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CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 – CONSTITUIÇÃO CIDADÃ E CRIAÇÃO DO SUS 
 
 
1. CONSTITUIÇÃO FEDERAL E A SAÚDE 
 
A Constituição Federal de 1988, também conhecida como “Constituição Cidadã”, nos pontos que 
se referem à saúde, foram inspirados no relatório da histórica 8ª Conferência Nacional da Saúde, por 
reivindicação de grupos da sociedade civil organizada. 
Os fundamentos do SUS estão expressos na seção II (da Saúde) do capítulo II (da Seguridade 
Social) do título VIII (da Ordem Social) da Constituição Federal. 
Em termos gerais esta seção II estabelece: 
Os direitos dos usuários, os deveres do estado e as diretrizes da organização do sistema; 
- Como será o financiamento desse sistema; 
- A participação da iniciativa privada e de empresas de capital estrangeiro na assistência à saúde; 
- As atribuições do sistema e 
- A admissão de agentes comunitários de saúde e de combate às endemias (o último, incorporado 
mais recentemente). 
 
 
1.1 Histórico do SUS 
 
A Constituição de 1988 foi um marco na história da saúde pública brasileira, ao definir a saúde 
como "direito de todos e dever do Estado". Porém a implementação do SUS tem sido realizada de forma 
gradual. 
Primeiro veio o SUDS; depois, a incorporação do INAMPS ao Ministério da Saúde (Decreto nº 
99.060, de 7 de março de 1990); e por fim a Lei Orgânica da Saúde (Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 
1990) estabeleceu efetivamente as diretrizes para a organização do SUS. 
Poucos meses após a publicação da 8080 foi publicada também a Lei nº 8.142, de 28 de dezembro 
de 1990, que imprimiu ao SUS uma de suas principais características: o controle social, ou seja, a inclusão 
de trabalhadores e usuários na gestão do sistema e de seus serviços. 
2 
O INAMPS só foi extinto em 1993, mas a luta para a superação de sua lógica ainda não se encerrou, 
seus vestígios continuam impregnados em muitas práticas retrógadas que ainda permeiam o universo da 
gestão do SUS até hoje. 
A Constituição Federal remeteu a regulamentação do SUS à aprovação de leis complementares e 
ordinárias e, desde então, foram aprovadas pelo Congresso Nacional várias leis sobre o tema. 
 
 
2. O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) 
 
O Sistema Único de Saúde (SUS) é um 
sistema público de saúde que reúne todas as ações, 
serviços e unidades de saúde sob responsabilidade 
da União, dos Estados e dos Municípios, de forma 
integrada. Portanto está organizado em redes 
regionalizadas e hierarquizadas e atua em todo o 
território nacional. 
O SUS é considerado um dos mais 
abrangentes sistemas públicos de saúde do mundo, 
e presta serviços de forma gratuita a toda a população brasileira. Insere-se no contexto das políticas públicas 
de seguridade social, que abrangem, além da Saúde, a Previdência e a Assistência Social. 
O Sistema Único de Saúde - SUS - foi criado pela Constituição Federal de 1988 e regulamentando 
pelas Leis nº 8080/90 (Lei Orgânica da Saúde) de 19 de setembro de 1990 e nº 8142/90, com a finalidade 
de alterar a situação de desigualdade na assistência à saúde da população, tornando obrigatório o 
atendimento público a qualquer cidadão, sendo proibidas cobranças de dinheiro sob qualquer pretexto. 
Do SUS fazem parte os centro e postos de saúde, hospitais - incluindo os universitários, 
laboratórios, hemocentros (bancos de sangue), além de fundações e institutos de pesquisa, como a 
FIOCRUZ - Fundação Oswlado Cruz e o Instituto Adolfo Lutz. 
Através do Sistema Único de Saúde, todos os cidadãos têm direito a consultas, exames, internações 
e tratamentos nas Unidades de Saúde vinculadas ao SUS, sejam públicas (da esfera municipal, estadual e 
federal), ou privadas, contratas pelo gestor público de saúde. 
O SUS é destinado é financiado com recursos arrecadados através de impostos e contribuições 
sociais pagos pela população e compõem os recursos do governo federal, estadual e municipal. 
O SUS se propõe a promover a saúde, priorizando as ações preventivas, democratizando as 
informações relevantes para que a população conheça seus direitos e os riscos à sua saúde. 
O controle da ocorrência de doenças, seu aumento e propagação (Vigilância Epidemiológica) são 
algumas das responsabilidades de atenção do SUS, assim como o controle da qualidade de remédios, de 
exames, de alimentos, higiene e adequação de instalações que atendem ao público, onde atua a Vigilância 
Sanitária. 
 
