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DESIGN DE MOBILIÁRIO PROFESSORES Esp. Ivã Vinagre de Lima Esp. Thiara L. S. Stivari Socolovithc DESIGN DE MOBILIÁRIO 2 DIREÇÃO UNICESUMAR Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor de EAD Willian Victor Kendrick de Matos Silva, Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi. NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Diretoria Executiva de Ensino Janes Fidélis Tomelin Diretoria Operacional de Ensino Kátia Coelho, Direção de Operações Chrystiano Mincoff, Direção de Polos Próprios James Prestes, Direção de Desenvolvimento Dayane Almeida, Direção de Relacionamento Alessandra Baron, Head de Produção de Conteúdos Celso L. Filho, Gerência de Produção de Conteúdo Diogo R. Garcia, Gerência de Projetos Especiais Daniel F. Hey, Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nádila de Almeida Toledo, Supervisão Operacional de Ensino Luiz Arthur Sanglard, Coordenador(a) de Conteúdo Larissa Camargo, Projeto Gráfico José Jhonny Coelho, Editoração Arthur Cantareli Silva, Designer Educacional Agnaldo Ventura, Revisão Textual Ariane Andrade Fabreti e Cíntia Prezoto Ferreira, Ilustração Marta Kakitani, Fotos Shutterstock. C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; LIMA, Ivã Vinagre de; SOCOLOVITHC, Thiara L. S. Stivari. Design de Mobiliário. Ivã Vinagre de Lima; Thiara L. S. Stivari Socolovithc. Maringá - PR.:Unicesumar, 2018. Reimpresso em 2024. 235 p. “Graduação em Design - EaD”. 1. Design . 2. Mobiliário . 3. EaD. I. Título. ISBN 978-85-459-1139-5 CDD - 22ª Ed. 745.2 CIP - NBR 12899 - AACR/2 NEAD Núcleo de Educação a Distância Av. Guedner, 1610, Bloco 4 Jd. Aclimação - Cep 87050-900 Maringá - Paraná www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 Impresso por: Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos com princípios éticos e profissionalismo, não somente para oferecer uma educação de qualidade, mas, acima de tudo, para gerar uma conversão integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo- nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emocional e espiritual. Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. Produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de excelência, com IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil. A rapidez do mundo moderno exige dos educadores soluções inteligentes para as necessidades de todos. Para continuar relevante, a instituição de educação precisa ter pelo menos três virtudes: inovação, coragem e compromisso com a qualidade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância. Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária. Vamos juntos! Wilson Matos da Silva Reitor da Unicesumar boas-vindas Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à Comunidade do Conhecimento. Essa é a característica principal pela qual a Unicesumar tem sido conhecida pelos nossos alunos, professores e pela nossa sociedade. Porém, é importante destacar aqui que não estamos falando mais daquele conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas de um conhecimento dinâmico, renovável em minutos, atemporal, global, democratizado, transformado pelas tecnologias digitais e virtuais. De fato, as tecnologias de informação e comunicação têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, lugares, informações, da educação por meio da conectividade via internet, do acesso wireless em diferentes lugares e da mobilidade dos celulares. As redes sociais, os sites, blogs e os tablets aceleraram a informação e a produção do conhecimento, que não reconhece mais fuso horário e atravessa oceanos em segundos. A apropriação dessa nova forma de conhecer transformou-se hoje em um dos principais fatores de agregação de valor, de superação das desigualdades, propagação de trabalho qualificado e de bem-estar. Logo, como agente social, convido você a saber cada vez mais, a conhecer, entender, selecionar e usar a tecnologia que temos e que está disponível. Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg modificou toda uma cultura e forma de conhecer, as tecnologias atuais e suas novas ferramentas, equipamentos e aplicações estão mudando a nossa cultura e transformando a todos nós. Então, priorizar o conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância (EAD), significa possibilitar o contato com ambientes cativantes, ricos em informações e interatividade. É um processo desafiador, que ao mesmo tempo abrirá as portas para melhores oportunidades. Como já disse Sócrates, “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida”. É isso que a EAD da Unicesumar se propõe a fazer. Willian V. K. de Matos Silva Pró-Reitor da Unicesumar EaD boas-vindas Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está iniciando um processo de transformação, pois quando investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou profissional, nos transformamos e, consequentemente, transformamos também a sociedade na qual estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na transformação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica e encontram-se integrados à proposta pedagógica, contribuindo no processo educacional, complementando sua formação profissional, desenvolvendo competências e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal objetivo “provocar uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessários para a sua formação pessoal e profissional. Portanto, nossa distância nesse processo de crescimento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das discussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranquilidade e segurança sua trajetória acadêmica. Janes Fidélis Tomelin Diretoria Executiva de Ensino Kátia Solange Coelho Diretoria Operacional de Ensino autores Esp. Ivã Vinagre de Lima Especialista em Arte-Educação pelo Instituto Brasileiro de Pós-Graduação e Extensão (IBPEX/2007). Graduado em Engenharia Civil pelo Centro Universitário Cesumar (Unicesumar/2015). Tecnólogo em Construção Civil (Modalidade - Edifícios) pela Universidade Estadual de Maringá (UEM/2014). Licenciado em Artes Plásticas pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR/2007). Tecnólogo em Design de Móveis pela UTFPR (2007). Tecnólogo em Design de interiores pelo Centro Universitário Campos de Andrade (Uniandrade/2006). Tecnólogo em Móveis (Modalidade - Projeto de Móveis) pela UTFPR (2006). Atualmente é professor de ensino técnico e tecnológico do Instituto Federalde Edu- cação, Ciência e Tecnologia do Paraná (IFPR) no campus Umuarama-PR. Tem experiência nas áreas de Arte-Educação, Construção Civil, Desenho Industrial, Design de Móveis e Design de Interiores. Para informações mais detalhadas sobre sua atuação profissional, pesquisas e publicações, acesse seu currículo disponível no seguinte endereço: <http://lattes.cnpq.br/0694192193036096>. Esp. Thiara L. S. Stivari Socolovithc Mestranda em Comunicação pela Universidade Estadual de Londrina (UEL/2017) com pesquisa na área de imagens e linguagens: o design da cidade. Especialista em História da Arte pelo Centro Universitário Claretiano (CEUCLAR/2016). Graduada em Tecnologia em Design de Interiores pelo Unicesumar (2015). Graduada em Comunicação Social com Habilitação em Publicidade e Propagan- da (2005). Atualmente é professora de Conforto Ambiental e Computação Gráfica no Unicesumar (2018). Professora do curso de aperfeiçoamento em Light Design na Unifamma (2016 e 2018). Atua como designer de móveis desde 2006 e como designer de interiores desde 2013. Foi presidente do Grupo de Ensinos Avançados em Design GEAD (2013-2014). Professora de História da Arte e do Mobiliário para o curso de Design de Interiores EAD do Unicesumar (2016). Palestrante em diversos eventos sobre projeto de Mobiliário. Ganhadora do prêmio profissional do futuro da Mostra Casa. com (2013). Desenvolve pesquisas em design, semiótica da cultura e antropologia do consumo. Para informações mais detalhadas sobre sua atuação profissional, pesquisas e publicações, acesse seu currículo disponível no seguinte endereço: <http://lattes.cnpq.br/1339772020198604>. apresentação do material DESIGN DE MOBILIÁRIO Ivã Vinagre de Lima e Thiara L. S. Stivari Socolovithc. Olá, futuro(a) designer. Seja bem-vindo(a) ao livro da disciplina Design de Mobili- ário. Neste livro, você terá contato com informações importantes para a elaboração de projetos de mobiliários. O design de móveis envolve criatividade, conhecimento técnico e planejamento para a execução de um produto coerente e inovador. Em um mercado em constante mudança, as espacialidades e as funções dos ambientes vêm se transformando, exigindo que os objetos que dão vida a esses espaços tornem-se mais funcionais, simbólicos e eficientes. O usuário deve ser o foco do projeto de móveis e, para isto, além do conhecimento das especificidades técnicas, tendo como prerrogativa básica o conforto e a ergo- nomia das peças, propõe-se também o estudo de aspectos subjetivos relativos ao consumidor. Estas análises auxiliam a compreender o contexto histórico, cultural e econômico em que os produtos serão inseridos, ou seja, quais são as necessida- des e os valores compartilhados por uma sociedade em um momento específico. Além destas relações, é importante que o designer atente-se à sustentabilidade, um processo que envolve toda a cadeia produtiva e de consumo dos produtos, compreendendo que o profissional é parte integrante desta comunidade e que deve buscar soluções ecologicamente adequadas. Desta maneira, este livro busca dar ferramentas para a compreensão sobre as características dos produtos existentes no mercado moveleiro atual, os seus pro- cessos produtivos e componentes, conferindo as maneiras de expressão projetual e a metodologia para o desenvolvimento criativo de um mobiliário. Para inseri-lo(a) nesse tema, na Unidade I, você conhecerá a diferença entre os tipos de mobiliários, as suas características e especificidades, as classificações em relação aos tipos de sistema de produção e a sua relação com a composição dos ambientes. Na Unidade II, analisaremos as diferenças entre função, técnica e sentido do design móveis, compreenderemos como funciona a estrutura de uma indústria e os processos gerenciais que auxiliam na otimização da produção moveleira. E, por fim, conhe- ceremos a composição base dos móveis, seus principais componentes e conjuntos. Na Unidade III, discutiremos diversos processos produtivos para que você possa compreender as dinâmicas que envolvem qualquer projeto de mobiliário. Obser- vando que, como designers de produto, é fundamental entender de que maneira são processados os materiais na indústria (ou na fabricação de pequeno e médio porte) para que se chegue a um design com capacidade para ser produzido comercialmente. Na Unidade IV, estudaremos a composição dos mobiliários, as características dos elementos de base, suas estruturas, materiais, peças de montagem e componentes acessórios, compreendendo como estas escolhas podem alterar a função da peça, sua aparência e seus significados. Na Unidade V, observaremos os modelos de representações gráficas e de repre- sentações físicas, as suas especificidades, vantagens e limitações, para que você possa escolher a melhor opção que, por sua vez, ilustre determinado parâmetro do projeto de design, elucidando quaisquer dúvidas e evitando problemas de execução. Como material extra, disponibilizamos o desenvolvimento da metodologia de design aplicada a projetos de móveis, conferindo, primeiramente, um panorama de possíveis demandas, as etapas criativas e as técnicas para a entrega de um projeto completo para a fabricação. Desejamos que, ao final do livro e de toda a disciplina, você sinta-se preparado(a) para atuar com projetos de móveis, reconhecendo, neste conteúdo, uma introdu- ção à prática profissional e compreendendo ainda mais como o conhecimento acadêmico pode incrementar a sua atuação em design de produto. Ótimos estudos! sumário UNIDADE I CLASSIFICAÇÕES DO MOBILIÁRIO 14 Classificações do Mobiliário 16 Classificação do Mobiliário Quanto aos Modelos de Configurações. 22 Classificações do Mobiliário Quanto aos Sistemas de Produção 35 Classificações do Mobiliário Quanto aos Sistemas de Montagens 47 Referências 48 Gabarito UNIDADE II ESTRUTURA DA INDÚSTRIA E DO MOBILIÁRIO 54 O Designer e a Indústria 56 Função, Técnica e Sentido 60 Fabricação Artesanal, Fabricação Sob Medida e Fabricação Seriada 63 Estrutura e Gestão Industrial 67 Composição Geral do Mobiliário 81 Referências 82 Gabarito UNIDADE III PROCESSOS PRODUTIVOS 88 Produzindo com Madeira Natural 98 Produzindo com Painéis de Madeira 103 Produzindo com Metal na Movelaria 106 Produzindo com Materiais Sintéticos 116 Referências 116 Gabarito UNIDADE IV COMPOSIÇÃO DO MOBILIÁRIO 122 Componentes de Base 133 Componentes de Montagem 142 Componentes de Acessórios 153 Referências 153 Gabarito UNIDADE V MODELOS DE REPRESENTAÇÃO EM PROJETOS DE MOBILIÁRIO 158 Modelos de Representações em Projetos de Mobiliários 161 Representações Gráficas em Projetos de Mobiliários 169 Representações Físicas em Projetos de Mo- biliários 176 Gerações de Alternativas em Projetos de Mobiliários 185 Referências 186 Gabarito 187 Conclusão Geral Professor Esp. Ivã Vinagre de Lima Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Classificações do mobiliário • Classificações do mobiliário quanto aos modelos de configurações • Classificações do mobiliário quanto aos sistemas de produção • Classificações do mobiliário quanto aos sistemas de montagens Objetivos de Aprendizagem • Conhecer as diferenças entre os tipos de mobiliários. • Entender as características do mobiliário. • Classificação do mobiliário quanto aos modelos de sistemas de produção. • Apresentar a relação do mobiliário com projetos de interiores e projeto de produto. CLASSIFICAÇÕES DO MOBILIÁRIO unidade I INTRODUÇÃO O lá caro(a) aluno(a)! Seja bem-vindo(a) à primeira Unidade do nosso livro Design de Mobiliário. Após você ter estudado os componentes das disciplinas dos módulos um, dois, três e quatro, os conhecimentos desses componentes curriculares ajudarão no decorrer do processo de desenvolvimento das criações e do planejamento em relação à concepção dos projetos de mobiliários. Estudaremos, nesta unidade, as classificações do mobiliário e as suas respectivas diferenças, apresentandoconceitos e modelos ilustrados para a melhor compreensão dos elementos que serão importantes para os pro- jetos de mobiliário, abordados em uma sequência de quatro tópicos. No primeiro tópico, conheceremos as classificações dos modelos de configurações do mobiliário, em que veremos informações importantes sobre mobiliários unitários, mobiliários de conjuntos, mobiliários com- poníveis, mobiliários modulados e conceituais, encontrados comercial- mente no segmento do mercado moveleiro. Serão apresentados conceitos básicos, citações e algumas curiosida- des que servirão como apoio para as próximas unidades desse livro. No segundo tópico, estudaremos a classificação dos modelos de sistemas de produção moveleira. Serão apresentados mobiliários de produção sob medida, mobiliários de produção artesanal, mobiliários de produção se- riada, mobiliários de produção de desvio de função e os de produção di- gital, apresentando alguns exemplos de modelos de representação gráfica que são utilizados por alguns profissionais da área de design de produto. No terceiro tópico, veremos a classificação dos modelos de sistemas de montagens de mobiliários, que serão: mobiliário montado e mobili- ário desmontável. Assim, apresentando algumas dicas relacionadas ao volume do mobiliário e que devem ser levadas em consideração na hora de projetá-lo. DESIGN DE MOBILIÁRIO 14 Classificações do Mobiliário O mobiliário é um artefato muito importante em projetos de interiores e exteriores, especialmente no planejamento preliminar da distribuição e da circu- lação do espaço residencial, comercial, institucional ou urbano, e após a definição do layout no ambiente. Para Gomes (2015, p. 120), móveis ou mobiliá- rio são definidos como um conjunto de objetos que servem para facilitar os usos e as atividades em uma casa, em um escritório ou em outros ambientes. Um dos atributos principais do design de mo- biliário é atender às necessidades do espaço e dos variados usuários que terão acesso aos produtos, aliando a estética com a função do produto, le- vando em consideração os diferenciados estilos de vida de diversos públicos que esses produtos po- derão atender, atingir e atuar dentro dos diversos segmentos econômicos e mercadológicos. No design de mobiliário, as pesquisas de mercado e de comportamento dos públicos que serão atendi- dos ajudam no conhecimento e no entendimento dos desejos dos usuários e, com isto, é possível transfor- mar as necessidades observadas em uma nova opor- tunidade para o desenvolvimento de novos produtos. Para Gurgel (2004), a importância do design na atualidade torna-se evidente quando percebemos que o design aplicado a qualquer elemento afeta não so- DESIGN 15 isto, o espaço residencial precisa readequar-se a essa nova realidade. Dentro deste contexto, inovar é um dos quesitos mais importantes no segmento de produção move- leira, destacando-se a necessidade de voltar todos os processos de desenvolvimento e de produção para a sustentabilidade, preocupando-se com a vida útil do produto e com o planejamento do pós-consumo, pois esse entendimento poderá agregar resultados positivos para o usuário. Nesta unidade, vamos apresentar as classifica- ções do mobiliário com os seus modelos, as suas respectivas definições, características e exemplos por meio de imagens e conceitos para melhor en- tendimento e compreensão. A classificação pode ser dividida da seguinte forma. • Modelos de configurações. • Modelos de sistemas de produção. • Modelos de sistemas de montagens. mente os objetos que interagem com ele e as pessoas que o utilizam, mas afeta também o meio ambiente. As exigências em relação a produtos de quali- dade, com um bom design e custo merecido, são desejos não apenas do consumidor final, e sim de empresas fornecedoras, do comércio varejista e, até mesmo, de empresas do exterior que desejam ad- quirir os nossos produtos. Porém, muitas vezes, há diversas empresas concorrentes que estão preocupa- das apenas em produzir mais, esquecendo a quali- dade final do produto, e também não se preocupan- do com os consumidores finais. O entendimento dos possíveis espaços que os mo- biliários serão organizados, juntamente com a ergono- mia e as suas respectivas especificidades, são critérios importantes para o desenvolvimento de projetos de mobiliários, pois não há como projetar um espaço sem conhecer o mobiliário, e nem projetar um mobiliário sem conhecer as reais necessidades do espaço, pois ambos (espaço x mobiliário) dependem um do outro. Neste sentido, Rangel (2007, p. 5) afirma: “as cidades se agigantam, os preços dos terrenos tam- bém e, como consequência, os imó- veis diminuem”. Com DESIGN DE MOBILIÁRIO 16 Classificação do Mobiliário Quanto aos Modelos de Configurações Neste tópico, conheceremos os conceitos e exemplos relacionados aos diferentes modelos de configurações para o segmento moveleiro, pois, para o designer de produto, eles facilitam bastante o projeto de diversos tipos de artefatos para esse nicho de mercado, sendo que é por meio desse conhecimento que se determina o direcionamento do foco do produto a ser projetado. Na etapa projetual de móveis, os profissionais de design devem ficar atentos em relação aos possíveis usuários dos produtos, aos possíveis espaços aos quais serão destinados os mobiliários, assim como aos possíveis clientes diretos e indiretos, e também devem manter-se atentos às estratégias de vendas dos produtos, incluindo as suas respectivas opções de direcionamento, que determinadas empresas, por sua vez, desejam atingir. No processo projetual de produtos moveleiros, os designers precisam acompanhar as tendências de design, os desejos ou as necessidades dos usuá- rios ou dos possíveis clientes. Estes serão os novos DESIGN 17 peças de mobiliários. Por exemplo, para determina- das mesas de centro, cadeiras de escritório, roupei- ros, poltronas e sofás-camas, não é possível o usu- ário comprar mais de uma peça e colocá-las lado a lado ou uma sobre a outra, e configurar em uma composição com aparência de um único móvel. Geralmente, o mobiliário unitário não possui mais de uma opção em catálogos, como acontece na confi- guração de mobiliário de conjunto, e sim, apenas a peça unitária faz parte dessa configuração de mobiliário, po- dendo atender aos diferentes estilos e necessidades. consumidores dos mobiliários que poderão, de maneiras satisfatórias, serem atendidos dentro do segmento destinado ao setor moveleiro e, assim, os produtos podem ser projetados com design atraen- te, inovador, de forte apelo estético e funcionalidade, e que atendam aos requisitos específicos para as suas destinações de diferentes formas de usos. Os modelos de configurações para o mobiliário podem ser divididos da seguinte maneira: • mobiliário unitário; • mobiliário de conjunto; • mobiliário componível; • mobiliário modulado; • mobiliário conceitual. Os móveis de casa ou dos ambientes de tra- balho materializaram a maneira de viver, as condições sociais e, inclusive, os hábitos de uma determinada época. (Ricardo Dal Piva) REFLITA MOBILIÁRIO UNITÁRIO Também conhecido como mobiliário avulso, é um mo- delo de mobiliário que apresenta uma configuração es- trutural e formal única, sem possibilidades de amplia- ções do produto com outros. Diferente do que acontece com os mobiliários componíveis ou modulados. Geralmente, são comercializados como peças avulsas, com opções de tamanhos e cores diferentes. Quando colocados no ambiente, junto a outras pe- ças, podem fazer uma composição positiva e criativa. Essa classificação de mobiliário é muito comum em móveis estofados (sofás), em camas box e outras Figura 1 - Mon Chaise Fonte: acervo pessoal - Sérgio Gomes (2015). MOBILIÁRIO DE CONJUNTO É um modelo mobiliário que apresenta uma con- figuração estrutural e formal com mais de uma opção de peças e tamanhos, podendo ser com- pradas em conjunto e, em algunscasos, adqui- ridas como peças separadas para compor um ambiente juntamente com outras, parecendo um mobiliário unitário. DESIGN DE MOBILIÁRIO 18 Popularmente, em folhetos e propagandas co- merciais, são chamados de “móveis de jogo” ou “mo- biliário de linha”, por exemplo: jogo de sala, jogo ou conjunto de sofá, jogo de cozinha, jogo de jantar, jogo ou conjunto de quarto etc. É também comum a possibilidade de modelos de móveis nessa configuração, para dormitórios ou para outros ambientes, unirem-se com peças avul- sas e, assim, remeterem à aparência de mobiliário componível (tema do tópico a seguir). Por exemplo: comprar um roupeiro de duas portas, e outro de três portas, e que, juntos, compõem um roupeiro com aparência de cinco portas, conferindo breve seme- lhança com um mobiliário de sistema componível. Outra opção para esse modelo de configuração, muito comum no ramo moveleiro de mobiliários residenciais, urbanos, corporativos (escritórios) e institucionais (mobiliários escolares e médico-hos- pitalares etc.) são os mobiliários com maior opção de produtos na mesma linha ou coleção. Neste último caso, em seus catálogos de produtos, é oferecida uma sequência de opções em forma de coleção com variados tipos de produtos e com uma determinada quantidade de peças que podem ser ad- quiridas separadamente (avulsas), conforme a neces- sidade do cliente e com possibilidades de usos que podem ser variadas para diferentes tipos de espaços. No caso do mobiliário de conjunto para uso resi- dencial, é comum ter opções, no mercado movelei- ro, de uma coleção de móveis com o mesmo concei- to estético e formal, com opções para salas, copas, quartos etc., seguindo a mesma identidade na apa- rência dos desenhos de seus produtos. O mobiliário para interiores residenciais deve servir para um ampla variedade de atividades: desde as interações sociais dos hóspedes, mais exuberantes, até a inércia de um indiví- duo que está dormindo, sempre respeitando as preferências de cada cliente. (Sam Booth e Drew Plunkett). REFLITA DESIGN 19 MOBILIÁRIO COMPONÍVEL Esta classificação de mobiliário é relativamente mais simplificada, possui um número menor de módulos, além de peças com dimensões padronizadas para ampliar a composição do mobiliário no ambiente desejado e a ampliação do sistema. É um sistema cuja principal finalidade é usar, da melhor manei- ra possível e conforme a necessidade de utilização, cada metragem do cômodo que está sendo mobilia- do e ocupado pelo espaço. São concebidos por meio de peças pré-dimen- sionadas, pré-configuradas e pré-fabricadas, algu- mas com opções de aquisições futuras para a am- pliação do sistema, oferecendo ao espaço diversas possibilidades de composição. O mercado moveleiro oferece, em catálogo de produtos individualizados, opções alternativas com aparência de mobiliário de configuração unitária e com medidas únicas. Porém, com possibilidades pré-determinadas de união com peças que, mesmo iguais, podem ser postas lado a lado ou empilhadas, formando um único móvel. Este modelo de configuração é muito comum em móveis estofados, roupeiros, armários de cozinha, móveis corporativos etc., ou seja, em móveis em que há opções de peças avulsas e que podem ser adquiri- das de maneira que seja unida uma peça com a ou- tra, dando a aparência de um único mobiliário. Também há outra alternativa, com diferentes opções de medidas e peças: posicionar os móveis juntando os módulos lado a lado ou empilhados, formando um único móvel. A união de ambos não oferece a possibilidade de fechamento de vãos livres (superio- res, inferiores e laterais), como acontece no sistema modulado, que veremos a seguir. O mobiliário componível não necessita de ven- dedores e montadores treinados para a realização das vendas, pois muitas das opções desses produtos, muito encontrados em lojas do segmento moveleiro (lojas físicas e virtuais), podem ser montadas e ins- taladas pelo próprio comprador. Algumas empresas dispõem de softwares que apresentam todas as peças com as suas respectivas medidas para realizarem si- mulações de vendas junto ao cliente. DESIGN DE MOBILIÁRIO 20 MOBILIÁRIO MODULADO Essa configuração de mobiliário é chamada comer- cialmente de mobiliário planejado. Possui um núme- ro maior de módulos e peças com dimensões padro- nizadas para ampliar a composição do mobiliário e a ampliação do sistema no espaço desejado. Por ser um sistema de produção seriado, costuma-se realizar, no detalhamento técnico, o desenho peça por peça. Existem possibilidades pré-determinadas de união com peças iguais ou diferentes, lado a lado ou empilhadas, permitindo grandes possibilidades de montagem para a ampliação do sistema modulado, formando um único móvel. São mais sofisticadas no acabamento final em relação ao mobiliário componível, otimizam os espaços com módulos adequados às dimensões apropriadas de cada cômodo e permitem o me- lhor aproveitamento necessário para os ambientes de casas e apartamentos. O mobiliário modulado permite o fechamento total das sobras de espaço entre o mobiliário e os vãos (superiores, inferiores e laterais) com peças de acabamento (vistas de complementação ou réguas de acabamento), que dão uma aparência de mobiliá- rio embutido, como acontece na maioria dos proje- tos de móveis sob medida. É um sistema cuja principal finalidade é usar, da melhor maneira possível e conforme a necessidade de uso do cliente, cada metragem disponível do cô- modo que está sendo mobiliado e ocupado pelo es- paço. Para Vesterlon (2007, p. 113): [...] a redução do tamanho das residências obri- gou o mercado a oferecer produtos que possam se ajustar aos novos espaços disponíveis, espe- cialmente nos apartamentos. Os modulados surgiram apresentando uma diversidade de composições que se adaptam a cada espaço da casa e à necessidade de cada consumidor. Os mobiliários modulados são concebidos por meio de módulos pré-dimensionados, pré-configurados e pré-fabricados, que se encaixam entre si, alguns com opções de aquisições futuras para a ampliação do sistema, como também acontece no sistema de mobiliário componível. São comercializados em lo- jas especializadas que necessitam de projetistas, ven- dedores e montadores treinados e qualificados. Por ser um sistema complexo, necessita, para as gerações de alternativas e de desenvolvimento do projeto, a utilização de softwares específicos para a execução do projeto do sistema no ambiente e para a apresentação final ao cliente, como uma boa estra- tégia de negociação do produto. Antes de iniciar o projeto para venda, o projetista deve tirar as medidas dos ambientes, não esque- cendo os elementos principais, como: pontos elé- tricos e hidráulicos, pé direito, aberturas de por- tas ou janelas, vigas, pilares e outros detalhes que possam interferir no bom resultado do projeto na organização espacial do ambiente. DESIGN 21 MOBILIÁRIO CONCEITUAL O mobiliário de design conceitual é uma configura- ção de mobiliário concebida, na maioria das vezes, de forma crítica e radical. Geralmente, tem a função de expressar questionamentos, discussões polêmicas e, até mesmo, gerar tendências para a criação e a ins- piração de novos produtos. Este tipo de mobiliário, em algumas situações, tem uma função mais decorativa do que utilitária, pois muitos produtos tornam-se peças artísticas. Os princípios de ergonomia são desprezados na concepção da ideia e acabam não se tornando cri- tério para o processo de criação e de materializa- ção de alguns produtos. Existem, também, produtos com essa configura- ção que seguem critérios de ergonomia no desenvol- vimento de suas peças. A forma é o requisito princi- pal para esse tipo de mobiliário. A proposta do design conceitual é muito utiliza- da no ramo do vestuário, principalmente em desfiles de moda e nas artes visuais, gerando várias discus- sões e interpretações sobre as propostas apresenta- das. Muitosprodutos conceituais são expostos em mostras e concursos, podendo ser produzidos e co- mercializados por empresas do ramo de design. Franzatto (2011, p. 15) apresenta a seguinte defi- nição para design conceitual: [...] no design conceitual, os designers exploram as potencialidades reflexivas e dialéticas do pro- cesso de criação de design, abrindo espaço para pensar e discutir os assuntos mais diversos. Os designers que escolhem tal abordagem se ex- pressam por meio de maquetes, artefatos úni- cos, pequenas produções ou auto-produções, ou seja, formas que ficam longe da produção em série e não cabem em lógicas comerciais. Trata- -se de profissionais que usam suas competências para tratar de questões que transpõem os limi- tes disciplinares, para formular testes a respeito e expô-las publicamente. Figura 2 - A cadeira de plástico bolha dos Irmãos Campana Fonte: Lojas Rhel (2011, on-line)1. DESIGN DE MOBILIÁRIO 22 Classificações do Mobiliário Quanto aos Sistemas de Produção Neste tópico, conheceremos os conceitos e exemplos dos modelos de sistemas de produção moveleira im- portantes para esse segmento, abordando os seguintes tipos de mobiliários relacionados às suas formas de execução do produto final. Os modelos de sistemas de produção podem ser divididos da seguinte forma: • mobiliário de produção sob medida; • mobiliário de produção artesanal; • mobiliário de produção seriada; • mobiliário de produção com desvio de função; • mobiliário de produção digital. MOBILIÁRIO DE PRODUÇÃO SOB MEDIDA Móvel desenvolvido e executado para determinado cliente, que deseja um móvel com foco em uma ne- cessidade desejada ou em alguma outra especificida- de. O marceneiro é um dos profissionais principais DESIGN 23 em todas as etapas de produção, entrega e monta- gem do mobiliário no espaço do cliente atendido. As marcenarias que fazem esse tipo de mobili- ário produzem, na maioria das vezes, móveis retilí- neos (lisos e com linhas retas), sendo a matéria-pri- ma principal as chapas de MDF (Medium Density Fiberboard), MDP (Medium Density Particleboard) e o compensado. Dal Piva (2006, p. 15) apresenta a seguinte definição para mobiliário sob medida: [...] produto projetado e fabricado para um cliente específico, pois esse tipo de fabricação exige mui- ta atenção do projetista ou marceneiro durante a tomada de medidas na casa do cliente, pois qual- quer erro de dimensões compromete a margem de lucro prevista agregada ao produto executado. dida, inicia-se com todas as informações levantadas junto ao cliente em forma de entrevista, incluindo as suas exigências, para, assim, estabelecer-se as necessi- dades dos usuários e do espaço que será ocupado pelo mobiliário. Lembrando que o resultado do produto final a ser desenvolvido deverá atender a todas as ne- cessidades específicas de uso e estilo de um cliente. Para dar início ao projeto de mobiliário sob me- dida, é necessário o primeiro contato com o cliente (entrevista) e uma visita no espaço onde será exe- cutado o mobiliário para ser realizado o levanta- mento de todos os dados e, desta forma, ter como base principal as medidas exatas dos ambientes no imóvel que será ocupado pelos mobiliários e os seus respectivos artefatos. Depois de todas as informações, inicia-se as ano- tações de todas as medidas da planta baixa observadas no espaço, como: altura do pé direito, distância entre as paredes e a posição de elementos que estão fixos (portas, janelas, ventilação, pontos elétricos e hidráuli- cos, ponto de gás, ângulos especiais e outros elementos importantes para não atrapalhar o projeto das peças). Assim, dá-se início aos primeiros croquis como forma de geração de alternativas que mais se encai- xam e enquadram-se para uma boa organização es- pacial no ambiente que será utilizado pelo cliente. Nessa etapa de geração de ideias, a aplicação dos conhecimentos de ergonomia é um elemento de ex- trema importância para um bom resultado do projeto. Muitas marcenarias também investem em pro- fissionais projetistas, encarregados de fazer os proje- tos com softwares específicos de desenhos 2D e 3D. O objetivo é vender o projeto aos clientes e apresen- tar as primeiras gerações de alternativas para obter a aprovação e, em seguida, fazer as negociações para as vendas dos projetos. A metodologia para o desenvolvimento do mobili- ário sob medida muito se assemelha ao processo de ferramentas e de ações adotado para a elaboração de projeto de interiores, diferenciando-se um pouco do processo realizado em um projeto de produto seriado. No caso do desenvolvimento do mobiliário sob me- DESIGN DE MOBILIÁRIO 24 Devido à grande concorrência das empresas, um boa estratégia usada por muitas marcenarias para buscar novos clientes é a contratação de projetistas vende- dores. Eles vão até as obras de edificações oferecer os seus serviços em projetos de móveis sob medida. Essa estratégia favorece bastante as marcenarias, pois se o cliente demonstrar interesse pelos serviços, os projetos podem prever alguns detalhes durante a construção que facilitarão a instalação do mobiliário no ambiente, evitando algumas incomodações futu- ras para a instalação dos móveis. O registro fotográfico das obras também facilita a instalação dos móveis, prevendo perfurações nas paredes em pontos que passam tubos hidráulicos e conduítes elétricos. No detalhamento de móveis sob medida, não se exige o desenho individual de todas as partes (componentes ou peças), com os detalhes técnicos de furações e junções dos dispositivos de montagem ou fixação que formam o mobiliário, como aconte- ce nos projetos de mobiliários de produção seriada. Somente é feito um projeto do conjunto com execu- ção e montagem realizadas por um marceneiro que produz o mobiliário. Figura 3 - Ambientação da cozinha para apresentação ao cliente Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017). Figura 4 - Indicação de pontos elétricos e hidráulicos na obra antes e após a instalação e a montagem dos mobiliários Fonte: o autor. DESIGN 25 Figura 5 - Ambientação em 3D com as cotas das medidas que serão utilizadas para a produção na marcenaria Fonte: Acervo Pessoal - Clélio Zeithammer (2016). DESIGN DE MOBILIÁRIO 26 Os desenhos do mobiliário sob medida geral- mente são apresentados depois da aprovação do cliente e mostram as vistas do mobiliário, com ele- vação, cotas necessárias para um bom entendimento do marceneiro, especificação dos materiais, ferra- gens e componentes necessários para a produção, desenho da projeção do móvel em planta baixa, de- senhos com detalhes de construção em corte parcial, desenhos da perspectiva do móvel individual e da perspectiva do móvel no ambiente. Após as gerações de ideias, apresenta-se ao cliente amostras digitais com a ambientação em 3D para melhor entendimento de como ficará o espaço com o mobiliário, indicando algumas pos- sibilidades para verificar a aceitação e, com isto, a finalização do orçamento. Figura 6 - Gerações de alternativas com três opções de uma cozinha para apresentação ao cliente Fonte: Acervo Pessoal - Arno Hoffmann Junior (2017). Para o projeto de mobiliário sob medida, a unidade métrica utilizada comercialmente nos desenhos é cen- tímetro (cm) ou metros (m), diferente do mobiliário seriado, cuja unidade utilizada é o milímetro (mm). As unidades de medida centímetro (cm) ou me- tro (m) são muito utilizadas para melhor entendi- mento dos marceneiros e vendedores. Entretanto, a unidade indicada é o milímetro (mm), pois as cha- pas de madeira, os dispositivos de montagem e ou- tros componentes apresentam, em seus manuais de instruções e de uso, as unidades em milímetro (mm). Para o projeto definitivo, aconselha-se fazer as vistas (elevações) superior, frontal e lateral com uma perspectiva do mobiliário no ambiente para melhor entendimento e compreensão da alternati- va escolhida pelo cliente. DESIGN 27 Para detalhamentos das vistas, aconselha-se men-cionar todas as cotas importantes, as linhas de cha- madas para alguns detalhes e as especificações de materiais que serão utilizados no projeto. Figura 7- Vista (elevação) superior, lateral e frontal da cozinha com as medidas mensuradas no ambiente e am- bientação em 3D da cozinha após a aceitação do cliente Fonte: o autor. DESIGN DE MOBILIÁRIO 28 Mesmo a produção desse tipo de mobiliário sendo quase artesanal, pois a construção das peças são foca- das em encomendas/clientes específicos, a qualidade do resultado final do produto parece-se um pouco com os mobiliários de produção em série. A entrega, a execução e a montagem geralmente são realizadas pelo marceneiro ou pela equipe da marcenaria. MOBILIÁRIO DE PRODUÇÃO ARTESANAL Este tipo de mobiliário é uma possibilidade distinta de inserção dos produtos no mercado moveleiro. A sua produção difere-se um pouco dos produtos produzi- dos em fábricas de móveis, sob larga escala de produ- ção. São mobiliários desenvolvidos em processos ar- tesanais e com diversos materiais, tais como: madeira, bambu, tecidos, fibras naturais e sintéticas etc. Produto que, muitas vezes, acaba adquirindo maior valor agregado dentro do segmento movelei- ro, sendo um bom instrumento de estratégia de de- senvolvimento de artefatos que, por sua vez, podem destacar-se com a produção de peças exclusivas e de design autoral. O profissional que atua nesse segmen- to é um artesão, pois produz itens de variadas formas e modelos com caráter funcional ou decorativo. O sistema exige, para cada móvel sob me- dida, uma negociação inicial, uma visita na casa do cliente para dimensionar o móvel, a elaboração do projeto, a apresentação e o acompanhamento da produção até a entrega final do produto. Fonte: Dal Piva (2006). SAIBA MAIS DESIGN 29 Alguns desses mobiliários de produção artesanal são desenvolvidos propositalmente com uma aparência rústica, e outros são produzidos com a característica de um mobiliário de bom acabamento, sendo diferen- tes daqueles de produção em série. Alguns deles são produzidos em uma determinada quantidade para as vendas em lojas nas próprias marcenarias e, em outras vezes, são produzidos sob encomenda, como acontece com mobiliários de madeira de demolição. Existem produtos que são de produção exclusi- va, com entalhes e torneamento de peças em madei- ra que exigem a atenção e a presença de um marce- neiro com perfil de artesão, cuja maior preocupação seja os detalhes exclusivos para cada peça. O artesanato apresenta-se como um valioso pro- cesso de produção de móveis com fibras naturais e sintéticas, uma opção a mais para o mobiliário de produção artesanal, oferecendo, em seus processos, variadas padronagens de trançados e amarrações, que são produzidos por meio de vários tipos de fi- bras, exigindo habilidades com um bom resultado nos acabamentos, sendo estes os que revestem os mobiliários para áreas internas e externas, destina- dos para diversos tipos de ambientes. É importante destacar que, neste processo, ocor- rem situações em que determinada linha de um pro- duto de produção em série possui uma parte de sua fabricação em um setor de produção industrial da Na produção artesanal, há marcenarias ou ateliês que atuam exclusivamente com trabalhos que envol- vem a restauração de mobiliários. Neste contexto, os trabalhos de restauração de mobiliário também são uma das alternativas dentro do segmento movelei- ro e que, por sua vez, exigem uma atenção especial dentro da produção artesanal, pois, em algumas si- tuações, é necessária a confecção de uma nova peça ou de componentes para a substituição de outras peças danificadas ou deterioradas por insetos (peças perfuradas por cupins). fábrica, e outra parte, que envolve acabamentos arte- sanais, é desenvolvida em um setor anexo à fábrica. Nesta mesma empresa, são contratados profissio- nais artesãos para a realização de outra etapa de pro- dução artesanal, seguindo um padrão de produção e de qualidade na finalização. Tendo, com isto, um pro- duto de produção mista, em que uma parte é seriada, e a outra com um detalhe ou acabamento artesanais. Alguns mobiliários exigem detalhes em seus processos de acabamentos, como no caso do revesti- mento de um móvel fabricado em série, com estru- DESIGN DE MOBILIÁRIO 30 tura em metal, madeira, materiais mistos ou não, e com revestimento em toda a parte ou apenas em algum detalhe importante, que é revestido com tecidos, fibras naturais ou sintéticas, madeira, bambu ou outros materiais que necessitam de um processo artesanal para a finalização do produto. Esse processo pode ser feito por meio de encomen- das de terceirização de servi- ços, ou seja, que não seja feito na própria fábrica e que pode ser realizado em residências de ar- tesãos, em cooperativas e em em- presas de pequeno e médio portes. Há, também, produtos produzi- dos em áreas de regiões rurais, indíge- nas, litorâneas, entre outras, podendo ser de uma produção independente para vendas diretas ou indiretas. Na fabricação de móveis estofa- dos, é comum que as estruturas dos móveis sejam feitas de maneira seria- da, e que a parte da costura dos teci- dos necessite de costureiros para fazer a parte dos tecidos e dos demais reves- timentos dos móveis (base, assento, braço, encosto e parte traseira). Eles também podem ser terceirizados ou feitos em um setor à parte da fábrica. DESIGN 31 MOBILIÁRIO DE PRODUÇÃO SERIADA Mobiliário com produção em série e em volume in- dustrial, normalmente não é concedido ou produ- zido para um cliente específico, como acontece no mobiliário sob medida ou em alguns mobiliários de produção artesanal. Por isto, em projetos de mobiliários seriados, aconselha-se a utilização de um bom processo me- todológico e uma boa pesquisa de mercado para o projeto do produto. Esse tipo de produção deve atin- gir uma grande quantidade de usuários, diferente- mente do mobiliário sob medida, que atinge apenas um cliente específico. A produção é realizada em pe- ças isoladas, com a preocupação da racionalização dessas peças, para se ter o melhor aproveitamento dos materiais na fabricação. Geralmente, a produção é realizada em fábricas de pequeno, médio e grande porte. A escolha e a configuração da embalagem têm muita importância na qualidade e na valorização do produto, pois ela o protege de estragos ou danos e facilita o armaze- namento, o transporte e o recebimento do produto na residência do cliente. O desenho do manual de montagem não deve ser esquecido: ele deve conter ilustrações e especificações para a montagem e a desmontagem do móvel. Nos detalhamentos técnicos, a unidade de medi- da usual é o milímetro (mm). É feito o desenho do conjunto e de peça por peça de cada parte do mo- biliário projetado, com todas as cotas das furações e marcações necessárias. Este detalhamento serve como uma documentação técnica do produto, faci- litando o processo de fabricação e as possíveis re- gulagens dos maquinários, assim como o fluxo de produção na indústria moveleira. Figura 8 - Desenhos das peças da estrutura do assento e encosto do sofá Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017). DESIGN DE MOBILIÁRIO 32 MOBILIÁRIO DE PRODUÇÃO DE DESVIO DE FUNÇÃO Consiste na produção e criação de artefatos com foco na ressignificação dos objetos, podendo ser de produ- ção simplesmente artesanal. Geralmente, consiste em agregar funções