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Teoria geral da prova
e a perícia
Prof. Michel Grumach
Descrição
Conceitos fundamentais da prova no direito processual e meios de
prova típicos, com especial atenção à prova pericial.
Propósito
A compreensão dos conceitos da prova oferece resultados melhores,
por exemplo, na execução de contratos, em negociações de acordos e
na compreensão das chances de êxito de processos de qualquer
natureza, além de ser parte fundamental da capacitação do advogado
para a defesa efetiva de seus clientes.
Objetivos
Módulo 1
Teoria geral da prova
Analisar os principais conceitos da teoria geral da prova e do direito
probatório em processos jurisdicionais.
Módulo 2
Meios de prova
Identificar os meios de prova típicos na legislação e suas
especificidades.
Módulo 3
Prova pericial
Reconhecer o funcionamento da prova pericial.
Introdução
Profissionais das mais diversas áreas, inclusive além do direito,
podem se beneficiar da compreensão do modo pelo qual a prova
dos fatos é feita nos processos jurisdicionais. Nos mais diversos
campos da vida empresarial, observa-se uma melhora
consistente de resultados em litígios quando os envolvidos na
vida do contrato tomam cuidado de preservar provas adequadas
e compreendem a dinâmica da fixação dos fatos em juízo.
Neste conteúdo, entenderemos as normas fundamentais da
prova, a dinâmica da produção da prova em juízo, quais os meios
de prova admitidos, com especial atenção à prova pericial.

1 - Teoria geral da prova
Ao �nal deste módulo, você será capaz de analisar os principais conceitos da teoria geral da
prova e do direito probatório em processos jurisdicionais.
Conceitos introdutórios
O direito é uma área que busca garantir a justiça e a equidade nas
relações sociais e, para isso, utiliza diversas ferramentas, incluindo a
prova. Confira neste vídeo o papel da prova no direito e especialmente
nos processos.
Prova, interdisciplinaridade e seu papel na lógica processual
O conceito de prova não é apenas jurídico, pois as decisões de seres
humanos racionais, nas mais diversas searas da vida, são tomadas com
base no exame de determinados elementos de convencimento a sua
disposição; com base no exame de provas, portanto (DIDIER JR.;
BRAGA; OLIVEIRA, 2021).
Advogada durante uma audiência.
Em um processo judicial, as partes não debatem apenas sobre a
interpretação da Constituição, leis, tratados e princípios; em uma
infinidade de casos, podem discutir a respeito da ocorrência ou não de
fatos, do modo de ser de eventos, sobre a interpretação técnica dos
acontecimentos, dentre outras possibilidades.
Nesse sentido, a prova é algum traço do fato relevante ao julgamento
que o julgador tenha capacidade de ver e se convencer a fim de decidir o
caso concreto, já que, na maioria dos casos, não vivenciou os
acontecimentos (CARNELUTTI, 1999).
O direito à prova tem dimensão constitucional e principiológica, pois é
faceta do direito ao contraditório, que, por sua vez, é um princípio do
devido processo legal e um direito fundamental resguardado pela
Constituição Federal (art. 5º, LV), por tratados internacionais de Direitos
Humanos de que o Brasil é signatário, e nas Normas Fundamentais do
Processo Civil (art. 7º, CPC/2015).
Segundo Didier JR., Braga e Olveira (2021), trata-se de garantia
complexa, que compreende os seguintes direitos:
Oportunidade adequada de pedir prova.
Produção da prova.
Participar da produção.
Manifestação sobre o que se produziu.
Ver a prova produzida efetivamente examinada pelo julgador.
Segundo Giuseppe Chiovenda:
Entende-se que o julgador não deve adotar postura restritiva em relação
à produção de provas no processo. Deve indeferir a produção daquelas
consideradas “inúteis ou meramente protelatórias” (art. 370, p.u.,
CPC/2015), mas permitir que sejam produzidas as provas sobre as
quais paire qualquer dúvida, já que o conteúdo das garantias deve ser
interpretado de modo a conferir-lhes a máxima eficiência (THEODORO
JÚNIOR, 2021).
Prova e verdade
Não se concebe um processo justo em que a reconstrução dos fatos
realizada pelo juiz não objetive à verdade. Porém, outros valores incidem
sobre ele, como a necessidade de efetividade e celeridade, que impõem
o juiz cheguar a uma decisão – e logo. Deve haver um limite aos
esforços do juiz de investigar os fatos; “quer dizer, não pode levar a sua
busca para além de certos limites, ainda que, assim, só uma verdade
aproximada possa conseguir” (CARNELUTTI, 1999, p. 544). Assim, a
literatura passou a tratar com a dicotomia “verdade real” x “verdade
formal”, sendo a segunda a verdade do processo, que poderia não
corresponder inteiramente à verdade real.
Não há uma “verdade absoluta”, tampouco se pode
falar em diferentes verdades dentro e fora do processo
(“real” x “formal”).
O papel da prova não é estabelecer a verdade em juízo, nem fixar
formalmente os fatos no processo, mas convencer o juiz da veracidade
das alegações (DIDIER; BRAGA; OLIVEIRA 2021).
De�nições e classi�cações de prova
Confira no vídeo quais são os principais meios de prova e como as
presunções podem ser utilizadas para fundamentar uma decisão
judicial.
Sentidos da palavra “prova”
Três significados merecem menção:
Atividade de provar
Significa a atividade para demonstrar suas alegações.
Meio de prova
Significa a técnica utilizada para demonstração do fato
(depoimento de testemunha, documental, pericial etc.).
Resultado da atividade
Significa que determinada proposição está provada (“O Autor
fez prova de suas alegações”).
Nos dois primeiros significados, se diz que há prova em sentido
objetivo; no terceiro, em sentido subjetivo (DIDIER JR.; BRAGA;
OLIVEIRA, 2021).
Em outros termos, no sentido objetivo, a prova é o elemento material
dirigido ao juiz para evidenciar o fato alegado; em sentido subjetivo, a
crença gerada no juiz sobre a verdade da afirmação. Daí que, para
alguns, só há prova, processualmente, quando o juiz se convence
(THEODORO JÚNIOR, 2021).
Meios de prova
Os meios de prova designam a técnica utilizada para a evidenciação de
um fato em juízo. Vejamos!
Típico
O meio de prova previsto em lei (tipificado).
Atípico
O meio de prova não previsto em lei.
Conforme art. 369 do CPC/2015, são admissíveis todos os meios legais
e moralmente legítimos de prova, mesmo que atípicos.
Provas diretas e indiretas
Em relação a seu objeto, as provas podem ser:
Direta
Evidencia o fato que se pretende provar, como uma testemunha
que presenciou uma morte em caso de homicídio.
Indireta
Evidencia um fato diferente daquele que se pretende
comprovar, ao qual se alcança por um trabalho de raciocínio;
por exemplo, as pegadas deixadas no solo podem ser
consideradas provas indiretas da passagem do acusado no
local do crime. Esse tipo de prova também é chamada de
indiciária ou por presunção (THEODORO JÚNIOR, 2021),
Presunção
Observe como se divide a presunção:
Presunção simples ou judicial
É o raciocínio admitido pela lógica corriqueira do que
ordinariamente é verdadeiro em função da existência de
indícios; é o que permite observar a roupa do réu manchada
com o sangue da vítima e a arma do crime encontrada em seus
pertences, induzindo logicamente à presunção de autoria do
homicídio, mesmo que não haja prova direta (não há uma
testemunha que viu o crime ou uma gravação do momento da
morte).
Presunção legal
É o raciocínio lógico já realizado de antemão pelo legislador, à
luz do que normalmente acontece, editando uma norma que
diga que a prova de determinado fato é suficiente para
presumir a ocorrência de outro, como um consequente
normativo.
É absoluta (iuris et de iure) a presunção legal que não admite
prova em contrário, e relativa (iuris tantum) a presunção legal
que pode ser desconstituída por provas (DIDIER JR.; BRAGA;
OLIVEIRA, 2021).
Objeto, �nalidade e destinatário da
prova
Entenda neste vídeo os conceitos de objeto, finalidade e destinatário da
prova, confira como identificá-los e como se relacionam na busca pelaverdade.
Objeto
O objeto da prova são os fatos (ou alegações de fato) deduzidos pelas
partes em juízo, que sejam relevantes para o julgamento. “São, pois, os
fatos litigiosos o objeto da prova” (THEODORO JÚNIOR, 2021, p. 732). É
o que se chama de fato probando ou thema probando.
Diz-se que a prova recai sobre os fatos litigiosos, porque usualmente o
direito – ou seja, a norma jurídica objeto da controvérsia – não
necessita ser provado, à luz do brocardo latino jura novit curia (“o
tribunal conhece a lei”). Todavia, o juiz pode exigir a prova do direito
local (estadual ou municipal), estrangeiro ou dos costumes (art. 376 do
CPC/2015).
Há certos fatos que, mesmo sendo relevantes para o
julgamento, não necessitam ser provados (art. 374 do
CPC/2015). Significa que a lei processual aceita tais
fatos como verdadeiros, mesmo que não haja prova.
Trata-se dos fatos “notórios” (inciso I), fatos
“afirmados por uma parte e confessados pela parte
contrária” (inciso II), fatos “admitidos no processo
como incontroversos” (inciso III) e fatos “em cujo favor
milita presunção legal de existência ou de veracidade”
(inciso IV).
Portanto, a questão objeto de prova deve ser:
Controvertida
Fática com a qual as partes não concordam.
Relevante
Capaz de influir no julgamento por se tratar de fato constitutivo,
impeditivo, modificativo ou extintivo de direito em disputa.
