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Ergonomia do Trabalho: Importância e Aplicações

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Universidade Aberta 
 
 
 
 
 
 
 
Pós-Graduação em 
Segurança, Higiene e 
Saúde no Trabalho 
 
 
Unidade Curricular 5: Ergonomia do Trabalho 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pedro Filipe Aguilar Brigas 
2015 
 
 
 
FICHA TÉCNICA 
 
 
Título 
Pós-Graduação em Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho. 
Unidade Curricular 5: Ergonomia do Trabalho. 
 
Autoria 
Pedro Filipe Aguilar Brigas 
pbrigas9@gmail.com 
 
Ano de Edição 
2015 
 
Entidade 
Universidade Aberta 
Palácio Ceia, Rua da Escola Politécnica, 141-147. 1269-001 Lisboa 
Telf. 21 391 63 00 
Fax. 21 391 65 167 
www.uab.pt 
uab@univ-ab.pt 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.uab.pt/
mailto:uab@univ-ab.pt
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A relação dos trabalhadores com o 
seu ambiente de trabalho torna-se 
cada vez mais importante neste 
tempo de mudança e de 
competitividade. 
O aumento da produtividade, a 
diminuição dos acidentes de trabalho 
e a baixa do absentismo por doenças 
profissionais são objectivos 
perseguidos por todos os 
empreendedores que se querem 
manter na corrida e vencer a 
concorrência. 
A legislação em vigor sobre 
segurança e saúde no trabalho faz 
com que as empresas se preocupem 
com a forma como os seus 
trabalhadores se relacionam física e 
emocionalmente com o seu local, 
ambiente, posto e instrumentos de 
trabalho. 
UC 5: Ergonomia no Trabalho 
 
 
Pós-Graduação em Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho 
 Pedro Brigas, 2015 1 
ÍNDICE GERAL
ÍNDICE GERAL ......................................................................................................................1 
COMPETÊNCIAS A ADQUIRIR / PRÉ-REQUISITOS ...........................................................3 
RESUMO ...............................................................................................................................4 
1. INTRODUÇÃO À ERGONOMIA .................................................................................6 
1.1 Evolução do conceito de Ergonomia.......................................................................6 
1.2 Classificações em Ergonomia................................................................................11 
1.3 Metodologia .............................................................................................................14 
1.3.1 Fases da Análise Ergonómica do Trabalho .........................................................14 
1.3.2 Tarefa Vs Actividade ...........................................................................................18 
1.4 Técnicas utilizadas na Análise Ergonómica do Trabalho ....................................19 
1.4.1 Observação ........................................................................................................19 
1.4.2 Checklist .............................................................................................................21 
1.4.3 Focus Group .......................................................................................................24 
1.4.4 Questionários .....................................................................................................27 
1.4.5 Verbalizações .....................................................................................................29 
1.4.6 Entrevistas ..........................................................................................................31 
2. RELAÇÃO ENTRE FISIOLOGIA E ERGONOMIA ...................................................33 
2.1 Trabalho muscular ..................................................................................................33 
2.2 Lesões Músculo-esqueléticas Relacionadas com o Trabalho (LMERT) .............35 
2.2.1 Principais categorias ...........................................................................................36 
2.2.2 Factores de Risco ...............................................................................................37 
3. RELAÇÃO ENTRE ANTROPOMETRIA E ERGONOMIA.........................................39 
3.1 Diferenças individuais ............................................................................................40 
3.2 Medidas Antropométricas Estáticas ......................................................................41 
3.3 Medidas Antropométricas Dinâmicas....................................................................42 
4. CONCEPÇÃO DE POSTOS DE TRABALHO ..........................................................44 
5. CONCEPÇÃO DE EQUIPAMENTOS DE TRABALHO ............................................47 
6. INTERFACE HOMEM-MÁQUINA .............................................................................50 
7. FACTORES AMBIENTAIS DE INCOMODIDADE ....................................................55 
7.1 Ruído .......................................................................................................................55 
7.2 Vibrações .................................................................................................................57 
7.3 Ambiente Térmico ...................................................................................................59 
7.4 Qualidade do Ar ......................................................................................................61 
8. SISTEMAS DE ILUMINAÇÃO ..................................................................................63 
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Pós-Graduação em Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho 
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8.1 Tipos de iluminação................................................................................................65 
8.2 Tipos de lâmpadas ..................................................................................................66 
8.3 Riscos ......................................................................................................................67 
8.4 Prevenção ................................................................................................................68 
9. TRABALHO COM ECRÃS DE VISUALIZAÇÃO ......................................................70 
9.1 Riscos associados à interacção com e ecrãs de visualização ............................70 
9.2 Medidas de prevenção e protecção .......................................................................73 
9.2.1 Postos de trabalho ..............................................................................................73 
9.2.2 Tipo de computador (fixo ou portátil) ...................................................................74 
9.2.3 Ecrã de visualização (Monitor) ............................................................................75 
9.2.4 Cadeira ...............................................................................................................76 
9.2.5 Rato e Teclado ...................................................................................................76 
9.2.6 Acessórios ..........................................................................................................77 
10. ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO ............................................................................79 
10.1 Carga de trabalho ...................................................................................................81 
10.1.1 Carga Física .......................................................................................................84 
10.1.2 Carga Mental ......................................................................................................87 
10.2 Trabalho nocturno ..................................................................................................89 
10.3 Trabalho por turnos ................................................................................................92 
11. MÉTODOS DE ANÁLISE DE RISCO .......................................................................94 
11.1 Questionários de auto-avaliação ...........................................................................9411.2 Métodos Directos ....................................................................................................95 
11.3 Métodos Observacionais ........................................................................................96 
11.3.1 Método RULA .....................................................................................................99 
11.3.2 Método REBA ................................................................................................... 101 
11.3.3 Método OWAS .................................................................................................. 103 
BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................. 106 
ANEXOS ............................................................................................................................ 111 
Aplicação do Método RULA ............................................................................................ 112 
Aplicação do Método REBA ........................................................................................... 114 
UC 5: Ergonomia no Trabalho 
 
 
Pós-Graduação em Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho 
 Pedro Brigas, 2015 3 
COMPETÊNCIAS A ADQUIRIR / PRÉ-REQUISITOS 
No final da Unidade Curricular 5, os alunos deverão ser capazes de: 
 Traçar as linhas de um projecto de melhoria das condições de trabalho de uma 
organização; 
 Listar as situações concretas em que um ergonomista pode e deve intervir numa 
organização; 
 Aplicar instrumentos de análise das condições de trabalho, adaptando-os à sua 
organização. 
 Reconhecer quando um ambiente, posto ou local de trabalho é incorrecto ou 
inadequado sob o ponto de vista da ergonomia e apontar concretamente o que está 
mal e a forma como corrigir; 
 Identificar e avaliar os riscos da não preocupação ergonómica; 
 Propor medidas concretas de natureza preventiva e ou correctiva contra os riscos 
com implicações ergonómicas detectados; 
 Optimizar condições de trabalho específicas. 
 
Cumulativamente, os alunos devem possuir: 
 Habilitações académicas mínimas ao nível do 1º ciclo do ensino superior (licenciatura 
ou bacharelato); 
 Conhecimentos e prática de informática como utilizadores, em ambiente Windows; 
 Prática de utilização de browsers de navegação na Web; 
 Ter acesso à Internet e uma conta de correio electrónico activa; 
 Disponibilidade de, mais ou menos, 13 horas por semana para: 
o Participação nos fora de discussão e nos chats; 
o Realização do autoestudo dos conteúdos disponibilizados online; 
o Cumprimento das tarefas determinadas; 
o Elaboração das autoavaliações e avaliações formativas e sumativas. 
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RESUMO 
O Módulo de Ergonomia está dividido em 11 Capítulos. Embora cada Capítulo seja 
independente dos restantes, não podemos esquecer que a aprendizagem neste Módulo, 
bem como o atingir dos seus objectivos, está dependente de uma abordagem transversal a 
todos eles, integrando sucessivamente novos conteúdos num conhecimento geral. 
O Capítulo 1 incide sobre os aspectos básicos da Ergonomia, essenciais a quem tem 
uma primeira abordagem sobre esta temática. Assim sendo, será dado a conhecer o 
conceito de Ergonomia, no presente e considerando a sua evolução histórica, as duas 
correntes de Ergonomia existentes e as diferentes classificações que lhe estão subjacentes. 
Far-se-á também a descrição das diferentes etapas da Metodologia Ergonómica e a 
importante distinção entre o conceito de Tarefa e o conceito de Actividade. Por fim, 
analisaremos em pormenor algumas das técnicas frequentemente aplicadas por um 
Ergonomista no seu trabalho no terreno, salientando a sua importância, a forma de as 
conceber, as suas vantagens e as suas desvantagens. 
No Capítulo 2, a relação entre Fisiologia e Ergonomia será analisada sob o ponto de 
vista do trabalho muscular, isto é, movimentos e forças, e das Lesões Músculo-esqueléticas 
relacionadas com o Trabalho (LMERT), referindo as suas causas, consequências e factores 
de risco. Será dado ênfase a um dos segmentos corporais mais “atacado” pelas condições 
de trabalho nos dias de hoje, a coluna vertebral. 
No Capítulo 3 estabelece-se a relação entre Antropometria e Ergonomia. Para além 
da de se referir a forma adequada de apresentar os dados obtidos num Estudo 
Antropométrico, as 4 limitações antropométricas e os 3 diferentes tipos físicos (biótipos), 
serão ainda referidos e caracterizados os dois tipos de medidas antropométricas, as 
medidas antropométricas estáticas e as medidas antropométricas dinâmicas 
O Capítulo 4 diz respeito à concepção de Postos de Trabalho, pelo que serão dados 
a conhecer alguns princípios que devem ser seguidos de forma a garantir a segurança, 
saúde, conforto e bem-estar do trabalhador, não esquecendo a discussão Trabalho em Pé 
Vs Trabalho Sentado. 
Seguindo uma estrutura lógica, no Capítulo 5, Concepção de Equipamentos de 
Trabalho, serão apresentadas algumas medidas que devem ser tomadas na concepção de 
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dispositivos de comando e mostradores de modo a garantir a sua correcta utilização por 
parte dos trabalhadores, contribuindo para a sua segurança e para a segurança do Sistema. 
No Capítulo 6 falar-se-á da relação Homem-Máquina. Depois de referidos e 
apresentados os dois momentos-chave desta relação, a entrada de dados e a 
saída/compreensão da resposta, o foco será voltado para a Usabilidade de Sistemas, 
apresentando o conceito e a principal forma de a avaliar, as 10 Heurísticas de Nielsen. 
No Capítulo 7, os riscos físicos (Ruído, Vibrações, Ambiente Térmico e Qualidade do 
Ar) serão analisados não de uma forma técnica, mas sim de acordo com os efeitos que 
provocam nos trabalhadores quando se encontram fora de parâmetros considerados 
normais. 
No Capítulo 8, Sistemas de Iluminação, serão apresentadas e caracterizadas as 
diferentes Grandezas de Luminosidade. Posteriormente centrar-nos-emos em aspectos 
como os tipos de iluminação, tipos de lâmpadas, riscos e medidas de prevenção. 
O Capítulo 9 é específico para o trabalho desenvolvido com ecrãs de visualização, 
particularmente o trabalho informatizado, isto é, em ambiente de escritório. Depois de 
caracterizar este tipo de trabalho, serão apresentados os diferentes riscos que lhe estão 
associados, aprofundando os Riscos Visuais e os Riscos Psicossociais, uma vez que os 
riscos ao nível músculo-esquelético foram tratados no Capítulo 2. No final serão enunciados 
alguns princípios a considerar na concepção destes postos de trabalho, centrando-nos 
essencialmente ao nível do mobiliário. 
No capítulo 10, o elemento Organização do Trabalho será decomposto em 3 sub-
elementos, Carga de Trabalho, Trabalho Nocturno e Trabalho por Turnos. A Carga de 
Trabalho será analisada de uma forma geral, passando-se depois para a análise da Carga 
Física e da Carga Mental. Sobre o Trabalho Nocturno, depois de feito o enquadramento 
legal, serão apresentados os seus riscos. Quanto ao Trabalho por Turnos, para além do 
enquadramento legal serão apresentados alguns princípios a considerar na elaboração do 
Sistema de Turnos, as diferentes modalidades e os vários sistemas de rotação. 
Por fim, no Capítulo 11, o Capítulo mais “prático”, serão referidos e caracterizados os 
diferentes Métodos de Análise de Risco, dando especial atenção a alguns Métodos 
Observacionais, mais especificamente os Métodos RULA, REBA e OWAS, detalhando a sua 
forma de aplicação. 
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1. INTRODUÇÃO À ERGONOMIA 
O termo “ergonómico” tem vindo a ser abusivamente utilizado em manobras deMarketing. Este facto tem contribuído em muito para que as pessoas em geral tenham uma 
ideia errada acerca do que é a Ergonomia. 
É comum perguntar a alguém o que é a Ergonomia e ouvir uma resposta do género: 
“É aquela coisa que faz com que as cadeiras e os colchões sejam bons”. Pois bem, esta 
resposta está completamente errada e muito afastada da realidade. 
O conhecimento da correcta definição de Ergonomia, dos seus princípios, objectivos, 
metodologias e benefícios é absolutamente fundamental nos profissionais que queiram 
intervir na área, tendo estes ainda a “responsabilidade” de transmitir esses elementos à 
população em geral. 
 O campo de intervenção da Ergonomia está muito para além dos aspectos materiais 
e palpáveis, pelo que esta não deve ser confundida com “cadeirologia”. Os equipamentos e 
ferramentas são apenas uma das dimensões a partir da qual podemos analisar o trabalho 
humano. Reduzir a Ergonomia à “ciência da cadeira” é tão redutor como pensar que as 
lesões músculo-esqueléticas (LME) podem ser completamente irradiadas com a alteração 
de um único equipamento ou ferramenta. 
 Uma abordagem global e multidisciplinar sobre esta temática é o caminho certo a 
seguir para promover a saúde, segurança e bem-estar dos indivíduos, bem como garantir a 
competitividade das organizações através do aumento da produtividade e qualidade dos 
serviços prestados, resultante da melhoria das condições de trabalho. 
1.1 Evolução do conceito de Ergonomia 
Etimologicamente, a palavra “Ergonomia” deriva da junção de duas palavras gregas, 
“ergon” (trabalho) e “nomos” (regras, leis, normas). Assim sendo, de uma forma simplista, 
podemos dizer que a Ergonomia é a ciência do trabalho, que tem por objectivo a definição 
das leis que o regem. 
A primeira referência a este termo surgiu em 1857 através do estudioso polaco 
Wojciech Jastrzebowski, na obra «Précis d’Ergonomie or de la Science du Travail basée sur 
de verités tirée dês sciences de la nature». 
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Porém, a sociedade da altura não estava preparada nem sensibilizada para este 
conceito, pelo que a Ergonomia enquanto ciência ficou esquecida durante quase um século. 
Ironicamente, um dos acontecimentos mais negros da História, a Segunda Grande 
Guerra Mundial, foi o grande responsável pelo ressuscitar do conceito de Ergonomia e pelo 
seu alastrar no mundo da indústria. O facto dos homens se verem várias vezes confrontados 
com dificuldades no manuseamento de determinados equipamentos como armas e radares 
e no comando de aviões, tanques e navios, preocupava as chefias, uma vez que esses 
problemas não se inseriam em nenhum campo “conhecido” pela ciência, visto não serem 
problemas estritamente clínicos, médicos ou organizacionais. 
Por outro lado, considerando que nos países que entraram activamente na Segunda 
Grande Guerra Mundial um grande número de homens foi chamado para acções de 
combate, os seus lugares, num mundo que era já cada vez mais industrializado, foi ocupado 
por algumas mulheres e homens com pouca ou nenhuma informação e experiência no 
desempenhar dessas actividades. Também aqui, as dificuldades sentidas na organização do 
trabalho e manuseamento das máquinas e ferramentas de trabalho foram tidas pelas chefias 
como uma enorme preocupação. 
A Ergonomia estava de novo “viva”. Em 1949, Murrel, em colaboração com um 
conjunto de pesquisadores também eles ingleses, cria a Primeira Sociedade de Ergonomia, 
a Ergonomic Research Society. 
A partir de 1950 a Ergonomia expande-se e assiste-se à criação de associações e 
sociedades de Ergonomia, tanto na Europa como nos EUA. Deste modo, ainda hoje 
podemos definir duas correntes de Ergonomia, a Corrente Americana e a Corrente 
Europeia. 
No que toca à Corrente Americana, ou Anglo-Saxónica, a mais antiga, em 1957 foi 
criada nos Estados Unidos da América (EUA) a Human Factors Society, sendo que ainda 
hoje o termo Factores Humanos continua naquele país a ser utilizado e muitas vezes tido 
como sinónimo de Ergonomia. Esta corrente entende a Ergonomia como a utilização de 
algumas ciências (Fisiologia, Anatomia, Psicologia, entre outras) com o propósito de 
melhorar as condições do trabalho humano, através da concepção de dispositivos técnicos 
(máquinas, ferramentas, ecrãs, entre outros). Assim, podemos dizer que a Ergonomia se 
centra no factor humano, considerando o Homem uma componente do sistema de trabalho. 
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 Pedro Brigas, 2015 8 
 Em relação à corrente Europeia, ou Francófona, a Ergonomia aqui é entendida como 
o estudo específico do trabalho humano com vista a melhorá-lo. Assim, a Ergonomia não se 
deverá preocupar com a ferramenta ou o equipamento de trabalho de forma isolada, mas 
sim com a globalidade do sistema de trabalho. Deve estar orientada para a organização do 
trabalho, conhecendo-o em profundidade e respondendo a questões como: “Quem faz?”, 
“Como faz?”, “Porque faz?”, “O que podemos mudar para que faça de outra forma?”. Neste 
caso, a Ergonomia considera o Homem um actor do sistema de trabalho. Desta forma, a 
intervariabilidade humana (idade, género, formação, experiência) tem de ser considerada 
como um factor decisivo no modo como compreendemos o trabalho. 
 No que toca à definição propriamente dita de Ergonomia, muitos têm sido os autores 
e organizações que nas últimas décadas têm apresentado a sua. Actualmente é consensual 
o seu entendimento como: 
 “Disciplina científica relacionada com a compreensão das interacções entre os seres 
humanos e os outros elementos de um sistema, e a profissão que aplica princípios 
teóricos, dados e métodos para conceber com vista a optimizar o bem-estar humano 
e o desempenho global do sistema. Os seus profissionais, os ergonomistas, 
contribuem para o planeamento, concepção e avaliação de produtos, tarefas, postos 
de trabalho, organizações e ambientes de trabalho, de modo a torná-los compatíveis 
com as necessidades, habilidades e limitações dos indivíduos.”” (Associação 
Internacional de Ergonomia, fundada em Oxford no ano de 1959). 
De uma forma simplista, podemos afirmar que a Ergonomia é uma ciência 
multidisciplinar que tem por objecto de estudo o “trabalho humano” e por objectivo 
“promover e optimizar a saúde, segurança, conforto e bem-estar do indivíduo, bem como o 
desempenho global do sistema”. 
A ergonomia é uma ciência multidisciplinar porque se serve do conhecimento 
científico de outras disciplinas, tendo, no entanto, uma metodologia própria. Entre as 
disciplinas que contribuem para o conhecimento em Ergonomia, podemos fazer referência à 
Psicologia, Fisiologia, Anatomia, Biomecânica, Medicina, Sociologia ou Antropometria. 
Ao nível da segurança, da saúde, do conforto e do bem-estar do indivíduo, a 
intervenção ergonómica procura evitar riscos a curto prazo, como por exemplo acidentes, 
bem como a médio e longo prazo, como por exemplo doenças profissionais. Procura ainda 
diminuir a fadiga física e mental sentida pelo trabalhador no desempenhar da tarefa. 
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De realçar o facto do conceito de “Saúde”, nos domínios da Ergonomia, ter uma 
definição mais ampla que no senso comum, isto é, corresponde a um estado de completo 
bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade 
(Organização Mundial de Saúde). 
Ao nível do desempenho global dos sistemas, a intervenção ergonómica centra-se 
na eficácia e eficiência dos mesmos. A eficácia está relacionada com o atingir dos 
objectivos, enquanto a eficiência está relacionada com os meios/recursos (matéria-prima, 
recursos humanos, temporais e económicos) utilizados para atingir os objectivos. 
 Concluímos então, analisandoa evolução histórica do objecto de estudo na análise 
do trabalho, no fundo, da Ergonomia, que se registaram três grandes momentos: 
 Um primeiro, em que o estudo se centra sobre a Máquina e o seu aperfeiçoamento. 
O operador tinha então de se adaptar à máquina; procurava-se seleccionar e formar 
o operador de acordo com as exigências e características das máquinas, ainda que à 
custa de um longo e difícil processo de aprendizagem; 
 Um segundo momento, em que, face aos problemas levantados pelos erros 
humanos, o estudo se começou a centrar no Homem; procurava-se uma 
modificação das máquinas tendo em consideração os limites próprios do Homem; 
 Um terceiro, ou seja, a actual perspectiva em que se considera a análise no conjunto 
do Sistema Homem-Máquina. 
 A Ergonomia pode ser aplicada em várias situações domésticas do dia-a-dia, mas 
existem ainda mais aplicações no domínio laboral com resultados ao nível da melhoria 
significativa da eficiência, produtividade, segurança e saúde nos postos de trabalho. Por 
exemplo: 
 No design/concepção de equipamentos e sistemas computadorizados, para que 
sejam mais fáceis de utilizar e haja menor probabilidade de ocorrência de erros 
durante a sua operação (salas de controlo, onde existe elevada carga de stress); 
 Na definição de tarefas, de modo a que se tenham em conta as necessidades 
humanas, tais como pausas para descanso e recompensas intrínsecas do trabalho; 
 Na arquitectura da informação, de modo a que a interpretação e uso de guias, sinais 
e ecrãs seja mais fácil e sem ocorrência de erros; 
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 No design de equipamentos e organização do trabalho de modo a melhorar a 
postura e aliviar a carga de trabalho no corpo, reduzindo assim as lesões músculo-
esqueléticas dos membros superiores e lesões resultantes de trabalho repetitivo; 
 Na criação de acções de formação para que todos os aspectos do trabalho sejam 
compreendidos pelos trabalhadores; 
 No design de equipamento militar e espacial – casos extremos de resistência do 
corpo humano; 
 Na concepção de ambientes de trabalho, incluindo a iluminação e a temperatura, de 
modo a satisfazer as necessidades dos utilizadores e das tarefas executadas. 
Sempre que necessário, na concepção de equipamentos de protecção individual em 
ambientes hostis. 
 Por forma a atingir os seus objectivos, a Ergonomia deve centrar-se sobre um vasto 
conjunto de parâmetros relativos a diferentes elementos do sistema de trabalho (Tabela 1). 
Tabela 1: Os 5 elementos do Sistema de Trabalho e exemplos de alguns dos seus parâmetros. 
Homem Máquina 
Espaço de 
Trabalho 
Ambiente 
Físico 
Organização 
do Trabalho 
- Características 
físicas/biográficas: 
• Idade; 
• Sexo; 
• Dados antropométricos; 
• Estado saúde. 
- Capacidades cognitivas 
e intelectuais; 
- Formação e experiência 
profissional; 
- Aspectos sociais: 
• Familiares; 
• Motivações; 
• Interesses. 
 
- Sinalização; 
- Localização 
de comandos; 
- Estrutura e 
dimensões; 
- Fontes de 
alimentação; 
- Manutenção; 
- Matérias-
primas e 
produtos; 
- Tarefas e 
sequências 
operacionais. 
- Acessibilidades 
(vias de acesso e 
circulação); 
- Pavimentos, 
paredes e tectos; 
- Zonas de 
armazenagem; 
- Meios de 
sinalização e 
visualização; 
- Planos de 
trabalho; 
- Dimensões; 
- Disposição de 
equipamentos. 
 
- Ambiente 
térmico; 
- Ambiente 
sonoro; 
- Ambiente 
luminoso; 
- Ambiente 
vibratório; 
- Qualidade 
do ar. 
 
