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1 PSICOLOGIA Me. Ademar Dias de Oliveira Prof. Guilherme Bernardes Filho Diretor Presidente Prof. Aderbal Alfredo Calderari Bernardes Diretor Geral Prof. Me. Eduardo Ogawa Vice-diretor Prof. Me. Ana Carla Comune de Oliveira Diretora EaD - UNISEPE UNISEPE – EaD Prof. Me. Igor Gabriel Lima Prof. Dr. Jozeildo Kleberson Barbosa Material Didático – EaD Comissão editorial: Fernanda Pereira de Castro Gustavo Batista Bardusco Prof. Dr. Renato de Araújo Cruz Apoio: Anderson Francisco de Oliveira Matheus Eduardo Souza Pedroso Projeto gráfico: Prof. Carlos Machado Nivaldo José Tadeu dos Santos Beirão Revisão: Profa. Priscila Bueno de Godoy Catalogação na fonte Bibliotecária responsável: Fernanda Pereira de Castro - CRB-8/10395 150 O48p Oliveira, Ademar Dias de Psicologia / Ademar Dias de Oliveira. - - Registro :UNISEPE, 2020. 97 p. 1. Psicologia. 2. Psicologia Organizacional. 3. Comportamento Organizacional. I. Título. Os ÍCONES são elementos gráficos utilizados para ampliar as formas de linguagem e facilitar a organização e a leitura hipertextual. SUMÁRIO UNIDADE I. ............................................................................................. 5 1. PSICOLOGIA, CIÊNCIA E PROFISSÃO ........................................................... 5 2. PSICANÁLISE E BEHAVIORISMO NAS ORGANIZAÇÕES ........................... 13 3. INTELIGÊNCIA, MEMÓRIA E PERCEPÇÃO .................................................. 22 4. A PSICOLOGIA SOCIAL DAS ORGANIZAÇÕES .......................................... 30 UNIDADE II ........................................................................................... 36 5. A PSICOLOGIA, O MUNDO DO TRABALHO E EMPREGO ........................... 36 6. O MOVIMENTO INDUSTRIAL, A ADMINISTRAÇÃO E A PSICOLOGIA NAS ORGANIZAÇÕES .................................................................................... 43 7. COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL E VALORES ................................. 51 8. PSICOLOGIA NAS ORGANIZAÇÕES E O PROCESSO DE RECRUTAMENTO E SELEÇÃO ......................................................................58 UNIDADE III. ......................................................................................... 66 9. MOTIVAÇÃO E LIDERANÇA ........................................................................... 66 10. ESTRESSE E EMOÇÃO ................................................................................. 75 11. QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO ......................................................... 84 12. GESTÃO ESTRATÉGICA DE GESTÃO DE PESSOAS E PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL NA ATUALIDADE ............................................................ 90 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................................... 97 5 UNIDADE I CAPÍTULO 1 - PSICOLOGIA, CIÊNCIA E PROFISSÃO Introdução O primeiro passo para compreendermos as contribuições da Psicologia para a sociedade é conhecermos suas raízes, conceitos, abordagens bem como o objeto de estudo. Para iniciar esse diálogo, é preciso diferenciar Psicologia do senso comum e Psicologia científica, pois, assim como em outras áreas, na Psicologia também encontramos pulverizações de conceitos, ou seja, encontramos diversas pessoas falando de emoção, sentimentos, estresse, personalidades, comportamentos sem saber a etiologia, o real significado dessa ciência psicológica. No término deste capítulo, você deverá saber: PSICOLOGIA, SENSO COMUM E CIENTÍFICO HISTÓRIA DA PSICOLOGIA SUBJETIVIDADE Reflexão Já dizia Zygmunt Bauman que a modernidade é sólida e líquida. As pessoas se movimentam e se transformam, neste percurso, surgem ações que facilitam ou prejudicam as relações humanas, que tem sido alvo de grandes discussões, diante dessa motricidade social, econômica e principalmente tecnológica, as profissões têm procurado recursos interdisciplinares para dar conta de instabilidades emocionais e relacionais. O local de trabalho acaba sendo a segunda casa, quando não é a primeira, dependendo da carga horária depositada. Tudo isso implica em alterações físicas e psicossomáticas e a Psicologia surge como grande parceira para ajudar a compreender essas relações subjetivas do universo organizacional. 6 1.1 Psicologia comum e Psicologia científica “Este rapaz é um psicopata” “Este rapaz apresenta sintomas de psicopatia” Notou diferença nas frases? Elas retratam bem aquilo que queremos provocar neste capítulo, uma breve reflexão sobre o que é ciência e o que é do dia a dia. Para dizer que alguém tem alguma psicopatologia, é preciso estar respaldado em comprovações técnicas (instrumentos que permitem coleta de dados, entrevistas, testes, questionários), teóricas (autores) e metodológicas (conjunto de procedimentos sistematizados, caminhos que levam ao objetivo). Quando usamos o termo psicologia do senso comum estamos nos referindo a aquelas famosas frases usadas por pessoas que não tiveram acesso ao curso superior de psicologia e mesmo assim, através das escutas, das relações do dia a dia, acabam usando linguagem da psicologia científica sem ter noção epistemológica do discurso. Para que o/a leitor/a possa compreender com facilidade apresentarei a seguir algumas frases que são usadas e que são consideradas senso comum, tais como: “ele é meu grande amigo, é meu psicólogo”; “Este rapaz é um deprimido”; “Esta menina é neurótica”; “aquela garota é uma melancólica”; “Aquele seu namorado é um ‘louco’ e desequilibrado”; “Ela está quieta e deve ter depressão”. Essas e outras frases são encontradas nos vocabulários da maioria das pessoas na sociedade com o propósito de explicar questões comportamentais dos outros ou ancorar sentimentos nas relações interpessoais. Diante do parágrafo anterior, podemos dizer que estamos falando de uma Psicologia que não é científica, ou seja, uma psicologia literalmente empirista, simplista, que é usada por não psicólogos/as. Isso não quer dizer que pessoas no contexto enunciado estejam redondamente enganadas, o conhecimento popular ou vulgar e espontâneo é a primeira fase de um processo científico, portanto, deve ser respeitado também. Para tanto, é preciso diferenciar o que é do comum e o que é da psicologia científica, assim, para se ter diagnóstico de depressão, psicopatia, melancolia, neurose, esquizofrenia é preciso passar pelos caminhos da ciência com métodos, técnicas, teorias, atendimentos e acompanhamentos especializados. Este conjunto de procedimentos deve ser guiado por normas científicas e manuais com credibilidade além da Psicologia, portanto, para qualquer diagnóstico psicológico é preciso ser psicólogo/a para desenvolver. A aplicabilidade de métodos e técnicas da Psicologia deve ser credenciada apenas por profissionais formados em Psicologia. A sabedoria começa com a dúvida, quando falamos em psicologia científica partimos do princípio de que as explicações comportamentais, emocionais, sociais, naturais, políticas, econômicas, educacionais e culturais são explicadas pela Ciência, que é um sistema que agrega verdade provisória, leis gerais conduzidas por meio do método científico. A Psicologia está neste universo da ciência que é composta por conjuntos de conhecimentos aspectos da realidade, expresso através de linguagem precisa e rigorosa. 7 A Psicologia surge como ciência e gera uma prática profissional, tem suas origens da Filosofia que veremos nas próximas páginas e é balizada pela observação sistemática, a Psicologia tem por objetivo explicar como a pessoa pode conhecer e interpretar a si mesmo ecomo pode interpretar e conhecer a sociedade. Enquanto prática, a psicologia apresenta o conhecimento por ela anexado a serviço de indivíduos e instituições (seres vivos). A profissão é representada por um tridente, alguns chamam de símbolo das divindades do mar, o qual está representando a vigésima terceira letra do alfabeto grego, “Psi”. Na etimologia, o termo psicologia vem da união das palavras gregas “psiche”, que quer dizer alma e “sopro” (o sopro de vida ou o sopro d'alma), e “logos” que significa estudo. Assim, em outras palavras, psicologia significa o “estudo da alma”. Por muitos anos a Psicologia foi cercada por um modelo clínico, terapêutico, um olhar que transcendeu e chegou ao senso comum, muitas pessoas ainda acreditam que um/a Psicólogo/a só faz terapia, dá conselhos, pessoa boa sempre disponível para ouvir. Este paradigma tem sido mudado ao longo dos anos, adiante vamos ver que a Psicologia pode ser encontrada em diversas profissões, vários pontos da sociedade com suas técnicas, métodos, teorias, dúvidas (famosos “porquês”), observações, aplicação de testes, entrevistas dentre outras. 1.2 As origens da Psicologia (Caracterização histórica) A Psicologia surge como ciência em Leipzig, na Alemanha, em 1879 por Wilhelm Wundt (1832-1920) quando instalou um laboratório de Psicologia Experimental na Alemanha. Depois surgiram as correntes psicológicas: Associacionismo de Wundt (empirismo), Behaviorismo de John B. Watson (1878-1958), Psicanálise de Sigmund Freud (1856- 1939), Construtivismo de Jean Piaget (1896-1980). A Psicologia estuda a mente e suas interligações, ou seja, foca na psique, no comportamento, nos movimentos, instintos, hábitos, vontade, liberdade, inconsciente, explora o prazer, a dor, a emoção, o sentimento, a sensação, a percepção, a memória, as associações, a imaginação, as patologias, linguagem, pensamento, inteligência, raciocínio, personalidade, identidade dentre outras. É importante ressaltar que a Psicologia não emergiu diretamente como uma ciência, ela iniciou como um ramo da filosofia e continuou por cerca de 2000 anos antes de se tornar conhecida como uma ciência. Psicologia começou como fruto da curiosidade para compreender sobre as experiências, as atividades de pessoas e eventos. Assim, focavam-se nas suas experiências na vida, sonhos, desejos, nos impulsos e comportamentos das pessoas em diferentes situações. Principais autores: Wilhelm Wundt (1832 -1920), sendo o precursor, teve a inquietude de banir as questões filosóficas em torno da psicologia. Ele procurou estudar os processos mentais e se destacou nas investigações das sensações, as ideias, a atenção e as emoções. Destacou-se pelos estudos da consciência humana e assim é considerado pai da Psicologia. 8 William James (1842-1910) estudou a inteligência, foco no surgimento da psicometria, estudo dos testes para avaliação da mente humana. São vários autores e este capítulo não seria suficiente para detalharmos todas as contribuições, é bom saber que todos eles foram e continuam sendo fundamentais, tais como Ivan Pavlov (1849-1936); BurrhusFrederic Skinner (1904-1990); Sigmund Freud (1856-1939); Jean Piaget (1896- 1980); Carl Rogers (1902-1987); Abraham Maslow (1908-1970) e outros. Sobre as áreas de atuação, temos: Psicologia Social e Comunitária, Psicologia Hospitalar, Psicologia Clínica, Psicologia do Esporte, Psicologia Escolar e Educacional, Psicologia Jurídica, Psicologia Organizacional e do Trabalho, dentre outras. Dentre as abordagens, podemos citar a Psicanálise, estudos do inconsciente, o Behaviorismo, estudo das relações ambientais e influências pessoais nas relações, Gestalt que estuda as percepções, as formas, a Humanista que foca na pessoa dentre outras. Neste primeiro momento não vamos aprofundar nesses aspectos para não corrermos o risco de adiantarmos um assunto que deverá ser pautado no momento oportuno do curso. De modo geral, a Psicologia vem de raízes filosóficas, especialmente alemã, em se tratando de seu reconhecimento como profissão, data de 27 de agosto de 1962, quando o então presidente da República, João Goulart, sancionou a Lei 4.119 que reconhecia a Psicologia, uma profissão. Antes de ser juridicamente aceita, a Psicologia estava fixada nas áreas da Educação, Direito, Saúde e Trabalho. Este processo de reconhecimento não foi fácil, enfrentou resistências da medicina, que considerava privada as práticas associadas à clínica. O processo de regulamentação da profissão de psicólogo/a em lei não era comum. Com ressalva aos Estados Unidos, além de Egito e Canadá e outras nações que não dispunham de legislação que protegesse a profissionalização. É importante mencionar que a movimentação política foi fundamental para este resultado, a estruturação dos Conselhos, foi fundamental, essa regulamentação surge dois anos antes da ditadura de 1964, em meio ao recrudescimento da repressão que se alongou pelos anos 1970. A Psicologia ganha força pelos movimentos sociais para a redemocratização do Brasil. Neste percurso surgiu também um movimento de crítica em direção a Psicologia que até então era nitidamente clínica, poucas pessoas tinham acesso. Deste modo a Psicologia foi sendo convidada a pensar e ao fazer com uma preocupação em colocar a ciência e a profissão em sintonia com a solução de problemas sociais. A Psicologia hoje pode ser encontrada nos hospitais, nas escolas, nas entidades sociais, no trânsito, nas clínicas, nas empresas e tem sido vista como uma das profissões mais procuradas, por várias razões, sendo a principal, a compreensão e explicação de fenômenos sociais. No próximo trecho desse capítulo conheceremos o objeto de estudo da Psicologia. 9 1.3 A subjetividade como objeto de estudo da Psicologia Todas as ciências precisam de um foco de estudo, para um conhecimento ser considerado científico, pede-se um objeto de estudo. Nos cursos da área de exatas e ciências aplicadas, certamente deve ter ouvido a frase “teorias da administração”. Na Administração, administrar significa direção, gerência, gerir recursos, negócios, recursos, pessoas, alcançar metas. Enfim, como o nome diz administrar, representa o cuidado dos elementos de uma organização: pessoas, materiais, recursos. Para tudo, requer um objeto de estudo. Na Astronomia estudam-se os astros; na Biologia, os seres vivos; já na Antropologia, estudam-se as pessoas em sociedade e na sociologia se estuda a sociedade e seus movimentos. Na Psicologia não é diferente, também temos um objeto de estudo e é sobre essa questão que iremos tratar nesta etapa deste livro- texto. Assim como em várias ciências, na Psicologia enfrentamos a dificuldade de identificar o objeto de estudo, considerando as diversidades da profissão, as áreas, abordagens, etc. Os fenômenos são diversos. Ela pode ser vista como característica do que é subjetivo, espaço íntimo, pessoal, aquilo que é interno, invisível, espaço limítrofe de cada pessoa, envolve sensações, sentimentos, desejos, perspectivas. Configura-se como modo de sentir, pensar, fantasiar, se comportar, sonhar, amar de cada pessoa, por fim, é próprio, inacessível, não tem como o outro avaliar, somente a pessoa pode dizer o que sente, o que pensa e como se comporta. As pessoas estão nas organizações, nos hospitais, nas residências e em vários espaços, são compostas por subjetividades e isso precisa ser respeitado. São formas individuais de pensar, sentir e amar. Este pode ser um dos grandes problemas das empresas, dos conflitos nas relações interpessoais, pois, a coletividade implica no encontro de subjetividades e aí fica a grande reflexão, em muitas situações, precisamos perceber que o outro também pensa, sente, ama, se relaciona e isso precisa ser observado antes de qualquer atitude, seja no trabalho, na rua ou na família. O conceito de subjetividadeé amplo, caso queira conhecer outras contribuições, deve investigar como foi concebido o termo do ponto de vista clássico e contemporâneo. 10 Resumindo A Psicologia é uma ciência que gera uma prática profissional, surgiu na Alemanha na segunda metade do século XIX, no ano de 1879. Tem como grande expoente Wilhelm Maximilian Wundt, que foi um médico, filósofo e psicólogo. Um dos grandes desafios dos/as psicólogos/as é quebrar o paradigma de que Psicólogo só trabalha com psicoterapia, também procura explicar que a psicologia do senso comum e a psicologia científica se completam, mas não são sinônimas. Vimos que o objeto de estudo da Psicologia é a subjetividade, ou seja, procura observar, descrever, compreender, interpretar a dinâmica das relações humanas, comportamentais das pessoas de modo a oferecer um espaço reflexivo, terapêutico e de transformação sempre visando à melhoria da qualidade de vida. A Psicologia está presente em várias áreas e tem se tornado uma das áreas profissionais mais procuradas na atualidade. Lembre-se Psicologia do dia a dia é diferente da Psicologia científica que é revestida de teorias, técnicas e métodos. O científico visa compreender, elucidar, alterar o cotidiano, por meio de validação e generalização. As pessoas são diferentes e que é preciso conhecer e assim compreender o movimento de suas subjetividades. Tome nota Não se limite apenas à leitura desse material, procure outras fontes de pesquisa. A Psicologia é importante para todas as áreas de formação no Brasil. Façamos juntos (FUNDAÇÃO DOM CINTRA – 2012) Analista - Psicologia - Assistência Social. Wundt tomou a interioridade cartesiana como objeto e, tornando a um conceito independente do campo filosófico, com ela fundamentou o nascimento da Psicologia como disciplina autônoma. Tal interioridade foi redefinida por Wundt por meio do conceito de: a) percepto b) sensação c) apercepção d) consciência e) subjetividade Resposta: D 11 Investigue As diferenças entre o que é comum, prático, objetivo, daquilo que é cientifico. Reflita Nós somos, pensamos, nos comportamos e vivemos de formas similares, somos diferentes, portanto, torna-se impossível “adivinhar” o que seu colega de trabalho está pensando. Faça você mesmo Com base no objeto de estudo da Psicologia, como você enquanto profissional da poderá “conhecer/melhorar” nas relações subjetivas com seus clientes? Bibliografia BOCK, Ana Maria Bahia. Psicologias: uma Introdução ao estudo da psicologia. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. LEÃO, Lourdes Meireles; CORREIA, Mônica. Psicologia cognitiva: construção de significados em diferentes contextos. Campinas: Alínea, 2008. BERGAMINI, Cecília Whitaker. Psicologia Aplicada à Administração de Empresas.4ª ed. São Paulo: Atlas, 2010. 12 Saiba mais SUBJETIVIDADE NAS ORGANIZAÇÕES A subjetividade pode ser caracterizada como modo de pensar, sentir, fantasiar, comportar, sonhar, amar de cada pessoa. Sendo algo próprio e não objetivo, torna-se inacessível. Peço que analisem as próximas linhas reflexivas porque serão apresentadas diversas situações em que a subjetividade está presente e pode ser estudada no dia a dia da família, na rua ou no trabalho. Vamos simular a notícia de falecimento da tia de Maria, João e Carlos, as três pessoas reagem diferentemente porque elas são diferentes, elas têm modos próprios de sentir, pensar, comportar, amar. A Maria, ao receber a notícia desencadeou uma crise de risos, ou seja, começou a rir incontrolavelmente, o João ficou paralisado, sem ação, enquanto o Carlos começou a chorar ininterruptamente. Veja, fica notório que as três pessoas reagiram à notícia, porém, o verdadeiro sentimento que emergiu depois do falecimento é próprio, somente as pessoas que receberam a notícia poderão dizer o que estão sentindo. Maria pode ter sorrido, mas detonada internamente, o João está paralisado, isso não quer dizer que ele não tenha sentido a morte da tia, já o Carlos pode estar chorando, porém, feliz porque receberá uma herança considerada. Percebeu que as pessoas têm sentimentos e sensações que pertencem somente a elas? Assim é na rua, nas empresas, nas igrejas e na família. Nas organizações podemos notar situações parecidas, o coordenador chega quieto, apenas cumprimenta e vai para sua sala, logo surgem rumores de que está “bravo”, estressado e poderá reprender a equipe a qualquer momento. Isso pode ser uma realidade ou não, pois, somente a coordenador poderá dizer a razão de ter chegado quieto. Outra situação bem comum nas organizações é aquela pessoa que conversa muito pouco, porém executa suas atividades maravilhosamente, muitas pessoas podem associar o seu modo de ser a uma pessoa arrogante, indelicada, sem simpatia. Na realidade não é nada disso, temos pessoas nas empresas que falam muito e outras que são mais reservadas, isso não quer dizer que estão estressadas. Somente as pessoas que podem dizer o que pensam e o que sentem e tudo isso é subjetivo e esse é o foco da Psicologia, tentar compreender e interpretar como e quais as razões que fazem a pessoa reagir e ter determinadas posturas na coletividade. 13 CAPÍTULO 2 - PSICANÁLISE E BEHAVIORISMO NAS ORGANIZAÇÕES Introdução Pode ser que num primeiro momento você se pergunte quais as relações entre Psicanálise e Behaviorismo na sua formação e como esses termos estarão presentes na sua atuação profissional. Pois bem, o objetivo desse capítulo é apresentar essa relação, ou seja, as questões obscuras que acompanham as pessoas nas empresas, os desejos, as projeções, os pensamentos, pulsão etc. Por outro lado, procuraremos notar como o ambiente se torna mediador de nossos comportamentos, até que ponto fazemos algo por livre arbítrio e até que ponto fazemos porque não estamos sozinhos no mundo, quando as ações do coletivo também contribuem para nossas decisões. 2.1 A Psicanálise: contribuições para a Psicologia nas organizações Pode ser que num primeiro momento você sinta estranheza por estarmos diante de termos desconhecidos e relativamente complexos, porém, no decorrer da leitura poderá perceber de forma simples que a Psicanálise está presente em nossas ações do dia a dia. O que é? Corrente e/ ou abordagem da Psicologia criada pelo famoso médico neurologista austríaco Sigmund Freud (1856-1939), e tem como proposta conhecer, compreender e interpretar a dinâmica do inconsciente humano, ela é vista também como No término deste capítulo, você deverá saber: PSICANÁLISE – QUESTÕES INCONSCIENTES NAS RELAÇÕES HUMANAS BEHAVIORISMO – INFLUÊNCIAS AMBIENTAIS GESTALT – COMO PERCEBEMOS O MUNDO Reflexão As relações humanas são complexas, porque somos pessoas fáceis e tornamos a vida difícil, principalmente quando encontramos nossos próprios impulsos que estavam dormindo. Isso é muito comum nas organizações, em alguns momentos somos surpreendidos por desejos (psicanálise), em outros momentos somos surpreendidos pelos outros que trabalham ao nosso lado (behaviorismo). 