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Vamos falar sobre comportamento respondente e operante, estímulo discriminativo, tríplice contingência, reforço, punição, extinção e mais. Preparados? Vamos lá! Será disponibilizada apostila e vídeos-aulas referentes a este módulo e artigos científicos como sugestão para leitura complementar. No final do módulo, será necessário executar a atividade solicitada pelo orientador, que deverá ser encaminhada conforme orientações disponibilizadas no documento da avaliação. Bons estudos! Vivências Espaço Terapêutico – Profissional: Arlete G. P. Avila – Neuropsicopedagoga especialista em ABA – SBNPp 1336 (45) 98821-3953 - espacovivencias@hotmail.com ANÁLISE DO COMPORTAMENTO APLICADA – ABA A Análise do Comportamento Aplicada é uma ciência com foco no comportamento humano. Utilizando observação e mensuração, identifica fatores ambientais que interferem no comportamento e traça um caminho de intervenção para intervir em comportamentos considerados inadequados socialmente e ensinar habilidades que melhorem a qualidade de vida da pessoa. São foco da ABA o ensino de habilidades básicas, comunicativas, sociais, de autocuidado, pré-acadêmicas e acadêmicas. Importante salientar que ABA se baseia na manipulação do ambiente com objetivo de modificar comportamentos. Comportamentos estes que podem ser observáveis, mensuráveis e objetivamente definidos. A Análise do Comportamento Aplicada NÃO OBJETIVA MUDAR PENSAMENTOS OU EMOÇÕES. Seu foco sempre será o COMPORTAMENTO e a sua modificação. DIMENSÕES DA ABA A Análise do Comportamento Aplicada se preocupa com a pesquisa e o desenvolvimento de procedimentos que possam ser eficazes para problemas comportamentais e, por isso, em 1968, publicou um artigo com critérios específicos para adequação de pesquisa e prática em ABA. O artigo foi publicado no Jornal Jaba (Journal of Applied Behavior Analysis) e seus autores foram Baer, Wolf & Risley. Estes critérios são conhecidos como as 7 Dimensões da ABA e são importantíssimos até os dias atuais. Todo Analista Comportamental deve adequar sua prática a estes critérios. 1 – Aplicada: Já sabemos que o objeto de estudo e intervenção da ABA são os comportamentos e a relação com o meio. Então, é importante que a intervenção tenha por objetivo a mudança comportamental de forma substancial e significativa para a pessoa. Aplicar conhecimentos teóricos com vistas a modificar um comportamento e propiciar uma melhoria na qualidade de vida. 2 – Comportamental: O comportamento é o objeto de estudo, observação, mensuração e intervenção. Ele é o foco, o centro da ABA. É necessário definir de forma clara e objetiva o comportamento, escolher a melhor forma de observá-lo, traçar metas de intervenção e mensurar. Não existe ABA sem registro, sem mensuração. Para que tudo isto seja feito de forma adequada, a base teórica da ciência deve ser a base. Nada de subjetividade. Totalmente objetiva, clara e concisa. 3 – Analítica: Produz prova das relações funcionais entre comportamento e ambiente. Nos mostra se a intervenção foi a responsável pelas mudanças mensuradas no comportamento alvo. 4 – Tecnológica: A intervenção deve ser detalhadamente descrita, de modo que qualquer outra pessoa seja capaz de executá-la. Utilize linguagem clara e objetiva. 5 – Conceitual: A linguagem utilizada deve ser correta do ponto de vista conceitual, evitando ambiguidades. Estar sempre estudando os fundamentos da ABA, seus preceitos e cuidando para utilizar os termos e procedimentos corretos. Esta dimensão relaciona procedimentos para os comportamentos alvo. 6 – Eficaz: As técnicas comportamentais têm como resultado modificações do comportamento socialmente significativas. A intervenção deverá propiciar o aprendizado e a modificação comportamental necessária. 