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Unidade 2 – Saúde coletiva 5º período - Farmácia 
 
1 
 
Políticas de saúde no Brasil 
 Durante o período colonial, as políticas de 
saúde pública no Brasil eram praticamente 
inexistentes. Todavia, com a Proclamação da 
República em 1889, o país passou por uma série de 
mudanças estruturais, e a então recente abolição da 
horrenda escravatura fez com que a demanda por 
mão de obra braçal aumentasse, incitando a 
imigração em massa, sobretudo de europeus. 
 As políticas de saúde pública no Brasil 
funcionaram, no formato de campanhas, até 1930, 
fase que ficou conhecida como campanhista. O 
sistema dessa época era parcialmente voltado para 
questões de saúde que afetavam a população, mas 
essencialmente motivado por conveniências de ordem 
econômica. Entre os avanços desse período, há a 
criação de escolas de enfermagem, laboratórios 
públicos direcionados para a pesquisa e centros de 
saúde. A saúde individual continuou semelhante à do 
período imperial: médicos para os que podiam pagar 
e métodos empíricos/caridade para os demais. 
 Nessa época, a varíola e a febre amarela 
eram epidemias que assolavam o país. Não é 
exagero afirmar que a disseminação dessas doenças 
ameaçava o sistema econômico, uma vez que era 
considerado um risco biológico comprar e receber 
produtos provenientes do Brasil. Como uma tentativa 
de solucionar o problema da disseminação em massa 
das doenças, além de prevenir a ocorrência de 
epidemias, foram criados o Departamento Nacional 
de Saúde, que posteriormente evoluiria para o 
Ministério da Saúde, e o Instituto de Pesquisa Para a 
Saúde Pública Manguinhos. Ambos tiveram como seu 
principal idealizador o médico sanitarista Oswaldo 
Cruz. 
 Os imigrantes trouxeram consigo novos ideais 
políticos e sociais, principalmente no que diz respeito 
à importância da união como forma de assegurar 
benefícios fundamentais à vida, como o direito ao 
acesso à saúde, por exemplo. Essa ideologia 
propiciou o surgimento de greves, bem como a 
associação entre as categorias de trabalhadores que 
objetivavam gerar fundos monetários mútuos, que 
funcionavam por meio do pagamento de um 
percentual mensal do salário recebido. Esses fundos 
asseguravam ao trabalhador e sua família o acesso 
ao atendimento médico quando necessário. É 
relevante mencionar que as regras referentes a esses 
fundos eram estipuladas em reuniões pelos próprios 
contribuintes, sem qualquer influência governamental. 
 
Políticas de saúde no Brasil 
 A Lei Eloy Chaves, aprovada em 1923, pode 
ser considerada um precedente dos fundos mútuos 
dos trabalhadores, uma vez que determinava a 
formação das Caixas de Aposentadoria e Pensão 
(ou CAPs), que também tinham como princípio a 
contribuição financeira mensal de empregados de 
determinadas empresas, como as marítimas, 
ferroviárias e portuárias. Todavia, ela inovava ao 
incluir também os empregadores como 
contribuintes (MACHADO et al., 2013). 
 O objetivo da CAPs era a constituição de um 
montante conjunto que garantisse, entre outras 
coisas, que os trabalhadores tivessem acesso à 
saúde. Vale ressaltar que o Estado apenas 
fiscalizava a lei, mas não participava ativamente 
dos fundos. Posto isso, a Lei Eloy Chaves é 
considerada por muitos historiadores como o 
“embrião” da Previdência Social no país. 
 Durante o governo do presidente Getúlio 
Vargas, que foi extensivamente apelidado de “pai dos 
pobres” graças ao seu modelo político populista, 
foram criados os Institutos de Aposentadoria e 
Pensão (ou IAPs). Nesse novo modelo, os fundos 
deixaram de ser vinculados a empresas e passaram 
a relacionar-se a determinadas categorias 
profissionais, como os bancários e comerciários. 
Além disso, o governo começou a também 
contribuir financeiramente para os fundos de 
saúde; logo, a administração destes ficou sob 
responsabilidade do Estado, fato que culminou na 
perda da tomada de decisões por parte dos 
trabalhadores. 
 Um marco importante do IAP é que os 
fundos arrecadados por ele deixaram de financiar 
somente a saúde dos contribuintes: os recursos 
angariados também eram utilizados para custear 
obras públicas, como a construção de estradas, e 
patrocinar empréstimos para empresas privadas de 
saúde que possuíam a intenção de edificar hospitais 
pelo país. 
 Desde o mandato de Getúlio Vargas até o 
golpe de Estado, o Brasil passou por um período 
denominado de desenvolvimentista, em que o 
propósito era desenvolver e modernizar as cidades. 
Em 1953, cria-se o Ministério da Saúde, mas sua 
atuação era limitada em relação à deliberação de 
medidas e decisões. A medicina privada e estrangeira 
conquistou maior espaço e atenção na saúde, 
administrando e construindo mais hospitais pelo país, 
equipados com verbas públicas. 
 Após o golpe militar de 1964, muitos direitos 
individuais da população foram suspensos. A 
assistência à saúde - que já era precária – piorou, e a 
oferta de empréstimos chamados de “fundos 
perdidos” cresceu vertiginosamente para que a 
edificação de mais hospitais privados fosse possível. 
O Estado acabava pagando a conta duas vezes: ao 
emprestar a verba e, posteriormente, ao custear a 
assistência prestada à sociedade. As diretrizes dos 
Unidade 2 – Saúde coletiva 5º período - Farmácia 
 
