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Concepções de saúde e doença

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Concepções de 
saúde e doença
P r o f . A n t ô n i o A l v e s 
O que é doença?
O que é saúde?
Ao contrário da doença, cuja 
explicação foi perseguida de 
modo incessante pelo homem, a 
saúde parece ter recebido pouca 
atenção de filósofos e cientistas. 
Posto isso, para pensarmos o 
conceito de saúde, é preciso 
abordar, também, as concepções 
de doença.
As concepções são reflexos da 
conjuntura social, econômica, política 
e cultural. Não serão concepções 
únicas para todos. Dependerá da 
época, do lugar e da classe social; dos 
valores individuais, concepções 
científicas, religiosas e filosóficas.
Doença
Doença
Concepções predominantes
▪ Idade Média: Fase mágico-religiosa X Teoria humoral
▪ Séculos XVI-XIX: Teoria miasmática -→ Teoria do contágio
▪ Século XIX: Fase microbiológica -→ Teoria dos germes 
(microbiana) - Unicausalidade
▪ Século XX: Causalidade múltipla
Fase mágico-religiosa
▪ Antiguidade (Mesopotamia)
▪ Advento do Cristianismo
▪ Fatores etiológicos 
atribuídos à ação de deuses, 
demônios ou de forças do 
mal (castigo ao pecador, 
penitência purificadora ou 
possessão demoníaca)
Fase mágico-religiosa
▪ As práticas de cura eram os feitiços, as rezas, benzeduras, 
procedimentos rituais, magias (feiticeiros, sacerdotes)
Teoria humoral
▪ Oposição à interpretação mágico-religiosa
▪ Atribuída a Hipócrates (Pai da Medicina – 460-370 a.C.) – Grécia Antiga
▪ Valorização do conhecimento empírico (observação e tentativa)
“A doença chamada sagrada [...] não é, em minha opinião, mais divina 
ou sagrada que qualquer outra doença; tem uma causa natural e sua 
origem supostamente divina reflete a ignorância humana”.
Hipócrates. “The Sacred Disease”, em Lester S. King (org.), A History of Medicine (Londres:
Penguin Books Middlesex, 1971), p. 54.
Teoria humoral
▪ Baseada nos quatro elementos: água (fria e úmida), terra (fria 
e seca), ar (quente e úmido), fogo (quente e seco) que tem 
relação com os fluídos do corpo (humores) e as possíveis 
doenças
▪ Saúde: equilíbrio dos 4 humores corporais: sangue (quente e 
úmido), fleuma (fria e úmida), a bílis amarela (quente e seca) e 
a bílis negra (fria e seca)
▪ Doença: excesso, falta ou acúmulo dos humores no 
organismo, provocada pelo ambiente físico
Teoria miasmática
▪ Surgimento no Império Romano
▪ Concepção restaurada no Renascimento → Desenvolvimento da Ciência
▪ Impurezas existentes no ar (miasmas – “maus ares”), que se originavam 
a partir de exalações de pessoas e animais doentes, emanações dos 
pântanos, de dejetos e substâncias em decomposição causavam doenças
▪ Acreditava-se que ao impedir a propagação dos maus odores, seria 
possível prevenir ou evitar epidemias. Essa teoria “não científica” foi 
responsável pelo surgimento do movimento higienista no período, que 
salvou milhões de vidas
Teoria do contágio
▪ Pensamento e método científico; compreensão da constituição do corpo
▪ Teoria do contágio: “Sementes de contágio” capazes de se multiplicar no 
organismo de doentes seriam transmitidas de um sujeito a outro pelo 
contato direto ou pelo ar
▪ Lavagem das mãos, separação de doentes e sãos, quarentena, limitação 
da liberdade individual, controle das águas de beber e dos esgotos
▪ O microscópio é criado
Era bacteriológica
Teoria dos germes
▪ Século XIX – Pasteur demonstra, 
com o uso do microscópio, que
cada doença infecciosa é 
provocada por microrganismo
específico
▪ Descoberta dos micróbios (vírus 
e bactérias) = agente etiológico
das doenças
Teoria dos germes
A prática de cura se dá 
através de medidas de 
proteção e controle: uso 
de antissépticos, 
produção de vacinas, 
medicações específicas
Modelo Unicausal
Uma causa Um efeito 
(doença)
Transição uni→ multicausalidade
▪ Século 20
▪ Teoria Unicausal não consegue explicar todas as doenças
Câncer Transtornos 
psiquiátricos
Doenças 
cardiovasculares
▪ Teoria Multicausal ganha espaço: defende que as doenças
eram causadas por diversos fatores que se relacionavam
Fase da causalidade múltipla
Incorporação do social 
e/ou do psicossocial para 
explicar o aparecimento 
e manutenção das 
doenças na coletividade, 
em interação com os 
fatores físicos e 
biológicos
Modelo da tríade ecológica
Saúde
Saúde = ausência de doença
▪ O conceito de saúde sempre foi negligenciado
▪ Ausência de sinais e sintomas
▪ Bases racionais para escolha terapêutica
▪ Não se estruturou um modelo capaz de dar respostas às epidemias
▪ Hospital passa a ser o local de cura
▪ Aprofundamento dos estudos anatômicos: procura-se a doença no 
corpo (e não fora dele)
Modelo de Atenção BiomédicoModelo Unicausal
Saúde = bem-estar
▪ Século XVIII: início do debate sobre a influência das condições e 
qualidade de vida sobre a saúde (e vice-versa): fatores sociais, 
econômicos e físicos; porém com poucos avanços
▪ Cria-se a OMS (1948), que conceitua a saúde como:
“um completo estado de bem-estar físico, mental e social, e não apenas a 
ausência de doença ou enfermidade”.
