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Epidemiologia e Triagem no Trauma I 1
Epidemiologia e Triagem no 
Trauma I
O trauma é a principal causa de morte entre 1 e 44 anos, nos menores de 1 ano são as 
anomalias congênitas, de 45 a 64 anos são as neoplasias e nos maiores de 65 anos são as 
doenças cardiovasculares
Os homens jovens representam 70% dos óbitos traumáticos e a maioria dos traumas não 
fatais - o que gera um problema econômico, pois são jovens com anos de produtividade 
perdidos, além disso o tratamento do politraumatizado é caro, inclusive se considerar as 
sequelas
MATRIZ DE HADDON
É estudo epidemiológico do trauma, baseado no triângulo epidemiológico das doenças 
infecciosas, que visa desenvolver medidas para sua prevenção, avalia os fatores 
humanos, vetoriais (mecânicos) e ambientais, e as fases pré, durante e após o evento 
(determina se irá ocorrer, a ocorrência e sua gravidade e as sequelas das lesões)
Epidemiologia e Triagem no Trauma I 2
DISTRIBUIÇÃO ÓBITOS TRAUMÁTICOS
Classicamente, a distribuição dos óbitos é trimodal, ou seja, existem três picos:
Epidemiologia e Triagem no Trauma I 3
1º pico - morte imediata: abrange o paciente que falece de segundos a minutos após 
o trauma por lesões imediatamente fatais/catastróficas, por exemplo: TCE grave que 
leva a apneia imediata, rotura de coração e aorta, lesões medulares altas, 
hemorragias massivas - são aqueles que morrem de imediato até os que vão a óbito 
menos de 60 minutos após chegar ao hospital (50% dos pacientes falece aqui)
2º pico - morte precoce: paciente que falece de minutos a horas por lesões graves 
potencialmente tratáveis, ou seja, lesões que não matam imediatamente - hematoma 
subdural e epidural, pneumotoráx, lesão em fígado, baço ou rim, fratura pélvica, ele 
tem a capacidade de ser transportado e falece no atendimento, chega ao hospital e 
morre até 24 horas após ser atendido (30% dos pacientes falece aqui)
3º pico - morte tardia: paciente que falece após dias ou semanas por complicações 
tardias, é atendido, passa por procedimento mas morre na internação ou após - 
disfunção de múltiplos órgãos e sepse
A única forma de diminuir os óbitos do primeiro pico é prevenir os traumas e 
conscientizar a população, os óbitos do segundo pico diminuem por atendimento 
adequado e medidas de reanimação rápidas e eficazes e os óbitos do terceiro pico são 
atenuados por atendimento de UTI e internação adequados
Atualmente, a distribuição é bimodal, com a melhora do atendimento pré-hospitalar e 
emergencial o segundo pico foi atenuado, mas ainda é presente, e as mortes do terceiro 
diminuíram expressamente com a melhora do tratamento cirúrgico e de UTI
CENTROS DE TRAUMA
São hospitais com disponibilidade contínua de médicos e recursos especializados no 
atendimento de trauma, de acordo com o ministério da saúde, no Brasil, existem três 
tipos:
Sistemas de trauma, é a colaboração entre hospitais e órgãos reguladores de uma 
determinada área geográfica para coordenar o atendimento ao paciente agudamente 
traumatizado, onde o paciente é encaminhado para centros específicos em função da 
gravidade do trauma, o que já demonstrou reduzir mortalidade
Tipo I - ações de média complexidade com cobertura populacional para até 200 mil 
habitantes, precisa possuir no mínimo 100 leitos + retaguarda de leitos na UTI
Necessita de equipe específica na porta de urgência para atender trauma, 24 horas por 
dia, sete dias por semana, que seja composta por: clínico geral, pediatra, ortopedista, 
Epidemiologia e Triagem no Trauma I 4
cirurgião geral, anestesiologista com atividade em centro cirúrgico, enfermeiros e 
técnicos e equipe de manejo para paciente crítico
Deve ter serviço de diagnóstico por imagem (radiografia e ultrassonografia), 
laboratório e hemoterapia disponíveis em tempo integral
Possuir equipe suficiente para realizar cirurgias de casos de trauma sem comprometer 
o atendimento de urgência, composta por um cirurgião ou ortopedista, que não seja o 
mesmo do pronto socorro
Deve possuir centro cirúrgico e leitos de enfermaria para atendimento do trauma
Precisa de referência de centro de trauma II ou III para casos de maior complexidade, 
após serem feitos os cuidados mínimos de estabilização do paciente
Precisa oferecer serviço de reabilitação e garantir acompanhamento ambulatorial 
após alta
Tipo II - ações de média e alta complexidade com cobertura populacional de 200 a 500 
mil habitantes 
Obrigatoriamente possuir no mínimo 1 habilitação de alta complexidade: traumato-
ortopedia ou neurocirurgia
Ter disponível e garantir atendimento ao trauma 24 horas por dia, sete dias por 
semana: odontologia, neurocirurgia, ortopedia e traumatologia, cirurgias vascular, 
torácica, pediátrica, crânio-maxilo facial e/ou cirurgia e traumatologia buco-maxilo 
facial, urologia, ginecologia e obstetrícia, pediatria e oftalmologia
Ter tomografia e ressonância magnética disponíveis em tempo integral