secundárias aos artefatos que pos- suem empregos primários preestabelecidos, não se limitando apenas ao desenvolvimento de mobiliário, mas sim expandindo para as outras ideias de produtos. Existem situações em que esses produtos são con- cebidos simplesmente como um improviso devido a uma necessidade emergencial ou, então, são pro- jetados e produzidos intencionalmente como um produto alternativo. A concepção do mobiliário de desvio de função pode dar-se pelo simples fato de misturar materiais e por um improviso da junção deles para materia- lizaro produto, ou pela idealização de um projeto detalhado, seguindo uma metodologia com uma se- quência de processos criativos que, por sua vez, são utilizados no design de produtos. De acordo com Burdek (2006), os objetos e produtos são utilizados em novas situações de vida com novos significados de forma tão evidente que os designers não poderiam supor que isso fosse possível. Isto é, a não intenção domina a intenção. Figura 9 - Poltrona com pallet descartado Fonte: o autor. O reuso previne que materiais existentes se- jam descartados em aterros e poupa energia e água incorporadas que teriam sido necessá- rias para produzir materiais de substituição. Na prática, a reutilização é, em geral, inerente à redução, já que utilizar materiais existentes pode reduzir a necessidade de novos materiais. Fonte: Moxon (2012, p. 95). SAIBA MAIS Apesar de, no princípio, o design de produto ser uma atividade ligada à produção industrial, existem cada vez mais exemplos de produtos projetados por designers, os quais melhor ca- racterizam um artefato improvisado. Trata-se de uma iniciativa construtiva, pois muitos designers estão se preocupando com questões de desenvolvimento sustentável, e não apenas se adequando aos novos padrões do mercado. Estes designers estão propondo verdadeiras atitudes neste sentido. Fonte: Boufleur (2006, p. 105). SAIBA MAIS DESIGN 33 MOBILIÁRIO DE PRODUÇÃO DIGITAL Mobiliário que faz parte do movimento maker, com design aberto e democrático, pois apresenta sistema diferenciado de fabricação com impressão 3D, corte a laser e CNC. A máquina de CNC facilita bastante a viabilidade, a agilidade e a qualidade de variados projetos que exigem alta precisão nos detalhes que requerem e nos cortes que exigem encaixes. O aca- bamento feito na CNC diferencia-se bastante em relação à perfeição dos resultados, se estes forem comparados com os produtos feitos com máquinas e ferramentas padrão de várias marcenarias. DESIGN DE MOBILIÁRIO 34 Os projetos de diversos produtos apresentam arqui- vos disponíveis para download gratuito e que podem ser baixados livremente pelo sistema opensource ou pelo acesso ao site Britânico OpenDesk. Esses arqui- vos, muitas vezes, podem ser baixados, acessados e replicados por vários países. Visualize o projeto e os detalhes da montagem da cadeira Valoví (STUDIO DLUX, [2018], on-li- ne)2, composta por 20 peças de madeira que se encaixam sem nenhum tipo de prego, parafuso ou cola. Para saber mais, acesse: <http://www. studiodlux.com.br/portfolio/valovi/>. Fonte: o autor. SAIBA MAIS Umas das grandes desvantagens é a falta de con- trole em relação à apropriação comercial dos pro- jetos de variados produtos e, com isto, a tendência de produção digital faz com que os designs aber- tos de artefatos possam ser usados livremente, compartilhados, copiados e, até mesmo, modifica- dos em alguns detalhes. Alguns projetos apresentam informações, espe- cificações, recomendações e instruções importantes para a concepção e configuração dos artefatos. Me- gido (2016, p. 131) apresenta a seguinte definição para o movimento maker. O movimento maker é uma extensão tecnoló- gica da cultura do “Faça você” (Do It Yourself - DIY, no original em inglês), que estimula as pessoas comuns a construírem, a modificarem os próprios objetos com as próprias mãos. Isso gera uma mudança na forma de pensar de mui- ta gente, trazendo os processos industriais para bem próximo de meros mortais como você e eu. Práticas de impressão 3D e 4D, cortadores a laser, robótica, arduino (prototipagem ele- trônica livre), entre outras, incentivam uma abordagem criativa, interativa e proativa de aprendizagem em jovens e crianças, gerando um modelo mental de resolução de problemas do cotidiano. É o famoso “pôr a mão na mas- sa”. Algumas escolas particulares de São Paulo já estão montando laboratórios equipados com essa tecnologia, e a prefeitura da cidade tam- bém disponibiliza, de forma gratuita, o acesso a FabLabs espalhados pela cidade para que qual- quer pessoa possa prototipar seu projeto e sair de lá com a peça na mão. http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ DESIGN 35 Classificações do Mobiliário Quanto aos Sistemas de Montagens Neste tópico, estudaremos os padrões de modelos de montagens de mobiliário mais usuais no mercado moveleiro e veremos os seguintes modelos de mon- tagem de mobiliário: • mobiliário montado; • mobiliário desmontável. MOBILIÁRIO MONTADO Mobiliário de pequena ou média dimensão, que é montado nas próprias indústrias. É entregue mon- tado para o consumidor ou para os locais de comer- cialização. Na maioria das vezes, não necessita de DESIGN DE MOBILIÁRIO 36 um manual de montagem, e sim de um manual de instruções de usos e advertências. No momento de incluir esses mobiliários no pro- jeto, é muito importante avaliar e prever o volume e a massa para não haver dificuldades na logística do produto e na entrada e saída em aberturas (portas e janelas) em situações de entregas do produto na residência e, também, no caso de mudanças. Há produtos montados que apresentam dificul- dades no transporte e na entrega do produto em determinados ambientes. Este tipo de transtorno é muito comum em mobiliários estofados (sofás) que apresentam dimensões incompatíveis com as aber- turas de portas e janelas, dificultando a entrada do produto no ambiente que, em algumas situações, é situado em prédios. Uma das alternativas que gera transtornos e custos é o içamento do mobiliário por meio de cordas e cabos. A maioria dos móveis estofados de dois, três ou mais lugares, e que são muito encontrados no mer- cado, possuem muitas dificuldades de entrada nas residências, principalmente em apartamentos. A difi- culdade já começa nas entradas das escadas ou eleva- dores. O mesmo caso ocorre com algumas camas box. Figura 10 - Mobiliário sendo içado do alto de um prédio residencial Fonte: Portal Click Negócios([2018], on-line)3. Na concepção do produto, o designer deve levar em conta as características ergonômicas como verdadeira ferramenta de projeto. (Rafael Vesterlon) REFLITA DESIGN 37 MOBILIÁRIO DESMONTÁVEL Mobiliário concebido com suas partes, peças ou componentes para serem montados após a aquisi- ção e, desta forma, para a utilização no ambiente em que será acomodado. Na maioria das vezes, há a necessidade de um montador com experiência na montagem e instalação do móvel no espaço deseja- do. Geralmente, esse mobiliário possui dispositivos de junções e de ferragens para facilitar as montagens e desmontagens dos componentes e do conjunto como um todo. O mobiliário desmontável deve ser acompanhado sempre de um bom manual de montagens que apre- senta, primeiramente, um desenho esquemático mos- trando, passo a passo, todas as etapas desse processo. A embalagem também é um dos elementos im- portantes para o mobiliário desmontável. Ela facilita na logística do produto, pois tem a função de orga- nizar as peças que compõem o mobiliário e os seus respectivos dispositivos de montagens e junções caso seja necessário, e deve ser sempre acompanha- do com um manual de montagem e com um manual de instruções de uso do produto. Figura 11- Desenho de embalagem Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017). Para o projeto da embalagem do produto, é neces- sário ter todas as dimensõesdo volume de todos os elementos que fazem parte do produto e, em segui- da, aconselha-se fazer uma simulação do layout des- tes para se ter ideia de qual será o volume da emba- lagem. Tendo todos esses dados, inicia-se o desenho da embalagem planificada. Alguns mobiliários são desmontáveis com sistemas mistos de montagens, possuindo encaixes entre algu- mas peças, mas, ao mesmo tempo, necessitam de dis- positivo de montagens para a junção dos componentes, pois a sua montagem dá-se apenas por encaixes e por alguns mecanismos de junções. Outros são desmontá- DESIGN DE MOBILIÁRIO 38 veis e não necessitam de nenhum dispositivo de alinha- mento, pois a sua montagem dá-se apenas por encaixes. Outro modelo muito conhecido de mobiliário desmontável é aquele com o sistema Do it yourself (Faça você mesmo), idealizado para que o cliente/ usuário seja o próprio montador. Esse sistema apre- senta pouca complexidade na montagem graças aos seus processos simplificados, não necessitando de ferramentas profissionais. Na maioria dos produtos com este conceito, os fa- bricantes entregam junto com o produto um manual de instruções de fácil entendimento, um kit de dispo- sitivos de montagens e ferragens, além de ferramen- tas básicas para montagens de baixa complexidade. Figura 12 - Arara Sagui Fonte: Passaretti e Bisterzo (MONO DESIGN, [2018], on-line)4. DESIGN 39 Tal mobiliário apresenta muita facilidade nas eta- pas de montagem para os clientes que compram os produtos na própria loja ou pela Internet. Assim, o cliente é o próprio montador do produto. Esse tipo de produto deve ser idealizado de manei- ra que o sistema seja de fácil entendimento para a sua respectiva montagem, podendo ser inteiro desmonta- do e, em seguida, a sua montagem pode ser feita sim- plesmente por encaixes ou por dispositivos que juntam componentes, sem mecanismos de fixação. Ambos os modelos devem ser de fácil montagem, entendimento e compreensão dos passos e das sequências. Figura 13 - Parte do manual de montagem de um móvel aparador Fonte: acervo pessoal - Elias Soares (2014). 40 considerações finais Caro(a) aluno(a), nesta unidade aprendemos conceitos importantes relacionados ao design de mobiliário, e percebemos que conhecer os tipos dos variados modelos de classificações facilita muito para o designer de produto no momento de adquirir um bom repertório e dar início às etapas importantes para o desenvolvimento de todo o processo que envolve o projeto de produto moveleiro. Verificamos, também, que o conhecimento sobre as especificidades do produto facilita bastante para chegar a um objetivo no processo projetual, juntamente com boa metodologia de projeto dentro de um processo criativo e produtivo, facilitando, assim, o desenvolvimento da geração de ideias, oferecendo variadas alternativas para a concepção de um projeto de mobiliário bem elaborado. Neste sentido, um móvel projetado para ser inserido em um ambiente pode ser a solução para um determinado problema, desejo ou necessidade de variados tipos de usuários, levando em consideração alguns parâmetros de adequação de uso e as compatibilidades com as medidas necessárias dos espaços e que, por sua vez, serão estabelecidas para o uso e a aquisição. A pesquisa, no entanto, é uma ferramenta muito importante para a compreensão do designer de produto sobre a sua área, pois sempre é necessário que o profissional esteja atualizado sobre as novidades que envolvem o segmento moveleiro e também sobre as novas tendências, as normas vigentes, os novos materiais e processos da fabricação, assim como as variadas opções de dispositivos de montagem, os tipos de acabamentos, os mecanismos e acessórios. E, o mais importante, atualizado em relação às novas necessidades de diversos tipos de usuários. Com isto, percebemos a grande relação dessa unidade com o design de produto, assim como a relação destes com as variadas interfaces em que o mobiliário está presente, pois não há como projetarmos um mobiliário sem conhecermos o contexto em que ele será inserido, pensando em uma boa conformidade espacial e em bene- fícios para os usuários. considerações finais 41 atividades de estudo 1. Os mobiliários apresentam classificações que conceituam algumas especifi- cidades individuais que, por sua vez, diferenciam um do outro. Quanto aos modelos de configuração, assinale a alternativa correta que indica os mobi- liários pertencentes a esse modelo. a. Mobiliário montado, mobiliário desmontável, mobiliário de desvio de função, mobiliado seriado e Do it yourself. b. Mobiliário sob medida, mobiliário seriado e Do it yourself. c. Mobiliário unitário, mobiliário seriado e mobiliário sob medida. d. Mobiliário componível, mobiliário sob medida, mobiliário unitário e mobiliário seriado. e. Mobiliário unitário, mobiliário de conjunto, mobiliário componível, mobiliário modulado e mobiliário conceitual. 2. O mobiliário de produção em série é destinado a atender às necessidades de usuários, por isto ele difere-se no processo de detalhamento técnico das peças e no processo projetual. Para o mobiliário seriado, como é o processo que envolve a sua produção? Explique. 3. O projeto de mobiliário sob medida, ou sob encomenda, apresenta uma dife- rença em relação aos demais móveis de produção seriada, pois é projetado para as necessidades de uma cliente específico. Diante disto, como se inicia o projeto do mobiliário sob medida? Explique. 4. O mobiliário modulado é muito confundido com os mobiliários componíveis, principalmente em algumas propagandas relacionadas ao segmento movelei- ro. Com isto, os itens que podem caracterizar-se e relacionar-se com o mobi- liário modulado são: I. Por ser um mobiliário de produção seriada, é necessário, no detalhamento técnico do produto, o desenho de peça por peça. II. Comercialmente, nas lojas especializadas em vendas desse modelo de confi- guração, ele é chamado de mobiliário unitário. III. Em lojas especializadas, não se necessita de vendedores e montadores treina- dos para apresentar as alternativas aos clientes. 42 atividades de estudo IV. Na montagem do móvel no ambiente, são oferecidas réguas de acabamento, que permitem o fechamento total de sobras de espaços entre o mobiliário e os vãos. Podemos afirmar que: a. Somente as afirmativas I e III estão corretas. b. Somente as afirmativas I, II e III estão corretas. c. Somente as afirmativas II e III estão corretas. d. Somente as afirmativas II e IV estão corretas. e. Somente as afirmativas I e IV estão corretas. 5. Dentro dos diferentes modelos de classificações do mobiliário, analise as se- guintes definições que têm relação com as respectivas classificações: I - Mobiliário desmontável: o modelo de mobiliário que é conhecido por seu sistema de montagem prático, denominado Do it yourself, apresenta pou- ca complexidade no sistema de montagem graças aos seus processos simplificados, não necessitando de ferramentas profissionais. II - Mobiliário unitário: apresenta uma configuração estrutural e formal única, sem possibilidades de ampliações do produto com outros mobiliários, e pode ser combinado e misturado no ambiente com outros mobiliários. III - Mobiliário de conjunto: popularmente, em folhetos e comerciais de vários estabelecimentos que vendem tais mobiliários, estes são chamados de “móveis de jogo”. IV - Mobiliário componível: consiste na produção e na criação de artefatos com foco na ressignificação dos objetos, podendo ser, simplesmente, de produção artesanal. Podemos afirmar que: a. Somente as afirmativas I, II e III estão corretas. b. Somente as afirmativas II e III estão corretas. c. Somente as afirmativas III e IV estão corretas. d. Somente a afirmativa III está correta. e. Todas as afirmativas estão corretas. 43 LEITURA COMPLEMENTAR Já ouviu falar de design aberto? Studio dLux: da garagem de casa para o mundo Novas alianças entre designers, produtores e usuários devem ser criadas. A tecnolo-gia fornecerá ferramentas ilimitadas para que essa participação deixe de ser um mito. Essas ideias sintetizam o pensamento do designer austro-americano Victor Papanek, autor de Design para um mundo real: Ecologia Humana e Mudança Social (1971) e Móveis Nômades (1973). Suas obras anteciparam conceitos como open design, participação, ino- vação aberta, incubação, entre outros termos que hoje são uma realidade. Um exemplo disso tudo colocado em prática como modelo de negócio está em operação há dois anos: é o Studio dLux, fundado pelo jovem arquiteto paulistano Denis Fuzii, de 26 anos. Formado na faculdade de Belas Artes, ele, assim como muitos profissionais de sua área, bebeu muito desta fonte. Da inspiração, criou um escritório de arquitetura e design que elabora e executa projetos digitalmente, e disponibiliza gratuitamente parte de suas criações para download em uma plataforma open source. Tudo isto da garagem de casa, onde hoje divide o espaço com mais dois arquitetos e duas estagiárias. Quando o insight vem do cotidiano de trabalho Tudo começou com uma encomenda bastante específica. Uma cliente o havia contrata- do para criar a iluminação de um salão de festas e, além disso, pediu ao arquiteto “uma cadeira desmontável e de fácil armazenamento”. Denis, que se diz um apaixonado por mobiliário, foi além da simples entrega. Afinal, cadeiras assim já existem. Mas ele co- locou a mão na massa e pesquisou incontáveis formas de produzir a tal cadeira, que acabou batizada de Kuka. Neste processo de concepção, criação e desenvolvimento de produto, ele descobriu o mundo novo da fabricação digital, possível graças a uma máquina chamada CNC, uma fresadora que corta chapas a partir de um arquivo digital. Com a cliente satisfeita e o projeto entregue, Denis começou a divulgar a cadeira nas mídias sociais, o que chamou a atenção de uma amiga de faculdade, Beatriz Guedes, 26 anos, hoje uma das parceiras do Studio. Bia encantou-se com a cadeira e queria ter http://www.studiodlux.com.br/ 44 LEITURA COMPLEMENTAR uma Kuka pra chamar de sua, mas havia um detalhe: ela estava em Barcelona, na Espa- nha, onde cursava uma especialização. Foi neste momento que Denis teve um insight: por que não (re)produzir a cadeira em outros lugares do mundo? Tratou de encontrar um produtor local que tivesse uma CNC, e o pedido da amiga tornou-se realidade. Este episódio foi o divisor de águas para Denis, que decidiu enviar o arquivo do seu pro- jeto para a FabLabs (laboratórios de inovação para a criação de protótipos) do mundo todo. Sua cadeira, a primeira de uma série que viria posteriormente, chamou a aten- ção de Nikolas Ierodiaconou, ganhador do Ted City Prize pelo projeto WikiHouse, de fabricação open source. Nick é também um dos fundadores da OpenDesk, hoje a maior plataforma de mobiliários para produção local open source. Denis conta que apostou nesse caminho para divulgar o trabalho, um caminho que não requer investimento em marketing, mas que pressupõe uma visão avançada do que é propriedade. Nem todo mundo entendeu. “Meus amigos e minha família acharam que eu estava louco. Eles não conseguiam en- tender os motivos pelos quais eu liberaria gratuitamente um projeto ao qual me dedi- quei três meses para realizar”, declara Denis. Naquele momento, em outubro de 2013, a OpenDesk estava ainda em fase de incu- bação e Denis foi convidado a participar da elaboração da plataforma. A missão dele era encontrar uma forma de minimizar erros na hora de montar os móveis projetados pelos designers. Isto porque a espessura dos materiais pode variar de país para país, o que pode comprometer a entrega final. “Hoje, a plataforma oferece um descritivo para os makers (produtores locais) para que eles saibam como proceder caso a espessura da chapa seja diferente daquela descrita no projeto original”, diz ele. Em dois meses na plataforma, as duas cadeiras de sua autoria, Kuka e Valoví, tiveram 5 mil downloads e foram produzidas em mais de 100 países. Há seis meses, Denis tor- nou-se representante da OpenDesk no Brasil. Ele, afinal, estava certo: em pouco tempo, viu seu trabalho ganhar escala mundial. 45 LEITURA COMPLEMENTAR Uma dessas cadeiras, a Valoví, foi exposta no Salão de Milão de Móveis em maio deste ano. Ela é composta por 20 peças de madeira que se encaixam na montagem, feita sem nenhum tipo de prego, parafuso ou cola. No Salão, foi a única peça assinada por um designer estrangeiro a ser produzida localmente. “A nossa profissão ainda está muito atrasada no que se refere à cadeia de produção”, afirma Denis. Ele fala mais sobre a filosofia que abraçou. “Design aberto é transferência de conhecimento. É empoderar o outro ao liberar seu potencial criativo, permitindo que as pessoas possam usar e adaptar esse conhecimen- to da melhor forma às suas necessidades”. O arquiteto é um entusiasta do conceito e fez dele o seu modelo de negócio a partir da oportunidade que se abriu com a OpenDesk. Com o propósito de conectar designers, produtores locais e clientes, a plataforma elimina intermediários e os custos de expor- tação e importação, minimizando também os custos de logística e de distribuição, o que é bom para o bolso de todos os envolvidos e para o meio ambiente. Eis a equação: os arquivos da cadeira Valoví, por exemplo, estão disponíveis para download gratuito sob a licença Creative Commons. Mas ela é vendida no site e pode ser adquirida, montada ou desmontada por R$ 379,00. Do preço final, 12% vai para a OpenDesk, 8% para o designer, e o restante vai para o maker, um produtor selecionado pela plataforma. Fonte: Dalmolin (2015, on-line)5. 46 material complementar Como criar Uma Cadeira Design Museum Editora: Gutenberg Autentica Sinopse: Como Criar uma Cadeira traz informações sobre o tema, buscando fo- car os princípios e os processos da criação, desde as propriedades simbólicas e funcionais da cadeira até o domínio dos materiais e das técnicas de produção em massa. Em um estudo de caso, Konstantin Grcic faz um relato sobre a concepção e o desenvolvimento de uma de suas cadeiras e procura revelar o que é preciso para criar com sucesso. Indicação para Ler Objectified 2009 Sinopse: neste documentário, um grupo de designers industriais reflete sobre a relação entre a criatividade e os objetos ostensivamente comerciais que produ- zem. Gary Hustwit (Helvetica) dirige esta exploração fascinante da encruzilhada entre o design funcional e a arte. Indicação para Assistir A cooperativa Revale produz mobiliários sustentáveis com pallets, que, geralmente, são descartados, mas que ganham outros significados após serem transformados em variados tipos de mobiliários. Este vídeo contextualiza com exemplos o mobiliário de produção de desvio de função, assunto abordado nesta Uni- dade. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=kWH7tS65C1Q>. Acesso em: 8 mar. 2018. Indicação para Acessar 47 referências BOOTH, S.; PLUNKETT D. Trad. Alexandre Salvaterra. Mobiliário para o design de interiores. São Paulo: Gustavo Gili, 2015. BOUFLEUR, R. N. A Questão da Gambiarra: formas alternativas de desenvolver artefatos e suas relações com o design de produtos. 2006. 153 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006. BURDEK, B. E. História, Teoria e Prática do Design de Produtos. São Paulo: Edgar Blücher, 2006. DAL PIVA, R. Processo de fabricação dos móveis sob medida. Porto Alegre: SENAI/RS, 2006. FRANZATTO, C. O Processo de criação no design conceitual. Explorando o potencial reflexivo e dialético do projeto. Tessituras & Criação, São Paulo, n. 1, maio 2011. Disponível em: <https://revistas.pucsp.br/index. php/tessituras/article/view/5612/3967>. Acesso em: 8 mar. 2018. GURGEL, M. Projetando espaços: guia de arquitetura de interiores para áreas residenciais. São Paulo: Senac/ SP, 2004. GOMES, L. C. G. Fundamentode Design. Curitiba: Editora do Livro Técnico, 2015. MEGIDO, V. F. (org.). A Revolução do Design: Conexões para o Século XXI. São Paulo: Gente, 2016. MOXON, S. Sustentabilidade no design de interiores. Barcelona: Gustavo Gili, 2012. RANGEL, R. Pequenos espaços: truques para ampliar 22 apartamentos de 25 a 75 m². Casa & Jardim. Rio de Janeiro: Globo, n. 631, ago. 2007. VESTERLON, M. Desenho de Móveis. Bento Gonçalves: SENAI/CETEMO, 2007. Referências on-line 1 Em: <http://misturinhasdarhel.blogspot.com.br/2011/11/radarexposicao-anticorpos-fernando.html>. Acesso em: 8 mar. 2018. 2 Em: <http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/>. Acesso em: 8 mar. 2018. 3 Em: <https://www.portalclicknegocios.com.br/empresa/transvandinho>. Acesso em: 8 mar. 2018. 4 Em: <www.monodesign.com.br>. Acesso em: 8 mar. 2018. 5 Em: <http://projetodraft.com/ja-ouviu-falar-de-design-aberto-studio-dlux-da-garagem-de-casa-para-o-mun- do/>. Acesso em: 8 mar. 2018. referências http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/ 48 gabarito 1. E. 2. Mobiliário produzido em série com produção em volume industrial, normal- mente, não é concedido ou produzido para um cliente específico, como acon- tece no mobiliário sob medida. Por isto, em projetos de mobiliários seriados, aconselha-se a utilização de um bom processo metodológico e uma boa pesquisa de mercado, sendo que esse tipo de produção deve atingir a uma grande quantidade de usuários, diferen- temente do mobiliário sob medida, que atinge apenas um cliente específico. A produção é realizada em peças isoladas, com a preocupação da racionali- zação das peças, para se ter o melhor aproveitamento dos materiais na fabri- cação. Geralmente, a produção é realizada em fábricas de pequeno, médio e grande porte. A escolha e a configuração da embalagem têm muita importância na qualidade e na valorização do produto, pois ela o protege de avarias e facilita o armaze- namento, o transporte e o recebimento do produto na residência do cliente. Nos desenhos técnicos, a unidade de medida usual é o milímetro (mm). É feito o desenho do conjunto, como acontece nos projetos de móveis sob medida e, no detalhamento técnico, é feito o desenho peça por peça, com todas as cotas das furações e marcações. Este detalhamento serve como uma documentação técnica do produto e facilita bastante na fabricação e em possíveis regulagens de maquinários, assim como no fluxo de produção do “chão de fábrica”. 3. Para dar início ao projeto de mobiliário sob medida, é necessário o primeiro con- tato com o cliente e com o espaço para ser realizado o levantamento de todos os dados e, desta forma, ter como base principal as medidas exatas dos ambientes no imóvel que será ocupado pelos mobiliários e os seus respectivos artefatos. Depois de todas as informações, inicia-se as anotações de todas as medidas da planta baixa observadas no espaço, como: altura do pé direito, distância entre as paredes e a posição de elementos que estão fixos (portas, janelas, ventilação, pontos elétricos e hidráulicos, ponto de gás, ângulos especiais e outros elementos importantes para não atrapalhar o projeto das peças). 4. E. 5. A.. gabarito UNIDADE II Professora Esp. Thiara L. S. Stivari Socolovithc ESTRUTURA DA INDÚSTRIA E DO MOBILIÁRIO Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • O designer e a indústria • Função, técnica e sentido • Fabricação artesanal, fabricação sob medida e fabricação seriada • Estrutura e gestão industrial • Composição geral do mobiliário Objetivos de Aprendizagem • Observar a ligação entre o designer e a indústria. • Analisar as diferenças entre função, técnica e sentidos do design. • Conhecer as diferenças entre os tipos de empresa de móveis. • Compreender a estrutura e as ferramentas de gestão de uma indústria. • Conhecer o modelo construtivo base dos mobiliários. INTRODUÇÃO N este capítulo, conheceremos as rotinas dentro de uma in- dústria de móveis, a sua organização e característica estru- tural. Bem como lembraremos da importância de um tra- balho em conjunto que una a técnica, a forma estética e as funções que o design projeta-se a desempenhar. Primeiramente, vamos estudar de que maneira o design estabelece- -se como profissão em vista da demanda industrial causada pela evolu- ção e pela autonomia dos processos da produção seriada. Compreenderemos a importância do designer como participante dos processos produtivos, atuando como um link entre a empresa e o seu cliente, por meio da criação de produtos que possam ser comercializados. Traremos uma nova ótica sobre a forma e a função dos objetos, destacando os valores da forma, além de focar na fabricabilidade, ou seja, na capacidade de fabricação como um dos preceitos a serem seguidos pelo designer. Conheceremos, então, as rotinas e a organização de uma empresa, as características de fabricação de cada tipo de empresa de móveis atual, e também aprender como elas estruturam-se. Observaremos as novas formas de gestão industrial, citando o mo- delo lean de produção enxuta, analisando as suas ferramentas e a sua metodologia como bons exemplos a serem aplicados. Ao final, para compreendermos qual é a característica básica dos pro- dutos que estamos desenvolvendo, faremos a introdução aos elementos constitutivos dos mobiliários em geral, em uma abordagem detalhada das estruturas, nomenclaturas e particularidades das peças de movelaria. Nos capítulos seguintes, conheceremos em detalhes os processos produtivos dos móveis, os seus materiais e componentes de montagem, finalizando com o estudo das representações gráficas e físicas que o de- signer deve dominar. 54 O Designer e a Indústria DESIGN 55 Compreender a dinâmica industrial é componente fundamental para um designer de produtos, tendo em vista que este profissional normalmente traba- lha dentro do departamento de pesquisa/desenvol- vimento de uma indústria, auxiliando na criação, na pesquisa e na descrição técnica dos produtos para aquela empresa, como também no âmbito do empreendedorismo, desenvolvendo o seu próprio design, com controle total ou parcial da produção (muitas vezes, até artesanal). Neste sentido, é fundamental que o profissio- nal conheça as estruturas de uma empresa, os seus processos produtivos, as suas possibilidades e limi- tações, além das rotinas de um chão de fábrica para compreender como uma peça pode ser fabricada. Para isto, vamos voltar um pouco na história do design e lembrar do termo “desenhista industrial”. Tal termo evoca a função primária do designer, voltada a atender às necessidades de detalhamento em relação ao desenho e à especificação técnica dos produtos da época. Ocorreu que, com as revoluções industriais, o processo de fabricação passou a ser seriado, ou seja, a peça começou a ser dividida em partes e produzida por profissionais diferentes. Ao final, ela era montada por outra equipe. O processo seriado está muito propenso a erros por que, ao contrário do sistema artesanal, em que o fabricante conhece toda a peça e percebe os seus encaixes e ajustes, no processo seriado, o operário só conhece o seu próprio trabalho, e se este estiver mal especificado, ou se os procedimentos estive- rem mal definidos, a peça final apresentará defei- tos, ocasionando a perda de material e de tempo de produção, ou até causar danos físicose/ou mate- riais aos consumidores finais. Para isto, foi necessário que um profissional sur- gisse dentro das fábricas: o desenhista industrial. Ele é o responsável pela concepção da peça, pela sua subdivisão dentro dos processos industriais e pela descrição técnica dos detalhamentos dessa peça para cada setor produtivo. Isto é, ele é o profissional que domina todo o artefato. Um elemento centrali- zador que sabe como esse artefato será recomposto no final do processo industrial. Cada projeto exige um roteiro de produção es- pecífico, e o designer deve conhecer as possibilida- des de uma empresa em termos de matéria-prima, maquinário e força de trabalho antes da concepção de um produto para essa indústria. Figura 1- Fábrica Fonte: History Crunch ([2018], on-line)1. 56 Bürdek (2010), ao analisar a produção industrial, propõe uma reformulação da ideia de “a forma se- gue a função”, muito defendida pela Bauhaus. Para ele, esse conceito poderia ser reformulado como “a forma é a resolução da função”. O autor observa que a função tem dois componentes principais: (1) de- mandas de especificação e desempenho, incluindo a usabilidade (exemplo: uma cadeira tem a função de promover assento para as pessoas, com alto desem- penho de conforto, ergonomia e durabilidade, sendo de fácil utilização), e (2) custos e “fabricabilidade” (capacidade ou método de ser fabricado). Isto é, a forma torna-se o resultado ou a resolução de concei- tos, custo e processos de fabricação. Não podemos, contudo, esquecer que o design é uma excelente estratégia mercadológica para a em- presa, e o projeto deve ser uma síntese da função (demanda inicial), da fabricabilidade (técnica) e da estética (significados). Primeiramente, por que chamamos, aqui, a fun- ção de demanda inicial? Porque ela surge do estudo de mercado, observando as necessidades e os desa- fios que o ser humano, ou um nicho da população, desejam superar. Nesse estudo, surgem demandas de Função, Técnica e Sentido DESIGN 57 produtos, ou melhor, de soluções que ajudem a sanar estes problemas, aí temos um escopo de projeto. Isto é, como designers de objetos ou soluções, chegamos a uma gama de funções que queremos oferecer ao mercado. O designer estruturará, então, de que ma- neira ele atingirá este objetivo. A função será o foco, mas nunca o resultado único do produto em si. Vamos compreender melhor esta questão am- pliando a atuação do designer, expressa por David Pye em seu livro The Nature and Aesthetics of Design (1968). O autor questiona o lema difundido pelo modernismo, “a forma segue a função”, pois, para ele, aquilo que o designer pode determinar tem me- nos a ver em como a peça será utilizada (sua fun- ção), mas o profissional pode determinar como ela será apresentada e qual o seu conteúdo formal (defi- nição de formas, texturas), pois “a ‘finalidade’ do ob- jeto é concebida pela mente humana, os ‘resultados’ existem nas coisas” (DORMER, 1990, p. 143). objeto. Por exemplo: uma cadeira foi pensada, pro- jetada e executada com a função de assento, mas, na prática, ela pode tornar-se apenas um cabide. Rafael Cardoso (2012) também salienta este as- pecto: se a função determinasse a forma, teríamos um modelo único e ótimo de objetos (a cadeira ideal teria um único design), contudo, na prática, não é assim. O estatuto de um artefato não pode ser consi- derado algo rígido, fixo. Potencialidades de re- presentação latejam em qualquer manifestação formal que, invariavelmente sujeita a inúmeros tipos de leitura e significação, perspectiva-se e subjetiva-se ao projetar-se no contínuo movi- mento histórico e social. Ao existirem em con- textos humanos, artefato e forma revelam, no contato com o olhar, uma dinamicidade intrín- seca. Abordar as nuanças e variações empíricas da formação do signo é ir além dos silogismos “forma-função”, é raciocinar acerca do pensa- mento criativo (CESTARI, 2013, p. 223). A forma dos objetos está ligada a um contexto his- tórico e sociocultural de troca de símbolos, valores, significados e sentidos. Cabe ao designer compreen- der estas relações na hora de fazer as suas escolhas de materiais e de desenho, procurando normatizar o uso (deixar clara a demanda inicial), mas também criar uma experiência com o produto para além da função. David Pye (1968 apud DORMER, 1990) frisa, in- clusive, a diferença entre a qualidade e a propriedade dos materiais, sendo as propriedades características físicas, mecânicas, técnicas imutáveis e que fazem parte do material em si. E as qualidades dos mate- riais, que são aspectos subjetivos, sensoriais, que são projetados pelo ser humano, ou seja, que se encon- tram na mente (DORMER, 1990). Exemplo: uma su- perfície em madeira natural, com os veios aparentes, promove uma sensação de aconchego, de calor. O que este autor quer dizer é que, por exemplo, a função de “lugar para sentar” está pouco ligada com a forma “cadeira”. O designer pode tentar projetar “um modelo ótimo”, “funcional” e ergonômico, “a melhor forma de sentar”, entretanto, é o consumidor, na sua experiência, que vai dar a função para aquele 58 O que isto quer dizer? Que o designer precisa pensar na função, mas é muito importante pensar em como ou de qual maneira ele apresentará esta solução, e nisto são incluídas as escolhas estéticas de forma, cor e textura, e também quais sentimentos podem ser provocados por esse produto. A maneira de chegar a essa solução está na escolha dos mate- riais e dos processos produtivos necessários para re- velar a estética desejada. UM PROCESSO SUSTENTÁVEL O que podemos concluir é que um projeto de de- sign consiste em um pensamento complexo, desde a escolha de materiais que tenham características físico/químicas e acabamentos estéticos, até a for- ma de fabricação que auxilie a atingir as especifica- ções do projeto e os seus significados semânticos. Vamos ressaltar que, como o designer está inserido em uma cadeia mercadológica, as suas escolhas podem auxiliar a reduzir os custos e a otimizar resultados, sem esquecer de sua respon- sabilidade ecológico-social. Cardoso (2012) deixa claro que o ciclo de vida de um produto não consiste somente em: concepção → planejamento → projeto → manufatura → dis- tribuição → venda → uso → descarte. Isto é, cabe ao designer pensar nos processos de pré-fabricação e nos possíveis impactos da pós-vida dos produtos que perderam a sua função primária. O designer deve fazer perguntas, como: de qual maneira é feita a extração da matéria-prima? Quais as condições de trabalho em que os insu- mos são produzidos? Quais produtos químicos serão envolvidos no processo produtivo? Qual será a quantidade de resíduos gerada? Qual será a destinação desses resíduos e como é feito o seu descarte ou reuso? O produto, uma vez “obsoleto” (destituído de sua função), tem qual descarte? É um produto reciclável ou perecível? Pode causar danos ao meio ambiente? Essas perguntas devem ser pensadas pelo de- signer porque, além de ser uma questão ética, cada vez mais o mercado tem preocupado-se com a des- tinação desses resíduos, e novas leis são implemen- tadas para diminuírem os impactos ambientais cau- sados pela ação humana. Enfim, um mobiliário com bom design contem- pla uma necessidade real que deseja solucionar (fun- ção/funções), um processo de produção otimizado (fabricabilidade) e uma forma estética com impacto sensorial (identidade) que faz esse mobiliário desta- car-se dos demais artefatos do mercado. Todas essas características devem visar à lucratividade do negó- cio e à sustentabilidade ambiental. Qual é o ciclo de vida do mobiliário que você está projetando? Ele cria soluções para me- lhorar a vida do ser humano atualmente? Ele é sustentável? REFLITA DESIGN 59 60 O design de mobiliário perpassa o estudo das possi- bilidades de produção de uma empresa. Dentro do escopo do projeto, além da seleção de materiais e de componentes, são analisadas aspotencialidades e as limitações da indústria para a confecção das peças. É importante pensar que, diferente de outros mercados, a atividade de fabricação de móveis não está restrita à produção em série, tendo em vista que móveis artesanais, ou móveis sob medida, ainda são muito valorizados no mercado em geral. FABRICAÇÃO ARTESANAL Na fabricação artesanal, o valor está na exclusivida- de. Cada móvel é feito para um projeto único, adap- tado às necessidades de um cliente em específico. Neste caso, o marceneiro (ou uma pequena equipe) atua normalmente. Desde a concepção do projeto até a entrega do mobiliário, esse profissional domi- na a técnica como um todo e tem a possibilidade de inovar a cada peça criada. Entretanto, a sua capaci- Fabricação Artesanal, Fabricação Sob Medida e Fabricação Seriada DESIGN 61 dade produtiva é muito baixa, possui um limite de maquinário e não tem padrões de qualidade bem definidos (como a cada peça ele pode experimentar algo novo, isto impossibilita a análise que é feita pela experiência da padronização). FABRICAÇÃO SOB MEDIDA OTIMIZADA A fabricação sob medida passou por uma transforma- ção nas últimas décadas. Com a introdução de softwa- res e maquinários a preços mais acessíveis, muitas mi- cros e pequenas empresas passaram a adotar métodos de fabricação de grandes indústrias para fazer móveis sob medida. Isto é, ainda são projetos exclusivos e sob demanda, contudo, procedimentos, acabamentos, for- mação dos caixotes, entre outros, foram normatizados para aumentar a capacidade produtiva das empresas, melhorar a qualidade das peças e reduzir custos, per- mitindo maior competitividade no mercado. É importante empregar um novo termo para este tipo de empresa, que chamaremos de fabricação sob medida otimizada, no sentido de que o produto oferecido não mudou, mas o processo de fabricação foi repensado e melhorado. Esse tipo de empresa já conta com um designer, que pensará no produto e na descrição técnica das peças, que possui maior subdivisão das funções no chão de fábrica e começa a estabelecer limites no pro- jeto, já considerando a produtividade e a redução do desperdício de material. Alguns padrões de qualidade ficam claramente definidos, como a montagem dos caixotes, os tipos de ferragens etc., mas ainda abre-se espaço para acabamentos que são artesanais e peças únicas (exemplo: tampos arredondados, acabamentos exclusivos, encaixes e recortes feitos na obra). FABRICAÇÃO SERIADA A fabricação seriada é caracterizada pela predeter- minação das peças. Isto pede que o design seja defi- nido por uma intensa pesquisa de mercado, pela de- 62 terminação de um nicho que se deseja atingir, pelas linhas de produtos que serão oferecidas, os materiais, os melhores fornecedores, as ferragens, quantas pe- ças serão produzidas, estocagem, distribuição, estra- tégias de comunicação e tudo que possa ser pensado com antecedência e influenciar na produção. Uma empresa de móveis seriados possui menor capacidade de inovação, mas, em uma pesquisa mais criteriosa, quando se pensa em criar uma nova linha de produtos, muitos aspectos são considerados, in- clusive controles de qualidade claros, pois passam por testes e avaliações de desempenho. Os produtos são pensados de maneira seriada, ou seja, grupos de peças que podem ser utilizadas em mais de um tipo de móvel, medidas de corte que diminuam o desperdício de material, fornecedores que tenham capacidade produtiva e qualidade para entregar dentro das necessidades da indústria, entre outros aspectos. Como podemos observar, o tempo de fabricação é mui- to valioso neste modelo, pois o foco é a produtividade. Este processo parece limitador, contudo, um bom design pode tornar-se ícone de uma cultura ou ser o registro de um período. Um exemplo é a cadeira Egg, de 1958, criada pelo designer Arne Jacobsen e pro- duzida pela empresa Republic of Fritz Hansen. Ela é, até hoje, apreciada e vista como fonte de inspiração para muitos designers. Como observamos, o design pode transmitir estética e funcionalidade diferenciadas que, por sua vez, podem ditar uma nova moda ou até transfor- mar o próprio mercado. A fabricação seriada, aliada a isto, pode oferecer produtos mais competitivos, com maiores velocidade de entrega e distribuição. A cadeira Egg (1958) foi desenhada por Arne Jacobsen para o Hotel Radisson SAS de Cope- nhagen, Dinamarca, e produzida pela Republic of Fritz Hansen. O que chama a atenção nes- sa cadeira é que desenharam, na época, um sofá Egg, porém, a produção desse sofá foi cancelada pouco depois por motivos de falhas projetuais. Ele não era feito com uma única peça de couro e as costuras nas emendas ficavam visíveis, quebrando a estética que caracteriza a peça. Fonte: adaptado de Radisson Blu ([2018], on-line)2. SAIBA MAIS DESIGN 63 Existem diversas possibilidades de gestão e de or- ganização de uma empresa, e compreender como se estrutura uma indústria para a qual prestamos o nosso trabalho é de extrema valia, pois proporciona identificar quais as possibilidades e limitações, pre- ver possíveis gargalos de produção, além de contri- buir com soluções para diminuí-los. Para compreender como se organiza e como funcionam os processos numa empresa, normal- mente utiliza-se esquemas gráficos que auxiliam na visualização do todo. Dois modelos muito comuns são o organograma e o fluxograma. ORGANOGRAMA O organograma é um gráfico da estrutura hierárqui- ca de uma organização, ele aponta quais são os co- laboradores e como se relacionam. O modelo tradi- cional, como veremos a seguir, tende a uma divisão por complexidade e por nível de responsabilidade Estrutura e Gestão Industrial 64 do colaborador. Existem vários outros modelos de organogramas (circulares, por funções etc.), no en- tanto, cabe aqui compreender simplesmente como uma indústria subdivide-se e algumas possibilida- des de organização da empresa. Na maioria das pequenas e médias empresas, essa subdivisão é reduzida, sendo os profissionais re- sponsáveis por mais de uma função. Observe que no Organograma industrial Gerente de Contratos Diretor Administrativo Diretor Comercial Administração Presidente Diretor de Produção Gerente de Financeiro e RH Gerente de Marketing Gerente de Vendas Gerente de Operações Gerente de P&D Gerente de Produção CPC Gerente de Logística Auxiliar de Contratos Auxiliar Financeiro Auxiliar de Marketing Consultor de Vendas Serviço Técnico Auxiliar de Projeto Auxiliar de Montagem Auxiliar de Almoxarifado Aux. Controle de Qualidade Auxiliar de Expedição Caixa Auxiliar de SAC Designer de Produto Auxiliar de Produção Auxiliar de Compras Figura 2 - Organograma industrial Fonte: a autora. departamento de pesquisa e desenvolvimento é que se encontra o designer. O produto será criado neste ambiente de conceito, de projeto técnico, de prototi- pagem e de teste de controle de qualidade. FLUXOGRAMA O fluxograma é uma representação gráfica dos pro- cessos de uma empresa, ele auxilia na visualização das rotinas e dos caminhos por onde a matéria-pri- ma vai passar até transformar-se em um produto final. Cada departamento pode criar o seu próprio fluxograma de ação. No exemplo a seguir, conside- ramos um modelo simples de fluxograma de uma empresa de móveis. Observe, na Figura 3, a divisão dos setores da produção: os losangos em amarelo identificam roti- nas de decisão, no caso do acabamento, fica claro que as peças podem seguir destinos diferentes na produção, no caso das peças que estão prontas no acabamento (como caixotes simples), elas podem ir direto para a pré-montagem, enquanto outras (ca- deira, porta pintada) ainda passarão por sub-rotinas no setor de pintura ou estofamento. O gráfico serve, então, de referencial para o ger- ente de produção controlar a ordem dessa produção, o disparo de peças e em qual estágio estão os produtos, para não perder produtividade e prazos de entrega.DESIGN 65 CLIENTE MELHOR QUALIDADE - MENOR CUSTO- MENOR PRAZO ESTABILIDADE E PADRONIZAÇÃO Produção nivelada, processos disponíveis e gerenciamento visual JUST-IN-TIME AUTONOMAÇÃO Fluxo conectado ao cliente Qualidade na Fonte Entregar o que o cliente pediu, na quantidade e momento certo. Parar e noti�car os problemas. Uma vez compreendidos os diferentes tipos de in- dústria moveleira, como se organizam e as suas rotinas, vamos entender as especifi- cidades de alguns materiais em seu processo produtivo. PRODUÇÃO ENXUTA (LEAN) Lean manufacturing, ou Toyota Pro- duction System (TPS), é um sistema de gestão desenvolvido pela empresa Toyota, no Japão, na metade do sécu- lo XX, com o objetivo de melhorar os processos produtivos e organizacio- nais da empresa, evitando desperdí- cios em todos os setores. Dentre os aspectos do programa, serão apresentados aqueles que mais se destacam. Fluxograma Indústria de Móveis Demanda Estocagem Entrega Pesquisa de Mercado Pré-montagem EmbalagemUsinagem Projeto de Design Acabamento Compra de Matéria-Prima Componentes Extras Pintura Estofamento Corte Borda Figura 3 - Fluxograma de uma indústria de móveis Fonte: a autora. Figura 4 - Produção enxuta Fonte: CRW Consultoria ([2018], on-line)3. 