- Trabalho em 
equipa; 
- Trabalho 
nocturno; 
- Trabalho por 
turnos; 
- Horários; 
- Pausas; 
- Ritmos; 
- Planos de 
rotatividade; 
- Segurança; 
- Polivalência. 
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1.2 Classificações em Ergonomia 
Podemos fazer divisões dentro da Ergonomia, se considerarmos os contextos de 
intervenção, o objecto de intervenção, o objectivo de intervenção, o domínio de 
especialização, e a dimensão de intervenção. 
Os contextos passíveis de intervenção por parte da Ergonomia são extremamente 
variados, sendo que podemos destacar a indústria, trabalho informatizado, sistemas de 
informação, hospitais, transportes, escolas e obras públicas. 
No que diz respeito ao objecto de intervenção, podemos distinguir a Ergonomia do 
Produto e a Ergonomia de Produção: 
 Ergonomia do Produto: intimamente ligada à área de pesquisa e estudos, 
colaborando frequentemente com o sector comercial no desenvolvimento de estudos 
de mercado, com o sector de produção na avaliação dos custos de produção e na 
definição da sua finalidade, e com outros sectores de concepção do produto, como o 
design ou o controlo de qualidade. 
 Ergonomia de Produção: está orientada para a procura das condições de trabalho 
adequadas, focando-se em parâmetros organizacionais, do ambiente de trabalho e 
do próprio posto de trabalho, em função das características e capacidades dos 
trabalhadores. 
Quanto ao objectivo, podemos considerar a Ergonomia de Concepção (Ergonomia 
Pró-activa) e a Ergonomia de Correcção (Ergonomia Reactiva): 
 Ergonomia de Concepção: está presente desde a fase inicial de concepção de um 
produto, posto, equipamento ou sistema de trabalho, de forma a garantir a 
optimização da segurança, conforto, usabilidade e eficácia (Ergonomia Pró-activa). 
 Ergonomia de Correcção: intervém ao nível de inadaptações existentes no sistema 
de trabalho que colocam em causa a saúde, segurança e bem-estar do trabalhador 
e/ou a qualidade e quantidade de produção, isto é, a eficácia do sistema. Esta 
intervenção é muitas vezes parcial, focando-se num equipamento, num aspecto da 
organização ou num elemento do ambiente físico. A sua eficácia é mais limitada, 
sendo que do ponto de vista económico também não é a mais recomendada 
(Ergonomia Reactiva). 
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No que toca aos domínios de especialização, a International Ergonomics Association 
(IEA) sugere a divisão da Ergonomia em três classes: 
 Ergonomia Física: diz respeito a características como a anatomia humana, 
antropometria (medidas do corpo), fisiologia (consumo energético, trabalho 
muscular), biomecânica e ambiente físico (ruído, iluminação, vibrações, 
temperaturas), focando-se na influência destes factores sobre a actividade de 
trabalho. Nesta classe inclui-se o estudo de parâmetros como as posturas, 
manuseamento de equipamentos e ferramentas, movimentos repetitivos, lesões 
músculo-esqueletais (LME) relacionados com o trabalho, segurança e saúde. 
 Ergonomia Cognitiva: pressupõe que os trabalhadores não são meros executantes, 
mas elementos activos do sistema, que não estão imunes a erros. Centra-se nos 
processos mentais, como a percepção, a memória, o raciocínio e a definição de 
modelos mentais. Nesta classe inclui-se o estudo de parâmetros como a carga 
mental, a tomada de decisão, a interacção Homem-Máquina, o stress e a formação. 
 Ergonomia Organizacional: esta classe apresenta-se como a mais recente e 
desenvolveu-se a partir do peso óbvio que a organização do trabalho tem na 
actividade de trabalho propriamente dita. Nesta fase inclui-se o estudo de parâmetros 
como as comunicações entre trabalhadores e entre trabalhadores e chefias, a 
organização temporal do trabalho, a organização espacial dos postos de trabalho e o 
trabalho em grupo. 
Por fim, considerando a dimensão de intervenção, podemos dividir a Ergonomia em 
três classes: 
 Micro-Ergonomia: estuda os diversos elementos específicos de um sistema de 
trabalho, como por exemplo o ruído ou a temperatura. 
 Meso-Ergonomia: estuda os utensílios de trabalho, focando-se na interdependência 
entre os dispositivos e mostradores, nas alavancas de comando ede regulação, bem 
como na sua disposição em função da velocidade e sucessão de operações. 
 Macro-Ergonomia: estuda a globalidade do sistema Homem-Máquina. Considera o 
Homem e a Máquina como componentes que trabalham em conjunto para alcançar 
um mesmo fim, relacionando-se através de uma vasta rede de comunicações. 
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O conceito e a prática ergonómica, como já vimos, têm evoluído de acordo com as 
situações de trabalho e o estádio da tecnologia, pelo que podemos falar ainda em: 
 Ergonomia Antropométrica ou Ergonomia Gestual: ocupa-se do estudo dos 
gestos e posturas do trabalhador durante o trabalho, procurando adaptar a este os 
postos de trabalho, as condições ambientais e os ritmos de produção; 
 
 Ergonomia Informacional: estuda o arranjo dos dispositivos de sinalização, 
informação e de comando, de forma a melhorar as condições de percepção da 
informação por parte do trabalhador; 
 
 Ergonomia dos Sistemas: trata das interacções do trabalhador com os materiais 
em qualquer sistema produtivo, procurando definir as tarefas entre os operadores, as 
condições de funcionamento e cargas de trabalho de cada um; 
 
 Ergonomia de Previsão: procura prever e estudar a forma como cada trabalhador 
realizará o seu trabalho efectivo, tendo em vista a maior redução possível do número 
de incidentes e acidentes. 
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o “acidente” pode ser definindo 
como um acontecimento independente da vontade humana, provocado por uma força 
exterior, agindo rapidamente e manifestando-se por dano corporal ou mental. 
Falando em “acidente”, torna-se essencial fazer a distinção entre os conceitos de 
“perigo” e “risco”, conceitos muitas vezes usados no dia-a-dia como sinónimos. 
A Lei 102/2009, de 10 de Setembro, define o “perigo” como “a propriedade intrínseca 
de uma instalação, actividade, equipamento, um agente ou outro componente material do 
trabalho com potencial para provocar dano.”, sendo o “risco” definido como a “probabilidade 
de concretização do dano em função das condições de utilização, exposição ou interacção 
do componente material do trabalho que apresente perigo”. 
Assim sendo, podemos considerar o risco como a probabilidade de um sujeito poder 
sofrer um dano em consequência da exposição a um determinado perigo. O risco surge em 
função de uma exposição ao perigo, pelo que um perigo isolado não constituirá um risco em 
situação alguma. O risco resulta da relação que se estabelece entre o perigo e as medidas 
de prevenção e de protecção adoptadas para o controlar, uma vez que a probabilidade do 
perigo se transformar em risco diminui à medida que os níveis de segurança aumentam. 
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1.3 Metodologia 
 A prática ergonómica pode ser dividida em duas fases principais: 
 A primeira, a Análise Ergonómica, consiste na identificação e na compreensão das 
relações existentes entre as condições organizacionais, técnicas, sociais e humanas 
que determinam a actividade de trabalho e os efeitos desta sobre o operador e o 
sistema produtivo. Nesta etapa são utilizadas um conjunto de técnicas, como por 
exemplo questionários e entrevistas, essenciais na recolha dos dados pretendidos. 
 A segunda, chamada Intervenção Ergonómica, consiste na operacionalização de 
planos de acção resultantes da análise ergonómica. A intervenção ergonómica pode 
ser feita ao nível da concepção e/ou reformulação dos postos, espaços, 
equipamentos e ferramentas de trabalho, ao nível da formação, ao nível do ambiente 
físico ou nível da organização do trabalho. 
1.3.1 Fases da Análise Ergonómica do Trabalho 
 A estratégia de análise ergonómica é definida em função da especificidade da 
situação a analisar, pelo que não é possível estabelecer um modelo rígido de actuação, nem 
tão pouco uma sucessão linear de etapas a seguir. Não existe portanto nenhum quadro 
normativo em relação ao processo de análise ergonómica, tratando-se este de um processo 
dinâmico, que se constrói progressivamente no tempo e no local de trabalho, com a 
participação do analista e dos trabalhadores. 
 Porém, é possível identificar um conjunto de linhas gerais de orientação às diferentes 
etapas que devem ser seguidas numa análise ergonómica do trabalho. 
1- Pedido 
 Logicamente, tem de existir um pedido na base de qualquer análise ergonómica. 
Esse pedido irá influenciar a escolha da estratégia a seguir ao longo de todo o processo. 
Nesta primeira etapa é possível ao analista identificar responder a duas questões, “quem 
pede?” e “o que pede”? 
 Em relação ao “quem pede”, podemos estar a falar do director de uma empresa ou 
organização, do responsável pelos trabalhadores, de médicos do trabalho ou de 
responsáveis pela segurança, entre outros. 
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 Em relação ao “o que pede?” podemos referir-nos a um vasto número de situações, 
como por exemplo: 
 Contribuir para a evolução das situações de trabalho, devido à introdução de novas 
tecnologias e formas de organização do mesmo; 
 Resolver os disfuncionamentos atribuídos ao comportamento humano; 
 Contribuir para a concepção de novas situações de trabalho; 
 Responder a problemas como a ocorrência de acidentes, o absentismo e a falta de 
produtividade e qualidade dos serviços. 
2- Análise do pedido 
 Esta etapa corresponde ao objectivar do pedido, isto é, o pedido tem de ser visto da 
mesma forma por parte de todos os envolvidos no processo. 
 Durante esta etapa é feita uma primeira visita aos locais de trabalho, conversa-se com 
os responsáveis, procede-se à identificação dos actores que estão envolvidos no pedido e 
verifica-se se este corresponde realmente à natureza do problema, sendo que se tal não 
acontecer deve fazer-se a reformulação do pedido inicial. 
 
 Posto isto, elabora-se a proposta de intervenção onde devem constar elementos 
como: 
 Resultados a alcançar; 
 Meios humanos e materiais necessários; 
 Definição de prazos. 
3- Conhecimento do funcionamento da empresa 
O conhecimento dos vários sectores da empresa é absolutamente necessário para 
que a intervenção definitiva tenha em conta as especificidades da mesma. Assim sendo, 
devem ter-se em consideração diversos parâmetros, como por exemplo: 
 Económico e Comercial: mercado, concorrência e níveis de produção; 
 
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 Social: características da população trabalhadora; 
 Legislativo e Regulamentar: leis e regras aplicáveis àquele sector de actividade; 
 Envolvimento geográfico: condições climatéricas; 
 Organizacional e Produtivo: dados quantitativos e qualitativos, padrões de 
qualidade; 
 Técnico: características dos equipamentos tecnológicos e ferramentas de trabalho. 
4- Análise das situações de trabalho 
Nesta etapa procede-se à recolha de dados relativos ao funcionamento do sistema 
produtivo e à actividade propriamente dita. 
A partir desses dados é possível ao analista elaborar um pré-diagnóstico, que constitui 
um primeiro enunciado das relações estabelecidas entre as condições de execução da 
actividade, as suas características e os seus resultados. Estes elementos vão permitir a 
formulação de hipóteses que na etapa seguinte serão tidas em conta. 
5- Observação global da actividade 
 As hipóteses formuladas vão orientar a forma como a observação global da actividade 
da actividade vai ser desenvolvida. Esta pode centrar-se em diversos aspectos, como por 
exemplo: 
 Deslocamentos; 
 Posturas; 
 Direcções do olhar; 
 Comunicações. 
 Caso todos os dados relevantes não possam ser recolhidos através da observaçãoda actividade, podem utilizar-se outras técnicas de recolha de dados. Mais à frente, no ponto 
1.4, irá ser feita uma descrição pormenorizada de cada uma dessas técnicas. 
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6- Diagnóstico 
 Chegamos então à etapa onde se procederá ao tratamento dos dados recolhidos e 
ao estabelecimento de relações entre os resultados obtidos e as hipóteses anteriormente 
formuladas. Nesta etapa, para além de um diagnóstico local, pode também ser estabelecido 
um diagnóstico geral. 
 O diagnóstico local está intimamente relacionado com a proposta de intervenção que 
havia sido anteriormente elaborada. 
 O diagnóstico geral surge da possibilidade de, no decorrer da recolha de dados, se 
ter acesso a um conjunto de variáveis, que embora não fossem contempladas na proposta 
de intervenção, assume um papel importante no assegurar de um funcionamento eficaz de 
todo o sistema. 
7- Definição de medidas correctivas 
 O papel do analista não se deve limitar à descrição das situações de trabalho 
analisadas. Formulado o diagnóstico, devem ser definidas as medidas correctivas a 
implementar na situação de trabalho analisada. 
 Essas medidas devem ser apresentadas às chefias ou a outros elementos que 
possam ter estado na origem do pedido de intervenção, salientando os benefícios que daí 
podem advir e os custos inerentes à sua implementação. De entre os benefícios, não 
podemos esquecer aquele que é objectivo da Ergonomia, isto é, promover a saúde, 
segurança, o conforto e o bem-estar dos trabalhadores, assim como a eficácia dos sistemas. 
É importante ter sempre em consideração o contexto de implementação e outros factores 
inerentes à empresa ou organização, como por exemplo a sua capacidade financeira e as 
exigências legais a que está sujeita. 
 As medidas correctivas podem ser orientadas para modificações ao nível da 
actividade desenvolvida pelo trabalhador, ou ao nível da organização do trabalho ou ao nível 
dos equipamentos e ferramentas utilizados. 
 A colocação em prática destas medidas correctivas corresponde à fase Intervenção 
Ergonómica. A actividade do “verdadeiro” ergonomista não deve acabar neste ponto, sendo 
conveniente ter um papel activo no Acompanhamento / Avaliação dessa mesma 
intervenção, com o objectivo de atestar a sua positividade ou proceder a correcções. 
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1.3.2 Tarefa Vs Actividade 
Embora no quotidiano os conceitos de “Tarefa” e “Actividade” sejam muitas vezes 
usados como sinónimos, a verdade é que na Análise Ergonómica do Trabalho estes são 
completamente diferentes, sendo fundamental saber distingui-los (Figura 1). 
Assim sendo, a “Tarefa” deve ser entendida como o trabalho prescrito, aquilo que o 
trabalhador deve fazer. Trata-se portanto de um quadro formal que engloba os objectivos, os 
procedimentos, os meios técnicos, a envolvente física, as condições temporais, entre outros. 
 Por outro lado, a “Actividade” deve ser entendida como o trabalho real, aquilo que o 
trabalhador efectivamente faz. Trata-se portanto do conjunto de acções realizadas pelo 
indivíduo com vista a responder aos objectivos previamente estabelecidos, isto é, o 
comportamento físico e mental resultante da redefinição da tarefa em função de 
constrangimentos presentes na situação real de trabalho e no seu íntimo. 
 Saber diferenciar estes dois conceitos é importante na medida em que irá permitir 
identificar os desvios que existem entre o que foi idealizado pela organização e o que é 
verdadeiramente realizado pelos indivíduos. Posto isto, partimos para o próximo passo, isto 
é, saber porque existem esses desvios e intervir de forma a encontrar um equilíbrio que 
permita tirar o máximo rendimento do sistema, não abdicando da segurança, conforto e 
bem-estar dos indivíduos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1: Exemplo de diferenciação entre tarefa e actividade, numa mesma situação de trabalho. 
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1.4 Técnicas utilizadas na Análise Ergonómica do Trabalho 
 Existem diversas técnicas que podem ser apliacas quando se tem por objectivo fazer 
uma análise da actividade de trabalho. Todas têm vantagens e inconvenientes. O seu modo 
de aplicação e as etapas que têm de ser seguidas também variam de técnica para técnica. 
 A escolha da técnica a utilizar em cada análise ergonómica tem de ter em conta os 
objectivos da análise, o contexto em que esta ocorre, assim como os constrangimentos em 
termos económicos, técnicos, tecnológicos, ambientais, temporais e sociais. 
Podemos fazer a distinção entre técnicas objectivas e subjectivas. As técnicas 
objectivas (ou directas) correspondem a um registo das actividades ao longo de um período 
pré-determinado de tempo, através de observações – “a olho nu” e/ou assistidas por meios 
audiovisuais. As técnicas subjectivas (ou indirectas) tratam do discurso dos operadores, 
sendo que delas fazem parte as entrevistas, os questionários e as verbalizações. 
1.4.1 Observação 
 É uma técnica praticada no local de trabalho e durante o trabalho. Trata-se de um 
processo que permite ao observador ter conhecimento dos elementos de uma dada situação 
de trabalho. 
 Corresponde a um conjunto de técnicas cujo objectivo é recolher dados sobre a 
actividade de trabalho em geral, ou aspectos mais específicos, como sejam os 
deslocamentos. 
 É muitas vezes utilizada como ponto de partida e como uma referência, tendo 
sempre em linha de conta que é necessário ter bem definido o que vamos observar, quando 
vamos observar e porque vamos observar. 
 Podem também ser utilizadas em combinação com outras técnicas como os 
protocolos verbais e as entrevistas estruturadas. 
 As observações podem ser definidas como livres ou sistemáticas. As observações 
livres são realizadas de forma totalmente abertas e normalmente nas primeiras visitas aos 
postos de trabalho. 
 Já as sistemáticas são focalizadas em categorias de informação e têm objectivos 
específicos. 
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 Dentro da observação propriamente dita podemos ainda fazer referência a técnicas 
específicas como, por exemplo: 
 Vídeo; 
 Fotografia; 
 Observação directa com registo de papel e lápis; 
 Observação directa com registo em computador; 
 Cronometragem. 
 A selecção da(s) técnica(s) de observação que se vai adoptar é condicionada pelas 
propriedades das observáveis, pelas hipóteses que guiam as observações e pelos 
constrangimentos e determinantes das situações de trabalho observáveis. 
 Qualquer que seja a técnica escolhida, devemos ter sempre em conta alguns pré-
requisitos essenciais: 
 Garantir a recolha dos eventos relevantes; 
 Não influenciar a actividade de trabalho, excepto quando o objectivo da análise se 
centra na avaliação de novos cenários; 
 Definir um período de observação que anule o efeito intrusivo do observador; 
 Respeitar as questões éticas - direito à informação pelos observados. 
 Como já foi referenciado, é fundamental que se tenha a completa noção do que se 
pretende observar. Assim sendo, podem ser definidas categorias de observáveis entre as 
quais podemos fazer referência aos deslocamentos, posturas, direcções do olhar, 
comunicações, acções e elementos referentes ao contexto e sistema técnico. 
Etapas: 
1. Definir os objectivos do estudo; 
2. Elaborar um plano de observação; 
3. Estruturar os instrumentos de recolha; 
4. Estruturar um teste piloto; 
5. Planear a análise dos dados a recolher; 
6. Nas observações sistemáticas é recomendado a análise da documentação existente 
relativamente à situação de trabalho a analisar (manuais de procedimentosou de 
formação, especificações do sistema ou das tarefas, análises de risco, entre outros). 
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Vantagens: 
 Fornece uma perspectiva imediata da actividade de trabalho; 
 Fornece informação que não poderia ser adquirida de outra forma; 
 Fornece informação detalhada sobre as tarefas realizadas, as interacções sociais e a 
influência dos factores ambientais; 
 São muito usados em estudos exploratórios, como auxiliar do analista na 
compreensão das variáveis envolvidas; 
 Fornece informação que pode ser comparada e ratificada por outros meios, ou por 
outros observadores; 
 Pode ser usada para analisar as diferenças individuais; 
 Muito útil na recolha de dados sobre a sequência de tarefas físicas, interacção entre 
trabalhadores, erros, entre outros; 
 Fácil utilização, não requerendo treino exaustivo; 
 Permite a familiarização do analista com a situação de trabalho. 
Desvantagens: 
 Exigente em termos dos recursos humanos e temporais usados durante a recolha e 
a análise; 
 Intrusiva, exigindo um período de adaptação do trabalhador ao observador; 
 Tendência para julgar os acontecimentos na fase de registo ou de análise; 
 Não fornece informação sobre a dimensão cognitiva da actividade; 
 Os equipamentos podem acarretar custos; 
 Limitações ligadas à técnica utilizada, à natureza do observável e à variabilidade do 
observável. 
1.4.2 Checklist 
Trata-se de uma técnica de papel e lápis que não requer equipamento especial. 
Pode ser usada complementarmente a outras técnicas de medida e quantificação. 
Frequentemente é usada para recolher informação previamente à construção de inquéritos e 
também como suporte dos métodos observacionais. Uma das vantagens desta técnica é o 
facto de poder ser aplicada para recolher informação sobre sistemas já existentes ou em 
concepção. 
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Etapas de construção de uma checklist: 
1. Seleccionar os critérios em relação aos quais as avaliações vão ser feitas; 
2. Estes critérios têm que ser expressos de forma clara, simples e requerem apenas a 
sua aceitação ou rejeição; 
3. Todos os itens têm que ser redigidos de modo consistente para que a rejeição esteja 
associada ao não cumprimento daquele critério, etapa ou requisito. 
É também importante ter em conta alguns aspectos como por exemplo: 
 À direita de cada item têm que ser apresentadas duas colunas onde se vão 
apresentar as opções de resposta – sim / não; concordo / não concordo; presente / 
ausente; ou semelhante. Nalgumas situações pode ser útil ter uma terceira opção de 
«não se aplica»; 
 Se os itens são muito directos ou a sua aplicação vai ser feita por especialistas, 
então não é necessária informação adicional; 
 Geralmente, é necessário fornecer informação adicional que apoie a decisão 
analista; 
 Se for fornecida informação adicional esta deve fazer parte integrante da lista. 
Aplicação de uma checklist: 
 Geralmente são preenchidas pelo analista durante a observação da tarefa e/ou dos 
equipamentos, condições técnicas, espaços, condições ambientais, entre outros; 
 Podem ser preenchidas durante a observação de diagramas ou documentação; 
 Podem ser preenchidas globalmente para cada situação a analisar, ou item a item; 
 O número de aplicações depende da variabilidade e tipo de condições, 
equipamentos ou tarefas; 
 Antes de iniciar o preenchimento, o analista deve familiarizar-se com os conteúdos; 
 Quando as listas de verificação são muito longas, podem tornar-se monótonas no 
preenchimento e conduzir a erros; 
 Após uma hora de preenchimento o analista deve fazer uma pausa; 
 Existem listas de verificação que levam vários dias a ser concluídas. 
 
 
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Análise de resultados: 
 A principal preocupação quando analisamos os dados recolhidos através de uma 
lista de verificação é verificar quais os itens que não correspondem aos critérios definidos. 
Não é correcto utilizarmos o número de itens que não correspondem aos critérios 
definidos como uma medida de inadequação do sistema, isto porque, os itens não estão 
organizados por nível de importância, o grau de não cumprimento raramente é registado e 
não é possível comparar as respostas aos diferentes itens sem informação adicional. 
As listas de verificação são usadas em ergonomia para: 
 Averiguar se determinados critérios são respeitados durante a realização da tarefa; 
 Verificar se as características de espaços ou equipamentos são adequados; 
 Assegurar a conformidade com determinadas regras, códigos ou práticas previstas. 
Vantagens: 
 Forma fácil de avaliar se um sistema cumpre com determinados critérios; 
 Pode ser usada como evidência de que o sistema cumpre com requisitos relevantes 
(regulamentação, normas, entre outros); 
 Fácil de aplicar e de analisar; 
 Custos baixos. 
Desvantagens: 
 Não avaliam a importância relativa dos critérios, ou o possível grau de não 
concordância; 
 Não têm em consideração o contexto; 
 Geralmente os itens são unidimensionais e não têm em consideração a interacção 
das variáveis; 
 Nalguns casos podem ter um tempo de aplicação elevado; 
 O desenvolvimento de uma lista de verificação pode condicionar a utilização 
intensiva de recursos e tempo; 
 De um modo geral é preferível usar ou adaptar um instrumento já existente. 
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1.4.3 Focus Group 
Trata-se uma discussão estruturada para um conjunto de pessoas com 
conhecimentos sobre um tema específico - utilizadores alvo. É uma discussão 
cuidadosamente planeada e concebida para obter as percepções dos membros do grupo, 
numa área de interesse definida. 
 A discussão é conduzida por um moderador que a promove. Não dirige, mas orienta 
para os temas de interesse. Na discussão os participantes devem construir conhecimento a 
partir das respostas e das ideias de cada um dos outros. Enriquecem a diversidade da 
informação que se vai obtendo. 
Pode ser usado como técnica única ou conjuntamente, com a observação ou os 
questionários. É conduzido em séries, num mínimo de três sessões, para assegurar que os 
padrões e tendências identificados são consistentes. Quando se exploram as diferenças 
individuais podem ser conduzidas um maior número de sessões. 
Esta é uma técnica que fornece dados qualitativos. 
Objectivos gerais: 
 Obter informação geral para iniciar um novo projecto, como orientação para uma 
pesquisa mais aprofundada; 
 Avaliar ou compreender os resultados obtidos por outros métodos; 
 Obter opiniões ou percepções sobre um serviço, produto, programa ou organização 
existente ou proposto; 
 Simular novas ideias ou conceitos. 
Objectivos específicos: 
 Compreender os comportamentos dos utilizadores e as tarefas realizadas; 
 Identificar problemas e as necessidades dos utilizadores; 
 Identificar as necessidades do sistema de trabalho; 
 Estabelecer o enquadramento para futuras investigações; 
 Gerar novos conceitos para a concepção de produtos; 
 Influenciar e suportar os decisores. 
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Vantagens: 
1. Possibilitar uma visão mais aprofundada sobre o tema em estudo. 
 Recolha mais fácil de informação ou conceitos que não podem ser medidos ou 
quantificados de forma imediata; 
 Permite identificar os motivos subjacentes a determinados comportamentos ou às 
reacções a um produto, tarefa ou sistema. 
2. Os analistas interagem directamente com os participantes. 
 Explorar as respostas ou os comentários; 
 Acrescentar ou modificarquestões em tempo real para provocar respostas 
inesperadas; 
 Motivar os participantes, tendo em consideração as características da cada um. 
3. Os membros do grupo podem reagir às respostas e comentários dos outros, 
acrescentando conhecimento. 
 Criação de novas ideias; 
 Para assuntos delicados ou difíceis, a sensação de segurança fornecida pelo grupo 
pode contribuir para uma discussão mais aberta; 
 Fornecer informação que não é revelada em contactos individuais. 
4. Aplicável a diversas áreas de conhecimento e diversos tipos de pessoas. 
 Inclui grupos que não podem ser facilmente abrangidos por outros métodos 
(crianças; pessoas com baixo nível de literacia); 
 Podem ser realizados em diversos locais. 
5. É uma técnica baseada em grupos de indivíduos. 
6. Não requer equipamento específico na sua aplicação. 
 Recolha de um elevado volume de informação de forma fácil e eficiente (em 
particular quando comparado com as entrevistas cara a cara); 
 Em apenas 3 ou 4 sessões é possível recolher as perspectivas de várias pessoas. 
 