7 – Generalização: A intervenção deverá ser durável, propiciar e instalar o aprendizado; deverá ser estendida para qualquer ambiente, com qualquer pessoa e se estender para outros comportamentos. Análise do Comportamento Aplicada a pessoas com TEA Aba pode ser utilizada na intervenção de pessoas com TEA de três formas: 1. Demanda específica (uma ou algumas demandas-birras etc) 2. Subsidiando uma intervenção padrão (Exemplo PECS) 3. Intervenção comportamental intensiva (15 a 40 horas semanais = maior resultado, mas custo elevado e poucos profissionais capacitados) É fundamental o trabalho em equipe multidisciplinar, com participação da família e escola. Vimos que ABA considera os comportamentos que podem ser observados, mensurados e modificados. Esta é a base de tudo. Não esqueçam! Modificação de comportamento é o mesmo que aprendizagem. E a aprendizagem é necessária a qualquer espécie, pois garante a sobrevivência. Para nós humanos, nos propicia sobreviver, andar, falar e outros comportamentos mais complexos. Behaviorismo começou com Watson. Ciência do comportamento que só lidasse com atos comportamentais observáveis, passíveis de descrição objetiva em termos de estímulo e resposta. Já Ivan Pavlov, queria uma maneira de controlar e modificar comportamentos. Testou esta teoria com cães, de forma a condicionar a salivação pareando sino a ração. Comportamento Respondente Comportamento não voluntário. Inclui as respostas que são produzidas por estímulos antecedentes do ambiente. Exemplos: Contração da pupila -luz forte; salivação – gota de limão na ponta da língua • São interações estímulo X resposta (ambiente-sujeito) incondicionadas, que independem de aprendizagem. Generalização Respondente Algumas respostas comportamentais são reflexos incondicionados (inatas) e outras são reflexos condicionados – acontecem devido ao emparelhamento com situações agradáveis ou aversivas simultâneas ou imediatas. Por meio da repetição dos emparelhamentos é possível criar ou remover respostas fisiológicas e psicológicas em seres humanos e animais. Exemplo: fobia em humanos (falar em público). Estímulos que se assemelham fisicamente ao estímulo condicionado podem passar a eliciar resposta condicionada em questão. Behaviorismo na Atualidade Atualmente não se entende mais o comportamento como uma ação isolada de um sujeito, mas sim, como uma interação entre aquilo que o sujeito faz e o ambiente onde seu “fazer” acontece. •Estuda as interações entre o indivíduo e o ambiente, entre as ações do indivíduo (respostas) e o ambiente (estimulações). E isto se deve a Skinner, cuja teoria tem por base a formulação do COMPORTAMENTO OPERANTE. COMPORTAMENTO OPERANTE Inclui todos os movimentos de um organismo que têm efeito sobre ou faz algo ao mundo ao seu redor. Opera sobre o mundo direta ou indiretamente. Exemplo: tocar um instrumento, escrever algo, andar pela sala etc. • Um comportamento vai ser controlado pelo que aconteceu antes e pelo que pode acontecer depois. Exemplo: posso adorar comer chocolate, mas se eu já tiver comido muito chocolate, mesmo gostando,provavelmente não vou aceitar. • Experimento feito com ratos para verificar como as variações no ambiente interferiam nos comportamentos. Experimentos como este nos permitiram fazer afirmações sobre as Leis Comportamentais. Caixa de Skinner 1 - Que resposta se esperava do ratinho? Que ele pressionasse a barra. 2 - Como isso ocorreu pela primeira vez? Por acaso. 3 - Por ter obtido água ao encostar na barra quando sentia sede -probabilidade alta de que pressionaria novamente. 4 - Comportamento Operante • O que a pessoa faz - RESPOSTA • O que a pessoa faz em determinado contexto - COMPORTAMENTO • Para falar em COMPORTAMENTO é fundamental considerar o contexto no qual a RESPOSTA acontece. O que propicia a aprendizagem dos comportamentos é a ação do organismo sobre o meio e o efeito dela resultante - a satisfação de uma necessidade, ou seja, a aprendizagem está na relação entre uma ação e seu efeito. Exemplos: Podemos dançar para estar próximo do corpo do outro; tocar um instrumento para ouvir seu som; abrir uma janela para entrar a luz, etc... Relação Fundamental • É a relação entre a ação do indivíduo (emissão da resposta) e as consequências. • É considerada fundamental porque o organismo se comporta (esta ou aquela resposta), sua ação produz uma alteração ambiental (uma consequência) que, por sua vez, retroage sobre o sujeito, alterando a probabilidade futura de ocorrência. • Agimos ou operamos sobre o mundo em função das consequências criadas pela nossa ação. Comportamento: modifica o ambiente. Andar pela sala: modifica o ambiente- gera uma consequência que gera uma “resposta”. Sede: comportamento produziu água: repito o comportamento quando tiver sede. Choque ao tocar uma tomada: não repito o comportamento O comportamento sempre ocorre dentro de um contexto: O que nos faz prestar a