66 Produção just-in-time A produção just-in-time consiste em uma produção puxada, ou seja, os produtos são feitos seguindo um ritmo de produção necessário para atender à deman- da dos clientes com o mínimo de estoque possível em toda a cadeia produtiva em um fluxo contínuo de trabalho, evitando desperdício de tempo em servi- ços desnecessários. Este tipo de política empresarial evita os desperdícios que podem ocorrer no trânsito de produtos e informações dentro da empresa, na su- perprodução e na degradação de produtos prontos. O modelo jidoka (autonomação) O modelo jidoka busca eliminar fontes de erros e defeitos nos produtos ou na produção. É um pro- cesso que fornece condições para os operadores de máquinas interromperem o fluxo caso haja uma anormalidade e eliminarem a fonte de erro de maneira mais autônoma. É a criação de dispositivos à prova de erro, o Poka Yoke (Poka = erro; Yoke = prova), que torna claros os processos e montagens. Isto liberou os funcionários para ações criativas, que agregam valor, muito mais do que o simples monitora- mento de maquinário. Observe, neste exemplo de peça Poka Yoke, como a segunda peça tem os encaixes feitos de tama- nho diferente. Desta forma, só existe uma maneira de encaixar as peças: a maneira correta. Estabilidade e padronização (kaizen) São processos, assim como uma filosofia de melho- rias contínuas e, por isto, estão na base do edifício do TPS. As atividades procuram gerar envolvimento de todos na empresa, com discussões e trabalhos em equipe e implementação do programa 5s, além de treinamentos e da conscientização do pessoal quan- to à filosofia da qualidade (MOURA et al., 2012). Figura 5 - Exemplo de Poka Yoke Fonte: a autora. O Sistema 5S é uma metodologia que visa criar uma cultura de organização, comprometimen- to e engajamento da equipe. Os 5Ss se referem a: Senso de Utilização, Senso de Arrumação, Senso de Limpeza, Senso de Saúde e Senso de Autodisciplina. Saiba mais sobre esse tema na leitura complementar desta Unidade. Fonte: a autora. SAIBA MAIS DESIGN 67 Para compreender o funcionamento de uma empre- sa de móveis, precisamos, além de compreender a es- trutura administrativa, entender a composição geral do mobiliário. Este conhecimento ajudará a assimilar os processos produtivos dessas peças e a identificar as oportunidades de inovação no design de móveis. Vamos conhecer os componentes gerais dos móveis e entender como eles relacionam-se. Esta abor- dagem tem em vista as questões especificamente técni- cas que fazem parte de qualquer projeto de design. A partir desse conhecimento, o pensamento cri- ativo e a inovação podem desenvolver-se, seja sob a forma de escolhas e de configurações novas para os componentes existentes, criando peças que são diferenciadas, sem descartar as técnicas produtivas conhecidas, ou inovando a partir do questionamen- to daquilo que se tem atualmente, propondo materi- ais, usos e processos produtivos na criação de novos produtos ou tecnologias. Um exemplo interessante é o casal Charles e Ray Eames, que continuamente inovou nas formas de uso do compensado e trabalhou junto à indústria para o desenvolvimento de novas metodologias e técnicas para, desta forma, alcançar o desempenho e a estética almejada em seus projetos. Para Löbach (2000), o processo de design consiste em um processo criativo, como também um processo de solução de problemas. Para o autor, no desenvolvi- mento do produto, existe uma série de análises que devem ser feitas (LÖBACH, 2000, p. 142): Composição Geral do Mobiliário 68 • análise da relação social (homem-produto); • análise da relação com o ambiente (produto- ambiente); • desenvolvimento histórico; • análise do mercado; • análise da função (funções práticas); • análise estrutural (estrutura de construção); • análise da configuração (funções estéticas); • análise dos materiais e processos de fabricação; • patentes, legislação e normas; • análise de sistema de produtos (produto-pro- duto); • distribuição, montagem, serviço a clientes, manutenção; • descrição das características do novo produto; • exigências para um novo produto. Todos estes aspectos agem em conjunto, contudo, destacamos as três análises que têm influência direta pela relação de escolhas da forma, dos materiais e dos componentes que serão utilizados na fabricação. São elas: a análise das funções a serem desempenhadas, a estrutura e a configuração estética final da peça. A análise da função “compreende a forma de tra- balhar de um produto, baseada em leis físicas ou quími- cas que se fazem presentes durante o processo de uso de suas funções práticas” (LÖBACH, 2000, p. 146). Essa análise esclarece os objetivos e as funções que os produ- tos ou elementos complexos devem desempenhar. A análise estrutural, por sua vez, tem o objetivo de deixar transparente a estrutura do produto em toda a sua complexidade. Com base na análise estrutural de um produto, pode ser decidido se o número de peças pode- rá ser reduzido, se peças podem ser juntadas e racionalizadas – em suma, como o avanço da tecnologia pode melhorar um produto (LÖBA- CH, 2000, p. 147). A análise de configuração estuda a “aparência es- tética dos produtos existentes, com a finalidade de se extrair elementos aproveitáveis a uma nova configuração” (LÖBACH, 2000, p. 147). A análise da configuração estética pode servir como instru- mento de elaboração de formas, texturas e cores para o novo produto, dentro de um contexto com- posto pelos materiais e processos de fabricação passíveis de serem empregados. Os elementos e a forma, como são arranjados, podem variar imensamente e, por isto, é impor- tante que conheçamos algumas nomenclaturas e funções que fazem parte da composição geral dos móveis. Analisaremos vários tipos de componentes de base, componentes de montagem e componentes acessórios que, juntos, darão a forma ao design. ESTRUTURA DE CAIXAS Uma das configurações mais simples e versáteis de um móvel é a caixa (nicho, módulo, montante ou caixote). Ela pode ser utilizada de diversas maneiras e para uma grande variedade de funções. É composta, basicamen- te, por lateral, base, topo (ou sarrafos) e fundo. Obser- ve algumas destas estruturas nos módulos a seguir. DESIGN 69 • Laterais: função de estrutura e fechamento lateral, determina a altura e a profundidade da peça. Por ser um material estrutural, a sua espessura precisa suportar o peso a que se destina. No caso de móveis residenciais, é co- mum o uso para todo o módulo de painéis de 15-25 mm de espessura, entretanto, móveis populares podem ser feitos com materiais mais finos (12 mm). • Base: função de estrutura dos nichos respon-sáveis pelo fechamento da base, determina a largura e a profundidade da peça. • Topo: é uma peça na mesma medida que a base, tem a função de fechamento total do topo do nicho, usado em armários altos, ar- mários superiores/aéreos, guarda-roupas e qualquer peça que se deseje fechar todo o topo do nicho. • Sarrafos: peças de travamento superior e tra- seiro do nicho, usados no topo de balcão, na horizontal ou na vertical, para o travamento da frente e parada das portas e, no fundo, para a estabilidade do nicho, podendo ser instalado por trás do painel de fundo. É utilizado quan- do se coloca um tampo externo (do mesmo material ou não), como tampo de pia de grani- to, ou tampo de mesa que passe dos módulos. • Fundo: painel de cobrimento do fundo do nicho, pode ser encaixado por meio de canal rebaixado, pregado ou parafusado ao nicho. Normalmente, em material mais fino, pois não tem função de estrutura. Figura 6 - Balcão Fonte: a autora. 70 As demais peças que compõem os módulos, basica- mente, são estas a seguir. • Prateleiras: peças móveis ou fixas, com a função de divisão interna do nicho. A prate- leira móvel pode ser regulada internamente, é componível, ou seja, pode se acrescer ou diminuir a quantidade facilmente, pois não interfere na estrutura do módulo. A pratelei- ra fixa pode ser utilizada como base para um maleiro, por exemplo, e ajudar na divisão dos fundos em um armário alto. Geralmente, tem medida menor que a base na profundidade, mas a mesma medida na largura, pois vai de lateral a lateral do móvel. Nichos internos po- dem ser feitos utilizando prateleiras e laterais menores em uma infinidade de composições. • Portas: têm a função de fechamento frontal dos módulos, podem ser instaladas com do- bradiças, basculantes ou kits de porta de cor- rer. Para cada um destes, é necessária uma usi- nagem própria dos equipamentos. Na etiqueta da peça, indica-se o lado da porta, direito ou esquerdo, para saber o lado de fazer o rebaixo para o caneco da dobradiça, por exemplo. • Frentes de gaveta: têm também a função de fechamento frontal, entretanto, não costu- mam ter furação prévia (somente para o pu- xador), pois são instaladas parafusadas na contra-frente que faz parte da caixa da gaveta. • Caixas de gaveta: são compostas por duas laterais que determinam a profundidade e a altura da gaveta; uma contra-frente direta- mente atrás da frente; e uma traseira na posi- ção oposta da contra-frente e que estrutura a largura da gaveta; um fundo de gaveta, que é a base interna da gaveta, feita em material mais fino e com encaixes de fundo normal. Figura 7 - Gaveteiro 1, gaveteiro com quatro gavetas do balcão Fonte: a autora. DESIGN 71 DEMAIS COMPONENTES Além dos caixotes, temos elementos diversos que fazem parte da maioria dos móveis, como apresen- tados a seguir. • Tampo: é um painel na horizontal que co- bre todos os nichos, unindo a modulação de modo uniforme. Pode ou não passar da largura e da profundidade dos módulos. Por exemplo, em uma pia, é comum que o tampo passe, no mínimo, 3 cm dos nichos (espaço chamado de pingadeira), para que a água não escorra ou caia diretamente sobre o móvel. • O tampo pode ser feito de diversos materiais e não precisa ser da mesma espessura que os módulos. Para móveis de escritório, é comum que o tampo passe alguns milímetros à frente das portas. Quando o pé da mesa é feito em painel de madeira, ele pode ser instalado na extremidade do tampo (formando um dese- nho em U ou L perfeito). Outra opções são pequenos recuos dos pés em 1-5 cm, que é a configuração tradicional, ou podem ser maiores, como no caso de me- sas de reunião (mínimo de 35 cm em relação a cada extremidade da mesa). Essas configu- rações alterarão a medida do painel de trava- mento, por isto, é imprescindível que sejam pensadas de antemão. Para ter um tampo mais espesso, é muito co- mum o engrossamento da peça por meio da duplagem do painel (colagem e prensagem de duas chapas de igual medida, formando uma nova espessura), ou o encabeçamento, em que são coladas e parafusadas as faixas de madeira com a espessura desejada nas ex- tremidades do tampo, formando um quadro. Depois de engrossado, é colada a fita de bor- da com a nova espessura. • Pés: estruturas para sustentação de mesas, cadeiras, armários etc. Têm a função de dis- tanciamento e de elevação dos móveis em re- lação ao chão. Os pés podem ser feitos com uma incrível variedade de materiais, normal- mente em estrutura leve e com pouco mate- rial, utilizando o equilíbrio e a estabilidade da forma para elevar as peças. • Painel de travamento: tem a função de unir e estruturar duas laterais, ou pés de mesa, ou uma estrutura que não tenha base e topo de travamento (ou sarrafos). Ele evita o abau- lamento do tampo e da abertura dos pés. É parafusado às laterais/pés, por isto, se a pres- são superior for muito forte, os parafusos nas pontas podem não aguentar a tração e cede- rem. O painel deve ter altura suficiente para criar dois pontos de fixação resistentes, em média, no caso de mesas de escritório, entre 30 e 40 cm, mas pode variar conforme o tipo de móvel e o peso do tampo. Diferentemente do fundo, o painel de travamento é uma peça estrutural, assim, a sua espessura é de 15 ou 18 mm, podendo ser encontrado em chapa de metal, desde que a estabilidade seja mantida. • Painel decorativo: é composto pelo uso da chapa na vertical, com o padrão do veio da madeira em ambas as direções. Tem grande função estética e decorativa e, ainda assim, serve de apoio ou suporte para outros objetos ou estruturas. Um painel para TV tem a fun- ção de simular a estrutura da parede e supor- tar a TV suspensa, os nichos ou as prateleiras. Em um balcão de atendimento, ele tem a fun- ção de fechamento decorativo ou estrutural para que as pessoas não vejam a estrutura in- terna do móvel. • Tamponamento: acabamento utilizado, prin- cipalmente, na movelaria de alto padrão, ou em móveis sob medida, cujos módulos são pa- dronizados em painel branco internamente e, por fora dos nichos, é colocado um outro pai- nel de madeira com padrão decorativo (15-25 mm), como uma capa que reveste os módulos. 72 Desta maneira, as portas ficam aparentemente embutidas, oferecendo um acabamento plano e refinado. O tamponamento é uma solução que otimizou a produção, pois toda a mo- dulação é feita de um único tipo de madeira (nichos internos todos brancos), e somente a aparência é diferenciada, como: portas, frentes e tamponamentos. Podem ser aplicados so- mente nas laterais ou envelopar o móvel como um todo, dependendo do projeto. • Rodapé: tem a função de sustentação ou de acabamento linear abaixo da base do móvel. O rodapé facilita a abertura de portas e gavetas para que não risquem ou não tenham dificul- dade para abrir por causa de algum desnível do piso, dos tapetes ou de outros objetos. O roda- pé protege o móvel de danos, como: batida de vassoura, umidade, entrada de sujeira, entre outros. Para armários com portas de correr sus- pensas, a altura do rodapé é determinada pelo espaço mínimo exigido pelo kit de portas. • Roda teto: é um acabamento estético para ar- mários embutidos e que fecha o vão entre os módulos e o teto. É utilizado porque, como a maioria dos ambientes apresenta algum desní- vel, a estrutura do armário não deve ser feita na medida final do pé-direito. COMPONENTES DE CADEIRAS • Bases: são os elementos de estrutura e fi- xação do assento e do encosto de cadeiras, poltronas e estofados. Podem ser fixas (bases em aço tubular ou madeira); móveis, em for- mato de estrela (com rodízios de silicone ou polipropileno); componíveis, tipo longarina (uma base de aço fixa para vários assentos); empilháveis (com pés que se encaixam com facilidade), entre outros aspectos. De mate- riais variados, devem ser analisados princi- palmente pela resistência à deformação, pela sustentação e pela estabilidade, pois são a es- trutura primordialdo móvel. Para estofados, é o mesmo princípio. • Coluna: é um mecanismo composto por um pistão a gás ou mecânico, que é responsável pela altura do assento. Esta coluna é encapa- da por um kit telescópico em polipropileno. • Flange: é o mecanismo feito em aço que une o pistão ao assento. Esse mecanismo varia conforme o movimento desejado e possui, no mínimo, a regulagem de altura do assento, porém, pode ter múltiplas regulagens. • Sefir e canopla: é o conjunto de ligação entre as- sento e encosto que une a flange ao encosto da cadeira. É formado por um tubo de aço em for- mato L e, por meio da canopla, ajusta-se a altura da cadeira. A união do assento com o encosto também pode ser feita por peça fixa, com uma chapa grossa de aço em formato L, de maneira que a altura do encosto não seja mais regulável. • Assento: é o conjunto de peças que com- preende uma chapa de base (geralmente de compensado moldado ao desenho do assen- to), podendo conter molas ou percintas (fitas elásticas de sustentação do assento), sobre- postas por um estofamento com espumas e tecido. O assento tem a função de promover conforto para a pessoa na posição sentada e deve ser pensado de modo que seja voltado à ergonomia, ao tempo do uso e ao nível de conforto que deve promover. A escolha da forma e das camadas de material varia con- forme a necessidade específica. • Encosto: é formado pelo conjunto de peças com a função de apoiar as costas do usuário na posi- ção sentada. Pode ser fabricado da mesma ma- neira que o assento, mas, por não ser uma peça de sustentação, a espuma pode ser mais macia (densidade menor). Para escritórios, é interes- sante notar as cadeiras com apoio lombar, que ajudam a diminuir o esforço da coluna nesta re- gião, oferecendo mais descanso ao usuário. DESIGN 73 Encosto AssentoBraço União em L ou Se�r c/ Canopla Flange Coluna a gás Base Estrela Rodízio • Braço: são as superfícies de apoio para os braços da pessoa na posição sentada. Podem ser feitos no mesmo material da base, esto- fados ou em materiais diversos, com ou sem regulagem. Finalizando esta unidade, pudemos observar que a composição geral dos mobiliários é bem variada, porém, as estruturas repetem-se, o que facilita o entendimento da função de cada peça para o desig- ner, de modo que, usando a criatividade, é possível, a partir de poucos elementos, criar uma infinidade de produtos extremamente originais. 74 Caro(a) aluno(a), concluindo esta unidade, aprendemos sobre o trabalho do desig- ner em parceria com a indústria, pois, um projeto, para ser executado e ter sucesso, precisa adequar o seu modelo às características da indústria, ou ambos buscarem novas técnicas ou metodologias para inovar no mercado cada vez mais competitivo. Nos questionamos a respeito da tríade do produto: forma, função e fabricabili- dade, colocando em evidência que, para se ter um bom design, é necessário que o objeto responda a uma demanda real percebida (funções), tenha uma estética clara e significativa, e que seja passível de fabricação, com otimização de custos, geração de valor e sustentabilidade. Aprendemos como se estrutura uma indústria de móveis e os papéis de seus cola- boradores, além de técnicas de como otimizar a organização e as rotinas de trabalho, de que maneira pequenas alterações no fluxo da produção (produção puxada) ou inovações nos produtos (modelo Poka Yoke) podem gerar grandes resultados. Conhecemos, também, algumas terminologias que são muito usuais e de extre- ma relevância para conceituar e apresentar os componentes e as partes de mobiliá- rios encontrados em variados nichos que atendem o setor de produção moveleira. Esta unidade, portanto, tem uma grande importância para os conhecimentos já adquiridos na unidade anterior, contribuindo, com isto, com o desenvolvimento projetual de novos e inovadores produtos do segmento moveleiro, seguindo uma metodologia específica que conduz toda a trajetória do projeto para um desenvolvi- mento mais coerente, verificando a viabilidade de materiais e processos de fabricação para que o produto consiga adquirir a sua forma, função e dimensão adequadas e desejadas para as reais necessidades de variados usuários, garantindo, com isso, a qualidade final do projeto do produto. considerações finaisconsiderações finais 75 atividades de estudo 1. Os modelos de gestão e de tamanho das empresas de móveis impactam di- retamente nos processos de design e na forma de fabricação das peças. Ao longo da história, conferimos que existem diversas características que dife- renciam as produções artesanais, sob medida e em série. A respeito da fabri- cação seriada, é correto afirmar que: a. Sempre foi o processo mais seguro contra erros. b. Não precisa de um projeto específico, pois os produtos nunca mudam. c. O operador conhece todo o processo da peça, podendo apontar os defeitos rapidamente. d. Precisa de um detalhamento claro das peças e das rotinas de fabricação para evitar erros. e. Possibilita a mudança contínua dos produtos, pois são produzidos sob medida. 2. Nesta unidade, conhecemos uma nova perspectiva a respeito das relações en- tre forma e função no design, incluindo um terceiro ponto, a fabricabilidade. A respeito desses três aspectos, que devem ser cuidadosamente observados pelo designer, é correto afirmar que: a. O processo produtivo não interfere na estética da peça, pois ela é resultado do projeto de design. b. A função determina a forma das peças, por isto, o designer deve projetar con- forme o modelo ideal de produto para aquela função. c. Um bom design é aquele que atende a uma demanda real, com estética e identidade, que seja passível de fabricação, sendo lucrativo e sustentável. d. O designer deve concentrar-se na especificação dos projetos, cabendo à in- dústria preocupar-se com a origem dos materiais e o destino dos produtos. e. O designer consegue determinar todos os usos de seu produto, pois define cla- ramente, por meio da forma, qual a sua função e o que ele deve desempenhar. 76 atividades de estudo 3. As empresas de móveis diferenciam-se sob aspectos como: tipo de produ- to, características de produção e tamanho da indústria. Conhecendo a forma como essas empresas organizam-se, é correto afirmar que: I. O organograma e o fluxograma funcionam como representações visuais das hierarquias de trabalho e das rotinas de produção, respectivamente. II. O sistema de produção enxuta só é possível em grandes empresas, pois ga- rante o volume e o estoque de mercadorias. III. A produção sob medida otimizada visa à padronização e à intercambialidade das peças, melhorando os processos produtivos e diminuindo desperdícios. IV. O modelo Poka Yoke propõe dispositivos no design das peças, dispositivos es- ses que tornam claras as montagens, buscando diminuir os erros. Podemos afirmar que: a. Somente as alternativas I e IV estão corretas. b. Somente as alternativas II e III estão corretas. c. Somente a alternativa III está correta. d. Somente as alternativas I, III e IV estão corretas. e. Nenhuma das alternativas está correta. 4. Löbach (2000) propõe que, na busca pela solução dos problemas de design, uma das etapas consiste, entre outros aspectos, na análise das funções, das estruturas e das configurações dos produtos. Com base no que estu- damos, relacione essas análises à importância de se entender os compo- nentes do mobiliário. 5. Das estruturas de um mobiliário, a caixa é o modelo mais simples, resistente e versátil. A respeito desta estrutura, comente sobre os seus elementos cons- trutivos: lateral, base, topo, sarrafos e fundo, destacando as suas funções. 77 LEITURA COMPLEMENTAR CONCEITOS DO 5S O 5S tem como intuito promover no local de trabalho a organização, disciplina e limpeza, tornando um ambiente de trabalho agradável, seguro e produtivo. O método desperta a importância do trabalho em equipe, gerando pessoas motivadas, contribuindo com ideias novas e renovadoras, reduzindocustos, melhorando a qualidade e evitando o desperdício. Capaz de modificar o humor, o ambiente de trabalho, a maneira de conduzir as atividades rotineiras e as atitudes (SILVA, 1994). Como uma grande parte dos gestores não consegue enxergar a abrangência do programa 5S, em muitas ocasiões, a implantação dessa metodologia é vista como uma grande “faxina”, permitindo a perda do que é considerado de mais valioso: mudança de valores. Para que essa mudança aconteça, é importante que todos participem e tenham disponibilidade para mudar. Segundo Falconi (2004), o programa 5S não é somente um evento episódico de lim- peza, mas uma nova maneira de conduzir a empresa com ganhos efetivos de produtividade. O nome 5S vem de cinco palavras japonesas iniciadas com a letra “S”, tomando como alternati- va, em português, a utilização do termo “Senso”, são eles: Senso de Utilização ou Descarte; Sen- so de Arrumação; Senso de Limpeza; Senso de Saúde ou de Higiene; Senso de Autodisciplina. a) Senso de Utilização (Seiri): consiste em distinguir itens necessários e desnecessários com base no grau de necessidade, que determina onde o item deverá ser guardado ou des- cartado. Itens utilizados com distância maior que seis meses são considerados de uso raro e podem ser descartados. Já os utilizados entre dois e seis meses são tidos como ocasio- nais, e a probabilidade de descarte é alta. Enquanto os utilizados frequentemente podem ser divididos em uso horário até diário ou semanal, e são indispensáveis. b) Senso de Arrumação (Seiton): consiste em definir a forma e identificação da armazena- gem, bem como a quantidade e a distância do ponto de uso. Fatores como frequência de uso, tamanho, peso e custo do item influenciam nessa definição. Segundo Habuet al (1992), o sen- so de arrumação é fazer com que as coisas necessárias sejam utilizadas com rapidez e segu- 78 LEITURA COMPLEMENTAR rança a qualquer momento. Significa estabelecer um padrão ou arranjo das partes, seguindo algum princípio ou método racional. Popularmente, seria “cada coisa no seu devido lugar”. c) Senso de Limpeza (Seiso): significa muito mais do que melhorar o aspecto visual de um equipamento ou ambiente. Significa preservar as funções do equipamento e eliminar riscos de acidente ou de perda da qualidade. Eliminação das fontes de contaminação, utilização de cores claras e harmoniosas e o revezamento nas tarefas de limpeza, contribuem para a motivação e a manutenção deste senso. Segundo Osadaet al (1998), a sistematização da limpeza pode se dividir em três partes: 1. Nível macro, que é a limpeza de todas as áreas; 2. Nível individual, que seria a limpeza de áreas específicas; e 3. Nível micro, limpar as partes dos equipamentos específicos. d) Senso de Saúde e de Higiene (Seiketsu): segundo Badke (2004), o Senso de Saúde signi- fica criar condições favoráveis à saúde física e mental, garantir um ambiente não agressivo e livre de agentes poluentes, manter boas condições sanitárias nas áreas comuns (banhei- ros, cozinha, restaurante etc.), zelar pela higiene pessoal e cuidar para que as informações e comunicados sejam claros, de fácil leitura e compreensão. Além da ênfase ao cuidado e ao asseio com uniformes, com ferramentas e com os objetos e utensílios utilizados no setor de trabalho ser o ponto marcante desse senso. Temos como exemplos: uso de EPI - Equipamento de Proteção Individual; sinalização de lugares perigosos com placas; ter bom relacionamento dentro da equipe; ler e respeitar as recomendações de segurança para uso dos equipamentos; adotar e facilitar as práticas de higiene pessoal. e) Senso de Autodisciplina (Shitsuke): esse conceito prega a educação e a obediência às regras de trabalho, principalmente no que se refere à organização e segurança. É uma mu- dança de conduta que assegura a manutenção dos demais sensos, já implantados. 79 LEITURA COMPLEMENTAR Benefícios do programa Uma das metas do programa é mudar a maneira de pensar das pessoas na direção de um melhor comportamento, de comprometimento não somente com o seu trabalho, mas ado- tar mudanças para a vida. Não deve ser um acontecimento episódico, deve se tornar uma nova maneira para a contribuição de benefícios para a organização, como maior produtivi- dade devido à redução de tempo despendido na busca por objetos, redução de despesas, sendo que os materiais serão melhor aproveitados, diminuição de acidentes de trabalho e colaboradores mais satisfeitos também são propósitos essenciais do programa 5S. Segundo Martins et al. (2007), dos benefícios alcançados com o programa 5S, em geral, destacam-se: • minimização de quantidade de materiais, mobiliário e equipamentos em desuso nas áreas de trabalho; • maior disponibilidade de espaço e melhor distribuição ambiental; • redução de desperdício; • economia de tempo; • redução de acidentes; • reaproveitamento de materiais; • incentivo ao trabalho em equipe; • melhoria da qualidade do ambiente de trabalho; • melhoria da organização e da limpeza do ambiente de trabalho. Fonte: Oliveira et al. (2015). 80 material complementar 2001 - Uma Odisséia no Espaço 1968 Sinopse: Esse filme mostra uma realidade utópica desde a “Aurora do Homem” (a pré-história). Um misterioso monolito negro parece emitir sinais de outra civiliza- ção, interferindo no nosso planeta. Quatro milhões de anos depois, no século XXI, uma equipe de astronautas liderados pelo experiente David Bowman (Keir Dullea) e Frank Poole (Gary Lockwood), é enviada à Júpiter para investigar o enigmático monolito na nave Discovery, totalmente controlada pelo computador HAL 9000. Entretanto, no meio da viagem, HAL entra em pane e tenta assumir o controle da nave, eliminando os tripulantes um a um. Comentário: Esse filme retrata como era pensada a sociedade do futuro nos anos 60. É interessante observar como os cenários e os mobiliários do filme refletem a ideia futurista de uma sociedade avançada. Indicação para Assistir Design para um Mundo Complexo Rafael Cardoso Editora: Cosac Naify Sinopse: Nesse livro, Rafael Cardoso centra nos dilemas da contemporaneidade, atualizando a discussão sobre o papel do designer na sociedade e questiona as noções básicas do design como forma e função, demonstrando as relações entre significado, ciclo de vida e a mutabilidade do artefato. Comentário: Esse livro é fundamental para o designer atual, uma leitura fácil e apaixonante que questiona a atividade do designer e as propriedades do artefato em um mundo contemporâneo complexo. Indicação para Ler Jader Almeida - Designer Nesse vídeo, você pode acompanhar Jader Almeida, um dos grandes designers de mobiliário no Brasil hoje, e o seu cuidado com o desenvolvimento dos produtos, além da técnica e do simbolismo empre- gados. O designer fala sobre a importância do design brasileiro no cenário mundial e também sobre as suas inspirações. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=uNnDtN17Oog>. Indicação para Acessar 81 referências BÜRDEK, B. E. História, Teoria e Prática do Design de Produtos. 2. ed. São Paulo: Blucher, 2010. CARDOSO, R. Design para um mundo complexo. São Paulo: Cosac Naify, 2012. CESTARI, G. Das faces complexas e provocativas do projeto, da expressão disto e que chamamos de mundo. Revista Discursos Fotográficos, Londrina, v. 9, n. 15, p. 221-227, jul./dez. 2013. DORMER, P. Os significados do design moderno: a caminho do século XXI. Porto: Bloco Gráfico Ltda., 1990. LÖBACH, B. Design industrial: bases para a configuração dos produtos industriais. São Paulo: Edgard Blücher, 2000. MOURA, J. D. M. et al. Qualidade e processo produtivo da madeira para utilização em mobiliário. Londrina: UEL, 2012. OLIVEIRA, R. S. S. et al. Proposta de aplicação da metodologia 5s: um estudo de caso em uma empresa de manutenção de motocicletas no Cariri paraibano. In: ENEGEP - ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO - PERSPECTIVAS GLOBAIS PARA A ENGENHARIA DE PRODUÇÃO.35, 2015, Fortaleza. Anais… Fortaleza: ENEGEP, 2015. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/ TN_STP_207_232_28477.pdf>. Acesso em: 9 mar. 2018. PYE, D. The Nature and Aesthetics of Design Cambridge: Cambridge University Press, 1968. REFERÊNCIAS ON-LINE 1Em: <https://www.historycrunch.com/working-conditions-in-the-industrial-revo- lution.html>. Acesso em: 9 mar. 2018. 2Em: <http://blog.radissonblu.com/the-birth-of-the-egg/>. Acesso em: 9 mar. 2018. 3Em: <http://www.crwconsultoria.com.br/sistema-toyota-producao>. Acesso em: 9 mar. 2018. 82 gabarito 1. D. 2. C. 3. D. 4. Os componentes dos mobiliários permitem uma gama incrível de configura- ções estéticas e estruturais que podem ser combinadas para satisfazer os ob- jetivos, sejam visuais (semântico-estéticos) ou funcionais (pragmáticos), por isto, é fundamental que conheçamos as qualidades físicas e as funções que cada peça pode desempenhar para que, em um conjunto estrutural comple- xo, possam dar forma ao design. 5. Laterais: função de estrutura e fechamento lateral, determina a altura e a profundidade da peça. Por ser um material estrutural, a sua espessura pre- cisa suportar o peso a que se destina. No caso de móveis residenciais, é comum o uso para todo o módulo de painéis de 15-25 mm de espessura, entretanto, móveis populares podem ser feitos com materiais mais finos (12 mm). Topo: é uma peça na mesma medida que a base, tem a função de fechamento total do topo do nicho, usado em armários altos, armários su- periores/aéreos, guarda-roupas e qualquer peça que se deseje fechar todo o topo do nicho. Sarrafos: peças de travamento superior e traseiro do nicho, usados no topo de balcão, na horizontal ou na vertical, para o travamento da frente e parada das portas e, no fundo, para a estabilidade do nicho, poden- do ser instalado por trás do painel de fundo. É utilizado quando se coloca um tampo externo (do mesmo material ou não), como tampo de pia de granito, ou tampo de mesa que passe dos módulos. gabarito UNIDADEIII Professora Esp. Thiara L. S. Stivari Socolovithc Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Produzindo com madeira natural • Produzindo com painéis de madeira • Produzindo com metal na movelaria • Produzindo com materiais sintéticos Objetivos de Aprendizagem • Compreender processos produtivos de móveis de madeira natural. • Compreender técnicas de produção e processos produtivos de móveis de painéis de madeira pré-composta. • Compreender processos produtivos de peças de aço para movelaria. • Compreender processos produtivos para materiais sintéticos. PROCESSOS PRODUTIVOS unidade III INTRODUÇÃO O lá, caro(a) aluno(a)! Começamos a terceira Unidade do livro da dis- ciplina de design de produtos. Nesta unidade, temos como objetivo principal compreender a complexidade e a importância dos proces- sos produtivos nas soluções de design para um novo produto. Desde os anos 90 que as empresas brasileiras têm percebido a importân- cia de aliar o design à engenharia de produtos. Estes dois componentes são fundamentais para criar um diferencial competitivo. As empresas têm, então, investido não somente apoiadas no custo, mas também na qualidade, na ma- nufaturabilidade e na atratividade ao consumidor O designer deve considerar que as principais ligações entre materiais e forma surgem a partir de limitações que as matérias-primas possam suportar (ASHBY; JOHNSON, 2011). Respeitando essas características, cada material exige uma forma de manipulação específica para ser transformado em uma peça de design. Por isto, é tão importante compreender as técnicas preexisten- tes e os processos de produção que foram desenvolvidos para a marcenaria e que podem, de uma forma ou de outra, determinar o design de um mobiliário. Primeiramente, vamos conhecer o processo produtivo da madeira. Visar a cada parte da transformação desta matéria-prima, desde a extração na na- tureza, o processo de corte e secagem das toras, assim como os processos dos mobiliários que utilizam a madeira natural para confecção das peças. Na se- quência, veremos os produtos compostos, como painéis de MDF, MDP e com- pensado. Acompanharemos o processamento desses materiais na fábrica, al- guns sistemas de cortes e especificidades que otimizam a produção moveleira. Por fim, vamos explorar diversos processos produtivos de mate- riais, como o aço, a fibra de vidro e o plástico para o ramo moveleiro. Estas abordagens são feitas para que o projeto de design possa ser o mais assertivo e inovador possível. 88 A madeira natural já foi a base primordial do mobi- liário em geral. Esta produção dependia de uma ex- ploração da floresta nativa ou plantada. Entretanto, com o avanço das lâminas de compensado e do aço no início do século XX, vimos uma transformação da indústria moveleira e, por fim, as chapas de MDP e de MDF sedimentaram a forma como utilizamos a madeira na maioria dos móveis atualmente. A indústria moveleira depende do corte de árvores de médio porte para a obtenção de tábuas com lar- guras maiores, com estabilidade vertical e a mínima quantidade de nós e de manchas nos veios da peça. Existem vários tipos de madeiras para funções distintas na movelaria. Uma das mais comuns é a madeira pinus. Segundo Moura et al. (2012), o Pinus Taeda (Pinus Elliotti) vem sendo plantado há mais de Produzindo com Madeira Natural DESIGN 89 um século no Brasil, e seu principal uso é como fon- te para as indústrias de madeira serrada e laminada, chapas e resina. Mesmo para o seu uso contempo- râneo, ainda é necessário um cuidadoso estudo no corte da tora para se obter pranchas mais largas ou maiores, conforme a possibilidade do material. CLASSIFICAÇÃO DAS TORAS A classificação das toras é feita conforme o diâmetro médio da peça. A árvore é dividida em três partes: o diâmetro da ponta fina (mais próximo aos galhos), o diâmetro médio (a média entre o diâmetro da ponta grossa e da ponta fina) e o diâmetro da ponta grossa (mais próximo da base da tora). A tabela a seguir demonstra a classificação e os destinos para as dife- rentes dimensões de toras. CORTE Ao chegar à indústria, os caminhões com a madeira são pesados (na entrada e na saída) para o controle da matéria-prima. Na sequência, as toras são empi- lhadas e aguardam o desdobro. O desdobro consiste na retirada das camadas externas da tora em madeira serrada, com o proces- samento de toras elípticas ou circulares para peça retangular. As peças passam por um conjunto de Quadro 1 - Classificação de toras Fonte: Moura et al. (2012, p. 27). Você conhece o Selo FSC? O FSC, Forest Stewardship Council (Conselho de Manejo Florestal), é uma certificação de um órgão independente que fiscaliza as condições de plantio e de manejo das florestas, além da sua cadeia de custódia, como serrarias, fabricantes ou designers (MOURA et al., 2012). Isto é, este selo garante que o manejo da flo- resta está sendo feito de maneira sustentável, com trabalhadores em ambientes seguros e dignos. Exigem um alto controle e rastreabi- lidade das peças, garantindo a manutenção da floresta e a origem dos materiais. Fonte: adaptado de Moura et al. (2012). SAIBA MAIS CLASSIFICAÇÃO DE TORAS CLASSE DIAMÉTRICA (cm) DESTINAÇÃO 3 a 8 Energia (biomassa). 8 a 18 Celulose/Particulados (MDF/MDP). 18 a 25 Madeira serrada linha estreita: para embalagens, móveis ou lamina- ção. 25 a 35 Serraria linha média: para embalagens, móveis, molduras, construção civil e forte laminação. 35 a 45 Serraria linha larga: para construção civil, molduras e embalagens. 45 acima Construção civil e lâminas faqueadas. 90 máquinas que farão o corte da madeira em tábuas e pranchas com bitolas (espessuras) diferentes con- forme a necessidade. A madeira serrada é distribu- ída em grades e pronta para a secagem. Os resíduos gerados são picados em cavacos para o abastecimen- to de caldeiras ou separadas para a venda em outrosegmento industrial. TIPOS DE CORTE O corte radial é mais indicado para o uso em que a es- tética, a resistência e a largura da madeira são impor- tantes, como peças de madeira aparente com design de alto padrão etc. O corte tangencial é mais indicado para economia de custo e agilidade. Por ser mais em conta e, normalmente, não ser aparente, ele é indicado para interior de estofados, para embalagens, entre outros. SECAGEM Após o corte das peças, a madeira “verde” é submeti- da à secagem para a redução de seiva e água no mio- lo das chapas. A secagem é um dos processos mais importantes do tratamento da madeira natural e as suas principais vantagens são: [...] redução da alteração das dimensões das peças serradas; redução da umidade inicial da madeira; redução dos custos de transporte; re- dução do ataque de fungos manchadores e apo- drecedores; melhoria na eficiência de tratamen- TIPOS DE CORTE LONGITUDINAL TANGENCIAL RADIAL É o corte feito longitudinalmente, perpendicular aos raios medulares. É o corte feito longitudinalmente e paralelo aos raios medulares. Aplicado para todas as toras e de qualquer diâmetro. Aplicado para toras com diâmetros superiores a 50 cm. Mais fácil de obter. Mais difícil de obter. Maior rendimento de madeira serrada por hora-máquina ou hora-homem. Menor rendimento de madeira serrada por hora-máqui- na ou hora-homem. Superfícies apresentando desenhos parabólicos, angulares ou elípticos. Permite aproveitar as qualidades estéticas de madeiras que possuem raios lenhosos largos ou grã-espiraladas. Peças menos resistentes estruturalmente. Peças mais resistentes estruturalmente. Contração menor na espessura. Contração maior na espessura. Contração no sentido do comprimento é maior. Menor contração na largura. Em madeira suscetíveis ao colapso, este apresenta-se em menor proporção em superfícies tangenciais. Em espécies propensas ao colapso, este é mais frequen- te e mais marcante em peças radiais. Maior encanoamento. Menor encanoamento. Menos estáveis durante a secagem. Mais estáveis durante a secagem. Permitem a passagem de líquidos. Não permitem a passagem de líquidos. Menor valor comercial. Maior valor comercial. Quadro 2 - Tipos de corte longitudinal Fonte: Moura et al. (2012, p. 29). DESIGN 91 tos com produtos de proteção ou acabamento superficial, melhoria na aderência em produtos colados; melhoria na fixação em juntas prega- das ou parafusadas; melhoria nas propriedades de isolamento térmico acústico e de eletricida- de (MOURA et al., 2012, p. 37). Esse processo pode ser feito ao ar livre, o que deman- da mais mão de obra, espaço físico e tempo, ou em estufas com o controle exato de umidade e de tem- peratura para cada tipo de madeira, o que exige uma estrutura industrial mais avançada, porém, a veloci- dade e o volume de produção são muito maiores. É no processo de secagem que aparecem os prin- cipais defeitos das peças de madeira, podendo ser provocados pela qualidade do material, assim como pelo próprio processo de secagem. Segundo Burger e Ritcher (1991), dentre esses defeitos, um muito co- mum é o empeno, que se caracteriza pelas curvatu- ras da madeira em relação ao seu plano original. Classificação da madeira Uma vez secas, as peças são selecionadas individu- almente e analisadas pela classificação visual e não destrutiva da madeira. Essa classificação divide a peça em quatro grupos de qualidade, separando pela quantidade aceitável de defeitos na peça. Es- tas características, além de alterarem a estética da peça, vão exigir tratamentos diferentes dentro da produção para o seu aproveitamento. Dependen- do do nível de defeitos, a peça é classificada como apresentado a seguir. • Classe Estrutural Especial EE (classe estru- tural especial) e Classe nº 1: para o uso que requer resistência e rigidez, assim como boa aparência. • Classe nº 2: para o uso de aplicações em edi- ficações em geral e que requer valores mode- rados de resistência e rigidez. • Classe nº 3: recomendada para edificações que permitem valores baixos para proprieda- des de resistência e rigidez, e cuja aparência não é um fator importante (o caso de emba- lagens e de camas de pallets). A seguir, trazemos uma lista desenvolvida por Mou- ra et al. (2012) sobre os aspectos que são considera- dos para a classificação do pinus e que podem servir de exemplo para outros tipos de madeira, ou defei- tos ou condições limites admissíveis. • Encurvamento: curvatura da peça ao longo do comprimento, com curvatura no plano maior da face. • Encurvamento complexo: encurvamento da peça com curvaturas para lados contrários. • Torcimento: uma extremidade da peça gira para o lado contrário ao da outra extremidade. • Arqueamento: curvatura da peça ao longo do comprimento, com a curvatura no plano me- nor da face. • Encanoamento: curvatura da peça ao longo da largura. • Esmoado: quina da peça de madeira danifica- da por qualquer motivo. • Rachaduras: aberturas lineares na peça. Po- dem ser somente superficiais ou podem atra- vessar a espessura da peça. • Bolsa de resina: buracos na madeira preen- chidos por resina. • Furos de insetos: furos na madeira causados por insetos. Podem ser ativos, ou seja, ainda estão ocorrendo atividades desses insetos no buraco; ou inativos, ou seja, inseto abando- nado ou morto. • Galeria: escavação (caminhos/túneis na ma- deira) feita por insetos. 