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Casamento
Prof. Gilberto Fachetti Silvestre, Prof.ª Bruna Figueira Marchiori
false
Descrição
Abordagem conceitual e prática dos requisitos mais importantes de
constituição de um casamento e de uma união estável.
Propósito
Essa é uma das principais matérias das quais resultam demandas
discutidas em ações judiciais, sendo, portanto, um assunto de grande
viés prático e operabilidade para o exercício das profissões jurídicas.
Preparação
Para iniciar os estudos deste assunto, tenha o Código Civil atualizado
em mãos.
Objetivos
Módulo 1
Capacidade, impedimentos e
causas suspensivas
Identificar as principais regras de constituição do casamento, assim
como as modalidades de impedimentos à sua constituição.
Módulo 2
Dissolução do vínculo conjugal
Analisar as consequências da dissolução do vínculo conjugal.
Módulo 3
União estável e sua dissolução
Reconhecer os elementos da união estável e sua dissolução.
Introdução
Casamento e união estável são instituições da maior importância,
porque são entidades familiares e família constitui célula da
sociedade. Daí a importância de compreender em detalhes como
é a constituição do casamento e da união estável e quais as
características de cada um.
As consequências sociais e jurídicas que podem advir dessas
situações servem de campo fértil para o desenvolvimento
profissional. Paralelamente a isso, o casamento e a união estável

implicam uma consequência prática e alguns conceitos próprios
e peculiares, que permitem melhor compreender como
funcionam essas entidades familiares e como os problemas
deles decorrentes devem ser resolvidos.
Assim, vamos apresentar conceitos e demonstrar como eles se
aplicam para a solução de problemas que resultam da
constituição do casamento e da união estável.
Para isso, primeiro será mostrado um panorama dos elementos
essenciais caracterizadores do casamento e da união estável. Na
sequência, será abordada a dissolução por não atendimento a
tais requisitos essenciais. Por fim, será apresentado o regime
jurídico dos elementos essenciais do casamento e da união
estável, de modo a resumir e sistematizar as principais regras
sobre a matéria.
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1 - Capacidade, impedimentos e causas
suspensivas
Ao �nal deste módulo, você deverá ser capaz de identi�car as principais
regras de constituição do casamento, assim como as modalidades de
impedimentos à sua constituição.
Conceito de casamento
Casamento
Neste vídeo, o professor reflete sobre o que é o casamento e seus
requisitos fundamentais. Confira!
Noções gerais sobre os requisitos
do casamento
O casamento é o ato jurídico caracterizado pelo vínculo jurídico entre
duas pessoas com a intenção de constituir uma família (affectio
familiae).
Antes da ADI nº 4277 e da ADPF nº 132, julgadas pelo Supremo Tribunal
Federal (STF) em 2011, e da Resolução nº 175/2013 do Conselho
Nacional de Justiça (CNJ), o casamento era restrito somente à união
entre homem e mulher.

Shutterstock.com
Shutterstock.com
Com as decisões do STF e a resolução do CNJ,
passou-se a admitir a celebração do casamento civil
entre pessoas do mesmo sexo.
Para casar, porém, é preciso preencher uma série de requisitos formais,
dos quais os mais importantes são:

Capacidade para casar

Não haver impedimentos

Não haver causas suspensivas.
Vamos analisar cada um dos requisitos formais separadamente.
Capacidade núbil
Regramento geral da capacidade
para casar
A capacidade para casar, também chamada de capacidade núbil, é a
aptidão da pessoa para poder casar, ou seja, a pessoa tem o
discernimento necessário para a prática do ato.
Tem a ver, portanto, com o preenchimento de condições subjetivas do
interessado em se casar, que revelem sua habilidade para compreender
a importância do ato que pratica.
Essa capacidade é a de fato ou de exercício, que pode ser limitada ao
longo da vida da pessoa. A capacidade de direito ou de gozo é a mesma
durante toda a vida da pessoa. Assim, quando falamos em capacidade
para casar, estamos nos referindo à capacidade de fato, que consiste na
possibilidade de a própria pessoa exercer seus direitos na vida civil, sem
a necessidade de um assistente ou um representante.
Aquele que não possui a capacidade casamentária é, portanto, incapaz
para o casamento (incapacidade absoluta e relativa).
Sendo o casamento um ato jurídico, a ele se aplicam as causas de
incapacidade previstas no art. 3º e no caput do art. 4º do Código Civil.
São incapazes absolutamente para o
casamento os menores de 16 anos.
São incapazes relativamente para o casamento:
1. Os ébrios habituais (alcoólicos) e os viciados em tóxico
(narcóticos).
2. Aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem
exprimir sua vontade.
3. Os pródigos.
Pródigo
É a pessoa que gasta imoderadamente seu dinheiro e seus bens,
comprometendo o seu patrimônio.
Atenção!
No caso dos relativamente incapazes (ébrios habituais, dos viciados em
tóxico, dos impossibilitados de exprimir sua vontade e dos pródigos),
não basta que a pessoa seja acometida dessas causas de
incapacidade. É preciso que a pessoa seja interditada, ou seja, que um
juiz declare o sujeito que apresenta aquelas condições como sendo
relativamente incapaz.
Ninguém maior de 18 anos é incapaz só porque é viciado em álcool ou
tóxico, é pródigo ou está impossibilitado de manifestar vontade. É
preciso uma declaração judicial de que aquela pessoa é relativamente
incapaz, que é obtida na chamada ação de curatela de interditos. Nessa
ação, é nomeado o curador, o qual é uma pessoa responsável em ser o
assistente do interditado-incapaz.
Logo, se alguém estiver interditado, não poderá casar-se sem
autorização do seu curador. Se o fizer, o casamento será nulo.
E quanto à hipótese do inciso I do caput do art. 4º do
Código Civil, pela qual os maiores de dezesseis e
menores de dezoito anos são relativamente incapazes?
Nesse caso, excepcionalmente, o caput do art. 1.517 do Código Civil
admite o casamento de pessoas que tenham entre 16 e 18 anos:
Por esse motivo, diz-se que a idade núbil, no
Brasil, é aos 16 anos.
Mas o fato de uma pessoa entre 16 e 18 anos ter a capacidade para se
casar não significa que é dispensada a autorização de seus
responsáveis (ou responsável, se houver somente um). Assim, pais e
tutor (caso a pessoa esteja submetida à tutela) precisam autorizar o
casamento para que este tenha validade.
Saiba mais
Essa autorização dos responsáveis poderá ser revogada até a data da
celebração do casamento (art. 1.518).
No caso da pessoa que tem pai e mãe ou dois tutores, havendo
divergência entre ambos, é possível que a divergência seja levada até o
Judiciário para que um juiz analise se a recusa tem justa causa
(parágrafo único do art. 1.631). Não havendo justa causa na recusa em
autorizar o casamento do filho ou da filha, ou tutelado e tutelada, o juiz
dará o consentimento (art. 1.519).
A pessoa entre 16 e 18 anos, ao se casar, será automaticamente
emancipada (inciso II do parágrafo único do art. 5º do Código Civil). Isso
significa que, mesmo menor de 18 anos, passará a ser plenamente
capaz, ou seja, sua capacidade plena é adiantada e ela poderá exercer
todos os atos da vida civil sem a necessidade de um assistente.
Antes da Lei nº 13.811/2019, que alterou a redação do art. 1.520,
admitia-se, excepcionalmente, o casamento de quem não havia atingido
a idade núbil (16 anos). Era a chamada antecipação da idade núbil. A
hipótese excepcional era gravidez. Agora, com a nova redação do art.
1.520, não é permitido, em qualquer caso, o casamento de quem não
atingiu a idade núbil.
Capacidade para casar frente ao
Estatuto e à Lei de Inclusão da PCD
Uma questão que se coloca, agora, diz respeito à Lei nº 13.146/2015 –
Estatuto da Pessoa com Deficiência ou Lei de Inclusão da Pessoa com
Deficiência. Essa lei modificoua redação do art. 3º e no caput do art. 4º
do Código Civil, eliminando as deficiências mentais como causas de
incapacidade absoluta ou relativa.
Pelo art. 84 do Estatuto, a pessoa com deficiência tem assegurado o
direito ao exercício de sua capacidade legal em igualdade de condições
com as demais pessoas. Ou seja, a pessoa com deficiência
mental/intelectual tem capacidade plena.
Dependendo do grau de deficiência mental, a pessoa pode ser
submetida a uma curatela especial (§ 1º do art. 84). Porém, de acordo
com o art. 85, tal curatela afetará tão somente os atos relacionados aos
direitos de natureza patrimonial e negocial e não alcança o direito ao
próprio corpo, à sexualidade, ao matrimônio, à privacidade, à educação,
à saúde, ao trabalho e ao voto. Logo, ninguém poderá ser interditado (e
declarado incapaz) por causa de deficiência mental/intelectual. Uma
pessoa nessa condição não é incapaz.
Daí vem a pergunta: a pessoa com deficiência
mental/intelectual maior de 18 anos pode casar-se
sem a autorização de algum responsável?
De acordo com o § 1º do art. 1.550, a pessoa com deficiência mental ou
intelectual em idade núbil poderá contrair matrimônio, expressando sua
vontade perante o Oficial do Registro diretamente ou por meio de seu
responsável ou curador. Assim, em regra e a princípio, ninguém pode se
opor ao casamento de uma pessoa com deficiência mental ou
intelectual.
Não há idade núbil máxima, ou seja, a pessoa, desde que plenamente
capaz, poderá se casar em qualquer idade. Há, porém, uma restrição: se
um dos nubentes for maior de 70 anos, o regime de bens do casamento
será, obrigatoriamente, a separação de bens (inciso II do art. 1.641).
Essa é, portanto, a única restrição para o casamento quanto a fatores
etários, além da necessidade de autorização para o caso dos maiores
de 16 anos e menores de 18 anos. Dessa maneira, após a Lei nº
13.811/2019, só existe uma hipótese de incapacidade absoluta para o
casamento: a menoridade de 16 anos.
Impedimentos para casar
Proibições matrimoniais previstas
em lei
São proibições que a lei impõe para que certas pessoas não se casem e,
caso se unam, tal união não seja considerada nem casamento, nem
união estável. Essas proibições estão previstas no art. 1.521 do Código
Civil em um rol taxativo (numerus clausus). Seu objetivo é preservar
valores morais da sociedade e evitar problemas genéticos e de saúde de
uma possível prole.
As causas de impedimentos são as seguintes:
Avós, pais, filhos, netos, bisnetos... não podem se casar entre si.
Ascendência e descendência constituem o parentesco na linha
reta, caracterizado pela progenitura. Essa restrição atinge tanto o
parentesco natural quanto o civil. Parentesco natural é o
biológico, ou seja, consanguíneo; e o parentesco civil é o que
resulta da adoção, cujo vínculo é afetivo, e não genético.
Cada cônjuge é coligado aos parentes do outro pelo vínculo da
afinidade, ou seja, o cônjuge torna-se parente (por afinidade) dos
parentes do outro cônjuge. Há o parentesco por afinidade em
linha reta (ascendentes e descendentes) e o parentesco por
afinidade em linha colateral (irmãos).
Ocorre que, com o fim do casamento, somente o parentesco por
afinidade em linha colateral é extinto. Nesse caso, o ex-marido
pode se casar com a ex-cunhada. Tal situação, porém, não
ocorre no caso do parentesco por afinidade em linha reta,
conforme prescreve o § 2º do art. 1.595 do Código Civil, pelo
qual, na linha reta, a afinidade não se extingue com a dissolução
do casamento ou da união estável. Por isso, não existe ex-sogra,
ex-sogro, ex-enteado, ex-madrasta etc. O vínculo será perpétuo,
independentemente de novos casamentos. Desse modo, essa
proibição consiste em impedir que pessoas se casem com
enteados, sogros, avós do ex-cônjuge, netos do ex-cônjuge etc.
Ascendentes com os descendentes 
Afins em linha reta 
Adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado
com quem o foi do adotante 
Aquele que é adotado se torna descendente do adotante e
parente na linha reta e na linha colateral de todos os parentes do
adotante. Não há (e nem pode haver) qualquer diferença de
tratamento entre um parente consanguíneo e um parente civil
(adotado).
Veja um exemplo: João foi casado com Maria e já se divorciou.
Pedro foi casado com Ana e já se divorciou. João adota Pedro
como filho. É como se Ana se tornasse nora de João e Maria se
tornasse madrasta de Pedro por afinidade.
Irmãos bilaterais são os que descendem do mesmo pai e mesma
mãe e também são chamados de irmãos germanos. Irmãos
unilaterais são os que possuem em comum somente o pai ou
somente a mãe.
Parentes em linha colateral ou transversal são as pessoas
provenientes de um só tronco, sem descenderem uma da outra.
Esse parentesco vai somente até o quarto grau, ou seja, somente
até os primos, os filhos de sobrinhos, os tios de tios etc. (Por
exemplo: o filho de um primo seu não é seu parente para fins
legais).
São parentes colaterais: irmãos, tios, sobrinhos e primos.
Irmãos são proibidos de se casar. Já os demais parentes
colaterais, a proibição alcança os tios (3º grau). A partir do 4º
grau não há restrição.
Assim, a princípio, tios e sobrinhos não podem se casar. Mas o
Decreto-Lei nº 3.200/1941 admite o chamado casamento
avuncular, ou seja, o matrimônio entre colaterais de 3º grau (tio-
sobrinho). O entendimento predominante é o de que o Decreto-
Lei nº 3.200/1941 não foi revogado pelo Código Civil; ao
contrário, aplica-se para interpretar o inciso IV do art. 1.521 do
Código Civil. A partir disso, a proibição de casamento entre tios e
sobrinhos pode ser afastada desde que preenchidos dois
requisitos:
não trazer riscos à saúde do casal e de sua prole eventual;
e
ter autorização judicial.
Irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o
terceiro grau, inclusive 
Como o adotado se torna, indistintamente, parente dos parentes
do adotante, o filho do adotante se torna irmão do adotado.
Logo, não poderão se casar, porque irmãos não podem se casar.
Trata-se da chamada bigamia, ou, no caso de mais de dois
casamentos, de poligamia. Então, quem já é casado não pode se
casar novamente enquanto não dissolvido o casamento anterior
(por divórcio, por viuvez ou por anulação).
A bigamia é tipificada como crime no caput do art. 235 do
Código Penal: “Contrair alguém, sendo casado, novo casamento:
Pena – reclusão, de dois a seis anos”. “Outrossim, aquele que,
não sendo casado, contrai casamento com pessoa casada,
conhecendo essa circunstância, é punido com reclusão ou
detenção, de um a três anos” (§ 1º do art. 235).
Há, ainda, uma última causa de impedimento, resultante de
crime. Não pode se casar o cônjuge sobrevivente com o
condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o seu
consorte (inciso VII do art. 1.521).
Ainda sobre os impedimentos, observe!
Adotado com o filho do adotante 
Pessoas casadas 
Resultante de crime 
Os impedimentos
devem ser opostos
Antes da celebração do
casamento, com o fim
de evitar que o ato se
concretize. Trata-se da
oposição de
impedimentos.
Os impedimentos
podem ser opostos
Até o momento da
celebração do
casamento, por
qualquer pessoa capaz.
No caso do juiz e do oficial de registro, se eles tiverem conhecimento da
existência de algum impedimento, são obrigados a declará-lo de ofício,
ou seja, independentemente da manifestação de outra pessoa.
Descoberta uma causa de impedimento posteriormente à celebração do
casamento, deve ser proposta uma ação de nulidade do casamento, que
o declarará nulo e, com isso, dissolvido (inciso II do art. 1.548 do Código
Civil). De acordo com o art. 1.549, a ação de nulidade de casamento
pode ser proposta por qualquer interessado ou pelo Ministério Público.
Causas de suspensão do
casamento
Circunstâncias suspensivas do
casamento
São hipóteses previstas no art. 1.523 do Código Civil que não impedem
a celebração do casamento, mas levam à aplicação de sanções aos
nubentesque as descumprem. As causas que levam à aplicação das
sanções são situações patrimoniais confusas que não foram
desembaraçadas pelos nubentes antes do casamento. As sanções são:

Obrigatoriedade do regime de
separação total de bens (inciso I do

art. 1.641 do Código Civil)

