior e os nervos palatinos maior 
e menor passam pelos forames palatinos maior e menor, respectivamente. 
Posteriormente ao PPF, pode ocorrer pneumatização da porção lateral do osso 
esfenoidal, formando um recesso esfenoidal lateral. Esse achado é observado em 25% a 
48% dos indivíduos. O teto do recesso esfenoidal lateral pode estar diretamente abaixo do 
lobo temporal, e esse é um local comum para as encefaloceles da fossa craniana média. 
O PPF é uma encruzilhada natural entre diferentes estruturas anatômicas ligadas 
aos espaços intracraniano, facial, oral e cervical. Portanto, é de importância clínica em 
campos diferentes: por exemplo, pode ser invadida por tumores ou infecções de todos os 
espaços comunicantes devido a limites ósseos incompletos [2–4]. Além disso, a ligação 
da artéria esfenopalatina, ramo terminal da artéria maxilar interna, é crucial no caso de 
epistaxe posterior ou hemostase nas intervenções cirúrgicas da base craniana [1]. O PPF 
também é o principal alvo de vários procedimentos neurocirúrgicos, incluindo Tratamento 
de dor de cabeça em cluster por Gamma Knife [5] e de procedimentos anestesiológicos, 
como bloqueio do nervo maxilar [3, 6–8], onde o conhecimento preciso das características 
anatômicas do PPF é obrigatório. 
Na fossa pterigopalatina, após o forame redondo, deixa ramos que vão comunicar o 
nervo maxilar com o gânglio pterigopalatino (gânglio do parassimpático que se encontra 
abaixo da porção maxilar, na fossa pterigopalatina): 
• RAMOS COMUNICANTES COM O GÂNGLIO PTERIGOPALATINO (ASG e EVG) 
(fig. 12): 
 
Fig 12. NETTER 
São dois troncos curtos que se unem ao nível do gânglio pterigopalatino e 
depois são distribuídos em uma série de ramos. São também importantes 
comunicações funcionais entre o gânglio e o nervo maxilar. Fibras secretomotoras 
pós-ganglionares desse gânglio passam através deles e voltam, ao longo do nervo 
maxilar, ao nervo zigomático, através do qual as fibras são encaminhadas ao 
nervo lacrimal e glândula lacrimal. Outras fibras do gânglio acompanham os ramos 
de distribuição do nervo maxilar às glândulas da cavidade nasal e palato. 
Antes de passar pela fissura orbital inferior deixa 2 ramos: 
• NERVO ZIGOMÁTICO (ASG e EVG): 
Tem origem na fossa pterigopalatina, penetra na órbita pela fissura orbital inferior, 
dirige-se anteriormente, no canto inferior e lateral da cavidade orbitária, até chegar ao 
forame zigomático orbital. Dentro do osso zigomático, esse nervo se bifurca: 
- nervo zigomático facial (ASG): 
Emerge pelo forame zigomáticofacial e, perfurando o músculo orbicular do olho, 
emerge na face. Recolhe sensibilidade da pele da região acima do zigomático (maçã do 
rosto). 
- nervo zigomático temporal (ASG): 
Emerge pelo forame zigomático temporal e penetra na fossa temporal. Por ser 
sensitivo, para chegar à pele da têmpora, perfura o músculo e fáscia temporais. Recolhe 
sensibilidade de parte dessa pele. 
As fibras pós-ganglionares (g. pterigopalatino), para chegarem à glândula lacrimal, 
pegam carona com o nervo maxilar e se continuam com o nervo zigomático, de onde 
passarão para o nervo lacrimal através do ramo comunicante. 
Anatomicamente, essas fibras não fazem parte do trigêmeo, apenas usam-no como 
carona para chegarem ao local a ser inervado. Funcionamente, estão ligadas ao VII. 
Lesões no osso zigomático, geralmente atingem os nervos infraorbital e zigomático, 
bem como seus ramos, logo, além de diplopia e dor na abertura de boca, leva também a 
uma parestesia nas áreas inebriadas pelo nervo zigomático e comprometer a produção da 
lágrima. 
