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CURSO DE BACHARELADO EM TEOLOGIA - CLARETIANO - Cartas Paulinas

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Diogo Bispo

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CARTAS PAULINAS
CURSO DE BACHARELADO EM TEOLOGIA
Disciplinas:
Cartas Paulinas — Prof. Ms. Mauro Negro
Meu nome é Mauro Negro. Sou padre da Congregação dos Oblatos de São 
José. Fiz o Mestrado em Teologia Bíblica na Pontifícia Faculdade de Teologia 
Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo. Estudei em Roma, na Pontifícia 
Universidade Gregoriana e no Pontifício Instituto Bíblico. Fui assessor de 
Ensino Religioso e Professor no Colégio Padre João Bagozzi, em Curitiba, 
PR (1989–1990). Depois fui, novamente, assessor de Ensino Religioso, 
Coordenador Pedagógico e Vice-Diretor no Colégio São José em Apucarana, PR 
(1991–1993). Fui Pároco na Paróquia São José em Apucarana (1994–1998); 
Vigário Paroquial na Paróquia Santuário Santa Edwiges, São Paulo-SP (1999–
2000) e Vigário Paroquial na Paróquia San Giseppe Aurellio, em Roma, Itália 
(2001–2003). Atualmente, sou formador dos estudantes de Teologia de minha 
Congregação Religiosa, Vigário Paroquial da Paróquia Santuário Santa Edwiges 
e da Paróquia Nossa Senhora de Loreto, em São Paulo-SP. Sou professor de 
Teologia Bíblica, Antigo e Novo Testamento, na Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção 
(PUC–SP). Leciono, também, na Escola Bíblica da Região Episcopal Ipiranga (Arquidiocese de São Paulo) e em 
diversas Escolas Bíblias paroquiais em cidades dos estados de São Paulo e Paraná. Sou, ainda, assessor em 
Escolas Catequéticas dos regionais Sul I e Sul II (CNBB). 
CARTAS PAULINAS
Guia de DisciplinaGuia de Disciplina
Caderno de Referência de ConteúdoCaderno de Referência de Conteúdo
Prof. Ms. Mauro NegroProf. Ms. Mauro Negro
© Ação Educacional Claretiana, 2009 – Batatais (SP)
Trabalho realizado pelo Centro Universitário Claretiano de Batatais (SP)
Curso: Bacharelado em Teologia
Disciplina: Cartas Paulinas
Versão: jul./2010
Reitor: Prof. Dr. Pe. Sérgio Ibanor Piva
Vice-Reitor: Prof. Ms. Pe. Ronaldo Mazula
Pró-Reitor Administrativo: Pe. Luiz Claudemir Botteon
Pró-Reitor de Extensão e Ação Comunitária: Prof. Ms. Pe. Ronaldo Mazula
Pró-Reitor Acadêmico: Prof. Ms. Luís Cláudio de Almeida
Coordenador Geral de EAD: Prof. Artieres Estevão Romeiro 
Coordenador do curso de Bacharelado em Teologia: Prof. Ms. Vitor Pedro Calixto dos Santos
Coordenador de Material Didático Mediacional: J. Alves
Preparação 
Aletéia Patrícia de Figueiredo
Aline de Fátima Guedes
Camila Maria Nardi Matos 
Carolina Nascimento Raymundini
Cátia Aparecida Ribeiro
Dandara Louise Vieira Matavelli
Elaine Aparecida de Lima Moraes
Elaine Cristina de Sousa Goulart
Josiane Marchiori Martins
Lidiane Maria Magalini
Luciana A. Mani Adami
Luciana dos Santos Sançana de Melo
Luis Henrique de Souza
Luiz Fernando Trentin
Patrícia Alves Veronez Montera
Rosemeire Cristina Astolphi Buzzelli
Simone Rodrigues de Oliveira
Revisão 
Felipe Aleixo
Isadora de Castro Penholato
Maiara Andréa Alves
Rodrigo Ferreira Daverni
Vanessa Vergani Machado
Projeto gráfico, diagramação e capa 
Eduardo de Oliveira Azevedo
Joice Cristina Micai 
Lúcia Maria de Sousa Ferrão
Luis Antônio Guimarães Toloi 
Raphael Fantacini de Oliveira
Renato de Oliveira Violin
Tamires Botta Murakami
Wagner Segato dos Santos
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, a transmissão total ou parcial 
por qualquer forma e/ou qualquer meio (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, 
gravação e distribuição na web), ou o arquivamento em qualquer sistema de banco 
de dados sem a permissão por escrito do autor e da Ação Educacional Claretiana.
Centro Universitário Claretiano 
Rua Dom Bosco, 466 - Bairro: Castelo
Batatais SP – CEP 14.300-000
cead@claretiano.edu.br
Fone: (16) 3660-1777 – Fax: (16) 3660-1780 – 0800 941 0006
www.claretiano.edu.br
SUMÁRIO
GUIA DE DISCIPLINA
1 APRESENTAÇÃO ...............................................................................................VII
2 DADOS GERAIS DA DISCIPLINA .........................................................................VII
3 CONSIDERAÇÕES GERAIS..................................................................................VIII
4 BIBLIOGRAFIA BÁSICA ......................................................................................IX
5 BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR ..........................................................................IX
CADERNO DE REFERÊNCIA DE CONTEÚDO
 APRESENTAÇÃO ............................................................................................. 1
INTRODUÇÃO À DISCIPLINA
 AULA PRESENCIAL ......................................................................................... 2
UNIDADE 1 – PAULO: APRESENTAÇÃO - 1 E 2 TESSALONICENSES 
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................4
2 PAULO: PERSONAGEM E APÓSTOLO ...................................................................4
3 PAULO: DE PERSEGUIDOR A APÓSTOLO ..............................................................6
4 AS CARTAS PAULINAS .......................................................................................9
5 TESSALONICENSES ..........................................................................................15
6 TESSALONICENSES ...........................................................................................18
7 CONSIDERAÇÕES ............................................................................................21
8 E – REFERÊNCIAS .............................................................................................21
9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .........................................................................21
UNIDADE 2 – PAULO: APRESENTAÇÃO - 1 E 2 CORÍNTIOS
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................24
2 PAULO: PERSONAGEM E APÓSTOLO ...................................................................24
3 AS CARTAS AOS CORÍNTIOS: 1 CORÍNTIOS .........................................................26
4 AS CARTAS AOS CORÍNTIOS: 2 CORÍNTIOS .........................................................39
5 CONSIDERAÇÕES .............................................................................................45
6 E – REFERÊNCIAS .............................................................................................45
7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................46
UNIDADE 3 – PAULO MISSIONÁRIO: AS VIAGENS - CARTAS AOS FILIPENSES E
AOS GÁLATAS
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................48
2 PAULO MISSIONÁRIO: AS VIAGENS ...................................................................48
3 CARTA DE PAULO AOS FILIPENSES......................................................................55
4 CARTA DE PAULO AOS GÁLATAS .........................................................................60
5 CONSIDERAÇÕES .............................................................................................69
6 E-REFERÊNCIA .................................................................................................69
7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................70
UNIDADE 4 – CARTA AOS ROMANOS
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................72
2 CARTA AOS ROMANOS .....................................................................................72
3 IGREJA DE ROMA ..............................................................................................73
4 COMENTÁRIO À CARTA AOS ROMANOS ...............................................................77
5 CONSIDERAÇÕES .............................................................................................86
6 E-REFERÊNCIAS ...............................................................................................87
7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .........................................................................87UNIDADE 5 – CARTAS AOS COLOSSENSES E AOS EFÉSIOS - O BILHETE A FILÊMON
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................90
2 CARTA AOS COLOSSENSES ................................................................................90
3 CARTA AOS EFÉSIOS ........................................................................................94
4 CARTA (BILHETE) A FILÊMON .............................................................................99
5 CONSIDERAÇÕES ............................................................................................102
6 E-REFERÊNCIAS ...............................................................................................102
7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .........................................................................102
UNIDADE 6 – PAULO E O EVANGELHO NA SOCIEDADE DE SEU TEMPO - AS CARTAS 
PASTORAIS
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................106
2 O EVANGELHO SEGUNDO PAULO ........................................................................106
3 PAULO E O CRISTIANISMO: UMA PROPOSTA DE LIBERDADE EM CRISTO ..................107
4 AS CARTAS PASTORAIS: 1 E 2 TIMÓTEO E TITO ....................................................113
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................121
6 E-REFERÊNCIAS ...............................................................................................121
7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS .........................................................................122
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1 APRESENTAÇÃO
Seja muito bem vindo! Você está no início do estudo da disciplina que enfoca as 
Cartas Paulinas, também chamado “corpus paulinum”. Esta disciplina compõe o curso de 
Bacharelado em Teologia oferecidos na modalidade EAD do Claretiano. 
Paulo é uma figura decisiva no cristianismo das origens. Ele traz consigo grande 
cultura, capacidade de comunicação e exposição, ideias claras, argumentos, experiência 
no mundo judeu e paixão pelo que apresenta e vive. Ele é um apaixonado por Jesus Cristo 
e pelo Evangelho. O conhecimento de sua vida e obras, até onde for possível, é uma fonte 
de impressões e realidades relativas às Igrejas das primeiras décadas do cristianismo, no 
início de sua expansão pelo mundo greco-romano. 
Paulo percebeu que o Evangelho, as notícias e os ensinamentos sobre Jesus 
não podiam ficar limitados ao mundo judaico. Se é certo que Jesus veio para cumprir as 
profecias e promessas feitas aos judeus, é mais do que certo também que o conjunto de 
sua mensagem e especialmente a ação de sua Pessoa, que Paulo chamará de graça, são 
abertos para todos os povos e culturas. O judaísmo foi o passo inicial, mas a plenitude está 
em Cristo Jesus. E é para todos. Paulo dedicou-se ao mundo gentio, vendo nele o futuro 
do cristianismo. Por isso, viajou e fundou comunidades. 
Paulo anuncia o Evangelho, forma e estimula as comunidades, especialmente 
aquelas por ele fundadas. Sofre por elas e com elas. Visita, busca, retorna, enfrenta e 
insiste no seguimento de Jesus como caminho de salvação. As Cartas são expressões de 
seu esforço em apresentar o Evangelho e se fazer presente próximo às pessoas. 
O “corpus paulinum” é o conjunto das Cartas de Paulo, chamado “Apóstolo dos 
gentios”. Elas compõem grande parte do Novo Testamento, parte da Bíblia cristã. São 
na realidade os escritos mais antigos do Novo Testamento. Assim, apresentam as mais 
originais expectativas, novidades, impressões, propostas e esperanças que os primeiros 
cristãos portavam consigo. As Cartas paulinas são, além de documentos de doutrina, 
um conjunto precioso de fé e de história, ao menos indireta, do período apostólico 
imediatamente posterior ao Evento Cristo. 
Estas Cartas não foram compostas de modo acadêmico, como uma exposição 
sistemática de ideias e princípios. Elas são frutos da necessidade da pregação de Paulo, 
da oportunidade de comunicação e do intenso interesse do Apóstolo em se comunicar com 
as Igrejas. Especialmente seu interesse em comunicar Cristo Jesus. 
2 DADOS GERAIS DA DISCIPLINA
Ementa
Introdução à vida e à obra de Paulo. Contextualiza a pregação e os escritos do 
apostolo Paulo no ambiente da Comunidade Cristã. Introdução às Cartas autênticas de Paulo. 
Nesse contexto aborda o ministério de Paulo como grande responsável pela propagação e 
aprofundamento da mensagem cristã, quer por sua pregação oral, quer por seus escritos.
Objetivo geral
Os alunos da disciplina Cartas Paulinas, na modalidade EAD do Claretiano, 
dado o Sistema Gerenciador de Aprendizagem e suas ferramentas, terão condições de 
compreender a importância da pessoa de Paulo, apóstolo decisivo no primeiro século do 
GUIA DE DISCIPLINAGUIA DE DISCIPLINA
CRC • • • © Cartas Paulinas
Claretiano – BatataisVIII
Bacharelado em Teologia
cristianismo. Compreenderão também o alcance da expressão e os elementos fundamentais 
de sua mensagem, que ele chama de Evangelho. Irão conhecer as Cartas que a tradição 
bíblica apresenta com seu nome, bem como as principais e importantes questões relativas 
a cada uma delas. De posse desses conhecimentos, os alunos estarão capacitados a ler e 
identificar os pontos teológicos relevantes nos textos das Cartas. Compreenderão a partir 
destas os argumentos próprios do início do cristianismo, em meados do primeiro século, 
logo depois do Evento Pascal (Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus) e antes da redação 
dos Evangelhos canônicos. Os alunos verão que o Apóstolo Paulo soube corresponder, 
conforme sua personalidade apaixonada, intensa, exigente, extremamente lúcida e 
inteligente, às necessidades do anúncio do Evangelho e a não limitá-lo a uma realidade 
restrita como era o judaísmo daqueles tempos. Pelo contrário, soube levar este Evangelho 
ao mundo grego-romano e apresentá-lo como sinal de vida e de esperança em uma 
sociedade marcada pela violência e morte. 
Competências, habilidades e atitudes
Ao final deste estudo, os alunos do curso de Teologia contarão com uma 
sólida base teórica para fundamentar criticamente sua prática educacional/profissional. 
Além disso, adquirirão não somente as habilidades para cumprir seu papel de docente/
profissional nesta área do saber, mas também para agir com ética e com responsabilidade 
social, contribuindo, assim, para a formação integral do ser humano, especialmente dos 
alunos. 
Modalidade
( ) Presencial ( X ) A distância
Duração e carga horária
A carga horária da disciplina Cartas Paulinas é de 60 horas. O conteúdo 
programático para o estudo das seis unidades que a compõe está desenvolvido no 
Caderno de referência de conteúdo, anexo a este Guia de disciplina, e os exercícios 
propostos constam do Caderno de atividades e interatividades (CAI).
ATENÇÃO! 
É importante que você releia no Guia acadêmico do seu curso as informações 
referentes à Metodologia e à Forma de Avaliação da disciplina Cartas 
Paulinas. A síntese dessas informações consta do cronograma na Sala de 
Aula Virtual – SAV.
3 CONSIDERAÇÕES GERAIS
Paulo de Tarso ou São Paulo é uma figura importante no cristianismo. No Novo 
Testamento, composto por 27 livros, ele é o autor de 13 deles. São as Cartas escritas 
por ele diretamente ou a ele atribuídas. Elas dão a conhecer, ainda que de modo não 
sistemático ou orgânico, seu pensamento e doutrina, nascidos da proximidade com os 
textos que hoje se chamam de Antigo Testamento. 
As fontes para a vida de Paulo são o livro dos Atos dos Apóstolos e as Cartas. 
Nem sempre eles estão em acordo com os fatos e situações. Mas demonstram uma das 
linhas desenvolvidas na Igreja nascente, seguramente a mais intensa e corajosa. Paulo 
ATENÇÃO!
O segredo do sucesso em um 
curso na modalidade Educação 
a Distância é PARTICIPAR, ou 
seja, INTERAGIR, procurando 
sempre cooperar e colaborar 
com seuscolegas e tutores.
GUIA DE DISCIPLINAGUIA DE DISCIPLINA
Bacharelado em Teologia
© Cartas Paulinas • • • CRC
Batatais – Claretiano IX
teve uma importância tão acentuada para os primeiros séculos do cristianismo, a partir 
de suas Cartas e dos Atos dos Apóstolos, que chega a ser mais valorizado que os outros 
representantes desta época. 
As Cartas paulinas apresentam muitas dificuldades de interpretação. Aliás, há 
também dificuldades em vê-las todas como autenticamente escritas pelo Apóstolo. Neste 
ponto, não há consenso entre os estudiosos. Contudo, a importância de cada uma e de sua 
mensagem é fundamental para a compreensão da evolução do cristianismo. Pela influência 
de Paulo e da leitura de suas Cartas nas comunidades da Ásia Menor, Grécia e Roma, o 
cristianismo deixou de ser uma parte do judaísmo e tornou-se uma experiência humana 
e religiosa independente, com perspectivas impensáveis no mundo judeu. Foi Paulo quem 
soube superar os limites, ampliar os horizontes e dar respostas à sociedade de seu tempo. 
Compreender a vida e a importância de Paulo é entrever a importância de Jesus 
Cristo e de sua mensagem. Perceber que suas Cartas refletem a grande evolução que se 
operou nas igrejas é entender o progresso do Evangelho e da proposta teológica da Igreja 
frente às contradições de seu tempo. E rever tudo isto à luz da história e da atualidade é 
reconhecer que o corpo do Evangelho (boa nova, boa notícia) está mais atual do nunca. 
Para isso, o estudante deve, fundamentalmente, tomar duas atitudes: a primeira 
é ler as Cartas de Paulo antes de cada estudo particular sobre elas. A segunda é aplicar-se 
na leitura dessas unidades e, especialmente, no estudo de toda ou parte da bibliografia. 
Bom trabalho a todos! 
4 BIBLIOGRAFIA BÁSICA
BARBAGLIO, Giuseppe. As cartas de Paulo (I). Tradução de José Maria de Almeida. São 
Paulo: Loyola, 1989, 507 p. (Coleção Bíblica Loyola: 4)
______. As cartas de Paulo (II). Tradução de José Maria de Almeida. São Paulo: Loyola, 
1991, 430 p. (Coleção Bíblica Loyola: 5)
CARREZ, M. DORNIER, P. DUMAIS, M. TRIMAILLE, M. As cartas de Paulo, Tiago, Pedro e 
Judas. Tradução de Benôni Lemos. São Paulo: Paulinas, 1987, 341 páginas (Biblioteca de 
estudos bíblicos)
FABRIS, Rinaldo. As cartas de Paulo (II). Tradução de José Maria de Almeida. São Paulo: 
Loyola, 1992, 543 páginas. (Coleção bíblica Loyola: 6)
MURPHY–O’CONNOR, Jerome. Paulo de Tarso: história de um apóstolo. Tradução de Valdir 
Marques. São Paulo: Paulus, Loyola, 2007, 278 p. 
5 BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 1998, 1014 p. 
Bíblia de Jerusalém. 4. ed. As epístolas de São Paulo. Introdução. São Paulo: Paulus, 
2006, 1954–1964 p. 
Bíblia do Peregrino. São Paulo: Paulus, 2002. (Cada uma das cartas é precedida por uma 
introdução)
GUIA DE DISCIPLINAGUIA DE DISCIPLINA
CRC • • • © Cartas Paulinas
Claretiano – BatataisX
Bacharelado em Teologia
Bíblia. Tradução ecumênica. São Paulo: Loyola, 1994. (Cada uma das cartas é precedida 
por uma introdução)
CERFAUX, Lucien. O cristão na teologia de São Paulo. Tradução de José Raimundo Vidigal. 
São Paulo: Paulinas, 1976, 559 p. (Coleção Estudos Bíblicos)
CROSSAN, John Dominic. REED, Jonathan. Em busca de Paulo. Como o apóstolo de Jesus 
opôs o Reino de Deus ao Império Romano. Tradução de Jaci Maraschin. São Paulo: Paulinas, 
2007, 423 p. (Coleção Bíblia e Arqueologia)
BRUCE, F. F. Paulo, o apóstolo da graça. Sua vida, cartas e teologia. Tradução de Hans Udo 
Fuchs. São Paulo: Shedd, 2004, 464 p. 
FABRIS, Rinaldo. Para ler Paulo. Tradução de Marcos Bagno. São Paulo: Loyola, 1996, 159 p. 
HAWTHORNE, Gerald F. MARTIN, Ralph P. REID, Daniel G. Dicionário de Paulo e suas 
cartas. Tradução de Bárbara Theoto Lambert. São Paulo: Paulus, Vida Nova, Loyola, 2008, 
1285 p. 
HEYER, C. J. den. Paulo: um homem de dois mundos. Tradução de Luiz Alexandre Solano 
Rossi. São Paulo: Paulus, 2009, 218 p. (Coleção Bíblia e Sociologia)
KÜMMEL, Werner Georg. Introdução ao Novo Testamento. Tradução de João Paixão e 
Isabel Fontes Leal Ferreira. São Paulo: Paulinas, 1986, 789 p. (Nova Coleção Bíblica)
LÉON–DUFOUR, Xavier (Org.). Vocabulário de teologia bíblica. Petrópolis: Vozes, 1972, 
1117 páginas. 
MANSON, Tomas W. Cristo por Paulo. Tradução de Daniel da Costa. São Paulo: Fonte 
Editorial, 2009, 126 p. 
MURPHY–O’CONNOR, Jerome. Paulo, biografia crítica. 2. ed. Tradução de Bárbara Theoto 
Lambert. São Paulo: Loyola, 2000, 404 p. 
_____. A antropologia pastoral de Paulo. Tornar-se humanos juntos. Tradução de João 
Rezende Costa. São Paulo: 1994, 228 p. (Coleção Temas Bíblicos)
PATTE, Daniel. Paulo, sua fé e a força do Evangelho. Tradução de José Raimundo Vidigal. 
São Paulo: Paulinas, 1987, 506 p. (Nova Coleção Bíblica)
QUESNEL, Michel. Paulo e as origens do cristianismo. Tradução de Paulo Ferreira Valério. 
São Paulo: Paulinas, 2004, 143 p. (Coleção Bíblia e História)
SAMPLEY, J. Paul (Org.). Paulo no mundo greco–romano. Um compêndio. Tradução de 
José Raimundo Vidigal. São Paulo: Paulus, 2008, 606 p. 
SANDERS, E. P. Paulo, a lei e o povo judeu. Tradução de José Raimundo Vidigal. São Paulo: 
Academia cristã, 2009, 279 páginas.
VAN DEN BORN, A. (Org.). Dicionário enciclopédico da Bíblia. 3. ed. Tradução de Frederico 
Stein. Petrópolis: Vozes, 1971, 1588 colunas.
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O
Olá! Seja bem-vindo ao estudo da disciplina Cartas paulinas, disponibilizada 
para você em ambiente virtual (Educação a Distância). 
O Novo Testamento é a referência para o cristianismo, seja ele católico romano, 
oriental ou das igrejas da Reforma. Ele é composto por textos de gêneros literários, de 
índole e de apresentação diversas. Os quatro Evangelhos são narrações teológicas sobre a 
pessoa e missão de Jesus e datam dos últimos vinte anos do primeiro século. O livro de Atos 
dos Apóstolos é o testemunho escrito da difusão do Evangelho empreendida pelos primeiros 
cristãos. Ele apresenta, também, em forma de história teológica, o desenvolvimento da 
Igreja nascente e as pessoas que foram fazendo a história da Evangelização. Dentre elas 
está, de modo destacado, Paulo de Tarso, chamado Apóstolo dos Gentios. 
Outra parte do Novo Testamento, além do livro do Apocalipse, é composta pelas 
cartas ou epístolas que totalizam vinte e uma. Dentre essas cartas, treze são atribuídas ao 
Apóstolo Paulo. Fazendo as contas teremos: vinte e sete livros do Novo Testamento; vinte 
e uma cartas e, dentre elas, 13 são paulinas. A despeito do tamanho muito variável dessas 
cartas, o número de escritos paulinos é notável em relação ao conjunto do Novo Testamento. 
Isso indica a importância que Paulo tem no conjunto da segunda parte da Bíblia cristã. 
Paulo, fiel judeu exemplar, perseguia a comunidade cristã, pois via nela 
uma inimiga do judaísmo e de seus princípios. Quando se encontrou com Jesus Cristo 
Ressuscitado, como podemos ler em Atos 9,1ss; 22,6ss; 26,2ss e Gálatas 1,15ss, Paulo 
mudou radicalmente sua perspectiva: de perseguidor passou a pregador; de inimigo quase 
fanático ele se tornou apaixonadamente arrebatado pelo Cristo e seu Evangelho. 
Perspicaz e inteligente, depois de iniciar sua vida de cristão e pregador do Evangelho, 
Paulo logo percebe que a fé cristã é mais marcante e decisiva que os costumes e a Lei 
dos judeus. Aqui começam seus problemas. Em Atos dos Apóstolos e no “corpus paulinum” 
frequentemente veremos os desencontro entre Paulo e os judeus e entre Paulo e os cristãos 
de origem judaica. Os judeus negam o que o Apóstolo apresenta a respeito de Jesus e os 
judaizantes negam que o judaísmo esteja ultrapassado. Enquanto isso, Paulo dirige-se aos 
gentios para anunciar-lhes que a vida e o futuro têm sentido em Jesus Cristo. 
As Cartas surgem da vida apostólica de Paulo. Na medida em que andava pelas 
cidades e fundava igrejas que se reuniam em torno damemória de Jesus, ele vai percebendo que 
os esquemas judaicos estão ultrapassados em relação às necessidades dos fiéis e às realidades 
do mundo. Ele, então, pensa o cristianismo em termos de vida, compromissos e realidades. 
Quando não pode dirigir-se a fiéis e amigos das diversas comunidades 
que conhece, Paulo escreve as Cartas. Elas são os primeiros textos escritos do Novo 
Testamento, anteriores aos Evangelhos. Refletem a realidade das primitivas comunidades 
e suas necessidades, pensamentos, circunstâncias etc.
Aos poucos, especialmente no século 2º de nossa era, as obras de Paulo, suas cartas, 
vão sendo reunidas e usadas não apenas pelas igrejas que as receberam originalmente, mas 
também por ouras igrejas. Este intercâmbio gera o “corpus paulinum”, o conjunto de escritos 
de Paulo, ainda que nem todos sejam considerados unanimemente escritos por Paulo.
O que estudaremos nesta disciplina são, fundamentalmente, três pontos 
importantes. Primeiro, veremos a vida de Paulo, suas atividades e consequências; depois, 
introduziremos cada uma de suas cartas; por fim, estudaremos alguns pontos de sua 
mensagem ou Evangelho. Paulo é, sob todos os aspectos, de uma importância decisiva no 
cristianismo das origens e, podemos dizer sem receio, o primeiro teólogo cristão. 
Espero que todos estejam entusiasmados e curiosos em conhecer Paulo e as 
Cartas paulinas. Bom estudo. 
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AULA PRESENCIAL
Objetivos 
• Estabelecer interação com os participantes do curso e 
com o tutor, tendo em vista o necessário fortalecimento 
do vínculo inicial para a construção do processo de 
aprendizagem na modalidade EAD.
• Analisar e discutir os temas explicitados na disciplina 
Cartas Paulinas.
Conteúdo
• Programa para o desenvolvimento da disciplina.
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Objetivos
• Conhecer o personagem Paulo, fi gura de notável importância no Novo 
Testamento, autor de diversas Cartas e primeiro teólogo cristão.
• Conhecer seu pensamento e as circunstâncias que o levaram a articulá-
lo.
• Identifi car o tema das Cartas paulinas dentro do Novo Testamento.
• Conhecer a Igreja de Tessalônica e suas circunstancias.
• Entender e comentar 1Tessalonicensenses. 
Conteúdos
• Paulo: Personagem e Apóstolo. 
• As Cartas paulinas.
• A Igreja de Tessalônica. 
• 1 e a 2 Tessalonicenses. 
ATENÇÃO!
Por opção pessoal, faço as citações bíblicas com o nome do livro por extenso, 
sem abreviação. Temos o modo tradicional de fazer as citações que você 
poderá seguir. 
PAULO: APRESENTAÇÃO - 
1 E 2 TESSALONICENSES 
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Claretiano – Batatais4
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 1UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO 
Talvez o personagem mais comentado e estudado do Novo Testamento, depois 
de Jesus, seja Paulo. E isso por justas razões: 
• atribui-se a ele a autoria de 13 dentre 27 livros do Novo Testamento;
• seus escritos são os mais antigos do Novo Testamento e, portanto, são os 
mais originais textos “oficiais” sobre Jesus Cristo e a ressurreição;
• ocupa papel de notável destaque na expansão do cristianismo primitivo e isso 
pode ser notado com a leitura de Atos dos apóstolos;
• enfrenta a questão que será determinante para o cristianismo: a pertença e 
continuidade ao Povo da Antiga Aliança, isto é, Israel;
• faz teologia quando escreve, elaborando os primeiros raciocínios a respeito de 
Jesus, de sua identidade, das consequências de sua história e de seu evento;
• é, fundamentalmente, um apaixonado pelo que vive e faz. Especialmente ele 
é apaixonado pela pessoa e missão de Jesus Cristo. Por isso ele não pode 
deixar de expressar-se de modo arrebatador quando fala e escreve.
Temos outros motivos para entender que Paulo, sua pessoa e obra, são muito 
importantes para o cristianismo primitivo. Alguns princípios teológicos, algumas informações a 
respeito da Igreja das origens e mesmo a respeito de Jesus nos são apresentadas por Paulo. 
A principal fonte de conhecimento de sua mensagem está no chamado “corpus 
paulinum”. Esta expressão, recorrente nestas páginas, refere-se ao conjunto das Cartas 
de Paulo ou atribuídas a ele. Outra fonte importante para compreendê-lo é o livro de Atos 
dos apóstolos. Embora este livro não esteja em perfeito acordo com o “corpus paulinum”, 
quando se trata de diversas informações sobre a vida e as atividades de Paulo, é de 
notável importância o que lá se encontra sobre o Apóstolo. 
Paulo é uma figura central na origem do cristianismo. Não há dúvida que seu 
pensamento, expresso o “corpus paulinum”, determinou muito do que foi formando a 
fé cristã. Ele é a mente preparada e lúcida que soube estruturar, ainda que de modo 
não sistemático, o pensamento cristão sobre os pontos fundamentais da revelação. Ele 
também representa o ímpeto missionário de propor o Evangelho de Jesus Cristo como 
caminho para o ser humano, não apenas para o judeu, mas para o judeu e o grego. 
Não podemos pensar que ele tenha sido o único missionário ou que tenha vivido 
isolado na função de apóstolo itinerante. Havia, nos primeiros decênios do cristianismo, muitos 
que se empenhavam em anunciar a Palavra, em fazer com que a mensagem de Jesus e sua 
identidade fossem testemunhadas. Mas, ao que parece Paulo, mesmo dentro dos limites de 
suas possibilidades físicas e logísticas, foi o que mais marcou todo o processo. 
2 PAULO: PERSONAGEM E APÓSTOLO 
Figura 1 (divulgação) - 
São Paulo Apóstolo.
INFORMAÇÃO:
“corpus paulinum”: é o conjunto 
das cartas atribuídas a Paulo. 
Mais à frente veremos que 
existem as cartas “protopaulinas” 
e as “deuteropaulinas”. Todo 
o conjunto chama-se, então, 
“corpus paulinum”.
INFORMAÇÃO:
Existem muitos livros que 
apresentam Paulo, alguns dos 
quais são marcados por certo 
devocionismo que não deixa 
claro aspectos importantes de 
sua mensagem. O Ano Paulino, 
declarado pelo Papa Bento 
XVI, foi um tempo especial 
que despertou o interesse pela 
mensagem e pela figura do 
Apóstolo. A este respeito sugiro 
que você consulte algumas 
obras da bibliografia. De modo 
especial, para uma visão mais 
completa da vida do Apóstolo, 
sugiro: MURPHY–O’CONNOR, 
Jerome. Paulo de Tarso. História 
de um Apóstolo. São Paulo: 
Paulus, Loyola, 2007.
Bacharelado em Teologia
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Batatais – Claretiano 5
UNIDADE 1UNIDADE 1
Não é possível traçar uma biografia completa de Paulo a partir de suas cartas 
ou dos Atos dos Apóstolos. Existem muitas lacunas e até alguns conflitos entre o “corpus 
paulinum” e os Atos que impõem algumas interpretações históricas. Contudo, as poucas 
notícias que temos a seu respeito formam um conjunto muito interessante de dados. 
São Jerônimo, grande estudioso e tradutor das Escrituras do século 6º é o único 
a afirmar que Paulo era natural da Galiléia. Tal informação encontra-se no seu Comentário 
à epistola a Filêmon e em outra obra intitulada Vida dos homens ilustres. É sem dúvida uma 
afirmação interessante, pois relaciona Paulo com a origem cultural de Jesus, a Galiléia, 
ao menos indiretamente. Embora sendo uma informação de São Jerônimo é difícil dar-lhe 
muito crédito por ser ele o único que a faz. Assim, anotamos esta indicação, mas não a 
consideramos para posterior desenvolvimento. 
Podemos ler em Filipenses 3,4b–7 uma “apresentação” do Apóstolo Paulo: 
Se há quem julgue ter motivos humanos para se gloriar, maiores os possuo eu: 
circuncidado ao oitavo dia, da raça de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu e 
filho de hebreus. Quanto à Lei, fariseu; quanto ao zelo, perseguidor da Igreja; 
quanto à justiça legal, declaradamente irrepreensível. Mas tudo isso, que para 
mim eram vantagens, considerei perda por Cristo (Filipenses 3,4b–7). 
Vejamos os elementos elencados nessa passagem: 
• Circunciso no oitavo dia.
• Da raça de Israel.
• Da tribo de Benjamin.
• Hebreu, filho de hebreus.
• Quanto à Lei, fariseu.
• Quanto ao zelo, perseguidor da Igreja.
• Quanto à justiça quese encontra na Lei, tornado irrepreensível.
• Arrebatado por Cristo para ser apóstolo.
Estes oito elementos dão uma noção mais que satisfatória para a compreensão 
da teologia e prática apostólica do Apóstolo. 
PASSAGEM COMENTÁRIO
Circunciso ao 
oitavo dia
Indica que ele não é alheio ao povo de Israel. Ele faz parte deste povo desde 
o nascimento e em função disto ele também espera a vinda do Messias. A 
circuncisão era o ato físico que determinava a entrada da criança na Aliança 
feita entre Deus e seu povo Israel.
Da raça de 
Israel
É quase que uma redundância da afirmação anterior. Se Paulo foi circuncidado 
ao terceiro dia, é muito claro que ele era israelita, do povo de Israel. Talvez 
ele afirme ser da raça de Israel para compor o quadro de plena imersão 
na Aliança do Antigo Testamento. De fato as afirmações seguintes dão a 
entender uma identificação perfeita com tudo isso.
Da tribo de 
Benjamin
Israel era tido como formado, originalmente, por doze tribos. Cada uma 
delas era atribuída a um patriarca filho de Jacó, filho de Isaac e filho de 
Abraão. Em Josué 13—19, encontra-se a descrição da divisão das tribos 
de Israel na recém-conquistada terra prometida. Em especial, temos 
em 18,11–20 algumas informações a respeito da tribo de Benjamim. O 
personagem que dá nome à tribo ou ao qual é atribuída sua origem era 
o filho de Raquel, esposa amada de Jacó, como pode ser lido em Gênesis 
36,16–20. Em 36,22b–26 encontramos toda a família atribuída a Jacó e 
Benjamin, e José aparecem juntos.
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Claretiano – Batatais6
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 1UNIDADE 1
Hebreu, filho 
de hebreus
Esta expressão é rica de significado. Não se trata apenas de uma 
consideração quanto à origem do personagem, mas de sua identidade e 
de sua posição dentro da História. Ele é hebreu, portanto parte do povo da 
Aliança, marcado pela intervenção de Deus; e é filho de Hebreus, isto é, 
carrega consigo uma identidade que é mais do que uma opção de vida: é 
uma realidade existencial. É quase como dizer que ele não pode deixar de 
ser o que é, mesmo que viesse a rejeitar.
Quanto à Lei, 
fariseu
O partido fariseu era um dos mais atuantes na Palestina no tempo de Jesus. 
Eles eram ligados à prática e à interpretação da Lei de um modo intenso, 
radical. Os fariseus tiveram muitos encontros e desencontros com Jesus, 
tendo sido questionados severamente por ele, como em Mateus 15,1–9. 
Em outra ocasião Jesus os apresenta como modelos de conhecimento 
e ensinamento, mas não de vivência: Mateus 23,2–7. Quando Paulo se 
identifica do partido dos fariseus não está se acusando de hipócrita, mas 
sim declarando que tem a índole dos fariseus quanto ao conhecimento e à 
observância.
Quanto ao zelo, 
perseguidor 
da Igreja
Significa que ele, motivado pela sua adesão ao projeto religioso judaico, 
estava fiel às tradições e aos preceitos que ele impunha. Ora, em muitos 
casos, a igreja, comunidade de discípulos de Jesus, estava em contradição 
com tudo isso. De fato, se a Igreja afirma que é Jesus que conduz a Deus 
e o seu seguimento dá ao fiel a condição de estar na amizade com Deus, 
então a Lei do Antigo Testamento não tem mais a importância que antes 
de Jesus tinha. Para alguém que crê na absoluta necessidade da Lei e na 
sua observância radical, esta ideia causa problemas. Paulo tornou-se para a 
Igreja nascente um problema: ele a perseguia, pois não podia admitir este 
tipo de pensamento. 
Quanto à 
justiça que se 
encontra na 
Lei, tornado 
irrepreensível
Aqui existe um elemento interessante: a justiça que vem da observância 
da Lei. No pensamento do Paulo cristão, a justiça vem da adesão a 
Jesus Cristo, não da observância da Lei. Se considerarmos os elementos 
elencados acima, circuncidado, portanto parte do povo Judeu, da raça de 
Israel, hebreu, fariseu, zeloso (empenhado, cuidadoso, meticuloso) na 
observância da Lei da qual ele tirava a sua justiça… Se considerarmos esta 
sequência de “virtudes” apresentadas por ele, podemos entender que sua 
posição perante o cristianismo nascente só poderia ser de crítica e até 
perseguição. Mas vem a última ideia da perícope de Filipenses 3,4b–7: 
“Mas tudo isso, que para mim eram vantagens, considerei perda por Cristo” 
(v. 7). Jesus Cristo passou a ser para Paulo o ideal da vida, o centro de sua 
atenção e o motivo de sua existência. 
3 PAULO: DE PERSEGUIDOR A APÓSTOLO
Devemos considerar um elemento que seguramente é de fundamental 
importância: a entrada de Paulo em cena foi uma mudança enorme na rota que a Igreja 
primitiva estava traçando. Paulo percebeu que o judaísmo seria uma espécie de “camisa de 
força” para o cristianismo. Este não podia estar limitado a conceitos e costumes judaicos, 
pois devia ser apresentado ao mundo. E tinha um potencial enorme para isso. Contudo, 
devia estar separado dos costumes e situações judaicas que o limitavam. 
Não sabemos quando Paulo nasceu. Podemos considerar que ele se julgue de 
certo modo idoso quando escreve para Filêmon. Dirigindo-se a este tal Filêmon, Paulo 
pede pelo escravo Onésimo. Introduzindo este pedido diz: “Eu, Paulo, idoso como estou, 
INFORMAÇÃO: 
Sugerimos que você faça 
uma pesquisa sobre os temas 
“circuncisão”, “hebreu”, “fariseu”, 
“justiça” e “apóstolo”. Pode usar 
para tanto um dicionário bíblico 
ou um vocabulário bíblico. As 
Bíblias apresentam, geralmente, 
no final do texto, um vocabulário 
simplificado que pode ser útil 
para uma pesquisa. Como 
dicionário indicamos: VAN DEN 
BORN, A. (Org.). Dicionário 
enciclopédico da Bíblia. 3. Ed. 
Petrópolis: Vozes, 1971, 1588 
colunas. 
INFORMAÇÃO:
A realidade da Igreja daquele 
tempo, ainda nos seus inícios, 
não era clara, como se pode 
imaginar. Tudo era dirigido ao 
mundo judeu: as promessas 
do Messias, as estruturas de 
santidade e pureza, a ordem 
social etc. Estava muito obvio: 
os judeus receberam “seu” 
Messias em Jesus. Mas, daí 
para considerar que ele seria o 
messias dos pagãos… não era 
um passo fácil e muito menos 
lógico.
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Batatais – Claretiano 7
UNIDADE 1UNIDADE 1
e agora preso por Jesus Cristo…” (Filêmon 9). É difícil entender este “idoso” que ele aplica 
a si mesmo. Se a Carta a Filêmon data de meados dos anos 50, não é de se esperar um 
Apóstolo muito avançado em anos. Contudo, considerando-se as dificuldades do ministério 
apostólico e especialmente os esforços das viagens, podemos supor um homem bastante 
provado pela vida. Seu nascimento pode ser suposto entre os anos cinco e dez da era 
cristã. É comum considerar o ano oitavo da era cristã como o ano de seu nascimento. 
Paulo é judeu e do grupo dos fariseus. Já vimos isso no texto de Filipenses 
anteriormente analisado e podemos ler em 2 Coríntios 11,22 um argumento de uma sua 
defesa: “São hebreus? Também eu. São israelitas? Também eu.” Ele nasceu em Tarso, 
cidade da Cilícia, famosa região produtora de lã negra. 
Nasceu e viveu em um ambiente marcado pela abertura a culturas e ideias de 
outros povos. Tarso e a região de nascimento do Apóstolo eram locais de passagem e, 
consequentemente, de contatos e informações. Isso certamente cria no jovem Paulo a 
capacidade de acolher o diferente e estabelecer contatos, o que será de grande valia para 
sua atividade missionária posterior. Ele também apresenta ideias inspiradas no estoicismo, 
uma corrente filosófica grega que valoriza o empenho, o sofrimento e a decisão. 
Paulo, cujo nome hebraico era Saul ou Shaul, conhecia também o grego, espécie 
de língua franca daquela época. Isso também facilitou a evangelização e fez com que o 
Evangelho se difundisse. Seria mais difícil a mensagem evangélica ser apresentada em 
hebraico, língua limitada ao uso na Palestina, especialmente no culto e na leitura da 
Palavra. 
Paulo é um cidadão de dois mundos: o mundo hebraico, com suas tradições e 
especialmente com a esperança messiânica acentuada e o mundo grego, com sua cultura 
e as possibilidades de comunicação. Contudo o que mais se sobressaié a raciocínio sobre 
as escrituras e as tradições e sua aplicação em um mundo marcado pela cultura e vida 
grega. Paulo é o homem certo para a abertura ao mundo que vivia em busca de um 
sentido de vida e em cujas estruturas pesava o reino de Roma. 
Parece difícil conhecer algo sobre sua família e suas influências de infância e 
juventude. O que podemos extrair de suas Cartas e de Atos dos apóstolos é que ele 
teve formação rabínica. Em Atos 22,3 encontramos um versículo curioso. Paulo está se 
apresentando às autoridades judaicas de Jerusalém depois de um momento de crise, 
motivada pela sua ida ao Templo. Ele declara:
“…Eu sou judeu, nasci em Tarso da Cilícia, mas criei-me nesta cidade, instruí-
me aos pés de Gamaliel, em toda a observância da lei de nossos pais, partidário 
entusiasta da causa de Deus como todos vós também o sois no dia de hoje.” 
Paulo apresenta duas informações interessantes. A primeira é que ele é de Tarso, 
na Cilícia. Isso já nos é conhecido e não representa dificuldades. O que parece estranho 
é a informação seguinte: “… criei-me nesta cidade, instruí-me aos pés de Gamaliel…”. 
Gamaliel parece ser aquele que aparece em Atos dos Apóstolos 5,34ss. 
Nesta passagem de Atos, o citado Gamaliel é apresentado como fariseu, doutor 
da Lei e respeitado por todo o povo. Ele fora discípulo de Hilel e representava a tendência 
mais amena na interpretação da Lei, com mais humanidade e menos rigorismo. Em Atos, ele 
aparece em meio à crise criada pela prisão dos apóstolos. O Sinédrio deseja condená-los, mas 
Gamaliel pede a palavra e pondera se é o caso de combater o grupo de discípulos de Jesus. 
Ele recorda fatos do passado e sugere que, se a obra que fazem e o anúncio que apresentam 
vêm de Deus, não é correto lutar contra; e se não vier de Deus, desaparecerá. A palavra do 
sábio fariseu é ouvida e os apóstolos são castigados, mas não presos ou mortos. 
INFORMAÇÃO
Era muito comum que judeus, 
que tinham nomes de origem 
hebraica ou semítica, admitissem 
um nome de origem grega ou 
romana. Era uma espécie de 
inculturação. Você conhece 
outros personagens que, tendo 
nome hebraicos, admitiram 
também um nome grego ou 
romano?
ATENÇÃO
Uma obra de notável interesse 
sobre este tema, as perspectivas 
de Paulo enquanto hebreu 
e romano, encontramos em: 
HEYER, C. J. den. Paulo: um 
homem de dois mundos. São 
Paulo: Paulus, 2009, 218 p. 
(Coleção Bíblia e Sociologia)
INFORMAÇÃO:
Quando falamos Atos dos 
apóstolos ou simplesmente Atos 
estamos falando de um livro. 
Trata-se do livro (singular) dos 
Atos dos apóstolos. Assim, é 
comum que se fale “de (singular) 
Atos dos Apóstolos” ou “em 
(singular) Atos dos Apóstolos 
e não “dos (plural) Atos dos 
Apóstolos” ou “nos (plural) Atos 
dos Apóstolos”. Note bem: o 
livro é um sintagma plural, “Atos 
dos Apóstolos”, mas a indicação 
dele, sendo ele um livro, isto é, 
singular, é também no singular! 
Claro que encontramos também 
a outra formulação “nos Atos 
dos Apóstolos”, “dos Atos 
dos Apóstolos”. Mas aqui nós 
optamos pelo primeiro formato.
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Claretiano – Batatais8
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 1UNIDADE 1
Se Paulo esteve com Gamaliel durante sua juventude, em Jerusalém, ele foi 
contemporâneo de Jesus durante algum tempo. Se considerarmos a narrativa de João, na 
qual Jesus vai à Jerusalém mais de uma vez durante o seu ministério público, então Paulo 
e Jesus estiveram na mesma cidade ao mesmo tempo!… Mas, não há qualquer informação 
a respeito disso. 
Consideremos também que Paulo, em Atos dos apóstolos 26,4ss, declara que 
esteve em Jerusalém; em Atos 26,10ss, ele declara que estava em Jerusalém e que 
combatia a Igreja nascente com intensidade, sob o olhar e a autoridade dos judeus. Isso 
parece estar de acordo com as notícias anteriores à sua conversão, que encontramos em 
Atos 8,1 e 9,1–19. 
Porém, há alguns problemas na consideração dessas informações. Em Gálatas 
encontramos não um relato de conversão, mas um comentário do caminho de mudança 
interior do Apóstolo. Ele diz que, depois de uma revelação interior, compreendeu sua missão. 
Não foi para Jerusalém, mas buscou uma espécie de retiro em Damasco. Depois de três 
anos é que ele teria ido a Jerusalém e permanecido algum tempo por lá. Ele declara que: 
…era ainda pessoalmente desconhecido das comunidades cristãs da Judéia; 
tinham elas apenas ouvido dizer: Aquele que antes nos perseguia, agora prega 
a fé que outrora combatia. 
Há uma série de contradições aqui. Podemos resumi-las nos seguintes pontos, 
mostrado no quando a seguir: 
CONTRADIÇÕES
Atos dos Apóstolos e Gálatas apresentam argumentos diferentes e são vozes diversas. 
ATOS DOS APÓSTOLOS CARTA AOS GÁLATAS
Paulo parece frequentar Jerusalém. Se olharmos 
o texto do início do capítulo 8º e quase metade 
do capítulo 9o, leremos que Paulo tinha algum 
tipo de poder em Jerusalém; depois, no capítulo 
que narra o encontro de Paulo com o Sinédrio, 
o que parece é que ele habitou um tempo 
relativamente longo naquela cidade.
Esta ideia não está presente em Gálatas. 
Paulo admite duas idas à Jerusalém: uma 
logo após a conversão e outra quatorze 
anos mais tarde, sem dúvida para a 
assembleia apostólica. Não apresenta a 
terceira, pois ainda não é seu tempo. 
Paulo tem um notável poder sobre os judeus 
simpatizantes ou seguidores de Jesus.
Em Gálatas, lemos que Paulo “devastava” 
(1,13) a Igreja de Deus e progredia no 
judaísmo. Este “devastar a Igreja” seria 
algo relativo ao poder de polícia?
A conversão de Paulo é apresentada como um 
drama de impacto, com a queda ao chão, a voz, 
a luz etc.
Em Gálatas a ideia que aparece é do 
processo de conversão, sem a menção a 
um fato prodigioso. 
Estamos perante duas tradições apostólicas distintas, mas de alguma forma 
complementares. Consideremos que Atos dos Apóstolos apresenta uma história teológica 
da Igreja das origens, com intervenções que vão apresentando a ação do Espírito junto 
aos fiéis. Tudo é obra do Espírito que vai formando a Igreja. O que aparece são teofanias: 
momentos de intervenção de Deus na história. Assim, a conversão de Paulo ocorre em 
uma teofania, bem como a libertação dos Apóstolos e outros tantos fatos. Já em Gálatas 
quem fala é o próprio Paulo. Ele não usa o argumento da teofania, mas se fixa na ação de 
Deus nele, como um vaso eleito que vai aos poucos deixando-se moldar. 
INFORMAÇÃO:
O estudante pode encontrar 
uma tábua comparativa e da 
vida de Paulo e um interessante 
comentário sobre os tipos de 
vida de São Paulo em CARREZ, 
Maurice; DORNIER, Pierre; 
DUMAIS, Marcel; TRIMAILLE, 
Michel. As cartas de Paulo, 
Tiago, Pedro e Judas. São Paulo: 
Paulinas, 1987, p. 23–28, em 
especial as páginas 23–24.
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Batatais – Claretiano 9
UNIDADE 1UNIDADE 1
Figura 2 (divulgação) – Conversão de São Paulo. 
Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni, 
1542-45 - Afresco, 625 x 661 cm
Capela Paulina, Palazzi Pontifici, Vatican.
O que é importante assinalar neste ponto é que Paulo não se torna um convertido 
subitamente, vindo do nada e no aspecto moral. Não se trata de uma conversão ética, mas 
sim de uma conversão de opções: antes, o homem era um fariseu apaixonado, que “…
progredia no judaísmo mais do que muitos compatriotas…” (Gálatas 1,14) e, sinceramente 
seguia os princípios judaicos; depois, o fariseu muda seus conceitos fundamentais e Deus 
o chama pela sua graça para revelar nele seu Filho, para o evangelizar entre os gentios 
(cf. Gálatas 1,16). 
4 AS CARTAS PAULINAS
Cartas ou epístolas?
Figura 3 (divulgação) – Fragmento da Carta 
de São Paulo aos Romanos, c. AD 180-
200 – Texto grego escrito conservado em 
papiro. 
Esta é uma questão clássica nos estudos dos escritos de Paulo. Estes escritos 
devem ser chamados de “cartas” ou de “epístolas”? Não é tão fácil enquadrar o “corpus 
paulinum” em uma destas categorias sem deixar de considerar a outra. 
