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EXCELENTÍSSIMO SR. DR. JUIZ DO TRABALHO DA 50ª VARA DO TRABALHO DO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1ª REGIÃO. Processo nº xx CASA FLORISBELA DE DECORAÇÃO LTDA., pessoa jurídica de direito privado, devidamente inscrita no CNPJ sob o nº XX.XXX.XXX/0001-XX, com sede na Av./Rua XXX, nº X, bairro XXX, CEP XXXXX-XX, cidade/UF, por seu(sua) advogado(a) infra-assinado(a), conforme procuração anexa, vem, respeitosamente, perante Vossa Excelência, com fundamento no art.847, parágrafo único, da CLT c/c art. 225 e art. 343, ambos do CPC/15, apresentar sua CONTESTAÇÃO em face da reclamação trabalhista movida por CAROLINA TAVARES, já devidamente qualificada nos autos, pelos fundamentos de fato e de direito a seguir expostos: I. I. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL A Reclamada argui, ainda, a prescrição das pretensões anteriores a 27/02/2013, com base no Art. 7º, inciso XXIX, da Constituição Federal de 1988, no Art. 11, da CLT e na Súmula 308, inciso I, do Tribunal Superior do Trabalho (TST). SÚMULA Nº 308 - PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL I. Respeitado o biênio subseqüente à cessação contratual, a prescrição da ação trabalhista concerne às pretensões imediatamente anteriores a cinco anos, contados da data do ajuizamento da reclamação e, não, às anteriores ao quinquênio da data da extinção do contrato. Conforme tais dispositivos, é assegurado o prazo prescricional de cinco anos para o ajuizamento de reclamações trabalhistas, contados a partir do término do contrato de trabalho. No presente caso, considerando que o contrato de trabalho da Reclamante encerrou-se em 29/09/2022, todas as pretensões anteriores a 27/02/2013 encontram-se prescritas e não podem ser objeto desta demanda. II. DOS FATOS A Reclamada, Casa Florisbela de Decoração Ltda., foi citada em uma reclamação trabalhista movida pela ex-empregada Carolina Tavares, que alega diversos pedidos. A Reclamante afirma ter sido vendedora na empresa no período de 25/10/2013 a 29/09/2022, recebendo dois salários-mínimos mensais. Dentre os pleitos apresentados, destaca-se o pedido de aplicação de penalidade criminal contra os sócios da ré, pagamento de adicional de penosidade, horas extras, multa do art. 477 da CLT e alegação de desconto indevido para o plano de saúde. III. DO MÉRITO 1. DO PLANO DE SAÚDE A Reclamante alega ter sido obrigada a aderir ao desconto para o plano de saúde, contra sua vontade. No entanto, a Reclamada esclarece que a adesão ao plano de saúde foi realizada de forma voluntária pela Reclamante, mediante assinatura de um documento autorizando expressamente o desconto mensal. Tal autorização está devidamente anexada aos autos. Nesse sentido, é infundado o vício alegado referente à assinatura da autorização para desconto. Conforme o Art. 818, inciso I, da CLT, o Art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil (CPC) e a Súmula 342 do TST, compete à Reclamante comprovar os fatos constitutivos de seu direito Art. 818. O ônus da prova incumbe: I - ao Reclamante, quanto ao fato constitutivo de seu direito; No entanto, a Reclamante não trouxe aos autos qualquer prova que demonstre a existência de coação ou vício de consentimento no momento da assinatura da referida autorização. Ressalta-se ainda que a autorização de desconto para o plano de saúde feita no momento da admissão é válida, conforme entendimento consolidado na Orientação Jurisprudencial (OJ) 160 do TST. 160. DESCONTOS SALARIAIS. AUTORIZAÇÃO NO ATO DA ADMISSÃO. VALIDADE É inválida a presunção de vício de consentimento resultante do fato de ter o empregado anuído expressamente com descontos salariais na oportunidade da admissão. É de se exigir demonstração concreta do vício de vontade. 2. DO ADICIONAL DE PENOSIDADE Outrossim, o adicional de penosidade não possui regulamentação específica, estando previsto apenas no Art. 7º, inciso XXIII, da Constituição Federal de 1988. Dessa forma, a sua aplicação depende de regulamentação por lei específica, o que não ocorreu até o presente momento. Portanto, não há embasamento legal para o deferimento do adicional de penosidade pleiteado pela Reclamante. No presente caso, a atividade da Reclamante como vendedora de flores não se enquadra nessas categorias. Portanto, não há fundamento legal para a concessão do adicional de penosidade pleiteado, devendo ser julgado improcedente. 3. DAS HORAS EXTRAS Ademais, não há horas extras a serem pagas à Reclamante! Conforme a própria narrativa da petição inicial, verifica-se que a Reclamante cumpria uma jornada de trabalho de segunda a sexta-feira, das 10h às 20h, com intervalo de duas horas para refeição, e aos sábados, das 16h às 20h, sem intervalo. Considerando que a jornada contratual não ultrapassa o limite constitucional de 8 horas diárias e 44 horas semanais, nos termos do Art. 7º, inciso XIII, da Constituição Federal de 1988 e do Art. 58 da CLT, não há horas extras a serem pagas. Dessa forma, não há fundamento legal para o pagamento de horas extras, sendo improcedente o pleito nesse sentido. 4. DA MULTA DO ART. 477 DA CLT Cabe destacar que o pagamento das verbas rescisórias foi realizado dentro do prazo legal, em conformidade com o Art. 477, § 6º, da CLT. Portanto, não há fundamento para a aplicação da multa prevista no referido dispositivo legal. A Reclamante recebeu as verbas rescisórias dentro do prazo legal, não havendo qualquer atraso ou descumprimento por parte da Reclamada. O mencionado dispositivo estabelece que as verbas rescisórias devem ser pagas até o primeiro dia útil imediato ao término do contrato ou até o décimo dia, contado da data da notificação da demissão, quando o aviso prévio é trabalhado. No caso em questão, a Reclamada cumpriu rigorosamente o prazo estabelecido em lei para o pagamento das verbas rescisórias. A Reclamante recebeu as devidas verbas dentro do prazo legal, não havendo qualquer atraso ou descumprimento por parte da Reclamada. Portanto, não há fundamento para a aplicação da multa prevista no artigo 477, § 8º, da CLT, uma vez que a Reclamada agiu em conformidade com a legislação trabalhista. 5. DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS Pelos fatos e fundamentos acima expostos, a Reclamada requer que seja dado total improcedência aos pedidos da Reclamante e, dessa forma, que ela seja condenada ao pagamento de honorários advocatícios na ação principal, com base no Art. 791-A e § 5º da CLT. Art. 791-A. Ao advogado, ainda que atue em causa própria, serão devidos honorários de sucumbência, fixados entre o mínimo de 5% (cinco por cento) e o máximo de 15% (quinze por cento) sobre o valor que resultar da liquidação da sentença, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa. IV. CONCLUSÃO Diante do exposto, a Reclamada Casa Florisbela de Decoração Ltda. reitera sua posição de defesa e requer: a) O acolhimento da preliminar de incompetência absoluta desta Justiça do Trabalho para apreciação e condenação criminal referente ao Art. 49 da CLT, conforme o Art. 114, inciso IX, da Constituição Federal de 1988; b) O reconhecimento da prescrição das pretensões anteriores a 27/02/2013; c) O indeferimento do adicional de penosidade pleiteado pela Reclamante, em virtude da ausência de regulamentação específica; d) A rejeição do pedido de horas extras, tendo em vista que a jornada de trabalho da Reclamante não ultrapassa os limites estabelecidos pela legislação; e) A improcedência do pleito de aplicação da multa do Art. 477 da CLT, uma vez que o pagamento das verbas rescisórias foi realizado dentro do prazo legal; f) A condenação da Reclamante ao pagamento de honorários advocatícios na ação principal e na reconvenção, nos termos do Art. 791-A e § 5º da CLT. Requer, ainda, seja concedido à Reclamada o prazo legal para a produção de todas as provas admitidas em direito, como testemunhal, documental e pericial, caso necessário. V. VALOR DA CAUSA Por fim, a Reclamada atribui à causa o valor de R$ [valor da causa] para fins meramente fiscais. Termos em que, Pede deferimento. Rio de Janeiro, 20 deoutubro de 2023 – OAB/RJ nº: xxx.xxx