A perda de sensibilidade na região de inervação do nervo infraorbitário deve-se ao 
rompimento, à compressão ou à laceração do mesmo dentro ou fora do canal infraorbital. 
Este canal emerge abaixo do bordo infraorbitário e frequentemente é envolvido em 
fraturas zigomáticas7. 
Fatores a serem avaliados, quando pesquisadas alterações de sensibilidade, são a 
presença de fraturas associadas e a idade dos pacientes. Quando ocorrem múltiplas 
fraturas na face, a regeneração nervosa é mais tardia2. Pacientes mais velhos (acima da 
quinta década de vida apresentam um tempo maior de parestesia pós-traumática que 
pacientes mais jovens1. 
• NERVO ALVEOLAR SUPERIOR POSTERIOR (ASG e EVG): 
Último ramo deixado pelo nervo maxilar na fossa pterigopalatina. 
Dentre as descrições clássicas QUAIN (1909), observa que o nervo alveolar superior 
nasce do tronco maxilar depois que este penetra na ranhura infraorbitária, mas antes 
desta transformar-se em canal; imediatamente se divide em dois ramos, 
freqüentemente de origens separadas, distribuindo-se à gengiva, parte adjacente da 
mucosa da bochecha, canais dentários posteriores e mucosa do seio maxilar. 
Os dois ou três ramos do nervo alveolar superior posterior deixam o nervo maxilar 
antes de penetrar no canal infraorbital. Em seguida, descem na tuberosidade maxilar, 
em estreita relação com a artéria maxilar, entrando finalmente nos forames alveolares 
posteriores e atingindo as raízes dos molaressuperiores, onde se comunicam em um 
complexo irregular, originando quatro ramos terminais: ramos dentários, que suprem 
as raízes molares e pré-molares ; ramos alveolares, ao periósteo alveolar e mucosa 
gengival; ramos mucosos, suprindo a mucosa do seio maxilar; e ramos ósseos, que 
suprem a maxila. Em sua trajetória, esses nervos deixam alguns ramos livres que 
suprem a mucosa e a gengiva bucais, descendo até a tuberculose maxilar 
Deixa o nervo maxilar antes de passar pela fissura orbital inferior, desce pelo túber 
da maxila e penetra nos forames alveolares superiores (em número de 1 a 3). 
Recolhe sensibilidade de: 3MS, 2MS, raízes disto-vestibular e palatina do 1MS, o 
osso alveolar que envolve esses dentes e essas raízes, gengiva vestibular desses dentes 
e da raiz disto-vestibular, a parede posterior e parte da parede lateral (osso + mucosa) do 
seio maxilar. 
Fig13. GERMAN et al., 2015 
 O nervo maxilar, ao passar pela fissura orbital inferior, começa a ser chamado de: 
• NERVO INFRAORBITAL: 
É a continuação anatômica do nervo maxilar, que recebe esse novo nome ao cruzar 
a fissura orbital inferior, para atingir a órbita. No assoalho da órbita, o nervo infraorbital 
ocupa, na sequência, o sulco e, em seguida, pelo canal de mesmo nome, emergindo na 
face através do forame infraorbital, acompanhado pela artéria e veia de mesmo nome. 
Seu trajeto no sulco até o forame é de lateral para medial. Nesse trajeto, deixa o 1º ramo: 
- Nervo alveolar superior médio: 
Presente em cerca de 70% dos indivíduos, sai do nervo infraorbital no interior do 
canal, desce pela parede lateral do seio maxilar. É visível porbaixo da mucosa 
(transparente). 
Recolhe a sensibilidade de: raiz mésio-vestibular do 1MS, 1PMS e 2PMS, osso 
alveolar que envolve esses dentes e essa raiz, a gengiva vestibular que envolve esses 
dentes e essa raiz e a parede lateral do seio maxilar. 
Há alguns milímetros antes de sair pelo forame infra-orbital, do nervo infra-orbital vai 
emergir o: 
- Nervo alveolar superior anterior: 
Sai do nervo infraorbital pouco antes dele emergir pelo forame de mesmo nome. 
Desce pela parede lateral e anterior do seio maxilar, anteriormente ao nervo alveolar 
superior médio. Podendo ser visível também através da mucosa do seio maxilar. 
