Prévia do material em texto
Mecânica dos Fluidos Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” 7 Óleos Lubrificantes Definição Os óleos lubrificantes, óleos de motor, ou óleos para motor, são substâncias utilizadas para reduzir o atrito, lubrificando e aumentando a vida útil dos componentes móveis dos motores. Os óleos lubrificantes podem ser de origem animal ou vegetal (óleos graxas), derivados de petróleo (óleos minerais) ou produzidos em laboratório (óleos sintéticos), podendo ainda ser constituído pela mistura de dois ou mais tipos (óleos compostos). Como no caso de todos os agregados com peças móveis, os compressores de refrigeração minimizam os prejuízos devido à fricção (desgaste) através de uma lubrificação adequada. Nas instalações comuns não pode ser evitado que o lubrificante entre em contato com o refrigerante do circuito de refrigeração. Propriedades As características do óleo lubrificante devem incluir: Viscosidade adequada; Ponto de fluidez, de névoa e de floculação compatível (incongelável); Tenacidade e resistência de película; Estabilidade química em presença do refrigerante; Baixo teor de umidade. Na avaliação desta propriedade do óleo com relação a um compressor individual, podem ser tomados em consideração: O tipo e projeto do compressor; A natureza do refrigerante a ser usado; A temperatura do evaporador; A temperatura de descarga do condensador. https://pt.wikipedia.org/wiki/Subst%C3%A2ncia https://pt.wikipedia.org/wiki/Motores https://pt.wikipedia.org/wiki/Animal https://pt.wikipedia.org/wiki/Vegetal https://pt.wikipedia.org/wiki/Petr%C3%B3leo Mecânica dos Fluidos 8 Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” Características dos óleos lubrificantes A qualidade de um lubrificante é comprovada após a aplicação e avaliação de seu desempenho em serviço. Esse desempenho está ligado à composição química do lubrificante, resultante do petróleo bruto, do refino dos aditivos e do balanceamento da formulação. Esta combinação de fatores dá ao lubrificante certas características físicas e químicas que permitem um controle da uniformidade e nível de qualidade. Chamamos de análise típica um conjunto de valores que representa a média das medidas de cada característica. Consequentemente, a amostra de uma determinada fabricação dificilmente apresenta resultados iguais aos da análise típica, situando-se, entretanto, dentro de uma faixa de tolerância aceitável. Ao conjunto de faixas de tolerância e limites de enquadramento de cada fabricação dá-se o nome de especificação. Convém mencionar que as especificações não são garantia de bom desempenho do lubrificante, pois somente a aplicação demonstra a performance. Os ensaios de laboratório simulam condições de aplicação do lubrificante, sem, entretanto, garantir um bom desempenho no serviço. Viscosidade A viscosidade do óleo tem importância fundamental na lubrificação hidrodinâmica. A viscosidade de um fluido é a propriedade que determina o valor de sua resistência ao cisalhamento. A viscosidade é devida, primeiramente, à interação entre as moléculas do fluido. Consideremos, conforme a figura abaixo, duas placas paralelas separadas por uma pequena distância y, sendo o espaço entre as mesmas ocupado por um fluido. Suponha-se uma força constante F atuando sobre a placa superior, que então se move a uma velocidade constante V, o fluido em contato com a placa superior aderirá à mesma e irá mover-se à velocidade V, e o fluido em contato com a placa inferior fixa, terá velocidade zero. Se a velocidade V não for excessivamente grande, as camadas Mecânica dos Fluidos Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” 9 intermediárias do fluido irão mover-se com a velocidade V1, V2, Vn, diretamente proporcionais a y1, y2 ... yn. O movimento será laminar e a curva de variação da velocidade será uma linha reta. Viscosidade do óleo A experiência nos mostra que a força F é diretamente proporcional à área A da placa móvel, à velocidade V é inversamente proporcional à distância y. Além disso, a força F varia também de acordo com a natureza do fluido. Então, temos: Em que μ é o coeficiente de viscosidade ou viscosidade absoluta ou viscosidade dinâmica do referido fluido. O conceito de viscosidade foi estabelecido, em princípio, por Isaac Newton. Louis Navier, na França e George Stokes, na Inglaterra, no início do século XIX, estudaram matematicamente o equilíbrio dinâmico dos fluidos viscosos. Hágen e Poiseuille estudaram o escoamento dos líquidos em condutos circulares capilares, enquanto Boussinesq e Reynolds se notabilizaram nos estudos do escoamento turbulento. De acordo com a ASTM (American Society of Testing Materials), temos as seguintes definições: F = μ AV / y