atenção: “a consequência”. Com base nas consequências > cria-se sentido CONTROLE DE ESTÍMULOS Nossos comportamentos podem variar dependendo do contexto. A forma como nos comportamos em uma igreja difere do nosso comportamento em uma festa. A piada pode ter consequências diferentes se contada em um bar ou reunião de trabalho. Chamamos de contexto o ambiente, a situação em que um comportamento ocorre. A discriminação de estímulos ocorre quando há consequências diferentes para um mesmo comportamento, em diferentes situações. Então contexto pode ser entendido como conjunto de estímulos que antecede a resposta (comportamento) e altera a probabilidade de emissão de determinadas respostas. Um mesmo estímulo pode levar a respostas diferentes dependendo do contexto. Aprendemos a discriminar por treino, através da consequência dos nossos comportamentos. É o que chamamos de tríplice contingência. Imagem retirada do Portal Comportese (https://comportese.com/2016/05/30/analisefuncional) REFORÇO É um tipo de consequência do comportamento que aumenta a probabilidade de um determinado comportamento voltar a ocorrer. Reforço Positivo: Aumenta a probabilidade de o comportamento voltar a ocorrer pela adição de um estímulo reforçador ao ambiente. Reforço Negativo: Aumenta a probabilidade de o comportamento voltar a ocorrer pela retirada de um estímulo aversivo do ambiente. Reforçamento: Reforçamento positivo: oferece algo ao organismo (gotas de água com a pressão da barra). Reforçamento negativo: retirada de algo indesejado (choques). O reforçamento negativo inclui dois tipos de comportamentos que chamamos de fuga e esquiva. A fuga ocorre quando interrompemos a ocorrência de um estímulo desagradável e a esquiva quando evitamos o contato com esse estímulo. Se esses comportamentos vierem a acontecer mais frequentemente no futuro então dizemos que foram reforçados negativamente. Por exemplo, retiramos a etiqueta (estímulo desagradável) de uma camisa nova que estamos vestindo porque está irritando a nuca comportamento de fuga. Toda vez que comprarmos uma camisa nova, iremos retirar a etiqueta antes de vestirmos a camisa para que não incomode comportamento de esquiva. REFORÇO NEGATIVO retirada de um estímulo do ambiente Exemplo; colocar óculos escuros para evitar o sol forte; chorar para terminar uma briga Dor de cabeça: Indivíduo tomou o remédio e o estímulo aversivo que causava dor foi eliminado Reforçador positivo: atenção, olhar, dinheiro, etc. Reforçador negativo: Diretor briguento sai da sala-alívio. Reforçador positivo: Medicação- tomar AAS infantil porque o gosto é bom, não para tirar dor. (Criança). Reforçador negativo: Medicação- altera ambiente biológico- retira a dor de cabeça. CONTEXTO EM QUE O COMPORTAMENTO ACONTECE = CONTINGÊNCIA Contingência do comportamento de birra/ Reforço positivo Contingência de reforço negativo FICA A DICA: • Estímulos antecedentes não causam automaticamente as respostas, eles aumentam ou diminuem a probabilidade de uma resposta acontecer. • É preciso observar os estímulos antecedentes para o planejamento educacional da criança com TEA. Dependendo de como você apresenta uma atividade, aumenta ou diminui a probabilidade dele se envolver. • Exemplo: você precisa que a criança realize uma atividade de colorir. A criança leva o giz de cera a boca. Uma intervenção para este comportamento poderá ser substituir o giz de cera por lápis de cor ou canetinha. • O que reforça ou pune uma determinada resposta pode variar de pessoa para pessoa e de um contexto para outro. • Não existem itens reforçadores ou punitivos para todas as pessoas. Chocolate pode ser reforçador para uma pessoa e punitivo para outra que tem alergia. • Dor - aversivo para muitas pessoas, mas não para outras. Frequentadores de academia interessados em hipertrofia - dor muscular é reforçadora. Mesmo frequentador com lesão muscular - pode ser aversivo. ESQUEMA DE REFORÇO CONTÍNUO Sempre que o comportamento é emitido= a consequência reforçadora é liberada. EX: Toda vez que a criança aponta para uma maçã, quando ouve o nome: “maçã”, a criança recebe o elogio. ESQUEMA DE REFORÇO INTERMITENTE É aquele onde nem todos os comportamentos desejados são reforçados, somente alguns. São de 4 tipos: Razão fixa – o reforço é dado depois de um número fixo de respostas corretas. Exemplo: uma criança recebe uma