14 método clínico de tratamento que se baseia na aplicação da técnica da Associação Livre. O que estuda? As regiões obscuras da mente, Freud ousou estudar os “processos misteriosos” do psiquismo: as fantasias, os medos, os sonhos, os esquecimentos. Principais teorias? Aparelho psíquico (consciente, pré-consciente e inconsciente / ID, Ego e Superego / Desenvolvimento Psicossexual / Pulsão de vida e de morte / Mecanismos de defesa) Existem vários autores que podem sustentar as contribuições da Psicanálise para sociedade, devido a essa extensão, vamos tentar resumir essa contribuição por meio de Sigmund Freud. O Freud é o grande criador da Psicanálise, nasceu no ano de 1856 em Freiberg in Mähren, na épocapertencente ao Império Austríaco e faleceu em 1939. Ele queria estimular o pensamento e derrubar preconceitos, foi um médico vienense, que alterou radicalmente o modo de pensar a vida psíquica. Freud ousou colocar os “processos misteriosos” do psiquismo, como já mencionado: As regiões obscuras; Fantasias; Os sonhos; Os esquecimentos; A interioridade da pessoa; Fonte: https://www.infoescola.com/anatomia-humana/lobos-cerebrais/ Ilustração: Gray's Anatomy (adaptado) A imagem acima mostra claramente o grande foco de estudos da mente antes do surgimento da psicanálise, a medicina liderava os estudos do cérebro do ponto de vista palpável, físico, biológico. Freud chegou para questionar, inquieto ele procurou compreender o que estava por trás das relações humanas, o que estava escondido nas regiões obscuras da mente de cada pessoa, ou seja, quais são as motivações, os https://www.infoescola.com/anatomia-humana/lobos-cerebrais/ 15 medos, os desejos, as expectativas, as pulsões, as defesas, como o cérebro nos surpreende, o que recalcamos, o que resgatamos, como equilibramos as relações e como lidamos com as complexidades da vida. Freud não desmerece a medicina, mas procura abrir uma grande discussão sobre a dinâmica do inconsciente. Freud vai dizer que o período de desenvolvimento é muito importante no processo de construção de identidade e personalidade, lacunas neste período podem significar prejuízo psíquico, ele divide o desenvolvimento em estágios e cada etapa deve ser respeitada pelos cuidadores. As pessoas levam para as relações diversas posturas internas que na maioria das vezes elas não controlam, porque são inconscientes. Para melhor compreensão, a partir de agora vou inserir as contribuições e relacionar com aquilo que presenciamos nas organizações. Pulsão de vida e pulsão de morte (agressiva) no trabalho. A pulsão é uma grande contribuição freudiana para as explicações de relações humanas nas organizações. Pulsão é considerada uma energia psíquica, uma força interna, impulsionadora que leva a pessoa a pensar e/ou cometer determinada ação que leva a vida ou a morte. De forma bem simples podemos dizer que pulsão de vida é muito comum naquelas pessoas que fogem de uma boa “briga”, evitam conflitos, procuram se relacionar com quem quer “crescer” na vida, está sempre querendo aprender, se estabelecer materialmente, psicologicamente, está sempre em busca de realizações, estudos e estabilidade. Um exemplo de pulsão de vida a ser usado pode ser aquele indivíduo que quer melhorar de vida, comprar sua casa, veículo, poder fazer suas compras, viver bem, em harmonia com ele e com a coletividade. Quanto à pulsão de morte (agressividade), podemos encontrar em várias situações, em pessoas que buscam a morte e nem notam que estão quase conseguindo, pessoas radicais, agressivas, que não dispensam a boa discussão, gostam de ousadias, de perigo; muito comum em situações em que a pessoa sabe que se acelerar o veículo poderá morrer, se pular de uma ponte, poderá bater a cabeça numa pedra, se for próximo ao parapeito do prédio, poderá cair, enfim, são várias situações. São agressividades psíquicas que encontramos nas relações humanas, em casa, na rua, na comunidade, na faculdade, no trabalho etc. Quando encontramos a pulsão de vida e de morte nas organizações? Quando nos deparamos com aqueles colaboradores que estão dispostos a viver harmoniosamente na coletividade pelo bem estar deles e de todos, quando encontramos na hora do café, na hora do almoço as pessoas sempre querendo o melhor, vencer, mudar, melhorar de vida ou, quando encontramos colaboradores fatalistas, que estão sempre nos limítrofes entre vida e morte, acelerando veículo da empresa para chegar ao destino, deixando de usar equipamento de segurança por acreditar que não corre risco de acidentes, ou aqueles que não terminam o dia sem aquelas famosas discussões que geralmente levam a agressões verbais ou físicas. 16 ID, EGO e SUPEREGO: como encontramos no cotidiano das organizações? O conjunto ID, EGO e SUPEREGO é mais uma contribuição psicanalítica, Freud chama de segunda tópica, ou seja, segunda teoria, antes ele nominava de consciente, pré- consciente e inconsciente. Freud vai nos dizer que nosso cérebro é como se fosse um Iceberg, para quem não lembra, iceberg é um bloco ou massa de gelo de grandes proporções que, tendo se desprendido de uma geleira, ou seja, só é visível a parte que fica na superfície da água. Assim é a mente, na parte superior temos nossas percepções, pensamentos, raciocínios, no meio temos as lembranças, memórias e na parte inferior temos nossas pulsões, desejos, fobias, recalcamentos etc. Freud chama isso de estrutura psíquica. Fonte da imagem: http://filhasdesigmund.blogspot.com/2013/11/o-consciente-pre-consciente-e.html Quais as razões de apresentar esta imagem? Porque a partir desse formato psíquico Freud desenha as contribuições do ID, EGO e SUPEREGO das relações humanas. Certo, mas, como podemos traduzir esta contribuição e agregar nas relações cotidianas das grandes organizações atuais? O Ego, o Superego e o Id são as instâncias que constituem a psique humana, sendo: O Id é um caldeirão de desejos, vontades, como se ficasse borbulhando, fervendo 24 horas. A busca do prazer pelo caminho mais curto, em outras palavras, encontramos naquelas pessoas que procuram a primeira resposta para suas inquietações, fazem aquilo que é mais rápido, prático, um gerente que toma a primeira decisão, na maioria das vezes sem pensar nas consequências. São vários exemplos que podem ser usados, vamos pegar como espelho aquela pessoa que ao amanhecer: o despertador toca e ele mesmo sabendo que é fundamental na empresa pela manhã, simplesmente atende o caminho mais curto, o calor do cobertor, não levanta e simplesmente falta no trabalho. Atendeu aquilo que deu prazer rapidamente, a cama. Como que o Ego entraria nesta dinâmica, ele daria sugestões, para evitar este caminho mais curto, uma das sugestões seria, ir, resolver tudo na empresa e voltar para casa e dormir depois do almoço, ou http://filhasdesigmund.blogspot.com/2013/11/o-consciente-pre-consciente-e.html 17 faltar num dia em que ele não fosse fazer tanta falta. Vejam, o Ego se caracteriza pelo equilíbrio sugestivo, ele faz a pessoa pensar em alternativas. O Superego é a instancia moral, aquele conhecido como juiz, o que pune, que mostra as consequências, como se dissesse, você pode faltar, pode dormir, ou seja, pode atender seu desejo de ficar na coberta, só que poderá perder o emprego, dependendo das consequências de sua falta, poderá levar justa causa, perder anos de experiência, ficará com seu aluguel atrasado, prestações de carro, móveis, faculdade da filha, enxoval da esposa. Notem que na maioria das vezes as pessoas agem pelo princípio do prazer pelo caminho mais curto, não ouvem suas próprias sugestões e deixam de pensar no depois. De modo geral, quando falamos de Id, Ego e Superego é como se tivéssemos três pessoas em nós para ajuda a tomarmos decisões nas organizações. Em síntese: “Eu quero, não precisa ser agora, se fizer arcarei com as consequências.” Podemos pensar em várias situações envolvendo a dinâmica do Id, Ego e Superego. Ruídos de comunicação (famosas fofocas), relações de poder, desejo de furtar na empresa, desviar recursos, manusear sistema com senhas para ter acesso a contas de usuários, desperdiçar alimentos, materiais administrativos, uso indevido de veículo da empresa etc. Em todas essas situações encontramos o prazer pelo caminho mais curto (Id), as sugestões (Ego) e as repressões (Superego). Daí a importância da Psicologia nas organizações, um/a Psicólogo/a ao desenvolver estudos no espaço, vai poder contribuir pensando em estratégias de treinamento de equipes e assim melhorara qualidade de vida no ambiente. Tem um autor da Psicologia, chamado José Bleger (1984) que afirma que devemos constituir uma organização dinâmica visando promover condições que tendam a melhoria das condições de saúde e bem-estar do espaço. Ele apresenta o conceito de Psico-Higiene baseia-se na dimensão psicóloga em que o/a Psicólogo/a deve fazer mais do que uma atividade psicoterápica, deve-se atender ao todo praticando, ao humano e suas questões psicológicas e o seu exercício nas ocorrências multifatoriais. Além dessas questões acima, encontramos nas organizações pessoas simbióticas e ambíguas, ou seja, aquelas que se aproximam e as que se afastam nos espaços. Nós encontramos também pessoas narcisistas, ou seja, trata-se da pessoa que tem a tendência de alimentar uma paixão por si mesmo, gosta de ser o centro das atenções, causando conflitos interpessoais quase todos os dias e por fim, encontramos pessoas que tem relações de amor e ódio com o espaço de trabalho. Todas essas possibilidades de humanos nas organizações surgem porque nós levamos para vida adulta questões infantis que são atualizadas nas relações, bem como os mecanismos de defesa de Freud, as projeções e regressões, pois, atribuímos aos outras características que são nossas e negamos e por outro lado, temos comportamentos infantilizados quando deveríamos dialogar para encontrarmos soluções. 2.2 Behaviorismo O termo Behaviorismo foi inaugurado pelo americano Jhon B. Watson depois de um artigo publicado em 1913 com o título “Psicologia: como os behavioristas a veem”. Portanto Watson é considerado o pai do Behaviorismo. 18 Behavior significa “Comportamento”, conjunto de teorias psicológicas sobre o comportamento humano e é também é chamada de: Comportamentalismo; Teoria Comportamental; Análise experimental do comportamento; Análise do comportamento. O Comportamento para os behavioristas é entendido como interação entre pessoa e ambiente, é a unidade básica de descrição e o ponto de partida para uma ciência do comportamento. Quanto maior o estímulo, maior a probabilidade de respostas. Como podemos traduzir essas questões para o cotidiano das organizações? A pessoa acaba sendo produto ambiente, pode controlar o seu comportamento na medida em que manipula os elementos que cercam este meio. Um exemplo básico para compreendermos essas contribuições é aquele colaborador que não é estimulado, prepara relatórios, é pontual, não falta, sempre disposto, participativo, busca parcerias para a empresa, é mediador de conflitos, porém, não tem aumento de salário, não tem participação de lucros, não recebe elogios, não recebe prêmios pelas suas ações e na maioria das vezes nem um obrigado recebe de seus superiores. Uma pessoa nesta situação não está sendo reforçada positivamente, pois, o reforço positivo é uma das contribuições do Behaviorismo de Skinner, quando reforçamos os as ações das pessoas, aumentamos a probabilidades do comportamento se repetir, quando não reforçamos, a tendência é a pessoa desanimar. Outro exemplo, situação envolvendo um ambiente tenso, pesado, imagine que você chega a empresa, feliz, cantando, cheio de energias positivas e ao chegar na praça de alimentação, encontra todos de cabeça baixa, quietos, ou logo no corredor encontra a Assistente Administrativa nervosa, chutando o balde e querendo quebrar a impressora que estragou. A probabilidade de você mudar o comportamento e começar a silenciar ou a ficar agressivo é grande, pois, o ambiente e a coletividade estão contribuindo para a alteração de sua postura. Tem muitas empresas que usam o behaviorismo como ferramenta de sucesso, dando aos seus colaboradores porcentagem de lucros e aos clientes prêmios, por meio de sorteios e ligações para parabenizar em datas comemorativas, como aniversário ou casamentos. Quanto o cliente é bem atendido, com simpatia, carisma, alegria, atenção, responsabilidade, a probabilidade de retornar à loja é grande, por outro lado, se recebe péssimo acolhimento, a tendência é mudar de calçada da próxima vez. Você, certamente deve ter ouvido a frase “tem lugares que vamos uma vez para não voltar.”, isso é behaviorismo, se não somos reforçados, não retornamos. O problema do reforço é quando paramos de reforçar, essa é uma das críticas elevadas ao behaviorismo, nem todas as pessoas podem reforçar durante 24 horas. Vivemos no meio de estímulos e respostas, reforços e punições, os autores do Behaviorismo, Watson, Skinner e Pavlov, nos alertam sobre a necessidade de estimular, treinar (condicionar), reforçar, mostrar que o espaço de trabalho é agradável. Isso pode 19 ser feito de diversas formas, deixando o ambiente calmo, com música, bom cheiro, placas indicativas, televisão em volume baixo, atendimento cauteloso, discreto, tudo isso mostra como o ambiente poderá ser cada vez melhor. É isso que o Behaviorismo defende e é isso que precisamos para crescermos como pessoa e como profissionais. Resumindo Nesta unidade conceitual nós tivemos acesso às contribuições da Psicanálise e Behaviorismo para a Psicologia aplicada a Administração. Pudemos perceber que o Behaviorismo traduzido para o português como comportamentalismo fundamenta-se pelos estudos das interações e influências do meio nas decisões do dia a dia e por fim, a Psicanálise, contribui apresentando os aspectos obscuros, inconscientes nas relações humanas. Lembre-se A Psicanálise está voltada para os estudos do inconsciente, portanto, não dialoga com o Behaviorismo que leva em consideração ao ambiente. Tome nota As relações interpessoais nas organizações estão pautadas por demandas que a pessoa tem consciência, ela controla e é controlada pelo meio (comportamentalismo). Essas relações também são cercadas por atitudes desconhecidas e obscuras (psicanálise). Investigue As diferenças entre Psicanálise e Behaviorismo e associe a sua prática profissional, quais são suas atitudes agora que poderão desaguar nas relações profissionais? 20 Façamos juntos Indique a alternativa que não confirma as contribuições da Psicanálise a Psicologia nas organizações. A) A Psicanálise estuda as questões conscientes e inconscientes que permeiam as relações humanas, tais como os desejos, medos, pulsões etc. Este conjunto de fatores estão presentes nos momentos de decisões empresariais. B) A Psicanálise procura elucidar as influências ambientais nas decisões das pessoas. Pelo fato de considerar o ambiente como mediador de comportamentos, procura auxiliar o judiciário nas decisões em que os crimes foram estimulados externamente. C) A Psicanálise contribui destacando que na maioria das vezes as pessoas são controladas por desejos internos e algumas pessoas vivem em função da busca do prazer por caminhos mais curtos e outras pelos caminhos da legalidade. D) A pulsão de vida e pulsão de morte: um estudo apresentado por Freud que ajuda na compreensão de alguns comportamentos aventureiros do cotidiano e que na maioria das vezes leva a fatalidades. E) O ID, Ego e Superego é uma das grandes contribuições da Psicanálise. Resposta: B Reflita As questões comportamentais, atitudes, agressividades, conflitos, desejos, projeções, negações, silêncio nas relações, influências ambientais, reforços, punições ocorrem na medida em que o ambiente organizacional não está preparado para receber relações humanas, daí a importância de a empresa procurar inovações a fim de promover um espaço de qualidade de vida no trabalho. Faça você mesmo Como a Psicanálise e o Behaviorismo estão presentes nas relações entre clientes e empresas na atualidade? 21 Saiba mais COMPORTAMENTOS NAS ORGANIZAÇÕES, INFLUÊNCIAS AMBIENTAIS Quantas vezes tratamos as pessoas com estupidez, ausência de atenção, simpatia,carisma devido ao clima empresarial? Quantas vezes passamos vergonha na frente de clientes e acabamos tendo atitudes espontâneas que afastam as pessoas? Por mais que o ambiente seja fundamental nas decisões de algumas pessoas nas empresas, como podemos controlá-lo? Tudo bem que o ambiente reforça, mas nós também reforçamos o ambiente. Se está todo mundo feliz na sala do café você chega estressado, em alguns minutos todos poderão ficar estressados, as pessoas não tem culpa se dormimos de calça jeans, ou se estamos sem perspectiva de vida, se estamos num ambiente que tem valores organizacionais, precisamos vigiar para não deixar o ambiente nos dominar. Tudo que é demais, derrama e o que não podemos é deixar que isso aconteça numa relação direta com clientes, para não corremos o risco de provocar um ambiente aversivo e doentio. Cordialidade, espontaneidade, vontade de atender, sorriso e boa educação sempre ajudam a atrair novas pessoas para as empresas, isso é behaviorismo. Muitas empresas investem em treinamentos, contratam profissionais, clientes ocultos, exatamente para isso, para melhorar a dinâmica de relacionamentos no espaço de trabalho para manter a vida útil da empresa. A imagem institucional é fundamental neste momento, além da saúde dos que trabalham, como já orientado, as pessoas não tem culpa do que passa na vida da equipe, o que se deve pensar é na possibilidade de uma contribuição coletiva para um ambiente reforçador, estimulante que faça com que equipe de trabalho e clientes se sintam acolhidas e prontas para oferecer os melhores atendimentos. Bibliografia: BOCK, Ana Maria Bahia. Psicologias: uma Introdução ao estudo da psicologia. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. LEÃO, Lourdes Meireles; CORREIA, Mônica. Psicologia cognitiva: construção de significados em diferentes contextos. Campinas: Alínea, 2008. BERGAMINI, Cecília Whitaker. Psicologia Aplicada à Administração de Empresas.4ª ed. São Paulo: Atlas, 2010. 22 CAPÍTULO 3 - INTELIGÊNCIA, MEMÓRIA E PERCEPÇÃO Introdução Existem várias concepções de inteligência, tem sido um dos assuntos mais discutidos nas universidades, pode ser definida como faculdade de adquirir, compreender e aplicar conhecimentos. As pessoas consideradas inteligentes geralmente têm a facilidade para aprender e compreender, habilidade para utilização de instrumentos e raciocínio rápido e adaptativo. 3.1 Definição de inteligência Inteligência como capacidade de aprender, faculdade de adaptação, sobrevivência. Você certamente deve ter ouvido vários conceitos de inteligência, ela demanda e elevada condição mental para aglomerar instrução e aplicá-la em um propósito / objetivo. A inteligência tem sido definida como condição de alguém que consiga resolver algo pela lógica do discernimento, abstração, memorização, compreensão, controle pessoal, comunicação, plano de ação e solução de problemas. No término deste capítulo, você deverá saber: O QUE É INTELIGÊNCIA DEFINIÇÃO DE MEMÓRIA PERCEPÇÃO Reflexão Diante de tantas contribuições sobre a questão da inteligência, muitas perguntas acabam emergindo, uma delas é: Como nos tornamos inteligentes? Desse ponto em diante as receitas são inimagináveis, alguns acreditam que nos tornamos inteligentes a partir dos estudos, leituras, exercícios, outros acreditam que a inteligência é construída por meio da vivência. Que existem caminhos que nos levam a este caráter de inteligente, isso é fato, resta saber se esses caminhos podem ser aplicados a todos os seres humanos. As grandes empresas têm investido pesado neste aspecto, devido à motricidade de mercado, muitas acabam sendo restritas no processo de seleção e na maioria das vezes, as pessoas ficam pelo caminho devido a testes e outros meios de seleção. 23 Os estudos sobre inteligência começam com as considerações sobre a capacidade de ter abstração reflexiva (pensar) sobre as informações passadas no dia a dia. Até que ponto permanecemos apenas observando um objeto que nos apresentam e até que ponto refletimos sobre o objeto que nos apresentam, ou seja, ficamos apenas no empirismo ou ficamos na abstração reflexiva sobre aquilo que nos é apresentado pelos órgãos dos sentidos? Quem discute esta questão é Jean Piaget. Sobre a concepção de inteligência, dizem que existem muitos mitos conceituais, para tanto incluem as expectativas do professor, dos pais que procuram treinar os filhos para serem inteligentes, as empresas que procuram candidatos inteligentes, mas, elas alertam que inteligência vai além dessas perspectivas. Para alguns psicólogos, “o indivíduo inteligente é capaz de ter um pensamento abstrato (é tudo aquilo que resulta de uma abstração, separação), ou seja, consegue separar conteúdos apresentados”. Para outros, a inteligência é a capacidade de se adaptar ao ambiente (Piaget) ou ainda a capacidade de aquisição de novos conhecimentos (Vygotsky). Existem faculdades diferenciadas e dependem das múltiplas aptidões de cada pessoa (Gardner, Goleman e Wallon). A inteligência também pode ser definida como a solução de um problema novo, capacidade de compreender o mundo, ou um processo de construção que está relacionado a faculdades neuropsicológicas de adaptação. De modo geral, a inteligência é uma potência biológica e psicológica, como consequência de fatores culturais e motivacionais que atingem a pessoa, para tanto existem as múltiplas inteligências. Na Psicologia existem vários caminhos para discutir inteligência, porém, sempre optamos por duas possibilidades, a I - Abordagem da Psicologia Diferencial, onde encontramos os testes psicológicos de inteligência e II - Abordagem da Psicologia dinâmica onde encontramos mais detalhes nos campos integrados da inteligência, memória e percepção. Na primeira, encontramos mais racionalidade, na segunda, o olhar é macro, aborda tanto a inteligência, como seus fatores influenciadores. Vamos fazer algumas considerações sobre a abordagem diferencial: Essa abordagem tem como raiz, a tradição positivista, considerando que a tarefa da ciência é estudar aquilo que é observável/mensurável (objetivo). Assim, a inteligência é vista como campo de medida, pode ser quantificada, mensurada. Na Psicologia Diferencial é um campo da psicologia que estuda as diferenças individuais dos sujeitos. Visa o estudo das habilidades e poderia ser medida por meio dos testes psicológicos de inteligência. A expressão “testes mentais” começou com James Mckeen Cattell. Francis Galton: fundador da ciência eugenia, criador dos testes mentais, embora não tenha cunhado o próprio termo, contribuiu na área de estatística (correlação). Era primo de Charles Darwin. Alfred Binet: francês, primeiro teste Psicológico mental discordava de Galton e de Cattell, que usavam teste sensório motor, e Binet queria avaliar por meio de questões racionais e verbais. Theodore Simon: Trabalhou com Alfred Binet em 1908 num estudo com crianças, aplicaram 30 problemas em ordem ascendente (crescente). Lewis M. 24 Terman: ajudou a difundir teste de inteligência nos EUA após a morte de Alfred Binet foi então que foi oficializado o termo - QI Quociente de Inteligência. Binet partiu daquilo que as crianças poderiam realizar em cada idade. Assim, vários itens ou problemas eram colocados para as crianças, e, se a maioria delas, numa certa idade, conseguisse realizá-los e a maioria das crianças de uma faixa de idade inferior não conseguisse, esses itens eram considerados como discriminatórios, isto é, estava caracterizada a realização normal de crianças daquela idade. Os resultados de quase todos os testes de inteligência são apresentados pelo que se denominou Quociente Intelectual (Q.I.) Este quociente é obtido relacionando a idade da criança com o seu desempenho no teste, ou seja, verifica-se se elaestá no nível de desenvolvimento intelectual considerado normal para sua idade. Exemplo: Idade mental: 40 / Idade cronológica 25 = 1,6X100 = QI de 160 Já na abordagem dinâmica, inteligência é compreendida como capacidade cognitiva ou intelectual, não pode ser estudada, analisada, nem compreendida isoladamente da totalidade de aspectos, aptidões e capacidades do ser humano. Portanto, aqui, além dos aspectos mensuráveis, se considera o estado da pessoa, emocional, físico, fatores influenciadores, por isso tem o nome dinâmica, porque dá ênfase aos detalhes no contexto de análise de inteligência. 3.2 Memória Memória pode ser definida como capacidade de adquirir, armazenar e recuperar informações disponíveis. É um processo de aprendizado no qual adquirimos informações, a memória por sua vez se refere à persistência dessa informação em um estado tal que possa ser evocada no futuro. 