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DESIGN 
DE MOBILIÁRIO
PROFESSORES
Esp. Ivã Vinagre de Lima
Esp. Thiara L. S. Stivari Socolovithc 
DESIGN DE MOBILIÁRIO 
2 
DIREÇÃO UNICESUMAR
Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor de Administração 
Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor de EAD Willian Victor Kendrick de Matos Silva, Presidente 
da Mantenedora Cláudio Ferdinandi.
NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Diretoria Executiva de Ensino Janes Fidélis Tomelin Diretoria Operacional de Ensino Kátia Coelho, 
Direção de Operações Chrystiano Mincoff, Direção de Polos Próprios James Prestes, Direção de 
Desenvolvimento Dayane Almeida, Direção de Relacionamento Alessandra Baron, Head de Produção 
de Conteúdos Celso L. Filho, Gerência de Produção de Conteúdo Diogo R. Garcia, Gerência de 
Projetos Especiais Daniel F. Hey, Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nádila de Almeida 
Toledo, Supervisão Operacional de Ensino Luiz Arthur Sanglard, Coordenador(a) de Conteúdo 
Larissa Camargo, Projeto Gráfico José Jhonny Coelho, Editoração Arthur Cantareli Silva, Designer 
Educacional Agnaldo Ventura, Revisão Textual Ariane Andrade Fabreti e Cíntia Prezoto Ferreira, 
Ilustração Marta Kakitani, Fotos Shutterstock.
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; 
LIMA, Ivã Vinagre de; SOCOLOVITHC, Thiara L. S. Stivari.
Design de Mobiliário. Ivã Vinagre de Lima; Thiara L. S. Stivari Socolovithc.
Maringá - PR.:Unicesumar, 2018. Reimpresso em 2024.
235 p.
“Graduação em Design - EaD”.
1. Design . 2. Mobiliário . 3. EaD. I. Título.
ISBN 978-85-459-1139-5
CDD - 22ª Ed. 745.2
CIP - NBR 12899 - AACR/2
NEAD 
Núcleo de Educação a Distância
Av. Guedner, 1610, Bloco 4 
Jd. Aclimação - Cep 87050-900 Maringá - Paraná
www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360
Impresso por:
Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos 
com princípios éticos e profissionalismo, não 
somente para oferecer uma educação de qualidade, 
mas, acima de tudo, para gerar uma conversão 
integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-
nos em 4 pilares: intelectual, profissional, 
emocional e espiritual.
Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de 
graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil 
estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro 
campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa 
e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, 
com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. 
Produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais 
de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos 
pelo MEC como uma instituição de excelência, com 
IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10 
maiores grupos educacionais do Brasil.
A rapidez do mundo moderno exige dos educadores 
soluções inteligentes para as necessidades de todos. 
Para continuar relevante, a instituição de educação 
precisa ter pelo menos três virtudes: inovação, 
coragem e compromisso com a qualidade. Por 
isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, 
metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor 
do ensino presencial e a distância.
Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é 
promover a educação de qualidade nas diferentes áreas 
do conhecimento, formando profissionais cidadãos 
que contribuam para o desenvolvimento de uma 
sociedade justa e solidária.
Vamos juntos!
Wilson Matos da Silva
Reitor da Unicesumar
boas-vindas
Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à 
Comunidade do Conhecimento. 
Essa é a característica principal pela qual a Unicesumar 
tem sido conhecida pelos nossos alunos, professores 
e pela nossa sociedade. Porém, é importante 
destacar aqui que não estamos falando mais daquele 
conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas 
de um conhecimento dinâmico, renovável em minutos, 
atemporal, global, democratizado, transformado pelas 
tecnologias digitais e virtuais.
De fato, as tecnologias de informação e comunicação 
têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, lugares, 
informações, da educação por meio da conectividade 
via internet, do acesso wireless em diferentes lugares 
e da mobilidade dos celulares. 
As redes sociais, os sites, blogs e os tablets aceleraram 
a informação e a produção do conhecimento, 
que não reconhece mais fuso horário e atravessa 
oceanos em segundos.
A apropriação dessa nova forma de conhecer 
transformou-se hoje em um dos principais fatores de 
agregação de valor, de superação das desigualdades, 
propagação de trabalho qualificado e de bem-estar. 
Logo, como agente social, convido você a saber cada 
vez mais, a conhecer, entender, selecionar e usar a 
tecnologia que temos e que está disponível. 
Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg 
modificou toda uma cultura e forma de conhecer, 
as tecnologias atuais e suas novas ferramentas, 
equipamentos e aplicações estão mudando a nossa 
cultura e transformando a todos nós. Então, priorizar o 
conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância 
(EAD), significa possibilitar o contato com ambientes 
cativantes, ricos em informações e interatividade. É 
um processo desafiador, que ao mesmo tempo abrirá 
as portas para melhores oportunidades. Como já disse 
Sócrates, “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida”. 
É isso que a EAD da Unicesumar se propõe a fazer. 
Willian V. K. de Matos Silva
Pró-Reitor da Unicesumar EaD
boas-vindas
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está 
iniciando um processo de transformação, pois quando 
investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou 
profissional, nos transformamos e, consequentemente, 
transformamos também a sociedade na qual estamos 
inseridos. De que forma o fazemos? Criando 
oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capazes 
de alcançar um nível de desenvolvimento compatível 
com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. 
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de 
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo 
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens 
se educam juntos, na transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem 
dialógica e encontram-se integrados à proposta 
pedagógica, contribuindo no processo educacional, 
complementando sua formação profissional, 
desenvolvendo competências e habilidades, e 
aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, 
de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, 
estes materiais têm como principal objetivo “provocar 
uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta 
forma possibilita o desenvolvimento da autonomia 
em busca dos conhecimentos necessários para a sua 
formação pessoal e profissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de 
crescimento e construção do conhecimento deve 
ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos 
pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe 
possibilita. Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que 
é o seu Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja 
nos fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e 
participe das discussões. Além disso, lembre-se 
que existe uma equipe de professores e tutores que 
se encontra disponível para sanar suas dúvidas e 
auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendizagem, 
possibilitando-lhe trilhar com tranquilidade e 
segurança sua trajetória acadêmica.
Janes Fidélis Tomelin
Diretoria Executiva de Ensino
Kátia Solange Coelho
Diretoria Operacional de Ensino
autores
Esp. Ivã Vinagre de Lima
Especialista em Arte-Educação pelo Instituto Brasileiro de Pós-Graduação e Extensão (IBPEX/2007). 
Graduado em Engenharia Civil pelo Centro Universitário Cesumar (Unicesumar/2015). Tecnólogo em 
Construção Civil (Modalidade - Edifícios) pela Universidade Estadual de Maringá (UEM/2014). Licenciado 
em Artes Plásticas pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR/2007). Tecnólogo em 
Design de Móveis pela UTFPR (2007). Tecnólogo em Design de interiores pelo Centro Universitário 
Campos de Andrade (Uniandrade/2006). Tecnólogo em Móveis (Modalidade - Projeto de Móveis) pela 
UTFPR (2006). Atualmente é professor de ensino técnico e tecnológico do Instituto Federalde Edu-
cação, Ciência e Tecnologia do Paraná (IFPR) no campus Umuarama-PR. Tem experiência nas áreas 
de Arte-Educação, Construção Civil, Desenho Industrial, Design de Móveis e Design de Interiores.
Para informações mais detalhadas sobre sua atuação profissional, pesquisas e publicações, acesse 
seu currículo disponível no seguinte endereço:
<http://lattes.cnpq.br/0694192193036096>.
Esp. Thiara L. S. Stivari Socolovithc
Mestranda em Comunicação pela Universidade Estadual de Londrina (UEL/2017) com pesquisa 
na área de imagens e linguagens: o design da cidade. Especialista em História da Arte pelo Centro 
Universitário Claretiano (CEUCLAR/2016). Graduada em Tecnologia em Design de Interiores pelo 
Unicesumar (2015). Graduada em Comunicação Social com Habilitação em Publicidade e Propagan-
da (2005). Atualmente é professora de Conforto Ambiental e Computação Gráfica no Unicesumar 
(2018). Professora do curso de aperfeiçoamento em Light Design na Unifamma (2016 e 2018). Atua 
como designer de móveis desde 2006 e como designer de interiores desde 2013. Foi presidente 
do Grupo de Ensinos Avançados em Design GEAD (2013-2014). Professora de História da Arte e do 
Mobiliário para o curso de Design de Interiores EAD do Unicesumar (2016). Palestrante em diversos 
eventos sobre projeto de Mobiliário. Ganhadora do prêmio profissional do futuro da Mostra Casa.
com (2013). Desenvolve pesquisas em design, semiótica da cultura e antropologia do consumo.
Para informações mais detalhadas sobre sua atuação profissional, pesquisas e publicações, acesse 
seu currículo disponível no seguinte endereço:
<http://lattes.cnpq.br/1339772020198604>.
apresentação do material
DESIGN DE MOBILIÁRIO
Ivã Vinagre de Lima e Thiara L. S. Stivari Socolovithc.
Olá, futuro(a) designer. Seja bem-vindo(a) ao livro da disciplina Design de Mobili-
ário. Neste livro, você terá contato com informações importantes para a elaboração 
de projetos de mobiliários.
O design de móveis envolve criatividade, conhecimento técnico e planejamento 
para a execução de um produto coerente e inovador. Em um mercado em constante 
mudança, as espacialidades e as funções dos ambientes vêm se transformando, 
exigindo que os objetos que dão vida a esses espaços tornem-se mais funcionais, 
simbólicos e eficientes.
O usuário deve ser o foco do projeto de móveis e, para isto, além do conhecimento 
das especificidades técnicas, tendo como prerrogativa básica o conforto e a ergo-
nomia das peças, propõe-se também o estudo de aspectos subjetivos relativos ao 
consumidor. Estas análises auxiliam a compreender o contexto histórico, cultural 
e econômico em que os produtos serão inseridos, ou seja, quais são as necessida-
des e os valores compartilhados por uma sociedade em um momento específico.
Além destas relações, é importante que o designer atente-se à sustentabilidade, 
um processo que envolve toda a cadeia produtiva e de consumo dos produtos, 
compreendendo que o profissional é parte integrante desta comunidade e que 
deve buscar soluções ecologicamente adequadas.
Desta maneira, este livro busca dar ferramentas para a compreensão sobre as 
características dos produtos existentes no mercado moveleiro atual, os seus pro-
cessos produtivos e componentes, conferindo as maneiras de expressão projetual 
e a metodologia para o desenvolvimento criativo de um mobiliário.
Para inseri-lo(a) nesse tema, na Unidade I, você conhecerá a diferença entre os tipos 
de mobiliários, as suas características e especificidades, as classificações em relação 
aos tipos de sistema de produção e a sua relação com a composição dos ambientes.
Na Unidade II, analisaremos as diferenças entre função, técnica e sentido do design 
móveis, compreenderemos como funciona a estrutura de uma indústria e os processos 
gerenciais que auxiliam na otimização da produção moveleira. E, por fim, conhe-
ceremos a composição base dos móveis, seus principais componentes e conjuntos.
Na Unidade III, discutiremos diversos processos produtivos para que você possa 
compreender as dinâmicas que envolvem qualquer projeto de mobiliário. Obser-
vando que, como designers de produto, é fundamental entender de que maneira são 
processados os materiais na indústria (ou na fabricação de pequeno e médio porte) 
para que se chegue a um design com capacidade para ser produzido comercialmente.
Na Unidade IV, estudaremos a composição dos mobiliários, as características dos 
elementos de base, suas estruturas, materiais, peças de montagem e componentes 
acessórios, compreendendo como estas escolhas podem alterar a função da peça, 
sua aparência e seus significados.
Na Unidade V, observaremos os modelos de representações gráficas e de repre-
sentações físicas, as suas especificidades, vantagens e limitações, para que você 
possa escolher a melhor opção que, por sua vez, ilustre determinado parâmetro do 
projeto de design, elucidando quaisquer dúvidas e evitando problemas de execução. 
Como material extra, disponibilizamos o desenvolvimento da metodologia de 
design aplicada a projetos de móveis, conferindo, primeiramente, um panorama de 
possíveis demandas, as etapas criativas e as técnicas para a entrega de um projeto 
completo para a fabricação.
Desejamos que, ao final do livro e de toda a disciplina, você sinta-se preparado(a) 
para atuar com projetos de móveis, reconhecendo, neste conteúdo, uma introdu-
ção à prática profissional e compreendendo ainda mais como o conhecimento 
acadêmico pode incrementar a sua atuação em design de produto.
Ótimos estudos!
sumário
UNIDADE I
CLASSIFICAÇÕES DO MOBILIÁRIO
14 Classificações do Mobiliário
16 Classificação do Mobiliário Quanto aos 
Modelos de Configurações.
22 Classificações do Mobiliário Quanto aos 
Sistemas de Produção
35 Classificações do Mobiliário Quanto aos 
Sistemas de Montagens
47 Referências
48 Gabarito
UNIDADE II
ESTRUTURA DA INDÚSTRIA E DO MOBILIÁRIO
54 O Designer e a Indústria
56 Função, Técnica e Sentido
60 Fabricação Artesanal, Fabricação Sob Medida 
e Fabricação Seriada
63 Estrutura e Gestão Industrial
67 Composição Geral do Mobiliário
81 Referências
82 Gabarito
UNIDADE III
PROCESSOS PRODUTIVOS
88 Produzindo com Madeira Natural
98 Produzindo com Painéis de Madeira
103 Produzindo com Metal na Movelaria
106 Produzindo com Materiais Sintéticos
116 Referências
116 Gabarito
UNIDADE IV
COMPOSIÇÃO DO MOBILIÁRIO
122 Componentes de Base
133 Componentes de Montagem
142 Componentes de Acessórios
153 Referências
153 Gabarito
UNIDADE V
MODELOS DE REPRESENTAÇÃO EM PROJETOS 
DE MOBILIÁRIO
158 Modelos de Representações em Projetos de 
Mobiliários
161 Representações Gráficas em Projetos de 
Mobiliários
169 Representações Físicas em Projetos de Mo-
biliários
176 Gerações de Alternativas em Projetos de 
Mobiliários
185 Referências
186 Gabarito
187 Conclusão Geral
Professor Esp. Ivã Vinagre de Lima
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta 
unidade:
• Classificações do mobiliário
• Classificações do mobiliário quanto aos modelos de 
configurações
• Classificações do mobiliário quanto aos sistemas de 
produção
• Classificações do mobiliário quanto aos sistemas de 
montagens
Objetivos de Aprendizagem
• Conhecer as diferenças entre os tipos de mobiliários.
• Entender as características do mobiliário.
• Classificação do mobiliário quanto aos modelos de 
sistemas de produção.
• Apresentar a relação do mobiliário com projetos de 
interiores e projeto de produto.
CLASSIFICAÇÕES DO 
MOBILIÁRIO
unidade 
I
INTRODUÇÃO
O
lá caro(a) aluno(a)! Seja bem-vindo(a) à primeira Unidade 
do nosso livro Design de Mobiliário. Após você ter estudado 
os componentes das disciplinas dos módulos um, dois, três e 
quatro, os conhecimentos desses componentes curriculares 
ajudarão no decorrer do processo de desenvolvimento das criações e do 
planejamento em relação à concepção dos projetos de mobiliários.
Estudaremos, nesta unidade, as classificações do mobiliário e as suas 
respectivas diferenças, apresentandoconceitos e modelos ilustrados para 
a melhor compreensão dos elementos que serão importantes para os pro-
jetos de mobiliário, abordados em uma sequência de quatro tópicos.
No primeiro tópico, conheceremos as classificações dos modelos de 
configurações do mobiliário, em que veremos informações importantes 
sobre mobiliários unitários, mobiliários de conjuntos, mobiliários com-
poníveis, mobiliários modulados e conceituais, encontrados comercial-
mente no segmento do mercado moveleiro.
Serão apresentados conceitos básicos, citações e algumas curiosida-
des que servirão como apoio para as próximas unidades desse livro. No 
segundo tópico, estudaremos a classificação dos modelos de sistemas de 
produção moveleira. Serão apresentados mobiliários de produção sob 
medida, mobiliários de produção artesanal, mobiliários de produção se-
riada, mobiliários de produção de desvio de função e os de produção di-
gital, apresentando alguns exemplos de modelos de representação gráfica 
que são utilizados por alguns profissionais da área de design de produto.
No terceiro tópico, veremos a classificação dos modelos de sistemas 
de montagens de mobiliários, que serão: mobiliário montado e mobili-
ário desmontável. Assim, apresentando algumas dicas relacionadas ao 
volume do mobiliário e que devem ser levadas em consideração na hora 
de projetá-lo.
DESIGN DE MOBILIÁRIO 
14 
Classificações 
do Mobiliário
O mobiliário é um artefato muito importante em 
projetos de interiores e exteriores, especialmente no 
planejamento preliminar da distribuição e da circu-
lação do espaço residencial, comercial, institucional 
ou urbano, e após a definição do layout no ambiente.
Para Gomes (2015, p. 120), móveis ou mobiliá-
rio são definidos como um conjunto de objetos que 
servem para facilitar os usos e as atividades em uma 
casa, em um escritório ou em outros ambientes.
Um dos atributos principais do design de mo-
biliário é atender às necessidades do espaço e dos 
variados usuários que terão acesso aos produtos, 
aliando a estética com a função do produto, le-
vando em consideração os diferenciados estilos de 
vida de diversos públicos que esses produtos po-
derão atender, atingir e atuar dentro dos diversos 
segmentos econômicos e mercadológicos.
No design de mobiliário, as pesquisas de mercado 
e de comportamento dos públicos que serão atendi-
dos ajudam no conhecimento e no entendimento dos 
desejos dos usuários e, com isto, é possível transfor-
mar as necessidades observadas em uma nova opor-
tunidade para o desenvolvimento de novos produtos.
Para Gurgel (2004), a importância do design na 
atualidade torna-se evidente quando percebemos que 
o design aplicado a qualquer elemento afeta não so-
 DESIGN 
 15
isto, o espaço residencial precisa readequar-se a 
essa nova realidade.
Dentro deste contexto, inovar é um dos quesitos 
mais importantes no segmento de produção move-
leira, destacando-se a necessidade de voltar todos os 
processos de desenvolvimento e de produção para 
a sustentabilidade, preocupando-se com a vida útil 
do produto e com o planejamento do pós-consumo, 
pois esse entendimento poderá agregar resultados 
positivos para o usuário.
Nesta unidade, vamos apresentar as classifica-
ções do mobiliário com os seus modelos, as suas 
respectivas definições, características e exemplos 
por meio de imagens e conceitos para melhor en-
tendimento e compreensão. A classificação pode ser 
dividida da seguinte forma. 
• Modelos de configurações.
• Modelos de sistemas de produção.
• Modelos de sistemas de montagens. 
mente os objetos que interagem com ele e as pessoas 
que o utilizam, mas afeta também o meio ambiente. 
As exigências em relação a produtos de quali-
dade, com um bom design e custo merecido, são 
desejos não apenas do consumidor final, e sim de 
empresas fornecedoras, do comércio varejista e, até 
mesmo, de empresas do exterior que desejam ad-
quirir os nossos produtos. Porém, muitas vezes, há 
diversas empresas concorrentes que estão preocupa-
das apenas em produzir mais, esquecendo a quali-
dade final do produto, e também não se preocupan-
do com os consumidores finais.
O entendimento dos possíveis espaços que os mo-
biliários serão organizados, juntamente com a ergono-
mia e as suas respectivas especificidades, são critérios 
importantes para o desenvolvimento de projetos de 
mobiliários, pois não há como projetar um espaço sem 
conhecer o mobiliário, e nem projetar um mobiliário 
sem conhecer as reais necessidades do espaço, pois 
ambos (espaço x mobiliário) dependem um do outro.
Neste sentido, Rangel (2007, p. 5) afirma: “as 
cidades se agigantam, os preços dos terrenos tam-
bém e, como consequência, os imó-
veis diminuem”. Com 
DESIGN DE MOBILIÁRIO 
16 
Classificação do Mobiliário Quanto 
aos Modelos de Configurações
Neste tópico, conheceremos os conceitos e exemplos 
relacionados aos diferentes modelos de configurações 
para o segmento moveleiro, pois, para o designer de 
produto, eles facilitam bastante o projeto de diversos 
tipos de artefatos para esse nicho de mercado, sendo 
que é por meio desse conhecimento que se determina 
o direcionamento do foco do produto a ser projetado.
Na etapa projetual de móveis, os profissionais de 
design devem ficar atentos em relação aos possíveis 
usuários dos produtos, aos possíveis espaços aos 
quais serão destinados os mobiliários, assim como 
aos possíveis clientes diretos e indiretos, e também 
devem manter-se atentos às estratégias de vendas 
dos produtos, incluindo as suas respectivas opções 
de direcionamento, que determinadas empresas, por 
sua vez, desejam atingir.
No processo projetual de produtos moveleiros, 
os designers precisam acompanhar as tendências 
de design, os desejos ou as necessidades dos usuá-
rios ou dos possíveis clientes. Estes serão os novos 
 DESIGN 
 17
peças de mobiliários. Por exemplo, para determina-
das mesas de centro, cadeiras de escritório, roupei-
ros, poltronas e sofás-camas, não é possível o usu-
ário comprar mais de uma peça e colocá-las lado 
a lado ou uma sobre a outra, e configurar em uma 
composição com aparência de um único móvel.
Geralmente, o mobiliário unitário não possui mais 
de uma opção em catálogos, como acontece na confi-
guração de mobiliário de conjunto, e sim, apenas a peça 
unitária faz parte dessa configuração de mobiliário, po-
dendo atender aos diferentes estilos e necessidades.
consumidores dos mobiliários que poderão, de 
maneiras satisfatórias, serem atendidos dentro do 
segmento destinado ao setor moveleiro e, assim, os 
produtos podem ser projetados com design atraen-
te, inovador, de forte apelo estético e funcionalidade, 
e que atendam aos requisitos específicos para as suas 
destinações de diferentes formas de usos. 
Os modelos de configurações para o mobiliário 
podem ser divididos da seguinte maneira:
• mobiliário unitário;
• mobiliário de conjunto; 
• mobiliário componível;
• mobiliário modulado; 
• mobiliário conceitual.
Os móveis de casa ou dos ambientes de tra-
balho materializaram a maneira de viver, as 
condições sociais e, inclusive, os hábitos de 
uma determinada época.
(Ricardo Dal Piva)
REFLITA
MOBILIÁRIO UNITÁRIO 
Também conhecido como mobiliário avulso, é um mo-
delo de mobiliário que apresenta uma configuração es-
trutural e formal única, sem possibilidades de amplia-
ções do produto com outros. Diferente do que acontece 
com os mobiliários componíveis ou modulados.
Geralmente, são comercializados como peças 
avulsas, com opções de tamanhos e cores diferentes. 
Quando colocados no ambiente, junto a outras pe-
ças, podem fazer uma composição positiva e criativa.
Essa classificação de mobiliário é muito comum 
em móveis estofados (sofás), em camas box e outras 
Figura 1 - Mon Chaise
Fonte: acervo pessoal - Sérgio Gomes (2015).
MOBILIÁRIO DE CONJUNTO
É um modelo mobiliário que apresenta uma con-
figuração estrutural e formal com mais de uma 
opção de peças e tamanhos, podendo ser com-
pradas em conjunto e, em algunscasos, adqui-
ridas como peças separadas para compor um 
ambiente juntamente com outras, parecendo um 
mobiliário unitário.
DESIGN DE MOBILIÁRIO 
18 
Popularmente, em folhetos e propagandas co-
merciais, são chamados de “móveis de jogo” ou “mo-
biliário de linha”, por exemplo: jogo de sala, jogo ou 
conjunto de sofá, jogo de cozinha, jogo de jantar, 
jogo ou conjunto de quarto etc.
É também comum a possibilidade de modelos de 
móveis nessa configuração, para dormitórios ou 
para outros ambientes, unirem-se com peças avul-
sas e, assim, remeterem à aparência de mobiliário 
componível (tema do tópico a seguir). Por exemplo: 
comprar um roupeiro de duas portas, e outro de três 
portas, e que, juntos, compõem um roupeiro com 
aparência de cinco portas, conferindo breve seme-
lhança com um mobiliário de sistema componível.
Outra opção para esse modelo de configuração, 
muito comum no ramo moveleiro de mobiliários 
residenciais, urbanos, corporativos (escritórios) e 
institucionais (mobiliários escolares e médico-hos-
pitalares etc.) são os mobiliários com maior opção 
de produtos na mesma linha ou coleção.
Neste último caso, em seus catálogos de produtos, 
é oferecida uma sequência de opções em forma de 
coleção com variados tipos de produtos e com uma 
determinada quantidade de peças que podem ser ad-
quiridas separadamente (avulsas), conforme a neces-
sidade do cliente e com possibilidades de usos que 
podem ser variadas para diferentes tipos de espaços.
No caso do mobiliário de conjunto para uso resi-
dencial, é comum ter opções, no mercado movelei-
ro, de uma coleção de móveis com o mesmo concei-
to estético e formal, com opções para salas, copas, 
quartos etc., seguindo a mesma identidade na apa-
rência dos desenhos de seus produtos.
O mobiliário para interiores residenciais deve 
servir para um ampla variedade de atividades: 
desde as interações sociais dos hóspedes, 
mais exuberantes, até a inércia de um indiví-
duo que está dormindo, sempre respeitando 
as preferências de cada cliente. 
(Sam Booth e Drew Plunkett).
REFLITA
 DESIGN 
 19
MOBILIÁRIO COMPONÍVEL
Esta classificação de mobiliário é relativamente mais 
simplificada, possui um número menor de módulos, 
além de peças com dimensões padronizadas para 
ampliar a composição do mobiliário no ambiente 
desejado e a ampliação do sistema. É um sistema 
cuja principal finalidade é usar, da melhor manei-
ra possível e conforme a necessidade de utilização, 
cada metragem do cômodo que está sendo mobilia-
do e ocupado pelo espaço. 
São concebidos por meio de peças pré-dimen-
sionadas, pré-configuradas e pré-fabricadas, algu-
mas com opções de aquisições futuras para a am-
pliação do sistema, oferecendo ao espaço diversas 
possibilidades de composição.
O mercado moveleiro oferece, em catálogo de 
produtos individualizados, opções alternativas com 
aparência de mobiliário de configuração unitária 
e com medidas únicas. Porém, com possibilidades 
pré-determinadas de união com peças que, mesmo 
iguais, podem ser postas lado a lado ou empilhadas, 
formando um único móvel.
Este modelo de configuração é muito comum em 
móveis estofados, roupeiros, armários de cozinha, 
móveis corporativos etc., ou seja, em móveis em que 
há opções de peças avulsas e que podem ser adquiri-
das de maneira que seja unida uma peça com a ou-
tra, dando a aparência de um único mobiliário.
Também há outra alternativa, com diferentes opções 
de medidas e peças: posicionar os móveis juntando 
os módulos lado a lado ou empilhados, formando 
um único móvel. A união de ambos não oferece a 
possibilidade de fechamento de vãos livres (superio-
res, inferiores e laterais), como acontece no sistema 
modulado, que veremos a seguir.
O mobiliário componível não necessita de ven-
dedores e montadores treinados para a realização 
das vendas, pois muitas das opções desses produtos, 
muito encontrados em lojas do segmento moveleiro 
(lojas físicas e virtuais), podem ser montadas e ins-
taladas pelo próprio comprador. Algumas empresas 
dispõem de softwares que apresentam todas as peças 
com as suas respectivas medidas para realizarem si-
mulações de vendas junto ao cliente.
DESIGN DE MOBILIÁRIO 
20 
MOBILIÁRIO MODULADO 
Essa configuração de mobiliário é chamada comer-
cialmente de mobiliário planejado. Possui um núme-
ro maior de módulos e peças com dimensões padro-
nizadas para ampliar a composição do mobiliário e a 
ampliação do sistema no espaço desejado. Por ser um 
sistema de produção seriado, costuma-se realizar, no 
detalhamento técnico, o desenho peça por peça.
Existem possibilidades pré-determinadas de 
união com peças iguais ou diferentes, lado a lado ou 
empilhadas, permitindo grandes possibilidades de 
montagem para a ampliação do sistema modulado, 
formando um único móvel.
São mais sofisticadas no acabamento final em 
relação ao mobiliário componível, otimizam os 
espaços com módulos adequados às dimensões 
apropriadas de cada cômodo e permitem o me-
lhor aproveitamento necessário para os ambientes 
de casas e apartamentos.
O mobiliário modulado permite o fechamento 
total das sobras de espaço entre o mobiliário e os 
vãos (superiores, inferiores e laterais) com peças de 
acabamento (vistas de complementação ou réguas 
de acabamento), que dão uma aparência de mobiliá-
rio embutido, como acontece na maioria dos proje-
tos de móveis sob medida.
É um sistema cuja principal finalidade é usar, da 
melhor maneira possível e conforme a necessidade 
de uso do cliente, cada metragem disponível do cô-
modo que está sendo mobiliado e ocupado pelo es-
paço. Para Vesterlon (2007, p. 113):
[...] a redução do tamanho das residências obri-
gou o mercado a oferecer produtos que possam 
se ajustar aos novos espaços disponíveis, espe-
cialmente nos apartamentos. Os modulados 
surgiram apresentando uma diversidade de 
composições que se adaptam a cada espaço da 
casa e à necessidade de cada consumidor. 
Os mobiliários modulados são concebidos por meio 
de módulos pré-dimensionados, pré-configurados 
e pré-fabricados, que se encaixam entre si, alguns 
com opções de aquisições futuras para a ampliação 
do sistema, como também acontece no sistema de 
mobiliário componível. São comercializados em lo-
jas especializadas que necessitam de projetistas, ven-
dedores e montadores treinados e qualificados.
Por ser um sistema complexo, necessita, para as 
gerações de alternativas e de desenvolvimento do 
projeto, a utilização de softwares específicos para a 
execução do projeto do sistema no ambiente e para 
a apresentação final ao cliente, como uma boa estra-
tégia de negociação do produto.
Antes de iniciar o projeto para venda, o projetista 
deve tirar as medidas dos ambientes, não esque-
cendo os elementos principais, como: pontos elé-
tricos e hidráulicos, pé direito, aberturas de por-
tas ou janelas, vigas, pilares e outros detalhes que 
possam interferir no bom resultado do projeto na 
organização espacial do ambiente.
 DESIGN 
 21
MOBILIÁRIO CONCEITUAL
O mobiliário de design conceitual é uma configura-
ção de mobiliário concebida, na maioria das vezes, 
de forma crítica e radical. Geralmente, tem a função 
de expressar questionamentos, discussões polêmicas 
e, até mesmo, gerar tendências para a criação e a ins-
piração de novos produtos.
Este tipo de mobiliário, em algumas situações, 
tem uma função mais decorativa do que utilitária, 
pois muitos produtos tornam-se peças artísticas.
Os princípios de ergonomia são desprezados na 
concepção da ideia e acabam não se tornando cri-
tério para o processo de criação e de materializa-
ção de alguns produtos.
Existem, também, produtos com essa configura-
ção que seguem critérios de ergonomia no desenvol-
vimento de suas peças. A forma é o requisito princi-
pal para esse tipo de mobiliário.
A proposta do design conceitual é muito utiliza-
da no ramo do vestuário, principalmente em desfiles 
de moda e nas artes visuais, gerando várias discus-
sões e interpretações sobre as propostas apresenta-
das. Muitosprodutos conceituais são expostos em 
mostras e concursos, podendo ser produzidos e co-
mercializados por empresas do ramo de design.
Franzatto (2011, p. 15) apresenta a seguinte defi-
nição para design conceitual:
[...] no design conceitual, os designers exploram 
as potencialidades reflexivas e dialéticas do pro-
cesso de criação de design, abrindo espaço para 
pensar e discutir os assuntos mais diversos. Os 
designers que escolhem tal abordagem se ex-
pressam por meio de maquetes, artefatos úni-
cos, pequenas produções ou auto-produções, 
ou seja, formas que ficam longe da produção em 
série e não cabem em lógicas comerciais. Trata-
-se de profissionais que usam suas competências 
para tratar de questões que transpõem os limi-
tes disciplinares, para formular testes a respeito 
e expô-las publicamente.
Figura 2 - A cadeira de plástico bolha dos Irmãos Campana
Fonte: Lojas Rhel (2011, on-line)1.
DESIGN DE MOBILIÁRIO 
22 
Classificações do Mobiliário 
Quanto aos Sistemas de Produção
Neste tópico, conheceremos os conceitos e exemplos 
dos modelos de sistemas de produção moveleira im-
portantes para esse segmento, abordando os seguintes 
tipos de mobiliários relacionados às suas formas de 
execução do produto final. Os modelos de sistemas 
de produção podem ser divididos da seguinte forma:
• mobiliário de produção sob medida;
• mobiliário de produção artesanal;
• mobiliário de produção seriada;
• mobiliário de produção com desvio de função;
• mobiliário de produção digital.
MOBILIÁRIO DE PRODUÇÃO SOB MEDIDA
Móvel desenvolvido e executado para determinado 
cliente, que deseja um móvel com foco em uma ne-
cessidade desejada ou em alguma outra especificida-
de. O marceneiro é um dos profissionais principais 
 DESIGN 
 23
em todas as etapas de produção, entrega e monta-
gem do mobiliário no espaço do cliente atendido.
As marcenarias que fazem esse tipo de mobili-
ário produzem, na maioria das vezes, móveis retilí-
neos (lisos e com linhas retas), sendo a matéria-pri-
ma principal as chapas de MDF (Medium Density 
Fiberboard), MDP (Medium Density Particleboard) 
e o compensado. Dal Piva (2006, p. 15) apresenta a 
seguinte definição para mobiliário sob medida:
[...] produto projetado e fabricado para um cliente 
específico, pois esse tipo de fabricação exige mui-
ta atenção do projetista ou marceneiro durante a 
tomada de medidas na casa do cliente, pois qual-
quer erro de dimensões compromete a margem 
de lucro prevista agregada ao produto executado.
dida, inicia-se com todas as informações levantadas 
junto ao cliente em forma de entrevista, incluindo as 
suas exigências, para, assim, estabelecer-se as necessi-
dades dos usuários e do espaço que será ocupado pelo 
mobiliário. Lembrando que o resultado do produto 
final a ser desenvolvido deverá atender a todas as ne-
cessidades específicas de uso e estilo de um cliente.
Para dar início ao projeto de mobiliário sob me-
dida, é necessário o primeiro contato com o cliente 
(entrevista) e uma visita no espaço onde será exe-
cutado o mobiliário para ser realizado o levanta-
mento de todos os dados e, desta forma, ter como 
base principal as medidas exatas dos ambientes no 
imóvel que será ocupado pelos mobiliários e os seus 
respectivos artefatos.
Depois de todas as informações, inicia-se as ano-
tações de todas as medidas da planta baixa observadas 
no espaço, como: altura do pé direito, distância entre 
as paredes e a posição de elementos que estão fixos 
(portas, janelas, ventilação, pontos elétricos e hidráuli-
cos, ponto de gás, ângulos especiais e outros elementos 
importantes para não atrapalhar o projeto das peças).
Assim, dá-se início aos primeiros croquis como 
forma de geração de alternativas que mais se encai-
xam e enquadram-se para uma boa organização es-
pacial no ambiente que será utilizado pelo cliente.
Nessa etapa de geração de ideias, a aplicação dos 
conhecimentos de ergonomia é um elemento de ex-
trema importância para um bom resultado do projeto.
Muitas marcenarias também investem em pro-
fissionais projetistas, encarregados de fazer os proje-
tos com softwares específicos de desenhos 2D e 3D. 
O objetivo é vender o projeto aos clientes e apresen-
tar as primeiras gerações de alternativas para obter 
a aprovação e, em seguida, fazer as negociações para 
as vendas dos projetos.
A metodologia para o desenvolvimento do mobili-
ário sob medida muito se assemelha ao processo de 
ferramentas e de ações adotado para a elaboração de 
projeto de interiores, diferenciando-se um pouco do 
processo realizado em um projeto de produto seriado. 
No caso do desenvolvimento do mobiliário sob me-
DESIGN DE MOBILIÁRIO 
24 
Devido à grande concorrência das empresas, um boa 
estratégia usada por muitas marcenarias para buscar 
novos clientes é a contratação de projetistas vende-
dores. Eles vão até as obras de edificações oferecer 
os seus serviços em projetos de móveis sob medida.
Essa estratégia favorece bastante as marcenarias, 
pois se o cliente demonstrar interesse pelos serviços, 
os projetos podem prever alguns detalhes durante a 
construção que facilitarão a instalação do mobiliário 
no ambiente, evitando algumas incomodações futu-
ras para a instalação dos móveis.
O registro fotográfico das obras também facilita 
a instalação dos móveis, prevendo perfurações nas 
paredes em pontos que passam tubos hidráulicos e 
conduítes elétricos.
No detalhamento de móveis sob medida, não 
se exige o desenho individual de todas as partes 
(componentes ou peças), com os detalhes técnicos 
de furações e junções dos dispositivos de montagem 
ou fixação que formam o mobiliário, como aconte-
ce nos projetos de mobiliários de produção seriada. 
Somente é feito um projeto do conjunto com execu-
ção e montagem realizadas por um marceneiro que 
produz o mobiliário.
Figura 3 - Ambientação da cozinha para apresentação ao cliente
Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017).
Figura 4 - Indicação de pontos elétricos e hidráulicos na obra antes e 
após a instalação e a montagem dos mobiliários
Fonte: o autor.
 DESIGN 
 25
Figura 5 - Ambientação em 3D com as cotas das medidas que serão utilizadas para a produção na marcenaria
Fonte: Acervo Pessoal - Clélio Zeithammer (2016).
DESIGN DE MOBILIÁRIO 
26 
Os desenhos do mobiliário sob medida geral-
mente são apresentados depois da aprovação do 
cliente e mostram as vistas do mobiliário, com ele-
vação, cotas necessárias para um bom entendimento 
do marceneiro, especificação dos materiais, ferra-
gens e componentes necessários para a produção, 
desenho da projeção do móvel em planta baixa, de-
senhos com detalhes de construção em corte parcial, 
desenhos da perspectiva do móvel individual e da 
perspectiva do móvel no ambiente.
Após as gerações de ideias, apresenta-se ao 
cliente amostras digitais com a ambientação em 
3D para melhor entendimento de como ficará o 
espaço com o mobiliário, indicando algumas pos-
sibilidades para verificar a aceitação e, com isto, a 
finalização do orçamento.
Figura 6 - Gerações de alternativas com três opções de uma cozinha para apresentação ao cliente
Fonte: Acervo Pessoal - Arno Hoffmann Junior (2017).
Para o projeto de mobiliário sob medida, a unidade 
métrica utilizada comercialmente nos desenhos é cen-
tímetro (cm) ou metros (m), diferente do mobiliário 
seriado, cuja unidade utilizada é o milímetro (mm).
As unidades de medida centímetro (cm) ou me-
tro (m) são muito utilizadas para melhor entendi-
mento dos marceneiros e vendedores. Entretanto, a 
unidade indicada é o milímetro (mm), pois as cha-
pas de madeira, os dispositivos de montagem e ou-
tros componentes apresentam, em seus manuais de 
instruções e de uso, as unidades em milímetro (mm).
Para o projeto definitivo, aconselha-se fazer as 
vistas (elevações) superior, frontal e lateral com 
uma perspectiva do mobiliário no ambiente para 
melhor entendimento e compreensão da alternati-
va escolhida pelo cliente.
 DESIGN 
 27
Para detalhamentos das vistas, aconselha-se men-cionar todas as cotas importantes, as linhas de cha-
madas para alguns detalhes e as especificações de 
materiais que serão utilizados no projeto.
Figura 7- Vista (elevação) superior, lateral e frontal da 
cozinha com as medidas mensuradas no ambiente e am-
bientação em 3D da cozinha após a aceitação do cliente
Fonte: o autor.
DESIGN DE MOBILIÁRIO 
28 
Mesmo a produção desse tipo de mobiliário sendo 
quase artesanal, pois a construção das peças são foca-
das em encomendas/clientes específicos, a qualidade 
do resultado final do produto parece-se um pouco 
com os mobiliários de produção em série. A entrega, 
a execução e a montagem geralmente são realizadas 
pelo marceneiro ou pela equipe da marcenaria.
MOBILIÁRIO DE PRODUÇÃO ARTESANAL
Este tipo de mobiliário é uma possibilidade distinta de 
inserção dos produtos no mercado moveleiro. A sua 
produção difere-se um pouco dos produtos produzi-
dos em fábricas de móveis, sob larga escala de produ-
ção. São mobiliários desenvolvidos em processos ar-
tesanais e com diversos materiais, tais como: madeira, 
bambu, tecidos, fibras naturais e sintéticas etc.
Produto que, muitas vezes, acaba adquirindo 
maior valor agregado dentro do segmento movelei-
ro, sendo um bom instrumento de estratégia de de-
senvolvimento de artefatos que, por sua vez, podem 
destacar-se com a produção de peças exclusivas e de 
design autoral. O profissional que atua nesse segmen-
to é um artesão, pois produz itens de variadas formas 
e modelos com caráter funcional ou decorativo.
O sistema exige, para cada móvel sob me-
dida, uma negociação inicial, uma visita na 
casa do cliente para dimensionar o móvel, 
a elaboração do projeto, a apresentação e o 
acompanhamento da produção até a entrega 
final do produto.
Fonte: Dal Piva (2006).
SAIBA MAIS
 DESIGN 
 29
Alguns desses mobiliários de produção artesanal são 
desenvolvidos propositalmente com uma aparência 
rústica, e outros são produzidos com a característica 
de um mobiliário de bom acabamento, sendo diferen-
tes daqueles de produção em série. Alguns deles são 
produzidos em uma determinada quantidade para 
as vendas em lojas nas próprias marcenarias e, em 
outras vezes, são produzidos sob encomenda, como 
acontece com mobiliários de madeira de demolição.
Existem produtos que são de produção exclusi-
va, com entalhes e torneamento de peças em madei-
ra que exigem a atenção e a presença de um marce-
neiro com perfil de artesão, cuja maior preocupação 
seja os detalhes exclusivos para cada peça.
O artesanato apresenta-se como um valioso pro-
cesso de produção de móveis com fibras naturais e 
sintéticas, uma opção a mais para o mobiliário de 
produção artesanal, oferecendo, em seus processos, 
variadas padronagens de trançados e amarrações, 
que são produzidos por meio de vários tipos de fi-
bras, exigindo habilidades com um bom resultado 
nos acabamentos, sendo estes os que revestem os 
mobiliários para áreas internas e externas, destina-
dos para diversos tipos de ambientes.
É importante destacar que, neste processo, ocor-
rem situações em que determinada linha de um pro-
duto de produção em série possui uma parte de sua 
fabricação em um setor de produção industrial da 
Na produção artesanal, há marcenarias ou ateliês 
que atuam exclusivamente com trabalhos que envol-
vem a restauração de mobiliários. Neste contexto, os 
trabalhos de restauração de mobiliário também são 
uma das alternativas dentro do segmento movelei-
ro e que, por sua vez, exigem uma atenção especial 
dentro da produção artesanal, pois, em algumas si-
tuações, é necessária a confecção de uma nova peça 
ou de componentes para a substituição de outras 
peças danificadas ou deterioradas por insetos (peças 
perfuradas por cupins).
fábrica, e outra parte, que envolve acabamentos arte-
sanais, é desenvolvida em um setor anexo à fábrica.
Nesta mesma empresa, são contratados profissio-
nais artesãos para a realização de outra etapa de pro-
dução artesanal, seguindo um padrão de produção e 
de qualidade na finalização. Tendo, com isto, um pro-
duto de produção mista, em que uma parte é seriada, 
e a outra com um detalhe ou acabamento artesanais.
Alguns mobiliários exigem detalhes em seus 
processos de acabamentos, como no caso do revesti-
mento de um móvel fabricado em série, com estru-
DESIGN DE MOBILIÁRIO 
30 
tura em metal, madeira, materiais mistos ou 
não, e com revestimento em toda a parte ou 
apenas em algum detalhe importante, que 
é revestido com tecidos, fibras naturais 
ou sintéticas, madeira, bambu ou 
outros materiais que necessitam 
de um processo artesanal para 
a finalização do produto.
Esse processo pode ser 
feito por meio de encomen-
das de terceirização de servi-
ços, ou seja, que não seja feito 
na própria fábrica e que pode 
ser realizado em residências de ar-
tesãos, em cooperativas e em em-
presas de pequeno e médio portes.
Há, também, produtos produzi-
dos em áreas de regiões rurais, indíge-
nas, litorâneas, entre outras, podendo 
ser de uma produção independente 
para vendas diretas ou indiretas.
Na fabricação de móveis estofa-
dos, é comum que as estruturas dos 
móveis sejam feitas de maneira seria-
da, e que a parte da costura dos teci-
dos necessite de costureiros para fazer 
a parte dos tecidos e dos demais reves-
timentos dos móveis (base, assento, 
braço, encosto e parte traseira). Eles 
também podem ser terceirizados ou 
feitos em um setor à parte da fábrica.
 DESIGN 
 31
MOBILIÁRIO DE PRODUÇÃO SERIADA
Mobiliário com produção em série e em volume in-
dustrial, normalmente não é concedido ou produ-
zido para um cliente específico, como acontece no 
mobiliário sob medida ou em alguns mobiliários de 
produção artesanal.
Por isto, em projetos de mobiliários seriados, 
aconselha-se a utilização de um bom processo me-
todológico e uma boa pesquisa de mercado para o 
projeto do produto. Esse tipo de produção deve atin-
gir uma grande quantidade de usuários, diferente-
mente do mobiliário sob medida, que atinge apenas 
um cliente específico. A produção é realizada em pe-
ças isoladas, com a preocupação da racionalização 
dessas peças, para se ter o melhor aproveitamento 
dos materiais na fabricação.
Geralmente, a produção é realizada em fábricas 
de pequeno, médio e grande porte. A escolha e a 
configuração da embalagem têm muita importância 
na qualidade e na valorização do produto, pois ela 
o protege de estragos ou danos e facilita o armaze-
namento, o transporte e o recebimento do produto 
na residência do cliente. O desenho do manual de 
montagem não deve ser esquecido: ele deve conter 
ilustrações e especificações para a montagem e a 
desmontagem do móvel.
Nos detalhamentos técnicos, a unidade de medi-
da usual é o milímetro (mm). É feito o desenho do 
conjunto e de peça por peça de cada parte do mo-
biliário projetado, com todas as cotas das furações 
e marcações necessárias. Este detalhamento serve 
como uma documentação técnica do produto, faci-
litando o processo de fabricação e as possíveis re-
gulagens dos maquinários, assim como o fluxo de 
produção na indústria moveleira.
Figura 8 - Desenhos das peças da estrutura do assento e encosto do sofá
Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017).
DESIGN DE MOBILIÁRIO 
32 
MOBILIÁRIO DE PRODUÇÃO DE DESVIO 
DE FUNÇÃO
Consiste na produção e criação de artefatos com foco 
na ressignificação dos objetos, podendo ser de produ-
ção simplesmente artesanal. Geralmente, consiste em 
agregar funções secundárias aos artefatos que pos-
suem empregos primários preestabelecidos, não se 
limitando apenas ao desenvolvimento de mobiliário, 
mas sim expandindo para as outras ideias de produtos.
Existem situações em que esses produtos são con-
cebidos simplesmente como um improviso devido 
a uma necessidade emergencial ou, então, são pro-
jetados e produzidos intencionalmente como um 
produto alternativo.
A concepção do mobiliário de desvio de função 
pode dar-se pelo simples fato de misturar materiais 
e por um improviso da junção deles para materia-
lizaro produto, ou pela idealização de um projeto 
detalhado, seguindo uma metodologia com uma se-
quência de processos criativos que, por sua vez, são 
utilizados no design de produtos.
De acordo com Burdek (2006), os objetos e produtos 
são utilizados em novas situações de vida com novos 
significados de forma tão evidente que os designers 
não poderiam supor que isso fosse possível. Isto é, a 
não intenção domina a intenção.
Figura 9 - Poltrona com pallet descartado
Fonte: o autor.
O reuso previne que materiais existentes se-
jam descartados em aterros e poupa energia 
e água incorporadas que teriam sido necessá-
rias para produzir materiais de substituição.
Na prática, a reutilização é, em geral, inerente 
à redução, já que utilizar materiais existentes 
pode reduzir a necessidade de novos materiais.
Fonte: Moxon (2012, p. 95).
SAIBA MAIS
Apesar de, no princípio, o design de produto 
ser uma atividade ligada à produção industrial, 
existem cada vez mais exemplos de produtos 
projetados por designers, os quais melhor ca-
racterizam um artefato improvisado.
Trata-se de uma iniciativa construtiva, pois 
muitos designers estão se preocupando com 
questões de desenvolvimento sustentável, e 
não apenas se adequando aos novos padrões 
do mercado. Estes designers estão propondo 
verdadeiras atitudes neste sentido.
Fonte: Boufleur (2006, p. 105).
SAIBA MAIS
 DESIGN 
 33
MOBILIÁRIO DE PRODUÇÃO DIGITAL
Mobiliário que faz parte do movimento maker, com 
design aberto e democrático, pois apresenta sistema 
diferenciado de fabricação com impressão 3D, corte 
a laser e CNC. A máquina de CNC facilita bastante 
a viabilidade, a agilidade e a qualidade de variados 
projetos que exigem alta precisão nos detalhes que 
requerem e nos cortes que exigem encaixes. O aca-
bamento feito na CNC diferencia-se bastante em 
relação à perfeição dos resultados, se estes forem 
comparados com os produtos feitos com máquinas 
e ferramentas padrão de várias marcenarias.
DESIGN DE MOBILIÁRIO 
34 
Os projetos de diversos produtos apresentam arqui-
vos disponíveis para download gratuito e que podem 
ser baixados livremente pelo sistema opensource ou 
pelo acesso ao site Britânico OpenDesk. Esses arqui-
vos, muitas vezes, podem ser baixados, acessados e 
replicados por vários países. 
Visualize o projeto e os detalhes da montagem 
da cadeira Valoví (STUDIO DLUX, [2018], on-li-
ne)2, composta por 20 peças de madeira que se 
encaixam sem nenhum tipo de prego, parafuso 
ou cola. Para saber mais, acesse: <http://www.
studiodlux.com.br/portfolio/valovi/>.
Fonte: o autor.
SAIBA MAIS
Umas das grandes desvantagens é a falta de con-
trole em relação à apropriação comercial dos pro-
jetos de variados produtos e, com isto, a tendência 
de produção digital faz com que os designs aber-
tos de artefatos possam ser usados livremente, 
compartilhados, copiados e, até mesmo, modifica-
dos em alguns detalhes.
Alguns projetos apresentam informações, espe-
cificações, recomendações e instruções importantes 
para a concepção e configuração dos artefatos. Me-
gido (2016, p. 131) apresenta a seguinte definição 
para o movimento maker. 
O movimento maker é uma extensão tecnoló-
gica da cultura do “Faça você” (Do It Yourself 
- DIY, no original em inglês), que estimula as 
pessoas comuns a construírem, a modificarem 
os próprios objetos com as próprias mãos. Isso 
gera uma mudança na forma de pensar de mui-
ta gente, trazendo os processos industriais para 
bem próximo de meros mortais como você e 
eu. Práticas de impressão 3D e 4D, cortadores 
a laser, robótica, arduino (prototipagem ele-
trônica livre), entre outras, incentivam uma 
abordagem criativa, interativa e proativa de 
aprendizagem em jovens e crianças, gerando 
um modelo mental de resolução de problemas 
do cotidiano. É o famoso “pôr a mão na mas-
sa”. Algumas escolas particulares de São Paulo 
já estão montando laboratórios equipados com 
essa tecnologia, e a prefeitura da cidade tam-
bém disponibiliza, de forma gratuita, o acesso a 
FabLabs espalhados pela cidade para que qual-
quer pessoa possa prototipar seu projeto e sair 
de lá com a peça na mão. 
http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/
http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/
http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/
http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/
http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/
http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/
http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/
http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/
http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/
http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/
http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/
http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/
http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/
http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/
 DESIGN 
 35
Classificações do Mobiliário 
Quanto aos Sistemas de Montagens
Neste tópico, estudaremos os padrões de modelos de 
montagens de mobiliário mais usuais no mercado 
moveleiro e veremos os seguintes modelos de mon-
tagem de mobiliário:
• mobiliário montado;
• mobiliário desmontável.
MOBILIÁRIO MONTADO
Mobiliário de pequena ou média dimensão, que é 
montado nas próprias indústrias. É entregue mon-
tado para o consumidor ou para os locais de comer-
cialização. Na maioria das vezes, não necessita de 
DESIGN DE MOBILIÁRIO 
36 
um manual de montagem, e sim de um manual de 
instruções de usos e advertências.
No momento de incluir esses mobiliários no pro-
jeto, é muito importante avaliar e prever o volume e 
a massa para não haver dificuldades na logística do 
produto e na entrada e saída em aberturas (portas 
e janelas) em situações de entregas do produto na 
residência e, também, no caso de mudanças.
Há produtos montados que apresentam dificul-
dades no transporte e na entrega do produto em 
determinados ambientes. Este tipo de transtorno é 
muito comum em mobiliários estofados (sofás) que 
apresentam dimensões incompatíveis com as aber-
turas de portas e janelas, dificultando a entrada do 
produto no ambiente que, em algumas situações, é 
situado em prédios. Uma das alternativas que gera 
transtornos e custos é o içamento do mobiliário por 
meio de cordas e cabos. 
A maioria dos móveis estofados de dois, três ou 
mais lugares, e que são muito encontrados no mer-
cado, possuem muitas dificuldades de entrada nas 
residências, principalmente em apartamentos. A difi-
culdade já começa nas entradas das escadas ou eleva-
dores. O mesmo caso ocorre com algumas camas box.
Figura 10 - Mobiliário sendo içado do alto de um prédio residencial
Fonte: Portal Click Negócios([2018], on-line)3.
Na concepção do produto, o designer deve 
levar em conta as características ergonômicas 
como verdadeira ferramenta de projeto.
(Rafael Vesterlon)
REFLITA
 DESIGN 
 37
MOBILIÁRIO DESMONTÁVEL
Mobiliário concebido com suas partes, peças ou 
componentes para serem montados após a aquisi-
ção e, desta forma, para a utilização no ambiente 
em que será acomodado. Na maioria das vezes, há 
a necessidade de um montador com experiência na 
montagem e instalação do móvel no espaço deseja-
do. Geralmente, esse mobiliário possui dispositivos 
de junções e de ferragens para facilitar as montagens 
e desmontagens dos componentes e do conjunto 
como um todo.
O mobiliário desmontável deve ser acompanhado 
sempre de um bom manual de montagens que apre-
senta, primeiramente, um desenho esquemático mos-
trando, passo a passo, todas as etapas desse processo.
A embalagem também é um dos elementos im-
portantes para o mobiliário desmontável. Ela facilita 
na logística do produto, pois tem a função de orga-
nizar as peças que compõem o mobiliário e os seus 
respectivos dispositivos de montagens e junções 
caso seja necessário, e deve ser sempre acompanha-
do com um manual de montagem e com um manual 
de instruções de uso do produto.
Figura 11- Desenho de embalagem
Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017).
Para o projeto da embalagem do produto, é neces-
sário ter todas as dimensõesdo volume de todos os 
elementos que fazem parte do produto e, em segui-
da, aconselha-se fazer uma simulação do layout des-
tes para se ter ideia de qual será o volume da emba-
lagem. Tendo todos esses dados, inicia-se o desenho 
da embalagem planificada.
Alguns mobiliários são desmontáveis com sistemas 
mistos de montagens, possuindo encaixes entre algu-
mas peças, mas, ao mesmo tempo, necessitam de dis-
positivo de montagens para a junção dos componentes, 
pois a sua montagem dá-se apenas por encaixes e por 
alguns mecanismos de junções. Outros são desmontá-
DESIGN DE MOBILIÁRIO 
38 
veis e não necessitam de nenhum dispositivo de alinha-
mento, pois a sua montagem dá-se apenas por encaixes.
Outro modelo muito conhecido de mobiliário 
desmontável é aquele com o sistema Do it yourself 
(Faça você mesmo), idealizado para que o cliente/
usuário seja o próprio montador. Esse sistema apre-
senta pouca complexidade na montagem graças aos 
seus processos simplificados, não necessitando de 
ferramentas profissionais.
Na maioria dos produtos com este conceito, os fa-
bricantes entregam junto com o produto um manual 
de instruções de fácil entendimento, um kit de dispo-
sitivos de montagens e ferragens, além de ferramen-
tas básicas para montagens de baixa complexidade.
Figura 12 - Arara Sagui 
Fonte: Passaretti e Bisterzo (MONO DESIGN, [2018], on-line)4.
 DESIGN 
 39
Tal mobiliário apresenta muita facilidade nas eta-
pas de montagem para os clientes que compram os 
produtos na própria loja ou pela Internet. Assim, o 
cliente é o próprio montador do produto.
Esse tipo de produto deve ser idealizado de manei-
ra que o sistema seja de fácil entendimento para a sua 
respectiva montagem, podendo ser inteiro desmonta-
do e, em seguida, a sua montagem pode ser feita sim-
plesmente por encaixes ou por dispositivos que juntam 
componentes, sem mecanismos de fixação. Ambos os 
modelos devem ser de fácil montagem, entendimento 
e compreensão dos passos e das sequências.
Figura 13 - Parte do manual de montagem de um móvel aparador
Fonte: acervo pessoal - Elias Soares (2014).
40 
considerações finais
Caro(a) aluno(a), nesta unidade aprendemos conceitos importantes relacionados ao 
design de mobiliário, e percebemos que conhecer os tipos dos variados modelos de 
classificações facilita muito para o designer de produto no momento de adquirir um 
bom repertório e dar início às etapas importantes para o desenvolvimento de todo o 
processo que envolve o projeto de produto moveleiro.
Verificamos, também, que o conhecimento sobre as especificidades do produto 
facilita bastante para chegar a um objetivo no processo projetual, juntamente com 
boa metodologia de projeto dentro de um processo criativo e produtivo, facilitando, 
assim, o desenvolvimento da geração de ideias, oferecendo variadas alternativas para 
a concepção de um projeto de mobiliário bem elaborado.
Neste sentido, um móvel projetado para ser inserido em um ambiente pode ser 
a solução para um determinado problema, desejo ou necessidade de variados tipos 
de usuários, levando em consideração alguns parâmetros de adequação de uso e as 
compatibilidades com as medidas necessárias dos espaços e que, por sua vez, serão 
estabelecidas para o uso e a aquisição.
A pesquisa, no entanto, é uma ferramenta muito importante para a compreensão 
do designer de produto sobre a sua área, pois sempre é necessário que o profissional 
esteja atualizado sobre as novidades que envolvem o segmento moveleiro e também 
sobre as novas tendências, as normas vigentes, os novos materiais e processos da 
fabricação, assim como as variadas opções de dispositivos de montagem, os tipos 
de acabamentos, os mecanismos e acessórios. E, o mais importante, atualizado em 
relação às novas necessidades de diversos tipos de usuários.
Com isto, percebemos a grande relação dessa unidade com o design de produto, 
assim como a relação destes com as variadas interfaces em que o mobiliário está 
presente, pois não há como projetarmos um mobiliário sem conhecermos o contexto 
em que ele será inserido, pensando em uma boa conformidade espacial e em bene-
fícios para os usuários.
considerações finais
 41
atividades de estudo
1. Os mobiliários apresentam classificações que conceituam algumas especifi-
cidades individuais que, por sua vez, diferenciam um do outro. Quanto aos 
modelos de configuração, assinale a alternativa correta que indica os mobi-
liários pertencentes a esse modelo. 
a. Mobiliário montado, mobiliário desmontável, mobiliário de desvio de função, 
mobiliado seriado e Do it yourself.
b. Mobiliário sob medida, mobiliário seriado e Do it yourself.
c. Mobiliário unitário, mobiliário seriado e mobiliário sob medida.
d. Mobiliário componível, mobiliário sob medida, mobiliário unitário e mobiliário 
seriado.
e. Mobiliário unitário, mobiliário de conjunto, mobiliário componível, mobiliário 
modulado e mobiliário conceitual.
2. O mobiliário de produção em série é destinado a atender às necessidades 
de usuários, por isto ele difere-se no processo de detalhamento técnico das 
peças e no processo projetual. Para o mobiliário seriado, como é o processo 
que envolve a sua produção? Explique.
3. O projeto de mobiliário sob medida, ou sob encomenda, apresenta uma dife-
rença em relação aos demais móveis de produção seriada, pois é projetado 
para as necessidades de uma cliente específico. Diante disto, como se inicia o 
projeto do mobiliário sob medida? Explique.
4. O mobiliário modulado é muito confundido com os mobiliários componíveis, 
principalmente em algumas propagandas relacionadas ao segmento movelei-
ro. Com isto, os itens que podem caracterizar-se e relacionar-se com o mobi-
liário modulado são:
I. Por ser um mobiliário de produção seriada, é necessário, no detalhamento 
técnico do produto, o desenho de peça por peça.
II. Comercialmente, nas lojas especializadas em vendas desse modelo de confi-
guração, ele é chamado de mobiliário unitário.
III. Em lojas especializadas, não se necessita de vendedores e montadores treina-
dos para apresentar as alternativas aos clientes.
42 
atividades de estudo
IV. Na montagem do móvel no ambiente, são oferecidas réguas de acabamento, 
que permitem o fechamento total de sobras de espaços entre o mobiliário e 
os vãos.
Podemos afirmar que:
a. Somente as afirmativas I e III estão corretas.
b. Somente as afirmativas I, II e III estão corretas.
c. Somente as afirmativas II e III estão corretas.
d. Somente as afirmativas II e IV estão corretas.
e. Somente as afirmativas I e IV estão corretas.
5. Dentro dos diferentes modelos de classificações do mobiliário, analise as se-
guintes definições que têm relação com as respectivas classificações: 
I - Mobiliário desmontável: o modelo de mobiliário que é conhecido por seu 
sistema de montagem prático, denominado Do it yourself, apresenta pou-
ca complexidade no sistema de montagem graças aos seus processos 
simplificados, não necessitando de ferramentas profissionais.
II - Mobiliário unitário: apresenta uma configuração estrutural e formal única, 
sem possibilidades de ampliações do produto com outros mobiliários, e 
pode ser combinado e misturado no ambiente com outros mobiliários.
III - Mobiliário de conjunto: popularmente, em folhetos e comerciais de vários 
estabelecimentos que vendem tais mobiliários, estes são chamados de 
“móveis de jogo”.
IV - Mobiliário componível: consiste na produção e na criação de artefatos 
com foco na ressignificação dos objetos, podendo ser, simplesmente, de 
produção artesanal.
Podemos afirmar que:
a. Somente as afirmativas I, II e III estão corretas.
b. Somente as afirmativas II e III estão corretas.
c. Somente as afirmativas III e IV estão corretas.
d. Somente a afirmativa III está correta.
e. Todas as afirmativas estão corretas.
 43
LEITURA
COMPLEMENTAR
Já ouviu falar de design aberto? Studio dLux: da garagem de casa para o 
mundo
Novas alianças entre designers, produtores e usuários devem ser criadas. A tecnolo-gia fornecerá ferramentas ilimitadas para que essa participação deixe de ser um mito. 
Essas ideias sintetizam o pensamento do designer austro-americano Victor Papanek, 
autor de Design para um mundo real: Ecologia Humana e Mudança Social (1971) e Móveis 
Nômades (1973). Suas obras anteciparam conceitos como open design, participação, ino-
vação aberta, incubação, entre outros termos que hoje são uma realidade. Um exemplo 
disso tudo colocado em prática como modelo de negócio está em operação há dois 
anos: é o Studio dLux, fundado pelo jovem arquiteto paulistano Denis Fuzii, de 26 anos.
Formado na faculdade de Belas Artes, ele, assim como muitos profissionais de sua área, 
bebeu muito desta fonte. Da inspiração, criou um escritório de arquitetura e design que 
elabora e executa projetos digitalmente, e disponibiliza gratuitamente parte de suas 
criações para download em uma plataforma open source. Tudo isto da garagem de 
casa, onde hoje divide o espaço com mais dois arquitetos e duas estagiárias.
Quando o insight vem do cotidiano de trabalho
Tudo começou com uma encomenda bastante específica. Uma cliente o havia contrata-
do para criar a iluminação de um salão de festas e, além disso, pediu ao arquiteto “uma 
cadeira desmontável e de fácil armazenamento”. Denis, que se diz um apaixonado por 
mobiliário, foi além da simples entrega. Afinal, cadeiras assim já existem. Mas ele co-
locou a mão na massa e pesquisou incontáveis formas de produzir a tal cadeira, que 
acabou batizada de Kuka. Neste processo de concepção, criação e desenvolvimento 
de produto, ele descobriu o mundo novo da fabricação digital, possível graças a uma 
máquina chamada CNC, uma fresadora que corta chapas a partir de um arquivo digital.
Com a cliente satisfeita e o projeto entregue, Denis começou a divulgar a cadeira nas 
mídias sociais, o que chamou a atenção de uma amiga de faculdade, Beatriz Guedes, 
26 anos, hoje uma das parceiras do Studio. Bia encantou-se com a cadeira e queria ter 
http://www.studiodlux.com.br/
44 
LEITURA
COMPLEMENTAR
uma Kuka pra chamar de sua, mas havia um detalhe: ela estava em Barcelona, na Espa-
nha, onde cursava uma especialização. Foi neste momento que Denis teve um insight: 
por que não (re)produzir a cadeira em outros lugares do mundo? Tratou de encontrar 
um produtor local que tivesse uma CNC, e o pedido da amiga tornou-se realidade.
Este episódio foi o divisor de águas para Denis, que decidiu enviar o arquivo do seu pro-
jeto para a FabLabs (laboratórios de inovação para a criação de protótipos) do mundo 
todo. Sua cadeira, a primeira de uma série que viria posteriormente, chamou a aten-
ção de Nikolas Ierodiaconou, ganhador do Ted City Prize pelo projeto WikiHouse, de 
fabricação open source. Nick é também um dos fundadores da OpenDesk, hoje a maior 
plataforma de mobiliários para produção local open source.
Denis conta que apostou nesse caminho para divulgar o trabalho, um caminho que não 
requer investimento em marketing, mas que pressupõe uma visão avançada do que é 
propriedade. Nem todo mundo entendeu.
“Meus amigos e minha família acharam que eu estava louco. Eles não conseguiam en-
tender os motivos pelos quais eu liberaria gratuitamente um projeto ao qual me dedi-
quei três meses para realizar”, declara Denis.
Naquele momento, em outubro de 2013, a OpenDesk estava ainda em fase de incu-
bação e Denis foi convidado a participar da elaboração da plataforma. A missão dele 
era encontrar uma forma de minimizar erros na hora de montar os móveis projetados 
pelos designers. Isto porque a espessura dos materiais pode variar de país para país, o 
que pode comprometer a entrega final. “Hoje, a plataforma oferece um descritivo para 
os makers (produtores locais) para que eles saibam como proceder caso a espessura da 
chapa seja diferente daquela descrita no projeto original”, diz ele.
Em dois meses na plataforma, as duas cadeiras de sua autoria, Kuka e Valoví, tiveram 
5 mil downloads e foram produzidas em mais de 100 países. Há seis meses, Denis tor-
nou-se representante da OpenDesk no Brasil. Ele, afinal, estava certo: em pouco tempo, 
viu seu trabalho ganhar escala mundial.
 45
LEITURA
COMPLEMENTAR
Uma dessas cadeiras, a Valoví, foi exposta no Salão de Milão de Móveis em maio deste 
ano. Ela é composta por 20 peças de madeira que se encaixam na montagem, feita sem 
nenhum tipo de prego, parafuso ou cola. No Salão, foi a única peça assinada por um 
designer estrangeiro a ser produzida localmente. “A nossa profissão ainda está muito 
atrasada no que se refere à cadeia de produção”, afirma Denis. Ele fala mais sobre a 
filosofia que abraçou.
“Design aberto é transferência de conhecimento. É empoderar o outro ao liberar seu 
potencial criativo, permitindo que as pessoas possam usar e adaptar esse conhecimen-
to da melhor forma às suas necessidades”. 
O arquiteto é um entusiasta do conceito e fez dele o seu modelo de negócio a partir da 
oportunidade que se abriu com a OpenDesk. Com o propósito de conectar designers, 
produtores locais e clientes, a plataforma elimina intermediários e os custos de expor-
tação e importação, minimizando também os custos de logística e de distribuição, o 
que é bom para o bolso de todos os envolvidos e para o meio ambiente.
Eis a equação: os arquivos da cadeira Valoví, por exemplo, estão disponíveis para 
download gratuito sob a licença Creative Commons. Mas ela é vendida no site e 
pode ser adquirida, montada ou desmontada por R$ 379,00. Do preço final, 12% vai 
para a OpenDesk, 8% para o designer, e o restante vai para o maker, um produtor 
selecionado pela plataforma.
Fonte: Dalmolin (2015, on-line)5.
46 
material complementar
Como criar Uma Cadeira
Design Museum
Editora: Gutenberg Autentica
Sinopse: Como Criar uma Cadeira traz informações sobre o tema, buscando fo-
car os princípios e os processos da criação, desde as propriedades simbólicas e 
funcionais da cadeira até o domínio dos materiais e das técnicas de produção em 
massa. Em um estudo de caso, Konstantin Grcic faz um relato sobre a concepção 
e o desenvolvimento de uma de suas cadeiras e procura revelar o que é preciso 
para criar com sucesso.
Indicação para Ler
Objectified
2009
Sinopse: neste documentário, um grupo de designers industriais reflete sobre a 
relação entre a criatividade e os objetos ostensivamente comerciais que produ-
zem. Gary Hustwit (Helvetica) dirige esta exploração fascinante da encruzilhada 
entre o design funcional e a arte.
Indicação para Assistir
A cooperativa Revale produz mobiliários sustentáveis com pallets, que, geralmente, são descartados, mas 
que ganham outros significados após serem transformados em variados tipos de mobiliários. Este vídeo 
contextualiza com exemplos o mobiliário de produção de desvio de função, assunto abordado nesta Uni-
dade. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=kWH7tS65C1Q>. Acesso em: 8 mar. 2018.
Indicação para Acessar
 47
referências
BOOTH, S.; PLUNKETT D. Trad. Alexandre Salvaterra. Mobiliário para o design de interiores. São Paulo: 
Gustavo Gili, 2015. 
BOUFLEUR, R. N. A Questão da Gambiarra: formas alternativas de desenvolver artefatos e suas relações 
com o design de produtos. 2006. 153 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) - Faculdade de 
Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006. 
BURDEK, B. E. História, Teoria e Prática do Design de Produtos. São Paulo: Edgar Blücher, 2006.
DAL PIVA, R. Processo de fabricação dos móveis sob medida. Porto Alegre: SENAI/RS, 2006. 
FRANZATTO, C. O Processo de criação no design conceitual. Explorando o potencial reflexivo e dialético do 
projeto. Tessituras & Criação, São Paulo, n. 1, maio 2011. Disponível em: <https://revistas.pucsp.br/index.
php/tessituras/article/view/5612/3967>. Acesso em: 8 mar. 2018. 
GURGEL, M. Projetando espaços: guia de arquitetura de interiores para áreas residenciais. São Paulo: Senac/
SP, 2004. 
GOMES, L. C. G. Fundamentode Design. Curitiba: Editora do Livro Técnico, 2015.
MEGIDO, V. F. (org.). A Revolução do Design: Conexões para o Século XXI. São Paulo: Gente, 2016.
MOXON, S. Sustentabilidade no design de interiores. Barcelona: Gustavo Gili, 2012.
RANGEL, R. Pequenos espaços: truques para ampliar 22 apartamentos de 25 a 75 m². Casa & Jardim. Rio de 
Janeiro: Globo, n. 631, ago. 2007.
VESTERLON, M. Desenho de Móveis. Bento Gonçalves: SENAI/CETEMO, 2007.
Referências on-line
1 Em: <http://misturinhasdarhel.blogspot.com.br/2011/11/radarexposicao-anticorpos-fernando.html>. 
Acesso em: 8 mar. 2018.
2 Em: <http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/>. Acesso em: 8 mar. 2018. 
3 Em: <https://www.portalclicknegocios.com.br/empresa/transvandinho>. Acesso em: 8 mar. 2018.
4 Em: <www.monodesign.com.br>. Acesso em: 8 mar. 2018. 
5 Em: <http://projetodraft.com/ja-ouviu-falar-de-design-aberto-studio-dlux-da-garagem-de-casa-para-o-mun-
do/>. Acesso em: 8 mar. 2018.
referências
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http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/
http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/
48 
gabarito
1. E.
2. Mobiliário produzido em série com produção em volume industrial, normal-
mente, não é concedido ou produzido para um cliente específico, como acon-
tece no mobiliário sob medida.
Por isto, em projetos de mobiliários seriados, aconselha-se a utilização de um 
bom processo metodológico e uma boa pesquisa de mercado, sendo que esse 
tipo de produção deve atingir a uma grande quantidade de usuários, diferen-
temente do mobiliário sob medida, que atinge apenas um cliente específico.
A produção é realizada em peças isoladas, com a preocupação da racionali-
zação das peças, para se ter o melhor aproveitamento dos materiais na fabri-
cação. Geralmente, a produção é realizada em fábricas de pequeno, médio e 
grande porte.
A escolha e a configuração da embalagem têm muita importância na qualidade 
e na valorização do produto, pois ela o protege de avarias e facilita o armaze-
namento, o transporte e o recebimento do produto na residência do cliente.
Nos desenhos técnicos, a unidade de medida usual é o milímetro (mm). É feito 
o desenho do conjunto, como acontece nos projetos de móveis sob medida e, 
no detalhamento técnico, é feito o desenho peça por peça, com todas as cotas 
das furações e marcações. Este detalhamento serve como uma documentação 
técnica do produto e facilita bastante na fabricação e em possíveis regulagens 
de maquinários, assim como no fluxo de produção do “chão de fábrica”.
3. Para dar início ao projeto de mobiliário sob medida, é necessário o primeiro con-
tato com o cliente e com o espaço para ser realizado o levantamento de todos os 
dados e, desta forma, ter como base principal as medidas exatas dos ambientes 
no imóvel que será ocupado pelos mobiliários e os seus respectivos artefatos.
Depois de todas as informações, inicia-se as anotações de todas as medidas 
da planta baixa observadas no espaço, como: altura do pé direito, distância 
entre as paredes e a posição de elementos que estão fixos (portas, janelas, 
ventilação, pontos elétricos e hidráulicos, ponto de gás, ângulos especiais e 
outros elementos importantes para não atrapalhar o projeto das peças).
4. E.
5. A..
gabarito
UNIDADE II
Professora Esp. Thiara L. S. Stivari Socolovithc
ESTRUTURA DA INDÚSTRIA 
E DO MOBILIÁRIO
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta 
unidade:
• O designer e a indústria
• Função, técnica e sentido
• Fabricação artesanal, fabricação sob medida e fabricação seriada
• Estrutura e gestão industrial
• Composição geral do mobiliário
Objetivos de Aprendizagem
• Observar a ligação entre o designer e a indústria. 
• Analisar as diferenças entre função, técnica e sentidos do design.
• Conhecer as diferenças entre os tipos de empresa de móveis.
• Compreender a estrutura e as ferramentas de gestão de uma 
indústria.
• Conhecer o modelo construtivo base dos mobiliários.
INTRODUÇÃO
N
este capítulo, conheceremos as rotinas dentro de uma in-
dústria de móveis, a sua organização e característica estru-
tural. Bem como lembraremos da importância de um tra-
balho em conjunto que una a técnica, a forma estética e as 
funções que o design projeta-se a desempenhar.
Primeiramente, vamos estudar de que maneira o design estabelece-
-se como profissão em vista da demanda industrial causada pela evolu-
ção e pela autonomia dos processos da produção seriada.
Compreenderemos a importância do designer como participante dos 
processos produtivos, atuando como um link entre a empresa e o seu 
cliente, por meio da criação de produtos que possam ser comercializados.
Traremos uma nova ótica sobre a forma e a função dos objetos, 
destacando os valores da forma, além de focar na fabricabilidade, ou 
seja, na capacidade de fabricação como um dos preceitos a serem 
seguidos pelo designer.
Conheceremos, então, as rotinas e a organização de uma empresa, as 
características de fabricação de cada tipo de empresa de móveis atual, e 
também aprender como elas estruturam-se.
Observaremos as novas formas de gestão industrial, citando o mo-
delo lean de produção enxuta, analisando as suas ferramentas e a sua 
metodologia como bons exemplos a serem aplicados.
Ao final, para compreendermos qual é a característica básica dos pro-
dutos que estamos desenvolvendo, faremos a introdução aos elementos 
constitutivos dos mobiliários em geral, em uma abordagem detalhada 
das estruturas, nomenclaturas e particularidades das peças de movelaria.
Nos capítulos seguintes, conheceremos em detalhes os processos 
produtivos dos móveis, os seus materiais e componentes de montagem, 
finalizando com o estudo das representações gráficas e físicas que o de-
signer deve dominar.
 