2 
 
IAP foram alteradas e este foi unificado com o 
Instituto Nacional de Previdência Social (ou INPS), 
órgão conhecido e lembrado até os dias de hoje por 
suas famosas e gigantescas filas. 
 O INPS assim como o IAP prestava 
assistência à saúde individual, mas somente incluía 
os trabalhadores com Carteira de Trabalho 
assinada. Autônomos, trabalhadores informais e 
rurais não eram englobados pelo programa, 
dependendo, assim, de seus próprios recursos 
financeiros, filantropia ou caridade. Nos anos 
seguintes, o INPS foi dividido em dois segmentos: 
o Instituto Nacional de Assistência Médica da 
Previdência Social (ou INAMPS), encarregado do 
atendimento hospitalar e ambulatorial, e o 
Instituto Nacional de Previdência Social (ou 
INSS). 
 Agora que os programas de saúde que 
antecederam o SUS foram apresentados, observe o 
Diagrama 1 e analise atenciosamente as 
características que os diferenciam: 
1. CAPs – trabalhadores de determinadas 
empresas; financiado pelos empregados e 
empregadores; 
2. IAPs – trabalhadores de determinadas 
categorias profissionais e financiado pelos 
empregados, empregadores e governo; 
3. INPS e INAMPS – todos os trabalhadores com 
carteira assinada; financiado pelos 
empregados, empregadores e governo. 
 Alguns atribuem ao governo militar a 
responsabilidade por um momento de “milagre 
econômico”; todavia, é fundamental ressaltar que as 
grandes obras construídas nessa época, visando a 
modernização e desenvolvimento do país, foram 
majoritariamente financiadas por verbas que deveriam 
ser destinadas à saúde e à Previdência Social. Como 
nesse período o número de contribuintes era bem 
maior do que o de beneficiários, os recursos foram 
constantemente remanejados para outras áreas 
em vez de serem investidos e guardados, fato que 
correlaciona-se com a crise da Previdência Social 
enfrentada atualmente. 
 O vigoroso êxodo rural ocorrido no regime 
militar exacerbou a já delicada situação das grandes 
cidades, uma vez que este fato, associado à inflação 
sem controle, os baixos salários e a disponibilidade de 
saúde para uma minoria, propiciou o crescimento da 
pobreza e a instauração de epidemias como a de 
meningite, em 1974, responsável por sequelar e matar 
inúmeras pessoas. Ademais, a censura instituída, 
própria desse período, proibiu que fossem divulgadas 
notícias sobre a crise de saúde enfrentada, e 
profissionais que procuravam advertir a população 
sobre esse cenário eram ameaçados e perseguidos 
pelo então governo, conforme assevera Greice 
Bassinello em seu livro Saúde coletiva, de 2014. 
 O Diagrama 2 representa uma linha do tempo 
que contempla os principais programas de saúde do 
Brasil. Observe sua evolução histórica até chegar ao 
SUS.Influência da reforma sanitária e da VIII 
Conferência Nacional de Saúde na criação 
do SUS 
 No ano de 1975 entrou em atuação o 
Sistema Nacional de Saúde, fomentando as funções 
da previdência de prestar atendimento médico 
individual de caráter curativo e atribuindo às 
secretarias de saúde municipais e estaduais, 
juntamente com o Ministério da Saúde, a incumbência 
de realizar ações preventivas no país. Nesse período, 
surgiu o Movimento da Reforma Sanitária, que 
almejava que a democracia mudasse a política de 
saúde vigente. Esse movimento era formado por 
representantes de sindicatos, profissionais da área da 
saúde, pesquisadores, gestores e opositores políticos, 
como afirma Juan Rocha em seu livro Manual de 
saúde pública e saúde coletiva no Brasil, de 2012. 
 O Movimento da Reforma Sanitária, em 
conjunto com outros grupos sociais, lutava para 
implementar um sistema de saúde com 
participação ativa da comunidade, no qual os 
serviços fossem regionalizados, atendessem a toda a 
população e a atenção primária se tornasse o primeiro 
acesso. Surpreendentemente, essa proposta foi 
Unidade 2 – Saúde coletiva 5º período - Farmácia 
 
3 
 
aceita praticamente em sua totalidade durante a VIII 
Conferência Nacional de Saúde do ano de 1986. 
 O foco da VIII Conferência Nacional de 
Saúde era debater o direito à saúde, além do sistema 
de saúde vigente e seus modelos de financiamento. 
Entre representantes de grupos sociais, políticos e a 
população em geral, ressalta-se que foi a primeira 
edição da conferência aberta ao público. A 
Constituição da República Federativa de 1988 
acatou os principais pontos da proposta, 
disponibilizando, pela primeira vez na história, uma 
seção destinada unicamente à saúde. 
 As políticas de saúde pública foram 
reformuladas a partir da expedição da nova 
Constituição, estabelecendo-se assim um novo 
programa, o Sistema Único de Saúde (ou SUS), que 
ampliou os níveis de atenção à saúde e rompeu com 
o modelo excludente que condicionava o acesso à 
saúde à contribuição na Previdência Social 
(MACHADO et al., 2013). A legislação determinou que 
as medidas de saúde passassem a ser unificadas, 
ou seja, as ações curativas, reabilitadoras, 
preventivas e de promoção à saúde tornaram-se 
atribuições do Ministério da Saúde, isentando a 
Previdência Social da responsabilidade sobre 
estas. 
 