Recolhe sensibilidade de: ICS, ILS, CS, osso alveolar e gengiva vestibular que 
envolve esses dentes e a outra parte da parede lateral do seio maxilar (osso + mucosa), 
hemi-lábio superior e asa do nariz. 
Ao emergir pelo forame infraorbital, o nervo se divide em seus ramos terminais: 
- Nervo palpebral inferior (sobe): 
Recolhe sensibilidade da pálpebra inferior (pele e conjuntiva). 
- Nervo nasal lateral (medial): 
Recolhe sensibilidade de pele da parte lateral do nariz externo. 
- Nervo labial superior (desce): 
Recolhe sensibilidade de pele e mucosa de hemi-lábio superior. 
→ existe uma anestesia no nível do forame infra-orbital, em que se costuma injetar o 
anestésico dentro do forame; consequentemente, o anestésico vai para dentro do canal; 
assim, como o nervo alveolar superior anterior deixa o nervo infraorbital há alguns 
milímetros do forame, também será bloqueado pela solução anestésica. 
RAMOS (anatômicos) DO GÂNGLIO PTERIGOPALATINO (EVG e ASG): 
O gânglio pterigopalatino não tem participação nenhuma nesses ramos pois, 
funcionalmente, o gânglio é motor (parassimpático), e as fibras trigeminais são 
predominantemente sensitivas, vindas do nervo maxilar. 
• NERVO OU RAMO NASAL SUPERIOR POSTERIOR (ASG e EVG): 
Sai da fossa pterigopalatina e penetra na cavidade nasal pelo forame 
esfenopalatino. Percorre a parede lateral da cavidade nasal superiormente e de posterior 
para anterior. Recolhe sensibilidade da mucosa superior e posterior da parede lateral da 
cavidade nasal, que corresponde às conchas nasais e meatos supremo e superior. Leva 
também invervação parassimpática, proveniente do gânglio pterigopalatino para as 
glândulas da mucosa nasal em sua região de inervação. 
• RAMO PALATINO DESCENDENTE (ASG, EVG e AVE): 
Vai descer na fossa pterigopalatina, pelo canal palatino maior ou pterigopalatino e, 
depois de um certo trajeto, divide-se em 3 ramos: 
Fig 14. Netter 
- nervo palatino maior (ASG, EVG e AVE): 
Traspassa o forame palatino maior, caminhando anteriormente no palato duro até a 
região de canino superior. Recolhe sensibilidade de mucosa palatina de canino para trás. 
No nível de canino, entrecruza-se com o nervo nasopalatino. Esse nervo carreia fibras 
secretomotoras pós-ganglionares parassimpáticas para as glândulas palatinas. Além dos 
componentes sensitivo e parassimpático, os nervos palatinos maiores contêm fibras 
gustatórias provenientes do nervo facial, via nervo petroso maior. Antes de emergir pelo 
forame palatino maior, esse nervo deixa um ramo: 
- nasal inferior posterior (ASG e EVG): 
Percorre a parede lateral e inferior da cavidade nasal. Recolhe a sensibilidade da 
mucosa da região correspondente às conchas e meatos médio e inferior. Leva também 
invervação parassimpática, proveniente do gânglio pterigopalatino para as glândulas da 
mucosa nasal em sua região de inervação. 
- Nervos palatinos menores (ASG, EVG e AVE): 
Emergem pelos forames palatinos menores e recolhem sensibilidade de palato mole 
e tonsila palatina. Além dos componentes sensitivo e parassimpático, os nervos palatinos 
menores contêm fibras gustatórias provenientes do nervo facial, via nervo petroso maior. 
• RAMOS FARÍNGECOS: 
Para chegar aos coanos da cavidade nasal, passa pelo forame esfenopalatino. 
Segue no canal palato-vaginal, recolhendo sensibilidade do teto da faringe e do seio 
esfenoidal. 