Suspensão da celebração do
casamento (art. 1.524)
Observe que entre as sanções não se encontra a invalidade do
casamento (nulidade e anulabilidade). Assim, casando-se os que não
devem se casar, de acordo com o art. 1.523, o casamento não será
dissolvido. Automaticamente, o regime de bens será a separação total e
será desconsiderado qualquer outro regime de bens escolhido.
Até resolver as pendências patrimoniais, não devem se casar:
1. Pessoas viúvas que tiverem filho do cônjuge falecido, enquanto
não fizer inventário dos bens do casal e der partilha aos herdeiros.
2. A viúva, ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou ter
sido anulado, até 10 meses depois do começo da viuvez, ou da
dissolução da sociedade conjugal.
3. Pessoas divorciadas, enquanto não houver sido homologada ou
decidida a partilha dos bens do casal.
4. O tutor ou o curador e os seus descendentes, ascendentes, irmãos,
cunhados ou sobrinhos, com a pessoa tutelada ou curatelada,
enquanto não cessar a tutela ou curatela, e não estiverem
saldadas as respectivas contas.
Acompanhe as explicações a seguir para compreender melhor as
hipóteses apresentadas:
As hipóteses 1 e 3 existem para evitar confusão patrimonial que
prejudique a identificação do patrimônio a ser inventariado e
partilhado. Impedindo, assim, que o patrimônio do novo cônjuge
possa influenciar, de algum modo, na partilha a ser realizada.
A hipótese 2 tem por objetivo evitar a confusão de sangue, pois
antes do prazo de 10 meses poderia haver a possibilidade de a
viúva estar grávida do marido morto.
A hipótese 4 pretende evitar artimanhas por parte do tutor e do
curador para burlar responsabilidade quanto à prestação de
contas.
Comprovado que não haverá prejuízo a herdeiros e filhos, o juiz poderá
afastar as causas 1, 3 e 4. Na causa 2, basta a comprovação da
inexistência de gravidez.
Ampliando o conhecimento
Você está familiarizado com os requisitos necessários para o
casamento? Consegue distinguir as hipóteses de impedimentos e de
causas suspensivas do casamento? A fim de compreendermos a
importância prática dessas categorias, analisaremos o estudo de caso a
seguir, adaptado da Apelação Cível n° 1007581-69.2020.8.26.0286 do
Tribunal de Justiça de São Paulo.
Pedro e Luiz, dois irmãos, começaram a namorar com as também irmãs
Paula e Jéssica.
Luiz e Jéssica começaram a namorar em 2021, tendo, respectivamente
28 e 31 anos. Pedro e Paula começaram a namorar também em 2021,
tendo, respectivamente, quinze e treze anos.
Em 2023, Paula engravidou de Pedro. Como Pedro já trabalhava e, por
isso, possuía condições de sustentar sua família, Pedro pediu Paula em
casamento.
Depois de conversar com Paula, Pedro resolve conversar com João, pai
de Paula, para saber se ele anuiria ao casamento. Após dizer que
concordava com a união dos dois, João, viúvo, consente e autoriza,
sozinho, a realização do casamento. O casal, então, vai ao Cartório de
Registro de Pessoas Naturais, com o intuito de iniciar o processo de
habilitação para o casamento. O oficial de registro civil opõe-se à
celebração do casamento, afirmando que Paula ainda não havia atingido
a idade núbil.
Indignada, Paula, devidamente representada por seu genitor, ingressou
com uma demanda pleiteando a autorização judicial para casar-se
civilmente com Pedro. Afirmou, em síntese, que o suprimento da idade
núbil privilegiaria o interesse do nascituro, que poderia nascer e ser
criado no seio de um núcleo familiar estruturado.
Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos!
Questão 1
Imagine que Luiz fosse um indivíduo com síndrome de Down e
tivesse se casado civilmente com Jéssica sem que tivesse
solicitado autorização de seu pai. O casamento deles, por via de
regra, seria:
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/46602/pdf/apelacao_civel_1007581-69.2020.8.26.0286.pdf
Parabéns! A alternativa B está correta.
A partir do Estatuto da Pessoa com Deficiência, de 2015, a
deficiência intelectual não é mais uma causa de incapacidade
absoluta ou relativa para o casamento. Dessa forma, a pessoa com
deficiência poderá expressar seu desejo de casar-se
independentemente de qualquer autorização prévia.
Questão 2
Imagine outra situação hipotética: No procedimento de habilitação
para o casamento de Luiz e Jéssica, um primo de Luiz levantou uma
questão: apesar de Luiz ser divorciado, a partilha dos bens de seu
casamento anterior ainda não havia sido concluída. Com base
nesse cenário, é possível dizer que a ausência de prévia partilha de
bens
A
Nulo, pois quem tem síndrome de Down não pode
se casar civilmente.
B
Válido, e Luiz poderia ter expressado sua vontade
diretamente ou por meio de seu responsável ou
curador.
C Anulável.
D
Nulo, e Luiz precisaria da autorização de um
responsável ou curador.
E
Válido, pois toda pessoa com mais de 16 anos é
considerada plenamente capaz.
A
constitui uma causa suspensiva e, uma vez
demonstrado, levaria à anulabilidade do matrimônio,
se este fosse efetivado mesmo assim.
Parabéns! A alternativa C está correta.
Segundo o art. 1.524 do Código Civil, as causas suspensivas da
celebração do casamento podem ser arguidas pelos parentes em
linha reta de um dos nubentes, sejam consanguíneos ou afins, e
pelos colaterais em segundo grau, sejam também consanguíneos
ou afins.
Questão 3
Você foi procurado por Pedro e Paula para uma consultoria jurídica. O
casal deseja saber se existe, de fato, algum óbice para a realização do
seu casamento civil. A sua resposta seria a mesma se o caso tivesse
ocorrido em 2016? Por fim, caso esse casamento fosse realmente
celebrado, haveria uma sanção jurídica para esse ato? Se sim, qual?
Digite sua resposta aqui
Chave de resposta
B
constitui um impedimento matrimonial e, uma vez
demonstrado, resultaria na inexistência jurídica do
casamento, caso este fosse celebrado apesar disso.
C
trata-se de uma causa suspensiva, não podendo ser
oposta por um parente colateral de quarto grau.
D
trata-se de um impedimento, e pode ser oposta por
qualquer interessado.
E
trata-se de um impedimento, e apenas poderia ser
oposta até o momento da celebração do
casamento.
A Lei n° 13.811, de 2019, alterou o texto do art. 1.520 do
Código Civil, de forma a vedar, em qualquer hipótese, o
casamento de quem não atingiu a idade núbil. Conforme
estabelece o art. 1.517 do Código Civil, a idade núbil é
atingida aos 16 anos no Brasil, isto é, a partir dos 16 anos,
encontra-se preenchido o critério etário para a obtenção da
capacidade núbil. Todavia, ainda que o menor entre 16 e 18
anos tenha capacidade núbil, é necessário que um
responsável autorize a realização do casamento para que
ele tenha validade jurídica.
No caso prático analisado, como Paula tem apenas 13 anos
quando tenta ingressar com o processo de habilitação para
o casamento, ela não possui capacidade núbil e nem
mesmo a autorização do pai é suficiente para garantir a
capacidade matrimonial da menor.
Na hipótese desse caso ter ocorrido em 2016, ou seja, antes
do início da vigência da Lei n° 13.811, algumas
peculiaridades deveriam ser consideradas. Até a edição
dessa lei, o Código Civil previa, em seu art. 1.520, uma
exceção para a proibição de celebração do casamento de
menor de 16 anos: a gravidez. Assim, em caso de gravidez,
excepcionava-se a proibição do casamento de pessoa fora
da idade núbil. Por esse motivo, se o caso analisado tivesse
ocorrido em 2016, mesmo que Paula ainda não tivesse
atingido a idade mínima para se casar, o casamento civil
poderia ter sido realizado, uma vez que a noiva estava
grávida.
Por fim, considerando que o casamento de Pedro e Paula
tenha sido realizado mesmo diante daproibição legal de
casar pessoas que não atingiram a idade núbil, por
exemplo, se o oficial do registro civil não identificasse que
um dos noivos tem menos de 16 anos, o casamento seria,
em regra, anulável, conforme estabelece o art. 1.550, I do
Código Civil.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Assinale a alternativa correta:
Parabéns! A alternativa D está correta.
Trata-se da hipótese do inciso II do art. 1.523, cujo objetivo é evitar
a confusão de sangue e a dúvida de paternidade entre o antigo
marido e o atual.
Questão 2
Maria, aos 17 anos, recebeu autorização de seus pais para se casar
com Pedro, de 21 anos. Os pais doaram um apartamento como
presente ao casal. Semanas após o casamento, o casal decide
A
O curador não pode se casar com o curatelado após
cessar a curatela.
B
A viúva que tiver filho do cônjuge falecido terá seu
novo casamento nulo, se celebrado antes da
realização do inventário dos bens e da partilha aos
herdeiros.
C
O divorciado que se casar antes de homologada ou
decidida a partilha dos bens do casal, deverá adotar
o regime de separação parcial de bens.
D
A viúva não deve se casar até dez meses depois do
começo da viuvez.
E
Pessoas já casadas podem se casar novamente se
estiverem separadas de fato.
vender o apartamento para adquirir outro imóvel. Nesse caso, a
venda do imóvel por Maria e Pedro é
Parabéns! A alternativa C está correta.
O casamento é uma causa de emancipação (inciso II do parágrafo
único do art. 5º do Código Civil). Com isso, a pessoa entre 16 e 18
anos que casa deixa de ser relativamente incapaz e antecipa sua
capacidade civil plena. Sendo capaz, Maria pode praticar livremente
os atos da vida civil independentemente de autorização de quem
quer que seja. Assim, a venda é válida porque tanto Pedro quanto
Maria têm plena capacidade de praticar o ato conjuntamente.
A nula, pois Maria é menor de 18 anos.
B
anulável, pois os pais de Maria não deram a
autorização escrita.
C plenamente válida.
D ineficaz, até Maria completar 18 anos.
E
válida, pois a autorização de Pedro supre a
incapacidade relativa de Maria.
2 - Dissolução do vínculo conjugal
Ao �nal deste módulo, você deverá ser capaz de analisar as
consequências da dissolução do vínculo conjugal.
Conceito de dissolução do
vínculo
Base conceitual da dissolução do
vínculo conjugal
A dissolução do vínculo conjugal é a extinção do casamento (sociedade
conjugal). São fatores que fazem com que a sociedade conjugal deixe
de existir.
Atenção!
É importante não confundir extinção da sociedade conjugal (fim do
casamento) com a suspensão da sociedade conjugal, ou seja, dos
efeitos pessoais e patrimoniais do casamento.
A suspensão da sociedade conjugal ocorre nas hipóteses de separação
judicial e separação de fato. Nesses casos, o casamento continua
existindo, embora não produza efeitos, como o dever de fidelidade e de
coabitar e o regime de bens.
Já o fim do casamento decorre de três causas (caput do art. 1.571 do
Código Civil):