92 • Medula: parte central do tronco, onde os teci- dos de madeira são menos resistentes. • Fendilhado: conjunto de fendas e de arra- nhões na peça. • Madeira ardida: um tipo de podridão. • Grã-entrecruzada: quando a grã da madeira muda de direção ao longo da peça. • Mancha azul: descoloração ou escurecimento causados por mofo ou por substâncias químicas. • Nós: são as marcas de um galho que ficam na chapa de madeira, eles podem ser simples nós de espora (máximo 3 mm); nós de gravata, ou firmes, que, mesmo com a secagem da madei- ra, não caem da peça (no corte, apenas será mais difícil de cortar, mas não se desprendem da chapa); nós soltos (na secagem, despren- dem-se da chapa e terão que ser preenchidos com massa ou batoques de madeira); nós va- zados, que estão localizados na lateral da cha- pa e fazem um buraco na peça (dependendo do tamanho, este diâmetro do nó terá que ser retirado por todo o comprimento da peça). especializada, que consegue perceber os detalhes de cada peça e aproveitar melhor o material para tirar o desenho projetado. Corte O marceneiro escolhe o pranchão de madeira com comprimento, largura e espessura suficientes para a peça desejada. Ele segue um gabarito feito previa- mente a partir do projeto de design, garantindo o padrão das peças em série. Peças do mesmo tipo podem ter grandes va- riações físicas e mecânicas. É necessário fazer a classificação visual das madeiras, separando as peças por grupos de qualidades distintas, facilitando o destino para usos específicos. (Jorge Daniel de Melo Moura) REFLITA PROCESSO DA MADEIRA DENTRO DA IN- DÚSTRIA MOVELEIRA Uma vez selecionada, a madeira fica estocada na in- dústria, pronta para a sua utilização. A sua transfor- mação dentro da produção exige uma mão de obra Serra Circular Tupia Manual A prancha passa por máquinas de desempeno e de- sengrosso, que consistem em procedimentos para estabilizar a espessura da madeira e aplainar a peça, DESIGN 93 retirando qualquer curvatura ou desnível. Para cor- tes retos, é comum utilizar serras circulares e, para design angular, curvilíneos ou orgânicos, utiliza-se a tupia, a serra de fita ou o corte automático em máqui- nas CNCs (Comando Numérico Computadorizado). Plaina Apesar do corte, alguns desenhos precisam de um cuidado refinado. A plaina faz, então, a retirada se- quencial de lascas da madeira para afinar um deta- lhe ou suavizar a curvatura de um pé, por exemplo. A plaina manual ou uma máquina copiadora con- seguem fazer este desbaste fino, pouco possível de ser feito comas serras. Após este procedimento, é necessário o lixamento total da peça para obter o acabamento macio e uniforme. Torneamento e entalhe O torno e o entalhe são ferramentas antigas da produ- ção de móveis, mas que não perdem a sua importân- cia e seu charme. O torno consiste em uma máquina que gira, em alta velocidade, uma peça de madeira presa ao seu eixo central, com o uso de formões tipo goiva - uma ferramenta com a ponta côncavo-conve- xa de metal afiado, com o corte do lado côncavo, que consegue talhar os contornos das peças de madeira, metal ou pedra -; o marceneiro retira pouco a pou- co as lascas do material uniformemente. Deste modo ele consegue fazer cilindros perfeitos e desenhos ar- redondados na extensão do comprimento da peça. Máquinas copiadoras repetem o desenho a partir de um gabarito ou de um modelo computacional, po- dendo tornear várias peças ao mesmo tempo. 94 O entalhe consiste no uso de formões retos e goivas que esculpem a madeira e criam desenhos diversos com a possibilidade de detalhes milimétricos que, por sua vez, evidenciam o trabalho artesanal e dife- renciam uma peça da outra. Dobra a vapor Caro(a) aluno(a), ao tratar sobre o processo de dobra a vapor, precisamos lembrar de Michael Thonet. Um artesão alemão, nascido em 1796, e que revolucio- nou o uso da madeira na movelaria. Thonet explorou as complicadas propriedades técnicas do material e as suas limitações de flexibilidade, desenvolvendo uma nova forma de design que excedeu a novidade. A técnica consiste em inserir varas ou tábuas de madeira (Thonet preferia a faia) em um forno de autoclave, que controla a pressão, o vapor e o calor interno. Este processo torna flexível a resina ao re- dor das fibras da madeira e, após saírem do forno, as peças são envergadas conforme os moldes de aço e sustentadas por presilhas, seguindo para a cura. A resina endurece depois da secagem e consegue man- ter as fibras da madeira firmes e, assim, esta nova peça não perde mais a forma. As principais vanta- gens desse processo são: • a peça é própria para a produção em série, é pensada em partes individuais desmontáveis, além de adaptar-se ao padrão dos moldes; Uma máquina CNC utiliza fresas, brocas ou laser que conseguem fazer o corte e o entalhe de forma automá- tica. Normalmente, essa máquina tem um limite mí- nimo de 3 mm (dependendo da ferramenta), e tam- bém é uma excelente opção para desenhos orgânicos, oferecendo a otimização de tempo, de volume de pro- dução e de padronização dos desenhos. No entanto, ela não possui aquelas marcas naturais da evidência da mão humana que dão valor a um produto artesanal. • é extremamente resistente e estável; • uma vez seca, a peça não perde mais o seu formato; • por sua flexibilidade, a técnica possibilita de- senhos orgânicos belíssimos e muito do que conhecemos da Art Nouveau foi resultado da descoberta da dobra a vapor. A empresa Thonet foi uma das maiores indústrias de móveis durante a Revolução Industrial e continua até hoje atuando em diversos países do globo. A ca- deira modelo 214, lançada em 1859, ainda é vendida e continua sendo um dos objetos de maior sucesso e longevidade de vendas no ramo do design. A seguir temos uma cadeira estilo Thonet. DESIGN 95 Figura 1 - Cadeira modelo 214 Fonte: Shutterstock Na sequência, é feito os lixamentos grosso e fino, e a peça é separada para a montagem antes da pintura. Pintura O acabamento das peças de madeira natural, de lâmina de madeira ou de madeira recomposta (MDF cru ou compensado) é ponto fundamental na qualidade final do produto, por isso, é necessá- rio uma série de cuidados, muitas vezes manuais, para garantir que a peça fique protegida das in- tempéries do tempo, além de oferecer a ela uma estética fina e de grande valor. Pré-acabamento Faz-se o desbaste, eliminando marcas deixadas pelas máquinas de corte ou os pequenos nós e de- feitos na madeira, desníveis, farpas, ondulações etc. Neste ponto, são passadas massas (coloridas ou com tom acinzentado) para cobrir as imperfei- ções e, depois, a peça é inteiramente lixada para deixar a superfície lisa e homogênea. Conheça o processo de fabricação de uma cadeira Thonet. No link do vídeo a seguir há vários processos que apresentamos nesta unidade. Observe o processo de dobra da ma- deira que passou pelos fornos de autoclave, pelos moldes e pelas prensas, a extrusão da madeira, a pintura, entre outros processos. Disponível em: < https://www.youtube.com/ watch?v= QovhXq9-MDU>. Fonte: a autora. SAIBA MAIS Furação e preparo para montagem Após as operações de corte, são feitas as furações para cavilhas ou rebaixos para os encaixes entre pe- ças. Os padrões dos furos e as profundidades devem ser adequados para, juntamente com cola, travarem as peças com pressão. 96 Acabamento de pintura Na fase de acabamento, a peça deve estar total- mente pronta, ou seja, ela não vai passar por ne- nhum outro processo a não ser o próprio acaba- mento. Primeiramente, será feita a cobertura da peça com a seladora, cuja função é fechar os poros da madeira e proteger contra a umidade. Depois de lixado, isto facilita a aplicação dos demais pro- dutos. Os acabamentos mais utilizados são cera, envernizamento, tingimento e laqueação. • A cera de carnaúba, o mel de abelha ou a para- fina promovem um aspecto natural. Podem im- permeabilizar a peça, além de destacar os veios da madeira com aspecto fosco ou de semibrilho. • Os vernizes são acabamentos feitos de resinas à base de solvente ou à base d’água e, quan- do aplicados à superfície, impregnam (ver- niz stain- polisten) ou formam uma película (verniz marítimo) que protegem a madeira. Em termos de durabilidade, o verniz à base d’água não amarela; na exposição à luz, a cor da madeira natural se sobressai, não tem cheiro, seca mais rápido e tem maior resistên- cia à abrasão do que os produtos à base de solvente. Entretanto, os vernizes só possuem acabamento fosco ou acetinado; para um acabamento de alto-brilho, é necessário o uso do verniz à base de solvente. • O tingimento consiste na alteração da cor da madeira por meio de pigmentos que ainda conservam o aspecto dos veios naturais da peça. É muito utilizado para “enobrecer” ma- deiras claras mais comuns, as tingindo com tons de nogueira, imbuia etc. O tingimento não tem brilho e nem protege a peça, neces- sitando, posteriormente, de acabamento com seladora, cera ou vernizes. • A laca, diferente dos demais acabamentos, colore a superfície da peça, mudando total- mente a sua aparência. É necessário o uso de primer (uma forma de selador de fundo espe- cífico para lacas) e a aplicação de camadas su- cessivas de cor, intercaladas por lixamento da peça. Ela pode ter acabamento acetinado ou de alto-brilho, dependendo da especificação. DESIGN 97 Estofamento O estofamento é uma sub-rotina em uma empre- sa de móveis. No caso de cadeiras, os assentos e os encostos são feitos, normalmente, em chapa de compensado, que é prensada em um molde para curvar a peça e dar conforto ao usuário. Na fábri- ca, eles são colados às espumas por meio da cola de contato, e o tecido é grampeado à placa de ma- deira ou é costurado manualmente, dependendo do processo ou da qualidade que a empresa queira dar. Neste ponto, as peças da estrutura já foram processadas e acabadas na pintura, assim, já po- dem ser unidas aos estofados preparados. Pré-montagem e embalagem Finalizado o processo de produção, as peças serão separadas em conjuntos de módulos com os seus respectivos compo- nentes de montagem. As embalagens, em geral, consistem em proteger as pontas das peças com cantoneiras de plástico ou de papelão, envoltas em filme plástico ter- mossensível ou em plástico-bolha e, por fim, colocadas em caixas de papelão ou em pallets, e reservadas para entrega. Muitas empresas optam por oferecer o mobiliário pré-montado para diminuir o tempo de entrega do produto. O mais co- mum é apré-montagem de gaveteiros, pois eles possuem muitas peças e requerem mais tempo de fixação e de regulagens. Entenda como é feita uma pintura assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. Para conhecer um pouco mais sobre os processos de pintura, convido você a conferir o vídeo presente no QR Code a seguir, pois ele ilustra o passo a passo de forma simples e clara. Lembrando que esse vídeo tem o aspecto mais artesanal, então, em uma indús- tria, a pistola de pintura com ar pressurizado garante maior rapidez e qualidade ao processo. http:// 98 Os painéis de madeira facilitaram o processo produ- tivo para a indústria moveleira. Diferentemente das peculiaridades individuais das peças de madeira na- tural, eles garantem a padronização das chapas, a le- veza e a estabilidade das peças produzidas em série. Os painéis mais comuns hoje são: compensado, MDF (Painel de Fibra de Média Densidade), MDP (Painel de Partícula de Média Densidade) e OSB (Painel de Tiras de Madeira Orientadas) que, por sua vez, são chapas planas de média à excelente esta- bilidade, podendo ser cortadas ou usinadas para dar estrutura ao mobiliário em geral. As características das chapas, como: acabamen- to, composição, espessura, largura e comprimento seguem padrões convencionados e variam conforme seu uso ou função. A transformação das chapas no processo pro- dutivo consiste, de forma geral, em corte, lamina- ção, bordeamento, usinagem, pintura (conforme o caso), limpeza, pré-montagem e embalagem. Muitas Produzindo com Painéis de Madeira DESIGN 99 chapas, como MDF e MDP, vêm de fábrica com o acabamento final na superfície do painel, sem a ne- cessidade de ser laminadas com melamina ou com lâmina de madeira, saindo diretamente do corte para o bordeamento ou a usinagem. O CORTE O corte consiste na secção dos painéis em peças menores, seguindo as especificações do projeto de design, que são, por sua vez, detalhadas em milíme- tros. A maioria das máquinas cortam em uma linha reta que cruzam todo o painel. Compreender isto é importan- te, tendo em vista que, no pla- nejamento, procura-se obter a maior quantidade de peças com o mínimo de desperdício possí- vel. Este processo é conhecido como otimização da chapa. No departamento de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), desenvolve-se um desenho de como a chapa deverá ser cor- tada, além de uma listagem das peças que sairão daquele plano de corte. Em pequenas empre- sas, este projeto pode ser feito manualmente, mas ele sempre está presente de alguma forma. Em empresas de médio porte, já é comum o uso de sistemas auto- matizados que “otimizam” a chapa e geram etiquetas para identificar as peças. Em grandes empresas, o ma- quinário já lê o plano de corte conforme o designer programou, cabendo ao operador somente abastecer a máquina com a chapa especificada. O maquinário utilizado para o corte são as serras (de bancada ou de mão), seccionadoras semiauto- máticas, ou de pinça, e centros de usinagem (CNC). As seccionadoras são as máquinas mais comuns na produção de móveis, realizam cortes lineares (retos) e precisos com excelente acabamento. Serras manu- ais, tupias e CNCs permitem cortes mais orgânicos ou angulares. No caso de corte em meia-esquadrias, em 45º graus. Algumas seccionadoras também têm esta função, entretanto, não é o padrão. Vamos a um exemplo prático. Observe esta cozi- nha modular apresentada na Figura 2. Figura 2 - Projeto de cozinha modular Fonte: a autora. São dois módulos basculantes superiores, um armá- rio de duas portas e um gaveteiro com quatro gave- tas. O corpo dos módulos foi projetado em MDF 15 mm branco, fundos em MDF 6 mm branco, portas e frentes de gaveta em MDF 18 mm bege. Uma vez definido o projeto, o departamento de P&D otimiza 100 o corte e envia as fichas técnicas para fabricação e almoxarifado (separação dos materiais). O programa distribui cada peça nas chapas de 2,75 x 1,83m conforme a espessura, calculando o mínimo de desperdício possível. A sobra de material será aproveitada em outros projetos ou separada para reciclagem. Deste corte é gerado uma listagem e eti- quetas para identificação peça a peça, além de uma lista de compras/separação de material. Vamos ver de perto a sequência de corte do MDF branco de 15 mm. Observe que os cortes longitudinais ou transversais são sempre contínuos. A peça é cortada de ponta a ponta, pois a serra corre por toda a extensão da chapa. Por isto, a sequência de processos é importante. Neste caso, o primeiro corte separou a chapa em três grandes blocos. Após este passo, o operador pega somente o bloco número 1, vira a chapa a 90º graus na bandeja da máquina para começar o cor- te número 2 e 3 na sequência. Essas peças do bloco número 1 estão prontas, são etiquetadas e separadas para a fase seguinte da produção. O mesmo acontece com os demais blocos. Note que o plano teve um aproveitamento ex- celente da chapa com uso de 92% do material. No entanto, o número de cortes foi de 45. Quanto mais peças iguais, menor será a quantidade de processos de corte, por isso, é comum otimizar vários projetos de uma única vez, assim, o tempo de produção e o desperdício serão menores. Figura 3 - Plano de corte Fonte: a autora. DESIGN 101 Vale destacar que, em painéis madeirados, o sentido do veio determina as linhas de corte para manter o desenho no mesmo alinhamento do padrão de aca- bamento na hora da montagem. Acarretando, assim, maior desperdício na chapa, porém, ganha-se na apresentação final do produto. bordas. Este processo pode ser feito manualmente ou com máquinas de bordeamento automático. Uma coladeira de borda traciona a peça presa a roletes e, em seguida, cola, refila e limpa um lado por vez. Essa coladeira é um maquinário que econo- miza muito tempo e mão de obra numa produção. Manualmente, é necessário passar a cola de contato na fita e no painel, esperar secar, unir os dois, refilar e limpar lado a lado. USINAGEM O processo de usinagem consiste em fazer as fura- ções para encaixe das cavilhas, minifix, rebaixos para dobradiças, canais para encaixe de fundo, rebaixo de puxadores e demais usinagens que sejam necessá- rias. Os maquinários para este processo são tupias manuais ou de bancada (uso de fresas e brocas), fu- radeiras manuais, furadeiras múltiplas e CNCs. As furadeiras múltiplas possuem cabeçotes com vários mandris em que se encaixam brocas e fresas conforme a necessidade. A sua configuração é base- ada no Sistema 32 mm, que permite séries de fura- ção de maneira padronizada. Esse sistema é um padrão de furação desenvol- vido na Europa que estabelece uma distância de 32 mm entre o centro de um furo e o próximo, ou seja, os furos serão calculados em múltiplos de 32 mm no eixo vertical ou horizontal da máquina. Assim, é possível colocar várias brocas ao mesmo tempo e manter um padrão de furação da peça. A maioria dos componentes de móveis seguem esse sistema. Os pontos de fixação de uma dobra- diça estão a 32 mm um do outro, o mesmo ocorre em corrediças. Em armários em série, é comum ob- servar esse padrão na lateral das peças, para que o A otimização de chapa é o estudo do corte dos painéis por meio de softwares ou ma- nualmente, para melhor aproveitamento do material, reduzindo o desperdício e a quan- tidade de processos de corte. Fonte: a autora. SAIBA MAIS LAMINAÇÃO Após o primeiro corte, se um painel não possui aca- bamento em melamina, nos casos do MDF cru, da chapa de compensado etc., é feita a prensagem, por meio de cola à base d’água ou cola de contato, das lâminas de madeira natural, das madeiras pré-com- postas ou das melaminas de alta pressão. Uma vez seca, a peça volta para um segundo cor- te (ou refilamento) para retirar os excessos de lâmi- na ou de melamina. BORDEAMENTO Os painéis de madeira recomposta ou de compensa- do não possuem acabamento nas laterais da chapa; uma vez cortada, ela mostra o miolo do material.Para proteger a peça contra a água e dar o acaba- mento fino, é colada uma fita em PVC ou ABS nas 102 cliente possa alterar a altura das prateleiras como for conveniente a ele. Para isto, é feito uma sequência de furos longitudinalmente, e com suportes encaixados nos furos, é fácil fazer a alteração da altura da peça. Este sistema aumenta as possibilidades de con- figuração das peças, diminui os processos de fabri- cação e facilita a montagem, padronizando os ga- baritos e diminuindo a necessidade de mão de obra especializada (VALE, 2011, on-line)1. sim como Thonet, eles desafiaram os limites do material e aprimoraram a técnica de moldagem com chapas de compensado. Em seu trabalho para as cadeiras DCW e LCW, eles conseguiram fazer assentos e encostos curvos, assim como peças componíveis por meio da nova técnica. Esta consiste em lâminas de compensado que são colocadas entrecruzadas com cola, sendo a última camada revestida com uma lâmina de ma- deira natural decorativa. O conjunto é prensado em uma fôrma matriz de aço que sela as camadas em uma unidade firme e estável no formato escolhido. Após este passo, a peça é cortada automaticamente em uma máquina CNC, recebendo o seu desenho final. São feitos também os rebaixos para os amor- tecedores de borracha e o engate dos parafusos, se- guindo para a pintura e o estofamento posterior. A técnica da moldagem do compensado permitiu uma incrível variedade de modelos de cadeiras com as- sentos mais anatômicos e confortáveis que mantinham a estética da madeira sem perder a qualidade estru- tural. Observe, a seguir, a beleza da poltrona CH101, criada pelo designer dinamarquês Hans Wegner. Após o corte, o bordeamento e a usinagem, a peça, geralmente, está pronta para a pré-montagem ou a embalagem. No caso de painéis pintados ou com lâ- mina de madeira, o painel passará pelo processo de acabamento fino da peça, discutido no tópico sobre produção com madeira natural. MOLDAGEM DO COMPENSADO Em 1945, Charles e Ray Eames desenvolviam no- vas aplicações para o painel de compensado. As- DESIGN 103 O metal ganhou espaço na movelaria a partir do fi- nal do século XIX, como pudemos observar no es- tilo Art Nouveau, com o uso do ferro fundido em cadeiras, mesas e na arquitetura em geral. Mas é na escola da Bauhaus que vamos ver o aço tubular ga- nhar destaque e ser a base do mobiliário moderno. O aço tubular promovia mais leveza do que o aço fundido, além da estabilidade e da facilidade na produção em série. Gênios do design, como Marcel Breuer, Mies Van der Rohe e Eileen Gray abusavam da forma limpa do aço tubular cromado para criar desenhos minimalistas e funcionais, combinando as suas peças com vidro, couro e madeira. CORTE O metal permite uma série de metodologias para a obtenção de peças de movelaria, por ser resistente e, ao mesmo tempo, moldável, alterável em sua com- posição primária (combinação de ligas metálicas) e Produzindo com Metal na Movelaria 104 dobrável, entre outras características. Ele é um exce- lente componente para a fabricação de peças indus- triais. Vamos abordar aqui alguns dos vários proces- sos da indústria metalúrgica. Estamparia de corte • Corte por pressão (prensa guilhotina ou pren- sa hidráulica): deslocamento de cima para bai- xo de um punção (faca) contra a chapa de metal em formato retilíneo ou com uma forma espe- cífica, que fura a chapa e retira o desenho. • Corte mecânico (serra, torno, fresa, esme- ril): cortam ou perfuram o metal pelo mo- vimento da ferramenta (vertical, circular ou horizontal) contra a peça. No caso do esme- ril, é composto por discos de pó de minerais duros que, por abrasão, cortam o metal. • Corte térmico (laser, oxi-combustível e plas- ma): devido ao calor da reação de gases ex- postos a processos químicos, elétricos ou de alta pressão, a sua energia cria um raio que corta o metal com facilidade. • Corte por erosão: corte por jato d’água que parte o metal por meio do fluxo contínuo de água com mineral abrasivo. CONFORMAÇÃO MECÂNICA Segundo Lima (2006), a conformação consiste em deformar as chapas, tubos e fios de metal para a fabricação de produtos diversos. Dentre esses pro- cessos, estão a dobra, o curvamento, a fundição e a extrusão, entre outros. Caro(a) aluno(a), vamos co- nhecer alguns desses processos. • Dobra: consiste na pressão de um punção so- bre a placa de metal que, por sua vez, man- tém-se apoiada em uma matriz tipo V que não corta a peça, mas altera o ângulo de dire- ção do metal. • Curvamento: é composto por rolos ou por uma matriz rotativa que submete o tubo a uma flexão. Esta determina a sua curvatura, atingindo o raio desejado (é o processo res- ponsável pela curvatura dos pés das cadeiras fixas de escritório, por exemplo). DESIGN 105 • Fundição: consiste no derretimento do metal colocado em uma matriz/molde que forma a peça em um bloco único. • Extrusão: é o processo de pressão aplicado a um bloco sólido de metal, que é pressiona- do contra um molde menor, e este, por ca- lor, adapta-se ao novo desenho, formando barras leves e de grandes comprimentos (é o processo utilizado para fazer as esquadrias de portas de vidro e os puxadores de perfil de alumínio, por exemplo). SOLDAGEM A soldagem é o processo de união entre peças de me- tal. Buscando forte aderência mecânica dos materiais, neste processo, é utilizado calor ou pressão para a sol- da. A soldagem MIG (Metal Inert Gas) consiste em um arco elétrico aberto entre as faces dos metais e um arame que é alimentado continuamente, sendo prote- gido por um gás inerte ou por uma mistura de gases. O filamento de metal une as peças, que depois devem ser lixadas para suavizar as emendas (PORTAL ME- TÁLICA CONSTRUÇÃO CIVIL, [2018], on-line)2. PINTURA Por ser um material corrosivo, as peças de metal de- vem ser recobertas com camadas protetoras, seja de tinta, seja de outra liga de metal mais durável. Para móveis, é comum utilizar a pintura eletrostá- tica a pó, em que a peça é presa por um carrinho ro- tativo suspenso em uma estufa, é pulverizada com um pó de tinta que recebe uma carga elétrica na pistola e, quando aspergido, atrai-se ao metal e funde-se com a peça, passando, em seguida, por uma cura de secagem. O banho de metal é feito na união de um metal com a cobertura de outro por meio de um processo de eletrodeposição. Este processo consiste em uma sequência de limpezas e de purificação das peças de metal, que são mergulhadas em um banho conten- do água e o metal a ser depositado, juntamente com aditivos. Um destes aditivos é o ácido bórico em cor- rente elétrica, que faz o metal contido na água aderir à peça. Após esse processo, a peça é novamente lava- da para a remoção de resíduos. Um dos banhos mais comuns é o banho de cromo, que oferece o brilho espelhado prata aos móveis. 106 Os materiais sintéticos correspondem aos mate- riais desenvolvidos artificialmente pelo ser humano ou que não são extraídos diretamente da natureza. Dentre eles, encontramos os plásticos, o vidro, o nylon e muitos outros que são produzidos a partir de materiais diversos, sejam eles naturais ou previa- mente transformados pelo ser humano. Para a indústria moveleira, os materiais sintéti- cos ampliaram toda uma gama de produtos, como assentos de cadeiras em fibra de vidro e polipropi- leno, espuma de estofados, tecidos com fibra sinté- tica, além de mecanismos de estrutura, de fixação e muito outros que contribuíram para a variedade de formas, cores e usos, entre outras vantagens. FIBRA DE VIDRO A fibra de vidro é um material resistente e altamente moldável, sendo base para as primeiras cadeiras-con- cha, entre outros modelos, antes da descoberta do Produzindo com Materiais Sintéticos DESIGN 107 plástico injetado. Para fazer um assento, finíssimas fibras de vidro com uma resina aderente são asper- gidas sobre um molde. Limpa dos excessos, a peça vai para uma prensa com o mesmo molde,e sobre a camada superior é despejado o pigmento da cor do assento. Uma vez prensados, o “colchão” de fibras e o pigmento unem-se, formando uma camada superior lisa, colorida e homogênea, que pode ser limpa das rebarbas de fibra, finalizando, então, a peça. o bico da injeção é cortado e as rebarbas são limpas. Enfim, a cadeira está pronta. PLÁSTICO INJETADO As cadeiras monobloco são fabricadas a partir da injeção de grânulos de polipropileno termoplástico colorido, aquecidos a cerca de 220 ºC e que são in- troduzidos no molde que distribui o plástico no for- mato especificado. Ao sair da prensa ainda quente, O processo mais custoso para este tipo de produ- to é o desenvolvimento das matrizes. Entretanto, é um sistema seriado extremamente produtivo, e por sua simplicidade de produção e leveza dos materiais, substituiu, pouco a pouco, as peças de fibra de vidro, sendo largamente utilizado nos dias atuais para uma infinidade de produtos. OUTROS MATERIAIS No ramo do design, é muito comum serem emprega- dos materiais diversos para compor os mobiliários, além dos abordados nesta unidade, podemos citar o vidro, o couro, o tecido, o bambu, as pedras, entre ou- tros. Cada um com a sua particularidade e o seu pro- cesso produtivo específico. E como vimos, muito do que utilizamos atualmente foi fruto do árduo traba- lho de designers e de industriais que desenvolveram, em conjunto, novas técnicas, exploraram novos ma- teriais e ditaram os novos rumos do design como um todo. Convidamos você também, caro(a) aluno(a), a buscar novos horizontes com muita coragem e deter- minação para inovar em sua atividade profissional. 108 considerações finais Caro(a) aluno(a), concluindo esta unidade, aprendemos sobre a importância dos processos produtivos como ferramentas de design. O trabalho do designer sempre esteve em parceira com a indústria, pois, um projeto, para ser executado e ter suces- so, precisa adequar seu modelo às características da indústria, ou ambos precisam buscar novas técnicas ou metodologias para inovar no mercado. Compreendemos como funciona o processo produtivo da madeira, principal- mente as questões levantadas a respeito da secagem, momento em que aparecem os principais defeitos das peças. Mais além, vimos os equipamentos e as possibilidades de transformação da ma- deira que podem alterar os seus aspectos estéticos, como no caso de cortes, pinturas, torneamentos e entalhes. Assim como podem transformar os seus aspectos estrutu- rais, no caso da dobra a vapor e dos painéis de madeira recomposta. Vimos os processos de otimização das chapas de madeira e, dependendo do ma- quinário utilizado, a característica dos cortes. Este conteúdo demonstra a impor- tância da especificação adequada das medidas das peças para que se tenha maior aproveitamento dos materiais. Conferimos várias sequências de atividades em uma empresa, o que nos possi- bilitou estudar o planejamento estratégico de uma produção, ou seja, a gestão desse design que estamos desenvolvendo. De modo que podemos analisar quais são as demandas de recursos necessários, seja de matéria-prima e de maquinário, seja da mão de obra interna ou terceirizada. Conseguimos perceber a diferença de valor e de produtividade de produtos arte- sanais somente por analisar o processo de fabricação e o cuidado que as peças exigem. E, por fim, conhecemos um pouco mais sobre os diversos processos produtivos da indústria moveleira, processos esses que esboçam as rotinas da transformação das matérias-primas em produtos para venda, observando que o trabalho de desbravar novas formas e usos dos materiais podem gerar produtos que revolucionam a cultura material de nossa sociedade. 109 atividades de estudo 1. A madeira é um dos materiais mais utilizados na indústria moveleira. As suas características estéticas, físicas e químicas permitem uma grande variedade de aplicações, técnicas e usos. Sobre o processo produtivo da madeira, é correto afirmar que: a. A madeira pode ser classificada por espécies, mas dentro da mesma espécie não existe diferenciação. b. A secagem é uma das etapas importantes do processo produtivo da madeira natural, nela aparecem os defeitos da madeira. c. Os nós são marcas de cupins que aparecem na madeira após o período de secagem. d. As toras de madeira, depois de retiradas da natureza e cortadas em pran- chões, já podem ser enviadas para a fabricação de móveis na indústria. e. O empeno é caracterizado pela rachadura da madeira no sentido longitudinal e deve ser eliminado na classificação. 2. A madeira natural permite inúmeras formas de uso e de aplicações na movela- ria, para cada textura ou forma desejada é aplicado um processo de fabricação. Em relação ao processos produtivos utilizando madeira natural, é correto afir- mar que: I. O torneamento é feito por uma prensa que dobra a vara de madeira do seu plano original. II. A dobra a vapor desfaz a fibra da madeira, diminuindo a sua resistência e du- rabilidade, mas com ganho estético. III. Para a pintura, as peças devem estar totalmente acabadas e passam pelo pro- cesso de aplicação da seladora, pelo lixamento e acabamento. IV. A dobra a vapor consiste em deixar flexíveis varas ou tábuas de madeira que podem ser envergadas em moldes, ficando resistentes após a cura. Assinale a alternativa correta: a) Somente as afirmativas I e IV estão corretas. b) Somente as afirmativas III e IV estão corretas. c) Somente a afirmativa III está correta. d) Somente as afirmativas I, II e IV estão corretas. e) Nenhuma das afirmativas está correta. 110 atividades de estudo 3. Os painéis de madeira MDF, MDP ou compensado são uns dos materiais mais utilizados na fabricação de móveis em série hoje. As suas características con- quistaram o interesse dos fabricantes que, pouco a pouco, deixaram de utilizar a madeira natural como componente principal do móvel. Comente sobre as van- tagens do uso de painéis de madeira em relação à madeira natural. 4. Ao utilizarmos os painéis de madeira, o plano de corte é uma das principais eta- pas do processo de fabricação. O correto planejamento economiza matéria-pri- ma e mão de obra. Em relação às vantagens da otimização do corte dos painéis de madeira, é correto afirmar que: I. Garante maior aproveitamento da chapa, diminuindo desperdícios. II. Permite o controle de qualidade em relação a fungos e cupins na peça. III. O plano de corte otimizado promove listagem das peças, etiquetas de identifi- cação, lista de compras e controle das sobras. IV. A otimização visa a alterar o tamanho dos cortes para fazer com que todas as peças caibam em uma única chapa. Assinale a alternativa correta: a. Somente as afirmativas II e IV estão corretas. b. Somente as afirmativas I e III estão corretas. c. Somente a afirmativa III está correta. d. Somente as afirmativas I, II e IV estão corretas. e. Nenhuma das afirmativas está correta. 5. O movimento modernista, no início do século XX, sedimentou a utilização do ferro no design de mobiliário, principalmente o aço tubular. Diversas ligas me- tálicas, como o aço, o zinco, o zamac e o alumínio fazem parte dos materiais cotidianos em uma movelaria. A respeito dos processos de transformação dos metais, é correto afirmar que: a. A extrusão é o processo de corte do metal por meio de uma guilhotina. b. O corte por jato d’água é obtido pela oxidação e corrosão do metal exposto à água. c. O corte a laser ocorre quando o disco abrasivo desgasta o metal, fazendo desenhos orgânicos. d. A dobra é um dos processos de conformação que prensa a chapa de metal contra uma matriz em V, sem cortá-la. e. A pintura eletrostática é feita a partir de tinta à base de solvente que se adere ao metal. 111 LEITURA COMPLEMENTAR Design de Superfície na Indústria Brasileira de Móveis Planejados De acordo com Löbach (2001), os produtos industriais podem ser agraciados com valo- res estéticos, tornando-se portadores desses valores, e a aparência é a condição paraa formação desse valor, que não está no produto, e sim, na consciência individual ou coletiva dos usuários. Invariavelmente, todos os produtos carregam esses valores. A natureza da superfície dos produtos tem uma grande influência no seu efeito visual, e de acordo com a escolha dos materiais, produz associações de ideias, como calor, frio, limpeza, frescor etc., conforme as suas características e seu formato. Ainda que mais complexo do que isto, a função estética dos produtos é um dos aspectos psicológicos da percepção sensorial durante o seu uso [...]. O mobiliário planejado, assim como outros produtos influenciados pela moda, também pode ser classificado pelos padrões ou motivos adotados em sua superfície, e que lhe conferem uma tipologia, majoritariamente inspirada nas espécies de madeira, mas que também podem se apropriar da imagem de pedras, tecidos, fantasias, miscelâneas, unicolores etc. Esses padrões seguem uma hierarquia de acordo com a importância da matéria-prima na estrutura do produto. O produto final resulta da junção de diferentes matérias-primas e depende do trabalho de diversos fornecedores, conforme observa- do em Krause (1997), Franco (2010) e Nossack (2014). Embora o mobiliário não dependa exclusivamente da madeira para a sua execução, a madeira apresenta-se de maneira natural e artificial, e as suas características atribuem novos significados para os produtos. Para Baudrillard (1973), todos os processos orgâ- nicos ou naturais encontraram seus equivalentes em função nas substâncias plásticas, e a madeira, pedra ou metal cedem seu lugar ao concreto, à fórmica e ao poliestireno. O autor entende que é importante perceber em que sentido as novas matérias-primas modificaram o “sentido” dos materiais. Comparando a realidade da época com a inser- ção no mercado dos materiais menos nobres, como o compensado naval e a teca de reflorestamento, o autor conclui: Nisto reside a diferença radical entre o “carvalho maciço” tradicional e a madeira de teca: não é a origem, exotismo ou o preço que distinguem essencialmente esta última, é o seu uso para fins de ambiência que faz com que não seja mais precisa- 112 LEITURA COMPLEMENTAR mente uma substância natural primária, densa e dotada de calor, mas antes um simples signo cultural deste calor, e reintegrado na qualidade de signo, como tantas outras “matérias” nobres, no sistema do interior moderno. Não mais madeira-ma- téria, madeira-elemento. Não mais qualidade de presença, mas valor de ambiência (BAUDRILLARD,1973, p. 46). Para Manzini (1993), a madeira é como um material familiar, provido de uma identi- dade reconhecível. Historicamente, a madeira faz parte da identidade do mobiliário e são seus elementos visuais que compõem a aparência da superfície do móvel. O au- tor reflete a respeito das superfícies aplicadas sobre substratos, como os tecidos para estofados, os papéis de parede e as lâminas de madeira para móveis, que são algu- mas das estratégias históricas de utilização de um material existente, para se tornar a pele de um objeto, camuflando materiais menos nobres e atribuindo a eles as suas próprias qualidades. As possibilidades evoluíram para soluções de alta complexida- de funcional e esse enobrecimento também pode ser feito com papéis decorativos, criando superfícies coloridas, lisas ou texturizadas, ou por laminados plásticos cujas superfícies têm grande resistência mecânica, em qualquer padrão e cor [...]. Considerações Finais O apelo estético do design de superfície faz com que esta seja uma área de desenvolvi- mento atraente e motivadora para a maioria dos designers de móveis que, porém, não têm sido preparados e convocados para participar desse processo. O designer é atraído com facilidade pela hibridação cultural, em um setor produtivo que, em um período re- cente da história, passou a ser direcionado pela globalização, que é impulsionada pelas grandes feiras internacionais de móveis e matérias-primas. 113 LEITURA COMPLEMENTAR Ainda que existam estudos sobre o segmento moveleiro que discutam a importação de tendências e os efeitos da hibridação cultural, percebe-se uma falta de interação sobre os processos e as interfaces que levam ao surgimento das matérias-primas utilizadas pelas indústrias de móveis. A atuação dos designers no campo da superfície tende a ser considerada somente a partir da procura e da especificação de materiais já existentes, que são fornecidos para o mercado por empresas multinacionais lançadoras de ten- dências, sem analisar as etapas que antecedem o seu desenvolvimento. Atualmente existem diferenças tanto no desenvolvimento quanto na qualidade final do design de superfície, que é produzido para atender às demandas do setor moveleiro. De um lado estão empresas globais, que lançam novas tendências de mercado e forne- cem o papel decorativo para acabamento dos PMR, do outro, as empresas de pequeno e médio porte, que acompanham as tendências e complementam o desenvolvimento dos móveis com componentes e outras partes que denotam carência de desenvolvi- mento especializado no acabamento superficial. Um mesmo conceito de desenho ou estilo de desenho é reproduzido por diversos for- necedores em materiais e tecnologias diferentes, utilizando uma variedade muito gran- de de resinas e pigmentos que resultam em propriedades como, por exemplo, brilho, textura, resistência e temperatura que também são diferentes. Cabe aos designers das indústrias de móveis planejados a configuração de seus produtos com a combinação desses materiais, de acordo com seus interesses, fornecedores estratégicos, processos e tecnologias disponíveis. Fonte: Cecchetti e Razera (2018). 114 material complementar Introdução aos Materiais e Processos para Designers Antônio Magalhães Lima Editora: Ciência Moderna Sinopse: Antônio Magalhães Lima aborda de forma simples e prática a síntese sobre materiais e processos produtivos mais significativos para a indústria. O li- vro é voltado para designers, estudantes e afins. Esse livro pode contribuir para a especificação de materiais e os processos necessários para os seus projetos, facilitando a ponte entre fornecedor, fabricantes e designers. Indicação para Ler Série Black Mirror - 3ª temporada 2016 Sinopse: Black Mirror é uma série britânica com episódios individuais que retrata o lado negro do futuro das tecnologias. Ela teve as suas duas primeiras tempo- radas transmitidas no canal de televisão Channel 4, no Reino Unido. A partir da terceira temporada, a série passou a ser transmitida pela Netflix. Comentário: Nessa série, é possível observar como os mobiliários compõem com o tom da intencionalidade de comunicação do episódio, as cores, as interfaces e a estética sempre acompanham a mensagem que o roteiro deseja transmitir. Indicação para Assistir https://pt.wikipedia.org/wiki/Canal_de_televis%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Canal_de_televis%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Canal_de_televis%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Canal_de_televis%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Canal_de_televis%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Channel_4 https://pt.wikipedia.org/wiki/Channel_4 https://pt.wikipedia.org/wiki/Reino_Unido https://pt.wikipedia.org/wiki/Reino_Unido https://pt.wikipedia.org/wiki/Reino_Unido https://pt.wikipedia.org/wiki/Netflix DESIGN 115 Processo produtivo de móveis sob medida: Neste vídeo, você poderá observar quais são as rotinas em uma fábrica de móveis, desde o projeto de design, até os maquinários de corte, bordeamento e furação. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=0fo6-2wW2Gc>. Acompanhe com detalhes os processos de criação e fabricação das cadeiras Thonet: Conferir como é feita a dobra por forno de autoclave, as formas, o estofamento, a pintura, entre outros processos. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=eoy5QP3Jibg>. Processo de prototipagem e de fabricação Charles e Ray Eames: Nestevídeo, você pode acompanhar com detalhes os processos de criação, modelo, prototipagem e fabricação das cadeiras de fibra de vidro Eames. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=PYptIkjS6zk>. Processo de composição e de fabricação da poltrona Ottoman, de Charles e Ray Eames: Veja o corte das peças em compensado moldado em máquinas CNC, o cuidado com os acabamentos, e com o estofamento e a preparação da poltrona. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=tbF8QYU4LSA&t=3s>. Processo de composição e de fabricação da Cadeira LSW, de Charles e Ray Eames: Mais um modelo que utiliza o compensado moldado. Acompanhe o processo produtivo desta cadeira que revolucionou o mercado. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=r_EXZYqTe-Y>. Indicação para Acessar 116 referências gabarito ASHBY, M. F.; JOHNSON, K. Materiais e Design: Arte e Ciências da Seleção de Ma- teriais do Design do Produto. 2. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2011. BURGER, L. M.; RITCHER, H. G. Anatomia da Madeira. São Paulo: Nobel, 1991. CECCHETTI, F.; RAZERA, D. L. Design de Superfície na Indústria Brasileira de Móveis Planejados. Revista ModaPalavra e-periódico, Florianópolis, v. 11, n. 21, p. 20-43, jan./jun. 2018. Disponível em: <http://www.revistas.udesc.br/index.php/mo- dapalavra/article/view/10367/7183>. Acesso em: 04 maio 2018. LIMA, M. A. M. Introdução aos Materiais e Processos para Designers. Rio de Janei- ro: Ciência Moderna Ltda., 2006. MOURA, J. D. M. et al. Qualidade e processo produtivo da madeira para utilização em mobiliário. Londrina: EDUEL, 2012. Referências On-Line 1Em: <http://tecnicasdemarcenaria.blogspot.com.br/2011/12/o-onde-os-fabrican- tes-de-moveis.html>. Acesso em: 9 mar. 2018. 2Em: <http://wwwo.metalica.com.br/processos-de-soldagem>. Acesso em: 9 mar. 2018. 1. B. 2. B. 3. Os painéis de madeira facilitaram o processo produtivo para a indústria mo- veleira. Diferentemente das peculiaridades individuais das peças de madeira natural, eles garantem padronização das chapas, leveza e estabilidade das peças produzidas em série. As suas características, como acabamento, com- posição, espessura, largura e comprimento seguem padrões convenciona- dos e variam conforme o uso ou a função. 