Conforme a concepção literária da antiguidade, entende-se por “epistola” 
um texto deíndole filosófica, com ensinamentos, exortações e um desenvolvimento de 
pensamentos que vão formando um corpo de doutrina. Por “carta” entende-se um escrito 
INFORMAÇÃO:
Sugerimos que você consulta ao 
menos duas obras interessantes 
e bem atuais sobre Paulo. A 
primeira é CROSSAN, John 
Dominic; REED, Jonathan L. Em 
busca de Paulo. Como o apóstolo 
de Jesus opôs o Reino de Deus 
ao Império Romano. São Paulo: 
Paulinas, 2007. A segunda é: 
HEYER, C. J. den. Paulo, um 
homem de dois mundos. São 
Paulo: Paulus, 2008. Estas duas 
obras não são contraditórias 
entre si, mas apresentam 
enfoques particulares a respeito 
da personalidade e anúncio de 
Paulo no mundo pagão.
ATENÇÃO!
Sugerimos que você acesse o 
site http://bne.catholic.net.au/
asp/index.asp?pgid=11747 que 
além de informações importantes 
contém rico acervo de imagens 
sobre Paulo Apóstolo.
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Claretiano – Batatais10
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 1UNIDADE 1
menos interessado em desenvolver um ensinamento, e sim dirigir-se a uma pessoa ou grupo 
de pessoas, declarando fatos importantes, dando notícias e marcando a caminhada.
Sob este prisma pode-se compreender que os escritos de Paulo podem ser 
considerados ora epístolas ora cartas. Embora sejam escritos dirigidos a grupos ou 
pessoas (portanto “cartas”) apresentam importantes considerações teológicas (então: 
epístolas). Mas se fossem consideradas epístolas teriam elementos estranhos a este tipo 
de literatura, como palavras apaixonadas do autor, quando trata da conduta de alguns, 
bem como notícias particulares e saudações. 
Um dos escritos que, não obstante os elementos próprios do “estilo carta”, pode 
ser considerado epistola é a Carta aos romanos. Igualmente no escrito aos Filipenses, não 
obstante os problemas identificados na crítica interna da carta, encontramos um escrito 
“quase epístola”.
Isso posto nossa posição é a seguinte: chamaremos todos os escritos do “corpus 
paulinum” de “cartas”, reconhecendo que alguns poderiam ser considerados “epistolas”. 
Vasto material de referência
Nestas cartas encontra-se um material vastíssimo, testemunha da Igreja das origens, 
anterior à redação dos Evangelhos canônicos. Este material pode ser identificado como:
a) Confissões de fé, sejam inteiras ou fragmentos. 
• Trata-se de fórmulas breves que expressam verdades fundamentais da fé. 
Veja-se, por exemplo: 1 Tessalonicenses 1,10; Gálatas 1,3–5; 1 Coríntios 
15,3–4; Romanos 1,2–5.
…a vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus 
Cristo, que se entregou por nossos pecados, para nos libertar da perversidade 
do mundo presente, segundo a vontade de Deus, nosso Pai, a quem seja dada 
a glória pelos séculos dos séculos. Amém (Gálatas 1,3–4).
b) Fórmulas litúrgicas, certamente usadas nas comunidades primitivas. 
Paulo as menciona propositalmente ou subliminarmente, tamanha era a sua 
imersão no mistério da fé em Jesus Cristo e sua expressão na Igreja. Podem 
ser fórmulas:
• Eucarísticas: 1 Coríntios 10,16; 11,23–24.
• Preces: 1 Coríntios 16,22: Marana tha!
• Ação de graças: 1 Tessalonicenses 1,2–4; 1 Coríntios 1,4–9; 2 Coríntios 
1,3–7; Filipenses 1,3–11; Romanos 1,8; Filêmon 4–7.
• Confissão de fé: 1 Coríntios 8,6.
• Bênção: Gálatas 6,16; Filipenses 4,23; 2 Coríntios 13,13, Filêmon 25.
• Doxologias: 2 Coríntios 1,3; 11,36; Romanos 1,25; 9,5; Gálatas 1,5; 
Filipenses 4,20; Romanos 11,36; 16,25.
c) Hinos: adaptados ou compostos por ele: 1 Coríntios 12,31—14,1 (hino à 
caridade); Filipenses 2,6,11 e Colossenses 1,1–20 (hino cristológico).
d) Retórica, com argumentação própria, de índole missionária e apostólica.
e) Citações da Escritura: Paulo usa muitas citações do Antigo Testamento 
em suas cartas. O texto que ele segue é a tradução grega chamada dos LXX 
(Septuaginta). 
f) Exortações morais, como Gálatas 4,21–31; 1 Coríntios 10,1–11; 2 Coríntios 
3,4–8. A moral é dinâmica e parte da intervenção do Senhor na vida do fiel 
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Batatais – Claretiano 11
UNIDADE 1UNIDADE 1
e da comunidade, como se vê em 2 Tessalonicenses 2,13–14; 1 Coríntios 
10,14–22; 1 Coríntios 10,23—11,1; Romanos 14,1—15,7.
g) Homilética e parênese: 2 Coríntios 8,1–24 e 9,1–15. 
h) Passagens autobiográficas, onde Paulo indica fatos e situações de sua 
vida e de seu ministério.
i) Indicações cronológicas e geográficas. Por exemplo, em 1 Tessalonicenses 
2,2 encontramos a indicação de que a Carta foi escrita depois dos incidentes 
de Filipos; em 3,1 temos a menção de Atenas; 1 Coríntios 16,8 indica que 
a Carta foi escrita em Éfeso e, provavelmente, antes de Pentecostes; 2 
Coríntios 11,7–9 recorda os socorros das Igrejas da Macedônia para com a 
Igreja Mãe de Jerusalém. 
j) Recordações da origem de Paulo e de sua história. Em Filipenses 3,5ss 
temos uma espécie de cartão de visitas biográfico do Apóstolo. Em 1 
Tessalonicenses 2,9; 2 Tessalonicenses 3,8; 1 Coríntios 4,12 e 9,13–15 
sabemos que ele fabricava tendas. 
k) As melhores recordações da própria vida e indicações biográficas são 
encontradas em 2 Coríntios 11,22–33 e Gálatas 1,6—2,14. 
Paulo: grande parte do Novo Testamento
A Paulo atribui-se uma grande parte do Novo Testamento. Os Evangelhos são 
quatro; depois temos o livro dos Atos dos Apóstolos; temos as Cartas “católicas”, que são: 
Tiago, 1 e 2 Pedro, 1,2 e 3 João e Judas; depois temos o Apocalipse. Isso soma 13 livros. 
Ao todo, 27 os livros do Novo Testamento; deles, os 13 atribuídos a Paulo são quase a 
metade! 
As Cartas de Paulo não surgiram de modo programado. Ele não pensou 
em escrevê-las e, assim fazendo, deixar nelas o seu pensamento estabelecido. Ele 
simplesmente as escreveu quando houve necessidade. Por isso é que, normalmente, as 
Cartas não têm uma estrutura bem elaborada, parecendo às vezes que Paulo lança ideias 
conforme lhes vêm à cabeça. Mas não é isso! É que ele escreve conforme as situações 
específicas de cada comunidade. Nas Cartas ele exorta, educa, corrige, elogia, explica, 
justifica, demonstra e usa de argumentos para três pontos ou interesses: 
anunciar Jesus Cristo e seu Evangelho; 
• deixar claro o fundamento do novo caminho que foi inaugurado com a morte 
e ressurreição de Jesus; 
• apresentar argumentos de esclarecimento de ideias, atitudes e doutrinas que 
ele, Paulo, ou outros, vivem e propõem.
Índole das Cartas de Paulo
Assim as Cartas paulinas são pragmáticas, isto é, estão ligadas ao elemento 
prático. Elas têm a característica de responder a necessidades do momento em que foram 
escritas e dão atenção às situações que existiam nas Igrejas (comunidades) concretas, 
que existiam no tempo de Paulo, sendo que muitas foram fundadas por ele mesmo. É na 
Carta aos romanos que encontramos uma elaboração mais refinada, mais coerente. Ele 
desejou deixar naquele texto o seu pensamento sobre pontos importantes e decisivos 
do cristianismo. Alguns biblistas já chamaram a Carta aos romanos de primeiro livro de 
teologia do cristianismo.
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Claretiano – Batatais12
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 1UNIDADE 1
É muito presente nas Cartas de Paulo a perseguição dos cristãos de origem 
judaica sobre ele. São os chamados “judaizantes”. Eles fazem parte de um 
conjunto de fieis que podem ser simplificados assim:
a) Os judaizantes “radicais”: para eles a circuncisão é fundamental para 
a aceitação da mensagem cristã. O cristianismo como tal não existe, 
mas sim o judaísmo que recebe o seu Cristo em Jesus. Os gentios podem 
aceitá-lo, mas devem aceitar entrar no judaísmo. Esta é a tendência 
que parece estar criando os embaraços em Atos dos Apóstolos 15,5. 
b) Os judaizantes “tolerantes”: são judeus, aceitaram Jesus como o 
Messias e acham que é possível os gentios aceitá-lo também. Conservam 
o respeito para com as tradições judaicas e as aceitam como parte 
da nova experiência cristã. De fato, o Cristo veio como cumprimento 
das promessas feitas a Israel. Mas o rito da circuncisão não deve ser 
imposto aos cristãosoriundos do paganismo, pois seria forçar uma 
situação e escolha que não existe. 
c) Quando o gentio aceita Jesus Cristo ele não está aceitando o judaísmo. 
Faz-se necessário manter a comunhão com a matriz original da fé cristã. 
Tudo indica que entre estes judaizantes “tolerantes” está Tiago. Ainda 
é necessário observar, contudo, certos ritos, pois quem é judeu não 
deixará de sê-lo; quem vem do paganismo deve entender e compreender 
a situação e ficar em seu lugar. Ou aderir aos costumes judaicos!
d) Os “liberais”. Paulo está entre eles. Ele percebe que o Evangelho é 
para todo homem, de todos os tempos. O judaísmo foi a segurança 
até a vinda de Jesus. Quando ele veio deixou de ter importância aquilo 
que fazia o judeu ser parte do povo de Deus. Agora, todo homem que 
aceite Jesus Cristo está no povo de Deus. Não há mais necessidade dos 
costumes legais judaicos, pois Jesus Cristo liberta de tudo, supera a 
tudo, resgata a tudo. 
Protopaulinas e deuteropaulinas
No início do século 19, começou-se a duvidar da autoria paulina de algumas 
Cartas. Em primeiro lugar foram as pastorais, 1 e 2 Timóteo e Tito, que tiveram sua 
autenticidade paulina questionada. Em seguida foram as duas Cartas aos Tessalonicenses, 
a Carta aos Efésios, aos Filipenses e aos Colossenses. Os critérios para esta posição e outras 
que excluíam até as chamadas “grandes epistolas” (Romanos, 1 e 2 Coríntios e Gálatas) são 
relativos e, às vezes, até muito estreitos. São, por exemplo, questões de divergência entre 
o pensamento de fundo de cada Carta e as tendências judaizantes que podiam existir na 
época. Se há esta divergência, então a Carta pode ser autêntica; não havendo, então foge 
da autenticidade. Este modo de avaliar o “corpus paulinum” tem seu lugar dentro de limites 
criteriosos, pois pode estar muito influenciado por conceitos filosóficos modernos. 
Dessa forma, o que se debate a respeito das Cartas protopaulinas e as 
deuteropaulinas é relativo. Hoje não podemos estar amarrados aos limites dessa 
compreensão sob pena de não compreender o alcance do Evangelho pregado por Paulo 
e assimilado pelas comunidades primitivas que encontravam no “corpus paulinum” um 
estímulo para a vida cristã e fonte de informação e experiência de fé.
Mesmo assim, por ser um critério ainda debatido, embora hoje não intensamente, 
dentro da teologia paulina, apresentamos aqui o formato atual da compreensão do 
quadro das Cartas dentro desse modo de ver e propor a origem e identidade das Cartas, 
juntamente com a datação provável de cada uma: 
INFORMAÇÃO:
A datação apresentada acima 
é uma opção relativa. Pode ser 
considerada satisfatória como 
um resultado da crítica histórica, 
mas não é a única datação 
possível e são passíveis de 
questionamentos, especialmente 
as “deuteropaulinas”.
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Batatais – Claretiano 13
UNIDADE 1UNIDADE 1
CARTAS PROTOPAULINAS CARTAS DEUTOROPAULINAS
Romanos Entre os anos 57 ou 58 2 Tessalonicenses Década de 80
1 Coríntios No final de 55 Colossenses
Anos 60 ou 70. Alguns indicam até 
os anos 90!
2 Coríntios No ano 57 ou 58 Efésios Anos 90 ou 100
Gálatas No final do ano 52 1 Timóteo Final do séc. I ou início do séc. II
Filipenses No final do ano 56 2 Timóteo Final do séc. I ou início do séc. II
1 Tessalonicenses Entre os anos 50 e 51 Tito Final do séc. I ou início do séc. II
Filêmon Pelo ano de 54
Sobre a identificação de Cartas protopaulinas e deuteropaulinas podemos 
dizer, resumidamente: alguns autores identificam as Cartas como sendo “autênticas” ou 
“atribuídas” a Paulo. As chamadas autênticas são: Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, 
Filipenses, 1 Tessalonicenses e Filêmon. Elas figuram como os mais antigos escritos do 
cristianismo, anteriores inclusive aos Evangelhos canônicos (os que temos na Bíblia), 
e pela originalidade de atribuição a Paulo são chamadas de “protopaulinas”, isto é, 
“primeiramente (em relação às outras, posteriores) atribuídas a Paulo.
As Cartas de Paulo consideradas não originais ou a ele atribuídas são: Efésios, 
2 Tessalonicenses, Colossenses, 1 e 2 Timóteo e Tito. Elas foram escritas ou finalizadas 
(concluídas) depois da morte do Apóstolo, em geral depois do ano 80, nas duas últimas 
décadas do século 1º. ou mesmo no século 2º e são chamadas de deuteropaulinas, isto 
é, atribuídas depois, em um segundo (deutero: segundo) momento. Assim podemos 
sintetizar:
CARTAS AUTÊNTICAS OU ATRIBUÍDAS A 
PAULO
CARTAS NÃO ORIGINAIS E ATRIBUÍDAS 
A PAULO
Romanos Efésios
1 e 2 Coríntios 2 Tessalonicenses
Gálatas, Colossenses
Filipenses 1 e 2 Timóteo
1 Tessalonicenses Tito
Filêmon
Conforme esta consideração, pode-se perguntar: por que as Cartas deutoropaulinas 
levam o nome de Paulo? Uma possível resposta seja porque seus autores desejavam ensinar 
como Paulo, no mesmo sentido dele, com o ímpeto que ele demonstrava. Estes autores, 
que não sabemos quem são, fizeram textos “pseudoepígrafos”, isto é, colocaram o nome 
de outro em um escrito seu. Fizeram isso para dar mais crédito ao que escreveram ou para 
completar o que poderia estar faltando ao que já fora escrito. Esta é uma possibilidade: 
completar ou mesmo corrigir o que não pareceu bem claro em outros escritos. 
Este modo de interpretar o “corpus paulinum” às vezes não é muito destacado 
entre os estudiosos e nem é de consenso. Alguns indicam a 2 Tessalonicenses como 
sendo anterior à 1 Tessalonicenses e, consequentemente, original de Paulo. Nem todos 
os estudiosos identificam as Cartas chamadas pastorais como deuteropaulinas. Assim, 
não daremos destaque a este critério de identificação de Paulo senão como chave 
interpretativa. 
Identidades diversas para as Cartas paulinas 
Há mais de um modo de classificar as Cartas de Paulo. Nem sempre os estudiosos 
estão em consenso a este respeito. Vejamos: Chamam-se de Cartas do cativeiro as Cartas 
ATENÇÃO:
Insisto na questão de menor 
importância deste critério 
de identificação do “corpus 
paulinum”. Você poderá consultar 
as introduções de cada Carta em 
edições da Bíblia para alguma 
informação mais pertinentes. 
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Bacharelado em Teologia
UNIDADE 1UNIDADE 1
ditas deuteropaulinas aos Efésios e aos Colossenses. Elas refletem um tempo de prisão, 
em que o Apóstolo estaria aguardando algum julgamento. Digo “estaria” pois, se são 
Cartas deuteropaulinas, então são posteriores ao Apóstolo.
Outra visão podemos ter das “Cartas do cativeiro”, considerando como tais as 
Cartas deuteropaulinas aos Efésios, aos Colossenses, e as protopaulinas aos Filipenses e 
a Filêmon. Excetuando esta última, as três primeiras também são chamadas de “Cartas 
cristológicas”, pois apresentam argumentos significativos quanto à identidade e missão de 
Jesus Cristo. 
Assim há duas as maneiras de considerar as Cartas do cativeiro. Uma mais ampla 
e outra mais restrita. Onde seria este cativeiro ou prisão? Uma visão mais tradicional 
indicava como sendo Roma, durante a permanência de dois anos, entre 61 e 62. Outros 
estudiosos indicam Cesaréia, entre os anos 58 e 60. Uma terceira opinião é a cidade de 
Éfeso, entre os anos 54 e 57, o que seria bem provável se não fosse o fato de Atos dos 
Apóstolos não indicar nada a respeito de uma prisão de Paulo naquela cidade.
As Cartas pastorais são as dirigidas a Timóteo e aquela a Tito. São chamadas 
assim pois têm um forte acento de indicações práticas sobre como conduzir a Igreja. 
Assim, temos:
CARTAS DO CATIVEIRO CARTAS DO CATIVEIRO CARTAS PASTORAIS
Carta aos Efésios Carta aos Efésios 1 Timóteo
Carta aos Colossenses Carta aos Colossenses 2 Timóteo
Carta aos Filipenses Tito
Carta a Filêmon
Período da escrita 
As Cartas paulinas autênticas, as chamadas protopaulinas, têm uma datação mais 
precisa do que as atribuídas a Paulo. Um elemento curioso é que os biblistas indicam como 
data para cada uma destas Cartas, geralmente, o período de tempo entre o final de um ano 
e o início do ano seguinte. O motivo é que, no hemisfério norte,este é o período de inverno. 
Em alguns lugares por onde Paulo peregrinava as viagens nos períodos de inverno eram 
praticamente impossíveis. Este era, então, o tempo para compor as Cartas, pois havia mais 
serenidade e condições para a escrita. Lembremos que escrever, naqueles tempos, não era 
algo tão fácil e imediato como hoje. Era necessário grande dose de decisão, pois implicava 
em adquirir os matérias necessários, ter conhecimento da língua ou pagar algum escribas, 
pensar no que escrever e calmamente compor letras e frases, sem desperdiçar espaços do 
pergaminho ou papiro ou outro material usado como base da escrita. 
Um esquema fundamental 
Cada Carta de Paulo tem conteúdo e sentido específicos. Constam também de 
argumentos diferentes conforme os destinatários dos escrito. Mas é possível descobrir um 
esquema fundamental que sobressai em todas elas, que pode ser apresentado dessa forma:
ESQUEMA FUNDAMENTAL DAS CARTAS PAULINAS
A. Uma introdução Autoria e destinatários 
Algumas palavras de exortação e gratidão
B. Corpo do texto Argumentos que se sucedem
Cada carta tem um ou vários focos
C. Conclusão 
Saudações individuais e comunitárias
Alguma ação de graças 
Despedida
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Batatais – Claretiano 15
UNIDADE 1UNIDADE 1
É claro que o corpo do texto é a parte maior e é onde aparecem os elementos 
mais relevantes da teologia paulina. Mas as introduções e conclusões também têm sua 
importância, pois demonstram a intensidade de interesse e empenho que o Apóstolo 
dedicava às suas comunidades. 
5 TESSALONICENSES 
Temas, contexto e circunstâncias
A 1 Tessalonicenses é o mais antigo escrito cristão de que se tem notícia. É 
também o mais antigo texto neotestamentário. É possível que a data de sua redação tenha 
sido entre os anos 50 e 51, em Corinto. Aliás, esta datação é a chave para a cronologia de 
Paulo. A questão está na permanência em Corinto. Paulo, conforme a afirmação de Atos 
18,11, residiu em Corinto um ano e seis meses, portanto 18 meses. No final desse tempo, 
foi conduzido até o procônsul Galião que deveria julgá-lo. Este Galião não deu importância 
às questões levantadas pelos que apresentavam o Apóstolo ao tribunal (18,14–16). Ele 
reduziu as questões a argumentos de palavras, nomes e assuntos da Lei dos judeus. 
Despediu o grupo que, não satisfeito com o inesperado desfecho da situação, tomou 
Sóstenes - que Atos indica ser o chefe da sinagoga local -- e o espancou. Paulo, contudo, 
pôde continuar na cidade ainda algum tempo. 
Ocorre que Galião, procônsul da Acaia, região onde estava Corinto, ficou um ano 
na função. Como sabemos por uma inscrição encontrada em Delfos, este Galião esteve na 
Acaia entre os anos de 51–52. Calcula-se que Paulo deve ter comparecido perante ele no 
final do verão de 51. Se 1 Tessalonicenses foi escrita de Corinto, então deve ter sido antes 
desta data. Calculam-se os anos 50–51, provavelmente no inverno, que era o tempo de 
escrever cartas, pois as viagens eram impossíveis. 
1 Tessalonicenses estabelece o padrão de motivos para as Cartas de Paulo: 
circunstâncias concretas, situações localizadas e bem delimitadas. As Cartas de Paulo, 
como já vimos na introdução, não eram programadas, à exceção daquela dirigida aos 
Romanos. 
A autenticidade de 1 Tessalonicenses é indiscutível. A antiguidade já transmitia 
informações sobre a autoria de Paulo. O cânon de Marcião, datado de 144, já possuía 1 
Tessalonicenses em sua lista de livros do Novo Testamento; o Cânon de Muratori, famoso 
documento datado de meados do século 2º apresenta a Carta em sua lista. Tem-se também 
os testemunhos de Ireneu († 200 aproximadamente), na região da Gália (atual França); 
Clemente de Alexandria († antes de 215), no Egito; Tertuliano († 220 aproximadamente), 
na África. Todos confirmam a autoria paulina da Carta.
Segundo Atos dos Apóstolos 17,1ss, Paulo e Silas chegaram a Tessalônica e 
lá iniciaram a pregação na sinagoga. Alguns aceitaram a mensagem apresentada pelo 
Apóstolo e formaram um núcleo cristão. Contudo, como podemos ler ainda em Atos 17, 
alguns judeus invejosos decidiram combater esta situação e acusaram os pregadores de 
propor outro “rei” além de César (cf. Atos 17,7), o que é interessante, pois a pregação 
cristã não era feita com esta imagem de “rei” aplicada a Jesus. 
A situação tornou-se muito tensa e envolveu a Jasão, o hospedeiro de Paulo 
naquela cidade. Por causa disso, Paulo e Silas foram retirados às pressas da cidade, de 
noite, indo para Beréia. Lá também foram perseguidos por outros de Tessalônica, enviados 
pelos judaizantes da cidade. Desta forma, Paulo teve de partir de Beréia e, conforme 
Atos 17,16ss, rumou para Atenas. Ficaram em Beréia Timóteo, que aparece no momento 
ATENÇÃO!
É importante que você leia 
agora as duas Cartas aos 
Tessalonicenses. Use uma 
boa tradução bíblica e sirva-se 
das notas explicativas. Uma 
leitura atenta do texto é mais de 
meio caminho andado para a 
compreensão da mensagem!
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Claretiano – Batatais16
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 1UNIDADE 1
na história, e Silas. Posteriormente, eles também seguem a Paulo. Este manda Timóteo 
novamente a Tessalônica para confirmar a fé dos convertidos. Timóteo retorna trazendo 
notícias e é neste contexto que Paulo escreve a 1 Tessaloniceses.
1 Tessalonicenses nasceu da necessidade de contatar os cristãos daquela 
cidade, despertados em sua adesão a Jesus Cristo em meio a situações muito complexas. 
Paulo afirma em 1 Tessalonicenses 2,18 que deseja visitar a cidade, mas que Satanás o 
impede. 
1 TESSALONICENSES – ESTRUTURA 
1,1 Endereço
Temas introdutórios 1,2–10 
2,1–12 
2,13–16
2,17–19
3,1–5 
3,6–13 
Ação de graças
Lembranças da estadia em Tessalônica
A reputação dos tessalonicenses
A solicitude do Apóstolo
Motivo do envio de Timóteo
Ação de graças do Apóstolo
Escatologia e Parusia 4,1–12 
4,13–18
5,1–11 
Prática de vida cristã
Imagem escatológica
A vinda do Senhor
Conclusões 5,12–22
5,23–27
5,28 
Recomendações comunitárias
Oração fi nal
Despedida 
Estrutura de 1 Tessalonicenses 
O endereço é simples e objetivo: apresenta os remetentes, tendo Paulo à cabeça, 
seguido de Silvano e Timóteo, e os destinatários: a Igreja de Tessalônica. 
Em seguida temos cinco quadros, estruturados no argumento da recordação de 
fatos e situações em que aparece uma relação de “nós” e “vós”, entendendo-se o “nós” como 
Paulo e seus companheiros e “vós” os tessalonicenses. Esta primeira parte, que chamamos 
de “temas introdutórios”, são um conjunto de palavras, impressões e sentimentos intensos 
de interesse do Apóstolo para com uma Igreja nascida na adversidade, mas que produz 
frutos e progride. Vejamos o conteúdo destes seis quadros acima citados:
Primeiro quadro (1,2–10)
Trata da vocação dos tessalonicenses e as consequências da adesão ao mistério 
de Jesus Cristo. Os pontos marcantes desta adesão são a conversão da idolatria e a fé 
na ressurreição de Jesus. Os tessalonicenses, embora nas tribulações da vida, encontram 
alegria do Espírito. 
Segundo quadro (2,1–12)
Trata-se das atividades do Apóstolo e de sua natureza. Em primeiro lugar, Paulo 
cita os percalços da sua missão em Filipos. Ele não desiste, contudo, de sua missão, pois 
ela veio de Deus. Por isso declara-se livres dos condicionamentos próprios de pregadores 
itinerantes, muito comuns na época, que tinham e tiravam vantagens das situações que 
criavam. Paulo insiste em seu interesse intenso pelos tessalonicenses. 
Terceiro quadro (2,13–16)
Aqui Paulo recorda a conversão dos tessalonicenses que entenderam seu 
interesse em levar a todos à salvação. Paulo louva a Igreja de Tessalônica e a conduta 
ATENÇÃO!
É imprescindível que você leia 1 
Tessalonicenses neste momento. 
Sua leitura é condição necessária 
para o seu estudo e comentário. 
Assim, um contato prévio é mais 
do que necessário. De modo 
especial veja como Paulo, mais 
do que apresentar argumentos, 
apresenta a si próprio e a sua 
experiência. Observe edestaque 
os principais focos de atenção do 
Apóstolo, para depois confrontar 
com as considerações aqui 
apresentadas. 
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Batatais – Claretiano 17
UNIDADE 1UNIDADE 1
de seus membros que chegaram a ser semelhantes aos das Igrejas da Judéia, sofrendo 
perseguições. Como Jesus foi perseguido, agora o são também seus discípulos. 
Quarto quadro (2,17–20)
Seguindo a ideia da perseguição por causa do seguimento de Jesus, Paulo recorda 
que ele foi impedido de ir a Tessalônica por Satanás. É difícil determinar o que ele deseja 
dizer com isso: quem é Satanás? Os judaizantes, circunstâncias adversas ou situações 
físicas, climáticas? Mais uma vez Paulo dá graças a Deus pela Igreja de Tessalônica.
Quinto quadro (3,1–13)
Paulo lembra que Timóteo foi desenvolver uma atividade em Tessalônica, a fim 
de confirmar a fé e instruí-los, preparando-os para as tribulações. Depois de ter enviado 
Timóteo até lá, agora ele retorna com notícias que fazem Paulo sentir-se muito bem, pois 
o Evangelho surtiu efeito na comunidade. 
Depois destes “temas introdutórios” temos a segunda parte da Carta, composta 
sobretudo com temas pastorais e teológicos. Pode-se dividir essa parte em exortações e 
instruções. 
Exortação (4,1–12), a prática de vida cristã
A vida cristã exige fuga da impureza, pois é um chamado à santificação. O 
Apóstolo elenca o que deseja dizer com isso: abstenção da fornicação, guarda do próprio 
corpo, não ceder aos desejos da paixão nem explorar o próximo. Segundo ele, nada 
escapa aos olhos de Deus. Por isso é necessário o amor fraterno que supera as tendências 
contrárias à santificação. 
Instruções sobre a parusia ou imagem escatológica (4,13–18 e 5,1–11)
O fim dos tempos aqui está muito próximo do fim da vida. Trata-se de um 
conjunto de considerações em que estas duas situações são consideradas conjuntamente. 
Talvez alguns tessalonicenses estivessem em luto por alguma morte ou quem sabe as 
inseguranças da vida impusessem alguma tristeza. Paulo identifica isso como falta de 
esperança (v. 13). Segue-se uma série de imagens onde o tempo e o lugar não são 
específicos, mas em que sobressaem as ideias da certeza do fato, incerteza da hora e 
subitaneidade do acontecimento. O que se exige do fiel aqui é a vigilância, a sobriedade 
e a atenção.
Sem dúvida as informações de Paulo a respeito da parusia eram ainda muito 
ligadas ao pensamento judaico. A Igreja nascente ainda não tivera tempo para pensar 
na situação e nas suas relações com a vida concreta dos fiéis. Enfim: não parecia que o 
mundo fosse terminar, pois o que havia era a segurança das organizações romanas. Por 
que pensar nisso, então? Paulo, que podemos dizer ainda está no início de sua atividade, 
não tem uma visão clara do que tudo isso significa. Sabe que nunca a Igreja, os fiéis, 
os mortos e os vivos, serão deixados à margem da vida e da salvação. Assim, mais do 
que descrever o final dos tempos ou o destino pessoal e comunitário dos fieis, ele deseja 
declarar a constância do Senhor na história. Sem dúvida que o Apóstolo é lúcido ao não 
indicar um tempo ou um lugar para o fim, usando imagens muito evidentes, como a do 
ladrão que chega à noite e do sono que impede a reação perante um fato inesperado. 
É significativo que as instruções, a primeira sobre a morte e o morrer (4,13–18) 
e a segunda sobre a vinda do Senhor (5,1–11) concluem com a mesma ideia do consolo 
que nasce da pertença a Cristo (4,18 e 5,11).
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Claretiano – Batatais18
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 1UNIDADE 1
Conclusões de 1 Tessalonicenses
São instruções da vida em comunidade, com um destaque para o respeito 
aos chefes da comunidade. Deve haver harmonia e paz. Segue-se uma série de 
recomendações que são concatenadas, seguramente com a intenção de criar também 
chaves de memória. 
No final, o Apóstolo pede que a comunidade não extinga o Espírito, o que pode 
significar que alguma formalidade fosse mais marcante do que a experiência da vida. E, 
por fim, uma recomendação que passou a ser um axioma cristão: “Discerni tudo e ficai 
com o que é bom” (5,21). Em seguida, uma complementação: “Guardai-vos de toda 
espécie de mal” (5,22).
Paulo faz uma prece de agradecimento pela Igreja e roga sobre ela o que antes 
lhe ensinou como motivo de vida, isto é, a santidade: espírito, alma e corpo devem ser 
guardados para a vinda do Senhor. 
6 TESSALONICENSES
Características: Protopaulina ou Deuteropaulina?
A índole de 2 Tessalonicenses é fundamentalmente apocalíptica. Nos poucos 
capítulos (apenas três) o autor insiste em temas já desenvolvidos em 1 Tessalonicenses. A 
segunda Carta de Paulo aos Tessalonicenses é considerada deuteropaulina. Alguns motivos 
dessa consideração: 
a) O ensinamento de 2 Tessalonicenses 1,1–12 é oposto a 1 Tessalonicenses 
5,1–6. Trata-se do problema da parusia, o retorno de Jesus no final dos 
tempos. Enquanto em 1 Tessalonicenses, Paulo fala de uma chegada súbita 
e inesperada de Jesus, em 2 Tessalonicenses encontramos a afirmação de 
sinais que precedem a chegada. É também notável que Paulo nunca mais usa 
os argumentos de 2 Tessalonicenses ligados às ideias de apostasia e vinda 
do anticristo.
b) O vocabulário, o estilo e a própria estrutura das duas cartas têm muita 
semelhança. Tudo indica que 2 Tessalonicenses foi escrita sobre 1 
Tessalonicenses, com pequenas mudanças. Veja-se, por exemplo, a abertura 
das Cartas.
c) 2 Tessalonicenses deve ter sido escrita vários anos depois de 1 Tessalonicenses 
por um escritor que a conhecia e desejava “completar” alguns aspectos que 
lhe pareciam abertos ou não seguros, especialmente no que diz respeito à 
parusia.
No entanto, alguns estudiosos (não muitos) sustentam a autoria paulina para 2 
Tessalonicenses e a datam de pouco tempo depois de 1 Tessalonicenses. As semelhanças 
seriam devido justamente ao pouco espaço de tempo entre uma e outra, tendo ainda 
por base os mesmos problemas. A estrutura é muito simples (Veja Quadro de texto a 
seguir). 
2 TESSALONICENSES – ESTRUTURA 
Saudação 1,1–2
Ação de graças 1,3–12
A vinda do Senhor 2,1–12
A necessidade da perseverança 2,13–17
INFORMAÇÃO:
Para uma melhor compreensão 
da 1 Tessalonicenses sugiro 
um pequeno e oportuno livro: 
TRIMAILLE, Michel. A primeira 
epístola aos Tessalonicenses. 
São Paulo: Paulinas, 1986. 
Temos também um interessante 
estudo em CARREZ, Maurice, 
DORNIER, Pierre, DUMAIS, 
Marcel e TRIMAILLE, Michel. As 
cartas de Paulo, Tiago, Pedro 
e Judas. São Paulo: Paulinas, 
1987, p. 35–54.
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Batatais – Claretiano 19
UNIDADE 1UNIDADE 1
2 TESSALONICENSES – ESTRUTURA 
Exortação à confi ança 3,1–5
Desordens e maus exemplos 3,6–12
Exortação ao bem e à boa conduta 3,13–15
Oração. Saudações fi nais 3,16–18
2 Tessalonicenses 
Agora apresentamos um pequeno comentário sobre cada uma das partes em 
que se estrutura esta Carta. Observe:
Saudação (1,1–2)
O autor dirige-se aos tessalonicenses junto a Silvano e Timóteo. Deseja a esta 
comunidade graça e paz, o que é muito próprio das expressões paulinas. 
Ação de graças (1,3–12)
O autor louva os tessalonicenses pela conduta marcada pela caridade e diz-se 
orgulhoso de ter sido o fundador daquela Igreja. Dá um sentido para o sofrimento de 
alguns: o estabelecimento do reino de Deus. 
Em seguida, são tecidos comentários a respeito de sofrimentos que devem 
existir naquela Igreja. Como você pode observar a seguir, o texto é marcado pelo tom 
apocalíptico, com ameaças, castigos e palavras duras de ser ouvidas, pelo tom ameaçador 
ou pelos símbolos que evocam. 
No final, versículos 11 e 12, faz-se uma ação de graças pela Igreja de Tessalônica, 
chamada a ter fé. O texto afirma que assim Jesus Cristo é glorificado nas pessoas que o 
seguem e vivem. O final é também doxológico: “Assim, será glorificado em vós o nome 
de nosso Senhor Jesus Cristo, e vós nele, pela graça de nosso Deus e do Senhor Jesus 
Cristo” (1,12).
Tom ouestilo apocalíptico: trata-se de um modo de escrever que é derivado 
do profetismo, mas está em um sentido muito diverso dele. Apocalipse é 
uma palavra grega que significa “revelação”. Enquanto o profetismo, mesmo 
com suas imagens e símbolos, aponta para verdades, alertas e realidades 
anteriores, atuais ou posteriores, o apocalipcismo é cheio de imagens e 
símbolos que, propositalmente, confundem os que não estão iniciados. Fala-
se muito de fim, de consumação, de decisão final. É bem mais “colorido” do 
que o profetismo. O exemplar mais evidente de livro apocalíptico é o escrito 
neotestamentário chamado, justamente, Apocalipse. Ele se chama assim por 
ser em estilo apocalíptico. 
A vinda do Senhor (2,1–12)
A vinda do Senhor, no final dos tempos, de modo a pôr às claras a história, é 
o momento decisivo. O fiel não deve temer nem subestimar este momento, ainda que 
alguns assim proponham. Deve-se evitar a sedução do caminho fácil, motivada pelo 
adversário que é contra Deus. Aqui mais uma vez aparece o tom apocalíptico (versículos 
3–5). O autor recorda dos argumentos de Paulo quando estava com a comunidade de 
Tessalônica. 
O texto cita a vinda do ímpio e de Satanás. Anuncia momentos de injustiça e 
provação. No final, a verdade e a fidelidade devem prevalecer (versículo 12).
INFORMAÇÃO:
Celebrou-se no decorrer de 
2008-2009 o Ano Paulino. 
Sugerimos que você faça 
uma busca na internet sobre 
este asunto. Certamente você 
ficará surpreso com riqueza de 
assuntos e imagens em torno 
da figura de Paulo /apóstolo. A 
título de sugestão, acesse o site: 
http://www.saopauloapostolo.net/
cartas.htm, em comemoração ao 
Ano Jubilar Paulino (2008-2009), 
onde você encontrará farto 
material sobre Paulo Apóstolo, 
especialmente sobre suas 
Cartas.
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Claretiano – Batatais20
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 1UNIDADE 1
Necessidade da perseverança (2,13–17)
O que é necessário é a perseverança para a resistência ao mal. O autor louva a 
escolha dos tessalonicenses para a salvação, para a santificação. O texto usa a expressão 
“nosso Evangelho”, muito própria de Paulo. 
Exortação à confiança (3,1–5)
Iniciando um tom conclusivo, o autor insiste na presença da força e proteção de 
Deus para com os tessalonicenses. O versículo 5 transformou-se em um axioma: “Que o 
Senhor dirija os vossos corações para o amor de Deus e a paciência de Cristo.”
Desordens e maus exemplos (3,6–12)
Tem-se a impressão de que o versículo 5 fosse o final, mas o texto continua com 
admoestações a respeito da conduta. Se há alguém com vida desordenada, deve retomar 
ao bom caminho. O modelo é o autor da Carta, auto-atribuída a Paulo. Assim, o modelo 
é o Apóstolo. 
Em seguida, uma regra básica. Nos versículos 10 e 11 aparece a ordem ao 
trabalho e a ironia sobre quem não tem o que fazer: 
Aliás, quando estávamos convosco, nós vos dizíamos: Quem não quiser 
trabalhar, não tem o direito de comer. Entretanto, soubemos que entre vós 
há alguns desordeiros, vadios, que só se preocupam em intrometer-se em 
assuntos alheios. 
Exortação ao bem e à boa conduta (3,13–15)
Finalmente, retomando o tom de conclusão, o texto exorta ao bem e à 
perseverança no que o Apóstolo havia anunciado. Como que abrandando as observações 
anteriores o texto afirma que os que estão fora as normas apresentadas pelo Apóstolo 
devem ser alertados, tolerados mas não rejeitados. 
Oração. Saudações finais (3,16–18)
A saudação final é uma bênção. O texto apresenta a afirmação da assinatura 
paulina. É curiosa a afirmação final: “E assim que eu escrevo” (3,17), como que insistindo 
na idéia de ser um texto daquele autor. 
O último versículo é uma oração: “A graça de nosso Senhor Jesus Cristo esteja 
com todos vós!” (versículo 18). 
Considerações sobre a autoria de 2 Tessalonicenses
A língua e o estilo têm muito a ver com Paulo. O pensamento é, fundamentalmente, 
paulino, excetuando alguns pontos, como a ideia do anticristo, de Satanás e certo colorido 
nas imagens que parecem apresentadas para impressionar. A ideia que se tem em uma 
leitura corrida das Cartas é que 2 Tessalonicenses deseja reforçar os princípios antes 
expostos em 1 Tessalonicenses e, ao mesmo tempo, suscitar uma adesão mais intensa. 
Isso em vista do futuro e da realidade da Igreja em meio ao mundo, com suas inseguranças 
e dificuldades. 
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Batatais – Claretiano 21
UNIDADE 1UNIDADE 1
7 CONSIDERAÇÕES 
Apresentamos aqui uma descrição de Paulo enquanto personagem e de sua 
mensagem. Vimos que Paulo aparece no cenário do cristianismo nascente como alguém 
muito bem preparado e disposto à obra evangelizadora. 
Na sua atuação, ele serviu-se de Cartas, sendo que estas, mesmo sem um 
projeto claro, correspondiam ao seu primeiro interesse: difundir sua palavra, solucionar 
situações e aproximar-se das Igrejas que ele havia fundado ou visitado. 
As Cartas paulinas não debatem todos os assuntos próprios do cristianismo, 
mas os que parecem ser mais imediatos para o Apóstolo e para as igrejas. Contudo, ainda 
que não sejam exaustivas, elas representam uma interessante fonte de informação e de 
teologia. 
8 E – REFERÊNCIAS
Lista de Figuras 
Figura 1- São Paulo Apóstolo: disponível em: <http://communio.stblogs.org/saint-
paul/ >. Acesso em: 07 jul.2009.
Figura 2 - Conversão de São Paulo: disponível em: <http://www.wf-f.org/StPaul.
html>. Acesso em: 07 jul.2009.
Figura 3 - Fragmento da Carta de São Paulo aos Romanos: disponível em: <http://
bne.catholic.net.au/asp/index.asp?pgid=11747>. Acesso em: 07 jul.2009.
9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARBAGLIO, Giuseppe. As cartas de Paulo (I). Tradução de José Maria de Almeida. São 
Paulo: Loyola, 1989, p. 15–131. (Coleção bíblica Loyola: 4)
FABRIS, Rinaldo. Para ler Paulo. Tradução de Marcos Bagno. São Paulo: Loyola, 1996, p. 
21–46. 
HAWTHORNE, Gerald F. MARTIN, Ralph P. REID, Daniel G. Dicionário de Paulo e suas 
cartas. Tradução de Bárbara Theoto Lambert. São Paulo: Paulus, Vida Nova, Loyola, 2008, 
p. 1190–1199. 
HEYER, C. J. den. Paulo: um homem de dois mundos. Trad. Luiz Alexandre Solano Rossi. 
São Paulo: Paulus, 2009, páginas 1–33. (Coleção Bíblia e sociologia)
MURPHY–O’CONNOR, Jerome. Paulo de Tarso: história de um apóstolo. Tradução de Valdir 
Marques. São Paulo: Paulus, Loyola, 2007, p. 23–57. 
VAN DEN BORN, A. (Org.). Dicionário enciclopédico da Bíblia. 3. ed. Tradução de Frederico 
Stein. Petrópolis: Vozes, 1971, 1588 col. 
AnotaçõesAnotações
Anotações
PAULO: APRESENTAÇÃO - 
1 E 2 CORÍNTIOS
Objetivos
• Conhecer Paulo enquanto personagem e Apóstolo de 
grande importância no cristianismo mais antigo.
• Conhecer os traços marcantes de sua personalidade: 
exigente, intensa, dedicada, mas também sensível 
marcada pela ação da graça. 
• Compreender o período histórico de sua vida e atividades 
e as situações da Igreja nascente.
• Conhecer as circunstâncias da Igreja de Corinto.
• Formar uma ideia geral de 1 e a 2 Coríntios. 
Conteúdos
• Paulo: Personagem e Apóstolo [2]
• A Igreja de Corinto
• As duas cartas aos coríntios
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Bacharelado em Teologia
UNIDADE 2UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Na Unidade anterior, mostramos a importante de Paulo para o Novo Testamento, 
tanto pelos seus escritos quanto por ter sido o primeiro teólogo cristão. Procuramos 
também conhecer um pouco de seu pensamento expresso em seus escritos, que formam 
o corpus paulinum. De modo especial, vimos como se estruturam duas de suas Cartas, a 
1 e 2 Tessalonicenses.
Nesta Unidade 2, vamos aprofundar um pouco mais a figura de Paulo, mostrando 
como ele foi importante para o cristianismo primitivo. Veremos os traços marcantes de 
sua personalidade, bem como o período histórico em que viveu. É um momento oportuno 
para você conhecer um pouco mais sobre a Igreja nascente, especialmente a respeito da 
comunidade de Corinto. 
2 PAULO: PERSONAGEM E APÓSTOLO 
Paulo: personalidadecomplexa e apaixonada
Paulo não era alguém que se destacava por dotes físicos. Ele próprio escreve 
como comentam a seu respeito:
Suas cartas, dizem, são imperativas e fortes, mas, quando está presente, a sua 
pessoa é fraca e a palavra desprezível (2 Coríntios 10,10).
Muito já se falou a respeito de uma suposta doença que ele descreve como um 
“espinho na carne”, “bofetadas de Satanás” (2 Coríntios 12,7–9). Seria uma doença física? 
Ou seriam os judeus e os judaizantes? É difícil saber hoje. 
Pela leitura e análise do “corpus paulinum”, Paulo é dotado de um temperamento 
inquebrantável de um líder; é alguém que sabe o que deseja e luta intensamente por isso, 
até às últimas consequências. Tem espírito de iniciativa, grande capacidade de trabalho e 
resistência. É tenaz e empreendedor. Um apaixonado pelas suas ideias, ideais e planos. 
Toda esta paixão e todos estes tons de sua personalidade ele os aplica no anúncio do 
Evangelho. 
Pela leitura de suas Cartas, nota-se que ele tinha grande sensibilidade e, por 
isso, o amor e a rejeição nele se manifestam intensamente. Possui um coração terno, 
como o de um pai amoroso, mas é também zeloso, ciumento do que lhe pertence. Quando 
os judaizantes se infiltram nas comunidades por ele fundadas, ele se revolta, acusa, 
alerta, lamenta, ameaça. 
Paulo não escreve de modo brilhante. Suas cartas não detêm grande pendor 
literário. À exceção de Romanos, as Cartas paulinas, como já vimos na unidade anterior, 
não têm um projeto redacional. São escritos esporádicos. Assim seus argumentos 
podem parecer, em alguns momentos, um tanto confusos. Contudo, são os mais antigos 
testemunhos da experiência cristã a partir de Jesus Cristo, o que de per si já é algo 
notavelmente importante. 
Embora não tenham grandes elaborações literárias, as Cartas de Paulo expressam 
uma notável capacidade dialética. Ele tem talento, é inegável. Escreve com expressão e 
envolve seus ouvintes nos argumentos. Não é um expositor frio, sem ligação com o que 
apresenta, mas é, como dissemos, apaixonado pela mensagem que oferece. 
INFORMAÇÃO:
Os conteúdos aqui apresentados 
não têm pretensão de esgotar 
assunto tão complexo. Serve 
apenas de uma referência. É 
importante, pois, que você amplie 
este conteúdo com a leitura das 
obras indicadas na Bibliografia 
básica ou complementar (ver 
Guia de disciplina).
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Batatais – Claretiano 25
UNIDADE 2UNIDADE 2
Paulo é um intuitivo, capta as situações e as elabora, expondo a situação de 
modo a evidenciar as contradições, os problemas e sugerir as soluções que de antemão 
ele já conhece e expôs. É um apostolo decididamente cativado pela mensagem do 
Evangelho e profundo conhecedor da alma humana. Não admira que tenha sido o primeiro 
a sistematizar o pensamento cristão. Ele o fez em suas cartas que, em todos os tempos e 
ainda hoje, continuam a ser a base da teologia e da catequese. 
Paulo: o convertido
Vimos na unidade anterior alguns aspectos da pessoa de Paulo, em especial sua 
origem e sua postura perante o judaísmo do seu tempo. Paulo é um convertido não do 
ponto de vista ético e moral, mas sim nos seus conceitos e consequências. 
É difícil entender a postura de convertido de Paulo. Ele mesmo não evidencia 
muito esta situação, senão quando apresenta. 
Figura 1 (divulgação) - Conversão de Paulo.
A conversão de Paulo inaugura um tempo especial para a Igreja nascente. 
Ocorre uma mudança de perspectiva que ainda demorará para ser compreendida. Tudo 
indica que esta mudança ainda não estava clara no final do primeiro século, com a redação 
dos últimos escritos do Novo Testamento. Provavelmente ela fosse, contudo, intuída. 
O judaísmo rejeitou Jesus como sendo Messias, o Cristo. Ele viera para anunciar o 
Evangelho aos judeus, descendentes dos Profetas e Patriarcas. Era a eles que sua mensagem 
se dirigia, mas não somente. Não aconteceu a aceitação maciça que se poderia esperar, mas 
sim duas posturas fundamentais: uma aceitação no sentido de complementação, o que se 
concretizava no cristianismo judaizante. Outra no sentido de aceitar um caminho novo, 
independente do judaísmo e seus limites, mas sem negar a matriz judaica. 
Este é um ponto importante em toda a compreensão do fenômeno religioso e 
social que tem Paulo no centro: em nenhum momento ele rejeitou a matriz judaica do 
Evangelho. Entretanto, soube superá-la, indo além do que um judaizante poderia pensar. 
Paulo deslocou a ideia da autoridade: da Lei ou Torah com sua expressão na escrita para 
o Senhor Jesus, morto e ressuscitado. O caminho para Deus deixou de ser a Torah escrita 
e os comportamentos que ela impunha e passou a ser o seguimento de Jesus Cristo e o 
modelo que ele propunha. 
ATENÇÃO!
Sugiro que, neste ponto, você 
leia o livro Atos dos Apóstolos, 
capítulos 21 a 28. Trata-se 
dos últimos períodos de Paulo 
livre e o início do cativeiro e, 
posteriormente, da viagem 
para Roma. Vemos ali como 
Paulo se apresenta defendendo 
suas ideias, embora esteja 
praticamente abandonado.
ATENÇÃO!
Além das leituras indicadas, 
sugerimos a você que 
pesquise e compartilhe com 
seus colegas de turma suas 
descobertas. Sugerimos 
como pesquisa o site: http://
www.cnbb.org.br/ns/modules/
mastop_publish/?tac=819. Não 
deixe de consultar os temas que 
mais relacionam com o tema 
estudado. Boa sorte.
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Claretiano – Batatais26
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 2UNIDADE 2
Porém, não era fácil esta mudança para um judeu, acostumado aos seus preceitos 
e normas que davam segurança e identidade. Um dos momentos mais importantes para o 
judeu fiel é o encontro para as refeições. Não se trata de simples almoço ou lanche, mas 
sim de um momento de expressar juntos a gratidão ao Senhor. Aqui reside um grande 
problema: como sentar-se à mesa com um cristão que, não vindo do judaísmo, não tem 
as práticas judaicas de pureza e purificação? O judeu deveria romper com sua identidade 
para aceitar os limites de quem não tinha esta perspectiva judaica? Mas, Jesus não viera 
para os judeus? Então por que deixar de ser judeu em função de outro, estranho, que 
entrou no grupo dos discípulos? 