Precisa
Empregada no sentido de não genérica; apenas a alegação de
fato concreto, suficientemente descrito pela parte poderá ser
objeto de prova (THEODORO JÚNIOR, 2021).
Assim, exemplificativamente, na hipótese de o autor alegar que o réu
“agiu com culpa na condução do veículo”, não haverá descrição
suficiente do fato para que seja objeto de prova. É necessário afirmar
que “o réu avançou o cruzamento enquanto o semáforo estava fechado
e se chocou com o veículo do autor”.
Finalidade(s) e destinatário(s)
A toda prova deve corresponder a finalidade de contribuir para a
formação do convencimento do julgador a respeito dos fatos. Ou
melhor, a finalidade da prova é oferecer ao juiz elementos suficientes
para que se convença a respeito dos fatos, decidindo a lide fundada
nessa crença (DIDIER JR.; BRAGA; OLIVEIRA, 2021).
Essa crença resulta do exame dos autos pautado no devido processo
legal, balizado pelas alegações das partes e conforme as provas e
presunções incidentes em cada caso (THEODORO JÚNIOR, 2021).
A literatura mais atual refere que a prova também tem
a finalidade de convencer as partes de suas posições
no litígio e de sua capacidade de demonstrá-las em
juízo, de modo que possam aferir suas chances de
êxito (DIDIER JR.; BRAGA OLIVEIRA, 2021).
Inclusive, o Código admite a produção antecipada da prova nos casos
em que ela possa viabilizar a autocomposição ou possibilitar o
conhecimento dos fatos pelas partes, justificando ou evitando o
ajuizamento de ação (art. 381, I e II, do CPC/2015). O único objeto desse
procedimento será permitir que o interessado obtenha a prova em juízo,
tanto que a lei veda ao juiz qualquer pronunciamento sobre os fatos ou
sobre suas consequências jurídicas (art. 382, § 2º, do CPC/2015).
Juiz anunciando que tomou uma decisão.
O destinatário da prova é o juiz, que deve formar seu convencimento
sobre os fatos relevantes a fim de proferir sua decisão. Face o atual
reconhecimento de que a prova também tem finalidade de melhor
instruir a convicção das partes sobre as próprias pretensões, evidencia-
se que as partes também são destinatárias diretas da prova.
Produção de provas
Confira neste vídeo algumas das questões mais relevantes na produção
de provas e veja informações e dicas para ajudá-lo a lidar com elas.
Valoração da prova
Mesmo sendo o juiz o destinatário da prova, a formação de seu
convencimento não prescinde de um método que confira legitimidade à
decisão. Nesse sentido, ao longo de sua história, o direito processual
conheceu três sistemas de valoração da prova:
Da prova legal ou critério legal
É superado o sistema da prova legal ou prova tarifada, utilizado
largamente no direito romano e medieval. Atribuía-se um valor
a cada tipo de prova e ao julgador cabia apenas aferir as provas
produzidas (TARUFFO, 2016).
Do livre convencimento
Com inspiração na intime conviction do júri, na França
revolucionária, em sua forma mais radical, reconhecia uma
total discricionariedade do juiz, sem qualquer imposição de um
critério racional de valoração da prova (TARUFFO, 2016).
Da persuasão racional ou convencimento motivado
É o adotado no direito processual brasileiro, no art. 371 do
CPC/2015 (“O juiz apreciará a prova constante dos autos,
independentemente do sujeito que a tiver promovido, e indicará
na decisão as razões da formação de seu convencimento.”). O
juiz é vinculado a critérios racionais de valoração da prova, que
devem possuir relação com alegações das partes, e ser
explicitados na motivação.
Instrução
Em sentido restrito, corresponde à fase probatória do processo de
conhecimento. Nela, se concentra a colheita e produção das provas com
o intuito de oferecer elementos para a formação do convencimento do
juiz. No entanto, o direito processual brasileiro não concentra a
instrução em uma só fase (BARBOSA MOREIRA, 2002); por exemplo,
documentos devem ser apresentados ainda na fase postulatória (com a
petição inicial ou a contestação – art. 434 do CPC/2015) ou mesmo a
qualquer tempo, tratando-se de fatos novos (art. 435 do CPC/2015).
Após as manifestações das partes quanto às provas pretendidas (fase
de proposição), sucede o exame de sua admissibilidade pelo juiz,
consoante sua necessidade, utilidade e cabimento (fase de admissão) e
a determinação de que alguma prova seja produzida de ofício (fase de
ordenação oficial). A fase de produção varia conforme o meio de prova
admitido: documentos devem ser juntados ainda na fase postulatória;
provas orais são colhidas na audiência de instrução e julgamento (art.
361 do CPC/2015). A fase de valoração tem lugar na decisão.
Atenção!
É possível que o julgador, após a fase de produção, reabra a fase de
ordenação oficial de provas se entender que não possui elementos para
julgar, convertendo o julgamento em diligência (DIDIER JR.; BRAGA;
OLIVEIRA, 2021).
Aquisição da prova pelo processo
Ao examinar o conjunto probatório, não deve o juiz fazer distinção entre
provas trazidas por autor ou réu. É possível, por exemplo, que uma prova
proposta pelo autor confirme a ocorrência de fato extintivo do direito do
autor e venha a beneficiar o réu.
Poder instrutório do juiz
O Código é expresso no sentido de que o juiz tem poder de determinar
provas de ofício (art. 370 do CPC/2015), o que vai ao encontro da ideia
de que o juiz deve conferir decisão justa à lide (art. 6º do CPC/2015).
Afinal, não pode haver decisão justa sem que a compreensão dos fatos
seja veraz.
No entanto, há debate na doutrina sobre se o juiz sempre pode
determinar provas de ofício ou se há limites a esse poder. O poder
instrutório do juiz é complementar ao das partes, não substitutivo, e
varia conforme a causa e as partes. Pode o juiz determinar prova de
ofício, caso persista dúvida após a produção das provas propostas
pelas partes (DIDIER JR.; BRAGA; OLIVEIRA, 2021).
Proibição da prova ilícita
São inadmissíveis como prova a confissão obtida mediante tortura, a
gravação decorrente de interceptação telefônica não autorizada, o
documento obtido por violação do sigilo de correspondência, além de
outros tipos de prova que contrariam o ordenamento jurídico. A
Constituição Federal proíbe a prova ilícita (art. 5º, LVI). Entende-se por
ilícita “aquela prova que contraria qualquer norma do ordenamento
jurídico” (DIDIER JR.; BRAGA; OLIVEIRA, 2021, p. 117). A definição está
em linha com o conceito trazido pelo art. 157, caput, do Código de
Processo Penal (CPP – Decreto-Lei 3.689/1941), que classifica como
ilícitas as provas “obtidas em violação a normas constitucionais ou
legais”.
Também é inadmissível a prova ilícitapor derivação, que é a prova a
princípio lícita, mas que se torna ilícita porque produzida a partir de uma
prova ilícita.
Exemplo
Um documento obtido em busca e apreensão em endereço que só se
poderia ter conhecimento por uma interceptação telefônica não
autorizada. O art. 157, § 1º, do CPP, reconhece expressamente a
aplicação da teoria dos frutos da árvore envenenada.
Prova emprestada
Prevista no art. 372 do CPC/2015, trata-se de técnica de aproveitamento
de prova, por meio da qual pode ser aceita no processo (de destino)
uma prova produzida em outro processo (de origem), mediante a
simples juntada. A título de exemplo, ouvida a testemunha no processo
A, aproveita-se o termo de depoimento como prova emprestada no
processo B; feita perícia no processo A, leva-se o laudo pericial como
prova emprestada ao processo B.
A prova emprestada terá o valor que o juiz do processo de
destino considerar adequado.
Para a utilização de prova emprestada, é indispensável observar a
garantia do contraditório, sendo dada a oportunidade a todos os
interessados para se manifestarem em prazo suficiente. O Enunciado 52
do Fórum Permanente de Processualistas Civis aponta a necessidade
de contraditório na origem e no destino da prova.
Ônus da prova
Entenda neste vídeo os conceitos fundamentais relacionados ao ônus
da prova, como ele é aplicado em diferentes áreas do direito e as
consequências de não cumprir com essa obrigação.
Distribuição legal do ônus da prova
O ônus da prova foi fixado no art. 373 do CPC/2015 e é atribuído
conforme: a posição das partes (autor e réu); e o tipo de fato sobre o
qual recai a atividade probatória (fatos constitutivos, impeditivos,
modificativos e extintivos dos direitos discutidos).
O autor tem o ônus de provar
o fato constitutivo de seu
direito.
(Art. 373, I, do CPC/2015)
Para dar alguns exemplos, em ação de cobrança, o autor tem o ônus de
provar a existência da dívida; em ação de indenização por acidente de
trânsito, o autor tem o ônus de provar a culpa do réu pelo acidente, além
dos danos sofridos. Por outro lado:
O réu tem o ônus de provar a
existência de fato impeditivo,
modi�cativo ou extintivo do
direito do autor.
(Art. 373, II, do CPC/2015)
Nos mesmos exemplos, caberia ao réu provar a novação da dívida (fato
modificativo) ou que, tendo ocorrido o acidente, os danos do autor já
foram indenizados por outrem (fato extintivo).
Ônus da prova como regra de julgamento
Ônus é um encargo que, se não cumprido, coloca o onerado em situação
de desvantagem. Não há dever de produção da prova; apenas uma
desvantagem da parte que tinha o ônus de produzi-la e não fez.