Morte de um dos cônjuges (ou de
ambos, em caso de comoriência)

Divórcio

Invalidade do casamento (nulidade
ou anulação)
O casamento válido só é extinto pelo divórcio
ou pela morte.
Analisemos, mais detidamente, cada uma das causas do fim do
casamento.
Morte e extinção do
casamento
Extinção do casamento pela morte
A morte biológica (art. 6º do Código Civil) e a morte presumida por
motivo de ausência (art. 7º c/c arts. 22 a 39 do Código Civil) têm o
condão de desfazer o vínculo entre os cônjuges. O cônjuge falecido será
o de cujus; o cônjuge sobrevivente é o supérstite ou viúvo.
Saiba mais
Em se tratando de caso de comoriência (art. 8º do Código Civil),
situação em que não se consegue determinar qual dos cônjuges faleceu
primeiro, considera-se extinto o casamento com a decretação de morte
simultânea. Isso é importante para fins de partilha de bens entre os
herdeiros dos cônjuges falecidos.
O cônjuge sobrevivente tem o direito de continuar a usar o sobrenome
do de cujus, caso tenha acrescido o sobrenome quando se casaram.
A morte de um dos cônjuges não extinguirá o parentesco por afinidade
entre o cônjuge sobrevivente e os parentes na linha reta do de cujus (§
2º do art. 1.595 do Código Civil). Assim, os pais, avós, filhos e netos do
de cujus permanecem sendo parentes por afinidade do sobrevivente
(obviamente, se não houver parentesco consanguíneo ou civil entre o
sobrevivente e aqueles parentes).
Divórcio
Extinção do casamento pelo
divórcio
O divórcio é a extinção do casamento por vontade de pelo menos um
dos cônjuges. Para compreender melhor, assista ao vídeo a seguir:
Divórcio e separação
Conheça a definição de divórcio e separação e saiba mais sobre suas
espécies!
A Emenda Constitucional nº 66/2010 deu nova redação ao § 6º do art.
226 da Constituição da República, dispondo que, para a dissolubilidade
do casamento civil pelo divórcio, estavam suprimidos os requisitos de
prévia separação judicial por mais de um ano ou o de comprovada
separação de fato por mais de dois anos. Veja a comparação de
redações do § 6º do art. 226:
Antes da EC nº
66/2010
Art. 226. [...].
§ 6º O casamento civil
pode ser dissolvido pelo
divórcio após prévia
separação por mais de
um ano nos casos
expressos em lei ou
comprovada separação
e fato por mais de dois
anos.
Após a EC nº
66/2010
Art. 226. [...].
§ 6º O casamento civil
pode ser dissolvido pelo
divórcio.
Observe que, para requerer o divórcio, não existem mais requisitos, ou
seja, não é mais necessária a separação anterior (judicial ou de fato),
nem qualquer tempo prévio. É possível, inclusive, casar-se em um dia e
se divorciar no outro.
Também é irrelevante a vontade do outro cônjuge e qualquer motivo
para pleitear o divórcio. Por isso, afirma-se que o divórcio é um direito


