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ARRANJOS E VALORES FAMILIARES
O casamento, o ritual simbólico 
mais significativo na constituição fami-
liar, nem sempre se deu por amor, por 
livre e espontânea vontade. O matrimô-
nio já serviu para unir reinados, selar 
a paz entre povos e acumular poder e 
riqueza, tanto no passado, entre famí-
lias ricas e influentes politicamente da 
Europa, América, África e Ásia, quanto 
no presente, em países como a Índia. 
Nesse país, é prática frequente em seto-
res da sociedade a exigência de dotes, 
assim a formação dos casais ser decidi-
da pelos pais.
Nas sociedades ocidentais contem-
porâneas, a família costuma ser com-
preendida como uma associação de in-
divíduos ligados por relações profundas 
e de proximidade, sem necessidade de haver consanguinidade entre eles. Seus 
membros são unidos por afetos, por um projeto comum de vida, pelo cuidado 
mútuo entre seus membros e pela especial atenção às crianças, cuja educação é 
de responsabilidade da família – ainda que nem sempre isso ocorra.
Portanto, os tipos possíveis de arranjo familiar são variados. Além da estrutura mais comum – pai, 
mãe e filhos constituindo o núcleo central ao qual estão ligados avós, tios e primos –, há muitas ou-
tras formas de organização familiar: a figura central é a avó ou o avô, sem a participação cotidiana de 
um dos pais ou mesmo de nenhum deles; pais ou mães solteiros; parceiros com filhos de casamento 
anterior de um deles ou ainda adotados; filhos com duas famílias, meios-irmãos ou ainda irmãos sem 
consanguinidade, resultado de pais que se separaram, casaram de novo, tiveram outros filhos ou ape-
nas juntaram os filhos dos casamentos anteriores e a nova família, etc.
Com a educação recebida de seus familiares, as crianças formam um repertório inicial de valores 
morais que vão guiar suas escolhas e ações.
Dote: pagamento 
ou transferência de 
propriedades entre as 
famílias dos noivos.
Jovem durante cerimônia de bar-mitzvá em Jerusalém, 2008, 
ritual judaico que simboliza a transição dos meninos para a 
maioridade religiosa, que ocorre quando completam 13 anos 
de idade. A religião que seguimos é um fator cultural que, 
em muitos casos, herdamos de nossa família.
Jovens da etnia Ticuna que vivem na aldeia Vendaval, no 
município de São Paulo de Olivença, AM, 2018, participam 
de um ritual que marca a passagem delas para a vida 
adulta, assim como ocorre com muitos outros povos 
indígenas do Brasil.
A família, Tarsila do Amaral, 1925. Óleo sobre tela, Museu Nacional Centro 
de Arte Reina Sofía. Madri, Espanha. O quadro representa uma família rural 
dos anos 1920, composta de muitos integrantes.
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Toda criança, quando chega ao mundo e durante muitos anos, é totalmente dependente de cuidados 
dos adultos para sobreviver. Além de abrigo, alimentação, proteção e afeto, a família é responsável pela 
educação da criança. É pela convivência familiar cotidiana que ela aprende a se comunicar por meio da 
fala, dos gestos e dos olhares. A criança é educada tanto pelo ensino intencional como pela observação 
e reprodução dos modos de falar e de se portar dos adultos à sua volta. 
Assim, o indivíduo em formação acaba incorporando comportamentos, valores, costumes, formas 
de tratamento, ideias e concepções de mundo transmitidos por seus familiares, desenvolvendo-se 
emocional, social e culturalmente. Conforme a criança vai sendo submetida a um conjunto de informa-
ções, de autorizações e de interdições, vai compondo seu próprio sistema de leitura e interpretação 
do mundo e modos de ação nele.
Reflita sobre as perguntas abaixo e depois converse com os colegas da turma.
1	1	 Para você, o que significa “família”?
22	
Quem são as pessoas que você considera sua família?
33	
O que você admira em sua família? 
44	
Na sua família, em quem você mais confia quando precisa resolver algum problema da escola ou de 
relacionamento, por exemplo?
Trocando	ideias
Reúna-se com três ou quatro colegas e conversem sobre as questões abaixo.