Assim, o ônus da prova é uma regra de julgamento. Significa dizer que a
parte que tem o ônus de provar um fato que não restar provado sofre a
desvantagem de um julgamento desfavorável. Caso se conclua a
instrução, com a produção de todas as provas cabíveis, e ainda persista
dúvida do juiz a respeito dos fatos relevantes, ele deverá se valer da
regra do ônus da prova para decidir o perdedor. Entenda!

Se o fato constitutivo do
direito do autor não tiver
sido provado, a ação
será julgada
improcedente.

Se o fato constitutivo do
direito do autor tiver
sido provado e não
provado fato impeditivo,
modificativo ou
extintivo do direito do
autor, a ação será
julgada procedente.
Distribuição dinâmica
Nem todos os casos se submetem à regra geral de distribuição do ônus
da prova prevista no caput do art. 373 do CPC/2015. A ocorrência de
circunstâncias específicas previstas em lei pode fazer o juiz atribuir a
uma parte o ônus de provar um fato que, a princípio, não lhe caberia
provar.

Juiz analisando a prova.
O § 1º do dispositivo permite ao juiz, diante da impossibilidade ou
excessiva dificuldade de uma parte em fazer a prova ou da maior
facilidade de obtenção da prova do fato contrário, distribuir o ônus da
prova de modo diverso do legal, desde que por decisão fundamentada.
Sempre que assim fizer, o juiz deve dar oportunidade à parte para se
desincumbir do novo ônus, de maneira que essa decisão não pode ser
tomada na própria sentença.
Por outro lado, a distribuição dinâmica do ônus da prova não pode gerar
situação tal que a parte incumbida pelo juiz necessite fazer prova
“impossível ou excessivamente difícil” (art. 373, § 2º, do CPC/2015).
Ações de consumo
É direito básico do consumidor a inversão do ônus da prova a seu favor,
desde que presentes, a critério do juiz, os requisitos de verossimilhança
de suas alegações e de sua hipossuficiência (art. 6º, VIII, do Código de
Defesa do Consumidor – Lei 8.078/1990).
Diferentemente do que poderia parecer da leitura do dispositivo, não se
pode admitir a inversão completa e automática do ônus da prova. Cabe
interpretação teleológica e sistemática do art. 6º, VIII, do CDC, conforme
o conjunto integrado também pelo CPC/2015. Assim, deve o dispositivo
“ser utilizado com equidade e moderação, dentro da busca de
harmonização dos interesses em conflito nas relações de consumo.”
(THEODORO JÚNIOR, 2021, p. 768).
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Ao julgar os pedidos, o juiz deve estar atento às alegações das
partes e às provas produzidas no processo. Analisando as provas
produzidas, é correto afirmar que
Parabéns! A alternativa C está correta.
A
sempre que o autor da ação provar a ocorrência do
fato constitutivo de seu direito, seu pedido deve ser
julgado procedente.
B
quando for impossível ou excessivamente difícil
para uma parte fazer a prova que lhe caberia, o juiz
pode desde logo julgar os pedidos, atribuindo o
ônus da prova de modo diverso. Mas sempre deve
fundamentar essa decisão.
C
quando for impossível ou excessivamente difícil
para uma parte fazer a prova que lhe caberia, o juiz
pode atribuir o ônus da prova de modo diverso,
desde que fundamente essa decisão e dê a
oportunidade à outra parte de se desincumbir do
novo ônus que lhe foi atribuído.
D
tratando-se de ação que trate de relação de
consumo, o ônus da prova deve ser
automaticamente invertido em favor do consumidor,
pois a facilitação da defesa de seus direitos em
juízo é seu direito básico.
E
o réu tem o dever de provar os fatos impeditivos,
modificativos e extintivos do direito do autor que
tenha alegado, sob pena de a ação ser julgada
procedente.
O art. 373, § 1º, do CPC/2015 prevê que, nos casos previstos em lei
ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à
impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo
nos termos do caput do próprio dispositivo, ou à maior facilidade de
obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da
prova de modo diverso, desde que o faça por decisão
fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de
se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído.
Questão 2
As provas produzidas no curso do processo podem apontar para
diferentes conclusões a respeito dos fatos relevantes para o
julgamento. Assinale a alternativa correta a respeito da busca pela
verdade.
A
O juiz desconsiderará a prova prejudicial à própria
parte que a trouxe aos autos ou a requereu, porque
ninguém pode produzir prova contra si mesmo.
B
O juiz pode formar seu livre e íntimo convencimento
sobre a verdade a partir do conjunto probatório dos
autos, desde que o faça com sinceridade,
razoabilidade e lógica.
C
Ao proferir seu julgamento, o juiz deve observar a
hierarquia entre as provas, atendendo à vontade do
legislador, que predefine o valor que deve ser
atribuído a cada meio de prova.
D
O juiz pode formar seu convencimento a partir do
conjunto probatório dos autos, atribuindo o valor
que considerar adequado às provas, indicando em
sua decisão suas razões.
E
Se ultrapassada a fase de instrução e não houver
pedido das partes para produzir provas, o juiz deve
julgar a ação com base nas provas existentes nos
Parabéns! A alternativa D está correta.
São superados os sistemas da provatarifada e do livre
convencimento puro. O CPC/2015 adotou o sistema de valoração
das provas segundo o convencimento motivado ou a persuasão
racional, conforme o art. 371, o qual prevê que o juiz apreciará a
prova constante dos autos, independentemente do sujeito que a
tiver promovido, e indicará na decisão as razões da formação de
seu convencimento.
2 - Meios de prova
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car os meios de prova típicos na legislação e
suas especi�cidades.
Depoimento pessoal
Confira neste vídeo o depoimento pessoal, um dos principais
instrumentos utilizados no processo judicial para esclarecer fatos
relevantes em uma demanda. Entenda o conceito e a disciplina legal que
regulamenta o depoimento pessoal, bem como os procedimentos que
devem ser adotados durante a sua realização.
autos, nunca podendo determinar a produção de
provas sem que haja pedido.
Disciplina legal e conceito
O depoimento pessoal é meio de prova disciplinado principalmente nos
artigos 385 a 388, e no art. 379, I, todos do CPC/2015.
Somente pode prestar depoimento pessoal a parte ou
terceiro interveniente.
São objeto do depoimento pessoal os fatos alegados pela parte
contrária ou que o juiz considere necessário esclarecer. Por isso, a
função do depoimento pessoal é provocar confissão ou esclarecer
fatos, sendo primordialmente de interesse da parte contrária à que
presta depoimento (THEODORO JÚNIOR, 2021, p. 793).
O art. 388 do CPC/2015 escusa a parte de depor sobre fatos
“criminosos ou torpes que lhe forem imputados” (inciso I), “a cujo
respeito, por estado ou profissão, deva guardar sigilo” (inciso II), “acerca
dos quais não possa responder sem desonra própria, de seu cônjuge, de
seu companheiro ou de parente em grau sucessível” (inciso III) e “que
coloquem em perigo a vida do depoente ou das pessoas referidas no
inciso III” (inciso IV).
Juíza ouvindo a parte.
Deve a parte responder a tudo com lealdade. Se a parte não responder o
que lhe é perguntado ou se utilizar de respostas evasivas, o juiz pode
considerar que ela se recusou a depor, e assim aplicar-lhe a pena de
confesso (art. 386 do CPC/2015).
Procedimento do depoimento pessoal
Deve ser requerido pelo interessando antes da decisão de saneamento e
de organização do processo (art. 357 do CPC/2015). O depoimento
pessoal segue basicamente o formato da inquirição de testemunhas,
com a ressalva de algumas peculiaridades.
A parte depoente é intimada a comparecer pessoalmente à audiência de
instrução e julgamento, sob pena de confesso, oportunidade em que
será ouvida após o perito e os assistentes técnicos e antes das
testemunhas.
Atenção!
O depoimento pessoal do autor deve ser tomado antes do depoimento
do réu (art. 361, II, do CPC/2015), o juiz deve providenciar para que uma
parte não assista ao depoimento da outra antes de ter prestado seu
próprio depoimento (art. 385, § 2º, do CPC/2015), bem como para que a
parte não consulte escritos ao depor, à exceção de notas breves (art.
387 do CPC/2015).
A parte não tem o direito de mentir em seu depoimento pessoal. Mas
não se lhe impõe prestar o compromisso de dizer a verdade sob pena de
caracterização de crime, como ocorre com as testemunhas (art. 458 do
CPC/2015).
Con�ssão
Entenda neste vídeo a disciplina legal que regulamenta a confissão, bem
como o seu conceito e os requisitos necessários para que ela seja
considerada válida. Além disso, vamos abordar os efeitos da confissão
no processo judicial, tanto para a parte que confessa quanto para a
parte contrária.
Disciplina legal, conceito e requisitos
A confissão vem regulamentada entre os artigos 389 e 395 do
CPC/2015. Apelidada de rainha das provas, é meio de prova altamente
persuasivo para o juiz.
Conforme o art. 389, “há confissão, judicial ou extrajudicial, quando a
parte admite a verdade de fato contrário ao seu interesse e favorável ao
do adversário”.
A confissão é da parte e não de seu representante!
Para que o representante ou procurador confesse fato
em nome da parte, é preciso que tenha poderes
expressos e especiais para esse fim.
Há quatro tipos de confissão (art. 390 do CPC/2015):
Con�ssão extrajudicial
Se dá fora dos autos.
Con�ssão judicial
Se dá nos autos.
Con�ssão espontânea
É de iniciativa da parte ou de seu representante.
Con�ssão provocada
É a que resulta do depoimento pessoal.
A confissão se dá sobre um fato desfavorável à parte e não sobre o
direito. Portanto, é possível que, apesar da confissão, a ação seja
julgada favoravelmente à parte que confessou. Confissão é diferente de
reconhecimento da procedência do pedido, que é causa de resolução do
mérito (art. 487, III, “a”, do CPC/2015).