54 
O Designer e 
a Indústria
 DESIGN 
 55
Compreender a dinâmica industrial é componente 
fundamental para um designer de produtos, tendo 
em vista que este profissional normalmente traba-
lha dentro do departamento de pesquisa/desenvol-
vimento de uma indústria, auxiliando na criação, 
na pesquisa e na descrição técnica dos produtos 
para aquela empresa, como também no âmbito do 
empreendedorismo, desenvolvendo o seu próprio 
design, com controle total ou parcial da produção 
(muitas vezes, até artesanal).
Neste sentido, é fundamental que o profissio-
nal conheça as estruturas de uma empresa, os seus 
processos produtivos, as suas possibilidades e limi-
tações, além das rotinas de um chão de fábrica para 
compreender como uma peça pode ser fabricada.
Para isto, vamos voltar um pouco na história do 
design e lembrar do termo “desenhista industrial”. 
Tal termo evoca a função primária do designer, 
voltada a atender às necessidades de detalhamento 
em relação ao desenho e à especificação técnica dos 
produtos da época. Ocorreu que, com as revoluções 
industriais, o processo de fabricação passou a ser 
seriado, ou seja, a peça começou a ser dividida em 
partes e produzida por profissionais diferentes. Ao 
final, ela era montada por outra equipe.
O processo seriado está muito propenso a erros 
por que, ao contrário do sistema artesanal, em que 
o fabricante conhece toda a peça e percebe os seus 
encaixes e ajustes, no processo seriado, o operário 
só conhece o seu próprio trabalho, e se este estiver 
mal especificado, ou se os procedimentos estive-
rem mal definidos, a peça final apresentará defei-
tos, ocasionando a perda de material e de tempo de 
produção, ou até causar danos físicose/ou mate-
riais aos consumidores finais.
Para isto, foi necessário que um profissional sur-
gisse dentro das fábricas: o desenhista industrial. 
Ele é o responsável pela concepção da peça, pela 
sua subdivisão dentro dos processos industriais e 
pela descrição técnica dos detalhamentos dessa peça 
para cada setor produtivo. Isto é, ele é o profissional 
que domina todo o artefato. Um elemento centrali-
zador que sabe como esse artefato será recomposto 
no final do processo industrial.
Cada projeto exige um roteiro de produção es-
pecífico, e o designer deve conhecer as possibilida-
des de uma empresa em termos de matéria-prima, 
maquinário e força de trabalho antes da concepção 
de um produto para essa indústria.
Figura 1- Fábrica
Fonte: History Crunch ([2018], on-line)1.
 
56 
Bürdek (2010), ao analisar a produção industrial, 
propõe uma reformulação da ideia de “a forma se-
gue a função”, muito defendida pela Bauhaus. Para 
ele, esse conceito poderia ser reformulado como “a 
forma é a resolução da função”. O autor observa que 
a função tem dois componentes principais: (1) de-
mandas de especificação e desempenho, incluindo a 
usabilidade (exemplo: uma cadeira tem a função de 
promover assento para as pessoas, com alto desem-
penho de conforto, ergonomia e durabilidade, sendo 
de fácil utilização), e (2) custos e “fabricabilidade” 
(capacidade ou método de ser fabricado). Isto é, a 
forma torna-se o resultado ou a resolução de concei-
tos, custo e processos de fabricação.
Não podemos, contudo, esquecer que o design é 
uma excelente estratégia mercadológica para a em-
presa, e o projeto deve ser uma síntese da função 
(demanda inicial), da fabricabilidade (técnica) e da 
estética (significados).
Primeiramente, por que chamamos, aqui, a fun-
ção de demanda inicial? Porque ela surge do estudo 
de mercado, observando as necessidades e os desa-
fios que o ser humano, ou um nicho da população, 
desejam superar. Nesse estudo, surgem demandas de 
Função, Técnica 
e Sentido
 DESIGN 
 57
produtos, ou melhor, de soluções que ajudem a sanar 
estes problemas, aí temos um escopo de projeto. Isto 
é, como designers de objetos ou soluções, chegamos 
a uma gama de funções que queremos oferecer ao 
mercado. O designer estruturará, então, de que ma-
neira ele atingirá este objetivo. A função será o foco, 
mas nunca o resultado único do produto em si.
Vamos compreender melhor esta questão am-
pliando a atuação do designer, expressa por David 
Pye em seu livro The Nature and Aesthetics of Design 
(1968). O autor questiona o lema difundido pelo 
modernismo, “a forma segue a função”, pois, para 
ele, aquilo que o designer pode determinar tem me-
nos a ver em como a peça será utilizada (sua fun-
ção), mas o profissional pode determinar como ela 
será apresentada e qual o seu conteúdo formal (defi-
nição de formas, texturas), pois “a ‘finalidade’ do ob-
jeto é concebida pela mente humana, os ‘resultados’ 
existem nas coisas” (DORMER, 1990, p. 143).
objeto. Por exemplo: uma cadeira foi pensada, pro-
jetada e executada com a função de assento, mas, na 
prática, ela pode tornar-se apenas um cabide.
Rafael Cardoso (2012) também salienta este as-
pecto: se a função determinasse a forma, teríamos um 
modelo único e ótimo de objetos (a cadeira ideal teria 
um único design), contudo, na prática, não é assim.
O estatuto de um artefato não pode ser consi-
derado algo rígido, fixo. Potencialidades de re-
presentação latejam em qualquer manifestação 
formal que, invariavelmente sujeita a inúmeros 
tipos de leitura e significação, perspectiva-se e 
subjetiva-se ao projetar-se no contínuo movi-
mento histórico e social. Ao existirem em con-
textos humanos, artefato e forma revelam, no 
contato com o olhar, uma dinamicidade intrín-
seca. Abordar as nuanças e variações empíricas 
da formação do signo é ir além dos silogismos 
“forma-função”, é raciocinar acerca do pensa-
mento criativo (CESTARI, 2013, p. 223).
A forma dos objetos está ligada a um contexto his-
tórico e sociocultural de troca de símbolos, valores, 
significados e sentidos. Cabe ao designer compreen-
der estas relações na hora de fazer as suas escolhas de 
materiais e de desenho, procurando normatizar o uso 
(deixar clara a demanda inicial), mas também criar 
uma experiência com o produto para além da função.
David Pye (1968 apud DORMER, 1990) frisa, in-
clusive, a diferença entre a qualidade e a propriedade 
dos materiais, sendo as propriedades características 
físicas, mecânicas, técnicas imutáveis e que fazem 
parte do material em si. E as qualidades dos mate-
riais, que são aspectos subjetivos, sensoriais, que são 
projetados pelo ser humano, ou seja, que se encon-
tram na mente (DORMER, 1990). Exemplo: uma su-
perfície em madeira natural, com os veios aparentes, 
promove uma sensação de aconchego, de calor.
O que este autor quer dizer é que, por exemplo, a 
função de “lugar para sentar” está pouco ligada com 
a forma “cadeira”. O designer pode tentar projetar 
“um modelo ótimo”, “funcional” e ergonômico, “a 
melhor forma de sentar”, entretanto, é o consumidor, 
na sua experiência, que vai dar a função para aquele 
 
58 
O que isto quer dizer? Que o designer precisa 
pensar na função, mas é muito importante pensar 
em como ou de qual maneira ele apresentará esta 
solução, e nisto são incluídas as escolhas estéticas de 
forma, cor e textura, e também quais sentimentos 
podem ser provocados por esse produto. A maneira 
de chegar a essa solução está na escolha dos mate-
riais e dos processos produtivos necessários para re-
velar a estética desejada.
UM PROCESSO SUSTENTÁVEL
O que podemos concluir é que um projeto de de-
sign consiste em um pensamento complexo, desde 
a escolha de materiais que tenham características 
físico/químicas e acabamentos estéticos, até a for-
ma de fabricação que auxilie a atingir as especifica-
ções do projeto e os seus significados semânticos.
Vamos ressaltar que, como o designer está 
inserido em uma cadeia mercadológica, as suas 
escolhas podem auxiliar a reduzir os custos e a 
otimizar resultados, sem esquecer de sua respon-
sabilidade ecológico-social.
Cardoso (2012) deixa claro que o ciclo de vida 
de um produto não consiste somente em: concepção 
→ planejamento → projeto → manufatura → dis-
tribuição → venda → uso → descarte. Isto é, cabe 
ao designer pensar nos processos de pré-fabricação 
e nos possíveis impactos da pós-vida dos produtos 
que perderam a sua função primária.
O designer deve fazer perguntas, como: de 
qual maneira é feita a extração da matéria-prima? 
Quais as condições de trabalho em que os insu-
mos são produzidos? Quais produtos químicos 
serão envolvidos no processo produtivo? Qual 
será a quantidade de resíduos gerada? Qual será 
a destinação desses resíduos e como é feito o seu 
descarte ou reuso? O produto, uma vez “obsoleto” 
(destituído de sua função), tem qual descarte? É 
um produto reciclável ou perecível? Pode causar 
danos ao meio ambiente?
Essas perguntas devem ser pensadas pelo de-
signer porque, além de ser uma questão ética, cada 
vez mais o mercado tem preocupado-se com a des-
tinação desses resíduos, e novas leis são implemen-
tadas para diminuírem os impactos ambientais cau-
sados pela ação humana.
Enfim, um mobiliário com bom design contem-
pla uma necessidade real que deseja solucionar (fun-
ção/funções), um processo de produção otimizado 
(fabricabilidade) e uma forma estética com impacto 
sensorial (identidade) que faz esse mobiliário desta-
car-se dos demais artefatos do mercado. Todas essas 
características devem visar à lucratividade do negó-
cio e à sustentabilidade ambiental.
Qual é o ciclo de vida do mobiliário que você 
está projetando? Ele cria soluções para me-
lhorar a vida do ser humano atualmente? Ele 
é sustentável?
REFLITA
 DESIGN 
 59
 
60 
O design de mobiliário perpassa o estudo das possi-
bilidades de produção de uma empresa. Dentro do 
escopo do projeto, além da seleção de materiais e de 
componentes, são analisadas aspotencialidades e as 
limitações da indústria para a confecção das peças.
É importante pensar que, diferente de outros 
mercados, a atividade de fabricação de móveis não 
está restrita à produção em série, tendo em vista que 
móveis artesanais, ou móveis sob medida, ainda são 
muito valorizados no mercado em geral.
FABRICAÇÃO ARTESANAL
Na fabricação artesanal, o valor está na exclusivida-
de. Cada móvel é feito para um projeto único, adap-
tado às necessidades de um cliente em específico. 
Neste caso, o marceneiro (ou uma pequena equipe) 
atua normalmente. Desde a concepção do projeto 
até a entrega do mobiliário, esse profissional domi-
na a técnica como um todo e tem a possibilidade de 
inovar a cada peça criada. Entretanto, a sua capaci-
Fabricação Artesanal, Fabricação 
Sob Medida e Fabricação Seriada
 DESIGN 
 61
dade produtiva é muito baixa, possui um limite de 
maquinário e não tem padrões de qualidade bem 
definidos (como a cada peça ele pode experimentar 
algo novo, isto impossibilita a análise que é feita pela 
experiência da padronização).
FABRICAÇÃO SOB MEDIDA OTIMIZADA
A fabricação sob medida passou por uma transforma-
ção nas últimas décadas. Com a introdução de softwa-
res e maquinários a preços mais acessíveis, muitas mi-
cros e pequenas empresas passaram a adotar métodos 
de fabricação de grandes indústrias para fazer móveis 
sob medida. Isto é, ainda são projetos exclusivos e sob 
demanda, contudo, procedimentos, acabamentos, for-
mação dos caixotes, entre outros, foram normatizados 
para aumentar a capacidade produtiva das empresas, 
melhorar a qualidade das peças e reduzir custos, per-
mitindo maior competitividade no mercado.
É importante empregar um novo termo para este 
tipo de empresa, que chamaremos de fabricação sob 
medida otimizada, no sentido de que o produto 
oferecido não mudou, mas o processo de fabricação 
foi repensado e melhorado.
Esse tipo de empresa já conta com um designer, 
que pensará no produto e na descrição técnica das 
peças, que possui maior subdivisão das funções no 
chão de fábrica e começa a estabelecer limites no pro-
jeto, já considerando a produtividade e a redução do 
desperdício de material. Alguns padrões de qualidade 
ficam claramente definidos, como a montagem dos 
caixotes, os tipos de ferragens etc., mas ainda abre-se 
espaço para acabamentos que são artesanais e peças 
únicas (exemplo: tampos arredondados, acabamentos 
exclusivos, encaixes e recortes feitos na obra).
FABRICAÇÃO SERIADA
A fabricação seriada é caracterizada pela predeter-
minação das peças. Isto pede que o design seja defi-
nido por uma intensa pesquisa de mercado, pela de-
 
62 
terminação de um nicho que se deseja atingir, pelas 
linhas de produtos que serão oferecidas, os materiais, 
os melhores fornecedores, as ferragens, quantas pe-
ças serão produzidas, estocagem, distribuição, estra-
tégias de comunicação e tudo que possa ser pensado 
com antecedência e influenciar na produção.
Uma empresa de móveis seriados possui menor 
capacidade de inovação, mas, em uma pesquisa mais 
criteriosa, quando se pensa em criar uma nova linha 
de produtos, muitos aspectos são considerados, in-
clusive controles de qualidade claros, pois passam 
por testes e avaliações de desempenho.
Os produtos são pensados de maneira seriada, ou 
seja, grupos de peças que podem ser utilizadas em mais 
de um tipo de móvel, medidas de corte que diminuam 
o desperdício de material, fornecedores que tenham 
capacidade produtiva e qualidade para entregar dentro 
das necessidades da indústria, entre outros aspectos. 
Como podemos observar, o tempo de fabricação é mui-
to valioso neste modelo, pois o foco é a produtividade.
Este processo parece limitador, contudo, um bom 
design pode tornar-se ícone de uma cultura ou ser o 
registro de um período. Um exemplo é a cadeira Egg, 
de 1958, criada pelo designer Arne Jacobsen e pro-
duzida pela empresa Republic of Fritz Hansen. Ela é, 
até hoje, apreciada e vista como fonte de inspiração 
para muitos designers.
Como observamos, o design pode transmitir 
estética e funcionalidade diferenciadas que, por sua 
vez, podem ditar uma nova moda ou até transfor-
mar o próprio mercado. A fabricação seriada, aliada 
a isto, pode oferecer produtos mais competitivos, 
com maiores velocidade de entrega e distribuição.
A cadeira Egg (1958) foi desenhada por Arne 
Jacobsen para o Hotel Radisson SAS de Cope-
nhagen, Dinamarca, e produzida pela Republic 
of Fritz Hansen. O que chama a atenção nes-
sa cadeira é que desenharam, na época, um 
sofá Egg, porém, a produção desse sofá foi 
cancelada pouco depois por motivos de falhas 
projetuais. Ele não era feito com uma única 
peça de couro e as costuras nas emendas 
ficavam visíveis, quebrando a estética que 
caracteriza a peça.
Fonte: adaptado de Radisson Blu ([2018], on-line)2.
SAIBA MAIS
 DESIGN 
 63
Existem diversas possibilidades de gestão e de or-
ganização de uma empresa, e compreender como 
se estrutura uma indústria para a qual prestamos o 
nosso trabalho é de extrema valia, pois proporciona 
identificar quais as possibilidades e limitações, pre-
ver possíveis gargalos de produção, além de contri-
buir com soluções para diminuí-los.
Para compreender como se organiza e como 
funcionam os processos numa empresa, normal-
mente utiliza-se esquemas gráficos que auxiliam na 
visualização do todo. Dois modelos muito comuns 
são o organograma e o fluxograma.
ORGANOGRAMA
O organograma é um gráfico da estrutura hierárqui-
ca de uma organização, ele aponta quais são os co-
laboradores e como se relacionam. O modelo tradi-
cional, como veremos a seguir, tende a uma divisão 
por complexidade e por nível de responsabilidade 
Estrutura e 
Gestão Industrial
 
64 
do colaborador. Existem vários outros modelos de 
organogramas (circulares, por funções etc.), no en-
tanto, cabe aqui compreender simplesmente como 
uma indústria subdivide-se e algumas possibilida-
des de organização da empresa.
Na maioria das pequenas e médias empresas, 
essa subdivisão é reduzida, sendo os profissionais re-
sponsáveis por mais de uma função. Observe que no 
Organograma industrial
Gerente de
Contratos
Diretor
Administrativo
Diretor
Comercial
Administração
Presidente
Diretor de
Produção
Gerente de
Financeiro e RH
Gerente de
Marketing
Gerente de
Vendas
Gerente de
Operações
Gerente de
P&D
Gerente de
Produção CPC
Gerente de
Logística
Auxiliar de
Contratos
Auxiliar
Financeiro
Auxiliar de
Marketing
Consultor
de Vendas
Serviço
Técnico
Auxiliar de
Projeto
Auxiliar de
Montagem
Auxiliar de
Almoxarifado
Aux. Controle
de Qualidade
Auxiliar de
Expedição
Caixa
Auxiliar de
SAC
Designer
de Produto
Auxiliar de
Produção
Auxiliar de
Compras
Figura 2 - Organograma industrial
Fonte: a autora.
departamento de pesquisa e desenvolvimento é que 
se encontra o designer. O produto será criado neste 
ambiente de conceito, de projeto técnico, de prototi-
pagem e de teste de controle de qualidade.
FLUXOGRAMA
O fluxograma é uma representação gráfica dos pro-
cessos de uma empresa, ele auxilia na visualização 
das rotinas e dos caminhos por onde a matéria-pri-
ma vai passar até transformar-se em um produto 
final. Cada departamento pode criar o seu próprio 
fluxograma de ação. No exemplo a seguir, conside-
ramos um modelo simples de fluxograma de uma 
empresa de móveis.
Observe, na Figura 3, a divisão dos setores da 
produção: os losangos em amarelo identificam roti-
nas de decisão, no caso do acabamento, fica claro 
que as peças podem seguir destinos diferentes na 
produção, no caso das peças que estão prontas no 
acabamento (como caixotes simples), elas podem ir 
direto para a pré-montagem, enquanto outras (ca-
deira, porta pintada) ainda passarão por sub-rotinas 
no setor de pintura ou estofamento.
O gráfico serve, então, de referencial para o ger-
ente de produção controlar a ordem dessa produção, o 
disparo de peças e em qual estágio estão os produtos, 
para não perder produtividade e prazos de entrega.DESIGN 
 65
CLIENTE
MELHOR QUALIDADE - MENOR CUSTO- MENOR PRAZO
ESTABILIDADE E PADRONIZAÇÃO
Produção nivelada, processos disponíveis e gerenciamento visual
JUST-IN-TIME AUTONOMAÇÃO
Fluxo conectado
ao cliente
Qualidade na
Fonte
Entregar o que o
cliente pediu, na
quantidade e
momento certo.
Parar e noti�car
os problemas.
Uma vez compreendidos os diferentes tipos de in-
dústria moveleira, como se organizam e as suas 
rotinas, vamos entender as especifi-
cidades de alguns materiais em seu 
processo produtivo.
PRODUÇÃO ENXUTA (LEAN)
Lean manufacturing, ou Toyota Pro-
duction System (TPS), é um sistema 
de gestão desenvolvido pela empresa 
Toyota, no Japão, na metade do sécu-
lo XX, com o objetivo de melhorar os 
processos produtivos e organizacio-
nais da empresa, evitando desperdí-
cios em todos os setores.
Dentre os aspectos do programa, 
serão apresentados aqueles que mais se destacam.
Fluxograma Indústria de Móveis
Demanda
Estocagem
Entrega
Pesquisa de
Mercado
Pré-montagem EmbalagemUsinagem
Projeto
de Design
Acabamento
Compra de
Matéria-Prima
Componentes
Extras
Pintura Estofamento
Corte Borda
Figura 3 - Fluxograma de uma indústria de móveis
Fonte: a autora.
Figura 4 - Produção enxuta
Fonte: CRW Consultoria ([2018], on-line)3.
 