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Desvantagens: 
1. Conteúdo da discussão. 
 O que o grupo considera importante discutir, pode não ser útil para o estudo. 
 A discussão pode seguir um rumo que em nada se relaciona com o pretendido. 
2. Membros dominantes nos grupos. 
 De uma forma geral, os participantes podem ser influenciados por aquilo que vêm ou 
ouvem; 
 Um membro dominante ou muito participativo num grupo pode monopolizar a 
discussão ou influenciar os outros participantes; 
 Os participantes muito reservados podem hesitar em participar na discussão. 
3. Imprevisibilidade da qualidade da discussão. 
 É impossível prever como o grupo vai influenciar a qualidade da discussão; 
 Nalguns casos a discussão pode ser lenta e não fornecendo informação relevante. 
4. Participantes voluntários. 
 Há indivíduos que querem participar nas sessões, enquanto alguns dificilmente 
participarão; 
 Não é possível assegurar que o grupo seja representativo da população alvo. 
5. Menor objectividade do moderador. 
 Condução da discussão em determinado sentido; 
 Fornecer pistas inadequadas; 
 Falta de treino do moderador. 
6. Não reflectir os cenários reais. 
 Os participantes têm que relembrar ou visualizar as suas experiências prévias para a 
discussão; 
 Diferenças entre o que os participantes dizem que fazem e o que fazem na prática. 
 
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7. Tempo despendido para a análise dos dados. 
 Esta técnica produz uma grande quantidade de dados, em vídeo ou áudio, o que 
condiciona um grande consumo de tempo na fase de análise. 
8. Requer uma boa preparação dos materiais e para a análise dos dados. 
9. Requer tempo para recrutar as pessoas e constituir uma amostra adequada. 
Etapas: 
1. Planear a pesquisa - definição de objectivos, população alvo e custos; 
2. Planear as sessões e Recrutar os participantes - contactar os utilizadores e 
organizar as sessões; 
3. Especificar o conteúdo das sessões - determinar a estrutura das sessões, as 
actividades envolvidas, as questões orientadoras e os apoios visuais; 
4. Preparar as sessões - definir os requisitos de espaço; 
5. Moderar / conduzir as sessões - através dos tópicos seleccionados; 
6. Análise dos dados - organizar, categorizar e sintetizar os resultados. 
1.4.4 Questionários 
Os questionários consistem num conjunto pré-determinado de questões organizadas 
de forma específica e numa sequência fixa (dirigidas a um conjunto de indivíduos. Esta 
técnica só deve ser usada para recolher dados sobre fenómenos que não sejam 
directamente observáveis e mensuráveis do exterior, de modo objectivo: opiniões, atitudes, 
informações, conhecimentos, factos passados e factos da esfera pessoal ou social. 
O planeamento e desenvolvimento de um questionário englobam 5 fases: 
Fase 1 - Requisitos Pré – Questionário; 
Fase 2 - Construção do Questionário; 
Fase 3 - Administração do Questionário; 
Fase 4 - Tratamento dos Dados; 
Fase 5 - Apresentação dos Resultados. 
 
 
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Objectivos do questionário: 
 Diagnosticar as origens dos problemas organizacionais; 
 Obter informação relativa à actividade de trabalho dos profissionais; 
 Medir as preferências de clientes para diversos produtos ou serviços; 
 Medir opiniões e atitudes chave no trabalho relativamente a assuntos específicos; 
 Sondar as diferentes percepções e conhecimentos da tarefa pelos indivíduos. 
Vantagens: 
1. Administração Fácil. 
 Podem ser respondidos simultaneamente por várias pessoas; 
 Podem ser respondidos durante os tempos livres; 
 Como são de fácil administração, são úteis para a compreensão das opiniões de um 
grande número de utilizadores. 
2. Questões Fechadas. 
 Impedem o acrescentar de assuntos sem interesse; 
 A questão seguinte remete o sujeito para o assunto de interesse; 
 As questões fechadas são mais facilmente aplicadas e tratadas. 
3. Qualidades Psicométricas. 
 O uso correcto das frases e escalas permite produzir respostas que podem ser 
avaliadas em termos das suas qualidades psicométricas; 
 Sensibilidade, fidelidade e validade. 
Desvantagens: 
1. Enviesamento das respostas. 
 Por diversos motivos os sujeitos podem não produzir respostas correctas: 
- Influenciados por aquilo que julgam ser a resposta certa; 
- O desejo de agradar ao inquiridor; 
- O desejo de se conformar à norma social; 
- A recusa em se deixar implicar pessoalmente; 
- A sugestionabilidade em relação ao conteúdo. 
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2. Interpretação subjectiva das questões. 
 Pode haver uma percepção diferenciada da questão por quem dá a resposta; 
 As perguntas abertas requerem uma interpretação do analista. 
3. Questões Amostrais. 
 Os questionários requerem uma amostra com uma dimensão elevada. 
1.4.5 Verbalizações 
A actividade não pode ser reduzida ao observável: Os raciocínios, o tratamento da 
informação, a planificação das acções são apreendidos através da sua explicitação pelos 
operadores. 
As observações e as medições são sempre limitadas na sua duração: Pelas 
verbalizações o operador pode ajudar a situar estas observações num quadro temporal mais 
geral. 
Nem todas as consequências do trabalho são visíveis: A fadiga e eventuais 
problemas sentidos sem manifestações visíveis, podem ser expressos pelos operadores e 
colocados em relação com outras características da actividade ou das condições de 
realização. 
As verbalizações são essenciais para apreciar os três níveis da análise do trabalho, a 
actividade de trabalho, as condições de realização e as consequências para o sistema e 
para o Homem. 
Duas modalidades de verbalizações: 
 Verbalizações simultâneas, efectuadas durante o curso do trabalho; 
 Verbalizações consecutivas, efectuadas após o trabalho. 
 As primeiras são vantajosas na produção de explicitações no próprio contexto da 
actividade. No entanto, vão interferir com o desenrolar da actividade, a qual se vai modificar. 
Não são possíveis quando o nível atencional exigido pela tarefa é muito elevado, ou quando 
as exigências temporais são muito elevadas, assim como quando a dimensão cognitiva da 
tarefa é muito complexa e o ambiente acústico não o permite. 
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 Quanto às segundas, têm a vantagem de preservar o desenrolar normal da 
actividade. Geralmente são recolhidas apresentando ao operador o resultado da observação 
e o objecto das verbalizações pode ser estabelecido pelo ergonomistacom base nos dados 
recolhidos pela observação, ou pode ser deixado à iniciativa do operador, em função do que 
é importante e significativo para este. 
Precauções na escolha da modalidade de verbalização: 
 Evitar que haja perturbação da actividade do operador com consequências negativas 
para este; 
 Seleccionar os momentos e as modalidades de acordo com o operador; 
 Evitar a perturbação do trabalho dos colegas. 
Em que momentos deve ser aplicada a técnica? 
1. Durante os primeiros contactos com os operadores. 
O objectivo é compreender quais as principais características da actividade, os 
constrangimentos, as suas flutuações e consequências. 
2. Ao longo das observações sistemáticas. 
Permitem compreender melhor o desenrolar da actividade observada. 
3. No momento da interpretação dos resultados. 
A participação dos operadores contribui para a elaboração e validação do 
diagnóstico. 
Vantagens: 
A linguagem constitui a figuração mais rica do pensamento, permitindo aceder aos 
procedimentos cognitivos inerentes à realização da tarefa. 
Desvantagens: 
A verbalização é versátil, influenciada por factores relacionados com a própria 
situação de trabalho, ou por factores intimamente ligados ao trabalhador, como por exemplo, 
cultura, personalidade ou fadiga. Pode mascarar situações e criar distorções na informação. 
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1.4.6 Entrevistas 
As entrevistas podem ser utilizadas como único meio de recolha de dados ou 
associadas a outras técnicas de inquérito. Estão presentes na fase exploratória da maior 
parte das investigações. A análise dos dados recolhidos é feita através de técnicas de 
análise de conteúdo. 
Diferentes questões a colocar para decidir da aplicação das entrevistas: 
 Que informações que se pretendem recolher através da entrevista? 
 Qual o contributo específico da entrevista, por comparação com outras técnicas 
como a observação e o questionário? 
A diferenciação das entrevistas segundo o grau de liberdade: 
1. A entrevista semi-directiva: com base num conjunto de questões pré-estabelecidas; 
2. A entrevista não directiva ou livre: exclusivamente articulada em torno de um tema 
geral que se pretende que o entrevistado explore; 
3. A entrevista directiva: realizada com base num questionário. 
Os momentos – chave da entrevista: 
1. Os aspectos preliminares. 
Antes de começar a entrevista, o entrevistador deve: 
 Pôr o interlocutor à vontade; 
 Recordar os objectivos da investigação, o quadro institucional, o modo de selecção 
dos entrevistados, a duração e o papel do entrevistador. 
2. O início da entrevista. 
 O entrevistador escolhe uma questão introdutória; 
 Esta questão tanto pode dizer respeito a aspectos relativos à situação do 
entrevistado, como aflorar o tema central do estudo. 
3. O corpo da entrevista. 
 Apoiado no guião da entrevista e delimitado pelo objecto de estudo; 
 Quando o entrevistado se afasta do assunto tem que ser informado e retomar o foco. 
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4. O fim da entrevista. 
 Pode ser aproveitado para perguntar se não foi omitido nada de importante; 
 Pode ser aproveitado para recolher informações sobre como decorreu a entrevista - 
sentiu-se à vontade? Exprimiu-se como desejava? 
Duração da entrevista: 
A duração é decidida em função dos objectivos, do grau de liberdade da entrevista e 
do local de realização. 
 Duração mínima - 20 minutos. 
 Duração máxima - 40 minutos. 
Vantagens: 
 É bem aceite pelos respondentes, pois é uma técnica conhecida; 
 Permite a recolha de uma maior flexibilidade na recolha e maior riqueza de 
informação; 
 É fácil de aplicar no local de trabalho. 
Desvantagens: 
 Maior consumo de tempo na análise, em comparação com os questionários; 
 Apesar de ser considerada uma técnica económica, tem maiores custos que os 
questionários; 
 O efeito da presença do entrevistador pode ser uma desvantagem condicionando o 
entrevistado a mencionar o que é esperado. 
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2. RELAÇÃO ENTRE FISIOLOGIA E ERGONOMIA 
Como foi referido anteriormente, a Ergonomia é uma ciência multidisciplinar, sendo 
que a Fisiologia ocupa um lugar de destaque entre as ciências que mais contribuem com o 
seu conhecimento. Tal justifica-se com o facto de a qualquer actividade estar subjacente um 
gasto de energia, produzida através do trabalho muscular. O trabalho muscular é necessário 
tanto para a execução de movimentos como para a manutenção da postura. 
 A energia produzida pelo organismo é de origem química, sendo a sua produção um 
dos objectos de estudo de ciências como a Bioquímica. Sinteticamente, podemos referir que 
os nutrientes fornecidos pelos alimentos, depois de metabolizados, vão formar a fonte de 
energia do organismo, sendo que os lípidos e os glícidos são aqueles que mais contribuem 
nesta acção. No que toca aos músculos, o processo de produção de energia pode dar-se de 
forma directa, através da glicose ou ácidos gordos, ou de forma indirecta, através da 
decomposição de enzimas em energia. 
Do ponto de vista da Ergonomia, o mais relevante é mesmo o resultado da acção, 
isto é, o trabalho muscular, uma vez que através da sua descrição podemos estabelecer 
relações entre o ser humano, o seu posto de trabalho, e a sua actividade de trabalho. 
2.1 Trabalho muscular 
O trabalho muscular resulta de uma série de contracções que podem ser de dois 
tipos: 
 Contracções estácticas ou isométricas; 
 Contracções dinâmicas ou isotónicas. 
 
O trabalho estático representa um trabalho realizado sem deslocamento aparente e 
corresponde a contracções musculares isométricas. Este trabalho permite a manutenção 
dos segmentos ósseos numa determinada atitude, sendo aplicado por exemplo aquando do 
controlo postural e no acto de segurar um objecto. Apresenta baixo consumo calórico, não 
se verificando qualquer variação no comprimento do músculo. 
O trabalho dinâmico resulta de uma sucessão de contracções dinâmicas alternadas 
com fases de relaxamento, sendo visível em tarefas como martelar, serrar, girar um volante 
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ou caminhar. Apresenta elevado consumo calórico, verificando-se a alteração do 
comprimento dos músculos. 
 Dentro das contracções dinâmicas podemos ainda referir as contracções 
concêntricas e as contracções excêntricas. Na concêntrica a contracção vence a resistência 
e há o encurtamento muscular e na excêntrica a resistência vence a contracção havendo o 
alongamento muscular. Em ambos os casos, devemos considerar a acção dos músculos 
sinérgicos, vocacionados para a produção de movimento, e dos músculos de controlo, 
relacionados com a precisão do gesto efectuado. 
No corpo, a maioria das contracções é uma combinação de ambas contracções. 
O trabalho muscular gera uma força tridimensional, isto é, pode ser avaliada em 
função da intensidade, do sentido e da direcção. Esta varia em função das características do 
indivíduo, do(s) músculo(s) envolvido(s) e do movimento efectuado. 
Hoje em dia, em virtude das características da maioria das actividades de trabalho, a 
coluna vertebral é um dos elementos corporais onde é mais susceptível a ocorrência de uma 
lesão. Estamos a falar de um elemento que, por razões óbvias, é muito solicitado. 
A coluna vertebral é constituída por 33 vértebras, 7 cervicais, 12 dorsais/torácicas, 5 
lombares e 9 sacrococcígeas. Destas últimas, 5 estão fundidas e formam o sacro, enquanto 
as 4 da extremidade inferior, menos desenvolvidas, formam o cóccix (Figura 2). Das 33 
vértebras, apenas 24 são flexíveis e, destas, as que têm mais mobilidadesão as cervicais e 
as lombares. As vértebras dorsais estão unidas a 12 pares de costelas, formando a caixa 
torácica, o que constitui uma limitação à realização de movimentos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 2: Coluna vertebral e respectivas vértebras.
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As vértebras encontram-se ligadas entre si através de ligamentos, sendo que entre 
uma vértebra e outra existe um disco intervertebral cartilaginoso. Os movimentos da coluna 
são possíveis pela compressão e deformação dos discos e pelo deslizamento dos 
ligamentos. 
De entre os principais danos para a coluna, destacam-se as deformações, isto é, a 
escoliose, hipercifose e hiperlordose. 
 Escoliose: é um desvio lateral da coluna; 
 Hipercifose: é o aumento anormal da concavidade da coluna vertebral na região 
dorsal, correspondendo no senso comum a uma “corcunda”; 
 Hiperlordose: é o aumento anormal da concavidade da coluna vertebral na região 
lombar, acompanhado de uma inclinação dos quadris para a frente. Pode também 
ocorrer na região cervical. 
2.2 Lesões Músculo-esqueléticas Relacionadas com o Trabalho (LMERT) 
As lesões músculo-esqueléticas relacionadas com o trabalho (LMERT) são um 
processo patológico inflamatório que atinge o sistema músculo-esquelético, ao nível dos 
músculos, tendões, ligamentos, nervos, tecido conjuntivo, vasos sanguíneos e articulações. 
Surgem em consequência do efeito cumulativo do desequilíbrio entre as solicitações 
mecânicas repetidas do trabalho e as capacidades de adaptação da zona do corpo atingida, 
ao longo de um período em que o tempo para a recuperação da fadiga foi insuficiente. 
 As consequências deste tipo de lesões podem fazer-se sentir ao nível dos 
trabalhadores e da empresa ou organização. 
Do ponto de vista dos trabalhadores estamos a referir-nos a sensações de dor, 
dormência, redução da capacidade de trabalho e incapacidades temporárias ou 
permanentes. Do ponto de vista da empresa ou organização, as consequências podem 
fazer-se sentir ao nível do aumento da taxa de absentismo, diminuição da produtividade e 
qualidade dos produtos ou serviços prestados e aumento dos custos relacionados com o 
pagamento de indemnizações e/ou baixas prolongadas. 
 A probabilidade de ocorrência de LMERT está relacionada com o tempo de 
exposição do trabalhador às condições adversas e com a intensidade e frequência dos 
esforços que lhe podem dar origem. 
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 O aparecimento deste tipo de lesão fica a dever-se principalmente aos seguintes 
factores: 
 Aparecimento das novas tecnológicas de informação e comunicação; 
 Produção sequencial em linha nas novas indústrias; 
 Recrutamento de trabalhadores jovens sem receberem formação adequada; 
 A factores psicossociais (stress, monotonia, repetitividade das tarefas, entre outros). 
 As LMERT podem ter múltiplas causas, mas o seu aparecimento assenta em duas 
circunstâncias: 
 Quando existe uma estrutura previamente lesionada por uma doença ou acidente e 
os esforços incidem sobre esses elementos; 
 Quando não existe tempo de recuperação de acordo com o esforço realizado, 
podendo dar origem a uma ruptura dos elementos pelo ultrapassar do seu limite de 
resistência. 
2.2.1 Principais categorias 
 As LMERT podem ser classificadas segundo o elemento lesionado e segundo a zona 
de origem. Segundo o elemento lesionado as LMERT podem ser: 
 Patologias articulares (artroses e artrites); 
 Patologias periarticulares (lesões dos tendões, lesões dos ligamentos, mialgias, 
contractura); 
 Patologias ósseas. 
Se considerarmos a zona de origem as LMERT podem ser afectar: 
 Membros superiores, zona do pescoço e ombros (síndrome de tensão cervical, 
ombro congelado); 
 Mãos e dedos (síndrome do túnel cárpico-pulso); 
 Braço e cotovelo (epicondilite – cotovelos de tenista); 
 Coluna (hérnia discal, dorsalgia, lombalgia aguda); 
 Membros inferiores (tendinite do tendão de Aquiles). 
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2.2.2 Factores de Risco 
 Existem vários factores de risco que concorrem para o aparecimento de LMERT. 
Quanto mais factores estiverem envolvidos e maior a exposição aos mesmos, maior a 
possibilidade de vir a desenvolver esta perturbação. Podemos agrupar os factores de risco 
em 3 grandes categorias: factores de risco individuais, factores de risco 
psicossociais/organizacionais e factores de risco físicos. Os dois primeiros formam os 
factores de risco indirectos e o terceiro corresponde a factores de risco directos. 
 Factores de risco individuais 
 A idade, o género, a antropometria e o estado de saúde constituem os principais 
factores individuais de risco. A formação e experiência profissional, bem como a prática de 
determinados desportos e “hobbies” são também indicados como factores que podem 
influenciar a probabilidade de ocorrência de LMERT. 
 Factores de risco psicossociais/organizacionais 
Os factores de risco psicossociais/organizacionais são definidos pela percepção 
que o trabalhador tem dos factores organizacionais e por considerações associadas à 
carreira, aos horários de trabalho e horas extraordinárias que tem de realizar. Estas 
considerações podem resultar numa fonte se stress que terá como resultado manifestações 
fisiológicas, como por exemplo aumento da tensão muscular, parâmetro que contribui para o 
aumento do desenvolvimento de uma LMERT. 
 Factores de risco físicos 
o Postura: Exemplos típicos de posturas não adequadas envolvem situações em que 
o objecto de trabalho se situa acima da linha do coração ou se encontra junto do 
chão, obrigando o trabalhador a estar de pé com as mãos acima da cabeça ou, pelo 
contrário, a trabalhar dobrado ou agachado; 
o Força: A força requerida para a execução de uma tarefa depende do peso, da 
inércia e das forças de reacção dos objectos de trabalho. O efeito da força é 
agravado quando é exercida de uma forma dinâmica, por exemplo, em combinação 
com movimentos de rotação do tronco ou associada a movimentos de precisão da 
mão (preensão em pinça); 
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o Repetição: A repetição pode ser descrita como a utilização cíclica dos mesmos 
tecidos num movimento repetido. A frequência de repetição dos movimentos 
depende do ritmo de execução da tarefa. Este pode ser imposto pelo sistema 
produtivo ou ser influenciado por incentivos salariais; 
o Pressão directa: A pressão directa externa relaciona-se com a força exercida e com 
a área de contacto. Esta pressão mecânica pode provocar lesões nos tecidos 
cutâneos e nas estruturas subjacentes, como sejam nervos e vasos sanguíneos. Em 
geral, estas pressões ocorrem mais frequentemente nas mãos, punhos, cotovelos e 
ombros. Simultaneamente, elevadas forças de impacto, como as que resultam da 
utilização da mão como martelo, podem provocar problemas vasculares; 
o Vibrações: Podem considerar-se dois grupos de efeitos no corpo humano, de 
acordo com o ponto de aplicação da vibração, que são os seguintes: 
 Conjunto mão-antebraço-braço: advém de ferramentas manuais motorizadas, como 
sejam martelos pneumáticos ou ferramentas mal equilibradas, e provocam 
problemas na circulação sanguínea dos dedos, levando a alterações degenerativas 
nos ossos e articulações e a problemas nos músculos e nervos; 
 Corpo inteiro: estão normalmente relacionadas com o trabalho e plataformas 
vibratórias ou com a condução de veículos motorizados, existindo uma evidência 
epidemiológica forte que sugere que existe um aumento de nível de lombalgias entre 
os trabalhadores expostos a vibrações de corpo inteiro, por longos períodos de 
tempo.o Frio: O frio pode ter uma influência directa, reduzindo a força e a coordenação 
muscular, e ainda a redução da condutividade nervosa e o surgimento de dor. 
Verifica-se um aumento da actividade mioeléctrica dos músculos envolvidos nas 
tarefas e de outros normalmente não envolvidos, devido à adopção de posturas não 
neutras involuntárias, como meio de protecção ao frio. Como influência indirecta há 
que referir o efeito como consequência da utilização de luvas, uma vez que 
provocam um aumento da carga músculo-esquelética devido ao aumento da força de 
preensão máxima e/ou ao aumento do diâmetro da pega. 
 
 
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3. RELAÇÃO ENTRE ANTROPOMETRIA E ERGONOMIA 
Sendo um dos ramos das ciências biológicas, a Antropometria tem por objectivo de 
estudo as medidas do corpo humano, dando a conhecer um modelo do Homem 
caracterizado pelas suas dimensões físicas, como por exemplo comprimentos, diâmetros e 
profundidades. 
Por forma a minimizar ao máximo os erros que ocorrem aquando da avaliação 
antropométrica de uma população, é essencial que se proceda a uma rigorosa selecção das 
técnicas e instrumentos de medida a utilizar, do tipo de medidas pretendidas e dos pontos 
de referência antropométricos. 
Para apresentar os dados recolhidos na avaliação antropométrica é frequente 
recorre-se às propriedades de uma distribuição normal, expressando os dados em função 
de percentis. Desta forma, a apresentação dos dados torna-se mais clara e a sua análise 
fica facilitada. 
Atendendo ao exemplo da Figura 3, que considera a dimensão “altura” dos 
indivíduos, apercebemo-nos que muito poucas pessoas são muito baixas, da mesma forma 
que muito poucas pessoas são muito altas. Na população em causa, só 5% dos indivíduos 
medem menos de 1,525 mm, sendo que só 5% dos indivíduos medem mais de 1,802 mm. 
Por conseguinte, concluímos que 90% dos indivíduos medem entre estes dois valores, 
sendo que a média é de alturas é de 1,665 mm. 
 