 
2.1 Objetivos do SUS 
• Identificação e divulgação dos fatores condicionantes e determinantes da saúde 
• Formulação de política de saúde destinada a promover saúde, nos campos econômico e social 
• Assistência às pessoas por intermédio de ações de promoção, proteção e recuperação da saúde 
com a realização integrada das ações assistenciais e das atividades preventivas 
 
 
Os princípios da universalidade, integralidade e da eqüidade são às vezes chamados de 
princípios ideológicos ou doutrinários, e os princípios da descentralização, da regionalização e da 
hierarquização de princípios organizacionais, mas não está claro qual seria a classificação do princípio 
da participação popular. 
2.2 Principios do SUS 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Eq%C3%BCidade
http://pt.wikipedia.org/wiki/Descentraliza%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Regionaliza%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hierarquiza%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Participa%C3%A7%C3%A3o
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2.2.1 Doutrinários 
 
• Universalidade – o acesso às ações e serviços deve ser garantido a todas as pessoas, 
independentemente de sexo, raça, renda, ocupação, ou outras características sociais ou pessoais; 
 
• Integralidade – significa considerar a pessoa como um todo, devendo as ações de saúde procurar 
atender a todas as suas necessidades. 
 
• Equidade – é um princípio de justiça social que garante a igualdade da assistência à saúde, sem 
preconceitos ou privilégios de qualquer espécie. A rede de serviços deve estar atenta às necessidades reais 
da população a ser atendida; 
 
2.2.2 Organizacionais 
 
• Decentralização político-administrativa 
 
O SUS existe em três níveis, 
também chamados de esferas: 
nacional, estadual e municipal, cada 
uma com comando único e atribuições 
próprias. Ficou estabelecida a 
transferência, concomitante, de 
recursos financeiros, humanos e 
materiais para o controle das instâncias 
governamentais correspondentes. 
Os municípios têm assumido 
papel cada vez mais importante na 
prestação e no gerenciamento dos 
serviços de saúde; as transferências 
passaram a ser baseadas em sua população e no tipo de serviço oferecido, e não no número de atendimentos. 
 
• Hierarquização e Regionalização 
 
Os serviços de saúde são divididos em 
níveis de complexidade; o nível primário deve ser 
oferecido diretamente à população, enquanto os 
outros devem ser utilizados apenas quando 
necessário. Quanto mais bem estruturado for o fluxo 
de referência e contra-referência entre os serviços 
de saúde, melhor a eficiência e eficácia dos mesmos. 
Cada serviço de saúde tem uma área de 
abrangência, ou seja, é responsável pela saúde de 
uma parte da população. Os serviços de maior 
complexidade são menos numerosos e por isso 
mesmo sua área de abrangência é mais ampla, 
abrangência a área de vários serviços de menor 
Complexidade. 
O acesso da população à rede deve se dar através dos serviços de nível primário de atenção, que 
devem ser estar qualificados para atender e resolver os principais problemas que demandam serviços de 
saúde. Os que não forem resolvidos à este nível deverão ser referenciados para os serviços de maior 
complexidade tecnológica. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Descentraliza%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hierarquia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Regionaliza%C3%A7%C3%A3o
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A Unidade Básica de Saúde (atenção básica), resolve 80% do problemas. O nível secundário resolve 
15% dos problemas de saúde - são os Centros de Especialidades e no Nível terciário de atençãoà saúde 
estão os hospitais de referência e resolvem os 5% restante dos problemas de saúde. 
A regionalização implica a delimitação de uma base territorial para o sistema de saúde, que leva 
em conta a divisão político administrativa do país, mas também contempla a delimitação de espaços 
territoriais específicos para a organização das ações de saúde, subdivisões ou agregações do espaço político 
administrativo em relação ao SUS. 
 