25 Esse processamento de informações vai depender da evolução maturacional do sujeito, é um movimento que depende das forças externas, sociais e culturais na vida do sujeito. O processo de codificação, arquivamento e recuperação depende de estágios e de questões emocionais e por fim, depende sempre das especificidades de cada pessoa, das inteligências apresentadas para receber, processar, arquivar e recuperar as informações. Temos vários tipos de memórias, sendo: Memória visual – visão “uma imagem observada” Memória auditiva – audição “uma voz que fica marcada” Memória tátil – tato “um toque inesquecível” Memória olfativa – olfato “um cheiro que ficou marcado” Memória gustativa – paladar “uma refeição que marcou um grande momento da sua vida” Quanto ao processamento de informações, temos três momentos da memorização: I. Codificação: processo inicial de informação que leva a percepção do objeto por meio dos órgãos sensoriais. II. Armazenamento: Retenção (guarda a informação). III. Recuperação: Acessar posteriormente a informação armazenada. Temos também: Memória sensorial: Retém brevemente a impressão de um estímulo depois que este desaparece. É um tipo de memória que nos permite continuar vendo a página da revista por alguns segundos depois de fecharmos os olhos. (dura segundos ou minutos). Pegar o celular para ver hora e guardar; Pegar na chave do carro, deixar e achar que guardou; Olha para algo e tem a impressão que não olhou; Memória de curta duração (curto prazo): Permitimo-nos, manter na mente, uma pequena quantidade de informações recém-adquiridas, é utilizado em tarefas corriqueira, consciente. Pode ser copiada, ou seja, (retém a informação por determinado período) ou transfere para a memória de longo prazo. Tem a missão de transferir. Memória de trabalho ou operacional: Você pergunta o número de um telefone, eu falo você guarda só naquele momento, mas um minuto depois já esqueceu. Dura poucos segundos ou minutos, é parecida com a memória do computador. É uma memória on- line. É processada no córtex pré-frontal. É ele quem decide o que deve ser guardado ou não. Memória de longa duração (longo prazo): Elas se dividem em dois grupos, as memórias explícitas que podem ser episódicas ou semânticas e as memórias implícitas 26 não declarativas, aquelas aprendizagens que chamamos que é para a vida toda (nadar, andar de bicicleta). 3.3 Sensação, percepção, atenção, concentração A sensação pode ser definida como sentimento ou ativação de uma determinada função sensorial: Processos sensoriais que tem a ver com o primeiro contato do indivíduo com o ambiente (audição, visão, tato, paladar, olfato). A partir do momento em que captamos as informações de mundo, procuramos dar significado, ou seja, dar nome e é neste momento ocorre à percepção que pode ser entendida como representação estruturada da sensação, permeada por vários fatores, contexto, experiência e memória. Assim, a percepção é o conjunto de processos psicológicos pelos quais as pessoas reconhecem, organizam, sintetizam e conferem significação às sensações recebidas por meio dos estímulos ambientais captados pelos órgãos dos sentidos (visão, audição, gustação, tato e olfato). A percepção é caracterizada pela faculdade de apreender por meio dos sentidos ou da mente, é uma das funções que atribui significado a estímulos sensoriais; (observável); o indivíduo interpreta, seleciona e organiza as informações obtidas pelos sentidos (visual, auditivo, tato, olfativo, gustativo), enfim, como eu percebo tal “coisa”, tal situação... A atenção é o direcionamento da atividade mental sobre determinado estímulo ou objeto. Sofre influência dos símbolos de um meio cultural, que acaba por orientá-la. Já a concentração, apesar de parecer similar, é a capacidade de manter o foco de atenção sobre os estímulos relevantes ao meio ambiente. Quando o ambiente muda rapidamente, consequentemente o foco de atenção precisa ser alterado também. Por que é importante conhecer esses termos? Porque tanto as equipes de trabalho nas organizações como os clientes, são acolhidos ou afastados, dependendo da forma como se sentem no ambiente, como usam os órgãos dos sentidos, como se concentram, como percebem o mundo. Resumindo Neste capítulo nós tivemos acesso aos estudos da inteligência, memória e percepção. São funções psicológicas que dependendo da forma como são exploradas nas organizações, podem colocar tudo a perder. Para melhor compreensão, tivemos acesso aos conceitos de atenção, sensação, concentração e percepção. Lembre-se Quando falo em sensação estou me referindo aos órgãos dos sentidos (tato, olfato, paladar, visão e audição), que pode também ser alocada ao modo de sentir. Ex: sensação estranha. Percepção se configura como nomeação daquilo que os órgãos captam. Na atenção qualquer estímulo tira o foco de observação, na concentração, estímulos ambientais não interferem. 27 Tome nota É preciso observar a equipe de trabalho diariamente para notar como essas questões se manifestam nas relações com clientes. Façamos juntos (FCC - 2013 - DPE-RS - Analista – Psicologia). Uma adaptação da Escala Binet-Simon, a Escala de Inteligência Stanford-Binet, foi preparada na Universidade de Stanford por L. M. Terman e publicada em 1916. Terman apresentou o conceito de: a) Inteligências Múltiplas (IM). b) Quociente de Inteligência (QI). c) Inteligência Emocional (IE). d) Elemento Fatorial (EF). e) Inteligência Triárquica (IT). Resposta: B Investigue Quais os métodos empresariais contemporâneos para melhorar a qualidade de vida no trabalho considerando inteligência, memória e percepção. Reflita Já imaginou um controlador de tráfego aéreo que não tem concentração? Que qualquer estímulo tira seu foco? Por outro lado, já imaginou um cirurgião sem concentração? Um gestor que não consegue dar nome, significado aos produtos apresentados pelos órgãos dos sentidos? Veja, para todos os efeitos, é preciso estar atento para não colocar em risco a vida das pessoas que fazem parte da organização. Existem vários exercícios que ajudam a melhorar a memorização, concentração, inteligência, basta procurar o espaço certo para melhorar a qualidade de vida nas organizações. 28 Faça você mesmo Diferencie Atenção de Concentração e mostre como estão presentes nas organizações. Bibliografia: BOCK, Ana Maria Bahia. Psicologias: uma Introdução ao estudo da psicologia. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. LEÃO, Lourdes Meireles; CORREIA, Mônica. Psicologia cognitiva: construção de significados em diferentes contextos. Campinas: Alínea, 2008. BERGAMINI, Cecília Whitaker. Psicologia Aplicada à Administração de Empresas. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2010. 29 Saiba mais INTELIGÊNCIA EMOCIONAL Você já fez algo e se arrependeu em questão deminutos? Como você lida com decisões em estado de desequilíbrio emocional? Como você gerencia suas emoções? Essas e outras perguntas fazem parte do repertório desta etapa de estudo. Veja muitos autores afirmam que o conceito de inteligência emocional emergiu na década de 1990 através dos pesquisadores John Mayer e Peter Salovey, acabou ganhando destaque após o livro Inteligência Emocional do psicólogo Daniel Goleman, apesar de controvérsias, pois, outros afirmam que o tema era estudado há muitos anos. Como a literatura é extensa, vamos resumir a inteligência Emocional como a habilidade para controlar os sentimentos e emoções em si mesmo e nas pessoas em volta. Como se a pessoa fosse precavida em todas as situações do dia a dia. É possível prevenir situações causadas por conflitos emocionais, por exemplo: discussões; violência, suicídios; discussão desnecessária com chefia, cliente, equipe. Isso é possível quando tomamos conhecimento de nossos impulsos, ou seja, aquilo que nos deixa sem chão e acabamos magoando as pessoas. Aristóteles, grande filósofo clássico, nos alerta que qualquer um pode zangar-se isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa não é fácil. Aqui encontramos uma verdadeira “bronca” naqueles que tomam decisões pela emoção, deixam de lado a racionalidade para agir pelo impulso. A inteligência emocional é a capacidade de gerenciamento da própria emoção e das emoções das pessoas que participam de eventos, ou seja, pessoas que nos cercam no dia a dia. Isso significa que temos hora para tudo, tempo de rir, de chorar, de se emocionar, de perder o controle. Imagine que você provoque uma discussão com seu maior fornecedor de alimentos ou uma discussão com agressão verbal e ironia com seu gestor e em seguida, numa explosão mental, corre para o computador e posta nas redes sociais. Como ficaria sua situação no espaço? Pense em outra situação, você é instrutor de autoescola e perde o controle com cliente, porque o mesmo não consegue sair com o veículo. Quais seriam as consequências? São diversas situações que envolvem a inteligência emocional, por isso é importante que conheçamos nosso corpo, nossos desejos, expectativas e impulsos. 30 CAPÍTULO 4 - A PSICOLOGIA SOCIAL DAS ORGANIZAÇÕES Introdução No capítulo 1 nós vimos à importância de estudas as subjetividades, que cada pessoa tem seu modo de ser e sentir. Trataremos aqui de considerações sobre a Psicologia social das organizações, falaremos sobre expectativa de relações humanas, o que são relações humanas. Vamos mais uma vez destacar particularidades que precisam se adaptar ao mundo. Assim, vamos aproveitar para conhecer as áreas em que a Psicologia está presente. 4.1 A Psicologia Social das organizações e as relações grupais Quando falamos em Psicologia social, estamos abrindo espaço para refletirmos sobre os estudos sobre grupos nas organizações. Isso começou há muito tempo, mas não vamos nos ater a esta questão histórica com profundidade, mas é importante mencionar que os estudos sobre grupos na Psicologia começam no final do século 19 pela então denominada Psicologia das Massas ou Psicologia das Multidões. Um dos primeiros pesquisadores deste assunto foi Gustav Le Bon, autor de um conhecido tratado intitulado “Psicologia das Massas” (Psicologie des Foules, no francês). Grande parte desses estudos foi influenciada pela Revolução Francesa e pelas Revoluções Industriais. Freud foi outro autor que estudou grupos, não podemos deixar de citar o Kurt Lewin, professor alemão refugiado do nazismo. No término deste capítulo, você deverá saber: A PSICOLOGIA SOCIAL DAS ORGANIZAÇÕES GRUPOS RELAÇÕES HUMANAS Reflexão As relações começam quando duas ou mais pessoas se encontram. Assim, partilham ideias, tarefas, experiências, cooperam, têm momentos de harmonia e conflitos. A Psicologia tem como objetivo estudar, compreender e interpretar a dinâmica de comportamentos estuda a subjetividade e a cada dia que passa, ela está presente em diversas profissões, estando desde a formação no corpo das disciplinas dos cursos. Daí a importância de refletirmos sobre relações humanas e como a Psicologia se relaciona com o teme nas mais diversas profissões. 31 Lewin é considerado precursor da dinâmica de grupos, muito presente no nosso dia a dia. Essa teoria influenciou bastante o desenvolvimento de uma teoria organizacional psicológica que, nas empresas, é aplicada no estudo das relações interpessoais no trabalho. Além de Le Bon, Freud e Lewin, Georges Lapassade, foi um Sociólogo Francês, procurou compreender a dialética das relações entre grupos, organizações e instituições e nomeou sua perspectiva com Análise Institucional. A Psicologia foi se desenhando no trabalho junto às instituições, sobretudo as da saúde, educação e promoção social. A Psicologia Social tornou-se clássica ao explicar os sentimentos, pensamentos e comportamentos do indivíduo e tem como foco o estudo da experiência social, grupais, interação, representações, identidades. De modo geral, a Psicologia Social é o estudo científico da influência recíproca entre as pessoas (interação social), estuda as manifestações comportamentais balizadas pela interação de uma pessoa com outras pessoas, procura explicar os sentimentos, pensamentos e comportamentos do indivíduo na presença real ou imaginada, tem o desafio de compreender a experiência social que o indivíduo adquire a partir de sua participação nos diferentes grupos sociais, assim, estuda a dimensão subjetiva dos fenômenos psicossociais e práxis.” Rodrigues (2000; 2010); Farr (1998); G. Allport (1954); Stephan e Stephan (1985); Álvaro & Garrido (2006); Sawaia (1997, p. 86), Lane (1984); Bock (2008) Qual a razão de citarmos a Psicologia Social na disciplina aplicada as organizações? O próprio conceito já nos credencia a discutir o assunto, quando chegamos a uma empresa, hospital, escritório, nós nos deparamos com pessoas e essas pessoas estão sempre cheias de expectativas, sejam elas positivas ou negativas e a partir disso se constrói uma rede de relacionamentos e esperanças que dependendo da forma como é lapidada, provoca desencontros de informações e deixa o ambiente cada vez mais aversivo para atuar. A Psicologia Social das organizações vai se preocupar com os estudos das relações interpessoais, interdependência, tomada de decisões, atribuição de causalidade, expectativa de respostas de comunicação. Assim, a Psicologia contribui para o desenvolvimento do estudo das relações humanas no trabalho. Muitos autores se propuseram a estudar a relação entre pessoas e trabalho nas décadas de 1930, algumas questões como fadiga nos operários, frequência de pausa para descanso, a quantidade de horas trabalhadas, incentivos salariais, as relações interpessoais, entre os operários e a administração. Isso tudo contribuiu e contribui para as observações e pesquisas sobre organização social do grupo de trabalho, das relações sociais entre a gestão empresarial e subordinados, comportamentos dos participantes num grupo de trabalho dentre outros. Nos próximos capítulos aprofundaremos mais essas questões quando trataremos da Psicologia nas Organizações e Trabalho, quando discutirmos processo de recrutamento, seleção, comportamento e valores organizacionais, motivação, liderança 32 estaremos lembrando-se dessa parte introdutória que trata da Psicologia Social das Organizações. De modo geral, a Psicologia Social das Organizações se torna importante nesta formação porque vai nos dar um norte dos princípios das relações sociais nas empresas, as relações que acabam sendo foco de muito trabalho para os gestores contemporâneos, a ponto de contratarem empresas para treinamento e aplicação de dinâmicasde grupos para amenização de conflitos internos do dia a dia. 4.2 Os grupos nas organizações Kurt Lewin, como já enunciado, é considerado o precursor dos estudos sobre dinâmica de grupos, nas suas experiências ele procurou investigar alguns temas, tais como: o trabalho sobre pressões e padrão do grupo, condutas, coesão grupal, o que mantém um grupo, as motivações individuais e objetivos do grupo, liderança, carisma, as propriedades estruturais dos grupos, bem como comunicação, desempenho de papéis, relações de poder dentre outros. As pessoas vivem a maior parte do tempo nos espaços institucionalizados, moram com seus familiares, mas estão sempre numa escola, num clube, empresas, lanchonetes e convivem com grupos. Esses grupos têm particularidades, valores, identidades, harmonias e conflitos. Quando um grupo se estabelece uma rotina, um exemplo pode ser as famosas panelinhas no ambiente de trabalho, assim, os fenômenos grupais, subgrupos, ruídos de comunicação, competição, coesão grupal, relações de poder passam a atuar sobre as pessoas individualmente e sobre o grupo, os estudiosos da área, chamam isso de processo grupal, ou seja, a funcionalidade. Assim como Kurt Lewin começou a trabalhar o próprio grupo a fim de, testar hipóteses (respostas provisórias); reformular teorias (conceitos), analisar problemas de comunicação (ruídos, transmissão, recepção, consequência) e verificar interações (como as pessoas se relacionam no grupo). Na atualidade, nós podemos pensar em vários instrumentos que visem à melhoria das relações grupais, se passamos a maior parte do dia no ambiente de trabalho, precisamos pensar em estratégias ambientais, comportamentais e relacionais que façam com que o ato de estar em grupo seja prazeroso e promova saúde e qualidade de vida. Diante do exposto, ressalta-se a importância dos treinamentos, jogos competitivos, jogos cooperativos nas organizações. O jogo cooperativo tem como objetivo a socialização, (re) integração grupal, precisa respeitar o ciclo da “ensinagem”, tais como vivência, reflexão e transformação. Façamos juntos Kurt Lewin fundou um Centro de Pesquisas em Dinâmica de Grupo e começou a trabalhar o próprio grupo a fim de: a) Analisar o próprio campo grupal, com foco na psicanálise e na comprovação de teorias humanistas. b) Testar hipóteses (respostas provisórias); reformular teorias (conceitos), analisar problemas de comunicação (ruídos, transmissão, recepção, consequência) e verificar interações (como as pessoas se relacionam no grupo). c) Testar respostas (respostas concretas); reformular teorias (empírico), analisar problemas de comunicação (ruídos, transmissão, recepção, consequência) e verificar intenções (como as pessoas se relacionam no grupo). d) Desenvolver os primeiros estudos sobre o psicodrama. e) Todas as alternativas estão corretas. Resposta: B 33 Resumindo Neste capítulo nós tivemos e pudemos conhecer a dinâmica das relações sociais nas organizações, para isso conhecemos a Psicologia Social das organizações, o processo grupal, o movimento das pessoas, as relações, expectativas, as influências recíprocas entre as pessoas (interação social) e as manifestações comportamentais por meio das dinâmicas de grupos. Lembre-se Os grupos têm identidades, valores, costumes, coesão e funcionalidade. Quando chegamos a um, seja na empresa ou nos grupos de amigos, precisamos pensar rapidamente num processo de adaptação para poder compreender o funcionamento do mesmo e assim manter a harmonia do local. Tome nota Os processos grupais têm se tornado grande foco das organizações, muitas empresas acabam contratando profissionais para treinamentos e melhoria das relações grupais do dia a dia. 34 Investigue Como as relações humanas estão sucateadas na atualidade e quais os tipos de grupos encontramos no dia a dia. Reflita Como você lida com um grupo novo? Como você se adapta a um local? Suas relações iniciais? Já parou para pensar sobre a forma que você aborda pessoas, como se relaciona, como lida com a comunicação, emoção, sentimentos? Pois bem, neste mundo competitivo e desafiador, quanto mais integrados melhor, quanto mais adaptado maior a probabilidade de permanência, portanto, seja um bom observador e note que tens liberdade, mas, não é soberano nas relações humanas. Faça você mesmo O que é um processo grupal? Bibliografia: BOCK, Ana Maria Bahia. Psicologias: uma Introdução ao estudo da psicologia. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. LEÃO, Lourdes Meireles; CORREIA, Mônica. Psicologia cognitiva: construção de significados em diferentes contextos. Campinas: Alínea, 2008. BERGAMINI, Cecília Whitaker. Psicologia Aplicada à Administração de Empresas. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2010. 35 Saiba mais OUTRAS QUESTÕES DA PSICOLOGIA SOCIAL NAS ORGANIZAÇÕES. A Psicologia Social das organizações deve se preocupar com a interação social, a autonomia as pessoas, interdependência, encontro social, cultural, como as pessoas percebem os grupos ali instalados, como se comunicam, suas as atitudes, as mudanças dessas atitudes, a socialização cotidiana, os grupos e os papéis sociais que as pessoas desempenham. Quando falamos de percepção social, estamos abrindo reflexões sobre a forma como enxergamos o outro, a comunicação, sensações e expectativas. A comunicação que é outro ponto forte nas organizações. É um processo que envolve codificação de informações, e decodificação, compreensão das mensagens enviadas, essas mensagens permitem a troca de informações, porém, dependendo da forma como são enviadas, pode causar grandes transtornos, uma vírgula, um ponto final, uma ausência de cumprimento, um desabafo sem contexto, uma informação incompleta ou tendenciosa; todas essas questões permeiam as relações nas empresas. Outro aspecto estudado pela Psicologia Social no contexto das organizações são as atitudes, a partir da percepção as pessoas se organizam no campo das informações e instalam afetos e predisposição para agir, positivamente ou negativamente. Daí a importância de conhecermos nossos impulsos, limites e disposição. Para tanto, se faz necessário conhecer personalidade, identidade da equipe e de que forma que as pessoas agem no dia a dia. A mudança de atitudes depende de vários fatores, nossas atitudes podem ser modificadas, tem pessoas que mudam a partir de uma reflexão, devolutivas perceptivas, outras, não conseguem fazer esta leitura, não reconhecem seus erros e balizados apenas por acertos, afastam grupos e dificultam as relações. A socialização, que é outra possibilidade de estudo, surge como ferramenta de transmissão de crenças, valores, sentidos, significados. Desta forma, estaremos consolidando a eficácia dos grupos sociais nas organizações, fortalecendo os papéis sociais, bem como as expectativas de comportamentos. 36 UNIDADE II CAPÍTULO 5 - A PSICOLOGIA, O MUNDO DO TRABALHO E EMPREGO Introdução No capítulo anterior refletimos sobre a Psicologia Social das organizações, falamos de relações humanas, expectativas de respostas nas relações e processo grupal. No capítulo que inicia teceremos considerações sobre o mundo do trabalho, vamos refletir sobre as origens do termo trabalho, as concepções de trabalho, emprego, sentidos e significados. 5.1 Sísifo, trabalho como tristeza? Você já ouviu falar em Sísifo? Aqui está o início de todas as discussões sobre as concepções de trabalho1. Conta Homero, na Odisseia, que, por ter desafiado os deuses, Sísifo (filho do rei) foi condenado a empurrar eternamente montanha acima uma rocha que, por seu próprio peso, rolava de volta tão logo atingisse o cume. Albert Camus (2000) propôs uma 1 ZANELLI, J., ANDRADE,J., BASOS, A. Psicologia, Organizações e Trabalho. Porto Alegre: Artmed, 2004. SENTIDOS E SIGNIFICADOS DO TRABALHO DE PENSAR EM NO MODO INTERFEREM QUE FATORES TRABALHO O TERMO TRABALHO DIFERENÇAS ENTRE TRABALHO E EMPREGO No término deste capítulo, você deverá saber: Reflexão Quais são suas concepções de trabalho e emprego? Ao acordar, escovar seus dentes, arrumar suas roupas para ir para a empresa, como você idealiza suas atividades cotidianas? Prazerosas ou penosas? É sobre isso que vamos dialogar neste capítulo. 37 instigante interpretação para esse mito. Para ele, o auge do desespero de Sísifo não está na subida: o imenso esforço despendido não deixa lugar para outros pensamentos. A descida, ao contrário, não exigindo esforço, é o momento em que Sísifo é confrontado com seu destino: o aspecto trágico é conferido pela consciência de sua condição. O mito de Sísifo tem sido considerado a origem do trabalho visto como inútil e da desesperança, vem do Tripalium2 termos latino associados à tortura, estão na origem da palavra trabalhar. A pergunta que fica no início de nossas reflexões é: o trabalho deve ser necessariamente associado a sofrimento? Trabalhamos e compreendemos que nossa rotina é uma tortura ou trabalhamos para retribuir socialmente aquilo que aprendemos e fazemos porque queremos exercitar a prática de ajuda? Qual a sua relação com trabalho? Amor ou ódio? Reclamamos e continuamos trabalhando, ora para garantir nossa própria subsistência e ora para ir, além disso, o trabalho é objeto de múltipla e ambígua atribuição de significado e /ou sentido. O modo como pensamos e executamos o trabalho depende de diversos fatores, dentre eles: os primitivos, bíblicos, escravocratas e revolucionários. Este último se resume em grandes acontecimentos socioeconômicos ao longo da história, esse contexto interferiu radicalmente no nosso modo de sentir e significar trabalho. Assim, essas alterações de ordem mundial deságuam na psicologia social das organizações do trabalho. 