Figura 3: Exemplo de apresentação da avaliação da dimensão antropométrica “altura”. 
 
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A Antropometria está intimamente relacionada com a Ergonomia, principalmente no 
que toca à concepção de espaços e postos de trabalho, ferramentas, utensílios, máquinas e 
equipamentos de protecção individual adequados à variabilidade humana. 
É necessário ter em conta algumas limitações presentes aquando da concepção de 
alguns dos elementos acima referidos, designadamente: 
 Espaço: é fundamental garantir as dimensões mínimas aceitáveis aquando da 
projecção de um posto de trabalho, de acessos, de zonas de deslocação de 
materiais e pessoas, de pegas, entre outros parâmetros. Deve ser considerado o 
percentil 95 (one-way), uma vez que se os indivíduos mais altos ou largos tiverem 
cómodos, os restantes forçosamente também estarão. 
 Alcance: factor influenciador aquando da manipulação de uma alavanca ou no 
recolher de um objecto. Neste caso devemos considerar o percentil 5 (one-way). 
 Postura: a postura adoptada pelos indivíduos é influenciada pela relação entre as 
suas dimensões antropométricas e as dimensões do envolvimento. Assim, ganha 
relevância o conhecimento de outra ciência, a Biomecânica, para compreendermos a 
amplitude de movimento das articulações e dos segmentos corporais. Neste caso 
poderá ser útil considerar o percentil 5 e o percentil 95 (two-way). 
 Força: estabelecer o limite aceitável de força a exercer em tarefas de controlo e 
manipulação. Devemos considerar a força máxima que pode ser exercida pelos 
indivíduos mais “fracos”, isto é, o percentil 5 (one-way). 
3.1 Diferenças individuais 
As dimensões e proporções dos diferentes segmentos corporais apresentam 
diferenças entre populações, o que determina a existência de três tipos físicos (biótipos) 
básicos diferentes (Figura 4): 
 Endomorfo: indivíduos de formas arredondadas e macias, com grandes depósitos 
de gordura. A sua forma externa é estreita em cima e larga em baixo. O abdómen é 
grande e cheio e o tórax parece ser relativamente pequeno. Os braços e as pernas 
são curtos e flácidos. Os ombros e a cabeça arredondados. O corpo tem baixa 
densidade. 
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 Mesomorfo: indivíduos musculados, de formas angulosas. A cabeça é cúbica e 
maciça, os ombros e o peito são largos e o abdómen pequeno. Os membros são 
musculados e fortes. Possuem pouca gordura subcutânea. 
 Ectomorfo: indivíduos de corpo e membros estreitos, com um mínimo de gordura e 
de músculos. Os ombros são largos, mas descaídos. O pescoço é fino e comprido, o 
rosto é magro e o tórax e abdómen são estreitos e finos. 
Na grande maioria dos casos, os indivíduos não se enquadram exatamente em 
nenhum destes três tipos físicos básicos. O comum é apresentarem características de dois 
ou até mesmo dos três tipos, podendo por exemplo um individuo ser caracterizado como 
meso-endomorfo ou endo-ectomórfico. 
O género, a idade, a etnia e a tendência secular para o crescimento podem também 
influenciar a forma, a força e as dimensões dos seres humanos. 
 
 
 
 
 
Figura 4: Exemplificação dos três tipos físicos (biótipos) básicos diferentes. 
 
3.2 Medidas Antropométricas Estáticas 
As medidas antropométricas estáticas, também conhecidas como medidas 
estruturais, dizem respeito às medidas estruturais fixas do corpo humano, sendo que 
habitualmente são medidas entre pontos anatómicos fixos em posturas estereotipadas. 
É possível identificar um número elevado de medidas antropométricas estáticas 
(Figuras 5 e 6). Estas medidas devem ser tidas em consideração aquando da concepção de 
espaços de trabalho e ferramentas ou equipamentos específicos. Não devemos esquecer a 
necessidade de fazer ajustes tendo em conta o vestuário que o indivíduo vá utilizar. 
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Figura 5: Lista de medidas antropométricas estáticas. 
 
 
 
Figura 6: Exemplificação de algumas medidas antropométricas estáticas. 
 
 
3.3 Medidas Antropométricas Dinâmicas 
 As medidas antropométricas dinâmicas são avaliadas considerando o movimento de 
um ou vários segmentos corporais. Incluem medidas de alcance ou amplitudes efectuadas 
em condições “funcionais”, permitindo ao indivíduo um certo grau de liberdade de modo a 
poder adoptar posturas “naturais” para o desempenho de uma tarefa. Assumem particular 
relevância aquando da definição de áreas de trabalho e disposição de objectos, ferramentas 
e equipamentos no espaço de trabalho. 
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 Usualmente, as medidas antropométricas dinâmicas são representadas como 
esferas em redor das articulações, relativas aos movimentos possíveis por parte do 
segmento em questão (Figuras 7 e 8), ganhando aqui importância outra ciência, a 
Cinesiologia. 
 Na posição sentada, a área óptima de visão situa-se entre os 0º e os 30º para os 
lados e para baixo da posição neutra da cabeça. Neste espaço os objectos são observados 
de forma contínua e sem esforço. A rotação máxima do olho localiza-se 25º acima e 35º 
abaixo da linha média horizontal dos olhos. O movimento lateral dos olhos aproxima-se dos 
80º. 
 Em relação aos membros superiores, a área óptima de alcance é aquela em que há 
flexão do cotovelo a 90º e giro do antebraço ao redor do cotovelo. Neste espaço os 
movimentos das mãos realizam-se sem esforço, pelo que é neste espaço que os devem 
estar os objectos utilizados com maior frequência. Já a área de alcance máximo é definida 
pelo girodos membros superiores estendidos em torno dos ombros. Todo o “trabalho” que 
se situe para além destas zonas obriga o trabalhador a movimentos anormais da coluna 
vertebral e aumenta a fadiga. 
 
 
 
 
Figura 7: Zonas de alcance manual. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 8: Zonas de alcance manual no plano horizontal.
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4. CONCEPÇÃO DE POSTOS DE TRABALHO 
Como vimos anteriormente, em termos de eficiência, eficácia e razão custo-
benefício, convém que as intervenções ergonómicas tenham lugar o mais cedo possível, de 
preferência, na fase inicial do projecto, isto é, na fase de concepção. 
A concepção/reconcepção de um posto de trabalho deve atender a factores como as 
actividades de trabalho que aí serão desenvolvidas, as dimensões antropométricas dos 
utilizadores e a sua inclusão na globalidade do sistema de trabalho. Devemos ter especial 
atenção a factores como: 
 A altura do plano de trabalho; 
 A adaptação do assento e encosto às características antropométricas do indivíduo; 
 A localização e disposição dos meios de comando, instrumentos, ferramentas e 
utensílios, assim como dos mostradores informativos essenciais ao desenvolvimento 
da actividade; 
 O espaço circundante, que deve ser suficiente para executar comodamente os 
movimentos da cabeça, tronco e membros. 
 Se nos focarmos especificamente em aspectos como as posturas, os esforços 
musculares e os movimentos do corpo, devemos atender a determinados aspectos, como 
por exemplo: 
 Sempre que possível, o trabalhador deve poder alternar entre o trabalho em pé e o 
trabalho sentado. Caso não seja possível, é recomendada a posição sentada; 
 Ao longo da jornada de trabalho, deve ser possível a alternância entre diferentes 
posturas por forma a não provocar fadiga resultante da tensão muscular estática 
prolongada (exemplo: o trabalhador deverá desempenhar diferentes tipos de tarefas); 
 As posturas adoptadas devem permitir uma repartição de forças entre as diferentes 
partes do corpo; 
 Os esforços físicos e mentais necessários ao executar da actividade devem ser 
adaptados às capacidades e limitações dos indivíduos; 
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 Ao longo da jornada de trabalho deve existir um equilíbrio entre os movimentos 
realizados, em termos de frequência, intensidade e amplitude, evitando ao máximo a 
adopção de posturas imóveis durante longos períodos de tempo; 
 Os movimentos de grande precisão não devem exigir grandes esforços musculares, 
uma vez que o cansaço e tensão muscular podem levar à ocorrência de erros. 
 Porém, para além dos aspectos mais intimamente ligados ao funcionamento 
anatómico do Homem, a concepção de um posto de trabalho tem de ser vista como uma 
temática muito mais abrangente. Assim sendo, também os aspectos ambientais devem ser 
tidos em conta, de modo a que as condições físicas, químicas e biológicas não tenham uma 
influência negativa sobre os indivíduos, mas antes garantam a promoção da sua saúde e 
capacidade de trabalho. De seguida apresentam-se alguns dos factores ambientais a 
considerar na concepção de um posto de trabalho: 
 A iluminação do posto de trabalho deve ser adequada à actividade aí realizada, 
assegurando uma boa percepção visual e evitando ofuscamentos e cansaço visual, 
factores que muitas vezes se traduzem em erros e adopção de posturas menos 
correctas; 
 A renovação do ar deve ser feita em função de parâmetros como o número de 
trabalhadores, o esforço físico de cada um, as condições térmicas, as dimensões do 
local e os poluentes existentes no ar; 
 O ruído não pode ser uma fonte de perturbação, sendo que nos casos em que não 
existe forma de o eliminar devemos adoptar o uso de equipamentos de protecção 
individual adequados; 
 Os efeitos das vibrações, um dos principais factores de risco quando falamos em 
lesões músculo-esqueléticas, devem ser reduzidos ao mínimo através, 
principalmente, da utilização de equipamentos de protecção individual que impeçam 
a sua transmissão da “máquina” para o “corpo”; 
 O ambiente térmico do posto de trabalho deve ser regulado tendo em conta factores 
como a temperatura, a humidade do ar, a velocidade do ar e as condições 
climatéricas exteriores. 
 
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Em termos gerais, a maioria das actividades de trabalho são desenvolvidas em duas 
posturas, ou na postura em pé ou na postura sentada, sendo que as duas posturas podem 
estar presentes numa mesma actividade. 
No sector industrial e no comércio é muito comum que os postos de trabalho estejam 
concebidos para que se adopte a postura em pé, até porque habitualmente são actividades 
em que existe uma elevada frequência de deslocamentos e a necessidade de aplicar forças 
significativas. 
A adopção desta postura tem determinados inconvenientes, como por exemplo: 
 A redução da circulação sanguínea nas pernas e o consequente aparecimento de 
sinais como fadiga e dor; 
 A diminuição da habilidade manual; 
 A necessidade de manter o equilíbrio durante longos períodos de tempo e o 
consequente aumento da tensão muscular. 
Nos postos de trabalho onde se adopta a postura sentada, como postos de trabalho 
informatizados (abordados no Capítulo 9) ou que exijam elevada precisão, a superfície de 
apoio é muito maior, sendo que também são minimizadas as contrariedades provenientes 
da tensão muscular elevada resultante da posição bípede. Porém, até nesta posição, em 
virtude da adopção de posturas estáticas durante longos períodos de tempo, devemos 
atender a algumas regras aquando da concepção do posto de trabalho, entre as quais se 
destacam: 
 O plano de trabalho deve fazer um ângulo de aproximadamente 90º com a coluna do 
trabalhador; 
 O apoio para os pés, caso exista, deve estar à frente do trabalhador, não devendo 
para tal ser utilizada a própria cadeira, uma vez que as pernas do trabalhador devem 
estar a um ângulo ligeiramente superior a 90º com as suas coxas; 
 O assento deve ser almofadado e arredondado para baixo na parte frontal; 
 A cadeira deve ser regulável em vários parâmetros, como a altura, o apoio para a 
coluna, o apoio para os braços e a profundidade do assento. 
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5. CONCEPÇÃO DE EQUIPAMENTOS DE TRABALHO 
Quando nos referimos a equipamentos de trabalho, estamos a referir-nos a qualquer 
máquina, aparelho, ferramenta ou instalação utilizado no trabalho (Decreto-lei n.º 50/2005, 
de 25 de Fevereiro). 
Nestes casos, os princípios são semelhantes aos que foram referidos no ponto 
anterior, isto é, a necessidade de considerar as características, capacidades e limitações do 
trabalhador, assim como o enquadramento do equipamento na globalidade do sistema de 
trabalho. 
A negligência da intervenção Ergonómica no processo de concepção dos 
equipamentos de trabalho pode ter consequências gravíssimas para os trabalhadores, para 
a organização e, numa maior escala, até mesmo para o meio ambiente e população em 
geral. Todos devemos lembrar-nos de acontecimentos como o acidente ocorrido numa 
indústria de pesticidas em Bhopal, na Índia, em 1984, ou do acidente nuclear de Chernobyl, 
na Ucrânia, em 1986. Apesar das investigações pouco adiantarem, uma das causas 
possíveis desses acidentes foi a má interpretação por parte dos operadores dos dados 
fornecidos pelos sistemas, ou até mesmo a falta desses mesmos dados. 
Aqui nos apercebemos que a Ergonomia se apresenta como uma ciência transversal, 
presente desde a mais simples actividade, até ao mais complexo dos sistemas. 
Nos dias de hoje, os operadores são confrontados com máquinase equipamentos 
que frequentemente apresentam um elevado número mostradores e dispositivos de 
comando. Agir sobre esses mostradores e dispositivos de comando é um dos campos de 
intervenção do ergonomista, podendo ser essencial na prevenção de acidentes, na redução 
da carga de trabalho e na adopção de posturas correctas por parte dos operadores. 
Entre os parâmetros que podem ser alvo de intervenção destacam-se: 
 A localização e forma dos mostradores e dispositivos de comando; 
 A informação transmitida pelos mostradores, muito ligada ao tipo de linguagem 
utilizado; 
 Os procedimentos ligados à manipulação de dispositivos de comando. 
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 A escolha do tipo de dispositivos de comando deve ser feita em função da natureza 
do movimento a ser realizado aquando da sua “utilização” e dos músculos envolvidos nesse 
processo. O dispositivo de comando deve portanto variar em função do movimento 
executado pelo operador ser de natureza contínua ou descontínua, ser de esforço ou de 
precisão. Deve também estar de acordo com as posições e movimentos naturais do corpo 
humano. 
 Em relação à localização, os dispositivos de comando devem estar situados a uma 
distância e altura adequadas. Os que são utilizados com maior frequência devem estar mais 
próximos do alcance do operador. Não devemos também desprezar o ângulo de visão do 
operador, essencial na fácil identificação do dispositivo. 
 Quando existe mais do que um dispositivo de comando, é fundamental garantir a 
distância entre eles, não esquecendo que o operador pode utilizar determinados 
equipamentos de protecção individual ou vestuário especial, como luvas. Nestes casos a 
distância entre os dispositivos deve ser ainda maior. Basta pensarmos na dificuldade que 
por vezes sentimos ao escrever num teclado com as teclas muito pequenas ou próximas 
umas das outras. 
 Como vimos anteriormente, o tipo de tarefa a realizar vai influenciar o tipo de 
dispositivos de comando a utilizar. Em tarefas que não exigem grande esforço, mas que 
exigem grande precisão, devem ser adoptados botões, botões rotativos e interruptores. Já 
nas tarefas que exigem esforço e pouca precisão, devem ser adoptadas manivelas, 
alavancas, volantes ou pedais. Estes últimos devem poder ser accionados na posição de pé 
ou na posição sentada e são utilizados em tarefas que exigem um grande esforço. 
 A localização imediata do dispositivo de comando correcto a utilizar numa 
determinada acção é essencial. Para tal devemos considerar alguns estereótipos, por 
exemplo em relação à cor. O verde está associado à acção de dar início, de dar permissão, 
enquanto o vermelho tem uma conotação contrária. 
 Todos os dispositivos devem ser etiquetados segundo a sua função e, sempre que 
possível, devem poder ser identificados ao toque, apresentando por exemplo superfícies 
diferentes em termos de rugosidade. Quando forem concebidos para ser utilizados em 
cadeia, a sua localização deve respeitar essa mesma ordem. 
 
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 Centrando-nos agora nos mostradores, existem também algumas regras que devem 
ser respeitadas para garantir que a informação chega ao operador e que este age de forma 
adequada a cada situação. Entre essas regras podemos destacar as seguintes: 
 Os mostradores devem estar localizados de modo a que o operador recolha a 
informação de forma rápida e fácil; 
 Numa única visualização, o operador deve recolher o máximo de informação 
possível; 
 A informação deve ser apresentada numa linguagem clara e concisa, evitando a 
utilização de mensagens com elementos de programação informática; 
 A informação deve estar expressa numa linguagem com o qual o operador esteja 
familiarizado; 
 O tamanho e forma dos caracteres devem ser adequados à forma e tamanho do 
mostrador e às capacidades perceptivas do operador; 
 Caso se justifique, o mostrador deve estar iluminado para que a informação seja 
facilmente perceptível. 
 Este ponto merece especial atenção por parte da legislação, muito devido à 
abordagem aos riscos profissionais decorrente da Directiva Quadro 891391/CEE. Esta 
Directiva esteve na origem da publicação de um conjunto de outras Directivas mais 
específicas, que definem as prescrições mínimas a ter em conta em vários contextos, no 
que toca à segurança, higiene e saúde no trabalho. Desta forma, foi possível estabelecer, 
nos diversos países da União Europeia, patamares uniformes de actuação neste domínio. 
 O Decreto-lei n.º 50/2005, de 25 de Fevereiro, transpõe para o direito interno a 
Directiva n.º 89/655/CEE, que estabelece as prescrições mínimas de segurança e de saúde 
dos trabalhadores na utilização de equipamentos de trabalho, com vista á melhoria dos 
níveis de prevenção e de protecção dos trabalhadores. 
 
 
 
 
 
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6. INTERFACE HOMEM-MÁQUINA 
 Nos dias de hoje, muitas são as actividades de trabalho em que os operadores têm 
de interagir com dispositivos electrónicos. No contexto industrial, essa interacção também é 
frequentemente feita com máquinas e veículos de transporte ou de carga/descarga. 
Podemos mesmo afirmar que, em muitos casos, o Homem e a Máquina formam um só 
elemento do sistema, sendo muito complicado dissocia-los. 
 Entre o Homem e qualquer dispositivo electrónico, software ou máquina, 
estabelecem-se comunicações que lhes permitem interagir com vista à obtenção de um 
objectivo comum. Neste processo de interacção existem dois momentos chave, a acção do 
utilizador sobre o sistema e a reacção deste. 
 No primeiro caso estamos a referir-nos a mecanismos de entrada (input), que 
permitem ao utilizador manipular o sistema, enquanto no segundo caso estamos a referir-
nos a mecanismos de saída (output), à resposta que é dada pelo sistema. Os mecanismos 
de saída (Informação, energia ou produtos) devem estar sempre em sintonia com os 
mecanismos de entrada (Dados, energia ou matéria prima), sendo que é também 
fundamental que exista sempre o controlo do sistema por parte do utilizador, bem como o 
conhecimento do seu estado actual 
 Se pensarmos na acção de conduzir um veículo, como exemplos de mecanismos de 
entrada temos o volante e os pedais, ou seja, os elementos que permitem ao utilizador agir 
sobre o veículo. Como exemplo de mecanismos de saída temos o velocímetro e outros 
elementos do painel do veículo, ou seja, elementos que reagem às acções do utilizador e 
que ao mesmo tempo lhe fornecem informação sobre o estado actual do sistema. O 
conjunto dos mecanismos de entrada e de saída, isto é, todos os elementos que permitem 
ao indivíduo conduzir o veículo, formam a interface Homem-Máquina. 
 Tanto os mecanismos de entrada como as respostas do sistema devem estar de 
acordo com aqueles que são os seus modelos mentais dos indivíduos. Num mundo perfeito, 
todos os indivíduos conseguiriam instantaneamente perceber o modo, o momento e a forma 
de accionar qualquer mecanismo de entrada, sendo que, por sua vez, a reacção do sistema 
seria sempre a desejada, indo de encontro às espectativas do indivíduo e necessidades do 
próprio sistema. Haveria portanto uma completa sincronização Homem-Máquina. 
Infelizmente não há mundos perfeitos, pelo que os erros e acidentes continuam a acontecer, 
os por má entrada de dados, ou por respostas desadequadas. 
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 Embora estejamos a falar de algo semelhante, quando o utilizador interage com 
dispositivos electrónicos e computadores, adopta-se a expressão “interface do utilizador”. 
Neste caso, o teclado é um exemplo de um mecanismo de entrada, sendoque as 
informações que vão aparecendo no ecrã em função das teclas premidas são um exemplo 
de um mecanismo de saída. 
 O projecto e concepção da interface do utilizador não deve ser negligenciada, uma 
vez que terá influência no esforço físico e mental que o utilizador terá ao dar entradas no 
sistema, bem como na dificuldade para interpretar a respectiva resposta. 
Chegamos assim a um novo campo de intervenção da Ergonomia, a usabilidade de 
sistemas de informação. Ao contrário do que o termo possa sugerir, a Usabilidade não está 
apenas relacionada com a facilidade de utilização de um sistema ou produto, sendo muito 
mais abrangente, dizendo respeito à medida de qualidade da experiência de um utilizador 
ao interagir com um produto ou um sistema. A usabilidade é uma área do design que leva 
em consideração a psicologia e a fisiologia dos utilizadores para tornar os sistemas mais 
eficazes, eficientes e satisfatórios. 
No que diz respeito ao software utilizado nos Sistemas de Informação, as 
especificações existentes na legislação nacional (Portaria nº 989/93, de 6 de Outubro), são 
pouco específicas, referindo apenas algumas recomendações genéricas. 
Jacob Nielsen, um dos grandes estudiosos na área, defende que a Usabilidade deve 
assentar em cinco parâmetros-chave, aos quais Jennifer Preece, outro investigador da área 
acrescentou mais dois: 
 Eficiência; 
 Facilidade de Aprendizagem; 
 Facilidade de Memorização; 
 Segurança; 
 Satisfação; 
 Eficácia; 
 Utilidade. 
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 A forma de avaliar a usabilidade pode passar por testes com utilizadores reais, 
normalmente em ambiente controlado e com o recurso a técnicas complementares 
(questionários, entrevistas, Focus Group), ou pela acção de peritos na área. Estes peritos 
interagem com o sistema de forma a identificarem os problemas de usabilidade destes. 
Neste caso, estamos perante uma avaliação heurística, sendo frequente o recurso a um 
conjunto de heurísticas desenvolvidas por Jacob Nielsen: 
1) Feedback. 
 O sistema deve informar continuamente o usuário sobre o que este está a fazer. 
 10 segundos é o limite para manter a atenção do usuário focalizada no diálogo. 
2) Falar a linguagem do usuário. 
 A terminologia deve ser baseada na linguagem do usuário e não orientada ao 
sistema. 
 As informações devem ser organizadas conforme o modelo mental do usuário. 
3) Saídas claramente demarcadas. 
 O usuário controla o sistema, ele pode, a qualquer momento, abortar uma tarefa, ou 
desfazer uma operação e retornar ao estado anterior. 
4) Consistência. 
 Um mesmo comando ou ação deve ter sempre o mesmo efeito. 
 A mesma operação deve ser apresentada na mesma localização e deve ser 
formatada/apresentada da mesma maneira para facilitar o reconhecimento. 
5) Prevenir erros. 
 Evitar situações de erro. 
 Conhecer as situações que mais provocam erros e modificar a interface para que 
estes erros não ocorram. 
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6) Minimizar a sobrecarga de memória do usuário. 
 O sistema deve mostrar os elementos de diálogo e permitir que o usuário faça as 
suas escolhas, sem a necessidade de se lembrar de um comando específico. 
7) Atalhos. 
 Para usuários experientes executarem as operações mais rapidamente. 
 Abreviações, teclas de função, duplo clique no rato, entre outros. 
 Atalhos também servem para recuperar informações que estão numa profundidade 
na árvore navegacional a partir da interface principal. 
8) Diálogos simples e naturais. 
 Deve-se apresentar exatamente a informação que o usuário precisa no momento, 
nem mais nem menos. 
 A seqüência da interação e o acesso aos objectos e operações devem ser 
compatíveis com o modo pelo qual o usuário realiza as suas tarefas. 
9) Boas mensagens de erro. 
 Linguagem clara e sem códigos. 
 Devem ajudar o usuário a entender e resolver o problema. 
 Não devem culpar ou intimidar o usuário. 
10) Ajuda e documentação. 
 O ideal é que um software seja tão fácil de usar (intuitivo) que não necessite de ajuda 
ou documentação. 
 Se for necessária a ajuda deve estar facilmente acessível on-line. 
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 Seja no caso dos sistemas de informção ou no caso de produtos, deve-se sempre ter 
em consideração as capacidades físicas e mentais dos utilizadores que formam o público-
alvo. 
 Não é por acaso que a análise do público-alvo deve constituir o primeiro passo 
aquando da concepção de um produto ou sistema. Características físicas “especiais”, ou a 
idade têm grande influência na forma como se vai processar a interacção entre o Homem e 
o sistema de informação ou produto. 
 Por exemplo, a memória de curto prazo humana é limitada e tende a variar com a 
idade. Um ser humano não consegue lembrar-se instantaneamente de muito mais que sete 
itens seguidos, de modo que é preciso evitar apresentar informações em excesso. 
 A visão e audição também se vão denegrindo com o avançar da idade. Caso o 
público-alvo sejam pessoas mais idosas, devemos ter em atenção ao tamanho dos 
caracteres e volume dos sinais de aviso. 
 Não se pode também esquecer que os utilizadores cometem erros, especialmente 
quando estão sob stress. Sistemas que não funcionem bem e apresentem mensagens 
podem stressar ainda mais os utilizadores, levando-os a cometerem mais erros. 
 Temos ainda os casos “especiais”, como por exemplo os indivíduos canhotos ou 
daltónicos. É fundamental que um sistema ou produto esteja preparado e seja acessível 
para lidar com a variabilidade inter-utilizadores. 
 