 
 
Os Conselhos de Saúde buscam participar da discussão das políticas de Saúde tendo uma atuação 
independente do governo. No parágrafo 2º, a Lei n. 8.142/90 define: “O Conselho de Saúde, [...composto 
por representantes do governo, prestadores de serviço, profissionais de saúde e usuários, atua na 
formulação de estratégias e no controle da execução da política de saúde na instância correspondente de 
governo...]”. A representação dos usuários deverá ser paritária (50%) em relação ao conjunto dos demais 
segmentos. 
 
• Participação da Comunidade 
 
O controle social, como também é chamado esse princípio, foi melhor regulado pela Lei nº 8.142. 
de 28 de dezembro de 1990. 
Os usuários participam da gestão do SUS através das Conferências de Saúde, que ocorrem a cada 
quatro anos em todos os níveis, e através dos Conselhos de Saúde, que são órgãos colegiados também em 
todos os níveis. Nos Conselhos de Saúde ocorre a chamada paridade: enquanto os usuários têm metade 
das vagas, o governo tem um quarto e os trabalhadores outro quarto. 
A Conferência Nacional de Saúde – CNS é realizada a cada quatro anos, “com a representação dos 
vários segmentos sociais, para avaliar a situação de saúde e propor diretrizes para a formulação de políticas 
de saúde nos níveis correspondentes, convocadas pelo Poder Executivo ou, extraordinariamente, por este 
ou pelo Conselho de Saúde”. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Participa%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Controle_social
http://pt.wikipedia.org/wiki/Conselhos_de_Sa%C3%BAde
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2.3 Programas de Saúde 
 
Existem grupos populacionais que estão mais expostos a riscos na sua saúde. Ex., menores de 01 
ano, gestantes, idosos, trabalhadores sob certas condições de trabalho etc. 
A exposição a riscos pode também ser vista e entendida em função de cada doença, como no caso 
da Tuberculose, Câncer, Hanseníase, Doenças cardiovasculares, AIDS e outras. 
Portanto, no planejamento da produção das ações devem ser dirigidos especialmente a situações de 
risco, com a finalidade de intensificar a promoção, proteção e recuperação da saúde. 
Assim, os programas de Saúde são eficientes para a população-alvo, somente quando as normas 
nacionais e estaduais respeitam as condições sociais, epidemiológicas. institucionais e culturais existentes 
ao nível regional ou micro-regional. 
 
2.4 Complementariedade do setor privado 
 
A Constituição definiu que, quando por insuficiência do setor público, for necessário a contratação 
de serviços privados, isso deve se dar sob três condições: 
1ª a celebração de contrato, conforme as normas de direito público; 
 
2ª a instituição privada deverá estar de acordo com os princípios básicos e normas técnicas do 
SUS que deverá manter os princípios do SUS. 
 
3ª a integração dos serviços privados deverá se dar na mesma lógica organizativa do SUS, em 
termos de posição definida na rede regionalizada e hierarquizada dos serviços. 
 
Dessa forma, em cada região, deverá estar claramente estabelecido, considerando-se os serviços 
públicos e privados contratados, quem vai fazer o que, em que nível e em que lugar. Dentre os serviços 
privados, devem ter preferência os serviços não lucrativos. Assim, cada gestor deverá planejar primeiro o 
setor público e, na seqüência, complementar a rede assistencial com o setor privado, com os mesmos 
conceitos de regionalização, hierarquização e universalização. 
 
2.5 Papel dos gestores do SUS 
 
Gestores são as entidades encarregadas de fazer com que o SUS seja implantado e funcione 
adequadamente dentro das suas diretrizes e organização. 
Haverá gestores nas três esferas do Governo, isto é, no nível municipal, estadual e federal. 
Nos municípios, os gestores são as secretarias municipais de saúde representada pelos seus 
secretários; nos estados, são os secretários estaduais de saúde e no nível federal o ministro do Ministério 
da Saúde. 
 
• Responsabilidades dos Gestores 
- Municipal, cabe aos gestores programar, executar e avaliar as ações de promoção, proteção e 
recuperação da saúde. Isto significa que o município deve ser o primeiro e o maior responsável pelas ações 
de saúde para a sua população. 
Quem controla as ações é a população portanto os gestores devem, também, dispor de mecanismos 
formais de avaliação e controle e democratizar as informações. 
 
- Estadual, cabe ao secretário a coordenação das ações de saúde do seu estado. Seu plano diretor 
será a consolidação das necessidades propostas de cada município, através de planos municipais. O estado 
deverá corrigir distorções existentes nos municípios; planejar e controlar o SUS em seu nível de 
responsabilidade e executar apenas as ações de saúde que os municípios não forem capazes e/ou que não 
lhes couber executar 
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-Federal, o gestor é o Ministério da Saúde, e sua missão é liderar o conjunto de ações da saúde, 
identificando riscos e necessidades nas diferentes regiões para a melhoria da qualidade de vida do povo 
brasileiro, contribuindo para o seu desenvolvimento. É responsável pela formulação, coordenação e 
controle da política nacional de saúde e controle do SUS. 
 
2.5.1 Orgãos colegiados de representação política dos gestores do SUS 
 
I. Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS) 
O Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) define-se como entidade 
não-governamental, sem fins lucrativos, criada com o objetivo de representar as Secretarias Municipais 
de Saúde, promovendo e incentivando o desenvolvimento de políticas públicas de saúde 
A Lei n. 8.142 de 1990 (BRASIL, 1990), ao tratar da participação social no SUS, define o 
Conasems como representante dos municípios no Conselho Nacional de Saúde (CNS), órgão 
deliberativo do SUS que é, também, membro da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), que reúne a 
representação dos três Entes Federados: o Ministério da Saúde (MS), o Conselho Nacional dos 
Secretários de Saúde (CONASS) e o Conasems. 
 
II. Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) 
 
O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), é uma entidade de direito privado, sem 
fins lucrativos, que se pauta pelos princípios que regem o direito público e que congrega os Secretários 
da Saúde, dos estados e do Distrito Federal. 
O CONASS constitui um organismo da direção do Sistema Único de Saúde (SUS) com mandato 
de representar politicamente os interesses comuns das Secretarias de Saúde dos estados e do Distrito 
Federal, perante as demais esferas de governo e outros parceiros, em torno de estratégias comuns de ação 
entre os gestores estaduais de saúde. 
Entre as representações de que participa estão a Comissão Intergestores Tripartite (CIT) e o 
Conselho Nacional de Saúde (CNS). 
 
III. Conselho Nacional de Saúde 
O Conselho Nacional de Saúde (CNS) é uma instância permanente do (SUS). Criado em 1937, sua 
missão é fiscalizar, acompanhar e monitorar as políticas públicas de saúde nas suas mais diferentes áreas, 
levando as demandas da população ao poder público, por isso é chamado de controle social na saúde. As 
atribuições atuais do CNS estão regulamentadas pela Lei n° 8.142/1990. 
O conselho é composto 48 conselheiros que são representantes dos segmentos de usuários, 
trabalhadores, gestores do SUS e prestadores de serviços em saúde. 
Dentre as principais atribuições, o CNS é responsável por realizar conferências e fóruns de 
participação social, além de aprovar o orçamento da saúde e acompanhar a sua execução, avaliando a 
cada quatro anoso Plano Nacional de Saúde. 
 