A convivência não era uma realidade fácil. Era necessário, seguramente como 
alguns já tinham compreendido, uma separação. O que ocorreu foi, sob este ponto de vista, 
algo natural: a separação entre cristãos oriundos do paganismo, com as liberdades rituais, 
foi uma necessidade. Paulo, no entanto, reservou para o mundo judaico a prerrogativa de 
trazer à terra o Messias. Isso nunca poderia ser tirado de Israel. Por isso é que o vemos, 
quando chega em uma cidade nova, sempre anunciar entre os judeus em sua comunidade 
local. Depois que estes, normalmente, rejeitam o Evangelho, ele se dirige aos pagãos. 
Paulo compreende esta situação complexa que se vai delineando. Na sua Carta 
aos Romanos ele aborda este tema com muita propriedade e nós estudaremos esse texto 
oportunamente. Aqui é necessário compreender um pouco mais da personalidade do Apóstolo. 
A conversão de Paulo assinala, enfim, uma etapa importante na história da 
salvação. Não é um elemento insignificante, mero acidente. É, sem dúvida, um passo em 
sequência à ressurreição e ao evento de Pentecostes. A conversão de Paulo não é um 
fato privado, antes é um elemento teológico, um evento, um acontecimento eficaz que 
transforma os rumos da história da salvação. De uma possível experiência tímida, restrita 
aos ambientes judaicos e ao Povo da Promessa, passa para uma rica e especialmente plural 
realidade de assimilação e amplitude. O Messias não era mais uma realidade ou solução 
apenas para o judeu fiel: era uma proposta para todo homem, independente de sua raça. 
No evento pascal, lemos nos Evangelhos que o Ressuscitado aparece a Pedro 
e aos Doze. Paulo afirma que depois disso Jesus ressuscitado foi visto ainda por mais de 
quinhentos irmãos ao mesmo tempo (cf. 1 Coríntios 15,6). E finalmente apareceu a ele, 
o antes perseguidor que agora devia serapóstolo. E Paulo percebe, por raciocínio ou por 
dom interior, que o Evangelho não poderia ser restrito. Então ele sai, vai ao encontro de 
quem está fora do âmbito restrito do judaísmo. Ele busca os pagãos, sem nunca deixar 
(insiste sempre nisso) de anunciar aos judeus. É neste contexto, praticamente como 
consequência desta situação que Paulo passa a ser missionário. 
3 AS CARTAS AOS CORÍNTIOS: 1 CORÍNTIOS
A Cidade de Corinto
Corinto era a capital da região grega da Acaia, uma cidade senatorial, isto é, 
com um cônsul que tinha poderes oriundos do senado romano. Fundada centenas de anos 
antes da era cristã, Corinto teve percalços e destruições em sua história, mas com Júlio 
César, em 44 aC., pôde iniciar um notável desenvolvimento. Nesse período, ela renasceu 
como que das cinzas e, com o sucessor de Júlio César, Otaviano Augusto, em 27 aC., 
recebeu a identidade de capital da província, governada por um cônsul e com um afluxo 
incessante de migrantes vindos de todos os lados do Império. 
INFORMAÇÃO:
Você consegue reconhecer na 
conversão de Paulo algum outro 
exemplo? Note que a conversão 
de Paulo não é moral, do pecado 
para a graça, mas sim é de 
conceito, de fundamento: do 
judaísmo baseado na Lei para o 
cristianismo oriundo da graça. Há 
mais exemplos de conversões 
deste tipo? E de outro tipo, do 
pecado para a graça?
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Batatais – Claretiano 27
UNIDADE 2UNIDADE 2
Figura 2 (divulgação) - Ruínas de Corinto, que por volta de 750 a.C. era a mais 
rica cidade da Grécia Antiga.
Em Corinto havia dois portos que, de lados opostos do istmo que formava a 
geografia portuária favorável ao comércio, ligava a Ásia à Europa. Era, portanto, uma cidade 
de passagem, com todas as características de cosmopolitismo. Havia ali os mais diversos 
costumes e línguas, as mais conflitantes posições filosóficas e religiosas. Certamente os 
judeus constituíam um, se não importante grupo, pelo menos um grupo que se fazia notar 
pelos seus costumes e trabalhos na cidade. 
Mas os cultos pagãos eram a expressão forte da cidade. Lá existiam os cultos 
egípcios a Serápis e a Isis, o culto à grande mão Cibele, da Frigia, o culto aos deuses 
romanos como Vênus, chamada entre os gregos de Afrodite. Além disso, havia os cultos 
locais, dos deuses Possêidon, Esculápio, Melicerte e Palêmon. Cada um deles com templos, 
festas, devoções, expressões cultuais e costumes os mais variados. 
A quantia de escravos era enorme, superando a de homens livres. Isso terá um 
notável reflexo na comunidade cristã de Corinto. Em 1,26–31, temos uma noção do grupo 
que formava aquela Igreja. O comércio e os transportes exigidos por ele eram o forte 
da cidade e a oferta de diversão, especialmente de cunho sexual, era um subproduto de 
grande impacto. Corinto era uma cidade licenciosa, cheia de luxúria e prazeres. Ali Paulo 
estabelece uma posto avançado em direção ao Ocidente. Ali foi fundada uma Igreja que 
dará à grande Igreja dois dos mais preciosos escritos do Novo Testamento. 
g
 
Paulo chega a Corinto na sua segunda viagem missionária, em meados do ano 
49, fazendo de lá a última etapa da caminhada. Em Atos 15,36—18,22, encontramos os 
relatos dessa viagem. Paulo vem de uma experiência muito negativa em Atenas. Lemos 
em Atos 17,22–31 que Paulo buscou, no areópago da grande cidade de Atenas, apresentar 
seus argumentos com elaborados conceitos filosóficos e técnicas retóricas. Mas foi infeliz 
nos resultados quando mencionou a ressurreição como principal elemento do anúncio 
(Atos 17,32). A maioria o desprezou e não deu atenção ao Evangelho. Alguns poucos 
aceitaram receber a Boa Nova (Atos 17,34). Talvez encontremos um eco dessa rejeição 
da parte dos atenienses a respeito do Evangelho apresentado por Paulo em 1 Coríntios 
1,21: “Já que o mundo, com a sua sabedoria, não reconheceu a Deus na sabedoria divina, 
aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura de sua mensagem.” 
Contudo, Paulo também percebeu que devia ter uma postura diferente no 
confronto com o cosmopolitismo de Corinto. Talvez seja este estado de espírito que 
podemos ler em 1 Coríntios 2,1–5:
Também eu, quando fui ter convosco, irmãos, não fui com o prestigio da 
eloquência, nem da sabedoria anunciar-vos o testemunho de Deus. Julguei 
INFORMAÇÃO:
Aonde existe uma 
supervalorização do lucro e para 
tanto se cria um movimento 
frenético de mercadorias 
e pessoas, existe também 
uma resposta de vazio e 
uma consequente busca de 
prazeres. Corinto apresenta esta 
realidade. Para lá Paulo se dirige 
sabendo que está escolhendo 
um posto avançado e central, 
de onde poderá dirigir-se para 
muitos outros lugares.
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Claretiano – Batatais28
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 2UNIDADE 2
não dever saber coisa alguma entre vós, senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo 
crucificado. Eu me apresentei em vosso meio num estado de fraqueza, de 
desassossego e de temor. A minha palavra e a minha pregação estavam longe 
da eloquência persuasiva da sabedoria; eram, antes, uma demonstração do 
Espírito e do poder divino, para que vossa fé não se baseasse na sabedoria dos 
homens mas no poder de Deus (1 Coríntios 2,1–5). 
Paulo associa-se com Áquila e Priscila, casal vindo de Roma, já cristãos. 
Provavelmente Paulo exercia a mesma profissão de ambos, fabricante de tendas. Então 
foi morar com eles (Atos 18,3). Assim consegue um ambiente mais seguro para a 
evangelização de Corinto, onde permanece por um ano e meio. Logo chegam, vindos da 
Macedônia, Silas e Timóteo (Atos 18,5)
Figura 3 (divulgação) - São Paulo com Aquila 
e Priscila.
Como sempre, a pregação de Paulo foi dirigida primeiro aos judeus. Mas eles 
o rejeita e o Apóstolo deixa a sinagoga declarando que fizera o possível para tornar o 
Evangelho conhecido. Alguns, porém, aceitam a mensagem, entre os quais Tício Justo, 
prosélito que habitava próximo da sinagoga e o chefe desta, Crespo. Vendo isso, como 
lemos em Atos 18,7–8, muitos se converteram também à fé em Jesus Cristo.
Figura 4 (divulgação) - Paulo prega aos judeus de 
Corinto.
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Batatais – Claretiano 29
UNIDADE 2UNIDADE 2
Depois de ser abertamente rejeitado pelos judeus moradores de Corinto, Paulo 
dirige-se aos pagãos. Mas era tudo muito difícil para Paulo. Corinto era marcada pelo 
vício, pela luxúria, pela idolatria. Como apresentar as virtudes cristãs em uma sociedade 
assim tão corrompida? Como transformar mentes e corações? Paulo pode ter-se sentido 
impotente diante desse estado de coisas. Paulo, então, teve um sonho e, nele, uma 
revelação e estímulo:
Numa noite, o Senhor disse a Paulo em visão: Não temas! Fala e não te cales. 
Porque eu estou contigo. Ninguém se aproximará de ti para te fazer mal, pois 
tenho um numeroso povo nesta cidade (Atos dos Apóstolos 18,9–11).
A pregação, a instrução, a insistência de Paulo não só produziu notáveis frutos, 
mas também exasperou os ânimos dos judeus da cidade. Conduzido por eles perante 
a autoridade romana, o procônsul Galião, é apresentado como um agitador interno do 
judaísmo. Isso não agrada a autoridade romana que despreza os acusadores e não castiga 
Paulo. Ao contrário, em Atos 18,17 lemos que o procônsul mandou espancar Sóstenes, 
chefe da sinagoga, certamente um dos instigadores contra o Apóstolo. Este permanece 
ainda alguns dias na cidade e depois, com Priscila e Áquila, vai para as costas da Síria. 
Primeira Carta aos Coríntios 
Agora que você já fez uma leitura atenta de 1 Coríntios, passemos ao estudo 
desta Carta, sua estrutura e o contexto em que foi escrita.
Circunstâncias 
Durante a terceira viagem missionária (entre os anos 53 e 57), enquanto se 
encontrava em Éfeso, Paulo preocupou-se com a Igreja de Corinto. Ele tinha para com 
ela sentimentos de pai, como lemos em 1 Coríntios 4,15 e soube que haviam muitos 
problemas por lá, certamente de ordem moral. Manda então para lá uma Carta que, 
lamentavelmente, não chegou até nós. Em 5,9ss, lemosalgo a respeito. 
Na minha carta vos escrevi que não tivésseis familiaridade com os 
impudicos. Porém, não me referia de um modo absoluto a todos os impudicos deste 
mundo, os avarentos, os ladrões ou os idólatras, pois neste caso deveríeis sair 
deste mundo. Mas eu simplesmente quis dizer-vos que não tenhais comunicação 
com aquele que, chamando-se irmão, é impuro, avarento, idólatra, difamador, 
beberrão, ladrão. Com tais indivíduos nem sequer deveis comer” (5,9–11). 
Esta primeira carta aos coríntios, agora perdida, não obteve êxito. Então Paulo 
escreve a que chamamos de 1 Coríntios, que deveria ser a segunda se aquela não fosse 
perdida. O Apóstolo recebeu notícias alarmantes, vindas de cristãos conhecidos: por 
intermédio de representantes da casa de Cloé (1 Coríntios 1,11) e de Apolo (Atos 18,27 e 
1 Coríntios 16,12). Estas notícias traziam o retrato de divisões, partidos que se armavam 
uns contra os outros usando o nome de Paulo, de Apolo e de Cefas (Pedro). Havia um 
caso de incesto publico (1 Coríntios 5,1–13); um frequente uso dos tribunais pagãos para 
solucionar problemas entre membros da comunidade (1 Coríntios 6,1–11). Alguns até 
criavam raciocínios ambíguos a respeito da liberdade em Cristo (1 Coríntios 6,12–20; 
10,23). 
Além disso chegam alguns representantes de Corinto: Estéfanas, Fortunato 
e Acaico (1 Coríntios 16,17) que apresentam a Paulo situações diversas que esperam 
soluções. São como perguntas ou questões relativas à vida que alguns filhos apresentam 
ao pai. Este é o contexto em que nasce a 1 Coríntios: a necessidade de responder a 
problemas concretos, sem muita ordem lógica. 
INFORMAÇÃO:
É imprescindível que agora você 
leia as Cartas aos coríntios. 
Esta leitura deve ser feita 
com atenção primeiramente 
ao texto e depois às notas 
explicativas das diversas 
perícopes. Além das leituras 
indicadas nas bibliografias básica 
e complementar, você pode 
pesquisar na internet sobre o 
tema.
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Claretiano – Batatais30
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UNIDADE 2UNIDADE 2
1 Coríntios deve ter sido escrita por volta do ano 55 ou 56; alguns insistem 
até em 57, mas esta é uma data muito tardia. Parece que foi escrita próxima da Páscoa, 
pois utiliza imagens pascais, como em 5,7s e 16,5–9. Não é uma carta sistemática, como 
acabamos de dizer, com exposições claras sobre pontos importantes da doutrina cristã. 
Antes, é um escrito do momento, motivado por situações concretas. 1 Coríntios, junto à 
segunda, podem ser identificadas como ótimas representantes do gênero de cartas e do 
pensamento mais original de Paulo. 
Estrutura e comentário de 1 Coríntios
Figura 5 (divulgação) - Fragmentos 
da 1 Coríntios.
A primeira e a segunda cartas de São Paulo aos Coríntios não contêm um 
esquema lógico, uma estrutura bem pensada ou articulada. Como já dissemos, são frutos 
de ocasião, escritas a partir de situações concretas e de perguntas não acadêmicas, mas 
sim experimentadas. Assim, um esquema teórico pode apresentar limites e imperfeições. 
Mas é possível montar uma visão geral. 
Pode-se dividir 1 Coríntios em duas grandes partes, além de uma introdução e 
uma conclusão. 
Vejamos sua estrutura:
PRIMEIRA CARTA DE PAULO AOS CORÍNTIOS
1,1–9 
1,10—6,20
1,10–16
1,17–31
2,1–5 
2,6–16 
3,1–8 
3,9–17 
3,18–23
4,1–21 
5,1–13 
6,1–11 
6,12–20
Endereço e introdução 
Primeira parte: Desordens e sua condenação 
Divisão interna
A cruz: loucura, escândalo e sabedoria
Apresentação da pregação de Paulo: sua fragilidade
Sabedoria de Paulo
As divisões e suas causas
O fundamento de tudo: Cristo
Sabedoria e loucura
Os apóstolos e o mundo
O caso do incesto
Os tribunais pagãos
A impureza
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Batatais – Claretiano 31
UNIDADE 2UNIDADE 2
PRIMEIRA CARTA DE PAULO AOS CORÍNTIOS
7,1—15,58
7,1–9 
7,10–16
7,17–24
7,25–40
8,1–13 
9,1–14 
9,15–27
10,1–13
10,14—11
11,2–16
11,17–34
12,1–11
12,12–30
14,1–25
14,26–40
15,1–11
15,12–20 
15,21–58
16,1–9 
16,10–18
16,16–25
Segunda parte: questões e situações
Celibato e virgindade
Os cônjuges e seus direitos e deveres
O chamado de Deus
Celibato 
A idolatria e as carnes aos ídolos
Os missionários
As renúncias do Apóstolo 
Exemplos de Israel
O escândalo 
O traje das mulheres
A celebração da ceia
Os carismas
Analogia entre o corpo e os membros da Igreja
Esboço de uma hierarquia de dons
Os dons na assembléia
A ressurreição: o anúncio fundamental do Ressuscitado
Jesus Cristo ressuscitado: esperança e vida
A ressurreição do fi el
Conclusão. Coleta
Notícias diversas
Saudação fi nal
Endereço e introdução (1,1–9)
Paulo faz a introdução costumeira, identificando-se e associando o “irmão 
Sóstenes” a si. Dirige-se à Igreja de Corinto, afirmando que eles são santificados em 
Jesus Cristo e chamados à santidade. Este chamado não é limitado a eles, mas é dirigido 
a todos o que invocam o nome de Jesus. 
Aqui está contido o motivo fundamental da Carta: a santidade como participação 
na vida divina. Paulo dirige-se aos coríntios lembrando-lhes esta vocação. Eles vivem em 
meio a uma sociedade absurdamente corrompida pelos vícios. No início de sua carta, ele 
propõe este princípio e o desenvolve amplamente. 
Primeira parte: desordens e condenação (1,10—6,20)
Nesta primeira parte da 1 Coríntios Paulo apresenta argumentos, exortações e 
até ameaças a partir do que ele ouviu nos relatórios de seus colaboradores. São situações 
que pedem uma palavra, geralmente uma palavra firme para conduzir à mudança de 
comportamento. O que chama a atenção nisso é que, mesmo em meio às palavras duras 
e ameaças, Paulo apresenta sua fé, declara-se fiel em Cristo, insiste na necessidade do 
seguimento de Jesus e exorta à fidelidade. 
Divisão interna (1,10–16)
Paulo abomina esta divisão, pois ela não expressa a harmonia nem a vontade 
de Deus. 
A cruz: loucura, escândalo e sabedoria (1,17–31)
Em poucos versículos, Paulo apresenta um dos textos mais conhecidos que 
identifica o cristianismo. Partindo da busca de si e da sabedoria, ele apresenta a cruz, 
loucura e escândalo, mas, sobretudo salvação. Aqui ele chega ao ponto alto dessa reflexão 
com este longo axioma:
Os judeus pedem milagres, os gregos reclamam a sabedoria; mas nós pregamos 
Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos; mas, 
para os eleitos — quer judeus quer gregos —, força de Deus e sabedoria de 
ATENÇÃO! 
É importante que você faça 
uma leitura de cada uma das 
introduções das cartas de Paulo. 
A percepção de cada argumento 
e o modo de se apresentar são 
sinais do estado de espírito do 
Apóstolo.
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Deus. Pois a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de 
Deus é mais forte do que os homens (1,22–25). 
A verdadeira pregação cristã nada tem a ver com a sabedoria humana, mas 
vem da adesão ao Cristo crucificado. Aos coríntios Paulo recorda que eles não são sábios 
ou poderosos, mas simples, humildes e por isso devem dar graças a Deus pelo chamado 
que receberam. 
Apresentação da pregação de Paulo: sua fragilidade (2,1–5)
Paulo declara que veio aos coríntios com toda a fragilidade que lhe é própria, 
sem as seguranças que seriam de se esperar de um pregador destemido. Certamente está 
aqui, de modo subliminar, a experiência de Tessalônica, quando ele precisou fugir de lá 
pela perseguição dos judeus. 
Sabedoria de Paulo (2,6–16)
Paulo declara que tem uma sabedoria que não é marcada pelas vaidades 
humanas. A sabedoria de Deus, pregada por Paulo, é misteriosa e secreta, mas dada 
a conhecer para quem a aceitar pela ação do Espírito Santo. Temos neste passo outro 
axioma importante:
Mas o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois para ele 
são loucuras. Nem as pode compreender, porque é pelo Espírito que se devem 
ponderar. O homem espiritual, ao contrário, julga todas as coisas e não é 
julgado por ninguém (2,14–15). 
As divisões e suas causas (3,1–8)
Paulo põe em evidênciao motivo das divisões em Corinto. Ele inicia com uma 
palavra dura, lembrando que os coríntios são homens carnais, incapazes de ouvir a verdade 
e aceitá-la. Paulo acusa-os de ciúmes tolos, nascidos dessa situação. Uns declaram-se de 
Apolo, outros de Paulo… Mas estes dois são apenas servos de Deus, que faz tudo crescer. 
É a ele que os coríntios devem voltar-se. 
O fundamento de tudo: Cristo (3,9–17)
Em uma série de argumentos incisivos, Paulo afirma o que fundamento de tudo 
é Cristo, não um pregador cristão. Ele usa da imagem da construção, usa do argumento do 
julgamento e conclui com uma frase que pode ser também considerada um axioma cristão: 
“Não sabeis que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?” (3,17).
Sabedoria e loucura (3,18–23)
Concluindo esta série de argumentos, Paulo praticamente se exalta e declara 
que somente fazendo-se louco, aos olhos do mundo, poderá ser realmente sábio. Declara 
que os valores são invertidos: a sabedoria do mundo é loucura para Deus; e o que pode 
ser loucura, neste mundo, é a sabedoria de Deus. Portanto, os pregadores, Paulo, Apolo, 
Cefas e tudo o que existe é de Cristo e Cristo é de Deus. 
Os apóstolos e o mundo (4,1–21)
Em uma longa sequência, Paulo apresenta a identidade apostólica e a realidade 
da missão do apóstolo. Ele recorda que o Senhor coloca tudo às claras, até o que está 
escondido por medo ou pela maldade. Depois, ele inicia uma diatribe: um debate com 
um interlocutor fictício. Nesse debate, ele defende a fraqueza dos apóstolos como sinal 
da presença de Deus. O tom sugere uma exaltação, e uma severa acusação aos coríntios 
INFORMAÇÃO:
Sugerimos que você compare a 
situação da comunidade cristã 
de Corinto com aquela das 
comunidades cristãs de hoje. 
Em que elas são semelhantes. 
Compartilhe seus comentários 
com os seus colegas.
ATENÇÃO!
Depois de ler o texto bíblico em 
questão e acompanhar estes 
comentários, você pode dizer do 
ponto de vista teológico, quais as 
ideias fundamentais relacionadas 
ao apostolado e que Paulo 
expressa aqui? 
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Batatais – Claretiano 33
UNIDADE 2UNIDADE 2
e aos que se declaram também apóstolos. Ele não mede palavras para demonstrar suas 
ideias. No final, retoma a calma e declara que ele próprio é o que gerou a fé dos coríntios 
e é o seu pai. Eles não devem ceder aos falsos líderes que desejam o controle para obter 
o poder. Sugere depois que irá a Corinto para encontrar-se com a Igreja e continuar a 
ensinar-lhe. É curiosa a última palavra deste capítulo; expressa toda a intensidade dos 
argumentos do Apóstolo e de seu amor por aquela Igreja. Ele diz, em uma pergunta 
retórica: “Que preferis? Que eu vá visitar-vos com a vara, ou com caridade e espírito 
de mansidão?” (4,21). Não podemos deixar de assinalar outro versículo que pode ser 
também um axioma cristã: “Porque o Reino de Deus não consiste em palavras, mas em 
atos” (4,20).
O caso do incesto (5,1–13)
Paulo segue argumentando sobre o problema do incesto que existe dentro da 
Igreja de Corinto e que é um escândalo. Aqui temos uma situação concreta e a ação de 
Paulo sobre os que a realizam. Partindo do problema concreto, que ele sugere ser até 
motivo de orgulho da parte dos coríntios, ele lembra que o fermento leveda a massa, em 
uma alusão metafórica aos maus exemplos que podem corromper o conjunto. Lembra 
que, na sua outra carta, que infelizmente não chegou até nós, ele ordenou que os fiéis 
coríntios não tivessem familiaridade com os impudicos. E faz uma lista de indivíduos que 
não merecem a amizade, nem sequer a companhia das refeições. Os versículos 10 e 11 
apresentam esta lista. Aqui também ele é direto: Deus julgará quem está fora da Igreja, 
mas quem está dentro dela deve comportar-se de modo diverso. 
Os tribunais pagãos (6,1–11)
Trata-se de uma situação igualmente escandalosa para Paulo e que por nada 
poderia contribuir para o Evangelho. Os cristãos, quando tinham suas diferenças, 
apresentavam-se para ser julgados em tribunais pagãos. Para o Apóstolo isso é um 
absurdo! Paulo entende que os coríntios foram lavados, purificados, justificados pelo 
Senhor (versículo 11). Ele faz outra relação de indivíduos que não possuirão o Reino de 
Deus: impuros, idólatras, adúlteros, efeminados, devassos, ladrões, avarentos, bêbados, 
difamadores, assaltantes (versículo 10). 
A impureza (6,12–20)
Neste passo, Paulo aborda a questão da sexualidade e inicia com um versículo 
que será, também ele, um axioma:
Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não 
me deixarei dominar por coisa alguma (6,12). 
A sociedade coríntia era marcada pelo sexualismo e pela licenciosidade. Paulo 
sabe disso e lembra aos seus filhos coríntios esta situação e a nova vida em Cristo Jesus. 
Ele declara: “Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo?” (6,15). Então eles 
devem estar em Cristo, fugindo da fornicação. O corpo é templo do Espírito Santo (versículo 
19) e por isso deve ser mantido da pureza de sua natureza. 
Segunda parte: questões e situações (7,1—15,58)
Nesta segunda parte, Paulo responde às questões que lhe chegaram como 
perguntas. Os coríntios desejam saber como se comportar em determinadas questões. 
Então Paulo lhes responde com aplicação e até mesmo usando de sua experiência 
pessoal.
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Claretiano – Batatais34
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Celibato e virgindade (7,1–9)
Em uma sociedade marcada pelo sexo, os coríntios se perguntam qual deve ser 
a conduta a ser seguida: o casamento ou a virgindade. Paulo preza a virgindade como um 
modo de estar livre para o serviço ao Senhor. Contudo, nem todos são chamados para a 
obra missionária e, assim, é melhor o matrimônio. O que Paulo propõe pode ser entendido 
em um ambiente onde o sexo faz parte do todo, não é o todo. Isto é, ele compoe com 
tantos outros elementos a expressão da vida cristã. Quando o sexo toma o lugar de tudo, 
então já não se fala mais de comunidade cristã! Aqui Paulo desce a considerações bem 
práticas, para os casais e para os solteiros. 
Os cônjuges e seus direitos e deveres (7,10–16)
Paulo lembra a necessidade da fidelidade. Havia em Corinto a situação de 
casamentos entre cristãos e pagãos. Era uma questão a ser analisada pelo Apóstolo que a 
soluciona mandando que o casamento seja mantido se for do desejo dos dois. O argumento 
é que a parte cristã santifica a outra e os filhos são também santos. Mas se houver uma 
separação, então que ela se dê e a parte cristã está livre. 
O chamado de Deus (7,17–24)
Paulo inicia falando da realidade da circuncisão: alguns cristãos são circuncisos, 
pois estavam anteriormente no judaísmo ou foram influenciados por ele. Paulo simplesmente 
diz que os circuncisos fiquem como estão; os que não são circuncisos não se façam 
circuncidar, pois nada disso vale em função de Jesus Cristo. Depois fala para aqueles de 
seu tempo, abordando a situação da servidão (os escravos). Para o Apóstolo, o chamado 
do Senhor é a superação de toda escravidão. 
Celibato (7,25–40)
Inicialmente, Paulo lembra que não tem um mandamento do Senhor a respeito 
do celibato, mas que usa o bom senso e a sua própria experiência. Então ele discorre 
sobre a situação dos que entram a fazer parte da Igreja: os que estão casados fiquem 
assim; os que não estão, fiquem também como estão. O casamento não é um mal ou 
um pecado, mas impõe muitas preocupações. Aqui é difícil compreender os argumentos, 
visto que a compreensão do matrimônio no tempo de Paulo é uma e a moderna, outra. 
Não há, para os contemporâneos de Paulo, a possibilidade de escolha de um marido ou 
uma esposa. Esta escolha na época era feita pelos pais dos jovens. Já parte daí a grande 
diferença! Paulo não insiste na necessidade do celibato, mas sim na aceitação dos limites 
da escolha, o que se traduz por fidelidade e atenção. 
A idolatria e as carnes aos ídolos (8,1–13)
Esta é uma questão prática bem distante de nosso tempo. Como queprevendo 
alguma reação posterior, Paulo inicia dizendo que a ciência (os argumentos insistentes e 
racionais) incham, mas a caridade (o amor cristão) constrói. Em seguida, ele aborda a 
questão: os animais que, em sacrifícios públicos, eram oferecidos aos ídolos. As carnes 
daí resultantes eram levadas para o consumo da população. Alguns podem se escandalizar 
com isso: cristãos comendo carnes oferecidas aos ídolos! Paulo indica que é livre, o que 
sugere que isso pode muito bem acontecer, mas que não convém. Para os fiéis, há um 
único Deus e isto basta. Mas quem não entende isso pode se escandalizar. Recorda, então, 
que não é a carne que cria o problema, mas o modo de pensar de quem a come e de quem 
vê o fato. Ele recorda que é melhor deixar o que pode causar escândalo em benefício de 
quem é mais fraco na fé. 
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Batatais – Claretiano 35
UNIDADE 2UNIDADE 2
Os missionários (9,1–14)
Paulo inicia esta passagem com uma defesa, ao que parece nascida de alguma 
dúvida a respeito de sua identidade de apóstolo. Alguns o acusavam de não ter visto a 
Jesus — este deveria ser o critério para a identidade apostólica: ver o Senhor. Paulo, então, 
declara que viu o Senhor e sabemos como: ressuscitado. Em seguida, lembra de direitos, 
naturais e adquiridos pela própria identidade apostólica. Mas ele renuncia a muitos desses 
direitos para estar livre na sua palavra e para não ser peso a ninguém. 
As renúncias do Apóstolo (9,15–27)
Paulo declara que sua glória é o anúncio do Evangelho (versículo 16). Ele renunciou 
a muitos direitos em função do direito maior que ele declara ser o próprio anúncio do 
Evangelho. Declara-se disposto a deixar-se de lado para ganhar todos para Cristo. 
Para os judeus fiz-me judeu, a fim de ganhar os judeus. Para os que estão 
debaixo da lei, fiz-me como se eu estivesse debaixo da lei, embora o não 
esteja, a fim de ganhar aqueles que estão debaixo da lei. Para os que não têm 
lei, fiz-me como se eu não tivesse lei, ainda que eu não esteja isento da lei de 
Deus — porquanto estou sob a lei de Cristo —, a fim de ganhar os que não têm 
lei. Fiz-me fraco com os fracos, a fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para 
todos, a fim de salvar a todos. E tudo isso faço por causa do Evangelho, para 
dele me fazer participante. 
Exemplos de Israel (10,1–13)
Paulo faz uma digressão olhando para a história de Israel. Cita momentos da 
história em que, mesmo sabendo cometer erros, os israelitas foram em frente. Segundo 
ele isso pode ser de ajuda e estímulo para não pecar, não errar. 
O escândalo (10,14—11,1)
Temos aqui um longo passo em que Paulo faz considerações sérias a respeito 
da conduta da Igreja. No fundo o que está em evidência é a coerência com a vocação, 
o chamado à fé cristã. Ele insiste que “…não podeis beber ao mesmo tempo o cálice do 
Senhor e o cálice dos demônios” (10,21). Em 10,23, encontramos mais um versículo que 
se tornou axioma: “Tudo é permitido, mas nem tudo é oportuno. Tudo é permitido, mas 
nem tudo edifica.” E em 10,31–33, declara suas motivações: 
Portanto, quer comais quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo 
para a glória de Deus. Não vos torneis causa de escândalo, nem para os judeus, 
nem para os gentios, nem para a Igreja de Deus. Fazei como eu: em todas as 
circunstâncias procuro agradar a todos. Não busco os meus interesses próprios, 
mas os interesses dos outros, para que todos sejam salvos (10,31–33).
O traje das mulheres (11,2–16)
Aqui temos uma passagem curiosa e que levanta muitas dúvidas. Ela parece ser 
uma inserção dentro do texto de 1 Coríntios. Em 11,1 encontramos: “Tornai-vos os meus 
imitadores, como eu o sou de Cristo”. Paulo faz esta afirmação depois de uma série de 
advertências e explicações a partir dos desvios e das dúvidas dos coríntios. Subitamente, 
em 11,2, ele declara: “Eu vos felicito porque em tudo vos lembrais de mim e guardais as 
minhas instruções…”, o que soa contraditório! Em contrapartida, em 11,7, o texto afirma: 
“Fazendo-vos essas advertências, não vos posso louvar a respeito de vossas assembléias 
que causam mais prejuízo que proveito.” 
Uma afirmação contraditória?! Este texto de 11,2–16, eminentemente 
comportamental, parece ser uma interpolação em 1 Coríntios. Ele foge subitamente do 
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Claretiano – Batatais36
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UNIDADE 2UNIDADE 2
tom dominante até o momento. Contudo, não se podem descartar as afirmações aqui 
apresentadas sem uma análise de seu conteúdo e do seu contexto. 
Em primeiro lugar é necessário lembrar a licenciosidade sexual que existia em 
Corinto e os costumes derivados dessa situação. Além disso, os cultos orgiásticos, onde 
estavam presentes as hieródulas, eram muito marcantes na cidade. Assim, os coríntios 
vivem em um mundo imerso na luxuria programada, cultivada religiosamente. Ora, o 
que Paulo propoe é uma atitude de resistência, quando impoe à mulher uma situação de 
resguardo. É verdade que afirmações, que imprimem à mulher uma situação de submissão, 
soam antipáticas em nossos dias. 
Não se trata de avaliar a palavra do Apóstolo nem de negá-la ou aprová-lo 
conforme nosso sistema de valores e conceitos. Trata-se de compreendê-la devidamente 
inserida em seu contexto social e cultural. Na realidade, uma leitura mais atenta de toda 
a passagem deixa claro que os limites impostos às mulheres não são o tema geral da 
perícope. 
Em 11,11–12 encontramos uma bela reflexão sobre a relação de gênero a partir 
da experiência cristã. 
Com tudo isso, aos olhos do Senhor, nem o homem existe sem a mulher, nem 
a mulher sem o homem. Pois a mulher foi tirada do homem, porém o homem 
nasce da mulher, e ambos vêm de Deus (1 Coríntios 11,11–12).
A celebração da ceia (11,17–34)
O tema da ceia é fundamental na teologia da 1 Coríntios. Ele surge, como todos 
os temas de 1 Coríntios, de uma situação concreta que pede uma solução. O texto de 
11,17ss apresentam a questão como um abuso do comer e beber. A ceia eucarística, ainda 
não desenvolvida como o será em breve, realizava-se durante uma refeição fraterna. 
Contudo, esta fraternidade está sendo rompida: os partidos estão impedindo a comunhão 
fraterna (versículos 18 e 19), e a ceia deixou de ser fraterna para ser de exageros (versículo 
20). Para demonstrar o quanto isso é condenável, o Apóstolo relata sua experiência da 
ceia do Senhor: 
Eu recebi do Senhor o que vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que 
foi traído, tomou o pão e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: Isto é o 
meu corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de mim. Do mesmo 
modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice 
é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que o beberdes, fazei-o em 
memória de mim. Assim, todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse 
cálice lembrais a morte do Senhor, até que venha (11,23–26).
Paulo segue afirmando que a ceia pode ser um motivo de condenação se não for 
expressão da vivência do Evangelho. Segundo ele, esta é a razão que em Corinto muitos 
não se sentem fracos em sua vida cristã: não estão em comunhão com Cristo. Em seguida 
Paulo indica que dará outras orientações quando for visitar os coríntios. 
Os carismas (12,1–11)
Paulo inicia a resposta à questão dos dons espirituais ou carismas. 
É provável que houvesse em Corinto algumas tendências ao misticismo pagão. 
Assim, o Apóstolo insiste na realidade nova dos coríntios: eles são agora iluminados pelo 
Espírito Santo. Por isso, no versículo 4, argumenta que embora os dons sejam diversos, 
o Espírito que os concede é o mesmo. Os dons são dados de vários modos e intensidades, 
mas é o mesmo Espírito que realiza a unidade entre todos. 
INFORMAÇÃO:
A questão do lugar que a 
mulher ocupa no conjunto do 
pensamento paulino pode ser 
mal interpretada. Sugiro, para 
uma visão muito bem colocada 
da questão, o interessante 
estudo “Mulheres em Cristo”, da 
obra: MURPHY–O’CONNOR, 
Jerome. A antropologiapastoral 
de Paulo. Tornar-se humanos 
juntos. São Paulo: 1994, p. 
198ss. 
INFORMAÇÃO:
O texto de 1 Coríntios 11,23–26 é 
o fundamento para a narrativa da 
instituição no rito da celebração 
da Eucaristia. É base para o 
que identifica os cristãos como 
discípulos e é uma das raízes 
bíblicas para toda a teologia 
eucarística. Sugiro que você 
consulte o livro já citado: 
MURPHY–O’CONNOR, Jerome. 
A antropologia pastoral de Paulo. 
Tornar-se humanos juntos. São 
Paulo: 1994, p. 192ss. O tema é 
“Isto é meu corpo”.
INFORMAÇÃO:
A palavra “carisma”, que aparece 
neste texto, tem a ver com 
“karis”, que em grego significa 
“graça”, “dom”, “oferta”. Assim, 
carisma significa dom, graça.
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Batatais – Claretiano 37
UNIDADE 2UNIDADE 2
Analogia entre o corpo e os membros da Igreja (12,12–30)
Paulo faz uma comparação que se tornou célebre: a do corpo e seus membros 
com a graça que os indivíduos recebem na comunidade de fé. “Há muitos membros, mas 
um só corpo” (12,20), ele afirma. É nestes membros que o Senhor encontra a possibilidade 
de tornar o Evangelho conhecido. É necessário, contudo, colocar os dons, ou conforme 
a analogia, os membros do corpo, a serviço de todo o corpo e em comunhão com ele. A 
teologia dos carismas ou dons encontra aqui um ponto alto. 
A caridade (12,31—13,13) - A questão da caridade ou do amor é bem difícil 
de ser abordada. O caso é que esta virtude nem sempre é bem encarada. Pode-se usar 
esta perícope de Paulo para exaltar o erotismo ou a paixão individualista. Pode-se ler 
o termo caridade no sentido de amor erótico ou amor “platônico”. Contudo, caridade 
significa o amor dado a Deus em primeiro lugar. A capacidade de amar a Deus determina 
a possibilidade de amar aos outros. Então, o foco de atenção está em Deus e a partir daí 
ela, a caridade, gera a possibilidade de superar os limites e as situações humanas mais 
complexas. No final, Paulo expõe em três versículos alguns pontos e raciocínios que serão 
outros axiomas que acompanharão o cristianismo como chave interpretativa. 
Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava 
como criança. Desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança. 
Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a 
face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como eu sou 
conhecido. Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém, a 
maior delas é a caridade (13,11–13). 
Na cultura grega estabeleceu-se a existência de três tipos de amor: Ágape, 
Filia e Eros. 
• Amor “Ágape”: é o amor “caridade” ou entrega, doação total, sem 
limites ou condições. 
• Amor “Filia”: é o amor de amizade, de entrega a alguém e busca de 
alguém para a fidelidade. 
• Amor “Eros”: é a busca de outro para a complementação, para a 
satisfação de si e do outro. 
Esboço de uma hierarquia de dons (14,1–25)
Voltando ao assunto dos carismas ou dons, Paulo estabelece uma comparação 
entre a profecia e a glossolalia. Há indícios de que os coríntios estavam bem ligados a 
este tipo de prática carismática. Paulo orienta-os a preferir a profecia à glossolalia. Em 
um modo comparativo, o Apóstolo vai citando situações de quem “fala em línguas” e as 
de quem profetiza, declarando que esta situação é melhor em relação àquela. A situação 
se apresenta bem complexa na Igreja de Corinto, pois o Apóstolo usa 25 versículos para o 
assunto, demonstrando, ensinando, exortando a respeito da situação. E sobressai sempre 
a ideia da profecia que é, por sua vez, a comunicação de Deus. 
Os dons na assembléia (14,26–40)
Se é importante zelar pela realidade da glossolalia ou dom das línguas é 
igualmente necessário estar atento para o da profecia. A profecia dita em benefício próprio 
ou de modo misterioso, sem edificação da comunidade, não produz efeito nem é sinal de 
Deus. O desejo de Paulo é que haja um saudável equilíbrio entre esses dois dons, que são 
do agrado dos coríntios. 
INFORMAÇÃO:
Para mais informações a respeito 
da ideia de amor, sugiro que 
você consulte: ABBAGNANO, 
Nicola. Dicionário de Filosofia. 
São Paulo: Martins Fontes, 
1998, p. 38–50. Consulte 
também: VAN DER BORN, A. 
(Org.). Dicionário enciclopédico 
da Bíblia. Petrópolis. Vozes, 
1985, colunas 59–64. E ainda: 
LÉON–DUFOUR, Xavier (Org.). 
Vocabulário de teologia bíblica. 
Petrópolis: Vozes, 1972, colunas 
44–52.
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Claretiano – Batatais38
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 2UNIDADE 2
A ressurreição: o anúncio fundamental do Ressuscitado (15,1–11)
Depois de responder às questões levantadas pelos coríntios, Paulo aborda o 
fundamento da experiência cristã, fazendo um querigma, um anúncio solene. Estabelece 
a idéia da tradição, da transmissão que gera a vida com Cristo: “Eu vos lembro, irmãos, 
o Evangelho que vos preguei, e que tendes acolhido, no qual estais firmes.” (15,1) Ele 
declara que Jesus Cristo ressuscitou, cumprindo as Escrituras. Foi visto por muitos e, 
finalmente, por ele próprio, Paulo. Certamente podem ter aparecidos os que declaravam 
que Paulo não era do grupo histórico dos Doze e que por isso não tinha autoridade de 
transmitir e ensinar. Entretanto, ele declara que transmite porque recebeu. E o recebeu do 
próprio Senhor ressuscitado, do qual ele é testemunha. Por fim, reconhece sua humildade 
e declara que nela Deus fez muita coisa, até mais do que em outros.
Eu vos transmiti primeiramente o que eu mesmo havia recebido: que Cristo 
morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado, e ressurgiu 
ao terceiro dia, segundo as Escrituras; 5 apareceu a Cefas, e em seguida aos 
Doze. Depois apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez, dos quais a 
maior parte ainda vive (e alguns já são mortos); depois apareceu a Tiago, em 
seguida a todos os apóstolos. E, por último de todos, apareceu também a mim, 
como a um abortivo (15,3–8). 
Jesus Cristo ressuscitado: esperança e vida (15,12–20)
Paulo eleva seu espírito e declara a necessidade absoluta da fé na ressurreição. 
Podemos entender isso em relação, como já falamos em outra passagem, à sociedade da 
época, marcada pela morte e pelos limites da vida. Paulo então insiste nessa afirmação da 
ressurreição de Jesus como condição absoluta para a felicidade. 
Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa 
fé. Além disso, seríamos convencidos de ser falsas testemunhas de Deus, por 
termos dado testemunho contra Deus, afirmando que ele ressuscitou a Cristo, 
ao qual não ressuscitou (se os mortos não ressuscitam). Pois, se os mortos 
não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, 
é inútil a vossa fé, e ainda estais em vossos pecados. Também estão perdidos 
os que morreram em Cristo. Se é só para esta vida que temos colocado a 
nossa esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de 
lástima. Mas não! Cristo ressuscitou dentre os mortos, como primícias dos que 
morreram! (15,14–20) 
A ressurreição do fiel (15,21–58)
Paulo liga a verdade da ressurreição do Senhor à necessidade da ressurreição 
do fiel. Ele usa de imagens bíblicas como a de Adão, contrapondo-o ao Cristo. Se aquele 
morreu, este vive e vivendo ele resgata a todos. Então, falando do final de tudo, o 
Apóstolo serve-se de imagens apocalípticas. Paulo também cita um combate “com as 
feras em Éfeso” (versículo 32), recordando algum debate ocorrido naquela cidade do qual, 
infelizmente, não se tem qualquer notícia senão esta palavra. Com este passo encerra-se 
a série de respostas de Paulo à Igreja de Corinto.
Conclusão. Coleta (16,1–9)
Paulo cita a coleta que está fazendo em benefício dos santos. Ele refere-se 
aos cristão de Jerusalém que passam penúria. Indica aos coríntios a mesma regra que 
indicou aos gálatas. Informa depois que irá visitar Corinto e ficar na comunidade algum 
tempo. Nos versículos 8 e 9 ele declara que ficará em Éfeso, aonde se abriu uma “porta”, 
seguramente possibilidades novasde evangelização. Não sem dificuldades!
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Batatais – Claretiano 39
UNIDADE 2UNIDADE 2
Notícias diversas (16,10–18)
Em poucos versículos, ele faz referência a diversas situações e pessoas. Destaca 
Timóteo e uma possível visita dele aos coríntios. Ele deve ser atendido e ouvido, pois está 
em plena comunhão com o Apóstolo. Exorta também a Igreja: “Vigiai! Sede firmes na fé! 
Sede homens! Sede fortes! Tudo o que fazeis, fazei-o na caridade” (16,13–14). No final 
indica a família de Estéfanas como as primícias da Acaia, isto é, os primeiros convertidos a 
Cristo na região de Corinto. Eles merecem consideração e respeito. Estéfanas, juntamente 
com Fortunato e Acaico foram os representantes coríntios que vieram até Paulo dar-lhe 
notícias da Igreja, que agora devem retornar. 
Saudação final (16,19–25)
Paulo transmite saudações dos cristão da Ásia. Lembra de Prisca (Priscila) e 
Áquila, seus colaboradores fieis. Indica que está escrevendo, neste ponto, a saudação. 
E, no final, como que encontrando dificuldades para despedir-se e deixar de argumentar 
e ensinar, indica o amor ao Senhor como sina de bênção, pois sua ausência é maldição. 
Usa a expressão aramaica “Maran athá”, que significa “vem, Senhor!”. E ainda declara seu 
amor por todos em Cristo Jesus. 
4 AS CARTAS AOS CORÍNTIOS: 2 CORÍNTIOS
Unidade e circunstâncias 
A 2 Coríntios nasce de circunstâncias históricas que nos fogem ao controle. 
Óbvias para os coríntios, sem dúvida, mas obscuras para nós. Por isso é necessário 
adentrar no momento em que esta Carta foi redigida e tentar entrever suas motivações. 
No fim da permanência de Paulo em Éfeso, ele enviou Tito a Corinto para resolver 
situações lá existentes. Este deveria encontrar o Apóstolo em Trôade, mas Paulo, em função 
da revolta dos ourives, lembrada em Atos 19,23ss, teve de deixar Éfeso antes do tempo. 
Ao chegar a Trôade, não encontrou a Tito que ainda não chegara. Foi então em direção à 
Macedônia, pois estava intensamente angustiado com tudo o que ocorria em Corinto. 
A Igreja havia sido fundada pelo Apóstolo, mas as relações entre eles sofrera 
tremenda perturbação. O livro de Atos dos Apóstolos não informa o que pôde ter acontecido 
em Corinto. Paulo encontra-se finalmente com Tito na Macedônia, provavelmente em 
Filipos, e recebe notícias favoráveis a respeito de fundação coríntia. Escreve então esta 
carta, intensa de emoções, de polêmicas, ironias e defesas pelo ano 57 ou início de 58. 
A última visita de Paulo a Corinto foi algo doloroso, como se pode intuir de 
algumas passagens, como 2 Coríntios 12,14; 13,1–2: 
Eis que estou pronto a ir ter convosco pela terceira vez. Não vos serei oneroso, 
porque não busco os vossos bens, mas sim a vós mesmos. Com efeito, não 
são os filhos que devem entesourar para os pais, mas os pais para os filhos (2 
Coríntios 2,14).
É esta a terceira vez que vou visitar-vos. Pelo depoimento de duas ou três 
testemunhas se resolve toda a questão. Quando de minha segunda visita, já 
adverti àqueles que pecaram, e hoje, que estou ausente, torno a repeti-lo a eles 
e aos demais: se eu for outra vez, não usarei de perdão! (2 Coríntios 13,1–2). 
Paulo cita em 2,4 certa Carta de lágrimas, anterior a esta 2 Coríntios, mas que 
não podemos identificar com a 1 Coríntios. 
Foi numa grande aflição, com o coração despedaçado e lágrimas nos olhos, que 
vos escrevi, não com o propósito de vos contristar, mas para vos fazer conhecer 
o amor todo particular que vos tenho (2 Coríntios 2,4). 
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Claretiano – Batatais40
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 2UNIDADE 2
Da leitura de 2,5–8 e de 7,12 há indício de que houve uma ofensa feita a Paulo 
que muito o machucou. 
Se alguém causou tristeza, não me contristou a mim, mas de certo modo — 
para não exagerar — a todos vós. Basta a esse homem o castigo que a maioria 
dentre vós lhe infligiu. Assim deveis agora perdoar-lhe e consolá-lo para que 
não sucumba por demasiada tristeza. Peço-vos que tenhais caridade para com 
ele… (2 Coríntios 2,5–8).
Portanto, se vos escrevi, não o fiz por causa daquele que cometeu a ofensa, 
nem por causa do ofendido; foi para que se manifestasse a vossa dedicação por 
mim diante de Deus (2 Coríntios 7,12). 
Houve, pois, uma visita do Apóstolo a Corinto entre a primeira e a segunda 
carta. Uma visita dramática, que deixou marcas e sofrimentos. Houve também uma Carta, 
a das “lagrimas”, que não nos é conhecida. Contudo, em Atos dos Apóstolos não temos 
alusão a problemas desta grandeza em Corinto! Isso dificulta ainda mais uma avaliação do 
problema. Nesse desencontro de informações, temos o pano de fundo para os argumentos 
de 2 Coríntios. 
O que houve foi certamente o seguinte: A 1 Coríntios e o envio de Timóteo a 
Corinto não obtiveram sucesso. Paulo então deve ter decidido ir a Corinto para solucionar 
a situação. Entretanto, esta visita foi um desastre, com alguma ofensa pública sobre o 
Apóstolo. Ele retornou a Éfeso e escreveu outra Carta, a dita das “lagrimas”, em que 
exigia a punição de quem lhe havia ofendido (2 Coríntios 7,8–13), confiando-a a Tito. 
Combinou com este o encontro em Trôade em determinado tempo. Veio a revolta dos 
ourives em Éfeso e Paulo precisou deixar esta cidade antes do tempo e foi à Trôade, mas 
não encontrou a Tito. Partiu de lá para a Macedônia onde foi, finalmente, alcançado por 
Tito, que lhe traz boas notícias de Corinto. Paulo então escreve, finalmente, a Carta que 
temos como 2 Coríntios.
