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Questão • Você concorda com a ideia de que sem autonomia não há moralidade? Dis- cuta esse tema em grupo e depois elabore individualmente um breve escrito. Registre em seu caderno (BNCC) Competência específica: 5 Habilidades: EM13CHS501 EM13CHS502 EM13CHS504 Liberdade, moralidade e dignidade humana em Kant O filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804) pensou a liberdade humana e a ação autônoma de maneira rigorosa. Sua concepção estabelece uma relação intrínseca entre justiça, direito e virtude. No entendimento do filósofo, só há ação moral ou moralidade se houver liberdade. Todavia, para Kant, a liberdade não consiste em poder fazer o que se quer, sem qualquer impedimento. Também não significa ter livre iniciativa para agir segundo as demandas do mercado nem de acordo com nossas preferências, interesses, desejos ou necessidades mais básicas. Agir dessa maneira não é ser livre, é responder a problemas contingentes – portanto, variáveis e momentâneos. Esse tipo de conduta, que é comum e faz parte do dia a dia, não possibilita distinguir o certo do errado. A moralidade teria de ser fundada em princípios universais, não empíricos, isto é, válidos para todos. Mas como isso é possível? A fonte da moralidade A ideia utilitarista de que a maximização da felicidade é critério para decidir se uma ação é correta ou não é totalmente repudiada por Kant. Ela não traz nenhuma contri- buição para o entendimento da moralidade, pois fazer um homem feliz não faz dele um ser humano bom ou justo. Assim como outros animais, o ser humano tem inúmeras inclinações e desejos. Quando apenas respondemos a eles, escolhendo o que nos dá prazer e repudiando o que nos causa dor, não estamos sendo plenamente livres porque estamos sob a orien- tação dessas inclinações e desses desejos, agindo como escravos deles. Para Kant, liberdade plena implica autonomia, e só se é moralmente autônomo quando a razão institui a própria lei que se quer seguir. Só o ser humano pode utilizar a razão para definir sua conduta, isto é, só ele pode ter uma vontade realmente livre, que segue a diretriz ou o princípio estabelecido pela razão, independentemente de qualquer fator externo empírico. Nessa perspectiva, a fonte da ética ou da moralidade humana é a razão, e só é ver- dadeiramente livre a vontade que se autodetermina, que estabelece leis morais para si, seguindo preceitos da razão, e não se guia por vantagens, prazeres, ganhos que se poderiam obter ou qualquer outro interesse externo ao sujeito. Assim, acatar uma lei só para não ser preso seria um ato prudente, mas não moral. É dessa maneira que Kant estabelece a relação entre liberdade, moralidade e razão. Intrínseco: que faz parte de ou que constitui a essência, a natureza de algo; que é próprio de algo. Na sociedade contemporânea, a liberdade é, com frequência, associada à possibilidade de satisfazer todos nossos desejos e impulsos de consumo. Essa ideia de liberdade diverge da concepção kantiana, para quem o indivíduo que se deixa guiar pelas suas pulsões é escravo delas. Na foto, consumidora faz compras em Olinda, Pernambuco, 2019. Direitos e dignidade humana A teoria moral kantiana ressalta a liberdade como fundamento da ação ética. A li- berdade de cada indivíduo é pressuposta para a ação justa ou moral, isto é, puramente racional. Mas não se trata da liberdade para os negócios ou para o mercado. O indivíduo que guia sua conduta pelos interesses externos ou empíricos não é livre, segundo o postulado kantiano, mas escravo desses interesses. Também não é livre aquele que se su- bordina a uma vida virtuosa imposta pela maioria da sociedade, pelas leis de um Estado ou de determinado grupo religioso. A virtude só pode resultar do autoconstrangimento, isto é, da subordinação consciente às leis ou imperativos da razão. Assim, a defesa da liberdade individual é consequência lógica do pensamento kantiano. M E S Q U IT A FM S /I S TO C K /G E TT Y IM A G E S 16 R ep ro d uç ão p ro ib id a. A rt .1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . “A liberdade (a independência de ser constrangido pela escolha alheia) na medida em que pode coexistir com a liberdade de todos os outros de acordo com uma lei universal, é o único direito original pertencente a todos os homens em virtude da humanidade destes.” KANT, Immanuel. A metafísica dos costumes. 