bala (reforço) após responder corretamente 5 treinos de imitação motora. Razão variável - O reforço é dado após uma média de respostas corretas. Exemplo: Pedir à criança para resolver 20 questões de matemática, mas dar a bala a qualquer momento entre 15e 20 respostas corretas (razão variável). Intervalo fixo - O reforço é dado para a primeira resposta correta depois que um intervalo específico de tempo tenha se passado. Exemplo: um professor checa se os alunos estão estudando em silêncio na biblioteca a cada 30 minutos (intervalo fixo) e os parabeniza (reforço) por estudarem em silêncio. Os alunos aprenderão que só precisam estudar em silêncio ao final década 30 minutos. Intervalo variável - O reforço é dado após um período variável de tempo. Exemplo: Professor entra na biblioteca em silêncio a qualquer momento. TIPOS DE REFORÇO DIFERENCIAL 1. DRI – REFORÇO DIFERENCIAL DE COMPORTAMENTOS INCOMPATÍVEIS Este tipo de reforçamento consiste na liberação do reforço depois de uma ou mais ocorrência de um comportamento que seja topograficamente incompatível com o comportamento inadequado. Por exemplo, o comportamento que queremos colocar em extinção são os flappings quando a criança assiste TV. Portanto escolheremos um comportamento incompatível a esta topografia, como por exemplo, bater palmas. Portanto, reforçamos um comportamento topograficamente incompatível ao que queremos colocar em extinção. (Exemplo retirado do site Mundo Kids ABA) 2. DRO– REFORÇO DIFERENCIAL DE OUTROS COMPORTAMENTOS Constitui a liberação ao reforço após um determinado intervalo de tempo, onde o comportamento inadequado não é emitido, reforçando-se a ocorrência de qualquer outra conduta comportamental que não seja aquela que se pretende reduzir a frequência ou se extinguir. Por exemplo, a criança que costuma ver TV fazendo flapping (balançar as mãos). Reforçaremos qualquer outro comportamento, em um intervalo de tempo, que o comportamento de fazer flapping não acontecer, podendo ser, por exemplo, levantar as mãos, o qual não é incompatível ao flapping. (Exemplo retirado do site Mundo Kids ABA) 3. DRA – REFORÇO DIFERENCIAL DE COMPORTAMENTOS ALTERNATIVOS É um Reforço Diferencial de comportamentos Alternativos: Em DRA reforçamos comportamentos alternativos já ensinados para o aluno. Este comportamento não precisa, necessariamente, ser incompatível ao que será colocado em extinção. Ainda seguindo o exemplo do flapping, podemos ensinar o aluno a ter um objeto sensorial para segurar enquanto assiste a TV. Com isso será possível fazer uma substituição, o aluno deixará de fazer o flapping e irá segurar/manusear o item sensorial. (Exemplo retirado do site Mundo Kids ABA) 4. DRL – REFORÇO DIFERENCIAL DE BAIXO ÍNDICES DE COMPORTAMENTO Em DRL reforçamos, em intervalo fixo, se houve um número X do comportamento inapropriados. O objetivo será de reduzir o número de comportamentos inapropriados por intervalo fixo de tempo até acontecer a extinção (ausência) dos mesmos. Por exemplo, em 10 minutos, a criança apresentou 5 comportamentos inapropriados com topografia de flapping enquanto assistia TV. Passados 10 minutos, haverá reforço. Caso, nos próximos 10 minutos haja 5 ou menos comportamentos iguais, haverá reforço novamente. Se houver mais comportamentos com está topografia, não apresentaremos o reforçador. (Exemplo retirado do site Mundo Kids ABA) TIPOS DE REFORÇADORES (ORIGEM) • Reforços primários (toda espécie), incondicionado ou inato - água, alimento e afeto. • Reforços secundários adquirem a função quando são pareados temporalmente com os primários. Tornam-se reforçadores através da aprendizagem. • Reforçadores generalizados quando emparelhados com muitos outros. Ex: dinheiro e aprovação social. TIPOS DE REFORÇADORES (NATUREZA) • Materiais ou tangíveis: bola, bicicleta etc. • Comestíveis ou Manipuláveis: balas, chocolates, bolo, maçã... • Social: elogios • Atividade – comportamentos agradáveis: ir ao cinema • Princípio Premack - procura fazer com que comportamentos mais motivadores funcionem como reforçadores dos comportamentos menos interessantes para incentivar a sua realização. Em outras palavras, eu poderia usar minha paixão por séries como um mecanismo de recompensa para estudar algumas horas de alemão por dia. Reforçador é base em ABA. Para a intervenção é necessário descobrir quais os reforçadores que