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UNIVERSIDADE PAULISTA CURSO DE PEDAGOGIA EDUCAÇÃO INCLUSIVA: FORMA DE APRIMORAR O APRENDIZADO DE CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS Gicely Monique Lima Feio Cardoso Sumara Camila Ramos Dos Santos RESUMO A educação é primordial para crianças, jovens e adultos com necessidades especiais, pois, todo indivíduo tem o direito ao aprendizado conforme previsto na legislação. No ensino, frequentemente observa-se multiplicidades de conteúdos abordados sem conexão curricular, sendo indispensável que os profissionais da educação realizem estratégias e abordagens de metodologias diferenciadas para ensino dos educandos com necessidades especiais de forma integrada. O desafio de encontrar instituições na rede regular de ensino que se encontrem capacitadas para atender o aluno com necessidade especial ainda é muito grande, mas para tratamento desse assunto precisamos voltar ao que antigamente era praticado, ou seja, o processo de exclusão, deste modo só vamos realmente praticar a inclusão se abandonarmos a exclusão, infelizmente ainda tão presente na sociedade. Quando percebemos uma escola que fisicamente não está adequada para receber o aluno especial, percebemos com isso que essa escola mesmo que não perceba ou percebendo está praticando a exclusão. Palavras-chave : Educação Especial; Inclusão; Objetividade INTRODUÇÃO Profissionais de supervisão educacional muitas vezes enfrentam desafios devido à falta de treinamento em educação inclusiva, o que dificulta o atendimento adequado às necessidades dos alunos com deficiência. Além disso, escolas enfrentam barreiras de infraestrutura, como falta de espaços acessíveis e recursos como tecnologia assistiva e materiais adaptados. A resistência de alguns educadores e pais também representa um desafio na promoção da inclusão. Superar essa resistência é crucial para avançar em direção a uma educação mais inclusiva e equitativa. A Educação é um direito assegurado na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 como direito social, sendo dever do estado e da família. A Lei nº 9.394/96 estabelece as Diretrizes e Bases para Educação Nacional, onde a educação abrange todos os processos formativos desenvolvidos na vida familiar, no convívio humano, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais (BRASIL, 1996). O objetivo da inclusão é promover mudanças nas escolas e no sistema educacional como um todo para responder a uma ampla gama de necessidades, celebrando a diversidade de gênero, de raça e etnia, de linguagem, de origem, de nível de aquisição de aprendizagem ou deficiência. Dados da Organização das Nações Unidas – ONU destacam que aproximadamente 10% da população mundial apresenta algum tipo de deficiência. Para o Brasil a estimativa é de 15 milhões de portadores de necessidades especiais. Com o expressivo quantitativo apresentado pela ONU, torna-se ainda mais relevante que as instituições de ensino e pesquisa sejam inclusivas no sentido de fazer valer o que existe nas Legislações, sendo uma educação com assistência não apenas aos indivíduos com necessidades especiais, mas também aos seus pais e familiares. A escola é um ambiente multicultural, diversificado, que atende um público com objetivos, ideologias e necessidades diferenciadas. Enfim, essa é uma característica própria, que acolhe indivíduos com aspectos múltiplos, sejam religiosos, políticos, sociais, entre muitos outros. A escola é responsável pela transformação do indivíduo, o que corresponde a um conjunto de alterações comportamentais que se tem por aprendizagem. Como garantir o acesso e a permanência de todos na escola, incluindo os alunos com deficiências, e como transformar nossa escola excludente, discriminadora, numa escola inclusiva? É preciso atentar para as possibilidades de inclusão de pessoas com deficiência e não para as dificuldades, para assim construir uma sociedade mais digna para todos, com ou sem deficiência. Nascimento (2014, p. 13) afirma que “isso só será possível quando cada cidadão, cada um de nós, entendermos que o movimento pela inclusão não é algo que está distante; o movimento pela inclusão é algo que deve fazer parte do nosso cotidiano”. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A educação é essencial para crianças, jovens e adultos com necessidades especiais, pois, todo indivíduo tem o direito a aprender conforme previsto em lei. No ensino, frequentemente observa-se muitos conteúdos abordados sem integração curricular, sendo indispensável que os profissionais da educação estabeleçam estratégias e abordem metodologias diferenciadas para ensinar educandos com necessidades especiais de forma integrada A Educação Especial nasceu quando a educação ainda era privilégio da minoria econômica. Para falar de Educação Especial e Educação Inclusiva, é necessário entender a história, o comportamento, o contexto e os moldes da sociedade em determinada época. O desafio de encontrar Escolas na rede regular de ensino capacitadas para atender o aluno com necessidade especial ainda é muito grande, mas para tratar esse assunto precisamos voltar ao que antigamente era praticado, ou seja, a exclusão, deste modo só vamos realmente praticar a inclusão se abandonarmos a exclusão, infelizmente ainda tão presente na sociedade. Quando percebemos uma escola que fisicamente não está adequada para receber o aluno especial, percebemos com isso que essa escola mesmo que não perceba ou percebendo está praticando a exclusão. Para Freire (1996) o professor tem o dever de despertar no aluno a capacidade crítica, independentemente dos desafios que enfrenta em sua jornada de trabalho, pois educar não se limita apenas em passar conteúdo, mas em despertar a curiosidade e ensinar a pensar. Neste sentido, é indispensável que os profissionais da educação estejam preparados para lidar com as situações diversificadas no ensino, como as condições sensoriais, cognitivas ou físicas de cada aluno. A Educação Inclusiva vem na contramão de uma visão homogeneizada da educação, quando desenvolvendo esse artigo perguntei-me várias vezes porque não presenciava na escola em que fiz o ginásio alunos com alguma deficiência motora ou outra qualquer, as particularidades desses alunos eram esquecida, também não existia naquela época ou estava em desenvolvimento uma política pública que desse noções e definições ao tratar esse assunto, ou seja, a forma particular e única de se desenvolver-se em sala de aula tendo uma deficiência ou sendo diferente não era estudada. De acordo com Cunha (2015), a inclusão de Pessoas com Deficiência na escola precisa de fundamentos teóricos, como também da lida diária da prática para estabelecer dados concretos que incentivem, guiem e deem segurança aos educadores. Também é preciso que o sistema de Educação Inclusiva observe as necessidades gerais dos alunos, exigindo da escola sensibilidade em trabalhar com as individualidades. A escola precisa assistir esse aluno em suas limitações e restrições, agora como isso é compreendido pelas escolas vem a ser o objeto de análise deste artigo. Para trazer luz a esse assunto passamos a Declaração de Salamanca em 1994: - Toda criança tem direito fundamental à educação, e deve ser dada a oportunidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem; - Toda criança possui características, interesses, habilidades e necessidades de aprendizagens únicas; - Os sistemas educacionais deveriam ser designados e programas educacionais deveriam ser implementados no sentido de se levar em conta a vasta diversidade de tais características e necessidades (UNESCO, 1994). De uma forma geral, é fundamental educar com e para a heterogeneidade, onde cada professor considera cada aluno como único, que seu aluno, independentemente das necessidades especiais que apresente, possui um conjunto de características que o torna indivíduo, pertencente à mesma espécie, porém distinto dos demais (FREIRE, 1996). A educação inclusiva surgiu a partir de movimentos internacionais e começou a se concretizarem diversos locais do mundo, a princípio nos Estados Unidos, Europa e Canadá. No início a educação inclusiva não ganhou muita credibilidade em outros lugares do mundo, mas aos poucos foi sendo bem aceita pela sociedade. Em 1994, na cidade de Barcelona, na Espanha, realizou-se a Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais: acesso a qualidade. Participaram deste evento de 92 (noventa e dois) representantes governamentais e 25 (vinte cinco) organizações internacionais. Vale ressaltar que é notório reconhecer que a proposta de educação inclusiva partiu da declaração de Salamanca, onde proclamou o direito de todos à educação, independentemente das diferenças pessoais. No entanto, a formulação e a implementação de políticas com relação à integração e inclusão de pessoas com necessidades especiais têm sido inspiradas por uma série de documentos contendo declarações, recomendações e normas jurídicas internacionais e nacionais envolvidas com a temática da deficiência (CARVALHO, 1999) No cenário Brasileiro, a Educação Inclusiva começou a ser discutida em 1970, levando os governantes a cogitarem sobre instituições públicas e privadas, órgãos federais e estaduais, para atender a população com necessidades especiais. Assim como nos demais países, a educação especial no Brasil foi marcada com muita luta e organizações, porém, a inclusão só ganhou espaço a partir da Declaração de Salamanca em 1994. A educação especial é considerada como uma modalidade de ensino destinada a alunos com deficiências, sendo: deficiência física, sensorial, mental ou múltipla, características específicas como altas habilidades, superdotação ou talentos. No geral, a Educação especial é um ramo da educação que se ocupa ao atendimento e educação de pessoas com deficiência em instituições especializadas, como por exemplo: escolas para surdos, cegos ou para atender pessoas com deficiência intelectual. A educação especial, no Brasil, instituiu-se e expandiu-se por meio de instituições privadas de caráter filantrópico, a partir da iniciativa de familiares de indivíduos deficientes. Falar em inclusão é sempre desafiador, pois, para muitos, ainda é um campo desconhecido, mas para compreender melhor o discurso atual da inclusão e seus aspectos, que causam por vezes angústias e também algumas polêmicas, é preciso voltar ao tempo para compreender o processo histórico da Pessoa com Deficiência, perpassar pela educação especial até chegar ao movimento da Educação Inclusiva. A Educação Inclusiva tem por proposta a educação de todos os alunos juntos, deixando-os aptos para o convívio em sociedade a partir da escola, conforme afirma Mantoan (2003, p. 33), “incluir é não deixar ninguém de fora da escola comum, ou seja, ensinar a todas as crianças indistintamente”. A Educação Inclusiva é a transformação para uma sociedade inclusiva, um processo em que se amplia a participação de todos os alunos nos estabelecimentos de ensino regular. Trata-se de uma reestruturação da cultura, da prática e das políticas vivenciadas nas escolas, de modo que estas respondam à diversidade dos alunos. É uma abordagem humanística, democrática, que percebe o sujeito e suas singularidades, tendo como objetivos o crescimento, a satisfação pessoal e a inserção social de todos: A educação inclusiva pode ser definida como a prática da inclusão de todos – independentemente de seu talento, deficiência, origem socioeconômica ou cultural – em escolas e salas de aula provedoras, onde as necessidades desses alunos sejam satisfeitas (STAINBACK; STAINBACK, 1999, p. 21). A inclusão escolar perpassa pelas várias dimensões humanas, sociais e políticas, e vem gradualmente se expandindo na sociedade contemporânea, de forma a auxiliar no desenvolvimento das pessoas em geral, de maneira a contribuir para a reestruturação de práticas e ações cada vez mais inclusivas e sem preconceitos. O conceito de Inclusão no âmbito específico da Educação implica, antes de mais, rejeitar por princípio a exclusão (presencial ou acadêmica) de qualquer aluno da comunidade escolar. Para isso, a escola que pretende seguir uma política de Educação Inclusiva (EI), desenvolver políticas, culturas e práticas que valorizam o contributo ativo de cada aluno para a construção de um conhecimento construído e partilhado e, dessa forma, atingir a qualidade académica e sociocultural sem discriminação. (RODRIGUES, 2006, p. 2). CONSIDERAÇÕES FINAIS A escola precisa caminhar muito para ter uma visão inclusiva aonde