Estrutura e comentários à Carta 2 Coríntios
ESTRUTURA E COMENTÁRIO DE 2 CORÍNTIOS
1,1–11
1,12—7,16
1,12—2,17
3,1—4,6
4,7—5,13
5,14—7,16
Endereço e saudação
Primeira parte: apologia de Paulo
Defesa de acusações 
Ministros do Evangelho
A vida do Apóstolo
Ministério da reconciliação
8,1—9,15
8,1–14
9,1–15 
Segunda parte: exortação
Exortação
Generosidade
10,1—13,10
10,1–18 
11,1—12,10
12,11—13,10
13,11–13
Terceira parte: polêmicas
Ameaças e ironias
Censuras aos coríntios
A conduta de um pai
Conclusão 
Endereço e saudação (1,1–11)
Paulo inicia com a saudação costumeira. Associa Timóteo a si, indicando-o como 
irmão. E dirige-se à Igreja de Corinto e todos os que se encontram na Acaia. 
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Batatais – Claretiano 41
UNIDADE 2UNIDADE 2
Passa a fazer uma ação de graças pelas consolações. Certamente tem em mente 
as notícias satisfatórias que lhe foram trazidas por Tito, depois da visita deste em Corinto. 
Declara sua esperança a respeito da Igreja daquela cidade: o mesmo afeto deve uni-los. 
Em seguida cita a tribulação passada na Ásia. Trata-se certamente do problema 
com os ourives em Éfeso. Contudo, sabemos que Paulo sempre encontra dificuldades e 
oposições, especialmente da parte dos judeus e dos judaizantes. O Apóstolo confia na 
presença do Senhor que ele tem como o ressuscitado que realiza a liberdade. 
Primeira parte: apologia de Paulo (1,12—7,16)
Nesta primeira parte, Paulo inicia com sua defesa, passa para sua identidade 
de apóstolo, e o que isso implica e afirma a reconciliação como fruto da experiência do 
Espírito. Isso tudo ocorre em Corinto e ele, Paulo, junto a Tito, pode sentir a alegria da 
comunhão e da paz com eles. 
Defesa de acusações (1,12—2,17)
Paulo está consciente da importância que tem para os coríntios. Declara que sua 
orientação, sua força está no alto, na graça de Deus. Em seguida, traça em poucas linhas 
seus planos de viagem. Estes planos foram abalados pelas novas situações que haviam 
surgido. Nesse ponto, faz uma inflexão, questionando em forma de discurso retórico, sua 
situação. Ele não está na dúvida ou movido pelas situações. Seu modelo é Cristo, que é 
ou sim ou não.
Em função das situações, Paulo não foi a Corinto. Declara que foi para poupar 
os coríntios. Mandou para a Igreja uma Carta, escrita “em meio a muitas lágrimas”, não 
para entristecer os coríntios, mas para deixar-lhes a par de seus sentimentos. Se tal carta 
causou tristeza a alguém da comunidade,ele compreende, pois foi também uma censura 
feita em favor da graça de Cristo. 
Paulo passa em seguida a recordar sua passagem por Trôade, o encontro com 
Tito e as notícias dele recebidas. Dá graças a Deus pela ação que Ele realiza. Paulo tem em 
mente, certamente, a situação de arrependimento que deve dominar a Igreja de Corinto. 
Ministros do Evangelho (3,1—4,6)
Aqui começa a argumentação mais intensa. Para Paulo, não há necessidade 
de “cartas de apresentação” de uma ou outra Igreja. Provavelmente alguns pregadores 
cristãos portavam cartas do gênero para poder entrar nas comunidades que iam surgindo 
e nelas realizar seu ministério. Paulo declara que a carta de sua apresentação é a própria 
Igreja de Corinto. É o Espírito de Deus que escreveu tal Carta e é esta a certeza do 
Apóstolo. Este Espírito tornou a Paulo um homem apto para a realização da obra que lhe 
foi confiada. 
Paulo não prega a si mesmo, mas ao Senhor. Se alguém não entende a pregação, 
o Evangelho de Paulo é porque não está na perdição. Sente-se servo dos coríntios por 
causa de Jesus Cristo. No final desta longa passagem, declara:
Porque Deus que disse: “Das trevas brilhe a luz”, é também aquele que fez 
brilhar a sua luz em nossos corações, para que irradiássemos o conhecimento 
do esplendor de Deus, que se reflete na face de Cristo (2 Coríntios 4,6)
A vida do Apóstolo (4,7—5,13)
Paulo inicia uma descrição, poética, emocional e, sobretudo, teológica de sua 
ação como apóstolo. Não tem ilusões a respeito de sua realidade: “…temos este tesouro 
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Claretiano – Batatais42
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UNIDADE 2UNIDADE 2
em vasos de barro, para que transpareça claramente que este poder extraordinário 
provém de Deus e não de nós” (2 Coríntios 2,7). Continua com uma lista impressionante 
de “qualidades” que muitas vezes são “anti-qualidades” que os apóstolos apresentam. Na 
verdade, ele está se referindo especialmente a si mesmo. 
O retrato parece, em alguns momentos, muito amargo. Mas a idéia é esta: 
transmitir a realidade do apóstolo frente aos valores do mundo e às seguranças que ele 
impõe. Já o verdadeiro apóstolo sofre tudo para poder conduzir para Cristo. Não busca 
nunca vantagens, mas sabe que todas as tribulações terão sentido ou serão a certeza da 
glória em Cristo Jesus. 
Paulo indica que a vida é passageira, a “tenda” ou “morada terrestre” (5,1). 
Aguarda a morada celeste e tem desejo dela. Mas sabe que deve estar dignamente 
preparado. Exorta, pois, para a atenção, como dom do Espírito. 
Contudo, enquanto o homem fiel está neste mundo deverá caminhar pela fé. 
Ele ainda não vê, mas sabe que há mais do que a vista alcança. Todos irão comparecer 
perante o tribunal de Cristo e receber a retribuição. 
Ministério da reconciliação (5,14—7,16)
“A caridade de Cristo nos compele” (2 Coríntios 5,14). Assim Paulo inicia este 
período onde aborda o serviço da reconciliação que se opera em sua pessoa, no seu 
ministério. Ele não tem interesses humanos, mas apenas os interesses de levar todos para 
Cristo. “Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis 
que tudo se fez novo!” (2 Coríntios 5,17). 
A intensidade da argumentação de Paulo dá a entender uma intensa unidade 
com o Senhor. Ele se sente realmente um dos seus “colaboradores”. É o tempo favorável 
para a conversão, para a salvação. Por isso todos devem ter um espírito tocado pela graça 
de Cristo. 
Paulo elenca uma série de situações próprias dos que estão em Cristo. Em 
5,4–10, ele apresenta, por contrastes, virtudes e situações que julga fundamental ao 
discípulo. 
Subitamente Paulo declara seu amor, seu carinho e atenção para com os 
coríntios. Pede que sejam diferentes, sejam tomados pela comunhão com Deus em Cristo, 
pois afinal, a luz brilha para eles (6,16–18). Ele pede que todos os seus ouvintes, os 
membros da Igreja de Corinto, tenham a atenção voltada para o Espírito e aceitem esta 
chamada de atenção. Chega a ponto de declarar: 
Não vos digo isto por vos condenar, pois já vos declaramos que estais em nosso 
coração, conosco unidos na morte e unidos na vida. Tenho grande confiança 
em vós. Grande é o motivo de me gloriar de vós. Estou cheio de consolação, 
transbordo de gozo em todas as nossas tribulações. De fato, à nossa chegada 
em Macedônia, nenhum repouso teve o nosso corpo. Eram aflições de todos 
os lados, combates por fora, temores por dentro. Deus, porém, que consola 
os humildes, confortou-nos com a chegada de Tito; e não somente com a 
sua chegada, mas também com a consolação que ele recebeu de vós. Ele nos 
contou o vosso ardor, as vossas lágrimas, a vossa solicitude por mim, de modo 
que ainda mais me regozijei (2 Coríntios 7,3–7). 
Em outros lugares, Paulo também se exalta e declara toda a sua ligação com 
esta Igreja que o fez sofrer, mas que ele tem como sua obra em Cristo Jesus no Espírito 
Santo. E o faz para deixar claro a importância que esta comunidade tem para o próprio 
Cristo Jesus. Por isso, nas notícias felizes de Tito, Paulo pode exultar no Senhor. 
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Batatais – Claretiano 43
UNIDADE 2UNIDADE 2
Segunda parte: exortação (8,1—9,15)
Esta segunda parte centra-se na ideia da coleta para a Igreja-Mãe de Jerusalém. 
Paulo elogia a generosidade dos coríntios e os exorta à doação, tendo como base o exemplo 
do próprio Jesus. No final, ele dá a entender que esta ação é para que a Igreja de Jerusalém 
entenda e conheça a generosidade que existe da parte das igrejas formadas por pagãos. 
Exortação (8,1–24)
Aqui está o tema da coleta em favor dos irmãos da Judéia. Paulo não descuida 
dessa situação, pois sabe que eles precisam. A Igreja-Mãe de Jerusalém espera, da 
abundância da Igreja de Corinto, uma oferta generosa. 
Para motivar os coríntios, ele usa o exemplo de próprio Jesus: “Vós conheceis 
a bondade de nosso Senhor Jesus Cristo. Sendo rico, se fez pobre por vós, a fim de vos 
enriquecer por sua pobreza” (2 Coríntios 8,9). 
Paulo indica a Tito como representante para a coleta, junto a outro que ele não 
cita o nome, mas que é conhecido deles. Ele o faz para estar seguro de que a ação que 
realiza é segura e tem a confiança das igrejas. 
Generosidade (9,1–15)
Paulo declara os coríntios como generosos. Ele teme, contudo, que eles não 
estejam preparados. Por isso lhe envia quem pode exortá-los à preparação. É o apóstolo 
experiente que está falando, atento às suas palavras, mas sincero no que expressa. 
A coleta para os irmãos da Judéia será de maior benefício para os próprios 
coríntios, pois será causa de graça da parte de Deus. Afinal, a referida coleta não tem 
apenas uma função prática, de socorro dos que têm necessidade. Ela é para testemunhar 
a comunhão entre as igrejas da gentilidade e a Igreja-Mãe de Jerusalém.
Terceira parte: polêmicas (10,1—13,10)
A terceira parte é um misto de ironias bem elaboradas, baseadas nos argumentos 
de seus adversários, e de observações acerca da missão apostólica, da identidade de 
evangelizador que Paulo carrega e de sua postura pessoal frente às situações da Igreja 
de Corinto. 
Ameaças e ironias (10,1–18)
Paulo inicia um discurso difícil e exigente, bem como irônico. A primeira 
afirmação já se apresenta de modo a fazer eco sobre o que dizem a seu respeito. Afirmam 
que ele é humilde na presença dos seus ouvintes e arrogante por Carta dirigida a eles. 
Então, ele assume esta postura declarando-se manso e ousado (10,1). Afirma que não 
age por interesse carnal (humano). Alguns agem e causam confusão. Ele está disposto e 
preparado a intervir na comunidade se for o caso, para que retornem ao bom caminho da 
obediência a Cristo. O Apóstolo insiste na observância de suas palavras, pois será também 
enérgico em pessoa, se os coríntios não se convencerem disso. Paulo não se gloria de 
feitos humanos, mas sim de agir pelo Senhor. Não se apóia em trabalhos alheios, mas na 
sua própria atividade, feita em comunhão com o Senhor. 
Censuras aos coríntios (11,1—12,10)Em seguida, Paulo apresenta suas realizações e disposições. Em primeiro 
lugar, apresenta sua relação com a Igreja de Corinto nos moldes de um noivo com uma 
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Claretiano – Batatais44
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UNIDADE 2UNIDADE 2
noiva. Teme que sua noiva seja seduzida pela serpente, como o foi Eva no episódio do 
Gênesis. Quem prega um Jesus diferente do que ele prega, é possível que seja aceito pela 
comunidade! Isto o assombra!
Tratam-se dos “eminentes apóstolos” (11,6), seguramente judaizantes que 
desviam a mensagem original de Paulo, o Evangelho que ele apresenta de modo gratuito. 
Ele se sacrificou pelos coríntios e não nega o fato. E foi por amor. Continuará a fazê-lo. 
Essa é sua glória.
O Apóstolo acusa seus detratores, certamente os “eminentes apóstolos” já 
citados, de disfarce e sedução sobre os coríntios. Nesse ponto, inicia uma série de versículos 
interessantes, em que apresenta qualidades de tais apóstolos e as suas (11,22–23). Depois 
traça um perfil de suas atividades e tribulações (11,24-29), muitas das quais não se têm 
conhecimento nem pelo “corpus paulinum” nem pelo livro de Atos. E brilhantemente coroa 
seu discurso declarando que sua glória está na fraqueza, não no poder. É magnífica esta 
passagem, pois apresenta o Apóstolo na força de sua eloquência e expressão de fé em 
Jesus Cristo. A ideia é que Paulo é forte quando assume a fraqueza, como Cristo na cruz. 
São hebreus? Também eu. São israelitas? Também eu. São ministros de Cristo? 
Falo como menos sábio: eu, ainda mais. Muito mais pelos trabalhos, muito 
mais pelos cárceres, pelos açoites sem medida. Muitas vezes vi a morte de 
perto. Cinco vezes recebi dos judeus os quarenta açoites menos um. Três vezes 
fui flagelado com varas. Uma vez apedrejado. Três vezes naufraguei, uma noite 
e um dia passei no abismo. Viagens sem conta, exposto a perigos nos rios, 
perigos de salteadores, perigos da parte de meus concidadãos, perigos da parte 
dos pagãos, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos 
entre falsos irmãos! Trabalhos e fadigas, repetidas vigílias, com fome e sede, 
frequentes jejuns, frio e nudez! Além de outras coisas, a minha preocupação 
cotidiana, a solicitude por todas as igrejas! Quem é fraco, que eu não seja 
fraco? Quem sofre escândalo, que eu não me consuma de dor? 
Se for preciso que a gente se glorie, eu me gloriarei na minha fraqueza. Deus, 
Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é bendito pelos séculos, sabe que não 
minto. Em Damasco, o governador do rei Aretas mandou guardar a cidade dos 
damascenos para me prender. Mas, dentro de um cesto, desceram-me por 
uma janela ao longo da muralha, e assim escapei das suas mãos (2 Coríntios 
11,22–33).
Continua sua defesa apresentando experiências místicas. Cita um exemplo de 
arrebatamento interior e, em seguida, declara mais uma vez sua glória na fraqueza. 
p
 
Para concluir esta argumentação, Paulo diz que, apesar de ter revelações, que 
propriamente não informa, ele tem um “aguilhão na carne” (12,7), identificado depois 
como “anjo de Satanás”, que impede que ele se encha de soberba. O que será este 
“aguilhão” e “anjo de Satanás”? A esse respeito muito já se escreveu e falou. Assim, 
alguns dizem ser uma doença crônica, algo como a epilepsia. Outros afirmam que é um 
problema de ordem comportamental. Há ainda a questão dos judeus revoltados e dos 
judaizantes que o perseguem insistentemente. O que pode ser é difícil de determinar. 
Mas é algo que incomoda tremendamente o Apóstolo, mas que ele aceita como caminho 
da graça. Segundo o texto, em 12,8-9, ele pediu em oração a libertação desse problema. 
Porém lhe foi revelado que basta a graça de Cristo para a vida. Ele aceita seus limites e 
conclui esse argumento afirmando que se compraz em tudo o que, para outros pode ser 
incômodo e humildade, mas para ele é vantagem. Em 12,10, declara uma frase que se 
tornou também axioma: “Quando sou fraco, então é que sou forte”. 
A conduta de um pai (12,11—13,10) 
Paulo afirma sua qualidade de apóstolo pela sua conduta. Recorda que é o pai 
que deve prover seus filhos, e ele o faz, em relação aos coríntios, como um pai faria. Ele 
lhes confia bens e força, não os rouba ou frauda. Declara sua retidão e comunhão de 
intenções. 
INFORMAÇÃO:
Alguns estudiosos opinam que o 
homem que teve a experiência 
mística é o próprio Paulo. 
Ele não se declara, pois quer 
destacar não o dom interior, mas 
sim o empenho da pregação, a 
superação das contradições e as 
dificuldades na Evangelização, 
situações às quais ele chama de 
“fraqueza”.
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Batatais – Claretiano 45
UNIDADE 2UNIDADE 2
Intuímos que a situação que serviu de pano de fundo para essa Carta e as 
reações de Paulo devem ter sido realmente graves, pois os argumentos são constantes 
e enérgicos. Parece que os inimigos de Paulo, presentes na Igreja e detendo liderança, 
inventaram coisas sobre ele, lançando dúvidas sobre seu ministério e conduta. E ainda por 
cima obtém vantagens da Igreja. Paulo se revolta contra isso, pois, na realidade, quem 
está sendo enganado são os próprios coríntios. 
Começando a conclusão da Carta, Paulo anuncia que irá visitar a Igreja de 
Corinto em breve, pela terceira vez. A primeira foi na fundação da Igreja; a segunda foi 
marcada por divergências; a terceira será depois dessa Carta de comunhão. Ele afirma 
que haverá testemunhas para decidir a situação. Os que erraram serão repreendidos por 
ele que, conforme diz (3,2), não usará de meias medidas. 
Todos devem examinar-se a si mesmos e ver como está a própria consciência. 
Paulo mantém o tom aparentemente irônico, com a argumentação da fraqueza de sua 
parte. Mas é para pôr em evidência que é a força de Cristo que deve prevalecer. 
Conclusão (13,11–13)
Finalmente, deseja a alegria a todos, a perfeição, o encorajamento. Os coríntios 
devem viver em paz. A saudação final é uma fórmula litúrgica. 
5 CONSIDERAÇÕES
As cartas aos Coríntios representam a intensidade e o ardor do Apóstolo. Ele não 
esconde o envolvimento emocional e deixa com isso a certeza, para seus leitores de todos 
os tempos, que a evangelização é também um processo que envolve a paixão, o desejo 
do outro ser feliz e estar na luz da verdade. 
A personalidade do Apóstolo é claramente destacada: Paulo acredita no que faz e 
vive a mensagem que apresenta. Para ele, o que hoje podemos chamar de teologia não é um 
conjunto de ideias abstratas, mas sim um mundo de certezas que envolvem a vida. Paulo é 
um homem prático que vive o que anuncia com a intensidade de uma descoberta recente. 
A teologia deve a Paulo categorias de pensamento e de distinção que são 
importantes para a convivência e o progresso humano. 
6 E – REFERÊNCIAS
Lista de Figuras 
Figura 1- Conversão de Paulo: disponível em: <http://pauloapostolo.tripod.com/>. 
Acesso em: 07 jul.2009.
Figura 2- Ruínas de Corinto: disponível em: <http://www.klickeducacao.com.br/2006/
enciclo/encicloverb/0,5977,-6829,00.html >. Acesso em: 07 jul.2009.
Figura 3 - São Paulo com Aquila e Priscila: disponível em: <http://www.
chiesadomestica.it/dblog/storico.asp?m=20080801>. Acesso em: 07 jul.2009.
Figura 4 - Paulo prega aos judeus de Corinto: disponível em: <http://www.lagreca-
dmc.com/default.asp?pid=101&la=1>. Acesso em: 07 jul.2009.
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Claretiano – Batatais46
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 2UNIDADE 2
Figura 5 - Fragmentos da 1 Coríntios: disponível em: <http://www.paulinos.org.br/
anopaulino/cartas.html1>. Acesso em: 07 jul.2009.
7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 1998, p. 38–50. 
BARBAGLIO, Giuseppe. As cartas de Paulo (I). Tradução de José Maria de Almeida. São 
Paulo: Loyola, 1989, p. 133–507. 
HAWTHORNE, Gerald F.; MARTIN, Ralph P.; REID, Daniel G. Dicionário de Paulo e suas 
cartas. Tradução de Bárbara Theoto Lambert. São Paulo: Paulus, Vida Nova, Loyola, 2008, 
p. 270–289.
LÉON–DUFOUR, Xavier(Org.). Vocabulário de teologia bíblica. Petrópolis: Vozes, 1972, 
colunas 44–52.
MURPHY–O’CONNOR, Jerome. A antropologia pastoral de Paulo. Tornar-se humanos 
juntos. Tradução de João Rezende Costa. São Paulo: 1994, 198ss.
VAN DER BORN, A. (Org.). Dicionário enciclopédico da Bíblia. Petrópolis, Vozes, 1985, 
colunas 59–64. 
PAULO MISSIONÁRIO: 
AS VIAGENS - CARTAS AOS 
FILIPENSES E AOS GÁLATAS
Objetivos
• Conhecer e compreender o aspecto de fundamental 
importância na identidade do Apóstolo: a missionariedade.
• Identifi car e conhecer os motivos e os acontecimentos 
das três viagens missionárias que geraram Igrejas e 
correspondência entre o Apóstolo, as comunidades 
fundadas por ele e outras por ele conhecidas ou em vias 
de ser visitadas. 
• Compreender os motivos para a viagem do cativeiro, 
última viagem conhecida do Apóstolo.
• Analisar e compreender o período da expansão missionária 
e a difusão do cristianismo entre os gentios.
• Conhecer e interpretar as circunstâncias das Igrejas de 
Filipos e da Galácia.
• Formar uma ideia geral da Carta aos fi lipenses e da Carta 
aos gálatas.
Conteúdos
• Paulo missionário.
• As três viagens missionárias de Paulo.
• A viagem do cativeiro.
• As Igrejas de Filipos e da Galácia.
• As cartas aos Filipenses e aos Gálatas.
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Bacharelado em Teologia
UNIDADE 3UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Na Unidade 2, você pôde conhecer um pouco mais a figura extraordinária de 
Paulo, e sua importância na fundação do cristianismo. Mediante as Cartas 1 e 2 Coríntios 
você conheceu alguns traços marcantes de sua personalidade e sua decisiva influência na 
comunidade eclesial de Corinto.
Agora nesta unidade, você vai conhecer outra faceta da personalidade de 
Paulo: sua missionaridade. Suas viagens missionárias tiveram grande impacto na difusão 
do Evangelho e na consolidação das comunidades cristãs por ele fundadas. Você terá 
oportunidade de conhecer os motivos de sua última viagem, chamada “viagem do 
cativeiro”, e, sobretudo, saber por que o cristianismo se difundiu entre os gentios. Por 
fim, mediante o estudo da Carta aos filipenses e da Carta aos gálatas, adentrar o contexto 
sociocultural das igrejas de Filipos e da Galácia. 
2 PAULO MISSIONÁRIO: AS VIAGENS 
Três viagens
O “corpus paulinum” não indica quantas viagens fez o Apóstolo, embora em 
alguns lugares ele admita que fez ou irá fazer uma viagem. É em Atos dos Apóstolos que 
ficamos sabendo que Paulo realizou três viagens missionárias e uma viagem que podemos 
chamar “do cativeiro”. 
Pergunta-se se ele teria feito outra, como a que pretende realizar até a Espanha, 
como lemos em Romanos 15,23s. Ele se dirigia aos romanos antes da viagem à Jerusalém, 
que lhe causou a prisão. Em Atos 28, ele se encontra em Roma e, conforme lemos em 
28,30–31, esteve preso por lá dois anos, em regime semiaberto, como podemos depreender 
do contexto, uma vez que anunciava o Evangelho com liberdade. Se foi libertado depois do 
prazo regulamentar, então ele bem pôde ter chegado à Espanha, como eram seus planos. 
Contudo, lamentavelmente, não temos informações seguras a esse respeito. 
Também não consideramos aqui as viagens anteriores à sua primeira grande 
viagem missionária. Ele mesmo indica que foi a Damasco, depois Jerusalém e em seguida 
à Antioquia, como podemos ler em Gálatas 1,13–24. Esses “pequenos” deslocamentos 
não são considerados viagens. 
Assim, ficamos com o número de três viagens missionárias e uma viagem dita 
do “cativeiro”. Como dissemos, é em Atos dos Apóstolos que encontramos referências 
diretas a estas viagens, com algumas menções nas Cartas. 
As três viagens têm origem e término em Antioquia, não em Jerusalém. É 
notório que lá, na cidade onde os discípulos tiveram o nome de “cristãos” (Atos 11,26), 
Paulo tenha feito sua base e referência. A comunidade era de origem gentio-cristã, e 
ele sentia-se certamente comprometido com esta realidade, muito mais do que com os 
judaizantes de Jerusalém. 
Em todas as viagens missionárias, o Apóstolo dirige-se primeiramente às 
comunidades judaicas. Ele reconhece a prerrogativa do povo da aliança na espera do 
Messias e, assim, leva o anúncio desse Messias, que ele indica ser Jesus, até os judeus. 
Depois da costumeira rejeição da parte dos judeus, Paulo dirige-se, então, aos gentios 
para anunciar-lhes que há esperança em meio a um mundo tão marcado pela violência, 
INFORMAÇÃO:
É importante que você não 
se restrinja unicamente aos 
conteúdos instrucionais 
constantes das unidades do 
Caderno de referência de 
conteúdo. Você pode-se valer, 
além das obras indicadas, de 
conteúdos complementares. 
De modo especial, no que 
diz respeito às viagens 
missionárias de Paulo Apóstolo, 
sugerimos que acesse o site 
http://www.ebibleteacher.com/
imagehtml/batlas.html, onde 
você encontrará vasto material 
cartográfico ilustrativo tanto 
do Antigo quanto do Novo 
Testamento. Vale a pena conferir.
Bacharelado em Teologia
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Batatais – Claretiano 49
UNIDADE 3UNIDADE 3
pelo abuso, pela negação da vida, como é o mundo do Reino de Roma. E é neste ambiente 
que a novidade do Evangelho tem efeito e reúne novos fiéis. 
Primeira viagem missionária 
A primeira viagem missionária ocorreu entre os anos de 44 e 49. Encontram-se 
seus relatos em Atos dos Apóstolos 12,1—14,28. Atos indica que a viagem começou por 
uma moção interna do Espírito Santo, conforme podemos observar no texto a seguir:
Havia então na Igreja de Antioquia profetas e doutores, entre eles Barnabé, 
Simão, apelidado o Negro, Lúcio de Cirene, Manaém, companheiro de infância 
do tetrarca Herodes, e Saulo. Enquanto celebravam o culto do Senhor, depois 
de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: Separai-me Barnabé e Saulo 
para a obra a que os tenho destinado. Então, jejuando e orando, impuseram-
lhes as mãos e os despediram (Atos dos Apóstolos 13,1–3)
A viagem iniciou-se, então, com Barnabé na liderança, acompanhado de Paulo 
e João Marcos. Eles vão inicialmente às cidades onde já havia cristãos, como Chipre (cf. 
Atos 11,19). Isso não significa que a missão é mais fácil.
Figura 1 (divulgação) – Primeira viagem 
missionária de Paulo.
Eles vão a Salamis e chegam até Pafos, onde conquistam o procônsul Sérgio 
Paulo(I) em meio a um incidente. Ocorre que, desejoso de ouvir a mensagem dos 
missionários, o procônsul chamou-os. Mas estava com ele um mago chamado Bar Jesus. 
Ele dificultava o anúncio do Evangelho em função de ter ainda seu poderio sobre o 
procônsul. O Apóstolo, então, assumindo a liderança da missão, lança sobre o mago uma 
invectiva e ele fica cego (Atos 13,4–12). 
De Pafos, os missionários foram para Perge e Panfília, onde acontece uma 
deserção: João Marcos desiste da missão e retorna, indo para Jerusalém. Paulo e Barnabé 
rumam para Antioquia da Pisídia. Lá anunciam o Evangelho com relativo sucesso, dirigindo-
se aos gentios (Atos 13,14. 43–52). 
Figura 2 (divulgação) – São Barnabé, 
companheiro de Paulo na primeira viagem.
INFORMAÇÃO:
É oportuna a leitura de uma obra 
relativamente recente de um 
biblista e historiador de renome 
mundial. Trata-se de John 
Dominic Crossan. Ele aborda a 
questão do modelo ideológico, 
político, religioso e antropológico 
imposto pelo Império Romano 
e a proposta cristã levada por 
Paulo. Consulte: CROSSAN, 
John Dominic; REED, Jonathan. 
Em busca de Paulo. Como o 
apóstolo de Jesus opôs o Reino 
de Deus ao Império Romano. 
São Paulo: Paulinas.
INFORMAÇÃO:
São muitas as fontes 
cartográficas disponíveis 
para compreender as viagens 
missionárias de Paulo. 
Geralmente as edições da Bíblia 
apresentam mapas dessas 
viagens, normalmente no final do 
volume ou próximo do conjunto 
das cartas paulinas. É necessário 
observar com atenção estes 
mapas. Na Internet é também 
possível encontrar estes mapas. 
Sugiro, pela praticidade, a 
consulta destes sites: www.
cpad.com.br/cpad/paginas/sub_
mapa_1.htm e www.cpad.com.
br/cpad/paginas/sub_mapa_2.htm.
INFORMAÇÃO:
Outrora se dizia com frequência 
que o motivo da mudança do 
nome de Saulo (Shaul) para 
Paulo seria uma homenagem 
pessoal do Apóstolo a este 
procônsul. Você poderá encontrar 
informações a respeito em 
alguns comentários antigos e até 
mesmo em edições de algumas 
bíblias. Mas esta argumentação 
não se sustenta hoje. 
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Claretiano – Batatais50
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 3UNIDADE 3
Os missionários vão para Icônio, depois Listra, Derbe e arredores (14,1–7). 
Em Listra, ocorreu um fato curioso: a multidão, encantada com a palavra e a ação dos 
missionários, especialmente com a cura de um aleijado (Atos 14,8–10), julga-os deuses 
descidos do céu e se apressam a oferecer-lhes sacrifícios (Atos 14,11–14)! Paulo, com 
grande esforço, consegue dissuadi-los. Mas, alguns judeus vindos de Antioquia e de Icônio 
instiga o povo contra eles. O povo, antes admirador dos missionários, agora apedreja 
Paulo (Atos 14,19s). Ele supera este momento dramático e retoma a missão. Lemos 
alguma coisa sobre isso em 2 Coríntios 11,25, quando elenca suas vicissitudes: “Três 
vezes fui flagelado com varas. Uma vez apedrejado. Três vezes naufraguei, uma noite e 
um dia passei no abismo”. 
Novamente em Derbe, os missionários conquistam mais fiéis. Em seguida, 
iniciam o retorno: passam por Listra, Icônio e Antioquia da Pisídia. Lá eles… “confirmavam 
as almas dos discípulos e exortavam-nos a perseverar na fé, dizendo que é necessário 
entrarmos no Reino de Deus por meio de muitas tribulações” (Atos 14,22).
Depois disso rumam para Antioquia da Síria. Lá chegando fazem relatório de 
seus feitos, como pode ser lido em Atos 14,21–28. 
Segunda viagem missionária 
Figura 3 (divulgação) – Segunda viagem 
missionária.
A segunda viagem missionária aconteceu entre os anos 49 e 52. Depois de concluir 
a primeira e participar da assembléia apostólica de Jerusalém - se seguirmos o relato de 
Atos -, Paulo não se deteve muito tempo em Antioquia. Antes de iniciar essa nova viagem, 
houve um desencontro entre ele e Barnabé em função de João Marcos. Este desejava ir, 
mas Paulo não o aceitou, pois havia deixado o grupo em meio à primeira viagem. Nesse 
desentendimento, houve a separação de Paulo e Barnabé (Atos 15,39). Barnabé seguiu 
com Marcos, indo para Chipre e Paulo tomou consigo a Silas (Atos 15,34). 
Logo iniciou a segunda viagem. Fez o caminho de ida da primeira viagem: Cilícia, 
Derbe, Listra e Antioquia da Pisídia. Conheceu Timóteo em Listra. Este iria tornar-se para 
o Apóstolo um ponto de referência e maior colaborador no apostolado. 
Paulo seguiu para a Frígia, a terra dos gálatas. Lá adoeceu e foi assim que tomou 
conhecimento e contato com aquele povo. Retribuindo os favores na doença, anunciou-lhes 
o Evangelho. Depois disso, os missionários chegaram à Trôade (Atos 16,6–8). O livro de 
Atos relata que ele teve ali um sonho no qual um macedônio pedia para receber sua visita. 
Dirige-se, pois, para aquela cidade. Vai até Filipos e funda uma igreja florescente, que fará 
dele os maiores elogios e carinhos, como se pode ler na sua Carta aos Filipenses. 
Em Filipos, encontram dificuldades com os magistrados da cidade que os 
prendem. À noite, entretanto, algo extraordinário acontece: são libertados subitamente. 
O carcereiro teme pela própria vida, mas os missionários o acalmam e lhe anunciam o 
Evangelho. Acontecem conversões na sua família. Pela manhã, os magistrados dispõem-
INFORMAÇÃO:
Para aprofundar sobre o 
tema sugerimos que consulte: 
http://www.all-creatures.org/
sermons98/map-08.html, 
onde você poderá ter mais 
informações sobre as viagens 
de Paulo. 
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Batatais – Claretiano 51
UNIDADE 3UNIDADE 3
se a libertá-los, mas eles já estão livres… Buscados pelos magistrados que desejam ver-
se livres deles, os missionários declaram que são cidadãos romanos. Isso é um grande 
problema para as autoridades que pedem que saiam da cidade. Paulo e Silas ainda 
retornam à comunidade recém-fundada e animam seus participantes (16,38ss). 
Depois disso, continuam a viagem até Tessalônica (Atos 17). Lá Paulo prega 
durante três semanas entre os judeus. Contudo, a grande presença é de gentios que 
aderem ao Evangelho. Tessalônica será a igreja que receberá a primeira carta de Paulo, 
também primeiro escrito do Novo Testamento. 
De Tessalônica, Paulo e Silas partem para Beréia. Devido a ameaças dos 
judaizantes, teve de sair da cidade, deixando lá, contudo, Silas e Timóteo. Prosseguiu até 
Atenas sozinho, sendo depois alcançado por Timóteo. 
Figura 4 (divulgação) – Pregação de Paulo em Atenas.
Em Atenas, Paulo pregou na sinagoga e no mercado. Foi depois para a ágora, 
praça importante da cidade, onde os cidadãos se encontravam, discutiam, filosofavam e 
faziam política. Lá ele não teve grande êxito. Aliás, foi até ridicularizado, como podemos 
ler em Atos 17,22–34. O fracasso de Paulo, lembrado em Atos, mostrou que ele não devia 
confiar na sabedoria humana. Chegando em Corinto, lá ele agiu diferente, como recordará 
em 1 Coríntios 2,3. Paulo deve apresentar o Cristo crucificado, escândalo para os judeus e 
loucura para os gregos, como lemos em 1 Coríntios 1,23. Naquela cidade, permanece por 
18 meses, junto ao casal Priscila e Áquila. Trabalhava para sustentar-se e, aos sábados, 
pregava na sinagoga. 
Em breve Silas e Timóteo trouxeram-lhe ajuda financeira de Filipos e ele pôde 
dedicar-se inteiramente ao Evangelho. Foi assim que alguns judeus e muitos gentios se 
converteram. Em Corinto, Paulo escreveu a 1 Tessalonicenses. E, como sempre, houve 
problemas com os judeus que o acusaram perante o procônsul Galião, em meados do 
ano 52. Essa é a data base para a cronologia de Paulo. Era acusado como propagador de 
uma religião ilícita. Galião, contudo, não deu ouvidos a essa situação e libertou Paulo que, 
com Áquila e Priscila, embarcou para Antioquia da Síria. Mas estes dois ficaram em Éfeso, 
enquanto Paulo foi para Cesaréia marítima e de lá para Antioquia, encerrando assim sua 
segunda e difícil viagem missionária. 
Terceira viagem missionária
A terceira viagem deve ter acontecido entre os anos 53 e 58. Paulo deixa 
Antioquia e ruma para a Galácia. Atravessou a região da Frígia (Atos 18,23) e chegou em 
INFORMAÇÃO:
Os escritos paulinos são os 
testemunhos mais antigos do 
Novo Testamento. São os textos 
escritos mais proximamente do 
evento histórico Jesus Cristo. 
Antes dos relatos teológicos dos 
Evangelhos, temos as Cartas 
paulinas que enfocam a novidade 
cristã como uma notícia de 
vida, de superação dos limites 
da morte. A 1 Tessalonicenses, 
como já vimos, é o testemunho 
mais original dos primeiros anos 
do cristianismo!
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Claretiano – Batatais52
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 3UNIDADE 3
Éfeso. Atos 18, 24 indica que Apolo, um judeu convertido, havia sido instruído na fé pelo 
casal Áquila e Priscila, e estava pronto para fazer sua obra missionária. 
Figura 5 (divulgação) – Terceira Viagem 
de Paulo
Em Éfeso, Paulo conheceu antigos discípulos de João Batista, aos quais lhes 
anunciou o Evangelho, que eles aceitaram e assumiram (Atos 19,2–7). Contudo, a maior 
parte dos judeus da sinagoga continuava incrédula e assim Paulo partiu para o anúncio 
aos gentios. 
Em Éfeso, Paulo expulsa demônios, cura, exorta e luta contra a magia. Sua 
atuação gera dificuldades e, ainda que tenha ficado naquela cidade três anos, teve de 
partir em função de um levante dos ourives ali residentes. Podemos ler essa passagem 
em Atos 19,23ss. O Apóstolo, embora bem recebido e poder agir com liberdade, encontra 
grandes dificuldades como provações e perseguições. Em 2 Coríntios 1,8, ele cita uma 
tribulação tão acentuada que temeu pela própria vida. Em Romanos 16,3s ele fala de um 
grande perigo, no qual foi ajudado por Áquila e Priscila, que expuseram sua vida para 
salvar a dele. 
Paulo, contudo, adquiriu experiência nas viagens anteriores e nessa estadia em 
Éfeso. Seus colaboradoressão muitos. Os mais destacados são Timóteo, Tito, Erasto, Gaio, 
Aristarco e Epafras (citados em Atos 19,22–29). Foram fundadas igrejas em Laodicéia, 
Hierápolis, Trôade e, provavelmente, em Esmirna, Tiatira, Sardes e Filadelfia. 
Deixando Éfeso, ele dirige-se para a Macedônia e visita suas comunidades. 
Andava preocupado com algumas comunidades que havia fundado. Os gálatas quase se 
deixavam desviar da fé verdadeira e da liberdade em Cristo por influência dos judaizantes, 
o que faz com que o Apóstolo escreva a Carta aos Gálatas. 
Em Corinto, havia abusos morais absurdos, e Paulo escreve uma primeira carta 
que, lamentavelmente, não chegou até nós. É mencionada em 1 Coríntios 5,9. Seus 
colaboradores Timóteo e Erasto são enviados a Corinto (Atos 19,22 e 1 Coríntios 4,17) 
para observar a situação. Enquanto isso, alguns daquela igreja vão a Paulo e lhe propõem 
algumas questões. Dessas idas e vindas nasce a Carta que conhecemos como 1 Coríntios, 
provavelmente pelo ano 55.
Contudo, os ataques a Paulo não terminam. Chegam a Corinto judeus-cristãos 
que lançam dúvidas na comunidade. Ele então decide ir até Corinto, mas não conseguiu 
resolver a situação, tendo sido até ofendido por um membro da comunidade (2 Coríntios 
2,1.5). Logo Paulo retorna a Éfeso e dirige, “com muitas lágrimas”, uma terceira Carta 
aos coríntios (2 Coríntios 2,4.9; 7,8.12), levada até lá por Tito, mas da qual não temos 
qualquer exemplar, infelizmente. 
Esperando uma resposta do discípulo Tito, Paulo teve de deixar Éfeso, voltando 
para Trôade, e lá embarcou para a Macedônia. Somente lá foi alcançado por Tito e ouviu, 
ATENÇÃO!
Para se aprofundar sobre o tema 
estudado além das bibliografias, 
sugerimos que você acesse 
o site: http://eoc.dolf.org.hk/
livingev/stpaul_3mapeng.jpg. 
INFORMAÇÃO:
A Carta aos Gálatas apresenta 
dificuldades de datação. Alguns 
estudiosos supõem que ela 
tenha sido escrita por esse 
tempo, em meados dos anos 
50. Outros defendem uma data 
anterior. Para uma análise da 
questão e para um conhecimento 
aprofundado da Carta aos 
Gálatas, sugerimos que você 
consulte: FERREIRA, Joel 
Antonio. Gálatas. A epístola da 
abertura de fronteiras. São Paulo: 
Loyola, 2005. 
Bacharelado em Teologia
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Batatais – Claretiano 53
UNIDADE 3UNIDADE 3
com alegria, que os coríntios se submetiam às suas observações. Isso o motivou a escrever 
outra Carta, a quarta, que para nós é a 2 Coríntios, pelo ano de 57. 
Paulo visitou a Macedônia e a Ilíria (Romanos 15,19). Cumpriu a promessa de 
visitar Corinto e lá escreveu a Carta aos Romanos, isso em fins de 57 ou início de 58, 
preparando uma visita que ele desejava a tempos (Atos 19,21). 
O Apóstolo desejava ir, por mar, até a Síria, acompanhado por alguns companheiros 
que o haviam ajudado na arrecadação de auxílios para os cristãos da Judéia. Contudo, 
por dificuldades da parte dos judeus, ele acaba indo por terra. Em Mileto, ele chama os 
representantes da igreja de Éfeso, os anciãos, e tem com eles um encontro muito intenso 
de despedida. Atos dos Apóstolos 19,17–38 deixa claro que Paulo tinha consciência de que 
algo iria lhe acontecer. Ele se despede dos efesinos com emoção. 
Chegando em Cesaréia, um grupo de cristãos insistiu com Paulo para que não 
fosse a Jerusalém (Atos 21,4). Em Cesaréia, ele esteve na casa de Filipe (Atos 21,8), um 
dos sete diáconos (Atos 6,5). Um cristão chamado Ágabo predisse que Paulo iria sofrer em 
Jerusalém, mas o Apóstolo não se deteve (Atos 21,1–16). 
O cativeiro em Jerusalém
Em Jerusalém, Paulo foi recebido pela Igreja-Mãe, pelos anciãos e por Tiago. 
Este determinou que ele cumprisse certos ritos judaicos para desfazer equívocos a respeito 
de sua conduta. É a velha questão, nunca resolvida da parte dos judaizantes, de que era 
necessário aderir ao judaísmo antes do seguimento de Jesus Cristo. Os ritos judaicos 
praticados por Paulo em Jerusalém demonstrariam ser ele judeu. 
Podemos imaginar com quanto sofrimento interior Paulo aceita as determinações 
de Tiago e sobe ao Templo. E foi lá que tudo precipitou sobre o Apóstolo, provavelmente 
pela leitura de Atos dos Apóstolos, sem nenhuma intervenção ou defesa de Tiago e dos 
anciãos da cidade. 
Atos dos Apóstolos 21,27—23,23 apresenta, de modo bem detalhado, a situação 
daqueles dias. Paulo é atacado violentamente no Templo e cria-se um enorme tumulto. A 
guarda romana intervém e, no meio da situação, o Apóstolo invoca sua cidadania romana. 
Os soldados o protegem e ele é preso. No dia seguinte, deve apresentar-se ao Sinédrio. Os 
debates sobre sua conduta são conduzidos com o característico tom de preconceitos contra 
ele. Lembramos o que já dissemos e que deve nos chamar a atenção: não houve qualquer 
ajuda da parte da igreja de Jerusalém para solucionar o impasse perante o Sinédrio. 
Paulo se defende e apresenta o argumento da ressurreição de Jesus. O Sinédrio 
se divide e, conforme o livro de Atos, houve uma reação enorme (23,7–9). Uns contra 
Paulo, outros não vendo qualquer problema em sua palavra. Atos afirma, de modo 
perturbador:
A discussão fazia-se sempre mais violenta. O tribuno temeu que Paulo fosse 
despedaçado por eles e mandou aos soldados que descessem, o tirassem do 
meio deles e o levassem para a cidadela (23,10). 
Paulo está dando testemunho, cumprindo o projeto teológico do livro de Atos 
dos Apóstolos. 
A seguir, Paulo é levado para Cesaréia marítima, próximo do procurador Félix, 
pois é descoberta uma conspiração para matá-lo. Seu processo dura dois anos, de 58 
até 60 e Atos dos Apóstolos relata a situação em 23,33—26,32. Acusado pelos judeus de 
INFORMAÇÃO:
O livro de Atos dos Apóstolos 
cumpre um projeto teológico 
fundamental: testemunhar. 
Em Atos 1,8, Jesus insiste 
que seus seguidores devem 
dar testemunho dele até os 
confins da terra. Paulo está 
cumprindo brilhantemente este 
mandamento. A narração de Atos 
que seguimos aqui evidencia de 
modo dramático tudo isso. 
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Claretiano – Batatais54
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 3UNIDADE 3
violação do Templo e perturbação da ordem, Paulo defende-se brilhantemente e convence 
o procurador romano da falsidade das acusações. 
Félix esperava que Paulo lhe desse dinheiro, comprando a liberdade, mas ele não o 
faz e, por isso, a prisão dura os citados dois anos, até que chega o novo procurador, Pórcio Festo, 
perante quem Paulo se defende (24,27—25,1). O rei Agripa e sua esposa Berenice conhecem 
a Paulo e o ouvem. A situação fica nessa esfera: as autoridades devem decidir o que fazer com 
Paulo, que a esta época, depois de dois anos, já passa a ser um problema para a ordem política 
estabelecida. O novo procurador Pórcio Festo pergunta a Paulo se desejava ser julgado em 
Jerusalém, mas ele apela para o Imperador e, assim, deve ir até Roma. Na saída do tribunal, 
Atos 26,27–32 nos conta o diálogo de Paulo com o rei Agripa e a reação deste, bem como sua 
observação dirigida ao governador. É uma situação interessante e significativa:
(Paulo disse:) Crês, ó rei, nos profetas? Bem sei que crês! Disse então Agripa 
a Paulo: Por pouco não me persuades a fazer-me cristão! Respondeu Paulo: 
Prouvera a Deus que, por pouco e por muito, não somente tu, senão também 
quantos me ouvem, se fizessem hoje tal qual eu sou... menos estas algemas! 
Então o rei, o governador, Berenice e os que estavam sentados com eles se 
levantaram. Retirando-se, comentavam uns com os outros: Esse homem não 
fez coisa que mereça a morte ou prisão. Agripa ainda disse a Festo: ele poderia 
ser solto, se não tivesse apelado para César (Atos 26,27–32). 
A viagem do cativeiro
Paulo faz a derradeira viagem, conforme nos informa Atos dos Apóstolos 27,1—
28,16. Em fins do ano 60, com outros presos e tendo a companhia de Aristarco e Lucas, 
e sob a guarda de um centurião romano e alguns soldados, inicia o caminho a Roma. O 
período não era favorável para uma viagem marítima; antes, era muito perigoso. Navegam 
pela costa de Creta e são vítimas de uma violenta tempestade.Ela os arrasta mar adentro 
a Malta, onde acontece o naufrágio. Lá eles passam o inverno. 
Figura 6 (divulgação) – Viagem do 
cativeiro.
Tendo possibilidades de viagem, eles rumam, pela Sicília, até Puéoli, onde Paulo e 
seus companheiros foram hóspedes da comunidade cristã durante oito dias. E, depois de uma 
perigosa viagem, chegam a Roma (Atos 28,16). Lá Paulo mantém contato com os judeus e, 
enquanto espera seu julgamento, que não sabemos se houve ou não, inicia a pregação. Atos 
dos Apóstolos indica que Paulo esteve nesta situação durante dois anos (28,30). 
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Batatais – Claretiano 55
UNIDADE 3UNIDADE 3
Figura 7 (divulgação) – Decapitação 
de São Paulo em Roma.
Não temos notícias seguras de outras viagens de Paulo nem da situação posterior 
à sua certeira libertação da prisão. Provavelmente, conforme alguns dados tradicionais, 
teria sido martirizado em Roma pelo ano 64 durante a perseguição de Nero, decapitado em 
um local chamado “ad Aquas Salvias”, hoje “Tre Fontane” e sepultado em uma propriedade 
particular à beira da Via Óstia, onde hoje se ergue a Basílica de São Paulo fora dos 
muros. 
3 CARTA DE PAULO AOS FILIPENSES
A cidade de Filipos
Filipos era uma das principais cidades da Macedônia. Foi fundada no século 6º 
aC. pelos tasianos e conquistada por Filipe II da Macedônia, em 356 aC. Permaneceu como 
modesta aldeia até a campanha de Antonio e Otaviano contra Bruto e Cássio. Em 42 aC., 
recebeu colonos enviados por Antonio e, pouco depois, em 31, após a famosa batalha de 
Acio, foi Otaviano quem enviou mais habitantes.
Filipos tinha uma população militar e civil que vivia em harmonia. Uma colônia 
militar mantida pelo trabalho agrícola, com população greco-romana e acentuada presença 
de trácios. Os cultos romanos eram florescentes, mas havia também as religiões orientais. 
Filipos era uma espécie de passagem entre a cultura romana e os elementos e influências 
orientais. 
Figura 8 (divulgação) – Ruínas da cidade de Filipos, na 
Macedônia. 
ATENÇÃO!
Sugerimos que você visite 
o site acima indicado. 
Lá você encontrará 
conteúdos interessantes de 
contextualização do assunto 
estudado.
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Claretiano – Batatais56
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 3UNIDADE 3
A igreja de Filipos foi fundada por Paulo entre os anos 50 e 52. Ele passou por 
lá durante sua segunda viagem missionária (Atos dos Apóstolos 15,36—18,22). Motivado 
por um sonho, em que aparecia um macedônio que lhe pedia ajuda, Paulo decidiu ir até a 
Macedônia e desembarcou em Filipos (Atos 16,12). Ali, juntamente aos seus companheiros 
de missão, esteve por alguns dias e, no sábado, conforme o relato de Atos 16,13, eles foram 
até um lugar próximo ao rio, onde souberam que havia orações. Lá encontraram algumas 
mulheres, seguramente judias e prosélitas, que acolheram o anúncio evangélico. Uma dessas 
mulheres, chamada Lídia, batizada com sua família, acolheu os missionários. 
A partir da constatação do lugar comum de oração, é provável que em Filipos 
não houvesse sinagoga. O lugar de pregação - que era o lugar da oração onde Paulo 
encontrou a Lídia e outras mulheres -, era um local aberto e de livre acesso a quem 
desejasse participar. Entre estas pessoas, Atos indica uma mulher tomada por um “espírito 
pitônico”, uma espécie de transe adivinhatório. Ela acompanhou os missionários durante 
alguns dias e os aclamava como enviados de Deus (Atos 16,17–18). Paulo ordenou, então, 
ao tal “espírito pitônico” que deixasse a mulher, da mesma forma que Jesus ordenou a 
expulsão de um espírito mal em Marcos 1,24s e 34. 