São requisitos da confissão: reconhecer um fato alegado pela outra
parte; que o reconhecimento seja voluntário; e que daí decorra um
prejuízo ao confitente. Não necessita ser expressa, afinal, é possível a
confissão presumida ou ficta, como nos casos de aplicação de pena de
confesso.
Efeitos da con�ssão
A confissão faz prova do fato contra a parte confitente (art. 391 do
CPC/2015), dispensa a produção de outras provas sobre o mesmo fato
(art. 374, II, do CPC/2015) e ocasiona a preclusão lógica quanto à
possibilidade de o confitente produzir provas para desconstituí-la.
Todavia, o sistema de prova tarifada é passado. Ao analisar diversos
sistemas processuais da Europa, Taruffo (2014, p. 70-71) conclui que “a
confissão como declaração probatória vinculante é uma relíquia do
passado que segue existindo simplesmente pela inércia de alguns
legisladores europeus.” Tratando-se de elemento que compõe o
conjunto probatório dos autos, a confissão deve ser valorada pelo
magistrado como entender pertinente; jamais como prova vinculante de
seu convencimento sobre os fatos, mas observando-se o pesado ônus
argumentativo de rejeitá-la (DIDIER JR.; BRAGA; OLIVEIRA, 2021).
O art. 391 do CPC/2015 excepciona que a confissão
não prejudica os litisconsortes do confitente. Significa
que, na hipótese de litisconsórcio simples, a confissão
prejudica o confitente e não afeta as demais partes no
polo.
Quando a confissão se originar de pessoa incapaz ou disser respeito a
fatos relacionados a direito indisponível, não terá eficácia típica de
confissão (art. 392, caput e § 1º, do CPC/2015). Mas poderá ser
valorada pelo magistrado como prova atípica; espécie de declaração
genérica da parte. O mesmo se diz em relação à confissão de apenas
um dos cônjuges, em “ações que versarem sobre bens imóveis ou
direitos reais sobre imóveis alheios” (art. 391, parágrafo único, do
CPC/2015).
Homem confessando crime ao juiz.
O confitente não pode voltar atrás no que confessou (art. 393 do
CPC/2015). Entretanto, o dispositivo autoriza que se busque a anulação
da confissão nos casos em que resulte de erro de fato (art. 138 do
CC/2002) ou de coação (art. 151 do CC/2002). O meio adequado é a
ação anulatória da confissão.
Prova documental
Confira neste vídeo as características e importância das provas
documentais e atas notariais e como elas podem ser utilizadas para
proteger os seus direitos e interesses.
Produção da prova
O CPC/2015 regulamenta a prova documental entre os artigos 405 a
438.
O Código não definiu documento ou prova documental. A doutrina
nacional define documento como “toda atestação escrita ou gravada
para um fim” (PINHO, 2013, p. 255); ou “resultado de uma obra humana
que tenha por objeto a fixação ou retratação material de algum
acontecimento” (THEODORO JÚNIOR, 2021, p. 808).
Em nosso sistema processual, a prova documental é meio de prova que
tem como fonte o documento passível de ingresso nos autos na forma
do art. 434 e seguintes do CPC/2015, geralmente em forma escrita, mas
também por outras mídias (fotografias, reprodução cinematográfica,
fonográfica).
Comentário
A prova documental, a princípio, deve ser produzida ainda na fase
postulatória. Cabe ao autor juntar todos os documentos pertinentes em
sua petição inicial; ao réu, cabe juntá-losem sua contestação, conforme
art. 434 do CPC/2015. Documentos novos podem ser trazidos sempre
que “destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados
ou para contrapô-los aos que foram produzidos nos autos” (art. 435).
Contudo, a regra sempre foi flexibilizada (BARBOSA MOREIRA, 2002).
Admite-se a juntada posterior de documentos, desde que de boa-fé e
observado o contraditório (art. 435, parágrafo único).
Força probante dos documentos públicos e dos privados
Distinguem-se os documentos entre particulares e públicos (DIDIER JR.;
BRAGA; OLIVEIRA, 2021, p. 224). Veja!
Documento particular
É todo documento de
“cuja formação não
participou qualquer
agente público no
exercício de suas
funções”.
Documento público
É todo documento de
“cuja formação tenha
participado um agente
público no exercício de
suas funções”.
Prevê o art. 405 do CPC/2015 que o “documento público faz prova não
só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o chefe de
secretaria, o tabelião ou o servidor declarar que ocorreram em sua
presença”. Trata-se de presunção iuris tantum, que comporta prova em
contrário.
Além disso, certos fatos só podem ser provados por documento público,
como a propriedade de bens imóveis, por exemplo. Nesses casos, em
que o instrumento público é “da substância do ato, nenhuma outra
prova, por mais especial que seja, poderá suprir-lhe a falta” (art. 406 do
CPC/2015).

Por sua vez, o documento particular escrito e assinado ou somente
assinado gera presunção relativa de veracidade, em relação a seu(s)
autor(es), das declarações nele contidas (art. 408, caput, do CPC/2015),
desde que sua autenticidade não seja objeto de dúvida (art. 412, caput).
Falsidade documental
Só cessa a fé do documento, ou seja, deixa de fazer prova, se declarada
sua falsidade judicialmente (art. 427, caput, do CPC/2015). Por isso, a
parte não pode se contentar em impugnar o conteúdo do documento em
suas manifestações, uma vez que isso não afasta sua força probante.
Deverá propor ação autônoma de declaração da falsidade (art. 19, II, do
CPC/2015) ou argui-la em incidente típico na contestação, na réplica ou
em quinze dias de quando tiver ciência da juntada de novos documentos
(incidente de arguição de falsidade – art. 430 do CPC/2015).
Falsidade ideológica é o vício do documento que contém declaração ou
registro de fato não verdadeiro, em documento materialmente perfeito
(PINHO, 2013). Documento com falsidade material é aquele que viciado
em sua formação, nos aspectos exteriores.
Importante distinguir falsidade de inautenticidade. É inautêntico o
documento cuja autoria real não seja a que se declara no documento
(por exemplo, recibo de quitação com assinatura falsa).
Atenção!
A distinção é relevante para o ônus da prova na impugnação do
documento (art. 429 do CPC/2015). Se alegada a falsidade, o ônus da
prova é de quem alega (inciso I); se alegada a inautenticidade, o ônus da
prova de sua autenticidade é de quem trouxe o documento aos autos
(inciso II).
Documentos eletrônicos
O legislador optou por tratar da prova documental “tradicional” em
seção distinta dos documentos eletrônicos, que são disciplinados nos
artigos 439 a 441 do CPC/2015.
Pasta com documentos eletrônicos.
Tratamos com documentos eletrônicos o tempo todo. Compramos e
vendemos ações por aplicativos de celular, fazemos depósitos
bancários, compramos passagens aéreas e até trocamos likes em redes
sociais. A maioria dos autos de processos judiciais em curso no Brasil
são documentos exclusivamente eletrônicos, sem correspondência
alguma com autos físicos.
Parafraseando Augusto Tavares Rosa Marcacini, o documento
eletrônico é uma sequência digital de informação (bytes), traduzida por
computador, que representa um fato (DIDIER JR.; BRAGA; OLIVEIRA,
2021).
O documento eletrônico útil ao processo e à busca da verdade deve
assegurar as qualidades típicas dos documentos em geral: a
capacidade e confiabilidade de registrar um fato, o tempo em que
ocorrido e de confirmar a autoria.
Documentos eletrônicos com possibilidade de
verificação de autenticidade, desde que se garanta sua
confiabilidade, serão admitidos como prova no
processo (artigos 439 e 441 do CPC/2015), cuja
validade e regramento serão os mesmos da prova
documental “tradicional”.
No entanto, mesmo o documento eletrônico sem a autenticidade
verificada deverá ser valorado pelo juiz segundo o grau de confiabilidade
que puder ser atribuído à prova, pelas regras gerais do direito probatório,
máximas de experiência e até com auxílio de perito.
O mais relevante, sempre, é observar a parte final do art. 440 do
CPC/2015, a fim de que seja assegurado às partes o acesso ao teor
original do documento eletrônico.
Ata notarial
É meio de prova documental previsto no art. 384 do CPC/15. Segundo o
caput, a “existência e o modo de existir de algum fato podem ser
atestados ou documentados, a requerimento do interessado, mediante
ata lavrada por tabelião.”
A ata notarial é um documento público produzido a
requerimento do interessado, antes ou no curso de um
processo judicial, por meio do qual o tabelião atesta
um fato ou situação fática presenciada por ele. A fé
pública abarca somente a narrativa do fato, mas não o
fato em si.
Exemplificativamente, a ata notarial pode ser usada para documentar o
conteúdo de sites de internet, o estado de uma obra civil, inclusive
mediante imagens etc.
Exibição de documento ou coisa
É um meio de obtenção de elemento de prova, mais do que um meio de
prova em si (DIDIER JR.; BRAGA; OLIVEIRA, 2021). No entanto, veio
tratada como meio de prova autônomo na legislação processual,
previsto nos artigos 396 a 404 do CPC/2015.
O juiz pode determinar que uma parte ou um terceiro exiba no processo
documento ou coisa que esteja em seu poder (art. 396 do CPC/2015) se
entender que a parte postulante tem interesse legítimo na exibição. O
interesse pode resultar da intenção de produzir uma prova direta do fato
litigioso, como a exibição de um contrato que comprova a dívida, ou
uma prova indireta, como um objeto que será periciado (THEODORO
JÚNIOR, 2021).
