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Doc. 1
A natureza social do homem
“De modo muito claro entende-se a razão de ser o 
homem um animal sociável em grau mais alto do que as 
abelhas e os outros animais todos que vivem reunidos. 
A natureza, afirmamos, nenhuma coisa realiza em vão. 
Somente o homem, entre todos os animais, possui o dom 
da palavra; a voz indica dor e o prazer, e por essa razão é 
que ela foi outorgada aos outros animais. Eles chegam a 
sentir sensações de dor e de prazer, e fazerem-se entender 
entre si. A palavra, contudo, tem a finalidade de fazer en-
tender o que é útil ou prejudicial, e, consequentemente, o 
que é justo ou injusto. O que, especificamente, diferencia 
o homem é que ele sabe distinguir o bem do mal, o justo 
do que não o é, e assim todos os sentimentos dessa ordem 
cuja comunicação forma exatamente a família do Estado.”
ARISTÓTELES. Política. São Paulo: Martin Claret, 2003. p. 14.
Doc. 2 
Declaração Universal dos 
Direitos Humanos
“Considerando que o reconhecimento da dignidade 
inerente a todos os membros da família humana e de seus 
direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, 
da justiça e da paz no mundo [...].
Artigo I
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em digni-
dade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem 
agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.”
Declaração Universal dos Direitos Humanos. p. 3-4. 
Disponível em <https://www.ohchr.org/EN/UDHR/Pages/
Language.aspx?LangID=por/>. Acesso em 10 abr. 2021.
Doc. 3 
Olhar para a vida boa
“Para Kant e Rawls, o certo tem primazia sobre o bom. 
Os princípios de justiça que definem nossos deveres e 
direitos devem ser neutros no que tange às diferentes 
concepções do que seja uma vida boa. [...]
Essa forma de conceber a justiça está em desacordo 
com o pensamento de Aristóteles. Ele não acredita 
que os princípios de justiça possam ou devam manter 
neutralidade com respeito à vida boa. Ao contrário, ele 
sustenta que um dos propósitos de uma Constituição justa 
é formar bons cidadãos e cultivar o bom caráter. Ele não 
acha que se possa deliberar sobre justiça sem deliberar 
sobre o significado dos bens – cargos, honrarias, direitos 
e oportunidades – proporcionados pela sociedade. [...]
Se somos seres independentes, que escolhem livre-
mente, sem quaisquer amarras morais precedentes à 
nossa escolha, precisamos então de uma estrutura de 
direitos que mantenha a neutralidade no que se refere 
às finalidades. Se o ‘eu’ precede suas finalidades, o certo 
também deve preceder o bom.
Se, no entanto, prevalecer a concepção narrativa da 
ação moral, ou seja, a de que o indivíduo se define como 
tal a partir da sua história na qual se vê inserido, talvez 
valha a pena reconsiderar a noção de justiça de Aristóteles. 
Se deliberar sobre o que é bom para mim envolve refletir 
sobre o que é bom para as comunidades às quais minha 
identidade está ligada, talvez a ideia de neutralidade seja 
equivocada. Pode não ser possível, nem mesmo desejável, 
deliberar sobre justiça sem deliberar sobre a vida boa.”
SANDEL, Michael J. Justiça: o que é fazer a coisa 
certa. 4. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 
2011. p. 295-296.
Atividades
Compreender 
Doc. 1
1. Qual é a relação estabelecida no texto entre ser 
humano e justiça?
2. Relacione o conteúdo do texto à ideia de Aristóteles 
de que a sociedade seria formada para promover 
o maior dos bens para todos.
Doc. 3 
3. Explique o embate entre as concepções de justiça 
social descritas por Sandel.
Analisar
Doc. 2 
4. Relacione o trecho selecionado da Declaração 
Universal dos Direitos Humanos com a concepção 
de moralidade kantiana.
Doc. 1, 2 e 3 
5. Durante a pandemia de covid-19, em 2020, parte 
das pessoas se recusou a usar máscaras, mesmo 
sabendo que elas tinham por objetivo proteger não 
só a própria saúde, mas também a das demais 
pessoas. O argumento era que a imposição das 
máscaras pelas autoridades sanitárias feria sua 
liberdade individual de escolha. Avalie essa postura 
partindo da concepção de justiça de um ou mais 
pensadores apresentados pelos documentos.