11	
Vocês já viveram situações nas quais não sabiam como se comportar nem como agir e, por isso, 
foram discriminados?
2	2	 Nessas situações, que estratégia a pessoa que se sente deslocada pode adotar para se sentir menos 
exposta? 
3	3	 E que atitudes de acolhimento podemos ter em relação àqueles que se sentem deslocados por não 
dominarem alguns códigos sociais de determinadas circunstâncias ou determinados ambientes?
Trocando	ideias
Acompanhe o diálogo de cada grupo circulando pela classe ou pelo pátio, caso a atividade 
tenha sido proposta em outro ambiente. Verifique se os estudantes estão precisando de alguma 
orientação específica e se todos estão tendo a oportunidade de expressar suas opiniões. O 
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Nos dois primeiros quadrinhos, Armandinho aparece se aventurando, fazendo descobertas,
superando obstáculos – enfim, aberto a enfrentar desafios e aventuras. No último quadrinho, 
agradece à mãe pela coragem. É possível inferir que o menino segue o exemplo de coragem dado pela mãe.
BECK, Alexandre. Armandinho. São Paulo, 15 jun. 2017. Facebook: @tirasarmandinho. Disponível em: https://www.facebook.
com/tirasarmandinho/. Acesso em: 26 dez. 2019.
compartilhamento de estratégias de comportamento entre eles pode ser muito útil para que aprendam outras formas de agir. Porém, 
às vezes o que funciona para alguns não funciona para outros. Também é interessante eles perceberem que é normal as pessoas 
se sentirem deslocadas em algumas situações. Avalie se é o caso de fazer uma sistematização coletiva, pedindo a cada grupo que 
apresente as ideias principais da conversa que tiveram.
As respostas são bastante pessoais. A reflexão serve para os estudantes 
explicitarem o que valorizam em suas famílias. No diálogo entre os pares, 
espera-se acolhimento dos colegas, empatia e ampliação de leitura de mundo 
de todos. Talvez algo desejado e valorizado por um estudante seja vivenciado 
por outro em sua família e este nem havia se dado conta 
da importância dessa vivência. Seja como for, este é
um momento que demanda sensibilidade e atenção por parte do professor, 
pois pode levar os estudantes a expressar sentimentos e situações bastante 
íntimas. Por isso, sugere-se a realização de uma roda de conversa mediada 
pelo professor. É fundamental ficar atento para a maneira como os estudantes 
recebem e tratam as falas de seus colegas, evitando constrangimentos, 
chacotas e atitudes semelhantes.
Não escreva em seu livro
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https://www.facebook.com/tirasarmandinho/
https://www.facebook.com/tirasarmandinho/
Habitus
Em sua casa há rituais nitidamente marcados, 
como jantares cotidianos nos quais todos devem 
estar presentes?
Esse é um exemplo de uma infinidade de situ-
ações às quais todos nós somos submetidos desde 
a infância e com as quais adquirimos ferramentas 
para lidar com a vida. Mesmo os momentos apa-
rentemente banais que vivemos em nosso círculo 
familiar nos servem de referência sobre como de-
vemos nos comportar em sociedade.
Essas disposições, aprendidas pela convivên-
cia com os outros e que nós mobilizamos de for-
ma inconsciente em nossas ações cotidianas, são 
denominadas habitus.
O conjunto de disposições apreendidas nas es-
feras de socialização fora do ambiente familiar, 
como a escola, também constitui o habitus de 
Na prática
Independentemente do habitus que desenvolvemosao longo do convívio com nossos fami-
liares e em outros campos sociais, quase todos somos capazes de identificar lacunas em nossa 
formação, sobretudo se percebemos que superá-las pode contribuir para nosso projeto de vida.
Muitos desses saberes não são aprendidos apenas no núcleo familiar, mas também em outros 
contextos, como o da escola. Podem ser nomeados de habilidades e competências e aprendidos 
com base em cinco dimensões da personalidade humana:
11 abertura a novas experiências (ser imaginativo, artístico, curioso, não convencional, etc.);
22 conscienciosidade (ser organizado, esforçado, disciplinado, autônomo, etc.);
3 3 extroversão (ser amigável, sociável, aventureiro, enérgico, etc.);
4 4 amabilidade (ser cooperativo, tolerante, amigável, modesto, simpático, etc.);
55 estabilidade emocional (ser seguro, tranquilo, ter autocontrole, etc.).