Este fato marcou o início das hostilidades contra o grupo missionário. Em Atos 
16,19–24, vemos que os fatos se agravaram: Paulo e Silas são acusados; há uma revolta 
e os magistrados os agridem para depois jogá-los na prisão. Em 16,25, narra-se o prodígio 
da libertação dos dois missionários e o pavor do carcereiro que, acalmado por Paulo, acaba 
por ouvir a pregação evangélica e se converte. 
Ao amanhecer, os magistrados, talvez percebendo a situação, mandam que os 
presos sejam libertados. Entretanto, Paulo se recusa a sair da prisão e os acusa de abuso 
de poder contra cidadãos romanos. Os magistrados reconhecem o erro de conduta e 
pedem gentilmente que Paulo e Silas deixem a cidade. Depois disso, os missionários vão 
à casa de Lídia, mantêm contato com os recém-convertidos e depois partem, indo para 
Tessalônica. Assim teve começo a Igreja de Filipos. 
Paulo tem uma linguagem afetuosa para com os filipenses. O fato de ter aceito 
ajuda da comunidade já é um exemplo de simplicidade nas relações entre a igreja e o 
Apóstolo. Ele devia estar na prisão quando escreveu a Carta, pois o lembra em 1,13: 
“Em todo o pretório e por toda parte tornou-se conhecido que é por causa de Cristo que 
estou preso.” Alguns pensaram em uma “prisão” simbólica, algo como “ligado a Cristo”. O 
sentido do “…estou preso” seria uma ligação sólida a Cristo. Mas esta hipótese não é mais 
cabível. Provavelmente Paulo está em uma de suas prisões; não se sabe, contudo, qual 
seria esta prisão! 
Outro aspecto da carta aos Filipenses é a impressão que ela dá de ser composta de 
três cartas menores. Uma leitura atenta indica três partes relativamente distintas entre si. 
Estrutura e comentários à Carta aos filipenses
A carta compõe-se de quatro capítulos que podem ser divididos em oito pequenas 
partes, como você pode observar a seguir: 
CARTA AOS FILIPENSES: DIVISÃO PROPOSTA 
Endereço:
Ação graças
Notícias do Apóstolo
Apelo à unidade e perseverança 
e hino cristológico
Comunicação de projetos
1ª Ruptura do texto
1,1–2
1,3–11
1,12–26
1,27—2,18 
2,19—3,1
3,1 / 3,2
3,2—4,1
INFORMAÇÃO:
Da leitura de Atos dos 
Apóstolos e das Cartas paulinas 
depreende-se que Paulo não 
se permite ser de incômodo 
para seus possíveis hóspedes. 
Mas, em Filipos, ele teve de 
fazer alguma exceção a seu 
hábito, pois não havia qualquer 
referência anterior ou ponto 
de apoio na cidade para os 
missionários. Aliás, em 2 
Coríntios 8,2s, ele lembra a 
generosidade dos irmãos da 
Macedônia, região onde se 
encontrava Filipos. 
INFORMAÇÃO:
A fundação da comunidade cristã 
de Filipos é, portanto, anterior à 
de Tessalônica.
INFORMAÇÃO:
Lembramos a você que 
imprescindível a leitura do 
texto da Carta aos Filipenses. 
Não é suficiente seguir estes 
comentários. Eles são para 
contextualizar a leitura da Carta. 
Uma sugestão é primeiro ler a 
carta e, em seguida, estudar o 
comentário. Ou então fazer a 
leitura da Carta junto com os 
comentários a seguir. 
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UNIDADE 3UNIDADE 3
CARTA AOS FILIPENSES: DIVISÃO PROPOSTA 
Ataque aos falsos doutores
2ª Ruptura do texto
Alertas e recomendações
3ª Ruptura do texto
Gratidão pelos dons
Saudações
4,1 / 4,2
4,2–9
4,9 / 4,10
4,10–20
4,21–23
Endereço (1,1–2)
Paulo dirige-se aos filipenses associando a si Timóteo, dizendo-se serem servos 
em Jesus Cristo. Não há insistência na ideia de “apóstolo”. Ele fala de santos de Filipos e 
cita os “bispos e diáconos”, concluindo com os votos de graça e paz. É notável a menção 
desses “bispos” e “diáconos”. A ideia, para bispos, é a de líderes da igreja, supervisores 
da comunidade. De fato a palavra grega para bispo é “epíscopos”, que significa aquele que 
“olha por cima” ou supervisiona. Diácono vem de “diakonos”, e quer dizer “servidor”, que 
não pode ser confundido com o “diácono” de nossos dias, ministro ordenado no primeiro 
grau da ordem. Hoje o termo “diácono” tem uma função voltada à liturgia e ao serviço 
pastoral; “diácono” no contexto da antiguidade voltava-se mais ao serviço, à organização 
da comunidade. Teria sido alguém como um coordenador de comunidade. 
Ação de graças (1,3–11)
Nesses poucos versículos, já surgem alguns temas que serão recorrentes na 
Carta: a alegria (versículo 4), o anúncio da palavra do Evangelho e a parusia: ”o dia de 
Cristo” (versículo 10). Paulo agradece a Deus pelopassado, o presente e o futuro dos 
filipenses. No passado, eles deram uma colaboração clara para a evangelização, alusão 
feita nos versículos 3–6. No presente, eles se mostram próximos do Apóstolo, inclusive em 
sua prisão, como se lê em 7–8. Quanto ao futuro, Paulo lhes deseja caridade, versículos 
8–11. 
Notícias pessoais (1,12–26)
Paulo informa que está preso (versículo 13), mas percebe que, apenar disso, 
há um grande empenho em anunciar o Evangelho (versículo 14). Indica aos filipenses 
que deviam redobrar a audácia no anúncio (versículo 14). O fundamental é anunciar o 
Evangelho e Cristo ser conhecido (versículo 18). Aqui ele se expressa de modo quase 
apaixonado quando declara que “…Cristo será glorificado no meu corpo (tenho toda a 
certeza disto), quer pela minha vida quer pela minha morte” (versículo 20). Expressa 
depois um pensamento que se torna axioma cristão: “…para mim o viver é Cristo e o morrer 
é lucro” (versículo 21). Em seguida, professa sua total adesão a Cristo, reconhecendo que 
nele encontra a sua felicidade. A vida física fica para segundo plano quando colocada 
em relação a Jesus Cristo. Sente-se dividido: deseja ir com Cristo, mas deseja continuar 
evangelizando (versículo 23). É o Paulo apaixonado por Jesus Cristo que fala e partilha 
esta paixão. 
Apelo à unidade (1,27—2,18) e hino cristológico (2,5–11)
O testemunho até o sofrimento por Cristo é uma realidade (versículo 28). Paulo 
declara que os filipenses conhecem seu combate e que isso continua como sinal de esperança. 
Essa esperança que gera a luta, a perseverança, tem o fundamento em Jesus Cristo e, nesse 
ponto, ele insere o hino cristológico de 2,5–11. Os filipenses devem ser perseverantes no 
testemunho, inclusive no trato mútuo, “…a fim de serdes irrepreensíveis e inocentes, filhos 
de Deus íntegros no meio de uma sociedade depravada e maliciosa, onde brilhais como 
luzeiros no mundo” (2,15). No final, Paulo convida à alegria, ao regozijo (2,18). 
INFORMAÇÃO:
O hino cristológico da Carta aos 
Filipenses é interessante e denso 
de conteúdo. Sugerimos que 
você dedique a ele um pouco 
mais no seu estudo. Para tal, 
recomendamos uma pesquisa 
em: MURPHY–O’CONNOR, 
Jerome. Paulo. Biografia crítica. 
2. ed. São Paulo: Loyola, 2000, 
p. 232–233.
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UNIDADE 3UNIDADE 3
Projetos do Apóstolo (2,19—3,1)
Paulo informa que mandará Timóteo até os filipenses para obter notícias da 
igreja. Elogia intensamente a este seu colaborador (2,20–22). No final do elogio a Timóteo, 
indica que também deseja ver a Igreja de Filipos depois do desfecho de sua causa, da 
solução de sua prisão. A seguir, ele cita outro colaborador, Epafrodito, um cristão de Filipos 
que lhe trouxera os auxílios da comunidade (2,25–26). 
Primeira ruptura: 3,1 / 3,2
Aqui o texto sofre uma ruptura. Paulo está exultando pela vida em Cristo que sente 
possuir. Exorta que todos estejam na alegria e propõe-se escrever outras admoestações. 
Sugere que já escreveu algo aos filipenses, o que faz pensar em outra carta. O Apóstolo 
continua a escrever, julgando ser conveniente o que faz. E inicia um argumento novo, 
radicalmente diferente do anterior.
Ataque aos falsos doutores (3,2—4,1)
Paulo critica seus adversários que são judeus e cristãos judaizantes. Insiste em 
uma ideia: os circuncisos são os fieis em Cristo, livres no Espírito Santo, independentes do 
grupo ético. O fato é que os judaizantes insistiam na necessidade de circuncisão para os 
que viessem fazer parte do grupo cristão. A circuncisão era um rito judaico que inseria 
o fiel na Aliança. Os judaizantes tinham em grande conta ser judeus de origem, o que 
lhes dava, pela prática anterior e espontânea da circuncisão, a possibilidade de estar no 
caminho da salvação. 
Essa proposta, contudo, não é serena. Pelo contrário, é persecutória: eles 
negam sistematicamente o ministério de Paulo que se sente livre perante a Lei e não 
propõe aos fieis vindo do paganismo a circuncisão. Muito menos é dependente da origem 
judaica. Para ilustrar seu pensamento, apresenta sua identidade em 4b–6, dizendo-se 
circuncidado, israelita, da tribo de Benjamim, hebreu filho de hebreus, fariseu, antigo 
perseguidor da Igreja, irrepreensível no cumprimento da Lei. Porém, tudo isso não tem 
valor em função de Jesus Cristo e o seu seguimento. 
Paulo vai abrindo seu pensamento e seu coração e chega a altas considerações 
de adesão a Cristo. Diz: “…eu fui conquistado por Cristo” (3,12). Em seguida, ele volta 
para sua realidade e especialmente para a situação dos filipenses, alertando-os a seguir o 
seu exemplo. Ele indica que existem os “inimigos da cruz de Cristo” (3,18), evidenciando 
suas características. E identifica os discípulos do Senhor de “cidadãos do céu” (3,20). No 
final, exorta à firmeza e à perseverança (4,1).
Segunda ruptura: 4,1 / 4,2
Subitamente Paulo começa uma série de exortações que não têm conexão com a 
temática anterior. Aqui os estudiosos reconhecem a possibilidade de outra ruptura do texto. 
Alertas e recomendações (4,2–9)
Em alguns versículos, o Apóstolo exorta de diversas maneiras a comunidade de 
Filipos. Primeiro alerta quanto ao trato mútuo; exorta que haja auxílio entre os indivíduos 
da comunidade. Fala do “livro da vida”, certamente uma metáfora para representar 
os que estão na graça de Deus. Mais uma vez ele convida à alegria (versículo 4), com 
insistência, pois todos são tocados pela graça do Senhor. Os filipenses devem apresentar 
suas necessidades a Deus e seguir o exemplo do Apóstolo. Os dois últimos versículos 
desta parte são muito eloquentes quanto à conduta proposta por Paulo. 
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UNIDADE 3UNIDADE 3
Terceira ruptura: 4,9 / 4,10
A um passo de concluir a Carta, surge mais uma ruptura. Paulo muda o argumento 
para referir-se a bens recebidos da parte do filipenses. 
Gratidão pelos dons (4,10–20)
Paulo agradece aos filipenses pelos dons que lhe mandaram. Há uma espécie 
de cumplicidade entre eles e o Apóstolo que, reconhecendo seu estilo austero de viver, 
admite necessidades. E é grato pelo envio de ajuda a ele, não uma mas duas vezes. No 
versículo 20, faz uma doxologia. 
Quarta ruptura (4,20 / 4,21)
Esta ruptura não é muito sentida no texto, pois ele prossegue com o estilo de 
saudação próprio de Paulo. 
Saudações (4,21–23)
As saudações são bem simples, quase desprovidas de afetos. No final Paulo 
deseja a graça do Jesus Cristo. 
Questões a respeito da Carta aos Filipenses
Autoria - Não paira dúvidas sobre a origem paulina autêntica da Carta aos 
Filipenses, a memória da passagem de Paulo por Filipos e a presença da igreja por ele 
fundada. Este escrito é o que mais se aproxima, no “corpus paulinum”, do estrito estilo 
carta, junto àquele dirigido a Filêmon. 
Local da escrita e data - A questão de datação de Filipenses liga-se diretamente 
ao seu provável local de escrita. São três as possibilidades, todas com um grau variável de 
segurança. Aliada a esta questão, está também a hipótese de três cartas em uma. Paulo dá a 
entender que se encontro preso e cita o Pretório: “Em todo o pretório e por toda parte tornou-
se conhecido que é por causa de Cristo que estou preso” (1,13). Se for em Roma, trata-se da 
guarda pretoriana, soldados diretamente locados a serviço do Imperador. Contudo, Filipenses 
sugere um intercâmbio de visitas de Paulo e de seus colaboradores, o que seria de difícil 
realização se ele estivesse escrevendo em Roma, entre os anos 60 e 63. 
Outra hipótese é a de Paulo escrever em Cesaréia, durante sua prisão, logo 
após o levante em Jerusalém (Atos 24,22ss). Nesse caso, o pretório seria o local de 
atendimento e julgamento do governador. Contudo, essa hipótese não é mais considerada 
pelos estudiosos em função da distância e maior dificuldade de comunicação entre Paulo 
e os filipenses.
A terceira e mais considerada possibilidade de local de redação de Filipenses é 
Éfeso. Láa comunicação com Filipos seria mais fácil e o intercâmbio de visitas mais provável. 
No caso de ser a cidade de Éfeso, então a data aceita para Filipenses, considerando uma 
redação única, isto é, não levando em conta a divisão da Carta, seria de possivelmente o 
ano 56. A favor dessa hipótese, tem-se a já citada menor distância entre as duas cidades 
e a menção do pretório do Imperador, que pode muito bem ser o ambiente destinado ao 
governador. Em Filipenses 2,19, sabemos que Paulo desejava mandar Timóteo a Filipos, 
indo em seguida (Filipenses 2,24). Sabe-se que, em Éfeso, Paulo decidiu ir para Macedônia 
e que enviou, antes, Timóteo (1 Coríntios 16,5–9; Atos 19,21s). 
Em favor de uma data mais tardia de Filipenses (ano 56), tem-se o vocabulário 
e as expressões teológicas bem como a polêmica do capítulo três, muito semelhante a 2 
Coríntios 11. 
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Claretiano – Batatais60
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 3UNIDADE 3
Contudo, dificultando a realidade dessa hipótese, não se encontra em Atos qualquer 
menção a uma prisão em Éfeso… Isso não invalida a hipótese, pois sabemos que os Atos não 
é um livro biográfico ou um relatório de viagem detalhado. Atos dos Apóstolos obedece a um 
projeto teológico baseado na ideia de testemunho e expansão do anúncio evangélico. 
Três cartas dentro de uma
Não são todos os estudiosos que reconhecem três partes compondo o conjunto 
de Filipenses. As rupturas são estas: 
(1ª) 3,1 e 3,2, 
(2ª) 4,1 e 4,2 
(3ª) 4,9 e 4,10 
(4ª) 4,20 e 4,21. 
Elas formam blocos dentro da Carta. A questão é: estes blocos são originalmente 
independentes e depois foram reunidos? Os que propõem uma divisão e depois uma 
unificação dos blocos dentro da Carta identificam, além destas rupturas, o agrupamento 
do texto em três partes que são chamadas de “cartas”. Seriam:
• “Carta A”: 4,10–20, dito “bilhete de agradecimento”;
• “Carta B”: 1,1—3,1 junto a 4,2–9: “Carta de agradecimento à unidade e de 
notícias pessoais;
• “Carta C”: 3,2—4,1: ataque aos falsos doutores. 
Se essas três partes ou bilhetes foram enviados de Éfeso a Filipos e depois 
reunidos, certamente o foram em datas diferentes. O conjunto da Carta poderia ser datado 
de 56 ou 57. Estabelecemos esta datação como referência. 
4 CARTA DE PAULO AOS GÁLATAS
A localização da Galácia
Trata-se de uma Carta diferente das outras de Paulo. O tom, o modo de se expressar, 
até a introdução: o texto demonstra um estado de espírito muito específico do Apóstolo. 
A Galácia era uma ampla região, compreendendo grande parte do que hoje 
se identifica com a Turquia. Era dividida em Galácia do sul e Galácia do norte. Ao sul 
ficavam as regiões menores da Panfília, Lícia, Lídia, Frigia. Ao norte não há menção de 
grandes cidades. Paulo teria se dirigido ao conjunto das cidades gálatas do sul ou do 
norte? Hoje pensa-se que tenha sido às cidades gálatas do norte, pois do contrário, se 
fosse às conhecidas cidades citadas acima, ele seguramente as teria elencado. 
INFORMAÇÃO: 
Para maiores informações sobre 
o debate em torno das questões 
das partes ou bilhetes de Filipos 
e de sua datação, sugerimos os 
textos: CARREZ, M.; DORNIER, 
P.; DUMAIS, M.; TRIMAILLE, M. 
As cartas de Paulo, Tiago, Pedro 
e Judas. São Paulo: Paulinas, 
1987, p. 194–198.
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Batatais – Claretiano 61
UNIDADE 3UNIDADE 3
Figura 9 (divulgação) – Região da Galácia.
No entanto, em Atos encontramos pormenores da primeira viagem missionária 
de Paulo e sua passagem pelas cidades de Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe, 
entre os anos de 45 e 49. Não se fala de Galácia. Ela é mencionada apenas em Atos 16,6 
e 18,23 no contexto da segunda e terceira viagem. Como interpretar, então, a origem da 
Carta aos Gálatas? Parece que ele se dirige às comunidades cristãs do norte da Galácia, 
sem uma especificação. 
Paulo apóstolo — não da parte de homens, nem por meio de algum homem, 
mas por Jesus Cristo e por Deus Pai que o ressuscitou dos mortos — e todos os 
irmãos que estão comigo, às igrejas da Galácia: a vós, graça e paz da parte de 
Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo, …” (Gálatas 1,1–3). 
Na própria Carta, encontramos algumas informações. Em 4,8–20, Paulo recorda 
que se deteve entre os gálatas por algum motivo de saúde. Foi muito bem tratado por 
eles e pregou-lhes o Evangelho. Ele indica que essa foi a primeira passagem dele por 
aquela região: “Estais lembrados de como eu estava doente quando, pela primeira vez, 
vos preguei o Evangelho…” (Gálatas 4,13). Sendo “primeira vez”, deve ter havido outra 
ou outras vezes. Contudo, esta visita não é mencionada em Atos. E surge outra questão, 
essa muito acentuada na Carta aos gálatas, como o será também na Carta aos romanos: a 
oposição praticamente radical entre os adversários de Paulo em relação à sua mensagem, 
à sua pregação evangélica e, antes mesmo, à sua identidade apostólica. 
É este certamente o pano de fundo que compõe o contexto da Carta: comunidades 
diversas, sem grande presença apostólica paulina, que sofrem agora com a ingerência de 
judaizantes que se opõem fortemente à liberdade cristã pregada por Paulo frente aos 
costumes judeus. Estas comunidades, provavelmente do norte da Galácia, precisam não 
apenas de uma palavra de apoio do Apóstolo, mas também de uma palavra de alerta e 
disposição para a verdade da adesão a Cristo Jesus mediante a mensagem do Apóstolo. 
A datação da Carta aos gálatas é um tema controverso dentro desse horizonte 
de viagens do Apóstolo e das referências em Atos dos Apóstolos. Se o episódio narrado 
em Gálatas 2 refere-se à assembléia apostólica de Jerusalém - apresentada em Atos 15 e 
datada do ano 49 -, então a Carta deve ser posterior a esse acontecimento, e a passagem 
pela Galácia e a estadia em Corinto, ocorridas na segunda viagem, é a lembrada em Atos 
18,1–18. A Galácia deve ter sido visitada então nessa segunda viagem pela primeira vez, 
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UNIDADE 3UNIDADE 3
como podemos supor da leitura de 4,13: “…pela primeira vez, vos preguei o Evangelho”. 
Certamente Paulo deve ter visitado a Galácia no início de sua terceira viagem, entre os anos 
53 a 58, como podemos ler em Atos 18,23, onde a Galácia é mencionada explicitamente. A 
Carta aos gálatas deve ser desse período, posterior à terceira viagem. Contudo, a datação 
da Carta aos gálatas é objeto de pesquisas e debates. Seguimos a opção da maioria dos 
comentaristas que indicam o ano de 56, como provável da composição da Carta. 
A carta aos Gálatas 
Figura 10 (divulgação) – 
Fragmento da Carta aos gálatas.
Nenhuma outra Carta de Paulo fornece informações tão amplas sobre ele que a 
Carta aos gálatas. Nela Paulo não teme abrir seu coração, expressar-se com indignação, 
tristeza, angústia, censura e severidade. Além disso, a carta evidencia um momento 
importante para a Igreja: a questão de saber interpretar a sua natureza: ela é continuação 
do judaísmo ou inicia um caminho novo? Acrescentamos a isso: quem eram os inimigos do 
Paulo, seus acusadores e detratores? 
Estrutura e comentários à Carta aos gálatas
Em Gálatas encontramos uma estrutura bem clara e com uma divisão bem 
obvia, conforma mostramos a seguir: 
DIVISÃO PROPOSTA DA CARTA AOS GÁLATAS
1,1–5 
1,6–10
Endereço e declaração de fé
Exposição de motivo
1,11—2,21
1,11–24 
2,1–10 
2,11–14 
2,15–21
Primeira parte: Apologia do Apóstolo
Memória do Apóstolo
Assembléia apostólica de Jerusalém
Pedro e Paulo em Antioquia
Defesa de Paulo
3,1—4,31
3,1–7 
3,8–14 
3,15–22 
3,23–29 
4,1–11 
4,12–20 
4,21–31 
5,1–12 
 
Segunda parte: argumentação doutrinal
O fundamento
A Escritura
A Lei
A Fé 
Filiação divina
Memória de Paulo
As duas alianças
Consequência: a liberdade em Cristo
INFORMAÇÃO:
Para um debate amplo da 
questão da datação da Carta 
aos gálatas, sugerimos: PATTE, 
Daniel. Paulo, sua fé e a força 
do Evangelho. São Paulo: 
Paulinas, 1987, p. 63–83. Outro 
texto de notávelprofundidade 
(mas relativamente difícil de ser 
encontrado em bibliotecas!) é: 
BALLARINI, T. et al. Introdução 
à Bíblia. (v. V/1) Atos dos 
Apóstolos, São Paulo e as 
epístolas aos Tessalonicenses, 
1 e 2 Coríntios, Gálatas e 
Romanos. Petrópolis: Vozes, 
1974, p 403–408.
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Batatais – Claretiano 63
UNIDADE 3UNIDADE 3
DIVISÃO PROPOSTA DA CARTA AOS GÁLATAS
5,13—6,10 
5,13–26 
6,1–10 
6,11–18
Terceira parte: exortação 
Vivencia da liberdade
Caridade
Conclusão e saudação 
Endereço e declaração de fé (1,1–5)
Paulo inicia a Carta sem as costumeiras saudações e indicações de um parceiro 
na redação; ele faz uma menção genérica a outros que estão com ele. É um tom diferente 
daquele das outras Cartas. Um elemento salta à vista: a insistente defesa da identidade 
apostólica. Essa identidade vem de Deus Pai e Jesus Cristo (versículo 1). Este endereço 
termina com uma doxologia final. 
Exposição de motivos (1,6–10)
Estes poucos versículos apresentam uma espécie de relação de motivos que 
o Apóstolo tem para argumentar na Carta. Aparece o tema “evangelho” como conjunto 
do anúncio de Jesus Cristo. Insiste na verdade do “seu” Evangelho, isto é, no anúncio da 
verdade que ele apresentou aos gálatas e que, ao que lhe parece, eles deixaram de lado. 
Seu paradigma é Cristo, a quem ele serve.
Primeira parte: Apologia do Apóstolo (1,11—2,21)
A primeira parte da Carta é uma sucessão de argumentos que fazem a memória 
do que levou Paulo até esse estado ou situação de Apóstolo e como é essa realidade. 
Ele inicia com a expressão Evangelho (versículo 11) e termina também com a defesa da 
verdade de “seu” Evangelho (2,15–21). Paulo aqui trata do assunto de sua conversão e da 
situação dos pagãos na Igreja. 
Memória do Apóstolo (1,11–24)
Paulo cita os fatos de sua conversão não com os detalhes dramáticos como 
encontrados em Atos 9, mas sim como uma situação de revelação (versículo 15). Seu 
chamado apostólico não é uma disposição humana, mas uma escolha de Deus em função 
dos gentios ou pagãos. 
Paulo elenca as situações que se sucederam: ida a Arábia, retorno a Damasco; 
após três anos ele vai à Jerusalém para encontrar-se com Cefas e fica quinze dias com ele; 
depois retorna à atividade missionária. Seu “treinamento” como apóstolo foi muito rápido, 
junto a Pedro apenas. Ele precisou conquistar o lugar de apóstolo, pois, se por um lado era 
legitimado pelo próprio Deus, era, por outro, desconhecido das igrejas. 
Assembléia apostólica de Jerusalém (2,1–10)
A assembléia apostólica de Jerusalém, citada em Atos dos Apóstolos 15, é 
trazida à memória por Paulo aos seus ouvintes como um momento de decisão dos rumos 
da Igreja. Há algumas diferenças entre o relato aqui apresentado e aquele de Atos. Ocorre 
que a índole de ambos é diferente. Aquele de Atos tem mais uma identidade de relato, 
propriamente falando; este apresenta-se mais como um elenco de motivos e situações 
que determinam uma ação, uma espécie de programa de atividade apostólica. 
Depois de quatorze anos de atividades, Paulo afirma que foi até Jerusalém 
novamente, agora com Barnabé, e expõe aos notáveis o que pregou e anunciou a respeito 
INFORMAÇÃO:
É imprescindível que você leia 
a Carta aos gálatas. Para isso, 
sirva-se de uma boa tradução 
bíblica e siga a leitura com as 
indicações aqui encontradas para 
cada passo. 
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Bacharelado em Teologia
UNIDADE 3UNIDADE 3
de Jesus Cristo. Destaca especialmente a conduta apresentada aos pagãos como necessária 
e condizente com a fé cristã. 
Paulo insiste na menção dos “notáveis” e depois declara que esta qualificação não 
tem muito o que dizer quando vista na perspectiva da graça, da força e decisão que vem de 
Deus. Estes “notáveis” seguramente eram anciãos e outros atentos e apegados aos costumes 
judaicos, que alegavam uma adesão a Jesus ainda no início da Igreja e agora gozavam de 
prestígio na comunidade de Jerusalém. Mas para Paulo isto não é o mais importante. 
Paulo anuncia que existiam “intrusos” (2,4), que sabemos ser os judaizantes, 
proponentes de um cristianismo ligado e mesmo dependente das tradições e costumes 
judaicos. Segundo Paulo esse caminho não foi o traçado pela assembléia de Jerusalém, 
que decidiu ser necessário, para os convertidos vindos do paganismo, apenas a adesão a 
Jesus Cristo. 
Na narração de motivos, o texto afirma que se decidiu que ele, Paulo, junto a 
Barnabé, iriam evangelizar os pagãos; e os outros apóstolos iriam para os judeus. Isso não 
parece ser proporcional à realidade: havia muito mais pagãos do que judeus… Contudo, o 
que vemos aqui é uma decisão equivocada da parte das autoridades de Jerusalém, aqueles 
que Paulo chama de “notáveis”. Eles pensaram, certamente, que no lado do paganismo 
não haveria tanta conversão como poderia haver do lado judaico. Grande erro histórico 
esse! Podemos intuir que o próprio Pedro deve ter percebido a situação e, ele também, 
depois de muito pouco tempo, decidiu-se pelos gentios. Já sabemos que ele esteve muitos 
anos na liderança da Igreja de Roma, constituída especialmente de pagãos. 
Pedro e Paulo em Antioquia (2,11–14)
Paulo cita o episódio no qual ocorre um dos embates entre ele e o grupo dos 
judaizantes. O fato de Pedro evitar sentar-se à mesa com os pagãos no momento da presença 
de judeu-cristãos da parte de Tiago, de Jerusalém, é indicado como fingimento, dissimulação. 
Figura 11 (divulgação) – Ruinas da muralha da antiga cidade 
Antioquia da Psídia. 
O sentido desse fingimento é a ignorância do fato da liberdade cristã perante os 
limites do judaísmo. Paulo acusa a Pedro de estar fingindo desconhecer essa liberdade e 
especialmente não levar em conta a nova ordem estabelecida pelo Evangelho. Ele fazia isso 
levado pelo receio dos judaizantes. Sua atitude contaminava os demais, inclusive Barnabé. 
INFORMAÇÃO:
Sugerimos que você acesse o 
site indicado, no qual se encontra 
vasto material cartográfico. Vale 
a pena conferir.
Fonte: http://www.padfield.com/
turkey/antioch-pisidia/
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UNIDADE 3UNIDADE 3
O que é interessante nessa passagem é que Paulo, quando acusa a Pedro dessa 
situação, mostra que ele, Pedro, vivia como gentio (versículo 14). Isso deve indicar a 
realidade de Pedro relativa à pregação do Evangelho: ele também estava dedicando-se 
aos gentios ou já se encontrava inclinado a eles. 
Defesa de Paulo (2,15–21)
Paulo faz uma defesa veemente da liberdade do Evangelho. Ele defende a “sua” 
liberdade perante os costumes judaicos, consignados e simbolizados na “Lei”. Para o 
Apóstolo esta Lei não justifica, não gera vida, esperança. 
Aqui encontramos argumentações que se tornaram axiomas cristãos: “Eu vivo, 
mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo 
na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (2,20). 
Segunda parte: Argumentação doutrinal (3,1—4,31)
Este é o núcleo da Carta. A argumentação doutrinal está sob dois eixos: a 
realidade da Lei e a nova realidade da filiação divina. 
O fundamento (3,1–7)
O fundamento ou ponto de partida é uma escolha. Da mesma forma que Israel 
fora escolhido livremente por Deus que com ele fez uma aliança, também os chamados 
pelo Evangelho fazem com este Deus uma aliança. Este chamado e esta aliança são feitos 
com a motivação e o movimento do Espírito. A “justiça” é a identificação com o projeto 
original e Abraão, primeiro a seguir este projeto, teve para com ele a adesão motivada 
pelo Espírito. 
A Escritura (3,8–14)
Paulo insiste que as obras da Lei são cumpridas não pela fé, mas pela adesão 
de intenções. A fé é algo mais profundo que transforma a vida e liberta da Lei. O que 
está aqui subentendido é que a Lei exige, para ser reconhecida como elemento válido e 
presente na vida do fiel, muitos compromissos que são externos. A adesão da fé é interna, 
é transfigurante. 
Paulo vai profundo nassuas considerações, insistindo até na identidade de Jesus 
como cumpridor da Lei de modo absoluto a ponto de morrer por ela, ultrapassando-a pela 
sua morte. O Apóstolo cita a ideia de “Maldito todo aquele que é suspenso no madeiro” 
(2,13). Esta situação de Jesus, o Crucificado, seguramente criava constrangimento a 
muitos, pois é uma apresentação brutal da salvação: o Salvador morto no pior instrumento 
de sofrimento romano… Contudo, assim é que a Lei foi superada, pela morte de quem a 
cumpriu totalmente. 
A Lei (3,15–22)
Temos aqui uma perícope de difícil interpretação. O que Paulo deseja transmitir 
é que, fundamentalmente, a Abraão fora feita a promessa da terra, a terra prometida. A 
ele e à sua descendência. Esta promessa não pode ser limitada pela Lei e pelos costumes 
relacionados a ela. Seria como se Deus se contradissesse, prometendo terra, e descendência 
para esta mesma descendência; e depois oferecesse a Lei, exigindo sua observância. A 
promessa então seria uma e a realização, outra completamente diferente!…
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UNIDADE 3UNIDADE 3
Figura 12 (divulgação) – Torah (a Lei).
Para Paulo, a herança da promessa não é a Lei, mas sim Jesus Cristo. Ele passou 
a ser o novo paradigma dos fiéis. A Lei teve sentido até Jesus Cristo, mas depois dele o 
que é importante e necessário é ouvi-lo e segui-lo. 
Então, qual foi o papel da Lei? Uma questão fundamental para a teologia paulina 
e para todo o cristianismo. A função ou papel da Lei é de ser pedagoga, de condutora até 
um fim almejado e indicado por Paulo: Jesus Cristo. Para o Apóstolo, Jesus Cristo não veio 
apenas para os judeus, mas para todos. Ora, não somente os que estão sob a Lei, e por 
ela foram conduzidos até Jesus Cristo, são agraciados pela sua presença e salvação, mas 
também todos os que o aceitam, mesmo que não tenham estado sob a Lei anteriormente. 
É a adesão da fé, não da Lei.
A fé (3,23–29)
A fé é a adesão consciente e consequente a Jesus Cristo. É aqui que Paulo 
identifica a Lei como pedagogo (versículo 24), isto é, condutor a um fim, a uma meta. 
A Lei é uma mediação, um caminho para chegar a um lugar ou a alguém. Agora, tendo 
chegado este Alguém, a Lei deixa de ter serventia e pode ser superada. 
Em função disso vem a frase lapidar de Paulo, que resume em grande parte 
sua compreensão da questão e sua proposta doutrinária a respeito da Lei, da Igreja, do 
chamado, da escolha de Deus e da resposta do homem. Ele declara: 
Já não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, 
pois todos vós sois um em Cristo Jesus (3,28). 
E conclui, para não deixar dúvida: “Ora, se sois de Cristo, então sois 
verdadeiramente a descendência de Abraão, herdeiros segundo a promessa” (3,29). 
Filiação divina (4,1–11)
Paulo faz uma analogia com a herança de um filho. Identifica os herdeiros 
ainda não capazes de assumir a totalidade da herança com os que precisavam da Lei, o 
já citado pedagogo, que conduzia e instruía. Entretanto, chegando o tempo previsto, veio 
o transmissor da herança, o que testemunha a eleição e cumpre as promessas. Ele nasce 
submetido à Lei para poder superar a própria Lei. Nele todos recebem a adoção de Deus, 
pois ele era o herdeiro genuíno. Por isso todos podem, com ele, clamar: “Abbá, Pai” (4,6). 
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Batatais – Claretiano 67
UNIDADE 3UNIDADE 3
Esta perícope é magnífica e apresenta a mais antiga menção à natividade de 
Jesus: o nascimento de mulher, experiência pela qual o herdeiro, Jesus Cristo, 
deveria passar para estar sob a Lei e superá-la. Paulo não cita o nome de 
Maria, mas ele é suposto, tendo sido ela a mãe de Jesus. Ela o insere dentro 
da história humana, pois ela é “mulher”, o gênero que dá à luz a outro ser 
humano; e o insere na história de Israel e na esperança da promessa, pois 
está sob a Lei e o dá à luz sob a Lei.
Memória de Paulo (4,12–20)
Paulo faz uma pausa em sua argumentação, recordando o primeiro contato com 
os gálatas. Um problema de saúde levou-o a parar por algum tempo na Galácia e receber 
auxílio dos habitantes. A isso Paulo é muito grato, reconhecendo o grande empenho 
deles em servi-lo (versículo 15). Ele aproveitou a ocasião para pregar-lhes o Evangelho. 
Contudo, agora eles se distanciaram da pregação do Apóstolo. Do que se depreende da 
leitura do texto, Paulo alertou-os acerca das novas ideias que os judaizantes impunham 
à Igreja. Eles ganhavam adeptos, em detrimento do Evangelho anunciado pelo Apóstolo, 
Evangelho este baseado na liberdade de Cristo Jesus. 
Podemos entrever Paulo muito preocupado, envolvido afetivamente com seus 
antigos ouvintes. Ele sente intensamente o distanciamento e as dificuldades que isso 
acarreta. E lamenta tudo isso. Teme até ser mal interpretado.
Provavelmente Paulo teme que seus sentimentos sejam mal interpretados 
pelos gálatas. Ele tem zelo, um zelo intenso sobre as igrejas que fundou. Não 
em função do título de fundador, mas da mensagem apresentada. Ele é livre 
pelo Evangelho de Jesus Cristo e apresenta esta liberdade como modelo de 
ser e viver cristão. Afastando-se de Paulo e do Evangelho pregado por ele, os 
gálatas arriscam-se a deixar de experimentar a mesma liberdade e alegria em 
Cristo Jesus que Paulo experimenta. 
Por isso, pela insegurança de ser interpretado diversamente em seus 
sentimentos, ele conclui esta memória de sua passagem pela Galácia e sua 
ligação com seus habitantes: “Filhinhos meus, por quem de novo sinto dores 
de parto, até que Cristo seja formado em vós, quem me dera estar agora 
convosco, para descobrir o tom que convém à minha linguagem, visto que eu 
me encontro extremamente perplexo a vosso respeito” (4,19–20). 
As duas alianças (4,21–31)
Para continuar a argumentação a respeito dos judaizantes que roubam a 
liberdade conquistada por Jesus Cristo e que agora os gálatas estão pondo a perder, 
Paulo discorre sobre as duas alianças, representadas pelas duas mulheres de Abraão, 
Agar e Sara. Paulo identifica a aliança do Monte Sinai com a imagem de Agar, a escrava. 
Faz a referência ao suposto local do Sinai, a Arábia, mas estende a região até Jerusalém, 
incluindo assim a ideia de que o judaísmo de seu tempo é a expressão desta aliança, 
imperfeita, não herdeira dos bens de Abraão. Então, subitamente ele irrompe em um hino 
que tem Jerusalém por motivo original, apresentando uma “Jerusalém do alto”, que é livre 
e mãe de quem crê (4,26). Essa Jerusalém, a celeste, é a expressão dos discípulos de 
Jesus. Paulo conclui, pois, que filhos da esposa verdadeira, a 
Consequência: a liberdade em Cristo (5,1–12)
A liberdade que os discípulos têm em Jesus Cristo é fruto de sua aliança nova. 
Não há necessidade de circuncisão se Cristo já libertou o fiel. Esta é a aliança: viver em 
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UNIDADE 3UNIDADE 3
Cristo. Paulo fala nesses poucos versículos da graça, que é a comunhão com o Senhor: 
ela supera todos os costumes e práticas anteriores, a ponto de o Apóstolo afirmar: “Estar 
circuncidado ou incircunciso de nada vale em Cristo Jesus, mas sim a fé que opera pela 
caridade” (5,6).
Paulo conclui sua série de argumentos com uma ironia: ele instiga, entre os 
gálatas, os judaizantes a não apenas se circuncidar, mas a se mutilar, se isso lhes faz bem 
(versículo 12). 
Terceira parte: exortação (5,13—6,10)
A terceira parte é a consequência da exposição doutrinal feita pelo Apóstolo. Ele 
tira conclusões que determinam o estilo de vida da comunidade, conduzindo ao argumento 
da caridade. 
Vivencia da liberdade (5,13–26)
A experiência da liberdade não é algo teórico e sem dificuldades. Antes, tem o 
seu preço. A vida dita “carnal” não pode substituir a vida da caridade. Por vida “carnal” 
entende-se aquilo que é causado ou causa de:
 …fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, 
ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras,orgias e outras 
coisas semelhantes (5,19–21). 
Paulo declara: 
Porque os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne; 
pois são contrários uns aos outros. É por isso que não fazeis o que quereríeis 
(5,18). 
Em seguida ele elenca as obras do Espírito:
 ...o fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, 
fidelidade, brandura, temperança. Contra estas coisas não há lei (5,22–23).
Paulo insiste em convidar os gálatas a viver conformes o Espírito.
Caridade (6,1–10)
Paulo inicia os argumentos finais com mais calma, falando como um pai que, 
depois de repreender o filho que errou e assinalar suas falta, agora o prepara para o 
futuro. Os gálatas devem viver na caridade, observando sua conduta para superar as 
tentações. Seguramente Paulo percebia que a vida cristã é difícil, pois é a herança do 
Crucificado. Então, lembra a todos a atitude da humildade em Cristo Jesus. 
E subitamente ele volta à ofensiva: “De Deus não se zomba” (versículo 7). 
Ele refere-se à ação dos judaizantes, os inimigos de toda a liberdade em Jesus Cristo. 
Pensando neles, o Apóstolo recorda que o que se planta, se colhe. Agora é o tempo de 
plantar o bem e praticá-lo. 
Conclusão e saudação (6,11–18)
Também a saudação final é peculiar. Paulo declara que escreve com o próprio 
punho, o que nos leva a compreender que algumas cartas ele não escrevesse, mas deixava 
outro escrever o que antes ditava. 
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UNIDADE 3UNIDADE 3
O problema da circuncisão ainda está na cabeça do Apóstolo. Era, seguramente, 
uma questão séria entre os gálatas. Estar do lado da circuncisão é tirar proveito da aliança 
feita na carne. Assim, Paulo afirma, de modo brilhante: 
Quanto a mim, não pretendo, jamais, gloriar-me, a não ser na cruz de nosso 
Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o 
mundo. Porque a circuncisão e a incircuncisão de nada valem, mas sim a nova 
criatura (6,14–15). 
Para Paulo, a cruz de Jesus Cristo é o sinal da aliança. Ele traz em si essa marca 
e esse testemunho. Por isso é que declara neste final: “que ninguém mais me moleste” 
(versículo 17), pois ele vivencia a aliança com Cristo. No final, deseja a graça de Jesus 
Cristo a todos (versículo 18). 
5 CONSIDERAÇÕES
Paulo Apóstolo tem importância decisiva nos primeiros decênios do cristianismo. 
Sem ele não seria possível a difusão da fé em Jesus Cristo na intensidade e amplitude que 
podemos hoje verificar. Sua atuação junto aos povos gentios ou pagãos foi no sentido de 
inseri-los na perspectiva da graça em Jesus Cristo. Diversamente, as práticas judaicas 
e especialmente o seguimento da Lei como fonte da experiência religiosa teriam tomado 
conta do cristianismo nascente e não haveria a liberdade em Cristo. 
As viagens missionárias de Paulo foram um esforço quase que sobre-humano 
em tornar conhecido o Evangelho e organizar as comunidades que se identificam com o 
mistério de Deus nele expresso. Foram, por quanto se sabe, três viagens que deixaram 
marcas profundas nas comunidades. Elas renderam ao cristianismo textos de cartas 
posteriormente escritas pelo Apóstolo. 
As Cartas são o testemunho antigo da fé em Jesus Cristo e do esforço de Paulo 
em tornar conhecido o Evangelho. Elas demonstram as dificuldades de aceitação da nova 
ordem estabelecida por Jesus Cristo — a graça que é fruto da adesão à sua Pessoa. 
6 E-REFERÊNCIA
CASA PUBLICADORA DAS ASSEMBLÉIAS DE DEUS: disponível em:<www.cpad.com.
br/cpad/paginas/sub_mapa_1.htm> Acesso em: 14 jul.2009.
CASA PUBLICADORA DAS ASSEMBLÉIAS DE DEUS: disponível em:<www.cpad.com.
br/cpad/paginas/sub_mapa_2.htm> Acesso em: 14 jul.2009. 
Lista de Figuras
Figura 1- Primeira viagem missionária de Paulo: disponível em: <http://
igrejatemporal.blogspot.com/>. Acesso em: 07 jul.2009.
Figura 2- São Barnabé, companheiro de Paulo na primeira viagem: disponível em: 
<http://www.anunciame.com.br/portal/sao-barnabe/>. Acesso em: 07 jul.2009.
Figura 3 - Segunda viagem missionária: disponível em: <http://igrejatemporal.
blogspot.com/>. Acesso em: 07 jul.2009.
Figura 4 - Pregação de Paulo em Atenas: disponível em: <http://blogs.lifeway.com/
blog/edstetzer/2007/08/is-there-really-a-call-to-prea.html />. Acesso em: 07 jul.2009.
Figura 5 - Terceira Viagem de Paulo: disponível em: <http://igrejatemporal.blogspot.
com/>. Acesso em: 07 jul.2009.
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Claretiano – Batatais70
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 3UNIDADE 3
Figura 6 - Viagem do cativeiro: disponível em: <http://igrejatemporal.blogspot.com/>. 
Acesso em: 07 jul.2009.
Figura 7 - Decapitação de São Paulo em Roma: disponível em: <http://www.
metmuseum.org/toah/hd/choi/ho_26.159.2.htm>. Acesso em: 07 jul.2009.
Figura 8 - Ruínas da cidade de Filipos, na Macedônia: disponível em: <http://
oseiasgeografo.blogspot.com/2009_03_08_archive.html.>. Acesso em: 07 jul.2009.
Figura 9 - Região da Galácia: disponível em: <http://igrejatemporal.blogspot.com/>. 
Acesso em: 07 jul.2009.
Figura 10 - Fragmento da Carta aos gálatas: disponível em: <http://www.paulinos.
org.br/anopaulino/cartas.html>. Acesso em: 07 jul.2009.
Figura 11 - Ruinas da muralha da antiga cidade Antioquia da Psídia: disponível em: 
<http://www.padfield.com/turkey/antioch-pisidia/>. Acesso em: 07 jul.2009.
Figura 12 - Torah (a Lei): disponível em: <www.concurringopinions.com/archives/
torah.jpg>. Acesso em: 07 jul.2009.
7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
BALLARINI, T. et alii. Introdução à Bíblia. Petrópolis: Vozes, 1974, páginas 403–408. Vol. 
V/1: Atos dos Apóstolos, São Paulo e as epístolas aos Tessalonicenses, 1 e 2 Coríntios, 
Gálatas e Romanos. 
BARBAGLIO, Giuseppe. As cartas de Paulo (II). Tradução de José Maria de Almeida. São 
Paulo: Loyola, 1991, p. 11–114; 353–412. 
CARREZ, M.; DORNIER, P.; DUMAIS, M.; TRIMAILLE, M. As cartas de Paulo, Tiago, Pedro 
e Judas. São Paulo: Paulinas, 1987, p. 194–198.
CROSSAN, John Dominic; REED, Jonathan. Em busca de Paulo. Como o apóstolo de Jesus 
opôs o Reino de Deus ao Império Romano. São Paulo: Paulinas, 2007.
FERREIRA, João Antonio. Gálatas. A epístola da abertura de fronteiras. São Paulo: Loyola, 2005. 
HAWTHORNE, Gerald F.; MARTIN, Ralph P.; REID, Daniel G. Dicionário de Paulo e suas 
cartas. Tradução de Bárbara Theoto Lambert. São Paulo: Paulus, Vida Nova, Loyola, 2008, 
p. 556–564; 578–593; 688–699.
HEYER, C. J. den. Paulo, um homem de dois mundos. Tradução de Luis Alexandra Solano 
Rossi. São Paulo: Paulus, 2008.
MURPHY–O’CONNOR, Jerome. A antropologia pastoral de Paulo. Tornar-se humanos 
juntos. Tradução de João Rezende Costa. São Paulo: 1994, 198ss.
MURPHY–O’CONNOR, Jerome. Paulo. Biografia crítica. Tradução de Bárbara Theoto 
Lambert. São Paulo: Loyola, 2000, p. 195–237.
PATTE, Daniel. Paulo, sua fé e a força do Evangelho. São Paulo: Paulinas, 1987, p. 63–83.
VAN DER BORN, A. (Org.). Dicionário enciclopédico da Bíblia. Petrópolis, Vozes, 1985, 
colunas 590–591; 616–617; 1139–1143. 
ATENÇÃO!
Os livros sugeridos nas 
referências bibliográficas 
ajudarão você a ampliar e a 
aprofundar a compreensão 
sobre os conceitos introdutórios 
relacionados ao ST. Entretanto, 
as fronteiras ficam abertas, para 
dialogar também com outros 
autores e outros textos. Para 
produzir conhecimento, a leitura 
é indispensável. Pense nisso... 
CARTA AOS ROMANOS
Objetivos
• Conhecer e analisar a Carta aos Romanos, a carta mais 
elaborada do Apóstolo.
• Compreender e conhecer a Igreja de Roma e sua realidade 
profundamente marcada pelo paganismo. 
• Interpretar e analisar os temas fundamentais da Carta aos 
Romanos, especialmente com a questão da justifi cação.
• Analisar a Carta aos Romanos com critérios teológicos. 
Conteúdos
• A Igreja de Roma.
• O contexto da Carta aos Romanos.
• Temas fundamentais da Carta aos Romanos.
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Bacharelado em Teologia
UNIDADE 4UNIDADE 4
1 INTRODUÇÃONa Unidade 3, você conheceu a faceta missionária de Paulo, especialmente 
o impacto que tiveram suas viagens missionárias na fundação do cristianismo. Graças 
ao seu ardor missionário a fé cristã na pessoa de Jesus, o Crucificado, espalhou pelo 
mundo inteiro então conhecido, atingindo os gentios. Neste contexto, surgiram as 
cartas aos Gálatas e aos Filipenses, que você a oportunidade de ler, estudar e conhecer. 
Agora nesta unidade, você conhecer a Carta aos Romanos, que constitui certamente 
o primeiro tratado teológico do cristianismo. Mediante o estudo dessa Carta você vai 
conhecer uma importante comunidade cristã dos primeiros tempos do cristianismo: a 
Igreja de Roma. 
2 CARTA AOS ROMANOS 
A Carta aos Romanos é um dos escritos mais interessantes do Novo Testamento. 
É como o primeiro tratado de teologia cristã. Por isso ocupa uma posição especial dentro 
do “corpus paulinum”, sendo seu primeiro escrito. 
Figura 1 (divulgação) – Fragmento 
da Carta aos romanos.
Como sabemos as Cartas de Paulo têm caráter episódico. Sua escrita não 
obedece a um programa de composição ou exposição de ideias predeterminado, mas é 
fruto das exigências concretas de comunidades ou pessoas. Diversamente, a Carta aos 
romanos foi pensada, elaborada, apresentada como uma série de argumentos articulados. 
Não foi escrita somente pela necessidade do momento ou correspondendo às ocupação ou 
preocupações do Apóstolo ou mesmo da Igreja de Roma. É uma obra teológica, certamente 
a primeira em termos cronológicos, do cristianismo. É anterior aos Evangelhos canônicos 
e, claramente, anterior às obras dos escritores cristãos. É como o melhor fruto da mente 
teológica de Paulo. 