 
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7. FACTORES AMBIENTAIS DE INCOMODIDADE 
 Como já foi referido, os factores ligados ao ambiente físico, biológico e químico, 
influenciam as condições de trabalho, podendo constituir um risco para a saúde dos 
trabalhadores ou, pelo contrário, podendo facilitar a realização do trabalho e constituir um 
meio para garantir a sua eficácia. 
 A influência desses factores sobre o indivíduo faz-se notar através de respostas 
fisiológicas, susceptíveis de lhe provocar sensações de conforto ou de desconforto. Neste 
segundo caso, para fazer face ao incómodo provocado, o trabalhador reage e tenta adaptar-
se, dentro das margens de liberdade de que dispõe. 
 O conhecimento construído por diversos campos da ciência sobre as relações que se 
estabelecem entre os fenómenos físicos e químicos e os seus efeitos fisiológicos, 
determinou a elaboração de normas e recomendações que fixam limites em diversos 
parâmetros, para além dos quais a exposição constitui uma ameaça à saúde e segurança 
dos trabalhadores. De entre esses parâmetros podemos destacar os seguintes: 
 Ruído; 
 Vibrações; 
 Ambiente Térmico; 
 Qualidade do ar. 
7.1 Ruído 
 O som pode ser definido como um conjunto de vibrações sonoras que se propagam 
através do ar. Propagam-se por meios materiais transportando energia a partir de uma fonte 
em todas as direcções. Resulta de variações de pressão no ar. Estas alterações de pressão 
são perceptíveis pelo ouvido e denominam-se por pressão sonora, determinando a 
intensidade do som. O termo “ruído” tem uma conotação negativa, podendo ser definido 
como um som indesejado, cuja intensidade é medida em decibéis (dB). 
 O ruído constitui uma causa de incómodo para o trabalho, uma vez que se traduz 
num obstáculo às comunicações verbais, numa fonte fadiga e, em casos extremos, em 
lesões auditivas permanentes. Os efeitos do ruído sobre o organismo podem ser divididos 
em fisiológicos e psicológicos. 
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 No primeiro caso, estamos a falar de lesões que podem ocorrer não apenas no 
sistema auditivo mas também em diferentes funções orgânicas. O ruído pode estar na 
origem de distúrbios gastrointestinais e problemas relacionados com o sistema nervoso 
central, como por exemplo dificuldades na fala ou redução da memória de retenção. O ruído, 
quando é súbito e intenso, acelera a frequência cardíaca, aumenta a pressão arterial e 
contrai os vasos sanguíneos e os músculos estomacais. 
 Por outro lado, o ruído pode também perturbar o equilíbrio psicológico do 
trabalhador. O ruído permanente numa situação de trabalho constitui uma fonte de tensão e 
stress para o trabalhador, contribuindo assim para a sua irritabilidade e estado de angústia, 
o que pode estar na origem de erros e até mesmo de estados de depressão. 
 Podemos afirmar portanto que o ruído pode influenciar negativamente a 
produtividade dos trabalhadores, a qualidade dos produtos e serviços, estando também 
muitas vezes na origem de acidentes. Para avaliar o impacto do ruído sobre o trabalhador 
devemos não só ter em atenção a sua intensidade como também o tempo de exposição do 
trabalhador a esse ruído. 
 De seguida apresentam-se alguns dos efeitos que o ruído pode ter sobre o ouvido 
humano: 
 Sensação auditiva e tempo de reacção: O tempo de reacção varia com o estado 
físico e mental do indivíduo e com a intensidade do ruído. Quanto maior for o tempo 
de reacção maior será o risco de acidente. 
 Efeito de máscara: Os sons muito intensos podem ocultar os de menor intensidade 
podendo tornar imperceptíveis certos sons que alertariam para sons de perigo. 
 Perturbação na localização de fontes sonoras: Quanto mais intenso for o ruído 
mais difícil se tornará avaliar correctamente a aproximação de um perigo. 
 Fadiga auditiva: Tem como consequência uma redução da sensibilidade do ouvido. 
Quanto maior for a fadiga mais intenso terá que ser o som para ser percebido. O 
aparecimento da fadiga depende do tempo de duração do som e também da sua 
intensidade. 
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 Em termos legislativos, o Decreto-Lei n.º 182/2006, de 6 de Setembro, transpõe para 
a ordem jurídica interna a Directiva n.º 2003/10/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, 
de 6 de Fevereiro, relativa às prescrições mínimas de segurança e de saúde em matéria de 
exposição dos trabalhadores aos riscos devidos aos agentes físicos (ruído). 
 Este diploma, com data de entrada em vigor em vigor em 6 de Outubro de 2006, veio 
revogar a anterior legislação sobre esta matéria (Decreto-Lei n.º 72/92 e o Decreto 
Regulamentar n.º 9/92, ambos de 28 de Abril) e é aplicável a todas as actividades dos 
sectores privado, cooperativo e social, da administração pública central, regional e local, dos 
institutos públicos e das demais pessoas colectivas de direito público, bem como a 
trabalhadores por conta própria. Reveste-se de particular importância para o sector 
metalúrgico e metalomecânico, cujas indústrias apresentam, de uma forma geral, processos 
produtivos com potencial para gerarem níveis de ruído significativos e passíveis de inferir 
riscos para a saúde e segurança dos trabalhadores expostos. 
 Contudo, não deve existir uma preocupação com os efeitos do ruído sobre os 
trabalhadores apenas nos contextos em que este pode ser potencialmente elevado. Por 
exemplo, em actividades que exijam precisão ou que sejam predominantemente intelectuais, 
um ruído que no contexto industrial praticamente nem seria sentido, pode ter uma influência 
bastante negativa sobre o trabalhador. Essa influência traduz-se também em erros, bem 
como em desconcentração e frustração. 
No que toca à protecção dos trabalhadores, a medida mais eficaz consiste em 
suprimir a fonte de ruído, substituindo, por exemplo, a maquinaria ruidosa por outra mais 
silenciosa. Não sendo possível deve evitar-se a propagação do ruído, isolando as máquinas 
ruidosas e colocando materiais absorventes nas paredes, tectos e chão. Caso não seja 
possível, devemos então intervir ao nível do próprio trabalhador, reduzindo o seu tempo de 
exposição ao ruído e promovendo a utilização de equipamentos de protecção individual. De 
salientar ainda a importância da realização regular de exames audiométricos. 
7.2 Vibrações 
 A vibração é um movimento oscilatório de um corpo, devido a forças desequilibradas 
de componentes rotativos e movimentos alternados de uma máquina ou equipamento. 
Como todo corpo com movimento oscilatório, um corpo que vibra, descreve um movimento 
periódico, que envolve um deslocamento num certo tempo. Daí resulta a velocidade, bem 
como a aceleração do movimento em questão. 
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 Outro factor importante é a frequência desse movimento, isto é, o número de ciclos 
(movimentos completos) realizado num período de tempo. No caso de ciclos por segundo, 
utiliza-se a unidade Hertz (Hz). Ao contrário de muitos agentes ambientais, a vibração 
somente será problema quando houver efectivo contacto físico entre um indivíduo e a fonte, 
o que auxilia no reconhecimento da exposição. Muitas são as actividades em que as 
vibrações estão presentes, como por exemplo a construção civil, a extracção florestal, os 
transportes e as indústrias extractivas. 
 As vibrações afectam diferentes zonas do corpo, podendo inclusivamente afectá-lo 
na sua totalidade. Transmitem-se ao corpo humano segundo três eixos espaciais (x, y e z) 
(Figura 9), com características físicas diferentes e com um efeito combinado que é igual à 
soma dos efeitos parciais. O resultado desta acção conjunta pode afectar as condições de 
conforto, de segurança e de saúde do trabalhador, contribuindo ainda para a diminuição da 
sua capacidade de trabalho. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 9: Eixos espaciais de aplicação de forças vibratórias no corpo humano. 
 Entre os efeitos sobre o organismo, resultantes das localizadas, podemos destacar 
os seguintes: 
 Numa fase inicial, formigueiros ou adormecimentos leves, que são usualmente 
ignorados por não interferirem no trabalho e outras actividades; 
 Posteriormente, com a continuidade da exposição, o tacto e a sensibilidade à 
temperatura ficam comprometidos. Há perda de destreza e incapacidade para a 
realização de trabalhos que exijam maior precisão. Prosseguindo a exposição, os 
efeitos podem traduzir-se numa aparência cianótica dos dedos (acrocianose). 
 
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 Por forma a reduzir os efeitos negativos das vibrações sobre o corpo e organismo 
humano, podemos reduzir a vibração na fonte, reduzir a transmissão da vibração para o 
corpo ou reduzir o tempo de exposição do trabalhador. 
7.3 Ambiente Térmico 
 O Ambiente Térmico desempenha um papel importante no melhoramento das 
condições de trabalho. O Conforto Térmico de um indivíduo representa o estado de espírito 
em que esse indivíduo expressa satisfação em relação ao ambiente térmico. Este estado é 
obtido quando um indivíduo está numa condição de equilíbrio com o ambiente que o rodeia, 
o que significa que é possível a manutenção da temperatura dos tecidos constituintes do 
corpo, num domínio de variação estreito, sem que haja esforço. 
 Fora dos limites do Conforto Térmico, podem registar-se alterações fisiológicas no 
ser humano, que irão ter uma influência negativa sobre a sua capacidade de trabalho e até 
mesmo sobre a sua segurança e saúde. Em condições normais de saúde e conforto, a 
temperatura do corpo humano mantém-se aproximadamente constante, próxima de 37 +/- 
0,8 ºC, graças a um equilíbrio entre a produção interna de calor devida ao metabolismo e a 
perda de calorpara o meio ambiente. 
 Quando o calor cedido ao meio ambiente, é superior ao calor recebido pelo corpo, ou 
produzido por meio do metabolismo basal e da realização de actividade física, o organismo 
tende a arrefecer e, para evitar esta hipotermia (descida da temperatura do corpo), põe em 
marcha múltiplos mecanismos, entre os quais podemos destacar: 
 Vasoconstrição sanguínea: diminuir a cedência de calor ao exterior; 
 Desactivação (fecho) das glândulas sudoríparas; 
 Diminuição da circulação sanguínea periférica. 
 As consequências da hipotermia poderão variar entre o mal-estar geral, a diminuição 
da destreza manual e da sensibilidade táctil, o aparecimento de frieiras e, em casos 
extremos, o enregelamento de algumas partes do corpo (temperaturas exteriores inferiores 
a -20º C) e até mesmo a morte por falha cardíaca (temperatura interior inferior a 28º C). 
 
 
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 A subida da temperatura acima da zona de conforto começa a provocar problemas, 
primeiro de natureza subjectiva e depois de natureza fisiológica até atingir o limite físico de 
tolerância. 
 Quando o calor cedido ao meio ambiente, é inferior ao calor recebido pelo corpo, ou 
produzido por meio do metabolismo basal e da realização de actividade física, o organismo 
tende a aquecer e, para evitar esta hipertermia (aumento da temperatura do corpo), põe em 
marcha múltiplos mecanismos, entre os quais podemos destacar: 
 Vasodilatação sanguínea; 
 Activação das glândulas sudoríparas; 
 Aumento da circulação sanguínea periférica. 
 As consequências da hipertermia poderão variar entre o mal-estar geral, o aumento 
da sobrecarga do coração e do sistema circulatório, o surgimento de queimaduras e 
erupções na pele, sendo que em casos extremos a hipertermia pode resultar na morte do 
indivíduo. 
 O controlo do ambiente térmico pode ser feito através da aplicação de medidas 
técnicas, de práticas no âmbito da organização do trabalho e da utilização de protecção 
individual. 
 Nos ambientes frios, as medidas técnicas de controlo restringem-se praticamente ao 
fornecimento de calor às áreas de trabalho frias, o que nem sempre é possível considerando 
os motivos que obrigam ao trabalho nestes ambientes. A nível de organização do trabalho é 
perfeitamente possível preverem-se períodos de descanso para climatização. E finalmente, 
é possível, na grande maioria das situações, criar e manter-se um microclima satisfatório 
utilizando-se vestuário que assegure um isolamento apropriado. 
 Nos ambientes quentes, quando possível, deverão reservar-se os trabalhos em 
ambientes mais quentes para os últimos dias da semana, pois provocam desadaptação que 
poderá ser reparada com o repouso do fim-de-semana. O limite da perda por sudação é de 
4 litros nas 8 horas de trabalho, ou seja, meio litro por hora, devendo a reposição ser feita 
regularmente ao longo do dia de trabalho, com bebidas frescas (12 a 13 ºC) ou mornas (chá 
ou café muito fracos); não sendo permitidas as bebidas alcoólicas e limitando a ingestão de 
sumos de frutos e leite a 1 litro. 
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 As refeições destes trabalhadores devem ser ligeiras e pobres em lípidos Devem-se 
afastar dos postos de trabalho em que existe exposição excessiva ao calor, os indivíduos 
com afecções cardiovasculares, respiratórias, renais e os obesos. 
7.4 Qualidade do Ar 
 Em virtude do aumento do uso de produtos químicos em diversas situações de 
trabalho, nenhum tipo de ocupação está inteiramente livre da exposição a substâncias 
capazes de produzir efeitos nocivos ao organismo humano. Contudo, o meio industrial 
apresenta-se como aquele em que este parâmetro é mais sentido. 
 A Qualidade do Ar diz-se aceitável quando este se encontra sem concentrações de 
contaminantes prejudiciais à saúde, de forma que uma parcela significativa de pessoas 
expostas se sente satisfeita. Os diversos contaminantes susceptíveis de entrar em contacto 
com o organismo dos trabalhadores podem apresentar uma acção localizada ou 
generalizada (diversos órgãos). As suas principais vias de penetração no organismo são as 
seguintes: 
 Respiratória (inalação): ar inalado durante a jornada de trabalho; 
 Cutânea/Dérmica: limitada a certas substâncias como: nitrobenzeno e nitroglicerina; 
 Digestiva: problemas de higienização dos locais destinados a refeições; 
 Ocular: a visão é facilmente atingida durante a manipulação de agentes químicos; 
 Parenteral: directamente através do sistema circulatório (feridas, agulhas). 
 Podemos fazer a distinção entre dois tipos de contaminantes: 
 Agentes biológicos: micro-organismos como vírus, bactérias, fungos e 
protozoários; 
 Agentes químicos: poeiras, fibras, fumos, neblinas, aerossóis, gases e vapores. 
Os riscos biológicos são introduzidos nos processos de trabalho pela utilização de 
seres vivos (em geral microorganismos) como parte integrante do processo produtivo. Tal 
tipo de risco pode ser decorrente também, de deficiências na higienização do ambiente de 
trabalho
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 Poeiras: São partículas de forma irregular que resultam do manuseamento de 
materiais sólidos ou de processos mecânicos de desintegração. Podem também ser 
constituídas por aglomerados de várias partículas; 
 Fumos: Partículas sólidas suspensas no ar, de pequenas dimensões, facilmente 
inaláveis, procedentes de uma combustão incompleta ou resultantes da sublimação 
de vapores de metais fundidos; 
 Neblinas: Suspensão no ar de gotículas líquidas visíveis e produzidas por 
condensação de vapor; 
 Aerossóis: Suspensão no ar de gotículas cujo tamanho não é visível à vista 
desarmada e provenientes da dispersão mecânica de líquidos; 
 Gases: Estado físico de certas substâncias a 25 ºC e 1 atm; 
 Vapores: Fase gasosa de substâncias que nas condições – padrão (25 ºC e 1 atm) 
se encontram no estado sólido ou líquido. 
 O tempo que os aerossóis podem permanecer no ar depende do seu tamanho, peso 
específico (quanto maior o peso específico, menor o tempo de permanência) e velocidade 
de movimentação do ar. Evidentemente, quanto mais tempo permanecem no ar, maior é a 
probabilidade de serem inalados pelo trabalhador. 
 Sempre que se verifica a existência de um contaminante devemos actuar, ou sobre o 
seu foco, ou sobre o seu meio de difusão, ou, em último caso, sobre o indivíduo, 
promovendo a utilização de equipamento de protecção individual adequado. 
 A via respiratória e a via cutânea representam, habitualmente, as vias de entrada dos 
contaminantes químicos mais importantes e perigosos, pelo que a protecção individual deve 
incidir maioritariamente nestas duas vias. Podemos definir algumas regras que devem ser 
cumpridas pelos equipamentos de protecção individual utilizados, de modo a que o 
resultado pretendido seja alcançado. De seguida são apresentadas algumas dessas regras: 
 O equipamento deve reter o contaminante a que o indivíduo está exposto; 
 O equipamento deve ser o mais confortável possível e fácil de utilizar; 
 O equipamento deve ser sujeito a uma correcta manutenção; 
 O equipamento deve estar devidamente homologado; 
 O mesmo equipamento não deve ser utilizado por diferentes indivíduos. 
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8. SISTEMAS DE ILUMINAÇÃO 
 No contexto laboral, a luz assume um papel fundamental uma vez que vai influenciar 
directamente a facilidade com que o trabalhador vê os objectos no seu ângulo de visão e 
como percepciona os objectos fora do seu ângulo. 
 Boas condições de iluminação são essenciais para maximizar a recepção/percepção 
da informação,maximizar a qualidade dos serviços prestados, aproveitar todo o espaço 
disponível, garantir a segurança do trabalhador, assegurar o conforto visual do trabalhador e 
impedir que este adopte posturas menos correctas. 
 A iluminação pode ser de dois tipos, isto é, natural ou artificial. A iluminação natural diz 
respeito à luz que provém do Sol e é composta por todos os comprimentos de onda do 
espectro da radiação visível. A iluminação artificial provém de uma fonte de energia que não 
o Sol e a gama de comprimento de onda do espectro da radiação visível abrangida varia 
consoante a fonte. As fontes de iluminação artificial que interessam ao estudo da iluminação 
no local de trabalho são as lâmpadas. 
 As características da iluminação de um espaço de trabalho em conjunto com a 
capacidade visual do trabalhador, com os atributos da tarefa e com as variáveis do espaço 
de trabalho, vão ter influência sobre a capacidade de trabalho do trabalhador. 
 Em relação à luz, podemos identificar diferentes grandezas passíveis de serem 
avaliadas aquando da análise de um espaço de trabalho. 
Fluxo Luminoso 
 Unidade: Lúmen (lm) 
 Símbolo: Φ 
 Definição: Quantidade total de luz emitida por uma fonte luminosa. 
Intensidade Luminosa 
 Unidade: Candela (cd) 
 Símbolo: I 
 Definição: Fluxo luminoso emitido numa dada direcção. 
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Luminância 
 
 Unidade: Candela por metro quadrado (cd/m2) 
 Símbolo: L 
 Definição: Densidade de intensidade de uma luz reflectida numa dada direcção. 
 Representa a medida do brilho de uma superfície. 
Iluminância 
 
 Unidade: Lux (lx) 
 Símbolo: E 
 Definição: Fluxo luminoso incidente por unidade de superfície. 
 Pode ser medida através de um aparelho, denominado Luxímetro, que basicamente 
funciona com base numa célula fotoeléctrica. 
Coeficiente de reflexão ou reflectância 
 Razão entre o fluxo luminoso reflectido por uma dada superfície e o correspondente 
fluxo incidente. 
 Os níveis de iluminância recomendados variam em função da natureza da actividade. 
Esses valores de referência são estabelecidos pela Norma DIN 5035-2:1990. Sendo 
fundamental consultar a norma, na Figura 10 vemos um dos quadros de referência por ela 
estabelecido. 
 
Figura 10: Níveis de iluminância recomendados segundo a Norma DIN 5035-2:1990.
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 Existem ainda outras normas que recomendam valores de iluminância em função de 
diferentes parâmetros. Entre essas Normas destacamos as seguintes: 
 ISO/CIE 8995-1: 2002, requisitos de iluminação para postos de trabalho interiores; 
 ISO/FDIS 8995-2: 2005, requisitos de iluminação para postos de trabalho exteriores 
(conforto e desempenho visual); 
 ISO 8995-3: 2006, requisitos de iluminação para postos de trabalho exteriores 
(segurança). 
8.1 Tipos de iluminação 
As luminárias são dispositivos que distribuem, filtram ou transformam a iluminação 
proveniente de uma ou várias lâmpadas e que incluem os elementos necessários para fixar 
e proteger essas lâmpadas e para ligá-las a uma fonte de energia. Podem também atender 
a funcionalidades decorativas. Em conjunto com as cores utilizadas nas paredes e tectos, e 
com a (não) utilização de matérias reflectores ou difusores, vão influenciar a forma com a 
iluminação é distribuída. 
Quanto à forma como a iluminação é distribuída, esta pode ser: 
 Directa: O fluxo luminoso incide directamente sobre o plano de trabalho, de maneira 
a que se produza a menor dispersão possível. A vantagem destas luminárias reside 
no facto de haver um maior aproveitamento da energia consumida. Porém 
apresentam também desvantagens, como o facto de originarem zonas muito 
iluminadas e zonas de sombra nas suas imediações, o que é susceptível de causar 
encandeamentos; 
 Indirecta: Existe uma reflexão total da luz no tecto e nas paredes, o que significa 
que nestes espaços se deve optar pela utilização de cores claras. A sua vantagem 
está no facto de proporcionarem uma iluminação agradável sem encandeamentos. 
No entanto, o consumo elevado de energia eléctrica, resultante de elevadas perdas 
de luz por absorção nas superfícies, torna-se uma grande desvantagem. 
Existem ainda outros tipos de iluminação, a difusa, a semi-directa e a semi-indirecta, 
que se caracterizam por uma combinação da luz directa emitida pela fonte, com a luz 
reflectida pelo tecto, paredes e equipamentos. 
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8.2 Tipos de lâmpadas 
Quanto ao tipo de lâmpadas podemos começar por referir as lâmpadas 
incandescentes ou lâmpadas de filamento. Tratam-se das tradicionais lâmpadas de luz 
amarela. Embora sejam o tipo de lâmpada mais antigo, são ainda o mais comum. As suas 
principais vantagens são o facto de terem pequeno volume, serem de fácil instalação, terem 
um baixo custo, apresentarem uma boa distribuição de cores e a sua duração não ser 
afectada pelo número de arranques. Porém, têm algumas desvantagens, como por exemplo 
o facto de apresentarem baixo rendimento e curta duração, libertarem calor e poderem dar 
origem a encandeamentos. 
 Depois temos as lâmpadas fluorescentes cuja crescente utilização se deve ao facto 
de apresentarem uma luz muito próxima da natural, apresentarem um baixo consumo 
energético e risco de encandeamento, não produzirem muito calor, e apresentarem um 
maior rendimento e durabilidade que as lâmpadas incandescentes. No entanto não são 
perfeitas, uma vez que apresentam níveis de cintilação e a sua duração é condicionada pelo 
número de arranques. As lâmpadas fluorescentes funcionam de modo semelhante aos 
tubos de descarga de gás néon, possuindo um par de eléctrodos em cada extremo. 
 As lâmpadas de halogéneo, conhecidas pela sua luz branca, à semelhança das 
lâmpadas incandescentes, apresentam um filamento interno, só que nesse caso o filamento 
é rodeado por halogéneo. Apresentam a particularidade de ser possível regular a 
intensidade da luz emitida. As suas grandes vantagens passam pela ausência de cintilação 
e pelo elevado rendimento, sendo que a desvantagem é o facto de esse rendimento ser à 
custa de um altíssimo consumo energético. 
 Nos últimos anos, tem-se verificado um aumento exponencial das chamadas 
lâmpadas economizadoras. Como o próprio nome indica, são lâmpadas de alto rendimento 
e baixo consumo energético, para além de ser de dimensões reduzidas, apresentarem uma 
luz homogénea e terem grande vida útil. Ao contrário das anteriores não são reguláveis e 
apresentam ainda níveis de cintilação. 
As lâmpadas de vapor sódio ou de vapor de mercúrio são muito utilizadas na 
iluminação de espaços amplos, como grandes armazéns, hangares, e na iluminação 
exterior. Estas lâmpadas apresentam alto rendimento, pequeno volume, são fáceis de 
instalar, têm uma vida longa, variedade de potências e baixos níveis de cintilação. Contudo, 
o seu custo é muito elevado e a sua duração é condicionada pelo número de arranques.
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8.3 Riscos 
Uma má ou desadequada iluminação do local de trabalho constitui um risco para a 
saúde e segurança dos trabalhadores, podendo também estar na origem de graves 
acidentes. 
Uma iluminação deficiente potencia a exposição do trabalhador a outros riscos. 
Numa sala com máquinas em movimento, mesmo que existam sinais de perigo, ou 
protecções, se a iluminação não for adequada, existe sempre o risco de um trabalhador ser 
vítima de um acidente devido ao facto de não conseguir ver nem os sinais, nem o perigo do 
movimento das máquinas 
Como tal, dentro da filosofia de que todos os riscos existentes devem ser bem 
identificados, a iluminaçãotoma uma importância fundamental nessa identificação, pois 
aquilo que não se consegue ver desconhece-se ou esquece-se. 
 