• NERVO OU RAMO NASOPALATINO: 
Sai da fossa pterigopalatina, passa pelo forame esfenopalatino, chegando à 
cavidade nasal, indo em direção ao septo nasal. Tem o mesmo trajeto da artéria 
nasopalatina: de superior para inferior e de posterior para anterior até o canal incisivo, 
emergindo no palato duro pelo forame incisivo. Vai até o nível de canino superior. 
No seu trajeto pelo septo, recolhe sensibilidade da mucosa, do osso e da cartilagem 
do septo. No palato, recolhe sensibilidade da mucosa palatina de canino a canino. 
O canal pterigóideo (sai da fossa pterigopalatina), situado abaixo do ápice da porção 
petrosa entre o corpo e a asa maior do esfenóide. Por esse canal entram as fibras 
simpáticas e parassimpáticas. 
A inervação parassimpática da porção maxilar do V é toda feita pelo VII. 
Fig 15. Netter 
1 – Explique, anatomicamente, por que o 1MS apresenta uma dupla inervação? 
As raízes mesio e disto-vestibular estão separadas pela crista zigomático-alvelar 
(espessamento ósseo; ponto de referência para uma anestesia unitária no 1MS; provoca 
bifurcação das raízes). 
2 – Quais anestesias deverão ser aplicadas numa extração do 1MS? Por quê? 
Nervo alveolar superior posterior (raízes disto-vestibular e palatina), nervo alveolar 
superior médio (raiz mésio-vestibular). Tais anestesias provocam a dessensibilização do 
osso alveolar e da gengiva vestibular. Para dessensibilizar a gengiva palatina, devemos 
anesrtesiar as mediações do nervo palatino maior. 
→ anastomose só é feita quando há luz na estrutura (veia, artéria, linfático); o nervo 
não apresenta luz → entrecruzamento 
→ quando a estrutura a ser inervada está situada próxima à linha medana, ocorre o 
entrecruzamento de fibras de um lado com o outro; deve-se fazer uma anestesia 
suplementar do lado oposto 
3 – Quais anestesias devem ser aplicadas para a retirada do tórus palatino? 
O tórus palatino localiza-se, geralmente, na região de pré-molares a molares. 
Nervo palatino maior e alveolares superiores posterior e médio dos dois lados. 
4 – Por que, geralmente, as anestesias no arco superior têm um sucesso 
imediato? 
Porque a maxila é um osso extremamente poroso em todas as idades do indivíduo 
e, consequentemente, facilmente se difundem soluções anestésicas através desse osso, 
cujos nervos estão no seu interior. Além disso, os 3 nervos alveolares superiores se 
entrecruzam no interior da maxila, formando o plexo alveolar superior. 
Lesões que afetam o nervo maxilar e seus ramos: 
A divisão maxilar do nervo trigêmeo pode ser afetada por várias patologias, que 
incluem comprometimento da raiz sensitiva do nervo trigêmeo, infecções, lesão 
iatrogênica ou trauma. 
A neuralgia do trigêmeo é uma condição clínica que afeta a raiz sensorial do nervo 
trigêmeo. A fisiopatologia exata ainda é desconhecida, mas pode resultar de danos no 
nervo por condições como acidente vascular cerebral, trauma, tumor, aneurisma ou 
esclerose múltipla. É caracterizada por dor crônica nas áreas supridas pelos ramos do 
nervo trigêmeo, incluindo a divisão maxilar. A dor é intensa, aguda, repentina no início e 
em choque, como no caráter, durando de alguns segundos a minutos. Pode ser 
desencadeada por atividades cotidianas como barbear, comer ou escovar os dentes. Não 
responde a analgésicos normais. O tratamento de primeira linha inclui medicamentos 
como anticonvulsivantes, mas casos resistentes podem ser tratados pela destruição 
cirúrgica da raiz sensorial. [8] 
O vírus herpes zoster infecta os gânglios trigêmeos e pode causar dor intensa em 
todas as áreas sensoriais supridas pelo nervo trigêmeo, incluindo a divisão maxilar. 