Quando afirmamos que a Carta aos romanos não é motivada por problemas 
concretos da comunidade romana, como foram motivados os outros escritos do 
Apóstolo, não se quer dizer que ela não correspondesse às necessidades da Igreja de 
Roma. Não é um conjunto de afirmações, raciocínios independentes da identidade ou 
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Batatais – Claretiano 73
UNIDADE 4UNIDADE 4
circunstâncias daquela Igreja. Ela corresponde também às situações concretas, sem 
ser condicionada a elas. Muito provavelmente os argumentos da Carta aos romanos 
são compreensíveis no contexto da comunidade romana e são também comuns de 
outras Igrejas. Seguramente Paulo parte conceitualmente de situações e questões 
muito concretas e estabelece elementos válidos para a compreensão do fenômeno 
cristão. Apresenta tudo isso para a Igreja de Roma e com isso contribui de modo 
decisivo para a Teologia cristã. 
Pelo que conhecemos da história de Paulo, no ano 58 ele terminava sua terceira 
viagem missionária, que começara em 54. Em Éfeso Paulo esteve três anos (Atos 20,31). 
Foi para a Macedônia, Acaia e Corinto (Atos 20,3), onde ficou três meses. Lá foi hospede 
de um Gaio, provavelmente batizado pelo próprio Paulo (1 Coríntios 1,14), lembrado em 
Romanos 16,23: “Saúda-vos Gaio, meu hospedeiro, e de toda a Igreja”. Em Corinto, Paulo 
escreveu a Carta aos filipenses e decidiu também escrever uma carta aos cristãos de 
Roma, provavelmente levada até a capital do Império pela diaconisa Febe, como podemos 
intuir da recomendação dada a seu respeito por Paulo em Romanos 16,1. 
Nessa carta Paulo expõe as linhas fundamentais de sua pregação, que ele chama de 
seu Evangelho. Ele tem consciência de que seu trabalho de evangelização está encaminhado 
nas regiões da Ásia e da Grécia. É o que podemos intuir de Romanos 15,19–24: 
De maneira que tenho divulgado o Evangelho de Cristo desde Jerusalém e 
suas terras vizinhas até a Ilíria. E me empenhei por anunciar o Evangelho 
onde ainda não havia sido anunciado o nome de Cristo, pois não queria edificar 
sobre fundamento lançado por outro. Fiz bem assim como está escrito: Vê-lo-
ão aqueles aos quais ainda não tinha sido anunciado; conhecê-lo-ão aqueles 
que dele ainda não tinham ouvido falar. Foi isso o que muitas vezes me impediu 
de ir ter convosco. Mas, agora, já não tenho com que me ocupar nestas terras; 
e como há muitos anos tenho saudades de vós, espero ver-vos de passagem, 
quando eu for à Espanha. Espero também ser por vós conduzido até lá, depois 
que tiver satisfeito, ao menos em parte, o meu desejo de estar convosco. 
Paulo então está decidido a ir até a Espanha. Uma etapa necessária dessa 
viagem é a passagem por Roma. Esta igreja tem expressão no nascente mundo cristão e 
Paulo deseja conhecê-la e propor seu Evangelho e as consequências por ele visualizadas. 
Ele não vai até Roma ou se comunica com esta igreja para fundá-la ou influenciá-la. 
Ele deseja conhecê-la e ser por ela conhecido. Talvez o desejo do Apóstolo, tanto na 
desejada visita quanto na Carta, seja mais o conhecimento e a partilha de princípios do 
que um debate e menos ainda uma atuação acentuada. Certamente sua permanência 
futura, conforme ele pensava no final de sua terceira viagem missionária, estando em 
Corinto e escrevendo para os romanos, era de ficar em Roma algumas semanas, não mais 
do que isso. A Carta aos romanos é, dessa forma, uma espécie de apresentação humana 
e teológica do Apóstolo para os romanos. 
3 IGREJA DE ROMA
Existência e fundação
Não se sabe como foi fundada a Igreja em Roma. Não há menção de um fundador 
ou fundadores. Apenas uma suposição a partir do texto de Atos dos Apóstolos 2,10, no 
contexto da vinda do Espírito Santo, na manhã de Pentecostes. Lá encontramos uma 
relação de pessoas oriundas de diversos lugares que testemunham a epifania do Espírito 
Santo nos Apóstolos. Perguntam sobre o que estava acontecendo e são identificados 
conforme sua origem. Entre eles estavam os judeus vindos de Roma, como mostra esta 
passagem de Atos: 
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Claretiano – Batatais74
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 4UNIDADE 4
Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua 
materna? Partos, medos, elamitas; os que habitam a Macedônia, a Judéia, 
a Capadócia, o Ponto, a Ásia, a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da 
Líbia próximas a Cirene; peregrinos romanos, judeus ou prosélitos, cretenses 
e árabes; ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus! (Atos 
dos Apóstolos 2,8–11).
Figura 2 (divulgação) – Inscrição dos primeiros tempos do cristianismo, descoberta nas 
escavações nas imediações de uma antiga igreja e do cemitério de São Lourenço. Basílica de 
São Lourenço Fora dos Muros (Roma).
Teriam estes “peregrinos romanos”, que eram certamente judeus vindos de 
Roma para as celebrações pascais, sido os fundadores da Igreja de Roma? Não é possível 
uma afirmação nem uma negação. O caso é que a Igreja na capital do Império era uma 
realidade estabelecida e bem vivida no tempo da Carta aos romanos. Em 1,8 podemos ler: 
“Primeiramente, dou graças a meu Deus, por meio de Jesus Cristo, por todos vós, porque 
em todo o mundo é preconizada a vossa fé.” À parte um evidente exagero estilístico de 
Paulo, sabemos que a existência da Igreja em Roma era fato estabelecido e importante. 
A Tradição da Igreja de Roma indica os Apóstolos Pedro e Paulo como seus 
fundadores. Não podemos entender essa fundação como algo material, imediato. Eles são 
parte do processo da fundação e da legitimação, isto sim. Sabemos que, com certeza, Pedro, 
o Apóstolo, foi o líder dessa igreja por bem 25 anos, embora não de modo ininterrupto. 
Esta liderança é significativa de diversos modos. Primeiro, vemos que a evangelização dos 
judeus acabou por não ser o foco de atenção único do Apóstolo Pedro, visto que ele deixa 
de atuar, muito cedo ainda, pela leitura de Atos dos Apóstolos, na Judéia e parte para o 
Ocidente. Ele não poderia estar ligado apenas aos judeus neste tempo todo de liderança 
romana. 
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Batatais – Claretiano 75
UNIDADE 4UNIDADE 4
Figura 3 (divulgação) – São Pedro 
e São Paulo, considerados os 
fundadores da Igreja em Roma.
Por outro lado, a permanência de Pedro em Roma apresentadificuldade de 
compreensão das circunstâncias de Atos dos Apóstolos e das Cartas paulinas, em especial 
da Carta aos romanos. Se foram tantos anos que Pedro permaneceu em Roma, e se 
considerarmos os dados da mesma tradição que indica que ele foi martirizado pelo ano 
64, então é mais do que certo que quando Paulo esteve em prisão domiciliar na capital do 
Império, como vemos em Atos 28,30–31, Pedro devia estar lá. Porém, não há quaisquer 
informações a respeito, mesmo levando em conta que esta prisão ou “cativeiro romano” é 
datado entre 61 e 62 e a Carta aos romanos é anterior. 
Este silêncio quanto às relações apostólicas e às lideranças da Igreja, 
especialmente romanas, é muito curioso e não tem uma solução, até o presente. Tradições 
da Igreja romana, aspectos e intenções literárias e consequências de interpretação 
cronológica de todo este estado de coisas formam um conjunto complexo que a distancia 
e as circunstâncias históricas escondem. 
O que podemos e devemos entender com isso é que a Igreja em Roma, capital 
do Império, é devedora da presença de muitas figuras ilustres da primeira geração cristã. 
Elas fazem parte do processo de sua fundação e estabelecimento, não sem percalços e 
dificuldades as mais diversas. As perseguições foram muito presentes desde os primeiros 
anos, e as riquezas de suas tradições deixam à mostra a intensidade de sua experiência 
histórica, concreta, transmitida desde os inícios tanto mais remotos quanto mais frutos da 
própria ação de Deus nos simples e generosos em aceitar a Palavra e vivê-la no Espírito. 
Tempo e escrita
Em Atos dos Apóstolos 18,1–2, encontramos Paulo deixando Atenas, depois 
do aparente fracasso de sua pregação no Areópago. Ele se estabelece em Corinto e lá 
encontra o casal Áquila e Priscila. Atos dos Apóstolos sugere que eles teriam vindo de 
Roma em vista da ordem de Cláudio que todos os judeus se afastassem da cidade. 
Cláudio, Imperador pelo ano 49, assim o fez devido a situações que nos fogem 
ao controle. Mas uma inscrição de Suetônio em sua obra “Vita Claudii” (Vida [história] de 
[do Imperador] Cláudio) é reveladora a respeito. Ele escreve: “Cláudio expulsou os judeus 
de Roma porque, instigados por Cresto, não cessavam de fazer agitação”. É consenso 
entre os estudiosos que “Cresto” seja uma grafia errônea de “Cristo”. O que se pensa é que 
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Bacharelado em Teologia
UNIDADE 4UNIDADE 4
havia, no final dos anos 40 de nossa era, portanto menos de vinte anos depois do Mistério 
Pascal, a situação de entrada da experiência cristã na comunidade judaica romana. 
Figura 4 (divulgação) – Imperador Claudius I (Tiberivs 
Clavdivs Drvsvs Germanicvs) (41 a 54 d.C.).
Seguindo a situação elaborada a partir desses poucos elementos históricos, o que 
parece ter acontecido foi assim: A Igreja de Roma é fruto do encontro do judaísmo com a 
mensagem cristã mais original e antiga. As dificuldades de aceitação de Jesus como Messias 
ou Cristo se fizeram notar muito cedo e tomaram contornos que foram interpretados pelas 
autoridades imperiais presentes na capital como agitação política dos judeus. 
Expulsos os judeus de Roma (claro que não todos), incluindo os que já estavam 
imersos no cristianismo, eles retornaram depois de alguns anos. Em 55, já os encontramos 
com a revogação do decreto de expulsão. Eles continuarão a manter a situação que 
existia em muitos lugares, em outras tantas igrejas que deviam conviver em um mundo 
hostil, tanto da parte do Império quanto da parte do judaísmo tradicional. Estas situações 
evocavam dificuldades de interpretação, de convivência e de perspectiva de futuro. A fé 
em Cristo e a vida que ela implica podiam ser compatíveis com os costumes judaicos? 
A entrada de gentios na comunidade estabeleceria um novo padrão de comportamento, 
distinto daquele esperado dos seguidores da Lei? Eles, os gentios, deveriam observar a Lei 
que os judeus observam? As promessas feitas aos antepassados judeus eram ainda válidas 
do ponto de vista prático? Os que vêm do paganismo deviam cumprir os compromissos 
judaicos para poder aceitar e se identificar com o Messias, o Cristo que eles esperavam e 
reconheciam em Jesus? 
A Carta aos Romanos nos apresenta de modo muito interessante estas questões 
e busca propor, para seus leitores originais, a capacidade de conviver com os problemas 
derivados do novo estado de ver e viver que o cristianismo propunha. 
Na prática a situação parece ser esta: a Igreja de Roma está em território marcado 
pelas mais diversas e diversificadas situações culturais e religiosas. Tudo o que há em 
matéria religiosa existe por lá. O judaísmo é uma das tantas propostas religiosas, mas tem 
a característica única, dentre todas as demais religiões de todo o Império, de professar a 
fé em um só Deus. A unicidade de Deus já redeu ao povo de Israel enormes dificuldades e 
dramas, mas ainda é mantida com grande heroísmo e esperança por parte dos fiéis. 
Chegou aos judeus o anúncio, o “Evangelho”, isto é, a boa notícia, que o Messias, 
a figura mais esperada do judaísmo, veio e apresentou como sua mensagem. As profecias, 
então, se cumpriram. Agora é necessário seguir esse Messias. Isso seria simples, obvio e 
imediato, se não fosse muito complexo na realidade.
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Batatais – Claretiano 77
UNIDADE 4UNIDADE 4
Para os judeus se convencerem de que Jesus é o Messias, o Cristo, era necessária 
a pregação, a insistência e a comprovação das Escrituras a seu respeito. Ocorre que 
Jesus ultrapassava em muito as expectativas do judaísmo de seu tempo. E, além disso, 
acontecia algo que talvez não fosse esperado, ou pelo menos não fosse esperado em 
tal intensidade: não apenas os judeus aceitavam a ideia do Messias, mas também e 
sobretudo os gentios! 
É o problema da situação deles, os gentios, na Igreja nascente. Já falamos dessa 
situação, mas é sempre oportuno reafirmar a questão, inclusive por ângulos diversos. Ela 
é complexa e nem sempre é clara ou está presente quando se considera esse momento 
histórico vivido pelo cristianismo das origens. 
Os judeus em Roma, pelo menos alguns, aceitaram, como tantos outros, Jesus 
como Messias. E aos poucos foram vendo gentios aceitarem, como eles, a identidade de 
Jesus. Eles estão no local mais complexo do mundo da época, com as mais diferentes 
culturas e religiões, e é dessas culturas e religiões que surgem os novos seguidores do 
Messias, o Cristo. Como conviver com os judeus que esperavam há tanto tempo o Messias? 
Como sentar-se à mesa juntos? Como ler as escrituras e dialogar? 
A questão é esta e, pela leitura da Carta aos Romanos, o que nos parece é 
que existem duas Igrejas em Roma. Uma que segue o judaísmo aceitando o Messias 
Jesus. Ela olha os que vêm da gentilidade e se pergunta: “como podem eles crer sem 
entrar na dinâmica da Lei, da história, das promessas, da circuncisão e da esperança de 
Israel?” E outra que é a Igreja composta pelos gentios que olha para os judeu-cristãos 
e se pergunta: “com podem eles manter-se fieis a princípios tão minuciosos quando a 
aceitação do Messias é superior a tudo isso?” 
4 COMENTÁRIO À CARTA AOS ROMANOS
Podemos também formular a questão dessa forma: em que Israel, o povo das 
promessas e da esperança do Messias deve ser ouvido? Como fica Israel com a vinda 
do Messias e sua aceitação por parte dos gentios? E como os gentios, agora cristãos, 
marcados pelo Messias–Cristo, devem agir em relação a Israel? 
Esse é o pano de fundo da Carta aos romanos. Nela, Paulo usa do menor de 
seus argumentos. Nela os temas são concatenados de modo expressivo e teológico. Não 
é sem motivo que a Carta aos romanos foi o texto mais abordado por Lutero no início da 
Reforma Protestante e por tantos outros reformadores. Não é também sem motivo que 
foi o primeiro texto a ser traduzido pela Bíblia - Tradução Ecumênica, da qual a comissão 
de tradutores afirmou algo assim: seja o texto da discórdia o primeiro a ser traduzidoem 
vista da concórdia. É uma carta autêntica de Paulo como testemunha os escritos antigos. 
Temas fundamentais de Romanos 
Há muita semelhança entre a Carta aos gálatas e a Carta aos romanos. Este 
“parentesco” pode ser constatado quando os temas são isolados. Vejamos: 
a) natureza do Evangelho: Gálatas 1,6–10 e Romanos 1,16–17;
b) justificação pela fé e não pelas obras da Lei: Gálatas 3,16 e Atos dos 
Apóstolos 3,20–28;
c) exemplo de Abraão: Gálatas 3,16 e Romanos 3,20–28;
d) situação entre a “carne” e o “espírito”: Gálatas 6,19–25 e Romanos 
7,14–25; 8,2–9;
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UNIDADE 4UNIDADE 4
e) redenção pela morte de Jesus: Gálatas 3,27; 3,13; 4,5 e Romanos 3,24; 
5,8; 8,31–39;
f) o batismo: Gálatas 3,27 e Romanos 6,3–5;
g) vida cristã: Gálatas 2,19; 5,24; 6,15; Romanos 6,4–5. 
Os temas fundamentais da Carta aos romanos podem ser assim expressos: 
Justificação pela fé
Justiça de Deus e em Deus significa o cumprimento de suas promessas e, sendo 
estas promessas gratuitas, então justiça é a gratuidade de Deus para com o homem. Deus 
quer o bem ao homem e lhe é fiel neste desejo. 
Se Deus é justo então concede ao ser humano a graça que é a sua amizade, a 
sua intimidade, independente de seus bens anteriores. Ele é justo não porque o homem 
merece o que recebe, mas porque Deus é fiel à sua Palavra e Promessa.
A situação final do homem é a de estar justificado por Deus, isto é, ser objeto de 
sua amizade, de sua graça. Nessa situação, o homem vive do Espírito e produz frutos. 
Aqui reside grande parte das diferenças teológicas entre as Igrejas da Reforma 
e a Igreja Católica. Enquanto esta considera a possibilidade e até a necessidade das 
obras, ações concretas em função do testemunho da adesão à vontade de Deus, aquelas 
consideram que a aceitação simples e imediata de Deus e a adesão a ele é suficiente para 
a justificação. 
Ambas as posições são possíveis e até conciliáveis, pois se a justificação é um 
fato a ser professado, então ele pode ser confirmado pelas ações ou obras. Essas não 
geram a justiça, mas a confirmam, a difundem. Originariamente é tudo decisão de Deus, 
não predeterminação cega, mas dom gratuito de Deus. O fiel presta seu assentimento, isto 
é, sua aceitação consciente à medida que não apenas declara, mas se deixa envolver pela 
graça, justificando-se. É um movimento duplo: de Deus para o fiel que causa a justificação 
nesse e do fiel para com Deus ou para com Deus na mediação de outro fiel ou homem que 
declara a aceitação daquela justificação e adesão ao mistério da salvação. 
Fé
O que movimenta o fiel para a justificação é a fé. Esta é uma adesão não apenas 
afetiva, emotiva, passional a Deus ou a uma sua manifestação, mas também é uma 
adesão consciente, de vontade e intenção e, é claro, também afetiva à vontade de Deus. 
Esta é expressa na sua Palavra que é transmitida pela Escritura e especialmente pelo Filho 
de Deus que se comunica. 
Contudo, deve-se tomar cuidado de não dizer que é a fé que justifica, que torna 
justo o homem. A fé é a resposta da justiça, da vontade de Deus. Ele justifica o homem 
pela fé que lhe dá. E a fé testemunha a justiça de Deus. Em outras palavras, simplificando: 
não é o fiel que se salva, mas é Deus que salva. Não é a fé do homem que o salva, ela 
testemunha a salvação que ele sente e vivencia. 
Cristo e Adão 
Esta comparação e suas considerações importantes estão especialmente em 
Romanos 5. A imagem de Adão é tomada em dois sentidos: no sentido de primeiro homem, 
início da humanidade, fruto da decisão divina de criar um ser à sua imagem e semelhança; 
e, no sentido de toda a humanidade, todo homem e mulher que, no passado, presente ou 
INFORMAÇÃO:
Esta lista pode ser ampliada. 
Usamos como referencia: 
CARREZ, M.; DORNIER, P.; 
DUMAIS, M.; TIMAILLE, M. As 
cartas de Paulo, Tiago, Pedro 
e Judas. São Paulo: Paulinas, 
1987, p. 170.
INFORMAÇÃO:
Sugiro que você faça uma 
pesquisa a respeito dos temas 
que são apresentados a seguir. 
Aqui eles são introduzidos 
sob a perspectiva da Carta 
aos romanos, mas são todos 
importantes na compreensão 
teológica cristã. Para essa 
pesquisa recomendo: LÉON-
DUFOUR, Xavier (Org.). 
Vocabulário de teologia bíblica. 
Petrópolis: Vozes, 1972. 
Também: MONLOUBOU, L.; DU 
BUIT, F. M. Dicionário bíblico 
universal. Aparecida: Santuário; 
Petrópolis: Vozes, 1997.
INFORMAÇÃO:
Com relação à fé que é uma 
importante questão ligada a 
Paulo, sugiro que você consulte 
dois estudos, um mais antigo 
e outro mais recente que se 
complementam. O primeiro é: 
CERFAUX, Lucien. O cristão 
na teologia de São Paulo. 
São Paulo: Paulinas, 1976, p. 
118–138. O mais recente é: 
SÖDING, Thomas. A tríade fé, 
esperança e amor em Paulo. São 
Paulo: Loyola, p. 147–158.
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Batatais – Claretiano 79
UNIDADE 4UNIDADE 4
futuro dividem a humanidade. O acento em Romanos está no primeiro sentido da imagem 
de Adão. O segundo é derivado do primeiro. 
Figura 5 (divulgação) - Cristo Ressuscitado 
tira Adão do limbo dos justos para levá-
lo ao céu. Fra Angelico.
Paulo se interessa pela imagem do primeiro Adão à medida que o segundo Adão, 
que é Cristo, o supera, o resgata, o transforma. O Apóstolo deseja falar de Jesus Cristo e 
para isso usa a imagem do primeiro homem. É uma questão teológica, certamente, mas 
de modo pragmático. 
A humanidade está incluída na realidade do primeiro Adão que vive na liberdade 
condicionada. Ela é condicionada pelos limites de suas escolhas e das escolhas de outros 
que o influenciam. Este Adão precisa ser transformado, precisa ser resgatado. Não são 
suas obras ou decisões que farão isso, mas o novo Adão, que vivifica o que antes estava 
aparentemente distante da graça. 
Batismo
O batismo é uma realidade que se destaca em Romanos, onde temos sua 
teologia, sua mística e as exigências de sua realidade na vida do fiel. Nós o encontramos 
de modo especialmente marcante em Romanos 6. 
O homem que adere a Cristo é sepultado no batismo para as obras mortas. A 
morte recebe a morte! E nessa morte, nesse túmulo o fiel renasce, mas agora com Cristo. 
Então o batismo tem este sentido duplo: morte em Cristo e vida nele. 
O batismo não é simplesmente um gesto formal ou social. É um acontecimento 
salvador, transformador da pessoa. O batizado está transfigurado em Cristo e deve agora 
viver como é: um ressuscitado em Cristo. O fiel já morreu: o pecado não tem mais força 
nele, o que tem força agora é Cristo e isso pelo ato do batismo. 
Este contudo não é um rito mágico. É um rito que marca a graça, o dom que 
toma conta do fiel. Ele recebe o Espírito que o transforma decisivamente e agora espera 
a sua adesão e fidelidade. 
Lei 
Temos aqui um tema importante e marcante na Carta aos romanos. A questão é 
tanto mais fundamental e marcante quanto diz respeito à convivência entre fieis cristãos 
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Claretiano – Batatais80
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UNIDADE 4UNIDADE 4
de origem gentílica e de origem judaica. A Lei e seu cumprimento é garantia da pertença 
ao povo da promessa, Israel. Ela é a segurança da ação de Deus na pessoa que a ela adere. 
Isso Paulo acreditava intensamente antes de sua conversão. É na medida da observância 
da Lei que o homem “se justifica”, isto é, se aproxima de Deus e, dessa forma, assemelha-
se a ele. Mas é necessário observá-la em seus detalhes, em suas propostas mínimas para 
tornar o homem santo. 
Com Cristo, o “novo Adão”, isso deixa de ser necessário. Ele realiza a santificação, 
e a adesão a seu mistério é que criará a justiça. Antes: a adesão a ele e não à Lei é que 
permitirá que o homem se torne santo. Não é a Lei que santifica. Pelo contrário, ela 
evidencia o pecado, pois estabelece comportamentos limitados. A adesão a Cristo é que 
justifica, pois é ele que santifica, com sua adesão à vontade de Deus.
Em Romanos 7, Paulo discorre sobre essa questão com muita propriedade, 
deixando claro seu pensamento.Sabemos que este ponto foi motivo de dificuldade de 
Paulo com seus inimigos, os judeus e os judaizantes. Eles não podiam entender isso, pois 
não aceitavam a Jesus Cristo como o sentido de tudo, inclusive, como o sentido para a 
Lei. 
A Lei tem sua validade enquanto Cristo não havia estado entre nós. Na medida 
em que Cristo é por nós aceito, ela não tem mais sentido: 
De agora em diante, pois, já não há nenhuma condenação para aqueles que 
estão em Jesus Cristo. A lei do Espírito de Vida me libertou, em Jesus Cristo, da 
lei do pecado e da morte (Romanos 8,1–2). 
O mistério de Israel frente a Cristo
Talvez aqui esteja o texto mais emocionalmente intenso de Paulo em Romanos. 
Afinal, ele é hebreu, filho de Israel! Mas vem aqui sua perplexidade: Israel, povo da 
Promessa, dos Profetas, não compreendeu a vinda de Cristo e não a aceitou. Como pode 
Deus ter permitido isso? A mensagem (o Evangelho) - que deveria ser primeiro para o 
judeu, o povo que a esperava -, está surtindo efeito não nele, mas entre os gentios, que 
não esperavam esse anúncio. Ao menos de modo consciente. Isso é muito complicado de 
ser compreendido. 
Em Romanos 9—11, Paulo discorre longamente sobre a situação de Israel. 
Parece-nos entender que os planos de Deus foram realmente frustrados pelo seu povo. 
Gratuidade, eleição, fidelidade, promessa da herança… Tudo isso, no pensamento do 
Apóstolo, não teve repercussão quando da vinda do Messias. Esse - que deveria ser aceito 
pelos judeus e ter dado sentido a toda sua história -, passou a ser aceito pelos gentios e 
está agora frutificando. 
No final, Paulo propõe que a situação de Israel é passageira, pois um dia haverá, 
também de sua parte, a aceitação do Messias como o Filho de Deus. É assim que acontecerá 
o final desse mundo passageiro e se dará a misericórdia plena (11, 32). 
Estrutura e comentário da Carta aos Romanos 
DIVISÃO PROPOSTA DA CARTA AOS ROMANOS
1,1–15 
1,16—11,36 
1,16s
1,18—4,25
1,18–32 
2,1–11
2,12–24 
Introdução 
Primeira parte: dogmática 
Tema 
A justifi cação 
Os gentios 
Os homens em geral e os judeus 
A Lei
INFORMAÇÃO:
Com relação a esse tema 
fundamental da Lei, sugiro 
que você consulte a 
significativa obra: SANDERS, 
Ed. Parish. Paulo, a lei e o 
povo judeu. Santo André: 
Academia Cristã; São 
Paulo: Paulus, 2009. Toda 
a obra é muito interessante, 
especialmente os três 
primeiros capítulos que são 
mais relacionados ao tema 
presente.
INFORMAÇÃO:
Sobre o tema de Israel e a fé 
em Jesus Cristo é conveniente 
consultar: SANDERS, Ed Parish. 
Paulo, a lei e o povo judeu. Santo 
André: Academia Cristã; São 
Paulo: Paulus, 2009, p. 203–244. 
INFORMAÇÃO:
É imprescindível que você leia o 
texto da Carta aos romanos. Os 
comentários aqui apresentados 
são para contextualizar e indicar 
a teologia de cada uma das 
partes. Mas é na leitura direta 
que você irá tomar conhecimento 
do conteúdo da carta. Use 
uma boa edição da Bíblia, que 
tenha boas notas explicativas e 
consulte-as. 
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Batatais – Claretiano 81
UNIDADE 4UNIDADE 4
DIVISÃO PROPOSTA DA CARTA AOS ROMANOS
2,25–29 
3,1–20
3,21–31 
4,1–25
5,1—11,36
5,1–11
5,12–21 
6,1–23
7,1–25
8,1–39
9,1–5
9,6–33
10,1–21 
11, 1–33 
11,34–36 
12,1—15,13
A circuncisão 
Promessas e culpas 
A justiça de Deus 
Abraão, justifi cado e fi el 
A salvação 
A justifi cação é penhor da salvação 
Cristo obtém a justiça 
A justiça livra do pecado 
A justiça livra da escravidão 
Justiça e Espírito 
Israel e a incredulidade 
Deus e a liberdade 
Israel foi rejeitado pela incredulidade 
Reprovação defi nitiva? 
Hino à sabedoria de Deus 
Segunda parte: moral
12,1s 
12,3–8
12,9–21 
13,1–7
13,8–11 
13,11–14 
14,1—15,13
15,14—16,24
15,14–21 
15,22–33 
16,1–24 
16,25ss 
Prática das virtudes 
Humildade e fi delidade nos carismas 
Caridade até para com os inimigos 
As autoridades 
A caridade é o resumo da Lei 
As armas da luz 
Normas particulares 
Conclusão, saudações 
A ousadia de Paulo 
Planos de viagem 
Últimas recomendações e saudações 
Doxologia fi nal
Introdução (1,1–15)
Nessa introdução, Paulo diz-se chamado para ser apóstolo e para o Evangelho. 
Em seguida, inicia um breve hino de louvor à ação de Jesus Cristo (1,4–7). 
A introdução continua com uma ação de graças pela comunidade de Roma (1,8–
10) e continua com algumas notícias de Paulo a respeito de seu desejo de ir até Roma 
(1,11–15). Não havendo ainda possibilidade de realizar este desejo, ele dirige então aos 
romanos estas palavras de sua Carta. 
Primeira parte: dogmática (1,16—11,36)
Nessa primeira parte, Paulo lança as bases para apresentar sua ideia: a 
justificação vem de Deus e é para todo homem, independente de sua condição social 
ou sua origem religiosa. O Apóstolo usa muitas imagens e elementos do conhecimento 
imediato dos romanos, como situações sociais e circunstâncias da vida. Fala também dos 
judeus sem meias palavras, deixando claro que se eles tinham a prerrogativa de encontrar 
a salvação em Jesus Cristo, eles a perderam, pois não o acharam capaz de justificar, de 
tornar próximo de Deus. 
Tema (1,16s)
O tema da Carta aos romanos é, fundamentalmente, o Evangelho de Jesus Cristo, 
dirigido aos judeus, em primeiro lugar, e depois a todo aquele que aceita a revelação de 
Jesus Cristo, também se for grego. A relação do fiel com Deus é chamada de justiça e é 
ela que faz o homem viver. Paulo cita o pensamento: “O justo viverá da fé” (1,17). 
ATENÇÃO!
São diversos os hinos que Paulo 
insere em suas cartas. Sugiro 
que você faça uma pesquisa a 
partir do próprio texto bíblico e 
procure identificar os hinos nas 
cartas já analisadas em nossos 
estudos: 1 e 2 Tessalonicenses, 
1 e 2 Coríntios, Filipenses e 
Gálatas.
INFORMAÇÃO:
Para uma visão crítica da 
sociedade romana e de seus 
valores religiosos, você pode 
consultar a obra já citada em 
outros momentos: CROSSAN, 
John Dominic; REED, Jonathan 
L. Em busca de Paulo. Como o 
apóstolo de Jesus opôs o Reino 
de Deus ao Império Romano. 
São Paulo: Paulinas, 2007, p. 
317–339.
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Claretiano – Batatais82
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 4UNIDADE 4
A justificação (1,18—4,25)
Aqui Paulo discorre a partir da realidade dos gentios e dos judeus, com seus 
valores e suas situações históricas, para chegar à conclusão de que a distância de Deus 
não é isenta de culpa. Os judeus não devem colocar sua confiança na Lei, pois não é ela 
que salva ou resgata o homem .
No final, Paulo valoriza a figura de Abraão, apresentando-o como modelo de 
fé, não apenas para os judeus, mas também para todos os que creem. Ele acreditou e 
esperou, mesmo quando a esperança e a fé não cabiam de modo humano. Sua justiça 
está na perseverança da fé. 
Os gentios (1,18–32)
O primeiro pensamento tem como tema os gentios. Paulo está escrevendo a 
Carta para uma igreja de origem gentílica. Eles recebem, então, as primeiras observações. 
Segundo o Apóstolo, os gentios podem chegar ao conhecimento de Deus pela própria 
natureza. Porém, não descobrindo Deus, eles se perdem em confusas considerações da 
mesma natureza. Invertem os valores e as situações naturais e tornam-se indignos de 
Deus em função de uma conduta inadequada e absurda. 
Os homens em geral e os judeus (2,1–11)
Os que ignoram a verdade e a vontade de Deus acabam se perdendo e encontrando 
a retribuição para os seus exageros na própria vida. Tribulação e angústia são o resultado 
para quem pratica o mal. Quem sofre isso são apenas os judeus, se deixam de seguir a 
seu Deus, mas também os gregos (gentios), se não vivem de modo digno. 
A Lei (2,12–24)
Paulo fala aos judeus e recorda que não é a Lei que os salva. Ela não justifica, 
não torna o homem mais próximo de Deus. Os gentios têm também uma lei, lei natural 
que não os salva tampouco. Não seguir a Lei e desejar conduzir a outros é encontrar a 
perdição. Paulo dá exemplos muito nítidos a respeito (2,21–22). 
A circuncisão (2,25–29)
A circuncisão, prática judaica, também não é suficiente para tornar o homemjusto. O circunciso, que não leva vida adequada e coerente, não pode ser considerado 
salvo. Ele é transgressor da Lei. Para Paulo, a verdadeira circuncisão é a do coração, não 
apenas a da carne. (versículo 29). 
Promessas e culpas (3,1–20) 
Em um longo raciocínio, Paulo pensa sobre a identidade judaica e sobre a 
circuncisão. Admite que aos judeus foram dadas todas as condições de encontrar a salvação. 
Se alguns negam a fé, o que será deles? Deus se anulará? De onde vem a confirmação de 
nossa adesão a Deus: da prática da Lei ou do próprio Deus? Vem, certamente, do próprio 
Deus que escolhe e dá a graça a seus filhos. 
Paulo afirma que todos, independentes da adesão à Lei ou não, são culpados da 
distância de Deus. Um hino em 3,10–18 elenca as características de quem está distante 
da realidade da graça. 
No final, Paulo indica que o pecado é evidenciado pela Lei. Por ela o mundo deve 
reconhecer que precisa de Deus. Mas isso não tem acontecido. 
INFORMAÇÃO:
Um interessante e oportuno 
comentário sobre o tema da Lei 
encontra-se em SCHNELLE, 
Udo. A evolução do pensamento 
Paulino. São Paulo: Loyola, 
1999, p. 55–84.
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Batatais – Claretiano 83
UNIDADE 4UNIDADE 4
A justiça de Deus (3,21–31)
A justiça de Deus, independente da prática ou não da Lei, torna-se visível em 
Jesus Cristo. Ele legitima toda ação, pois é o instrumento de Deu para a justiça. A fé nele, 
agora, é o que determina o encontro do homem com Deus. Já não mais a circuncisão. Todo 
homem, portanto, pode encontrar a Deus em Jesus Cristo. 
Abraão, justificado e fiel (4,1–25)
Paulo inicia um capítulo, todo ele marcado pelas considerações de Abraão. Sua 
identidade é homem de fé, independente da Lei, marcado pela atenção à vontade e à 
palavra de Deus que lhe era dirigida. Abraão esperou, teve confiança na manifestação de 
Deus, mesmo não tendo os elementos necessários para ter essa segurança. Por isso ele 
é o modelo do homem que crê. Não foi o cumprimento da Lei que lhe deu a paternidade 
espiritual de todos, mas sim a esperança, a fé, a justiça que recebeu de Deus e à qual 
correspondeu. 
A salvação (5,1—11,36)
O Apóstolo inicia o argumento da justificação indicando que ela é a salvação e 
que esta salvação opera em Jesus Cristo. Ele determina como ocorre esta justificação em 
Jesus Cristo e depois apresenta o argumento do velho e do novo Adão. As idéias podem 
ser divididas assim: 
A justificação é penhor da salvação (5,1–11) - Não é cabível o medo, pois 
a salvação veio a todo homem. Todos podem receber o dom do Espírito Santo (5,5), pois 
todos são resgatados por Jesus Cristo, mesmo sem o saber, ainda mortos pelo pecado. 
Agora, porém, marcados pela graça, muito mais podemos viver a reconciliação (5,10). 
Cristo obtém a justiça (5,12–21) - Adão perdeu a justiça, a comunhão com 
Deus, pelo pecado. Jesus Cristo restabelece a justiça pela sua obediência. Ele esta em 
sintonia com Deus. Se em Adão todos pecaram, em Cristo todos podem ser justificados. 
Ele traz a graça que rompe o pecado. Contrário ao pecado é a graça (5,20). A morte de 
Cristo conquistou para todos a vida (5,21). 
A justiça livra do pecado (6,1–23) - O batismo é a assimilação em Cristo. 
Quem está em Cristo vive com ele e por ele (6,11). Se antes de conhecer a Cristo o 
homem serve a iniquidade, então conhecendo a Cristo deve servi-lo e encontrar nele a 
santidade (6,15ss).
A justiça livra da escravidão (7,1–25) - A Lei limita o homem, pois 
evidencia o pecado. Então o homem deve estar ligado a Cristo, pois aí sim ele terá a 
liberdade e a justiça. 
Contudo, a Lei não é um mal (7,7)! Essa pode ser a ideia de quem não está 
atento a todo o argumento. A Lei é boa (7,2) e espiritual (7,14), mas o que ela propõe 
facilmente leva ao conhecimento do pecado (7,8). A razão reta, tocada pela Lei que deve 
conduzir para o bom caminho, está em luta contra o pecado (7,14–25). É Jesus Cristo 
quem realiza a justificação e transforma tudo, livrando o homem do drama (7,25). 
Justiça e Espírito (8,1–39) - A redenção operada em Jesus Cristo liberta do 
pecado e da Lei. A comunhão com Jesus Cristo faz o homem estar na presença do Espírito 
Santo (8,9.11). É necessário viver no Espírito para que isso seja real, vencendo os desejos 
da carne (8,12s). Assim o Espírito poderá dar testemunho (8,15–18). 
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Claretiano – Batatais84
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UNIDADE 4UNIDADE 4
Note-se que o texto sobre a justiça se encerra com um maravilhoso hino: 8,31–39:
Que diremos depois disso? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que 
não poupou seu próprio Filho, mas que por todos nós o entregou, como não nos 
dará também com ele todas as coisas? Quem poderia acusar os escolhidos de 
Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? Cristo Jesus, que morreu, 
ou melhor, que ressuscitou, que está à mão direita de Deus, é quem intercede 
por nós! Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A 
perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada? Realmente, está escrito: 
Por amor de ti somos entregues à morte o dia inteiro; somos tratados como 
gado destinado ao matadouro. Mas, em todas essas coisas, somos mais que 
vencedores pela virtude daquele que nos amou. Pois estou persuadido de que 
nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, 
nem o futuro, nem as potestades, nem as alturas, nem os abismos, nem outra 
qualquer criatura nos poderá apartar do amor que Deus nos testemunha em 
Cristo Jesus, nosso Senhor.
Israel e a incredulidade (9,1–5)
Israel, povo da Aliança, não acreditou no Senhor Jesus Cristo. Isso não seria 
uma negação de tudo o que foi anunciado e esperado? Paulo sente o drama intenso, 
inclusive porque também ele é de Israel. Pensa que isso terá solução. 
Deus e a liberdade (9,6–33)
Deus não elegeu toda a descendência de Abraão para fazer povo de Deus. Ele é 
livre para escolher e para decidir. É o mistério de amor de Deus (9,14–24). 
Israel foi rejeitado pela incredulidade (10,1–21)
O motivo da distância de Israel em relação a Jesus Cristo é a incredulidade. 
Havia tanta dificuldade em compreender o plano da salvação que a mesma salvação não 
foi vivida. Israel, cheio de chances de conhecer o Messias, não lhe deu atenção e por isso, 
pela incredulidade, perdeu a salvação. Israel não pode dizer que não a conhecia, pois ela 
foi pregada intensamente (10,14–21). 
Reprovação definitiva? (11, 1–33) 
Mas Deus não abandona seu povo! Ao contrário, pretende também salvar a esse 
povo e dar-lhe um lugar de destaque, pois nunca deixou de ser seu povo. Os gentios, por 
sua vez, não deve julgar-se em paz e segurança total. Devem temer o erro e o pecado 
para não perder o próprio lugar na salvação e na história. 
Hino à sabedoria de Deus (11,34–36)
Este hino é formidável em sua expressão lírica. Fazendo uma pergunta, o poeta 
declara sua admiração e maravilha. 
Ó abismo de riqueza, de sabedoria e de ciência em Deus! Quão impenetráveis 
são os seus juízos e inexploráveis os seus caminhos! Quem pode compreender 
o pensamento do Senhor? Quem jamais foi o seu conselheiro? Quem lhe deu 
primeiro, para que lhe seja retribuído? Dele, por ele e para ele são todas as 
coisas. A ele a glória por toda a eternidade! Amém (11,34–36).
Segunda parte: moral (12,1—15,13)
Essa segunda parte da Carta aos romanos é moral, de aplicação prática da 
justiça que Deus realiza em Jesus Cristo. Apresenta muitos elementos concretos para ser 
observados como conduta de um fiel em Jesus Cristo. 
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Batatais – Claretiano 85
UNIDADE 4UNIDADE 4
Prática das virtudes (12,1s)
A vida cristã implica uma renovação interior, especialmente a mortificação do 
egoísmo. É esse o culto espiritual que Deus exige dos homens. Aqui nasce a religião 
sublime (12,1s). 
Humildade e fidelidade nos carismas (12,3–8)
Os carismas são para a Igreja e não para o bem-estar pessoal. Deve, então, 
cada um viver com simplicidade oque lhe foi dado. 
Caridade até para com os inimigos (12,9–21)
Até os inimigo merecem a caridade em virtude de Cristo Jesus. O cristão deve 
estar sempre empenhado em viver a caridade, a generosidade, deixando de lado a 
inimizade, o orgulho pessoal e a vingança. 
As autoridades (13,1–7)
O cristão tem deveres para com as autoridades. Isso é interessante de ler, pois é 
uma consideração feita em função da realidade de todos em relação ao Império. O cristão 
não está isento de estar em sintonia com as autoridades. 
A caridade é o resumo da Lei (13,8–11)
A caridade é o resumo da Lei e sua plenitude é o amor. 
As armas da luz (13,11–14)
As armas da luz são as boas obras. O fiel deve negar-se às orgias, bebedeiras, 
devassidão etc. Essas são as obras das trevas. 
Normas particulares (14,1—15,13)
Aqui entra um caso concreto: a questão da comida. Ela está muito ligada a 
práticas religiosas e cultuais. Sabemos já disso pelo próprio judaísmo. Paulo não aborda 
essa questão de modo muito claro, mas o que ele sugere é, sim, objetivo. Pela liberdade 
de Cristo, pode ser feito sem medo, contanto que esteja dentro dos planos de Deus e 
confirme a justiça que habita em todo batizado. Contudo, se uma ação alimentar pode 
escandalizar os fracos, então não deve ser feita pelos supostamente fortes. 
Cristãos de origem gentílica e de origem judaica podem viver muito bem unidos 
em Cristo Jesus, louvando a uma só voz ao Senhor. 
Por isso, acolhei-vos uns aos outros, como Cristo nos acolheu para a glória de 
Deus. Pois asseguro que Cristo exerceu seu ministério entre os incircuncisos 
para manifestar a veracidade de Deus pela realização das promessas feitas 
aos patriarcas. Quanto aos pagãos, eles só glorificam a Deus em razão de sua 
misericórdia, como está escrito: Por isso, eu vos louvarei entre as nações e 
cantarei louvores ao vosso nome. Noutro lugar diz: Alegrai-vos, nações, com o 
seu povo. E ainda diz: Louvai ao Senhor, nações todas, e glorificai-o, todos os 
povos! Isaías também diz: Da raiz de Jessé surgirá um rebento que governará 
as nações; nele esperarão as nações. O Deus da esperança vos encha de toda 
a alegria e de toda a paz na vossa fé, para que pela virtude do Espírito Santo 
transbordeis de esperança! (15,7–13). 
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Claretiano – Batatais86
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 4UNIDADE 4
Conclusão, saudações (15,14—16,24)
A ousadia de Paulo (15,14–21) - Paulo “ousou” escrever aos romanos, pois 
eles também estão sob o amor de Deus e seu olhar. Merecem a graça de Cristo como todo 
homem e são pó ele justificados. O Apóstolo deseja pregar naquela Igreja em breve. 
Planos de viagem (15,22–33)
Paulo apresenta seus planos de viagens. Depois de levar até Jerusalém a coleta 
feita na Macedônia e na Acaia, declara que deseja ir até Roma e dali seguirá até a Espanha. 
Recomenda-se então à comunidade de Roma nestas longas viagens. 
A Carta parece encerrar-se no versículo 20: “A graça de nosso Senhor Jesus 
Cristo esteja convosco!” Imediatamente, porém inicia uma série de recomendações e 
saudações. 
Últimas recomendações e saudações (16,1–24) 
Envia saudações a muitas pessoas, praticamente um terço com nome judeu; 
o restante de origem gentílica. Isso evidencia a identidade da Igreja de Roma em época 
apostólica. 
Doxologia final (16,25ss)
O final da carta é um louvor, uma doxologia. 
Àquele que é poderoso para vos confirmar, segundo o meu Evangelho, na 
pregação de Jesus Cristo — conforme a revelação do mistério, guardado em 
segredo durante séculos, mas agora manifestado por ordem do eterno Deus e, 
por meio das Escrituras proféticas, dado a conhecer a todas as nações, a fim de 
levá-las à obediência da fé —, a Deus, único, sábio, por Jesus Cristo, glória por 
toda a eternidade! Amém! (16,25–26). 
5 CONSIDERAÇÕES
Paulo realiza a grande aproximação do mundo greco-romano com a mensagem 
cristã. A cultura grega e romana, marcadas pelo politeísmo e pelo culto de forças naturais 
e humanas, não havia se identificado com o judaísmo. Também este não tinha o interesse 
de lançar-se à conquista de adeptos no mundo que o cercava. Paulo percebeu que o 
cristianismo, a fé dos discípulos de Jesus Cristo, tinha muito a oferecer ao seu mundo. 
Contudo, Paulo não ignora que Israel, ambiente e solo original das promessas e 
dos profetas, deveria aceitar Jesus Cristo como seu Messias. Isso não ocorreu e agora a 
mensagem desse Messias, o Evangelho, deve ser anunciado a quem a acolha e vivencie. 
Mas haverá sempre uma abertura para a aceitação dos judeus, povo que recebeu o convite 
original de Deus. 
Aos romanos, Paulo apresenta sua teologia, a compreensão do fato cristão e de 
suas exigências. O cristianismo não é um conjunto de regras a ser seguidas ou de doutrinas 
a ser alimentadas pelo ritualismo. O cristianismo é fundamentalmente um encontro com 
o Senhor, uma abertura de mente e coração a ele que transforma as realidade humanas 
dando-lhes a plenitude da liberdade. Isso se vivencia com o amor, o compromisso de estar 
com o outro e em função do outro. 
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Batatais – Claretiano 87
UNIDADE 4UNIDADE 4
6 E-REFERÊNCIAS
Lista de Figuras
Figura 1- Fragmento da Carta aos romanos: disponível em: <http://ocontornodasombra.
blogspot.com/2008/02/carta-aos-romanos-1.html>. Acesso em: 07 jul.2009.
Figura 2 - Inscrição dos primeiros tempos do cristianismo, descoberta nas 
escavações nas imediações de uma antiga igreja e do cemitério de São Lourenço. 
Basílica de São Lourenço Fora dos Muros (Roma): disponível em: <http://www.
sacred-destinations.com/italy/rome-san-lorenzo-photos/slides/xti_9194p.php>. Acesso 
em: 07 jul.2009.
Figura 3 - São Pedro e São Paulo, considerados os fundadores da Igreja em 
Roma: disponível em: <http://www.marypages.com/PeterandPaul.jpg>. Acesso em: 07 
jul.2009.
Figura 4 – Imperador Claudius I (Tiberivs Clavdivs Drvsvs Germanicvs) (41 a 54 
d.C.): disponível em: <http://julirossi.blogspot.com/2008/03/roma.html>. Acesso em: 
07 jul.2009.
Figura 5 - Cristo Ressuscitado tira Adão do limbo dos justos para levá-lo ao céu. Fra 
Angelico: disponível em: <http://www.lepanto.com.br/dados/CienciaMisteriosaFaraos1.
html>. Acesso em: 07 jul.2009.
7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BALLARINI, T. et al. Introdução à Bíblia. (Vol. V/1) Atos dos Apóstolos, São Paulo e as 
epístolas aos Tessalonicenses, 1 e 2 Coríntios, Gálatas e Romanos. Petrópolis: Vozes, 
1974, p. 445–544.
BARBAGLIO, Giuseppe. As cartas de Paulo (II). Tradução de José Maria de Almeida. São 
Paulo: Loyola, 1991, p. 117–350. 
CARREZ, M.; DORNIER, P.; DUMAIS, M.; TRIMAILLE, M. As cartas de Paulo, Tiago, Pedro 
e Judas. São Paulo: Paulinas, 1987, p. 143–175.
CERFAUX, Lucien. O cristão na teologia de São Paulo. São Paulo: Paulinas, 1976, p. 118–138. 
CROSSAN, John Dominic; REED, Jonathan L; Em busca de Paulo. Como o apóstolo de 
Jesus opôs o Reino de Deus ao Império Romano. São Paulo: Paulinas, 2007, p. 317–339.
HAWTHORNE, Gerald F.; MARTIN, Ralph P.; REID, Daniel G. Dicionário de Paulo e suas 
cartas. Tradução de Bárbara Theoto Lambert. São Paulo: Paulus, Vida Nova, Loyola, 2008, 
p. 1099–1115.
HEYER, C.J. den. Paulo, um homem de dois mundos. Tradução de Luis Alexandra Solano 
Rossi. São Paulo: Paulus, 2008, p. 181–210.
LÉON-DUFOUR, Xavier (Org.). Vocabulário de teologia bíblica. Petrópolis: Vozes, 1972. 
MONLOUBOU, L.; DU BUIT, F. M. Dicionário bíblico universal. Aparecida: Santuário; 
Petrópolis: Vozes, 1997. 
PATTE, Daniel. Paulo, sua fé e a força do Evangelho. São Paulo: Paulinas, 1987, p. 319–400.
SANDERS, Ed Parish. Paulo, a lei e o povo judeu. Santo André: Academia Cristã; São 
Paulo: Paulus, 2009.
SCHNELLE, Udo. A evolução do pensamento Paulino. São Paulo: Loyola, 1999, p. 55–84. 
SÖDING, Thomas. A tríade fé, esperança e amor em Paulo. São Paulo: Loyola, p. 147–158.
VAN DER BORN, A. (Org.). Dicionário enciclopédico da Bíblia. Petrópolis, Vozes, 1985, 
colunas 1331–1334. 
AnotaçõesAnotações
Anotações CARTAS AOS COLOSSENSESE AOS EFÉSIOS - 
O BILHETE A FILÊMON
Objetivos
• Compreender e conhecer as cartas aos Colossenses, aos 
Efésios e o bilhete a Filêmon.
• Conhecer e analisar os argumentos fundamentais destas 
cartas. 
• Compreender e analisar os diversos argumentos utilizados 
nessas obras. 
• Interpretar e valorizar os textos mais importantes dessas 
obras. 