motivam a criança. Utilize o teste de preferências. Guarde um super reforçador para o ensino de habilidades que exijam mais empenho da criança. Link: avaliação de preferências https://www.youtube.com/watch?v=A2cfZeKgkv4 Um questionário de avaliação de preferências estará disponível juntamente com o material na plataforma do curso e no drive. Quando se trata de comportamentos auto-estimulatórios, é mais difícil manejar, porque são automáticos e por definição auto reforçadores. Você precisa achar um reforçador MAIOR do que o desenvolvido pela criança: frequentemente, um grande desafio. Aprenderemos manejo comportamental em outro módulo do curso. Para cada função será passado o manejo adequado. Mas deixarei aqui um exemplo: • Redirecione o comportamento para um substituto mais apropriado. Por exemplo, se a criança tem um comportamento auto-estimulatório de bater palmas, você poderia interrompê-lo e redirecioná-lo para uma atividade de música, como bater num tambor, ou tocar pratos, caso o ruído das palmas seja o que mantém o comportamento. Se for a estimulação sensorial que estiver mantendo o comportamento, o comportamento poderia ser redirecionado para uma atividade com massinha ou argila. • Coloque os comportamentos auto-estimulatórios sob seu controle. Neste caso, a criança precisaria estar envolvida em uma atividade de aprendizagem para ganhar o comportamento auto-estimulatório como reforçador. terapeuta controla a quantidade e o momento dele. Em última instância ele seria pareado com e substituído por outro reforçador mais apropriado. • Faça perguntas ou pratique ecoicos para interromper comportamentos auto estimulatórios verbais, ou atrapalhe a emissão do mesmo. Por exemplo, se ela gosta de repetir uma frase inúmeras vezes, você pode inserir uma palavra na frase para que esta perca seu valor reforçador. Imagine-se tentando cantar uma canção e alguém interrompendo com observações bobas, ou com um tom errado: provavelmente vai acabar desistindo porque a canção perdeu valor para você. Como utilizar reforçadores: Associe a si mesmo com o reforço. Parear a si mesmo com os estímulos de preferência da criança. Assim conseguirá controle instrucional sobre a criança e ampliará o tempo de atenção conjunta. Torne o ambiente reforçador (prazeroso) Vá de um esquema de reforçamento contínuo (reforçar todas as vezes) para um intermitente (reforçar algumas vezes) O reforço precisa ser oferecido imediatamente após o comportamento Mude o grau de reforçamento de acordo com o nível da realização. Para algo de nível maior de esforço, o reforçador deve ser de alta magnitude Mantenha sua entonação e expressões faciais consistentes com sua mensagem Elogie, festeje com a criança Só ensine um novo comportamento, se o passo anterior já estiver aprendido e estabelecido. Divida a tarefa em passos menores. Varie seu repertório de entonação vocal, timbre, tom etc Monitore sempre a eficácia dos reforçadores. Tenha sempre mais de um como garantia. O reforçador não manterá sua função para sempre. Amplie o repertório de reforçadores: maior interesse de vários estímulos (não foque em um tipo somente) Pareie o reforço com elogio Treine a criança em vários ambientes para que ocorra generalização do comportamento. a) Especifique com precisão o comportamento a ser modificado. Seja claro e objetivo. b) Identifique e selecione reforçadores eficazes (especificidade e variedade). c) Administre os reforçadores imediatamente (sem atraso). d) Aplicação contingente (após o comportamento sempre dê o reforçador). e) Controlar contingências concorrentes. f) Evite a saciedade dos reforçadores. g) Estime a quantidade ideal do intensificador: privação / saciedade e esforço. h) Ajustando ao programa de reforço do conjunto. i) Generalização e desbotamento: projete uma mudança no programa de reforço, quando apropriado. Falando em reforço, muitas crianças apresentam comportamentos disruptivos para obterem atenção, por algo tangível, por fuga/esquiva de demanda ou por disfunção sensorial. Vamos aprender a identificar e manejar estes comportamentos em outro módulo do curso. EXTINÇÃO DO COMPORTAMENTO Resposta deixa abruptamente de ser reforçada. Resposta diminui de frequência ou deixa de ser emitida. •Usar somente em situações específicas. •Efeito inicial muito intenso - Ex: namoro. •Crianças com TEA-aumenta a autoagressão. PUNIÇÃO