2.6 Financiamento do SUS 
 
Os investimentos e o custeio do SUS são feitos com recursos das três 
esferas de governo federal, estadual e municipal. Os recursos federais para o 
SUS provêm do orçamento da Seguridade Social (que também financia a Previdência Social e a 
Assistência Social) acrescidos de outros de outros recursos da União, aprovados anualmente pelo Congresso 
Nacional. Esses recursos, geridos pelo Ministério da Saúde, são divididos em duas partes: uma é retida 
para o investimento e custeio das ações federais; e a outra é repassada às secretarias de saúde, estaduais e 
municipais, de acordo com critérios previamente definidos em função da população, necessidades de saúde 
e rede assistencial. 
Em cada estado, os recursos repassados pelo Ministério da Saúde são somados aos alocados pelo 
próprio governo estadual, de suas receitas, e geridos pela respectiva secretaria de saúde, através de um 
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fundo estadual de saúde. Desse montante, uma parte fica retida para as ações e os serviços estaduais, 
enquanto outra parte é repassada aos municípios, de acordo também com critérios específicos. 
Finalmente, cabe aos próprio município destinar parte adequada de seu próprio Orçamento para as 
ações e serviços de saúde de sua população. Assim, cada município irá gerir os recursos federais repassados 
a ele e os seus próprios recursos alocados pelo governo municipal para o investimento e custeio das ações 
de saúde de âmbito municipal. 
Também os municípios administrarão os recursos para a saúde através de um fundo municipal de 
saúde. A criação dos fundos é essencial, pois asseguram que os recursos da saúde sejam geridos pelo setor 
saúde. 
Hoje, a maior parte dos recursos aplicados em Saúde tem origem na Previdência Social. Esta 
tendência deverá alterar-se até que se chegue a um equilíbrio das três esferas de governo em relação ao 
financiamento da saúde. Para tanto, os estados e municípios deverão aumentar os seus gastos com saúde 
atingindo em torno de 10% de seus respectivos orçamentos, e a União deverá elevar a participação do seu 
orçamento próprio. 
 
2.6.1 Emenda Constitucional EC – 29/2000 
 
É uma mudança na Constituição que estabelece percentuais mínimos de investimento em saúde de 
12% do orçamento dos Estados e 15% dos Municípios. O Governo Federal ampliou o valor em 5% do 
orçamento do Ministério da Saúde, em 2001, deveria corrigir anualmente esse valor, segundo a variação do 
nominal do Produto Interno Bruto – PIB. 
Esta Emenda visava garantir mais recursos para a saúde, facilitando pactos entre municípios com 
relação ao pagamento de despesas de seus pacientes, mesmo que ele fosse atendido por outro município. 
Nesse caso a instituição do Cartão SUS, dentre as suas funções, foi uma maneira de ter melhor 
controle sobre a questão da migração de pacientes para municípios. 
A não aplicação do mínimo exigido em ações e serviços de saúde autorizava a União a intervir nos 
Estados e esses em seus Municípios, já que os mesmos estariam descumprindo a Constituição. 
A fiscalização da aplicação da Emenda Constitucional de Saúde era obrigação dos Conselhos de 
Saúde, das Assembleias Legislativas, Câmaras Municipais, dos Tribunais de Contas e do Ministério 
Público. 
 
2.6.2 Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) 
 
A Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) foi uma cobrança que incidiu 
sobre a maioria das movimentações bancárias e vigorou no Brasil por 11 anos. Antes foi o Imposto 
Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), aplicado apenas no ano de 1994. Em 1996, o governo 
voltou a discutir a possibilidade de instituir novamente uma cobrança sobre movimentação financeira, com 
o objetivo de direcionar a arrecadação desse tributo para a área da saúde. No ano seguinte, começou a ser 
cobrada a CPMF. A contribuição foi prorrogada diversas vezes até 2011. 
Apesar de ter sido criada para financiar a saúde, não havia essa obrigação na lei, e muitos bilhões 
de reais foram usados para financiar outros setores.

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