• Analisar os argumentos paulinos presentes nestas 
cartas. 
Conteúdos
• Introdução à Carta aos colossenses.
• Introdução à Carta aos efésios.
• Introdução ao Bilhete a Filêmon.
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A
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Claretiano – Batatais90
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 5UNIDADE 5
1 INTRODUÇÃO
Na unidade anterior, você conheceu a Carta aos romanos, considerada um dos 
primeiros tratados teológicos do cristianismo. Você obteve informações importantes sobre 
a Igreja de Roma e o contexto em que tal Carta foi escrita. Agora o desafio é aprofundar 
o pensamento de Paulo na Carta aos colossenses, na Carta cartas aos efésios e no Bilhete 
a Filêmon. É uma oportunidade para conhecer as antigas igrejas de Colossos e de Éfeso e 
o contexto sociocultural em que surgiu o cristianismo.
2 CARTA AOS COLOSSENSES
O contexto da carta
A Carta aos colossenses é considerada, como Filipenses e Efésios, uma carta do 
cativeiro. Paulo encontra-se preso ou em Cesareia, entre os anos 58 e 60; ou em Éfeso, 
entre 54 e 57; ou finalmente em Roma, entre os anos 61 e 63, no primeiro cativeiro, se 
considerarmos que houve um segundo cativeiro, posterior ao relato de Atos dos Apóstolos 
28,30–31. É complicado datar essa carta, tanto mais que sobre ela pesam dúvidas a 
respeito da autenticidade paulina. Ela é incluída na lista das Cartas deuteropaulinas e, 
assim, é frequentemente apresentada. Mas não convém observá-la apenas sob este 
critério. 
A igreja de Colossas ou Colossos (as duas formas são possíveis) não era de 
origem paulina, mas sim fora fundada por Epafras, zeloso e empenhado colaborador do 
Apóstolo. É uma comunidade marcada por intensas buscas de sinais, sentimentos, ideias 
e crenças marcadas por elementos cósmicos, naturais (os quatro elementos), zodiacais, 
místicos… É difícil reconhecer em um caldo tão espesso de crenças e noções vagas e 
afetivas um traço preciso de uma ou outra corrente de pensamento. O que mais é possível 
de se enxergar é um latente gnosticismo, com forte acentuação de elementos filosóficos 
gregos. 
“Os gnósticos eram seguidores de uma variedade de movimentos religiosos 
que ressaltavam a salvação por meio da gnosis, ou ‘conhecimento’, isto é, das 
origens da pessoa” (HAWTHORNE, Gerald F.; MARTIN, Ralph P.; REID, Daniel 
G. Dicionário de Paulo e suas cartas. Tradução de Bárbara Theoto Lambert. São 
Paulo: Paulus, Vida Nova, Loyola, 2008, p. 603). Isso podia deixar a Cristo, 
pregado pela Igreja, apaixonadamente apresentado por Paulo e vivenciado 
nas contradições do mundo por tantos discípulos, ofuscado ou desfigurado. 
Paulo escreve a Carta, na hipótese de protopaulinismo, ou alguém a escreve 
atribuindo-lhe autoria paulina, no caso deuteropaulinismo, intentando deixar 
clara a soberania de Cristo Jesus sobre tudo e todos.
Não nos parece difícil reconhecer a índole protopaulina dessa carta. Por exemplo, 
os períodos longos da Carta e seu desenvolvimento são difíceis de se coadunar com a 
realidade de um texto escrito por um secretário. Na redação desse tipo, a tendência é 
dividir o pensamento em períodos mais compreensíveis, não obstante algumas dificuldades 
relativas à linguagem e aos argumentos. Paulo não precisava repetir-se constantemente 
na argumentação! Pelo contrário, se ele escrevia em função das situações concretas das 
igrejas com as quais se comunicava, é de se esperar que os argumentos mudassem. As 
questões vocabulares são também anexas a esta circunstância e ao conhecimento do 
secretário que se empenhava na escrita. 
INFORMAÇÃO:
Afirmamos algumas vezes que 
a questão da autenticidade 
das Cartas paulinas não é 
de unanimidade da parte dos 
estudiosos. Assim, não levamos 
muito em conta este elemento, 
conscientes de que ele não 
interfere substancialmente 
na abordagem da doutrina e 
mensagem de Paulo expressas 
em suas Cartas. De fato a 
questão da autenticidade das 
Cartas está relacionada a 
diversas questões, mas de modo 
especial à cronologia. Para 
uma abordagem da questão, 
sugerimos que você consulte: 
MURPHY–O’CONNOR, Jerome. 
Paulo. Biografia crítica. Tradução 
de Bárbara Theoto Lambert. São 
Paulo: Loyola, 2000, p. 17–46.
INFORMAÇÃO:
Para maiores informações 
a respeito da gnose e do 
gnosticismo, recomendamos 
a consulta: HAWTHORNE, 
Gerald F.; MARTIN, Ralph P.; 
REID, Daniel G. Dicionário de 
Paulo e suas cartas. Tradução 
de Bárbara Theoto Lambert. 
São Paulo: Paulus, Vida Nova, 
Loyola, 2008, p. 603–607; 
ABBAGNANO, Nicola. Dicionário 
de filosofia. São Paulo: Martins 
Fontes, 1998, p. 485–486.
Bacharelado em Teologia
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Batatais – Claretiano 91
UNIDADE 5UNIDADE 5
A despeito das alegadas dificuldades, respeitando contudo as posições muito 
difundidas do deuteropaulinismo, tudo indica que a Carta aos colossenses deva 
ser datada do primeiro cativeiro romano, entre os anos 61 e 63. Se é uma 
carta deuteropaulina, ela poderia ter sido escrita pelo ano 80 em Éfeso. 
Estrutura e comentários à Carta aos colossenses 
CARTA AOS COLOSSENSES - ESTRUTURA
1,1–14 
1,14—2,5
1,15–20
1,21–23
1,24—2,5
Prólogo
Primeira parte: doutrina
Hino cristológico 
Os colossenses em Cristo 
Paulo e os gentios
2,6—3,4
2,6–8 
2,9–15 
2,16–23
3,1–4
Segunda parte: consequências doutrinárias
“Não” às doutrinas vãs, “sim” a Cristo 
Cristo é o principal 
Costumes e atitudes falsas 
Em Cristo a vida nova
3,5—4,6
3,5–17 
3,18—4,1
4,2–6 
4,7–18 
Terceira parte: ética
Comportamento cristão 
Moral doméstica 
Comportamento apostólico 
Conclusão 
Prólogo (1,1–14)
Paulo escreve a Carta junto a Timóteo, que ele chama aqui de irmão. Afirma 
que conhece a fama da fé da Igreja de Colossas e ora por ela. Afirma também que o 
Evangelho, tendo chegado até lá, está em todo o mundo produzindo frutos. O apóstolo de 
Colossas foi Epafras, chamado de querido companheiro de serviço de Paulo (1,8). 
Paulo declara, também, que o conhecimento de Deus, de sua sabedoria, 
conduz à herança dos santos. Eles podem entrar na luz, em contrapartida a viver nas 
trevas. Certamente aqui iniciam os argumentos que devem depois ser desenvolvidos. Os 
colossenses estão muito relacionados a elementos mistéricos e míticos, não olhando de 
frente a Cristo. Por isso vem a perícope seguinte. 
Primeira parte: doutrina (1,14—2,5)
A primeira parte tem acento na doutrina, especialmente na compreensão do 
mistério de Cristo Jesus. É mais fácil olhar e seguir os sentimentos sensíveis da natureza 
e da mitologia do que compreender o mistério de Cristo Salvador. 
Hino cristológico (1,15–20)
O hino cristológico é uma pérola teológica inserida por Paulo. Ele identifica 
a Cristo como cabeça da Igreja e vai muito além do hino a Cristo em Filipenses. Em 
Colossenses 1,15, Jesus é declarado imagem do Deus invisível e primeiro das criaturas. A 
ele é atribuída uma identidade divina, a preexistência sobre tudo e todos. 
Isso é essencial para a compreensão do pensamento da Carta aos colossenses. 
As ideias sobre diversos elementos mistéricos desviavam da graça nascida do encontro 
com Cristo Jesus e da vida em comunhão com sua vontade. Paulo insere em sua carta esse 
hino para dar o tom, apresentar o princípio fundamental da sua argumentação. 
INFORMAÇÃO:
Em todo o estudo do “corpus 
paulinum” é importante que 
você leia, previamente, o texto 
bíblico em análise. Assim, 
recomendamos que a presente 
unidade seja acompanhada do 
texto das cartas em questão. 
INFORMAÇÃO:
Tendo em vista esta questão de 
elementos míticos, sugerimos 
a consulta da obra: CERFAUX, 
Lucien. O cristão na teologia de 
São Paulo. São Paulo: Paulinas, 
1978, p. 445–483.
INFORMAÇÃO: 
É oportuno que você retome o 
hino cristológicode Filipenses 
2,5–11 e faça uma comparação 
com o hino de Colossenses 
1,15–20. Semelhanças, 
diferenças e perspectivas podem 
ser evidenciadas. 
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Claretiano – Batatais92
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 5UNIDADE 5
Os colossenses em Cristo (1,21–23)
Os colossenses estão em Cristo pela sua morte. Eles são resgatados em Cristo 
desde as obras más e pensamentos inadequados. Isso os tornava inimigos da verdade. 
Agora eles estão alicerçados e firmes na fé. Tudo, no céu e na terra, toda criatura deve 
a ele, Jesus Cristo, sua existência e sentido. Paulo declara ser ministro, isto é, servidor 
dessa verdade e do sentido de tudo. 
Paulo e os gentios (1,24—2,5)
Paulo inicia uma ação de graças e declaração de sua própria identidade. Ele se 
associa aos sofrimentos de Cristo na medida em que o dá a conhecer aos povos gentios. 
Ele se reconhece apóstolo dos gentios:
A estes quis Deus dar a conhecer a riqueza e glória deste mistério entre 
os gentios: Cristo em vós, esperança da glória! A ele é que anunciamos, 
admoestando todos os homens e instruindo-os em toda a sabedoria, para tornar 
todo homem perfeito em Cristo. Eis a finalidade do meu trabalho, a razão por 
que luto auxiliado por sua força que atua poderosamente em mim (1,27–29).
Por isso Paulo, embora não tenha fundado diretamente a igreja de Colossas, 
preocupa-se e empenha-se por ela, bem como pela igreja de Laodiceia, que também 
não o conhece. Certamente Paulo insiste nessa situação de interesse pelas igrejas que o 
desconhecem pessoalmente em função dos constantes ataques e calúnias de judaizantes 
e outros seus inimigos. 
Segunda parte: consequências doutrinárias (2,6—3,4)
“Não” às doutrinas vãs, “sim” a Cristo (2,6–8) 
Os colossenses devem andar em Cristo Jesus, não nos caminhos errados das 
doutrinas da “filosofia”. 
Por “filosofia” não se deve entender os sistemas filosóficos gregos e os 
instrumentos de pensamento que eles propõem, mas sim as especulações 
mais próprias do esoterismo, que encontram no conhecimento dos elementos 
físicos a razão da existência. É um conjunto de ideias mais relacionadas a um 
início de gnosticismo.
Cristo é o principal (2,9–15)
Em seguida Paulo irrompe de uma série de frases de grande efeito, relativas a 
Cristo e sua identidade, sua missão e sua pessoa. Ele é o Ressuscitado que dá vida, que 
conduz à verdade e ao perdão dos pecados. Tudo está a ele submetido, os “principados” 
e as “autoridades”. Estas são categorias de seres espirituais, cheios de poder e ciência 
(“éons”) que marcam a vida e a conduta das pessoas. 
Costumes e atitudes falsas (2,16–23)
Paulo liberta dos colossenses dos limites e padrões alimentares ligados a 
correntes de pensamentos e comportamentos. Continua anunciando a superação de 
costumes relacionados às práticas religiosas míticas e supersticiosas. Ele concentra tudo 
em Cristo. Nele os colossenses morreram para tornar tudo vivo nele. Todas as preocupações 
e relações com a superstição e misticismo deixam de ter sentido em Cristo. Tudo deixará 
de existir pela ação de Cristo na história e na vida. 
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Batatais – Claretiano 93
UNIDADE 5UNIDADE 5
Em Cristo a vida nova (3,1–4) 
Paulo continua com o ímpeto que lhe é próprio quando fala de Cristo. Anuncia 
aos colossenses o Cristo e as “coisas do alto”, seguramente os valores do Evangelho. 
Apresenta aqui uma espécie de dicotomia: as coisas do alto e as coisas da terra como 
contrapostas. São os valores do mundo, da terra, e os valores do Evangelho, como 
dissemos. A vida dos colossenses deve estar em Cristo, em Deus. A ele se chega buscando 
os valores do Evangelho. 
Terceira parte: ética (3,5—4,6)
Comportamento cristão (3,5–17)
O Apóstolo indica comportamentos para todos os colossenses, como ira, 
exaltação, maldade, conversas indecentes… Estas coisas são apresentadas por ele como 
inadequadas ao fiel. 
Paulo insiste também na situação da pessoa tocada pela graça de Cristo: ele 
está renovado, transformado. Independentemente se for judeu, grego, circunciso ou 
incircunciso, escravo ou livre: o que importa é que Cristo está em todos. É a plenitude de 
Cristo, conforme podemos ver na passagem a seguir.
(…) Vós vos despistes do homem velho com os seus vícios, e vos revestistes do 
novo, que se vai restaurando constantemente à imagem daquele que o criou, 
até atingir o perfeito conhecimento. Aí não haverá mais grego nem judeu, nem 
bárbaro nem cita, nem escravo nem livre, mas somente Cristo, que será tudo 
em todos (3,9–11). 
Moral doméstica (3,18—4,1)
A moral doméstica é a indicação de comportamentos caseiros. Paulo os 
indica às mulheres, aos maridos, aos filhos e pais. São elementos práticos e absolutos, 
fundamentais. 
Em seguida dirige-se aos servos, parte integrante da sociedade da época. Ele 
fundamenta tudo em Cristo Jesus. Os senhores devem também ser justos com seus 
servos, pois há na realidade apenas um Senhor que é Cristo. 
Comportamento apostólico (4,2–6)
Para seguir como discípulos de Cristo, Paulo indica os principais comportamentos. 
Oração, vigilância, sabedoria, sensibilidade, coerência. 
Conclusão (4,7–18)
As notícias do Apóstolo são muitas. Ele envia Tíquico como portador da carta. 
Onésimo, motivo da Carta a Filêmon, também é citado. Outros são citados: Aristarco que 
parece estar com Paulo na prisão, o que lhe vale a identidade de “companheiro da prisão”. 
Também é citado Marcos, primo de Barnabé, que depois será lembrado na 2 Timóteo. É 
citado um tal Jesus, o justo, e Epafras, identificado como de Colossas. Paulo cita ainda 
Lucas e Demas. 
Depois Paulo manda saudações aos da igreja de Laodicéia e os que se reúnem 
na casa de Ninfas. Todas as saudações expressam uma proximidade muito grande do 
Apóstolo e um círculo grande de conhecimento. Talvez sejam o testemunho de que esta 
carta não é deuteropaulina mas protopaulina. 
INFORMAÇÃO:
A respeito das questões 
ligadas às forças naturais e 
outras perspectivas próprias 
dos colossenses, você pode 
consultar: BRUCE, F.F. Paulo, 
o apóstolo da graça. Sua vida, 
cartas e teologia. Tradução de 
Hans Udo Fuchs. São Paulo: 
Shedd publicações, 2003, p. 
397–412.
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Claretiano – Batatais94
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 5UNIDADE 5
No final, há a menção de sua assinatura, feita de próprio punho (4,18) e o 
convite à lembrança da prisão ou “das prisões” de Paulo. 
3 CARTA AOS EFÉSIOS 
A cidade de Éfeso
A cidade de Éfeso acolheu Paulo por bem três anos, quando de sua passagem 
pela Ásia. Recebeu do Apóstolo, certamente, uma atenção especial. Era uma cidade muito 
grande, com intenso afluxo de pessoas de todos os cantos do Império. Com isso, havia 
muitas idéias e religiões em choque.
Figura 1 (divulgação) – Praça Comercial da antiga Efesus. 
O cristianismo anunciado por Paulo e por seus colaboradores era uma das 
muitas vozes que se apresentavam como portadores da verdade. De fato, a proposta 
cristã era muito diferente das demais e é esta sua apresentação única que poderia atrair 
os efesinos. 
Não há muitas notícias da cidade fora das Cartas paulinas. O que há é a questão 
da origem da própria Carta e o sentido teológico que ela expõe. 
Características da carta aos efésios
A primeira observação quanto à Carta aos éfésios é justamente sua identidade. 
O primeiro versículo, na apresentação do endereço, apresenta-se diversamente entre 
os manuscritos antigos. Lemos em muitas bíblias a tradução: “Paulo, apóstolo de Jesus 
Cristo, pela vontade de Deus, aos cristãos de Éfeso e aos que creem em Jesus Cristo” 
(1,1). Mas a localização “de Éfeso” não consta de muitos manuscritos antigo, inclusive dos 
mais atestados. Assim, o título deveria ser: “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade 
de Deus, aos santos e que creem em Jesus Cristo”. Tirando-se a menção a Éfeso, tudo o 
mais continua sem mudanças. 
ATENÇÃO!
Para conhecer mais sobre 
a antiga cidade de Éfeso, 
sugerimos que você consulte 
o interessante site http://www.bibleplaces.com/ephesus.htm. 
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Batatais – Claretiano 95
UNIDADE 5UNIDADE 5
Figura 2 (divulgação) – Éfeso. Situada na Turquia atual, foi um grande 
centro de comércio exterior da Ásia antiga e uma das cidades em que o 
cristianismo mais se difundiu nos tempos apostólicos.
O que seria, então, esta Carta? Muito opinam ser ela uma carta circular, o que 
a tornaria uma obra não dirigida a uma igreja em particular, mas a todas as igrejas da 
Ásia menor, visitadas ou não pelo Apóstolo. Outros indicam que deveria ser uma carta 
aos laodicenses, originalmente. Um terremoto destruidor de Laodiceia teria forçado seus 
habitantes a ir até Éfeso. Deram assim uma nova identidade à Carta do Apóstolo… São 
hipóteses não de todo impossíveis, mas difíceis de constatar, especialmente a segunda.
O fato é que a Carta não apresenta pormenores da igreja de Éfeso, como era 
de costume nas Cartas de Paulo: ele citava situações das igrejas para onde dirigia suas 
Cartas; nesta carta, porém, eles não existem. As frases, afirmações e ideias de Paulo 
revelam que não estão familiarizados com a vida e a situação dos efesinos. Faltam também 
saudações a pessoas e grupos da comunidade. Entretanto, em Efésios 1,15 lê-se: “Por 
isso também eu, tendo ouvido falar da vossa fé no Senhor Jesus, e do amor para com 
todos os cristãos…”: isso sugere que o autor está se dirigindo a um grupo específico de 
pessoas, as quais manifestam uma notável expressão de fé. 
Ainda em Efésios 6,21s, lê-se: 
E para que também vós estejais a par da minha situação e do que faço aqui, 
Tíquico, o irmão muito amado e fiel ministro no Senhor, vos informará de tudo. 
Eu vo-lo envio precisamente para isto: para que sejais informados do que se 
passa conosco e para que ele conforte os vossos corações.
Aqui é mencionado o nome de Tíquico, colaborador de Paulo, enviado por ele. 
Na carta: ele “…vos informará de tudo”. Quem ele informará? O contexto supõe um grupo, 
uma igreja! Mas, onde estão os nomes, conhecidos e participantes dessa igreja, seja ela 
de Éfeso, de Laodicéia ou de outro local?
Assim, a questão dos destinatários da Carta aos efésios continua em aberto. A 
questão do seu conteúdo é outro tema interessante. Esta carta tem índole acentuadamente 
eclesiológica. Além disso, apresenta extensos textos onde o comportamento cristão é 
apresentado de modo a fazer compreender uma relação de virtudes e condutas necessárias 
para o viver cristão. 
Os temas de Colossenses se repetem com muita frequência em Efésios, quase 
que fazendo supor que aquela carta serviu de base para esta. As palavras e o sentido do 
pensamento do autor de Efésios é também muito próximo do autor de Colossenses. 
INFORMAÇÃO:
Para uma maior compreensão 
dos temas relativos à 
autenticidade da Carta aos 
efésios e outros aspectos de 
sua própria redação, sugerimos 
que você consulte: CARREZ, 
M.; DORNIER, P.; DUMAIS, M.; 
TRIMAILLE, M. As cartas de 
Paulo, Tiago, Pedro e Judas. 
São Paulo: Paulinas, 1987, p. 
226–228.
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Claretiano – Batatais96
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 5UNIDADE 5
Estrutura e comentário à Carta aos Efésios
ESTRUTURA DA CARTA AOS EFÉSIOS
1,1–2 
1,3—3,21
1,3–14 
1,15–23
2,1–10 
2,11–22
3,1–14 
3,15–21
Saudação
Primeira parte: Cristo na Igreja
Hino a Cristo
Glorifi cação do Senhor
Ação de Cristo na história
Reconciliação dos gentios
Os gentios e Paulo
Oração
4,1—6,20
4,1–8
4,9–16
4,17—5,20
5,21—6,9
6,10–20 
6,21–24 
Segunda parte: Exortações e comportamento
Unidade em Cristo
Identidade dos cristão
Vida em Cristo
Comportamento em família
Combate espiritual
Saudações fi nais
Saudação (1,1–2)
A saudação é de Paulo, que se identifica como apóstolo de Cristo Jesus pela 
vontade de Deus. Os destinatários ou o endereço não existem, conforme nossa opção de 
seguir a tendência aos manuscritos que não apresentam estas informações. 
Primeira parte: Cristo na Igreja (1,3—3,21)
Na primeira parte Paulo insiste, de modo muito poético, na ação da graça em 
seus ouvintes e nele próprio. Cristo realiza tudo em todos e marca a todos com a sua 
graça. Se a recebemos é por pura gratuidade de Deus. 
Hino a Cristo (1,3–14)
O hino a Cristo semelhante àquele de Colossenses, mas é mais bem elaborado em 
vista do conteúdo parenético (exortativo moral) que se seguirá. Ele é dirigido a gentios que, 
não conhecendo as promessas a seu respeito, acabam por entrar na sua intimidade. 
Todos são “filhos adotivos” (versículo 5), abençoados (versículo 3), escolhidos 
(versículo 4), redimidos (versículo 7), conhecedores da vontade de Deus (versículo 9), 
predestinados (versículo 11), feitos herança (versículo 11), etc. 
O hino faz a constante ligação do dom que é Cristo e sua ação nas pessoas, em 
“nós”, independente da identidade e da expectativa anterior de quem está ouvindo ou 
lendo a carta. 
Glorificação do Senhor (1,15–23)
Em seguida, Paulo apresenta a Cristo como objetivo do conhecimento dos 
leitores. Ele mesmo deve iluminar a inteligência de quem está vivenciando tudo o que 
a Carta reflete. Paulo faz votos de que seus leitores sabem e conheçam a ação de Deus 
realizada de modo intenso e pleno. 
… que ilumine os olhos do vosso coração, para que compreendais a que 
esperança fostes chamados, quão rica e gloriosa é a herança que ele reserva aos 
santos, e qual a suprema grandeza de seu poder para conosco, que abraçamos 
a fé. É o mesmo poder extraordinário que ele manifestou na pessoa de Cristo, 
ressuscitando-o dos mortos e fazendo-o sentar à sua direita no céu, acima 
de todo principado, potestade, virtude, dominação e de todo nome que possa 
haver neste mundo como no futuro (1,18–20).
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Batatais – Claretiano 97
UNIDADE 5UNIDADE 5
Os leitores devem ficar alegres, pois receberam a graça da presença de Cristo 
Jesus de modo gratuito. Tudo o que pode tocar as pessoas e interferir em sua vida é tomado 
por Cristo, inclusive os elementos míticos e mistérios, como já afirmado em Colossenses. 
E isso tudo está na cabeça da Igreja, dando-lhe identidade e segurança. 
Ação de Cristo na história (2,1–10)
Aqui Paulo trata da conversão operada por Cristo nos ouvintes da Carta. A situação 
anterior deles é de morte por conta dos pecados. Sem Cristo, antes de seu conhecimento, 
todos andavam nas trevas, mas sua presença tornou tudo salvo, resgatados. Tudo pela 
graça, de modo espontâneo, sem condições prévias. Deus manifestou assim sua bondade 
absoluta em Cristo. 
Este escolha é uma predestinação: todos podem e serão tomados pela graça de 
Cristo, independente de sua origem ou condição. Mas é necessário aceitar tudo isso. 
Reconciliação dos gentios (2,11–22)
Paulo cita os “circuncisos” no sentido de judeus e os “incircuncisos”, no sentido 
de gentios. Os incircuncisos não tinham a herança de Israel, mas agora tudo mudou. 
Todos, pelo sangue de Cristo, tornaram-se próximos de Deus.
Em 2,14–18, temos mais um hino no qual Cristo é destacado como criador do 
“homem novo”. Ele faz de judeus e gentios possíveis de encontrar o Espírito (versículo 
19).
Os ouvintes da Carta já não são estrangeiros em relação a Cristo. Estão íntimos 
da herança de Deus sendo sua família. É em Cristo que essa nova situação, que se 
assemelha a um edifício, se eleva. 
Os gentios e Paulo (3,1–13)
Paulo fala de si e de seu ministério. Ele conhece o mistério revelado em Cristo e 
o apresenta a todos os gentios que podem assim dele participar. Da leitura do texto, nota-
se a altíssima estima que Paulo expressa pela sua identidade de apóstolo, apresentador 
ou anunciador do Evangelho. 
A igreja, comunidade dos que creem em Cristo, tem agora a possibilidade de dar 
a conhecer a vontade de Deus. 
No final deste passagem, Paulo alega “tribulações” a seu respeito. Seus ouvintes 
não devem abater-se por isso. Estará falando ele do cativeiro, das perseguições ou das 
dificuldades comuns de seu ministério? Talvez seja do cativeiro, possivelmente (segundo 
nossa opinião),do cativeiro romano. 
Oração (3,14–21)
Paulo ora pela realidade que vivencia. Pelo dom que é vivê-la e pela situação 
que seus ouvintes agora podem conhecer na adesão ao mistério de Cristo. Na sua ação 
de graças, ele usa palavras e expressões curiosas que criam uma ideia de construção, 
conforme podemos ler a seguir: 
…Que Cristo habite pela fé em vossos corações, arraigados e consolidados na 
caridade, a fim de que possais, com todos os cristãos, compreender qual seja a 
largura, o comprimento, a altura e a profundidade, isto é, conhecer a caridade 
de Cristo, que desafia todo o conhecimento, e sejais cheios de toda a plenitude 
de Deus (3,17–19). 
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Claretiano – Batatais98
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 5UNIDADE 5
Segunda parte: Exortações e comportamento (4,1—6,20)
Unidade em Cristo (4,1–8)
Paulo exorta à unidade em Cristo Jesus. Diz-se prisioneiro, certamente indicando 
seu cativeiro. Isso causa uma importância maior às suas afirmações e indicações. 
Ele insiste na necessidade de unidade, falando que existe uma única cabeça 
e um só Espírito, isto é, um Cristo e um Espírito que inspira e elege a todos para que 
todos estejam na vida. Por isso, há também um só batismo, uma só esperança, um só 
Senhor e Deus. 
A unidade dos fieis é segurança de sua adesão ao mistério de Cristo. Por isso a 
insistência neste ponto. 
Identidade dos cristão (4,9–16)
Todos estão em Cristo, embora cada um tenha uma identidade, uma maneira 
de ser e viver. Paulo elenca os carismas brevemente: apóstolos, profetas, evangelistas, 
pastores e mestres. Cada um está a serviço da comunidade em nome do Senhor. 
Todos podem crescer em Cristo e experimentar a realidade de uma vida marcada 
pela graça e pela ação de Cristo-Cabeça, do qual seus ouvintes, que formam a igreja, são 
os membros. 
Vida em Cristo (4,17—5,20)
Descoberto tudo isso, o que é importante é a vida nova em Cristo Jesus. Os 
gentios devem conhecer esta situação e vivenciá-la, pois é ele que dá vida. O longo 
período é todo ele uma insistente apresentação da imitação de Cristo, da adesão a seu 
mistério e da vida que daí emana. 
Comportamento em família (5,21—6,9)
Bem articulado à longa passagem anterior, surge agora esta passagem, também 
longa e bem articulada, que exorta à vida nova de modo concreto, na família e nas 
relações humanas. Maridos, esposas, filhos e pais têm uma palavra de exortação e de 
alerta a respeito de sua conduta. Tudo deve estar em Cristo Jesus. São incluídos também 
os servos e os senhores. 
Combate espiritual (6,10–20)
Por combate espiritual entende-se a capacidade de viver em meio às crises e 
contradições da vida a partir da intimidade com Cristo. Mais uma vez surge, como em Efésios, 
a ideia de poderes míticos, como autoridades, potestades etc. Paulo deixa isso de lado em 
função da ação de Cristo Jesus sobre tudo e sobre todos. É necessário revestir-se de Cristo. 
Para tanto deve-se orar e suplicar a coerência da vida e a adesão constante ao Senhor. 
Paulo pede que seus ouvintes orem por ele também, pois ele deseja ainda 
anunciar o Evangelho. 
Saudações finais (6,21–24)
As saudações finais não têm o colorido de outras cartas. Sua simplicidade dá a 
entender o caráter mais amplo dessa Carta. Não há menção de recordações. É mencionado 
Tíquico, portador da carta. 
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Batatais – Claretiano 99
UNIDADE 5UNIDADE 5
4 CARTA (BILHETE) A FILÊMON
Questões introdutórias
Carta ou bilhete?
Chamar de “carta” a Filêmon talvez não seja o melhor modo de identificar este 
interessante escrito paulino. É um texto bem reduzido, com apenas 25 versículos, mas 
expressa muitos elementos. Quanto ao status do escrito: se considerarmos como “bilhete”, 
ficam de fora algumas ideias fundamentais. Primeiramente Paulo não se dirige apenas a 
Filêmon, mas também à igreja que se reunia em sua casa:
Paulo, prisioneiro de Jesus Cristo, e seu irmão Timóteo, a Filêmon, nosso muito 
amado colaborador, a Ápia, nossa irmã, a Arquipo, nosso companheiro de 
armas, e à igreja que se reúne em tua casa. A vós, graça e paz da parte de 
Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo! (1–3). 
Para ser apenas um bilhete, ideia de um texto sem maiores pretensões, não 
seriam nomeados estes outros elementos.
Se considerarmos o texto uma carta, ele parece ser muito reduzido para tanto. 
Há um conteúdo específico, embora diluído no conjunto. A questão da escravidão é o pano 
de fundo. O cristianismo, que no dizer de Paulo rompe as barreiras, como vai se portar 
perante a escravidão? 
Já não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, 
pois todos vós sois um em Cristo Jesus (Gálatas 3,28).
Escravidão e liberdade
Se para o cristão não há mais diferenças, como encarar a realidade concreta 
que se apresenta aqui: um escravo fugitivo, Onésimo, busca refúgio junto ao Apóstolo que 
marcou sua conversão. E o mesmo Apóstolo marcou também a conversão de seu senhor, 
Filêmon. 
O cristianismo e o próprio Paulo não trataram diretamente do tema da servidão. 
Mas ele estava lá presente, pois grande parte da população das cidades romanas era 
formada por escravos. A igreja, como pode se imaginar, era composta em sua grande 
maioria por escravos e, quem sabe por alguns libertos. 
Os escravos não o eram em função da raça, mas sim por motivos econômicos: 
dívidas e outros problemas. Outro motivo são as guerras: os prisioneiros de guerra eram 
reduzidos à escravidão. 
A liberdade poderia ocorrer. O escravo poderia adquirir sua própria liberdade 
mediante algum dinheiro que ele, de algum modo, podia acumular. Não era fácil, mas 
era possível. Nessa circunstância um ex-escravo podia ascender até à cidadania romana. 
Porcio Festo, governador romano que substituiu Félix em Cesareia, e que mandou Paulo 
para Roma era um liberto! 
Para o cristianismo, o importante era a criação de novas relações humanas. 
A liberdade e a escravidão não têm lugar em função da eleição em Jesus Cristo. O 
cristianismo não podia, conscientemente, lutar contra a escravidão de modo aberto, pois 
seria tornar a sociedade romana um caos. Toda ela se baseava no trabalho servil. Assim, o 
que o cristianismo fez foi estabelecer estas novas relações humanas, inspiradas em Jesus 
Cristo. Isso é muito evidente na Carta a Filêmon. 
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Claretiano – Batatais100
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 5UNIDADE 5
Este Filêmon deve ser um convertido por Paulo, certamente quando de sua 
permanência em Éfeso, e que habitava em Colossos. Quanto a Onésimo, há informação de 
que teria sido bispo de Éfeso, o que dá a esse pequeno bilhete um significado sem par. 
Paulo fala em vários momentos que está preso. A carta ou bilhete a Filêmon 
faz parte daquele grupo amplo de cartas do cativeiro, prescindindo da questão do 
protopaulinismo e deuteropaulinismo. Isso é, sem levar em conta esta classificação 
moderna, considera-se como cartas do cativeiro as cartas aos Efésios, aos Colossenses, 
aos Filipenses e a Filêmon. 
Estrutura e comentário à Filêmon
ESTRUTURA DA CARTA/BILHETE
1–3 
4–7 
8–20 
8–11 
12–16 
17–20 
21–22 
23–25 
Endereço e destinatários
Ação de graças
Pedidos
Situação de Onésimo
Filho espiritual de Paulo
Paulo e Filêmon: devedores
Paulo confi a na situação 
Saudações
Endereço e destinatários (1–3)
Paulo está com Timóteo, seu fiel colaborador. Dirige-se a Filêmon que chama de 
“nosso amado colaborador”, sugerindo com isso que Filêmon foi companheiro de Paulo em 
algum momento de suas missões. A Filêmon Paulo acrescenta “nossa irmã Ápia”, o “nosso 
companheiro de armas Arquipo” e, finalmente, “a igreja que se reúne na tua casa”, este 
“tua” refere-se à casa de Filêmon. Assim a carta não é um texto pessoal, dirigido apenas a 
uma pessoa. O assunto é, a princípio, com uma pessoa, mas dirigindo-se a mais pessoas 
Paulo amplia suas possibilidades. 
Provavelmente Árquipo é o mesmo que foi citado em Colossenses 4,17: 
“Finalmente, dizei a Arquipo: Vê bem o ministérioque recebeste em nome do Senhor, 
e desempenha-o plenamente”. Sabemos então que por um tempo Árquipo esteve em 
Colossos. Dessa forma, Filêmon também pode residir ali. 
Ação de graças (4–7)
Paulo dirige-se a Filêmon reconhecendo nele um notável colaborador. Ele 
agradece a Deus pelo amor de Filêmon e pela fé que ele manifesta. Ao que tudo indica, 
Filêmon foi anteriormente colaborador de Paulo ou alguém que permitiu que a igreja 
pudesse crescer. 
Pedidos (8–20)
Depois destes períodos introdutórios, Paulo inicia seus pedidos. 
Situação de Onésimo (8–11)
Paulo se declara um velho, e podemos considerar que isso indique uma idade 
entre os 50 e 60 anos. Ele está prisioneiro de Jesus Cristo, isto é, conduzido pela Espírito 
para a missão da Evangelização. 
É lembrada a situação de Onésimo, um “filho que gerei na prisão” (versículo 
10). Onésimo foi, seguramente, batizado em algum momento de prisão de Paulo. Ele está 
próximo de Paulo e este o manda de volta a Filêmon. 
INFORMAÇÃO:
Relativamente à questão da 
escravidão e a todo o conjunto 
da carta/bilhete a Filêmon, 
sugerimos a consulta de: 
CARREZ, M. DORNIER, P.; 
DUMAIS, M.;TRIMAILLE, M. 
As cartas de Paulo, Tiago, 
Pedro e Judas. São Paulo: 
Paulinas, 1987, p. 235–239. 
Confira também a pequena, 
mas interessante reflexão de: 
CROSSAN, John Dominic; 
REED, Jonathan. Em busca de 
Paulo. Como o Apóstolo de Jesus 
Cristo opôs o Reino de Deus ao 
Império Romano. São Paulo: 
Paulinas, p. 106–110. Para um 
comentário oportuno quanto ao 
bilhete a Filêmon e as questões 
ligadas à escravidão, confira: 
BRUCE, F.F. Paulo, o apóstolo 
da graça. Sua vida, cartas e 
teologia. Tradução de Hans 
Udo Fuchs. São Paulo: Shedd 
publicações, 2003, p. 383–396.
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Batatais – Claretiano 101
UNIDADE 5UNIDADE 5
Filho espiritual de Paulo (12–16) 
O filho espiritual de Paulo, Onésimo, mandado de volta a Filêmon, é como 
se fosse o próprio coração do Apóstolo. Paulo sugere que desejava mantê-lo consigo, mas 
não o fez sem antes obter a permissão de Filêmon. Ele espera, justamente, essa decisão 
de seu amigo. 
Onésimo foi “retirado” de seu senhor, Filêmon, certamente com a permissão de 
Deus, para o auxílio de Paulo. Agora seu senhor poderá reavê-lo, mas não como escravo, 
e sim como irmão. Paulo compara Onésimo a si mesmo em relação a Filêmon. É uma 
situação interessante: Paulo reconhece os direitos de senhor da parte de Filêmon, mas 
indica que o modelo de relacionamento cristão é mais necessário e oportuno. E ao mesmo 
tempo confia na oferta de Filêmon: que Onésimo possa servir a Paulo. 
Paulo e Filêmon: devedores (17–20)
Figura 3 (divulgação) – Região de Colossos, onde vivia Filêmon, vista 
dos degraus do teatro de Hierápolis. Sugerimos que você acesse o site 
indicado e verifique os conteúdos referentes ao tema estudado.
Filêmon deve receber a Onésimo gentilmente. Quaisquer prejuízos que ele pode 
ter causado correrão por conta de Paulo. O Apóstolo indica que ele e Filêmon tornam-se, 
assim, devedores mútuos. Mas acima de tudo está a bondade esperada de Filêmon e o 
coração de Paulo. 
Paulo confia na situação (21–22)
Paulo fala da obediência, usando um interessante artifício: a obediência é exigida 
de um escravo, e Onésimo é escravo. Mas Filêmon também deve obedecer, certamente ao 
Evangelho, que é maior que a relação entre escravo e senhor. 
O Apóstolo ainda anuncia que irá necessitar de um abrigo quando estiver com 
Filêmon. 
Saudações (23–25)
Por último seguem os cumprimentos. São citados Epafras, “companheiro de 
prisão em Cristo Jesus”, Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, colaboradores do Apóstolo. Ele 
conclui com a dedicação da graça de Jesus Cristo ao espírito de Filêmon. 
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Bacharelado em Teologia
UNIDADE 5UNIDADE 5
5 CONSIDERAÇÕES 
As Cartas analisadas aqui contêm muito material interessante, que deixa à 
mostra uma riqueza: as circunstâncias e situações das igrejas das origens, especialmente 
as que têm algum tipo de influência paulina. Em Colossenses e Efésios vemos argumentos 
insistentes na identidade de Jesus Cristo e na necessidade de buscá-lo sem as mediações 
gnósticas. Já em Filêmon, o Apóstolo fala a um amigo com a confiança que somente uma 
amizade intensa e baseada em Cristo Jesus pode oferecer. 
As Cartas de Paulo, embora episódicas e não sistemáticas, são um retrato 
substancioso de aspectos importantes da Igreja primitiva. Paulo soube intervir na história 
das igrejas particulares no sentido de torná-las inseridas no mistério de Deus que se revela 
em Jesus Cristo. Sem este esforço, é provável que o cristianismo se tornasse mais uma 
proposta original e até surpreendente, mas sem uma adequada continuidade e influência 
na vida e na história da sociedade da época e na posteridade. 
6 E-REFERÊNCIAS
Lista de Figuras
Figura 1- Praça Comercial da antiga Efesus: disponível em: < http://www.bibleplaces.
com/ephesus.htm. >. Acesso em: 07 jul.2009.
Figura 2 - Éfeso. Situada na Turquia atual, foi um grande centro de comércio 
exterior da Ásia antiga e uma das cidades em que o cristianismo mais se difundiu 
nos tempos apostólicos: disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89feso>. 
Acesso em: 07 jul.2009.
Figura 3 - Região de Colossos, onde vivia Filêmon, vista dos degraus do teatro de 
Hierápolis. Sugerimos que você acesse o site indicado e verifique os conteúdos 
referentes ao tema estudado.: disponível em: < http://www.maxmode.blogspot.
com/2008/05/filemon.html >. Acesso em: 07 jul.2009.
7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 1998, p. 485–
486.
BALLARINI, T. et al. Introdução à Bíblia. (Vol. V/2) Epístolas do cativeiro. Pastorais. 
Hebreus. Católicas. Apocalipse. Petrópolis: Vozes, 1969, p. 59–164.
BARBAGLIO, Giuseppe. As cartas de Paulo (II). Tradução de José Maria de Almeida. São 
Paulo: Loyola, 1991, p. 415–430.
BRUCE, F.F. Paulo, o apóstolo da graça. Sua vida, cartas e teologia. Tradução de Hans Udo 
Fuchs. São Paulo: Shedd publicações, 2003, p. 383–396; 397–412.
CARREZ, M.; DORNIER, P.; DUMAIS, M.; TRIMAILLE, M. As cartas de Paulo, Tiago, Pedro 
e Judas. São Paulo: Paulinas, 1987, p. 209–244; 235–239.
CERFAUX, Lucien. O cristão na teologia de São Paulo. São Paulo: Paulinas, 1978, p. 445–
483.
CROSSAN, John Dominic; REED, Jonathan. Em busca de Paulo. Como o Apóstolo de Jesus 
Cristo opôs o Reino de Deus ao Império Romano. São Paulo: Paulinas, 2007, p. 106–
110.
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UNIDADE 5UNIDADE 5
FABRIS, Rinaldo. As cartas de Paulo (III). Tradução de José Maria de Almeida. São Paulo: 
Loyola, 1992, p. 35–128; 129–208.
HAWTHORNE, Gerald F.; MARTIN, Ralph P.; REID, Daniel G. Dicionário de Paulo e suas 
cartas. Tradução de Bárbara Theoto Lambert. São Paulo: Paulus, Vida Nova, Loyola, 2008, 
p. 247–255; 421–439; 543–548; 603.
HEYER, C. J. den. Paulo: um homem de dois mundos. Tradução de Luiz Alexandre Solano 
Rossi. São Paulo: Paulus, 2009, p. 137–140. (Coleção Bíblia e sociologia).
MURPHY–O’CONNOR, Jerome. Paulo. Biografia crítica. Tradução de Bárbara Theoto 
Lambert. São Paulo: Loyola, 2000, p. 17–46; 169–194.
VAN DEN BORN, A. (Org.). Dicionário enciclopédico da Bíblia. 3. ed. Tradução de Frederico 
Stein. Petrópolis: Vozes, 1971, colunas 280–282; 423–425; 576–577. 
AnotaçõesAnotações
Anotações PAULO E O EVANGELHO
NA SOCIEDADE DE SEU TEMPO - 
AS CARTAS PASTORAIS
Objetivos
• Entender a sociedade do tempo de Paulo e a resposta dada 
pelo cristianismo que ele representou e fez conhecer. 
• Reconhecer que o anuncio de Jesus Cristo e de seu 
seguimento nas Cartas de Paulo é anterior àquele 
apresentado nos Evangelhos canônicos. 
• Conhecer que o processo de evangelização empreendido 
por Paulo é um elemento humanizador que vai determinar 
a sociedade, oferecendo-lhe valores que serão cultivados 
posteriormente. 
• Analisar as cartas pastorais e seus conteúdos.Conteúdos
• O Evangelho segundo Paulo.
• Paulo e o cristianismo: uma proposta de liberdade em 
Cristo.
• As Cartas Pastorais: 1 e 2 Timóteo e Tito.
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UNIDADE 6UNIDADE 6
1 INTRODUÇÃO
Na Unidade 5 você estudou sobre as Cartas aos Colossenses, aos Efésios, o 
bilhete a Filêmon e conheceu os argumentos fundamentais destas Cartas. Você também 
as circunstâncias em que estas Cartas foram escritas. 
Já nesta unidade você irá aprofundar seus conhecimentos entendendo sobre o 
Evangelho segundo Paulo, Paulo e o cristianismo, bem como as Cartas Pastorais.
Bom estudo!
2 O EVANGELHO SEGUNDO PAULO
O conceito Evangelho não é invenção cristã. A palavra evangelho vem da língua 
grega: euangélion, ‘boa notícia’, ‘boa nova’. Mais especificamente ‘remuneração para 
quem traz uma boa notícia’, ou simplesmente ‘boa notícia’. É neste sentido que a palavra 
irá ser usada no Novo Testamento. Não é apenas um conceito interessante que os textos 
expressam. É uma ação, uma atividade que antes foi vivenciada e contada de pessoa para 
pessoa. Depois de ser vivenciada passa a ser algo escrito, ‘uma atitude escrita’: anuncia-
se a Pessoa e a Missão de Jesus Cristo. 
Se a palavra evangelho e seu conceito não foi invenção cristã, o gênero 
literário evangelho o foi. Ele reúne diversos outros subgêneros, como listas, genealogias, 
apocalipses, Cartas, narrativas exemplares, parábolas etc. O foco de interesse e de toda 
a narração é sempre Jesus Cristo. Este gênero de escrita passou a ser tão presente no 
universo literário cristão que fica até difícil compreender a palavra evangelho se não for 
aplicada aos nossos quatro Evangelhos Canônicos de Mateus, Marcos, Lucas e João. 
Vamos entender assim: os quatro evangelhos são quatro formas escritas do 
anúncio da Pessoa e da Missão de Jesus Cristo. É o anúncio da Pessoa e Missão de Jesus 
que é evangelho. É neste sentido que Paulo argumenta apresentando o “seu” evangelho. 
Não é “seu” no sentido de “a respeito de si mesmo”, mas “seu” no sentido de que é ele 
quem o apresenta. E a apresentação feita é a de Jesus Cristo, Pessoa e Missão, conforme 
o conhecimento e o modo de expressar e ensinar do Apóstolo. 
Evangelho e evangelizar
Verbo evangelizar:
1 vez em Mt
10 vezes em Lc
15 vezes em At
21 vezes em Paulo
2 vezes em Hb
3 vezes em 1 Pd
2 vezes no Ap
Substantivo evangelho:
4 vezes em Mt
8 vezes em Mc
60 vezes em Paulo
1 vez em 1 Pd
1 vez no Ap
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UNIDADE 6UNIDADE 6
Paulo é quem mais utiliza o verbo evangelizar (21 vezes) e o substantivo 
evangelho (60 vezes). É revelador este uso, pois expressa que o Apóstolo tem certeza 
e expõe claramente, por escrito esta convicção: o que ele apresenta é a mensagem de 
Cristo Jesus. Esta mensagem é de fundamental importância no cristianismo nascente. 
Estamos nas primeiras décadas do cristianismo, a questão podia ser esta: Como 
apresentar o Evangelho de Jesus Cristo no mundo de então? Quais seriam os destinatários 
deste anúncio? 
Fazendo um exercício de imaginação, pensemos: como seria o cristianismo sem 
Paulo e seu Evangelho anunciado aos pagãos? Estaria, provavelmente, reduzido aos judeus 
e seria uma espécie de seita judaica. É claro que, com o crescimento da compreensão 
da Pessoa e Missão de Jesus haveria uma ruptura, fatalmente, entre o judaísmo e o 
cristianismo. Mas e o desenvolvimento da fé cristã, acentuadamente marcante no mundo 
pagão, teria ocorrido? É difícil responder a isto como foi formulado. O que pode ser 
considerado claramente é a importância do Apóstolo Paulo na história. Sem ele não teriam 
acontecido passos claros e empenhados. A este respeito vamos analisar três aspectos do 
conjunto da situação que envolve Paulo e o Evangelho: 
• A relação entre Paulo e o cristianismo nascente.
• A ideia de sociedade de morte em que o cristianismo se desenvolveu.
• A anunciação evangélica de Paulo muito antes da redação dos Evangelhos 
canônicos. 
3 PAULO E O CRISTIANISMO: UMA PROPOSTA DE LIBERDADE 
EM CRISTO
A entrada de Paulo na cena do Cristianismo nascente foi de fundamental 
importância e determinou novos rumos para a história. Ele soube compreender que a fé 
em Jesus Cristo não se tratava simplesmente de um ato devocional, mas era um estilo de 
vida, um modo de ser específico e decidido. Essa entrada, era algo que ultrapassava as 
expectativas do Judaísmo. 
Figura 1 (divulgação) – Paulo 
pregando o Evangelho.
Israel e suas estruturas não estavam dispostos a ouvir a palavra do Evangelho e 
Paulo entendeu que devia ir ao encontro dos pagãos, mais livres para uma aceitação da Boa 
Nova. Parece que isto estava fora da compreensão dos judeus mais integralistas. Para eles, 
a aceitação de Jesus Cristo era uma etapa importante de sua própria experiência judaica, 
não significando uma ruptura com o estilo judeu de ser e viver, mas completando-o. De 
fato, Jesus veio para os judeus e eles o deviam receber. Era para eles que o anúncio fora 
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UNIDADE 6UNIDADE 6
feito. Se algum pagão desejasse seguir a Jesus Cristo, então que se sujeitasse a observar 
os costumes judaicos que eram parte do anúncio cristão. 
Paulo percebeu que este não era o caminho e, ao que nos parece percebeu 
também que no judaísmo o Evangelho não teria muito fruto. O integralismo judeu não 
deixava espaço para uma experiência de adesão a Jesus Cristo e seu Evangelho. O 
cumprimento das diversas e excessivas regras rituais e práticas religiosas não deixava 
espaço para a ação do Espírito de Jesus. 
Podemos analisar este aspecto tendo em conta dois textos. Primeiro o texto de 
Atos dos Apóstolos 15, em que encontramos a assembleia apostólica de Jerusalém, que 
muitos chamam de “concílio de Jerusalém”. Aqui temos um narrador que apresenta a 
história do fato enfocando de modo mais intenso o lado do grupo judeu. Temos também 
o texto de Gálatas 2,1–11, que lemos Paulo contando a sua versão do acontecimento de 
Jerusalém. 