SUS 
 O primeiro passo para começar a desvendar o 
SUS é compreender que um sistema é o agrupamento 
de diversos componentes relacionados, os quais 
agem mutuamente para executar determinada tarefa. 
 No SUS, o sistema tem como objetivo 
propiciar cuidados à saúde da sociedade por meio 
de ações curativas, preventivas, reabilitadoras, 
educativas e promotoras. A próxima etapa é 
assimilar porque o sistema é “único”: o SUS é assim 
chamado devido ao fato de seguir as mesmas 
diretrizes e princípios por todo o país. 
 O SUS pode ser definido como um novo 
preceito organizacional e político voltado para a 
reorganização da saúde pública. Ademais, ele não é 
considerado um sucessor do INAMPS, mas sim um 
novo programa, completamente diferente, que marca 
na história a conquista do direito universal à 
saúde, já mencionado na Declaração dos Direitos 
Humanos. Os principais fundamentos do SUS 
foram decididos durante a VIII Conferência 
Nacional de Saúde e seu estabelecimento se deu 
por meio da Constituição Federal da República de 
1988. 
 A implementação do SUS é considerada a 
maior ação de inclusão social da história 
brasileira, sendo um símbolo da política positiva de 
engajamento do governo para com os direitos da 
população. Com o SUS, a saúde passou a ser um 
direito de todos e uma obrigação do Estado, algo 
até então inédito, visto que os programas anteriores 
possuíam um caráter centralizador, restrito e 
excludente. Basicamente, as únicas medidas de 
caráter universal antecessoras ao SUS, não 
condicionadas a outros fatores, foram as campanhas 
de vacinação promovidas pelo Ministério da 
Saúde. 
 Todavia, deve ficar claro que a ideologia do 
SUS é muito mais do que apenas oferecer 
atendimento médico e hospitalar para que a 
população o acesse quando necessário: seu propósito 
é também atuar antes disso, diminuindo os casos de 
infecções, doenças e sequelas ocasionadas. 
Assim, o SUS não é apenas um serviço ou uma mera 
instituição pública, mas um amplo sistema que 
engloba um conjunto de unidades e ações que se 
relacionam na busca de um mesmo objetivo. 
 Todos os usuários do SUS possuem o 
Cartão Nacional de Saúde (CNS), também chamado 
de cartão SUS, evidenciado na Figura 2. Esse cartão 
funciona como um documento de identificação e 
possui uma sequência de números únicos. Um dos 
principais objetivos do CNS é registrar o histórico 
do paciente na rede pública, como, por exemplo, a 
ocorrência de internações e as últimas medicações 
prescritas. O cartão não tem custo e pode ser 
solicitado até mesmo pela internet. 
 Internacionalmente, o SUS é considerado um 
dos maiores e mais complexo sistema de saúde do 
mundo, no que tange à sua cobertura e população 
atendida. Entre os programas do SUS que são 
considerados modelos a serem seguidos, destacam-
se as campanhas de vacinação, o programa de 
tratamento do HIV, o Sistema Nacional de 
Transplantes, o fornecimento de remédios para o 
manejo de doenças crônicas não transmissíveis, 
os hemocentros e o programa Saúde da Família. 
 É importante observar também que a 
Constituição Federal estabeleceu o SUS em 1988, 
mas sua regulamentação se deu pela Lei Orgânica 
da Saúde n. 8.080/90, segundo Greice Bassinello em 
seu livro Saúde coletiva, de 2014. A legislação que 
rege o SUS, de modo geral, compreende os artigos 
196 a 200 da Constituição, as Normas 
Operacionais Básicas (NOB), a Lei Orgânica da 
Saúde n. 8.080/1990 e o Decreto regulamentador n. 
7.508/2011. Posto isso, pode-se afirmar que o 
fisioterapeuta, como um profissional atuante no SUS, 
deve ter conhecimento sobre as leis normalizadoras 
da saúde no Brasil. Agora, observe o que os artigos 
196 a 200 da Constituição afirmam sobre a saúde: 
Unidade 2 – Saúde coletiva 5º período - Farmácia 
 