Retomar
6. Responda às questões-chave do início do capítulo.
• O que é uma sociedade justa? Qual é a relação 
entre justiça e igualdade? 
(BNCC) Competências específicas: 1, 5 e 6; Habilidades: EM13CHS101 EM13CHS501 
EM13CHS502 EM13CHS504 EM13CHS605 EM13CHS606
Registre em seu caderno
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Laboratório de ciências humanas e sociais aplicadas
https://www.ohchr.org/EN/UDHR/Pages/Language.aspx?LangID=por/
https://www.ohchr.org/EN/UDHR/Pages/Language.aspx?LangID=por/
(BNCC) Competências 
gerais: 1, 2, 4, 6, 7 e 9
Competências específicas: 
1, 4, 5 e 6
Habilidades: 
EM13CHS101 EM13CHS103 
EM13CHS104 EM13CHS401 
EM13CHS402 EM13CHS404 
EM13CHS501 EM13CHS502 
EM13CHS503 EM13CHS504 
EM13CHS603
Manifestantes em Beirute durante 
a onda de protestos que paralisou 
o Líbano em 2019. 
A luta era contra a desigualdade, 
a corrupção, a baixa qualidade 
dos serviços públicos e a cobrança 
de uma taxa pelo uso de um 
aplicativo de troca de mensagens. 
Líbano, novembro de 2019.
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 De Hong Kong ao Chile: protestos 
em escala global
“Nas últimas semanas, o mundo assistiu à escalada de uma onda de protestos 
indo de Hong Kong ao Chile, passando por Líbano, Equador e outros países. [...]
Muitos dos que protestam são pessoas que há muito tempo se sentem excluídas 
[...]. Em vários casos, um aumento em preços de serviços básicos foi a gota-d’água.
No Equador, as manifestações começaram quando o governo decidiu eliminar 
os subsídios a combustíveis para conter o déficit fiscal. [...]
A mudança levou a um forte aumento nos preços da gasolina, que muitos disse-
ram que não podiam pagar. Os grupos indígenas temiam que a medida resultasse 
em aumento dos custos de transporte público e da alimentação [...].
No Chile, foi uma alta nos preços dos transportes que provocou protestos. [...]
‘Não se trata de um simples protesto contra o aumento das tarifas de metrô, mas 
de anos de opressão que atingiram principalmente os mais pobres’, disse [...] um 
estudante que participou dos atos.
O Líbano passou por um movimento semelhante. A decisão de taxar as chamadas 
feitas por meio [de um aplicativo de troca de mensagens] provocou protestos, que 
também se tornaram mais amplos e passaram a reclamar de problemas econômicos, 
desigualdade e corrupção.”
De Hong Kong ao Chile, o que há em comum na nova onda de protestos em escala 
global. BBC, 22 out. 2019. Disponível em <https://www.bbc.com/portuguese/
internacional-50140020>. Acesso em 24 ago. 2020.
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APÍTULO
Quais foram as razões em comum entre as revoltas dos hilotas, 
em Esparta, dos plebeus, em Roma, e dos camponeses da Europa feudal? 
Que semelhanças e diferenças podemos destacar entre essas revoltas 
e os protestos contemporâneos?
Protestos e rebeliões: uma 
história de lutas contra as 
desigualdades
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-49977948
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-49977948
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-50140020
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-50140020
O século XXI, em apenas vinte anos, chama a atenção 
pelo volume de revoltas e protestos. Em 2010, na Tunísia, 
explodiu uma revolta contra a ditadura do governo e as 
dificuldades econômicas do país, levante que depois se 
espalhou por outros países do norte da África e pelo 
Oriente Médio e ficou conhecido como Primavera Árabe. 
No Brasil, em 2013, o aumento das tarifas do transporte 
público foi o estopim para o início das jornadas de junho, 
uma série de manifestações populares contra a corrupção,os gastos na realização dos grandes eventos esportivos 
de 2014 e 2016 e a baixa qualidade dos serviços públicos.
Em 2018, foi a vez da França, onde um protesto gigantesco 
em Paris iniciou o movimento dos coletes amarelos. Um 
ato que começou contra o aumento dos combustíveis logo 
se transformou em protesto contra o aumento do custo de 
vida e a política econômica do governo. No ano seguinte, 
protestos se espalharam por Líbano, Hong Kong, Equador, 
Bolívia e Chile. Em 2020, o assassinato de um homem afro-
-americano por um policial branco, em Minneapolis, nos 
Estados Unidos, reacendeu o movimento Black Lives Matter 
(Vidas Negras Importam), com manifestações de protesto em 
várias partes do mundo.