2 ed. Bauru: Edipro, 2008. p. 83. Dessa formulação advém outro aspecto ou ideia: é esta caraterística – a de, pela razão, poder agir realmente de maneira livre, sem ser refém de determinantes instintivos ou sociais – que dis- tingue o ser humano das coisas e dos animais, dando-lhe dignidade. Não se trata da dignidade deste ou daquele indivíduo. A possibilidade de liberdade plena é uma característica universal e única dos seres humanos. Por isso, toda e qualquer pessoa deve ser respeitada na sua humani- dade. Não deve ser tratada como um mero meio para se conquistar qualquer objetivo ou meta, mas um fim em si mesmo. Um Estado ou uma Constituição justa deveria preservar a liberdade de cada indivíduo em harmonia com a liberdade de todos. O pensamento kantiano, nesse aspecto, ajudará a fundamentar, do ponto de vista moral, os Direitos Humanos universais ou o direito que todo indivíduo tem à humanidade. Doc. 2 O véu da ignorância Seguindo a tradição contratualista, liberal e em grande parte a teoria kantiana da moral, o filósofo estadunidense John Rawls (1921-2002) trouxe inúmeras contribuições para as reflexões sobre justiça social. No início de seu livro Uma teoria da justiça, Rawls faz a seguinte afirmação quando procura tratar do papel da justiça: “A justiça é uma virtude primeira das instituições sociais, assim como a verdade o é dos sistemas de pensamento. Por mais elegante e econômica que seja, deve-se rejeitar ou retificar a teoria que não seja verdadeira; da mesma maneira que as leis e instituições, por mais efi- cientes e bem organizadas que sejam, devem ser reformuladas ou abolidas se forem injustas”. RAWLS, John. Uma teoria da justiça. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2016. p. 4. Para o filósofo, a verdade e a justiça seriam as virtudes primeiras das atividades humanas. No entanto, ele admite que a sociedade é um empreendimento cooperativo que está marcado tanto por interesses comuns quanto conflitantes. Se, por um lado, a cooperação social torna a vida melhor do que a que se pode alcançar pelo esforço individual, por outro, há conflito de inte- resses em relação à distribuição dos benefícios alcançados por meio dela. Então, como fazer para atingir uma sociedade justa? Rawls acredita que seja necessário, como base de uma sociedade justa, uma concepção compartilhada de justiça. Mas como fazer isso se os propósitos, objetivos e interesses dos indivíduos são diferentes? R IC A R D O R IB A S /S O PA IM A G E S /L IG H TR O C K E T/ G E TT Y IM A G E S A vida em sociedade exige cooperação entre seus membros, mas nem sempre a distribuição dos frutos colhidos com o esforço coletivo é consensual. Na foto, pescadores em Florianópolis, Santa Catarina, unem forças para tirar rede de pesca do mar, 2018. R ep ro d uç ão p ro ib id a. A rt .1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 17 Os amantes, pintura do surrealista belga René Magritte (1898-1967) produzida em 1928. O filósofo John Rawls propõe um experimento mental no qual as pessoas deveriam escolher os princípios de justiça como se estivessem encobertas por um véu de ignorância, ou seja, desconhecendo a posição que ocupam na sociedade. O contrato hipotético Rawls propõe uma experiência mental na qual as pessoas teriam igual liberdade tanto para pensar os princípios de justiça que devem atribuir direitos e deveres quanto para determinar a divisão dos benefícios sociais. Esses princípios, que orientariam a delimitaçãodo que é justo ou injusto, poderiam ser compartilhados por pessoas livres e racionais mesmo em uma sociedade com interesses conflitantes. Vamos participar um pouco dessa experiência para avançarmos em nossas reflexões sobre a justiça social. Imagine um estado inicial hipotético no qual as pessoas estejam cobertas por um véu de ignorância sobre sua situação. A característica central desse estado é que ninguém conheceria seu lugar na sociedade, sua classe ou condição social. Quer dizer, ninguém teria conhecimento de sua participação na distribuição da riqueza produzida nem de suas habilidades inatas, como sua força ou inteligência. Os princípios de justiça seriam escolhidos por trás desse véu. “Isso garante que ninguém seja favorecido ou desfavorecido na escolha dos princípios pelo resultado do acaso natural ou pela contingência de circunstâncias sociais. Já que todos estão em situação semelhante e ninguém pode propor prin- cípios que favoreçam sua própria situação, os princípios de justiça são resultantes de um acordo ou pacto justo.” RAWLS, John. Uma teoria da justiça. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2016. p. 15. Supõe-se que uma pessoa não escolheria, por exemplo, que o Estado não deveria intervir em uma situação na qual um estrato da população passa necessidade, pois ela poderia fazer parte desse grupo. Da mesma forma, essa pessoa não defenderia que determinada concepção religiosa fosse alçada a princípio social para todos, porque, caso ela não concordasse com essa concepção, viveria sob opressão constante. Os princípios originados nessa situação equitativa poderiam fundar uma concep- ção de justiça que servisse de base para a elaboração de uma constituição e para a promulgação de leis. Mas quais seriam esses princípios? Segundo Rawls, seriam dois os princípios escolhidos: o da liberdade básica para todos os cidadãos e o da diferença. O primeiro contempla a liberdade política, de expressão, de reunião, de consciência e de pensamento, as liberdades individuais, o direito à propriedade pessoal e a proteção contra prisão e detenção arbitrárias. O segundo diz respeito à distribuição de renda e de riqueza. Na teoria de Rawls, o primeiro princípio tem supremacia sobre o segundo. Isto é, as liberdades do indivíduo não podem ser afetadas por políticas de compensação. Assim, embora Rawls reconheça que as desigualdades só poderiam existir em uma sociedade justa se fossem algo vantajoso para todos, ele não defende a distribuição igualitária da riqueza, limitando-se a recomendar que a sociedade procure atenuar as desigualdades. Para assistir Deus da carnificina Direção: Roman Polanski Ano: 2011 País: França, Espanha, Polônia e Alemanha Duração: 80 min Dois casais se encontram no apartamento de um deles para resolver uma desavença entre seus filhos. No decorrer da negociação para encontrar uma solução justa, as relações vão se esgarçando e o verniz da civilidade vai se desfazendo. B R ID G E M A N IM A G E S /F O TO A R E N A . N AT IO N A L G A LL E R Y O F A U S TR A LI A , C A N B E R R A 18 R ep ro d uç ão p ro ib id a. A rt .1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Os valores que os indivíduos cultivam e as ideias que defendem dependem, em grande medida, das referências e das influências que tiveram ao longo da vida, o que pode variar em função de sua nacionalidade, religião, classe social, formação intelectual etc. Na foto, pessoas participam do Fórum Permanente das Nações Unidas sobre Questões Indígenas em Nova York, Estados Unidos, 2016. Do eu desimpedido ao eu social A crítica mais óbvia à experiência mental do véu da ignorância é colocar em dúvida a escolha dos dois princípios que Rawls dá como certa. Por que, por exemplo, o indivíduo, sob o véu da ignorância, não escolheria uma sociedade plenamente igualitária? Por que imaginar que seu desejo de progredir, mesmo estando na base da sociedade, fosse maior do que o desejo de que as riquezas produzidas pela sociedade fossem igualmente repartidas? Por que pensar que a au- sência de restrição às liberdades individuais seria preferida em detrimento do bem-estar social? Uma crítica ainda mais profunda à teoria de Rawls é sobre a concepção do eu ou do indiví- duo da qual ele parte. Segundo esse pensador, sob o véu da ignorância, o indivíduo escolheria livremente os princípios da justiça. Podemos argumentar, em contrapartida, que isso não seria possível, pois o eu, o indivíduo, constitui sua identidade na sociedade, nas relações com sua comunidade. Seus valores, ideias, concepções, crenças, modos de ser, enfim, sua existência, são estabelecidos em diálogo permanente com a sociedade. “Se nos considerarmos seres livres e independentes, sem amarras morais de valores que não escolhemos, não terão sentido para nós as muitas obrigações morais e políticas que normalmente aceitamos e até valorizamos. Incluem-se aí as obrigações de solidariedade e lealdade, de memória histórica e crença religiosa – reivindicações morais oriundas das co- munidades e tradições que constroem nossa identidade.” SANDEL, Michael J. Justiça: o que é fazer a coisa certa. 4. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011. p. 272. O exemplo hipotético de escolha criado por Rawls não leva em conta que, mesmo sob o véu da ignorância, o indivíduo que escolhe não é um ser vazio e, portanto, não é neutro. Sua escolha não será, desse modo, completamente livre de amarras, mas expressará valores, ideias e noções que o identificam e que foram estabelecidos na sua interação com a sociedade. Doc. 3 O próprio Rawls, ao indicar os dois princípios que possivelmente seriam escolhidos na experiência mental por ele proposta, buscou, por um lado, preservar o princípio liberal de defesa das liberdades individuais e, por outro, uma posição mais igualitária de sociedade. Os indivíduos não escolhem seu objetivo e sentido de vida como se fossem mônadas isoladas ou átomos autossuficientes. Tal crença é uma visão empobrecida do ser humano, cuja riqueza exis- tencial, a possibilidade do desenvolvimento pleno de