4 
 
 Artigo 196: “A saúde é direito de todos e dever 
do Estado, garantido mediante políticas sociais e 
econômicas que visem à redução do risco de doença 
e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário 
às ações e serviços para sua promoção, proteção e 
recuperação”; 
 Artigo 197: “São de relevância pública as 
ações e serviços de saúde, cabendo ao Poder Público 
dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação, 
fiscalização e controle, devendo sua execução ser 
feita diretamente ou através de terceiros e, também, 
por pessoa física ou jurídica de direito privado”; 
 Artigo 198: “As ações e serviços públicos de 
saúde integram uma rede regionalizada e 
hierarquizada e constituem um sistema único”; 
 Artigo 199: “A assistência à saúde é livre à 
iniciativa privada”; 
 Artigo 200: “Ao Sistema Único de Saúde 
compete, além de outras atribuições, nos termos da 
lei: controlar e fiscalizar procedimentos, produtos 
e substâncias de interesse para a saúde e 
participar da produção de medicamentos, 
equipamentos, imunobiológicos, hemoderivados e 
outros insumos; executar as ações de vigilância 
sanitária e epidemiológica, bem como as de saúde 
do trabalhador; ordenar a formação de recursos 
humanos na área de saúde; participar da formulação 
da política e da execução das ações de saneamento 
básico; incrementar em sua área de atuação o 
desenvolvimento científico e tecnológico; fiscalizar e 
inspecionar alimentos, compreendido o controle de 
seu teor nutricional, bem como bebidas e águas para 
consumo humano; participar do controle e fiscalização 
da produção, transporte, guarda e utilização de 
substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e 
radioativos; colaborar na proteção do meio ambiente, 
nele compreendido o do trabalho”. 
 Cada esfera do governo é responsável por 
desenvolver, executar, coordenar e avaliaros 
programas de saúde, sendo obrigação do âmbito 
federal, o Ministério da Saúde; do âmbito estadual, a 
Secretaria de Estado da Saúde; e do âmbito 
Municipal, a Secretaria Municipal de Saúde. 
 
Princípios doutrinários e organizacionais 
 Todos os programas sociais precisam de 
normas para que se assegure o seu bom 
desempenho, e com o SUS não poderia ser diferente. 
O Sistema Único de Saúde possui uma série de 
princípios e diretrizes que o acompanham desde 
sua criação e sua essência é tudo o que o programa 
garante à sociedade, direcionando o seu 
funcionamento e gestão. Para conhecer os princípios 
do SUS, observe atentamente o Diagrama 3, notando 
a divisão aplicada entre princípios doutrinários, 
também chamados de ideológicos, e 
organizacionais. 
 
 Universalidade: estabelece o acesso à saúde 
por meio do SUS a todos os cidadãos, sem 
restrições e condicionantes; 
 Equidade: leva em consideração as 
diferenças individuais e regionais, oferecendo 
mais para aqueles que mais precisam. Equidade 
não deve ser confundida com igualdade, uma vez que 
esta busca propiciar condições para que todos tenham 
as mesmas oportunidades, podendo, em virtude disto, 
canalizar mais atenção a determinado grupo de 
pessoas. Quando a igualdade é priorizada, todas as 
peças de xadrez recebem a mesma quantidade de 
moedas, independentemente de sua altura. Já quando 
considera-se o princípio da equidade, a quantidade 
de moedas distribuídas é equivalente à altura de 
cada peça, de modo que, no final, todas atinjam o 
mesmo nível; 
 Integralidade: considera o paciente como um 
todo indivisível e todas as suas necessidades devem 
ser atendidas por ações de saúde; 
 Hierarquização: organiza em níveis os 
serviços que têm como objetivo atender as diferentes 
necessidades de saúde da população. Os serviços 
devem funcionar em níveis de complexidade 
crescente e o acesso inicial ao sistema deve ser 
através do nível primário de atenção, somente os 
casos mais complexos deverão ser encaminhados 
para níveis secundários e terciários. Observe o 
Quadro 1 para compreender melhor a diferença entre 
os níveis de atenção à saúde; 
Unidade 2 – Saúde coletiva 5º período - Farmácia 
 
5 
 
 
 Participação popular/social: refere-se à 
democratização das decisões a respeito da saúde 
pública, principalmente através da participação da 
sociedade no SUS. É a garantia de que o povo 
estará envolvido na formulação das políticas de 
saúde. Essa participação acontece a partir dos 
conselhos de saúde, que são grupos deliberativos 
constituídos por representantes de toda a população, 
com uma estrutura estabelecida por um número igual 
de pessoas que representam tanto os usuários quanto 
o Estado e seus respectivos funcionários da saúde e 
parceiros do setor privado; e das conferências de 
saúde, que são encontros entre diversos 
representantes sociais, que reúnem-se para avaliar o 
cenário da saúde e indicar suas diretrizes políticas. As 
conferências nacionais acontecem no intervalo de 
tempo de quatro anos, e têm como característica 
sua descentralização e seu fomento nas 
conferências estaduais e municipais; 
 Descentralização: trata da distribuição das 
responsabilidades e poder sobre a saúde nas três 
esferas do governo, visando assim um trabalho mais 
efetivo e com maior controle e fiscalização por parte 
da população. Esse princípio parte da ideologia de 
que quanto mais próxima do fato a decisão for tomada, 
mais chance haverá de acerto. Com esse postulado, 
os municípios passaram a ser considerados 
gestores e administradores da oferta dos serviços 
de saúde do SUS, ou seja, responsáveis por 
determinar as políticas de saúde locais de acordo com 
sua realidade; 
 Regionalização: define que os serviços de 
saúde devem funcionar dentro de um território bem 
delimitado e com a definição da população a ser 
assistida, ou seja, os serviços de saúde de 
determinado local têm que oferecer todas as 
modalidades de assistência. No caso da ausência 
de algum serviço, deve-se estabelecer consórcios 
intermunicipais ou mesmo interestaduais; 
 Resolubilidade: afirma que os serviços de 
saúde precisam estar capacitados para enfrentar e 
resolver situações até o nível de sua competência; 
 Complementariedade do setor privado: 
declara que quando a saúde pública não for suficiente, 
é permitida e necessária a contratação de serviços 
privados. 
 Os princípios do SUS garantem a maioria dos 
direitos à saúde contemplados pela Constituição de 
1988. Todavia, esses princípios só começaram a ser 
realmente colocados em prática após a aprovação das 
Leis Orgânicas da Saúde. 
 