Assembleia de Jerusalém em Atos 15,1–11 
O capítulo 15 de Atos interrompe o ciclo de atividades de Paulo e traz Pedro à 
cena. Este já havia deixado a narração de Atos depois de sua prisão e libertação milagrosa 
contada em 12,1–19. Parece que este episódio da assembleia apostólica de Jerusalém 
está meio deslocado da seqüência narrativa de Atos. 
Paulo já completou a primeira viagem apostólica. Em Antioquia, cidade referência 
das missões de Paulo, alguns cristãos judaizantes vindos da Judéia, isto é, Jerusalém, 
afirmavam que o rito da circuncisão era uma etapa necessária para a entrada no grupo 
dos discípulos de Jesus. 
Paulo e Barnabé foram designados para ir até Jerusalém expor aos apóstolos 
que lá estavam a situação e pedir orientações. Lá chegando, apresentaram um relatório 
do que havia acontecido (15,4). Entende-se que sejam as adesões de pagãos ao grupo 
de discípulos. 
O texto de Atos afirma que alguns que antes da entrada no grupo eram dos 
fariseus intervieram e afirmaram a necessidade de passar pelo rito da circuncisão para 
entrar na Igreja. O que propunham, na prática, era que todos que desejavam ser seguidores 
de Jesus Cristo deviam antes adquirir a identidade de judeus através da circuncisão. Isto 
não estava conforme a pregação de Paulo e de seus companheiros.
Pedro aparece no texto e conta como foi que os pagãos começaram a fazer parte 
do grupo cristão. Segundo Pedro, foi por meio dele que os pagãos puderam ser batizados 
e aderir à fé. Este episódio encontra-se em Atos 10, quando Pedro, em Cesaréia, tem uma 
visão e logo em seguida recebe a visita de enviados de Cornélio, um romano, que deseja 
vê-lo. Pedro então vai até sua casa. Cornélio, motivado pelo dom interior da busca, deseja 
ouvir o Evangelho que Pedro pode anunciar. Estão presentes outros pagãos e Pedro pôde 
anunciar Jesus Cristo e batizar ospagãos que antes mesmo do batismo tinham o dom do 
Espírito Santo. Este episódio é também chamado de Pentecostes pagão. 
Depois da recordação do que acontecera com Pedro, os ânimos ficaram mais 
calmos. Em Atos 15,12 lemos que foi então que Barnabé e Paulo relataram o que havia 
acontecido com os pagãos. Quando terminaram Tiago, um dos líderes, tomou a palavra e, 
citando Simão (Pedro) e sua experiência, afirmou que os pagãos não deviam ter impostos 
sobre si os costumes judaicos. Lembrou que apenas alguns comportamentos deviam ser 
respeitados. Estes comportamentos nós encontramos elencados em 15,20 e depois em 
15,29. No primeiro lugar (v. 20) Tiago está apresentando seu pensamento; no segundo 
INFORMAÇÃO:
Para aprofundar seus 
conhecimentos leia: Atos 
15,1–29 e Gálatas 2,1–11, anote 
as decisões e as orientações 
elencadas lá. Lembrando que 
as considerações a seguir serão 
compreendidas melhor com 
esta leitura prévia e seu estudo 
diretamente na Bíblia.
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Batatais – Claretiano 109
UNIDADE 6UNIDADE 6
lugar (v. 29) temos a indicação da conduta em uma carta que o grupo apresenta e que 
passa a ser o primeiro documento cristão de decisão. 
Tiago afirma que a decisão do grupo de Jerusalém, apóstolos e anciãos, é que 
aqueles que são de origem pagã não precisam cumprir os ritos judaicos, como o rito 
da circuncisão. É-lhes exigido apenas que “…vos abstenhais das carnes sacrificadas aos 
ídolos, do sangue, da carne sufocada e da impureza” (At 15,29). 
É interessante este episódio e a carta que se encontra em Atos 15, 23–29. 
Especialmente uma expressão que deixa à mostra um elemento importante. 
Em 15,28 a afirmação, no texto da carta: “Com efeito, pareceu bem ao Espírito 
Santo e a nós não vos impor outro peso além do seguinte indispensável”. E 
o texto prossegue com as indicações anunciadas. Mas o que é notável é a 
formulação: “… pareceu bem ao Espírito Santo e a nós…” Tiago, em nome 
dos apóstolos e dos anciãos de Jerusalém, não invoca a autoridade da Torah 
ou da Lei, mas sim a inspiração do Espírito Santo e a sua própria autoridade 
apostólica. Uma está em relação com a outra, certamente. Se eles são apóstolos 
é por escolha de Jesus e do Espírito Santo e por isso podem agir em nome 
do Espírito. Tiago e seus companheiros, neste passo, passam a fazer didaké: 
ensino apostólico. É o início do magistério da Igreja que passa a ensinar pontos 
que, de per si, não estão claros nos textos bíblicos.
Isso parece que solucionou a questão, mas foi apenas um paliativo. A questão 
era ‘mais de fundo’. Não se tratava apenas de circunstâncias fundamentais, de identidade. 
A circuncisão é uma destas circunstâncias de decisão: a pessoa decidia-se pelo judaísmo 
ou, no caso de uma criança, seus pais decidiam por ela. Se a decisão fosse de fazer parte, 
então a circuncisão devia acontecer previamente. No caso dos que, vindos do paganismo, 
desejavam entrar na Igreja isto não era mais necessário. Mas os problemas, como 
acabamos de afirmar, eram de outra índole: eram problemas de fundo, de comportamento 
além de sinais. E a questão que mais vai interferir nisso é a convivência à mesa.
Pode parecer para nós um elemento de menor importância e até mesquinho, 
mas o caso é que, para um judeu partilhar com um pagão o alimento posto à mesa é uma 
situação muito difícil. O judeu tem muitos costumes e rituais de pureza que devem ser 
observados. A limpeza de copos, vasos e talheres e as abluções não são apenas ou em 
primeiro lugar por motivos higiênicos ou estéticos, mas sim rituais. 
Alguém que durante toda a vida esteve ligado a estes costumes e foi condicionado 
a observá-los não podia fazer uma adaptação muito rápida. Era naturalmente difícil para 
um discípulo de Jesus de origem judaica sentar-se próximo a uma mesa para uma refeição 
tendo um discípulo de origem pagã que não se importa em cumprir tais práticas rituais. 
Este problema não foi resolvido pela carta fruto da assembleia de Jerusalém. Certamente 
porque ainda não foi vivenciado em toda a sua intensidade. Paulo mesmo irá abordar esta 
questão e a crise que ocorreu em Antioquia, envolvendo Pedro e outros discípulos.
Paulo conta o fato em Gálatas 2, 1–11
Em Gálatas, Paulo apresenta o fato de outro modo. Ao menos indiretamente 
parece que havia a questão da circuncisão dos pagãos, mas o que Paulo sugere é que ele 
foi apresentar, junto a Barnabé, o seu “Evangelho”, isto é, o modo e o conteúdo do que ele 
apresentava aos pagãos como anuncio e proposta de vida. 
Paulo insiste que não foi exigida a circuncisão dos pagãos, nem mesmo de Tito, 
um de seus companheiros, que era gentio (pagão). 
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UNIDADE 6UNIDADE 6
A narração de Paulo deixa à mostra alguma espécie de ressentimento ou de 
indignação, é difícil compreender o que poderia ser. Ocorre que Paulo cita as “autoridades” 
cristãs e, logo depois de citar explicitamente a expressão “autoridade” ele faz a consideração 
de que realmente não sabe quem são, pois a partir da adesão ao projeto de Deus, isto 
é, da adesão de Jesus Cristo, não há mais autoridade e Deus está acima disso tudo. É o 
que podemos compreender da leitura de Gálatas 2,6: “Quanto aos que eram autoridade, 
o que antes tenham sido não me importa, pois Deus não se deixa levar por consideração 
de pessoas, estas autoridades, digo, nada me impuseram”. Parece aqui que Paulo esteja 
deixando a impressão que entre os seus interlocutores havia os que foram notáveis entre 
os judeus e agora faziam parte do grupo dos anciãos. 
Assim, repetimos, é difícil saber com precisão o que ocorreu naquele encontro. 
Paulo não cita em Gálatas a existência da carta nem a imposição de costumes ou normas 
mínimas a ser seguidas nem as intervenções de Pedro e Tiago, como encontramos em 
Atos. Cita, contudo a constatação, da parte das tais “autoridades”, que a ele, Paulo, era 
confiada a evangelização dos incircuncisos, da mesma forma que a Pedro era confiada a 
dos circuncisos. Paulo cita também, em Gálatas, a atitude de Tiago, Cefas (Pedro) e João, 
tidos por “colunas” (segurança, fundamento, firmeza) da Igreja: eles estenderam a mão 
direita a ele, Paulo e a Barnabé em sinal de comunhão. A decisão era: o grupo sediado 
em Jerusalém iria evangelizar os judeus e o grupo de Paulo iria em direção aos gentios. A 
única recomendação feita a Paulo era de preocupar-se com os pobres, o que, concluindo 
a perícope, ele afirma que fez continuamente.
Alguns biblistas supõem que o silêncio de Paulo a respeito das consequências da 
carta apresentada em Atos e as recomendações é sinal de algo. Paulo teria perdido o debate 
de fundo, a questão importante: é necessário aderir e estar de acordo com os preceitos 
judaicos para ser cristão? E mais: é necessário continuar cumprindo tais preceitos depois 
da manifestação de Jesus? As autoridades citadas em Gálatas e que, lendo Atos podemos 
identificar com os anciãos, que por sua vez podem ser líderes judeus convertidos, fariseus 
e outros “notáveis”, desejavam uma situação de continuidade no cristianismo em relação 
ao judaísmo. E Paulo já tinha intuído que não era este o caminho.
A partir deste encontro recordado por ele mesmo em Gálatas e apresentado na 
narração de Atos, Paulo fica livre para anunciar aos pagãos. Apesar disto, como lemos 
em Atos, ele sempre vai antes aos judeus que, normalmente, rejeitam a proposta de 
adesão ao mistério de Jesus Cristo. Só então Paulo parte para o encontro com os pagãos 
da localidade. 
Paulo compreendeu o caminho que a Igreja devia fazer. E parece que não foi o 
único. De fato, depois de Atos 12 não temos mais notícias de Pedro nos Atos. Já vimos que 
a passagem da assembleia de Jerusalém está deslocada de sua posição ideal. Se Pedro 
deixou a Judéia e talvez a Palestina e, conforme temos notícia, foi martirizado em Roma 
em meados dos anos 60, onde ele esteve todo este tempo? A Igreja de Roma orgulha-se 
de ter sido fundada por Pedro e háevidências de sua passagem e de seu martírio. Quando 
Paulo chega a Roma, como lemos em Atos 28,14, já havia uma comunidade cristã naquela 
cidade. Mas, não há qualquer menção de Pedro. A Igreja de Roma também se declara 
fundada por Paulo, por ter sido o palco de seu martírio. Mas, estiveram eles juntos naquela 
cidade, centro do mundo da época? 
Se considerarmos o fato de Pedro ter sido o chefe da Igreja em Roma durante 
25 anos, conforme nos diz a tradição daquela Igreja, então ele esteve entre habitantes 
da capital do Império. Desta forma ele também voltou-se para pagãos, pois Roma tinha 
gente de todo o mundo conhecido.
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UNIDADE 6UNIDADE 6
O lado judeu dos discípulos de Jesus parece que não deu muitos frutos. Mas o 
outro lado, que para alguns poderia parecer ser futuro, foi o que realmente cresceu. Se 
estivéssemos naquele tempo e fôssemos judeus fieis provavelmente também teríamos 
dificuldades em deixar nossas tradições ancestrais, que nos davam sustentação na 
vida, para aderir a um projeto novo, de mais liberdade e intensidade. Também teríamos 
dificuldades em admitir que pagãos pudessem interessar-se por Jesus, chamado o “Cristo”, 
isto é, o “Messias”, o enviado pelo Deus de Israel a este mesmo Israel e que agora 
era apresentado a outros povos que não o esperavam. Por que os que não esperam o 
salvador poderiam aceitar Jesus? Isto abre espaço para a segunda consideração quanto 
ao Evangelho de Paulo. 
Um mundo com sinais de morte
A questão é: Por que a mensagem cristã teve sucesso no mundo pagão? 
Claramente: também teve certo sucesso entre os judeus, o seria de se esperar, pois era 
o cumprimento das profecias e o sinal da Aliança. Contudo, o filão que cresceu mais foi o 
pagão. Por quê? 
É sempre difícil analisar situações históricas. Elas são complexas e no caso 
das origens do cristianismo o são mais ainda, pois existem muitas lacunas, fruto das 
perseguições e dificuldades das primeiras décadas. Parece que o mundo romano no 
primeiro século era marcado por algumas características que dariam ao cristianismo um 
chão propício ao desenvolvimento. Uma das características mais destacadas é a fragilidade 
da vida e os sinais de morte muito evidentes. 
Quando falamos de primeiro e segundo séculos da era cristã estamos falando 
de um mundo fortemente impregnado de autoritarismo romano, de opressão de uma 
organização militar muito forte e de uma rede de corrupção e abuso que é até difícil 
de compreender. Estamos falando de um mundo em que os direitos individuais eram 
inexistentes para a grande parte da população, em que a liberdade de ir e vir, de se 
posicionar e até de crer era algo impensável. Sequer era uma ideia formulada, o que 
significa que os cidadãos do Império Romano tinham prestígio na medida em que estavam 
em comunhão com a potência romana e seus valores. 
A vida valia muito pouco, a intimidade e individualidade eram conceitos e 
situações praticamente inexistentes e a violência era uma instituição. Lutas ou combates, 
esportes marcados pela força física e pelo duelo entre homens ou entre homens e animais, 
com uma assistência maciça era a norma. 
As crianças não eram muito valorizadas, pois não representavam força de 
trabalho até que se passassem alguns anos. Deviam ser educadas e isto era dispendioso. 
É claro que todas estas situações não estavam em toda parte, mas existiam. 
Neste horizonte social desponta uma fé que impõe como norma a caridade, a 
capacidade de estar a serviço do outro; valoriza a vida e a preserva; declara que depois da 
morte haverá outra vida, melhor e mais plena, mas dependente das escolhas feitas nesta 
vida atual. Apresenta como Senhor não um Imperador que tem tantos vícios e defeitos 
e os ostenta sem pudor. Pelo contrário, o Senhor do Cristianismo é alguém frágil, que 
desceu até o mais baixo que um ser humano poderia descer. 
O Corpus Paulinum é o lugar onde podemos compreender um pouco o ambiente 
social em que Paulo vivia. Em 1 Coríntios 1,21–25 Paulo apresenta um argumento que é 
paradigmático da situação em que a sociedade romana de meados do primeiro século podia 
viver. Lá lemos: “Com efeito, visto que o mundo por meio da sabedoria não reconheceu a 
Deus na sabedoria de Deus, aprouve a Deus pela loucura da pregação, salvar aqueles que 
crêem. Os judeus pedem sinais, e os gregos andam em busca da sabedoria. Nós, porém, 
INFORMAÇÃO:
Uma obra recente e inúmeras 
vezes aqui citada é: CROSSAN, 
John Dominic; REED, Jonathan. 
Em busca de Paulo. Como o 
apóstolo de Jesus Cristo opôs 
o reino de Deus ao império 
romano. São Paulo: Paulinas, 
2007. Os autores enfocam de 
um modo analítico a sociedade 
no tempo de Paulo e o modo de 
apresentação do Evangelho por 
ele empreendido. Vale a pena 
conferir!
INFORMAÇÃO:
Uma obra muito interessante, 
embora extensa, sobre os 
temas apenas esboçados até 
aqui: SAMPLEY, J. Paul. Paulo 
no mundo grego-romano. 
Um compêndio. Trad. José 
Raimundo Vidigal. São Paulo: 
Paulus, 2008. Nela você pode 
encontrar diversas considerações 
sobre aspectos do mundo 
contemporâneo a Paulo e sua 
abordagem, direta ou indireta, 
nas Cartas.
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Claretiano – Batatais112
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 6UNIDADE 6
anunciamos Cristo crucificado, que para os judeus é escândalo, para os gentios é loucura, 
mas para aqueles que são chamados, tanto judeus como gregos, é Cristo, poder de Deus 
e sabedoria de Deus. Pois o que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens, e o 
que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.” 
A imagem de Cristo crucificado era seguramente uma imagem difícil de ser 
compreendida pelos ouvintes de Paulo e, mais ainda, para os que ele buscava conduzir à 
conversão. A morte na cruz era a pior condenação que um criminoso podia esperar e era 
reservada, justamente, aos piores elementos da sociedade. Como apresentar um Deus 
que, feito homem, morreu na cruz? É um obstáculo para a aceitação de qualquer pessoa 
de bom senso. 
Figura 2 (divulgação) – Jesus cruscificado.
Mas é esta a imagem que Paulo não teme apresentar e propor. Aqui reside 
um dado de fundamental importância que irá compor a própria personalidade e 
argumentação do Apóstolo. A fraqueza, para ele, não é algo de se envergonhar. Ele 
declara, justamente: “Se é preciso gloriar-me, de minha fraqueza é que me gloriarei” 
(2 Cor 11,30). Todo texto dos capítulos 10 e 11 da 2 Coríntios é uma apresentação 
sincera de Paulo quanto à sua realidade. A fraqueza, a dependência, os limites são, para 
ele, sinais da participação da realidade de Jesus Cristo que não tinha grandes armas, 
senão o cumprir a vontade do Pai. Paulo afirma, no auge de sua apresentação: “Eis por 
que sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no 
profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. Porque quando me sinto fraco, então é 
que sou forte” (2 Cor 12,10). 
Paulo e os missionários cristãos imersos no mundo pagão, apresentavam a este 
mundo uma mensagem que tinha eco: a mensagem da vida que vence a morte. Aqui 
entra o anúncio do crucificado. Ele supera a morte, transforma o sinal e presença de morte 
em algo novo: na esperança da ressurreição e da felicidade. E mais, os que entravam a 
fazer parte deste grupo já viviam de um modo novo, iluminados e marcados por uma 
esperança que, embora fosse dirigida para o vida após a morte, já estava sendo uma 
realidade de fraternidade e paz. Veja, por exemplo, o prólogo de 2 Coríntios 1, 3–7. Paulo 
fala de consolação já nesta vida. O cristianismo era para os que viviam imersos em uma 
sociedade profundamente marcada pela morte, um sinal de esperança e vida. Aqui reside 
grande parte do sucesso do anúncio cristão. 
ATENÇÃO!
Você pode observar, na mídia, 
nas suas conversas, no mundo 
circunstante e em vários outros 
ambientes que os ideais, os 
projetos de bem e promoção 
humana não estão na ordem 
do dia. O que consta são as 
vantagens pessoais e os lucros. 
Oambiente de Paulo e do 
primeiro cristianismo poderia 
muito bem ser recriado hoje em 
dia.
INFORMAÇÃO:
Uma pequena publicação é muito 
sugestiva como desenvolvimento 
deste argumento. Trata-se 
de: DODD, Charles Harold. A 
mensagem de São Paulo para 
o homem de hoje. São Paulo: 
Paulinas, 1981. Sugiro sua leitura 
para um verdadeiro “mergulho” 
na visão paulina do mundo e nas 
consequências disso.
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Batatais – Claretiano 113
UNIDADE 6UNIDADE 6
O Evangelho de Paulo antes dos Evangelhos canônicos
A pregação de Paulo e seus escritos são muito anteriores à redação do mais 
antigo Evangelho canônico. Quando lemos as Cartas de Paulo estamos em contato com a 
mais original mensagem a respeito de Jesus Cristo. Com isso, podemos não apenas intuir, 
mas conhecer os argumentos do anúncio de Jesus Cristo antes que ele amadurecesse e 
produzisse os quatro Evangelhos. 
Não encontramos em Paulo uma menção clara a respeito do nascimento ou da 
infância de Jesus. O que mais se aproxima de uma narração deste fato é a ideia expressa 
em Gálatas 4,4–5, quando menciona o nascimento do filho por meio de uma mulher: 
“Mas quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, que nasceu de uma 
mulher e nasceu submetido a uma lei, a fim de remir os que estavam sob a lei, para que 
recebêssemos a sua adoção”.
Note que não se descreve o nascimento de Jesus, muito menos os aspectos do 
fato. O que anuncia nem é bem o nascimento, mas a vindo do Filho de Deus ao mundo 
por meio de uma mulher, o que é mais a declaração da humanidade de Jesus, pois o 
nascimento assim apresentado é um fato relativo à humanidade, à existência humana. 
Além disso, em Paulo não encontramos ideias diretas a respeito da pregação 
de Jesus. O que ele anunciou, pregou, apresentou? O que ele vivenciou e experimentou? 
Palavras de Jesus? Parábolas e milagres ou sinais? Nada ou quase nada. A Encarnação, 
Evento que consta do anúncio, do nascimento e do reconhecimento de sua natureza 
humana não é apresentado. Igualmente a pregação do Evangelho, os percalços disso e 
suas consequências. O que aparece a respeito de Jesus é a Redenção: Paulo insiste no 
fato que é o importante: a Ressurreição de Jesus, antecedida de sua morte de Cruz. Este 
era o ponto importante para o Apóstolo e seu Evangelho se baseava no anuncio destes 
acontecimentos fundamentais. 
Paulo apresenta a Pessoa e a Missão de Jesus sem contudo descrever sua 
biografia. Ele a interpreta com categorias teológicas e a enquadra na história da salvação. 
Apresenta então um Evangelho essencial, direto e intenso de força e decisão: quem o 
ouvia devia posicionar-se a favor ou contra Jesus. Ele apresenta o Evangelho de Jesus 
antes dos Evangelhos canônicos e convence seus ouvintes e as comunidades para as quais 
escreve. Convence ou os deixa preocupados com a nova mensagem. 
4 AS CARTAS PASTORAIS: 1 E 2 TIMÓTEO E TITO
As três Cartas, a saber, 1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito são chamadas, em seu 
conjunto, de “Cartas pastorais”. O motivo é apresentarem argumentos relacionados à 
conduta pastoral de seus destinatários. É notório que pessoas conhecidas de Paulo e 
que estão onde estes colaboradores exercem seu ministério também recebem saudações 
do Apóstolo, como podemos ler em 2 Timóteo 4,19. Tito 3,8–11. As recomendações 
encontradas na carta não se referem apenas ao ministério de seus destinatários, mas à 
conduta de pessoas e solução de situações das Igrejas. 
Podemos dizer que as Cartas pastorais são “pastorais”, isto é, ligadas às 
situações concretas, administrativas das Igrejas, não apenas por conta de seus 
destinatários. Eles são os Bispos destas Igrejas. Mas as Cartas são pastorais no sentido 
de apresentar condutas pastorais, indicações de comportamento pastoral de pessoas e 
circunstâncias. 
INFORMAÇÃO:
Busque compreender este 
aspecto da mensagem de Paulo 
lendo estudos especializados. 
Leia: PATTE, Daniel. Paulo, sua 
fé e a força do Evangelho. São 
Paulo: Paulinas, 1987.
INFORMAÇÃO:
Uma boa introdução às Cartas 
pastorais encontramos em: 
CARREZ, M. DORNIER, P. 
DUMAIS, M. TRIMAILLE, M. As 
cartas de Paulo, Tiago, Pedro 
e Judas. São Paulo: Paulinas, 
1987, páginas 245–250.
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Claretiano – Batatais114
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 6UNIDADE 6
Os destinatários das Cartas pastorais
Figura 3 (divulgação) – Cartas de Paulo.
Timóteo
Paulo as escreve para dois de seus mais íntimos colaboradores. Timóteo era de 
Listra, na Licaônia. Era filho de mãe judia convertida ao cristianismo e de pai pagão. Em 
Atos dos Apóstolos 16,1–3 vemos a entrada em cena deste íntimo colaborador de Paulo. 
O Apóstolo o fez circuncidar-se, pois sendo filho de mãe judia, convinha que tivesse o 
sinal da circuncisão. Seguramente Paulo era um homem sensível às situações futuras 
e, justamente nesta questão da circuncisão, que será um ponto de debates e combates 
incessantes em sua vida, tomou esta decisão. 
Timóteo acompanhou Paulo na maior parte de suas viagens, sendo para ele um 
colaborador, um “filho verdadeiro” (1 Tm 1,2), “amado (2 Tm 1,2), “filho amado e fiel” (1 
Cor 4,17). Foi encarregado de importantes tarefas pelo seu mestre, Paulo. 
• Em Atos 19,22 Timóteo e Erasto são enviados para a Macedônia para preparar 
a viagem de Paulo até Jerusalém.
• Em 1 Coríntios 4,17 Paulo recorda que enviou Timóteo até aos coríntios, 
portando a carta (a 1 Coríntios) e em vista da assistência desta Igreja. Ele 
chama a Timóteo de “filho amado” e “fiel no Senhor”.
• Em Filipenses 2,19 Paulo indica que irá enviar Timóteo até a Igreja de Filipos 
para obter notícias a respeito desta Igreja. 
• Em 1 Tessalonicenses 3,2 Paulo afirma que também enviou Timóteo para 
fortificar e exortar os Tessalonicenses na fé. 
Este Timóteo gozou de intimidade e confiança sem limites do Apóstolo. A 
tradição indica que foi feito, pelo próprio Paulo, Bispo de Éfeso. Este dado é confirmado 
pela decisão de Paulo, recordada em 1 Timóteo 1,3, de mantê-lo em Éfeso. 
Timóteo devia ser um homem tímido, pois em 1 Coríntios 16,10ss Paulo faz 
recomendações acerca da conduta dos coríntios para com seu enviado. Mas foi também 
missionário de grandes capacidades e lideranças, pois do contrário não teria sido incumbido 
de tantas missões difíceis pelo Apóstolo. Ele é citado em várias Cartas do Corpus Paulinum: 
1 Tessalonicenses 1,1; 2 Tessalonicenses 1,1; Romanos 16,21; 2 Coríntios 1,1; Filipenses 
1,1; Colossenses 1,1; Filêmon versículo 1. 
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UNIDADE 6UNIDADE 6
Tito 
Tito era gentio de nascimento e, talvez por isso Paulo não tenha exigido dele 
o rito da circuncisão, o que é recordado em Gálatas 2,1–5. Foi ele que, no auge da crise 
da Igreja de Corinto, exerceu a mediação e a conciliação entre partes divergentes. Em 
2 Coríntios 7,6–16 lemos algo a respeito. Ele também foi encarregado da coleta para os 
cristãos da Judéia, conforme 2 Coríntios 8,6. Paulo o defende e apresenta como em íntima 
comunhão de intenções em 2 Coríntios 12,17–18. Ao que tudo indica Tito foi um hábil 
diplomata, com grande capacidade de diálogo. 
Segundo Tito 1,5 Paulo o designou para cuidar da Igreja de Creta. 
As Cartas a Timóteo
Segundo as informações de 1 Timóteo, Paulo deixou Éfeso em direção à 
Macedônia e deixou seu discípulo Timóteo no lugar, esperando retornar (1 Tm 13.14). Já 
em 2 Timóteo sabemos que Paulo está em Roma, em prisão rigorosa, diferente daquela 
indicada nos Atos dos Apóstolos 28,30–31. Sente que seu fim está próximo (4,5–8) e pede 
que seu discípulo Timóteo venha até ele rapidamente (4,9.21). Somente Lucas está com 
Paulo (4,11). 
Estrutura e comentário à Carta 1 Timóteo
ESTRUTURA DE 1 TIMÓTEO
1,1–2 Introdução.
1,3–20 Os falsos mestres. 
2,1–15 A oração pública. 
3,1—4,16 Os ministros da Igreja. 
5,1—6,2 Fiéis das comunidades. 
6,3–21 Recomendações.
Introdução (1,1–2)
Na introdução Paulo identifica que seu ministério apostólico é por ordemdo 
Salvador, um título cristológico raro nas Cartas paulinas. O autor se dirige a Timóteo como 
“verdadeiro filho na fé”. 
Os falsos mestres (1,3–20)
Em seguida, começam os argumentos. Paulo deixou Timóteo em Éfeso quando 
da viagem para a Macedônia. Havia por lá os que ensinavam falsas doutrinas, ligadas a 
tradições judaicas que, na compreensão de Paulo, não conduziam ao Evangelho. Eram 
frivolidades (1,6). Mais uma vez Paulo está envolvido em questões que, vindas do mundo 
judaico, agridem a experiência cristã de liberdade em Cristo Jesus. 
Em seguida (versículos 8–11) Paulo insiste na questão da Lei, que é para 
restringir o mal da parte dos iníquos, rebeldes, pecadores, perjuros etc. Ele elenca uma 
série de erros e comportamentos discordantes da Lei, dando a entender que é para eles 
que existe esta Lei. 
Subitamente Paulo inicia uma ação de graças pela experiência apostólica que o 
marca profundamente. Ele sente que, em si mesmo, “superabundou (…) a graça de nosso 
Senhor” (1,14). Em seguida declara que a vinda de Cristo ao mundo é para o resgate, a 
INFORMAÇÃO:
Vale salientar que a leitura dos 
textos bíblicos é indispensável. 
Assim, contemporaneamente ao 
estudo desse texto você deve ter 
em mãos a Bíblia e acompanhar 
a leitura das Cartas pastorais.
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Claretiano – Batatais116
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 6UNIDADE 6
salvação dos pecadores. Com humildade e grande honestidade ele se declara o primeiro 
dos pecadores (1,15). Em 1,17 ele introduz do texto uma doxologia. 
A partir de todas estas observações, Paulo inicia algumas indicações a Timóteo. 
Líder da comunidade, Timóteo deve estar atento aos erros, combatendo o bom combate 
(1,18). A vida cristã e especialmente o compromisso apostólico é como um combate nesta 
carta e na 2 Timóteo. 
A oração pública (2,1–15)
A oração é o tema deste passo. Primeiro Paulo recomenda a oração e apresenta 
motivações para ela. Depois justifica a intervenção de Deus na história e a necessidade de 
orar para vivenciar tudo isto. 
Em 2,8–15 o autor indica como deve ser o comportamento das mulheres. Elas 
devem ser modestas e sinceras em sua presença na comunidade, sem se impor e com 
simplicidade devem aprender. É curiosa esta norma, pois no passo seguinte parece que há 
referencias indiretas às mulheres diaconisas. Certamente Paulo tinha em mente situações 
concretas e a elas respondia com padrões de comportamento. 
Os ministros da Igreja (3,1—4,16)
Aqui inicia-se uma série de recomendações aos responsáveis da Igreja. Primeiro 
são os epíscopos. As recomendações iniciam-se com “Fiel é esta palavra…” (3,1), expressão 
comum nas pastorais. 
Os epíscopos merecem várias recomendações de conduta que os colocam em 
destaque na comunidade. Estes epíscopos não devem ser identificados imediatamente 
com os bispos. São “supervisões” da comunidade. Algumas recomendações são dadas 
depois aos presbíteros (5,15–25). 
Os diáconos têm suas recomendações em seguida (3,8–14). Não é correto 
identificar os diáconos citados aqui com o ministério do diácono moderno. Este está mais 
voltado para funções litúrgicas ao passo que aqueles são mais relacionados à condução, 
organização da Igreja. No versículo 11 o autor dirige-se às mulheres, o que, dentro do 
contexto, parece ser as mulheres não dos diáconos, mas as mulheres diaconisas. 
Paulo passa depois a falar da “piedade”, que é o modo de ser do cristão no 
mundo. Em 3,16 encontramos mais um pequeno hino cristológico. 
Em 4,1–16 o Apóstolo aborda a situação dos “falsos doutores”. Eles são supostos 
cristãos que, presentes nas Igrejas e apoiados na doutrina dos apóstolos, disseminam ideias 
que não são as verdadeiras. Confundem a comunidade com propostas de comportamento 
e desviam do caminho de Cristo. 
Em 1,12 Paulo dirige-se a Timóteo citando sua “pouca idade” como uma possível 
dificuldade na condução da Igreja. Mas logo em seguida inicia as recomendações de 
conduta. Timóteo tem o “dom da graça” (versículo 14), recebido com a imposição das 
mãos do presbitério. As recomendações a Timóteo são válidas para todo aquele que tem 
uma responsabilidade de condução da comunidade. 
Fiéis das comunidades (5,1—6,2)
Continuam as recomendações do Apóstolo. Primeiro são os anciãos, os que têm 
idade e precisam de correção pela sua conduta. Depois são outras categorias de pessoas: 
senhoras e moças.
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UNIDADE 6UNIDADE 6
Uma atenção grande é dada às viúvas (5,3–16). Parece que são duas as 
situações aqui. Primeiro, deve haver o grupo das viúvas, uma espécie de serviço especial 
dentro da Igreja. Para este grupo só devem ser aceitas as mulheres já com certa idade e 
boa reputação. 
A outra situação é a das viúvas mais jovens que, segundo o Apóstolo, devem 
buscar o matrimônio para não se confundirem com sentimentos e situações que poderiam 
escandalizar a comunidade. 
Os presbíteros (5,17–25) merecem várias recomendações. Há um forte acento 
na realidade do ensino que os presbíteros apresentam. Para entrar neste grupo deve 
haver uma seleção e, com cuidado, uma preparação. 
Os escravos (6,1–2) devem estar também dentro do comportamento cristão e 
conhecer a doutrina. Por doutrina não se deve entender um conjunto de crenças, apenas. 
Deve se entender de modo especial os preceitos evangélicos. 
Recomendações (6,3–21)
Depois de tudo isso o autor elenca uma série de recomendações. Inicia com a 
apresentação dos doutores cristãos. Eles devem ser a referência das comunidades, não 
imersos em discussões e palavreado inútil. Quem ensina deve fazê-lo para conduzir à 
verdade, não para destruir a comunidade. Parece que havia esta situação absurda: em vez 
do ensino da verdade, a confusão. 
Depois Paulo admoesta a Timóteo, mais uma vez. Ele é também um doutor e 
deve estar longe do erro. Em 6,11–14 há uma sequência de intenções que Timóteo deve 
vivenciar: 
“Mas tu, ó homem de Deus, foge desses vícios e procura com todo empenho a 
piedade, a fé, a caridade, a paciência, a mansidão. Combate o bom combate da 
fé. Conquista a vida eterna, para a qual foste chamado e fizeste aquela nobre 
profissão de fé perante muitas testemunhas. Em presença de Deus, que dá a 
vida a todas as coisas, e de Cristo Jesus, que ante Pôncio Pilatos abertamente 
testemunhou a verdade, recomendo-te que guardes o mandamento sem 
mácula, irrepreensível, até a aparição de nosso Senhor Jesus Cristo…” (1 Tm 
6,11–14).
O autor retoma as recomendações diversas dirigindo-se aos ricos. Eles também 
deviam estar na comunidade e não podem colocar em seus bens a confiança. Devem, sim, 
partilhar. Desta forma estarão acumulando para a felicidade do futuro.
O final da carta a Timóteo é rápido. Mais uma vez o autor insiste na renuncia 
ao palavreado. 
Estrutura e comentário à Carta 2 Timóteo
ESTRUTURA DE 2 TIMÓTEO
1,1-5
1,6-2,13
2,14-26
3,1-17
Saudação e ação de Graças.
Pregar o Evangelho.
Os hereges.
Os últimos tempos. 
4,1-8a 
4,8b-22
Testamento de Paulo.
Notícias e saudações.
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UNIDADE 6UNIDADE 6
Saudação e ação de Graças (1,1–5)
A segunda carta a Timóteo tem um tom diferente da primeira. A primeira é 
muito pragmática, quase impessoal. Já a segunda é mais colorida com as experiências do 
Apóstolo. Logo em seguida à saudação, em que Timóteo aparece como “filho amado” (v. 
2), Paulo faz a ação de graças lembrando-se e citando situações vivenciadas por Timóteo 
e por sua avó Lóide e sua mãe, Eunice. Estas notícias e recordações pessoais dão um 
“sabor” pessoal e intenso à carta. 
Pregar o Evangelho (1,6—2,13)
Em seguida Paulo cita do “dom de Deus” que Timóteo recebera com a imposição 
das mãos (v. 6). Este é um gesto de transmissão de responsabilidade e missão. Timóteo 
não deve se envergonhar do que é e testemunhar o Evangelho. Paulo, mestre de Timóteo, 
apresentou a ele o “depósito”, isto é, o conjunto da fé e da doutrina. Isto deve serguardado 
e transmitido. 
Como para demonstrar as condições da pregação do Evangelho Paulo apresenta 
situações de sofrimento que são reservados aos apóstolos. Timóteo deve ter sua mente e 
coração voltados para Jesus Cristo que realizada as promessas e é a segurança de quem 
crê. Entre 2,8 e 2,11–13 encontramos um hino a Cristo de notável beleza poética. 
Os hereges (2,14–26)
Como na primeira carta aparecem os falsos doutores que, enganando a muitos, 
conduzem à doença que Paulo apresenta como uma gangrena. Ele cita dois dos falsos 
doutores que conduziram À perdição.
Para evitar estes erros são apresentadas recomendações e atitudes de prudência. 
Como em 1 Timóteo aqui também a juventude de Timóteo pode ser intuída (2,22) e as 
virtudes são evidenciadas. 
Os últimos tempos (3,1–17)
Depois, Paulo se alonga em recomendações quanto aos últimos tempos, no 
sentido de tempos posteriores ao anúncio do Evangelho e anteriores à vinda do Senhor. 
São os tempos do Apóstolo e agora de Timóteo. Podemos dizer que são os nossos tempos. 
A confusão, o erro, as oposições internas serão realidades gritantes. A fidelidade de 
Timóteo ao depósito da fé será a referência de todos. 
Testamento de Paulo (4,1–8a)
Aqui temos textos de intensa expressão. Em um primeiro momento (4,1–5) 
Paulo faz admoestações a Timóteo. Depois (2,6–8), ele comenta sua situação. Sugere que 
está no final de sua vida e aguarda o martírio. 
“Quanto a mim, estou a ponto de ser imolado e o instante da minha libertação 
se aproxima. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. 
Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará 
naquele dia, e não somente a mim, mas a todos aqueles que aguardam com 
amor a sua aparição” (2 Tm 4,6–8).
Notícias e saudações (4,8b–22)
Depois, Paulo solicita a presença de Timóteo e dá notícias de sua situação. É 
dramática, quase solitária. Pede auxilio de Timóteo e de outros, inclusive Marcos que, se 
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Batatais – Claretiano 119
UNIDADE 6UNIDADE 6
é o mesmo João Marcos da primeira viagem missionária, fora motivo da separação da 
parceria missionária de Paulo e Barnabé. Parece que os problemas estão já solucionados.
No final declara uma confiança intensa no Senhor e na sua presença ao seu lado. 
Paulo não está desesperado com sua situação, mas consciente que cumpriu sua missão. 
Ele saúda seus colaboradores com intimidade e delicadeza. 
Estrutura e comentário à Carta a Tito
ESTRUTURA DA CARTA A TITO
1,1–4 
1,5–16
2,1–15
3,1–11
3,12–15 
Introdução e votos. 
Escolha dos ministros. 
Deveres de estado.
Estranhos na comunidade. 
Notícias e saudações. 
Introdução e votos (1,1–4)
Paulo inicia sua carta com intensidade, dedicado à verdade e seguro da salvação 
operada em Cristo Jesus. Tito é chamado de “verdadeiro filho na fé comum” (v. 4). 
Escolha dos ministros (1,5–16)
Imediatamente começam as recomendações a respeito dos presbíteros. Eles são 
apresentados como “ecônomos”, isto é, administradores da comunidade. São elencadas 
suas virtudes (v. 7–9).
Mais uma vez aparece o problema dos falsos doutores que enganam a muitos. 
Paulo evidencia uma situação concreta de engano. Tito deve ter sua atenção voltada para 
a verdade do Evangelho, não para fábulas judaicas e mandamentos humanos. 
Deveres de estado (2,1–15)
Depois vem uma série de deveres próprios de algumas categorias de fiéis. O 
fundamento desta série de recomendações é a graça que o fiel traz consigo. Se ele está 
nela, então têm virtudes que deve viver. 
Outros deveres (3,1–11)
Como se não bastassem as recomendações do passo anterior, agora o autor 
elenca e comenta deveres e situações que devem ser olhadas com atenção. No final, a 
referência à ação de Deus como motivo para a fidelidade. 
Aqui também, como em 1 e 2 Timóteo, aparecem as recomendações de não dar 
valor e atenção para conversas e comportamentos inadequados. Paulo indica a conduta 
frente ao erro e propõe solução. 
Notícias e saudações (3,12–15)
Em poucos versículos o Apóstolo dá notícias de sua situação e saúda seus 
colaboradores e amigos. 
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Claretiano – Batatais120
Bacharelado em Teologia
UNIDADE 6UNIDADE 6
Questões relativas às pastorais
Autenticidade
As pastorais são autênticos testemunhos a respeito de Paulo e frutos de seu 
desejo ou são elaborações posteriores a ele, escritas por um discípulo anônimo e propostas 
como expressão de seu pensamento. Em outras palavras: as pastorais são protopaulinas 
ou deuteropaulinas? As opiniões são divergentes. Há uma forte tendência em indicá-las 
como deuteropaulinas, mas não nos parece ser correto apresentar apenas esta opinião. 
Assim, vamos abordar algumas possibilidades a respeito. 
Cronologia dos fatos
Alguns estudiosos julgam ser difícil harmonizar a cronologia de Atos dos 
Apóstolos. Quais são as viagens citadas nas pastorais? Quando Paulo deixou Timóteo em 
Éfeso e Tito em Creta? O cativeiro romano citado em Atos 28 não pode ser o citado em 2 
Timóteo. Se colocarmos os fatos relativos a Paulo e sua conduta, citados ou intuídos nas 
pastorais, não há respaldo narrativo em Atos. 
Mas, não é conveniente considerar Atos dos Apóstolos como uma biografia 
de Paulo, dos outros apóstolos e discípulos nem mesmo da Igreja uma crônica da 
Evangelização. O que Atos dos Apóstolos intenta é, conforme o plano teológico e literário 
de seu autor, demonstrar a difusão do Evangelho “…em toda a Judéia e Samaria e até 
os confins do mundo” (At 1,8). Chegando em Roma Paulo está nos “confins do mundo”, 
relativamente a Jerusalém. O autor de Atos desejava apresentar esta difusão crescente 
da mensagem do Evangelho e do conhecimento e adesão de Jesus. Não foi sua intenção 
fazer biografia de Paulo. Aliás, isso é muito claro quando se vê alguns episódios narrados 
em Atos serem muito extensos, embora não tenham grande importância cronológica. Ao 
invés, outros que poderiam ser mais pormenorizados passam quase despercebidos. Mas 
a questão é a importância teológica da narrativa. Isto é o que conta para o autor de Atos. 
Por outro lado ele se contenta com a chegada do Evangelho a Roma. Se desejasse fazer 
biografia teria ido até o fim da vida de Paulo. 
Assim, as diferenças entre Atos e as situações das pastorais não justificam 
que estas sejam posteriores a Paulo, que tenham sido escritas por um discípulo e a ele 
atribuídas. 
Questões literárias
O vocabulário das pastorais é muito diferente do vocabulário das outras Cartas 
paulinas, especialmente das “grandes Cartas”, Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas. Há 
expressões que são únicas, a chamada hapax legomenon, isto é, expressão ou palavra usada 
uma única vez. Isto indica que o autor ou autores das pastorais são outros, não Paulo.
Mas, notemos que muitas destas expressões hapax legomena são circunstanciais, 
como avô, estômago, manto, pergaminho etc. São palavras nascidas da argumentação 
em questão, não diferenças de pensamento. Quando o texto de 1 Coríntios apresenta a 
palavra idolotitos, que são sacrifícios oferecidos aos ídolos, e ela não aparece em qualquer 
outro escrito seguramente paulino, isto implica que 1 Coríntios não seja paulina. Implica 
sim que o assunto era relacionado apenas àquela carta. 
As Cartas pastorais apresentam termos e circunstâncias muito próprias das 
relativas aos pastores e líderes de comunidade. Os serviços ou funções eclesiais são 
ainda muito elementares. Não há, por exemplo, uma distinção clara entre presbíteros e 
epíscopos. Em meados do século 2º esta distinção já existe, por exemplo, nas Cartas de 
Inácio de Antioquia e na carta de Clemente Romano. 
INFORMAÇÃO:
Não apresentamos, ao longo 
destas unidades, quaisquer 
referências a “biografias” 
de Paulo ou a alguma obra 
que se proponha a compor 
uma “vida” de Paulo. Isto foi 
proposital, pois o que mais 
deve interessar a você é o 
conteúdo teológico das Cartas 
e do “Evangelho de Paulo”. 
Julgamos, contudo oportuno 
apresentar na bibliografia finalalgumas obras que podem ser de 
grande utilidade para iluminar e 
direcionar as suas pesquisas. 
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UNIDADE 6UNIDADE 6
Qual sequência seguir?
Qual sequência supor, então, para os fatos em seguida àqueles narrados em 
Atos? Sugerimos o que alguns estudiosos já propõem. 
Paulo teria deixado o cativeiro romano depois de dois anos, sem uma 
condenação. Pórcio Festo não achara nada em Paulo digno de condenação. Teria mandado 
seus relatórios para Roma e Paulo teria sido beneficiado da situação. Depois de ter deixado 
a prisão romana pelo ano 63, Paulo pôde ter seguido para a Espanha. Retornou e, em 
Creta, deixou Tito, indo para Éfeso, onde deixou Timóteo e partiu para a Macedônia. Lá, 
depois de algum tempo, escreveu 1 Timóteo e Tito, provavelmente entre os anos 64 ou 
65. Deixou Éfeso, foi feito prisioneiro lá ou em outro local, foi levado para Roma, onde em 
prisão rigorosa escreveu, pelo ano 67, a 2 Timóteo. Segundo uma antiga tradição Paulo 
teria sido martirizado em Roma pelo ano 67. 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O surgimento de Paulo no horizonte do Cristianismo nascente foi o passo decisivo 
para uma grande mudança. Sua atuação junto à sociedade de seu tempo, interpretando o 
Evangelho para as estruturas e circunstâncias da vida e da história foi o que determinou 
um certo sucesso da fé em Jesus Cristo. Paulo escreveu sem pretensões de estabelecer 
princípios teológicos, mas acabou por tornar-se o primeiro pensador cristão e o que 
primeiro testemunhou o fenômeno cristão, da parte de Jesus Cristo e seu Evangelho e da 
parte das comunidades cristãs. 
As Cartas paulinas ou o corpus paulinum é o testemunho mais antigo do conjunto 
da mensagem cristã e das suas consequências. Embora com todas as dificuldades de 
interpretação e contextualização que podem apresentar, em alguns pontos ou em maior 
parte, as Cartas evidenciam o momento e os argumentos que vão tornar-se os alicerces 
da sociedade cristã futura. 
O corpus paulinum é a melhor expressão da originalidade cristã em ação, isto 
é, sem a sistematização do querigma e da catequese que vai se estabelecer futuramente 
com a redação dos Evangelhos canônicos. 
As Cartas pastorais, em que pese as possíveis dificuldades de interpretação 
de sua origem, demonstram o estado da Igreja frente à sociedade e são, também elas, 
fontes de teologia e prática cristã original. Nela podemos encontrar não apenas o ardoroso 
evangelizador, mas o apaixonado homem que dedica sua vida e seu amor a uma missão 
que por sua vez o faz mais e mais realizado. 
6 E-REFERÊNCIAS
Figura 1 - Paulo pregando o Evangelho: disponível em: <http://costa_hs.blog.uol.
com.br/images/saopaulo..jpg>. Acesso em: 14 jul. 2009.
Figura 2 - Jesus cruscificado: disponível em: <http://3.bp.blogspot.com/_NpRBHc3l6Ok/
SdjLj24ZuWI/AAAAAAAAB5s/q9V2C9rUc-c/S220/mm4_jesus_crucificado02.bmp>. 
Acesso em: 14 jul. 2009.
Figura 3 - Cartas de Paulo: disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/_pAMOmIECftU/
SdXb1mJv3rI/AAAAAAAAALI/EkS95x8BIGo/s400/10.+PaulT.jpg>. Acesso em: 14 jul. 
2009.
INFORMAÇÃO:
Esta sequência de fatos 
não é arbitrária. Mas, segue 
a opinião de estudiosos 
gabaritados. Confira, a respeito, 
os comentários de MURPHY-
O’CONNOR, Jerome. Paulo: 
biografia crítica. São Paulo: 
Loyola, 2000, páginas 345–374. 
Confira também BRUCE, F. F. 
Paulo, o apóstolo da graça. Sua 
vida, cartas e teologia. Santo 
Amaro: Shedd publicações, 2008, 
páginas 429–443.
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7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
BORNKAMM, Günther. Paulo. Vida e obra. Trad. Bertilo Brod. Santo André: Academia 
Cristã, 2009. 
BRUCE, F. F. Paulo, o apóstolo da graça. Sua vida, cartas e teologia. Santo Amaro: Shedd 
publicações, 2008, p. 429–443.
CARREZ, M. DORNIER, P. DUMAIS, M. TRIMAILLE, M. As cartas de Paulo, Tiago, Pedro e 
Judas. São Paulo: Paulinas, 1987, p. 245–250.
DODD, Charles Harold. A mensagem de São Paulo para o homem de hoje. São Paulo: 
Paulinas, 1981.
HAWTHORNE, Gerald F; MARTIN, Ralph P; REID, Daniel G. Dicionário de Paulo e suas 
cartas. Tradução de Bárbara Theoto Lambert. São Paulo: Paulus, Vida Nova, Loyola, 2008, 
p. 181–191.
HEYER, C. J. den. Paulo: um homem de dois mundos. Tradução de Luiz Alexandre Solano 
Rossi. São Paulo: Paulus, 2009.
MURPHY-O’CONNOR, Jerome. Paulo: biografia crítica. São Paulo: Loyola, 2000, p. 345–
374. 
MURPHY-O’CONNER, Jerome. Jesus e Paulo: vidas paralelas. São Paulo: Paulinas, 2008. 
MURPHY-O’CONNER, Jerome. Paulo de Tarso. História de um apóstolo. Tradução de Valdir 
Marques. São Paulo: Paulus, Loyola. 2007. 
PATTE, Daniel. Paulo, sua fé e a força do Evangelho. São Paulo: Paulinas, 1987. 
QUESNEL, Michel. Paulo e as origens do cristianismo. Tradução de Paulo Ferreira Valério. 
São Paulo: Paulinas, 2004. 
SAMPLEY, J. Paul. Paulo no mundo grego-romano. Um compêndio. Trad. José Raimundo 
Vidigal. São Paulo: Paulus, 2008.
VAN DEN BORN, A. (Org.). Dicionário enciclopédico da Bíblia. 3. ed. Tradu. Frederico Stein. 
Petrópolis: Vozes, 1971, colunas 1133–1136.

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