Relacionado ainda com acidentes de trabalho existe o risco do efeito estroboscópico. 
O efeito estroboscópico consiste num fenómeno que ocorre quando a frequência da 
radiação luminosa num determinado espaço iguala em valor ou valores múltiplos a 
frequência de uma qualquer máquina rotativa desse local. Quando essas condições são 
satisfeitas a visão humana não consegue detectar o movimento da máquina em questão, 
dando a falsa sensação de que esta se encontra parada. Este fenómeno é muito frequente 
quando se iluminam máquinas rotativas, que funcionam a uma frequência de 50Hz, com 
lâmpadas fluorescentes, que acendem e apagam a uma frequência de 100Hz. 
Em síntese, ao nível da iluminação, podemos afirmar que a saúde dos trabalhadores 
é influenciada pelos seguintes factores: 
 Níveis de iluminação desadequados do local de trabalho (muito baixos ou muito 
altos); 
 Encandeamentos; 
 Efeitos de sombra; 
 Cor da luz; 
 Funcionamento deficiente da iluminação, frequentemente resultante de uma má 
manutenção.
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Em termos de manutenção, é necessário ter especial atenção à deposição de 
poeiras nos equipamentos e ao natural envelhecimento destes. Estes dois factores vão 
influenciar negativamente o fluxo luminoso emitido, e consequentemente provocar um 
decréscimo da iluminação dos espaços. 
Qualquer intervenção em termos de manutenção do sistema de iluminação 
(substituição ou limpeza das luminárias ou lâmpadas, por exemplo) deve ser 
cuidadosamente planeada em termos técnicos e económicos, sendo que essa intervenção 
deve ser preferencialmente feita fora dos horários de trabalho efectivo. Quando se sabe que 
o tempo útil das lâmpadas se está a esgotar ou se verificam pequenos zumbidos, 
dificuldades no arranque ou um frequente “piscar” destas, deve proceder-se imediatamente 
a uma intervenção sobre o sistema. 
Como já foi referido, a luz é reflectiva por elementos como as paredes, tectos e 
próprios equipamentos. Assim sendo, não deve ser desprezada a limpeza ou lavagem 
periódica destes elementos. 
8.4 Prevenção 
Devido ao facto de as cores terem um efeito psicodinâmico importante sobre o ser 
humano (Tabela 2), a escolha da cor do local de trabalho é um factor de risco importante. 
Na escolha das cores devemos ter em conta não só a cor da luz, mas também a cor das 
paredes, chão e tecto. 
 
Tabela 2: Efeitos psicodinâmicos de diferentes cores sobre os indivíduos. 
Cor Efeito de Distância Efeito de Temperatura Efeito Psíquico 
Azul Afastamento Frio Calmante 
Verde Afastamento Frio e neutro Muito calmante 
Vermelho Aproximação Quente 
Muito estimulante, 
cansativo 
Laranja Muita aproximação Muito quente Excitante 
Amarelo Aproximação Muito quente Excitante 
Castanho 
Muita aproximação, 
claustrofobia 
Neutro Excitante 
Violeta Muita aproximação Frio 
Agressivo, cansativo, 
deprimente 
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 Relativamente à localização dos pontos de luz, devemos considerar os seguintes 
aspectos: 
 Os pontos de luz não devem estar no campo de visão do trabalhador, que em média 
é 30º acima do eixo de visão; 
 Os pontos de luz não devem ser colocados de forma que o seu reflexo no plano de 
trabalho encandeie o trabalhador; 
 Os pontos de luz devem ser colocados lateralmente, de forma a não estarem no 
campo de visão do trabalhador, e não o encandearem por reflexo. 
Por outro lado, se considerarmos a colocação dos pontos de luz, devemos a atender 
a aspectos como: 
 Devem ser colocados preferencialmente no tecto; 
 Num determinado espaço ou divisão devem ser todos iguais; 
 Devem ser dispostos com distâncias iguais entre eles, e metade dessa distância às 
paredes. 
Por fim, se tivermos em conta os valores respeitantes aos coeficientes de reflexão, 
deve ser respeitado o seguinte: 
 Tecto – 80% a 90%; 
 Paredes – 40% a 60%; 
 Mobiliário – 25% a 45%; 
 Equipamentos – 30% a 50%; 
 Pavimento – 20% a 40%. 
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9. TRABALHO COM ECRÃS DE VISUALIZAÇÃO 
 A introdução das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) conduziu a 
mudanças significativas nos métodos de trabalho e de lazer, nomeadamente a possibilidade 
de realizar muitas tarefas de forma rápida e simples, a recolha e partilha de informação, 
ultrapassando barreiras de espaço e tempo, entre outras. 
A intervenção da Ergonomia no contexto do trabalho informatizado faz-se notar com 
maior incidência no design de software. Em particular, A interface Homem-Computador tem 
sido alvo de muita atenção. De importância crucial é a forma efectiva como a informação é 
apresentada ao operador (monitores, janelas e ícones). Similarmente, precisamos de saber 
qual é o melhor sistema para controlar o computador (teclados, ratos e ecrãs sensíveis ao 
toque). 
No entanto, com a crescente utilização destas tecnologias, tanto em casa como no 
trabalho, assistimos ao desenvolvimento de novos constrangimentos que colocam em risco 
a saúde e segurança das pessoas, bem como a eficácia do sistema de trabalho. 
De uma forma geral o trabalho informatizado implica elevada concentração, visão a 
curta distância, movimentos frequentes dos olhos postura de sentado por longos períodos 
de tempo, movimentos frequentes das mãos e dos punhos e adopção de posturas estáticas. 
A utilização do computador leva a uma alteração na natureza da actividade realizada, 
tornando-se esta mais repetitiva, principalmente ao nível dos membros superiores 
(interacção constante com o rato e/ou teclado), mais individualizada (o trabalhador interage 
grande parte do tempo de trabalho com o computador) mais monótona. 
Se não nos esquecermos do objectivo da Ergonomia, vemos aqui uma nova janela 
de intervenção desta ciência, maioritariamente no que toca ao contexto de trabalho 
administrativo, isto é, trabalho em escritório. 
9.1 Riscos associados à interacção com e ecrãs de visualização 
Face aos riscos existentes em ambiente de escritório, as preocupações em termos 
de problemas de saúde, centram-se principalmente a três níveis: músculo-esquelético 
(LME), visual (fadiga visual) e psicossocial (stress). 
 
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De seguida vamos aprofundar dois deles, o nível visual e o nível psicossocial, uma 
vez que o nível músculo-esquelético já foi abordado anteriormente neste documento, mais 
especificamente no ponto 2.2. 
Riscos ao nível visual: 
A interacção frequente com ecrãs de visualização resulta num aumento das 
exigências a nível visual, o que pode contribuir para a ocorrência de patologias a este nível. 
Essas exigências fazem-se notar em determinados momentos, como por exemplo a 
focagem de imagens por períodos de tempo prolongados, as adaptações constantes a 
mudanças de iluminância e de brilho, a existência de encandeamentos e reflexos, assim 
como da falta de nitidez, contraste e legibilidade de certos caracteres. 
Têm sido associados sintomas oculares e desconforto visual ao trabalho com ecrãs 
de visualização, esses sintomas incluem visão turva, fadiga visual, sensação de ardor, 
lacrimejo, hipersensibilidade à luz vermelhidão e dores de cabeça. 
Um dos problemas que surge ao nível da interacção com o computador é a síndrome 
de visão ao computador (SVC), em inglês «Computer Vision Syndrome» (CVS). A SVC 
surge devido ao esforço visual exigido no trabalho com computador, por tempo prolongado, 
e é caracterizada pela ocorrência de uma série de sintomas em simultâneo, relacionados 
com o desconforto ou cansaço visual.Além da interacção com o computador, a própria disposição do posto de trabalho, os 
níveis de iluminação e os reflexos podem aumentar as exigências visuais. Tendo em 
consideração que existe uma grande interacção com o computador para realizar o trabalho 
em escritório, o trabalhador deve poder realizar a sua actividade sentindo-se confortável, 
não apenas a nível músculo-esquelético mas também a nível visual – conforto visual. 
O conforto visual está relacionado com o conjunto de condições, num determinado 
ambiente, no qual o ser humano pode desenvolver tarefas visuais com o máximo de 
acuidade e precisão visual, com o menor esforço, com o menor risco de prejuízos à vista e 
com reduzidos riscos de acidentes. 
Tendo em consideração o que foi referido anteriormente, pode verificar-se a 
existência de sinais e sintomas visuais que podem servir de alerta, para intervir 
antecipadamente, evitando a ocorrência de consequências graves para os trabalhadores. 
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Riscos ao nível psicossocial: 
Os aspectos psicossociais do uso de ecrãs de visualização têm sido reconhecidos 
como factores que contribuem para os problemas de saúde mentais e físicos há mais de 15 
anos. Alguns dos primeiros estudos sobre ecrãs de visualização, indicaram que o uso dos 
ecrãs de visualização estava correlacionado com maior insatisfação e sofrimento. 
Estudos mais recentes sugerem que o design de sistemas de trabalho em escritório 
influencia o planeamento do trabalho, as políticas organizacionais, as práticas de gestão e 
as oportunidades de carreira, que podem ser factores determinantes no desenvolvimento de 
sentimentos de angústia nos trabalhadores. 
 As características de trabalho, como por exemplo a organização do trabalho ou a 
tecnologia, têm potencial para produzir reacções de stress imediatas que são modificadas 
pelas características e susceptibilidades pessoais. Se estas reacções de stress a curto 
prazo se tornarem crónicas, podem conduzir a problemas de saúde significativos. 
Salientar que stress é entendido como uma resposta adversa que as pessoas têm a 
pressão excessiva ou outros tipos de exigências que lhes são colocados. A pressão é parte 
ou uma parcela de todo o trabalho e ajuda-nos a manter-nos motivados. Mas pressão 
excessiva pode levar a stress, que enfraquece a performance, é dispendioso para os 
empregadores e pode tornar as pessoas doentes. 
Determinados problemas no computador como por exemplo as avarias e o próprio 
uso durante longos períodos de tempo, têm efeitos indirectos no stress do trabalhador 
através duma influência nas características da tarefa, como por exemplo a carga, a pressão 
e o controlo sobre o trabalho. 
Os factores de organização do trabalho influenciam o stress psicológico e estados de 
humor, e têm também uma influência directa na dor e desconforto nas extremidades 
superiores. 
Em síntese, o stress, a ansiedade, a dificuldade de concentração, a alteração de 
humor, entre outros, são sinais e/ou sintomas de problemas a nível psicossocial. Caso estes 
problemas não sejam identificados e, posteriormente, implementadas medidas para os 
eliminar/reduzir, podem constituir uma ameaça para a saúde e segurança dos 
trabalhadores. 
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À semelhança do que se verificou em relação aos riscos a nível visual, a importância 
dos vários sinais e sintomas prende-se com a possibilidade de tentar intervir o mais 
antecipadamente possível, para que estes não se prolonguem e originem problemas de 
maior gravidade, tanto para os trabalhadores como para a própria instituição. 
9.2 Medidas de prevenção e protecção 
Para que o operador tire o maior partido do posto de trabalho, bem como dos 
diferentes elementos que o constituem, deverá conhecer as diferentes formas de regulação 
e os efeitos que estas poderão vir a ter sobre a sua saúde, segurança, conforto e eficácia no 
desempenhar da actividade. 
Para além destes aspectos de regulação, entre as medidas de prevenção podemos 
ainda referir as acções na organização do trabalho, como por exemplo a definição e pausas, 
ou os processos de formação e informação dos trabalhadores. 
A organização da actividade de trabalho deve permitir a interrupção periódica do 
trabalho, através de pausas ou pela alternância de tarefas com diferentes exigências. As 
pausas devem ser introduzidas após 2 horas de trabalho e ter uma duração de 15 minutos. 
Todos os trabalhadores devem receber formação e informação adequadas sobre a 
utilização dos equipamentos antes do inicio da sua actividade e sempre que ocorram 
mudanças no posto de trabalho. 
9.2.1 Postos de trabalho 
Segundo o ponto 3º. da Portaria nº 989/93, de 6 de Outubro, o posto de trabalho deve: 
 Ter uma dimensão que permita mudanças de posição e movimentos de trabalho; 
 Ter uma iluminação correcta, com contraste adequado entre o ecrã e o ambiente, 
atendendo às características do trabalho e às necessidades visuais do utilizador; 
 Estar instalado de forma que as fontes de luz não provoquem reflexos encandeantes 
directos nem reflexos no visor. 
 Respeitar os limites fixados para os valores de ruído, calor, radiações e humidade; 
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 As janelas devem estar equipadas com um dispositivo ajustável que atenue a luz do 
dia. 
Alguns autores vão mais longe e definem mais recomendações que devem ser 
consideradas ao nível do posto e superfície de trabalho. As superfícies dos postos de 
trabalho devem ser anti-reflexas e os rebordos devem ser arredondados. 
O posto deve estar à altura ou ligeiramente abaixo da altura do cotovelo (na posição 
de sentado). 
Os objectos na secretária devem ser organizados tendo em consideração o seu peso 
e frequência de uso. Os objectos mais pesados devem estar entre a altura do ombro 
(sentado) e a altura da cintura. Os objectos frequentemente utilizados devem estar mais 
perto do trabalhador. 
Uma adequada organização dos postos de trabalho em escritório, ajuda os 
trabalhadores a manter uma postura confortável e neutra do corpo, com as articulações 
alinhadas naturalmente, reduzindo o stress e tensão nos músculos, tendões, e sistema 
esquelético, e a minimizar o risco de desenvolver LMERT. 
9.2.2 Tipo de computador (fixo ou portátil) 
Existem dois tipos de computador frequentemente utilizados em ambiente de 
escritório, o computador fixo e o computador portátil. 
Inicialmente, face à inexistência e, posteriormente, ao custo dos computadores 
portáteis, os fixos eram uma opção viável para o contexto empresarial. No entanto, com o 
evoluir da tecnologia generalizou-se a produção e comercialização de computadores 
portáteis que vieram introduzir algumas alterações tanto em contexto laboral como em casa. 
Hoje em dia, é cada vez mais frequente «levar o trabalho para casa» e o portátil veio 
facilitar essa acção, devido à forma simples e prática de transportar um computador para 
qualquer lado. No entanto, tem sido estudada a interacção dos trabalhadores com os 
portáteis e têm-se verificado algumas desvantagens destes face aos fixos. 
Nos computadores fixos, como temos o teclado e o rato dissociado do ecrã, é 
possível colocar estes equipamentos a distâncias diferentes, o que permite que o 
trabalhador realize a sua actividade adoptando posturas mais cómodas e seguras. 
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Nos computadores portáteis, como o teclado e o rato estão associados ao ecrã, 
constatam-se alguns constrangimentos que podem ter consequências para a saúde dos 
trabalhadores, nomeadamente: distância de visão inadequada, ângulo de visão inadequado 
e adopçãode posturas penosas. 
9.2.3 Ecrã de visualização (Monitor) 
No que diz respeito aos ecrãs de visualização, segundo o ponto 1º. da Portaria nº 
989/93, de 6 de Outubro, os visores existentes nos postos de trabalho devem: 
 Possuir caracteres bem definidos e delineados com clareza, de dimensão apropriada 
e com espaçamento adequado, quer entre si, quer entre as linhas; 
 Ter uma imagem estável, sem fenómenos de cintilação ou outras formas de 
instabilidade e sem reflexos e reverberações; 
 Possibilitar ao utilizador uma fácil regulação da iluminância e do contraste entre os 
caracteres e o seu fundo, atendendo, nomeadamente, às condições ambientais; 
 Ser de orientação e inclinação regulável de modo livre e fácil, adaptando-se às 
necessidades do utilizador e, se necessário, colocado sobre suporte separado. 
Por outro lado, existe uma série de recomendações a seguir aquando da interacção 
com um ecrã de visualização, tais como: 
 O topo do ecrã deve estar à altura ou ligeiramente abaixo do nível do olhar. No 
entanto, se o trabalhador usar óculos ou lentes de contacto bifocais ou progressivas, 
o ecrã deve estar mais abaixo; 
 A estrutura envolvente do ecrã deve ser anti-reflexa para evitar reflexos; 
 A distância entre o trabalhador e o ecrã deve ser aproximadamente o comprimento 
do braço; 
 O ecrã deve estar directamente de frente para o trabalhador; 
 O ecrã deve estar ligeiramente inclinado para trás (até 15º); 
 O ecrã deve ser colocado perpendicularmente às fontes de iluminação natural e 
artificial. 
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9.2.4 Cadeira 
Relativamente à cadeira, o ponto 3º. da Portaria nº 989/93, de 8 de Outubro, refere 
que “a cadeira de trabalho deve ter uma boa estabilidade, ser de altura ajustável e possuir 
um espaldar regulável em altura e inclinação”. 
No entanto, alguns autores vão mais longe, e definem outras recomendações para 
ter em consideração na aquisição de uma cadeira de escritório, nomeadamente: 
 Permitir a liberdade de movimentos ao utilizador; 
 Proporcionar uma posição confortável; 
 Possuir rebordo frontal do assento arredondado para baixo; 
 Fornecer suporte lombal regulável em altura e inclinação; 
 Fornecer mecanismos de ajuste facilmente manipuláveis; 
 Permitir adaptação à função e à estatura do trabalhador; 
 Possibilitar o ajuste em altura e largura dos apoios para os braços; 
 Possuir uma profundidade e altura do assento apropriada ou ajustável; 
 Conter tecido respirável e antiderrapante. 
9.2.5 Rato e Teclado 
No que diz respeito ao rato, não existe muita informação relevante em termos de 
legislação para os requisitos mínimos que este deve possuir, existindo apenas 
recomendações de alguns autores nomeadamente, a importância do rato ter um tamanho e 
forma adequada ao seu utilizador. Outras recomendações baseiam-se mais na interacção 
com este dispositivo, como por exemplo: 
 Manter uma postura neutra do pulso enquanto utiliza o rato; 
 Alterar a mão com que utiliza o rato; 
 Tocar ligeiramente nos botões do rato; 
 Realizar movimentos com todo o braço para interagir com o rato. 
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De acordo o ponto 2º. da Portaria nº 989/93, os teclados devem: 
 Ser inclináveis e dissociados do visor, de modo a permitir ao trabalhador adoptar 
uma posição confortável que não provoque fadiga dos braços ou das mãos; 
 Apresentar uma superfície baça para evitar reflexos; 
 Apresentar símbolos das teclas suficientemente contrastados e legíveis a partir da 
posição normal de trabalho e dispostas de forma a facilitar a sua utilização. 
Relativamente a recomendações, quanto à interacção com este dispositivo, são de 
salientar as seguintes: 
 Digitar com os pulsos a «flutuar» por cima do teclado; 
 Manter uma postura neutra do pulso enquanto estiver a digitar; 
 Manter um ângulo no cotovelo aproximadamente a 90 graus; 
 Posicionar o teclado à altura ou ligeiramente abaixo da altura do cotovelo; 
 Relaxar os ombros e manter os cotovelos perto do corpo; 
 O teclado deve ter uma espessura fina e ajudar a manter os pulsos direitos enquanto 
estiver a digitar. 
9.2.6 Acessórios 
Com a evolução dos conhecimentos, assistimos ao aparecimento de novos 
equipamentos, acessórios, que podem ser utilizados em ambiente de escritório com o 
objectivo de facilitar, tornar mais confortável e/ou segura a realização da actividade. De 
seguida serão abordados três acessórios frequentemente referidos na temática do trabalho 
em ambiente de escritório: apoio para os pés, apoio para o pulso e suporte de documentos. 
No que diz respeito aos apoios para os pés, existem algumas recomendações que 
devem ser consideradas aquando da aquisição, como por exemplo: 
 Devem ser largos o suficiente para ambos os pés; 
 Devem ter inclinação ajustável; 
 Devem ter uma superfície antiderrapante. 
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O apoio para o pulso deve ser feito de um material firme e confortável, alto o 
suficiente para manter o pulso numa posição neutra e deve ter bordas curvas. Os apoios 
para os pulsos só reduzem a pressão do contacto dos pulsos com as bordas afiadas dos 
postos de trabalho quando se está a fazer uma pausa. Não devem ser utilizados enquanto 
se interage com o rato, correndo-se o risco de, nessa situação, aumentar a pressão nos 
pulsos e as possibilidades de dano. 
Relativamente ao suporte para documentos, para actividades onde exista a leitura de 
documentos em papel é necessário colocar os documentos num espaço que permita uma 
correcta leitura e regulação adequada. Estes devem ser ajustáveis em altura, inclinação e 
distância e situar-se junto ao ecrã, à mesma altura e distância deste. 
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10. ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO 
A organização do trabalho ocupa um papel muito importante aquando da análise e 
compreensão de todo o sistema de trabalho. A organização do trabalho pode ser vista sob 
vários prismas, sendo que a carga de trabalho, tanto física como mental, ocupa um papel de 
referência, assim como a organização do tempo de trabalho. Neste último ponto, o trabalho 
nocturno e o trabalho por turnos são os temas mais frequentemente abordados. 
Torna-se importante definir alguns conceitos que têm influência directa na forma 
como se desenvolve o trabalho humano, sendo a sua compreensão essencial com vista à 
diminuição do risco de acidentes e ao aumento da produtividade. 
Monotonia e repetição 
 Estão frequentemente associadas a alterações do estado de saúde, condicionando 
patologias com riscos cardiovasculares, hipertensão e depressão; 
 Geram descontentamento por parte dos trabalhadores, o que a curto/médio prazo 
origina uma redução do desempenho, da satisfação e da realização, com efeitos 
sobre a produtividade. 
Motivação 
 Este conceito remete para a satisfação das necessidades do sujeito; 
 Ao nível organizacional, encontramos as necessidades: 
o Físicas (como as condições de trabalho); 
o De segurança (relacionadas com o tipo de vínculo com a empresa); 
o De relacionamento (através do estabelecimento de relações interpessoais); 
o De realização (passam pelo desempenho e pelo alcance de objectivos); 
o De reconhecimento (recompensas, salários e prémios); 
o De responsabilidade (relacionadas com a liderança e a delegação de funções); 
o De desenvolvimento (associadas à informação/formação). 
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Autonomia 
 Representa a possibilidade que um trabalhador tem de poder controlar o método de 
trabalho ou ordem de execução das tarefas,dentro dos procedimentos 
estabelecidos; 
 Permitir um maior nível de autonomia dos trabalhadores permite aumentar o grau de 
satisfação no trabalho, evitando a saturação. 
Ritmo de trabalho 
 Representa o tempo que o trabalhador utiliza para executar uma tarefa, devendo ser 
tido em conta que o ritmo está directamente associado como esforço que o 
trabalhador tem de prestar; 
 Quando um indivíduo sente que não existe modo ou forma de alcançar as exigências 
estabelecidas pelo ritmo de trabalho, desencadeia-se uma reacção de stress, e 
consequentemente, fadiga física e cansaço psíquico. 
Quantidade de trabalho 
 Representada através do volume que um trabalhador tem de executar durante um 
dia de trabalho, devendo esta ser ajustada a cada pessoa em função de parâmetros 
como o género, a idade ou a experiência. 
Responsabilidade 
 É importante criar condições para o desenvolvimento de responsabilidades laborais, 
tendo em consideração a articulação entre o nível exigido pela tarefa e o grau de 
responsabilidade que cada trabalhador está disposto a assumir. 
Automatização 
 Pode permitir a redução da carga física excessiva e a diminuição das tarefas 
repetitivas, podendo por outro lado apresentar desvantagens como a diminuição do 
conteúdo da tarefa, especialmente no que diz respeito à autonomia e à capacidade 
de tomar decisões. 
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Grau de atenção 
 Tanto os trabalhos que requerem um elevado nível de atenção como os que 
requerem um baixo nível, podem originar efeitos negativos: 
o No 1º caso, podem ocorrer alterações da percepção sensorial, representando um 
aumento dos riscos para a saúde; 
o Enquanto no 2º caso, pode surgir uma perigosa sensação de alheamento. 
10.1 Carga de trabalho 
 A carga de trabalho é um elemento que, dentro das condições de trabalho, permite 
avaliar o aparecimento de danos para a saúde como consequência da inadaptação dos 
postos de trabalho aos trabalhadores. Para podermos analisar a carga de trabalho é 
necessário definir dois conceitos: 
 Carga externa («pressão» de trabalho): é o conjunto das condições de trabalho e 
exigências da tarefa que actuam sobre o indivíduo, ou seja, é a carga que é imposta 
pela situação de trabalho; 
 Carga interna (tensão provocado pelo trabalho): é o efeito ou o resultado da carga 
externa sobre o indivíduo; é o conjunto das consequências de trabalho sobre o 
trabalhador, estando dependente da actividade e das características individuais do 
operador. É a carga vivida e sentida pelo trabalhador. 
Figura 11: Exemplificação do processo de trabalho, com a influência da carga externa a ter uma resposta do 
trabalhador (carga interna).
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 Dentro das características individuais do operador que podem influenciar a forma 
como este sente a carga externa podemos destacar as seguintes: 
 Idade: Na movimentação manual de cargas é um dos critérios considerados na 
definição das cargas máximas permitidas, uma vez que há medida que a idade 
aumenta, há uma maior probabilidade do indivíduo sofrer lesões ao nível da coluna 
vertebral. Como curiosidade, é de referir que na população em geral se encontra um 
aumento da frequência de lombalgias com a idade, assim como da sua cronicidade. 
De destacar ainda as actuais preocupações decorrentes do envelhecimento da 
população mundial, o que determina uma abordagem particular das características 
específicas dos grupos etários mais elevados na sua integração no trabalho; 
 Género: Em geral, as mulheres possuem uma musculatura mais fraca, uma força 
muscular inferior, em 20 a 25%, à do homem, a sua capacidade física máxima é 
também inferior e têm uma menor estatura. Esta característica é, também, um dos 
critérios considerados relevantes na definição das cargas máximas permitidas na 
movimentação manual de cargas; 
 Peso: A sobrecarga ponderal poderá agravar as lombalgias e aumentar o risco de 
cronicidade; 
 Estado de Saúde: O estado de saúde de cada trabalhador, num dado momento, 
poderá constituir-se como um factor de susceptibilidade individual que importa 
conhecer. Por exemplo, indivíduos que já tenham sofrido de algum tipo de lesão a 
nível da coluna vertebral, ou que tenham problemas de saúde que condicionem a 
sua actividade, estão mais susceptíveis a sofrer algum tipo de lesão; 
 Formação Profissional: O nível de formação do indivíduo influencia a forma como 
este encara o trabalho, bem como as estratégias que adopta na sua execução; 
 Experiência Profissional: Podemos estar a referir-nos a experiência profissional 
naquele mesmo posto de trabalho naquela empresa ou organização, ou em 
experiência em postos de trabalho semelhantes noutras empresas ou organizações. 
Seja como for, a experiência profissional, um pouco à imagem do que acontece com 
a formação profissional, possibilita que o trabalhador desenvolva estratégias por 
forma a reduzir os efeitos resultantes da carga externa de trabalho. 
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Se as exigências da tarefa estão muito aquém (carga externa) das características 
individuais do operador estamos perante uma situação de «subcarga de trabalho». Se, pelo 
contrário, as exigências da tarefa estão muito acima das características do indivíduo 
estamos perante uma situação de «sobrecarga de trabalho. Nenhuma das situações é 
benéfica para a saúde biopsicossocial do indivíduo. O ideal é que as nossas capacidades 
estejam de acordo com as exigências da tarefa que realizamos. 
 Em Ergonomia, a distinção entre carga externa e carga interna é muito importante 
porque explica o facto de, num mesmo posto de trabalho, a realização de uma mesma tarefa 
(mesma carga externa) poder constituir uma carga de trabalho diferente para pessoas 
distintas (diferente carga interna). 
 Geralmente, as consequências que a carga interna tem sobre os operadores 
manifestam-se inicialmente com efeitos não patológicos, locais e gerais, completamente 
reversíveis mediante descanso adequado. É aquilo que denominamos por fadiga. Uma vez 
ultrapassado o limiar de recuperação, começam a aparecer efeitos patológicos que 
provocam danos na saúde dos trabalhadores e potenciam a ocorrência de erros e acidentes 
graves. 
 A Ergonomia, como ciência que estuda a relação entre os operadores e os 
elementos do sistema de trabalho, analisa, por um lado, as exigências do trabalho (carga 
externa), e, por outro lado, o grau de mobilização que estas exigências provocam no 
indivíduo, sejam elas físicas, mentais ou psicológicas (carga interna). Como resultado, 
obtém-se assim a carga de trabalho que uma determinada tarefa ou função representa para 
o indivíduo e que poderá estar a constituir danos para a sua saúde. 
 A Ergonomia estuda a carga de trabalho numa dada actividade sempre que surgem 
problemas práticos e reais, tais como diminuição da performance de um ou vários 
trabalhadores, aparecimento de sintomas precoces de fadiga ou o risco de ocorrerem 
acidentes ou erros graves por parte dos operadores. 
 Podemos, de forma sintética, dizer que carga de trabalho designa o custo de um 
determinado trabalho, para um dado indivíduo, tanto no plano fisiológico como psicológico, 
num preciso momento e em condições determinadas. 
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As variações dos elementos da tarefa e do meio em que esta é realizada exigem que 
o trabalhador adapte permanentemente os seus modos operatórios, concretizados através 
de uma actividade física constante (colocar-se numa determinada postura ou exercer uma 
determinada força) e por uma actividade mental importante (escolher a melhor opção,controlar a postura, ou percepcionar informação). 
 Ou seja, em toda a actividade existem 3 tipos de exigências gerais: 
 Físicas; 
 Cognitivas; 
 Psíquicas. 
 Importa destacar que nenhuma actividade apresenta um único tipo de exigência, não 
obstante existem numerosas actividades nas quais se podem destacar a predominância de 
uma sobre as outras. Eis alguns exemplos: 
 Actividades com grande exigência física: cavar, serrar à mão e transportar de 
materiais pesados; 
 Actividades com grande exigência cognitiva: operador de salas de controlo, e 
piloto de aviação. 
 Actividades com grande exigência psíquica: guardas prisionais e coveiros. 
10.1.1 Carga Física 
 A carga física é o grau de exigência do conjunto de requisitos físicos a que o 
trabalhador se vê submetido durante a jornada de trabalho. A comparação das exigências 
físicas de uma dada tarefa com as capacidades físicas individuais dá-nos a carga de 
trabalho físico a que está submetido o trabalhador que realiza essa tarefa. A carga física 
implica predominantemente um trabalho muscular dinâmico. Podemos considerar como 
tarefas com grande exigência de trabalho físico aquelas que implicam: 
 Que o trabalhador desloque o seu corpo para concretizar acções como caminhar, 
mudar de posição ou saltar; 
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 O manuseamento de cargas, como puxar, levantar, agarrar, transportar; 
 A manutenção do corpo numa determinada postura: de pé, sentado sem apoio. 
 São quatro os factores que determinam o aparecimento de problemas corporais 
devido a carga física: 
 Força utilizada: a força utilizada e o tempo de duração dessa contracção muscular 
estática. Quanto maior for a força utilizada e mantida durante algum tempo maior 
será o prejuízo para o indivíduo; 
 Frequência de repetições: considera-se que um trabalho é repetitivo quando a 
duração do ciclo de trabalho é menor que 30 segundos e quando se dedica mais de 
50% do ciclo de execução na mesma acção. A importância da repetição dos 
movimentos está relacionada com a força utilizada na realização da tarefa; 
 Postura inadequada: é importante a análise tanto das posturas e da utilização de 
movimentos com a amplitude extrema das articulações, como a manutenção da 
mesma postura durante muito tempo; 
 Descanso insuficiente: o descanso durante o trabalho constitui um dos factores 
mais importantes. Dado que se não for adequado não permitirá a recuperação do 
esforço efectuado pelas diferentes partes do corpo que intervêm no trabalho físico. A 
realização contínua de trabalho, tanto dinâmico como estático, debilita as diferentes 
partes do sistema músculo-esquelético, predispondo este sistema para sofre 
perturbações em presença de exigências menores. 
 Os efeitos da carga física para o organismo podem ser classificados em dois grandes 
grupos: 
 Fadiga: cujo efeito é a diminuição na capacidade de realizar um determinado tipo de 
trabalho. A fadiga pode ser reversível através do descanso adequado; ou crónica, 
quando se mantém a capacidade diminuída como consequência de uma exposição 
contínua a períodos de carga física elevada sem tempos de descanso apropriados; 
 Perturbações músculo-esqueléticas em diferentes zonas do corpo: membros 
superiores, coluna e membros inferiores. 
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Para avaliar o trabalho muscular e o seu custo para o organismo, podemos utilizar 
diversos parâmetros, como por exemplo: 
 Os músculos e a proporção de massa muscular utilizada pelo trabalhador; 
 Os fenómenos fisiológicos provocados, isto é, o consumo de energia, a frequência 
cardíaca, a ventilação pulmonar e o consumo de oxigénio, entre outros; 
 As características mecânicas do trabalho durante um dado período de tempo. 
 Por fim, salientar ainda que existe um conjunto de factores intrínsecos e extrínsecos 
ao indivíduo, que poderão ter influência sobre a carga física do trabalho. Esses factores são 
os seguintes: 
 Design dos equipamentos e conteúdo das tarefas: esforços físicos necessários, 
movimentos repetitivos, manutenção de posturas, dimensões do posto de trabalho, 
utilização incómoda de ferramentas ou equipamentos, utilização de ferramentas com 
vibração ou propulsão; 
 Factores do envolvimento físico: ruído, iluminação, vibração, temperatura, 
humidade; 
 Factores pessoais: formação dos operadores, necessidade de utilização de 
equipamento de protecção individual (em particular o uso de luvas provoca na 
maioria dos caso uma maior dificuldade em agarrar, o que implica um aumento das 
força necessárias para realizar a tarefa), pessoas com características 
antropométricas extremas (P5 ou P95) para as quais a grande maioria tem 
dificuldade de ajustar o seu posto de trabalho, presença de patologias anteriores no 
aparelho músculo-esquelético, o efeito do tabaco (tem-se demonstrado que o tabaco 
interfere na irrigação sanguínea dificultando o aporte sanguíneo ao músculo). 
 Aspectos relativos à organização do trabalho: ritmo, intensidade, quantidade de 
trabalho, prémios por produtividade, períodos de descanso, pausas entre as 
diferentes fases de trabalho, realização de trabalho monótono e repetitivo, realização 
de movimentos muito precisos. 
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10.1.2 Carga Mental 
O conceito de «carga mental» está a adquirir cada vez mais importância, em parte 
porque a tecnologia tem contribuído para a mudança de um trabalho predominantemente 
físico para um trabalho com uma componente mais mental. Sendo cada vez maior o número 
de trabalhadores expostos a este factor de risco. 
Relativamente à carga mental, sabemos que todo o trabalho põe em jogo actividades 
cognitivas e intelectuais, como por exemplo procurar e compreender informação (sinais, 
códigos), decidir e memorizar regras de actuação. 
Também no caso específico da carga mental, podemos fazer a distinção entre duas 
situações, como indica o Quadro 1: 
Quadro 1: Diferença entre sobrecarga mental e subcarga mental. 
 