Financiamento do SUS 
 O financiamento do SUS é tripartite, ou seja, 
atribuído a três âmbitos do governo: federal, estadual 
e municipal, através da afiliação de orçamento da 
seguridade social. 
 A Lei Complementar n. 141 de 2012 é 
responsável por definir os percentuais de 
investimento financeiro no SUS por cada setor e, 
segundo esta lei, os municípios têm obrigação de 
aplicar pelo menos 15% da sua arrecadação anual de 
impostos em medidas de saúde pública, ao passo que 
os estados, 12% do seu recolhimento. 
 A União é um caso especial, uma vez que sua 
contribuição é variável e equivale ao montante 
despendido anteriormente adicionado do percentual 
alusivo à variação do Produto Interno Bruto (PIB) do 
ano anterior ao da lei orçamentária anual. Todavia, no 
caso de variação negativa, o valor não poderá ser 
reduzido. A União repassa recursos monetários a 
estados e municípios e os estados transferem 
recursos aos municípios. Para compreender melhor o 
repasse de verbas entre as três esferas 
governamentais, observe o Diagrama 4. 
 
 A transferência dos recursos financeiros 
entre as esferas governamentais acontece por 
meio dos fundos nacionais de saúde, os quais 
realizam a gestão e estabelecem o patrimônio da 
saúde em unidades orçamentárias e administradoras. 
Além das contribuições sociais arrecadadas pelos três 
âmbitos do governo, o SUS é financiado também a 
partir dos seguintes tributos, segundo afirmam 
Nicolich e Rocha em seu livro Sistema Único de 
Saúde, de 2017: 
 Municípios: imposto predial e territorial urbano 
(IPTU); Imposto sobre transmissão de Bens Intervivos 
(ITBI), imposto sobre serviços de qualquer natureza 
Unidade 2 – Saúde coletiva 5º período - Farmácia 
 
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(ISS), imposto de renda retido na fonte (IRRF), 
imposto territorial rural (ITR). 
 Estados – Imposto sobre Propriedade de 
Veículos Automotores (IPVA); Imposto de Renda 
Retido na Fonte (IRRF); Imposto sobre Transmissão 
Causa Mortis e Doação (ITCD); Imposto sobre a 
circulação de Mercadorias e serviços de Transporte 
Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação 
(ICMS); Cota-parte do imposto sobre produtos 
industrializados e do fundo de participação do Estado. 
 Sabendo a origem dos recursos da saúde 
pública, resta saber onde eles são aplicados. Os 
destinos das verbas da saúde são inúmeros e, para 
facilitar seu entendimento, é possível classificá-los em 
seis categorias, a saber: Vigilância em saúde, 
gestão do sus, atenção básica, atenção de média 
e alta complexidade, redes de serviços à saúde, 
assistência farmacêutica. 
 A referência para fiscalização, 
acompanhamento e controle da aplicação dos 
recursos vinculados em ações e serviços públicos 
de saúde é o Sistema de Informações sobre 
Orçamentos Públicos em Saúde do Ministério da 
Saúde (SIOPS), desenvolvido para ser uma fonte de 
fácil acesso a todos aqueles que queiram visualizar os 
gastos públicos. 
 Um importante ponto discutido sobre o 
financiamento do SUS é o vínculo entre os meios 
públicos e privados, uma vez que parte das verbas 
públicas é transferida para a rede privada. Segundo 
dados de 2018 do Banco Mundial, o gasto anual do 
Brasil em saúde é de aproximadamente 8% do PIB, 
sendo que apenas 3,8% deste é destinado ao setor 
público. Logo, mais da metade deste valor (4,4%) 
corresponde a gastos no setor privado de saúde, o 
oposto de paísesdesenvolvidos que possuem 
programas semelhantes ao nosso, como a Suécia 
(SALDIVA, VERAS 2018; OPAS, 2019). 
 O percentual total investido em saúde no Brasil 
é muito semelhante aos de outros países que também 
dispõem de acesso universal à saúde. Comparando 
os dados dos últimos anos, é possível inferir que os 
problemas enfrentados pelo SUS não são apenas 
relacionados à falta de investimento financeiro, 
mas também uma questão de má administração e 
distribuição dos recursos no país. 
 