Quando a exibição é determinada à parte e essa não oferecer resposta,
não exibir os documentos ou sua recusa for havida por ilegítima, há
relevantíssima consequência jurídica, pois “os fatos que se pretendia
provar com a exibição serão presumidos verdadeiros” (art. 400 do
CPC/2015). Contudo, se a exibição for requerida em face de terceiro e
esse se recusar ou não responder, não há presunção de veracidade dos
fatos.
Prova testemunhal
Confira neste vídeo o conceito de testemunha e a importância da prova
oral em um processo, bem como quem pode prestar a prova
testemunhal e quais fatos podem ser objeto dela. Veja ainda como é
produzida a prova testemunhal e quais são as regras que devem ser
seguidas para garantir a sua validade e eficácia no processo.
Prova oral e conceito de testemunha
A prova testemunhal é meio de prova oral disciplinado entre os artigos
442 e 463 do CPC/2015.
Taruffo (2014) ensina que, geralmente, ao redor do mundo, as provas
orais compartilham o fato de serem tomadas por declarações orais em
resposta a perguntas feitas em interrogatório especialmente designado,
em que a declarante é pessoa com conhecimento de informações úteis
para estabelecer a verdade dos fatos.
Testemunha.
A testemunha “é uma pessoa diversa dos sujeitos processuais chamada
a expor ao juiz as próprias observações de fatos ocorridos, de
importância na causa” (CHIOVENDA, 1998, p. 131); ou “uma pessoa
natural, distinta dos sujeitos processuais, que é chamada a juízo para
dizer o que sabe sobre o fato probando” (DIDIER JR.; BRAGA; OLIVEIRA,
2021, p. 309).
Quem pode prestar prova testemunhal
A lei estabelece diversos critérios sobre a credibilidade da testemunha.
Assim, qualquer pessoa pode ser testemunha, exceto aquelas
consideradas incapazes, impedidas ou suspeitas (art. 447, caput, do
CPC/2015). A valoração de cada testemunhocabe ao juiz, conforme
critérios racionais já abordados.
O § 1º do art. 447 do CPC/2015 trata dos incapazes para prestar
testemunho, de que são exemplos o interdito por enfermidade ou
doença mental e o menor de dezesseis anos. Segundo art 447, caput, §
2º, II e III, e § 3º, II, ser parte, intervir em nome da parte ou ter interesse
no litígio são, respectivamente, causas de:
Impedimento
Pessoas em certos
graus de parentesco.
Suspeição
Inimigo e amigo íntimo.
Mesmo assim, se for especialmente necessário ao descobrimento da
verdade, o juiz pode ouvir a testemunha impedida, suspeita ou menor de
idade como informante do juízo, sem esta prestar compromisso legal de
dizer a verdade sob pena de crime de falso testemunho (art. 447, §§ 4º
e 5º, do CPC/2015).
Atenção!
Ninguém pode se escusar de prestar depoimento, apesar de poder haver
recusa para certos fatos prejudiciais à testemunha (nunca à parte) ou
sobre os quais tenha dever de sigilo profissional, conforme descrito no
art. 448 do CPC/2015). Trata-se de um dever considerado serviço
público (art. 463 do CPC/2015). Se a testemunha não comparece, pode
ser conduzida por força policial ao local do depoimento.
Os fatos objeto de prova testemunhal
Qualquer fato pode ser provado por meio de prova testemunhal, com
poucas exceções expressas pelo legislador (art. 442 do CPC/2015).

No entanto, o juiz pode indeferir a oitiva de testemunha sobre fato já
provado por documento ou que só possa ser provado por documento ou
perícia (art. 443 do CPC/2015), apesar de ser preferível ouvir a
testemunha e valorar seu depoimento posteriormente.
Produção da prova testemunhal
A prova testemunhal é produzida com a inquirição oral da testemunha
em audiência de instrução e julgamento. As testemunhas são ouvidas
após a oitiva do perito, dos assistentes técnicos e das partes. As
testemunhas propostas pelo autor são ouvidas antes das testemunhas
propostas pelo réu, cuidando para que umas não escutem os
depoimentos das outras. Primeiro, a testemunha responde às perguntas
do juiz e depois às das partes.
Em audiência de instrução e julgamento, a parte interessada pode
impugnar a credibilidade da testemunha por meio da contradita a fim de
que não seja ouvida ou ao menos para reduzir o valor de seu
depoimento. A contradita é disciplinada pelo art. 457, § 1º, do
CPC/2015, devendo ser formulada antes que o juiz inicie a inquirição da
testemunha.
A testemunha presta compromisso legal de dizer a
verdade, sendo alertada pelo juiz de que o faz sob pena
de caracterização do crime de falso testemunho (art.
458 do CPC/2015).
A acareação pode ser determinada pelo juiz para confrontar
depoimentos conflitantes em matéria fática. São feitas reperguntas aos
acareados para que elucidem os pontos de divergência (art. 461, II, e §§
1º e 2º, do CPC/2015).
Inspeção judicial
Confira neste vídeo a previsão legal da inspeção judicial e o seu
conceito, bem como o procedimento para a sua realização. Veja ainda
como ela pode ser utilizada para esclarecer fatos relevantes em um
processo e contribuir para a tomada de decisão do juiz.
Previsão legal e conceito
A inspeção judicial é meio de prova real ou prova demonstrativa
disciplinada entre os artigos 481 e 484 do CPC/2015.
Reconhece-se, sobre as provas reais, que o:
Traço comum dessa diversidade de
elementos probatórios é que se
trata de eventos, comportamentos,
situações, objetos ou ocorrências
que são ou podem ser diretamente
percebidos pelo julgador.
(TARUFFO, 2014, p. 99)
Aí reside exatamente a questão nodal: a percepção “real” do juiz a
respeito dos fatos, formada por meio de seu contato direto com
pessoas ou coisas, é o que constitui a prova.
Com efeito, inspeção judicial é meio típico de prova pelo qual é dado ao
juiz “inspecionar pessoas ou coisas, a fim de se esclarecer sobre fato
que interesse à decisão da causa” (art. 481 do CPC/2015, in fine).
Admite-se que o conceito de “coisas” englobe também lugares e
fenômenos (por exemplo, o local de uma construção objeto da disputa
ou os ruídos e odores de uma indústria), porque pode haver fatos em
disputa que, por suas características ou circunstâncias, só possam ser
adequadamente observados e interpretados a partir do reconhecimento
contextualizado (art. 483 do CPC/2015).
A inspeção deve ter objeto bem delimitado e não se
destinar à satisfação de curiosidades genéricas ou de
“instintos e perseguição em torno dos envolvidos no
processo”.
No entanto, apesar do relativo desuso prático, é apontada como “um
dos mais importantes, esclarecedores e seguros meios de prova”
(DIDIER JR.; BRAGA; OLIVEIRA, 2021, p. 385).
Procedimento
A inspeção judicial pode ser feita em qualquer fase do processo (art.
481 do CPC/2015). Deve ser requerida preferencialmente antes do
saneamento, mas não há impedimento que seja requerida durante a
instrução, inclusive para esclarecer alguma questão tratada nas provas
produzidas, ou até mesmo na fase recursal.
Admitida a produção da prova, deve ser designada data e hora para a
diligência, que deve acontecer na sede do juízo, em audiência, ou, sendo
necessário, poderá ser feita no local em que se acha o objeto da
inspeção (art. 483 do CPC/2015).
Comentário
Em qualquer caso, deve sempre ocorrer a intimação das partes para que
possam acompanhar a produção da prova, inclusive para que possam
prestar esclarecimentos e fazer observações (parágrafo único).
O art. 482 do CPC/2015 prevê a possibilidade de o juiz ser
acompanhado, na inspeção, por um ou mais peritos de sua confiança.
Não há qualquer impedimento que o expert seja o mesmo que funcione
como perito no processo, em prova técnica eventualmente determinada.
As partes podem ser acompanhadas de assistentes
técnicos.
Toda inspeção judicial deve ser formalizada por auto ou termo de
inspeção (art. 484 do CPC/2015), que deverá ser assinado por todos os
sujeitos processuais e auxiliares. Tudo que puder ser utilizado como
elemento de convencimento do magistrado deve estar descrito no auto
ou termo, que é instrumento ad substancia de prova da diligência
(DIDIER JR.; BRAGA; OLIVEIRA, 2021). Significa dizer que, se não houver
auto, ou determinado fato não estiver nele descrito, o fato observado
pelo juiz não pode ser invocado futuramente nas razões de decidir.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
(FEPESE – 2022 |Prefeitura de Florianópolis – SC | Procurador
Municipal)
É correto afirmar sobre as provas no processo civil:
Parabéns! A alternativa A está correta.
O art. 463 do CPC/2015 estabelece que o depoimento prestado em
juízo é considerado serviço público, de modo que a testemunha,
A
Considera-se serviço público o depoimento da
testemunha prestado em juízo.
B
Cabe ao juízo intimar a testemunha arrolada pela
parte do dia, da hora e do local da audiência
designada, dispensando-se a intervenção do
advogado no ato processual.
C
A confissão poderá ser judicial ou extrajudicial,
espontânea ou provocada, faz prova contra o
confitente e todos os litisconsortes, ativos ou
passivos.
D
O depoimento pessoal é prova exclusiva do juízo,
sendo vedada à parte adversa requerer a sua
produção.
E
Embora inconclusiva ou deficiente, o juiz não poderá
reduzir a remuneração inicialmente arbitrada para o
trabalho pericial.
quando sujeita ao regime da legislação trabalhista, não sofre perda
de salário nem desconto no tempo de serviço por comparecer à
audiência.