Mecânica dos Fluidos 10 Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” Viscosidade Absoluta (dinâmica) de um líquido newtoniano - é a força tangencial sobre a área unitária de um de dois planos paralelos separados de uma distância unitária quando o espaço é preenchido com líquido e um dos planos move-se em relação ao outro com velocidade unitária no seu próprio plano. A unidade CGS de viscosidade dinâmica ou absoluta μ é o poise, que tem as dimensões gramas por centímetros por segundo; Viscosidade Cinemática de um líquido newtoniano - é o quociente da viscosidade dinâmica ou absoluta dividida pela densidade; Escoamento Newtoniano - é caracterizado pelo líquido no qual o grau de cisalhamento é proporcional à tensão de cisalhamento. A razão constante para o grau de cisalhamento é a viscosidade do líquido. Conforme vimos a viscosidade cinemática é função apenas do comprimento e tempo (grandezas cinemáticas), então: Entretanto, para fins práticos, a viscosidade dos óleos lubrificantes é expressa em tempo (segundos) de escoamento através de tubos capilares metálicos, como é o caso do viscosímetro Saybolt nos Estados Unidos, Redwood na Inglaterra e Engler na Alemanha. Popularmente a viscosidade é o “corpo” do lubrificante. Um óleo viscoso ou de grande viscosidade é “grosso” e flui com dificuldade; um óleo de pouca viscosidade é “fino” e escorre facilmente. Podemos, pois, dizer que a viscosidade de um óleo é inversamente proporcional à sua fluidez. Outras propriedades para viscosidade de óleo seriam: a sua resistência ao fluir, o seu atrito interno ou sua resistência ao escoamento. v = μ / d Mecânica dos Fluidos Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” 11 Unidades e Métodos de Medir Viscosidade Vimos acima a definição consagrada pela ASTM para a viscosidade dinâmica ou absoluta. Podemos dizer que ela é numericamente expressa pela força aplicada a uma superfície, a fim de cisalhar uma película do fluido de espessura unitária, a uma velocidade relativa também unitária. No sistema MKS a unidade de viscosidade absoluta é kgf.s/m² e não possui nome especial. No sistema CGS a unidade é o “poise”, que vem a ser dina s/cm². Normalmente é utilizado o “centipoise”, que é centésima parte do “poise”. No sistema inglês a unidade é Ib.s/pol² que é denominada “reyn”. De uso mais corrente é o “microreyn”, que é a milionésima parte do “reyn”. O inverso da viscosidade absoluta é chamado fluidez. Sua unidade no sistema CGS é denominada “RHE” por alguns autores. Os viscosímetros Saybolt, Redwood e Engler têm uma construção muito semelhante. Todos os três compõem-se, basicamente, de um tubo de seção cilíndrica com um estreitamento na parte inferior. Uma determinada quantidade de óleo é contida no tubo, que fica mergulhado em um banho com temperatura controlada por termostato. Na temperatura escolhida deixa-se escoar o óleo através do orifício inferior e mede-se o tempo de escoamento. Mecânica dos Fluidos 12 Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” Conversão de UnidadesExistem diferentes métodos para medição da viscosidade. A conversão é feita mediante a tabelas que relacionam a viscosidade em determinada temperatura. Pode-se usar os seguintes fatores de multiplicação para efetuar conversões aproximadas de um sistema de viscosidade a outro sistema, à mesma temperatura: Tabela: Conversões entre unidades Unidade Multiplicar por: Unidade Cinemática (cst) 0,1316 Graus Engler Graus Engler 7,599 Cinemática (centistokes) Graus Engler a 20°C 35,106 Seg. Saybolt Universal a 20°C Graus Engler a 50°C 35,173 Seg. Saybolt Universal a 50°C Graus Engler a 100°F 35,353 Seg. Saybolt Universal a 100°C Seg. Saybolt Universal a 100°F 0,02848 Graus Engler a 100°F Seg. Saybolt Universal a 210°F 0,02829 Graus Engler a 210°F Viscosidade na Refrigeração A viscosidade de óleo de lubrificação muda consideravelmente com a temperatura, aumentando quando a temperatura diminui. A diluição do refrigerante no óleo também altera a viscosidade, diminuindo-a quando a diluição aumenta. Uma outra área onde as relações de solubilidade entre óleo e refrigerante são importantes é no cárter. Essas relações são afetadas pela temperatura do óleo, pela Mecânica dos Fluidos Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” 13 pressão do refrigerante, que por sua vez depende de sua temperatura, e pelo tipo de refrigerante e natureza do óleo. Durante o funcionamento normal, quando a temperatura do cárter é razoável (alta) e a pressão de sucção é baixa, a quantidade de refrigerante dissolvido no óleo é baixa. Quando o sistema for desligado tanto o óleo como o refrigerante estiverem à temperatura e pressão ambientes, o óleo no cárter poderá conter cerca de 50% de