4. B. 5. D. UNIDADEIV Profa Esp. Thiara L. S. Stivari Socolovithc Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Componentes de base • Componentes de montagem • Componentes de acessórios Objetivos de Aprendizagem • Compreender as características dos componentes de base da movelaria. • Aprender sobre os principais componentes de montagem. • Assimilar os conhecimentos principais dos componentes de acessórios. COMPOSIÇÃO DO MOBILIÁRIO unidade IV INTRODUÇÃO C aro(a) aluno(a), nesta unidade, daremos continuidade aos ele- mentos constitutivos dos mobiliários em geral. Já conhecendo a configuração geral de um móvel, separamos em três categorias os principais componentes que constituem um mobiliário. A primeira categoria chamaremos de componentes de base e cor- respondem aos materiais para a formação do corpo ou da estrutura da maioria dos móveis. Os componentes de base são painéis, bordas, lâmi- nas, tubos de aço, esquadrias de alumínio e demais peças que são forma- doras de caixas, prateleiras, pés de aço, entre outros. Na segunda categoria, serão abordados os componentes de monta- gem. Eles correspondem a toda gama de produtos que servem de cone- xões entre as peças, firmamento das estruturas, fixação dos dispositivos de abertura de portas, gavetas e basculantes, entre outros aspectos. Em terceiro lugar, veremos os componentes acessórios que, por sua vez, correspondem às peças avulsas, que não interferem nem diretamente no corpo e nem na montagem do módulo, mas mudam relações de altu- ra, de tipo de estrutura e furações que se façam necessárias. Ao longo desta unidade, você observará uma série de exemplos de como calcular os módulos ou as peças, dependendo do mecanismo. O que queremos é que você tenha estes dados como guia para futuras apli- cações. Na Unidade V, faremos passo a passo os exemplos práticos de como eles são utilizados. Convidamos você a, nesta leitura, desenvolver o olhar atento às com- posições, encaixes, conexões, ferramentas e acessórios que fazem parte dos móveis ao seu redor. Essa observação o(a) auxiliará a compreender os assuntos desta unidade, assim como ela fará parte do seu dia a dia como designer, por meio da descoberta de novas oportunidades de ino- vação para os seus futuros projetos. 122 Os componentes de base são os elementos primá- rios que definem a estrutura principal do móvel que desejamos projetar. Eles correspondem ao tipo de painel adequado para o corpo, as espes- suras do material, como será acabado etc. Esses componentes vão determinar toda a sequência de cálculos e a produção da peça. PAINÉIS A estrutura base de um móvel, atualmente, é defi- nida pelos painéis utilizados para a composição de caixotes, portas e gavetas. Primeiramente, consi- deremos as principais características do MDF, do MDP e do compensado. Todos eles são superfícies retangulares, planas, lisas ou com microtexturas, ou seja, é possível uma grande variedade de usos e cortes desses materiais, desde que se respeite os seus limites de comprimento, largura, espessura e resis- tência. Vamos compreender alguns desses limites. • Em relação ao comprimento e à largura: se projetarmos para além da medida do painel de MDF (exemplo: um balcão de 3 m; a cha- pa tem 2,75 m de comprimento), teremos Componentes de Base DESIGN 123 que pensar, então, em sistemas de união que travem as peças com firmeza, assim como na maneira de tornar a emenda menos evi- dente (um detalhe com friso, uma pintura, a colagem de lâmina etc.) ou alterar o desenho para o tamanho limite da chapa e evitar to- talmente a emenda. • Em relação à espessura: se o projeto for de uma espessura maior do que a do painel de madeira, é necessário que se faça um “sandu- íche” com outras chapas, ou seja, dois painéis externos inteiros (serão a aparência da peça), mais um quadro interno de ripas. Todos se- rão unidos por colagem e prensa, formando uma nova peça mais espessa. utilizar um divisor ou uma escora por baixo, para que a peça não ceda. É de praxe dividir o módulo em tamanhos menores por meio de uma chapa mais espessa ou mais resistente, como o compensado. Painéis de compensado Os painéis de compensado mais comuns são os de ma- deira pinus ou virola prensados com cola branca, mais simples e pouco resistentes, ou com resina fenólica (compensado naval WBP, water and boil proof), muito resistente a água e a vapor. Os painéis de compensado, normalmente, não têm acabamento em melamina na superfície, tendo que ser aplicado posteriormente. As lâminas de madeira são prensadas entrecru- zadas, ou seja, uma camada de lâmina é colocada no sentido contrário a outra, e esse cruzamento estabi- liza as peças longitudinalmente e lateralmente, for- mando uma chapa muito resistente. Segundo Cunha (2001), uma importante carac- terística dos compensados é a sua boa resistência ao arranque de parafusos, que, sendo muito superior aos aglomerados (MDP), o torna adequado aos usos com maior solicitação de esforços por tração. O compensado não vem de fábrica laminado na aparência, ele deve ser recoberto por uma melamina de alta pressão, lâmina de madeira ou pintura. Cunha (2001) alerta que, quando o tampo da peça for reves- tido, é fundamental que a face oposta receba alguma vedação ou revestimento para evitar a incidência de umidade sobre essa face, o que faria a peça empenar. Características de mercado: • os painéis de compensado variam de tamanho: 2,20 × 1,60 m = 3,52 m2; 2,44 × 1,22 = 2,97 m2; e 2,50 ×1,60 m = 4,00 m2 . O Tamburato é uma outra técnica para au- mentar a espessura de um painel, com ma- terial mais leve e econômico. “Tamburato é um painel estrutural composto, produzido com camadasexternas de partí- culas finas de madeira prensada e miolo em colméia de papel reciclado. O resultado é um painel para fabricação de móveis que exigem espessuras grossas, le- veza no peso e bom desempenho [...]. Tem visual robusto mas é leve, por ser formado por duas chapas finas de HPP prensadas com um ‘recheio’ de colméia de favos de papel (honey- comb). Com ótima estabilidade, é ideal para a fabricação de prateleiras, estantes, home theaters, móveis modulares e divisórias”. Fonte: adaptado de MP Móveis (2010, on-line)1. SAIBA MAIS • Em relação à resistência: para cada tipo de aplicação e uso, deve-se considerar a resistên- cia do material e os apoios que são necessá- rios. Por exemplo, o limite de uma pratelei- ra de MDF de 15 mm, fixada nas laterais do móvel, é de 900 mm. Fora isto, é necessário 124 • Com espessuras: 3; 4; 5; 6; 8; 10; 12; 15; 18; 20; 25 e 30 mm. O compensado flexível é um outro tipo de painel que tem a função contrária do regular. No momento da prensa, as lâminas são colocadas na mesma direção, assim, é possível curvar a peça no sentido do veio. Para fazer uma peça cilíndrica ou um balcão em curva, é necessário que a espessura e a flexibilidade do painel sejam adequadas para não rachar. Neste caso, utiliza- mos compensado flexível de até 6 mm para ser enver- gado com escoras por trás da peça e dar sustentação. As espessuras variam: 3; 5,5; 9; 12; 15; 18; 25 mm. Para aumentarmos a espessura de uma peça, como um tampo de mesa, colamos sob o tampo ti- ras de chapa nas bordas do painel para que, visual- mente, ele pareça ser mais grosso, mas continua leve como a chapa original. Outra maneira é a duplagem de painel, em que colamos sob a peça uma chapa na mesma medida que o tampo. As bordas devem seguir a espessura do tampo pronto. Existem duas formas de utilizar o compen- sado em peças curvas. Para cadeiras, como vimos o modelo LCW, dos Eames, é utilizado o compensado entrecruzado, contudo, a pren- sa é feita diretamente no molde matriz. Ele forma uma peça extremamente resistente e que pode ser utilizada como estrutura. Para balcões e móveis em geral, é utilizado o painel de compensado flexível, que vem pronto de fábrica e não precisa de prensagem, porém, possui baixa espessura, não sendo utilizado como estrutura da peça. Fonte: a autora. SAIBA MAIS Painéis de MDF e MDP Os painéis de MDF e MDP assemelham-se muito em termos de estabilidade do painel e em padrões disponíveis no mercado. A medida da chapa é, por convenção, de 2,75 x 1,83 m = 5,03 m2. Pode ser entregue de fábrica revestida com folha de mela- mina de baixa pressão (BP), prensada ao painel ou sem acabamento (cru). O MDP, por seu custo inferior ao compensado e ao MDF, é largamente “utilizado na indústria moveleira em painéis para tampos, superfícies verticais; corpos de armários, prateleiras e outras aplicações de baixa solicitação mecânica” (CUNHA, 2001, p. 69). É sen- sível à umidade, devendo as duas faces do painel se- rem recobertas com melamina de baixa pressão (BP) ou de alta pressão, além de fita de borda em toda a lateral (miolo aparente). DESIGN 125 O MDF ganhou espaço de mercado nos últimos 20 anos, sendo uma tecnologia mais nova em relação às outras. A sua principal propriedade é a unifor- midade do miolo, que: [...] em função da pequena dimensão das fibras, sua superfície é mais lisa do que a da maioria dos outros painéis utilizados na fabricação de móveis, permitindo bom acabamento com pin- tura, laminação por folhas de celulose ou lami- nados de alta pressão (CUNHA, 2001, p. 71). Por ser um painel liso, a sua textura não interfere na pintura, não acrescenta sulcos nas lâminas de celulose e facilita a colagem e a prensa dos lami- nados de alta pressão. A usinabilidade é outra característica do MDF, que, por possuir uma superfície lisa e homogênea, é excelente para entalhes com brocas, acabamen- tos arredondados etc. Na composição mista de móveis, é comum as empresas, atualmente, utilizarem o MDP para a es- trutura de módulos, e o MDF, para portas e acaba- mentos. O compensado é utilizado em casos especí- ficos, como diferencial de venda (produto premium) ou para ambientes com problemas de umidade. Os painéis de MDF e MDP padrão são sensí- veis à umidade, entretanto, já existem painéis de MDF com resinas especiais que têm boa resistên- cia à umidade, com acabamento cru ou em mela- mina BP na cor branca, e podem ser encomenda- dos em qualquer padrão, desde que atendam ao mínimo de quantidade de chapas para pedido e são facilmente identificáveis pelo miolo colorido em verde. Outro MDF, pouco utilizado na produ- ção moveleira hoje, é aquele resistente ao calor e identificado pelo miolo vermelho. Ele evita ou re- tarda a ação do fogo e, por isso, é indicado para lugares de grande circulação, como hotéis, sho- ppings e hospitais. Corte Sendo a fase mais importante de todo mobiliário, na listagem de corte, deve-se obedecer a relação do padrão do veio madeirado. Na melamina, geral- mente, o desenho do veio está no sentido do com- primento e do contraveio na largura. Esta ordena- ção determina a disposição das peças em relação ao painel no momento do corte. Quando a intenção é criar uma sensação de altu- ra, as portas e gavetas são cortadas no sentido do veio, assim, as linhas da madeira alongam visualmente a peça no sentido vertical. Este tipo de corte é indica- do para móveis com peças altas e larguras menores, como portas, laterais e painéis. As peças com com- primento maior que 1,80 m só podem ser cortadas no sentido do veio. Observe como estão dispostos os cortes das duas portas e das quatro gavetas a seguir e, posteriormente, aplicados no balcão da cozinha. 126 Quando se intenta uma sensação de aconchego, proximidade e alongamento do espaço longitu- dinalmente, o corte das portas e gavetas é feito na direção do contraveio. Este tipo de corte é in- dicado para móveis com peças baixas e larguras maiores, como gavetas largas, painéis de balcão e portas basculantes. Observe a diferença de como estão dispostos os cortes das duas portas e das quatro gavetas a seguir e, posteriormente, aplica- dos no balcão da cozinha. BORDAS Para a proteção do miolo dos painéis de madeira e acabamento, são aplicadas fitas de borda na lateral das peças. Estes materiais asseguram que o painel não esteja exposto à umidade e escondem a aparên- cia do interior da chapa. Fitas de PVC As fitas de borda em PVC são fitas termoplásticas, formadas a partir do polímero Policloreto de Vinilo. Figura 1 - Material 1 Fonte: Shutterstock Figura 2: Material 2 Fonte: Shutterstock COMPRIMENTO 2,75m LA RG U RA 1 ,8 3m COMPRIMENTO 2,75m LA RG U RA 1 ,8 3m DESIGN 127 O PVC é um plástico denso, com elevada es- tabilidade dimensional e excelente resistên- cia química ao impacto e à luz U.V. As fitas de borda em PVC destacam-se pelo facto de não alimentarem a combustão (PROADEC, [2018], on-line)2. As fitas de pvc procuram seguir os padrões de me- lamina BP (baixa pressão) do mercado, seguindo, inclusive, a impressão da textura ou do brilho, para que o acabamento da borda não se diferencie do pai- nel. O padrão impresso nas fitas é pintado com tinta U.V. e são isentas de compostos orgânicos voláteis. Elas estão disponíveis em rolos contínuos, com dife- rentes larguras e espessuras. • As espessuras mais comuns são de 0,45 mm e 1 mm, podendo chegar a 3 mm. • As larguras variam de 13 mm até 275 mm, sendo as mais comuns de 19 ou 22 mm para painéis de 15 e 18 mm, respectivamente. O designer deve atentar-se para as espessuras das fitas, principalmente para os descontos de portas e acabamentos, em que a medida da fita deve ser cal- culada juntamente com a peça. Por exemplo, se uma porta tiver 3 mm de desconto em relação ao nicho de cada lado da peça, ou seja, 3 mm na largura no lado da dobradiça e 3 mm do lado do puxador/batente, ela terá, na largura, a medida externa do nicho, me- nos6 mm de desconto. Entretanto, se a borda tiver 2 mm de espessura, então o desconto deverá ser os 6 mm mais os 4 mm da borda nos dois lados, ou seja, 10 mm de desconto em relação ao nicho. Fitas de ABS As fitas de borda em ABS são fitas termoplásticas, formadas a partir do polímero Acrilonitrilo-Bu- tadieno-Estireno. São muito semelhantes ao PVC, porém, mais leves e sem cloro em sua composição. Elas apresentam boa resistência mecânica, além de serem 100% reciclável e biodegradável (PROADEC, [2018], on-line)2. Em termos práticos, as fitas ABS têm menor va- riedade de padrões no mercado, mas oferecem um acabamento mais suave do que o PVC em espessuras maiores de 2 ou 3 mm. Estão disponíveis em rolos contínuos, com diferentes larguras e espessuras. As espessuras variam de 0,40 mm a 3 mm, as mais co- muns são peças de 2 e 3 mm. As larguras variam de 12 mm até 80 mm, sendo a mais comum de 22 mm para painéis de 15 e 18 mm, e 35 mm para painéis de 25 mm ou encabeça- dos (chapa dupla) de 30 mm. LÂMINAS As lâminas são chapas finas de material orgânico ou sintético, cuja função é recobrir as chapas de madei- ra, formando um acabamento decorativo com maior valor agregado. Abordaremos, a seguir, as lâminas de melamina de alta e de baixa pressão, além das lâ- minas de madeira natural. Melamina de alta pressão Laminados melamínicos de alta pressão (LMAP) são chapas formadas por cinco ou mais camadas de papel Kraft, de cor marrom, impregnadas com re- sinas fenólicas. Revestidos por uma capa de papel celulose pura com o desenho do padrão da chapa, impregnada com resina melamínica e uma película superficial overlay (FÓRMICA, [2018], on-line)3. As camadas são levadas a uma prensa com tem- peratura de 160 ºC. A prensa é composta por uma chapa de inox que transfere, por meio de um dese- 128 nho espelhado, a textura almejada, o que determina se a chapa será brilhante, fosca ou uma textura espe- cífica (CUNHA, 2001). É um material extremamente resistente à abra- são, à umidade e aos produtos de limpeza, além de ter características higiênicas. O LMAP pode ser en- contrado, também, no modelo post-forming, que, na composição das resinas, é modificado para aceitar a moldagem por calor em formas curvas. Muito utili- zado para tampos e portas com as bordas arredon- dadas, o que evita o desconforto dos cantos vivos. A medida convencional das chapas de lamina- dos melamínicos de alta pressão é de 1,25 x 3,08m = 3,85 m2. A espessura das chapas standard são de 0,8 a 1,4 mm, entretanto é possível encontrar espessuras especiais no mercado, com custo superior. Uma das desvantagens é que o LMAP pode apre- sentar um risco marrom na lateral do móvel, o que ocorre devido à espessura da própria chapa de lami- nado, e nem sempre essa borda consegue esconder. O LMAP também demanda uma grande mão de obra de fabricação, pois ele precisa ser cortado duas vezes, colado, prensado e refilado, diferentemente de um painel com laminado BP, que somente é cortado se passar aos demais processos produtivos. Melamina de baixa pressão O laminado melamínico de baixa pressão (BP) é composto por uma ou mais folhas de papel de celu- lose impregnadas com resina melamínica, e que são prensadas ao painel de madeira (MDF ou MDP), fundindo-se com o material. É um dos mais práti- cos, baratos e comuns revestimentos de painel no mercado atual. Ele possui uma grande variedade de padronagens que simulam veios de madeira, pedras, tecidos e cores sólidas, com texturas e acabamentos variados. Contudo, a sua resistência à abrasão é bem inferior ao laminado de alta pressão. Lâmina de madeira As lâminas de madeira natural têm a função de enobrecer a peça, e são formadas pelo faqueamento das toras em centenas de lâminas que, por sua vez, são prensadas e novamente cortadas, resultando nos desenhos padrão linheiro, com traços parale- los, ou catedral, que forma um bico no veio (CALI- MAN, [2018], on-line)4. A madeira pré-composta é obtida por meio da colagem de várias lâminas de madeira reflorestada, que podem ser tingidas para formar os blocos com a padronização desejada de desenho e cores (SELEC- Observe que o tamanho da chapa de fórmica (1,25 x 3,08 m) não acompanha o tamanho dos painéis de MDF ou MDP (1,83 x 2,75 m), o que diferencia no cálculo da otimização do corte. Isto é, não se pode utilizar o cálculo da quantidade de MDF para determinar a quantidade de laminados melamínicos de alta pressão. Quando for utilizar uma fórmica, é necessário observar quais serão as faces recobertas do móvel e calcular com base na medida de 1,25 x 3,08m. Fonte: a autora. SAIBA MAIS Essas chapas são muito conhecidas como fórmica, mas este nome provém de uma grande empresa de produtos LMAP, e não do produto em si. Outras em- presas, como Pertech, Madepar, entre outras, ofere- cem o mesmo produto. DESIGN 129 TAS, [2018], on-line)5. Assim, elas conseguem imi- tar as madeiras nobres e até as rádicas. Este processo permite uma melhor estabilização das cores e das padronagens. As lâminas resultantes têm espessura em torno de 0,5 mm e metragens variadas. Entre- tanto, é sempre bom ter em mente que a madeira natural altera a cor conforme o lote. TUBOS E CHAPAS DE AÇO Os tubos de aço carbono são muito utilizados na fabri- cação de mobiliário escolar, poltronas e móveis para escritório em geral. São compostos por ferro, carbono, manganês, fósforo e enxofre, o que garante maior re- sistência mecânica e pouca flexibilidade (estabilidade), ou conformação a frio (sobre pouca deformidade). Segundo Cunha (2001), a qualidade do móvel está na espessura da chapa ou da parede do tubo que se deseja utilizar. “A robustez é o resultado da combi- nação do tipo de aço, da espessura de chapa, do for- mato, das dimensões do perfil tubular e da confor- mação da estrutura” (CUNHA, 2001, p. 72). Equivalência de espessuras de chapas finas de aço Espessura em mm Chapa número 2,65 12 1,90 14 1,50 16 1,25 18 0,90 20 0,75 22 0,60 24 Tabela 1- Tabela de equivalência para chapas de aço Fonte: Cunha (2001, p. 73). Os tubos de aço podem ser encontrados em forma- tos redondos, ovais/oblongos, quadrados, retangu- lares etc., e utilizados das mais diversas maneiras. A medida da bitola dos tubos redondos é calculada em polegadas e, nas peças retangulares, é calculada em milímetros. As barras têm, geralmente, 6 m de comprimento, e a espessura das paredes dos tubos é representada em milímetros. Para as chapas retas de metal, utiliza-se a numeração da tabela. Armários de aço para escritório são fabricados, em geral, com diversos tubos e chapas de metal, mas, normalmente, são comercializados informan- do o número da chapa. Os mais simples em chapa 26, e os mais robustos em chapa 22, podendo variar conforme os modelos. 130 SISTEMA DE PORTAS, ESQUADRIAS E PERFIS DE ALUMÍNIO As esquadrias de alumínio oferecem uma vasta gama de aplicação no design de móveis para a com- posição de portas, gavetas e basculantes, trilhos e suportes de portas deslizantes, além de puxadores embutidos ou de sobrepor. Por sua estabilidade e leveza, elas permitem que as portas deslizem com facilidade e não emperrem (como acontece com canaletas de madeira ou de plástico). As esquadrias dão estrutura para os painéis de madeira ou de vidro, o que facilita a instalação de dobradiças e a proteção das peças em geral. São mui- to resistentes à umidade e ao calor, entretanto, são mais sensíveis a riscos que o aço, e podem apresentar manchas se não forem anodizadas corretamente. suporte do painel, os rodízios e os sistemas de freio ou de amortecimento. “A anodização é um processo eletroquímico que promove uma formação de película na superfície do alumínio, melhorando seu as- pecto, garantindo uma vida útil prolongada e tornando-o mais resistente à corrosão e a riscos [...]. Em alguns casos, serve também para coloração do material”. Fonte: adaptado de Anotec ([2018], on-line)6. SAIBA MAIS Sistemasde portas Os sistemas de portas constituem o conjunto de mecanismos que promovem o deslizamento estável e suave de portas de correr. Nele, estão os perfis- -guia para portas embutidas ou sobrepostas, assim como os kits de porta, que são os mecanismos de Porta de correr interna O sistema de portas internas é o modelo mais co- mum e barato no mercado. Nele, as portas deslizam apoiadas sobre um perfil embutido ou de sobrepor Figura 3 - Kit de porta Fonte: Rometal ([2018], on-line)7. DESIGN 131 na base do móvel. O peso fica, principalmente, so- bre os rodízios no perfil inferior, e o superior serve somente de guia para o kit de topo. Nesse modelo, os módulos internos, como gaveteiros e prateleiras, devem ter um recuo de 6 a 8 cm da frente do móvel. Os perfis podem ser instalados tipo piso-teto, desde que ambos estejam plenamente alinhados e nivelados. Dependendo da movimentação, a porta pode pular do trilho e, para isto, são utilizados kits com molas antidescarrilhamento, que adaptam a ro- dinha para permanecer na base. A divisão das portas é feita pelo número de mó- dulos. Uma porta para cada, geralmente, e calculada uma sobreposição na largura das portas, em torno de 2-4 cm, para esconder o vão entre elas. É recomendado que a largura da porta seja igual ou maior a 1/3 da me- dida da altura, para maior estabilidade. Por exemplo: para uma porta de 2.400 mm de altura, é ideal, no mí- nimo, 800 m de largura (ROMETAL, [2018], on-line)7. Porta de correr externa O sistema de portas externas é o modelo mais sofisti- cado, cujas portas deslizam por fora do montante com os rodízios projetados para dentro do trilho. As portas cobrem os módulos do armário e podem dar a sensa- ção de amplitude e leveza. O peso fica, principalmente, nos rodízios apoiados no perfil do topo do armário, e o perfil inferior serve somente como guia. Nesse mode- lo, os módulos internos, como gaveteiros e prateleiras, não precisam, necessariamente, do recuo interno. Esquadrias para vidro e madeira As esquadrias de alumínio servem de estrutura para as portas de vidro ou de MDF. Forma-se um quadro que envolve todo o vidro/MDF com cantos cortados em 45°, com travamento por esquadretas parafusa- das internamente (não usa solda para a união). 132 Perfil puxador O perfil puxador é uma alternativa para a abertu- ra de portas. Ele é desenvolvido em alumínio e, da mesma maneira que as esquadrias, fixa-se por cola- gem, por encaixe ou por parafusos ao painel de ma- deira. O puxador é comercializado em barras de 3 e 6 m, em diversas cores e modelos. As suas principais vantagens são: a estabilidade, o corte sob medida conforme o tamanho da peça, e o design, que pode embutir o puxador na porta, formando, assim, uma linha reta e homogênea. O cálculo da quantidade para puxador contínuo é a soma linear da largura das portas ou das frentes de gavetas. O puxador perfil de alumínio que fica no topo da peça como uma linha contínua (seja armário inferior ou superior), interfere diretamente no cál- culo da medida da porta/frente de gaveta. Observe nos exemplos a seguir. Se um puxador tiver 35 mm de altura e estiver no topo da porta (modelo A), este valor terá que ser diminuído da altura da porta ou de cada frente de gaveta, ou seja, se uma porta tiver 664 mm de altura por 394 mm de largura, a medida para o plano de corte será uma porta de 629 x 394 mm, pois a largu- ra dela permanece a mesma. Se o puxador estiver na lateral da porta (modelo B), mantém-se a altura, mas a largura é alterada, ou seja, no plano de corte será uma porta de 664 x 359 mm. Figura 4 - Portas Fonte: a autora. DESIGN 133 lém dos materiais de base, como matéria-prima e acabamentos, para a formação dos módulos, portas e gaveteiros, são necessários uma série de compo- nentes que funcionam como elos, articulação e fe- chamento fundamentais para a montagem das peças: • para o travamento dos nichos e das caixas de gaveta, serão necessários componentes de fi- xação, como: pregos, parafusos, minifix ou ra- fix e cavilhas, cantoneiras etc.; • para os gaveteiros: corrediças; • para as portas: dobradiças; • para os basculantes: dobradiças e sistemas de elevação; • para as prateleiras internas: suportes de pra- teleiras. Componentes de Montagem 134 PREGOS Os pregos são componentes de fixação com corpo de metal cilíndrico e cabeça chata (em forma de prato), ou em formato bola, mais conhecido como sem cabe- ça. O prego possui o princípio de entrar na madeira cortando os veios, empurrando as cerdas rompidas para baixo e formando uma pressão que dificulta a re- moção. Na movelaria, ele é indicado para fixar madei- ra maciça, mas, por não possuir rosca de travamento, não é indicado para MDF ou MDP. É interessante o uso do prego sem cabeça, pois ele pode ser escondido com uma pequena quantidade de massa de madeira. PARAFUSOS Os parafusos são componentes de união e travamen- to não permanente, ou seja, é possível montar e des- montar as peças com facilidade. São produzidos em vários formatos diferenciado na rosca, na cabeça, na haste e no tipo de acionamento. Vamos conhecer al- guns modelos mais utilizados. Tipos de ponta A ponta cônica é indicada para madeira, pois ela tem a função de perfurar e criar rosca na madeira, facilitan- do a função de broca. A ponta plana de rosca métri- ca, máquina, whitworth etc., é indicada para peças de metal com rosca perfeita e para furos passantes (que atravessam a peça de lado a lado), utilizando porcas e arruela na outra extremidade, ou para furos não pas- santes (a ponta do parafuso fica dentro do material), com o uso de buchas de metal com rosca interna. Redonda Panela Oval ou Abaulada Oval ou Escareada Abaulada Chata ou Escareada Flangeada Sextavada Sextavada c/ Arruela Cilíndrica Plana Cônica Tipos de cabeça DESIGN 135 Tipos de atarraxamento DISPOSITIVOS DE MONTAGEM Os dispositivos de montagem minifix, rafix, FB/VB etc., não possuem nome ou formato específicos, va- riam conforme o fornecedor. Porém, são mecanis- mos desenvolvidos pela indústria moveleira para facilitar a padronização e a montagem dos caixotes. São utilizados principalmente em empresas de mó- veis seriados, são rápidos de instalar e, por utiliza- rem peças de metal, a estabilidade das roscas e do travamento é maior, pois não há desgaste com mon- tagens e desmontagens. CANTONEIRAS São peças de metal ou de plástico com duas abas, for- mando um ângulo de 90º. Este esquadro tem a função de fazer a união e a sustentação das peças por meio de parafusação interna. Podem ser utilizadas para unir o tampo às laterais, aos painéis ou aos pés de mesa e para a montagem de caixaria, como também para a sustentação dos armários suspensos (como o fundo não é estrutural, a cantoneira de metal promove resis- tência para sustentar o nicho). As cantoneiras podem ser cobertas por capinhas de plástico em cor seme- lhante ao módulo, escondendo os parafusos. Fenda Philips Sextavado interno ou Alen Sextavado O mais utilizado para madeira e para painéis é o pa- rafuso de ponta cônica, cabeça chata (ou escareada) de chave Philips, que desenha a rosca de fixação no próprio material em que é preso. Tamanhos e usos O cuidado com os parafusos deve respeitar onde eles serão aplicados, para, desta forma, oferecer estrutura e não atravessar o painel. Para a estrutura de módu- los em que o parafuso deve unir peças por fora, como a lateral e a base, é utilizado um parafuso grande o suficiente para passar pelo painel, tracionar e susten- tar a outra peça. Exemplo: para travar uma lateral à base, utiliza-se um parafuso 4,0 x 45 mm (medida do diâmetro x comprimento). Ele cruza a lateral (15 mm) e fixa 30 mm de rosca no miolo da outra peça. Para corrediças, dobradiças e peças internas, são utilizados parafusos menores, pois estes são apenas para a fixação da peça no painel e devem ser me- nores do que a espessura do painel. Exemplo: para instalar uma corrediça,podemos utilizar o parafuso cônico 3,5 x 14 mm cabeça chata Philips, pois ele dá uma boa estrutura e não passa do painel lateral. Para cada tipo de uso, deve ser estudado o tipo, o modelo e o tamanho de parafuso mais indicado. 136 SUPORTE DE PRATELEIRAS O suporte de prateleiras, como o próprio nome diz, tem a função de sustentação ou travamento das pra- teleiras. Há diversos modelos e os mais comuns são os de pinos e/ou parafusação. Observe que há mo- delos que são de encaixe e exigem pré-furos (mo- delos 1-4) e os que são parafusados diretamente so- bre a lateral (modelos 5-7). Os modelos para vidro possuem apoios de silicone para evitar contato seco com o metal (modelos 4 e 7). Guia de madeira Em móveis antigos e em algumas peças de design atuais, é muito comum encontrar gavetas sem cor- rediças ou com guias feitas da mesma madeira da peça. Estas estruturas servem somente como um apoio para a abertura, mas, normalmente, não tra- vam a gaveta e, se esta for puxada de forma errada ou brusca, pode cair do nicho. CORREDIÇAS Corrediças são ferragens de sustentação e de estabi- lidade das gavetas. Existem vários modelos de cor- rediças, as mais comuns são as de apoio e os trilhos telescópicos. Cada tipo de corrediça altera a medida de corte das caixas de gaveta, pois são elas que de- terminam a distância exata do vão entre o corpo da gaveta e o módulo. Figura 5 - Modelos de suportes de prateleira Fonte: FGV/TN ([2018], on-line)8. Deve ter superfície de sustentação para a base da caixa da gaveta, como chapa ou guia interna, para a gaveta não cair para dentro do móvel. Por ser feita em madeira, com o passar do tempo, as peças po- dem expandir e a gaveta começa a emperrar na es- trutura. A folga necessária entre nicho e corpo da gaveta gira em torno de 5 mm. Os trilhos de metal substituíram este mecanismo com grande eficiência. Corrediça de apoio A corrediça de apoio é composta por uma guia de metal pintada e fixada na lateral do nicho, e outra fixada na base da lateral da gaveta, e que deslizam DESIGN 137 sobre roldanas de poliacetal autolubrificadas, com duplo travamento tanto para a abertura (evita que a gaveta caia) quanto para o fechamento (mantém a gaveta fechada). Ela permite extração parcial, ou seja, a abertura de ¾ da gaveta, e o restante do corpo fica para dentro do móvel. Tem a capacidade média de 15-25 kg de sustentação (FGV/TN, ([2018], on- -line)8. A corrediça de apoio ocupa 26 mm do inte- rior do nicho, ou seja, a medida da caixa da gaveta é igual a medida interna do nicho, menos 26 mm (13 mm em cada lateral). Corrediça telescópica É composta por três trilhos de aço relaminado e en- caixados entre si com deslizamento sobre esferas de aço. Este sistema permite a extração total da gaveta com travamento no fim do trilho (para retirar a ga- veta, é necessário destravar as alavancas na lateral). Possui alta estabilidade, suportando entre 35 kg e 45 kg, podendo variar conforme o fornecedor, e há modelos com amortecedor que evitam a batida da gaveta. Este modelo também precisa de 26 mm de distanciamento do corpo com o nicho. Corrediça telescópica invisível Este modelo é muito utilizado em móveis de alto padrão, pois permite um acabamento mais refinado da gaveta (o motivo é que a lateral da caixa torna-se lisa). Normalmente, a corrediça possui amortecedor de impacto e precisa somente de 10 mm de distan- ciamento entre corpo e nicho. Um ponto importante é que, nesse modelo, a contra-frente e a traseira são 15 mm menores do que as laterais da caixa, isto por- que o trilho é posicionado abaixo da gaveta. 138 Gaveta com lateral em aço As gavetas com lateral de aço são modelos de alto padrão desenvolvidos para suporte de peso, desli- zamento silencioso, amortecimento na abertura e fechamento. Não necessitam de laterais ou contra- -frente, pois as calhas de metal formam o corpo, e o mecanismo é fixado diretamente na frente da gaveta. A traseira e o fundo da gaveta são de MDF de 15 mm, e que, além de maior resistência e estabilidade, permite frentes maiores. A profundidade da gaveta é limitada pela profundidade da corrediça, ou seja, esta será da mesma medida do kit, diferentemente de outras gavetas, que podem ser um pouco maiores do que a corrediça. No caso de gavetas metálicas, a sua estrutura/corpo já é pré-determinado pelo kit. DOBRADIÇAS As dobradiças são dispositivos para a sustentação, a abertura e o fechamento de portas e são ofereci- das em diversos modelos. O tipo de dobradiça in- fluencia diretamente na medida da porta, portanto, é muito importante conhecer o mecanismo e a sua finalidade prática e estética. Dobradiça comum ou borboleta É formada por duas chapas de metal unidas por um eixo central, sendo muito utilizada em móveis an- tigos, baús, portas e janelas da construção civil. O mínimo necessário é de duas peças por porta, e a capacidade de sustentação da dobradiça e o tama- nho das portas vão ditar a quantidade necessária. É um mecanismo de simples instalação, podendo ser de sobrepor ou embutido à porta. É importante notar que, mesmo quando a dobradiça é embutida, o pino de eixo central fica aparente. No armário a seguir (modelo 1), a dobradiça foi instalada de so- Cada empresa fornece um guia de cálculo para o corte da peça do fundo e da traseira da gaveta, com seus descontos e particularidades. Os kits extras, como divisores internos, extensores de altura e siste- mas elétricos são opcionais que, por sua vez, podem auxiliar na organização e na facilidade de uso para o consumidor final. Figura 6 - Dobradiça (modelo 1) Fonte: Shutterstock DESIGN 139 brepor e encontra-se totalmente exposta, fixada na lateral e na porta, e esta pode abrir até um ângulo de 180º. No segundo caso (modelo 2), a dobradiça está embutida na porta. Podemos ver o pino-guia para fora, mas não vemos as placas de metal. O ângulo de abertura é limitado pela espessura da porta quando toca na lateral do móvel. Elas podem ser classificadas pelo diâmetro do caneco de 25 mm (menos resistentes) ou de 35 mm (mais ro- bustas), e também pelos ângulos de abertura, pelo tipo de amortecimento e pelo desenho da dobradiça, que al- tera a aparência externa da porta em relação ao módulo. Desenho da dobradiça A respeito do desenho da do- bradiça, ela é dividida em três ti- pos: reta, curva e alta. Tipos que definem o acabamento e o espa- çamento entre módulo e portas, ou seja, é a escolha do desenho da dobradiça que vai definir a pos- sibilidade de recobrimento da lateral pela porta. A dobradiça reta tem a fun- ção de encobrir praticamente todo o nicho e, para isto, necessita que o móvel seja pensado em módulos (só um lado da lateral pode ter dobradi- ça). A dobradiça curva, ao contrá- rio, cobre, em média, somente 60% da lateral e, por este motivo, pode dividir uma mesma lateral para a instalação de duas portas opostas. Ela não é indicada para a modu- lação, por recobrir menos do que a reta, deixando aparente uma parte maior da borda das laterais. Recurso que não é esteticamente bonito, mas, na marcenaria sob medida, é comum utilizá-lo, pois economiza uma lateral no conjunto do balcão. Figura 8 - Dobradiças Fonte: adaptado de FGV/TN ([2018], on-line)8. Figura 7 - Dobradiça (modelo 2) Fonte: Shutterstock Dobradiça de pressão A dobradiça de pressão é composta pelo corpo fixa- do por meio de parafusos e de encaixe do caneco em um rebaixo na porta, assim como pelo calço de fixa- ção na lateral do móvel. Possuem um sistema de mo- las que traciona e segura a porta fechada por pressão. 140 A dobradiça super-alta, ou alta, é utilizada para embutir as portas dentro do nicho. Ela não recobre nenhuma parte da estrutura e precisa de um pequeno suporte interno para apoiar no fe- chamento da porta. • Dobradiça para canto - Modelo utilizado em conjunto com a dobradiça 175º para abrir si- multaneamente as duas portas. Há uma série de outras dobradiças e combinaçõespossíveis, é necessário observar os manuais do fabri- cante para conferir qualquer variação que seja perti- nente, dependendo da dobradiça escolhida. Número de dobradiças A Figura a seguir mostra uma tabela que realiza a de- terminação do número de dobradiças para cada porta, com base na dimensão e no peso. Observe que o míni- mo é de duas unidades, e quanto mais alta for a porta, menor é o espaço entre as dobradiças. Esta classifica- ção considera portas com até 60 cm de largura. Ângulo de abertura Estes três modelos de dobradiça são encontrados em diversas angulações, assim, um conjunto com módulos retos e módulos de canto, ou angulares, poderão man- ter o mesmo caráter de folgas e estilo das portas. Cada angulação exige um kit de dobradiças diferentes. Al- guns dos mais comuns são estes apresentados a seguir. • 95º-110º - É o modelo mais comum, utilizado para armários retos. • Dobradiça 45º, 30º, 25º etc. - São utilizadas para armários de canto em que a base e o sar- rafo são cortados transversalmente e a porta fica angulada em relação às laterais. • Dobradiça 175º (ou robô) - É o modelo utili- zado em armário de canto. Ela “joga” a porta para além do batente, facilitando a visualiza- ção do canto. Figura 9 - Porta com dobradiça reta Fonte: a autora. Figura 10 - Tabela para dobradiça Fonte: FGV/TN ([2018], on-line)8. DESIGN 141 BASCULANTES Sistemas basculantes são mecanismos de ele- vação ou de rebatimento de portas, utilizados, principalmente, em armários superiores/aé- reos. Tais sistemas ajudam a criar móveis com estética agradável no sentido horizontal, pois permitem nichos longilíneos estáveis. O mais comum é o sistema basculante por pistão a gás (modelo 1), porém, existem diversos kits com sistemas de dispositivos mais sofistica- dos (modelos 2 e 3). Estes modelos são mais resistentes e ideais para maiores larguras de portas, permitem amortecimento de abertura e fechamento, assim como a parada da por- ta em qualquer posição, além de ter modelos eletrônicos com acionamento automático. Figura 11 - Sistema basculante por pistão a gás (modelo 1) Fonte: Shutterstock Figura 12 - Kit com sistema de eleva- ção para portas duplas (modelo 2) Fonte: Shutterstock Figura 13 - Kit para sistema de elevação de porta 110º (modelo 3) Fonte: FGV/TN ([2018], on-line)8. 142 Componentes de acessórios são toda a gama de produtos que não correspondem à formação dos caixotes e estruturas do mobiliário. Eles podem ser instalados e vendidos separadamente como peças avulsas. Na indústria, serão separados para embala- gem junto com a mercadoria, não fazendo parte do processo de transformação da peça. PUXADORES Os puxadores correspondem a mecanismos de garra para abertura e fechamento de portas, gavetas e bas- culantes. Existe uma imensa variedade de modelos, tamanhos e usos. As linhas de puxadores com fixa- ção por parafusos seguem o padrão 32 mm, ou seja, Componentes de Acessórios DESIGN 143 o centro dos parafusos corresponde a uma razão en- tre si, por exemplo: 32, 64; 96; 128; 160 etc. Quando especificamos um puxador deste tipo, a medida dada é a distância entre furos e não a medida final da peça (normalmente, um pouco maior do que os furos). RODÍZIOS Rodízios facilitam a mobilidade das peças e a fle- xibilidade dos mobiliários no espaço. Pode-se en- contrar diversos modelos, com resistências e fun- cionalidades diferentes. delos com ou sem mecanismos de freio e, para cada tamanho, há um limite de peso suportável por roda. Uma peça ressecada ou com sobrepeso pode rachar. Normalmente, quanto mais alta a rodinha, mais for- te torna-se o rodízio (dependendo do produto). BASES E PÉS As bases e os pés auxiliam a levantar os módulos do chão para facilitar a abertura de portas, além de evi- tar danos no móvel e o contato com umidade. Po- dem ser feitos em alvenaria (pelo pedreiro da obra), em caixas de madeira (que devem ser incluídas nos romaneios de produção) ou com peças avulsas de polipropileno ou metal. Sóculo No Brasil, ainda é comum o uso de sóculos em cozi- nhas, áreas de serviço e banheiros. O sóculo é uma base de alvenaria que pode ser revestida em cerâmica ou em granito para apoiar os balcões e eletrodomés- ticos. Este tipo de base tem alta durabilidade, porém, trava a distribuição dos módulos e dos eletros pela cozinha. Caso o cliente queira trocar a disposição dos móveis, deverá quebrar o sóculo e, no local onde este foi retirado, colocar novo revestimento. Bases de madeira A base de madeira de compensado, ou MDF, é feita de um material barato ou com sobras de chapa. Permite alteração do desenho da cozinha, é estável, resistente ao peso e consegue nivelar o móvel com sapatas regu- láveis. Pode ser feita a partir de um quadro com altura, largura e profundidade e, se desejar, módulo a módulo, ou para apoiar vários módulos de uma só vez. Para cadeiras e móveis de escritório, os mais comuns são os rodízios de polipropileno com duas rodinhas. A fixação é por um pino central que se encaixa na estrela da base da cadeira ou na base com quatro pa- rafusos, no caso de móveis. É um modelo simples, barato e funcional, porém, dependendo do peso so- bre as rodas, pode rachar ou quebrar. Para móveis em geral, os mais indicados são os rodízios de silicone transparente ou fosco. Eles fa- zem pouco ruído, são resistentes e têm movimenta- ção suave. A fixação no móvel é por meio do pino, base giratória (com rolamentos) ou fixa (chapa reta), presa à base do móvel por quatro parafusos. Há mo- 144 Em países da Europa e dos Estados Unidos, é muito comum utilizar este tipo de base, entretanto, no Bra- sil, como existe uma cultura de lavar a cozinha, essas bases devem ser bem vedadas e protegidas com uma peça de granito ou cerâmica na frente, além de bor- das na base, para evitar a propagação da umidade que deteriora as peças. Pés Os pés podem ser feitos em polipropileno, metal ou madeira. Aqueles em polipropileno são mais simples e menos resistentes, mas possuem boa regulagem de al- tura e não sofrem qualquer alteração com a umidade. Os pés de metal suportam boa quantidade de peso, permitem regulagem e têm boa aparência, não precisando de revestimento para encobri-los. Exis- tem em uma variedade de cores e modelos, sendo os mais comuns aqueles no aço cromado, no alumínio fosco e acetinado ou com pintura a pó. As peças são resistentes, porém, podem sofrer oxidação e enfer- rujar, dependendo do tipo de material utilizado e da quantidade de umidade a que são expostos. Os pés de madeira são mais antigos. Feitos de ma- deira natural, são bem resistentes, porém, podem sofrer, ao longo dos anos, com a deformação por ex- cesso de umidade. Pés niveladores Os pés niveladores são pinos de metal com base em polipropileno ou silicone, têm a função de sustentar e nivelar os mobiliários, são embutidos na base ou na lateral por meio da instalação de uma bucha com rosca contínua, além da possibilidade de serem re- gulados individualmente. Eles ajudam a compensar os desníveis de pisos e afastam a base do móvel do contato direto com o chão. Figura 14 - Pé nivelador Fonte: Shutterstock DESIGN 145 FECHO-TOQUE E PULSADOR MAGNÉTICO Pulsador magnético e fecho-toque são dispositivos para a abertura automática de portas e gavetas, com sistema de molas internas que liberam a peça por sis- tema mecânico ou magnético e que, por sua vez, man- têm a peça fechada, dispensando o uso de puxadores. PEÇAS AVULSAS Para cada ambiente, há uma centena de opções e inovações que podem ser aplicadas aos mobiliários, assim como aos mecanismos de suporte, divisores, organizadores, aramados, sistemas elétricos, entre outros. A cada dia, um novo acessório surge no mer- cado, e para cada um existe uma especificidade que pode ser integrada ao projeto. Alguns exemplos são: • para os quartos: cabideiros, porta-bolsas, sapa- teiras, divisores de gaveta, cabideiros reclináveis; • para a área de serviço:tábuas de passar embuti- das, porta-vassouras, porta-produtos de limpeza; • para a cozinha: divisores de talheres, porta- -pratos, aramados, lixeiras, porta-temperos dispositivos para módulos de canto e mais uma série de inovações. Para finalizar, lembramos que as escolhas de um projeto de design de produto são feitas em conjunto, ou seja, uma parceria entre o designer e o industrial. O foco é desenvolver um projeto que seja rentável, passível de ser produzido, com excelente usabilida- de, segurança e ergonomia, para que, na interação com o público, ele possa ser aceito, adquirido, bem utilizado e cause uma boa repercussão. Em um mundo competitivo como o atual, a ex- periência do usuário é um dos quesitos que mais está em voga. Um produto que não tenha uma per- formance adequada pode, além de ser descartado, causar grandes prejuízos ao empresário. O design autoral também é um caminho interes- sante, a única diferença é que o designer e o indus- trial passam a ser a mesma pessoa, ou seja, a gestão do design e as decisões de criação e execução serão determinadas pelo projeto. Desta forma, o designer deve encarar seu produto como um empresário: não se trata de uma obra de arte, mas do desenvolvi- mento de uma peça que possa ser comercializada no mercado. Com isto, percebemos a importância desta unidade para conhecer as estruturas e os componen- tes que poderão fazer parte de seus futuros projetos. 