 
 
 
 
 
Ao contrário do que acontece noutros riscos, como por exemplo relativamente ao 
risco de contaminantes químicos, onde o nível óptimo será aquele em que não existe 
nenhuma quantidade de contaminante, a carga mental não segue esta relação. Pelo 
contrário, é desejável um nível mínimo de actividade que permita aos trabalhadores manter 
um nível de activação e motivação adequado, reduzindo assim a probabilidade de 
ocorrência de um erro ou acidente, tal como podemos ver na Figura 12. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 12: Relação entre o nível de risco e a subcarga/sobrecarga mental resultante do trabalho. 
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Os aspectos relacionados com a carga mental de um posto de trabalho analisam-se 
segundo dois grandes grupos (Figura 13): 
 Relativo ao envolvimento de trabalho: exigências da tarefa, condições ambientais, 
organização do trabalho e factores sociais; 
 Relativos ao indivíduo: motivação, capacidade funcional, idade, personalidade, 
formação, estado de saúde, entre outros. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 13: Factores influenciadores da carga mental sentida pelo trabalhador. 
 
 
 Podemos dizer que, de uma forma resumida, a carga mental, ou melhor, a tensão 
mental, produz dois tipos de efeitos sobre o indivíduo: 
 Efeitos facilitadores: facilitam a adaptação entre o trabalhador e a tarefa a realizar, 
considerando-se como uma consequência positiva sobre o trabalhador (experiência 
numa determinada tarefa pode implicar uma diminuição do esforço aplicado no início 
da actividade); 
 Efeitos prejudiciais: afectam a saúde do trabalhador, destacando-se os seguintesefeitos prejudiciais: 
o Fadiga mental: diminuição transitória da eficiência funcional mental e física, que 
depende da intensidade, da duração e da tensão mental anterior; 
o Monotonia; 
o Vigilância reduzida; 
o Saturação mental. 
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À semelhança do que acontece com a carga física, também na carga mental temos 
diferentes níveis em relação aos efeitos provocados no ser humano: 
 Carga Mental Normal ou fisiológica: aparece como uma reacção homeostática do 
organismo para se adaptar ao meio. O organismo procurará o repouso como meio de 
recuperação deste equilíbrio. Implica a deterioração temporal do organismo, mas que 
é recuperável mediante o descanso adequado. Como sintomas deste tipo de fadiga 
temos a diminuição da atenção, lentidão no pensamento e diminuição da motivação; 
 Carga Mental Crónica: quando o excesso de fadiga acumulada conduz a uma 
destabilização geral do organismo. Aparece não por um aumento esporádico de 
carga mental, mas por uma repetição de uma determinada situação de carga. Os 
sintomas que aparecem podem sentir-se durante e depois do trabalho de forma 
permanente e são por exemplo: instabilidade emocional (irritabilidade, ansiedade, 
estados depressivos), falta de energia, insónias, perturbações de sono, alterações 
psicossomáticas (vómitos, alterações cardíacas, problemas digestivos). 
10.2 Trabalho nocturno 
A Subsecção VI da Secção II do Código do Trabalho (Lei 7/2009 de 12 Fevereiro) 
estabelece parâmetros legais em relação ao trabalho nocturno, como por exemplo a 
definição do conceito, a duração do trabalho do trabalhador nocturno e as protecções legais 
que assistem este trabalhador. Assim, no artigo 223º. podemos ler que: 
 Considera-se trabalho nocturno o prestado num período que tenha a duração mínima 
de sete horas e máxima de onze horas, compreendendo o intervalo entre as 0 e as 5 
horas; 
 O período de trabalho nocturno pode ser determinado por instrumento de 
regulamentação colectiva de trabalho, com observância do disposto no número 
anterior, considerando-se como tal, na falta daquela determinação, o compreendido 
entre as 22 horas de um dia e as 7 horas do dia seguinte. 
É geralmente aceite que o trabalho nocturno tem resultados menos positivos que o 
trabalho realizado durante o dia. Assim sendo, será conveniente avaliar as consequências 
do trabalho nocturno sobre o trabalhador, bem como o próprio desempenho do trabalhador 
em termos de produtividade e performance. 
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Quando partimos para a avaliação destes parâmetros devemos considerar alguns 
pressupostos, como por exemplo: 
 A ritmicidade natural para diversas funções do nosso corpo segue um 
comportamento periódico, definido de acordo com a sua frequência, e classificado 
em 3 tipos: 
 Ritmo Circadiano: tem frequência entre as 20 e as 28 horas, ou seja ritmos com um 
período cerca de um dia (relógio biológico do Homem); 
 Ritmo Ultradiano: tem uma duração inferior a 20 horas, logo uma frequência 
elevada (Frequência cardíaca, libertação de hormonas e ventilação pulmonar); 
 Ritmo Infradiano: tem duração superior a 28 horas, logo uma frequência baixa (ciclo 
ovárico nas mulheres). 
 O Homem é uma criatura diurna, naturalmente habituado a dormir de noite e a estar 
acordado e activo durante o dia. Em condições normais, os ritmos circadianos 
(relógio biológico do Homem) são alinhados de modo a estabelecerem um estado de 
vigilância durante o dia e o sono durante a noite. O ser humano passa por uma fase 
de performance (ergotrópica, maior vigilância e temperatura corporal) durante o dia, 
e por uma fase de relaxamento e recuperação (trofotrópica, menor vigilância e 
temperatura corporal) durante a noite. Estar activo durante a noite é portanto estar a 
ir contra a natureza do ser humano. 
 Os ritmos circadianos são lentos a adaptarem-se à rotina do trabalho nocturno, 
demorando este processo cerca de uma semana. 
 O trabalho nocturno é um tipo de trabalho com características muito especiais e 
propício ao aparecimento de diversos tipos de problemas. Trata-se porém de um tipo de 
trabalho que, em regra geral, se traduz numa melhor remuneração. 
 Um dos problemas principais é o aumento da frequência de erros, resultado de um 
estado se sonolência, bem como da maior demora da reacção e da sua própria qualidade. 
Este facto tem consequências para o desempenho do trabalhador e para o próprio sistema, 
reflectindo-se em níveis de produtividade inferiores. Em contextos muito específicos como 
indústrias nucleares ou controlo de tráfego aérea, estas consequências podem mesmo ser 
catastróficas. 
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 Outro dos problemas associados ao trabalho nocturno, quando este se prolonga 
durante largos espaços temporais, está relacionado com o défice se sono, resultado da má 
qualidade do sono durante o dia e da quantidade de sono efectvo. 
 Efeitos a curto prazo da insuficiência de sono: cansaço e sonolência, diminuição 
da memória de curto-prazo, diminuição da criatividade, lentidão do raciocínio, 
desatenção e dificuldade de concentração; 
 Efeitos a longo prazo da insuficiência de sono: envelhecimento precoce, 
diminuição do tonos muscular, comprometimento da memória e do sistema 
imunológico, tendência a desenvolver obesidade, diabetes e doenças 
cardiovasculares. 
Uma maior irritabilidade e estado de má disposição são também frequentemente 
apontados como problemas que advêm do trabalho nocturno, em resultado de um descanso 
insuficiente e do acumular de fadiga física e mental. 
Os distúrbios gastrointestinais tendem também a manifestar-se, resultado do facto 
dos trabalhadores nas pausas para o efeito basearem a sua alimentação em pequenos 
lanches, sendo raro o recurso a uma “comida quente”. Devemos também lembrar-nos que o 
sistema digestivo vai ter de funcionar, num período que em termos biológicos deveria ser de 
repouso. 
O absentismo é um parâmetro que deve ser tido em conta no que diz respeito ao 
garantir das condições de segurança, pois se alguém falta é pedido a outra pessoa que 
desempenhe o seu trabalho, mesmo se esta tiver pouco ou nenhum conhecimento em 
relação à actividade que vai desempenhar. No caso do trabalho nocturno, o absentismo 
pode ser resultado das elevadas exigências do trabalho, da desmotivação que este pode 
gerar e, em determinados contextos, da falta de uma correcta supervisão. Seja como for, o 
absentismo apresenta uma implicação negativa para a produtividade e qualidade dos 
serviços prestados. 
Imaginemos ainda os casos em que o trabalhador não pode desempenhar a sua 
tarefa, simplesmente porque as ferramentas e equipamentos de que necessita não se 
encontram em condições, não havendo ninguém para os reparar. 
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Em muitos casos o trabalho nocturno é completamente diferente daquele que é 
realizado durante o dia no mesmo sector, sendo particularmente útil no assegurar ao turno 
da manhã das condições ideais de desenvolvimento da actividade. 
A situação ideal seria a eliminação do trabalho nocturno, no entanto as necessidades 
da sociedade actual não o permitem, sendo então fundamental diminuir a sua influência 
sobre o trabalhador. Curiosamente, para fazer face às necessidades da sociedade, o 
trabalhador nocturno sacrifica a sua própria vida social e até mesmo familiar, por exemplo 
ao sair de casa na altura em que os filhos chegam, ou no não participar em actividades 
diurnas de lazer porque se encontra cansado. 
10.3 Trabalho por turnos 
A Subsecção V da Secção II do Código do Trabalho (Lei 7/2009 de12 Fevereiro) 
estabelece parâmetros legais em relação ao trabalho por turnos, como por exemplo a 
definição do conceito, a forma como estes devem ser organizados e os meios de protecção 
em matéria de segurança e saúde no trabalho. Assim, no artigo 220º podemos ler que: 
 Considera-se trabalho por turnos qualquer organização do trabalho em equipa em 
que os trabalhadores ocupam sucessivamente os mesmos postos de trabalho, a um 
determinado ritmo, incluindo o rotativo, contínuo ou descontínuo, podendo executar o 
trabalho a horas diferentes num dado período de dias ou semanas. 
Como vimos no ponto anterior, a inversão dos tempos em que normalmente se 
trabalha, come e dorme dá origem a alterações fisiológicas, principalmente quando se 
verifica a existência de actividade durante o período da noite. A organização do sistema de 
turnos deve ser feita em função das necessidades dos trabalhadores e do próprio sistema. 
Caso se verifique a existência de trabalho por turnos, será conveniente proceder, o 
mais cedo possível, a uma análise e avaliação ergonómica dos postos de trabalho e do 
sistema de trabalho em, focando parâmetros como: 
 As condições do ambiente físico; 
 A carga de trabalho; 
 A organização do sistema de turnos. 
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 Pedro Brigas, 2015 93 
De entre as recomendações relativas à forma como deve ser organizado o sistema 
de turnos, destacam-se as seguintes: 
 Evitar que o turno da manhã se inicie muito cedo e reduzir ao máximo o trabalho 
nocturno; 
 Evitar sequências rápidas, isto é, com um intervalo de apenas 8 horas; 
 Preferir rotação para a frente, isto é, o trabalhador começa no turno da manhã, passa 
para o da tarde e só depois para o da noite, seguindo-se um período de folga; 
 Só em condições excepcionais devem ser aceites turnos prolongados, isto é, com 
duração entre 9 e 12 horas. 
Verifica-se a existência de várias modalidades de trabalho por turnos: 
 Trabalho por turnos descontínuos: este tipo de organização não funciona durante 
a noite nem ao fim de semana. Os equipamentos operam entre 75 e 80 horas por 
semana. Implica a existência de 2 equipas de trabalho; 
 Trabalho por turnos semi-contínuo: os equipamentos são utilizados, dia e noite, 
durante 5 dias. Implica a existência de 3 equipas de trabalho; 
 Trabalho por turnos contínuo: as equipas de trabalho distribuem-se pelos 
diferentes postos de trabalho 24 horas por dia, durante toda a semana. O trabalho é 
organizado em 4, 5 ou mais equipas. 
O sistema de trabalho por turnos pode ainda ser classificado em relação à 
velocidade de rotação: 
 Rotação rápida: requer que as pessoas nunca passem mais do que 3 dias 
sucessivos no turno da noite; 
 Rotação Lenta: requer períodos de várias semanas ou até meses, passados no 
turno da noite, a que se seguem períodos de duração correspondente ou superior 
nos períodos diurnos; 
 Rotação semanal: o período de rotação coincide com a semana de trabalho; 
 Turno permanente: turnos fixos sem rotação. 
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11. MÉTODOS DE ANÁLISE DE RISCO 
Apesar dos consideráveis recursos utilizados no estudo de possíveis factores 
causais para o surgimento de LMERT, o conhecimento sobre os possíveis efeitos de danos 
anteriores e sobre a progressão e persistência de LMERT, é ainda muito reduzido. Os 
mecanismos que explicam a relação entre os factores psicossociais de exposição ao risco e 
as LMERT ainda se mantêm, em grande parte, desconhecidos. 
A atenção voltou-se para a caracterização da exposição mais crítica ao risco físico e 
para o desenvolvimento de métodos válidos para medir essa exposição, de forma a 
identificar postos de trabalho potencialmente perigosos ou factores de risco no trabalho. 
A maioria dos métodos desenvolvidos para avaliar a exposição aos factores de risco 
de LMERT foca-se na zona superior do corpo, coluna, pescoço e membros superiores. Isto 
acontece porque a prevalência dos problemas músculo-esqueléticos relacionados com o 
trabalho nos membros inferiores é menos frequentemente reportada do que nos segmentos 
superiores do corpo. 
Existe uma variedade de métodos de avaliação dos factores de risco físicos que vão 
desde medições extremamente simples a complexas técnicas analíticas. Podemos referir-
nos a questionários de auto-avaliação, a métodos instrumentais ou directos e a métodos 
observacionais. 
Esses métodos têm em consideração diversos aspectos da actividade de trabalho, 
como por exemplo a postura do trabalhador, a força exercida por este, o tipo de pega e a 
repetitividade e duração de exposição. 
Apesar dos diversos métodos de avaliação de risco de LMERT existentes 
actualmente, a realidade é que a sua aplicação muitas vezes não é considerada, algo a que 
não será alheia a dificuldade de escolha do método adequado em determinada situação. 
11.1 Questionários de auto-avaliação 
A avaliação da exposição aos factores de risco de LMERT pode ser efectuada 
através de questionários auto-preenchidos pelos trabalhadores, normalmente através de 
registos escritos, podendo ainda recorrer-se à utilização de vídeos de tarefas ou 
questionários on-line 
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Os questionários de auto-avaliação são apelativos devido à sua relativa facilidade de 
utilização, à sua aplicabilidade a muitas situações, à possibilidade de avaliar um grande 
número de indivíduos num curto espaço de tempo e ao seu baixo custo. Uma desvantagem 
prende-se com o facto da informação resultante poder ser, potencialmente, menos fiável e 
mais facilmente influenciada por factores pessoais. 
O Nordic Muskuloskeletal Questionnaire (NMQ) (Kuorinka et al., 1987) é um dos 
questionários de autoavaliação mais utilizados, focalizando-se nas queixas do pescoço, 
ombros, coluna e do corpo em geral. Trata-se de um método subjectivo de recolha de 
dados, cuja informação recolhida possibilita avaliar a prevalência de lesões, sendo muitas 
vezes utilizado como forma de despiste da necessidade de aplicação de outros métodos 
mais desenvolvidos. 
O NMQ tem vindo a ser traduzido e validado para várias línguas, sendo que 
podemos encontrar várias adaptações em português (Fernandes, 1999; Serranheira, Uva & 
Lopes, 2008; Mesquita, Ribeiro & Moreira, 2010). As adaptações mantêm a estrutura do 
questionário original, embora seja possível encontrar claras diferenças entre elas. 
Na estrutura original do questionário podemos identificar dois grandes conjuntos de 
questões O primeiro conjunto é orientado para a recolha de informação pessoal do operador 
(idade, antiguidade, lateralidade, altura, peso, estado de saúde, entre outros) e dados 
referentes à organização do trabalho (sector, tipo de contrato, horário, entre outros). 
O segundo conjunto incluiu três grupos de questões relativas à ocorrência de 
sintomas de fadiga, desconforto ou dor em 9 segmentos corporais (coluna cervical, ombros, 
cotovelos, punhos/mãos, coluna dorsal, coluna lombar, coxas, pernas e tornozelos/pés). Os 
3 grupos de questões referem-se à experiência de sintomas nos últimos 12 meses e 7 dias, 
bem como, aos constrangimentos que os sintomas provocaram na realização de tarefas 
normais nos últimos 12 meses. 
Quanto às diferenças, podemos destacar a existência ou não de escalas, a 
apresentação destas e o aprofundar das questões relativas a alguns segmentos corporais. 
11.2 Métodos Directos 
Foram também desenvolvidos métodos baseados em sensores que são aplicados 
directamente nos trabalhadores para medir as variáveis de exposição ao trabalho, 
denominados métodos directos. 
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Estes métodos vão desde simplesaparelhos manuais para medir o alcance do 
movimento da articulação, até goniómetros electrónicos que gravam continuamente o 
movimento das articulações durante a execução de uma tarefa. 
No que respeita aos aparelhos manuais (ex: inclinómetro), estes são aplicados no 
segmento do corpo e a medida angular da secção do corpo é indicada pelo aparelho. 
 Esta técnica apresenta como vantagens o facto de ser relativamente barata e fácil 
de aplicar, podendo a postura do corpo ser detalhadamente descrita. 
Por outro lado, por ser normalmente usada em situações de trabalho estático, esta 
técnica não é apropriada em situações dinâmicas onde é necessário monitorizar o 
movimento contínuo. 
No que respeita aos métodos instrumentais electrónicos, existem diversos tipos de 
métodos directos, entre os quais o sistema goniométrico. Os goniómetros são colocados no 
corpo e efectuam registos continuamente. 
São leves, flexíveis e permitem a medição simultânea do movimento do corpo em 
duas direcções. Os dados são gravados, o que permite a aquisição de dados sem 
influenciar a performance do utilizador, e posteriormente transferidos para um 
computador/servidor para análise. 
No entanto, apresentam também desvantagens, como o facto de a aplicação de 
sensores directamente no trabalhador pode provocar desconforto, o que pode resultar em 
alterações no comportamento do mesmo no trabalho. Para além disso, a recolha de uma 
enorme quantidade de dados pode vir a tornar-se uma desvantagem em alguns casos, uma 
vez que, por constrangimentos temporais, tornar-se-á impraticável a análise e interpretação 