suas potencialidades, depende das relações comunitárias. Se realmente o ser humano é um ser social, não se pode dissociar o destino do indiví- duo do destino da sociedade, e a preocupação com o bem-estar social não deve ser algo secundário. No entanto, se o Estado e suas leis estruturantes, seja qual for sua forma de organização e de distribuição de poder, refletem, confirmam ou aprofundam as desigualdades e os conflitos entre classes presentes na sociedade, e seus princípios favorecem os setores privilegiados dela, não há como dizer que essa sociedade é justa nem que poderá vir ser. R IC K B A JO R N A S /I N P H O TO Mônada: átomo; mun- do distinto, único, que não se confunde com nenhum outro. R ep ro d uç ão p ro ib id a. A rt .1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 19 Falácia da pergunta complexa Imagine que um professor fizesse a seguinte per- gunta, pedindo que a resposta fosse dada com “sim” ou “não”: “Você continua colando nas provas?”. Você ficaria em uma situação difícil, porque, mesmo que dissesse “não”, já teria se comprometido com a ideia de que antes você colava. Trata-se de uma falácia comumente utilizada em um diálogo: a da pergunta complexa. Apresenta-se uma questão como se fosse única ou simples, mas que, no entanto, carrega mais de uma pergunta ou afirmação e cuja resposta, qualquer que seja, compromete o interlocutor. Por exemplo, uma pessoa que responda à pergunta “Você ainda é tão mesquinho quanto antes?” se com- prometerá, pois se disser “sim”, admite que continua mesquinho; se disser “não”, admite que foi mesquinho e agora não é mais. Em casos como esses, o melhor a fazer é explicitar a complexidade da pergunta, analisando-a. Na pergunta “Você continua colando nas provas?” estáimplícita a afirmação de que você colou no passado. Então a resposta não pode ser dada com um simples “sim” ou “não”. Para que não haja dúvida e comprometimento, a resposta teria de ser, por exemplo: “Nunca colei e não colo agora”. Da mesma maneira, a pergunta “Você ainda é tão mesquinho quanto antes?” une duas coisas diferentes: a afirmação de que você era mesquinho com a pergunta se você é mesquinho; e ambas têm de ser negadas. Exercitar a argumentação 1. Analise as perguntas a seguir indicando por que elas podem ser consideradas falaciosas. a) Em vez de ser egoísta, você seguirá sua consciência e fará uma doação para os necessitados? b) Você parou de bater em seu irmão? 2. Analise o diálogo, considerando a noção de falá- cia da pergunta complexa. “P: Por quanto tempo você pretende condenar esta empresa a um prejuízo contínuo recusando-se teimosamente a mudar suas políticas desastrosas? R: Eu não aceito, nem por um momento, seu pressuposto de que minhas políticas sejam de- sastrosas ou de que eu tenha sido teimoso. P: Você não respondeu à pergunta! Isso é típico de suas táticas evasivas.” WALTON, Douglas N. Lógica informal. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2012. p. 53. Aprender a argumentar Registre em seu caderno De olho no presente • Observe o gráfico e responda. a) Quais são os dados que demons- tram que há concentração de renda no Brasil? b) Elabore um texto reflexivo sobre essa situação e o conceito de jus- tiça, dando sua opinião sobre a situação brasileira. (BNCC) Competências específicas: 1, 4 e 6 Habilidades: EM13CHS101 EM13CHS402 EM13CHS606 Concentração de renda no Brasil em 2018 Fonte: IBGE. Disponível em <https://agenciadenoticias. ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/ noticias/25702-renda-do-trabalho-do-1-mais-rico-e-34- vezes-maior-que-da-metade-mais-pobre>. Acesso em 13 jul. 2020. A D IL S O N S E C C O 153 356 656 951 1.020 1.220 1.463 1.803 2.262 3.341 5.425 9.928 27.744 Até 5% De 5% a 10% Mais de 10% até 20% Mais de 20% até 30% Mais de 30% até 40% Mais de 40% até 50% Mais de 50% até 60% Mais de 60% até 70% Mais de 70% até 80% Mais de 80% até 90% Mais de 90% até 95% Mais de 95% até 99% Mais de 99% até 100% Ganho da população, de acordo com faixa de rendimento médio mensal, em R$ Registre em seu caderno 20 R ep ro d uç ão p ro ib id a. A rt .1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/25702-renda-do-trabalho-do-1-mais-rico-e-34-vezes-maior-que-da-metade-mais-pobre https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/25702-renda-do-trabalho-do-1-mais-rico-e-34-vezes-maior-que-da-metade-mais-pobre https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/25702-renda-do-trabalho-do-1-mais-rico-e-34-vezes-maior-que-da-metade-mais-pobre https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/25702-renda-do-trabalho-do-1-mais-rico-e-34-vezes-maior-que-da-metade-mais-pobre