DE COMPORTAMENTO Consequência de uma resposta quando há apresentação de um estímulo aversivo ou remoção de um reforçador positivo. • Punição positiva: acrescenta algo aversivo. Ex: criança faz xixi na cama, mãe grita. • Punição negativa: retira algo reforçador. Ex: criança desobedece, mãe tira a boneca. Punir ações leva à supressão temporária da resposta, sem alterar a motivação. A supressão do comportamento punido só é definitiva se a punição for extremamente intensa, isto porqueas razões que levaram a ação-que se pune - não são alteradas com a punição. Exemplo: Trânsito. •Apesar das punições aplicadas aos motoristas nas infrações de trânsito, elas não motivam a alteração de comportamento, antes esquiva e fuga. A PUNIÇÃO SÓ FUNCIONA PERANTE O AGENTE PUNIDOR. NÃO HÁ APRENDIZAGEM E NEM MODIFICAÇÃO DO COMPORTAMENTO. Por que não utilizar punição? 1. Criança não aprende como deve se comportar. Ensinamos somente o que não se deve fazer, mas não as formas alternativas de se comportar. 2. Contaminação do ambiente. Vários estímulos presentes no ambiente em que a criança foi punida podem adquirir função aversiva. Ex: Uma criança recebeu palmada porque gritou na padaria. Se sente ansiosa e pode passar mal ao chegar em frente padaria. E poderá passar a evitá-las para não sofrer punição 3. Contra controle - Criança apresenta nova resposta para evitar o controle sobre seu comportamento. Exemplo: Criança chora e o adulto belisca: ao invés de parar, começa a gritar, espernear ou morder quem a beliscou. 4. Eliciação de respostas emocionais. • Supressão de outros comportamentos além do punido. • Emissão de respostas incompatíveis ao comportamento punido Por Que Punimos Tanto? Porque somos imediatistas e queremos logo a consequência. Eficácia não depende de privação. Fique ligado Facilidade no arranjo das contingências. Alternativas ao controle aversivo Extinção em vez de punição. Reforçamento diferencial. Utilize!!! Aumento do uso de reforços para outras alternativas A Repetição Propicia O Aprendizado. Então Vamos Relembrar: Imitar atividades simples/ até que aprendam sozinhas. GENERALIZAÇÃO. Crianças típicas - possuem motivação natural: “Social”. Aprendem a importância da aprendizagem. TEA - aprendizagem sem sentido. ABA - motivação artificial - manipulação de reforçadores. Terapia adequada - todo tempo motivar/ usar o reforçador. Variar reforçadores constantemente. Estímulo: Interfere nosso comportamento Redes neuronais de preferência. ABA Ensino gradual Registro constante Intensiva, diretiva e relacional Considerar os pré-requisitos ABA não acredita em falha. Não é a criança que não aprende, mas o método utilizado que não está sendo adequado. Não culpar a criança. Estratégia não funciona= muda para outra mais funcional. Rever estratégia sempre. FORMA E FUNÇÃO DO COMPORTAMENTO Diferenciar “forma” ou “topografia” e “função” do comportamento. Qual a função? Para que serve? Podem existir formas diferentes de comportamento com mesma função. Ou formas iguais de comportamento com funções diferentes. Exemplo: Formas diferentes - mesma função: Ganhar Coca-Cola: Se bate, grita, bate o pé. Como saber o que mantém um determinado comportamento? Simples. Fazendo a Análise Funcional deste comportamento. Relação causa e efeito: relação funcional. O que acontece antes e o que aconteceu depois do comportamento? Consequência.... Se o comportamento ocorre com frequência está sendo reforçado Qual o reforço? Retire. Vamos fazer a análise deste comportamento? A consequência aumentou ou diminuiu a probabilidade de o comportamento voltar a acontecer? Qual a função deste comportamento? Análise funcional experimental Manipular variáveis para entender comportamento. Identificar em quais variáveis o comportamento ocorre. Funções: Atenção, Tangível, Fuga/Esquiva de Demanda, Busca Sensorial, Comunicação e Controle. A Análise do Comportamento está preocupada com a função, não com a topografia da resposta. Topografia = Comportamento de rir Achar engraçado x estereotipia Topografia = Comportamento de chorar frente à uma demanda Fugir da demanda x sensibilidade sensorial Avalie como o comportamento foi aprendido; Em que condições o mesmo acontece; Quais são os antecedentes históricos para o comportamento, ou seja, o que possivelmente o mantém; Quais os eventos antecedentes e consequentes imediatos à