potestativo, ou seja, basta um dos cônjuges o requerer e ele será
deferido. Tudo isso por simples manifestação de vontade do cônjuge
interessado em extinguir o casamento.
O divórcio pode ser classificado quanto à vontade e à decretação. Veja
mais detalhes!
Quanto à vontade
Quanto à vontade, o divórcio pode ser:
Ambos os cônjuges estão de acordo com o divórcio e com uma
proposta de partilha de bens, guarda dos filhos (se houver), aos
alimentos e visita aos filhos (se houver).
Quando um dos cônjuges se opõe ao divórcio; ou, então,
concordam com o divórcio, mas não estão de acordo quanto à
partilha de bens, à guarda dos filhos (se houver), aos alimentos e
à visita aos filhos (se houver).
Quanto à decretação
Quanto à decretação, o divórcio pode ser:
Consensual 
Litigioso 
Extrajudicial
É o divórcio feito em cartório e que segue os parâmetros da Lei nº
11.441/2007, da Resolução nº 35/2007 do Conselho Nacional de
Justiça (CNJ) e do art. 733 do Código de Processo Civil. Logo, é um
divórcio realizado na via administrativa. Nele, não se pleiteia apenas a
dissolução do vínculo, mas também a partilha (se for o caso). Para se
divorciar em cartório, os cônjuges devem atender aos seguintes
requisitos:
Ambos estão de acordo com todos os termos do divórcio, ou seja,
ele é consensual.
O casal não tem filhos menores de 18 anos ou incapazes por
outros motivos do art. 4º do Código Civil.
A mulher não está grávida.
Atenção!
Embora realizado em cartório, sob a condução de um tabelião, é
obrigatória a presença de um advogado, que poderá ser o mesmo
profissional para ambos, ou um advogado para cada parte.
Judicial
É aquele feito por meio de uma ação de divórcio e que será decretado
pelo juiz. Será judicial quando:
For litigioso.
O casal tem filhos menores de 18 anos ou relativamente
incapazes.
A mulher está grávida.
Como o divórcio é um direito potestativo, em se tratando do caso de
litigioso, o juiz pode decretar o divórcio antecipadamente e a ação
prossegue para a discussão quanto à partilha de bens, à guarda dos
filhos (se houver estes), aos alimentos e à visita aos filhos(se houver
estes).
No caso do divórcio extrajudicial, a partir da instituição do chamado e-
Notariado pelo Provimento nº 100/2020 do Conselho Nacional de
Justiça (CNJ), que possibilita a prática de atos notariais de maneira
eletrônica, tornou-se possível constituir o processo administrativo de
divórcio pela via virtual.
Saiba mais
A Lei nº 13.894/2019 promoveu uma alteração na Lei Maria da Penha
para prever a competência dos Juizados de Violência Doméstica e
Familiar Contra a Mulher para a ação de divórcio, separação, anulação
de casamento ou dissolução de união estável nos casos de violência.
Além disso, essa lei tornou obrigatória a informação às vítimas acerca
da possibilidade ajuizarem aquelas ações amparadas pelos serviços de
assistência judiciária.
Separação
Há dois tipos de separação:
Decretada pelo juiz em uma ação judicial. Previamente à EC nº
66/2010, a separação judicial era uma fase obrigatória antes da
decretação do divórcio. Somente poderiam requerer a separação
aqueles cônjuges casados há pelo menos dois anos. Após a
decretação de separação judicial, o casal deveria aguardar no
mínimo um ano para requerer o divórcio definitivo.
Com a EC nº 66/2010, a separação judicial prévia deixou de ser
obrigatória para a decretação do divórcio, o qual pode ser
concedido imediatamente. Assim, a separação judicial existe,
hoje, para casos excepcionais e se as partes desejarem. Por
exemplo: por motivos religiosos, um casal não quer se divorciar,
mas pretende não viver mais conjuntamente.
É feita de modo informal, pelos próprios casados, que passam a
não viver mais juntos e a não ter uma vida comum. Perdem a
intenção de constituir família. Pode ser de comum acordo ou
pode se dar pela saída de um dos cônjuges do lar. Antes da EC
nº 66/2010, o divórcio poderia ser concedido após dois anos de
separação de fato.
Separação judicial 
Separação de fato 
Seja no caso de separação judicial, seja no
caso de separação de fato, não há extinção do
casamento, da sociedade conjugal.
A separação suspende a sociedade conjugal, ou seja, suspende os
efeitos pessoais (direitos e deveres entre os cônjuges) e os efeitos
patrimoniais (regime de bens), mas os cônjuges permanecem casados.
Invalidade do casamento
Extinção do casamento por
invalidade
Existem dois tipos de invalidade: a nulidade e a anulabilidade. Vejamos!
Nulidade
É uma sanção mais grave e dissolverá o casamento desde a sua
celebração, ou seja, a declaração de nulidade pelo juiz produz efeitos ex
tunc (retroativos). Para fins legais, o casamento nulo nunca existiu no
mundo do Direito.
O casamento é nulo quando constituído com o
descumprimento das proibições (impedimentos) para
casar, previstas no art. 1.521 do Código Civil.
A ação de nulidade visando à extinção do casamento celebrado sob
impedimentos pode ser proposta por qualquer interessado ou pelo
Ministério Público.
Anulabilidade
O casamento será anulável (art. 1.550) se:
Um dos nubentes não completou 16 anos.
O menor em idade núbil não recebeu a autorização de seu
representante legal.
O ato foi celebrado mediante vício da vontade (arts. 1.556 a
1.558).
Um dos nubentes for incapaz de consentir ou manifestar, de modo
inequívoco, o consentimento.
O mandatário (procurador) que representa um dos nubentes não
sabia da revogação do mandato (procuração) e não sobreveio
coabitação entre os cônjuges.
A autoridade celebrante do casamento era incompetente, ou seja,
não tinha poderes atribuídos pela lei para celebrar um casamento.
Quanto à anulação do casamento porque o menor em idade núbil não
recebeu a autorização de seu representante legal, o art. 1.551 prescreve
que não se anulará, por motivo de idade, o casamento de que resultou
gravidez. Mas essa exceção deve ser interpretada de acordo com o art.
1.520, quer dizer, se o menor entre 16 e 18 anos se casa sem
autorização, mas houve gravidez, o casamento permanecerá válido.
Atenção!
Se, porém, for casamento de menor de 16 anos, então, nem havendo
gravidez, nem mesmo autorização dos responsáveis, tal casamento
persistirá.
O casamento do menor em idade núbil, quando não autorizado por seu
representante legal, só poderá ser anulado se a ação for proposta em
180 dias, por iniciativa:
Nesse caso, o prazo contará a partir do momento em que cessar
a incapacidade (lembre-se de que, se o casamento é inválido,
Do incapaz 
então, a emancipação pelo casamento não ocorrerá).
Nesse caso, o prazo para anulação é contado a partir do dia da
celebração do casamento; porém, não se anulará o casamento
quando os representantes legais do incapaz tiverem assistido à
sua celebração ou tiverem, de alguma maneira, manifestado sua
aprovação.
Nesse caso, conta-se o prazo a partir da morte do incapaz.
O casamento também pode ser anulado se foi celebrado mediante vício
da vontade (arts. 1.556 a 1.558). Tal vício da vontade existirá quando
houver erro essencial de um dos cônjuges quanto à pessoa do outro.
São estas as hipóteses de erro essencial sobre a pessoa do outro
cônjuge:
No caso de erro quanto à identidade, honra e boa fama do outro
cônjuge, o erro deve ser tal que o seu conhecimento posterior
torne, para o cônjuge enganado, insuportável a vida em comum.
Também a ignorância antes do casamento de crime praticado
anteriormente ao casamento só se considera erro essencial
capaz de anular o casamento se, dependendo da natureza do
crime, a vida conjugal se torne insuportável.
Dos representantes legais do incapaz 
Dos herdeiros necessários do incapaz 
Ignorância quanto à identidade, honra e boa fama 
Ignorância de crime praticado anteriormente ao
casamento 
Ignorância de defeito físico irremediável e que não
caracterize deficiência. 
Em se tratando de desconhecimento antes do casamento de
defeito físico irremediável, não se insere nessa hipótese defeito
que caracterize deficiência. A pessoa com deficiência não pode
ser discriminada, de acordo com o Estatuto da Pessoa com
Deficiência, ou seja, uma deficiência física não pode ensejar a
invalidade do casamento.
Já o caso de erro quanto à existência de moléstia grave e
transmissível (por contágio ou por herança genética), anterior ao
casamento quanto à existência de moléstia grave e
transmissível, anulação somente terá lugar se tal moléstia for
capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua
descendência.
Ignorância de moléstia grave e transmissível 
Ampliando o conhecimento
Você está familiarizado com o conceito de dissolução do vínculo