refrigerante. Essa passagem do refrigerante para dentro do cárter não ocorre instantaneamente e o equilíbrio provavelmente só será atingindo depois de várias horas. Quando o compressor é ligado novamente, o refrigerante extra será rapidamente retirado da solução, causando uma grande turbulência e carregando óleo consigo. A utilização de aquecedores no cárter para manter a temperatura do óleo a um nível razoável e prevenir a passagem do refrigerante para dentro do cárter está se tornando bastante comum. Temperaturas do óleo de cerca de 60 a 65°C para o refrigerante R- 12 são suficientes para produzir o efeito desejado. É muito melhor um aquecedor de baixa potência que funcionará continuamente. Tipos de óleos lubrificantes Oleosos, líquidos e fluidos lubro-refrigerantes (emulsões); Graxosos; Pastoso; Seco (pó ou verniz). Mecânica dos Fluidos 14 Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” Miscibilidade Miscibilidade é uma propriedade que representa a habilidade do fluido refrigerante se misturar com óleo lubrificante do compressor. Podemos citar algumas vantagens quanto a esta propriedade, como a fácil lubrificação das partes dos sistemas e relativa facilidade do óleo retornar ao compressor, porém há desvantagens relacionadas a diluição do lubrificante e consequente diminuição de sua viscosidade, podemos citar ainda a baixa capacidade de transferência de calor (inerente ao óleo) e problemas de controle. Relações de Temperatura e Pressão Quando o óleo se dissolve no refrigerante ou o refrigerante se dissolve no óleo, ocorre relacionamento de três propriedades, sob qualquer determinada condição. São elas: pressão, temperatura e concentração. Efeito da solubilidade de fluído refrigerante sobre a viscosidade Mecânica dos Fluidos Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” 15 Efeito da solubilidade de óleo sobre a pressão e a temperatura Estabilidade Química A importância da estabilidade química é acentuada pois é necessário que o óleo de lubrificação do compressor desempenhe sua função de lubrificação contínua efetivamente sem sofrer mudanças por longo tempo. Por causa das elevadas temperaturas de descarga possíveis em unidades de compressores herméticos, a capacidade do óleo em permanecer estável e resistir a decomposição sob temperaturas elevadas é especialmente importante quando da seleção de um óleo de lubrificação para estas unidades. Na maioria dos casos, a estabilidade química de um óleo está estreitamente relacionada com a quantidade de hidrocarbonetos não saturados presentes no óleo. Mecânica dos Fluidos 16 Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” Quanto maior a porcentagem de hidrocarbonetos não saturados contidos no óleo, maior a sua estabilidade. Para refrigeração é desejado um óleo de alta qualidade com uma porcentagem muito baixa de hidrocarbonetos não saturados, estes óleos são geralmente de cor clara, sendo justamente de um branco aguado. Pontos de fluidez, névoa e floco O ponto de fluidez de um óleo é a temperatura mais baixa à qual ele fluirá, ou congelará quando testados sob certas condições especificadas. Dois óleos tendo a mesma viscosidade, um pode ter um ponto mais elevado de fluidez que o outro, por causa de uma maior quantidade de cera. Para ser admitido no evaporador, o ponto de fluidez do óleo deve ser bem abaixo da menor temperatura do evaporador. Se o ponto de fluidez do óleo é muito elevado, estes tendem a congelar sobre a superfície do evaporador. Uma vez que o óleo não retorna ao compressor, pode resultar também a lubrificação inadequada do compressor. Todos os óleos de lubrificação contêm certa quantidade de parafina. A cera precipitará qualquer óleo se a temperatura do óleo for reduzida a um nível suficientemente baixo. Como o óleo se torna floculado neste ponto, a temperatura em que a cera começa a precipitar do óleo é chamada o ponto de névoa do óleo. Se o ponto de névoa do óleo for muito alto, a cera se precipitará do óleo no evaporador e no controle do refrigerante. Embora uma pequena quantidade de cera no evaporador Mecânica dos Fluidos Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” 17 produza pequeno dano, uma pequena quantidade de cera no controle do refrigerante causará entupimento da peça, resultando a paralisação do sistema. O ponto de floco do óleo e a temperatura à qual a cera começa a se precipitar de uma mistura de 90% de refrigerante-12 e 10% de óleo por volume. Uma vez que o uso de um refrigerante solúvel ao óleo diminuirá a viscosidade do óleo, e afeta tanto o ponto de fluidez quanto o de floco onde são empregados refrigerantes miscíveis ao óleo, o ponto de floco do óleo é uma característica mais importante do que o ponto de fluidez e de névoa. O