resposta. Nomeando comportamentos problemas Perspectiva Cultural Perspectiva Da Análise Do Comportamento Comportamentos indesejáveis Comportamentos inadequados Comportamentos inadequados Comportamentos disruptivos Problemas de comportamento Comportamentos aberrantes Birra Comportamento de jogar-se no chão, bater, gritar etc... Comportamento agressivo Bater, morder, chutar, etc Autoagressão Se bater, se morder, etc Entre outras formas, de região, para região Em qualquer lugar, para qualquer cultura e pessoa inserida na mesma. Classes de Comportamentos citadas em textos da Análise do Comportamento: Comportamentos inadequados Falta de habilidades sociais comunicativas; Falta de comportamentos sociais positivos; Agressão - comportamentos que tem a função de machucar, lesar ou destruir; autolesão - comportamentos que produzem lesões no próprio corpo do indivíduo que os emite; Birra - conjunto de comportamentos como chorar, gritar, jogar objetos, atacar pessoas, entre outros; Estereotipia - comportamentos repetitivos sem função aparente; e comportamento relacionado à sexualidade – comportamentos referentes à exposição, manipulação dos órgãos sexuais em si ou em outro, além da masturbação em lugar impróprio; Comportamentos problema; Comportamentos indesejados; Comportamentos que contribuem para a estigmatização social dos portadores de deficiência mental (FORNASARI, 2007); (FORNASARI et al., 2009); (KAISER; HESTER, 1997). Comportamentos disruptivos Comportamentos relacionados à violência; Comportamentos de indisciplina; Comportamentos que produzem consequências negativas tanto para o próprio indivíduo que se comporta quanto para outros que ele possa afetar. (BARROS; BENVENUTI, 2012); (LOURENÇO; PAIVA, 2010). Algumas classes de Comportamento Auto e Hetero Agressão – Variáveis que controlam o comportamento Estímulos Antecedentes Estímulos Consequentes Biológicos – Condições estomacais, euforia, fome, sono etc. Biológicos – Condições sensoriais, dor, condições prazerosas, etc Ambientais – Excesso de estímulos, pessoas, demandas etc. Ambientais – Pessoas, mudança no ambiente etc. História de reforçamento – Componentes presentes no ambiente, que se associam à situações previamente vividas História de reforçamento – Condições nas quais o comportamento ao ser emitido, ganhou função Análise a ser feita: A pessoa agride o outro? Causa danos a si mesmo ou outros? Isto atrapalha sua socialização e/ou desenvolvimento/aprendizagem? Perceba as contingências: Se... Então...; Consequências se tornam estímulos para uma nova resposta; Respostas alteram a percepção de outros e a nossa sobre a criança; Condições de auto e hétero agressão, modificam nossas expressões faciais frente à situação; O adulto espera sessar rapidamente a ação. Fuga e Esquiva de Demanda – Variáveis que controlam o comportamento Estímulos Antecedentes Estímulos Consequentes Biológicos – fome, sono, dores etc. Biológicos – Sensações diversas, boas ou ruins, ao realizar ou conseguir deixar a tarefa. Ambientais – Estímulos visuais, estímulos auditivos, nível de dificuldade da tarefa, etc. Ambientais – reações do outro, mudar de ambiente, ausência da tarefa etc. História de reforçamento – situações anteriores que tenham envolvido algum tipo de demanda. História de reforçamento – Condições nas quais o comportamento ao ser emitido, ganhou função Análise a ser feita: Uma interação acontece sempre na presença de uma demanda? A mesma resposta acontece na ausência de demandas? Ao acontecer, causa danos à si mesmo ou à outros? Atrapalha relações sociais? Atrapalha o desenvolvimento da criança? Atrapalha o ensino de habilidades? Percebendo as contingências: Se... Então...;Consequências se tornam estímulos para uma nova resposta; Consequências que retirar a criança de contexto, reforçam seu comportamento, quando função é por fuga ou esquiva de demandas; A inserção de outra demanda pode aumentar ou diminuir a continuidade do comportamento. Birras e Estereótipos – Variáveis que controlam o comportamento Estímulos Antecedentes Estímulos Consequentes Biológicos – dores, sono, fome, desconfortos, doenças etc. Biológicos – diminuição de respondentes, menos coriza etc. Ambientais – pessoas, local, previsibilidade etc. Ambientais – pessoas, reações de outros, mudança no ambiente etc. História de reforçamento – Outras situações vividas na presença