matrimonial, que envolve diversas formas de terminar um casamento,
como a morte de um dos cônjuges ou o divórcio? Além disso, você
consegue listar algumas situações em que um casamento pode ser
considerado inválido? Conseguiria, após estudar esses temas,
diferenciar as diversas modalidades de encerramento do vínculo
conjugal? A fim de entendermos a relevância prática dessas categorias
no direito de família, vamos analisar um caso prático, adaptado do
Recurso Extraordinário 1167478.
Jorge e Helena foram casados por cinco anos. Percebendo a existência
de diferenças inconciliáveis entre o casal, que geravam inúmeras
discussões, Helena decide se divorciar de Jorge. Assim, em março de
2024, Helena ingressa com uma ação de divórcio. Jorge foi pego de
surpresa com a ação de divórcio e, totalmente insatisfeito, começa a
pesquisar a doutrina e a jurisprudência acerca do tema, buscando
encontrar qualquer justificativa que pudesse levar à improcedência o
pedido formulado por Helena.
Em suas pesquisas, Jorge se deparou com duas disposições legais
importantes: i) A primeira foi a Emenda Constitucional 66 de 2010, que
alterando a redação do art. 226, § 6º da Constituição Federal, suprimiu
os prazos de um ano de separação judicial e de dois anos de separação
de fato como requisitos para o divórcio. ii) A segunda disposição foi a
do art. 1.571, III, do Código Civil, que estabelece que a separação judicial
é uma das hipóteses de dissolução da sociedade conjugal.A partir desses dispositivos, Jorge pretende contestar a ação de divórcio
argumentando que, embora a Constituição Federal tenha alterado sua
redação para remover a separação como pré-requisito para o divórcio, o
texto do Código Civil permanece inalterado, continuando a estabelecer a
separação judicial como método para encerrar a sociedade conjugal.
Assim, ele pretende sustentar que, mesmo com a tentativa de mudança
no tratamento do divórcio pela Constituição, o assunto ainda deve ser
regulado pelo Código Civil, que, por não ter alterado seu texto, ainda
exige implicitamente a determinação da separação judicial antes do
pedido de divórcio.
Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos!
Questão 1
Como visto, Helena deseja se divorciar de Jorge. Acerca da
extinção do casamento, assinale a alternativa correta:
A
São hipóteses de extinção do casamento a
separação e a morte de um dos cônjuges.
B
No divórcio litigioso, a decretação do divórcio pelo
juiz pode ocorrer de forma antecipada em relação à
partilha dos bens do casal.
C
A consensualidade é o único requisito indispensável
para a decretação do divórcio de forma extrajudicial.
D
A separação é uma etapa indispensável para a
decretação do divórcio judicial.
E
Ocorrendo a extinção do casamento pela morte de
um dos cônjuges, não é facultado ao cônjuge
supérstite a manutenção do sobrenome do de cujus.
Parabéns! A alternativa B está correta.
No divórcio litigioso, a decretação do divórcio pelo juiz pode ocorrer
antecipadamente em relação à partilha dos bens do casal. A
legislação civil permite a tramitação separada dessas questões,
possibilitando que o divórcio seja concedido mesmo que a partilha
dos bens ainda esteja pendente.
Questão 2
Suponha que Helena tivesse procurado um cartório para se
divorciar extrajudicialmente de Jorge. Nessa hipótese, assinale a
alternativa correta:
Parabéns! A alternativa A está correta.
Para que o divórcio ocorra extrajudicialmente, a partir de escritura
pública, é necessário, além do consenso entre os cônjuges, o
preenchimento de outros requisitos. São eles: a plena capacidade
A
Não é possível que o divórcio ocorra de forma
extrajudicial, visto que não restam preenchidos os
requisitos necessários para tanto.
B
É possível o divórcio do casal pela via
administrativa, mas não sem a presença de um
advogado.
C
O divórcio poderá ser realizado na via administrativa
independentemente da assistência de advogado.
D
Jorge e Helena, necessariamente, devem ser
assistidos por advogados distintos para que o
divórcio administrativo possa ocorrer.
E
Na situação narrada, tanto o divórcio judicial quanto
o divórcio extrajudicial são possíveis.
civil dos cônjuges para livre manifestação de suas vontades, a
inexistência de nascituros, filhos menores ou incapazes advindos
do casamento e o acompanhamento de um advogado. No caso
narrado, é evidente que a consensualidade não está presente,
impossibilitando a realização do divórcio de forma administrativa.
Questão 3
Diante do caso, responda às seguintes perguntas, considerando a
jurisprudência do STF e do STJ sobre o tema: O argumento de Jorge,
caso realmente seja utilizado para fundamentar a sua contestação, deve
proceder? A separação judicial ainda subsiste no direito brasileiro, seja
como requisito para o divórcio seja como uma figura autônoma?
Digite sua resposta aqui
Chave de resposta
A partir do Tema 1053, de novembro de 2023, o Supremo
Tribunal Federal fixou a seguinte tese de repercussão geral:
“Após a promulgação da EC nº 66/2010, a separação
judicial não é mais um requisito para o divórcio nem
subsiste como figura autônoma no ordenamento jurídico.
Sem prejuízo, preserva-se o estado civil das pessoas que já
estão separadas, por decisão judicial ou escritura pública,
por se tratar de ato jurídico perfeito (art. 5º, XXXVI, da CF)”.
Com base nesse entendimento, observa-se que a separação
judicial, a partir da Emenda Constitucional 66, deixou de ser
um requisito para o divórcio. O objetivo da referida Emenda
foi, justamente, simplificar o processo de dissolução do
vínculo matrimonial e, por isso, a partir dela, dispensa-se
uma separação prévia para o divórcio, tornando-o
incondicional.
Ocorre que, a despeito da alteração do conteúdo do art. 226
da Constituição Federal, as disposições do Código Civil
acerca da separação não foram formalmente revogadas.
Isso gerou debate sobre a validade da separação judicial
após a emenda. Duas principais correntes se formaram
sobre o tema:
A primeira, capitaneada pela jurisprudência do STJ,
defende que a separação judicial continua a ser uma
possibilidade no ordenamento jurídico brasileiro, caso
os cônjuges optem por essa posição. Esse
entendimento também foi adotado no enunciado 514
das V Jornada de Direito Civil, que assim estabelece:
“A Emenda Constitucional n° 66/2010 não extinguiu o
instituto da separação judicial e extrajudicial”.
A segunda, defendida doutrinariamente por autores
como Flávio Tartuce, Nelson Rosenvald e Cristiano
Chaves de Farias, sustenta que a separação judicial
deixou de existir no sistema jurídico brasileiro, na
medida em que houve a não recepção do conteúdo do
art. 1.571 do Código Civil a partir da Emenda
Constitucional 66.
Com base no entendimento firmado com repercussão geral
pelo STF, relacionado ao Tema 1053, é provável que o
assunto seja pacificado, de forma a consolidar-se o
entendimento de que, seja como figura autônoma, seja
como requisito para o divórcio, a separação judicial deixa de
existir no sistema jurídico brasileiro.
Portanto, no caso em análise, o argumento de Jorge não
deve proceder.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Analise as assertivas a seguir:
I. Crime de adultério.
II. Fixação de pensão alimentícia para um dos cônjuges.
III. Guarda dos filhos maiores de 21 anos.
Marque a alternativa correta quanto às matérias a serem discutidas
em ação de divórcio.
Parabéns! A alternativa B está correta.
Admite-se que uma ação de divórcio, para economia processual,
além da decretação do fim do casamento e da partilha dos bens,
também discuta outras matérias paralelas, como guarda dos filhos
menores, alimentos e visita aos filhos. O que não pode é discutir
matéria criminal, pois essa deve ser julgada em ação criminal
própria.
Questão 2
Sobre o divórcio litigioso, assinale a alternativa correta.
A Apenas I.
B Apenas II.
C Apenas III.
D Apenas I e III.
E Apenas II e III.
A Depende de causa justificadora para ser concedido.
B
Não pode ser concedido no início do processo,
antes da partilha de bens.
C
Será concedido mesmo com a vontade contrária do
outro cônjuge.
Parabéns! A alternativa C está correta.
Sendo direito potestativo, não é necessária a concordância do outro
cônjuge.
3 - União estável e sua dissolução
Ao �nal deste módulo, você deverá ser capaz de reconhecer os
elementos da união estável e sua dissolução.
Conceito de união estável
União estável
D
Poderá ser decidido por um juiz ou por um tabelião,
a critério das partes.
E
Extingue a sociedade conjugal, mas não põe fim ao
vínculo matrimonial.