5.2 Trabalho x emprego: sentidos e significados A forma como pensamos o trabalho depende literalmente das dimensões que carregamos sobre o mesmo, ou seja, os sentidos e significados que construímos das operações do dia a dia, os instrumentos que se pode contar para execução, materiais, aspectos físicos, como o trabalho é executado, distribuição das tarefas, as questões que cercam as ações do dia a dia, tais como: formação, especialização, custos, ofertas de oportunidades e tendência de mercado, os aspectos subjetivos da relação de cada pessoa com o trabalho. Essas são as dimensões que compõe o mundo do trabalho. A psicologia tem estudando a variedade de significados e sentidos que as pessoas atribuem ao trabalho, os quais guardam entre si convergências e muitas contradições. O significado está relacionado ao conceito generalizado de trabalho e sentido é algo próprio, individual, ou seja, o que cada pessoa pensa sobre o ato de trabalhar. Quando acordamos para trabalhar, pensamos como será o dia de atividades, no fim do processo de trabalho, geralmente obtemos um resultado que já no início deste existiu na imaginação, idealizamos. Você já ouviu alguém dizer “Hoje o dia vai ser daquele 2 Tripalium: Ferramenta de três pernas que imobilizava cavalos e bois para serem ferrados. usado contra escravos e presos. 38 jeito.”, “Já estou até vendo o meu dia de trabalho.” Para alguns, são profecias confirmadas, para outros, a criação de sentido para o trabalho. Quando falamos em sentido e significado, podemos usar o exemplo: Significado = coletivo “O trabalho enobrece o homem” Sentido = individual “Trabalho é uma guilhotina da revolução francesa” Quanto às diferenças entre emprego e trabalho, a discussão é longa, dentre tantas possibilidades de explicações, temos este quadro que ilustra de forma simples esta diferenciação: Emprego Trabalho Renda; Contrato; Troca; Econômico; O ofício que lhe dá dinheiro; Intencionalidade dessa troca; Lucro. Juízo; Como vejo; Um ideal, um crescimento; Trabalho voluntário faz isso por amor, por acreditar que pode contribuir. Você obviamente pode ganhar dinheiro com o seu trabalho, mas o rendimento financeiro nem sempre será a principal razão para te mover. De modo geral, o emprego é a forma específica de trabalho econômica que pressupõe remuneração, regulado por contrato. É uma relação direta de mercadoria, troca. Muitos optam por tratar emprego e trabalho como sinônimos, porém, eles têm sentidos e significados diferentes, a tabela acima confirma essa diferença. Quais as razões de inserirmos as discussões sobre emprego, trabalho, sentidos e significados neste material didático? São inúmeras as razões que legitimam a inserção desse debate na formação; num primeiro momento, é importante (re-)lembrar que a Psicologia aplicada as organizações/administração/Gestão de Recursos Humanos etc., procura abordar diversos aspectos pessoais e profissionais que deságuam nos resultados coorporativos. Atuam individualmente ou em equipe multiprofissional, visando à aplicação do conhecimento da Psicologia para a compreensão, intervenção e desenvolvimento das relações e dos processos intra e interpessoais, intra e intergrupais e suas articulações com as dimensões política, econômica, social e cultural. Trabalha com assessoria, treinamento, acompanhamento, processos de recrutamento e seleção, elabora e avalia análises de trabalho, descrição e sistematização dos comportamentos requeridos no desempenho de cargos e funções, utilizando métodos e técnicas de avaliação, entrevistas, testes, provas situacionais, dinâmica de grupo, etc. 39 Assim, foca no trabalho como aprendizagem, socialização no trabalho, satisfação no trabalho, treinamento no trabalho, aconselhamento no trabalho, estresse no trabalho, qualidade de vida no trabalho, aspectos socioeconômicos e seus efeitos. Não basta só conhecer estresse, motivação e satisfação. A/o Psicóloga/o deve ter condições de compreender claramente as formas e princípios que norteiam o termo “trabalho”. Por essas e outras razões este tema torna-se indispensável no processo de formação. Resumindo Aprendemos neste capítulo as origens do termo trabalho, vimos que desde os primórdios o trabalho esteve associado a sofrimento, dor, pena, carga. Vimos também que vamos construindo nossos modos de pensar o trabalho como dor ou prazer, isso depende dos sentidos e significados que vamos lapidando. Conhecemos os fatores que interferem no modo de pensar no trabalho e assim pudemos compreender as relações entre esse processo de pensar o trabalho e a atuação das pessoas no mundo do trabalho. Lembre-se O mito de Sísifo marca a origem do trabalho visto como inútil, sofrido e da desesperança, vem do Tripalium associados à tortura. Tome nota As pessoas constroem sentidos e significados do trabalho e do emprego, significado é coletivo e o sentido é individual. Portanto, o que você pensa sobre trabalho pertence a você, entramos num campo de relatividade. Nem sempre o que você ama, poderá ser amado pelos outros e nem sempre o que é dolorido para você, não é para o outro. 40 Façamos juntos Nas palavras de Borges & Yamamoto (2004) no livro “Psicologia, Organizações e Trabalho”, o trabalho é objeto de múltipla e ambígua atribuição de significados e/ou sentidos. De acordo com o enunciado, assinale a alternativa que está incorreta: a) reclamamos das condições de trabalho e continuamos exercendo nossas atividades nas organizações. b) existe uma linha de pesquisas no campo da psicologia estudando a variedade de significados e sentidos que as pessoas atribuem ao trabalho, os quais guardam entre si convergências emuitas contradições. c) Significado está relacionado ao conceito generalizado de trabalho e sentido é algo próprio, individual, ou seja, o que cada pessoa pensa sobre o ato de trabalhar. d) O trabalho não está relacionado ao prazer. É sempre interpretado como palco de dor. e) A origem do conceito de trabalho está relacionada aos princípios de sofrimento e de prazer. Resposta: D Investigue Como os gestores contemporâneos depositam recursos para melhorar as condições de emprego e trabalho de seus colaboradores. Reflita Se construímos os sentidos e significados do trabalho, precisamos pensar também como podemos deixar o ambiente mais adaptado, alegre, acolhedor, leve, muitas vezes as organizações não se preocupam com isso, como tudo deságua na saúde do trabalhador, sugere-se sempre que procure melhorar as ações do dia a dia, cada um fazendo sua parte para obtermos um dia a dia mais prazeroso. 41 Faça você mesmo O mito de Sísifo tem sido considerado o epítome do trabalho inútil e da desesperança. Observe a imagem e explique porque as autoras fazem essa observação introdutória. Bibliografia: BOCK, Ana Maria Bahia. Psicologias: uma Introdução ao estudo da psicologia. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. BERGAMINI, Cecília Whitaker. Psicologia Aplicada à Administração de Empresas. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2010. LEÃO, Lourdes Meireles; CORREIA, Mônica. Psicologia cognitiva: construção de significados em diferentes contextos. Campinas: Alínea, 2008. ZANELLI, J., ANDRADE, J., BASOS, A. Psicologia, Organizações e Trabalho. Porto Alegre: Artmed, 2004. 42 Saiba mais TRABALHO X DOENÇAS PSICOSSOMÁTICAS Você deve conhecer alguém que precisou ausentar do trabalho por alguns dias devido a estresse, depressão, transtornos, doenças físicas dentre outras. Sobrecarga no trabalho e logo surgem os atestados, para alegria de alguns e tristezas de outros. Pois bem, estamos falando das consequências de um trabalho que é exaustivo do ponto de vista presencial e simbólico (sentido), como vejo e como é. Esta discussão pode parecer sem nexo num primeiro momento, mas no decorrer da leitura vai perceber que muitas coisas podem ser evitadas no trabalho, até mesmo o modo de pensar que as pessoas imaginam. William Shakespeare nos diz que guardar angustia, ressentimento é como tomar veneno e esperar que o outro morra. Esta frase é cirúrgica porque completa tudo que estamos tentando transmitir no final deste estudo. Guardar ideias negativas, idealizar pensamentos catastróficos do trabalho, criar expectativas de relações, relações de poder, tudo isso provoca alteração no psicológico das pessoas. Até que ponto vale a penas entrar nesta onda psicossomática, ou seja, até que ponto vale você arquivar todas essas sensações, percepções, imaginações do trabalho? Quais os benefícios e os malefícios? São diversas questões que podem surgir. A psicossomatização pode ser vista como reações depois de ter vivenciado alguma situação que lhe causou forte emoção. É um termo sequestrado da psicologia clínica, para definir sintomas físicos que surgem nos pacientes, causados por situações emocionais. São vários exemplos dessa somatização, pessoas que adoecem com facilidade, têm dores de cabeça, estomago, emagrecem, engordam, ganham estresse, chegam ao esgotamento profissional etc. Diante de tantas possibilidades de prevenção, é importante pensar que a saúde deve estar em primeiro lugar, não estamos impedidos de criar sentidos e significados sobre emprego e trabalho, contudo, é preciso diferenciar, afastar- se de pensamentos negativos, tudo que enche acaba derramando, a diferença entre o remédio e o veneno é a dosagem. 43 CAPÍTULO 6 - O MOVIMENTO INDUSTRIAL, A ADMINISTRAÇÃO E A PSICOLOGIA NAS ORGANIZAÇÕES Introdução Não seria coerente se começássemos a falar da praticidade do/a Psicólogo/a no mundo empresarial se não refletirmos sobre a gênese dessa relação, para isso, se faz necessários analisarmos o contexto histórico desse casamento, os modelos produtivos, a motricidade industrial e suas consequências no modo de pensar e executar o trabalho. 6.1 As raízes históricas, a Administração e as revoluções industriais: O que isso tem a ver com a presença de Psicólogos nas organizações? Começar este capítulo com uma pergunta é no mínimo desafiador e necessário, quando sobrevoamos uma mata, temos duas opções; olhar a floresta ou as árvores, se observarmos apenas a floresta enxergaremos o todo sem perceber o mínimo, quando passamos a observar as árvores entramos em contato com os detalhes, a quantidade, espessura, tipos, como foram construídas etc. Assim é a gênese desta etapa de estudo, vamos olhar a ponta do problema e vamos também tentar compreender como este problema foi desenvolvido, vivido e contado. Ao final dessa leitura, talvez possamos pensar em diversas linhas analíticas de compreensão das relações entre mundo coorporativo e pessoas na atualidade. Como se organizam, seus afetos, a quem devem se reportar, hierarquias, ideias, seus olhares No término deste capítulo, você deverá saber: OS MODELOS PRODUTIVOS E MOVIMENTO INDUSTRIAL FORD, TAYLOR E FAYOL AS REVOLUÇÕES INDUSTRIAIS E SUAS INFLUÊNCIAS Reflexão Se hoje temos Assistentes Sociais e Psicólogos/as nas organizações é porque as relações humanas são complexas e exigem olhares interdisciplinares. Quando negamos a história, nós deixamos de lado a grande oportunidade de olhar as relações humanas numa perspectiva crítica e macro, no capítulo anterior nós discutimos sobre os sentidos e significados do ato de trabalhar. Neste capítulo vamos ampliar essa discussão conhecendo os fatores sociais e históricos que foram balizando as relações entre trabalho e pessoas. 44 e suas perspectivas. O mundo do trabalho discutido no capítulo anterior pode ser visto sob a ótica primitiva, bíblica, escravocrata e revolucionária (industrialização), a última é nosso foco de reflexão. Na vida primitiva o trabalho era visto como meio de sobrevivência, na escravidão vinha como sinônimo de exploração e gratuidade, na perspectiva bíblica, o trabalho como ausência de sofrimento, desde que não existisse o pecado, esta concepção pode ser confirmado nos próprios versículos da bíblia: “No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes a terra, pois dela fostes formado; porque tu és pó e ao pó tornarás” (Bíblia Sagrada, Gênesis 3.19). “Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, porque nele Ele descansou de tudo o que tinha feito na criação”. (Gênesis 2:3). “Que todos comam e bebam, e desfrutem dos resultados de todo o seu trabalho árduo. É a dádiva de Deus.” Eclesiastes 3:13. Se no lado primitivo, o trabalho era sinônimo de sobrevivência, no bíblico relacionava-se ao pecado, na escravidão era visto como gratuidade; no campo das revoluções industriais, o trabalho entrava na era monetária, moeda, remunerado. A obediência não era mais divina e sim blindada pelos valores e comportamentos (cultura organizacional). Na próxima página vamos focar no trabalho nas perspectivas revolucionais porque é a partir dessa reflexão que vamos chegar às relações com a Psicologia nas organizações. 6.2 Trabalho do ponto de vista das revoluções (Revolução Industrial I, II e III) A primeira etapa da Revolução Industrial aconteceu entre os anos de 1760 e algum momento entre 1820 e 1860. Foram mudanças significativas que aconteceram na Europa e se caracterizou pela substituição do trabalho artesanal pelo assalariado, ficou conhecida também pela chegada das máquinas de costura, assim tivemos uma mudança de pessoas do campo para a cidade, ênfase na produção e comercialização de algodão, maior parte da população vivia nos campos da Europa, era tudo artesanal, França e Inglaterra tinham as famosasManufaturas (grandes oficinas), a Inglaterra, rica, dominava mercado, estava num ponto privilegiado, próximo ao mar, o que facilitava o escoamento de produtos. Fonte da imagem: https://www.sohistoria.com.br/resumos/revolucaoindustrial.php https://www.sohistoria.com.br/resumos/revolucaoindustrial.php 45 A segunda etapa da revolução industrial ocorreu no período de 1860 - 1900 e terminou durante a Segunda Guerra Mundial. Diferente da primeira fase, países como a Rússia, França e Alemanha também se industrializaram. O aço surge em velocidade considerada, à energia elétrica, combustíveis derivados do petróleo, a grande novidade ficou por conta da invenção do motor, a locomotiva a vapor, produtos químicos. Fonte da imagem: https://www.jornaltornado/ Dentre os grandes acontecimentos, temos também a modernização da indústria petrolífera, o gerador de energia, a lâmpada com Thomas Edison, a hidrelétrica. Primeiros carros movidos por um motor de combustão interna a gás combustível. Fonte da imagem: http://www.enciclopediadellautomobile.it/it/i-1273-0/ford-quadriciclo/ Quadriciclo de Ford Modelo T A terceira etapa da revolução industrial por sua vez, é também chamada também de Revolução Informacional, começou em meados do século XX até os dias atuais. http://www.enciclopediadellautomobile.it/it/i-1273-0/ford-quadriciclo/ 46 Fonte da imagem: https://computadorsociedadeti.wordpress.com/2013/09/19/terceira-revolucao-industrial-04092013/ Este processo fez com que fossem ampliadas as discussões sobre o termo “trabalho”. Algumas pessoas foram fundamentais neste processo: Frederick Taylor, Henri Fayol e Henry Ford. A partir desses três fenômenos, houve ampliação das discussões sobre as relações harmoniosas e conflitais entre pessoas e indústrias; se tem encontros e desencontros entre pessoas, esse processo vai desaguar também na Psicologia que atuava nas grandes organizações. 6.3 As interligações Taylor, Ford e Fayol e suas influências na Psicologia das organizações O americano Frederick W. Taylor (1856-1915) trouxe o modelo produtivo baseado na divisão do trabalho, especialização do operário para ampliação de produção. Sistema sem multitarefa, o operário não precisava conhecer toda estrutura da fábrica. Taylor é considerado pai da Administração científica; Unificação de tarefa; Treinamento intensivo do operário para função; Instrumentais de apoio; Foco no tempo e na produção final; O planejamento, preparo, controle e execução. O Fayol (1841-1925), surge como grande apresentador da teoria clássica da administração: Visão Gerencial; Olhar na estrutura; Coordenação; Comando; Hierarquia; Ordem. https://computadorsociedadeti.wordpress.com/2013/09/19/terceira-revolucao-industrial-04092013/ 47 Enquanto Taylor defendia a Administração científica, ênfase nas tarefas para aumentar a eficiência da empresa por meio do aumento de eficiência do nível operacional, o Fayol defendia a teoria clássica da Administração, ênfase na estrutura, aumentar a eficiência da empresa por meio da disposição dos órgãos e de suas inter-relações. No centro desses pensamentos Clássicos (Fayol) e Científicos (Taylor) sobre Administração de produção e Recursos Humanos, apareceria a revolução da indústria automobilística de Henry Ford, com o denominado fordismo. Foco na produção em grande quantidade, quem assistiu ao filme “Tempos modernos” vai lembrar-se dessa contribuição do Ford. Assim resumindo, Taylor tinha foco na tarefa, Fayol na estrutura e Ford na produção em massa. Aí vão surgindo o toyotismo e a chegada da grande General Motors emergem novos conceitos de produção e produção de acordo com demandas de mercado. Todo esse processo deságua nas novas concepções de trabalho e emprego e consequentemente nas alterações socioeconômicas das pessoas nos ambientes organizacionais, convidando assim a Psicologia Organizacional e do Trabalho a participar dos processos de contratação, acompanhamento e desenvolvimento das ações nas grandes empresas. Porque que tudo isso paira na Psicologia Organizacional e do Trabalho? Porque como já anunciado, essas etapas mexeram com a rotina das pessoas, período de trabalho, atuação sob pressão, pressa na hora do almoço, empregos, desempregos, relações interpessoais complexas, questões emocionais, afastamento, estresse, maior atenção nas contratações, treinamento, desenvolvimento, estimulação, liderança dentre outras consequências. Quem lida com essas demandas? A Psicologia, quem gerencia? A administração. Notem que não tem como falar de atualidade sem falar desse processo motor, deste modo, vamos alongando nossas discussões em torno dessa relação arcaica entre transformações sociais, relações, emprego, trabalho e organizações. Resumindo A Psicologia não chega até a Administração, Recursos Humanos, Gestão de Pessoas, empresas por acaso, a Psicologia é integrada, acolhida neste cenário da organização e do lucro porque nestes espaços temos pessoas, pessoas que sofrem impactos sociais, econômicos, culturais dessas transformações do mundo produtivo. Diante disso, este capítulo se propôs a estudar essas raízes históricas, envolvendo a Administração e as revoluções industriais. Para isso discutimos o trabalho do ponto de vista das revoluções, as interligações Taylor, Ford e Fayol e suas influências na Psicologia das organizações. Lembre-se Taylor, Ford e Fayol foram fundamentais para a ampliação da produção capitalista, a elasticidade dos estudos científicos sobre a industrialização e das relações das pessoas com a administração fez com que o mundo do trabalho fosse alterado, saindo então de uma perspectiva primitiva, bíblica, escravocrata para uma perspectiva da industrialização e modernidade. Tome nota Conforme anunciado no texto, esse processo de transformações, produções, estudos deságua nas novas concepções de trabalho e emprego e consequentemente nas alterações socioeconômicas das pessoas nos ambientes organizacionais, convidando assim a Psicologia Organizacional e do Trabalho a participar dos processos de contratação, acompanhamento e desenvolvimento das ações nas grandes empresas. Investigue Quais os meios de produção na atualidade e como isso afeta os colaboradores e suas famílias? Reflita Você já parou para pensar nesta relação entre a história e suas posturas na empresa? Como anunciado no início do capítulo, é preciso observar as árvores, ou seja, prestar atenção na história, nos detalhes e no contexto. Dizem que para compreender um autor ou fato, é preciso conhecer o contexto, se falamos de contexto lembramo-nos da história, que é contínua, se falamos de continuidade, falamos de pessoas. 48 49 Façamos juntos Nas palavras de Borges & Yamamoto (2004) no livro “Psicologia, Organizações e Trabalho”, o trabalho é objeto de múltipla e ambígua atribuição de significados e/ou sentidos. De acordo com o enunciado, assinale a alternativa que está incorreta: a) Reclamamos das condições de trabalho e continuamos exercendo nossas atividades nas organizações. b) Existe uma linha de pesquisas no campo da psicologia estudando a variedade de significados e sentidos que as pessoas atribuem ao trabalho, os quais guardam entre si convergências e muitas contradições. c) Significado está relacionado ao conceito generalizado de trabalho e sentido é algo próprio, individual, ou seja, o que cada pessoa pensa sobre o ato de trabalhar. d) O trabalho não está relacionado ao prazer. É sempre interpretado como palco de dor. e) A origem do conceito de trabalho está relacionada aos princípios de sofrimento e de prazer. Resposta: D Faça você mesmo Assista ao filme “Tempos Modernos” com Charles Chaplin erelacione com os conteúdos do capítulo. Link do filme: https://www.youtube.com/watch?v=ieJ1_5y7fT8 Bibliografia: BOCK, Ana Maria Bahia. Psicologias: uma Introdução ao estudo da psicologia. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. BERGAMINI, Cecília Whitaker. Psicologia Aplicada à Administração de Empresas. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2010. LEÃO, Lourdes Meireles; CORREIA, Mônica. Psicologia cognitiva: construção de significados em diferentes contextos. Campinas: Alínea, 2008. ZANELLI, J., ANDRADE, J., BASOS, A. Psicologia, Organizações e Trabalho. Porto Alegre: Artmed, 2004. https://www.youtube.com/watch?v=ieJ1_5y7fT8 50 Saiba mais O QUE A PSICOLOGIA TEM A VER COM ISSO? Antes de prosseguirmos com essa reflexão, temos que tomar cuidado para não criarmos aqui uma receita de bolo, ou seja, não podemos cair na inocência de acharmos que o surgimento das revoluções industriais, atrelado aos modelos Ford, Taylor e Fayol foram catastróficas para a sociedade. Lógico que influenciaram muitas coisas, modo de viver, produzir, segurança, desigualdades sociais etc. Por outro lado, trouxeram grandes transformações. Se por um lado a revolução industrial provocou o crescimento urbano, trazendo junto o desemprego e desigualdades, por outro, desencadeou progresso em várias instâncias. Os trabalhadores passaram a viver a maior parte do tempo nas indústrias, trabalhando mais de 14 horas diárias, sem intervalo. Na contramão tivemos movimento da economia e abertura de novos postos de trabalho. Os trabalhadores tiveram que acompanhar essa especialização, isso acirrou a competitividade, isso movimentou o mercado das escolas, cursos, faculdades até chegarmos à terceira etapa e desfrutar desse notebook usado para preparar este material. Diante do exposto, precisamos olhar com mais atenção para os mais frágeis desse processo, as pessoas. É aí que entra a Psicologia na conversa, se fizermos uma retrospectiva vamos encontrar essa resposta do título dessa etapa com facilidade, tudo começa porque a Psicologia corta o umbilical da Filosofia para estudar as subjetividades, comportamentos, relações humanas, sentimentos, sensações, inteligência, memória, emoção, estresse, transtornos psicológicos dentre outros. Se as pessoas sofrem alterações devido a esta dinâmica do competir e produzir, logo, as pessoas precisam de acompanhamento e é a Psicologia que vai somar e fazer parte das equipes de Gestão de pessoas em vários locais do mundo, sempre visando o bem-estar biopsicossocial das pessoas atendidas. 