de estímulos que desencadeiam o comportamento. História de reforçamento – Condições nas quais o comportamento ao se emitido, ganhou função. Análise a ser feita: Mobiliza pessoas? Estigmatiza a criança? Ao acontecer, causa danos a si mesmo ou à outros? Atrapalha relações sociais? Atrapalha o desenvolvimento da criança? Atrapalha o ensino de habilidades? Percebendo as contingências: Se... Então...; Consequências se tornam estímulos para uma nova resposta; Respostas alteram a percepção de outros e a nossa sobre a criança; O adulto dá condições para que a criança emita outras respostas que podem ter o mesmo objetivo? O adulto espera sessar rapidamente a ação. Estereotipias – Variáveis que controlam o comportamento Estímulos Antecedentes Estímulos Consequentes Biológicos – aceleramento dos batimentos cardíacos, sensações de euforia etc. Biológicos – Autorregulação, sudorese, liberação de endorfina etc. Ambientais – situações prazerosas ou aversivas Ambientais – Atenção de outros, mudanças no ambiente etc. História de reforçamento – Emparelhamento de sensações e situações ambientais História de reforçamento – Condições nas quais o comportamento ao ser emitido, ganhou função. Análise a ser feita: Acontece logo após uma mudança específica no ambiente? As pessoas mudam aspectos ambientais e o comportamento continua acontecendo? Atrapalha relações sociais? Atrapalha o desenvolvimento da criança? Atrapalha o ensino de habilidades? Perceba as contingências: Se... Então...; Consequências se tornam estímulos para uma nova resposta; Respostas motivam questionamentos de outras crianças sobre a criança; Muitas vezes o comportamento não se altera com a mudança de ambiente pensada como consequência para o comportamento É possível fazer análise de estímulos antecedentes mesmo se tratando de comportamentos de estereotipias. IDENTIFICANDO O QUE CONTROLA O COMPORTAMENTO PROBLEMA 1. ANÁLISE DO CONTEXTO O comportamento é apropriado para o contexto? Outras crianças podem ou devem imitar este comportamento? O comportamento causa danos ao ambiente no qual a criança se encontra (considera-se ambiente, objetos, pessoas espaço físico e a própria criança)? 2. ANÁLISE DA FUNÇÃO O comportamento é compatível com a finalidade para qual a resposta é função? O comportamento é entendido pela maioria das pessoas quanto à sua função? 3. QUESTÕES DE ÂMBITO SOCIAL O comportamento gera a repreensão por parte de adultos ou crianças a quem o emite? O comportamento agride outras pessoas? Causa medo em outras pessoas, fazendo com que elas se afastem? Ofende a própria pessoa que emite o comportamento, fisicamente ou moralmente? A resposta pode ser substituída por outra, para que o comportamento seja mais facilmente entendido por diversas pessoas? 4. QUESTÕES DIDÁTICAS O comportamento favorece a aprendizagem? O comportamento é compatível com comportamentos necessários para a aprendizagem (sentar-se, olhar, manter contato visual, olhar para a atividade, atender à comandos)? Quando falamos em variáveis que mantem comportamentos, estamos falando em tudo aquilo que reforça o comportamento. O comportamento apresentado por nosso aprendente deve ser mantido ou extinto? Para reduzir comportamentos considerados inadequados precisamos de estratégias de fortalecimento e/ou enfraquecimento de respostas. Reforçar para reduzir. Selecione a classe de comportamento a ser reforçada ou ensinada ao seu aprendente com base nos Reforços Diferenciais DRI, DRO, DRL ou DRA. Esta apostila termina por aqui. Fique de olho na próxima !!! Referências Bibliográficas Baer, D. M., Wolf, M. M., & Risley, T. R. (1987). Some still-current dimensions of applied behavior analysis. Journal of Applied Behavior Analysis, 20 (4), 313-327. Borrero, C. S. W. & Vollmer, T. R. (2006). Experimental analysis and treatment of multi-ply controlled problem behavior: A systematic replication and extension. Journal of Applied Behavior Analysis, 39, 375-379 Ferster, C. B. Classificação da patologia do Comportamento. In: KRASNER, L.; ULLMAN, L. P. (Orgs.). Pesquisas sobre Modificação de Comportamento. São Paulo: Herder, 1972. p. 393-429. Tradução de C. M. Bori. (Trabalho original publicado em 1965). GOMES, C. G.; VARELLA, A. A.; DE SOUZA, D. G. Equivalência de estímulos e autismo: Uma revisão de estudos empíricos. 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