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Durante a Passeata dos Cem Mil, jovem picha a parede de um prédio com o lema de protesto “Abaixo a ditadura”. Rio de Janeiro (RJ), 26 de junho de 1968. O auge dos protestos aconteceu no dia 26 de junho, no centro do Rio de Ja- neiro, com a chamada Passeata dos Cem Mil. Durante três horas, estudantes, artistas, intelectuais, políticos, religiosos e diversos outros setores da socieda- de caminharam desde a Igreja da Candelária até a Cinelândia. Em uma enorme faixa em meio à manifestação lia-se “Abaixo a ditadura. Povo no poder”. Nas manifestações seguintes a polícia atirava nos estudantes para matar, e matava. Prisões e espancamentos, além de invasões policiais a universidades, igrejas e hospitais, tornaram-se comuns. Em outubro de 1968, as forças de re- pressão prenderam 700 estudantes que participavam do congresso clandestino da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Ibiúna, interior de São Paulo. Com isso, o movimento estudantil entrou em refluxo e somente retomou as ruas nove anos depois, em 1977. R e p ro d u ç ã o /J o rn a l d o B ra s il NA FRANÇA, O MAIO DE 1968 O movimento de maio de 1968, ocorrido em Paris, foi o mais conhecido e, ao mesmo tempo, o mais impactante da década de 1960. Era enorme a insatisfação de estudantes e trabalhadores com o governo do presidente Charles de Gaulle (1890-1970), bem como com o conservadorismo social e os valores tradicionais da época. O início do movimento rebelde foi na Universidade de Nanterre. Em março de 1968, estudantes protestaram contra a prisão de colegas e, com barricadas, to- maram o bairro universitário de Quartier Latin. Em maio, centrais sindicais sob a liderança do Partido Comunista e do Partido Socialista deflagraram greve geral. Cerca de 10 milhões de trabalhadores aderiram à greve. Fábricas foram tomadas por trabalhadores, e universidades, por estudantes. Conflitos entre estudantes, armados com paus e pedras, e policiais tornaram-se comuns nas ruas de Paris. As revoltas de maio assustaram os setores conservadores da sociedade fran- cesa. O presidente Charles de Gaulle concedeu reajuste salarial aos trabalhado- res, encerrando a greve. Além disso, convocou eleições e, com os votos de seus adeptos conservadores, foi vitorioso. Legitimado pelas urnas, De Gaulle promo- veu repressão policial, retomando as fábricas e as universidades, ocupadas até então por operários e estudantes. Os líderes estudantis foram presos, e o movi- mento rebelde acabou não resistindo ao processo repressivo. O clima político e as revoltas de 1968 estão relacionados com o Projeto deste volume. 33 V6_CIE_HUM_Vainfas_g21Sa_Cap1_018a037_LA.indd 33V6_CIE_HUM_Vainfas_g21Sa_Cap1_018a037_LA.indd 33 9/2/20 3:50 PM9/2/20 3:50 PM NA TCHECOSLOVÁQUIA, A PRIMAVERA DE PRAGA A Tchecoslováquia era um país no Leste Europeu que fazia parte do bloco soviético. Greves já haviam ocorrido na Alemanha Oriental, Romênia, Bulgária, Polônia e na própria Tchecoslováquia. Contudo, a insatisfação social nesses países era sufocada pela repressão política. Em 1968, um movimento democratizante ocorreu na Tchecoslováquia, quando o líder reformista Ale- xander Dubcek (1921-1992) assumiu o governo. À frente do Partido Comunista, ele estava disposto a apoiar os movimentos reformistas e a democratizar o país. Não se tratava de ser contra o comunismo, mas de criar no país o que ele chamava de “socia- lismo democrático” ou “socialismo de face humana”. Nas fábricas, surgiram “conselhos operários”. Na sociedade, a discussão política era realizada com ampla liberdade. Contudo, a liderança da União Soviética não acei- tava o movimento democratizante. Os líderes polí- ticos do Leste Europeu ficaram receosos de que o mesmo pudesse ocorrer em seus países e, em agos- to de 1968, tropas e tanques do Pacto de Varsóvia in- vadiram a Tchecoslováquia. Nas ruas, o povo tentou resistir. A repressão policial, no entanto, encerrou a Primavera de Praga, como ficou conhecido o curto período de governo de Alexander Dubcek. No intenso agora Direção de João Moreira Salles. Brasil, 2017. Duração: 127 min. Documentário sobre as revoltas de 1968 na França, no Brasil e na Tchecoslováquia, com cenas filmadas na China durante a Grande Revolução Cultural Proletária. F I C A A D I C A Em Praga, capital da Tchecoslováquia, soldados soviéticos tentam chegar à sede da rádio que transmitia mensagens de resistência, mas o povo impede a passagem dos tanques. 1 O ano de 1968 foi marcado por grandes protestos populares realizados nos Estados Unidos, na Ale- manha, no México, no Brasil, na França e na Tchecoslováquia. Quais desejos ou aspirações de uma geração tais manifestações procuravam tornar realidade? 2 Em uma entrevista concedida por John Lennon (1940-1980) à revista Rolling Stone em 1970, logo após a separação dos Beatles, o músico diz: “O sonho acabou. E não estou falando apenas dos Beatles, estou falando de uma geração. Acabou, e nós temos – eu tenho, pessoalmente – que encarar a realidade.”. Pouco tempo depois dessa entrevista, Lennon lançou seu primeiro álbum pós-Beatles, chamado John Lennon/Plastic Ono Band. Nele, há uma música intitulada “God”, que diz: “O sonho acabou. / O que eu posso dizer?”. Tendo em vista o contexto político da época, dê exemplos que justifiquem o pessimismo contido nas frases de John Lennon. ANALISAR E REFLETIR S o v fo to /U IG /B ri d g e m a n I m a g e s /F o to a re n a O clima político e as revoltas de 1968 estão relacionados com o Projeto deste volume. O Pacto de Varsóvia será trabalhado no capítulo 2 deste volume. Explique aos estudantes que se tratou de uma aliança militar, �rmada em 1955, entre a União Soviética e os países socialistas do Leste Europeu. 34 V6_CIE_HUM_Vainfas_g21Sa_Cap1_018a037_LA.indd 34V6_CIE_HUM_Vainfas_g21Sa_Cap1_018a037_LA.indd 34 9/2/20 3:50 PM9/2/20 3:50 PM