51 CAPÍTULO 7 - COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL E VALORES Introdução Nós vamos falar sobre dois assuntos que se intercalam nas organizações, comportamento e valores. Nas próximas páginas vamos dialogar de forma bem detalhada para compreendermos como essa integração se faz necessária no dia a dia. Você deve recordar que fizemos uma introdução sobre essas questões comportamentais no capítulo 2 quando falamos de Behaviorismo, naquela etapa aprendemos que o Comportamento para os behavioristas é entendido como interação entre indivíduo e ambiente. No capítulo atual vamos ver como esse movimento se dá no mundo corporativo empresarial. 7.1 Comportamento e atitude Os estudos sobre comportamentos são extensos, muitos autores se propuseram a discutir o assunto, você certamente deve ter ouvido na televisão, no dia a dia, na escola, no trabalho alguns exemplos da necessidade de se rever comportamentos: comportamento alimentar, comportamento sexual, comportamento social, comportamento estudantil, comportamento religioso e comportamento familiar. Você também deve ter ouvido alguém dizer que precisa mudar de comportamento. O que isso significa este Behavior?3 O primeiro passo é diferenciar comportamento de atitude, comportamento é a ação (objetivo), já a atitude é a intenção (subjetivo). Podemos dizer que a atitude seria “dizer” e o comportamento seria “fazer”. Eu tenho a intenção, mas devo? 3 Behavior significa “Comportamento” No término deste capítulo, você deverá saber: DEFINIÇÃO DE COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL O QUE SÃO VALORES ORGANIZACIONAIS Reflexão Comportamento, valores pessoais e valores organizacionais no cotidiano. Quantas vezes as pessoas ganham afastamento devido a tais comportamentos ou outras vezes as pessoas deixam as grandes oportunidades porque estão presas a valores intocáveis. Isso nos leva a diversas questões: Você já parou para pensar como você se relaciona com esses temas no seu dia a dia profissional? 52 A atitude é a faculdade que a pessoa tem de avaliar situação como benéfica ou maléfica, muito comum quando se fala em ambiente social ou físico, como religião, o uso de drogas, saúde, violência etc. Quanto à etiologia, o termo atitude vem do latim aptitudinem atitude, que significa uma forma organizada e coerente de pensar, sentir e reagir em relação a pessoas. Como a atitude é uma intenção de se comportar de certa maneira, a intenção pode ou não ser consumada, dependendo da situação ou das circunstâncias. As mudanças nas atitudes de uma pessoa podem demorar muito para causar mudanças de comportamento que, em alguns casos, podem nem chegar a ocorrer. O comportamento por sua vez, “Porto”, em latim, significa levar. No nosso português significa portar-se. Sendo então um conjunto organizado das ações em função das notificações recebidas durante as interações sociais. O comportamento surge como resposta observável, por isso é muito estudado nas universidades, tão observado que muitas empresas fazem verdadeira varredura nas redes sociais de candidatos antes de contratações. Diante do exposto, as pessoas nas organizações devem mudar de comportamento ou de atitude? 7.2 Comportamento Organizacional A cada dia que passa, nós percebemos a necessidade de conhecer os humanos das organizações, seus conhecimentos, habilidades e suas necessidades emergenciais. Notamos que as pessoas se caracterizam como seres multifacetados, ou seja, têm várias faces, possuem particularidades, identidades e personalidades, utilizam a linguagem e demais funções psicológicas superiores como instrumentos de interação. O comportamento das pessoas nas organizações é na maioria das vezes imprevisível, isso ocorre por várias razões, primeiro porque tem um componente emocional que pesa bastante, por outro lado, esse movimento comportamental se dá porque emerge das necessidades humanas e dos valores. O comportamento pode ser algo compreendido, nem sempre aceito. Podemos dizer que não existe uma regra de três para se trabalhar com pessoas, se tivéssemos, não teríamos tantas empresas falindo e muitos desempregados. O Comportamento Organizacional é algo particular de cada companhia, um conjunto de anexos de crenças, valores e objetivos que são compartilhados pela gestão e colaboradores. É derivado do comportamento individual de cada colaborador da empresa, o comportamento organizacional vai estudar essas demandas individuais que transcendem, ajudam ou prejudicam o desenvolvimento do local. As organizações têm percebido a necessidade do comportamento organizacional como núcleo competitivo. O conhecimento técnico não é unanime, ou seja, não é o único responsável por gerar diferencial no mercado. Em síntese, não adianta ter todas as qualificações, se falta a principal, o gerenciamento do próprio comportamento. Desse modo, o comportamento organizacional é uma área do conhecimento que intensifica os estudos sobre a influência que as pessoas, os grupos e a estrutura da 53 empresa exercem sobre o comportamento humano internamente, assim busca-se sempre a melhoria dos processos gerenciais. Procura estudar as ações, atitudes e expectativas no local de trabalho que possam levar ao alcance de bons resultados. O comportamento organizacional tem como missão estudar as diversassituações que acontecem dentro da empresa. Estas situações estão relacionadas aos seguintes temas: Motivação para o trabalho e para o alcance de metas; Liderança de grupos e comunicação interpessoal; Atividades em grupos e aprendizado coletivo; Percepções individuais no ambiente de trabalho e reações às mudanças; Ocorrência e resolução de conflitos e estresse no trabalho. Para os gestores contemporâneos, é importante estudar este tema para decidir por gerenciamento de ações eficientes. Assim, num exemplo claro, ao invés de esperar o consumidor reclamar, as empresas implantam programas de qualidade para que suas equipes mostrem que podem controlar determinadas ações prejudiciais ao andamento da equipe, por essas e outras razões encontramos empresas que investem pesado nos treinamentos de equipes. Nós observamos pessoas e somos observados por pessoas, as pessoas são cercadas por gostos, costumes, habilidades, também são cercadas por modos de viver, pensar, comportar, relacionar, amar, criar. Os mais experientes dizem que precisamos vender nossa imagem, esse processo deve ocorrer além dos muros organizacionais, é muito comum ouvirmos dizer que não somos livres, somos mais observados pelas nossas ações fora da empresa do que dentro. Isso é um fato. Como você se sentiria assistindo uma palestra de uma pessoa que fala de prevenção ao uso de drogas se nas redes sociais da mesma só tem postagens de festas, bebidas e curtição? Como você se sentiria ao assistir um gestor falando que é preciso respeitar os horários, as regras da empresa, que a equipe não deve usar redes sociais na hora das atividades quando você o acompanha e sabe que ele chega sempre atrasado, quebra protocolos e faz postagens de assuntos fora do contexto de trabalho nas redes sociais e no horário de trabalho? Difícil não é mesmo? Assim encerramos esta etapa sobre comportamento organizacional, fazendo esta reflexão sobre comportamentos que deveriam servir de espelhos, mudar pessoas pode ser considerada uma utopia, porque a mudança é interna, mas, podemos provocar nas pessoas o exercício do pensamento de atos e consequências no mundo do trabalho. 7.3 Valores organizacionais No ano de 2006 eu enviei meu currículo a uma empresa do centro de São Paulo e um dos meus amigos me orientou que eu deveria entrar na internet para conhecer a missão, a visão e valores da empresa. Fiquei sem entender as razões, hoje, ao lecionar unidade curricular na área, compreendo perfeitamente à importância desses termos no dia a dia das empresas. 54 Uma empresa sem identidade pode encontrar pela frente um caminho sem volta, o sentimento de pertença é uma forma de fortalecer a organização e suas relações com os clientes, sabemos que a cultura organizacional se compõe de sua missão, visão e valores. Vamos ampliar nossas reflexões sobre os valores organizacionais. Os valores estão relacionados aos princípios que orientam todas as posturas da instituição e de seu conjunto de colaboradores. Quando se definem os valores, todas as pessoas devem trabalhar para respeitá-los numa relação direta com clientes, fornecedores e demais parceiros. Poderíamos dizer que os valores emergem como alicerces da organização, representam aquilo que o grupo defende e mostra quais suas convicções. Podemos dizer que os valores são atitudes, crenças que personificam e dão personalidade à empresa, assim, os valores constituem o centro da cultura organizacional. O sistema de valores é responsável pela programação de condutas. Os valores têm origem no interacionismo social. Essa interação é construída no campo das necessidades do trabalho que deverá ser realizado, assim regulam as suas relações intrínsecas e extrínsecas. Podemos concluir que os valores expressam a singularidade organizacional, de acordo com a preferência na composição de sua estrutura axiológica. Aquilo que é próprio da organização, qualidades, atributos; a integração; os resultados; o desenvolvimento sustentável; a ética e transparência; a prontidão para mudanças, empreendedorismo e inovação; Exemplo de valores: Humanidade: As pessoas em primeiro lugar. Lealdade: Ser coerente a Princípios e Sonhos. Visão sistêmica: Compreenda o macro /todo. Resultados Extraordinários: fazer sempre o melhor para todos. Deste modo, conclui-se que os valores são crenças duradouras sobre formas específicas de comportamentos sociais ou sobre estados abstratos de existência. Identificaram princípios motivacionais básicos subjacentes aos valores individuais. Ela opõe os interesses próprios dos indivíduos às necessidades que as organizações têm em manter o status quo organizacional. (Bipolaridade, autonomia versus conservadorismo). Resumindo Neste capítulo, fizemos a diferença entre comportamento e atitude, tivemos a definição de comportamento e valores organizacionais, deste modo ampliamos nossas reflexões sobre a cultura organizacional. 55 Lembre-se O estudo dos comportamentos individuais e coletivos é importantíssimo porque faz com que o/a gestor/a decida por processos gerenciais eficientes e eficazes à organização. Tome nota Toda empresa precisa ter identidade, valores, princípios e uma lista de comportamentos esperados de colaboradores e clientes. A Psicologia surge neste contexto para observar, acompanhar e pensar em estratégias de melhoria da qualidade de vida local. Faça você mesmo Quanto aos valores organizacionais, assinale a alternativa incoerente. a) Os valores constituem o núcleo da cultura organizacional. O sistema de valores é responsável pela “programação mental”, pois constituem a centralidade da cultura. b) Os valores estão relacionados ao Código de Ética da profissão do colaborador, num contexto limítrofe em que os objetivos da empresa não interferem na prática profissional. c) Os valores organizacionais têm origem na interação social entre os membros das organizações. Eles são construídos em decorrência das necessidades do trabalho a ser realizado para orientar suas relações internas e externas. Esses valores expressam a singularidade e a especificidade de cada organização, de acordo com a preferência dada a cada valor na composição de sua estrutura axiológica. d) Os valores estão relacionados ao que é próprio da organização, qualidades, atributos. e) Os valores são crenças duradouras sobre formas específicas de comportamentos sociais ou sobre estados abstratos de existência. 56 Investigue Como os valores e comportamentos das pessoas contribuem para o afastamento das atividades remuneradas. Reflita Muitas pessoas não param nas empresas porque confundem suas convicções com aquilo que a empresa defende, quando se sobressai o egocentrismo dos colaboradores, quem sofre as consequências é a empresa que afasta seus clientes. Faça você mesmo Imagine que você criou uma empresa e precisa pensar nos valores que serão defendidos por ela, apresente pelo menos 4 desses valores e explique porque sua empresa deve preservar. Bibliografia: BOCK, Ana Maria Bahia. Psicologias: uma Introdução ao estudo da psicologia. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. BERGAMINI, Cecília Whitaker. Psicologia Aplicada à Administração de Empresas. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2010. LEÃO, Lourdes Meireles; CORREIA, Mônica. Psicologia cognitiva: construção de significados em diferentes contextos. Campinas: Alínea, 2008. ZANELLI, J., ANDRADE, J., BASOS, A. Psicologia, Organizações e Trabalho. Porto Alegre: Artmed, 2004. 57 Saiba mais PSICOLOGIA NO CAMPO DOS VALORES E COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL Se fizermos uma análise de tudo que estudamos até este capítulo, vamos notar que a Psicologia começa diferenciando do senso comum por ser uma ciência que gera uma prática profissional,possui objeto de estudo e tem a subjetividade com grande foco de intervenção. A Psicologia é comporta por várias abordagens e está presente nas mais diversas profissões, estuda os sentidos e significados do trabalho, identidade e relações humanas. Assim, ela passeia pela história do trabalho e assim chega até a administração com análise e crítica das abordagens e metodologias avaliação de desempenho dos comportamentos presentes nos objetivos organizacionais de modernização e desenvolvimento humano do trabalhador. Pois bem, a Psicologia participa dessa discussão sobre comportamento organizacional e valores porque atende essas necessidades de estudos sobre pessoas nos grupos e suas inter-relações com o trabalho, saúde ocupacional, questões de comunicação, estima, imagem, sentimentos, planejamento e controle, estratégias organizacionais. Busca os sintomas comportamentais nas organizações e o autoconhecimento. A psicologia precisa pensar em estratégias que contemplem as emoções geradas num ambiente de trabalho. Além de trabalhar com recrutamento, seleção de pessoal, procura intensificar os treinamentos e diagnóstico organizacional. Preocupa-se em analisar cargos e salários; fazer pesquisas sobre sentimentos e moções dos colaboradores; sistema de avaliação de desempenho; prática específica. Se os comportamentos influenciam o meio e se o meio interfere na velocidade dos comportamentos e se tudo isso é balizado pelo que a empresa defende, os valores, então a Psicologia se faz necessária neste processo que envolve personalidades, culturas, expectativas, papéis sociais e experiências. 58 CAPÍTULO 8 - PSICOLOGIA NAS ORGANIZAÇÕES E O PROCESSO DE RECRUTAMENTO E SELEÇÃO Introdução No capítulo 5 deste livro-texto nós tivemos acesso a uma larga discussão sobre o mundo do trabalho, no capítulo atual vamos ampliar esse estudo de forma mais específica e assim vamos aos poucos compreendendo as atribuições da Psicologia neste universo. A psicologia entra neste ramo sendo responsável pela parte técnica de recrutamento e seleção, treinamento e desenvolvimento, avaliação de desempenho e políticas de cargos e salários. Claro que isso é um resumo da ampla possibilidade de atuação neste mundo organizacional. 8.1 A Psicologia Organizacional e do Trabalho Prezado/a leitor deve lembrar no capítulo 6 nós falamos sobre o processo de industrialização, revoluções industriais? Pois bem, naquele período o profissional da Psicologia que trabalhava no mundo organizacional era chamado de Psicólogo/a Industrial. Atualmente é chamado de Psicólogo/a Organizacional e do Trabalho. Estuda os fenômenos psicológicos que se deslocam nas organizações. Atua diretamente nas soluções de problemas ligados à gestão de recursos humanos (ou gestão com pessoas). Quando nós Psicólogos falamos em fenômenos psicológicos estamos nos referindo a questões subjetivas e objetivas, funções psicológicas que estão nas ações das pessoas, tais como atenção voluntária, pensamento, concentração, percepção, memória, raciocínio dedutivo, capacidade de planejamento, linguagem, cognição, emoção dentre outras. No término deste capítulo, você deverá saber: O QUE FAZ A PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL E DO TRABALHO O PROCESSO DE RECRUTAMENTO E SELEÇÃO TIPOS DE RECRUTAMENTO E SELEÇÃO Reflexão Este capítulo será extremamente importante principalmente para aqueles que já participaram de processo seletivo ou que pretendem atuar. Vimos em páginas anteriores que estamos passando da terceira etapa da revolução industrial, um cenário mais competitivo, mercado que não perdoa erros e profissões que exigem objetividade e resultados. Bons estudos! 59 De acordo com a caracterização histórica discutida em capítulos anteriores, as revoluções tanto industriais como a Revolução francesa contribuíram para mudanças radicais no mundo, essas mudanças foram se intensificando com surgimento da Administração enraizados nas contribuições de Taylor, Fayol e Ford, houve um crescimento no movimento das relações humanas e consequentemente a responsabilidade das empresas em relação aos trabalhadores. Neste contexto motor, nós tivemos alterações nas questões comportamentais individuais e grupais, esse movimento trouxe novos conceitos sobre motivação, liderança, comunicação, dinâmica de grupos, processo decisório, comportamento organizacional e estilos administrativos. Neste ponto que entra a Psicologia Organizacional e do Trabalho. Para ajudar a dar conta dessas demandas envolvendo as organizações, trabalhadores e seus clientes. 8.2 O processo de recrutamento e seleção Já dizia Dante Moreira Leite que no mundo em que vivemos a maldição da pessoa já não é ganhar o pão com o suor, mas com a simpatia do seu rosto. O operário é aceito pelos colegas e pelo contramestre não apenas pela sua condição técnica, mas, sobretudo, pela sua habilidade na aceitação e manutenção de relações harmoniosas no grupo...4 Este enunciado resume grande parte das indagações sobre as emergências no campo de recursos humanos na atualidade e a Psicologia tem grande participação neste processo. Hoje em dia um curriculum vitae impecável e altamente qualificado não é um cartão de visita para que uma pessoa se candidate ao cargo exigido pelas empresas. A capacidade técnica deve vir acompanhada de um conjunto de competências, pois as empresas valorizam também o potencial intelectual e emocional do candidato. São valores avaliados que irão demonstrar sua capacidade de liderança, de trabalho em grupo, tomadas de decisão, situações diferentes do dia a dia e assim consolidar a imagem da empresa. O recrutamento e seleção é uma das mais ricas ferramentas de gestão de pessoas nas organizações. Existem vários autores que podem nos auxiliar nesse esclarecimento, de modo geral, podemos encontrar três fases no planejamento do recrutamento5: I - Pesquisa Interna/Planejamento de Recursos Humanos – O primeiro passo é a verificação interna para encontrar as necessidades da empresa. 4 Ver mais em: Leite, Dante Moreira. In: PATTO, Maria Helena Souza. (org.) Introdução à psicologia escolar. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2006. 5 Veja mais em: Chiavenato, Idalberto. (2006). Princípios da administração: o essencial em teoria geral da administração. Rio de Janeiro: Editora Elsevier. Recursos Humanos.9ªed.p70,66 editora Elsevier/2009-RJ 60 Neste momento se verifica quais as lacunas, ou seja, quem foi desligado e como será a reposição. A pesquisa interna constitui em todos os sentidos como o ponto de partida de toda dinâmica de recrutamento. II - Pesquisa Externa de Mercado – Aqui a busca é no mercado, famosos “alvos”, focaliza o mercado de candidatos para direcionar as técnicas de recrutamento. III - Técnicas de Recrutamento – Depois da pesquisa interna e a externa, a próxima fase é identificar quais as técnicas de recrutamento, esta constitui a última fase do planejamento. O objetivo do recrutamento é atrair candidatos e deve incorporar alguns momentos, tais como: Decisão de Preenchimento de um Cargo e Requisição de Pessoal. Definição do Perfil da Função. Escolha do Tipo de Recrutamento Podemos pensar em 5 (cinco) possibilidades de recrutamento: I. Recrutamento interno: torna-se vantajoso porque proporciona a economia para empresa, pois, os gestores já conhecemos perfis dos candidatos x conflitos de interesses. II. Recrutamento externo: Este pode ser realizado por empresa terceirizada (agências de emprego), ou diretamente pela empresa ou através dos famosos Headhunters. É importante anotar que Headhunters é um termo em inglês que significa “caçador de cabeças”, ele seleciona criteriosamente os melhores profissionais do mercado em áreas executivas, aliando as necessidades da empresa com a qualificação do profissional.Ele se torna um mediador entre empresa e profissional. Um Headhunter pode ser uma pessoa autônoma, com contratos temporários ou ser funcionário/a integral de uma organização. Tem a missão de encontrar aqueles profissionais seletos, raros talentos ou fisgar know-how (conhecimento, saber, experiência), assim procuram convencer pessoas a irem para determinadas empresas e estas empresas ainda nem sabem que precisam deles. Exemplo, uma universidade privada que ainda não tem noção de que precisa de um Diretor de Relações Institucionais. III. Recrutamento misto: o nome já vem explicando, misto vem de misturado, ou seja, agrega tanto recrutamento interno quanto o externo. IV. Recrutamento on-line (pela internet): Em vez de acumular caixas de currículos impressos, os currículos chegam via e-mail e plataformas de recrutamento online. Assim, a tecnologia torna-se aliada da organização e do meio ambiente. 61 Após o recrutamento, vem à seleção propriamente dita. Este é o ato de selecionar é uma constância da natureza, apesar do nome já confirmar o significado do termo, é importante abrirmos um espaço de considerações sobre esta etapa. Importante saber que o processo de seleção deve ser entendido como um instrumento de marketing interno e externo e a empresa pode utilizar a seu favor. A seleção consiste num primeiro momento numa comparação entre “perfis” dos candidatos e as exigências do cargo ou função. A ideia é que perfil e a função se ajustem. Assim, é necessária uma escolha da pessoa certa para o cargo certo. A seleção engloba várias técnicas, vamos destacar algumas: Entrevista (diretiva ou comportamental), sobre o cargo almejado e como a pessoa reage a perguntas específicas. Observação de comportamentos (antes da entrevista), muito comum, neste momento é possível perceber ansiedades, hábitos, pressa, postura, educação, comunicação. Dinâmica de grupos, depende muito do responsável pela aplicação, abordagem, formação, objetivos da vaga, uma atividade tem por finalidade objetiva de integrar, desinibir, divertir, refletir, aprender, apresentar e promover o conhecimento entre as pessoas. Subjetivamente, depende de vários fatores que a Psicologia pretende abordar. Provas ou testes de conhecimento, sobre a vaga pleiteada. Testes Psicológicos, podem ser de personalidade, de simulação da prática ou projetivos, ou seja, para avaliar como a pessoa é e como ela se apresenta considerando aspectos conscientes e inconscientes (aquilo que ela compreende e aquilo que ela faz e nem imagina que teve a intenção). Entrevista com gestores, fase final. Para encerrar este capítulo é importante deixar uma reflexão sobre essas questões discutidas acima, o mercado é exigente, a cada dia que passa surge novas habilidades que ele aponta na direção das pessoas que querem fazer parte do grupo economicamente ativo. Para isso, não basta apenas saber fazer, é preciso saber ser, saber conviver com empatia, proatividade e responsabilidade. Para dar conta das novas exigências, é preciso desenvolver algumas competências, tais como a capacidade empreendedora; capacidade de trabalhar sob pressão; ter boa comunicação; criatividade e inovação, respeitar a cultura organizacional, capacidade negocial, ter liderança; planejamento e organização; tomada de decisão e possuir uma visão sistêmica. Resumindo A psicologia entra no universo organizacional para se responsabilizar pela parte técnica de recrutamento e seleção, treinamento e desenvolvimento, avaliação de desempenho e políticas de cargos e salários. Sua presença se faz necessária diante da necessidade de estudar e as alterações comportamentais individuais, grupais das pessoas nas organizações. Este processo resultou em novos conceitos sobre motivação, liderança, comunicação, dinâmica de grupos, processo decisório, comportamento organizacional e estilos administrativos. 