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Processo: 0013969-70.2022.8.16.0170 [0014368-07.2019.8.16.0170/1] Relator: Luiz Osorio Moraes Panza Desembargador Orgão Julgador: 1ª Vice-Presidência Data de Publicação: 02/08/2022 00:00:00 TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ 1ª VICE-PRESIDÊNCIA Autos nº. 0014368-07.2019.8.16.0170/1 Recurso: 0014368-07.2019.8.16.0170 Pet 1 Classe Processual: Petição Cível Assunto Principal: Rescisão / Resolução Requerente(s): Maria Luzia Pinheiro de Araujo Requerido(s): DARCI REONELDO EBERHARDT MARIA LUZIA PINHEIRO DE ARAÚJO interpôs tempestivo recurso especial, com fundamento no artigo 105, inciso III, alíneas “a” e “c”, da Constituição Federal, contra o acórdão proferido pela Quinta Câmara Cível deste Tribunal de Justiça. A Recorrente alegou em suas razões violação aos seguintes artigos: a. 8º da Lei nº 5.868/1972 e 65 da Lei nº 4.504/1964, por entender que a “nulidade do ato consistente no contrato de aquisição de área inferior ao módulo conclusão do Relator, é contrário não somente ao texto legal que ele próprio cita, inferindo de forma totalmente extra petita, que no caso em deslinde se aplica matéria relativa a condomínio, contrariamente ao que se observa na produção probatória, já que o Recorrido afirma que não há condomínio, e, não se observa no contra a formação de condomínio, mas a aquisição de uma área específica de 5.000,0m² com 30 metros de frente. “– Mov. 1.1, Fls. 04-12. b. Além disso, apontou divergência jurisprudencial. – Mov. 1.1, Fls. 12-14. Constou do Julgado Recorrido: "(...) Por se tratar de imóvel rural, aplica-se o Estatuto da Terra (Lei Federal nº 4504/64), que assim estabelece: (...) No mesmo sentido, a Lei Federal nº 5868/72 (que criou o Sistema Nacional de Cadastro Rural), prevê: (...) Como se vê, a fim de evitar a formação de minifúndios, as Leis Federais estabelecem a impossibilidade de dividir ou desmembrar imóveis rurais em frações inferiores ao módulo rural, o qual, no caso do Município de Toledo, corresponde a 20.000 m² (vinte mil metros quadrados). Ou seja, estabeleceu a qualidade de bem indivisível ao imóvel rural que ao ser fracionado fique com menos de dois hectares, nos termos do artigo 88 do Código Civil: (...) Todavia, a indivisibilidade do bem não impede que mais de uma pessoa seja titular dele, formando-se um condomínio, conforme se infere do artigo 504 do Código Civil: (...) Importante distinguir condomínio comum ou geral – como é denominado no capítulo VI do Código Civil –do condomínio edilício, o qual pressupõe a divisão do bem em algumas partes de propriedade exclusiva, enquanto outras permanecem como propriedade comum dos condôminos. (...) Destarte, em que pese não seja possível o desmembramento ou divisão do imóvel em áreas menores que 20.000 m² (vinte mil metros quadrados), não há proibição para a constituição de condomínio comum sobre parte ideal do imóvel em área inferior. Ao contrário do que afirma a Apelante, no Contrato, pactuado em 14/03/2019, não está previsto que os 5.000 m² (cinco mil metros quadrados) seriam destacados do imóvel. Confira-se (mov. 1.9 dos autos originários): (...) Como se vê, a cláusula primeira delimita apenas que a área teria “metragem frente de 30m²”, mas não descrimina qualquer separação ou desmembramento. O que está especificado é que o imóvel dado em permuta (sobrado de alvenaria de 248,02 m²) integra imóvel de área maior, sendo que este último seria objeto de desmembramento (cf. parágrafos primeiro e segundo da cláusula terceira). Ou seja, além de a Apelante não ter comprovado culpa ou dolo do Apelado para justificar a rescisão contratual – como indicado na sentença e não impugnado – também não demonstrou que a Compra e Venda se destinava ao desmembramento do imóvel. Por fim, a Apelante indica Ações Civis Públicas ajuizadas pelo MINISTÉRIO PÚBLICO, nas quais busca a anulação de Contratos de Compra e Venda de terrenos rurais com metragem inferior ao módulo rural, a fim de demonstrar a nulidade do Contrato ora discutido. Todavia, naqueles autos o MINISTÉRIO PÚBLICO impugna diversos negócio jurídicos porque estariam dando ensejo à constituição de núcleos residenciais irregulares, sendo que, no caso, não se tem notícia de situação análoga. Destarte, vê-se que a Apelante não logrou comprovar vício do negócio jurídico capaz de ensejar sua nulidade, merecendo a sentença mantida. (...)” - Mov. 29.1, Páginas 08-12, Apelação Cível. Quanto à suposta violação aos artigos 8º da Lei nº 5.868/1972 e 65 da Lei nº 4.504/1964, em que o pleito recursal pugna pela nulidade do contrato, sob o fundamento que o acórdão recorrido se insurgiu contrariamente à norma legal e de forma “extra petita”, e que em prova testemunhal, o recorrido afirmou pela inexistência da formação de condomínio, observando, em contrapartida, a aquisição de uma área específica de 5.000,0m² com 30 metros de frente, s ublinha-se que, em sede de Apelação Cível, o Colegiado consignou: “(...) Ao contrário do que afirma a Apelante, no