Questão 2
(MPDFT – 2021 | Ministério Público do Distrito Federal e Territórios |
Promotor de Justiça) Quanto à força probatória de documentos:
Parabéns! A alternativa C está correta.
O art. 408, caput, do CPC/2015, prevê que as declarações
constantes do documento particular escrito e assinado ou somente
assinado presumem-se verdadeiras em relação ao signatário.
A
O documento feito por oficial público incompetente
é nulo de pleno direito, razão pela qual não pode ser
usado como prova no processo civil.
B
O documentofeito por oficial público incompetente,
mas observadas as formalidades legais,
devidamente subscrito pelas partes, tem a eficácia
probatória de documento público.
C
As declarações constantes de documento particular
escrito e assinado geram a presunção de veracidade
em relação ao signatário.
D
Não se admite em juízo o documento particular
assinado, mas sem o reconhecimento de firma por
semelhança ou verdadeiro.
E
O documento particular que contiver ciência de
determinado fato prova o fato em si, desde que seja
assinado perante Tabelião.
3 - Prova pericial
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer o funcionamento da prova pericial.
Compreensão inicial da perícia
A perícia é um termo que pode ser bastante confuso e complexo, mas é
uma parte essencial de muitas áreas de atuação. Confira neste vídeo o
que é uma perícia, em que situações ela pode ser necessária e sobre
quais assuntos ela pode ser realizada.
Objeto da perícia
Sem o apoio de áreas de conhecimento como engenharia, medicina,
contabilidade, economia, administração de empresas, agrimensura,
arquitetura, oceanografia, geologia e muitas outras, o juiz não terá
condições de dar solução justa à grande diversidade de casos que
batem à porta do Poder Judiciário.
A crescente complexidade das demandas e as limitações naturais de
conhecimento dos julgadores a respeito de fatos técnicos e científicos
faz todos os sistemas processuais modernos acolherem ao menos
alguma modalidade de prova pericial (TARUFFO, 2014).
Juíza.
Exige-se do juiz conhecimento jurídico e capacidade de ponderar as
máximas de experiência que circundam o meio cultural em que está
inserido, para formar seu convencimento sobre os fatos a partir do
conjunto probatório. Mas, quando a compreensão envolver
conhecimento técnico ou científico não exigível do magistrado, esse
conhecimento precisará ser complementado. Nessa esteira, “sempre
que se exija do juiz conhecimento especializado não jurídico para a
compreensão e verificação dos fatos da causa, é a hipótese de
produção de prova pericial” (ALMEIDA, 2013, p. 23-24).
Conceito de prova pericial
O campo para utilização da prova pericial é amplíssimo, podendo
reclamar diferentes abordagens a partir das diversas áreas do saber que
podem ser chamadas a intervir no processo, o que dificulta sua
definição por critérios materiais.
Além disso, o modo de produção da prova pericial é variado (TARUFFO,
2014). Observe!
Comumente adotam modelo de testemunhas técnicas das
partes, por elas contratadas, para serem interrogadas em
audiência a respeito de sua avaliação técnica dos fatos.
Como o Brasil, usualmente preferem modelo centrado na figura
de um perito imparcial que detém a confiança do tribunal, a
quem cabe analisar o conjunto probatório sob o aspecto técnico
para entregar um laudo, onde documenta suas conclusões.
No Brasil, trata-se de meio de prova típico disciplinado entre os artigos
464 e 480 do CPC/2015. A lei indica apenas que a “prova pericial
consiste em exame, vistoria ou avaliação” (art. 464). A definição coube à
doutrina. Assim, “prova pericial é aquela em que a elucidação do fato se
dá com o auxílio de um perito, especialista em determinado campo do
saber, que deve registrar sua opinião técnica e científica no chamado
laudo pericial – que poderá ser objeto de discussão pelas partes e por
seus assistentes técnicos” (DIDIER JR.; BRAGA; OLIVEIRA, 2021, p. 335).
Admissibilidade da prova pericial
A prova pericial é admissível quando os fatos controvertidos da lide não
puderem ser elucidados pelos meios ordinários de convencimento.
Dependência de conhecimentos técnicos e utilidade, portanto, são os
requisitos de admissibilidade da prova pericial. Dispõe o art. 464, § 1º,
do CPC/2015, que o juiz indeferirá a perícia se “a prova do fato não
depender de conhecimento especial de técnico” (inciso I), “for
desnecessária em vista de outras provas produzidas” (inciso II) ou “a
verificação for impraticável” (inciso III).
Atenção!
Repudia-se a prática de determinar perícias – muitas vezes sem a
necessidade de conhecimento técnico – unicamente para que um
terceiro destrinche os fatos para auxiliar o juiz na tarefa de julgar.
Sistemas de países de tradição jurídica anglo-americana 
Sistemas de países de tradição europeia continental 
A respeito do art. 464, § 1º, III, o fato de o objeto periciado não mais
existir ou já estar alterado em função do tempo não necessariamente
torna a verificação impraticável. Distingue-se a perícia direta – realizada
diretamente sobre o objeto periciado – da perícia indireta – que pode
ser feita com base em documentos, registros públicos, vestígios do
objeto periciado etc., valendo-se sempre das regras de experiência
técnica para reconstruir os fatos. Ao juiz caberá valorar a perícia
indireta, atribuindo-lhe o peso que entender que merece, a partir
inclusive dos elementos de que dispunha o perito.
O perito
Conheça neste vídeo os diferentes tipos de perito, desde aquele que é
apontado pelo juízo até aquele escolhido pelas partes, passando pela
questão da capacidade técnica e da imparcialidade. Além disso, confira
o papel do assistente técnico, aquele que auxilia as partes em uma
perícia.
Capacidade técnica
Quando o caso demandar conhecimento técnico ou científico, o juiz será
assistido por perito (art. 156, caput, do CPC/2015). O perito exerce
função pública de auxiliar da justiça (art. 149). Daí, se extrai que o perito
deve possuir conhecimento técnico ou científico que lhe permita
complementar o saber do juízo para compreender os fatos técnicos da
disputa. A falta de conhecimento necessário é caso de substituição do
perito (art. 468, I, do CPC/2015).
Não se exige que o perito tenha diploma universitário.
No entanto, quando houver órgão regulador da atividade (conselhos de
medicina, ordem de advogados etc.), é preciso que o perito seja neles
cadastrado (art. 156, §§ 1º e 5º, do CPC/2015).
Pode a prova técnica demandar mais de uma área do saber – perícia
complexa. Nesse caso, o juiz poderá indicar mais de um perito (expert
teaming), de maneira a cobrir os conhecimentos técnicos necessários
(art. 475 do CPC/2015).
Perito apontado pelo juízo
É frequente o perito ser escolhido e nomeado pelo juiz (art. 465, caput,
do CPC/2015). A nomeação se dá ao admitir a prova pericial, na decisão
de saneamento e organização do processo (art. 357, § 8º), indicando na
própria decisão a especialidade técnica necessária e o nome do
profissional que fará a perícia.
O perito será intimado da nomeação pelo cartório, devendo apresentar
suas qualificações técnicas, sua proposta de honorários e endereço
para intimações (art. 465, § 2º, do CPC/2015). Poderá recusar a função,
por meio de escusa por motivo legítimo, no prazo de quinze dias (art.
157, caput e § 1º).
Curiosidade
A livre escolha do perito pelo juiz foi alvo de críticas diversas, pois não
garantiria a escolha de profissionais atualizados em suas respectivas
áreas de conhecimento, o que prejudica a busca da verdade (ALMEIDA,
2013).
Com base nas críticas sobre a livre escolha do perito pelo juiz, o
legislador inovou ao prever que os tribunais deverão manter um
cadastro de profissionais habilitados a funcionar como peritos nas mais
diversas áreas, com capacitação técnica a ser aferida regularmente, de
modo que o juiz deve escolher o expert a partir de tal lista (art. 156, §§
1º a 3º do CPC/2015).
Quando não houver profissional com a especialidade
necessária cadastrado na localidade, o juiz poderá
escolher perito de fora da lista, mas sempre sujeito à
confirmação de sua capacitação (§ 5º).
Perito de escolha das partes
Perito frente aos juízes.
As partes também podem, de comum acordo, escolher o perito que
funcionará na causa, através de negócio jurídico processual típico
previsto no art. 471 do CPC/2015. De acordo com o § 3º do dispositivo,
a perícia com escolha consensual de perito substitui para todos os fins
a perícia realizadapor expert nomeado pelo juiz.
Imparcialidade
A imparcialidade do perito é da essência do modelo de prova pericial
adotado no processo civil brasileiro.
O perito tem de cumprir escrupulosamente seu encargo,
independentemente de compromisso (art. 466, caput).
O perito deve ser de confiança do juízo, o que gera apenas uma
presunção relativa de sua imparcialidade, mas não a garante de todo.
Assim, o perito, como auxiliar da justiça, está sujeito às mesmas regras
de impedimento e suspeição aplicáveis ao juiz (artigos 144 e 145 c/c
art. 148, caput, II, todos do CPC/2015).
Assistente técnico
As partes têm o direito de indicar assistente técnico para a perícia (art.
465, § 1º, II, do CPC/2015). É ônus da parte indicar o assistente técnico
e apurar sua qualificação para a tarefa.
O assistente técnico, assim como o perito, deve ser um profissional
versado na área técnica ou científica necessária para elucidação do fato
controvertido ao juízo. Entretanto, diferentemente do perito, não está
sujeito a regras de impedimento ou suspeição, pois é profissional de
confiança da parte (art. 466, § 1º).