dos mesmos. Estes equipamentos têm um grande custo ao nível do investimento e 
manutenção, sendo necessários técnicos altamente qualificados para a sua correcta 
utilização. 
11.3 Métodos Observacionais 
Os métodos observacionais são vistos como a melhor solução para avaliar a 
exposição individual ao risco físico em estudos epidemiológicos de grande escala. Estes vão 
de simples métodos baseados em papel e lápis a métodos avançados, com recurso a 
computador e gravação vídeo. 
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 Alguns métodos avaliam apenas as posturas de vários segmentos corporais mas a 
maioria avalia também factores críticos de exposição física, como por exemplo a força, a 
duração das actividades, a repetitividade de movimentos ou o tipo de pega em actividades 
que envolvam transporte manual de cargas. 
 Os métodos observacionais mais simples têm a vantagem de serem pouco 
dispendiosos, abrangendo um grande número de diferentes postos de trabalho, nos quais 
seria complicado utilizar outros métodos devido à desestabilização que causariam 
Por outro lado, a sua principal desvantagem está relacionada com o procedimento 
registo, que por ser intermitente tem pouca precisão, o que reduz a fiabilidade. 
O facto de existirem tantos métodos observacionais simples de avaliação de risco 
(Tabela 3), muitos deles similares, revela a crescente importância que se começa a atribuir à 
existência real de riscos de LMERT nos postos de trabalho. No entanto, tal facto contribui 
também para a dificuldade sentida pelos profissionais em escolher o método observacional 
adequado para cada situação. 
 Para além dos métodos observacionais simples existem ainda os métodos 
observacionais avançados, que recorrem à gravação vídeo e a programas informáticos. 
Como exemplos podemos referir o método ARBAN, o método VIRA, o método de 
Armstrong, o método ERGO_X, o método ROTA, o método TRAC, o método HARBO, o 
método PEO, entre muitos outros. 
 De entre as vantagens destes métodos podemos destacar a possibilidade de 
manusear os dados das posturas em tempo real. Por outro lado, dado que os movimentos 
do corpo podem ser gravados/registados, é evitada a presença de um observador e por 
consequência os constrangimentos que esta pode originar. 
 Como desvantagens é de apontar que a análise das gravações requer um analista 
muito bem treinado de forma a poder caracterizar correctamente as posturas de trabalho, os 
elevados custos associados a equipamentos, o muito tempo despendido para análise dos 
dados e as dificuldades na avaliação de posturas extremas dos membros superiores no 
monitor, em particular dos pulsos e dos cotovelos. 
 Apesar da evolução verificada nos métodos observacionais avançados, a sua 
utilização é ainda muito reduzida quando comparada com a dos métodos observacionais 
simples. 
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Tabela 3: Síntese de alguns métodos observacionais simples. 
Método Referência Características Foco 
RULA 
(McAtamney & 
Corlett, 1993) 
Análise de risco postural, dinâmico e estático. Inclui 
a carga/força e a repetitividade. 
Membros 
superiores 
SI 
(Moore & Garg, 
1995) 
Medição de seis variáveis da tarefa: intensidade do 
esforço, duração do esforço por ciclo de trabalho, 
número de esforços por minuto, postura da 
mão/pulso, velocidade de execução e duração da 
tarefa por dia. 
Extremidades 
Membros 
superiores 
OCRA 
(Occhipinti & 
Colombini, 2005) 
Avaliação do risco considerando aspectos como as 
posturas, a repetitividade, a frequência, a 
carga/força, a duração do trabalho e as pausas 
Membros 
superiores 
OWAS 
(Karhu, Kansi, 
& Kuorinka, 1977) 
Avaliação da postura da coluna, dos membros 
superiores e inferiores e da força muscular 
envolvida. 
Coluna, 
Membros 
superiores e 
inferiores 
REBA 
(Hignett & 
McAtamney, 
2000) 
Análise de risco de posturas de corpo inteiro 
desenvolvida para avaliar posturas de trabalhos 
imprevisíveis. Inclui carga/força e “pega”. 
Corpo Inteiro 
(postura) 
LUBA 
(Kee & 
Karwoswski, 
2006) 
Avaliação de risco da carga postural dos membros 
superiores em posturas sentadas e posturas de pé, 
face ao tempo de manutenção e ao desconforto 
percebido. 
Tronco e 
Membros 
superiores 
HAL (Latko et al., 
1997) 
Avaliação da frequência dos movimentos da 
mão/pulso, picos de forças e outros factores, em 
ciclos de trabalho de 4 ou mais horas. 
Membros 
superiores 
distais 
HAMA 
(Christmansson, 
1994) 
Avaliação do risco postural das mãos e braços em 
tarefas e actividades que requerem o uso de 
membros superiores. 
Membros 
superiores 
OSHA 
Checklist 
(Silverstein, 
1997) 
Lista de verificação de factores de risco para 
determinação de problemas que necessitem de 
avaliação mais detalhada 
Membros 
superiores 
Plibel 
(Kemmlert, 
1995) 
Lista de verificação para identificar factores de risco 
de LMERT. Constituída por questões relativas a 
posturas incorrectas, movimentos de trabalho 
cansativos, aspectos relacionados com ferramentas 
e com o posto de trabalho, condições ambientais e 
condições organizacionais 
Identificação 
de factores 
de risco 
QEC 
(David, Woods, 
Li, & Buckle, 
2008) 
Lista que avalia a exposição ao risco de LMERT 
providenciando informação para intervenções 
ergonómicas. Entre outros são avaliadas as 
posturas e os movimentos repetitivos do posto de 
trabalho 
Coluna e 
Membros 
superiores 
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11.3.1 Método RULA 
 O método RULA (Rapid Upper Limb Assessment), um dos métodos mais utilizados 
em estudos ergonómicos, foi desenvolvido por E. Nigel Corlett e Lynn McAtamney 
(University of Nottingham’s, Institute for Occupational Ergonomics) com o objectivo de 
investigar a exposição dos trabalhadores aos factores de risco associados aos membros 
superiores, embora também incorpore na sua análise outros segmentos corporais, como o 
tronco, a cabeça e os membros inferiores. 
 O RULA é frequentemente utilizado em análises de risco em tarefas sedentárias, tais 
como a utilização de computadores, manufactura ou outras onde o trabalhador se encontra 
sentado ou de pé sem andar.A aplicação propriamente dita do método (Figura 14 e Anexo 1) consiste no registo 
fotográfico das diferentes posturas de trabalho a analisar, classificando-as depois através de 
um sistema de pontuação, utilizando para tal diagramas de posturas do corpo e tabelas que 
avaliam os factores de risco externos, como o trabalho estáctico e a repetição de 
movimentos, bem como os requisitos de força ou carga associados à tarefa. A escolha das 
posturas a analisar é feita em função das actividades que se julguem poder constituir um 
maior risco para o trabalhador, estando portanto dependente da sensibilidade, conhecimento 
e experiência do analista. 
 
Figura 14: Esquema de Aplicação do Método RULA (adaptado). 
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Deve ser registada a postura de trabalho nos planos sagital e frontal, analisando-se 
depois a postura dividindo-se o corpo em 2 grupos (A e B): 
 Grupo A: Braço, antebraço, pulso e rotação do pulso; 
 Grupo B: Pescoço, tronco e membros inferiores. 
 O primeiro passo será atribuir uma pontuação a cada segmento corporal dos grupos 
A e B, utilizando para tal as respectivas referências de intervalos posturais. Não devemos 
esquecer de considerar possíveis alterações às pontuações anteriormente obtidas, estando 
estes casos devidamente identificados. 
Depois de obtidas as pontuações de cada segmento corporal dos grupos A e B, 
procede-se à obtenção da pontuação postural total de cada grupo. As pontuações obtidas 
pelos segmentos do Grupo A são combinadas numa tabela (Tabela A), enquanto as 
pontuações obtidas pelos segmentos do Grupo B são combinadas noutra tabela (Tabela B). 
De seguida, acrescenta-se a pontuação para a actividade muscular e carga/força 
para cada um dos grupos, o que resulta nas pontuações finais de cada Grupo. 
As duas pontuações são então combinadas na Tabela C, obtendo-se o resultado 
final da aplicação do método RULA. Por fim, faz-se a correspondência entre o valor obtido 
na tabela anterior e o valor do Nível de Acção, determinando-se assim a urgência de 
investigação e de realização de modificações no posto de trabalho. 
As principais vantagens do método RULA são o seu baixo custo, a sua elevada 
precisão, a facilidade e rapidez de aplicação e a simplicidade na apresentação dos 
resultados, sendo a pontuação final representada por um algarismo apenas, o que o torna a 
ferramenta adequada para as equipas analistas fazerem sugestões e recomendações à 
gestão. 
Quanto a desvantagens podemos assinalar o muito tempo consumido pela sua 
aplicação em grandes amostras de trabalhadores, para além de não ter em consideração 
factores como o tempo contínuo das operações, as características individuais (idade, 
experiência, estatura, resistência física e historial clínico, entre outros), a duração das 
actividades, a repetição, os factores ambientais no posto de trabalho e os factores 
psicossociais. 
 
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11.3.2 Método REBA 
O método REBA (Rapid Entire Body Assessment) foi desenvolvido por Hignett e 
McAtamney (2000) para avaliar posturas imprevisíveis adoptadas em postos de trabalho no 
sector da saúde (movimentação de doentes) e sector industrial. 
Enquanto o método RULA tem sido muito utilizado em estudos de investigação 
ergonómica ao nível do trabalho informatizado, o método REBA é tido como o ideal a utilizar 
em avaliações a situações em que o trabalhador desenvolve a sua actividade em pé. 
Uma das características deste método é o facto de considerar a importância da pega 
(coupling) no manuseamento das cargas, pega essa que nem sempre é feita com as mãos. 
 A sua aplicação é muito semelhante à aplicação do método RULA, envolvendo: 
1. A observação da tarefa; 
2. A selecção das posturas a avaliar; 
3. O seu registo fotográfico; 
4. A atribuição de pontuações às posturas; 
5. O tratamento dessas pontuações; 
6. O identificar de uma pontuação final; 
7. O estabelecer do nível de acção e da necessidade de intervenção. 
 Aprofundando um pouco mais a metodologia de aplicação do método REBA (Figura 
15 e Anexo 2), podemos dizer que o primeiro passo passa por atribuir uma pontuação a 
cada segmento corporal dos grupos A e B, utilizando para tal as respectivas referências de 
intervalos posturais: 
 Grupo A: Tronco, pescoço e pernas. 
 Grupo B: Braço, antebraço e pulsos. 
 No método REBA também são definidos factores que quando presentes alteram a 
pontuação anteriormente dada. As pontuações das posturas do grupo B são efectuadas 
separadamente para o lado direito e esquerdo. 
 
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Figura 15: Esquema de Aplicação do Método REBA. 
 
 Depois de obtidas as pontuações de cada segmento corporal dos grupos A e B, 
procede-se à obtenção da pontuação postural total de cada grupo; As pontuações obtidas 
pelos segmentos do Grupo A são combinadas numa tabela (Tabela A), enquanto as 
pontuações obtidas pelos segmentos do Grupo B são combinadas noutra tabela /Tabela B). 
 De seguida, ao total postural do Grupo A soma-se o valor da carga/força, obtendo-se 
a Pontuação Total A, enquanto ao total postural do Grupo B se soma o valor da pega, 
obtendo-se a Pontuação Total B. A Pontuação Total A e B são então combinadas na Tabela 
C, originando a Pontuação C. 
 À Pontuação C soma-se a pontuação da actividade, caso exista, obtendo-se assim o 
resultado final da aplicação do método REBA. De notar que aqui se pode assinalar mais do 
que uma opção. Caso se assinalem duas, soma-se 2, caso se assinalem as três, soma-se 3. 
Caso esta pontuação não se verifique, soma-se 0. 
 Por fim, faz-se a correspondência entre o valor obtido na tabela anterior e o valor do 
Nível de Acção, determinando-se assim a necessidade e urgência de intervenção no posto 
de trabalho. 
 
 
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11.3.3 Método OWAS 
O método OWAS (Ovako Working Posture Analysing System) é um Método de 
Análise de Risco desenvolvido pela Ovako Oy Company em conjunto com o Instituto 
Finlandês de Saúde Ocupacional. Baseia-se sobretudo na análise fotográfica das principais 
posturas típicas, tendo sido originalmente pensado com o objectivo de analisar posturas de 
trabalho na indústria do aço. 
A aplicação do método OWAS passa, numa primeira fase, por observar 
detalhadamente o trabalho, identificando as actividades que se pretendem avaliar. Para tal, 
devem ser observados vários ciclos de trabalho, sendo que as actividades selecionadas são 
aquelas que o analista considera de maior constrangimento para o operador. Por esta razão, 
a experiência e sensibilidade do analista é de extrema importância. 
De seguida, procede-se ao registo vídeo das actividades selecionadas. Recorrendo a 
intervalos de tempo variáveis ou constantes, identificam-se os diferentes momentos a 
avaliar. 
Parte-se então para a avaliação da postura e da carga / uso da força. 
Após terem sido efectuadas mais de 36 mil observações em 52 actividades para 
testar o método, foram definidas 84 (4x3x7) posturas típicas, que resultaram de diferentes 
combinações de posições da coluna, membros superiores e membros inferiores. Se 
considerarmos a carga / uso de força, podemos falar em 252 (84x3) posturas típicas. 
 Coluna: 4 posições típicas; 
 Braços: 3 posições típicas; 
 Pernas: 7 posições típicas; 
 Carga / Uso da Força: 3 valores típicos. 
 Para codificar as posturas atribui-se 4 pontuações, uma pontuação à coluna, outra 
aos membros superiores, outra aos membros inferiores e, finalmente, outra ao critério carga 
/ uso da força, conforme o estabelecido na Tabela 4. Em alguns trabalhos,de carácter mais 
exaustivo, por forma a evitar confusão na apresentação dos dados, é atribuído um código 
entre 00 e 99 a cada postura analisada. 
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Tabela 4: Pontuação para as diferentes posturas segundo o método OWAS. 
Coluna Pontuação 
Erecta 1 
Inclinada para a frente ou para trás 2 
Erecta e torcida 3 
Inclinada e torcida 4 
Membros Superiores Pontuação 
Os dois braços abaixo do nível dos ombros 1 
Um braço ao nível ou acima do ombro 2 
Os dois ao nível ou acima dos ombros 3 
Membros Inferiores Pontuação 
Sentado 1 
De pé, apoio bilateral, joelhos estendidos 2 
De pé, apoio unilateral, joelhos estendidos 3 
De pé ou agachado, apoio bilateral, joelhos flectidos 4 
De pé ou agachado, apoio unilateral, joelho flectido 5 
Ajoelhado (um ou os dois joelhos) 6 
Caminhando ou em movimento 7 
Carga / Uso da Força Pontuação 
Menor ou igual a 10 Kg 1 
Mais de 10 Kg até 20 Kg 2 
Mais de 20 Kg 3 
 
Depois de codificadas as posturas verifica-se a categoria de risco inerente mediante 
as combinações das diferentes pontuações (Tabela 5). 
Por fim, de acordo com a categoria de risco anteriormente obtida, as posturas são 
classificadas numa de quatro categorias de acção, conforme a Tabela 6, permitindo ao 
analista avaliar a necessidade e / ou urgência das medidas correctivas a tomar. 
 
 
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Tabela 5: Categorias de risco para a classificação da combinação de posturas individuais no método OWAS. 
Legenda: CL – Coluna, MS – Membros Superiores, MI - Membros Inferiores, C – Carga / Uso da Força. 
 
 
Tabela 6: Categorias de acção do método OWAS. 
 
O método OWAS apresenta como principal vantagem o facto de ser extremamente 
simples de aplicar, quando comparado com outros métodos, para além de não acarretar 
grandes custos, pelo que pode ser considerado um bom método de “despiste”, ideal para 
avaliar a necessidade de aplicar métodos mais precisos e completos. Para além disso, 
proporciona uma rápida identificação da gravidade das posturas assumidas, demonstra 
benefícios na monitorização das tarefas que impõem constrangimentos ao operador e indica 
quais as zonas anatómicas mais atingidas bem como a urgência das acções a tomar. 
Como desvantagens podemos apontar o facto de analisar a postura de forma muito 
generalista, não tendo em consideração a avaliação do pescoço, dos pulsos e do antebraço, 
para além de factores de risco como a vibração e o tipo de pega. A falta de precisão e a sua 
menor aplicabilidade a situiações de trabalho dinâmicas, são outras críticas apontadas ao 
método. 
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 Pedro Brigas, 2015 106 
BIBLIOGRAFIA 
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 Decreto-lei n.º 182/2006, de 6 de Setembro. Diário da República n.º 172 - I série - A, 
pp. 6584-6593. Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social. Transpõe para a 
ordem jurídica interna a Directiva n.º 2003/10/CE, do Parlamento Europeu e do 
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coluna: estudo comparativo entre nadadores de lazer e nadadores de competição. 
UC 5: Ergonomia no Trabalho 
 
 
Pós-Graduação em Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho 
 Pedro Brigas, 2015 107 
Tese de Mestrado em Ciências da Fisioterapia. Faculdade de Motricidade Humana, 
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Aparelho Locomotor: Exercícios e Estudos Práticos. Faculdade de Motricidade 
Humana, Edições FMH. 
 Pezarat-Correia, P. (2012). Aparelho Locomotor, Volume II: Função Neuromuscular e 
Adaptações à Actividade Física. Cruz-Quebrada: Faculdade de Motricidade Humana, 
Edições FMH. 
 Pezarat-Correia, P. & Espanha, M. (2010). Aparelho Locomotor, Volume I: 
Anatomofisiologia dos Sistemas Nervoso, Osteoarticular e Muscular. Cruz-Quebrada: 
Faculdade de Motricidade Humana, Edições FMH. 
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 Pedro Brigas, 2015 110 
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músculo-esqueléticas relacionadas com o trabalho: Guia de Orientação para a 
Prevenção. Programa nacional contra as doenças reumáticas. Lisboa: Direcção-
Geral da Saúde, DGS. 
 Vieira, F. & Fragoso, I. (2006). Morfologia e Crescimento. Cruz-Quebrada: Faculdade 
de Motricidade Humana, Edições FMH. 
 
UC 5: Ergonomia no Trabalho 
 
 
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ANEXOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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ANEXO 1 
 
Aplicação do Método RULA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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ANEXO 2 
 
Aplicação do Método REBA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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