62 Lembre-se A capacidade técnica deve vir acompanhada de um conjunto de competências, pois as empresas valorizam também o potencial intelectual e emocional do candidato. São valores avaliados que irão demonstrar sua capacidade de liderança, de trabalho em grupo, tomadas de decisão, situações diferentes do dia a dia e assim consolidar a imagem da empresa. Tome nota O recrutamento e seleção é uma das mais ricas ferramentas de gestão de pessoas nas organizações. Investigue Quais as competências e habilidades que são exigidas na sua área de formação. Reflita Os Headhunters estão por aí, caçando cabeças, ele identifica criteriosamente os melhores profissionais do mercado. Ele se torna um mediador entre empresa e profissional, por essas e outras razões, cuide de sua imagem pessoal para não colher afastamento profissional, muita atenção nas redes sociais para não colocar em contradição, principalmente numa comparação entre aquilo que você fala numa entrevista e aquilo que você vive socialmente. 63 Façamos juntos Para Chiavenato (2000, 2009) o planejamento do recrutamento compreende três fases: I. Pesquisa Interna/Planejamento de Recursos Humanos - Refere-se ao levantamento interno das necessidades de recursos humanos da organização em todas as áreas e níveis da mesma a curto, médio e longo prazo. O que a organização precisa de imediato em termos de reposição de pessoas e quais são seus planos futuros de crescimento e desenvolvimento. A pesquisa interna constitui o ponto de partida de todo o processo de recrutamento e orienta todas as ações no sentido de recrutar candidatos – internos ou externos. II. Pesquisa Externa de Mercado - Refere-se a uma pesquisa de mercado, concentrando-se assim em “alvos específicos”, ou seja, focalizar o mercado de candidatos para direcionar as técnicas de recrutamento. III. Técnicas de Recrutamento - Feita a pesquisa interna e a externa a próxima prioridade é escolher as técnicas de recrutamento que constitui a última fase do planejamento que serão abordadas inseridas no recrutamento externo adiante. Sobre este processo é possível afirmar: a) O recrutamento refere-se ao processo que decorre entre a decisão de preencher um cargo vago e o agrupamento dos candidatos que preenchem o perfil da função e reúnem condições para ingressar na empresa. b) O objetivo do recrutamento consiste em atrair candidatos e, para que seja eficaz, deverá fazê-lo em número suficiente para fornecer o processo de seleção e assim permitir que este funcione. Trata-se, pois, de um sistema de informação que visa a divulgação de oferta de oportunidades de emprego. c) O recrutamento pode ser interno, externo ou misto. d) O recrutamento externo não pode ser feito diretamente pela própria empresa ou por agencias de empregos, só pode ser efetivado pelos “caçadores de cabeça” Os Headhunters– comum para cargos executivos. e) No recrutamento interno, torna-se favorável a empresa por proporcionar a economia, já conhece perfil dos candidatos x conflitos de interesses. Resposta: D 64 Faça você mesmo Imagine que você é um Headhunter, quais as habilidades e competências que vai anotar num processo de contratação de um Gerente de Vendas? Bibliografia: BOCK, Ana Maria Bahia. Psicologias: uma Introdução ao estudo da psicologia. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. BERGAMINI, Cecília Whitaker. Psicologia Aplicada à Administração de Empresas. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2010. LEÃO, Lourdes Meireles; CORREIA, Mônica. Psicologia cognitiva: construção de significados em diferentes contextos. Campinas: Alínea, 2008. ZANELLI, J., ANDRADE, J., BASOS, A. Psicologia, Organizações e Trabalho. Porto Alegre: Artmed, 2004. 65 Saiba mais CARREIRA PROFISSIONAL E IMAGEM PESSOAL Você já parou para pensar na sua carreira profissional? Você é daquelesque acredita que sua vida pessoal não interessa a ninguém? Quando você está numa empresa, o que faz ou deixa de fazer lá fora não interfere no seu plano de carreira ou no crescimento profissional? São essas e outras questões que provocam empregos e desempregos na sociedade contemporânea. Nós não estamos mais naquela época em que as informações chegavam via carta, período mais delicado no qual para falar com alguém com telefone era preciso ligar para uma central que distribuía o contato. Vivemos num período das velocidades, as guerras são assistidas ao vivo e as informações andam na velocidade da luz. O mercado de trabalho, com a globalização, está em constante transformação, nem precisamos de Zygmunt Bauman para confirmar esta motricidade líquida, basta ligarmos a televisão ou navegarmos na internet, as pessoas estão em vários lugares ao mesmo tempo e se transformando a cada novidade de mercado. Diante deste cenário, surgem discussões sobre as opções de carreiras e funções, do mesmo modo que surgem preocupações de como estamos agindo para manter nosso currículo valorizado no mercado. Para construir uma carreira profissional de sucesso, é necessário ter uma visão global da realidade, numa entrevista de emprego, não sei se tem notado, mas, surgem perguntas sobre assuntos atuais e se você não estiver concentrado no tema, pode perder a oportunidade de negócio. Nenhuma empresa quer um colaborador que parou no tempo. Os profissionais que desejam ser bem-sucedidos devem buscar o crescimento contínuo com foco em habilidades e competências que vão além da técnica. Para isso é importante ter boas atitudes, possuir metas definidas, boa comunicação, leitura assídua, bons relacionamentos interpessoais, a prática de network (rede), podem contribuir e muito para este upgrade(atualização).Não adianta fazer porque é lucrativo, pois, é fazer o que se gosta, ser leal ao seu projeto de vida, ter identidade e respeito ao seu perfil e as características de sua personalidade. 66 UNIDADE III CAPÍTULO 9 - MOTIVAÇÃO E LIDERANÇA Introdução Motivação, liderança, necessidades humanas e outros termos muito comuns nas universidades, congressos e ambientes de trabalho. Neste capítulo faremos considerações sobre a importância desses termos no nosso dia a dia, num primeiro momento a distinção entre motivação e estímulo, depois vamos ver as necessidades humanas e por último, os tipos de lideranças. Poderá notar que neste capítulo teremos uma mistura de contribuições, veremos indiretamente a presença do comportamentalismo, subjetividade e outros fenômenos psicológicos que permeiam as relações humanas. 9.1 A Motivação e estímulo6 Antes de trazermos conceitos de motivação é preciso apresentar uma pequena distinção com estímulo, muitas pessoas confundem e acabam usando os termos como sinônimos, que é um grande erro. 6 Ver sobre motivação e liderança: https://www.youtube.com/watch?v=zG7y7gT9AV8 No término deste capítulo, você deverá saber: MOTIVAÇÃO E ESTÍMULO NECESSIDADES HUMANAS - MASLOW LIDERANÇA Reflexão Este tema chama a atenção porque ele está diretamente ligado a nossa saúde e qualidade de vida no trabalho, pessoa sem estímulo, sem motivação, passiva e com lacunas no campo das necessidades enfrenta geralmente dificuldades de adaptação e acabam esquecendo no balde do silêncio as suas competências e habilidades. https://www.youtube.com/watch?v=zG7y7gT9AV8 67 Fonte: Arquivo pessoal do autor A imagem já nos mostra um pouco esta diferença, isso pode ser confirmado nas no discurso de vários autores da Psicologia e de disciplinas similares. O estímulo é algo externo, exemplos: aplausos, elogios, placas de reconhecimento, homenagens, sorrisos, assovios etc. A pessoa pode receber elogios “você está muito bonita” e não ser motivada, porque a motivação parte da pessoa, estímulo é algo que é fora dela, ninguém te motivará, o máximo que pode acontecer é estimulação ou desestimulação. Quando falamos em motivação estamos nos referindo a algo muito particular, internalizado, somente a pessoa pode dizer se está ou não motivada, essa discussão é muito parecida com as reflexões feitas no capítulo 1 sobre subjetividade. Resumindo, sua equipe de trabalho não precisa ser motivada e sim estimulada. 9.2 Motivação: Contribuições de Maslow e a teoria das necessidades humanas Nesta etapa vamos conhecer o conceito de motivação e conhecer as necessidades humanas, pois, conforme o enunciado do capítulo, não adianta o externo predominar, se o interno estiver repousando. Para uma pessoa ser motivada, é preciso compreender quais os fatores obscuros que carregam e que impedem a mesma de receber a estimulação necessária. Antes de continuarmos, vamos tomar nota de alguns termos relacionados à motivação, bem como “desejo de mudança – impulso”; “autoestima – precisa estar bem (biopsicossocial)” “força interior – deve descobrir” e “satisfação – busca de objetivos.” A motivação é, no entanto, o processo interno que mobiliza a pessoa para a ação, a partir da interação com o meio, está no esboço das necessidades e o objeto de satisfação. Na motivação “motor” aparece como a possibilidade de satisfação da necessidade. Quando esta necessidade não é suprida, ou seja, não é encontrada, falamos em frustração. Esta é a realidade de muitas pessoas no ambiente de trabalho, elas encontram-se num mundo de insatisfações pessoais, técnicas, profissionais, relacionais e isso provoca alteração na homeostase (equilíbrio). Deste ponto em diante caberia outras linhas analíticas, até mesmo o processo psicossomático das relações 68 humanas, ou seja, a consequência de algo que está sobrando, a mente não suporta e o corpo acaba como receptor de enfermidades. A motivação é um termo que significa movimento, energia e ativação. Trata-se de uma força impulsionadora que resulta em um comportamento persistente em direção a um objetivo específico. Este objeto pode ser: o trabalho, a igreja, a comunidade, academia, faculdade, pessoas. Você só vai numa direção quando quer, isso é motor, motivacional. Muitas vezes vamos apresentar atividades para a equipe baseado em nossas crenças e não nos sentimentos que as pessoas carregam, este é um dos grandes erros da gestão de pessoas. A motivação possui diversos componentes, em resumo podemos pensar em necessidade, impulso, resposta e objetivo. O que tentamos fazer no dia a dia é provocar externamente, porém, só chega ao objetivo se a pessoa alcançar internamente seus impulsos. Os impulsos podem ser primários, biológicos, básicos ou secundários, sociais ou aprendidos. Quando pensamos em básicos, estamos nos referindo a algo que se não acontecer à pessoa morre, como exemplos temos: sede; fome; evitação de odor; necessidade de sono; necessidade de ar; eliminação de desejos (urinar...); regulação de temperatura do corpo e sexo. Nos impulsos secundários encontramos a realização, ou seja, a busca de padrão de excelência, a necessidade de estar com pessoas; as relações de poder, a busca do impacto, adquirir reputação e ter influência. A partir dessa reflexão que chegamos ao ponto primordial desta etapa de estudo, as necessidades humanas, como estão sendo resolvidas as suas necessidades? Você sabia que a não solução dessas necessidades causam impactos diretamente no seu processo motivacional? Prof. Ademar Dias de Oliveira 69 Pois bem, quem nos auxilia nesta reflexão é um dos maiores teóricos da Psicologia, vale lembrar que Abraham Harold Maslow (1908-1970), foi um psicólogo americano, conhecido pela proposta Hierarquia de necessidades de Maslow. Psicólogo humanista e teve como parceiro teórico, Carl Rogers (1902-1987). Fonte da imagem: http://www.go2web.com.br/pt-BR/blog/abraham-maslow-e-a-psicologia-humanista-nos-dias-de-hoje.htmlA imagem nos mostra aquilo que precisamos saber para compreender as relações entre motivação e necessidades humanas. Quando pensamos em necessidade fisiológica, falamos daquilo que é básico, fome por exemplo, se a pessoa não ingerir alimentos ela corre risco de morrer, isso é bem diferente de vontade. Por isso que as empresas têm investido pesado em qualidade de vida, praças de alimentação, salas de repouso, recompensas etc. A segurança está relacionada à estabilidade material ou sobrevivência, exemplo: passar num concurso público ou colocar o cinto de segurança ou olhar para todos os lados antes de atravessar a rua. Nas necessidades sociais falamos de relações tais como vontade de conversar, abraçarem, apertar as mãos, interação com clientes. Neste ponto que quero refletir, muitas vezes o cliente procura um local para apenas ser bem acolhido, com simpatia, quer atenção, cuidado. As lojas que investem em fornecimento de cortesias, água, café, champanhe, bons profissionais acabam tendo vantagens no mercado. Outra necessidade apontada é a de estima, esta é uma das mais importantes, quem não gosta de um bom e velho elogio? A mulher vai ao salão de beleza e fica horas se cuidando, quando chega em casa quer um reconhecimento do esposo, filhos, família. O encarregado de obra que convence sua equipe a acelerar a obra e em troca ganha elogios na reunião geral ou o estagiário que apresenta projeto inovador e leva o nome da empresa a um patamar nacional. http://www.go2web.com.br/pt-BR/blog/abraham-maslow-e-a-psicologia-humanista-nos-dias-de-hoje.html 70 A autorrealização é algo que chama a atenção, por diversas razões, nós encontramos pessoas nas organizações entusiastas e pessoas fatalistas, como você se sente ao lado de pessoas positivas que querem vencer e lutam pelos sonhos? Como você se sente ao lado de pessoas que não sonham? A pessoa que não sonha se torna perigosa porque costuma socializar o desânimo. Diz à lenda que duas pessoas caminhavam pela praça, quando chegam perto de um Ipê florido uma delas diz: “Olhe que lindo, a natureza é perfeita.” A outra vira para o lado e diz: “Quem será que vai limpar a sujeira no chão?” Duas pessoas e dois modos de ver a vida. Quando pensamos em autorrealização estamos falando disso, de projeção, positividade, desejo de crescer. Isso é relativo, têm pessoas que sonham em ter um carro, outras sonham com uma bicicleta, alguns sonham em terminar a faculdade e chegar ao doutorado, outros sonham apenas com as aprovações nas avaliações semestrais. Qual é seu grande sonho? Muitas empresas alojam sonhadores e fatalistas, aqueles que dão sugestões, trabalham em equipe, apresentam projetos de melhoria, por outro lado, encontramos aqueles que cumprem o horário, socializam negatividade e vão para casa descansar. Aí está a grande diferença entre os que são cobiçados pelo mercado de trabalho e aqueles que são afastados pelas atitudes. 9.3 Lideranças nas empresas A liderança, termo de origem ingressa Leader, está aí um tema discutido com frequência nas universidades, congressos, simpósios, seminários, no esporte, no dia a dia das empresas. As empresas são formadas por grupos de pessoas que dependendo da gestão, se transformam em equipes de trabalho e precisam ser coordenadas em seus esforços individuais, afim de que metas sejam alcançadas. Muitas pessoas em cargos de autoridades não sabem exercer a liderança, outras exercem a liderança sem autoridade, a capacitação pode provocar o surgimento, mas nem sempre a pessoa vai ser capacitada e vai se tornar líder. O/a líder é nato? Como você percebe a liderança? Ela nasce ou surge? A pesquisa moderna abandonou o mito do líder nato. Não tem como nascer líder, esta condição de liderar floresce com o desenvolvimento humano. Qualquer pessoa pode se tornar qualificado por meio de cursos, treinamentos, programas amplos de desenvolvimento de competências, porém, pode não se tornar uma liderança. No contexto corporativo, o/a líder deve desenvolver novos conhecimentos para melhor utilizar o potencial de sua equipe, as habilidades cognitivas, físicas, relacionais e emocionais. A liderança sempre foi um dos temas mais discutidos na gestão de empresas, entende-se que o ato de liderar implica em conduzir um grupo de pessoas, influenciando suas atitudes e comportamentos. A literatura tem apontado que os/as líderes eficazes possuem características comuns, como: ambição, libido de liderar, integridade, autoconfiança e inteligência. A eficácia da liderança pode ser mensurada pelo desempenho de tarefas e pela aceitação das pessoas lideradas. Além disso é preciso superar alguns desafios, tais 71 como o desenvolvimento de um olhar projetivo, a curto, médio e longo prazo, precisa orientar-se para resultados através da coletividade, deve ter noção de realidade de mercado, ter flexibilidade, colocar a mão na massa para solucionar um problema e modificar o caminho até o destino é essencial. A liderança também deve pensar no desafio de reconhecer a equipe, elogiar, valorizar, fornecer feedbacks positivos e negativos. Antes de qualquer ação precisa também mapear a equipe e a si mesmo, conhecer cada colaborador e seus impulsos. Quanto à classificação de lideranças, elas podem ser: Rígida: É uma pessoa segura e não gosta de coisas erradas Benevolente: bondoso, boa vontade em relação às pessoas. Deliberativo: ato de tomar uma decisão após pensar, analisar ou refletir, ou seja, poder de decisão. Autocrático: Não promove a participação efetiva da equipe nos projetos, toma sozinho todas às decisões. Democrático: Decisão coletiva, igualdade de opiniões (voz e voto). De modo geral, o/a líder precisa ter sobretudo motivação para querer melhorar sua eficácia, precisa ter sensibilidade situacional, ou seja, perceber o que se passa a sua volta, o desempenho da liderança depende tanto da organização quanto das atribuições do próprio líder. Se quisermos aumentar a eficácia organizacional e grupal, temos que aprender não apenas o desenvolvimento de lideranças eficazes, mas construir um ambiente organizacional que facilite o exercício da liderança. Daí a importância da empresa investir nesta questão. Assim sendo, conclui-se que o líder deve ser eficaz em qualquer contingência ou situação, motivação e liderança se complementam, um líder não só motiva o grupo como não deixa se destruir o desejo de melhorar. A liderança é uma habilidade de persuadir ou dirigir as pessoas sem o uso do prestígio ou da força de uma autoridade formal. Líder é aquele que facilita a interação entre os membros do grupo. Esta eficácia está literalmente integrada às necessidades de observação – saber observar; percepção – perceber na neutralidade; empatia – “pensar na dificuldade do outro”; proatividade – “dinamismo, agilidade, ação”; referência – ser procurado e ter responsabilidade – ser um pensador. Resumindo Neste capítulo tivemos como objetivo a compreensão dos conceitos de motivação, antes disso fizemos a distinção entre motivar e estimular. Também compreendemos a importância da liderança nas organizações, vimos os tipos de lideranças e como se apresentam nas organizações. 72 Lembre-se Motivação significa movimento, energia e ativação. Trata-se de uma força impulsionadora que resulta em um comportamento persistente em direção a um objetivo específico. Este objeto pode ser: o trabalho, a igreja, a comunidade, academia, faculdade, pessoas. Tome nota A liderança também deve pensar no desafio de reconhecer a equipe, elogiar, valorizar, fornece feedbacks positivos e negativos. Antes de qualquer ação precisa também mapear a equipe e a si mesmo, conhecer cada colaborador e seus impulsos. Investigue A atuação dos gestores na atualidade, eles/as são líderes ou chefes? Faça você mesmoQuais são as necessidades humanas? Reflita Muitas pessoas vieram ao mundo a passeio, fazem cursos, se qualificam, tem mestrado, doutorado e não conseguem liderar equipes. Não é uma questão de “dom” existem momentos na vida em que precisamos refletir sobre o que queremos, distinguir objetivos de metas. A vida é um poço de oportunidades, aprendizagens e trocas; para aproveitar os melhores momentos é preciso conhecer as próprias vontades, projeções e impulsos, antes de qualquer ocupação é preciso liderar a própria vida e colher frutos das boas relações. 73 Façamos juntos Quais os tipos de lideranças? A) Rígida: É uma pessoa segura e não gosta de coisas erradas B) Benevolente: bondoso, boa vontade em relação às pessoas. C) Deliberativo: ato de tomar uma decisão após pensar, analisar ou refletir, ou seja, poder de decisão. D) Autocrático: Não promove a participação efetiva da equipe nos projetos, toma sozinho todas às decisões e Democrático: Decisão coletiva, igualdade de opiniões (voz e voto) E) Todas as alternativas estão corretas. Resposta: E Bibliografia: BOCK, Ana Maria Bahia. Psicologias: uma Introdução ao estudo da psicologia. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. BERGAMINI, Cecília Whitaker. Psicologia Aplicada à Administração de Empresas. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2010. LEÃO, Lourdes Meireles; CORREIA, Mônica. Psicologia cognitiva: construção de significados em diferentes contextos. Campinas: Alínea, 2008. ZANELLI, J., ANDRADE, J., BASOS, A. Psicologia, Organizações e Trabalho. Porto Alegre: Artmed, 2004. 74 Saiba mais TEORIA DAS LIDERANÇAS O instituto Brasileiro de Coaching tem apresentado contribuições no campo de estudos sobre lideranças, a este respeito, eles publicaram um conteúdo bem interessante e quero compartilhar com vocês. Eles apresentam as teorias das lideranças, de acordo com o artigo de José Roberto Marques, temos: Teoria Situacional – o verdadeiro líder é aquele que tem a capacidade de se adaptar às mais variadas situações numa empresa. Teoria dos Traços – defende que algumas pessoas já nascem com características específicas que já apontam que elas possuem a competência nata para liderar. Assim, elas seriam muito mais propensas as assumir cargos de gestão do que aquelas que não apresentam estes mesmo sinais. Teoria do Comportamento – segue uma linha bem diferente da anterior, argumentando que o líder não nasce, mas se torna líder a partir do treinamento, desenvolvimento e aprendizado e dos comportamentos que apresenta. Teoria dos Estilos de Decisão – reconhece três modelos de liderança distintos: autocrático, democrático e liberal. O primeiro centraliza todas as decisões em si; o segundo inclui, em parte, os colaboradores no seu processo decisório e, o terceiro deixa que eles mesmos, por si só, decidam quais são as melhores soluções e caminhos para a empresa. Teoria da Atribuição – aqui a liderança não é escolhida pela empresa ou por terceiros, mas pelo grupo que por ela será liderado. É considerada uma forma altamente democrática de escolher uma gestão, pois permite que as pessoas se manifestem diretamente sobre quem elas gostariam que fosse a pessoa a conduzi-las. Teoria do Carisma – como nome mesmo sugere, aqui não importa se o líder já nasceu líder ou se se formou líder, mas que ele tenha muito carisma para cativar e influenciar as pessoas ao seu redor. A liderança carismática deve gerar empatia, conexão, vínculo e, por meio desta ligação, fazer com que as pessoas queiram, espontaneamente, caminhar ao seu lado, defender suas ideias e fazer o que ela diz. Ver mais em: https://www.ibccoaching.com.br/portal/lideranca-e-motivacao/quais-tipos-lideranca/ https://www.ibccoaching.com.br/portal/lideranca-e-motivacao/quais-tipos-lideranca/ 75 CAPÍTULO 10 - ESTRESSE E EMOÇÃO Introdução No Capítulo anterior tivemos acesso aos conceitos de motivação, liderança e ampliamos as discussões sobre as necessidades humanas. Este capítulo tratará de questões muito próximas ao que já foi discutido, falaremos de estresse e emoção. Temas instigantes porque é sem sombra de dúvidas um dos assuntos mais debatidos na academia. 