A partir do que foi aprendido,
• faça uma reflexão sobre si mesmo para identificar em quais habilidades você precisa melhorar. 
Selecione uma que mais sente urgência em desenvolver e verifique em qual das cinco dimen-
sões ela se encontra;
• pense em estratégias para promover a aquisição da habilidade que você selecionou;
• converse com um adulto de sua confiança (parente, professor, etc.) e apresente a habilidade se-
lecionada e o modo como pensou em desenvolvê-la. Peça a ele orientações sobre como proceder.
A atividade trabalha a autopercepção e o olhar crítico dos estudantes sobre si próprios e, ao mesmo tempo, oferece situações em 
que eles podem trabalhar com outra pessoa de sua confiança para aprimorar a habilidade identificada. Seria interessante abordar 
em conjunto com a turma as cinco dimensões listadas, pedindo a cada estudante que fale qual delas acredita ser mais desenvolvida 
em si, ouvindo a opinião dos colegas que podem ou não corroborar a autopercepção apresentada. Desse modo, é possível trabalhar 
os habitus que estão mais presentes na vida deles e aqueles que ainda precisam ser melhorados.
uma pessoa. Esse conjunto de saberes e habili-
dades (posturas, linguagens, modos de expressão, 
por exemplo) auxilia os indivíduos a reconhecer 
os valores e as regras das esferas sociais das quais 
passam a participar. Desse modo, o habitus orienta 
as atitudes e posturas dos indivíduos quando se 
inserem nos meios sociais, profissionais, culturais 
e políticos, ajudando-os a se portar da melhor for-
ma em diferentes situações.
Ao longo do seu crescimento, a criança passa 
a circular por diversos ambientes, frequentar ins-
tituições e ter acesso a bens culturais que até en-
tão desconhecia. Observar o cotidiano de outras 
famílias e conviver com grupos sociais variados 
pode enriquecer o seu habitus e fazê-la rever o 
modo como percebe o mundo e reage a ele. Há 
muitos caminhos para a aquisição de saberes e de 
capitais culturais, além da própria família.
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EXPECTATIVAS FAMILIARES
Toda família, antes mesmo da chegada de uma 
nova criança, tem expectativas sobre ela. Muitos 
pais e mães acham que devem dar aos filhos tudo 
aquilo que não tiveram em sua infância. Muitos 
fazem planos do que gostariam que os filhos reali-
zassem e, às vezes, até elaboram projetos sobre o 
futuro profissional das crianças: vai ser jogador(a) 
de futebol, médico(a), o(a) primeiro(a) da família 
a cursar uma faculdade, etc.
A família exerce grande influência sobre quem 
somos e abre possibilidades sobre o que pode-
mos fazer. Entretanto, é frequente a idealização 
de um tipo de família dita “estruturada”, na qual 
todas as relações seriam perfeitas ou, ao menos, 
tudo funcionaria de modo adequado. Esse é o mo-
delo de família que muitas vezes os meios de co-
municação reproduzem. Sobre isso, leia o trecho 
de um artigo escrito pela psicanalista Maria Rita 
Kehl (1951-):
Uma das queixas que os psicanalistas 
mais escutam em seus consultórios é esta: 
“eu queria tanto ter uma família normal...!”. 
Adolescentes filhos de pais separados ressen-
tem-se da ausência do pai (ou da mãe) no lar. 
Mulheres sozinhas queixam-se de que não 
conseguiram constituir famílias, e mulheres 
separadas acusam-se de não ter sido capazes 
de conservar as suas. Homens divorciados 
perseguem uma segunda chance de formar 
uma família. Mães solteiras morrem de culpa 
porque não deram aos filhos uma “verdadei-
ra família”. E os jovens solteiros depositam 
grandes esperanças na possibilidade de cons-
tituir famílias diferentes – isto é, melhores – 
daquelas de onde vieram. Acima de toda essa 
falação, paira um discurso institucional que 
responsabiliza a dissolução da família pelo 
quadro de degradação social em que vivemos.
[...]
KEHL, Maria Rita. Maria Rita Kehl: em defesa da família 
tentacular. Fronteiras do pensamento, Porto Alegre, 1o dez. 
2013. Disponível em: https://www.fronteiras.com/artigos/
maria-rita-kehl-em-defesa-da-familia-tentacular. 
Acesso em: 22 dez. 2019.
É interessante pensar na família que temos e 
refletir sobre quem somos hoje e como imagina-
mos que isso pode influenciar em quem queremos 
ser no futuro.
1. Provavelmente, a expressão “família normal” é utilizada para se
referir ao arranjo familiar tradicional – pai, mãe e
filhos – no qual a vida fluiria de forma supostamente harmônica, sem 
grandes contradições e crises. 2. De modo geral, não há famílias 
anormais. Pode haver famílias cujo convívio entre seus membros 
não seja saudável ou seja pouco convencional, independentemente do tipo de arranjo familiar constituído.
3. Os estudantes podem apresentar algumas concordâncias e discordâncias com o modelo e os valores da família deles. Nesse 
momento, cuide para que nenhum estudante se exponha demais. Para isso, você pode trabalhar essas atividades de maneira que os 
estudantes deem suas respostas por escrito, a partir de reflexão individual.
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É com você
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Que modelo de família se costuma ter em 
mente quando alguém diz “uma família 
normal”?
2 2 Há famílias “anormais”? Explique.
33	
Você acredita que tende a reproduzir o mo-
delo de vida de sua família ou tem vontade 
de trilhar um caminho diferente? Explique.
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Organize uma roda de conversa com os cole-
gas e reflitam sobre as questões abaixo.
11	
O passado profissional e educacional dos 
membros de sua família está presente nas ex-
pectativas deles sobre o seu futuro?
22	
Vocês reconhecem algum aspecto do passado 
de seus familiares que influencia seus planos 
para o futuro?
Trocando ideias
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https://www.fronteiras.com/artigos/maria-rita-kehl-em-defesa-da-familia-tentacular
Todos fazemos parte de uma família e cada família tem sua própria história. É claro que algumas 
características são comuns a diversas famílias, elas podem compartilhar uma mesma cultura, fazer 
parte de uma mesma classe social, vivenciar os mesmos fatos históricos e dividir o mesmo espaço 
geográfico, por exemplo.
A desigualdade social é um dos fatores que determinam a história das famílias e de seus membros. 
Se você nasceu em uma família abastada e com boas condições econômicas, sua história certamente é 
diferente da história de um jovem com pouca ou nenhuma condição financeira.
A condição financeira tem um peso muito grande em nossas escolhas, influenciando, por exemplo, 
nossas decisões sobre quando devemos começar a trabalhar e qual ocupação vamos exercer. Um jovem 
de família com mais estrutura financeira pode dedicar-se exclusivamente aos estudos sem se preocupar 
com trabalho. Por sua vez, muitos jovens acabam abandonando a escola sem concluir o EnsinoMédio 
(ou mesmo antes), porque precisam trabalhar para ajudar a completar a renda familiar.
Existem também diferenças cronológicas. Cada geração vive em mundos diferentes, com desafios 
próprios que demandam adaptações específicas. Por exemplo, investigar como seus pais, avós e bisa-
vós se relacionaram com o mundo do trabalho é um modo de compreender a experiência de vida que 
cada uma dessas gerações teve e suas respostas aos contextos específicos de épocas diversas. Isso 
também pode ajudar você a delinear parte dos valores que sua família compartilha com você e a influ-
ência deles no seu projeto de vida.
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Histórico das ocupações familiares2
Duas famílias constituídas em uma mesma 
época histórica, porém, de classes sociais 
distintas, algo que se percebe pelos trajes, 
objetos e ambiente que os rodeiam. Na imagem 
1 vemos uma família de imigrantes japoneses 
na cidade de Registro, interior de São Paulo, 
no início dos anos 1900. Na imagem 2, Pereira 
Passos, prefeito do Distrito do Rio de Janeiro, 
com sua família, em 1910.
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