Conheça agora o conceito de união estável e os requisitos para a sua
caracterização. Vamos lá!
Noção geral de união estável e o
a�ectio maritalis
A união estável é uma relação de convivência duradoura entre duas
pessoas com a intenção de constituir uma família (affectio familiae). Os
conviventes (ou companheiros) vivem como se fossem casados, mas
não se casaram, ou seja, não passaram pela celebração do ato jurídico
chamado casamento.
Curiosidade
Antes da ADI nº 4277 e da ADPF nº 132, julgadas pelo Supremo Tribunal
Federal (STF) em 2011, a união estável era restrita somente à relação
entre um homem e uma mulher. Com as decisões e do STF, passou-se a
admitir a existência de união estável entre pessoas do mesmo sexo.
A união estável tem como base duas características evidentes:
More uxorioIsso significa que a
relação entre os
companheiros se
parece com uma
relação entre pessoas
A�ectio maritalis
Significa que os
companheiros mantêm
uma relação de
lealdade, respeito e
assistência, e de

casadas (cônjuges),
embora não tenham se
casado “no papel”.
guarda, sustento e
educação dos filhos.
Não existe prazo para que uma relação seja considerada união estável.
Para configurar uma união estável, a Lei nº 8.971/1994 exigia uma
convivência de, pelo menos, cinco anos ou, então, que a mulher tivesse
prole (filhos) com o companheiro.
Ocorre que a Lei nº 9.278/1996 revogou aquela exigência, de modo que
a união estável depende de convivência pública entre pessoas como se
fossem casadas, independentemente de quando a relação começou.
O Código Civil também não impõe qualquer
exigência temporal como requisito da união
estável.
Veja as definições de união estável encontradas na legislação:
Art. 226. [...]
§ 3º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união
estável entre o homem e a mulher como entidade familiar,
devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.
[...].
Constituição Federal 
Art. 1º A companheira comprovada de um homem solteiro,
separado judicialmente, divorciado ou viúvo, que com ele viva há
mais de cinco anos, ou dele tenha prole, poderá valer-se do
disposto na Lei nº 5.478, de 25 de julho de 1968, enquanto não
constituir nova união e desde que prove a necessidade.
Parágrafo único. Igual direito e nas mesmas condições é
reconhecido ao companheiro de mulher solteira, separada
judicialmente, divorciada ou viúva.
Art. 1º É reconhecida como entidade familiar a convivência
duradoura, pública e contínua, de um homem e uma mulher,
estabelecida com objetivo de constituição de família.
Art. 1.723. É reconhecida como entidade familiar a união estável
entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública,
contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de
constituição de família [...].
O que caracteriza união
estável
Atributos da união estável
Na Constituição Federal, a união estável é tratada como uma família.
Antes do § 3° do art. 226 da Constituição Federal, a união estável não
era considerada uma entidade familiar e não tinha juridicidade. Por isso,
a união estável era chamada de concubinato puro, ao lado do
Lei nº 8.971/1994 
Lei nº 9.278/1996 
Código Civil 
concubinato impuro, que é a relação entre adúlteros. Concubinato
significa uma relação irregular.
Re�exão
Observe que, para haver união estável, é preciso que haja a intenção de
constituir família, além de viver publicamente como se houvesse
casamento entre os companheiros. Isso pode acontecer, por exemplo,
em semanas.
São requisitos para que uma relação seja considerada uma união
estável:
 Publicidade
As pessoas, a sociedade, reconhecem que aqueles
dois companheiros vivem como se fossem
casados.
 Continuidade
A relação não é de encontros eventuais.
 Durabilidade
Os companheiros têm objetivos de constituir uma
vida em comum, há planos para uma vida familiar.
 Estabilidade
O relacionamento “será eterno enquanto durar”, ou
seja, os companheiros pretendem conviver sem a
intenção de encerrar a relação a qualquer
momento.
A união estável não será reconhecida se ocorrerem os impedimentos
para o casamento prescritos no art. 1.521. Mas o § 1º do art. 1.723 do
Código Civil afasta a incidência do inciso VI, no caso de a pessoa
casada se achar separada de fato ou judicialmente.
Quer dizer, se alguém estiver separado do seu cônjuge e iniciar uma
convivência com outra pessoa, ficará caracterizada a união estável.
Essa pessoa, mesmo separada, não poderá se casar (inciso VI do art.
1.521), mas poderá constituir união estável plenamente válida (§ 1º do
art. 1.723).
 Ausência dos impedimentos do
art. 1.521 (exceto inciso VI)
O objetivo da restrição é impedir os mesmos
problemas morais e de saúde que podem resultar
do casamento entre as pessoas do art. 1.521.
 Intenção de constituir uma
família
Os companheiros querem constituir, entre si, um
espaço de afeto e amparo recíproco,
independentemente da existência de filhos.
 A�ectio maritalis
Os companheiros são, em si, leais, respeitosos e se
assistem, além de cuidarem e sustentarem os
filhos; é por isso que não se reconhecem uniões
estáveis simultâneas (a segunda relação será
concubinato).
Quando pessoas impedidas de casar constituem uma relação não
eventual, tal relação não será reconhecida como união estável. Nesses
casos, o art. 1.727 descaracteriza a existência de união estável e
prescreve que esse tipo de relação constitui um mero concubinato,
relação não jurídica semelhante ao adultério (concubinato impuro).
Quanto às causas suspensivas do casamento,
previstas no art. 1.523 do Código Civil, elas não
impedirão a caracterização da união estável.
Um namoro, por si só, não constitui união estável, independentemente
do tempo do relacionamento. Inclusive, os namorados até podem viver
juntos e, mesmo assim, não ficar configurada a união estável. É que para
existir união estável é necessário que as partes queiram constituir uma
união estável, ou seja, estão juntas para constituir uma família baseada
no companheirismo.
Inclusive, alguns casais de namorados celebram o chamado contrato de
namoro. Por esse documento, as partes declaram que a relação entre
elas é um namoro, e não uma união estável. Mas esse contrato não será
aceito judicialmente se for utilizado com o objetivo de fraudar a lei e a
existência de uma união estável efetiva.
A união estável tem sua forma de constituição livre, podendo ocorrer de
maneira formal ou informal:
Quando os companheiros passam a viver juntos sem celebrar
qualquer ato formal, como um contrato de união estável. O início
ocorre pela simples coabitação e convivência, sem qualquer
documento registrando o início da relação.
A prova da existência de união estável ocorrerá por meio de
testemunhas, documentos que demonstrem que os
companheiros coabitavam, relação de dependência registrada na
declaração do imposto de renda ou em órgão previdenciário.
Antes do início da convivência ou após ter se iniciado e se
consolidado, as partes formalizam a existência da união por
meio de um documento chamado contrato de união estável.
Esse contrato pode ser escrito e assinado pelos próprios
companheiros (instrumento particular) ou feito em cartório por
um tabelião (escritura pública).
A importância desse contrato é que ele é uma prova pré-
constituída da existência de união estável. O contrato de união
estável pode se restringir a declarar a existência desse tipo de
relação entre os companheiros. Mas, geralmente, o contrato
objetiva, além dessa declaração, escolher e determinar qual será
o regime de bens que incidirá sobre a união estável. Assim,
nesse contrato, as partes poderão escolher entre os seguintes
regimes de bens:
União estável não formalizada 
União estável formalizada 
Comunhão universal;
Comunhão parcial (ou separação parcial);
Participação final dos aquestos;
Separação total.
Efeitos patrimoniais na
união estável
Regime de bens da união estável
Neste momento é interessante pensarmos em um detalhe:
Qual será o regime de bens da união estável se os
conviventes celebrarem o contrato de união estável e
não escolherem o regime de bens ou, então, não
formalizarem a união?
O art. 1.725 do Código Civil prescreve que na união estável, salvo
contrato escrito entre os companheiros, aplica-se às relações
patrimoniais, no que couber, o regime da comunhão parcial de bens.
Exceto se se tratar de pessoa com mais de 70 anos, hipótese em que o
regime de bens será o da separação total (inciso II do art. 1.641 do
Código Civil).
A comunhão parcial é o regime legal entre conviventes
que não se manifestaram quanto aos efeitos
patrimoniais da relação.
Por esse regime, somente haverá comunhão a ser partilhada quanto aos
bens adquiridos onerosamente após o início da união estável. Os bens
decada companheiro, anteriores à união, seguem sendo de propriedade
exclusiva do companheiro.
Atenção!
Quanto ao estado civil, os companheiros não são casados; os
conviventes são solteiros. Aliás, os companheiros não são esposo-
esposa, marido-mulher. Eles são companheiros ou conviventes.
Em 2017, o Supremo Tribunal Federal (STF), ao julgar o Tema nº 809 de
repercussão geral, decidiu que o art. 1.790 do Código Civil é
inconstitucional e declarou que o companheiro tem o direito de
participar da herança de seu companheiro em conformidade com o
regime jurídico estabelecido no art. 1.829 do Código Civil. Antes dessa
decisão, a sucessão na união estável seguia as regras especiais do art.
1.790, diferentes da sucessão de quem é casado. Agora, o art. 1.790 foi
declarado inconstitucional e se aplicará à união estável as mesmas
regras de sucessão que se aplicam ao casamento.
Extinção da união estável
Causas extintivas da união estável
A união estável tem duas causas extintivas:

Morte de um ou de ambos os
companheiros.