10.1 Estresse (stress)7 “Qualquer um pode zangar-se isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa não é fácil.” Aristóteles 7Fonte da imagem: https://www.google.com.br/imghp?hl=pt-PT No término deste capítulo, você deverá saber: CONCEITO E ORIGENS DO ESTRESSE EMOÇÃO INTELIGÊNCIA EMOCIONAL Reflexão Você conhece alguém que precisou se ausentar do trabalho por demandas emocionais ou estressantes? Os noticiários atualizam estes dados com frequência e acabamos observando isso no nosso dia a dia. Alguns acreditam que não se tem motivos para tantos afastamentos, outros compreendem que precisamos dialogar sobre o assunto, que preocupa e gera grandes reflexões, principalmente no âmbito da Psicologia Organizacional e do Trabalho. https://www.google.com.br/imghp?hl=pt-PT 76 A imagem acima ilustra nosso tema, nossa preocupação enquanto a frase de Aristóteles é simplesmente cirúrgica. Diante do exposto, daremos início a uma grande reflexão sobre o estresse, principalmente no ambiente de trabalho. O que significa estar estressado? O que é estresse? Quais as origens? Como tratar? Essas questões iniciais norteiam nossa discussão sobre este que é um dos termos mais discutidos na atualidade. Considerado o “mal da civilização moderna.” No decorrer deste capítulo o/a leitor/a terá acesso a várias considerações sobre o estresse e especificamente estresse ocupacional, no ambiente de trabalho. O estresse é um conceito aceito por cientistas de vários campos, segundo Oxford English Dictionary8, o termo deriva do latim. Foi socializado no século XVII significa cansaço, fadiga. Naquele período o estresse representava também "aperto”, por muitos anos foi usado “stress”, é um termo inglês, termo também sequestrado da Biologia e Física, sendo visto como um substantivo masculino, um conjunto de reações da pessoa que provocam desequilíbrio e esgotamento emocional ou físico. Muitos autores que podem nos auxiliar neste diálogo sobre o estresse, um tema necessário para qualquer projeto político pedagógico de ensino. O estresse pode ser entendido como um estado gerado pela percepção de estímulos que provocam excitação emocional e, ao perturbarem a homeostasia (equilíbrio), é uma reação com componentes psicológicos, físicos, mentais e hormonais que ocorre quando surge a necessidade de uma adaptação. O pesquisador húngaro Hans Selye quem realizou um dos primeiros estudos sobre estresse no ano de 1936. Na ocasião ele submeteu animais a estímulos estressores, ele descreveu os sintomas do estresse como a Síndrome Geral de Adaptação, ele aloca em três fases sucessivas: alerta, resistência e exaustão. Existem várias palavras que podemos usar para sinonimizar o termo estresse, bem como "pressão", "tensão", “exaustão”, “dor” ou "insistência". Define-se como anexo de reações fisiológicas necessárias para a adaptação das pessoas a situações inéditas. Alguns chamam de doença, outros compreendem como transtorno9. O estresse é pode ocasionar incapacidade para o trabalho, gerando complicações financeiras, perda de renda, além do risco de suicídio. De acordo com uma pesquisa realizada em 2013 pela Organização Mundial da Saúde (OMS)10, o estresse atinge 90% da população mundial. No Brasil 70% da população sofre desse mal, sendo que 30% em altos níveis. 8 http://www.oed.com/ 9 O termo transtorno, dizem respeito a alterações no estado normal de saúde, causando incômodo no acometido. Utilizado amplamente em psicologia e psiquiatria. Doença é mais amplo, como ausência de saúde,alteração de órgão, causada por vírus ou bactéria. 10 https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5087:estresse-no-ambiente-de-trabalho- cobra-preco-alto-de-individuos-empregadores-e-sociedade&Itemid=839 http://www.oed.com/ https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5087%3Aestresse-no-ambiente-de-trabalho-cobra-preco-alto-de-individuos-empregadores-e-sociedade&Itemid=839 https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5087%3Aestresse-no-ambiente-de-trabalho-cobra-preco-alto-de-individuos-empregadores-e-sociedade&Itemid=839 77 De acordo com o ISMA Brasil - ISMA-BR: Prevenção e tratamento de stress11, o estresse é o terceiro motivo que mais provoca afastamento do trabalho por mais de 15 dias atualmente. Segundo a Previdência Social do Brasil, no ranking de doenças que mais afastam os trabalhadores das atividades, o problema só perde para traumas provocados por acidentes e pelas doenças por esforço repetitivo. O impacto do estresse no trabalho é um dos assuntos mais debatidos pela Organização Pan-Americana de Saúde/Organização Mundial de Saúde (OPAS/OMS), Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Organização dos Estados Americanos (OEA). Origens do estresse e a importância da Psicologia Sobre as origens do estresse, qualquer ajuste importante provoca estresse, mudanças na rotina e nas adaptações individualizadas causam estresse (fim de namoro, mudança de endereço, emprego), pequenos incômodos da vida: aborrecimentos do dia a dia, tensão, relação familiar, ciúmes, ausência de progresso no emprego, solidão, falta de significado e compromissos. Nota-se que o assunto é extenso. Neste contexto, tanto na empresa ou indústria, as relações de trabalho e o processo produtivo vão alocando a Psicologia para fortalecer a equipe de trabalho de gestão. Assim, a promoção da saúde é seu objetivo maior, Psicólogos tem a amarga missão de contribuir para a prevenção, devolutivas e intervenção do estresse. A Psicologia Organizacional e do Trabalho, procura em ações coletivas oferecer instrumentos psicológicos que possam diminuir o estresse e as consequências psíquicas do trabalho, focando na saúde do trabalhador, nas técnicas de seleção, treinamento, avaliação de desempenho. Vimos que o estresse muda nosso estado, é composto por sensações de irritação, medo, desconforto, preocupação, frustração, indignação, nervoso, muitas vezes, a causa para o estresse é desconhecida. 10.2 O estresse na Associação Americana de Psicologia e na Classificação Internacional de Doenças (CID-10) Além do estresse no dia a dia, das relações escolares, familiares, o estresse ocupacional tem preocupado a sociedade. O estresse ocupacional pode ser definido como estado de alteração do equilíbrio no ambiente de trabalho associado à divisão de tarefas e instabilidade técnica e ocupacional. A Associação Americana de Psicologia12 ressalta que há três tipos de estresse: o agudo, agudo episódico ou crônico, é apontado neste contexto os fatores psicossomáticos, tais como dor de cabeça, dor nas costas, dores musculares em geral, azia, flatulência, 11 http://www.ismabrasil.com.br/ 12 https://www.apa.org/ http://www.ismabrasil.com.br/ https://www.apa.org/ 78 diarreia, palpitações cardíacas, hipertensão e sudorese. Além do Transtorno do Estresse Pós-traumático. Na Classificação Internacional de Doenças (CID-10) é classificado e encontrado entre F-43 até F-43. 9. Surgem sofrimentos, instabilidade emocional, altera o funcionamento e o desempenho sociais, ele afeta a integridade, pode agravar quando surgem luto, experiências de separação etc.: CID 10 - F43 "Reações ao ""stress"" grave e transtornos de adaptação" CID 10 - F43.0 "Reação aguda ao ""stress""" CID 10 - F43.1 "Estado de ""stress"" pós-traumático" CID 10 - F43.2 Transtornos de adaptação CID 10 - F43.8 "Outras reações ao ""stress"" grave" CID 10 - F43.9 "Reação não especificada a um ""stress"" grave" De modo geral, o estresse diz respeito às respostas amplas e generalizadas do corpo a várias situações ambientais, físicas e sociais. 10.3 Transtorno Explosivo Intermitente (TEI) e Síndrome de Burnout (SB) O Transtorno Explosivo Intermitente é comum em pessoas que devido à incapacidade de gerenciar emoções, impulsos agressivos, acabam tendo comportamentos agressivos, ataques de fúria, completamente desproporcionais. Você já deve ter visto alguém com esse tipo de reação, celular jogado na parede, televisão jogada no chão, computador atirado pela janela, carro sendo direcionados a poste, tapas no rosto, gritos intermitentes. Tudo isso pode ser um transtorno explosivo, porém, não é como receita, gritou, agrediu está no esgotamento. Existem critérios diagnostico que precisam ser respeitados, além de acompanhamento por profissionais especializados para a identificação. Traduzindo para o senso comum, o TEI pode ser exemplificado como ataques de raiva sem controle, fúria repentina, há um descontrole e irritabilidade, isso tudo pode piorar com agressões verbais e físicas. Um dos pontos de atenção do estresse é quando chegamos ao estágio de desequilíbrio avançado, conhecido como Transtorno Explosivo Intermitente TEI. Na CID-10 corresponde ao código F63.8. O que não podemos confundir é a “raiva” que todas as pessoas sentem em algum momento da vida com o Transtorno Explosivo Intermitente, Quando a agressividade é desproporcional à situação que desencadeou um alerta caracterizada pela falta de controle sobre o impulso agressivo, suor, formigamento e tremores musculares, aumento dos batimentos cardíacos, sentimento de culpa e vergonha após os ataques. Pessoas neste contexto, seja no trabalho ou na vida pessoal, deve procurar tratamento como uso de medicamentos para controlar o humor e com acompanhamento de um/a psicólogo/a especializado na área. A Síndrome de Burnout, conhecida também como síndrome do esgotamento profissional, estresse crônico é provocado por condições de trabalho físicas, emocionais 79 e psicológicas desgastantes. Este é um momento perigosíssimo, aqui excede a capacidade de enfrentamento, a mente pode não suportar, podem então surgir às possíveis doenças psicossomáticas. O sintoma típico da síndrome de Burnout é a sensação de esgotamento físico e emocional que se reflete em atitudes negativas, como ausências no trabalho, agressividade, isolamento, mudanças bruscas de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração, lapsos de memória, ansiedade, depressão, pessimismo, baixa autoestima. Quando chegamos a este ponto é preciso pensar em intervenções em crise, sendo: Intervenção psicoterapêutica que se concentre na crise imediata; a pessoa estressada deve procurar uma pessoa de apoio, de referência ou devemos fazer com que a pessoa compreenda as origens do estresse. 10.4 Emoções A palavra emoção vem da deriva do latim emovere, o e- significa "fora" e movere significa "movimento". São acompanhadas pela estimulação, por uma ativação, ato de deslocar, movimentar, a emoção é definida como uma resposta subjetiva acompanhada por uma mudança fisiológica, estando associada a uma mudança no comportamento. A partir do momento que dou uma resposta subjetiva (própria) a determinado evento aciono outros mecanismos se obtenho uma resposta (lágrima). O corre a liberação de adrenalina, coração acelera...pela ação do sistema nervoso autônomo que é aquele que controla funções como a respiração, circulação do sangue, controle temperatura e digestão. As emoções são impulsos para agir numa espontaneidade, vem do “mover” em latim, mais o prefixo “e -”, para denotar” afastar-se", indicando que uma tendência a agir está implícita em toda emoção. A emoção tem origem numa causa, objeto, reações corporais observáveis, automáticas, expressãoafetiva intensa direcionada a alguém ou objeto, de breve duração e acompanhadas de reação fisiológica como o tremor nas pernas, choro, taquicardia e sudorese. Reação a uma pessoa ou evento. Relacionadas a alterações fisiológicas e corporais, Conjunto de respostas químicas e neurais baseadas nas memórias emocionais, e surgem quando o cérebro recebe um estímulo externo. É automática, não tem controle. As emoções e os afetos cumprem ao menos quatro funções, sobrevivência da espécie; construção histórica; aprendizagem e ajustamento social; expressão da subjetividade e da individualidade. As emoções dão uma tonalidade especial à existência humana e exercem um papel importante na sobrevivência da espécie, na construção histórica, no ajustamento social e no desenvolvimento da pessoa. Contribuem para identificar o perigo, a expressar e informar estados internos a comunicar os impactos. Isso significa que é preciso chorar, rir, sentir, ter medo etc. Imagine uma cobra, um veículo em alta velocidade, um leão ou outro animal perigoso, se você estiver perto, é comum que sinta medo, é disso que estamos falando. 80 De que forma as emoções estão no ambiente de trabalho? De várias formas, ha pessoa que chegam sorrindo, em silêncio, estressada, insegura, aversão etc. Existe mais de 27 emoções, o importante não são decorar todas elas, o que é necessário é a compreensão de nossos impulsos. Vivemos num período de insatisfação, intolerância e imediatismo. Fazer autoanálise é uma das alternativas para a melhoria da qualidade de vida, quando conseguimos conversar com nossos comportamentos, conseguiremos conversar com as pessoas. Diante dessas reflexões, nota-se que muitas pessoas precisam de ajuda para lidar com relações sociais, o surgimento da empatia torna-se indispensável, quando imaginamos minimamente como a pessoa vai se sentir, conseguimos enxergar a intensidade de nossos impulsos. Neste momento que surge um dos assuntos discutidos por Daniel Goleman que é a inteligência emocional? Como você se comporta depois de uma breve discussão com seu coordenador na empresa? Você costuma pensar no que posta nas redes sociais? Você navega na internet mais pela emoção ou pela razão? Essas e outras perguntas surgem para finalizarmos este capítulo. Estamos numa era de motricidade, transformação e adaptações no mundo do trabalho, eis que devemos estar preparados para essas demandas, daí a importância da Inteligência emocional e do gerenciamento das emoções de acordo com a imagem acima, este gerenciamento começa pela análise dos próprios sentimentos, sensação e percepção. Muitas pessoas que vão trabalhar com atendimento ao público precisam pensar na possibilidade de Psicoterapia. Como tratar os outros se nós precisamos de tratamento? Conclui-se que a emoção está presente nas nossas decisões, muitas vezes deixamos de fazer algo como academia, por exemplo, porque a emoção é mais predominante, sabemos que precisamos manter a saúde, porque não vamos malhar? Inteligência emocional surge exatamente para isso, e assim, a pessoa emocionalmente inteligente é aquela que consegue perceber e gerenciar suas emoções com mais facilidade. Resumindo Neste capítulo tivemos como objetivo a compreensão dos conceitos de estresse, origens do estresse, síndrome do esgotamento profissional, questões psicossomáticas que interferem na qualidade de vida das pessoas. Também tivemos acesso ao conceito de emoção, tipos de emoções e por fim, refletimos sobre a necessidade do gerenciamento de emoções no trabalho. 81 Lembre-se No enfrentamento do estresse a pessoa precisa despertar a consciência de que precisa de ajuda, encontrar nos estímulos para finalizar com a motivação, se aproximar de amigos e se afastar de colegas, relaxar (sair da rotina, viajar, praticar esportes, dança, etc.), procurar apoio psicológico e saber que somos livres e não somos soberanos. (não estamos sozinhos no mundo). Investigue Como as equipes de trabalho lidam com as emoções na atualidade. Tome nota O estresse pode ocasionar incapacidade para o trabalho, gerando complicações financeiras, perda de renda, além do risco de suicídio. De acordo com uma pesquisa realizada em 2013 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o estresse atinge 90% da população mundial. No Brasil 70% da população sofre desse mal, sendo que 30% em altos níveis. Façamos juntos Sobre emoções e sentimentos no ambiente de trabalho, aponte a alternativa correta: a) As emoções têm origem numa causa, objeto, reações corporais observáveis, automáticas, expressão afetiva intensa direcionada a alguém ou objeto, de breve duração e acompanhadas de reação fisiológica como o tremor nas pernas, choro, taquicardia e sudorese. Reação a uma pessoa ou evento. b) As emoções não estão relacionadas a alterações fisiológicas e corporais. c) Os sentimentos não se caracterizam por interpretações subjetivas de cada situação. d) Os sentimentos não são observáveis, estados afetivos menos intensos e mais duráveis do que as emoções, surgem quando tomamos conhecimento de nossas emoções (sentimos), não necessitam de um estímulo contextual para se manifestar (morte de alguém), às vezes pode ser endógeno. O sentimento, por sua vez, é uma resposta à emoção e diz respeito a como a pessoa se sente diante daquela emoção. e) As alternativas A e D estão corretas. Resposta: E 82 Reflita Gerenciar as emoções e conhecer os próprios impulsos. Faça você mesmo Defina emoção e mostre as possíveis intervenções no contexto do estresse no trabalho. Bibliografia: BOCK, Ana Maria Bahia. Psicologias: uma Introdução ao estudo da psicologia. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. BERGAMINI, Cecília Whitaker. Psicologia Aplicada à Administração de Empresas. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2010. LEÃO, Lourdes Meireles; CORREIA, Mônica. Psicologia cognitiva: construção de significados em diferentes contextos. Campinas: Alínea, 2008. ZANELLI, J., ANDRADE, J., BASOS, A. Psicologia, Organizações e Trabalho. Porto Alegre: Artmed, 2004. 83 Saiba mais TUDO O QUE VOCÊ DESEJA É O QUE VOCÊ PRECISA? Certa vez um escoteiro estava descansando depois de um dia de muita caminhada, ele não estava dormindo, apenas fechou os olhos para poder relaxar. Depois de mais ou menos 20 minutos ele abriu os olhos e viu a sombra de um leão vindo à sua direção. Foi o momento em que ele prostrou os joelhos e disse: “Deus, entrego a minha vida em suas mãos e peço que este leão seja cristão.” O Leão se aproximou, olhou com expressão de faminto e pensou: “Deus, obrigado pela refeição.” O escoteiro foi devorado. Esta parábola que rola pelas redes sociais mostra exatamente aquilo que discutimos neste capítulo, gerenciamento, desejos, impulsos etc. Será que as pessoas são as responsáveis pelas nossas ações? Será que estamos gerenciando nossa vida de uma forma que tenhamos paz, amor e descanso psicológico? Se estamos estressados, será que estamos procurando alternativas de melhoria. Falo isso porque muitas vezes não fazemos a nossa parte, tudo bem que têm empresas que não valorizam suas equipes, as emoções estão à flor da pele, estresse, esgotamento, síndromes, mas, o que podemos fazer para melhorar nossa vida? São essas e outras perguntas que devemos fazer a nós todos os dias antes de tomarmos decisões. Começamos este capítulo com uma frase do filósofo Aristóteles e vamos encerrar com ela: “Qualquer um pode zangar-se isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa não é fácil.” Aristóteles Como estamos agindo? No balde das emoções ou na racionalidade? 84 CAPÍTULO 11 - QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO Introdução Você considera o seu ambiente de trabalho harmonioso ou penoso?A resposta para esta questão está ligada à qualidade de vida no local onde você exerce suas atividades profissionais. Este é o tema da vez, vamos a partir deste momento provocar um espaço de reflexões sobre as questões que cercam o ambiente de trabalho, até que ponto o trabalho deixa de ser um núcleo de prazer e se torna um pesadelo. 11.1 Qualidade de vida no trabalho Pudemos acompanhar ao longo desses 10 capítulos as contribuições da Psicologia para sociedade, passamos pela Psicologia ciência e profissão, nós conhecemos algumas abordagens, áreas, temas dentre outros. A Psicologia atua neste campo interdisciplinar com objetivo de preservar a qualidade de vida das pessoas, buscando oferecer estratégias, técnicas e métodos que levam as pessoas a terem saúde psíquica, independentemente de qualquer circunstância. No catálogo brasileiro de ocupações do Ministério do Trabalho, a Psicologia é encontrada no item 0-74, caracteriza-se pelo estudo da estrutura psíquica e os mecanismos de comportamento dos seres humanos. No campo organizacional, tem QUALIDADE DE VIDA QUE INTERFEREM NA CONTEMPORÂNEAS QUESTÕES QUALIDADE DE VIDA QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO No término deste capítulo, você deverá saber: Reflexão O objetivo é levar você a uma reflexão sobre como anda a qualidade de vida no trabalho, sabemos que as pessoas passam grande parte da vida no trabalho, média de 44 horas semanais, totalizando mais de 170 horas por mês presos numa sala, numa lavoura, num veículo, sem contar aqueles que passam datas comemorativas tendo que obedecer a cláusulas contratuais no trabalho, aniversário, natal, dia das mães, Réveillon etc. Como desenvolver ações que promovam qualidade de vida no trabalho? A partir dessas considerações, iniciamos mais um capítulo de estudo. 