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A sociedade da era vitoriana era pródiga em moralismos e disciplina, com preconceitos rígidos e proibições severas [13]. Os valores vitorianos podiam classificar-se como “puritanos”, e na época a poupança, a dedicação ao trabalho, a defesa da moral, os deveres da fé e o descanso dominical eram considerados valores de grande importância[14]. Os homens dominavam, tanto em espaços públicos, como em privado e as mulheres deviam ser submissas e dedicar-se em exclusivo à manutenção do lar e à educação dos filhos. Existem vários exemplos de como a sociedade levava a moralidade ao extremo, mas um dos mais infames foi a condenação de Oscar Wilde e de Lord Alfred Douglas a dois anos de trabalhos forçados por sodomia, por terem mantido um caso[15]. Talvez tenha sido esta moralidade acentuada que levou o psicanalista Jacques Lacan a dizer que sem a rainha Vitória não teria existido a psicanálise, uma vez que foi ela que fez com que fosse necessário o que Lacan apelidou de “despertar”[16]. Certas condições como a preguiça e o vício estavam vinculados à pobreza e o sexo era alvo de repulsa social, uma vez que era associado a paixões baixas e o seu caráter animalesco provinha da carne[17]. Por estas razões, considerava-se que a castidade era uma virtude que devia ser protegida[18]. A insatisfação feminina, em qualquer circunstância, era considerada um distúrbio de ansiedade e tratada com medicamentos e psicanálise e, se a mulher tivesse recursos econômicos suficientes, o distúrbio era tratado por um “especialista” que a estimulava sexualmente com as suas mãos[19]. Uma novidade da época foi o abandono da ruralidade: em 1851, e pela primeira vez na História, o número de habitantes das cidades ultrapassou o das aldeias. Nos anos seguintes, o número de populações rurais diminuiu de forma acelerada, ainda que o número de camponeses se tivesse mantido estabilizado. Em 1880, a população rural constituía apenas 10% da população total ativa e a falta de alimentos era resolvida com a importação[20]. A industrialização deu origem a uma classe média burguesa que aumentou gradualmente a sua influência nas normas culturais, estilo de vida e valores morais da sociedade. A casa da classe média passou a ter características que a identificavam de forma clara. Anteriormente, tanto nas vilas como nas cidades, o espaço residencial era adjacente ou incorporado no local de trabalho e ocupava virtualmente o mesmo espaço geográfico. A vida privada e a vida profissional passaram a ser distintas. Na era vitoriana, a vida familiar inglesa tornou-se cada vez mais compartimentada: o lar era uma estrutura autossuficiente que abrigava a família imediata e que era alargada de acordo com as circunstâncias e podia incluir outras relações de sangue. O conceito de privacidade tornou-se um marco da vida da classe média. “…A casa inglesa fechou-se e tornou-se mais escura no decorrer desta década (1850), o culto da vida doméstica associou-se ao culto da privacidade”. A burguesia vivia num espaço interior, escondido atrás de cortinas e desconfiava das intrusões, abrindo apenas as suas portas com convites para festas ou para o chá[21]. “O facto de as pessoas não se conhecerem umas às outras e de a sociedade contribuir para a manutenção de uma fachada que escondia inúmeros mistérios, foram os temas que preocuparam muitos dos romancistas de meados do século”[22]. As classes sociais Segunda versão da obra de Abraham Solomon, First Class - The Meeting (1855). A obra original causou polémica por mostrar dois jovens a falar enquanto o homem mais velho dormitava e teve de ser alterada para se ajustar à moral vitoriana. A imagem quotidiana da era vitoriana é a de uma sociedade burguesa e de classe média. Porém, as diferenças dentro desta classe não estavam muito definidas. A burguesia inglesa definia-se a si mesma como "middle class”, o que a distinguia da “upper class”, constituída pela nobreza e pelos aristocratas de grandes famílias. A alta burguesia era constituída por banqueiros, homens de negócios e financeiros que tinham conseguido a sua fortuna em virtude das novas características da economia[23]. A classe média comum e a classe média baixa tentavam imitar os costumes das classes mais altas e os seus membros eram pequenos comerciantes e empresários, médicos e advogados, entre outros[24]. As normas sociais eram definidas pelas classes mais elevadas. Os aristocratas possuíam propriedades com mais de quatro mil hectares nas quais passavam os meses de verão e, no inverno, iam para Londres. Os gentry, um grupo social do qual faziam parte cerca de três mil famílias que possuíam propriedades de tamanho superior a cem e inferior a quatro mil hectares, seguiam também estas normas[25]. No seu conjunto, a classe alta controlava, em 1873, quase 80% da superfície da Inglaterra [26] e possuía ainda uma representação no Parlamento e no conselho de ministros que chegava a atingir os 80% e 60% respetivamente[27]. Além disso, ocupava os postos de chefia do exército (três quartos destas posições estavam nas mãos de membros da classe alta em 1838) e da igreja anglicana (até ao final do século, cerca de metade dos bispos estavam casados com mulheres da aristocracia)[28] [29]. A classe trabalhadora, a baixa, possuía um elevado número de empregados domésticos. Em 1851, cerca de 1 900 indivíduos realizavam esse tipo de tarefas, em 1871 esse número atingia já quase o meio milhão e, no final do século XIX eram já quase dois milhões e meio de pessoas[30]. Os trabalhadores não possuíam quaisquer benefícios sociais. A única regulação que existia consistia na Lei dos Pobres, mas ela servia de pouco[31]. Curiosidades – Espartilhos foram usados até o final do século XIX. – Calcinhas foram criadas na década de 1870. Obs.: Esse post se originou de uma pesquisa informal, como pesquisei em muitos sites não sei a fonte de todos, então se vocês virem algo parecido em outro site pode comentar que coloco os créditos. http://www.entendademoda.com.br/2013/02/a-moda-no-seculo-xix.html image1.jpeg