uso de 10% de óleo numa mistura refrigerante-óleo para determinar o ponto de floco parece completamente real, dado que a tendência de uma mistura refrigerante-óleo para separar a cera aumenta quando a quantidade de óleo circulando com refrigerante raras vezes excede 10% e é geralmente muito menor. Tabela de aplicação de óleos lubrificantes Abaixo, serão apresentadas tabelas para especificação de óleos lubrificantes com base nas características do sistema em questão. Essas tabelas foram extraídas de catálogos do fabricante Bitzer. O primeiro passo para a seleção do lubrificante que melhor se enquadre em determinado processo, é determinar a faixa de aplicação apresentado a seguir: Seleção da faixa de aplicação para óleos lubrificantes Mecânica dos Fluidos 18 Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” Uma vez sabida a aplicação, devemos verificar o tipo de compressor utilizado para então especificarmos o óleo lubrificante correto. Abaixo, estão algumas tabelas que permitem a melhor escolha do lubrificante para determinado tipo de compressor. Mecânica dos Fluidos Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” 19 Demais particularidades, como recomendações de troca periódica e carga de óleo (volume) no compressor são definidas pelos fabricantes e essas informações devem ser consultadas emseus respectivos catálogos. Segurança Os fabricantes de óleos para refrigeração recomendam a leitura da Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos (FISPQ) antes de manusear seus produtos. Nesta ficha constam as principais informações relativas a composição, identificação de perigos, medidas de controle para derramamento e vazamento, toxicologia, etc. Exemplos de informações encontradas nas FISPQ´s: Um fabricante de óleos minerais destaca o efeito de irritação em caso de contato dos olhos com o produto, recomenda lavar os olhos com água durante 15 minutos e se o problema persistir ou aumentar procurar por cuidados médicos; Um fabricante de óleos sintéticos destaca que seu produto é altamente higroscópico e recomenda mantê-lo em recipiente fechado. Alguns dos efeitos de exposição que podem ser encontrados nas FISPQ´s: a inalação; Mecânica dos Fluidos 20 Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” irritações por contato com os olhos; irritações por contato com a pele; ingestão acidental, etc. Para prevenir os problemas devido a exposição devemos seguir as recomendações abaixo: ler cuidadosamente as informações contidas na FISPQ; ler cuidadosamente as informações de manuseio do produto; utilizar sempre equipamentos de proteção para os membros, mãos e olhos; utilizar máscaras respiratórias adequadas a toxidade do produto; nunca inalar ou ingerir os produtos; não manusear produtos em ambientes sem ventilação adequada; um óleo é um combustível, portanto pode iniciar um incêndio se entrar em contato com faíscas ou chamas. Toxicologia A Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (CETESB, 2007) define que a toxicologia é a ciência que estuda os efeitos nocivos produzidos pelas substâncias químicas sobre os organismos vivos. Como vimos no início do capitulo, o óleo é um derivado do petróleo e é composto por hidrocarbonetos. Toxicidade Macintyre (1990, p.15) define que a toxicidade “É a propriedade de uma substância de que se manifesta em ambiente fisiológico vivo produzindo uma alteração indesejada do mesmo”. Mecânica dos Fluidos Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” 21 Substâncias tóxicas São substâncias capazes de provocar a morte ou danos à saúde humana se ingeridas, inaladas ou por contato com a pele, mesmo em pequenas quantidades. As vias pelas quais os produtos químicos podem entrar em contato com o nosso organismo são três: inalação, absorção cutânea e ingestão. A inalação é a via mais rápida de entrada de substâncias para o interior do nosso corpo e a mais comum. Para a absorção cutânea podemos dizer que existem duas formas das substâncias tóxicas agirem: Como tóxico localizado, onde o produto entra em contato com a pele e age na sua superfície provocando uma irritação primária e localizada; Como tóxico generalizado, quando a substância tóxica reage com as proteínas da pele ou mesmo penetra através dela, atinge o sangue e são distribuídos para o nosso organismo, podendo atingir vários órgãos. Apesar da pele e a gordura atuarem como barreiras protetoras do corpo, algumas substâncias como ácido cianídrico, mercúrio e alguns defensivos agrícolas, têm a capacidade de penetrar através da pele. A ingestão é considerada uma via de ingresso secundário, uma vez que tal fato somente ocorrerá de forma acidental. Mecânica dos Fluidos 22 Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves”