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Poema 09 9. Nariz, nariz e nariz, Nariz, que nunca se acaba; Nariz, que se ele desaba, Fará o mundo infeliz; Nariz, que Newton não quis Descrever-lhe a diagonal; Nariz de massa infernal, Que, se o cálculo não erra, Posto entre o Sol e a Terra, Faria eclipse total! Poema 10 10. Lá, quando em mim perder a humanidade Mais um daqueles que não fazem falta, Verbi-gratia o teólogo, o peralta, Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade; Não quero funeral comunidade, Que engrole sub-venites em voz alta; Pingados gatarrões, gente de malta, Eu também vos dispenso a caridade; Mas quando ferrugenta enxada idosa Sepulcro me cavar em ermo outeiro, Lavre-me este epitáfio mão piedosa: “Aqui dorme Bocage, o putanheiro; Passou vida folgada e milagrosa; Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro”. Poema 11 11. Se tu visses, Josino, a minha amada, Havias de louvar o meu bom gosto; Pois seu nevado, rubicundo rosto, Às mais formosas não inveja nada: Na sua boca Vénus faz morada: Nos olhos Cupido as setas posto; Nas mamas faz Lascívia o seu encosto, 29