146 considerações finais Caro(a) aluno(a), chegamos ao fim de mais uma unidade, com o prazer de co- nhecer uma série de elementos que compõem os mobiliários de nosso dia a dia. Como observamos, há diversas formas de composição, estruturação, acabamen- tos, dispositivos de montagem e peças acessórias que vão compor o processo de decisão de um projeto de design. As escolhas do profissional devem compreender a adaptação do projeto conceitual ao contexto produtivo, e este trabalho técnico exige atenção, escolha criteriosa de materiais e prototipagem, além de testes de desempenho e resistência para, enfim, chegar no produto final. Em um certo momento, um dispositivo de montagem pode ser escolhido pela agilidade que ele oferece à modulação seriada, mas, para peças únicas, talvez não seja tão interessante. Usar um tipo de corrediça pode alterar o padrão do móvel, agregar valor ou solucionar um custo apertado. Enfim, essas escolhas determinam o tamanho das sub-peças e os processos produtivos, são elas que poderão determinar a forma e o uso de um produto e, por isto, são tão importantes. Os elementos técnicos de um projeto de móveis podem parecer limitadores, porém, muitas soluções de design podem partir da redescoberta de uma técnica esquecida que pode, por sua vez, voltar a ser aplicada na marcenaria moderna, ou o uso de novos mecanismos de montagem que permitisse maiores vãos e aberturas, ou uma nova tecnologia de transformação da própria matéria-prima. Portanto, o designer deve pensar em novas soluções não só esteticamente, mas também na estrutura dos produtos. A cada ano, o mercado lança novos mecanismos e acessórios inovadores que podem nos inspirar ou ser absorvidos em nossos projetos. Por isto, convidamos você a participar de feiras, visitar apartamentos decorados e indústrias, sempre observando os detalhes construtivos. Pensando nessa unidade apenas como um guia, e não como um material a ser automaticamente decorado, você perceberá que, na prática, cada projeto será uma oportunidade para inovar ou aprimorar uma técnica e uma composição. 147 atividades de estudo 1. Diante das escolhas de um projeto de móveis, a seleção dos materiais estru- turais é um dos primeiros passos da peça. Neste sentido, sobre a composição das estruturas, leia as afirmativas a seguir. I. O MDP é ideal para pinturas e formas sinuosas, pois é mais leve e de fácil manutenção. II. O compensado é formado por partículas de madeira aglutinadas. III. A vantagem do compensado é a sua resistência à deformação por ter as suas lâminas entrecruzadas, estabilizando, assim, nos dois sentidos do painel (lon- gitudinal e lateralmente). IV. O MDF é ideal para pinturas e formas sinuosas, pois apresenta um miolo uni- forme. Podemos afirmar que: a. Somente as afirmativas I e II estão corretas. b. Somente as afirmativas III e IV estão corretas. c. Somente a afirmativa IV está correta. d. Somente as afirmativas I, II e IV estão corretas. e. Nenhuma das afirmativas está correta. 2. No interesse de manter as portas de um móvel fechadas, as dobradiças são mecanismos que facilitam a sustentação e a estabilidade das peças. No mer- cado, existe uma imensa variedade de dispositivos e, em relação a alguns de- les que foram abordados nesta unidade, leia as afirmativas a seguir. I. A dobradiça de pressão é o modelo mais antigo, e destaca-se por duas chapas de metal presas à caixa e à porta com pino central. II. A dobradiça curva super-alta/alta permite embutir a porta dentro do nicho. III. A dobradiça de 45º é utilizada para cantos em que o nicho tenha um corte transversal, formando um ângulo de 45º da porta em relação às laterais. IV. A dobradiça borboleta ou comum sempre é instalada embutida nas portas para ocultar o pino central. Podemos afirmar que: a. Somente as afirmativas I e II estão corretas. b. Somente as afirmativas III e IV estão corretas. c. Somente a afirmativa III está correta. d. Somente as afirmativas II e III estão corretas. e. Nenhuma das afirmativas está correta. 148 atividades de estudo 3. Por mais técnica que seja a escolha dos componentes construtivos, a sua função no móvel sempre desempenha um papel estético na peça. Em re- lação aos aspectos visuais dos componentes, leia as afirmativas a seguir. I. Uma porta de MDF com melamina decorativa de baixa pressão madeirada, se for cortada no sentido do veio, promove o aspecto alongamento verti- cal. II. Porta de correr com sistema externo esconde os trilhos de alumínio em que rodam os kits, aparentado que a porta flutua à frente do móvel. III. Uma fita de borda ABS de 3 mm influencia na medida de uma porta ou da frente de gaveta. IV. O tipo de corrediça altera o mecanismo da gaveta, mas tem pouca influ- ência no desenho da frente dessa gaveta, no entanto, o tipo de dobradiça influencia tanto no desenho da porta quanto em sua função. Podemos afirmar que: a. Somente as afirmativas I e II estão corretas. b. Somente as afirmativasIII e IV estão corretas. c. Somente a afirmativa III está correta. d. Somente as afirmativas II e III estão corretas. e. Todas as afirmativas estão corretas. 4. Os rodízios facilitam muito o deslocamento do mobiliário de um lugar para o outro, ajudando, principalmente, nas tarefas de limpeza dos ambientes, evitando os riscos dos pisos devido ao atrito do mobiliário com a superfí- cie, e também podem ser utilizados em mobiliários de ambientes residen- ciais, comerciais e institucionais. Diante deste fato, comente sobre os rodízios. 5. O domínio das técnicas de utilização dos softwares de representações tri- dimensionais facilita muito para o design de produto colocar em prática as suas ideias e ajuda o processo de criação. Porém, apenas este conhe- cimento não é importante, mas também conhecer os variados processos para a produção de artefatos ajuda e facilita o entendimento sobre a via- bilidade de se colocar em prática a fabricação de um produto para ser lançado no mercado. Com isto, alguns profissionais do design optam pela produção limitada de produtos para perceberem a aceitação desses pro- dutos em um determinado nicho de mercado. Diante deste fato, fale so- bre o design autoral. 149 LEITURA COMPLEMENTAR Don Norman e seus princípios de design São seis princípios de design que ajudam a entender por que alguns produtos satisfazem os consumidores enquanto outros os deixam frustrados. Don Norman é Design Thinker, Cientista Cognitivo e um dos maiores gurus do Design que se tem notícia. Também é professor emérito de Ciência Cognitiva na Universidadeda Cali- fórnia, em San Diego, professor de Ciência Da Computação na Universidade Northwestern, leciona na Universidade de Stanford e também é co-fundador do Nielsen Norman Group. Foi Don Norman quem cunhou o termo User Experience, quando trabalhava na Apple no início de 1990, e renomeou o seu cargo para “User Experience Architect Group”: Em seu livro O Design do Dia-a-Dia, Don Norman nos presenteou com seis princípios de design que ajudam a entender por que alguns produtos satisfazem os consumidores, en- quanto outros os deixam completamente frustrados. O autor também escreveu outros dez livros, entre eles Design Emocional: Por que Adoramos (ou Detestamos) os Objetos do Dia a dia e O Design do Futuro. Os seis princípios de design de Don Norman Visibilidade As funções mais visíveis são aquelas em que o usuário provavelmente será capaz de saber o que fazer em seguida. Do contrário, quando as funções estão fora de vista, tornam-se mais difíceis de encontrar e, consequentemente, de saber como usá-las. Feedback O feedback é o retorno de informação que mostra o efeito de uma ação realizada, permi- tindo que a pessoa continue com a tarefa. Vários tipos de feedback estão disponíveis no design de interação: áudio, tátil, visual ou a combinações destes. Sem um feedback sobre a ação, os usuários podem desligar equipamentos em momentos indevidos ou repetir co- mandos, executando a mesma tarefa mais de uma vez. Restrições A maneira mais segura de tornar algo fácil de usar, com poucos erros, é tornar impossível de fazê-la de outro modo, restringindo a quantidade de escolhas. Quer impedir alguém de inserir uma pilha ou um cartão de memória em sua câmera na posição errada, com a possibilidade de 150 LEITURA COMPLEMENTAR danificar o equipamento? Projete-os de tal modo que eles só se encaixem de uma forma, ou faça-o de um jeito que encaixe perfeitamente, independente da forma que for inserido. Mapeamento Mapeamento é um termo técnico que significa o relacionamento entre duas coisas, neste caso, entre os controles e seus movimentos, e os resultados dessa relação no mundo. Qua- se todos os produtos precisam de algum tipo de mapeamento entre os seus controles e as ações que eles executam, como, por exemplo, as setas para cima e para baixo usadas para representar o movimento ascendente e descendente do cursor, respectivamente, em um teclado de computador. Temos outro exemplo ao dirigir um carro, quando, para virar à di- reita, giramos o volante no sentido dos ponteiros do relógio, de modo que a parte superior também se mova para a direita. Consistência Isto se refere ao design de interfaces, em que precisamos ter operações similares com ele- mentos similares para realizar tarefas semelhantes. Em particular, uma interface consisten- te é aquela que segue esta regra, como o uso da mesma operação para selecionar todos os objetos em qualquer circunstância, ou o uso de um botão sempre na mesma cor, formato e posição para submeter um formulário, seja ele de contato, de cadastro ou de pesquisa. Affordance Affordance é um termo que não tem uma tradução literal para o português, mas se refere ao atributo de um objeto que permite que as pessoas saibam como usá-lo, por tão óbvio que é, ou pelo seu visual sugerir que é fisicamente possível. Um exemplo disso é o botão de um mouse, que pela forma como ele é fisicamente restringido em seu escudo de plástico em relação à posição do dedo do usuário, sugere e dá indícios de que esse usuário pode pressioná-lo. Affordance é quando um objeto é perceptivelmente óbvio e fácil para uma pessoa saber como interagir com ele. “Eu inventei o termo porque pensei que a Interface Humana e a Usabilidade eram muito estreitas. Eu queria abordar todos os aspectos da experiência de uma pessoa com um sis- tema, incluindo design industrial, gráficos, a interface, a interação física e o manual. Desde então, o termo se espalhou amplamente, tanto que está começando a perder o significado” (Don Norman). Saiba mais sobre Don Norman e sua obra em: http://www.jnd.org/ Fonte: Agini (2015, on-line)9. 151 material complementar O Sistema dos Objetos Jean Baudrillard Editora: Perspectiva Sinopse: a obra apresenta um conjunto de reflexões sobre o caráter simbólico dos objetos como sendo um nível que transcende ao funcional. A partir disso, Baudrillard sugere que os objetos passam continuamente do enfoque funcional para o simbólico dentro de um determinado sistema cultural. Afirma, ainda, que os objetos possuem significados imanentes e que o próprio adjetivo “funcional” não está ligado apenas à finalidade prática dos objetos, mas também à sua capa- cidade de fazer parte de um jogo de relações. Indicação para Ler Passageiros 2017 Sinopse: durante uma viagem de rotina no espaço, dois passageiros são desper- tados 90 anos antes do tempo programado, por causa de um mal funcionamento de suas cabines. Sozinhos, Jim (Chris Pratt) e Aurora (Jennifer Lawrence) começam a estreitar o seu relacionamento. Entretanto, a paz é ameaçada quando eles des- cobrem que a nave está correndo um sério risco e que eles são os únicos capazes de salvar os mais de cinco mil colegas em sono profundo. Comentário: a cenografia do filme, por mais futurista que seja, conta com espa- ços diversos, que possuem design específico para cada função estética e sensorial. Apresenta como a configuração dos móveis pode alterar totalmente a forma de se comportar no ambiente (oficina, cafeteria comunitária etc.). Enfim, é um filme sobre duas pessoas que se veem sozinhas em uma nave, mas o ambiente acaba por se tornar a terceiro personagem. Indicação para Assistir 152 material complementar Blum - Age Suit O vídeo mostra um exercício de experiência do usuário a partir das limitações de idade de uma pessoa. Foi desenvolvido pela empresa Blum um traje que simula as dificuldades de uma pessoa idosa, como perda de visão, sensibilidade nos dedos e peso no corpo. O usuário deve, com essa roupa, testar os mo- delos de armários desenvolvidos e ver a sua adequação. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=DUC7TI4GiyI>. Hafele Los Cabos | James Bond House Neste vídeo, é possível ver uma série de inovações tecnológicas em acessórios para movelaria e como seria uma casa do futuro, mas com as inovações que já são oferecidas hoje no mercado. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=j3XyT0bcDLA>. Dobradiças e Seus Ângulos Exposição das dobradiças: esse vídeo traz a demonstração de diversas dobradiças e as funções que elas desempenham. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=XjkDyNC5fiA>. Aplicação de Dispositivos De Montagem Nesse vídeo, você vai conhecer diversos modelos de dispositivos de montagem (rafix e VB) e acompa- nhar como são feitas as instalações nas peças, além das diferenças e as indicações para cada tipo de mecanismo, compreendendo um pouco mais as suas aplicações. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ir7SDteqHCg>. Indicação para Acessar 153 referências gabarito CUNHA, J. R. A. C. Manual Prático do Mobiliário Escolar. São Paulo: ABIME, 2001. Referências On-Line 1Em: <http://www.mpmoveis.com.br/blog/o-que-e-tamburato.html>. Acesso em: 8 mar. 2018. 2Em: <http://www.proadec.com.br/pt/catalogo/fitas-de-borda/>. Acesso em: 8 mar. 2018. 3Em: <http://www.formica.com.br/pro_caracteristicas.htm>. Acesso em: 8 mar. 2018. 4Em: <http://www.caliman-rj.com.br/laminados/pre-compostas>. Acesso em: 8 mar. 2018. 5Em:<http://www.selectas.com.br/index.php/pt/produtos/laminas-faqueadas-pre-com- postas>. Acesso em: 8 mar. 2018. 6Em: <http://www.anotec.com.br/Anodizacao.asp>. Acesso em: 8 mar. 2018. 7Em: <http://www.rometalcomponentes.com.br/>. Acesso em: 8 mar. 2018. 8Em: <https://www.fgvtn.com.br/>. Acesso em: 8 mar. 2018. 9Em:<https://uxdesign.blog.br/don-norman-e-seus-princ%C3%ADpios-de-design- -fe063669184d>. Acesso em: 8 mar. 2018. 1. B. 2. D. 3. E. 4. Rodízios facilitam a mobilidade das peças e aflexibilidade dos mobiliários no espaço. Po- de-se encontrar diversos modelos, com resis- tências e funcionalidades diferentes. Para ca- deiras e móveis de escritório, os mais comuns são os rodízios de polipropileno com duas ro- dinhas. A fixação é por um pino central que se encaixa na estrela da base da cadeira ou na base com quatro parafusos, no caso de mó- veis. É um modelo simples, barato e funcional, porém, dependendo do peso sobre as rodas, pode rachar ou quebrar. Para móveis em ge- ral, os mais indicados são os rodízios de sili- cone transparente ou fosco. Eles fazem pouco ruído, são resistentes e têm movimentação suave. A fixação no móvel é por meio do pino, base giratória (com rolamentos) ou fixa (chapa reta), presa à base do móvel por quatro para- fusos. Há modelos com ou sem mecanismos de freio e, para cada tamanho, há um limite de peso suportável por roda. Uma peça resse- cada ou com sobrepeso pode rachar. Normal- mente, quanto mais alta a rodinha, mais forte torna-se o rodízio (dependendo do produto). 5. O design autoral também é um caminho inte- ressante, a única diferença é que o designer e o industrial passam a ser a mesma pessoa, ou seja, a gestão do design, as decisões de criação e execução, serão determinadas pelo projeto. Desta forma, o designer deve encarar seu pro- duto como um empresário: não se trata de uma obra de arte, mas do desenvolvimento de uma peça que possa ser comercializada no mercado. Professor Esp. Ivã Vinagre de Lima Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Modelos de representações em projetos de mobiliários • Representações gráficas em projetos de mobiliários • Representações físicas em projetos de mobiliários • Geração de alternativas em projetos de mobiliários Objetivos de Aprendizagem • Apresentar os tipos de representações em projetos de mobiliários. • Reconhecer as diferenças de representações em projetos de mobiliários. • Mostrar a importância das representações gráficas em projetos de mobiliários. • Mostrar a importância das representações físicas em projetos de mobiliários. MODELOS DE REPRESENTAÇÃO EM PROJETOS DE MOBILIÁRIO unidade V INTRODUÇÃO O lá, caro(a) aluno(a)! Seja bem-vindo(a) à quinta Unidade do nosso livro Design de Mobiliário. Após você ter estudado as classificações importantes dos variados tipos e modelos de mobiliários também na produção move- leira, em que foram apresentadas as suas respectivas definições e diferenças comparativas, nesta unidade serão abordados alguns tipos de representações gráficas e físicas mais importantes e utilizadas no desenvolvimento do processo criativo, na concepção e na apresentação dos projetos de mobiliários. Entenderemos que, para o processo do projeto de mobiliário, é necessária a re- presentação gráfica por meio de desenhos manuais com materiais específicos junta- mente com as normas técnicas, além da representação digital com softwares espe- cíficos para desenhos em 2D e 3D, cujos objetivos são o melhor entendimento e a documentação técnica do mobiliário. Serão apresentadas, também, algumas técnicas variadas de representações físicas (maquetes volumétricas de estudos, maquetes físicas, modelos, mock-ups e protóti- pos), que podem agregar mais valor no resultado final dos projetos de mobiliários. No primeiro tópico, conheceremos os tipos de representações gráficas bidimensionais e tridimensionais mais comuns em diversos tipos de projetos de mobiliários. Veremos defi- nições e exemplos ilustrados que são importantes para os variados tipos de representações gráficas utilizadas na criação de projetos de móveis e no segmento de produção seriada. No segundo tópico, estudaremos as representações físicas em projetos de mobiliá- rios, e que ajudarão bastante na visão espacial e tridimensional em projetos de produ- tos e ambientes, com seus respectivos mobiliários em escalas de redução (escalas 1:10 ou 1:5), e até mesmo em escalas de tamanhos reais (escala 1:1). Por último, veremos as aplicabilidades dos meios de representações, que podem ser usados e apresentados por meio de uma ferramenta criativa muito usual, além das formas de fazer as gerações de alternativas que, por sua vez, facilitam no projeto de ge- ração de ideias para o desenvolvimento de projetos de mobiliários, levando em consi- deração requisitos necessários que se apresentam com as matrizes de seleção, os quais facilitarão bastante na escolha certa da ideia desejada para projetar os mobiliários. Bons estudos! 158 Modelos de Representações em Projetos de Mobiliários DESIGN 159 Em projetos de mobiliários, a concepção do pro- duto, antes de ser levado para a produção, par- te de variadas etapas de criação, seguidas de um bom processo metodológico de design, de acordo Figura 1- Processos do desenvolvimento de um projeto de um mobiliário Fonte: o autor. CROQUI MAQUETE VOLUMÉTRICA DE ESTUDOS MOCKUP REPRESENTAÇÃO GRÁFICA 2D REPRESENTAÇÃO GRÁFICA 3D PROTÓTIPO MAQUETE FÍSICA com a sua complexidade e acompanhado de algu- mas ferramentas de criatividade para aprimorar a geração das ideias. 160 Com essas informações em relação à geração de ideias aliadas à criatividade, Hsuan-Na (2017, p. 199) apresenta a seguinte definição para a impor- tância da metodologia: [...] o trabalho do designer difere das atividades eminentemente intuitivas do artista. Difere do trabalho do cientista, que busca a certeza com- provada das hipóteses e difere, em vários aspec- tos, da tarefa do engenheiro, que procura a solu- ção tecnológica para os problemas. O designer depende da inspiração, da intuição e fundamen- talmente da criatividade. Ele deve apoiar-se na atividade de projetar, pois o designer também se entende por projeto ou projeção, que significa exatamente “atividade de projetar”. O projeto é necessário devido à complexa problemática do design, que interliga a arte, a ciência e a tecnolo- gia. A arte diz respeito à expressão artística, da estética e à comunicação visual. A ciência exige o pensar nos âmbitos das ciências humanas e exatas. A tecnologia abrange o uso de instru- mentos, máquinas, materiais e produção. Com isto, na etapa conceitual do projeto, o designer elenca todas as informações necessárias para o projeto do produto, que servirão como base para as primeiras gerações de ideias formais do projeto de mobiliário. Para Hsuan-Na (2017), o projeto não se inicia na geração de ideias, mas sim na compreensão sobre o problema e, para isto, uma boa pesquisa ou inves- tigação é essencialmente importante, a fim de, por meio dela, conhecer as reais necessidades. A partir disso, é feito um registro escrito e imagético com todos os dados para dar início às primeiras alternativas formais. Primeiramente, co- meça-se por meio do desenho ou modelos volumé- tricos, em que são configuradas as formas iniciais que darão as soluções para o projeto do produto durante o desenvolvimento projetual. Para Hsuan-Na (2017), o bom conceito é aquele que propõe, explica, justifica e convence. É aquele que se fundamenta em razões ou motivos teóricos ou não, justificáveis. É aquele que seja factível ou possível, e não uma proposta fantasiosa, no sentido de sua inaplicabilidade. Os modelos de representações podem ser divididos da seguinte maneira: • representações gráficas; • representações físicas. DESIGN 161 Este tipo de representação pode ser apresentada por meio de desenhos bidimensionais e tridimensionais, iniciando as primeiras ideias em desenhos manuais, com alguns instrumentos próprios, dando continui- dade e finalizando os conceitos com desenhos rea- lizados anteriormente por meio de representações gráficas com o auxílio do computador e, por sua vez, realizadas com softwares específicos de desenhos em 2D e 3D. Essas representações podem ser desenvol- vidas das seguintes formas: • croqui; • desenho técnico 2D; • modelagem tridimensional 3D. Representações Gráficas em Projetosde Mobiliários 162 CROQUI De acordo com Gomes (2015), um croqui é, por de- finição, um desenho vago e inacabado. O fato de ser um desenho rápido de se fazer é o que torna o croqui uma boa ferramenta para descrever ideias. O autor também afirma que “os croquis têm várias finalida- des: registrar imagens, observar condições e situa- ções existentes ou descobrir uma ideia ou um con- ceito de maneira analítica” (GOMES, 2015, p. 17). É importante o desenvolvimento dos primei- ros croquis, pois eles fazem parte do processo criativo para dar forma física ao mobiliário e ao ambiente que se deseja projetar. Para isto, é neces- sário gerar alternativas com mais de uma opção antes de colocar em prática a concepção do pro- jeto. Hsuan-Na (2017, p. 213) fala sobre as ideias que são representadas graficamente. As primeiras ideias representadas graficamente, mesmo que sejam ainda primárias, devem levar em consideração os critérios básicos estabele- cidos na primeira etapa, a fim de se aproximar gradualmente das opções de solução nos aspec- tos estéticos-formais, estruturais e funcionais. Evoluindo, os desenhos tornam-se cada vez mais maduros no sentido de obtenção de soluções. Para Gomes (2015), o ser humano sempre sentiu a ne- cessidade de representar concretamente as suas ideias e, para isso, o desenho tem sido o seu principal aliado. O desenho à mão livre é um talento especial para o designer, mas isso não significa que seja fundamental para todas as atividades dentro desse universo criador, como muitos acreditam ser. Existem grandes designers que não possuem uma especial habilidade para o desenho, assim como é possível que um habilidoso desenhista não tenha qualquer vocação para o design. A explicação para isso reside no fato de que, para o design, o mais importante são os dese- nhos mais objetivos e esquemáticos, e poucos os desenhos subjetivos e de interpretação (GO- MES, 2015, p. 17). DESIGN 163 Diante disso, é notório que, mesmo com vários sof- twares específicos de desenho e a tecnologia digital apresentando-se como uma das ferramentas impor- tantíssimas para o design, o croqui ainda é um proces- so muito utilizado dentro da geração de ideias para o projeto de qualquer produto em qualquer segmento. DESENHO TÉCNICO 2D Para dar início ao processo de fabricação do mo- biliário de produção seriada, ou de produção sob medida, é necessário o desenho técnico do móvel. Vesterlon (2007, p. 10) afirma que: [...] para projetar um produto, são necessários conhecimentos sobre desenho técnico. Ele é uma forma de expressão gráfica, que tem por fi- nalidade a representação da forma, dimensão e posição de objetos de acordo com as diferentes necessidades requeridas. A representação gráfica visual do desenho 3D im- pressiona no primeiro olhar. Ele apresenta uma boa estética e, assim, é um bom artifício de estratégia para vender o projeto. Entretanto, não é o suficiente para a execução final do projeto, pois os desenhos em 2D têm fundamental importância para a produ- ção e a execução dos mobiliários. Para Gomes (2015), o desenho técnico tem a sua origem no desenho geométrico, pois foi por meio deste que o desenho deixou de ser uma expressão artística para ser exato. Os desenhos técnicos com especificações das me- didas (detalhamento técnico) têm uma fundamental importância para um bom projeto, pois neles serão le- vadas em consideração todas as medidas necessárias para a utilização e a acomodação de móveis, objetos e outros equipamentos em geral, não se esquecendo as tarefas que serão utilizadas em cada ambiente. Com isto, a ergonomia tem um papel muito im- portante nesta etapa projetual, pois, sem ela, ficará visível que todo o trabalho foi desenvolvido sem pesquisa, no improviso e no “achismo”. Para dar início ao projeto do mobiliário, é im- portante conhecer os aspectos importantes que re- gem o produto. Gomes (2015, p. 117) afirma que: [...] a ergonomia deve estar em todo e qualquer projeto de produto, pois este se relaciona direta e fisicamente com o usuário. Trata-se da facilidade de uso e a perfeita adaptação entre o pro- duto e o usuário com base em dados antropométricos. O designer deve conhecer bem os princípios que regem a ergonomia para que possa adotá-la de modo inteligente. Nos desenhos técnicos de mo- biliário de produção seriada, são representadas todas as furações ou marcações (to- das cotadas) para as junções de peças e de compo- nentes que, por sua vez, são necessárias Figura 2 - Desenho 2D de uma base de mesa desmontável Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017). 164 para as montagens das partes e dos componentes que estruturam o mobiliário. 65 10 10 4 x ф 8 15 9 6 6532 256 32 DETALHE A ESCALA 1:2 Figura 3 - Detalhamento técnico da parte superior de uma prateleira Fonte: acervo pessoal - Clécio Zeithammer (2015). Figura 4 - Detalhe da tampo prateleira do móvel Fonte: acervo pessoal - Clécio Zeithammer (2015). Figura 6 - Desenho técnico de uma cadeira com es- trutura em metal, assento e encosto em madeira Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017). Figura 5 - Detalhe da prateleira do móvel Fonte: acervo pessoal - Clécio Zeithammer (2015). 2 x ф 15 15 25 57 0 21 6565 9 256 3232 35 6565 320 450 2 x ф 2 x ф ф 18 PA 4 x ф 8 15 6 9 10 10 20 25 6 65 32 6532256 DETALHE L ESCALA 1:1 DETALHE A ESCALA 2:3 DESIGN 165 Tais desenhos podem utilizar bonecos tridimensio- nais para a simulação de cenas de uso, oferecendo a ideia da figura humana no ambiente, apresentando as ações de uso do produto, podendo ser em 2D e 3D. MODELAGEM TRIDIMENSIONAL 3D Os desenhos feitos em modelagem tridimensional (3D) ajudam na avaliação e na visualização inicial do conceito, da estética e da forma do produto, as- sim como na simulação e na organização espacial do produto para ter uma ideia de como o mobiliário fi- cará disposto no espaço e quais modificações serão necessárias em algum detalhe desse mobiliário. Essa modelagem tem grande aplicabilidade em design de interiores, podendo também ser utilizada por empresas de móveis que projetam mobiliários componíveis, unitários, modulados e de conjunto. Figura 7 - Desenhos da poltrona com pallet descartado Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017). Figura 8 - Simulação espacial em 2D com bonecos tridimensionais dentro do ambiente Fonte: acervo pessoal - Talles Mesquita (2017). Desenho técnico definitivo É executado a partir da definição e aprova- ção do protótipo. Nele, deverão ser apre- sentadas, de forma clara, todas as medidas, detalhes e informações para o processo de fabricação. Normalmente, é desenvolvido em folhas A4, seguindo as normas técnicas de construção, em que são representadas peça por peça do produto. A partir desta etapa, os desenhos seguem com destino à produção, onde será feito o primeiro “lote piloto”, ou seja, o primei- ro produto que serve para a conferência de todas as informações fornecidas pelo desenho técnico. Essa é uma etapa muito importante para descobrir possíveis falhas no projeto, na representação gráfica ou nas etapas de montagem. Fonte: Vesterlon (2007, p. 89). SAIBA MAIS 166 É também comum a utilização de representações do modelo em 3D, em que, virtualmente, testa-se as cores e as texturas em um menor espaço de tempo. Após as correções e análises, o modelo pode ser uti- lizado na apresentação final do produto. A apresentação do projeto do produto pode ser feita de maneira bidimensional, juntamente com as imagens do projeto tridimensional para se ter a ideia da proporção do mobiliário ocupado dentro de de- terminados ambientes. Figura 9 - Simulação espacial e das cores do mobiliário componível no ambiente Fonte: acervo pessoal - Talles Mesquita (2017). Figura 10 - Simulação espacial em 3D com bone- cos tridimensionais dentro do ambiente Fonte: acervo pessoal - Talles Mesquita (2017). Levando em consideração que a modelagemdigital ajuda e facilita a visualização espacial do projeto de produto e as suas possibilidades de variadas confi- gurações, Oliveira (2014, p. 153) afirma que: [...] o uso correto das ferramentas de navegação 2D e 3D ajuda a aumentar em muito a velocida- de de desenho e modelagem, e deve ser prático em todos os momentos possíveis para que você tenha condições de navegar em 3D da mesma forma e com a mesma agilidade que o faz em 2D. DESIGN 167 Figura 11 - Simulações de possibilidades de usos com mesa componível de estudos e de refeições Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017). Figura 12 - Mesa componível desmontável com demonstração do sistema de montagem Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017). Figura 13 - Desenho da Poltrona com pallet descartado Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017). 168 Em projetos de mobiliários seriados, não se deve esquecer da embalagem do produto. Pois, em pro- dutos desmontados, deve-se prever a organização espacial dos componentes e as suas respectivas pe- ças dentro da embalagem. Figura 14 - Criado Falante Fonte: Passaretti e Bisterzo (MONO DESIGN, [2018], on-line)1. Figura 15 - Mesa componível e cadeira desmontável com demonstra- ção do sistema de montagem e de organização na embalagem Fonte: o autor. Para o projeto da embalagem, são desenvol- vidas algumas simulações espaciais em 3D das peças e componentes do mobiliário dentro do vo- lume da que poderá ser ocupado, como foi apre- sentado na Unidade I. DESIGN 169 Esse modelo de representação tem a função de trans- mitir e apresentar a ideia da forma do produto e de como ele pode comportar-se no ambiente. Pode ser representado de forma bidimensional, tridimensio- nal e mista (bidimensional e tridimensional). Para Munari (2008, p. 85): [...] os modelos têm várias funções. Podem servir, por exemplo, para fazer demonstração prática de testes de materiais ou para apresen- tar um pormenor manuseável através do qual se possa entender o funcionamento de uma do- bradiça ou de um encaixe. Com isto, é essencial produzir modelos físicos para a representação e a apresentação de produtos e, as- sim, melhorar a visualização e o entendimento. As representações físicas podem ser demonstradas das seguintes formas: • maquete volumétrica de estudos; • mock-up; • maquete física; • protótipo. Representações Físicas em Projetos de Mobiliários 170 MAQUETE VOLUMÉTRICA DE ESTUDOS É um tipo de modelo físico tridimensional que tem fundamental importância no desenvolvimento das possibilidades de experimentos e testes para a cons- trução e a produção. Ele é desenvolvido em escalas de redução, contendo as medidas reais do produto proje- tado e que serão adotadas nas representações dos de- senhos técnicos, desenvolvidos com diversos tipos de materiais por meio da geração de formas do produto. Estas são desenvolvidas por meio do conceito inicial e concebidas nos primeiros esboços, para que se tenha uma ideia de qual será a melhor forma do produto. Em muitas situações, essas técnicas também são utilizadas nas apresentações formais em gerações de alternativas, ajudando no entendimento dos aspec- tos técnicos, estruturais, formais, funcionais e esté- ticos, pois tais técnicas facilitam a visualização das ideias antes da produção do protótipo. Algumas simulações podem ser feitas com bo- necos articuláveis de tamanhos diferentes e que imitam algumas proporções humanas, facilitando a verificação de alguns atributos eficazes na análise er- gonômica. Nessas simulações, são apresentados ma- nejos, alcances físicos e outros movimentos neces- sários que serão exigidos e atribuídos para o projeto do produto e, assim, há grande contribuição para o resultado final do projeto. Esse processo serve para modificar ou acrescen- tar determinados detalhes que serão observados nas simulações e análises, antecipando alguns problemas futuros nas melhorias das pesquisas e que estarão presentes na qualidade do resultado final do produto. Nessa primeira fase de modelagem, a criatividade pode ser desenvolvida na escolha final na representa- ção da ideia das gerações de alternativas na matriz de seleção (alternativa selecionada). Figura 16 - Simulação de cenas de uso com maquete física e volumé- trica de estudos de mobiliário componível para sala de TV Fonte: o autor. Figura 17 - Simulação com a maquete volumétrica de mobiliário componível Fonte: o autor. Figura 18 - Simulação com a maquete volumétrica de estudos Fonte: o autor. DESIGN 171 MOCK-UP É um modelo físico de baixa fidelidade e complexi- dade, com funcionalidade limitada para determina- dos testes de simulações de usabilidade. Aproxima- -se um pouco da realidade formal do produto, pois não precisa reproduzir todas as funções. O mock-up serve como ponto de partida para o refinamento da alternativa escolhida no projeto do produto. É parecido com a maquete volumétrica de estudos, diferenciando-se apenas na escala, pois, de acordo com Lima (2006, p. 29), ele é “modelo em escala natural (1:1), com material diferente ao espe- cificado no projeto, que apresenta as formas, dimen- sões e detalhes necessários para as análises”. O mock-up ajuda na observação e identificação de problemas construtivos e de alguns possíveis mecanismos, melhorando os arranjos estruturais, formais e dimensionais, e também na simulação de cenas de uso. Ajuda a sugerir algumas alterações quando ocorre a interação em uso com outros pro- dutos na composição com o ambiente. A simulação pode ser feita para se ter uma ideia do possível arranjo para o transporte (logística) do produto, no caso de mobiliários desmontáveis ou com peças que podem ser fixadas separadamente. O mock-up físico pode ser utilizado para simu- lações de usos com os variados e possíveis usuários, de diferentes percentis, com possibilidades de confi- gurações de usos com o produto. Dependendo da complexidade, quantidade e ta- manho do produto ou do sistema, alguns mock-ups podem ser feitos com representações bidimensionais, porém, com simulações pensadas em contextos tridi- mensionais, sendo feitos na vertical ou na horizontal, com as suas representações no chão ou na parede. Esta simulação facilita bastante a compreensão das formas e das funções do produto, como diz Co- elho (2008, p. 133): [...] o nível de detalhamento do mock-up varia em função do tipo de avaliação planejada: estática ou dinâmica. A avaliação estática, conduzida por especialistas, se relaciona com os conceitos do projeto; geralmente são utilizadas checklists. Já as avaliações dinâmicas verificam a simulação de uso, onde é verificado o passo-a-passo desempe- nhado pelo usuário. Esses dois tipos de avaliação são complementares – as avaliações dinâmicas geralmente revelam problemas que não podem ser identificadas pelas avaliações estáticas. Em algumas simulações, o mock-up utiliza a figura humana ou bonecos articulados com medidas an- tropométricas, com percentis diferenciados e com extremos das medidas dos usuários, analisando qual média adapta-se mais facilmente às variações das di- mensões dos usuários. Esses bonecos articulados podem ser desenvol- vidos com materiais flexíveis para realizar alguns movimentos necessários em possíveis tarefas que serão utilizadas no produto, representando as me- didas antropométricas para realizar registros foto- gráficos dos testes e das análises feitas na simulação de cenários de uso. Vários elementos podem ser observados na simu- lação e na produção do mock-up, a fim de evitar e di- minuir algumas falhas nas dimensões dos produtos, falhas essas que se relacionam com alguns movimen- tos de alcance, altura, postura incorreta e desconforto causado nas tarefas realizadas com o produto. Com essas informações observadas, é aconselhá- vel sugerir determinadas correções, sendo que algu- mas delas resultam em ajustes e em mudanças que 172 mos, equipamentos e mobiliários, sendo produzidas e representadasem escalas de reduções variadas. De acordo com Lima (2006, p. 29): [...] a maquete física é um modelo em escala re- duzida, feito com qualquer material. As técni- cas de desenvolvimento, são mistas, produzidos com diversos materiais, como por exemplo: pa- pel, madeira, acrílico, PVC, acetato, sucatas em geral, entre outros diversos materiais. podem vir a serem feitos na maquete física e, poste- riormente, no protótipo. Ou poderão ser realizadas novas análises com a produção de um novo mock-up que, por sua vez, é ajustado e modificado para que se- jam feitas as alterações necessárias, resolvendo deter- minadas falhas ou problemas observados nas simula- ções de usabilidade e de estabilidade do produto. O mock-up ajuda também em simulações de or- ganização espacial de produtos para facilitar a sua respectiva logística, facilitando o armazenamen- to com a possibilidade de encaixar mais produtos nos espaços destinados à sua logística de transpor- tes para a comercialização. Essa simulação é muito útil para mobiliários seriados montados e seriados desmontados, em situações de análise do volume de ocupação no espaço, principalmente para móveis es- tofados montados e desmontados. MAQUETE FÍSICA Muito utilizada para a representação tridimensional de espaços, detalhes construtivos, objetos, paisagis- Figura 19 - Simulação de cenas de usos com maquete física de mobiliário Fonte: o autor. O mock-up físico facilita o bom entendimen- to da ideia real do produto que será proje- tado, sendo confeccionado com materiais variados e na escala 1:1, para servir como experimento volumétrico. Muitas vezes, por ser um modelo de estu- dos, a qualidade no acabamento deixa a desejar, causando espanto para algumas pessoas que são convidadas para fazer al- gumas simulações e experimentos de usos e que não fazem parte do processo de de- senvolvimento do projeto do produto. Fonte: o autor. SAIBA MAIS Em muitas situações, as maquetes físicas possuem riquezas de detalhes que, em algumas fotografias DESIGN 173 de simulação de organização espacial, confundem no primeiro olhar, parecendo espaços e objetos de escala real. Caso seja necessário, utiliza-se manequins articu- láveis para realizarem algumas cenas de usos ou apresentações de algumas tarefas que imitam varia- dos tipos de usuários em determinados manejos, alcances físicos etc., podendo servir como base em simulações ergonômicas. De acordo com Cavassani (2014), a maquete física nos cede a opção do palpável. Fora do mundo virtual, ela nos permite ter em mãos um elemento, mesmo que em miniatura, que é uma cópia muito próxima do que será executado em um futuro próximo. Figura 20 - Simulação de cenas de usos com maquete física de mobiliário Fonte: o autor. Figura 21- Simulações de cenas de usos em maquete física de mobiliário, acompanhadas de um manequim articulável Fonte: o autor. As maquetes físicas ajudam na representa- ção feita após a análise e a simulação de ce- nas de usos com as maquetes volumétricas e com os mock-ups, apresentando a ideia da maior parte dos detalhes importantes que serão desenvolvidos e utilizados no projeto. Em todas essas etapas, uma boa elaboração projetual não pode ser desenvolvida sem os princípios norteadores da ergonomia, que fazem parte tanto de projetos de interiores quanto de projetos de mobiliários, pois o foco da concepção desses projetos deve estar sempre centrado nos usuários. Fonte: o autor. SAIBA MAIS 174 PROTÓTIPO De acordo com Lima (2006), é um modelo em escala natural (1:1), com material igual ou semelhante ao especificado no projeto. O protótipo é um modelo produzido com os materiais especificados no proje- to e destinado para testes e provas antes do procedi- mento de fabricação em série. Na análise de provas e testes, os projetistas ob- servam a estética formal do produto e todos os de- talhes dos processos produtivos, verificam se existe alguma falha na usabilidade do produto, na mon- tagem, no acabamento e no seu funcionamento e, assim, liberar para a fabricação seriada ou apenas para uma quantidade menor em forma de lote pi- loto, para serem desenvolvidos a última análise e os possíveis ajustes corretivos. Em alguns casos, um protótipo é desenvolvido ape- nas para a exposição e/ou o lançamento de produtos, para verificar a sua viabilidade e também as reações de um de- terminado público em relação à aceitação ou não de um novo produto que poderá ser desenvolvido e produzido. O desenvolvimento do primeiro protótipo ajuda na redução de riscos ou de incertezas, facilitando o entendimento de requisitos que fazem parte da se- quência dos processos, e estes poderão ser utilizados na fabricação do mobiliário. Desta forma, o protótipo serve como base para os referidos ajustes detectados, para as possíveis cor- reções e especificações dos materiais, estabilidade/ resistência do produto, componentes, dispositivos de montagens e processos tecnológicos que serão utilizados na fabricação. Na etapa da produção do protótipo piloto, são observados todos os detalhes que serão realizados em todas a sequências produtivas, para que, no final, o produto produzido não tenha falhas e nem origine futuras reclamações por parte dos clientes e usuários. Figura 22 - Protótipo de móvel estofado, apresentando algumas das possibilidades de composição Fonte: o autor. DESIGN 175 Após a fabricação do protótipo, podem ser de- senvolvidas algumas simulações nas configurações formais do mobiliário para se ter uma ideia das di- mensões e das possíveis composições que esse mobi- liário ocupará em diferentes ambientes. Outra alternativa muito realizada e usual é a simu- lação de uso com os possíveis usuários do produto e, desta forma, realizar uma simulação ergonômica de uso com o mobiliário. Diante disso, Gomes Filho (2003, p. 17) diz que: [...] a ergonomia objetiva sempre a melhor ade- quação ou adaptação possível do objeto aos seres vivos em geral. Sobretudo no que diz respeito à segurança, ao conforto e à eficácia de uso ou de operacionalidade dos objetos, mais particular- mente, nas atividades e tarefas humanas. Nes- te contexto, compreende-se a palavra objeto num sentido bem amplo e, portanto, significando pro- dutos de uso em geral: máquinas, equipamentos, ferramentas, postos de trabalhos, postos de ativi- dades, ambientes, sistemas de comunicação e de informações, e assim por diante. Assim, na simulação de uso com o produto, é acon- selhável que seja feita uma análise de testes com os mais variados e possíveis usuários, inclusive com animais, se for o caso. 176 É uma ferramenta de criatividade que, nas metodolo- gias usuais, tem início após o levantamento completo dos dados e das informações que norteiam o projeto. Durante esta etapa do projeto, são desenvolvidos alguns desenhos manuais ou com softwares específi- cos, ou por meio de maquetes e modelos volumétricos de estudos em escalas reais/de redução, com o objeti- vo de ilustrar e simular a geração de ideias e soluções. Na primeira etapa da geração de alternativas, são desenvolvidos desenhos, esboços ou modelos volu- métricos de forma livre. A mente do designer traba- lha sem restrições na utilização do processo criativo, podendo gerar a maior quantidade possível de op- ções de alternativas e, assim, ter como base referen- cial todos os conceitos pesquisados e analisados. De acordo com Platcheck (2012), a geração de alternativas é a concepção de ideias de configuração por meio do uso de representação bi e tridimensio- nais (roughs, esboços, layout, rendering). Gerações de Alternativas em Projetos de Mobiliários DESIGN 177 Nesta fase, é usual fazer uma tabela, denominada matriz de seleção, com ideias que podem ser feitas de diversas maneiras: desenhos manuais, desenhos digitais com softwares espe- cíficos, modelo volumétrico, maquete, física, mock-up etc. É gerada a maior quantida- de possível de alternativas de forma intuitiva, e por meio deanálise visual, experimentos ou simulações formais, chegar à melhor escolha de solução. Em seguida, as opções são observadas, analisa- das e votadas com algum conceito ou nota, levando em consideração alguns parâmetros para a escolha da melhor alternativa. Figura 23 - Em software 3D, gerações de al- ternativas de um banco em madeira Fonte: acervo pessoal - Alan Aparecido An- dré de Azevedo (2014). Figura 24 - Desenho manual de geração de alternativa de um móvel (aparador) Fonte: acervo pessoal - Elias Soares (2013). 