▪ Tentativa de superar a visão negativa da saúde
▪ Conceito utópico, inalcançável
▪ Não pode ser utilizado para definição de metas pelos serviços de saúde
▪ Impossibilidade de medir o nível de saúde da população
Conceito ampliado de saúde
▪ 1974: Relatório Lalonde – Campo da Saúde abrange a 
biologia humana, o meio ambiente, o estilo de vida, a 
organização da assistência à saúde
▪ 1978: Conferência Internacional sobre Cuidados Primários 
em Saúde – Declaração de Alma Ata: Saúde para todos no 
ano 2000, Atenção Básica, participação da comunidade, 
intersetorialidade, promoção da saúde
Conceito ampliado de saúde
▪ 1986: I Conferência Internacional em Promoção da Saúde – 
Carta de Otawa
Promoção da saúde
“processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade
de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste processo […] 
saúde é um conceito positivo, que enfatiza os recursos sociais e pessoais, bem 
como as capacidades físicas […]. A promoção da saúde não é responsabilidade 
exclusiva do setor saúde, e vai para além de um estilo de vida saudável, na direção 
de um bem-estar global”.
Determinantes Socias da Saúde
Determinantes sociais de saúde (DSS)
▪A atenção médica não é o principal fator de auxílio à saúde 
das pessoas
▪Foco nos fatores que ajudam as pessoas a ficarem saudáveis, 
ao invés do auxílio que as pessoas obterão quando ficarem 
doentes
Modelo Biomédico Vigilância em Saúde
Determinantes Sociais da Saúde
Dahlgren e Whitehead, 1991
Conceito ampliado de saúde: Brasil
▪ Brasil
▪ 1986: 8ª Conferência Nacional de Saúde 1986
Saúde
“em sentido amplo, a saúde é a resultante das condições de alimentação,
habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, 
emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso aos serviços 
de saúde. Sendo assim, é principalmente resultado das formas de 
organização social, de produção, as quais podem gerar grandes 
desigualdades nos níveis de vida.”
▪ Brasil
▪ 1988: Constituição Federal: institui o Sistema Único de Saúde
Saúde
“A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante
políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e 
de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços 
para a promoção, proteção e recuperação.” (Art. 196)
Conceito ampliado de saúde: Brasil
▪ Brasil
▪ 1990: Lei 8.080
Saúde
“A saúde tem como fatores determinantes e condicionantes, entre outros,
a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o 
trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens 
e serviços essenciais; os níveis de saúde da população expressam a 
organização social e econômica do País.” (Art. 3)
Conceito ampliado de saúde: Brasil
TRABALHO EM GRUPO DE 5 PESSOAS – DATA:18/03/2024 
REALIZAR DRAMATIZAÇÃO SOBRE CONCEPÇÕES DE
SAÚDE E DOENÇA, ENFATIZANDO NESSE CONTEXTO AS 
PRÁTICAS DE INTERVENÇÕES DESENVOLVIDAS A PARTIR 
DOS CONCEITOS.
Concepções de doença a serem dramatizadas e suas 
intervenções para obtenção da saúde:
▪ 1. Idade Média: Fase mágico-religiosa X Teoria humoral
▪ 2. Séculos XVI-XIX: Teoria miasmática -→ Teoria do contágio
▪ 3. Século XIX: Fase microbiológica -→ 
Teoria dos germes (microbiana) - Teoria da Unicausalidade
▪ 4. Século XX: Causalidade múltipla – Teoria da Multicausalidade
	Slide 1: Concepções de saúde e doença
	Slide 2
	Slide 3: O que é doença?
	Slide 4: Doença
	Slide 5: Doença
	Slide 6: Fase mágico-religiosa
	Slide 7: Fase mágico-religiosa
	Slide 8: Teoria humoral
	Slide 9: Teoria humoral
	Slide 10: Teoria miasmática
	Slide 11
	Slide 12: Teoria do contágio
	Slide 13: Teoria dos germes
	Slide 14: Teoria dos germes
	Slide 15: Modelo Unicausal
	Slide 16: Transição uni multicausalidade
	Slide 17: Fase da causalidade múltipla
	Slide 18: Saúde
	Slide 19: Saúde = ausência de doença
	Slide 20: Saúde = bem-estar
	Slide 21: Conceito ampliado de saúde
	Slide 22: Conceito ampliado de saúde
	Slide 23: Determinantes sociais de saúde (DSS)
	Slide 24
	Slide 25: Determinantes Sociais da Saúde
	Slide 26: Conceito ampliado de saúde: Brasil
	Slide 27: Conceito ampliado de saúde: Brasil
	Slide 28: Conceito ampliado de saúde: Brasil
	Slide 29
	Slide 30

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