85 várias funções, dentre elas podemos destacar os processos de recrutamento, seleção, orientação profissional e outros similares, que vimos em capítulos anteriores, deste modo, procura elaborar e aplicar métodos e técnicas de pesquisa das características psicológicas dos indivíduos sempre visando à qualidade de vida no trabalho. Dentre tantas possibilidades de ação, destaco que uma das principais atribuições do/a Psicólogo/a nas organizações está relacionada a políticas de prevenção e qualidade de vida das pessoas. No catálogo de ocupações, está claro que o/a profissional da Psicologia pode realizar pesquisas e ações no campo das relações capital/ trabalho, bem como de assuntos relacionados à saúde do trabalhador e condições de trabalho. Baseado nesta perspectiva, vamos fazer algumas considerações sobre a qualidade de vida. O que é qualidade de vida? Como podemos definir e como podemos oferecer ambientes que fortaleçam a qualidade de vida? A qualidade de vida indica o nível das condições básicas e suplementares das pessoas. Que envolvem o bem-estar físico, mental, psicológico e emocional. Tudo isso relacionado à família, amigos e ao trabalho etc. A Organização Mundial da Saúde (OMS) por sua vez elaborou um questionário para investigar o nível da qualidade de vida das pessoas. Através deste instrumento é possível compreender como está o nível das relações físicas, psicológicas, independência, relações sociais, ambiente e aspectos religiosos. Uma das grandes preocupações é quando esta qualidade de vida não existe no ambiente de trabalho, a Qualidade de Vida no Trabalho QVT é compreendida como o grau de satisfação que um/a colaborador/a tem com as funções diárias. As empresas são feitas por pessoas, sendo assim, as pessoas precisam estar bem naquele espaço, precisam estar felizes, engajadas, prontas para colocar com seus talentos profissionais à disposição da gestão. Este tema é muito debatido nos cursos de Administração, Gestão de Recursos Humanos, Logística, Processos Gerenciais e Psicologia. Muitos autores se propuseram a discutir o assunto, dentre eles podemos citar Aquino (1979), Minicucci (1995), Chanlat (1996), Lucena (1999), Maximiano (2000), Gil (2001), Bock (2002), Mascarenhas (2008), Bergamini (2008), Rodrigues (2008), Chiavenato (2009), Marras (2009) dentre outros. Ambos tratam de questões gerais que englobam as relações humanas e em vários momentos ressaltam a necessidade de se pensar no ser humano presente nas organizações. Deste modo, o tema “Qualidade de vida no trabalho” ganhando cada vez mais espaço nas empresas, pois, as condições adequadas para realização de um trabalho estão fortemente ligadas à produtividade e crescimento dos grupos. O lado obscuro para os empresários está nas duas posições antagônicas: a reivindicação dos/as colaboradores quanto ao bem-estar e satisfação e os reais interesses das organizações. Toda essa dinâmica está relacionada a um termo muito ignorado por muitas gestões, a satisfação do/a colaborador/a. O termo satisfação é algo presente no campo da 86 Psicologia, passa pela Psicologia da aprendizagem e desenvolvimento humano e estaciona nos atendimentos de adultos que procuram pela Psicologia. A insatisfação que aflora de frustrações concretas, não é outra coisa do que uma carga de trabalho psíquica. Esta carga não é idêntica à carga de trabalho física ou psicossensomotora. Os efeitos desta carga é o sofrimento, que fica registrado na mente e ocasiona desordem no corpo. O trabalho repetitivo, cujas consequências não se limitam a um desgosto particular, é de certa forma uma porta de entrada para a doença, e uma encruzilhada que se abre para as descompensações mentais ou doenças somáticas, em virtude de regras que foram, em grande parte, elucidadas (...) contra as angústias do trabalho, assim, como contra a insatisfação, os indivíduos elaboram estratégias defensivas. O trabalho requer a convivência, obediência a regras e políticas organizacionais, o alcance de padrões de desempenho e tudo isso passa pelos canais de responsabilidades das pessoas que precisam se adaptar a esta demanda, assim a insatisfação com o trabalho surge como resultado de um complexo somatório de diferentes elementos que precisam ser estudados pela Psicologia Organizacional e do Trabalho, Gestão e colaboradores. Diante desta nova realidade, muitas empresas vêm se instrumentalizando e dando atenção especial na questão da elevação da satisfação de seus colaboradores. Os problemas mais enraizados em relação à pessoa e na organização é a perda da satisfação intrínseca do trabalho. Aos poucos as pessoas vão perdendo a libido e deste modo acabam por perder o desejo de acordar para irem ao trabalho, esta insatisfação se agrava quando além de estrutura organizacional de gestão, surgem outras variáveis, tais como problemas de comunicação, relações de poder entre equipes e falta de treinamentos. Poderíamos levar essa discussão para vários campos da Psicologia, aqui caberiam às contribuições dos estudos do aparelho psíquico freudiano ID, EGO e SUPEREGO, momentos de decisões internas, a pessoa deve optar por faltar ao trabalho ou teme pela demissão? Poderíamos pensar na ausência de reforço positivo do behaviorismo ou das políticas de recompensas inexistentes. Sem contar que podemos alocar nesta discussão as subjetividades que passeiam pelas organizações, são humanos e humanos querem ser tratados como humanos e que precisam de qualidade de vida. Assim evitam-se doenças psicossomáticas e melhora a vida útil das organizações. Resumindo Neste capítulo tivemos como objetivo a ampliação das discussões sobre a qualidade de vida, bem-estar biopsicossocial no trabalho. Para isso, procuramos refletir sobre a visão da empresa e os desejos das equipes, sempre focando na satisfação, políticas de qualidade de vida e saúde do/a trabalhador/a. 87 Tome nota O estresse pode ocasionar incapacidade para o trabalho, gerando complicações financeiras, perdade renda, além do risco de suicídio. De acordo com uma pesquisa realizada em 2013 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) , o estresse atinge 90% da população mundial. No Brasil 70% da população sofre desse mal, sendo que 30% em altos níveis. Investigue Este tema é muito debatido nos cursos de Administração, Gestão de Recursos Humanos, Logística, Processos Gerenciais e Psicologia. Muitos autores se propuseram a discutir o assunto, dentre eles podemos citar Aquino (1979), Minicucci (1995), Chanlat (1996), Lucena (1999), Maximiano (2000), Gil (2001), Bock (2002), Mascarenhas (2008), Bergamini (2008), Rodrigues (2008), Chiavenato (2009), Marras (2009) dentre outros. Ambos tratam de questões gerais que englobam as relações humanas e em vários momentos ressaltam a necessidade de se pensar no ser humano presente nas organizações. Lembre-se A Qualidade de Vida no Trabalho QVT é compreendida como o grau de satisfação que um/a colaborador/a tem com as funções diárias. As empresas são feitas por pessoas, sendo assim, as pessoas precisam estar bem naquele espaço, precisam estar felizes, engajadas, prontas para colocar com seus talentos profissionais à disposição da gestão. Reflita A satisfação dos colaboradores passa pelas condições de trabalho que são oferecidas, essas condições são primordiais para prevenção de afastamentos e prejuízos financeiros a organização. 88 Façamos juntos (FUMARC – Técnico de Nível Superior-2014). Sobre Qualidade de Vida no Trabalho (QVT), é CORRETO afirmar: a) A QVT é uma filosofia e um método de trabalho voltado para a adaptação dos indivíduos em seus ambientes laborais. b) A QVT é uma filosofia que foi evoluindo ao longo do tempo e estuda desde a mera condição de sobrevivência até a condição de realização dos indivíduos no trabalho. c) A QVT pode ser vista como filosofia e método para uma melhor satisfação do indivíduo no trabalho e melhores resultados para os objetivos organizacionais. d) A QVT relaciona-se à influência dos fatores econômicos e sociais na produtividade organizacional. e) Todas as alternativas estão corretas. Resposta: B Faça você mesmo Investigue quais as possíveis doenças psicossomáticas que surgem em decorrência da ausência de qualidade de vida no trabalho. Bibliografia: BOCK, Ana Maria Bahia. Psicologias: uma Introdução ao estudo da psicologia. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. BERGAMINI, Cecília Whitaker. Psicologia Aplicada à Administração de Empresas. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2010. LEÃO, Lourdes Meireles; CORREIA, Mônica. Psicologia cognitiva: construção de significados em diferentes contextos. Campinas: Alínea, 2008. ZANELLI, J., ANDRADE, J., BASOS, A. Psicologia, Organizações e Trabalho. Porto Alegre: Artmed, 2004. 89 Saiba mais A PSICOLOGIA E AS ORGANIZAÇÕES Com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre a Psicologia neste universo organizacional, neste saiba mais, você terá na íntegra as recomendações de atribuições de Psicólogos/as conforme o CBO - CATÁLAGO BRASILEIRO DE OCUPAÇÕES DO MINISTÉRIO DO TRABALHO. 0-74.10: Psicólogo, em geral procede ao estudo e à análise dos processos intra e interpessoais e nos mecanismos do comportamento humano. Na Psicologia Organizacional e do Trabalho exerce atividades, como recrutamento, seleção orientação, aconselhamento e treinamento profissional, realizando a identificação e análise de funções, tarefas e operações típicas das ocupações, organizando e aplicando testes e provas, realizando entrevistas, sondagem de aptidões e de capacidade profissional e no acompanhamento e avaliação de desempenho de pessoal, para assegurar às empresas ou onde quer que se deem as relações laborais a aquisição de pessoal dotado das habilidades necessárias, e ao indivíduo maior satisfação no trabalho. Desenvolve e analisa, diagnostica e orienta casos na área da saúde observando níveis de prevenção e reabilitação, participando de programas e/ou atividades na área da saúde e segurança de trabalho, subsidiando-os quanto a aspectos psicossociais para proporcionar melhores condições ao trabalhador; atua como consultor interno/externo, participando do desenvolvimento das organizações sociais, para facilitar processos de grupo e de intervenção psicossocial nos diferentes níveis hierárquicos de estruturas formais; planeja e desenvolve ações destinadas a otimizar as relações de trabalho, o sentido de maior produtividade e da realização pessoal dos indivíduos e grupos , intervindo nos conflitos e estimulando a criatividade, para buscar melhor qualidade de vida no trabalho; participa do processo de desligamento de funcionário, colaborando nos processos de demissões e no preparo para aposentadorias, a fim de ajudar a elaboração de novos projetos de vida. Ver mais em: https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2008/08/atr_prof_psicologo_cbo.pdf https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2008/08/atr_prof_psicologo_cbo.pdf 90 CAPÍTULO 12 - GESTÃO ESTRATÉGICA DE GESTÃO DE PESSOAS E PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL NA ATUALIDADE Introdução Antes de adentramos nas discussões é preciso relembrar os temas que estudamos ao longo do curso, passamos pela: Psicologia, ciência e profissão. As contribuições da Psicanálise e Behaviorismo para as organizações e sociedade. Inteligência, memória e percepção. Psicologia Social das Organizações. O mundo do trabalho e emprego. O Movimento industrial, a Administração e a Psicologia nas Organizações. Comportamento e valores nas organizações. Recrutamento e seleção. Motivação e Liderança. Estresse e emoção. Política e qualidade de vida no trabalho até chegarmos ao décimo segundo e último capítulo, Gestão estratégica de pessoas e Psicologia na atualidade. Fomos mesclando, discutindo, refletindo, resolvendo situações-problemas e agora começa uma maratona para compreendermos os desafios da gestão alinhada à Psicologia no contexto das organizações. 12.1 A Psicologia e a gestão de pessoas Antes de iniciar o diálogo, é importante lembrar que a psicologia na área de gestão contribui para o melhor entendimento e desenvolvimento das relações de trabalho. Considerando que os fatores estruturais e socioculturais afetam as pessoas e a No término deste capítulo, você deverá saber: GESTÃO ESTRATÉGICA DE PESSOAS E PSICOLOGIA AS INTERVENÇÕES DOS/AS PSICÓLOGOS NO CONTEXTO DE GESTÃO Reflexão Ao longo desses onze capítulos pudemos refletir sobre subjetividade, relações humanas, abordagens, inteligência, percepção de mundo, expectativas de relações sociais, sentidos e significados no mundo do trabalho, questões comportamentais, valores, processos de recrutamento e seleção de pessoas para as organizações, estimulação, motivação e tipos de lideranças, origens do estresse e inteligência emocional, qualidade de vida no dia a dia. Agora vamos propor uma reflexão: Como esses temas se intercalam e contribuem para a melhoria gestão de pessoas? Como a gestão estratégica de pessoas pode ajudar a melhorar a qualidade de vida das pessoas nas organizações. Deixo essas perguntas para que reflita e ajuda na condução desse estudo. 91 coletividade, a Psicologia se torna uma parceira à disposição do/a gestor/a como apoio na intensiva busca de aumento da eficiência dos processos relacionais e da melhoria da Qualidade de Vida. Compreendemos que a uma organização de trabalho é uma experiência coletiva, em que os atos intersubjetivos são configurados a partir de objetivos instituídos pela cultura organizacional. Assim, a integralidade Psicologia e Gestão de pessoas torna-se um instrumento poderosíssimo no processo de melhoria das relações institucionais. Como já discutido, a Psicologia neste contexto procura estudar os fenômenos e processos organizacionais e do trabalho, a partirde seus aspectos históricos, sociais e psicológicos, na perspectiva das pessoas, dos grupos e das organizações. Assim, visa à oferta de subsídios para a promoção da saúde e atendimento das necessidades do trabalhador e da organização, disponibilidade de instrumentais aos participantes que possam contribuir no melhor gerenciamento do fator humano e por fim, desenvolver nas equipes atividades que fortaleçam as habilidades e competências. Feito as considerações iniciais, vamos agora tecer considerações sobre a gestão de pessoas. Desde as últimas décadas tivemos significativas transformações nos contextos produtivos, só ressaltando que isso foi alavancado a priori bem antes, com as revoluções industriais e políticas. Ganhou velocidade com a chegada dos avanços tecnológicos e consequentemente as modificações na estrutura e na cultura organizacional, que por sua vez, provocam mudanças nas organizações de trabalho. Essa tendência a se considerar, cada vez mais, a importância do aspecto humano para o bom desempenho das organizações obriga a adoção de modelos de gestão compatível com o conjunto de transformações em curso. 12.2 A intervenção de psicólogos/as no contexto de gestão Importante ressaltar que a expressão gestão de pessoas surgiu no final do século XX, em substituição ao termo administração de recursos humanos, considerado restritivo por referir-se às pessoas como recursos, pareado àqueles. Assim, a gestão de pessoas, vem sendo observada como uma função gerencial, focalizando a cooperação das pessoas para o alcance dos objetivos organizacionais e individuais. Ao pensarmos no âmbito da contemporaneidade, o desempenho das pessoas no trabalho depende da forma como são valorizadas pelos seus gestores que priorizam a qualidade de vida nas relações, os conhecimentos, habilidades, inteligência, emoções e a subjetividade. Interessante registrar que para compreender esta satisfação e a motivação no trabalho, sob a ótica de gestão, faz-se necessário conhecer o que é valorizado pelas pessoas integrantes das organizações. Entretanto, os fatores das ordens, sobretudo econômicas, a concorrência entre as empresas tem originado dificuldades relativas à preservação dos fatores biopsicossocial do/a trabalhador/a. Isso resulta em prejuízos ao resultado esperado pela empresa. Vale ressaltar que as formas de organização de gestão que priorizam a competitividade entre equipes, podem ser forte geradoras de conflitos. Neste ponto surge uma indagação: 92 estampar a foto do funcionário do mês contribui para o progresso da empresa, mas contribui para a melhoria das relações humanas na empresa? Se por um lado reforça positivamente o melhor vendedor, por outro, provoca desconforto nos demais. A intervenção de psicólogos/as em contextos organizacionais, tem atendido demandas clássicas referentes aos processos de gestão de pessoas, na maioria das vezes circunscritas ao denominado tripé recrutamento- seleção-treinamento. Nos últimos anos, outras práticas foram incorporadas a essa atuação, como a qualidade de vida, saúde e bem-estar no trabalho, expressando uma perspectiva estratégica de atuação, ou seja, alinhada às políticas e práticas organizacionais. Assim, o/a Psicólogo neste desafio da gestão de pessoas na atualidade precisa explorar, analisar, compreender como ocorre o interacionismo das múltiplas dimensões que caracterizam a vida das pessoas, dos grupos e das organizações, a partir desta reflexão, pensa-se em estratégias e procedimentos que possam promover preservar e restabelecer a qualidade de vida e o bem-estar das pessoas. A construção de estratégias de gestão na atualidade passa pelo crivo do planejamento de procedimentos de intervenção com lente virada para a promoção, à preservação e ao restabelecimento da qualidade de vida e do bem-estar das pessoas em ambientes e/ou relações laborais. A intervenção em nível contextual começa pela renovação de práticas consolidadas, e ampliação do escopo de intervenção nos campos da Psicologia Organizacional, Psicologia do Trabalho e Gestão de Pessoas. Deste modo, baseado nas perspectivas da gestão estratégica de pessoas e Psicologia, conclui-se que: As organizações vêm reconhecendo, cada vez mais, a importância das pessoas para que seus objetivos sejam alcançados. Muitas têm (re)pensado na forma de lidar com pessoas nos contextos organizacionais. A expressão administração de recursos humanos foi substituída por gestão de pessoas e deve permanecer, porque pessoas não são recursos. Os conceitos de administração e gestão, apesar de serem utilizados como sinônimos apresentam suas especificidades, diferenças. O/a psicólogo/a precisa chegar a este espaço e ter olhar diferenciado sobre os fenômenos comportamentais. Como o trabalho, está intrinsecamente ligado a pessoas e faz parte da vida, a função do/a psicólogo/a nas organizações de trabalho é, como já anunciado, promovera preservação e o restabelecimento do bem-estar e da qualidade de vida de seus componentes. Para agir nesta perspectiva, o/a psicólogo/a precisa de adoção de uma estratégica de atuação. Concentrando na promoção da saúde no ambiente laboral, a percepção de que o psicólogo organizacional é um profissional que atua exclusivamente corroborando o processo alienação do trabalhador e de adaptação do homem à máquina precisa ser revista. A partir de um modelo de intervenção estratégico, ele passa a ser agente de transformações no universo organizacional, ao estar na equipe de planejamento 93 de políticas e estratégias, procura oferecer consultoria interna às diferentes áreas. Para tanto, é imprescindível que conheça, suas possibilidades de atuação em uma perspectiva estratégica, seja em gestão de pessoas, seja em outras modalidades de práticas. O/a psicólogo/a, precisa se adaptar ao novo contexto de transformações no mundo do trabalho que derivou a adoção de novos modelos organizacionais. O/a psicólogo deve conhecer, em profundidade, a complexa organização de trabalho com seus atores sociais envolvidos. Atuar em uma perspectiva estratégica representa um grande desafio aos psicólogos, uma vez que sua formação acadêmica ainda é incipiente. Acrescente-se que tal modalidade exige a conquista de espaços nesse campo. A este respeito é importante destacar que outros profissionais têm tentado desenvolver atividades nas organizações com foco nessas questões discutidas acima, dentre elas, o Coaching (é proposta de desenvolvimento que ajuda um aprendiz ou cliente a adquirir um objetivo pessoal ou profissional específico por meio de treinamento e orientação). Apesar de ainda não ser regulamentado como profissão, o Coach tem tentado desenvolver atividades neste cenário organizacional, porém, o famoso Coach (professor) enfrenta alguns desafios, seus procedimentos são sempre direcionados no presente e futuro, diferentemente da Psicologia que é indicado para trabalhar transtornos psicológicos ou psiquiátricos, diferentemente do Coaching que não lida com traumas nem problemas passados. Por fim, a Psicologia neste cenário estratégico de gestão de pessoas, procura estabelecer diálogos inter e transdisciplinares, sempre visando o apoio dos gestores na construção de estratégias que favoreçam seu exercício profissional. Muitos estudos sobre gestão de pessoas têm revelado que ela só poderá contribuir para o sucesso da organização se considerar uma estratégia que interaja com a estratégia organizacional, numa visão holística, ou seja, a compreensão integral dos fenômenos. Investigue Como é a gestão de pessoas na atualidade. Resumindo Fizemos uma retrospectiva do que foi trabalhado neste estudo, em seguida discutimos sobre a gestão de pessoas do ponto de vista estratégico e os desafios da atualidade. Lembre-se A expressão administração de recursos humanosfoi substituída por gestão de pessoas e deve permanecer, porque pessoas não são recursos. 94 Tome nota O/a Psicólogo neste desafio da gestão de pessoas na atualidade precisa, explorar, analisar, compreender como ocorre o interacionismo das múltiplas dimensões que caracterizam a vida das pessoas, dos grupos e das organizações, a partir desta reflexão, pensa-se em estratégias e procedimentos que possam promover preservar e restabelecer a qualidade de vida e o bem-estar das pessoas. Façamos juntos (Adaptada – Técnico Administrativo, CESGRANRIO – 2008). Estudos atuais a respeito da Gestão de pessoas revelam que ela só poderá contribuir para o sucesso da organização se seguir uma estratégia que interaja com a estratégia organizacional mais ampla. Nesse sentido, e com vistas a responder às necessidades de rápida adaptação às mudanças, exigidas nos dias de hoje, a gestão de pessoas deve atuar de acordo com uma visão: a) técnica. b) funcional. c) holística. d) divisional. e) departamentalizada. Resposta: C Reflita A gestão de pessoas deve estar preparada para lidar com demandas que obedecem a fatores históricos, sociais e culturais. Deve acompanhar os avanços tecnológicos e as demais estratégias de gerenciamento na atualidade. Faça você mesmo O que podemos chamar de visão holística no campo da Gestão estratégica de pessoas? 95 Bibliografia: B BOCK, Ana Maria Bahia. Psicologias: uma Introdução ao estudo da psicologia. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. BERGAMINI, Cecília Whitaker. Psicologia Aplicada à Administração de Empresas. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2010. LEÃO, Lourdes Meireles; CORREIA, Mônica. Psicologia cognitiva: construção de significados em diferentes contextos. Campinas: Alínea, 2008. ZANELLI, J., ANDRADE, J., BASOS, A. Psicologia, Organizações e Trabalho. Porto Alegre: Artmed, 2004. 96 Saiba mais O DESAFIO DO/A PSICÓLOGO/A ORGANIZACIONAL E DO TRABALHO A Psicologia Organizacional e do Trabalho durante muito tempo preocupava-se com os colaboradores (“trabalhadores”) com foco na gestão pessoal, considerando que devemos compreender o fenômeno na sua totalidade englobando suas dimensões históricas, sociais, culturais, políticas, econômicas, familiares, emocionais. Conforme já mencionado, atuam no Recrutamento e Seleção de Pessoal, Treinamento, Desenvolvimento e Capacitação de Recursos Humanos, Avaliação de Treinamento, Avaliação de Desempenho, Análise de Cargos e Tarefas, Diagnóstico Socioambiental, Diagnóstico da Saúde Mental no Trabalho, Orientação Profissional e Diversidade Cultural nas Organizações. Seria ingenuidade acreditar que o/a Psicólogo/a no cenário de competitividade, abastecido pelas grandes transformações tecnológicas, industriais e políticas, permanecesse com olhar linear no que se refere ao movimento organizacional. A cada dia que passa, este profissional precisa entrar nesta onda híbrida de relações organizacionais, desde a formação até atuação, pois, a partir dessa visão holística é possível compreender que os/as colaboradores/as das organizações chegam ao ambiente de trabalho com demandas, necessidades e as organizações precisam pensar em estratégias para não deixar que essas questões interfiram na saúde e qualidade de vida de todos. A Psicologia deve se preocupar com essas multidimensionalidades das relações humanas, ao acompanhar os movimentos organizacionais acelerados, procura aprimorar seus métodos e técnicas para melhor oferecer um espaço coletivo, integrado, interdisciplinar, visando o desenvolvimento de habilidades, competências e desejo de melhorar as relações humanas que são complexas. 97 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BERGAMINI, Cecília Whitaker. Psicologia Aplicada à Administração de Empresas. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2010. BOCK, Ana Maria Bahia. Psicologias: uma Introdução ao estudo da psicologia. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. BRAGHIROLLI, Elaine Maria. Psicologia Geral. 27ª ed. Porto Alegre: Vozes, 2007. LEÃO, Lourdes Meireles; CORREIA, Mônica. Psicologia cognitiva: construção de significados em diferentes contextos. Campinas: Alínea, 2008. ROBBINS, Stephen P. Comportamento organizacional. 11. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2009. SPECTOR, Paul E. Psicologia nas Organizações. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. STERNBERG, Robert J. Psicologia cognitiva. São Paulo: Cengage Learning, 2016. TOURRETTE, Catherine; GUIDETTI, Michele. Introdução à psicologia do desenvolvimento: do nascimento à adolescência. Petrópolis: Vozes, 2012. ZANELLI, J., ANDRADE, J., BASOS, A. Psicologia, Organizações e Trabalho. Porto Alegre: Artmed, 2004.