Os assistentes técnicos têm função importante na boa condução do
trabalho pericial. Devem ser capazes de “traduzir” ao perito a posição
defendida pela parte sob o aspecto técnico. Ademais, a lei prevê uma
série de prerrogativas dos assistentes técnicos, como acessar
diligências e documentos (art. 466, § 2º), instruir a perícia com
documentos, testemunhas, informações etc. (art. 473, § 3º), apresentar
parecer quanto ao laudo pericial (art. 477, § 1º) e obter esclarecimento
do perito sobre ponto divergente entre laudo e parecer (art. 477, § 2º, II).
Procedimento da prova pericial
Acompanhe neste vídeo a proposição e admissão da prova pericial até a
entrega do laudo, pareceres técnicos e esclarecimentos. Confira ainda
as incumbências das partes diante da nomeação do perito, como
funciona o processo de recusa e substituição do perito e quais são as
principais informações que devem constar no laudo e nos pareceres
técnicos.
Proposição e admissão da prova pericial
A produção de prova pericial deve ser requerida durante a fase
postulatória, ou seja, na petição inicial, contestação ou réplica, ainda que
genericamente. Deve ser ratificada e mais bem elucidada no momento
de especificação de provas, já na fase de saneamento (DIDIER JR.;
BRAGA OLIVEIRA, 2021).
Pode ainda ser determinada a produção de prova pericial de ofício, se o
juiz entender que é indispensável para a apuração da verdade de fatos
técnicos ou científicos indispensáveis para a solução da demanda.
Juiz analisando prova pericial.
A prova pericial será admitida, quando for o caso, na decisão de
saneamento e organização do processo (art. 357 do CPC/2015). É
fundamental que o juiz aponte com clareza quais os pontos
controvertidos técnicos sobre os quais a prova deverá se debruçar
(inciso II), podendo até formular perguntas do juízo a serem respondidas
pelo perito em seu laudo (art. 470, II).
Ao admitir a produção de prova pericial, deve o juiz nomear o perito e
fixar o prazo para a entrega do laudo (art. 465, caput, do CPC/2015).
O perito faz jus à remuneração arbitrada pelo juiz.
Contudo, se a perícia for inconclusiva ou deficiente, a
remuneração poderá ser reduzida (art. 465, §§ 3º e 5º,
do CPC/2015).
Incumbências das partes diante da nomeação do perito
A partir da intimação das partes quanto à nomeação do perito, inicia-se
um prazo de quinze dias em que podem tomar três importantes atitudes,
simultaneamente (art. 465, § 1º, do CPC/2015):
1. “Arguir o impedimento ou a suspeição do perito, se for o caso”
(inciso I), inclusive sob pena de preclusão.
2. “Indicar assistente técnico” (inciso II)
3. “Apresentar quesitos” (inciso III).
Quesitos são perguntas formuladas pela parte ao perito, que fica
obrigado a respondê-las em seu laudo ou em audiência. O quesito
permite à parte direcionar o perito a analisar aspectos técnicos
importantes de suas alegações, para que integrem o laudo.
Eles devem guardar pertinência com a questão técnica tratada na
perícia e com a solução da lide, devendo o juiz indeferir os impertinentes
(art. 470, I, do CPC/2015). Entretanto, o indeferimento deve ser medida
excepcional, pois não se deve cercear da parte o direito extrair a maior
utilidade da perícia.
Atenção!
A parte pode apresentar quesitos suplementares ao longo da perícia
(art. 469 do CPC/2015).
Recusa e substituição do perito
Em caso de impedimento ou suspeição do perito, a parte deve
manifestar sua recusa por meio de impugnação ao perito, na primeira
oportunidade que tiver de falar nos autos e no prazo de quinze dias (art.
465, § 1º, I, do CPC/2015), sob pena de preclusão. Sendo acolhida a
impugnação, o juiz nomeará novo perito (art. 467, parágrafo único).
Pode ainda o perito ser substituído quando lhe faltar conhecimento
técnico ou quando, sem justo motivo, deixar de cumprir o prazo de
entrega do laudo fixado pelo juiz no momento da nomeação (art. 468,
caput e incisos, do CPC/2015).
Entrega do laudo, pareceres técnicos e esclarecimentos
O perito deve entregar o laudo pericial em juízo, no prazo assinalado
(art. 477, caput, do CPC/2015) e as partes serão intimadas sobre a
entrega.
Em quinze dias contados da intimação, as partes poderão fazer suas
considerações sobre a perícia, destacando seus pontos de
concordância e discordância, e pedir esclarecimentos ao perito (art. 477,
§ 1º, do CPC/2015). No mesmo prazo, os assistentes técnicos poderão
apresentar seus pareceres de concordância ou de discordância,
trazendo os elementos técnicos que entendam pertinentes para
complementar ou contrapor o laudo.
O perito será intimado, devendo se manifestar em quinze dias sobre as
manifestações das partes, dúvidas do juiz e eventualmente do
Ministério Público (art. 477, § 2º, I) e expressamente sobre eventuais
pontos de discordância entre o laudo e os pareceres dos assistentes
técnicos (inciso II).
Atenção!
Caso persista a necessidade de esclarecimentos, a parte interessada os
requererá na forma de quesitos direcionados ao perito ou ao assistente
técnico, que deverão respondê-los oralmente em audiência de instrução
e julgamento (art. 477, §§ 3º e 4º, do CPC/2015). Na audiência, são
ouvidos o perito e o assistente técnico antes do depoimento pessoal
das partes (art. 361, I).
O trabalho pericial e sua valoração
Entenda neste vídeo o que é laudo pericial, como ele é elaborado, quais
informações devem constar nele e qual é a sua importância no processo
judicial. Confira ainda a valoração da perícia e como o juiz utiliza o laudo
pericial para tomar sua decisão.
Coleta de informações
O art 464 do CPC/2015 prevê três espécies de perícia:

Exame
Se dá sobre bens móveis, semoventes e pessoas.

Vistoria
Se dá sobre bens imóveis.

Avaliação
Tem por objeto fixar o valor de coisas ou direitos.
No entanto, a distinção teórica não possui utilidade didática ou prática
(DIDIER JR.; BRAGA; OLIVEIRA, 2021).
O perito e os assistentes técnicos, para o desempenho adequado de
suas funções:
Podem valer-se de todos os meios
necessários, ouvindo testemunhas,
obtendo informações, solicitando
documentos que estejam em poder
da parte, de terceiros ou em
repartições públicas, bem como
instruir o laudo com planilhas,
mapas, plantas, desenhos,
fotografias ou outros elementos
necessários ao esclarecimento do
objeto da perícia.
(art. 473, § 3º, do CPC/2015)
As partes serão intimadas, antes do início dos trabalhos (art. 474 do
CPC/2015). Inclusive, o perito deve assegurar que os assistentes
técnicos possam acompanhar quaisquer diligências ou exames
realizados (art. 466, § 2º).
Requisitos do laudo
O perito deve documentar seu trabalho e conclusões no laudo pericial.
O art. 473 do CPC/2015 elenca os principais requisitos do laudo: “a
exposição do objeto da perícia” (inciso I), “a análise técnica ou científica
realizada pelo perito” (inciso II), “a indicação do método utilizado,
esclarecendo-oe demonstrando ser predominantemente aceito pelos
especialistas da área do conhecimento da qual se originou” (inciso III) e
“resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz, pelas
partes e pelo órgão do Ministério Público” (inciso IV).
Saiba mais
Deve o perito registrar os principais posicionamentos técnicos
defendidos pelas partes ao longo do processo, o que for relevante para
a perícia. Deve ainda indicar o ponto controvertido a respeito do qual o
laudo é desenvolvido; afinal toda prova (e a pericial não é exceção) diz
respeito a um fato específico.
Ao indicar a análise técnica ou científica, o laudo deve descrever o
percurso intelectual e investigativo realizado pelo perito, de modo a dar
sustentação a suas conclusões. Para tanto, deve apontar os fatos
considerados e as provas e circunstâncias que permitem admiti-los
como verdadeiros.
O perito deve realizar sua análise conforme método predominantemente
aceito por especialistas da área tratada, o que deve ser comprovado por
dados científicos, publicações em periódicos etc., que demonstrem sua
predominância. Tal exigência não é absoluta, pois seria impossível fazer
perícia quando não houver consenso quanto ao melhor método entre
especialistas. Por esses motivos, o laudo deve apontar o método
utilizado, seu nível de aceitação, a possibilidade de desvio no resultado,
tudo de modo a oferecer ao juiz a compreensão mais completa possível
da conclusão e de suas premissas.
O laudo deve conter linguagem tão simples quanto
possível, evitando o tecnicismo, que em nada contribui
para a compreensão da conclusão do perito, além de
manter uma linha coerente na fundamentação (art.
473, § 1º, do CPC/2015).
O art. 473, § 2º, do CPC/2015 aponta ser “vedado ao perito ultrapassar
os limites de sua designação, bem como emitir opiniões pessoais que
excedam o exame técnico ou científico do objeto da perícia.” Por
exemplo, não pode perito nomeado para apurar as causas de um
acidente realizar a quantificação dos danos.
Valoração
A valoração da prova pericial se dá na sentença (art. 479 do CPC/2015)
e obedece à lógica da persuasão racional, à luz do art. 371. Aliás, o art.
479, ao tratar da valoração da prova pericial, remete expressamente ao
art. 371, reconhecendo que o juiz pode “considerar ou deixar de
considerar as conclusões do laudo”, desde que o faça racional e
motivadamente, considerando o método utilizado pelo perito. Mesmo
não sendo especialista na área da perícia, o juiz não está vinculado a
suas conclusões. Entretanto, não pode ignorar a prova pericial e, se
discordar de suas conclusões, deverá oferecer motivação contundente
para tanto.