tenha capacidade para receber o aluno diferente, ou seja, toda sua estrutura deve estar pautada nesse fim, porque sempre quando se pensa na inclusão logo o professor é colocado no debate no sentido de estar preparado ou não para atender o aluno especial em suas especificidades, isso também desmistifica que a inclusão acontece por esse ou aquele determinado aluno, inclusão é um princípio da escola, com isso existem ações que podem ser desenvolvidas interna e externamente, conjuntamente com os professores e outros profissionais da Educação tal como a comunidade, e até mesmo as APAES, como instituições que podem dar uma grande parcela de soluções e estratégias aja vista que ao longo do seu processo histórico atendeu aos alunos especiais, promovendo então uma parceria. A inclusão é uma provocação, onde a intenção é melhorar a qualidade do ensino das escolas, atingindo a todos que fracassem em suas salas de aula (MANTOAN, 2006). O termo educação inclusiva conjectura a instalação da escola de atender a diversidade total das necessidades dos alunos nas escolas regulares. Dessa maneira, a inclusão pressupõe uma escola que se ajuste a todos alunos, em vez de esperar que um determinado aluno com necessidades especiais se ajuste a escola. De uma forma geral, para a construção de uma sociedade inclusiva é necessário que todos os cidadãos tenham preocupação e cuidado com a linguagem ao lidar com pessoas com necessidades especiais, uma vez que, é por meio da linguagem que estabelecemos aceitação, respeito ou preconceito, discriminação e até mesmo rejeição em relação às pessoas ou grupos de pessoas, conforme suas necessidades. A pergunta chave da reflexão está que sendo proposta aqui é: A escola com os seus gestores está disponível desde que tenham recursos é claro a fazer todas as adequações para melhor atender o aluno especial? Existe ainda resistências e desculpas, sempre sendo colocadas quando não existe inclusão, as mais comuns são: Não temos um quadro de profissionais para atender esses alunos, não temos estrutura física para essa finalidade e etc. No geral, para que a educação inclusiva seja de fato inclusiva e de qualidade torna-se essencial a organização e propostas de desenvolvimento e estratégias elaboradas de intervenção que facilitem a implementação desta proposta. Vale destacar, que não existem modelos pedagógicos prontos para educação inclusiva, nem mesmo diretrizes que possam dar conta de uma transformação radical da escola tradicional, mas é primordial que cada escola, turma, professor, indivíduo dentro de uma instituição possuem suas especificidades e estão inseridos em diferentes realidades. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Constituição Federal Brasileira, 1988. ___. Lei no. 9.394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. 1996. CARVALHO Rosita Edler. Educação Inclusiva: com os pingos nos is. 3. ed. Porto Alegre: Mediação, 2005 CUNHA, M. S. Ensino da língua portuguesa na perspectiva da inclusão do aluno cego no nível fundamental. 2015. 173 f. Dissertação (Mestrado em Educação) Programa de Pós Graduação em Educação. Universidade Federal de Sergipe. 2015. FREIRE, Paulo. Pedagogia da esperança: um reencontro com a Pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 2006. MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Igualdade e diferença na escola: como andar no fio da navalha. In: PRIETO, Rosângela Gavioli; ARANTES, Valéria Amorim (Org.). Inclusão escolar: pontos e contrapontos. São Paulo: Summus, 2006. NASCIMENTO. L. B. P. A importância da inclusão escolar desde a educação infantil. 2014. 49f. Trabalho de Conclusão de Curso (Pedagogia). Departamento de Educação – Faculdade Formação de Professores. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. 2014. RODRIGUES, D. Inclusão e Educação: doze olhares sobre a educação inclusiva. São Paulo: Summus, 2006. STAINBACK S.; STAINBACK W. Inclusão: Um guia para Educadores. Porto Alegre: Artmed, 1999. UNESCO. Declaração de Salamanca e Enquadramento da Acção na Área das Necessidades Educativas Especiais. Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais: Acesso e Qualidade. Salamanca, Espanha, 1994. 49p.