Contrato, pactuado em 14/03/2019, não está previsto que os 5.000 m² (cinco mil metros quadrados) seriam destacados do imóvel. Confira-se (mov. 1.9 dos autos originários): (...) Como se vê, a cláusula primeira delimita apenas que a área teria “metragem frente de 30m²”, mas não descrimina qualquer separação ou desmembramento. O que está especificado é que o imóvel dado em permuta (sobrado de alvenaria de 248,02 m²) integra imóvel de área maior, sendo que este último seria objeto de desmembramento (cf. parágrafos primeiro e segundo da cláusula terceira). Ou seja, além de a Apelante não ter comprovado culpa ou dolo do Apelado para justificar a rescisão contratual – como indicado na sentença e não impugnado – também não demonstrou que a Compra e Venda se destinava ao desmembramento do imóvel. (...)” – Mov.29.1, AP Isto posto, não merece prosperar o presente recurso, pois aplicar entendimento diverso, conforme pretendido pela recorrente, implicaria o reexame do contexto fático-probatório dos autos, circunstância que findaria na formação de um novo juízo acerca dos fatos e das provas, e não de valoração dos critérios jurídicos atinentes à utilização da prova e à formação da convicção, esbarrando, assim, no entendimento sediado nas Súmulas 5 e 7 do Superior Tribunal de Justiça, as quais, apontam, respectivamente que: “ A simples interpretação de cláusula contratual não enseja recurso especial” e “A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial”. À propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO CONDENATÓRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. IRRESIGNAÇÃO DA PARTE DEMANDANTE. 1. Nos termos da jurisprudência desta Corte, não configura julgamento ultra/extra petita quando o Tribunal local decide questão que é reflexo do pedido na exordial, pois a peça inicial deve ser interpretada de forma lógico-sistemática. Incidência da Súmula 83/STJ. 2. A revisão do aresto impugnado no sentido pretendido pela parte recorrente exigiria derruir a convicção formada nas instâncias ordinárias sobre a ocorrência de inadimplemento contratual, bem como em relação a boa-fé contratual da recorrida. Incidência das Súmulas 5 e 7/STJ. 3. Agravo interno desprovido. (STJ - AgInt no AREsp: 781738 PR 2015 /0236227-8, Relator: Ministro MARCO BUZZI, Data de Julgamento: 26/08 /2019, T4 - QUARTA TURMA, Data de Publicação: DJe 30/08/2019). PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. APRECIAÇÃO DE TODAS AS QUESTÕES RELEVANTES DA LIDE PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. AUSÊNCIA DE AFRONTA AO ART. 1.022 DO CPC/2015. REEXAME DO CONTRATO E DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS N. 5 E 7 DO STJ. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. SÚMULA N. 83 DO STJ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. DECISÃO MANTIDA. (...) 2. O recurso especial não comporta o exame de questões que impliquem interpretaçãode cláusula contratual ou revolvimento do contexto fático- probatório dos autos, a teor do que dispõem as Súmulas n. 5 e 7 do STJ. (...) 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1787896 /MA, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 11/06/2019, DJe 21/06/2019) No mais, recai, por analogia, o óbice da Súmula n. 280/STF (“Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário”), em virtude de não ser cabível a interposição de recurso especial alegando ofensa ou interpretação divergente de dispositivo de lei local (Código de Normas da Corregedoria do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná). Ainda que assim não fosse, denota-se que a Recorrente não combateu um dos fundamentos do acórdão recorrido, suficiente à manutenção da decisão, qual seja, “além de a Apelante não ter comprovado culpa ou dolo do Apelado para justificar a rescisão contratual – como indicado na sentença e não impugnado – também não demonstrou que a Compra e Venda se destinava ao desmembramento do imóvel. ”(Mov.29.1, AP), fazendo com que o conhecimento do recurso especial esbarre na Súmula 283 do Supremo Tribunal Federal. É entendimento da Corte Superior que "Não se insurgindo o recorrente contra todos os fundamentos que conferem sustentação jurídica ao aresto impugnado, impõe-se a aplicação da Súmula 283 do STF" (STJ - AgInt no REsp 1467589/PR, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 4/12/2019). Por derradeiro segundo a Corte Superior “(...) Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: STJ, AgInt no AREsp 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; STJ, AgInt no AREsp 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3 /2018; STJ, REsp 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018.” (STJ, REsp 1924785/AM, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/03/2022, DJe 11/03/2022). Diante do exposto, inadmito o recurso especial interposto por MARIA LUZIA PINHEIRO DE ARAÚJO. Intimem-se. Curitiba, data da assinatura digital. Luiz Osório Moraes Panza 1º Vice-Presidente AR77E Acessado em: 19/05/2024 00:48:01