O sistema de valoração da prova pericial no CPC/2015, resultado da
combinação dos artigos 371, 473, III e § 1º, e 479, exige que o juiz faça o
controle da completude, integridade e coerência do laudo pericial, à luz
de sua aderência a métodos técnicos ou científicos.
Segunda perícia
Se a perícia não for esclarecedora, o juiz deverá determinar a realização
de segunda perícia (art. 480, caput, do CPC/2015). A segunda perícia
não comporta ampliação dos temas em relação à primeira. Seu objeto
deverá ser o mesmo, já que se destina a corrigir eventual omissão ou
inexatidão nos resultados (§ 1º). Seguirá as mesmas disposições da
primeira (§ 2º), à exceção do perito, que não deve ser o mesmo. A lei
não atribui peso maior ou menor à segunda perícia. Deve o juiz valorar
cada uma delas em sua fundamentação (§ 3º).
Outros tipos de prova técnica
Entenda neste vídeo o que é prova técnica simplificada, quando ela pode
ser utilizada e quais são as vantagens desse tipo de prova em relação a
outras formas de prova pericial. Confira também os pareceres técnicos.
Prova técnica simpli�cada
Dependendo, na resolução da lide de elucidação de questão técnica ou
científica de menor complexidade, o juiz pode determinar a produção de
prova técnica simplificada, a qual substitui a prova pericial (art. 464, §
2º, do CPC/2015). A prova é produzida em audiência de instrução e
julgamento, mediante a inquirição do especialista a respeito do ponto
controvertido de natureza técnica ou científica (§ 3º).
Deve ser assegurada às partes oportunidade de indicação de assistente
técnico, que poderão ser perguntados sobre os mesmos pontos. Além
disso, às partes também deverá ser oportunizada a formulação de
perguntas (DIDIER JR.; BRAGA; OLIVEIRA, 2021).
Pareceres das partes
É corriqueiro que as partes tragam pareceres técnicos e documentos
elucidativos juntamente com a petição inicial e a contestação.
Se, diante de tais documentos e pareceres, o juiz entender que a
questão técnica controvertida está suficientemente elucidada, ele
poderá dispensar a produção da prova pericial em juízo (art. 472 do
CPC/2015).
A doutrina por vezes chama essa modalidade de prova
técnica de perícia extrajudicial (THEODORO JÚNIOR, 2021).
Entendemos ser mais adequado chamar de prova técnica por pareceres
das partes, por a lei referir claramente à admissão da prova técnica por
pareceres ser caso de dispensa da prova pericial. A prova pericial, no
processo civil brasileiro, tem uma lógica própria, que não
necessariamente se aplica à prova técnica por pareceres das partes.
Re�exão
Vale o alerta de que a persistência da menor dúvida quanto a aspectos
técnicos ou de idoneidade dos pareceres trazidos é suficiente para
impedir a aplicação do dispositivo legal, determinando a produção da
prova pericial, já que a prova técnica por pareceres, na maior parte das
vezes, não permite que as partes fiscalizem a prova produzida pela outra
parte, formulem quesitos e efetivamente participem em contraditório
prévio (THEODORO JÚNIOR, 2021).
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
(FCC – 2016 |TRT 20ª Região (SE) | Analista Judiciária) Considere
as proposições a seguir acerca da prova pericial.
I. O perito não está sujeito às causas de suspeição e impedimento,
por não ser parte no processo.
II. O juiz poderá autorizar o pagamento da integralidade dos
honorários antes do início dos trabalhos.
III. Os assistentes técnicos não estão sujeitos a impedimento ou
suspeição.
IV. O juiz poderá dispensar prova pericial quando as partes, na
inicial e na contestação, apresentarem, sobre as questões de fato,
pareceres técnicos ou documentos elucidativos que considerar
suficientes.
Está correto o que se afirma apenas em
Parabéns! A alternativa C está correta.
A II e III.
B I e II.
C III e IV.
D I e IV.
E I.
Conforme art. 466, § 1º, do CPC/2015, os assistentes técnicos são
de confiança da parte e não estão sujeitos a impedimento ou
suspeição. Por outro lado, o art. 472 do Código de Processo Civil de
2015 prevê que o juiz poderá dispensar prova pericial quando as
partes, na inicial e na contestação, apresentarem, sobre as
questões de fato, pareceres técnicos ou documentos elucidativos
que considerar suficientes. Note-se que o perito está sujeito a
causas de suspeição e impedimento, e seu pagamento não será
deferido na integralidade antes do início dos trabalhos.
Questão 2
(TRF – 3ª Região – 2018 | Juiz Federal | ADAPTADA) Em tema de
prova pericial, afigura-se correto afirmar:
A
O critério para que o juiz determine a produção de
prova técnica simplificada é a prevalência da
oralidade no processo.
B
Se o laudo for inconclusivo o juiz poderá reduzir a
remuneração do perito.
C
No caso em que as partes, de comum acordo,
escolham o perito, compete exclusivamente àquelas
a formulação de quesitos.
D
Sendo vedado ao perito ultrapassar os limites de
sua designação, ele deve se abster de emitir
opiniões pessoais que excedam o exame técnico ou
científico do objeto da perícia, de ouvir testemunhas
ou de obter documentos que estejam em poder da
parte.
E
O laudo pericial deve conter a indicação de todos os
métodos existentes na literatura técnica/científica
da área de conhecimento de que se originou,
demonstrando-se, em relação a cadaum deles, o
Parabéns! A alternativa B está correta.
Conforme art. 465, § 5º, do CPC/2015, quando a perícia for
inconclusiva ou deficiente, o juiz poderá reduzir a remuneração
inicialmente arbitrada para o trabalho.
Considerações �nais
A prova é elemento material que permite ao julgador formar sua crença
quanto à verdade das alegações das partes a respeito dos fatos
relevantes para julgar o caso concreto. É um direito fundamental da
parte, que tem como destinatário principal o juiz e cuja finalidade é
convencê-lo da veracidade de suas alegações.
Atualmente, a valoração da prova segue o sistema de persuasão
racional ou convencimento motivado.
A prova ingressa no processo principalmente durante a instrução, por
iniciativa das partes ou por determinação do juiz, de ofício.
O direito admite qualquer meio de prova moralmente legítimo, mesmo
que sem previsão expressa em lei. As provas típicas na legislação
processual civil são depoimento pessoal, confissão, prova documental
(incluindo documento eletrônico e ata notarial), prova testemunhal,
prova pericial e inspeção judicial.
A perícia é meio de prova típica centrada na figura do perito, que é
auxiliar da justiça com conhecimento técnico ou científico diferente do
jurídico necessário para a busca da verdade sobre fato relevante para o
julgamento da lide. O perito é imparcial e de confiança do juízo, mas
pode também ser escolhido em comum acordo pelas partes. Suas
conclusões devem ser documentadas em laudo pericial elaborado de
maneira lógica, clara, conforme as metodologias aceitas na área de
saber específica e garantindo às partes e a seus assistentes técnicos a
possibilidade de participarem de todas as fases da perícia. Pode o juiz
discordar do laudo pericial, desde que o faça de forma fundamentada.
motivo pelo qual o método utilizado é mais
adequado.
Podcast
Olá! Vamos discutir as principais formas de obtenção de provas em
processos judiciais, tais como testemunhos, documentos, perícias e
outras técnicas utilizadas para demonstrar a veracidade de fatos e
argumentos em um julgamento.
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Pesquise o artigo Boa-fé, cooperação, prova e verdade e veja a opinião
de Fátima Nancy Andrighi, Ministra do Superior Tribunal de Justiça, e de
Rodrigo Mendonça a respeito do papel que a cooperação das partes na
busca pela verdade tem sobre a valoração do conjunto probatório.
Pesquise o artigo Notas sobre a avaliação da prova pericial: resgatando
a causalidade, em que o Flávio Mirza aborda a questão substituição
muitas vezes inadequada, em trabalhos periciais, da investigação de
relações efetivas de causa e efeito por argumentação calcada em
estatística e probabilidade.
Referências
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PINHO, H. D. B. de. O projeto do novo código de processo civil: uma
análise crítica. 1. ed. Brasília: Gazeta Jurídica, 2013. p. 21-42.
BARBOSA MOREIRA, J. C. O novo processo civil brasileiro: exposição
sistemática do procedimento. Rio de Janeiro: Forense, 2002.
CARNELUTTI, F. Teoria geral do direito.  São Paulo: LEJUS, 1999.
CHIOVENDA, G. Instituições de direito processual civil. v. 3. Campinas:
Bookseller, 1998.
CINTRA, A. C. A.; GRINOVER, A. P.; DINAMARCO, C. R. Teoria geral do
processo. 14. ed. São Paulo: Malheiros, 1998.
DIDIER JR., F.; BRAGA, P. S.; OLIVEIRA, R. A. de. Curso de direito
processual civil: teoria da prova, direito probatório, decisão, precedente,
coisa julgada, processo estrutural e tutela provisória. v. 2. 16. ed.
Salvador: Juspodivm, 2021.
PINHO, H. D. B. de. Direito processual civil contemporâneo: processo de
conhecimento, cautelar, execução e procedimentos especiais. v. 2. 2. ed.
São Paulo: Saraiva, 2013.
TARUFFO, M. A prova. 1. ed. São Paulo: Marcial Pons, 2014.
TARUFFO, M. Uma simples verdade: o juiz e a construção dos fatos.
tradução Vitor de Paula Ramos – 1. ed. – São Paulo : Marcial Pons,
2016.
THEODORO JÚNIOR, H. Curso de direito processual civil. v. 1. 62. ed. Rio
de Janeiro: Forense, 2021.
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