Apesar das particularidades de cada uma das revoltas 
citadas, o que elas têm em comum é o sentimento de fúria 
de grande parte da população diante de algum tipo de 
opressão ou desigualdade, que pode ser de origem eco-
nômica, social, política ou étnica. Você vai ver agora que 
a opressão e a desigualdade social também motivaram 
várias revoltas ao longo da história.
 Os hilotas na sociedade 
espartana
A polis grega de Esparta surgiu em meados do século 
IX a.C. na região da Lacônia. A região tinha sido conquistada 
pelos dórios, povo indo-europeu de forte tradição guerreira, 
entre 1100 e 1000 a.C. A sociedade espartana, a princípio, 
era rigidamente estratificada. As funções políticas e militares 
eram reservadas aos esparciatas, descendentes dos dórios. 
Os periecos dedicavam-se ao comércio e às atividades ar-
tesanais. Eles eram livres, mas não tinham direitos políticos.
A maior parte da população espartana era formada de 
hilotas. Eles eram servos do Estado e viviam em lotes de 
terras dos esparciatas, a quem deviam entregar metade 
do que produziam nas terras. Os hilotas executavam os 
trabalhos agrícolas e as tarefas domésticas nas residências 
esparciatas, entre outras funções determinadas pelos es-
partanos, como a fabricação de armamentos e o comércio. 
Diferentemente dos escravos de Atenas, os hilotas não 
eram comercializados; não podiam ser vendidos nem 
tirados de suas terras.
Pouco se sabe sobre os hilotas e a própria história de 
Esparta. Os conhecimentos produzidos sobre os hilotas 
baseiam-se em escritos de autores não espartanos, 
produzidos após os acontecimentos, e em pesquisas 
arqueológicas. Sabe-se que se tornaram servos por meio 
de guerras de conquista. Os primeiros hilotas habitaram 
a Lacônia e foram submetidos à servidão após a tomada 
da região pelos dórios.
No século VIII a.C., os espartanos conquistaram a vizi-
nha Messênia com o objetivo de ampliar as terras férteis, 
que eram abundantes na região. Ao término da guerra, 
os messênios capturados passaram à condição de servos. 
Também houve casos de espartanos que se negaram a 
lutar contra os messênios e, como castigo, foram reduzi-
dos à condição de hilotas. Por volta 660 a.C., os messênios 
invadiram a região da Lacônia na tentativa de conseguir a 
liberdade, mas foram derrotados pelo exército espartano. 
Os messênios que não conseguiram fugir foram reduzidos 
à condição de hilotas. 
Esparta e a Grécia antiga
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Fonte: Atlas histórico. São Paulo: Encyclopædia Britannica, 1977. p. 165.
Segundo Xenofonte, soldado e escritor grego que colo-
cou sua espada a serviço de Esparta, os hilotas passavam a 
vida desejando a morte de seus senhores. As tensões entre 
os dois grupos marcaram a sociedade espartana, a ponto 
de os esparciatas se negarem a promover campanhas 
militares em locais muito distantes, temendo a eclosão 
de uma rebelião hilota durante sua ausência. De acordo 
com o historiador ateniense Tucídides, “a maior parte das 
instituições espartanas era voltada para a segurança e 
contra os hilotas”.
Perieco: grupo social de Esparta que descendia, provavelmente, 
de comunidades independentes anteriores à chegada dos dórios.
Delfos
Plateias
Tebas
Atenas
Corinto
Mantineia
Esparta
MessenasNavarino
Argos
LACÔNIA
Mégara
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FÓCIDA
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ARCÁDIA
BEÓCIA
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JÔNICO
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38º N
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Gravura do século XIX representando 
batalha entre espartanos e persas 
durante as Guerras Médicas. 
No conflito, os hilotas integraram 
as forças do exército espartano 
contra o inimigo persa.
Lacedemônio: habitante da Lace-
demônia; espartano.
Questões
1. Como a desigualda-
de social se mani-
festava na sociedade 
espartana?
2. Você viu nesse es-
tudo que os espar-
ciatas promoviam 
matanças periódicas 
de hilotas. Por que 
práticas como essa 
eram aceitas naque-
la sociedade? Como 
esse tipo de ato seria 
visto no Brasil atual?
Registre em seu caderno
(BNCC) Competências 
específicas: 1, 4 e 5
Habilidades: 
EM13CHS101 EM13CHS402 
EM13CHS404 EM13CHS501 
EM13CHS502 EM13CHS503
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Após a segunda guerra da Messênia, não houve revoltas de hilotas por cerca de cem 
anos. A situação começou a mudar depois da criação da Krypteia, um treinamento militar 
para os jovens espartanos praticarem e se habituarem a matar os inimigos. Armados, 
eles saíam à noite para matar hilotas, prática que acirrou o ódio destes contra os espar-
ciatas. Segundo estudiosos da história grega, os objetivos principais da Krypteia eram 
garantir o policiamento constante dos hilotas, evitando que eles pudessem se revoltar, 
e eliminar a população excedente desse grupo. Depois da criação dessa instituição 
militar, as revoltas de hilotas passaram a ser constantes.
A maior rebelião ocorreu em 464 a.C., após um violento terremoto destruir a cidade 
de Esparta e causar a morte de 20 mil esparciatas. Os sobreviventes recolhiam perten-
ces dos escombros quando foram avisados de que levas de hilotas estavam vindo de 
todas as direções dispostos a acabar com os esparciatas que haviam sobrevivido. Os 
rebeldes encontraram o inimigo armado e foram obrigados a recuar. Conta-se que um 
grupo de hilotas messênios aproveitou a catástrofe para se refugiar em uma fortaleza 
natural, onde resistiu durante dez anos. Após um acordo com os esparciatas, o grupo 
pôde abandonar a cidade.
As tensões entre esparciatas e hilotas continuaram a se acirrar. Em 425 a.C., os espar-
ciatas assassinaram 2 mil hilotas de uma só vez e provavelmente jogaram seus corpos 
na caverna de Kaiadas. Em 1985, pesquisas arqueológicas encontraram nessa caverna 
milhares de ossos quebrados e com marcas de violência, datados dos séculos VIII a.C. 
ao IV a.C. As análises indicam que pertenciam a homens entre 18 a 35 anos de idade, 
provavelmente hilotas assassinados pelos esparciatas.
Apesar das tensões e revoltas que marcaram as relações entre esparciatas e hilotas, a 
violência física não foi o único instrumento de dominação utilizado pelos lacedemônios. 
Alguns historiadores ressaltam que o fato de serem todos gregos – esparciatas, hilotas 
e periecos – permitiu aos espartanos incutir entre os hilotas o sentimento de pertenci-
mento a uma identidade étnica e assim construir uma coesão social em Esparta. 
Essa forma de dominação simbólica aparece, por exemplo, nos relatos do historia-
dor Heródoto sobre a Batalha das Termópilas, na guerra contra os persas, no século 
V a.C., em que os hilotas combateram ao lado de outros soldados gregos. Inclusive, 
quando os soldados espartanos estavam a caminho do desfiladeiro das Termópilas, 
o general Leônidas deixou um dos esparciatas, com uma inflamação nos olhos, aos 
cuidados de um hilota.
Assim, pode-se concluir que a dominação espartana sobre os hilotas baseou-se 
no uso de instrumentos de coerção, policiamento e terror, associados a estratégias de 
dominação simbólica.
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 Em Roma, as revoltas 
dos plebeus
O Estado-cidade de Roma, no final do século VI a.C., 
tornou-se uma república. O poder passou a ser exercido pelo 
Senado, que era controlado pelos patrícios, uma aristocracia 
fechada que tinha sob seu domínio terras, gado e vários 
clientes. No lado oposto da sociedade, estava a massa de 
plebeus, pequenos proprietários, artesãos e comerciantes 
que não possuíam direitos políticos, eram proibidos de se 
casar com os patrícios e podiam ser escravizados por dívi-
das. A luta dos plebeus por participação política foi um dos 
principais acontecimentos do início da república romana.
As pressões dos plebeus para participar das decisões 
políticas da cidade estão relacionadas à crescente impor-
tância da plebe nas guerras travadas pelos romanos. Os 
patrícios, incapazes de combater sozinhos os inimigos, 
tiveram de recorrer aos plebeus para engrossar as fileiras 
do exército. Aos poucos, combatendo ao lado dos patrícios, 
cresceu entre os plebeus o sentimento de que comparti-
lhavam interesses comuns. Nada mais lógico, portanto, que 
também participassem do governo da cidade.
Mas a plebe não era um grupo homogêneo. Havia entre 
eles camponeses empobrecidos, que, em razão das guerras 
e das más colheitas, recorriam a empréstimos e eram sub-
metidos ao trabalho compulsório até que conseguissem 
quitar suas dívidas. Muitos se dedicavam ao comércio e 
ao artesanato e tinham enriquecido com o crescimento 
de Roma, as conquistas territoriais e os produtos que dia-
riamente chegavam à cidade. Principalmente, esse grupo 
aspirava dividir com os patrícios a condução das atividades 
políticas e religiosas da cidade. 
Segundo narrativas da época, a primeira rebelião dos 
plebeus ocorreu em 494 a.C. Soldados da plebe e boa 
parte da população se retiraram da cidade e ameaçaram 
não voltar até que suas reivindicações fossem atendidas. 
Doc. 1 Com a cidade desprotegida, os senadores decidi-
ram negociar com os rebeldes. Os plebeus retornaram a 
Roma após a garantia de algumas conquistas: a criação 
dos tribunos da plebe, em número de dois magistrados 
eleitos pelos plebeus para representá-los no Senado; a 
construção de um templo, no Monte Aventino, destinado 
às divindades plebeias Cerer, Liber e Libera; e a instituição 
do edis, magistratura responsável por cuidar do templo.
A segunda rebelião plebeia, em 452 a.C., foi ainda mais 
radical. Na ocasião, Roma vivia um período de anarquia 
política, e o tribunato da plebe tinha sido dissolvido. Em 
protesto, soldados plebeus e boa parte da população 
se instalaram no Monte Aventino, nos limites de Roma. 
Como os senadores se recusavam a negociar, os plebeus 
abandonaram a cidade. Ao ver a cidade deserta, os patrí-
cios foram obrigados a ceder. Com a vitória dos plebeus, 
o tribunato da plebe foi restituído e foi criada a Lei das 
Doze Tábuas, as quais foram inscritas em bronze e estavam 
acessíveis ao conhecimento de toda a população.
Relevo romano representando um mercado de 
frutas. Muitos plebeus que atuavam no comércio 
enriqueceram e passaram a reivindicar a tomada de 
decisões em Roma ao lado dos patrícios.
Estado-cidade: comunidade de cidadãos no Mediterrâneo antigo; polis.
Magistratura: instituição da república romana em que seus mem-
bros, os magistrados, cuidavam de assuntos de interesse de Roma. 
Os principais magistrados eram:  ditador, censor, cônsul, pretor, edil, 
questor e tribuno da plebe.
Plebiscito: na Roma antiga, eram as decisões tomadas nos comícios 
da plebe; atualmente, é uma consulta popular em que os cidadãos 
são convocados a decidir sobre alguma questão.
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A vitória mais importante dos plebeus, em 326 a.C., foi 
a lei que aboliu a escravidão por dívidas e estabeleceu a 
liberdade de todo cidadão romano como princípio invio-
lável. Os plebeus organizaram ainda uma terceira revolta, 
sobre a qual pouco se sabe. Segundo escassos escritos da 
época, em 287 a.C., um grupo de plebeus, endividado com 
os patrícios, abandonou a cidade. Pressionado, o Senado 
aprovou a Lei Hortência. A nova lei determinou que todas 
as decisões aprovadas pelo povo em plebiscito eram vá-
lidas para todos os cidadãos romanos, sem necessidade 
da aprovação do Senado.
Há alguns aspectos míticos da história das lutas ple-
beias que chegaram até nós, como a ideia de que o Monte 
Aventino era um local exclusivamente plebeu ou de que 
todos os plebeus eram camponeses pobres. Já vimos 
que não era assim. O que a maior parte dos historiadores 
reconhece é que a aristocracia patrícia, diante das lutas 
promovidas pelos plebeus, foi obrigada a ampliar o acesso 
à cidadania e a participação destes na vida política. Porém, 
ao contrário do que aconteceu em Atenas, os cargos mais 
importantes em Roma permaneceram dominados por 
poucas famílias ricas e patrícias.
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