Possuir suporte de equipe multiprofissional composta por fisioterapeuta, assistente 
social, nutricionista, farmacêutico e psicólogo
Ter referência de centro de trauma III, e estar localizado no máximo a 60 minutos de 
distância do centro de trauma tipo I
Tipo III - ações de média e alta complexidade com cobertura populacional de 500 mil a 
1,5 milhões de habitantes
Possuir no mínimo 2 habilitações de alta complexidade, sendo obrigatório que uma 
delas seja traumato-ortopedia
Ter disponível e garantir assistência ao trauma 24 horas por dia, sete dias por semana: 
odontologia, neurocirurgia, ortopedia e traumatologia, cirurgias vascular, plástica, 
torácica, pediátrica, de mão, crânio-maxilo facial e/ou cirurgia e traumatologia buco-
Epidemiologia e Triagem no Trauma I 5
maxilo facial, urologia, ginecologia e obstetrícia, pediatria, otorrinolaringologia, 
endoscopia, clínica geral, nefrologia e oftalmologia
Possuir radiologia intervencionista
Estar localizado a no máximo 60 minutos de distância do centro de trauma tipo II
Para lembrar - nem todos os pacientes politraumatizados devem ser encaminhados para 
centros avançados, pois eles são limitados, e se todos forem encaminhados para lá, os 
centros ficarão sobrecarregados e não vão conseguir atender quem realmente precisa, o 
certo é através de boa triagem transportar rapidamente o paciente para o local mais 
apropriado em termos de distância e capacidade de cuidado da lesão
TIPOS DE ACIDENTE
Múltiplas vítimas (multiple casualties) - o número de pacientes e a gravidade das lesões 
não excede os recursos de cuidado, mesmo que sejam vários traumatizados, os recursos 
médicos são suficientes para ajudá-los
Vítimas em massa (mass casualties) ou desastre - o número de pacientes e a gravidade 
das lesões excede os recursos de cuidado, seja pela falta de recursos de assistência na 
região ou seja pela drasticidade do que ocorreu, a demanda é muito maior do que a 
oferta, a ponto de causar colapso do sistema de saúde
O objetivo é fazer o maior bem possível para o maior número de vítimas, diferente do 
que fazer o maior bem possível para uma única vítima - é preciso considerar a 
gravidade das lesões, a probabilidade de sobrevivência e os recursos disponíveis
Nos acidentes com múltiplas vítimas, a prioridade de atendimento é para os pacientes 
mais graves, enquanto nos acidentes com vítimas em massa a prioridade é pra quem tem 
maior chance de sobreviver e requer menos recursos (tempo, equipamento, membros da 
equipe), para triar essas pessoas, utilizamos o protocolo START
PROTOCOLO START (simple triage and rapid treatment)
Permite triar um grande número de pacientes rapidamente, eles vão ser classificados em 
quatro cores:
verde: paciente com lesões mínimas, seu risco atual e de deterioração são mínimos
amarelo: paciente que pode ter o transporte adiado, pois não há risco de deterioração 
significativa nas próximas horas
vermelho: paciente deve ser transportado imediatamente para atendimento médico 
em menos de 60 minutos
Epidemiologia e Triagem no Trauma I 6
preto: paciente que já foi a óbitoou provavelmente irá, dado a gravidade da lesão e 
os recursos disponíveis
Esse protocolo serve para direcionar recursos médicos aos indivíduos com lesões 
ameaçadoras de vida, mas que tem possibilidade de salvamento - vítimas com ferimentos 
tão graves que dificilmente sobreviverão tem baixa prioridade pois consomem uma 
parcela muito alta de recursos, então se prioriza a prestação de cuidados as vítimas com 
maior chance de sobrevivência
As medidas básicas de salvamento inclusas são abertura de vias aéreas e controle de 
hemorragia externa, mesmo sendo um protocolo de triagem, essas são medidas rápidas e 
eficazes
Se paciente estiver em parada, não se realiza ressuscitação ou se estiver sem respiração 
após abertura de via aérea também não se realiza ventilação, porque são pacientes com 
baixa probabilidade de sobreviver recebe a cor preta e não realiza-se nada, em prol dos 
demais que possuem maior chance de sobrevivência
Em cenários de catástrofe, crianças, idosos e gestantes não tem preferência
Parâmetros de avaliação
Deambula?
se sim, classifica como verde; 
se não, avaliar próximo parâmetro
Há respiração espontânea?
se não tiver, a conduta é melhorar o posicionamento da via aérea, se mesmo com 
a manobra continuar em apneia, classifica como preto, mas se evoluir com 
respiração espontânea, classifica como vermelho 
se houver, avalizar próximo parâmetro
Verificar sinais vitais (frequência respiratória, perfusão e nível de consciência)
classificar como vermelho quando: frequência respiratória > 30 irpm, ausência de 
pulso radial, tempo de enchimento capilar > 2 segundos ou se não for capaz de 
obedecer a comandos
se responde a comandos, e os sinais estão adequados, classifica como amarelo 
observação: pacientes classificados como amarelo, podem ter lesões que ameaçam a 
vida, desde que haja baixo risco de deterioração nas próximas horas 
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