66 
Produção just-in-time
A produção just-in-time consiste em uma produção 
puxada, ou seja, os produtos são feitos seguindo um 
ritmo de produção necessário para atender à deman-
da dos clientes com o mínimo de estoque possível 
em toda a cadeia produtiva em um fluxo contínuo de 
trabalho, evitando desperdício de tempo em servi-
ços desnecessários. Este tipo de política empresarial 
evita os desperdícios que podem ocorrer no trânsito 
de produtos e informações dentro da empresa, na su-
perprodução e na degradação de produtos prontos.
O modelo jidoka (autonomação)
O modelo jidoka busca eliminar fontes de erros e 
defeitos nos produtos ou na produção. É um pro-
cesso que fornece condições para os operadores 
de máquinas interromperem o fluxo caso haja 
uma anormalidade e eliminarem a fonte de erro 
de maneira mais autônoma.
É a criação de dispositivos à prova de erro, o 
Poka Yoke (Poka = erro; Yoke = prova), que torna 
claros os processos e montagens. Isto liberou os 
funcionários para ações criativas, que agregam 
valor, muito mais do que o simples monitora-
mento de maquinário.
Observe, neste exemplo de peça Poka Yoke, 
como a segunda peça tem os encaixes feitos de tama-
nho diferente. Desta forma, só existe uma maneira 
de encaixar as peças: a maneira correta.
Estabilidade e padronização (kaizen)
São processos, assim como uma filosofia de melho-
rias contínuas e, por isto, estão na base do edifício 
do TPS. As atividades procuram gerar envolvimento 
de todos na empresa, com discussões e trabalhos em 
equipe e implementação do programa 5s, além de 
treinamentos e da conscientização do pessoal quan-
to à filosofia da qualidade (MOURA et al., 2012).
Figura 5 - Exemplo de Poka Yoke
Fonte: a autora.
O Sistema 5S é uma metodologia que visa criar 
uma cultura de organização, comprometimen-
to e engajamento da equipe. Os 5Ss se referem 
a: Senso de Utilização, Senso de Arrumação, 
Senso de Limpeza, Senso de Saúde e Senso de 
Autodisciplina. Saiba mais sobre esse tema na 
leitura complementar desta Unidade.
Fonte: a autora.
SAIBA MAIS
 DESIGN 
 67
Para compreender o funcionamento de uma empre-
sa de móveis, precisamos, além de compreender a es-
trutura administrativa, entender a composição geral 
do mobiliário. Este conhecimento ajudará a assimilar 
os processos produtivos dessas peças e a identificar 
as oportunidades de inovação no design de móveis.
Vamos conhecer os componentes gerais dos 
móveis e entender como eles relacionam-se. Esta abor-
dagem tem em vista as questões especificamente técni-
cas que fazem parte de qualquer projeto de design.
A partir desse conhecimento, o pensamento cri-
ativo e a inovação podem desenvolver-se, seja sob 
a forma de escolhas e de configurações novas para 
os componentes existentes, criando peças que são 
diferenciadas, sem descartar as técnicas produtivas 
conhecidas, ou inovando a partir do questionamen-
to daquilo que se tem atualmente, propondo materi-
ais, usos e processos produtivos na criação de novos 
produtos ou tecnologias.
Um exemplo interessante é o casal Charles e Ray 
Eames, que continuamente inovou nas formas de 
uso do compensado e trabalhou junto à indústria 
para o desenvolvimento de novas metodologias e 
técnicas para, desta forma, alcançar o desempenho 
e a estética almejada em seus projetos.
Para Löbach (2000), o processo de design consiste 
em um processo criativo, como também um processo 
de solução de problemas. Para o autor, no desenvolvi-
mento do produto, existe uma série de análises que 
devem ser feitas (LÖBACH, 2000, p. 142):
Composição Geral 
do Mobiliário
 
68 
• análise da relação social (homem-produto);
• análise da relação com o ambiente (produto- 
ambiente);
• desenvolvimento histórico;
• análise do mercado;
• análise da função (funções práticas);
• análise estrutural (estrutura de construção);
• análise da configuração (funções estéticas);
• análise dos materiais e processos de fabricação;
• patentes, legislação e normas;
• análise de sistema de produtos (produto-pro-
duto);
• distribuição, montagem, serviço a clientes, 
manutenção;
• descrição das características do novo produto;
• exigências para um novo produto.
Todos estes aspectos agem em conjunto, contudo, 
destacamos as três análises que têm influência direta 
pela relação de escolhas da forma, dos materiais e dos 
componentes que serão utilizados na fabricação. São 
elas: a análise das funções a serem desempenhadas, a 
estrutura e a configuração estética final da peça.
A análise da função “compreende a forma de tra-
balhar de um produto, baseada em leis físicas ou quími-
cas que se fazem presentes durante o processo de uso 
de suas funções práticas” (LÖBACH, 2000, p. 146). Essa 
análise esclarece os objetivos e as funções que os produ-
tos ou elementos complexos devem desempenhar.
A análise estrutural, por sua vez, tem o objetivo 
de deixar transparente a estrutura do produto em 
toda a sua complexidade.
Com base na análise estrutural de um produto, 
pode ser decidido se o número de peças pode-
rá ser reduzido, se peças podem ser juntadas e 
racionalizadas – em suma, como o avanço da 
tecnologia pode melhorar um produto (LÖBA-
CH, 2000, p. 147).
A análise de configuração estuda a “aparência es-
tética dos produtos existentes, com a finalidade 
de se extrair elementos aproveitáveis a uma nova 
configuração” (LÖBACH, 2000, p. 147). A análise 
da configuração estética pode servir como instru-
mento de elaboração de formas, texturas e cores 
para o novo produto, dentro de um contexto com-
posto pelos materiais e processos de fabricação 
passíveis de serem empregados.
Os elementos e a forma, como são arranjados, 
podem variar imensamente e, por isto, é impor-
tante que conheçamos algumas nomenclaturas e 
funções que fazem parte da composição geral dos 
móveis. Analisaremos vários tipos de componentes 
de base, componentes de montagem e componentes 
acessórios que, juntos, darão a forma ao design.
ESTRUTURA DE CAIXAS
Uma das configurações mais simples e versáteis de um 
móvel é a caixa (nicho, módulo, montante ou caixote). 
Ela pode ser utilizada de diversas maneiras e para uma 
grande variedade de funções. É composta, basicamen-
te, por lateral, base, topo (ou sarrafos) e fundo. Obser-
ve algumas destas estruturas nos módulos a seguir.
 DESIGN 
 69
• Laterais: função de estrutura e fechamento 
lateral, determina a altura e a profundidade 
da peça. Por ser um material estrutural, a sua 
espessura precisa suportar o peso a que se 
destina. No caso de móveis residenciais, é co-
mum o uso para todo o módulo de painéis de 
15-25 mm de espessura, entretanto, móveis 
populares podem ser feitos com materiais 
mais finos (12 mm).
• Base: função de estrutura dos nichos respon-sáveis pelo fechamento da base, determina a 
largura e a profundidade da peça.
• Topo: é uma peça na mesma medida que a 
base, tem a função de fechamento total do 
topo do nicho, usado em armários altos, ar-
mários superiores/aéreos, guarda-roupas e 
qualquer peça que se deseje fechar todo o 
topo do nicho.
• Sarrafos: peças de travamento superior e tra-
seiro do nicho, usados no topo de balcão, na 
horizontal ou na vertical, para o travamento 
da frente e parada das portas e, no fundo, para 
a estabilidade do nicho, podendo ser instalado 
por trás do painel de fundo. É utilizado quan-
do se coloca um tampo externo (do mesmo 
material ou não), como tampo de pia de grani-
to, ou tampo de mesa que passe dos módulos.
• Fundo: painel de cobrimento do fundo do 
nicho, pode ser encaixado por meio de canal 
rebaixado, pregado ou parafusado ao nicho. 
Normalmente, em material mais fino, pois 
não tem função de estrutura.
Figura 6 - Balcão
Fonte: a autora.
 
70 
As demais peças que compõem os módulos, basica-
mente, são estas a seguir.
• Prateleiras: peças móveis ou fixas, com a 
função de divisão interna do nicho. A prate-
leira móvel pode ser regulada internamente, 
é componível, ou seja, pode se acrescer ou 
diminuir a quantidade facilmente, pois não 
interfere na estrutura do módulo. A pratelei-
ra fixa pode ser utilizada como base para um 
maleiro, por exemplo, e ajudar na divisão dos 
fundos em um armário alto. Geralmente, tem 
medida menor que a base na profundidade, 
mas a mesma medida na largura, pois vai de 
lateral a lateral do móvel. Nichos internos po-
dem ser feitos utilizando prateleiras e laterais 
menores em uma infinidade de composições.
• Portas: têm a função de fechamento frontal 
dos módulos, podem ser instaladas com do-
bradiças, basculantes ou kits de porta de cor-
rer. Para cada um destes, é necessária uma usi-
nagem própria dos equipamentos. Na etiqueta 
da peça, indica-se o lado da porta, direito ou 
esquerdo, para saber o lado de fazer o rebaixo 
para o caneco da dobradiça, por exemplo.
• Frentes de gaveta: têm também a função de 
fechamento frontal, entretanto, não costu-
mam ter furação prévia (somente para o pu-
xador), pois são instaladas parafusadas na 
contra-frente que faz parte da caixa da gaveta.
• Caixas de gaveta: são compostas por duas 
laterais que determinam a profundidade e 
a altura da gaveta; uma contra-frente direta-
mente atrás da frente; e uma traseira na posi-
ção oposta da contra-frente e que estrutura a 
largura da gaveta; um fundo de gaveta, que é a 
base interna da gaveta, feita em material mais 
fino e com encaixes de fundo normal.
Figura 7 - Gaveteiro 1, gaveteiro com quatro gavetas do balcão
Fonte: a autora.
 DESIGN 
 71
DEMAIS COMPONENTES
Além dos caixotes, temos elementos diversos que 
fazem parte da maioria dos móveis, como apresen-
tados a seguir.
• Tampo: é um painel na horizontal que co-
bre todos os nichos, unindo a modulação 
de modo uniforme. Pode ou não passar da 
largura e da profundidade dos módulos. Por 
exemplo, em uma pia, é comum que o tampo 
passe, no mínimo, 3 cm dos nichos (espaço 
chamado de pingadeira), para que a água não 
escorra ou caia diretamente sobre o móvel.
• O tampo pode ser feito de diversos materiais 
e não precisa ser da mesma espessura que os 
módulos. Para móveis de escritório, é comum 
que o tampo passe alguns milímetros à frente 
das portas. Quando o pé da mesa é feito em 
painel de madeira, ele pode ser instalado na 
extremidade do tampo (formando um dese-
nho em U ou L perfeito).
Outra opções são pequenos recuos dos pés 
em 1-5 cm, que é a configuração tradicional, 
ou podem ser maiores, como no caso de me-
sas de reunião (mínimo de 35 cm em relação 
a cada extremidade da mesa). Essas configu-
rações alterarão a medida do painel de trava-
mento, por isto, é imprescindível que sejam 
pensadas de antemão.
Para ter um tampo mais espesso, é muito co-
mum o engrossamento da peça por meio da 
duplagem do painel (colagem e prensagem 
de duas chapas de igual medida, formando 
uma nova espessura), ou o encabeçamento, 
em que são coladas e parafusadas as faixas 
de madeira com a espessura desejada nas ex-
tremidades do tampo, formando um quadro. 
Depois de engrossado, é colada a fita de bor-
da com a nova espessura.
• Pés: estruturas para sustentação de mesas, 
cadeiras, armários etc. Têm a função de dis-
tanciamento e de elevação dos móveis em re-
lação ao chão. Os pés podem ser feitos com 
uma incrível variedade de materiais, normal-
mente em estrutura leve e com pouco mate-
rial, utilizando o equilíbrio e a estabilidade da 
forma para elevar as peças.
• Painel de travamento: tem a função de unir 
e estruturar duas laterais, ou pés de mesa, ou 
uma estrutura que não tenha base e topo de 
travamento (ou sarrafos). Ele evita o abau-
lamento do tampo e da abertura dos pés. É 
parafusado às laterais/pés, por isto, se a pres-
são superior for muito forte, os parafusos nas 
pontas podem não aguentar a tração e cede-
rem. O painel deve ter altura suficiente para 
criar dois pontos de fixação resistentes, em 
média, no caso de mesas de escritório, entre 
30 e 40 cm, mas pode variar conforme o tipo 
de móvel e o peso do tampo. Diferentemente 
do fundo, o painel de travamento é uma peça 
estrutural, assim, a sua espessura é de 15 ou 
18 mm, podendo ser encontrado em chapa de 
metal, desde que a estabilidade seja mantida.
• Painel decorativo: é composto pelo uso da 
chapa na vertical, com o padrão do veio da 
madeira em ambas as direções. Tem grande 
função estética e decorativa e, ainda assim, 
serve de apoio ou suporte para outros objetos 
ou estruturas. Um painel para TV tem a fun-
ção de simular a estrutura da parede e supor-
tar a TV suspensa, os nichos ou as prateleiras. 
Em um balcão de atendimento, ele tem a fun-
ção de fechamento decorativo ou estrutural 
para que as pessoas não vejam a estrutura in-
terna do móvel.
• Tamponamento: acabamento utilizado, prin-
cipalmente, na movelaria de alto padrão, ou 
em móveis sob medida, cujos módulos são pa-
dronizados em painel branco internamente e, 
por fora dos nichos, é colocado um outro pai-
nel de madeira com padrão decorativo (15-25 
mm), como uma capa que reveste os módulos. 
 
72 
Desta maneira, as portas ficam aparentemente 
embutidas, oferecendo um acabamento plano 
e refinado. O tamponamento é uma solução 
que otimizou a produção, pois toda a mo-
dulação é feita de um único tipo de madeira 
(nichos internos todos brancos), e somente a 
aparência é diferenciada, como: portas, frentes 
e tamponamentos. Podem ser aplicados so-
mente nas laterais ou envelopar o móvel como 
um todo, dependendo do projeto.
• Rodapé: tem a função de sustentação ou de 
acabamento linear abaixo da base do móvel. O 
rodapé facilita a abertura de portas e gavetas 
para que não risquem ou não tenham dificul-
dade para abrir por causa de algum desnível do 
piso, dos tapetes ou de outros objetos. O roda-
pé protege o móvel de danos, como: batida de 
vassoura, umidade, entrada de sujeira, entre 
outros. Para armários com portas de correr sus-
pensas, a altura do rodapé é determinada pelo 
espaço mínimo exigido pelo kit de portas.
• Roda teto: é um acabamento estético para ar-
mários embutidos e que fecha o vão entre os 
módulos e o teto. É utilizado porque, como a 
maioria dos ambientes apresenta algum desní-
vel, a estrutura do armário não deve ser feita na 
medida final do pé-direito.
COMPONENTES DE CADEIRAS
• Bases: são os elementos de estrutura e fi-
xação do assento e do encosto de cadeiras, 
poltronas e estofados. Podem ser fixas (bases 
em aço tubular ou madeira); móveis, em for-
mato de estrela (com rodízios de silicone ou 
polipropileno); componíveis, tipo longarina 
(uma base de aço fixa para vários assentos); 
empilháveis (com pés que se encaixam com 
facilidade), entre outros aspectos. De mate-
riais variados, devem ser analisados princi-
palmente pela resistência à deformação, pela 
sustentação e pela estabilidade, pois são a es-
trutura primordialdo móvel. Para estofados, 
é o mesmo princípio.
• Coluna: é um mecanismo composto por um 
pistão a gás ou mecânico, que é responsável 
pela altura do assento. Esta coluna é encapa-
da por um kit telescópico em polipropileno.
• Flange: é o mecanismo feito em aço que une 
o pistão ao assento. Esse mecanismo varia 
conforme o movimento desejado e possui, 
no mínimo, a regulagem de altura do assento, 
porém, pode ter múltiplas regulagens.
• Sefir e canopla: é o conjunto de ligação entre as-
sento e encosto que une a flange ao encosto da 
cadeira. É formado por um tubo de aço em for-
mato L e, por meio da canopla, ajusta-se a altura 
da cadeira. A união do assento com o encosto 
também pode ser feita por peça fixa, com uma 
chapa grossa de aço em formato L, de maneira 
que a altura do encosto não seja mais regulável.
• Assento: é o conjunto de peças que com-
preende uma chapa de base (geralmente de 
compensado moldado ao desenho do assen-
to), podendo conter molas ou percintas (fitas 
elásticas de sustentação do assento), sobre-
postas por um estofamento com espumas e 
tecido. O assento tem a função de promover 
conforto para a pessoa na posição sentada e 
deve ser pensado de modo que seja voltado 
à ergonomia, ao tempo do uso e ao nível de 
conforto que deve promover. A escolha da 
forma e das camadas de material varia con-
forme a necessidade específica.
• Encosto: é formado pelo conjunto de peças com 
a função de apoiar as costas do usuário na posi-
ção sentada. Pode ser fabricado da mesma ma-
neira que o assento, mas, por não ser uma peça 
de sustentação, a espuma pode ser mais macia 
(densidade menor). Para escritórios, é interes-
sante notar as cadeiras com apoio lombar, que 
ajudam a diminuir o esforço da coluna nesta re-
gião, oferecendo mais descanso ao usuário.
 DESIGN 
 73
Encosto
AssentoBraço
União em L
ou Se�r c/
Canopla
Flange
Coluna a gás
Base Estrela
Rodízio
• Braço: são as superfícies de apoio para os 
braços da pessoa na posição sentada. Podem 
ser feitos no mesmo material da base, esto-
fados ou em materiais diversos, com ou sem 
regulagem.
Finalizando esta unidade, pudemos observar que a 
composição geral dos mobiliários é bem variada, 
porém, as estruturas repetem-se, o que facilita o 
entendimento da função de cada peça para o desig-
ner, de modo que, usando a criatividade, é possível, 
a partir de poucos elementos, criar uma infinidade 
de produtos extremamente originais.
74 
Caro(a) aluno(a), concluindo esta unidade, aprendemos sobre o trabalho do desig-
ner em parceria com a indústria, pois, um projeto, para ser executado e ter sucesso, 
precisa adequar o seu modelo às características da indústria, ou ambos buscarem 
novas técnicas ou metodologias para inovar no mercado cada vez mais competitivo.
Nos questionamos a respeito da tríade do produto: forma, função e fabricabili-
dade, colocando em evidência que, para se ter um bom design, é necessário que o 
objeto responda a uma demanda real percebida (funções), tenha uma estética clara e 
significativa, e que seja passível de fabricação, com otimização de custos, geração de 
valor e sustentabilidade.
Aprendemos como se estrutura uma indústria de móveis e os papéis de seus cola-
boradores, além de técnicas de como otimizar a organização e as rotinas de trabalho, 
de que maneira pequenas alterações no fluxo da produção (produção puxada) ou 
inovações nos produtos (modelo Poka Yoke) podem gerar grandes resultados.
Conhecemos, também, algumas terminologias que são muito usuais e de extre-
ma relevância para conceituar e apresentar os componentes e as partes de mobiliá-
rios encontrados em variados nichos que atendem o setor de produção moveleira.
Esta unidade, portanto, tem uma grande importância para os conhecimentos 
já adquiridos na unidade anterior, contribuindo, com isto, com o desenvolvimento 
projetual de novos e inovadores produtos do segmento moveleiro, seguindo uma 
metodologia específica que conduz toda a trajetória do projeto para um desenvolvi-
mento mais coerente, verificando a viabilidade de materiais e processos de fabricação 
para que o produto consiga adquirir a sua forma, função e dimensão adequadas e 
desejadas para as reais necessidades de variados usuários, garantindo, com isso, a 
qualidade final do projeto do produto.
considerações finaisconsiderações finais
 75
atividades de estudo
1. Os modelos de gestão e de tamanho das empresas de móveis impactam di-
retamente nos processos de design e na forma de fabricação das peças. Ao 
longo da história, conferimos que existem diversas características que dife-
renciam as produções artesanais, sob medida e em série. A respeito da fabri-
cação seriada, é correto afirmar que:
a. Sempre foi o processo mais seguro contra erros.
b. Não precisa de um projeto específico, pois os produtos nunca mudam.
c. O operador conhece todo o processo da peça, podendo apontar os defeitos 
rapidamente.
d. Precisa de um detalhamento claro das peças e das rotinas de fabricação para 
evitar erros.
e. Possibilita a mudança contínua dos produtos, pois são produzidos sob medida.
2. Nesta unidade, conhecemos uma nova perspectiva a respeito das relações en-
tre forma e função no design, incluindo um terceiro ponto, a fabricabilidade. A 
respeito desses três aspectos, que devem ser cuidadosamente observados 
pelo designer, é correto afirmar que:
a. O processo produtivo não interfere na estética da peça, pois ela é resultado 
do projeto de design.
b. A função determina a forma das peças, por isto, o designer deve projetar con-
forme o modelo ideal de produto para aquela função.
c. Um bom design é aquele que atende a uma demanda real, com estética e 
identidade, que seja passível de fabricação, sendo lucrativo e sustentável.
d. O designer deve concentrar-se na especificação dos projetos, cabendo à in-
dústria preocupar-se com a origem dos materiais e o destino dos produtos.
e. O designer consegue determinar todos os usos de seu produto, pois define cla-
ramente, por meio da forma, qual a sua função e o que ele deve desempenhar.
76 
atividades de estudo
3. As empresas de móveis diferenciam-se sob aspectos como: tipo de produ-
to, características de produção e tamanho da indústria. Conhecendo a forma 
como essas empresas organizam-se, é correto afirmar que:
I. O organograma e o fluxograma funcionam como representações visuais das 
hierarquias de trabalho e das rotinas de produção, respectivamente.
II. O sistema de produção enxuta só é possível em grandes empresas, pois ga-
rante o volume e o estoque de mercadorias.
III. A produção sob medida otimizada visa à padronização e à intercambialidade 
das peças, melhorando os processos produtivos e diminuindo desperdícios.
IV. O modelo Poka Yoke propõe dispositivos no design das peças, dispositivos es-
ses que tornam claras as montagens, buscando diminuir os erros.
Podemos afirmar que:
a. Somente as alternativas I e IV estão corretas.
b. Somente as alternativas II e III estão corretas.
c. Somente a alternativa III está correta.
d. Somente as alternativas I, III e IV estão corretas.
e. Nenhuma das alternativas está correta.
4. Löbach (2000) propõe que, na busca pela solução dos problemas de design, 
uma das etapas consiste, entre outros aspectos, na análise das funções, 
das estruturas e das configurações dos produtos. Com base no que estu-
damos, relacione essas análises à importância de se entender os compo-
nentes do mobiliário.
5. Das estruturas de um mobiliário, a caixa é o modelo mais simples, resistente e 
versátil. A respeito desta estrutura, comente sobre os seus elementos cons-
trutivos: lateral, base, topo, sarrafos e fundo, destacando as suas funções.
 77
LEITURA
COMPLEMENTAR
CONCEITOS DO 5S
O 5S tem como intuito promover no local de trabalho a organização, disciplina e limpeza, 
tornando um ambiente de trabalho agradável, seguro e produtivo. O método desperta a 
importância do trabalho em equipe, gerando pessoas motivadas, contribuindo com ideias 
novas e renovadoras, reduzindocustos, melhorando a qualidade e evitando o desperdício. 
Capaz de modificar o humor, o ambiente de trabalho, a maneira de conduzir as atividades 
rotineiras e as atitudes (SILVA, 1994).
Como uma grande parte dos gestores não consegue enxergar a abrangência do programa 
5S, em muitas ocasiões, a implantação dessa metodologia é vista como uma grande “faxina”, 
permitindo a perda do que é considerado de mais valioso: mudança de valores. Para que 
essa mudança aconteça, é importante que todos participem e tenham disponibilidade para 
mudar. Segundo Falconi (2004), o programa 5S não é somente um evento episódico de lim-
peza, mas uma nova maneira de conduzir a empresa com ganhos efetivos de produtividade.
O nome 5S vem de cinco palavras japonesas iniciadas com a letra “S”, tomando como alternati-
va, em português, a utilização do termo “Senso”, são eles: Senso de Utilização ou Descarte; Sen-
so de Arrumação; Senso de Limpeza; Senso de Saúde ou de Higiene; Senso de Autodisciplina.
a) Senso de Utilização (Seiri): consiste em distinguir itens necessários e desnecessários 
com base no grau de necessidade, que determina onde o item deverá ser guardado ou des-
cartado. Itens utilizados com distância maior que seis meses são considerados de uso raro 
e podem ser descartados. Já os utilizados entre dois e seis meses são tidos como ocasio-
nais, e a probabilidade de descarte é alta. Enquanto os utilizados frequentemente podem 
ser divididos em uso horário até diário ou semanal, e são indispensáveis.
b) Senso de Arrumação (Seiton): consiste em definir a forma e identificação da armazena-
gem, bem como a quantidade e a distância do ponto de uso. Fatores como frequência de uso, 
tamanho, peso e custo do item influenciam nessa definição. Segundo Habuet al (1992), o sen-
so de arrumação é fazer com que as coisas necessárias sejam utilizadas com rapidez e segu-
78 
LEITURA
COMPLEMENTAR
rança a qualquer momento. Significa estabelecer um padrão ou arranjo das partes, seguindo 
algum princípio ou método racional. Popularmente, seria “cada coisa no seu devido lugar”.
c) Senso de Limpeza (Seiso): significa muito mais do que melhorar o aspecto visual de um 
equipamento ou ambiente. Significa preservar as funções do equipamento e eliminar riscos 
de acidente ou de perda da qualidade. Eliminação das fontes de contaminação, utilização 
de cores claras e harmoniosas e o revezamento nas tarefas de limpeza, contribuem para 
a motivação e a manutenção deste senso. Segundo Osadaet al (1998), a sistematização da 
limpeza pode se dividir em três partes: 1. Nível macro, que é a limpeza de todas as áreas; 2. 
Nível individual, que seria a limpeza de áreas específicas; e 3. Nível micro, limpar as partes 
dos equipamentos específicos.
d) Senso de Saúde e de Higiene (Seiketsu): segundo Badke (2004), o Senso de Saúde signi-
fica criar condições favoráveis à saúde física e mental, garantir um ambiente não agressivo 
e livre de agentes poluentes, manter boas condições sanitárias nas áreas comuns (banhei-
ros, cozinha, restaurante etc.), zelar pela higiene pessoal e cuidar para que as informações 
e comunicados sejam claros, de fácil leitura e compreensão. Além da ênfase ao cuidado 
e ao asseio com uniformes, com ferramentas e com os objetos e utensílios utilizados no 
setor de trabalho ser o ponto marcante desse senso. Temos como exemplos: uso de EPI - 
Equipamento de Proteção Individual; sinalização de lugares perigosos com placas; ter bom 
relacionamento dentro da equipe; ler e respeitar as recomendações de segurança para uso 
dos equipamentos; adotar e facilitar as práticas de higiene pessoal.
e) Senso de Autodisciplina (Shitsuke): esse conceito prega a educação e a obediência às 
regras de trabalho, principalmente no que se refere à organização e segurança. É uma mu-
dança de conduta que assegura a manutenção dos demais sensos, já implantados.
 79
LEITURA
COMPLEMENTAR
Benefícios do programa
Uma das metas do programa é mudar a maneira de pensar das pessoas na direção de um 
melhor comportamento, de comprometimento não somente com o seu trabalho, mas ado-
tar mudanças para a vida. Não deve ser um acontecimento episódico, deve se tornar uma 
nova maneira para a contribuição de benefícios para a organização, como maior produtivi-
dade devido à redução de tempo despendido na busca por objetos, redução de despesas, 
sendo que os materiais serão melhor aproveitados, diminuição de acidentes de trabalho e 
colaboradores mais satisfeitos também são propósitos essenciais do programa 5S.
Segundo Martins et al. (2007), dos benefícios alcançados com o programa 5S, em geral, 
destacam-se:
• minimização de quantidade de materiais, mobiliário e equipamentos em desuso 
nas áreas de trabalho;
• maior disponibilidade de espaço e melhor distribuição ambiental;
• redução de desperdício;
• economia de tempo;
• redução de acidentes;
• reaproveitamento de materiais;
• incentivo ao trabalho em equipe;
• melhoria da qualidade do ambiente de trabalho;
• melhoria da organização e da limpeza do ambiente de trabalho.
Fonte: Oliveira et al. (2015).
80 
material complementar
2001 - Uma Odisséia no Espaço
1968
Sinopse: Esse filme mostra uma realidade utópica desde a “Aurora do Homem” (a 
pré-história). Um misterioso monolito negro parece emitir sinais de outra civiliza-
ção, interferindo no nosso planeta. Quatro milhões de anos depois, no século XXI, 
uma equipe de astronautas liderados pelo experiente David Bowman (Keir Dullea) 
e Frank Poole (Gary Lockwood), é enviada à Júpiter para investigar o enigmático 
monolito na nave Discovery, totalmente controlada pelo computador HAL 9000. 
Entretanto, no meio da viagem, HAL entra em pane e tenta assumir o controle da 
nave, eliminando os tripulantes um a um.
Comentário: Esse filme retrata como era pensada a sociedade do futuro nos anos 
60. É interessante observar como os cenários e os mobiliários do filme refletem a 
ideia futurista de uma sociedade avançada.
Indicação para Assistir
Design para um Mundo Complexo
Rafael Cardoso
Editora: Cosac Naify
Sinopse: Nesse livro, Rafael Cardoso centra nos dilemas da contemporaneidade, 
atualizando a discussão sobre o papel do designer na sociedade e questiona as 
noções básicas do design como forma e função, demonstrando as relações entre 
significado, ciclo de vida e a mutabilidade do artefato.
Comentário: Esse livro é fundamental para o designer atual, uma leitura fácil e 
apaixonante que questiona a atividade do designer e as propriedades do artefato 
em um mundo contemporâneo complexo.
Indicação para Ler
Jader Almeida - Designer
Nesse vídeo, você pode acompanhar Jader Almeida, um dos grandes designers de mobiliário no Brasil 
hoje, e o seu cuidado com o desenvolvimento dos produtos, além da técnica e do simbolismo empre-
gados. O designer fala sobre a importância do design brasileiro no cenário mundial e também sobre as 
suas inspirações. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=uNnDtN17Oog>.
Indicação para Acessar
 81
referências
BÜRDEK, B. E. História, Teoria e Prática do Design de Produtos. 2. ed. São Paulo: 
Blucher, 2010.
CARDOSO, R. Design para um mundo complexo. São Paulo: Cosac Naify, 2012.
CESTARI, G. Das faces complexas e provocativas do projeto, da expressão disto e 
que chamamos de mundo. Revista Discursos Fotográficos, Londrina, v. 9, n. 15, p. 
221-227, jul./dez. 2013.
DORMER, P. Os significados do design moderno: a caminho do século XXI. Porto: 
Bloco Gráfico Ltda., 1990.
LÖBACH, B. Design industrial: bases para a configuração dos produtos industriais. 
São Paulo: Edgard Blücher, 2000.
MOURA, J. D. M. et al. Qualidade e processo produtivo da madeira para utilização 
em mobiliário. Londrina: UEL, 2012.
OLIVEIRA, R. S. S. et al. Proposta de aplicação da metodologia 5s: um estudo de caso 
em uma empresa de manutenção de motocicletas no Cariri paraibano. In: ENEGEP - 
ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO - PERSPECTIVAS 
GLOBAIS PARA A ENGENHARIA DE PRODUÇÃO.35, 2015, Fortaleza. Anais… 
Fortaleza: ENEGEP, 2015. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/
TN_STP_207_232_28477.pdf>. Acesso em: 9 mar. 2018.
PYE, D. The Nature and Aesthetics of Design Cambridge: Cambridge University 
Press, 1968.
REFERÊNCIAS ON-LINE
1Em: <https://www.historycrunch.com/working-conditions-in-the-industrial-revo-
lution.html>. Acesso em: 9 mar. 2018.
2Em: <http://blog.radissonblu.com/the-birth-of-the-egg/>. Acesso em: 9 mar. 2018.
3Em: <http://www.crwconsultoria.com.br/sistema-toyota-producao>. Acesso em: 9 
mar. 2018.
82 
gabarito
1. D.
2. C.
3. D.
4. Os componentes dos mobiliários permitem uma gama incrível de configura-
ções estéticas e estruturais que podem ser combinadas para satisfazer os ob-
jetivos, sejam visuais (semântico-estéticos) ou funcionais (pragmáticos), por 
isto, é fundamental que conheçamos as qualidades físicas e as funções que 
cada peça pode desempenhar para que, em um conjunto estrutural comple-
xo, possam dar forma ao design.
5. Laterais: função de estrutura e fechamento lateral, determina a altura e a 
profundidade da peça. Por ser um material estrutural, a sua espessura pre-
cisa suportar o peso a que se destina. No caso de móveis residenciais, é 
comum o uso para todo o módulo de painéis de 15-25 mm de espessura, 
entretanto, móveis populares podem ser feitos com materiais mais finos (12 
mm). Topo: é uma peça na mesma medida que a base, tem a função de 
fechamento total do topo do nicho, usado em armários altos, armários su-
periores/aéreos, guarda-roupas e qualquer peça que se deseje fechar todo 
o topo do nicho. Sarrafos: peças de travamento superior e traseiro do nicho, 
usados no topo de balcão, na horizontal ou na vertical, para o travamento da 
frente e parada das portas e, no fundo, para a estabilidade do nicho, poden-
do ser instalado por trás do painel de fundo. É utilizado quando se coloca um 
tampo externo (do mesmo material ou não), como tampo de pia de granito, 
ou tampo de mesa que passe dos módulos.
gabarito
UNIDADEIII
Professora Esp. Thiara L. S. Stivari Socolovithc
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
• Produzindo com madeira natural
• Produzindo com painéis de madeira
• Produzindo com metal na movelaria
• Produzindo com materiais sintéticos
Objetivos de Aprendizagem
• Compreender processos produtivos de móveis de madeira natural.
• Compreender técnicas de produção e processos produtivos de 
móveis de painéis de madeira pré-composta.
• Compreender processos produtivos de peças de aço para 
movelaria.
• Compreender processos produtivos para materiais sintéticos.
PROCESSOS PRODUTIVOS
unidade 
III
INTRODUÇÃO
O
lá, caro(a) aluno(a)! Começamos a terceira Unidade do livro da dis-
ciplina de design de produtos. Nesta unidade, temos como objetivo 
principal compreender a complexidade e a importância dos proces-
sos produtivos nas soluções de design para um novo produto. 
Desde os anos 90 que as empresas brasileiras têm percebido a importân-
cia de aliar o design à engenharia de produtos. Estes dois componentes são 
fundamentais para criar um diferencial competitivo. As empresas têm, então, 
investido não somente apoiadas no custo, mas também na qualidade, na ma-
nufaturabilidade e na atratividade ao consumidor
O designer deve considerar que as principais ligações entre materiais e 
forma surgem a partir de limitações que as matérias-primas possam suportar 
(ASHBY; JOHNSON, 2011). Respeitando essas características, cada material 
exige uma forma de manipulação específica para ser transformado em uma 
peça de design. Por isto, é tão importante compreender as técnicas preexisten-
tes e os processos de produção que foram desenvolvidos para a marcenaria e 
que podem, de uma forma ou de outra, determinar o design de um mobiliário.
Primeiramente, vamos conhecer o processo produtivo da madeira. Visar 
a cada parte da transformação desta matéria-prima, desde a extração na na-
tureza, o processo de corte e secagem das toras, assim como os processos dos 
mobiliários que utilizam a madeira natural para confecção das peças. Na se-
quência, veremos os produtos compostos, como painéis de MDF, MDP e com-
pensado. Acompanharemos o processamento desses materiais na fábrica, al-
guns sistemas de cortes e especificidades que otimizam a produção moveleira.
Por fim, vamos explorar diversos processos produtivos de mate-
riais, como o aço, a fibra de vidro e o plástico para o ramo moveleiro. 
Estas abordagens são feitas para que o projeto de design possa ser o 
mais assertivo e inovador possível.
 
88 
A madeira natural já foi a base primordial do mobi-
liário em geral. Esta produção dependia de uma ex-
ploração da floresta nativa ou plantada. Entretanto, 
com o avanço das lâminas de compensado e do aço 
no início do século XX, vimos uma transformação 
da indústria moveleira e, por fim, as chapas de MDP 
e de MDF sedimentaram a forma como utilizamos a 
madeira na maioria dos móveis atualmente. 
A indústria moveleira depende do corte de árvores 
de médio porte para a obtenção de tábuas com lar-
guras maiores, com estabilidade vertical e a mínima 
quantidade de nós e de manchas nos veios da peça.
Existem vários tipos de madeiras para funções 
distintas na movelaria. Uma das mais comuns é a 
madeira pinus. Segundo Moura et al. (2012), o Pinus 
Taeda (Pinus Elliotti) vem sendo plantado há mais de 
Produzindo com 
Madeira Natural
 DESIGN 
 89
um século no Brasil, e seu principal uso é como fon-
te para as indústrias de madeira serrada e laminada, 
chapas e resina. Mesmo para o seu uso contempo-
râneo, ainda é necessário um cuidadoso estudo no 
corte da tora para se obter pranchas mais largas ou 
maiores, conforme a possibilidade do material.
CLASSIFICAÇÃO DAS TORAS
A classificação das toras é feita conforme o diâmetro 
médio da peça. A árvore é dividida em três partes: o 
diâmetro da ponta fina (mais próximo aos galhos), o 
diâmetro médio (a média entre o diâmetro da ponta 
grossa e da ponta fina) e o diâmetro da ponta grossa 
(mais próximo da base da tora). A tabela a seguir 
demonstra a classificação e os destinos para as dife-
rentes dimensões de toras. 
CORTE
Ao chegar à indústria, os caminhões com a madeira 
são pesados (na entrada e na saída) para o controle 
da matéria-prima. Na sequência, as toras são empi-
lhadas e aguardam o desdobro.
O desdobro consiste na retirada das camadas 
externas da tora em madeira serrada, com o proces-
samento de toras elípticas ou circulares para peça 
retangular. As peças passam por um conjunto de 
Quadro 1 - Classificação de toras
Fonte: Moura et al. (2012, p. 27). 
Você conhece o Selo FSC?
O FSC, Forest Stewardship Council (Conselho 
de Manejo Florestal), é uma certificação de um 
órgão independente que fiscaliza as condições 
de plantio e de manejo das florestas, além 
da sua cadeia de custódia, como serrarias, 
fabricantes ou designers (MOURA et al., 2012). 
Isto é, este selo garante que o manejo da flo-
resta está sendo feito de maneira sustentável, 
com trabalhadores em ambientes seguros e 
dignos. Exigem um alto controle e rastreabi-
lidade das peças, garantindo a manutenção 
da floresta e a origem dos materiais.
Fonte: adaptado de Moura et al. (2012).
SAIBA MAIS
CLASSIFICAÇÃO DE TORAS
CLASSE DIAMÉTRICA (cm) DESTINAÇÃO
3 a 8 Energia (biomassa).
8 a 18 Celulose/Particulados (MDF/MDP).
18 a 25 Madeira serrada linha estreita: para embalagens, móveis ou lamina-
ção.
25 a 35 Serraria linha média: para embalagens, móveis, molduras, construção 
civil e forte laminação.
35 a 45 Serraria linha larga: para construção civil, molduras e embalagens.
45 acima Construção civil e lâminas faqueadas.
 
90 
máquinas que farão o corte da madeira em tábuas 
e pranchas com bitolas (espessuras) diferentes con-
forme a necessidade. A madeira serrada é distribu-
ída em grades e pronta para a secagem. Os resíduos 
gerados são picados em cavacos para o abastecimen-
to de caldeiras ou separadas para a venda em outrosegmento industrial.
TIPOS DE CORTE
O corte radial é mais indicado para o uso em que a es-
tética, a resistência e a largura da madeira são impor-
tantes, como peças de madeira aparente com design de 
alto padrão etc. O corte tangencial é mais indicado para 
economia de custo e agilidade. Por ser mais em conta 
e, normalmente, não ser aparente, ele é indicado para 
interior de estofados, para embalagens, entre outros.
SECAGEM
Após o corte das peças, a madeira “verde” é submeti-
da à secagem para a redução de seiva e água no mio-
lo das chapas. A secagem é um dos processos mais 
importantes do tratamento da madeira natural e as 
suas principais vantagens são: 
[...] redução da alteração das dimensões das 
peças serradas; redução da umidade inicial da 
madeira; redução dos custos de transporte; re-
dução do ataque de fungos manchadores e apo-
drecedores; melhoria na eficiência de tratamen-
TIPOS DE CORTE LONGITUDINAL
TANGENCIAL RADIAL
É o corte feito longitudinalmente, perpendicular aos 
raios medulares.
É o corte feito longitudinalmente e paralelo aos raios 
medulares.
Aplicado para todas as toras e de qualquer diâmetro. Aplicado para toras com diâmetros superiores a 50 cm.
Mais fácil de obter. Mais difícil de obter.
Maior rendimento de madeira serrada por 
hora-máquina ou hora-homem.
Menor rendimento de madeira serrada por hora-máqui-
na ou hora-homem.
Superfícies apresentando desenhos parabólicos, 
angulares ou elípticos.
Permite aproveitar as qualidades estéticas de madeiras 
que possuem raios lenhosos largos ou grã-espiraladas.
Peças menos resistentes estruturalmente. Peças mais resistentes estruturalmente.
Contração menor na espessura. Contração maior na espessura.
Contração no sentido do comprimento é maior. Menor contração na largura.
Em madeira suscetíveis ao colapso, este apresenta-se 
em menor proporção em superfícies tangenciais. 
Em espécies propensas ao colapso, este é mais frequen-
te e mais marcante em peças radiais.
Maior encanoamento. Menor encanoamento.
Menos estáveis durante a secagem. Mais estáveis durante a secagem.
Permitem a passagem de líquidos. Não permitem a passagem de líquidos.
Menor valor comercial. Maior valor comercial.
Quadro 2 - Tipos de corte longitudinal
Fonte: Moura et al. (2012, p. 29). 
 DESIGN 
 91
tos com produtos de proteção ou acabamento 
superficial, melhoria na aderência em produtos 
colados; melhoria na fixação em juntas prega-
das ou parafusadas; melhoria nas propriedades 
de isolamento térmico acústico e de eletricida-
de (MOURA et al., 2012, p. 37).
Esse processo pode ser feito ao ar livre, o que deman-
da mais mão de obra, espaço físico e tempo, ou em 
estufas com o controle exato de umidade e de tem-
peratura para cada tipo de madeira, o que exige uma 
estrutura industrial mais avançada, porém, a veloci-
dade e o volume de produção são muito maiores.
É no processo de secagem que aparecem os prin-
cipais defeitos das peças de madeira, podendo ser 
provocados pela qualidade do material, assim como 
pelo próprio processo de secagem. Segundo Burger 
e Ritcher (1991), dentre esses defeitos, um muito co-
mum é o empeno, que se caracteriza pelas curvatu-
ras da madeira em relação ao seu plano original.
Classificação da madeira
Uma vez secas, as peças são selecionadas individu-
almente e analisadas pela classificação visual e não 
destrutiva da madeira. Essa classificação divide a 
peça em quatro grupos de qualidade, separando 
pela quantidade aceitável de defeitos na peça. Es-
tas características, além de alterarem a estética da 
peça, vão exigir tratamentos diferentes dentro da 
produção para o seu aproveitamento. Dependen-
do do nível de defeitos, a peça é classificada como 
apresentado a seguir.
• Classe Estrutural Especial EE (classe estru-
tural especial) e Classe nº 1: para o uso que 
requer resistência e rigidez, assim como 
boa aparência.
• Classe nº 2: para o uso de aplicações em edi-
ficações em geral e que requer valores mode-
rados de resistência e rigidez.
• Classe nº 3: recomendada para edificações 
que permitem valores baixos para proprieda-
des de resistência e rigidez, e cuja aparência 
não é um fator importante (o caso de emba-
lagens e de camas de pallets).
A seguir, trazemos uma lista desenvolvida por Mou-
ra et al. (2012) sobre os aspectos que são considera-
dos para a classificação do pinus e que podem servir 
de exemplo para outros tipos de madeira, ou defei-
tos ou condições limites admissíveis. 
• Encurvamento: curvatura da peça ao longo 
do comprimento, com curvatura no plano 
maior da face. 
• Encurvamento complexo: encurvamento da 
peça com curvaturas para lados contrários.
• Torcimento: uma extremidade da peça gira 
para o lado contrário ao da outra extremidade.
• Arqueamento: curvatura da peça ao longo do 
comprimento, com a curvatura no plano me-
nor da face. 
• Encanoamento: curvatura da peça ao longo 
da largura.
• Esmoado: quina da peça de madeira danifica-
da por qualquer motivo.
• Rachaduras: aberturas lineares na peça. Po-
dem ser somente superficiais ou podem atra-
vessar a espessura da peça. 
• Bolsa de resina: buracos na madeira preen-
chidos por resina.
• Furos de insetos: furos na madeira causados 
por insetos. Podem ser ativos, ou seja, ainda 
estão ocorrendo atividades desses insetos no 
buraco; ou inativos, ou seja, inseto abando-
nado ou morto.
• Galeria: escavação (caminhos/túneis na ma-
deira) feita por insetos.
 
92 
• Medula: parte central do tronco, onde os teci-
dos de madeira são menos resistentes. 
• Fendilhado: conjunto de fendas e de arra-
nhões na peça.
• Madeira ardida: um tipo de podridão. 
• Grã-entrecruzada: quando a grã da madeira 
muda de direção ao longo da peça. 
• Mancha azul: descoloração ou escurecimento 
causados por mofo ou por substâncias químicas.
• Nós: são as marcas de um galho que ficam na 
chapa de madeira, eles podem ser simples nós 
de espora (máximo 3 mm); nós de gravata, ou 
firmes, que, mesmo com a secagem da madei-
ra, não caem da peça (no corte, apenas será 
mais difícil de cortar, mas não se desprendem 
da chapa); nós soltos (na secagem, despren-
dem-se da chapa e terão que ser preenchidos 
com massa ou batoques de madeira); nós va-
zados, que estão localizados na lateral da cha-
pa e fazem um buraco na peça (dependendo 
do tamanho, este diâmetro do nó terá que ser 
retirado por todo o comprimento da peça).
especializada, que consegue perceber os detalhes de 
cada peça e aproveitar melhor o material para tirar o 
desenho projetado.
Corte
O marceneiro escolhe o pranchão de madeira com 
comprimento, largura e espessura suficientes para a 
peça desejada. Ele segue um gabarito feito previa-
mente a partir do projeto de design, garantindo o 
padrão das peças em série.
Peças do mesmo tipo podem ter grandes va-
riações físicas e mecânicas. É necessário fazer 
a classificação visual das madeiras, separando 
as peças por grupos de qualidades distintas, 
facilitando o destino para usos específicos.
(Jorge Daniel de Melo Moura) 
REFLITA
PROCESSO DA MADEIRA DENTRO DA IN-
DÚSTRIA MOVELEIRA
Uma vez selecionada, a madeira fica estocada na in-
dústria, pronta para a sua utilização. A sua transfor-
mação dentro da produção exige uma mão de obra 
Serra Circular
Tupia Manual
A prancha passa por máquinas de desempeno e de-
sengrosso, que consistem em procedimentos para 
estabilizar a espessura da madeira e aplainar a peça, 
 DESIGN 
 93
retirando qualquer curvatura ou desnível. Para cor-
tes retos, é comum utilizar serras circulares e, para 
design angular, curvilíneos ou orgânicos, utiliza-se a 
tupia, a serra de fita ou o corte automático em máqui-
nas CNCs (Comando Numérico Computadorizado).
Plaina
Apesar do corte, alguns desenhos precisam de um 
cuidado refinado. A plaina faz, então, a retirada se-
quencial de lascas da madeira para afinar um deta-
lhe ou suavizar a curvatura de um pé, por exemplo. 
A plaina manual ou uma máquina copiadora con-
seguem fazer este desbaste fino, pouco possível de 
ser feito comas serras. Após este procedimento, é 
necessário o lixamento total da peça para obter o 
acabamento macio e uniforme.
Torneamento e entalhe
O torno e o entalhe são ferramentas antigas da produ-
ção de móveis, mas que não perdem a sua importân-
cia e seu charme. O torno consiste em uma máquina 
que gira, em alta velocidade, uma peça de madeira 
presa ao seu eixo central, com o uso de formões tipo 
goiva - uma ferramenta com a ponta côncavo-conve-
xa de metal afiado, com o corte do lado côncavo, que 
consegue talhar os contornos das peças de madeira, 
metal ou pedra -; o marceneiro retira pouco a pou-
co as lascas do material uniformemente. Deste modo 
ele consegue fazer cilindros perfeitos e desenhos ar-
redondados na extensão do comprimento da peça. 
Máquinas copiadoras repetem o desenho a partir de 
um gabarito ou de um modelo computacional, po-
dendo tornear várias peças ao mesmo tempo.
 
94 
O entalhe consiste no uso de formões retos e goivas 
que esculpem a madeira e criam desenhos diversos 
com a possibilidade de detalhes milimétricos que, 
por sua vez, evidenciam o trabalho artesanal e dife-
renciam uma peça da outra.
Dobra a vapor
Caro(a) aluno(a), ao tratar sobre o processo de dobra 
a vapor, precisamos lembrar de Michael Thonet. Um 
artesão alemão, nascido em 1796, e que revolucio-
nou o uso da madeira na movelaria. Thonet explorou 
as complicadas propriedades técnicas do material e 
as suas limitações de flexibilidade, desenvolvendo 
uma nova forma de design que excedeu a novidade. 
A técnica consiste em inserir varas ou tábuas de 
madeira (Thonet preferia a faia) em um forno de 
autoclave, que controla a pressão, o vapor e o calor 
interno. Este processo torna flexível a resina ao re-
dor das fibras da madeira e, após saírem do forno, 
as peças são envergadas conforme os moldes de aço 
e sustentadas por presilhas, seguindo para a cura. A 
resina endurece depois da secagem e consegue man-
ter as fibras da madeira firmes e, assim, esta nova 
peça não perde mais a forma. As principais vanta-
gens desse processo são:
• a peça é própria para a produção em série, é 
pensada em partes individuais desmontáveis, 
além de adaptar-se ao padrão dos moldes; 
Uma máquina CNC utiliza fresas, brocas ou laser que 
conseguem fazer o corte e o entalhe de forma automá-
tica. Normalmente, essa máquina tem um limite mí-
nimo de 3 mm (dependendo da ferramenta), e tam-
bém é uma excelente opção para desenhos orgânicos, 
oferecendo a otimização de tempo, de volume de pro-
dução e de padronização dos desenhos. No entanto, 
ela não possui aquelas marcas naturais da evidência da 
mão humana que dão valor a um produto artesanal.
• é extremamente resistente e estável;
• uma vez seca, a peça não perde mais o seu 
formato;
• por sua flexibilidade, a técnica possibilita de-
senhos orgânicos belíssimos e muito do que 
conhecemos da Art Nouveau foi resultado da 
descoberta da dobra a vapor. 
A empresa Thonet foi uma das maiores indústrias 
de móveis durante a Revolução Industrial e continua 
até hoje atuando em diversos países do globo. A ca-
deira modelo 214, lançada em 1859, ainda é vendida 
e continua sendo um dos objetos de maior sucesso e 
longevidade de vendas no ramo do design. A seguir 
temos uma cadeira estilo Thonet. 
 DESIGN 
 95
Figura 1 - Cadeira modelo 214
Fonte: Shutterstock
Na sequência, é feito os lixamentos grosso e fino, e a 
peça é separada para a montagem antes da pintura.
Pintura
O acabamento das peças de madeira natural, de 
lâmina de madeira ou de madeira recomposta 
(MDF cru ou compensado) é ponto fundamental 
na qualidade final do produto, por isso, é necessá-
rio uma série de cuidados, muitas vezes manuais, 
para garantir que a peça fique protegida das in-
tempéries do tempo, além de oferecer a ela uma 
estética fina e de grande valor. 
Pré-acabamento
Faz-se o desbaste, eliminando marcas deixadas 
pelas máquinas de corte ou os pequenos nós e de-
feitos na madeira, desníveis, farpas, ondulações 
etc. Neste ponto, são passadas massas (coloridas 
ou com tom acinzentado) para cobrir as imperfei-
ções e, depois, a peça é inteiramente lixada para 
deixar a superfície lisa e homogênea.
Conheça o processo de fabricação de uma 
cadeira Thonet. No link do vídeo a seguir há 
vários processos que apresentamos nesta 
unidade. Observe o processo de dobra da ma-
deira que passou pelos fornos de autoclave, 
pelos moldes e pelas prensas, a extrusão da 
madeira, a pintura, entre outros processos. 
Disponível em: < https://www.youtube.com/
watch?v= QovhXq9-MDU>. 
Fonte: a autora.
SAIBA MAIS
Furação e preparo para montagem
Após as operações de corte, são feitas as furações 
para cavilhas ou rebaixos para os encaixes entre pe-
ças. Os padrões dos furos e as profundidades devem 
ser adequados para, juntamente com cola, travarem 
as peças com pressão. 
 
96 
Acabamento de pintura
Na fase de acabamento, a peça deve estar total-
mente pronta, ou seja, ela não vai passar por ne-
nhum outro processo a não ser o próprio acaba-
mento. Primeiramente, será feita a cobertura da 
peça com a seladora, cuja função é fechar os poros 
da madeira e proteger contra a umidade. Depois 
de lixado, isto facilita a aplicação dos demais pro-
dutos. Os acabamentos mais utilizados são cera, 
envernizamento, tingimento e laqueação.
• A cera de carnaúba, o mel de abelha ou a para-
fina promovem um aspecto natural. Podem im-
permeabilizar a peça, além de destacar os veios 
da madeira com aspecto fosco ou de semibrilho.
• Os vernizes são acabamentos feitos de resinas 
à base de solvente ou à base d’água e, quan-
do aplicados à superfície, impregnam (ver-
niz stain- polisten) ou formam uma película 
(verniz marítimo) que protegem a madeira. 
Em termos de durabilidade, o verniz à base 
d’água não amarela; na exposição à luz, a 
cor da madeira natural se sobressai, não tem 
cheiro, seca mais rápido e tem maior resistên-
cia à abrasão do que os produtos à base de 
solvente. Entretanto, os vernizes só possuem 
acabamento fosco ou acetinado; para um 
acabamento de alto-brilho, é necessário o uso 
do verniz à base de solvente.
• O tingimento consiste na alteração da cor da 
madeira por meio de pigmentos que ainda 
conservam o aspecto dos veios naturais da 
peça. É muito utilizado para “enobrecer” ma-
deiras claras mais comuns, as tingindo com 
tons de nogueira, imbuia etc. O tingimento 
não tem brilho e nem protege a peça, neces-
sitando, posteriormente, de acabamento com 
seladora, cera ou vernizes.
• A laca, diferente dos demais acabamentos, 
colore a superfície da peça, mudando total-
mente a sua aparência. É necessário o uso de 
primer (uma forma de selador de fundo espe-
cífico para lacas) e a aplicação de camadas su-
cessivas de cor, intercaladas por lixamento da 
peça. Ela pode ter acabamento acetinado ou 
de alto-brilho, dependendo da especificação.
 DESIGN 
 97
Estofamento
O estofamento é uma sub-rotina em uma empre-
sa de móveis. No caso de cadeiras, os assentos e 
os encostos são feitos, normalmente, em chapa de 
compensado, que é prensada em um molde para 
curvar a peça e dar conforto ao usuário. Na fábri-
ca, eles são colados às espumas por meio da cola 
de contato, e o tecido é grampeado à placa de ma-
deira ou é costurado manualmente, dependendo 
do processo ou da qualidade que a empresa queira 
dar. Neste ponto, as peças da estrutura já foram 
processadas e acabadas na pintura, assim, já po-
dem ser unidas aos estofados preparados. 
Pré-montagem e embalagem
Finalizado o processo de produção, as 
peças serão separadas em conjuntos de 
módulos com os seus respectivos compo-
nentes de montagem. As embalagens, em 
geral, consistem em proteger as pontas 
das peças com cantoneiras de plástico ou 
de papelão, envoltas em filme plástico ter-
mossensível ou em plástico-bolha e, por 
fim, colocadas em caixas de papelão ou 
em pallets, e reservadas para entrega.
Muitas empresas optam por oferecer o 
mobiliário pré-montado para diminuir o 
tempo de entrega do produto. O mais co-
mum é apré-montagem de gaveteiros, pois 
eles possuem muitas peças e requerem 
mais tempo de fixação e de regulagens.
Entenda como é feita uma 
pintura assistindo ao vídeo. 
Para acessar, use seu leitor 
de QR Code.
Para conhecer um pouco mais sobre os processos de 
pintura, convido você a conferir o vídeo presente no 
QR Code a seguir, pois ele ilustra o passo a passo 
de forma simples e clara. Lembrando que esse vídeo 
tem o aspecto mais artesanal, então, em uma indús-
tria, a pistola de pintura com ar pressurizado garante 
maior rapidez e qualidade ao processo. 
http://
 
98 
Os painéis de madeira facilitaram o processo produ-
tivo para a indústria moveleira. Diferentemente das 
peculiaridades individuais das peças de madeira na-
tural, eles garantem a padronização das chapas, a le-
veza e a estabilidade das peças produzidas em série. 
Os painéis mais comuns hoje são: compensado, 
MDF (Painel de Fibra de Média Densidade), MDP 
(Painel de Partícula de Média Densidade) e OSB 
(Painel de Tiras de Madeira Orientadas) que, por 
sua vez, são chapas planas de média à excelente esta-
bilidade, podendo ser cortadas ou usinadas para dar 
estrutura ao mobiliário em geral. 
As características das chapas, como: acabamen-
to, composição, espessura, largura e comprimento 
seguem padrões convencionados e variam conforme 
seu uso ou função.
A transformação das chapas no processo pro-
dutivo consiste, de forma geral, em corte, lamina-
ção, bordeamento, usinagem, pintura (conforme o 
caso), limpeza, pré-montagem e embalagem. Muitas 
Produzindo com 
Painéis de Madeira
 DESIGN 
 99
chapas, como MDF e MDP, vêm de fábrica com o 
acabamento final na superfície do painel, sem a ne-
cessidade de ser laminadas com melamina ou com 
lâmina de madeira, saindo diretamente do corte 
para o bordeamento ou a usinagem.
O CORTE
O corte consiste na secção dos painéis em peças 
menores, seguindo as especificações do projeto de 
design, que são, por sua vez, detalhadas em milíme-
tros. A maioria das máquinas cortam em uma linha 
reta que cruzam todo o painel. 
Compreender isto é importan-
te, tendo em vista que, no pla-
nejamento, procura-se obter a 
maior quantidade de peças com 
o mínimo de desperdício possí-
vel. Este processo é conhecido 
como otimização da chapa. 
No departamento de P&D 
(Pesquisa e Desenvolvimento), 
desenvolve-se um desenho de 
como a chapa deverá ser cor-
tada, além de uma listagem das 
peças que sairão daquele plano 
de corte. Em pequenas empre-
sas, este projeto pode ser feito manualmente, mas ele 
sempre está presente de alguma forma. Em empresas 
de médio porte, já é comum o uso de sistemas auto-
matizados que “otimizam” a chapa e geram etiquetas 
para identificar as peças. Em grandes empresas, o ma-
quinário já lê o plano de corte conforme o designer 
programou, cabendo ao operador somente abastecer a 
máquina com a chapa especificada.
O maquinário utilizado para o corte são as serras 
(de bancada ou de mão), seccionadoras semiauto-
máticas, ou de pinça, e centros de usinagem (CNC). 
As seccionadoras são as máquinas mais comuns na 
produção de móveis, realizam cortes lineares (retos) 
e precisos com excelente acabamento. Serras manu-
ais, tupias e CNCs permitem cortes mais orgânicos 
ou angulares. No caso de corte em meia-esquadrias, 
em 45º graus. Algumas seccionadoras também têm 
esta função, entretanto, não é o padrão. 
Vamos a um exemplo prático. Observe esta cozi-
nha modular apresentada na Figura 2. 
Figura 2 - Projeto de cozinha modular
Fonte: a autora.
São dois módulos basculantes superiores, um armá-
rio de duas portas e um gaveteiro com quatro gave-
tas. O corpo dos módulos foi projetado em MDF 15 
mm branco, fundos em MDF 6 mm branco, portas 
e frentes de gaveta em MDF 18 mm bege. Uma vez 
definido o projeto, o departamento de P&D otimiza 
 
100 
o corte e envia as fichas técnicas para fabricação e 
almoxarifado (separação dos materiais).
O programa distribui cada peça nas chapas de 
2,75 x 1,83m conforme a espessura, calculando o 
mínimo de desperdício possível. A sobra de material 
será aproveitada em outros projetos ou separada para 
reciclagem. Deste corte é gerado uma listagem e eti-
quetas para identificação peça a peça, além de uma 
lista de compras/separação de material. Vamos ver de 
perto a sequência de corte do MDF branco de 15 mm. 
Observe que os cortes longitudinais ou 
transversais são sempre contínuos. A peça é 
cortada de ponta a ponta, pois a serra corre por 
toda a extensão da chapa. Por isto, a sequência 
de processos é importante. 
Neste caso, o primeiro corte separou a chapa 
em três grandes blocos. Após este passo, o operador 
pega somente o bloco número 1, vira a chapa a 90º 
graus na bandeja da máquina para começar o cor-
te número 2 e 3 na sequência. Essas peças do bloco 
número 1 estão prontas, são etiquetadas e separadas 
para a fase seguinte da produção. O mesmo acontece 
com os demais blocos. 
Note que o plano teve um aproveitamento ex-
celente da chapa com uso de 92% do material. No 
entanto, o número de cortes foi de 45. Quanto mais 
peças iguais, menor será a quantidade de processos 
de corte, por isso, é comum otimizar vários projetos 
de uma única vez, assim, o tempo de produção e o 
desperdício serão menores.
Figura 3 - Plano de corte
Fonte: a autora.
 DESIGN 
 101
Vale destacar que, em painéis madeirados, o sentido 
do veio determina as linhas de corte para manter o 
desenho no mesmo alinhamento do padrão de aca-
bamento na hora da montagem. Acarretando, assim, 
maior desperdício na chapa, porém, ganha-se na 
apresentação final do produto.
bordas. Este processo pode ser feito manualmente 
ou com máquinas de bordeamento automático. 
Uma coladeira de borda traciona a peça presa a 
roletes e, em seguida, cola, refila e limpa um lado 
por vez. Essa coladeira é um maquinário que econo-
miza muito tempo e mão de obra numa produção. 
Manualmente, é necessário passar a cola de contato 
na fita e no painel, esperar secar, unir os dois, refilar 
e limpar lado a lado.
USINAGEM
O processo de usinagem consiste em fazer as fura-
ções para encaixe das cavilhas, minifix, rebaixos para 
dobradiças, canais para encaixe de fundo, rebaixo de 
puxadores e demais usinagens que sejam necessá-
rias. Os maquinários para este processo são tupias 
manuais ou de bancada (uso de fresas e brocas), fu-
radeiras manuais, furadeiras múltiplas e CNCs. 
As furadeiras múltiplas possuem cabeçotes com 
vários mandris em que se encaixam brocas e fresas 
conforme a necessidade. A sua configuração é base-
ada no Sistema 32 mm, que permite séries de fura-
ção de maneira padronizada.
Esse sistema é um padrão de furação desenvol-
vido na Europa que estabelece uma distância de 32 
mm entre o centro de um furo e o próximo, ou seja, 
os furos serão calculados em múltiplos de 32 mm 
no eixo vertical ou horizontal da máquina. Assim, 
é possível colocar várias brocas ao mesmo tempo e 
manter um padrão de furação da peça. 
A maioria dos componentes de móveis seguem 
esse sistema. Os pontos de fixação de uma dobra-
diça estão a 32 mm um do outro, o mesmo ocorre 
em corrediças. Em armários em série, é comum ob-
servar esse padrão na lateral das peças, para que o 
A otimização de chapa é o estudo do corte 
dos painéis por meio de softwares ou ma-
nualmente, para melhor aproveitamento do 
material, reduzindo o desperdício e a quan-
tidade de processos de corte.
Fonte: a autora.
SAIBA MAIS
LAMINAÇÃO
Após o primeiro corte, se um painel não possui aca-
bamento em melamina, nos casos do MDF cru, da 
chapa de compensado etc., é feita a prensagem, por 
meio de cola à base d’água ou cola de contato, das 
lâminas de madeira natural, das madeiras pré-com-
postas ou das melaminas de alta pressão. 
Uma vez seca, a peça volta para um segundo cor-
te (ou refilamento) para retirar os excessos de lâmi-
na ou de melamina. 
BORDEAMENTO
Os painéis de madeira recomposta ou de compensa-
do não possuem acabamento nas laterais da chapa; 
uma vez cortada, ela mostra o miolo do material.Para proteger a peça contra a água e dar o acaba-
mento fino, é colada uma fita em PVC ou ABS nas 
 
102 
cliente possa alterar a altura das prateleiras como for 
conveniente a ele. Para isto, é feito uma sequência de 
furos longitudinalmente, e com suportes encaixados 
nos furos, é fácil fazer a alteração da altura da peça. 
Este sistema aumenta as possibilidades de con-
figuração das peças, diminui os processos de fabri-
cação e facilita a montagem, padronizando os ga-
baritos e diminuindo a necessidade de mão de obra 
especializada (VALE, 2011, on-line)1.
sim como Thonet, eles desafiaram os limites do 
material e aprimoraram a técnica de moldagem 
com chapas de compensado. 
Em seu trabalho para as cadeiras DCW e LCW, 
eles conseguiram fazer assentos e encostos curvos, 
assim como peças componíveis por meio da nova 
técnica. Esta consiste em lâminas de compensado 
que são colocadas entrecruzadas com cola, sendo 
a última camada revestida com uma lâmina de ma-
deira natural decorativa. O conjunto é prensado em 
uma fôrma matriz de aço que sela as camadas em 
uma unidade firme e estável no formato escolhido. 
Após este passo, a peça é cortada automaticamente 
em uma máquina CNC, recebendo o seu desenho 
final. São feitos também os rebaixos para os amor-
tecedores de borracha e o engate dos parafusos, se-
guindo para a pintura e o estofamento posterior.
A técnica da moldagem do compensado permitiu 
uma incrível variedade de modelos de cadeiras com as-
sentos mais anatômicos e confortáveis que mantinham 
a estética da madeira sem perder a qualidade estru-
tural. Observe, a seguir, a beleza da poltrona CH101, 
criada pelo designer dinamarquês Hans Wegner.
Após o corte, o bordeamento e a usinagem, a peça, 
geralmente, está pronta para a pré-montagem ou a 
embalagem. No caso de painéis pintados ou com lâ-
mina de madeira, o painel passará pelo processo de 
acabamento fino da peça, discutido no tópico sobre 
produção com madeira natural.
MOLDAGEM DO COMPENSADO 
Em 1945, Charles e Ray Eames desenvolviam no-
vas aplicações para o painel de compensado. As-
 DESIGN 
 103
O metal ganhou espaço na movelaria a partir do fi-
nal do século XIX, como pudemos observar no es-
tilo Art Nouveau, com o uso do ferro fundido em 
cadeiras, mesas e na arquitetura em geral. Mas é na 
escola da Bauhaus que vamos ver o aço tubular ga-
nhar destaque e ser a base do mobiliário moderno. 
O aço tubular promovia mais leveza do que o 
aço fundido, além da estabilidade e da facilidade na 
produção em série. Gênios do design, como Marcel 
Breuer, Mies Van der Rohe e Eileen Gray abusavam 
da forma limpa do aço tubular cromado para criar 
desenhos minimalistas e funcionais, combinando as 
suas peças com vidro, couro e madeira.
CORTE
O metal permite uma série de metodologias para a 
obtenção de peças de movelaria, por ser resistente e, 
ao mesmo tempo, moldável, alterável em sua com-
posição primária (combinação de ligas metálicas) e 
Produzindo com 
Metal na Movelaria
 
104 
dobrável, entre outras características. Ele é um exce-
lente componente para a fabricação de peças indus-
triais. Vamos abordar aqui alguns dos vários proces-
sos da indústria metalúrgica. 
Estamparia de corte
• Corte por pressão (prensa guilhotina ou pren-
sa hidráulica): deslocamento de cima para bai-
xo de um punção (faca) contra a chapa de metal 
em formato retilíneo ou com uma forma espe-
cífica, que fura a chapa e retira o desenho. 
• Corte mecânico (serra, torno, fresa, esme-
ril): cortam ou perfuram o metal pelo mo-
vimento da ferramenta (vertical, circular ou 
horizontal) contra a peça. No caso do esme-
ril, é composto por discos de pó de minerais 
duros que, por abrasão, cortam o metal.
• Corte térmico (laser, oxi-combustível e plas-
ma): devido ao calor da reação de gases ex-
postos a processos químicos, elétricos ou de 
alta pressão, a sua energia cria um raio que 
corta o metal com facilidade. 
• Corte por erosão: corte por jato d’água que 
parte o metal por meio do fluxo contínuo de 
água com mineral abrasivo.
CONFORMAÇÃO MECÂNICA
Segundo Lima (2006), a conformação consiste em 
deformar as chapas, tubos e fios de metal para a 
fabricação de produtos diversos. Dentre esses pro-
cessos, estão a dobra, o curvamento, a fundição e a 
extrusão, entre outros. Caro(a) aluno(a), vamos co-
nhecer alguns desses processos.
• Dobra: consiste na pressão de um punção so-
bre a placa de metal que, por sua vez, man-
tém-se apoiada em uma matriz tipo V que 
não corta a peça, mas altera o ângulo de dire-
ção do metal.
• Curvamento: é composto por rolos ou por 
uma matriz rotativa que submete o tubo a 
uma flexão. Esta determina a sua curvatura, 
atingindo o raio desejado (é o processo res-
ponsável pela curvatura dos pés das cadeiras 
fixas de escritório, por exemplo).
 DESIGN 
 105
• Fundição: consiste no derretimento do metal 
colocado em uma matriz/molde que forma a 
peça em um bloco único.
• Extrusão: é o processo de pressão aplicado a 
um bloco sólido de metal, que é pressiona-
do contra um molde menor, e este, por ca-
lor, adapta-se ao novo desenho, formando 
barras leves e de grandes comprimentos (é o 
processo utilizado para fazer as esquadrias de 
portas de vidro e os puxadores de perfil de 
alumínio, por exemplo). 
SOLDAGEM 
A soldagem é o processo de união entre peças de me-
tal. Buscando forte aderência mecânica dos materiais, 
neste processo, é utilizado calor ou pressão para a sol-
da. A soldagem MIG (Metal Inert Gas) consiste em 
um arco elétrico aberto entre as faces dos metais e um 
arame que é alimentado continuamente, sendo prote-
gido por um gás inerte ou por uma mistura de gases. 
O filamento de metal une as peças, que depois devem 
ser lixadas para suavizar as emendas (PORTAL ME-
TÁLICA CONSTRUÇÃO CIVIL, [2018], on-line)2.
PINTURA
Por ser um material corrosivo, as peças de metal de-
vem ser recobertas com camadas protetoras, seja de 
tinta, seja de outra liga de metal mais durável. 
Para móveis, é comum utilizar a pintura eletrostá-
tica a pó, em que a peça é presa por um carrinho ro-
tativo suspenso em uma estufa, é pulverizada com um 
pó de tinta que recebe uma carga elétrica na pistola e, 
quando aspergido, atrai-se ao metal e funde-se com a 
peça, passando, em seguida, por uma cura de secagem. 
O banho de metal é feito na união de um metal 
com a cobertura de outro por meio de um processo 
de eletrodeposição. Este processo consiste em uma 
sequência de limpezas e de purificação das peças de 
metal, que são mergulhadas em um banho conten-
do água e o metal a ser depositado, juntamente com 
aditivos. Um destes aditivos é o ácido bórico em cor-
rente elétrica, que faz o metal contido na água aderir 
à peça. Após esse processo, a peça é novamente lava-
da para a remoção de resíduos. Um dos banhos mais 
comuns é o banho de cromo, que oferece o brilho 
espelhado prata aos móveis.
 
106 
Os materiais sintéticos correspondem aos mate-
riais desenvolvidos artificialmente pelo ser humano 
ou que não são extraídos diretamente da natureza. 
Dentre eles, encontramos os plásticos, o vidro, o 
nylon e muitos outros que são produzidos a partir 
de materiais diversos, sejam eles naturais ou previa-
mente transformados pelo ser humano. 
Para a indústria moveleira, os materiais sintéti-
cos ampliaram toda uma gama de produtos, como 
assentos de cadeiras em fibra de vidro e polipropi-
leno, espuma de estofados, tecidos com fibra sinté-
tica, além de mecanismos de estrutura, de fixação e 
muito outros que contribuíram para a variedade de 
formas, cores e usos, entre outras vantagens.
FIBRA DE VIDRO
A fibra de vidro é um material resistente e altamente 
moldável, sendo base para as primeiras cadeiras-con-
cha, entre outros modelos, antes da descoberta do 
Produzindo com 
Materiais Sintéticos
 DESIGN 
 107
plástico injetado. Para fazer um assento, finíssimas 
fibras de vidro com uma resina aderente são asper-
gidas sobre um molde. Limpa dos excessos, a peça 
vai para uma prensa com o mesmo molde,e sobre a 
camada superior é despejado o pigmento da cor do 
assento. Uma vez prensados, o “colchão” de fibras e o 
pigmento unem-se, formando uma camada superior 
lisa, colorida e homogênea, que pode ser limpa das 
rebarbas de fibra, finalizando, então, a peça.
o bico da injeção é cortado e as rebarbas são limpas. 
Enfim, a cadeira está pronta. 
PLÁSTICO INJETADO
As cadeiras monobloco são fabricadas a partir da 
injeção de grânulos de polipropileno termoplástico 
colorido, aquecidos a cerca de 220 ºC e que são in-
troduzidos no molde que distribui o plástico no for-
mato especificado. Ao sair da prensa ainda quente, 
O processo mais custoso para este tipo de produ-
to é o desenvolvimento das matrizes. Entretanto, é 
um sistema seriado extremamente produtivo, e por 
sua simplicidade de produção e leveza dos materiais, 
substituiu, pouco a pouco, as peças de fibra de vidro, 
sendo largamente utilizado nos dias atuais para uma 
infinidade de produtos. 
OUTROS MATERIAIS
No ramo do design, é muito comum serem emprega-
dos materiais diversos para compor os mobiliários, 
além dos abordados nesta unidade, podemos citar o 
vidro, o couro, o tecido, o bambu, as pedras, entre ou-
tros. Cada um com a sua particularidade e o seu pro-
cesso produtivo específico. E como vimos, muito do 
que utilizamos atualmente foi fruto do árduo traba-
lho de designers e de industriais que desenvolveram, 
em conjunto, novas técnicas, exploraram novos ma-
teriais e ditaram os novos rumos do design como um 
todo. Convidamos você também, caro(a) aluno(a), a 
buscar novos horizontes com muita coragem e deter-
minação para inovar em sua atividade profissional.
108 
considerações finais
Caro(a) aluno(a), concluindo esta unidade, aprendemos sobre a importância dos 
processos produtivos como ferramentas de design. O trabalho do designer sempre 
esteve em parceira com a indústria, pois, um projeto, para ser executado e ter suces-
so, precisa adequar seu modelo às características da indústria, ou ambos precisam 
buscar novas técnicas ou metodologias para inovar no mercado.
Compreendemos como funciona o processo produtivo da madeira, principal-
mente as questões levantadas a respeito da secagem, momento em que aparecem os 
principais defeitos das peças. 
Mais além, vimos os equipamentos e as possibilidades de transformação da ma-
deira que podem alterar os seus aspectos estéticos, como no caso de cortes, pinturas, 
torneamentos e entalhes. Assim como podem transformar os seus aspectos estrutu-
rais, no caso da dobra a vapor e dos painéis de madeira recomposta.
Vimos os processos de otimização das chapas de madeira e, dependendo do ma-
quinário utilizado, a característica dos cortes. Este conteúdo demonstra a impor-
tância da especificação adequada das medidas das peças para que se tenha maior 
aproveitamento dos materiais. 
Conferimos várias sequências de atividades em uma empresa, o que nos possi-
bilitou estudar o planejamento estratégico de uma produção, ou seja, a gestão desse 
design que estamos desenvolvendo. De modo que podemos analisar quais são as 
demandas de recursos necessários, seja de matéria-prima e de maquinário, seja da 
mão de obra interna ou terceirizada. 
Conseguimos perceber a diferença de valor e de produtividade de produtos arte-
sanais somente por analisar o processo de fabricação e o cuidado que as peças exigem.
E, por fim, conhecemos um pouco mais sobre os diversos processos produtivos 
da indústria moveleira, processos esses que esboçam as rotinas da transformação das 
matérias-primas em produtos para venda, observando que o trabalho de desbravar 
novas formas e usos dos materiais podem gerar produtos que revolucionam a cultura 
material de nossa sociedade.
 109
atividades de estudo
1. A madeira é um dos materiais mais utilizados na indústria moveleira. As suas 
características estéticas, físicas e químicas permitem uma grande variedade de 
aplicações, técnicas e usos. Sobre o processo produtivo da madeira, é correto 
afirmar que:
a. A madeira pode ser classificada por espécies, mas dentro da mesma espécie 
não existe diferenciação.
b. A secagem é uma das etapas importantes do processo produtivo da madeira 
natural, nela aparecem os defeitos da madeira.
c. Os nós são marcas de cupins que aparecem na madeira após o período de 
secagem.
d. As toras de madeira, depois de retiradas da natureza e cortadas em pran-
chões, já podem ser enviadas para a fabricação de móveis na indústria.
e. O empeno é caracterizado pela rachadura da madeira no sentido longitudinal 
e deve ser eliminado na classificação.
2. A madeira natural permite inúmeras formas de uso e de aplicações na movela-
ria, para cada textura ou forma desejada é aplicado um processo de fabricação. 
Em relação ao processos produtivos utilizando madeira natural, é correto afir-
mar que:
I. O torneamento é feito por uma prensa que dobra a vara de madeira do seu 
plano original.
II. A dobra a vapor desfaz a fibra da madeira, diminuindo a sua resistência e du-
rabilidade, mas com ganho estético. 
III. Para a pintura, as peças devem estar totalmente acabadas e passam pelo pro-
cesso de aplicação da seladora, pelo lixamento e acabamento.
IV. A dobra a vapor consiste em deixar flexíveis varas ou tábuas de madeira que 
podem ser envergadas em moldes, ficando resistentes após a cura. 
Assinale a alternativa correta: 
a) Somente as afirmativas I e IV estão corretas.
b) Somente as afirmativas III e IV estão corretas.
c) Somente a afirmativa III está correta.
d) Somente as afirmativas I, II e IV estão corretas.
e) Nenhuma das afirmativas está correta.
110 
atividades de estudo
3. Os painéis de madeira MDF, MDP ou compensado são uns dos materiais mais 
utilizados na fabricação de móveis em série hoje. As suas características con-
quistaram o interesse dos fabricantes que, pouco a pouco, deixaram de utilizar a 
madeira natural como componente principal do móvel. Comente sobre as van-
tagens do uso de painéis de madeira em relação à madeira natural.
4. Ao utilizarmos os painéis de madeira, o plano de corte é uma das principais eta-
pas do processo de fabricação. O correto planejamento economiza matéria-pri-
ma e mão de obra. Em relação às vantagens da otimização do corte dos painéis 
de madeira, é correto afirmar que:
I. Garante maior aproveitamento da chapa, diminuindo desperdícios.
II. Permite o controle de qualidade em relação a fungos e cupins na peça.
III. O plano de corte otimizado promove listagem das peças, etiquetas de identifi-
cação, lista de compras e controle das sobras.
IV. A otimização visa a alterar o tamanho dos cortes para fazer com que todas as 
peças caibam em uma única chapa.
Assinale a alternativa correta:
a. Somente as afirmativas II e IV estão corretas.
b. Somente as afirmativas I e III estão corretas.
c. Somente a afirmativa III está correta.
d. Somente as afirmativas I, II e IV estão corretas.
e. Nenhuma das afirmativas está correta.
5. O movimento modernista, no início do século XX, sedimentou a utilização do 
ferro no design de mobiliário, principalmente o aço tubular. Diversas ligas me-
tálicas, como o aço, o zinco, o zamac e o alumínio fazem parte dos materiais 
cotidianos em uma movelaria. A respeito dos processos de transformação dos 
metais, é correto afirmar que:
a. A extrusão é o processo de corte do metal por meio de uma guilhotina.
b. O corte por jato d’água é obtido pela oxidação e corrosão do metal exposto à 
água.
c. O corte a laser ocorre quando o disco abrasivo desgasta o metal, fazendo 
desenhos orgânicos.
d. A dobra é um dos processos de conformação que prensa a chapa de metal 
contra uma matriz em V, sem cortá-la.
e. A pintura eletrostática é feita a partir de tinta à base de solvente que se adere 
ao metal.
 111
LEITURA
COMPLEMENTAR
Design de Superfície na Indústria Brasileira de Móveis
Planejados
De acordo com Löbach (2001), os produtos industriais podem ser agraciados com valo-
res estéticos, tornando-se portadores desses valores, e a aparência é a condição paraa formação desse valor, que não está no produto, e sim, na consciência individual ou 
coletiva dos usuários. Invariavelmente, todos os produtos carregam esses valores. A 
natureza da superfície dos produtos tem uma grande influência no seu efeito visual, e 
de acordo com a escolha dos materiais, produz associações de ideias, como calor, frio, 
limpeza, frescor etc., conforme as suas características e seu formato. Ainda que mais 
complexo do que isto, a função estética dos produtos é um dos aspectos psicológicos 
da percepção sensorial durante o seu uso [...].
O mobiliário planejado, assim como outros produtos influenciados pela moda, também 
pode ser classificado pelos padrões ou motivos adotados em sua superfície, e que lhe 
conferem uma tipologia, majoritariamente inspirada nas espécies de madeira, mas que 
também podem se apropriar da imagem de pedras, tecidos, fantasias, miscelâneas, 
unicolores etc. Esses padrões seguem uma hierarquia de acordo com a importância da 
matéria-prima na estrutura do produto. O produto final resulta da junção de diferentes 
matérias-primas e depende do trabalho de diversos fornecedores, conforme observa-
do em Krause (1997), Franco (2010) e Nossack (2014).
Embora o mobiliário não dependa exclusivamente da madeira para a sua execução, a 
madeira apresenta-se de maneira natural e artificial, e as suas características atribuem 
novos significados para os produtos. Para Baudrillard (1973), todos os processos orgâ-
nicos ou naturais encontraram seus equivalentes em função nas substâncias plásticas, 
e a madeira, pedra ou metal cedem seu lugar ao concreto, à fórmica e ao poliestireno. 
O autor entende que é importante perceber em que sentido as novas matérias-primas 
modificaram o “sentido” dos materiais. Comparando a realidade da época com a inser-
ção no mercado dos materiais menos nobres, como o compensado naval e a teca de 
reflorestamento, o autor conclui:
Nisto reside a diferença radical entre o “carvalho maciço” tradicional e a madeira 
de teca: não é a origem, exotismo ou o preço que distinguem essencialmente esta 
última, é o seu uso para fins de ambiência que faz com que não seja mais precisa-
112 
LEITURA
COMPLEMENTAR
mente uma substância natural primária, densa e dotada de calor, mas antes um 
simples signo cultural deste calor, e reintegrado na qualidade de signo, como tantas 
outras “matérias” nobres, no sistema do interior moderno. Não mais madeira-ma-
téria, madeira-elemento. Não mais qualidade de presença, mas valor de ambiência 
(BAUDRILLARD,1973, p. 46). 
Para Manzini (1993), a madeira é como um material familiar, provido de uma identi-
dade reconhecível. Historicamente, a madeira faz parte da identidade do mobiliário e 
são seus elementos visuais que compõem a aparência da superfície do móvel. O au-
tor reflete a respeito das superfícies aplicadas sobre substratos, como os tecidos para 
estofados, os papéis de parede e as lâminas de madeira para móveis, que são algu-
mas das estratégias históricas de utilização de um material existente, para se tornar 
a pele de um objeto, camuflando materiais menos nobres e atribuindo a eles as suas 
próprias qualidades. As possibilidades evoluíram para soluções de alta complexida-
de funcional e esse enobrecimento também pode ser feito com papéis decorativos, 
criando superfícies coloridas, lisas ou texturizadas, ou por laminados plásticos cujas 
superfícies têm grande resistência mecânica, em qualquer padrão e cor
[...].
Considerações Finais
O apelo estético do design de superfície faz com que esta seja uma área de desenvolvi-
mento atraente e motivadora para a maioria dos designers de móveis que, porém, não 
têm sido preparados e convocados para participar desse processo. O designer é atraído 
com facilidade pela hibridação cultural, em um setor produtivo que, em um período re-
cente da história, passou a ser direcionado pela globalização, que é impulsionada pelas 
grandes feiras internacionais de móveis e matérias-primas.
 113
LEITURA
COMPLEMENTAR
Ainda que existam estudos sobre o segmento moveleiro que discutam a importação de 
tendências e os efeitos da hibridação cultural, percebe-se uma falta de interação sobre 
os processos e as interfaces que levam ao surgimento das matérias-primas utilizadas 
pelas indústrias de móveis. A atuação dos designers no campo da superfície tende a ser 
considerada somente a partir da procura e da especificação de materiais já existentes, 
que são fornecidos para o mercado por empresas multinacionais lançadoras de ten-
dências, sem analisar as etapas que antecedem o seu desenvolvimento.
Atualmente existem diferenças tanto no desenvolvimento quanto na qualidade final do 
design de superfície, que é produzido para atender às demandas do setor moveleiro. 
De um lado estão empresas globais, que lançam novas tendências de mercado e forne-
cem o papel decorativo para acabamento dos PMR, do outro, as empresas de pequeno 
e médio porte, que acompanham as tendências e complementam o desenvolvimento 
dos móveis com componentes e outras partes que denotam carência de desenvolvi-
mento especializado no acabamento superficial.
Um mesmo conceito de desenho ou estilo de desenho é reproduzido por diversos for-
necedores em materiais e tecnologias diferentes, utilizando uma variedade muito gran-
de de resinas e pigmentos que resultam em propriedades como, por exemplo, brilho, 
textura, resistência e temperatura que também são diferentes. Cabe aos designers das 
indústrias de móveis planejados a configuração de seus produtos com a combinação 
desses materiais, de acordo com seus interesses, fornecedores estratégicos, processos 
e tecnologias disponíveis.
Fonte: Cecchetti e Razera (2018).
114 
material complementar
Introdução aos Materiais e Processos para Designers
Antônio Magalhães Lima
Editora: Ciência Moderna
Sinopse: Antônio Magalhães Lima aborda de forma simples e prática a síntese 
sobre materiais e processos produtivos mais significativos para a indústria. O li-
vro é voltado para designers, estudantes e afins. Esse livro pode contribuir para 
a especificação de materiais e os processos necessários para os seus projetos, 
facilitando a ponte entre fornecedor, fabricantes e designers.
Indicação para Ler
Série Black Mirror - 3ª temporada
2016
Sinopse: Black Mirror é uma série britânica com episódios individuais que retrata 
o lado negro do futuro das tecnologias. Ela teve as suas duas primeiras tempo-
radas transmitidas no canal de televisão Channel 4, no Reino Unido. A partir da 
terceira temporada, a série passou a ser transmitida pela Netflix.
Comentário: Nessa série, é possível observar como os mobiliários compõem com 
o tom da intencionalidade de comunicação do episódio, as cores, as interfaces e a 
estética sempre acompanham a mensagem que o roteiro deseja transmitir.
Indicação para Assistir
https://pt.wikipedia.org/wiki/Canal_de_televis%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Canal_de_televis%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Canal_de_televis%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Canal_de_televis%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Canal_de_televis%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Channel_4
https://pt.wikipedia.org/wiki/Channel_4
https://pt.wikipedia.org/wiki/Reino_Unido
https://pt.wikipedia.org/wiki/Reino_Unido
https://pt.wikipedia.org/wiki/Reino_Unido
https://pt.wikipedia.org/wiki/Netflix
 DESIGN 
 115
Processo produtivo de móveis sob medida:
Neste vídeo, você poderá observar quais são as rotinas em uma fábrica de móveis, desde o projeto de 
design, até os maquinários de corte, bordeamento e furação. 
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=0fo6-2wW2Gc>.
Acompanhe com detalhes os processos de criação e fabricação das cadeiras Thonet:
Conferir como é feita a dobra por forno de autoclave, as formas, o estofamento, a pintura, entre outros 
processos. 
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=eoy5QP3Jibg>.
Processo de prototipagem e de fabricação Charles e Ray Eames: 
Nestevídeo, você pode acompanhar com detalhes os processos de criação, modelo, prototipagem e 
fabricação das cadeiras de fibra de vidro Eames. 
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=PYptIkjS6zk>. 
Processo de composição e de fabricação da poltrona Ottoman, de Charles e Ray 
Eames: 
Veja o corte das peças em compensado moldado em máquinas CNC, o cuidado com os acabamentos, e 
com o estofamento e a preparação da poltrona. 
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=tbF8QYU4LSA&t=3s>. 
Processo de composição e de fabricação da Cadeira LSW, de Charles e Ray Eames:
Mais um modelo que utiliza o compensado moldado. Acompanhe o processo produtivo desta cadeira 
que revolucionou o mercado.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=r_EXZYqTe-Y>.
Indicação para Acessar
116 
referências
gabarito
ASHBY, M. F.; JOHNSON, K. Materiais e Design: Arte e Ciências da Seleção de Ma-
teriais do Design do Produto. 2. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2011.
BURGER, L. M.; RITCHER, H. G. Anatomia da Madeira. São Paulo: Nobel, 1991.
CECCHETTI, F.; RAZERA, D. L. Design de Superfície na Indústria Brasileira de 
Móveis Planejados. Revista ModaPalavra e-periódico, Florianópolis, v. 11, n. 21, p. 
20-43, jan./jun. 2018. Disponível em: <http://www.revistas.udesc.br/index.php/mo-
dapalavra/article/view/10367/7183>. Acesso em: 04 maio 2018. 
LIMA, M. A. M. Introdução aos Materiais e Processos para Designers. Rio de Janei-
ro: Ciência Moderna Ltda., 2006.
MOURA, J. D. M. et al. Qualidade e processo produtivo da madeira para utilização 
em mobiliário. Londrina: EDUEL, 2012. 
Referências On-Line
1Em: <http://tecnicasdemarcenaria.blogspot.com.br/2011/12/o-onde-os-fabrican-
tes-de-moveis.html>. Acesso em: 9 mar. 2018.
2Em: <http://wwwo.metalica.com.br/processos-de-soldagem>. Acesso em: 9 mar. 
2018.
1. B.
2. B.
3. Os painéis de madeira facilitaram o processo produtivo para a indústria mo-
veleira. Diferentemente das peculiaridades individuais das peças de madeira 
natural, eles garantem padronização das chapas, leveza e estabilidade das 
peças produzidas em série. As suas características, como acabamento, com-
posição, espessura, largura e comprimento seguem padrões convenciona-
dos e variam conforme o uso ou a função. 
4. B.
5. D.
UNIDADEIV
Profa Esp. Thiara L. S. Stivari Socolovithc
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
• Componentes de base
• Componentes de montagem
• Componentes de acessórios
Objetivos de Aprendizagem
• Compreender as características dos componentes de base da 
movelaria.
• Aprender sobre os principais componentes de montagem.
• Assimilar os conhecimentos principais dos componentes de 
acessórios.
COMPOSIÇÃO DO MOBILIÁRIO
unidade 
IV
INTRODUÇÃO
C
aro(a) aluno(a), nesta unidade, daremos continuidade aos ele-
mentos constitutivos dos mobiliários em geral. Já conhecendo a 
configuração geral de um móvel, separamos em três categorias 
os principais componentes que constituem um mobiliário.
A primeira categoria chamaremos de componentes de base e cor-
respondem aos materiais para a formação do corpo ou da estrutura da 
maioria dos móveis. Os componentes de base são painéis, bordas, lâmi-
nas, tubos de aço, esquadrias de alumínio e demais peças que são forma-
doras de caixas, prateleiras, pés de aço, entre outros.
Na segunda categoria, serão abordados os componentes de monta-
gem. Eles correspondem a toda gama de produtos que servem de cone-
xões entre as peças, firmamento das estruturas, fixação dos dispositivos 
de abertura de portas, gavetas e basculantes, entre outros aspectos.
Em terceiro lugar, veremos os componentes acessórios que, por sua 
vez, correspondem às peças avulsas, que não interferem nem diretamente 
no corpo e nem na montagem do módulo, mas mudam relações de altu-
ra, de tipo de estrutura e furações que se façam necessárias.
Ao longo desta unidade, você observará uma série de exemplos de 
como calcular os módulos ou as peças, dependendo do mecanismo. O 
que queremos é que você tenha estes dados como guia para futuras apli-
cações. Na Unidade V, faremos passo a passo os exemplos práticos de 
como eles são utilizados.
Convidamos você a, nesta leitura, desenvolver o olhar atento às com-
posições, encaixes, conexões, ferramentas e acessórios que fazem parte 
dos móveis ao seu redor. Essa observação o(a) auxiliará a compreender 
os assuntos desta unidade, assim como ela fará parte do seu dia a dia 
como designer, por meio da descoberta de novas oportunidades de ino-
vação para os seus futuros projetos.
 
122 
Os componentes de base são os elementos primá-
rios que definem a estrutura principal do móvel 
que desejamos projetar. Eles correspondem ao 
tipo de painel adequado para o corpo, as espes-
suras do material, como será acabado etc. Esses 
componentes vão determinar toda a sequência de 
cálculos e a produção da peça.
PAINÉIS
A estrutura base de um móvel, atualmente, é defi-
nida pelos painéis utilizados para a composição de 
caixotes, portas e gavetas. Primeiramente, consi-
deremos as principais características do MDF, do 
MDP e do compensado. Todos eles são superfícies 
retangulares, planas, lisas ou com microtexturas, 
ou seja, é possível uma grande variedade de usos e 
cortes desses materiais, desde que se respeite os seus 
limites de comprimento, largura, espessura e resis-
tência. Vamos compreender alguns desses limites. 
• Em relação ao comprimento e à largura: se 
projetarmos para além da medida do painel 
de MDF (exemplo: um balcão de 3 m; a cha-
pa tem 2,75 m de comprimento), teremos 
Componentes 
de Base
 DESIGN 
 123
que pensar, então, em sistemas de união que 
travem as peças com firmeza, assim como 
na maneira de tornar a emenda menos evi-
dente (um detalhe com friso, uma pintura, a 
colagem de lâmina etc.) ou alterar o desenho 
para o tamanho limite da chapa e evitar to-
talmente a emenda.
• Em relação à espessura: se o projeto for de 
uma espessura maior do que a do painel de 
madeira, é necessário que se faça um “sandu-
íche” com outras chapas, ou seja, dois painéis 
externos inteiros (serão a aparência da peça), 
mais um quadro interno de ripas. Todos se-
rão unidos por colagem e prensa, formando 
uma nova peça mais espessa. 
utilizar um divisor ou uma escora por baixo, 
para que a peça não ceda. É de praxe dividir o 
módulo em tamanhos menores por meio de 
uma chapa mais espessa ou mais resistente, 
como o compensado.
Painéis de compensado
Os painéis de compensado mais comuns são os de ma-
deira pinus ou virola prensados com cola branca, mais 
simples e pouco resistentes, ou com resina fenólica 
(compensado naval WBP, water and boil proof), muito 
resistente a água e a vapor. Os painéis de compensado, 
normalmente, não têm acabamento em melamina na 
superfície, tendo que ser aplicado posteriormente.
As lâminas de madeira são prensadas entrecru-
zadas, ou seja, uma camada de lâmina é colocada no 
sentido contrário a outra, e esse cruzamento estabi-
liza as peças longitudinalmente e lateralmente, for-
mando uma chapa muito resistente.
Segundo Cunha (2001), uma importante carac-
terística dos compensados é a sua boa resistência ao 
arranque de parafusos, que, sendo muito superior 
aos aglomerados (MDP), o torna adequado aos usos 
com maior solicitação de esforços por tração.
O compensado não vem de fábrica laminado na 
aparência, ele deve ser recoberto por uma melamina 
de alta pressão, lâmina de madeira ou pintura. Cunha 
(2001) alerta que, quando o tampo da peça for reves-
tido, é fundamental que a face oposta receba alguma 
vedação ou revestimento para evitar a incidência de 
umidade sobre essa face, o que faria a peça empenar.
Características de mercado:
• os painéis de compensado variam de tamanho:
2,20 × 1,60 m = 3,52 m2; 2,44 × 1,22 = 2,97 m2; e 
2,50 ×1,60 m = 4,00 m2
 . 
O Tamburato é uma outra técnica para au-
mentar a espessura de um painel, com ma-
terial mais leve e econômico.
“Tamburato é um painel estrutural composto, 
produzido com camadasexternas de partí-
culas finas de madeira prensada e miolo em 
colméia de papel reciclado.
O resultado é um painel para fabricação de 
móveis que exigem espessuras grossas, le-
veza no peso e bom desempenho [...]. Tem 
visual robusto mas é leve, por ser formado por 
duas chapas finas de HPP prensadas com um 
‘recheio’ de colméia de favos de papel (honey-
comb). Com ótima estabilidade, é ideal para 
a fabricação de prateleiras, estantes, home 
theaters, móveis modulares e divisórias”.
Fonte: adaptado de MP Móveis (2010, on-line)1.
SAIBA MAIS
• Em relação à resistência: para cada tipo de 
aplicação e uso, deve-se considerar a resistên-
cia do material e os apoios que são necessá-
rios. Por exemplo, o limite de uma pratelei-
ra de MDF de 15 mm, fixada nas laterais do 
móvel, é de 900 mm. Fora isto, é necessário 
 
124 
• Com espessuras: 
3; 4; 5; 6; 8; 10; 12; 15; 18; 20; 25 e 30 mm.
O compensado flexível é um outro tipo de painel que 
tem a função contrária do regular. No momento da 
prensa, as lâminas são colocadas na mesma direção, 
assim, é possível curvar a peça no sentido do veio. Para 
fazer uma peça cilíndrica ou um balcão em curva, é 
necessário que a espessura e a flexibilidade do painel 
sejam adequadas para não rachar. Neste caso, utiliza-
mos compensado flexível de até 6 mm para ser enver-
gado com escoras por trás da peça e dar sustentação.
As espessuras variam: 3; 5,5; 9; 12; 15; 18; 25 
mm. Para aumentarmos a espessura de uma peça, 
como um tampo de mesa, colamos sob o tampo ti-
ras de chapa nas bordas do painel para que, visual-
mente, ele pareça ser mais grosso, mas continua leve 
como a chapa original. Outra maneira é a duplagem 
de painel, em que colamos sob a peça uma chapa 
na mesma medida que o tampo. As bordas devem 
seguir a espessura do tampo pronto.
Existem duas formas de utilizar o compen-
sado em peças curvas. Para cadeiras, como 
vimos o modelo LCW, dos Eames, é utilizado o 
compensado entrecruzado, contudo, a pren-
sa é feita diretamente no molde matriz. Ele 
forma uma peça extremamente resistente e 
que pode ser utilizada como estrutura. Para 
balcões e móveis em geral, é utilizado o painel 
de compensado flexível, que vem pronto de 
fábrica e não precisa de prensagem, porém, 
possui baixa espessura, não sendo utilizado 
como estrutura da peça.
Fonte: a autora.
SAIBA MAIS
Painéis de MDF e MDP
Os painéis de MDF e MDP assemelham-se muito 
em termos de estabilidade do painel e em padrões 
disponíveis no mercado. A medida da chapa é, por 
convenção, de 2,75 x 1,83 m = 5,03 m2. Pode ser 
entregue de fábrica revestida com folha de mela-
mina de baixa pressão (BP), prensada ao painel ou 
sem acabamento (cru).
O MDP, por seu custo inferior ao compensado e ao 
MDF, é largamente “utilizado na indústria moveleira 
em painéis para tampos, superfícies verticais; corpos 
de armários, prateleiras e outras aplicações de baixa 
solicitação mecânica” (CUNHA, 2001, p. 69). É sen-
sível à umidade, devendo as duas faces do painel se-
rem recobertas com melamina de baixa pressão (BP) 
ou de alta pressão, além de fita de borda em toda a 
lateral (miolo aparente). 
 DESIGN 
 125
O MDF ganhou espaço de mercado nos últimos 20 
anos, sendo uma tecnologia mais nova em relação 
às outras. A sua principal propriedade é a unifor-
midade do miolo, que: 
[...] em função da pequena dimensão das fibras, 
sua superfície é mais lisa do que a da maioria 
dos outros painéis utilizados na fabricação de 
móveis, permitindo bom acabamento com pin-
tura, laminação por folhas de celulose ou lami-
nados de alta pressão (CUNHA, 2001, p. 71). 
Por ser um painel liso, a sua textura não interfere 
na pintura, não acrescenta sulcos nas lâminas de 
celulose e facilita a colagem e a prensa dos lami-
nados de alta pressão.
A usinabilidade é outra característica do MDF, 
que, por possuir uma superfície lisa e homogênea, 
é excelente para entalhes com brocas, acabamen-
tos arredondados etc.
Na composição mista de móveis, é comum as 
empresas, atualmente, utilizarem o MDP para a es-
trutura de módulos, e o MDF, para portas e acaba-
mentos. O compensado é utilizado em casos especí-
ficos, como diferencial de venda (produto premium) 
ou para ambientes com problemas de umidade.
Os painéis de MDF e MDP padrão são sensí-
veis à umidade, entretanto, já existem painéis de 
MDF com resinas especiais que têm boa resistên-
cia à umidade, com acabamento cru ou em mela-
mina BP na cor branca, e podem ser encomenda-
dos em qualquer padrão, desde que atendam ao 
mínimo de quantidade de chapas para pedido e 
são facilmente identificáveis pelo miolo colorido 
em verde. Outro MDF, pouco utilizado na produ-
ção moveleira hoje, é aquele resistente ao calor e 
identificado pelo miolo vermelho. Ele evita ou re-
tarda a ação do fogo e, por isso, é indicado para 
lugares de grande circulação, como hotéis, sho-
ppings e hospitais.
Corte
Sendo a fase mais importante de todo mobiliário, 
na listagem de corte, deve-se obedecer a relação do 
padrão do veio madeirado. Na melamina, geral-
mente, o desenho do veio está no sentido do com-
primento e do contraveio na largura. Esta ordena-
ção determina a disposição das peças em relação ao 
painel no momento do corte.
Quando a intenção é criar uma sensação de altu-
ra, as portas e gavetas são cortadas no sentido do veio, 
assim, as linhas da madeira alongam visualmente a 
peça no sentido vertical. Este tipo de corte é indica-
do para móveis com peças altas e larguras menores, 
como portas, laterais e painéis. As peças com com-
primento maior que 1,80 m só podem ser cortadas 
no sentido do veio. Observe como estão dispostos os 
cortes das duas portas e das quatro gavetas a seguir 
e, posteriormente, aplicados no balcão da cozinha.
 
126 
Quando se intenta uma sensação de aconchego, 
proximidade e alongamento do espaço longitu-
dinalmente, o corte das portas e gavetas é feito 
na direção do contraveio. Este tipo de corte é in-
dicado para móveis com peças baixas e larguras 
maiores, como gavetas largas, painéis de balcão e 
portas basculantes. Observe a diferença de como 
estão dispostos os cortes das duas portas e das 
quatro gavetas a seguir e, posteriormente, aplica-
dos no balcão da cozinha. 
BORDAS
Para a proteção do miolo dos painéis de madeira e 
acabamento, são aplicadas fitas de borda na lateral 
das peças. Estes materiais asseguram que o painel 
não esteja exposto à umidade e escondem a aparên-
cia do interior da chapa.
Fitas de PVC
As fitas de borda em PVC são fitas termoplásticas, 
formadas a partir do polímero Policloreto de Vinilo.
Figura 1 - Material 1
Fonte: Shutterstock
Figura 2: Material 2
Fonte: Shutterstock
COMPRIMENTO 2,75m
LA
RG
U
RA
 1
,8
3m
COMPRIMENTO 2,75m
LA
RG
U
RA
 1
,8
3m
 DESIGN 
 127
 O PVC é um plástico denso, com elevada es-
tabilidade dimensional e excelente resistên-
cia química ao impacto e à luz U.V. As fitas 
de borda em PVC destacam-se pelo facto de 
não alimentarem a combustão (PROADEC, 
[2018], on-line)2.
As fitas de pvc procuram seguir os padrões de me-
lamina BP (baixa pressão) do mercado, seguindo, 
inclusive, a impressão da textura ou do brilho, para 
que o acabamento da borda não se diferencie do pai-
nel. O padrão impresso nas fitas é pintado com tinta 
U.V. e são isentas de compostos orgânicos voláteis. 
Elas estão disponíveis em rolos contínuos, com dife-
rentes larguras e espessuras.
• As espessuras mais comuns são de 0,45 mm e 
1 mm, podendo chegar a 3 mm.
• As larguras variam de 13 mm até 275 mm, 
sendo as mais comuns de 19 ou 22 mm para 
painéis de 15 e 18 mm, respectivamente.
O designer deve atentar-se para as espessuras das 
fitas, principalmente para os descontos de portas e 
acabamentos, em que a medida da fita deve ser cal-
culada juntamente com a peça. Por exemplo, se uma 
porta tiver 3 mm de desconto em relação ao nicho de 
cada lado da peça, ou seja, 3 mm na largura no lado 
da dobradiça e 3 mm do lado do puxador/batente, 
ela terá, na largura, a medida externa do nicho, me-
nos6 mm de desconto. Entretanto, se a borda tiver 
2 mm de espessura, então o desconto deverá ser os 6 
mm mais os 4 mm da borda nos dois lados, ou seja, 
10 mm de desconto em relação ao nicho. 
Fitas de ABS
As fitas de borda em ABS são fitas termoplásticas, 
formadas a partir do polímero Acrilonitrilo-Bu-
tadieno-Estireno. São muito semelhantes ao PVC, 
porém, mais leves e sem cloro em sua composição. 
Elas apresentam boa resistência mecânica, além de 
serem 100% reciclável e biodegradável (PROADEC, 
[2018], on-line)2.
Em termos práticos, as fitas ABS têm menor va-
riedade de padrões no mercado, mas oferecem um 
acabamento mais suave do que o PVC em espessuras 
maiores de 2 ou 3 mm. Estão disponíveis em rolos 
contínuos, com diferentes larguras e espessuras. As 
espessuras variam de 0,40 mm a 3 mm, as mais co-
muns são peças de 2 e 3 mm.
As larguras variam de 12 mm até 80 mm, sendo 
a mais comum de 22 mm para painéis de 15 e 18 
mm, e 35 mm para painéis de 25 mm ou encabeça-
dos (chapa dupla) de 30 mm.
LÂMINAS
As lâminas são chapas finas de material orgânico ou 
sintético, cuja função é recobrir as chapas de madei-
ra, formando um acabamento decorativo com maior 
valor agregado. Abordaremos, a seguir, as lâminas 
de melamina de alta e de baixa pressão, além das lâ-
minas de madeira natural.
Melamina de alta pressão
Laminados melamínicos de alta pressão (LMAP) 
são chapas formadas por cinco ou mais camadas de 
papel Kraft, de cor marrom, impregnadas com re-
sinas fenólicas. Revestidos por uma capa de papel 
celulose pura com o desenho do padrão da chapa, 
impregnada com resina melamínica e uma película 
superficial overlay (FÓRMICA, [2018], on-line)3.
As camadas são levadas a uma prensa com tem-
peratura de 160 ºC. A prensa é composta por uma 
chapa de inox que transfere, por meio de um dese-
 
128 
nho espelhado, a textura almejada, o que determina 
se a chapa será brilhante, fosca ou uma textura espe-
cífica (CUNHA, 2001).
É um material extremamente resistente à abra-
são, à umidade e aos produtos de limpeza, além de 
ter características higiênicas. O LMAP pode ser en-
contrado, também, no modelo post-forming, que, na 
composição das resinas, é modificado para aceitar a 
moldagem por calor em formas curvas. Muito utili-
zado para tampos e portas com as bordas arredon-
dadas, o que evita o desconforto dos cantos vivos.
A medida convencional das chapas de lamina-
dos melamínicos de alta pressão é de 1,25 x 3,08m = 
3,85 m2. A espessura das chapas standard são de 0,8 
a 1,4 mm, entretanto é possível encontrar espessuras 
especiais no mercado, com custo superior.
Uma das desvantagens é que o LMAP pode apre-
sentar um risco marrom na lateral do móvel, o que 
ocorre devido à espessura da própria chapa de lami-
nado, e nem sempre essa borda consegue esconder. 
O LMAP também demanda uma grande mão de 
obra de fabricação, pois ele precisa ser cortado duas 
vezes, colado, prensado e refilado, diferentemente de 
um painel com laminado BP, que somente é cortado 
se passar aos demais processos produtivos.
Melamina de baixa pressão
O laminado melamínico de baixa pressão (BP) é 
composto por uma ou mais folhas de papel de celu-
lose impregnadas com resina melamínica, e que são 
prensadas ao painel de madeira (MDF ou MDP), 
fundindo-se com o material. É um dos mais práti-
cos, baratos e comuns revestimentos de painel no 
mercado atual. Ele possui uma grande variedade de 
padronagens que simulam veios de madeira, pedras, 
tecidos e cores sólidas, com texturas e acabamentos 
variados. Contudo, a sua resistência à abrasão é bem 
inferior ao laminado de alta pressão.
Lâmina de madeira
As lâminas de madeira natural têm a função de 
enobrecer a peça, e são formadas pelo faqueamento 
das toras em centenas de lâminas que, por sua vez, 
são prensadas e novamente cortadas, resultando 
nos desenhos padrão linheiro, com traços parale-
los, ou catedral, que forma um bico no veio (CALI-
MAN, [2018], on-line)4. 
A madeira pré-composta é obtida por meio da 
colagem de várias lâminas de madeira reflorestada, 
que podem ser tingidas para formar os blocos com a 
padronização desejada de desenho e cores (SELEC-
Observe que o tamanho da chapa de fórmica 
(1,25 x 3,08 m) não acompanha o tamanho 
dos painéis de MDF ou MDP (1,83 x 2,75 m), 
o que diferencia no cálculo da otimização do 
corte. Isto é, não se pode utilizar o cálculo 
da quantidade de MDF para determinar a 
quantidade de laminados melamínicos de 
alta pressão. Quando for utilizar uma fórmica, 
é necessário observar quais serão as faces 
recobertas do móvel e calcular com base na 
medida de 1,25 x 3,08m.
Fonte: a autora.
SAIBA MAIS
Essas chapas são muito conhecidas como fórmica, 
mas este nome provém de uma grande empresa de 
produtos LMAP, e não do produto em si. Outras em-
presas, como Pertech, Madepar, entre outras, ofere-
cem o mesmo produto.
 DESIGN 
 129
TAS, [2018], on-line)5. Assim, elas conseguem imi-
tar as madeiras nobres e até as rádicas. Este processo 
permite uma melhor estabilização das cores e das 
padronagens. As lâminas resultantes têm espessura 
em torno de 0,5 mm e metragens variadas. Entre-
tanto, é sempre bom ter em mente que a madeira 
natural altera a cor conforme o lote.
TUBOS E CHAPAS DE AÇO
Os tubos de aço carbono são muito utilizados na fabri-
cação de mobiliário escolar, poltronas e móveis para 
escritório em geral. São compostos por ferro, carbono, 
manganês, fósforo e enxofre, o que garante maior re-
sistência mecânica e pouca flexibilidade (estabilidade), 
ou conformação a frio (sobre pouca deformidade).
Segundo Cunha (2001), a qualidade do móvel está 
na espessura da chapa ou da parede do tubo que se 
deseja utilizar. “A robustez é o resultado da combi-
nação do tipo de aço, da espessura de chapa, do for-
mato, das dimensões do perfil tubular e da confor-
mação da estrutura” (CUNHA, 2001, p. 72). 
Equivalência de espessuras de chapas finas de aço
Espessura em mm Chapa número
2,65 12
1,90 14
1,50 16
1,25 18
0,90 20
0,75 22
0,60 24
Tabela 1- Tabela de equivalência para chapas de aço
Fonte: Cunha (2001, p. 73).
Os tubos de aço podem ser encontrados em forma-
tos redondos, ovais/oblongos, quadrados, retangu-
lares etc., e utilizados das mais diversas maneiras. 
A medida da bitola dos tubos redondos é calculada 
em polegadas e, nas peças retangulares, é calculada 
em milímetros. As barras têm, geralmente, 6 m de 
comprimento, e a espessura das paredes dos tubos é 
representada em milímetros. Para as chapas retas de 
metal, utiliza-se a numeração da tabela.
Armários de aço para escritório são fabricados, 
em geral, com diversos tubos e chapas de metal, 
mas, normalmente, são comercializados informan-
do o número da chapa. Os mais simples em chapa 
26, e os mais robustos em chapa 22, podendo variar 
conforme os modelos.
 
130 
SISTEMA DE PORTAS, ESQUADRIAS E 
PERFIS DE ALUMÍNIO
As esquadrias de alumínio oferecem uma vasta 
gama de aplicação no design de móveis para a com-
posição de portas, gavetas e basculantes, trilhos e 
suportes de portas deslizantes, além de puxadores 
embutidos ou de sobrepor.
Por sua estabilidade e leveza, elas permitem que 
as portas deslizem com facilidade e não emperrem 
(como acontece com canaletas de madeira ou de 
plástico). As esquadrias dão estrutura para os painéis 
de madeira ou de vidro, o que facilita a instalação de 
dobradiças e a proteção das peças em geral. São mui-
to resistentes à umidade e ao calor, entretanto, são 
mais sensíveis a riscos que o aço, e podem apresentar 
manchas se não forem anodizadas corretamente.
suporte do painel, os rodízios e os sistemas de freio 
ou de amortecimento. 
“A anodização é um processo eletroquímico 
que promove uma formação de película na 
superfície do alumínio, melhorando seu as-
pecto, garantindo uma vida útil prolongada 
e tornando-o mais resistente à corrosão e a 
riscos [...]. Em alguns casos, serve também 
para coloração do material”.
Fonte: adaptado de Anotec ([2018], on-line)6.
SAIBA MAIS
Sistemasde portas
Os sistemas de portas constituem o conjunto de 
mecanismos que promovem o deslizamento estável 
e suave de portas de correr. Nele, estão os perfis-
-guia para portas embutidas ou sobrepostas, assim 
como os kits de porta, que são os mecanismos de 
Porta de correr interna
O sistema de portas internas é o modelo mais co-
mum e barato no mercado. Nele, as portas deslizam 
apoiadas sobre um perfil embutido ou de sobrepor 
Figura 3 - Kit de porta
Fonte: Rometal ([2018], on-line)7.
 DESIGN 
 131
na base do móvel. O peso fica, principalmente, so-
bre os rodízios no perfil inferior, e o superior serve 
somente de guia para o kit de topo. Nesse modelo, 
os módulos internos, como gaveteiros e prateleiras, 
devem ter um recuo de 6 a 8 cm da frente do móvel. 
Os perfis podem ser instalados tipo piso-teto, 
desde que ambos estejam plenamente alinhados e 
nivelados. Dependendo da movimentação, a porta 
pode pular do trilho e, para isto, são utilizados kits 
com molas antidescarrilhamento, que adaptam a ro-
dinha para permanecer na base. 
A divisão das portas é feita pelo número de mó-
dulos. Uma porta para cada, geralmente, e calculada 
uma sobreposição na largura das portas, em torno de 
2-4 cm, para esconder o vão entre elas. É recomendado 
que a largura da porta seja igual ou maior a 1/3 da me-
dida da altura, para maior estabilidade. Por exemplo: 
para uma porta de 2.400 mm de altura, é ideal, no mí-
nimo, 800 m de largura (ROMETAL, [2018], on-line)7.
Porta de correr externa
O sistema de portas externas é o modelo mais sofisti-
cado, cujas portas deslizam por fora do montante com 
os rodízios projetados para dentro do trilho. As portas 
cobrem os módulos do armário e podem dar a sensa-
ção de amplitude e leveza. O peso fica, principalmente, 
nos rodízios apoiados no perfil do topo do armário, e o 
perfil inferior serve somente como guia. Nesse mode-
lo, os módulos internos, como gaveteiros e prateleiras, 
não precisam, necessariamente, do recuo interno. 
Esquadrias para vidro e madeira
As esquadrias de alumínio servem de estrutura para 
as portas de vidro ou de MDF. Forma-se um quadro 
que envolve todo o vidro/MDF com cantos cortados 
em 45°, com travamento por esquadretas parafusa-
das internamente (não usa solda para a união).
 
132 
Perfil puxador
O perfil puxador é uma alternativa para a abertu-
ra de portas. Ele é desenvolvido em alumínio e, da 
mesma maneira que as esquadrias, fixa-se por cola-
gem, por encaixe ou por parafusos ao painel de ma-
deira. O puxador é comercializado em barras de 3 e 
6 m, em diversas cores e modelos. As suas principais 
vantagens são: a estabilidade, o corte sob medida 
conforme o tamanho da peça, e o design, que pode 
embutir o puxador na porta, formando, assim, uma 
linha reta e homogênea. O cálculo da quantidade 
para puxador contínuo é a soma linear da largura 
das portas ou das frentes de gavetas.
O puxador perfil de alumínio que fica no topo 
da peça como uma linha contínua (seja armário 
inferior ou superior), interfere diretamente no cál-
culo da medida da porta/frente de gaveta. Observe 
nos exemplos a seguir. 
Se um puxador tiver 35 mm de altura e estiver 
no topo da porta (modelo A), este valor terá que ser 
diminuído da altura da porta ou de cada frente de 
gaveta, ou seja, se uma porta tiver 664 mm de altura 
por 394 mm de largura, a medida para o plano de 
corte será uma porta de 629 x 394 mm, pois a largu-
ra dela permanece a mesma.
Se o puxador estiver na lateral da porta (modelo B), 
mantém-se a altura, mas a largura é alterada, ou seja, 
no plano de corte será uma porta de 664 x 359 mm.
Figura 4 - Portas 
Fonte: a autora.
 DESIGN 
 133
lém dos materiais de base, como matéria-prima e 
acabamentos, para a formação dos módulos, portas 
e gaveteiros, são necessários uma série de compo-
nentes que funcionam como elos, articulação e fe-
chamento fundamentais para a montagem das peças:
• para o travamento dos nichos e das caixas de 
gaveta, serão necessários componentes de fi-
xação, como: pregos, parafusos, minifix ou ra-
fix e cavilhas, cantoneiras etc.;
• para os gaveteiros: corrediças;
• para as portas: dobradiças;
• para os basculantes: dobradiças e sistemas de 
elevação;
• para as prateleiras internas: suportes de pra-
teleiras.
Componentes 
de Montagem
 
134 
PREGOS
Os pregos são componentes de fixação com corpo de 
metal cilíndrico e cabeça chata (em forma de prato), 
ou em formato bola, mais conhecido como sem cabe-
ça. O prego possui o princípio de entrar na madeira 
cortando os veios, empurrando as cerdas rompidas 
para baixo e formando uma pressão que dificulta a re-
moção. Na movelaria, ele é indicado para fixar madei-
ra maciça, mas, por não possuir rosca de travamento, 
não é indicado para MDF ou MDP. É interessante o 
uso do prego sem cabeça, pois ele pode ser escondido 
com uma pequena quantidade de massa de madeira.
PARAFUSOS
Os parafusos são componentes de união e travamen-
to não permanente, ou seja, é possível montar e des-
montar as peças com facilidade. São produzidos em 
vários formatos diferenciado na rosca, na cabeça, na 
haste e no tipo de acionamento. Vamos conhecer al-
guns modelos mais utilizados.
Tipos de ponta
A ponta cônica é indicada para madeira, pois ela tem a 
função de perfurar e criar rosca na madeira, facilitan-
do a função de broca. A ponta plana de rosca métri-
ca, máquina, whitworth etc., é indicada para peças de 
metal com rosca perfeita e para furos passantes (que 
atravessam a peça de lado a lado), utilizando porcas e 
arruela na outra extremidade, ou para furos não pas-
santes (a ponta do parafuso fica dentro do material), 
com o uso de buchas de metal com rosca interna.
Redonda Panela Oval ou
Abaulada
Oval ou
Escareada
Abaulada
Chata ou
Escareada Flangeada Sextavada
Sextavada 
c/ Arruela Cilíndrica
Plana Cônica
Tipos de cabeça 
 DESIGN 
 135
Tipos de atarraxamento DISPOSITIVOS DE MONTAGEM
Os dispositivos de montagem minifix, rafix, FB/VB 
etc., não possuem nome ou formato específicos, va-
riam conforme o fornecedor. Porém, são mecanis-
mos desenvolvidos pela indústria moveleira para 
facilitar a padronização e a montagem dos caixotes. 
São utilizados principalmente em empresas de mó-
veis seriados, são rápidos de instalar e, por utiliza-
rem peças de metal, a estabilidade das roscas e do 
travamento é maior, pois não há desgaste com mon-
tagens e desmontagens.
CANTONEIRAS
São peças de metal ou de plástico com duas abas, for-
mando um ângulo de 90º. Este esquadro tem a função 
de fazer a união e a sustentação das peças por meio de 
parafusação interna. Podem ser utilizadas para unir 
o tampo às laterais, aos painéis ou aos pés de mesa e 
para a montagem de caixaria, como também para a 
sustentação dos armários suspensos (como o fundo 
não é estrutural, a cantoneira de metal promove resis-
tência para sustentar o nicho). As cantoneiras podem 
ser cobertas por capinhas de plástico em cor seme-
lhante ao módulo, escondendo os parafusos.
Fenda Philips Sextavado
interno ou
Alen
Sextavado
O mais utilizado para madeira e para painéis é o pa-
rafuso de ponta cônica, cabeça chata (ou escareada) 
de chave Philips, que desenha a rosca de fixação no 
próprio material em que é preso.
Tamanhos e usos
O cuidado com os parafusos deve respeitar onde eles 
serão aplicados, para, desta forma, oferecer estrutura 
e não atravessar o painel. Para a estrutura de módu-
los em que o parafuso deve unir peças por fora, como 
a lateral e a base, é utilizado um parafuso grande o 
suficiente para passar pelo painel, tracionar e susten-
tar a outra peça. Exemplo: para travar uma lateral à 
base, utiliza-se um parafuso 4,0 x 45 mm (medida 
do diâmetro x comprimento). Ele cruza a lateral (15 
mm) e fixa 30 mm de rosca no miolo da outra peça.
Para corrediças, dobradiças e peças internas, são 
utilizados parafusos menores, pois estes são apenas 
para a fixação da peça no painel e devem ser me-
nores do que a espessura do painel. Exemplo: para 
instalar uma corrediça,podemos utilizar o parafuso 
cônico 3,5 x 14 mm cabeça chata Philips, pois ele dá 
uma boa estrutura e não passa do painel lateral.
Para cada tipo de uso, deve ser estudado o tipo, 
o modelo e o tamanho de parafuso mais indicado.
 
136 
SUPORTE DE PRATELEIRAS
O suporte de prateleiras, como o próprio nome diz, 
tem a função de sustentação ou travamento das pra-
teleiras. Há diversos modelos e os mais comuns são 
os de pinos e/ou parafusação. Observe que há mo-
delos que são de encaixe e exigem pré-furos (mo-
delos 1-4) e os que são parafusados diretamente so-
bre a lateral (modelos 5-7). Os modelos para vidro 
possuem apoios de silicone para evitar contato seco 
com o metal (modelos 4 e 7). 
Guia de madeira
Em móveis antigos e em algumas peças de design 
atuais, é muito comum encontrar gavetas sem cor-
rediças ou com guias feitas da mesma madeira da 
peça. Estas estruturas servem somente como um 
apoio para a abertura, mas, normalmente, não tra-
vam a gaveta e, se esta for puxada de forma errada 
ou brusca, pode cair do nicho. 
CORREDIÇAS
Corrediças são ferragens de sustentação e de estabi-
lidade das gavetas. Existem vários modelos de cor-
rediças, as mais comuns são as de apoio e os trilhos 
telescópicos. Cada tipo de corrediça altera a medida 
de corte das caixas de gaveta, pois são elas que de-
terminam a distância exata do vão entre o corpo da 
gaveta e o módulo. 
Figura 5 - Modelos de suportes de prateleira
Fonte: FGV/TN ([2018], on-line)8.
Deve ter superfície de sustentação para a base da 
caixa da gaveta, como chapa ou guia interna, para 
a gaveta não cair para dentro do móvel. Por ser feita 
em madeira, com o passar do tempo, as peças po-
dem expandir e a gaveta começa a emperrar na es-
trutura. A folga necessária entre nicho e corpo da 
gaveta gira em torno de 5 mm. Os trilhos de metal 
substituíram este mecanismo com grande eficiência.
Corrediça de apoio
A corrediça de apoio é composta por uma guia de 
metal pintada e fixada na lateral do nicho, e outra 
fixada na base da lateral da gaveta, e que deslizam 
 DESIGN 
 137
sobre roldanas de poliacetal autolubrificadas, com 
duplo travamento tanto para a abertura (evita que 
a gaveta caia) quanto para o fechamento (mantém 
a gaveta fechada). Ela permite extração parcial, ou 
seja, a abertura de ¾ da gaveta, e o restante do corpo 
fica para dentro do móvel. Tem a capacidade média 
de 15-25 kg de sustentação (FGV/TN, ([2018], on-
-line)8. A corrediça de apoio ocupa 26 mm do inte-
rior do nicho, ou seja, a medida da caixa da gaveta é 
igual a medida interna do nicho, menos 26 mm (13 
mm em cada lateral). 
Corrediça telescópica
É composta por três trilhos de aço relaminado e en-
caixados entre si com deslizamento sobre esferas de 
aço. Este sistema permite a extração total da gaveta 
com travamento no fim do trilho (para retirar a ga-
veta, é necessário destravar as alavancas na lateral). 
Possui alta estabilidade, suportando entre 35 kg e 
45 kg, podendo variar conforme o fornecedor, e há 
modelos com amortecedor que evitam a batida da 
gaveta. Este modelo também precisa de 26 mm de 
distanciamento do corpo com o nicho.
Corrediça telescópica invisível
Este modelo é muito utilizado em móveis de alto 
padrão, pois permite um acabamento mais refinado 
da gaveta (o motivo é que a lateral da caixa torna-se 
lisa). Normalmente, a corrediça possui amortecedor 
de impacto e precisa somente de 10 mm de distan-
ciamento entre corpo e nicho. Um ponto importante 
é que, nesse modelo, a contra-frente e a traseira são 
15 mm menores do que as laterais da caixa, isto por-
que o trilho é posicionado abaixo da gaveta.
 
138 
Gaveta com lateral em aço
As gavetas com lateral de aço são modelos de alto 
padrão desenvolvidos para suporte de peso, desli-
zamento silencioso, amortecimento na abertura e 
fechamento. Não necessitam de laterais ou contra-
-frente, pois as calhas de metal formam o corpo, e o 
mecanismo é fixado diretamente na frente da gaveta. 
A traseira e o fundo da gaveta são de MDF de 15 
mm, e que, além de maior resistência e estabilidade, 
permite frentes maiores. A profundidade da gaveta 
é limitada pela profundidade da corrediça, ou seja, 
esta será da mesma medida do kit, diferentemente 
de outras gavetas, que podem ser um pouco maiores 
do que a corrediça. No caso de gavetas metálicas, a 
sua estrutura/corpo já é pré-determinado pelo kit.
DOBRADIÇAS
As dobradiças são dispositivos para a sustentação, 
a abertura e o fechamento de portas e são ofereci-
das em diversos modelos. O tipo de dobradiça in-
fluencia diretamente na medida da porta, portanto, 
é muito importante conhecer o mecanismo e a sua 
finalidade prática e estética.
Dobradiça comum ou borboleta
É formada por duas chapas de metal unidas por um 
eixo central, sendo muito utilizada em móveis an-
tigos, baús, portas e janelas da construção civil. O 
mínimo necessário é de duas peças por porta, e a 
capacidade de sustentação da dobradiça e o tama-
nho das portas vão ditar a quantidade necessária. 
É um mecanismo de simples instalação, podendo 
ser de sobrepor ou embutido à porta. É importante 
notar que, mesmo quando a dobradiça é embutida, 
o pino de eixo central fica aparente. No armário a 
seguir (modelo 1), a dobradiça foi instalada de so-
Cada empresa fornece um guia de cálculo para o 
corte da peça do fundo e da traseira da gaveta, com 
seus descontos e particularidades. Os kits extras, 
como divisores internos, extensores de altura e siste-
mas elétricos são opcionais que, por sua vez, podem 
auxiliar na organização e na facilidade de uso para o 
consumidor final.
Figura 6 - Dobradiça (modelo 1)
Fonte: Shutterstock
 DESIGN 
 139
brepor e encontra-se totalmente exposta, fixada na 
lateral e na porta, e esta pode abrir até um ângulo de 
180º. No segundo caso (modelo 2), a dobradiça está 
embutida na porta. Podemos ver o pino-guia para 
fora, mas não vemos as placas de metal. O ângulo de 
abertura é limitado pela espessura da porta quando 
toca na lateral do móvel.
Elas podem ser classificadas pelo diâmetro do caneco 
de 25 mm (menos resistentes) ou de 35 mm (mais ro-
bustas), e também pelos ângulos de abertura, pelo tipo 
de amortecimento e pelo desenho da dobradiça, que al-
tera a aparência externa da porta em relação ao módulo.
Desenho da dobradiça
A respeito do desenho da do-
bradiça, ela é dividida em três ti-
pos: reta, curva e alta. Tipos que 
definem o acabamento e o espa-
çamento entre módulo e portas, 
ou seja, é a escolha do desenho da 
dobradiça que vai definir a pos-
sibilidade de recobrimento da 
lateral pela porta. 
A dobradiça reta tem a fun-
ção de encobrir praticamente todo 
o nicho e, para isto, necessita que o 
móvel seja pensado em módulos (só 
um lado da lateral pode ter dobradi-
ça). A dobradiça curva, ao contrá-
rio, cobre, em média, somente 60% 
da lateral e, por este motivo, pode 
dividir uma mesma lateral para a 
instalação de duas portas opostas. 
Ela não é indicada para a modu-
lação, por recobrir menos do que a 
reta, deixando aparente uma parte 
maior da borda das laterais. Recurso 
que não é esteticamente bonito, mas, 
na marcenaria sob medida, é comum 
utilizá-lo, pois economiza uma lateral 
no conjunto do balcão. 
Figura 8 - Dobradiças 
Fonte: adaptado de FGV/TN 
([2018], on-line)8.
Figura 7 - Dobradiça (modelo 2)
Fonte: Shutterstock
Dobradiça de pressão
A dobradiça de pressão é composta pelo corpo fixa-
do por meio de parafusos e de encaixe do caneco em 
um rebaixo na porta, assim como pelo calço de fixa-
ção na lateral do móvel. Possuem um sistema de mo-
las que traciona e segura a porta fechada por pressão. 
 
140 
A dobradiça super-alta, ou alta, é utilizada 
para embutir as portas dentro do nicho. Ela não 
recobre nenhuma parte da estrutura e precisa de 
um pequeno suporte interno para apoiar no fe-
chamento da porta.
• Dobradiça para canto - Modelo utilizado em 
conjunto com a dobradiça 175º para abrir si-
multaneamente as duas portas.
Há uma série de outras dobradiças e combinaçõespossíveis, é necessário observar os manuais do fabri-
cante para conferir qualquer variação que seja perti-
nente, dependendo da dobradiça escolhida.
Número de dobradiças
A Figura a seguir mostra uma tabela que realiza a de-
terminação do número de dobradiças para cada porta, 
com base na dimensão e no peso. Observe que o míni-
mo é de duas unidades, e quanto mais alta for a porta, 
menor é o espaço entre as dobradiças. Esta classifica-
ção considera portas com até 60 cm de largura.
Ângulo de abertura
Estes três modelos de dobradiça são encontrados em 
diversas angulações, assim, um conjunto com módulos 
retos e módulos de canto, ou angulares, poderão man-
ter o mesmo caráter de folgas e estilo das portas. Cada 
angulação exige um kit de dobradiças diferentes. Al-
guns dos mais comuns são estes apresentados a seguir. 
• 95º-110º - É o modelo mais comum, utilizado 
para armários retos.
• Dobradiça 45º, 30º, 25º etc. - São utilizadas 
para armários de canto em que a base e o sar-
rafo são cortados transversalmente e a porta 
fica angulada em relação às laterais.
• Dobradiça 175º (ou robô) - É o modelo utili-
zado em armário de canto. Ela “joga” a porta 
para além do batente, facilitando a visualiza-
ção do canto. 
Figura 9 - Porta com dobradiça reta
Fonte: a autora.
Figura 10 - Tabela para dobradiça 
Fonte: FGV/TN ([2018], on-line)8. 
 DESIGN 
 141
BASCULANTES
Sistemas basculantes são mecanismos de ele-
vação ou de rebatimento de portas, utilizados, 
principalmente, em armários superiores/aé-
reos. Tais sistemas ajudam a criar móveis com 
estética agradável no sentido horizontal, pois 
permitem nichos longilíneos estáveis. O mais 
comum é o sistema basculante por pistão a 
gás (modelo 1), porém, existem diversos kits 
com sistemas de dispositivos mais sofistica-
dos (modelos 2 e 3). Estes modelos são mais 
resistentes e ideais para maiores larguras de 
portas, permitem amortecimento de abertura 
e fechamento, assim como a parada da por-
ta em qualquer posição, além de ter modelos 
eletrônicos com acionamento automático.
Figura 11 - Sistema basculante por pistão a gás (modelo 1)
Fonte: Shutterstock
Figura 12 - Kit com sistema de eleva-
ção para portas duplas (modelo 2)
Fonte: Shutterstock
Figura 13 - Kit para sistema de elevação de porta 110º (modelo 3) 
Fonte: FGV/TN ([2018], on-line)8.
 
142 
Componentes de acessórios são toda a gama de 
produtos que não correspondem à formação dos 
caixotes e estruturas do mobiliário. Eles podem ser 
instalados e vendidos separadamente como peças 
avulsas. Na indústria, serão separados para embala-
gem junto com a mercadoria, não fazendo parte do 
processo de transformação da peça. 
PUXADORES
Os puxadores correspondem a mecanismos de garra 
para abertura e fechamento de portas, gavetas e bas-
culantes. Existe uma imensa variedade de modelos, 
tamanhos e usos. As linhas de puxadores com fixa-
ção por parafusos seguem o padrão 32 mm, ou seja, 
Componentes 
de Acessórios
 DESIGN 
 143
o centro dos parafusos corresponde a uma razão en-
tre si, por exemplo: 32, 64; 96; 128; 160 etc. Quando 
especificamos um puxador deste tipo, a medida dada 
é a distância entre furos e não a medida final da peça 
(normalmente, um pouco maior do que os furos).
RODÍZIOS 
Rodízios facilitam a mobilidade das peças e a fle-
xibilidade dos mobiliários no espaço. Pode-se en-
contrar diversos modelos, com resistências e fun-
cionalidades diferentes.
delos com ou sem mecanismos de freio e, para cada 
tamanho, há um limite de peso suportável por roda. 
Uma peça ressecada ou com sobrepeso pode rachar. 
Normalmente, quanto mais alta a rodinha, mais for-
te torna-se o rodízio (dependendo do produto).
BASES E PÉS
As bases e os pés auxiliam a levantar os módulos do 
chão para facilitar a abertura de portas, além de evi-
tar danos no móvel e o contato com umidade. Po-
dem ser feitos em alvenaria (pelo pedreiro da obra), 
em caixas de madeira (que devem ser incluídas nos 
romaneios de produção) ou com peças avulsas de 
polipropileno ou metal.
Sóculo
No Brasil, ainda é comum o uso de sóculos em cozi-
nhas, áreas de serviço e banheiros. O sóculo é uma 
base de alvenaria que pode ser revestida em cerâmica 
ou em granito para apoiar os balcões e eletrodomés-
ticos. Este tipo de base tem alta durabilidade, porém, 
trava a distribuição dos módulos e dos eletros pela 
cozinha. Caso o cliente queira trocar a disposição 
dos móveis, deverá quebrar o sóculo e, no local onde 
este foi retirado, colocar novo revestimento.
Bases de madeira
A base de madeira de compensado, ou MDF, é feita de 
um material barato ou com sobras de chapa. Permite 
alteração do desenho da cozinha, é estável, resistente 
ao peso e consegue nivelar o móvel com sapatas regu-
láveis. Pode ser feita a partir de um quadro com altura, 
largura e profundidade e, se desejar, módulo a módulo, 
ou para apoiar vários módulos de uma só vez. 
Para cadeiras e móveis de escritório, os mais comuns 
são os rodízios de polipropileno com duas rodinhas. 
A fixação é por um pino central que se encaixa na 
estrela da base da cadeira ou na base com quatro pa-
rafusos, no caso de móveis. É um modelo simples, 
barato e funcional, porém, dependendo do peso so-
bre as rodas, pode rachar ou quebrar.
Para móveis em geral, os mais indicados são os 
rodízios de silicone transparente ou fosco. Eles fa-
zem pouco ruído, são resistentes e têm movimenta-
ção suave. A fixação no móvel é por meio do pino, 
base giratória (com rolamentos) ou fixa (chapa reta), 
presa à base do móvel por quatro parafusos. Há mo-
 
144 
Em países da Europa e dos Estados Unidos, é muito 
comum utilizar este tipo de base, entretanto, no Bra-
sil, como existe uma cultura de lavar a cozinha, essas 
bases devem ser bem vedadas e protegidas com uma 
peça de granito ou cerâmica na frente, além de bor-
das na base, para evitar a propagação da umidade 
que deteriora as peças.
Pés
Os pés podem ser feitos em polipropileno, metal ou 
madeira. Aqueles em polipropileno são mais simples e 
menos resistentes, mas possuem boa regulagem de al-
tura e não sofrem qualquer alteração com a umidade.
Os pés de metal suportam boa quantidade de 
peso, permitem regulagem e têm boa aparência, não 
precisando de revestimento para encobri-los. Exis-
tem em uma variedade de cores e modelos, sendo os 
mais comuns aqueles no aço cromado, no alumínio 
fosco e acetinado ou com pintura a pó. As peças são 
resistentes, porém, podem sofrer oxidação e enfer-
rujar, dependendo do tipo de material utilizado e da 
quantidade de umidade a que são expostos.
Os pés de madeira são mais antigos. Feitos de ma-
deira natural, são bem resistentes, porém, podem 
sofrer, ao longo dos anos, com a deformação por ex-
cesso de umidade.
Pés niveladores
Os pés niveladores são pinos de metal com base em 
polipropileno ou silicone, têm a função de sustentar 
e nivelar os mobiliários, são embutidos na base ou 
na lateral por meio da instalação de uma bucha com 
rosca contínua, além da possibilidade de serem re-
gulados individualmente. Eles ajudam a compensar 
os desníveis de pisos e afastam a base do móvel do 
contato direto com o chão.
Figura 14 - Pé nivelador 
Fonte: Shutterstock
 DESIGN 
 145
FECHO-TOQUE E PULSADOR MAGNÉTICO
Pulsador magnético e fecho-toque são dispositivos 
para a abertura automática de portas e gavetas, com 
sistema de molas internas que liberam a peça por sis-
tema mecânico ou magnético e que, por sua vez, man-
têm a peça fechada, dispensando o uso de puxadores.
PEÇAS AVULSAS
Para cada ambiente, há uma centena de opções e 
inovações que podem ser aplicadas aos mobiliários, 
assim como aos mecanismos de suporte, divisores, 
organizadores, aramados, sistemas elétricos, entre 
outros. A cada dia, um novo acessório surge no mer-
cado, e para cada um existe uma especificidade que 
pode ser integrada ao projeto. Alguns exemplos são: 
• para os quartos: cabideiros, porta-bolsas, sapa-
teiras, divisores de gaveta, cabideiros reclináveis;
• para a área de serviço:tábuas de passar embuti-
das, porta-vassouras, porta-produtos de limpeza;
• para a cozinha: divisores de talheres, porta-
-pratos, aramados, lixeiras, porta-temperos 
dispositivos para módulos de canto e mais 
uma série de inovações.
Para finalizar, lembramos que as escolhas de um 
projeto de design de produto são feitas em conjunto, 
ou seja, uma parceria entre o designer e o industrial. 
O foco é desenvolver um projeto que seja rentável, 
passível de ser produzido, com excelente usabilida-
de, segurança e ergonomia, para que, na interação 
com o público, ele possa ser aceito, adquirido, bem 
utilizado e cause uma boa repercussão. 
Em um mundo competitivo como o atual, a ex-
periência do usuário é um dos quesitos que mais 
está em voga. Um produto que não tenha uma per-
formance adequada pode, além de ser descartado, 
causar grandes prejuízos ao empresário.
O design autoral também é um caminho interes-
sante, a única diferença é que o designer e o indus-
trial passam a ser a mesma pessoa, ou seja, a gestão 
do design e as decisões de criação e execução serão 
determinadas pelo projeto. Desta forma, o designer 
deve encarar seu produto como um empresário: não 
se trata de uma obra de arte, mas do desenvolvi-
mento de uma peça que possa ser comercializada no 
mercado. Com isto, percebemos a importância desta 
unidade para conhecer as estruturas e os componen-
tes que poderão fazer parte de seus futuros projetos.
146 
considerações finais
Caro(a) aluno(a), chegamos ao fim de mais uma unidade, com o prazer de co-
nhecer uma série de elementos que compõem os mobiliários de nosso dia a dia. 
Como observamos, há diversas formas de composição, estruturação, acabamen-
tos, dispositivos de montagem e peças acessórias que vão compor o processo de 
decisão de um projeto de design. As escolhas do profissional devem compreender 
a adaptação do projeto conceitual ao contexto produtivo, e este trabalho técnico 
exige atenção, escolha criteriosa de materiais e prototipagem, além de testes de 
desempenho e resistência para, enfim, chegar no produto final.
Em um certo momento, um dispositivo de montagem pode ser escolhido pela 
agilidade que ele oferece à modulação seriada, mas, para peças únicas, talvez não 
seja tão interessante. Usar um tipo de corrediça pode alterar o padrão do móvel, 
agregar valor ou solucionar um custo apertado. Enfim, essas escolhas determinam o 
tamanho das sub-peças e os processos produtivos, são elas que poderão determinar 
a forma e o uso de um produto e, por isto, são tão importantes.
Os elementos técnicos de um projeto de móveis podem parecer limitadores, 
porém, muitas soluções de design podem partir da redescoberta de uma técnica 
esquecida que pode, por sua vez, voltar a ser aplicada na marcenaria moderna, ou 
o uso de novos mecanismos de montagem que permitisse maiores vãos e aberturas, 
ou uma nova tecnologia de transformação da própria matéria-prima. Portanto, 
o designer deve pensar em novas soluções não só esteticamente, mas também na 
estrutura dos produtos. 
A cada ano, o mercado lança novos mecanismos e acessórios inovadores que 
podem nos inspirar ou ser absorvidos em nossos projetos. Por isto, convidamos 
você a participar de feiras, visitar apartamentos decorados e indústrias, sempre 
observando os detalhes construtivos. Pensando nessa unidade apenas como um 
guia, e não como um material a ser automaticamente decorado, você perceberá 
que, na prática, cada projeto será uma oportunidade para inovar ou aprimorar 
uma técnica e uma composição.
 147
atividades de estudo
1. Diante das escolhas de um projeto de móveis, a seleção dos materiais estru-
turais é um dos primeiros passos da peça. Neste sentido, sobre a composição 
das estruturas, leia as afirmativas a seguir.
I. O MDP é ideal para pinturas e formas sinuosas, pois é mais leve e de fácil 
manutenção.
II. O compensado é formado por partículas de madeira aglutinadas.
III. A vantagem do compensado é a sua resistência à deformação por ter as suas 
lâminas entrecruzadas, estabilizando, assim, nos dois sentidos do painel (lon-
gitudinal e lateralmente).
IV. O MDF é ideal para pinturas e formas sinuosas, pois apresenta um miolo uni-
forme.
Podemos afirmar que:
a. Somente as afirmativas I e II estão corretas.
b. Somente as afirmativas III e IV estão corretas.
c. Somente a afirmativa IV está correta.
d. Somente as afirmativas I, II e IV estão corretas.
e. Nenhuma das afirmativas está correta.
2. No interesse de manter as portas de um móvel fechadas, as dobradiças são 
mecanismos que facilitam a sustentação e a estabilidade das peças. No mer-
cado, existe uma imensa variedade de dispositivos e, em relação a alguns de-
les que foram abordados nesta unidade, leia as afirmativas a seguir. 
I. A dobradiça de pressão é o modelo mais antigo, e destaca-se por duas chapas 
de metal presas à caixa e à porta com pino central.
II. A dobradiça curva super-alta/alta permite embutir a porta dentro do nicho.
III. A dobradiça de 45º é utilizada para cantos em que o nicho tenha um corte 
transversal, formando um ângulo de 45º da porta em relação às laterais.
IV. A dobradiça borboleta ou comum sempre é instalada embutida nas portas 
para ocultar o pino central.
Podemos afirmar que: 
a. Somente as afirmativas I e II estão corretas.
b. Somente as afirmativas III e IV estão corretas.
c. Somente a afirmativa III está correta.
d. Somente as afirmativas II e III estão corretas.
e. Nenhuma das afirmativas está correta.
148 
atividades de estudo
3. Por mais técnica que seja a escolha dos componentes construtivos, a sua 
função no móvel sempre desempenha um papel estético na peça. Em re-
lação aos aspectos visuais dos componentes, leia as afirmativas a seguir. 
I. Uma porta de MDF com melamina decorativa de baixa pressão madeirada, 
se for cortada no sentido do veio, promove o aspecto alongamento verti-
cal.
II. Porta de correr com sistema externo esconde os trilhos de alumínio em 
que rodam os kits, aparentado que a porta flutua à frente do móvel.
III. Uma fita de borda ABS de 3 mm influencia na medida de uma porta ou da 
frente de gaveta.
IV. O tipo de corrediça altera o mecanismo da gaveta, mas tem pouca influ-
ência no desenho da frente dessa gaveta, no entanto, o tipo de dobradiça 
influencia tanto no desenho da porta quanto em sua função.
Podemos afirmar que:
a. Somente as afirmativas I e II estão corretas.
b. Somente as afirmativasIII e IV estão corretas.
c. Somente a afirmativa III está correta.
d. Somente as afirmativas II e III estão corretas.
e. Todas as afirmativas estão corretas.
4. Os rodízios facilitam muito o deslocamento do mobiliário de um lugar para 
o outro, ajudando, principalmente, nas tarefas de limpeza dos ambientes, 
evitando os riscos dos pisos devido ao atrito do mobiliário com a superfí-
cie, e também podem ser utilizados em mobiliários de ambientes residen-
ciais, comerciais e institucionais. Diante deste fato, comente sobre os 
rodízios.
5. O domínio das técnicas de utilização dos softwares de representações tri-
dimensionais facilita muito para o design de produto colocar em prática 
as suas ideias e ajuda o processo de criação. Porém, apenas este conhe-
cimento não é importante, mas também conhecer os variados processos 
para a produção de artefatos ajuda e facilita o entendimento sobre a via-
bilidade de se colocar em prática a fabricação de um produto para ser 
lançado no mercado. Com isto, alguns profissionais do design optam pela 
produção limitada de produtos para perceberem a aceitação desses pro-
dutos em um determinado nicho de mercado. Diante deste fato, fale so-
bre o design autoral.
 149
LEITURA
COMPLEMENTAR
Don Norman e seus princípios de design
São seis princípios de design que ajudam a entender por que alguns produtos satisfazem 
os consumidores enquanto outros os deixam frustrados.
Don Norman é Design Thinker, Cientista Cognitivo e um dos maiores gurus do Design que 
se tem notícia. Também é professor emérito de Ciência Cognitiva na Universidadeda Cali-
fórnia, em San Diego, professor de Ciência Da Computação na Universidade Northwestern, 
leciona na Universidade de Stanford e também é co-fundador do Nielsen Norman Group.
Foi Don Norman quem cunhou o termo User Experience, quando trabalhava na Apple no 
início de 1990, e renomeou o seu cargo para “User Experience Architect Group”:
Em seu livro O Design do Dia-a-Dia, Don Norman nos presenteou com seis princípios de 
design que ajudam a entender por que alguns produtos satisfazem os consumidores, en-
quanto outros os deixam completamente frustrados.
O autor também escreveu outros dez livros, entre eles Design Emocional: Por que Adoramos 
(ou Detestamos) os Objetos do Dia a dia e O Design do Futuro.
Os seis princípios de design de Don Norman 
Visibilidade
As funções mais visíveis são aquelas em que o usuário provavelmente será capaz de saber 
o que fazer em seguida. Do contrário, quando as funções estão fora de vista, tornam-se 
mais difíceis de encontrar e, consequentemente, de saber como usá-las.
Feedback
O feedback é o retorno de informação que mostra o efeito de uma ação realizada, permi-
tindo que a pessoa continue com a tarefa. Vários tipos de feedback estão disponíveis no 
design de interação: áudio, tátil, visual ou a combinações destes. Sem um feedback sobre 
a ação, os usuários podem desligar equipamentos em momentos indevidos ou repetir co-
mandos, executando a mesma tarefa mais de uma vez.
Restrições
A maneira mais segura de tornar algo fácil de usar, com poucos erros, é tornar impossível de 
fazê-la de outro modo, restringindo a quantidade de escolhas. Quer impedir alguém de inserir 
uma pilha ou um cartão de memória em sua câmera na posição errada, com a possibilidade de 
150 
LEITURA
COMPLEMENTAR
danificar o equipamento? Projete-os de tal modo que eles só se encaixem de uma forma, ou 
faça-o de um jeito que encaixe perfeitamente, independente da forma que for inserido.
Mapeamento
Mapeamento é um termo técnico que significa o relacionamento entre duas coisas, neste 
caso, entre os controles e seus movimentos, e os resultados dessa relação no mundo. Qua-
se todos os produtos precisam de algum tipo de mapeamento entre os seus controles e as 
ações que eles executam, como, por exemplo, as setas para cima e para baixo usadas para 
representar o movimento ascendente e descendente do cursor, respectivamente, em um 
teclado de computador. Temos outro exemplo ao dirigir um carro, quando, para virar à di-
reita, giramos o volante no sentido dos ponteiros do relógio, de modo que a parte superior 
também se mova para a direita.
Consistência
Isto se refere ao design de interfaces, em que precisamos ter operações similares com ele-
mentos similares para realizar tarefas semelhantes. Em particular, uma interface consisten-
te é aquela que segue esta regra, como o uso da mesma operação para selecionar todos os 
objetos em qualquer circunstância, ou o uso de um botão sempre na mesma cor, formato 
e posição para submeter um formulário, seja ele de contato, de cadastro ou de pesquisa.
Affordance
Affordance é um termo que não tem uma tradução literal para o português, mas se refere 
ao atributo de um objeto que permite que as pessoas saibam como usá-lo, por tão óbvio 
que é, ou pelo seu visual sugerir que é fisicamente possível. Um exemplo disso é o botão de 
um mouse, que pela forma como ele é fisicamente restringido em seu escudo de plástico 
em relação à posição do dedo do usuário, sugere e dá indícios de que esse usuário pode 
pressioná-lo. Affordance é quando um objeto é perceptivelmente óbvio e fácil para uma 
pessoa saber como interagir com ele.
“Eu inventei o termo porque pensei que a Interface Humana e a Usabilidade eram muito 
estreitas. Eu queria abordar todos os aspectos da experiência de uma pessoa com um sis-
tema, incluindo design industrial, gráficos, a interface, a interação física e o manual. Desde 
então, o termo se espalhou amplamente, tanto que está começando a perder o significado” 
(Don Norman). 
Saiba mais sobre Don Norman e sua obra em: http://www.jnd.org/
Fonte: Agini (2015, on-line)9.
 151
material complementar
O Sistema dos Objetos
Jean Baudrillard
Editora: Perspectiva
Sinopse: a obra apresenta um conjunto de reflexões sobre o caráter simbólico 
dos objetos como sendo um nível que transcende ao funcional. A partir disso, 
Baudrillard sugere que os objetos passam continuamente do enfoque funcional 
para o simbólico dentro de um determinado sistema cultural. Afirma, ainda, que 
os objetos possuem significados imanentes e que o próprio adjetivo “funcional” 
não está ligado apenas à finalidade prática dos objetos, mas também à sua capa-
cidade de fazer parte de um jogo de relações.
Indicação para Ler
Passageiros
2017
Sinopse: durante uma viagem de rotina no espaço, dois passageiros são desper-
tados 90 anos antes do tempo programado, por causa de um mal funcionamento 
de suas cabines. Sozinhos, Jim (Chris Pratt) e Aurora (Jennifer Lawrence) começam 
a estreitar o seu relacionamento. Entretanto, a paz é ameaçada quando eles des-
cobrem que a nave está correndo um sério risco e que eles são os únicos capazes 
de salvar os mais de cinco mil colegas em sono profundo.
Comentário: a cenografia do filme, por mais futurista que seja, conta com espa-
ços diversos, que possuem design específico para cada função estética e sensorial. 
Apresenta como a configuração dos móveis pode alterar totalmente a forma de 
se comportar no ambiente (oficina, cafeteria comunitária etc.). Enfim, é um filme 
sobre duas pessoas que se veem sozinhas em uma nave, mas o ambiente acaba 
por se tornar a terceiro personagem.
Indicação para Assistir
152 
material complementar
Blum - Age Suit
O vídeo mostra um exercício de experiência do usuário a partir das limitações de idade de uma pessoa. 
Foi desenvolvido pela empresa Blum um traje que simula as dificuldades de uma pessoa idosa, como 
perda de visão, sensibilidade nos dedos e peso no corpo. O usuário deve, com essa roupa, testar os mo-
delos de armários desenvolvidos e ver a sua adequação. 
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=DUC7TI4GiyI>. 
Hafele Los Cabos | James Bond House
Neste vídeo, é possível ver uma série de inovações tecnológicas em acessórios para movelaria e como 
seria uma casa do futuro, mas com as inovações que já são oferecidas hoje no mercado.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=j3XyT0bcDLA>. 
Dobradiças e Seus Ângulos
Exposição das dobradiças: esse vídeo traz a demonstração de diversas dobradiças e as funções que elas 
desempenham.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=XjkDyNC5fiA>. 
Aplicação de Dispositivos De Montagem 
Nesse vídeo, você vai conhecer diversos modelos de dispositivos de montagem (rafix e VB) e acompa-
nhar como são feitas as instalações nas peças, além das diferenças e as indicações para cada tipo de 
mecanismo, compreendendo um pouco mais as suas aplicações. 
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ir7SDteqHCg>.
Indicação para Acessar
 153
referências
gabarito
CUNHA, J. R. A. C. Manual Prático do Mobiliário Escolar. São Paulo: ABIME, 2001.
Referências On-Line
1Em: <http://www.mpmoveis.com.br/blog/o-que-e-tamburato.html>. Acesso em: 8 mar. 2018. 
2Em: <http://www.proadec.com.br/pt/catalogo/fitas-de-borda/>. Acesso em: 8 mar. 2018. 
3Em: <http://www.formica.com.br/pro_caracteristicas.htm>. Acesso em: 8 mar. 2018. 
4Em: <http://www.caliman-rj.com.br/laminados/pre-compostas>. Acesso em: 8 mar. 2018. 
5Em:<http://www.selectas.com.br/index.php/pt/produtos/laminas-faqueadas-pre-com-
postas>. Acesso em: 8 mar. 2018. 
6Em: <http://www.anotec.com.br/Anodizacao.asp>. Acesso em: 8 mar. 2018. 
7Em: <http://www.rometalcomponentes.com.br/>. Acesso em: 8 mar. 2018. 
8Em: <https://www.fgvtn.com.br/>. Acesso em: 8 mar. 2018. 
9Em:<https://uxdesign.blog.br/don-norman-e-seus-princ%C3%ADpios-de-design-
-fe063669184d>. Acesso em: 8 mar. 2018. 
1. B.
2. D.
3. E. 
4. Rodízios facilitam a mobilidade das peças e aflexibilidade dos mobiliários no espaço. Po-
de-se encontrar diversos modelos, com resis-
tências e funcionalidades diferentes. Para ca-
deiras e móveis de escritório, os mais comuns 
são os rodízios de polipropileno com duas ro-
dinhas. A fixação é por um pino central que se 
encaixa na estrela da base da cadeira ou na 
base com quatro parafusos, no caso de mó-
veis. É um modelo simples, barato e funcional, 
porém, dependendo do peso sobre as rodas, 
pode rachar ou quebrar. Para móveis em ge-
ral, os mais indicados são os rodízios de sili-
cone transparente ou fosco. Eles fazem pouco 
ruído, são resistentes e têm movimentação 
suave. A fixação no móvel é por meio do pino, 
base giratória (com rolamentos) ou fixa (chapa 
reta), presa à base do móvel por quatro para-
fusos. Há modelos com ou sem mecanismos 
de freio e, para cada tamanho, há um limite 
de peso suportável por roda. Uma peça resse-
cada ou com sobrepeso pode rachar. Normal-
mente, quanto mais alta a rodinha, mais forte 
torna-se o rodízio (dependendo do produto).
5. O design autoral também é um caminho inte-
ressante, a única diferença é que o designer e 
o industrial passam a ser a mesma pessoa, ou 
seja, a gestão do design, as decisões de criação 
e execução, serão determinadas pelo projeto. 
Desta forma, o designer deve encarar seu pro-
duto como um empresário: não se trata de uma 
obra de arte, mas do desenvolvimento de uma 
peça que possa ser comercializada no mercado.
Professor Esp. Ivã Vinagre de Lima
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta 
unidade:
• Modelos de representações em projetos de mobiliários
• Representações gráficas em projetos de mobiliários
• Representações físicas em projetos de mobiliários
• Geração de alternativas em projetos de mobiliários
Objetivos de Aprendizagem
• Apresentar os tipos de representações em projetos de 
mobiliários.
• Reconhecer as diferenças de representações em projetos 
de mobiliários.
• Mostrar a importância das representações gráficas em 
projetos de mobiliários.
• Mostrar a importância das representações físicas em 
projetos de mobiliários.
MODELOS DE REPRESENTAÇÃO 
EM PROJETOS DE MOBILIÁRIO
unidade 
V
INTRODUÇÃO
O
lá, caro(a) aluno(a)! Seja bem-vindo(a) à quinta Unidade do nosso livro 
Design de Mobiliário. Após você ter estudado as classificações importantes 
dos variados tipos e modelos de mobiliários também na produção move-
leira, em que foram apresentadas as suas respectivas definições e diferenças 
comparativas, nesta unidade serão abordados alguns tipos de representações gráficas 
e físicas mais importantes e utilizadas no desenvolvimento do processo criativo, na 
concepção e na apresentação dos projetos de mobiliários.
Entenderemos que, para o processo do projeto de mobiliário, é necessária a re-
presentação gráfica por meio de desenhos manuais com materiais específicos junta-
mente com as normas técnicas, além da representação digital com softwares espe-
cíficos para desenhos em 2D e 3D, cujos objetivos são o melhor entendimento e a 
documentação técnica do mobiliário.
Serão apresentadas, também, algumas técnicas variadas de representações físicas 
(maquetes volumétricas de estudos, maquetes físicas, modelos, mock-ups e protóti-
pos), que podem agregar mais valor no resultado final dos projetos de mobiliários.
No primeiro tópico, conheceremos os tipos de representações gráficas bidimensionais 
e tridimensionais mais comuns em diversos tipos de projetos de mobiliários. Veremos defi-
nições e exemplos ilustrados que são importantes para os variados tipos de representações 
gráficas utilizadas na criação de projetos de móveis e no segmento de produção seriada.
No segundo tópico, estudaremos as representações físicas em projetos de mobiliá-
rios, e que ajudarão bastante na visão espacial e tridimensional em projetos de produ-
tos e ambientes, com seus respectivos mobiliários em escalas de redução (escalas 1:10 
ou 1:5), e até mesmo em escalas de tamanhos reais (escala 1:1). 
Por último, veremos as aplicabilidades dos meios de representações, que podem 
ser usados e apresentados por meio de uma ferramenta criativa muito usual, além das 
formas de fazer as gerações de alternativas que, por sua vez, facilitam no projeto de ge-
ração de ideias para o desenvolvimento de projetos de mobiliários, levando em consi-
deração requisitos necessários que se apresentam com as matrizes de seleção, os quais 
facilitarão bastante na escolha certa da ideia desejada para projetar os mobiliários. 
Bons estudos!
 
158 
Modelos de Representações em 
Projetos de Mobiliários
 DESIGN 
 159
Em projetos de mobiliários, a concepção do pro-
duto, antes de ser levado para a produção, par-
te de variadas etapas de criação, seguidas de um 
bom processo metodológico de design, de acordo 
Figura 1- Processos do desenvolvimento de um projeto de um mobiliário
Fonte: o autor.
CROQUI MAQUETE VOLUMÉTRICA DE ESTUDOS MOCKUP
REPRESENTAÇÃO GRÁFICA 2D
REPRESENTAÇÃO GRÁFICA 3D PROTÓTIPO
MAQUETE FÍSICA
com a sua complexidade e acompanhado de algu-
mas ferramentas de criatividade para aprimorar a 
geração das ideias.
 
160 
Com essas informações em relação à geração de 
ideias aliadas à criatividade, Hsuan-Na (2017, p. 
199) apresenta a seguinte definição para a impor-
tância da metodologia:
[...] o trabalho do designer difere das atividades 
eminentemente intuitivas do artista. Difere do 
trabalho do cientista, que busca a certeza com-
provada das hipóteses e difere, em vários aspec-
tos, da tarefa do engenheiro, que procura a solu-
ção tecnológica para os problemas. O designer 
depende da inspiração, da intuição e fundamen-
talmente da criatividade. Ele deve apoiar-se na 
atividade de projetar, pois o designer também se 
entende por projeto ou projeção, que significa 
exatamente “atividade de projetar”. O projeto é 
necessário devido à complexa problemática do 
design, que interliga a arte, a ciência e a tecnolo-
gia. A arte diz respeito à expressão artística, da 
estética e à comunicação visual. A ciência exige 
o pensar nos âmbitos das ciências humanas e 
exatas. A tecnologia abrange o uso de instru-
mentos, máquinas, materiais e produção.
Com isto, na etapa conceitual do projeto, o designer 
elenca todas as informações necessárias para o projeto 
do produto, que servirão como base para as primeiras 
gerações de ideias formais do projeto de mobiliário.
Para Hsuan-Na (2017), o projeto não se inicia 
na geração de ideias, mas sim na compreensão sobre 
o problema e, para isto, uma boa pesquisa ou inves-
tigação é essencialmente importante, a fim de, por 
meio dela, conhecer as reais necessidades.
A partir disso, é feito um registro escrito e 
imagético com todos os dados para dar início às 
primeiras alternativas formais. Primeiramente, co-
meça-se por meio do desenho ou modelos volumé-
tricos, em que são configuradas as formas iniciais 
que darão as soluções para o projeto do produto 
durante o desenvolvimento projetual.
Para Hsuan-Na (2017), o bom conceito é aquele 
que propõe, explica, justifica e convence. É aquele 
que se fundamenta em razões ou motivos teóricos 
ou não, justificáveis. É aquele que seja factível ou 
possível, e não uma proposta fantasiosa, no sentido 
de sua inaplicabilidade. 
Os modelos de representações podem ser divididos 
da seguinte maneira:
• representações gráficas;
• representações físicas.
 DESIGN 
 161
Este tipo de representação pode ser apresentada por 
meio de desenhos bidimensionais e tridimensionais, 
iniciando as primeiras ideias em desenhos manuais, 
com alguns instrumentos próprios, dando continui-
dade e finalizando os conceitos com desenhos rea-
lizados anteriormente por meio de representações 
gráficas com o auxílio do computador e, por sua vez, 
realizadas com softwares específicos de desenhos em 
2D e 3D. Essas representações podem ser desenvol-
vidas das seguintes formas:
• croqui;
• desenho técnico 2D;
• modelagem tridimensional 3D.
Representações Gráficas em 
Projetosde Mobiliários
 
162 
 CROQUI
De acordo com Gomes (2015), um croqui é, por de-
finição, um desenho vago e inacabado. O fato de ser 
um desenho rápido de se fazer é o que torna o croqui 
uma boa ferramenta para descrever ideias. O autor 
também afirma que “os croquis têm várias finalida-
des: registrar imagens, observar condições e situa-
ções existentes ou descobrir uma ideia ou um con-
ceito de maneira analítica” (GOMES, 2015, p. 17). 
É importante o desenvolvimento dos primei-
ros croquis, pois eles fazem parte do processo 
criativo para dar forma física ao mobiliário e ao 
ambiente que se deseja projetar. Para isto, é neces-
sário gerar alternativas com mais de uma opção 
antes de colocar em prática a concepção do pro-
jeto. Hsuan-Na (2017, p. 213) fala sobre as ideias 
que são representadas graficamente. 
As primeiras ideias representadas graficamente, 
mesmo que sejam ainda primárias, devem levar 
em consideração os critérios básicos estabele-
cidos na primeira etapa, a fim de se aproximar 
gradualmente das opções de solução nos aspec-
tos estéticos-formais, estruturais e funcionais. 
Evoluindo, os desenhos tornam-se cada vez mais 
maduros no sentido de obtenção de soluções.
Para Gomes (2015), o ser humano sempre sentiu a ne-
cessidade de representar concretamente as suas ideias 
e, para isso, o desenho tem sido o seu principal aliado. 
O desenho à mão livre é um talento especial 
para o designer, mas isso não significa que seja 
fundamental para todas as atividades dentro 
desse universo criador, como muitos acreditam 
ser. Existem grandes designers que não possuem 
uma especial habilidade para o desenho, assim 
como é possível que um habilidoso desenhista 
não tenha qualquer vocação para o design. 
A explicação para isso reside no fato de que, 
para o design, o mais importante são os dese-
nhos mais objetivos e esquemáticos, e poucos 
os desenhos subjetivos e de interpretação (GO-
MES, 2015, p. 17). 
 DESIGN 
 163
Diante disso, é notório que, mesmo com vários sof-
twares específicos de desenho e a tecnologia digital 
apresentando-se como uma das ferramentas impor-
tantíssimas para o design, o croqui ainda é um proces-
so muito utilizado dentro da geração de ideias para o 
projeto de qualquer produto em qualquer segmento.
DESENHO TÉCNICO 2D
Para dar início ao processo de fabricação do mo-
biliário de produção seriada, ou de produção sob 
medida, é necessário o desenho técnico do móvel. 
Vesterlon (2007, p. 10) afirma que:
[...] para projetar um produto, são necessários 
conhecimentos sobre desenho técnico. Ele é 
uma forma de expressão gráfica, que tem por fi-
nalidade a representação da forma, dimensão e 
posição de objetos de acordo com as diferentes 
necessidades requeridas.
A representação gráfica visual do desenho 3D im-
pressiona no primeiro olhar. Ele apresenta uma boa 
estética e, assim, é um bom artifício de estratégia 
para vender o projeto. Entretanto, não é o suficiente 
para a execução final do projeto, pois os desenhos 
em 2D têm fundamental importância para a produ-
ção e a execução dos mobiliários.
Para Gomes (2015), o desenho técnico tem a sua 
origem no desenho geométrico, pois foi por meio 
deste que o desenho deixou de ser uma expressão 
artística para ser exato.
Os desenhos técnicos com especificações das me-
didas (detalhamento técnico) têm uma fundamental 
importância para um bom projeto, pois neles serão le-
vadas em consideração todas as medidas necessárias 
para a utilização e a acomodação de móveis, objetos e 
outros equipamentos em geral, não se esquecendo as 
tarefas que serão utilizadas em cada ambiente.
Com isto, a ergonomia tem um papel muito im-
portante nesta etapa projetual, pois, sem ela, ficará 
visível que todo o trabalho foi desenvolvido sem 
pesquisa, no improviso e no “achismo”.
Para dar início ao projeto do mobiliário, é im-
portante conhecer os aspectos importantes que re-
gem o produto. Gomes (2015, p. 117) afirma que:
[...] a ergonomia deve estar em todo e 
qualquer projeto de produto, pois este 
se relaciona direta e fisicamente com 
o usuário. Trata-se da facilidade de 
uso e a perfeita adaptação entre o pro-
duto e o usuário com base em dados 
antropométricos. O designer deve 
conhecer bem os princípios 
que regem a ergonomia 
para que possa adotá-la 
de modo inteligente.
Nos desenhos técnicos de mo-
biliário de produção seriada, 
são representadas todas as 
furações ou marcações (to-
das cotadas) para as junções 
de peças e de compo-
nentes que, por sua 
vez, são necessárias 
Figura 2 - Desenho 2D de uma base de mesa desmontável
Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017).
 
164 
para as montagens das partes e dos componentes que 
estruturam o mobiliário. 
65
10 10
4 x ф 8 15
9
6
6532 256 32
DETALHE A
ESCALA 1:2
Figura 3 - Detalhamento técnico da parte superior de uma prateleira
Fonte: acervo pessoal - Clécio Zeithammer (2015).
Figura 4 - Detalhe da tampo prateleira do móvel
Fonte: acervo pessoal - Clécio Zeithammer (2015).
Figura 6 - Desenho técnico de uma cadeira com es-
trutura em metal, assento e encosto em madeira
Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017).
Figura 5 - Detalhe da prateleira do móvel
Fonte: acervo pessoal - Clécio Zeithammer (2015).
2 x ф 15 15
25
57
0
21
6565
9
256 3232
35
6565 320
450
2 x ф
2 x ф
ф 18 PA
4 x ф 8 15
6
9
10 10
20 25
6
65 32 6532256
DETALHE L
ESCALA 1:1 DETALHE A
ESCALA 2:3
 DESIGN 
 165
Tais desenhos podem utilizar bonecos tridimensio-
nais para a simulação de cenas de uso, oferecendo a 
ideia da figura humana no ambiente, apresentando as 
ações de uso do produto, podendo ser em 2D e 3D.
MODELAGEM TRIDIMENSIONAL 3D
Os desenhos feitos em modelagem tridimensional 
(3D) ajudam na avaliação e na visualização inicial 
do conceito, da estética e da forma do produto, as-
sim como na simulação e na organização espacial do 
produto para ter uma ideia de como o mobiliário fi-
cará disposto no espaço e quais modificações serão 
necessárias em algum detalhe desse mobiliário.
Essa modelagem tem grande aplicabilidade em 
design de interiores, podendo também ser utilizada 
por empresas de móveis que projetam mobiliários 
componíveis, unitários, modulados e de conjunto.
Figura 7 - Desenhos da poltrona com pallet descartado
Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017).
Figura 8 - Simulação espacial em 2D com bonecos 
tridimensionais dentro do ambiente 
Fonte: acervo pessoal - Talles Mesquita (2017).
Desenho técnico definitivo
É executado a partir da definição e aprova-
ção do protótipo. Nele, deverão ser apre-
sentadas, de forma clara, todas as medidas, 
detalhes e informações para o processo de 
fabricação. Normalmente, é desenvolvido 
em folhas A4, seguindo as normas técnicas 
de construção, em que são representadas 
peça por peça do produto.
A partir desta etapa, os desenhos seguem 
com destino à produção, onde será feito 
o primeiro “lote piloto”, ou seja, o primei-
ro produto que serve para a conferência 
de todas as informações fornecidas pelo 
desenho técnico. Essa é uma etapa muito 
importante para descobrir possíveis falhas 
no projeto, na representação gráfica ou nas 
etapas de montagem.
Fonte: Vesterlon (2007, p. 89).
SAIBA MAIS
 
166 
É também comum a utilização de representações 
do modelo em 3D, em que, virtualmente, testa-se as 
cores e as texturas em um menor espaço de tempo. 
Após as correções e análises, o modelo pode ser uti-
lizado na apresentação final do produto.
A apresentação do projeto do produto pode ser 
feita de maneira bidimensional, juntamente com as 
imagens do projeto tridimensional para se ter a ideia 
da proporção do mobiliário ocupado dentro de de-
terminados ambientes.
Figura 9 - Simulação espacial e das cores do 
mobiliário componível no ambiente
Fonte: acervo pessoal - Talles Mesquita (2017).
Figura 10 - Simulação espacial em 3D com bone-
cos tridimensionais dentro do ambiente 
Fonte: acervo pessoal - Talles Mesquita (2017).
Levando em consideração que a modelagemdigital 
ajuda e facilita a visualização espacial do projeto de 
produto e as suas possibilidades de variadas confi-
gurações, Oliveira (2014, p. 153) afirma que:
[...] o uso correto das ferramentas de navegação 
2D e 3D ajuda a aumentar em muito a velocida-
de de desenho e modelagem, e deve ser prático 
em todos os momentos possíveis para que você 
tenha condições de navegar em 3D da mesma 
forma e com a mesma agilidade que o faz em 2D.
 DESIGN 
 167
Figura 11 - Simulações de possibilidades de usos com mesa componível de estudos e de refeições
Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017).
Figura 12 - Mesa componível desmontável com 
demonstração do sistema de montagem
Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017).
Figura 13 - Desenho da Poltrona com pallet descartado
Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017).
 
168 
Em projetos de mobiliários seriados, não se deve 
esquecer da embalagem do produto. Pois, em pro-
dutos desmontados, deve-se prever a organização 
espacial dos componentes e as suas respectivas pe-
ças dentro da embalagem.
Figura 14 - Criado Falante
Fonte: Passaretti e Bisterzo (MONO DESIGN, [2018], on-line)1.
Figura 15 - Mesa componível e cadeira desmontável com demonstra-
ção do sistema de montagem e de organização na embalagem
Fonte: o autor. 
Para o projeto da embalagem, são desenvol-
vidas algumas simulações espaciais em 3D das 
peças e componentes do mobiliário dentro do vo-
lume da que poderá ser ocupado, como foi apre-
sentado na Unidade I.
 DESIGN 
 169
Esse modelo de representação tem a função de trans-
mitir e apresentar a ideia da forma do produto e de 
como ele pode comportar-se no ambiente. Pode ser 
representado de forma bidimensional, tridimensio-
nal e mista (bidimensional e tridimensional). Para 
Munari (2008, p. 85):
[...] os modelos têm várias funções. Podem 
servir, por exemplo, para fazer demonstração 
prática de testes de materiais ou para apresen-
tar um pormenor manuseável através do qual 
se possa entender o funcionamento de uma do-
bradiça ou de um encaixe.
Com isto, é essencial produzir modelos físicos para 
a representação e a apresentação de produtos e, as-
sim, melhorar a visualização e o entendimento. As 
representações físicas podem ser demonstradas das 
seguintes formas:
• maquete volumétrica de estudos;
• mock-up;
• maquete física;
• protótipo.
Representações Físicas em 
Projetos de Mobiliários
 
170 
MAQUETE VOLUMÉTRICA DE ESTUDOS
É um tipo de modelo físico tridimensional que tem 
fundamental importância no desenvolvimento das 
possibilidades de experimentos e testes para a cons-
trução e a produção. Ele é desenvolvido em escalas de 
redução, contendo as medidas reais do produto proje-
tado e que serão adotadas nas representações dos de-
senhos técnicos, desenvolvidos com diversos tipos de 
materiais por meio da geração de formas do produto. 
Estas são desenvolvidas por meio do conceito inicial e 
concebidas nos primeiros esboços, para que se tenha 
uma ideia de qual será a melhor forma do produto.
Em muitas situações, essas técnicas também são 
utilizadas nas apresentações formais em gerações de 
alternativas, ajudando no entendimento dos aspec-
tos técnicos, estruturais, formais, funcionais e esté-
ticos, pois tais técnicas facilitam a visualização das 
ideias antes da produção do protótipo.
Algumas simulações podem ser feitas com bo-
necos articuláveis de tamanhos diferentes e que 
imitam algumas proporções humanas, facilitando a 
verificação de alguns atributos eficazes na análise er-
gonômica. Nessas simulações, são apresentados ma-
nejos, alcances físicos e outros movimentos neces-
sários que serão exigidos e atribuídos para o projeto 
do produto e, assim, há grande contribuição para o 
resultado final do projeto.
Esse processo serve para modificar ou acrescen-
tar determinados detalhes que serão observados nas 
simulações e análises, antecipando alguns problemas 
futuros nas melhorias das pesquisas e que estarão 
presentes na qualidade do resultado final do produto.
Nessa primeira fase de modelagem, a criatividade 
pode ser desenvolvida na escolha final na representa-
ção da ideia das gerações de alternativas na matriz de 
seleção (alternativa selecionada).
Figura 16 - Simulação de cenas de uso com maquete física e volumé-
trica de estudos de mobiliário componível para sala de TV 
Fonte: o autor. 
Figura 17 - Simulação com a maquete 
volumétrica de mobiliário componível
Fonte: o autor. 
Figura 18 - Simulação com a maquete volumétrica de estudos
Fonte: o autor. 
 DESIGN 
 171
MOCK-UP
É um modelo físico de baixa fidelidade e complexi-
dade, com funcionalidade limitada para determina-
dos testes de simulações de usabilidade. Aproxima-
-se um pouco da realidade formal do produto, pois 
não precisa reproduzir todas as funções.
O mock-up serve como ponto de partida para o 
refinamento da alternativa escolhida no projeto do 
produto. É parecido com a maquete volumétrica de 
estudos, diferenciando-se apenas na escala, pois, de 
acordo com Lima (2006, p. 29), ele é “modelo em 
escala natural (1:1), com material diferente ao espe-
cificado no projeto, que apresenta as formas, dimen-
sões e detalhes necessários para as análises”.
O mock-up ajuda na observação e identificação 
de problemas construtivos e de alguns possíveis 
mecanismos, melhorando os arranjos estruturais, 
formais e dimensionais, e também na simulação de 
cenas de uso. Ajuda a sugerir algumas alterações 
quando ocorre a interação em uso com outros pro-
dutos na composição com o ambiente.
A simulação pode ser feita para se ter uma ideia 
do possível arranjo para o transporte (logística) do 
produto, no caso de mobiliários desmontáveis ou 
com peças que podem ser fixadas separadamente.
O mock-up físico pode ser utilizado para simu-
lações de usos com os variados e possíveis usuários, 
de diferentes percentis, com possibilidades de confi-
gurações de usos com o produto.
Dependendo da complexidade, quantidade e ta-
manho do produto ou do sistema, alguns mock-ups 
podem ser feitos com representações bidimensionais, 
porém, com simulações pensadas em contextos tridi-
mensionais, sendo feitos na vertical ou na horizontal, 
com as suas representações no chão ou na parede.
Esta simulação facilita bastante a compreensão 
das formas e das funções do produto, como diz Co-
elho (2008, p. 133):
[...] o nível de detalhamento do mock-up varia em 
função do tipo de avaliação planejada: estática 
ou dinâmica. A avaliação estática, conduzida por 
especialistas, se relaciona com os conceitos do 
projeto; geralmente são utilizadas checklists. Já 
as avaliações dinâmicas verificam a simulação de 
uso, onde é verificado o passo-a-passo desempe-
nhado pelo usuário. Esses dois tipos de avaliação 
são complementares – as avaliações dinâmicas 
geralmente revelam problemas que não podem 
ser identificadas pelas avaliações estáticas.
Em algumas simulações, o mock-up utiliza a figura 
humana ou bonecos articulados com medidas an-
tropométricas, com percentis diferenciados e com 
extremos das medidas dos usuários, analisando qual 
média adapta-se mais facilmente às variações das di-
mensões dos usuários. 
Esses bonecos articulados podem ser desenvol-
vidos com materiais flexíveis para realizar alguns 
movimentos necessários em possíveis tarefas que 
serão utilizadas no produto, representando as me-
didas antropométricas para realizar registros foto-
gráficos dos testes e das análises feitas na simulação 
de cenários de uso.
Vários elementos podem ser observados na simu-
lação e na produção do mock-up, a fim de evitar e di-
minuir algumas falhas nas dimensões dos produtos, 
falhas essas que se relacionam com alguns movimen-
tos de alcance, altura, postura incorreta e desconforto 
causado nas tarefas realizadas com o produto. 
Com essas informações observadas, é aconselhá-
vel sugerir determinadas correções, sendo que algu-
mas delas resultam em ajustes e em mudanças que 
 
172 
mos, equipamentos e mobiliários, sendo produzidas 
e representadasem escalas de reduções variadas. De 
acordo com Lima (2006, p. 29):
[...] a maquete física é um modelo em escala re-
duzida, feito com qualquer material. As técni-
cas de desenvolvimento, são mistas, produzidos 
com diversos materiais, como por exemplo: pa-
pel, madeira, acrílico, PVC, acetato, sucatas em 
geral, entre outros diversos materiais.
podem vir a serem feitos na maquete física e, poste-
riormente, no protótipo. Ou poderão ser realizadas 
novas análises com a produção de um novo mock-up 
que, por sua vez, é ajustado e modificado para que se-
jam feitas as alterações necessárias, resolvendo deter-
minadas falhas ou problemas observados nas simula-
ções de usabilidade e de estabilidade do produto.
O mock-up ajuda também em simulações de or-
ganização espacial de produtos para facilitar a sua 
respectiva logística, facilitando o armazenamen-
to com a possibilidade de encaixar mais produtos 
nos espaços destinados à sua logística de transpor-
tes para a comercialização. Essa simulação é muito 
útil para mobiliários seriados montados e seriados 
desmontados, em situações de análise do volume de 
ocupação no espaço, principalmente para móveis es-
tofados montados e desmontados.
MAQUETE FÍSICA
Muito utilizada para a representação tridimensional 
de espaços, detalhes construtivos, objetos, paisagis-
Figura 19 - Simulação de cenas de usos com maquete física de mobiliário
Fonte: o autor.
O mock-up físico facilita o bom entendimen-
to da ideia real do produto que será proje-
tado, sendo confeccionado com materiais 
variados e na escala 1:1, para servir como 
experimento volumétrico.
Muitas vezes, por ser um modelo de estu-
dos, a qualidade no acabamento deixa a 
desejar, causando espanto para algumas 
pessoas que são convidadas para fazer al-
gumas simulações e experimentos de usos 
e que não fazem parte do processo de de-
senvolvimento do projeto do produto.
Fonte: o autor.
SAIBA MAIS
Em muitas situações, as maquetes físicas possuem 
riquezas de detalhes que, em algumas fotografias 
 DESIGN 
 173
de simulação de organização espacial, confundem 
no primeiro olhar, parecendo espaços e objetos de 
escala real.
Caso seja necessário, utiliza-se manequins articu-
láveis para realizarem algumas cenas de usos ou 
apresentações de algumas tarefas que imitam varia-
dos tipos de usuários em determinados manejos, 
alcances físicos etc., podendo servir como base em 
simulações ergonômicas.
De acordo com Cavassani (2014), a maquete física 
nos cede a opção do palpável. Fora do mundo virtual, 
ela nos permite ter em mãos um elemento, mesmo 
que em miniatura, que é uma cópia muito próxima 
do que será executado em um futuro próximo.
Figura 20 - Simulação de cenas de usos com maquete física de mobiliário
Fonte: o autor. 
Figura 21- Simulações de cenas de usos em maquete física de mobiliário, 
acompanhadas de um manequim articulável
Fonte: o autor. 
As maquetes físicas ajudam na representa-
ção feita após a análise e a simulação de ce-
nas de usos com as maquetes volumétricas 
e com os mock-ups, apresentando a ideia da 
maior parte dos detalhes importantes que 
serão desenvolvidos e utilizados no projeto.
Em todas essas etapas, uma boa elaboração 
projetual não pode ser desenvolvida sem os 
princípios norteadores da ergonomia, que 
fazem parte tanto de projetos de interiores 
quanto de projetos de mobiliários, pois o 
foco da concepção desses projetos deve 
estar sempre centrado nos usuários.
Fonte: o autor.
SAIBA MAIS
 
174 
PROTÓTIPO
De acordo com Lima (2006), é um modelo em escala 
natural (1:1), com material igual ou semelhante ao 
especificado no projeto. O protótipo é um modelo 
produzido com os materiais especificados no proje-
to e destinado para testes e provas antes do procedi-
mento de fabricação em série.
Na análise de provas e testes, os projetistas ob-
servam a estética formal do produto e todos os de-
talhes dos processos produtivos, verificam se existe 
alguma falha na usabilidade do produto, na mon-
tagem, no acabamento e no seu funcionamento e, 
assim, liberar para a fabricação seriada ou apenas 
para uma quantidade menor em forma de lote pi-
loto, para serem desenvolvidos a última análise e os 
possíveis ajustes corretivos.
Em alguns casos, um protótipo é desenvolvido ape-
nas para a exposição e/ou o lançamento de produtos, para 
verificar a sua viabilidade e também as reações de um de-
terminado público em relação à aceitação ou não de um 
novo produto que poderá ser desenvolvido e produzido.
O desenvolvimento do primeiro protótipo ajuda 
na redução de riscos ou de incertezas, facilitando o 
entendimento de requisitos que fazem parte da se-
quência dos processos, e estes poderão ser utilizados 
na fabricação do mobiliário. 
Desta forma, o protótipo serve como base para 
os referidos ajustes detectados, para as possíveis cor-
reções e especificações dos materiais, estabilidade/
resistência do produto, componentes, dispositivos 
de montagens e processos tecnológicos que serão 
utilizados na fabricação.
Na etapa da produção do protótipo piloto, são 
observados todos os detalhes que serão realizados 
em todas a sequências produtivas, para que, no final, 
o produto produzido não tenha falhas e nem origine 
futuras reclamações por parte dos clientes e usuários.
Figura 22 - Protótipo de móvel estofado, apresentando 
algumas das possibilidades de composição
Fonte: o autor.
 DESIGN 
 175
Após a fabricação do protótipo, podem ser de-
senvolvidas algumas simulações nas configurações 
formais do mobiliário para se ter uma ideia das di-
mensões e das possíveis composições que esse mobi-
liário ocupará em diferentes ambientes.
Outra alternativa muito realizada e usual é a simu-
lação de uso com os possíveis usuários do produto 
e, desta forma, realizar uma simulação ergonômica 
de uso com o mobiliário. Diante disso, Gomes Filho 
(2003, p. 17) diz que:
[...] a ergonomia objetiva sempre a melhor ade-
quação ou adaptação possível do objeto aos seres 
vivos em geral. Sobretudo no que diz respeito à 
segurança, ao conforto e à eficácia de uso ou de 
operacionalidade dos objetos, mais particular-
mente, nas atividades e tarefas humanas. Nes-
te contexto, compreende-se a palavra objeto num 
sentido bem amplo e, portanto, significando pro-
dutos de uso em geral: máquinas, equipamentos, 
ferramentas, postos de trabalhos, postos de ativi-
dades, ambientes, sistemas de comunicação e de 
informações, e assim por diante.
Assim, na simulação de uso com o produto, é acon-
selhável que seja feita uma análise de testes com os 
mais variados e possíveis usuários, inclusive com 
animais, se for o caso.
 
176 
É uma ferramenta de criatividade que, nas metodolo-
gias usuais, tem início após o levantamento completo 
dos dados e das informações que norteiam o projeto.
Durante esta etapa do projeto, são desenvolvidos 
alguns desenhos manuais ou com softwares específi-
cos, ou por meio de maquetes e modelos volumétricos 
de estudos em escalas reais/de redução, com o objeti-
vo de ilustrar e simular a geração de ideias e soluções.
Na primeira etapa da geração de alternativas, são 
desenvolvidos desenhos, esboços ou modelos volu-
métricos de forma livre. A mente do designer traba-
lha sem restrições na utilização do processo criativo, 
podendo gerar a maior quantidade possível de op-
ções de alternativas e, assim, ter como base referen-
cial todos os conceitos pesquisados e analisados.
De acordo com Platcheck (2012), a geração de 
alternativas é a concepção de ideias de configuração 
por meio do uso de representação bi e tridimensio-
nais (roughs, esboços, layout, rendering).
Gerações de Alternativas em 
Projetos de Mobiliários
 DESIGN 
 177
Nesta fase, é usual fazer uma 
tabela, denominada matriz de 
seleção, com ideias que podem 
ser feitas de diversas maneiras: 
desenhos manuais, desenhos 
digitais com softwares espe-
cíficos, modelo volumétrico, 
maquete, física, mock-up etc. 
É gerada a maior quantida-
de possível de alternativas de 
forma intuitiva, e por meio deanálise visual, experimentos 
ou simulações formais, chegar 
à melhor escolha de solução.
Em seguida, as opções são observadas, analisa-
das e votadas com algum conceito ou nota, levando 
em consideração alguns parâmetros para a escolha 
da melhor alternativa.
Figura 23 - Em software 3D, gerações de al-
ternativas de um banco em madeira 
Fonte: acervo pessoal - Alan Aparecido An-
dré de Azevedo (2014). 
Figura 24 - Desenho manual de geração de alternativa de um móvel (aparador)
Fonte: acervo pessoal - Elias Soares (2013).
 
178 
Caso haja uma grande quantidade de opções na 
matriz de seleção, e não ocorrer dúvidas na escolha 
de uma das opções, o ideal é fazer uma segunda 
matriz de seleção com algumas alterações sugeri-
das, e assim sucessivamente, até que se escolha a 
melhor alternativa.
Requisitos a serem 
atendidos
Aspectos estéticos A A A
Multifuncional N/A N/A N/A
Ergonomicamente correto A A A
Fácil produção A A A
Preço acessível A A A
Menos peso N/A A A
Fácil manuseio N/A A A
Características inovadoras N/A N/A N/A
Tabela 1 - Opções de alternativas organizadas em uma tabela de matriz de seleção
Fonte: o autor. 
Essa tabela da matriz de seleção é um modelo que se 
faz para chegar à alternativa escolhida do produto, 
podendo ser apresentada com representações gráfi-
cas manuais ou digitais, e também com representa-
ções físicas (maquetes, modelos ou mock-ups).
 179
considerações finais
Caro(a) aluno(a), finalizamos o nosso conteúdo da Unidade V construindo a per-
cepção das relações práticas entre as representações gráficas e físicas que são usadas 
em alguns projetos de mobiliários, levando em consideração que essas duas formas 
de representações (gráficas e físicas) comunicam-se, completam-se e interagem. Isto 
porque, no bom resultado do protótipo de um projeto de mobiliário, muitas vezes, 
deve-se passar por esses processos representativos para gerar as primeiras formas do 
produto, o que pode servir, nesse resultado, para ilustrar o processo de desenvolvi-
mento projetual. Este, por sua vez, pode ser anexado na documentação técnica, a qual 
apresenta todas as fases do projeto de desenvolvimento do produto.
Aprendemos a diferenciar os meios de representações gráficas que podem ser utili-
zados em projetos de mobiliários para variados tipos de ambientes e com diversas 
finalidades de utilização.
A identificação de uma forma apropriada para um determinado projeto de mobiliário, 
que é destinado a variados perfis de clientes, é um processo que, muitas vezes, não é fácil, 
pois necessita de uma boa fase de pesquisa, levando em consideração todos os desejos 
e necessidades dos usuários que são inseridos em variados públicos-alvos específicos.
Aprendemos, também, a importância da ferramenta criativa de geração de alternativas, 
principalmente quando organizadas em uma tabela de matriz de seleção, recurso que 
faz muita diferença na escolha de um determinado artefato.
Com isto, os meios de representação, juntamente com um bom processo metodo-
lógico do design e conhecimentos básicos sobre ergonomia e materiais, facilitam 
bastante todo o processo de criação e, consequentemente, contribuem efetivamente 
para um bom resultado no design de produto, assim como em um projeto segmen-
tado para o setor moveleiro.
180 
LEITURA
COMPLEMENTAR
Prototipagem rápida
A prototipagem rápida é um processo que produz peças camada por camada, diretamente 
de um modelo gerado por um sistema de projeto auxiliado por computador (CAD). É um 
método bastante peculiar, uma vez que ele agrega e une materiais, camada a camada, de 
modo a construir o objeto desejado em plástico, madeira, cerâmica ou metais. Ele oferece 
diversas vantagens em muitas aplicações quando comparado aos processos de fabricação 
clássicos, baseados em remoção de material, tais como fresamento ou torneamento. Ao 
contrário dos processos de usinagem, que retiram material (subtração) da peça bruta para 
obter a peça desejada, os sistemas de prototipagem rápida geram a peça a partir da união 
gradativa (adição) de líquidos, sólidos ou pós.
São vários os sistemas de prototipagem rápida usados na fabricação de modelos, mas to-
dos os existentes são constituídos por cinco etapas básicas:
1ª Criação de modelo CAD da peça projetada.
2ª Conversão do arquivo CAD em formato adequado.
3ª Fatiamento do arquivo em finas camadas.
4ª Construção real do modelo por meio de camadas sobrepostas (adição).
5ª Limpeza e acabamento do modelo.
Após exaustivo detalhamento das peças confeccionadas por meio de prototipagem rápida, 
entra em cena o protótipo definitivo para a produção em série, realizado com materiais 
definitivos e acabamentos que simulam ao máximo o produto final.
Devido às suas peculiaridades na produção, um protótipo pode custar 20 vezes o valor do 
produto final produzido em série. Isso significa dizer, por exemplo, que o protótipo de um 
produto que custe 1.000 reais pode chegar ao preço de 2.0000 reais e, mesmo assim, o pro-
cesso de prototipagem rápida é tão oneroso quanto os tradicionais, tais como usinagem. 
A prototipagem é, portanto, um momento crucial no projeto, tanto no que diz respeito às 
soluções buscadas como ao elevado custo exigido.
Por isso, sempre que possível, o protótipo deve ser substituído por esboços, desenhos de ilus-
trações, maquetes ou mock-ups. Os protótipos somente devem ser feitos em caso de extrema 
necessidade e, ainda assim, com a complexidade mínima para encontrar soluções do projeto.
Fonte: Gomes (2015, p. 105-106).
 181
atividades de estudo
1. No design de produto, especificamente em projetos de mobiliários, os meios 
de representação física podem ser divididos em:
a. Maquete volumétrica de estudos, protótipo e croqui.
b. Maquete volumétrica de estudos, mock-up, maquete física e protótipo.
c. Sistema 32, mock-up, desenho técnico.
d. Maquete volumétrica, Sistema 32, desenho técnico.
e. Mock-up, Sistema 32, desenho técnico.
2. A geração de alternativas é uma ferramenta muito importante para a defini-
ção da escolha do produto que será desenvolvido para o projeto de mobiliá-
rio. Diante desta afirmação, fale sobre esta ferramenta.
3. O protótipo é praticamente o resultado de todo um processo no desenvolvi-
mento de um projeto de produto e, para se chegar até ele, muitas fases são 
realizadas. Explique o que é e qual a função de um protótipo.
4. No design de produto, a representação gráfica tem um grande peso para que 
o produto possa ser produzido. Sobre os itens relacionados com a representa-
ção gráfica em projetos de mobiliários, leia as afirmativas a seguir. 
I. Em móveis seriados, usualmente é desenvolvido um manual de montagem.
II. Para a produção em série, são desenvolvidos desenhos peça por peça.
III. Utiliza-se softwares específicos de desenho 2D e 3D.
IV. É desenvolvida uma maquete volumétrica de papel e de outros materiais.
Podemos afirmar que:
a. Somente as afirmativas I, II e III estão corretas.
b. Somente as afirmativasII e III estão corretas.
c. Somente as afirmativas III e IV estão corretas.
d. Somente as afirmativas II, III e IV estão corretas.
e. Nenhuma das afirmativas está correta.
182 
atividades de estudo
5. Dentre os itens a serem verificados, no que diz respeito às representações 
gráficas e físicas, leia as afirmativas a seguir. 
I. O desenvolvimento do primeiro protótipo ajuda na redução de riscos ou de 
incertezas, facilitando o entendimento de requisitos que fazem parte da sequ-
ência dos processos que, por sua vez, poderão ser utilizados na fabricação do 
mobiliário.
II. A geração de alternativas é uma ferramenta de criatividade que, nas meto-
dologias usuais, tem início após o levantamento completo dos dados e das 
informações que norteiam o projeto.
III. Na primeira etapa da geração de alternativas, são desenvolvidos desenhos, 
esboços ou modelos volumétricos de forma livre, o entendimento das confi-
gurações e as junções das peças e componentes.
IV. Protótipo: modelo em escala natural (1:1), com materialigual ou semelhante 
ao especificado no projeto.
Podemos afirmar que:
a. Somente as afirmativas I, II e III estão corretas.
b. Somente as afirmativas II e III estão corretas.
c. Somente as afirmativas II, III e IV estão corretas.
d. Somente a afirmativa III está correta.
e. Todas as afirmativas estão corretas.
 183
material complementar
Técnicas de Representação
Lorraine Farrelly
Editora: Bookman
Sinopse: esse livro explora diversos conceitos e técnicas empregados para a re-
presentação em arquitetura, desde a maneira como os croquis são utilizados para 
desenvolver as ideias de conceito, até desenhos do projeto executivo e maquetes 
necessários para a construção de edificações. Técnicas de Representação cobre os 
métodos de representação bi e tridimensional e demonstra a variedade de técni-
cas e instrumentos disponíveis, como os empregados para fazer croquis à mão 
livre, desenhos e maquetes eletrônicas de última geração. Exemplos de arquitetos 
e projetistas de prestígio do mundo inteiro, e também trabalhos mais experimen-
tais, feitos por estudantes de arquitetura, demonstram uma variedade de inter-
pretações, possibilidades e aplicações.
Indicação para Ler
O Homem ao Lado
2009
Sinopse: filme argentino mais premiado de 2010, “O Homem ao Lado” tem como 
protagonista Leonardo, um designer de produto bem-sucedido que mora na ma-
ravilhosa Casa Curutchet, projetada por Le Corbusier e localizada em La Plata, Ar-
gentina. É famosa por ser a única casa que o arquiteto projetou em toda a América 
Latina. Tudo começa quando o seu vizinho faz um buraco na parede que dá para 
o interior da sua casa.
Indicação para Assistir
184 
material complementar
Reedição Cadeira 1001 - Móveis Cimo S/A
Esse vídeo mostra uma simulação em 3D de possibilidade de uma reedição da Cadeira 1001, produzida 
pela antiga fábrica de móveis Cimo.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ySIrm9y5K0o>.
Documentário Carlos Motta: nas ondas da vida
esse vídeo é um documentário que mostra um pouco da vida, das experiências e dos trabalhos realiza-
dos pelo projetista de móveis Carlos Motta.
Disponível em: <https://vimeo.com/12566996>.
Indicação para Acessar
https://vimeo.com/12566996
https://vimeo.com/12566996
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https://vimeo.com/12566996
 185
referências
CAVASSANI, G. Técnicas de Maquetaria. São Paulo: Érica, 2014.
COELHO, L. A. L. (org). Conceitos-chave em design. Rio de Janeiro: PUC-Rio/
Novas Ideias, 2008.
GOMES FILHO, J. Ergonomia do Objeto: sistema técnico de leitura ergonômica. 
São Paulo: Escrituras, 2003.
GOMES, L. C. G. Fundamentos do Design. Curitiba: Editora do Livro Técnico, 
2015.
HSUAN-NA, T. Design: Conceitos e Métodos. São Paulo: Blücher, 2017.
LIMA, M. A. M. Introdução aos Materiais para Designers. Rio de Janeiro: Ciência 
Moderna Ltda., 2006. 
MUNARI, B. Das Coisas Nascem Coisas. Trad. José Manuel de Vasconcelos. 2. ed. 
São Paulo: Martins Fontes, 2008.
OLIVEIRA, A. Desenho computadorizado: técnicas para projetos arquitetônicos. 
São Paulo: Érica, 2014.
PLATCHECK, E. R. Design industrial: metodologia de ecodesign para o desenvol-
vimento de produtos sustentáveis. São Paulo: Atlas, 2012.
VESTERLON, M. Desenho de Móveis. Bento Gonçalves: SENAI/CETEMO, 2007.
Referência On-Line
1Em: <www.monodesign.com.br>. Acesso em: 10 mar. 2018. 
186 
gabarito
1. B. 
2. É uma ferramenta de criatividade que, nas metodologias usuais, tem 
início após o levantamento completo dos dados e das informações que 
norteiam o projeto.
Durante esta etapa do projeto, são desenvolvidos alguns desenhos ma-
nuais ou com softwares específicos, ou por meio de maquetes e modelos 
volumétricos de estudos em escalas reais/de redução, com o objetivo de 
ilustrar e simular a geração de ideias e soluções.
Na primeira etapa da geração de alternativas, são desenvolvidos dese-
nhos, esboços ou modelos volumétricos de forma livre. A mente do desig-
ner trabalha sem restrições na utilização do processo criativo, podendo 
gerar a maior quantidade possível de opções de alternativas e, assim, ter 
como base referencial todos os conceitos pesquisados e analisados.
3. O protótipo é um modelo produzido com os materiais especificados no 
projeto e destinado para testes e provas antes do procedimento de fa-
bricação em série.
Na análise de provas e testes, os projetistas observam a estética formal 
do produto e todos os detalhes dos processos produtivos, verificam se 
existe alguma falha na usabilidade do produto, na montagem, no acaba-
mento e no seu funcionamento e, assim, liberar para a fabricação seriada 
ou apenas para uma quantidade menor em forma de lote piloto, para 
serem desenvolvidos a última análise e os possíveis ajustes corretivos.
Em alguns casos, um protótipo é desenvolvido apenas para a exposi-
ção e/ou o lançamento de produtos, para verificar a sua viabilidade e 
também as reações de um determinado público em relação à aceitação 
ou não de um novo produto que poderá ser desenvolvido e produzido. 
Após a fabricação do protótipo, podem ser desenvolvidas algumas simu-
lações nas configurações formais do mobiliário para que se tenha uma 
ideia das dimensões que ocupará em possíveis ambientes. Outra alter-
nativa muito realizada e usual é a simulação de uso com os possíveis 
usuários do produto e, desta forma, realizar uma simulação ergonômica 
de uso com o mobiliário.
4. B.
5. C.
Professor Esp. Ivã Vinagre de Lima 
Professora Esp. Thiara L. S. Stivari Socolovithc
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta 
unidade:
• Uma demanda inicial 
• Fase da preparação: análise do problema
• Fase da geração de ideias: alternativas do problema
• Fase da seleção de ideias: avaliação das alternativas de design
• Fase de realização: proposta definida da solução de design
• Documentação do projeto de design
Objetivos de Aprendizagem
• Analisar os perfis de demanda do mercado.
• Compreender as fases de análise do problema.
• Compreender o processo de geração de ideias.
• Observar métodos de análise de ideias propostas.
• Preparar o projeto para implementação.
• Compreender a fase de documentação do projeto final.
MATERIAL EXTRA
unidade 
VI
INTRODUÇÃO
C
aro(a) aluno(a), nesta unidade, acompanharemos a importância do designer na 
criação e no desenvolvimento de soluções para problemas observados. Acom-
panharemos, de forma prática, o passo a passo das metodologias de design 
aplicadas no desenvolvimento do projeto de móveis. 
Propomos, por meio dos exemplos desenvolvidos, demonstrar como é importante 
a visão crítica e analítica do designer sobre o seu próprio trabalho. O profissional deve 
desenvolver um olhar criterioso sobre os seus projetos, pensando não só em solucionar 
problemas, mas nos aspectos sociais, ou seja, como as pessoas vão utilizar os produtos, 
qual a sua segurança ou o seu risco de acidentes, além da responsabilidadecom o meio 
ambiente e o ciclo de vida desses produtos.
Encararemos o design como fator criativo fundamental no processo de desenvolvi-
mentos de novos produtos, pois, como parte integrante do processo industrial, espera-se 
dele a capacidade intelectual de reunir informações, analisá-las e propor inovações que 
sirvam aos propósitos da empresa e que atendam bem ao mercado consumidor. 
Conforme Löbach (2001) orientava, a criatividade do designer manifesta-se à medida 
que ele reúne os seus conhecimentos técnicos e a sua experiência prévia às informações 
e aos desafios que cada problema apresenta, estabelecendo novas perspectivas, abando-
nando a segurança do que é conhecido para, assim, propor um olhar crítico e criativo na 
busca por novas respostas a antigos problemas. 
Compreendemos que esse desafio é um trabalho em conjunto entre designers e em-
presários para criar soluções inovadoras. A partir de um problema ou de uma demanda 
de mercado, podemos pensar em uma série de metodologias que nos auxiliem no cami-
nho para propor soluções pertinentes aos problemas apresentados. Dentre elas, estão as 
propostas de Bernand Löbach (2001), Bruno Munari (2008), Mike Baxter (2011), entre 
outros. Convidamos você a fazer a leitura das bibliografias referenciadas e conferir, tam-
bém, qual modelo adequa-se melhor ao seu perfil de trabalho
 
192 
Caro(a) aluno(a), a demanda por um novo projeto 
de mobiliário pode surgir de diversas maneiras, para 
isto, é necessário compreender as estratégias empre-
sariais para o desenvolvimento de novos produtos.
Alguns dos aspectos que são considerados po-
dem ser, segundo Baxter (2011), a análise do ciclo 
de vida dos produtos existentes, em que a empre-
sa observará em qual ponto de maturidade eles se 
encontram e, desta forma, estar preparada para, no 
momento de declínio das vendas, ter um novo pro-
duto a ser lançado e, assim, não perder mercado.
Em segundo lugar, uma demanda pode surgir de 
uma auditoria do produto existente, em que se ana-
lisam falhas e possíveis defeitos (não identificados 
previamente) ou problemas de custo de produção 
atuais, exigindo a revisão do produto.
Outra demanda pode surgir da análise do mer-
cado e da concorrência. Ao pesquisar sobre o mer-
cado consumidor, constatam-se carências ainda não 
atendidas ou que podem ser melhor supridas, geran-
do a oportunidade de inovação. Ao analisar os con-
correntes, a empresa pode observar de que maneira 
Uma Demanda 
Inicial
 DESIGN 
 193
eles conseguiram alcançar o sucesso ou onde fracas-
saram. Estas análises antecipam possíveis ameaças 
futuras e conferem em qual medida a concorrência 
pode interferir no desempenho da própria empresa.
Por fim, pode surgir uma demanda de design de 
um projeto para o futuro. Um investimento sem re-
torno imediato que, entretanto, pode tornar-se uma 
solução rentável em longo prazo (em termos de ima-
gem da marca ou de lucro efetivo). Vamos conhecer 
mais detalhadamente, na sequência, essas demandas.
DEMANDA POR RENOVAÇÃO DE LINHA 
DE PRODUTOS
Essa demanda surge pela necessidade de inovação 
estética/formal devido ao ciclo de vida dos produ-
tos, à atualização de produtos existentes, à renova-
ção por questões de moda e tendências (troca de 
coleção, demanda sazonal etc.). O design do móvel 
destina-se a propor novas configurações para o pro-
duto, porém, sem grandes alterações no processo 
produtivo, o foco é a renovação estética das peças.
substituição dos produtos, conforme eles vão ama-
durecendo e entrando em declínio e, muitas vezes, o 
produto não chega a “cair de moda”, mas, por conta 
do mercado, já é exigida a sua substituição. O mer-
cado de móveis, por ser um segmento de bens de 
média duração, possui uma rotatividade um pouco 
menor, porém, é também influenciado pelas tendên-
cias de moda e pelas inovações.
Quando, em uma análise da concorrência, o pro-
duto encontra-se em desvantagem, por exemplo, a sua 
estética tornou-se obsoleta ou está muito semelhante 
ao que há no mercado, ou se a sua performance é pior 
do que a da concorrência, é comum que surja a de-
manda pela troca ou reestruturação dos produtos.
Segundo Baxter (2000), os produtos devem ser subs-
tituídos por novos para manterem o poder compe-
titivo da empresa. Mercados ligados à moda são um 
exemplo do contínuo fluxo de criação, circulação e 
DEMANDA POR RENOVAÇÃO TÉCNICA
A proposta é apresentar uma nova forma de fabri-
cação para um produto já existente. O foco está na 
melhoria de performance do produto, no estudo 
de custos, na revisão dos materiais, na otimização 
das peças, nos processos produtivos empregados, 
entre outros. O designer pode atuar juntamente 
com o engenheiro de produção para, com peque-
nos ajustes estéticos/formais, conseguir maiores 
produtividade ou aproveitamento dos recursos fí-
sicos e pessoais da empresa.
 
194 
DEMANDA DO MERCADO ATUAL
A empresa percebe um problema ou uma necessi-
dade que os consumidores possuem devido à inade-
quação/obsolescência de produtos existentes ou um 
desejo latente que ainda não se manifestou, o qual 
possa ser atendido por um novo projeto de design. O 
caso das carroças é um exemplo clássico: observou-
-se que as pessoas tinham necessidade/desejo de se 
locomoverem mais rapidamente, e não de cavalos/
DEMANDAS PARA NECESSIDADES FUTURAS
Essas demandas surgem a partir da projeção ou da 
antecipação de problemas sociais que possam vir a 
existir. É o caso da projeção de produtos para uma 
situação de calamidade, problemas de ordem ecoló-
gica com destino local ou global, ou projetos de de-
senvolvimento tecnológico para realidades futuras. 
Designers, como Tim Brown (CEO da IDEO e 
desenvolvedor da metodologia de Design Thinking) 
ou empresários, como Elon Musk (proprietário da 
Tesla e da Space X) tornaram-se referências ao pro-
por novas visões sobre os problemas do mundo e 
como o ser humano pode agir nele. 
Este campo de atuação compreende não somen-
te a inovação estética, mas a tecnológica, a funcional 
e a própria concepção da função do design, por as-
sim dizer, podendo oferecer inovações ao mercado 
de infinitas maneiras.
Em vista dessas demandas, o designer depara-
carroças mais velozes. Com a 
definição clara do problema, as 
soluções puderam ser mais as-
sertivas e inovadoras e, a partir 
daí, o automóvel tinha espaço 
para ser criado. Em tempos de 
constantes mudanças, é neces-
sário repensar o que está esta-
belecido e propor novas ideias.
Para Baxter (2000, p. 122), 
“o produto com uma especifi-
cação clara e precisa, antes de 
começar o desenvolvimento, 
tem três vezes mais chances de 
sucesso do que aquele cujo de-
senvolvimento é iniciado sem 
esse tipo de cuidado”.
-se com uma série de proble-
mas a ser resolvidos. E por esta 
perspectiva que o processo 
criativo pode ser dividido em 
quatro etapas:
• fase da preparação: aná-
lise do problema;
• fase da geração de idéias: 
geração de alternativas;
• fase da seleção de ideias: 
avaliação das alternati-
vas de design;
• fase de realização: reali-
zação e revisão da solu-
ção do problema.
 DESIGN 
 195
Esta pode ser a primeira etapa do projeto, em que 
é realizado o levantamento dos dados necessários 
para a especificação do problema de projeto e os 
requisitos e/ou restrições do produto que se dese-
ja projetar. Para Baxter (2000, p. 74), “a análise do 
problema serve para conhecer as causas básicas do 
problema e, assim, fixar as suas metas e fronteiras”.
Carpes Junior (2014, p. 35) apresenta a seguinte 
definição para o projeto informacional:
[...] a primeira fase do desenvolvimento de um 
produto é o projeto informacional, também 
chamado de definição da tarefa ou planeja-
mento do produto. Para realizar essa etapa, é 
Fase de Preparação: 
Análise do Problema
 
196 
preciso identificar e analisar as necessidades 
do consumidor, descrever a ideia do produto e 
determinar os requisitos e as especificações do 
projeto.Assim, no design de produto, o plane-
jamento é uma das etapas muito importantespara um bom resultado final de um artefato, 
pois é nele que podem ser definidas todas as fa-
ses que darão sequência para a organização do 
desenvolvimento de um produto.
Segundo Merino (2016, p. 7), 
[...] o Design é uma disciplina que tem por ob-
jetivo máximo promover o bem estar das pes-
soas, a diferença está na maneira de como o de-
signer percebe as coisas e age sobre elas.
Baxter (2000, p. 122) apresenta a seguinte defini-
ção para o planejamento do produto:
[...] o planejamento do produto é uma das ativi-
dades mais difíceis no desenvolvimento de no-
vos produtos. Pode ser frustrante experimentar 
a sensação de estar pulando no vazio, quando 
se procura especificar um produto, cujo desen-
volvimento ainda não foi iniciado. 
Muitos designers não suportam essa sensação 
de vazio e partem logo para elaborar alguns es-
boços e modelos. O planejamento do produto 
exige, portanto, auto-disciplina. Você deve in-
sistir em cumprir bem essa tarefa, se desejar que 
o seu produto tenha uma boa chance de desen-
volvimento. Começar o desenvolvimento sem 
ter o planejamento bem feito é como sair por aí, 
navegando às cegas, sem ter um destino certo.
No planejamento para a concepção de um projeto 
de produto, deve estar inseridas a identificação de 
uma nova oportunidade para um determinado ni-
cho de mercado, a pesquisa e a análise dos produtos 
concorrentes e similares dentro do segmento que se 
pretende projetar, a apresentação de uma nova pro-
posta para um novo e diferenciado produto, uma 
boa justificativa que especifica a necessidade para 
um determinado segmento mercadológico que se 
deseja atingir e o foco sempre centrado no usuário. 
Com isto, o conhecimento do público-alvo ajuda na 
detecção de novas oportunidades para um produto 
ter boa aceitação dentro de um segmento do nicho 
de mercado que se deseja atingir.
Hsuan-Na (2017, p. 45) apresenta a seguinte de-
finição sobre a importância do método no design 
de produto:
[...] toda atividade pensada e planejada, ou que 
segue métodos, consiste em um processo. Desde 
a confecção de um bolo até o planejamento do 
produto que demanda tempo, espaço e méto-
dos, recursos, técnicas e materiais. No design de 
produtos, o grau de complexidade é tão grande 
que exige uma metodologia eficaz para orientar 
o designer a racionalizar toda a sequência do 
trabalho para conhecer um produto.
Desta forma, uma sequência metodológica ajuda 
bastante na organização das informações e no bom 
resultado final de um projeto de produto.
ANÁLISE DA NECESSIDADE
Essa análise tem a função do entendimento e da 
observação das necessidades dos consumidores 
ou usuários de produtos ou serviços, e essa função 
pode ser aprofundada por meio de pesquisa de 
campo, questionários, entrevistas, enquetes etc., 
em que podem ser percebidos e entendidos os de-
sejos, as necessidades e, até mesmo, os comporta-
mentos dos usuários.
 DESIGN 
 197
Segundo Merino (2016, p. 7), “o design é uma discipli-
na que tem por objetivo máximo promover o bem-es-
tar das pessoas, a diferença está na maneira de como o 
designer percebe as coisas e age sobre elas”. Hsuan-Na 
(2017, p. 79) apresenta a seguinte definição sobre a re-
lação e a adaptação do usuário com o objeto:
[...] na interação entre homem e o objeto, este 
deve se adaptar às necessidades e exigências do 
primeiro. Mesmo assim, o homem usa o objeto 
e tenta adaptá-lo à sua maneira, criando con-
sequências às vezes prejudiciais à sua saúde. O 
usuário, muitas vezes, não assume posturas e 
movimentos de modo ergonomicamente ade-
quado. No aspecto do uso, a ergonomia torna-
-se fundamental quando se trata do conforto 
na sua utilização. O objeto, principalmente o 
mobiliário, quando é mal resolvido no aspecto 
ergonômico e mal relacionado ao seu usuário, 
pode trazer consequências desagradáveis não 
só no estado físico-fisiológico, mas também psi-
cológico e mental. Essa é uma importante con-
sideração que deve ser lembrada pelo designer. 
Não só as formas e dimensões, mas os materiais 
e cores exercem influências no conforto de uso. 
A posição, a localização e o espaço ocupado do 
objeto em relação ao usuário são determinantes 
para uma boa interação no ambiente.
Para avaliar um produto, é essencial que sejam ana-
lisadas as relações com o usuário sob diversas óticas. 
Assim, faz-se necessária uma análise ergonômica 
do objeto projetado, cujo objetivo é a detecção de 
aspectos positivos e negativos e o aprimoramento 
da relação usuário x produto, aspecto que, por sua 
vez, visa a aumentar a qualidade do desempenho e 
do conforto dessa relação, tendo como finalidade a 
obtenção de determinantes da situação de trabalho.
Desta forma, é aconselhável uma análise das ta-
refas que são desempenhadas pelos usuários junta-
mente com o mobiliário, em que podem ser obser-
vados e detectados todas as necessidades, benefícios 
e malefícios que o mobiliário oferece ao usuário. De 
acordo com Pazmino (2015, p. 124):
[...] a análise da tarefa permite observar a relação 
do homem com determinado produto ou servi-
ço durante seu uso. Por meio dessa ferramenta, 
Figura 1 - Detalhe da tampo prateleira do móvel
Fonte: acervo pessoal - Clécio Zeithammer (2015).
 
198 
podem ser observados os aspectos ergonômicos 
e antropométricos de determinada atividade, 
destacando pontos positivos e negativos que 
possam melhorar a interface homem-produto.
fundamental importância para a compreensão das 
reais necessidades desejadas.
A pesquisa sobre os comportamentos dos con-
sumidores auxilia as descobertas dos desejos e dos 
pensamentos e, assim, é possível observar uma nova 
oportunidade para o mercado destinado a esse pú-
blico e, quem sabe, para um novo nicho de mercado. 
Peruzzi (1998, p. 11) apresenta a seguinte definição 
para o design:
[...] o design é um elemento fundamental para 
agregar valor e criar identidade visual para 
produtos, serviços e empresas, constituindo, 
em última análise, a imagem das empresas no 
mercado. Alguns aspectos incorporados pelo 
design são inovação, confiabilidade, raciona-
lização, evolução tecnológica, padrão estético, 
rápida percepção da função – uso de produtos, 
adequação às características sócio-econômicas 
e culturais do usuário.
Com isto, na análise do público-alvo, é necessário 
o conhecimento das caraterísticas psicológicas, so-
ciais, econômicas e culturais. Estas características 
auxiliam no entendimento para a melhor visualiza-
ção das necessidades dos possíveis usuários. Merino 
ANÁLISE DO PÚBLICO-ALVO
No projeto de produto, o foco deve sempre estar 
centrado no usuário e, com isto, o conhecimento e 
a definição com mais propriedade sobre o perfil do 
público-alvo que se deseja atingir com o projeto têm 
 DESIGN 
 199
(2016, p. 7) apresenta a seguinte definição sobre o 
projeto centrado no usuário:
[...] pensar em projeto centrado no usuário 
é colocar o usuário no centro de cada fase do 
desenvolvimento de um produto ou serviço. 
 Esta abordagem requer a adoção de uma sé-
rie de cuidados que vão desde a interação com 
o produto/serviço às características e experi-
ências do usuário por meio dessa interação O 
desafio está não somente em levantar informa-
ções, analisá-las e chegar à solução para proble-
mas existentes, mas sim, em testar, avaliar e va-
lidar produtos ou serviços planejados para um 
mundo real, para usuários reais.
Assim, com o conhecimento dos possíveis usuários, 
torna-se mais fácil direcionar o produto para ter um 
bom resultado, evitando, com isto, os “achismos”. 
[...] o briefing do processo projetual exige uma 
análise prévia das características do público-al-
vo: faixa etária; gênero; condições e expectati-
vas financeiras, culturais, estéticas e psicoló-
gicas; características físicas e mentais; desejos; 
preferências; necessidades e exigências. Enfim, 
o projeto procura conceber e produzir um pro-
duto para atender ao seu público-alvo. Os qua-
tro pilares do design têm exatamente a função 
de fazer o designer ter em mente esses fatores 
básicosque, ao serem destrinchados, cobrem as 
considerações necessárias para tal fim.
Com essas informações, o projeto consegue ter 
mais propriedade e bom desempenho, atendendo, 
desta forma, o máximo possível das necessidades 
dos usuários.
ANÁLISE DA RELAÇÃO SOCIAL 
Esta análise tem grande importância no design de 
produto, pois ela pode mostrar as características no 
contexto que norteia o produto, contexto esse den-
tro de uma estrutura social, e também em sua fun-
ção simbólica, com o propósito de atingir e atender, 
de forma abrangente, às necessidades de um deter-
minado nicho de mercado.
Para o sucesso e a boa aceitação do mobiliário, é 
importante, além do estudo dos valores simbólicos 
e comportamentais, uma pesquisa de tendências, a 
fim de satisfazer as necessidades humanas para que, 
assim, o produto consiga ter uma boa inserção em 
seu lançamento.
Para Ono (2006, p. 38), 
[...] o contexto social, cultural e econômico exer-
ce uma grande influência sobre os valores, pensa-
mentos e ações dos indivíduos, e, extensivamen-
te, sobre o julgamento e uso dos objetos pelos 
mesmos, moldando os hábitos de consumo”.
Hsuan-Na (2017, p. 88), por sua vez, apresenta a seguin-
te definição sobre as características do público-alvo:
 
200 
ANÁLISE DA RELAÇÃO COM O 
AMBIENTE (PRODUTO-AMBIENTE)
A concepção de desenvolvimento de um projeto de 
produto com possibilidade de uso em um ambien-
te (interno ou externo) envolve processos que nem 
sempre são ideais para a organização espacial destes 
espaços. A problemática das configurações espaciais 
em alguns ambientes, principalmente em habita-
ções, constitui um nicho em crescente ascensão no 
mercado imobiliário brasileiro, o que contribui para 
a construção e a aquisição de moradias com cômo-
dos cada vez menores. 
Com isto, a ergonomia faz parte de um requisi-
to muito importante, pois é necessária a realização 
de um estudo de diagnose ergonômica com muita 
responsabilidade na etapa do desenvolvimento do 
produto, procurando trazer, como prioridade, a qua-
lidade nos projetos para os usuários, demonstrando 
a relação entre o design, a ergonomia e a construção 
civil nos aspectos de dimensionamento dos espaços 
juntamente com o mobiliário, possibilitando, assim, 
o melhor aproveitamento do espaço físico disponível. 
O fato da metragem dos espaços ser cada vez mais 
reduzida dificulta a sua relação com a disposição dos 
móveis e com outros produtos no interior dos am-
bientes, os quais configuram-se como elementos de 
extrema importância para a sua composição espa-
cial, evitando, assim, projetos de produtos mal di-
mensionados, fornecendo insatisfação aos usuários.
A ergonomia está relacionada à otimização do 
espaço e à sua utilização a partir da observação e 
análise das condições ideais, considerando a funcio-
nalidade, a disposição de mobiliário e a circulação, 
aspectos que podem conferir ao usuário autonomia 
e orientação (VASCONCELOS, 2011).
Para avaliar um produto, é essencial que sejam 
analisadas as relações com o usuário sob diversas 
óticas. Assim, faz-se necessária uma análise ergo-
nômica do objeto projetado, que tem por objetivo a 
detecção de aspectos positivos e negativos e o apri-
moramento da relação usuário x produto, visando 
 DESIGN 
 201
a aumentar, nessa relação, a qualidade do desempe-
nho e do conforto, tendo como finalidade a obten-
ção de determinantes da situação de trabalho.
A partir disto, deve-se projetar e planejar os mobiliá-
rios tendo, como foco principal, não só os ambientes 
aos quais esses mobiliários destinam-se, mas também 
os comportamentos e as necessidades dos usuários.
DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO
É uma etapa dentro do desenvolvimento do projeto 
de produto que tem uma grande relação com Histó-
ria, Sociologia e Antropologia, pois é feita uma análise 
histórica de um determinado produto similar àquele 
que se deseja projetar, verificando o caminho percor-
rido por ele ao longo de uma determinada época.
A análise pode ser apresentada por meio de uma 
tabela cronológica e comparativa, ou simplesmente 
por meio de imagens de produtos que marcaram 
uma determinada linha do tempo.
Pazmino (2015, p. 82) descreve a etapa do desen-
volvimento histórico do produto da seguinte maneira: 
[...] é um exame dos aspectos culturais, sociais, 
tecnológicos etc., observados quanto à evolução 
de um produto. Ou seja, é um levantamento das 
características do produto a ser desenvolvido ou 
da função a ser satisfeita, mostrando as mudan-
ças ao longo do tempo. Deve incluir uma análise 
de tendências tanto comportamentais como so-
ciais e tecnológicas. Estes dados podem ser uti-
lizados para definir as características no projeto 
e evitar reinvenções e plágios.
 ANÁLISE DE MERCADO
Esta análise pode ser chamada, também, de análise 
de concorrentes e similares ou de análise sincrônica. 
De acordo com Pazmino (2015, p. 64):
[...] é uma ferramenta de análise que serve para 
comparar os produtos em desenvolvimento 
 
202 
com produtos existentes ou concorrentes, base-
ando-se em variáveis mensuráveis, ou seja, que 
podem ser medidas. Permite avaliar aspectos 
qualitativos, quantitativos.
ANÁLISE DE MATERIAIS E PROCESSOS DE 
FABRICAÇÃO
Conhecer os materiais e os processos é um dos re-
quisitos principais para o designer de produtos. O 
contato com catálogos, as visitas em lojas de diver-
sos segmentos, além das visitas às feiras e exposições 
que apresentam tendências (com as suas respectivas 
aplicações), todos ajudam bastante no enriqueci-
mento do repertório visual e até despertam a cria-
tividade para novas possibilidades de usos em va-
riados projetos de mobiliários e de outros produtos.
Segundo Munari (2008, p. 98), “deve-se verificar 
se o material utilizado é adequado ao objeto e suas 
funções, e se atende aos objetivos propostos”. Para 
Paim e Scotton (2007, p. 7), 
[...] a seleção do material adequado é essencial 
ao desenvolvimento do produto, para que o 
mesmo seja bem elaborado em todos os sen-
Para Baxter (2000, p. 116), 
[...] a análise de concorrentes serve para mo-
nitorar as empresas e seus produtos. Procura 
determinar como elas conseguiram alcançar o 
sucesso e onde fracassam. 
[...] para esta análise, prioriza-se uma boa ob-
servação quanto à adequação do mobiliário aos 
requisitos e atributos ergonômicos, e também 
quanto aos aspectos problemáticos observados 
em uma pesquisa de campo.
 DESIGN 
 203
tidos: qualidade, propriedade, custo, desem-
penho de sua função e aceitação pelo público 
consumidor.
PATENTES, LEGISLAÇÃO E NORMAS
O projeto de mobiliário deve estar de acordo com 
normas, conformidades e especificações vigentes, 
frente à regulamentação que é exigida para o desen-
volvimento de qualquer produto.
Estas informações são de extrema importância 
para dar continuidade ao projeto, a fim de fornecer 
maior subsídio ao projeto de mobiliário de qualquer 
categoria de produto, sendo necessário dar atenção 
especial para uma pesquisa sobre legislações especí-
ficas e normas vigentes, referentes ao produto a ser 
projetado. Peruzzi (1998, p. 37) diz que:
Caro(a) aluno(a), para o projeto de mobiliários, 
existem algumas normas da ABNT (Associação 
Brasileira de Normas Técnicas) sobre mobili-
ário.
NBR 12666: Móveis - Terminologia
NBR 12743: Móveis - Classificação
NBR 13918: Móveis - Berços Infantis
NBR 13919: Móveis - Cadeiras Altas
NBR 14033 Móveis para Cozinha
NBR 13966: Móveis para Escritório - Mesas
NBR 14006 Móveis Escolares - Cadeiras e me-
sas para conjunto aluno individual
Fonte: adaptado de ABNT ([2018], on-line)1.
SAIBA MAIS
[...] o respeito às normas técnicas no desenvol-
vimento de novos produtos é de vital impor-
tância para o designer, pois as normas foram 
elaboradas por comitês de profissionais que co-
nhecem o assunto e têm como principal meta 
o conforto e a segurança do consumidor final.
Assim, o conhecimento das normas vigentes oferece 
ao projeto do produto um respaldo com mais pro-
priedade para um bom resultado, atendendo, assim,às diversas exigências.
Outro aspecto importante, caso o produto seja 
uma inovação no mercado, é a verificação junto ao 
INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) 
e averiguar se existe algum registro referente à pa-
tentes e reinvenções, para evitar plágios de produtos 
ou de sistemas já existentes.
 
204 
Esta fase consiste na concepção das possíveis ideias 
da configuração do produto e podem ser geradas e 
estimuladas por meio de diversas ferramentas de 
criatividade, que ajudam no desenvolvimento de uma 
melhor solução para um bom design de produto.
Para o desenvolvimento desta etapa, são utiliza-
das ferramentas de suporte, como painéis semânticos, 
painéis de desenvolvimento de princípios de soluções, 
conceituação, bem como desenhos e modelos de estu-
do decorrentes do processo de geração de alternativa.
Qualquer produto, ao ser projetado, deve ser 
coerente em seu todo, ou seja, as questões fun-
cionais, ergonômicas, entre outras, devem estar 
condizentes com as questões de significação do 
produto. Desta forma, para se pensar no estilo 
do produto, são realizados painéis imagéticos, os 
quais são confeccionados usando apenas imagens 
e palavras com significativa representatividade do 
conceito ao qual se referem.
Fase de Geração de Ideias: 
Alternativas do Problema
 DESIGN 
 205
CONCEITOS DO DESIGN
A etapa do projeto conceitual é uma das mais im-
portantes, pois é nela que se iniciam os processos 
criativos. Neste momento, são desenvolvidas as al-
ternativas por meio de desenhos, esboços, rende-
rings, ilustrações e modelos físicos tridimensionais 
para se chegar às possíveis soluções de projeto rela-
tivas à forma e à função do produto. 
Busca-se a partir da pesquisa antes elaborada, 
os conceitos para a criação do painel de conceito ou 
significado. O objetivo do painel de expressão do 
produto, segundo Baxter (2000, p. 190), 
[...] é de esclarecer o estilo que deve ser buscado 
na concepção do novo produto, ou seja, deve 
conter imagens relacionadas às emoções que 
o produto deve transmitir aos seus usuários. 
Deste modo, o painel é constituído de imagens 
generalizadas que exprimem os conceitos.
auxiliar o designer ou a equipe na geração de 
alternativas.
Com base no painel visual do produto, busca-se 
imagens de produtos que estejam de acordo com o 
espírito do projeto a ser criado. Os produtos podem 
ser de diversos setores do mercado e devem explorar 
o estilo esperado no processo de desenvolvimento 
ou, até mesmo, estilos que possam ser conectados 
para uma nova proposta. São analisadas e seleciona-
das imagens de produtos que expressam um ou mais 
dos diferentes conceitos propostos, com o objetivo 
tanto de ilustrar como de ser mais uma ferramenta 
de auxílio à etapa criativa do projeto. 
De acordo com Pazmino (2015, p. 172), 
[...] é um painel de imagens que representam o 
significado do produto em diversos objetos. Ser-
ve para auxiliar o designer ou a equipe na geração 
de alternativas a partir do levantamento de ele-
mentos estéticos, como cor, material, forma etc.
De acordo com Pazmino (2015, p. 166), 
[...] é um painel de imagens que representam 
o significado que o produto deverá passar ao 
público-alvo no primeiro olhar. Servindo para 
 
206 
Esse painel serve como inspiração por meio de 
imagens com conceitos (palavras-chave) que mo-
tivam o processo de criação do produto. Baxter 
(2000, p. 174) apresenta a seguinte definição para 
projeto conceitual:
[...] o projeto conceitual tem o objetivo de pro-
duzir princípios de projeto para o novo pro-
duto. Ele deve ser suficiente para satisfazer as 
exigências do consumidor e diferenciar o novo 
produto de outros produtos existentes no mer-
cado. Especificamente, o projeto conceitual deve 
mostrar como o novo produto será feito para 
atingir os benefícios básicos. 
Portanto, para o projeto conceitual, é necessário 
que o benefício básico esteja bem definido e que 
se tenha uma boa compreensão das necessidades 
do consumidor e dos produtos concorrentes.
Com isto, durante as etapas do projeto conceitual, 
os conceitos apresentados nos painéis de imagens 
devem exprimir as ideias, as sensações e as emoções 
que o projeto deseja transmitir. 
ESBOÇO E IDEIAS DAS ALTERNATIVAS DE 
SOLUÇÃO
Para Baxter (2000, p. 201), a primeira etapa da aná-
lise das funções do produto é gerar uma lista dessas 
funções sob o ponto de vista do consumidor, usando 
a técnica do brainstorming.
Nessa etapa, são geradas as alternativas utilizan-
do diversas ferramentas de criatividade no processo 
de criação, por meio de um simples rascunho ou de 
softwares gráficos específicos de desenho.
É fundamental mesclar algumas ideias de outras so-
luções para que o produto atenda aos requisitos da ma-
neira mais coerente possível. Esta parte é analisada na fase 
do projeto preliminar, já prevendo possíveis alterações.
Figura 2 - Geração de alternativas em 3D de uma mesa 
para um projeto de mesa de refeições
Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017).
Após o desenvolvimento das gerações de ideias for-
mais do produto, inicia-se a organização das alternati-
vas desenvolvidas para serem apresentadas em uma ta-
bela para a escolha ou a votação da melhor alternativa.
Para selecionar o modelo que melhor cumpre os 
requisitos de projeto, opta-se por uma matriz de sele-
ção. Neste momento, é avaliado cada modelo separa-
damente, fazendo apontamentos de aspectos positivos 
e negativos, com a atribuição de conceitos ou notas.
 DESIGN 
 207
Para selecionar a melhor alternativa, utiliza-se uma 
matriz de seleção onde constam os requisitos de pro-
jeto e, ao lado, uma tabela com conceitos ou notas 
que definem se os requisitos são atendidos ou não 
pelas alternativas desenvolvidas durante o projeto.
A partir dessa matriz, o modelo que apresenta 
os requisitos de melhor forma é o escolhido, po-
rém, pode-se julgar que o projeto ainda necessite de 
certas adaptações para o seu aprimoramento. Após 
análises e verificações, das quais podem ser extraí-
das informações necessárias e relevantes ao proje-
to, escolhe-se a alternativa definitiva. A execução da 
matriz de seleção é uma forma eficiente de decisão.
Segundo Löbach (2001), após o processo de cria-
ção de alternativas e de esboços, ou modelos prelimi-
nares, é necessário levantar um quadro comparativo 
para avaliar as soluções propostas. Baxter (2000, p. 64) 
apresenta a seguinte definição para a seleção de ideias:
Fase de Seleção de Ideias: 
Avaliação das Alternativas de Design
 
208 
[...] o procedimento mais importante no proje-
to de produtos é pensar em todas as possíveis 
soluções e escolher a melhor delas. A finali-
dade da geração de ideias é produzir todas as 
possíveis soluções. A seleção tentará escolher a 
melhor delas. Para isso, é necessário ter uma es-
pecificação do problema que orienta a escolha 
da melhor alternativa. Isso demonstra a impor-
tância da fase de preparação. Muita gente pensa 
que a parte criativa do problema termina com a 
geração de ideias e que a sua seleção posterior é 
uma simples tarefa rotineira. 
Mas isso nem sempre é verdade, pois é neces-
sário ser criativo também na seleção. É nesse 
estágio que as ideias podem ser expandidas, 
desenvolvidas e combinadas para se aproximar 
cada vez mais da solução ideal.
Mais além, Bryan Lawson explica, no livro Como 
arquitetos e designers pensam (2011), que projetar 
envolve fazer escolhas, ou seja, por mais que tenha-
mos diversas soluções, dificilmente elas conseguirão 
suprir todas as necessidades levan-
tadas no problema.
Quase invariavelmente, pro-
jetar envolve fazer conces-
sões. Às vezes, os objetivos 
declarados podem estar em 
conflito direto entre si, como 
o caso dos motoristas que 
exigem boa aceleração e bai-
xo consumo de combustível. 
É raro que o projetista possa 
simplesmente otimizar uma 
exigência sem sofrer perdas 
em outras. O modo como se 
fazem concessões e acomo-
dações continua a ser uma 
questão de discernimento 
habilidoso. Portanto, nãohá 
soluções ótimas para os pro-
blemas de projeto, mas sim, 
toda uma série de soluções 
aceitáveis [...], e provavelmente cada uma se 
mostrará mais ou menos satisfatória de várias 
maneiras para clientes ou usuários diferentes 
(LAWSON, 2011, p. 119).
Por esta razão, é importante que, nessa fase, o cliente 
também participe. Isto é, neste momento, a equipe 
de design apresentará as soluções criadas e, em par-
ceria com o cliente, ela conversará sobre os critérios 
de avaliação das soluções, estabelecer o que deve ser 
alterado e o que fica no projeto, quais peças serão 
mantidas e quais projetos devem ser arquivados, en-
tre outros aspectos.
No mundo da moda, é muito comum fazer o 
que se chama de painel da coleção: neste quadro, são 
apresentados os modelos desenvolvidos. Além da 
gerência, a equipe de vendas e de produção auxilia a 
decidir as peças que serão produzidas.
 DESIGN 
 209
Produto/Critério Forma/Estética
Inovação/
Originalidade
Processo de
produção
Custo Comercialização
Solução A
X X X X XXX
Solução B
XXX XX XX XXX XX
Solução C
XXX XXX XXX XXX XX
Quadro 1 - Quadro comarativo de soluções de design
Fonte: os autores.
O uso do quadro, um painel com post-it ou a amos-
tra dos protótipos e mock-ups lado a lado ajudam a 
avaliar comparativamente as vantagens e as desvan-
tagens de cada solução, inclusive, podem auxiliar a 
propor uma outra solução que acaba por ser o con-
densamento de características interessantes observa-
das nas várias soluções. Os itens do quadro podem 
ser definidos pela equipe de decisão e determinarão 
as hierarquias de importância de cada item. Vamos 
nos aprofundar no exemplo dado e como pode ser 
feita uma avaliação.
• Qualidades estéticas dos objetos: em que são 
comparados entre si e em relação a outros no 
mercado. É uma análise com aspecto subje-
tivo, mas que parte de um profundo conhe-
cimento do mercado consumidor ao qual o 
 
210 
produto destina-se. Por exemplo: um produto 
com desenho conhecido ou muito próximo 
aos modelos existentes tem baixo valor estéti-
co em um mercado consumidor que é voltado 
à moda ou ao high tech, mas, para um mer-
cado tradicional, manter certas características 
pode ser indicativo de identificação e de histó-
ria/narrativa entre o consumidor e o produto.
• Originalidade e inovação: é comparado ao 
que, dentre as alternativas, propôs a melhor 
inovação em termos tecnológicos, de per-
formance ou de usabilidade para o usuário. 
A solução que mais atendeu às necessidades 
apresentadas pelo problema, a que propôs so-
luções inéditas etc.
• Processo produtivo: leva-se em considera-
ção as necessidades de tecnologia, maquiná-
rio, força humana, tempo de produção etc. 
Soluções inovadoras geralmente demandam 
um processo produtivo diferenciado, a ne-
cessidade de novos maquinários ou, talvez, 
novas etapas de produção, que devem ser 
avaliadas, inclusive, sob o aspecto da capaci-
dade produtiva da empresa.
• Custo: considera como um todo o quan-
to essa solução custará à empresa em seu 
aspecto geral, em matérias-primas, mão 
de obra, maquinário, transporte, despesas 
fabris, administrativas etc. Não é, muitas 
vezes, uma área que o designer consegue 
computar em sua totalidade, por isto, o 
apoio do departamento de produção e do 
administrativo é muito interessante, o de-
signer pode fazer uma pesquisa para conse-
guir ponderar as suas soluções e prever os 
custos, porém, a empresa pode propor so-
luções e mostrar caminhos ou negociações 
que alteram muito esta conta.
• Capacidade de comercialização: é avaliada 
a força de aceitação e a vendabilidade da so-
lução no mercado (ninguém quer criar um 
produto para morrer na prateleira), de modo 
que a pesquisa de mercado e a experiência de 
vendas da empresa, em seu relacionamento 
com os clientes, analisam quais soluções têm 
a melhor capacidade de comercialização e 
quais demandarão um maior esforço de pro-
paganda para conseguir espaço no mercado. 
Por exemplo, existem produtos que devem ser reno-
vados sazonalmente, mas já fazem parte da identida-
de da marca, são os carros-chefe da empresa, e existe 
uma tradição de consumo, ou seja, aqueles produtos 
que sempre vendem e que são mantidos na linha de 
produção. Estes podem sofrer alterações ao longo 
do tempo, mas o design muito inovador pode causar 
estranheza e, ao invés de atrair, pode repelir os con-
sumidores tradicionais. 
Os designs modernos desenvolvidos no começo 
do século XX, são exemplo de que é possível inovar, 
no entanto, é necessário que se invista em estratégias 
de vendas e de comunicação. No caso dos artistas 
e industriais do início do século XX, o seu sucesso 
comercial foi acompanhado pelo desenvolvimento 
industrial e por uma profunda transformação so-
cial, além da evolução da indústria cultural, com os 
seus meios de comunicação massivos. Os projetos 
modernistas eram divulgados em revistas de design 
(criadas para esta nova estética), documentários, 
 DESIGN 
 211
programas de TV, exposições e mostras de decora-
ção e arquitetura, museus de arte etc. Isto é, foi ne-
cessário abrir caminho para esses produtos por meio 
de estratégias de comunicação, mas, de fato, elas de-
ram certo. Os móveis desenvolvidos na Alemanha, 
nos Estados Unidos etc. conseguiram tornar-se ex-
tremamente rentáveis e revolucionar o que temos 
atualmente em design e decoração.
A seguir, veremos uma maior quantidade de cri-
térios comparativos e, assim, podemos perceber que 
cada projeto exige o estudo e a escolha dos aspectos 
avaliativos, considerando a sua pertinência e o grau 
de importância para o problema.
ESCOLHA DA MELHOR SOLUÇÃO E IN-
CORPORAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS 
DO NOVO PRODUTO
Além dos quadros comparativos, é importante que a 
equipe de decisão pergunte-se:
Convido você a pesquisar as exposições de 
arte e decoração do final do século XIX e início 
do século XX, e que serviram de divulgação 
para diversos artistas, industriais e arquitetos. 
A primeira, em 1851, a “Grande Exibição de 
Trabalho das Indústrias de Todas as Nações” 
ou “Grande Exibição”, muito conhecida por 
seu palácio de cristal. A exposição de art déco 
de 1925, em Paris, onde Le Corbusier participa 
com seu “Pavilhão de Habitação”, um projeto 
controverso para a época, e a Exposição de 
Stuttgart em 1927 (Weissenhofsiedlung), orga-
nizada por Walter Gropius (Bauhaus), contou 
com a participação de diversos arquitetos 
(entre eles, Mies Van der Rohe e Le Corbusier) 
que promoviam qual seria a estética nova 
para esse mundo moderno.
Fonte: os autores.
SAIBA MAIS
• Qual importância tem esta nova solução para 
o usuário ou para a sociedade?
• Essa solução observou os princípios de usabi-
lidade, ergonomia e funcionalidade?
• Atingiu as expectativas estético-formais e de 
inovação tecnológica desejadas?
• Essa solução pode ser fabricada ou ainda pre-
cisa de ajustes?
• Quais pontos precisam ser revistos, quais as 
possíveis falhas desse produto e o que já está 
aprovado?
• Qual importância tem essa nova solução para 
o êxito financeiro da empresa?
Feita uma síntese das análises, os projetos são en-
caminhados ou para re-projeto ou para a descrição 
técnica e, em seguida, ocorre a fase de concretiza-
ção do design.
 
212 
otimizada. Os padrões de cortes ou encaixes, muitas 
vezes, não aparecem no desenho, mas são soluções 
que surgem a partir dos testes práticos ou da descri-
ção detalhada, e trazem novos problemas ou opor-
tunidades para melhorar o desempenho do produto 
e da sua produção.
Pode, inclusive, ocorrer de o desenho inicial da 
peça ser alterado por uma questão estrutural práti-
ca. Por isto, é fundamental que haja uma interação 
entre o projeto conceitual e o projeto executivo.
Esta é a última e crucial fase do design. Segundo 
Löbach (2001, p. 155), “ela deve ser revista mais 
uma vez, retocada e aperfeiçoada”. É o momento de 
descrever criteriosamente o projeto, a fim de ele ser 
prototipado, testado e aprovado para a produção. 
Com a solução escolhida, o designer passa a separarcada parte do projeto, como deverá ser montado, os 
materiais, os quantitativos e processos de produção.
O momento de análise, nessa fase, leva em con-
ta como as peças podem ser produzidas de forma 
Fase de Realização: 
Proposta Definida da 
Solução de Design
 DESIGN 
 213
Na movelaria, acontece muito de um material não 
responder bem, na prática, ao que foi projetado, por 
mais que, em tese, o desenho estivesse perfeito. Mui-
tos designers buscam na experimentação prática o 
caminho para a inspiração do projeto ou a solução 
a partir do modelo. A experiência com os materiais, 
principalmente a madeira, pode alterar encaixes, cor-
tes ou, até mesmo, o desenho por completo, por isso, 
não há como escapar de um bom protótipo, de um 
teste de produto e de uma avaliação do objeto pronto.
Então, a fase de descrição técnica ou de resolu-
ção da solução não pode ser vista como um momen-
to puramente técnico-descritivo, mas pode tornar-
-se, em muitos casos, um momento criativo.
Essa etapa pode ser mais bem esclarecida e apre-
sentada como proposta definitiva desse documento. 
Posteriormente ao da fase do projeto preliminar, 
parte-se para o projeto detalhado, especificando to-
dos os componentes do produto e os seus respec-
tivos materiais e processos que serão utilizados. É 
necessária a descrição técnica (mesmo para a pro-
dução do protótipo) e, finalmente, avaliado e defini-
do, o trabalho descritivo é atualizado para o modelo 
final aprovado.
PROJETO ESTRUTURAL OU PROJETO 
DESCRITIVO
Essa fase determina a configuração do produto, 
iniciando com os princípios de solução escolhidos, 
configurados de forma a permitir a produção e o 
funcionamento em conformidade com as especifi-
cações do projeto (CARPES JUNIOR, 2014).
Nessa fase, são realizados: descrições estrutu-
rais, lista de peças e desenhos técnicos, ilustrando 
as principais possibilidades de cenas de usos com 
o produto. No caso de design de mobiliários, são 
realizadas algumas simulações de organizações es-
paciais com as possibilidades de arranjos físicos do 
produto em determinados espaços, incluindo as 
suas possibilidades de disposição e de modelagem 
em software 3D para testes.
Exemplo prático: linha de móveis seriados
Neste exemplo, acompanharemos um projeto para 
uma indústria de móveis de cozinha modular que 
fornece para lojas de móveis regionais, ou seja, na 
loja existe um projetista que vai fazer a composição 
dos móveis e os pedidos para a fábrica, dentro dos 
critérios e padrões que a indústria permite. Cabe ao 
designer da indústria fazer a definição de todos os 
componentes da modulação.
Esta programação deve ser clara em relação aos 
materiais, às estruturas das peças, às suas possibili-
dades e aos seus limites de fabricação. O designer, as-
sim, facilita a divisão de trabalho e a otimização das 
peças, diminuindo o desperdício de tempo de serviço 
e de material, melhorando o controle de estoque, o 
controle de custos (poder de negociação com forne-
cedores) e a margem de vendas dos produtos, o que, 
por fim, gera maior lucratividade para a empresa.
 
214 
Definição dos padrões
O designer estipulará quais serão os limites de cores 
e texturas, além de ferragens e acabamentos desta co-
leção e que serão oferecidos no mercado. Esta delimi-
tação facilita para a empresa e diminui o desperdício 
de material, permite uma negociação melhor com os 
fornecedores e aumenta a produtividade, diminuindo 
custos. Para o cliente, é interessante, pois ele tem uma 
variedade de escolha, por mais limitada que seja. O 
designer deve avaliar quais são as quantidades ideais 
e as possíveis combinações entre os acabamentos.
Graficamente, é interessante fazer um quadro de 
cores/texturas e, a seguir, um quadro de combina-
ções ótimas. Esse quadro auxilia os vendedores e os 
clientes no momento de decisão.
Ébano Nature Nogueira Nature Ciliegio Nature Faia Nature
Preto Texturizado Grafite Texturizado Bege Texturizado Branco Texturizado
• Cores e texturas: pode ser determinado, por 
exemplo, um número de cores lisas e ama-
deiradas para portas e frentes, além da cor 
padrão para estrutura, sempre buscando um 
limite mínimo necessário de padronagens.
Tabela 1- Pré-definição de acabamentos/cores
Fonte: os autores.
 DESIGN 
 215
Preto e Nogueira Preto e Ciliegio
Grafite e Nogueira Grafite e Faia
Bege e Ébano Bege e Ciliegio
Branco e Ébano Branco e Faia
Tabela 2 - Dicas de composição
Fonte: os autores.
• Ferragens e acabamentos: delimita quais tipos 
de ferragens (corrediças, dobradiças, bascu-
lantes, aramados etc. serão oferecidos, discri-
minando fornecedores e modelo dos produtos 
e quais os tipo de puxadores e demais acaba-
mentos que possam ser compostos no móvel.
Composição da estrutura:
São as especificações das peças, moldes, gabaritos 
ou estrutura das caixarias, além da especificação dos 
dos materiais que serão utilizados no móvel.
 
216 
No exemplo de uma cozinha seriada seria:
• Estrutura dos módulos: em MDP 15 mm 
Branco Tx, Fundos em MDF 6 mm Branco Tx.
• Estrutura de Frentes, Portas e Tamponamen-
tos: MDF 18 mm padrão via tabela de cores.
Configuração de limites mínimos e máximos:
Essas definições auxiliam no corte de peças e na se-
riação do material, podem ser mais flexíveis ou mais 
rígidos conforme a linha de produção da indústria.
• Altura: Fixa - 700 mm
• Profundidade: Mín 350 - Máx 650 mm (múl-
tiplos de 50 - 350, 400 ...650 mm).
• Largura balcão 1 porta: mín.350 - máx 600 
mm (múltiplo de 50 mm).
• Largura balcão 2 portas: mín.700-máx 1200 
mm (múltipo de 50 mm).
• Largura gaveteiros: mín. 300 - máx 1200 mm 
(múltiplos de 100 mm).
E conforme a necessidade do projeto são especificadas 
os demais parâmetros definidos para a modulação.
DESENHOS TÉCNICOS E DESENHOS DE 
REPRESENTAÇÃO
Neste ponto, é possível fazer a representação gráfica 
em detalhes dos mobiliários. Como vimos no capí-
tulo IV, o projeto deve conter:
• Desenho técnico 2D: na escala adequada com 
vistas/elevações frontais e laterais, vista supe-
rior ou inferior (conforme a necessidade), 
além de cortes ou transparências para mos-
trar detalhes internos nas peças. Apresentar 
as cotas das medidas, parafusação, distancia-
mento de peças etc. Nominação das peças, 
indicação das vistas e informação escrita de 
detalhes importantes.
• Desenho técnico em perspectiva: que auxilia 
a ver a peça como um todo e em perspectiva 
explodida, mostrando como as peças se encai-
xam. Esse modelo de perspectiva é uma exce-
lente ferramenta e pode ser utilizada por mon-
tadores da empresa, assim como pelo próprio 
cliente final em forma de um esquema de mon-
tagem, como salienta Vesterlon (2007, p. 93):
Ao lançar uma nova linha de produtos, os ca-
tálogos, geralmente, apresentam o projeto em 
situações de uso. A produção das fotografias 
pode ser feita com o produto aplicado em uma 
situação real (a foto no ambiente de um cliente 
com o produto já instalado), em um estúdio 
de fotografia industrial (estúdios maiores) com 
controle de iluminação e câmeras, ou por meio 
do projeto em 3D com renderização de ex-
trema qualidade e pós-produção, que simula 
uma foto real. Quanto mais realista e bem 
produzida for a foto, melhor ficará o catálogo.
Fonte: os autores.
SAIBA MAIS
 DESIGN 
 217
[...] o esquema de montagem é a instrução que 
acompanha o produto desmontado. É elabora-
do através. de uma perspectiva explodida, ou 
seja, o móvel é desenhado com as peças separa-
das, onde será permitido visualizar a furação da 
e a ferragem utilizada em sua montagem. Pode 
ser apresentada em uma só vista ou em etapas, 
conforme a necessidade. No esquema de mon-
tagem deverá constar a relação de ferragens 
que acompanha o produto, a relação de peças e 
as informações complementares. Os desenhos 
podem ser feitos em perspectiva isométrica ou 
com 2 pontos de fuga.
• Desenho de apresentação: modelo gráfico 
em 3D da peça, com cores e de preferência 
ambientada em um local de destino, ele faci-
lita a visualização da escala dapeça em rela-
ção a outros elementos. Podendo ser feito em 
modelo computacional ou em projeto a mão.
PEÇA PILOTO, TESTES DE PROJETO E 
ANÁLISE DAS FALHAS
A partir do projeto, é feito uma peça piloto, ou seja, 
uma peça que está em escala real e com todos os ma-
teriais, estruturas e componentes do produto final 
que será lançado no mercado. Na sequência, ela será 
submetida a diversos testes para detectar as falhas 
potenciais do produto, avaliando sua importância 
relativa. Segundo Baxter (2011, p. 329):
[...] Essa análise considera separadamente os ti-
pos de falhas e seus efeitos sobre o consumidor. 
Esse procedimento é conhecido como “método 
de projeto certo da primeira vez” e procura an-
tecipar as falhas potenciais durante o projeto, 
para eliminá-las antes que ela ocorram. Como 
resultado dessa análise, obtém-se uma lista de 
mudanças prioritárias, que devem ser introdu-
zidas no produto. Como consequência, o pro-
 
218 
jeto do produto pode ser aperfeiçoado ou, em 
caso contrário o projeto pode ser cancelado, se 
forem constatadas falhas insolúveis no mesmo. 
elas estabelecem as características mínimas dos pro-
dutos e estes devem ser testados e certificados por 
órgãos credenciados ao INMETRO antes de entra-
rem no mercado.
Esse processo tende a ser demorado e é feito 
por modelo de produto, por isso, o designer deve, 
de antemão, estudar a legislação para esses objetos 
e propor um design que já esteja de acordo com as 
normas, para facilitar a certificação do cliente.
EMBALAGEM:
Os mobiliários serão testados em suas funções de 
uso, em repetições de ciclos de uso, suporte de peso, 
resistência à tração, abrasão, umidade ou outros tes-
tes que sejam necessários para identificar a quantida-
de de ocorrências das falhas, a gravidade e a detecção 
da possibilidade de correção. Depois disto, é feito 
uma análise em que se pode calcular o indicador de 
risco do produto e, assim, elaborar uma lista de prio-
ridades e recomendações de melhorias.
Alguns mobiliários, principalmente voltados 
para o público infantil, possuem a obrigatoriedade 
de certificação do INMETRO para serem comercia-
lizados em território nacional. É o caso de berços, 
cadeirinha de alimentação, cadeiras plásticas mono-
bloco, colchões e colchonetes, móveis escolares (ca-
deiras e mesas para conjunto aluno individual) entre 
outros. Essas diretrizes têm a função de normatizar e 
atestar a segurança dos produtos oferecidos no país, 
Para mobiliário em geral, a embalagem é um com-
ponente fundamental para manter a integridade 
do produto desde a produção até a entrega para o 
cliente final. Como ressaltam Bombassaro e Costa 
(2008), diferentemente de outros produtos indus-
triais, a função primordial da embalagem de móveis 
é a proteção do produto, pois ela geralmente não fica 
a vista para o cliente. Já em casos que a embalagem 
fica exposta ao cliente, é mais comum que se invista 
em marketing no ponto de venda, podendo atrair o 
consumidor por suas qualidades estéticas. Mas de 
modo geral, seu foco é a logística da peça, sua segu-
rança, economia de espaço e funcionalidade. 
 DESIGN 
 219
Identificação dos produtos
As embalagens devem ter a clara especificação do 
fornecedor, nome/modelo, cor, código da peça, 
quantitativo, peso, tamanho/volume (AxLxP), 
quantidade máxima de caixas para empilhamento 
entre outras informações que ajudem na proteção 
da peça e na segurança do transporte. Outra forma 
de identificação importante é o uso da simbologia 
gráfica apropriada. A seguir, vemos alguns exemplos 
de símbolos mais utilizados:
Produto frágil:
indicado para peças como: 
portas de vidro, pedras e 
demais materiais que pos-
sam quebrar ou riscar com 
facilidade.
Proteger da umidade:
indicado para mobiliá-
rios de madeira e produ-
tos com sensibilidade à 
umidade. 
Proteger do sol:
indicado para peças de ma-
deira natural e pintura, pois 
pode queimar a pintura e 
alterar a coloração da peça.
Este lado para cima:
indicado para móveis 
que precisam ser man-
tidos em certa posição 
para não danificar. 
Limite de empilhamento:
o número indica a quantida-
de de caixas que podem ser 
empilhadas sem danificar o 
produto.
Produto reciclável:
se colocado separa-
damente dos demais 
símbolos, indica que a 
embalagem em si é de 
material reciclável.
Tabela 3 - Simbologia para embalagens
 Tipos de embalagem e acondicionamento
Cada tipo de mobiliário exige uma embalagem es-
pecífica. A peça pode ser somente envolvida em 
plástico ou caixas de papelão, ou disposta em cai-
xas especiais, como pallet de madeira com isopor 
(indicados para transporte de longas distâncias e 
para exportação).
 
220 
sacola única para os quatro assentos e outra com de-
zesseis ponteiras de PVC pretas.
Para módulos de cozinha, por exemplo, as cha-
pas de MDF podem ser embaladas individualmente 
em filme plástico ou bolha e, geralmente, possuem 
cantoneiras de papelão ou de PVC nos cantos para 
evitar que as chapas lasquem com alguma batida ou 
manuseio. As ferragens e componentes avulsos são 
armazenados em sacolas separadas e, se possível, em 
caixas, para evitar que o material seja riscado.
Para o acondicionamento nas embalagens, algumas 
peças podem ser totalmente desmontáveis, dobráveis 
e embaladas em módulos únicos (uma caixa para 
cada módulo de cozinha, por exemplo), outras po-
dem ser embaladas em grupo (cadeiras empilháveis), 
mas, por fim, existem peças que são feitas por solda-
gem, costura, prensa, amarramentos ou são coladas 
etc., formando blocos que não podem ser desmonta-
dos por inteiro (cadeiras, sofás, pés de mesa de me-
tal, entre outros). Essas peças exigirão um armazena-
mento e uma manutenção mais cuidadosos, além de 
terem um valor cúbico maior, ou seja, ocupam mais 
espaço em depósitos ou em módulos de transporte, o 
que, geralmente, influencia no preço dos fretes, mes-
mo com massa e volume pequenos.
No exemplo da banqueta mostrada na Figura, a 
peça pode ser separada entre assento, ponteiras de 
PVC pretas e pés de metal soldados. Observe que 
não há parafusos, somente encaixes, a peça, então, 
forma blocos que não podem ser mais reduzidos.
Um modelo de embalagem pode ser uma cai-
xa de papelão com grupo de quatro banquetas (se 
pensarmos no consumo com uma mesinha simples 
de refeição): quatro pés empilhados com as pernas 
revestidas com filme plástico para evitar riscos, uma 
Embalagem para móveis de bricolagem
Em móveis estilo bricolagem ou faça-você-mesmo, 
retomaremos o que foi abordado na Unidade I. As 
caixas devem conter todo o módulo que será monta-
do, com manual de montagem das peças em anexo de 
forma clara, visual e explicativa. Também é muito co-
mum, atualmente, que, além dos manuais, as empre-
sas produzam vídeos com a montagem passo a passo 
das peças, isto facilita o trabalho do cliente e diminui 
a sensação de incapacidade diante da complexidade 
do móvel. É ideal que cada peça seja etiquetada con-
forme o manual, para que seja fácil a identificação na 
montagem. Caso seja necessário, podem ser forneci-
das ferramentas e gabaritos para a instalação (chaves 
 DESIGN 
 221
menos comuns para parafusos específicos etc.). Esses 
gabaritos de instalação correspondem a folhas de pa-
pel cartão com o desenho em escala real e os pontos 
certos de parafusação nos módulos.
CONSERVAÇÃO E MANUTENÇÃO DOS 
MÓVEIS
A conservação e manutenção dos produtos é um 
item que, muitas vezes, é pouco explorado pela bi-
bliografia, mas é fundamental para o designer de 
mobiliário. Primeiramente, temos que levar em con-
sideração que os materiais-base dos mobiliários são 
compostos orgânicos, os quais podem degradar-se 
com o tempo.
impregnante é um dos produtos que, além de repelir 
fungos e insetos, protege a madeira contra umidade 
e raios do sol. Ele é aplicado ainda na fabricação e 
deve ser reaplicado conforme o produto for perden-
do efeito. Peças já atingidas pelos insetos podem ser 
tratadas com aplicação de inseticidas posteriormen-
te, o que exige mão de obra especializadapara a apli-
cação, pois os canais e furos provocados podem não 
ter conserto com massa.
Atualmente, a água é um dos maiores fatores de 
deterioração dos móveis em geral. O estufamento 
do miolo de uma peça de MDF ou de MDP, por 
exemplo, ocorre por entrada de água na extremi-
dade do painel, principalmente se não houver fita 
de borda. Para isto, já são desenvolvidos novos ti-
pos de painel com resina hidrófuga, ou seja, que 
repele a água. Porém, o custo é muito superior ao 
material tradicional.
As peças de aço, se não tratadas, também podem 
oxidar com facilidade pela ação da água, e as fer-
ragens, com o tempo, podem apresentar oxidação, 
perda de força e de pressão ou deslizamento.
A deformação por acúmulo de peso também 
pode ocorrer, principalmente em centro de prate-
leiras, onde pode apresentar abaulamento da peça. 
Um dos problemas mais comuns de peças de madei-
ra natural era a presença de cupins, que destruíam 
móveis inteiros de dentro para fora. Assim, foram 
necessários vernizes que auxiliassem a proteger a 
madeira dos ataques desses insetos. O verniz stain 
 
222 
Para evitar isto, é necessário calcular os vãos das 
prateleiras sem apoio e fazer o teste de limite de 
peso, informando ao consumidor sobre ele.
Em armários utilizados para estocar produtos 
químicos corrosivos, mesmo que as ferragens não 
sejam atingidas pelo líquido, a sua vida útil é alta-
mente comprometida pela presença do ácido no 
ar. Ferragens, como dobradiças e corrediças de aço 
inox, disponíveis no mercado, ajudam muito na vida 
útil desses mobiliários.
Muitos desses problemas fogem do controle do 
designer, porém, ele pode ajudar a diminuir essas si-
tuações, escolhendo materiais mais resistentes, pen-
sando na atitude de uso dos futuros clientes. 
Outra ação preventiva é um manual de conser-
vação da peça acompanhar o manual de instalação. 
Este instrumento auxilia o cliente, assim como a 
empresa, que se protege das reclamações de defeitos 
quando verificado que o problema foi causado por 
mau uso do produto.
 DESIGN 
 223
Com o projeto testado e aprovado, é importante que se 
faça a documentação técnica do produto. Ela pode ser 
feita em formato de relatório e deve expor de forma 
ordenada todas as informações do projeto para que 
elas possam ser reproduzidas fielmente na produção.
A partir daí, cabe à empresa fazer o bom uso das 
recomendações e especificações que foram transmi-
tidas, fazendo a gestão de vendas, de produção, de 
distribuição e de acompanhamento do ciclo de vida 
dos produtos que ela está lançando no mercado.
Esperamos que esta unidade tenha ajudado você 
a compreender as rotinas de um projeto de mobiliá-
rio, as documentações necessárias e as responsabili-
dades que nós, profissionais, devemos ter em relação 
aos nossos clientes, aos seus consumidores e à nossa 
sociedade em geral.
Documentação do 
Projeto de Design
224 
considerações finais
Caro(a) aluno(a), aprendemos, nesta unidade, que o projeto de design de móveis en-
volve diversos processos analíticos, criativos e técnicos, a fim de apresentar soluções 
para problemas ou demandas sociais e econômicas percebidas. Neste sentido, a me-
todologia de projeto, aliada aos conhecimentos semânticos e técnicos desenvolvidos 
nesta disciplina, pode contribuir para que se alcance uma solução coerente e inovadora. 
Como vimos, o designer de móveis encontra, na pesquisa, as ferramentas para perce-
ber os problemas que os usuários enfrentam, as soluções presentes no mercado e as 
oportunidades e limitações tecnológicas até aquele momento. Com isto, é possível ver 
de forma clara quais as funções que o produto deverá desempenhar para solucionar, 
pelo menos em parte, os problemas levantados.
Cabe ao designer, então, propor ao mercado algo novo na busca para satisfazer uma 
necessidade latente da sociedade e melhorar as relações do ser humano com o mundo 
ao seu redor, priorizando o desenvolvimento sustentável.
Lembremos, como exemplo, o design funcionando como solução para os novos de-
safios advindos da construção civil, devido à redução sistemática dos espaços. Fato 
este que exigiu que novas disposições, configurações e multifuncionalidades dos 
móveis fossem desenvolvidas. Assim, percebemos como a criatividade do designer é 
de fundamental importância.
E para concretizar essas criações, foram necessários o desenvolvimento de muitos pro-
jetos artísticos (conceituais) e técnicos (operacionais), modelos e simulações, além de 
protótipos, testes e reformulações que fazem parte de qualquer proposta de inovação.
Em resumo, o design de mobiliário deve ser desenvolvido por meio de pesquisa, 
criatividade e precisão técnica, buscando sempre solucionar possíveis falhas, promo-
vendo uma experiência segura e agradável, de maneira prática (funcional) e simbólica 
(emocional) para o seu usuário.
 225
atividades de estudo
1. Para compreender o processo de design de mobiliário, é necessário compre-
ender algumas das condições em que surgem as demandas por inovação. 
Nesta unidade, trabalhamos quatro demandas muito comuns no mercado 
moveleiro. Em relação a essas demandas, é correto afirmar que: 
a. Uma demanda por renovação de linha sazonal exige toda a transformação 
dos processos formal e produtivo do mobiliário.
b. Uma demanda para necessidades futuras tem sempre como objetivo o resul-
tado imediato na imagem da empresa e na sua lucratividade.
c. Quando uma empresa faz o recall de produtos, é porque a sua estética ficou 
ultrapassada e precisa ser renovada.
d. Ao analisar o mercado consumidor, é possível perceber demandas não aten-
didas ou oportunidades de melhorias em termos de design. 
e. O ciclo de vida dos produtos não influencia as demandas de design, pois estas 
são escolhas dos empresários.
2. Em um projeto de design, fazer as perguntas corretas pode determinar o su-
cesso ou a inadequação das soluções. Com base na fase de análise de solu-
ções, elabore um quadro comparativo com quatro critérios para a análise 
das seguintes cadeiras destinadas a um restaurante de público classe AB, e 
pontue sobre a importância de cada critério de avaliação escolhido.
Critérios/
Produtos
 
226 
atividades de estudo
3. Para Baxter (2000, p. 201), “a primeira etapa da análise das funções do produto 
é gerar uma lista de funções do produto, sob o ponto de vista do consumidor, 
usando-se a técnica do brainstorming”. Com essa técnica, é possível fazer uma 
matriz de seleção com diversas alternativas. Sobre geração de alternativas ou 
de ideias, leia as afirmativas a seguir. 
I. Na avaliação, é aconselhável fazer apontamentos apenas dos aspectos negativos.
II. Na seleção, é escolhida a melhor alternativa a partir de questionamentos ou 
de uma matriz (quadro ou elemento para comparação) que baseia os critérios 
avaliativos a partir das especificações ou dos problemas do projeto.
III. Após o modelo ser escolhido, o projeto pode necessitar de adaptações para o 
seu aprimoramento, analisando-se possíveis falhas.
IV. A finalidade da geração de ideias é produzir todas as possíveis soluções para 
chegar a um produto que resolva todos os problemas em um modelo único.
Podemos afirmar que:
a. Somente as afirmativas I e II estão corretas.
b. Somente as afirmativas III e IV estão corretas.
c. Somente as afirmativas II e III estão corretas.
d. Somente as afirmativas I e IV estão corretas.
e. Todas as afirmativas estão corretas.
4. O esquema de montagem é a instrução que acompanha a embalagem de um 
mobiliário desmontável. Sobre o manual de montagem, é correto afirmar:
a. Os desenhos podem ser feitos em perspectiva isométrica e em perspectiva 
com pontos de fuga.
b. No esquema de montagem, não é necessário constar a relação de ferragens 
ou de dispositivos de montagem que acompanham o produto.
c. O produto não pode ser representado por meio de um desenho em perspec-
tiva explodida, pois isto não demonstra o encaixe das peças.
d. O desenho em perspectiva não é uma ferramenta adequada, pois não auxilia 
os montadoresde empresas moveleiras.
e. O manual de montagem deve ser para uso exclusivo do montador habilitado 
para o serviço. Nenhum manual de montagem deve ser desenvolvido para 
que o próprio cliente final faça a montagem do mobiliário. 
 227
atividades de estudo
5. Em projetos de produtos, é muito importante o conhecimento sobre o que 
já existe ou não existe no mercado em questão, evitando, assim, reinvenções. 
Para isto, é aconselhável uma boa pesquisa de mercado. No design, essa pes-
quisa pode ser desenvolvida por meio de uma ferramenta conhecida como 
análise de concorrentes e similares ou análise sincrônica. Comente sobre 
essa análise.
228 
LEITURA
COMPLEMENTAR
Mapa mental
O mapa mental é uma técnica gráfica que oferece uma chave universal para desblo-
quear o potencial do cérebro. É um diagrama usado para representar ideias, palavras 
ou tarefas que se unem a um conceito central distribuído circularmente. Essa técnica 
permite transformar longas e cansativas listas de informações em dados, por meio de 
coloridos diagramas, fáceis de memorizar e perfeitamente ordenados, que funcionam 
de forma natural, do mesmo modo que o cérebro humano.
A primeira regra para se fazer um mapa mental é o uso de uma ideia central e uma 
imagem que ela se associa. Linhas devem sair a partir do núcleo central contendo uma 
palavra-chave. A linha deve ser mais grossa, próxima à sua origem, e ir afinando no ex-
tremo oposto. Hierarquias, números, cores, símbolos e imagens devem colaborar para 
manter o mapa claro.
A representação de informações de forma gráfica e não linear instiga o fluxo natural de 
ideias, sem a preocupação rígida das anotações por meio de texto corrido. Este livre en-
cadeamento de informações facilita as conexões entre palavras, números, sequências, 
imagens, símbolos, cores e ritmo visual.
Conforme lembra o criador dessa técnica, Tony Buzan, desde os seus primórdios, os 
humanos pensam com imagens. Se a palavra morango for pronunciada, o que lhe vem 
à mente? Não é a palavra em si, mas a imagem do próprio morango. O cérebro associa 
ideias com imagens e cores, e lembra melhor dos conceitos quando estes elementos 
são incorporados. 
Trata-se de uma técnica bastante flexível e muito inspiradora quando realizada à mão 
livre. Também é possível desenvolver um mapa mental com a ajuda de programas 
próprios para esta finalidade, que facilitam as anotações e as adaptações necessárias. 
Outras tecnologias atuais também proporcionam o uso deste método, criando associa-
ções com documentos e imagens, inclusive com a participação de diversos usuários.
 229
LEITURA
COMPLEMENTAR
As cinco características principais dos mapas mentais são que:
• A ideia, o assunto ou o enfoque principal é simbolizado por meio de uma ima-
gem central.
• Os temas principais irradiam da imagem central como “bifurcações”.
• As bifurcações incluem uma imagem ou palavra-chave desenhada ou impressa 
na linha que representa.
• Os temas de menor importância são representados como “ramos” da bifurcação.
• As bifurcações formam uma estrutura de nós conectados.
Para entender melhor como se elabora um mapa mental, imagine o mapa de uma cida-
de. O centro dessa cidade representa a ideia principal, as avenidas que levam ao centro 
representam os pensamentos-chave do processo mental, as ruas menores representam 
os pensamentos secundários etc.
As imagens ou formas especiais podem representar os monumentos ou ideias impor-
tantes.
Fonte: Gomes (2015, p. 151-152).
230 
material complementar
Mobiliário no Brasil: Origens da Produção e da Industrialização
Maria Angélica Santi
Editora: SENAC
Sinopse: Mobiliário no Brasil: Origens da Produção e da Industrialização é uma 
narrativa prazerosa e enriquecedora sobre a história da produção e da indus-
trialização moveleira no país, reconstruída com base em entrevistas, análises de 
documentos, catálogos, fotografias e, principalmente, em inúmeras peças de mo-
biliário. Maria Angélica Santi conduz o leitor pelos caminhos da técnica da mar-
cenaria, do fazer artesanal aos primórdios da produção mecanizada. Partindo da 
apreciação técnica detalhada de peças individuais, a autora explora as conexões 
entre o cenário atual industrial e o nosso passado colonial e artesanal.
Indicação para Ler
Bauhaus: A Face do Século XX
1994
Sinopse: o documentário analisa como surgiu e evoluiu a escola de vanguarda 
de artes e arquitetura Bauhaus, a partir de um ponto de vista artístico e histórico, 
abordando várias figuras responsáveis pela escola, incluindo Walter Gropius, Josef 
Albers, Mies van der Rohe e Lásló Moholy-Nagy.
Indicação para Assistir
- Palestra de Rafael Cardoso para a Regional ABEDESIGN, de Minas Gerais. Nesse vídeo, o autor de De-
sign para um Mundo Complexo explica, com uma abordagem renovadora sobre o tema, qual o papel do 
design no mundo atual. 
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=4iSUUH0F1Q4>. 
- TED Talk de Don Norman, autor de livros como Design Emocional e Design do Dia a Dia, aborda aspec-
tos de beleza, alegria, prazer e emoção que devem envolver o design com foco no usuário. 
Disponível em: <https://www.ted.com/talks/don_norman_on_design_and_emotion>. 
Indicação para Acessar
https://www.ted.com/talks/don_norman_on_design_and_emotion
 231
referências
BAXTER, M. Projeto de Produto: guia prático para o design de novos produtos. 
São Paulo: Edgard Blücher, 2000.
BOMBASSARO, L.; COSTA, M. A. Desenvolvimento de Embalagens para Mó-
veis. Porto Alegre: SENAI/RS, 2008 (coleção Moveleiras).
CARPES JUNIOR, W. P. Introdução ao projeto de produtos. Porto Alegre: 
Bookman, 2014.
HSUAN-NA, T. Design: Conceitos e Métodos. São Paulo: Blücher, 2017.
LAWSON, B. Como arquitetos e designers pensam. São Paulo: Oficina de Tex-
tos, 2011.
LÖBACH, B. Design Industrial: Bases para a configuração dos produtos indus-
triais. São Paulo: Blücher, 2001.
MERINO, G. S. A. D. GODP - Guia de Orientação para Desenvolvimento de 
Projetos: Uma Metodologia de Design Centrado no Usuário. Florianópolis: 
NGD/UFSC, 2016. 
MUNARI, B. Das Coisas Nascem Coisas. São Paulo: Martins Fontes, 2008.
ONO, M. M. Design e Cultura: Sintonia Essencial. Curitiba: Aurora, 2006.
PAIM, N. S.; SCOTTON, T. Materiais para o setor moveleiro. Porto Alegre: Se-
nai/RS, 2007.
PAZMINO, A. V. Como se cria: 40 métodos para design de produtos. São Paulo: 
Blücher, 2015.
PERUZZI, J. T. Manual sobre a importância do desenvolvimento de produtos. 
Bento Gonçalves: SENAI/CETEMO/SEBRAE, 1998.
VASCONCELOS, C. Q. Análise da funcionalidade e de ergonomia em habita-
ções compactas. 2011. 196f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em Ar-
quitetura e Urbanismo) - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 
2011.
VESTERLON, M. Desenho de Móveis. Bento Gonçalves: SENAI/CETEMO, 
2007.
Referência On-Line
1Em: <http://abnt.org.br>. Acesso em: 10 mar. 2018.
232 
gabarito
1. D.
2. Exemplo de resposta para o exercício: para um restaurante, pode ser interes-
sante classificar as cadeiras por critérios como os relacionados a seguir.
• Ergonomia: quais modelos são mais confortáveis e adaptáveis ao uso por di-
versos tipos físicos de pessoas. 
• Empilhável: um restaurante pode necessitar que os espaços sejam liberados 
para limpeza constantemente, com mesas e cadeiras dobráveis ou empilhá-
veis, então, o critério de “empilhável” pode ser fundamental para este cliente. 
• Durabilidade: a resistência e a durabilidade dos materiais são fundamentais 
no caso de um restaurante, pois as cadeiras serão utilizadas constantemente, 
limpas com produtos químicos regularmente, suportando diferentes cargas e 
movimentações, então, quanto melhor a estabilidade das peças de união (pés 
com assentos e assentos com encostos), além dos materiais utilizados, melhor 
será a durabilidade da peça. 
• Estética: para um restaurante popular, o preço dos mobiliário pode ser o prin-
cipal critério de seleção, entretanto, a estética das peças pode ser o diferencial 
do ambiente, umobjeto que conversa com a arquitetura e o clima proposto. 
Assim, a escolha pela estética pode ser fundamental.
Critérios
/Produtos
Ergonomia XX XX XX
Empilhável XXX XXX -
Durabilidade XX XX X
Estética - XXX XXX
 233
gabarito
3. C.
4. A.
5. De acordo com Pazmino (2015, p. 64), “é uma ferramenta de análise que 
serve para comparar os produtos em desenvolvimento com produtos exis-
tentes ou concorrentes, baseando-se em variáveis mensuráveis, ou seja, 
que podem ser medidas. Permite avaliar aspectos qualitativos, quantita-
tivos”. Para Baxter (2000, p. 116), “a análise de concorrentes serve para 
monitorar as empresas e seus produtos. Procura determinar como elas 
conseguiram alcançar o sucesso e onde fracassam. Para esta análise, prio-
riza-se uma boa observação quanto à adequação do mobiliário aos requi-
sitos e atributos ergonômicos, e também quanto aos aspectos problemáti-
cos observados em uma pesquisa de campo”.
 
234 
conclusão geral
Caro(a) aluno(a), finalizamos mais um material do curso superior de Tecnologia 
em Design de Produto na modalidade EAD do Centro Universitário Unicesumar. 
Neste livro, estudamos um dos temas mais importantes dentro do projeto de produto, 
que é o design de mobiliário, pois este é um dos artefatos mais significativos e que 
sempre se apresenta com destaque em vários ambientes internos e externos, sejam 
eles residenciais, institucionais, urbanos e de serviços.
Na história do design, o mobiliário sempre foi um dos elementos emblemáticos e 
simbólicos que contam a história e apresentam uma diacronia da evolução tecnoló-
gica de cada época e, ao mesmo tempo, de um cultura, mostrando as influências que, 
por fim, refletem-se no comportamento de uma determinada geração.
A função prática do mobiliário, quando um produto ou serviço deixa de ser útil 
a cada dia, sempre modifica-se devido à obsolescência de diversos artefatos e ao au-
mento do consumo de acordo com o avanço tecnológico, mudando, com isso, as 
formas, dimensões, funções e, até mesmo, apresentando-se com novas possibilidades 
de usos e desusos para se adaptar às novas tendências.
Conhecemos, nesse livro, alguns conceitos, modelos de representações, classifi-
cações, tipos de materiais, dispositivos, componentes e processos produtivos, assim 
como o resumo de uma sequência de métodos criativos que podem ser utilizados no 
desenvolvimento de projetos de produtos para o segmento moveleiro.
Esperamos que as informações deste material ajudem você a visualizar um pro-
duto de produção moveleira de outra forma, com um olhar mais técnico, criativo e 
focado em desenvolver produtos mais inovadores, pois o designer é um dos poucos 
profissionais que trabalham com a percepção dos desejos, sonhos e necessidades de 
variados tipos de usuários.
	UNIDADE I
	CLASSIFICAÇÕES DO MOBILIÁRIO
	Classificações do Mobiliário
	Classificação do Mobiliário Quanto aos Modelos de Configurações.
	Classificações do Mobiliário Quanto aos Sistemas de Produção
	Classificações do Mobiliário 		Quanto aos Sistemas de Montagens
	referências
	gabarito
	UNIDADE II
	ESTRUTURA DA INDÚSTRIA E DO MOBILIÁRIO
	O Designer e a Indústria
	Função, Técnica e Sentido
	Fabricação Artesanal, Fabricação Sob Medida e Fabricação Seriada
	Estrutura e Gestão Industrial
	Composição Geral do Mobiliário
	REFERÊNCIAS ON-LINE
	gabarito
	UNIDADE III
	PROCESSOS PRODUTIVOS
	Produzindo com Madeira Natural
	Produzindo com Painéis de Madeira
	Produzindo com Metal na Movelaria
	Produzindo com Materiais Sintéticos
	Referências On-Line
	UNIDADE IV
	COMPOSIÇÃO DO MOBILIÁRIO
	Componentes de Base
	Componentes de Montagem
	Componentes de Acessórios
	Referências On-Line
	UNIDADE V
	MODELOS DE REPRESENTAÇÃO EM PROJETOS DE MOBILIÁRIO
	Modelos de Representações em Projetos de Mobiliários
	Representações Gráficas em Projetos de Mobiliários
	Representações Físicas em Projetos de Mobiliários
	Gerações de Alternativas em Projetos de Mobiliários
	Referência On-Line
	Botão 1:

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