Geralmente afeta pacientes idosos e imunocomprometidos. Em casos graves, a perda 
completa da sensação pode resultar em regiões afetadas. [9] 
O nervo maxilar também pode estar envolvido em condições que afetam o seio 
cavernoso, como infecções, meningioma ou tumores metastáticos. As lesões que afetam 
o nervo infraorbital no forame infraorbital, como adisseminação perineural do câncer de 
pele, podem causar a síndrome da bochecha dormente, que se apresenta com dormência 
na bochecha e no lábio superior. O incisivo superior e os dentes caninos, juntamente com 
a gengiva, também podem ter envolvimento nessa condição. [10] Os ramos do nervo 
infraorbital, como o nervo labial superior ou o nervo alveolar superior anterior, sofrem 
lesões em músicos que tocam instrumentos de metal. Essa condição é conhecida como 
neuropatia do trompetista e se apresenta com dor e dormência no lábio superior 
PARTE MANDIBULAR: 
A porção mandibular do nervo trigêmeo sai da fossa média do crânio, atravessa o 
forame oval para chegar à fossa infratemporal. 
Essa divisão do trigêmeo faz com que ele seja caracterizado como um nervo misto, 
pois é a única a possuir em seu interior componentes sensitivos e motores (RIZZOLO e 
MADEIRA, 2012). Antes de atravessar o forame oval, as raízes sensitiva e motora estão 
separadas, só se unindo após atravessarem o mesmo, sendo então classificado como 
nervo misto. 
Após sua emergência na fossa infratemporal, ele emite seus dois primeiros ramos. 
• RAMO MENÍNGICO (ASG): 
Apresenta-se na fossa infratemporal. Da fossa, volta à cavidade intracraniana (fossa 
média), a fim de chegar às meninges através do forame espinhoso (atrás do forame oval), 
juntamente com a artéria meníngea média. Recolhe sensibilidade das meninges. 
• RAMO PARA O MÚSCULO PTERIGOÍDEO MEDIAL (EVE e ASG): 
Apresenta um pequeno contingente de fibras ASG vindas da propriocepção. 
Passa medialmente ao músculo pterigóideo lateral e desce para inervar o músculo 
pterigóideo medial (que está em um nível mais inferior que o lateral). Chegando 
medialmente no músculo pterigóideo medial, penetrando em seu bordo posterior, próximo 
a sua origem na fossa pterigóide. 
Deixa um ramo para o músculo tensor do véu palatino (medial ao forame oval) e 
para o músculo tensor do tímpano (os 2 músculos apresentam inervação EVE). Esses 
três nervos podem ter uma origem comum. 
Após os dois ramos, a porção mandibular vai apresentar 2 divisões: uma anterior 
(predominantemente motora, que recebem o nome dos músculos que inervam) e outra 
posterior (predominantemente sensitiva). 
RAMOS DA DIVISÃO ANTERIOR DA PORÇÃO MANDIBULAR DO NERVO 
TRIGÊMIO: 
• MASSETÉRICO (EVE e ASG): 
Apresenta um pequeno contingente de fibras ASG vindas da propriocepção. 
Abandona o tronco do nervo mandibular entre a asa maior do esfenóide e a 
superfície superior do músculo pterigóideo lateral. Passa por cima do feixe superior do 
músculo, chegando à sua superfície lateral, passa pela incisura da mandíbula e vai à face 
profunda do músculo masseter, levando motricidade ao mesmo. Nesse trajeto recebe 
fibras nervosas da cápsula da ATM, contribuindo para conduzir suas informações 
proprioceptivas (RIZZOLO e MADEIRA, 2012). 
• NERVOS TEMPORAIS PROFUNDOS ANTERIOR E POSTERIOR (EVE e ASG): 
Apresenta um pequeno contingente de fibras ASG vindas da propriocepção. 
O nervo temporal profundo anterior desprende-se do tronco do nervo mandibular 
próximo à base do crânio, penetra entre as cabeças do músculo pterigóideo lateral para 
alcançar as fibras profundas do músculo temporal. Chegam à face profunda do músculo 
temporal, inervando-o. As fibras posteriores são inervadas pelo nervo temporal profundo 
posterior, após o mesmo ter contornado a borda superior do músculo pterigóideo lateral. 
Este nervo também é responsável pela inervação proprioceptiva da cápsula da ATM. 
• NERVO PARA O MÚSCULO PTERIGOÍDEO LATERAL (EVE e ASG): 
Apresenta um pequeno contingente de fibras ASG vindas da propriocepção. 
Inerva o músculo pterigóideo lateral, que está próximo à porção mandibular. 
• NERVO BUCAL (ASG): 
Sai da face medial do músculo pterigóideo lateral, passa entre as duas cabeças do 
músculo. Relaciona-se anteriormente com o tendão do músculo temporal e com o 
processo coronóide. Caminha para anterior, chega ao corpo adiposo da bochecha, 
atingindo a face lateral do músculo bucinador. 
Recolhe sensibilidade de pele e mucosa da bochecha e da gengiva vestibular de 
2PMI para trás. 
Variações anatômicas: 
• Tronco Têmporo-massetérico: nervo temporal profundo posterior + nervo 
massetérico 
• Tronco Têmporo-bucal: nervo temporal profundo anterior + nervo bucal 
RAMOS DA DIVISÃO POSTERIOR DA PORÇÃO MANDIBULAR DO NERVO 
TRIGÊMIO: 
• NERVO AURÍCULOTEMPORAL (ASG e EVG): 
Para chegar à região da têmpora e do pavilhão auricular, sai na parte medial do 
músculo pterigóideo lateral; seus feixes se unem para formar uma abotoadura, por onde 
passa a artéria meningea média. Contorna posteriormente o colo do côndilo, exterioriza-
se e cruza o arco zigomático, indo à região da têmpora. Nesse trajeto, recolhe 
sensibilidade de: ATM, glândula parótida, meato acústico externo (até a membrana do 
tímpano), parte do pavilhão auricular e pele da têmpora. 
O gânglio ótico está relacionado anatomicamente com a porção mandibular do 
trigêmeo. Fibras parassimpáticas, provenientes do IX, saem desse gânglio, pegam carona 
no nervo aurículotemporal, chegando à glândula parótida e dando sua secreção (EVG). 
Por ser predominantemente serosa, a glândula tem maior inervação parassimpática. 
As fibras simpáticas chegam através dos ramos da artéria carótida externa (estimulando a 
vasodilatação). 
• NERVO ALVEOLAR INFERIOR: 
Passa entre o ligamento esfenomandibular e o ramo da mandíbula, chegando ao 
forame mandibular. 
Antes de penetrar no forame, o nervo alveolar inferior emite um ramo: 
- ramo milohioídeo (EVE e ASG): 
Perfura o ligamento esfenomandibular, passa pelo sulco milohioídeo, inervando o 
músculo milohioídeo e o ventre anterior do músculo digástrico. 
Após o forame, dentro do canal mandibular, o nervo alveolar inferior recolhe 
sensibilidade do 3MI, 2MI, 1MI e 2PMI e o osso alveolar que envolve esses dentes. 
No nível do 2PMI, divide-se em 2 ramos: 
- ramo mentoniano (ASG): 
Emerge pelo forame mentoniano (localizado, geralmente, a nível de 2PMI e 1PMI) e 
recolhe sensibilidade de pele e mucosa de hemi-lábio inferior, pele de hemi-mento e 
gengiva vestibular de ICI até 1PMI. 
- ramo incisivo (ASG): 
Continua-se dentro do canal incisivo e recolhe sensibilidade de ICI, ILI, CI e 1PMI e 
o osso alveolar que envolve esses dentes. 
• NERVO LINGUAL (ASG e EVG): 
Apresenta uma relação muito estreita com o nervo alveolar inferior, principalmente 
no nível do forame mandibular. Localiza-se mais anterior e mais medial ao nervo alveolar 
inferior. 
Sai da divisão posterior, cruza de lateral para medial do ducto da glândula 
submandibular (por debaixo dele), indo em direção à língua. Passa entre o músculo 
hioglosso, lateralmente, e o músculo milohioídeo, medialmente. Nesse ponto, a 1cm 
abaixo e atrás do 3MI, estará mais superficialmente (é o ponto em que podemos cortá-lo e 
anestesiá-lo sozinho). 
O nervo lingual está, inicialmente, entre os músculos hioglosso e milohioídeo; depois 
passa para a parte lateral do músculo genioglosso. 
O músculo hioglosso separa o nervo lingual (lateralmente ao músculo) da artéria lingual 
(medialmente ao músculo). 
Recolhe sensibilidade de: mucosa de soalho da cavidade bucal, glândula submandibular e 
sublingual, gengiva lingual de todos os dentes inferiores de hem-arcada e mucosa dos 
dois terços anteriores de hemi-língua (todos do lado em questão). 
Logo na sua origem, recebe o nervo corda do tímpano (ramo do VII). Suas fibras 
(gustativas – AVE – e secretomotoras parassimpáticas para as glândulas submandibular e 
sublingual – EVG) passam a se distribuir junto com as do nervo lingual. 
As fibras simpáticas chegam à glândula através da artéria facial. 
O nervo lingual mantém relação com um gânglio parassimpático, chamado gânglio 
submandibular. Nele, as fibras do nervo corda do tímpano farão sinapse e as pós-
ganglionares vão às glândulas. 
VIAS TRIGEMINAIS EXTEROCEPTIVAS E PROPRIOCEPTIVAS 
Os estímulos exteroceptivos (dor, tato, temperatura e pressão) partem da superfície 
paraas suas respectivas terminações nervosas. Correm no nervo, por uma 
despolarização de membrana (troca de íons), e chegam até o gânglio trigeminal (onde 
está seu núcleo). Do gânglio, vão ao tronco encefálico, entrando entre a ponte e o 
pedúnculo cerebelar médio. Alcançam os núcleos sensitivo principal e do trato espinhal do 
V através dos prolongamentos centrais dos neurônios, que fazem sinapse (1ª sinapse) 
com outro neurônio localizado no interior dos núcleos. 
→ o 1º neurônio da via está no gânglio, o 2º, no núcleo 
O segundo neurônio da via irá subir, cruzando a linha mediana. Formam o 
LEMINISCO TRIGEMINAL (decussação das fibras do V). Chegam ao tálamo, no núcleo 
ventro-póstero-medial do tálamo (núcleo VPM). 
A Segunda sinapse ocorre no tálamo; dela origina-se o 3º neurônio da via, que 
segue para o córtex cerebral (giro pós-central → área 1, 2, 3 de Broadman). 
RESUMO: 
 Núcleo Sensitivo Principal 
Estímulo → Terminações nervosas → Gânglio Trigeminal Tálamo → córtex 
 Núcleo do Trato Espinhal do V 
 (SINAPSE) (SINAPSE) 
A via trigeminal exteroceptiva é constituída de 3 neurônios e 2 sinapses: 
1º neurônio: gânglio 1ª sinapse: núcleos 
2º neurônio: núcleos 2ª sinapse: tálamo 
3º neurônio: tálamo 
Os estímulos proprioceptivos partem de receptores localizados nos músculos, nos 
ligamentos e na ATM e vão para o núcleo mesencefálico do V, onde está o 1º neurônio. 
Seu prolongamento central se comunica com o núcleo motor do trigêmio, onde se 
encontra o segundo neurônio. Do núcleo motor parte uma resposta motora, que vai atuar 
nas terminações nervosas (placas motoras no interior do parênquima muscular) nos 
músculos. Temos o arco reflexo simples. 
Nas restaurações dentarias altas, os estímulos partem de proprioceptores 
encontrados no ligamento periodontal, vão ao núcleo mesencefálico e passam ao núcleo 
motor, que manda uma resposta a fim de abrir a mandíbula e levá-la a um outro local 
onde se possa fazer o fechamento da boca. 
Os prolongamentos centrais podem ir direto ao cerebelo, dando a propriocepção 
inconsciente ou podem ir do núcleo mesencefálico do V, a partir do qual cruzam a linha 
mediana, chegando ao núcleo VPM, e desse até o córtex, dando a propriocepção 
consciente. 
Dessa forma, tomamos consciência mais tardiamente do que a resposta. Esse é um 
reflexo protetor contra agentes nocivos, que podem chegar, por exemplo, à cavidade 
bucal.

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