Pacto pela Vida, em defesa do SUS e de 
Gestão 
 Desde sua criação, o SUS demonstra 
adversidades no que diz respeito à sua prestação de 
serviços; na tentativa de transpor alguns dos 
problemas de saúde pública, foi realizado no ano de 
2006 um acordo entre o Ministério da Saúde, o 
Conselho Nacional de Secretários de Saúde e o 
Conselho Nacional de Secretários Municipais de 
Saúde para o estabelecimento de um pacto de 
responsabilidades administrativas e de atenção à 
saúde denominado de Pacto pela Saúde. 
 A criação deste pacto teve como principal 
objetivo a solução de situações consideradas 
prioritárias na saúde pública. Todos os anos o Pacto 
pela Saúde deve ser revisto, de modo a exaltar as 
carências de saúde da sociedade e, 
consequentemente, atualizar a lista de prioridades. 
 As portarias número 399 e 699 de 2006 
regulamentam o Pacto pela Saúde, que representa 
uma medida de descentralização e organização de um 
sistema hierarquizado e regionalizado de condutas do 
SUS. Objetivando uma melhor estruturação e 
elucidação das prioridades do Pacto pela Saúde, este 
foi dividido em três segmentos (Diagrama 5), a saber: 
Pacto pela Vida, Pacto em Defesa do SUS e Pacto 
pela Gestão do SUS. 
 
 
A organização dos pactos nos âmbitos 
federais, estaduais e municipais 
 Os gestores dos três âmbitos do governo são 
responsáveis por garantir o acesso à saúde para toda 
a sociedade. 
 Agora, torna-se necessário analisar as 
responsabilidades individuais dos governos 
municipais, estaduais e federais na gestão do SUS. 
 
Municípios 
• Gerenciar e executar os serviços públicos de 
saúde; 
• Celebrar contratos e convênios com entidades 
prestadoras de serviços privados de saúde, bem como 
avaliar a sua execução; 
• Participar do planejamento, programação e 
organização do SUS em articulação com o gestor 
estadual; 
Unidade 2 – Saúde coletiva 5º período - Farmácia 
 
7 
 
• Executar serviços de vigilância 
epidemiológica, sanitária, de alimentação e nutrição, 
de saneamento básico e de saúde do trabalhador; 
• Gerir laboratórios públicos de saúde e 
hemocentros; 
• Celebrar contratos e convênios com entidades 
prestadoras de serviços privados de saúde, assim 
como controlar e avaliar sua execução; 
• Participar do financiamento e garantir o 
fornecimento de medicamentos básicos. 
 
Estados: 
• Acompanhar, controlar e avaliar as redes 
assistenciais do SUS; 
• Prestar apoio técnico e financeiro aos 
municípios; 
• Executar diretamente ações e serviços de 
saúde na rede própria; 
• Gerir sistemas públicos de alta complexidade 
de referência estadual e regional; 
• Acompanhar, avaliar e divulgar os seus 
indicadores de morbidade e mortalidade; 
• Participar do financiamento da assistência 
farmacêutica básica e adquirir e distribuir os 
medicamentos de alto custo em parceria com o 
Governo Federal; 
• Coordenar e, em caráter complementar, 
executar ações e serviços de vigilância 
epidemiológica, vigilância sanitária, alimentação e 
nutrição e saúde do trabalhador; 
• Implementar o Sistema Nacional de Sangue, 
Componentes e Derivados juntamente com a União e 
municípios; 
• Coordenar a rede estadual de laboratórios de 
saúde pública e hemocentros. 
 
Governo Federal 
• Prestar cooperação técnica e financeira aos 
estados, municípios e Distrito Federal; 
• Controlar e fiscalizar procedimentos, produtos 
e substâncias de interesse para a saúde; 
• Formular, avaliar e apoiar políticas nacionais 
no campo da saúde; 
• Definir e coordenar os sistemas de redes 
integradas de alta complexidade da rede de 
laboratórios de saúde pública, vigilância sanitária e 
epidemiológica; 
• Estabelecer normas e executar a vigilância 
sanitária de portos, aeroportos e fronteiras em 
parceria com estados e municípios; 
• Participar do financiamento da assistência 
farmacêutica básica e adquirir e distribuir para os 
estados medicamentos de alto custo; 
• Implementar o Sistema Nacional de Sangue, 
Componentes e Derivados juntamente com estados e 
municípios; 
• Elaborar normas para regular as relações entre 
o SUS e os serviços privados contratados de 
assistência à saúde. 
• Auditar, acompanhar, controlar e avaliar as 
ações e os serviços de saúde, respeitadas as 
competências estaduais e municipais. 
 
Responsabilidade sanitária 
Municípios: 
• Executar e fazer a gestão das ações de 
Atenção Básica, incluindo as ações de promoção e 
proteção; 
• Organizar o acesso a serviços de saúde 
resolutivos e de qualidade na Atenção Básica, 
viabilizando o planejamento, a programação e a 
atenção à saúde descentralizados; 
• Garantir a integralidade das ações de saúde 
prestadas de forma interdisciplinar, por meio da 
abordagem integral e contínua do indivíduo no seu 
contexto familiar, social e do trabalho; 
• Identificar as necessidades da população de 
seu território, fazer um reconhecimento das 
iniquidades, oportunidades e recursos; 
• Desenvolver, a partir da identificação das 
necessidades, um processo de regulação, 
planejamento, programação, monitoramento e 
avaliação; 
• Definir a responsabilidade sanitária de cada 
serviço e equipe; 
• Promover a equidade na atenção à saúde; 
• Garantir a estrutura física necessária para a 
realização das ações de atenção básica; 
• Promover a estruturação da assistência 
farmacêutica; 
• Desenvolver ações educativas que possam 
interferir no processo de saúde-doença da população 
e na melhoria da qualidade de vida; 
• Assumir a gestão e execução das ações de 
Vigilância em Saúde realizadas no âmbito local, 
compreendendo as ações de vigilância 
epidemiológica, sanitária e ambiental; 
• Assumir a gestão e execução das ações do 
Programa Nacional de Imunização; 
• Assumir a execução das ações de vigilância 
para as doenças transmitidas por vetores; 
• Notificar doenças de notificação compulsória, 
surtos e agravos inusitados; 
• Realizar imunização de animais contra a 
raiva; 
• Valorizar as práticas e saberes populares na 
organização e implementação das ações e serviços 
de saúde; 
• Gerir laboratórios de saúde pública de âmbito 
municipal; 
• Monitorar a água de consumo humano e 
contaminantes com importância em saúde pública 
Unidade 2 – Saúde coletiva 5º período - Farmácia 
 