178 Caso haja uma grande quantidade de opções na matriz de seleção, e não ocorrer dúvidas na escolha de uma das opções, o ideal é fazer uma segunda matriz de seleção com algumas alterações sugeri- das, e assim sucessivamente, até que se escolha a melhor alternativa. Requisitos a serem atendidos Aspectos estéticos A A A Multifuncional N/A N/A N/A Ergonomicamente correto A A A Fácil produção A A A Preço acessível A A A Menos peso N/A A A Fácil manuseio N/A A A Características inovadoras N/A N/A N/A Tabela 1 - Opções de alternativas organizadas em uma tabela de matriz de seleção Fonte: o autor. Essa tabela da matriz de seleção é um modelo que se faz para chegar à alternativa escolhida do produto, podendo ser apresentada com representações gráfi- cas manuais ou digitais, e também com representa- ções físicas (maquetes, modelos ou mock-ups). 179 considerações finais Caro(a) aluno(a), finalizamos o nosso conteúdo da Unidade V construindo a per- cepção das relações práticas entre as representações gráficas e físicas que são usadas em alguns projetos de mobiliários, levando em consideração que essas duas formas de representações (gráficas e físicas) comunicam-se, completam-se e interagem. Isto porque, no bom resultado do protótipo de um projeto de mobiliário, muitas vezes, deve-se passar por esses processos representativos para gerar as primeiras formas do produto, o que pode servir, nesse resultado, para ilustrar o processo de desenvolvi- mento projetual. Este, por sua vez, pode ser anexado na documentação técnica, a qual apresenta todas as fases do projeto de desenvolvimento do produto. Aprendemos a diferenciar os meios de representações gráficas que podem ser utili- zados em projetos de mobiliários para variados tipos de ambientes e com diversas finalidades de utilização. A identificação de uma forma apropriada para um determinado projeto de mobiliário, que é destinado a variados perfis de clientes, é um processo que, muitas vezes, não é fácil, pois necessita de uma boa fase de pesquisa, levando em consideração todos os desejos e necessidades dos usuários que são inseridos em variados públicos-alvos específicos. Aprendemos, também, a importância da ferramenta criativa de geração de alternativas, principalmente quando organizadas em uma tabela de matriz de seleção, recurso que faz muita diferença na escolha de um determinado artefato. Com isto, os meios de representação, juntamente com um bom processo metodo- lógico do design e conhecimentos básicos sobre ergonomia e materiais, facilitam bastante todo o processo de criação e, consequentemente, contribuem efetivamente para um bom resultado no design de produto, assim como em um projeto segmen- tado para o setor moveleiro. 180 LEITURA COMPLEMENTAR Prototipagem rápida A prototipagem rápida é um processo que produz peças camada por camada, diretamente de um modelo gerado por um sistema de projeto auxiliado por computador (CAD). É um método bastante peculiar, uma vez que ele agrega e une materiais, camada a camada, de modo a construir o objeto desejado em plástico, madeira, cerâmica ou metais. Ele oferece diversas vantagens em muitas aplicações quando comparado aos processos de fabricação clássicos, baseados em remoção de material, tais como fresamento ou torneamento. Ao contrário dos processos de usinagem, que retiram material (subtração) da peça bruta para obter a peça desejada, os sistemas de prototipagem rápida geram a peça a partir da união gradativa (adição) de líquidos, sólidos ou pós. São vários os sistemas de prototipagem rápida usados na fabricação de modelos, mas to- dos os existentes são constituídos por cinco etapas básicas: 1ª Criação de modelo CAD da peça projetada. 2ª Conversão do arquivo CAD em formato adequado. 3ª Fatiamento do arquivo em finas camadas. 4ª Construção real do modelo por meio de camadas sobrepostas (adição). 5ª Limpeza e acabamento do modelo. Após exaustivo detalhamento das peças confeccionadas por meio de prototipagem rápida, entra em cena o protótipo definitivo para a produção em série, realizado com materiais definitivos e acabamentos que simulam ao máximo o produto final. Devido às suas peculiaridades na produção, um protótipo pode custar 20 vezes o valor do produto final produzido em série. Isso significa dizer, por exemplo, que o protótipo de um produto que custe 1.000 reais pode chegar ao preço de 2.0000 reais e, mesmo assim, o pro- cesso de prototipagem rápida é tão oneroso quanto os tradicionais, tais como usinagem. A prototipagem é, portanto, um momento crucial no projeto, tanto no que diz respeito às soluções buscadas como ao elevado custo exigido. Por isso, sempre que possível, o protótipo deve ser substituído por esboços, desenhos de ilus- trações, maquetes ou mock-ups. Os protótipos somente devem ser feitos em caso de extrema necessidade e, ainda assim, com a complexidade mínima para encontrar soluções do projeto. Fonte: Gomes (2015, p. 105-106). 181 atividades de estudo 1. No design de produto, especificamente em projetos de mobiliários, os meios de representação física podem ser divididos em: a. Maquete volumétrica de estudos, protótipo e croqui. b. Maquete volumétrica de estudos, mock-up, maquete física e protótipo. c. Sistema 32, mock-up, desenho técnico. d. Maquete volumétrica, Sistema 32, desenho técnico. e. Mock-up, Sistema 32, desenho técnico. 2. A geração de alternativas é uma ferramenta muito importante para a defini- ção da escolha do produto que será desenvolvido para o projeto de mobiliá- rio. Diante desta afirmação, fale sobre esta ferramenta. 3. O protótipo é praticamente o resultado de todo um processo no desenvolvi- mento de um projeto de produto e, para se chegar até ele, muitas fases são realizadas. Explique o que é e qual a função de um protótipo. 4. No design de produto, a representação gráfica tem um grande peso para que o produto possa ser produzido. Sobre os itens relacionados com a representa- ção gráfica em projetos de mobiliários, leia as afirmativas a seguir. I. Em móveis seriados, usualmente é desenvolvido um manual de montagem. II. Para a produção em série, são desenvolvidos desenhos peça por peça. III. Utiliza-se softwares específicos de desenho 2D e 3D. IV. É desenvolvida uma maquete volumétrica de papel e de outros materiais. Podemos afirmar que: a. Somente as afirmativas I, II e III estão corretas. b. Somente as afirmativasII e III estão corretas. c. Somente as afirmativas III e IV estão corretas. d. Somente as afirmativas II, III e IV estão corretas. e. Nenhuma das afirmativas está correta. 182 atividades de estudo 5. Dentre os itens a serem verificados, no que diz respeito às representações gráficas e físicas, leia as afirmativas a seguir. I. O desenvolvimento do primeiro protótipo ajuda na redução de riscos ou de incertezas, facilitando o entendimento de requisitos que fazem parte da sequ- ência dos processos que, por sua vez, poderão ser utilizados na fabricação do mobiliário. II. A geração de alternativas é uma ferramenta de criatividade que, nas meto- dologias usuais, tem início após o levantamento completo dos dados e das informações que norteiam o projeto. III. Na primeira etapa da geração de alternativas, são desenvolvidos desenhos, esboços ou modelos volumétricos de forma livre, o entendimento das confi- gurações e as junções das peças e componentes. IV. Protótipo: modelo em escala natural (1:1), com materialigual ou semelhante ao especificado no projeto. Podemos afirmar que: a. Somente as afirmativas I, II e III estão corretas. b. Somente as afirmativas II e III estão corretas. c. Somente as afirmativas II, III e IV estão corretas. d. Somente a afirmativa III está correta. e. Todas as afirmativas estão corretas. 183 material complementar Técnicas de Representação Lorraine Farrelly Editora: Bookman Sinopse: esse livro explora diversos conceitos e técnicas empregados para a re- presentação em arquitetura, desde a maneira como os croquis são utilizados para desenvolver as ideias de conceito, até desenhos do projeto executivo e maquetes necessários para a construção de edificações. Técnicas de Representação cobre os métodos de representação bi e tridimensional e demonstra a variedade de técni- cas e instrumentos disponíveis, como os empregados para fazer croquis à mão livre, desenhos e maquetes eletrônicas de última geração. Exemplos de arquitetos e projetistas de prestígio do mundo inteiro, e também trabalhos mais experimen- tais, feitos por estudantes de arquitetura, demonstram uma variedade de inter- pretações, possibilidades e aplicações. Indicação para Ler O Homem ao Lado 2009 Sinopse: filme argentino mais premiado de 2010, “O Homem ao Lado” tem como protagonista Leonardo, um designer de produto bem-sucedido que mora na ma- ravilhosa Casa Curutchet, projetada por Le Corbusier e localizada em La Plata, Ar- gentina. É famosa por ser a única casa que o arquiteto projetou em toda a América Latina. Tudo começa quando o seu vizinho faz um buraco na parede que dá para o interior da sua casa. Indicação para Assistir 184 material complementar Reedição Cadeira 1001 - Móveis Cimo S/A Esse vídeo mostra uma simulação em 3D de possibilidade de uma reedição da Cadeira 1001, produzida pela antiga fábrica de móveis Cimo. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ySIrm9y5K0o>. Documentário Carlos Motta: nas ondas da vida esse vídeo é um documentário que mostra um pouco da vida, das experiências e dos trabalhos realiza- dos pelo projetista de móveis Carlos Motta. Disponível em: <https://vimeo.com/12566996>. Indicação para Acessar https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 https://vimeo.com/12566996 185 referências CAVASSANI, G. Técnicas de Maquetaria. São Paulo: Érica, 2014. COELHO, L. A. L. (org). Conceitos-chave em design. Rio de Janeiro: PUC-Rio/ Novas Ideias, 2008. GOMES FILHO, J. Ergonomia do Objeto: sistema técnico de leitura ergonômica. São Paulo: Escrituras, 2003. GOMES, L. C. G. Fundamentos do Design. Curitiba: Editora do Livro Técnico, 2015. HSUAN-NA, T. Design: Conceitos e Métodos. São Paulo: Blücher, 2017. LIMA, M. A. M. Introdução aos Materiais para Designers. Rio de Janeiro: Ciência Moderna Ltda., 2006. MUNARI, B. Das Coisas Nascem Coisas. Trad. José Manuel de Vasconcelos. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2008. OLIVEIRA, A. Desenho computadorizado: técnicas para projetos arquitetônicos. São Paulo: Érica, 2014. PLATCHECK, E. R. Design industrial: metodologia de ecodesign para o desenvol- vimento de produtos sustentáveis. São Paulo: Atlas, 2012. VESTERLON, M. Desenho de Móveis. Bento Gonçalves: SENAI/CETEMO, 2007. Referência On-Line 1Em: <www.monodesign.com.br>. Acesso em: 10 mar. 2018. 186 gabarito 1. B. 2. É uma ferramenta de criatividade que, nas metodologias usuais, tem início após o levantamento completo dos dados e das informações que norteiam o projeto. Durante esta etapa do projeto, são desenvolvidos alguns desenhos ma- nuais ou com softwares específicos, ou por meio de maquetes e modelos volumétricos de estudos em escalas reais/de redução, com o objetivo de ilustrar e simular a geração de ideias e soluções. Na primeira etapa da geração de alternativas, são desenvolvidos dese- nhos, esboços ou modelos volumétricos de forma livre. A mente do desig- ner trabalha sem restrições na utilização do processo criativo, podendo gerar a maior quantidade possível de opções de alternativas e, assim, ter como base referencial todos os conceitos pesquisados e analisados. 3. O protótipo é um modelo produzido com os materiais especificados no projeto e destinado para testes e provas antes do procedimento de fa- bricação em série. Na análise de provas e testes, os projetistas observam a estética formal do produto e todos os detalhes dos processos produtivos, verificam se existe alguma falha na usabilidade do produto, na montagem, no acaba- mento e no seu funcionamento e, assim, liberar para a fabricação seriada ou apenas para uma quantidade menor em forma de lote piloto, para serem desenvolvidos a última análise e os possíveis ajustes corretivos. Em alguns casos, um protótipo é desenvolvido apenas para a exposi- ção e/ou o lançamento de produtos, para verificar a sua viabilidade e também as reações de um determinado público em relação à aceitação ou não de um novo produto que poderá ser desenvolvido e produzido. Após a fabricação do protótipo, podem ser desenvolvidas algumas simu- lações nas configurações formais do mobiliário para que se tenha uma ideia das dimensões que ocupará em possíveis ambientes. Outra alter- nativa muito realizada e usual é a simulação de uso com os possíveis usuários do produto e, desta forma, realizar uma simulação ergonômica de uso com o mobiliário. 4. B. 5. C. Professor Esp. Ivã Vinagre de Lima Professora Esp. Thiara L. S. Stivari Socolovithc Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Uma demanda inicial • Fase da preparação: análise do problema • Fase da geração de ideias: alternativas do problema • Fase da seleção de ideias: avaliação das alternativas de design • Fase de realização: proposta definida da solução de design • Documentação do projeto de design Objetivos de Aprendizagem • Analisar os perfis de demanda do mercado. • Compreender as fases de análise do problema. • Compreender o processo de geração de ideias. • Observar métodos de análise de ideias propostas. • Preparar o projeto para implementação. • Compreender a fase de documentação do projeto final. MATERIAL EXTRA unidade VI INTRODUÇÃO C aro(a) aluno(a), nesta unidade, acompanharemos a importância do designer na criação e no desenvolvimento de soluções para problemas observados. Acom- panharemos, de forma prática, o passo a passo das metodologias de design aplicadas no desenvolvimento do projeto de móveis. Propomos, por meio dos exemplos desenvolvidos, demonstrar como é importante a visão crítica e analítica do designer sobre o seu próprio trabalho. O profissional deve desenvolver um olhar criterioso sobre os seus projetos, pensando não só em solucionar problemas, mas nos aspectos sociais, ou seja, como as pessoas vão utilizar os produtos, qual a sua segurança ou o seu risco de acidentes, além da responsabilidadecom o meio ambiente e o ciclo de vida desses produtos. Encararemos o design como fator criativo fundamental no processo de desenvolvi- mentos de novos produtos, pois, como parte integrante do processo industrial, espera-se dele a capacidade intelectual de reunir informações, analisá-las e propor inovações que sirvam aos propósitos da empresa e que atendam bem ao mercado consumidor. Conforme Löbach (2001) orientava, a criatividade do designer manifesta-se à medida que ele reúne os seus conhecimentos técnicos e a sua experiência prévia às informações e aos desafios que cada problema apresenta, estabelecendo novas perspectivas, abando- nando a segurança do que é conhecido para, assim, propor um olhar crítico e criativo na busca por novas respostas a antigos problemas. Compreendemos que esse desafio é um trabalho em conjunto entre designers e em- presários para criar soluções inovadoras. A partir de um problema ou de uma demanda de mercado, podemos pensar em uma série de metodologias que nos auxiliem no cami- nho para propor soluções pertinentes aos problemas apresentados. Dentre elas, estão as propostas de Bernand Löbach (2001), Bruno Munari (2008), Mike Baxter (2011), entre outros. Convidamos você a fazer a leitura das bibliografias referenciadas e conferir, tam- bém, qual modelo adequa-se melhor ao seu perfil de trabalho 192 Caro(a) aluno(a), a demanda por um novo projeto de mobiliário pode surgir de diversas maneiras, para isto, é necessário compreender as estratégias empre- sariais para o desenvolvimento de novos produtos. Alguns dos aspectos que são considerados po- dem ser, segundo Baxter (2011), a análise do ciclo de vida dos produtos existentes, em que a empre- sa observará em qual ponto de maturidade eles se encontram e, desta forma, estar preparada para, no momento de declínio das vendas, ter um novo pro- duto a ser lançado e, assim, não perder mercado. Em segundo lugar, uma demanda pode surgir de uma auditoria do produto existente, em que se ana- lisam falhas e possíveis defeitos (não identificados previamente) ou problemas de custo de produção atuais, exigindo a revisão do produto. Outra demanda pode surgir da análise do mer- cado e da concorrência. Ao pesquisar sobre o mer- cado consumidor, constatam-se carências ainda não atendidas ou que podem ser melhor supridas, geran- do a oportunidade de inovação. Ao analisar os con- correntes, a empresa pode observar de que maneira Uma Demanda Inicial DESIGN 193 eles conseguiram alcançar o sucesso ou onde fracas- saram. Estas análises antecipam possíveis ameaças futuras e conferem em qual medida a concorrência pode interferir no desempenho da própria empresa. Por fim, pode surgir uma demanda de design de um projeto para o futuro. Um investimento sem re- torno imediato que, entretanto, pode tornar-se uma solução rentável em longo prazo (em termos de ima- gem da marca ou de lucro efetivo). Vamos conhecer mais detalhadamente, na sequência, essas demandas. DEMANDA POR RENOVAÇÃO DE LINHA DE PRODUTOS Essa demanda surge pela necessidade de inovação estética/formal devido ao ciclo de vida dos produ- tos, à atualização de produtos existentes, à renova- ção por questões de moda e tendências (troca de coleção, demanda sazonal etc.). O design do móvel destina-se a propor novas configurações para o pro- duto, porém, sem grandes alterações no processo produtivo, o foco é a renovação estética das peças. substituição dos produtos, conforme eles vão ama- durecendo e entrando em declínio e, muitas vezes, o produto não chega a “cair de moda”, mas, por conta do mercado, já é exigida a sua substituição. O mer- cado de móveis, por ser um segmento de bens de média duração, possui uma rotatividade um pouco menor, porém, é também influenciado pelas tendên- cias de moda e pelas inovações. Quando, em uma análise da concorrência, o pro- duto encontra-se em desvantagem, por exemplo, a sua estética tornou-se obsoleta ou está muito semelhante ao que há no mercado, ou se a sua performance é pior do que a da concorrência, é comum que surja a de- manda pela troca ou reestruturação dos produtos. Segundo Baxter (2000), os produtos devem ser subs- tituídos por novos para manterem o poder compe- titivo da empresa. Mercados ligados à moda são um exemplo do contínuo fluxo de criação, circulação e DEMANDA POR RENOVAÇÃO TÉCNICA A proposta é apresentar uma nova forma de fabri- cação para um produto já existente. O foco está na melhoria de performance do produto, no estudo de custos, na revisão dos materiais, na otimização das peças, nos processos produtivos empregados, entre outros. O designer pode atuar juntamente com o engenheiro de produção para, com peque- nos ajustes estéticos/formais, conseguir maiores produtividade ou aproveitamento dos recursos fí- sicos e pessoais da empresa. 194 DEMANDA DO MERCADO ATUAL A empresa percebe um problema ou uma necessi- dade que os consumidores possuem devido à inade- quação/obsolescência de produtos existentes ou um desejo latente que ainda não se manifestou, o qual possa ser atendido por um novo projeto de design. O caso das carroças é um exemplo clássico: observou- -se que as pessoas tinham necessidade/desejo de se locomoverem mais rapidamente, e não de cavalos/ DEMANDAS PARA NECESSIDADES FUTURAS Essas demandas surgem a partir da projeção ou da antecipação de problemas sociais que possam vir a existir. É o caso da projeção de produtos para uma situação de calamidade, problemas de ordem ecoló- gica com destino local ou global, ou projetos de de- senvolvimento tecnológico para realidades futuras. Designers, como Tim Brown (CEO da IDEO e desenvolvedor da metodologia de Design Thinking) ou empresários, como Elon Musk (proprietário da Tesla e da Space X) tornaram-se referências ao pro- por novas visões sobre os problemas do mundo e como o ser humano pode agir nele. Este campo de atuação compreende não somen- te a inovação estética, mas a tecnológica, a funcional e a própria concepção da função do design, por as- sim dizer, podendo oferecer inovações ao mercado de infinitas maneiras. Em vista dessas demandas, o designer depara- carroças mais velozes. Com a definição clara do problema, as soluções puderam ser mais as- sertivas e inovadoras e, a partir daí, o automóvel tinha espaço para ser criado. Em tempos de constantes mudanças, é neces- sário repensar o que está esta- belecido e propor novas ideias. Para Baxter (2000, p. 122), “o produto com uma especifi- cação clara e precisa, antes de começar o desenvolvimento, tem três vezes mais chances de sucesso do que aquele cujo de- senvolvimento é iniciado sem esse tipo de cuidado”. -se com uma série de proble- mas a ser resolvidos. E por esta perspectiva que o processo criativo pode ser dividido em quatro etapas: • fase da preparação: aná- lise do problema; • fase da geração de idéias: geração de alternativas; • fase da seleção de ideias: avaliação das alternati- vas de design; • fase de realização: reali- zação e revisão da solu- ção do problema. DESIGN 195 Esta pode ser a primeira etapa do projeto, em que é realizado o levantamento dos dados necessários para a especificação do problema de projeto e os requisitos e/ou restrições do produto que se dese- ja projetar. Para Baxter (2000, p. 74), “a análise do problema serve para conhecer as causas básicas do problema e, assim, fixar as suas metas e fronteiras”. Carpes Junior (2014, p. 35) apresenta a seguinte definição para o projeto informacional: [...] a primeira fase do desenvolvimento de um produto é o projeto informacional, também chamado de definição da tarefa ou planeja- mento do produto. Para realizar essa etapa, é Fase de Preparação: Análise do Problema 196 preciso identificar e analisar as necessidades do consumidor, descrever a ideia do produto e determinar os requisitos e as especificações do projeto.Assim, no design de produto, o plane- jamento é uma das etapas muito importantespara um bom resultado final de um artefato, pois é nele que podem ser definidas todas as fa- ses que darão sequência para a organização do desenvolvimento de um produto. Segundo Merino (2016, p. 7), [...] o Design é uma disciplina que tem por ob- jetivo máximo promover o bem estar das pes- soas, a diferença está na maneira de como o de- signer percebe as coisas e age sobre elas. Baxter (2000, p. 122) apresenta a seguinte defini- ção para o planejamento do produto: [...] o planejamento do produto é uma das ativi- dades mais difíceis no desenvolvimento de no- vos produtos. Pode ser frustrante experimentar a sensação de estar pulando no vazio, quando se procura especificar um produto, cujo desen- volvimento ainda não foi iniciado. Muitos designers não suportam essa sensação de vazio e partem logo para elaborar alguns es- boços e modelos. O planejamento do produto exige, portanto, auto-disciplina. Você deve in- sistir em cumprir bem essa tarefa, se desejar que o seu produto tenha uma boa chance de desen- volvimento. Começar o desenvolvimento sem ter o planejamento bem feito é como sair por aí, navegando às cegas, sem ter um destino certo. No planejamento para a concepção de um projeto de produto, deve estar inseridas a identificação de uma nova oportunidade para um determinado ni- cho de mercado, a pesquisa e a análise dos produtos concorrentes e similares dentro do segmento que se pretende projetar, a apresentação de uma nova pro- posta para um novo e diferenciado produto, uma boa justificativa que especifica a necessidade para um determinado segmento mercadológico que se deseja atingir e o foco sempre centrado no usuário. Com isto, o conhecimento do público-alvo ajuda na detecção de novas oportunidades para um produto ter boa aceitação dentro de um segmento do nicho de mercado que se deseja atingir. Hsuan-Na (2017, p. 45) apresenta a seguinte de- finição sobre a importância do método no design de produto: [...] toda atividade pensada e planejada, ou que segue métodos, consiste em um processo. Desde a confecção de um bolo até o planejamento do produto que demanda tempo, espaço e méto- dos, recursos, técnicas e materiais. No design de produtos, o grau de complexidade é tão grande que exige uma metodologia eficaz para orientar o designer a racionalizar toda a sequência do trabalho para conhecer um produto. Desta forma, uma sequência metodológica ajuda bastante na organização das informações e no bom resultado final de um projeto de produto. ANÁLISE DA NECESSIDADE Essa análise tem a função do entendimento e da observação das necessidades dos consumidores ou usuários de produtos ou serviços, e essa função pode ser aprofundada por meio de pesquisa de campo, questionários, entrevistas, enquetes etc., em que podem ser percebidos e entendidos os de- sejos, as necessidades e, até mesmo, os comporta- mentos dos usuários. DESIGN 197 Segundo Merino (2016, p. 7), “o design é uma discipli- na que tem por objetivo máximo promover o bem-es- tar das pessoas, a diferença está na maneira de como o designer percebe as coisas e age sobre elas”. Hsuan-Na (2017, p. 79) apresenta a seguinte definição sobre a re- lação e a adaptação do usuário com o objeto: [...] na interação entre homem e o objeto, este deve se adaptar às necessidades e exigências do primeiro. Mesmo assim, o homem usa o objeto e tenta adaptá-lo à sua maneira, criando con- sequências às vezes prejudiciais à sua saúde. O usuário, muitas vezes, não assume posturas e movimentos de modo ergonomicamente ade- quado. No aspecto do uso, a ergonomia torna- -se fundamental quando se trata do conforto na sua utilização. O objeto, principalmente o mobiliário, quando é mal resolvido no aspecto ergonômico e mal relacionado ao seu usuário, pode trazer consequências desagradáveis não só no estado físico-fisiológico, mas também psi- cológico e mental. Essa é uma importante con- sideração que deve ser lembrada pelo designer. Não só as formas e dimensões, mas os materiais e cores exercem influências no conforto de uso. A posição, a localização e o espaço ocupado do objeto em relação ao usuário são determinantes para uma boa interação no ambiente. Para avaliar um produto, é essencial que sejam ana- lisadas as relações com o usuário sob diversas óticas. Assim, faz-se necessária uma análise ergonômica do objeto projetado, cujo objetivo é a detecção de aspectos positivos e negativos e o aprimoramento da relação usuário x produto, aspecto que, por sua vez, visa a aumentar a qualidade do desempenho e do conforto dessa relação, tendo como finalidade a obtenção de determinantes da situação de trabalho. Desta forma, é aconselhável uma análise das ta- refas que são desempenhadas pelos usuários junta- mente com o mobiliário, em que podem ser obser- vados e detectados todas as necessidades, benefícios e malefícios que o mobiliário oferece ao usuário. De acordo com Pazmino (2015, p. 124): [...] a análise da tarefa permite observar a relação do homem com determinado produto ou servi- ço durante seu uso. Por meio dessa ferramenta, Figura 1 - Detalhe da tampo prateleira do móvel Fonte: acervo pessoal - Clécio Zeithammer (2015). 198 podem ser observados os aspectos ergonômicos e antropométricos de determinada atividade, destacando pontos positivos e negativos que possam melhorar a interface homem-produto. fundamental importância para a compreensão das reais necessidades desejadas. A pesquisa sobre os comportamentos dos con- sumidores auxilia as descobertas dos desejos e dos pensamentos e, assim, é possível observar uma nova oportunidade para o mercado destinado a esse pú- blico e, quem sabe, para um novo nicho de mercado. Peruzzi (1998, p. 11) apresenta a seguinte definição para o design: [...] o design é um elemento fundamental para agregar valor e criar identidade visual para produtos, serviços e empresas, constituindo, em última análise, a imagem das empresas no mercado. Alguns aspectos incorporados pelo design são inovação, confiabilidade, raciona- lização, evolução tecnológica, padrão estético, rápida percepção da função – uso de produtos, adequação às características sócio-econômicas e culturais do usuário. Com isto, na análise do público-alvo, é necessário o conhecimento das caraterísticas psicológicas, so- ciais, econômicas e culturais. Estas características auxiliam no entendimento para a melhor visualiza- ção das necessidades dos possíveis usuários. Merino ANÁLISE DO PÚBLICO-ALVO No projeto de produto, o foco deve sempre estar centrado no usuário e, com isto, o conhecimento e a definição com mais propriedade sobre o perfil do público-alvo que se deseja atingir com o projeto têm DESIGN 199 (2016, p. 7) apresenta a seguinte definição sobre o projeto centrado no usuário: [...] pensar em projeto centrado no usuário é colocar o usuário no centro de cada fase do desenvolvimento de um produto ou serviço. Esta abordagem requer a adoção de uma sé- rie de cuidados que vão desde a interação com o produto/serviço às características e experi- ências do usuário por meio dessa interação O desafio está não somente em levantar informa- ções, analisá-las e chegar à solução para proble- mas existentes, mas sim, em testar, avaliar e va- lidar produtos ou serviços planejados para um mundo real, para usuários reais. Assim, com o conhecimento dos possíveis usuários, torna-se mais fácil direcionar o produto para ter um bom resultado, evitando, com isto, os “achismos”. [...] o briefing do processo projetual exige uma análise prévia das características do público-al- vo: faixa etária; gênero; condições e expectati- vas financeiras, culturais, estéticas e psicoló- gicas; características físicas e mentais; desejos; preferências; necessidades e exigências. Enfim, o projeto procura conceber e produzir um pro- duto para atender ao seu público-alvo. Os qua- tro pilares do design têm exatamente a função de fazer o designer ter em mente esses fatores básicosque, ao serem destrinchados, cobrem as considerações necessárias para tal fim. Com essas informações, o projeto consegue ter mais propriedade e bom desempenho, atendendo, desta forma, o máximo possível das necessidades dos usuários. ANÁLISE DA RELAÇÃO SOCIAL Esta análise tem grande importância no design de produto, pois ela pode mostrar as características no contexto que norteia o produto, contexto esse den- tro de uma estrutura social, e também em sua fun- ção simbólica, com o propósito de atingir e atender, de forma abrangente, às necessidades de um deter- minado nicho de mercado. Para o sucesso e a boa aceitação do mobiliário, é importante, além do estudo dos valores simbólicos e comportamentais, uma pesquisa de tendências, a fim de satisfazer as necessidades humanas para que, assim, o produto consiga ter uma boa inserção em seu lançamento. Para Ono (2006, p. 38), [...] o contexto social, cultural e econômico exer- ce uma grande influência sobre os valores, pensa- mentos e ações dos indivíduos, e, extensivamen- te, sobre o julgamento e uso dos objetos pelos mesmos, moldando os hábitos de consumo”. Hsuan-Na (2017, p. 88), por sua vez, apresenta a seguin- te definição sobre as características do público-alvo: 200 ANÁLISE DA RELAÇÃO COM O AMBIENTE (PRODUTO-AMBIENTE) A concepção de desenvolvimento de um projeto de produto com possibilidade de uso em um ambien- te (interno ou externo) envolve processos que nem sempre são ideais para a organização espacial destes espaços. A problemática das configurações espaciais em alguns ambientes, principalmente em habita- ções, constitui um nicho em crescente ascensão no mercado imobiliário brasileiro, o que contribui para a construção e a aquisição de moradias com cômo- dos cada vez menores. Com isto, a ergonomia faz parte de um requisi- to muito importante, pois é necessária a realização de um estudo de diagnose ergonômica com muita responsabilidade na etapa do desenvolvimento do produto, procurando trazer, como prioridade, a qua- lidade nos projetos para os usuários, demonstrando a relação entre o design, a ergonomia e a construção civil nos aspectos de dimensionamento dos espaços juntamente com o mobiliário, possibilitando, assim, o melhor aproveitamento do espaço físico disponível. O fato da metragem dos espaços ser cada vez mais reduzida dificulta a sua relação com a disposição dos móveis e com outros produtos no interior dos am- bientes, os quais configuram-se como elementos de extrema importância para a sua composição espa- cial, evitando, assim, projetos de produtos mal di- mensionados, fornecendo insatisfação aos usuários. A ergonomia está relacionada à otimização do espaço e à sua utilização a partir da observação e análise das condições ideais, considerando a funcio- nalidade, a disposição de mobiliário e a circulação, aspectos que podem conferir ao usuário autonomia e orientação (VASCONCELOS, 2011). Para avaliar um produto, é essencial que sejam analisadas as relações com o usuário sob diversas óticas. Assim, faz-se necessária uma análise ergo- nômica do objeto projetado, que tem por objetivo a detecção de aspectos positivos e negativos e o apri- moramento da relação usuário x produto, visando DESIGN 201 a aumentar, nessa relação, a qualidade do desempe- nho e do conforto, tendo como finalidade a obten- ção de determinantes da situação de trabalho. A partir disto, deve-se projetar e planejar os mobiliá- rios tendo, como foco principal, não só os ambientes aos quais esses mobiliários destinam-se, mas também os comportamentos e as necessidades dos usuários. DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO É uma etapa dentro do desenvolvimento do projeto de produto que tem uma grande relação com Histó- ria, Sociologia e Antropologia, pois é feita uma análise histórica de um determinado produto similar àquele que se deseja projetar, verificando o caminho percor- rido por ele ao longo de uma determinada época. A análise pode ser apresentada por meio de uma tabela cronológica e comparativa, ou simplesmente por meio de imagens de produtos que marcaram uma determinada linha do tempo. Pazmino (2015, p. 82) descreve a etapa do desen- volvimento histórico do produto da seguinte maneira: [...] é um exame dos aspectos culturais, sociais, tecnológicos etc., observados quanto à evolução de um produto. Ou seja, é um levantamento das características do produto a ser desenvolvido ou da função a ser satisfeita, mostrando as mudan- ças ao longo do tempo. Deve incluir uma análise de tendências tanto comportamentais como so- ciais e tecnológicas. Estes dados podem ser uti- lizados para definir as características no projeto e evitar reinvenções e plágios. ANÁLISE DE MERCADO Esta análise pode ser chamada, também, de análise de concorrentes e similares ou de análise sincrônica. De acordo com Pazmino (2015, p. 64): [...] é uma ferramenta de análise que serve para comparar os produtos em desenvolvimento 202 com produtos existentes ou concorrentes, base- ando-se em variáveis mensuráveis, ou seja, que podem ser medidas. Permite avaliar aspectos qualitativos, quantitativos. ANÁLISE DE MATERIAIS E PROCESSOS DE FABRICAÇÃO Conhecer os materiais e os processos é um dos re- quisitos principais para o designer de produtos. O contato com catálogos, as visitas em lojas de diver- sos segmentos, além das visitas às feiras e exposições que apresentam tendências (com as suas respectivas aplicações), todos ajudam bastante no enriqueci- mento do repertório visual e até despertam a cria- tividade para novas possibilidades de usos em va- riados projetos de mobiliários e de outros produtos. Segundo Munari (2008, p. 98), “deve-se verificar se o material utilizado é adequado ao objeto e suas funções, e se atende aos objetivos propostos”. Para Paim e Scotton (2007, p. 7), [...] a seleção do material adequado é essencial ao desenvolvimento do produto, para que o mesmo seja bem elaborado em todos os sen- Para Baxter (2000, p. 116), [...] a análise de concorrentes serve para mo- nitorar as empresas e seus produtos. Procura determinar como elas conseguiram alcançar o sucesso e onde fracassam. [...] para esta análise, prioriza-se uma boa ob- servação quanto à adequação do mobiliário aos requisitos e atributos ergonômicos, e também quanto aos aspectos problemáticos observados em uma pesquisa de campo. DESIGN 203 tidos: qualidade, propriedade, custo, desem- penho de sua função e aceitação pelo público consumidor. PATENTES, LEGISLAÇÃO E NORMAS O projeto de mobiliário deve estar de acordo com normas, conformidades e especificações vigentes, frente à regulamentação que é exigida para o desen- volvimento de qualquer produto. Estas informações são de extrema importância para dar continuidade ao projeto, a fim de fornecer maior subsídio ao projeto de mobiliário de qualquer categoria de produto, sendo necessário dar atenção especial para uma pesquisa sobre legislações especí- ficas e normas vigentes, referentes ao produto a ser projetado. Peruzzi (1998, p. 37) diz que: Caro(a) aluno(a), para o projeto de mobiliários, existem algumas normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) sobre mobili- ário. NBR 12666: Móveis - Terminologia NBR 12743: Móveis - Classificação NBR 13918: Móveis - Berços Infantis NBR 13919: Móveis - Cadeiras Altas NBR 14033 Móveis para Cozinha NBR 13966: Móveis para Escritório - Mesas NBR 14006 Móveis Escolares - Cadeiras e me- sas para conjunto aluno individual Fonte: adaptado de ABNT ([2018], on-line)1. SAIBA MAIS [...] o respeito às normas técnicas no desenvol- vimento de novos produtos é de vital impor- tância para o designer, pois as normas foram elaboradas por comitês de profissionais que co- nhecem o assunto e têm como principal meta o conforto e a segurança do consumidor final. Assim, o conhecimento das normas vigentes oferece ao projeto do produto um respaldo com mais pro- priedade para um bom resultado, atendendo, assim,às diversas exigências. Outro aspecto importante, caso o produto seja uma inovação no mercado, é a verificação junto ao INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) e averiguar se existe algum registro referente à pa- tentes e reinvenções, para evitar plágios de produtos ou de sistemas já existentes. 