Dissolução por vontade de pelo
menos um dos companheiros
(resilição).
A dissolução pode ocorrer pela simples separação de fato ou com a
elaboração de um distrato da união estável.
Existe, ainda, a ação de reconhecimento e dissolução de união estável, a
ser proposta em vara de família. Essa ação objetiva:
Reconhecer (declaração) a existência da união estável.
Reconhecer (declaração) o fim da relação.
Determinar o período da união estável, ou seja, seu início e fim.
Decidir a partilha de bens.
Decidir sobre guarda, visita e alimentos dos filhos (se houver).
Decidir possível pensão alimentícia para um dos companheiros.
Ampliando o conhecimento
Você compreende o conceito de união estável, seus critérios
caracterizadores e os efeitos patrimoniais decorrentes dessa
modalidade de convivência? Além disso, está ciente dos elementos que
levam à extinção da união estável? Após analisar esses temas, seria
capaz de distinguir as particularidades da união estável em relação ao
casamento? Para aprofundarmos nosso entendimento sobre a
relevância prática dessas categorias, vamos analisar um caso prático.
Pedro e Maria mantêm um relacionamento amoroso há quase dez anos,
caracterizado por sua continuidade, visibilidade pública e affectio
maritalis, mesmo nunca tendo compartilhado um mesmo lar. Pedro
sempre residiu na cidade de Cachoeiro, enquanto Maria, sempre foi
domiciliada em Nova Venécia.
Apesar da distância, o casal sempre se comportou como uma
verdadeira família, e assim também eram encarados por seus familiares
e amigos, que acompanham o relacionamento deles há anos.
No entanto, há aproximadamente cinco anos, Pedro iniciou uma relação
simultânea com Manuela, que morava na cidade de Pedro Canário.
Pedro conheceu Manoela em uma viagem de emprego e, desde então,
os dois seguiram como um casal.
Como Pedro nunca residiu perto de nenhuma delas, era fácil para ele
manter o relacionamento com Manuela escondido de Maria e de seus
amigos e familiares. Ele alegava constantemente que teria que passar
longos períodos viajando por razões profissionais, quando na verdade
suas viagens eram para passar um tempo de qualidade com Manuela.
A comunidade de Pedro Canário, alheia ao vínculo preexistente entre
Pedro e Maria, passou a considerar a relação de Pedro e Manuela como
contínua, pública, com affectio maritalis e a intenção evidente de
construir uma família.
Essa visão era reforçada pelo comportamento de Manuela, que sempre
apresentou Pedro aos seus amigos, familiares e vizinhos como amor de
sua vida e futuro pai de seus filhos, bem como sempre externou para
eles seu desejo de seguir compartilhando, para sempre, a sua vida com
ele.
Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos!
Questão 1
Considerando seus conhecimentos jurídicos sobre o tema da união
estável, assinale a alternativa que descreve corretamente como
deve se enquadrar, juridicamente, o relacionamento de Pedro e
Maria:
A
A relação deles não configura união estável, visto
que apenas a partir do reconhecimento formal da
convivência por meio de uma escritura pública
registrada em cartório seria possível considerá-los
como em união estável.
B
Com as informações apresentadas no enunciado
não é possível dizer que o casal se encontra em
união estável, visto que a doutrina e a jurisprudência
consideram o efetivo compartilhamento de
despesas como o único critério indispensável para a
configuração da união estável, fato que não resta
claro a partir dos dados apresentados.
C
Trata-se de uma união estável, visto que o casal
cumpriu o requisito temporal expressamente
previsto em lei de cinco anos de convivência para
que reste configurada a união estável.
Parabéns! A alternativa E está correta.
As informações extraídas do enunciado indicam que Pedro e Maria
convivem de forma pública, contínua e duradoura com o intuito de
constituir família, cumprindo, dessa forma, os requisitos apontados
pela doutrina e jurisprudência brasileiras como necessários à
configuração da união estável.
Questão 2
Caso Pedro decida encerrar sua relação com Maria, escolha a
alternativa correta que descreva as hipóteses em que isso seria
possível:
D
Não é possível considerá-los como conviventes em
união estável, porque a jurisprudência,
pacificamente, exige a coabitação como requisito
para a sua configuração.
E
Pedro e Maria são conviventes em união estável,
visto que são duas pessoas que se apresentam
socialmente como um casal e convivem de forma
contínua, duradoura, estável e com o intuito de
constituir família.
A
A extinção da união estável pode ocorrer a partir de
suas causas principais: da morte de Pedro ou de
Maria e da dissolução da união estável.
B
A união estável, como situação jurídica de fato,
apenas extingue-se com a morte de Pedro e de
Maria.
C
Apenas é possível realizar a dissolução da união
estável judicialmente, sendo impossível que Pedro e
Maria façam isso consensualmente em cartório.
Parabéns! A alternativa A está correta.
A dissolução da união estável desempenha um papel importante ao
extinguir os efeitos pessoais e patrimoniais decorrentes da relação.
A dissolução amigável pode ser formalizada por meio de
instrumento particular ou por escritura pública em Cartório de
Notas, desde que Pedro e Maria concordem com todos os seus
termos e que Maria não esteja grávida. Não podendo ser realizada
de forma amigável, a dissolução da união estável deve ocorrer de
forma litigiosa, ou seja, Pedro ou Maria devem ajuizar uma ação
específica em vara de família para reconhecimento e dissolução da
união estável.
Questão 3
Pedro e Manuela buscam você, como advogado, para entender melhor
as implicações jurídicas de sua relação. A partir das informações
apresentadas pelo casal, é possível dizer que a relação do casal se
caracteriza como uma união estável? A existência de alguma hipótese
de impedimento ou suspeição para o casamento mudaria a sua
resposta anterior? Por fim, é possível o reconhecimento de união estável
entre Pedro e Manuela?
Digite sua resposta aqui
Chave de resposta
D
A extinção da união estável não pode ser requerida
judicialmente a qualquer tempo, sendo necessária a
comprovação que Pedro e Maria já convivem há
determinado período especificado em lei para que
seja requerida.
E
A dissolução da união estável sempre poderá ser
feita em cartório, mesmo que Pedro não concorde
com a sua realização.
Para responder a essa questão, é necessário relembrar
quais são os requisitos necessários para a caracterização
de uma união estável. São eles:
Publicidade.
Continuidade.
Durabilidade.
Estabilidade.
Ausência dos impedimentos enumerados no art.
1.521 (exceto inciso VI) do Código Civil.
Intenção de constituir família.
Affectio maritalis.
A partir dos dados apresentados, é possível inferir que a
relação entre Pedro e Manuela possui os atributos
necessários à configuração da união estável. Conforme
enunciado,a relação entre eles sempre foi contínua, pública,
com affectio maritalis e intenção de constituir família. O
fato de o casal nunca ter residido junto em nada afeta essa
caracterização, visto que a coabitação não representa um
requisito essencial à configuração da união estável.
No que se refere à eventual existência de uma hipótese de
impedimento ou suspeição, é necessário diferenciar esses
dois cenários. Havendo uma hipótese de impedimento para
o casamento (art. 1.521 do Código Civil), a configuração da
união estável entre Pedro e Manuela restaria
impossibilitada. A única exceção a essa regra refere-se ao
art. 1.521, inciso VI. Segundo dispõe o § 1º do art. 1.723, a
existência de separação de fato ou judicial não impede a
constituição da união estável. A existência de qualquer
causa suspensiva do casamento, conforme art. 1.523 do
Código Civil, não impede a configuração da união estável.
Por sua vez, a partir do julgamento do Recurso Especial
1.045.273, o Supremo Tribunal Federal firmou o
entendimento de que a preexistência de casamento ou de
união estável de um dos conviventes, ressalvada a exceção
do artigo 1.723, § 1º, do Código Civil, impede o
reconhecimento de novo vínculo referente ao mesmo
período, inclusive para fins previdenciários, em virtude da
consagração do dever de fidelidade e da monogamia pelo
ordenamento jurídico-constitucional brasileiro.
Dessa forma, ainda que a relação de Pedro e Manuela seja
contínua, pública, com affectio maritalis e intenção de
constituir família, não é possível o reconhecimento de união
estável entre eles.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Quais destas pessoas podem ter união estável reconhecida
validamente?
Parabéns! A alternativa E está correta.
De acordo com o § 1º do art. 1.723, a união estável não se
constituirá se ocorrerem os impedimentos do art. 1.521. Por outro
A
O companheiro ou cônjuge sobrevivente com o
condenado por homicídio ou tentativa de homicídio
contra o seu cônjuge ou companheiro.
B As pessoas casadas.
C
O adotante com quem foi cônjuge do adotado e o
adotado com quem o foi do adotante.
D Os afins em linha reta.
E
O divorciado, enquanto não houver sido homologada
ou decidida a partilha dos bens do casal.
lado, o § 2º do art. 1.723 dispõe que as causas suspensivas do art.
1.523 não impedirão a caracterização da união estável.
Questão 2
João, aos 72 anos, passa a viver junto com Maria, que tem 45 anos.
Procuram um advogado que redige um contrato de união estável, no
qual João e Maria reconhecem que vivem como companheiros e
escolhem o regime da comunhão universal de bens. Quanto a essa
situação, assinale a alternativa correta:
Parabéns! A alternativa B está correta.
Maiores de 70 anos podem casar e constituir união estável, porém,
o regime deve ser, obrigatoriamente, a separação total de bens (art.
1.641, II). Não é obrigatória a forma pública para o contrato.
A
O contrato é nulo, pois pessoas maiores de 70 anos
não podem casar e não podem constituir união
estável.
B
A escolha do regime da comunhão universal de
bens é nula, pois o regime de bens para o
casamento e a união estável de maiores de 70 anos
deve ser a separação total de bens.
C
A escolha do regime da comunhão universal de
bens é nula, pois a lei fixa que o regime de bens da
união estável deve ser a comunhão parcial de bens.
D
A relação entre João e Maria é um concubinato
impuro por causa da idade de João e, por isso, o
regime de bens deve ser a separação total de bens.
E
O ato é nulo porque o contrato de união estável deve
ser realizado em cartório.
Considerações �nais
Este conteúdo foi destinado a demonstrar como são os requisitos
essenciais de constituição do casamento e da união estável e, a partir
daí, demonstrar como devem ser constituídas essas entidades
familiares e quais as consequências da constituição de cada uma.
A abordagem realizada foi destinada a apresentar não somente
aspectos teóricos, mas, também, e principalmente, os aspectos
práticos.
É preciso ter em mente que os requisitos constituintes são matérias
discutidas em ações judiciais. Logo, é um campo fértil de atuação
profissional.
Podcast
Para encerrar, ouça um resumo sobre casamento e união estável, seus
requisitos e as diferenças principais entre essas figuras jurídicas.

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O divórcio virtual e o e-notariado: a era da desmaterialização dos
procedimentos extrajudiciais, de Patrícia Novais Calmon,
publicado em 12 jun. 2020. O material explica o Provimento nº 100
do Conselho Nacional de Justiça, que instituiu o sistema de atos
notariais eletrônicos, denominado e-Notariado. A partir dele, o
divórcio passa a se operacionalizar de modo virtual.
A constituição da união estável e a importância da sua
dissolução, de Patrícia Diniz Navarro, publicado em 3 ago. 2020. O
artigo analisa a importância de se proceder com a dissolução da
união estável, uma vez que a união estável gera efeitos pessoais e
patrimoniais na vida dos conviventes, os quais devem ser extintos
e partilhados quando da separação de fato dos companheiros.
Divórcio unilateral extrajudicial, de Leonardo Dalto Romero,
publicado em 1 nov. 2021.
Quais são os direitos na união estável? de Danielle Santos,
publicado em 18 set. 2020. O artigo analisa as recentes decisões
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Divórcio extrajudicial: guia simplificado passo a passo, de Marco
Jean de Oliveira Teixeira, publicado em: 8 set. 2020. Trata-se de
material que explica como é o procedimento do divórcio
extrajudicial e quais são os requisitos e os documentos que os
cônjuges devem reunir para levá-lo ao cartório.
Referências
DINIZ, M. H. Curso de Direito Civil Brasileiro. Vol. 5 – Direito de Família.
34. ed. São Paulo: Saraiva, 2020.
FARIAS, C. C. de; ROSENVALD, N. Curso de Direito Civil. Vol. 6 –
Famílias. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2021.
GONÇALVES, C. R.. Direito Civil Brasileiro. Vol. 6 – Direito de Família. 18.
ed. São Paulo: Saraiva, 2021.
ROMERO, L. D. Divórcio unilateral extrajudicial. 1 nov. 2021.
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