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Estados 
• Coordenar e acompanhar, no âmbito estadual, 
a pactuação; 
• Apoiar os municípios para que estes assumam 
integralmente sua responsabilidade de gestor pleno 
da atenção à saúde; 
• Fazer reconhecimento das necessidades da 
população no âmbito estadual e cooperar técnica e 
financeiramente com os municípios; 
• Desenvolver, a partir da identificação das 
necessidades, um processo de regulação, 
planejamento, programação, monitoramento e 
avaliação; 
• Apoiar técnica, política e financeiramente a 
gestão da Atenção Básica nos municípios, fazendo 
um reconhecimento das iniquidades, oportunidades e 
recursos; 
• Apoiar técnica e financeiramente os municípios 
para que executem com qualidade as ações básicas 
de vigilância em saúde; 
• Promover a estruturação da assistência 
farmacêutica; 
• Assumir, quando necessário, transitoriamente, 
a execução das ações de Vigilância em Saúde no 
município, comprometendo-se em cooperar para que 
o município assuma, no menor prazo possível, sua 
responsabilidade plena; 
• Supervisionar as ações de prevenção e 
controle da vigilância em saúde, coordenando aquelas 
que exigem ação articulada e simultânea entre os 
municípios; 
• Acompanhar e avaliar a Atenção Básica no 
âmbitodo seu território; 
• Apoiar financeiramente os municípios para que 
garantam a estrutura física necessária para a 
realização das ações de atenção básica; 
• Considerar e valorizar as práticas e saberes 
populares na organização e implementação das ações 
e serviços de saúde; 
• Manter atualizado o cadastro de 
estabelecimentos de interesse da vigilância sanitária; 
• Proceder investigação, complementar ou 
conjunta, com os municípios em situação de risco 
sanitário; 
• Monitorar a água de consumo humano; 
• Realizar notificação, investigação e busca 
ativa de casos inusitados notificados, surtos e óbitos; 
• Realizar ações de controle químico e biológico 
de vetores e eliminação de criadouros; 
• Realizar registro, captura, apreensão e 
eliminação de animais que apresentem riscos para a 
saúde humana. 
 
 
 
 
União 
• Coordenar e acompanhar, no âmbito nacional, 
a pactuação; 
• Apoiar os estados e municípios para que 
assumam integralmente sua responsabilidade de 
gestor pleno da atenção à saúde; 
• Prestar cooperação técnica e financeira aos 
estados e aos municípios para o aperfeiçoamento da 
sua atuação institucional na gestão da Atenção 
Básica; 
• Exercer de forma pactuada as funções de 
normalização e de coordenação no que se refere à 
gestão nacional da Atenção Básica no SUS; 
• Fazer o reconhecimento das necessidades da 
população para o âmbito nacional; 
• Desenvolver um processo de regulação, 
planejamento, programação, monitoramento e 
avaliação no seu âmbito, considerando a identificação 
de necessidades; 
• Promover a estruturação da assistência 
farmacêutica; 
• Definir e pactuar as diretrizes para a 
organização das ações e serviços de média e alta 
complexidade; 
• Coordenar, nacionalmente, as ações de 
prevenção e controle da vigilância em saúde, que 
exigem ação articulada e simultânea entre os estados 
e municípios; 
• Considerar e valorizar as práticas e saberes 
populares na organização e implementação das ações 
e serviços de saúde; 
• Proceder investigação complementar ou 
conjunta com os demais gestores do SUS em situação 
de risco sanitário; 
• Executar e coordenar as ações de vigilância 
em saúde, compreendendo as ações de média e alta 
complexidade, de acordo com as pactuações e 
normas vigentes; 
• Realizar inquéritos de fatores de risco. 
Ações estratégicas e prioritárias 
 O Pacto pela Vida é composto por uma série 
de compromissos sanitários e sociais, provenientes da 
observação da conjuntura da saúde do país e das 
prioridades deliberadas pelas três esferas do governo 
– federal, estadual e municipal. Fazem parte das 
ações estratégicas e prioritárias do Pacto pela Vida 
(BRASIL, 2006; LEMOS, 2015; NICOLICH; ROCHA, 
2017): 
A) Saúde do idoso - Promoção do 
envelhecimento ativo e saudável; atenção integral à 
saúde; implantação de serviços de atenção domiciliar; 
acolhimento preferencial em unidades de saúde; 
fomento à participação social; educação permanente 
dos profissionais de saúde em geriatria; apoio a 
estudos e pesquisas sobre o envelhecimento; criação 
Unidade 2 – Saúde coletiva 5º período - Farmácia 
 
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da caderneta de saúde da pessoa idosa, 
possibilitando um melhor acompanhamento por parte 
dos profissionais de saúde e melhora da assistência 
farmacêutica. 
B) Controle do câncer de colo do útero e de 
mama - Contribuir para reduzir ao máximo as 
morbidades e a mortalidade por câncer de colo do 
útero e de mama; aumentar a cobertura do exame 
preventivo do câncer do colo de útero e do exame de 
mamografia, realizando-se punção em 100% dos 
casos e incentivar a realização da cirurgia de alta 
frequência para a retirada de lesões do colo uterino. 
C) Redução da mortalidade infantil e materna - 
Reduzir a mortalidade neonatal; diminuir o número de 
óbitos por pneumonias e doenças diarreicas; qualificar 
os profissionais da saúde na atenção às doenças mais 
prevalentes; desenvolver comitês de vigilância do 
óbito; garantir o acesso a medicamentos para o 
tratamento dos quadros hipertensivos no parto. 
D) Fortalecer a capacidade de resposta às 
doenças emergentes e endêmicas - Enfatizar o 
controle da dengue, hanseníase, tuberculose, malária, 
hepatite, AIDS e influenza; implantar um plano de 
contingência com ações de vigilância, prevenção e 
controle; criar unidades sentinelas e melhorar o 
sistema de informação sobre estas doenças. 
E) Promoção da saúde - Enfatizar a adoção de 
hábitos saudáveis na população; internalizar a 
responsabilidade individual da prática de atividade 
física regular e de alimentação saudável e combater o 
tabagismo. 
F) Fortalecimento da Atenção Básica - 
Desenvolver ações de qualificação dos profissionais 
da Atenção Básica; ampliar, consolidar e qualificar o 
Programa de Saúde da Família (PSF) como modelo 
de Atenção Básica à Saúde nos municípios e garantir 
infraestrutura necessária ao funcionamento das 
Unidades Básicas de Saúde (UBS). 
G) Saúde do trabalhador - Maximizar o Sistema 
Nacional de Atenção Integral à saúde do Trabalhador 
e apoiar a capacitação de profissionais em saúde do 
trabalhador. 
H) Saúde mental - Ampliar a cobertura de 
Centros de Atenção Psicossocial (CAPS); 
contemplar com o Programa de Volta para Casa, 
voltado para os pacientes de longa permanência em 
hospitais psiquiátricos. 
I) Fortalecimento da capacidade de reposta 
do sistema de saúde às pessoas com deficiência - 
Implementar programas estaduais de reabilitação 
para o atendimento de pacientes com deficiência 
auditiva. 
J) Atenção integral às pessoas em situação 
ou risco de violência - Desenvolver programas de 
proteção às vítimas de violência doméstica e sexual; 
aumentar a cobertura da ficha de notificação e 
investigação de casos de violência. 
K) Cuidados com a saúde bucal - Prevenir o 
desencadeamento de doenças bucais e educar a 
população sobre os cuidados com a higiene da boca. 
L) Saúde do homem - Promover a saúde integral 
do homem. Observe na Figura 5 um exemplo real de 
campanha que promove os cuidados com a saúde 
masculina. 
 O Pacto em Defesa do SUS engloba medidas 
articuladas pelos governos federais, estaduais e 
municipais para o fortalecimento do SUS como política 
pública e a consolidação da reforma sanitária. A 
prioridade desse pacto é implementar um projeto 
permanente de mobilização social com a finalidade 
de: 
A) Evidenciar a saúde como um direito de 
cidadania e o SUS como um programa público 
universal que assegura esses direitos; 
B) Propiciar o incremento de recursos 
orçamentários e financeiros para a saúde; 
C) Controlar o orçamento do SUS, constituído 
pelos orçamentos das três esferas de governo, 
elucidando o compromisso de cada uma; 
D) Apoiar a mobilização social pela promoção e 
desenvolvimento da cidadania; 
E) Facilitar o acesso à Carta dos Direitos dos 
Usuários do SUS; 
 Curiosidade – A carta dos Direitos dos 
Usuários do SUS foi elaborada em 2006 pelas três 
esferas do governo e pelo Conselho Nacional de 
Saúde. Sua publicação foi um marco importante, uma 
vez que possibilitou um maior entendimento sobre o 
sistema de saúde público. 
 O Pacto pela Gestão determina as 
obrigações de cada âmbito federado, de modo a 
minimizar as competências adversárias e elucidar as 
funções de cada um, colaborando, assim, para o 
fomento da gestão conjunta e solidária do SUS. Esse 
pacto se fundamenta nos princípios organizacionais 
do SUS e suas prioridades são duas, a saber: 
 Definir de forma inequívoca a 
responsabilidade sanitária de cada instância 
gestora do SUS: federais, estaduais e municipais, 
dominando o processo atual de habilitação; 
 Estabelecer as diretrizes para a gestão do 
SUS: enfatizar a descentralização, regionalização, 
programação pactuada e integrada, gestão do 
trabalho, participação e controle social, além do 
financiamento, planejamento e educação na saúde. 
 
 
 
 
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