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conhecimento). O Programa Nacional do Livro Didá- tico (PNLD) também previu a aquisição de outras obras, como aquelas discriminadas como Obras Didá- ticas de Projetos Integradores da área de Ciências Hu- manas e Sociais Aplicadas e as obras de Projeto de Vi- da, que eventualmente podem compreender conteúdos da área e, ainda, a obra específica de Ciên- cias Humanas e Sociais Aplicadas e Matemática. Portanto, o uso combinado das diferentes obras previstas no PNLD ficará a critério das escolas, de acordo com seu projeto pedagógico, com a disponi- bilidade de recursos humanos locais e, também, de eventuais parcerias com outras unidades de ensino ou mesmo em formatos não presenciais, fazendo uso das tecnologias da informação e comunicação. Vale lembrar que 20% da carga horária do Ensino Médio poderá ser desenvolvida a distância, aumentando pa- ra 30% para aqueles que cursam o Ensino Médio no período noturno. Eventualmente os conteúdos de Ciências Humanas também poderão estar presentes nos Itinerários For- mativos (parte diversificada do currículo) oferecidos pelos sistemas de ensino. Portanto, o planejamento so- bre o uso específico desses seis volumes da área de Ciên- cias Humanas e Sociais Aplicadas deve ser realizado sob a perspectiva dos objetivos gerais previstos pelo Novo Ensino Médio que são: protagonismo juvenil, educação integral do estudante, abordagem interdisciplinar, de- senvolvimento de projetos de vida, respeito aos direitos humanos, sustentabilidade ambiental, pesquisa como prática pedagógica, contextualização do processo de ensino e aprendizagem e indissociabilidade entre edu- cação e prática social e da teoria e prática. Vale ressaltar que essas prerrogativas não desfazem nem concorrem com os objetivos gerais previstos para o Ensino Médio na Lei de Diretrizes e Bases (LDB), que sinteticamente preconizam a consolidação das aprendizagens realiza- das no Ensino Fundamental, preparação básica para o mundo do trabalho, a cidadania e a continuidade dos estudos, compreendendo a formação amparada em princípios éticos, autonomia intelectual, criticidade, pen- samento cientificamente embasado, entre outros. Por fim, considerando os estudos sobre o desem- penho e a evasão escolar dos estudantes do Ensino Médio, chama a atenção a grande prevalência de retenções e o abandono no primeiro ano desse seg- mento. Trata-se de um dado bastante relevante e que deve ser considerado no planejamento do programa e na definição das expectativas de aprendizagem para o ano inicial. Essas aprendizagens devem ser mais sig- nificativas para os estudantes e claramente articuladas com seus projetos de vida, com mecanismos de acom- panhamento regular e particular de cada um deles na perspectiva de diagnosticar suas dificuldades e ofere- cer-lhes apoio para superá-las. Ou seja, construir uma escola que acolha as necessidades, os interesses e as dificuldades dos estudantes contribui para a redução da evasão escolar. Base Nacional Comum Curricular A BNCC é o documento que apresenta a funda- mentação teórica, e a parte geral do currículo, em seu aspecto programático e assim previsto na LDB, estabe- lece o que os sistemas de ensino e as unidades escola- res devem ofertar aos estudantes da Educação Básica. Trata-se da definição dos direitos e objetivos de apren- dizagem que todo estudante matriculado na Educação Básica deve obrigatoriamente desenvolver, seja no sis- tema público, seja no privado. Na BNCC estão previstas dez competências gerais que devem ser as grandes diretrizes para o estabeleci- mento dos currículos municipais e estaduais e dos pro- jetos pedagógicos de cada unidade escolar e nortear os planos de aula e sequências didáticas elaborados e executados pelos professores. Além delas, também fo- ram estipuladas competências e habilidades específicas para cada área do conhecimento, agregando compo- nentes curriculares que compartilham categorias, con- ceitos estruturantes, processos e procedimentos, como é o caso da área de Ciências Humanas e Sociais Apli- cadas que, no Ensino Médio, compreende Filosofia, Geografia, História e Sociologia. A elaboração da BNCC cumpre a determinação da- da pela Constituição Federal de 1988 de estabelecer conteúdos básicos mínimos para o Ensino Fundamen- tal com o objetivo de assegurar uma formação básica comum aos educandos. Foi estendida ao Ensino Mé- dio pela Lei de Diretrizes de Bases (LDB 9 394) de 1996, ORIENTAÇÕES GERAIS | 165 V1_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_161a197_MPG.indd 165V1_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_161a197_MPG.indd 165 28/09/2020 14:5628/09/2020 14:56 que atribuiu à União a responsabilidade por estabele- cer as competências e as diretrizes estruturantes dos currículos e seus conteúdos mínimos de todas as eta- pas da Educação Básica, assegurando, assim, a forma- ção mínima e comum a todo estudante matriculado nas escolas do país. Especificamente ao que se refere ao Ensino Médio, a BNCC foi homologada em dezem- bro de 2018, cerca de um mês após o Conselho Nacio- nal de Educação atualizar as Diretrizes Nacionais para o Ensino Médio (Parecer CNE/CEB n. 3, de 8 de novem- bro de 2018, homologado pela Portaria MEC n. 1 210, de 20 de novembro de 2018, publicada no DOU de 21 de novembro de 2018), dando, assim, seguimento à consolidação da BNCC, que já havia tido a homologa- ção do Ensino Infantil e do Ensino Fundamental em 2017, complementando toda a documentação refe- rente à Educação Básica. Diferentemente das etapas anteriores, a Base Cur- ricular prevista para o Ensino Médio é mais flexível, permitindo diversos arranjos de organização da traje- tória dos estudantes, com possibilidade de planejar uma formação que atenda às necessidades e possibili- dades de cada unidade escolar, do corpo discente e da comunidade. Ou seja, o currículo efetivamente desen- volvido por cada estudante do Ensino Médio no Brasil ou numa mesma escola é bastante singular, porém, ao final do segmento, é esperado que todos tenham de- senvolvido um conjunto mínimo e comum de com- petências e habilidades (aquilo que está compreendido nas 1 800 horas das 3 mil previstas). Como dissemos, além das dez competências ge- rais previstas para a Educação Básica, foram definidas competências específicas para cada uma das quatro áreas do conhecimento que estruturam o Ensino Mé- dio. Para essas áreas, também diferente do que foi prescrito para o Ensino Fundamental, foram definidas habilidades comuns às áreas, e não às disciplinas ou aos componentes curriculares, desvinculadas dos anos escolares. Ou seja, as habilidades podem ser desen- volvidas em qualquer ano do Ensino Médio, ou mes- mo estarem presentes em mais de um ou em todos os anos dessa etapa escolar. Especificamente para a área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas foram estabelecidas seis compe- tências específicas e um conjunto de habilidades vinculado a cada uma delas, perfazendo o total de 32 habilidades. Mais adiante, no trecho específico do Manual do Professor elaborado para orientar o trabalho em sala de aula, está indicado para cada capítulo de que forma as competências gerais, específicas e habilidades estão articuladas no desenvolvimento dos conteúdos, temas e atividades propostas. Já no Livro do Estudante, em todos os volumes, há uma seção intitulada Caderno da BNCC na qual a Base é apresentada em linguagem sim- ples, com explicação do que são as competências ge- rais, as específicas e as habilidades. Com isso, espera-se que cada estudante reconheça as aprendizagens que deve desenvolver, assim como o que é esperado dele. Portanto, faz-se necessário explicar os princípios gerais que nortearam o currículo do Ensino Médio, bem co- mo da área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas e cada volume da coleção para que o estudante com- preenda o sentido do seu processo de aprendizagem, da sua condição de protagonista,e nele se engaje de forma ativa, consciente, reflexiva e metacognitiva. Um currículo estruturado para o desenvolvimento de competências e habilidades considera os conteúdos tradicionais das diversas disciplinas um meio para apren- dizagens mais amplas e favorece a autonomia intelectual do educando, a construção de saberes interdisciplinares que possibilitam ao sujeito mobilizar conhecimentos e histórias de vida para interpretar variados fatos e situa- ções, bem como agir de acordo com a diversidade de contextos. Isso significa que o conjunto de conhecimen- tos historicamente construídos e acumulados social- mente passa a ser ressignificado no currículo escolar de forma interdisciplinar, já que foi por causa dele que se tornou possível desenvolver competências e habilidades cientificamente embasadas e socialmente valorizadas. O ensino por competências e habilidades privilegia e re- força também a fruição intelectual, a apreciação estética e o exercício do autoconhecimento. Aprender compe- tências e habilidades significa reconhecer a relevância dos variados conteúdos, sejam eles factuais, conceituais, procedimentais, sejam atitudinais, para os variados sa- beres necessários à vida social. Nesta coleção, os conteúdos, desenvolvidos por meio de textos autorais e de terceiros de variados gê- neros, como imagens, gráficos, mapas, tabelas, mapas 166 V1_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_161a197_MPG.indd 166V1_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_161a197_MPG.indd 166 28/09/2020 14:5628/09/2020 14:56