204 Esta fase consiste na concepção das possíveis ideias da configuração do produto e podem ser geradas e estimuladas por meio de diversas ferramentas de criatividade, que ajudam no desenvolvimento de uma melhor solução para um bom design de produto. Para o desenvolvimento desta etapa, são utiliza- das ferramentas de suporte, como painéis semânticos, painéis de desenvolvimento de princípios de soluções, conceituação, bem como desenhos e modelos de estu- do decorrentes do processo de geração de alternativa. Qualquer produto, ao ser projetado, deve ser coerente em seu todo, ou seja, as questões fun- cionais, ergonômicas, entre outras, devem estar condizentes com as questões de significação do produto. Desta forma, para se pensar no estilo do produto, são realizados painéis imagéticos, os quais são confeccionados usando apenas imagens e palavras com significativa representatividade do conceito ao qual se referem. Fase de Geração de Ideias: Alternativas do Problema DESIGN 205 CONCEITOS DO DESIGN A etapa do projeto conceitual é uma das mais im- portantes, pois é nela que se iniciam os processos criativos. Neste momento, são desenvolvidas as al- ternativas por meio de desenhos, esboços, rende- rings, ilustrações e modelos físicos tridimensionais para se chegar às possíveis soluções de projeto rela- tivas à forma e à função do produto. Busca-se a partir da pesquisa antes elaborada, os conceitos para a criação do painel de conceito ou significado. O objetivo do painel de expressão do produto, segundo Baxter (2000, p. 190), [...] é de esclarecer o estilo que deve ser buscado na concepção do novo produto, ou seja, deve conter imagens relacionadas às emoções que o produto deve transmitir aos seus usuários. Deste modo, o painel é constituído de imagens generalizadas que exprimem os conceitos. auxiliar o designer ou a equipe na geração de alternativas. Com base no painel visual do produto, busca-se imagens de produtos que estejam de acordo com o espírito do projeto a ser criado. Os produtos podem ser de diversos setores do mercado e devem explorar o estilo esperado no processo de desenvolvimento ou, até mesmo, estilos que possam ser conectados para uma nova proposta. São analisadas e seleciona- das imagens de produtos que expressam um ou mais dos diferentes conceitos propostos, com o objetivo tanto de ilustrar como de ser mais uma ferramenta de auxílio à etapa criativa do projeto. De acordo com Pazmino (2015, p. 172), [...] é um painel de imagens que representam o significado do produto em diversos objetos. Ser- ve para auxiliar o designer ou a equipe na geração de alternativas a partir do levantamento de ele- mentos estéticos, como cor, material, forma etc. De acordo com Pazmino (2015, p. 166), [...] é um painel de imagens que representam o significado que o produto deverá passar ao público-alvo no primeiro olhar. Servindo para 206 Esse painel serve como inspiração por meio de imagens com conceitos (palavras-chave) que mo- tivam o processo de criação do produto. Baxter (2000, p. 174) apresenta a seguinte definição para projeto conceitual: [...] o projeto conceitual tem o objetivo de pro- duzir princípios de projeto para o novo pro- duto. Ele deve ser suficiente para satisfazer as exigências do consumidor e diferenciar o novo produto de outros produtos existentes no mer- cado. Especificamente, o projeto conceitual deve mostrar como o novo produto será feito para atingir os benefícios básicos. Portanto, para o projeto conceitual, é necessário que o benefício básico esteja bem definido e que se tenha uma boa compreensão das necessidades do consumidor e dos produtos concorrentes. Com isto, durante as etapas do projeto conceitual, os conceitos apresentados nos painéis de imagens devem exprimir as ideias, as sensações e as emoções que o projeto deseja transmitir. ESBOÇO E IDEIAS DAS ALTERNATIVAS DE SOLUÇÃO Para Baxter (2000, p. 201), a primeira etapa da aná- lise das funções do produto é gerar uma lista dessas funções sob o ponto de vista do consumidor, usando a técnica do brainstorming. Nessa etapa, são geradas as alternativas utilizan- do diversas ferramentas de criatividade no processo de criação, por meio de um simples rascunho ou de softwares gráficos específicos de desenho. É fundamental mesclar algumas ideias de outras so- luções para que o produto atenda aos requisitos da ma- neira mais coerente possível. Esta parte é analisada na fase do projeto preliminar, já prevendo possíveis alterações. Figura 2 - Geração de alternativas em 3D de uma mesa para um projeto de mesa de refeições Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017). Após o desenvolvimento das gerações de ideias for- mais do produto, inicia-se a organização das alternati- vas desenvolvidas para serem apresentadas em uma ta- bela para a escolha ou a votação da melhor alternativa. Para selecionar o modelo que melhor cumpre os requisitos de projeto, opta-se por uma matriz de sele- ção. Neste momento, é avaliado cada modelo separa- damente, fazendo apontamentos de aspectos positivos e negativos, com a atribuição de conceitos ou notas. DESIGN 207 Para selecionar a melhor alternativa, utiliza-se uma matriz de seleção onde constam os requisitos de pro- jeto e, ao lado, uma tabela com conceitos ou notas que definem se os requisitos são atendidos ou não pelas alternativas desenvolvidas durante o projeto. A partir dessa matriz, o modelo que apresenta os requisitos de melhor forma é o escolhido, po- rém, pode-se julgar que o projeto ainda necessite de certas adaptações para o seu aprimoramento. Após análises e verificações, das quais podem ser extraí- das informações necessárias e relevantes ao proje- to, escolhe-se a alternativa definitiva. A execução da matriz de seleção é uma forma eficiente de decisão. Segundo Löbach (2001), após o processo de cria- ção de alternativas e de esboços, ou modelos prelimi- nares, é necessário levantar um quadro comparativo para avaliar as soluções propostas. Baxter (2000, p. 64) apresenta a seguinte definição para a seleção de ideias: Fase de Seleção de Ideias: Avaliação das Alternativas de Design 208 [...] o procedimento mais importante no proje- to de produtos é pensar em todas as possíveis soluções e escolher a melhor delas. A finali- dade da geração de ideias é produzir todas as possíveis soluções. A seleção tentará escolher a melhor delas. Para isso, é necessário ter uma es- pecificação do problema que orienta a escolha da melhor alternativa. Isso demonstra a impor- tância da fase de preparação. Muita gente pensa que a parte criativa do problema termina com a geração de ideias e que a sua seleção posterior é uma simples tarefa rotineira. Mas isso nem sempre é verdade, pois é neces- sário ser criativo também na seleção. É nesse estágio que as ideias podem ser expandidas, desenvolvidas e combinadas para se aproximar cada vez mais da solução ideal. Mais além, Bryan Lawson explica, no livro Como arquitetos e designers pensam (2011), que projetar envolve fazer escolhas, ou seja, por mais que tenha- mos diversas soluções, dificilmente elas conseguirão suprir todas as necessidades levan- tadas no problema. Quase invariavelmente, pro- jetar envolve fazer conces- sões. Às vezes, os objetivos declarados podem estar em conflito direto entre si, como o caso dos motoristas que exigem boa aceleração e bai- xo consumo de combustível. É raro que o projetista possa simplesmente otimizar uma exigência sem sofrer perdas em outras. O modo como se fazem concessões e acomo- dações continua a ser uma questão de discernimento habilidoso. Portanto, nãohá soluções ótimas para os pro- blemas de projeto, mas sim, toda uma série de soluções aceitáveis [...], e provavelmente cada uma se mostrará mais ou menos satisfatória de várias maneiras para clientes ou usuários diferentes (LAWSON, 2011, p. 119). Por esta razão, é importante que, nessa fase, o cliente também participe. Isto é, neste momento, a equipe de design apresentará as soluções criadas e, em par- ceria com o cliente, ela conversará sobre os critérios de avaliação das soluções, estabelecer o que deve ser alterado e o que fica no projeto, quais peças serão mantidas e quais projetos devem ser arquivados, en- tre outros aspectos. No mundo da moda, é muito comum fazer o que se chama de painel da coleção: neste quadro, são apresentados os modelos desenvolvidos. Além da gerência, a equipe de vendas e de produção auxilia a decidir as peças que serão produzidas. DESIGN 209 Produto/Critério Forma/Estética Inovação/ Originalidade Processo de produção Custo Comercialização Solução A X X X X XXX Solução B XXX XX XX XXX XX Solução C XXX XXX XXX XXX XX Quadro 1 - Quadro comarativo de soluções de design Fonte: os autores. O uso do quadro, um painel com post-it ou a amos- tra dos protótipos e mock-ups lado a lado ajudam a avaliar comparativamente as vantagens e as desvan- tagens de cada solução, inclusive, podem auxiliar a propor uma outra solução que acaba por ser o con- densamento de características interessantes observa- das nas várias soluções. Os itens do quadro podem ser definidos pela equipe de decisão e determinarão as hierarquias de importância de cada item. Vamos nos aprofundar no exemplo dado e como pode ser feita uma avaliação. • Qualidades estéticas dos objetos: em que são comparados entre si e em relação a outros no mercado. É uma análise com aspecto subje- tivo, mas que parte de um profundo conhe- cimento do mercado consumidor ao qual o 210 produto destina-se. Por exemplo: um produto com desenho conhecido ou muito próximo aos modelos existentes tem baixo valor estéti- co em um mercado consumidor que é voltado à moda ou ao high tech, mas, para um mer- cado tradicional, manter certas características pode ser indicativo de identificação e de histó- ria/narrativa entre o consumidor e o produto. • Originalidade e inovação: é comparado ao que, dentre as alternativas, propôs a melhor inovação em termos tecnológicos, de per- formance ou de usabilidade para o usuário. A solução que mais atendeu às necessidades apresentadas pelo problema, a que propôs so- luções inéditas etc. • Processo produtivo: leva-se em considera- ção as necessidades de tecnologia, maquiná- rio, força humana, tempo de produção etc. Soluções inovadoras geralmente demandam um processo produtivo diferenciado, a ne- cessidade de novos maquinários ou, talvez, novas etapas de produção, que devem ser avaliadas, inclusive, sob o aspecto da capaci- dade produtiva da empresa. • Custo: considera como um todo o quan- to essa solução custará à empresa em seu aspecto geral, em matérias-primas, mão de obra, maquinário, transporte, despesas fabris, administrativas etc. Não é, muitas vezes, uma área que o designer consegue computar em sua totalidade, por isto, o apoio do departamento de produção e do administrativo é muito interessante, o de- signer pode fazer uma pesquisa para conse- guir ponderar as suas soluções e prever os custos, porém, a empresa pode propor so- luções e mostrar caminhos ou negociações que alteram muito esta conta. • Capacidade de comercialização: é avaliada a força de aceitação e a vendabilidade da so- lução no mercado (ninguém quer criar um produto para morrer na prateleira), de modo que a pesquisa de mercado e a experiência de vendas da empresa, em seu relacionamento com os clientes, analisam quais soluções têm a melhor capacidade de comercialização e quais demandarão um maior esforço de pro- paganda para conseguir espaço no mercado. Por exemplo, existem produtos que devem ser reno- vados sazonalmente, mas já fazem parte da identida- de da marca, são os carros-chefe da empresa, e existe uma tradição de consumo, ou seja, aqueles produtos que sempre vendem e que são mantidos na linha de produção. Estes podem sofrer alterações ao longo do tempo, mas o design muito inovador pode causar estranheza e, ao invés de atrair, pode repelir os con- sumidores tradicionais. Os designs modernos desenvolvidos no começo do século XX, são exemplo de que é possível inovar, no entanto, é necessário que se invista em estratégias de vendas e de comunicação. No caso dos artistas e industriais do início do século XX, o seu sucesso comercial foi acompanhado pelo desenvolvimento industrial e por uma profunda transformação so- cial, além da evolução da indústria cultural, com os seus meios de comunicação massivos. Os projetos modernistas eram divulgados em revistas de design (criadas para esta nova estética), documentários, DESIGN 211 programas de TV, exposições e mostras de decora- ção e arquitetura, museus de arte etc. Isto é, foi ne- cessário abrir caminho para esses produtos por meio de estratégias de comunicação, mas, de fato, elas de- ram certo. Os móveis desenvolvidos na Alemanha, nos Estados Unidos etc. conseguiram tornar-se ex- tremamente rentáveis e revolucionar o que temos atualmente em design e decoração. A seguir, veremos uma maior quantidade de cri- térios comparativos e, assim, podemos perceber que cada projeto exige o estudo e a escolha dos aspectos avaliativos, considerando a sua pertinência e o grau de importância para o problema. ESCOLHA DA MELHOR SOLUÇÃO E IN- CORPORAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO NOVO PRODUTO Além dos quadros comparativos, é importante que a equipe de decisão pergunte-se: Convido você a pesquisar as exposições de arte e decoração do final do século XIX e início do século XX, e que serviram de divulgação para diversos artistas, industriais e arquitetos. A primeira, em 1851, a “Grande Exibição de Trabalho das Indústrias de Todas as Nações” ou “Grande Exibição”, muito conhecida por seu palácio de cristal. A exposição de art déco de 1925, em Paris, onde Le Corbusier participa com seu “Pavilhão de Habitação”, um projeto controverso para a época, e a Exposição de Stuttgart em 1927 (Weissenhofsiedlung), orga- nizada por Walter Gropius (Bauhaus), contou com a participação de diversos arquitetos (entre eles, Mies Van der Rohe e Le Corbusier) que promoviam qual seria a estética nova para esse mundo moderno. Fonte: os autores. SAIBA MAIS • Qual importância tem esta nova solução para o usuário ou para a sociedade? • Essa solução observou os princípios de usabi- lidade, ergonomia e funcionalidade? • Atingiu as expectativas estético-formais e de inovação tecnológica desejadas? • Essa solução pode ser fabricada ou ainda pre- cisa de ajustes? • Quais pontos precisam ser revistos, quais as possíveis falhas desse produto e o que já está aprovado? • Qual importância tem essa nova solução para o êxito financeiro da empresa? Feita uma síntese das análises, os projetos são en- caminhados ou para re-projeto ou para a descrição técnica e, em seguida, ocorre a fase de concretiza- ção do design. 212 otimizada. Os padrões de cortes ou encaixes, muitas vezes, não aparecem no desenho, mas são soluções que surgem a partir dos testes práticos ou da descri- ção detalhada, e trazem novos problemas ou opor- tunidades para melhorar o desempenho do produto e da sua produção. Pode, inclusive, ocorrer de o desenho inicial da peça ser alterado por uma questão estrutural práti- ca. Por isto, é fundamental que haja uma interação entre o projeto conceitual e o projeto executivo. Esta é a última e crucial fase do design. Segundo Löbach (2001, p. 155), “ela deve ser revista mais uma vez, retocada e aperfeiçoada”. É o momento de descrever criteriosamente o projeto, a fim de ele ser prototipado, testado e aprovado para a produção. Com a solução escolhida, o designer passa a separarcada parte do projeto, como deverá ser montado, os materiais, os quantitativos e processos de produção. O momento de análise, nessa fase, leva em con- ta como as peças podem ser produzidas de forma Fase de Realização: Proposta Definida da Solução de Design DESIGN 213 Na movelaria, acontece muito de um material não responder bem, na prática, ao que foi projetado, por mais que, em tese, o desenho estivesse perfeito. Mui- tos designers buscam na experimentação prática o caminho para a inspiração do projeto ou a solução a partir do modelo. A experiência com os materiais, principalmente a madeira, pode alterar encaixes, cor- tes ou, até mesmo, o desenho por completo, por isso, não há como escapar de um bom protótipo, de um teste de produto e de uma avaliação do objeto pronto. Então, a fase de descrição técnica ou de resolu- ção da solução não pode ser vista como um momen- to puramente técnico-descritivo, mas pode tornar- -se, em muitos casos, um momento criativo. Essa etapa pode ser mais bem esclarecida e apre- sentada como proposta definitiva desse documento. Posteriormente ao da fase do projeto preliminar, parte-se para o projeto detalhado, especificando to- dos os componentes do produto e os seus respec- tivos materiais e processos que serão utilizados. É necessária a descrição técnica (mesmo para a pro- dução do protótipo) e, finalmente, avaliado e defini- do, o trabalho descritivo é atualizado para o modelo final aprovado. PROJETO ESTRUTURAL OU PROJETO DESCRITIVO Essa fase determina a configuração do produto, iniciando com os princípios de solução escolhidos, configurados de forma a permitir a produção e o funcionamento em conformidade com as especifi- cações do projeto (CARPES JUNIOR, 2014). Nessa fase, são realizados: descrições estrutu- rais, lista de peças e desenhos técnicos, ilustrando as principais possibilidades de cenas de usos com o produto. No caso de design de mobiliários, são realizadas algumas simulações de organizações es- paciais com as possibilidades de arranjos físicos do produto em determinados espaços, incluindo as suas possibilidades de disposição e de modelagem em software 3D para testes. Exemplo prático: linha de móveis seriados Neste exemplo, acompanharemos um projeto para uma indústria de móveis de cozinha modular que fornece para lojas de móveis regionais, ou seja, na loja existe um projetista que vai fazer a composição dos móveis e os pedidos para a fábrica, dentro dos critérios e padrões que a indústria permite. Cabe ao designer da indústria fazer a definição de todos os componentes da modulação. Esta programação deve ser clara em relação aos materiais, às estruturas das peças, às suas possibili- dades e aos seus limites de fabricação. O designer, as- sim, facilita a divisão de trabalho e a otimização das peças, diminuindo o desperdício de tempo de serviço e de material, melhorando o controle de estoque, o controle de custos (poder de negociação com forne- cedores) e a margem de vendas dos produtos, o que, por fim, gera maior lucratividade para a empresa. 214 Definição dos padrões O designer estipulará quais serão os limites de cores e texturas, além de ferragens e acabamentos desta co- leção e que serão oferecidos no mercado. Esta delimi- tação facilita para a empresa e diminui o desperdício de material, permite uma negociação melhor com os fornecedores e aumenta a produtividade, diminuindo custos. Para o cliente, é interessante, pois ele tem uma variedade de escolha, por mais limitada que seja. O designer deve avaliar quais são as quantidades ideais e as possíveis combinações entre os acabamentos. Graficamente, é interessante fazer um quadro de cores/texturas e, a seguir, um quadro de combina- ções ótimas. Esse quadro auxilia os vendedores e os clientes no momento de decisão. Ébano Nature Nogueira Nature Ciliegio Nature Faia Nature Preto Texturizado Grafite Texturizado Bege Texturizado Branco Texturizado • Cores e texturas: pode ser determinado, por exemplo, um número de cores lisas e ama- deiradas para portas e frentes, além da cor padrão para estrutura, sempre buscando um limite mínimo necessário de padronagens. Tabela 1- Pré-definição de acabamentos/cores Fonte: os autores. DESIGN 215 Preto e Nogueira Preto e Ciliegio Grafite e Nogueira Grafite e Faia Bege e Ébano Bege e Ciliegio Branco e Ébano Branco e Faia Tabela 2 - Dicas de composição Fonte: os autores. • Ferragens e acabamentos: delimita quais tipos de ferragens (corrediças, dobradiças, bascu- lantes, aramados etc. serão oferecidos, discri- minando fornecedores e modelo dos produtos e quais os tipo de puxadores e demais acaba- mentos que possam ser compostos no móvel. Composição da estrutura: São as especificações das peças, moldes, gabaritos ou estrutura das caixarias, além da especificação dos dos materiais que serão utilizados no móvel. 216 No exemplo de uma cozinha seriada seria: • Estrutura dos módulos: em MDP 15 mm Branco Tx, Fundos em MDF 6 mm Branco Tx. • Estrutura de Frentes, Portas e Tamponamen- tos: MDF 18 mm padrão via tabela de cores. Configuração de limites mínimos e máximos: Essas definições auxiliam no corte de peças e na se- riação do material, podem ser mais flexíveis ou mais rígidos conforme a linha de produção da indústria. • Altura: Fixa - 700 mm • Profundidade: Mín 350 - Máx 650 mm (múl- tiplos de 50 - 350, 400 ...650 mm). • Largura balcão 1 porta: mín.350 - máx 600 mm (múltiplo de 50 mm). • Largura balcão 2 portas: mín.700-máx 1200 mm (múltipo de 50 mm). • Largura gaveteiros: mín. 300 - máx 1200 mm (múltiplos de 100 mm). E conforme a necessidade do projeto são especificadas os demais parâmetros definidos para a modulação. DESENHOS TÉCNICOS E DESENHOS DE REPRESENTAÇÃO Neste ponto, é possível fazer a representação gráfica em detalhes dos mobiliários. Como vimos no capí- tulo IV, o projeto deve conter: • Desenho técnico 2D: na escala adequada com vistas/elevações frontais e laterais, vista supe- rior ou inferior (conforme a necessidade), além de cortes ou transparências para mos- trar detalhes internos nas peças. Apresentar as cotas das medidas, parafusação, distancia- mento de peças etc. Nominação das peças, indicação das vistas e informação escrita de detalhes importantes. • Desenho técnico em perspectiva: que auxilia a ver a peça como um todo e em perspectiva explodida, mostrando como as peças se encai- xam. Esse modelo de perspectiva é uma exce- lente ferramenta e pode ser utilizada por mon- tadores da empresa, assim como pelo próprio cliente final em forma de um esquema de mon- tagem, como salienta Vesterlon (2007, p. 93): Ao lançar uma nova linha de produtos, os ca- tálogos, geralmente, apresentam o projeto em situações de uso. A produção das fotografias pode ser feita com o produto aplicado em uma situação real (a foto no ambiente de um cliente com o produto já instalado), em um estúdio de fotografia industrial (estúdios maiores) com controle de iluminação e câmeras, ou por meio do projeto em 3D com renderização de ex- trema qualidade e pós-produção, que simula uma foto real. Quanto mais realista e bem produzida for a foto, melhor ficará o catálogo. Fonte: os autores. SAIBA MAIS DESIGN 217 [...] o esquema de montagem é a instrução que acompanha o produto desmontado. É elabora- do através. de uma perspectiva explodida, ou seja, o móvel é desenhado com as peças separa- das, onde será permitido visualizar a furação da e a ferragem utilizada em sua montagem. Pode ser apresentada em uma só vista ou em etapas, conforme a necessidade. No esquema de mon- tagem deverá constar a relação de ferragens que acompanha o produto, a relação de peças e as informações complementares. Os desenhos podem ser feitos em perspectiva isométrica ou com 2 pontos de fuga. • Desenho de apresentação: modelo gráfico em 3D da peça, com cores e de preferência ambientada em um local de destino, ele faci- lita a visualização da escala dapeça em rela- ção a outros elementos. Podendo ser feito em modelo computacional ou em projeto a mão. PEÇA PILOTO, TESTES DE PROJETO E ANÁLISE DAS FALHAS A partir do projeto, é feito uma peça piloto, ou seja, uma peça que está em escala real e com todos os ma- teriais, estruturas e componentes do produto final que será lançado no mercado. Na sequência, ela será submetida a diversos testes para detectar as falhas potenciais do produto, avaliando sua importância relativa. Segundo Baxter (2011, p. 329): [...] Essa análise considera separadamente os ti- pos de falhas e seus efeitos sobre o consumidor. Esse procedimento é conhecido como “método de projeto certo da primeira vez” e procura an- tecipar as falhas potenciais durante o projeto, para eliminá-las antes que ela ocorram. Como resultado dessa análise, obtém-se uma lista de mudanças prioritárias, que devem ser introdu- zidas no produto. Como consequência, o pro- 218 jeto do produto pode ser aperfeiçoado ou, em caso contrário o projeto pode ser cancelado, se forem constatadas falhas insolúveis no mesmo. elas estabelecem as características mínimas dos pro- dutos e estes devem ser testados e certificados por órgãos credenciados ao INMETRO antes de entra- rem no mercado. Esse processo tende a ser demorado e é feito por modelo de produto, por isso, o designer deve, de antemão, estudar a legislação para esses objetos e propor um design que já esteja de acordo com as normas, para facilitar a certificação do cliente. EMBALAGEM: Os mobiliários serão testados em suas funções de uso, em repetições de ciclos de uso, suporte de peso, resistência à tração, abrasão, umidade ou outros tes- tes que sejam necessários para identificar a quantida- de de ocorrências das falhas, a gravidade e a detecção da possibilidade de correção. Depois disto, é feito uma análise em que se pode calcular o indicador de risco do produto e, assim, elaborar uma lista de prio- ridades e recomendações de melhorias. Alguns mobiliários, principalmente voltados para o público infantil, possuem a obrigatoriedade de certificação do INMETRO para serem comercia- lizados em território nacional. É o caso de berços, cadeirinha de alimentação, cadeiras plásticas mono- bloco, colchões e colchonetes, móveis escolares (ca- deiras e mesas para conjunto aluno individual) entre outros. Essas diretrizes têm a função de normatizar e atestar a segurança dos produtos oferecidos no país, Para mobiliário em geral, a embalagem é um com- ponente fundamental para manter a integridade do produto desde a produção até a entrega para o cliente final. Como ressaltam Bombassaro e Costa (2008), diferentemente de outros produtos indus- triais, a função primordial da embalagem de móveis é a proteção do produto, pois ela geralmente não fica a vista para o cliente. Já em casos que a embalagem fica exposta ao cliente, é mais comum que se invista em marketing no ponto de venda, podendo atrair o consumidor por suas qualidades estéticas. Mas de modo geral, seu foco é a logística da peça, sua segu- rança, economia de espaço e funcionalidade. DESIGN 219 Identificação dos produtos As embalagens devem ter a clara especificação do fornecedor, nome/modelo, cor, código da peça, quantitativo, peso, tamanho/volume (AxLxP), quantidade máxima de caixas para empilhamento entre outras informações que ajudem na proteção da peça e na segurança do transporte. Outra forma de identificação importante é o uso da simbologia gráfica apropriada. A seguir, vemos alguns exemplos de símbolos mais utilizados: Produto frágil: indicado para peças como: portas de vidro, pedras e demais materiais que pos- sam quebrar ou riscar com facilidade. Proteger da umidade: indicado para mobiliá- rios de madeira e produ- tos com sensibilidade à umidade. Proteger do sol: indicado para peças de ma- deira natural e pintura, pois pode queimar a pintura e alterar a coloração da peça. Este lado para cima: indicado para móveis que precisam ser man- tidos em certa posição para não danificar. Limite de empilhamento: o número indica a quantida- de de caixas que podem ser empilhadas sem danificar o produto. Produto reciclável: se colocado separa- damente dos demais símbolos, indica que a embalagem em si é de material reciclável. Tabela 3 - Simbologia para embalagens Tipos de embalagem e acondicionamento Cada tipo de mobiliário exige uma embalagem es- pecífica. A peça pode ser somente envolvida em plástico ou caixas de papelão, ou disposta em cai- xas especiais, como pallet de madeira com isopor (indicados para transporte de longas distâncias e para exportação). 220 sacola única para os quatro assentos e outra com de- zesseis ponteiras de PVC pretas. Para módulos de cozinha, por exemplo, as cha- pas de MDF podem ser embaladas individualmente em filme plástico ou bolha e, geralmente, possuem cantoneiras de papelão ou de PVC nos cantos para evitar que as chapas lasquem com alguma batida ou manuseio. As ferragens e componentes avulsos são armazenados em sacolas separadas e, se possível, em caixas, para evitar que o material seja riscado. Para o acondicionamento nas embalagens, algumas peças podem ser totalmente desmontáveis, dobráveis e embaladas em módulos únicos (uma caixa para cada módulo de cozinha, por exemplo), outras po- dem ser embaladas em grupo (cadeiras empilháveis), mas, por fim, existem peças que são feitas por solda- gem, costura, prensa, amarramentos ou são coladas etc., formando blocos que não podem ser desmonta- dos por inteiro (cadeiras, sofás, pés de mesa de me- tal, entre outros). Essas peças exigirão um armazena- mento e uma manutenção mais cuidadosos, além de terem um valor cúbico maior, ou seja, ocupam mais espaço em depósitos ou em módulos de transporte, o que, geralmente, influencia no preço dos fretes, mes- mo com massa e volume pequenos. No exemplo da banqueta mostrada na Figura, a peça pode ser separada entre assento, ponteiras de PVC pretas e pés de metal soldados. Observe que não há parafusos, somente encaixes, a peça, então, forma blocos que não podem ser mais reduzidos. Um modelo de embalagem pode ser uma cai- xa de papelão com grupo de quatro banquetas (se pensarmos no consumo com uma mesinha simples de refeição): quatro pés empilhados com as pernas revestidas com filme plástico para evitar riscos, uma Embalagem para móveis de bricolagem Em móveis estilo bricolagem ou faça-você-mesmo, retomaremos o que foi abordado na Unidade I. As caixas devem conter todo o módulo que será monta- do, com manual de montagem das peças em anexo de forma clara, visual e explicativa. Também é muito co- mum, atualmente, que, além dos manuais, as empre- sas produzam vídeos com a montagem passo a passo das peças, isto facilita o trabalho do cliente e diminui a sensação de incapacidade diante da complexidade do móvel. É ideal que cada peça seja etiquetada con- forme o manual, para que seja fácil a identificação na montagem. Caso seja necessário, podem ser forneci- das ferramentas e gabaritos para a instalação (chaves DESIGN 221 menos comuns para parafusos específicos etc.). Esses gabaritos de instalação correspondem a folhas de pa- pel cartão com o desenho em escala real e os pontos certos de parafusação nos módulos. CONSERVAÇÃO E MANUTENÇÃO DOS MÓVEIS A conservação e manutenção dos produtos é um item que, muitas vezes, é pouco explorado pela bi- bliografia, mas é fundamental para o designer de mobiliário. Primeiramente, temos que levar em con- sideração que os materiais-base dos mobiliários são compostos orgânicos, os quais podem degradar-se com o tempo. impregnante é um dos produtos que, além de repelir fungos e insetos, protege a madeira contra umidade e raios do sol. Ele é aplicado ainda na fabricação e deve ser reaplicado conforme o produto for perden- do efeito. Peças já atingidas pelos insetos podem ser tratadas com aplicação de inseticidas posteriormen- te, o que exige mão de obra especializadapara a apli- cação, pois os canais e furos provocados podem não ter conserto com massa. Atualmente, a água é um dos maiores fatores de deterioração dos móveis em geral. O estufamento do miolo de uma peça de MDF ou de MDP, por exemplo, ocorre por entrada de água na extremi- dade do painel, principalmente se não houver fita de borda. Para isto, já são desenvolvidos novos ti- pos de painel com resina hidrófuga, ou seja, que repele a água. Porém, o custo é muito superior ao material tradicional. As peças de aço, se não tratadas, também podem oxidar com facilidade pela ação da água, e as fer- ragens, com o tempo, podem apresentar oxidação, perda de força e de pressão ou deslizamento. A deformação por acúmulo de peso também pode ocorrer, principalmente em centro de prate- leiras, onde pode apresentar abaulamento da peça. Um dos problemas mais comuns de peças de madei- ra natural era a presença de cupins, que destruíam móveis inteiros de dentro para fora. Assim, foram necessários vernizes que auxiliassem a proteger a madeira dos ataques desses insetos. O verniz stain 222 Para evitar isto, é necessário calcular os vãos das prateleiras sem apoio e fazer o teste de limite de peso, informando ao consumidor sobre ele. Em armários utilizados para estocar produtos químicos corrosivos, mesmo que as ferragens não sejam atingidas pelo líquido, a sua vida útil é alta- mente comprometida pela presença do ácido no ar. Ferragens, como dobradiças e corrediças de aço inox, disponíveis no mercado, ajudam muito na vida útil desses mobiliários. Muitos desses problemas fogem do controle do designer, porém, ele pode ajudar a diminuir essas si- tuações, escolhendo materiais mais resistentes, pen- sando na atitude de uso dos futuros clientes. Outra ação preventiva é um manual de conser- vação da peça acompanhar o manual de instalação. Este instrumento auxilia o cliente, assim como a empresa, que se protege das reclamações de defeitos quando verificado que o problema foi causado por mau uso do produto. DESIGN 223 Com o projeto testado e aprovado, é importante que se faça a documentação técnica do produto. Ela pode ser feita em formato de relatório e deve expor de forma ordenada todas as informações do projeto para que elas possam ser reproduzidas fielmente na produção. A partir daí, cabe à empresa fazer o bom uso das recomendações e especificações que foram transmi- tidas, fazendo a gestão de vendas, de produção, de distribuição e de acompanhamento do ciclo de vida dos produtos que ela está lançando no mercado. Esperamos que esta unidade tenha ajudado você a compreender as rotinas de um projeto de mobiliá- rio, as documentações necessárias e as responsabili- dades que nós, profissionais, devemos ter em relação aos nossos clientes, aos seus consumidores e à nossa sociedade em geral. Documentação do Projeto de Design 224 considerações finais Caro(a) aluno(a), aprendemos, nesta unidade, que o projeto de design de móveis en- volve diversos processos analíticos, criativos e técnicos, a fim de apresentar soluções para problemas ou demandas sociais e econômicas percebidas. Neste sentido, a me- todologia de projeto, aliada aos conhecimentos semânticos e técnicos desenvolvidos nesta disciplina, pode contribuir para que se alcance uma solução coerente e inovadora. Como vimos, o designer de móveis encontra, na pesquisa, as ferramentas para perce- ber os problemas que os usuários enfrentam, as soluções presentes no mercado e as oportunidades e limitações tecnológicas até aquele momento. Com isto, é possível ver de forma clara quais as funções que o produto deverá desempenhar para solucionar, pelo menos em parte, os problemas levantados. Cabe ao designer, então, propor ao mercado algo novo na busca para satisfazer uma necessidade latente da sociedade e melhorar as relações do ser humano com o mundo ao seu redor, priorizando o desenvolvimento sustentável. Lembremos, como exemplo, o design funcionando como solução para os novos de- safios advindos da construção civil, devido à redução sistemática dos espaços. Fato este que exigiu que novas disposições, configurações e multifuncionalidades dos móveis fossem desenvolvidas. Assim, percebemos como a criatividade do designer é de fundamental importância. E para concretizar essas criações, foram necessários o desenvolvimento de muitos pro- jetos artísticos (conceituais) e técnicos (operacionais), modelos e simulações, além de protótipos, testes e reformulações que fazem parte de qualquer proposta de inovação. Em resumo, o design de mobiliário deve ser desenvolvido por meio de pesquisa, criatividade e precisão técnica, buscando sempre solucionar possíveis falhas, promo- vendo uma experiência segura e agradável, de maneira prática (funcional) e simbólica (emocional) para o seu usuário. 225 atividades de estudo 1. Para compreender o processo de design de mobiliário, é necessário compre- ender algumas das condições em que surgem as demandas por inovação. Nesta unidade, trabalhamos quatro demandas muito comuns no mercado moveleiro. Em relação a essas demandas, é correto afirmar que: a. Uma demanda por renovação de linha sazonal exige toda a transformação dos processos formal e produtivo do mobiliário. b. Uma demanda para necessidades futuras tem sempre como objetivo o resul- tado imediato na imagem da empresa e na sua lucratividade. c. Quando uma empresa faz o recall de produtos, é porque a sua estética ficou ultrapassada e precisa ser renovada. d. Ao analisar o mercado consumidor, é possível perceber demandas não aten- didas ou oportunidades de melhorias em termos de design. e. O ciclo de vida dos produtos não influencia as demandas de design, pois estas são escolhas dos empresários. 2. Em um projeto de design, fazer as perguntas corretas pode determinar o su- cesso ou a inadequação das soluções. Com base na fase de análise de solu- ções, elabore um quadro comparativo com quatro critérios para a análise das seguintes cadeiras destinadas a um restaurante de público classe AB, e pontue sobre a importância de cada critério de avaliação escolhido. Critérios/ Produtos 226 atividades de estudo 3. Para Baxter (2000, p. 201), “a primeira etapa da análise das funções do produto é gerar uma lista de funções do produto, sob o ponto de vista do consumidor, usando-se a técnica do brainstorming”. Com essa técnica, é possível fazer uma matriz de seleção com diversas alternativas. Sobre geração de alternativas ou de ideias, leia as afirmativas a seguir. I. Na avaliação, é aconselhável fazer apontamentos apenas dos aspectos negativos. II. Na seleção, é escolhida a melhor alternativa a partir de questionamentos ou de uma matriz (quadro ou elemento para comparação) que baseia os critérios avaliativos a partir das especificações ou dos problemas do projeto. III. Após o modelo ser escolhido, o projeto pode necessitar de adaptações para o seu aprimoramento, analisando-se possíveis falhas. IV. A finalidade da geração de ideias é produzir todas as possíveis soluções para chegar a um produto que resolva todos os problemas em um modelo único. Podemos afirmar que: a. Somente as afirmativas I e II estão corretas. b. Somente as afirmativas III e IV estão corretas. c. Somente as afirmativas II e III estão corretas. d. Somente as afirmativas I e IV estão corretas. e. Todas as afirmativas estão corretas. 4. O esquema de montagem é a instrução que acompanha a embalagem de um mobiliário desmontável. Sobre o manual de montagem, é correto afirmar: a. Os desenhos podem ser feitos em perspectiva isométrica e em perspectiva com pontos de fuga. b. No esquema de montagem, não é necessário constar a relação de ferragens ou de dispositivos de montagem que acompanham o produto. c. O produto não pode ser representado por meio de um desenho em perspec- tiva explodida, pois isto não demonstra o encaixe das peças. d. O desenho em perspectiva não é uma ferramenta adequada, pois não auxilia os montadoresde empresas moveleiras. e. O manual de montagem deve ser para uso exclusivo do montador habilitado para o serviço. Nenhum manual de montagem deve ser desenvolvido para que o próprio cliente final faça a montagem do mobiliário. 227 atividades de estudo 5. Em projetos de produtos, é muito importante o conhecimento sobre o que já existe ou não existe no mercado em questão, evitando, assim, reinvenções. Para isto, é aconselhável uma boa pesquisa de mercado. No design, essa pes- quisa pode ser desenvolvida por meio de uma ferramenta conhecida como análise de concorrentes e similares ou análise sincrônica. Comente sobre essa análise. 228 LEITURA COMPLEMENTAR Mapa mental O mapa mental é uma técnica gráfica que oferece uma chave universal para desblo- quear o potencial do cérebro. É um diagrama usado para representar ideias, palavras ou tarefas que se unem a um conceito central distribuído circularmente. Essa técnica permite transformar longas e cansativas listas de informações em dados, por meio de coloridos diagramas, fáceis de memorizar e perfeitamente ordenados, que funcionam de forma natural, do mesmo modo que o cérebro humano. A primeira regra para se fazer um mapa mental é o uso de uma ideia central e uma imagem que ela se associa. Linhas devem sair a partir do núcleo central contendo uma palavra-chave. A linha deve ser mais grossa, próxima à sua origem, e ir afinando no ex- tremo oposto. Hierarquias, números, cores, símbolos e imagens devem colaborar para manter o mapa claro. A representação de informações de forma gráfica e não linear instiga o fluxo natural de ideias, sem a preocupação rígida das anotações por meio de texto corrido. Este livre en- cadeamento de informações facilita as conexões entre palavras, números, sequências, imagens, símbolos, cores e ritmo visual. Conforme lembra o criador dessa técnica, Tony Buzan, desde os seus primórdios, os humanos pensam com imagens. Se a palavra morango for pronunciada, o que lhe vem à mente? Não é a palavra em si, mas a imagem do próprio morango. O cérebro associa ideias com imagens e cores, e lembra melhor dos conceitos quando estes elementos são incorporados. Trata-se de uma técnica bastante flexível e muito inspiradora quando realizada à mão livre. Também é possível desenvolver um mapa mental com a ajuda de programas próprios para esta finalidade, que facilitam as anotações e as adaptações necessárias. Outras tecnologias atuais também proporcionam o uso deste método, criando associa- ções com documentos e imagens, inclusive com a participação de diversos usuários. 229 LEITURA COMPLEMENTAR As cinco características principais dos mapas mentais são que: • A ideia, o assunto ou o enfoque principal é simbolizado por meio de uma ima- gem central. • Os temas principais irradiam da imagem central como “bifurcações”. • As bifurcações incluem uma imagem ou palavra-chave desenhada ou impressa na linha que representa. • Os temas de menor importância são representados como “ramos” da bifurcação. • As bifurcações formam uma estrutura de nós conectados. Para entender melhor como se elabora um mapa mental, imagine o mapa de uma cida- de. O centro dessa cidade representa a ideia principal, as avenidas que levam ao centro representam os pensamentos-chave do processo mental, as ruas menores representam os pensamentos secundários etc. As imagens ou formas especiais podem representar os monumentos ou ideias impor- tantes. Fonte: Gomes (2015, p. 151-152). 230 material complementar Mobiliário no Brasil: Origens da Produção e da Industrialização Maria Angélica Santi Editora: SENAC Sinopse: Mobiliário no Brasil: Origens da Produção e da Industrialização é uma narrativa prazerosa e enriquecedora sobre a história da produção e da indus- trialização moveleira no país, reconstruída com base em entrevistas, análises de documentos, catálogos, fotografias e, principalmente, em inúmeras peças de mo- biliário. Maria Angélica Santi conduz o leitor pelos caminhos da técnica da mar- cenaria, do fazer artesanal aos primórdios da produção mecanizada. Partindo da apreciação técnica detalhada de peças individuais, a autora explora as conexões entre o cenário atual industrial e o nosso passado colonial e artesanal. Indicação para Ler Bauhaus: A Face do Século XX 1994 Sinopse: o documentário analisa como surgiu e evoluiu a escola de vanguarda de artes e arquitetura Bauhaus, a partir de um ponto de vista artístico e histórico, abordando várias figuras responsáveis pela escola, incluindo Walter Gropius, Josef Albers, Mies van der Rohe e Lásló Moholy-Nagy. Indicação para Assistir - Palestra de Rafael Cardoso para a Regional ABEDESIGN, de Minas Gerais. Nesse vídeo, o autor de De- sign para um Mundo Complexo explica, com uma abordagem renovadora sobre o tema, qual o papel do design no mundo atual. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=4iSUUH0F1Q4>. - TED Talk de Don Norman, autor de livros como Design Emocional e Design do Dia a Dia, aborda aspec- tos de beleza, alegria, prazer e emoção que devem envolver o design com foco no usuário. Disponível em: <https://www.ted.com/talks/don_norman_on_design_and_emotion>. Indicação para Acessar https://www.ted.com/talks/don_norman_on_design_and_emotion 231 referências BAXTER, M. Projeto de Produto: guia prático para o design de novos produtos. São Paulo: Edgard Blücher, 2000. BOMBASSARO, L.; COSTA, M. A. Desenvolvimento de Embalagens para Mó- veis. Porto Alegre: SENAI/RS, 2008 (coleção Moveleiras). CARPES JUNIOR, W. P. Introdução ao projeto de produtos. Porto Alegre: Bookman, 2014. HSUAN-NA, T. Design: Conceitos e Métodos. São Paulo: Blücher, 2017. LAWSON, B. Como arquitetos e designers pensam. São Paulo: Oficina de Tex- tos, 2011. LÖBACH, B. Design Industrial: Bases para a configuração dos produtos indus- triais. São Paulo: Blücher, 2001. MERINO, G. S. A. D. GODP - Guia de Orientação para Desenvolvimento de Projetos: Uma Metodologia de Design Centrado no Usuário. Florianópolis: NGD/UFSC, 2016. MUNARI, B. Das Coisas Nascem Coisas. São Paulo: Martins Fontes, 2008. ONO, M. M. Design e Cultura: Sintonia Essencial. Curitiba: Aurora, 2006. PAIM, N. S.; SCOTTON, T. Materiais para o setor moveleiro. Porto Alegre: Se- nai/RS, 2007. PAZMINO, A. V. Como se cria: 40 métodos para design de produtos. São Paulo: Blücher, 2015. PERUZZI, J. T. Manual sobre a importância do desenvolvimento de produtos. Bento Gonçalves: SENAI/CETEMO/SEBRAE, 1998. VASCONCELOS, C. Q. Análise da funcionalidade e de ergonomia em habita- ções compactas. 2011. 196f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em Ar- quitetura e Urbanismo) - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2011. VESTERLON, M. Desenho de Móveis. Bento Gonçalves: SENAI/CETEMO, 2007. Referência On-Line 1Em: <http://abnt.org.br>. Acesso em: 10 mar. 2018. 232 gabarito 1. D. 2. Exemplo de resposta para o exercício: para um restaurante, pode ser interes- sante classificar as cadeiras por critérios como os relacionados a seguir. • Ergonomia: quais modelos são mais confortáveis e adaptáveis ao uso por di- versos tipos físicos de pessoas. • Empilhável: um restaurante pode necessitar que os espaços sejam liberados para limpeza constantemente, com mesas e cadeiras dobráveis ou empilhá- veis, então, o critério de “empilhável” pode ser fundamental para este cliente. • Durabilidade: a resistência e a durabilidade dos materiais são fundamentais no caso de um restaurante, pois as cadeiras serão utilizadas constantemente, limpas com produtos químicos regularmente, suportando diferentes cargas e movimentações, então, quanto melhor a estabilidade das peças de união (pés com assentos e assentos com encostos), além dos materiais utilizados, melhor será a durabilidade da peça. • Estética: para um restaurante popular, o preço dos mobiliário pode ser o prin- cipal critério de seleção, entretanto, a estética das peças pode ser o diferencial do ambiente, umobjeto que conversa com a arquitetura e o clima proposto. Assim, a escolha pela estética pode ser fundamental. Critérios /Produtos Ergonomia XX XX XX Empilhável XXX XXX - Durabilidade XX XX X Estética - XXX XXX 233 gabarito 3. C. 4. A. 5. De acordo com Pazmino (2015, p. 64), “é uma ferramenta de análise que serve para comparar os produtos em desenvolvimento com produtos exis- tentes ou concorrentes, baseando-se em variáveis mensuráveis, ou seja, que podem ser medidas. Permite avaliar aspectos qualitativos, quantita- tivos”. Para Baxter (2000, p. 116), “a análise de concorrentes serve para monitorar as empresas e seus produtos. Procura determinar como elas conseguiram alcançar o sucesso e onde fracassam. Para esta análise, prio- riza-se uma boa observação quanto à adequação do mobiliário aos requi- sitos e atributos ergonômicos, e também quanto aos aspectos problemáti- cos observados em uma pesquisa de campo”. 234 conclusão geral Caro(a) aluno(a), finalizamos mais um material do curso superior de Tecnologia em Design de Produto na modalidade EAD do Centro Universitário Unicesumar. Neste livro, estudamos um dos temas mais importantes dentro do projeto de produto, que é o design de mobiliário, pois este é um dos artefatos mais significativos e que sempre se apresenta com destaque em vários ambientes internos e externos, sejam eles residenciais, institucionais, urbanos e de serviços. Na história do design, o mobiliário sempre foi um dos elementos emblemáticos e simbólicos que contam a história e apresentam uma diacronia da evolução tecnoló- gica de cada época e, ao mesmo tempo, de um cultura, mostrando as influências que, por fim, refletem-se no comportamento de uma determinada geração. A função prática do mobiliário, quando um produto ou serviço deixa de ser útil a cada dia, sempre modifica-se devido à obsolescência de diversos artefatos e ao au- mento do consumo de acordo com o avanço tecnológico, mudando, com isso, as formas, dimensões, funções e, até mesmo, apresentando-se com novas possibilidades de usos e desusos para se adaptar às novas tendências. Conhecemos, nesse livro, alguns conceitos, modelos de representações, classifi- cações, tipos de materiais, dispositivos, componentes e processos produtivos, assim como o resumo de uma sequência de métodos criativos que podem ser utilizados no desenvolvimento de projetos de produtos para o segmento moveleiro. Esperamos que as informações deste material ajudem você a visualizar um pro- duto de produção moveleira de outra forma, com um olhar mais técnico, criativo e focado em desenvolver produtos mais inovadores, pois o designer é um dos poucos profissionais que trabalham com a percepção dos desejos, sonhos e necessidades de variados tipos de usuários. UNIDADE I CLASSIFICAÇÕES DO MOBILIÁRIO Classificações do Mobiliário Classificação do Mobiliário Quanto aos Modelos de Configurações. Classificações do Mobiliário Quanto aos Sistemas de Produção Classificações do Mobiliário Quanto aos Sistemas de Montagens referências gabarito UNIDADE II ESTRUTURA DA INDÚSTRIA E DO MOBILIÁRIO O Designer e a Indústria Função, Técnica e Sentido Fabricação Artesanal, Fabricação Sob Medida e Fabricação Seriada Estrutura e Gestão Industrial Composição Geral do Mobiliário REFERÊNCIAS ON-LINE gabarito UNIDADE III PROCESSOS PRODUTIVOS Produzindo com Madeira Natural Produzindo com Painéis de Madeira Produzindo com Metal na Movelaria Produzindo com Materiais Sintéticos Referências On-Line UNIDADE IV COMPOSIÇÃO DO MOBILIÁRIO Componentes de Base Componentes de Montagem Componentes de Acessórios Referências On-Line UNIDADE V MODELOS DE REPRESENTAÇÃO EM PROJETOS DE MOBILIÁRIO Modelos de Representações em Projetos de Mobiliários Representações Gráficas em Projetos de Mobiliários Representações Físicas em Projetos de Mobiliários Gerações de Alternativas em Projetos de Mobiliários Referência On-Line Botão 1: